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Numero do processo: 10552.000541/2007-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 22, §
9º, DA LEI N° 8112/91 C/C ARTIGO 205, § 3º, DO DECRETO N° 3,048/99 - DEIXAR DE RETER PARA RECOLHIMENTO O PERCENTUAL DE 5
% DA RECEITA BRUTA DOS RECURSOS QUE REPASSAR À ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA QUE MANTÉM EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL
A empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, deve reter o percentual de 5% (cinco por cento) da receita bruta,
inadmitida qualquer dedução.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais providenciarias relacionadas à obrigação principal em atraso,
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2403-000.190
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso, não acolher as preliminares de nulidade formal e decadência parcial e, no mérito, em negar provimento ao recurso,
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente CAETÉ S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a .31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 22, § 9", DA LEI N° 8112/91 C/C ARTIGO 205, § 3 0, DO DECRETO N° 3,048/99 - DEIXAR DE RETER PARA RECOLHIMENTO O PERCENTUAL DE 5 % DA RECEITA BRUTA DOS RECURSOS QUE REPASSAR À ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA QUE MANTÉM EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL A empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, deve reter o percentual de 5% (cinco por cento) da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais providenciarias relacionadas à obrigação principal em atraso, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não acolher as preliminares de nulidade formal e decadência parcial e, no mérito, em negar provimento ao recurso, -14/.(j/f/ti, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Processo n" 10552 000541/2007-20 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00.190 F I 207 Relatório Trata-se de recurso voluntário, fls. 186 a 203, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre - RS, Acórdão tf 12,808 — 8" Turma da DRI/P0A, fls. 174 a 180, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória. Segundo a Auditoria-Fiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 26, e Anexo "Repasses ao Clube de Futebol Profissional 15 de Novembro de Campo Bom", às fls. 28, o Auto de Infração, de obrigação acessória, ri' 37.020,108-6, Código de Fundamentação Legal — CFL 83, no valor de R$ 11,569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), foi lavrado devido a Recorrente ter deixado de reter para recolhimento o percentual de 5% (cinco por cento) da receita bruta que repassou ao Clube 15 de Novembro, associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional no município de Campo Bom, a titulo de publicidade e propaganda no estádio Sady Arnildo Schmidt, no período de 1997 a 2005. A recorrente descumpriu assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 22, § 9 ", na redação da Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 205, § .3° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3,048, de 06/05/1999. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 27, dada a inexistência de agravantes e de atenuantes, discriminadas no art. 290 e art. 291 do RPS, foi aplicada multa no valor total de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), em obediência ao previsto no art. 92 e art. 102 da IV 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 28.3, II, alínea "m" e art. .373, do RPS, com valores atualizados pela Portaria MPS/GM n". 342, de 16.08.2006. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no Relatório Fiscal da Infração, fls. .26, ou seja, ter deixado a Recorrente de reter para recolhimento o percentual de 5% (cinco por cento) da receita bruta que repassou ao Clube 15 de Novembro, associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a titulo de publicidade e propaganda. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF 09291916F00, foi de 01/1997 a 0.3/2006, fls. 06, A Recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 29.09.2006, às fls. 01. O Auto de Infração se refere ao período de 01/1997 a 08/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 26, e Anexo "Repasses ao Clube de Futebol Profissional 15 de Novembro de Campo Bom", às fls. 28. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. .39 a 50 e fls. 103 a 104, onde alega em síntese que: (a) Que a obrigação relativa ao período 1997 a 2000 do auto de infração havia decaído, nos termos do art 173, CTN (b) A obrigação descrita no lançamento é principal e não acessória como haveria de ser em se tratando de autuação e que ela já foi incluída na NFLD n° 37 020.112-4 e confessada na LDC n° 37.020 113-2., emitidos na mesma ação fiscal (c) Que estaria dispensada da obrigação de retenção prevista no art. 22„. 9', Lei 8.212/1991, pois ela se aplica somente a associações desportivas que se organizem na . fOrma da Lei n° 9 615/98. Diz que, conforme o ar! 27 desta lei, as atividades. relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de sociedades civis de .fins lucrativos ou de sociedades comerciais e que o Clube 15 de Novembro é entidade sem fins lucrativos. (d) O impugnante sustenta que a . fiscalização não provou que ele mantinha publicidade e propaganda no Estádio Sady Schmidt Diz que os recursos repassados ao clube, ao menos no período de 01/1997 a 09/2004, eram contabilizados na conta "Despesas Não Dedutiveá" Diz ainda que nas competências de 03/2003 c 04/200,5 os repasses ,fOrtim contabilizados como "Donativos". (e) Ao final, requer a decretação da nulidade da presente autuação e, no caso de não ser atendido, pede a sua relevação, por entendei presentes os requisitos para tal, mormente pela correção da falta através do LDC n°37.020.113-2, A Recorrida analisou a impugnação e julgou procedente a autuação e manteve a multa aplicada, às fls. 174 a 180; em apertada síntese: (1) O contribuinte apresentou documentos complementares após o prazo de defesa, cabe destacar que ditos documentos são relativos ao LDC n° 37020.113-2 e do seu correspondente parcelamento, os quais já eram plenamente conhecidos. (2) Em relação à alegação de decadência suscitada, de 1997 a 2000, além do o prazo legal do art. 45, lei 8. 212/1991 prever 10 anos, tem-se que para a infração configurada em questão não importa quantas vezes . foi identificado o descumprimento obrigação acessória, bastando apenas uma ocorrência, e, como visto, 35 delas aconteceram dentro dos últimos .5 anos. (3) Não houve a aludida confusão entre a obrigação acessória objeto da presente autuação e parte da obrigação principal lançada na NFLD n° 37.020,112-4 e confessada no LDC n° 37.020.11.3-2, No presente lançamento, o contribuinte foi autuado por ter descumprido a obrigação acessória de reter e arrecadar a contribuição sobre repasses que fez a associação desportiva que mantém equipe de ,futebol profissional, a qual se encontra estipulada no art. 22, § 9" da Lei 8,212/91 c/c art. 205, § 3° do RPS , Como penalidade a esta .firlta, fui-lime aplicada a multa determinada no art 283, II, "m" do RPS Processo n" 10552.000541/2007-20 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00190 Fi 208 Por outro lado, na NFLD foi lançada e no LDC confessada pela Unpugnante, entre outras contribuições devidas, a de .5% da receita bruta dos espetáculos desportivos da associação que mantém i equipe de ,futebol profissional em substituição à contribuição patronal padrão, obrigação principal baseada no art., 22, ,yç 6° da Lei 8.212/91, surgida pela - ocorrência do fato gerador — repasses a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos — a qual o contribuinte ficou sub-rogado como substituto tributário, pela determinação do § 9' deste mesmo artigo. (4) Relativamente à alegação da empresa de que estaria dispensada da obrigação a ela imputada por o Clube 1.5 de Novembro de Campo Bom ser entidade sem fins lucrativos não se organizando na forma da Lei n° 9.61.5/98, é necessário esclarecer que o citado art. 27 desta chamada Lei Pelé sofreu várias alterações desde a sua publicação em 2.5..03.1998 redefinindo às exigências quanto a forma de organização das entidades a que se destina. A atual redação, efetuada em 15.0.5.2003 através das alterações promovidas pela Lei n° 10,672, não exige que a associação desportiva que mantém equipe de . futebol profissional tenha .fins lucrativos, pouco importando afama jurídica adotada. (5) Não assiste razão ao autuado quanto à aludida falta de comprovação de que ele mantinha publicidade e propaganda no Estádio Sady Amildo Schmidt. Conforme a planilha "Repasses ao Clube de Futebol Profissional 15 de Novembro de Campo Bom" (fls. 28), os recursos repassados ao clube nas competências 02, 03 e 05 a 08/2005 .foram contabilizados em sua própria escrita na conta "Propaganda e Publicidade", o que é corroborado pelos recibos às lis. 31. (6) Como medida alternativa, o contribuinte pediu a releva ção da penalidade aplicada sem no entanto ter corrigido a falta. Destarte, também a correção da falta só ocorre com a comprovação de que foi efetivada a correspondente retenção sobre os repasses às associações desportivas que mantém equipe de futebol profissional, que são os verdadeiros contribuintes destas exações, e de que houve o recolhimento destas quantias. Não há provas ou evidência nos autos de ter havido a retenção através de recibos ou mesmo dos devidos estornos contábeis Desta .forma, não cumpriu o principal requisito para obtenção do beneficio da relevação, conforme definido no art 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, ou seja, não corrigiu afalta. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fís 186 a 203, onde alega, em síntese que: (a) Preliminarmente, seja reconhecida a nulidade formal do auto de infração. Com o fundamento de que a obrigação descrita no lançamento é principal e não acessória como haveria de ser em se tratando de autuação e que ela já foi incluída na NFLD n° 37.020.112-4 e confessada no LDC n° 37 020.113-2 (anexado aos autos), emitidos na mesma ação fiscal Resta evidente a ocorrência de bis in idem Com efeito, o débito consolidado na NFLD DEBCAD .37.020.112-4 e no LDC DEBCAD .37 020,113-2 lá inclui multa como acréscimo legal. Destarte, nova multa não pode ser imposta à peticionária pelo suposto de.scumprimento da mesma obrigação tributária, muito menos por meio de Auto de 4h-tição, que não se presta à apenação de quem supostamente tenha deixado de "arrecadara contribuição". (b) Ainda em sede preliminar, da decadência da parte da obrigação acessória compreendida no período de 1997 a 12/2000, inclusive, nos termos do ar! 173, I, CTN, com a redução proporcional da multa. (c) No mérito, da inocorrência da inflação. Que estaria dispensada da obrigação de retenção prevista no art. 22, +' 9', Lei 8.212/1991, pois ela se aplica somente a associações desportivas que se organizem na .forma da Lei n° 9,615/98. Diz que, conforme o ar! 27 desta lei, as atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de sociedades civis- de fins lucrativos ou de sociedades comerciais e que o Clube 15 de Novembro é entidade sem fins lucrativos. Como argumento, aduz que conforme ar! 22 §11 da Lei n° 8212/91,na redação vigente à época dos repasses considerados pela Fiscalização, "o disposto nos §§ 6° a 9' aplica-se à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional e que se organize na forma da Lei n° 9 615, de 24 de marro de 1998" Essa norma, por sua vez, estabelecia no mesmo período que.' "Ar!. 27, As atividades relacionadas a competições de atletas profis-.sionais são privativas de, - sociedades civis de fins econômicos; II - sociedades comerciais admitidas na legislação em III - entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo". Porém, o Clube 15 de Novembro, segundo o art. 1' de seu Estatuto, "é uma entidade sem fins lucrativos" (cf infbrmação extraída de seu site oficial: www clubel5denovembra.contbr ). Ademais, cumpre observar que o ar! 22, §11 da Lei n°8212/91, na data em que editado, referia-se ao texto original da Lei n° 9.615/98, afastando, portanto, a obrigação prevista no §9° daquele mesmo dispositivo relativamente a entidades como o Processo ri' 10552 000541/2007-20 S2-C413 Acórdão o " 2403-00.190 El 209 Clube 1.5 de Novembro, que, comprovadamente, "é unia entidade sem fins lucrativos". Ou seja, a posterior alteração do texto da Lei n° 9.61.5/98 não afetou a previsão do mi 22, §11 da Lei n° 8:212/91, anterior àquela, e eido sentido sempre consistiu em restringir a obrigação em tela às "sociedades civis de fins econômicos" e às "sociedades comerciais" Em segundo lugar, vale notar que o r. decisum recorrido acaba por atestar a inexigibilidade da obrigação, quando menos, até 15.05.2003, pois somente a partir daí, ad argumentandwn tantun, não subsistir a exigência de que "a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional tenha fins lucrativos" 07, 174. (d) A recorrente sustenta que, em todo o período da autuação, a iscaliza ão não rovou cue ela mantinha publicidade e propaganda no Estádio Sady Arnildo Schmidt ou de que tais valores seriam repassados a esse título por ela ao Clube 15 cle Novembro. Diz que os recursos repassados ao clube, ao menos no período de 01/1997 a 09/2004, eram contabilizados na conta "Despesas Não Dedutimis" Observa que embora se tratasse efetivamente de "publicidade e propaganda no estádio Sady Amuei° Schntidt", seriam despesas dedutíveis, conforme o Parecer Normativo CST I n" 236, de 13/12/1974. Diz ainda que nas competências de 03/2003 e 04/2005 os repasses foram contabilizados como "Donativos". Com a devida vênia, apenas seis meses de repasse contabilizados como Publicidade e Propaganda não comprovam que a empresa tenha mantido durante os oito anos abrangidos pelo Auto de Infração "publicidade e propaganda no estádio Sadv Arnildo Schazidt". Ainda que assim não fosse. no mínimo, deveriam ser excluídas da autuação todas as demais competências, à exceção das correspondentes a 02, 03 e 05 a 08/2005. (e) Ao .final, requer a decretação da nulidade da presente autuação e, no caso de não ser atendido, pede a sua relevação, por entender presentes as requisitos para tal, mormente pela correção da falta através do recolhimento de forma parcelada das contribuições previdenciárias referentes aos repasses efetuados ao Clube 15 de Novembro. Ainda assim, observa que Inicialmente, com a devida vênia, é inviável, agora, proceder à "retenção sobre repasses". Esta só é possível no momento da entrega dos recursos, depois não. Por outro lado, o que estava ao alcance da recorrente, nesse momento, para correção da falta, esta o .fez . diligencio!' no recolhimento das contribuições correspondentes aos repasses. Mais não se lhe poderia exigir. 02 Ao final, requer a decretação da nulidade da presente autuação, no mérito julgar a autuação improcedente e, no caso de não ser atendido, pede a sua relevação, na forma do art. 291, ,sç 1", Decreto 3 048/1999 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e deeisk, fls. 205, É o relatório. 8 Processo n° 10552.000541/2007-20 Acórdão n.° 2403-00.190 S2-C4T.3 Fl. 210 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à E. 205. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) DA NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO, A recorrente alega que a obrigação descrita no lançamento é principal e não acessória corno haveria de ser em se tratando de autuação e que ela já foi incluída na NFLD n° 37,020.112-4 e no Lançamento de Débito Confessado - LDC n° .37.020A 13-2 (anexado aos autos, às fls. 81 a 87 e 105 a 149). Entretanto, deve-se anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres', a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2 , observa-se que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submete-se o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso o Lançamento de Débito Confessado - LDC 37.020.113-2 e a NFLD n° 37020Al2-4. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendo-se o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o Auto de Infração — AI. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas, inclusive conforme muito bem exposto pela a Recorrida, às Es. 144 " („)No presente lançamento, o contribuinte foi autuado por ter descumprido a obrigação acessória de reter e arrecadar a 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236.. 2 PALTLSEN, Leandro. Op cit., p. 900 10 contribuição sobre repasses que fez a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a qual encontra-se estipulada no art 22, § 90 da Lei 8.212/91 c/c art. 205, § 3° do RPS Como penalidade a esta falta, .fui-lhe aplicada a multa determinada no art. 283,11, "m" do RPS Por outro lado, na 1VFLD fui lançada e no LDC confessada pela impugnante, entre outras contribuições devidas, a de .5% da receita bruta dos espetáculos desportivos da associação que mantém equipe de futebol profissional em substituição à contribuição patronal padrão, obrigação principal baseada no art. 22, § 6° da Lei or. 8 .21 2/9 1 , surgida pela • ocorrência do fato gerador — repasses a titulo de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos — a qual o contribuinte .ficou sub-rogado como substituto tributário, pela determinação do § 9° deste mesmo artigo (b) DA DECADÊNCIA.ATÉ 12/2000, INCLUSIVE A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida no período de 1997 a 12/2000, inclusive, nos termos do art. 173, I, CTN, com a redução proporcional da multa. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 29.09.2006, às fls. 01, e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/1997 a 08/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fis, 26, e Anexo "Repasses ao Clube de Futebol Profissional 15 de Novembro de Campo Bom", às lis. 28. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter deixado de reter para recolhimento o percentual de 5% (cinco por cento) da receita bruta que repassou ao Clube 15 de Novembro, associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 22, § 9 °, na redação da Lei n° 9,528, de 10/12/1997, combinado com o art, 205, § 3° do Decreto n°3048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL n°. 83, o valor da multa é único, aos valores da época, R$ 11,569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo 'Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional, Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 29.09.2006, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/1997 a 08/2005, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 08/2005, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o deseumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO 11 Processo n° 10552.000541/2007-20 S2-C4T3 Acórdão n 2 4103-00.190 Fl 211 (c) DA INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. A recorrente alega que estaria dispensada da obrigação de retenção prevista no art. 22, § 9°, Lei 8.212/1991, pois ela se aplica somente a associações desportivas que se organizem na forma da Lei n° 9.615/98. Diz que, conforme o art. 27 desta lei, as atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de sociedades civis de fins lucrativos ou de sociedades comerciais e que o Clube 15 de Novembro é entidade sem fins lucrativos. Corno argumento, aduz que conforme art. 22 §11 da Lei n° 8212/91 ,na redação vigente à época dos repasses considerados pela Fiscalização, "o disposto nos §§ 6' a 9° aplica-se à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional e que se organize na forma da Lei n° 9,615, de 24 de marco de 1998. Essa norma, por sua vez, estabelecia no mesmo período que: "Art. 27, As atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de: I - sociedades civis de fins econômicos,. II - sociedades comerciais admitidas na legislação em vigor,' III - entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este etartigo Porém, o Clube 15 de Novembro, segundo o art. 1' de seu Estatuto, "é uma entidade sem fins lucrativos" (cf.. informação extraída de seu site oficial: www,clube15denovembm,com,br ). Ademais, cumpre observar que o art. 22, §11 da Lei n° 8212/91, na data em que editado, referia-se ao texto original da Lei ri.° 9.615/98, afastando, portanto, a obrigação prevista no §9° daquele mesmo dispositivo relativamente a entidades corno o Clube 15 de Novembro, que, comprovadamente, "é um entidade sem fins lucrativos". Ou seja, a posterior alteração do texto da Lei n° 9,615/98 não afetou a previsão do art. 22, §11 da Lei n° 8,212/91, anterior àquela, e cujo sentido sempre consistiu em restringir a obrigação em tela às "sociedades civis de fins econômicos" e às "sociedades comerciais", Em segundo lugar, vale notar que o r. decisum recorrido acaba por atestar a inexigibilidade da obrigação, quando menos, até 15.05.2003, pois somente a partir daí, ad argumentandum tantun, não subsistir a exigência de que "a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional tenha fins lucrativos" (fi, 178). Expostos, em síntese, os argumentos da recorrente, analisemos a questão. Outrossim, veja-se a redação do art. 27 da Lei 9.615, de 24.03.1998: (redação original) Art. 27. As atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de; I - sociedades civis de fins econômicos; II - sociedades comerciais admitidas na legislação em vigor; 111 - entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo. Parágrafo único. As entidades de que tratam os incisos I, 11 e 111 que infringirem qualquer dispositivo desta Lei terão suas atividades suspensas, enquanto perdurar a violação. (Redação dada pela Lei n° 9.981, de 2000) Art. 27. É facultado à entidade de prática desportiva participante de competições profissionais.; (Redação dada pela Lei n°9.981, de 2000) - transformar-se em sociedade civil de fins econômicos; (Redação dada pela Lei o' 9.981, de 2000) 11 - transformar-se em sociedade comercial; (Redação dada pela Lei n° 9..981, de 2000) III - constituir ou contratar sociedade comercial para administrar suas atividades profissionais, (Redação dada pela Lei n° 9 981, de 2000) (Redação dada pela Lei n" 10.672, de 2003) Art. 27. As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem., independentemente da forma iuridica adotada, sujeitam os bens particulares de seus dirigentes ao disposto no art. 50 da Lei IP 10 406, de 10 de . janeiro de 2002, além das sanções e responsabilidades previstas no capei do art. 1.017 da Lei n" 10.406, de 10 de janeiro de 2002, na hipótese de aplicarem créditos- ou bens sociais da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros, (Redação dada pela Lei n" 10.672, de 2003) § 9' É facultado às entidades desportivas profissionais constituírem -se regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos regulados nos arts_ 1.039 a 1,092 da Lei n' 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil. (Incluído pela Lei n" 10.672, de 2003) 10, Considera-se entidade desportiva profissional, para fins desta Lei, as entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais, as ligas em que se organizarem e as entidades de administração de desporto profissional (Incluído pela Lei n" 10,672, de 2003) § 11, Apenas as entidades' desportivas profissionais' que se constituirei?) regularmente em sociedade empresária na .fbrma do § 9." não .ficam sujeitas ao regime da sociedade em comum e, em especial, ao disposto no art. 990 da Lei n" 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil (incluído pela Lei n°10.672, de 2003) § 12 (VETADO) (Incluído pela Lei n°10.672. de 2003) .§ 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de prática desportiva, das entidades de administração de desporto e das ligas desportivas, independentemente da 13 Processo ri° 10552000541/2007-20 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00190 El 212 forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparam-se às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos fributários, ,fiscais, previdenciários, .financeiros, contábeis e administrativos. (Incluído pela Lei n°10672, de 2003)(gn) Então, a Lei 9,615/98, conforme a redação atual dada pela Lei IV 10.672/200.3, dispõe em seu art. 27, § 13, que as entidades de prática desportiva independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparam-se às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais e previdenciários. Desta forma, relembrando-se que em relação ao descumprimento da obrigação acessória, para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal — CFL, n°, 8.3, o valor da multa é único, aos valores da época, RS 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 29.09.2006, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/1997 a 08/2005, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo. 08/2005. não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional. ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Então, não prospera o argumento da recorrente de que o Clube 15 de Novembro por ser entidade sem fins lucrativos não se enquadra na Lei 9.615/98 (redação original) pois, em relação ao descumprimento da obrigação acessória, para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal CFL n"• 83, bastou haver o descumprimento da obrigação acessória na competência 08/2005, na qual estava em vigor a Lei 9.615/98, com a redação dada pela Lei n" 10.672/2003, na qual as entidades de prática desportiva independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparam -se às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais e previdenciários. (d) A FISCALIZAÇÃO NÃO PROVOU, NO PERÍODO TOTAL DA AUTUAÇÃO, QUE A RECORRENTE MANTINHA PUBLICIDADE E PROPAGANDA NO ESTÁDIO SADY ARNILDO SCHMIDT OU DE QUE TAIS VALORES SERIAM REPASSADOS A ESSE TÍTULO POR ELA AO CLUBE 15 DE NOVEMBRO A recorrente sustenta que a fiscalização não provou, no período total da autuação., que ela mantinha publicidade e propaganda no Estádio Sady Arnildo Schmidt ou de que tais valores seriam repassados a esse título por ela ao Clube 15 de Novembro Diz que os recursos repassados ao clube, ao menos no período de 01/1997 a 09/2004, eram contabilizados na conta "Despesas Não Dedutiveis", Observa que embora se tratasse efetivamente de "publicidade e propaganda no estádio Sady Amuei° Schntidt", seriam despesas dedutíveis, conforme o Parecer Normativo CST 1 n°236, de 13/12/1974. Diz ainda que nas competências de 03/2003 e 04/2005 os repasses foram contabilizados como "Donativos". Argumenta ainda que apenas seis meses de repasse contabilizados como Publicidade e Propaganda não comprovam que a empresa tenha mantido durante os oito anos abrangidos pelo Auto de Infração "publicidade e propaganda no estádio Sady Amildo Sclunidt". Ainda que assim não fosse, no mínimo. deveriam ser excluídas da autuação todas as demais competências, à exceção das correspondentes a 02. 03 e 05 a 08/2005. Expostos os argumentos da recorrente, analisemos a questão. Não prospera a argumentação da recorrente em relação à falta de comprovação de que mantinha publicidade e propaganda no Estádio Sady Amildo Schmidt ou de que tais valores seriam repassados a esse titulo por ela ao Clube 15 de Novembro pois, conforme a planilha elencada pela auditoria-fiscal às fls. 28, denominada "Repasses ao Clube de Futebol Profissional 15 de Novembro de Campo Bom", nas competências 02/2005, 03/2005 e 05/2005 a 08/2005 a recorrente contabilizou na conta "Propaganda e Publicidade", os recursos repassados ao Clube 15 de Novembro, conforme ainda os recibos elencados às fls. 31. Ademais, a própria recorrente reconhece este fato, de repasse ao Clube 15 de Novembro de Propaganda e Publicidade, às fls. 198: "( j Com a devida vênia, apenas seis meses de repasse contabilizados como Publicidade e Propmanda não comrovempresa tenha mantido durante os oito anos abraneidos pelo Auto de Infracão "publicidade e propaRanda no estádio Sadv Arnildo Sclunidt". Ainda que assim não fosse, no mínimo, deveriam ser excluídas da autuação todas as demais competências ., à exceção das. correspondentes a 02, 03 e 05 a 08/2005," Desta forma, em relação ao descumprimento da obrigação acessória, para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal CFL n". 83, bastou que houvesse o descurnprimento da obrigação acessória nas competências 02/2005, 03/2005 e 05/2005 a 08/2005 e ois a recorrente contabilizou na conta "Pro a anda e Publicidade" os recursos repassados ao Clube 15 de Novembro. (e) DA RELEVAÇÃO DA MULTA A recorrente alega que no prazo assinado pelo art. 291, § 1 °do RPS, conforme o texto à época em vigor, comprovou ter diligenciado para o recolhimento de forma parcelada das contribuições previdenciárias referentes ao aos repasses efetuados ao Clube 15 de Novembro A recorrente reconhece que inicialmente, é inviável, agora, proceder à retenção sobre repasses. Este só é possível no momento da entrega dos recursos, depois não. Ademais, a recorrente aduz que, por outro lado, o que estava ao alcance da recorrente, nesse momento, para correção da falta, esta o fez, diligenciou no recolhimento das contribuições correspondentes aos repasses. Mais não se lhe poderia exigir. Anota-se que as multas por descumprimento de obrigação acessória podiam ser relevadas desde que o infrator formulasse pedido e corrigisse a falta dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante, conforme o art.. 291, § 1°, RPS na redação dada pelo Decreto ri' 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009. Processo o' 10552000541f2007-20 S2-C4T3 Acórdão n '2403-00,190 H 213 Observa-se que tanto a relevação quanto a atenuação das multas por descumprimento de obrigação acessória não mais existem no ordenamento pois o Decreto n° 6,727, de 2009 revogou o art. 291, RPS bem como o art. 292, V, RPS, que delimitava a atenuação em 50%. Ademais, o art. 93, parágrafo único, Lei 8212/1991 foi revogado pela Lei 11,941/2009, na qual se previa que a autoridade que reduzisse ou relevasse multa recorreria de oficio para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento: Art. 93 O recurso contra a decisão do INSS que aplicar multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária só terá seguimento se o interessado o instruir com a prova do depósito da multa atualizada monetariamente, a partir da data da lavratura. (Redação dada pela Lei n" 8.870, de 1994). (Revogado o capta pela Lei n°9.639, de 25.5.98.) Parágrafo único. A autoridade que reduzir ou relevar multa recorrerá de oficio para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento (Revogado pela Medida Provisória n" 449, de 2008) (Revogado pela Lei n" 11.941, de 2009) Ainda assim, seguem as redações do art. 291, RPS, com a alteração dada pelo Decreto if 6,032, de 02.02,2007 e posteriormente revogado pelo Decreto n" 6,727, de 2009: Art.291, Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n" 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n°6.727, de 2009) §1" A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto n' 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n" 6.727, de 2009) §2 0 O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. .286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n" 6.727, de 2009) §3" A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. .366. 16 §3" Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto 11 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto e 6„727, de 2009) Desta forma, à época da interposição do recurso voluntário pelo contribuinte, em 20.122007, conforme fls. 203, o dispositivo do art. 291, § 1°, RPS, com a redação dada pelo Decreto n" 6.032, de 02.02,2007, dispunha que: "A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a .falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante". Com isso, a recorrente deveria comprovar que formulou pedido e que corrigiu a falta dentro do prazo de impugnação. A correção da falta ocorre com a comprovação de que foi efetivado o correspondente retenção sobre os repasses às associações desportivas que mantém equipe de futebol profissional e de que houve o recolhimento destas quantias. Então se fixam essas duas condições: o recolhimento das quantias e a retenção sobre os repasses ao Clube 15 de Novembro, No entanto, sem adentrar no mérito da primeira condição, qual seja, se houve ou não o recolhimento das quantias com o pedido de parcelamento da LDC 37020A13-2 e as conseqüentes parcelas ainda a vencer, é certo que a segunda condição não foi atendida. Desta forma, a segunda condição de se efetivar a correspondente retenção sobre os repasses ao Clube 15 de Novembro não restou comprovada nos autos de ter havido a retenção através de recibos ou mesmo dos devidos estornos contábeis. Ademais, a própria recorr ente reconhece o não atendimento desta condição às fls. 202: " 4. Inicialmente, com a devida vênia, é inviável, agora, procedei à "retenção sobre repasses". EMe só é possível no momento da entrega dos recursos, depois não. Portanto, a recorrente não atendeu os requisitos para a relevação da multa nos termos à época da interposição do recurso voluntário, em 20A 2.2007, conforme fis. 152, conforme dispunha o dispositivo do art. 291, § 1', RPS, com a redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 02,02.2007. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, não acolher as PRELIMINARES de nulidade formal e de decadência parcial, e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões e n 23 de setembro de 2010 411111b , Italiana PINHEIRO MONTEIRO - Relator- - - - - -PAULO MAUR Quarta Câmara da Segunda Seção Brasília ta A Ar . end ditmo alou . ~TV.. , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS - QUADRA 01 - BLOCO "J" - ED. ALVORADA 11° ANDAR.— CEP: 70396 — 900— Brasília - DF lei: (0xx61) 3412-7568 Home Page:lin-0f ww-w cad. fazenda.gov.br PROCESSO : 5-59__ CO-05 (fi 42-0 07' - INTERESSADO: C 4- 9( A- TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 9-(1 `C-CÓ . 190 folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada,
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Numero do processo: 13931.000949/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.219
