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4612976 #
Numero do processo: 10670.000671/2004-73
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998, 1999, 2000,2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PAF — COMPETÊNCIA — REGRAS DE CONEXÃO para evitar-se decisões conflitantes em processos originados da mesma ação fiscal, deve o processo relativo à COFINS ser julgado pela Câmara preventa para julgar o processo principal, referente ao IRPJ. Inteligência do art. 6º do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1802-000.220
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida

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Recorrida 8a Turma - DRJ Rio de Janeiro I Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998, 1999, 2000,2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PAF — COMPETÊNCIA — REGRAS DE CONEXÃO para evitar-se deciseies conflitantes em processos originados da mesma ação fiscal, deve o processo relativo h COF1NS ser julgado pela Câmara preventa para julgar o processo principal, referente ao IRPJ. Inteligência do art. 6' do Regimento Interno do CARE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 3" Seção de Julgamento do CARP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 2 8 JAN 2'611 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa, Jose de Oliveira Ferraz Corria, Nelso Kichel, Leonardo Lobo de Almeida, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto ern face do acórdão n.° 12-15.655, da 7' Turma da DRJ/RJO I, que julgou procedente o lançamento relativo a PIS, no valor total de R$ 2.970,34, acrescido de multa de oficio e de juros de mora. A exigência fiscal consubstanciada no auto de infração de fls. 04/10 decorre de ação fiscal promovida pela DRF de Montes Claros — MG (MI: 1 F 06.1,08.00-2003-00251-0), com objetivo de realizar as verificaçOes obrigatórias de 'RN, ou seja, correspondência entre os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos últimos cinco arms. Durante o procedimento fiscal, foram constatadas divergências entre os valores apurados a partir dos livros contábeis e demonstrativos do contribuinte e os declarados em DCTFs. Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou documentação hábil a justificar as divergências apontadas. Além disso, foi apurada a exclusão de receitas relativas a produtos com tributação monofásica, na forma da Lei n.°10.147/2000, não tendo o contribuinte comprovado a venda de produtos corn tributação monofásica_ Diante de tais constatações, foram lavrados autos de infração, para constituir créditos tributários de PIS, COFINS e IRPJ, que deram origem ao presente feito e aos processos administrativos: 10670.000680/2004-64 e 10670.000681/2004-17, respectivamente. relatório. 2 Processo nu 10670,000671/2004-73 S1-1- E02 Ac6rci5o n " 1802-00,220 Fl 2 Voto Conselheiro Relator, Leonardo Lobo de Almeida Em consulta ao sistema de acompanhamento processual, verifica-se que o processo relativo ao crédito de IRPJ foi distribuído à 3' Camara da Ia Seção e está aguardando o sorteio de relator. Já o processo relativo a COFINS foi distribuído h 3" Camara da 2" Seção e também aguarda o sorteio de relator. Como os processos administrativos decorrentes de lançamento de IRP.J e COFINS encontram-se pendentes de julgamento, pertinente é a reunião dos feitos, procedendo- se ao julgamento simultâneo deste corn os demais decorrentes do mesmo MPF, Neste sentido, veja-se o disposto no art. 2°, IV, do Regimento Interno do CARP. Art. 2° fi Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instancia que versem sobre aplicação da legislação de (..) IV - denials tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes as exigências que estejam lastreadas em ,fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração legislação pertinente à tributação do IRPI; Ainda, confira-se o teor do caput do art. 6° daquele mesmo regulamento: Art. 6° Verificada a existência de processos pendente,s de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos podei ão ser distribuídos para julgamento na Camara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Assim, considerando que se tratam de créditos tributários decorrentes de urna mesma ação fiscal, corn objetivo de evitar decisões conflitantes, voto para declinar da competência do presente à 3" Camara da 1° Seção, para julgamento simultâneo de todos os processos administrativos envolvendo a mesma ação fiscal. Sala das Sessões, em 1 de outubro de 2009. c. Leonardo Lobo de ATinei 3

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4610898 #
Numero do processo: 10680.000957/2001-97
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Exercício: 1995 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.016
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima; Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN), vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda

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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PLENO Processo n° 10680.000957/2001-97 Recurso te 103-129,013 Extraordinário • Matéria DECADÊNCIA Acórdão n" 00-00.016 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BAVE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Exercício: 1995 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima; Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do , CTN), vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Pr dente PR'dent:/N A 1 Processo n° 10680.000957/2001-97 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.016 Fls. 3 11%11111111MAIIM DALTON CES - *RD ' : IRANDA Relator FORMALIZADO EM: 17 SET 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com os termos do Acórdão n° CSRF/01- 05.131, com fundamento nos artigos 9°, 43 e seguintes do R.I.C.S.R.F., interpõe recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Alega que o acórdão recorrido não poderia ter aplicado o artigo 150, parágrafo 40, do C.T.N., para fins de decadência da CSLL, em detrimento do artigo 45 da Lei n°8212/91, que defende ser constitucional. Fundamentou seu recurso com o suposto divergente Acórdão n° CSRF/02-01.665, que aplicou o prazo de dez anos para afastar a decadência para a COFINS. Pelo Despacho CSRF n° 302/2005, o apelo extraordinário foi admitido. Com contra-razões da interessada, o recurso a mim foi distribuído. É o relatório. 2 Processo n° 10680.000957/2001-97 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.016 Fls. 4 Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator Como relatado, o apelo extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento em acórdão divergente ao recorrido, pois que este reconheceu o artigo 45 da Lei n° 8212/91 para fins de afastar a decadência da COFINS, busca neste órgão Plenário o mesmo reconhecimento, ou seja, o afastamento do CTN (art. 150, parágrafo 4°) em face do comando legislativo acima relatado. Improcedentes são os argumentos da recorrente, dai a necessidade de se manter o acórdão recorrido em sua integralidade, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e por ocasião do julgamento de matéria de repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8212/91, com posterior edição da Súmula Vinculante n° 08/STF. Voto, portanto, por negar provimento ao recurso extraordinário interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. I DALTO '—"te :10 - 1 .1 _RANDA 3

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4613439 #
Numero do processo: 10860.001963/00-73
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ. IRRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, dão sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 9101-000.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias

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CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS - Processo n° 10860.0011963/00-73 Recurso n° 107-143.893 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-00.225 — l a Turma Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente ALTERNATIVA PROMOÇÕES DE VENDAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL IRPJ. 1RRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, dão sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presen' -s autos. Acordam os membro. do colegiadf , por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do r- fatório e voto • i e passam a integrar o presente julgado. CARLOS ALBERT* FREITAS B • " TO - Presidente ,--, , •,„,„.....- ..., or / ... , iiinew. KAREM JUREáD0c 4i. o IAS - Relato !. EDITADO EM: O 11 S ET Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da Mima), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello (substituto convocado) e Irineu Bianchi (substituto convocado). 1 _ Processo n- 10860.0011963/00-73 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 308/312) apresentado em 08/06/2006 pela contribuinte, com fundamento em divergência no entendimento do Conselho de Contribuintes, contra o Acórdão n° 107-08.141, proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição ao PIS e Imposto de Renda Retido na Fonte, referente aos anos-calendário de 1995 a 1998. A ciência foi dada ao contribuinte em 26/09/2000 (fls. 03/58). O lançamento principal foi descrito da seguinte forma: "001 — Omissão de receitas da atividade — A partir do AC 93 - Diferenças de Receita Bruta entre a apurada com base nas DIRF's apresentadas pelas empresas retentoras de IRRF e a declarada nas DIRPJ/DIPJ's dos anos- calendário de 1995 a 1998 (...). Foi lavrada multa de ofício no percentual de 75%.,, A Contribuição ao PIS e a CSLL tiveram os lançamentos descritos como "Falta de recolhimento para o PIS/CSLL, e o IRRF "Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Receita omitidas e/ou Redução indevida do lucro liquido". Impugnado o lançamento (fls. 1330/1341), o contribuinte alegou, em síntese, que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, base legal para os lançamentos do ano-calendário de 1995 é aplicável apenas às pessoas jurídicas tributadas exclusivamente pelo lucro real, não se aplicando ao caso da Recorrente, optante pelo lucro presumido. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Requer a exclusão do ano-calendário de 1995 da autuação. Os demais períodos não foram contestados pelo contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente (fls.190/197), em razão de (i) o artigo 3° da Medida Provisória, que deu nova redação aos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, ter incluído a expressão "não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado", ou seja, os efeitos de tais dispositivos também foram estendidos às empresas tributadas com base no lucro presumido, com vigência a partir do ano-calendário de 1995, em face do princípio da anterioridade; (ii) não ter apresentado qualquer documentação que ilidisse a omissão de receitas apurados em DIRF; (iii) manteve o lançamento dos demais anos-calendário, vez que não foram impugnados. Sobrevieram Recurso Voluntário (fls. 225/240), na qual reitera as razões trazidas na impugnação e o Acórdão n° 107-08.141 (fls. 291/302) da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da Contribuição ao PIS, do período de janeiro de 1995 a fevereiro de 1996, e, por maioria de votos, negou provimento ao recurso em relação ao IRPJ e, por unanimidade, negou provimento ao recurso quanto à COFINS e ao IRRF, nos termos da seguinte ementa: 2 Processo n° 10860.0011963/00-73 CSRF-T 1 Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 3 "IRPJ – LUCRO PRESUMIDO – OMISSÃO DE RECEITAS – APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95 - O art. 3° da MP 492/94, deu nova redação aos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, com a inclusão da expressão "não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado", ficando evidente que referidos dispositivos tiveram seus efeitos estendidos às empresas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, com vigência a partir de 1° de janeiro de 1995, em _face do princípio da anterioridade. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – OMISSÃO DE RECEITA – LUCRO PRESUMIDO – ANO-CALENDÁRIO 1995 — Por força do disposto no art. 44 da Lei 8.541/92, na redação da MP 492/94, convalidada pela Lei 9.064/95, incide o IRF sobre receitas omitidas no ano calendário de 1995. PIS – OMISSÃO DE RECEITAS – FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 29/02/1996 – INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO – O lançamento de PIS que não observa todos os ditames da Lei Complementar 7/70 não pode pr-evalecer. CSLL – COFINS – OMISSÃO DE RECEITAS — Provado, de forma inequívoca que a contribuinte omitiu receitas decorrentes da venda de mercadorias, bem como ofereceu à tributação valores em montante inferior àqueles efetivamente realizados, cabível o lançamento com a exigência das diferenças apuradas." Quanto ao IRPJ, o voto vencedor entendeu por bem ser aplicável a redação dada pela Lei n° 9.064/95 ao artigo 43 da Lei n° 8.541 /92, cuja eficácia se iniciou em 01/01/1995. O referido voto afastou o entendimento de que a alteração na sistemática da tributação das receitas omitidas, trazidas pelo artigo 24 da Lei n° 9.249/95 comporte retroatividade benigna, uma vez que o citado artigo 43 não é norma de caráter penal, e, acatar tal entendimento seria negar vigência a norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Quanto ao PIS, o mesmo foi excluído em razão de o lançamento não ter observado as normas da Lei Complementar n° 7/70. Quanto à COFINS e à CSL,L, entendeu o acórdão que restou comprovado a omissão de receitas. Por fim, quanto ao IRR_F, entendeu que incide o referido tributo sobre receitas omitidas no ano-calendário de 1995, por força do disposto no artigo 44, da Lei n° 8.541/92, na redação dada pela MP 492/94. Em 08/06/2006, o contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência, no qual argumentou haver interpretação divergente no que se refere à aplicação dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Segundo o Recorrente, é aplicável ao caso, em razão da retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, do Código Tributário Nacional, o artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249, de 25/12/1995, que revogou as disposições do artigo 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Cita diversos julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais para sustentar sua tese e demonstrar a divergência quanto ao acórdão recorrido. Em despacho de fls. 370/372, foi determinado seguimento ao Recurso Especial e, na seqüência, sobrevieram as Contra-Razões da Fazenda Nacional, por meio da qual requer a aplicação dos referidos artigos 43 e 44, afastando-se, assim, a retroatividade benigna e mantendo os lançamentos de IRPJ e IRRF sobre as receitas omitidas. 1 3 Processo ir IMS6U.U011963/00-73 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 4 Em 05/03/2008 os autos foram a esta Relatora distribuídos para análise do Recurso Especial interposto pela contribuinte. 4 Processo n° 10860.0011963/00-73 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 5 Voto • Conselheira Karem Jureidini Dias Recurso Especial preenche os requisitos de admissibilidade e foi objeto de despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. O objeto do Recurso Especial é saber se a norma inserta nos artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92, base legal para os lançamentos do ano-calendário de 1995, tem ou não caráter de penalidade. Em razão da primeira questão, surge a segunda, qual seja, a aplicação da retroatividade benigna para cancelar a exigência fulcrada no referido dispositivo legal. Ambas as questões já foram bastante debatidas por este Conselho, inclusive por esta Colenda CSRF. Válido lembrar que no ano-calendário de 1995, o contribuinte apurou IRPJ pelo lucro presumido, conforme se verifica da DIPJ do referido ano-calendário (fls. 672). Esta Câmara, no passado, entendia que o lançamento de ERPJ e 112.12F, com base no artigo 43 da Lei 8.541/92, tinha caráter de penalidade no caso de omissão de receita. Assim, considerando que o artigo 106, inciso II, 'c', do Código Tributário Nacional impõe a aplicação de retroatividade benigna no caso de penalidade; considerando que em razão da retroatividade benigna, a regra aplicável seria outra não utilizada no lançamento; considerando que alterar o lançamento quando do julgamento corresponderia a utri novo lançamento, o que é vedado a este órgão julgador, os lançamento assim efetuados eram cancelados. (Acórdãos CSRF/01- 05.561, CSRF/01-04.412 e CSRF/01-04.806). Entretanto, o entendimento desta C. Câmara Superior foi alterado, no sentido de que se passou a entender que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8_541/92 tem não têm caráter de penalidade, sendo apenas uma modalidade de tributação estabelecida pela lei. Esclarece-se que o argumento de que tais artigos possuem caráter de penalidade ganhou força no âmbito deste Conselho Administrativo, em razão de estar contido no Título IV da Lei n° 8.541/92, referente a "Penalidades". No entanto, trata-se de norma relativa ao próprio tributo e não à penalidade, sendo certo que a legislação adotou o posicionamento' de que os custos, despesas e encargos referentes às receitas omitidas já as afetaram, e, assim, não se poderia dizer que o tributo incidiria sobre o total da receita, com abstração dos custos, despesas e encargos necessários à. sua percepção. Assim, seu valor integral tem-se como distribuído aos sócios. A tributação em separado já era conhecida de nosso ordenamento jurídico tributário, exemplo recorrente nas decisões deste Conselho é o Decreto-lei n° 1.598/77, ao dispor sobre as formas de omissão de receitas indiciadas por suprimento de caixa, saldo credor de caixa, e por manutenção no passivo de obrigações já pagas. Nesse sentido, estabelecem os §§ 2° e 3° do artigo 12: "Art. 12. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações cie conta própria e o preço dos serviços prestados. " omissis" 5 _ Yrocesso n° 10860.0011963/00-73 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 6 § 2° - O fato de a escrituração indicar . saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. § 3° - Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá—la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos nifo forem comprovadamente demonstradas. o § 1° do artigo 43 da Lei n° 8.541192, cuja redação não foi alterada sequer pela MP n°492/94, afirma que o valor apurado, consoante dispõe o "capuz" do referido artigo, serviria de base de cálculo para as contribuições sociais e, para não deixar dúvidas, ainda estabeleceu no § 2°_, seguinte, que o valor assim determinado não comporia a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão seriam definitivos. Deixou muito claro, o tratamento especial." Veja-se que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8_541192, objeto de dediscussão no presente Recurso Especial, traz a mesma lógica: "Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de oficio, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 1 0 0 valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei n°9.064 de 20.06.1995) § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Assim, comprovada nos autos a omissõ o de receitas, devem ser mantidas, não apenas a contribuição para o PIS e a COFINS (como acertadamente procedeu a e. Câmara recorrida), como também a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na forma lançada e confirmada em primeira instância. "Art. 44. A receita omitida ou a difèrença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, 6 Processo n° 10860.0011963/00-73 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 7 acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica." Assim, embora ainda argumente-se que o dispositivo tenha caráter de penalidade, mormente pois está impropriamente contido no Título W da Lei n° 8.541/92 ("Penalidades"), entendo, na linha das recentes decisões proferidas neste Conselho, que se trata de tributo, uma vez que o legislador pode instituir imposto de renda exclusivamente na fonte, como o fez no art. 44 da mencionada lei. Está-se, portanto diante da regra estabelecida no artigo 144, "caput", do Código Tributário Nacional, que diz: "Art. 144 - O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." (negritei)" A Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 8.541/92: "Art. 62 - A partir de 1 0 de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, será de 35%" Esse dispositivo veio a ser revogado pelo artigo 10 da Lei n° 9.249, de 26/12/95, verbis: "Art. 10 - Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior." Em razão da política adotada pelo Governo de não mais tributar lucros distribuídos, o artigo 24 dessa Lei passou a determinar: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Desta forma, como ficou demonstrado, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 tem natureza tributária, na trilha da regra do artigo 144 do Código Tributário Nacional em detrimento da prevista no artigo 106 do mesmo codex. Nesta parte, portanto, voto por não acolher o argumento da Recorrente. Ainda, considerando que, conforme relatado, o contribuinte apurou LRPJ pelo lucro presumido no ano-calendário de 1995, lembro que a possibilidade de aplicação do artigo 43 da Lei n. 8.541/92 para a pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido existe para o ano- calendário de 1995, em face da alteração promovida pela Medida Provisória 492/94 com a observância do princípio da anterioridade. • rocesso n° • 860.0011963/00-73 CSRF-Tl \- Acórdão n.° 9101-00.225 Fl. 8 Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso do contribuinte. Karernl idini Dias 8

