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Numero do processo: 13770.000740/2003-28
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Ramon F. Almeida, OAB/ES nº 15.846.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Ramon F. Almeida, OAB/ES nº 15.846. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase no presente processo de exame da declaração de compensação (Dcomp) apresentada pelo interessado anteriormente identificado (fl. 10), por intermédio da qual se pleiteia o reconhecimento da existência de créditos da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, apurados segundo o regime de incidência nãocumulativa da contribuição (total: R$ 111.874,77), referentes ao período de apuração de outubro de 2003 (PA 10/2003), conforme expresso no Demonstrativo "Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP" de fl. 01, a serem compensados com débito do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 74 0/ 20 03 -2 8 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 862 2 Estimativa) do período de apuração de dezembro de 2003 (PA 12/2003), no valor de R$ 111.874,77. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitória/ES (DRF/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRF/VIT n° 2.177/2008 e Despacho Decisório (fls. 99/ss.), não reconhecendo o direito creditório pleiteado pelo interessado, e também não homologando a compensação efetuada mediante a declaração de compensação. Eis sua ementa: ASSUNTO: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP — INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA . Período de apuração do crédito: 011/01/2003 a 31/10/2003. CRÉDITO COMPENSÁVEL COM OUTROS TRIBUTOS. O crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições corresponde ao valor apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. O faturamento mensal, definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. CRÉDITOS A DESCONTAR. BASE DE CÁLCULO. Os gastos com armazenagem de mercadoria e com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS não cumulativo a partir de 1º de fevereiro de 2004, com o advento da Lei 10.833, de 2003, que instituiu a Cofins nãocumulativa; A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo; Não dá direito a crédito o gasto com comissões, por não corresponder a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de crédito; Pela essência da lei da não cumulatividade não dá direito ao crédito as aquisições se não houve o recolhimento obrigatório na etapa anterior. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Intimada do despacho decisório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, pedindo que fosse reconhecido seu crédito e, por consequência, homologada a compensação. Julgando o pedido da recorrente, a DRJ, por maioria, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade (fls. 217 e ss.). Efetivamente,a DRJ, por maioria, decidiu manter a glosa sobre as aquisições de pessoas jurídicas inativas, omissas ou com receita declarada incompatível, com base nos arts. 80 a 82 da Lei nº 9.430/1996 e dos arts. 29, 37 e 46 da IN SRF nº 200/2002 e nos fatos abaixo narrados: 16. Dos 39 (trinta e nove) fornecedores tidos pela fiscalização como em situação irregular, 3 (três) deles encontramse, segundo pesquisa Fl. 861DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 863 3 efetuada junto ao sistema informatizado do CNPJ, em situação "inapta" ou "suspensa (inexistente de fato)", vide fls. 169, 200 e 201 (são eles: 1 — "J G Gomes", CNPJ 01.199.605/000116; 2 — "Comércio de Café São Sebastião Ltda.", CNPJ 04.907.469/000160; 3 — "Jairo de Carvalho", CNPJ 05.198.339/000168). 17 Nos termos do art. 82 da Lei n° 9.430/96, considerase, portanto, que os documentos fiscais emitidos pelas empresas que se encontram em tal situação, acima citadas, não produzem efeitos em favor de terceiros interessados, salvo comprovação dos efetivos pagamento e recebimento dos bens adquiridos. 18 Ora, somente para o fornecedor "J G Gomes" se considerados aqueles 3 (três) que se encontram em situação de inaptidão — o interessado anexou, em sua Manifestação de Inconformidade, folha do Livro Razão da conta fornecedores para o mês de outubro de 2003, tendo sido demonstrado, contudo, apenas o pagamento, em 29/10/2003, no valor de R$ 42.000,00, supostamente referente à nota fiscal n° 3599 (data: 30/10/2003; valor: R$ 42.000,00, v. fls. 154/155), muito embora o valor das aquisições glosadas de tal fornecedor no mês tenha alcançado cifra bem superior, de R$ 494.776,00 (v. fl. 91). Tampouco, o manifestante promoveu a comprovação do ingresso (recebimento) dos bens, adquiridos dos fornecedores "inaptos' em seu estabelecimento. 19 Anexouse ainda à Manifestação de Inconformidade folhas do Livro Razão para o mês de outubro de 2003, apenas de outros 5 (cinco) fornecedores do interessado (v. fls. 152/165), a saber: 1 — "Camifra Comércio Ltda", CNPJ 86.363.306/000128; 2 — "Mercantil Crizol Comércio de Cereais", CNPJ 04.434.557/000191; 3 — "Comercial de Café Arábica Ltda. EPP", CNPJ 05.006.672/000128; 4 — "Continental Trading Ltda", CNPJ 05.031.701/000101; 5 — "Mercantil Novo Horizonte Ltda ME", CNPJ 05.298.287/000100, sendo que os 4 (quatro) primeiros encontramse na situação "ativa" no sistema CNPJ e o último foi "baixado' por liquidação voluntária em data posterior à ocorrência dos fatos geradores (PA 10/2003) tratados no presente processo (v. fls. 168, 170, 172, 178 e 195). Não há qualquer comprovação em relação às aquisições efetivadas junto a todos os demais fornecedores do interessado/manifestante, que foram objeto de glosa da fiscalização, conforme se observa nas Tabelas constantes às fls. 91 e 101 do presente processo. 20. Todavia, em que pese os documentos (notas) fiscais emitidos pelos 5 (cinco) fornecedores acima discriminados, em situação "ativa" ou "baixada" no CNPJ, serem capazes pelo menos em tese de produzirem efeitos contra terceiros interessados, há na Manifestação de Inconformidade (fls. 152/165) apenas a comprovação da efetivação de 1 (um) único pagamento no mês de outubro de 2003 para os fornecedores acima (excetuandose o fornecedor "Mercantil Crizol", para o qual o manifestante apresenta dois comprovantes de pagamento em DOC), sendo que a soma de todos esses pagamentos representa quantia significativamente inferior àquela que corresponde aos montantes glosados (cf. fls. 91 e 93), além de não ter sido observada qualquer comprovação no que se reporta ao efetivo recebimento no Fl. 862DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 864 4 estabelecimento do interessado/manifestante das mercadorias adquiridas (café). 21 Como é cediço, como ao contribuinte em processos de restituição/compensação cabe, nos termos da legislação que disciplina a matéria, a demonstração da existência do direito ao crédito alegado, e tendo sido invocadas pela fiscalização supostas irregularidades fiscais nos fornecedores relacionados às Tabelas de fls. 91 e 101, caberia ao manifestante, na demonstração de seu suposto direito, a comprovação — por intermédio de notas fiscais, comprovantes de pagamento, extratos bancários, comprovantes de recebimento, registros contábeis e fiscais, etc da efetividade de suas aquisições junto aos fornecedores ora em comento. A parca documentação anexada à Manifestação de Inconformidade apresentada não nos permite, contudo, chegar à conclusão sobre dita efetividade (da realização das aquisições glosadas pela fiscalização). 22 Devese considerar correta, portanto, a glosa promovida pela autoridade fiscal na apuração dos créditos nãocumulativos do PIS, no item que se refere a "Aquisições de pessoas jurídicas inativas, baixadas, ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas ". O acórdão recorrido anulou a glosa do valor das aquisições de bens para revenda, que a Recorrente realizou na condição de empresa comercial exportadora, adquirindo de seus fornecedores mercadorias a ela destinadas com o "fim específico de exportação, uma vez que, para a DRJ, a vedação a tais créditos somente vigora a partir de 01/01/2004, nos termos do art. 1º, §2º, e 8º da IN SRF nº 379/2003, que regulamentou o art. 6º, § 4º da Lei n° 10.833/2003, extensiva à Contribuição para o PIS/Pasep, ao teor do art. 15, da referida Lei n° 10.833, de 2003. A despeito do reconhecimento parcial do referido crédito, o aresto impugnado assentou que não haverá reflexos no desfecho da controvérsia ora analisada; haverá reflexos tão somente no Auto de Infração objeto do processo n° 15578.000338/200860, analisado pela DRJ em conjunto com o presente processo n° 13770.000740/200328, sendo que, no primeiro (n ° 15578.000338/200860) a fiscalização constituiu crédito tributário do PIS para o período de apuração de outubro de 2003 (PA 10/2003), no valor de R$ 2.403,97, mas que, na forma acima descrita, deverá ser reduzido para R$ 432,41. Noutra parte, a DRJ ratificou a glosa de Créditos do PIS nãocumulativo sobre bens e serviços utilizados como insumos, arrimandose no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e nos seguintes fatos: 48 Segundo seu Estatuto (art. 3°), o objetivo social do interessado é o "comércio atacadista de café, exportação e importação em geral, ..." (v. fl. 151). Sendo assim, suas despesas com a aquisição de combustíveis, armazenagem, frete e comissões, que não são posteriormente revendidos pela empresa o que acontece somente em relação às suas aquisições de café — nunca poderiam ensejar, a teor do disposto no art. 3º, I, da Lei n° 10.637/2002, c/c art. 66, I, "a", da IN SRF n° 247/2002, ambos os dispositivos aqui anteriormente transcritos, a apropriação dos correspondentes créditos do PIS/Pasep, apurados segundo o regime da nãocumulatividade. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 865 5 49 Ainda que, tal como afirmado na Manifestação de Inconformidade, cogitese de que o interessado não apenas revenda ou comercialize, mas efetivamente produza café conforme citação à fl. 137, a empresa "executa, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial" — não se pode admitir que os gastos com combustíveis, comissões, armazenagem e fretes revertamse em créditos em favor do interessado, porquanto, no caso dos serviços adquiridos (armazenagem, fretes e comissões), não se revestem da condição de "insumo", visto que não efetiva e diretamente "aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto" (cf. art. 66, § 5º Ia, da IN SRF n° 247/2002, anteriormente colacionado) fornecido pelo interessado, que se trata, mais especificamente, de café. 50 Também no que concerne aos gastos com bens (combustíveis) adquiridos, no valor de R$ 69.312,40 (v. fls. 50 e 93), o contribuinte não comprovou, na Manifestação de Inconformidade apresentada, tratarse de despesas que se referem a insumos diretamente aplicados no processo produtivo, tal como estabelece o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, regulamentado pelo art. 66 da IN SRF n° 247, de 21/11/2002, com a redação dada pela IN SRF n° 358/2003 as normas em questão já foram colacionadas junto ao presente Voto —, motivo pelo qual a Administração houvera glosado em sua decisão o aproveitamento dos créditos a esse título. 51 Ora, as despesas com combustíveis, cujos créditos que seriam delas decorrentes o interessado pretende aproveitar, encontramse registradas na contabilidade da empresa na conta "12.01.01.0054 Despesa c/ CaminhõesCombustíveis" (v. fl. 50), denotando, portanto, que se tratam de gastos vinculados a veículos (caminhões) da empresa, usados no transporte de produtos (café) adquiridos, a serem posteriormente revendidos pelo interessado, ou, ainda, utilizados na entrega da citada mercadoria aos seus clientes. Assim, não se considera, na forma da legislação, que o referido combustível sofra "alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação não se tratando o citado combustível, portanto, de insumo utilizado no processo produtivo da empresa — supostamente de café situação somente essa que, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, regulamentado pelo art. 664b, e seu § 5ºIa, ambos da IN SRF n° 247, de 21/11/2002, com a redação dada pela IN SRF n° 358/2003, poderia ensejar a apropriação dos correspondentes créditos do PIS/Pasep nãocumulativo. 52 São diversas as Soluções de Consulta, proferidas no âmbito das unidades regionais da RFB, firmando tal entendimento, dentre as quais, citamos apenas para exemplificar, além da Solução de Consulta SRRF/6' RF/Disit n° 111, de 20/04/2005, já mencionada na decisão recorrida, também a Solução de Consulta SRRF/9a. RF/Disit n° 99, de 08/03/2007, essa última cuja ementa assim dispõe: [...]53. É de se ratificar que, ainda que de gastos com combustíveis no transporte (entrega a clientes) de produtos revendidos não se cuidasse — tal como tratado na Solução de Consulta SRRF/6' RF/Disit n° 111, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 866 6 de 20/04/2005, referenciada pela decisão recorrida necessário seria o afastamento, mediante a apresentação de provas por parte do contribuinte, da afirmação da fiscalização dando conta de que os gastos com combustíveis não se prestaram à sua utilização como insumo no processo produtivo — tal como postulado pela referida decisão — , o que, como já dito, não se observou na Manifestação de Inconformidade apresentada, razão pela qual mantenho o indeferimento (glosa) do aproveitamento dos créditos, supostamente decorrentes da aquisição de combustível pela empresa, tal como promovido pela autoridade administrativa local. 57 Registrese, ademais, no que concerne às despesas glosadas com armazenagem e frete, nos valores, respectivamente, de R$ 6.008,16 e R$ 33.829,74 (v. fls. 32 e 93), que a previsão para o aproveitamento dos créditos delas decorrentes somente veio com o advento da Lei n° 10.833 (inciso IX do art. 3°), de 29/12/2003, que instituiu a incidência nãocumulativa da COFINS, mas cujas disposições, como já visto, foram estendidas à apuração do PIS/Pasep, por força do art. 15, da mesma Lei, ainda em sua redação original, a produzir efeitos, na forma de seu art. 934, somente a partir de 01/02/2004. 