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Numero do processo: 10280.900643/2010-90
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO-PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS REVENDIDOS.
A exportação de produtos adquiridos e recebidos de terceiros não gera crédito-presumido de IPI.
MATÉRIA-PRIMA. INSUMOS. AQUISIÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. PROVAS.
A aquisição de matérias-prima e insumos e sua utilização no processo produtivo dos produtos exportados deve ser provada pelo contribuinte, mediante a apresentação de notas fiscais contendo o código da operação, bem como cópias dos livros fiscais e balanço/balancete registrando as respectivas operações.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/01/2006, 15/09/2006, 31/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. DÉBITOS PAGOS A DESTEMPO Os débitos fiscais não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, nos termos da legislação vigente.
Numero da decisão: 3301-001.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO-PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS REVENDIDOS. A exportação de produtos adquiridos e recebidos de terceiros não gera crédito-presumido de IPI. MATÉRIA-PRIMA. INSUMOS. AQUISIÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. PROVAS. A aquisição de matérias-prima e insumos e sua utilização no processo produtivo dos produtos exportados deve ser provada pelo contribuinte, mediante a apresentação de notas fiscais contendo o código da operação, bem como cópias dos livros fiscais e balanço/balancete registrando as respectivas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 15/09/2006, 31/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. DÉBITOS PAGOS A DESTEMPO Os débitos fiscais não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, nos termos da legislação vigente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOPRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS REVENDIDOS. A exportação de produtos adquiridos e recebidos de terceiros não gera créditopresumido de IPI. MATÉRIAPRIMA. INSUMOS. AQUISIÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. PROVAS. A aquisição de matériasprima e insumos e sua utilização no processo produtivo dos produtos exportados deve ser provada pelo contribuinte, mediante a apresentação de notas fiscais contendo o código da operação, bem como cópias dos livros fiscais e balanço/balancete registrando as respectivas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 15/09/2006, 31/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. DÉBITOS PAGOS A DESTEMPO Os débitos fiscais não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, nos termos da legislação vigente. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou as compensações dos débitos fiscais vencidos nas datas de 31/01/2006, 15/09/2006 e 31/10/2006, declarados nos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Per/Dcomps), às fls. 25/28; às fls. 29/35 e às fls. 36/40, transmitidas nas datas de 27/01/2006; 29/09/2006 e 01/11/2006, com créditos financeiros decorrentes de crédito presumido do IPI, apurado para o quarto trimestre de 2005. A nãohomologação das compensações dos débitos fiscais declarados decorreu do nãoreconhecimento do ressarcimento pleiteado, declarado como crédito financeiro, sob o argumento de que a recorrente não comprovou a produção das mercadorias exportadas, ao contrário, o código fiscal das operações (7.102) comprova tratar de revendas, conforme despacho decisório às fls. 42 e termo de encerramento de ação fiscal às fls. 44/46. Cientificada do despacho decisório, inconformada a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 50/72), requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “a) O crédito presumido é concedido às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, sendo que a lei nunca condicionou o benefício ao tipo de produto ou em razão da classificação destes na TIPI. O fato é que a própria autoridade fiscal atestou claramente que a madeira é industrializada pela impugnante, mediante análise dos documentos apresentados. Tanto é verdade que o laudo técnico em apenso confirma que a madeira passa por um processo industrial, restando evidenciado que o produto exportado passa por industrialização, exatamente como definido no Regulamento do IPI, em seus arts. 3o e 4o. A madeira exportada pela impugnante é sim produto industrializado, circunstância essa reconhecida pela própria autoridade fiscal ao analisar os documentos/livros fiscais que foram apresentados para análise ou analisados in loco pelos agentes fiscais. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900643/201090 Acórdão n.º 330101.361 S3C3T1 Fl. 237 3 b) Diante do que restou evidenciado, devidamente comprovado pelo laudo técnico em anexo, não há como admitir a suposição de que a madeira recebida pela impugnante possa ser comercializada nas mesmas condições em que é recebida, posto que o mercado externo jamais adquiriria a madeira em tora, razão pela qual a alegação de que há simples operação de revenda não prospera. O que de fato ocorre é que a impugnante, erroneamente, destacou nas notas fiscais o código fiscal de operação que não condiz com o processo de industrialização ao qual se submete o produto exportado, daí a confusão de que estaria simplesmente adquirindo e revendendo produto beneficiado ou semibeneficiado ou, ainda, industrializado por terceiros. Os agentes do fisco, contra legem, pretenderam restringir o benefício apenas ao produto exportado e não como determina a Lei, no sentido de que o benefício é concedido à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Foram exaustivamente comprovadas, pelos próprios funcionários fiscais, como resultam das provas e diligências in loco, todas as condições de concessão do benefício. Logo, simples erro humano/material na utilização do CFOP, considerandose ser obrigação acessória, não poderá ser causa para a negativa do crédito presumido, que é principal, pois efetivamente há processo de industrialização. c) A impugnante argüiu seu direito, demonstrou e provou a origem dos créditos objeto das compensações e em nenhum momento agiu contra a lei. Conforme atesta a própria autoridade fiscal, para o cálculo do crédito presumido, no que tange às aquisições é necessário tãosomente o valor total das aquisições de insumos adquiridos para utilização no processo produtivo. Desta forma, não há como negar que o agente fiscal estava de posse de todas as informações necessárias para a apuração do crédito presumido, sendo inegável o direito ao ressarcimento em sua integralidade. A impugnante não pode ser responsabilizada e punida, posto que foram prestadas todas as informações e documentos solicitados; se houve erro ou falta de informações, as mesmas não decorreram da impugnante. Nada obstante, não há a menor razão jurídica para a desconsideração das notas fiscais apresentadas. Deve ser designada diligência com o fim específico de colher as informações entendidas necessárias para a apuração do crédito presumido. d) Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido devemos, legalmente, levarmos em consideração tãosomente o valor total das aquisições de insumos adquiridos para utilização no processo produtivo. Contudo, a Portaria MF n° 38/97 e a IN SRF n° 23/97 inovaram no que se refere à determinação do valor total das aquisições, dispondo de forma contrária à lei, ao determinarem que a apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica e que os insumos deverão ser avaliados pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, dentre outros aspectos. A Portaria e a IN ofendem a hierarquia das normas e o princípio da legalidade. Refere julgados administrativos e judiciais. Conclui que ainda que se admita a aplicação dos malsinados atos e interpretações, mesmo assim não há qualquer razão jurídica para a negativa de crédito presumido do IPI, posto que as informações solicitadas foram apresentadas à autoridade fiscal. e) Solicita, assim, o provimento da manifestação de inconformidade, com a reforma do despacho decisório, pleiteando, alternativamente, que seja determinada a apuração do crédito presumido em face dos documentos e informações apresentados ou que se determine que a autoridade fiscal faça o exame in loco ou ainda solicite as informações que julgar necessárias para atender o seu critério de apuração do crédito presumido.” Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0121.362, datado de 12/04/2011, às fls. 86/93, sob as seguintes ementas: “DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. Os atos normativos gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. PAF. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1972. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de ressarcimento e nas declarações de compensação, o sujeito passivo figura como titular de pretensão e como tal possui o ônus de prova do seu direito. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 96/120), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologue as compensações dos débitos fiscais declarados nos Per/Dcomps em discussão, alegando, em síntese, que as mercadorias exportadas foram produzidas (industrializadas) por ela, tanto é verdade, que a autoridade fiscal atestou claramente este fato por meio do laudo técnico em anexo; descreveu, ainda, todo o seu processo produtivo, concluindo ao final que os produtos exportados por ela passaram por processo de industrialização nos termos definidos nos arts. 3º e 4º do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados (RIPI); alegou que as notas fiscais apresentadas por ela e que serviram de fundamento para provar que os produtos exportados foram adquiridos de terceiros continham erro de código da operação; na realidade, adquire toras de madeiras e a partir destas produz os produtos exportados; questionou também o critério de apuração do créditopresumido do IPI determinado por meio da IN SRF nº 23/1997, alegando que contraria a Lei nº 9.363, de 1996. Solicitou, ainda, que, caso não se reconheça seu direito e não se homologuem as compensações dos débitos fiscais declarados, seja afastada a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre os créditos tributários (débitos) e reduzida a multa aplicada a patamares condizentes com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da moral pública. É o relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900643/201090 Acórdão n.º 330101.361 S3C3T1 Fl. 238 5 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado, as questões de mérito se restringem a provas, bem como à dispensa de juros de mora à taxa Selic e a redução da multa de mora sobre os débitos tributários, caso não se reconheça o ressarcimento pleiteado e, conseqüentemente, não sejam homologadas as compensações dos débitos declarados. Os créditos financeiros declarados nos Per/Dcomps em discussão correspondem ao ressarcimento do créditopresumido do IPI apurado para o quarto trimestre de 2005. A Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que instituiu o créditopresumido do IPI, assim dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. §1º. O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002). §2º. No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. §3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 (...).” De acordo com estes dispositivos legais, a empresa produtora/exportadora fará jus ao créditopresumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo das mercadorias produzidas e exportadas por ela própria e/ ou via comercial exportadora. As exportações de produtos adquiridos de terceiros para revenda e, posteriormente, exportados não geram créditos presumidos. No presente caso, conforme demonstrado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 44/46, que fundamentou o Despacho Decisório, todas as notas fiscais de aquisições de matériasprimas e insumos apresentadas pela recorrente para comprovar o crédito presumido pleiteado se referem a aquisições de mercadorias para revendas, conforme prova o código fiscal de operação constante de tais documentos. A recorrente, em sua defesa, se limitou a alegar que o código fiscal constante delas está errado. Contudo, não apresentou quaisquer provas, documentos recebidos dos fornecedores, informando o equívoco no código e o código correto a ser considerado, conforme prevê a legislação tributária. Além disto, não apresentou quaisquer documentos comprovando a industrialização de produtos no trimestre, objeto do ressarcimento declarado, como crédito financeiro, nos Per/Dcomps em discussão, ou seja, no quarto trimestre de 2005. Já a alegação de que “a própria autoridade fiscalizadora atestou claramente que a madeira é industrializada pela impugnante, mediante análise dos documentos apresentados pela mesma, tanto é verdade que o laudo técnico, em apenso confirma que a madeira passa por um processo industrial ...”, não tem fundamento. Primeiro, nenhum laudo técnico foi emitido pela autoridade fiscal; segundo, caso esteja tomando, como laudo técnico, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal às fls. 44/46, nele não consta tal afirmação, ao contrário, consta expressamente que as notas fiscais apresentadas se referem a aquisições de mercadorias para revendas. Dessa forma, não comprovado os alegados erros nas notas fiscais de aquisições mercadorias, bem como a realização de industrialização no quarto trimestre de 2005, não há que se falar em direito a créditopresumido do IPI para aquele trimestre. Já os pedidos para exclusão dos juros de mora à taxa Selic e a redução da multa de mora incidentes sobre os débitos fiscais cujas compensações não serão homologadas, além de tratar de matérias inovadas, não opostas à autoridade julgadora de primeira instância, inexiste amparo para o seu atendimento. A exigência de juros de mora à taxa Selic constitui matéria já sumulado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos termos da Súmula nº 4 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900643/201090 Acórdão n.º 330101.361 S3C3T1 Fl. 239 7 Já a multa a ser exigida na liquidação dos débitos cujas compensações não foram homologadas é a de mora que está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 61, que assim dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...).” Dessa forma, sua exigência está amparada em lei vigente e não inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser aplicada pela autoridade administrativa competente. Finalmente quanto à homologação das compensações, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, esta depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados nos Per/Dcomps. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não demonstrou a certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Assim não há que se falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12571.000192/2008-24
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa: ACÓRDÃO. VÍCIO DE ERRO. ANULAÇÃO.
O órgão julgador pode e deve anular acórdão por ele emitido que contenha vício de erro. O acórdão anulado considerou, equivocadamente, o recurso voluntário como intempestivo.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIOS. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado a ocorrência de vícios formais no lançamento e nem que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN.
MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não pode ser conhecida, por preclusa, a matéria não contestada
expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância.
FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. AJUSTE DO IRPJ E CSLL DEVIDOS INFORMADOS NA DIPJ. LANÇAMENTO FISCAL. CABIMENTO.
Verificada a insuficiência no recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, confrontados com os montantes informados pelo contribuinte em sua DIPJ, correto o ajuste efetuado pela fiscalização para lançamento das diferenças devidas.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. JUROS DE MORA.
TAXA SELIC. CABIMENTO.
Nos lançamentos efetuados de ofício pela autoridade competente, por expressa disposição legal, é cabível a imposição da multa de ofício.
Por expressa disposição legal incide os juros de mora, equivalentes à taxa Selic, em relação aos débitos regularmente formalizados em Auto de Infração, não pagos no vencimento. Aplicação da Súmula CARF nº 4. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA
ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto e contribuição apurados em procedimento fiscal, face a expressa disposição legal e face à incidência ocorrer em situações fáticas distintas.