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Numero do processo: 18050.000023/2007-79
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1996 a 31/03/2002 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - ARGUIÇÃO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE. Embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente quanto a segunda diligência realizada, dito fato não importou-lhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão. A diligência foi integralmente transcrita na decisão de primeira instância, razão porque se entendesse existir qualquer prejuízo poderia o recorrente alegar dita nulidade em seu recurso. Ademais, a conversão em diligência acatou integralmente as alegações do impugnante quanto aos erros de base de cálculo e apropriação de guias, o que demonstra ausência de prejuízo ao mesmo já que seus argumentos quanto a esses fatos foram integralmente reconhecidos. CERCEAMENTO DE DEFESA - MPF COMPLEMENTAR - EMISSÃO APÓS O PRAZO DE VALIDADE - AUSÊNCIA DE NULIDADE SE O ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL FOR PRECEDIDO DE MPF VÁLIDO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defender-se dos fatos geradores apurados. O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original - embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR - ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não se encontra dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. BOLSA DE ESTUDOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DOS CURSOS OFERTADOS COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL. Analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35, fl.731, não se identifica qualquer critério relacionando a concessão de bolsa de estudos ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente da correspondente vinculação com a atividade exercida na UCSAL e exclusão por ser capacitação profissional. BOLSA DE ESTUDOS - CARÁTER ASSISTENCIALISTA - GRATUIDADE - NÃO INCIDÊNCIA. Ao direcionar o benefício aos empregados e dependentes destes, a empresa está simplesmente concedendo um benefício indireto a eles e não a toda a comunidade, afastando-se o argumento do caráter assistencialista da verba. PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - IMPOSSIBILIDADE. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE DESCONTO - INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES - RESPEITO AO TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Havendo individualização do benefício concedido quanto a rubrica bolsa de estudos, deve a autoridade fiscal, proceder ao lançamento da contribuição dos segurados empregados obedecendo o limite máximo do salário de contribuição. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - SÚMULA DO CARF Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, arguida de ofício pelos conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que restaram vencidos. II) Por unanimidade de votos rejeitar : a) o pedido de exclusão dos corresponsáveis; e b) as preliminares de nulidade do lançamento. III) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que em relação a rubrica bolsa de estudos seja observado o limite máximo do salário de contribuição em relação a cada segurado. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que dava provimento parcial em maior extensão, excluindo do lançamento o levantamento BOS. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1996 a 31/03/2002 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - ARGUIÇÃO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE. Embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente quanto a segunda diligência realizada, dito fato não importou-lhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão. A diligência foi integralmente transcrita na decisão de primeira instância, razão porque se entendesse existir qualquer prejuízo poderia o recorrente alegar dita nulidade em seu recurso. Ademais, a conversão em diligência acatou integralmente as alegações do impugnante quanto aos erros de base de cálculo e apropriação de guias, o que demonstra ausência de prejuízo ao mesmo já que seus argumentos quanto a esses fatos foram integralmente reconhecidos. CERCEAMENTO DE DEFESA - MPF COMPLEMENTAR - EMISSÃO APÓS O PRAZO DE VALIDADE - AUSÊNCIA DE NULIDADE SE O ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL FOR PRECEDIDO DE MPF VÁLIDO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defender-se dos fatos geradores apurados. O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original - embora o art. 15 do Decreto 3696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR - ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não se encontra dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. BOLSA DE ESTUDOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DOS CURSOS OFERTADOS COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL. Analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35, fl.731, não se identifica qualquer critério relacionando a concessão de bolsa de estudos ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente da correspondente vinculação com a atividade exercida na UCSAL e exclusão por ser capacitação profissional. BOLSA DE ESTUDOS - CARÁTER ASSISTENCIALISTA - GRATUIDADE - NÃO INCIDÊNCIA. Ao direcionar o benefício aos empregados e dependentes destes, a empresa está simplesmente concedendo um benefício indireto a eles e não a toda a comunidade, afastando-se o argumento do caráter assistencialista da verba. PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - IMPOSSIBILIDADE. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS - AUSÊNCIA DE DESCONTO - INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES - RESPEITO AO TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Havendo individualização do benefício concedido quanto a rubrica bolsa de estudos, deve a autoridade fiscal, proceder ao lançamento da contribuição dos segurados empregados obedecendo o limite máximo do salário de contribuição. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - SÚMULA DO CARF Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2  Em relação aos demais fatos geradores apurados, a não impugnação expressa  dos  fatos  geradores  importa  renúncia  e  consequente  concordância  com  os  termos da decisão de primeira  instância. Uma vez que houve concordância,  lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão­em relação aos  levantamento não recorridos.  Quanto aos pagamentos a pessoas  jurídicas  resumiu­se o recorrente a  trazer  as mesmas alegações, sem comprovar terem os pagamentos sido realizados a  pessoas jurídicas.  SALÁRIO  INDIRETO ­ BOLSA DE ESTUDOS PARCELAS PAGAS EM  DESACORDO  COM  A  LEI  ESPECÍFICA.  NATUREZA  REMUNERATÓRIA.  A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  aos  segurados  que  lhe  prestaram serviços.  Quanto a apuração da contribuição sobre os valores bolsa de estudos uma vez  estando no campo de  incidência das contribuições previdenciárias, para não  haver  incidência  é mister  previsão  legal  nesse  sentido,  sob  pena  de  afronta  aos princípios da legalidade e da isonomia.  BOLSA  DE  ESTUDOS  DEPENDENTES  ­  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO  A  destinação  de  bolsa  de  estudos  aos  DEPENDENTES  do  segurado  empregado,  não  se  encontra  dentre  as  exclusões  do  art.  28,  §  9º  da  lei  8212/91.  Até a edição da  Lei nº 12.513, de 2011), que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei  8212/91.que  fez  expressa  referência  aos  dependentes  do  segurado,  não  se  aplicava  qualquer  exclusão  da  base  de  cálculo  aos  dependentes  dos  empregados, independente do tipo de curso ofertado.  BOLSA  DE  ESTUDOS  EMPREGADOS  ­  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DOS CURSOS OFERTADOS COM A  ATIVIDADE PROFISSIONAL.  Analisando os documentos anexos a impugnação, mais precisamente doc. 35,  fl.731, não se identifica qualquer critério relacionando a concessão de bolsa  de estudos ao exercício profissional, o que afasta o argumento do recorrente  da  correspondente  vinculação  com  a  atividade  exercida  na  UCSAL  e  exclusão por ser capacitação profissional.  BOLSA  DE  ESTUDOS  ­  CARÁTER  ASSISTENCIALISTA  ­  GRATUIDADE ­ NÃO INCIDÊNCIA.  Ao direcionar o benefício  aos  empregados  e dependentes destes,  a empresa  está  simplesmente  concedendo  um  benefício  indireto  a  eles  e  não  a  toda  a  comunidade, afastando­se o argumento do caráter assistencialista da verba.  PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA ­ EXCLUSÃO  DA BASE DE CÁLCULO ­ IMPOSSIBILIDADE.  O  fato  de  a  verba  possuir  previsão  em Acordo  ou  Convenção  Coletiva  de  Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária.   Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 3          3 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS ­ AUSÊNCIA DE  DESCONTO  ­  INDIVIDUALIZAÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  ­  RESPEITO AO TETO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  Havendo individualização do benefício concedido quanto a rubrica bolsa de  estudos, deve a autoridade fiscal, proceder ao lançamento da contribuição dos  segurados  empregados  obedecendo  o  limite  máximo  do  salário  de  contribuição.  APLICAÇÃO  DA  TAXA  SELIC  ­  PREVISÃO  LEGAL  ­  SÚMULA  DO  CARF  Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de  juros de mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa  referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia ­ Selic para títulos  federais.”  O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja,  os juros e a multa legalmente previstos.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/1996 a 31/03/2002  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  ­  NÃO  CIENTIFICAÇÃO  DE  DILIGÊNCIA  ­  ARGUIÇÃO  DE  OFÍCIO  ­  AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE.  Embora tenha deixado a DRFB de cientificar o recorrente quanto a segunda  diligência realizada, dito fato não importou­lhe prejuízo capaz de promover a  nulidade da referida decisão.   A  diligência  foi  integralmente  transcrita  na  decisão  de  primeira  instância,  razão  porque  se  entendesse  existir  qualquer  prejuízo  poderia  o  recorrente  alegar dita nulidade em seu recurso.  Ademais,  a  conversão  em  diligência  acatou  integralmente  as  alegações  do  impugnante quanto aos erros de base de cálculo e apropriação de guias, o que  demonstra ausência de prejuízo ao mesmo já que seus argumentos quanto a  esses fatos foram integralmente reconhecidos.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  ­  MPF  COMPLEMENTAR  ­  EMISSÃO  APÓS  O  PRAZO  DE  VALIDADE  ­  AUSÊNCIA  DE  NULIDADE  SE  O  ENCERRAMENTO  DA  AÇÃO  FISCAL  FOR  PRECEDIDO  DE  MPF  VÁLIDO  Houve  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  e  de  toda  a  fundamentação  legal  aplicável,  possibilitando  o  pleno  conhecimento  pela  recorrente  ,  tanto  que  o  recorrente  pode  defender­se  dos  fatos  geradores  apurados.  O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original ­ embora  o  art.  15  do  Decreto  3696/2001  enumere  a  expiração  de  seu  prazo  de  cumprimento  como  hipótese  de  extinção  do  MPF,  o  art.  16  do  mesmo  Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados,  podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a  Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4  emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF  complementar  emitido  no  curso  da  ação  fiscal,  mesmo  que  após  o  vencimento  do  MPF  original  ou  dos  complementares  já  emitidos,  não  invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF  válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS.   Havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do  encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento.   INCONSTITUCIONALIDADE  ­  ILEGALIDADE  DE  LEI  E  CONTRIBUIÇÃO ­ IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA  ADMINISTRATIVA.  A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder  Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  TRABALHO DO AUDITOR ­ ATIVIDADE VINCULADA  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de  imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado,  I) Pelo voto de qualidade,  rejeitar a  preliminar de nulidade da decisão de primeira  instância,  arguida de ofício pelos  conselheiros  Igor  Araújo  Soares,  Marcelo  Freitas  de  Souza  Costa  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira, que restaram vencidos. II) Por unanimidade de votos rejeitar : a) o pedido de exclusão  dos corresponsáveis; e b) as preliminares de nulidade do lançamento. III) Por maioria de votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  que  em  relação  a  rubrica  bolsa  de  estudos  seja  observado o limite máximo do salário de contribuição em relação a cada segurado. Vencido o  conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que dava provimento parcial em maior extensão,  excluindo do lançamento o levantamento BOS.     Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.    Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 4          5 Relatório  A  presente  NFLD,  lavrada  sob  o  n.  35.609.058­2,  tem  por  objeto  as  contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados  (não  descontada  em  época  própria),  parcela  da  empresa,  incluindo  as  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  bem  como  a  destinada  a  terceiros,  levantadas sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais no  período de 06/1996 a 03/2002.  Ressalte­se,  ainda,  que  conforme descrito  no  relatório  fiscal,  fl.  229  a 235,  constituem objeto do lançamento:  4.1  A  remuneração  efetivamente  paga  a  qualquer  título,  nos  termos do art. 28, inciso I, e §§da lei 8.212, de 1991 (na redação  dada  pela  Lei  9.528/97),  aos  segurados  empregados,  conforme  definidos no art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212, de 1991,  não declarada na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP, em desacordo com o que dispõe o art. 32, inciso IV da Lei  8.212, de 1991.  4.1.1  No  período  de  01/1999  a  03/2002,  a  remuneração  foi  obtida  a  partir  das  folhas  de  pagamento  identificadas  pela  notificada  como  estabelecimentos  001  ­  Servidor,  002  ­  Professor,  003  ­  Salário Estabilidade,  004  ­  Salário Adicional,  005  ­  Prestadores  de  Serviço,  008  ­  Prestadores  de  Serviço —  Convênio  IAT,  Folha  Complementar  (em  Planilhas  Excel),  confrontadas  com  os  registros  contábeis  dos  Livros  Diário  e  Razão.  4.1.2  No  período  de  02/1999  a  12/2001  foram  apurados  benefícios  concedidos  aos  segurados  empregados  e  seus  dependentes à título de "Bolsa de Estudos ­ Servidores" e "Bolsa'  de  Estudos  ­  Professores" —  registrados  nas  contas  contábeis  dedutoras  da  receita  e  codificadas  como  312.001.002  e  312.001.003,  respectivamente  —  uma  vez  que  a  utilidade.  fornecida  tem  origem  no  contrato  de  trabalho  e  surge  em  decorrência  da  prestação  de  serviços,  representando  um  acréscimo no patrimônio do trabalhador, tendo sido tais valores  considerados  salário  de  contribuição  para  efeito  de  incidência  de  contribuição previdenciária,  nos  termos do art.  28,  inciso  I,  da Lei 8.212,  de  1991,  combinado com o  art.  214,  inciso,  I  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3.048,  de  06.05.99.  Já  entendeu  o  TST  que  "toda  a  vantagem  atribuída  ao  empregado,  sem  a  qual  teria  que  desembolsar  numerário  para  dela  usufruir,  possui  natureza  de  contraprestação  e,  portanto,  situada  no  campo  das  parcelas  salariais,  ante  a  onerosidade  do  contrato  de  trabalho"  (RR —  4.273/89.5 —DJU 08111/1991). Exceção deve ser feita somente  às parcelas e condições mencionados na  legislação específica".  Apesar  de  intimada  para  tal,  a  empresa  não  apresentou  à  Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6  fiscalização,  contrato,  convenção,  acordo  coletivo  ou  qualquer  outro  documento  que  evidenciasse  os  critérios  pertinentes  ao  referido beneficio, tendo sido lançados os valores registrados na  contabilidade.  4.1.3  No  período  de  01/1999  a  11/2000,  foram  apuradas  despesas  com  salário  e  décimo­terceiro  salário,  relativas  a  pagamentos a servidores e professores, registradas nos •códigos  contábeis 321.001.001 (salário professor), 321.002.001 (salário  servidor),  321.001.008  '  (indenização  professor),  321.002.012  (indenização  servidor),  tendo  sido  constatado  a  partir  do  'confronto  entre  as  folhas  de  pagamento  apresentadas  ­  identificadas no sub­Item 4.1.1 ­ e seus registros contábeis, que  tais  valores não compunham as  referidas  folhas de pagamento.  Foi,  então,  emitido  Termo  de  intimação  para  Apresentação  de  Documentos  ­  TIAD  especifico  em  30/08/2002,  ratificada  em  02/10/200, para que a notificada apresentasse a documentação  pertinente  aos  referidos  lançamentos,  contudo  nada  foi  apresentado, motivo pelo qual foi emitido Auto de Infração, por  descumprimento  ao  disposto  no  art.  33,  parágrafo  2°  da  Lei  8.212,  de  24.07.91.  Os  valores  lançados  constam  identificados  no  Relatório  de  Fatos  Geradores,  parte  integrante  deste  Relatório, que compõe a presente Notificação.  4.1.4  A  contribuição  dos  segurados  empregados  que  não  foi  descontada da remuneração, pela notificada, foi apurada com a  aplicação da aliquota mínima sobre as remunerações constantes  nas  folhas  de  pagamento  dos  estabelecimentos  003  ­  Salário  Estabilidade,  004  ­  Salário  Adicional,  008  ­  Prestadores  de  Serviço  ­  IAT  e  dos  benefícios  concedidos  aos  empregados  à  titulo  de  "Bolsa  de  Estudo  ­  Servidores'  e  "Bolsa  de  Estudo  ­  Professores",  bem  como  sobre  os  valores  lançados  citados  no  sub­item  4.1.3.  Foi  emitido  Auto  de  Infração  por  descumprimento ao estabelecido no art. 30, inciso I, alinea "a",  da Lei 8212/91.  QUANTO A ISENÇÃO  Foi  emitido  relatório  fiscal  complementar,  fl.  236  no  qual  destacou  a  autoridade fiscal aspectos relacionados a suposta isenção da entidade, dados abaixo transcritos:  Os  auditores  responsáveis  pela  ação  intimaram  a  empresa  a  apresentar  os  documentos  necessários  ao  desenvolvimento  da  ação  fiscal,  e,  após  a  sua  analise  concluíram  que  a  UCSAL,  apesar de se abrigar sob o manto das entidades beneficentes de  assistência  social,  gozando  do  beneficio  fiscal  da  isenção  prevista  no  art.  55  da  Lei  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  não  fazia  jus  a  tal  beneficio.  O  motivo  pelo  qual  envolveremos  a  Associação Universitária e Cultural da Bahia neste debate deve­ se  ao  •  fato  de  que  a  UCSAL,  alegando  ser  um  ente  despersonalizado  no  mundo  jurídico,  gozava  dós  benefícios  já  citados, por extensão da  isenção de  sua mantenedora. A seguir  descrevemos,  sumariamente,  as  ações  desenvolvidas  até  a  anulação  das  decisões  que  permitiam  à  UCSAL  a  suposta  isenção.  A  UNIVERSIDADE  CATÓLICA  do  SALVADOR,  portadora  do  CNPJ.:  15.208.34110001­24,  é  urna  pessoa  jurídica  de  direito  Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 5          7 privado,  mantida  pela  ASSOCIAÇÃO  UNIVERSITÁRIA  e  CULTURAL da BAHIA, portadora do CNPJ.: 13.970.322/0001­ 05,  outra  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  que  se  destina  a  manter e a dirigir a primeira, bem como outras organizações de  caráter cultural e social, conforme se depreende dos arts. 1° e 5°  do  Estatuto  Social  da  primeira  (copia  anexa  à  NFLD),  e  dos  arts. e 3° do Estatuto Social da segunda.  Fez­se  necessário,  inicialmente,  urna  análise  da  situação  jurídica  das  duas  entidades,  com  o  objetivo  de  verificar  se  mantenedora  e  mantida  se  constituíam  em  apenas  um  ente  personalizado,  sendo  a  Universidade  Católica  do  Salvador  apenas um departamento da Associação Universitária e Cultural  da Bahia; ou se mantenedora e mantida  tinham personalidades  jurídicas  distintas,  já  que,  dependendo  da  conclusão  a  que  chegássemos, distintos poderiam ser seus direitos e obrigações  junto a esta Autarquia Previdenciária.  