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Numero do processo: 10670.000671/2004-73
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000,2001, 2002, 2003, 2004
Ementa: PAF — COMPETÊNCIA — REGRAS DE CONEXÃO para evitar-se
decisões conflitantes em processos originados da mesma ação fiscal, deve o processo relativo à COFINS ser julgado pela Câmara preventa para julgar o processo principal, referente ao IRPJ. Inteligência do art. 6º do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1802-000.220
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998, 1999, 2000,2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PAF — COMPETÊNCIA — REGRAS DE CONEXÃO para evitar-se decisões conflitantes em processos originados da mesma ação fiscal, deve o processo relativo à COFINS ser julgado pela Câmara preventa para julgar o processo principal, referente ao IRPJ. Inteligência do art. 6º do Regimento Interno do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-24T12:49:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-24T12:49:18Z; Last-Modified: 2011-08-24T12:49:18Z; dcterms:modified: 2011-08-24T12:49:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:424a813a-0355-4999-9b7a-232f71e1d110; Last-Save-Date: 2011-08-24T12:49:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-24T12:49:18Z; meta:save-date: 2011-08-24T12:49:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-24T12:49:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-24T12:49:18Z; created: 2011-08-24T12:49:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-08-24T12:49:18Z; pdf:charsPerPage: 1266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-24T12:49:18Z | Conteúdo => t: Leonardo Lobo de Alm Relator SI-TE02 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10670.000671/2004-73 Recurso n° 164.663 Voluntário Acórdão n° 1802-00.220 — r Turma Especial Sessão de 1 de outubro de 2009 Matéria PIS/PASEP Recorrente Master Santos Ltda. Recorrida 8a Turma - DRJ Rio de Janeiro I Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998, 1999, 2000,2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PAF — COMPETÊNCIA — REGRAS DE CONEXÃO para evitar-se deciseies conflitantes em processos originados da mesma ação fiscal, deve o processo relativo h COF1NS ser julgado pela Câmara preventa para julgar o processo principal, referente ao IRPJ. Inteligência do art. 6' do Regimento Interno do CARE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 3" Seção de Julgamento do CARP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 2 8 JAN 2'611 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa, Jose de Oliveira Ferraz Corria, Nelso Kichel, Leonardo Lobo de Almeida, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto ern face do acórdão n.° 12-15.655, da 7' Turma da DRJ/RJO I, que julgou procedente o lançamento relativo a PIS, no valor total de R$ 2.970,34, acrescido de multa de oficio e de juros de mora. A exigência fiscal consubstanciada no auto de infração de fls. 04/10 decorre de ação fiscal promovida pela DRF de Montes Claros — MG (MI: 1 F 06.1,08.00-2003-00251-0), com objetivo de realizar as verificaçOes obrigatórias de 'RN, ou seja, correspondência entre os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos últimos cinco arms. Durante o procedimento fiscal, foram constatadas divergências entre os valores apurados a partir dos livros contábeis e demonstrativos do contribuinte e os declarados em DCTFs. Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou documentação hábil a justificar as divergências apontadas. Além disso, foi apurada a exclusão de receitas relativas a produtos com tributação monofásica, na forma da Lei n.°10.147/2000, não tendo o contribuinte comprovado a venda de produtos corn tributação monofásica_ Diante de tais constatações, foram lavrados autos de infração, para constituir créditos tributários de PIS, COFINS e IRPJ, que deram origem ao presente feito e aos processos administrativos: 10670.000680/2004-64 e 10670.000681/2004-17, respectivamente. relatório. 2 Processo nu 10670,000671/2004-73 S1-1- E02 Ac6rci5o n " 1802-00,220 Fl 2 Voto Conselheiro Relator, Leonardo Lobo de Almeida Em consulta ao sistema de acompanhamento processual, verifica-se que o processo relativo ao crédito de IRPJ foi distribuído à 3' Camara da Ia Seção e está aguardando o sorteio de relator. Já o processo relativo a COFINS foi distribuído h 3" Camara da 2" Seção e também aguarda o sorteio de relator. Como os processos administrativos decorrentes de lançamento de IRP.J e COFINS encontram-se pendentes de julgamento, pertinente é a reunião dos feitos, procedendo- se ao julgamento simultâneo deste corn os demais decorrentes do mesmo MPF, Neste sentido, veja-se o disposto no art. 2°, IV, do Regimento Interno do CARP. Art. 2° fi Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instancia que versem sobre aplicação da legislação de (..) IV - denials tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes as exigências que estejam lastreadas em ,fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração legislação pertinente à tributação do IRPI; Ainda, confira-se o teor do caput do art. 6° daquele mesmo regulamento: Art. 6° Verificada a existência de processos pendente,s de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos podei ão ser distribuídos para julgamento na Camara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Assim, considerando que se tratam de créditos tributários decorrentes de urna mesma ação fiscal, corn objetivo de evitar decisões conflitantes, voto para declinar da competência do presente à 3" Camara da 1° Seção, para julgamento simultâneo de todos os processos administrativos envolvendo a mesma ação fiscal. Sala das Sessões, em 1 de outubro de 2009. c. Leonardo Lobo de ATinei 3
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000957/2001-97
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL
Exercício: 1995
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF.
O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de
recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo
45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão
recorrido nos termos em que reclamado.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.016
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima; Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete
Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN), vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Exercício: 1995 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:14:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:14:33Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:14:33Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:14:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:14:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:14:33Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:14:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:14:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:14:33Z; created: 2009-09-30T11:14:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-09-30T11:14:33Z; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:14:33Z | Conteúdo => CSRF/T00 Fls. 2 ,.,.. 4..i..,;,..-, MINISTÉRIO DA FAZENDA 0- 1n;;I''''\ .' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PLENO Processo n° 10680.000957/2001-97 Recurso te 103-129,013 Extraordinário • Matéria DECADÊNCIA Acórdão n" 00-00.016 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BAVE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Exercício: 1995 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima; Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do , CTN), vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Pr dente PR'dent:/N A 1 Processo n° 10680.000957/2001-97 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.016 Fls. 3 11%11111111MAIIM DALTON CES - *RD ' : IRANDA Relator FORMALIZADO EM: 17 SET 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com os termos do Acórdão n° CSRF/01- 05.131, com fundamento nos artigos 9°, 43 e seguintes do R.I.C.S.R.F., interpõe recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Alega que o acórdão recorrido não poderia ter aplicado o artigo 150, parágrafo 40, do C.T.N., para fins de decadência da CSLL, em detrimento do artigo 45 da Lei n°8212/91, que defende ser constitucional. Fundamentou seu recurso com o suposto divergente Acórdão n° CSRF/02-01.665, que aplicou o prazo de dez anos para afastar a decadência para a COFINS. Pelo Despacho CSRF n° 302/2005, o apelo extraordinário foi admitido. Com contra-razões da interessada, o recurso a mim foi distribuído. É o relatório. 2 Processo n° 10680.000957/2001-97 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.016 Fls. 4 Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator Como relatado, o apelo extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento em acórdão divergente ao recorrido, pois que este reconheceu o artigo 45 da Lei n° 8212/91 para fins de afastar a decadência da COFINS, busca neste órgão Plenário o mesmo reconhecimento, ou seja, o afastamento do CTN (art. 150, parágrafo 4°) em face do comando legislativo acima relatado. Improcedentes são os argumentos da recorrente, dai a necessidade de se manter o acórdão recorrido em sua integralidade, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e por ocasião do julgamento de matéria de repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8212/91, com posterior edição da Súmula Vinculante n° 08/STF. Voto, portanto, por negar provimento ao recurso extraordinário interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. I DALTO '—"te :10 - 1 .1 _RANDA 3
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001963/00-73
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ. IRRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44
da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, dão sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 9101-000.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS - Processo n° 10860.0011963/00-73 Recurso n° 107-143.893 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-00.225 — l a Turma Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente ALTERNATIVA PROMOÇÕES DE VENDAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL IRPJ. 1RRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, dão sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presen' -s autos. Acordam os membro. do colegiadf , por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do r- fatório e voto • i e passam a integrar o presente julgado. CARLOS ALBERT* FREITAS B • " TO - Presidente ,--, , •,„,„.....- ..., or / ... , iiinew. KAREM JUREáD0c 4i. o IAS - Relato !. EDITADO EM: O 11 S ET Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da Mima), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello (substituto convocado) e Irineu Bianchi (substituto convocado). 1 _ Processo n- 10860.0011963/00-73 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 308/312) apresentado em 08/06/2006 pela contribuinte, com fundamento em divergência no entendimento do Conselho de Contribuintes, contra o Acórdão n° 107-08.141, proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição ao PIS e Imposto de Renda Retido na Fonte, referente aos anos-calendário de 1995 a 1998. A ciência foi dada ao contribuinte em 26/09/2000 (fls. 03/58). O lançamento principal foi descrito da seguinte forma: "001 — Omissão de receitas da atividade — A partir do AC 93 - Diferenças de Receita Bruta entre a apurada com base nas DIRF's apresentadas pelas empresas retentoras de IRRF e a declarada nas DIRPJ/DIPJ's dos anos- calendário de 1995 a 1998 (...). Foi lavrada multa de ofício no percentual de 75%.,, A Contribuição ao PIS e a CSLL tiveram os lançamentos descritos como "Falta de recolhimento para o PIS/CSLL, e o IRRF "Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Receita omitidas e/ou Redução indevida do lucro liquido". Impugnado o lançamento (fls. 1330/1341), o contribuinte alegou, em síntese, que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, base legal para os lançamentos do ano-calendário de 1995 é aplicável apenas às pessoas jurídicas tributadas exclusivamente pelo lucro real, não se aplicando ao caso da Recorrente, optante pelo lucro presumido. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Requer a exclusão do ano-calendário de 1995 da autuação. Os demais períodos não foram contestados pelo contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente (fls.190/197), em razão de (i) o artigo 3° da Medida Provisória, que deu nova redação aos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, ter incluído a expressão "não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado", ou seja, os efeitos de tais dispositivos também foram estendidos às empresas tributadas com base no lucro presumido, com vigência a partir do ano-calendário de 1995, em face do princípio da anterioridade; (ii) não ter apresentado qualquer documentação que ilidisse a omissão de receitas apurados em DIRF; (iii) manteve o lançamento dos demais anos-calendário, vez que não foram impugnados. Sobrevieram Recurso Voluntário (fls. 225/240), na qual reitera as razões trazidas na impugnação e o Acórdão n° 107-08.141 (fls. 291/302) da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da Contribuição ao PIS, do período de janeiro de 1995 a fevereiro de 1996, e, por maioria de votos, negou provimento ao recurso em relação ao IRPJ e, por unanimidade, negou provimento ao recurso quanto à COFINS e ao IRRF, nos termos da seguinte ementa: 2 Processo n° 10860.0011963/00-73 CSRF-T 1 Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 3 "IRPJ – LUCRO PRESUMIDO – OMISSÃO DE RECEITAS – APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95 - O art. 3° da MP 492/94, deu nova redação aos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, com a inclusão da expressão "não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado", ficando evidente que referidos dispositivos tiveram seus efeitos estendidos às empresas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, com vigência a partir de 1° de janeiro de 1995, em _face do princípio da anterioridade. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – OMISSÃO DE RECEITA – LUCRO PRESUMIDO – ANO-CALENDÁRIO 1995 — Por força do disposto no art. 44 da Lei 8.541/92, na redação da MP 492/94, convalidada pela Lei 9.064/95, incide o IRF sobre receitas omitidas no ano calendário de 1995. PIS – OMISSÃO DE RECEITAS – FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 29/02/1996 – INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO – O lançamento de PIS que não observa todos os ditames da Lei Complementar 7/70 não pode pr-evalecer. CSLL – COFINS – OMISSÃO DE RECEITAS — Provado, de forma inequívoca que a contribuinte omitiu receitas decorrentes da venda de mercadorias, bem como ofereceu à tributação valores em montante inferior àqueles efetivamente realizados, cabível o lançamento com a exigência das diferenças apuradas." Quanto ao IRPJ, o voto vencedor entendeu por bem ser aplicável a redação dada pela Lei n° 9.064/95 ao artigo 43 da Lei n° 8.541 /92, cuja eficácia se iniciou em 01/01/1995. O referido voto afastou o entendimento de que a alteração na sistemática da tributação das receitas omitidas, trazidas pelo artigo 24 da Lei n° 9.249/95 comporte retroatividade benigna, uma vez que o citado artigo 43 não é norma de caráter penal, e, acatar tal entendimento seria negar vigência a norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Quanto ao PIS, o mesmo foi excluído em razão de o lançamento não ter observado as normas da Lei Complementar n° 7/70. Quanto à COFINS e à CSL,L, entendeu o acórdão que restou comprovado a omissão de receitas. Por fim, quanto ao IRR_F, entendeu que incide o referido tributo sobre receitas omitidas no ano-calendário de 1995, por força do disposto no artigo 44, da Lei n° 8.541/92, na redação dada pela MP 492/94. Em 08/06/2006, o contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência, no qual argumentou haver interpretação divergente no que se refere à aplicação dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Segundo o Recorrente, é aplicável ao caso, em razão da retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, do Código Tributário Nacional, o artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249, de 25/12/1995, que revogou as disposições do artigo 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Cita diversos julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais para sustentar sua tese e demonstrar a divergência quanto ao acórdão recorrido. Em despacho de fls. 370/372, foi determinado seguimento ao Recurso Especial e, na seqüência, sobrevieram as Contra-Razões da Fazenda Nacional, por meio da qual requer a aplicação dos referidos artigos 43 e 44, afastando-se, assim, a retroatividade benigna e mantendo os lançamentos de IRPJ e IRRF sobre as receitas omitidas. 1 3 Processo ir IMS6U.U011963/00-73 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 4 Em 05/03/2008 os autos foram a esta Relatora distribuídos para análise do Recurso Especial interposto pela contribuinte. 4 Processo n° 10860.0011963/00-73 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 5 Voto • Conselheira Karem Jureidini Dias Recurso Especial preenche os requisitos de admissibilidade e foi objeto de despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. O objeto do Recurso Especial é saber se a norma inserta nos artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92, base legal para os lançamentos do ano-calendário de 1995, tem ou não caráter de penalidade. Em razão da primeira questão, surge a segunda, qual seja, a aplicação da retroatividade benigna para cancelar a exigência fulcrada no referido dispositivo legal. Ambas as questões já foram bastante debatidas por este Conselho, inclusive por esta Colenda CSRF. Válido lembrar que no ano-calendário de 1995, o contribuinte apurou IRPJ pelo lucro presumido, conforme se verifica da DIPJ do referido ano-calendário (fls. 672). Esta Câmara, no passado, entendia que o lançamento de ERPJ e 112.12F, com base no artigo 43 da Lei 8.541/92, tinha caráter de penalidade no caso de omissão de receita. Assim, considerando que o artigo 106, inciso II, 'c', do Código Tributário Nacional impõe a aplicação de retroatividade benigna no caso de penalidade; considerando que em razão da retroatividade benigna, a regra aplicável seria outra não utilizada no lançamento; considerando que alterar o lançamento quando do julgamento corresponderia a utri novo lançamento, o que é vedado a este órgão julgador, os lançamento assim efetuados eram cancelados. (Acórdãos CSRF/01- 05.561, CSRF/01-04.412 e CSRF/01-04.806). Entretanto, o entendimento desta C. Câmara Superior foi alterado, no sentido de que se passou a entender que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8_541/92 tem não têm caráter de penalidade, sendo apenas uma modalidade de tributação estabelecida pela lei. Esclarece-se que o argumento de que tais artigos possuem caráter de penalidade ganhou força no âmbito deste Conselho Administrativo, em razão de estar contido no Título IV da Lei n° 8.541/92, referente a "Penalidades". No entanto, trata-se de norma relativa ao próprio tributo e não à penalidade, sendo certo que a legislação adotou o posicionamento' de que os custos, despesas e encargos referentes às receitas omitidas já as afetaram, e, assim, não se poderia dizer que o tributo incidiria sobre o total da receita, com abstração dos custos, despesas e encargos necessários à. sua percepção. Assim, seu valor integral tem-se como distribuído aos sócios. A tributação em separado já era conhecida de nosso ordenamento jurídico tributário, exemplo recorrente nas decisões deste Conselho é o Decreto-lei n° 1.598/77, ao dispor sobre as formas de omissão de receitas indiciadas por suprimento de caixa, saldo credor de caixa, e por manutenção no passivo de obrigações já pagas. Nesse sentido, estabelecem os §§ 2° e 3° do artigo 12: "Art. 12. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações cie conta própria e o preço dos serviços prestados. " omissis" 5 _ Yrocesso n° 10860.0011963/00-73 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 6 § 2° - O fato de a escrituração indicar . saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. § 3° - Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá—la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos nifo forem comprovadamente demonstradas. o § 1° do artigo 43 da Lei n° 8.541192, cuja redação não foi alterada sequer pela MP n°492/94, afirma que o valor apurado, consoante dispõe o "capuz" do referido artigo, serviria de base de cálculo para as contribuições sociais e, para não deixar dúvidas, ainda estabeleceu no § 2°_, seguinte, que o valor assim determinado não comporia a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão seriam definitivos. Deixou muito claro, o tratamento especial." Veja-se que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8_541192, objeto de dediscussão no presente Recurso Especial, traz a mesma lógica: "Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de oficio, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 1 0 0 valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei n°9.064 de 20.06.1995) § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Assim, comprovada nos autos a omissõ o de receitas, devem ser mantidas, não apenas a contribuição para o PIS e a COFINS (como acertadamente procedeu a e. Câmara recorrida), como também a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na forma lançada e confirmada em primeira instância. "Art. 44. A receita omitida ou a difèrença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, 6 Processo n° 10860.0011963/00-73 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 7 acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica." Assim, embora ainda argumente-se que o dispositivo tenha caráter de penalidade, mormente pois está impropriamente contido no Título W da Lei n° 8.541/92 ("Penalidades"), entendo, na linha das recentes decisões proferidas neste Conselho, que se trata de tributo, uma vez que o legislador pode instituir imposto de renda exclusivamente na fonte, como o fez no art. 44 da mencionada lei. Está-se, portanto diante da regra estabelecida no artigo 144, "caput", do Código Tributário Nacional, que diz: "Art. 144 - O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." (negritei)" A Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 8.541/92: "Art. 62 - A partir de 1 0 de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, será de 35%" Esse dispositivo veio a ser revogado pelo artigo 10 da Lei n° 9.249, de 26/12/95, verbis: "Art. 10 - Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior." Em razão da política adotada pelo Governo de não mais tributar lucros distribuídos, o artigo 24 dessa Lei passou a determinar: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Desta forma, como ficou demonstrado, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 tem natureza tributária, na trilha da regra do artigo 144 do Código Tributário Nacional em detrimento da prevista no artigo 106 do mesmo codex. Nesta parte, portanto, voto por não acolher o argumento da Recorrente. Ainda, considerando que, conforme relatado, o contribuinte apurou LRPJ pelo lucro presumido no ano-calendário de 1995, lembro que a possibilidade de aplicação do artigo 43 da Lei n. 8.541/92 para a pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido existe para o ano- calendário de 1995, em face da alteração promovida pela Medida Provisória 492/94 com a observância do princípio da anterioridade. • rocesso n° • 860.0011963/00-73 CSRF-Tl \- Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 8 Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso do contribuinte. Karernl idini Dias 8
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Numero do processo: 18050.000023/2007-79
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/03/2002
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - ARGUIÇÃO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE.
Embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente quanto a segunda diligência realizada, dito fato não importou-lhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão.
A diligência foi integralmente transcrita na decisão de primeira instância, razão porque se entendesse existir qualquer prejuízo poderia o recorrente alegar dita nulidade em seu recurso.
Ademais, a conversão em diligência acatou integralmente as alegações do impugnante quanto aos erros de base de cálculo e apropriação de guias, o que demonstra ausência de prejuízo ao mesmo já que seus argumentos quanto a esses fatos foram integralmente reconhecidos.
CERCEAMENTO DE DEFESA - MPF COMPLEMENTAR - EMISSÃO APÓS O PRAZO DE VALIDADE - AUSÊNCIA DE NULIDADE SE O ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL FOR PRECEDIDO DE MPF VÁLIDO
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defender-se dos fatos geradores apurados.
O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original - embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS.
Havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TRABALHO DO AUDITOR - ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não se encontra dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
BOLSA DE ESTUDOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DOS CURSOS OFERTADOS COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL.
Analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35, fl.731, não se identifica qualquer critério relacionando a concessão de bolsa de estudos ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente da correspondente vinculação com a atividade exercida na UCSAL e exclusão por ser capacitação profissional.
BOLSA DE ESTUDOS - CARÁTER ASSISTENCIALISTA - GRATUIDADE - NÃO INCIDÊNCIA.
Ao direcionar o benefício aos empregados e dependentes destes, a empresa está simplesmente concedendo um benefício indireto a eles e não a toda a comunidade, afastando-se o argumento do caráter assistencialista da verba.
PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - IMPOSSIBILIDADE.
O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE DESCONTO - INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES - RESPEITO AO TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Havendo individualização do benefício concedido quanto a rubrica bolsa de estudos, deve a autoridade fiscal, proceder ao lançamento da contribuição dos segurados empregados obedecendo o limite máximo do salário de contribuição.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - SÚMULA DO CARF
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, arguida de ofício pelos conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que restaram vencidos. II) Por unanimidade de votos rejeitar : a) o pedido de exclusão dos corresponsáveis; e b) as preliminares de nulidade do lançamento. III) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que em relação a rubrica bolsa de estudos seja observado o limite máximo do salário de contribuição em relação a cada segurado. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que dava provimento parcial em maior extensão, excluindo do lançamento o levantamento BOS.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, arguida de ofício pelos conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que restaram vencidos. II) Por unanimidade de votos rejeitar : a) o pedido de exclusão dos corresponsáveis; e b) as preliminares de nulidade do lançamento. III) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que em relação a rubrica bolsa de estudos seja observado o limite máximo do salário de contribuição em relação a cada segurado. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que dava provimento parcial em maior extensão, excluindo do lançamento o levantamento BOS. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1996 a 31/03/2002 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - ARGUIÇÃO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE. Embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente quanto a segunda diligência realizada, dito fato não importou-lhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão. A diligência foi integralmente transcrita na decisão de primeira instância, razão porque se entendesse existir qualquer prejuízo poderia o recorrente alegar dita nulidade em seu recurso. Ademais, a conversão em diligência acatou integralmente as alegações do impugnante quanto aos erros de base de cálculo e apropriação de guias, o que demonstra ausência de prejuízo ao mesmo já que seus argumentos quanto a esses fatos foram integralmente reconhecidos. CERCEAMENTO DE DEFESA - MPF COMPLEMENTAR - EMISSÃO APÓS O PRAZO DE VALIDADE - AUSÊNCIA DE NULIDADE SE O ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL FOR PRECEDIDO DE MPF VÁLIDO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defender-se dos fatos geradores apurados. O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original - embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR - ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não se encontra dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. BOLSA DE ESTUDOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DOS CURSOS OFERTADOS COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL. Analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35, fl.731, não se identifica qualquer critério relacionando a concessão de bolsa de estudos ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente da correspondente vinculação com a atividade exercida na UCSAL e exclusão por ser capacitação profissional. BOLSA DE ESTUDOS - CARÁTER ASSISTENCIALISTA - GRATUIDADE - NÃO INCIDÊNCIA. Ao direcionar o benefício aos empregados e dependentes destes, a empresa está simplesmente concedendo um benefício indireto a eles e não a toda a comunidade, afastando-se o argumento do caráter assistencialista da verba. PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - IMPOSSIBILIDADE. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE DESCONTO - INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES - RESPEITO AO TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Havendo individualização do benefício concedido quanto a rubrica bolsa de estudos, deve a autoridade fiscal, proceder ao lançamento da contribuição dos segurados empregados obedecendo o limite máximo do salário de contribuição. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - SÚMULA DO CARF Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
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Não se pode alegar direito adquirido para deixar de efetivar as contribuições patronais, considerando inclusive nunca ter a empresa requerido junto ao INSS isenção de contribuições previdenciárias. O art. 14 do CTN não se presta a assegurar imunidade ao recorrente, posto que o mesmo regula o art. 150 da CF/88, que regula a isenção de impostos. DIREITO A ISENÇÃO ENTIDADE MANTENEDORA EXTENSÃO DA ISENÇÃO A MANTIDA APLICAÇÃO APENAS A ENTES DESPERSONALIZADOS. Existindo personalidade jurídica, não prospera o argumento de que a entidade poderia valerse da condição de isenta de sua mantenedora. Os termos do Parecer 509 do MPAS são aplicados apenas a entes despersonalizados. DIREITO ADQUIRIDO DECRETO 1.572/77 EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL O direito adquirido a isenção tem como pressuposto a Certificado de Entidade Filantrópica e o Reconhecimento como de Utilidade Pública Federal até a data do Decreto 1.572, não servindo o Reconhecimento de Utilidade Estadual para atribuir direito adquirido a entidades. LEVANTAMENTOS AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA CONCORDÂNCIA COM A DECISÃO PROFERIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 00 23 /2 00 7- 79 Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Em relação aos demais fatos geradores apurados, a não impugnação expressa dos fatos geradores importa renúncia e consequente concordância com os termos da decisão de primeira instância. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisãoem relação aos levantamento não recorridos. Quanto aos pagamentos a pessoas jurídicas resumiuse o recorrente a trazer as mesmas alegações, sem comprovar terem os pagamentos sido realizados a pessoas jurídicas. SALÁRIO INDIRETO BOLSA DE ESTUDOS PARCELAS PAGAS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. Quanto a apuração da contribuição sobre os valores bolsa de estudos uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não se encontra dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. BOLSA DE ESTUDOS EMPREGADOS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DOS CURSOS OFERTADOS COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL. Analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35, fl.731, não se identifica qualquer critério relacionando a concessão de bolsa de estudos ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente da correspondente vinculação com a atividade exercida na UCSAL e exclusão por ser capacitação profissional. BOLSA DE ESTUDOS CARÁTER ASSISTENCIALISTA GRATUIDADE NÃO INCIDÊNCIA. Ao direcionar o benefício aos empregados e dependentes destes, a empresa está simplesmente concedendo um benefício indireto a eles e não a toda a comunidade, afastandose o argumento do caráter assistencialista da verba. PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO IMPOSSIBILIDADE. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS AUSÊNCIA DE DESCONTO INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES RESPEITO AO TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Havendo individualização do benefício concedido quanto a rubrica bolsa de estudos, deve a autoridade fiscal, proceder ao lançamento da contribuição dos segurados empregados obedecendo o limite máximo do salário de contribuição. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC PREVISÃO LEGAL SÚMULA DO CARF Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1996 a 31/03/2002 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA ARGUIÇÃO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE. Embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente quanto a segunda diligência realizada, dito fato não importoulhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão. A diligência foi integralmente transcrita na decisão de primeira instância, razão porque se entendesse existir qualquer prejuízo poderia o recorrente alegar dita nulidade em seu recurso. Ademais, a conversão em diligência acatou integralmente as alegações do impugnante quanto aos erros de base de cálculo e apropriação de guias, o que demonstra ausência de prejuízo ao mesmo já que seus argumentos quanto a esses fatos foram integralmente reconhecidos. CERCEAMENTO DE DEFESA MPF COMPLEMENTAR EMISSÃO APÓS O PRAZO DE VALIDADE AUSÊNCIA DE NULIDADE SE O ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL FOR PRECEDIDO DE MPF VÁLIDO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defenderse dos fatos geradores apurados. O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, arguida de ofício pelos conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que restaram vencidos. II) Por unanimidade de votos rejeitar : a) o pedido de exclusão dos corresponsáveis; e b) as preliminares de nulidade do lançamento. III) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que em relação a rubrica bolsa de estudos seja observado o limite máximo do salário de contribuição em relação a cada segurado. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que dava provimento parcial em maior extensão, excluindo do lançamento o levantamento BOS. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 4 5 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 35.609.0582, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (não descontada em época própria), parcela da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como a destinada a terceiros, levantadas sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 06/1996 a 03/2002. Ressaltese, ainda, que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 229 a 235, constituem objeto do lançamento: 4.1 A remuneração efetivamente paga a qualquer título, nos termos do art. 28, inciso I, e §§da lei 8.212, de 1991 (na redação dada pela Lei 9.528/97), aos segurados empregados, conforme definidos no art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212, de 1991, não declarada na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, em desacordo com o que dispõe o art. 32, inciso IV da Lei 8.212, de 1991. 4.1.1 No período de 01/1999 a 03/2002, a remuneração foi obtida a partir das folhas de pagamento identificadas pela notificada como estabelecimentos 001 Servidor, 002 Professor, 003 Salário Estabilidade, 004 Salário Adicional, 005 Prestadores de Serviço, 008 Prestadores de Serviço — Convênio IAT, Folha Complementar (em Planilhas Excel), confrontadas com os registros contábeis dos Livros Diário e Razão. 4.1.2 No período de 02/1999 a 12/2001 foram apurados benefícios concedidos aos segurados empregados e seus dependentes à título de "Bolsa de Estudos Servidores" e "Bolsa' de Estudos Professores" — registrados nas contas contábeis dedutoras da receita e codificadas como 312.001.002 e 312.001.003, respectivamente — uma vez que a utilidade. fornecida tem origem no contrato de trabalho e surge em decorrência da prestação de serviços, representando um acréscimo no patrimônio do trabalhador, tendo sido tais valores considerados salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 214, inciso, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06.05.99. Já entendeu o TST que "toda a vantagem atribuída ao empregado, sem a qual teria que desembolsar numerário para dela usufruir, possui natureza de contraprestação e, portanto, situada no campo das parcelas salariais, ante a onerosidade do contrato de trabalho" (RR — 4.273/89.5 —DJU 08111/1991). Exceção deve ser feita somente às parcelas e condições mencionados na legislação específica". Apesar de intimada para tal, a empresa não apresentou à Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 fiscalização, contrato, convenção, acordo coletivo ou qualquer outro documento que evidenciasse os critérios pertinentes ao referido beneficio, tendo sido lançados os valores registrados na contabilidade. 4.1.3 No período de 01/1999 a 11/2000, foram apuradas despesas com salário e décimoterceiro salário, relativas a pagamentos a servidores e professores, registradas nos •códigos contábeis 321.001.001 (salário professor), 321.002.001 (salário servidor), 321.001.008 ' (indenização professor), 321.002.012 (indenização servidor), tendo sido constatado a partir do 'confronto entre as folhas de pagamento apresentadas identificadas no subItem 4.1.1 e seus registros contábeis, que tais valores não compunham as referidas folhas de pagamento. Foi, então, emitido Termo de intimação para Apresentação de Documentos TIAD especifico em 30/08/2002, ratificada em 02/10/200, para que a notificada apresentasse a documentação pertinente aos referidos lançamentos, contudo nada foi apresentado, motivo pelo qual foi emitido Auto de Infração, por descumprimento ao disposto no art. 33, parágrafo 2° da Lei 8.212, de 24.07.91. Os valores lançados constam identificados no Relatório de Fatos Geradores, parte integrante deste Relatório, que compõe a presente Notificação. 