Numero da decisão: 1202-000.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, para anular o Acórdão nº 1202000.575, emitido por esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, sessão de 03/10/2011, por vício de erro, em não conhecer da matéria que deixou de ser contestada em primeira instância, por preclusão, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento parcial ao recurso
para cancelar a imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: ACÓRDÃO. VÍCIO DE ERRO. ANULAÇÃO. O órgão julgador pode e deve anular acórdão por ele emitido que contenha vício de erro. O acórdão anulado considerou, equivocadamente, o recurso voluntário como intempestivo. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIOS. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado a ocorrência de vícios formais no lançamento e nem que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não pode ser conhecida, por preclusa, a matéria não contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. AJUSTE DO IRPJ E CSLL DEVIDOS INFORMADOS NA DIPJ. LANÇAMENTO FISCAL. CABIMENTO. Verificada a insuficiência no recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, confrontados com os montantes informados pelo contribuinte em sua DIPJ, correto o ajuste efetuado pela fiscalização para lançamento das diferenças devidas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Nos lançamentos efetuados de ofício pela autoridade competente, por expressa disposição legal, é cabível a imposição da multa de ofício. Por expressa disposição legal incide os juros de mora, equivalentes à taxa Selic, em relação aos débitos regularmente formalizados em Auto de Infração, não pagos no vencimento. Aplicação da Súmula CARF nº 4. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto e contribuição apurados em procedimento fiscal, face a expressa disposição legal e face à incidência ocorrer em situações fáticas distintas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: ACÓRDÃO. VÍCIO DE ERRO. ANULAÇÃO. O órgão julgador pode e deve anular acórdão por ele emitido que contenha vício de erro. O acórdão anulado considerou, equivocadamente, o recurso voluntário como intempestivo. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIOS. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado a ocorrência de vícios formais no lançamento e nem que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não pode ser conhecida, por preclusa, a matéria não contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. AJUSTE DO IRPJ E CSLL DEVIDOS INFORMADOS NA DIPJ. LANÇAMENTO FISCAL. CABIMENTO. Verificada a insuficiência no recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, confrontados com os montantes informados pelo contribuinte em sua DIPJ, correto o ajuste efetuado pela fiscalização para lançamento das diferenças devidas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 222 2 Nos lançamentos efetuados de ofício pela autoridade competente, por expressa disposição legal, é cabível a imposição da multa de ofício. Por expressa disposição legal incide os juros de mora, equivalentes à taxa Selic, em relação aos débitos regularmente formalizados em Auto de Infração, não pagos no vencimento. Aplicação da Súmula CARF nº 4. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto e contribuição apurados em procedimento fiscal, face a expressa disposição legal e face à incidência ocorrer em situações fáticas distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, para anular o Acórdão nº 1202000.575, emitido por esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, sessão de 03/10/2011, por vício de erro, em não conhecer da matéria que deixou de ser contestada em primeira instância, por preclusão, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o processo da lavratura de Autos de Infração para a formalização da exigência do IRPJ e da CSLL, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 223 3 de mora, pela taxa Selic, pela falta de recolhimento, e de declaração em DCTF, do saldo a pagar desses tributos informados na DIPJ do anocalendário de 2004. Dito saldo foi reconstituído, face a constatação de que a autuada não teria recolhido o IRPJ e a CSLL, informado na DIPJ como “pago por estimativa”, linha 17, ficha 12A, fls. 12, e linha 43, Ficha 17, fls. 17, respectivamente. A fiscalização assim descreveu os fatos ocorridos, fls. 34 e 44: “O contribuinte apurou Imposto de Renda Devido no ajuste anual antes da compensação/dedução das estimativas (diferença positiva da soma dos valores das linhas 01 e 03 da ficha 12 da DIPJ menos o da linha 13) de R$513.874,03 e deduziu/compensou R$ 320.141,36 (linha 17), resultando saldo a pagar de R$193.732,67 (linha 20). No entanto, conforme o demonstrativo já mencionado, houve o recolhimento de R$ 57.334,03, a titulo de estimativas mensais, cuja glosa de R$ 262.807,33 aumenta o saldo a pagar de R$193.732,67 para R$456.540,00.” [...] “O contribuinte apurou Contribuição Social Devida no ajuste anual antes da compensação/dedução das estimativas de R$192.632,70 (linha 39 da ficha 17 da DIPJ) e deduziu/compensou R$122.142,38 (linha 43), resultando saldo a pagar de R$70.490,32 (linha 51). No entanto, conforme o demonstrativo já mencionado, houve o recolhimento de R$24.012,70, a titulo de estimativas mensais, cuja glosa de R$98.129,68 aumenta o saldo a pagar de R$70.490,32 para R$168.620,00.” Além disso, foi exigida a multa isolada, no percentual de 50%, pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL ao longo do ano de 2004. Cientificada da exigência, a autuada apresentou sua impugnação, de fls. 55 a 98, onde alega, em síntese: i) que o auto de infração não pode prosperar por estar eivado de vício de nulidade, ante a falta da assinatura do representante legal do sujeito passivo na intimação; ii) que a intimação ao sujeito passivo deve ser pessoal aos representantes legais da empresa, o que não ocorreu no presente caso; iii) que houve cerceamento ao seu direito de defesa, pois, quando tomou ciência da correspondência, já havia esgotado o prazo para o pagamento com redução e o prazo de impugnação já estava se esgotando; iv) também é nula porque enviada a endereço incorreto, que não o da sede da empresa autuada, mas sim para sua filial; v) protesta pela exigência dos juros, ao argumento de que não consta a memória de cálculo devidamente discriminada; vi) argumenta que a autuação está amparada em presunção, posto que a autoridade fiscal não apresentou provas; vii) afirma ter feito as deduções/compensações permitidas, sendo, portanto, indevida a cobrança de multa ou juros sobre estes valores; contesta a exigência das multas por ofensa aos princípios da legalidade, da isonomia, da graduação da pena conforme a intensidade da lesão; e viii) menciona ilegalidade da exigência de juros calculados pela taxa Selic. Na sequência, a DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão nº 0628.481, de fls. 142 a 148, cuja ementa abaixo se reproduz: APURAÇÃO DE DIFERENÇAS DIPJ X DARF. Em se constatando diferenças entre os montantes pagos c os informados em DIPJ e os pagos em DARF, há que ser Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 224 4 formalizado procedimento administrativo visando a apuração das exações não satisfeitas. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ESTABELECIDO EM LEI. No caso de lançamento de oficio, é cabível a exigência da multa, no percentual previsto na legislação de regência, a qual se exige juntamente com o imposto ou a contribuição apurados na respectiva ação fiscal. MULTA ISOLADA IRPJ e CSLL Nos casos de lançamento de oficio, em que a contribuinte deixou de efetuar os pagamentos por estimativa de IRPJ e da CSLL, será aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida, isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. MULTA ISOLADA E MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC Súmula CARF n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NULIDADES Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tendo o contribuinte sido regularmente intimado e os trabalhos executados por servidor competente, tudo conforme as determinações do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, em especial o seu artigo 70. 0 lançamento também está de acordo com o Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172/66, dentro das determinações contidas em seu artigo 142. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. OBRIGAÇÃO LEGAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Descabe a autoridade administrativa negar a aplicação de norma inserida regularmente no ordenamento jurídico com vistas a afastar a obrigação legal ali prevista e exigida em lançamento de oficio, porquanto implicaria em se pronunciar sobre a legalidade ou constitucionalidade da norma que deu causa, o que é vedado na esfera administrativa e cuja prerrogativa é do poder judiciário. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 225 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. REPRESENTANTE LEGAL. VALIDADE. SÚMULA N° 6. Ê válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre incompetência da autoridade quando esta, embora competente, seja de jurisdição diversa do domicilio fiscal da contribuinte e efetue o lançamento. Também não há, em decorrência deste fato, cerceamento ao direito de defesa, posto que o procedimento de fiscalização caracterizase por ser inquisitorial. Somente após a ciência do lançamento, momento em que algo é imputado ao contribuinte, estará garantido o direito à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência do referido Acórdão ocorreu em 20/10/2010, AR de fls. 154. Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, em 24/11/2010, mediante arrazoado, de fls. 155 a 221, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Requer, ao final, o recebimento do recurso e o cancelamento das autuações. O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte não foi conhecido, por ter sido considerado intempestivo, nos termos do que foi decidido no Acórdão nº 1202000.575, sessão de 03 de outubro de 2011, emitido por esta Turma Julgadora. Contra o referido Acórdão, foram opostos Embargos de Declaração pelo contribuinte, alegando que o recurso voluntário teria sido apresentado tempestivamente, mediante envio pelos Correios, com data de postagem de 19/11/2010, juntando cópia do AR com os Embargos, para comprovação. É o relatório. Voto Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 226 6 Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Preliminarmente, cumpre analisar o incidente processual de verificação da tempestividade do recurso voluntário, que foi argüida pela defesa por meio da oposição de Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 1202000.575 emitido por esta Turma Julgadora, que já havia se pronunciado pela intempestividade do recurso. Por ocasião dos Embargos, o contribuinte menciona que o recurso voluntário foi enviado pelos Correios, juntando cópia do respectivo AR, que coincide com a data do envelope antes mencionado, 19/11/2010, fl. , tendo com data de recebimento, 22/11/2010. Já o carimbo da unidade de origem, DRFItajaí/SC, foi aposto no recurso com data de 24/11/2010, fl. 155. De fato, analisando de forma mais detalhada os autos, verifico a existência de um envelope dos Correios na modalidade “SEDEX”, endereçado à “Delegacia da RFB em Itajaí – SC”, com data de postagem de 19/11/2010, conforme carimbo ali aposto, fls.262, que não havia sido percebido por este relator quando do primeiro julgamento por se encontrar distanciado das folhas do recurso voluntário apresentado (fls. 155 e fls. 262). Pelas informações acima, constantes do envelope dos Correios e do AR destinados à Receita Federal, das suas respectivas datas, bem como do carimbo aposto no recurso voluntário, todos coincidentes e seguindo uma ordem cronológica, sou levado a concluir que o documento encaminhado pelo contribuinte, por meio dos Correios, tratase efetivamente do recurso voluntário que ora se pretende examinar. Com efeito, a respeito da entrega de impugnações/recursos por meio postal, transcrevo o Ato Declaratório Normativo nº 19 de 26 de maio de 1997 que trata da matéria e que contém o seguinte teor: ADN COSIT 19/97 ADN Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 19 de 26.05.1997 D.O.U.: 27.05.1997 Processo Administrativo Fiscal. Remessa da Impugnação pelos Correios. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada do art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria nº 12, de 12 de abril de 1992, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, Declara, em caráter normativo, as Superintendências da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem, constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 227 7 indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. Sandro Martins Silva CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação No presente caso, a ciência da decisão de primeira instância, Acórdão DRJ/Curitiba nº 0812.369, ocorreu em 20/10/2010, uma quartafeira, AR de fls. 154. Assim, o termo inicial da contagem de 30 dias se iniciou no dia seguinte, em 21/10/2010, uma quinta feira, e o termo final se encerrou no dia 19/11/2010, uma sextafeira. Já a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, por via postal, com data do carimbo aposto pelo correio em 19/11/2010, fls.262, portanto, nos termos da letra “c” do ADN COSIT nº 19/1997, dentro do prazo de 30 dias legalmente previsto para a sua apresentação. Em atendimento ao princípio da legalidade que rege a administração pública, inserto no art. 37, caput, da Constituição da República Federativa do Brasil/88, temse que a administração pode e deve rever ou anular os atos emitidos com vício de erro ou nulidade, em se tratando do exame de um dos pressupostos de admissibilidade, que é a tempestividade. No caso, o Acórdão nº 1202000.575, emitido por esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, sessão de 03/10/2011, foi emitido com vício de erro ao considerar o recurso intempestivo. Assim, em preliminar, proponho que esta Turma acolha os Embargos de Declaração opostos para lhe dar provimento e, por conseqüência, em anular o Acórdão nº 1202000.575 referido no item anterior, face às razões acima aduzidas, prosseguindose no julgamento do recurso interposto. Vencida a preliminar, passo ao exame do mérito. Nulidade das autuações Quanto à alegada nulidade do lançamento fiscal pelos diversos motivos elencados, tais como: i) que a intimação ao sujeito passivo deveria ser pessoal aos representantes legais da empresa; e ii) que as autuações não foram enviadas à sede da empresa; pela falta da assinatura do representante legal do sujeito passivo na intimação; o que teria acarretado cerceamento do seu direito de defesa, entendo que corretamente decidiu o acórdão recorrido. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 228 8 Sobre esse ponto, a Relatora do voto condutor da decisão recorrida fundamentou muito bem a matéria, explicando a falta de consistência das alegações trazidas pela defesa, cujas razões de decidir também adoto, de acordo com a transcrição que segue: “22. Pois bem, o processo administrativo fiscal é regido pelo Decreto n° 70.235, de 1972com as alterações promovidas pela legislação superveniente. 0 artigo 23 do referido Decreto dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inciso. III dada pelo art. 113 da Lei n.° 11.196/2005) § lo Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Redação do parágrafo 1º dada pelo art. 113 da Lei nº 11.196/2005) [...] 23. Percebase que da simples leitura do dispositivo acima transcrito já é possível desconstituir as alegações de que a ciência ao auto de infração seria nula. E a própria lei determinando que é válida a ciência por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. Desprovida de qualquer validade a alegação de que a ciência teria sido efetuada com base em dispositivos de Portaria, posto que, todas as regras acima transcritas estão amparadas em lei. 24. Improcedente o pedido para que se aplique ao processo administrativo fiscal as regras do Código de Processo Civil posto que a norma mais especifica, neste caso o Decreto n°70.235, de 1972, supera a regra geral contida no referido código. 25. Quanto ao recebimento da correspondência por pessoa distinta do representante legal da empresa nos socorremos da jurisprudência administrativa que, há muito, já estabeleceu ser regular o recebimento do AR por qualquer pessoa que se Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 229 9 encontre no domicílio do contribuinte. Salientese que a lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. 26. Assim, tendo a autoridade fiscal obedecido aos ditames da norma que rege o processo administrativo fiscal, resta afastada a alegação de cerceamento ao seu direito de defesa. 27. Alega, ainda, que quando tomou ciência da correspondência, já havia escoado o prazo para o pagamento com redução e, o prazo de impugnação já estava terminando. 