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da PIS/PASEP – mercado externo e que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno, referente ao 4º trimestre de 2003, no valor total de R$ 9.699,27. Com fulcro no crédito informado no Pedido de Ressarcimento, a contribuinte transmitiu Declaração de Compensação. A DRF em Ponta Grossa não homologou a compensação pois, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a inexistência de créditos vinculados Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 ao mercado externo. Segundo o despacho decisório recorrido, os créditos do período em questão foram apropriados somente na rubrica “Outros Valores com Direito a Crédito”, em virtude das aquisições de grãos (milho, soja e trigo) de pessoas físicas e com a aplicação da alíquota da contribuição sobre o valor das exportações realizadas. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Interessada não era uma empresa agroindustrial, e portanto, não poderia fazer jus ao aproveitamento do crédito pleiteado. A atividade desenvolvida pela empresa é a de comercialização de adubos, defensivos agrícolas e sementes, na matriz, e de cerealista na filial. Entendeuse, ainda, que faltava o cumprimento de outro requisito legal: “que os produtos sejam destinados à alimentação humana ou animal”. Como o crédito indicado é relativo à exportação e todos os produtos foram comercializados para empresas comerciais exportadoras, não ocorreu a destinação dos produtos à alimentação humana ou animal. A autoridade fiscal consignou que a contribuinte não faz jus ao crédito das cerealistas, tendo em vista que a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das cerealistas está vedado pelo § 4º, do art. 8º da Lei 10.925/2004. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo o seguinte: "por tratarse de pedido eletrônico de ressarcimento de crédito, o contribuinte RATIFICA as suas razões em conteúdo na defesa dos autos processuais de n. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000". Assim, pretende que lhe seja assegurado o direito às retificações sem a incidência de penalidade, além de requerer a desclassificação do despacho decisório em virtude de manifesta nulidade das diligências em face do vício insanável do MPFF. A DRF em Curitiba reconheceu a conexão entre as demandas e apreciou todas as razões constantes nas impugnações dos processos ns. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 que, ao seu ver, guardassem relação com os motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal. A título de esclarecimento, os processos mencionados alhures dizem respeito aos Autos de Infração lavrados para a exigência de PIS e COFINS, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Verificouse, ainda, que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição, o que motivou o lançamento. Desta feita, foi analisado pelos julgadores de piso, a contestação das glosas do crédito, a nulidade alegada e o direito à retificação sem a incidência de penalidades, consubstanciada nos seguintes tópicos: “decadência”, “hermenêutica”, “créditos sobre bens para revendas”, “créditos utilizados como insumos”, “serviços utilizados como insumos”, “bens do ativo imobilizado”, “débitos apurados” , “grãos”, “das sementes” e “posição 2710 da NCM”. Por unanimidade de votos, acordaram os membros daquela DRJ, em considerar não formulado o pedido de diligência, não acatar as argüições de nulidade do procedimento fiscal e não acolher as razões de inconformidade, negando a solicitação de Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000949/200814 Acórdão n.º 3803000.219 S3TE03 Fl. 2 3 reforma do Despacho Decisório recorrido, de modo a manter a não homologação da compensação pleiteada. A ementa do julgado transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da Cofins, não gera direito a crédito básico as compras efetuadas de pessoas físicas. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do §11 do. Art .3° da Lei n.° 10.833,de2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquirido diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e , como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal., classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 NULIDADE.PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente o corre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de transmissão da Dcomp. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetente s para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA.PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Declarouse impedido o servidor José Ricardo Zilli, Auditor Fiscal responsável pelo despacho decisório em questão. Cientificada, apresentou recurso voluntário por meio do qual defende, em sede de preliminar, a nulidade do despacho decisório que culminou com o indeferimento do crédito, a nulidade da decisão de primeira instância por não ter autorizado o pedido de diligência fiscal bem como, quanto a impossibilidade de retificação pela autoridade fiscal de créditos e débitos anteriores a junho de 2005, tomando por vista que a glosa dos créditos e lançamento de débitos ocorreu em julho de 2010 (prescrição/decadência). No mérito, argumenta sobre a equiparação à empresa agroindustrial tendo em vista que a interessada realiza atividade de acondicionamento de grãos previamente selecionados e padronizados, após rigorosa limpeza e secagem. Defende, ainda, que o fato de a Recorrente adotar critério de apropriação do crédito presumido de PIS/COFINS baseado no valor das exportações realizadas, não retira o direito da correta apropriação dos créditos relativos às aquisições de grãos, tarefa que incumbi a à autoridade fiscal. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000949/200814 Acórdão n.º 3803000.219 S3TE03 Fl. 3 5 Caso sejam superadas as alegações de prescrição/decadência, requer o direito ao crédito presumido das contribuições pela venda de grãos no período entre fevereiro e julho de 2004, argumentando seu reconhecimento pela delegacia de origem e pela DRJ. Por fim, argumenta a Recorrente que, considerando a inexistência de sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, devem ser considerados e atribuídos às receitas decorrentes das exportações, os créditos decorrentes dos outros custos ou insumos atribuídos a estas receitas pelo sistema de rateio proporcional, conforme a legislação de regência do PIS/COFINS. Reitera a observâncias dos argumentos expendidos nas impugnações constantes nos processos n. 12571.000200/201057e12571.000201/201000 e requer o acolhimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima, trata o feito de pedido de ressarcimento e declaração de compensação de créditos da COFINS – mercado externo que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno. A Delegacia de origem manifestouse pelo indeferimento total do crédito e a DRJ manteve o decisum. Contudo, a ora Recorrente em sua manifestação de inconformidade faz referência a defesa de outros 2 processos, os quais versam sobre a lavratura de autos de infração para a exigência de PIS e COFINS lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Ademais disso, foi verificado que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte. Da leitura do relatório do acórdão hostilizado que explicita o teor das impugnações a qual a contribuinte faz referência, observase que a ora Recorrente alegou uma série de ilegalidade e irregularidades com vistas a defender a nulidade do procedimento fiscal adotado o qual ensejou o lançamento, e portanto, a nulidade do próprio auto de infração. Observase, também, que o contribuinte se defendeu da glosa efetuada sobre a entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas e dos bens e serviços utilizados como insumos, por ter o Fisco separado as atividades da matriz e da filial, sustentando que somente a cerealista poderia se creditar dos insumos. Defendeuse a ora Recorrente das glosas concernentes aos encargos com a depreciação dos bens do ativo imobilizado, crédito presumido das cerealistas, bem como a tributação dos produtos classificados na posição 2710 da NCM. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Naqueles processos, pugnou a Autuada pela reforma do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e não homologação da declaração de compensação; de forma subsidiária requereu a desclassificação da autuação para infração formal de obrigação acessória, assegurado o direito à denúncia espontânea, bem como, a improcedência do auto de infração. Consoante preceitua o art. 103 do Código de Processo Civil, reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Neste caso, o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Sabendose que de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal aplicamse as normas processuais civis, diligenciou este relator junto ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e verificou que os processos outrora mencionados foram julgados em 23 de maio de 2012, pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja relatoria se atribuiu ao conselheiro Antônio Lisboa. Sabendose que as causas são conexas, e que aquele colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, cujo acórdão recebeu o nº 3301001.472 e que a decisão pode assistir aos interesses da ora Recorrente, voto no sentido de que o presente feito seja baixado em diligência a fim de que se informe o inteiro teor da decisão supracitada bem como possa verificar em que extensão os autos de infração e o decisum influenciam nos Per/Dcomps que ora se aprecia. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35387.001063/2006-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/0.3/2006
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO, DECADÊNCIA,
Conforme Súmula Vinculante IV 8 do STF: "São inconstitucionais o
parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" .
Prazo decadencial 6 de 05 anos na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE. CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA.
Integram o salário de contribuição, o valor de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada aos segurados empregados, em acordo com a MP n° 794, de 29.12.94, reeditada até a conversão na Lei 10,101, de 19.12.2000.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.186
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos e
acolher a preliminar de decadência até a competência de 09/2001 com base no Art.. 150, parágrafo 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro, Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari, II) No mérito, em negar provimento por voto de qualidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, relator, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marthius Savio Cavalcante Lobato,
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/0.3/2006 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO, DECADÊNCIA, Conforme Súmula Vinculante IV 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" . Prazo decadencial 6 de 05 anos na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram o salário de contribuição, o valor de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada aos segurados empregados, em acordo com a MP n° 794, de 29.12.94, reeditada até a conversão na Lei 10,101, de 19.12.2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-01T20:28:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-01T20:28:15Z; Last-Modified: 2011-03-01T20:28:16Z; dcterms:modified: 2011-03-01T20:28:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ac948e82-b7eb-405b-80b4-775c8d93002e; Last-Save-Date: 2011-03-01T20:28:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-01T20:28:16Z; meta:save-date: 2011-03-01T20:28:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-01T20:28:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-01T20:28:15Z; created: 2011-03-01T20:28:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2011-03-01T20:28:15Z; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-01T20:28:15Z | Conteúdo => S2-C4T3 H 64 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo le .3538 T001063/2006-74 Recurso IV 157302 Voluntário Acórdão IV 2403-00.186 — 4° Câmara / .3" Turma Ordinária Sessão de 2.3 de setembro de 2010 Matéria PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Recorrente COPEBRAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A SRP ASSUNTO: CONTRIBUIOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/0.3/2006 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO, DECADÊNCIA, Conforme Súmula Vinculante IV 8 do STF: "Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" . Prazo decadencial 6 de 05 anos na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. Integram o salário de contribuição, o valor de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada aos segurados empregados, em acordo com a MP n° 794, de 29.12.94, reeditada até a conversão na Lei 10,101, de 19,122000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos e acolher a preliminar de decadência até a competência de 09/2001 com base no Art.. 150, parágrafo 4' do CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheir, Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari, II) No mérito, em negar provimento por voto de qualidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, relator, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marthius Savio Cavalcante Lobato, ACIR JO 10 DE SOUZA - Relator CARLOS A 'RIO MElES STRINGARI - Presidente MARTI11 S SAV 0 CAVALCANTE LOBATO — Re ator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Car os Alberto Nkes Stringari Ivacir Júlio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Marc• lo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato, 2 Processo n" 35387 001063/2006-74 S2-C4T3 Acórdrio n " 2403-00.186 Fl 65 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização, quo de acordo corn o relatório fiscal As fls, 42 a 49, refere-se a ausência de contribui0es devidas, parte patronal, ou seja, Empresa, SAT e Terceiros(INCRA/SEBRAE), relativa remuneração paga A título de Participação nos Lucros e Resultados, especifica e exclusivamente aos segurados empregados denominados "gestores", no período de 01/1998 a 03/2006,. Segundo os exatos termos do relatório fiscal : "8 A empresa adota como prática a elaboração de um documento base em que são estabelecidos os valores da participação, as metas e a periodicidade dos pagamentos realizados sob este titulo para os seus colaboradores. Até 1998, no estabelecimento de Cubatiio, e até 2004 para os estabelecimentos de Goiás, há expressa menção de que os " Yestores" são excluídos do programa de particil2a ção nos lucros. 9. Nos acordos dos períodos posteriores existe previsão no mestizo documento, de maneira genérica, que os trabalhadores coin os níveis de gestores, estarão syjeitos a metas individuais e coletivas, sem qualquer mencão quanta aos critérios para o pagamento, inclusive o limite máximo de remuneração possível. 10. Ocorre que, tais parâmetros de aferição são pactuados cm documento separado,que estabelece metas especificas para cada gestor, assim como, o valor de sua participação representado em números de remunerações, sempre superiores aquelas previstas para os colaboradores não gestores. "( grifei) Transcrevendo mais sobre o relatório fiscal : "11, Dentre as metas pactuadas individualmente para os gestores incluem-se avaliações de natureza subjetiva, tais corno liderança, gestão de pessoas, esforço e comprometimento, cuja pontuação é atribuida pelo superior hierárquico de cada gestor Ao adotar tal procedimento, além da violação expressa da legislação, a natureza jurídica da verba auferida, passa a ser de premiação e Hilo de participação coletiva nos lucros da empresa, ulna vez que avaliações subvertem a essência da lei. 12 Ademais, na fixação das metas individuais para os gestores não há a participação do representante sindical da categoria, deixando o colaborador gestor sem a sua representação necesseiria,comprometendo a isenção do acordo individual e o 13. Assim sendo, entende a fiscalização que o estabelecimento de metas individuais sem a participação do representante 3 sindical fere o artigo 2 "caput" da MP 1 794, de 29 de dezembro de 1994, o artigo 2 "caput" da MP 1.397, de 11 de abril de 1996,0 artigo 2 "caput" da MP 1.539-32, de 10 de junho de 1997,0 artigo 2 `tapar' da MP 1.539-34, de 10 de agosto de 1997, artigo 2 "caput" da !JP 1 698-46 de 30 de junho de 1998, artigo 2 "caput" da MI' 1.769-52, de 14 de dezembro de 1998, o artigo 1.763-53, de 13 de janeiro de 1999, o artigo 2 "caput" da MI' 1.769-58, de 02 de junho de 1999 e o artigo 2 "caput" da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 14,A simples previsão contratual que determina o estabelecimento de nietas individuais não supre a detenninacâo impositiva da Lei, que pretendeu dar ao trabalhador a necessária assistência do representante sindical na negociação das metas objetivas determinantes no pagamento da participagão nos lucros e resultados da empresa. 15. Flo lado também o Parágrafb Único do artigo 2 da MP 794, de 29 de dezembro de 1994,0 §1 do artigo 2 da MP 1.397, de abril de 1996,0 §1 do artigo 2 da MP 1.539-32, de 10 de junho de 1997,0 §1 do artigo 2 da MP 1 539-34 de 07de agosto de 1997,0 §1 do artigo 2 da ME' 1.698-46, de 30 de junho de 1998,0 §1 do artigo 2 da MP 1.769-52, de 14 de dezembro de 1998,0 §1 do artigo 2 da MI' 1.769-53, de 13 de janeiro de 1999,0 §1 do artigo 2 da ME' 1,769-58, de 02 de junho de 1999 e o .$ 1° do artigo 2 ° da Lei 10.101/2000. 16 A utiliza 'do de • ariimetros de natureza sub 'criva sara avaliar o "gestor" com o objetivo de calcular o percentual de atingimento da sua meta individual ado está em conformidade com a Lei, que determina que os parâmetros para pagamento da participação nos lucros e resultados devem conter regras claras e obietivas. (grifos de minha autmia) (-) 18. Nestes termos, há que se considerar como salário de contribuição o montante pago sob esta rubrica aos segurados empregados denominados "gestores" (planilhas anexas), encontrando a razão para o lançamento da exação na alinea "j", do § 9 0, do artigo 28 da Lei 8.212/91, interpretado "a contrario senso" 19. Logo foram lançadas as contribuições destinadas ao INSS e a outras entidades,tendo como fato gerador das referidas contribuições a remuneração paga, devida ou creditada incidente sobre o pagamento de participação nos lucros e resultados pagos em desconformidade com a legislação." ( grifos de minha autoria, A . empresa foi noti ficada em 27/10/2006. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o procedimento fiscal , a notificada apresentou defesa as fls. 283 a 559. Na impugnação constam as seguintes alegações: 4 Processo n" 35387.001063/2006-74 S2-C4T3 Acórdiio n 2403-00186 Fl. 66 - Que a autoridade autuante não menciona especificamente os dispositivos legais supostamente infringidos pela Defendente, mas insere no relatório denominado FLD — Fundamentos Legais do Débito toda a legislação previdenciária; - Que o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório somente pode ser realizado pelo contribuinte, diante de um fato gerador descrito adequadamente com a respectiva fundamentação legal; - Que no caso em análise, a Defendente encontra dificuldade em contraditar os dispositivos legais colacionados no relatório fiscal, o que impede a Defendente de manifestar ampla defesa; - Que a autoridade notificante nos itens 1.3 e 15 do relatório fiscal da NFLD, perfila todas as Medidas Provisórias editadas para regular a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa desde 1994, entretanto os fatos geradores indicados na NFLD ocorreram nas competências 01/1998 em diante; Reporta-se a Impugnante ao instituto da decadência, segundo artigo 150, § 40 e artigo 173 do CTN; - Que relativamente ao prazo de 10(dez) anos, constante do artigo 45 da Lei Ordinária 8212/91, o mesmo não resiste ao estipulado no Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar, que já está pacificada nos E. Tribunais Superiores; Que a Defendente distribui seus lucros sobre os resultados obtidos pela empresa, baseada em acordo Coletivo de Participação nos Resultados firmado pela empresa e comissão de representação dos empregados, com participação do representante do respectivo sindicato da categoria, nos exatos termos em que dispõe a Lei 10.101/2000; - Que relativamente aos gerentes e coordenadores, denominados gestores, a empresa adota programa de participação nos lucros de forma diferenciada dos demais empregados, com objetivo de melhorar a qualidade dos seus produtos e diminuir a insatisfação dos clientes; - Que assim, os gestores, além dos percentuais de participação extensivo aos demais colaboradores, devidamente estabelecidos na Lei 10,101/2000, recebem um percentual de participação dos gestores no resultado do exercício, conforme avaliação obtida consoante o programa de meta compactuado individualmente com cada gestor; - Que os valores pagos aos gestores a titulo de Participação nos Lucros e Resultados, nos limites e condições compactuados nos acordos para todos os colaboradores, jamais poderiam ser objeto de lançamento, pois não existe razão que justifique a adoção de critério diferenciado por parte da autoridade autuante, para tratar esses valores como remuneração; - Que os requisitos enumerados na Lei 10A 01/00 têm caráter meramen assistencial, portanto, qualquer outra forma de negociação estabelecida entre as empresas e os seus empregados, não constitui razão suficiente para vincular os valores pagos a titulo d participação à remuneração e, conseqüentemente submeter à incidência de contribuições. - Que os gestores, foram excluidos das regras gerais de participação, como forma de participar diretamente nos resultados, corn percentuais superiores, mas nunca abaixo do acertado para os demais funcionários, porém coin regras próprias de avaliação estabelecidas por acordo entre a Defendente e gestores; insurge-se, também a Impugnante em relação A cobrança da contribuição destinada ao INCRA; - A Defendente considera inexigível a cobrança do SAT com base na aliquota máxima de 3% (três) por cento pare todos os estabelecimentos, sem ser considerado o efetivo grau de exposição de risco de cada estabelecimento . Requereu a nulidade da presente NFLD.. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Analisadas as alegações da recorrente, a SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA-SANTOS-(SP), mediante DECISÀO- NOTIFICAÇÃO-DN, n° 21.433.4/033/07, fl,562, concluiu pela procedência do lançamento, DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão daquela Delegacia de Julgamento, a recorrente interpôs recurso, f1.583 a 630, reiterando as alegações que fizera em primeira instância, alegando ainda: - Que conforme dispõem o inciso XI, artigo 7' da CF . e o artigo 28, § 9', alínea "j", da Lei n° 8,212/91, e própria Lei 10,101/2000, os valores pagos a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR não integraram salário-de-contribuição das beneficiários, para fins da contribuição previdenciária; Que é preciso que se indique qual ou quais os dispositivos de lei infringidos na espécie, pois ao ponto que aqui interessa, que é o cumprimento dos requisitos formais da NFLD, não importa à Recorrente qual é a legislação que regulou e regula as contribuições arrecadadas pelo INSS nos últimos, mas sim os dispositivos que especificamente ela teria infringido; - Que tratando-se o lançamento de atividade administrativa plenamente vinculada, conforme dispõem os artigos 3° e 142 do Código Tributário Nacional, é dever da fiscalização, sob pena de nulidade do lançamento, revesti-lo com elementos indispensáveis constituição do crédito tributário; - Que, ainda sob o aspecto da fundamentação legal, observa-se que a autoridade fiscal, nos itens 13 e 15, do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, perfila todas as Medidas Provisórias que foram editadas para regular a PLR, desde 1994, corno tendo sido violadas pela Recorrente. Todavia, os fatos geradores indicados na NFLD são decorrentes das competências 01/1998 em diante; - Que, portanto, se verifica novamente deficiência na fundamentação legal da autuação, que indubitavelmente redunda na nulidade da autuação sob o aspecto material, principalmente, quando observada que a MP 794/1994, sofreu importante alteração no texto do seu artigo 2' caput; 6 Processo n°35387 001063/2006-74 S2-C4T3 AcOrdtio n.° 240.3-00.186 Fl 67 - Que observa-se que a visão do legislador sobre a maneira de implementação procedimental da participação dos lucros sofreu mudança no decorrer das reedições das Medidas provisórias sobre a matéria (MP n° 794, 860, 945, 955, 980, dentre outras) . Inicialmente apresentou-se como objeto de negociação coletiva, o que, evidentemente, implicava na participação do sindicato representativo da categoria profissional, - Que ao adotar a segunda medida provisória sobre a matéria (MP n° 860, de 27/1/95), alterou-se essa estipulação de caráter coletivo, não mais se exigindo a presença do sindicato dos trabalhadores, e sim de uma comissão de empregados por eles escolhidas . Essa redação foi mantida nas medidas provisórias subseqüentes; - Que no presente caso houve efetiva participação do sindicato da categoria na negociação para fins de participação nos resultados, conforme assevera a própria autoridade fiscal, no Relatório Fiscal da Notificação do Débito, no item 17, - Que se verifica no caso em tela é que a Fiscalização impõe condições que não estão previstas em lei, ou seja exige que após a concretização do Acordo Coletivo, fosse realizado um segundo acordo, com participação do representante dos sindicatos para validar a forma de participação dos Gestores.. - Que se todos os critérios do objeto de negociação em Acordo Coletivo necessitassem de outro acordo para serem implementados, esses aspectos obrigatoriamente deveriam constar da norma legal. E o relatório, 7 Voto Vencido Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de folha 582 e 584, o recurso é tempestiva. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência corn a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada condição de seu exercício dentro de urn prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedo-me a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal — STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, 1 , "a ": SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 "Sao inconstitucionais o parágrafo 4nico do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". A súmula n° 8 passou a produzir eféitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja :Integra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 1 L09,2008. 0 material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar IV 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, 1, "a" : "Lei Complementar n'128, de 19 de dezembro de 2008 Art 13_ Ficam revogados: I— a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24 de julho de 1991 " A Lei IV 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2', § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. Três são os artigos do Código Tributário Nacional CTN que preceituam as condições decadenciais do crédito tributário, a saber : artigo 150, § 4° ; artigo 173, I e artigo 156, V. Processo n" 35387.001063/2006-74 S2-C4T3 Ac6rdiio n " 2403-00,186 Fl 68 ARTIGO 150 § 40 Art.1.50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislagdo atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. " (grifo nosso) Na forma deste artigo, como se nota, o pagamento antecipado só extinguirá o crédito tributário quando expressamente esse for homologado pela autoridade administrativa que, na oportunidade poderá corroborar ou apontar diferenças , ao abrigo do artigo 142 do CTN: " Art, 142, Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, o b pena de responsabilidade funciona! 11 Diante deste preceito, o sujeito passivo, quando efetua a declaração, a priori, promove um auto-lançamento, que, nesta condição, deve ser entendido como provisório até que a autoridade administrativa ,a quem compete privativamente, constitua o crédito pelo lançamento. Ao efetuar o lançamento, a autoridade administrativa poderá corroborar o auto-lançamento ou cobrar eventual diferença, expressamente. Não o fazendo expressamente, a homologação se dará de forma tácita por extensão do artigo 150, § 4 0 do CTN : " se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do /ato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, frail* ou simulação " ( grifos de minha autoria) ARTIGO 173 , I 44 Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pziblica constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercicio seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado " ARTIGO 156, V Art 156. Extinguem o crédito tributário• I - o pagamento; - a prescrição e a decadacia; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §.§ 1"e 4 0; " Não foi sem razão que o legislador frisou a existência de pagamento e de pagamento antecipado como situações distintas . A exegese deste artigo permite inferir que ao se referir ao pagamento quis o legislador aludir ao valor surgido do lançamento produzido pela autoridade administrativa notificado ao contribuinte, pagamento esse que urna vez liquidado integralmente prescinde de expressa homologação ulterior. Tratamento diferenciado concedeu aos eventuais pagamentos antecipados tendo em vista que originados em provisórios auto-lançamentos, que efetivamente para caracterizarem a extinção do crédito tam de se submeter à posterior expressa homologação da autoridade administrativa sob pena de em se omitindo a autoridade, a homologação venha a ocorrer de modo tácito: "VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1° e 4' ": f < r- (1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento".. Assim, há que se observar que na dicção do inciso VII do artigo 156, para que ocorra a extinção do credito tributário pelo pagamento antecipado, é necessário que ocorra também a sua expressa e ulterior homologação nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ I' e 4' . IÉ muito relevante notar que, isto posto, de fon -na alguma o legislador condicionou a homologação tácita, nos termas do artigo 150, à antecipações de pagamento ate porque na dicção do artigo 160, parágrafo único , em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: "Art 160. Quando a legislação tributária não .fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. 10 Processo n° 35387 001063/2006-74 S2-C4T3 AcOrao o,' 2403-00A 86 Fl 69 Parágrafo Mika A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. " Por outro giro, a legislação previdenciária jamais atribuiu ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento. Desse modo, se a homologaciio ocorreu de forma tácita, não se observa razão em procurar verificar se o contribuinte promoveu pagamentos antecipados para aplicação do artigo 150 posto que se ele o fez e seu ato foi expressamente homologado, nada há para ser contestado, e por outra, se a autoridade administrativa não cumpriu seu mister no prazo qüinqüenal, a homologação ocorreu de forma tacita . Em ambas hipóteses se observa efetivada a extinção do crédito tributário não cabendo contestação. Assume grande importância saber que a partir da Lei IV 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, Então, desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei n° 8,036/90 e legislação posterior, bem como As contribuições e/ou informações h Previdência Social, conforme disposto nas leis IV 8,212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação . Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social, Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever — que não existia antes de janeiro de 1999 - de declarar, e não de antecipar, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a outras obrigações acessórias. Obrigados a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo,inserido na dicção do artigo 150. No caso de lançamento por homologação, para os tributos em geral, o prazo é contado a partir da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4" do. CTN). Nesta condições as contribuições para a Previdência Social se subsumen a lançamentos por homologação expressa ou tácita. As eventuais competências de antes de janeiro de 1999, seguramente se aplica o artigo 150, §4° posto que desoneradas de obrigações quanto a declarações prévias e antecipações de pagamentos, 11 Quanto As posteriores a janeiro de 1999, no caso de lançamento por homologação, para os tributos em geral, o prazo é contado a partir da ocorrência do fato gerador eart,150, § 4 0 do, (TINY Depois de todo o exposto, ainda que dúvida restasse quanta A capitulação pelo artigo 150, não havendo dolo, fraude ou simulação comprovada, e aqui requer que se observe que a análise não comporta presunção , há que se considerar, pela ordem, o preceituado nos artigos 112, I e IV e 106, "c" ambos do CTN : "Art 112. A lei tributária que Aline itfrações, ou the comina penalidades, intopreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida (panto.. I - h capitulação legal do fato; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" Os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social — GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social - GRPS, vigentes até a edição da Resolução N° 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquela guias GRPS, segregados nos campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como sua designação, se aos segurados, As empresas ou para terceiros . Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam "dinheiro carimbado", permitindo-se assim eventuais remanejamentosketificações daquelas destinações, ate porque os ingressos daqueles valores afluiam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social — GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto- lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tern o condão de alcançar uma ou mais rubricas. Conforme definição do Novo Dicionário da Lingua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 2" Ed., pg. 904, homologar 6: "confirmar ou aprovar por autoridade judicial ou administrativa". O § 40 do artigo 150 — CTN preceitua que: 12 Processo n" 35387 001063/2006-74 S2-C4T3 Acórcliio n " 2403-00,186 FL 70 "§ 4 0 - Se a lei não fixar prazo a homologa cão, será ele de cinco anos a contar da ocorréncia do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fi'aude ou simulação" Então, no que se refere ao auto-lançamento esse, é modificável, revogável ou confirmado por ato do contribuinte ou da Administração. O auto-lançamento é considerado como lançamento sujeito a homologação da Fazenda Pública, que tad lugar, tacitamente pelo silêncio da Administração, após o decurso de cinco anos . Em razão disto, a Fazenda Pública dispõe de cinco anos para confirmar ou aprovar, expressa ou tacitamente o auto-lançamento ou a sua ausência: Tacitamente mediante a omissão do fisco em proceder A devida cobrança de eventual saldo ou mesmo da integralidade da obrigação declarada ou não; e - Expressamente, na hipótese de o fisco, mediante auditoria de procedimento fiscal, assim o faça corroborando ou não os auto-lançamentos efetuados pelo contribuinte Desse modo, na hipótese de não ter havido recolhimento e tal condição tenha sido tacitamente homologada pela omissão do fisco em proceder A cobrança, não há que se falar em pagamento antecipado posto que a exigência resta fulminada pela homologação Tendo a Fazenda Pública, ela própria, dado causa a impossibilidade de exigir os recolhimentos no período decadente, também não pode exigir pagamentos antecipados para o período. Relevante notar que: "o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord, de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)".