58 Não se tratando de norma interpretativa e não se estando a tratar, na espécie, de quaisquer das hipóteses elencadas no art. 106, do CTN, não há como, no presente julgado, atribuirse efeitos retroativos, tendentes ao aproveitamento dos créditos pretendido pelo interessado, originados das despesas com armazenagem e fretes, motivo pelo qual mantenho o indeferimento (glosa) do aproveitamento de tais créditos, exatamente tal como promovido pela autoridade local. [...]61 Já no que concerne às despesas com comissões pagas a pessoas jurídicas, no valor de R$ 188.996,26 (v. fls. 32 e 93), igualmente não assiste direito ao aproveitamento de créditos delas decorrentes, por parte do interessado, por sua absoluta falta de previsão legal, porquanto as situações que geram direito ao aproveitamento de créditos são somente aquelas previstas na legislação de regência da contribuição, e, em especial, no art. 3 0 das Leis n°s a 10.637/2002 e 10.833/2003. 62 Correta, portanto, a glosa promovida pela fiscalização na base de cálculo de créditos do PIS/Pasep nãocumulativo apurada pelo interessado, a título de despesas com armazenagem, fretes, comissões — pessoa jurídica e combustíveis. 63 Por fim, protesta o interessado para que, em caso de manutenção da glosa de créditos promovida pela autoridade local, sejamlhe restituídas as quantias referentes ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, incidentes sobre os créditos glosados, porquanto os mesmos se encontram registrados a crédito às contas de insumos/estoque/mercadorias na contabilidade da empresa, tendo composto, na forma alegada, a base de cálculo dos citados tributos/contribuições (IRPJ/CSLL). 64 Ocorre que não compete a esta Delegacia de Julgamento proferir, originariamente, qualquer pronunciamento sobre suposto direito de crédito do interessado em processo de restituição/ressarcimento/compensação... Fl. 865DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 867 7 65 Sendo assim e por todos os fundamentos expostos, Voto no sentido de julgar procedente em parte a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, para admitir a existência de crédito adicional do PIS não cumulativo em favor do interessado, referente ao mês de outubro de 2003, decorrente de suas aquisições com o fim específico de exportação, na condição de sociedade comercial exportadora, no valor de R$ 1.971,56, reduzindo, conforme apuração da fiscalização à fl. 93, o valor do "PIS a Pagar" de R$ 2.403,97 para R$ 432,41, sendo que, por subsistir Contribuição a pagar no referido mês, ainda que em valor inferior àquela anteriormente apurada pela fiscalização à fl. 93, concluise não haver qualquer direito creditório a ser reconhecido em favor do interessado junto ao presente processo, não se homologando, por decorrência, a compensação declarada pela empresa à fl. 10. Não resignada, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 254/ss), pedindo a reforma do acórdão recorrido, de modo a reconhecer o crédito pleiteado e, por consequência, homologar a compensação requerida. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso é tempestivo e, por isso, merece a ser apreciado. O recurso voluntário discute a correção ou não da glosa de créditos de PIS não cumulativo, referente: i) às aquisições de insumos de pessoas jurídica inaptas, omissas ou com receita incompatível com a DIPJ; ii) a custos que não seriam enquadráveis como insumos. De acordo com o despacho decisório, ratificado pela DRJ, foram anulados, com base no art. 82 da Lei nº 9.430/1996, os créditos referentes às seguintes aquisições: Fl. 866DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 868 8 De acordo com o mesmo art. 82 da Lei nº 9.430/1996, no qual se fundamentou a DRF, admitese a produção de efeitos tributários de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas inaptas se o contribuinte tiver comprovado “a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços”. Todavia, a fiscalização não intimou a empresa ou buscou averiguar se teria havido pagamento ou fornecimento de mercadorias/serviços, referente às notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas inaptas. A ausência de prova cabal nesse sentido foi destacada, apenas, pela DRJ, razão pela qual a recorrente juntou documentos adicionais – inclusive comprovantes de transferência interbancária (TED) em seu recurso voluntário (fls. 254/ss), arrimandose no art. 16, § 4º, “c”, do PAF. In verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...]c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000740/200328 Resolução nº 3202000.245 S3C2T2 Fl. 869 9 Nesse contexto, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência, para averiguar se os documentos juntados às fls. 283/855, pela recorrente, demonstram “a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços”. Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando à autoridade preparadora que examine se os documentos juntados às fls. 283/855, além de outros já juntados aos autos pela recorrente, comprovam: a) a efetivação do pagamento do preço respectivo; e b) o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, na forma do art. 82 da Lei nº 9.430/1996. apresentando justificativa para seu posicionamento. Depois de realizada a referida análise pela autoridade preparadora, intimese o recorrente para, em 30 dias, se pronunciar sobre o resultado da diligência. Subseqüentemente, retornese os autos para o CARF. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 868DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10920.000979/89-84
Data da sessão: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IRPJ - REDUÇÃO DE AL1QUOTA DO IRPJ
Descabido o pedido de reconhecimento ,
por autoridade administrativa,do direi
to à utilização de alíquota especial
prevista no D.L. 2413/88, em decorrência
de programa especial de exportação
(BEFIEX), aprovado em 14.07.88,por falta de previsão legal para tal reconhecimento.
Numero da decisão: 103-11.540
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria de Fatima Pessoa de Mello Cartaxo
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MINISTÜID DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Processo n9 10.920/000.979/89-84 ulmo de 09 de seberbro de 19 91 ACORDÃO0 103-11540 Rmmrsong: 99.262 - IRPJ - Ex.: de 1989 Rtemente: EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A -. EMBRACO. Recorrida: D.R.F. em Joinville - SC. IRPJ - REDUÇÃO DE AL1QUOTA DO IRPJ Descabido o pedido de reconhecimento , por autoridade administrativa,do direi to à utilização de aliquota especial prevista no D.L. 2413/88, em decorren- cia de programa especial de exportação (BEFIEX), aprovado em 14.07.88,por fal ta de previsão legal para tal reconheZ cimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S.A. - EMBRACO. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR pro- vimento ao recurso, nos termos do relatõrio e voto que passam a in tegrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 09 de setembro de 1991 dfr 5... • ',, CHADO CALDEIRA f -n 4 . te 4 C ... , e. tfi ) 4, G4,0 - PRESIDENTE VI- i . Fv r" £2i00 . 4 P ilwor, CARTAXO - RELATORA / ft VISTO EM Z:11.TO HOLANDA :BAGA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO SESSÃO DE: 1 0 F F v 1991 NAL _ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE: ILCENIL FRANCO e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausentes justificada- mente os Conselheiros ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA e D1CLER DE ASSUNÇÃO. DAMEFP/DE- SECOS 1410$4/$O 1/1. • e \ s \m„ -tr;:i»t E. - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N°10.920/000.979/89-84 RECURSO /O : 99.262 ACORDAONS: 103 -11540 RECORRENTE: EMPRESA BRASILEIRA DE compREssoREs S/A - EmBRAc0 RELATÓRI O EMPRESABRASEETRA DE ODMPFESSOIWS S/A-laawAc0., com sede ã Av. Rui Barbosa, n9 1020, Joinville (SC), recorre a este Conselho da decisão da autoridade monocrãtica (doc. de fls. 07 a 11), que indeferiu o pleito de fls. 01 a 02 formulado pela recorrente. A pessoa jurídica acima identificada,com Programa Especial de Exportação - Programa BEFIEX - aprovado em 14.07.88, nos termos do Decreto-Lei n9 1219/72, com vigência pa ra 10 anos, tendo em vista as disposições do Decreto-Lei n9 ... 2413/88, que atribuiu aliquotas favorecidas para a tributação, pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, do lucro decorren- te de atividades vinculadas às exportações incentivadas, requer a manutenção da citada aliquota, no decurso do prazo abrangido pelo programa em apreço. O pleito vem alicerçado nas disposições da Instrução Normativa SRF n9 71/80, em conformidade com o art. 179 do Código Tributário Nacional, e no § único do art. 309 do RIR/80. As fls. 07 a 11 a autoridade "a quo" in- defere o pedido de manutenção das aliquotas diferenciadas, por falta de amparo legal na legislação em vigor, e tendo em vista que: a) preliminarmente, a Instrução Normati- va SRF n9 71/80 trata, de forma especifica, da instituição do formulário de declaração de isenção para as entidades isentas pela finalidade ou objeto, ou seja, as instituições a que sç %DAMIEFP/DF- SECOU NI 065/ 90 PROCESSO N9 10.920/000.979/89-84 fere o art. 130 do RIR/80; o subitem 2.1 da referida Instrução Nor- mativa determinou que, a partir da publicação deste ato, não mais será exigido o reconhecimento da isenção; ainda em caráter prelimi- nar, o dispositivo que exigia o reconhecimento prévio por parte do Delegado da Receita Federal, para exclusão do lucro correspondente à exportação de produtos manufaturados na determinação do lucro re- al, qual seja, o § único do artigo 309 do RIR/80,cuja matriz é o § 29 do art. 10 do Decreto-Lei n9 1219/72, foi revogado pelo art.32 do Decreto-Lei n9 2.433/88. b) o beneficio fiscal em questão, envolvendo o imposto de renda, consta do Decreto-Lei n9 1.219/72 que, no entan to, recebeu a restrição advinda do art. 11 do Decreto-Lei n9 2.397/ 87, "in verbis"; "Art.I1 - As operações realizadas a partir de 19 de janeiro de 1988 não se aplicarão a exclusão do lucro decorrente de exportações para efeito de apuração do imposto de renda' das pessoas jurídicas, bem como outros bene- fícios relacionados com o imposto de renda previstos ... Com.)... e no Decreto-Lei n9 1.219, de 15 de maio de 1972(ProgramsEWFMO. Parágrafo Único - O disposto neste artigo não se aplica em relação às exportações pre- vistas em programa especial de exportação a- provado, até 31 de dezembro de 1987,nos ter- mos do Decreto-Lei n9 1.219, de 15 de maio de 1972"; c) portanto, a partir dessa data, ressalva-- dos os programas já aprovados - o que não é o caso da requerente, o lucro apurado nas operações realizadas com a exportação de produtos manufaturados passou a receber tratamento tributário normal ao apli cado às demais atividades mercantis, sujeitando-se à tributação pe- la aliquota normal do imposto; d)posteriormente, por força do disposto no art. 19, § 19, inciso I, do Decreto-Lei 2.413/88, as exportações ' tratadas pelo Decreto-Lei n9 1.219/72 foram incluídas no regime dc tributação às aliquotas diferenciadas de 3% e 6%, respectivamente para os exercícios financeiros de 1989 e 1980, com as restrições 'previstas no art. 89 do citado Decreto-Lei n9 2.413/88; PROCESSO N9 10.920/000.979/89-84 e) por outro lado, o Decreto-Lei n9 2.433/88, em seu art. 32, revoga as disposições do Decreto-Lei n9 1.219/72; f) somente a lei pode excluir o crédito tri- butário, seja através de isenção, nos termos dos arts. 175 a 179 do Código Tributário Nacional, seja na forma de favorecimento fiscal de exclusão da incidencia tributária, que tem a mesma natureza de excepcionalidade. Cientificada dessa decisão em 07.12.89, o contribuinte interpôs contra ela, equivocadamente dirigindo-se Coordenação do Sistema de Trim.ituição, o recurso de fls. 12 a 17, onde alega, em síntese, que: a) a CONSUL S/A., protocolou seu Programa Es pecial de Exportação no dia 11.11.87, perante o Ministério da Indús tria e do Comércio sob o n9 26017.008191/87-51 (doc.de fls.18); b) o referido programa foi aprovado em .... 14.07.88, com vigencia a partir desta data, estendendo-se pelo pra- zo de dez anos, e originando o certificado BEFIEX n9 479/88 (docs. de fls. 19 e 20); c) em novembro de 1989, a CONSUL S/A. obteve aprovação do plenário da BEFIEX para aditar o programa em andamento, com a inclusão da exportação de produtos da EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A - EMBRACO, obedecendo ao que estabelece o Decreto -Lei n9 1.219, art.59, de que ambas as empresas estarão enquadradas num único Termo de Compromisso, passando a EMBRACO a receber o tra- tamento tributário concedido à CONSUL S/A; d) o Termo de Compromisso acima mencionado de n9 479/1/89 (doc.de fls. 22 a 25) já foi assinado, por ambas as partes, conforme cópia do telex anexado às fls. 26; e) esta em pleno vigor para o presente caso o Decreto-Lei n9 1.219/72, vez que o art. 32 do Decreto-Lei n9 ...„ 2.433/88, por força do disposto no art. 29 do mesmo diploma legal prescreve revogações exclusivamente em relação as indústrias aero-- nãuticas, de material bélico, de construção naval e aos empreendi- mentos nas anus - da SMXIE e da SUDAM; f) a Portaria n9 62, de 14.08.88, do Sr. Mi- nistro de Estado da Indústria e do Comércio, que aprovou o •-.• - a 140' PROCESSO N9 10.920/000.979/89-84 Especial de Exportação (doc.de fls. 21) destaca o art. 27 do Decre- to-Lei n9 2.433/88, que diz: "Art.27 - Os projetos já apreciados pela Se- cretaria Executiva do CDI continuam regidos pela legislação anterior". g) por outro lado, a título de argumentação, partindo-se da data da aprovação do Programa Especial de Exportação, que se deu em 14.07.88, constata-se que a referida aprovação deu-se na vigência do Decreto-Lei n9 2.413, de 10.02.88, que categoricamen te beneficia as exportações de que trata o Decreto-Lei n9 1.219/72; h) a isenção, concedida legalmente através do Decreto-Lei n9 2.413/88 - art.19, § 19, alínea "e" - garantiu ã requerente as allquotas ali mencionadas (3% para o exercício de ... 