28. Eis mais um argumento que não merece prosperar, senão vejamos, o auto de infração dispõe, expressamente, o seguinte: "será concedida redução de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da(s) multa(s) passível (eis) de redução, se o pagamento for efetuado até o vencimento desta intimação ou de 40% (quarenta por cento) sobre o valor desta(s) multa(s), se for requerido o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação, nas hipóteses previstas. Esta intimação é válida, também, para cobrança amigável". 29. Pois bem, o auto de infração, endereçado ao domicilio eleito pelo contribuinte, foi recepcionado em 20/11/2008 (fl.53), data a partir da qual, começou a correr o prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação. Portanto, o sujeito passivo dispôs de trinta dias a partir da data da ciência do auto de infração para efetuar o pagamento com o beneficio da redução de 50% da multa, assim, se não o fez, e se optou por impugnar a totalidade da autuação em 18/12/2008, não pode atribuir qualquer responsabilidade ao fisco. Percebase que o comando acima transcrito é muito claro ao estabelecer o mesmo prazo para a apresentação da impugnação ou para o pagamento com o beneficio. A opção fica a cargo do sujeito passivo. 30. Infundada, ainda, a alegação de que a sede da pessoa jurídica está situada em ItajaíSC. Esta situação só veio a se concretizar em 16/01/2009, conforme tela do sistema CNPJ da Receita Federal a fl.140. Antes disso, o endereço informado no Cadastro Geral das Pessoas Jurídicas para a sede da pessoa jurídica, era: Rua Julia Amazonas nº 30, em Porto UnidoSC, local para onde foi enviado o auto de infração, conforme se constata no AR de fl.53. 31. Assim, se em novembro de 2008, ocasião da ciência ao auto de infração, a matriz da pessoa jurídica tinha como domicilio fiscal o endereço que consta do AR de fl. 53 (Rua Julia Amazonas, nº 30, em Porto UnidoSC) não há que se falar em remessa para o endereço de uma de suas filiais, fato que lhe teria causado transtornos e cerceamento ao direito de defesa.” Por seu turno, a descrição dos fatos das infrações apuradas, contidas nos Autos de Infração, fls. 34 e 44, bem descreveram a matéria objeto do lançamento, possibilitando que a contribuinte exercesse o seu pleno direito de defesa, tanto na fase impugnatória como no recurso que ora se examina. A esse respeito, esclareçase ao contribuinte que as nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 230 10 "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” (Grifou se) Compulsando os documentos do presente processo, verificase que os autos de infração contêm todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, motivo para se considerar cumpridos os requisitos formais do lançamento fiscal. Além disso, a autuada teve a plena oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização, apresentando suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar ciente dos motivos da autuação, razão pela qual é de se rejeitar a preliminar de nulidade levantada. Mérito No que se refere ao mérito, alega a defesa que o lançamento estaria amparado apenas em presunção, posto que a autoridade fiscal não teria apresentado provas, afirmando, ainda, ter feito as deduções/compensações permitidas. O lançamento fiscal ocorreu baseado nas informações prestadas pelo próprio contribuinte em sua DIPJ, fls. 02 a 21. A autuada, em sua declaração DIPJ, informou um valor de estimativas mensais de IRPJ a compensar, que não se confirmou como efetivamente recolhido, bem como deixou de ser declarado na declaração DCTF. Vejase como a fiscalização descreveu os fatos ocorridos, fls. 34 e 44: “O contribuinte apurou Imposto de Renda Devido no ajuste anual antes da compensação/dedução das estimativas (diferença positiva da soma dos valores das linhas 01 e 03 da ficha 12 da DIPJ menos o da linha 13) de R$513.874,03 e deduziu/compensou R$ 320.141,36 (linha 17), resultando saldo a pagar de R$193.732,67 (linha 20). No entanto, conforme o demonstrativo já mencionado, houve o recolhimento de R$ 57.334,03, a titulo de estimativas mensais, cuja glosa de R$ 262.807,33 aumenta o saldo a pagar de R$193.732,67 para R$456.540,00.” Idêntica infração foi apurada em relação à CSLL, que restou muito bem detalhada na descrição dos fatos efetuada pelo agente fiscal, fls. 34 e 44. Ao contrário do que alega a recorrente, a fiscalização não fundamentou seu lançamento em presunções mas apenas verificou, diante dos dados que se apresentavam, a existência de um valor de estimativa que não foi recolhido e, portanto, não poderia ser deduzido do imposto apurado no ano, procedendo nos ajustes necessários para o lançamento do correto valor do imposto anual devido, de R$ 456.540,00. Ao fisco cabe identificar a ocorrência do fato gerador, apurar o montante do imposto e formalizar o lançamento, como efetivamente foi feito pela autoridade fiscal. A esse respeito, necessário dizer que cabe ao contribuinte contrapor os fatos apurados pela fiscalização. A apresentação das provas do direito que julga ter compete à empresa autuada, segundo dispõe o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 231 11 1972 e alterações, que regula o Processo Administrativo Fiscal, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) Não trazendo qualquer prova que pudesse desconsiderar o que foi apurado pela fiscalização, é de se manter na integralidade os lançamentos efetuados. Aplicação da multa de ofício e da multa isolada Quanto à incidência da multa de ofício, no percentual de 75%, aplicada aos lançamentos de ofício, esclareçase à recorrente que a mesma se encontra perfeitamente enquadrada no seu dispositivo legal, no caso, o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ficou evidenciado nos autos que a interessada foi autuada por ter recolhido um valor menor de estimativa do IRPJ e da CSLL daquele informado em sua DIPJ, e como consequência, não ter declarado em declaração específica (DCTF) os valores devidos, não restando à fiscalização outra atitude senão proceder no lançamento das diferenças dos tributos não declarados e não pagos ao fisco, incidindo ao fato a norma legal acima transcrita. É fato incontroverso que a autuada encontravase sob procedimento fiscal à época da lavratura dos Autos de Infração, de modo que encontravase afastada a espontaneidade do sujeito passivo. Assim, existindo expressa previsão legal para aplicação da penalidade, no percentual de 75%, nos casos de lançamento de ofício pela falta de pagamento do imposto e de declaração, a multa de ofício exigida deve ser mantida. Em relação ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, com violação a princípio constitucional, cabe dizer que esta autoridade julgadora não detém competência para o exame de matéria constitucional, tarefa privativa do Poder Judiciário. Não obstante tal fato, cumpre esclarecer que dito princípio constitucional constante do art. 150, IV, da Constituição da República, só se aplica em matéria de tributos, não se incluindo as penalidades previstas na legislação. O art. 150, IV, acima mencionado, assim dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 232 12 [...] IV— utilizar tributo com efeito de confisco; (grifei) Já o art. 3º do Código Tributário Nacional define o conceito de tributo, que não abrange as sanções de atos ilícitos. Sendo assim, as multas pecuniárias não são alcançadas pelo princípio acima mencionado. Jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também entendia nesse mesmo sentido, conforme ementário do Acórdão nº 10422313, sessão de 29/3/2007, abaixo transcrito, em parte: MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. A recorrente também argumenta que a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL é incabível diante da impossibilidade de aplicação da referida multa concomitantemente com a multa de ofício. A respeito do pagamento das estimativas mensais do IRPJ ao longo do ano calendário, cabe dizer que o mesmo deve ser feito obrigatoriamente pelo contribuinte que optou pela forma de tributação com base no lucro real, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução (art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), nos termos do art. 2º da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Uma vez que a obrigação de pagamento das estimativas não foi cumprida de acordo com o que determina o dispositivo legal acima transcrito, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, nos seus artigos 43 e 44 e alterações, estabelece a imposição de uma penalidade isolada, no percentual de 50%, para coibir a prática do não pagamento dessa estimativa, conforme redação dos dispositivos que se transcreve: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Multas de Lançamento de Oficio Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 233 13 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei na 11.488, de 15 de junho de 2007) (Grifei). Dessa forma, estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento do IRPJ, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e deixando de recolher o imposto de renda, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida nos arts. 43 e 44 acima transcritos, que deve ser aplicada e cumprida integralmente pelas autoridades administrativas. Não cabe à autoridade fiscal usar do poder discricionário para aplicação da norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ocorrido o fato e estando ele perfeitamente enquadrado no dispositivo legal, a autoridade deve obrigatoriamente aplicar a lei ao caso concreto. Já a multa de ofício, no percentual de 75%, tem enquadramento legal distinto da multa isolada e é aplicada também em situação distinta, qual seja, à diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata apurados em procedimento fiscal. As multas tem hipóteses de incidência de distintas e, por isso, são tratadas diferentemente pela legislação tributária, podendo dessa maneira, serem aplicadas concomitantemente. Sobre esse último aspecto, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade. Os dispositivos da lei que exigem a cobrança da multa isolada (penalidade) não podem ser ignorados nem negados pelo Tribunal Administrativo, a quem não cabe substituir o legislador. Ademais, registrese que é mais do que razoável se admitir a existência de uma penalidade para desencorajar os contribuintes no descumprimento da obrigação de pagar corretamente os seus tributos, sob pena de se estabelecer uma desigualdade com aqueles contribuintes que cumprem suas obrigações tributárias nos prazos legais, cujos recursos Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 234 14 financeiros depende o Estado para poder desempenhar as suas funções e que os aguarda, no momento certo, para poder cumprir seus compromissos orçamentários. Por oportuno, salientese que o art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995, dispôs que aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, nos termos da seguinte transcrição: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Em face do exposto, é de se manter a exigência da multa isolada, no percentual de 50%, pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício, no percentual de 75%. Incidência dos juros de mora No que se refere à incidência dos juros de mora pela taxa Selic, aos débitos tributários não pagos no vencimento, cabe esclarecer ao contribuinte que estando em vigor a lei que determina a cobrança dos juros de mora pela taxa Selic, como é o caso do art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a autoridade administrativa deve cumprila e fazer com que seja cumprida. Nesse mesmo sentido, salientese que encontrase aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, a Súmula CARF nº 4, com o seguinte teor: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, existindo expressa previsão legal para aplicação dos juros de mora, aos débitos tributários não pagos no seu vencimento, com base na taxa Selic, devem ser mantidos os acréscimos dos juros aplicados pela fiscalização. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cumpre registrar que a defesa não se manifestou na peça impugnatória em relação à essa matéria, não podendo ser apreciado neste momento processual, devendo ser reputado como definitivamente devidos, nos termos do art. 16, III c/c art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 336DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000192/200824 Acórdão n.º 1202000816 S1C2T2 Fl. 235 15 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Nesse mesmo sentido, vinha decidindo o antigo Conselho de Contribuintes, conforme ementa do Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008, que abaixo se transcreve: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. No que se refere à ilegalidade/inconstitucionalidade da aplicação dos juros de mora pela taxa Selic, bem como da violação de diversos princípios constitucionais aventados pela recorrente, necessário dizer que não cabe a esta instância administrativa fazer essa apreciação, porque é tarefa privativa do Poder Judiciário, que detém a competência para tanto. Nesse sentido, aplicável a Súmula CARF nº 2, aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, voto para que sejam acolhidos os Embargos Declaratórios opostos, para que seja anulado o Acórdão nº 1202000.575, emitido por esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, sessão de 03/10/2011, por vício de erro, que não seja conhecida da matéria que deixou de ser contestada em primeira instância, por preclusão, que sejam rejeitadas as preliminares suscitadas e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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ACORDÃO N° =ÇSRF/01 - 0 .503 Recurso n° Rp/104-0.129 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ARSÊNIO CORTEZÃO RODRIGUES COMPETÊNCIA - PRESCRIÇÃO - Mesmo que a impugnação tenha sido apresentada fora do prazo, se tempestivo for o re curso, o Conselho poderá conhecer d -a- alegação de prescrição. Vedado deli- berar sobre os elementos de fato e de direito que objetivem a defesa contra o processo ou que visem contrastar os fatos e as conseqüências jurídicas que lastreararn, a formalização dos créditos tributérios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos Aer. /mos do relatório e voto que passam a integrar o presente j do dIV - Sala das Ses $ - õzs ThF) , em 19 de abril é 1-685í 1 411,4 AMADOR OUTI' F•k.' PEZ - PRESIDENTE E RELA- TOR LUIZ FERN ÀN DO O I"À DE MORAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ROBERTO MONTEIRO BERTAZI, RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CAL MON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, PÊT DRO MARTINS FERNANDES, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, FRANCISCO AMARAL MAN- SO, ANTONIO DA SILVA CABRAL e JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVALHO. • krà. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N90815-601.028/70 RECURSOW RP/104-0.129 ACÓRDÃO N9: CSRF/010.503 RECORRENTEW FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ARSÊNIO CORTEZÃO RODRIGUES RELATÓRIO Com fundamento no que estabelece o art. 39, inci- so I, do Decreto n9 83.304, de 28.03.79, recorre a Fazenda Nacio- nal pelo seu representante junto ã Colenda Quarta Câmara do Pri- meiro Conselho de Contribuintes -- conforme petição de fls. 47/ 49, datada de 29.02.84 -- da decisão prolatada por aquele Colegi ado, na sessão de 16.08.83 e consubstanciada no Acórdão n9 - 104- 3.880 (fls. 35/45), da qual teve vista oficial em sessão de 23 de fevereiro de 1984. Segundo a peça básica de fls. 7, lavrada em 28 de setembro de 1970, o sujeito passivo foi acusado de deixar "de incluir na cédula "F" de sua declaração de rendimentos de pessoa física, do exercício de 1967, ano-base de 1966, a importância de Cr$75.214,91 , de lucros distribuídos e apurados no processo n9 41.270/68, da firma PANIFICADORA EVEREST LTDA.,re lativa a sua participação de 50%, do total de cr-f 150.429,82, infringindo assim o disposto no arti- go 51, letra "a" combinado com o 408, § 19 do Re- gulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo De- creto n9 58.400, de 10 de maio de 1966." Em 06.11.70, o autuado fez protocolizar a içãv DMF - DF /19 C-C - Secgraf •00/75 • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815-601 • D28/70 Acórdão n9 CSRF/01-0.503 impugnatória de fls. 9/11, onde, após declarar encontrar-se em pre cária situação financeira e que jamais auferira o rendimento que lhe é imputado, concluía "Por todo o exposto, e principalmente por não ter sido definitivamente julgado o processo núme- ro 41.270/68, promovido contra Panificadora Eve- rest Ltda., firma da qual outrora pertenceu o pe- ticionário, espera seja o presente recebido,deter minando-se, se for o caso, a retificação do lança mento, quando não o seu cancelamento, protestando pela juntada de documentos que se fizerem necessá rios, e com o que se fará a costumeira JUSTIÇA." Em 15.12.82, os autos foram submetidos ã aprecia- ção da autoridade julgadora singular, tendo esta DEIXADO DE TOMAR CONHECIMENTO da impugnação por intempestiva e determinado que se prosseguisse na cobrança, depois de consignar que: -- conforme documento de fls. 07, o contribuinte tomou ciência do lançamento em data de 28.09.1970, tendo apresenta do sua impugnação em 06.11.1970, conforme impugnação de fls. 09. -- a impugnação não foi apresentada dentro do pra zo de 30 (trinta) dias, como determina a legislação de regência. Cientificado dessa decisão em 31.01.83, confor- me A.R. de fls. 27, o sujeito passivo, em 01.03.83, interpôs o re curso de fls. 29/30, alegando que o recorrente: "ingressou com sua defesa no dia 06 de novem bro de 1970, ou seja, uma semana após o prazo re- gulamentar, sendo certo que o referido processo foi decidido, sem que se entrasse no mérito da questão. Por conseguinte, é de se estranhar profunda- mente que aquele DD. Delegado, achou por bem não levar em consideração a defesa que lhe foi apre- sentada com 8 (oito) dias de atraso, porém, em sua R.Decisão de fls. 21, essa mesma DD. Autori,er.