(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que a ausência de pagamento, se a autoridade administrativa não tiver cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tacita. Se a autoridade administrativa tiver permitido que a homologação tenha se processado de modo tácito, restará homologada qualquer que seja a circunstancia pretérita tenha ou não havido pagamentos, pagamentos antecipados e mesmo eventuais descumprimentos de outras obrigações acessórias não cabendo condicionamento algum par conferir os direitos derivados ao contribuinte, 13 No caso presente, corno não foram lançados outros créditos senão sobre a rubrica participação nos lucros, infere-se pois ter havido pagamentos dos valores sobre as demais obrigações.. Assim, em ocorrendo a circunstancia supra, e ainda em razão da natureza do tributo ser po • homologação, vejo no caso presente tipificada aplicação do § 4" do art. 150 do CTN. Aduz que o crédito foi constituído e notificado, efetivamente, com a entrega dos documentos pela fiscalização ao término da ação fiscal, conforme assinaturas do Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, f1.40 e Notificação Fiscal de Levantamento de Débito — NFLD , em 27/10/2006. Assim, efetuadas as contas qüinqüenais na forma do § 40 do art. 150 do CTN, entendo que os créditos relativos ao período da ação fiscal compreendido entre 01/98 a 09/2001( inclusive), encontram-se fulminados pelo instituto da decadência. NO MÉRITO Em face da decadência verificada, restaram a ser enfrentadas as alegações para o período 10/2001 a 03/2006 , todo ele sob a regência da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art.l'Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo ã produtividade, nos termos do art. 70, inciso Al, da Constituição. Artl'A participação nos lucros ou resultados será obieto de nocia"_j e m reado s mediante um dos procedimentos a seenir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1-comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; 11-convenção ou acordo coletivo §PDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participagdo e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das ir!formações pertinentes. ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições.. 1-indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empres.a; 11-programas de metas, resultados e prazos, pactuados. previamente §2120 instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 14 Processo n" 35387.001063/2006-74 S2-C4T3 Acórchlo n • " 2403-00J86 Fl. 71 Art.. .3"-A participação de que trata o art 2' não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se Me aplicando o principio da habitualidade,'1 Então suprimindo-se as referências às MPs aludidas e submetendo o lançamento somente ao preceituado na Lei supra, é relevante notar que no Relatório fiscal, nos itens 13 a 15, os Auditores, referindo-se a infração por eles apontada, assim se pronunciaram : 13. Assim sendo, entende a .fiscalização que o estabelecinzento de metas individuais sem a participação do representante sindical fere o artigo 2 "camtt" da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 14. /1,,s_pj'e_Es_As? .7o _sffirtzgli_yr 1 Dreirk_gertigngrnp. estabelecimento de metas individuais não supre a determinação impositiva da Lei, que pretendeu dar ao trabalhador a necessária assistência do representante sindical na negociação das metas objetivas determinantes no pagamento da participação nos lucros e resuhados da empresa. 15 Violado também ,,,,,,,,, o 1° do artigo 2° da Lei 10.101/2000." A instância "a quo", em síntese, se valeu do seguinte entendimento para alinhar-se com as conclusões dos Auditores : " 8.4 Após análise dos documentos, cis ifs 213/256, referentes a atribuição das "Metas Individuais", constatamos tratar-se de documento, que não Thi objeto de negociação entre a empresa e seus empregados gestores. Não foram apresentadas atas de reunião para demonstrar a ocorrência uma comissão com objetivo de manter negociação entre as partes, bem como não apresentaram documento para provar a existência de convenção au acordo coletivo. 8_5 Trata-se de remuneração, paga a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, que nada mais é do que um Bônus destinado ao empregado, haht vista o nome do programa "Management Bonus Scheme 2005, cis fls. 219 8,6 Na verdade, os participantes desse programa recebem um convite formal, por escrito, informando sobre o seu nivel de enquadramento e o percentual máximo que poderá alcançar. necessário que o participante aceite as condições do programa. 8.7 Assim, a remuneração paga aos gestores, decorrente dos programas de bônus, ás . fls. 219, 234 e 2.51, nada tem a ver com a Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, urna vez que não atendeu ao disposto no artigo 2° da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000. " 15 A fl 234 , componente dos documentos a que fhz referência o item 8.4 acima, registra características e regras gerais do programa onde vinculam as metas As participações: " O programa Scorecard 2004 ter(' coma objetivo o incentivo a produtividade e melhoria dos processos através do plano de metas e premiação que sera firmado com os Diretores, Gerentes, Coordenadores e Gestores (relação dos nomes em anexo) a partir de maio 2004, e terá vigência de Janeiro 2004 até dezembro 2004, e estará incluído no Programa de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa O pagamento do Scorecard 2004 será em março 2000, e dependerá do resultado financeiro da empresa e da performance individual. Em casos de grave adversidade financeira ou de acidente fatal, dependendo das circunstâncias, a Copebras se reserva ao direito de reduzir ou cancelar parcial ou inteiramente, o valor do bônus. 0 valor do Scoreeard sera calculado com base nos salários de 01/11/2004. Cada participante devera receber um convite fbrmal escrito para participar do Scorecard 2004 c nesse convite terá o valor percentual do máximo Scorecard que poderá receber se atingidas todas as metas. Quaisquer exceções no Scorecard 2004 devem ser acordadas com o Presidente da Copebreis. Novos Colaboradores e Empregados demitidos durante o ano. Os colaboradores promovidos e admitidos durante o ano vigente receberão pagamento proporcional. Colaboradores que ingressarem corno elegíveis no último trimestre do ano não deverão ser convidados a participar Oualquer colaborador que deixar a empresa durante o ano não deverá receber nenhum pagamento — exceto nos casos de aposentadoria, redução de pessoal ou morte, Metas 0 plano de metas sera dividido em metas financeiras e individuais de acordo com o nível hierárquico.. As folhas 220 se revela os elementos do bônus: O Bônus tem dois elementos de composição financeiros, baseados no lucro e no retorno do capital empregado (ROCE:), um terceiro relacionado a desempenho de segurança, um quarto elemento relacionado a metas pessoais e um elemento . final relativo a atendimento ao cliente Na hipótese de lima fatalidade, esperado um impacto na remunera cão do bônus 0 CEO da AIM determinará, a seu critério, qual a extensão que a fatalidade irá alcançar na redução ou até mesmo no cancelamento do pagamento em sua totalidade para os respectivos participantes" 16 Processo n" 35387 001063/2006-74 S2-C4T3 Accirdiio ii ° 2403-00.186 F1 72 Na seqüência As folhas .225 : "O Management Bônus Scheme é urna liberalidade e não é contratual. A Companhia se reserva o direito de cancelar o Programa em sua totalidade ou modificar suas provisões por ocasião de sérios desempenhos financeiros adversos" Relevante notar que os Auditores Fiscais para materializar a infração inferiram que a avaliação dos gestores era subjetiva que o documento de avaliação não tinha natureza jurídica de participação nos lucros mais sim de prêmio : t-c 11. Dentre as meters pactuadas individualmente para os gestores incluem-se avaliações de natureza subjetiva, tais corno liderança, gestão de pessoas, esforço e comprometimento, cuja pontuação é atribuida pelo superior hierárquico de cada gestor . Ao adotar tal procedimento, além da violação expressa da islação, a natureza jurídica da verba auferida, passa a ser de prentiação e não de participação coletiva nos lucros da empresa, tuna vez que avaliações sub vertem a essência da Entretanto, pretendendo reduzir o grau de subjetividade consta pactuado As folhas 226 : "PARA REDUZIRMOS AO MÁXIMO O GRAU DE SUBJETIVIDADE DEVEREMOS NOS ATER / FOCAR: Nos comportamentos observáveis e não em interpretações e suposições sobre as intenções do comportamento da pessoa avaliada; LEMBRE-SE: Inferir as razões de um dado comportamento poderá nos levar a sérios erros de julgamento, Classificar a natureza jurídica de um instituto qualquer é tentar se ater essência do mesmo para poder enquadrá-lo em uma das categorias gerais do direito. Seria como uma forma de localizar tal instituto topograficamente . E' como se um instituto quisesse saber a qual gênero ele pertence, 6 a espécie procurando o gênero, 6 a subespécie procurando a espécie . Ex: qual a natureza jurídica da Caixa Econômica Federal, o que ela 6, qual a sua essência? Ela 6 uma sociedade de economia mista! No caso presente, o que se quer verificar 6 se a definição de metas dos gestores e o pagamento de suas participações nos lucros foram pactuadas e de que forma. Os Auditores Fiscais, efetivamente, autuaram a Recorrente em razão de entenderem que a mesma infringira o artigo 2 0 "caput" da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000 e o § 1 0 do mesmo artigo : " 13. Assim sendo, entende a fiscalização que o estabelecimento de metas hidivichiais sem a participação do representante sindical fere o artigo 2 "caput" da MP] 794, de 29 de dezembro de 1994, o artigo 2 "capta" da MP 1.397, de 11 de abril de 17 1996,0 artigo 2 "came da MP 1.539-32, de 10 de junho de 1997,0 artigo 2 'tapar' da MP 1 539-34, de 10 de agosto de 1997, artigo 2 "caput" da MP 1,698-46 de 30 de junho de 1998, artigo 2 "caput" da MI' 1.769-52, de 14 de dezembro de 1998, o artigo 1.763-53, de 13 de janeiro de 1999, o ai ligo 2 "came da MI' 1.769-58, de 02 de junho de 1999 e o artiao 2 "eaput" da Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 1,4 simples previsão contratual flue determina o estabekeintento de metas individuais lido supre a determinação impositiva da Lei, que pretendeu dar ao trabalhador a necessária assistência do representante sindical na negociação das metas objetivas determinantes no pagamento da participação nos lucros e resultados da empresa. 15. Violado também o Part-iv-alb Único do artigo 2 da MP 794, de 29 de dezembro de 1994,0 §1 do artigo 2 da MP 1397, de abril are 1996,0 §1 do artigo 2 da MP 1.539-32, de 10 de junho de 1997,0 §1 do artigo 2 da MP L5,39-34 de 07de agosto de 1997,0 §1 do artigo 2 da ME' 1.698-46, de 30 de junho de 1998,0 §1 do artigo 2 da MP 1.769-52, de 14 de dezembro de 1998,0 §1 do artigo 2 da MI' 1.769-53, de 13 de janeiro de 1999,o §1 do artigo 2 da ME' 1 769-58, de 02 de junho de 1999 e o t$' 1° do artiqo 2 ° da Lei 10.101/2000. Artigo 2', da Lei 10.101, de 19/12/2000 declara que: "A participação nos lucros ou resultados será objeto de negocia cão entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria,- II convenção ou acordo coletivo". E o §1 0 exige que " §1Tos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à finigão das direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros; os seguintes critérios e condições, I-indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa,' II-programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Corno se observa, no §1 0 ao se introduzir a expressão "entre outros" abriu-se enorme lacuna eivada de possibilidades a critério dos pactuantes. 0 rol, portanto, não 6 taxativo. 18 Processo n" 35387.001063/2006-74 S2-C4T3 AcOrdiio n 2403-00,186 Fl. 73 Restritivamente, entretanto, aduziram os Auditores conforme item 16 do Relatório Fiscal que : "A utilização de parâmetros de natureza subjetiva para avaliar o "gestor" com o objetivo de calcular o percentual de atingimento da sua meta individual não esta em conformidade com a Lei, que determina que os parâmetros para pagamento da participação nos lucros e resultados devem conter regras claras e objetivas.. Alegar subjetividade importa em juizo de valor e, "como a obrigação não é urna categoria lógico jurídica, mas jurídico positiva, construção de direito posto, é ao direito positivo que incumbe definir os requisitos necessários A identificação de urn dever jurídico qualquer como sendo urn dever obrigacional. Significa dizer: a obrigação é definida, em todos os seus contornos, pelo direito positivo.", conforme Obrigação Tributária — Uma Introdução Metodológica. são Paulo: Saraiva,1984. p.23. De acordo com o art. 7, inciso XI, da Constituição Federal, os trabalhadores tern direito A participação nos lucros ou resultados ("PLR"), desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, à participação na gestão da empresa, conforme definido em lei„ Esse dispositivo constitucional foi regulamentado inicialmente pela Medida Provisória IV 794/94, que, depois de algumas alterações, foi convertida posteriormente na Lei IV 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A não tributação tem previsão , também , na Lei 8.212/91 Lei 8.212/91 "Art. 28. Entende-se por salcirio-de-contribuição. ) ,sç .9" Não hum.= o salário-de-contribuieão para os fins desta Lei, exclusivamente: ('Redação dada pela Lei n" 9„528, de 10.12.97) ) j) a participação nos lucros ou ieulfado da empresa, (panda paga ou creditada de acordo coin lei especifica; Alguns empregadores utilizam a rubrica "participação nos resultados" para pagar outra verba, na tentativa de burlar o direito do empregado à integração da benesse ao salário. Desta forma, o que se há de verificar é se no caso concreto as parcelas pagas , foram objeto de acordo e se de fato dependerão ou não de lucro, para retirar a natureza salarial da gratificação.. Ate aqui o que se revelou é que os pagamentos foram realizados na forma da dicção da norma cogente O fato é que estando prevista num instrumento coletivo de trabalho, resultado de urna negociação entre empregadores, empregados e seus representantes, a "PLR" não ter' natureza jurídica salarial, mas se constituirá na evidencia da integração entre o Capital e Trabalho, desvinculada da remuneração e privilegiada no art„ 7', incisos XI e XXVI, e no art. 218, § 4', da Constituição Federal. 19 As folhas 88/98, 108, 118, 134 e 137, registram, consecutivamente, os Acordos Coletivos, desde 2001, todos colacionados pelos próprios Auditores Fiscais que participaram da ação fiscal, autenticados pot estes pela aposição do carimbo "CONFERE COM ORIGINAL", assinados pelos representantes da empresa, dos empregados e dos sindicatos, fls 95 da amostra, onde de fbrma reiterada, clara e objetiva, jamais contestadas pelos signatários dos acordos, excepcionam-se e condicionam-se os pagamentos das participações dos gestores conforme amostra abaixo idêntica aos demais Pelo presente instrumento de acordo de participação dos emreade a, , de um lado, a COPEBRAS LTDA , com endereço à Rad-. na CônegoRangoni, km 62, na cidade de Cubata°, Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ, sob no46.567.20210007-06 e GESPA — GESSO PAULISTA LTDA., com endereço à Rodovia Cônego Dornênico .Rangoni, km 62, na cidade de Cubatão, Estado de Silo Paulo, inscrita no CNPJ sob n°44.058.61810002-69, pertencentes ao. mesmo grupo econômico, doravante denominadas simplesmente EMPRESAS, e do outro lado a COlt/fISS,:i0 DE REPRESENTAÇÃO DOS EMPREGADOS DAS EMPRESAS e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS OUIMICAS, FARMACÊUTICAS E DE FERTILIZANTES DE CUBA TÃO, SANTOS, SÃO VICENTE, GUARUJA, PRAIA GRANDE', BERTIOGA, MONGAG 1TANHAEM,especialmente constituída para os fins previstos no presente instrumento, doravante denominados simplesmente EMPREGADOS, neste ato por seus representantes legais, celebram o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: ) CL/1USULA 5 - Das Metas Individuais Para os empregados com nível de Supervisores e acima, serão atribuidas metas individuais e coletivas de comum acordo com a sua respectiva hierarquia, tais como. metas da companhiametas financeiras e participação no resultado a nível global. NOTA ÚNICA As metas da companhia, as metas financeiras, a participação nos resultados e as metas individuais, serão estabelecidas e divul (idas individualmente or suas res ectivas hierarquias,compreendenclo o período de janeiro de 2000 até dezembro de 2000. CLAUSULA 9- Do valor da P.L R e da distribuição O valor da participação dos trabalhadores nos lucros os resultados será limitado ao máximo de 1,28 de uma remunera cão no mds do pagamento, equivalente aos 128 pontos do item 8 da cláusula 4, ou seja, 1,28 do um salário base, acrescido dos adicionais regularmente pagos, tais como: adicional de periculosidade, adicional de turno, adicional repouso alimentação, adicional troca de turno e abono tempo de 20 Processo ri" 35387.001063/2006-74 S2-C4T3 Acórdiio ri " 2403 -00J86 Fl 74 serviço, sendo que esse valor será proporcional ao atingimento das metas globais e ao 'Miner° de meses trabalhados por cada empregado efetivo, com exceção daaueles mencionados na cláusula 5. NOTA I Os empregados enquadrados na cláusula 5, terão o valor da sua participa çâo e a data do pagamento condicionados aos resultados obtidos de acordo com os indices apurados nos indicadores das ;twos globais, das mews da companhia, das metas financeiras e dos metas individuals estabelecidas de acordo com o program(' de scorecard,. " DO MÉRITO Entendo que no caso em tela não há outra previsão obrigacional do fisco a não ser a de verificar se foram cumpridas as exigências legais para a implementação das normas e efetivo pagamento da participação nos lucros aos empregados . Ora, o artigo 2', da Lei 10101, de 19/12/2000 declara que: "A participação nos lucros ou resultados set-6 objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; convenção ou acordo coletivo". evidencia, colocou um único parâmetro A participação nos lucros ou resultados, ou seja, a negociação entre a empresa e os empregados, mediante convenção ou acordo coletivo, ou por intermédio de comissão escolhida pelas partes, com participação de representação do sindicato. Nitidamente, o que tais partes combinarem deve ser seguido . Assim em presença dos documentos colacionados, tenho entendimento de que ocorreu um equivoco ao se caracterizar como não cumprida obrigação pactuada em Acordo Coletivo decorrente de uma prestação consistente de fazer ou não fazer. Salário é uma das percepções econômicas do trabalhador pela contraprestação, em