A Constituição Federal de 1988, ao disciplinar sobre a isenção  de  contribuições providenciarias,  estabelece  em seu art.  195, §  7,  que  as  entidades  beneficentes  de,  assistência  social  que  atendam às condições estabelecidas em lei, fazem jus ao referido  benefício.  A  regulamentação  da  matéria  ocorreu  com  a  edição  Lei  n°  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  que  no  art.  55,  estabeleceu  requisitos  para  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  gozar do beneficio da isenção das contribuições providenciarias.  A Universidade Católica de Salvador possui os seguintes títulos:  a)  Utilidade  Pública  Federal  —  Não  consta  nos  arquivos  da  Secretaria Nacional de Justiça, órgão do Ministério da Justiça,  qualquer requerimento ou pedido de concessão de titulo;  • b) Utilidade Pública Estadual ­ Lei 4.477, de 21.06.85, vencido  em 22.06.95, em virtude do caput do art. 2° da Lei Estadual n°  6.670,  de  21.07.94,  que  •  estabelece  requisitos  para  reconhecimento  e  revalidação  de  utilidade  pública  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado.  Diz  o  art.:  "A  revalidação  do  reconhecimento  será  concedida  por  ato  da  Mesa  Diretora  da  Assembléia  Legislativa,  solicitada  através  de  requerimento  assinado  pelo  presidente  ou  responsável  pela  entidade,  após  completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses  subsequentes,  sob  pena  de  perder  a  condição  de  utilidade  pública". Não comprovou revalidação;  c)  Utilidade  Pública  Municipal  —  Não  possui  ou  não  nos  apresentou, apesar de intimada a apresentar,   d)  Registro  no  CNAS  ­  Processo  214.777/78­90,  deferido  em  sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127,  de  04.09.98,  publicada  no  \  •  DOU  em  09.09.98,  Seção  I,  julgando  o  processo  28976.000148/95­16  (Averbada  como  entidade  mantida  pela  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia);  Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8  e)  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social  (CEDAS)  ­  Processo  214.777/78,  deferido  em  16.02.93  à  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  (cita  que  é  extensivo  à UCSAL);  renovado através  da  • Resolução 127,  de  04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, • julgando o  processo  28976.000148/95­16,  com  validade  de  01.01.95  a  31.12.97;  renovado  através  da  Resolução  85,  de  09.05.00,  publicada no DOU,  em 11.05.00, Seção  I,  julgando o processo  44006.002624/99­81,  com  validade,  de  01.01.98  a  31.12.00.  (Averbada como entidade mantida pela Associação Universitária  e Cultural da Bahia).   Por  sua  vez,  a  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  possui as seguintes titulações:  a)  Utilidade  Pública  Federal  ­  Decreto  97.267,  de  16.12.88  (processo 19.596/87 — requerido em 10.07.87);  b)  Utilidade  Pública  Estadual  —  Lei  2.912/71,  vencido  em  21.06.94, data da entrada em vigor da Lei Estadual n° 6.670, de  21.07.94,  que  estabelece,  em  seu  art.  2°,  requisitos  para  reconhecimento e revalidação de utilidade pública 1 de pessoas  jurídicas  de  direito  privado.  Diz  o  art.:  "A  revalidação  do  reconhecimento  será  concedida  por  ato  da  Mesa  Diretora  da  Assembléia.  Legislativa,  solicitada  através  de  requerimento  assinado  pelo  presidente  ou  responsável  pela  entidade,  após  completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses  subsequentes,  sob  pena  de  perder  a  condição  de  utilidade  pública". Não comprovou revalidação;  c)  Utilidade  Pública  Municipal  —  Não  possui  ou  não  nos  apresentou, apesar de intimada a apresentar;   d)  Registro  no CNAS — Processo  214.777/78­90,  deferido  em  sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127,  de 04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, julgando  o processo 28976.000148/95­16;  e)  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social  (CEBAS) ­ Processo 214.777/78, deferido em 16.02.93 (Cita que  é extensivo UNICSAL); renovado através da Resolução 127, de  04.09.98, publicada no L DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o  processo  28976.000148/95­16,  com  validade  de  01.01.95  a  31.12.97;  renovado  através  da  Resolução  85,  de  09.05.00,  publicada  no DOU  em  11.05.00,  Seção  I,  julgando  o  processo  44006.002624/99­81, com validade de 01.01.98 a 31.12.00.  A  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia,  não  possuía,  antes  da  vigência  do Decreto­lei  1.572/77,  e  nem  requereu  no  prazo  por  ele  determinado,  de  90  (noventa)  dias,  o  Título  de  Utilidade Pública Federal e o então Certificado de Entidade de  Fins Filantrópicos. Com o advento da Lei 8.212, de 1991, nem  Associação, nem a UCSAL  tiveram qualquer pedido de  isenção  deferido.  Pelo  menos  desde  1973,  quando  entrou  em  vigor  o  Decreto  72.771,  de  06.09.73,  que  regulamentou  a  Lei  3.577/59,  uma  entidade  que  não  possuísse  o  Titulo  de  Utilidade  Pública  Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 6          9 Federal e o antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos  não poderia gozar de isenção no INSS. É o que diz seu art. 275:  (...)  A  conclusão  a  que  chegamos  é  que  Universidade  Católica  do  Salvador  e  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  são  pessoas jurídicas distintas, e nenhuma delas tem direito de gozar  do beneficio da isenção das contribuições providenciadas.  O  INSS,  bem  como  o  já  extinto  IAPAS,  sempre  fiscalizaram  a  Universidade Católica do Salvador como uma entidade distinta  da  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia,  sendo  cobradas as contribuições sociais patronais.  De 1971 a 1989 foram lavradas, aproximadamente, 60 (sessenta)  Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos (NFLD). Todos  estes débitos foram mantidos administrativa e judicialmente.  A  Universidade,  inclusive,  já  havia  solicitado  parcelamentos  espontâneos de contribuições patronais não recolhidas no tempo  devido,  o  que  foi  efetuado  por  meio  de  dois  Lançamentos  de  Débitos  Confessados  (LDC):  31.777.310­0  e  31.777.311­9.  As  contribuições se referiam às competências de 07/91 a 02/93.  Na  última  fiscalização  da  Universidade  Católica  do  Salvador,  realizada em julho de 1996, que apurou débitos de contribuições  patronais  referentes  ao  período  de  07/91  a  05/96,  foram  lavradas duas NFLD's: 32.781.153­3 e 32.781.154­1  Os auditores fiscais, à época, consideraram que a entidade não  era isenta, já que além de não atender, cumulativamente a todos  os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, a mesma nunca teve um  pedido de isenção deferido pelo INSS, conforme determina o § 1°  do art. 55: "§1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de  que  trata  este  artigo  será  requerida  !ao  Instituto  Nacional  do  Seguro Social  ­ INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para  despachar o pedido".   Como  já  demonstramos,  a Universidade Católica  do  Salvador  não  possui  Titulo  de  Utilidade  Pública  Federal,  e  jamais  teve  deferido qualquer pedido de isenção.  Destacou,  ainda  a  autoridade  fiscal  em  seu  relatório  aspectos  inerentes  a  situação patrimonial da entidade:   Imposto  de Renda Pessoa  Jurídica  ­ DIPJ)  e  da DIPJ  (copias  anexas),  a  fiscalização  constatou  que  os  bens  escriturados  no  Ativo Permanente Imobilizado, conforme identificados no Termo  de Arrolamento de Bens e Direitos ­ TAB emitido em 30.09.2003  (cópia anexa), que relaciona os bens livres e desembaraçado de  quaisquer ônus, resulta em montante insuficiente para garantir o  total  do  crédito  constituído  através  das Notificações Fiscais  de  Lançamento de Débito ­ NFLD resultantes desta auditoria fiscal.  Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10  Constatou­se,  também,  conforme  demonstrado  no  quadro  abaixo,  que  apesar  da  empresa  apresentar  sucessivos  déficits,  isto  é,  despesa  maior  que  a  receita,  a  mesma  remunerou  generosamente seus quatro dirigentes.(vide fl. 253 do autos)  Remunerações 2000 e 2001 — extraídas arquivo SEFIP Apesar  dos  sucessivos  déficits  até  1999,  a  UCSAL  pagou  a  advogada  Ariana Torres Veras em apenas cinco contratos R$ 2.080.854,00  (dois milhões, oitenta mil .  oitocentos e cinqüenta e quatro reais), que  tinham como objeto  providencias de interesse da UCSAL junto ao INSS e CNAS. Em  um destes contratos a UCSAL desembolsou R$, 160.000,00 para  obtenção  da  Certidão  Negativa  de  Débitos  —  CND  junto  ao  INSS, procedimento este que à época já era possível via Internet.  (anexamos contratos).  •  Outro  fato  verificado  pela  fiscalização  foi  que,  apesar  da  empresa  considerar­se  na  condição  de  isenta  da  contribuição  patronal, consta de seus registros contábeis.  lançamentos  a  débito  na  conta  passiva  n°  221.001.001­7  ­  Operacional ­ Débito do IAPAS, ­ Patronal, a  título de "Débito  do  INSS  ­  Patronal",  significando,  portanto,  diminuição  da  obrigação  para  com  o  INSS  quanto  à  contribuição  previdenciária patronal.  As contrapartidas destes  lançamentos  foram a crédito da conta  ativa  n°111.002.001­2  ­  Disponível  Bancos  C/Movimento  ­  UCSAL  BANEB  c/c  110917­2,  indicando  saída  de  numerário.  Contudo,  foi constatado que  tais valores não constam do conta  corrente da empresa no banco de dados do INSS.  No quadro abaixo relacionamos todos os lançamentos efetuados  no Diário, com a identificação do n° do livro, registro na Juceb,  a  página  do  Diário  onde  consta  o  lançamento  e  os  valores  escriturados, que perfazem um total de R$31.342.877,09 (trinta e  um milhões, trezentos e quarenta e dois mil, oitocentos e setenta  e sete reais e nove centavos).  Por fim, concluiu o auditor:  Diante  da  decisão  proferida  pela  2°. CAJ,  de  que  a  notificada  não  faz  jus  ao,  beneficio da  isenção previsto  no art.  55  da Lei  8.212,  de  1991,  foi  constituído  credito,  relativo  à  contribuição  patronal,  através  da  presente  notificação,  da  qual  é  parte  integrante este relatório.  Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls.  366 a 413.  Foi emitido relatório  fiscal complementar,  retificando o período  lançado,  fl.  780 e 781.  Reiterou o impugnante os termos da defesa apresentada, fl. 784 a 804.  Em maio  de  2005,  foi  realizada  diligência  (fl.  846  a  850),  tendo  o  auditor  fiscal prestado os seguintes esclarecimentos:  Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 7          11 A empresa questiona:  a — Erro  no  registro  nas  datas  de  pagamentos  efetuados  pela  empresa através ,\ do Fundo de Investimento do Ensino Superior  ­ FIES — 02/02/2000, para as I competências 05, 06, 08, 09 ,10  ,11,  1211998,  03,  04,  05  ,  06,  07,  08,  09,  10  e  11/1999.  A  empresa  afirma que  o  pagamento  foi  realizado em 25/01/2000.  Já  está  comprovado  I  neste  processo  às  folhas  794  e  795  a  correta data do pagamento foi a alagada pela empresa.  b ­ A empresa questiona o lançamento de 02/2001 no valor de R$  27.491,00  (fl.  118)  referente  a  pagamentos  ao  contribuinte  individual  Otacílio  P  Rocha.  Foram  solicitados  todos  documentos de contas a pagar do período de 01 a 03/2001 ( mais  de 30 pastas com documentos de pagamentos), inclusive o Livro  Razão  do  mesmo  período.  Posteriormente  foram  solicitados  os  Livros Razão de 01/99 a 12/2001.  4.  Foi  realizada  uma  exaustiva  verificação  nos  documentos  físicos  e  nos  lançamentos  contábeis,  porem  não  foi  possível  identificar  a  origem  do  lançamento.  A  verificação  ocorreu  da  forma mais aproximada da metodologia utilizada na ação fiscal  I  que  resultou  na  lavratura  da  referida  NFLD.  A  apuração  quando da ação fiscal 'identificou estes fatos geradores no livro  razão e notas fiscais pessoa física, optando­se I à época lançar  pela contabilidade por estar esta mais completa. O que pode ter  I  ocorrido  foi  a  não  exclusão  do  lançamento  de R$ 27.491,00,  que coincidentemente é o somatório dos valores lançados no mês  de fevereiro/2001 R$ 20.551,00 e março/2001 R$ 6.940,00.  5. Pelas  razões expostas no  item anterior  foi emitido FORCED  para  exclusão  do  lançamento  de  Acréscimos  Legais  cobrados  indevidamente referente ao mês 0212000.  Os valores dos acréscimos legais excluídos constam do Relatório  DAL — Diferença de Acréscimos Legais às folhas 87, 88,91 e 92  que totalizam o vai. R$ 56.918,45, nas competências 05, 06, 08,  09 ,10 ,11, 12/1998, 03, 04, 05 , 06, 0 08, 09, 10 )11 /1999.  6. Foi emitido FORCED para exclusão do lançamento que após  exaustiva busca • não foi possível identificar sua origem no valor  de R$ 27.491,00, conforme justificado no item 4 deste.   7. Esta diligencia deverá ser  encerrada e  emitido uru MPF —  Fiscalização  com  1  objetivo  de  apurar  eventuais  créditos  previdenciários  referentes  a  acréscimos  legais  ,  ,  1  ocorridos  quando do correto lançamento das datas de pagamentos citados  no [tem 3 ­­ a deste.  8.  À  Coordenação  Administrativa  do  Serviço  de  Fiscalização  para  encaminhar  cópia  do  Relatório  Fiscal  Complementar  à  empresa tomadora e à prestadora para • ciência.  A  Decisão  de  Primeira  Instância  administrativa  julgou  procedente  os  lançamento efetuado, conforme fls. 912 a 943.  Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     12  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  SALÁRIO­DE­ CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA.  A  empresa  é  obrigada  a  recolher  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  que  lhe  prestam  serviço.  BOLSAS  DE  •  ESTUDO.  Quando  pagas  em  desacordo com a lei, as Bolsas de Estudo representam ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidade,  integrando  o  salário­de  contribuição, para fins previdenciários.  LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso,  fl.  958  a  998.  Em  síntese  a  recorrente  traz  as  mesmas  alegações  apresentadas  na  impugnação, quais sejam sinteticamente:  1.  o  lançamento fiscal  levado a efeito está eivado de vícios de formalidade, seja porque a  Recorrente é entidade beneficente de assistência social que faz jus ao direito de gozo da  imunidade tributária, seja porque são totalmente contrárias à lei;  2.  os  MPF  Complementares  (MPF­C)  expedidos  pela  Chefia  de  Arrecadação,  aptos  a  autorizar o prosseguimento da fiscalização, são nulos em razão da inobservância do prazo  legal para sua prorrogação (Decreto n.° 3.969/2001);  3.  mesmo que os MPF­C tivessem sido expedidos dentro do prazo legal, não poderiam ser  considerados  válidos,  dada  a  afronta  aos  princípios  constitucionais  da  legalidade  e  da  publicidade  dos  atos  administrativos  (desrespeito  ao  artigo  4°  e  7°,  inciso  VIII,  do  Decreto n.° 3.969/01, e aos artigos 96 e 196 do Código Tributário Nacional);  4.  o  INSS  não  observou  o  procedimento  próprio  para  a  suspensão  da  "isenção"  da  Recorrente  relativa  às  contribuições  previdenciárias  (artigo  206,  §8°  do  Decreto  n.°  3.048/99), eis que, à época da lavratura da NFLD havia recurso • administrativo pendente  de julgamento;  5.  a  inclusão  dos  dirigentes,  seja  na  qualidade  de  contribuintes,  seja  na  qualidade  de  responsáveis  (solidários  ou  não)  é  completamente  ilegal,  uma  vez  que  não  foram  vislumbradas  nenhuma  das  hipóteses  legais  para  tal  expediente  (artigos  134  e  135  do  Código Tributário Nacional);  6.  o  ato  administrativo  de  lançamento  não  encontra  embasamento  legal,  além  de  não  cumprir todos os  requisitos  legais previstos pelo artigo 37 da Lei n° 8.212/91, devendo  ser revisado/invalidado;  7.  a  Recorrente,  na  qualidade  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  1  preenche  todos os  requisitos  exigidos  (artigo 14 do Código Tributário Nacional)  para o  gozo da  imunidade tributária (artigo 195, §7° da Constituição Federal);  8.  a  Recorrente  também  preenche  todos  os  requisitos  legais  para  o  gozo  da  isencão  tributária (artigo 55, da Lei n.° 8.212/91);   9.  diferentemente  do  apontado  pela  fiscalização,  a  Recorrente  (mantida)  e  a  Associação  Universitária e Cultural da Bahia (mantenedora),  têm uma única personalidade jurídica,  conforme expresso nos pareceres CVMPAS n.° 509/96 e 02/98; . d. g   Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 8          13 10.  a constatação da fiscalização, relativa à existência de lançamentos na conta de passivo da  Recorrente destinadas a provisionar o INSS patronal não repassadas aos cofres públicos  não  advém  de  culpa  ou  dolo  da  Recorrente  eis  que  tal  fato  inclusive  •  é  objeto  de  denúncia pelo Ministério Público do Estado da Bahia contra o Sr. Raimundo Gabriel de  Oliveira (ex­gerente financeiro da RECORRENTE);  11.  não podem  incidir  contribuições  previdenciárias  sobre  as  bolsas  de  estudos  concedidas  gratuitamente aos seus empregados, seja porque s  trata de, atividade assistencial (artigo  203, da Constituição Federal) e portanto é imune, à  tributação, seja porque é obrigação  decorrente de  cláusula coletiva de  trabalho e  enquadra­se perfeitamente  na hipótese de  não incidência prevista no artigo 28, parágrafo 9°, alínea "t" da Lei n.° 8.212/91;  12.  é ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa SELIC como juros de mora;  13.  não houve individualização dos limites dos valores devidos a  título de contribuição dos  empregados, e;  14.  houve erros e inclusões indevidas na Base de Cálculo.  A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF.  É o relatório.  Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     14    Voto               Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  1091.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DAS PRELIMINARES AO MÉRITO  NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA ­ ARGUIDO DE OFÍCIO –  Tendo sido arguido de ofício a nulidade da decisão de primeira instância, face  a não cientificação da segunda diligência que promoveu a retificação do débito, quanto a erros  de base de cálculo descritos pelo recorrente, esclareço que não vislumbro a nulidade apontada  pelos ilustres conselheiros.  Antes mesmo de adentrar aos  argumentos  trazidos pelo  recorrente quanto a  nulidade  do  lançamento  e  buscando  dar  transparência  ao  julgamento  do  processo  (face  o  encaminhamento pela nulidade da decisão de primeira  instância), destaco que o processo  foi  realmente baixado em diligência em duas oportunidades, no intuito da fiscalização esclarecer  fatos trazidos pelo recorrente quanto a erros de base de cálculo e apropriação de pagamentos,  constantes nas folhas 846 a 850.  Da segunda diligência, não identifiquei nos autos cientificação da informação  fiscal,  contudo,  entendo que dito  fato não  implica nulidade da decisão de primeira  instância,  uma  vez  que  não  identifiquei  prejuízo  ao  recorrente.  Note­se  que  a  informação  fiscal,  foi  justamente no sentido de que fossem apreciados erros por parte da auditoria, equívocos esses  acatados  pela  autoridade  fiscal,  que  propôs  a  retificação  do  débito  acatando  na  integra  os  pontos  trazidos  pelo  impugnante.  Ou  seja,  não  houve  uma  procedência  parcial  dos  pontos  alegados, razão porque não ocorreu prejuízo.  Não fosse apenas esse fato, entendo que ao descrever no relatório da Decisão  Notificação a integra da informação prestada, permitindo ao recorrente o conhecimento integral  da  diligência,  permitindo­lhe  inclusive  alegar  qualquer  prejuízo  em  sede  recursal,  afastou  a  autoridade qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa e por conseguinte nulidade.  Assim,  entendo  que  embora  tenha  deixado  a  DRFB  de  cientificar  o  recorrente,  dito  fato  não  importou­lhe  prejuízo  capaz  de  promover  a  nulidade  da  referida  decisão. Ademais,  deve­se  prezar  pela  celeridade  do  processo  e  economia  processual,  posto  que  em  existindo  elementos  suficientes  para  proceder  ao  julgamento,  sendo  afastado  o  cerceamento do direito de defesa, tem o recorrente o direito de ver sua lide colocada em pauta,  considerando inclusive o tempo transcorrido entre a data da lavratura e a submissão da lide a  este colegiado (mais de 10 anos).  Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 9          15 Assim, rejeito a nulidade da decisão de primeira instância.  QUANTO  A  NULIDADE  DO  PROCEDIMENTO  –  VALIDADE  DOS  MPF­C.  Alega  o  recorrente  que  os MPF­C  expedidos  pela  Chefia  de  Arrecadação,  aptos  a  autorizar  o  prosseguimento  da  fiscalização,  são  nulos  em  razão  da  inobservância  do  prazo  legal  para  sua  prorrogação  (Decreto  n.°  3.969/2001).  Porém  ao  apreciar  os  procedimentos  realizados  pela  autoridade  fiscal  no  desenvolvimento  da  ação,  não  vislumbro  dita nulidade.  