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Numero do processo: 13631.000017/91-11
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 1993
Ementa: CONTRIBUIÇA0 SOCIAL - SOCIEDADES
COOPERATIVAS - Os atos cooperativos
no implicam operações de mercado e
nem contratos de compra e venda de U
mercadorias ou produtos e, por consequência, o resultado positivo
dessas operações no constitui lucro da cooperativa e nata há incidência da Contribuição Social criada pela Lei n° 7.689/88.
Numero da decisão: 102-28.368
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao
recurso.
Nome do relator: Kazuki Shiobara
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DOS CAFEICULTORES DA REGIRO DE LAJAINHA LTDA. . Recorrida : DRF EM GOVERNADOR VALADARES/MG i I CONTRIBUIÇA0 SOCIAL - SOCIEDADES ,1 COOPERATIVAS - Os atos cooperativos no implicam operaçbes de mercado e nem contratos de compra e venda de U mercadorias ou produtos e, por con- • sequWncia, o resultado positivo dessas operaçbes no constitui lu- cro da cooperativa e nata há inci- dWncia da Contribui~ Social cria- da pela Lei ng 7.689/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA DOS CAFEICULTORES DA REGIAS DE LA- JINHA LTDA, ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Con — selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, Salc da 4 Sess6es, em 08 de julho de 19_93 adi”ww,......., . IRI , SIMIANER - PRESIDENTE ik KAZ KI S. - 0BARA - RELATOR -JOPI , VISTO EM UILD, MAPA ZANICDTTI OLIVEIRA - PROCURADORA DA FA SESSA0 DE; ZENDA NACIONAL I 2 NON/ 1993_., Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros; Waldevan Alves de Oliveira, Francisco de Paula Correa Carneiro Giffo- ni, Ursula Hansen, Júlio Casar Gomes da Silva e Carlos Roberto Montei_ po Deptazi. Ausente justificadamente a Conselheira Maria Clélia de An r drade Figueiredo. I I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Ng 13061.000017/91-11 RECURSO Ng : 71.441 ACORDO Ng : 102-28.368 RECORRENTE: COOP. DOS CAFEICULTORES DA REGIRO DE LAJINHA LTDA. RELATORI O A COOPERATIVA DOS CAFEITULTORES DA REGIA0 DE LAJINHA LTDA, inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes sob ng 21.025.069/0001-40, inconformada com a decisão de 12 grau, profe- rida pelo Delegado da Receita Federal em Governador Vaiada- res(MG), apresenta recurso voluntário, visando a reforma da deci- são recorrida e aduzindo as razhes abaixo sintetizadas. Argui a preliminar de inconstitucionalidade da Lei ng 7.689, de 15.12.88 que instituiu a Contribuição Social sobre o lucro das pessoas jurídicas e em reforço a esta tese faz citação de jurispru~cia judicial sobre o tema. No mérito, argumenta que as sociedades cooperativas são entes societários sem fins lucrativos conforme expressa a Lei n2 5.764/71, visto que não aufere lucros mas sim sobras que serão distribuídos aos cooperados. Acrescenta mais que: "Ademais, o artigo 62 do Estatuto Social da Cooperativa diz o seguinte: as sobras apura- das, após a dedução dos fundos, serão devol- vidas aos cooperados, na proporção do volume das operaçhes que tenham realizado com as respectivas seçtles ou departamentos da Coope- rativa, s vo decisão diversa da Assembléia Ordinária. I ! ""' g:U.Ln MINISTÉRIO DA FAZENDA 'Wle ~ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .-- *--- PROCESSO N2 13631.000017/91-11 Acórdão n2 102-28.368 , Não obstante o citado artigo, nota-se que te- mos respaldo legal não só no Estatuto Social, como também temos definidos da Lei 5.764 (lei cooperativista), o que vem a ser sobre para o sistema cooperativista, que na realidade não trabalha com fins lucrativos, sito porque, no sistema cooperativista, as sobras são distri- buídas proporcionalmente aos associados, dis- cutidos em Assembléia Ordinária. Diante do acima exposto, a impugnante requer aos Senhores Julgadores, um estudo minucioso ii e a sensatez que lhes é peculiar, onde sem sombra de dúvidas S.M.J., encontrarão o erro, que ora anteriormente foi feito pela Secreta- ria da Receita Federal, originando, desta feita, um litígio extra judicial indevido. uVale a pena salientar, que o sistema coopera- tivista não tem fins lucrativos, ou seja, não trabalha com o propósito de auferir lucros." 1 É o relatório. / 4)/) , I I _ u P 1 i. i ti 1 1 il J i i , i , , , P ,, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA S'! PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 13631.000017/91-11 Acórdão n2 102-28.368 VOTO Conselheiro KAZUKI SHIOBARA - Relatar O recurso preenche os requisitos de lei. A questão submetida a apreciação deste Colegiada refe- re-se a incidância de Contribuição Social sobre o resultado posi- tivo obtido pelas cooperativas agrícolas, nas operaçhes realiza- das com os seus cooperados. A preliminar de inconstitucionalidade da Lei no 7.689188 ho é matéria que deva ser apreciada pelo Conselho de Contribuinte 'porquanto, é pacifica a jurisprudância administrati- va e confirmada pela doutrina vigente, no sentido de que não cabe ao Tribunal Administrativo Fiscal da União conhecer e declarar a inconstitucionalidade das leis fiscais ou deixar de aplicá-las aos atos e fatos que o legislador determinou que fossem aplica- dos, ao fundamento de sua inconstitucionalidade. No mérito, a matéria comporta uma análise mais minucio- sa da legislação vigente. A Lei n2 7.689/88 ~peie: "Art. 12 - Fica instituida contribuição so- cial sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financimento da Seguridade so- cial. Art. 22 - A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda." Parágrafo 12 - Para efeito do disposto neste artigo: c) o resultado do período-base, apurada com observância da legislação comercial será, ajustado pela: ..w ii ..A4 - 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA• - :-: -.; ,!' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N9 13631.000017/91-11 Acórdão n2 102- 28.368 Esta lei não isentou qualquer pessoa jurídica ou insti- tuiçhés que gozam da imunidade . tributária. Semente com a expedi- ção da Instrução Normativa n2 196/88, do Secretário da Receita Federal, as hipóteses de isençhes e de não incidência foram explicitadas. ,, Sobre as sociedades cooperativas, a referida Instrução Normativa declarou que: "9. As sociedades cooperativas calcularão a contribuição social sobre o resultado do pe- ríodo-base, podendo deduzir como despesa na determinação do lucro real, a parcela da con- tribuição relativa ao lucro nas operaçhes com não-associados." A interpretação literal e apressada deste item 9, da Instrução Normativa n2 199/86 poderia levar à conclusão adotada pela autoridade julgadora de 12 grau mas as razhes expendidas pe- la recorrente são fortes e a matéria comporta interpretação sis- temática. O fato de a Lei n2 7.689/88 não mencionar qualquer isençâo, imunidade ou não incidência, pode ser explicado pelo teor do seu artigo 12 que instituiu a Contribuição Social semente sobre o lucro de pessoas jurídicas. Assim, a contrário senso, pa- ra as pessoas jurídicas que não tem lucro apurada na forma da le- gislação comercial ( letra "c", do parágrafo 12, do artigo 22 da mesma Lei), não comporta incidência da Contribuição Social, por inexistir resultado positivo. Se o artigo 12 da Lei n2 7.669/86 instituiu a Contri- buição Social sobre o lucro, o artigo 22 da mesma Lei não poderia e nem ampliou a incidência sobre resultados que não se coadunam como lucro de pessoas Jurídicas. O artigo 22 definiu a base de cálculo, evidentemente, no limite consagrado no artigo 12 da mes-7) , ( ma Lei. i t i' :,•''.'W.- 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA ~•k4: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES á nÇ'' PROCESSO N2 13631.000017/91-11 Acórdão n2 102-28.368 Ao referir-se a resultado do exercício, antes da provi- são para o imposto de renda e ao resultado do período-base, com observaincia da legislação comercial, com os ajustes especifica- dos, leva, inexorávelmente à conclusão de que o resultado a que se refere o artigo 22, tem o mesmo alcance do lucro mencionado no , artigo 12 da Lei n2 7.689/86. Por outro lado, conforme salientou a recorrente, a Lei n2 5.764/71 que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, além de definir que as sociedades cooperativas e os seus cooperados se obrigam a contribuir com bens e serviços, reciprocamente, para o exercício de uma atividade econamica, de proveito comum, sem ob- jetivo de lucro, estabelece, ainda que: "Art. 79 - Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus asso- ciados, entre estes e aquelas e pelas coope- rativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único - O ato cooperativo não im- plica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." E Neste contexto, na sequWncia de atos cooperativos, ine- xistindo operaçtes de compra e venda de produto ou mercadoria, inexiste lucro ou resultado positivo, sobre o qual deva incidir a Contribuição Social a não ser que a cooperativa autuada esteja desvirtuando os seus objetivos sociais e esteja operando como em- presa comercial. Não está provada nos autos, o aventado desvir- tuamento dos objetivos sociais da sociedade cooperativa, ora em 1 cogitação. 1 O resultado positivo nos atos cooperativos não consti-- I( tui lucro da pessoa jurídica, no caso, a sociedade cooperativa, z ç 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 13631.000017/91-11 Acórdão n2 102-28.368 porque ela não promoveu operação mercantil de compra e venda e, portanto, não apurou resultado positivo, na forma da legislação comercial, para a pessoa jurídica. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. Brasilia(DF) 0:z de julho de 1993 KAZ Kl SHIOBARA Relatar Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13739.000421/91-31
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS - REFLEXO - É devida a contribuição ao PIS sobre a receita
comprovadamente omitida.
Numero da decisão: 102-40.356
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ramiro Heise
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ementa_s : PIS - REFLEXO - É devida a contribuição ao PIS sobre a receita comprovadamente omitida.
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Numero do processo: 15586.000259/2006-98
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002
DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE PAGO. EXIGÊNCIAS.
0 art. 8° da Lei n° 10.336, de 2001 não autoriza deduzir o valor da CIDE depositado judicialmente do montante da Cofins a recolher.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002
DEDUÇÃO DO VALOR DA C1DE PAGO. EXIGÊNCIAS.
0 art. 8º da Lei n° 10.336, de 2001 não autoriza deduzir o valor da CIDE depositado judicialmente do montante da Contribuição para o PIS a recolher.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LIMITES.
A concessão de liminar em Mandado de Segurança só suspende a exigibilidade do tributo debatido naquela ação e, ainda assim, nos exatos limites do provimento judicial.
MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE.
A multa de oficio de 75% do Valor do Imposto que deixou de ser recolhido encontra-se prevista em lei vigente e como tal, não pode deixar de ser aplicada em razão de alegada inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF n°2
TAXA SELIC.
A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária.
Aplicação da Súmula CARF nº 4
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.749
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002 DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE PAGO. EXIGÊNCIAS. 0 art. 8° da Lei n° 10.336, de 2001 não autoriza deduzir o valor da CIDE depositado judicialmente do montante da Cofins a recolher. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002 DEDUÇÃO DO VALOR DA C1DE PAGO. EXIGÊNCIAS. 0 art. 8º da Lei n° 10.336, de 2001 não autoriza deduzir o valor da CIDE depositado judicialmente do montante da Contribuição para o PIS a recolher. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LIMITES. A concessão de liminar em Mandado de Segurança só suspende a exigibilidade do tributo debatido naquela ação e, ainda assim, nos exatos limites do provimento judicial. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A multa de oficio de 75% do Valor do Imposto que deixou de ser recolhido encontra-se prevista em lei vigente e como tal, não pode deixar de ser aplicada em razão de alegada inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF n°2 TAXA SELIC. A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 4 Recurso Voluntário Negado
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EXIGÊNCIAS. 0 art. 8° da Lei n° 10.336, de 2001 não autoriza deduzir o valor da CIDE depositado judicialmente do montante da Cofins a recolher. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002 DEDUÇÃO DO VALOR DA C1DE PAGO. EXIGÊNCIAS. 0 art. 80 da Lei n° 10.336, de 2001 não autoriza deduzir o valor da CIDE depositado judicialmente do montante da Contribuição para o PIS a recolher. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/10/2002 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LIMITES. A concessão de liminar em Mandado de Segurança só suspende a exigibilidade do tributo debatido naquela ação e, ainda assim, nos exatos limites do provimento judicial. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A multa de oficio de 75% do Valor do Imposto que deixou de ser recolhido encontra-se prevista em lei vigente e como tal, não pode deixar de ser aplicada em razão de alegada inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF n°2 Assinado d gitalmenle em 0711012010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenlicado digitalmenle em 00/1012010 por LUIS MARCH a GUERRA DE CASTRO Emilia() cm :W/12/2010 pelt) fylinistõrio tie Fazonda Dr CAM' MF II. .1 15 TAXA SELIC. A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária. Aplicação da Súmula CARF ri0 4 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que fbi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimpnto, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorria o, que passo a transcrever: Troia o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo a faltatinsuficiencia do recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo os períodos de apuração de julho a outubro de 2002 (liS, 431 a 434), no valor de n5.059.193,11, incluindo principal, multa de oficio de 75%, e juros de mora, calculados até 29/09/2006. Foi também lavrado auto de infração relativo a falta/insuficiência do recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os mesmos períodos de apuração (lZs. 43.5 a 438), no valor de R$1.097241, 68, incluindo principal, multa de oficio de 75% e juros de mora, calculados até 29/09/2006. No Termo de Verificação Fiscal e Encerramento P1S/COFINS (ff. 417 e 430) a autoridade lançadora registra, com relação ao PIS e a COF.DVS, que: a) A empresa impetrou a ação judicial n°2002.50.01001002-O, questionando a constialcionalidade da Cide, A liminar foi indeferida e o pedido de depósito foi autorizado. Na sentença proferida foi indeferido o pedido de conversão em renda da Unido de valores referentes a dedução do PIS e da COFINS com aqueles depositados a titulo de C1DE e foi indeferido o pedido de levantamento de depósito do período de 15/08/02. Foram Assinado digi;almento em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Antonia:ado dtalmente ern 01311012010 pot I.DIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido orn 3/1212010 polo MinistOrio da Fazonda 1 2 H. 416 1)1 CAR " Mr Processo if 15586,000259/2006-98 S3-C1T2 AcOrd4o n.°3102-00.749 Fl. 2 também julgados improcedentes os pedidos iniciais e denegada a segurança. A interessada impetrou recurso de apelação para o TRF; b) No período de 07/2002 a 10/2002 a empresa efetuou depósitos judiciais referentes à Cide-Importação; c) A alegação do contribuinte de que o recurso de apelação interposto teria sido recebido no efeito devolutivo, possibilitando a imediata conversão em renda dos depósitos efetuados não procede. A Lei 9.703/98 determina expressamente que o depósito judicial deve permanecer à disposição do juizo até o final da lide; d) A empresa deduziu dos valores do PIS e da COFINS devidos, os valores pagos e os depositados em juizo a titulo de Cide- Importação, conforme demonstrativos em fls. 116 a 119 e 112 a 115 e Declarações D-Cide em fis. 122 a 126; e) O art. 7' da Lei 10.336/01 com alterações posteriores define a possibilidade de dedução dos valores "pagos" a título de Cide- Importação dos valores devidos ao PIS e COFINS, mas WO autoriza a dedução de valores depositados. Portanto, as deduções efetuadas são indevidas por falta de previsão legal e, conseqüentemente, a empresa deixou de recolher o PIS e a COFINS no período de 07 a 10/2002; f) Na hipótese de decisão favorável ao con tribuinte, este poderá levantar os valores depositados e conseqüentemente, não haverá valores a serem deduzidos do PIS e da COF1NS o que colocaria em risco o direito da União sobre os créditos não constituídos, tendo em vista a possibilidade de decadência; g) Os depósitos efetuados e a ação impetrado referem-se à Cide- Combustivels, não tendo qualquer vincula com o PIS e a COFINS; h) No decorrer da referida ação foi solicitada a conversão em renda da União de valores depositados, para o pagamento do PIS e da COFINS e em sua decisão, o magistrado entendeu não ser cabível a conversão pretendida; i) Portanto, os depósitos efetuados não suspendem a exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS e à CORNS; Além de não ter efetuado os recolhimentos de PIS e COFINS no período de 07 a 10/2002, a pessoa jurídica não informou em DCTF os valores a eles relativos, devidos sobre receitas de vendas de combustíveis; Desta forma, foram lavrados os autos de infração de PIS e de COFINS referentes ao período citado, conforme demonstrado nas tabelas anexas ao Termo de Verificação. O enquadramento legal da presente autuação foi: Assinado dtgitahnente oni 07110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenhead6 digitalmente om 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAS f it0 Etniticio en 3011212010 polo MiniStbrio do Fazondo H. 417 DE CARE ME COFINS.; artigo 149 da Lei 5.1 72/66; artigo 1° da Lei Complementar 70/91; artigos 2°, 3 0, 4°, 6° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida provisória 1,858/99 e suas reedições e a redação introduzida pela Lei 9,990/00; artigos 2°, inciso lie parágrafo único, 3°, 10, 22 e 52 do Decreto 4.524/02; artigo 8° da Lei 10.336/2001, PIS: artigo 149 da Lei £172166; artigos I' e 3° da Lei Complementar n° 7/70, artigos 2°, inciso I. e 9° da Lei n° 9,715/98; artigos 2°, 4°, inciso I e 6° da Lei n°9,718/98, com a redação dada pela Lei 9,990/00; artigos inciso I e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 52 do Decreto 4.524/02; artigo 8° da Lei 10.336/2001, A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta as fls. 434 e 438 Após tomar ciência das autuações em 23/10/2006 (fls. 431 e 435), a empresa autuada, inconformada, apresentou as impugnações anexadas as fls. 442 a 469 e 584 a 611 em 22/11/2006, com as alegações abaixo resumidas, relativas COF1NS e ao PIS: a) A autuada impetrou o Mandado de Segurança n° 2002.50.01,001002-0 argüindo a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência da CIDE na aquisição de combustíveis. No período de 07/02 a 10/02, promoveu depósitos judiciais da SIDE Combustível devida pela importação promovida, de acordo com autorização judicial,. b) Ato continuo, nas operações de venda dos combustíveis importados, a autuada deduziu os valores depositados do valor devido de COF1NS e PIS, obedecendo ao critério legal; c) Preliminarmente, o lançamento ora impugnado deve ter a sua exigibilidade suspensa, não apenas por forga da impugnação, mas porque o seu destino esta vinculado ao resultado final do mandado de segurança citado; d) Se a sentença que julgou improcedente o pedido se confirmar ern definitivo quando do julgamento do recurso de apelação, o auto de infração terá sido em vão, já que os depósitos serão convertidos em renda da União, extinguindo os créditos tributários a titulo de CIDE,- e) E equivocada a conclusão de que os valores depositados a titulo de CIDE devido na importação não Seriam dedutiveis do valor da COFINIS e do PIS. A se manter tal conclusão estar-se-á negando vigência ao art, .5°, inciso XXXV da CF; ,f) De acordo com a Lei 9.703/98, os depósitos judiciais e extrajudiciais são imediatamente repassados para a Conta Onica do Tesouro Nacional Assim, a suposta ausência de permissão para a dedução dos valores depositados a titulo de CIDE com a COF1NS e o PIS devidos representa, no minim, o enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional; Assinado dlgitalmente em 07 1 10 12010 por LUIS MARCELO GUERRA OE CASTRO Autenticado digitalmente em 061 1012010 poi I 0I 5 MARCELO GUERRA DE CASTRO Emilia° em 30/12/2010 pelo Miniatedo da Fazonda 4 DF CAR 7 MP FL 418 • Processo n° 15586.000259/2006-98 S3-C1T2 AcOrd8o n.° 3102-00.749 Fl 3 g) Contra a sentença proferida no Mandado de Segurança a autuada interpós recurso de apelação, recebido apenas no seu efeito devolutiva Assim sendo, os depósitos judiciais já poderiam ter sido convertidos em renda da União, extinguindo o crédito tributária Se ate apresente data não houve a conversão, não se pode atribuir tal responsabilidade à autuada; Não há como se fazer incidir a taxa Selic na presente autuação, face el inconstitucionalidade de sua utilização para fins tributários, conforme conclusão do Sri no julgamento do Recurso Especial 215.88I/PR; i) A utilização da taxa Selic representa aumento de tributo sent lei especifica a respeito, vulnerando-se o art 150, Ida CF; Também representa violação ao Principio da Indelegabilidade da Competência Tributária, uma vez que a referida taxa é determinada pelo BACEN, unilateralmente, ferindo assim, o art. 48, Ida CF; k) A Selic, introduzida no sistema tributário por simples lei ordinária, não poderia contrapor-se ao art. 161 do CTN, que criou o limite legal de 1% ao mês para a taxa de juros de mora; 0 A exigência da taxa Selic para fins tributários viola o Principio da Legalidade (art 5°, II da CF) pela ausência de lei especifica e apropriada (lei complementar); m) O TRF da 2' região deu provimento ao recurso de agravo de instrumento n° 75000 para, igualmente, considerar inconstitucional a aplicação da taxa Selic para fins tributários; • multa de 7.5% foi aplicada indevidamente. Conclui-se do art. 142 do CTN, corroborado pelo art. 151 do CTN, que as multas são créditos tributários.. 0 art 146, inciso II, alínea b da CF prevê que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, contudo, a multa aplicada foi instituída por simples lei ordinária, razão pela qual requer seja excluida da autuação. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração; 01/07/2002 a 31/10/2002 AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência de depósitos judiciais no montante integral ou de decisão judicial só alcança o tributo questionado na ação. CIDE-COMBUSTiVEL, DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS. PARCELA PAGA. Assinado digitalmente em 07/1012010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulentteado digitalmente cm 06110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido cm 30/12/2010 polo Ministerio da Fazonda OF CAM' ME H. 4119 Somente poderão ser objeto de dedução do PIS e da Cofins devidos na comercialização de combustive l os valores efetivamente pagos a titulo de Cide-conzbustivel INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete ià autoridade administrativa apreciar argitiçães de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenatnento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taro referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. L4KAME1VTO. MULTA DE OFÍCIO, Verificada em procedimento de oficio a falta de declaração e de recolhimento de valores devidos ao PIS, cabe a aplicação da tnulta de oficio, por expressa determinação do artigo 44 da Lei n° 9,430/96. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1' instância, comparece a autuada mais uma ve ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alega0es maneja as por ocasião da instauração da fase litigiosa. o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi apresentado e trata de matéria afeta A competência desta Terceira Seção tempestivamente Em nome da sistematização, analiso separadamente cada sobre os quais deve este colegiado se pronunciar. 1- Dedução da Base de Cálculo um dos pontos Dizia o art. 8° da Lei no 10.336, de 2001, na versão que vigia à época dos fatos geradores objeto de litígio: Art. 80 0 contribuinte poderei, ainda, deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização, no mercado inferno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 5°, até o limite de, respectivamente: Como é possível perceber, o dispositivo não autoriza, como pretende a recorre te, a dedução das parcelas referentes A Contribuição e Intervenção no Domínio Econômico que tenham sido alvo de deposito judicial, ainda que, sob o ponto de vista do dispencpo, represente transitoriamente o mesmo ônus do pagamento Assinado digitalinente ern 071 10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aritenticado d I gitalmente em 00/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE cwirrZO 6 Emitiria em 301 12/2010 polo Miniaterio Fazencla DV CAR!' N.1 Fl. 420 Processo n° 15586.000259/2006-98 S3-C1T2 Auk-a° n.°3102-00.749 Fl. 4 Para se chegar a tal conclusão, mais importante que o norte exegético fixado no art. 111, I e II, do Código Tributário Nacional, a busca da melhor interpretação do dispositivo passa necessariamente pela vedação do enriquecimento sem causa. Com efeito, o dispositivo que fixa a dedução alvo de glosa pelo Fisco não deixa margem para se deduzir montante diverso do efetivamente pago e, a meu ver, não hi outra interpretação viável. Permitir a dedução dos depósitos viabilizaria a redução do imposto sem o correspondente dispêndio, caso, ao final do processo judicial, a pessoa jurídica que discute a exação sagre-se vencedora. Não vejo, portanto, como extrair do dispositivo exegese que equipare depósito e recolhimento. 2- Suspensão da Exigibilidade Busca a recorrente que se dê efeito suspensivo à autuação, sob o fundamento de que haveria relação de prejudicialidade entre a matéria aqui debatida e o Mandado de Segurança em que se discute a incidência de CIDE. Penso que tal pretensão igualmente não pode prosperar. Em primeiro lugar, como é cediço, a medida liminar em Mandado de Segurança constitui satisfação antecipada do pedido 2 e, como tal, tem seus efeitos limitados ao objeto da ação onde foi deferida. portanto, a exigência litigiosa, o comando inserido no art. 151, 1V, do CTN3, na medida em que o crédito tributário suspenso é aquele que foi alvo do processo judicial. Em segundo lugar, se, como se concluiu adiante, a lei não di espaço para dedução diversa do efetivo pagamento. Finalmente, não hi, como afirmou o sujeito passivo, relação de prejudicialidade entre o mandado de segurança em que se discute o pagamento da CIDE: o depósito não sera passive] de dedução ainda que, após o trânsito em julgado, for convertido em renda da União. 3- Mulla de Oficio A incidência de multa de oficio sobre os tributos que deixaram de ser regularmente pagos encontra-se disciplinada no art. 44, I da Lei n°9.430, de 1996, que, à época dos fatos geradores, possuia a seguinte redação: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; 2 .Vide Machado, Hugo de Brito. Mandado de Segurança em Matéria Tributária.. Sao Paulo. 1998, Dialética, 3 0 ed. p. 107 " Art. 151, Suspendem a exigibilidade do crédito tributério: IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança; Assinado di italmente eni 07110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 7 AuleMicado diuitalinente urn 06/10/2010 pm LUIS MARCEL O GUERRA De C,AS'l RO Emitido om , 10/1212010 polo Ministório do Fazonda DI' CARP IF Fl. 421 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por outro lado, não se tem conhecimento de ação judicial em sede de controle concentrado ou resolução do Senado Federal que. expurgue o dispositivo do ordenamento juridicO. De se aplicar, portanto, a súmula CARP n° 2: Stimula CARF tt° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Cumpre registrar, ademais, que não se está diante da hipótese de exclusão prevista no art. 63 da mesma Lei n° 9.430, de 1996. Sabidamente, para que se aplique o dispositivo, exige-se o cumprimento concomitante de três condições: que o lançamento se dê no intuito de prevenir a decadência, que a exigibilidade se encontre suspensa, em mar) da concessão de medida liminar ou tutela antecipada, e que tal provimento se concretize antes do inicio de qualquer procedimento de oficio ilativo a tal exigência, fatos que não se verificam no presente processo. 4- Taxã Selic Apesar da longa dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referenc ial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC aos débitos tributários, não vejo como . afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso. Importante relembrar que essa discussão já encontra-se pacificada nesta corte admini trativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF n°4, que diz: Súmula CARA° •P A partir de I° de abril de 1995; os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 4 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, rido caberá lançamento de multa de oficio, lo 0 disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo . Assinado digi atinente em 07 1 10/2010 poi LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado d gitzilinente em 00/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Einitido ern 3 /12/2010 polo Ministério do Fazendo DE: CAR ME FL 422 Processo n° 15586,000259/2006-98 S3-C1 1 2 AcOrddo n.° 3102-00.749 Fl 5 5- Conclusão voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso Sala das Sessões, ern 27 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Assinado d gitaltnenle em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autentic)Zu digitalmente ern 00/10/201() por I UIS MARCELO GUERRA DE CAS IRO Emitido em 30/1212010 pelo Ministerio do Fazenda
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000268/2003-24
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2001
OPÇÃO SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL PERMITIDA.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos não se equipara a serviço profissional prestados por engenheiros e não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal.