4.1.4 A contribuição dos segurados empregados que não foi descontada da remuneração, pela notificada, foi apurada com a aplicação da aliquota mínima sobre as remunerações constantes nas folhas de pagamento dos estabelecimentos 003 Salário Estabilidade, 004 Salário Adicional, 008 Prestadores de Serviço IAT e dos benefícios concedidos aos empregados à titulo de "Bolsa de Estudo Servidores' e "Bolsa de Estudo Professores", bem como sobre os valores lançados citados no subitem 4.1.3. Foi emitido Auto de Infração por descumprimento ao estabelecido no art. 30, inciso I, alinea "a", da Lei 8212/91. QUANTO A ISENÇÃO Foi emitido relatório fiscal complementar, fl. 236 no qual destacou a autoridade fiscal aspectos relacionados a suposta isenção da entidade, dados abaixo transcritos: Os auditores responsáveis pela ação intimaram a empresa a apresentar os documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, e, após a sua analise concluíram que a UCSAL, apesar de se abrigar sob o manto das entidades beneficentes de assistência social, gozando do beneficio fiscal da isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, não fazia jus a tal beneficio. O motivo pelo qual envolveremos a Associação Universitária e Cultural da Bahia neste debate deve se ao • fato de que a UCSAL, alegando ser um ente despersonalizado no mundo jurídico, gozava dós benefícios já citados, por extensão da isenção de sua mantenedora. A seguir descrevemos, sumariamente, as ações desenvolvidas até a anulação das decisões que permitiam à UCSAL a suposta isenção. A UNIVERSIDADE CATÓLICA do SALVADOR, portadora do CNPJ.: 15.208.3411000124, é urna pessoa jurídica de direito Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 5 7 privado, mantida pela ASSOCIAÇÃO UNIVERSITÁRIA e CULTURAL da BAHIA, portadora do CNPJ.: 13.970.322/0001 05, outra pessoa jurídica de direito privado, que se destina a manter e a dirigir a primeira, bem como outras organizações de caráter cultural e social, conforme se depreende dos arts. 1° e 5° do Estatuto Social da primeira (copia anexa à NFLD), e dos arts. e 3° do Estatuto Social da segunda. Fezse necessário, inicialmente, urna análise da situação jurídica das duas entidades, com o objetivo de verificar se mantenedora e mantida se constituíam em apenas um ente personalizado, sendo a Universidade Católica do Salvador apenas um departamento da Associação Universitária e Cultural da Bahia; ou se mantenedora e mantida tinham personalidades jurídicas distintas, já que, dependendo da conclusão a que chegássemos, distintos poderiam ser seus direitos e obrigações junto a esta Autarquia Previdenciária. A Constituição Federal de 1988, ao disciplinar sobre a isenção de contribuições providenciarias, estabelece em seu art. 195, § 7, que as entidades beneficentes de, assistência social que atendam às condições estabelecidas em lei, fazem jus ao referido benefício. A regulamentação da matéria ocorreu com a edição Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que no art. 55, estabeleceu requisitos para as entidades beneficentes de assistência social gozar do beneficio da isenção das contribuições providenciarias. A Universidade Católica de Salvador possui os seguintes títulos: a) Utilidade Pública Federal — Não consta nos arquivos da Secretaria Nacional de Justiça, órgão do Ministério da Justiça, qualquer requerimento ou pedido de concessão de titulo; • b) Utilidade Pública Estadual Lei 4.477, de 21.06.85, vencido em 22.06.95, em virtude do caput do art. 2° da Lei Estadual n° 6.670, de 21.07.94, que • estabelece requisitos para reconhecimento e revalidação de utilidade pública de pessoas jurídicas de direito privado. Diz o art.: "A revalidação do reconhecimento será concedida por ato da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, solicitada através de requerimento assinado pelo presidente ou responsável pela entidade, após completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses subsequentes, sob pena de perder a condição de utilidade pública". Não comprovou revalidação; c) Utilidade Pública Municipal — Não possui ou não nos apresentou, apesar de intimada a apresentar, d) Registro no CNAS Processo 214.777/7890, deferido em sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127, de 04.09.98, publicada no \ • DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o processo 28976.000148/9516 (Averbada como entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia); Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 e) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEDAS) Processo 214.777/78, deferido em 16.02.93 à Associação Universitária e Cultural da Bahia (cita que é extensivo à UCSAL); renovado através da • Resolução 127, de 04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, • julgando o processo 28976.000148/9516, com validade de 01.01.95 a 31.12.97; renovado através da Resolução 85, de 09.05.00, publicada no DOU, em 11.05.00, Seção I, julgando o processo 44006.002624/9981, com validade, de 01.01.98 a 31.12.00. (Averbada como entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia). Por sua vez, a Associação Universitária e Cultural da Bahia possui as seguintes titulações: a) Utilidade Pública Federal Decreto 97.267, de 16.12.88 (processo 19.596/87 — requerido em 10.07.87); b) Utilidade Pública Estadual — Lei 2.912/71, vencido em 21.06.94, data da entrada em vigor da Lei Estadual n° 6.670, de 21.07.94, que estabelece, em seu art. 2°, requisitos para reconhecimento e revalidação de utilidade pública 1 de pessoas jurídicas de direito privado. Diz o art.: "A revalidação do reconhecimento será concedida por ato da Mesa Diretora da Assembléia. Legislativa, solicitada através de requerimento assinado pelo presidente ou responsável pela entidade, após completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses subsequentes, sob pena de perder a condição de utilidade pública". Não comprovou revalidação; c) Utilidade Pública Municipal — Não possui ou não nos apresentou, apesar de intimada a apresentar; d) Registro no CNAS — Processo 214.777/7890, deferido em sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127, de 04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o processo 28976.000148/9516; e) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) Processo 214.777/78, deferido em 16.02.93 (Cita que é extensivo UNICSAL); renovado através da Resolução 127, de 04.09.98, publicada no L DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o processo 28976.000148/9516, com validade de 01.01.95 a 31.12.97; renovado através da Resolução 85, de 09.05.00, publicada no DOU em 11.05.00, Seção I, julgando o processo 44006.002624/9981, com validade de 01.01.98 a 31.12.00. A Associação Universitária e Cultural da Bahia, não possuía, antes da vigência do Decretolei 1.572/77, e nem requereu no prazo por ele determinado, de 90 (noventa) dias, o Título de Utilidade Pública Federal e o então Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Com o advento da Lei 8.212, de 1991, nem Associação, nem a UCSAL tiveram qualquer pedido de isenção deferido. Pelo menos desde 1973, quando entrou em vigor o Decreto 72.771, de 06.09.73, que regulamentou a Lei 3.577/59, uma entidade que não possuísse o Titulo de Utilidade Pública Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 6 9 Federal e o antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos não poderia gozar de isenção no INSS. É o que diz seu art. 275: (...) A conclusão a que chegamos é que Universidade Católica do Salvador e Associação Universitária e Cultural da Bahia são pessoas jurídicas distintas, e nenhuma delas tem direito de gozar do beneficio da isenção das contribuições providenciadas. O INSS, bem como o já extinto IAPAS, sempre fiscalizaram a Universidade Católica do Salvador como uma entidade distinta da Associação Universitária e Cultural da Bahia, sendo cobradas as contribuições sociais patronais. De 1971 a 1989 foram lavradas, aproximadamente, 60 (sessenta) Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos (NFLD). Todos estes débitos foram mantidos administrativa e judicialmente. A Universidade, inclusive, já havia solicitado parcelamentos espontâneos de contribuições patronais não recolhidas no tempo devido, o que foi efetuado por meio de dois Lançamentos de Débitos Confessados (LDC): 31.777.3100 e 31.777.3119. As contribuições se referiam às competências de 07/91 a 02/93. Na última fiscalização da Universidade Católica do Salvador, realizada em julho de 1996, que apurou débitos de contribuições patronais referentes ao período de 07/91 a 05/96, foram lavradas duas NFLD's: 32.781.1533 e 32.781.1541 Os auditores fiscais, à época, consideraram que a entidade não era isenta, já que além de não atender, cumulativamente a todos os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, a mesma nunca teve um pedido de isenção deferido pelo INSS, conforme determina o § 1° do art. 55: "§1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida !ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido". Como já demonstramos, a Universidade Católica do Salvador não possui Titulo de Utilidade Pública Federal, e jamais teve deferido qualquer pedido de isenção. Destacou, ainda a autoridade fiscal em seu relatório aspectos inerentes a situação patrimonial da entidade: Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ) e da DIPJ (copias anexas), a fiscalização constatou que os bens escriturados no Ativo Permanente Imobilizado, conforme identificados no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos TAB emitido em 30.09.2003 (cópia anexa), que relaciona os bens livres e desembaraçado de quaisquer ônus, resulta em montante insuficiente para garantir o total do crédito constituído através das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD resultantes desta auditoria fiscal. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Constatouse, também, conforme demonstrado no quadro abaixo, que apesar da empresa apresentar sucessivos déficits, isto é, despesa maior que a receita, a mesma remunerou generosamente seus quatro dirigentes.(vide fl. 253 do autos) Remunerações 2000 e 2001 — extraídas arquivo SEFIP Apesar dos sucessivos déficits até 1999, a UCSAL pagou a advogada Ariana Torres Veras em apenas cinco contratos R$ 2.080.854,00 (dois milhões, oitenta mil . oitocentos e cinqüenta e quatro reais), que tinham como objeto providencias de interesse da UCSAL junto ao INSS e CNAS. Em um destes contratos a UCSAL desembolsou R$, 160.000,00 para obtenção da Certidão Negativa de Débitos — CND junto ao INSS, procedimento este que à época já era possível via Internet. (anexamos contratos). • Outro fato verificado pela fiscalização foi que, apesar da empresa considerarse na condição de isenta da contribuição patronal, consta de seus registros contábeis. lançamentos a débito na conta passiva n° 221.001.0017 Operacional Débito do IAPAS, Patronal, a título de "Débito do INSS Patronal", significando, portanto, diminuição da obrigação para com o INSS quanto à contribuição previdenciária patronal. As contrapartidas destes lançamentos foram a crédito da conta ativa n°111.002.0012 Disponível Bancos C/Movimento UCSAL BANEB c/c 1109172, indicando saída de numerário. Contudo, foi constatado que tais valores não constam do conta corrente da empresa no banco de dados do INSS. No quadro abaixo relacionamos todos os lançamentos efetuados no Diário, com a identificação do n° do livro, registro na Juceb, a página do Diário onde consta o lançamento e os valores escriturados, que perfazem um total de R$31.342.877,09 (trinta e um milhões, trezentos e quarenta e dois mil, oitocentos e setenta e sete reais e nove centavos). Por fim, concluiu o auditor: Diante da decisão proferida pela 2°. CAJ, de que a notificada não faz jus ao, beneficio da isenção previsto no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, foi constituído credito, relativo à contribuição patronal, através da presente notificação, da qual é parte integrante este relatório. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 366 a 413. Foi emitido relatório fiscal complementar, retificando o período lançado, fl. 780 e 781. Reiterou o impugnante os termos da defesa apresentada, fl. 784 a 804. Em maio de 2005, foi realizada diligência (fl. 846 a 850), tendo o auditor fiscal prestado os seguintes esclarecimentos: Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 7 11 A empresa questiona: a — Erro no registro nas datas de pagamentos efetuados pela empresa através ,\ do Fundo de Investimento do Ensino Superior FIES — 02/02/2000, para as I competências 05, 06, 08, 09 ,10 ,11, 1211998, 03, 04, 05 , 06, 07, 08, 09, 10 e 11/1999. A empresa afirma que o pagamento foi realizado em 25/01/2000. Já está comprovado I neste processo às folhas 794 e 795 a correta data do pagamento foi a alagada pela empresa. b A empresa questiona o lançamento de 02/2001 no valor de R$ 27.491,00 (fl. 118) referente a pagamentos ao contribuinte individual Otacílio P Rocha. Foram solicitados todos documentos de contas a pagar do período de 01 a 03/2001 ( mais de 30 pastas com documentos de pagamentos), inclusive o Livro Razão do mesmo período. Posteriormente foram solicitados os Livros Razão de 01/99 a 12/2001. 4. Foi realizada uma exaustiva verificação nos documentos físicos e nos lançamentos contábeis, porem não foi possível identificar a origem do lançamento. A verificação ocorreu da forma mais aproximada da metodologia utilizada na ação fiscal I que resultou na lavratura da referida NFLD. A apuração quando da ação fiscal 'identificou estes fatos geradores no livro razão e notas fiscais pessoa física, optandose I à época lançar pela contabilidade por estar esta mais completa. O que pode ter I ocorrido foi a não exclusão do lançamento de R$ 27.491,00, que coincidentemente é o somatório dos valores lançados no mês de fevereiro/2001 R$ 20.551,00 e março/2001 R$ 6.940,00. 5. Pelas razões expostas no item anterior foi emitido FORCED para exclusão do lançamento de Acréscimos Legais cobrados indevidamente referente ao mês 0212000. Os valores dos acréscimos legais excluídos constam do Relatório DAL — Diferença de Acréscimos Legais às folhas 87, 88,91 e 92 que totalizam o vai. R$ 56.918,45, nas competências 05, 06, 08, 09 ,10 ,11, 12/1998, 03, 04, 05 , 06, 0 08, 09, 10 )11 /1999. 6. Foi emitido FORCED para exclusão do lançamento que após exaustiva busca • não foi possível identificar sua origem no valor de R$ 27.491,00, conforme justificado no item 4 deste. 7. Esta diligencia deverá ser encerrada e emitido uru MPF — Fiscalização com 1 objetivo de apurar eventuais créditos previdenciários referentes a acréscimos legais , , 1 ocorridos quando do correto lançamento das datas de pagamentos citados no [tem 3 a deste. 8. À Coordenação Administrativa do Serviço de Fiscalização para encaminhar cópia do Relatório Fiscal Complementar à empresa tomadora e à prestadora para • ciência. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente os lançamento efetuado, conforme fls. 912 a 943. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço. BOLSAS DE • ESTUDO. Quando pagas em desacordo com a lei, as Bolsas de Estudo representam ganhos habituais sob a forma de utilidade, integrando o saláriode contribuição, para fins previdenciários. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fl. 958 a 998. Em síntese a recorrente traz as mesmas alegações apresentadas na impugnação, quais sejam sinteticamente: 1. o lançamento fiscal levado a efeito está eivado de vícios de formalidade, seja porque a Recorrente é entidade beneficente de assistência social que faz jus ao direito de gozo da imunidade tributária, seja porque são totalmente contrárias à lei; 2. os MPF Complementares (MPFC) expedidos pela Chefia de Arrecadação, aptos a autorizar o prosseguimento da fiscalização, são nulos em razão da inobservância do prazo legal para sua prorrogação (Decreto n.° 3.969/2001); 3. mesmo que os MPFC tivessem sido expedidos dentro do prazo legal, não poderiam ser considerados válidos, dada a afronta aos princípios constitucionais da legalidade e da publicidade dos atos administrativos (desrespeito ao artigo 4° e 7°, inciso VIII, do Decreto n.° 3.969/01, e aos artigos 96 e 196 do Código Tributário Nacional); 4. o INSS não observou o procedimento próprio para a suspensão da "isenção" da Recorrente relativa às contribuições previdenciárias (artigo 206, §8° do Decreto n.° 3.048/99), eis que, à época da lavratura da NFLD havia recurso • administrativo pendente de julgamento; 5. a inclusão dos dirigentes, seja na qualidade de contribuintes, seja na qualidade de responsáveis (solidários ou não) é completamente ilegal, uma vez que não foram vislumbradas nenhuma das hipóteses legais para tal expediente (artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional); 6. o ato administrativo de lançamento não encontra embasamento legal, além de não cumprir todos os requisitos legais previstos pelo artigo 37 da Lei n° 8.212/91, devendo ser revisado/invalidado; 7. a Recorrente, na qualidade de entidade beneficente de assistência social, 1 preenche todos os requisitos exigidos (artigo 14 do Código Tributário Nacional) para o gozo da imunidade tributária (artigo 195, §7° da Constituição Federal); 8. a Recorrente também preenche todos os requisitos legais para o gozo da isencão tributária (artigo 55, da Lei n.° 8.212/91); 9. diferentemente do apontado pela fiscalização, a Recorrente (mantida) e a Associação Universitária e Cultural da Bahia (mantenedora), têm uma única personalidade jurídica, conforme expresso nos pareceres CVMPAS n.° 509/96 e 02/98; . d. g Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 8 13 10. a constatação da fiscalização, relativa à existência de lançamentos na conta de passivo da Recorrente destinadas a provisionar o INSS patronal não repassadas aos cofres públicos não advém de culpa ou dolo da Recorrente eis que tal fato inclusive • é objeto de denúncia pelo Ministério Público do Estado da Bahia contra o Sr. Raimundo Gabriel de Oliveira (exgerente financeiro da RECORRENTE); 11. não podem incidir contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos concedidas gratuitamente aos seus empregados, seja porque s trata de, atividade assistencial (artigo 203, da Constituição Federal) e portanto é imune, à tributação, seja porque é obrigação decorrente de cláusula coletiva de trabalho e enquadrase perfeitamente na hipótese de não incidência prevista no artigo 28, parágrafo 9°, alínea "t" da Lei n.° 8.212/91; 12. é ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa SELIC como juros de mora; 13. não houve individualização dos limites dos valores devidos a título de contribuição dos empregados, e; 14. houve erros e inclusões indevidas na Base de Cálculo. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1091. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA ARGUIDO DE OFÍCIO – Tendo sido arguido de ofício a nulidade da decisão de primeira instância, face a não cientificação da segunda diligência que promoveu a retificação do débito, quanto a erros de base de cálculo descritos pelo recorrente, esclareço que não vislumbro a nulidade apontada pelos ilustres conselheiros. Antes mesmo de adentrar aos argumentos trazidos pelo recorrente quanto a nulidade do lançamento e buscando dar transparência ao julgamento do processo (face o encaminhamento pela nulidade da decisão de primeira instância), destaco que o processo foi realmente baixado em diligência em duas oportunidades, no intuito da fiscalização esclarecer fatos trazidos pelo recorrente quanto a erros de base de cálculo e apropriação de pagamentos, constantes nas folhas 846 a 850. Da segunda diligência, não identifiquei nos autos cientificação da informação fiscal, contudo, entendo que dito fato não implica nulidade da decisão de primeira instância, uma vez que não identifiquei prejuízo ao recorrente. Notese que a informação fiscal, foi justamente no sentido de que fossem apreciados erros por parte da auditoria, equívocos esses acatados pela autoridade fiscal, que propôs a retificação do débito acatando na integra os pontos trazidos pelo impugnante. Ou seja, não houve uma procedência parcial dos pontos alegados, razão porque não ocorreu prejuízo. Não fosse apenas esse fato, entendo que ao descrever no relatório da Decisão Notificação a integra da informação prestada, permitindo ao recorrente o conhecimento integral da diligência, permitindolhe inclusive alegar qualquer prejuízo em sede recursal, afastou a autoridade qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa e por conseguinte nulidade. Assim, entendo que embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente, dito fato não importoulhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão. Ademais, devese prezar pela celeridade do processo e economia processual, posto que em existindo elementos suficientes para proceder ao julgamento, sendo afastado o cerceamento do direito de defesa, tem o recorrente o direito de ver sua lide colocada em pauta, considerando inclusive o tempo transcorrido entre a data da lavratura e a submissão da lide a este colegiado (mais de 10 anos). Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 9 15 Assim, rejeito a nulidade da decisão de primeira instância. QUANTO A NULIDADE DO PROCEDIMENTO – VALIDADE DOS MPFC. Alega o recorrente que os MPFC expedidos pela Chefia de Arrecadação, aptos a autorizar o prosseguimento da fiscalização, são nulos em razão da inobservância do prazo legal para sua prorrogação (Decreto n.° 3.969/2001). Porém ao apreciar os procedimentos realizados pela autoridade fiscal no desenvolvimento da ação, não vislumbro dita nulidade. Em primeiro lugar entendo que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais para sua instauração, não havendo, pois, nulidade a ser declarada. Como já afastado pela autoridade julgadora, ocorreu a devida emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, tendo o encerramento do procedimento sido realizado dentro do prazo de MPF válido. Diferente de outros procedimentos, observase neste caso, um número significativo de MPF complementares, contudo, conforme demonstrado nos autos, entendo que o auditor encaminhou na forma devida à empresa notificada os MPF complementares, o que ensejou que no momento da lavratura da NFLD, existisse sim, MPF válido capaz de legitimar o procedimento. Ao contrário da interprestação data pelo recorrente não entendo que tenha que ser emitido novo MPF, quando ocorre o término de validade do anterior. Nada impede, como realizado, se o procedimento teve continuidade se convalide o MPFC, com sua prorrogação por outro MPFC. Os MPF foram devidamente apresentados ao recorrente, conforme planilha por ele mesmo trazida em seu recurso, fl. 964, dessa forma, observamos que no momento do encerramento do procedimento existia cobertura de MPF. Entendo que a exigência legal é no sentido de que na data da lavratura da NFLD exista MPF válido, conferindo legitimidade ao trabalho do auditor. O fato de terem existido diversos MPF complementares, mesmo que com pequenos lapsos temporais de ausência de cobertura, mas com posterior convalidação e cientificação ao recorrente da prorrogação e continuidade do procedimento não possuem o condão de nulidificar o procedimento. Resta claro, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e durante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento. O manual do contencioso, aprovado pela OI nº 04 de 25/03/2004, dispõe na letra “c” do item 9.5.5 – VÍCIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF: O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original – embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Dessa forma, havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento.” (grifo nosso) Dessa forma, concordo com a interpretação dada pela autoridade julgadora em relação a interpretação do art. 16 do Decreto 3696/2001, não havendo reparos a serem feitos na decisão proferida. "Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do ad. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal". Quanto a nulidade pelo não cumprimento do rito de suspensão da isenção, entendo que dita preliminar confundese com o mérito de todo o lançamento, e por conseguinte, com a procedência do mesmo, razão porque apreciaremos nas questões meritórias. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Quanto a exclusão dos corresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de NFLD, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Corresponsáveis – CORESP, consoante determinação contida nos normativos previdenciários: X Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais.. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que não foi atribuída responsabilidade direta, como descrito pelo recorrente. Aliás, nesse sentido, já havia se manifestado o julgador de primeira instância não havendo, novamente, reparo a ser realizado no lançamento. Transcrevo trecho da decisão, que tratou devidamente a questão: Somente a pessoa jurídica é que teve contra si o débito lançado. Os ... . dirigentes da entidade não constam do pólo passivo da NFLD. O anexo "Relação de Co, responsáveis CORESP" serve, apenas, como subsídio à Procuradoria Regional para que,—1 • numa eventual execução judicial do crédito tributário seja apurada a responsabilidade solidária de algum dirigente, por infração à lei previdenciária ou violação ao estatuto, nos • termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 10 17 ... .. "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Neste momento, farseá uma investigação e aprofundamento acerca do contribuinte, a fim de se aquilatar a existência de dolo, fraude ou má administração por parte dos dirigentes ou, ainda, violação à lei ou ao estatuto. Os elementos caracterizadores da desconsideração da personalidade jurídica serão vistos, futuramente, se houver indícios de que o manto da personalidade jurídica do contribuinte esteja sendo usado como forma de 4. violação à lei em prejuízo do Fisco. Por outro lado, o caráter vinculado do ato administrativo do lançamento fiscal impõe que o AuditorFiscal siga os procedimentos de fiscalização, incluindo na NFLD o nome dos possíveis corresponsáveis, isto é, daqueles que poderão, futuramente, serem . acionados à satisfação dos débitos decorrentes de insuficiência patrimonial da empresa por má gestão. A força do ato de fiscalização decorre de mandamento legal que ordena esta r ▪ ukr atividade no desenvolvimento dos atos procedimentais. Apesar da responsabilidade solidária, tudo isso corrobora com a assertiva segundo a qual os sócios da impugnante não têm seus nomes inscritos como devedores das contribuições lançadas, conforme rosto da NFLD Ao contrário, o principio da distinção entre a pessoa jurídica e a pessoa física impõe concluirse pela inexistência de débito dos dirigentes da contribuinte. O débito existe em nome da impugnante e no seu CNPJ. Tratase de ato administrativo vinculado, em decorrência do princípio da legalidade. Por derradeiro, o anexo "Relação de Coresponsáveis — CORESP" menciona, tãosó, os dirigentes com poder de administração e gerência. Ainda que se tratasse de, responsabilizálos solidariamente pelo crédito apurado (o que não e o caso, digase de passagem), ainda assim a falta de recolhimento das contribuições devidas em épocas. _ próprias configuraria, por si só, infração à lei, fato este que lhe impõe tal obrigação. De ha muito, pacificouse, na doutrina e na jurisprudência pátria, a responsabilidade pessoal dos administradores, nesses casos. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 DO MÉRITO NULIDADE PELA INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DA ISENÇÃO Neste ponto alegou o recorrente que o INSS não observou o procedimento próprio para a suspensão da "isenção" da Recorrente relativa às contribuições previdenciárias (artigo 206, §8° do Decreto n.° 3.048/99), eis que, à época da lavratura da NFLD havia recurso administrativo pendente de julgamento. Embora tenha sido arguida a nulidade em sede de preliminar, entendo que tratase de questão meritória, envolvendo o direito da empresa de ter ou não isenção. Primeiramente não vislumbro a nulidade suscitada pelo recorrente, uma vez que o auditor em seu relatório deixa claros os motivos do lançamento, tendo no relatório fiscal e no relatório fiscal complementar descrito de forma pormenorizada, todo os fatos encontrados na empresa que levaram ao lançamento do crédito. Da leitura do relatório não identifico a suspensão da isenção, conforme descrito pelo recorrente. Na verdade a fiscalização entende que a empresa não possui direito a isenção, tendo em vista não preencher os requisitos do art. 55 da lei 8212/91. Diferente do que entendeu o recorrente a fiscalização descreveu no relatório que a universidade, nunca foi detentora da suposta isenção, considerando, inclusive que nunca ingressou com pedido de isenção perante o INSS. Vejamos trecho do referido relatório: A Universidade Católica de Salvador possui os seguintes títulos: a) Utilidade Pública Federal — Não consta nos arquivos da Secretaria Nacional de Justiça, órgão do Ministério da Justiça, qualquer requerimento ou pedido de concessão de titulo; • b) Utilidade Pública Estadual Lei 4.477, de 21.06.85, vencido em 22.06.95, em virtude do caput do art. 2° da Lei Estadual n° 6.670, de 21.07.94, que • estabelece requisitos para reconhecimento e revalidação de utilidade pública de pessoas jurídicas de direito privado. Diz o art.: "A revalidação do reconhecimento será concedida por ato da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, solicitada através de requerimento assinado pelo presidente ou responsável pela entidade, após completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses subsequentes, sob pena de perder a condição de utilidade pública". Não comprovou revalidação; c) Utilidade Pública Municipal — Não possui ou não nos apresentou, apesar de intimada a apresentar, d) Registro no CNAS Processo 214.777/7890, deferido em sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127, de 04.09.98, publicada no \ • DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o processo 28976.000148/9516 (Averbada como entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia); Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 11 19 e) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEDAS) Processo 214.777/78, deferido em 16.02.93 à Associação Universitária e Cultural da Bahia (cita que é extensivo à UCSAL); renovado através da • Resolução 127, de 04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, • julgando o processo 28976.000148/9516, com validade de 01.01.95 a 31.12.97; renovado através da Resolução 85, de 09.05.00, publicada no DOU, em 11.05.00, Seção I, julgando o processo 44006.002624/9981, com validade, de 01.01.98 a 31.12.00. (Averbada como entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia). Nesse interim a alegação que descumpridos os preceitos do art. 206, §8º do Decreto 3.048/99 não merece guarida, posto que aquele dispositivo é aplicável aos casos, que perante o INSS a entidade fosse detentora do direito a isenção, e por descumprimento posterior de quaisquer dos requisitos legais viesse a perdela. Quanto a alegação de que o auditor consubstanciou o lançamento em decisão do CAJ, que digase a qual foi atribuído efeito suspensivo, entendo que conclusão diversa extraise dos relatórios e da própria decisão. O julgamento do CAJ não foi relacionado a pedido de isenção, nem tampouco ato cancelatório. O lançamento consubstanciouse no fato (como veremos nos próximos tópicos) de que a empresa NÃO POSSUÍA ISENÇÃO, seja porque possuía personalidade própria e não requereu o referido direito a mesma, seja porque sua mantenedora(a quql entende o recorrente poderia valerse da sua condição), também não procedeu o requerimento do pedido de isenção perante a previdência social. A transcrição da isenção, deixa claro tratarse de ente com personalidade jurídica, sem que em seu nome tenha cumprido os requisitos. No caso, afasto qualquer alegação de nulidade por ter a NFLD sido lavrada em momento cuja exigibilidade estava suspensa (art. 151, III do CTN). Tratase de outro procedimento fiscal, outra NFLD, outro relatório fiscal com fundamentos para a exigência tributária. DA PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA. Quanto a este ponto, entendo que foi muito apropriado o relatório fiscal complementar, onde realizou a autoridade fiscal, um histórico em relação a todos os lançamentos realizados em nome do sujeito passivo, julgamento dos recursos interpostos perante o CRPS, análise do estatuto da universidade, concluindo ao final: Após perder na primeira instância administrativa, a entidade apresentou recurso ao CRPS, em 10.03.97, alegando ser isenta, já que era mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia; que seriam uma única pessoa jurídica, e que, supostamente, nesta condição, utilizandose das titulações desta "outra", teria direito ao benefício legal de forma extensiva, o que não infringiria o § 2° do art. 55 da Lei 8.212/91, que diz: "§2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção". Em 08.05.98, a 7° CaJ do CRPS conhece dos recursos mas mantém as decisões da primeira instância por meio dos Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 acórdãos abaixo listados (acórdãos na íntegra, fls. 80 a 85): ' • 07/03629/1998 • 07/03630/199. Fundamentou que a Universidade Católica do Salvador e a Associação Universitária e Cultural da Bahia seriam duas entidades distintas. A Universidade Católica do Salvador, então, em 20.07.98 pede revisão dos dois acórdãos da 7 CaJ utilizandose dos mesmos argumentos. Em 21.09.98, faz novas alegações e traz um novo documento, o Parecer 02198, obtido no CNAS, que dizia que a Universidade Católica cio Salvador não Unha personalidade jurídica. Este Parecer, no CNAS, serviu para averbar a UCSal no certificado da Associação Universitária e Cultural da Bahia, no processo de recadastramento no CNAS, n° 28.976.014819516. Em 24.09.98 a 8 CaJ do CRPS, em face do pleito revisional da Universidade Católica do Salvador, objetivando a reforma dos Acórdãos n° 3.629198 e 3.630/98, julgados em 01.04.98 pela r CaJ do CRPS, pronunciou se. Acórdãos: 08106818/1998; ' 08/06819/1998. Na sessão realizada no dia 24.09.98, por unanimidade, os membros da 8 21 CaJ conhecem do recurso e no mérito dão provimento, na forma e no voto da Relatora, com a sua fundamentação. Em resumo, o que o acórdão disse foi o seguinte: 1) A Universidade Católica do Salvador não possui personalidade jurídica, é um ente despersonalizado pertencente a Associação Universitária e Cultural da Bahia. 2) A Associação Universitária e Cultural da Bahia é isenta, por isso os débitos de contribuições patronais referentes à Universidade Católica do Salvador não • procedem. Esta fiscalização entendeu TOTALMENTE EQUIVOCADA a decisão da 8 a CaJ do CRPS de considerar a Universidade Católica do Salvador como um ente despersonalizado, pertencente a Associação Universitária e Cultural da Bahia, pois alegava que aquela não possuía estatuto registrado nos órgãos competentes, II fundamentandose, inclusive, no Parecer CJ/MPAS 509/96, que não é aplicável ao caso em análise. 'Em diligência realizada no 1° Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas para verificar se os estatutos das duas entidades se encontravam registrados naquele ofício'foi feito um requerimento ao dito cartório, que forneceu certidão, onde consta, dentre outros documentos arquivados pela Universidade Católica do Salvador, o seu 'Estatuto vigente. Este Estatuto, ainda vigente, foi registrado em 13.10.61, contrariava o argumento da decisão do acórdão da 8a CaJ do CRPS, e não constava do processo até então. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 12 21 Contudo apesar de não ter qualquer pedido de isenção deferido pelo INSS em relação às duas entidades não poderíamos lavrar os débitos de contribuições patronais em virtude dos acórdãos da 8a CaJ do CRPS, que precisariam ser reformados. Em busca do melhor direito, para cassação da suposta isenção, encaminhamos o processo No.35013.002778/200269, peticionando a revisão dos acórdãos da 8° CaJ do CRPS, já que foram eles que tiveram o condão de dar isenção à Universidade Católica do Salvador. Entendemos que o próprio CRPS poderia rever sua decisão. A Súmula 473 do STF e os art. 53 e 54 da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, autorizavam a revisão. Finalmente o pedido de reforma dos acórdãos foi a julgamento no dia 23 de julho de 2003, na sessão n° 02/00264/2003, que resultou nos Acórdãos 02101905/2003 e 02/01909/2003, conhecido e provido por unanimidade, nos termos do relatório, que transcrevemos: Às fls.. 242 a 245, encontrase transcrito o relatório referente aos processos de revisão acima mencionados. EMENTA CUSTEIO RECURSO DE REVISÃO LEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO Inscrito o Estatuto Social da pessoa jurídica, ele passa a gozar de personalidade jurídica própria e, portanto, pode ser sujeito passivo de obrigação tributária. PRECLUSÃO ART. $1, § 2.° DA PORTARIA/MPAS N.° 2.740/2.001 ART. 54 DA LEI N.° 9.784/99 EFEITOS DAS • PORTARIAS LIMITES DO ATO ADMINISTRATIVO REGULAMENTAR PRAZO QUINQUENAL As Portarias expedidas por autoridades superiores vinculam os órgãos subordinados.° CRPS, enquanto órgão do MPS, via de regra, está subordinado às Portarias Ministeriais. Em face do seu munus e da ilegalidade do § 2.° do art. 51 da Portaria/MPAS n.° 2.740/2.001, merece ser afastada sua aplicabilidade É de cinco anos o prazo para interposição do recurso de revisão. PREVISÃO LEGAL REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE ERRO MATERIAL DIVERGÊNCIA DE I * PARECER MINISTERIALS cabível o recurso de revisão quando verificado erro material ou divergência de parecer ministerial vinculante no Acórdão. PARECER CJ/MPAS AL° 506/96 ENTIDADE MANTIDA QUE GOZA DE PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA ENTIDADE MANTENEDORA QUE NÃO GOZA DO BENEFÍCIO DE ISENÇÃO. Somente se estende o benefício de isenção obtido pela entidade mantenedora à entidade mantida que não possua personalidade jurídica própria. Provado que entidade mantida possui personalidade jurídica própria e que a mantenedora não usufrui no benefício de Isenção, não lhe pode ser estendido tal direito. Acórdão da 8.° CaJ anulado, restabelecendo o Acórdão da 7• 4 CaJ. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Destaque para voto de admissibilidade do Recurso de Revisão: ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE REVISÃO Do Pressuposto Subjetivo Em face das assertivas do recorrido, examinemos, a priori, sua legitimidade para figurar no pólo passivo da NFLD. A Autarquia anexou aos autos cópia da publicação oficial da inscrição do Estatuto Social da Universidade Católica de Salvador (fls. 633) e da Certidão expedida pelo 1° Oficio do Cartório do Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil , das Pessoas Jurídicas de Salvador (fls. 635) as quais registram em seu art. 5.0 que: "Art. 5.° A Universidade Católica do Salvador tem personalidade jurídica própria, gozando de autonomia administrativa, didática, financeira e disciplinar, respeitados os dispositivos da legislação federal e do presente Estatuto." Não bastasse o fato do Estatuto Social registrar expressamente a autonomia de • sua personalidade jurídica, prescreve o art. 18 da Lei n.° 3.071/16 (Código Civil) que: Art. 18. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição dos seus contratos, atos constitutivos, estatutos ou compromissos no seu registro peculiar, regulado por lei especial, ou com a autorização ou aprovação do Governo, quando precisa." Ao que se vê, a inscrição do Estatuto Social do recorrido, per si, assegura sua existência legal autônoma, podendo figurar como sujeito passivo de obrigação tributária e, por conseguinte, gozando de legitimidade passiva na presente NFLD. E mais, a referida documentação vai ao encontro da conduta assumida pelo recorrido de se sujeitar a outros tributos (COFINS, ISSQN, p. e.) e praticar atos em nome próprio, por exemplo, propor ações judiciais ([Is. 926/942) e contabilizar as receitas advindas das atividades educacionais em seu próprio patrimônio (fato que ela própria admite às fls. 580. Após a admissibilidade encaminhou o relator voto no seguinte sentido: DO VICIO MATERIAL INSANÁVEL A 8.