Em  primeiro  lugar  entendo  que  o  procedimento  fiscal  atendeu  todas  as  determinações legais para sua instauração, não havendo, pois, nulidade a ser declarada. Como  já afastado pela autoridade julgadora, ocorreu a devida emissão do Mandato de Procedimento  Fiscal – MPF­ F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável  pelo  cumprimento  do  procedimento,  tendo  o  encerramento  do  procedimento  sido  realizado  dentro do prazo de MPF válido.  Diferente  de  outros  procedimentos,  observa­se  neste  caso,  um  número  significativo de MPF complementares, contudo, conforme demonstrado nos autos, entendo que  o auditor encaminhou na  forma devida à  empresa notificada os MPF complementares, o que  ensejou que no momento da lavratura da NFLD, existisse sim, MPF válido capaz de legitimar o  procedimento.  Ao  contrário  da  interprestação  data  pelo  recorrente  não  entendo  que  tenha  que  ser  emitido  novo MPF,  quando ocorre o  término  de  validade do  anterior. Nada  impede,  como  realizado,  se  o  procedimento  teve  continuidade  se  convalide  o  MPF­C,  com  sua  prorrogação  por  outro  MPF­C.  Os  MPF  foram  devidamente  apresentados  ao  recorrente,  conforme planilha por ele mesmo trazida em seu recurso, fl. 964, dessa forma, observamos que  no momento do encerramento do procedimento existia cobertura de MPF.  Entendo  que  a  exigência  legal  é  no  sentido  de  que  na  data  da  lavratura  da  NFLD  exista MPF  válido,  conferindo  legitimidade  ao  trabalho  do  auditor.  O  fato  de  terem  existido  diversos  MPF  complementares,  mesmo  que  com  pequenos  lapsos  temporais  de  ausência  de  cobertura,  mas  com  posterior  convalidação  e  cientificação  ao  recorrente  da  prorrogação  e  continuidade  do  procedimento  não  possuem  o  condão  de  nulidificar  o  procedimento.  Resta claro, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito  passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião  do início do procedimento fiscal, e durante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo  se  extingue  com  o  registro  no  termo  próprio  que  é  o TEAF,  lavrado  quando  do  término  da  auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento.  O manual do contencioso, aprovado pela OI nº 04 de 25/03/2004, dispõe na  letra “c” do item 9.5.5 – VÍCIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF:  O  MPF  complementar  emitido  após  o  vencimento  do  MPF  original  –  embora  o  art.  15  do Decreto  3696/2001  enumere  a  expiração  de  seu  prazo  de  cumprimento  como  hipótese  de  extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que  tal  Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     16  expiração não  implica nulidade dos atos praticados, podendo a  autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar  a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal.  Assim,  o MPF  complementar  emitido  no  curso  da  ação  fiscal,  mesmo  que  após  o  vencimento  do  MPF  original  ou  dos  complementares  já  emitidos,  não  invalida  os  atos  praticados,  inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data  da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Dessa forma, havendo  ciência  prévia  deste  MPF  complementar  ao  sujeito  passivo  antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado  o lançamento.” (grifo nosso)  Dessa  forma,  concordo  com  a  interpretação  dada  pela  autoridade  julgadora  em  relação  a  interpretação  do  art.  16  do  Decreto  3696/2001,  não  havendo  reparos  a  serem  feitos na decisão proferida.  "Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do ad. 15 não implica  nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável  pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo  MPF para a conclusão do procedimento fiscal".  Quanto  a  nulidade  pelo  não  cumprimento  do  rito  de  suspensão  da  isenção,  entendo  que  dita  preliminar  confunde­se  com  o  mérito  de  todo  o  lançamento,  e  por  conseguinte, com a procedência do mesmo, razão porque apreciaremos nas questões meritórias.  EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS  Quanto a exclusão dos corresponsáveis, deve­se esclarecer ao recorrente que  se  trata  do  julgamento  de  NFLD,  em  sendo  assim  a  autuada  é  a  empresa,  que  é  o  sujeito  passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do  sujeito passivo,  constam da  relação de Corresponsáveis – CORESP,  consoante determinação  contida nos normativos previdenciários:   X  ­  Relação  de Corresponsáveis  (CORESP),  que  lista  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  representantes  legais  do  sujeito  passivo, indicando sua qualificação e período de atuação;  Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta  aos  sócios,  pelo  contrário,  apenas  elencou  no  relatório  fiscal,  quais  seriam  os  responsáveis  legais da empresa para efeitos cadastrais.. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do  questionamento,  posto  que  não  foi  atribuída  responsabilidade  direta,  como  descrito  pelo  recorrente. Aliás, nesse  sentido,  já havia se manifestado o  julgador de primeira  instância não  havendo, novamente, reparo a ser realizado no lançamento. Transcrevo trecho da decisão, que  tratou devidamente a questão:  Somente  a  pessoa  jurídica  é  que  teve  contra  si  o  débito  lançado. Os ­... . dirigentes da entidade não constam do pólo  passivo da NFLD. O anexo "Relação de Co­, responsáveis ­  CORESP"  serve,  apenas,  como  subsídio  à  Procuradoria  Regional para que,—1 • numa eventual execução judicial do  crédito tributário  seja apurada a responsabilidade solidária  de  algum  dirigente,  por  infração  à  lei  previdenciária  ou  violação  ao  estatuto,  nos  •  termos  do  art.  135  do  Código  Tributário Nacional, in verbis:  Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 10          17 ... .. "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos  correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato social ou estatuto:  III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas de direito privado."  Neste momento, far­se­á uma investigação e aprofundamento  acerca do contribuinte, a fim de se aquilatar a existência de  dolo,  fraude  ou má  administração  por  parte  dos  dirigentes  ou,  ainda,  violação  à  lei  ou  ao  estatuto.  Os  elementos  caracterizadores  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica serão vistos,  futuramente, se houver indícios de que  o  manto  da  personalidade  jurídica  do  contribuinte  esteja  sendo usado como forma de 4. violação à lei em prejuízo do  Fisco.  Por outro lado, o caráter vinculado do ato administrativo do  lançamento  fiscal  impõe  que  o  Auditor­Fiscal  siga  os  procedimentos  de  fiscalização,  incluindo  na  NFLD  o  nome  dos possíveis corresponsáveis,  isto é, daqueles que poderão,  futuramente,  serem  ­  .  acionados  à  satisfação  dos  débitos  decorrentes de insuficiência patrimonial da empresa por má  gestão.  A  força  do  ato  de  fiscalização  decorre  de  mandamento  legal  que  ordena  esta  r  ▪  ukr  atividade  no  desenvolvimento dos atos procedimentais.  Apesar  da  responsabilidade  solidária,  tudo  isso  corrobora  com a assertiva segundo a qual os sócios da impugnante não  têm  seus  nomes  inscritos  como devedores  das  contribuições  lançadas, conforme rosto da NFLD Ao contrário, o principio  da distinção entre a pessoa  jurídica e a pessoa física impõe  concluir­se  pela  inexistência  de  débito  dos  dirigentes  da  contribuinte.  O  débito  existe  em  nome  da  impugnante  e  no  seu  CNPJ.  Trata­se  de  ato  administrativo  vinculado,  em  decorrência do princípio da legalidade.   Por  derradeiro,  o  anexo  "Relação  de  Co­responsáveis  —  CORESP"  menciona,  tão­só,  os  dirigentes  com  poder  de  administração  e  gerência.  Ainda  que  se  tratasse  de,  responsabilizá­los  solidariamente  pelo  crédito  apurado  (o  que não e o caso, diga­se de passagem), ainda assim a falta  de  recolhimento  das  contribuições  devidas  em  épocas.  _  próprias configuraria, por si só, infração à lei, fato este que  lhe  impõe  tal  obrigação.  De  ha  muito,  pacificou­se,  na  doutrina  e  na  jurisprudência  pátria,  a  responsabilidade  pessoal dos administradores, nesses casos.  Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito.  Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     18    DO MÉRITO  NULIDADE  PELA  INOBSERVÂNCIA  DO  PROCEDIMENTO  DE  SUSPENSÃO DA ISENÇÃO  Neste  ponto  alegou o  recorrente  que o  INSS  não  observou o  procedimento  próprio para a suspensão da "isenção" da Recorrente relativa às contribuições previdenciárias  (artigo 206, §8° do Decreto n.° 3.048/99), eis que, à época da lavratura da NFLD havia recurso  administrativo pendente de julgamento.  Embora  tenha  sido  arguida  a  nulidade  em  sede  de  preliminar,  entendo  que  trata­se de questão meritória, envolvendo o direito da empresa de ter ou não isenção.  Primeiramente não vislumbro a nulidade suscitada pelo recorrente, uma vez  que o auditor em seu relatório deixa claros os motivos do lançamento, tendo no relatório fiscal  e no relatório fiscal complementar descrito de forma pormenorizada, todo os fatos encontrados  na empresa que levaram ao lançamento do crédito.  Da  leitura  do  relatório  não  identifico  a  suspensão  da  isenção,  conforme  descrito pelo recorrente. Na verdade a fiscalização entende que a empresa não possui direito a  isenção, tendo em vista não preencher os requisitos do art. 55 da lei 8212/91.  Diferente do que entendeu o recorrente a fiscalização descreveu no relatório  que a universidade, nunca foi detentora da suposta isenção, considerando, inclusive que nunca  ingressou com pedido de isenção perante o INSS. Vejamos trecho do referido relatório:  A Universidade Católica de Salvador possui os seguintes títulos:  a)  Utilidade  Pública  Federal  —  Não  consta  nos  arquivos  da  Secretaria Nacional de Justiça, órgão do Ministério da Justiça,  qualquer requerimento ou pedido de concessão de titulo;  • b) Utilidade Pública Estadual ­ Lei 4.477, de 21.06.85, vencido  em 22.06.95, em virtude do caput do art. 2° da Lei Estadual n°  6.670,  de  21.07.94,  que  •  estabelece  requisitos  para  reconhecimento  e  revalidação  de  utilidade  pública  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado.  Diz  o  art.:  "A  revalidação  do  reconhecimento  será  concedida  por  ato  da  Mesa  Diretora  da  Assembléia  Legislativa,  solicitada  através  de  requerimento  assinado  pelo  presidente  ou  responsável  pela  entidade,  após  completar 10 (dez) anos de reconhecimento, até 12 (doze) meses  subsequentes,  sob  pena  de  perder  a  condição  de  utilidade  pública". Não comprovou revalidação;  c)  Utilidade  Pública  Municipal  —  Não  possui  ou  não  nos  apresentou, apesar de intimada a apresentar,   d)  Registro  no  CNAS  ­  Processo  214.777/78­90,  deferido  em  sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução 127,  de  04.09.98,  publicada  no  \  •  DOU  em  09.09.98,  Seção  I,  julgando  o  processo  28976.000148/95­16  (Averbada  como  entidade  mantida  pela  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia);  Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 11          19 e)  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social  (CEDAS)  ­  Processo  214.777/78,  deferido  em  16.02.93  à  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  (cita  que  é  extensivo  à UCSAL);  renovado através  da  • Resolução 127,  de  04.09.98, publicada no DOU em 09.09.98, Seção I, • julgando o  processo  28976.000148/95­16,  com  validade  de  01.01.95  a  31.12.97;  renovado  através  da  Resolução  85,  de  09.05.00,  publicada no DOU,  em 11.05.00, Seção  I,  julgando o processo  44006.002624/99­81,  com  validade,  de  01.01.98  a  31.12.00.  (Averbada como entidade mantida pela Associação Universitária  e Cultural da Bahia).   Nesse interim a alegação que descumpridos os preceitos do art. 206, §8º do  Decreto 3.048/99 não merece guarida, posto que aquele dispositivo é aplicável aos casos, que  perante o INSS a entidade fosse detentora do direito a isenção, e por descumprimento posterior  de quaisquer dos requisitos legais viesse a perde­la.  Quanto a alegação de que o auditor consubstanciou o lançamento em decisão  do  CAJ,  que  diga­se  a  qual  foi  atribuído  efeito  suspensivo,  entendo  que  conclusão  diversa  extrai­se dos relatórios e da própria decisão. O julgamento do CAJ não foi relacionado a pedido  de  isenção,  nem  tampouco  ato  cancelatório. O  lançamento  consubstanciou­se  no  fato  (como  veremos  nos  próximos  tópicos)  de  que  a  empresa  NÃO  POSSUÍA  ISENÇÃO,  seja  porque  possuía  personalidade  própria  e  não  requereu  o  referido  direito  a  mesma,  seja  porque  sua  mantenedora(a  quql  entende  o  recorrente  poderia  valer­se  da  sua  condição),  também  não  procedeu o requerimento do pedido de isenção perante a previdência social. A transcrição da  isenção, deixa claro tratar­se de ente com personalidade jurídica, sem que em seu nome tenha  cumprido os requisitos.   No caso, afasto qualquer alegação de nulidade por ter a NFLD sido lavrada  em  momento  cuja  exigibilidade  estava  suspensa  (art.  151,  III  do  CTN).  Trata­se  de  outro  procedimento  fiscal,  outra  NFLD,  outro  relatório  fiscal  com  fundamentos  para  a  exigência  tributária.   DA PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA.  Quanto  a  este  ponto,  entendo  que  foi  muito  apropriado  o  relatório  fiscal  complementar,  onde  realizou  a  autoridade  fiscal,  um  histórico  em  relação  a  todos  os  lançamentos  realizados  em  nome  do  sujeito  passivo,  julgamento  dos  recursos  interpostos  perante o CRPS, análise do estatuto da universidade, concluindo ao final:  Após  perder  na  primeira  instância  administrativa,  a  entidade  apresentou recurso ao CRPS, em 10.03.97, alegando ser isenta,  já que era mantida pela Associação Universitária e Cultural da  Bahia;  que  seriam  uma  única  pessoa  jurídica,  e  que,  supostamente, nesta condição, utilizando­se das titulações desta  "outra", teria direito ao benefício legal de forma extensiva, o que  não infringiria o § 2° do art. 55 da Lei 8.212/91, que diz: "§2° A  isenção  de  que  trata  este  artigo  não  abrange  empresa  ou  entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida  por outra que esteja no exercício da isenção".  Em  08.05.98,  a  7°  CaJ  do  CRPS  conhece  dos  recursos  mas  mantém  as  decisões  da  primeira  instância  por  meio  dos  Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     20  acórdãos abaixo listados (acórdãos na íntegra, fls. 80 a 85):  ' •  07/03629/1998 • 07/03630/199.  Fundamentou  que  a  Universidade  Católica  do  Salvador  e  a  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  seriam  duas  entidades distintas.   A Universidade Católica do Salvador, então,  em 20.07.98 pede  revisão  dos  dois  acórdãos  da  7  CaJ  utilizando­se  dos  mesmos  argumentos.  Em  21.09.98,  faz  novas  alegações  e  traz  um  novo  documento, o Parecer 02198, obtido no CNAS, que dizia que a  Universidade  Católica  cio  Salvador  não  Unha  personalidade  jurídica.  Este  Parecer,  no  CNAS,  serviu  para  averbar  a  UCSal  no  certificado da Associação Universitária e Cultural da Bahia, no  processo de recadastramento no CNAS, n° 28.976.0148195­16.  Em 24.09.98 a 8 CaJ do CRPS, em face do pleito revisional da  Universidade Católica  do  Salvador,  objetivando  a  reforma  dos  Acórdãos n° 3.629198 e 3.630/98,  julgados em 01.04.98 pela r  CaJ  do  CRPS,  pronunciou­  se.  Acórdãos:  08106818/1998;  '  08/06819/1998.  Na  sessão  realizada  no  dia  24.09.98,  por  unanimidade,  os  membros  da  8  21  CaJ  conhecem  do  recurso  e  no  mérito  dão  provimento,  na  forma  e  no  voto  da  Relatora,  com  a  sua  fundamentação.  Em resumo, o que o acórdão disse foi o seguinte:  1)  A  Universidade  Católica  do  Salvador  ­  não  possui  personalidade jurídica, é um ente despersonalizado pertencente  a Associação Universitária e Cultural da Bahia.  2) A Associação Universitária e Cultural da Bahia é isenta, por  isso  os  débitos  de  contribuições  patronais  referentes  à  Universidade Católica do Salvador não • procedem.  Esta  fiscalização  entendeu  TOTALMENTE  EQUIVOCADA  a  decisão  da  8  a  CaJ  do  CRPS  de  considerar  a  Universidade  Católica  do  Salvador  como  um  ente  despersonalizado,  pertencente a Associação Universitária e Cultural da Bahia, pois  alegava que aquela não possuía estatuto  registrado nos órgãos  competentes,  II  fundamentando­se,  inclusive,  no  Parecer  CJ/MPAS 509/96, que não é aplicável ao caso em análise.  'Em  diligência  realizada  no  1°  Cartório  de  Registro  Civil  das  Pessoas  Jurídicas  para  verificar  se  os  estatutos  das  duas  entidades se encontravam registrados naquele ofício'foi feito um  requerimento  ao  dito  cartório,  que  forneceu  certidão,  onde  consta, dentre outros documentos arquivados pela Universidade  Católica do Salvador, o seu 'Estatuto vigente.  Este  Estatuto,  ainda  vigente,  foi  registrado  em  13.10.61,  contrariava o argumento da decisão do acórdão da 8a CaJ do  CRPS, e não constava do processo até então.  Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 12          21 Contudo apesar de não ter qualquer pedido de isenção deferido  pelo INSS em relação às duas entidades não poderíamos lavrar  os  débitos  de  contribuições  patronais  em  virtude  dos  acórdãos  da 8a CaJ do CRPS, que precisariam ser reformados.  Em busca do melhor direito, para cassação da suposta isenção,  encaminhamos  o  processo  No.35013.002778/2002­69,  peticionando a revisão dos acórdãos da 8° CaJ do CRPS, já que  foram eles que tiveram o condão de dar isenção à Universidade  Católica do Salvador. Entendemos que o próprio CRPS poderia  rever sua decisão. A Súmula 473 do STF e os art. 53 e 54 da Lei  9.784, de 29 de janeiro de 1999, autorizavam a revisão.  Finalmente o pedido de reforma dos acórdãos  foi a  julgamento  no  dia  23  de  julho  de  2003,  na  sessão  n°  02/00264/2003,  que  resultou  nos  Acórdãos  02101905/2003  e  02/01909/2003,  conhecido e provido por unanimidade, nos  termos do relatório,  que transcrevemos:  Às fls.. 242 a 245, encontra­se  transcrito o  relatório  referente aos processos  de revisão acima mencionados.  EMENTA  CUSTEIO  ­  RECURSO  DE  REVISÃO  ­  LEGITIMIDADE  DO  SUJEITO  PASSIVO  Inscrito  o  Estatuto  Social  da  pessoa  jurídica,  ele  passa  a  gozar  de  personalidade  jurídica  própria  e,  portanto,  pode  ser  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária.  PRECLUSÃO  ­  ART.  $1,  §  2.°  DA  PORTARIA/MPAS  N.°  2.740/2.001  ­  ART.  54  DA  LEI  N.°  9.784/99  ­  EFEITOS  DAS  •  PORTARIAS  ­  LIMITES DO  ATO  ADMINISTRATIVO  REGULAMENTAR  ­  PRAZO  QUINQUENAL  As  Portarias  expedidas  por  autoridades  superiores  vinculam os  órgãos  subordinados.° CRPS,  enquanto  órgão  do  MPS,  via  de  regra,  está  subordinado  às  Portarias  Ministeriais. Em face do seu munus e da ilegalidade do § 2.° do  art. 51 da Portaria/MPAS n.° 2.740/2.001, merece ser afastada  sua aplicabilidade É de cinco anos o prazo para interposição do  recurso  de  revisão.  PREVISÃO  LEGAL  ­  REQUISITOS  DE  ADMISSIBILIDADE ­ ERRO MATERIAL ­ DIVERGÊNCIA DE I  *  PARECER  MINISTERIALS  cabível  o  recurso  de  revisão  quando  verificado  erro  material  ou  divergência  de  parecer  ministerial  vinculante  no  Acórdão.  PARECER  CJ/MPAS  AL°  506/96  ­  ENTIDADE  MANTIDA  QUE  GOZA  DE  PERSONALIDADE  JURÍDICA  PRÓPRIA  ­  ENTIDADE  MANTENEDORA  QUE  NÃO  GOZA  DO  BENEFÍCIO  DE  ISENÇÃO. Somente se estende o benefício de isenção obtido pela  entidade  mantenedora  à  entidade  mantida  que  não  possua  personalidade  jurídica  própria.  Provado  que  entidade mantida  possui personalidade jurídica própria e que a mantenedora não  usufrui no benefício de  Isenção, não  lhe pode  ser  estendido  tal  direito. Acórdão da 8.° CaJ anulado, restabelecendo o Acórdão  da 7• 4 CaJ. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.  Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     22    Destaque para voto de admissibilidade do Recurso de Revisão:  ADMISSIBILIDADE  DO  RECURSO  DE  REVISÃO  Do  Pressuposto  Subjetivo  Em  face  das  assertivas  do  recorrido,  examinemos,  a  priori,  sua  legitimidade  para  figurar  no  pólo  passivo da NFLD.  A  Autarquia  anexou  aos  autos  cópia  da  publicação  oficial  da  inscrição  do  Estatuto  Social  da  Universidade  Católica  de  Salvador  (fls.  633)  e  da  Certidão  expedida  pelo  1°  Oficio  do  Cartório do Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil ,  das Pessoas Jurídicas de Salvador (fls. 635) as quais registram  em seu art. 5.0 que:  "Art.  5.