Numero da decisão: 1801-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2001 OPÇÃO SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL PERMITIDA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos não se equipara a serviço profissional prestados por engenheiros e não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL PERMITIDA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos não se equipara a serviço profissional prestados por engenheiros e não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 02 68 /2 00 3- 24 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13002.000268/200324 Acórdão n.º 1801001.534 S1TE01 Fl. 186 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), fls. 4849, a partir de 11.05.2000, ou seja, início das atividades, ao argumento de que demonstrou sua intenção inequívoca de opção pela apresentação das DSPJ Simples e efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 7173, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento pedido. Restou esclarecido que a Recorrente se dedica à prestação de serviço profissional de engenheiro ou assemelhado (inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Cientificada em 03.04.2004, fl. 77, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 28.04.2004, fls. 7980. Restou esclarecido que [...] não concorda com o conteúdo das indicações em todo o seu texto; ficando parecer cimo e notório que a empresa esta por semelhança ligada ao artigo 9º (novo) nem XIII da lei 9.317 [de] 96 alterado pela lei 9.779 [de] 99 ou por resolução especifica do conselho federal de engenharia, arquitetura e agronomia que enumera várias situações que a empresa estaria contundentemente infringindo tal resolução; e entrando na área especifica de tal conselho regulador das profissões da engenharia. [...] Em vista disso nos resta questionar também porque a [RFB] como órgão fiscalizador não detectou este fato desde o inicio; como fica o já acontecido erroneamente quanto as obrigações tributárias; pois a receita federal tinha obrigação de sustar o acontecimento no início, já que pela nossa denominação social, e parte do nosso objeto social estamos sendo considerados inaptos ao enquadramento do simples. Conclui Assim sendo, e isto posto junta copias da inicial e da decisão de indeferimento, concluindo, requer e pleiteia, [...] que V.Sas, dignese a despachar pela não confirmação do indeferimento e aceitando plenamente nossa argumentação despachando favoravelmente a nossa opção retroativa. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1012.507, de 04.07.2007, fls. 8283: “Solicitação Indeferida”. Ficou esclarecido que Analisando a documentação acostada aos autos, observamos que a atividade desenvolvida pela contribuinte é impeditiva de opção ao Simples. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13002.000268/200324 Acórdão n.º 1801001.534 S1TE01 Fl. 187 3 Salientamos que eventualmente cessada a condição impeditiva de opção ao Simples, a empresa poderá efetuar a sua alteração cadastral por meio da FCPJ, ou conforme seja a previsão legal na oportunidade. Restou ementado Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples A Anocalendário: 2000 Ementa: INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES Exercendo atividade vedada à opção do sistema simplificado, não pode a empresa ser optante pelo Simples. NÃO cabe a correção de ofício de seu cadastro pela autoridade administrativa. Notificada em 13.08.2007, fl. 85, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 8788, em 11.09.2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita Que preenchendo todas as condições para enquadramento de sua inclusão retroativa no Simples lei 9.317 de 05.12.1996 alterado pela lei 9.779 de 19.01.1999, vem manifestarse com inconformidade, quanto as decisões de indeferimento homologados pelo Delegado da Receita Federal de Novo Hamburgo, e posteriormente pela 4° (quarta) turma da DRJ/POA.[...] Que tendo juntado aos autos deste processo administrativo documentação necessária a esta pretensão retroativa de inclusão no Simples, bem como toda uma explanação contundente a este fato, também consta no referido processo. [...] Que resta a empresa pensar e considerar que estes julgadores não tiveram bom senso em analisar os fatos que são claros e abundantes em cima de uma legislação que gera dúbia interpretação a demonstrar tal direito pleiteado pela empresa, principalmente pelo fato que a Receita Federal do Brasil é órgão fiscalizador, e corno tal tinha por obrigação fazer, ou manifestarse contrário a forma que a empresa vinha recolhendo os tributos, e entregando suas declarações de Imposto de Renda, no sistema do simples desde inicio de suas atividades, isto era para ser detectado pela Receita Federal do Brasil lá no inicio das atividades, assim não tendo acontecido, a empresa fica tremendamente prejudicada, pois retroagir em cálculos, de impostos por uma falha técnica da Receita Federal do Brasil, se é que ela interpreta o fato a si favorável, e muito penoso para qualquer contribuinte, e principalmente para uma Micro Empresa de prestação de serviços. Conclui Isto posto, e em face dos fatos relatados nos recursos apresentados, pedimos [...] a este Conselho de Contribuintes que analisem detalhadamente com sabedoria, para que seja enfim despachado favoravelmente a confirmação de deferimento a nossa opção retroativa no sistema. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13002.000268/200324 Acórdão n.º 1801001.534 S1TE01 Fl. 188 4 com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.035, de 08.081.2010, fls. 9499, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: caracterize a prestação do serviço profissional que a pessoa jurídica exerce mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 11/05/2000; anexe Notas Fiscais que comprovem a prestação de serviço profissional; verifique se para o exercício da atividade é exigido o Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade; verifique se no quadro de pessoal há engenheiros ou técnicos com conhecimento, especialização e experiência profissional que os assemelhem a engenheiros. Foi proferido o Parecer n° 001/2012, de 30.03.2012, fls. 174179, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 13.04.2012, fl. 180 e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13002.000268/200324 Acórdão n.º 1801001.534 S1TE01 Fl. 189 5 jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade1. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que preste serviço profissional de engenheiro ou de arquiteto ou de agrônomo, cujas atribuições consistem em planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial ou agroindustrial. Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à engenharia ou à arquitetura ou à agronomia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento e é efetuada pelo profissional ou pela empresa no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). A termo “assemelhados” não pode ser entendido como uma lacuna legal a possibilitar a adoção da analogia. Neste caso tem cabimento a interpretação extensiva, já que a lei estabelece um rol exemplificativo2. A emissão do ato de exclusão fundamentado na prestação de serviço profissional, pressupõe a obtenção de receita proveniente de atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica3. Ficam excetuadas da restrição a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, uma vez que não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal4. Consta no Parecer n° 001, de 30.03.2012, fls. 174179: Baseado nas informações expostas acima, nos documentos anexadas ao processo na legislação vigente à época, concluise: I ficou caracterizada a prestação de serviços de assessoria técnica profissional pela empresa para instalação de equipamentos de refrigeração industrial. Verificouse ainda que a mesma exercia a atividade de representação comercial (intermediação de negócios) com recebimento de comissões pagas pelos serviços prestados, não deixando dúvida quanto a vedação da opção pelo SIMPLES; II as notas fiscais, anexadas às fls. 70118 [123172], comprovam o exercício das atividades vedadas; 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal: art. 96 e art. 108 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 397 de 9 de outubro de 2002. 4 Fundamentação legal: Lei nº 5.194, 24 de dezembro de 1996, art. 96 do Código de Trânsito Brasileiro, Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, Súmula CARF nº 57 e Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13002.000268/200324 Acórdão n.º 1801001.534 S1TE01 Fl. 190 6 III pelas informações levantadas a empresa, em princípio, não necessita de atestado técnico ou termo de responsabilidade para o exercício das atividades; IV todos os serviços prestados pela empresa no período de 2000 a 2007 eram realizados pelo sócio, sr. Carlos Teobaldo, que possui formação profissional de Técnico Industrial, com experiência de vários anos no ramo, conforme declaração firmada. Em relação ao Simples, temse que a motivação expressa no Despacho Decisório, fls. 7173, limitase tãosomente no fato de que a Recorrente não pode optar porque se dedica à prestação de serviço profissional de engenheiro ou assemelhado. Cabe ressaltar que o exercício da atividade de prestação de serviço profissional de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos de refrigeração industrial, não se equipara a serviço profissional prestado por engenheiros e não impede o ingresso ou a permanência da Recorrente no Simples, nos termos da Súmula CARF nº 57. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, é pertinente. O Parecer n° 001, de 30.03.2012, fls. 174179, traz aos autos ainda nova justificativa para o indeferimento da inclusão retroativa, qual seja, o exercício da atividade de representação comercial, que não constava no ato de impedimento original. Atinente so exercício dessa suposta atividade pela Recorrente temse que esse fundamento de fato e de direito não está registrado originária e expressamente no Despacho Decisório, fls. 7173, que vincula a Administração Pública, a Recorrente e justifica a relação jurídica. Assim, com referência a essa matéria não foram observadas as formalidades essenciais processuais próprias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e por essa razão não pode ser analisada nessa fase recursal, sob pena de supressão de instância (incisos LIV e LV do art. 5º e art. 93 da Constituição Federal e art. 2 º e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11128.009683/2008-14
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 03/02/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS CONSTITUINTES. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CIÊNCIA. OBRIGATORIEDADE.
O auto de infração deve conter a matéria tributável, assim considerada a descrição dos fatos e a base de cálculo, das quais será dada ciência ao sujeito passivo, sob pena da decisão proferida ser declarada nula por preterição ao direito de defesa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-01.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeira instância e determinar a entrega da Descrição dos Fatos do Auto de Infração ao contribuinte, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS CONSTITUINTES. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CIÊNCIA. OBRIGATORIEDADE. O auto de infração deve conter a matéria tributável, assim considerada a descrição dos fatos e a base de cálculo, das quais será dada ciência ao sujeito passivo, sob pena da decisão proferida ser declarada nula por preterição ao direito de defesa. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.009683/200814 Recurso nº 916.065 Voluntário Acórdão nº 310201.557 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Auto de Infração Multa Proporcional Valor Aduaneiro Recorrente AHCOR IMP E EXPORTADORA LTDA EPPG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS CONSTITUINTES. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CIÊNCIA. OBRIGATORIEDADE. O auto de infração deve conter a matéria tributável, assim considerada a descrição dos fatos e a base de cálculo, das quais será dada ciência ao sujeito passivo, sob pena da decisão proferida ser declarada nula por preterição ao direito de defesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeira instância e determinar a entrega da Descrição dos Fatos do Auto de Infração ao contribuinte, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente de auto de infração, fls.01/71, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência da Multa no valor de R$15.480.466,00, estabelecida no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, atendendo ainda o disposto processualmente no art.73 e §§ da Lei nº 10.833, de 2003. Conforme Relatório de Procedimento Fiscal, fls.72/92, a contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada ao amparo da Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002, com fundamento legal na Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A ação fiscal foi iniciada em 06/09/2006. Em 30/03/2007 foi instaurado o procedimento com proposta de declaração de Inaptidão do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, nos termos do art.11 da IN SRF nº 228, de 2002 (processo nº 11128.002094/200716). A motivação foi a não comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Conforme consta de fl.74, a empresa teve declarada Inapta a sua inscrição no CNPJ, com fundamento no art. 34 da IN RFB nº 568, de 2005, seguindose a publicação no DOU do Ato Declaratório Executivo ALF/STS nº 07, de 25 de junho de 2007. A partir de 01/02/2003, tornaramse ineficazes, tributariamente, todos os documentos emitidos pela contribuinte. Após a declaração de Inaptidão, foi emitido o Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 08178002008001663, e, segundo a fiscalização, ao final, ficou caracterizada a figura da interposição fraudulenta em operações de comércio, tipificando a infração estabelecida no § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, pelos fatos a seguir relatados. Foi lavrado o Termo de Intimação e de Início de Fiscalização, de 03/06/2008, e a ação fiscal foi inaugurada com a intimação da contribuinte para apresentar no prazo de quinze dias as mercadorias desembaraçadas pelas Declarações aduaneiras descritas nos quadros I e II fls.93/108, a partir de 03/02/2003, data em que se tornaram ineficazes tributariamente os documentos que amparavam as referidas operações de importação. A ciência pessoal não pode ser concretizada pois o domicílio fiscal da contribuinte foi encontrado de portas fechadas, o mesmo ocorrendo com o dos sócios, promovendose a ciência via postal. Posteriormente, em 06/09/2006, foram retidos diversos documentos da autuada, apontando irregularidades nas operações de comércio exterior, transcrita neste processo fls.82/84. Esses documentos referiamse a despachos aduaneiros registrados a partir de fevereiro de 2003. Destacou a fiscalização, ainda, que a contribuinte não apresentou quaisquer documentos necessários ao exame de avaliação da regular atividade das operações de comércio exterior, relativamente aos recursos aplicados naquelas operações, tipificando a figura da interposição fraudulenta prevista no art.23, §2º do Decreto Lei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, incluído pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 20 de Fl. 792DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 310201.557 S3C1T2 Fl. 3 3 dezembro de 2002, e conseqüentemente, enquadrando no inciso V do DL nº 1.455, de 1976, com a conseqüente penalidade do § 1º do mesmo diploma legal, ou seja, a pena de perdimento das mercadorias. A contribuinte foi intimada para apresentar à RFB as mercadorias objeto daquelas operações de comércio exterior. Não o fazendo, e não tendo as mesmas sido localizadas, por terem sido consumidas, ocorreu a infração do § 3º da mesma norma legal, gerando a aplicação da penalidade prevista de exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme §3º do DL nº 1.455, de 1976, com a redação da Lei nº 10.637, de 2002. Às fls. 93/108, encontrase a Planilha, onde a fiscalização demonstra como procedeu para a Apuração da Base de Cálculo da Multa. Nela estão indicados: o número da declaração aduaneira (DDEDI), dia do registro da declaração, valor da mercadoria no local de embarqueexportação, valor aduaneiro da mercadoria, soma das operações realizadas dia a dia, e o totalizador. Em 28/01/2009, a contribuinte AHCOR Importadora e Exportadora Ltda. EPP, obteve em sede de decisão liminar na Ação Cautelar nº 2008.61.00.0100820, fls.578/593, a suspensão dos efeitos da declaração de Inaptidão do CNPJ da empresa, e a autoridade judicial ainda determinou a devolução das mercadorias exportadas e importadas desde 01/02/2003, até o julgamento da ação principal, nem mesmo a aplicação da multa de contla. Posteriormente, em 05/10/2009, a Procuradoria da Fazenda NacionalPFN obteve, em Agravo de Instrumento nº 2009.03.00.0110633, junto ao Tribunal da 3ª Região, o deferimento do pedido de efeito suspensivo da decisão liminar de 1ª instância, restaurando os efeitos do Termo de Intimação e de Início de Fiscalização nº 01, de 10/06/2008, permitindo o prosseguimento da ação fiscal e a lavratura deste auto de infração. O autuante trouxe para este processo, as pessoas dos sócios da empresa, na condição de responsáveis solidários (art. 124 c/c art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional – CTN), por atos de gerência com ‘infração de lei’. Destacamos algumas informações relevantes trazidas na ação fiscal, que destacamos a seguir: 1.após inúmeras intimações para apresentação e documentos e livros fiscais, ao final, a contribuinte apresentou, intempestivamente, alguns documentos, insuficientes para comprovar a regularidade das operações realizadas, e nenhum livro fiscal ou contábil foi apresentado, ou documentos como extratos bancários das contas correntes da empresa, as notas fiscais de saída, as contas a pagar e a receber, etc. 2. em 06/09/2006, no início do Procedimento Especial de Fiscalização, pela IN SRF nº 228, de 2002, entre os documentos que, posteriormente, puderam ser retidos, foram constatadas manifestas irregularidades nas operações de comércio exterior (fl.82/84). 3. não localizaram em nenhum local do condomínio a indicação de ser o conjunto 94 da Praça da República, 87Santos/SP, a sede da AHCOR, embora conste como domicílio fiscal indicado à RFB , embora também conste de seu contrato social, além do que o referido local encontravase de portas fechadas (fl.75 e 202); Fl. 793DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 3. busca realizada no sistemas informatizados da SRF, foi constatado que os sócios não dispõem de capacidade econômica e financeira compatível com as operações de comércio exterior realizadas pela empresa (fl.204). 4. consta do processo nº 11128.000993/201080 : a) embora informado à SRFB uma estimativa de importação CIF de US$0,00 e de exportação FOB de US$0,00, a fiscalização constatou que, no período de 2002 a 2006, realizou operações de importação no valor CIF de US$1.187.210,00 e exportações no valor de US$ 7.338.953,96 (fl.206); b) do exame do contrato social da empresa, em 01/04/2003, houve um aumento de capital de R$80.000,00, integralizado à vista pelo sr. Sergio da Rocha Soares, embora o referido sócio tenha declarado rendimentos para o ano de 2002 e durante todo o ano calendário de 2003, de apenas R$31.029,33 (fl.207). Às fls.183/198, encontrase a decisão do Juízo da 4ª Vara Federal de Santos/SP, na Ação Cautelar proposta pela contribuinte, na qual o MM. Juiz, prolata a seguinte decisão: “... nos termos do art. 798 do Código de Processo Civil, DEFIRO MEDIDA CAUTELAR PARA SUSPENDER OS EFEITOS: a) da declaração de inaptidão da inscrição da requerente no CNPJ e, b) do Termo de Intimação e de Início de Fiscalização nº 01, de 10/06/2008, que determinou a devolução das mercadorias exportadas e importadas desde 01/02/2003, sob pena de aplicação da multa de 100% do seu valor aduaneiro, até o julgamento da ação principal, a ser proposta no prazo legal, sob pena de ineficácia das medidas ora deferidas (art. 806 e 807 do CPC).” Ao final, deve ser destacada a decisão do sr. Desembargador do TRF3, no Agravo de Instrumento nº 2009.03.00.0110933/SP, que teve como agravante a União Federal (Fazenda Nacional), e que se encontra no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, Edição nº 183/2009, de 05/10/2009, a qual transcrevemos ‘in fine’: “Portanto, não é razoável, neste momento processual, a suspensão dos efeitos da declaração de inaptidão da inscrição da requerente no CNPJ, nem do Termo de Intimação de Fiscalização nº 01, de 10/06/2008. Por estes fundamentos, defiro o pedido de efeito suspensivo”. Com essa decisão a fiscalização pode reiniciar suas atividades que se encontravam interrompidas (prazo prescricional), relativamente, inclusive, a esta ação fiscal, o que a partir de então tornou possível promover o procedimento de lavratura do auto de infração para aplicação da multa estabelecida no § 3º do art. 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n º 10.637/02, atendendo ainda o disposto processualmente no art.73 e §§ da Lei nº 10.833/03. A contribuinte foi cientificada e apresentou sua Impugnação, onde alega que: Em Preliminar 1. não recebeu o Relatório de Procedimento Fiscal, parte integrante do auto de infração, caracterizando cerceamento do direito de defesa e nulidade do auto de infração; 2. falta a descrição dos fatos e o dispositivo legal infringido, e a matéria tributável, no que diz respeito à mercadoria importada, não foi apurada corretamente, já que não indicado o respectivo valor em moeda estrangeira, bem como o valor da taxa de câmbio utilizado na conversão para reais, o que inquina o auto de infração de nulidade insanável: Fl. 794DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 310201.557 S3C1T2 Fl. 4 5 3. a data da ocorrência do fato gerador da penalidade aplicável, não estão apontadas, no auto de infração impugnado, as razões pelas quais foi ela considerada como sendo a data do registro da DDE ou da DI, dado que nas respectivas ocasiões, inexistia a inaptidão da inscrição da impugnante no CNPJ; 4. há que se reconhecer que a aplicação de penalidades tem como fato gerador a data em que verificada eventual infração à legislação tributária, tanto que os juros moratórios são contados apenas a partir da data da respectiva autuação. Ou seja, na data do registro de cada DDE ou DI inexistiam quaisquer irregularidades que permitissem a aplicação da penalidade, motivo pelo qual improcede fazêla incidir a partir desse momento; 5. o auto de infração lavrado, e que corresponde ao lançamento tributário a que se refere o art. 142 do CTN, é nulo de pleno direito, porquanto não contém elemento essencial à sua validade, qual seja, a devida identificação da matéria tributável, como vem decidindo os E. Conselhos de Contribuintes, nos acórdãos que transcreve; 5. foi declarada a inaptidão da inscrição da impugnante no CNPJ com efeito retroativo a 01/01/2003, o que ocorreu em face do Edital de Intimação nº 15//07, que resultou no “Ato Declaratório Executivo ALF/STOS nº 07/07’(reproduzido às fls.29), para os quais não foi intimada pessoalmente, ou pela via postal, como manda a lê. 6 é nula a notificação de lançamento que não contém o dispositivo legal infringido; 7. é absolutamente ilegítima a declaração de inaptidão da inscrição da impugnante no CNPJ com efeito retroativo a partir de 01/01/2003, visto que, nada existe, quer na lei, quer nos atos administrativos editados, que permita o efeito retroativo dessa declaração; 8. com a ‘declaração retroativa de inaptidão’ a autoridade administrativa exigiu ‘no prazo de 15 (quinze) dias contados do recebimento do TIF nº 01, as mercadorias desembaraçadas através das Declarações Aduaneiras descritas nos quadros I e II da intimação’, ou seja, que levasse àquela repartição as mercadorias desembaraçadas no período de 24/01/2003 a 07/08/2006, para o fim de declaração de seu ‘perdimento’, sob a ameaça de, em não o fazendo, serlhe aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro dessas mercadorias; 9. as referidas mercadorias foram desembaraçadas regularmente, com o pagamento dos tributos devidos e a contribuinte, no momento desses desembaraços, se encontrava plenamente regular, e a autoridade administrativa também não pode omitirse, por anos, para agora vir a considerálo irregular, fazendo retroagir por todo o tempo em que exerceu suas atividades; 10. nos termos do art. 106 do CTN,a lei somente se aplica a ato ou fato pretérito, em qualquer caso, ‘quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados’, ou, se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, o que impede a aplicação retroativa da declaração de inaptidão da inscrição da empresa no CNPJ. 11. traz a respeito o julgado do STJ no RESP nº 996.098, de 22/04/2008; Fl. 795DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 12. transcorridos cinco anos não é razoável, nem lógico, decretar a inaptidão da inscrição da impugnante no CNPJ, e determinar a ‘devolução’ das mercadorias desembaraçadas, a partir de 01/02/2003, para serem apreendidas, ou na sua falta (porque já consumidas) para aplicarlhe a multa equivalente ao seu valor aduaneiro . 