° Caj decretou a nulidade do Acórdão proferido pela 7. 8 CaJ, em razão, basicamente, do entendimento pacificado pelo Parecer CJ/MPAS n.° 509/96. Sua ementa se transcreve por PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO DE COTA PATRONAL IMUNIDADE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS. A isenção da contribuição patronal concedida a Instituição (pessoa jurídica) aproveitase a todos os departamentos ou atividades despersonalizadas, desenvolvidas pela beneficiaria. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 13 23 Partindo da premissa de que a recorrida não possuía personalidade jurídica própria, a 8." Cai entendeu que a Universidade Católica de Salvador deveria cozer do beneficio de isenção fiscal conferido à entidade mantenedora, no caso, a • Associação Universitária e Cultural da Bahia e, portanto, não merecia subsistir a NFLD. Data venia. equivocouse aquele órgão julgador. Nunca houve nos autos prova de que a entidade mantenedora gozava do benefício de isenção fiscal que pudesse ser estendido à recorrida. Ao contrário, em resultado da diligência requisitada pela 2. CaJ. restou provado que a Associação Universitária e Cultural da Bahia não levou a termo seu requerimento de isenção (lis. 286 e 292/317), razão pela qual nunca gozou do beneficio fiscal. Assim sendo, não poderia a 8. a Cal reconhecer o direito de isenção da Universidade Católica de Salvador, donde se verifica evidente erro material. E mais, a assertiva da! recorrida no sentido de que possui direito adquirido ao beneficio de isenção não merece acolhida, vez que, ao qozar de personalidade jurídica própria, ela devia ter exibido documentação comprobatória desse beneficio fiscal, o que não logrou êxito em fazelo. Após o advento do DecretoLei n° 1.572/77, passaram a ser as três exigências para o gozo do beneficio de isenção fiscal, quais sejam: o certificado de utilidade pública; o certificado de entidade de fins filantrópicos; e que, os diretores da entidade não percebam remuneração. Afora o Certificado de Utilidade Pública Estadual (fls. 91), ela não exibiu o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos em seu nome, de forma que não pode ser reconhecido o direito ao benefício prescrito pelo referido diploma legal. Por outro lado, não procedem as assertivas de que o INSS inovou a causa petendi. Verificase do Relatório Fiscal (fls. 16/17) que o AFPS partiu da premissa de que a recorrida possuía personalidade jurídica própria e, por não gozar do benefício de isenção, estava obrigada ao recolhimento da quota patronal das contribuições previdenciárias. Ao se defender, a recorrida aduziu que estava vinculada a entidade mantenedora em gozo do benefício de isenção fiscal, tese essa acolhida pela 8. a Cai. A partir daí, toda a discussão se concentrou sobre a matéria de defesa, razão pela qual é possível formar convicção de que a Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Universidade Católica de Salvador é responsável pela inovação da causa petendi, e não a Autarquia, que procura apenas repelir tal entendimento. Passemos, então, á divergência de parecer ministerial. DA DIVERGÊNCIA DE PARECER MINISTERIAL A bem da verdade, o Acórdão proferido pela CaJ diverge do entendimento • pacificado pelo Parecer CJ/MPAS n.° 509/96. Em primeiro, porque o benefício de isenção conferido á entidade mantenedora somente pode ser estendido à entidade mantida que não goza de personalidade jurídica própria, o que não se verifica na presente situação. Restou provado que a Universidade Católica de Salvador coza dessa qualidade e .portanto, não poderia a 8. 8 Cai ter se utilizado do entendimento do parecer ministerial para decretar a nulidade do Acórdão proferido pela 7 Caj. E. em segundo porque o Parecer Ministerial parte da premissa de que a entidade, mantenedora goza do beneficio de isenção de modo que possa estendêlo á entidade mantida, o que também não se verifica na presente situação. Foi provado que a Associação Universitária e Cultural da Bahia nunca gozou do beneficio de isenção fiscal, razão pela qual o parecer ministerial não poderia fundamentar a revisão do Acórdão da 7. 8 Cai. Em face destes vícios, deve ser decretada a nulidade do Acórdão a° 08CaJI/06818/1.998 (t7s. 219/234).Importante, destacar que a NFLD deuse em 28/04/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/05/2010. Passemos, então, a novo exame do recurso de revisão interposto pelo notificado contra o Acórdão proferido pela 7.° CaJ. DO RECURSO DE REVISÃO DO NOTIFICADO A matéria controvertida se detém sobre o direito do notificado à extensão do beneficio de isenção fiscal conferido á Associação Universitária e Cultural da Bahia, em face do entendimento pacificado pelo Parecer CJIMPAS n.° 509/96. Reportome aos fundamentos deste voto para afirmar que o notificado não faz 'm extensão de um direito não conferido à entidade mantenedora. Não obstante, por gozar de personalidade jurídica própria, não lhe se aplica o art. 55. 20 da Lei n.° 8.212/91 sobre o qual se manifestou a Consultoria Jurídica do MPAS. Não fazendo jus ao beneficio de isenção definido pelo art. 55 da Lei n.° 8.212191 o notificado se encontra obrigado ao recolhimento da quota patronal das contribuições providenciarias e, portanto, merece subsistir a NFLD. DISPOSITIVO Voto, primeiramente, pelo CONHECIMENTO do recurso de revisão interposto pelo INSS. para DARLHE PROVIMENTO, ANULANDO o Acórdão n.° 08CaJ/06818/1.998 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 14 25 (lis. 219/234), de forma a restabelecer o Acórdão proferido pela 7° CaJ ((Is. 152/1541 É como voto. N° do Acórdão: 02/0190512003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da r CÂMARA DE JULGAMENTO DO CRPS, por unanimidade, em CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO INSS e, no 1 mérito, por unanimidade, DARLHE PROVIMENTO, na forma do voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Brasília, 23/07/2003 Mário Humberto Cabos Moreira Presidente da 2 Câmara de Julgamento do CRPS. Conforme bem destacado pelo auditor, e reforçado perante a Decisão do CRPS transcrita no relatório fiscal complementar, a UCSAL possui personalidade jurídica, devendo ela própria cumprir os requisitos do art, 55 da lei 8212/91, quanto ao gozo de isenção. Assim, ao não ter requerido a isenção, ou mesmo possuir os documentos que possibilitariam a realização do pedido, não há de fazer jus a isenção pretendida, considerando que também não requereu, perante o INSS o direito a isenção. Da análise dos fatos acima descritos, também não acolho o argumento de que a imunidade (isenção constitucional) a qual a UCSAL faz jus, advém da sua condição de mantida pela .Associação Universitária e Cultural da Bahia. Podese facilmente concluir, pela leitura acima, que não se trata de ente despersonalizado, não podendo usufruir a suposta isenção de sua mantenedora. Aliás, em seu relatório, enfatiza o auditor que nem mesmo a Associação Universitária (dita por mantenedora) é detentora do direito a isenção , posto não enquadrarse na condição de direito adquirido (preenchimento dos requisitos antes de 01.09.77), nem tampouco ter requerido em seu nome perante o INSS, a isenção de contribuições previdenciárias. Vejamos trecho do relatório fiscal, fl. 938: Conclusivamente, pois, afora a discussão apontada pela impugnante, acerca de sua personalidade jurídica, o fato é que, até 01.09.77, tanto ela quanto a Associação não possuíam isenção; e, após a Lei 8.212/91, também, não foi conferida qualquer isenção a essas entidades. No que , respeita à querela, em torno da existência ou não de personalidade ! jurídica por parte da impugnante e de sua manutenção pela Associação Universitária e Cultural da Bahia, o Estatuto da Universidade Católica do Salvador, registrado, em 1110.61 no Cartório do 1° Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Ca .ital do Estado da Bahia diz expressamente em seu art. 50 •lie a UCSAL ~.....~. i tem personalidade jurídica própria. Ora, o art. 18 do Código Civil Brasileiro estabelece que tz começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do seu...— estatuto, no seu registro peculiar, regulado por lei especial; por esta razão, não há que se— _ falar em aplicação do Parecer CJ/MPAS n° 509/96, dirigido, tão somente, aos entes— despersonalizados, ou seja, aqueles que não submetem seus atos constitutivos ao registro próprio, não sendo o caso da impugnante. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Outros elementos, adiante explicitados, atestam a existência de i personalidade jurídica distinta entre a impugnante a UCSal e a Associação Universitária e Cultural da Bahia: a) a UCSal firmou, por conta própria acordo de repactuação de débitos fiscais, o REFIS; b) a UCSal possui Título de Utilidade Pública Estadual distinto do titulo da Associação; c) a UCSal figura como contratante e ingressa com ações judiciais de execução, por si só, independente da Associação. Enfim, a impugnante tem personalidade jurídica para praticar todos os atos supra citados; por que não teria personalidade jurídica para responder perante o INSS? A propósito, sobre o assunto, já se manifestou, o Judiciário, em diversas oportunidades,. — externando, em todas elas, o mesmo entendimento de que a UCSAL e a Associação tém _personalidades jurídicas distintas, a teor da sentença exarada nos embargos do devedor— 96.00099472 da 4° Vara Federal de Salvador e do Agravo de Instrumento 1998.01.00.0888094/B e 1997.01.00.0288564/BA. Da mesma forma, entendo, assim como já manifestado pela autoridade julgadora que não se aplica os termos do Parecer MPAS 590, posto possuir a UCSAL personalidade jurídica. O próprio parecer deixa clara essa situação: 08 A Lei de Custeio da Previdência Social, ao ressalvar as isenções já concedidas, preservando o direito adquirido, faz menção no § 2º do artigo 55, que a abrangência da isenção não se estende a empresa ou entidade com personalidade Jurídica própria, que seja ou venha a ser mantida por outra no exercício da isenção patronal, "in verbis": Art. 55. ............................................................................................ § 2º A isenção que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade Jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção.(grifei) 09 O parágrafo supra transcrito não deixa dúvidas na sua exegese, ou seja, a isenção só não se estenderá às entidades personalizadas que desenvolvam atividades por intermédio deoutra pessoa Jurídica. Sendo esta atividade ou departamento despersonalizado, não há que falar em incidência da contribuição patronal. DA CONDIÇÃO DE IMUNE Conforme apreciamos acima, perante a Administração Tributária, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme destacado acima. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 15 27 No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que mesmo que a entidade em questão se enquadrasse em algum dos casos descritos acima, para enquadrarse como detentora do direito adquirido a isenção, a emissão de ato cancelatório lhe afastaria tal direito, pois o direito a isenção pode ser cassado, pelo descumprimento das obrigações inerentes as entidades filantrópicas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 16 29 e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Para a empresa em questão, não se aplicou o disposto na Lei n ° 9.249 em virtude de até a publicação dessa Lei a entidade não ter cumprido os requisitos da Lei n ° 8.212/1991. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 17 31 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, muito menos ter requerido a isenção junto ao INSS, o que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação, Por tratarse de imunidade. DA APLICAÇÃO DO ART. 14 DO CTN Da mesma forma, não acato a tese de que os dispositivos legais aptos a delimitar os requisitos necessários seriam os art. 9 e 14 do CTN – abaixo transcrito –, haja vista a entidade entender que cumpre esse dispositivo legal. Nesse sentido, ao contrário do argumento recursal, o CTN regula o artigo 150 da CF/88 (restrito à imunidade de impostos), ao passo que o art. 195, parágrafo 7º da Constituição (específico para contribuições sociais) era regulado pelo art. 55 da Lei 8.212. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (...) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Evidenciado, então, que a imunidade do art. 150, VI, “a” do texto constitucional referese apenas a impostos, não se aplicando às contribuições sociais. Destarte, cumprir ou não o art. 14 e o 9 do CTN são irrelevantes, visto o lançamento não se referir a impostos. A própria Constituição Federal em seu art. 150, § 7º reconhece a distinção entre as espécies tributárias impostos e contribuições, nestas palavras: Art. 150 (...) § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(grifei) Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 18 33 Para fazer jus a imunidade (conforme afirma o recorrente) prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; 11 seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Assim, não acato os argumentos do recorrente de que apenas por meio de lei complementar, poderseia estabelecer os limites para o direito a isenção do art. 195, § 7º da CF/88, justamente por tratarse de imunidade.. Estando vigente o art. 55 da lei 8212/91, que determina o alcance do art. 195, § 7º para as contribuições previdenciárias cumpri ao auditor fiscal aplicalo ao caso concreto. Também entendo despicienda a análise dos efeitos da lei 8742/93, argumentado pelo recorrente, uma vez que não foi esse o cerne da questão para que e entidade não pudesse usufruir o direito a isenção de contribuições. Da mesma forma a entrega por sua mantenedora dos relatórios de atividades junto ao Ministério da Justiça, pode ser relevante para cumprir exigências junto aquele órgão, mas de forma, alguma supriria o necessário cumprimento dos requisitos do art. 55 da lei 8212/91, j[a exaustivamente apreciado. POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorrente. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991, principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual deve o auditor, no exercício de atividade vinculada, cumprir e aplicar todos os dispositivos da legislação previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUANTO AO RECONHECIMENTO PERANTE O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA Quanto ao argumento que perante o MJ a entidade apresentase regular, entendo que dito fato também não serviria como fato capaz de alterar o julgamento., tendo em Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 19 35 vista a competência distinta de cada órgãos no que pertine aos requisitos legais para dita isenção (imunidade argumentada pela recorrente). É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Dessa forma, a decisão proferida encontramse em perfeita consonância com com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrar se previsto na constituição, tratarseia de imunidade, fato é que não cumpriu os limites legais para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir um dos preceitos do art. 55 da lei 8212/91. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de contribuições previdenciárias. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 36 Por sua vez, a Associação Universitária e Cultural da Bahia possui as seguintes titulações: a) Utilidade Pública Federal Decreto 97.267, de 16.12.88 (processo 19.596/87 — requerido em 10.07.87); b) Utilidade Pública Estadual — Lei 2.912/71, vencido em 21.06.94, data da entrada em vigor da Lei Estadual n° 6.670, de 21.07.94, que estabelece, em seu art. 2°, requisitos para reconhecimento e revalidação de utilidade pública 1 de pessoas jurídicas de direito privado. Diz o art.: "A revalidação do reconhecimento será concedida por ato da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, solicitada através de requerimento assinado pelo presidente ou responsável pela entidade, após completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses subsequentes, sob pena de perder a condição de utilidade pública". Não comprovou revalidação; c) Utilidade Pública Municipal — Não possui ou não nos apresentou, apesar de intimada a apresentar; • II d) Registro no CNAS — Processo 214.777/7890, deferido em sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127, de 04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o processo 28976.000148/9516; e) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) Processo 214.777/78, deferido em 16.02.93 (Cita que é extensivo UNICSAL); renovado através da Resolução 127, de 04.09.98, publicada no L DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o processo 28976.000148/9516, com validade de 01.01.95 a 31.12.97; renovado através da Resolução 85, de 09.05.00, publicada no DOU em 11.05.00, Seção I, julgando o processo 44006.002624/9981, com validade de 01.01.98 a 31.12.00. A Associação Universitária e Cultural da Bahia, não possuía, antes da vigência do Decretolei 1.572/77, e nem requereu no prazo por ele determinado, de 90 (noventa) dias, o Título de Utilidade Pública Federal e o então Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Com o advento da Lei 8.212, de 1991, nem Associação, nem a UCSAL tiveram qualquer pedido de isenção deferido. Pelo menos desde 1973, quando entrou em vigor o Decreto 72.771, de 06.09.73, • que regulamentou a Lei 3.577/59, uma entidade que não possuísse o Titulo de Utilidade Pública Federal e o antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos não poderia gozar de isenção no INSS. É o que diz seu art. 275: `Art. 275. A entidade de fins filantrópicos, para gozar da isenção prevista na Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, deverá apresentar ao INPS o certificado em que sela como tal declarada pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura. § /° A isenção será efetivada a contar do mês em que a interessada formalizar ao INPS sua pretensão acompanhada dos elementos pelos quais faça prova de que preenche os requisitos Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 20 37 indicados no parágrafo seguinte, e será suspensa a qualquer tempo, quando for apurado que deixou de satisfazer a qualquer daqueles requisitos, notificado o Conselho Nacional de Serviço Social. § 2° O INPS verificará, periodicamente, para efeito de continuidade da isenção, se a entidade conserva a qualidade referida neste artigo, cujos requisitos são: 1 possuir titulo alusivo ao reconhecimento pelo Governo Feder como de utilidade pública. II destinar a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito, de suas finalidades; III demonstrar que não percebem remuneração, vantagens ou benefícios seus diretores, sócios ou irmãos no desempenho das funções que lhes são estatutariamente atribuídas". (grifamos). "DECRETOLEI AP 1.572 DE 1 DE SETEMBRO DE 1977 DOU DE 1/09117 Revoga a Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, e dá outras providências. • O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, decreta: Art. 1° Fica revogada a Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a Instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto Lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteia isenta daquela contribuição. § 2° A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer dentro de 90 (noventa)dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei o seu reconhecimento como • de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3° O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado. desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4° A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade, pública federal indeferido, ou que não o tenha Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 38 requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciarias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Art. 2° O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição providenciaria a partir do mês seguinte ao dessa revogação. Art. 3° Este Decretolei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 4° Revogamse as disposições em contrario".(grifamos). A conclusão a que chegamos é que Universidade Católica do Salvador e Associação Universitária e Cultural da Bahia são pessoas jurídicas distintas, e nenhuma delas tem direito de gozar do beneficio da isenção das contribuições providenciadas. Da apreciação dos dispositivos legais trazidos pelo auditor em seu relatório (e acima transcrito), entendo (ao contrário do que interpretou o recorrente), que o título de utilidade requerido era o de “Utilidade pública Federal”, e não o estadual, como pretendeu interprestar o recorrente.. Face o exposto, neste ponto, também não encontro argumentos capazes de garantir o direito a isenção a Associação Universitária e Cultural da Bahia (caso, é claro, se acolhesse a condição de ente despersonalizado a UCSAL, o que não se aplica). Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 21 39 INCIDÊNCIA QUANTO A VERBA BOLSA DE ESTUDOS Alega o recorrente que não podem incidir contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos concedidas gratuitamente aos seus empregados, seja porque s trata de, atividade assistencial (artigo 203, da Constituição Federal) e portanto é imune, à tributação, seja porque é obrigação decorrente de cláusula coletiva de trabalho e enquadrase perfeitamente na hipótese de não incidência prevista no artigo 28, parágrafo 9°, alínea "t" da Lei n.° 8.212/91. Convém inicialmente identificar os fatos geradores relacionados a referida rubrica. 4.1.2 No período de 02/1999 a 12/2001 foram apurados benefícios concedidos aos segurados empregados e seus dependentes à título de "Bolsa de Estudos Servidores" e "Bolsa' de Estudos Professores" — registrados nas contas contábeis dedutoras da receita e codificadas como 312.001.002 e 312.001.003, respectivamente — uma vez que a utilidade 4.1.2 No período de 02/1999 a 12/2001 foram apurados benefícios concedidos aos segurados empregados e seus dependentes à título de "Bolsa de Estudos Servidores" e "Bolsa' de Estudos Professores" — registrados nas contas contábeis dedutoras da receita e codificadas como 312.001.002 e 312.001.003, respectivamente — uma vez que a utilidade fornecida tem origem no contrato de trabalho e surge em decorrência da prestação de serviços, representando um acréscimo no patrimônio do trabalhador, tendo sido tais valores considerados salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 214, inciso, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06.05.99. Já entendeu o TST que "toda a vantagem atribuída ao empregado, sem a qual teria que desembolsar numerário para dela usufruir, possui natureza de contraprestação e, portanto, situada no campo das parcelas salariais, ante a onerosidade do contrato de trabalho" (RR — 4.273/89.5 —DJU 08111/1991). Exceção deve ser feita somente às parcelas e condições mencionados na legislação específica". Apesar de intimada para tal, a empresa não apresentou à fiscalização, contrato, convenção, acordo coletivo ou qualquer outro documento que evidenciasse os, critérios pertinentes ao referido beneficio, tendo sido lançados os valores registrados na, contabilidade. Alega o recorrente: Ora, as "bolsas de estudos" em questão, se enquadram perfeitamente na exceção acima transcrita. De fato, tal beneficio foi concedido nos moldes de CONVENÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO, nas quais convencionouse disponibilizar gratuitamente em favor de todos empregados e' dirigentes da Recorrente, bem como aos respectivos dependentes o estudo básico, j bem como cursos de capacitação profissional, nos Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 40 exatos moldes do artigo 28,, parágrala 90, alínea "t" da Lei n°8.212/91. BOLSA AOS ESTUDO AOS DEPENDENTES E EMPREGADOS Quanto a concessão de bolsa de estudos aos empregados, bem como filhos destes, não constituírem salário de contribuição razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que, não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme descrito no relatório fiscal, as bolsas são previstas em acordos coletivos e concedidas aos empregados, professores e filhos destes, contudo mesmo individualizando os beneficiários, a empresa não especificou a condição de cada bolsista, ou seja, se professor, aluno ou filho de funcionário ou quais os critérios para sua concessão (ressaltese que no relatório fiscal destacou o auditor, que apesar de intimada a empresa não apresentou os documentos.) Assim, .entendeu o auditor por considerar salário de contribuição posto o descumprimento de não tratarse de educação básica, nem ter demonstrado que se trata Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 22 41 de cursos de capacitação e qualificação profissional relacionados com as atividades desenvolvidas. De pronto destaco, que no meu entender até a edição da Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. BOLSAS CURSO SUPERIOR Devo esclarecer que apesar das alegações quanto ao curso superior relacionarse a capacitação não identifiquei no recurso, qualquer documento que estabelecesse uma correlação entre o benefício e o trabalho realizado. Pelo contrário, analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35, fl.731, não se identifica qualquer critério relacionado ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente da correspondente vinculação com a atividade exercida na UCSAL. Vejamos: VANTAGENS FUNCIONAIS 12.1 A universidade, obedecida regulamentação específica, concederá aos seus servidores (docentes e administrativos) e aos seus dependentes legais (assim considerados pela legislação do imposto de Renda) bolsa de estudo. integral para os seus cursos regulares, sempre que se tratar da primeira graduação universitária a que se propõe obter o beneficiado. 12.2– No caso dos cursos de extensão e pósgraduação, o beneficio previsto no item anterior será de 50% do valor da mensalidade cobrada. 123– Deixarão de ser contemplados com o benefício previsto no item 12.1 os servidores ou seus de dependentes que: 1– forem reprovados no semestre em 02 disciplinas; II – trancarem, no máximo, 02 disciplinas durante o curso • 12.4 – Deixará de ser contemplado com o beneficio previsto no item 12.20 beneficiário que não lograr a aprovação ou deixar de concluir um dos cursos de extensão e pósgraduação em que se matricular. 12.5 – Após cada 5 anos de efetivo exercício, o servidor docente fará jus a uma gratificação adicionar:' por tempo de serviço, correspondente a 5% do respectivo salário, até 6 qüinqüênios. 12.6 – O servidor administrativo gozará do mesmo direito previsto no item 12.5, até o limite de 7 quinquênios Entendo que o posicionamento do auditor ao considerar os valores como salário indireto encontrase acertada. Compete a empresa ao realizar a concessão de benefícios, demonstrar o cumprimento da legislação para afastar a incidência de contribuição. No caso, ao Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 42 conceder aos dependentes dos empregados, nem fazer prova de tratar de programa de qualificação, demonstrando a ligação do curso com a atividade desenvolvida, não cumpriu a empresa as exigências legais. Não basta simplesmente alegar, deveria a recorrente apresentar os documentos durante a impugnação, o que não o fez. Entendo que o fato de assegurar benefícios de cursos de qualificação profissional, estabelecendo como critério a vinculação à área de atuação no órgão estaria dentre as possibilidades legais de exclusão da base de cálculo, mas não é este o caso objeto deste lançamento, conforme observamos acima. Senão vejamos o que dispõe a lei: “ t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)” Concordo com a autoridade fiscal quanto a incluir como salário de contribuição, os benefícios provenientes do cursos de nível superior simplesmente, por não consistirem em educação básica, nem cursos de qualificação profissional quando não demonstrada a correlação ou critérios de concessão. BOLSAS – CARÁTER ASSISTENCIALISTA Quanto a este ponto argumentou o recorrente: “notese mais, que as aludidas bolsas de estudo compõem o percentual de qratuidade de que trata o artigo 2°, inciso IV, Decreto n° • 752/93, com a redação atual dada pelo artigo 3°, inciso VI, do Decreto n° 2.536/98, o que afasta, de forma absoluta a tentativa da fiscalização de atribuirlhes caráter remuneratório. Somente se poderia cogitar a incidência de contribuições previdenciárias sobre tal beneficio, acaso fossem concedidas as mencionadas bolsas em caráter remuneratório, nunca reiterese, em caráter não oneroso e sobretudo assistencial, com o é no presente caso.” Da mesma forma, que em relação aos outros pontos trazidos no recurso, afasto o argumento de que as bolsas são prestadas na forma assistencialista, ou seja, em cumprimento aos objetivos institucionais da instituição. Ao direcionar o benefício aos empregados e dependentes destes, a empresa está simplesmente concedendo um benefício indireto a eles e não a toda a comunidade. Podemos imaginar da seguinte forma: Será que houve um processo seletivo, aberto a toda a comunidade e aos funcionários (em igualdade de condições), para definição de quem seria beneficiado pela bolsa? Acredito que não. (considerando as alegações e documentos constantes dos autos). Dessa forma, as bolsas aos empregados e dependentes destes foram ofertadas em função do vínculo de emprego (ou seja, o nascimento do benefício, deuse pela existência do vínculo laboral), razão porque não merece prosperar, também esse argumento do recorrente. LEGISLAÇÃO QUE DEFINE OS NÍVEIS E MODALIDADES DE EDUCAÇÃO Ainda para reforçar o entendimento quanto a concessão de bolsas de curso superior (por si só) não estar na exclusão do art. 28, § 9º, pertinente avaliarmos os termos da lei nº 9.394, de 20/12/1996 (expressamente descrita no art. 28, “t”): TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 23 43 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurarlhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecerlhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Art. 23. A educação básica poderá organizarse em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos nãoseriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. 43. A educação superior tem por finalidade: I estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; IV promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; VI estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino; I cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 44 estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). II de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; III de pósgraduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados, a respectiva ordem de classificação, bem como do cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. (Incluído pela Lei nº 11.331, de 2006) Ou seja, pela análise do diploma legal, fica evidente que não quis o legislador excluir da base de cálculo simplesmente a educação superior, pois se o quisesse, bastaria descrevêlo na lei como o fez com a educação básica. Entendo que para que haja a exclusão o curso de nível superior terá que estar cumprindo a função de capacitação profissional. Assim sendo, correto o lançamento efetuado. O que não integra o salário de contribuição é o valor relativo ao plano educacional destinada ao próprio empregado. Neste caso, o legislador buscou uma forma de estimular as empresas a fornecer educação de qualidade a seus empregados. É certo que ao fornecer educação básica aos filhos de seus empregados a empresa está colaborando com o desenvolvimento do país, com a satisfação de seus empregados que conseguem oferecer aos seus filhos um ensino de qualidade. Porém não se pode desconsiderar que esse fornecimento representa um ganho considerável para o trabalhador, caracterizandose como um salário indireto, à medida que o empregado teria que arcar com o custo da educação de seus filhos em uma outra unidade escolar. O art. 458 da CLT, § 2º descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial na esfera trabalhista, porém não podemos entender que essas verbas quando estendidas aos dependentes dos empregados também estarão excluídas da remuneração (como expressamente descrito após a edição da lei em 20110. Se assim o fosse, acabaria por estimular os empregadores e retribuir os empregados, por meio de seus dependentes com diversas outras utilidades, sem que isso refletisse em seus direitos trabalhistas tais como: férias, 13º salário etc. Senão vejamos: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula nº 258 do TST.) Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 24 45 § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII – VETADO. Como dito anteriormente, é certo que o legislador busca o bem estar do trabalhador, estimulando o empregador fornecer benefícios aos empregados, sem que isso onere em demasia o seu empreendimento. Contudo, existe uma grande preocupação para que os empregadores não se utilizem dessas possibilidades para firmar entendimento de que tudo que forneçam na forma de utilidades estaria desvinculado. Doutrinariamente, convém reproduzir a posição da ilustre professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, consequentemente, não têm feição salarial." As bolsas de estudo concedidas aos filhos de empregados em nada melhoram a execução do trabalho, não representando contraprestação laboral, mas apenas ganhos auferidos pelos empregados. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Como se verifica na última parte do inciso I, art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriodecontribuição. Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 46 que se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porque, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares não possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 123 do CTN. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. DOS DEMAIS LEVANTAMENTOS Cumprenos por fim observar em relação aos fatos geradores apurados, que a não impugnação expressa dos fatos geradores importa renúncia e consequente concordância com os termos da decisão de primeira instância. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisãoem relação aos seguintes levantamento: Em relação aos empregados · FP Remuneração não declarada em GFIP dos estabelecimentos 001, 002, 005, ! 007 e folha complementar; • · FG4 Remuneração não declarada em GFIP dos estabelecimentos 003, 004 e 008; · • FCG 1 Remuneração paga aos segurados empregados apurada através dos registros licontábeis, sem a "Interface com o sistema de folha de pagamento". Em relação aos contribuinte individuais · ADG 1 Honorários advocatícios pagos a pessoas físicas, lançados na conta 323.002.020 Remuneração Pessoa Jurídica; · • FVG valores pagos a título de remuneração por serviços prestados de fiscalização do vestibular, lançados na conta 331.002.001; · • HCG I valores pagos a pessoas físicas a título de honorários de cobrança; · • JLG 1 valores pagos a pessoas físicas á título de despesas judiciais e legais, registrados na conta Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 25 47 323.002.019; • • PFG valores pagos a pessoas físicas, registrados em diversas contas; · • ROG , valores pagos a Otacifio P. Rocha, lançados na conta 312.002.017 despesa vestuário, com emissão de notas fiscais de autónomo; · • RPG1 valores pagos a pessoas físicas, apurados nas contas 323.001.021, 323.002.021 e 211.002.002 (Convênio Estadual NEIAT). DOS JUROS SELIC Segundo o recorrente é ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa SELIC como juros de mora, o que não posso acolher, tendo em vista a observância dos dispositivos legais que disciplinam a matéria. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 48 Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais QUANTO A INDIVIDUALIZAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO Descreve o recorrente que não houve individualização dos limites dos valores devidos a título de contribuição dos empregados. Nesse ponto, entendo que deva ser acolhida a pretensão do recorrente. A apuração da contribuição dos segurados empregados sobre base de cálculo não considerada pelo autuado, é sim possível com a aplicação da alíquota mínima (8%), como realizado pela autoridade fiscal. Contudo, dito procedimento se mostra válido, quando o auditor não tem condições de proceder ao cálculo do limite máximo de contribuição de forma individualizada, seja pela não entrega de documentos, ou não contabilização em separado. No presente lançamento, analisando o relatório fiscal não vislumbrei qualquer indicação de não apresentação de documentos capazes de identificar de forma individualizada os valores apurados, razão porque entendo deva ser dado provimento, para que se calcule a contribuição dos segurados empregados, observandose o limite máximo de salário de contribuição em relação a cada segurado. QUANTO AOS ERROS DE BASE DE CÁLCULO No que pertine a supostos erros de base de cálculo, entendo que não haja mais o que ser apreciado, uma vez que a autoridade julgadora, observando essa mesma alegação quando da impugnação procedeu a conversão do julgamento em diligência para que o auditor se manifestasse sobre supostos erros. Foi emitida informação fiscal, acatando as argumentações do impugnante de forma integral, tendo a decisão de primeira instância procedido a retificação do débito. Na esfera recursal resumiuse a recorrente a reprisar os argumentos razão porque não há o que apreciar. SUPOSTO PAGAMENTO A PESSOAS JURÍDICAS Quanto a este ponto, a alegação de que a autoridade deixou de apreciar a questão não merece guarida. Observemos trecho da decisão de primeira instância: a) a empresa alega que a Fiscalização teria computado valores pagos a escritórios de advocacia (pessoas jurídicas), sobre os quais não dão nascimento à obrigação de pagamento de contribuições providenciarias; verificase, entretanto, conforme Doc. 36, anexado pela impugnante entre as fis. 724 e 756, que não há comprovação de que essas pessoas beneficiadas são, Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/200779 Acórdão n.º 2401002.884 S2C4T1 Fl. 26 49 efetivamente, pessoas jurídicas, já que foram pagos Valores contra recibo, e não, através de Notas Fiscais; portanto, improcedente a argüição sob comento;:Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. A recorrente novamente traz a questão, porém sem apresentar qualquer outro elemento de prova, capaz de identificar que o pagamento realmente deuse em relação a pessoa jurídica, o que não possui o condão de desqualificar o lançamento. Nesse ponto, não restando comprovado que o pagamento direcionouse a pessoas jurídicas, deve ser mantido o lançamento nos termos colocados na decisão de primeira instância. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância, para rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento, de exclusão dos corresponsáveis, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para que em relação a rubrica bolsa de estudos, seja observado o limite máximo do salário de contribuição em relação a cada segurado, mantendo incólume o restante dos levantamentos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002968/2004-31
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/03/2002 a 31/03/2003
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF n° 1.