1989 e 6% a partir do exercício de 1990) ,até o término do prazo do Programa BEFIEX; i) para embasar a afirmação acima, busca am- paro no art. 59, XXXVI da Constituição da República Federativa do Brasil e transcreve ainda os ensinamentos do Prof. José Souto Maior Borges. Em 05.01.90, vem a recorrente solicitar a '.: juntada do parecer do Prof. Ives Gandra da Silva Martins (doc. de fls. 28 a 61), em complementação das razões apresentadas no recurso. Ás fls. 65, requer a anexação dos documentos de fls. 66 a 77, solicitados pela C.S.T., em informação de fls 2 . Ê o relatOri SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO 149 10.920/000.979/89-84 AcOrdão n9 103-11540 VOTO Conselheira MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Com referência ã matéria constante dos presentes autos, algumas considerações merecem ser feitas: 1) O requerimento, que deu origem ao presente se baseou na 114 71/80, para pedir a manutenção da aliquota es pecial, regulada pelo D.L. 2413/88, cujo art.19,pa- rãgrafo 19, se reporta ao lucro advindo de exporta- ções decorrentes do Programa Befiex (D.L.1219/72); 2) Fundamentou-se, ainda, o pleito da empresa o artigo 179 do C.T.N. e art. 309 do RIR/80; 3) Cumpre esclarecer, inicialmente que: a) a citada Instrução Normativa SRF 71/80 versa so- bre a instituição do formulário de Declaração de Isenção do IRPJ, especifico para entidades isen- tas pela finalidade ou objeto, ou seja, as insti tuições de educação, as de assistência social e as sociedades, fundações e sindicatos, a que se refere o art. 130 do RIR/80, o que não é a hipõ- tese dos autos, onde a requerente é Sociedade Mercantil; b) o subitem 2.1 da referida Instrução Normativa de terminou que, a partir da publicação desse ato, não mais seria exigido o reconhecimento da isen- ção, sendo, portanto, incabível a pretensão da empresa, respaldada no citado ato administrativo; c) além do mais, o dispositivo que exigia o prévio reconhecimento do Delegado da Receita Federal,pa ra a exclusão do lucro correspondente ã exporta- ção de produtos manufaturados, na determinação do lucro real, o art.10, § 29 do D.L. 1219/72,ar tigo 309 do RIR/80, foi revogado pelo art.32 •= SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.920/000.979/89-84 AcOrdão n9 103-11540 D.L. 2433/88; d) o tratamento tributário concedido pelo art.10 do D.L. 1219/72 restringirse aos programas aprova- dos até 31.12.87, na forma do art.11 do D.L. ner 2397/87; e) O D.L. 1219/72 foi expressamente revogado pelo D.L. 2413/88. 4) Conforme se observa, não hã previsão, entre os dis- positivos legais e normativos invocados pela empre- sa, para o reconhecimento do beneficio fiscal por ela pretendido, por parte da autoridade administra- tiva; 5) Ressalte-se, ainda, que tratando o pleito de utili- zação de aliquota favorecida, o que implica redução do imposto devido, não de se admitir interpreta- ções extensivas ou analõgicas, em estrita obedián- cia ao principio da reserva da lei e ã irrenunciabi lidade do poder de tributar; 6) Por outro lado, o Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, não conferiu ao Pri meiro Conselho de Contribuintes a atribuição de re- conhecer isenções ou outros favores fiscaisetais co mo, redução de aliquota do IRPJ, sem que a lei pre- veja a obrigatoriedade de tal reconhecimento. Assim sendo, há que ser denegada a pretensão da recor- rente, por falta de amparo legal. Pelo exposto e tudo o mais que do processo consta, co- nheço do recurso, por tempestivo e, no mérito, nego-lhe provimen to. É o meu voto. li t rasiliai4V1.8009 de iteírrocdV992 1 0V :(AJIEIMSUMISA ifSn WreaX0, relatora. ~IMO GRAM. C.1% et Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1
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Numero do processo: 15889.000081/2008-32
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2007
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.
Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para limitar o valor da multa aplicada ao previsto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carolina Wanderley Landim e Igor Araújo Soares, que aplicavam a regra do art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elias Sampaio Freire Presidente e Redator Designado
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 81 /2 00 8- 32 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para limitar o valor da multa aplicada ao previsto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carolina Wanderley Landim e Igor Araújo Soares, que aplicavam a regra do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire. Elias Sampaio Freire – Presidente e Redator Designado Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 372 3 Relatório KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 12 21.153/2008, às fls. 270/276, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 04/1999 a 07/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/05, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 23.900,19 (Vinte e três mil e novecentos reais e dezenove centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, a contribuinte deixou informar em GFIP´s os fatos geradores das contribuições previdenciárias elencados no anexo de fls. 15/17. A autoridade recorrida achou por bem julgar procedente em parte a autuação fiscal, acolhendo a decadência parcial do crédito, relativamente às competências 04/1999, 01/2000, 02/2000, 02/2001, 05/2001 a 11/2001, com base no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 281/290, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Em defesa de sua pretensão, infere que as obrigações acessórias, quando descumpridas, convertemse em obrigação principal relativamente à penalidade, vinculada, portanto, ao fato gerador do tributo, impondo seja acolhida a decadência inscrita no artigo 150, § 4°, do CTN, de maneira a excluir o crédito tributário até a competência 11/2002. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a contribuinte, além da presente autuação decorrente da ausência de informação de fatos geradores em GFIP’s, igualmente, fora notificada em razão do não recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias, caracterizando verdadeiro bin in idem, impondo seja decretada a improcedência deste lançamento. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Assevera não poder prevalecer o entendimento das autoridades lançadora e julgadora de primeira instância no sentido de que o descumprimento das obrigações acessórias são distintas para fins de aplicação de penalidade, sendo cediço na esfera administrativa tributária que no lançamento de ofício somente pode ser aplicada multa de ofício, demonstrando, portanto, a indevida cobrança cumulativa de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Contrapõese ao lançamento, defendendo ser nula a atribuição de responsabilidade por informações do interesse da administração fazendária unicamente ao contribuinte, devendo ser suprida também pela autoridade previdenciária. Sustenta que o fato de a contribuinte ter deixado de informar parte dos fatos geradores em GFIP’s não prejudicou e/ou dificultou a ação fiscal em nenhum momento, inexistindo qualquer prejuízo ao INSS, única hipótese que permitiria a aplicação da penalidade imposta. Infere que a aplicação de multa por simples falha no preenchimento de GFIP fere o princípio da proporcionalidade, devendo ser cancelado o Auto de Infração ora impugnado, mormente quando a conduta da contribuinte não impediu o exercício da atividade fiscalizatória, tendo os fatos apurados, inclusive, ensejado o lançamento de ofício como apurado na NFLD principal nº 37.126.0167. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Incluído na pauta do dia 02/12/2011, esta Egrégia Turma, por unanimidade de votos, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n° 240100.190, às fls. 300/304, para que a autoridade fazendária informasse o andamento da NFLD n° 37.126.0167 – Processo n° 15889.000072/200841, referente ao descumprimento de obrigação principal que decorre o presente auto de infração, em face do eventual nexo de causa e efeito que os vinculam, bem como objetivando auxiliar a determinação do recálculo da multa aplicada. Em atendimento à diligência supra, a autoridade competente elaborou Informação Fiscal, às fls. 325/326, elucidando que a NFLD n° 37.126.0167 – Processo n° 15889.000072/200841, encontravase na fase “Distribuir/Sortear” no SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF, impossibilitando informar se contempla as contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores que não foram devidamente informados em GFIP, objeto da presente autuação, razão pela qual estes autos deveriam retornar a este Conselho para aguardar o resultado do julgamento daquela notificação. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 373 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passa ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido. Inicialmente, mister destacar que corroboramos com a conclusão da tese aventada pela contribuinte, no sentido da aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4°, do CTN, não em face da pretensa existência de recolhimentos, uma vez que a presente autuação decorre de descumprimento de obrigação acessória e não principal, onde se cogitaria em antecipação de pagamento, mas, sim, por conta do decisum exarado nos autos das autuações por descumprimento de obrigação principal, onde sustentamos a decadência com base no dispositivo legal supra, impondo seja levada a efeito à mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Entrementes, inobstante compartilhar com o inconformismo da contribuinte na forma explicitada acima, este Colegiado, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já sedimentou o entendimento de que tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida, razão pela qual nos quedamos a aludido raciocínio, em homenagem a economia processual. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, na forma admitida pelo Acórdão recorrido, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. MÉRITO Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente aqueles elencados no anexo de fls. 15/17, relativamente ao período de 04/1999 a 07/2007, com as respectivas contribuições (obrigação principal) lançadas nos autos da NFLD n° 37.126.0167 – Processo n° 15889.000072/200841. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário Fl. 375DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em suas razões recursais, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando basicamente que a contribuinte fora autuada com base nos mesmos fatos geradores contemplados na autuação por descumprimento da obrigação principal, o que representa verdadeiro bis in idem, não podendo prevalecer a aplicabilidade da multa de ofício cumulada com a penalidade acessória. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 374 7 Arremata, inferindo que as faltas constatadas nas informações em GFIP não representaram qualquer prejuízo à fiscalização e/ou dificultou o regular desenvolvimento da ação fiscal, sendo totalmente desproporcional. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se observa, a contribuinte em momento algum alega não ter incorrido nas infrações apuradas pela fiscalização, se limitando a inferir que tais faltas não representaram qualquer prejuízo ao Fisco ou mesmo ao regular desenvolvimento da ação fiscal, não se podendo cogitar em aplicação cumulativa da presente penalidade com a multa de ofício levada a efeito na notificação fiscal correlata, onde se exigem as contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores não informados em GFIP e objeto deste lançamento. Entrementes, consoante demonstrado alhures, a multa ora aplicada, em razão do descumprimento de obrigação acessória, encontra guarida na legislação de regência, não havendo se falar na impossibilidade de sua adoção quando constatadas as infrações apuradas nestes autos, sobretudo quando a contribuinte sequer procurou corrigilas com a finalidade de se valer da relevação da multa, viável à época. Mais a mais, consoante explicitado por ocasião da diligência determinada por esta Turma, a ação fiscal desenvolvida na contribuinte em questão culminou com a lavratura da NFLD nº 37.126.0167, como se observa do TEAF, às fls. 14, exigindo as contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores não informados em GFIP’s, objeto da presente autuação. Sucede que, incluído na pauta do dia 16/04/2013, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF entendeu por bem conhecer do recurso voluntário interposto naquela NFLD e negarlhe provimento, mantendose, por conseguinte, a exigência fiscal em sua integralidade, como se extrai do Acórdão n° 2301003.438, assim ementado: “Assunto: – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NFLD N. 37.126.0167 Consolidado em 21/12/2007 Período de apuração: 01/03/1998 a 31/07/2007 RECURSO COM MATÉRIA INOVADORA. Recurso que apresenta espeque em matérias novas sem a existência de fatos novos fere o princípio do duplo grau de jurisdição. No caso em exame a recorrente apresentou em seu recurso voluntário matérias dissociadas da impugnação, sem a existência de fatos novos. AUTUAÇÃO COM BASE EM DOCUMENTOS DA RECORRENTE. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Deseja a Recorrente beneficiarse de sua própria torpeza, sob o argumento de erro material e ou de fato na verificação de ausência de contribuição social de recolhimento de algumas rúbricas e em períodos descontínuos. Esquece, entretatno, que o levantamento foi realizado em documentos elaborados por ela mesma, que servem como confissão. Recurso Voluntário Negado.” Dessa forma, no julgamento da presente autuação impõese à observância à decisão levada a efeito na NFLD suso mencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquela notificação. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal com esteio nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar na improcedência da presente autuação, na forma que pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Fl. 378DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 375 9 § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da Fl. 379DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 376 11 Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco e fora adotada no Acórdão recorrido, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Júlio César Vieira Gomes se manifestou com muita propriedade, conforme se depreende do excerto do Voto condutor do Acórdão n° 2402001.895, exarado nos autos do processo n° 15983.000199/200892, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “ [...] O recorrente já se beneficiou do direito à relevação de parte da multa aplicada pela correção parcial da falta, mas ainda não quanto à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao exame desse direito. Seguem transcrições: [...] Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega Fl. 382DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 377 13 da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa Fl. 383DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 378 15 E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazê lo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 379 17 ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ressaltase que a verificação da regra mais benéfica deve ser em relação ao valor da multa aplicada no autode infração, anteriormente à qualquer outra redução em face da correção parcial da falta ou outro motivo. Isto porque a retroatividade benéfica do artigo 106 do CTN se opera no plano da subsunção do fato à nova regra jurídica. A relevação de parte da multa pela correção parcial da falta do decorrer do processo deve ser realizada após a incidência da nova regra. Melhor explicando: devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor; após, a relevação de parte da multa remanescente na proporção da correção parcial da infração. [...]” Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência do lançamento em relação ao mérito, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfico ao contribuinte, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire – Redator Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator no que diz respeito à regra de aplicação da multa mais benéfica. Na hipótese dos autos o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos temos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Isto porque em se tratando de obrigação acessória, clara é a disposição do § 3° do art. 113 do CTN, de que a sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária, como no dizer de Luiz A. Gurgel de Faria, in. Código Tributário Nacional Comentado, que havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados ao tributo. Assim sendo, já que pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio, na forma do art. 149 do CTN. Relembrese que, no presente caso o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha o revogado art. 32, § 5º da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 380 19 traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." É Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. O supracitado art. 32, § 5º, destinavase a punir a apresentação, pelo contribuinte, de declaração inexata quanto aos dados relativos a fatos geradores de tributos, independentemente da existência ou não de tributo a recolher. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009), in verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15889.000081/200832 Acórdão n.º 2401003.131 S2C4T1 Fl. 381 21 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Deste modo, impõese determinar a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 Isso posto, divirjo do relator para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, determinando o recálculo da multa com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 392DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000789/2005-49
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1996
PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO.
Prescreve em cinco anos, a contar da data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.027
Decisão: ACORDAM os Membros da 3° CÂMARA / 2° TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Alexandre Gomes que dava provimento parcial adotando a tese dos 5 mais 5
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelha Marques
1.0 = *:*
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1996 PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Prescreve em cinco anos, a contar da data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10730.000285/91-07
Data da sessão: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-40.599
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MOREIRA & FREITAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE' FREITAS DUTRA PRESIDENTE / LASSEN — "ri ORA FORMALIZADO EM: 2 O. SET 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, RAMIRO HEISE, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. i'vUNTS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10730/000.285/91-07 ACÓRDÃO N°. : 102-40.599 RECURSO N°. : 82.991 RECORRENTE : MOREIRA & FREITAS LTDA RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra MOREIRA & FREITAS LTDA., CGC n°. 29.129.657/0001-35, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Niterói, RJ, formalizando a exigência de PIS FATURAMENTO, relativa ao exercício de 1986, no valor equivalente a Cr$ 57.147,57 e correspondentes gravames legais. O lançamento, especificamente com base no artigo 3°, alínea "b" e art. 6° e seu parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70, c/c as disposições do Regulamento anexo à Resolução n° 174/71 do BACEN, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo n° 10730/000.285/91-07. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 25/03/91, sua impugnação de fls. 05, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 29/92, foi proferida às fls. 28, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 20/03/92 (fls. 31), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 32, reiterando, na essência, os argumentos anteriormente expendidos. É o relató o. 2 • r' MINISTÉRIO DA FAZENDA n - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PROCESSO 1\1°. : 10730/000.285/91-07 ACÓRDÃO N°. : 102-40.599 VOTO CONSELHEIRA UR.SULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n° 10730/000.283/91-73. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 11 de dezembro de 1992, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n° 102-27.685. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de agosto de 1996. URSh ÁNSEN 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10855.005948/2002-24
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado
pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7º, da Lei n°9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7º, da Lei n°9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 50 , do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não acontece no caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7 0 , da Lei n° 9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 244 CARLOS ALBE • 4 J FREITAS 11.RETO - Presidente '••; GONÇALO : • ' ' ALLAG - Relator EDITADO EM:. 23 ABR 2C10 - Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Filas Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Marquesa S.A., CNPJ n° 46.886.040/0001-83, foi lavrado o auto de infração de fls. 21-27, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, em razão da-glosa de área declarada como sendo de preservação permanente, por ausência de comprovação, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Guapiara, situado no município de Ribeirão Grande (SP). A área de preservação pemianente foi reduzida de 1.620,5 ha para 787,3 ha. A 1 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 85-95). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 301-33.928, que se encontra às fls. 146-152, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL. Deve ser comprovada através de documentação hábil a área de utilização limitada alegada pelo contribuinte. A ausência de provas leva à presunção de inexistência de referidas áreas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. @." 2 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRP-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 245 Intimada do acórdão em 16/08/2007 (fls. 160), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial de divergência às fls. 162-173, acompanhado dos documentos de fls. 174-206, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido conferiu à lei tributária interpretação divergente daquela dada à matéria pelo acórdão n° 303-33.371; b) Nos termos do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, a declaração do contribuinte para o fim de isenção do ITR não se sujeita à prévia comprovação por parte: do declarante, o qual ficará responsável pelo recolhimento do imposto correspondente, com juros e multa, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira; c) Ainda que assim não fosse, durante a ação fiscal comprovou a existência na propriedade rural de área de preservação permanente de 787,33 hectares, existindo ainda área de interesse ambiental de utilização limitada de 833,7 hectares, a qual compõe a reserva legal obrigatória do imóvel; d)Não obstante, a decisão recorrida manteve o lançamento pela ausência de comprovação da existência da área de interesse ambiental de utilização limitada, deixando de observar o teor do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96; e) Para que se confirmasse a incidência tributária, imprescindível seria a realização de prova material pela qual o Fisco comprovasse a inexistência da área de 883,11 hectares de utilização limitada e, desta forma, a inveracidade das informações apresentadas pela recorrente na DITA. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 1444.134898 (fls. 209- 210), segundo o qual "Do exame dos julgados confrontados, venfica-se que o acórdão contestado vai de encontro ao acórdão paradigma supracitado, pois, enquanto este afirma que pode acatar área demonstrada através de laudo técnico, aquele não considerou o laudo técnico acostado aos autos ah. 08/12)." (fls. 210), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contra-razões às fls. 212-235, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso em apreço, pela inexistência de divergência jurisprudencial e, quanto ao mérito, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. ((& 3 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00476 Fl. 246 VOTO Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte não pode ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, sob o fundamento de que não restou comprovada a área de utilização limitada de 883,17 hectares. Portanto, matéria de prova. Extraio do voto condutor do acórdão recorrido os seguintes excertos (fls. 151-152): O Laudo Técnico trazido aos autos (fls. 08718) demonstra que há 787,33 hectares de Área de Preservação Permanente. Tal constatação é a mesma a que chegou a SRF quando da revisão da DITR/98 declarada pelo contribuinte (ll. 21). Ocorre que quando da apresentação do laudo, o ora recorrente informa que a diferença entre a APP declarada inicialmente na DITR (1.620,50 hectares) e a APP constatada através do Laudo Técnico (787,33 hectares). qual seja, 833,17 hectares, seriam área de interesse ambiental de utilização limitada (fl. 08). O referido Laudo demonstra que existem 787,33 hectares de Área de Preservação Permanente, mas não comprova em nenhum momento que existem 833,17 hectares de área de Utilização Limitada. Em seu recurso especial, a contribuinte, além de insistir na tese de que teria comprovado através de laudo técnico a existência de área de utilização limitada de 833,17 hectares, argumentou que o § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, dispensa a prévia comprovação das informações prestadas na DITA, de modo que o lançamento seria improcedente. Com o objetivo de comprovar a divergência jurisprudencial que autorizaria a interposição de recurso especial com fundamento no artigo 7°, inciso H, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, o sujeito passivo trouxe à colação o acórdão n° 303-33.371, cuja ementa é a seguinte: ÁREA UTILIZADA. PRODUÇÃO VEGETAL. Deve ser comprovada, através de documentação hábil (Laudo e demais documentos, como compra de sementes, notas de g comercialização, etc...), a existência de área declarada de 4 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00476 Fl. 247 produção vegetal. A ausência de provas, leva à presunção da inexistência das referidas áreas. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, podendo-se acatar área demonstrada através de laudo técnico. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROnDo. Pode-se perceber que o acórdão apontado como paradigma acatou área de reserva legal informada em laudo técnico, independentemente de averbação à margem da matrícula do imóvel. No caso em apreço, a situação é completamente diversa, pois a não aceitação da área de utilização limitada de 883,17 hectares, segundo o acórdão recorrido, está relacionada à ausência de comprovação, não tendo relação com a averbação ou não desta área à margem da matrícula do imóvel. A absoluta ausência de similitude entre as matérias fáticas analisadas pelo acórdão recorrido e pelo acórdão apontado como paradigma representa, na visão deste julgador, o primeiro empecilho para conhecimento do recurso especial. Além disso, é necessário trazer à colação o artigo 7, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época da interposição do recurso em análise, segundo o qual: • Art. 70• Compete à Camara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: II - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sob minha ótica, para saber se a decisão recorrida é divergente daquela externada no acórdão n° 303-33.371, seria preciso analisar o conjunto probatório deste feito. No entanto, salvo melhor juízo, isso não é possível em sede de recurso especial de divergência, pois a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como instância especial, não é analisar provas, mas sim uniformizar a jurisprudência. Diante de tal situação, penso que, no caso em apreço, não está caracterizada a divergência de interpretação da legislação tributária que possibilita a apreciação do recurso especial em voga. Por fim, a recorrente defendeu a reforma da decisão de segunda instância com fundamento no artigo 10, § 70, da Lei n° 9.393/96. g • Processo n° 10855.00594812002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 248 Ocorre, que esta tese não foi debatida pelo acórdão recorrido, conforme se constata pelos excertos acima transcritos, sendo que sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Assim, tenho como plenamente aplicável ao caso o artigo 7, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso em apreço, segundo o qual: Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: § 5°. O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. De acordo com tal dispositivo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais somente poderia apreciar os efeitos do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, se o acórdão recorrido tivesse analisado esta matéria, o que não ocorreu no caso em apreço. Segundo penso, o contribuinte deixou de prequestionar esta tese, desatendendo, assim, a regra do artigo 7, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Por todos estes motivos, penso que não se pode conhecer do recurso especial em tela. É como voto. é,0 n;',!r: Gonçalo r; •n- lage -Relator 6