°  A  Universidade  Católica  do  Salvador  tem  personalidade  jurídica  própria,  gozando  de  autonomia  administrativa,  didática,  financeira  e  disciplinar,  respeitados  os  dispositivos  da  legislação  federal  e  do  presente Estatuto."  Não bastasse o fato do Estatuto Social registrar expressamente a  autonomia  de  •  sua  personalidade  jurídica,  prescreve  o art.  18  da Lei n.° 3.071/16 (Código Civil) que:   Art. 18. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de  direito  privado  com  a  inscrição  dos  seus  contratos,  atos  constitutivos,  estatutos  ou  compromissos  no  seu  registro  peculiar, regulado por lei especial, ou com a autorização ou  aprovação do Governo, quando precisa."  Ao que se vê, a inscrição do Estatuto Social do recorrido, per si,  assegura  sua existência  legal  autônoma, podendo  figurar  como  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária  e,  por  conseguinte,  gozando de legitimidade passiva na presente NFLD.  E  mais,  a  referida  documentação  vai  ao  encontro  da  conduta  assumida  pelo  recorrido  de  se  sujeitar  a  outros  tributos  (COFINS,  ISSQN,  p.  e.)  e  praticar  atos  em  nome  próprio,  por  exemplo, propor ações judiciais ([Is. 926/942) e contabilizar as  receitas  advindas  das  atividades  educacionais  em  seu  próprio  patrimônio (fato que ela própria admite às fls. 580.  Após a admissibilidade encaminhou o relator voto no seguinte sentido:  DO VICIO MATERIAL INSANÁVEL   A  8.° Caj  decretou a  nulidade  do Acórdão proferido  pela  7. 8  CaJ,  em  razão,  basicamente,  do  entendimento  pacificado  pelo  Parecer CJ/MPAS n.° 509/96.  Sua  ementa  se  transcreve  por  PREVIDENCIÁRIO  ­  CONTRIBUIÇÃO  DE  COTA  PATRONAL  ­  IMUNIDADE  ­  ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS.  A  isenção  da  contribuição  patronal  concedida  a  Instituição  (pessoa  jurídica)  aproveita­se  a  todos  os  departamentos  ou  atividades despersonalizadas, desenvolvidas pela beneficiaria.  Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 13          23 Partindo  da  premissa  de  que  a  recorrida  não  possuía  personalidade  jurídica  própria,  a  8."  Cai  entendeu  que  a  Universidade Católica de Salvador deveria cozer do beneficio de  isenção  fiscal  conferido  à  entidade  mantenedora,  no  caso,  a  •  Associação Universitária  e  Cultural  da  Bahia  e,  portanto,  não  merecia subsistir a NFLD.  Data venia. equivocou­se aquele órgão julgador.  Nunca  houve  nos  autos  prova  de  que  a  entidade  mantenedora  gozava do benefício de isenção fiscal que pudesse ser estendido  à recorrida.  Ao contrário, em resultado da diligência requisitada pela 2. CaJ.  restou  provado  que  a  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia não levou a termo seu requerimento de isenção (lis. 286 e  292/317), razão pela qual nunca gozou do beneficio fiscal.  Assim  sendo,  não  poderia  a  8.  a  Cal  reconhecer  o  direito  de  isenção da Universidade Católica de Salvador, donde se verifica  evidente erro material.  E mais, a assertiva da! recorrida no sentido de que possui direito  adquirido ao beneficio de isenção não merece acolhida, vez que,  ao qozar de personalidade jurídica própria, ela devia ter exibido  documentação  comprobatória  desse  beneficio  fiscal,  o  que  não  logrou êxito em faze­lo.  Após o advento do Decreto­Lei n° 1.572/77, passaram a ser as  três exigências para o gozo do beneficio de isenção fiscal, quais  sejam:  ­ o certificado de utilidade pública;  ­  o  certificado  de  entidade  de  fins  filantrópicos;  e  que,  ­  os  diretores da entidade não percebam remuneração.  Afora o Certificado de Utilidade Pública Estadual  (fls. 91),  ela  não  exibiu  o Certificado  de Entidade  de Fins Filantrópicos  em  seu nome, de  forma que não pode ser reconhecido o direito ao  benefício prescrito pelo referido diploma legal.  Por  outro  lado,  não  procedem  as  assertivas  de  que  o  INSS  inovou a causa petendi.  Verifica­se do Relatório Fiscal (fls. 16/17) que o AFPS partiu da  premissa  de  que  a  recorrida  possuía  personalidade  jurídica  própria  e,  por  não  gozar  do  benefício  de  isenção,  estava  obrigada  ao  recolhimento  da  quota  patronal  das  contribuições  previdenciárias.  Ao  se  defender,  a  recorrida  aduziu  que  estava  vinculada  a  entidade  mantenedora  em  gozo  do  benefício  de  isenção  fiscal,  tese essa acolhida pela 8. a Cai.  A partir daí, toda a discussão se concentrou sobre a matéria de  defesa,  razão  pela  qual  é  possível  formar  convicção  de  que  a  Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     24  Universidade Católica de Salvador é responsável pela inovação  da causa petendi, e não a Autarquia, que procura apenas repelir  tal entendimento.  Passemos, então, á divergência de parecer ministerial.  DA  DIVERGÊNCIA  DE  PARECER  MINISTERIAL  A  bem  da  verdade, o Acórdão proferido pela CaJ diverge do entendimento  • pacificado pelo Parecer CJ/MPAS n.° 509/96.  Em primeiro, porque o benefício de isenção conferido á entidade  mantenedora somente pode ser estendido à entidade mantida que  não  goza  de  personalidade  jurídica  própria,  o  que  não  se  verifica na presente situação.  Restou  provado que  a Universidade Católica  de  Salvador  coza  dessa  qualidade  e  .portanto,  não  poderia  a  8.  8  Cai  ter  se  utilizado do entendimento do parecer ministerial para decretar a  nulidade do Acórdão proferido pela 7 Caj.  E. em segundo porque o Parecer Ministerial  parte da premissa  de que a entidade, mantenedora goza do beneficio de isenção de  modo  que  possa  estendê­lo  á  entidade mantida,  o  que  também  não se verifica na presente situação.  Foi provado que a Associação Universitária e Cultural da Bahia  nunca  gozou  do  beneficio  de  isenção  fiscal,  razão  pela  qual  o  parecer  ministerial  não  poderia  fundamentar  a  revisão  do  Acórdão da 7. 8 Cai.  Em face destes vícios, deve ser decretada a nulidade do Acórdão  a°  08CaJI/06818/1.998  (t7s.  219/234).Importante,  destacar  que  a NFLD deu­se em 28/04/2010, tendo a cientificação ao sujeito  passivo ocorrido no dia 05/05/2010.   Passemos, então, a novo exame do recurso de revisão interposto  pelo notificado contra o Acórdão proferido pela 7.° CaJ.  DO  RECURSO  DE  REVISÃO  DO  NOTIFICADO  A  matéria  controvertida se detém sobre o direito do notificado à extensão  do  beneficio  de  isenção  fiscal  conferido  á  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia,  em  face  do  entendimento  pacificado pelo Parecer CJIMPAS n.° 509/96.  Reporto­me  aos  fundamentos  deste  voto  para  afirmar  que  o  notificado  não  faz  'm  extensão  de  um  direito  não  conferido  à  entidade mantenedora.  Não obstante, por gozar de personalidade jurídica própria, não  lhe  se aplica  o  art.  55.  20  da Lei n.° 8.212/91  sobre  o  qual  se  manifestou a Consultoria Jurídica do MPAS.  Não fazendo jus ao beneficio de isenção definido pelo art. 55 da  Lei  n.°  8.212191  o  notificado  se  encontra  obrigado  ao  recolhimento  da  quota  patronal  das  contribuições  providenciarias e, portanto, merece subsistir a NFLD.  DISPOSITIVO Voto, primeiramente, pelo CONHECIMENTO do  recurso  de  revisão  interposto  pelo  INSS.  para  DAR­LHE  PROVIMENTO, ANULANDO o Acórdão n.° 08CaJ/06818/1.998  Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 14          25 (lis. 219/234), de forma a restabelecer o Acórdão proferido pela  7° CaJ ((Is. 152/1541 É como voto.  N° do Acórdão: 02/0190512003 Vistos, relatados e discutidos os  presentes  autos,  em  sessão  realizada  hoje,  ACORDAM  os  membros  da  r  CÂMARA  DE  JULGAMENTO  DO  CRPS,  por  unanimidade, em CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO  INSS  e,  no  1  mérito,  por  unanimidade,  DAR­LHE  PROVIMENTO,  na  forma  do  voto  do(a)  Relator(a)  e  sua  fundamentação.  Brasília,  23/07/2003  Mário  Humberto  Cabos  Moreira Presidente da 2 Câmara de Julgamento do CRPS.  Conforme  bem  destacado  pelo  auditor,  e  reforçado  perante  a  Decisão  do  CRPS  transcrita  no  relatório  fiscal  complementar,  a  UCSAL  possui  personalidade  jurídica,  devendo ela própria cumprir os requisitos do art, 55 da lei 8212/91, quanto ao gozo de isenção.  Assim, ao não ter requerido a isenção, ou mesmo possuir os documentos que possibilitariam a  realização do pedido, não há de fazer jus a isenção pretendida, considerando que também não  requereu, perante o INSS o direito a isenção.   Da análise dos fatos acima descritos, também não acolho o argumento de que  a  imunidade  (isenção  constitucional)  a  qual  a  UCSAL  faz  jus,  advém  da  sua  condição  de  mantida pela .Associação Universitária e Cultural da Bahia. Pode­se facilmente concluir, pela  leitura  acima,  que  não  se  trata  de  ente  despersonalizado,  não  podendo  usufruir  a  suposta  isenção de sua mantenedora.  Aliás,  em  seu  relatório,  enfatiza  o  auditor  que  nem  mesmo  a  Associação  Universitária (dita por mantenedora) é detentora do direito a isenção , posto não enquadrar­se  na  condição  de  direito  adquirido  (preenchimento  dos  requisitos  antes  de  01.09.77),  nem  tampouco  ter  requerido  em  seu  nome  perante  o  INSS,  a  isenção  de  contribuições  previdenciárias. Vejamos trecho do relatório fiscal, fl. 938:  Conclusivamente,  pois,  afora  a  discussão  apontada  pela  impugnante, acerca de sua personalidade jurídica, o fato é que,  até  01.09.77,  tanto  ela  quanto  a  Associação  não  possuíam  isenção;  e,  após  a  Lei  8.212/91,  também,  não  foi  conferida  qualquer isenção a essas entidades.  No que  ,  respeita  à  querela,  em  torno  da  existência ou  não  de  personalidade  !  jurídica  por  parte  da  impugnante  e  de  sua  manutenção pela Associação Universitária e Cultural da Bahia,  o Estatuto da Universidade Católica do Salvador, registrado, em  1110.61  no  Cartório  do  1°  Ofício  de  Registro  de  Títulos  e  Documentos  e Registro Civil  das Pessoas  Jurídicas da Ca  .ital  do  Estado  da  Bahia  diz  expressamente  em  seu  art.  50  •lie  a  UCSAL ­~.....~. i tem personalidade jurídica própria. Ora, o art.  18  do  Código  Civil  Brasileiro  estabelece  que  tz  começa  a  existência  legal  das pessoas  jurídicas de direito privado com a  inscrição do seu...— estatuto, no seu registro peculiar, regulado  por  lei  especial;  por  esta  razão,  não  há  que  se—  _  falar  em  aplicação  do  Parecer  CJ/MPAS  n°  509/96,  dirigido,  tão  somente,  aos  entes—  despersonalizados,  ou  seja,  aqueles  que  não  submetem  seus  atos  constitutivos  ao  registro  próprio,  não  sendo o caso da impugnante.  Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     26  Outros elementos, adiante explicitados, atestam a existência de i  personalidade jurídica distinta entre a impugnante ­ a UCSal ­ e  a Associação Universitária ­ e Cultural da Bahia:   a) a UCSal firmou, por conta própria acordo de repactuação de  débitos fiscais, o REFIS;  b) a UCSal possui Título de Utilidade Pública Estadual distinto  do titulo da Associação;  c)  a  UCSal  figura  como  contratante  e  ingressa  com  ações  judiciais de execução, por si só, independente da Associação.  Enfim,  a  impugnante  tem  personalidade  jurídica  para  praticar  todos  os  atos  supra  citados;  por  que  não  teria  personalidade  jurídica  para  responder  perante  o  INSS?  A  propósito,  sobre  o  assunto,  já  se  manifestou,  o  Judiciário,  em  diversas  oportunidades,.  —  externando,  em  todas  elas,  o  mesmo  entendimento  de  que  a  UCSAL  e  a  Associação  tém  ­­­ _personalidades  jurídicas distintas,  a  teor da  sentença exarada  nos embargos do devedor— 96.0009947­2 da 4° Vara Federal de  Salvador  e do Agravo de  Instrumento 1998.01.00.088809­4/B e  1997.01.00.028856­4/BA.  Da  mesma  forma,  entendo,  assim  como  já  manifestado  pela  autoridade  julgadora  que  não  se  aplica  os  termos  do  Parecer  MPAS  590,  posto  possuir  a  UCSAL  personalidade jurídica. O próprio parecer deixa clara essa situação:  08  ­  A  Lei  de  Custeio  da  Previdência  Social,  ao  ressalvar  as  isenções  já  concedidas,  preservando  o  direito  adquirido,  faz  menção no § 2º do artigo 55, que a abrangência da isenção não  se  estende  a  empresa  ou  entidade  com  personalidade  Jurídica  própria, que seja ou venha a ser mantida por outra no exercício  da isenção patronal, "in verbis":  Art. 55. ............................................................................................  §  2º  A  isenção  que  trata  este  artigo  não  abrange  empresa  ou  entidade  que,  tendo  personalidade  Jurídica  própria,  seja  mantida por outra que esteja no exercício da isenção.(grifei)  09  ­  O  parágrafo  supra  transcrito  não  deixa  dúvidas  na  sua  exegese,  ou  seja,  a  isenção  só  não  se  estenderá  às  entidades  personalizadas  que  desenvolvam  atividades  por  intermédio  deoutra pessoa Jurídica. Sendo esta atividade ou departamento  despersonalizado,  não  há  que  falar  em  incidência  da  contribuição patronal.  DA CONDIÇÃO DE IMUNE  Conforme  apreciamos  acima,  perante  a  Administração  Tributária,  a  recorrente  não  possuía  direito  à  isenção  no  período  do  presente  lançamento,  ou mesmo  que  considerarmos, como argumentado pelo  recorrente,  tratar­se de  imunidade, está será limitado  ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não  logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme destacado acima.  Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 15          27 No intuito de melhor esclarecer a  recorrente acerca do seu direito a  isenção  (dita pela  empresa  como  imunidade de contribuições),  faça uma análise de  toda  a  legislação  que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica.  Inicialmente  foi  publicada  a  Lei  n.º  3.577,  de  4/7/1959,  que  concedeu  o  benefício fiscal aos  Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins  filantrópicos.  De  acordo  com  essa  Lei,  era  concedida  a  isenção  para  as  Entidades  de  Fins  Filantrópicos  reconhecidas  como  sendo de utilidade pública,  cujos membros de  sua diretoria  não percebessem remuneração.  Posteriormente  foi  publicado  o  Decreto  n.º  1.117,  de  01/06/1962,  que  regulamentou  a  Lei  3.577  e  concedeu  ao  Conselho  Nacional  do  Serviço  Social  –  CNSS  a  competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto  ao  Instituto de Previdência. Consideravam­se filantrópicas as entidades, para  fins de emissão  do certificado, aquelas que:  a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social;  b) cujos  diretores,  sócios  ou  irmãos  não  percebessem  remuneração  e  não  usufruíssem vantagens ou benefícios;  c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito  das suas finalidades.  Em 1977, o Decreto­Lei n.º 1.572, de 01/09/1977,  revogou a Lei n.º 3.577,  não  sendo  possível  a  concessão  de  novas  isenções  a  partir  de  então. Contudo,  permaneciam  com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades:  I.  As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem:  II.  Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal;  III.  Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado;  IV.  As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras:  V.  de declaração de utilidade pública;  VI.  de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS,  mesmo  com  prazo  expirado;  desde  que  comprovassem  ter  requerido  os  títulos  definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977.  Importante  destacar  que mesmo  que  a  entidade  em  questão  se  enquadrasse  em algum dos casos descritos acima, para enquadrar­se como detentora do direito adquirido a  isenção, a emissão de ato cancelatório lhe afastaria tal direito, pois o direito a isenção pode ser  cassado, pelo descumprimento das obrigações inerentes as entidades filantrópicas.  Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em  seu  art.195  §7º,  da  permissão  de  isenção  de  contribuições  para  a  seguridade  social  das  entidades beneficentes de assistência  social  que  atendam aos  requisitos  estabelecidos  em  lei.  Esse dispositivo constitucional  foi  regulado por meio da Lei n  º 8.212 de 24/07/1991. Nesse  sentido,  entendo  que  a  alegação  do  recorrente  de  que  que  o  dispositivo  constitucional  Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     28  determina  o  reconhecimento  da  imunidade  de  contribuições  patronais  não  lhe  confiro  razão.  Considerando  que  a  legislação  previdenciária  descreve  as  exigências  legais  para  a  que  a  empresa considere­se isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a  terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente.  Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art.  55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:  I ­ seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual  ou do Distrito Federal ou municipal;  II ­ seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de  Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço  Social ­ CNSS, renovado a cada 3 (três) anos;  III  ­  promova  a  assistência  social  beneficente,  inclusive  educacional  ou  de  saúde,  a  menores,  idosos,  excepcionais  ou  pessoas carentes;  IV  ­  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título;  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais,  apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade  Social relatório circunstanciado de suas atividades.  § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a  isenção de que  trata  este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social  ­  INSS,  que  terá  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  despachar  o  pedido.  § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou  entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida  por outra que esteja no exercício da isenção.  Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que  já  estavam beneficiadas  com esse direito,  desde  que se  adequassem as novas  situações,  qual  seja:  renovação  do  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos  –  CEFF  a  cada  três  anos,  sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas  como  de  utilidade  pública  estadual,  do Distrito  Federal  ou municipal,  a  serem  apresentadas  quando da renovação do CEFF.  Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para  as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social  – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogando­se a validade dos Certificados  de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992.  A  Lei  n.º  9.429  de  26/12/1996,  reabriu  o  prazo  até  25/06/1997  para  requerimento  da  renovação  do  CEFF  e  de  recadastramento  no  CNAS,  para  as  entidades  possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de  solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios  Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 16          29 e  as  decisões  emitidas  pelo  INSS,  contra  as  entidades  que  não  apresentaram  renovação  do  pedido  de  renovação  do  CEFF  até  31/12/1994;  extinguiu  os  créditos  decorrentes  de  contribuições  sociais  devidas  a  partir  de  25/07/1981,  pelas  entidades  que  cumpriram,  nesse  período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91.  Para a  empresa  em questão, não se aplicou o disposto na Lei n  ° 9.249 em  virtude  de  até  a  publicação  dessa  Lei  a  entidade  não  ter  cumprido  os  requisitos  da  Lei  n  °  8.212/1991.   A  Lei  n°  9.249,  alterou  o  inciso  II  do  art.  55  da  Lei  8.212/91,  exigindo  concomitantemente  o  registro  e  o  atestado  de  entidade  de  fins  filantrópicos,  e  não  mais  a  exigência alternativa, nestas palavras:  Art. 55 (...)  II ­ seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de  Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço  Social,  renovado  a  cada  três  anos;  (Redação  dada pela  Lei  nº  9.429, de 26 de dezembro de 1996)  Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da  Medida  Provisória  n  °  1.523­9  de  27/06/1997,  foi  alterado  o  inciso  V  do  art.  55  da  Lei  8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS  e não mais ao CNAS; prorrogando­se o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de  cada ano, nestas palavras:  Art. 55 (...)  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais,  apresentando  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente,  relatório  circunstanciado  de  suas  atividades.  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações  no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art.  55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar  do STF na ADIn 2.028­5/1999. Aplicando­se portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei  n ° 9.732/1998.  Já em 2001,  foi publicada a Medida Provisória n  ° 2.129­6, de 23/02/2001,  reeditada  até  a  de  nº  2.187­13,  de  24/08/2001,  vigorando  em  função  do  art.  2º  da  Emenda  Constitucional  nº  32,  de  11/09/2001,  que  alterou  o  art.  55  da  Lei  n  °  8.212/1991.  