COFINS. DECADÊNCIA.
Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
A decisão judicial passada em julgado, na parte favorável ao contribuinte, extingue o crédito tributário, devendo a autoridade administrativa obedecer a seus termos.
COFINS. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
As quantias depositadas transformam-se em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo, inclusive seus acessórios, quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional.
Deve-se efetuar a apuração dos depósitos convertidos em renda da União, verificando-se a suficiência de todos os depósitos efetuados - tanto os valores depositados a maior como os depositados a menor, para quitar os montantes dos créditos tributários lançados no auto de infração.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a advogada Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/03/2002 a 31/03/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF n° 1. COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial passada em julgado, na parte favorável ao contribuinte, extingue o crédito tributário, devendo a autoridade administrativa obedecer a seus termos. COFINS. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As quantias depositadas transformam-se em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo, inclusive seus acessórios, quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. Deve-se efetuar a apuração dos depósitos convertidos em renda da União, verificando-se a suficiência de todos os depósitos efetuados - tanto os valores depositados a maior como os depositados a menor, para quitar os montantes dos créditos tributários lançados no auto de infração. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recurso Voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a advogada Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/03/2002 a 31/03/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF n° 1. COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial passada em julgado, na parte favorável ao contribuinte, extingue o crédito tributário, devendo a autoridade administrativa obedecer a seus termos. COFINS. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As quantias depositadas transformamse em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo, inclusive seus acessórios, quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 68 /2 00 4- 31 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 224 2 Devese efetuar a apuração dos depósitos convertidos em renda da União, verificandose a suficiência de todos os depósitos efetuados tanto os valores depositados a maior como os depositados a menor, para quitar os montantes dos créditos tributários lançados no auto de infração. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a advogada Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de Auto de Infração (fls. 166/ss – volume I), lavrado em 26/11/2004, para a cobrança da COFINS (R$ 435.153,77) e juros de mora (R$ 224.661,30) no montante de R$ 659.815,07, com a exigibilidade suspensa. Segundo a fiscalização, “verificouse que os valores da COFINS devida nos meses calendários de Out à Dez/1.999; Mar/2.000; Mar à Dez/2.002; Jan à Mar/2.003, cujas exigibilidades encontramse suspensas, em razão dos depósitos judiciais, não foram ou foram insuficientemente declaradas nas DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, conforme cálculos e demonstrativos às fls.144 a 163. Dessa forma, as insuficiências deverão ser lançadas de ofício através do Auto de Infração, sem a incidência de multa, constituindose o crédito tributário nos termos do artigo 142 e o seu parágrafo único do CTN” (fls. 167/168). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 225 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevese relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte anteriormente identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo os períodos de apuração (PA) 10/99 a 12/99, 03/00, 03/02 a 03/03, no valor (principal) de R$ 435.153,77, lavrado com suspensão de exigibilidade e sem multa de oficio, e com juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 224.661,30, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 659.815,07, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) acostado à inicial. 2. Na Descrição dos Fatos de fl. 174, bem como no Termo de Constatação de fls. 166/168, o AFRF autuante informa que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados da COFINS, e ainda que: • Em 15/06/1999, inconformado com as novas regras de apuração da COFINS, introduzidas pela Lei n° 9.718/98, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança (MS) com pedido de liminar, dando origem ao processo judicial n° 1999.61.00.0269861/SP, sendo que, em 16/06/1999, o juízo concedeu a liminar, cuja decisão foi confirmada pela sentença exarada em 02/05/2001, para afastar as disposições da Lei n° 9.718/98, de modo que o contribuinte pudesse continuar a recolher a COFINS, nos termos do disposto na Lei Complementar (LC) n° 70/91; • Conquanto, nos termos do artigo 151, inciso V, do CTN, a decisão tivesse o condão de suspender a exigência do crédito tributário, verificouse que os valores subjudice da COFINS, devidos a partir do mês calendário de jun/99 foram depositados em juízo; • Em 27/08/2003, o Tribunal reformou a sentença em apelação requerida pela União através da AMS n° 232698; • Ainda que reformada a sentença, afastando a hipótese da suspensão do crédito tributário nos moldes do inciso V do artigo 151 do CTN, a parcela da COFINS efetivamente depositada judicialmente continuou ao amparo da suspensão, porém, sob o manto do inciso II deste mesmo artigo; • Feitas estas considerações preliminares, verificouse que os valores da COFINS devida nos meses calendários de out a dez/1999; mar/2000; mar a dez/2002; jan a mar/2003, cujas exigibilidades encontramse suspensas, em razão dos depósitos judiciais, não foram ou foram insuficientemente declaradas nas DCTF, conforme cálculos e demonstrativos às fls. 144 a 163; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 226 4 • Desta forma, as insuficiências deverão ser lançadas de ofício através de Auto de Infração, sem a incidência de multa, constituindose o crédito tributário nos termos do artigo 142 e o seu parágrafo único do CTN, devendo ser também ressaltado que o crédito tributário constituído deverá permanecer com a sua exigibilidade suspensa até que ocorra o trânsito em julgado da matéria objeto de discussão no processo n° 1999.61.00.0269861. 3. O enquadramento legal do presente lançamento fiscal da COFINS (v. fl. 175), cientificado ao contribuinte em 03/12/2004, conforme se observa à fl. 173, consistiu nos arts. 149 e 151, II, da Lei n°5.172/66 (CTN); art. 1° da Lei Complementar (LC) n°70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. 4. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fl. 172. 5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado, apresentou, em 30/12/2004, a impugnação juntada às fls. 182/212, e documentos anexos de fls. 213/290 (doc. 1 — alteração de contrato social, procuração, documento de identidade do procurador da empresa, fls. 213/234; doc. 2 — cópia de Instruções, do Termo de Constatação, do Auto de Infração, de Planilhas demonstrativas e de depósitos judiciais, fls. 235/290), com as alegações abaixo resumidas: 5.1. conforme mencionado pela fiscalização no Termo de Constatação, o impugnante, inconformado com as novas regras de apuração introduzidas pela Lei n° 9.718/98, impetrou, em 15/06/1999, Mandado de Segurança com pedido de liminar (processo n° 1999.61.00.0269861/SP), alegando ser indevido o recolhimento da COFINS com os acréscimos trazidos pela referida Lei, em face de sua inconstitucionalidade; 5.2. por conseguinte, em 16/06/1999 foi concedida a liminar pleiteada, cuja decisão foi confirmada por sentença exarada em 02/05/2001, garantindo o recolhimento da contribuição em comento sem a ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota previstas na Lei n° 9.718/98, e, assim, a partir daquela data o impugnante tinha permissão para recolher a COFINS, nos termos da LC n° 70/91; 5.3. no entanto, mesmo sabendo que a legislação tributária determina a suspensão da exigibilidade do crédito ante a concessão de medida liminar (art. 151, V, do CTN), o impugnante depositou em juízo os valores sub judice da COFINS, devidos a partir de junho/99; 5.4. desse modo, a superveniente reforma da sentença que confirmava a liminar em 27/08/2003, em virtude da apelação interposta pela União, não teve o condão de afastar a suspensão da exigibilidade do crédito relativamente à parcela da COFINS Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 227 5 depositada judicialmente, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN; 5.5. cumpre asseverar, preliminarmente, que os valores supostamente devidos em decorrência dos fatos geradores ocorridos nos períodos de out/99 e nov/99 são inexigíveis, eis que já era defeso à administração efetuar o lançamento desses quando da ciência do contribuinte; 5.6. sendo a COFINS um tributo sujeito ao denominado lançamento por homologação, conforme positivado no artigo 150 do CTN, cabe ao contribuinte, ante a ocorrência do fato gerador, proceder ao recolhimento do valor que entende devido, sem antes submetêlo ao crivo da administração fazendária, cabendo a esta, posteriormente, concordar ou não com o valor apurado; 5.7. como se pode depreender da redação clara e precisa do dispositivo acima mencionado, bem como de seu parágrafo quarto, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de lançamento é a ocorrência do fato gerador, e, sendo assim, considerando que o lançamento somente se materializou em 03/12/2004, com a ciência expressa do contribuinte, todos os valores relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, contados regressivamente à essa data, já foram alcançados pela decadência; 5.8. a jurisprudência administrativa é pacífica no que tange ao prazo decadencial na forma acima esposada, consoante alguns recentes julgados do E. Conselho de Contribuintes (Acórdãos n's 20176960, 20308044 e 10806908); 5.9. o Poder Judiciário também abraça a tese da decadência em cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, conforme entendimento exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do AGRESP 178.308 e do RESP 178.433/SP; 5.10. além disso, a ampliação das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, pretendida pela MP n° 1.724/98, posteriormente convertida na Lei n° 9.718, de 27/11/1998 (DOU de 28/11/1998), ofende de maneira irrecuperável o disposto no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal vigente (CF/88), que determinava, à época da edição da medida provisória e da lei em comento, fossem as contribuições sociais calculadas com base no faturamento, folha de salários ou lucro; 5.11. somente com a promulgação da Emenda Constitucional (EC) n° 20, aprovada na sessão do Congresso Nacional de 01/12/1998 e editada no DOU de 16/12/1998, é que foi modificado o artigo 195, inciso I, da CF/88, ampliando a competência para instituição de contribuições sociais para a totalidade das receitas; 5.12. a exigência das referidas contribuições com base no valor das receitas, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 228 6 de 01/02/1999, ofende o ordenamento jurídico do País, principalmente porque a vigência e a eficácia das leis estão subordinadas a uma condição prévia de existência e validade em nível jurídico, sendo que, nesse sentido, algumas considerações acerca dos conceitos de faturamento e receita se fazem necessárias, a fim de que se possa constatar a efetiva violação ao artigo 110 do CTN; 5.13. receita bruta e faturamento se equiparam no que tange a seu conceito jurídico, conforme já havia decidido o E. Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos do Recurso Extraordinário (RE) n° 150.7551 e da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n° 11/DF, e, nesses termos, até a edição da malsinada Lei n° 9.718/98, o conceito de receita bruta, para fins da contribuição ao PIS e da COFINS, foi sempre correspondente ao de faturamento, opinião de consenso nos três Poderes da República; 5.14. da leitura dos art. 2° e 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, observase afronta ao art. 110 do CTN, que veda à lei tributária alterar os conceitos próprios do direito positivo, devendo ser considerado ainda nesse sentido que o DL n° 2.397/87, que alterou o DL n° 1.940/82, em seu artigo 22, conceitua receita bruta tãosomente como o produto da venda de bens e da prestação de serviços e nada mais; 5.15. a partir da nova competência outorgada pela EC n° 20/98, seria necessária a edição de nova lei, sem o que resta no mundo jurídico apenas uma competência outorgada ainda pendente de exercício, valendo dizer que a rigidez da atual Constituição Federal implica o submetimento do legislador infraconstitucional a esta, determinando a própria validade da lei; 5.16. o legislador infraconstitucional, propositadamente, utilizouse de instrumento normativo de hierarquia superior para regulamentar a cobrança da COFINS, visando a garantir uma maior segurança jurídica à sociedade, e, sendo assim, sendo a COFINS um tributo instituído por lei complementar, apenas poderia ser alterado por lei complementar, e jamais por lei ordinária, em observância ao princípio da hierarquia das leis: 5.17. nesse contexto, a majoração da alíquota da COFINS, de 2% para 3%, determinada no art. 8° da Lei n° 9.718/98, não pode subsistir, dada a sua manifesta inconstitucionalidade, como aliás vem se manifestando alguns eminentes magistrados (AI n° 21.464PE/TRF5°. Região; MS n° 99.00076320/PR); 5.18. a compatibilidade da Lei n° 9.718/98 com o ordenamento jurídico vigente deve ser aferida no momento de sua existência (no dia 27/11/1998), ou seja, à luz do art. 195, I, da CF/88, antes da promulgação da EC n° 20/98; 5.19. no caso específico, a EC n° 20/98 foi aprovada em sessão do Congresso Nacional de 01/12/1998, data posterior a de conversão da MP n° 1.724/98 na Lei n° 9.718/98, ocorrida em Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 229 7 27/11/1998, e, nesses termos, o vício de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 é originário, sendo impassível, portanto, de convalidação, pelo que, destarte, é patente a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, haja vista que extrapolou a competência constitucional à época outorgada à União Federal para a instituição de contribuições sociais; 5.20. ainda que se admita, apenas para argumentar, a possível constitucionalidade da Lei n° 9.718/98, devese, no caso concreto, verificar o que, à luz das ciências jurídica, contábil e econômica, seriam efetivamente "receitas auferidas pela pessoa jurídica" (art. 3°, § 1°), buscando a real base de cálculo das referidas contribuições; 5.21. muito embora o legislador não tenha cuidado de definir, expressamente, o que afinal comporia "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica", é certo que nem todas variações patrimoniais de uma pessoa jurídica são produto de um faturamento ou receita, conceitos que, necessariamente, devem estar conectados à idéia de efetivos ingressos de novas riquezas ao patrimônio da pessoa jurídica, decorrentes do exercício da sociedade empresarial; 5.22. portanto, como se aponta como traço caracterizador e marcante do conceito de receita o efetivo ingresso de numerários e valores no patrimônio da empresa, e como, também de outro lado, receita bruta decorre exclusivamente da venda de bens e serviços, nem sempre, desse modo, alterações meramente escriturais representam receita bruta, base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, restando irrefutável a improcedência do Auto de Infração; 5.23. como se já não bastasse, a fiscalização incluiu juros de mora até 29/10/2004, calculados de acordo com a taxa SELIC, a partir do vencimento dos tributos cobrados, fundamentando seu ato no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96; 5.24. a redação do artigo acima citado demonstra claramente que o requisito para imputação de juros de mora é o atraso no pagamento, contudo, quando um contribuinte impetra um Mandado de Segurança e obtém liminar para afastar a exigência tributária, essa ordem judicial tem o poder de garantir ao impetrante o nãopagamento do tributo até a cassação da medida (art. 151, V, do CTN), visando evitar a ocorrência do dano irreparável combatido no writ; 5.25. outrossim, o depósito em juízo do valor do tributo objeto de questionamento judicial também tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, tendo em vista que o depósito judicial visa a garantir ao credor (no caso, a União) o pagamento do tributo em caso de sucumbência daquele, o que vale dizer que, decidido o pleito em favor da União, esta poderá efetuar o levantamento do depósito, extinguindose, assim, a obrigação tributária; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 230 8 5.26. assim, em que pese a cassação da liminar anteriormente concedida, bem como a reforma da sentença em face da interposição de apelação pela União, como a impugnante efetuou o depósito em juízo do tributo em discussão, o mesmo encontrase com a sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso II, do CTN; 5.27. desse modo, podese afirmar que, no momento em que o Auto de Infração foi lavrado, o tributo não deveria ter sido considerado como "não pago" (redação do artigo descrito), mas sim como "não deve ser pago", pois existe um depósito judicial que ampara o nãopagamento do tributo, inexistindo assim qualquer demora no cumprimento de obrigação tributária estabelecida entre as partes; 5.28. o conceito de mora está intrinsecamente ligado à exigibilidade do cumprimento de determinada obrigação, mas, como o próprio artigo 151 do CTN prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto de depósito judicial, fica claro que não existe exigibilidade enquanto o contribuinte estiver acobertado por depósito judicial; 5.29. os valores lançados são, todos, objeto de depósito judicial, conforme constatou a própria fiscalização, não se discutindo, dessa forma, o direito de a Fazenda lançar os valores para evitar a decadência, mas sim o lançamento de juros (taxa SELIC) relativos a valores depositados em juízo, sobre os quais a impugnante não tem mais posse e que são devidamente atualizados pelas normas pertinentes; 5.30. não há como subsistir a incidência de juros em se tratando de depósito judicial, já que o poder aquisitivo da moeda já está resguardado pela atualização dos depósitos; é impossível o enriquecimento ilícito do contribuinte haja vista que os valores não mais se encontram sob sua posse; não há pagamento atrasado a penalizar, mas apenas discussão judicial que não pode ser cerceada; 5.31. se o depósito judicial efetuado no curso da execução judicial faz cessar a responsabilidade pelos juros de mora, igual tratamento deve ser dispensado aos valores depositados no curso de qualquer outra ação que discuta o crédito tributário; 5.32. além disso, é farta a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes em excluir a incidência de juros sobre os valores depositados em juízo (Recurso n° 134.208, processo n° 13808.003452/200199; Recurso n° 107.140, processo n° 10830.002208/9623; Recurso n° 111.819, processo n° 13805.005227/9751; Recurso n° 088.215, processo n° 13982.000344/9372), entendimento esse que também não diverge daquele emanado do STJ (Resp n° 221.560/RS); 5.33. a redação do art. 30 da Lei n° 10.522/02 é clara quanto á natureza moratória da Taxa SELIC, caracterizando esse acréscimo como indenização devida por conta do atraso no pagamento do tributo, ocorrendo na espécie, contudo, que Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 231 9 inexiste qualquer atraso no pagamento do tributo, o que fulmina a incidência desse acréscimo na autuação de tributos com exigibilidade suspensa por força do depósito judicial, motivo pelo qual merece a impugnante seja determinada a reforma do lançamento fiscal, para que se proceda à exclusão dos juros moratórios imputados em seu "Demonstrativo de Crédito Tributário"; 5.34. ainda que se entenda que os juros de mora sejam devidos no caso em comento, não pode a Taxa SELIC ser utilizada para substituir os juros de 1% ao mês previsto no artigo 161, § 1º , do CTN, sendo flagrantes a ilegalidade e inconstitucionalidade dessa aplicação, o que vem sendo reconhecido pela doutrina e jurisprudência nacionais; 5.35. de acordo com a definição dada pelo próprio Banco Central do Brasil (Circulares nos 2.868/99 e 2.900/99), a Taxa SELIC é a média ponderada do montante de transações diárias registradas no Sistema Especial de Liquidação e Custódia do Banco Central com títulos públicos federais, sejam de curto, médio ou longo prazo; 5.36. como a apuração desse índice é feita pelo próprio Banco Central do Brasil, não sendo objeto de lei, contrariase, per si, os preceitos do Sistema Tributário Nacional, constante da Carta Magna de 1988; 5.37. o STJ já se manifestou contrariamente à aplicação da taxa SELIC para fms de substituição dos juros moratórios previstos no Codex Tributário, conforme Incidente de Inconstitucionalidade no RESP n° 215.881/PR, restando comprovado, desse modo, que a Taxa SELIC não pode ser utilizada para substituir os juros de mora previstos no artigo 161, § 1°, do CTN, baseado na melhor doutrina e jurisprudência existentes; 5.38. por todo o exposto, requer a impugnante que seja considerado o integral acolhimento dos argumentos aduzidos na presente impugnação, para que seja extinto o crédito tributário em sua totalidade, e, finalmente, determinado o arquivamento do presente procedimento administrativo, julgandose improcedente o Auto de Infração lavrado, protestandose, outrossim, com fundamento no artigo 16, § 4°. Do Decreto n° 70.325/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos. 6. À fl. 295, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 10.706, de 14/07/2007, que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo único, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP01) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ02), o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02, para julgamento. 7. Posteriormente, tendo sido verificada, após a realização de pesquisa junto aos sítios do Poder Judiciário na internet, a ocorrência do trânsito em julgado do MS n° Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 232 10 1999.61.00.0269861/SP e da conversão em renda da União das quantias depositadas junto àquele mandamus, "nos moldes do julgado" (v. fls. 303/304), foi o presente processo encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis/SPO) em diligência, a fm de que, considerado os efeitos dispostos nos incisos VI e X do art. 156 do CTN, fossem discriminadas as quantias efetivamente convertidas em renda da União, para cada um dos fatos geradores mensais integrantes do lançamento. 8. A fiscalização, em atendimento, elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 466/467, no qual esclareceu considerando os documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte (cf. fls. 310/410) que todos os depósitos efetuados foram integralmente convertidos em renda da União (cf. fls. 411/465), após o que, cientificado o autuado das conclusões da diligência realizada (cf. fl. 468), apresentou o referido fiscalizado, em seguida, a manifestação de fls. 469/470, sendo que, ainda na seqüência, o processo foi remetido a esta DRJ/RJ02 para julgamento (v. fl. 471). (negritamos) Transcrevemos, ainda, por entendermos relevante para a compreensão do litígio, o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 466 – volume III) lavrado pela fiscalização: RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA FISCAL Sr. Supervisor, O presente processo se refere à exigência de crédito tributário da COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70/91, constituído no curso das Verificações Obrigatórias em cumprimento ao MPF — Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 08.1.90.002003039268. A referida contribuição, ante as alterações introduzidas pela Lei n° 9.718/98, era objeto de discussão judicial através do Mandado de Segurança no processo n° 1999.61.00.0269861, sendo que os valores em discussão estavam sendo depositados judicialmente. Dessa forma, o procedimento fiscal gerou dois processos de lançamento de ofício, dos quais o de n° 19515.002968/200431, com sua exigibilidade suspensa, para formalização do crédito tributário em relação aos meses de apuração em que os depósitos judiciais ainda que efetuados, não se encontravam declarados nas respectivas DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e, o de n° 19515.002969/200485, para exigência da contribuição apurada no curso do procedimento fiscal com insuficiência de declaração e de recolhimento. Tendo em vista decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal (fls. 331 e 332) reconhecendo a inconstitucionalidade da ampliação da base cálculo da Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 233 11 contribuição (parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98), admitindose, porém, o aumento da sua alíquota na forma do artigo 8° da citada lei, através do despacho exarado a folha 188, este processo foi submetido à esta DEFISSPO para diligência e exame dos depósitos judiciais, elaborandose demonstrativo detalhado das quantias efetivamente convertidas em renda da União para cada um dos fatos geradores mensais integrantes do lançamento, haja vista o disposto no artigo VI do artigo 156 do CTN. Verificouse no curso da diligência fiscal instaurada para atender o requerido, que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos na vigência da sistemática de apuração introduzida pela Lei 9.718/98 Junho/99 até Janeiro/2004 —, contemplando, inclusive, os meses de apuração que foram objeto de lançamento de ofício, totalizaram R$ 1.259.702,35. De acordo com o extrato resumo da Agência/Operação/Conta n° 0265635001863455 (fi. 410) que acolheu os depósitos judiciais efetuados no curso do processo n° 1999.61.00.026986 1, apresentado pelo contribuinte em atendimento a intimação desta equipe fiscal, verificouse que o seu saldo em montante de R$ 1.259.712,38 foi integralmente transformado em renda da União, não se verificando, portanto, valores devolvidos ao contribuinte. Analisandose os extratos de cada um dos depósitos efetuados (fls. 411 a 465), disponíveis no sistema de consulta desta RFB, verificouse que, em todos eles, os valores depositados foram integralmente convertidos em renda da União. Os documentos e os esclarecimentos apresentados pelo contribuinte no curso deste procedimento fiscal de diligência encontramse as fls. 310 à 410. No intuito de ter atendido o solicitado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, levo o presente à análise desta supervisão, para considerações de v. alçada e ciência do contribuinte, concedendolhe o prazo de 10 (dez) dias para que, sendo o caso, o mesmo se manifeste prestando os esclarecimentos julgados necessários. (negritamos) A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – II julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão n.º 1321.220 de 28 de agosto de 2008 (folhas 496/ss – volume III), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/03/2002 a 31/03/2003. SÚMULA VINCULANTE EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 234 12 A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. COFINS DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. COFINS. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. TRANSFORMAÇÃO EM PAGAMENTO DEFINITIVO. As quantias depositadas transformamse em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Não devem ser apreciadas as alegações constantes da impugnação, que já foram analisadas pelo Poder Judiciário em ação proposta pelo interessado contra a Fazenda Nacional, a impor a renúncia de seu exame pelas instâncias administrativas. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial passada em julgado favorável ao contribuinte extingue o crédito tributário, devendo a autoridade administrativa obedecer a seus termos. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. ELEMENTOS DE PROVA A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º , do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente. A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Rio de Janeiro II em 10/11/2008 (folhas 516/519 – volume III), apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2008 (fls. 541/ss – volume III), onde aduz os argumentos sintetizados em dois tópicos: i. Dos erros da DRJ quando do cálculo da imputação de encargos a DRJ reconheceu que o trânsito em julgado havido nos autos do MS n° 1999.61.00.0269861 determinou que a COFINS deveria incidir à alíquota de 3% sobre o faturamento da Recorrente, e também aplicou corretamente o disposto pela Súmula Vinculante Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 235 13 n° 8 do STF, que consagra o entendimento daquela Corte de que o prazo decadencial das contribuições sociais é de 5 anos, que neste caso culminou com o afastamento dos débitos relativos ao período que vai de janeiro a novembro de 1999; deste modo, permanecem objeto do presente processo a COFINS correspondente a 1% do faturamento da Recorrente para os meses do lançamento não alcançados pela decadência, ou seja, períodos de apuração a partir de dezembro de 1999; conforme relatado na própria decisão da DRJ/RJ, de acordo com o levantamento da fiscalização, alguns depósitos foram realizados em atraso, alguns foram realizados em valores inferiores aos devidos e alguns outros em valores superiores ao montante exigível. O atraso dos depósitos levou a fiscalização a fazer a respectiva imputação dos encargos de mora entendidos como devidos, para então se considerar como convertida em renda da União apenas a parcela efetivamente amortizada do crédito tributário. Assim, do levantamento apurado pela fiscalização concluiuse existirem valores a recolher e valores a restituir por parte da Recorrente (vide planilha “DOC 02” folha 551); da análise desta planilha, verificase que mesmo com a imputação realizada pela fiscalização em virtude dos depósitos feitos a destempo, a soma dos valores recolhidos e depositados pela Recorrente excede o montante devido lançado a título de COFINS. Entretanto, ignorando o indébito evidenciado para a maioria dos períodos de apuração, a DRJ decidiu prosseguir apenas com a cobrança das parcelas tidas como devidas pela Recorrente; tais débitos foram conciliados aos valores lançados no auto de infração objeto do presente processo e naquele objeto do processo n° 19515.002969/200485, mantendose então a cobrança acompanhada dos encargos de mora (vide planilha “DOC 3” – folha 552); a DRJ além de ter ignorado a existência de créditos em favor da Recorrente, prosseguindo na cobrança dos valores tidos como devidos sem qualquer compensação, ainda fez o cálculo da imputação de forma incorreta, em desrespeito a decisão judicial obtida pela Recorrente e os ditames da legislação fiscal; de acordo com o art. 151, IV, do CTN combinado com o art. 63, § 2°, da Lei n° 9.430/96, a liminar concedida judicialmente suspende a exigibilidade até 30 dias contados da data em que cassada. Desse modo, até 19/10/2003, isto é, 30 dias após a data da publicação da decisão do TRF que cassou a liminar, a Recorrente poderia ter realizado o pagamento dos valores controvertidos sem aplicação de multa de mora; por outro lado, como o depósito em juízo é uma faculdade do particular, independendo de autorização judicial para ser realizado, e ele também suspende a exigibilidade do crédito tributário, desde que realizado integralmente, nos termos do art. 151, IV, do CTN, a Recorrente teve até o dia 19/10/2003 para recolher ou depositar em juízo a COFINS devida. No caso concreto, a Recorrente já vinha depositando em juízo a parcela da COFINS que acabou por ser tida como devida pelo TRF. Portanto, como os depósitos foram realizados quando ainda vigente a liminar, eles nunca poderiam considerar multa de mora, ainda que a data em que realizados não fosse propriamente a de vencimento; desta forma, para os meses em que a Recorrente depositou a COFINS após sua data legal de vencimento, tais depósitos deveriam ter sido apurados com juros SELIC, para serem tidos como integrais, mas nunca com multa de mora, pois esta estava Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 236 14 afastada pela ordem judicial então vigente. Entretanto, a fiscalização procedeu à imputação dos valores depositados e convertidos considerando que entre a data de vencimento legal e aquela do depósito seriam devidos juros e multa; para correta apuração do montante ainda devido não pode ser aplicada multa para os depósitos realizados entre 16/06/1999 e 19/10/2003, mas apenas os juros nos casos em que o depósito foi realizado somente no mês posterior ao do vencimento (conforme planilha “DOC 4” – folha 556). com o refazimento dos cálculos, informando a correta imputação dos encargos, o valor devido pela Recorrente cai significativamente, conforme planilha “DOC 5” (folha 557); ii. Da necessidade de compensação dos créditos da Recorrente a decisão da DRJ, ainda, merece ser reformada, pois incorre em impropriedade ao não considerar o reconhecido crédito em favor da Recorrente; os demonstrativos da autoridade fiscal já apuraram haver indébito da Recorrente em boa parte dos meses, entretanto, mesmo tendo ela mesmo apurado o crédito em favor do particular, a autoridade decidiu por prosseguir no processo apenas para cobrança do montante tido como devido; além da correta imputação dos valores convertidos em renda, devese proceder à compensação dos indébitos havidos, uma vez que a própria autoridade, no intuito de conciliar o julgado ao presente lançamento, reconhece ter havido pagamento a maior pelo particular, deve ela providenciar sua compensação com o montante relativo aos meses em que houve saldo a recolher (vide planilha “DOC 6” – fl. 559); conclui, assim, a Recorrente alegando que enquanto o débito relativo aos meses em que a conversão em renda não foi suficiente para quitar a COFINS soma R$ 93.714,47 (planilha “DOC 5” – fl. 557), o crédito dos meses em que os depósitos se mostraram superiores ao efetivamente devido é de R$ 258.124,76 (planilha “DOC 6” – fl. 559). por fim, requerse seja a decisão da DRJ – Rio de Janeiro reformada para o fim de reconhecer o direito da Recorrente ao indébito correspondente ao valor pago/convertido a maior, já líquido do débito. Os processos digitalizados foram distribuídos a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. De início, ressaltese, que muito embora a DRJ – Rio de Janeiro II tenha feito a análise e o julgamento de ambos os processos de forma conjunta (n° 19515.002968/200431, objeto destes autos; e n° 19515.002969/200485), inclusive inovando na metodologia de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 237 15 apuração do crédito tributário (como veremos linhas abaixo), entendo, que o julgamento de cada um deles deve ser feito separadamente. Tal entendimento é necessário uma vez que os lançamentos referemse a bases de cálculos e períodos de apuração distintos da COFINS, conforme se depreende das planilhas anexadas às folhas 147 (ano 1999), 151 (ano 2000), 155 (ano 2001), 159 (ano 2002) e 163 (ano 2003) destes autos. O auto de infração tratado nos autos deste processo n° 19515.002968/2004 31 foi lavrado com suspensão de sua exigibilidade, para a cobrança da COFINS e juros de mora, levandose em consideração as quantias depositadas judicialmente, junto ao mandado de segurança (MS) n° 1999.61.00.0299861/SP, por intermédio do qual o contribuinte questiona a apuração da COFINS, nos termos em que disciplinada pela referida Lei n° 9.718/98. Os depósitos judiciais foram efetivados pela autuada, muitas vezes, após o vencimento do prazo previsto na legislação para pagamento da contribuição que se pretendia depositada, outras vezes foram realizados em valores inferiores e alguns outros em valores superiores (as datas em que os depósitos foram efetivados encontramse informadas na planilha de fl. 273, anexada pelo autuado à impugnação apresentada). O outro auto de infração – objeto do processo n° 19515.002969/200485 – foi lavrado para a cobrança da COFINS, juros de mora e multa de ofício, em relação à diferença dos valores devidos e não recolhidos e não depositados em juízo ou, ainda, não declarados em DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. O montante do crédito tributário lançado neste processo é de R$ 239.292,63. Importante registrar que o acórdão de primeira instância administrativa já afastou, por decadência, os lançamentos relativos aos períodos de apuração de outubro e novembro de 1999, tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 03/12/2004. Não menos importante deixar consignado que como a Recorrente ingressou com Mandado de Segurança (processo judicial n° 1999.61.00.0269861), no qual discute as alterações trazidas pela Lei 9.718/98 na base do cálculo e na alíquota da COFINS, não serão discutidas na via administrativa estas matérias, tendo em vista o que dispõe o parágrafo único do artigo 38 da Lei 6.830/80, assim como a prescrição contida na Súmula CARF nº 1, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Passemos a análise, portanto, dos argumentos trazidos pela Recorrente em relação ao lançamento de ofício constante destes autos (processo n° 19515.002968/200431), para cada um dos tópicos do Recurso Voluntário apresentado. (i) Dos erros da DRJ quando do cálculo da imputação de encargos Como destacado linhas acima, os valores constantes deste auto de infração, lavrado com a suspensão de sua exigibilidade, referemse à cobrança da COFINS e dos juros moratórios, em relação às quantias depositadas judicialmente (MS n° 1999.61.00.029986 1/SP), por intermédio do qual o contribuinte questiona a apuração da contribuição, nos termos em que disciplinada pela referida Lei n° 9.718/98. A DRJ – Rio de Janeiro, no meu entender, equivocadamente, fazendo uma análise conjunta dos dois autos de infração lavrados (processos n° 19515.002968/200431 e n° 19515.002969/200485), efetuou a imputação dos encargos de mora entendidos como Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 238 16 devidos multa de mora e juros de mora, para então considerar como convertida em renda da União apenas a parcela efetivamente amortizada do crédito tributário. O órgão de julgamento de primeira instância considerou (ou talvez, presumiu!), que as divergências apuradas nos autos deste processo n° 19515.002968/200431 (valores depositados em relação à discussão sobre a alíquota e a base de cálculo – LC 70/91 e Lei 9.718/98) e os valores apurados nos autos do outro processo (n° 19515.002969/200485), teriam a mesma origem, entretanto, não me parece (ou pelo menos isto não está provado nos autos) que foi isso o que constatou a fiscalização. Deste modo, não há como tratar conjuntamente os valores constantes deste processo, para os quais existe depósito judicial, com aqueles constantes do outro processo (n° 19515.002969/200485), para o qual os valores não foram depositados e nem constam em DCTF. Muito bem. Passemos à análise da matéria relativa a este processo. Com o trânsito em julgado havido nos autos da ação judicial (MS n° 1999.61.00.0269861) restou decidido que a COFINS deveria incidir à alíquota de 3% sobre o faturamento da Recorrente, assim, o objeto do presente litígio referese, exclusivamente, à diferença de 1% do faturamento da Recorrente para os meses do lançamento não alcançados pela decadência (períodos de apuração a partir de dezembro de 1999), conforme reconheceu o próprio Acórdão n.