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Numero do processo: 13839.005607/2008-31
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/10/2006
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
A transmissão de Dcomp visando à compensação de crédito financeiro decorrente de tributos e contribuições que não são administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será considerada não declarada e sujeita o contribuinte à multa isolada, nos termos da legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado
Inexiste amparo legal para se excluir da base do imposto, os valores faturados e inadimplidos.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ALEGAÇÕES PREJUDICADAS.
As alegações contra a exigência de IPI cuja exigibilidade se encontrava suspensa ficaram prejudicadas, tendo em vista que o crédito tributário em julgamento não abrange parcelas discutidas em outros processos administrativos.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3301-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a suscitada nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/10/2006 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. A transmissão de Dcomp visando à compensação de crédito financeiro decorrente de tributos e contribuições que não são administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será considerada não declarada e sujeita o contribuinte à multa isolada, nos termos da legislação vigente. Recurso Voluntário Negado Inexiste amparo legal para se excluir da base do imposto, os valores faturados e inadimplidos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ALEGAÇÕES PREJUDICADAS. As alegações contra a exigência de IPI cuja exigibilidade se encontrava suspensa ficaram prejudicadas, tendo em vista que o crédito tributário em julgamento não abrange parcelas discutidas em outros processos administrativos. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Recorrida FAZENDA NACIOANL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/07/2003 a 10/11/2003, 01/10/2006 a 25/10/2006 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de manifestação expressa sobre determinadas questões suscitadas na impugnação não configura cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/07/2003 a 10/11/2003 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE/SIMULAÇÃO. No caso de fraude/simulação das operações mercantis, o prazo qüinqüenal de que a Fazenda Nacional dispõe para constituir crédito tributário é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído por meio de lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2003 a 10/11/2003 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. EXPORTAÇÕES. FRAUDE/SIMULAÇÃO. PRESENÇA DE CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. O aproveitamento de imunidade do IPI sobre exportações cujas operações foram fraudadas e simuladas implica o agravamento da multa de ofício sobre o benefício indevidamente aproveitado e exigido de ofício. INADIMPLÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 56 07 /2 00 8- 31 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Inexiste amparo legal para se excluir da base do imposto, os valores faturados e inadimplidos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ALEGAÇÕES PREJUDICADAS. As alegações contra a exigência de IPI cuja exigibilidade se encontrava suspensa ficaram prejudicadas, tendo em vista que o crédito tributário em julgamento não abrange parcelas discutidas em outros processos administrativos. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/10/2006 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. A transmissão de Dcomp visando à compensação de crédito financeiro decorrente de tributos e contribuições que não são administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será considerada não declarada e sujeita o contribuinte à multa isolada, nos termos da legislação vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a suscitada nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou procedente o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente aos fatos geradores ocorridos no período de competência de janeiro de 2003 a junho de 2006. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13839.005607/200831 Acórdão n.º 3301001.761 S3C3T1 Fl. 891 3 O lançamento decorreu da saída de produtos do estabelecimento industrial e/ ou equiparado sem emissão de nota fiscal o que configurou omissão de receitas (infração 001); da glosa de isenção do IPI sobre a saída de produtos cujas exportações não aconteceram (infração 002), de diferenças entre os valores escriturados e os declarados/pagos (infração 003); e da aplicação de multa isolada por compensação indevida (infração 004), conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 645/648. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs impugnação (656/686), alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: a) apesar de sempre procurar honrar seus compromissos relativos às obrigações fiscais e tributárias previstas na legislação, foi submetida à fiscalização que redundou no auto de infração ora impugnado; b) preliminarmente, como o auto foi lavrado em 17/12/2008, "resta induvidoso que parte do suposto crédito tributário está fulminado pela decadência, notadamente os fatos geradores anteriores a 16/12/2003, ou seja, os fatos geradores de 31/01/2003 a 15/12/2003, não podem mais ser exigidos deste contribuinte pela ocorrência da decadência, e sendo o auto de infração uno e indivisível, É CERTO QUE TODO O AUTO DE INFRAÇÃO RESTA IMPROCEDENTE". A decadência deve ser reconhecida em face do que dispõe o art. 150, § 4° do CTN. E a teor do art. 156, inc. V, do mesmo diploma legal, a decadência é causa de extinção do crédito tributário. E as jurisprudências administrativa e judicial são pacíficas neste sentido, conforme arestos trazidos à colação; c) o auto de infração é nulo pela falta de análise de documentos essenciais, tanto aqueles "entregues em mãos do AFRF que lavrou os autos de infração", quanto às informações constantes nos extratos bancários obtidos diretamente das instituições financeiras, "fatos que resultam na preterição do direito de defesa da autuada e na conseqüente anulação do auto de infração". d) neste sentido, constatase que a autoridade fiscal "não analisou nem considerou documento de suma importância no caso, qual seja o Boletim de Ocorrência no. 1448, lavrado em 06/09/2004, no qual foi registrado o roubo de equipamentos de informática que continham informações contábeis necessárias à elaboração da contabilidade de parte do período fiscalizado"; e) também não foi analisada TODA A DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E BANCÁRIA – DE INDISCUTÍVEL IMPORTÂNCIA – DISPONIBILIZADA PELA EMPRESA EM SUA SEDE. A análise da autoridade fiscal limitouse a apenas aos livros Registros de Entradas e de Saídas, relativos ao ano de 2003, em visita de algumas horas realizada no dia 02/12/2008, os quais encontravamse entre "todos os documentos contábeis e extratos bancários (constantes nas fotos em anexo) disponibilizados no local pela defendente desde 2007". E não houve qualquer justificativa para o fato de os demais documentos não terem sido analisados, os quais continuam "à disposição do fisco"; f) "o Fisco deixou de analisar os extratos bancários que obteve mediante injustificada e prematura quebra do sigilo bancário da defendente". Isto porque considerou como receitas vários lançamentos que, claramente, não se tratam de ingresso de receitas; g) os vícios apontados ensejam a anulação do lançamento, como já pacificado na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, conforme ementas apresentadas; Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 h) ainda em sede de preliminar, houve a indevida e injustificada quebra do seu sigilo bancário, porque "precipitada e injustificada, uma vez que o contribuinte nunca se negou em fornecer os extratos que possuía, tanto isto é fato que em 20/07/2007, entregou, mediante protocolo do próprio Sr. Fiscal, os extratos bancários do período de 01/2002 a 12/2004, em meio magnético", além de comunicar, em 27/07/2007, a solicitação do extrato faltante relativo à conta poupança no 93.4607, do Banco Bradesco. E, assim sendo, o auto de infração deve ser anulado, porque seu sigilo bancário só poderia ser quebrado por ordem judicial; i) no mérito, é indevida a aplicação da multa no percentual de 150%, dado que atendeu a todas as intimações, disponibilizando "sala isolada na sede da empresa, na qual o Sr. Fiscal poderia, como é de lei, ter procedido à fiscalização". Junta fotos do local reservado, para evidenciar que "além de toda a documentação disponibilizada, foram cedidas mesas e cadeiras para que os trabalhos de fiscalização fossem desenvolvidos de forma satisfatória"; j) a autoridade fiscal "deixou de examinar a documentação que solicitou, e que ao contrário do que o Sr. Fiscal alega de que foram feitas algumas reintimações o fato é que ocorreram diversas solicitações de novos documentos, ou seja, ao invés de solicitar a documentação que entendia necessária de uma só vez, o fisco o fez aos poucos, de forma homeopática". E "não se pode confundir complementação documental com pedido reiterado de documentos"; k) apenas deixaram de ser entregues "elementos e dados contábeis que se encontravam nos equipamentos de informática que foram roubados, conforme foi devidamente informado ao fisco por meio do Boletim de Ocorrência 1448, de 06/09/2004". E "em carta protocolada pelo próprio Sr. Agente Fiscal, foi relatado que parte das informações contábeis se perderam em razão de substituição de sistemas de informática e infecção por vírus". Portanto, não há que se cogitar que "teria dificultado ou embaraçado a fiscalização, até porque se isto realmente tivesse ocorrido, deveria ter sido lavrado o respectivo termo específico neste sentido, o que não ocorreu", como alega o autuante; l) de qualquer forma, como não há nos autos prova de "eventual dolo por parte da empresa que ensejasse a aplicação da multa de 150%", não pode prevalecer a qualificação da multa, como já decidiu o Conselho de Contribuintes; m) ademais, a multa neste patamar é claramente confiscatória, como já se manifestou o STF e a doutrina; n) é incorreta a base de cálculo do IPI utilizada pelo Fisco, porquanto foram considerados todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, não sendo excluídos "os valores das vendas inadimplidas por seus clientes", bem como "a inclusão INJUSTIFICADA de valores de supostas operações CC5 (cuia prova da ocorrência não há nos autos)", e também dos "valores constantes no Auto de Infração N°10711. 006544/200535 (processo administrativo em andamento – exigibilidade suspensa)"; o) e "os depósitos bancários, por si só, não configuram sinais exteriores de riqueza, pois da sua existência não se extrai qualquer ilação quanto a uma riqueza subjacente e incontestável sob a titularidade do depositante". Este é o entendimento da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Enfim, "O Fisco não provou durante todo o Processo Administrativo (e não provará) que os valores depositados nas contas da defendente constituem fato gerador do IPI"; p) os valores inadimplidos por seus clientes não podem ser incluídos na base de cálculo do IPI, como já restou decidido pela jurisprudência judicial. Isto porque, "não ocorrendo o pagamento do preço não há receita, inexistindo fato gerador do imposto"; Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13839.005607/200831 Acórdão n.º 3301001.761 S3C3T1 Fl. 892 5 q) a cobrança da multa regulamentar é "totalmente improcedente uma vez que o Procedimento de Compensação está pendente de recurso, estando, no mínimo, suspensa a exigibilidade do suposto crédito tributário, senão já extinto por pagamento por meio da compensação"; r) o crédito tributário exigido' também é ilíquido e incerto em face da aplicação da alíquota de 15% sobre todos os valores considerados pelo Fisco como receitas. Na verdade, "a empresa defendente trabalha com inúmeros produtos diferenciados, com classificações fiscais e alíquotas diversas, sendo que o IPI delas é calculado e pago mediante alíquotas de 3%, 5%, etc., vale dizer, inferiores à alíquota aplicada incorretamente pelo fisco"; s) "ao imputar multa regulamentar a este contribuinte, o fisco corrigiu monetariamente os valores pelas Taxa Selic". E assim fazendo, feriu o princípio da legalidade tributária. Isto porque, "a lei ordinária não criou a Taxa Selic, mas tão somente estabeleceu seu uso". A utilização da Selic, portanto, contraria o disposto na lei complementar (o CTN), que só autorizou juros diferentes de 1% ao mês quando criados por lei ordinária. E "nesse sentido converge a jurisprudência judicial". Analisada a impugnação, aquela DRJ rejeitou as preliminares argüidas e, no mérito, julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1424.183, datado de 21 de maio de 2009, às fls. 811/833, sob as seguintes ementas: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. VÍCIOS NO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no processo principal, que não acatou os protestos contra os alegados vícios ocorridos no procedimento de fiscalização. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. BASE DE CÁLCULO DO IPI. EXPORTAÇÕES FICTÍCIAS. As receitas relativas a exportações fictícias, conforme robustamente comprovado no competente processo Fl. 894DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 administrativo, devem integrar a base de cálculo do imposto omitido à tributação. VENDAS INADIMPLIDAS. BASE DE CÁLCULO DO IPI. Sendo o fato gerador do IPI a mera saída do produto industrializado do estabelecimento, não há que se excluir da exigência o valor das vendas inadimplidas, mormente quando sequer é possível comprovar tal alegação. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Identificadas receitas não oferecidas à tributação, sobre elas aplicase a maior alíquota incidente sobre os produtos industrializados pelo sujeito passivo. PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Não procede a alegação de decadência quando o lançamento foi realizado no prazo prescrito no art. 173, inc. I, do CTN, norma aplicável em caso de configuração de conduta fraudulenta. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. As circunstâncias específicas do caso, ao permitirem identificar o evidente intuito de fraude, justificam a aplicação da multa qualificada. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. Uma vez constatada a indevida compensação de débitos com créditos de natureza não tributária, procede a exigência da multa de oficio isolada, no percentual de 75%. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora, cuja parcela integrante do crédito tributário lançado só incidiu sobre o imposto devido, está em conformidade com a legislação vigente, que vincula a autoridade administrativa.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 839/859), requerendo a sua reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese: i) em preliminar, o cerceamento do seu direito de defesa pelo fato de não ter sido analisadas as preliminares de nulidades, expendidas na impugnação – falta de análise de documentos essenciais, quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial, e falta de indicação específica de dispositivo legal; e, ii) no mérito: ii.1) a extinção do crédito tributário pela decadência, por ter decorrido mais de cinco anos entre as datas dos respectivos fatos geradores e a do lançamento; ii.2) a inexigibilidade da multa agravada (150,0 %), tendo em vista que toda a documentação foi disponibilizada ao autuante e, ainda, pelo fato de não ter sido comprovado dolo de sua parte; ii.3) indevida inclusão de inadimplências na base de cálculo do IPI lançado e exigido, por falta de recebimento da mercadoria faturada; ii.4) indevida cobrança de IPI sobre valores relativos a auto de infração cuja exigibilidade está suspensa; ii.5) inexigibilidade da multa regulamentar pelo fato de o processo de compensação (Dcomp) estar pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa; e, ii.6) a ilegalidade Fl. 895DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13839.005607/200831 Acórdão n.º 3301001.761 S3C3T1 Fl. 893 7 da correção monetária pela taxa Selic, por falta de previsão legal e, ainda, porque esta taxa se destina ao mercado financeiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Dentre as infrações imputadas à recorrente, a omissão de receitas (item 001) implicou o lançamento de IPI, objeto deste processo, e também do IRPJ e CSLL. Como a competência para julgamento do IRPJ, da CSLL e de tributos decorrentes e/ ou reflexos é da Primeira Seção de Julgamento do CARF, conforme disposto no art. 2º, I e IV do seu Regimento Interno, a exigência do IPI decorrente da omissão de receitas, no valor de R$3.066.775,31 (principal), foi apartada deste processo e formalizado novo processo de nº 15922.720267/201153 (fls. 882) que foi remetido para aquela seção para julgamento. Já a parte do crédito tributário decorrente de diferenças entre os valores declarados e os escriturados, no valor de R$72.034,89, como não foi impugnada pela recorrente, também foi apartada deste processo e formalizado novo processo de nº 15922.720268/201106 (fls. 883) para cobrança imediata. Assim, as matérias opostas nesta fase recursal se restringem: i) à preliminar de nulidade da decisão recorrida; e, ii) no mérito, infrações 002 – Produto Saído do Estabelecimento Industrial ou Equiparado a Industrial com Emissão de Nota Fiscal Utilização Indevida da Isenção pelo Remetente do Produto; e, infração 004 – Multa Isolada Compensação Indevida Compensação Indevida Efetuada em Declaração Prestada pelo Sujeito Passivo. i) preliminares de nulidade da decisão recorrida. A recorrente suscitou a nulidade da decisão recorrida sob alegação de cerceamento do direito de defesa pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância, segundo seu entendimento, não ter analisado as preliminares expendidas na impugnação, ou seja, falta de análise de documentos essenciais, quebra do seu sigilo bancário, sem autorização judicial, e de falta de indicação específica de dispositivo legal. Ao contrário do seu entendimento, tais alegações não configuram cerceamento do seu direito de defesa. Primeiro, porque o autuante apurou o imposto devido com base na documentação contábil e fiscal fornecida por ela; segundo, os lançamentos em discussão neste processo administrativa não decorreram de quebra de sigilo bancário; terceiro, os dispositivos legais em que se fundamentaram os lançamentos em discussão estão expressamente citados nas Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 647, referente Fl. 896DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 à infração 002 (glosa de isenção), e às fls. 648, para a infração 004 (multa isolada); e, quarto o que é essencial para ela não foi para o autuante. Assim, demonstrado que não houve ofensa ao disposto no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa da recorrente. Tanto é verdade que impugnou o lançamento, contestando cada uma das infrações que lhe foram imputadas e que, segundo seu entendimento, não cometeu. ii – mérito. As questões opostas nesta fase recursal contra as duas infrações imputadas à recorrente, item 002 – utilização indevida de isenção (de fato imunidade) e item 004 – multa isolada por compensação não declarada, envolvem: 1) decadência; 2) agravamento da multa de ofício; 3) inclusão da inadimplência na base de cálculo do IPI; 4) cobrança de IPI sobre valores relativos a auto de infração cuja exigibilidade está suspensa; 5) inexigibilidade da multa regulamentar; e, 6) exigência de juros de mora à taxa Selic. ii.1) decadência O prazo qüinqüenal decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário está regulado no CTN que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...). Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A regra geral é a do art. 173, I e a específica a do § 4º do art. 150, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o contribuinte declara e efetua parte do pagamento. No caso de dolo, fraude ou simulação, afastase a regra do § 4º do art. 150 e aplicase a regra do art. 173, I. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13839.005607/200831 Acórdão n.º 3301001.761 S3C3T1 Fl. 894 9 No presente caso, ficou comprovado que as operações de exportações das mercadorias foram fraudadas e simuladas pela recorrente, conforme demonstrado pelo autuante no Anexo às fls. 284/304, parte integrante do auto de infração. A título de esclarecimento, informamos que, no caso de fraude e simulação, este é também o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreenda ementa do julgamento do REsp 260040/SP, transcrita a seguir: “TRIBUTÁRIO. ICM. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Recurso especial provido.” Como período de apuração mais antigo se refere ao fato gerador ocorrido em 10 de julho de 2003, o termo inicial do prazo qüinqüenal decadencial ocorreu em 1º de janeiro de 2004 e termo final em 1º de janeiro de 2009, na prática em 31 dezembro de 2008. Como a recorrente foi notificada do lançamento em 18 de dezembro de 2008, nenhum período de competência foi atingido pela caducidade. ii.2) agravamento da multa de ofício Conforme demonstrados nos autos, mais especificamente no Anexo às 284/304, parte integrante do auto de infração, as exportações de mercadorias, objeto de parte do crédito tributário em discussão, foram fraudadas e simuladas pela recorrente. Naquele anexo esta demonstrado e comprovado que as exportações não ocorreram. O autuante checou todos os registros das Declarações de Despacho de Exportação (DDE) nos Terminais de Operação dos Navios, no Serviço de Operações Aduaneiras (SEOPE) da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, intimou todos os navios e representantes envolvidos nas supostas operações de exportações, bem como os depositários, e nenhum deles informaram que realizou operações para a recorrente, no período objeto do lançamento em discussão. Naquele anexo, às fls. 288/295, estão detalhadas todas as ações intentadas pelo autuante visando comprovar as alegadas exportações, ou seja, a discriminação das DDE; os Terminais de Operação dos Navios envolvidos; Informação da Presença de Carga no Siscomex; a Recepção dos Documentos e Parametrização; Informação dos Dados de Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Embarque; as Intimações; Intimações ao Exportador (recorrente); Intimações aos Depositários; e Intimações aos Transportadores Marítimos. Realizadas todas estas ações e atendidas todas as intimações, as exportações não foram comprovadas. Ressaltamos que intimada (fls. 290) a apresentar documentos comprovando as exportações, a própria recorrente não atendeu à intimação. Assim, demonstrado e provado que as exportações não ocorreram, ficou caracterizada a fraude e simulação, sujeitandose à recorrente à multa qualificada, nos termos do art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430,de 1996 c/c art. 69, inciso I, alínea “b”, da Lei n°4.502, de 1964, conforme fundamento constante do auto de infração. ii.3) inclusão da inadimplência na base de cálculo do IPI O Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos geradores do lançamento impugnado, assim dispunha quanto ao contribuinte do imposto, seu fato gerador e a base de cálculo. “Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: [...]. II o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); [...]. Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): [...]. II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. [...]. Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: [...]. II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea b e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 1º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). [...].” Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13839.005607/200831 Acórdão n.º 3301001.761 S3C3T1 Fl. 895 11 Ora, segundo estes dispositivos legais, a base de cálculo do imposto é valor da operação dos produtos vendidos, inexistindo previsão legal para dedução de quaisquer valores. Além disto, o crédito tributário em discussão decorreu exclusivamente da glosa de aproveitamento indevido de isenção (de fato imunidade) sobre receitas de exportação não comprovadas. Dessa forma, a alegação de inclusão indevida de valores inadimplidos na base de cálculo do IPI ficou prejudicado. Também, em momento algum, a recorrente informou e comprovou os valores inadimplidos que foram incluídos na base de cálculo do IPI ora exigido. ii.4) cobrança de IPI sobre valores relativos a auto de infração cuja exigibilidade está suspensa As alegações quanto a este item ficaram prejudicadas, tendo em vista que o crédito tributário, em discussão, decorreu exclusivamente da glosa de aproveitamento da imunidade tributária do imposto sobre exportações fraudadas e simuladas. 5) inexigibilidade da multa regulamentar A multa isolada (regulamentar), em discussão, foi aplicada pelo fato de a compensação declarada na Dcomp, objeto do processo administrativo nº 13839.000909/2005 70, ter sido considerada não declarada. A exigência teve como fundamento, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 18, c/c a redação dada pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004, que assim dispunha: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. [...] § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (incluído pela Lei nº 11.051 de 2004) (destaques não originais)” A Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, inciso II, vigente naquela época determinava: Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento ...; II cento e cinqüenta por cento,... [...] § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). [...].” Ora, no presente caso, a recorrente transmitiu Dcomp em 13/5/2005, visando à homologação da compensação de débito de IPI com crédito financeiro decorrente de empréstimos compulsórios referentes a obrigações da Eletrobrás. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que instituiu a compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional com débitos tributários, ambos a mesma pessoa jurídica, mediante a apresentação de Dcomp, determina expressamente que será considerada não declarada a compensação quando o crédito não se referir a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, assim dispondo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637 de 2002). [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 1.051, de 2004) [...]” Assim, demonstrado e provado que, na data de transmissão da Dcomp, em 13/5/2005), cuja compensação foi considerada não declarada, com fundamento no § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito acima, e, ainda, que, naquela data, a legislação previa a exigência de multa isolada, no percentual de 75,0 %, do débito cuja compensação foi considerada não declarada, conforme art. 18, §§ 2º e 4º da Lei nº 10.833, de 2003, c/c o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, correta exigência da multa isolada. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13839.005607/200831 Acórdão n.º 3301001.761 S3C3T1 Fl. 896 13 A alegação de que a multa não seria cabível em virtude de que, na data do lançamento, o processo de Dcomp ainda estava pendente de decisão administrativa definitiva não tem amparo legal. A título de esclarecimento, ressaltamos que a compensação de crédito financeiro decorrente de empréstimos compulsórios de obrigações da Eletrobrás constitui matéria sumulada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da súmula nº 24 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.” Assim, ainda que a matéria tivesse subido para a segunda instância administrativa, a decisão seria desfavorável à recorrente e não caberia recurso especial, por força do disposto no § 2º do art. 67 do RICARF. 6) exigência de juros de mora à taxa Selic A exigência de juros de mora à taxa Selic constitui matéria sumulada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe: “Súmula nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Assim, por força no disposto no § 4º do art. 72, do Regimento Interno do CARF (RICARF), obrigatoriamente, adotase para este caso aquela súmula, reconhecendose a legalidade da exigência de juros de mora à taxa Selic. Em face do exposto, rejeito a suscitada nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.014607/2004-51
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 1999
LEGALIDADE.
E cabível a aplicação de multa pela falta ou atraso na entrega da
DCTF, conforme legislação de regência.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
A liquidação extrajudicial não impede o lançamento da multa por
atraso.
DCTF- OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA
A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a
aplicação da multa correspondente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.076
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999 LEGALIDADE. E cabível a aplicação de multa pela falta ou atraso na entrega da DCTF, conforme legislação de regência. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A liquidação extrajudicial não impede o lançamento da multa por atraso. DCTF- OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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E cabível a aplicação de multa pela falta ou atraso na entrega da DCTF, conforme legislação de regência. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A liquidação extrajudicial não impede o lançamento da multa por atraso. DCTF- OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. JUDIT DO ARAL MARCONDES ARMANDO - P sidente r M CIA HELENA T 0 D'AMORIM - Relatora Pr6cesso n0 10680.014607/2004-51 Acórdilo n.° 302-40.076 CC03/CO2 Fls. 54 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corinth° Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa c Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • 2 Powesso n° 10680.014607/2004-51 Acórdilo n.° 302-40.076 CC03/CO2 Fls. 55 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, à II. 13, que transcrevo, a seguir: "Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de inft-açao de fl. 7, para formalizar exigência de multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas ao primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres do ano-calendário de 1999, no valor total de R$ 2.000,00. Como enquadramento legal foram citados: § 3" do art. 113 e art. 160 da Lei 17" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CT.A9; art. 4", combinado coin o art. 2", da Instrução Normativa SRF n" 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2" e 6" da Instrução Normativa SRF 17." 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda 17" 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5" do Decreto-lei n" 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7" da Medida Provisória n" 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n." 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência do lançamento se deu em 26/10/2004 (AR, fl. 09). A data de vencimento do auto de infração é 02/12/2004. Em 30/11/2004, foi apresentada a impugnação clef/s. 1 a 4. Nela, são apresentados os argumentos a seguir resumidos: Não se admite a aplicação de penas pecuniárias por infração de leis penais e administrativas, porque a impugnante se encontra sob o regime de liquidação extrajudicial: Como fundamento, invoca-se o art. 34 da Lei n." 6.024, de 13 de março de 1974, e os arts. 23, inciso II, 25 e 26 da Lei de Falências (Decreto- lei 17." 7.661, de 21 de junho de 1945); Citam-se, ainda, as stimulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal; Não há que se falar em multa, porque houve denuncia espontânea: a DCTF foi apresentada, ainda que fora do prazo, antes de qualqtter procediniento administrativo; em abono de seu argumento, invoca-se o art. 138 do CTN e cita-se doutrina e jurisprudência; os valores informados na DCTF foram recolhidos com os acréscimos devidos. 3 Prbcesso n° 10680.014607/2004-51 AcOrddo n.° 302-40.076 CC03/CO2 Fls. 56 Não é possível . fitzer o pagamento exigido no auto de infração, porque isso implicaria satisfazer o crédito tributário fora da ordem de preferência estabelecida no art. 186 do CTN e no art. 102 da Lei de Falências." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/BHE n° 02-13.157, de 31/01/2007 (fls. 12/16), proferido pelos membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 DCTF. MULTA POR ATRASO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. A liquidação extrajudicial não impede o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Lançamento Procedente." Cientificada do acórdão de primeira instância conforme AR, a fi. 26; a interessada apresentou o recurso de fis. 27/50, em que repisa praticamente as razões contidas na impugnação. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fi. 52 (éltima), ue trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. o relatório. 4 Pr0cess° 110 10680.014607/2004-51 Acórdão n.° 302-40.076 CC03/CO2 Fls. 57 Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, Relatora 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo, da aplicação da multa pelo atraso na entrega das DCTF nos 4 trimestres do ano de 1999. Para o caso especifico, a entrega da DCTF fora do prazo previamente determinado na legislação indicada na descrição dos fatos/fundamentação, acarretou a aplicação da multa por atraso, no valor de RS 2.000,00. Verifica-se que o procedimento fiscal obedeceu aos requisitos previstos na legislação vigente. Corn efeito, a ação fiscal trata da exigência da multa pela não apresentação de DCTF 0 atraso na entrega da declaração é obrigação acessória decorrente de legislação tributária, ou seja, daquele elenco de espécies normativas descritas no art. 96 do CTN. Consiste na prestação positiva (de fazer, ou seja, de entrega de declaração em tempo hábil) de interesse da fiscalização e o seu descumprimento gera penalidade para o sujeito passivo, desde que esteja previsto em lei e a penalidade imputada converte-se em obrigação principal. 0 art. 113, §§ 2° e 3°, do CTN e Portaria MF 118/84, que delegou competência para tanto, ao Secretario da Receita Federal, através da Instrução Normativa n.° 126/1998, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, como obrigação acessória dos contribuintes prestarem mensalmente informações relativas obrigação principal de tributos e/ou contribuições federais, por meio de formulário padrão, e no caso de inobservância, aplicação da multa. A multa em questão tem fundamento e suficiência legal no art. 11, §§ 2°, 3° e 4° do Decreto-Lei IV 1.968/82, com a redação que lhe foi dada pelo art. 10 do Decreto-Lei n 2.065/83, e no art. 5", § 3", do Decreto-Lei n 2.124/84, como já comentado acima. Outros atos foram editados, nos termos do art. 100, inciso I do CTN, e com base nos mesmos decretos-lei, onde estabelecem orientações técnicas e procedimentais, sem inovar ou criar qualquer outra obrigação para a pessoa jurídica. Destarte, a matriz legal para a autuação, além do art. 7° da Lei n° 10.426/02 (derivação da Medida Provisória IV 16, de 2001), está contida no art. 5' do Decreto-Lei n.° 2.124, de 1984. 0 art. 5°. Caput e § 3', do Decreto-Lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, dispõe: "Art.5" - 0 ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal — Son prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na z 5 Process() o' 10680.014607/2004-51 Acórdão n.° 302-40.076 CC03/CO2 Fls. 58 forma da legislação sujeitará o infrator a multa de que tratam os ,§1sç 2", 3" e 4" do artigo II do Decreto-lei n" 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que Ihe foi dada pelo Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." A entrega das DCTF's era disciplinada pela IN SRF n° 126/98. Já a IN SRF n" 255/2002, estabeleceu, corn base no art. 7" da Lei n" 10.426/2002, novas formas de cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF, inclusive, observando-se a retroatividade benigna, de acordo com o art. 106 da Lei IV 5.172 do CTN. Assim sendo, para infrações cometidas após o advento da referida MP, não tem sentido querer que seja aplicada a multa prevista na legislação anterior, como argumenta a recorrente. Conclui-se que nenhum defeito há no enquadramento do auto de infração. Nele estão corretamente citadas a MP n.° 16, de 2001, e a Lei n.° 10.426, de 2002, aplicáveis a lide. O fato de se ter citado toda a legislação que regula a matéria, inclusive aquela aplicável a fatos anteriores ao período abrangido pelo lançamento, não resultou em prejuízo algum para o autuado. Destarte a penalidade aplicada foi de acordo corn o determinado na legislação tributária pertinente, não obstante o argumento de que a empresa encontrava-se em liquidação extrajudicial. 0 art. 60 da Lei n." 9.430, de 1996, assim dispõe: "Art. 60 — As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitam-se as normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis as pessoas jurídicas, em relação as operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo." Por sua vez, o art. 59 da Instrução Normativa SRF 11" 093/1997: Art. 59. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e c/c falência sujeitam-se as normas c/c incidência dos impostos e contribuições c/c competência da União aplicáveis as pessoas jurídicas, em relação as operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. 6 Decretada a liquidação extrajudicial ou a falência, a pessoa jurídica continuará a cumprir suas obrigações principais e Acessórias nos 111eS11105 prazos previstos para as demais pessoas jurídicas, inclusive quanto a entrega da declaração anual de ajuste. 2" Na hipótese do parágrafo anterior, cabe ao liquidante ou sindico proceder à atualização cadastral da entidade, SC111 a obrigatoriedacle de antecipar a entrega da declaração de rendimentos. Ressalte-se que a decretação da liquidação extrajudicial foi feita em 1994, à tl. 5 e as DCTF apresentadas em atraso referem-se a períodos posteriores. 6 • Prbcesso n° 10680.014607/2004-51 Acórdão n.° 302-40.076 CC03/CO2 Fls. 59 Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso e procedência do lançamento para considerar devida a multa legalmente prevista para a entrega a destempo da DCTF. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 M CIA HELENA TRAJAN D'AMORIM - Relatora • 7
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Numero do processo: 19515.000095/2004-21
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: DECADÊNCIA - HOMOLOGAÇÃO - IRPJ - O lançamento do imposto de
renda amolda-se à modalidade por homologação, ten~o a contagem do início de seu prazo a partir da ocorrência do fato gerador, independentemente da existência de pagamento, pois o
que se homologa é a atividade de apuração do quantum devido, ainda que existente prejuízo.
Numero da decisão: 1103-000.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o credito tributário para dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado .
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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' Processo n° Recurso n° Acórdlono Sessão de Matéria Recorrente Recorrida ./t Glf (11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 19515.000095/2004-21 158.717 Voluntário 1103-00.110 - 1· Câmara /3· Turma Ordinária 09 de dezembro de 2009 IRPJ COMPANHIA ULTRAGÁS S.A 7 A TURMA IDRJ-SÃO PAULO/SP I DECADÊNCIA - HOMOLOGAÇÃO - IRPJ - O lançamento do imposto de renda amolda-se à modalidade por homologação, ten~o a contagem do início de seu prazo a partir da ocorrência do fato gerador, independentemente da existência de pagamento, pois o que se homologa é a atividade de apuração do quantum devido, ainda que existente prejufzo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência do direito ~ constituir o credito tributário para dar provimento ao recurso, nos tennos do ~elatório ~ votolque integram o presente julgado . ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA - Relator EDITADO EM: 2 1 MAl 2010 . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Sergio 'Gomes, Marcos Shigueo Takata, Décio Lima Jardim, Eric Moraes de castro e Silva, Aloysio José Percinio da Silva. ":~"':!:::'~':' -:;r' " :. ~ ~ .: . 2 ~:: . ;. '_,1;': -;",: ~z.~~ "J~T-:l - 'r:~ 2: :\' ZR -"/,; (;0 DF CAiu:, \·lF fI. ; 0· ... . . .. ,", Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou procedente Auto de Infração lavrado em 29/0112004 contra a para a cobrança do IRPJ do ano-calendário de 1998, sob o argumento que o contribuinte, no exercício de 1999, compensou prejuízo fiscal ' apurados nos anos anteriores sem observar a limitação de 30% estabelecida pelo art. 42 da lei nO 8.981/95. Inconformado, vem o contribuinte no seu Recurso Voluntário de fls. 607/623 repisar os argumentos da sua impugnação, quais sejam: decadência do crédito tributário, impossibi lidade de constituição do crédito enquanto vigorava a decisão judicial afastando a limitação dos 30%; descabimento dos juros de mora; inaplicabilidade da taxa Selic e, finalmente, sobrestamento da esfera administrativa até o trânsito em julgado da decisão judicial. .. Com tais considerações, "requer-se o conhecimento e provimento do presente Recurso, para que seja reformada a decisão recorrida, cancelando-se o lançamento em sua integralidade, seja em virtude (ii) da decadência, seja porque (ii) desconsiderou a postergação • do imposto, deixano de proceder aos ajustes que prescrevem a lei" (fls. 622). É o Relatório. • " i v . @ 2 L·· ; :' ~.z·~;, -:, .:;,· ~3/!"::· .. ~~I:;.:\ .. : ~t\.:~ "":.: .. ~~j!' .. i::"~ :) .. ',7: .:>::. ;:;,2:: .\l C ,-1 DJ' .CARF \ fF • • Processo nO 19515.00009512004-21 Acórdão n.o ll03..()().1l0 Voto o recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conhcco. 1- Preliminar: Decadência. Sendo o IRPJ e a CSLL tributos lançados por homologação, entende este :elator que à espécie aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4° do CTN, isto é, que o prazo de 5 anos que a Autoridade Lançadora tem para constituir o crédito tributário se inicia na data de ocõrrência do fato gerador . Para este Relator é irrelevante ter havido ou não pagamento a menor do imposto devido, pois o que se homologa é a atividade do contribuinte de apurar o quantum devido do tributo, como já decidiu reiteradamente a Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos tennos dos arestos abaixo: DECADÊNCIA - HOMOLOGAÇÃO - IRPJ - A partir da edição da Lei '8.383/91, o lançamento do imposto de renda amolda-se à modalidade por homologação, tendo a contagem do início de seu prazo a partir da ocorrência do fato gerador, independentemente da existência de pagamento, pois o que se homologa.é a atividade de apuração do quantum devido, ainda que existente prejuízo. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF 1 Primeira Tunna 1 ACÓRDÃO CSRF/OI-05.484 em 19.06.2006) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - IRPJ - O imposto de renda pessoa jurídica se submete à modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homólogação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologá-lo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF 1 Primeira Tunna 1 ACÓRDÃO CSRF/Ol- 05.427 em 21.03.2006) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - IRPJ E CSLL - O imposto de renda pessoa jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro se submetem à modalidade de lançamento por hom9logação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de detenninar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do "quantum" devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologá-lo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no § 4° do art. 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento, vez que o contribuinte continua sujeito aos encargos decorrentes da obrigação inadimplida (atualização, multa, juros etc. a partir da data do vencimento originalmente I" .:r:!,~!(.r; -;-:" ~.;; .. Cr2:" k .:- ":- j " I.~ L~ T :!=:~~ ':-~ I ~..;Er(.;: - /tF:.3C! ':\' ~, -:: \j',,; ::-J ~ 3 DF C:X'RF ).fF ' FJ. 709,..· •• . .: •• ~ Ih . . previsto, ressalvado o disposto no art. 106 do CTN). (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira TunDa! ACÓRDÃO C8RF/01-04.247 em 15.10.2002). l . Por todo o exposto, conheço o recurso e voto por reconhecer a decadência, refonnando a decisão recorrida e cancelando o Auto de Infração. É como voto . . ~ En c Castro e Silva ! . 4 · ... · c .. ~s~':' !':~":. -Cr/.· '2 :f: :" . •. ' ;~ "::.=::~~ .,::~~,~ - ·~.'~?C S· ' ~.:;- "J:' J • •
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004816/2005-15
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários
Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando
intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Em face do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes,
fica vedada a análise de inconstitucionalidade de lei.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.068
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ CC03/CO2 Fls. 389 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Em face do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, fica vedada a análise de inconstitucionalidade de lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 • Processo n° 10768.004816/2005-15 Acórdão n.° 302-40.068 CC03/CO2 Fls. 390 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • 2 Processo n° 10768.004816/2005-15 Acórdão n.° 302-40.068 CC03/CO2 Fls. 391 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 215, lavrado pela Deflc-RJ, após anulação do Auto de Infração às fls.57, com ciência em 29/09/2005 (A 312), sendo exigido do interessado a multa por descumprimento de obrigação acessória da entrega, no prazo, da DCTF do I' trimestre do ano calendário de 2002. 0 crédito total lançado monta a R$ 86.944,19. O enquadramento legal consta áfl. 215. • 0 interessado apresentou, em 25/10/2005, a impugnação de fls.158/167, onde, em sua defesa, alega, em síntese, que: a) a maior pane dos valores declarados pela IMPUGNANTE na DCTF do referido período (PIS e COFINS) encontrava-se com exigibilidade suspensa em razão de medida judicial, razão porque não se realizou qualquer pagamento; b) os valores cuja exigibilidade se encontrava suspensa foram considerados no cômputo da multa, quando da lavratum do auto de infração; c) a multa aplicada é confrscatória. Solicita seja aplicada a multa, porém observado o valor mínimo de R$ 500,00, bem como, seja excluído da base de cálculo o valor referente ao PIS e a COFINS. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RJOI n° 17.752, • de 27/12/07, fls. 315/317: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de lei. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente. 3 Processo n° 10768.004816/2005-15 AcOrdlio n.° 302-40.068 CC03/CO2 Fls. 392 As fls. 318/v o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 321/385, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. o relatório. • • 4 Processo n° 10768.004816/2005-15 Acórdão n. ° 302-40.068 CC03/CO2 Fls. 393 Vo to Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A infração debatida nos autos se refere à aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF. 0 atraso não é negado, apenas que a multa aplicada não poderia ser lançada sobre valores que estariam corn sua exigibilidade suspensa, bem como em face da inconstitucionalidade do valor da multa lançado. • Em relação As questões constitucionais, é vedado a este colegiado analisá-las, conforme art. 49 do seu Regimento Interno; Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha siclo declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da • Lei 11. "10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993. Em relação à base de cálculo da multa aplicada, entendo que não merece guarida a irresignação da recorrente, isto porque a Lei n.° 10.426/2002 é clara ao tratar que a base de cálculo da multa é o valor informado em DCTF: Art. 79- 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRE e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as Processo n° 10768.004816/2005-15 Acórdão n.° 302-40.068 apresentar coin incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) 1-de dois por cento ao inês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no ,sç 3 2; II-de dois por cento ao nia-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Colins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §s 3' deste artigo; e (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) IV- de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) syç 1 0 Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originahnente fixado para a entrega da declaragdo e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) • sç 22 Observado o disposto no ssç' 32, as multas serão reduzidas: La metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II-a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. ,sç 32 A multa minima a ser aplicada será de: (Vide Lei n" 11.727, de 2008) CC03/CO2 Fls. 394 1-R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa fisica, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei 112 9.317, de 1996; II-RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §42Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. 1 6 LUCIANO LOPES EIDA MORA S - Relator Processo n° 10768.004816/2005-15 Acórdão n. ° 302 -40.068 CC03/CO2 Fls. 395 §52Na hipótese do § 42, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência intimação, e sujeitar-se-á a multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §,§' 1 2 a 32. (grifo nosso) 0 valor informado pela recorrente efetivamente foi sobre o qual foi calculada a multa. Não tendo sido alterada/retificada a referida declaração, a multa a ser aplicada deve ser a prevista na lei supra transcrita. 0 fato de estar com exigibilidade suspensa os tributos infon -nados não afasta a base de cálculo prevista em lei. Caso fosse retificada a DCTF, a qual tem a mesma validade da originalmente lançada, a multa poderia ser revista. Corno não ocorreu tal fato, deve ser mantida a multa nos moldes em que lançada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 • 7
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003877/2007-17
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 25.04.2007, o período do débito é de 10/2000 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 03/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 03/2002 com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 25.04.2007, o período do débito é de 10/2000 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 03/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 25.04.2007, o período do débito é de 10/2000 a 12/2006. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 03/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 38 77 /2 00 7- 17 Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊLO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.785 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 03/2002 com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0710.659 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.060.7147, com valor consolidado de R$ 523.846,21. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente a parte da empresa, do empregado, financiamento dos benefícios concedidos em decorrência do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI E SEBRAE). O Relatório Fiscal, às fls. 125 a 135, informa que foram identificados valores incluídos em Folhas de Pagamento, mas que não foram declarados em GFIP. O detalhamento das remunerações incluídas em Folhas de Pagamento e não informadas em GFIP encontrase na planilha "FOLHA DE PAGAMENTO x GFIP". As diferenças indicadas na coluna "DIF a maior FP x GFIP" correspondem aos fatos geradores lançados nos levantamentos de código ND1 e ND2, sendo o primeiro referente ao período em que a empresa era optante pelo SIMPLES (até 12/2002) e o segundo o período após a exclusão do SIMPLES (a partir de 01/2003). Ainda assim, conforme o relatório da decisão de primeira instância, a AuditoriaFiscal verificou que diversos fatos geradores de contribuições previdenciárias, quais sejam as remunerações pagas aos segurados Sérgio Ricardo Ulandowski, Aline Caldeira Gomes, Carlos Alberto Comes, Alexandre Francisco Peixer, Alexix Johannes Oortman, Izaac Braga, Irigoyen Santos Araújo, Jéssica Braga da Maia, Marcos Lemos de Jesus e Teimo Danilo Day, não foram incluídos nas Folhas de Pagamento, e tampouco lançados na escrituração contábil apresentada. Estes fatos geradores foram distribuídos em levantamentos considerando valores declarados em GFIP, valores constantes da folha de pagamento não declarados em GFIP e ainda valores aferidos indiretamente. Diante da constatação de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, com base no art. 33, §6° da Lei n° 8.212/91, a autoridade fiscal apurou as contribuições devidas por aferição indireta, invertendo o ônus da prova para a empresa. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09384846F00 foi cientificado pelo sujeito passivo, fls. 118 a 119. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 40, é de 10/2000 a 12/2006. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.786 5 A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 25.04.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 268. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 269 a 271, onde alega, em síntese: que regularizou todas as situações apuradas no lançamento, com o respectivo recolhimento das contribuições devidas, o que torna insubsistente e improcedente o feito fiscal, e anexando os documentos de fls. 272 a 1761. Após análise, a primeira instância emitiu o Acórdão nº 0710.659 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 1764 a 1765, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS NFLD n°37.060.7147, de 16/04/2007. Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2006 MULTA. CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE RELEVAÇÃO. Os acréscimos legais exigidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito não são passíveis de relevação pelo órgão julgador. lançamento Procedente Acordam os membros da 6 a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o credito tributário exigido. Encaminhese à DRF — Joinville/SC. Intimese o Sujeito Passivo para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo, interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, no mesmo prazo. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 1769 a 1776, na qual alega em síntese que: (i) da decadência (ii) valores indevidos Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Na elaboração da Planilha dos Fatos Geradores Não Declarados em GFIP que foram lançados valores indevidos nas colunas AF1 e AF2 — Remuneração Aferida na NF nas competências dos meses e anos abaixo enumerados: 04/200105/2001; 08/2001; 09/2001; 11/2001; 12/2001; 0212002; 04/2002; 09, 10 1 11, 12,1200 2; 01,02,03,04/2003;12/2003; 0112004; 04,05,06/2004; 08/2004;11/2004; 09,10,11,1212006 Da mesma forma, os lançamentos ND1 e ND2 para as competências dos meses e anos de 09,10,11,1212000; 01,02,03/2001;06,0712001;10/2001;01/2002;03/2002, 05,06,07,08/2002; 05,06/2003; 08,09,10,11/2003; 02,0312004; 07/2004; 09,10/2004; 12/2004; 01,02,03,04,05,06,07,08,09,1011,1212005, 01,02,03,04,05,06,07,08/2006 pois os mesmos foram declarados e informados na respectiva SEFIP, conforme se comprova nas cópias dos recolhimentos pelas guias GPS, em anexo. (iii) que regularizou todas as situações apuradas no lançamento, com o respectivo recolhimento das contribuições devidas, o que torna insubsistente e improcedente o feito fiscal, e anexando os documentos de fls. 272 a 1761. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 1780. É o Relatório. Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.787 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1780. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) violação a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.788 9 Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.060.7147que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.060.7147) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA Relatório de Documentos Apresentados f. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados g FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); h. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; i. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); j. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; k. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. l. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. m. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.789 11 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.060.7147, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Da decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.790 13 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.791 15 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela AuditoriaFiscal pois o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 74 e seguintes, apresenta recolhimentos nas competências: 09/2000 a 13/2006. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 268, se deu em 25.04.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 10/2000 a 12/2006. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 03/2002, inclusive. DO MÉRITO. (ii) valores indevidos Na elaboração da Planilha dos Fatos Geradores Não Declarados em GFIP que foram lançados valores indevidos nas colunas AF1 e AF2 — Remuneração Aferida na NF nas competências dos meses e anos abaixo enumerados: 04/200105/2001; 08/2001; 09/2001; 11/2001; 12/2001; 0212002; 04/2002; 09, 10 1 11, 12,1200 2; 01,02,03,04/2003;12/2003; 0112004; 04,05,06/2004; 08/2004;11/2004; 09,10,11,1212006 Da mesma forma, os lançamentos ND1 e ND2 para as competências dos meses e anos de 09,10,11,1212000; 01,02,03/2001;06,0712001;10/2001;01/2002;03/2002, 05,06,07,08/2002; 05,06/2003; 08,09,10,11/2003; 02,0312004; 07/2004; 09,10/2004; 12/2004; 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07,08,09, 1011,1212005, 01, 02, 03,0 4 ,05, 06, 07, 08/2006 pois os mesmos foram declarados e informados na respectiva SEFIP, conforme se comprova nas cópias dos recolhimentos pelas guias GPS, em anexo. Analisemos. A Recorrente, inovando em sede de Recurso Voluntário em relação à argumentação anteriormente apresentada em Sede de Impugnação, faz alusão à elaboração da Planilha dos Fatos Geradores Não Declarados em GFIP com alegados valores lançados indevidos. Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo impugnante: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Diante do exposto, considero não impugnada tais matérias, de forma a não prosperar a argumentação da Recorrente. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.003877/200717 Acórdão n.º 2403001.465 S2C4T3 Fl. 1.792 17 (iii) que regularizou todas as situações apuradas no lançamento, com o respectivo recolhimento das contribuições devidas, o que torna insubsistente e improcedente o feito fiscal, e anexando os documentos de fls. 272 a 1761. Analisemos. Os recolhimentos realizados pela Recorrente, após o início do procedimento fiscal, deverão ser verificados e, se for o caso, apropriados pela unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, no âmbito de sua competência, quando da execução após o trânsito em julgado administrativo. Diante do exposto, não prospera a argumentação da concorrente. (iv) MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 03/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10508.000246/2002-02
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é apagamento com base no lucro real no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da CSLL determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir a CSLL devida a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor
acumulado já pago excede o valor da contribuição, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96).
A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor da CSLL do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). O ARTIGO 14 DA MP 351 DE 22.01.2007 CONVERTIDA NA LEI Nº 11.488/97, ALTEROU A REDAÇÃO DO ARTIGO 44 DA LEI N 9.430/96, MODIFICANDO O
PERCENTUAL DA MULTA, DOS 75% PREVISTOS ANTERIORMENTE, PARA 50%.
A base de cálculo da multa é o valor da CSLL calculada sobre a base estimada não recolhida ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual, para os fatos geradores ocorridos até dezembro de 2.006. A partir da apuração da contribuição anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida com base nesse lucro até dezembro de 2.006. (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b").
A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se
referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do
período decadencial contadodos fatos geradores.