13. dada a gravidade e o montante da multa imposta e inexistindo legislação sobre a matéria de aplicação retroativa da declaração de inaptidão da inscrição da empresa no CNPJ, torna impossível esta exigência. 13. inválido o Ato Declaratório Executivo Alf/Stos nº 07/07, por não ter sido regularmente intimada, conforme previsto no art.80, caput da Lei nº 9.430/96, não se enquadrando também no art.81 do mesmo diploma legal, mesmo com a alteração trazida pela Lei nº 10.637, de 2002, e não poderia a IN RFB nº 568/05 impor a intimação por edital; 14. a impugnante foi fiscalizada com base na IN SRF nº 228/02, de 24/06/2002 a 27/07/2004, cujo relatório fiscal concluiu pela regularidade da empresa (processo nº 11128.004147/200491) Alega, ainda, a impugnante ter ocorrido a decadência, para os fatos ocorridos de 03/02/2003 a 10/12/2003, pois os respectivos créditos foram constituídos apenas em 11/12/2008, quando transcorridos mais de cinco anos, e tratandose apenas de multa não se poderia alegar o cabimento do art. 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 CTN. Foi apensado a este o processo nº 11128.009693/200841, de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/02/2003 PRELIMINARES. DECADÊNCIA.CONCOMITÂNCIA. Preliminares. Descabem as alegações apresentadas nas preliminares, pelas razões de fato e de direito apontadas neste acórdão. Decadência. Prescrição. No caso presente quando da apreensão das mercadorias, o prazo prescricional não foi esgotado, e, posteriormente, quando da conversão em multa, o prazo de cinco aos para a lavratura deste auto de infração, também não estava findo, conforme legislação de regência. Concomitância. Pelo Princípio da Jurisdição Una, considerase renúncia a discussão no processo administrativo fiscal, quando o contribuinte propôs ação judicial sobre a mesma matéria (Súmula nº 1 do CARF). Não se toma conhecimento da impugnação ao auto de infração cuja matéria é objeto de ação judicial. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 310201.557 S3C1T2 Fl. 5 7 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Em sede de preliminar, a Recorrente requer, uma vez mais, a decretação de nulidade do procedimento fiscal, por preterição ao direito de defesa, pelo fato de não ter recebido o relatório de procedimento fiscal, parte integrante do auto de infração. 2.1.1 De início, cumpre reafirmar que o "RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL", que O I. AFRFB diz ser "parte integrante e inseparável desse Auío de Infração", não foi encaminhado à RECORRENTE, posto que recebeu apenas e tão somente, os elementos anexados ao "processo" (v. doe. n° 02, anexo à impugnação), e que são: a) O "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO"; b) o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro", em 13 (treze) páginas; C) o "AUTO DE INFRAÇÃO" e 13 (treze) "folhas de continuação do AUTO DE INFRAÇÃO"; d) O "TERMO DE ENCERRAMENTO", e f) a página de "instruções" para pagamento. 2.1.2 Salientese, mais, que, aos sócios da RECORRENTE, SÉRGIO DA ROCHA SOARES e SÉRGIO DA ROCHA SOARES FILHO, foram encaminhadas cópias dos "TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA N° 01 e 02", respectivamente, acompanhadas dos mesmos elementos relacionados no subitem precedente, como se vê nos docs. n°s. 03/04, também anexos à impugnação. 2.1.3 Vale dizer, na medida em que a RECORRENTE não tomou conhecimento do aludido "RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL", viuse ela completamente cerceada no seu direito de defesa, já que não tem a menor idéia em que se baseou a autoridade administrativa para tributála, como fez. Em resposta às alegações de mesmo conteúdo contidas na Impugnação ao Lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim manifestouse no voto condutor da decisão recorrida. A contribuinte alega que ‘não recebeu o Relatório de Procedimento Fiscal, parte integrante do auto de infração’. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ocorre que a intimação ocorreu por via postal e, portanto, só foi encaminhado o auto de infração. Acresce que o referido auto de infração contém a sua motivação quando o autuante declare que a multa está sendo aplicada pela impossibilidade de apreensão das mercadorias, fl.16; bem como, consta a fundamentação legal, fl.28. Todos os fatos que levaram a esta autuação, a impugnante além de ser protagonista acompanhou as etapas, pois várias foram as intimações feitas para atendimento da requisições fiscais. O fato de ser conhecedor dos fatos pode ser corroborado, ainda, pelo fato de que foi buscar amparo no Poder Judiciário, para efeito de sustar a declaração de inaptidão do seu CNPJ, e a apreensão das mercadorias que, não localizadas ou consumidas, teria como ato final, a aplicação da multa de conversão. Por outro lado, foi facultada aos sujeitos passivos, a vista do processo no órgão preparador, dentro do prazo de impugnação (30 dias contados da intimação e ciência), em homenagem ao princípio do pleno exercício do contraditório e ampla defesa que lhe são assegurados pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal/85. Cabe ainda reforçar que a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim dispõe: “Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; ............................................................................................................................. ...... Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem.” (grifos nosso) Como pode ser observado, a impugnante poderia obter não só vista como cópias de todas as peças do processo.] Às fl.28, o autuante declara que ‘Fazem parte integrante do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Ora, imaginemos se seria factível a autuada receber para ciência do auto de infração todos esses documentos, num processo de mais de folhas. Entretanto, como ressaltado anteriormente, todas as peças do processo estão, como sempre estiveram, à disposição da contribuinte para delas ter vista ou extrair cópias. Por último deve ser lembrado que, em sua Impugnação a contribuinte deixa evidenciado que tem conhecimento de todas as peças do processo. Portanto, tal alegação não tem suporte legal para qualquer pleito de nulidade. Alega a defendente que ‘falta a descrição dos fatos e o dispositivo legal infringido, e a matéria tributável, no que diz respeito à mercadoria importada, não foi apurada corretamente, já que não indicado o respectivo valor em moeda estrangeira, bem como o valor da taxa de câmbio utilizado na conversão para reais, o que inquina o auto de infração de nulidade insanável’. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 310201.557 S3C1T2 Fl. 6 9 Os fatos estão referidos ao longo do Relatório Fiscal, pois este auto de infração é apenas decorrente de todo o processo investigativo da ação fiscal, e algumas peças que integram a proposta de declaração de inaptidão do CNPJ da autuada e da apreensão das mercadorias que não pode ser concretizada, são de inteiro conhecimento da contribuinte. Este auto apenas se limita a aplicar a multa de conversão pela impossibilidade de aplicação da pena de perdimento das mercadorias, e, a propósito, às fls.28, encontramos a fundamentação legal deste auto, não só com a indicação da norma legal maior, a Lei nº 10.637, de 2002 que alterou o DecretoLei nº 1.455, de 1976, bem como os dispositivos regulamentares do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro. Peço vênia para divergir. Embora entenda, tal como entende a i. Relatora do voto, que, em regra geral, a preterição ao direito de defesa não pode ocorrer em tese, requer prejuízo real ao exercício do contraditório, capaz de ser claramente identificado nos autos, pareceme que, aqui, o problema tem outra natureza. A descrição dos fatos não constitui apenas parte do processo de imposição da exigência, mas do próprio auto de infração. Assim prescreve o Decreto 70.235/72 com alterações posteriores. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ou seja, distintamente das provas e de todos os demais documentos produzidos ao longo do procedimento fiscal, que devem constituir o processo administrativo fiscal desde a formalização da exigência, mas não precisam ser obrigatoriamente entregues ao administrado, a descrição dos fatos constitui parte do auto de infração em si e deve ser com ele apresentada ao sujeito passivo, sob pena de trazer prejuízo ao procedimento. De se acrescentar que é isso o que informa o próprio Auto de Infração neste contestado, no campo reservado à descrição dos fatos. 001 CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, conforme consta no Relatório de Procedimento Fiscal, parte integrante e inesperável desse Auto de Infração. (original não sublinhado) Digase, o Relatório de Procedimento Fiscal a que se fez alusão existe. Ele encontrase às folhas 72 a 92 do processo, logo depois das tabelas de cálculo do valor do Fl. 799DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 crédito exigido da contribuinte. Assim, não estáse falando de auto de infração sem descrição dos fatos, mas de falta de ciência desta à contribuinte. A ciência poderia ter omitido qualquer outra parte do auto: cálculos, consolidação do valor, enquadramento legal etc. De qualquer forma estaria caracterizado o problema. Outrossim, a recorrente, ao defenderse da pena aplicada, deixa claro o prejuízo efetivo encontrado. Assim encontrase na impugnação ao lançamento. Como se viu no ITEM 2, a IMPUGNANTE teve o seu direito de defesa completamente cerceado, dado que não lhe foram fornecidos elementos suficientes para tanto. Assim, com vistas a impedir o prosseguimento da absurda exigência, somente lhe resta tentar adivinhar os fundamentos da autuação, visualizando, entre eles, o fato de que foi declarada a inaptidão da sua inscrição no CNPJ, com efeito retroativo a 01/01/2003, o que ocorreu em face do "EDITAL DE INTIMAÇÃO N° 158/07" (doc. n° 05, anexo), que resultou no "ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ALF/STS N" 07/07" (doe. n° 06), para os quais não foi intimada pessoalmente, ou pela via postal, como manda a lei e se demonstra no SUBITEM 3.2, adiante. 3.1.2 Vale dizer, se a multa aqui contestada tem essa origem, teríamos como absolutamente ilegítima a declaração de inaptidão da inscrição da IMPUGNANTE no CNPJ com efeito retroativo, a partir de 01/02/2003, visto que, nada existe, quer na lei, quer nos atos administrativos editados, que permita o efeito retroativo dessa declaração. Ao contrário de como se costuma observar, neste caso há, desde o primeiro momento, manifestação de desconhecimento da acusação veiculada no Auto. É fato que o problema poderia ter sido contornado com pedido de vista do processo; contudo, as atribuições e procedimentos não estão assim definidos em Lei. Não há previsão para nenhuma outra modalidade de ciência do auto de infração, senão pela remessa ou entrega de seu inteiro teor ao autuado. Não se podendo exigir que o administrado tome a providência de sanar a imperfeição, resta caracterizada a preterição ao direito de defesa decorrente de falha no procedimento conduzido pela da autoridade administrativa. Nesse diapasão, dispunha a Instrução Normativa nº 94, de 24 de dezembro de 1997 sobre os elementos indispensáveis do Auto de Infração. Art. 5º Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I a identificação do sujeito passivo; II a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; (grifos meus) III a norma legal infringida; IV o montante do tributo ou contribuição; V a penalidade aplicável; VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII o local, a data e a hora da lavratura; VIII a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 310201.557 S3C1T2 Fl. 7 11 A seguir, trata das consequências advindas do lançamento efetuado em desacordo com essas disposições normativas. Art. 6º Sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei nº 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5º: (...) A peculiaridade do caso em epígrafe, contudo, é que, como se disse, não se trata propriamente de inexistência de descrição dos fatos, já que a mesma integra o processo, mas de falta de conhecimento dela à empresa autuada. Por outro lado, também não vejo razão para falar em falta de ciência do Auto de Infração, já que ciência houve. Assim, conforme preceitua o Decreto 70.235/72, o mais razoável, a meu ver, é que seja declarada nula a decisão proferida com preterição ao direito de defesa, no caso, a tomada em primeira instância administrativa de julgamento, devendo a irregularidade na ciência à contribuinte ser sanada com a entrega da descrição dos fatos e reabertura do prazo para impugnação ao lançamento. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. VOTO POR DECLARAR NULA a decisão de primeira instância e determinar a entrega da Descrição dos Fatos do Auto de Infração à autuada, sendolhe reaberto prazo para impugnação. Sala de Sessões, 18 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13804.002026/2005-00
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento.
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA.
À Administração cabe rever seus próprios atos quando contrários à lei, não havendo que se falar em agressão a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela.
Numero da decisão: 3101-001.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (suplente). Ausentes os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente, que foi substituída pelo Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fez sustentação oral a Dra. Letícia de Souza Zugaib, OAB/SP nº 257.787, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente) e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (suplente). Ausentes os conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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AGROINDÚSTRIA. O valor do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. À Administração cabe rever seus próprios atos quando contrários à lei, não havendo que se falar em agressão a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (suplente). Ausentes os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente, que foi substituída pelo Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fez sustentação oral a Dra. Letícia de Souza Zugaib, OAB/SP nº 257.787, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 20 26 /2 00 5- 00 Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 31/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente) e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (suplente). Ausentes os conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS referente ao 3° trimestre de 2004. Pelo Despacho Decisório de fls. 1081/1088, a Autoridade a quo deferiu em parte a pretensão da Interessada, apurando um crédito em favor da Contribuinte no montante de R$ 1.655.194,68. Desistiu a Interessada, fl. 1091, de se manifestar contra o referido Despacho Decisório de fls. 1081/1088. Pelo Despacho Decisório de fls. 1131/1138, a Autoridade a quo reviu de oficio a decisão anterior, alterando o valor do crédito da Contribuinte de R$ 1.655.194,68 para R$ 1.154.695,33. O posicionamento da Delegacia de origem vai, em síntese, no sentido: de que, valendose da autotutela, "a Administração tem permissão de rever seus atos, condutas e decisões" (fl. 1134), cabendo, no caso destes autos, a revisão de oficio da decisão anterior, posto que ali foi aplicada incorretamente a Lei 10.925/2004; de que "o direito ao desconto de créditos não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente" (fl. 1135); de que são incabíveis créditos "No tocante ao aluguel pago a pessoa física" (fl. 1135) uma vez que "somente há previsão legal para custos e despesas incorridas em favor de pessoas jurídicas domiciliadas no País" (fl. 1135); e de que o crédito presumido tratado no art. 8° da Lei 10.925/2004 prestase unicamente à dedução dos valores devidos da contribuição para o PIS, vedado sua compensação ou ressarcimento em espécie, entendimento pacificado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15, de 22 de dezembro de 2005. Contra o Despacho Decisório de fls. 1131/1138 foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 1143/1158 na qual argumenta se, em síntese, no sentido: de que o crédito presumido da agroindústria, previsto no art. 8° da Lei 10.925, pode ser compensado ou ressarcido; de que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 não interpreta Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13804.002026/200500 Acórdão n.º 3101001.490 S3C1T1 Fl. 4 3 a lei, mas nega o direito nela previsto; de que o princípio da autotutela não se aplica ao caso, dado que o no primeiro despacho decisório foram utilizados os corretos parâmetros legais; e de que a decisão recorrida afronta a Súmula 473 do STF, "que veda a anulação de atos administrativos em desrespeito aos direitos adquiridos" (fl. 1157). A 6ª turma de julgamento da DRJ de São Paulo I, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, ementando assim o acórdão nº 1620.972: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 CRÉDITOS PRESUMIDOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos e contribuições ou o seu ressarcimento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. Se um órgão do Poder Executivo editou por via de sua autoridade máxima um ato declaratório interpretativo sobre determinada matéria, a presunção é que o tenha feito em consonância com as normas constitucionais e legais, devendo tal ato ser acatado pelas instâncias de referido órgão. AUTOTUTELA. À Administração cabe rever seus próprios atos quando contrários à lei, não havendo que se falar em agressão a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Solicitação Indeferida Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos esgrimidos na manifestação de inconformidade, ao tempo em que acusa de equivocado o acórdão produzido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I, e requer a reforma do decisum. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia em discussão nestes autos referese à glosa de crédito presumido da agroindústria de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, e a possibilidade de seu ressarcimento e compensação com demais tributos e contribuições. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 A defesa da recorrente alega (i) o direito ao ressarcimento do crédito presumido de PIS/PASEP; (ii) a negativa de vigência do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005; e (iii) a inaplicabilidade do princípio da autotutela na decisão recorrida. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, por unanimidade de votos, decidiu que o direito de utilização do crédito presumido de PIS e COFINS, concedido na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, exsurge após a regular compensação entre créditos e débitos, de modo que, remanescendo devedor, o contribuinte qualificado na norma poderá deduzir o valor a pagar com os créditos presumidos apurados, exclusivamente, naquele período de apuração, não sendo possível a acumulação de saldo credor desse tipo de crédito (acórdão nº 310100.756, sessão de 4 de maio de 2011, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo). Tal interpretação decorre diretamente do texto legal, in verbis: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) – grifo nosso. Depreendese da redação do referido artigo, que o legislador teve a intenção de desonerar os produtos agropecuários, por meio da dedução da parcela devida a cada período de apuração de um crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas. Constatase, também, que o referido crédito presumido foi destinado, exclusivamente, à dedução do valor devido, de modo que, não havendo contribuição a pagar, inexiste o direito de manutenção desse crédito. Esse limite no aproveitamento do crédito é também disposto no parágrafo 2º do mesmo artigo 8º, in verbis: Art. 8º [...] § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Ao estabelecer que o crédito presumido só é aplicável no mesmo período de apuração, concluise que não é possível a utilização do crédito presumido de outro período ou Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13804.002026/200500 Acórdão n.º 3101001.490 S3C1T1 Fl. 5 5 em outro período, de modo que esse benefício não é passível de ser acumulado para formação do saldo credor e, consequentemente, não é passível de ressarcimento. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005, como é próprio de um ato de sua natureza, apenas procurou explicitar a regra já contida no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, não trazendo nenhuma inovação. Assim dispôs o referido ato: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. A impossibilidade de compensar ou de ressarcir o valor do crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 decorre da própria exegese da lei, que expressamente dispunha que o crédito presumido era destinado, exclusivamente, à dedução do valor devido das contribuições. Não foi o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 que trouxe essa limitação, não restringindo, portanto, a vigência legal por um ato interpretativo da Secretaria da Receita Federal. Quanto à alegação de inaplicabilidade do princípio da autotutela na decisão recorrida, também não assiste razão a recorrente. O procedimento revisional efetuado pela unidade de origem fundamentouse nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99, in verbis: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má fé. [...] Tratase do princípio da autotutela, o qual determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, desde que obedecido o prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. Esse princípio está consagrado em duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. A revisão do despacho decisório originário, que não observava a limitação do crédito presumido da agroindústria de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, foi motivada pela constatação de ilegalidade do ato original, que deferiu, sem base legal para tanto, o pedido de ressarcimento e compensação com base em crédito presumido da agroindústria. Por se tratar de uma ilegalidade, não há que se falar em direito adquirido por parte da interessada, conforme se extrai da Súmula 473 do STF já transcrita, porque de atos ilegais não se originam direitos. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 24 de setembro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 16327.001466/2005-01
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA.
O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Numero da decisão: 1101-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Relatora, Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Murilo Marco (OAB/SP nº 238.689).