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Numero do processo: 10380.016045/2007-15
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito declarar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito declarar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 60 45 /2 00 7- 15 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.767 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, cuidavase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0813.929, fls. 617/624, que julgou procedente o lançamento em epígrafe, mantendose incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.143.513 7, no importe de R$ 1.768.382,40 (um milhão setecentos e sessenta e oito mil trezentos e oitenta e dois reais e quarenta centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2002 a 12/2006, tendo sido lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV e § 5º da Lei nº. 8.212/91, consistente na apresentação, por parte da empresa, de GFIP’S com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal, fls. 09/11, in verbis: A multa a ser aplicada é a prevista no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 de 06/05/1999 e artigo 32, inciso IV e parágrafos 5º da Lei 8.212/91. Em decorrência da infração praticada, o valor da multa cabível é de R$ 1.768.382,40 (um milhão, setecentos e sessenta e oito mil, trezentos e oitenta e dois reais e quarenta centavos), atualizado pela Portaria n. 142, de 11/04/2007. Segue em anexo planilha que esclarece o cálculo do valor da multa. Pela análise do histórico de fiscalizações do contribuinte, encontramos os seguintes AutosdeInfração: (...) Assim, o autuado é reincidente em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no relatório fiscal da infração no prazo de até cinco anos do trânsito em julgado administrativo do AI 35.503.0594, código de fundamentação legal 38, reincidência genérica. A reincidência é circunstância agravante prevista no inciso V, artigo 290 do Decreto 3.048/99 que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS. Seguem em anexo cópias das telas do sistema informatizado plenius nas quais constam a situação dos AI’s já lavrados na empresa. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 86/91. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0813.929, fls. 617/624, a qual julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 19/12/2007 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 4 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. Com fulcro no art. 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei nº 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal – STF editou e publicou a súmula vinculante nº 8, cujo teor é no sentido de considerar inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Assim, no que diz respeito à decadência do direito do Fisco de lançar de ofício a penalidade pecuniária decorrente de descumprimento de obrigação acessória, deve ser aplicado o prazo previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à Lei nº. 8.212/91, art. 32, IV, o preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 635/646, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Preliminar de decadência parcial do lançamento, com esteio no art. 150, § 4º, do CTN; Cerceamento do direito de defesa em razão da impossibilidade de cumprimentos do prazos determinados pela auditoria fiscal para apresentação de documentos; Descaracterização da Recorrente como devedora, eis que consiste apenas em administradora de planos de saúde, ao passo que a vinculação direta das cooperativas se dá com a Fundação Francisca Feitosa e/ou Fundação Ana Lima. Nesta senda, os termos dos contratos estabelecidos entre as Fundações e a Recorrente, constituem prova irrefutável de que aquelas são as verdadeiras tomadoras dos serviços prestados pelos cooperados; Inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, eis que ao criar nova base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, Lei nº. 9.876/99, estaria sendo violado o princípio da reserva legal; DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E DOS EMBARGOS Analisados os argumentos contidos na peça recursal, foi prolatado o Acórdão nº 2403002.327, fls. 690/700, na qual julgou pelo provimento em parte do recurso voluntário, para reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, §, 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.767 S2C4T3 Fl. 4 5 recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, através das fls. 705/714, foi dada a ciência ao contribuinte, que apresentou suas contrarrazões, bem como opôs Embargos de Declaração, fls. 736/743, alegando em suma os seguintes fundamentos fáticos e jurídicos: 2. No julgamento do voluntário, em sessão realizada no dia 19/11/2013, essa colenda Turma proveu em parte o recurso apenas para determinar o recálculo da multa de mora; mantendo, outrossim, o lançamento quanto a obrigação principal prevista no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. Eis o que restou consignado o voto do i. Relator. (...) 3. Contudo, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE de nº 595.838, que ocorreu em 23/04/2014, declarou, na sistemática da repercussão geral, a inconstitucionalidade da contribuição prevista justamente no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. (...) 5. Dessa forma, se a obrigação principal, fundada no IV do art. 22 da Lei 8.212/91, foi declarada inconstitucional pelo STF, a exigência da obrigação acessória, consubstanciada em multa no valor de R$ 1.768.382,40, logo assim, deve ser declarada inexigível na hipótese. Assim, foi prolatado o despacho nº 2403032, fls. 746/747 que propôs o conhecimento da peça embargatória, estando de acordo o presidente desta Turma. É o relatório. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme se percebe do relatório do presente voto, bem como dos fatos que ensejaram a autuação em epígrafe, temos que a matéria aqui tratada é unicamente o pagamento a cooperativas, nos termos do art. 22, IV da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário sob o manto da Repercussão Geral, art. 543B do CPC, ajuizado pela Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, teve sua inconstitucionalidade declarada pela unanimidade de votos pelos Ministros daquela côrte, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Referida decisão fora publicada na ATA Nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação é a que segue: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.767 S2C4T3 Fl. 5 7 pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Por tal razão, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, merece ser exonerado o crédito tributário dos presentes autos em razão da inconstitucionalidade da exação positivada no art. 22, IV da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço dos embargos de declaração para, no mérito, determinar a exoneração do crédito tributário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I
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Numero do processo: 10283.003150/2007-84
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA
O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulated Tag and Barge Coupling System), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento).
NOMENCLATURA COMERCIAL DO MERCOSUL (NCM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE
A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração caracterizada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003
Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA, VICIO FORMAL, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICABILIDADE.
É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos essenciais previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos motivadores da autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável. Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC)
Recurso de Oficio Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por mamona de votos, em dar provimento parcial ao recurso de oficio Vencidas as conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gania, que negaram provimento Mtegralinente O conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulated Tag and Barge Coupling System), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento). NOMENCLATURA COMERCIAL DO MERCOSUL (NCM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração caracterizada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA, VICIO FORMAL, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos essenciais previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos motivadores da autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável. Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC) Recurso de Oficio Provido em Parte.
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A SSUN 10: Cl ,ASSIFICACÃO DE MERCADORIAS Data do -fato gerado]: 03/10/2002, 19/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQI.TADRAMENTO 'FARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR BALSA O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulai& Tug and Barge Coupling S'ystem), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento), NOMENCLATURA COMERCIAL DO "MERCOSUL (N CM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. Ml."1"1";FA DE 1% (UM POR (ENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração earactei izada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, 1, da Medida Provisória n' 2 158-35, de 2001 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMEN'1'0 DE DIREITO DI DEFESA, VICIO FORMAI, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICA BII ,IDADE. É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos esseRcia:is previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos moti'Vadorès da / autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável, Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC) Recurso de Oficio Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiada por mamona de votos, em dar provimento parcial ao recurso de oficio Vencidas as conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanei Gania, que negaram provimento Mtegralinente O conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pela conclusão.. 1 ui MáVe () Guerra de titstr o - Presidente _ Jxisé Fernande do Nascimento - Relator EDITADO EM: 20/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Flias Fernandes Eurrasio (Suplente), Relatório Trata-se de Recurso de Oficio interposto contra decisão proterida pelos membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DR.1— Fortaleza), cuja ementa ficou assim redigida: ,45SUNI 1ROCT,S;S'0 ADMINISIX111V0 »1SU/1E Dato do fino geradot 03/10/2002, 19/02/2003 NULIDADE. DO LANÇAMENTO P nulo o auto de infração que não atenda aos' requisitos essenciais in cvislo fit lei A hum eci 110 descrição do Suporle fálico que configure cerceamento do eito de Mesa. c-Itsejit a declinação da nulidade do lanyunento Iiilnuário pot vicio insanável do ato Inpugnação Proc vdente (.7t édito iiibutário Exonetado 2 Processo o" 10227.003150/2007-81 S3-C1.12 Acórdão o'' 3102-00.693 1-1 617 De acordo com a Descrição dos Fatos que integra os Autos de Infração de fls. 01/23 (II e .W1), os motivos dos presentes lançamentos, em síntese, foram os seguintes: a) em relação ao Auto de Infração do Imposto sobre a Importação (fls. 01/10): irregularidades apuradas em relação às Declarações de Importação (D1) de n"s 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003: a) declaração inexata, por erro no valor declarado e na descrição da. mercadoria (Dl n" 03/0145804-3); b) importação ao desamparada de Guia de Importação (GO ou documento equivalente (D1 n" 03/0145804-3); e) diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (DI n" 03/0145804-3); e d) mercadoria. classi ficada incorretamente na Nomenclatura Como m. do -Moucos-ri 1 - NCM (D .E n° 02/0883917-2).. b) em relação ao Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados (fls. 16/21): irregularidades apuradas em relação às Declarações de Importação (Dl) de n's 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003: (i) declaração inexata, por classificação fiscal incorreta da mercadoria na MN_ (DI n" 02/0883917-2); e (ii) declaração inexata, por erro no valor declarado e na descrição da mercadoria (Dl n" 03/0145804-3).. Em decorrência das referidas irregularidades, firram lançados os seguintes créditos tributários: a) no Auto de Infração do Imposto sobre a huportação (fls. 01/14): (i) Impostos sobre a Importação (II), acrescidos dos .julos moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por declaração inexata; (ii) multa por falta de Licença de Importação (LI); (iii) multa por classificação fiscal incorreta; e (iv) multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação; b) no Auto de Infração do Imposto sobre Produtos industrialzados (fls. 15/23): (i) ko.postos sobre Produtos ..Industrialzados (In, acrescidos dos .juros moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por declaração inexata. Em 04/06/2007, a autuada foi pessoalmente cientificada (fis. 02 e 15) dos referidos Autos de Infração, Inconformada, em 04/07/2007, apresentou a impugnação d.e fls. 2.23/564, cujas razões de defesa, em síntese, foram as seguintes: a) em preliminar, alegou nulidade dos referidos Autos de Infração, com o argumento de que, na data do lançamento, encontrava-se favorecida com o ins,fituto da deu-Ui:leia espontânea, previsto no art. 138 do CTN; b) no mérito, alegou que: (i) faz jus ao benefício fiscal de isenção do fl e do 1PI, previsto para a Zona Franca de Manaus (Z -FM), pois atendeu todas as condições exigidas para fruição do regime, inclusive Obteve de IA anuída pela SUFRA .MA; (ii) não prestou declaração inexata, haja vista que adotou as alíquotas do II e do IP1 constantes da posição da NCM que julgou correta para a classificação fiscal da mercadoria; (iii) era inaplicável a' -mita • por inexistência de 1.1., .pois esta foi regularmente emitida, logo. Os fatos narrados no auto de infração não se substitue à capitulação le gal indicada; (iv) ela inaplicável a multa por diferença de preço, pois não havia prova da prática de huude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade de se apurar o preço efetivamente praticado; (v) se erro existiu, teve como origem mero engano, .jamais tendo como motivação o proveito doloso, intencional e danoso ao erário; (vi) a atuação da .Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade, legalidade e da proporcionalidade; e (vil) ausentes o dolo e a má-fé do declarante, não cabe a imposição de multa, segundo dispõe o ADN C.osit n'' 1.0, de 16 janeiro de 1997. No final, em sede preliminar, pediu a nulidade dos presentes Autos de Infração, que resultou em lançamento de oficio no curso da denúncia espontânea. Caso não acatada a preliminar, no mérito, requereu o .julgamento improcedente dos citados Autos de Intiação, a vista de que a capitulação legal nele contida não se conforma ao contexto factual explanado pela própria administração tributária. Após a referida impugnação, sobreveio o mencionado Acórdão, cru que os membros da Turma julgadora o quo, por maioria de votos, declararam nulo o presente lançamento, julgando a impugnação procedente e cancelando o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos expostos resumidamente no corpo da ementa anteriormente transcrita. Fm 30/09/2009, a interessada Foi cientificada do Acórdão recorrido, por -via postal (i1 614).. • 1•!.i'n.• cumprimento ao -despacho-de-1F 61-5- (-ultima);--os-presentes- autos foratu enviados a este e. Conselho.. Na Sessão de 04/02/2010, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento - Relator O presente .R.ecurso de Oficio preenche os requisitos de admissibilidade, pois valor do crédito tributário exonerado pelo Acórdão recorrido excedeu ao limite de alçada do Órgão julgador de primeiro grau (DRI --- l'ortaleza) e a controvérsia nele versada trata de matéria da. competência deste Colegiada -portanto, dele tomo conhecimento. 1- DAS PRELIMINARES Antes de adentrar ao mérito, duas questões preliminares precisam ser dirimidas Ambas dizem respeito à nulidade dos Autos de Infração em testillia. Urna aduzida. pela autuada e a. outra apresentada pela maioria dos membros do colegiado do Órgão .julgador de primeiro grau.. Da alegação da autuada: lançamento de ofício realizado no curso do prazo da denúncia espontãnea. Na peça impugnatoria, alegou a interessada que os presentes Autos de Infração seriam nulos, uma vez que foram lavrados no curso do prazo do beneficio da denúncia espontânea. .. „..... ..„. ,. . 4 7 Proces.,:o n" 10283 003150/2007-84 S3-C.1J2 AcórXio n " 3102-00.693 Fl 618 Não assiste razão a. recorrente. Não há na legislação material ou processual qualquer preceito legal que impeça a autoridade fiscal de proceder a lavratura do auto de infração, principalmente, quanto a denúncia da irregularidade ou da infração não vem acompanhada das providências adequarias para saneá-la.. () mesmo se aplica a hipótese de recuperação da espontaneidade, ocorrida no curso do procedimento fiscal, por ter excedido o prazo de 60 (sessenta) dias, sem a prática de qualquer ato de oficio que denote a continuidade da ação fiscal, conforme estabelecido no § 2" do art. 7" do Decreto 70.235, de 6 de março 1.972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF) federal. No caso, ao contrário do alegado pela fiscalizada, diante da persistência da. infração, sem que houvesse provid.ência alguma por parte da denunciante, em. cumprimento ao disposto no rui.. 142 do CTN, a autoridade fiscal foi obrigada a proceder ao lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o efeito jurídico, decorrente da aplicação do instituto da denúncia espontâneo, previsto no art, 138 do C.7N, alcança apenas a dispensa de penalidades de natureza hibutária, desde que a formalização da denúncia seja acompanhada do recolhimento do tributo devido e dos juros moratórios acaso devidos, o que não Ocorreu no presente caso, embora previamente cientificada da obrigação de recolher os impostos objeto do presente lançamento. 'Não é demais ainda lembrar que, no âmbito direito aduaneiro, o assunto recebeu disciplinamento específico, conanme disposto no art. 102 do Decreto-lei n" 37, de 18 de novembro de 1966, a seguir transcrito: Ari 102 - A denúncia e,sponhinea da infração, acompanhada, se for' o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Li imposição da correspondente penalidad('. (Redação dada pelo Decreto-Lei n'2,472, de 01/09/1988) § 1" - Arão se considera esponidueo a denúncia apresentada.' (Incluído pelo Decreto-Lei n'2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o dest :.'inharaço da mercadoria. (Incluído pelo Decreto-Lei n°2 472, de 01/09/1980 h) após o inicio de qualquer 011trY) procedimento fiscal, mediante aio de oficio, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurai a inflação, (incluído pelo Decreto-Lei n'2 472, de 01/09/1988) 2" - A denúncia espontânea exclui somente LIN penalidades de natureza tributária. Uncluído pelo Decreto-Lei n°2 472 de 01/09/1.988) (grilos não originais). Analisando o preceito legal transcrito, tendo em conta as peculiafidades do caso em apreço, merece atenção especial o disposto no § 2' que, a contrario senso, exclui expressamente as penalidades de natureza aduaneira dos benefícios da denúncia espontânea. Dessa forma, caso a interessada, no período em que poderia exercer a denúncia espontânea, tivesse providenciado o recolhimento dos impostos devidos, acrescidos dos juros moratórios (o que não aconteceu), tal providência isentar-lhe-ia apenas cFmni...11 de \ 417 oficio de 75% (setenta e cinco por cento), prevista o art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, haja vista que tal instituto ¡lã° SC aplica às infrações de natureza aduaneira.. Com tais considerações, rejeito a presente preliminar. Da ftmdamentação do Acórdão recorrido: cerceamento do direito de defesa por inexatidão da descrição da matéria tática. Compulsando o Voto Vencedor que embasou a decisão anulatoria do presente procedimento fiscal, em sua totalidade, verifica-se que o argumento apresentado foi a existência do cerceamento do direito de defesa da fiscalizada, posto que os Autos de Infração litigados 11 :ãO conteriam a descrição exata da matéria fálica, contrariando ao disposto no inciso 11 do art. 59 do PAP, eom.binado com o art. 5 0 , inciso LV, e art. 37, caput, da (i.onstituiçao Federal, bem como ao principio da estrita legalidade que inibi-ma todo ato administrativo. Discordo, em parte, do entendimento majoritário da Turma julgadora de primeiro grau. Analisando a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra os Autos de Inflação em testilha, observo que dela não consta, explicitamente, a motivação da descaracterização do beneficio fiscal da isenção do 11 e do [PI, que fora reconhecido em favor da autuada na fase dos despachos aduaneiros, amparados pelas DI de nus 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 1.9/02/2003, riem tampouco o .enquadramento legal do lato que-embasou-tal procedimento. Cabe consigtun ainda que o referido beneficio fiscal fora concedido a interessada., com base no art 3" do Decreto-lei n" 288, de 2.8 de fevereiro de 1967, que assegura às .mercadorias estrangeiras importadas para a Zona Franca de Manaus (ZFN), desde que destinadas as finalidades nele especificadas, a isenção do II e do Acontece que, por se tratar de 'beneficio fiscal sujeito à determinadas condições, a manutenção da isenção dos rei .Tidos impostos esta condicionada à (i) efetiva comprovação das mercadorias nas finalidades indicadas, e ao (ii) cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos no Decreto-lei. n" 288, de 1967, e pela legislação complementai: (requisitos formais). Neste sentido, o diSeiplinaMent0 contido no § do art.. 453 do Decreto n" 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vigente na época dos fatos e inflações narrados nos autos, cujo texto segue transcrito: Art. 453. A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona hanca de Manaus, (ictiuia(ia a s eu cons umo interno, industrialização em qualquer ,1 •.;1 .(tu, inclitsive beneficiamento agropecuária, pe.yea, instalação e operação de indústrias e .5€'i 'VIÇOS de qualquer natureza, eXpO kl(ii0, bem ass im a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação e sobre produtos industrializados (Decreto-lei 288, de 1967, art 3, e Lei n" 8 032, de 1990, art 4") §' 2 .4 isenção de que trata ege artigo fica condicionada à efetiva aplicação das mercadorias nas . finalidades indicadas, e ao cumprimento das demais condições e requisitos k. estabelecidos pelo Deereto-lei n' 288, de 1967., e pela legislação complementa. Processo n" 10283 003150/2007-84 534:1 T2 Acórdio n " 3102-00.693 Pl. 619 (grilos rào originais). Conforme . já mencionado, na presente autuação, a autoridade fiscal, além de apresentar uma descrição .fatica precária, não mencionou o preceito legal que amparou a sua decisão de desconsiderar a referida isenção e, por conseguinte, proceder à cobrança dos impostos suspensos, em decorrência da aplicação do regime da aduaneiro da ZFM, Com efeito, não há nos referidos Autos de Infração dados ou elementos que indiquem., COm precisão, o que levou a autoridade fiscal a afastar o beneficio fiscal em tela.. Rm outras palavras, quais das condições mencionadas no referido preceito legal fbram descumpridas pela interessada: as mercadorias não foram aplicadas na finalidade indicada? Ou o beneficiário descumpriu alguma condição ou requisito estabelecido pelo Decreto-Lei n" 288, de 1967, e pela legislação complementar? Na descrição dos Patos integrantes dos referidos Autos de Infração, onde se deveria encontrar as respostas para tais indagações, não há qualquer notícia a respeito de tais circunstancias. Cabe ressaltar, ademais, que a simples menção, de forma genérica, a declaração inexata, seja por erro de classificação fiscal (Dl n" 02/0883917-2), ou por erro de descrição ou valor da mercadoria (Dl n() 03/0145804-3), ao meu sentir, não são suficientes para proporcionar o conhecimento do real motivo da exigência dos impostos suspensos, acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios. Poder-se-ia ainda inferir, a partir da farta, porém prolixa, descrição apresentada que o motivo do cancelamento do beneficio fiscal em questão fora O descumprimento dos requisitos estabelecidos para fins de obtenção do licenciamento dos equipamentos importados, condição necessária para fruição do incentivo fiscal aplicado ao regime da ZFM, conforme disposto no art. 455 do RA/2002, a. seguir reproduzido: Ari.. 455. As importações no regime de que trata este Capitulo estão sujeitas a liCelleiaM01110 não-automático, previamente ao despacho adiumeiro, com a expressa alitiêneia da ,Yuperintendencla da Zona Franca de Manaus. Nada obstante, tal inferência aplicar-se-ia apenas em relação a Dl n" 03/0:145804-3, haja vista que a operação de importação de que trata a D1 if 02/0883917-2, estava amparada pela IA n" 02/1141524-0, deferida pela Suframa. Inclusive, cabe mencionar que essa operação não fbi apeirada com a multa por falta de L1, o que conduz a conclusão de que, se existia licenciamento para esta Ultima operação, dela não seria exigido o valor do IPI suspenso, o que não ocorreu, corri:Orme Auto de Infração do IPI (Os.. 15/23). No mesmo sentido, conclui o Relator do Voto Vencedor que serviu de fundamento para Acórdão recorrido, segundo o excerto a seguir transcrito: Não se pode falar aqui que a simples classificação incorreta na NC1V1 tenha o condão de desconligurar todo o Regime da Zona Pratica de Manaus, quando a descrição da mercadoria, tanto na Dl n° 02/088.3917-2, quanto na li n° 02/1141524-0 foi considerada correta pela Auditoria \7 Ademais, analisando a peça impugnatoria, observo que a interessada não chegou a tal inferência, por conse guinte, não se defendeu explicita e adequadamente dessa parcela da autuação, por uma razão óbvia: a imprecisa ou confusa exposição dos fatos, relativamente aos itens da autuação em destaque, agravada com a ausência do preceito legal infringido e a contradição em relação a exigência dos impostos suspensos.. Nesta direção é ilustrativo o trecho da peça impugnatória a seguir transcrito: Lm todo o teor do auto de infração não se encontra urna única linha dando conta de que as importações presentes nas DIs a' 03/0145804-3 e 02/0145804-3 tenham .sido efetuadas .sem autorização do Órgão anuente, qual _sela, a ,S'uperiniendência Zona P5anca de Manaus - SUPRA1114, fu.stamerne porque a análise fiscal teve como foco, para a primeira D1 de 2003, o valor (solicitado previamente pela IMpetrante) e a deserk..ão mercadoria, e para a D1 de 2002, a redistribuição das iiue Cad.01 jati ?WS adições e modificação da 1\1(..M. Dessa thrina, a imprecisa descrição tatica, aliada a ausência de capitulação do preceito legal que enibasara a descaracterização do regime isentivo em destaque (ausência de enquadramento legal.), ao meu ver, cerceou o direito de defesa da autuada, maculando a parcela do lançamento que trata da exigência dos impostos lançados e respectivos consectarios legais Ouros moratórios e multa de oficio), com o vicio formal insanável da ausência de motivação, cujo remédio é a declaração da nulidade desta parte da autuação. Por derrai.Téiro, é oportuno mencionar que a 'declaração parcial de nulidade do ato de lançamento tributário, formalizado por :areio do auto de infração, tem amparo no art.. 248 1 do Código Civil Brasileiro (CPC), que se aplica subsidiariamente ao PAF. Por outro lado, no que tange as penalidades de natureza aduaneira, com devida vênia, discordo do entendimento majoritário da 'furma julgadora de primeiro grau. Lm relação a este .ponto, no meu entendimento, tanto a motivação quanto o enquadramento legal foram adequadamente apresentados no Auto de Infração de tls, 01/14. No caso, se os fatos descritos não correspondem a hipótese legal infringida, não se trata de vicio formal, por falta de motivação e enquadramento legal, .mas de vicio material, caracterizado pela falta de subsunção do ...incito descrito ao tipo legal infringido. Cabe ressaltar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o ato administrativo de lançamento e de aplicação penalidade, em consonância com o disposto no art. 142 do CIN, tem os seus aspectos formais definidos nos arts. 9°c 10 do PAU. Não se olvide que os requisitos obrigatórios determinados para o auto de infração estão taxativamente estabelecidos no art.. 10 do PAF, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da ver ilicação da falta, e conter obr igatoriamerne.