• Fis . 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815-601 . 028/70 Acórdão n9 CSRF/01-0.503 cal, declara textualmente: "Isto posto, e, CONSIDE RANDO que o processo tramitou regularmente"... - Ora, ora Eméritos Conselheiros, como é possí- vel esse processo ter tramitado "regularmente", se a R. - Decisão só ocorreu em 15 DE DEZEMBRO DE 1982, ou seja, após 12 (doze) anos de tramitação e, mes- mo assim, sem que fosse analisado o mérito da im- pugnação apresentada? Como se observa, na R. Decisão de fls. 21, o Recorrente foi duramente castigado por ter apresen tado sua impugnação com apenas uma semana de atra- so, e agora, depois de um trâmite "considerado re -gular", pelo DD. Delegado, deverá o Recorrente ser mais uma vez severamente punido, já que no entendi mento daquela Autoridade, o Imposto terá que se-r- recolhido com correção monetária, a partir do 49 trimestre de 1967; a Multa com correção monetária, a partir de outubro de 1970, e Juros de Mora conta_ dos também a partir de outubro de 1970. Por outro lado, -o Recorrente requer respeito- samente aos senhores membros desse Egrégio Primei- ro Conselho de Contribuintes, para que se dignem , desta feita, analisarem e levarem em consideração os termos da impugnação juntada às fls. 9/11 des- te processo, tendo em vista que o mesmo jamais au- feriu os rendimentos que lhes querem impór, como classificados na Cédula "F" de sua Declaração de Rendimentos do ano-base de 1966 - exercício de 1967. Por derradeiro, o débito reclamado, refere-se ao exercício de 1967 e, salvo melhor juízo, já se acha prescrito de acordo com a legislação vigente, não podendo ser mais cobrado do Recorrente." Ao conhecer do litígio, a Colenda Câmara recorrida, por maioria de votos, decidiu acolher a preliminar de prescrição sus_ citada pelo recorrente. Vencidos os Conselheiros Tereso de Jesus Tor- res, Mário Rodrigues Teixeira e Carlos Walberto Chaves Rosas. O aresto recorrido está assim ementado: "PRESCRIÇÃO - A impugnação perempta não impede a,,') fluência do prazo prescricional. Comprovada in (-; - 7-// D. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815-601.1328/70 Acórdão n9 CSRF/01-0.503 tempestividade da impugnação, tem-se como certo que o litígio não se instaurou devidamente. A conseqüên cia é a consolidação da situação jurídica definida pelo lançamento regularmente notificado, tornando- -se o crédito tributário exigível a partir de seu vencimento." lendo-se nos principais excertos do voto vencedor e vencido,respec- tivamente: a) no voto vencedor: "Quando da lavratura do Auto de Infração (28.09.70), encontrava-se já em vigor o Código Tri- butário Nacional, denominação atribuída pelo art. 79 do Ato Complementar n9 36, de 13.03.67, à Lei n9 5.172, de 25.10.66, cujo art. 151 estabelece: "Art. 151 - Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (omissis); III - As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tribu- tário administrativo; (omissis)." Combinando-se, pois, o disposto no art. 151 III, do CTN, com a determinação contida nos artigos 155 e 169 do DL. 5.844/43, com a alteração introdu- zida pelo art. 99 da Lei 4.481/64, verifica-se que a "reclamação" (atualmente dita "impugnação") inter posta a destempo é ineficaz para promover a suspen- são da exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, a legislação de regência, acima transcrita, considera que somente é cabível a recla mação que seja apresentada dentro do prazo legal 7 que, note-se, era improrrogável. "A contrario sensu", aquela interposta intempestivamente seria considera— da incabível. Em termos processuais, ultrapassado o prazo pa ra reclamação (impugnação) ocorre a preclusão, ve-- dando-se até mesmo a atuação do sujeito passivo c mo parte no litígio que não chegou a se inst. .r SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815-601.028/70 Acórdão n9 CSRF/01-0.503 O grande mestre HELY LOPES MEIRELLES, discor- rendo sobre os recursos hierárquicos, ensina que "há prazos fatais e peremptórios, os quais , uma vez transcorridos, impedem o recebimento do apelo voluntário, operando-se daí por dian te, a preclusão administrativo da impugnabili dade do ato" in Direito Administrativo Brasi- leiro, 7Q. Ed., pág. 646). Não tem sido outro, aliás, o entendimento meras vezes sustentado por este Colegiado, como se verifica da ementa do Acórdão n9 104-1.906, de 18.03.81, aprovado à unanimidade, e repetida em di versos outros julgamentos: "PRECLUSÃO - IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL - Não comprovada a tempestivi- dade da impugnação, tem-se como certo que o litígio não se instaurou. A conseqüência é a consolidação da situação jurídica definida Re lo lançamento regularmente notificado." Nem mesmo o advento das normas instituídas pe lo Dec. 70.235/72, que passou, em seu art. 69, I, a admitir a prorrogação do prazo para impugnação (contestação), -alterou esse entendimento, contando -se, com todo o rigor, os prazos processuais esta- belecidos na norma legal. Nesse sentido pronunciou -se, recentemente, a egrégia Câmara Superior de Re"- cursos Fiscais, através acórdão n9 CSRF/01-0.319 , de 11.04.83, assim ementado: "PRAZOS - IMPUGNAÇÃO - PEREMPÇÃO. O pra zo de impugnação da exigência fiscal-30 diae- - é contínuo. A possibilidade de ser acresci- do de metade depende de provocação fundamenta da da parte, ao seu curso, porque se trata de prazo estabelecido em favor da parte e também porque é inviável prorrogar o que não mais e- xiste" (os destaques são do original). Não se tendo verificado, portanto, a suspen- são da exigibilidade do crédito tributário, cabe-- ria à. autoridade administrativa promover sua co- brança, de imediato, dando-se início à fluência do prazo prescricional, igualmente fata e p r mptó- rio, nos termos do art. 174, do CTN I//r/;;) SERVIÇO PõBLICQ FEDERAL PROCESSO N9 0815-601.028/70 7. Acórdão n9 CSRF/01-0.503 A bem da verdade, nem mesmo o ilustre Rela tor questiona a ocorrência da prescrição, tão -e- vidente a mesma se afigura, eis que não chegou-a dar-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, estando, assim, o sujeito ativo de- simpedido de efetuar-lhe a cobrança, somente não o fazendo por sua exclusiva responsabilidade e risco. Também os demais Conselheiros não contes tam esses fatos. Cinge-se a divergência quanto à possibilidade de a prescrição ser reconhecida, formalmente, pelo Conselho de Contribuintes,por explícita provocação do sujeito passivo. A propósito, ocorre-me transcrever a Porta- ria n9 259, de 28.05.80, do Sr. Ministro da Fa- zenda: "I - Os processos contenciosos ad- ministrativos, referentes a créditos da União, tributários ou não, em curso peran- te os órgãos singulares ou coletivos, vin- culados ao Ministério da Fazenda, serão por estes apreciados sem levar em conside- ração a possível ocorrência de prescrição, a não ser que seja expressamente invocada pelo sujeito passivo. II - Na hipótese de o sujeito pas- sivo invocar expressamente a ocorrência da prescrição, a autoridade, que tomar conhe- cimento da argüição, sobre ela se pronun- ciaráe, se a julgar procedente, deverá a- dotar as providências de sua alçada, no sen tido de apuração da responsabilidade fun- cional pela extinção do crédito, se for o caso. III - Revogadas as disposições em contrário, esta Portaria entrará em vigor, na data de sua publicação." No entender da autoridade maior do Ministé rio da Fazenda, a que estão subordinados os CoW selhos de Contribuintes, não só a autoridade pS de como deve pronunciar-se sobre a ocorrência da prescrição, desde que invocada expressamente pelo sujeito passivo, cabendo-lhe julgar sua procedência e acolher ou não a argüição levanta da. Sob o prisma jurídico, acentua o Sr. Minis tro o alcance extintivo da prescrição, não ape- nas com relação ao direito de ação (CTN. art. 174), mas do próprio crédito tributário, m im -2 SERVIÇO P(}BLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815-601.C28/70 8. Acórdão n9 CSRF/01-0.503 plícita referência ao art. 156, inciso V, do CTN. Segundo este dispositivo, a extinção do direito de ação para a cobrança do crédito tri =EIS tem como conseqüência imediata a extiW ção também do próprio crédito tributário, cir- cunstância que, no meu entender, distingue es- se instituto, originário do direito privado quando aplicado ao direito fiscal. Assim, extinto o crédito tributário, não assiste ao credor (sujeito ativo) o direito de cobrança, pois inexiste, igualmente débito, e o Estado estaria afrontando o princípio da mo- ralidade administrativa se intentasse cobrar o que lhe não era devido. Por último, o voto do ilustre Conselheiro Relator, que ao compartilhar o ponto de vista do recorrente reconhece a ocorrência da pres- crição,apenas se recusando a declará-la, indu ziria a autoridade "a quo" a situação de per- plexidade, pois com a negativa de provimento ao recurso a decisão deveria ser cumprida nos termos do art. 43, do Dec. 70.235/72, mas a co brança seria obstada eis que o colegiado reco- nhecera o fato de ter ocorrido a prescrição. Feitas as considerações acima, que, por certo, não esgotam o assunto mas fundamentam suficientemente minha posição, voto para que se acolha a preliminar de prescrição suscitada pelo recorrente." b) no voto vencido: "Não houve decisão de mérito na instância singular mas simples declaração de intem pesti- vidade da impugnação apresentada, com ordem de prosseguir-se na cobrança não obstante a para- lização do processo por 12 anos, sem culpa do devedor. Nessas condições, a questão a ser examina da nesta Câmara é, essencialmente, a referente ã tempestividade da impugnação. Ora, mesmo antes do advento do atual Códi go de Processo (Decreto 70.235/72), o prazo ra defesa na primeira instância já era de 30 dias corridos conforme artigo 462, do RIR/66. Como o interessado deu ingresso a sua reclama- ção apenas no 399 dia após a ciência no auto de infração, evidentemente o fez fora de pra- zo e, assi não cabe reparo nenhum ã decisão recorrida /. _ PROCESSO N9 0815-601.028/70 9. SE RVtÇO PDBLICO FEDERAL Acórdão n9 CSRF/01-0.503 Quanto à prescrição, compartilho o ponto de vista do recorrente, pois o reconhecimento da intempestividade da impugnação produz efei- tos sobre a fixação do prazo inicial da pres- crição, já que no caso de revelia a cobrança amigável ou executiva deve ser efetivada de imediato, na forma do que dispõem os artigos 695 a 699 do RIR/80, tal como os artigos 434 e 437 do RIR/66. Ocorre, porém, que a apreciação da pres- crição como preliminar, antes da decisão sobre a tempestividade, ou não, da impugnação, teria de fundar-se na paralização do processo, mas independentemente da existência, ou não, de re velia (para cuja caracterização seria necessá- rio o prévio julgamento do recurso). Sob tal prisma estaríamos diante de caso de processo com cobrança paralisada por mais de 5 anos, porém sem correr o prazo de prescrição, dada a existência de impugnação a julgar. Tomo, pois, conhecimento do recurso e vo- to no sentido de que lhe seja negado provimen- to." Não se conformando com essa decisão, a Fazenda Nacional, visando à reforma do aresto, interpôs o Recurso Espe- cial n9-RP/104-0.129, onde se lê: "8. Parece-nos, data venia, que os argumen tos do voto vencido -JJ-6--irrefutáveis. Está di- to que "a apreciação da prescrição como preli- minar, antes da decisão sobre a tempestividade, ou não, da impugnação, teria de fundar-se na paralização do processo." 9. Apesar do longo tempo decorrido, não se pode negar que o processo estava pendente de julgamento e que é dever da autoridade decidir os pedidos que lhe são formulados, para defe- rir, indeferir, ou deles não tomar conhecimen- to, quando extemporâneos. A impugnação apresen tada suspendeu a exigibilidade do crédito tri- butário (CTN, art. 151, III), e, nessa circuns tância, segundo o melhor entendimento, não cor: re prazo de prescrição. É irrefutável que -a- impugnação era um pedido a ser decidido e que, até o julgamento, não se podia saber de sua in tempestividade, ou não. 10. Dir-se-á da "absoluta inércia da admi- nistração fiscal", como se expressa o douto vo to vencedor, o que não se pode negar. Mas, coo venhamos, este argumento procura extrapo.i. -6 ) SERVIÇO KtBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815-601.028/70 10. Acórdão n9 CSRF/01-0.503 problema disciplinar dos recursos humanos atuan tes para o campo jurídico tributário, pratican- do verdadeiro contrasenso. O ponto fundamental é a existência da impugnação a ser julgada. Que se aplique o Estatuto dos Funcionários, mas não se deixe de aplicar o ordenamento tributário. 12. Pelo exposto e mais que do processo cons ta, deverá este recurso ser provido, reformando -se a decisão da Colenda Quarta Câmara e manteW..= do-se o julgamento singular." O Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso, considerando que ele foi apresentado dentro do prazo legal e visou ã reforma de decisão não unânime. O sujeito passivo deixou de apresentar contra-- -razões ao recurso 5o relatório. 4 , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815/601. 028/70 11. Acórdão n9 _ CSRF/01-0.503 VOTO_ Conselheiro AMADOR OUTERELO FERNANDEZ, Relator: Segundo vimos do Relatado, vencedores e vendidos con cordam em que: a) a impugnação foi apresentada extemporaneamente e, em conseqüência, deixou de instaurar o litígio e de suspender a exi- gibilidade do crédito lançado; b) da data da ciência da formaliza- ção da exigência fiscal ate a data em que foi dada ciência da deci- são da autoridade julgadora singular transcorreu lapso temporal supe rior aos 5 (cinco) anos previstos no art. 174 do Código Tributário Nacional para a materialização da prescrição da cobrança do referido credito; c) os Conselhosde Contribuintes tem competência para o re- conhecimento da ocorrência da prescrição. Houve, porém, desacordo entre os Membros do Colegia- do recorrido, quanto ã existência dos pressupostos para tal declara ção; entendendo os vencidos ser indispensável "o prévio julgamentodo recurso", noutros termos: ser indispensável que o Colegiado pudesse adentrar no mérito do recurso, o que não ocorria em face da intempes tividade da impugnação; condição essa negada pela maioria vencedora. Dissertando sobre as duas modalidades de defesa (con tra o processo e contra mérito) escreveu MOACYR AMARAL SANTOS, em suas "Primeiras Linhas de Direito Processual Civil", ed. Saraiva 1980, 29 volume, pg. 163 e segs., que: "A defesa contra o processo pode ser direta ou indireta. Será direta quando se dirige direta e imediatamente contra o processo, visando ã declaração de sua nulidade, ou da carência da ação. n a defesa com fundamento: a) na falta de pressupostos processuais, tanto subjetivos como objetivos, por exemplo:fal ta de capacidade processual do autor, do réu; falta de autorização do marido quando a mulher seja autora; falta de ins- trumento de mandato a advogado legalmente habilitado etc.; h) na falta de ce,„ePi Cie 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815/601.028/70 12. Acórdão n9-CSRF/01-0.503 da acão por exemplo: a pretenção do autor não e suscetível de ser reconhecida em jui zo; o réu não é o sujeito da obrigação etc. Será indireta "quando indireta ou me- diatamente ataca o processo, recorrendo a circunstâncias exteriores, que deixando In tegros os elementos necessários à relação processual, a esta entretanto peralizam" (Lopes da Costa). É a defesa que se faz pela apresentação de exceçOes processuais ancompetência,impedimento ou suspeição do juiz-, art. 304 e segs. do C.P.C.) ..................... ..................... Também a defesa contra o mérito pode ser direta ou inçlireta, conforme a atitude assumida peld réu. Será direta quando se dirige contra o pedido nos seus fundamentos de fato e de direito. Essa defesa pode consistir: a) na negação dos fatos jurídicos afirmadospe lo autor como fundamento do seu pedido (os fatos não são verdadeiros; os fatos são in teiramente diversos dos alegados pelo au- tor); ou b) na admissão dos fatos alega- dos pelo autor, mas concomitantemente, ne- gação das conseqüências jurídicas que por este lhes são atribuídas (da existênciados fatos não resulta que o réu seja juridica- mente obrigado a satisfazer o pedido do au- tor). Será indireta a defesa quando, não obstante verdadeiros os fatos, op6e ao di- reito