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Relatora, Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Murilo Marco (OAB/SP nº 238.689). FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. EDELI PEREIRA BESSA Relatora BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 66 /2 00 5- 01 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 179 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 180 3 Relatório COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS FUNCIONÁRIOS DA ABRIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI, que por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 26/09/2005, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 664.969,25, em razão de exclusões de R$ 2.027.122,65 para o anocalendário de 2002, e de R$ 1.448.134,52 para o anocalendário de 2003, computadas na apuração da base de cálculo da CSLL, anulandoa. Destacou a autoridade lançadora que o artigo 2° e §§, da Lei 7.689/88, o art. 273, inciso II, do RIR/99, os arts. 1° e 2° da Lei 9.316/96, e o art. 28 da Lei 9.430/96, nada mencionam acerca da possibilidade das exclusões promovidas pela contribuinte, bem como não cogitam de não incidência de CSLL sobre os resultados das cooperativas de crédito, diferentemente do IRPJ, para o qual o art. 182 do RIR/99 traz tal previsão, desde que as sociedades cooperativas obedeçam ao disposto na legislação específica. Em impugnação, a contribuinte argumentou que: 1) inexiste a figura lucro como objetivo da sociedade cooperativa; 2) o art. 87 da Lei nº 5.764/71 restringe a tributação às operações com não associados; 3) as normas do Banco Central proíbem a sociedade de realizar operações com não associados; 4) a jurisprudência é pacífica no sentido de que o resultado positivo dos atos cooperados não constitui lucro da cooperativa; 5) as aplicações financeiras, eventualmente realizadas, apenas se prestam a preservar o poder de compra da moeda, e seus resultados revertem em favor dos associados; 6) a multa de ofício aplicada é confiscatória e não houve qualquer fato ilícito a justificar sua aplicação; 7) os juros de mora não devem incidir enquanto pendente de apreciação a impugnação administrativa; 8) a taxa SELIC é imprestável para cálculo dos juros de mora. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE AS SOBRAS. CABIMENTO. Na carência de lei complementar disciplinando o tratamento tributário do ato cooperativo, restou ao legislador ordinário e às instâncias normativas infralegais a regulamentação da matéria, os quais, através de diversos diplomas normativos, determinaram a incidência da CSLL, até 31/12/2004, sobre os resultados positivos obtidos com o ato cooperativo, as sobras, a partir de quando isentouos. MULTA DE OFICIO. VALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre os valores apurados pela fiscalização decorre de lei e não há previsão para sua redução na fase impugnatória. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora são devidos qualquer que seja o motivo determinante da falta, mesmo no período em que a exigibilidade esteja suspensa, sendo válida a aplicação da Taxa Selic por determinação legal. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 181 4 Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/08/2008 (fl. 108), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/09/2008 (fls. 148/169), no qual, após abordar a desnecessidade de arrolamento de bens para seu conhecimento, reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Transcreve o art. 1o da Lei nº 7.689/88, e os arts. 1o e 79 da Lei nº 5.764/71, para destacar que os atos realizados com cooperados não têm finalidade mercantil e, assim não geram lucros. Considerando que a Fiscalização não apontou a prática de atos com não cooperados, e estando a contribuinte impedida de realizálos, em razão de regulamentação específica do Banco Central do Brasil e do Conselho Monetário Nacional, conclui estar evidente a não incidência da CSLL sobre os valores consignados no auto de infração. Acrescenta que o art. 22, §1o da Lei nº 8.212/91 equivocadamente equiparou as cooperativas de crédito às instituições financeiras para fins de cobrança da CSLL, ensejando tratamento desigual em afronta ao art. 5o, caput e o art. 150, II da Constituição Federal, mas isto na parte em que tais cooperativas se sujeitassem à tributação, ou seja, em decorrência da prática de atos não cooperados, o que até que haja regulamento, por ora inexistente, não é possível. Destaca também a contradição presente no fato de os atos normativos e a interpretação jurisprudencial terem descaracterizado as cooperativas de créditos como entidades bancárias assemelhadas, ao restringirem suas atividades apenas aos atos cooperados. Considera, assim, falsa a premissa de que haja lucro, se a sociedade não visa qualquer intuito mercantil a não ser promover benefícios aos seus próprios associados. Expressa também sua discordância: 1) quanto à possibilidade de o legislador ordinário disciplinar a matéria enquanto pendente de regulamentação a alínea “c” do inciso III do art. 146 da Constituição Federal; 2) quanto à interpretação de que apenas a renda, e não o resultado, seria não tributável na forma da Lei nº 5.764/71; e 3) quanto ao desestímulo ao cooperativismo e a violação ao art. 174, §2o da Constituição Federal. Transcreve jurisprudência pacífica, em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, das Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, aborda o caráter confiscatório da multa aplicada, mormente se inexistente dolo ou fraude a justificála, defende a não incidência dos juros moratórios enquanto pendente de apreciação o recurso apresentado, e discorda da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 182 5 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre inicialmente observar que a matéria em litígio nestes autos distingue se daquela em debate no Supremo Tribunal Federal, sob o rito da repercussão geral, e assim não se sujeita ao disposto no Anexo II do Regimento Interno do CARF, a partir da alteração promovida por meio da Portaria MF nº 586/2010: Art. 62A. [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isto porque, tratase aqui da incidência de CSLL sobre o resultado de atos cooperativos, e o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, em decisões de 21/10/2010 e 01/08/2009, assim ementadas, respectivamente: TRIBUTÁRIO – PIS – COOPERATIVA DE TRABALHO – MP Nº 2.15835/2001 LEIS Nº. 9.715/1998 E 9.718/1998 – INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS – REPERCUSSÃO GERAL – EXISTÊNCIA. A controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nº 9.715 e 9.718, ambas de 1998, ultrapassa os interesses subjetivos das partes. Repercussão geral reconhecida. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COOPERATIVAS. MP N. 1.858/99. ATOS COOPERATIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. A questão posta nos autos – constitucionalidade das alterações introduzidas pela Medida Provisória n. 1.858/99, que revogou a isenção da Contribuição para o PIS e COFINS concedida pela Lei Complementar n. 70/91 às sociedades cooperativas – ultrapassa os interesses subjetivos da causa. Repercussão Geral reconhecida. Embora um dos argumentos adotados para afastar as exigências em debate no STJ seja, também, o art. 79 da Lei nº 5.764/71, no sentido de que os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas, não há dúvidas que as decisões proferidas naqueles casos estarão circunscritas ao âmbito de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, não afetando exigências de CSLL, como a aqui veiculada. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 183 6 Passando ao tema central de mérito, cumpre inicialmente observar que se trata, aqui, de exigência formalizada contra cooperativa de crédito, fundamentada nos seguintes dispositivos legais citados no Auto de Infração (fls. 12): ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1°e 2° da Lei n° 9.316/96 e art.28, da Lei n° 9.430/96; Art. 273inciso II do RIR/99; Art. 7° da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições; Art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. Para maior clareza, transcrevese abaixo o conteúdo dos dois últimos dispositivos citados acima: Medida Provisória nº 1.8075, de 17 de junho de 1999 Art.1o A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. [...] Art.7o A alíquota da CSLL, devida pelas pessoas jurídicas referidas no art. 1o, fica reduzida para oito por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 1999, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo anterior. Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999 Art.6o A contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional: I de quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000; II de um ponto percentual, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de fevereiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002. Por sua vez, a Lei nº 8.212/91, além de equiparar as cooperativas de créditos a instituições financeiras, dispôs especificamente sobre a incidência de CSLL nos seguintes termos: LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 184 7 artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: [...] II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). 11 § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. [...] 11 Alíquota elevada em mais 8% pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e posteriormente reduzida para 18% por força da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (informações extraídas do sítio “http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/L8212cons.htm”, sem contemplar as alterações promovidas a partir da edição da Lei nº 9.718/98, que instituiu novo regime de incidência das contribuições sociais para estas pessoas jurídicas, e ensejou as alterações inicialmente mencionadas, veiculadas a partir da Medida Provisória nº 1.807). Relevante observar que a eventual inconstitucionalidade desta norma, por ofensa ao princípio da isonomia ou inobservância das preferências conferidas ao cooperativismo, não é questão a ser apreciada nesta instância de julgamento, como já pacificado no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, diante desta peculiaridade, constatase que o tema não está pacificado no âmbito Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos julgados não apresentam unanimidade em favor dos contribuintes autuados, como revela o Acórdão nº 910100.207, exarado em sessão de 27/07/2009, no qual votaram por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional os I. Conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto de Freitas Barreto. Idêntica situação já se verificara no Acórdão nº 0104.910, exarado em sessão de 12 de abril de 2004, no qual negaram provimento ao recurso da contribuinte os I. Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Marcos Vinícius Neder de Lima, bem como nos Acórdãos nº 0104.445 e 0104.381, exarados em sessão de 24 de fevereiro de 2003, nos quais votaram, respectivamente, por negar provimento ao recurso da contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, os I. Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva e Zuelton Furtado. Também não se verifica unanimidade nos demais acórdãos proferidos pela CSRF (0105.674, 0105.874, 0105.929) mencionados em memoriais apresentados pela recorrente por ocasião do julgamento. De toda sorte, quanto à incidência da CSLL em face das sociedades cooperativas em geral, temse por contundentes e válidas as razões de decidir expressas em voto da I. Conselheira e Presidente Ana de Barros Fernandes, acolhido à unanimidade pela 1a Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 185 8 Turma Especial desta 1a Seção de Julgamento, e formalizado no acórdão nº 180100.259, em sessão de 05 de julho de 2010. Assim, com a devida vênia, adotase aqui os argumentos ali deduzidos e, a seguir, transcritos: De início, cumpre esclarecer à recorrente que as contribuições sociais são tributos de natureza diversa dos impostos e não é pelo fato que a norma tributária esclarece que se aplicam as mesmas normas de apuração e de pagamento para o imposto de renda às contribuições sociais sobre o lucro líquido que as imunidades ou isenções também serão compartilhadas. É cediço que o artigo 111 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/66) dispõe, claro e expressamente, que as isenções tributárias se interpretam literalmente, além da obrigatoriedade de estarem expressamente previstas em lei. Também é matéria recorrente a discussão sobre as contribuições sociais e a sua regulação por intermédio do artigo 195 da Constituição Federal, que, salientamos, trouxe às contribuições essa ‘marca’ do princípio da solidariedade, pelo qual todos devem financiar a seguridade social, com as exceções, impropriamente denominadas ‘isenções’, quando tratamos na verdade de ‘imunidades’, estão inseridas, sabiamente, pelo poder constituinte, no próprio dispositivo, em seu parágrafo sétimo. Vale a pena transcrever: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) § 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 186 9 Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao fixado em lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Ao me debruçar sobre tão importante tema, observo, ainda, que a Carta Magna cuidou das contribuições sociais com tal zelo que até aos produtores rurais, pescadores artesanais, ainda que não empreguem terceiros e se trate de economia familiar, o legislador não os poupou da obrigação tributária de contribuir para a seguridade social. É o que está escrito no parágrafo 8º. Nem a eles foi reconhecida imunidade. E, lendo os demais parágrafos a seguir, vemos que as contribuições sociais discriminadas no inciso I (e aí estão as calculadas sobre as folhas, os trabalhadores individuais, as receitas ou faturamento, ou sobre o lucro) poderão ter alíquotas ou base de cálculo diferenciadas em razão da atividade exercida. É o que dispõe o parágrafo 9º. E eu creio que o legislador deixou aqui uma porta para diferenciar as pessoas jurídicas em geral das demais, tais como as cooperativas. Mas não há concessão de imunidade, ainda. Cuidou ainda o Poder Constituinte de prever, no caso das contribuições sociais, as hipóteses de nãocumulatividade e substituição tributária, a serem reguladas por lei (§§ 12 e 13), e, limitar valores para a concessão de remissão ou anistia (§ 11). Também não pude deixar de lembrar a interpretação realizada pela Suprema Corte ao impingir aos aposentados e pensionistas a continuidade da obrigação em recolher a contribuição previdenciária, em vista de sobrepesar os princípios constitucionais, sobretudo o princípio já mencionado da solidariedade. Mesmo essa classe social está obrigada a contribuir, pois faz parte de ‘toda a sociedade’, por mais paradoxo que possa parecer. Não foram contemplados nem com imunidade, nem com lei que os isentasse. Por conseguinte, ao instituir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Lei nº 7.689/88, entendo, preservou, acuradamente, o espírito do Poder Constituinte ao dispor sobre as contribuições sociais, sujeitando toda a sociedade, respeitandose apenas a quem aquele Poder concedeu a imunidade. E, é claro, a COMPROVE não é pessoa jurídica que se classifica como entidade beneficente de assistência social. Portanto, afasto a argumentação trazida pelo contribuinte de que as cooperativas não se sujeitam à incidência da CSLL porque não possuem como objetivo o lucro, ou que não auferem ‘lucro’, mas ‘sobras’ ou resultados positivos. Este não é o alcance da norma ao criar a contribuição social em obediência e consonância com as disposições constitucionais. E como dispõe o artigo 109 do CTN, a seguir transcrito, os princípios gerais do direito privado não podem ser utilizados para definir os efeitos tributários dos institutos que regula, no caso, ao referirse a um conceito de ‘sobra’ ou ‘resultado positivo’, ao tratar das cooperativas no campo cível e da sua regulação. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 187 10 No aspecto tributário, lucro líquido é definido pelo art. 248 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000/99): Conceito de Lucro Líquido Art.248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). E lucro operacional como (art. 277 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000/99): LUCRO OPERACIONAL Seção I Disposições Gerais Art.277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, §1º). São, pois, as tais ‘sobras’ ou ‘resultados positivos’, termos utilizados no direito privado, mas cuja utilização não impedem os efeitos tributários decorrentes. Por isso, concluo, bem tratou a Instrução Normativa SRF nº 390/04 em seu artigo 6º ao esclarecer (anteriormente a IN SRF nº 198/88): Art. 6º As sociedades cooperativas calcularão a CSLL sobre o resultado do período de apuração, decorrente de operações com cooperados ou com nãocooperados. A própria Lei nº 7.689/88 já cuidava de não excepcionar qualquer pessoa jurídica, ou definir a base de cálculo sobre esta ou aquela operação, ou mesmo sobre o ‘lucro’, preferindo referirse a ‘resultado do exercício’: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. E, retornando à discussão sobre imunidade e isenção, já visto que das imunidades tratou a própria Carta Magna (situando os fatos geradores praticados pelas entidades beneficentes de assistência social fora do campo de incidência tributária), no que respeita às isenções é matéria afeta, privativamente, à lei (que pode retirar os fatos geradores do campo de incidência tributária). E esta, no que se relaciona às sociedades cooperativas, veio a ser editada somente em 2004 não tratando em seu bojo de ‘reconhecimento’ pretérito ou sequer de disposição ‘interpretativa’. Muito pelo contrário, expressamente dispôs que só alcançaria aos fatos geradores praticados a partir de 2005. Lei nº 10.865/04: Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. (Vide art.48 da Lei nº 10.865, de 2004) Art. 48. Produz efeitos a partir de 1o de janeiro de 2005 o disposto no art. 39 desta Lei. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 188 11 Em assim sendo, devo, forçosamente, curvarme à legislação vigente à época, não declarada inconstitucional, entendendo, ao contrário e conforme raciocínio esposado perfeitamente adequada aos anseios constitucionais, sistematicamente coerente com o direito público, e inserida nos moldes defendidos e ensinados pela Corte Suprema. Pelas mesmas razões, não consigo encontrar argumentos para diferenciar o resultado das operações das cooperativas entre atos praticados com cooperados e não associados, para, subjetivamente, atribuir a incidência da CSLL sobre um e isentar o outro, antes da edição da norma. [...] Finalizando, vale reprisar, se toda a sociedade – incluindo aposentados, produtores rurais, pescadores artesanais, entidades sem fins lucrativos que não as definidas no parágrafo sétimo do artigo 195 da CFB – foram constitucionalmente elevados à condição de contribuintes das contribuições sociais, cuja base de cálculo instituída por lei, no presente caso, é o valor do resultado do exercício, antes da provisão do imposto de renda, não vejo como embutir na norma cogente a classificação de resultados da pessoa jurídica, diferenciando valores onde a norma tributária não o faz; nem o fez até o presente momento, digase por oportuno, o Supremo Tribunal Federal. Data venia máxima quanto aos julgados citados pela recorrente, repriso, que não comungam do raciocínio ora esposado, mas registro nesse decisório que não se pode invocar tratamento isonômico tributário entre contribuintes por causa destas decisões. Nestes termos, para ser afastada a incidência da CSLL, necessário seria que a autuada fosse entidade beneficente de assistência social, e não apenas entidade sem fins lucrativos. E, quanto ao limite imposto pelo art. 111 da Lei nº 5.764/71, não poderia ele dispor sobre a isenção da CSLL se esta somente foi instituída pela Lei nº 7.689/88, sem que nenhuma ressalva se fizesse em favor das sociedades cooperativas. Ainda, quanto às determinações legais e normativas que restringem a atividade da cooperativa de crédito a operações com cooperados, tratase de aspecto irrelevante, na medida em que os argumentos antes expostos reconhecem a incidência da CSLL sobre todo o resultado das cooperativas. Interessante observar, ainda, que a distribuição das sobras em favor dos cooperados – distinta da devolução de sobras de caixa, porque não correspondente a valores antes entregues pelos cooperados, mas sim decorrentes da partilha do resultado auferido pela cooperativa em suas atividades – enseja a tributação destes valores, no âmbito do imposto de renda, pelas pessoas físicas que auferem tais rendimentos. Já o recolhimento da contribuição social sobre o lucro não se verifica neste segundo plano, justificando sua incidência na apuração do resultado pela pessoa jurídica. Válida, assim, a exigência da contribuição não recolhida, o que também impõe a aplicação da penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 para tais circunstâncias, independentemente de intuito fraudulento. Quanto a seu caráter confiscatório, como antes já se mencionou, a Súmula CARF nº 2 declara a incompetência desta instância de julgamento para apreciação de argüição de inconstitucionalidade das normas tributárias. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 189 12 Quanto à fluência dos juros de mora durante o contencioso administrativo, dada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário neste interregno, seu cabimento também já está definido em Súmula do CARF: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Por fim, no que tange à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, tratase de matéria também já sumulada: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em verdade, esta matéria já se encontrava antes sumulada no âmbito dos Conselhos de Contribuintes (Súmulas º 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte, e nº 3 do 2º Conselho de Contribuintes), a ensejar a aplicação do que disposto no Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Todavia a questão tornouse tormentosa em razão das alterações regimentais recentemente promovidas, antes citadas, que não só passaram a determinar o sobrestamento do julgamento administrativo das matérias em debate no Supremo Tribunal Federal, sob o rito da repercussão geral, como também a determinar a observância do que assim decidido por este e pelo Superior Tribunal de Justiça no rito dos recursos repetitivos. É o que consta do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a partir da alteração promovida por meio da Portaria MF nº 586/2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Ocorre que, relativamente à utilização da taxa SELIC para fins tributários, o Superior Tribunal de Justiça abordou a controvérsia, embora no âmbito de um dos Estados Membros da Federação, sob o rito dos recursos repetitivos e nos seguintes termos, extraídos do acórdão publicado em 25/11/2009, proferido nos autos do REsp 879844 / MG: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 190 13 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (Precedentes: AgRg no Ag 1103085/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 03/09/2009; REsp 803.059/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 24/06/2009; REsp 1098029/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; AgRg no Ag 1107556/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no Ag 961.746/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2009, DJe 21/08/2009) 3. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 4. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 582461, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio da vedação do bis in idem. / Taxa SELIC. Aplicação para fins tributários. Inconstitucionalidade. / Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória." 5. Nada obstante, é certo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 6. Com efeito, os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 7. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 191 14 parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, como acima mencionado, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no âmbito do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, quanto à aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros de mora, mas isto associado a outros temas pertinentes à legislação tributária de outro Estado Membro da Federação. Transcrevese, abaixo, a ementa do acórdão de 23/10/2009: TRIBUTO. IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS – ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio da vedação ao bis in idem. TAXA SELIC. Aplicação para fins tributários. MULTA. Fixação em 20% do valor do tributo. Alegação de caráter confiscatório. Repercussão geral reconhecida. Possui repercussão geral a questão relativa à inclusão do ICMS em sua própria base de cálculo, ao emprego da taxa SELIC para fins tributários e à avaliação da natureza confiscatória de multa moratória. Relevante observar que restando vencido o Ministro Relator Cezar Peluso, ao votar pelo não reconhecimento da repercussão geral, no que foi acompanhado apenas pelo Ministro Joaquim Barbosa, os votos declarados em favor deste reconhecimento, pelos Ministros Marco Aurélio e Ellen Gracie, apenas mencionaram o cabimento da repercussão geral relativamente às outras duas matérias tratadas no recurso extraordinário – inclusão do ICMS em sua própria base de cálculo e validade da multa moratória de 20% nada mencionando acerca dos questionamentos dirigidos à aplicação da taxa SELIC, aspecto somente citado no relatório e na ementa acima transcrita. Em suma, poderseia cogitar de três soluções possíveis para o litígio em torno da utilização da taxa SELIC, nestes autos, para cálculo dos juros de mora: manutenção da exigência em razão da aplicação da súmula CARF nº 4, manutenção da exigência em razão da aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça, ou sobrestamento do julgamento em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal. Considerando, porém, que as decisões dos Tribunais Superiores têm em conta hipóteses fáticas nas quais a aplicação da taxa SELIC é determinada por lei estadual, deve prevalecer aqui a aplicação da Súmula CARF nº 4, que especificamente trata da aplicação de legislação no âmbito federal. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Voto Vencedor Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 192 15 Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Discutese a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL sobre os resultados positivos decorrentes de atos cooperativos. A autoridade fiscal alega que a legislação do Imposto de Renda prevê desoneração da tributação do IRPJ para as cooperativas de crédito no que tange aos atos cooperativos, definidos no artigo 79, a Lei 5.764/71; mas não no que se refere à CSLL. Desse entendimento não partilhamos. A Lei n. 7.689/88, que criou a contribuição sobre o lucro das pessoas jurídicas (art. 1º), tem seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea “c”, da Constituição, que concedeu autorização à União para instituir a contribuição sobre o lucro das empresas ou entidades a elas equiparadas na forma da lei. Não só não há lei que equipara as sociedades cooperativas a empresas, como a Lei n. 5.764/71 dispõe expressamente que elas têm natureza civil. Lucro é conceito de direito privado, significado o resultado positivo da empresa, a ser partilhado entre os sócios na proporção de sua participação no capital social. Em se tratando de conceito utilizado expressamente na Constituição para definir competência, não pode ele ser alterado sequer pela lei tributária, quanto mais pelo intérprete. Se a própria lei que instituiu o regime jurídico das cooperativas define sua natureza como civil, sem fins lucrativos, é óbvio que o resultado positivo dos atos cooperados (sobras líquidas), que retorna aos associados na proporção das operações por ele realizadas (inciso VII do art. 4º), não é “lucro de empresa”, mas resultado do associado. Não se pode perder de vista que o suporte fático da CSLL é o lucro, e que a sociedade cooperativa não tem fins lucrativos (art. 3º da Lei n. 5.764/71), na medida em que é constituída para prestar serviços aos associados, tendo natureza civil (art. 4º). Temse, portanto, que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria (art. 79), de maneira que não há como sujeitar à contribuição social sobre o lucro líquido o resultado positivo (sobras líquidas) obtido nos chamados atos cooperados. Altissonante é a jurisprudência administrativa, como se verifica o entendimento exposto, dentre outros, nos acórdãos cujas ementas ficam aqui reproduzidas: “CSLL. COOPERATIVAS. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Recurso provido.” (Ac. n. 910100.308, de 25 de agosto de 2009) “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COOPERATIVA DE CRÉDITO. A exigência da Contribuição Social Sobre o Lucro das Cooperativas de Crédito só tem fundamento quando determinada sobre o resultado oriundo das operações realizadas com não cooperados, não podendo prosperar o lançamento que toma por base o resultado líquido Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001466/200501 Acórdão n.º 1101000.463 S1C1T1 Fl. 193 16 apurado com atos cooperativos, conceituados como sobras, em virtude de não estar configurada a hipótese de incidência desta contribuição, pela inexistência de lucros. A circunstância de as cooperativas de crédito enquadraremse como instituições financeiras, segundo o artigo 22, §1°, da Lei n° 8212/91, não resulta em legitimar a tributação segundo o resultado dos atos cooperados.” (Ac. n. 910100.207, de 27 de julho de 2009) “CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA A base de cálculo da contribuição social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts.1º e 2º da Lei nº 7.689/88, c/c com os arts. 79 e 111 da Lei nº 5.764/71. Recurso voluntário conhecido e provido.” (Ac. n. 105.16.587, de 04 de julho de 2007) Como o resultado positivo dos atos cooperados (com associados) não constituem lucro da sociedade, as sociedades cooperativas só são contribuintes da CSLL se praticarem atos não cooperativos, e apenas sobre o resultado Por essas razões, entendemos não haver como sujeitar à contribuição social sobre o lucro líquido o resultado positivo (sobras líquidas) obtido nos chamados atos cooperados. Afastada a exigência do principal ficam insubsistentes a multa de ofício e os juros de mora. Diante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digi talmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 14041.000044/2004-08
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. ESTORNO DE MULTAS CONTRATUAIS.
REGISTRO CONTABIL. COMPROVAÇÃO. LEGITIMIDADE.
A escrituração, mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Deve ser afastada a exigência que vá de encontro à escrituração regular, cuja documentação, trazida aos autos pelo sujeito passivo, atesta a lisura dos registros contábeis.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
0 dispêndio é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades empresariais, principais ou acessórias, e desde que tais atividades, estejam vinculadas à fonte produtora dos rendimentos.
Deve ser mantida a glosa quando não comprovada a essencialidade da despesa para a realização das atividades empresariais.