Houve  a  alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente  de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo  a  existência de débito motivo para o  indeferimento ou  cancelamento do  direito  à  isenção de  acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal.  Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras:  § 3º ­ A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade  social,  como  estabelecido  em  lei,  não  poderá  contratar  com  o  Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     30  Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais  ou creditícios.  A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:   I  ­  seja  reconhecida  como  de  utilidade  pública  federal  e  estadual ou do Distrito Federal ou municipal;  II­seja  portadora  do  Registro  e  do  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social,  fornecidos  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social,  renovado  a  cada  três  anos;  (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.187­13, de 24.8.01)   III  ­  promova  a  assistência  social  beneficente,  inclusive  educacional  ou  de  saúde,  a  menores,  idosos,  excepcionais  ou  pessoas carentes;  IV­não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título;  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente,  relatório  circunstanciado  de  suas  atividades.  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  §1º  Ressalvados  os  direitos  adquiridos,  a  isenção  de  que  trata  este  artigo  será  requerida  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar  o pedido.  §2ºA  isenção de que  trata  este artigo não abrange empresa ou  entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida  por outra que esteja no exercício da isenção.  § 3o Para os fins deste artigo, entende­se por assistência social  beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem  dela  necessitar.  (Parágrafo  incluído  pela  Lei  nº  9.732,  de  11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5)  §  4o  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  cancelará  a  isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.  (Parágrafo  incluído  pela  Lei  nº  9.732,  de  11.12.98–  eficácia  suspensa em função da ADIn 2028/5)  §  5o  Considera­se  também  de  assistência  social  beneficente,  para  os  fins  deste  artigo,  a  oferta  e  a  efetiva  prestação  de  serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de  Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei  nº  9.732,  de  11.12.98–  eficácia  suspensa  em  função  da  ADIn  2028/5)  §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais  é  condição  necessária  ao  deferimento  e  à  manutenção  da  isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §  Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 17          31 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida  Provisória nº 2.187­13, de 24.8.01)  Conforme  comprovado  nos  autos,  e  apreciado  pela  autoridade  julgadora  a  recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, muito menos  ter  requerido  a  isenção  junto  ao  INSS,  o  que  constitui  um  dos  pontos  basilares  para  o  reconhecimento da isenção pretendida.  A Constituição  Federal  é  clara  no  art.  195,  §  7º  ao  prever  que  o  benefício  fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da  recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação, Por tratar­se de imunidade.  DA APLICAÇÃO DO ART. 14 DO CTN  Da  mesma  forma,  não  acato  a  tese  de  que  os  dispositivos  legais  aptos  a  delimitar os requisitos necessários seriam os art. 9 e 14 do CTN – abaixo transcrito –, haja vista  a  entidade  entender  que  cumpre  esse  dispositivo  legal.  Nesse  sentido,  ao  contrário  do  argumento recursal, o CTN regula o artigo 150 da CF/88 (restrito à imunidade de impostos), ao  passo que o art. 195, parágrafo 7º da Constituição  (específico para contribuições  sociais) era  regulado pelo art. 55 da Lei 8.212.  Art.  14.  O  disposto  na  alínea  c  do  inciso  IV  do  artigo  9º  é  subordinado  à  observância  dos  seguintes  requisitos  pelas  entidades nele referidas:  I  – não distribuírem qualquer parcela de  seu patrimônio ou de  suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104,  de 10.1.2001)  II  ­  aplicarem  integralmente,  no  País,  os  seus  recursos  na  manutenção dos seus objetivos institucionais;  III ­ manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros  revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.  § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º  do  artigo  9º,  a  autoridade  competente  pode  suspender  a  aplicação do benefício.  § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo  9º  são  exclusivamente,  os  diretamente  relacionados  com  os  objetivos  institucionais  das  entidades  de  que  trata  este  artigo,  previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.  (...)  Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos  Municípios:  I  ­  instituir  ou  majorar  tributos  sem  que  a  lei  o  estabeleça,  ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e  65;  Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     32  II ­ cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei  posterior  à  data  inicial  do  exercício  financeiro  a  que  corresponda;  III ­ estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de  pessoas ou mercadorias, por meio de tributos  interestaduais ou  intermunicipais;  IV ­ cobrar imposto sobre:  a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros;  b) templos de qualquer culto;  c)  o  patrimônio,  a  renda  ou  serviços  dos  partidos  políticos,  inclusive  suas  fundações,  das  entidades  sindicais  dos  trabalhadores,  das  instituições  de  educação  e  de  assistência  social,  sem  fins  lucrativos,  observados  os  requisitos  fixados  na  Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar  nº 104, de 10.1.2001)  d)  papel  destinado  exclusivamente  à  impressão  de  jornais,  periódicos e livros.  Evidenciado,  então,  que  a  imunidade  do  art.  150,  VI,  “a”  do  texto  constitucional refere­se apenas a impostos, não se aplicando às contribuições sociais. Destarte,  cumprir ou não o  art. 14 e o 9 do CTN são  irrelevantes, visto o  lançamento não se  referir  a  impostos.   A própria Constituição Federal  em seu  art.  150, § 7º  reconhece  a distinção  entre as espécies tributárias impostos e contribuições, nestas palavras:  Art. 150 (...)  §  7º  A  lei  poderá  atribuir  a  sujeito  passivo  de  obrigação  tributária  a  condição  de  responsável  pelo  pagamento  de  impostos  ou  contribuição,  cujo  fato  gerador  deva  ocorrer  posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição  da  quantia  paga,  caso  não  se  realize  o  fato  gerador  presumido.(grifei)  Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em  seu  art.195  §7º,  da  permissão  de  isenção  de  contribuições  para  a  seguridade  social  das  entidades beneficentes de assistência  social  que  atendam aos  requisitos  estabelecidos  em  lei.  Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991.  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   §  7º  ­  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências estabelecidas em lei.  Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 18          33 Para  fazer  jus  a  imunidade  (conforme  afirma  o  recorrente)  prevista  pelo  parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no  art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:  ­ seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual  ou do Distrito Federal ou municipal;  11 ­ seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de  Fins  Filantrópicos,  fornecido  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, renovado a cada três anos;  Ill  ­  promova  a  assistência  social  beneficente,  inclusive  educacional  ou  de  saúde,  a  menores,  idosos,  excepcionais  ou  pessoas carentes;  IV­  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou beneficios a qualquer titulo;  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente,  relatório circunstanciado de suas atividades.  §I 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a  isenção de que  trata  este  artigo  será  requerida  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar  o pedido.  Assim, não acato os argumentos do recorrente de que apenas por meio de lei  complementar, poder­se­ia estabelecer os limites para o direito a  isenção do art. 195, § 7º da  CF/88,  justamente por  tratar­se de  imunidade.. Estando vigente o  art. 55 da  lei 8212/91, que  determina o alcance do art. 195, § 7º para as contribuições previdenciárias cumpri ao auditor  fiscal aplica­lo ao caso concreto.  Também  entendo  despicienda  a  análise  dos  efeitos  da  lei  8742/93,  argumentado pelo recorrente, uma vez que não foi esse o cerne da questão para que e entidade  não pudesse usufruir o direito a isenção de contribuições. Da mesma forma a entrega por sua  mantenedora dos relatórios de atividades junto ao Ministério da Justiça, pode ser relevante para  cumprir  exigências  junto  aquele  órgão,  mas  de  forma,  alguma  supriria  o  necessário  cumprimento dos requisitos do art. 55 da lei 8212/91, j[a exaustivamente apreciado.  POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS  No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais, frise­se que  incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorrente. Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991,  principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção.  Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     34  Como dito,  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa  a  recusa  ao  cumprimento  de  norma  supostamente  inconstitucional,  razão  pela  qual  deve  o  auditor,  no  exercício  de  atividade  vinculada,  cumprir  e  aplicar  todos  os  dispositivos  da  legislação  previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional.  Ademais,  não  compete  ao  auditor  fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de  débito  de  forma  vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da matéria,  deve o  agente público,  como executor da  lei,  respeitá­la. Nesse  sentido,  entendo  pertinente  transcrever  trecho  do  Parecer/CJ  n  °  771,  aprovado  pelo Ministro  da  Previdência  Social em 28/1/1997, que enfoca a questão:  Cumpre  ressaltar  que  o  guardião  da Constituição  Federal  é  o  Supremo  Tribunal  Federal,  cabendo  a  ele  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ordinária.  Ora,  essa  assertiva  não  quer  dizer  que  a  administração  não  tem  o  dever  de  propor  ou  aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de  uma lei sentir que ela é  inconstitucional o Pretório Excelso é o  órgão  competente  para  tal  declaração.  Já  o  administrador  ou  servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o  seu  destinatário  entende  ser  inconstitucional,  quando  não  há  manifestação definitiva do STF a respeito.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.   No mesmo  sentido  posiciona­se  este  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA N. 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  QUANTO  AO  RECONHECIMENTO  PERANTE  O  MINISTÉRIO  DA  JUSTIÇA  Quanto  ao  argumento  que  perante  o  MJ  a  entidade  apresenta­se  regular,  entendo que dito fato também não serviria como fato capaz de alterar o julgamento., tendo em  Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 19          35 vista  a  competência  distinta  de  cada  órgãos  no  que  pertine  aos  requisitos  legais  para  dita  isenção (imunidade argumentada pela recorrente).  É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento  da  isenção. O CNAS possui  a competência para expedição do Certificado e do Registro, um  dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o  direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000:  EMENTA:  CONFLITO  DE  COMPETÊNCIA  ENTRE  INSS  E  CNAS.  ENTIDADES  BENEFICENTES  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL.  CERTIFICADO  DE  ENTIDADE  DE  FINS  FILANTRÓPICOS  E  PEDIDO  DE  ISENÇÃO.  Ao  CNAS  compete,  com  exclusividade,  verificar  se  a  entidade  cumpre  os  requisitos  do  Decreto  nº  2.536,  de  6  de  abril  de  1998,  para  obtenção  ou  manutenção  do  certificado  de  entidade  de  fins  filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os  requisitos  do  art.  55  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  para obter a isenção das contribuições.  Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do  Brasil)  segue  ementa  do  Parecer  CJ/MPS  n  °  3.093/2003,  aprovado  pelo  Ministro  da  Previdência Social:  EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA  NO  ART.  195,  §  7º,  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL  E  REGULAMENTADA  PELO ART.  55 DA  LEI Nº  8.212, DE  24  DE  JULHO  DE  1991.  ÓRGÃO  COMPETENTE  PARA  A  CONCESSÃO  E  PARA  O  CANCELAMENTO  DA  ISENÇÃO.  INSTITUTO NACIONAL DO  SEGURO  SOCIAL  ­  INSS.  1.  Ao  INSS  compete  julgar  os  pedidos  de  concessão  de  isenção  das  contribuições  para  a  seguridade  social,  prevista  no  art.  195,  §  7º,  da  Constituição,  e  regulamentada  pelo  art.  55  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a  qualquer  momento,  a  isenção  das  entidades  que  não  estejam  cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91,  ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS  para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições  para  a  seguridade  social,  com  fundamento  nos  requisitos  previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação  deste diploma legal no Diário Oficial da União.   Dessa forma, a decisão proferida encontram­se em perfeita consonância com  com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrar­ se previsto na constituição, tratar­se­ia de imunidade, fato é que não cumpriu os limites legais  para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir  um dos preceitos do art. 55 da lei 8212/91.  Nesse  sentido,  importante visualizar a competência distinta de cada um dos  órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como  isenta, para que ao  fim  se  determine  a  legitimidade  ou  não  do  não  recolhimento  da  parcela  patronal  de  contribuições previdenciárias.  Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     36  Por  sua  vez,  a  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  possui as seguintes titulações:  a)  Utilidade  Pública  Federal  ­  Decreto  97.267,  de  16.12.88  (processo 19.596/87 — requerido em 10.07.87);  b)  Utilidade  Pública  Estadual  —  Lei  2.912/71,  vencido  em  21.06.94, data da entrada em vigor da Lei Estadual n° 6.670,  de 21.07.94, que estabelece, em seu art. 2°,  requisitos para  reconhecimento  e  revalidação  de  utilidade  pública  1  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado.  Diz  o  art.:  "A  revalidação  do  reconhecimento  será  concedida  por  ato  da  Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, solicitada através  de  requerimento  assinado  pelo  presidente  ou  responsável  pela  entidade,  após  completar  10  (dez)  anos  de  reconhecimento, até 12 (doze) meses subsequentes, sob pena  de perder a condição de utilidade pública". Não comprovou  revalidação;  c)  Utilidade  Pública  Municipal  —  Não  possui  ou  não  nos  apresentou, apesar de intimada a apresentar;  •  II  d)  Registro  no CNAS — Processo  214.777/78­90,  deferido  em sessão do dia 15.01.79 e recadastrada através da Resolução  127,  de  04.09.98,  publicada  no  DOU  em  09.09.98,  Seção  I,  julgando o processo 28976.000148/95­16;  e)  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social  (CEBAS) ­ Processo 214.777/78, deferido em 16.02.93 (Cita que  é extensivo UNICSAL); renovado através da Resolução 127, de  04.09.98, publicada no L DOU em 09.09.98, Seção I, julgando o  processo  28976.000148/95­16,  com  validade  de  01.01.95  a  31.12.97;  renovado  através  da  Resolução  85,  de  09.05.00,  publicada  no DOU  em  11.05.00,  Seção  I,  julgando  o  processo  44006.002624/99­81, com validade de 01.01.98 a 31.12.00.  A  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia,  não  possuía,  antes  da  vigência  do Decreto­lei  1.572/77,  e  nem  requereu  no  prazo  por  ele  determinado,  de  90  (noventa)  dias,  o  Título  de  Utilidade Pública Federal e o então Certificado de Entidade de  Fins Filantrópicos. Com o advento da Lei 8.212, de 1991, nem  Associação, nem a UCSAL  tiveram qualquer pedido de  isenção  deferido.  Pelo  menos  desde  1973,  quando  entrou  em  vigor  o  Decreto  72.771,  de  06.09.73,  •  que  regulamentou  a  Lei  3.577/59,  uma  entidade  que  não  possuísse  o  Titulo  de  Utilidade  Pública  Federal e o antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos  não poderia gozar de isenção no INSS. É o que diz seu art. 275:  `Art. 275. A entidade de fins filantrópicos, para gozar da isenção  prevista  na  Lei  n°3.577,  de  4  de  julho  de  1959,  deverá  apresentar ao INPS o certificado em que sela como tal declarada  pelo  Conselho  Nacional  de  Serviço  Social  do  Ministério  da  Educação e Cultura.  §  /°  A  isenção  será  efetivada  a  contar  do  mês  em  que  a  interessada formalizar ao INPS sua pretensão acompanhada dos  elementos pelos quais  faça prova de que preenche os requisitos  Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 20          37 indicados  no  parágrafo  seguinte,  e  será  suspensa  a  qualquer  tempo, quando for apurado que deixou de satisfazer a qualquer  daqueles  requisitos,  notificado o Conselho Nacional de Serviço  Social.  §  2°  O  INPS  verificará,  periodicamente,  para  efeito  de  continuidade  da  isenção,  se  a  entidade  conserva  a  qualidade  referida neste artigo, cujos requisitos são:  1 ­ possuir titulo alusivo ao reconhecimento pelo Governo Feder  como de utilidade pública.  II  ­  destinar  a  totalidade  das  rendas  apuradas  ao  atendimento  gratuito, de suas finalidades;  III  ­ demonstrar que não percebem remuneração, vantagens ou  benefícios  seus  diretores,  sócios  ou  irmãos  no  desempenho das  funções que lhes são estatutariamente atribuídas". (grifamos).  "DECRETO­LEI  AP  1.572  ­  DE  1  DE  SETEMBRO  DE  1977­  DOU DE 1/09117 Revoga a Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, e  dá outras providências.  • O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que  lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, decreta:  Art. 1° Fica revogada a Lei n°3.577, de 4 de julho de 1959, que  isenta  da  contribuição  de  previdência  devida  aos  Institutos  e  Caixas  de  Aposentadoria  e  Pensões  unificados  no  Instituto  nacional  de  Previdência  Social  ­  IAPAS,  as  entidades  de  fins  filantrópicos  reconhecidas  de  utilidade  pública,  cujos  diretores  não percebam remuneração.  1°  A  revogação  a  que  se  refere  este  artigo  não  prejudicará  a  Instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública  pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto­ Lei,  seja  portadora  de  certificado  de  entidade  de  fins  filantrópicos  com  validade  por  prazo  indeterminado  e  esteia  isenta daquela contribuição.  §  2°  A  instituição  portadora  de  certificado  provisório  de  entidade  de  fins  filantrópicos  que  esteja  no  gozo  de  isenção  referida no "caput" deste artigo e  tenha  requerido ou venha a  requerer  dentro  de  90  (noventa)dias  a  contar  do  inicio  da  vigência  deste  Decreto­Lei  o  seu  reconhecimento  como  •  de  utilidade  pública  federal  continuará  gozando  de  aludida  isenção  até  que  o  Poder  Executivo  delibere  sobre  aquele  requerimento.  § 3° O disposto no parágrafo anterior aplica­se às  instituições  cujo  certificado  provisório  de  entidade  de  fins  filantrópicos  esteja  expirado.  desde  que  tenham  requerido  ou  venham  a  requerer,  no  mesmo  prazo,  o  seu  reconhecimento  como  de  utilidade pública federal e a renovação daquele certificado.  §  4°  A  instituição  que  tiver  o  seu  reconhecimento  como  de  utilidade,  pública  federal  indeferido,  ou  que  não  o  tenha  Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     38  requerido  no  prazo  previsto  no  parágrafo  anterior  deverá  proceder  ao  recolhimento  das  contribuições  previdenciarias  a  partir  do  mês  seguinte  ao  do  término  desse  prazo  ou  ao  da  publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento.  Art.  2°  O  cancelamento  da  declaração  de  utilidade  pública  federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos  acarretará  a  revogação  automática  da  isenção,  ficando  a  instituição  obrigada  ao  recolhimento  da  contribuição  providenciaria a partir do mês seguinte ao dessa revogação.  