Numero da decisão: CSRF/01-05.955
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar suscitada pelo contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Luciano de Oliveira Valença (Relator), Mário Sérgio Fernandes Barroso e Antonio Praga que deram provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao percentual de 50%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clóvis Alves.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Luciano de Oliveira Valença
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Interessado '\ CSRFrrOI Fls, I MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA 10508.000246/2002-02 101-140179 Especial do Procurador CSLL - EX. 2.001 -Multa isolada estimativa. 01-05.955 12 de agosto de 2.008. FAZENDA NACIONAL ~"-" ,..., WAYTEC TECNOLOGIA EM COMUNICAÇAO LTDA ,...... CSLt:...:- MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é apagamento com base no lucro real' no trimestre, a exceção é a opção feita pelo éontribuinte de recolhimento da CSLL determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir ~LL devida a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor da contribuição, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei nO.8.981/95, art. 35 c/c art. 20. Lei nO.9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor da CSLL do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nO. 9.430/96 44 S lO.inciso IV c/c art. 20.). O ARTIGO 14 DA MP 351 DE 22.01.2007 CONVERTIDA NA LEI NO. 11.488/97, ALTEROU A REDAÇÃO DO ARTIGO 44 DA LEI NO.9.430/96, MODIFICANDO O PERCENTUAL DA MULTA, DOS 75% PREVISTOS ANTERIORMENTE, PARA 50%. A base de cálculo da multa é o valor da CSLL calculada sobre a base estimada não recolhida ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual, para os fatos geradores ocorridos até dezembro de 2.006. A partir da apuração da contribuição anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida com base nesse lucro até dezembro de 2.006. (Lei nO.9.430/96 art. 44 caput c/c S 10.inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 S 10.letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do períododecadencialcontadodos fatos geradoresff I ! CSRFfTOl Fls. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos REJEU AR a preliminar suscitada pelo contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Luciano de Oliveira Valença (Relator), Mário Sérgio Fernandes Barroso e Antonio Praga que deram provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao .percentual de 50%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clóvis Alves. JOE. AL~ S Re' ator designâ~j) . ormalizado em: O 1 SE T 2009 Participaram' do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Marcos Vinicius Neder de Lima, José Carlos Passuello, Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Carlos Guidoni Filho. Processo 0,° 10508.000246/2002-02 Acórdão 0.°01-05.955 Relatório CSRFrrol Fls. 3 A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 101-95347, de 2006, às fi. 439/455, o qual lhe foi cientificado em17111/2006, conforme fi. 457, interpôs recurso especial às fi. 458/466, em 23/11/2006, conforme protocolo à fi. 458, com fulcro no art. 5°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nO55, de 1998, vigente à época. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a multa isolada exigida em função' da falta de recolhimento da CSLL estimada dos meses de janeiro a dezembro de 2000, nos seguintes termos: CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOHIMENTO DE ESTIMATIVA - O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida apurada ao final do exercício. Citando voto do i. Conselheiro Marcus Vinicius Neder de Lima, o relator entendeu que a base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa lançada após o encerramento do período-base está limitada ao montante do tributo devido apurado em 31 de dezembro com base no balanço anual levantado, razão pela qual afastou a exigência da multa, já que o contribuinte apurou base de cálculo negativa da CSLL ao final do ano, não havendo tributo devido. A recorrente asseverou que a decisão recorrida infringiu o art. 44, SI 0, IV da Lei n° 9430, de 1996. Argumentou que a determinação na lei para a exigência da multa isolada quando há falta de pagamento do tributo estimado, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, é claríssima. Seguiu afirmando que a única possibilidade autorizada em lei para a multa ser afastada é se o contribuinte justifica o não pagamento com a transcrição dos balancetes de suspensão/redução no livro Diário. Nesse sentido, mencionou jurisprudência do Conselho de Contribuintes. , Mediante o Despacho n° 101-115/2006, à fi. 467, o presidente da câmara recorrida deu seguimento ao recurso, por entender atendidos os pressupostos regimentais para sua admissibilidade. Cientificada do despacho em 18/12/2006, consoante Aviso de Recebimento à fi. 475 (verso), a contribuinte apresentou contra-razões em 29/12/2006, às fi. 476/492, onde argumentou, em apertada síntese, o seguinte: • Preliminar de ausência de prequestionamento da matéria, obrigatório nos termos do art. 5", 95" do RICSR~ / Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 4 • A decisão do colegiado foi acertada e em consonância com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e de diversas câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n,o 01-05.955 Voto Vencido Conselheiro LUCIANO DE OLIVEIRA VALENÇA, Relator CSRF/TOI Fls. 5 De início, é devido analisar a preliminar levantada pelo contribuinte nas contra- razões apresentadas, referente à falta de prequestionamento da matéria do recurso especial da Fazenda. O RICSRF, no seu artigo 7° inciso I, dispõe que cabe recurso privativamente ao Procurador da Fazenda Nacional de decisão não unânime da Câmara quando for contrário à lei ou evidência de provas. Sendo a própria decisão, seu dispositivo e fundamentos, os motivos presente contestação, é induvidosa a existência do prequestionamento. Vencida a preliminar, cabe considerar que o recurso especial atende às formalidades legais, razão pela qual tomo conhecimento do mesmo. A controvérsia a ser solucionada por este colegiado refere-se exclusivamente à multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL. A Primeira Câmara, por maioria de votos, entendeu que a multa isolada não era cabível por ter sido exigida após o encerramento do ano- calendário sem haver tributo devido em 31 de dezembro,quando o contribuinte apurou base de cálculo negativa da CSLL. Já a recorrente entende que tal decisão violou o disposto no art. 44, Sl°, IV da Lei n° 9430, de 1996, vez que o dispositivo é claro no sentido de que tal multa deve ser exigida independentemente de ter sido apurado tributo devido no ajuste. Esclarecida a matéria a ser apreciada, passo à fundamentação do voto. A base legal para a exigência, o art. 44 da Lei nO9.430/96, possuía o teor abaixo transcrito à época do lançamento. De nosso interesse, o estabelecido no caput, inciso I e SI 0, IV do referido dispositivo: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a' totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos a,'ts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 9 ]O As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com O tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 11- isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-Ieão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. " IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. r, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; v - isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. 9 r Se o contribuinte não atender, no prazomdfI'Câdo, à intimação para prestar esclarecimentos, as' multas a que se referem os incisos I e 11do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. 93° Aplicam-se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei 11° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de deiembro de 1991. 9 4° As disposições deste artigo aplicam-se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. (grifei) CSRF/TOl Fls. 6 A determinação de exigência da multa isolada foi mantida pela nova redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, conversão da MP n° 351, de 22/0112007, havendo modificação quanto ao percentual a ser aplicado para o cálculo da multa, o que será tratado mais adiante. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I -de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II -de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de Ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; b) naforma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. /A" / Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 S 1º Opercentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. S 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o S 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; 111 - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. S 3° Aplicam-se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e 170 art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. S 4° As disposições deste artigo aplicam-se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. (grifei) CSRF/TOl . Fls. 7 Consoante os dispositivos acima, a multa isolada aqui exigida é devida em função da falta de recolhimento mensal do valor estimado do tributo a ser apurado no encerramento do ano-calendário, calculado sobre a receita bruta mensal. Este recolhimento mensal nada mais é do que uma antecipação do devido, que por ser estimado, pode não coincidir com este, ocorrendo a necessidade de complemento de recolhimento no ajuste, se menor, ou de restituição, se maior. Cabe esclarecer que o fato gerador do tributo somente ocorre ao final do ano, em 31 de dezembro, momento em que nasce a obrigação principal, sendo uma impropriedade classificar da mesma forma os valores recolhidos mês a mês por estimativa. Tal fato [oi muito bem exposto pelo i. Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, em seu voto no acórdão CSRFIOI-05.181: Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente,. o fato gerador da Contribuição Social sobre o Lucro só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro - base de cálculo do tributo - só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Na realidade, o recolhimento do tributo estimado é uma prestação positiva de dar, fixada em lei com objetivo de permitir uma arrecadação antecipada por parte da Fazenda NacionaI, ainda que presumida, do tributo que será devido apenas no encerramento do ano- calendário .. Nesse sentido, claro está que o recolhimento por estimativa é uma. obrigação secundária;conformeestabelecidono art. 113,92"doCTN/ Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (..) 9 ]O A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. CSRFrrol Fls. 8 Esta obrigação de recolher mensalmente um valor estimado do tributo que será devido ao final ao ano-calendário, estabelecida no art. 2° da Lei n° 9.430/96, surge, portanto, mês a mês, bastando, para tanto, regra geral, a assunção de receita pelo contribuinte no período de um mês (exceção .ocorre quando restar demonstrado em balancete de redução/suspensão que o recolhimento não é devido). Aí o fato gerador da obrigação secundária, conforme definido no art. 115 do CTN. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Em função do descumprinlento desta obrigação secundária, a qual, por este motivo, converte-se em obrigação principal (art. 116, S3°),houve a fixação pelo legislador da aplicação da multa de oficio isolada, assim entendida a multa sem vínculo a tributo não recolhido, vez que o fato gerador da obrigação não acarretou o nascimento deste. A finalidade desta multa é dar efetividade à exigência legal de recolhimento mensal estimado para as pessoas jurídicas optantes pela apuração do lucro real anual. Não há dúvida de que as pessoas jurídicas não efetuariam tal recolhimento se não houvesse a previsão de uma sanção pelo descumprimento desta obrigação. Já a multa de oficio vinculada ao tributo, prevista no inciso Ido art. 44 da Lei n° 9.430/96, é decorrente da falta de recolhimento do tributo apurado no encerramento do ano- calendário. Ou seja, ela é devida em função do descumprimento de uma obrigação principal, passando a compor esta obrigação juntamente com o tributo, consoante Slo, do art. 113, do CTN abaixo transcrito. A sua motivação é o não recolhimento do tributo. 9 10 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Então, ante o exposto, conclui-se que a multa de oficio isolada e a multa de oficio vinculada ao tributo decorrem de situações fáticas distintas, ou seja, os ilícitos tributários justificadores de sua aplicação são diferentes. Uma é punição pelo descumprimento de obrigação principal, a outra, pelo não atendimento de obrigação secundária. Na redação anterior do art. 44 da Lei nO 9.430/96, que VIgIa quando do lançamento ora discutido, este dispositivo determinava que a multa isolada era devida pela falta de antecipação do tributo estimado nos termos do seu art. 2°, devendo o percentual de 75% incidir sobre a diferença de tributo que deixou de ser recolhido. Uma vez que o caput do artigo especificou como base de cálculo genericamente o termo "tributo", muitos entendem, entre eles o i. conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no acórdão CSRFIOI-05.181 e no acórdãome7a decisãorecorrida, que a base Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOI Fls. 9 de cálculo da multa estaria limitada à existência de tributo devido ao final do ano-calendário, momento da ocorrência do fato gerador. Ora, tal entendimento somente seria aceitável se a leitura do caput do art. 44 fosse feita em separado da disposição contida em seu parágrafo 1°, inciso IV. Isto porque este inciso faz menção expressa ao pagamento do tributo (imposto ou contribuição) nos termos do art. 2°, ou melhor, ao pagamento do tributo ESTIMADO, especificando, para a multa isolada, que o tributo referido no caput nada mais é do que o tributo estimado, ainda não devido, podendo ser maior ou menor que este. Tem-se uma figura jurídica abrangente no caput, a qual é detalhada em seu parágrafo. Inclusive, em função da jurisprudência já firmada no Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais em favor da concomitância de multas, o legislador, visando não prolongar por mais tempo a situação insatisfatória de exonerações indevidas de multas isoladas lançadas em conformidade com a prescrição legal, modificou a redação do artigo 44 (pela Lei nO11.488, de 2007), para que a multa incida sobre o "valor do pagamento mensal". Diferentemente do que entendeu o i. Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no acórdão CSRF/01-05.707 antes referido, ao afirmar que "esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta câmara", a nova redação apenas confirmou qual era o entendimento da Receita Federal do Brasil, já anteriormente explicitado pelo art. 16 da IN SRF nO93, de 1997, fugindo a um embate comprovadamente perdido na segunda instância do contencioso administrativo: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa após o término do ano-calendário, o lançamento de oficio abrangerá: I - a multa de oficio sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II - o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Não bastasse o acima exposto, a conclusão de que a base de cálculo da multa isolada é o tributo estimado éconfirmada pelo trecho final do inciso IV, do S1°, que estabelece ser a multa devida "ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente". Se a base fosse o tributo devido no encerramento, conforme jurisprudência, haveria uma incongruência no dispositivo. Na linha da jurisprudência reinante, o i. Conselheiro Marcos VinÍcius entendeu que esta consideração final do dispositivo aplicar-se-ia à situação em que as multas isoladas fossem lançadas durante o próprio ano-calendário, antes do encerramento do exerCÍcio. Após 31/12, em havendo prejuÍzo/base negativa não se aplicaria essa disposição final. Defendem alguns que a conclusão acima contradiz o ~1~ inciso IV, do mesmo dispositivo legal, que estabelece a aplicação de multa isolada na hipótese de a pessoa jurídica estar sujeita ao pagamento de contribuição e deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente. Ou seja, por esse enunciado, / Processo 0.° 10508.000246/2002-02 Acórdão 0.° 01-05.955 permaneceria obrigatório o recolhimento por estimativa mesmo se houvesse base de cálculo negativa. Essa contradição é apenas aparente. oparágrafo r do art. 39 da Lei n° 8.383/91 autoriza a interrupção ou diminuição dos pagamentos por antecipação quando o contribuinte demonstra, mediante balanços ou balancetes mensais, que o valor já pago da estimativa acumulada excede o valor do tributo calculado com base no lucro ajustado do período em curso. Os balanços ou balancetes mensais são, então, os meios de prova exigidos pelo Direito, para que se demonstre a inexistência de tributo devido. Na verdade, para emprestar praticidade ao regime de estimativa, inverteu-se o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o dever de demonstrar que não apurou lucro no curso do ano e que não está sujeito ao recolhimento antecipado. Via de regra, o ônus de provar que o contribuinte está sujeito ao regime de estimativa, para fins de aplicação da multa, caberia ao agente fiscal. Assim, caso a pessoa jurídica não promova o correspondente recolhimento da estimativa nos meses próprios do respectivo ano- calendário e não apresente os balancetes de suspensão no curso do período - ainda que tenha experimentado base de cálculo negativa - ficará sujeita à multa isolada de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96. A lei estabelece uma presunção de que o valor calculado de forma presumida (estimada) coincide com o tributo que será devido ao final do período, partindo da constatação de que a estimativa não foi recolhida e da omissão do sujeito passivo em apresentar os balaços ou balancetes. Esse não é caso, contudo, da empresa que, após o término do ano- calendário correspondente, apresenta o balanço final do período ao invés de balancetes ou balanços de suspensão. Nesse caso, a exigência da norma sancionadora para que se comprove a inexistência de tributo é atendida. Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob aforma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio ano- calendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e pode-se conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçá-lo a pedir restituição posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Resta examinar, então, qual seria a hipótese em que, na presença de base de cálculo negativa, se deveria aplicar a multa isolada. CSRF/TOl Fls. 10 Na presença de prejuízo ou base de cálculo negativa, a interpretação sistemática dos dois enunciados prescritivos dispostos no mesmo artigo aqui comentados (caput e ~l~ inciso IV, do art. 44) conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade devem obrigatoriamente ocorrer no curso do ano-calendário, .pois a /, conduta objetivada pela norma (dever de antecipar o tributo) é Processo n.o 10508.00024612002-02 Acórdão n.o 01-05.955 descumprida e, nesse momento, o efetivo resultado do exercício não está evidenciado mediante balancetes . . Assim, em virtude da inobservância da pessoa jurídica do dispositivos legais reitores, o agente fiscal não tem como aferir a situação fiscal corrente do contribuinte. O legislador concede a fiscalização, durante o transcorrer do período-base, o poder de presumir que o valor apurado de forma estimada a partir da receita da empresa coincide com o tributo devido, desde que demonstrada a omissão do dever probatório atribuído pela lei ao contribuinte. Essa presunção legal da existência de tributo não poderia ser desfeita após a aplicação da multa de lançamento de oficio pela posterior apresentação de balanço na fase de defesa administrativa, pois tornaria o arbitramento do valor condicional. Chegamos, portanto, a poucas, mas importantes conclusões: 1 - as penalidades, além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. 2 - a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas normas sancionadoras faz pressupor a identidade do critério material dessas normas. 3 - tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos; 4 - a base de cálculo predita no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 refere-se à multa pela falta de pagamento de tributo; 5 - o tributo devido ao final do exercício e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com o valor pago de estimativa aofinal do exercício; 6 - os balanços ou balancetes mensais são os meios de prova exigidos pelo Direito, para que o contribuinte demonstre a inexistência de tributo devido e a dispensa do recolhimento da estimativa; 7 - após o final do exercício, o balanço de encerramento e o tributo devido devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada. 8 - antes do final do exercício, o fisco pode considerar para fins de aplicação da multa isolada o valor estimado calculado a partir da receita da empresa, desde que a inexistência de tributo não esteja comprovada por balanços ou balancetes mensais. Visualizo, de pronto, três problemas nessa linha interpretativa: CSRF/TOl Fls. 11 a) o tempo verbal da oração - a determinação legal é para que se exija a multa "ainda que tenha sido apurado" prejuízolbase negativa. Como o verbo está no passado, é necessário, por óbvio, que o agente / Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 12 fiscal esteja lançando a multa após o encerramento do ano- calendário, para que já possa ter ocorrido o levantamento anual do balanço e das demonstrações financeiras para a' detenninação da base de cálculo do tributo devido; / b) passando ao largo da questão do tempo verbal do texto, haveria uma contradição lógica no arrazoado do i. conselheiro. Para ele, no caso de apuração de prejuízolbase negativa, após o encerramento do ano-calendário não é possível lançar a multa, vez que o tributo devido é zero, porém, na mesma situação de prejuízo, se contribuinte sofre fiscalização durante o ano, é devida a sanção calculada sobre outra base de cálculo, um tributo estimado. Mas todo o seu racioCÍnio está baseado no fato de que a multa isolada é apurada com base no tributo devido ao fim do ano, haja vista a disposição contida no caput do art. 44. Então, como usar outra base, de um tributo estimado, ainda não devido? Na tentativa de justificar uma jurisprudência, a meu ver absurda, chega-se à conclusão final de ser mutante a base de cálculo da multa isolada, pois ora se utiliza o tributo estimado, ora o tributo devido, ficando a punição dependente do momento em que a fiscalização comparece ao estabelecimento; c) É infundada a justificativa de que, à semelhança do balanço anual com apuração de prejuízolbase negativa, que seria prova para afastar a multa isolada lançada após o encerramento do ano- calendário, os balanços ou balancetes mensais de redução ou suspensão também são meios de prova para que o contribuinte demonstre a inexistência do tributo devido e, por conseguinte, dispense o recolhimento da estimativa. Lembro que o tributo apurado no balanço de redução/suspensão não é o devido, mas é considerado o estimado, pois, conforme a lei, a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual apura tão somente tributo estimado. Pretende o digno conselheiro fazer a seguinte correlação: como o balanço mensal (de suspensão) que apura prejuízo impede a cobrança da multa isolada, da mesma forma deve ser considerado no balanço anual que apura prejuízo. Tal consideração não se sustenta no simples fato de que o preju!zo no balanço mensal significa ausência de TRIBUTO ESTIMADO, enquanto o balanço anual com prejuízo indica ausência de TRIBUTO DEDIVO, MAS NÃO NECESSARIAMENTE DE TRIBUTO ESTIMADO mês a mês, incidindo a multa isolada, conforme dito, sobre o tributo estimado e não sobre o tributo devido. Conclui-se, pois, que é possível a aplicação conjunta de multa isolada e multa de ofício vinculada ao tributo, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são detenninadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Além disso, restou claro que a norma expressamente autoriza o lançamento da multa após o encerramento do ano-calendário. Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 13 Ante o exposto, entendo que não foi acertada a decisão da Primeira Câmara ao afastar a multa isolada em função da contribuinte ter apurado base negativa de CSLL no ajuste anula. Sendo devia a multa isolada, cabe determinar a redução do percentual desta para 50% (cinqüenta por cento), em função da alteração procedida pela Lei nO11.488, de 2007, cuja aplicação retroativa é exigida pelo o disposto no art. 106 do CTN. Por fim, cabe salientar que ao afastar a multa isolada simplesmente em função da inexistência de tributo devido no ajuste anual, o colegiado recorrido deixou de adentrar a discussão quanto à composição da base de cálculo da multa, consoante expressado ao final do voto do relator: Posta a improcedência do lançamento da multa isolada sobre afalta de pagamento das antecipações das estimativas da CSLL, no mérito, deixo de adentrar a discussão e apreciação da composição da base de cálculo da multa, vez que a considero indevida pelo motivos acima expostos. Voto, então, por DAR provimento PARCIAL ao recurso, para manter a exigência da multa isolada com uma redução do seu percentual para 50% (cinqüenta por cento) e determinar que os autos retornem à Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a fim de que procedam à apreciação dos argumentos da contribuinte quanto à composição da base de cálculo da referida multa, garantindo-lhe o duplo grau de julgamento. SaladasseSS?n/,sto de2.008. h'iP S:JGC LUCIANO DE OLIVEIRA VALE~A Voto Vencedor Redator designado: Conselheiro José Clóvis Alves. Embora bem elaborado o voto do relator, no mérito a maioria da turma não o acompanhou, pois, tem outro entendimento sobre a matéria conforme abaixo. Trata a lide da exigência de multa isolada pelo não recolhimento da CSLL sobre a base estimada em função da receita bruta nos meses de janeiro a dezembro de 2.000, Processo n.o 10508,000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 14 conforme descrição dos fatos contida nos autos de infrações fi. 10 e II.Do lançamento consta o apoio legal para a exigência. A Contribuinte tributada com base no lucro real optou pelo pagamento da CSLL em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos SS 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32,34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nO 9.065, de 20 de junho de 1995. o acórdão recorrido deu provimento recurso afastando a penalidade visto que na apuração anual, quando o fato gerador restou apurada base negativa dé CSLL. Com trata se de exigência relativa a fatos geradores ocorridos a partir de 01 de janeiro de 1997, a legislação aplicada é a abaixo transcrita. Lei nO9.430, de 27 de dezembro de 1996 CAPÍTULO I - IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA .Seção I - Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1° A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Pagamento por Estimativa Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida: mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nO9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos SS 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15 - A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nO 8.981, de 20 de janeiro de 1995. f Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 15 Lei nO8.981, de 20 déjaneiro de 1995 Art. 35 - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. S 1° - Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário . . Lei nO8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 37 - Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) eas pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de detenninação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano-calendário ou na data da extinção. S 1° - A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. S 3° - Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado,. a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos 'incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no S 2° do art. 39; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 27 a 35 desta Lei, pago mensalmente. Lei nO9.430, de 27 de dezembro de 1996/ Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do incisoseguinte;,.? Processo 11.° 10508.000246/2002-02 Acórdão 11.° 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 16 II - cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ~ 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anterionnente pagos; . II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-Ieão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; OBS: Redação vigente à época dos fatos geradores. Diversas interpretações têm sido dadas aos recolhimentos mensais do IRPJ e CSLL quando a empresa faz a opção por recolher o tributo com base na estimativa e não no lucro.real apurado trimestralmente. Inicialmente temos que partir da interpretação do regime de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica sujeita ao lucro real. A regra a partir de 01 de janeiro de 1997 é a apuração do lucro real em cada trimestre, ou seja, em 30 de abril, 31 de julho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano, confonne artigo 1 da Lei n. 9.430 de 1996. o contribuinte que não tiver condições de apurar o imposto trimestralmente ou que achar conveniente apurá-lo somente no final do ano, opta pelo real anual, mas se obriga a cumprir as regras relativas ao pagamento do IRPJ por estimativa, nos mesmos moldes base de cálculo e alíquota daquelas empresas que optaram pelo lucro presumido. Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOI Fls. 17 Ao optar, sabese de antemão, que deverá fazer os recolhimentos considerando como lucro os percentuais estabelecidos na legislação que variam de 1,5% para revenda de combustíveis a 32% para prestação de serviços, até o final do ano quando então deverá levantar o lucro real e comparar os valores recolhidos tendo como base o lucro estimado mensalmente com o valor devido com base no lucro real anual. Do cálculo pode resultar em imposto recolhido a menor, caso em que recolherá a diferença ou imposto pago a maior caso em que poderá compensar com os valores de tributos devidos apurados a partir de tal constatação. A opção é livre visto que a regra é a apuração trimestral do IPRJ com base no lucro real, porém ao optar pela estimativa deve nela permanecer durante todo o ano calendário. A lei faculta ao contribuinte suspender ou reduzir o pagamento do IRPJ por estimativa desde que comprove já ter recolhido imposto maior que o devido nos períodos anteriores, conforme artigo 35 da Lei 8.981. Tal suspensão depende de balanços ou balancetes mensais nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.981/95. Se ficar demonstrado que nos períodos anteriores ao considerado, já recolhera o imposto em valor superior ao devido conforme regras do lucro real. Analisando o artigo 35 podemos afirmar que a suspensão somente é possível a partir do segundo mês, visto que somente tem lugar a suspensão ou a redução do recolhimento com base no lucro estimado caso tenha sido pago valor a maior em período ou períodos anteriores, com base em lucro real apurado no (s) períod9~ antecedenty~. Isso indica que embora tenha feito a opção pela estimativa levantou balanço ou balancete mensais e fez demonstração do lucro real, com todas as adições e exclusões obrigatórias na área tributária. o contribuinte age corretamente quando não recolhe o imposto ou o reduz em determinado período, considerando a base estimada, mas o faz com base em balanço ou balancetes mensais que demonstrem ter recolhido em períodos anteriores, valores suficientes para cobrir no todo ou em parte o valor do tributo calculado com base na estimativa no novo período, considerando nos períodos anteriores o tributo devido com base em lucro real apurado, poderá reduzir ou até deixar de recolher a exação enquanto houver saldo positivo de periodos anteriores, considerados osmeses anteriorepmesmo ano calendário. Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01 "05.955 CSRF/TOI Fls. 18 Tal exigência visa dar garantia ao sujeito ativo da relação tributária que a suspensão ou redução do tributo foi correta, visto que o contribuinte tem créditos de recolhimentos a maior de periodos anteriores, sem o cumprimento da obrigação acessória, levantamento do lucro real e balanços ou balancetes não há segurança quanto à suspensão ou redução do pagamento do tributo. o legislador estabeleceu também que independentemente de ter o. contribuinte optante pelo recolhimento do IRPJ com base na estimativa, levantado balanços ou balancetes, ou ter apurado lucro real ou prejuízos, nos meses do ano calendário, deverá fazer o balanço anual e apurar o lucro real anual, ocasião na qual considerará os valores recolhidos, quer através de estimativa, quer através de retenção na fonte em às suas receitas consideradas na base de cálculo. Disse também o legislador que a falta de pagamento do tributo com base na estimativa sujeita o infrator à multa de 75%, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente. (Lei n° 9.430/96 art. 44 S 1° inciso IV). Na sistemática anual, o contribuinte é optante pela regra da estimativa mensal, visto que a regra geral para o lucro real é sua apuração, mensal até 1996 e trimestral a partir de 01.01.97. Nessa hipótese deve o contribuinte optante por esse regime realizar recolhimento por estimativa, a título de antecipação do imposto efetivamente devido no valor apurado em 31 de dezembro de cada ano. Vale dizer, rigorosamente que, para as pessoas jurídicas optantes por esse regime - BALANÇO ANUAL - o fato gerador do imposto de renda ocorre em 31 de dezembro e, portanto, antes dessa data não existe imposto devido, o que torna incorreta a utilização da expressão "pagamento mensal ou trimestral", pois como modalidade de extinção de obrigação somente o seria após a ocorrência do fato gerador, daí o tratamento correto deve ser de antecipação do devido em 31.12. de cada ano. A penalidade prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 visa dar efetividade à regra dos recolhimentos por estimativa, porém deve ser analisada e aplicada seguindo o princípio da razoabilidade. r Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 19 Analisando a regra sancionatória podemos dizer que conjugando o caput do art. 44 com o inciso IV de seu S 1°, podemos afirmar que a multa somente pode ser cobrada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, vale dizer que deve haver uma obrigatoriedade do recolhimento de tributo ou contribuição, seja em forma definitiva seja como antecipação. No caso de recolhimento por estimativa previsto no artigo 2° da Lei 9.430/96, para suspender ou reduzir o valor dos pagamentos, a empresa deverá demonstrar através de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já excede o valor do ünposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, conforme preceitua o artigo 35 da Lei 8.981, que na letra "b" de seu S 1° diz que os balanços ou balancetes somente produzirão efeito para a detenninação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. Tal previsão indica que tais obrigações acessórias têm caráter precário, ou seja servirão para comprovar o correto cumprimento da regra da estimativa no curso do ano calendário, após esse haverá prevalência do balanço anual. Do expostos podemos concluir que há aparente conflito entre parte da norma sancionatória, inciso IV do S lOdo artigo 44 da Lei 9.430/96, com o próprio caput do artigo já que o caput prevê multa para totalidade ou diferença de imposto, enquanto que o inciso IV prevê a multa ainda que seja apurado prejuízo fiscal no ano calendário. Podemos afirmar que o aparente conflito também existe entre a previsão de exigência da multa ainda que se apure prejuízo, com a previsão contida na letra "b" do S lOdo artigo 35 da lei n° 8.981/95, nos casos que o contribuinte não recolhe as estimativas, e nem levanta os balanços ou balancetes, mas que no balanço em 31.12 apura prejuízo fiscal. Se os balanços e balancetes têm vida efêmera ou seja só servem até o levantamento do balanço que dirá a verdadeira base de cálculo; como pode a sua ausência, no caso de prejuízo final, ensejar a aplicação de penalidade após o cálculo do imposto? Não há mais imposto, logo nos termos do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96 não há mais base de cálculo para a multa. Não se diga que com isso possa estar se negando efetividade à previsão legal da exigência ainda que se apure prejuízo. Tal dispositivo deve ser entendido dentro de uma interpretação sistemática que nos leva a crer que tal previsão significa que se o contribuinte não recolher as estimativas ObrigatÓria~tar balanços ou balancetes para comprovar Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 20 9.430/96). prejuízo, ou mesmo os levantando e ficar comprovado lucro real e o contribuinte não recolher a exação, fica sujeito à multa isolada, que se aplicada durante o ano, ainda que no final do interregno venha a apurar prejuízo, lucro zero ou lucro inferior às estimativas a que estava obrigado, a multa dever prevalecer não podendo as autoridades julgadoras reduzi- la ao nível do imposto devido na declaração anual. Para compatibilizar as normas a interpretação deve ser feita levando-se em conta o princípio da razoabilidade, do fato consumado, (lucro real anual), e a previsão contida no artigo 112 do CTN. ,Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 112 - A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. De fato como já dissemos a aplicação da multa após o levantamento do balanço e a apuração resultado anual para fins fiscais, que pode ser prejuízo, lucro zero ou lucro positivo, deve ser aplicada com razoabilidade pois a dúvida está patente quanto à base de cálculo da multa. A base da penalidade seria o valor das antecipações não recolhidas ou, seria o valor do imposto apurado pelo lucro real anual? Se o contribuinte apurou prejuízo anual, a falta dos balanços ou balancetes que deveriam ter sido feitos e transcritos nos diários, que como já dissemos têm vida efêmera, podem ser motivo para a aplicação da multa? Não há nenhuma dúvida de que o legislador elegeu como base de cálculo da penalidade o valor do tributo, que pode ser entendido durante o ano como o das antecipações e após o levantamento do lucro real anual o valor do tributo sobre ele calculado. (Art. 44 Lei % Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 21 Patente as referidas dúvidas, pode e deve o julgador aplicar o artigo 112 do CTN de modo a adaptar a exigência da penalidade ao objetivo do legislador, ou seja proteger o sistema de bases correntes com recolhimentos durante o período de formação da base tributável anual. Assim entendo que a penalidade deve ser aplicada sobre as seguintes bases: Ia) hipótese: o contribuinte não recolhe as estimativas e nem levanta balanços ou balancetes que pudessem comprova prejuízo ou recolhimento a maior de imposto em períodos anteriores dentro do ano base. a) Durante o ano calendário e no ano seguinte até o levantamento do balanço anual e apuração do lucro real anual, a base de cálculo da multa deve ser o valor das estimativas não recolhidas, calculando-se o valor do impostp ou contribuição social, mais adicional sobre o lucro estimado de oito por cento sobre a receita bruta auferida, ou os outros percentuais previstos na legislação para a atividade. b) Para fatos geradores ocorridos até dezembro de 2.006, após o levantamento do balanço, a base de cálculo da multa deverá ser a diferença entre o imposto de renda sobre o lucro real anual e as estimativas recolhidas se menores que as obrigatórias, pois esta é a base de cálculo nos termos do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96. c) Para fatos geradores ocorridos até dezembro de 2.006, ocorrendo prejuízo fiscal anual, a multa somente pode ser exigida até o levantamento do balanço e da demonstração do lucro real, visto que após essa data não há mais base de calculo nos termos do caput do art. 44 da Lei 9.430/96, pois as estimativas mostraram-se indevidas, se indevidas não podem mais ser base de cálculo, sob pena de se calcular penalidade sobre base inexistente. N esse caso podemos dizer que houve apenas o não cumprimento de uma obrigação acessória que seria a demonstração através de balanços ou balancetes de que a empresa no curso do ano teve prejuízo e não lucro tributável. 2a) Hipótese: a empresa não recolhe os valores devidos como estimativa, levanta balanços ou balancetes que demonstram a existência de lucro real e não de prejuízo. a) Apura lucro real anual em valor maior ou igual aos valores que tinha obrigação de recolher a título de estimativa, a base de calculo é o valor do imposto calculado sobre as estimativas não recolhidas. b) A empresa apura lucro real anual em valor inferior aos valores que tinha obrigação de recolher a título de estimativa, a base de cálculo da multa deve ser igual ao valor do imposto anual. y Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRF/TOl Fls. 22 CONCOMITÂNCIA DE APLICAÇÃO DAS MULTAS - ISOLADA E PROPORCIONAL: 1) Após O ano calendário a fiscalização detecta omissão de receita, deve-se exigir a multa proporcional de 75% ou 150%, e não a multa isolada pois essa sanção é para d~r efetividade aos recolhimentos das estimativas durante o ano calendário calculadas sobre o faturamento escriturado. 2) No balanço anual a empresa apura imposto em valor superior às estimativas recolhidas, porém calculou e recolheu as antecipações cumprindo corretamente a legislação, não há multa a ser cobrada pois cumprira corretamente as regras da estimativa. 3) No balanço anual a empresa apura imposto maior que as estimativas recolhidas em virtude de recolhimento a menor das estimativas a que estava sujeita, a multa a ser aplicada é a isolada sobre a diferença entre a soma das estimativas a que estava obrigada e a efetivamente recolhida. 4) A empresa declara em DIRF a estimativa correta, mas não recolhe, levanta balanço anual que mostra ser devida aquela estimativa, aproveita o valor da estimativa não recolhida para redução do imposto anual, a multa a ser lançada será a isolada pelo não recolhimento da estimativa, e o imposto deverá ser exigido na totalidade, ou seja, sem a consideração da estimativa declarada mas não recolhida. Essas foram as hipóteses que de antemão podemos prever, porém outra poderão surgir, as quais deverão ser analisadas de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. Para cada norma violada deve haver a certeza da resposta que deve seguir o princípio da proporcionalidade, ou seja, a sanção deve de ser aplicada na medida da violação, com imparcialidade. Entendo que o princípio da proporcionalidade aplica-se às sanções tributárias. O limite à sanção é o próprio bem jurídico protegido. No caso este bem é o crédito tributário. Será o valor desse crédito o limite máximo permitido à sanção. Ora se durante o ano calendário o crédito é o valor do tributo calculado sobre o lucro estimado, sobre ele, nesse período, pode ser calculada a sanção. Após o evento do balanço anual com a apuração do lucro real do ano, o crédito deixa de ser aquele com base no lucro estimado e passa a ser aquele calculado sobre o lucro real efetivo, somente sobre esse, se houver, é que poderá ser exigido imposto, logo esse é o limiteparaaaplicaçãodamUlta.y Processo TI_o 10508.000246/2002-02 Acórdão TI.o 01-05_955 CSRF/TOI Fls. 23 Exigir a multa a valor superior ao imposto apurado no ano, não só estaria ferindo a norma a que prevê a sanção pela utilização de valor maior que o tributo devido como base de cálculo, como o princípio da proporcionalidade, pois após o balanço o que mostrou ser devido a título de antecipação foi o valor do imposto apurado com base no lúcro real anual. Qualquer diferença a maior seria objeto de compensação ou restituição. Logo, utilizandose uma base maior, na realidade estaria a autoridade a exigir multa não sobre a diferença de imposto mas, sobre um valor a ser restituído ou compensado, o que seria um verdadeiro absurdo. A "sanção/coação está para a relação jurídica sancionadora, assim como a prestação está para a relação jurídica obrigacional." (1). Outro argumento relevante é a possibilidade de desproporção de aplicação de penalidade pelo não cumprimento da mesma regra de conduta. Ou seja, se dois contribuintes estão no sistema de estimativa um com faturamento elevado, logo sua estimativa será também elevada, outro com faturamento pequeno, por conseguinte, sua estimativa será pequenã haverá uma grande diferença entre os recolhimentos a serem feitos a título de IRPJ e CSLL. Supondo que os dois contribuintes deixem de levantar balanços ou balancetes e também que não recolham as estimativas mas que ambos no balanço anual apurem prejuízo. Ora, após essa data, a infração cometida pelos dois é idêntica, ou seja falta de levantamento de balanços ou balancetes que demonstrassem prejuízo durante o ano. Contudo, a sanção será diferente pois, se admitirmos como base de cálculo da sanção, não valor do imposto anual mas as estimativas, teríamos dois contribuintes cometendo a mesma infração e sendo sancionados de forma diferente. Mas não é só isso. Qualquer infração dever ter a possibilidade da denúncia espontânea, porém na hipótese examinada não seria isso possível pois, levantar balancetes a destempo não resolveria a questão. Por outro lado não teria o contribuinte como denunciar a infração com o recolhimento do tributo com base na estimativa, visto que esse tributo mostrou-se indevido na apuração que é realmente válida para o ano que é lucro ou prejuízo apurado em31 de de7 Processo n.o 10508.000246/2002-02 Acórdão n.o 01-05.955 CSRFITOI Fls. 24 A MP 351 de 22.01.2007 deu nova redação ao artigo 44 da Lei 9.430/96, verbis: Art. 18. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 11- de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 80 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 20 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. A separação das bases de cálculo feitas pela medida provisória é um atestado de imprestabilidade da utilização da mesma base para apenar o contribuinte. Assim conheço o recurso como tempestivo e, no mérito, voto no sentido de NEGAR provimento. osto de 2008. or designado. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024
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Numero do processo: 10380.006426/2005-16
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (assinado digitalmente)
Francisco Marconi de Oliveira Relator. (assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (presidente da turma), Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acácia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Declarou-se impedida a Conselheira Núbia Matos Moura.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (presidente da turma), Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acácia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Declarouse impedida a Conselheira Núbia Matos Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 26 /2 00 5- 16 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 7/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte acima identificado recebeu a Notificação de Lançamento de folha 2 em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2005, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. Não concordando com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando não ter condições financeiras para pagar o crédito lançado. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/FOR decidiu, por unanimidade de votos, considerar não impugnada a matéria, por não ter sido contestada pelo contribuinte, declarando não conhecida a impugnação. O recorrente recebeu ciência do julgamento em 10 de março de 2008 (fl. 23) e interpôs recurso voluntário no dia 3 do mês seguinte (fl. 24), apresentando vagos conceitos das obrigações acessórias previstas no artigo 113 do Código Tributário Nacional, sem as alegações para o solicitado pedido de cancelamento da multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 7/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.006426/200516 Acórdão n.º 2102001.030 S2C1T2 Fl. 31 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade uma vez que o contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 24) no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, cuja notificação foi emitida em 12 de julho de 2005. O sujeito passivo, conforme Lei nº 9.250, de 1995, deve apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, a declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Pela legislação corrente, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita a pessoa física à multa, nos termos do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995 e artigo 27 da Lei 9.532, de 1997. Os valores correspondem a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitado a 20%, com o valor mínimo previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, quantia essa que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. No lançamento em questão, o valor mínimo. Apesar da parca argumentação apresentada, consta às folhas 6 e 17 que o contribuinte é sócio da empresa Humberto Willame Marques de Sousa ME, na situação inapta. Nas folhas 5 e 10 constam extratos da declaração com valores de rendimentos e apuração de imposto a pagar “zerados”. Não há nos autos quaisquer outros motivos que induzam estar o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual. A seu favor estar a jurisprudência deste Colegiado, que desobriga o contribuinte da entrega da declaração de rendimento pessoa física, quando a empresa que for sócio ou titular estiver inativa. Assim diz a Súmula CARF nº 44: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. A empresa da qual o contribuinte é sócio está na situação cadastral inapta, por ser considerada como omissa contumaz desde 30 de agosto de 2004 (fl. 17). Como a declaração que provocou a multa por atraso deste processo referese ao exercício 2005, período em que a empresa já estava na situação de inapta, há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida. Diante do exposto, voto em DAR provimento ao recurso voluntário. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 7/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 7/12/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10120.003005/2008-47
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ABRANGÊNCIA.