Numero da decisão: 9101-001.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a exigência no tocante aos honorários advocaticios, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann, que NEGAVAM provimento quanto a este ponto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Claudemir Rodrigues Malaquias
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CSRF-T1 Fl. 1.936 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ProceY,a n' 14041.000044/2004-08 RccuirLo n" 1.433.377 Especial do Procurador At!Ordlo n° 9101-01.189 — P Turma Sessão de 17 de outubro de 2011 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS - GLOSA DE DESPESAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRASIL TELECOM PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. ESTORNO DE MULTAS CONTRATUAIS. REGISTRO CONTABIL. COMPROVAÇÃO. LEGITIMIDADE. A escrituração, mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Deve ser afastada a exigência que vá de encontro à escrituração regular, cuja documentação, trazida aos autos pelo sujeito passivo, atesta a lisura dos registros contábeis. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. 0 dispêndio é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades empresariais, principais ou acessórias, e desde que tais atividades, estejam vinculadas à fonte produtora dos rendimentos. Deve ser mantida a glosa quando não comprovada a essencialidade da despesa para a realização das atividades empresariais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a exigência no tocante aos honorários advocaticios, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann, que NEGAVAM provimento quanto a este ponto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. terft;Ca,() " " 1 ¡2 ÍY 1 pc 0LAC1:01IR ODI GUEI tv1ALA(.).A3, c.:111 11:2011 por 0CILIG DAN1 CAI II AXO, Asrado dvI.olrowve en: 11i11/2011 CILAUDII.1%1:F,; M ALAQUIAS Imiyesso 1'2! 1 2i20 1 ;:o' roLENT:\;o1,II:I_INOITS DJ' (ART MI: H. 2 Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.937 (documento assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Valmar Fons8ca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rod: igues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffman (Vice- Presidente). Relatório Com fundamento no art. 7 2, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n 2 147/07, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face do acórdão n 2 103-22.810, de 06.12.2006, proferido pela Terceira Camara do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes. 0 presente processo contempla autos de infração (fls. 7/34) para lançamento do IRPJ e os reflexos do PIS, COFINS e da CSLL referentes aos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. De acordo com a Descrição dos Fatos as irregularidades apuradas foram as seguintes, em síntese: 1) omissão de receita caracterizada pelo estorno injustificado de valores originalmente contabilizados como receita operacional referentes a multa aplicadas sobre direitos realizáveis (fato gerador: 31/12/99); 2) ausência de comprovação de custos não operacionais relativos à baixa de ativos (fato gerador: 31/12/2001); 3) ausência de comprovação ou comprovação inidõnea de valores lançados como despesas operacionais (fatos geradores: 31/12/99 e 31/12/2001); 4) dedução de despesa não necessária, referente a honorários advocaticios numa ação de queixa-crime, em relação a qual a empresa não comprovou o interesse na ação (fato gerador: 31/12/2001); 5) dedução como despesa operacional do valor referente a doações e patrocínios para incentivo à cultura sem respeitar o limite de dedutibilidade previsto na legislação (fato gerador: 31/12/99); 6) compensação indevida de prejuízos tendo em vista a reversão do 'prejuízo originalmente apurado no ano-calendário de 1999, pelo lançamento das infrações apuradas (fatos geradores 31/12/2000 e 31/12/2001); e 7) redução indevida do lucro real em função de exclusões do lucro liquido sem amparo na legislação, relativas a: AutenticAo ::0DRIGULS 11A,,',;;UIAS, ss nn 7/11/2011 poc 0 (AC,L10 DAN :- A:rs, C00 7O, 11111 /201 1 P,:r CAUDEMIR AL ACIIIAS 2 Impresso em 02i 2/20 SUEll TOLENTINC., MENr)FS DA (IF1 JZ 1)1: CARE' MI: I. 3 Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.938 a) incentivo As atividades audiovisuais sem observância do limite previsto na legislação (fato gerador: 31/12/99); b) a receitas financeiras não realizadas (fato gerador: 31/12/99); c) a bônus pagos aos gerentes (fato gerador: 31/12/2000); d) investimento na Area audiovisual sem observância do limite de dedução (fato gerador: 31/12/2001). A Contribuinte impugnou a exigência (fls. 594/661) apresentando documentos de fls. 662/932 alegando em preliminar a ocorrência da decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/05/99, entendendo que a apuração do resultado é mensal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia afastou a preliminar de decadência e, acolhendo parte das argumentações, deu provimento parcial A. impugnação, conforme Acórdão n2 10.977, de 31.08.2004, cuja ementa é a seguinte, na parte que interessa a este Colegiado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica— IRPJ Anos-calendários: 1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITA / MULTAS A RECEBER O sujeito passivo não logrou comprovar que a capitalização na empresa Teleron não incluiu a multa devida por esta. CUSTOS/DESPESAS/NECESSIDADE 0 sujeito passivo comprovou apenas parcialmente a necessidade das despesas glosadas. Para a comprovação da despesa tem que haver a indicação e descrição do produto ou do serviço fornecido ou prestado, a fim de permitir identificar o interesse do sujeito passivo no mesmo, ou seja, demonstrar a sua necessidade para a atividade da empresa. (..)" Quanto A exigência mantida, devidamente cientificada da decisão a interessada deixou de recorrer de alguns itens que foram, inclusive, objeto de Pedido de Compensação. Para os demais, apresentou recurso voluntário a este Conselho (fls. 968/1.045), ratificando as razões da peça impugnatória, reforçadas com documentos de fls. 1.048/1.700. A e. Terceira Camara do antigo Primeiro Conselho de Contribuinte proferiu o seguinte acórdão, verbis: "ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio; por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 1999 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação as seguintes Autenticado II 2011 Yq . )1P?1 Mq9,riq, 4g,Y ,01!?7,7q‘Yigrn° frufrYY 10. (1,el rceilas 7/11/2011 pa: OTAC;1100 DAN7AS /%'\R 0<O. Aic0d:g: 1151r.:e.rito e;it 11/11/2011 por CLA0010I`v1:0i 2010110L)r.2 M ALACWIAS 3 Irroess0 ern 07/12/2011 i,;o:• SIJELi TOLE:WINO 01FEW1E'S l7A CT:1)7 FIF CAM NW Fl. 4 Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n°9101-01.189 Fl. 1.939 de multas" (item 001 do auto de infração), vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator), Aloysio José Percinio da Silva e Flávio Franco Correa, que negaram provimento; 2°) por unanimidade de votos, glosa de "custos não operacionais-baixa de ativos", no valor de R$ 869.422,51, (parte e2, 7 item 002 do auto de infração); 3°) por unanimidade de votos, "ausência de comprovação idônea", no valor de R$ 700.324,88, no ano-calendário de 1999 e R$ 1.130.383,02 no ano-calendário de 2001 (parte do item 003 do auto de infração); 4°) por maioria de votos, "glosa de despesas com honorários advocaticios" (item 004 do auto de infração) vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator) e Flávio Franco Correa, que negaram provimento; 5°) por unanimidade de votos, reconhecer, em parte, o direito à dedução do Imposto de Renda devido correspondentes aos incentivos relativos aos projetos "Restauração do edificio da embaixada brasileira em Roma — Itália" e "0 crime do doutor Alvarenga" (parte do item 005 do auto de infração); 6°) por unanimidade de votos, reconhecer o direito a dedução do Imposto de Renda Devido sobre "incentivo a atividade audiovisual" (parte do item 007, do auto de infração);. 7°) por unanimidade de votos, reconhecer direito a compensação de eventuais saldos de prejuízos fiscais compensáveis aflorados em virtude do decidido neste acórdão; bem como ajustar as exigências reflexas em função do decidido em relação ao IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Machado Caldeira." (destacou- se) A decisão restou assim ementada, observando-se de inicio que a ementa do acórdão contemplou apenas a dedução de despesas, sendo que não houve referência expressa omissão de receitas, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO — NECESSIDADE - Deve ser exonerado o lançamento em relação à parcela do valor dos custos ou despesas glosadas como não comprovados, cuja documentação probante foi trazida aos autos pelo sujeito passivo, bem como aquelas em que restou comprovada a sua necessidade para as atividades da empresa. INVESTIMENTO INCENTIVADO.ATIVIDADE AUDIOVISUAL. DEDUÇÃO - Não pode prosperar o lançamento referente a glosa de despesa de investimento incentivado, quando a autoridade fiscal tipificou e enquadrou a irregularidade em situação diversa, com prejuízo ao pleno exercício de defesa do sujeito passivo. Autelt:cadoIta el 11' 7/1112011 por (3 IACILIO CAN ALAQUIAS Impresso sm 32/1212311 por INVESTIMENTO EM ATIVIDADES CULTURA IS. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA - E passível de dedução do imposto 11;2011 pol C,LAUDEM;I: R'ODRIG1;ES em '1 (31 CA,ra \x.0 1.;;,$:z (Jr', VII /2011 por CLAL:DOA:R EL. IDLED I HO ■ ,;F:IMES DA CRUZ 4 DF CAM= Mt' H. 5 l'rocesso no 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.940 de renda devido, dentro dos limites legais, o valor referente a contribuições e doações a atividades culturais que não foi anteriormente deduzido por ter sido originalmente apurado prejuízo fiscal. A .. 3unto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. TERMO INICIAL - No caso do regime de apuração anual para o IRPJ e CSLL considera-se ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro do período base de apuração, sendo esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Para o ano-calendário de 1999 o fato gerador deu- se em 31/12/99. DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS - Assumindo o prazo decadencial qüinqüenal como regra geral, no ano-calendário de 1999 o decurso do prazo fatal para o IRPJ e CSLL ocorreu em 31/12/2004, e para as contribuições ao PIS e à Cofins (fato gerador em 30/06/99) em 30/06/2004. Como a ciência da autuação ocorreu em data anterior (23/06/2004) neio se caracterizou a decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇ:i 0 - Deve ser mantida a exigência em relação à glosa de custos ou despesas tidos como não comprovados ou com documentação inidônea sem demonstração em contrário do sujeito passivo e ainda em relação àqueles onde a necessidade e interesse da pessoa jurídica não ficaram evidenciados. IRPJ E CSLL REVERSÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - Demonstrada a ocorrência de irregularidades que implicaram na reversão de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, mantém-se a exigência do tributo decorrente dessa reversão. MULTA DE OFICIO - É aplicável na hipótese de lançamento de oficio, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo a este colegiado manifestar-se quanto a eventual natureza confiscatória de penalidade prevista em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIG para títulos federais Auteilt ■ cad 1/2011 t,f,or CLAUDEJ'...01: em 1 7t1112011 por OTACILIO DíN AS Cí AXO, i",r;r2, nack.) men :eom 11/1""/20 11 AlAQUIAS !mpr2so em 62/12121 por SUEL1 5 DI' CA RI 2 v1l (1 Processo n ° 14041.000044/2004-08 Acórdão n. ° 9101-01.189 CSRF-T1 Fl. 1.941 Assunto: Outros Tributos ou contribuições Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: CSLL, PIS E COFINS - Tratando-se de lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que implicaram na exigência do IRPJ aplica- se a eles o resultado do julgamento desse tributo." A Fazenda Nacional insurge-se contra o r. acórdão proferido pela e. Terceira Crnai-a, na parte em que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para: a) afastar a omissão de receita caracterizada pelo estorno injustificado de valores originalmente contabilizados como receita operacional referentes a multas recebidas (sic) sobre outros direitos realizáveis (item 001 do auto de infração); e b) admitir a dedução de despesas tidas pela fiscalização como desnecessárias, relativas a honorários advocaticios em virtude de defesa em ação penal exercida em favor de diretores da pessoa jurídica autuada (item 004 do auto de infração). Alega que o Colegiado a quo não aplicou ao caso o disposto no art. 24 da Lei n2 9.249/1995 (omissão de receitas — item 001 do auto de infração), bem como o estatuido pelo art. 47 da Lei n 2 4.506/64 (despesas operacionais — item 004 do auto de infração). Para a recorrente, ao excluir da tributação as matérias apontadas, a e. Camara contrariou tais dispositivos, além de contrariar a evidência das provas acostadas aos autos. Conforme Despacho n 2 103-0.140, de 07.08.2008 (fls. 1.862-1.863), o então Presidente da Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu estarem atendidos os requisitos regimentais e deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 1.879-1.883), ratificando os argumentos apresentados por ocasião do recurso voluntário, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório no essencial. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Autent;cado dir;U:•e; ..te em 11111/2011 Dor ROD: kiv.T.fterte em 1 7/1 02011 pc)! 01 ik(la;() DANIAS CARTA;;.0, I mdc dq , ixIe e ,1111/1" 12011 por C 0001111 r-zour,;(.1_!Es ALACTJIAS :moresso em 02112/2011 ;)c:- SUED TOLEN;Ts;0 MENDFS DA CRUZ 6 DF CARL= MF H. 7 Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n° 9101-01.189 Fl. 1.942 Remanescem para apreciação deste Colegiado apenas duas matérias (itens 001 e 004 do auto de infração) que foram contestadas pela Fazenda Nacional em seu especial, quais sejam: 1) omissão de receita caracterizada pelo estorno injustificado de valores originalmente ccatabilizados como receita operacional referentes a multas aplicadas sobre direitos ; -ealizcheis (fato gerador: 31/12/99); e 4) dedução de despesa não necessária, referente a honorários advocaticios nurm, ação de queixa-crime, em relação a qual a empresa não comprovou o interesse na ação (fat() gerador: 31/12/2001). No entendimento da Fazenda Nacional, ao excluir da tributação as referidas matérias, a e. Camara não observou o disposto no art. 24 da Lei n 2 9.249/1995 (omissão de receitas — item 001 do auto de infração), bem como o estatuído pelo art. 47 da Lei n2 4.506/64 (despesas operacionais — item 004 do auto de infração), além de contrariar a evidência das provas acostadas aos autos. Da omissão de receita Insurge-se a Fazenda contra a parte da decisão que determinou a exclusão do lançamento da parcela tida pela fiscalização como omissão de receitas, referente aos valores originalmente contabilizados como receita operacional decorrente de multas recebidas (sic) sobre outros direitos realizáveis e que posteriormente foram estornados. Em sua argumentação, destaca que a Contribuinte, intimada a esclarecer o estorno dos lançamentos relativos a multas, contabilizados inicialmente como receita operacional, afirmou o seguinte: "No processo de cisão da Telebrds, ocorrido em 22 de maio de 1998, coube A Brasil Telecom Participações S/A (BTP) os ativos dos empréstimos concedidos pela holding precedente, dos quais constaram a divida da Telecomunicações Rondônia S/A — Tel eron. De acordo com as cláusulas contratuais eram aplicadas multas sobre os saldos inadimplentes, pois aquela operadora encontrava-se em difícil situação financeira. Com a tomada da administração da nova holding (BTP), que passou à formar- se no final de 1998 e inicio de 1999, foram tratadas as estratégias de capitalização de todas as operadoras controladas, onde a Teleron demonstrou grande necessidade de aporte de recursos para saneamento de suas finanças, como também para atender as necessidades de suprir os investimento requeridos para atendimento As metas firmadas com a Anatel. Autenticado dg aInien!e em 11111 , 2 7 /1112011 por 0".ACILIO DAN FAS C' ALAQJIAS Impesso on 02/12/2011 por SUELI Como resultado deste equacionamento, foram repactuados os dados contratuais das obrigações da Teleron, que resultaram, entre outras medidas, no cancelamento de multas aplicadas sobre a inadimplência no período de janeiro a maio de 1999 no montante supracitado. A repactuação consta da carta datada de 10 de maio de 1999, expedida pelo diretor financeiro (estatutário) da Brasil Telecom Participações S/A e endereçada ao presidente dar:Teleron...Esta ,- carta3,condicionava , adoção das novas medidas à In 1'1111/2011 poc 7 SN TINO I':1ENDES DA CRUZ fl CAR!' MI; Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.943 aprovação do conselho de administração da BTP, cuja deliberação ocorreu na reunido realizada em 20 de maio de 1999 (em anexo)." (destaques do original) Aduz que a autoridade autuante intimou o sujeito passivo para apresentar os contratos firr....I.Jos com a devedora Teleron, tendo esta informado que os documentos não foram localizados (fis. 574). Destaca ainda que a autoridade fiscal, à vista do contido na Ata da Reunião do Conselho de Administração da controladora, a autoridade fiscal entendeu que a divida da Teicron, transformada em aumento de capital, incluía as referidas multas. Menciona ainda, que a carta datada de 10 de maio de 1999, apresentada pela defesa no intento de demonstrar a repactuação das dividas da Teleron, indicava condições que seriam adotadas "após a aprovação pelo Conselho de Administração" e que, de fato, não houve manifestação expressa no sentido de cancelamento das aludidas multas. Ao contrário, porém, conforme a Ata da Reunido do Conselho de Administração, realizada em 20.05.1999) ficou consignada a renegociação da divida da Teleron, tendo o conselho aprovado a capitalização do total da divida no valor de R$ 54.091.133,00, "abrangendo as parcelas do Principal, Juros e Multas". A Fazenda, apoiando-se nestes argumentos, arremata que i) a referida carta "tem mais o conteúdo de esclarecimento de possíveis medidas a serem adotadas pela controladora (sujeito passivo) para a capitalização da controlada (Teleron), do que um efetivo ato jurídico de perdão das aludidas multas, que serviria de base ao estorno contábil destas"; e que ii) "um pretenso ato unilateral com o efeito pretendido pela autuada, praticado por seu presidente, não pode se sobrepor a um ato praticado por seu Conselho de Administração, órgão colegiado que expressamente aludiu à inclusão das multas na divida. Por estas razões, sustenta que o estorno das referidas multas foi indevido, porquanto os valores deveriam ser oferecidos à tributação, estando correta a fiscalização ao caracterizar a omissão de receitas. A defesa, por sua vez, na mesma linha argumentativa tecida desde a impugnação, reafirma que aludidas multas foram estornadas em face da repactuação da divida da Teleron. A aludida renegociação estava embutida na estratégia de capitalização das operadoras controladas, quando era necessário o aporte de recursos para o saneamento de suas finanças, como também concretizar investimentos necessários ao atingimento das metas firmadas com a Anatel. Aduz que a repactuação, que ensejou o cancelamento das multas, é comprovada pela aludida carta de 10.05.1999, expedida pelo diretor financeiro da Contribuinte e endereçada ao presidente da Teleron, a qual condicionava a adoção das medidas saneadoras à aprovação do Conselho de Administração, cuja deliberação favorável ocorreu na reunião de 20.05.1999. Registra que, em sua defesa na primeira instância, foram apensados diversos documentos extraídos dos registros contábeis da Teleron, no sentido de atestar que o valor efetivamente capitalizado não incluiu as referidas multas contratuais. E acrescenta que, se do lado da BTP houve o estorno das multas, por parte da Teleron providência equivalente foi adotada, excluindo-se do saldo devedor os valores correspondentes, não sendo, assim, deduzidos como despesa na apuração do resultada da controlada devedora. AWent:cado d:gilmoe on 1 ;11112C I : ),m ( .1!R HOL;RGIJELS tv",,\ LAa,;;;AS, hsc,;; rte em 1 7111/2011 per OTACILK) DAN -I AS CARTA;(:), cl.giner;ir! em 11/111201i per C; AUDL-M.; R3DHI5ULS ALAQU;AS 8 Irr!:messo cm 0211,2/20' I cor SJF1 I OLENTL1)QFNFLES DA CRU7 ('ARF MI' 9 Processo no 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.944 Informa ainda que foi juntada por ocasião do recurso voluntário planilha explicativa da composição dos referidos recursos, bem como cópias de extratos de contas do Livro Razão, onde são detalhadas as origens dos recursos que foram efetivamente capitalizados pela Brasil Telecom. Tais documentos complementam a demonstração de que o valor capitalizado pela Contribuinte na Teleron não inclui o montante referente à multa estornada da conta de rcceitl da Brasil Telecom. Diante destas alegações em sentido contrário ao sustentando pela Fazenda, é necessário, para dirimir a controvérsia, perquirir se, i) com base nos elementos trazidos ao processo, houve ou não o cancelamento (perdão) das multas contabilizadas pela contribuinte como receita e que posteriormente foram estornadas; e se ii) o valor efetivamente capitalizado pela Brasil Telecom na sociedade controlada Teleron contempla, como indica a fiscalização, o valor correspondente a tais multas contratuais. Na esteira da argumentação do voto vencedor da decisão recorrida, que considerou comprovado o cancelamento das aludidas multas, passo a analisar os lançamentos contábeis, atestados pelos extratos do Livro Razão acostados aos autos. No entendimento da defesa, tais lançamentos suportam e fundamentam a operação de capitalização procedida pela Contribuinte Brasil Telecom na controlada Teleron. Pois bem, como dito anteriormente, por ocasião do recurso voluntário a defesa trouxe aos autos cópias do Livro Razão e de planilha com valores consolidados, conforme documentos de fls. 1.480 a 1.516 dos presentes autos. Neles está demonstrada a sequência dos lançamentos contábeis, bem como a recomposição do saldo da conta equivalente as dividas da Teleron junto à Brasil Telecom, que ao final reflete o valor efetivamente capitalizado pela controladora na sua controlada. Por se tratar de matéria probatória, de plano deve-se consignar que os documentos acostados aos autos na segunda instância não representaram inovação na linha argumentativa e tampouco discrepam do diálogo processual instaurado no procedimento de auditoria e que se estendeu até a apreciação no âmbito deste Conselho. Trata-se de provas pré- constituídas, ou seja, já existentes à época da auditoria mas que não foram aduzidas pela Contribuinte que, naquela ocasião, entendeu serem suficientes os elementos ofertados na fase instrutória. Analisando-se a contrapartida dos lançamentos na Teleron, ao valor registrado a titulo de Recursos Capitalizados, verifica-se que a multa antes contabilizada no valor de R$ 7.153.774,19 (valor da infração atribuído pela fiscalização), foi estornada juntamente com parte de juros relativos a empresas associadas e de outros valores, respectivamente de R$ 351.701,88 e R$ 434.132,97, totalizando R$ 7.939.209,04. A conta representativa das obrigações da Teleron junto à Contribuinte (13310000) apresentava o saldo de R$ 68.805.725,80 em 31.05.1999 (fls. 1.481); após o lançamento dos valores de R$ 3.200.000,00 a débito (fls. 1.492) e R$ 7.939.209,04 a crédito, relativo ao estorno das multas, passou a apresentar o saldo de R$ 64.066.516,76 em 30.06.1999 (fls. 1.482); em 16.07.1999 recebeu o lançamento a débito o valor total de R$ 12.313.800,00 (correspondentes aos documentos de fls. 1.502-1.507), compondo o saldo no final do mês 07/1999 no valor de R$ 76.380.316,76. Referido saldo foi transferido em 31.07.1999 para a conta 123700000 — Aute ,,,,i001 , 1 ,6-pli.q4,94§1Çapitaliz,4ygis.;.Xm 331 1 ,9s,A9,9,9 A Kecebeu4,c1.61itp,,,oyalor de R$ 3.569.274,00 7111120'H por MACILi0 DANTAS CAR . f A;;C,), A;;;•.=)(16 ,,,) diriiiArtierit(! :.1 .1111/1 1/2011 pv CLAL.;DUsiii2 RO::,MGUES El ALAQUIAS 9 Impresso in 02112/231 por SUFI I TOLENI;NO "vIENDFS DA CRUZ D.1" CA RI: iE` [I. lo Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.945 (documentos de fls. 1.485 e 1.513) relativo a juros transferidos conforme deliberação da Assembléia de 19.08.1999; em seguida, consta o lançamento a crédito correspondente A. capitalização efetivada no valor de R$ 77.944.096,00 (fls. 1.485 e 1.489) que, pela sequência das partidas contábeis, verificadas nas contas da Brasil Telecom (133310000 e 123700000) e os registros correspondentes na conta da Teleron (2431010002570688 — Telecentrosul Participações S/A, fls. 1.489 - 1.490) atestam que o montante capitalizado não incluiu o valor das adidas multas. A Ata da Reunião do Conselho de Administração realizada em 19.08.1999 (lis. L477-1.478), comprova a autorização do Conselho para aumento de capital do valor curr...;spondente originariamente a R$ 64.969.553,05 para o montante R$ 142.913.649,05. 0 valor acrescido, ou seja, o valor efetivamente capitalizado pela Brasil Telecom na sua controlada Telerom, correspondente a R$ 77.094.096,00, representa em termos exatos o valor contabilizado nas contas 123700000 (Brasil Telecom) e 24131010002570688 (Teleron) e comprovado pelos documentos constantes dos autos (fls. 1.485 e 1.489). Como é cediço, a determinação do lucro real realizada pelo contribuinte está sujeita A. verificação pela autoridade fiscal. A fiscalização realiza suas investigações, análises e verificações partir dos livros comerciais e fiscais, bem como a totalidade dos docimentos probatórios dos fatos contábeis registrados pelo contribuinte em sua escrita. A escrituração mantida em observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, cabendo ao fisco o ônus de demonstrar os vícios que macula os lançamentos contestados. A não observância deste procedimento, prejudica a manutenção da tese da autuação, mormente quando presente nos autos os documentos que atestam lisura dos lançamentos contábeis. Sobre este ponto, dispõe o Decreto-Lei n 2 1.598/1977, art. 9 2, verbis: "Art. 9° A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1° A escrituração, mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. 2° Cabe a autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1° s§' 300 disposto no § 2° não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração." (negritou-se) Com efeito, o montante de R$ 77.094.096,00, equivalente aos lançamentos contábeis, bem como ao consignado na Ata da Reunido do Conselho de Administração do dia 19.08.1999, não inclui o valor das aludidas multas. A recomposição do saldo da conta representativa das obrigações da Teleron junto a Brasil Telecom, conforme demonstrado acima, permite concluir que efetivamente houve o estorno das multas, tendo sido estas corretamente desconsideradas pela Teleron, no cômputo de suas obrigações financeiras e, pela Brasil Telecom, na apuração de seu resultado. ml<2 , ,ticm!o d, g ,rnon;,.: 111'112:111 oc;': CLALD&tvii: 1-tODRIGUES VALAQL1IAS, A:;jr 7/11/2011 pol O fAC;!1.,10 DAN 1 AS OA:T-A,Y,O, Assi.,;() (11n11i1:1et);e ern 11/11/S011 pu , C1_ADLI:^A AL AOL.I1AS lirpresso C1412/2011 1) ■ )r SUF11 OLEN 1- 1D0 WiA117"IS DA Ordil_ 10 D» CAW' Mk' H. I Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.946 Por estas razões, infirma-se a tese da acusação de que a Contribuinte, ao estornar referidas multas, omitiu receitas operacionais. Assim, neste ponto, não carece de reparo a decisão recorrida que acolheu a argumentação da defesa e considerou correto o procedimento da autuada. Da dedução de despesa não necessária Insurge-se também a Fazenda Nacional contra a parte do acórdão da e. Terceira Camara que afastou, por maioria de votos, a exigência relativa A glosa de despesas referentes a honorários advocaticios pagos pela Contribuinte em virtude da defesa em ação penal exercida em favor de diretores da pessoa jurídica autuada. Relativamente a esta questão, o voto condutor do acórdão recorrido estabeleceu o entendimento pelo qual "a empresa teria interesse na questão judicial, visto que se trata de queixa-crime contra diretores da recorrente, pela suposta prática de crime de calúnia e injúria, tendo como objeto a revelação de documento, firmado anteriormente pelos querelados, em nome da pessoa jurídica Brasil Telecom S/A". Entendeu o e. Colegiado que as despesas com honorários advocaticios, tidas como não necessárias pela fiscalização, foram incorridas em favor de diretores da pessoa jurídica autuada e, desta forma, a vinculação dos fatos com a Contribuinte enseja que tais despesas devam ser consideradas necessárias e, portanto, dedutiveis. Sustenta a Fazenda Nacional que a Camara a quo, ao proferir tal decisão, contrariou o disposto no art. 47, da Lei n 2 4.506/64, verbis: "Art. 47. Sao operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias el atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. 