• - qualificw.cão do autuado,- 1!- o local, a data e a hora da lavrattua, lii - a descrição do fido; I "Ate 248 - .Anulado e ato, .1-opinam-se de nenhum efeito todos os subseqüentes, que dele dependam; todavia, a \ nulidade de uma paute do alo lã() prejudicará as outras, que dela sejam independentes" \ //\'' PI ()cesso ne 10283 003150/2007-81 S3-C: ft 2 Acórfflo n " 31.02-00.693 Fl. 620 /V- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da eviOncia e a intimação Nua cumpri-1a OU impugná-la no prazo de trinta dias,- VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o numero de matrícula. (gr i fos não originais). No que concerne às penalidades de natureza aduaneira, compulsando o Auto de Infração de fi. 01/14, verifico que todos os requisitos fixados no referido dispositivo legal estão nele contemplados, portanto, do ponto vista formal, não há nenhum vício que macule a higidez dos lançamentos em testilha, em relação a esta parcela da presente autuação.. Neste ponto, diversamente do alegado no Voto Vencedor que embasou o Acórdão recorrido, observo que a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante do citado Auto de Infração, contém farta descrição dos fatos ilícitos, acompanhada da disposição legai infringida e a penalidade aplicável (enquadramento legal), que embasaram a aplicação das citadas penalidades, o que proporcionou à autuada pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas na presente autuação. Uma demonstração do que foi asseverado, está retratada na longa e exaustiva peça impugnatória de fis.. 223/243, em que a interessa contesta, com propriedade e conhecimento, todos às penalidades aduan.eiras aplicadas, inclusive, apontando as inconsistência entre os fatos relatados e as infrações hipotéticas descritas ria lei. Dessa forma, fica evidenciado que, em relação a esta parcela da autuação, não houve o alegado cerceamento do di eito de defesa. da fiscalizada. Corrobora o asseverado, o excedo a seguir transcrito, em que a autuada deixa consignado que, caso superada a questão preliminar suscitada "seja o presente auto de infração julgado improcedente, a vista de que a capitulação legal nele contida não se conformar ao contexto factual explanado pela própria administração tributária (....)" (grifos não originais) Assim, no que toca às infrações em destaque, reafirmo que se vício existiu ele foi de natureza material, por incompatibilidade entre a conduta imputada a autuada e a infração descrita hipoteticamente na lei, questão que envolve o mérito da presente controvérsia, que será analisado em seguida.. Por tais razões, rejeito em parte a presente preliminar, o que implica negar provimento, em parte, ao presente de Recurso de Oficio, para manter (i) a nulidade integral do Auto de Infração do TN 15/23) e (ii) parcial do Auto de infração do II (fls. 01/14), alcançado apenas a parcela do lançamento do II e respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de oficio). II-"DO MÉRITO Superadas, em parte, as preliminares de nulidade dos referidos Autos de Infração, passo a análise das questões de mérito, com a ressalva de que as questões que aqui serão analisadas limitam-se às penalidades de natureza aduaneira, aplicadas por meio do Auto de Infração do I.1 (fis. 01/14), a saber: (i) a multa por falta de Licença de impodação (14 (ii) a multa por classificação fiscal incorreta; e (iv) a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na.rmportação Entretanto, antes de analisar a procedência ou não da imposição das ditas penalidades, cabe fazer uma rápida exposição sobre as duas operações de impoitação, com destaque para a identificação dos equipamentos importados e o enquadramento tarifirio deles na NCM. Da identificação do equipamento importado. O bem impai tado pela interessada foi IAM tipo de equipamento chamado "SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA" (Atticulated Trig Barge Compling SvWcm), que o Fornecedor especificou como "Al Coupling System (IAK-400, or equivalent)" Este equipamento é composto basicamente de duas partes: a) uma a ser montada no EMPURRADOR, identificada com o nome de "PUSHP1N" (Pino Empurrador), composta de duas unidades; e b) a outra a ser montada na BALSA, identificada nos documentos com o nome de "SOCKET" (Placas Soqueles), também composta de duas unidades. O funcionamento do referido sistema dar-se da seguinte maneira: os dois pinos fixados no Empurrador se encaixam nas duas placas soquetes da Balsa, proporcionando o engate ou acoplamento do primeiro ao Ultimo, Cabe destacar que, cru relação à. identificação e ao funcionamento do equipamento (ou sistema),-não controversianos autos-. Da classificação fiscal do produto na NCM. A recorrida classificou o equipamento em tela, nos seguintes códigos da NC : a) na DI n" 02/0883917-2 (fls. 124): (i) Adição 001: "8479.89 99 OUTROS MAQS APARS.MICANICOS C/1.11NCAO PROPRIA"; e (ii) Adição 002: "8479.90.90 — OLITS PARTES DE MAQS E APARS.MECAN1COS C/FUNCAO PROPAIA"; E b) na DI n" 03/0145804-3 (ti 35): Adição 001 (Unica): "8483.60.90 DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO, IN(. L JUN I AS DF ARTICULACAO" De acordo com a autoridade fiscal, o código NCM correto do retendo equipamento é 8483.60.90 (DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO), que corresponde ao enquadramento tai 'fali° atribuído ao produto na segunda da Dl. Em conclusão, nos presentes autos é incontroverso que o "sistema articulado de acoplamento de empunador e balsa" classitica-se no código NCM 8483:60.90, que a partir da posição 8483 tem a seguinte descrição na NCM: 84.83 ÁRVORES (VEIOS) DE TRAMS'AIISSÀO /INCLUÍDAS AS ÁRJ' ORES DE EXCÊNTRICOS (CAMES) E VIRA BRE01.IINS (CAMBOTAS)/ P, MANIVELAS, MANC,5:118 (CIIUMA(TIRAS) A 'BRONZES', ENGRENAGENS E RODAS DE FRICÇÃO, ELVOS DL ESLERAS OU DE ROLE' 11 REDUTORES; - MULTIPLICADORES, CAIXAS DE 11?ANSAILS'5X0 E 1:7A R1/10 OR ES DL VELOCIDAI)L, [ DOS OS CONVERSORES DE TOI?OliE (BINÁRIOS), VOLANTES E \\NW Processo n" 10283 0031.50/2007-8 .1 S3-(1T2 Acórdão n°3.1.02-00.693 01. 021 INCLUIDAS AS POLIAS PARA CADERNAIS; EMBREAGENS E DLS'POSMVOS DE ACOPLA .MENTO, INCLUÍDAS AS .ILINTAS DE ARTICULAÇÃO (• • ) 8483..60 - Enzbreaf!. ens e dispositivos de acoplamento, incluídas. as juntas de articulação 8483.60 90 • • Outros (griros não originais). De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado ((ROI-S11) n" C, para os efeitos legais, a classificação de um produto na NCM 3 é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo. Analisando os textos da posição 84„83 e da subposição 8483.60, verifica-se que há menção expressa aos dispositivos de acoplamento, descrição em que se enquadra. perfeitamente o equipamento destaque. 'Dessa forma, aplicando ao caso em tela a RGI-SH n" 1 , tem-se que o equipamento importado pela recorrida se enquadra perfeitamente nas referidas posição e subposição. Por fim., por não existir descrição especifica no âmbito da subposiçã.o 8483,60, com base na Regra Geral Complementar (RGC) n" 1, combinado com o disposto na Red-SH n" 3-"c", tem-se que o referido sistema classifica-se no código NC1vi 8483.6090 — Outros, restando assim a seu código tarifário e correspondente descrição na NCM: 8483.60.90 — Outros dispositivos de acoplamento. Da multa por classificação fiscal incorreta. A previsão legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n" 2,158-35, de 24 de agosto de 2001: Ari 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mereadória: I- (las.sificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complemenlaré ou em outros detalhainentos instituídos para a identificação da mercadoria; (grifos não ot igi nal s) Diante das conclusões anteriormente apresentadas, entendo que houve a concretização da referida. infração, haja que os erros de classificação apontados no presente Auto de Infração se subsumem adequadamente a hipótese tática descrita no citado preceito legal. 2 OS títulos das Seções, Capítulos e Subeapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 3 Aprovada peia Resolução Camex n" 42, de 26 de dezembro de 2001, de 12 de Novembro de-1-99 .7, com ps (' alterações posleriores Cabe ressaltar ainda que a ausência de culpabilidade, de dolo ou iná-fé, não influi na aplicação da penalidade em apreço, haja vista que a responsabilidade por infração às normas aduaneiras, regra geral, tem natureza objetiva (caso ein apreço), ou seja, independe da. intenção do agente e da efetividade, natureza e extensio dos efeitos do ato, segundo determina o § 2' do art. 94 do Decreto-lei n" 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art 94 - Constitui infração Ioda (1Ç.'ã O ou omissão, voluntária Ou involuntário, que importe inobservancia„ por pai te da pessoa natural ou jurídica, dc norma estabelcuida neste Decreto-Lei, no seu regulamento Ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los (. ) 2" - Salvo dispasição evr essa f'..M. Con trário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente on do responsável e da efetividade, natureza e vtensão dos efeitos do ato. (grifos não origniais) Além disso, não se olvide que a presente infração tem natureza formal, o que implica sua materialização com o simples cometimento da conduta tipificado no referido preceito legal, independentemente do resultado natural ístico. Em decorrência, é irrelevante para sua configuração a existência. de prejuízo a Fazenda Nacional. Dessa librma,. uma vez de.monstrada a._ ocorrência do evento -ilícito e -a- sua perfeita subsunção a hipótese típica descrita na lei, aliada a inexistência de qualquer circunstância excludente da penalidade aplicada, o que conduz a inarredável conclusão de que é procedente a exigência da dita penalidade Por tais razões, considero corretamente aplicada a presente penalidade. Da multa por falta de Licença de Importação (LI). Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa aplicada à autuada, por infiação ao controle administrativo das importações, caracterizada pela t'alta de Guia de Importação (GO ou documento equivalente, está prevista, na alínea "h" do inciso 1 do art. 169 do Decreto-lei n" :37, de .1966, com a redação dada pelo art. 2" da. Lei 13.0 6,.562/78, com os seguinte dizeres: „4,1 169 - Constituem infrações administrativas ao c..ontrole das imporiaçõe .1- importar mercadorias do e.vterior: ( ...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falia de depó.sito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus . financeiros. ou camblais (Inchada pela Lei n" 6.562, de 1978) Pena multa de 30% (trinta por cento) do valor da tne)uadoi ia. (...) (grifos não originais) No período em que ocorreram os latos descritos no presente /Auto de Infração, já se encontrava em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (iscomx„ 7.".,.../ . i 12 Processo n" 10253. 003150/2007-84 S3-C1.12 Acórfflo 3102-001.i93 01 022 no ilmbito do qual, nos termos do § 1" do art. 6 0 do Decreto n" 660, de 25 dc setembro de 1992, a I foi substituída pela Licença. de Importação (I 1).. Na nova sistemática, as operações de importação passaram a ser submetidas a. duas modalidades de licenciamento: o automático e o não automático. Na primeira modalidade é dispensável a anuência prévia dos (.)rgão intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, a autorização prévia dos referidos Órgão é sempre exigida, sob pena do cometimento de infração administrativa ao controle da.s importações, abstratamente descrita. no art.. 169 do Decreto-lei n" 37, de 1.966. Na data em que das operações de importação objeto da presente autuação, o assunto estava disciplinado no art. 490 do RA/2002. No presente caso, somente o equipamento submetido a despacho aduaneiro por meio da D .1 n'' 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003, foi objeto da penalidade em apreço. A referida importação teve o seu licenciamento deferido pela Suframa, fOrmalizado por meio da lA de n" 03/0178800-3, registrada em 17/02/2003 (fls. .149/150), que foi retificada pela LI n' 03/0762465-7, registrada. em 0.3/07/2003 (11s. 190/191), também devidamente anuída pela Sufiama.. Comparando a descrição do equipamento declarado na referida Dl e licenciado na respectiva 1.1, observa-se que elas são coincidentes, o que confirma a regularidade do licenciamento do produto, previamente ao registro da 1)1. Neste ponto, está com a razão à impugnante (11s. 223/243) que se manifestou pela inaplicabilidade da multa. em destaque, porque ali: fora regularmente emitida. Com tais considerações, fica demonstrada a improcedência da aplicação da. presente penalidade, Da multa incidente sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. A hipótese legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no Caput e parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória n" 2..158-35, de 24 de, agosto de 2001: ..4u. 88 No caso de fraude, - sonegação Ou conluio, CM (Me não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na iMpOr a base de cálculo dos triburos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos _seguintes critálos, observada a ordem .seqüencial. Parágrafo único. Aplica-se a 1)11.111(1 administrativa de cem por cento sobre a diferença entre O preço declarado e o preço efetiva mente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos. impostos-, da multa de ofício prevista no art 44 da Lei n 0 9.4.30, de 1.996, e dos acréscimos legais cabíveis. Alegou a. recorrida que era inaplicável a presente penalidade, pois não havia prova da. prática de fraude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade-de se apurar o p1eço efetivamente praticado, Esta com a razão a autuada. A aplicação da presente penalidade exige prova da prática de fraude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade de se apurar o •preço efetivamente praticado.. Compulsando os presentes autos, verifica-se que a autoridade fiscal não relatou nem comprovou tais condutas. Na verdade, há noticias nos autos de que a diferença de preço decorreu de equivoco cometido pela -fiscalizada, que informara na IN e na Ti origin.al um valor interior para o equipamento importado, que fora espontaneamente comunicado fiscalizada a Unidade da Receita Federal de despacho, que indeferira a alteração pleiteada. Cabe esclarecer, por oportuno, que o mesmo pedido de retificação também foi formulado junto à Saram, que o deferiu, nos termos propostos .pela importadora e conforme consignado na LI retificadora de Os.. 190/191. Além disso, não se pode perder de vista que o escopo da presente multa é diferenciar o importador que agiu com dolo ou Ina-fe, fraudando o preço da mercadoria importada, daquele que cometeu mero equivoco no preenclrimento dos documentos relativos à. operação de importação.. Inclusive, e oportuno destacar, sequer foram aventadas pela autoridade fiscal as condutas ilícitas descritas no preceito legal em apreço.. Além disso, por se tratar de regime aduaneiro couteurplado com a isenção dos tributos incidentes na operação de importação, não vislumbro, no presente caso, qual seria a vantagem tributária obtida ilicitamente pela autuada, com a indicação de preço a menor do produto importado . . • • --.