pleiteado pelo autor outros fatos , que o impedem, o extinguem ou lhe obstam e feitos. A defesa indireta, ou objeção, p5 de consistir: a) na admissão dos fato-s- constitutivos, alegados pelo autor, mas, concomitantemente, afirmação de outro, im- peditivos, extintivos ou modificativos (p. ex.: o réu reconhece que negociou a venda, mas alega que não tinha capacidade de obri gar-se -- fato impeditivo; ou reconheceque contraiu a dívida, mas já pagou -- fato ex- tintivo; ou reconhece que contraiu -a-Ta:vi- da, mas afirma que, por acordo, foi ela parcelada, sendo no momento-tão-somente de- vida em parte -- fato modificativo; ou b) na alegação de outros fatos que, tendo por conteúdo um direito do réu, obstem aos e- feitos jurídicos afirmados pelo autor (se devo, o direito de cobrar está prescrito ; devo, mas, também, sou credor). Est segun da modalidade de objeção tem o no écni y SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815/601.028/70 13- Acórdão n9-CSRF/01-0.503 co de exceção substancial.., ou exceptio stricti iuris, que consiste na alegação de fatos que por si mesmos, não excluem a a- ção, mas conferem ao réu o poder jurídico de anular-lhe os efeitos. Exemplos dessas exceções são os seguintes: a prescrição (Cód. Civil, art. 166), se se tratar de di reitos disponíveis (05d. Proc. Civil, art. 219, § 59), a compensação (Cód. Civil, art. 1.009), a exceção non adimpleti contractus (Cód. Civil, art. 1.092), o direito de re- tenção (Cód. Civil, arts. 1.199, 1.315), o beneficio de excussão (Cód. Civil, art. n9 1.491), o benefício de inventário (COd Ci- vil, art. 1.587); as exceções corresponden tes ao direito de impugnação dos atos jurr dicos por incapacidade, erro, fraude, vio= léncia, simulação, ou seja, dos vícios que tornam os atos anuláveis (Cód. Civil, arts. 147, 152). Para que a exceção dessa natu- reza seja conhecida, cumpre tome o réu ai- niciativa de argüí-la e pedir que o juiz a declare. Vedado é ao juiz considerá-la e declará-la de ofício. A ela se aplica o art. 29 do Código de Processo Civil "Ne- nhum juiz prestará a tutela jurisdicionalse não quando a parte ou interessado a requer" rer, nos casos e formas legais". E tam- bém o art. 128 desse mesmo COdigo:"0 juiz decidirá a lide nos limites em que foi pra posta, sendo-lhe defeso conhecer de ques- t8es, não suscitadas t a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte". • e Be•t» eo• ••• e. e e****"0"•••••••••••••• No sistema brasileiro, a contestação é instrumento formal normal da defesa do réu. E o é porque, conforme o Código de Processo Civil, toda a defesa do réu,a não ser as refere~ às exceções do art. 304 e às defesas incidentes, deverá ser alegada na contestação. A que não o for não mais poderá ser deduzida em outra fase do pro- cesso. Com a contestação dá-se a preclu-- são das alegaç6es que o réu poderia ofere- cer em sua defesa. Quer dizer que o Códi- go adotou o princípio da concentração da defesa na contestação, o que, na liçao ALFREDO BUZAID, "exige que toda a defesa do réu, salvo as exceções e incidentes, se ja alegada na contestação, com caráter pr -e- clusivo, de modo que, transcorrido o pra- zo,não lhe seja mais lícito aduzi-las". O principio da concentração da defesa na contestação, denominação que lhe deu J04. SÉ ALBERTO DOS REIS, é o mesmo erint-'61.41 PI sERviço PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815/601.028/70 14. Acórdão n9-CSRF/01-0.503 da eventualidade em relação ao réu: todas as defesas devem ser formuladas de uma só vez, "como medida de previsão -- ad even- tum -- para o caso de que a primeira ofe- recida seja rejeitada" (ALCINA PEREIRA BRA GA, GABRIEL DE REZENDE FILHO, FREDERICU MARQUES). Dissemos que o principio da eventuali dade (ver n9 460), em dadas circunstância, sofre restrições, verificadas as quais cer tas defesas podem ser suscitadas posterior mente ã contestação. n o que, tomando por modelo a lei processual portuguesa vigente, dispõe o art. 303 do Código de Processo Ci vil: "Depois da contestação, só e licito deduzir novas alegações quando: I -- rela- tivas a direito superveniente; II -- compe tir ao juiz conhecer delas de oficio; III- -- por expressa autorização legal, pude- rem ser formuladas em qualquer tempo e juizo". Mantendo coerência com reiteradas decisões prolata- das pela Colenda Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuin- tes (Acórdãos n9s - 101-72.460 e 101-73.419) as quais estão em sin- tonia com a decisão recorrida, as quais embora proclamando a intem- pestividade da impugnação, acolhem a exceção de prescrição, entendo que a intempestividade da impugnação ou mesmo a sua não apresentação, como já decidido por este Colegiado, em sessão de 04/05/82 (Acórdão n9 CSRF/01-0.224) não impedem que os Conselhos, quando o recurso seja manifestado no prazo legal, conheçam da espécie de objeções que o saudoso mestre MOACYR AMARAL SANTOS conceituou como exceções subs- tanciais, as quais são conseqüências de fatos alegados pelos sujei- tos passivos, quando, alem de supervenientes e terem por conteúdo um direito do autuado, não visem excluir a juridicidade do crédito fis- cal, mas por sua natureza, apenas, lhe possam anular-lhe os efeitos pois, nesses casos, em realidade, o Conselho: 19) deixa de conhecerdo mérito do litígio, em razão da preclusão processual, mantendo a rei-_ terada jurisprudência; 29) conhece da petição que pleitea o reconhe- cimento da prescrição, fato obviamente superveniente à impugnação e que, em conseqüência, não poderia ser por ela influenciada, mantendo, também, a sua jurisprudência (já ratificada por diversas PortariasMi i nisteriais) segundo a qual, a competência dos Conselhos não s imi , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815/601.028/70 15. AcOrdão n9- CSRF/01-0.503 ta aos casos de apreciação de litígios em que tenha sido formalizada' exigência fiscal. Em conseqüência, se os Conselhos tiverem reconhecido a ineficácia ou ausência da impugnação não poderão, por manifesta preclusão processual, deliberar sobre os elementos de fato ou de di... reito que objetivam a defesa contra o processo (ausência de pressu- postos processuais, das condiçaes da ação etc.) ou visem contrastaros fatos e as conseqüências jurídicas que lastrearam a formalização dos créditos tributários; e se intempestivo for o recurso, somente a au- toridade administrativa (e não a jurisdicional administrativa) ou a autoridade judicial poderão analisar a matéria, conforme já deci- diu esta Superior Instância, quando foram prolatados os arestos de n9s - CSRF/01-0.372, de 23/09/83, e CSRF/01-0.459, de 27/08/84. Especificamente sobre a matéria ora objeto de apre- ciação, foi dito no Ac6rdão n9 - CSRF/01-0.224, de 04/05/82, que "Se a ocorrência da prescrição pressu- p8e: a) um lançamento regularmente notifi- cado ao sujeito passivo; b) a ausência de qualquer recurso administrativo capaz de suspender a exigibilidade do crédito lança do e; c) a invocação do instituto por Par te do notificado; •de duas uma: ou o Conse- lho tem competência para conhecer das ale- gaçOes de prescrição em qualquer circuns- tância, em quanto os autos não hajam sido remetidos para a inscrição da diVrãã por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou o declarado na Portaria Ministerial - MF- n9 259, de 25/05/80, não tem qualquer apli cação, o que não se admite em razão do-ã- princípios jurídicos que norteam a exegese - das regras de direito. ......... ............. ......... ........... Finalmente, não pode ser dado guarida ao temor manifestado por alguns colegas, no sentido de que, caso o Conselho fosse de- clarado competente para conhecer daprescri- ção, quando o crédito fiscal não tenha si- do impugnado ou o tenha sido intempestiva- mente, o Conselho passaria a ter de conhe- cer do mérito de qualquer exigência, mesmo que apresentada fora dos prazos legais. Is to porque, esses colegas estão confun n , _ . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0815/601.028/70 16. 1 Acórdão n9-CSRF/01-0.503 o conhecimento de matéria ligada ao direito de cobrança (direito novo surgido com a ina ção do sujeito ativo, quando a exigêncianáZ 1 estava suspensa) com o conhecimento de mat4ria referente à Constituição do Crédito Tributá- rio (aqui compreendida qualquer matéria que objetivasse contestar a constituição do cré- dito, tal como: não incidéncia, inocorrencia do fato gerador, inexatidão dos elementos Li nanceiros -- base de cálculo e aliquota ;---jilegitimidade de parte etc.); a qual, e sim não poderia ser conhecida preclusa a fa- se processual própria." Pelo expo 01 )ío O provimento ao recurso,' A* /Agi AMADOR Obb ' inr0 ERNANDEZ -- PRESIDENT RELATOR. - . , , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
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Numero do processo: 35018.000355/2006-98
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 8. 00 03 55 /2 00 6- 98 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 Data da lavratura da NFLD: 10/11/2006. Data da Ciência da NFLD: 14/11/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do município acima identificado, consistente em contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, bem como as contribuições previdenciárias a cargo destes, não arrecadadas pelo Notificado, não declaradas em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 32/42. De acordo com a resenha assinada pela Autoridade Lançadora, as contribuições previdenciárias objeto da vertente Notificação houveramse pro lançadas mediante os seguintes levantamentos: a) FPN FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP Remuneração apurada a partir das folhas de pagamento efetivamente apresentadas, não declaradas em GFIP, relativo aos meses de maio e junho/2006; b) CIN CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Remuneração de segurados contribuintes individuais, apurada a partir dos recibos de pagamentos apresentados, todos acompanhados das notas de empenho e de processos de pagamentos, relativos ao período de 05/2006 a 06/2006, não declarados em GFIP.; c) FRN FRETES NÃO DECLARADOS EM GFIP Remuneração paga a fretistas autônomos, no montante de 20% sobre o total do frete para apuração da mãodeobra, conforme Regulamento da Previdência Social RPS, art. 267, assim como a parcela destinada ao SEST/SENAT, no percentual de 2,5% sobre o valor total da mãodeobra. Todos os valores foram levantados conforme recibos, empenhos e processos de pagamento apresentados. Ressaltase que essa contribuição (SEST/SENAT) é de responsabilidade da tomadora dos serviços (Prefeitura), a qual deveria ter descontado da remuneração do prestador do serviço. Informa a Autoridade Lançadora haverem sido examinados, no curso do procedimento de fiscalização, em sua totalidade, com relação ao Município de Santa Maria da Vitória/BA Prefeitura Municipal, os recolhimentos das contribuições previdenciárias (GPS) existentes na base de dados do INSS. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 90/114. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 138/146, julgando intempestiva a Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35018.000355/200698 Acórdão n.º 2302002.512 S2C3T2 Fl. 187 3 impugnação, pautandose pela procedência do lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/08/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 150. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente, em 22/09/2008, interpôs recurso voluntário, a fls. 154/180, requerendo, ao fim, a reforma da Decisão de 1ª Instância Administrativa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 18/08/2008, segundafeira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 150. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35018.000355/200698 Acórdão n.º 2302002.512 S2C3T2 Fl. 188 5 I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa no dia 18 de agosto de 2008, segundafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na terçafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 19/08/2008, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 17 dias do mês de setembro do mesmo ano, inclusive, quartafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 19 de agosto de 2008, o que implica na fixação do 17 de setembro do mesmo ano como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22 de setembro de 2008, como assim denuncia o carimbo de protocolo da DRF/Vitória da Conquista aposto na folha de rosto do Recurso Voluntário a fl. 154, ao fundo, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35018.000355/200698 Acórdão n.º 2302002.512 S2C3T2 Fl. 189 7 b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua interposição intempestiva. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10950.002677/2004-39
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.211
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 09/07/2012 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 380100.154, proferido pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção em 15/06/2009 (fls. 131/137verso), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 144/153). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (Reserva Legal) na data do fato gerador (1° de janeiro de 2000), tendo havido protocolização intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), o que somente se deu após o início do procedimento fiscal e depois de írês anos do termo final do prazo estipulado pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.” A recorrente afirma que o aresto atacado diverge dos paradigmas que apresenta, que consideram ilegal a exigência de requerimento de ADA ao IBAMA como requisito para o reconhecimento da isenção das áreas de reserva legal ou preservação permanente. Entende que a exigência de um simples documento para se provar o que de fato existe e pode ser constatado com uma simples visitação (pois a averbação das áreas deuse em 1995), como forma de conceder isenção para as áreas que não estão sendo ocupadas, é um ato contrário aos princípios de preservação e função social da propriedade. Observa que somente com a Lei n.º 10.165 de 27/12/2000, tornouse possível cogitarse da obrigatoriedade do ADA. Neste sentido, temse que referida lei não pode retroagir no tempo para atingir o exercício tributário do ano 2000, cujo fato gerador coincide com o dia 01/01/2000, momento em que não era obrigatória a protocolização do ADA. Alega que a Secretaria da Receita Federal está fazendo uma aberração jurídica desmedida, pois, quando na verdade deveria efetuar lançamento de ofício, com base em informações colhidas no local pelo órgão governamental responsável, com apuração real do total das áreas nãotributáveis, está proferindo lançamento arbitrário, como se o total da área de propriedade do contribuinte fosse tributável, o que se torna ilegal. Destaca que em nenhum momento se discute a existência real e efetiva das áreas isentas de tributação de sua propriedade, o que foi comprovado mediante documentação acostada aos autos. Ademais, pondera que, ao contrário do entendimento da Câmara recorrida, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.002677/200439 Acórdão n.º 920202.211 CSRFT2 Fl. 170 3 eventuais divergências com relação às áreas são decorrências naturais do crescimento do mato para outras áreas onde não havia, mas que não traz conseqüências para a apuração do imposto. Argumenta que a apuração feita pelo órgão governamental verificou uma área nãotributável maior do que a declarada pelo contribuinte, o que seria fator para diminuição da base de cálculo do ITR e não para aumento. Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 220100.068 (fls. 155/157), foi dado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 160/168. Preliminarmente, alega que o contribuinte não anexou cópia dos acórdãos apontados como paradigma, nem indicou a fonte de onde foram copiadas as ementas reproduzidas no bojo do recurso, que, portanto, não poderia ter sido conhecido, por falta de cumprimento dos pressupostos regimentais. Ademais, entende que a decisão recorrida não diverge dos acórdãos indicados como paradigmas, haja vista que não reputou que exclusivamente a prova "a" ou "b" serviria para o processo, apenas entendeu, de forma legítima e fundamentada, que a prova do recorrente não era robusta o suficiente para embasar os descontos pretendidos no ITR. Explica que o colegiado entendeu que o contribuinte, além de não apresentar o ADA tempestivo, também não conseguiu comprovar, por outros meios probatórios, a efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal à época da data do fato gerador. Esta situação é completamente distinta dos acórdãos indicados como paradigmas, cujas ementas, transcritas no corpo do recurso, revelam que, diferentemente do presente caso, ficou demonstrada a existência das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal por provas documentais idôneas. No mérito, considera que os elementos de prova apresentados não se revelam capazes de comprovar a efetiva existência das áreas glosadas. Assinala que os documentos trazidos pelo contribuinte, como se referem a anos posteriores ao ano de 2000, não refletem a área do imóvel à época do fato gerador do ITR em referência neste lançamento. É imprescindível, no seu entendimento, que a documentação comprobatória faça referência expressa da situação do imóvel na época em que o contribuinte declara as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso. Eis o breve relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Inicialmente cabe salientar que, conforme ocorreu no presente caSO E disciplinado no art. 67, § 9º do Anexo II do RICARF, as ementas podem ser reproduzidas no corpo do recurso, in verbis: "Art. 67. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.” Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial. A controvérsia acerca da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA foi dirimida com a aprovação da súmula CARF nº 41, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DA IMPORTAÇÃO. Caso em que, caracterizada a irregularidade, tem aplicação a penalida de prevista no art. 169, inciso I, alrl nea "a", do Decreto-lei n9 37/66, na re- dação dada pela Lei 6562/78. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fi?/:\ cais, por unanimidade de votos, n gar provimento ao recurso espeç'-j74) Ir Sala das Se s- em 03 de maio de 1983. * AMAAMADOR OUT icio: • (Cr n •1 , EZ - PRESIDENTE„400.,fr_ y ----* / ~Will PAULO CÉS AP D 'V, , ILVA - RELATOR ,e, LUIZ FERNANDO O A I P A DE ORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, WILFRIDO AU CUSTO MARQUES, PAULO DE ALMEIDA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RO- DRIGUES CABRAL. , , , :, -n—__W:/, , 4)¡:::_ 60; "W1,0 ,, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL , PROCESSO N. 0814/063.240/76 , , RECURSO W,RP/303-748 ACÓRDÃO N:9 : CSRF/03-1.055 , , RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL , Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,, Sujeito Passivo: RCA. ELETRÔNICA LTDA. RELATÓRIO Por seu Procurador junto ã 3Q . Câmara do Egrégio 39 Con- selho de Contribuintes, recorre a Fazenda Nacional, pleiteando a re..._ forma do Acórdão N9 22.588, de 05-10-82 daquele Colegiado, que, ao apreciar recurso interposto por empresa importadora, acusada& ter realizado desembaraço de mercadoria, em regime de Entreposto Adua- neiro, sem guia de importação específica, vez que a guia se presta- , va, apenas, para o regime de importação normal, decidiu, por maio- , ria de votos, dar provimeto em parte ao recurso, pelos fundamentos 'assim resumidos na respectiva ementa, "verbis". , , GI emitida sem as características exigidas para o regi- me de entreposto aduaneiro não pode ser utilizada para este fim. Recurso provido em parte para reduzir a penalidade proposta, nos termos do inciso I, letra "b" da Lei 6562/ 78. , , A espécie vem objetivamente exposta na decisão de fls. 1 51/53, da digna autoridade julgadora de primeira instância,cujo re- latório adoto e a seguir transcrevo na íntegra: , A empresa em epígrafe submeteu a despacho pela D. , I. n9 51.610/76, anexa, as mercadorias nela descritas apresentando, porém, a Guia de Importação n9 18-75/104366 que, segundo a fiscalização, não lhe dá legal cobertu- ra, tendo sido, portanto, lavrado o auto de infração de fls. 12, ante a infringência da Resolução n9 354, de/,1 02/12/75, do Banco Central, incorrendo assim, a '-eort d , dol D M F - RJ/1.° C-C - S5 g af - teão/75 , 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/063.240/76 Acórdão n9-CSRF/03-1.055 dora na penalidade da multa cambial instituída no art. 169, inciso I, do D.L. n9 37/66. 2. No prazo regulamentar, a autuada juntando cópias xerográficas de diversos documentos, procurando esclare cer o problema surgido, alegou em sua impugnação de fl". 36/43:- a) - que a mercadoria em tela estava acobertada pe ia G.I. n9 18-75/104.366,regularmente expedida; b) - que ã época das diligências e processamento visando a importação, vigorava o Comunicado n9 510, da Cacex, que não exigia a Guia de Importação específica para entrepostamento, tendo sido, tal ato, entretanto, revogado pelo Comunicado da Cacex n9 534/76, já em vi- gor qundo se dera o retardamento do embarque das merca- dorias; que, portanto, não era exigida Guia especifica para entrepostamento. c) - que envidara esforços junto ã Cacex para ob- tenção da Guia de Importação especifica,o que foirecusa do sob a informação de que as mercadorias importada se achavam acobertadas pela G.I. n9 18-75/104366, não lhe cabendo culpa do ocorrido. 3. Verifica-se, entretanto, do processo que as razões apresentadas estão ao desamparo das normas regedoras do fato caracterizador da infração. _ 4. Na verdade, quando se dera o embarque da mercado-- ria, vigia o Comunicado 510, da Cacex, porém, este foi posteriormente revogado pelo Comunicado n9 534, do mes- mo órgão, que passou a tutelar o entrepostamento de mer cadorias, consoante bem apreciou o assunto a "informa- ção fiscal" de fls. 49/50. O Recurso Especial, está baseado em: 8. A autuação da interessada se deu pelo fato da Fis- calização haver entendido que a interessada admitira em regime de Entreposto Aduaneiro partes e peças, com pre- tenso amparo no item 2 do anexo "B" do Comunicado Cacex n9 534/76 e deixou de providenciar junto a mesma,a Guia de Importação específica para o caso (letra "e" e 2 do capitulo V do referido comunicado.) 9. A decisão da DRF em São Paulo, mantendo a exigên- cia, teve a seguinte Ementa: "Falta de Guia de Importação -- específica para entrepostamento, exigida na letra "C" e item 2, do capítulo "V" do Comunicado da Cacex n9 534/76, não substituível pel 'Gil:— 'de Importação normal. Infra ção cambia 4.SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/063.240/76 Acórdão n9-CSRF/03-1.055 10. Assim, foi exigida a multa do artigo 169,in- ciso I do D.Lei 37/66. 11. Em suas razões de Recurso, conclui que "não configura o quadro da hipótese FRAUDE CAMBIAL pois não estão presentes os pressupostos legais enumerados no art. 72 da Lei n9 4.502, de 30.11.64. (fls. 56). 12. O então Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, que na época ilustrava esta Colenda Câmara, votou pela conversão do julgamento em diligência junto a Cacex, para esclarecer o verdadeiro senti- do e alcance da missiva de fls. 23, abordada pela interessada. 13. Retorna agora com os esclarecimentos presta- dos por aquele Õrgão, no qual se comprova e confir ma que a Guia de Importação, não se prestava real- mente para instruir o processo de nacionalização pois fora emitida sem características exigidas pe- lo regime de entrepostamento aduaneiro, na forma do Comunicado n9 534, de 8.12.75. 14. A Colenda Câmara decidiu que efetivamente es tava comprovada a infração, apenas erroneamente,s. m.j., que por força da retroatividade benigna que comina penalidade menos severa, deverá ser alpica- da a multa de 30% a que se refere o item "b" do mesmo artigo 169 do D.Lei 37/66. 15. A Lei 6562/78, que deu nova redação ao arti go 169 do DL 37/66, diferenciou apenas os percen- tuais de 100% e 30%, em seus itens a e b, conforme a situação de falta de Guia de Importação, com im- plicação na falta de pagamento de quaisquer *ónus financeiros ou combiais. 16. É o caso do presente processo, porque a in- fração cometida é aquela prevista no inciso "I" le tra "a", conforme foi demonstrado na informação fl-ã cal de fls. 49/50, quando diz: "É evidente que a reclamação quiz aproveitar -se de uma GI já caduca e, portanto sem nem:= âhumvalor, para fugir ao depósito compulsó- rio-restituível que fala a Resolução 354/75 dó Banco Central." 17. A diferença estabelecida na nova Lei 6562/78 em seu item I - "Importar mercadorias do exterior", entre a letra "a" que comina a pena de 100% e a da letra "b" que prevê multa de 30% está exatamente no fato de implicar/ na falta de depósito senão vejamo W 1 I i SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/063.240/76 5. Acórdão n9-CSRF/03-1.055 "a) sem guia de importação ou documento equi valente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer Onus finan- ceiros ou cambiais". 18. A intenção do Legislador, foi de distinguir . situações diferntes, que existiram anteriormente ou seja, a falta de Guia em casos em que na época era obrigatório o depósito compulsório, penalizado com 100% e a falta de Guia, em casos posteriores a extinção da exigência daquele depósito, então com a redução para 30% na multa. 19. Como então, pretende a Conselheira Judite de Carvalho Guerra que se aplique lei mais benigna segundo seu entendimento manifestado inúmeras ve- zes, quanto a nova lei; exatamente distinguiu ca- sos concretos, ou seja, a manutenção do percentual de 100%, para aqueles em que era obrigatório o de- pósito (eis o caso em questão) e a redução do mes- mo percentual para 30%, nos casos, quando não mais prevalecia aquela exigência do depósito. 20. Creio que demonstrada está a legitimidade da aplicação da multa de que trata o inciso I letra "a" do artigo 169, com a nova redação dada pela Li 6562 de 18 de setembro de 1978. 21. A vista do exposto, resta a necessidad impe- riosa da reforma do Acórdão recorrido, pr :cando ato de inteiraerepara raJUSTIÇA! doe.É o relatórioal‘ / • PROCESSO N9 08W063.2401 . 76 6. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL AcOrdão n9-CSRFIG3-1.055 VOTO Conselheiro PAULO CÉSAR DE ÃVILA E SILVA, Relator: O problema em discussão foi gerado pela indevida admis são, em entreposto, de mercadoria importada em regime normal. A informação prestada CACEX de fls. 70, veio dirimir qualquer divida, conforme bem salienta a decisão recorrida. Por ocasião da nacionalização da mercadoria, a GI n9 18-751104366 já se encontrava vencida, não podendo, em consequência, servir para aquele fim. Desta forma, entendo ter havido uma infração adminis trativa ao controle da importação, que deve ser apenada com a multa de 30%, prevista no inciso I, letra "b" da Lei 6.562178, razão pela qual negd'pr7 -mento ao recurso, para manter a decisão da Cámara Re- , corrida. /ti / 1.4 de 1983. ie PAULO Cu.AR DE À :LA ' SILVA - RELATOR. 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Numero do processo: 11080.008924/2007-11
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004
DECADÊNCIA. SÚMULA VINICULANTE N. 08 D0 STF. PRAZO DE 05
(CINCO) ANOS. APLICAÇÃO DO ART. 173,I DO CTN
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das
contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO,
Verificado o descumprimento de obrigação acessória é imperiosa a
manutenção do auto de infração.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2402-000.134
Decisão: ACORDAM os Membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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SÚMULA VfNICULAN4 E N 08 1)0 STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. APLICAÇÃO DO ART. 173,1 DO CYN" É de 05 (cinco) anos o prazo &cadenciai para o lançamento das contribuições previdenciárias AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO, Verificado o deseumprimento de obrigação acessória é imperiosa a manutenção do auto de infração. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM „os-Membros da 4'' pinara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por yuan imidaa de votos, e l'i negar proviinento ao recurso v / ---7 , /.,..7 (,V„SliARCEL-0 )111V 'IR - Piesidente / K LO IRENÇO FERREIRA DO PRADO - Relator , i Participaram do presente julgamento, Os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Lourenço Leiteira Prado, Rogério de Lellis Pinto, Cleusa Vieira de Souz. (Convocada), Nnbia Moreira Barros Mazza (Suplente) e Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente ---- (/)1 2 Processo n" 11080 008924/2007-11 S2-C4T2 A c(it dão n.° 2402-00,134 11 95 Relatório Trata-se de Auto de Infração AI DEBCAD 35,839.707-3, lavrado em desfavor de COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA DA CRUZ, com fundamento no artigo 31, "eaput" da Lei n° 8,212, em decorrência da recorrente não ter efetuado a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, O lançamento compreende as competências de 04/1999; 10/2000; 03/2003; 05/2003 e 02/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 27/04/2006. A ação fiscal deflagrada determinou a aplicação de unia multa no importe de R$ 1,1.56,83 (Um mil cento e cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos) Mantida a integrando& da autuação em primeira instância, tbi interposto recurso voluntário às f1s,66 a 75 alegando: 1- A decadência de constituir o crédito tributário nos termos do artigo 150, § 4 do CTN. 2- A inconstitucionalidade d.o depósito prévio em recursos administrativos Processado o recurso sem coira-n •_?. sIa PGFN subiram os autos a este Eg. Conselho, É O relatório // ' 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Inicialmente cumpre ressaltar que a única matéria objeto do recurso voluntário sob a apreciação é a relativa a decadência. Portanto, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 1.46, 111, "b", da Constituição Federal, à unanimidade dc votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n" 556.664, 559.882, 559,943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 4.6 da Lei n" 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos pata a constituição de seus créditos. Na mesma. assentada, inclusive no intuito de eximir qualquet questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Sumula Vinculante de n " 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculaute 8"Srio inconstitucionais os parágrajó único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e 0.5 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de pre.scrição e decadência de crédito tributar 10". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n" 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas dwis3e.s sobre matéria constitucional, aprovar .sumula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vineulante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na Prima estabelecida em lei Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber . , dentre os artigos 1_50, § 4" ou 173, 1, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da. NPLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciarias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art.: 150, § do CTN".. Dessa 1'mm-ia, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a re .1- le extinção inscrita no art. .156, 4 Processo n" 11080 00892112007- I I S2-C412 . Acórdão n " 2402-00.134 111 96 inciso VH do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento-ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidênCia do disposto no art. 173, inciso 1 do CTN, hipótese na qual o credito tributário será extinto em ¡Unção do previsto no aut. 156, inciso V do CIN.. No caso dos autos, conforme amplamente demonstrado no relatório fiscal da Infração a empresa deixou de reter e recolher 11 Vo sobre ao valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, verifico restar claro que o contribuinte não antecipou o pagamento do valor das contribuições devidas, o que atrai, para efeitos de verificação do prazo decadência o disposto no art. 173, inciso 1 do C-1-N, in verbis: • "Ari 173 O direito de a Fazenda Pública ewistintir o crédito tributário extingue-se após5 (cinco) anos, contado - do primeiro dia do exercício seguinte àquele cm que o lançamento poderia ter sido efi.iluado,- Por tais motivos, a preliminar de decadência ora sob análise deve ser acatada no sentido de que seja aplicado in casa o art. 173, inciso 1 do CTN, razão pela qual, em tendo sido o contribuinte cientificado do lançam.ento em 27/04/2006 deve ser extinto O crédito tributário cujos fatos geradores compreendem o período de 04/1999 e 10/2000, pois acrescendo o prazo de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o fisco poderia ter constituído o crédito tributário, isto é, 01 de .janeiro de 2001, concluo que o limite temporal para o fisco ter constituído este crédito era no máximo em 01 de janeiro de 2006, todavia tal fato somente ocorreu em 26/04/2006.. Entretanto, mesmo que houvesse o reconhecimento da decadência, uma vez que esta não alcança a totalidade das competências nas quais o contribuinte cometeu as . infrações objeto do auto, a aplicação da multa não poderá ser excluída, pois, com relação às demais competências, deverão ser mantidos já que o contribuinte deixou de expressamente impugná-las, limitando-se, apenas, em alegar como defesa., o instituto da decadência, restando intactos os lançamentos das competências não atingidas pela decadência.. Pelo exposto VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recursx'o / voluntário, / É como voto. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2009 L-011-RENÇ6TERRIIR..A. DO PRADO - Relator
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Numero do processo: 13502.000113/2001-95
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. INDÚSTRIA PETROQUÍMICA.
No processo produtivo de isopreno e buteno, as aquisições de vapor de 3,5 Kgf/cm2, vapor de 15 Kgf/cm2, energia ele´trica, ar de serviço e o ar de instrumentos não geram direito ao crédito presumido, por não configuram matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na forma da legislação do IPI.