5S' 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. 5S' 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Argumenta que podem ser admitidas como necessárias "somente as despesas pagas ou incorridas com a finalidade de realizar as transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa juridica." Acrescenta que para que possam ser consideradas dedutiveis, "6 necessário que as despesas sejam pagas ou incorridas por determinada entidade e que estejam relacionadas com negócios ou atos mercantis realizados por exigência da atividade empresarial dessa mesma entidade. Em suas contrarrazões, a defesa alega, em síntese, que as referidas despesas devem ser consideradas necessárias. Segundo a Contribuinte, a necessidade e o interesse da despesas justificam-se pelo fato de que as pessoas denunciadas como querelados também figuravam como seus administradores, situação esta mais do que suficiente para justificar o Autent , e3,10,¡„1,patrocfnio, ,financeiroldagat-istAtcluer,:40440.9 ilançada Lsobre,a,,conduta e a moral desses 7/11,2011 por OTAS ILK) !AN ; CPR11 11.X.C1, d inN em 11/1 1Wa 1 1 pol CC AUDE1,11R F:ODNIGUES M ALAC;11!AS II impres5o em G2/12/2011 por SUE"! 1- C1: ) MEN 2 E 1 12 CRUZ Di CARF H. 12 Processo n° 14041.000044/2004-08 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.189 Fl. 1.947 administradores, principalmente uma condenação criminal, teria repercussão desfavorável para as sociedades do grupo e isto justificaria o interesse e a necessidade da referida despesa. Quanto a esta matéria, assiste razão à recorrente Fazenda Nacional, pelas seguintes razjws. Com base na sentença do processo judicial (fls. 400-407), verifica-se que a ação se referiu a queixa-crime contra dirigentes da empresa Brasil Telecom S/A, pessoa jurídica distinta do sujeito passivo Brasil Telecom Participações S/A. Tais dirigentes teriam "vazado" informações ao jornal 0 Estado de São Paulo, atribuindo à Telecom Itália uma intenção velada de dificultar a participação da Brasil Telecom na licitação das bandas C, D e E do Serviço Móvel Pessoal de Telefonia. Com efeito, a Brasil Telecom S/A, frise-se, pessoa jurídica distinta da Contribuinte autuada, possuía interesse direto no resultado da referida ação em razão do envolvimento de seus diretores. No entanto, a despesa glosada pela fiscalização foi efetuada pelo sujeito passivo (Brasil Telecom Participações S/A), conforme recibo do pré-contrato de serviços advocaticios às fls. 401-403 e, não pela pessoa jurídica Brasil Telecom S/A, sociedade com real interesse na absolvição de seus diretores. A simples alegação de que os diretores são os mesmos para ambas as sociedades não infirma a tese da acusação. Não resta dúvida que havia um justo interesse no desfecho favorável da ação penal em beneficio de seus administradores, o que justifica, do ponto de vista societário, que a empresa suporte a contratação de advogados para defesa de seus diretores. No entanto, o tratamento tributário destas despesas deve ser pautado pelo disposto na legislação de regência da matéria. Conforme estatuído no art. 47 da Lei ri.2. 4.506/1964, acima transcrito, as despesas operacionais necessárias A. atividade e à manutenção da fonte produtora são aquelas tidas como "usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa." Não caracterizada sua usualidade ou normalidade no escopo das atividades da empresa, não podem ser consideradas necessárias e, em consequência, são indedutiveis. Ademais, tendo em vista que a imputação da suposta prática dos crimes de calúnia e injúria recaiu sobre pessoas físicas, ainda que ocupantes do cargo de administradores, as despesas com a contratação de profissional advogado para defendê-las em juizo deveriam, a rigor, serem por eles suportadas. Por se tratarem de crimes de natureza personalíssima, não são naturais e decorrentes do exercício de sua atividade administrativa a frente da sociedade. Ainda que o desfecho da ação possa trazer consequências para a imagem da sociedade, os atos praticados com suposta extrapolação dos poderes a eles conferidos não possuem relação alguma com as funções de administração exercidas e, portanto, não estão relacionados atividade da sociedade ou à manutenção de sua fonte produtora. Por estas razões, deve-se considerar que os dispêndios apontados pela fiscalização relativos a honorários advocaticios não configuram "despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa". Tampouco são "usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa", como exige o mencionado art. 47, § 2 2, da Lei n-9. 4.506/1964, para permitir sua dedução da base de cálculo do IRPJ, motivo pelo qual deve ser mantida a referida glosa. Aueticao diglia!rnerito err 11 , 11/2011 por iZOLGUES tsAALAQUIAS, Assirw,:ci 7/ -1112011 por O 1ACLK) DAN ":AS CAR fro\ 0, do 0 , ,gJz-51m(-mi',a err 11(11/2011 G_;r CLALCLMiR!;01)!;',;`JES ALAQUIA:> 12 Impresso em 02/12/7011 per SUEL TOLF,.: ,rflNO A OF )7 'A RI' NV' Processo n° 14041.000044/2004-08 Acórdão n° 9101-01.189 H. 13 CSRF-T1 Fl. 1.948 Conclusão Diante de todo o exposto, direciono meu voto no sentido de CONHECER do recurso da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR-LHE parcial provimento para restabelecer a exigência r.:!:ti;va a glosa de despesas com honorários advocaticios, mantendo-se a decisão recorrida nos demais termos. E. como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias - Relator Au'en'ocado dig r I 11 '; .'2Í 11 „;or CLA.1„1D1::M1R ROM'CL:a1 7/1112011 pci C,)TACIL10 DAN7A1-1 C1AVÍAXO, Aeoo0 dçpla ■ Me.o10 Cm 1111/2011 eor C1AUUZMR DC R GULF;111 ALAQUIAS 13 Impress° em 02/12/2011 pc:r SUF.( 1 - 01..E% -f INC /121,1DES DA CRUZ
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Numero do processo: 10314.006925/2004-16
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 04/09/2001 a 21/05/2004
NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO DENOMINADO TAXOL.
MEDICAMENTO CONTENDO O INGREDIENTE ATIVO PACLITAXEL
DA POSIÇÃO 2932 DA NCM.
O medicamente denominado de Taxol é um produto farmacêutico,
constituído por produtos misturados (paclitaxel, óleo de rícino, polietoxilado e álcool desidratado), preparado para fins terapêuticos (tratamento de neoplasias), apresentado na forma de doses e acondicionado para venda a retalho (frascos/ampolas, contendo paclitaxel), que se classifica no código NCM 3004.90.59.
O ingrediente ativo (paclitaxel) do citado medicamento, quando apresentado isoladamente, tem as características de um composto heterocklico
apresentando exclusivamente heteroátomos de oxigênio, integrante da posição 2932 da NCM.
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS
IMPORTAÇÕES. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.. APLICAÇÃO.
POSSIBILIDADE.
A existência de classificação fiscal incorreta do produto na NCM concretiza o fato típico ilícito da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35,
de 2001.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Fernandes do nascimento
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 04/09/2001 a 21/05/2004 NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO DENOMINADO TAXOL. MEDICAMENTO CONTENDO O INGREDIENTE ATIVO PACLITAXEL DA POSIÇÃO 2932 DA NCM. O medicamente denominado de Taxol é um produto farmacêutico, constituído por produtos misturados (paclitaxel, óleo de rícino, polietoxilado e álcool desidratado), preparado para fins terapêuticos (tratamento de neoplasias), apresentado na forma de doses e acondicionado para venda a retalho (frascos/ampolas, contendo paclitaxel), que se classifica no código NCM 3004.90.59. O ingrediente ativo (paclitaxel) do citado medicamento, quando apresentado isoladamente, tem as características de um composto heterocklico apresentando exclusivamente heteroátomos de oxigênio, integrante da posição 2932 da NCM. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A existência de classificação fiscal incorreta do produto na NCM concretiza o fato típico ilícito da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado.
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Processo n° 10314.00692512004-16 Recurso n° 343.646 Voluntário Acórdão n° 3102-00.660 — 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente BRISTOL-MYERS SQUIBB FARMACÊUTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 04/09/2001 a 21/05/2004 NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO DENOMINADO TAXOL. MEDICAMENTO CONTENDO O INGREDIENTE ATIVO PACLITAXEL DA POSIÇÃO 2932 DA NCM. O medicamente denominado de Taxol é um produto farmacêutico, constituído por produtos misturados (paclitaxel, óleo de rícino, polietoxilado e álcool desidratado), preparado para fins terapêuticos (tratamento de neoplasias), apresentado na forma de doses e acondicionado para venda a retalho (frascos/ampolas, contendo paclitaxel), que se classifica no código NCM 3004.90.59. O ingrediente ativo (paclitaxel) do citado medicamento, quando apresentado isoladamente, tem as características de um composto heterocklico apresentando exclusivamente heteroátomos de oxigênio, integrante da posição 2932 da NCM. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A existência de classificação fiscal incorreta do produto na NCM concretiza o fato típico ilícito da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado. - . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. __) Ç___----' l'\ Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ó. uerra de Castro - Presidente José Fernandes-do -NaSeúnento - Relator EDITADO EM: 21/05/2010 ‘1 - Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). Relatório Trata-se de exigência de credito tributário, formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 02/26, decorrente da aplicação da multa por classificação fiscal incorreta da mercadoria, despachada por meio das Declarações de Importação (DI) relacionadas no Auto (fls. 06/08 e 10/11). Consta ainda do referido Auto de Infração, que o lançamento dos valores de R$ 0,02, relativos ao Imposto sobre a Importação e respectiva multa de oficio, motivado por declaração inexata. Por serem insignificantes, o Acórdão recorrido considerou improcedente o lançamento dos referidos valores. Por bem descrever a motivação do ato de lançamento e as razões de defesa apresentadas na impugnação, transcrevo a seguir o relatório integrante do Acórdão recorrido: Em ato de revisão aduaneira, prevista no artigo 570 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, a fiscalização constatou que a interessada importou o produto descrito nas Declarações de Importaçã o relacionadas às fts.06/08 e 10/11 como "TAXOL INJETÁVEL — medicamento utilizado no tratamento de neoplasias", classificando no código NCM 3004.90.29 MEDICAMENTOS — OUTROS. Segundo a fiscalização, o laudo técnico emitido, por técnico credenciado naquela unidade fiscal, na análise do mesmo produto submetido a despacho pela declaração de importação n° 04/0358617-2, dei 6/04/2004, concluiu que o produto trata-se de "TAXOL", um produto farmacêutico, caracterizando-se como um medicamento constituído por produtos misturados (paclitaxel, óleo de rícino, polietoxilado e álcool desidratado), preparado para fins terapêuticos (tratamento de neoplasias) apresentado na forma de doses e acondicionado para venda a retalho (frascos/ampolas, contendo paclitaxel) e, mais particularmente, como um medicamento cujo ingrediente ativo (paclitaxel) caracteriza-se quando apresentado isoladamente, Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 332 como um composto heterocíclico apresentado exclusivamente heteroátomos de oxigênio. Assim, por esse composto ativo (Paclitaxel) se tratar de um composto heterocklico apresentado exclusivamente heteroátomos de oxigênio, este deve ser classificado na Posição 2932 (Compostos Heterocíclicos exclusivamente de heteroátomos de Oxigênio) na NESH — Notas Explicativos do Sistema Harmonizado. Os medicamentos contendo produtos (compostos orgânicos) da posição 2932 são classificado no item tarifário 3004.90.5 — contendo produtos das posições 2930 a 2932, mas não contendo produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.4. Por não se encontrar especificamente citado em nenhum dos códigos tarifários específicos desse item esse medicamento (TAXOL) é classificado no código tarifário genérico 3004.90.59 — Outros. Ciente do Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação de fis. 79 a 107, onde em síntese alegou: - a presente autuação não pode subsistir, eis que eivada de arbitrariedade que não encontra amparo na realidade dos autos; - a Impugnante é empresa que se dedica à industrialização e comércio de medicamentos e derivados, razão pela qual sempre fez a importação do produto ensejador da presente autuação fiscal, denominado "taxol injetável", que é utilizado no tratamento de neoplasias"; - o produto em questão é um medicamento constituído por paclitaxel, óleo de rícino, polietoxilado e álcool desidratado, utilizado para tratamento terapêutico de câncer de ovário ou mama metastático; - tendo em vista que o paclitaxel não pode se enquadrado nas posições 3002, 3005, ou 3006, visto que não há identificação entre a fórmula química do referido produto e aqueles que se encontram incluídos em tais posições, a Impugnante fez seu enquadramento na posição 3004, que se refere a medicamentos constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados na forma de doses (incluídos os destinados a serem administrados por via oral percutânea) ou acondicionados para venda retalho; logo, pelo fato de o paclitaxel poder ser classificado nas posições 29.16 a 29.20, sua inserção deve ser feita na posição 3004.90.2, pois se trata de "outro" medicamento que contém produtos das posições 29.16 a 29.20; - por outro lado por não existir, dentro da posição 3004.90.2 item específico para ao paclitaxel, seu enquadramento deve ser feito na suposição 29, quando então sua classificação fiscal é 3004.90.29; / 3 - tal é a classificação fiscal que é adotada pela ora Impugnante desde o início das importações do apontado medicamento, no ano 2000, sendo certo que todas as importações feitas sob tal código foram devidamente processadas e desembaraçadas, conforme atestam as respectivas Declarações de Importação (doc. n os 04 a 13), informações esta que, inclusive, é corroborada pela própria fiscalização; - se durante todos esses anos, a Impugnante fez esta espécie de importação e não sofreu qualquer espécie de questionamento ou autuação fiscal, é imperativa a conclusão de que o proceder da fiscalização aduaneira colaborou pra reforçar seu entendimento quanto à classificação fiscal que foi por ela adotada em todas essas operações,- - de outro lado, não se pode olvidar que o AFRF está claramente equivocado em seu entendimento, conforme se passa a demonstrar; - em procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização concluiu que o paclitaxel é um ingrediente ativo que, quando apresentado isoladamente, é um composto heterociclico apresentado, exclusivamente, heteroátomos de oxigênio; - entendeu a fiscalização que tal produto deve ser classificado na posição 2932, o que implicou na conclusão de que a classificação fiscal correta seria 3004.90.459, visto que se trataria de produto enquadrado na posição 2932 e que não está descrita nas subposições do item 3004.90.5; - tanto a posição 3004.90.29, que sempre foi adotada pela Impugnante, quanto a classificação 3004.90.59 são tributadas pelo II através da aplicação da aliquota de 11%, sendo certo, ainda, que o IPI de ambos os códigos de classificação tarifária está reduzido a zero; - com fundamento em tais conclusões, o AFRF lavrou o Auto de Infração ora impugnado sob o argumento de que, em relação às Declarações de Importação n's 00/1053019-8/001 e 04/0358617-2/001, houve "declaração inexata de mercadoria" — item 001 do Auto de Infração. (grifou); - no que tange às demais importações realizadas pela ora Impugnante, as quais se encontram descritas nos itens 002 e 003 do Auto de Infração ora acatado, a autuação fiscal está lastreada na suposta ocorrência de "mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul", quando então restou aplicada multa administrativa pelo percentual de 1% do Valor Aduaneiro das importações — itens 002 e 003 do Auto de Infração; - a mercadoria importada está corretamente descrita na Declaração de Importação processada pela ora Impugnante; - não é demais recordar que declaração inexata de mercadoria é aquela que não permite a compreensão de qual é a espécie de produto que está sendo importado, o que acarreta a _ impossibilidade de se enquadrar corretamente a mercadoria ? importada; 4 / Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 333 - demonstrada que não há qualquer espécie de "declaração inexata de mercadoria" no caso vertente, o que faz ruir a aplicação da multa feita pela fiscalização em relação às DI's n's 00/1053019-8/001 e 04/0358617-2/001 houve "declaração inexata de mercadoria' — item 001 do Auto de Infração; - a classificação correta para os produtos importados pela ora Impugnante é, efetivamente a 3004.90.29; conforme será demonstrado a seguir; - de acordo com o parecer Técnico de Classificação Molecular de Estrutura Química" elaborado pelo Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, o paclitaxel é um "diterpenóide com uma característica de esqueleto de taxano de vinte átomos de carbonos, uma massa molecular de 853,91 u.m.a e fórmula molecular C47H5IN014" - no referido Parecer, a Titular do Departamento de Ciências Farmacêuticas da USP, esclarece que não há posição exclusiva para o paclitaxel ou para compostos ditetpenóides na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados; - tendo em vista que o paclitaxel não pode ser enquadrado nas posições 3002 3005, e 3006, a correta classificação fiscal do referido produto é 30.04 — Medicamentos constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados na forma de doses ou acondicionados para venda a retalho; - prosseguindo, tal substância pode ser classificada quimicamente nas posições 2916. e 2920, o que remete a posição do produto para o código 3004.90.2, quando então, em função da inexistência de subposição especifica, o produto tem que ser enquadrado na posição 29 — Outros, de sorte que sua classificação final é 3004.90.29, que é a classificação adotada pela Impugnante; assim, enquanto a fiscalização manifesta o entendimento de que o paclitaxel deve ser classificado na posição 2932, o que redundaria na classificação fiscal 3004.90.59, o Parecer Técnico de Classificação Molecular de Estrutura Química" ora carreado aos autos, é peremptório ao afirmar que tal produto pode ser enquadrado quimicamente conforme o quanto está descrito nas posições 2916 e 2920, o que conduza posição 30004.90.29; - a existência do referido Parecer Técnico, por si só, é denotadora da existência de sólida contraprova em relação à classificação fiscal entendida pela fiscalização como correta para o produto que está quimicamente descrito nas importações em questão,' - semelhante contraprova já revela a existência de séria dúvida quanto à classificação fiscal correta de tal produto, o que atrai para o caso vertente a aplicação do Código Tributário Nacional; a esse respeito cita Acórdãos do 3° C.C; . , \\--____// 5 - através do item 001, a fiscalização faz o lançamento de diferença de tributo no importe de R$ 0,02 com relação às Declarações de Importação n°s 01/1053019-8/001 e 04/0358617-2/001; - trata-se de exigência fiscal efetivamente irrisória, que decorre certamente de equívoco desprezível da Impugnante quando do cálculo e preenchimento da respectiva guia de recolhimento do Imposto de Importação; - o AFRF também aplicou a severa multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que revela totalmente inaplicável ao caso vertente, eis que tal multa tem por finalidade impedir a _ _ mora que causa danos ao erário, o que inocorre no presente caso, onde está se falando de exigência a irrisória da ordem de R$ 0,01 (hum centavo de real); - os dispositivos indicados no item 002 do Auto de Infração não prescrevem a aplicação de multa pela divergência de classificação tarifária pela qual o AFRF aplicou a multa prevista no artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158, de 24.08.2001, que prevê a aplicação de multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria; - no que tange às Declarações de Importação registradas no período entre 16/01/2003 e 10/09/2003, a fiscalização capitulou a multa prevista no artigo 636 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, redação esta que é fruto justamente da alteração implementada pelo artigo 84 da aventada Medida Provisória n°2.158-35/01; - da leitura dos dispositivos que tratam da citada multa, in casu, o artigo 84 da medida Provisória n°2.158/01 e o artigo 636 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, verifica-se que o princípio informador da aplicação de tal multa é justamente o de punir as classificações incorretas que dificultam a identificação da mercadoria e que, por via de conseqüência, redundem na imposição de prejuízos ao Erário Público; - trata-se de multa punitiva que tem por objetivo precípuo evitar a imposição de danos ao erário público, punindo a má fé dos importadores; - entretanto, tal multa não pode ser aplicada ao caso vertente, visto que a Impugnante sempre agiu com a mais absoluta boa-fé, (cita Acórdãos 3° do Conselho de Contribuintes); - a própria Secretaria da Receita Federal, através da Coordenadora - Geral do Sistema de Tributação, já aclarou o adequado entendimento de tal espécie de penalidades nos casos em que há a adequada descrição do produto mas sua incorreta classificação tarifária; - tal interpretação foi veiculada através do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação — COSIT que expediu, em 16.01.1997, o Ato Declarató rio Normativo n° 10 que prevê claramente que tal espécie de multa somente pode ser aplicada nos casos em que ocorrer classificação tarifária errônea, mas o produto estiver . \ 41(t,„ Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 334 corretamente descrito, inexistindo qualquer espécie de má-fé por parte do importador, conforme se dessume de sua leitura - os próprios termos do aventado Ato Declarató rio Normativo n° 10 já demonstram a clara improcedência do presente Auto de Infração, visto que houve a declaração correta das mercadorias importadas; - como já dito, a Impugnante vem efetuando tais importações desde o ano 2000, quando, a partir de então, o desembaraço de - todas as mercadorias importadas ocorreu sem qualquer impugnação ou oposição por parte das autoridades fiscais competentes; - assim, ao pretender agora reavaliar a classificação fiscal dos produtos que foram por ela importados em todo esse período revela mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional; - o fato de a fiscalização aduaneira ter aceitado, por anos afio, a classificação fiscal das mercadorias importadas adotada pela ora Impugnante já tem o condão de impedir sua subseqüente modificação, sob pena de que se viole o disposto no citado artigo 146 do Código Tributário Nacional e o próprio princípio da segurança jurídica; - por fim requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração. É o Relatório. Por meio do Acórdão n° 17-26.796 (fls. 254/264), os membros da 2 a Turma da DRJ — São Paulo II/SP, por maioria de votos, consideraram procedente em parte o lançamento, cuja ementa segue transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/11/2000 a 10/09/2003 MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA As questões referentes à forma correta de aplicação, à base de cálculo e ao valor mínimo da multa do art. 84 da Medida Provisória rz2 2.158-35, de 2001, foram regulamentadas no art. 636 do novo Regulamento Aduaneiro, Decreto ri 4.543, de 26 de dezembro de 2002. O entendimento contido no ADN if 10, de 1997, está prejudicado desde o advento do art. 84, incs. I e II, da Medida Provisória n' 2.158-35, de 2001. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO no valor de R$ 0,02 e a MULTA DE OFÍCIO também no valor de R$ 0,02. O disposto no art. 68 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 e o art° 1° da IN SRF n° 82/96 vedam a utilização de Documento de Arrecadação de Receitas Federais para o pagamento de tributos e contribuições de valor inferior a R$ 10,00 (dez reais). Lançamento Procedente em Parte. Em 10/09/2008, a interessada foi cientificada, por via postal (fl. 265v), do referido Acórdão. Inconformada, em 10/10/2008, protocolou na Unidade de origem o Recurso Voluntário de fls. 283/310, acompanhado dos documentos de fls. 311/329, em que reapresenta as razões de defesa aduzidas na fase impugnatória, acrescentando que, apesar de alegado na impugnação, a Turma julgadora a quo não levou em consideração a arbitrariedade da autuação nem a hipótese de mudança de critério jurídico. No final, pede o acolhimento do presente Recurso e o cancelamento do citado Auto de Infração. Nos termos do despacho de fl. 330, o Recurso e os documentos que o - acompanhava foram juntados aos autos na Secretaria deste Conselho. Na Sessão de 03/12/2009, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Como não foi suscitada nenhuma questão preliminar, passo direto a análise do mérito. I- DO MÉRITO O cerne da presente controvérsia diz respeito a correta classificação fiscal do produto descrito nas Declarações de Importação (DI), relacionadas nas fls. 06/08 e 10/11, como "TAXOL INJETÁVEL — medicamento utilizado no tratamento de neoplasias". Segundo o Laudo Técnico oficial (fls. 31/34), o produto em referência trata- se de um medicamento, de denominação comercial TAXOL, constituído pela mistura dos ingredientes paclitaxel, óleo de rícino, polietoxilado e álcool desidratado, preparada para fins terapêuticos (tratamento de neoplasias), apresentado na forma de doses e acondicionado para venda a retalho (frascos ou ampolas), tendo como ingrediente ativo o paclitaxel, que apresentado isoladamente se caracteriza como um composto heterociclico apresentado exclusivamente de hetoroátomos de oxigênio. Com base na identificação do paclitaxel, apresentada no referido Laudo, a autoridade fiscal concluiu que ele se enquadrava na posição 29.32 da NCM. Em decorrência, reclassificou o produto importado do código NCM 3004.90.29 para o código NCM 3004.90.59, aplicando a multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. e 8 /, \, Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 335 Do aspecto técnico: a identificação do componente ativo paclitaxel. Analisando os Laudos Técnicos acostados aos autos, verifica-se que há consenso entre eles quanto à fórmula (C4 7H51N0 14) e ao peso molecular (853,92 u.m.a) do componente ativo paclitaxel. A divergência limita-se a correta identificação e enquadramento na NCM do referido composto ativo. De acordo com o Laudo Técnico oficial (fls. 31/34), o paclitaxel é "um composto heterocíclico apresentado exclusivamente heteroátomos de oxigênio", que foi incluído pela autoridade fiscal na posição 29.32 da NCM, que tem a seguinte descrição: "COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS EXCLUSIVAMENTE DE HETEROATOMO(S) DE OXIGÊNIO" Por sua vez, o suposto Laudo Técnico apresentado pela recorrente (fls. 234/235), descreve o citado ingrediente ativo como um "diterpenóide com uma característica de esqueleto de taxano de vinte átomos de carbonos", descrição que não tem correspondência com os textos das posições 2916 a 2920 da NCM, em que a autora dá laudo técnico classificou o dito ingrediente. Na NCM, as ditas posições têm a seguinte descrição: 29.16 - ÁCIDOS MONOCARBOXíLICOS ACÍCLICOS NÃO SATURADOS E ÁCIDOS MONOCARBOAILICOS CICLICOS, SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS IL4LOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 29.17 - ÁCIDOS POLICARBOXILICOS, SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 29.18- ÁCIDOS CARBOXíLICOS CONTENDO FUNÇÕES OXIGENADAS SUPLEMENTARES E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERóxrDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 29.19 - ÉSTERES DOS ÁCIDOS INORGÂNICOS DE NÃO- METAIS E SEUS SAIS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 29.20 - ÉSTERES DOS OUTROS ÁCIDOS INORGÂNICOS DE NÃO-METAIS (EXCETO OS ÉSTERES DE HALOGENETOS DE HIDROGÊNIO) E SEUS SAIS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. Cabe esclarecer que o laudo técnico apresentado pela recorrente, não foi elaborado pelo Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, como alegou a recorrente. Na verdade, a autora do referido laudo, nele identificada como Coordenadora do CONFAR - Laboratório de Controle de Medicamentos, Cosméticos ..., do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, consignou no corpo do dito documento, a seguinte assertiva, in verbis: "o conteúdo e as conclusões aqui apresentadas são -. Ora"e da exclusiva responsabilidade do(s) autore(es) e não refletem, necessariamente, as opiniões da Universidade de São Paulo". Além do mais, ao invés de apresentar a perfeita identificação do paclitaxel, seja corno um ácido ou éster, com as características fisico-químicas descritas nos texto de uma das posições 2916 a 2920 da NCM, anteriormente transcritas, limitou a recorrente em apresentar uma descrição hermética, ininteligível para um leigo no assunto, como este julgador. Ademais, ao invés de identificar o citado ingrediente e descrevê-lo com objetividade e em linguagem técnica compreensível, como o fez o autor do Laudo Técnico oficial, a autora do citado laudo se imiscuiu em assunto de classificação fiscal na NCM, matéria que não lhe era pertinente ou que não havia necessidade de tal abordagem.