A dedução relativa a despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, estando condicionada à comprovação hábil e idônea de que estão relacionadas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal quando comprovadas na fase recursal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.689
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no montante de R$ 8.400,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ABRANGÊNCIA. A dedução relativa a despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, estando condicionada à comprovação hábil e idônea de que estão relacionadas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal quando comprovadas na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no montante de R$ 8.400,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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DESPESAS MÉDICAS. ABRANGÊNCIA. A dedução relativa a despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, estando condicionada à comprovação hábil e idônea de que estão relacionadas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Devem ser restabelecidas as deduções pleiteadas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal quando comprovadas na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no montante de R$ 8.400,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 30 05 /2 00 8- 47 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.003005/200847 Acórdão n.º 2801002.689 S2TE01 Fl. 89 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento formalizada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 20.366,92, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (Suplementar), multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 29/02/2008. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pela contribuinte, relativa ao exercício 2004, anocalendário 2003, onde foram glosados, por falta de comprovação, os seguintes valores de deduções pleiteadas: (i) dependentes (valor glosado R$ 2.544,00); (ii) despesas com instrução (valor glosado R$ 3.996,00); e (iii) despesas médicas (valor glosado – R$ 25.646,70). Consta da descrição dos fatos que a contribuinte não atendeu à intimação realizada pela fiscalização no decorrer do procedimento fiscal. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, à fl. 01, em que alegou fazer jus às deduções glosadas. Anexou aos autos como prova a documentação às fls. 6/36. Após apreciar a lide, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF decidiu pela procedência em parte do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 0330.627, de 29/04/2009. Concluiu o Colegiado por restabelecer a totalidade das deduções com instrução (R$ 3.966,00) e com dependentes (R$ 2.544,00) declaradas; mas apenas uma parte das deduções com despesas médicas pleiteadas (R$ 2.627, 96). Com relação às despesas médicas, consta da referida decisão que: “o valor restabelecido referese a despesas comprovadas com a própria contribuinte e com suas dependentes Helen e Lara. As glosas mantidas são relativas às despesas correspondentes aos beneficiários que não são dependentes da interessada (fls. 29 e 32 a 38) e aos documentos que não identificaram o beneficiário (fls. 11 a 26).” A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 06/07/2009, conforme faz prova o Aviso de Recebimento AR à fl. 60. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 03/08/2009, anexando documentação relacionada a despesas médicas efetuadas com tratamento psicológico. Na sequência, por não ter a recorrente se manifestado acerca dos valores mantidos pela decisão DRJ relativos a despesas médicas com não dependentes (R$ 8.618,74), o órgão de origem lavrou a Representação às fls. 76/77, para que fosse formalizado novo processo e transferido para cobrança o IRPF no valor de R$ 2.370,15, acrescido de multa de ofício de 75 % e juros de mora, nos termos das normas em vigor. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.003005/200847 Acórdão n.º 2801002.689 S2TE01 Fl. 90 3 Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Diante da ausência de questão preliminar, passo à análise do mérito, que, conforme se observa da peça recursal, nesta instância de julgamento, restringese à discussão em torno da glosa da dedução com despesas médicas no valor de R$ 13.500,00 mantida pela decisão recorrida. Sobre tais despesas declaradas pela contribuinte como dedução do imposto, assim se manifestou a autoridade julgadora a quo: “(...) Nesse sentido, extraise que os recibos trazidos às fls. 8/23, todos inerentes a tratamento psicológico, no montante de R$ 13.500,00, não conferem direito à dedução das despesas neles anotadas, haja vista que não especificaram os beneficiários dos serviços prestados nem informaram o endereço das duas profissionais que os emitiram.” (grifo nosso) Na espécie em exame, cabe destacar o disposto no artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, in verbis: “Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.003005/200847 Acórdão n.º 2801002.689 S2TE01 Fl. 91 4 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.” (destaque nosso) Como se vê, a norma acima transcrita estabelece que na declaração de ajuste anual poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, mas desde que efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Nessa fase recursal, a contribuinte junta novos documentos aos autos (recibos às fls. 66 a 74), solicitando que sejam considerados hábeis para fins de comprovação destas despesas com tratamentos psicológicos, conforme informadas em sua declaração de rendimentos. Da análise dessa documentação, podese concluir que: i) recibos às fls. 66/70, emitidos pela profissional Maria Silveira Messias, no total de R$ 8.400,00 Referidos documentos apresentam os requisitos necessários para validação da dedução destas despesas relacionadas a sessões psicoterápicas realizadas em dependentes da recorrente (Helen e Lara, filhas), posto que indicam as beneficiárias dos serviços prestados e informam o endereço da profissional emitente, suprindo, deste modo, a deficiência probatória apontada pela decisão recorrida. Portanto, deve ser restabelecida a dedução destas despesas médicas declaradas pela contribuinte. ii) recibos às fls. 71/73, de emissão da profissional Maria Regina dos Reis Dutra – Constatase que tais documentos não se revelam hábeis a desconstituir a glosa efetuada pela autoridade fiscal, pois, assim como nos documentos anteriormente apresentados pela recorrente, às fls. 08/14 dos autos, não há qualquer informação quanto ao(s) beneficiário(s) dos tratamentos psicológicos a que fazem referência, elemento necessário para validação da dedutibilidade dessas despesas médicas pleiteadas. Mantida, portanto, essa glosa efetuada no lançamento. Face o acima exposto, VOTO em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no montante de R$ 8.400,00. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10120.003005/200847 Acórdão n.º 2801002.689 S2TE01 Fl. 92 5 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 13883.000006/2005-53
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
O pedido de parcelamento com o mesmo objeto do lançamento importa em suspensão da exigência em relação aos valores atinentes aos fatos geradores coincidentes entre aqueles parcelados e objeto de lançamento.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
A multa de ofício proporcional é reduzida 40% (quarenta por cento) no caso em que o sujeito passivo requeira o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa proporcional de ofício em 40% (quarenta por cento), nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O pedido de parcelamento com o mesmo objeto do lançamento importa em suspensão da exigência em relação aos valores atinentes aos fatos geradores coincidentes entre aqueles parcelados e objeto de lançamento. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. A multa de ofício proporcional é reduzida 40% (quarenta por cento) no caso em que o sujeito passivo requeira o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O pedido de parcelamento com o mesmo objeto do lançamento importa em suspensão da exigência em relação aos valores atinentes aos fatos geradores coincidentes entre aqueles parcelados e objeto de lançamento. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 3. 00 00 06 /2 00 5- 53 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 363 2 A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. A multa de ofício proporcional é reduzida 40% (quarenta por cento) no caso em que o sujeito passivo requeira o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa proporcional de ofício em 40% (quarenta por cento), nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 126132, com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.578,15, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, Fl. 754DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 364 3 referente ao anocalendário de 2003, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas apurada pelo cotejo entre as informações da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) nº 6435321, fls. 0421 e aqueles escriturados no Livro Caixa, fls. 3861, acompanhado dos demonstrativos da Visanet, fls. 6282 e da Redecard, fls. 83111, documentos estes fornecidos espontaneamente pela Recorrente; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 0421. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 133140 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.578,15 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 141148 com a exigência do crédito tributário no valor de R$18.376,32 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 149156 com a exigência do crédito tributário no valor de R$36.752,84 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 157163 com a exigência do crédito tributário no valor de R$52.238,13 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de Fl. 755DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 365 4 mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 3º, art. 34, art. 35, art. 122 e art. 127 do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados constante no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002), bem como § 2º do art. 2º, alínea “e” do § 1º do art. 3º, § 2º do art. 5º e § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º e art. 5º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 06.01.2005, fls. 130, 137, 145, 153 e 161, a Recorrente apresenta a impugnação em 04.02.2005, fls. 166174, com as alegações abaixo sintetizadas. Resumindo os fatos, aduz que apresentou todos os documentos contábeis na oportunidade em que foi intimada de ofício e que novamente entrega a cópia do Livro Caixa. Informa que apresentou a DSPJ retificadora, bem como parcelou regularmente os débitos com os acréscimos legais do período de janeiro de 2003 a maio de 2004 antes da ciência dos Autos de Infração. Por esta razão, defende que o lançamento é improcedente. Suscita que não cabe o cancelamento de ofício da DSPJ retificadora entregue em conformidade com a legislação de regência, sem que fosse notificada para se defender. Alega que este procedimento é nulo, por falta de competência legal. Procura demonstrar que a concessão do parcelamento deferido pela RFB gera direito adquirido, bem como do seu cumprimento decorre a suspensão da exigibilidade, nos termos do inciso VI do art. 151 do Código Tributário Nacional). Acrescenta que, por utilizar idêntica base de cálculo dos tributos já declarados e parcelados, os Autos de Infração evidenciam bitributação os torna nulos. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante todo o exposto, no sentido de que não se faz possível a lavratura de autos de infração que visam exigir crédito tributário quando este encontrase com sua exigibilidade suspensa: a) seja declarada a nulidade do ato do Sr, AuditorFiscal, que, ilegalmente, cancelou a Declaração Anula Simplificada Retificadora; b) seja julgado improcedente os autos de infração ora impugnados, declarandose suas nulidades e cancelandose seus respectivos registros de débito equivocadamente lançados, haja vista a existência de parcelamento concedido e consolidado pela SRF; c) requer a produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente a juntada de novos documentos, eventual perícia contábil e outros que se fizerem necessários; Termos em pede deferimento. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 366 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0526.574, de 24.08.2009, fls. 306312: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E 49 CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2003 ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO E PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e, sendo assim, a inclusão dos débitos em parcelamento e a retificação de declaração depois de iniciado o procedimento não inibem a lavratura do auto de infração, tampouco a imposição das penalidades pertinentes. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Impertinente a apresentação, em sede de impugnação a lançamento, de defesa contra ato de cancelamento de declaração retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, quer porque sua apreciação não se insere na esfera de competência da Delegacia de Julgamento, quer porque dispensável, para a solução do presente processo de constituição de crédito tributário, o desfecho acerca da prevalência ou não da declaração retificadora. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia se não atendidos os requisitos mínimos dispostos na legislação de regência. Notificada em 18.09.2009 (sextafeira), fl. 313verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.10.2009, fls. 318343, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Face a todos os fatos expostos é totalmente cristalino a nulidade e improcedência dos Autos de Infração lavrados pelo nobre AuditorFiscal, senão vejamos: Desta forma, deve ser DECLARADA A NULIDADE DO ATO do Sr. AuditorFiscal que cancelou a declaração retificadora enviada, tendo em vista a MANIFESTA INCOMPETÊNCIA do mesmo para tanto, nos termos do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, pela evidente PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA da ora Recorrente por não ter tido a oportunidade de oferecer defesa em face do mesmo, determinandose consequentemente a nulidade dos Autos de Infração. Além disso, tendo em vista que TODOS OS VALORES DISCUTIDOS CONSTAM DE PARCELAMENTO ATIVO E CUJAS PARCELAS ESTÃO EM DIA deve ser declarada a impossibilidade de exigência dos valores lançados nos Autos de Infração, nos termos do art. 151, inc VI, do Código Tributário Nacional. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 367 6 Contudo, apenas para efeitos de argumentação, caso não sejam aceitos os motivos acima expostos para declarar a nulidade ou improcedência dos Autos de Infração, deverá tal lançamento ser revisto, uma vez demonstrado o EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO de 75%, o que desrespeita aos princípios constitucionais da "Nãoconfiscatoriedade" e da "Capacidade Contributiva". E ainda que não seja aceito tal argumento por este órgão julgador, deverá ser reconhecido o direito a REDUÇÃO DE 50% DA MULTA DE OFÍCIO dos Autos de Infração, por ter sido efetuado p antes de vencidos 30 dias do lançamento. Ainda, com relação aos juros de mora, devem ser limitados a 12% ao ano, tendo em vista a latente INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC, nos termos das normas constitucionais e infraconstitucionais anteriormente citadas. Desta forma, restam demonstradas todas as irregularidades existentes nos Autos de Infração lavrados em face da ora Recorrente, razão pelo qual devem ser cancelados, face às nulidades apresentadas, bem como à flagrante improcedência diagnosticada. [...] Ante o exposto, requer: a) Seja declarada a nulidade do ato do Sr.AuditorFiscal que cancelou a declaração retificadora enviada, tendo em vista a manifesta incompetência do mesmo para tanto, nos termos do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, pela evidente preterição do direito de defesa da ora Recorrente por não ter tido a oportunidade de oferecer defesa em face do mesmo, determinandose consequentemente a nulidade e cancelamento dos Autos de Infração; b) Seja declarada a impossibilidade de exigência dos valores lançados nos Autos de Infração, nos termos do art. 151, inc VI, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que todos os valores discutidos constam de parcelamento ativo e cujas parcelas estão em dia; C) seja reconhecido o efeito confiscatório da multa de oficio aplicada, devendo ser determinada a fixação da multa em percentual máximo de 20%; d) caso não seja aceito o item anterior, ser reconhecido o direito a redução de 50% da multa de ofício dos Autos de Infração, sido efetuado parcelamento antes de vencidos 30 dias do lançamento, e) caso não sejam aceitas as alegações presentes neste petitório, não sejam aplicados os juros de mora equivalentes a Taxa SELIC, devidas às latentes ilegalidades e inconstitucionalidades de tal índice de correção, devendo, portanto, tais juros serem limitados a 12% ao ano, nos termos das normas constitucionais e infraconstitucionais anteriormente citadas; f) seja autorizada a realização de sustentação oral pela ora Recorrente em sua defesa, determinandose ainda sua devida intimação pessoal para tanto; g) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos; Termos em que, Fl. 758DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 368 7 Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, inclusive para fins dos efeitos jurídicos previsto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada1. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 369 8 nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Requerente requer que seja deferida a sustentação oral. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referentes a tributos administrados pela RFB3. Em conformidade com as normas processuais, Na sessão, o julgamento de cada recuso é facultado à Recorrente ou ao seu representante legal fazer sustentação oral por quinze minutos, prorrogáveis por igual período. A pretensão aduzida pela defendente tem possibilidade jurídica, desde que observadas as formalidades legais. A Recorrente destaca que a DSPJ retificadora não poderia ser cancelada de ofício. A espontaneidade do sujeito passivo fica excluída a partir do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificandoo da obrigação tributária. Por esta razão, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício4. No presente caso, o dia de início da perda da espontaneidade foi em 20.09.2004 com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fl. 01 e do Termo de Início de Fiscalização, fl. 03 e não na data da ciência dos Autos de Infração em 06.01.2005. Neste caso, a DSPJ retificadora apresentada em 15.11.2004, fls. 37 e 40, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ademais, a autoridade fiscal da RFB que jurisdiciona a Recorrente é competente para este feito fiscal, ainda mais, tem o dever o funcional5 de proceder à revisão de ofício das declarações apresentadas pela Recorrente, nos termos do inciso XXII do art. 224 do Regimento Interno na RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. O argumento narrado pela defendente, portanto, é desarrazoado. A Recorrente suscita que parcelou os débitos formalizados nos Autos de Infração. O parcelamento é uma modalidade de suspensão do crédito tributário definitivamente constituído e seu controle é uma atividade desenvolvida pela autoridade preparadora da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo6. Vale delimitar a matéria posta em litígio nos autos, uma vez que a Recorrente evidencia que procedeu ao Pedido de Parcelamento do Simples em 29.09.2004, que se encontra consolidado em 29.12.2004 no processo n° 10860.400467/200411, fls. 277280. Observese que esta providência foi levada a efeito depois da perda da espontaneidade em 20.09.2004, fls. 01 e 03, referente ao crédito tributário 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 55 e art. 58 do Regimento Interno do CARF. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 5 Fundamento legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e art. 142 do Código Tributário Nacional. 6 Fundamentação legal: art. 151 e art. 201 do Código Tributário Nacional, art. 42 do Decreto nº 70.245, de 6 de março de 1972 e art. 224 do Regimento Interno da RFB. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 370 9 constituído nos presentes autos, em conformidade com a Tabela 1. Lembrese que estes procedimentos não são excludentes entre si, ou seja, podem coexistir no ordenamento jurídico. Tabela 1 – Valores lançados de ofício e objeto de parcelamento referentes ao anocalendário de 2003 Descrição Meses (A) Receita Bruta Livro Caixa R$ (B) Receita Bruta DSPJ R$ (C) Receita Bruta Omissão R$ D=(BC) Alíquota Aplicável % (E) Janeiro 36.922,14 3.030,85 33.891,29 5,40 Fevereiro 23.421,46 2.800,99 20.620,47 5,40 Março 45.402,99 2.721,91 42.681,08 5,40 Abril 85.688,54 11.437,16 74.251,38 5,40 Maio 153.543,35 30.437,81 123.105,54 5,80 Junho 169.464,19 36.421,27 133.042,92 6,60 Julho 253.065,61 42.137,94 210.927,67 7,40 Agosto 112.881,82 23.999,94 88.881,88 7,80 Setembro 49.112,79 6.280,35 42.832,44 7,80 Outubro 46.570,03 5.137,74 41.432,29 8,20 Novembro 40.251,26 5.228,14 35.023,12 8,20 Dezembro 26.829,67 8.444,40 18.385,27 8,20 Descrição Meses (A) Valores de Simples Livro Caixa Receita Bruta x Alíquota R$ (B) Valores de Simples DSPJ R$ (C) Valores de Simples Parcelamento R$ (D) Janeiro 1.993,80 90,93 1.902,87 Fevereiro 1.264,76 84,03 1.180,73 Março 2.451,76 81,66 2.370,10 Abril 4.627,18 343,11 4.284,07 Maio 8.905,51 913,13 7.992,38 Junho 11.015,17 1.456,85 9.727,79 Julho 18.726,86 2.275,45 16.584,01 Agosto 8.804,78 1.206,00 7.508,78 Setembro 3.830,80 339,14 3.491,66 Outubro 3.818,74 277,44 3.541,30 Novembro 3.300,60 282,32 3.018,28 Dezembro 2.200,03 456,00 1.744,03 Analisando elementos de prova produzidos nos autos, inferese que débitos cobrados nos presentes Autos de Infração, em princípio, já foram incluídos no referido programa de parcelamento. O pressuposto é de que a fase litigiosa no procedimento está concluída em relação aos valores efetivamente parcelados, de modo que não tem cabimento a análise de quaisquer circunstâncias sobre a questão nesta segunda instância de julgamento, uma vez que o referido pedido de parcelamento com o mesmo objeto do lançamento importa em Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 371 10 desistência do recurso voluntário em relação à esta questão, nos termos do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Esta modalidade de confissão espontânea de dívida tem incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic e aplicação de multa de mora em relação aos débitos não pagos nos prazos legais. Assim, como, em princípio, a Recorrente parcelou os referidos débitos após a perda da espontaneidade, sobre estes há incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic e aplicação de multa de ofício proporcional. Assim, os efeitos jurídicos do inciso VI do art. 151 do Código Tributário Nacional, ou seja, suspensão da exigibilidade, refletem tão somente sobre os valores atinentes aos fatos geradores coincidentes entre aqueles parcelados e objeto de lançamento. Nesse sentido, em relação à cobrança amigável, cabe à autoridade preparadora que jurisdiciona a Recorrente estar atenta os presentes autos e ao processo n° 10860.400467/200411 de parcelamento, em conformidade com o art. 302 do Regimento Interno na RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Ademais, na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional7. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20098 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente defende que deve ser aplicada a multa de mora. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em 7 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 9 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 372 11 dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de mora pressupõe que o tributo, cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, seja recolhido fora do prazo legal e antes do início do procedimento fiscal, afastadas, contudo, as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da mora do agente. Esta multa é incompatível com a constituição do crédito tributário pelo lançamento direto, diante da constatação pela autoridade fiscal da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo, caso em que tem cabimento a aplicação da multa de ofício proporcional10. A multa de ofício proporcional é reduzida em 40% (quarenta por cento) no caso em que o sujeito passivo requeira o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento11. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. Entretanto, tendo em vista o Pedido de Parcelamento do Simples em 29.09.2004, que se encontra consolidado em 29.12.2004 no processo n° 10860.400467/200411, fls. 277280, é concedida a redução na multa de ofício proporcional no percentual de 40% (quarenta por cento). A contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada parcialmente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 14.. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa proporcional de ofício em 40% (quarenta por cento). Observese para a 10 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nº 51. 11 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 14 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13883.000006/200553 Acórdão n.º 1801001.203 S1TE01 Fl. 373 12 existência do parcelamento formalizado nos autos do processo nº processo n° 10860.400467/200411. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11543.000898/2003-56
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002
COFINS. CRÉDITOS DE TERCEIROS E INCORPORAÇÃO. MOMENTO DE OCORRÊNCIA.
A operação de incorporação somente produz efeitos com o arquivamento e publicação dos respectivos atos, retroagindo seus efeitos quando requerido o arquivamento até o trigésimo dia subsequente ao da realização da assembleia. Nessa hipótese, a sucessão universal, que abrange os direitos e obrigações tributárias, ocorre com o arquivamento dos atos pela empresa incorporadora, independentemente do arquivamento, para o fim de baixa, pela empresa incorporada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Fez sustentação oral pela Recorrente Luiz Paulo Romano, OAB/DF 14303.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002 COFINS. CRÉDITOS DE TERCEIROS E INCORPORAÇÃO. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. A operação de incorporação somente produz efeitos com o arquivamento e publicação dos respectivos atos, retroagindo seus efeitos quando requerido o arquivamento até o trigésimo dia subsequente ao da realização da assembleia. Nessa hipótese, a sucessão universal, que abrange os direitos e obrigações tributárias, ocorre com o arquivamento dos atos pela empresa incorporadora, independentemente do arquivamento, para o fim de baixa, pela empresa incorporada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CRÉDITOS DE TERCEIROS E INCORPORAÇÃO. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. A operação de incorporação somente produz efeitos com o arquivamento e publicação dos respectivos atos, retroagindo seus efeitos quando requerido o arquivamento até o trigésimo dia subsequente ao da realização da assembleia. Nessa hipótese, a sucessão universal, que abrange os direitos e obrigações tributárias, ocorre com o arquivamento dos atos pela empresa incorporadora, independentemente do arquivamento, para o fim de baixa, pela empresa incorporada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente Luiz Paulo Romano, OAB/DF 14303. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 08 98 /2 00 3- 56 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 509 a 525) apresentado em 16 de junho de 2009 contra o Acórdão no 1223.261, de de março de 2009, da 5ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 495 a 502), cientificado em 19 de maio de 2009, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de novembro de 2001 a julho de 2002, julgou a compensação não homologada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 PERÍCIA DENEGADA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROCEDIMENTO DE BAIXA NO CNPJ. Enquanto a pessoa jurídica incorporadora não concluir os procedimentos de registro da extinção da incorporada no órgão de registro de comércio competente e a respectiva baixa no CNPJ, fica vedada a utilização dos créditos da incorporada para, através de declaração de compensação, quitar débitos próprios. Compensação não Homologada O pedido foi apresentado em 24 de março de 2003 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fls. 66 a 71. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo da Declaração de Compensação — Dcomp de fl. 01, na qual a interessada acima identificada busca extinguir por compensação débitos da contribuição para o financiamento da seguridade social — Cofins referentes aos períodos de apuração de novembro de 2001 a julho de 2002, utilizando crédito no valor corrigido de R$17.095.870,38 que Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11543.000898/200356 Acórdão n.º 3302001.928 S3C3T2 Fl. 596 3 alega possuir contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamentos a maior do IRPJ do anocalendário de 1983. 2. Segundo a petição de fls. 02/03 e os demonstrativos de fls. 04/08, os créditos trazidos à mencionada Dcomp já teriam sido objeto de pedido de restituição conjugado com compensação através do processo n° 10768.004563/200148, protocolizado pela pessoa jurídica "Xerox do Brasil Ltda", CNPJ n° 29.213.386/000100, que apurou originariamente o crédito e foi sucedida pela interessada. 3. Às fls. 70/71 consta o Despacho Decisório proferido pela Delegada da Receita Federal em Vitória ES, com base no Parecer n° 398/2005, de fls. 66/70, a partir do qual foi considerada não declarada a compensação constante do presente processo, assim como qualquer outra que venha a ser apresentada apontando o crédito constante do processo n° 10768.004563/200148. O fundamento citado foi que seria vedada a compensação utilizando créditos de terceiros, uma vez que a situação junto ao CNPJ da empresa "Xerox do Brasil Ltda", supostamente incorporada pela interessada, continua com o status de "ativa", além de não teriam sido apresentados documentos que comprovassem o registro da incorporação junto ao Registro Público de Empresas Mercantis do Estado do Rio de Janeiro (Junta Comercial). 4. Ademais, entendeu a DRF / Vitória em seu Despacho Decisório, que o fato de ser considerada não declarada a compensação afastaria o rito do processo administrativo fiscal aplicável às declarações de compensação não homologadas, e que, por isso, não seria admitida a manifestação de inconformidade nem haveria a suspensão da exigência dos débitos arrolados para compensação, como conseqüência de eventual recurso, que, se interposto, seria submetido à Superintendência da Receita Federal da 7ª' Região. Neste sentido, foi determinada a cobrança dos débitos trazidos à compensação. 5. Inconformada com a decisão que considerou não declarada a compensação e determinou a cobrança dos débitos, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 76/100, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. Em preliminar, que a presente manifestação de inconformidade deve ser recebida e processada, com todos os efeitos suspensivos pertinentes, visto que declaração de compensação foi entregue em 2003, antes de entrar em vigor a Lei n° 11.051/2004, que instituiu a figura da compensação não declarada e a impossibilidade de recurso com efeito suspensivo nos casos de compensação utilizando créditos de terceiros para quitar débitos próprios. Entende a interessada que a Lei n° 11.051/2004 não pode ser aplicada ao presente caso, uma vez que estaria sendo aplicada de forma retroativa e em hipótese não permitida, violando o direito adquirido e o ato jurídico perfeito; Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 5.2. Que é empresa que se dedica à atividade de montagem, industrialização, fabricação, importação e exportação de produtos de comercialização gráfica, processamento de informações e de seus acessórios, e que em virtude de questões ligadas à logística empresarial decidiu incorporar a empresa "Xerox do Brasil Lida.", CNPJ n° 29.213.386/000100, a qual não se opôs à operação. Neste sentido, foram definidos os termos gerais do processo da operação, através da elaboração do protocolo e da justificativa de incorporação, bem como nomeação de peritos para elaboração de laudo de avaliação do patrimônio líquido da empresa incorporada. Posteriormente, em 15.03.2003, realizou Assembléia Geral Extraordinária, ocasião em que se analisou e, por unanimidade de votos, ratificou os ternos do protocolo e da justificativa, aprovou o laudo de avaliação do patrimônio líquido da empresa incorporada, e determinou a incorporação e automática extinção da empresa "Xerox do Brasil Ltda.". Simultaneamente, em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15.03.2003, a "Xerox do Brasil Ltda." analisou e ratificou os termos do protocolo e da justificativa, aprovou o laudo de avaliação e, por fim, também por unanimidade de votos, declarouse extinta, concluindo o processo de sua incorporação. Tudo conforme preceitua o art. 1.116 a 1.118 do Novo Código Civil e o art. 227 da Lei das Sociedades Anônimas; 5.3. Que, com o objetivo de dar total transparência à concentração societária, promoveu o arquivamento dos documentos pertinentes à incorporação da empresa "Xerox do Brasil Ltda." na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo — JUCEES, na cidade de Vitória, onde está localizada sua sede, além de ter dado ciência da operação à Secretaria da Receita Federal em 28/04/2003, ao apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ relativa ao período de janeiro a março de 2003. Ademais, para adequar a atual situação de direito à de fato, vem tomando todas as providências (ainda não concluídas) para arquivar os documentos pertinentes nas Juntas Comerciais onde a empresa extinta "Xerox do Brasil Ltda." possuía estabelecimento, realocar eventuais débitos, além de efetuar a baixa no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas — CNPJ, inscrições estaduais, incrições municipais, entre outras. Entretanto, apesar de seus esforços nesse sentido, ainda não foi efetuada a baixa no CNPJ da empresa extinta "Xerox do Brasil Ltda." porque o pedido de arquivamento definitivo dos documentos da incorporação terra caído em exigência na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro — Jucerja. Entretanto, como o registro na JUCEES já foi providenciado, o arquivamento na Jucerja é apenas uma questão procedimental que em pouco tempo será sanada, e que não eiva de vícios a incorporação realizada; o 5.4. Que sendo a incorporação um instituto do Direito Civil/Comercial, o que determina a existência de uma ou duas empresas para fins legais não é a simples existência de dois CNPJ ativos, mas a existência de dois documentos societários distintos e independentes. Afirma, ainda, que a legislação aplicável não exige que o ato de incorporação seja arquivado na Junta Comercial para que a incorporação seja válida, ou que seja tomada qualquer outra Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11543.000898/200356 Acórdão n.º 3302001.928 S3C3T2 Fl. 597 5 providência. A necessidade de arquivamento na Junta Comercial não é da essência da operação de incorporação e apenas possui o objetivo de dar publicidade ao ato já consumado. Afirma que, de acordo com os conceitos expostos no Novo Código Civil e na Lei das Sociedades Anônimas, o momento em que ocorreu a incorporação foi quando da assinatura da ata da assembléia geral extraordinária ocorrida em 15.03.2003; que todas as demais providências são meramente instrumentais, não podendo a Fiscalização Federal se opor à concentração societária e considerar o arquivamento definitivo dos documentos pertinentes na Jucerja ou a baixa no CNPJ um prérequisito para a homologação da compensação realizada. Cita artigos doutrinários e jurisprudência judicial no sentido de que a data da incorporação é a data da assembléia geral que deliberou neste sentido, 5.5. Que, valendose da prerrogativa de incorporadora, utilizou os créditos originalmente pertencentes à empresa extinta "Xerox do Brasil Ltda." par quitar parte dos débitos próprios dos tributos federais listados na DCOMP. Argumenta que não se pode negar a homologação da compensação sob o argumento de que se trataria de créditos de terceiros, pois os referidos créditos são próprios, já que adquiridos quando da conclusão da incorporação e automática declaração de extinção da empresa "Xerox do Brasil Ltda"; 5.6. Que requer a realização de perícia técnica contábil para comprovar a certeza e liquidez dos créditos do IRPJ da empresa extinta "Xerox do Brasil Ltda.", nos exatos termos do § 4° do art. 16 e do art. 18 do Decreto n° 70.235/72. Indica como assistente técnico o Sr. Rogério da Silva Ribeiro, brasileiro, casado, contador, carteira de identidade n° 45.84106, expedida pelo CRC/RJ. Enumera os quesitos que espera ver esclarecidos, à fl. 100. 