geral, mensal do trabalho, por ficar à disposição do empregador aguardando ordens e pelos periodos de paralisação remunerada.dos serviços.. A participação nos lucros é urna espécie de retribuição ao trabalhador por seu labor em prol da empresa, pelo seu desempenho, em geral, anual estando vinculado ao resultado e não sendo paga mensalmente com previsão legal de não sofrer tributação. A participação nos lucros não se confunde com o prêmio, o qual é dado unilateralmente pelo empregador, constituindo-se numa liberalidade deste em razão de esforço feito pelo empregado, em qualquer tempo, enquanto a participação nos lucros decorre d previsão legal, de acordo ou convenção coletiva, de regulamento de empresa ou ate do contrato de trabalho. A participação nos lucros é calculada de acordo com um percentual sobre os lucros, e o prêmio normalmente é pago num valor fixo, a titulo de incentivo. Por tudo que foi exposto, não vislumbro como perseverar no entendimento da Autoridade Fiscal corroborado pela instância "a quo". CONCLUSÃO Nesse sentido voto pelo conhecimento do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO. como voto. Sala das Se ies, em de setembro de 2010 IVACIR JÚLIO DE SOUZA — Relator 22 Processo ri" 35387 00 I 06.3/2006-74 S2 -041-3 AcOr dao ri. 0 2403 -00.186 Fl 75 Voto Vencedor Conselheiro Marthius Sivio Cavalcante Lobato, Redator Designado Adoto integralmente o relatório do Eminente Conselheiro Relator. Divirjo, no tópico PLR, quanto ao provimento do recurso. Como mencionado em relatório trata-se de "ausência de contribuições devidas, parte patronal, ou seja, Empresa, SAT e Terceiros(INCRA/SEBRAE), relativa remuneração paga à titulo de Participação nos Lucros e Resultados, especifica e exclusivamente aos segurados empregados denominados "gestores", no periodo de 01/1998 a 03/2006", A Lei 10,101, de 19,12.2000, que veio regulamentar o sistema de participação nos lucros e ou resultados previsto na Constituição de 1988, não permite qualquer forma de interpretação diferenciada, ou seja, não há possibilidade de se aplicar para urn determinado segumento de trabalhadores uma regra e para outro outra. E mais: a Lei 10.101, de 19.12,2000 exige que todos os critérios para a concessão do beneficio, PLR, deve estar devidamente descrito e discriminado no Acordo Coletivo de Trabalho firmado com a entidade sindical representante dos trabalhadores. A inexistência destes critérios o torna, obviamente, nulo de pleno direito. Os fundamentos da recorrente reforçam esta tese ao expressamente dizer: Que relativamente aos gerentes e coordenadores, denominados gestores, a empresa adota programa de participação nos [items de forma diferenciada dos denials empregados, com objetivo de melhorar a qualidade dos seus produtos e diminuir a insatisfação dos clientes; - Que assim, os gestores, além dos percentuais narticipação extensivo aos demais colaboradores, devidamente estabelecidos na Lei 10.101/2000, recebem um percentual de participaciio dos gestores no resultado do exercício, conforme avaliação obtida consoante o programa de meta compactuado individualmente com cada gestor; (o realce é !nett) A toda evidência ha uma tentativa de privilegiar um segmento de trabalhadores sob o fundamento de "maior responsabilidade e competência", Ha evidente intenção de discriminação entre os seus trabalhadores. Não se duvida que os "gestores" de urna determinada empresa tem sua importância; não se duvida, tão pouco da competência deste segmento de trabalhadores.. O que vem gerar a ilegalidade do ato mesmo tendo sido firmado Acordo Coletivo de Trabalho com a entidade sindical é a obscuridade da sua concessão. A recorrente confirma que tem um "mecanismo" próprio de concessão para os gestores. No Acordo Coletivo de Trabalho este mecanismo sequer 6 listado. A concessão do beneficio ficará a critério da 23 3 de setembr s, em Sala das Sessi5 Nesse sentido voto pelo conhecimento do rec o para no mérito EGAR- LHE PROVIMENTO. como voto. MARTHIUS S AVALCANTE LOBATO - Redator D s gnado direção da empresa e ninguém, friso, ninguém mais terá conhecimento deste mecanismo. Portanto, desatende a transparência que a própria Lei exige. Fica configura, desta maneira, a ilegalidade da cláusula do Acordo Coletivo de trabalho de PLR que permite a diferenciação do pagamento da PLR para um determinado segmento dos trabalhadores, sem apontar, neste mesmo Acordo Coletivo de Trabalho, como o faz para os demais trabalhadores, os critérios expressos para a concessão da PLR. Nego provimento ao apelo patronal. CONCLUSÃO 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo IV: 35387001063/2006-74 Recurso n": 157.702 TERMO DE INTIMAÇÃO Ern cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado ,junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2403-00 186 Brasilia, 09 de fevereiro de 2011 MARIA MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas coin Ciência [ Corn Recurso Especial [ ] Corn Embargos de Deciarack Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907542/2009-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.317
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 30286.04674.200907.1.7.048900, em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18/21, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907542/200983 Resolução nº 3803000.317 S3TE03 Fl. 49 2 Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Interessada esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Contribuinte tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando a Contribuinte ter cometido algum erro de declaração, cabia lhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A decisão foi ementada como segue: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907542/200983 Resolução nº 3803000.317 S3TE03 Fl. 50 3 DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28 de novembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 37/49, em 15 de dezembro de 2011, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A matéria versada nos autos tem como pano de fundo a declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o amparo dessa decisão, créditos de pagamento de Cofins teriam surgido para esta Contribuinte, que os aproveitou na DComp sob exame. O Pleno do Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, pacificou o conflito e declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A Corte Suprema, em 10 de setembro de 2008, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585.235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu, por unanimidade, a Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907542/200983 Resolução nº 3803000.317 S3TE03 Fl. 51 4 existência de Repercussão Geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da mencionada inconstitucionalidade, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. O acórdão proferido no referido Recurso Extraordinário, publicado no DJ em 28 de novembro de 2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, introduziu o art. 26A no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) ... §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...). Na mesma direção andou a alteração produzida pela Portarias 586/2010, ao introduzir o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispondo que as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, in verbis: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907542/200983 Resolução nº 3803000.317 S3TE03 Fl. 52 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp. A ausência da intimação naqueles termos contribuiu para que a Contribuinte não cuidasse, na manifestação de inconformidade, de demonstrar a formação do seu crédito com a anexação de planilha indicando as bases de cálculo da contribuição, com exclusão das receitas financeiras, a teor do que o exige o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721, em que pese ter afirmado que o crédito utilizado era decorrente da declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF. À data da sua decisão, 10 de agosto de 2011, a DRJ/Florianópolis já estava vinculada ao cumprimento da ressalva contida no § 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que permitia o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, citado retro. No entanto, sua decisão passou ao largo deste preceito legal, tendo assentado que tal decisão não tinha efeito erga omnes. Sob este entendimento, o Colegiado a quo deixou de enfrentar a matéria de prova, passível de ser suprida mediante diligência, instrução justificável pela forma lacônica do despacho decisório eletrônico, que cerceia uma adequada defesa em algumas situações. Dessarte, o órgão julgador ao circunscrever a razão de decidir à matéria de Direito, a Interessada uma vez mais não teve como se ver instada a aparelhar o recurso voluntário com os elementos de prova a ser consubstanciada na oferta das receitas hábeis à incidência da contribuição em apreço e as excludentes (as receitas financeiras). 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907542/200983 Resolução nº 3803000.317 S3TE03 Fl. 53 6 Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 27 de junho 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16327.720851/2011-91
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento para a 2ª Seção do CARF. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que foi substituída pelo Conselheiro André Almeida Blanco.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento para a 2ª Seção do CARF. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que foi substituída pelo Conselheiro André Almeida Blanco. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, André Almeida Blanco, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.720851/201191 Resolução nº 1202000.233 S1C2T2 Fl. 967 2 Sr. Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, ora Recorrente, contra decisão de primeira instância que declarou improcedente a Impugnação anteriormente apresentada para manter Auto de Infração lavrado contra a contribuinte, ora Recorrente, consubstanciado em lançamento a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal (fls. 753/775), no valor de R$ 99.219.598,06(fls. 746/752), já acrescido de multa de ofício de 75% e juros à taxa SELIC, decorrente de infração apurada pela fiscalização consistente na falta de recolhimento do imposto sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, com fato gerador ocorrido em 01/09/2006. Entendeu a fiscalização que a composição de valores a título de ganho de capital foi indevidamente apurada pela Recorrente, o que acarretou na verificação incorreta da base de cálculo do IRRF, objeto da autuação fiscal. O ganho de capital foi auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, decorrente da alienação de participações societárias à Recorrente, domiciliada no Brasil, em 01/09/2006. A Recorrente é a responsável tributária da obrigação principal, nos termos do artigo 26 da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, em decorrência da matéria em discussão (IRRF), esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento é incompetente para apreciar o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, sob pena de violação ao artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Isto porque a competência desta 1ª Seção abrange o julgamento de processos administrativos cuja discussão verse sobre as seguintes matérias, conforme redação do referido artigo 2º, in verbis: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Fl. 967DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.720851/201191 Resolução nº 1202000.233 S1C2T2 Fl. 968 3 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções”. (destacamos) Desta feita, o Regimento Interno determina a competência desta 1ª Seção para a apreciação de discussões que envolvam Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF quando se tratar de (i) antecipação de IRPJ, ou quando (ii) quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, hipóteses estas que não são tratadas no presente processo administrativo. Como exposto anteriormente, a questão submetida a julgamento consiste na discussão acerca da incidência ou não de IRRF sobre o ganho de capital decorrente de operações de alienação de participações societárias de empresa domiciliada no exterior à Recorrente, domiciliada no Brasil. A Recorrente, dessa forma, é a responsável tributária da obrigação principal, nos termos do artigo 26 da Lei nº 10.833/2003. A matéria em discussão, de acordo com o RICARF, é da competência da 2ª Seção deste Conselho Administrativo, tal como disposto no artigo 3º do Anexo II, in verbis: “Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo”. (destacamos). Antes o exposto, e em atenção ao artigo 3º, inciso II, do Anexo II, do Regimento Interno (RICARF) deste E. Conselho, proponho seja o presente processo encaminhado à 2ª Seção para redistribuição e sorteio de novo Relator, tendo em vista a incompetência desta 1ª Seção para a apreciação do presente processo administrativo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 968DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.720851/201191 Resolução nº 1202000.233 S1C2T2 Fl. 969 4 Geraldo Valentim Neto Conselheiro 2ª Turma/2ª Câmara/1ª Seção Fl. 969DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 35011.003732/2006-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2003
Ementa:AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2403-000.161
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso com base na Súmula N° 1 do CARF,
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2003 Ementa:AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso com base na Súmula N° 1 do CARF, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém, Acórdão 01-10.015 -5 a Turma, folhas 136 a 140, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, NFLD 35.546.630-9, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), folhas 31 a 33, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados. Para este lançamento, a ação fiscal detectou divergências entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP e os recolhidos em Guias de Recolhimento para a Previdência Social — (]PS. A empresa tomou ciência do lançamento em 30/06/2003. Ainda segundo o RF, a Empresa apresentou o mandado de segurança 2001,32,00.006253-0/AM que lhe garantiria compensar valores recolhidos a maior, porém este mandado já havia sido "cassado" (apelação do INSS aceita) em 29104/2003 com publicação no D.1 dia 16/05/2003. A empresa impetrou recurso especial n. 1304516 com data de 13/06/2003, que não tem efeito suspensivo. Apresento resumo do resultado do processo judicial; • Reconhece o direito à compensação • Declara decadência parcial do direito à compensação de recolhimentos efetuados. • Determina que a compensação somente pode ocorrer entre contribuições da mesma espécie. o Determina que a correção monetária deve incidir para atualizar o valor da moeda corroído pela inflação, desde o recolhimento indevido, nos termos da Súmula n" 162/STJ. o Determina que a lei aplicável ao procedimento de compensação tributária deve ser aquela em vigor na data do encontro de contas, Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, folhas 144 a 155, onde discorre sobre o presente processo administrativo, sobre o processo judicial, chega às seguintes conclusões: fora reconhecido crédito em questão em favor da Recorrente, a prescrição decenal de seus créditos com a devida correção monetária, a possibilidade de se efetuar a compensação com o INSS vincendo sem as limitações impostas Pelas Leis n° 9.032 e 9.129/95 . Conclui requerendo que seja julgado totalmente improcedente o lançamento efetuado na NFLD n.o 35,546.630-9, de 30/06/2003, em face do direito reconhecido nos autos do processo n." 2001 .32.00.006253-0/AM, bem como da fundamentação apresentada. É o relatório. 2 Processo n°3501 L003732/2006-19 S2-C4T3 Acórdão ri.° 2403-00.161 F1, 161 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A recorrente possui processo judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Essa situação importa CM renúncia do contencioso administrativo e sobre isso o CARF, por ter assim reiteradamente decidido, editou súmula, de observância obrigatória pelos conselheiros. Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Conclusão À vista do exposto, voto por não conhecer do recurso com base na Súmula N° 1 do CARF. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2010 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI — Relator 3 '17~ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS - QUADRA 01 - BLOCO "J" ED ALVORADA 11' ANDAR — CEP: 70396 — 900 — Brasília - DF Tel: (0xx61) 3412-7568 Home Page:http:// www.carE fazenda_gov br PROCESSO : 5V ! , O3 2/W0C- 1 INTERESSADO: -à- CU 5,---)nJO aSTPA C nom e ç o L TD-ft- TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2H 033 -00 6 / folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada, de
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Numero do processo: 14489.000032/2008-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - A EMPRESA DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DISCRIMINADAMENTE, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS,
AS CONTRIBUIÇÕES E OS TOTAIS RECOLHIDOS - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8,212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 8, publicada em 20,06.2008, nos seguintes termos: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
Nos termos do art.. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Em 08,10,2007 foi dada ciência à Recorrente do Auto de Infração de Obrigação Acessória - AI e o período objeto da autuação se refere as competências 01/1997 a 12/1998.
Dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4°, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o auto de infração.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO,
Numero da decisão: 2403-000.202
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso, nas preliminares, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência por qualquer dos critérios do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - A EMPRESA DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DISCRIMINADAMENTE, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES E OS TOTAIS RECOLHIDOS - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8,212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 8, publicada em 20,06.2008, nos seguintes termos: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art.. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Em 08,10,2007 foi dada ciência à Recorrente do Auto de Infração de Obrigação Acessória - AI e o período objeto da autuação se refere as competências 01/1997 a 12/1998. Dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4°, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o auto de infração. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO,
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Após, editou a Súmula Vineulante n 8, publicada em 20,06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art.. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Em 08,10,2007 foi dada ciência à Recorrente do Auto de Infração de Obrigação Acessória - AI e o período objeto da autuação se refere as competências 01/1997 a 12/1998. Dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4°, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o auto de infração, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO, • 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, nas preliminares, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência por qualquer dos critérios do CTN. CARLOS ALBERT MEES STRINGARI - Presidente PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Processo n° 14489.000032/2008-40 Acórdão n ° 24034011,202 S2-C4T3 19. 65 Relatório Trata-se de recurso voluntário, às fls. 57 a 60, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro 1 - RJ, Acórdão n" 12- 18.034 – 15' Turma, às fls. 44 a 49, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração d. 37.118,380-4, com ciência da recorrente em 08,102007 (conforme AR n° 932903236 BR às fls. 18), com valor consolidado de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL .34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8,212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art, 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3,048, de 06/05/1999. Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 14, a recorrente: - deixou de lançar niensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, como, Férias e Férias proporcionais lançadas na mesma conta (3120100007J - Ferias), Abono Pecuniário lançado na conta (3120100001.8 — Salário), Adicional de 1/3 sobre Abono na conta (312010007.1) e processos trabalhistas (494/9.5, 3684/97, 401/98) lançados na conta 3120100001.8. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 09389631F00, foi de 01/1997 a 12/1998, fls. 06. O eríodo ob'eto do auto de infra ão, conforme o disposto no Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 14, e no Teill-10 de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, às fls. 12, é de 01/1997 a 12/1998.. A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 08.10.2007, conforme AR n° 93290.3236 BR às fls, 18, O Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 14, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° .3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto IV 3.048/1999. A capitulação da multa aplicada tem sede na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3.048, de 06/05/1999, art, 28.3, inc. II, alínea "a" e art. 373. O valor, para este código de fundamentação legal (CFL - 34), é de R$ 11 951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), com base no art. 9°, inciso VI, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de tis. 93 a 94, Após análise, a DRJ Rio de Janeiro 1 - RJ emitiu o Acórdão n° 12-18,.034 — 15" Turma, às fls. 44 a 49, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada: Inconformada com a decisão, a Recorrente a e resentou recurso voltmtário, fls. 57 a 60, na qual alega em síntese que: No mérito, alega que não está obrigada a prestar as informações cadastrais financeiras e contábeis na forma exigida pelo Auditor Fiscal autuante, com fundamento no art. 5, II, CRFB/1988. Pede a anulação da autuação eis que incabível a cobrança de multa em processos de . flscalização de empresas em que se buscam informações que não guardam qualquer relação com a atividade do Recai rido Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, 62. É o relatório 5 Processo ir 14489 000032/2008-40 52-C4T3 Acórdão ri 2403-00.202 Fl. 66 Voto Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 62.. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Anota-se ainda que o Supremo Tribunal Federal — STF ao editar a Súmula Vinculante n". 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa, Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de mcurso administrativo. Fonte de Publicação. Die 11". .210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1 DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Preliminarmente, deve-se verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal - STF, conforme o Informativo STF IV 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n' s 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91, atribuindo-se, à decisão, eficácia ex 111117C apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via .judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante n" 8, publicada em 20,06,2008, nestes termos: Súmula Vinculante n" 8 - São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1..569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8..212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art.. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus. membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § I" A súmula terá par objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sabia questão idêntica. § 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3" Do ato administrativo ou decisão . judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar ., caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, confiar-me o caso (g n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9384/99, com a redação dada pela Lei 11,417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-13. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação findada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prola tora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as finuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas eive!, administrativa e penal" Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARI do Ministério da Fazenda, Portaria NU o" 256 de 22 06 2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art.. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CA RF afastar a aplica çâo ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob ,fundamento de inconstitucionalidade.. 7 Processo n" 14489 000032/2008-40 S2-C4T3 Acórdijo n " 2403-00.202 Fl 67 Parágrafo único.. O disposto no capa! não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts.. 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art.. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na .forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.. (g.n.)'' Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n0 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4 0, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; H - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único, O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g n.)" Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 40, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa § 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3" - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação, § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do .fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude simulação. (g n.)" Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário, "Ementa: . ..1 O entendimento jurispritdencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador. Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 1 73, 1, do Código Tributário Nacional" (STJ.1" Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rei. Min .Denise Amido, ,ago/08 .) (g. a) "Ementa . . ..4 Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4", do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Hipótese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicando-se a regra do art. 173, 1, do CTIV " (STI. 2" Turma, AgRg no Ag 939,7 14/RS, Rel. Min, Diana Calmon., _fev/08) (g. n) "Ementa.' . . Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição cio crédito deve considerar, em conjunto, os arts, 150, § 4", e 173, 1, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do .fato gerador. (. .) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN.." (ST1 EREsp 278727/DF Rei: Min, Franciulli Nevo 1" Seção Decisão.. 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) (g. n) Processo n" 14489 000032/2008-40 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00.202 Fl 68 Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado - seja o art.. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4 0, do CTN — deve-se identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Entretanto, há de se salientar que a MP n" 449/2008, convertida na Lei ri' 11,941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei n° 8,212/91 e ao criar o art. 32-A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art, 32, § 11, da Lei 8212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3.2. A empresa é também obrigada a.• ) 11 Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da .fiscalização. (Parágrafo remunerado pela Lei n" 9, 528, de 10.12..97). syç 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram, (Redação dada pela Lei n° 11,941, de 2009) (gn) Outrossim, verifica-se, da análise dos autos às fis. 01 e conforme AR n° 9329032.36 BR às fls. 18, que a cientifieação do Auto de Infração nela recorrente se deu em 08.10.2007 e este auto-de-infração teve como objeto o período de 01/1997 a 12/1998 conforme o disposto no Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 14, e no Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF, às fls. 12. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4°, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DAR-LHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal por qualquer dos critérios adotados no CTN. É como voto. Sala das Sessõe 4 ie setembro de 2010 ' hylepap „fiefilik PAULO MAURICI P N EIRO MONTEIRO - Relator „ir 'Crè, asilia, :,P.5 de outubro de 2010 t.k .......--- ELIASS-AMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 14489.000032/2008-40 Recurso n": 166.098 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de . junho de 2009, intime-se °(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00,202 Ciente, com a observação abaixo: [ I Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000947/2008-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.217
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS – mercado inteno e que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno, referente ao 4º trimestre de 2004, no valor total de R$ 4.969,08. Com fulcro no crédito informado no Pedido de Ressarcimento, a contribuinte transmitiu Declaração de Compensação. A DRF em Ponta Grossa não homologou a compensação pois, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a inexistência de créditos vinculados Fl. 410DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 ao mercado externo. Segundo o despacho decisório recorrido, os créditos do período em questão foram apropriados somente na rubrica “Outros Valores com Direito a Crédito”, em virtude das aquisições de grãos (milho, soja e trigo) de pessoas físicas e com a aplicação da alíquota da contribuição sobre o valor das exportações realizadas. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Interessada não era uma empresa agroindustrial, e portanto, não poderia fazer jus ao aproveitamento do crédito pleiteado. A atividade desenvolvida pela empresa é a de comercialização de adubos, defensivos agrícolas e sementes, na matriz, e de cerealista na filial. Entendeuse, ainda, que faltava o cumprimento de outro requisito legal: “que os produtos sejam destinados à alimentação humana ou animal”. Como o crédito indicado é relativo à exportação e todos os produtos foram comercializados para empresas comerciais exportadoras, não ocorreu a destinação dos produtos à alimentação humana ou animal. A autoridade fiscal consignou que a contribuinte não faz jus ao crédito das cerealistas, tendo em vista que a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das cerealistas está vedado pelo § 4º, do art. 8º da Lei 10.925/2004. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo o seguinte: "por tratarse de pedido eletrônico de ressarcimento de crédito, o contribuinte RATIFICA as suas razões em conteúdo na defesa dos autos processuais de n. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000". Assim, pretende que lhe seja assegurado o direito às retificações sem a incidência de penalidade, além de requerer a desclassificação do despacho decisório em virtude de manifesta nulidade das diligências em face do vício insanável do MPFF. A DRF em Curitiba reconheceu a conexão entre as demandas e apreciou todas as razões constantes nas impugnações dos processos ns. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 que, ao seu ver, guardassem relação com os motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal. A título de esclarecimento, os processos mencionados alhures dizem respeito aos Autos de Infração lavrados para a exigência de PIS e COFINS, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Verificouse, ainda, que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição, o que motivou o lançamento. Desta feita, foi analisado pelos julgadores de piso, a contestação das glosas do crédito, a nulidade alegada e o direito à retificação sem a incidência de penalidades, consubstanciada nos seguintes tópicos: “decadência”, “hermenêutica”, “créditos sobre bens para revendas”, “créditos utilizados como insumos”, “serviços utilizados como insumos”, “bens do ativo imobilizado”, “débitos apurados” , “grãos”, “das sementes” e “posição 2710 da NCM”. Por unanimidade de votos, acordaram os membros daquela DRJ, em considerar não formulado o pedido de diligência, não acatar as argüições de nulidade do procedimento fiscal e não acolher as razões de inconformidade, negando a solicitação de Fl. 411DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000947/200817 Acórdão n.º 3803000.217 S3TE03 Fl. 2 3 reforma do Despacho Decisório recorrido, de modo a manter a não homologação da compensação pleiteada. A ementa do julgado transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da Cofins, não gera direito a crédito básico as compras efetuadas de pessoas físicas. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do §11 do. Art .3° da Lei n.° 10.833,de2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquirido diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e , como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal., classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NULIDADE.PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente o corre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de transmissão da Dcomp. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetente s para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA.PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Declarouse impedido o servidor José Ricardo Zilli, Auditor Fiscal responsável pelo despacho decisório em questão. Cientificada, apresentou recurso voluntário por meio do qual defende, em sede de preliminar, a nulidade do despacho decisório que culminou com o indeferimento do crédito, a nulidade da decisão de primeira instância por não ter autorizado o pedido de diligência fiscal bem como, quanto a impossibilidade de retificação pela autoridade fiscal de créditos e débitos anteriores a junho de 2005, tomando por vista que a glosa dos créditos e lançamento de débitos ocorreu em julho de 2010 (prescrição/decadência). No mérito, argumenta sobre a equiparação à empresa agroindustrial tendo em vista que a interessada realiza atividade de acondicionamento de grãos previamente selecionados e padronizados, após rigorosa limpeza e secagem. Defende, ainda, que o fato de a Recorrente adotar critério de apropriação do crédito presumido de PIS/COFINS baseado no valor das exportações realizadas, não retira o direito da correta apropriação dos créditos relativos às aquisições de grãos, tarefa que incumbi a à autoridade fiscal. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000947/200817 Acórdão n.º 3803000.217 S3TE03 Fl. 3 5 Caso sejam superadas as alegações de prescrição/decadência, requer o direito ao crédito presumido das contribuições pela venda de grãos no período entre fevereiro e julho de 2004, argumentando seu reconhecimento pela delegacia de origem e pela DRJ. Por fim, argumenta a Recorrente que, considerando a inexistência de sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, devem ser considerados e atribuídos às receitas decorrentes das exportações, os créditos decorrentes dos outros custos ou insumos atribuídos a estas receitas pelo sistema de rateio proporcional, conforme a legislação de regência do PIS/COFINS. Reitera a observâncias dos argumentos expendidos nas impugnações constantes nos processos n. 12571.000200/201057e12571.000201/201000 e requer o acolhimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima, trata o feito de pedido de ressarcimento e declaração de compensação de créditos da COFINS – mercado externo que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno. A Delegacia de origem manifestouse pelo indeferimento total do crédito e a DRJ manteve o decisum. Contudo, a ora Recorrente em sua manifestação de inconformidade faz referência a defesa de outros 2 processos, os quais versam sobre a lavratura de autos de infração para a exigência de PIS e COFINS lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Ademais disso, foi verificado que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte. Da leitura do relatório do acórdão hostilizado que explicita o teor das impugnações a qual a contribuinte faz referência, observase que a ora Recorrente alegou uma série de ilegalidade e irregularidades com vistas a defender a nulidade do procedimento fiscal adotado o qual ensejou o lançamento, e portanto, a nulidade do próprio auto de infração. Observase, também, que o contribuinte se defendeu da glosa efetuada sobre a entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas e dos bens e serviços utilizados como insumos, por ter o Fisco separado as atividades da matriz e da filial, sustentando que somente a cerealista poderia se creditar dos insumos. Defendeuse a ora Recorrente das glosas concernentes aos encargos com a depreciação dos bens do ativo imobilizado, crédito presumido das cerealistas, bem como a tributação dos produtos classificados na posição 2710 da NCM. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Naqueles processos, pugnou a Autuada pela reforma do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e não homologação da declaração de compensação; de forma subsidiária requereu a desclassificação da autuação para infração formal de obrigação acessória, assegurado o direito à denúncia espontânea, bem como, a improcedência do auto de infração. Consoante preceitua o art. 103 do Código de Processo Civil, reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Neste caso, o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Sabendose que de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal aplicamse as normas processuais civis, diligenciou este relator junto ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e verificou que os processos outrora mencionados foram julgados em 23 de maio de 2012, pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja relatoria se atribuiu ao conselheiro Antônio Lisboa. Sabendose que as causas são conexas, e que aquele colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, cujo acórdão recebeu o nº 3301001.472 e que a decisão pode assistir aos interesses da ora Recorrente, voto no sentido de que o presente feito seja baixado em diligência a fim de que se informe o inteiro teor da decisão supracitada bem como possa verificar em que extensão os autos de infração e o decisum influenciam nos Per/Dcomps que ora se aprecia. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13971.900704/2006-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.166