O hidrogênio, por entrar em contato direto, agregando-se à corrente de hidrocarbonetos, bem como a água desmineralizada, por ser aplicada diretamente sobre o produto industrializado, configuram aquisição que dá direito ao crédito presumido.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer à recorrente o direito de crédito presumido de IPI em relação ao hidrogênio, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel votou pelas conclusões.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente a Dra. Fernanda Taboada Fontes, OAB/BA nº 16.340.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS. INDÚSTRIA PETROQUÍMICA. No processo produtivo de isopreno e buteno, as aquisições de vapor de 3,5 Kgf/cm2, vapor de 15 Kgf/cm2, energia elétrica, ar de serviço e o ar de instrumentos não geram direito ao crédito presumido, por não configuram matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na forma da legislação do IPI. O hidrogênio, por entrar em contato direto, agregandose à corrente de hidrocarbonetos, bem como a água desmineralizada, por ser aplicada diretamente sobre o produto industrializado, configuram aquisição que dá direito ao crédito presumido. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer à recorrente o direito de crédito presumido de IPI em relação ao hidrogênio, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 01 13 /2 00 1- 95 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Minatel e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente a Dra. Fernanda Taboada Fontes, OAB/BA nº 16.340. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento apresentado em 2001 (capa, fl. 1 v.), que pleiteia crédito presumido de IPI em relação ao 4º trimestre de 2000. Em 27/02/2003 foi apresentada Declaração de Compensação (fl. 89), depois retificada em 15/08/2003 (fl. 97), e outras duas Declarações de Compensação em 14/08/2003 (fls. 101 e 105). A Delegacia da Receita Federal de Camaçari/BA reconheceu apenas em parte o direito pleiteado pelo contribuinte, conforme Despacho Decisório DRF/CCI 134/2008 (fls. 128/129), cujos fundamentos foram extraídos do Parecer SARAC/DRF/CCI 0108/2008 (fls. 113/120). A notificação aconteceu em 13/08/2008 (fl. 137) O referido Parecer explica que o reconhecimento do direito apenas em parte, em valor menor que o requerido, aconteceu pelas seguintes razões: 14. Relata o auditor responsável pela ação fiscal que "10 A Auditoria realizada na presente ação fiscal encontrou valores diferentes daqueles apurados pelo contribuinte, lançados em DCTF e escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI. Em relação à Receita Operacional Bruta e à Receita de Exportação, a verificação feita, por amostragem, não encontrou divergências. Assim, os valores utilizados por esta auditoria foram os mesmos usados pelo contribuinte. Por outro lado, no que se refere ao Custo de Produção, foram encontradas grandes diferenças, originadas da inclusão indevida de valores referentes à aquisição de diversos produtos que não são enquadráveis no conceito de mateŕiaprima ou intermediário. Com efeito, vapor de 3,5 Kgf/cm2, vapor de 15 Kgf/cm2, energia elétrica, ar de serviço, ar instrumentos e água desmineralizada não são produtos enquadráveis em tal conceito, e portanto não podem compor a base de calculo do cred́ito presumido". 15. Quanto aos custos de produção excluídos da base de cálculo do crédito presumido, relacionados no Termo de Verificação Fiscal n.° 05104002007001360, convém, por reforço, destacar o conceito de insumo utilizado na diligência fiscal. 16. À luz dos dispositivos legais cima citados, verificase que a legislação do IPI deverá ser utilizada de maneira a auxiliar na definição dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. 17. Vale ressaltar, assim, o disposto no artigo 147 do Decreto n°2.637, de 25 de junho de 1998 Regulamento do IPI/1998 que, ao discriminar as hipóteses que configuram direito ao cred́ito do imposto, especifica em seu inciso I, o conceito de insumos, qual seja, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, excetuando se aqueles compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.000113/200195 Acórdão n.º 3403002.190 S3C4T3 Fl. 261 3 18. Com o intuito de determinar o a1cance da expressão "que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito, conveḿ citar o Parecer Normativo CST n° 65, de 31 de outubro de 1979, publicado no DOU de 06/11/1979, expedido pela Coordenação do Sistema de Tributação, ao esclarecer que além dos bens que se integram ao produto final — mateŕiasprimas e produtos intermediários, "strictu sensu", e material de e balagem, geram direito ao crédito, quaisquer outros que sofram alterações, tais como desgaste, e dano e perda de propriedades físicas ou químicas, decorrente de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa e desde que não compreendidos entre os bens do ative permanente. 19. Ressaltese que o entendimento expresso no parecer transcrito, pacificado no âmbito da Receita Federal do Brasil, não sofreu alterações até a presente data, uma vez que a legislação também não trouxe inovações nesta matéria desde 1979. De sua leitura concluise que para ser enquadrado nos conceitos de MP, PI ou ME é necessário que os insumos se integrem ao produto ou sejam consumidos no processo de industrialização em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto ou por este diretamente sofrida. Sob essa ótica, as utilidades (vapor de 3,5 Kgf/cm2, vapor de 15 Kgf/cm2, energia elétrica, ar de serviço, ar de instrumentos e água desmineralizada) foram acertadamente excluídas da base de cálculo do cred́ito presumido do IPI. 20. Relata também o auditor responsável pela ação fiscal que: "Observese, também, que o contribuinte não escriturou no Livro Registro de Apuração do IPI o valor especifico referente à apuração desse 4° trimestre; preferiu escriturar, em janeiro de 2001, o valor acumulado ao longo do ano de 2000 (...), no quadro "Demonstrativo de Cred́itos" do referido Livro. O contribuinte não fez o estorno especifico deste valor; ele acumulou o Crédito Presumido ao longo dos anos 2000, 2001 e 2002, só utilizandoo a partir de outubro de 2002, através de compensação com outros tributo (PIS, COFINS, CSLL e IRPJ), sendo tais valores estornados atraveś do lançamento dessas compensações no quadro "Demonstrativo de Deb́itos" do Livro Registro de Apuração do IPI". 21. Assim, em função das glosas efetuadas pelo Auditor responsável pela Ação Fiscal, o mesmo elaborou planilha, cópia às fls. 32, na qual demonstra detalhadamente os valores apurados pela fiscalização a título de crédito presumido do IPI, ao longo do anocalendário 2000. 22. Mediante análise da citada planilha (Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do IPI — ANO 2000), verifica se que a Fiscalização apurou, para o anocalendário 2000, crédito presumido do IPI, no valor correspondente a R$ 573.058,22. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 23. Assim, considerandose o cred́ito apurado pelo Auditor responsável pela Ação Fiscal realizada junto ao contribuinte, temse que o cred́ito presumido do IPI nos trimestres do ano calendário de 2000 está assim disposto: O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 151/177) alegando que deveriam ter sido consideradas as aquisições de vapor de 3,5Kgf/cm2, vapor de 5 Kgf/cm2, energia elétrica, ar de serviço, ar de instrumento e água desmineralizada bem como o hidrogênio – que, segundo alega, apesar de não ter sido expressamente citado, teria desconsiderado pelo auditor – por se tratarem de insumos indispensáveis para a produção. Argumenta o contribuinte que todos os insumos atingidos pela contribuições (PIS/Cofins) devem ser levados em conta para efeito de apuração de base de cálculo do crédito presumido de IPI, sendo pouco relevante se os insumos foram totalmente consumidos no processo produtivo, ou não tiveram contato físico direto com o produto, ou se sofreram diretamente ação no produto industrializado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ), por meio do Acórdão nº 1518.279 de 04 de fevereiro de 2009 (fls. 207/211), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório, conforme o entendimento assim resumido em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. A energia elétrica utilizada como força motriz não atua diretamente sobre o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada O voto condutor deste acórdão detalha que “os gastos com energia elétrica não podem ser computados na base de cálculo do crédito presumido, sob a forma de insumo utilizado no processo produtivo, uma vez que não reveste a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência. Não obstante a sua respectiva importância para a industrialização, no que respeita à força motriz necessária à operação das máquinas e equipamentos imprescindíveis ao processo produtivo, há que se ressaltar que tal gasto não se insere no conceito de matéria prima e produto intermediário nem se inclui entre Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.000113/200195 Acórdão n.º 3403002.190 S3C4T3 Fl. 262 5 os insumos que, embora não se integrando ai novo produto, forem consumidos no processo de industrialização” (fl. 210) e que, em relação às outras glosas,“para que haja direito ao creditamento dos insumos que não integrem o produto, mas que sejam consumidos no processo produtivo, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias primas e os produtos intermediários "strito sensu", semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, o que não é, absolutamente, o caso dos produtos em discussão.” (fl. 210 v.) A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 220/248) discordando da interpretação restritiva dada ao art. 1º da Lei 9363/96, alegando, em síntese, que “se o objetivo maior do legislador foi estimular as exportações, compensando os contribuintes pela onerosa incidência do PIS e da COFINS sobre os insumos aplicados no processo produtivo, exações que oneram em cascata a produção, obviamente que todos os insumos atingidos por tais contribuições devem, necessariamente, ser levados em conta para efeito de apuração de base de cálculo do beneficio!” (fl. 229). Afirma, ainda, que, “para que seja realizado o ressarcimento pretendido pela lei em tela, basta tão somente que os insumos tenham sido tributados pelo PIS e pela COFINS, não importando se estes obedeceram aos "requisitos" erigidos pela autoridade fazendária como condicionantes do direito ao creditamento ordinário.” (fl. 230). Quando o presente recurso já se encontrava neste Conselho, o recorrente promoveu a juntada de laudo técnico que, segundo alega, apresentaria uma descrição mais detalhada do seu processo produtivo, de modo a evidenciar que os insumos envolvidos no presente caso configurariam produto intermediário, na forma da legislação do IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso foi protocolado em 12/05/2009 (fl. 220), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/04/2009 (fl. 219). Em relação ao pedido de juntada de novo parecer técnico, verifico que este novo laudo, embora mais detalhado, não altera as informações que já se encontravam no laudo apresentado com a Manifestação de Inconformidade, em nada alterando, portanto, o entendimento a respeito deste caso. Não procede a alegação de que, para ter direito ao crédito presumido, bastaria que os fornecedores dos insumos tivessem sido onerados por PIS/Cofins para que a contribuinte, na condição de adquirente dos insumos. Embora a finalidade deste benefício fiscal, previsto na Lei nº 9.363/96, tenha sido a de compensar o ônus financeiro causada às exportações em razão da incidência de PIS/Cofins na parte da cadeia produtiva correspondente ao mercado interno, o legislador optou Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 em fazer tal compensação na forma de concessão de créditos de IPI, determinando expressamente a utilização dos mesmos critérios da legislação deste imposto. É este o efeito do parágrafo único do art. 3º da referida Lei, ao dispor que “Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Por isso, a determinação dos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem é a mesma aplicável à apuração do IPI. Conforme esclarece o Parecer Normativo CST n° 65/79, para que sejam considerados produtos intermediários, é necessário que os produtos sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa, e desde que naõ estejam compreendidos entre os bens do ativo permanente. Portanto, apenas se os insumos adquiridos atendem este requisito é que serão passíveis de ser considerados produtos intermediários, dando causa ao crédito presumido de IPI. É isto o que se passa a analisar: 1) vapor de 3,5 Kgf/cm2 e vapor de 15 Kgf/cm2 O Laudo Técnico que a Recorrente apresentou com a sua manifestação de inconformidade diz expressamente que “não há contato físico direto entre o vapor de 3,5 e a corrente de hidrocarbonetos do processo que está sendo aquecida” (fl. 191) e que “não há contato físico entre o vapor de 15 e as correntes que estão sendo aquecidas e por isso mesmo não se agrega a nenhum dos produtos das unidades” (fl. 192). O Laudo Técnico mais recente, apresentado pela Recorrente pouco antes do início do julgamento, não nega esta descrição do laudo anterior, não trazendo nenhuma afirmação categórica de que os vapores entram em contato direto com o produto, incorrendo nas situações descritas pelo Parecer Normativo CST nº 65/79 como geradoras de crédito. Temse, com isso, que os vapores são usados como fonte térmica, sendo aplicados no aquecimento de equipamentos, ou seja, transferindo energia térmica para o produto de maneira indireta, sem contato direto com o produto. Na forma da legislação do IPI, como visto, apenas se houvesse o contato com o produto haveria o direito ao crédito. 2) energia elétrica Alega o recorrente que a energia elétrica “é utilizada como força motriz de cerca de oitenta motores elétricos associados a bombas, distribuídos pela Unidade de Isopreno, e mais dezoito motores elétricos associados a bombas, distribuídos pela Unidade Buteno, os quais são responsáveis por praticamente todo o funcionamento da planta fabril da Recorrente” (fl. 244). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.000113/200195 Acórdão n.º 3403002.190 S3C4T3 Fl. 263 7 O Laudo Técnico juntado com a Manifestação de Inconformidade reafirma que “a energia elétrica é a força motriz dos motores elétricos associados às muitas bombas distribuídas nas unidades A5100 e A5200” (fl. 192). O novo Laudo Técnico, apresentado quando o caso já se encontrava neste Conselho, não altera esta constatação. A energia elétrica aplicada como força motriz, ou seja, para o acionamento de motores e máquinas, não configura insumo que gera direito ao crédito de IPI, tendo em vista que não entra em contato direto com o produto industrializado. 3) ar de serviço Em relação ao ar de serviço, a recorrente explicou o seguinte (fl. 245): 2.86. Para produção do Buteno1, na Unidade de Buteno, são utilizados os catalisadores de paládio dos reatores DC5101 e DC5102, os quais têm por finalidade realizar o processo de hidrogenação do propadieno, dos butadienos e dos acetilenos. 2.87. Tal procedimento acaba por gerar subprodutos, denominados "coque", os quais são depositados no fundo do catalisador e impedem, gradativamente, que o mesmo execute a sua função, prejudicando a produção do Buteno1. 2.88. Para que os subprodutos em questão "coque" – não impeçam a função de reação dos catalisadores e, conseqüentemente, a produção do Buteno, é necessária a injeção de Ar de serviço aquecido no leito de tais catalisadores. 2.89. O Ar de serviço, ao entrar em contato com "coque" depositado no fundo dos catalisdores, entra em combustão, possibilitando a continuidade do processo produtivo da Recorrente de maneira normal. 2.90. Portanto, a aplicação do Ar de serviço é essencial no processo produtivo do Buteno, já que sem ele tais produtos finais restariam inevitavelmente prejudicados pelo mau funcionamento; pelo que tal insumo também gera direito ao credito presumido do IPI. A descrição acima deixa em dúvida se o ar de serviço, quando aplicado nos catalisadores, entra em contato conjuntamente com o subproduto “ coque” e com o produto, que é a cadeia de hidrocarbonetos. Isto parece ser explicado no seguinte trecho do Laudo Técnico juntado com a Manifestação de Inconformidade (fl. 190): A campanha operacional prevista para o calalisador dos reatores da A5100 é de 04 anos. Os fornecedores sugerem que sejam procedidas 04 regenerações por campanha. Na regeneração, é injetado ar quente no leito para queima do coque e o CO2 da queima é direcionado para flare. E também mais adiante, no mesmo Laudo (fl. 193): Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Na A5100 o ar de serviço é usado na atividade de regeneração dos reatores da unidade. Durante a operação normal da unidade, reações secundárias indesejáveis ocorrem e geram um depósito de subprodutos (coque) nos catalisadores. Estes depósitos de coque diminuem a eficiência do catalisador e precisam ser removidos periodicamente, numa atividade denominada de "regeneração do catalisador", para que o catalisador retorne a uma condição necessária para o processo de reação. (...) Assim o ar de serviço de caracteriza como insumo da unidade de buteno1, para a atividade de regeneração do catalisador dos reatores DC5101 e DC5102. Tal descrição revela que se está tratando de um ato de manutenção, realizado como um intervalo de produção. Embora sua reação físicoquímica tenha o efeito de fazer o subproduto “coque” entrar em combustão, propiciando a redução deste subproduto depositado no fundo dos catalisadores, e assim viabilizando a continuidade do processo produtivo, o ar de serviço não atua diretamente sobre o produto industrializado. Embora possa ser considerado indispensável para viabilizar a produção, o ar de serviço não entra em contato com o produto. Entendo, por isso, que não deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao ar de serviço. 4) ar de instrumentos O Laudo Técnico juntado com a Manifestação de Inconformidade detalha o seguinte (fl. 193): Ar de Instrumento é o ar atmosférico comprimido e seco que é usado como insumo das plantas petroquímicas, cuja função principal é ser a força motriz para movimentar as válvulas de controle destas plantas. Válvulas de controle são os instrumentos usados como elementos de atuação no processo para controle das suas variáveis. Ou seja, sempre o último elemento de uma malha de controle das A 5100 e A5200 é uma válvula de controle. Por exemplo, é uma dada abertura de uma determinada válvula de controle que define a quantidade de carga a ser processada na A5100 e na A5200; já a abertura de outra válvula garante, por exemplo, um fluxo adequado de vapor de 3,5 para que a temperatura de saída de uma corrente de hidrocarbonetos de um determinado trocador de calor seja controlada num valor requerido pelo processo. Fica patente que o ar de instrumento tem a aplicação de força motriz para o comando de válvulas, de maneira que não se subsume ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na forma da legislação do IPI, não gerando, por isso, direito ao crédito presumido. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.000113/200195 Acórdão n.º 3403002.190 S3C4T3 Fl. 264 9 5) hidrogênio O recorrente explica que “na planta fabril da Recorrente, especificamente, na Seção de Hidrogenação Seletiva, o hidrogênio é alimentado junto com o propadieno, os butadienos e acetilenos, presente no Refinado II, nos dois reatores DC5101 e DC5102, com o catalisador de paládio, para que sofram reações de adição. Essas reações de adição tem por fim fazer com que os átomos de hidrogênio se agreguem à corrente de hidrocarbonetos e assim gerem os produtos e os subprodutos da unidade, inclusive ButenoI” (fl. 246). Esta mesma informação é ratificada pelo Laudo Técnico juntado pela contribuinte com a Manifestação de Inconformidade, que explica o seguinte (fl. 190): Na Seção de Hidrogenação Seletiva, o propadieno, os butadienos e acetilenos presentes no Rafinado II são hidrogenados em dois reatores (DC5101 e DC5102) com catalisador de paládio. Assim uma corrente de hidrogênio é alimentada junto com a de rafinadoII nesta seção, ocorrem reações de adição e os átomos de hidrogênio se agregam à corrente de hidrocarbonetos que irá gerar os produto e subprodutos da unidade. E também mais adiante, no mesmo Laudo (fl. 194): O hidrogênio é consumido na Seção d: Hidrogenação Seletiva da A5100. O hidrogênio proveniente das Unidades de Olefinas é alimentado junto com a de rafinadoII nesta seção. Nos DC5101 e DC5102 ocorrem reações de adição entre o hidrogênio e as moléculas de componentes da carga (propadieno, butadienos e acetilenos) que seriam impurezas para o produto principal buteno1. Desta forma, os átomos de hidrogênio se agregam à corrente de hidrocarbonetos para gerar os subprodutos da unidade: a parte do hidrogênio que entra no reator e participa efetivamente da reação de adição se agrega à corrente do subproduto rafinado III; já a parte do hidrogênio em excesso (que entra no reator para controle da reação, mas que não reage) se agrega à corrente do subproduto Gás Combustível. Ou seja, o hidrogênio consumido na A5101 se caracteriza como uma matéria prima do processo produtivo, pois é agregado as correntes de produtos e subprodutos da unidade. Neste caso, como se verifica, o hidrogênio entra em contato direto com o produto industrializado, de maneira que se enquadra no conceito de insumo, dando direito ao crédito presumido de IPI. Em situações parecidas este Conselho decidiu no mesmo sentido: (...) HIDROGÊNIO. CONSUMO NO PROCESSO DE HIDROGENAÇÃO. CONTATO DIRETO COM PRODUTO FINAL. INCLUSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. O hidrogênio, quando empregado no processo industria de redução dito hidrogenação, por ser Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 consumido em con o to direto com o produto final, enquadrase como insumo con oante à legislação do IPI e por isto é computado no cálculo do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96. Recurso provido em parte. (PA 13502.000147/9813, Rel. Cons. Emanuel Dantas de Assis,j. 11/08/2005) Deve, pois, ser reconhecido o direito de crédito quanto ao hidrogênio. 6) água desmineralizada Embora o recorrente liste a água desmineralizada como uma das glosas realizadas pelo Fisco, o Recurso Voluntário não a apresenta como matéria controvertida, nem deduz fundamentos para a derrubar a glosa, motivo pelo qual não cabe o enfrentamento deste item. 7) Conclusão Voto pelo parcial provimento do recurso para reconhecer à recorrente o direito de crédito presumido de IPI em relação ao hidrogênio. Ivan Allegretti Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11080.007631/2009-70
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
DESPESAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE DE ANOS PASSADOS. POSSIBILIDADE.