6. Os documentos de fls. 262 e 266 dão conta da continuidade dos procedimentos de cobrança dos débitos arrolados na compensação, os quais foram interrompidos, segundo o despacho de fls. 286, por liminar deferida na Medida Cautelar n° 2007.34.00.0143433, em tramitação perante a 6ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, determinando a suspensão da exigibilidade dos débitos trazidos à compensação. Por sua vez, o despacho de fls. 342 e os documentos de fls. 349/350 e 404/405 demonstram que foi deferida antecipação de tutela em favor da interessada pelo Juízo Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, nos Autos da Ação Ordinária n° 2008.34.00.0162214, determinando que a União "dê processamento às manifestações de inconformidade interpostas pela autora, desde que tempestivas, ficando, destarte, suspensa a exigibilidade dos créditos objetos dos pedidos de compensação em referência nos autos, conforme disposição do parágrafo 11 do artigo 74 da Lei n ° 9.430/96". No recurso, a Interessada repetiu as alegações da manifestação de inconformidade, destacando o seguinte: Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 38. A jurisprudência também abraça este mesmo entendimento, pacificando a posição de que, a partir da data da assembléia que aprova e consuma a incorporação, fica extinta a empresa incorporada, independentemente de baixa no CNPJ. Justamente com base neste raciocínio é que o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em caso idêntico ao presente (Agravo de Instrumento n° 2007.01.00.0444802/DF — no qual, inclusive, a Recorrente foi parte) houve por bem reconhecer que "os atos da incorporação foram aprovados e a empresa incorporada, Xerox do Brasil, foi declarada extinta em razão da incorporação." (doc. 1). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso, alegando o seguinte: Tratandose de sociedade limitada, devem ser observadas as disposições constantes do Código Civil, conforme regra estampada no artigo 1053, in verbis: “Art. 1.053. A sociedade limitada regese, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima”. A incorporação está regulada pelo Código Civil da seguinte forma: “Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida para os respectivos tipos. “Art. 1.117. A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de reforma do ato constitutivo. “§ 1º A sociedade que houver de ser incorporada tomará conhecimento desse ato, e, se o aprovar, autorizará os administradores a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que se verificar entre o ativo e o passivo. “§ 2º A deliberação dos sócios da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio líquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. “Art. 1.118. Aprovados os atos da incorporação, a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva averbação no registro próprio. (gn)” No presente feito, a empresa Xerox Comércio e Indústria LTDA, com sede no Espírito Santo, narra ter efetuado a incorporação da empresa Xerox do Brasil LTDA, com sede no Rio de Janeiro. Como prova da operação, junta os seguintes documentos: laudo de avaliação do patrimônio líquido da Xerox do Brasil LTDA; Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11543.000898/200356 Acórdão n.º 3302001.928 S3C3T2 Fl. 598 7 Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Xerox Comércio e Indústria LTDA, aprovando a incorporação; Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Xerox do Brasil LTDA, também aprovando a operação. Todos os documentos acima listados foram arquivados na Junta Comercial de Espírito Santo, ou seja, na sede da incorporadora. Todavia, não há prova de que os atos tenham sido arquivados na Junta Comercial do Rio de Janeiro, sede da incorporada, e que tenha dado baixa no CNPJ da empresa supostamente extinta. Pela leitura do artigo 1.118 do CC fica clara a necessidade do arquivamento dos atos respectivos, pois somente assim a operação poderá ser oposta em face de terceiros. Caso contrário, qualquer pessoa que procure a Junta Comercial do Rio de Janeiro terá a informação de que a empresa incorporada continua ativa. Continuou, citando a Lei das SA a alegando que os efeitos das atas aprovadas, enquanto não registradas, produziriam efeitos apenas entre as partes, não havendo existência legal das pessoas jurídicas antes do registro do ato constitutivo, nos termos do art. 45 do CC. Citou, ainda, o art. 1º da Lei n. 8.934, de 1994, entendimento da doutrina a respeito dos efeitos do arquivamento dos atos no registro e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Mencionando os requisitos exigidos pela lei para o arquivamento de atos envolvendo as pessoas jurídicas, afirmou que a Interessada não poderia opor a operação ao fisco sem antes atender a todas as providências necessárias. Ressalta que a incorporação de 2003 não teria seu arquivamento até a data presente sido requerido Lembrou, na sequência, a necessidade de baixa do CNPJ da empresa incorporada, que, no caso em análise, continuaria na situação cadastral “ativa”. Referiuse ao processo administrativo n. 10768.018140/200296 (recurso 865717), que analisou a questão do domicílio fiscal da empresa Xerox do Brasil Ltda, e ao processo 10768.013109/200188, acrescentando que, em relação ao processo n. 11543.000904/200375, cujo acórdão foi favorável à Interessada, a PFN teria apresentado recurso, não havendo decisão definitiva. Continua suas argumentações, alegando ser desnecessária a realização de perícia, ser clara a limitação das compensações aos débitos da empresa que apure os créditos, continuar a ser de terceiro o crédito de empresa incorporada, não ter sido a declaração de compensação acompanhada de documentos que comprovassem a liquidez e certeza dos créditos, não ser possível saber se restariam créditos no processo original (10768.004563/2001 48), não ter sido verificada a ocorrência de prescrição. Posteriormente à inclusão do recurso em pauta, a Interessada apresentou os documentos que se referiram à baixa de ofício do CNPJ da empresa incorporada. Como a baixa do CNPJ havia sido efetuada posteriormente à apresentação do recurso, considerouse, na primeira sessão de julgamento, a hipótese de baixar os autos em diligência, providência plenamente suprida pela apresentação dos documentos juntados aos autos. É o relatório. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Primeiramente, no que diz respeito à ação judicial proposta para seguimento da manifestação de inconformidade, o tribunal negou provimento à remessa oficial e não conheceu do agravo retido, tendo transitado em julgado. Portanto, a apreciação da matéria no âmbito do rito do Decreto n. 70.235, de 1972, é definitiva. O despacho decisório considerou não declarada a compensação em razão de não ter sido arquivado o registro do ato de incorporação, sendo essa a única matéria do recurso. Portanto, descabe a análise das demais matérias sugeridas pela PFN em suas contrarrazões. Da fl. 132 (183 do eP) consta o protocolo de arquivamento do registro na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, que datou de 18 de março de 2003. A Interessada alegou, em memoriais e documentação posteriormente juntada aos autos, que houve a aprovação do arquivamento, após a realização de diligências, e que o cadastro da empresa incorporada foi baixado na RFB com data retroativa de 1º de março de 2003. A declaração de compensação que consta dos autos foi de 24 de março de 2003 e, portanto, após o arquivamento realizado pela incorporadora. A Primeira Instância a a PFN destacaram não haver prova do arquivamento da baixa da incorporada. Entretanto, segundo a Interessada, teria havido o registro e a baixa do CNPJ com data retroativa. Conforme esclarecido no documentos anexados aos autos relativos ao processo de baixa, no mandado de segurança n. 2011.51.01.0087638, que resultou na formação do processo de baixa, a Interessada requereu a informação sobre os débitos da empresa incorporada que estariam disponíveis à compensação, “esclarecendo quais são os motivos que porventura impedem a consolidação”. A decisão da liminar do Juízo foi a seguinte (http://procweb.jfrj.jus.br/consulta/mostraarquivo.asp?MsgID=89777AACCC364D82B322B53 83A7254AD&timeIni=45447,72&P1=54133160&P2=19&P3=&NPI=317&NPT=317&TI=1& NV=372642&MAR=S): 08. Assim, embora não haja manifestação formal de recusa da autoridade coatora ao esclarecimento requerido, o lapso temporal exíguo até o termo final para a apresentação do requerimento de parcelamento impõe que o impetrado seja intimado no prazo de 48 (quarenta e oito) horas para informar Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11543.000898/200356 Acórdão n.º 3302001.928 S3C3T2 Fl. 599 9 ao Juízo se os débitos de XEROX DO BRASIL LTDA (CNPJs 29.913.386/000100 e 29.213.386/000282) e XEROX DO BRASIL S/A (CNPJ 62.244.090/000113) estão disponíveis à utilização da incorporadora XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, esclarecendo quais são os motivos que porventura impedem a consolidação. A autoridade fiscal, nas informações solicitadas pelo Juízo, esclareceu que a Interessada não comunicou à RFB a incorporação, informando que não receberia “tratamento especial por parte desta Delegacia”. A partir do primeiro ofício do Juízo, constatandose a situação prevista na IN RFB n. 1.183, de 2011, art. 24, foram tomadas providências para a alteração de ofício do CNPJ. Conforme informações trazidas pela Interessada, relativamente ao processo 10569.000318/201180, que tratou da alteração de ofício do CNPJ das empresas, o despacho de encaminhamento de fl. 20 informou o motivo da inclusão da data mencionada anteriormente: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O presente processo foi formalizado com a finalidade de promover o acerto cadastral do CNPJ29.213.386/000100Xerox do Brasil Ltda., incorporado ao CNPJ02.773.629/000108 Xerox Comercio e Industria Ltda., conforme despacho às fls. 16. Como não foram juntadas ao processo as atas de incorporação, utilizei como data do evento aquela declarada pelo contribuinte em sua DIPJ de extinção: 01/03/2003, conforme fls. 17. Às fls. 18 e 19 juntei os extratos do sistema que comprovam a incorporação realizada nos sistemas de controle. Encaminhese ao GAB/Demac tendo em vista que até a presente data não houve registro do evento de incorporação na JUCERJA. Portanto, houve baixa de ofício do CNPJ, sem que fossem apresentados os documentos relativos à baixa. O critério adotado pela autoridade fiscal foi o da oficialidade, concluindo pela necessidade da baixa de ofício do CNPJ da empresa extinta por incorporação. De fato, o despacho decisório considerou que “não foi evidenciado o registro dos documentos inerentes à incorporação no Registro Público de Empresas Mercantis do Estado do Rio de Janeiro (Junta Comercial), às fls. 17 a 51”, relativamente à empresa incorporada. Mas, de tudo o que foi exposto nos autos até o momento, verificase que o ponto central da questão é se o art. 1118 do CC exige o arquivamento do ato de incorporação para que deixe de existir, legalmente, a sociedade incorporada. Conforme já mencionado no relatório, no processo n. 11543.000904/200375, o antigo 1º Conselho de Contribuintes manifestouse favoravelmente à Interessada (Ac. 101 96.320, de 13 de setembro de 2007), tendo o relator considerado o seguinte: Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Como visto acima, a incorporação consiste na absorção de uma sociedade por outra, cujos efeitos resultam na unificação dos patrimônios, sendo que o patrimônio da empresa incorporada é consolidado no da incorporadora, que a sucede universalmente. Também ocorre a extinção da empresa incorporada, sendo que apenas a pessoa jurídica da incorporadora continua a existir após a operação. Com a sucessão universal, a incorporadora passa a ser titular de todos os bens, direitos e obrigações que compunham o patrimônio da incorporada, que deixa de existir. Decorreu tal interpretação do que consta do § 3º do artigo mencionado: § 3° Aprovados pela assembléia geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Entretanto, dispõe o seguinte a Lei n. 8.934, de 1994: Art. 32. O registro compreende: [...] II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; [...] Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Nesse aspecto, o não arquivamento no prazo de trinta dias implica a não retroatividade à data do ato de seus efeitos. Ao contrário do que ocorre com o registro comercial, as alterações no CNPJ, relativamente às empresas incorporadora e incorporada, devem ser efetuadas conjuntamente, pois a baixa do CNPJ da incorporada implica o registro da incorporação no CNPJ da empresa incorporadora. Assim, para registrar a alteração no CNPJ da empresa incorporadora, é necessário registrar a baixa por incorporação do CNPJ da incorporada. No registro comercial, como já demonstrado, tratase de dois arquivamentos distintos e, no caso dos autos, realizados em registros também distintos. O de incorporação ocorreu anteriormente à apresentação da declaração de compensação, mas o de baixa da empresa incorporada ocorreu muito posteriormente. É importante registrar, nesse momento, o que ocorreu na ação judicial apresentada pela Interessada. A sentença foi exarada com o seguinte teor: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11543.000898/200356 Acórdão n.º 3302001.928 S3C3T2 Fl. 600 11 29. Ante o exposto, julgo extinto o processo, sem resolução do mérito, nos termos do art. 267, VI, do Código de Processo Civil, no que tange ilegitimidade do Sr. ProcuradorChefe da Fazenda Nacional figurar no pólo passivo da impetração, com ressalva do pleito relacionado à análise do crédito inscrito sob o nº 70.2.05.00546285. Outrossim, julgo parcialmente procedente o pedido, com fulcro no art. 269, I, do Código de Processo Civil, para que o Sr. Delegado da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro, em relação aos créditos referentes aos processos administrativos ns. 13726.000188/200141, 13726.000391/2001 18 e 10783.000817/9812, e o Sr. ProcuradorChefe da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro, em relação ao crédito inscrito sob o n. 70.2.05.00546285, autorizem a inclusão deles em requerimento formulado pela impetrante de parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/2009. 30. Condeno a União ao ressarcimento de custas. Sem condenação ao pagamento de honorários advocatícios (art. 25, da Lei n. 12.016/2009). 31. A liminar resta parcialmente confirmada para que os depósitos judiciais passem a ser feitos administrativamente. Certificado o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em favor da União. Na sentença, também foi destacado que em duas decisões o Carf admitiu a compensação de débitos da incorporadora com créditos da incorporada (processo 11543.000904/200375) 26. As duas decisões administrativas transcritas foram proferidas a partir de requerimentos de compensação apresentados em 2003. Em ambas as manifestações, foi asseverado que o direito de a incorporadora valerse de créditos da sociedade incorporada para obter a compensação independia da conclusão dos procedimentos de registro cartorário, pois, com a incorporação, o patrimônio da sociedade incorporada era absorvido pela incorporadora, única pessoa jurídica existente. A premissa normativa que serve de supedâneo a esse raciocínio também se estende à resolução da questão ora discutida, pois o requerimento de parcelamento não pode ter sua admissibilidade sujeita à obediência de solenidade que se contraponha à constatação de que a impetrante passa a gerir os créditos das sociedades por ela incorporadas, ainda que pendências administrativas indiquem a manutenção de suas inscrições no cadastro nacional de pessoas jurídicas mantido pelo Ministério da Fazenda. A autoridade fiscal, portanto, não poderia adotar ilação divergente daquela esposada por instância administrativa superior, que já havia se manifestado favoravelmente à utilização dos créditos e débitos tributários da sociedade incorporada pela pessoa jurídica à qual passa a integrar. Essa posição parece oposta à do Acórdão n. 20213.630, de 19 de março de 2002, que decidiu o seguinte: Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. Operações societárias que importem em transformações em companhia, como seu aumento de capital, somente produzem efeitos com o arquivamento e publicação dos respectivos atos, retroagindo seus efeitos, apenas, quando requerido o arquivamento até o trigésimo dia subsequente ao da realização da assembleia. Recurso a que se nega provimento. A oposição ocorre em relação a uma primeira tese, a de que a aprovação da incorporação, independentemente do registro, extinguiria a empresa incorporada. Mas há duas outras teses que poderiam dar razão à Interessada: primeiramente, a de que o arquivamento somente pela incorporadora seria suficiente para extinguir a empresa incorporada; ademais, a de que houve a baixa retroativa do CNPJ pela RFB, o que implicaria considerar que o próprio Fisco admitiu que os efeitos se produziram retroativamente. Em relação a esta última tese, que é a aparentemente defendida pela Interessada a partir da apresentação dos primeiros memoriais, a data adotada para o evento, conforme exposto anteriormente, foi escolhida em função da inexistência de informação sobre a baixa. Além disso, ao que tudo indica, o sistema CNPJ não aceitaria datas diversas para o registro da incorporação e da extinção da incorporada. Entretanto, segundo os trechos de decisões administrativas e judiciais anteriormente citados, o que importa ao deslinde da questão é a sucessão universal que decorre da incorporação. Tal sucessão universal, que abrange os direitos e obrigações tributárias, ocorre com a incorporação e seus efeitos se produzem com o arquivamento das atas pela empresa incorporadora. A partir desse momento, a empresa incorporada, embora não tenha providenciado o arquivamento das atas, não mais detinha a titularidade dos créditos, que passou à incorporadora. Portanto, ainda que pudesse existir juridicamente, a empresa incorporada não mais era a titular dos direitos e obrigações. Dessa forma, quando foi apresentada a declaração de compensação, a Interessada já era sucessora da empresa incorporada, o que lhe permitia a utilização dos créditos da incorporada para compensar seus débitos. Sendo esse o objeto do recurso, as demais questões levantadas pela PFN1 em suas contrarrazões devem ser tratadas, eventualmente, em novo despacho decisório. 1 "[...] não ter sido a declaração de compensação acompanhada de documentos que comprovassem a liquidez e certeza dos créditos, não ser possível saber se restariam créditos no processo original (10768.004563/200148), não ter sido verificada a ocorrência de prescrição." Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11543.000898/200356 Acórdão n.º 3302001.928 S3C3T2 Fl. 601 13 Voto, portanto, para dar provimento parcial ao recurso, apenas para admitir a possibilidade de compensação, devendo retornarem os autos à DRF de origem para as providências de sua alçada. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 767DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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