–Em — decorrência, perdeu a oportunidade de descrever e identificar o produto, assunto que era da usa alçada e providência necessária para contraditar as conclusões exaradas no laudo técnico É cediço que o laudo ou parecer técnico é o meio de prova adequado para tratar dos aspectos técnicos atinentes a identificação da mercadoria. Por outro lado, na esfera do processo administrativo fiscal, a classificação de mercadoria na NCM é aspecto de natureza jurídica, função da incumbência do aplicador da norma e do julgador administrativo. Neste sentido dispõe o § 1° do art. 30 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), a seguir transcrito: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. sç 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (..). De acordo com o referido preceito legal, o presente Laudo Técnico oficial (fl. 31/34), elaborado por técnico credenciado, nos termos dos arts. 4° a 16 da Instrução Normativa SRF n° 157, de 22 de dezembro de 1998 (vigente na data dos fatos relatados), é o documento hábil e idôneo, para fins de identificação do produto em referência, a não ser que seja comprovada a sua improcedência, o que deverá ser feito mediante a apresentação de um outro laudo ou parecer técnico, emitido por instituição pública ou perito, autônomo ou vinculado a empresa privada, devidamente credenciado perante as unidades locais da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF.B), confoime estabelecido no art 722 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (vigente na época dos fatos), que dispõe sobre Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002). Além disso, em conforme com o estabelecido no art. 722 do RAl2002, o laudo ou parecer técnico deverá atender aos requisitos estabelecidos nos art. 36 1 da referida Instrução Normativa, sob pena de não serem aceitos, conforme determina o seu art. 37. Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: (Incluído pela IN SRF n° 152, de 08/04/2002) I — explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; (Incluído pela IN SRF n° 152, de 08/04/2002) (97 ( 10 , Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 336 No presente caso, o suposto Laudo Técnico apresentado pela recorrente (fls. 234/235), não foi elaborado por perito técnico credenciado pela unidade RFB, para se manifestar sobre aspecto técnico atinente identificação de produto químico, com vista a subsidiar à classificação fiscal de tais produtos na NCM. Além disso, ele contraria o disposto no § 1° do art. 36 da Instrução Normativa SRF n° 157, de 1998, com a redação dada pela IN SRF n° 492, de 12 janeiro de 2005, que determina a improcedência do laudo técnico que contenha indicação sobre posição subposição, itens ou códigos da NCM, conforme se observa o texto a seguir a transcrito: Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: (Incluído pela IN SRF n2 152, de 08/04/2002) § 12 Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da NCM. (Redação dada pela IN SRF n2 492, de 12/01/2005) Por tais razões, considero o Laudo Técnico da autuada inidôneo para fins de identificação do citado produto. Diversamente, tenho como hábil e idôneo o Laudo Técnico oficial, pois, além do atendimento dos requisitos formais fixados na referida Instrução Normativa, ele pronunciou com precisão e objetividade acerca da composição e a fórmula química, o peso molecular e perfeita descrição do ingrediente ou princípio ativo (denominado de paclitaxel), componente do produto importado comercialmente denominado "TAXOL". Do aspecto jurídico: o enquadramento tarifário do medicamento importado na NCM. II— exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; (Incluído pela IN SRF n° 152, de 08/04/2002) III — indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. (Incluído pela IN SRF n° 152, de 08/04/2002) § 1° Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da NCM. (Redação dada pela IN SRF n°492, de 12/01/2005) § 2° Os laudos emitidos por órgão ou entidade da Administração Pública deverão ser assinados pelo técnico responsável e pela pessoa regimentalmente competente ou, na ausência de previsão regimental, pelo responsável do órgão ou entidade, com indicação do ato que lhe confere os pertinentes poderes. (Incluído pela IN SRF n° 492, de 12/01/2005) § 30 Os laudos emitidos por entidades privadas deverão ser assinados pelo responsável técnico e pelo seu responsável legal. (Incluído pela IN SRF n°492, de 12/01/2005) § 4° Os laudos emitidos por técnico credenciado pela SRF deverão estar acompanhados de cópia da publicação do respectivo ato de seu credenciamento. (Incluído pela IN SRF n°492, de 12/01/2005) Art. 37. Os laudos técnicos que se apresentem sem os requisitos previstos no artigo anterior não serão aceitos podendo, entretanto, ser sanadas as falhas ou omissões, no prazo de cinco dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso. (Incluído pela IN SRF n° 152, de 08/04/2002) No que tange ao enquadramento tarifário, a autoridade fiscal e a autuada estão de acordo que o produto importado pertence a subposição 3004.90 da NCM, que tem a seguinte descrição: OUTROS medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados na fonna de doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho. Com efeito, a controvérsia cinge-se ao item do código NCM em que se enquadra o produto. Para a recorrente, o composto ativo (pacfitaxel) enquadra-se nas-posiçWs-- 2916 a 2920, o que levaria o dito medicamento a ser incluído no código NCM 3004.90.29, tendo em conta teor do texto do item 2 da subposição NCM 3004.90, a seguir transcrito: "3004.90.2 - Contendo produtos das posições 29.16 a 29.20, mas não contendo produtos do item 3004.90.1" Por outro lado, entende autoridade fiscal que, como o princípio ativo (paclitaxel) pertence à posição 2932, o medicamento referenciado classificar-se-ia no código NCM 3004.90.59, por força do teor do texto do item 5 da subposição NCM 3004.90, a seguir transcrito: "3004.90.5 - Contendo produtos das posições 29.30 a 29.32, mas não contendo produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.4". Está com a razão a autoridade fiscal que, devidamente escorada nas conclusões do Laudo Técnico oficial, que atende aos requisitos especificados no art. 30 do PAF, complementado pela Instrução Normativa SRF n° 157, de 1998, - com as alterações posteriores, enquadrou o produto importado no item 5 da suposição NCM 3004.90, cujo texto, ao meu sentir, é o que melhor descreve as características do produto em tela. Em seguida, por não haver descrição específica para o produto no âmbito do referido item, com base na regra 3-"c" das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH), combinado com o disposto na Regra Geral Complementar (RGC) n° 1, ele pertence ao subitem residual 9 "Outros". Dessa forma, a correta classificação do medicamento "Taxol" corresponde ao código tarifário 3004.90.59 da NCM, conforme entendimento esposado pela autoridade fiscal. Das outras alegações apresentadas pela recorrente. Além de discordar da reclassificação fiscal atribuída ao produto pela fiscalização, alegou ainda a recorrente que era incabível a cobrança da multa por classificação fiscal incorreta, haja vista que não houve má-fé ou prejuízo para o erário. Além disso, alegou que o presente lançamento representa mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo art. 146 do CTN. Da multa por classificação incorreta. A referida penalidade está assim descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a seguir transcrito: Art.84.Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: \ , , \ \ Processo n° 10314.006925/2004-16 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 337 • I-classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (.) (grifos não originais) Diante das conclusões anteriormente apresentadas, entendo que houve a materialidade da referida infração, haja que o erro de classificação apontado na presente Auto de Infração se subsume com perfeição a hipótese fática descrita no citado preceito legal. — No entanto, entende a recorrente a deve ser aplicado ao caso o entendimento exarado no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, haja vista que o princípio informador da referida penalidade era punir os erros de classificação fiscal que dificultassem a identificação da mercadoria e resultassem na imposição de prejuízos ao erário público, punindo a má fé dos importadores, o que não ocorreu no caso em apreço. Os argumentos aduzidos pela recorrente não tem amparo pretendido. A uma, porque o entendimento esposado no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 10, de 16 de janeiro de 1997 2 , não alcançava a infração sancionado com a presente a penalidade. De fato, enquanto vigente, o entendimento veiculado no citado ADN aplicava-se apenas a multa por declaração inexata, decorrente de classificação tarifária errônea, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Além disso, desde 11 de setembro de 2002, o referido ADN não tem mais existência no mundo jurídico, pois, a partir da referida data, ele foi expressamente revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 13, de 10 de setembro de 2002. A duas, a ausência de culpabilidade, de dolo ou má-fé, não influi na aplicação da penalidade em apreço, haja vista que a responsabilidade por infração às normas aduaneiras, rega geral, tem natureza objetiva (caso em apreço), ou seja, independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, segundo determina o § 2° do art. 94 do Decreto-lei n° 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art.94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. (-) 2 O item 1 do referido ADN tem a seguinte redação: '' O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34,de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 40 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...)"- § 2° - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos não originais). Além disso, não se olvide que a presente infração tem natureza formal, o que implica sua materialização com o simples cometimento da conduta tipificado no referido preceito legal, independentemente do resultado naturalístico. Em decorrência, é irrelevante para sua configuração a existência de prejuízo a Fazenda Nacional. Dessa forma, fica demonstrada a ocorrência do evento ilícito e a sua perfeita subsunção à hipótese típica, aliada a inexistência de qualquer circunstância excludente da penalidade aplicada, o que conduz a inarredável conclusão de que é procedente a exigência da dita penalidade. Por tais razões, considero improcedente as alegações apresentadas pela recorrente. Da mudança de critério jurídico. Previamente, a análise do argumento trazido pela recorrente, é oportuno fazer uma rápida digressão acerca do que seja mudança de critério jurídico, denominado pela . doutrina de princípio da proteção da confiança. Instituto que, embora abordado por muitos e entendido por poucos, tem suscitado fortes controvérsias no seio da doutrina e da jurisprudência. Recomenda a boa doutrina que o primeiro passo para uma adequada compreensão de um instituto de direito positivo é analisar o preceito legal em que veiculado. Assim, seguindo essa trilha, começo analisando o conteúdo veiculado pelo art. 146 do C'TN, que tem o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) É inquestionável que o dispositivo em apreço trata de modificação critério jurídico adotado em relação à prévio ato de lançamento tributário, realizado pela autoridade administrativa (lançamento de oficio), que a alteração do critério jurídico aplicado anteriormente seja introduzida por meio de ato de autoridade administrativa (ato de oficio) ou de decisão administrativa ou judicial, e que tanto o lançamento quanto o ato de oficio ou decisório refiram-se a um mesmo sujeito passivo. Assim, com base no conteúdo jurídico do referido preceito legal, verifica-se que três condições deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de oficio, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de oficio) ou / 14 Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 338 pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de oficio e as decisões administrativa e judicial refiram-se a um mesmo sujeito passivo. Atendidas as referidas condições, o novo critério jurídico terá efeito prospectivo (ex nunc), ou seja, somente poderá ser aplicado aos fatos jurídicos tributários ou fatos geradores futuros. Neste sentido a doutrina do Prof. José Souto Maior Borges 3 que, em relação ao significado jurídico inserto no preceito legal em comento, assim se manifestou no excerto a seguir transcrito, in verbis: Esse dispositivo poderia ser assim descrito em proposições científicas adequadas à fixação de sua inteligência: uma vez adotada qualquer das alternativas de aplicação das normas gerais e abstratas direta ou indiretamente relacionadas com o lançamento, a autoridade administrativa não mais poderá substituí-la por outra alternativa se essa substituição estiver fundamentada na simples modificação dos critérios jurídicos estabelecidos para a prática do lançamento. E não o pode porque somente pode relativamente a fato jurídico tributário posterior à introdução dessa modificação inovadora. É norma, portanto, sobre inalterabilidade do lançamento, antes que sobre sua modificabilidade. (grifos não originais) Em outras palavras, o novo critério jurídico não poderá ser aplicado para rever lançamento (lançamento velho) nem para lançamento novo, atinente a evento tributário ou fato gerador ocorrido antes da sua introdução no mundo jurídico. Nesta direção, é o entendimento doutrinário de Luciano Amaro 4, conforme trecho de sua autoria a seguir reproduzido, ipsis litteris: O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido já objeto de lançamento). Se, quanto ao fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar novo critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão de lançamento (velho), mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não seriam apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. (grifos do original) - 3 BORGES, José Souto Maior. Lançamento tributário. 2. ed. Brasil: Malheiros, 1999, p. 285-286. • 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 351. II \. Em suma, as duas relevantes doutrinas apresentam, na essência, o mesmo entendimento, entretanto, a partir de pontos de vistas distintos. Uma segundo o ângulo da permissão e a outra pelo lado da proibição. Da diferença entre erro de fato, erro de direito e mudança de critério jurídico. Segundo o Prof. Paulo de Barros Carvalho5: Nem sempre é fácil distinguir o erro de fato do erro de direito, entrepondo-se uma região nebulosa, uma área cinzenta, que a dogmática ainda não conseguiu suplantar. Isso não nos impede de aplicar a discriminação nos pontos que enxergamos nítidos. Embora haja na doutrina diveros conceitos, essencialmente, pode-se dizer que todos eles convergem no sentido de apontar o erro fato como sendo a circunstância jurídica em que há desconformidade entre a descrição do fato (motivação) e o subjacente fato material (o motivo), juridicamente verificado por meio das provas admitidas em direito. Enquanto o erro de direito é a inadequação entre a descrição do fato (motivação) e a hipótese-fática descrita na norma geral e abstrata (lei), ou seja, entre o conceito do fato descrito no ato de lançamento e o conceito do fato descrito abstratamente na lei. Em outras palavras, o erro de fato caracteriza-se pelo descompasso entre o fato concreto (motivo), ocorrido no mundo real, e o fato descrito (a motivação) no ato de lançamento, enquanto que o erro direito a desconfirmidade dar-se-á entre o fato descrito (a mativação) no ato de lançamento e a hipótese-fática abstratamente descrita na lei. Os exemplos a seguir esclarecerão melhor a diferença. Uma importação de 20 (vinte) veículos automotores, em que o ato de lançamento ou sua homologação expessa formalizasse a exigência dos tributos de correspondente a apenas 19 (dezenove) unidades, estaria configurado o erro de fato. Por sua vez, se na mesma importação houvesse erro de classificação fiscal dos veículos, que implicasse diferença de alíquotas para os tributos lançados, estaria configurado o erro de direito. Da mesma forma, a diferença entre erro de direito e mudanção de critério jurídico é tênue. O erro de direito decorre da ignorância da lei ou da sua inadequada interpretação. No primeiro caso, a autoridade lançadora se baseia em preceito legal inexistente, revogado ou incompatível com a situação de fato (erro de enquadramento legal). No segundo caso, ela interpreta erroneamente o preceito legal, extraindo-lhe um falso conhecimento (erro de fundamentação jurídica). Enquanto a mudança de critéiro jurídico decorre de nova interpretação do preceito legal, atribuindo-lhe um outro significado idôneo, ou quando autoridade lançadora opta por uma outra alternativa legítima de aplicação do preceito legal. Este ententimento está em consoância com a doutrina de Hugo de Brito Machado 6, conforme excerto a seguir transcrito: Não se trata da questão relativa ao erro. Mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja Há erro de direito quando o lançamento é feito ilegalmente, em virtude de ignorância ou errada compreensão da lei. O , 5 CARVALHO, Paulo de Barrros. Curso de direito tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 422. 6 MACCHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28. ed. São Pualo: Malheiros, 2007, p. 203. , \\\\\\\ Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102 -00.660 Fl. 339 lançamento, vale dizer, a decisão da autoridade administrativa, situa-se, neste caso, fora da moldura ou quadro de interpretação que a Ciência do Direito oferece. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado. (grifos do original). • Os exemplos a seguir esclarecerão melhor as diferenças entre os conceitos jurídicos aqui apreciados. Exemplo 1: suponha uma importação de 20 (vinte) veículos automotores, em que o ato de lançamento ou sua homologação expessa formalizasse a exigência apenas dos tributos de 19 (dezenove) unidades. Neste caso, estaria configurado o erro de fato. Exemplo 2: suponha que, em relação a mesma importação, houvesse conbrança a menor dos tributos lançados, motivada por diferença de alíquota, em decorrência de classificação fiscal incorreta dos veículos. Neste caso, haveria erro de direito ou mudança de critério jurídico? Depende. Se a diferença foi motivada por erro de enquadramento legal ou fundamentação jurídica, trata-se de erro de direito. Se motivada por opção por um novo entendimento consentâneo com a interpretação dos preceitos legais aplicáveis ao caso, trata-se de mudança de critério jurídico. Do exercício do ato de lançamento tributário. Nos termos do art. 142 do erN, a atividade de lançamento é privativa da autoridade administrativa, portanto, quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade administrativa. Segundo o disposto no caput dos arts. 145 e 150 do CTN, a conclusão do ato de lançamento varia conforme a modalidade de lançamento. No lançamento de oficio, ele dar- se-á com a regular notificação do sujeito passivo, enquanto que no lançamento por homologação, com a regular ciência do sujeito passivo do ato de homologação expressa da atividade anteriormente exercida pelo dito sujeito. Em relação ao significado normativo do ato de homologação expressa, realizado no âmbito do lançamento por homologação, o entendimento aqui esposado está em consonância com a relevante doutrina do Prof. José Souto Maior Borges 7 , conforme excerto a seguir transcrito: O ato administrativo de controle, em que a homologação consiste, pode confirmar a atividade controlada, como válida. Mas os efeitos jurídicos da situação que se desenvolve no procedimento de lançamento não decorrem só da homologação, como se demonstrou. Por isso mesmo, porque é produtora de 7 BORGES, José Souto Maior. Lançamento tributário. 2. ed. Brasil: Malheiros, 1999, p. 389. , efeitos jurídicos próprios, na aplicação da norma tributária material ao caso concreto, a homologação é ato jurídico administrativo (lançamento). Mas, se o órgão de controle entende que a atividade administrativa (procedimento) antecedente é inválida, anula o ato controlado (por hipótese, o pagamento). O ato que anula o procedimento anterior constitui a invalidade dos respectivos atos, não os extinguindo porém, dado que não configura, dita atividade, normas jurídicas, mas fatos jurídicos. Em suma, sem prévio lançamento de oficio, regulamente notificado ao sujeito passivo, ou prévia homologação expressa, regularmente cientificada ao sujeito passivo, no âmbito do lançamento por homologação, não tem aplicação a restrição estabelecida no art-.-146 ------ - do CTN. Logo, o novo critério jurídico somente será aplicado em relação aos lançamentos futuros. A contrario sensu, é vedada a sua aplicação para fins de revisão de lançamento anteriormente realizado, com base no velho critério jurídico. Dos atos introdutores da modificação dos critérios jurídicos. Conforme já mencionado, a alteração nos critérios jurídicos tem duas fontes distintas, a saber: a) o ato de oficio prolatado pela autoridade administrativa do órgão encarregado da administração do tributo; b) a decisão administrativa ou judicial, prolatada pelo Órgão judicante administrativo ou pelo Poder Judiciário. Em relação aos dois últimos atos, é indiferente se a decisão é de órgão julgador de primeiro ou segundo grau ou de instância superior ou especial, a condição que se exige é que ela seja definitiva e se refira ao mesmo sujeito passivo. No que tange ao ato de oficio, em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), há duas modalidades de atos administrativos que podem alterar o critério jurídico anterior: a) o ato de revisão de lançamento de oficio ou de homologação expressa, proferido nos termos do art. 149 do CTN; e b) a solução de consulta formulada pelo sujeito passivo, nos termos no caput do art. 46 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF) federal. Em relação a esta última hipótese, em consonância com o disposto no art. 146 do CTN, combinado com o estabelecido no § 12 do art. 48 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõem os §§ 6° e 7° do art. 14 da Instrução Normativa n° 230, de 25 de outubro de 2002 (vigente no período dos fatos), a seguir transcritos: Art. 14. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolizaçã o até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. (.) 6° Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa , oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova / Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 340 orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. s5S. 7° Na hipótese de alteração ou reforma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. Das alegações da recorrente. Em relação ao presente tópico, alegou a recorrente que o fato de a fiscalização aduaneira ter aceito, por anos a fio, a classificação fiscal por ela reivindicada revela mudança de critério jurídico, nos termos do artigo 146 do CTN, o que impossibilita o lançamento do crédito tributário em relação aos fatos geradores pretéritos. Diante do que foi exposto, não assiste razão à recorrente. No presente caso, não houve mudança de critério jurídico mediante ato de oficio da autoridade administrativa, haja vista que não há notícias nos autos de que houvera prévio lançamento de oficio ou homologação expressa de lançamento, relativamente à pessoa da recorrente a mercadoria objeto da presente controvérsia. Com efeito, antes da conclusão do despacho aduaneiro, mediante ciência ao contribuinte do resultado do procedimento revisão aduaneira, o critério jurídico utilizado para a classificação fiscal do produto é o do próprio importador, pois é ele o responsável pelo preenchimento e pelas informações sobre a identificação e classificação fiscal da mercadoria na Declaração de Importação (DI), documento base do despacho aduaneiro. O ato de desembaraço aduaneiro na importação consiste na liberação da mercadoria e encerra a fase de conferência aduaneira e não tem a natureza de homologação expressa da atividade realizada previamente pelo importador no âmbito do lançamento por homologação. Embora na fase de conferência aduaneira, a autoridade fiscal tenha poderes para identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação, na prática, em raríssimas oportunidades, nesta fase, a autoridade aduaneira homologa expressamente a classificação fiscal adotada pelo importador. Em conformidade com disposto no art. 504 do RAl2002, a partir da implantação do Siscomex importação, em 01/01/1997, a conferência aduaneira é realizada segundo critérios de seleção e amostragem (art. 508 do RAl2002), mediante a seleção da DI para um dos seguintes canais: verde, amarelo, vermelho e cinza. Dependendo do tipo canal de seleção, a participação da autoridade fiscal no procedimento poderá ser ausente ou efetiva, conforme estabelecido no art. 20 da Instrução Normativa SRF 206, de 25 de setembro de 2002, a seguir transcrito: _ _ Art. 20. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: (Revogado pela IN SRF n°680, de O 2/10/2006) I - verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II - amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; III - vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV - cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido nos arts. 65 a 69. Dessa forma, somente quando a autoridade fiscal se pronunciar de modo expresso sobre a classificação fiscal adotada pelo importador, estará configurada a fixação de um critério jurídico de oficio. Sem tal manifestação, enquanto não precluso o direito de realizar o lançamento, mediante procedimento de revisão aduaneira, definido pelo art. 548 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472, de 1988, a autoridade fiscal poderá rever a classificação fiscal adotada pelo importador e, se apurada diferença de crédito tributário a maior, deverá proceder ao lançamento, conforme previsto no art. 570 RAl2002, a seguir transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de beneficio fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-lei n' 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei n' 2.472, de 1988, art. 2', e Decreto-lei n' 1.578, de 1977, art. 8'). § 1' Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2' A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-lei n' 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei n°2.472, de 1988, art. 2'); e 8 Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma—, que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.472, de 01/09/1988) dr 20 111/ Processo n° 10314.006925/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.660 Fl. 341 li - do registro de exportação. § 32 Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Cabe ressaltar ainda que o dito procedimento de revisão aduaneira encontra guarida nos incisos I, IV e V do art. 149 do CTN. No presente caso, relativamente à mercadoria objeto da presente autuação, não há notícias que, previamente ao lançamento em tela, houve prévia manifestação da autoridade administrativa a respeito da classificação fiscal adotada pela recorrente, logo, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que houve mudança de critério jurídico. II- DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão o recorrido. José Femandes do Nascimento
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Numero do processo: 14474.000332/2007-15
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/10/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN.