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de novo Recurso Voluntário interposto em face da nova decisão proferida pela DRJ Ribeirão Preto/SP, que decorreu da anulação da decisão anterior por esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.752, de 29 de setembro de 2010. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI, acompanhado de Declaração de Compensação, em relação aos quais se obteve, em 13 de dezembro de 2006, decisão parcialmente favorável em sede de mandado de segurança impetrado junto à Justiça Federal em Blumenau/SC, em que se determinou à Receita Federal a apreciação do pleito no prazo de 30 dias e a prolação de decisão em igual prazo após o esgotamento do anterior. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Para fins de cumprimento do writ, a Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da DRF Blumenau/SC intimou o contribuinte a apresentar, em 20 dias, os elementos probatórios considerados necessários à apreciação do pedido de ressarcimento, tendo sido requerido pelo intimado a prorrogação do prazo de entrega dos documentos em mais 30 dias em razão de problemas operacionais internos à sociedade empresária. Considerando a exiguidade do prazo estipulado na decisão judicial para seu cumprimento e a negligência do requerente no atendimento da intimação no prazo estatuído, a autoridade administrativa negou a prorrogação requerida e indeferiu a solicitação com base na ausência de comprovação dos fatos alegados, salientandose que os arquivos digitais solicitados deveriam estar disponíveis à Receita Federal desde o início do trimestre sob análise, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 86/2001. Não se conformando com tal decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que a solicitação de prorrogação de prazo para atendimento da intimação se devera à existência de inúmeros pedidos protocolizados concomitantemente que teriam demandado a contratação de assessoria especializada, inexistindo qualquer embaraço ao juízo quanto à dilação do prazo por conta da complexidade e do volume dos documentos requeridos. Alegando o direito de apresentação de provas em qualquer fase do processo administrativo, o contribuinte requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, a revisão da decisão a quo, bem como a reanálise do pedido pela repartição de origem. A DRJ Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação, considerando que a não apresentação, no prazo fixado, dos documentos necessários à apreciação do pedido formulado pelo próprio contribuinte, a quem cabe o ônus da prova, ensejaria o arquivamento do processo. Considerou a autoridade julgadora a quo que o exame do mérito se encontraria prejudicado, pois que a apreciação dos documentos trazidos ao processo somente após a instauração do contencioso administrativo acarretaria supressão de instância, tendo em vista que a concessão de direitos creditórios e a homologação de compensações seriam da competência da repartição de origem que primeiro apreciou o pleito formulado. Ressaltouse, também, que a falta de atendimento da intimação provocada judicialmente pelo próprio interessado já seria motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, não havendo amparo à inversão do interesse de ação no sentido de caber à Administração a busca pela dilatação do prazo definido pelo juiz. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu a declaração de nulidade do processo a partir do despacho decisório, alegando afronta ao princípio da verdade material, considerando que os documentos acostados juntamente com a manifestação de inconformidade, contendo todas as informações necessárias à análise requerida, ensejariam o deferimento do pleito. Para embasar sua defesa, apresentou excertos de decisões deste Conselho, em que se decidiu pela faculdade conferida aos administrados de apresentar os elementos probatórios na fase impugnatória, em consonância com os princípios da ampla defesa e da verdade material. Em 29 de setembro de 2010, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.752, considerando os elementos probatórios trazidos aos autos na fase de manifestação de inconformidade, decidiu, por unanimidade de votos, por anular a decisão de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13971.900704/200642 Resolução n.º 38030.166 S3TE03 Fl. 2 3 primeira instância, para que outra fosse proferida após a análise dos documentos e das demais informações carreadas aos autos pelo então Impugnante, ainda que, para tanto, fosse necessária a realização de diligências junto à repartição de origem com vistas à elucidação dos fatos e ao bom deslinde da questão. Esta 3ª Turma considerou que não se vislumbrou negligência por parte do Recorrente na relação com a Administração tributária, pois que, tempestivamente, requereu a prorrogação do prazo de atendimento da intimação, dada a complexidade e o volume dos dados requeridos. Ponderou, ainda, que a alegação de que tal prorrogação inviabilizaria o estrito cumprimento do prazo estipulado na ordem judicial não se mostrava de todo convincente, uma vez que a dilação do período de análise do pleito viria a ocorrer por provocação do próprio interessado, situação essa que poderia ter sido cientificada ao Juízo competente para fins de desoneração e afastamento de qualquer responsabilização por eventual descumprimento de decisão judicial. Destacouse, também, que a realidade dos fatos exteriorizada pelos documentos e informações presentes nos autos não poderia ser prejudicada, dado que as regras do Processo Administrativo Fiscal (PAF) foram observadas pelo Recorrente. A DRJ Ribeirão Preto/SP baixou os autos em diligência à repartição de origem para que a Fiscalização se pronunciasse sobre os seguintes questionamentos: 1º) A documentação juntada pelo interessado, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, atendeu às intimações feitas no decorrer do exame do pedido? 2º) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). A Fiscalização, em atendimento ao requerido pela DRJ, informou que, embora parte da documentação tivesse sido juntada na Manifestação de Inconformidade, o interessado não apresentou a memória de cálculo do crédito presumido, prevista no art. 6º da IN SRF nº 23/97, em razão do que restou não comprovado o direito creditório alegado. Informou, ainda, a Fiscalização que, no que tange à “parcela de crédito básico, apurouse, com fulcro nos arquivos contendo os registros de entradas e os registros de saídas, e no pedido de ressarcimento, créditos passíveis de ressarcimento equivalentes a R$ 17.032,95” (...), “tendo em vista que os créditos passíveis de ressarcimento em aquisições somaram R$ 17.097,29” (...) “e que o IPI destacado nas saídas somaram R$ 64,34”. Ciente da Informação Fiscal, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade e alegou que, ao contrário do que afirmara a Fiscalização, a documentação apresentada seria mais do que suficiente para comprovar seu direito ao crédito presumido, que teria sido calculado de acordo com o disposto na Lei nº 9.393/1996, sendo que “nem mesmo o mencionado art. 6º da IN SRF nº 23/97, apresenta tal exigência, apenas recomenda que a empresa deva mantêla em boa guarda”. Segundo o contribuinte, o crédito presumido encontravase demonstrado na DCP, nos arquivos digitais anexos e na PER/DCOMP. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Inobstante suas argumentações, o contribuinte trouxe aos autos o documento intitulado “Memória de Cálculo”, que, segundo ele, demonstraria as CFOPs utilizadas para compor os valores do crédito pleiteado. A DRJ Ribeirão Preto/SP proferiu nova decisão e julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, considerando o seguinte: a) os documentos que haviam sido solicitados são obrigatórios e estavam de posse da pessoa jurídica; b) o primeiro pedido de prorrogação de prazo feito pelo contribuinte se dera de forma irregular, sem prova de que quem assinava representava o contribuinte; c) na medida em que o próprio interessado buscara “a ordem judicial para que o procedimento fiscal de investigação e apuração da certeza e liquidez do crédito presumido para fins de compensação, conforme estatui o artigo 170 do CTN, se encerrasse em trinta dias, seria mínima cautela, para não falar em bom senso, já estar de posse para plena apresentação à Fazenda Pública dos documentos probantes de seu direito”; d) o julgador administrativo não poderia “avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos”, nem “poderia analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade”; e) examinandose a documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que se tratava de “listagens e demonstrativos que totalizam o que foi escriturado nos livros fiscais, com exceção da listagem de insumos que não foi juntada”; f) “em homenagem ao princípio da verdade material levantado pela defesa, a prova do direito creditório alegado se faz pela apresentação da correta e idônea documentação que originaram os lançamentos contábeis, não só pelo disposto na legislação tributária como pelos princípios contábeis geralmente aceitos”; g) inexistiriam “dúvidas de que a falta de apresentação das memórias de cálculo, previstas na IN SRF nº 23/97 e posteriores, impediu a fiscalização a comprovação do crédito presumido alegado”; h) “ao contrário do que entende a defesa, a guarda e apresentação das memórias de cálculo, para fins de apuração do crédito presumido, é obrigatória sim e, vale lembrar que essa obrigação acessória, como qualquer outra, não é imposta apenas pela lei, mas, nos termos do CTN, pela legislação tributária, na qual se insere a citada Instrução Normativa”; i) “No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, provase sua certeza e liquidez, além dos itens apresentados, pelo que consta nas memórias de cálculo, notas fiscais de aquisição, comprovantes de exportação, etc, ou seja, para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são provenientes de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados ou apurados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido”; j) “o contribuinte confessa que, ao arrepio da legislação aplicável, não possuía as memórias de cálculo, nem mesmo no momento de responder a Informação Fiscal, ou seja, o Fl. 324DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13971.900704/200642 Resolução n.º 38030.166 S3TE03 Fl. 3 5 que se constata é a crença do manifestante de que o princípio da verdade material lhe garante apresentar a documentação que quer, no momento que quiser, em flagrante desrespeito aos prazos legais e aos determinados por ordem judicial e acórdão do CARF”; k) “o documento apresentado não apresenta as memórias de cálculo necessárias para a comprovação do direito creditório, nem demonstra as CFOP’s utilizadas, salta aos olhos que, embora o contribuinte tenha pedido o Crédito Presumido com base na Portaria nº 38/97, os cálculos que o interessado apresentou foram feitos com base na opção, não exercida, da Lei nº 10.276/2001, com a inclusão das compras de energia elétrica, aliás, destaquese que essa opção de cálculo nem existia no período de apuração em questão, o que demonstra a imprestabilidade do demonstrativo; l) “restou comprovado o direito ao ressarcimento de R$ 17.032,95, relativos ao saldo credor acumulado do IPI, o qual deve ser utilizado na compensação dos débitos confessados do contribuinte”. Inconformado, o contribuinte recorre novamente a este Conselho e reitera seu pedido, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) infundada alegação da não comprovação do crédito por intempestividade, pois este pode ser comprovado por meio das informações e dos documentos constantes dos autos; b) todas as notas fiscais de exportação direta e indireta encontramse relacionadas em documento anexo e em arquivo digital; c) todos os valores que compõem o crédito presumido podem ser comprovados por meio das notas fiscais e dos arquivos digitais entregues em atendimento à intimação fiscal; d) constam dos autos o Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) e a DCTF que contêm a demonstração da apuração do direito creditório; e) “para melhor comprovar o alegado, foi juntado aos autos, inclusive para melhor visualização, planilha com a composição dos valores que integram a DCP/DCTF, com menção das respectivas CFOP’s”, bem como “relação e cópia das notas fiscais, para comprovar o crédito reclamado”; f) foram anexados, também, os balancetes solicitados; g) além da memória de cálculo apresentada junto com a Manifestação de Inconformidade, já haviam sido apresentados anteriormente todos os documentos comprobatórios do crédito presumido de IPI, dispondo a Fiscalização de todas as informações necessárias a sua apuração; h) afronta ao princípio da verdade material, em decorrência do que o presente processo deve ser declarado nulo, para que a autoridade fiscal analise o pedido à luz dos documentos trazidos aos autos. Por fim, requer que todas as intimações sejam dirigidas aos seus advogados no endereço informado. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de encaminhamento da correspondência ao endereço dos causídicos, esclareçase que inexiste autorização legal nesse sentido, havendo previsão no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que as intimações enviadas por via postal devem ser recebidas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passsivo. A eleição do domicílio tributário se dá no momento do registro da pessoa jurídica no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), ou, posteriormente, por meio de sua atualização, formalmente requerida à Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, e naquelas de mesma diretiva por esta sucedidas. Conforme acima relatado, mesmo após a anulação da decisão administrativa de primeira instância, em razão da falta de apreciação das provas trazidas pelo sujeito passivo na fase de Manifestação de Inconformidade, a DRJ Ribeirão Preto/SP, na mesma linha adotada pela Fiscalização, manteve seu entendimento no novo acórdão de que, em razão da não apresentação da memória de cálculo do crédito presumido, a análise do pedido tornouse prejudicada, acarretando o seu não acatamento. Constatase que o fundamento central da negativa da DRJ foi o não atendimento pelo sujeito passivo de um dentre os treze itens solicitados pela Fiscalização. Baseouse o julgador de piso, para não apreciar as demais provas trazidas aos autos pelo contribuinte, no art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 23/1997, que estipula a necessidade de manutenção em boa guarda das memórias de cálculo dos créditos presumidos. No entanto, todos os demais documentos e informações solicitados foram apresentados pelo sujeito passivo, com exceção daquelas justificadamente não disponíveis. Foram apresentados o Livro de Registro de Apuração do IPI contendo a escrituração do período sob análise, arquivos digitais contendo os lançamentos efetuados no Livro Registro de Entradas e no Livro Registro de Saídas, referentes aos períodos a que se referem os pedidos de ressarcimento, relação das notas fiscais das exportações diretas ocorridas nos períodos, relação das notas fiscais de vendas a comerciais exportadoras, Demonstrativos dos produtos exportados, dos produtos oriundos da atividade rural adquiridos de cooperativa e dos produtos oriundos de não contribuintes do PIS e da Cofins, relação de todos os produtos industrializados ou comercializados pela empresa, relação de todos os insumos adquiridos e considerados como origem do crédito pleiteado, dentre outros. Além disso, no momento da apresentação da nova Manifestação de Inconformidade, que corresponde ao termo inicial de instauração do Processo Administrativo Fiscal (PAF), em que se assegura ao sujeito passivo o direito de trazer a prova documental aos autos, nos termos do § 4ª do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte apresentou a memória de cálculo requerida, que foi totalmente ignorada pelo julgador de piso, sob o argumento de que os cálculos apresentados teriam sido feitos com base na Lei nº 10.276/2001 e não na Portaria MF nº 38/1997, sendo que o contribuinte, em momento algum, fez qualquer referência à citada lei. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13971.900704/200642 Resolução n.º 38030.166 S3TE03 Fl. 4 7 O fato de o contribuinte ter considerado no cálculo do crédito presumido despesas que não se subsumem no conceito de insumos, como gastos com energia elétrica, não pode servir de supedâneo para o seu pronto descarte, independentemente de qualquer análise ou confronto com a escrituração e os documentos fiscais. Argumenta, ainda, o relator a quo, contrariando frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como as regras do PAF, e, por conseguinte, cerceando o direito de defesa do contribuinte, que o julgador administrativo não pode avocar para si a competência para o reexame da matéria de mérito sob enfoque, nem para a análise do pedido como se este tivesse sido efetuado na Manifestação de Inconformidade. Ainda segundo o relator de piso, em homenagem ao princípio da verdade material, a prova do direito creditório se faria pela apresentação da correta e idônea documentação que originou os lançamentos contábeis, ignorando, por completo, que todos os itens solicitados pela Fiscalização foram apresentados pelo contribuinte até o momento da impugnação do despacho decisório, em conformidade com o disposto no já citado § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Verificase, portanto, que o mesmo fato que ensejara a anulação do primeiro acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, qual seja, a não apreciação das provas trazidas aos autos pelo interessado no momento processual oportuno, garantido pelas normas administrativas processuais, ainda remanesce vívida, a reclamar por nova anulação. Contudo, os fatos presentes nos autos demonstram que essa medida não produziria efeito prático nenhum, dada a postura assaz reativa da autoridade julgadora de piso, que não se conformou com o pedido do contribuinte de prorrogação do prazo para atendimento do primeiro termo de intimação firmado pela repartição de origem, o que, no seu entender, contrariaria a sua precedente busca pelo Poder Judiciário para forçar a aceleração da apreciação dos pedidos de ressarcimento e das declarações de compensação. Nesse contexto, considerando que para se concluir acerca da extensão do direito creditório pleiteado há a necessidade de se confrontarem os dados presentes nos autos, muitos deles apresentados em arquivos magnéticos, com outros constantes dos sistemas internos da Receita Federal, bem como da escrituração contábilfiscal e da documentação da pessoa jurídica trazidas aos autos, surge como única alternativa à pacificação no processo a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a Fiscalização, com base em todas as informações já disponíveis nos autos, proceda ao exame do crédito presumido requerido pelo Recorrente. Concluise, portanto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure, observandose as normas que regem a matéria, a extensão do crédito presumido de IPI a que tem direito o Recorrente, valendose de todas as informações e documentos presentes nos autos, bem como de outros que se mostrarem necessários ao bom cumprimento desta decisão. O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13971.900704/200642 Resolução n.º 38030.166 S3TE03 Fl. 5 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13971.900704/200642 Interessada: DF MADEIRAS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 38030.166, de 26 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 329DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11610.003505/2001-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3806-000.003
Decisão: RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ANA PAULA LOCOSELL EIRICHSEN
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