Art.  3°  Este  Decreto­lei  entrará  em  vigor  na  data  de  sua  publicação.  Art. 4° Revogam­se as disposições em contrario".(grifamos).  A  conclusão  a  que  chegamos  é  que  Universidade  Católica  do  Salvador  e  Associação  Universitária  e  Cultural  da  Bahia  são  pessoas jurídicas distintas, e nenhuma delas tem direito de gozar  do beneficio da isenção das contribuições providenciadas.  Da apreciação dos dispositivos legais trazidos pelo auditor em seu relatório (e  acima  transcrito),  entendo  (ao  contrário  do  que  interpretou  o  recorrente),  que  o  título  de  utilidade  requerido  era  o  de  “Utilidade  pública  Federal”,  e  não  o  estadual,  como  pretendeu  interprestar  o  recorrente..  Face  o  exposto,  neste  ponto,  também  não  encontro  argumentos  capazes de garantir o direito a isenção a Associação Universitária e Cultural da Bahia (caso, é  claro, se acolhesse a condição de ente despersonalizado a UCSAL, o que não se aplica).   Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais,  mas dentre elas, encontrava­se expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB),  quanto  ao  necessário  “pedido”  e manifestação  daquele  órgão  quanto  a  efetiva  concessão  do  benefício.  Assim,  não  haver­se­ia  de  confundir  a  obtenção  de  documentos  (diga­se  também  previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado  perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frise­se que a competência da Secretaria da  Receita  Federal  do Brasil  restringia­se  à  concessão, manutenção  e  cancelamento  da  isenção,  verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos.   Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao  constatar  que  a  entidade,  quando  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  deixava  de  cumprir  quaisquer dos  requisitos  legais,  para usufruir  da  isenção  (ou mesmo  imunidade descrita pelo  recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as  disposições  contidas  no  art.  55  da  Lei  8.212,  de  1991,  são  legítimas,  e,  por  conseguinte,  a  isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, conclui­se que, para usufruto desse  beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos  de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios  de suas receitas e despesas.  Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no  art. 55, qualificassem o contribuinte a  solicitar a  isenção,  a mesma não se dava de  forma  automática,  considerando  que  da  leitura  do  §  1°,  artigo  55  da  Lei  n°  8.212,  de  1991  para  regular  concessão  seria  necessário  que  a  entidade  procedesse  ao  requerimento  junto  à  Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar  o pedido.  Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 21          39   INCIDÊNCIA QUANTO A VERBA BOLSA DE ESTUDOS  Alega o recorrente que não podem incidir contribuições previdenciárias sobre  as  bolsas  de  estudos  concedidas  gratuitamente  aos  seus  empregados,  seja  porque  s  trata  de,  atividade  assistencial  (artigo  203,  da Constituição  Federal)  e  portanto  é  imune,  à  tributação,  seja  porque  é  obrigação  decorrente  de  cláusula  coletiva  de  trabalho  e  enquadra­se  perfeitamente na hipótese de não  incidência prevista no artigo 28, parágrafo 9°, alínea "t" da  Lei n.° 8.212/91.  Convém  inicialmente  identificar  os  fatos  geradores  relacionados  a  referida  rubrica.  4.1.2  No  período  de  02/1999  a  12/2001  foram  apurados  benefícios  concedidos  aos  segurados  empregados  e  seus  dependentes à título de "Bolsa de Estudos ­ Servidores" e "Bolsa'  de  Estudos  ­  Professores" —  registrados  nas  contas  contábeis  dedutoras  da  receita  e  codificadas  como  312.001.002  e  312.001.003,  respectivamente —  uma  vez  que  a  utilidade  4.1.2  No  período  de  02/1999  a  12/2001  foram  apurados  benefícios  concedidos  aos  segurados  empregados  e  seus  dependentes  à  título de "Bolsa de Estudos ­ Servidores" e "Bolsa' de Estudos ­  Professores" —  registrados  nas  contas  contábeis  dedutoras  da  receita  e  codificadas  como  312.001.002  e  312.001.003,  respectivamente — uma vez que a utilidade fornecida tem origem  no contrato de trabalho e surge em decorrência da prestação de  serviços,  representando  um  acréscimo  no  patrimônio  do  trabalhador,  tendo  sido  tais  valores  considerados  salário  de  contribuição  para  efeito  de  incidência  de  contribuição  previdenciária, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212, de  1991,  combinado  com  o  art.  214,  inciso,  I  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  3.048,  de  06.05.99.  Já  entendeu  o  TST  que  "toda  a  vantagem  atribuída  ao  empregado,  sem  a  qual  teria  que  desembolsar  numerário  para  dela  usufruir,  possui  natureza  de  contraprestação  e,  portanto,  situada no campo das parcelas salariais, ante a onerosidade do  contrato  de  trabalho"  (RR  —  4.273/89.5  —DJU  08111/1991).  Exceção  deve  ser  feita  somente  às  parcelas  e  condições  mencionados na legislação específica". Apesar de intimada para  tal,  a  empresa  não  apresentou  à  fiscalização,  contrato,  convenção,  acordo  coletivo  ou  qualquer  outro  documento  que  evidenciasse os, critérios pertinentes ao referido beneficio, tendo  sido lançados os valores registrados na, contabilidade.  Alega o recorrente:  Ora,  as  "bolsas  de  estudos"  em  questão,  se  enquadram  perfeitamente na exceção acima transcrita. De fato, tal beneficio  foi  concedido  nos  moldes  de  CONVENÇÕES  COLETIVAS  DE  TRABALHO,  nas  quais  convencionou­se  disponibilizar  gratuitamente  em  favor  de  todos  empregados  e'  dirigentes  da  Recorrente,  bem  como  aos  respectivos  dependentes  o  estudo  básico,  j  bem  como  cursos  de  capacitação  profissional,  nos  Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     40  exatos  moldes  do  artigo  28,,  parágrala  90,  alínea  "t"  da  Lei  n°8.212/91.  BOLSA AOS ESTUDO AOS DEPENDENTES E EMPREGADOS  Quanto  a  concessão de bolsa de  estudos  aos  empregados,  bem como  filhos  destes, não constituírem salário de contribuição razão não confiro ao recorrente.  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias,  seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da  Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo:  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao  mesmo;  (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  No  caso  quanto  a  verba  BOLSA  DE  ESTUDOS  nos  termos  em  que  foi  concedida  não  constituir  salário  de  contribuição,  entendo  que,  não  restaram  cumpridos  os  requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição.  Conforme  descrito  no  relatório  fiscal,  as  bolsas  são  previstas  em  acordos  coletivos  e  concedidas  aos  empregados,  professores  e  filhos  destes,  contudo  mesmo  individualizando os beneficiários,  a empresa não especificou a  condição de cada bolsista, ou  seja,  se  professor,  aluno  ou  filho  de  funcionário  ou  quais  os  critérios  para  sua  concessão  (ressalte­se que no  relatório  fiscal destacou o auditor, que apesar de  intimada a empresa não  apresentou os documentos.) Assim, .entendeu o auditor por considerar salário de contribuição  posto o descumprimento de não tratar­se de educação básica, nem ter demonstrado que se trata  Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 22          41 de  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissional  relacionados  com  as  atividades  desenvolvidas.  De pronto destaco, que no meu entender até a edição da   Lei nº 12.513, de  2011), que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91.que fez expressa referência aos dependentes  do  segurado,  não  se  aplicava  qualquer  exclusão  da  base  de  cálculo  aos  dependentes  dos  empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do  tipo de curso ofertado.  BOLSAS CURSO SUPERIOR   Devo  esclarecer  que  apesar  das  alegações  quanto  ao  curso  superior  relacionar­se a capacitação não identifiquei no recurso, qualquer documento que estabelecesse  uma correlação entre o benefício e o trabalho realizado.  Pelo  contrário,  analisando  os  documentos  anexos  a  impugnação,  mais  precisamente  doc.  35,  fl.731,  não  se  identifica  qualquer  critério  relacionado  ao  exercício  profissional,  o  que  afasta  o  argumento  do  recorrente  da  correspondente  vinculação  com  a  atividade exercida na UCSAL. Vejamos:  VANTAGENS FUNCIONAIS  12.1  A  universidade,  obedecida  regulamentação  específica,  concederá aos seus servidores (docentes e administrativos) e aos  seus dependentes  legais  (assim considerados pela legislação do  imposto de Renda) bolsa de estudo. integral para os seus cursos  regulares,  sempre  que  se  tratar  da  primeira  graduação  universitária a que se propõe obter o beneficiado.  12.2–  No  caso  dos  cursos  de  extensão  e  pós­graduação,  o  beneficio  previsto  no  item  anterior  será  de  50%  do  valor  da  mensalidade cobrada.  123– Deixarão de ser contemplados com o benefício previsto no  item 12.1 os servidores ou seus de­ dependentes que:  1– forem reprovados no semestre em 02 disciplinas;  II – trancarem, no máximo, 02 disciplinas durante o curso •  12.4 – Deixará de ser contemplado com o beneficio previsto no  item 12.20 beneficiário que não lograr a aprovação ou deixar de  concluir um dos cursos de extensão e pós­graduação em que se  matricular.   12.5 – Após cada 5 anos de efetivo exercício, o servidor docente  fará  jus  a  uma  gratificação  adicionar:'  por  tempo  de  serviço,  correspondente a 5% do respectivo salário, até 6 qüinqüênios.  12.6  –  O  servidor  administrativo  gozará  do  mesmo  direito  previsto no item 12.5, até o limite de 7 quinquênios  Entendo  que  o  posicionamento  do  auditor  ao  considerar  os  valores  como  salário indireto encontra­se acertada. Compete a empresa ao realizar a concessão de benefícios,  demonstrar o cumprimento da legislação para afastar a incidência de contribuição. No caso, ao  Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     42  conceder  aos  dependentes  dos  empregados,  nem  fazer  prova  de  tratar  de  programa  de  qualificação, demonstrando a  ligação do curso  com a atividade desenvolvida,  não  cumpriu  a  empresa as exigências  legais. Não basta simplesmente alegar, deveria a  recorrente apresentar  os documentos durante a impugnação, o que não o fez.  Entendo  que  o  fato  de  assegurar  benefícios  de  cursos  de  qualificação  profissional, estabelecendo como critério a vinculação à área de atuação no órgão estaria dentre  as  possibilidades  legais  de  exclusão  da  base  de  cálculo, mas  não  é  este  o  caso  objeto  deste  lançamento,  conforme  observamos  acima.  Senão  vejamos  o  que  dispõe  a  lei:  “  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica,  nos  termos  do  art.  21  da  Lei  nº  9.394,  de  20  de  dezembro  de  1996,  e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao  mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)”  Concordo  com  a  autoridade  fiscal  quanto  a  incluir  como  salário  de  contribuição,  os  benefícios  provenientes  do  cursos  de  nível  superior  simplesmente,  por  não  consistirem  em  educação  básica,  nem  cursos  de  qualificação  profissional  quando  não  demonstrada a correlação ou critérios de concessão.  BOLSAS – CARÁTER ASSISTENCIALISTA  Quanto a este ponto argumentou o recorrente: “note­se mais, que as aludidas  bolsas  de  estudo  compõem  o  percentual  de  qratuidade  de  que  trata  o  artigo  2°,  inciso  IV,  Decreto  n°  •  752/93,  com  a  redação  atual  dada  pelo  artigo  3°,  inciso  VI,  do  Decreto  n°  2.536/98, o que afasta, de forma absoluta a tentativa da fiscalização de atribuir­lhes caráter  remuneratório.  Somente  se  poderia  cogitar  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  tal  beneficio,  acaso  fossem  concedidas  as  mencionadas  bolsas  em  caráter  remuneratório, nunca reitere­se, em caráter não oneroso e sobretudo assistencial, com o é no  presente caso.”  Da  mesma  forma,  que  em  relação  aos  outros  pontos  trazidos  no  recurso,  afasto  o  argumento  de  que  as  bolsas  são  prestadas  na  forma  assistencialista,  ou  seja,  em  cumprimento  aos  objetivos  institucionais  da  instituição.  Ao  direcionar  o  benefício  aos  empregados  e  dependentes  destes,  a  empresa  está  simplesmente  concedendo  um  benefício  indireto  a  eles  e  não  a  toda  a  comunidade.  Podemos  imaginar  da  seguinte  forma:  Será  que  houve um processo seletivo, aberto a toda a comunidade e aos funcionários (em igualdade de  condições),  para  definição  de  quem  seria  beneficiado  pela  bolsa?  Acredito  que  não.  (considerando  as  alegações  e  documentos  constantes  dos  autos). Dessa  forma,  as  bolsas  aos  empregados e dependentes destes foram ofertadas em função do vínculo de emprego (ou seja, o  nascimento do benefício, deu­se pela existência do vínculo laboral), razão porque não merece  prosperar, também esse argumento do recorrente.  LEGISLAÇÃO  QUE  DEFINE  OS  NÍVEIS  E  MODALIDADES  DE  EDUCAÇÃO  Ainda  para  reforçar o  entendimento  quanto  a  concessão  de bolsas  de  curso  superior (por si só) não estar na exclusão do art. 28, § 9º, pertinente avaliarmos os termos da lei  nº 9.394, de 20/12/1996 (expressamente descrita no art. 28, “t”):  TÍTULO V  Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino  CAPÍTULO I  Da Composição dos Níveis Escolares  Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 23          43  Art. 21. A educação escolar compõe­se de:   I  ­  educação  básica,  formada  pela  educação  infantil,  ensino  fundamental e ensino médio;   II ­ educação superior.  CAPÍTULO II  DA EDUCAÇÃO BÁSICA  Seção I  Das Disposições Gerais   Art.  22.  A  educação  básica  tem  por  finalidades  desenvolver  o  educando, assegurar­lhe a  formação comum  indispensável para o  exercício  da  cidadania  e  fornecer­lhe  meios  para  progredir  no  trabalho e em estudos posteriores.   Art. 23. A educação básica poderá organizar­se em séries anuais,  períodos  semestrais,  ciclos,  alternância  regular  de  períodos  de  estudos, grupos não­seriados, com base na idade, na competência e  em outros critérios, ou por  forma diversa de organização, sempre  que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.  CAPÍTULO IV  DA EDUCAÇÃO SUPERIOR   Art. 43. A educação superior tem por finalidade:   I  ­  estimular  a  criação  cultural  e  o  desenvolvimento  do  espírito  científico e do pensamento reflexivo;   II  ­  formar  diplomados  nas  diferentes  áreas  de  conhecimento,  aptos  para  a  inserção  em  setores  profissionais  e  para  a  participação  no  desenvolvimento  da  sociedade  brasileira,  e  colaborar na sua formação contínua;   III  ­  incentivar  o  trabalho  de  pesquisa  e  investigação  científica,  visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação  e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do  homem e do meio em que vive;   IV ­ promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos  e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar  o saber através do ensino, de publicações ou de outras  formas de  comunicação;   V  ­  suscitar  o  desejo  permanente  de  aperfeiçoamento  cultural  e  profissional  e  possibilitar  a  correspondente  concretização,  integrando  os  conhecimentos  que  vão  sendo  adquiridos  numa  estrutura  intelectual  sistematizadora  do  conhecimento  de  cada  geração;   VI ­ estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente,  em  particular  os  nacionais  e  regionais,  prestar  serviços  especializados à  comunidade  e  estabelecer  com  esta uma  relação  de reciprocidade;   VII  ­  promover  a  extensão,  aberta  à  participação  da  população,  visando  à  difusão  das  conquistas  e  benefícios  resultantes  da  criação cultural e da pesquisa científica e  tecnológica geradas na  instituição.   Art.  44.  A  educação  superior  abrangerá  os  seguintes  cursos  e  programas: (Regulamento)   I ­ cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de  abrangência,  abertos  a  candidatos  que  atendam  aos  requisitos  estabelecidos pelas instituições de ensino;   I ­ cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de  abrangência,  abertos  a  candidatos  que  atendam  aos  requisitos  Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     44  estabelecidos  pelas  instituições  de  ensino,  desde  que  tenham  concluído o ensino médio ou equivalente; (Redação dada pela Lei  nº 11.632, de 2007).   II ­ de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o  ensino  médio  ou  equivalente  e  tenham  sido  classificados  em  processo seletivo;   III ­ de pós­graduação, compreendendo programas de mestrado e  doutorado,  cursos  de  especialização,  aperfeiçoamento  e  outros,  abertos  a  candidatos  diplomados  em  cursos  de  graduação  e  que  atendam às exigências das instituições de ensino;   IV ­ de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos  estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino.   Parágrafo  único.  Os  resultados  do  processo  seletivo  referido  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo  serão  tornados  públicos  pelas  instituições de ensino superior, sendo obrigatória a divulgação da  relação  nominal  dos  classificados,  a  respectiva  ordem  de  classificação,  bem  como  do  cronograma  das  chamadas  para  matrícula,  de  acordo  com  os  critérios  para  preenchimento  das  vagas constantes do respectivo edital. (Incluído pela Lei nº 11.331,  de 2006)  Ou seja, pela análise do diploma legal, fica evidente que não quis o legislador  excluir  da  base  de  cálculo  simplesmente  a  educação  superior,  pois  se  o  quisesse,  bastaria  descrevê­lo na lei como o fez com a educação básica. Entendo que para que haja a exclusão o  curso de nível superior  terá que estar cumprindo a função de capacitação profissional. Assim  sendo, correto o lançamento efetuado.   O  que  não  integra  o  salário  de  contribuição  é  o  valor  relativo  ao  plano  educacional  destinada  ao  próprio  empregado. Neste  caso,  o  legislador buscou  uma  forma de  estimular as empresas a fornecer educação de qualidade a seus empregados.  É  certo  que  ao  fornecer  educação  básica  aos  filhos  de  seus  empregados  a  empresa  está  colaborando  com  o  desenvolvimento  do  país,  com  a  satisfação  de  seus  empregados  que  conseguem oferecer  aos  seus  filhos  um  ensino  de  qualidade.  Porém  não  se  pode  desconsiderar  que  esse  fornecimento  representa  um  ganho  considerável  para  o  trabalhador, caracterizando­se como um salário indireto, à medida que o empregado teria que  arcar com o custo da educação de seus filhos em uma outra unidade escolar.   O art. 458 da CLT, § 2º descreve as verbas  fornecidas aos empregados que  não  possuem  natureza  salarial  na  esfera  trabalhista,  porém  não  podemos  entender  que  essas  verbas  quando  estendidas  aos  dependentes  dos  empregados  também  estarão  excluídas  da  remuneração (como expressamente descrito após a edição da lei em 20110. Se assim o fosse,  acabaria  por  estimular  os  empregadores  e  retribuir  os  empregados,  por  meio  de  seus  dependentes com diversas outras utilidades, sem que isso refletisse em seus direitos trabalhistas  tais como: férias, 13º salário etc. Senão vejamos:  Art.  458.  Além  do  pagamento  em  dinheiro,  compreende­se  no  salário,  para  todos  os  efeitos  legais,  a  alimentação,  habitação,  vestuário  ou  outras  prestações  in  natura  que  a  empresa,  por  força  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado.  Em  caso  algum  será  permitido  o  pagamento  com  bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.   (Súmula nº 258 do TST.)  Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 24          45 § 1º Os  valores atribuídos às prestações  in natura deverão  ser  justos  e  razoáveis, não podendo exceder,  em cada caso, os dos  percentuais  das  parcelas  componentes  do  salário  mínimo  (artigos 81 e 82).  §  2º  Para  os  efeitos  previstos  neste  artigo,  não  serão  consideradas  como  salário  as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo empregador:  I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos  empregados e utilizados no  local de trabalho, para a prestação  do serviço;  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores  relativos  a  matrícula,  mensalidade, anuidade, livros e material didático;  III  –  transporte  destinado  ao  deslocamento  para  o  trabalho  e  retorno, em percurso servido ou não por transporte público;  IV  –  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  prestada  diretamente ou mediante seguro­saúde;  V – seguros de vida e de acidentes pessoais;  VI – previdência privada;  VII – VETADO.  