Encontra-se homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO. DESTAQUE OBRIGATÓRIO NA NOTA FISCAL DE SERVIÇOS.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra.
O valor a ser retido deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e poderá ser compensado pela empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
COMPENSAÇÃO DA RETENÇÃO DE 11%. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO.
O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços.
GFIP. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funda, e antes de notificado o lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO.
A apreciação de questões atinentes a requerimentos de restituição de retenção, alheios ao objeto da lide, escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Encontrase homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO. DESTAQUE OBRIGATÓRIO NA NOTA FISCAL DE SERVIÇOS. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra. O valor a ser retido deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e poderá ser compensado pela empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. COMPENSAÇÃO DA RETENÇÃO DE 11%. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições extinguese em cinco anos contados do dia seguinte ao do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. GFIP. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 03 32 /2 00 7- 15 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funda, e antes de notificado o lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação de questões atinentes a requerimentos de restituição de retenção, alheios ao objeto da lide, escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/02/2001 a 31/10/2004 Data da lavratura da NFLD: 26/10/2007. Data da Ciência do NFLD: 29/10/2007 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados e da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a contribuintes individuais, apuradas nas GFIP, e confrontadas com as folhas de pagamento e escrita contábil da empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 55/59. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.929 3 Informa a Fiscalização que em várias competências, o contribuinte informou em GFIP valores relacionados compensação, os quais poderiam ter se originado de várias situações. Várias retificações de GFIP foram realizadas pelo Contribuinte, antes e durante a auditoriafiscal. Pondera o Auditor que a empresa possui a liberdade de alterar a GFIP, caso verificar alguma informação equivocada, mas deve sempre manter documentação que respalde as declarações entregues. Aduz que, mesmo intimado a apresentar a memória de cálculo de compensações no TIAF datado de 22/06/2007 (fls. 48/49), o contribuinte não apresentou tal documentação, o que resultou na glosa de todas as compensações informadas em GFIP. Após o Requerimento de Restituição protocolado pelo contribuinte sob n° 35196.000412/200688, em 10/02/2006, sucederamse várias retificações de GFIP, muitas delas depois de prescrito o prazo para a realização de compensação, as quais não puderam ser consideradas, em razão da extinção do direito de compensar. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 67/80. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR baixou o feito em diligência para que a fiscalização se manifestasse a respeito das alegações oferecidas pela Notificada em sede de impugnação administrativa, conforme despacho a fls. 587/588. Relatório Fiscal Complementar a fls. 594/597 e Informação Fiscal a fls. 598/601. Promovida a ciência dos referidos Relatório Fiscal Complementar e Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 612/623. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 635/638 julgando procedente em parte o lançamento aviado na vertente Notificação Fiscal, extirpando do lançamento as competências atingidas pela decadência, nos termos do art. 150, §4º do CTN, e mantendo o crédito tributário na forma assentada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 632/634. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15 de abril de 2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 640. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 643/657, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que a glosa de compensação foi indevida; · Que a ação fiscal encerrouse em 20/10/2007, quando já estaria prescrito o direito do Fisco de apurar qualquer diferença; Fl. 725DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que a empresa tem o direito de se compensar de todas as retenções destacadas nas suas notas fiscais de serviço; · Que tem direito à restituição integral dos valores requeridos, uma vez que os valores de compensação foram indevidamente glosados. Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD. O julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.140, a fls. 674/683, proferida pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em 08 de fevereiro de 2012, para que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo a respeito da comprovação ou não, por parte do contribuinte, do erro que motivou a retificação das GFIP referentes às competências 11/2002, 05/2003, 06/2003; 07/2003; 08/2003; 09/2003; 10/2003; 11/2003; 13/2003; 01/2004 e 02/2004 indicadas no item 1.9 do Relatório Fiscal, a fls. 595/596. Informação Fiscal a fls. 686/688, na qual o Auditor Fiscal notificante assevera não ter havido qualquer comprovação de nenhum valor compensado. Ao Sujeito Passivo foi conferida a ciência da diligência requerida e do teor da Informação Fiscal acima citada, em 06/12/2012, conforme Ofício e Aviso de Recebimento a fls. 690 e 691 respectivamente, que se manifestou nos autos mediante o Instrumento a fls. 693/710, reproduzindo praticamente na íntegra as alegações expendidas em seu Recurso Voluntário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 13 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.930 5 Pondera o Recorrente que a ação fiscal encerrouse em 20/10/2007, quando já estaria prescrito o direito do Fisco de apurar qualquer diferença. Razão lhe assiste em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 727DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados tenham sido contempladas com recolhimentos antecipados das respectivas contribuições previdenciárias aplicase o regime assentado no §4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 29 dias do mês de outubro de 2007, os efeitos o lançamento em questão alcançaria, tão somente, as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência outubro/2002, inclusive, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Assim, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse homologados tacitamente todos os créditos associados às obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a outubro/2002, exclusive, circunstância que extirpa da Fazenda Pública o direito potestativo de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Rogase atenção ao fato de que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício o processo. A declaração de caducidade acima aduzida apenas tem o condão de extirpar do lançamento tributário tão somente as parcelas atingidas pelo citado instituto de direito tributário uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento tributário. Dessarte, o crédito tributário relativo às competências anteriores a outubro/2002, exclusive, encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.931 7 Pelo exposto, sendo o período de apuração de fev/2001 a out/2004, mantém se hígido o lançamento em relação às obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência outubro/2002, inclusive, e nas demais posteriores. A decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento já havia contemplado tal pleito nestes mesmos termos, de maneira que resta ratificada tal decisão. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a outubro/2002, exclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em razão da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO Insurgese o Recorrente contra a glosa de compensação promovida pela Autoridade Lançadora porquanto, em seu entender, as compensações foram realizadas regularmente. Razão não lhe assiste. O direito à restituição de créditos tributários pagos indevidamente ou a maior foi regulamentado em nosso Direito Positivo pelo Código Tributário Nacional, ao disciplinar em seus artigos 165 ao 169, a repetição de indébito a que tem direito o sujeito passivo, independentemente de prévio protesto, mediante a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento. A restituição abrange todo e qualquer pagamento em desconformidade com a lei. Ocorrendo o fato gerador previsto na norma jurídica nasce a obrigação tributária. Se por Fl. 729DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 qualquer circunstância substancial, temporal ou quantitativa, o imposto pago for superior àquele previsto no preceito legal, haverá indébito a repetir. O art. 165 do CTN prevê todas as hipóteses de restituição. Será devolvido o tributo pago em desconformidade com as circunstâncias materiais ou em duplicidade, ou quando houver erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito. A restituição pode ser feita diretamente em moeda ou por compensação com tributos de mesma espécie, vencidos ou vincendos. Tratandose a compensação de uma modalidade de restituição, àquela se aplica, no que couber, o regime jurídico que regulamenta a restituição tributária. O art. 168 do CTN fixou o prazo de 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário, para a apresentação de requerimento de restituição de tributos que tenham sido pagos indevidamente ou a maior. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 inseriu no ordenamento jurídico norma tributária de natureza interpretativa, dispondo que a extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrerá no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. Lei Complementar nº 118/2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. Não se deve perder de vista que, por se tratar de norma de natureza interpretativa, esta se aplica indistintamente aos casos pretéritos, consoante disposição expressa do art. 106, I do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Nesse contexto, somente será deferida a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias se estas forem formuladas dentro do prazo prescricional de 5 anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. No âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, cujo art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.932 9 LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (grifos nossos) Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo art. 89 da Lei Nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no §3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Acontece que a Lei nº 8.212/91 estabeleceu como dever instrumental da empresa a obrigação de declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, no exercício da competência que lhe fora atribuída pelo dispositivo legal suso transcrito, igualmente asseverou a obrigação da empresa de informar mensalmente, mediante GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da autarquia previdenciária federal, na forma por ela estabelecida. Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Nesse cenário, a IN INSS/DC nº 100/2003, disciplinando os procedimentos de compensação de contribuições previdenciárias, estabeleceu como providência necessária da empresa o dever de declarar os valores por ela compensados nas GFIP relativas às competências em que foram realizadas as compensações. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 232. Os valores deduzidos ou compensados deverão ser declarados na GFIP relativa a competência em que foi realizada a dedução ou a compensação. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.933 11 Registrese, por relevante, que o dever de informar as compensações efetuadas pela empresa em GFIP não se constitui mero capricho da administração tributária, mas, sim, uma informação de elevado interesse do Fisco, porquanto somente a partir do conhecimento da ocorrência de tal batimento de créditos e débitos é que o órgão fazendário pode sindicar a regularidade do procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo. Nesse sentido, o Manual da GFIP determina como de declaração obrigatória os valores objeto de compensação, mesmo aquela decorrente da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação lhe foi dada pela Lei nº 9.711/98. Manual da GFIP. 2.16 COMPENSAÇÃO Informar o valor corrigido a compensar, efetivamente abatido em documento de arrecadação da Previdência – GPS, na correspondente competência da GFIP/SEFIP gerada, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido à Previdência, bem como eventuais valores decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei n° 9.711/98) não compensados na competência em que ocorreu a retenção e valores de salário família e saláriomaternidade não deduzidos em época própria, obedecido ao disposto na Instrução Normativa que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais administradas pela RFB. (grifos nossos) Informar também o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento indevido, em que ocorreu a retenção sobre nota fiscal/fatura não compensada em época própria ou em que não foram deduzidos o saláriofamília ou saláriomaternidade. (grifos nossos) A GFIP/SEFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido, ou em que não foram informados o saláriofamília, saláriomaternidade ou retenção sobre nota fiscal/fatura deve ser retificada, com a entrega de nova GFIP/SEFIP, exceto nas compensações de valores: a) relativos a competências anteriores a janeiro de 1999; b) declarados corretamente na GFIP/SEFIP, porém recolhidos a maior em documento de arrecadação da Previdência GPS; c) decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei nº 9.711/98), salário família ou salário maternidade não abatidos na competência própria, embora corretamente informados na GFIP/SEFIP da competência a que se referem. Em geral, a compensação não deve ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social (não inclui outras entidades e fundos), sendo este percentual calculado antes da dedução do valor relativo ao salário família e ao saláriomaternidade e antes da compensação dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (Lei n° 9.7 11/98). Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Assim, no contexto que ora se nos cerca, somente poderá ser considerada como regular a compensação das contribuições previdenciárias que houverem sido declaradas corretamente nos campos específicos das GFIP correspondentes. Quanto à retificação de GFIP, apenas produzirá efeitos para fins de compensação a retificação relativa às competências ainda não atingidas pelo prazo de prescrição legal, já analisado em parágrafos precedentes. Nesse sentido, a Instrução Normativa em foco também destaca em seu art. 227, in verbis. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 227. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados do dia seguinte: I do recolhimento ou do pagamento indevido; II em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória; III do vencimento da competência em que deixou de ser efetuado o reembolso, mediante dedução; IV do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. (grifos nossos) No caso presente, informa a Autoridade Lançadora em planilha disposta no item 1.9. do Relatório Fiscal Complementar a fls. 595/596 a relação de compensações que foram objeto de glosa ou por não terem sido declaradas em GFIP em suas épocas próprias e cujas GFIP retificadoras houveramse por entregues após o decurso integral do lustro prescricional, ou por não haver sido apresentada documentação comprobatória da compensação realizada. Ocorre, no entanto, que, para que as retificadoras em questão possam produzir os efeitos ora pretendidos, não basta que hajam sido entregues dentro do prazo prescricional em apreço. Exige o §1º do art. 147 do CTN, como providência indispensável, que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, nas hipóteses em que se objetive reduzir ou a excluir tributo, encontrese adornada com os documentos comprobatórios do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Compulsando os autos, todavia, máxime o conjunto de provas acostadas pelo sujeito passivo a fls. 83/585, constatamos que este só logrou coligir aos autos as cópias das GFIP, e o Requerimento de Restituição da Retenção. Nada mais. A própria Decisão Notificação, a fl. 637 V, em seus itens 10.6 e seguintes, alertou sobre a carência, nos autos, de tal comprovação, nos seguintes termos: “A contabilidade e a referida documentação hábil e idônea não foram carreadas aos autos. A impugnante não especifica qual seria tal documentação. Notese que a fiscalização, além da contabilidade, ao efetuar o lançamento considerou as folhas de pagamento, GFIPs, guias de recolhimento e notas fiscais de prestação de serviços (item 5.1.7 do Relatório Fiscal)”. Estando carecedor o processo dos documentos comprobatórios dos erros que motivaram as retificações das GFIP em realce, o julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.140, a fls. 674/683, proferida por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em 08 de Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.934 13 fevereiro de 2012, para que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo a respeito da comprovação ou não, por parte do contribuinte, do erro que motivou a retificação das GFIP referentes às competências 11/2002, 05/2003, 06/2003; 07/2003; 08/2003; 09/2003; 10/2003; 11/2003; 13/2003; 01/2004 e 02/2004 indicadas no item 1.9 do Relatório Fiscal, a fls. 595/596. Fruto de tal incidente processual, o Auditor Fiscal notificante emitiu Informação Fiscal, na qual assevera não ter havido qualquer comprovação. Dada ciência ao Sujeito Passivo a respeito da diligência comandada e do teor da Informação Fiscal suso mencionada, este limitou a reproduzir, quase que na íntegra, os argumentos desfiados em seu Recurso Voluntário, sem acostar aos autos qualquer justificativa, tampouco indícios de prova material, que desse fundamento às retificações das GFIP das competências referidas no parágrafo anterior. Envolto em tal cenário, mesmo ciente de que o reconhecimento da retificação encontravase à calva de comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, optando e limitandose a verter alegações repousadas no vazio, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da negativa ora discutida. Tal deficiência de comprovação perpetuouse em sede de Recurso Voluntário e mesmo na manifestação consequente da Diligência Fiscal requerida por este Colegiado, não logrando o Recorrente se desincumbir, dessarte, do ônus que se lhe mostrava avesso. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o deferimento do pleito ora requerido pela empresa em epígrafe em razão da carência de conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Cabe a quem alega o recolhimento a maior, o ônus probatório dessas alegações, a teor do §1º do art. 147 do CTN. 3.2. DA RETENÇÃO Alega o Recorrente ser titular do direito de se compensar de todas as retenções destacadas nas suas notas fiscais de serviço. Com efeito, o tem. De fato, o foi. Em primeiro lugar, cumpre frisar que as competências 03/2004 e 08/2004 que o Recorrente transcreve à pagina 12 de seu Recurso Voluntário, a fl. 654 dos autos, não estão inclusas na tabela apresentada pela Fiscalização no item 2.3. do Relatório Fiscal Complementar a fls. 594/597 dos autos. Em segundo lugar, no seu Relatório Fiscal Complementar, item 2, a fl. 596, afirma a Autoridade Lançadora que, em razão das inconsistências verificadas do confronto entre GFIP e recolhimentos, a retenção considerada foi obtida pela análise das retenções destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços e dos recolhimentos efetuados, acentuando o prevalecimento da situação de fato. Acrescenta que, com as retificações de GFIP realizadas durante a auditoria fiscal, na maioria das competências o valor declarado na GFIP correspondeu ao efetivamente Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 recolhido, desprezandose as duplicidades das competências 06/2001, 08/2001 e 11/2001, e que nas competências 06/2003, 07/2003, 11/2003 e 07/2004, o valor declarado em GFIP foi desconsiderado por estar divergente em relação aos documentos analisados. À exceção da competência 07/2004, em todas as demais competências o valor considerado pela fiscalização foi superior ao declarado em GFIP. Em suma, o montante considerado pela fiscalização, nessas competências, atingiu a cifra de R$ 27.098,96 enquanto que nas GFIP somente fora declarado R$ 24.464,35. Nas demais competências, considerouse o valor informado em GFIP. Tal situação demonstra não ter havido prejuízo para o contribuinte, mas, sim, vantagem. De fato, o direito da empresa de se compensar dos valores retidos não se encontra condicionado à comprovação do recolhimento de tal retenção, mas, tão somente, à comprovação da ocorrência de tal retenção, a qual se vincula ao efetivo destaque na nota fiscal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no §5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). Ilimpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IIvigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IIIempreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IVcontratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000332/200715 Acórdão n.º 2302002.614 S2C3T2 Fl. 1.935 15 O efetivo e expresso destaque da retenção nas notas fiscais de serviço, além de ser uma obrigação legal, faz prova em desfavor do contratante de serviços de que este deveria ter efetuado a retenção do montante ali expresso e o recolhimento do valor assim retido. Dessarte, havendo o destaque na nota fiscal de serviços entregue à empresa contratante, a respectiva retenção presumirseá sempre efetivada. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Não havendo a empresa produzido provas de que teria sofrido outras retenções que não aquelas apuradas pela Fiscalização, nada mais há a ser considerado no presente lançamento. No Processo Administrativo Fiscal, alegar sem nada demonstrar ou provar produz o mesmo efeito que nada alegar. 3.3. DO REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO Pondera o Recorrente ter direito à restituição integral dos valores requeridos, uma vez que os valores de compensação foram indevidamente glosados. A análise da restituição pleiteada pelo Recorrente, nos termos do Requerimento de Restituição da Retenção, protocolado sob nº 35196.000412/200688, de 10/02/2006, escapa à competência deste Colegiado, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Ademais, em seu louvor, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Colegiado. O Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não tem por objeto Requerimento de Restituição da Retenção, mas, sim, lançamento tributário de contribuições previdenciárias. Por outro viés, o poder de decisão a respeito da restituição em voga incluise na competência do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, conforme destacado no item 3.1. da Informação Fiscal a fl. 598. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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