º 1321.220, da DRJ – Rio de Janeiro. No voto da decisão de primeira instância, o Relator entendeu que deveria ser considerado procedente o lançamento, nos seguintes termos (fls. 507/508): 27. Assim, devese considerar procedente o lançamento que promoveu a constituição de crédito tributário que se refere às quantias depositadas em ação judicial por intermédio da qual se questiona a legalidade/constitucionalidade da exigência de tributo/contribuição, já que, à ocasião do lançamento, inexistia qualquer condição extintiva do crédito em questão, mas, tão somente, observavase, até então, a existência de depósito judicial apto a suspender o crédito até o limite das quantias depositadas. 28. A posterior transformação em pagamento definitivo das quantias depositadas, longe de afastar a procedência do lançamento, muito antes confirma a sua necessidade, como meio de prevenir a eventual decadência do direito lançar, ocorrência, aliás, que não se evitou em relação aos meses de outubro e novembro de 1999, como aqui visto anteriormente. Devese, entretanto, com a transformação das quantias depositadas em pagamento definitivo, procederse à sua imputação aos débitos correspondentes, extinguindoo, na forma do inciso II do art. 1° da Lei n° 9.703/98 anteriormente colacionado, "proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios". 29. Ou seja, como na grande maioria dos casos, os depósitos foram efetivados após o vencimento do prazo original para pagamento da COFINS considerada devida, as quantias depositadas deveriam se fazer acompanhadas dos acréscimos (acessórios) legais previstos na legislação — ou seja, mais especificamente, de multa de mora e de juros de mora — para Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 239 17 que, com a sua eventual transformação em pagamento definitivo — posteriormente ocorrida — citadas quantias pudessem se fazer capazes de promover a extinção da totalidade das quantias que se pretendeu depositada. Tal conclusão decorre da própria leitura do dispositivo acima citado, que, vale ratificar, prevê a transformação em pagamento definitivo, "proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios. 30. Como a realização dos depósitos não se fez acompanhada dos devidos acréscimos legais, para se chegar às quantias efetivamente extintas do presente lançamento da COFINS, com a transformação em pagamento definitivo das quantias depositadas, utilizouse do sistema informatizado da RFB (SICALC), por intermédio do qual, utilizandose do método de imputação proporcional (v. fls. 472/495), apurase, na data em que efetivado o depósito, o percentual (in casu, na grande maioria das vezes, inferior a 100%) decorrente da divisão da quantia que se fez depositada em relação àquela que se fazia efetivamente devida na data do depósito, caso considerado o valor principal depositado, acompanhado dos acréscimos de multa e de juros de mora cabíveis. O percentual obtido é então aplicado à quantia efetivamente depositada, para se chegar ao valor cabível de extinção no presente lançamento. Assim, em decorrência dos atrasos na efetivação dos depósitos judiciais, a DRJ – Rio de Janeiro, fazendo uma análise conjunta dos dois autos de infração lavrados (processos n° 19515.002968/200431 e n° 19515.002969/200485), fez imputação dos encargos de mora entendidos como devidos (multa de mora e juros de mora), para então considerar como convertida em renda da União apenas a parcela efetivamente amortizada do crédito tributário. As planilhas de cálculo elaboradas pela DRJ – Rio de Janeiro estão anexadas às folhas 472 a 495. Neste ponto, assiste razão à Recorrente. Não há como concordar com a decisão de primeira instância, devendo a mesma ser reformada. Em primeiro lugar, como já argumentado, porque o acórdão proferido em primeira instância inovou, inclusive alterando os lançamentos originalmente efetuados, ao utilizar o chamado “método de imputação proporcional”, resultando na cobrança de multa de mora e juros de mora. Veja que no auto de infração lavrado não consta, originalmente, a “multa de mora”, mas apenas a cobrança da COFINS e os juros de mora, com suspensão de sua exigibilidade. Em segundo lugar, entendo que no caso concreto devese aplicar o art. 151, inciso IV, do CTN combinado com o art. 63, § 2°, da Lei n° 9.430/96, uma vez que a liminar concedida judicialmente suspendeu a exigibilidade até 30 dias contados da data em que cassada pelo TRF (ou seja, até 19/10/2003), e desta forma, a empresa poderia ter realizado o pagamento dos valores controvertidos sem aplicação de multa de mora, e muito menos multa de ofício, a teor do que dispõe o caput do artigo 63 (como corretamente lançou a autoridade fiscal!) Vejamos o que prescrevem os textos dos dispositivos citados: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 240 18 I moratória; II o depósito em seu montante integral; III as reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. IV a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; V o parcelamento". Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. §2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A empresa, portanto, teria até o dia 19/10/2003 para recolher e/ou depositar a diferença da COFINS devida. Como os depósitos foram efetuados durante a vigência da liminar, não deve ser cogitada a cobrada a multa de mora, mesmo que os depósitos não tenham sido efetuados na data do vencimento. Repitase, a exigibilidade estava suspensa por força da medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV / CTN) e, assim sendo, estava interrompida a incidência da multa de mora (art. 63, §2°, Lei 9.430/96). Diferentemente do que ocorre com a multa de mora, os juros de mora devem ser mantidos, com base na taxa Selic. Os juros moratórios devemse à exigência legal estipulada no art. 161 do CTN e à inexistência do depósito integral efetuado nas datas dos respectivos vencimentos. É que dentre as hipóteses de suspensão do crédito tributário elencadas no art. 151 do CTN, somente o seu inciso II (depósito integral, seja judicial ou administrativo) suspende a exigibilidade com dispensa dos juros de mora, desde que feitos na data prevista na legislação. Em havendo depósito integral, após o trânsito em julgado o valor depositado será convertido em renda da União, caso o Fisco saia vitorioso na causa, ou então será levantado pelo contribuinte, se este lograr êxito. Do contrário, e mesmo no caso de suspensão da exigibilidade decorrente de medida judicial, cabe aplicação dos juros em questão. Por último, a aplicação da Selic como juros moratórios já é tema pacificado neste Conselho, inclusive, atualmente, já existe a Súmula CARF n° 4, de 2009, específica sobre a matéria: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais." Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 241 19 Em conclusão, no meu entender, o montante devido pela Recorrente deve ser calculado com a incidência dos juros de mora (nos casos em que o depósito foi efetuado em atraso) e sem a aplicação da multa de mora, (para os depósitos realizados entre 16/06/1999 e 19/10/2003, ou seja, entre a data da concessão da medida liminar até 30 dias após a data da publicação da decisão do TRF que cassou a liminar). Passemos ao segundo tópico do Recurso Voluntário. (ii) Da necessidade de compensação dos créditos da Recorrente Neste item, a Recorrente alega que muito embora os demonstrativos da autoridade fiscal já informarem haver indébito a seu favor, em boa parte dos meses, não reconheceu estes valores, decidindo por prosseguir no processo apenas para cobrança do montante tido como devido. Requer, desta forma, que seja efetuada a compensação dos indébitos apontados, uma vez que a própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu ter havido pagamento a maior pelo particular. Assiste razão, em parte, à Recorrente. Nos termos do que dispõe o artigo 1º, §3º, inciso II, da Lei 9.703/98, os depósitos judiciais, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, serão transformados em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. E, uma vez, convertidos em renda da União, extinguem o crédito tributário, ex vi do inciso VI, artigo 156, CTN. Assim, pareceme correta a argumentação trazida pela Recorrente no sentido de que devem ser computados os depósitos efetuados a maior que o apurado pela fiscalização para abater daqueles depositados a menor em outros períodos, notadamente considerandose que os depósitos foram convertidos em sua totalidade em renda da União (ou seja, inclusive os valores considerados a maior foram convertidos à Fazenda Pública). Devese, portanto, com a conversão dos depósitos efetuados em renda da União, procederse à sua imputação aos débitos correspondentes, extinguindoo, na forma do inciso II do art. 1° da Lei n° 9.703/98, ou seja, "proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios". Entretanto, por outro lado, não há como reconhecer, como requer a Recorrente, direito ao indébito correspondente ao valor pago/convertido a maior, já líquido do débito, uma vez que o objeto do presente litígio não é o “reconhecimento de indébito tributário”, mas sim os lançamentos de ofício efetuados. Devese, portanto, nestes autos, efetuar a apuração dos depósitos convertidos em renda da União, verificandose a suficiência de todos os depósitos efetuados (tanto os valores “depositados a maior” como os “depositados a menor”) para quitar os montantes dos créditos tributários lançados nos autos de infração. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, devendo a autoridade fiscal da unidade de jurisdição do contribuinte confrontar o montante lançado no auto de infração COFINS e juros de mora com a Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 242 20 totalidade dos depósitos efetuados, de forma que os depósitos efetuados a maior sejam computados e abatidos em relação àqueles depósitos efetuados à menor, até o limite do crédito tributário constituído neste lançamento. Alerto, entretanto, que, quando da execução deste julgado, caso seja apurado saldo credor da contribuinte, deve ser abatida a parcela exonerada pela DRJ, nos autos do processo n° 19515.002969/200485, para que não seja considerada duas vezes a mesma parcela do crédito da contribuinte. É como voto. Relator Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Minha única divergência reside, como já adiantei em sessão passada, no fato de que os valores recolhidos a maior na fase judicial somente não podem ser compensados, pela só decisão deste Colegiado, com os valores recolhidos a menor em períodos de apuração diversos, ainda que do mesmo anocalendário. É o que de fato significa o encontro de contas proposto pelo Relator. Afinal, falece competência ao CARF (também às DRJs) promover a compensação de tributos, mas apenas apreciála quando instaurado o litígio, mediante apresentação de manifestação de inconformidade tempestivamente aviada contra a decisão da autoridade administrativa competente (Despacho Decisório proferido pelo chefe da unidade de origem). No caso, caberia à contribuinte pleitear ao magistrado, no momento oportuno, o levantamento dos valores recolhidos a maior na ação judicial (ou a sua compensação com os recolhidos a menor) ou apresentar PER/DCOMP, o único meio adequado para as pessoas jurídicas requererem a restituição cumulada ou não com a compensação de tributos. É o meu entendimento. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/200431 Acórdão n.º 3202000.584 S3C2T2 Fl. 243 21 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11060.002228/2005-69
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004
SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS.
A incidência da Cofins em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei deregência.
NORMAS COMPLEMENTARES. ALCANCE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos impor limites temporais para a utilização de suspensão da incidência estabelecida por lei. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que as normas complementares (portarias, instruções normativas, etc...) estão subordinadas estritamente à lei que autorizou a sua expedição, jamais poderão extrapolar estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade.
O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos (e, consequentemente, das instruções normativas) restringem-se aos das leis em função das quais foram expedidos.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS.
Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal, de pessoas físicas, podem ser calculados pelas empresas cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza Trindade Torres Presidente atual.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa ausente momentaneamente.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. A incidência da Cofins em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei deregência. NORMAS COMPLEMENTARES. ALCANCE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos impor limites temporais para a utilização de suspensão da incidência estabelecida por lei. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que as normas complementares (portarias, instruções normativas, etc...) estão subordinadas estritamente à lei que autorizou a sua expedição, jamais poderão extrapolar estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade. O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos (e, consequentemente, das instruções normativas) restringem-se aos das leis em função das quais foram expedidos. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal, de pessoas físicas, podem ser calculados pelas empresas cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 213 1 212 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002228/200569 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.378 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de outubro de 2011 Matéria PIS CEREALISTAS Recorrente S C CEREAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. A incidência da Cofins em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei deregência. NORMAS COMPLEMENTARES. ALCANCE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos impor limites temporais para a utilização de suspensão da incidência estabelecida por lei. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que as normas complementares (portarias, instruções normativas, etc...) estão subordinadas estritamente à lei que autorizou a sua expedição, jamais poderão extrapolar estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade. O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos (e, consequentemente, das instruções normativas) restringemse aos das leis em função das quais foram expedidos. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal, de pessoas físicas, podem ser calculados pelas empresas cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 28 /2 00 5- 69 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 214 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza Trindade Torres – Presidente atual. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa ausente momentaneamente. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração (fls. 04/ss), para a cobrança de diferença apurada pela fiscalização em relação ao recolhimento ao PIS, multa de ofício e juros moratórios, em decorrência das seguintes irregularidades apontadas no Relatório de Fiscalização (fls. 6/ss), que tento reproduzir em apertada síntese: (i) exclusões indevidas sobre as bases de cálculo do PIS quanto às receitas de exportações, pelo fato da fiscalização alegar que a recorrente não atendeu os requisitos estabelecidos na legislação para comprovar a efetiva exportação das mercadorias (fls. 06/12); (ii) quando da apuração dos créditos quanto ao PIS, foram utilizados valores para aproveitamento de crédito presumido relativamente a produtos in natura de origem vegetal, adquiridos de pessoas físicas nos meses de 03/04 a 07/04, em desacordo com a legislação. A fiscalização entendeu que as empresas cerealistas apenas poderão utilizar para aproveitamento de crédito presumido os valores das aquisições efetuadas de produtos in natura de origem vegetal adquiridos de pessoas físicas que forem posteriormente revendidos para serem utilizados como insumos pelas agroindústrias de que tratam o artigo 3°, § 5° da Lei n°. 10.833/03. Aduz que a expressão utilizada no artigo 3°, § 11 da Lei n°. 10.833/03, "vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º não se refere à condição da pessoa jurídica, se agroindústria ou não, mas sim à operação de revenda de mercadorias que serão posteriormente utilizadas como insumos pelas agroindústrias para a fabricação de produtos de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal”. Desta forma, a recorrente não tem direito ao crédito presumido quanto às aquisições de mercadorias que foram posteriormente revendidas (exportadas em estado natural) e não foram utilizadas como insumos pela agroindústria/empresa exportadora BIANCHINI (fls. 13/18). Transcrevemos, a seguir, o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Relatório A contribuinte supra identificada foi autuada por lhe ter sido atribuída falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração social – Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 215 3 PIS/Pasep com incidência nãocumulativa em relação aos períodos de apuração correspondentes aos meses de maio, junho, agosto e setembro de 2004. As infrações apuradas encontramse descritas no Relatório de Fiscalização de fls. 06 a 18. Os demonstrativos dos valores apurados encontramse às fls. 19 a 32. Da autuação resultou a exigência do PIS/Pasep no valor de R$17.937,95, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. Em 12 de setembro de 2005 foi apresentada a impugnação que se encontra às fls. 181 a 192, na qual se encontram os argumentos de defesa da contribuinte, que podem ser assim resumidos: Houve erro material na formação da base de cálculo da contribuição relativamente ao mês de maio de 2004, com a inclusão do valor de R$ 630.000,00 decorrentes da comercialização de soja em grãos à empresa Bianchini, pois conforme consta do anexo 1, o Memorando de Exportação n° 520/03, expedido pela mencionada empresa em face da nota fiscal n° 6418, emitida pela impugnante na comercialização, houve a destinação ao mercado externo de soja em grãos no valor apontado como não exportado. O produto constante da mencionada nota fiscal foi vendido com o fim específico de exportação, o que foi aceito pela fiscalização, por estar incluído no montante de R$ 1.746.515,79 considerados efetivamente exportados no período submetido à análise. Na planilha de fl. 30, o montante de vendas consideradas como efetivamente exportadas montam R$ 2.376.515,79, enquanto somente foram deduzidos da base de cálculo do PIS R$ 1.746.515,79 como receitas de exportação, resultando numa diferença de exatamente R$ 630.000,00, que solicita que seja excluída da base de cálculo. A exigência do PIS em relação aos períodos de apuração de agosto e setembro de 2004 é ilegal, visto que o art. 9°, da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 determinou, com efeitos a partir de 1° de agosto de 2004, a suspensão da incidência da contribuição na hipótese de venda realizada pela empresas cerealistas, como a impugnante, dos produtos "in natura" de origem vegetal classificados, entre outros, na posição 12.01. A impugnante tem direito à fruição do crédito presumido do PIS sobre as aquisições de soja em grãos realizadas de pessoas físicas e posteriormente revendidas para as empresas agroindustriais, independentemente de serem tais produtos utilizados pelas adquirentes como insumos na produção de produtos destinados à alimentação humana ou animal. A interpretação da fiscalização está equivocada, visto que as disposições dos parágrafos 5° e 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, tratam de hipóteses diferentes de apropriação de créditos, que não podem ser confundidas, visto que a lei não determina que os produtos sejam utilizados Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 216 4 como insumos pelas empresas industriais adquirentes para que a vendedora tenha direito ao cálculo de créditos presumidos. Requereu a impugnante que seja julgado improcedente o lançamento questionado. Juntamente com a impugnação foram apresentados os documentos que se encontram às fls. 193 a 196. A tempestividade da impugnação foi atestada à fl. 198. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria – RS julgou o lançamento procedente em parte, proferindo o Acórdão nº 188.790 (fls. 199/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal de pessoas físicas somente podem ser calculados pelas empresas cerealistas sobre as vendas efetuadas a agroindústrias que os utilize como insumos. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. A incidência do PIS em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa somente a partir de 04 de abril de 2006. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O PIS não incide sobre receita decorrente de vendas com o fim específico de exportação. Lançamento Procedente em Parte Portanto, a decisão da DRJ – Santa Maria afastou parte do crédito tributário lançado, por entender que uma parcela das exportações foi efetivamente comprovada (deve ser excluída da base de cálculo a receita de exportação no valor de R$ 630.000,00, do mês de maio de 2004) nos seguintes termos: Diante do exposto, voto no sentido de se julgar procedente em parte o lançamento, mantendose a exigência do PIS em relação aos períodos de apuração correspondentes aos meses de junho, agosto e setembro de 2004, nos valores de, respectivamente, R$ 1.341,69, R$ 3.244,34 e R$ 2.956,92, com as respectivas multas de ofício de 75%; cancelandose a exigência em relação ao mês de maio de 2004, no valor de R$ 9.404,12, assim como a respectiva multa de ofício de 75%; e cancelandose parcialmente a exigência Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 217 5 do PIS em relação ao mês de junho de 2004, no valor de R$ 990,88 e da correspondente multa de oficio de 75%. A recorrente foi cientificada do Acórdão em 07/04/2008 (fl. 210). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 30/04/2008 (fls. 213/ss) onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos para contestar a decisão de primeira instância administrativa: (i) da ilegalidade da exigência do PIS, nos períodos de apuração de 08/2004 a 09/2001, por inobservância da regra de “suspensão” da incidência do tributo, em decorrência do disposto no artigo 9º da Lei n° 10.925/2004. A lei 10.925/2004 foi publicada no DOU em 26/07/2004, sendo que o artigo 17, inciso III, estabeleceu que o início dos seus efeitos darseia em 1º de agosto de 2004, portanto, abarcando os pretensos fatos geradores de 08/2004 e 09/2004. Assim, a suposta restrição a que se apega o julgador da DRJ Santa Maria não merece acolhida, sobretudo porque a IN SRF No. 636/2006 (revogada pela IN SRF 660/2006) não pode limitar, no tempo, uma garantia/direito plasmada em Lei (artigo 9º da Lei 10.925/2004). Somente a lei pode estipular “condições” – ampliativas ou restritivas – para matérias suspensivas/exonerativas ao sujeito passivo. Em conclusão, afirma que a regra suspensiva é clara e autoexequível, como prevista no artigo 9º da Lei 10.925/2004, com todos os elementos e condições necessárias à implementação do direito nela albergado, não podendo a Instrução Normativa dispor de forma diferente à dicção legal da norma superior. (ii) do direito à fruição do “crédito presumido” do PIS no período fiscalizado. Discorda do entendimento da fiscalização de que o crédito presumido em discussão só poderia ser apurado e utilizado nos casos em que as aquisições de tais produtos junto as pessoas físicas fossem, posteriormente, revendidas para serem utilizados como insumos pelas agroindústrias adquirentes. Este entendimento não deve prosperar porque abarcam situações diferentes no que diz respeito ao direito do crédito presumido, mormente em função dos §§ 11º e 5º (art. 3, da Lei 10.833/03) regularem situações fáticojurídicas distintas . O § 11º prescreve o direito creditório às empresas cerealistas, tal como o é a recorrente, desde que "adquiram diretamente de pessoas físicas [...] produtos in natura de origem vegetal" classificados, dentre outros, na posição 12.01 da NCM (i e., soja em grãos), e que desempenhe, como já mencionado outrora, as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar estes produtos. O regramento do § 5°, responsável por conceder o direito ao crédito presumido às empresas agroindustriais, tal como o é a BIANCHINI, vale dizer, às "pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal", conquanto neste processo industrial sejam consumidos produtos classificados em vários códigos da NCM, dentre os quais o "soja em grãos", que deve ser, a posteriori, destinados à alimentação humana. Aduz, assim, que se trata de comandos insertos em parágrafos distintos de um mesmo artigo (art. 3° Lei 10.833/03); comando legal cuja função é disciplinar situações antagônicas no que tange ao direito do crédito em análise. Assim, de um lado, temse o crédito presumido das cerealistas (§ 11°), de outro, o crédito presumido das agroindústrias (§ 5°). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 218 6 Deste modo, alega serem disposições inconciliáveis sob o enfoque do direito aquisitivo ao crédito do tributo em pauta. Conjugandoos (§11º com o § 5°), como feito pela fiscalização, nunca se poderá chegar à outra conclusão que não a de que são previsões absolutamente independentes, eis que tratam de hipóteses diversas entre si e que somente se aproximam quando se pretende saber (identificar) quais pessoas jurídicas se está a tratar (cerealistas/agroindústrias). Em conclusão, afirma que a lei exige da recorrente, para fins de permitir o creditamento em contenda, a "venda" dos produtos in natura de origem vegetal, adquiridos de pessoas físicas, para uma empresa agroindustrial. Nada mais foi exigido. Por outro lado, no que concerne à agroindústria (como é o caso da BIANCHINI, como exemplo) pede sejam insumidos na "produção" (fabricação) de alimentos, destinados ao consumo humano, produtos de origem vegetal, sempre quando ela compralos diretamente de pessoas físicas, o que à evidência não ocorreu. Para a primeira (cerealista/recorrente), imperioso haver a "venda" dos produtos, enquanto para a segunda (agroindústria/BIANCHINI), fundamental se torna a sua "industrialização", sempre quando adquiridos por si mesma diretamente de pessoas físicas. Por fim, requer a reforma da decisão atacada para o fim de julgar nulo o auto de infração. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Primeiramente destacamos que o Acórdão da DRJ – STM, como relatado, cancelou a cobrança do crédito tributário em relação ao mês de maio de 2004 (PIS no valor de R$ 9.404,12, mais acréscimos legais) e, parcialmente, em relação ao mês de junho de 2004 (PIS no valor de R$ 990,88, mais acréscimos legais), relativos às exclusões sobre as bases de cálculo da contribuição quanto às receitas de exportações. O Acórdão recorrido manteve a cobrança do crédito tributário em relação aos períodos de apuração correspondentes aos meses de junho (parcialmente), agosto e setembro de 2004, nos valores de respectivamente, R$ 1.341,69, R$ 3.244,34 e R$ 2.956,92, com os respectivos acréscimos legais. Quanto a esta matéria (exclusões sobre as bases de cálculo da contribuição quanto às receitas de exportação) a contribuinte não se manifestou no recurso. Passemos, então, à análise da primeira questão suscitada pela recorrente (i) a suspensão da incidência da Cofins em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias. Para melhor entendimento da questão transcrevo o artigo 9º (em sua redação original) e 17 da Lei n° 10.925/2004, verbis: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 219 7 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal Art. 17. Produz efeitos: (...) III – a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; (grifouse) O dispositivo legal foi regulamentado através da Instrução Normativa SRF n° 636, de 24 de março de 2006, nos seguintes termos: Art. 1° Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n°10.925, de 2004. Art. 2° Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I – efetuada por cerealista, de produtos in natura de origem vegetal classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) sob os códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; § 1° Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal; § 2° A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3°. §3° A pessoa jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente. § 4° É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o aproveitamento de créditos referentes à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes de Fl. 219DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 220 8 aquisição de insumos relativos aos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência dessas contribuições. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de agosto de 2004. (grifouse) Destaquese, de antemão, que o artigo 17, inciso III, da Lei 10.925/2004 prescreveu que o início dos seus efeitos darseia em 1º de agosto de 2004, portanto, a Lei já estava apta a produzir efeitos em relação aos fatos geradores relativos aos períodos de apuração referentes à 08/2004 e 09/2004. Portanto, há que se concordar com a recorrente quando afirma que a Lei 10.925/2004 já poderia ser aplicada a partir de 01/08/2004, pois a partir desta data já era válida, vigente e eficaz. Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, como é o caso da instrução normativa, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos impor limites temporais para a utilização da suspensão da incidência, por falta de regulamentação, em desacordo com o disposto na lei (artigo 17), sob pena de desatendimento ao princípio da legalidade. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que estas normas complementares (portarias, instruções normativas, etc...) estão subordinadas estritamente à lei que autorizou a sua expedição, jamais poderão extrapolar estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade. O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos (e, consequentemente, das instruções normativas) restringemse aos das leis em função das quais foram expedidos. Assim, não podemos concordar com a posição exarada no voto condutor do Acórdão recorrido no sentido de que a suspensão da incidência do PIS dependia da edição da IN SRF n° 636, de 2006 (DOU de 4 de abril de 2006), posteriormente revogada pela IN SRF n° 660, de 2006, portanto, somente a partir dessa data (04.04.2006) é que se tornou possível efetuar vendas com a referida suspensão. Ademais, o próprio artigo 5º da IN SRF No 636/2006 estipulava que esta norma complementar entraria em vigor na data de sua publicação e produziria efeitos a partir de 1° de agosto de 2004 (em conformidade com o artigo 17 da Lei n° 10.925/2004, aliás, como não poderia deixar de ser). Em conclusão, entendo que a vigência do direito à suspensão da incidência da Contribuição deve ser determinada pelo artigo 17º da Lei n° 10.925/2004, ou seja, a partir de 01/08/2004. Portanto, os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração referentes à agosto e setembro de 2004 estavam com a exigibilidade das contribuições suspensas por força do disposto no artigo 9º da Lei n° 10.925/2004, devendo, assim, ser cancelada a exigibilidade do crédito tributário relativo aos períodos de agosto e setembro de 2004. Passemos à análise da outra questão suscitada pela recorrente: (ii) do direito à fruição do “crédito presumido” da COFINS no período fiscalizado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 221 9 Para melhor entendimento da questão transcrevo os artigos pertinentes à discussão da Lei n° 10.833/2004, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. . O artigo 3º da Lei 10.833/2003 relaciona em seus incisos diversas operações que propiciam o direito ao crédito da Contribuição, sendo que em seus parágrafos estipula condições específicas ou especiais para a fruição do direito ao crédito. Neste aspecto, entendo que, efetivamente, os parágrafos 5º e 11º prescreviam hipóteses distintas de concessão de crédito presumido, cada qual destinada a uma categoria de contribuinte. O parágrafo 5º destinado às “pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal”, classificadas nas posições especificadas, destinados à alimentação humana ou animal, enquanto que o parágrafo 11º às “pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal”, classificados nas posições especificadas, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Desta forma, assiste razão à recorrente quando afirma serem situações distintas, embora ambas digam respeito ao direito ao crédito presumido da contribuição. O parágrafo 5º prescreve a concessão do direito às empresas agroindustriais (pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal), enquanto o parágrafo 11º faz a prescrição em relação às empresas cerealistas (“pessoas jurídicas que adquiram produtos de origem vegetal de pessoas físicas para secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar”). Não há, portanto, como equiparar ou correlacionar situações em que a própria lei fez distinções. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/200569 Acórdão n.º 3202000.378 S3C2T2 Fl. 222 10 Concluo, assim, que deve ser afastado o entendimento da fiscalização no sentido de que a recorrente não poderia calcular os créditos presumidos sobre as aquisições de soja realizadas de pessoas físicas, conforma consta dos autos. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos objetivos de admissibilidade para o fim, no mérito, de DAR PROVIMENTO às seguintes matérias suscitadas pela recorrente: (i) a suspensão da incidência do PIS em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias, em relação aos períodos de agosto e setembro de 2004; (ii) direito à fruição do “crédito presumido” do PIS. Ressalto, por fim, que a DRF – Santa Maria (RS) deverá verificar se restam créditos tributários a serem exigidos, após o recalculo considerando as duas matérias para as quais foram dadas provimento, uma vez que não houve recurso em relação às exclusões sobre as bases de cálculo da contribuição quanto às receita de exportação (o Acórdão recorrido havia mantido, parcialmente, a cobrança do crédito tributário em relação ao período de junho/2004, no montante de R$ 1.341,69, com os respectivos acréscimos legais). É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 222DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10680.011087/2007-77
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO
EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas upostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas.
GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências.
GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços.
MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS.
É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidôneos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2003
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
DECADÊNCIA.
A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir ao percentual de 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing
Ltda., e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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FALTA DE APRECIAÇÃO EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas supostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços. MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS. É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidemeos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir ao percentual de 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. el—kh rix LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente I VEIG CHA - Relator • Fi MB ZOO EDITADO EM: n rar Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 10680.011087/2007-77 SI-C311 Acórdão n.° 1301-00.227 CL 2 Relatório DAM PROJETOS DE ENGENHARIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 02-16036, de 18/10/2007, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 09/08/2007 (ciência do sujeito passivo em 10/08/2007) para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fl. 05), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fl. 10) e Imposto de Renda na Fonte — IR_F (fl. 15), tudo por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2002 e 2003. 0 total da exação foi de R$ 1344.548,17, aí incluídos multa de oficio de 150% e juros moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 04. De acordo com a Descrição dos Fatos (fl. 06) e com o Tenno de Verificação Fiscal (fls. 21/28), a interessada efetuou pagamentos, contabilizados corno custos, às seguintes pessoas jurídicas: (i) MCM Construtora & Serviços Técnicos Ltda., CNPJ 02.438.750/0001-75; (ii) Pavimento Construções e Comércio Ltda., CNPI 00.374.624/0001-79; (iii) Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., CNPJ 17.046.970/0001-20; (iv) Construtora Speed Ltda., CNPJ 66.375.007/0001-04; e (v) PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., CNPJ 65.168.262/0001-05. No entanto, além das notas fiscais, em tese emitidas pelas contratadas, e da alegação de que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro, nenhum contrato ou outro documento foi apresentado, que ' pudesse comprovar a efetiva prestação de serviços. Ademais, a fiscalização relata que a empresa MCM já havia sido objeto de fiscalizações anteriores da Receita Federal, quando foi constatado que praticava a venda de notas fiscais, mediante o pagamento de comissões, sem nenhuma efetiva prestação de serviços. Quanto às demais empresas, com pequenas variações, não foram localizadas em seus endereços cadastrais, nem seus sécios, e se declaravam como inativas à Receita Federal. Assim, concluiu o Fisco tratar-se de custos inexistentes, suportados por notas fiscais inidôneas, sem a comprovação de sua efetiva prestação, o que motivou a lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL para as glosas desses custos. A fiscalização também considerou que as saídas do caixa da empresa, a titulo de pagamento por prestação de serviços a essas empresas, seriam de fato pagamentos sem causa ou pagamentos a beneficiários não identificados, urna vez que todos os pagamentos foram efetuados em dinheiro, sem qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços nem identificação do real beneficiário. Por este motivo, foi também lavrado o auto de infração do Imposto de Renda na Fonte, com base nos arts. 674, 675 e 725 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99). Cientificada das exigências e com elas irresignada, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 531/545), com argumentos que podem ser sintetizados como segue: 3 Alega a decadência do direito de lançar o Imposto de Renda na Fonte para fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, com base no art. 150, § 4°, do CTN, considerando que o auto de infração foi lavrado em 10108/2007. Insurge-se contra as glosas efetuadas pelo Fisco, afirmando, no que toca à empresa MCM Construtora e Serviços Técnicos Ltda., que a própria fiscalização teria admitido que a prestadora de serviços recebeu parte do pagamento. Desta forma, caberia individualizar essa parcela, que teria sido paga a beneficiário identificado, para exclui-la da exigência do IRF a titulo de "pagamento a beneficiário não identificado". Reproduz trechos do Termo de Verificação Fiscal, para concluir que os motivos arrolados não seriam suficientes para a glosa dos valores, muito menos para imposição de multa qualificada, e que "se uma empresa não é encontrada em determinado local cinco anos após os fatos em questão, isto não significa que o serviço não tenha sido prestado. Por outro lado, não se pode apenar o tomado,- dos serviços se o prestador dos mesmos não cumpriu suas obrigações para com a Receita Federal. Quanto às declarações de pessoas a quem aproveita negar a efetividade dos serviços e o recebimento dos valores, não podem ser tomadas como testemunhos válidos, porque contaminadas pelo interesse próprio". Argumenta que caberia à fiscalização o ônus da prova, aprofimdando as investigações, e que os elementos relatados no Termo Fiscal, constituem, quando muito, indícios que poderiam ser levados em conta para a declaração das empresas como inaptas, na forma da legislação própria. Diz que o fisco não procedeu à declaração da inaptidão das empresas prestadoras dos serviços, não podendo transferir o ônus da prova, eis que não é dado à impugnante "o poder de fiscalizar o cumprimento das obrigações fiscais de seus fornecedores". Por outro lado, argumenta que fiscalização não negou a existência dos pagamentos, mas os considerou como tendo sido feitos (em parte) a beneficiários não identificados, sem que provasse o alegado. Citando jurisprudência afirma que simples suspeitas não são suficientes para desfazer a presunção de legitimidade e boa-fé que milita a favor do contribuinte. Quanto à aplicação da multa agravada alega que foi feita sem que a Fiscalização trouxesse ao processo provas de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. A 4' Turma da DRS em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n°02-16036, de 18/10/2007 (fls. 558/572), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sabre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 2003, 2004 Glosa de Custos. Mantém a glosa de custos, quando, regularmente intimada na fase preliminar de investigações, a empresa não comprova com documentação hábil e idónea, a natureza das operações que lhe deram causa, elementos que continuam sem a comprovação necessária mesmo após o contencioso. ier 4 Processo n 10680.011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 A escrituração da contribuinte faz prova em seu favor somente se respaldada em documentos hábeis que efetivamente comprovem os fatos nela registrados. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte —IR)?? Exercício: 2003, 2004 Pagamentos a beneficiários não identificados. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros, contabilizados ou mio, quando não for comprovada a operação, ou a causa que deu origem à entrega dos valores, nem identificado o beneficiário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 Normas Gerais: Decadência e Multa Proporcional Qualificada. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IRRF extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento encontra amparo legal, nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Não se prestam a comprovar custos/despesas notas fiscais emitidas em nome de empresas inexistentes e/ou já desativadas, se a pessoa jurídica não logra comprovar de forma irrefutável que os serviços foram efetivamente prestados. A utilização de documentos inidaneos configura evidente intuito de fraude, sujeitando a pessoa jurídica à multa agravada. Ementa Normas Processuais: Tributação Reflexa Observada a legislação de regência, aplica-se ao lançamento reflexo de CSLL e IRRF o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Ciente da decisão de primeira instância em 21/11/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 578, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 579. No recurso interposto (fls. 579/596), reitera preliminarmente a argüição de decadência do IRF para os fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, com base no art. 150, § 4°, do CTN, colacionando jurisprudência que entende aplicável. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Afirma que o acórdão recorrido ter-se-ia apoiado apenas no que já estava fundamentado no auto de infração, deixando de tecer consideração acerca da necessidade do o órgão fiscal declarar a inidoneidade da documentação de determinado fornecedor para negar validade ao respectivo documentário. O rito fixado pelo próprio órgão teria sido inobservado. No que toca aos pagamentos contabilizados com custos contratados à empresa MCM Construtora, reitera as alegações trazidas em sede de impugnação, e considera que a Turma Julgadora em primeira instância passou ao largo de incoerência evidenciada no procedimento fiscal, quando se admitiu que parte do pagamento seria de comissões, portanto, pago a beneficiário identificado. Sobre os pagamentos às demais empresas, repete, com as mesmas palavras, os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. A preliminar de decadência será apreciada ao final do voto, visto que depende da análise que se há de fazer acerca da presença, ou não, de dolo na conduta do contribuinte. Alega a recorrente que a decisão a quo teria deixado de se manifestar acerca de sua reclamação sobre a necessidade de ser declarada a inaptidão das empresas e de seus documentos fiscais para somente então impugnar os custos e despesas amparados por esses documentos. Embora o assunto não tenha sido tratado explicitamente, tenho que o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, com o que concordo. É que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte quando lastreada por documentos capazes de comprovar os fatos nela registrados. Quando, como no caso vertente, o Fisco não encontra junto à fiscalizada documentos que comprovem a efetiva realização dos serviços, os pagamentos foram feitos em espécie, e o aprofundamento das investigações mediante diligências junto às empresas alegadamente contratadas nada acrescenta no sentido de comprovar que os custos tenham sido de fato incorridos e pagos, é perfeitamente licita a glosa dos custos, ainda que não declarada a inaptidão das empresas que supostamente teriam emitido os documentos fiscais que lastrearam esses custos. O cerne da questão é se os elementos reunidos pelo Fisco são suficientes para glosar os custos contabilizados pela recorrente, e mais, negar validade às notas fiscais que os lastrearam e afirmar que se trata de documentos inidõneos, a justificar a aplicação de multa qualificada (150%) e a incidência do imposto de renda na fonte sobre os respectivos pagamentos, por considera-los sem causa e/ou a beneficiário não identificado. Para tanto, considero relevante transcrever trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 21/28) em que o Fisco descreve os esforços empreendidos em relação a cada uma das empresas supostamente contratadas pela recorrente, no sentido de obter documentos que pudessem comprovar a efetiva realização dos alegados serviços. 6 Processo n° 0-68D.DT108”1007-11 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 4 1- MCM CONSTRUTORA & SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, CNPJ: 02.438.750/0001-75. Esta empresa surgiu como prestadora de serviços, para outras empresas do ramo de construção civil, que foram fiscalizadas pela Receita Federal, sendo concluído que a mesma, efetivamente praticava a venda de notas fiscais, mediante o pagamento de comissão, sem nenhuma prestação efetiva de serviços. No curso da presente fiscalização a empresa MCM Construção não foi intimada a prestar esclarecimentos tendo em vista as diversas diligências já efetuadas, que comprovam que a empresa não fiencionava nos endereços fornecidos à SRF, e que o quadro societário informado pela mesma não condizia com a realidade, entre outras irregularidades detectadas. Entre as diligências já efetuadas, retro citadas, destaca-se a identificação do ex-sócio da empresa, Sr. Clésio Lúcio da Apresentação, CPF: 616.447.816-20, que prestou depoimentos por três vezes e informou que efetivamente nunca exerceu a gerência da empresa, e que apenas esteve como sócio gerente, por um período curto, a fim de posteriormente efetuar a transferência da empresa para o Sr. Luiz Gonzaga Torres, CPF: 222.519.956-68, tendo inclusive endossado cheques para o mesmo. A empresa MCM Construtora apresentou DIPJ's como "INATIVA", desde o ano-calendário de 1999 até 2005. A empresa ora fiscalizada, apresentou as notas fiscais n's 000197, 000302, 000320, 000391, 000426, e 000447, em tese emitidas pela MCM Construtora. Conforme visto no rodapé das citadas NF's, as mesmas foram impressas pela Gráfica Digital Ltda, em função da AIDF-Autorização de Impressão de Documentos Fiscais emitida pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, de n° 2249/2003, emitida em 08/01/2003, entretanto trata-se de informação inveddica, uma vez que a prefeitura retro citada, através do Oficio Externo GETM n° 066/2006, de 07/03/2006, informa que a Ultima AIDF autorizada para a empresa MCM Construtora, foi a de n ü 16.138, de 04/07/2001, para as Notas Fiscais de no 000151 a 000250. Não foi apresentado pela empresa DAM Projetos, nenhum contrato ou qualquer outro documento comprobatório da relação comercial entre a mesma e a empresa MCM Construtora. Os documentos acima citados encontram-se anexados as fls. 304 a 351. 2- PAVIMENTO CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. CNPJ: 00.374.624/0001-79. A empresa PAVIMENTO construções também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa 7 fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada intimação ao sócio da empresa Sr. João Evangelista Resende Silva. O Sr. João Evangelista Resende Silva informou que a empresa PAVIMEIVTO Construções não prestou nenhum serviço à DANI PROJETOS, conforme documento de fl. 357. A empresa PAVIMENTO Construções apresentou DIPJ's utilizando o Formulário III, nos anos-calendário de 1995 e no ano-calendário de 1998 optou pelo Lucro presumido. Para os anos-calendário de 2001, 2002 e 2003 apresentou DIPJ como INATIVA, não apresentando DIPJ para os anos-calendário subseqüentes. A empresa DAM PROJETOS em resposta à intimação, apresentou a nota fiscal de n° 001195, que em tese, teria sido emitida pela PAVIMENTO Construções, entretanto a mesma não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou qualquer outro documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa PAVIMENTO Construções, apenas informando que o pagamento à mesma foi efetuado em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados àsfls, 352 a 361. 03 — FERRAZ CAVALCANT1 CONS. DE PLANEJAMENTO, PROJETOS E OBRAS LTDA, CNPJ: 17.046.970/0001-20. A empresa FERRAZ CAVALCANTI também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS:, entretanto a intimação não foi entregue ema vez, que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada a intimação ao sócio da empresa Sr. Miguel Bento, que também não foi entregue. A empresa FERR,4Z CAVALCANT1 apresentou D1PJ, no ano- calendário de 2002 como INATIVA, tendo sido a última DIPJ apresentada. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou as notas fiscais de n as 000215, 000258, 000334 e 000347, que em tese, teriam sido emitidas pela empresa FERRAZ CAVALCANTI, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou qualquer outros documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à mesma, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às /is. 362 a 371. 04 — CONSTRUTORA SPEED LTDA, CNPJ: 66375.007/0001- 04 8 Processo 1—w-LI068G1011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão a° 1301-00.227 Fl. 5 Á empresa CONSTRUTORA SPEED também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue ema vez, que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada a intimação ao sócio da empresa Sr. Rubens Santos, que também não foi entregue. A empresa CONSTRUTORA SPEED apresentou DIPJ, no ano- calendário de 2001 a 2005 como INATIVA, tendo sido a Ultima DIPJ apresentada. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou a cópia da nota fiscal de n° 001148, que em tese, teria sido emitida pela empresa CONSTRUTORA SPEED, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou quaisquer outros documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa contratada, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às fis. 372 a 380. 05 — PC&M PROJ. PUB. COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA, CNPJ: 65.168.262/0001-05. A empresa PC&M PROJ. PUB. COMUNICAÇÃO também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue, uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou a cópia da nota fiscal de n° 000018, que em tese, teria sido emitida pela empresa PC&M PROL PUB. COMUNICAÇÃO, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou quaisquer outros documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa contratada, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às fls. 381 A 386. Tenho que os custos contabilizados pela recorrente não restaram devidamente comprovados. Atendo-me, neste momento, à documentação apresentada pela interessada, constato que, em todos os casos, a descrição dos serviços que consta nas notas fiscais é "Elaboração de Projeto para o Complexo da Lagoa da Pampulha" (fls. 138, 141, 143, 145, 147, 149, 154, 156, 158 e 163), "Elaboração de Projeto para a Barragem Casa de Pedra para a Mineração Casa de Pedra em Congonhas — M.G." (11. 151), ou, ainda, "Elaboração de Projeto para a Barragem do Batateira para a Mineração Casa de Pedra em Congonhas — MG' (fls. 160 e 165). Ou seja, trata-se, em todos os casos, de projetos técnicos, algo concreto, material, que, se efetivamente fornecidos, deveriam estar no acervo técnico da contratante. E 9 mais, para que fossem custos dedutiveis, teriam quê estar ligados a obras ou projetos levados a efeito pela própria contratante, ora recorrente. Apesar de intimada (fl. 38), além de não apresentar nenhum dos projetos alegadamente contatados e elaborados, a ora recorrente também não apresentou nenhum outro elemento que viesse em apoio da efetividade dos serviços: contratos, relatórios, planilhas, atas de reunião, correspondências trocadas, identificação de profissionais envolvidos nos projetos, nada foi trazido a lume. E mais, os pagamentos foram todos feitos em dinheiro, o que não é proibido, mas pouco usual, em se tratando de quantias mais elevadas (média superior a RS 40 mil), e não concorre para a comprovação da efetividade dos serviços. Acrescento, ainda, que não foram apresentados nem identificados pela recorrente nenhum dos projetos ou obras, de sua execução, para cujo bom termo houvesse sido necessária a contratação (ou subcontratação) de terceiros para elaboração de projetos. Esse foi o motivo principal e determinante para a glosa dos custos, e também para que o lançamento, sob esse aspecto, fosse mantido em primeira instância. Não faço reparos, sob este aspecto, ao decidido, e entendo cabivel a glosa de custos, por falta de comprovação, sem prejuízo das considerações que se seguem. Indo além da mera falta de comprovação dos custos e dos indícios já apontados, o Fisco buscou, junto às empresas que teriam prestado os serviços, a comprovação da efetividade de sua prestação, com os resultados anteriormente transcritos, e sobre os quais teço algumas considerações. I. Acerca da empresa MCM Construtora & Serviços Técnicos Ltda. A documentação probatória reunida pelo Fisco é farta no sentido de provar sua inexistência de fato e a prática reiterada, constatada inclusive em outras fiscalizações, de emissão de notas fiscais que não correspondiam à efetiva prestação de serviços. O Fisco diligenciou junto à gráfica que teria impresso as notas fiscais apresentadas, a qual negou sua autoria. Também a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte negou que houvesse autorizado a MCM a imprimir esses documentos. A toda a evidência, trata-se de documentos inicloneos, utilizados pela interessada para aumentar artificialmente seus custos e, por via de conseqüência, reduzir o resultado tributável do IRPJ e da CSLL, além de acobertar a saída de recursos de seu caixa para destino e beneficiário ignorados. Inexiste, aqui, presunção, como alega a recorrente. O Fisco comprovou a inidoneidade dos documentos apresentados e a incapacidade da empresa contratada, e a interessada não conseguiu trazer qualquer contraprova, no sentido da efetividade da prestação dos serviços. O que era, até aqui, mera falta de comprovação, adquire ares bastante mais graves, de custos inexistentes, lastreados por documentos inidoneos. Nesse sentido também a jurisprudência administrativa, cabendo citar o acórdão do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes n° 103-19.504/98 — DOU de 25/09/98, assim ementado: IRPJ - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - NOTAS FISCAIS DE EMPRESAS INIDONEAS OU INEXISTENTES - Nos lançamentos efetuados sob alegação de que o contribuinte utilizou documentos fiscais inidõneos, para o fim de efetuar deduções ou exclusões, na apuração do lucro real, cabe ao Fisco aprova da inidoneidade desses documentos, assim como da inveracidade de quaisquer dados ou elementos registrados na escrituração comercial e fiscal. Em se tratando de documentos fiscais dados como emitidos por empresa inexistente f io Processo n°10680.011087/2RM74/ S1-C3.T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 6 de fato, é imprescindível a prova dessa inexistência, podendo o contribuinte, entretanto, ilidir a pretensão fiscal, mediante contraprova que demonstre a efetividade da operação descrita nos referidos documentos, produzida por qualquer meio admitido em Direito. Diante do exposto, impõe-se a conclusão da correção da multa de 150% aplicada às glosas que correspondem a notas fiscais de emissão da MCM Construtora. Eis o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, em sua redação vigente à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de/alta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de h__mck, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 1) 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [-1 Observe-se que a Lei n° 11.884/2007 introduziu alterações na redação do art. 44, acima, pelo que a multa de 150% passou a ser prevista pelo §10, e não mais pelo inciso II. As hipóteses de sua aplicação, no entanto, restaram inalteradas, sempre que presente alguma das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. O art. 72, abaixo transcrito, é relevante para a solução da lide: Art . 72. Fraude é tóda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impósto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A utilização de documentos inidâneos indiscutivelmente se amolda à perfeição à situação descrita no texto legal, evidenciando a conduta dolosa no sentido de reduzir o montante tributável e evitar o pagamento dos tributos devidos. Correta, pois, a decisão de primeira instância que manteve a multa qualificada sobre as glosas de custos lastreadas por notas fiscais supostamente emitidas por MCM Construtora. E, desde que comprovada a inexistência dos serviços, correto também o entendimento do Fisco, confirmado pela decisão recorrida, de que os pagamentos, feitos em dinheiro, se destinaram a beneficiário não identificado, por causa igualmente desconhecida, devendo se sujeitar à tributação na fonte de que trata o art. 61 da Lei n°8.981/1995, base legal dos arts. 674 e 675 do RIR/99. Eis o dispositivo legal em comento: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, 11 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § I° Á incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3 0 O rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Não procede a afirmação da recorrente de que "nem todo o pagamento foi efetuado a beneficiário não identificado". Não se constatou, no caso concreto, que tivesse havido o pagamento de comissões pela emissão de notas fiscais graciosas, mas tão somente se fez referência ao fato de que isso já havia sido constatado, em outras fiscalizações, com relação a outras empresas que igualmente contabilizavam custos lastreados em notas fiscais da MCM. nNo caso vertente, as constatações do fisco foram aquelas já anteriormente reproduzidas, e levam à conclusão da inexistência dos custos escriturados. Inexistentes os custos, os pagamentos a eles correspondentes não têm causa, o que já seria suficiente para a tributação na fonte ora sob análise. Além disto, pelo fato de terem sido feitos em dinheiro, não é possível a identificação de seu beneficiário, o que reforça a incidência do imposto. Deve ser mantida, por estes motivos, a tributação na fonte incidente sobre os pagamentos correspondentes a notas fiscais supostamente emitidas por MCM Construtora. 2. Acerca das empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda. Anteriormente me manifestei sobre a propriedade das glosas dos custos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas acima referidas, por absoluta falta de comprovação de sua efetividade, o que aqui reitero. No entanto, o teor das diligências e demais verificações empreendidas pelo Fisco não se me afigura suficiente para avançar no sentido da inexistência dos custos e da inidoneidade dos documentos fiscais trazidos aos autos. Em todos os quatro casos, o Fisco se limitou a enviar intimação, por via postal, para o endereço cadastral das empresas, as quais foram devolvidas pelos Correios, que não conseguiu localizar o destinatário. O Fisco não diligenciou pessoalmente, o que poderia, se fosse o caso, evidenciar que no passado, à época dos fatos, a empresa já havia operado no local, ou, ao contrário, que ali seria absolutamente desconhecida em qualquer tempo. Quanto à PC&M, não há notícia de que tenha sido tentado qualquer contato com algum dos sócios. No caso das empresas Ferraz Cavalcanti e Construtora Speed, foi enviada, também por via postal, intimação a um dos sócios, igualmente devolvida pelos Correios, e sem qualquer tentativa de diligência pessoal. Finalmente um dos sócios da Pavimento foi localizado, e respondeu à intimação (fl. 357) de forma vaga afirmando tão somente que "parte da documentação foi extraviada" e que "não lembramos de nenhuma prestação de serviços p/ empresa em questão". 12 Processo n° 10680.011087/2007-77 el-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 7 Ainda, não há notícias de que tenha sido feita qualquer diligência para verificar se as notas fiscais apresentadas teriam sido impressas mediante autorização emitida pelo órgão municipal competente ou não, como foi o caso anteriormente analisado da empresa MCIVI. Em que pese haver indícios, entendo que, para estas quatro empresas não houve aprofundamento suficiente a ponto de afirmar a inidoneidade dos documentos fiscais apresentados, limitando-se a glosa de custos à falta de comprovação da efetiva prestação de serviços. Em decorrência, não vislumbro também elementos que permitam afirmar o dolo na conduta do contribuinte, pelo que considero cabível a redução para 75% da multa aplicada nas glosas de custos lastreados por notas fiscais de suposta emissão das quatro empresas aqui nominadas. Finalmente, no que toca ao Imposto de Renda na Fonte, a recorrente alega (fl. 588) que o Fisco teria que provar que os pagamentos foram feitos a terceiros, não identificados, diversos daqueles que constam nos documentos fiscais apresentados. Não poderia haver inversão do ônus da prova, pois não se trataria de presunção legal, nesse caso. Ocorre que a base legal da autuação do IRF prevê mais de uma hipótese de incidência. Além do pagamento a beneficiário não identificado, a mesma tributação incide sobre o pagamento quando não for comprovada a operação ou a sua causa Em grande parte dos casos, essas duas hipóteses caminham juntas, visto que, quando não se comprova o beneficiário, não se há de cogitar da comprovação da causa. Mas também podem surgir dissociadas quando, mesmo identificado o beneficiário, a causa do pagamento reste obscura ou incomprovada. No caso das quatro empresas de que aqui se trata, a inidoneidade das notas fiscais apresentadas não restou cabalmente comprovada. Assim, seria possível admitir que os pagamentos tenham sido mesmo feitos a seus representantes, ainda que feitos em dinheiro (portanto, sem confirmação bancária) e que a comprovação seja bastante precária (carimbo no verso da duplicata, sem 'data e com assinatura ilegível ou semi-legível). No entanto, a causa desses pagamentos, a saber, os serviços alegadamente prestados, restam ainda incomprovados. A mesma lei que estabeleceu a incidência tributária atribuiu o ônus de provar a causa do pagamento ao contribuinte, vide texto do art. 61, anteriormente transcrito. Desta forma, a decisão que manteve a tributação do IRF incidente sobre pagamentos supostamente efetuados às quatro empresas aqui tratadas merece reforma parcial, mantendo-se a exigência com a redução da multa ao percentual de 75%. De se analisar, finalmente, a alegação de decadência do lançamento do IRE, na parte que incide sobre pagamentos realizados em 30/04/2002 e em 31/07/2002, considerando-se que a ciência do lançamento ocorreu em 10/08/2007, e à luz do art. 150, § 40, do CTN. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso 1, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: /3 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; L Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: • Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto ao Imposto de Renda na Fonte, ora sob análise, é espécie do Imposto de Renda, o qual, por sua forma de apuração e pagamento, é tido como tributo sujeito ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. Mas ressalto: o que caracteriza o lançamento por homologação é a atividade cujo exercício é atribuído ao contribuinte, no sentido de calcular o montante devido do tributo e antecipar seu pagamento sem prévio exame da autoridade. Observo ainda que o pagamento, a meu ver, pode ou não existir, a depender do caso concreto, sendo essencial no entanto que o contribuinte tenha praticado a atividade a que se refere a lei e dela tenha dado conhecimento à autoridade administrativa. Na decisão recorrida, a turma julgadora considerou que as exigências apuradas em procedimento de oficio recaem sobre valores não incluídos anteriormente na base de cálculo dos tributos. Portanto, a contagem do prazo decadencial seria regida pelas disposições do art. 173, I, do CTN. Embora por fundamentos distintos, considero correta essa decisão. Em primeiro lugar, no que se refere ao pagamento de R$ 38.098,13, em 31/07/2002, lastreado em nota fiscal inidônea, supostamente emitida por MCM Construtora, foi considerado o evidente intuito de fraude (necessariamente doloso) na prática da infração apurada. A multa foi qualificada em face da constatação e comprovação de que o documento fiscal apresentado foi impresso de forma irregular, com base em AIDF inexistente, e que igualmente inexistentes eram os serviços descritos na nota fiscal. Configurada, assim, a hipótese prevista no § 4° do art. 150, que prevê o retomo à regra geral do art. 173, I. Além disto, esta modalidade do imposto de renda, a saber, o imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou cuja operação ou causa não tenham sido comprovadas, ocorre sempre de oficio, e não existe qualquer procedimento ou atividade previamente praticada pelo contribuinte que seja passivel de homologação pela autoridade administrativa. Embora haja respeitáveis opiniões em contrário, entendo que a ausência dessa atividade descaracteriza essa incidência na fonte do imposto de it 14 Processo n° 10680.011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00227 Fl. 8 renda como sujeito ao lançamento por homologação, aplicando-se então a regra geral do art. 173, I. Assim, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia se efetuar o lançamento. Desde que o lançamento poderia se dar no próprio ano-calendário 2002, o dies a quo é o dia 1° de janeiro de 2003, vindo o prazo qüinqüenal a extinguir-se em 31/12/2007. Não ocorreu a decadência, portanto, visto que a ciência do lançamento se deu em 10/08/2007. Em conclusão, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, reduzindo para 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda,, e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas. ft; TALérl<yA ROCHA - Relator 15
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Numero do processo: 13976.000232/00-83
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0
valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam
provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjdo Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga. Participa am d presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cor. eir de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson M do Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Praga. S Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 CSIZUF02 Hs. 524 Ausentes justificada e momentaneamente os Conselheiros hallo César Vieira Gomes e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório CERAMARTE LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído pela Medida Provisória n° 725/1995 e alterações, convertida na Lei n° 9.363/1996, em relação ao período de 01/01/1999 a 31/03/1999, conforme Petição Inicial, as fls. 01/02, 78 e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes contra Decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, consubstanciada no Acórdão n° 4.493/2004, as fls. 442/449, que manteve o Despacho Decisório, as lls. 358, o qual deferiu parcialmente o Pedido em referência, a Egrégia 2a Camara, em 08/11/2005, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 202- 16.675, sintetizados na seguinte ementa: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. DIREITO A CRÉDITO. LEI N° 9.363/96. 0 beneficio deve ser calculado incluindo-se os valores referentes à operação de heneficiamento de ins t11110 semi-acabado — industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA. A Lei V 9.636, de 13/12/96, enumera taxativamente as espécies de illS111170S, cuja aquisições dá direito ao crédito presumido de IPI, são elas: as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Para a legislação da exação ent questão somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao 110V0 produto fabricado, sejam consumidos, ent decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. A energia elétrica não sofre essa ação direta, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. VARIAÇÃO CAMBIAL. Integra o valor das exportações a ser utilizado no cálculo do incentivo a variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e o fechamento do contrato de Cámbio, quando a variação cambial engloba o prey) do produto exportado, sendo, inclusive, emitida nota fiscal complementar. Recurso provido em parte." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, as fls. 481/490, com arrimo no artigo 32, inciso I, do então Regimento Interno dos Conselhos Processo n° 13976.000232/00-83 CSRF/"1'02 Acórdão n.° 02 -03.534 Hs. 525. de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado de forma flagrante a legislação que regulamenta a matéria (Ressarcimento de Crédito Presumido de WI), mais precisamente o artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96. Assevera que o ressarcimento de crédito presumido de IPI, na condição de incentivo a exportação, concedido por mera liberalidade do Estado, não pode ser interpretado extensivamente, cabendo ao legislador delinear os contornos desse incentivo, sob pena de ofensa ao principio de legalidade. Contrapõe-se ao decisum guerreado, aduzindo para tanto que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo de referido beneficio fiscal tão somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não contemplando os serviços de beneficiamento prestado por terceiros. Sustenta que o beneficiamento de insumos, em que pese tratar-se de industrialização por terceiros, é hipótese de prestação de serviço e não de aquisição de matéria- prima, na forma que entendeu a Camara recorrida. Alega que ao prevalecer o Acórdão recorrido, estar-se-ia computando os gastos gerais na fabricação como se matéria-prima fossem, não se cogitando em aquisição de matéria-prima, malferindo o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, extrapolando o alcance da hipótese prevista em lei. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2' Camara do 2° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, ao incluir a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI, contrariou, a priori, os preceitos contidos no comando legal que impõe interpretação literal e restritiva no caso de renúncia fiscal, conforme Despacho n° 202-259, as fls. 492/493. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contra-razões, as fls. 497/508, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência administrativa a respeito da matéria, oferecendo guarida à sua pretensão. É o Relatório. 3 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA. Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2 a Camara do 2° Conselho a contrariedade a. lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Pretende a Fazenda Nacional a reforma do Acórdão recorrido, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, determinando a inclusão dos valores utilizados na industrialização por encomenda na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, sob o argumento de que o entendimento levado a efeito pela Camara recorrida afronta de forma flagrante o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, bem como o principio da legalidade, impondo a interpretação restritiva da legislação que regulamenta a matéria, sobretudo quando referido beneficio fiscal, na condição de incentivo à exportação, é concedido por mera liberalidade do Estado. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI exclusivamente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, o que não se vislumbra na hipótese vertente (serviços de beneficiamento prestado por terceiros). Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar as questões controvertidas a propósito da matéria, cumpre trazer a. baila a legislação tributária que instituiu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, notadamente a Medida Provisória n° 725 e reedições, convertida na Lei n° 9.363/96„ in verbis: "Lei n°9.363/1996 Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrialiazados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ;es 7. de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilizaçõv no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora C0171 o Jim especifico exportaçáo para o exterior. 4 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 Art. 20 A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1...1" Conforme se extrai das normas legais retromencionadas, o beneficio fiscal em comento tem o escopo de desonerar as exportações brasileiras de produtos manufaturados, a partir do crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incidentes sobre os insumos adquiridos para aplicação na industrialização de produtos nacionais destinados ao mercado externo, corno muito bem sedimentado no bojo do voto vencido constante do Acórdão recorrido. A teor dessa conclusão, somente a titulo de reflexão, cumpre inferir que o simples fato de o fisco, acompanhado por alguns dignos julgadores administrativos, não entender estarem incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores concernentes aos serviços de beneficiamento do insumo executados por terceiros e sob encomenda, além de coarctar os ditames da Lei n° 9.363/1996, fere mortalmente o fim precipuo de beneficio fiscal sub examine, explicitado acima. Na hipótese dos autos, tratando-se de beneficiamento de matéria-prima destinada à fabricação de mercadorias destinadas ao exterior, o exame da matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações em relação ao procedimento adotado na aquisição da matéria-prima, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, citando a titulo exemplificativo a indústria calçadista, a qual reflete muito bem o processo produtivo em comento. Como é do conhecimento daqueles que lidam com referido tema, em virtude da quantidade e dos valores mais acessíveis, o exportador adquire o couro praticamente em uma única época do ano ("safra"), como matéria-prima inacabada (couro semi acabado ou "wet blue"), vindo a estocá-la. Na medida em que os pedidos são concretizados, o exportador encaminha o couro semi acabado para beneficiamento executado por terceiros e sob encomenda. Observe-se, que a conduta da contribuinte obedece principio de economia na produção do bem a ser exportado, visando o maior faturamento da empresa corn a diminuição de custos na produção. Ora, antes de efetuado o pedido, a empresa exportadora não tem conhecimento de qual sera a demanda, tanto em relação à quantidade quanto às cores dos calçados a serem exportados. Dessa forma, além da economia em adquirir grande quantidade de couro de uma só vez, a conduta da contribuinte encontra sustentáculo, ainda, na própria lógica comercial, ou seja, adquire o produto (couro) semi acabado e entrega para o beneficiamento somente quando houver necessidade, observando a quantidade e as especificações (especialmente cores) a serem adotadas por ocasião da exportação. -3 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórcido n.' 02 -03.534 Diante desse raciocínio, é de fácil conclusão que somente poderá ser admitida como matéria-prima propriamente dita o couro acabado, após o respectivo beneficiamento, que deverá obrigatoriamente ser considerado como custo na aquisição da matéria-prima. Verifica-se, que o couro inacabado, denominado de "wet blue". isoladamente, não oferece condições de industrialização do produto final a ser exportado, qual seja, o calçado. Nesse sentido, não pode ser considerado como efetiva matéria-prima. A rigor, o beneficiamento (operação industrial) procedido por terceiros ou sob encomenda é condição essencial à caracterização da matéria-prima em comento, couro acabado. Assim, nada mais justo/correto que os custos do beneficiamento do couro inacabado serem incluidos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, ainda que procedido por terceiros. Impende esclarecer, ainda, que na hipótese de o exportador adquirir a matéria-prima já submetida a processo de beneficiamento (couro acabado), o valor total de referida aquisição seria admitido para cálculo do crédito presumido de IPI, inclusive a importância relativa a mão-de-obra utilizada nessa operação industrial. Destarte, a não ser no aspecto comercial da empresa como já relatado acima, no entendimento deste conselheiro, inexiste diferença entre a aquisição do couro acabado (efetiva matéria-prima) ou o "wet blue" a ser submetido a posterior processo de beneficiamento. Em ambos os casos, o custo do beneficiamento do couro inacabado será suportado pelo exportador, devendo referida importância ser agregada ao valor final da aquisição da matéria-prima — couro acabado. Mais a mais, somente a titulo elucidativo, constata-se que a operação de industrialização (beneficiamento) sob responsabilidade de terceiros sofre incidência da COFINS e do PIS, o justifica ainda mais o acolhimento do pleito da contribuinte, eis que o beneficio fiscal em comento tern como fim precipuo justamente a desoneração de referidos tributos na exportação de produtos nacionais. Nessa toada, é de se admitir o valor relativo aos serviços de beneficiamento da matéria-prima executados por terceiros na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Alias, essa Colenda Câmara Superior já se manifestou por diversas vezes a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, conforme se extrai dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "b." INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso CIO qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao P1S e a COFINS previsto na Lei n° 9.363/96. [...j" (2 Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-02.175 — Sessão de 23/01/2006) "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos referentes à matéria prima 6 AES DE OLIVEIRA Processo nÕ 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 beneficiada por terceiros e utilizada no produto final exportado deve ser incluído na base de cálculo do incentivo criado pela Lei n° 9.363/96. Recurso negado." (2' Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-01.857 — Sessão de 11/04/2005) Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2 0 Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA aROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. 7 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 CSRF/T02 53( Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO PRAGA - Redator Designado. Tendo em vista que a Conselheira Jose Maria Coelho Marques - redatora designada originalmente - deixou de compor o CARF, passo ao voto que exprime a decisão aprovada pelo colegiado, no julgamento deste processo. Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A argumentação expendida no Especial é procedente. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Acerca dessa matéria, sigo a jurisprudência atual desta Turma, no sentido de desconsiderar da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações efetuados por terceiros, por absoluta falta de previsão legal. Para tanto, adoto os fundamentos e a conclusão do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, relator original no Acórdão n° CSRF/02-02.776, de 03 de julho de 2007: "A contenda prende-se a existência ou não de previsão legal que suporte a inclusão concedida pelo Acórdão recorrido em relação aos valores dos insUMOS adquiridos pelo contribuinte, com os respectivos custos de seus beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa para posteriores reaprovellamentos pela 111eS1110, na base de cálculo do crédito presumido de IPI O ponto central da análise pode ser colocado da seguinte forma: somente a matéria-prima e o produto intermediário comprados diretamente pelo contribuinte que configuraria insumo para efeito de consideração na base de cálculo do crédito presumido de IPI, ou tambéni assim poderiam ser considerados os prodmos beneficiados e elaborados por terceiros coin material fornecido pela empresa, transitados com suspensão do IPL A Lei 11. 0 9.363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art. 10 , que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes "sobre as respectivas aquisições, 110 mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" Art. I°A empresa produtora e exportadora de mercadorias 11UCi011UiS fillY1 jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n' 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes' sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(g.n.) Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastar-se das seguintes premissas: por primeiro, que os Processo n° 13976.000232/00-83 Acórddo n.° 02-03.534 CSRF/T02 Fls. 531 insumos utilizados no cômputo do beneficio devam ser adquiridos, ozè seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, conto se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Da necessidade de aquisição dos ins 111170S Ent relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matéria-prima, vez que .16 pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matéria-prima se deu, portanto, em momento anterior à remessu para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado conto "Gastos Gerais de Fabricação", não como incremento do valor da matéria-prima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do beneficio, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, confirme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.° 312, de 3 de agosto de 1998. Normalmente se argumenta que se o contribuinte houvesse adquirido de fornecedores o couro beneficiado/acabado, e os itens elaborados que emprega na MOntagent de calçados, então poderia enquadrar os valores aos mesmos correspondentes no dimensionamento (artigo 20 da Lei 9363/96) do crédito presumido de IPI? Vê-se que se levanta uma hipótese contrafactual, o que so pela natureza do argumento já se vê que não é um fato. Mas, vamos conceder 11171 crédito a essa hipótese. Sim, nessa hipótese o pleiteante teria direito ao crédito, pois nesse caso a situação se amoldaria aos precisos termos da norma, conto otitis deve ocorrer com qualquer direito excepto: estar-se-ia adquirindo efetivamante matéria-prima ou um produto intermediário, para efeito de se compor a base de cálculo do credit() presumido do IN Aliás, a tentativa de coerência buscada naquela hipótese contrafactual abriria brecha a uma outra incoerência, qual seja: Por que o legislador, seguindo o mesmo raciocínio, e COM muito maior razão, não optaria também por conceder esse crédito relativo ao beneficiamento quando efetuado pelo próprio industrializador, e não por terceiro? Por que o legislador iria privilegiar a terceirização em detrimento da industrialização pelo próprio exportador, en) ulna mesma situação? Não concedeu, por questão de coerência, pois não se está a tratar de aquisição de matéria prima ou produto intermediário, mas de simples custo do beneficicunento que deve ser contabilizado COMO "Gastos Gerais de Fabricação". COM efeito, tratar-se-ia de situação no MittiM0 incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõent o arcabottço normally() do IPI. Ora, "Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito", diz o brocardo romano, assim, se não é possível incluir na base de cálculo do beneficio, os custos com beneficiamentos realizados pelo próprio industrial 9 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 exportador, não devem ser incluídos aqueles incorridos no.s beneficiamentos realizados na industrialização por encomenda, nos mesmos produtos. Do Direito Excepto No tocante a última das premissas inicia/mente delineadas, pois que, quanto segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência a construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente eC0116111ka, tão costumeiramente encontráveis no dia-a-dia do julgador. preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada. pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. A interpretação econômica do fato gerador serve de auxilio a interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Admitir que a industrialização por encomenda seja considerada na base de cálculo do crédito presumido é alargar o rol dos contribuintes beneficiados pela "terceirização" do processo produtivo e estender o beneficio a empresas que tem processo produtivo parcial, sem qualquer previsão legal, que, a princípio, dirigiu o crédito apenas aos industriais com processo integrado, excluindo vários outros setores da economia que realizam exportações, por exemplo, de produtos não tributados. Ademais, sublinhe-se novamente, que se tratando de normas onde o Estado abre 17010 de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. E nesse sentido o escólio de Carlos Maximiliano (In Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12', Forense, Rio de Janeiro, 1992, p. 333/334): "0 rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus eni proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abri mão de direitos inerentes à autoridade supremo. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquiveis; ficar privada ate a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais sera inferida de 'aim que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que envolva. No caso, não ten, cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos". Vê-se que a boa hermenêutica, baseada nos proficuos ensinamentos de Carlos Maxim lhano, ensina que a norma que veicula renúncia fiscal há de ser entendida de forma restrita. Argumento Empírico — Lei n°10.276/2001 Por último, e quem sabe o mais importante, se o cômputo dos valores dos serviços de industrialização por encomenda estivessem incluídos na base de cálculo do beneficio previsto pela Lei n° 9.363/96, lido haveria razão para que o legislador expressamente viesse a prever esta alternativa, em lei posterior. Vejamos como dispôs oar!. 1° da Lei 11. ° 10.276, de 2001, in verbis: "Ari. 1 2 Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o 10 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórclfto n.° 02-03.534 exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Prochttos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFI1VS), de conformidade COM o disposto em regulamento. § 12 A base de calculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos. sobre os quais incidiram as contribuições referidas no capul: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bent assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado inferno e utilizados no processo produtivo: II - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomemkurte seja contribuinte do 1P1, nu forma da legislação deste imposto" (grifei). Costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre HermenOutica Jurídica a afirmação de que "a lei não contém palavras infiteis", a qual, segundo se diz, vem a ser principio basilar da disciplina. E dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao metros, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastas, 1965, p. 262). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.° 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.° 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente con, o custo de outros inS111110S (energia elétrica e combustíveis). Note-se, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.° 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.° 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Nesse aspecto, é importante notar que uma lei nova sempre inova o ordenamento jurídico, apresentando algo novo e destinado à vigência apenas a partir da sua entrada em vigor, mas também projetando lures sobre o passado, no sentido de que identifica um comando novo e distinto do comando que vigorava anteriormente a ela, ajudando (milli a melhor compreender e interpretar as duas. Observar-, finalmente, que o uso do método alternativo para o calculo do beneficio, tem, como contrapartida à inclusão de novos valores nu base de calculo (aquisição de energia elétrica e combustíveis, e serviços de industrialização por encomenda), a definição de um fator multiplicativo menor: de 0,0537 (5,37% da base de cálculo, nu Lei n° 9.363/96) para 0,0365 (3,65% da base de cálculo, na Lei n°10.276/2001). Portanto, não se pode argumentar que a Lei n° 10.276/2001 seja "expressamente interpretativa", nos termos do art. 106, I, do CTN. Por todo o exposto, voto no sentido de que sejam desconsiderados da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações referidas anteriormente, para efeitos de operar-se o ressarcimento/compensação pleiteado nesses autos. " Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 Dessa forma, a posição mais consentânea com a norma legal e aquela pela exclusão dos custos de beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Antonio Pra edator Designado. 12
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Numero do processo: 18471.000560/2003-34
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
Assunto: NULIDADE. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Cabe à
autoridade autuante demonstrar o nexo causal entre os fatos narrados e as provas da falta da necessidade das despesas financeiras glosadas, de maneira clara, lógica e precisa.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1402-00003
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Pelá
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GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Cabe à autoridade autuante demonstrar o nexo causal entre os fatos narrados e as provas da falta da necessidade das despesas financeiras glosadas, de maneira clara, lógica e precisa. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Valmar Fonseca de Menezes, Carlos Pelá, Carlos Alberto Niza e Castro (Suplente Convocado), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relatório Fl. 738DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 2 2 Tratase de complexo auto de infração lavrado contra Fort Roll Embalagens Técnicas Ltda para o pagamento de IRPJ, CSL, PIS e COFINS (estes três últimos reflexamente) no valor total de R$ 2.987.962,33, já que glosadas algumas despesas financeiras nos anos de 1998, 1999 e 2000, bem como supostas omissões de receitas por parte da empresa. 01 Da omissão de receitas Sustentou a fiscalização que não estaria comprovada a origem de R$ 37.500,00, já que aumentado o capital de giro por um sócio estrangeiro sem o registro da comprovação de seu ingresso das divisas no país. 02 – Das despesas Financeiras não necessárias Entendeu a fiscalização que o Contribuinte Fort Roll Embalagens técnicas LTDA contabilizou gastos que não poderiam ser deduzidos como despesas, por serem desnecessárias, bem como teriam a finalidade única e exclusiva de exaurir o capital de giro da empresa, sendo que a esta parte da autuação foi aplicada com multa agravada de 150%. Pelo auto de infração, em suma, estaria a empresa levando o seu capital de giro à exaustão, pois (i) teria comprado por R$ 4.500.000,00 70% um crédito de suposto crédito da empresa Dover Indústria e Comércio em face da União Federal, (ii) a empresa não teria demonstrado qualquer relação desta operação com os seus objetivos sociais, (iii) teria feito adiantamentos graciosos de elevados valores à mesma empresa Dover, (iv) esta cessão teria sido paga com valores obtidos de duplicatas de empresas de factoring (v), as duplicatas seriam frias, (vi) o contribuinte contabilizava compras de matérias primas para entrega futura , com notas emitidas pela Dover no valor de R$ 30.000.000,00, que nunca foram entregues e, (vii) se tais mercadorias fossem entregues a interessada, ela não teria espaço físico para guardá las. Em decorrência da multa qualificada, foi lavrada a Representação Fiscal para fins Penais sob o n.º 18741.000641/200334. Em sua impugnação, o Contribuinte alegou em preliminar a nulidade do auto, por falta de clareza e individualização do fato oponível e no mérito alegou que não houve suprimento de numerário no valor de R$ 37.500,00, pois se referia à integralização de capital de uma empresa, conforme alteração contratual. Quanto às despesas financeiras tidas como não necessárias, discordou completamente da autuação, explicou que a cessão de crédito foi feita nos termos da lei, que o crédito efetivamente existe e que o valor deste crédito logo que atualizado e disponível servirá como base para tributação. Quanto aos adiantamentos, supostamente graciosos, esclareceu que eram efetuados ao fornecedor Dover para entrega futura contra a emissão regular de nota fiscal para este tipo de operação, constituindose em receita de vendas para a empresa emissora. Alegou que as despesas financeiras glosadas foram efetivamente contabilizadas e estavam à disposição da fiscalização. Fl. 739DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 3 3 Em 08 de setembro de 2004, a DRJ converteu o julgamento em diligência, visando obter maiores esclarecimentos sobre o nexo causal entre todos fatos narrados na autuação, bem como fosse explicada a composição dos valores autuados. A fiscalização atendeu à solicitação e juntou documentos de fls. 461/654 e 659/665. Esclareceu, ainda que a empresa havia se mudado para lugar incerto e não sabido, logo não pôde apurar maiores informações além daquelas já colhidas até o presente momento. Explicou a autoridade fiscal que todos os indícios indicavam que a empresa mantinha terceiros como sócios para prática de determinados delitos tributários, praticados em conjunto com a empresa Dover, anteriormente citada neste relatório, tanto que após a fiscalização a empresa teria se mudado. Com relação à composição dos valores nada foi explicado. A empresa foi intimada por edital do resultado desta diligência, já que não foi encontrada pelo endereço que constava no CNPJ. Em seguida, os autos retornaram para julgamento na DRJ, que julgou o lançamento procedente em parte e, em suma, afastou a preliminar de nulidade, já que ao seu ver o erro era sanável. Quanto ao mérito manteve o lançamento quanto à omissão de receitas, já que o contribuinte não teria comprovado a origem do numerário com documentação hábil e quanto às despesas financeiras entendeu que caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal da autuação e provas de forma clara e precisa, aplicandose o mesmo raciocínio para os tributos reflexos. Embora cientificado da decisão, o Contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, porém considerando os valores exonerados vieram os presentes autos para julgamento da remessa necessária, também chamado de Recurso de Ofício, interposto pela r. autoridade julgadora a quo. Voto Conselheiro Carlos Pelá Relator O Recurso preenche os requisitos legais e dele tomo conhecimento. Como se verá abaixo, a decisão deverá ser mantida. Tratase de auto de infração rico em folhas, porém pobre em conteúdo. Aliás, há de se exaltar o excelente trabalho da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro que, em nome da verdade material, baixou o processo em diligência e tentou uma melhor compreensão sobre o efetivo motivo que teria levado a lavratura do auto de infração. Vejamos: O auto de infração foi lavrado na seguinte rubrica (fl. 263): “002 – CUSTOS DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS” (sem grifo no original). Explicando a autuação, mais à frente afirma: “Glosa do total das despesas financeiras deduzidas no ano calendário tendo em vista que elas decorrem única e exclusivamente da exaustão do capital de giro da Fl. 740DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 4 4 fiscalizada seja pela compra, pelo valor total de R$ 4.500.000,00, de 70% de um suposto crédito que a empresa DOVER Indústria e Comércio S/A teria em face da União Federal, tendo sido pagos R$ 1.000.000,00 no ano calendário de 1998, R$ 2.066.000,00 no ano calendário de 1999 e R$ 1.434.000,00, no ano calendário de 2000, seja pela adiantamento gracioso de elevadores (sic) valores a mesma empresa Dover Indústria e Comércio S/A.” (sem grifos nos original) A partir da afirmação da fiscalização de que todas as despesas seriam glosadas seja por um motivo, seja por outro, caberia a ela demonstrar exatamente quais seriam estas despesas. Se o total seria glosado, por que o auto não partiu como valor base os R$ 4.500.000,00 que teria utilizado o Recorrido como despesa? Se existiram dois tipos de situações (compra de direito creditório e adiantamentos graciosos) por que não explicou claramente a fiscalização quanto seria um e quanto seria outro? De maneira muito mais ampla, foi o que tentou descobrir sem sucesso a r. autoridade julgadora a quo. Conforme fls. 456/459, a DRJ tentou entender qual era o nexo causal entre as empresas de Factoring, os empréstimos, as duplicatas “frias” e os créditos de ICMS e IPI sobre o valor de R$ 30.000.000,00 com a despesa financeira glosada. Ou seja, de maneira formal, técnica e respeitosa questionou a DRJ: O que todos estes documentos e fatos trazidos aos autos têm a ver com o fato de a despesa glosada ser ou não ser necessária? Conforme muito bem pontua a r. autoridade julgadora a quo, após o fiscal ter constatado que haviam problemas nas despesas financeiras não intimou a empresa para que se explicasse sobre elas, isso em um processo de mais de 700 folhas. Ora, é do conhecimento de todos que para alguns casos a própria Lei presume que determinadas despesas não são necessárias. Assim sendo, entendendo que as despesas seriam desnecessárias caberia a autoridade demonstrálas de modo cabal, individualizando cada motivo para que o contribuinte pudesse rebatêlas ponto a ponto. Ora, os fatos narrados no presente processo dão conta de que despesas desnecessárias estavam sendo glosadas, porém sem maiores detalhes, sem vinculálas aos documentos trazidos aos autos e, por fim, sem compor os valores que deram origem à autuação. A DRJ, portanto, cancelou a autuação, nos seguintes termos: “Considero portanto ultrapassada a preliminar de nulidade, uma vez que foi determinada de ofício, diligência a fim de que fossem esclarecidos, item a item, com descrição mais analítica, o nexo causal da autuação, com a demonstração da composição das despesas financeiras glosadas, relacionandoas às operações anteriormente descritas.” A própria DRJ conclui o voto, conforme item 52, também transcrito: Fl. 741DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 5 5 “Caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal da autuação e a apresentação da prova da falta de necessidade das despesas financeiras glosadas, de forma clara e precisa.” Ora, a própria DRJ reconhece que nada agregou a diligência à fiscalização. Conclui a DRJ que “caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal”, o que não foi feito. Assim, entendo que não haja reparos a fazer na decisão da DRJ, que examinou os fatos e chegou à decisão de cancelar parcialmente a exigência. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 742DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS PELA em 02/02/2012 16:46:11. Documento autenticado digitalmente por CARLOS PELA em 02/02/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 06/02/2012 e CARLOS PELA em 02/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.12568.4J8M Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9FBCF61557DBF26D67267857D5D3CFD1F07AE4A5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.000560/2003-34. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13971.000640/2008-40
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35-A DA LEI N.º 8.212/1991.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica-se a multa prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991.
DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA.
Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
Numero da decisão: 2401-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35-A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica-se a multa prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
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GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZADO APENAS COM BASE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS. CRITÉRIO ÚNICO. SOLIDARIEDADE AFASTADA. A solidariedade ao adimplemento das contribuições previdenciárias, com esteio no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, enseja a necessidade do devido apontamento dos elementos que demonstrem, de fato, que as empresas envolvidas ou tidas como componentes do grupo, se caracterizam como uma única empresa, possuindo um centro de comando unificado. Desta feita, não é suficiente para tanto, o simples fato de uma empresa participar do capital social da outra, tratandose o critério de participação societária apenas como um dos elementos caracterizadores do grupo, mas não o determinante. APLICAÇÃO DO § 4.º DO ART. 32 DA LEI N.º 8.212/1991. ENQUADRAMENTO NA TABELA LEVANDOSE EM CONTA NÚMERO TOTAL DE SEGURADOS DA EMPRESA. Para cálculo do limite da multa, previsto no revogado § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, devese tomar como base o número total de segurados a serviço da empresa e não apenas aqueles cuja remuneração deixou de ser declarada na GFIP. FIXAÇÃO DA MULTA. VALORES VIGENTES NA DATA DA AUTUAÇÃO. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal e não na data da ocorrência do ilícito administrativo. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 40 /2 00 8- 40 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplicase a multa prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 FALHA NA CIENTIFICAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO PELOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. A mera remessa de comunicação às empresas arroladas como coobrigadas, desacompanhada das peças do Auto de Infração, é falha em condição de validade do lançamento, sendo cabível o seu saneamento, sem que disso decorra a nulificação de todo o procedimento fiscal. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 847 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.121.4688, lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A penalidade aplicada importou no valor de R$ 667.493,02 (seiscentos e setenta e sete mil e quatrocentos e noventa e três reais e setenta e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 60/64, a empresa deixou de incluir na GFIP os valores pagos a título de: a) verba denominada “Indenização” paga ao segurado empregado JORGE LUIZ KOPROWSKI; b) “Indenização Aposentadoria”, rubrica relativa ao pagamento de um salário nominal a funcionários aposentados quando do desligamento; c) verba destinada ao pagamento de gratificação dos funcionários que fazem parte do grupo de bombeiros voluntários da empresa; d) verba denominada “Gratificação” paga em 03/2004, no estabelecimento matriz, em parcela única, na rescisão do segurado empregado ALCIDES SCHWANK; e) verba denominada “Indenização Clausula 29”, relativa a pagamentos no ato da rescisão a segurados empregados com mais de 05, 10 e 15 anos de serviço na empresa, previsto em convenção coletiva; f) verba denominada “Aviso Prévio Idade 45 anos”, a qual consistia em pagamento de um salário nominal aos empregados desligados com idade superior a 45 anos, conforme Convenção Coletiva firmada com o Sindicato de Blumenau, cláusula 09; g) remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, registrada na escrita contábil da empresa, nas contas "5530 SERVIÇO TERCEIROS PF e "3790 SERVIÇO TERCEIROS PF"; h) custeio, por parte da autuada, de gastos pessoais do sócio administrador, Sr. RICARDO GUEDES LOWNDES e da Sra. CORNÉLIA CONRAD LOWNDES, esta representante legal da empresa Conrad Empreendimentos e Participações S/A, de CNPJ 01.528.583/000190, que por sua vez é sócia majoritária da autuada. Os referidos valores encontramse registrados na escrita contábil, contas 4877 e 3582, ambas de descrição "VIAGENS E ESTADAS”; No seu relato a Auditoria fez considerações adicionais para justificar o porquê de ter considerado as rubricas acima mencionadas como integrantes do salário de contribuição. Na sequência, relatase que, com esteio no contrato social e alterações, além de análise da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Fl. 849DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 848 5 constatouse a existência de grupo econômico integrado pela autuada e pelas seguintes empresas: a) CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 01.528.583/000190. É empresa controladora, que detém 98,01% das cotas da autuada; b) HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA., CNPJ 02.179.9381000146. Empresa controlada pela Haco Etiquetas Ltda., que detém 99% do seu capital; c) HACO FIOS LTDA., CNPJ 04.740.731/000124. Empresa controlada pela autuada, a qual possui 99,32% de suas cotas. Concluiu o Fisco que essas empresas teriam responsabilidade solidárias com a autuada pela quitação do crédito previdenciário constante no AI. As devedoras apresentaram impugnações contra a lavratura, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgado o AI parcialmente procedente. Dessa decisão, as empresas interpuseram recurso voluntário. O CARF declarou nula a decisão de primeira instância em razão da falta do envio, para as empresas arroladas como solidárias, das peças que compõem o AI, limitandose o Fisco a remeter apenas comunicação da lavratura e da responsabilidade pelo crédito (ver fls. 385/400). As empresas foram cientificadas da Decisão do CARF, tendo o prazo de impugnação sido reaberto, em razão do envio do AI e anexos às empresas coobrigadas. A empresa autuada apresentou defesa, fls. 242/258, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) o fato como foi narrado pelo Fisco prejudica o seu direito de defesa, uma vez que não é possível se saber exatamente quais as competências em que houve infração, detectandose inclusive divergências entre os períodos constantes do relatório e os apresentados no anexo “B”. Esse fato é causa de nulidade da lavratura; b) no tocante a existência da suposta responsabilidade solidária, o Fisco sequer indicou o dispositivo legal que daria embasamento a essa conclusão, mais uma vez prejudicando o direito de defesa da recorrente; c) ocorreu decadência para os fatos geradores ocorridos até fevereiro de 2003; d) a NFLD n.º 37.121.4700, correlata ao presente AI, é improcedente, posto que os pagamentos considerados fatos geradores presentes naquele lançamento não apresentavam natureza remuneratória, sendo pagos especialmente como indenizações e ressarcimento de despesas aos funcionários e aos representantes legais, o que exclui a possibilidade de que fossem tributados; Fl. 850DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 e) parte da NFLD acima referida foi declarada decadente e o saldo foi objeto de parcelamento especial; f) providenciou a declaração na GFIP dos fatos geradores incontroversos, merecendo a relevação da multa; g) é necessário, também, que a multa seja reduzida, para que sejam adotados parâmetros financeiros vigentes na data da infração e não na data da lavratura; h) na definição do teto da multa devem ser considerados apenas os segurados relacionados à infração e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa; i) deve ser aplicado retroativamente o disposto no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que prevê multa mais benéfica; j) caso se aplique o art. 35A da mesma Lei, deve ser abatida a multa aplicada na notificação de débito; k) a multa da forma como foi aplicada é confiscatória; Foram acostadas GFIP comprovando a declaração de parte dos fatos geradores apontados pelo Fisco. Também apresentou defesa a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, na peça de fls.334/342, na qual articulou que: a) a ausência de notificação regular do AI não pode ser suprida com a anulação da decisão de primeira instância, pois o procedimento anterior já estava maculado pela nulidade; b) não foi citada no ofício a base legal necessária à caracterização de grupo econômico nem a sua responsabilização pela multa, na qualidade de devedor solidário; c) não se verifica na espécie qualquer hipótese de redirecionamento da dívida contra possíveis responsáveis tributários, tendo o Fisco criado verdadeira inversão da ordem de cobrança do débito fiscal; d) a mera participação societária não autoriza que se conclua automaticamente pela existência de grupo econômico, haja vista que as empresas e seus sócios/acionistas possuem personalidades jurídicas próprias que não se confundem; e) a jurisprudência do STJ somente reconhece a responsabilização por tributos devidos nos casos em que o sócio pratica atos de gestão, o que não é o caso dos autos; f) que se aproveite como alegações suas, os argumentos lançados na defesa da empresa originalmente autuada. Compareceram ao processo para se defender também as empresas HACO FIOS LTDA, fls. 354/362 e HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA, fls. 392/400, apresentando os mesmos argumentos que a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. Às fls 422/443, consta decisão da DRJ em Florianópolis declarando a multa precedente em parte. Foi reconhecida a decadência até 11/2002, a multa foi relevada para as Fl. 851DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 849 7 competências 12/2003; 08/2005; 05/2006 e 13/2006. Aplicouse ainda a legislação mais benéfica ao sujeito passivo, tendose em conta o disposto na MP n.º 449/2008. A autuada interpôs recurso voluntário, fls. 453/469, no qual, após breve síntese dos fatos processuais, manifestou a pretensão de ver a decisão da DRJ reformada, sob as alegações de que: a) é causa de nulidade da decisão, o fato da DRJ ter deixado de apreciar alegações defensórias, mormente as questões de inconstitucionalidade e ilegalidade; b) ocorreu vício formal no lançamento pela falta de clareza na exposição da conduta infracional, uma vez que há contradição entre o teor do relatório fiscal e de seu anexo “B”, no que diz respeito às competências lançadas; c) a solidariedade entre as empresas arroladas pelo Fisco não deve prevalecer. Primeiro porque não foi citada no Relatório Fiscal a base legal que daria suporte a tal conclusão, não se admitindo que a decisão de primeira instância supra essa lacuna; segundo porque a mera existência de participação societária não autoriza automaticamente que se infira haver grupo econômico; d) demais disso, a mera existência de grupo econômico não poderia ocasionar a responsabilidade tributária, conforme jurisprudência do STJ colacionada; e) por ser tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias deve ser aferido pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN, devendo serem afastadas por caducidade as competências até 02/2003; f) a decadência reconhecida para a NLFD conexa deve ser estendida ao AI; g) o limite para aplicação da penalidade deve levar em conta o número de segurados cuja remuneração não foi declarada e não o total de segurados a serviço da empresa; h) o valor mínimo utilizado no cálculo da multa deve ser aquele vigente na data da infração e não na data da autuação; i) para as competências em que houve correção parcial da falta, a penalidade deve ser relevada na proporção do saneamento, conforme dispões o § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 e o § 5.º do art. 656 da Instrução Normativa – IN SRP n.º 03/2005; j) para as competências 12/2002 e 01/2003, a aplicação da multa mínima de R$ 500,00 (§ 3.º do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991) não deve prevalecer, uma vez que não foram indicados os fatos geradores supostamente omitidos nessas competências; k) há erro no cálculo da penalidade para as competências em que aplicou a multa mínima, uma vez o total deveria ser R$ 1.000,0 (um mil reais) e o valor apresentado é de R$ 19.588,88 (dezenove mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos); l) também é inadmissível que, para um mesmo AI, apliquese a penalidade com esteio em dois dispositivos legais distintos, o art. 32A e o 35A da Lei n.º 8.212/1991; m) a multa aplicada é inconstitucional em razão de seu caráter confiscatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ao final, requereu: a) que se declare nulo o acórdão recorrido em razão do cerceamento ao seu direito de defesa; b) que se cancele o AI pelos vícios apontados; c) que seja afastada a responsabilidade solidária; d) que seja relevada a multa na proporção das contribuições declaradas; e) que seja reconhecida a decadência para fatos geradores ocorridos até 02/2003; f) que seja reduzido o valor da multa, pela correção dos erros apontados. A empresa HACO FIOS também recorreu, fls. 492/501, para alegar que: a) a nulidade da decisão de primeira instância não tem o condão de apagar o vício de procedimento representado pela falta de envio do AI; c) é nulo o AI pela falta de citação do dispositivo legal que fundamentasse a ocorrência de solidariedade; d) a mera existência de participação societária não é suficiente para que se conclua pela existência de grupo econômico, tampouco existência de responsabilidade solidária entre as empresas; e) não pode ser responsabilizada por conduta que não praticou, haja vista a responsabilidade penal ser pessoal do agente; f) oferta as mesmas razões de mérito apresentadas no recurso da empresa diretamente autuada. Também interpuseram recurso as empresas CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, fls. 529/538, e HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA fls. 563/572, apresentando as mesmas alegações da empresa HACO FIOS LTDA. É o relatório. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 850 9 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do procedimento Alegam as empresas recorrentes que, malgrado o CARF tenha anulado a decisão de primeira instância pelo fato das devedoras solidárias não haverem inicialmente recebido as peças que compõem o AI, o vício no procedimento permanece, devendo, por consequência o crédito ser nulificado. Esta tese não deve prevalecer. É que o acórdão de segunda instância entendeu que houve atropelo ao devido processo legal, pelo fato do Fisco ter apenas encaminhado ofício às coobrigadas, dando conta da existência de solidariedade passiva, quando seria necessário que as empresas tomassem conhecimento de todas as peças que compõem o AI. Constatado o prejuízo ao direito de defesa das responsáveis tributárias, foi anulada a decisão de primeira instância, de modo que a legalidade fosse restabelecida. Observese que, se o CARF tivesse entendido pela impossibilidade do saneamento, a anulação teria recaído sobre o AI e não atingiria apenas a decisão da DRJ. Por esse motivo, ao efetuar o envio do AI e anexos às empresas coobrigadas, o Fisco saneou o vício, afastando a mácula na lavratura. Para justificar esse entendimento, devemos fazer um breve comentário acerca dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois tratar das consequências jurídicas advindas de vícios em cada uma das partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, fazendo parte de sua própria estrutura. São tratados no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, nos casos em que a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, houve falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento acarretam em saneamento dos mesmos ou na declaração de vício formal do mesmo, quando a mácula não possa ser afastada. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. No caso sob cuidado, observase que o vício detectado pelo CARF situouse em uma das condições do lançamento, qual seja a cientificação pelas empresas devedoras de todas as peças do AI. Essa falha é passível de saneamento, o qual, nesse caso, deuse com a remessa das peças inicialmente sonegadas, não havendo o que se falar em impossibilidade de eliminação dessa falha, visto que situada em “condição” de validade do lançamento. No momento em que as empresas foram cientificadas do inteiro teor da lavratura, cessou o prejuízo existente, não sendo cabível a anulação de todo o procedimento, sob pena de atropelo ao princípio constitucional da eficiência da Administração Pública. A Lei n.º 9.784/1999, que estabelece normas básicas sobre o processo no âmbito da Administração Pública Federal trata da matéria nesses termos: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Ora, tendo sido eliminada a causa que reconhecidamente prejudicou o direito de defesa das empresas, a qual se localizava em elemento externo ao lançamento, perfeitamente cabível o saneamento do feito, não havendo necessidade de nulificação do procedimento. Nulidade da Lavratura Como causas de nulidade da própria lavratura, os recursos apresentam a falta de citação no Relatório Fiscal da norma necessária a fundamentação da responsabilidade solidária, bem como, o possível cerceamento ao direito de defesa por falta de clareza quanto aos períodos de ocorrência da infração. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 851 11 Para demonstrar a ocorrência da responsabilidade solidária, a Auditoria indicou ter constatado, pela análise do contrato social e alterações e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, que a autuada integrava grupo econômico, cujo controle acionário pertencia a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, do qual também faziam parte as empresas HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA e HACO FIOS LTDA. Diante da suposta constatação da existência de grupo econômico, as demais empresas foram cientificadas da existência dos débitos e da sua condição de devedoras solidárias pelo fato de integrarem juntamente com a autuada um grupo empresarial. Percebese que o Fisco narrou com precisão a situação que acarretou na responsabilidade das empresas para com os créditos tributários, não cabendo a alegação de prejuízo ao direito de defesa das mesmas pela mera ausência de citação de dispositivo legal que prevê a solidária vinculação pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Em adição a isso, digase que inexiste na legislação aplicável a previsão de remessa de relatório fiscal para caracterização de grupo econômico, nos casos em que o controle é visualizado pela própria composição societária das empresas. A demonstração da interligação entre as empresas tornase essencial apenas para os casos em que se verifica a existência de grupos empresariais, cuja vinculação não aparece formalmente, mas é encontrada nos fatos narrados pelo Fisco. A DRJ atuou com acerto quando afirmou que em processo administrativo fiscal o contribuinte se defende dos fatos e circunstâncias apresentados pela Fiscalização e não da definição jurídica invocada. Na espécie, os contribuintes, malgrado aleguem prejuízo a sua defesa, trouxeram em suas peças de impugnação argumentos que me permitem concluir que os mesmos estavam plenamente cientes da circunstância que deu causa a sua vinculação ao crédito tributário na condição de devedores solidários. Portanto, não encontrando qualquer prejuízo ao direito de defesa dos sujeitos passivos, deixo de acatar a preliminar de nulidade pela falta de capitulação legal relativa à solidariedade. A outra mácula atribuída à autuação diz respeito a falta de clareza do relato fiscal quanto aos períodos de ocorrência da infração. Afirma a empresa autuada que, enquanto o ANEXO B indica ter havido infração relativamente à conta contábil 3790 nas competências 10 e 11/2002, 02/2004 a 04/2004 e 07/2004, o item 4.7 do Relatório Fiscal não menciona tais períodos. Sobre essa questão tenho a afirmar que a Autoridade Fiscal descreveu a infração, mencionou o dispositivo legal infringido e acostou planilhas onde demonstra para cada período as remunerações que deixaram de ser informadas na GFIP. A falha que o sujeito passivo aponta nada mais é de que mero erro material consistente na divergência entre o período indicado no relato fiscal e as competências constantes nas planilhas acostadas, mas especificamente no ANEXO B. A ocorrência dessa falha em hipótese alguma pode inquinar de nulidade a lavratura. Notase que o item 4 do Relatório Fiscal teve por desiderato descrever a parcela que foi omitida da guia informativa e as circunstâncias em que foi paga, de modo a justificar a Fl. 856DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 consideração da mesma como salário de contribuição. Ao fazer essa menção, a Auditoria achou por bem indicar o período de pagamento da verba. As planilhas acostadas servem para especificar quantitativamente a parcela paga, indicandose ainda a data do pagamento, a conta contábil de onde foi extraído, o histórico da operação e o beneficiário. Verificase assim que o contribuinte teve todo o conhecimento dos fatos geradores apontados pelo Fisco nos seus aspectos qualitativos e quantitativos, com o que foi possível impugnar a autuação sem obstáculos. A divergência porventura existente entre o período constante no Relatório e as competências demonstradas no ANEXO B deve ser considerada como mero erro de digitação, que sequer merece ser saneado, uma vez que não trouxe qualquer prejuízo ao administrado. Caso o sujeito passivo viesse a demonstrar que constava das planilhas acostadas alguma parcela não mencionada no Relatório Fiscal, ou que os valores ali apresentados estavam em dissonância com a documentação exibida, seria caso de se retificar o valor divergente ou expurgálo do AI, jamais declarar a nulidade da autuação. Não custa invocar mais uma vez o art. 55 da Lei n.º 9.784/1999, o qual condiciona o saneamento do processo a inexistência de lesão ao interesse público e prejuízo ao administrado, do que se depreende, a contrário senso, que não há nulidade quando o interesse público é preservado e do ato não advém prejuízo a terceiros. O Decreto n° 70.235/1972, que é a norma mestra do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, hoje também aplicado às contribuições previdenciárias, acerca das nulidades dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Assim, com vistas a apreciar o argumento de nulidade do procedimento fiscal em razão de mero erro de digitação no Relatório Fiscal, devese indagar se: a) o interesse público foi arranhado; b) o fato trouxe prejuízo ao sujeito passivo; c) houve preterição do direito de defesa da recorrente. Verificase que a falha apontada não representou mínimo prejuízo ao sujeito passivo, posto que, conforme já afirmei, os elementos postos a sua disposição no Relatório Fiscal, bem como nos seus anexos lhe possibilitaram o exercício do direito de defesa com amplitude. Nesse sentido, não tenho dúvida que o interesse público foi preservado, bem como as garantias processuais do administrado, não havendo razão para que se anule o lançamento por esse motivo. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 852 13 Nulidade do acórdão recorrido Sustentam as recorrentes que a falta de apreciação de todas as razões de defesa pela DRJ estaria a reclamar a nulidade do acórdão de primeira instância. Não deve prevalecer essa alegação. O mérito da contenda foi exaustivamente apreciado, onde se destacam as ponderações do órgão de primeira instância acerca da incidência de contribuições sobre parcelas que a autuada entendia serem insusceptíveis de tributação, como é o caso das chamadas “indenizações” e dos valores pagos a título de despesas de viagem. Cabe ressaltar que no decisum original lançouse mão até de trechos do voto condutor do acórdão que declarou parcialmente procedente a NFLD n.º 37.121.4700, correlata ao presente AI. Também se debruçou o órgão recorrido exaustivamente sobre a aplicação da multa e a possibilidade de sua relevação. Apenas as alegações de inconstitucionalidade de lei não foram objeto de análise pela DRJ, uma vez que tal julgamento não cabe aos órgãos judicantes do contencioso administrativo fiscal. Essa é a inteligência da Súmula CARF n.º 02, assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse sentido, cai por terra a alegação de nulidade do acórdão guerreado. Responsabilidade solidária Assim dispõe o art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT1, a IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: 1 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de Fl. 858DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Na espécie, dúvida não há de que a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS era a controladora do grupo, haja vista deter 98,01% das cotas da autuada, que por sua vez, era detentora de 99% e 99,32% das empresas HACO ETIQUETAS DO NORDESTE e HACO FIOS, respectivamente. Nesse sentido é inquestionável a existência de grupo econômico, sendo as empresas integrantes, portanto, solidariamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Sobre essa mesma matéria, uma outra questão posta à análise é se essa solidariedade pode se estender ao cumprimento das obrigações acessórias. Entendemos que não. De fato, somente o sujeito passivo direto, ou seja, o contribuinte que promove a ocorrência dos fatos geradores pode ser autuado pela descumprimento dos deveres instrumentais instituídos em benefício da arrecadação e fiscalização dos tributos. Todavia, nos termos do § 3.º do art. 113 do CTN2,. uma vez descumprida a obrigação acessória, nasce para o Fisco o direito de aplicar sanção legalmente prevista, que faz surgir à obrigação principal de pagar a penalidade pecuniária aplicada. Pelo pagamento dessa multa é que recai a responsabilidade para a autuada e também para as empresas integrantes do grupo econômico da qual a contribuinte faça parte, em razão da existência de solidariedade entre as mesmas pelo cumprimento das obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. No inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 a expressão “pelas obrigações decorrentes desta lei” diz respeito ao pagamento do tributo, bem como das multas, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Assim, independentemente de terem dado causa a conduta infracional, as empresas integrantes de grupo econômico, por estarem submetidas a controle único, representando interesses comuns, devem também responder pelas multas decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 2 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.(...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 853 15 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Por se tratar de lavratura para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, típico lançamento de ofício, devese contar a decadência pela norma do inciso I do art. 173 do CTN. A cientificação do lançamento ocorreu em 12/03/2008 (fl. 226), data em que a última das coobrigadas recebeu a notícia da existência do crédito tributário e de sua responsabilidade para com o mesmo. Portanto, devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2002, não havendo reparos a serem feitos quando ao que ficou decidido na primeira instância. Aplicação da multa Outra questão sobre a qual devemos nos debruçar é a aplicação da multa nos termos da legislação vigente na data da autuação. Entendo que os argumentos apresentados pela autuada de que o Fisco incorreu em equívocos na fixação da penalidade não devem prevalecer. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 São duas as alegações, ambas acerca da fixação do limite previsto no § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, o qual serve de teto para a aplicação da multa prevista no § 5.º do mesmo artigo, os quais transcrevemos: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Pois bem, alegase no recurso que na definição do número de segurados para aplicação da tabela acima deve levar em apenas aqueles cuja remuneração deixou de ser declarada e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa. Essa não é a melhor exegese da norma. Observese que o quadro do § 4.º transcrito servia para fixar o valor da multa quando da não apresentação da GFIP e também o limite na aplicação da multa para a infração prevista no § 5.º. Tendose em conta que na utilização do quadro visando à fixação da multa para os casos de falta de entrega da GFIP não faz sentido se falar em segurados envolvidos na infração, haja vista que nenhum deles foi declarado, não há de se querer que na utilização do mesmo dispositivo para o cálculo do limite da multa pela omissão de fatos geradores se tome apenas o número de segurados cuja remuneração não foi declarada. No que diz respeito à quantificação do valor mínimo, advogase no recurso que esse deve ser aquele vigente na data a ocorrência da infração e não o da data da autuação. O deslinde desse ponto do recurso não merece maiores divagações, posto que o próprio legislador se encarregou de esclarecer essa questão. Vejase o prescrevia o § 8.º do mesmo artigo: Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 854 17 § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Assim, por contestar expressa disposição de lei não merece acolhimento essa tese recursal. Aplicação da regra mais benéfica Passemos agora a comentar a forma de aplicação da multa para a infração sob enfoque após as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009 na Lei n.º 8.212/1991. É cediço que essa alteração legislativa promoveu uma substancial mudança no cálculo das penalidades pelo descumprimento das obrigações decorrentes da declaração em GFIP. As penalidades, que variavam em função do tipo de infração cometido (falta de entrega, omissão de fatos geradores, erro em campos não relacionados aos fatos geradores, desconformidade das informações com as orientações do manual de preenchimento, falta de declaração do valor retido na prestação de serviço por cessão de mão de obra), passaram a ser capituladas em apenas dois dispositivos, os incisos I e II do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Na sistemática anterior, aplicavase a multa pelo descumprimento da obrigação de pagar o tributo cumulativamente com a multa decorrente de falhas na declaração da GFIP, fosse a falta de entrega da guia ou o seu preenchimento incorreto. Com a introdução do art. 35A na Lei n.º 8.212/1991, havendo descumprimento de obrigação acessória relacionada a GFIP e falta de pagamento do tributo a multa passou a ser unificada, conforme disposto no art. 35A, que agora transcrevo: Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O dispositivo da Lei n.º 9.430/1996 está assim redigido: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Diante da nova configuração legislativa, o órgão de primeira instância promoveu o cálculo da multa considerando as atuais disposições e comparou com a multa originalmente calculada pelo Fisco, adotando a multa mais benéfica, em homenagem previsão constante na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Todavia, há um complicador para se aplicar a atual legislação. É que no presente AI há fatos geradores não declarados que deram ensejo a lançamento da contribuição devida e há fatos geradores que, embora não declarados, tiveram as contribuições decorrentes recolhidas antes ou durante a ação fiscal, não provocando lançamento de ofício. E mais, para as competências 12/2002 e 01/2003, as contribuições lançadas na NFLD foram consideradas decadentes. Dadas essas circunstâncias, o órgão de primeira instância teve que adotar uma conjugação do art. 32A com o art. 35A para efetuar o novo cálculo da multa. Sobre a metodologia utilizada teceremos alguns comentários. Inicialmente foram expurgadas do AI as competências consideradas decadentes no próprio auto (art. 173, I, do CTN) e aquelas para as quais houve a correção integral da falta, que foram objeto de relevação da penalidade. Depois, os fatos geradores foram segregados em razão de terem sido ou não objeto de lançamento de ofício. Para os fatos geradores não contemplados na NFLD ou consideradas decadentes (art. 150, § 4.º do CTN) adotouse para o cálculo da penalidade o art. 32A, observandose o limite mínimo de 500,00 (quinhentos reais) por competência. Para os fatos geradores que deram ensejo a lançamento de ofício foi aplicada a regra prevista no art. 35A, correspondente a 75% da contribuição não declarada, abatendose a multa de mora presente na NFLD. Ao final foram somadas as multas calculadas conforme os dois critérios, chegandose ao valor da penalidade mantido na decisão de primeira instância. Diante do exposto, por considerar que o órgão de primeira instância fixou o valor da penalidade em consonância com o que dispõe a legislação, tendo adotado as cautelas necessárias para que o contribuinte fosse favorecido com aplicação da penalidade mais benéfica, afasto a alegação recursal de que houve erro no cálculo da multa. Relevação da penalidade Acerca da relevação da penalidade na proporção da correção da falta, confesso que alterei meu posicionamento a esse respeito. Em julgamento realizado nessa Turma no dia 16/03/2011, fui vencido nessa questão, o que me levou a uma melhor reflexão sobre o tema tendo evoluído para o entendimento firmado no citado julgamento pela maioria da Turma. Nesse sentido, para justificar meu atual posicionamento, favorável a relevação da multa de forma parcial, mesmo para as ocorrências em que inexistiu a correção integral da falta, peço Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 855 19 licença para transcrever o voto vencedor naquela ocasião da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire (Acórdão n.º 240101.693): Ouso divergir do ilustre relator na sua seguinte afirmação: “Alinhome aos que entendem que a concessão do benefício da relevação da penalidade por descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, hoje fora do nosso ordenamento, pressupunha a integral correção de cada ocorrência.” Anteriormente, até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005): Art. 656. (...) (...) §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto: (REVOGADO PELA IN SRP nº 23/2007) I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal; II a diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. Ocorre que esta alteração, decorrente da revogação do aludido dispositivo normativo, não decorreu de alteração legal e sim de interpretação. Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas Fl. 864DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado ' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) , demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto, as obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados em GFIP. É como voto. Diante dessas considerações, a multa para as competências em que houve correção parcial da falta deve ser relevada na proporção das contribuições previdenciárias declaradas na GFIP. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade suscitadas, por não acatar a decadência e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso de modo que seja relevada a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 865DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 856 21 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os fundamentos adotados pelo Em. Relator, ao concluir pela existência da solidariedade ao adimplemento das obrigações tributárias ora lançadas, e, decorrência da configuração do grupo econômico de empresas, ouso divergir. Ocorre, no presente caso, que a caracterização do grupo econômico ensejadora da responsabilidade solidária das empresas indicadas no relatório fiscal do Auto de Infração teve como fundamento único, a análise da participação societária das envolvidas. Conforme se depreende do relatório fiscal, a fiscalização verificou que: (i) a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 01.528.583/000190, constituíase como empresa controladora do grupo, por ser detentora de 98,01% das cotas da autuada; (ii) a empresa HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA., CNPJ 02.179.9381000146, constituíase em empresa controlada pela autuada, a empresa Haco Etiquetas Ltda., que detém 99% do seu capital social; (iii) a empresa HACO FIOS LTDA., CNPJ 04.740.731/000124 também se constituía em empresa controlada pela autuada, detentora de 99,32% de suas cotas. Pois bem, sobre o grupo, nada mais fora analisado, seja mesmo a centralização do controle estratégico da autuada, ou mesmo trazidos aos autos outros elementos que apontem que as empresas indicadas, em verdade, constituemse, numa só. As alterações legislativas que podem ser consideradas sobre o assunto deixaram de demonstrar a preocupação com a simples questão de participação de uma pessoa jurídica em outra ou em outras, para que venha a se definir serem ou não coligadas, trazendo novo elemento que demonstra ser irrelevante o volume da participação para tal finalidade, qual seja, a questão da influência de uma empresa na gestão dos negócios e administração de outra. O cenário voltado para a definição do grupo econômico já ultrapassou a questão da mera participação de uma mesma pessoa (física ou jurídica) em várias empresas, como, por exemplo, era preconizado pela revogada IN INSS/DC n. 70, em seus artigos 13 e 175, cuja evolução passou a considerar como elemento preponderante, a questão do controle acerca das deliberações e administração em torno das empresas que possam vir a compor o grupo. Para WLADIMIR NOVAES MARTINEZ “Grupo econômico pressupõe a existência de duas ou mais pessoas jurídicas de direito privado, pertencentes às mesmas pessoas, não necessariamente em partes iguais ou coincidindo com os proprietários, compondo um conjunto de interesses econômicos subordinados ao controle do capital. O importante na caracterização da reunião dessas empresas é o comando único, a posse de ações ou quotas capazes de controlar a Fl. 866DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 administração, a convergência de políticas mercantis, a padronização de procedimentos e, se for o caso, sem ser exigência, o objetivo comum.” Desta feita, a melhor linha de interpretação a ser considerada no caso da necessidade de imputação da responsabilidade tributária solidária preceituada pelo inciso IX, art. 30 da Lei 8.212/91 – uma vez que referido artigo passou ao largo de dar qualquer delimitação à matéria – deve ser aquela que na análise da caracterização do grupo econômico, possa fazer depreender da situação específica do conjunto de empresas envolvidas, ou mesmo de sócios e empresas envolvidos, não apenas a questão da participação societária verificada entre eles, mas também, se dessa participação societária, pode restar caracterizada a figura do poder de controle, de uma empresa, em face de outra, ou mesmo das demais que se sustenta comporem o grupo. Ao se falar em grupo econômico, devese, à toda evidência, considerar se tratar de uma reunião ou conglomerado de empresas, no qual se verifique a existência da direção unificada ou centralizada, aliada à presença de um interesse comum entre elas. Interesse este não simplesmente alheio, mas que seja meramente distinto do objeto de cada uma delas individualmente considerada e que a nosso ver envolva também um resultado econômico decorrente da gestão única. A mera existência de um ou mais sócios em comum não nos parece ser elemento único ou até mesmo apto a isoladamente definir duas ou mais empresas como pertencentes a um grupo econômico. Em verdade, constituise apenas em um mero indício de que tal situação possa vir a ser caracterizada, nos casos de grupos econômicos de fato, em que não há instrumento escrito hábil expressamente fixando tal condição ou acordo entre as participantes. Interessante são as ponderações do Em. Conselheiro Rycardo Henrique M. de Oliveira, quando, no julgamento do processo11474.000151/200792, exteriorizou, a contento que a participação societária de uma empresa na outra, em verdade, deve ser considerada como um dos elementos caracterizadores da existência de um grupo econômico, mas não o único, valorizando, a toda evidência os demais precedentes desta Casa, que em consonância com a legislação evoluíram no sentido da necessidade de comprovação do centro de controle estratégico, e mesmo da confusão tamanha entre as empresas, que se conclua, em verdade, serem uma única. Vejamos: “No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação Fiscal. Ademais, em relação às alegações da notificada de que a fiscalização não apresentou provas suficientes para comprovar a sua tese de simulação, temos que, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização, tais como: a empresa possui sócios em comum e são membros da mesma família; as empresas funcionam no mesmo endereço; a prestação de serviços se dá "exclusivamente" a Engecass; as máquinas e equipamentos utilizados pelas prestadoras de serviços (empresas B e C), encontramse escriturado apenas no ativo imobilizado da empresa A, mesmo após a terceirização da atividade industrial desta; as elétricas, águas e esgoto das três, também são lançadas, somente, na "conta despesa" da empresa A, confirmam Fl. 867DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 857 23 que se trata simulação ou constituição de empresas por interpostas pessoas, as quais ao contrário do que argumenta a impugnante não são autônomas e independentes entre si. Verificase, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam.” A meu ver, pois, a participação societária é um dos elementos que ensejam a caracterização do grupo econômico de fato de empresas, mas não o fator determinante, não podendo, para este fim, ser considerado de forma única, como levado a efeito pela fiscalização. Em face do exposto, pedindo vênias ao Em. Relator, voto no sentido de excluir os responsáveis solidários do pólo passivo da presente autuação, acompanhando, no mais, os demais fundamentos de seu voto. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 868DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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