No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros.
Numero da decisão: 1801-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Redator Designado
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. DESPESAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE DE ANOS PASSADOS. POSSIBILIDADE. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 76 31 /2 00 9- 70 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 189 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Redator Designado Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0209, com a exigência do crédito tributário no valor de R$218.136,76, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real nos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2006. O lançamento se fundamenta na falta de adição ao lucro real do valor referente ao excesso de juros creditados a título de remuneração de juros de capital próprio de anoscalendário anteriores deduzidos indevidamente do lucro líquido como despesa, de acordo com as informações contidas no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 7073, no Livro Razão, fls. 6769 e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 2738. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247 e inciso I do art. 249 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), bem como art. 1º e art. 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 3º e art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1016 com a exigência do crédito tributário no valor de R$82.498,00 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, bem como art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada em 18.11.2009, fls. 02 e 10, a Recorrente apresentou a impugnação em 17.12.2009, fls. 111136, com as alegações abaixo sintetizadas. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 190 3 Aduz que houve dedução da despesa financeira referente ao anoscalendários de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 de pagamento de juros sobre capital próprio no segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2006, porque não há vedação legal. Tece esclarecimentos sobre a natureza jurídica desta despesa, analisando a legislação de regência. Suscita que, de acordo com a deliberação dos sócios, preencheu as duas condições legais cumulativas para dedução, quais sejam: houve efetivo pagamento e a existência de lucros. Defende que não foi ferido o regime de competência, de acordo com os valores que entende corretos. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui DIANTE DO EXPOSTO, requer seja julgado procedentes os argumentos expendidos na presente impugnação, para o fim de determinar a anulação dos autos de infração, na medida em que decorrente lícita a dedução do valor dos juros pagos acumuladamente, na apuração do lucro real, com base no resultado de períodos anteriores, como restou demonstrado. Em relação ao lançamento decorrente CSLL , por possuir os mesmos fundamentos fáticos do lançamento principal IRPJ , mister sejam aplicados os mesmos fundamentos acima deduzidos, em vista da íntima relação jurídica que os ampara. Nestes termos, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1030.917, de 19.04.2011, fls. 150158: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO LANÇADA PELO VALOR MÍNIMO. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício foi lançada no percentual mínimo previsto na legislação tributário, sendo, portanto, impossível sua redução. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE EM PERÍODO POSTERIOR AO DA FLUÊNCIA DOS JUROS. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 191 4 O princípio da competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas; portanto, as despesas com juros sobre capital próprio de um determinado período devem ser contabilizadas juntamente com as despesas e receitas para cuja geração contribuíram isto é, no próprio período de utilização do capital , e não em períodos posteriores, misturadas com receitas e despesas com as quais não guardam correlação. Notificada em 24.05.2011, fl. 154verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.07.2011 (segundafeira), fls. 155175, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que a decisão de primeira instância é nula, por falta de motivação. Conclui Ex positis é o presente recurso para que, uma vez recebido, este Colegiado insigne lhe dê o julgamento a que tanto faz jus, consoante o entendimento e argumentos expendidos no presente recurso, para o fim de determinar a anulação dos autos de infração, na medida em que decorrente lícita a dedução do valor dos juros pagos acumuladamente, na apuração do lucro real, com base no resultado de períodos anteriores, como restou demonstrado, ou ainda, caso não seja esse o entendimento o que ora se admite apenas em prol da ampla articulação do pedido de forma alternativa, deixe de ser aplicada, ou seja reclassificada a multa, conforme fundamentação exposta no item III. Em relação ao lançamento decorrente CSLL , por possuir os mesmos preceitos fáticos do lançamento principal IRPJ , mister sejam aplicados os mesmos fundamentos acima deduzidos, em vista da íntima relação jurídica que os ampara. Termos em que pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 192 5 prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que tem direito à dedução das despesas incorridas a título de juros sobre capital próprio. Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 193 6 Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São consideradas incorridas aquelas de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subseqüente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que somente faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali registrados3. As pessoas jurídicas pode deduzir, para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Tal dedução está condicionada à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados4. No presente caso, o lançamento se fundamenta na falta de adição ao lucro real do valor referente ao excesso de juros creditados a título de remuneração de juros de capital próprio de anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 deduzidos indevidamente do lucro líquido como despesa nos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2006, de acordo com as informações contidas no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 7073, no Livro Razão, fls. 6769 e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 2738. Como todas as despesas, estes também devem ser apropriadas em observância ao regime de competência, o que não foi comprovadamente obedecido pela Recorrente. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo 3 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. 4 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 194 7 sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado5. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo8. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 5 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 8 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 195 8 Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Redator Designado Passo a analisar as razões recursais: 1) Preliminar: Da alegação de nulidade do ato administrativo por ausência de fundamentação legal. Transcrevo trecho do voto vencido por bem enfrentar a questão: Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes9. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do 9 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 196 9 sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes10. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Afasto, dessa forma preliminar de nulidade do Auto de Infração 2) Mérito: Da alegação de legalidade na dedução do pagamento de Juros sobre Capital Próprio à sócios e acionistas oriundos de exercícios anteriores. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: “Tanto a fiscalização como a autuada concordam que a despesa deve reconhecida segundo o princípio da competência. A divergência é justamente sobre o período a que competiria a despesa. De um lado, a fiscalização afirma que a despesa só poderia ser deduzida no próprio período de fluência dos juros, enquanto a autuada defende a posição de que as despesas com os juros devem ser contabilizadas no período em que surgiu a dívida, isto é, quando da deliberação da sociedade, independentemente do período a que se refiram os juros. O princípio da competência está definido na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 29/12/1993, art. 9o , em cuja redação original fica estabelecido que: Art. 9o As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. 10 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 197 10 Essa redação veio a ser alterada pela Resolução CFC n°. 1.282, de 28/05/2010, da seguinte forma: Art. 9o O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. Notase das duas redações que o cerne do princípio não é que as receitas e as despesas sejam contabilizadas quando surjam, respectivamente, os direitos ou os deveres, mas sim que haja simultaneidade entre de confrontação entre receitas e despesas. No caso dos juros sobre capital próprio, a sociedade remunera os detentores de seu capital pela utilização desse capital durante um determinado período. Assim, em decorrência do princípio da competência, a despesa em tela corresponde ao período em que ocorreram as demais operações com ela relacionadas, isto é, a utilização do capital próprio (fundamento da despesa com juros) de um determinado período serviu para a obtenção das receitas e despesas daquele mesmo período e, portanto, a despesa com a utilização desses recursos (juros sobre o capital próprio) deve compor o resultado do próprio período, e não o de períodos subseqüentes. Por esse motivo, entendo ser correta a glosa da dedução, em 2006, das despesas de juros que se relacionam com a utilização do capital próprio em anos anteriores.” Conforme acima, a decisão recorrida está fundamentada no princípio da competência, segundo o qual as despesas vinculamse ao período em que ocorrem. Com efeito, este fundamento não contraria a tese de possibilidade de remessa aculumada de JCP, considerandose que o momento no qual a despesa se reputa devida é o momento da deliberação dos sócios ou acionistas. Neste sentido colaciono trecho do voto do Ilustre Conselheiro José Praga de Souza, proferido em julgamento unânime da 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 1ª Seção do CARF, : Com a devida vênia, tais fundamentos não merecerem prosperar. A meu ver, o procedimento adotado pelo Recorrente é legalmente amparado pelo artigo 9º da Lei 9.249/95, verbis: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real,os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservasde lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 198 11 § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º revogado § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º revogado § 10 revogado” Ao contrário do que afirma a fiscalização, o procedimento adotado pela Recorrente não ofendeu o regime de competência. Com efeito, o regime de competência está umbilicalmente ligado ao conceito de “despesa incorrida” e a despesa só se torna incorrida no momento em que “se forma a relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros” e “o beneficiário possa vir a exigir o pagamento como direito seu”, como ensina Edmar Oliveira Andrade Filho (in Perfil Jurídico do Juro sobre o Capital Próprio, MP Editora, 2006, p. 55). E como bem ressalta o autor referido, somente a partir desse momento é que se cogita a aplicação do regime de competência. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros, no caso, 2006 e 2007. Com efeito, para efeitos de IRPJ e CSL, o pagamento de juros sobre capital próprio recebe tratamento fiscal de despesa financeira idêntico ao tratamento dos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 199 12 juros sobre capital de terceiros, tanto que a própria administração ao regulamentar a aplicação do artigo 9º da Lei 9.249/95 determinou a sua contabilização como despesa financeira da empresa pagadora (portanto, dedutível) e receita financeira da empresa beneficiária (portanto, tributável exclusivamente na fonte, ou como antecipação do devido na declaração, no caso de empresas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado) (IN 11/96, artigo 29). Se o pagamento de juros sobre o capital próprio tem tratamento fiscal de despesa financeira para a empresa pagadora, tal despesa, em observância ao regime de competência, só deve ser imputada aos seus resultados no momento em que a sociedade se obrigar a pagar os juros. Como se observa, antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida, não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. No caso concreto, como já ressaltado, o Recorrente deliberou efetuar o pagamento de juros sobre capital próprio em 2006 tomando por base o patrimônio líquido de 2001 e 2006, e em 2007 tomando por base o patrimônio líquido de 2002 a 2005, atendidas as condições e limites previstos na Lei nº 9.249/95. A despesa correspondente ao pagamento desses juros, portanto, somente surgiu para o Recorrente em 2006 e 2007, respectivamente. Em sendo assim, está equivocado o entendimento da r. decisão recorrida, posto que o Recorrente não pretende computar em um exercício “valores de JCP pertinentes a exercícios anteriores”. Embora os juros pagos e deduzidos em 2006 e 2007 tenham sido calculados também com base nas contas do patrimônio líquido de anos calendário anteriores de 2001 a 2005, tratase de despesas relativas aos anos calendários de 2006 e 2007, respectivamente, e não de 2001 a 2005, tendo em vista que somente em 2006 e 2007 ocorreu a deliberação sobre o pagamento/crédito dos valores desses juros, portanto, somente nesses anos calendários a despesa a eles relativa tornouse incorrida, ou seja, o pagamento desses valores tornouse obrigação da empresa e direito dos acionistas, afetando o resultado. Dessa forma, é inconteste o direito do Recorrente de, na apuração do IRPJ e da CSL dos anos de 2006 e 2007, deduzir a despesa oriunda do pagamento de juros sobre o capital próprio realizado naqueles anos, ainda que tomando por base as contas de patrimônio líquido de períodos pretéritos, posto que se trata de despesa que diz respeito aos próprios anos de 2006 e 2007, e não a anos anteriores, nos termos do artigo 9º, “caput” da Lei nº 9.249/95, da doutrina supra citada e como no mesmo sentido já decidiu o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça. Portanto, pelas razões acima expostas, não tem amparo legal estabelecer como condição para a dedução dos juros sobre o capital próprio que o pagamento desses mesmos juros seja efetuado em cada ano calendário,cujo valor das contas do patrimônio líquido foi tomado como base para seu cálculo, como entendeu a r. decisão recorrida. Dessa forma, o pagamento de juros sobre capital próprio referentes a contas do patrimônio liquido de anos passados consiste em despesa dedutível no ano de seu efetivo pagamento, observadas as formalidades legais. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 1801001.128 S1TE01 Fl. 200 13 Em face do exposto voto dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, As sinado digitalmente em 13/06/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 10283.904360/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.456
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia conforme voto da relatora.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Ângela Sartori – Relator Julio Cesar Alves Ramos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Julio Cesar Alves Ramos. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 10.12.2008, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da Recorrente com crédito de Cofins referente Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.904360/200953 Resolução n.º 3401000.456 S3C4T1 Fl. 2 2 a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor de R$ 131.489,13. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada" a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débitos da empresa. Cientificada em 29.04.2009 (fl. 09/10) a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11/26) na qual, em síntese, alega haver apurado em seu Dacon saldo "zero" a pagar a titulo de Cofins não cumulativa, sendo que por erro a empresa declarou em DCTF e recolheu DARF no valor pleiteado. Na manifestação de inconformidade alega o fato da Receita Federal do Brasil não haver levado em consideração os dados do seu Dacon, tecendo ainda argumentos referentes à busca pela verdade material e a discricionaridade dos atos administrativos, transcrevendo acórdãos administrativos. Ao final, argumenta acerca da obrigação da Fazenda Pública de restituir valores recebidos requerendo a revisão da decisão da Unidade. A DRJ decidiu em síntese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.904360/200953 Resolução n.º 3401000.456 S3C4T1 Fl. 3 3 Por sua vez no Recurso Voluntário a Recorrente reitera os argumentos da manifestação de inconformidade e “REQUER, que esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, considerando ser de direito a compensação declarada, declare a procedência do presente Recurso Voluntário e reforme o Acórdão N° 0117.802 da 3 Turma da DRJ/BEL, em homenagem aos princípios constitucionais positivados na Lei n° 9.784 de 1999, que em seu art. 2° expressa ser dever da Administração Pública obedecer, dentre outros: aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse publico e eficiência produzindo justiça.” É o relatório: Voto Conselheiro Relator Angela Sartori O Recurso é tempestivo e segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. Nos termos §1° do art. 5 do Decretolei n. 2.124, de 1984, "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento legal hábil e suficiente para a exigência do referido crédito" (grifouse). No caso presente, tal constituição deuse através da apresentação da DCTF pela empresa, sendo esta declaração o instrumento hábil para a confissão de divida, podendo ser o débito nela confessado objeto de cobrança imediata pela Fazenda, conforme se extrai da Instrução Normativa RFB n° 974, de 27.11.2009: "Art. 82 Os valores informados na DCTF será objeto de procedimento de auditoria interna. § Os saldos a parar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos as informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa e, caso não Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.904360/200953 Resolução n.º 3401000.456 S3C4T1 Fl. 4 4 se regularizados, enviados para inscrição em Divida Ativa da Unido (DA U), com os acréscimos moratórios devidos." Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre que a obrigação tributária principal é indevida. Dessa forma, não tendo o contribuinte trazido aos autos documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido, caracterizando o erro de haver confessado e pago um débito bastante superior ao que afirma ser o real, tendo dúvida em relação ao direito voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que se apure o exato valor do indébito e que se traga os documentos aos autos. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de trinta dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Ângela Sartori (assinado digitalmente Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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