- - - • ..---- ..- - -- • .--- ----- ..... -•--- • - •— Diante tais considerações, tenho como .indevida a aplicação da presente multa. III- DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de: a) DAR PROVIMENTO PAR.C.I.A.I. ao presente Recurso de Oficio, para manter (i) a nulidade integral do Auto de Infração do IPI (fis. 15/23), por vício formal; e (ii) parcial do Auto de Infração do II (lis 0.1/1.4), por vicio -formal, alcançando apenas a parcela do lançamento do II e respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de oficio); e b) RE.1E FIAR_ a preliminar de nulidade, por afronta ao instituto da denúncia espontânea, suscitada pela recorrida; c) no mérito, DECLARAR PROCEDENTE EM PARTE o Auto de Infração do 11 (tis. 01/14), para manter integralmente o valor da multa por classilicaição incorreta da mercadoria._. , vw., • .."---. – • \.N as-éimento \ 14
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000505/2005-15
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)
Exercício: 2003
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária.
(Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, eor unanimidade de votos, em negar • provimento ao recurso. CARLOS ALBER 4!) REITAS BA r,r ETO- Presidente MOISES GIACOMEI S DA SILVA - Relator EDITADO EM: 1 11 00 2010 1 • Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente); Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte antes nominado foi autuado em virtude da omissão de rendimentos do trabalho recebidos de organismos internacionais, caracterizada pela constatação de que o contribuinte declarou-os como isentos e não tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual, no ano-calendário de 2002. Por meio do acórdão de folhas 248 e seguintes, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da exigência a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio. O acórdão referido pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: IRPF - ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo corra vinculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA -É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Intimado, o contribuinte ingressou com recurso especial de fls. 293/308, alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos, decorrentes da prestação de serviço junto ao PNUD, gozam de isenção do imposto sobre a renda. Com a finalidade de demonstrar divergência jurisprudencial, o recorrente destaca os acórdãos paradigmas n° 104 — 16.634 e CSRF/01.04.135, de ementas idênticas que, no ponto que interessa ao presente feito, espelham a seguinte decisão: IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. ISENÇÃO - Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, os valores auferidos a título de rendimentos ,\ do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao 2 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 3 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estão isentos do imposto de renda brasileiro. Recurso provido O recurso foi admitido às fls. 341/343 e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 346 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: IRPF - ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU — ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo corra vinculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA -É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Em relação ao acórdão paradigma apontado como caracterizador da divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. ISENÇÃO - Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, os valores auferidos a título de rendimentos do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao 3 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estão isentos do imposto de renda brasileiro. Recurso provido Do confronto das ementas acima referidas, tem-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de renda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta forma, fica caracterizada a divergência, razão pela qual admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Tullna da Câmara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão n° 104-20.451 de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": " (.) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio' que norteia a concessão da isenção em tela. O artigo 5° da Lei n°4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece: 'Art. 5 0 Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e Ill deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais 4 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 4 rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5° da Lei n°4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente — brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo P1VUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n°59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades I. O Governo, caso ainda não esteja obrigado afazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas '; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas '; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são: Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional dei c- 5 Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um programa específico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950. Dita Convenção assim prevê: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao sei-viço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos • mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; fi gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. 6 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 5 Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos. '(grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missões diplomáticas; facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocada utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU — e que no inciso lido art. 5 0 da Lei n° 4.506/64 é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONUÍ / le n.7 com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5 0, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no País, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos beneficios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de fimcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo- se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo- se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; 8 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 6 d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização.' Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público' (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723a 729): 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini- los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e .7 dotados de um estatuto próprio. 9 • O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele . desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (.) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (.) O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (.) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (..) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (..) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais ' ; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; ,D facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. io Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 7 Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais' ; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções' ; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos —funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (.)." Aos fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência unifoline da CSRF, compartilho do entendimento de que não há fundamentos legais que justifiquem a não incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, em decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, para manter a exigência tributária. Moises Giacomell slíva - Relator 11
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Numero do processo: 10314.003911/2006-11
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dá-se o provimento dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3201-000.445
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e dar provimento nos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ;11..,11-,--74: .-,-",),', •-, - TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.003911/2006-11 Recurso n° 138.823 Embargos Acórdão n° 3201-00.445 - r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 30 de abril de 2010 Matéria CONVERSÃO DE MULTA Embargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado LVMH FASHION GROUP BRASIL LTDA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dá-se o provimento dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e dar provimento nos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. , e dr C451-....• JUDITH 90 • A , I, MARCONDES A • s 'DO Pr den - () - )1,01iL -. P ' P(2,421.a ' ‘CC) t C IA E-Éj,t)d) ' • • O D'MVIORIM Pr Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1,,,777) 1 Processo n° 10314.003911/2006-11 53-C211 Acórdão n.° 3201-00.445 E. 1.222 Relatório A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou às fls. 1217/1218, Embargos de Declaração ao Acórdão ri8 3102-00.202, prolatado na sessão de 20 de maio de 2009, por entender ter ocorrido erro material, tomando contraditória a proclamação do resultado. A ementa do referido acórdão, que transcrevo abaixo, dispõe: ASSUNTO: IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. FATO GERADOR: 10/04/2006 Incabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, tendo em vista concessão de medida liminar em Mandado de Segurança. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A oposição dos Embargos baseia-se no entendimento da PFN, que o acórdão ora recorrido padece, de erro material, na proclamação do resultado do julgamento, consubstanciado na expressão "que votaram pela conclusão", à E. 1207, conforme abaixo: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira que votaram pela conclusão, apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro." Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, a PFN entende que o provimento do recurso voluntário do contribuinte se deu por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Codntho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira, não havendo de se cogitar da existência de votação pelas conclusões. Logo, a União requer o esclarecimento da questão ora abordada, pois o referido erro material, conduz à falsa idéia de que o julgamento poderia ter sido proferido por unanimidade de votos, tomando, por sua vez, contraditória a proclamação do resultado, além de comprometer a futura admissibilidade do recurso especial. i O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. i É o relatório. 2 Processo n° 10314003911/2006-li S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.445 Fl, 1.223 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora Passo ao exame dos embargos, sobre os quais manifesto-me, transcrevendo os arts. 64, inc. I e 65, §1°, do Regimento Interno dos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009, dispõem, verbis: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: 1- Embargos de Declaração; e Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. § I° Os embargos de declaração poderão ser intelpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão." A emhargante entende existir contradição no referido Acórdão, tendo em vista erro material, devido a expressão " que votaram pela conclusão", à fl. 1207, cujo resultado do julgamento, dispõe: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira que votaram pela conclusão, apresentará declara çâo de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castra" A situação fática é que houve erro na votação, e a consequência traduzido no resultado do julgamento, deve ser: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que i negava. O Conselheiro Marcelo RibeiroNogueira votou pela conclusão, acompanhando a 3 Processo n° 10314.003911/2006-11 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.445 Fl. 1.224 relatora. Apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro." Cabe razão a PFN, tendo em vista que o resultado do julgamento não foi dar provimento ao recurso voluntário, proferido por unanimidade de votos, e sim por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava e pela conclusão, acompanhando a relatora, ai sim, o Conselheiro Marcelo RibeiroNogueira. Logo, a consequência é que o julgamento foi dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Diante do exposto, acolho os embargos, pois se enquadram numa das hipóteses do art. 65: por possuir a característica de contradição; razão pela qual voto por dar provimento aos embargos. Sala das Sessões, em 30 de abril de 2010. , -E1C-Clik' 4° ''. 13/ 'AMOR-à"Pt, 4
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