Como  dito  anteriormente,  é  certo  que  o  legislador  busca  o  bem  estar  do  trabalhador,  estimulando  o  empregador  fornecer  benefícios  aos  empregados,  sem  que  isso  onere em demasia o seu empreendimento. Contudo, existe uma grande preocupação para que  os empregadores não se utilizem dessas possibilidades para firmar entendimento de que tudo  que forneçam na forma de utilidades estaria desvinculado.   Doutrinariamente,  convém  reproduzir  a  posição  da  ilustre  professora  Alice  Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não­salariais:  As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às  necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não  as  recebesse,  ele  deveria  despender  parte  de  seu  salário  para  adquiri­las. As utilidades salariais não se confundem com as que  são  fornecidas  para  a  melhor  execução  do  trabalho.  Estas  equiparam­se  a  instrumentos  de  trabalho  e,  consequentemente,  não têm feição salarial."  As bolsas de estudo concedidas aos filhos de empregados em nada melhoram  a  execução  do  trabalho,  não  representando  contraprestação  laboral,  mas  apenas  ganhos  auferidos pelos empregados.  O  fato  de  a  verba  possuir  previsão  em Acordo  ou  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  não  afasta  a  incidência de  contribuição  previdenciária. Como  se verifica  na  última  parte  do  inciso  I,  art.  28  da  Lei  n  °  8.212/1991,  as  convenções  ou  acordos  coletivos  de  trabalhos  ou  até  mesmo  as  sentenças  normativas  podem  prever  a  inclusão  de  parcelas  no  conceito do salário­de­contribuição. Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo  Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     46  que  se  pode  desnaturar  a  natureza  da  verba,  para  fins  de  incidência  de  contribuições  previdenciárias. Mesmo porque, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam  alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo  com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares  não possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art.  123 do CTN.  A  interpretação  para  exclusão  de  parcelas  da  base  de  cálculo  é  literal.  A  isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo,  interpreta­se  literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em  seu artigo 111, I, nestas palavras:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador  da  lei  estender  a  interpretação,  sob  pena  de  violar­se  os  princípios  da  reserva  legal  e  da  isonomia.   DOS DEMAIS LEVANTAMENTOS  Cumpre­nos por fim observar em relação aos fatos geradores apurados, que a  não  impugnação  expressa  dos  fatos  geradores  importa  renúncia  e  consequente  concordância  com os termos da decisão de primeira instância. Uma vez que houve concordância, lide não se  instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão­em relação aos seguintes levantamento:  Em relação aos empregados  · FP  ­  Remuneração  não  declarada  em  GFIP  dos  estabelecimentos  001,  002,  005,  !  007  e  folha  complementar; •   · FG4  ­  Remuneração  não  declarada  em  GFIP  dos  estabelecimentos 003, 004 e 008;  · •  FCG  1  ­  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  apurada  através  dos  registros  licontábeis,  sem  a  "Interface com o sistema de folha de pagamento".  Em relação aos contribuinte individuais  · ADG  1  Honorários  advocatícios  pagos  a  pessoas  físicas,  lançados  na  conta  323.002.020  ­  Remuneração  Pessoa  Jurídica;  · • FVG ­ valores pagos a título de remuneração por serviços  prestados  de  fiscalização  do  vestibular,  lançados  na  conta 331.002.001;  · •  HCG  I­  valores  pagos  a  pessoas  físicas  a  título  de  honorários de cobrança;  · •  JLG  1  ­  valores  pagos  a  pessoas  físicas  á  título  de  despesas  judiciais  e  legais,  registrados  na  conta  Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 25          47 323.002.019;  •  • PFG ­  valores pagos a pessoas  físicas,  registrados em diversas contas;  · • ROG  ,  ­  valores pagos a Otacifio P. Rocha,  lançados na  conta  312.002.017  ­  despesa  vestuário,  com  emissão  de  notas fiscais de autónomo;  · •  RPG1  ­  valores  pagos  a  pessoas  físicas,  apurados  nas  contas  323.001.021,  323.002.021  e  211.002.002  (Convênio Estadual NE­IAT).  DOS JUROS SELIC  Segundo o recorrente é ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa SELIC  como juros de mora, o que não posso acolher,  tendo em vista a observância dos dispositivos  legais que disciplinam a matéria.  Com  relação  à  cobrança  de  juros  está  prevista  em  lei  específica  da  previdência social,  art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo  transcrito, desse modo foi correta a  aplicação do índice pela autarquia previdenciária:  Art.34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Artigo  restabelecido,  com  nova  redação  dada  e  parágrafo  único  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.  Nesse  sentido  já  se  posicionou  o  STJ  no  Recurso  Especial  n  °  475904,  publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto é, 1º/01/1996.  (REsp 439256/MG). Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     48  Não  tendo  o  contribuinte  recolhido  à  contribuição  previdenciária  em  época  própria,  tem por obrigação arcar com o ônus de  seu  inadimplemento. Caso não se  fizesse  tal  exigência,  poder­se­ia  questionar  a  violação  ao  principio  da  isonomia,  por  haver  tratamento  similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que  não recolheram no prazo fixado pela legislação.   Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os  valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária.  Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF:  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liqüidação  e  Custódia – Selic para títulos federais  QUANTO A INDIVIDUALIZAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO  Descreve o recorrente que não houve individualização dos limites dos valores  devidos a título de contribuição dos empregados. Nesse ponto, entendo que deva ser acolhida a  pretensão do recorrente.  A apuração da contribuição dos segurados empregados sobre base de cálculo  não considerada pelo autuado, é sim possível com a aplicação da alíquota mínima (8%), como  realizado  pela  autoridade  fiscal.  Contudo,  dito  procedimento  se  mostra  válido,  quando  o  auditor não tem condições de proceder ao cálculo do limite máximo de contribuição de forma  individualizada, seja pela não entrega de documentos, ou não contabilização em separado. No  presente  lançamento,  analisando  o  relatório  fiscal  não  vislumbrei  qualquer  indicação  de  não  apresentação  de  documentos  capazes  de  identificar  de  forma  individualizada  os  valores  apurados, razão porque entendo deva ser dado provimento, para que se calcule a contribuição  dos  segurados  empregados,  observando­se  o  limite  máximo  de  salário  de  contribuição  em  relação a cada segurado.   QUANTO AOS ERROS DE BASE DE CÁLCULO  No  que  pertine  a  supostos  erros  de  base  de  cálculo,  entendo  que  não  haja  mais  o  que  ser  apreciado,  uma  vez  que  a  autoridade  julgadora,  observando  essa  mesma  alegação quando da impugnação procedeu a conversão do julgamento em diligência para que o  auditor  se  manifestasse  sobre  supostos  erros.  Foi  emitida  informação  fiscal,  acatando  as  argumentações  do  impugnante  de  forma  integral,  tendo  a  decisão  de  primeira  instância  procedido  a  retificação  do  débito.  Na  esfera  recursal  resumiu­se  a  recorrente  a  reprisar  os  argumentos razão porque não há o que apreciar.  SUPOSTO PAGAMENTO A PESSOAS JURÍDICAS  Quanto  a  este  ponto,  a  alegação  de  que  a  autoridade  deixou  de  apreciar  a  questão não merece guarida. Observemos trecho da decisão de primeira instância:  a) a empresa alega que a Fiscalização teria computado valores  pagos  a  escritórios  de  advocacia  (pessoas  jurídicas),  sobre  os  quais  não  dão  nascimento  à  obrigação  de  pagamento  de  contribuições  providenciarias;  verifica­se,  entretanto,  conforme  Doc. 36, anexado pela  impugnante entre as  fis. 724 e 756, que  não  há  comprovação  de  que  essas  pessoas  beneficiadas  são,  Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.000023/2007­79  Acórdão n.º 2401­002.884  S2­C4T1  Fl. 26          49 efetivamente,  pessoas  jurídicas,  já  que  foram  pagos  Valores  contra  recibo,  e  não,  através  de  Notas  Fiscais;  portanto,  improcedente  a  argüição  sob  comento;:Por  todo  o  exposto  o  lançamento  fiscal  seguiu  os  ditames  previstos,  devendo  ser  mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista  que os argumentos apontados pelo recorrente  são  incapazes de  refutar a presente notificação.   A recorrente novamente traz a questão, porém sem apresentar qualquer outro  elemento de prova, capaz de identificar que o pagamento realmente deu­se em relação a pessoa  jurídica, o que não possui o condão de desqualificar o lançamento. Nesse ponto, não restando  comprovado  que  o  pagamento  direcionou­se  a  pessoas  jurídicas,  deve  ser  mantido  o  lançamento nos termos colocados na decisão de primeira instância.  CONCLUSÃO:  Voto  pelo  CONHECIMENTO DO RECURSO,  para  rejeitar  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  para  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  do  lançamento,  de  exclusão  dos  corresponsáveis,  e  no  mérito  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL,  para  que  em  relação a rubrica bolsa de estudos, seja observado o limite máximo do salário de contribuição  em relação a cada segurado, mantendo incólume o restante dos levantamentos.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                                Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 19515.002968/2004-31
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/03/2002 a 31/03/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF n° 1. COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial passada em julgado, na parte favorável ao contribuinte, extingue o crédito tributário, devendo a autoridade administrativa obedecer a seus termos. COFINS. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As quantias depositadas transformam-se em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo, inclusive seus acessórios, quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. Deve-se efetuar a apuração dos depósitos convertidos em renda da União, verificando-se a suficiência de todos os depósitos efetuados - tanto os valores depositados a maior como os depositados a menor, para quitar os montantes dos créditos tributários lançados no auto de infração. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a advogada Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a advogada Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 223          1 222  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.002968/2004­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3202­000.584  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2012  Matéria  COFINS ­ CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO.    Recorrente  SERVTEC INSTALAÇÕES E SISTEMAS INTEGRADOS LTDA.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/10/1999  a  31/12/1999,  01/03/2000  a  31/03/2000,  01/03/2002 a 31/03/2003  OPÇÃO  PELA  VIA  JUDICIAL.  DESISTÊNCIA  DA  ESFERA  ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF n° 1.  COFINS. DECADÊNCIA.  Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio  de  súmula  vinculante,  cabe  a  aplicação  da  regra  de  decadência  prevista  no  CTN.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.  A  decisão  judicial  passada  em  julgado,  na  parte  favorável  ao  contribuinte,  extingue o crédito tributário, devendo a autoridade administrativa obedecer a  seus termos.  COFINS. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO.  EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.   As  quantias  depositadas  transformam­se  em  pagamento  definitivo,  proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo,  inclusive  seus  acessórios, quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 68 /2 00 4- 31 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 224          2 Deve­se  efetuar  a  apuração  dos  depósitos  convertidos  em  renda  da  União,  verificando­se a suficiência de todos os depósitos efetuados ­ tanto os valores  depositados a maior como os depositados a menor, para quitar os montantes  dos créditos tributários lançados no auto de infração.   ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009.  Recurso Voluntário provido em parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao Recurso Voluntário. Vencido  o  conselheiro Charles Mayer  de Castro  Souza, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a advogada  Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093.     Irene Souza da Trindade Torres – Presidente.    Luís Eduardo Garrossino Barbieri ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres,  Rodrigo Miranda  Cardozo,  Luís  Eduardo Garrossino  Barbieri,  Gilberto  de  Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.   Relatório  O  presente  litígio  decorre  de  Auto  de  Infração  (fls.  166/ss  –  volume  I),  lavrado  em  26/11/2004,  para  a  cobrança  da  COFINS  (R$  435.153,77)  e  juros  de mora  (R$  224.661,30) no montante de R$ 659.815,07, com a exigibilidade suspensa.   Segundo a fiscalização, “verificou­se que os valores da COFINS devida nos  meses calendários de Out à Dez/1.999; Mar/2.000; Mar à Dez/2.002; Jan à Mar/2.003, cujas  exigibilidades encontram­se suspensas, em razão dos depósitos judiciais, não foram ou foram  insuficientemente  declaradas  nas  DCTF  ­  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais, conforme cálculos e demonstrativos às fls.144 a 163. Dessa forma, as insuficiências  deverão  ser  lançadas  de  ofício  através  do  Auto  de  Infração,  sem  a  incidência  de  multa,  constituindo­se o crédito tributário nos termos do artigo 142 e o seu parágrafo único do CTN”  (fls. 167/168).  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 225          3 Por  bem  sintetizar  os  fatos,  transcreve­se  relatório  constante  da  decisão  de  primeira instância administrativa, verbis:  Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o  contribuinte  anteriormente  identificado,  relativo  à  falta  de  recolhimento  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  —  COFINS,  abrangendo  os  períodos  de  apuração  (PA)  10/99  a  12/99,  03/00,  03/02  a  03/03,  no  valor  (principal)  de  R$  435.153,77,  lavrado  com  suspensão  de  exigibilidade  e  sem  multa  de  oficio,  e  com  juros  de  mora,  calculados  até  29/10/2004,  no  valor  de  R$  224.661,30,  totalizando um crédito tributário apurado de R$ 659.815,07, em  decorrência de ação fiscal levada a efeito pela então Delegacia  da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO),  conforme Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  acostado  à  inicial.  2. Na Descrição dos Fatos de  fl. 174, bem como no Termo de  Constatação  de  fls.  166/168,  o  AFRF  autuante  informa  que,  durante  o  procedimento  de  verificações  obrigatórias,  foram  constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os  valores escriturados da COFINS, e ainda que:  •  Em  15/06/1999,  inconformado  com  as  novas  regras  de  apuração  da  COFINS,  introduzidas  pela  Lei  n°  9.718/98,  o  contribuinte impetrou Mandado de Segurança (MS) com pedido  de  liminar,  dando  origem  ao  processo  judicial  n°  1999.61.00.026986­1/SP,  sendo  que,  em  16/06/1999,  o  juízo  concedeu a liminar, cuja decisão foi confirmada pela sentença  exarada  em  02/05/2001,  para  afastar  as  disposições  da  Lei  n°  9.718/98,  de  modo  que  o  contribuinte  pudesse  continuar  a  recolher  a  COFINS,  nos  termos  do  disposto  na  Lei  Complementar (LC) n° 70/91;  •  Conquanto,  nos  termos  do  artigo  151,  inciso  V,  do  CTN,  a  decisão  tivesse  o  condão  de  suspender  a  exigência  do  crédito  tributário,  verificou­se  que  os  valores  sub­judice  da  COFINS,  devidos a partir do mês calendário de jun/99 foram depositados  em juízo;  • Em 27/08/2003, o Tribunal reformou a sentença em apelação  requerida pela União através da AMS n° 232698;  •  Ainda  que  reformada  a  sentença,  afastando  a  hipótese  da  suspensão do crédito tributário nos moldes do inciso V do artigo  151  do  CTN,  a  parcela  da  COFINS  efetivamente  depositada  judicialmente continuou ao amparo da suspensão, porém, sob o  manto do inciso II deste mesmo artigo;  •  Feitas  estas  considerações  preliminares,  verificou­se  que  os  valores  da  COFINS  devida  nos  meses  calendários  de  out  a  dez/1999;  mar/2000;  mar  a  dez/2002;  jan  a  mar/2003,  cujas  exigibilidades encontram­se suspensas, em razão dos depósitos  judiciais,  não  foram  ou  foram  insuficientemente  declaradas  nas  DCTF,  conforme  cálculos  e  demonstrativos  às  fls.  144  a  163;  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 226          4 • Desta  forma, as  insuficiências deverão  ser  lançadas de ofício  através  de  Auto  de  Infração,  sem  a  incidência  de  multa,  constituindo­se o crédito tributário nos termos do artigo 142 e o  seu  parágrafo  único  do  CTN,  devendo  ser  também  ressaltado  que  o  crédito  tributário  constituído  deverá  permanecer  com  a  sua exigibilidade suspensa até que ocorra o trânsito em julgado  da  matéria  objeto  de  discussão  no  processo  n°  1999.61.00.026986­1.  3.  O  enquadramento  legal  do  presente  lançamento  fiscal  da  COFINS (v. fl. 175), cientificado ao contribuinte em 03/12/2004,  conforme se observa à fl. 173, consistiu nos arts. 149 e 151, II,  da  Lei  n°5.172/66  (CTN);  art.  1°  da  Lei  Complementar  (LC)  n°70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações  da  Medida  Provisória  n°  1.807/99  e  suas  reedições,  com  as  alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições.  4.  No  que  se  refere  à multa  de  oficio  e  aos  juros  de mora,  os  dispositivos  legais  aplicados  foram  relacionados  no  demonstrativo de fl. 172.  5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado,  apresentou,  em  30/12/2004,  a  impugnação  juntada  às  fls.  182/212,  e  documentos  anexos  de  fls.  213/290  (doc.  1  —  alteração  de  contrato  social,  procuração,  documento  de  identidade  do  procurador  da  empresa,  fls.  213/234;  doc.  2 —  cópia  de  Instruções,  do  Termo  de  Constatação,  do  Auto  de  Infração,  de  Planilhas  demonstrativas  e  de  depósitos  judiciais,  fls. 235/290), com as alegações abaixo resumidas:  5.1.  conforme  mencionado  pela  fiscalização  no  Termo  de  Constatação, o impugnante, inconformado com as novas regras  de  apuração  introduzidas  pela  Lei  n°  9.718/98,  impetrou,  em  15/06/1999,  Mandado  de  Segurança  com  pedido  de  liminar  (processo n° 1999.61.00.026986­1/SP), alegando ser indevido o  recolhimento  da  COFINS  com  os  acréscimos  trazidos  pela  referida Lei, em face de sua inconstitucionalidade;  5.2.  por  conseguinte,  em  16/06/1999  foi  concedida  a  liminar  pleiteada, cuja decisão foi confirmada por sentença exarada em  02/05/2001,  garantindo  o  recolhimento  da  contribuição  em  comento  sem a  ampliação  da  base  de  cálculo  e majoração da  alíquota previstas na Lei n° 9.718/98, e, assim, a partir daquela  data  o  impugnante  tinha  permissão  para  recolher  a  COFINS,  nos termos da LC n° 70/91;  5.3.  no  entanto,  mesmo  sabendo  que  a  legislação  tributária  determina  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  ante  a  concessão  de  medida  liminar  (art.  151,  V,  do  CTN),  o  impugnante  depositou  em  juízo  os  valores  sub  judice  da  COFINS, devidos a partir de junho/99;  5.4.  desse  modo,  a  superveniente  reforma  da  sentença  que  confirmava  a  liminar  em  27/08/2003,  em  virtude  da  apelação  interposta pela União, não teve o condão de afastar a suspensão  da exigibilidade do crédito relativamente à parcela da COFINS  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 227          5 depositada judicialmente, nos termos do inciso II do art. 151 do  CTN;  5.5.  cumpre  asseverar,  preliminarmente,  que  os  valores  supostamente  devidos  em  decorrência  dos  fatos  geradores  ocorridos  nos  períodos  de  out/99  e  nov/99  são  inexigíveis,  eis  que  já  era defeso à administração efetuar o  lançamento desses  quando da ciência do contribuinte;  5.6.  sendo  a  COFINS  um  tributo  sujeito  ao  denominado  lançamento  por  homologação,  conforme  positivado  no  artigo  150  do  CTN,  cabe  ao  contribuinte,  ante  a  ocorrência  do  fato  gerador, proceder ao recolhimento do valor que entende devido,  sem  antes  submetê­lo  ao  crivo  da  administração  fazendária,  cabendo a esta,  posteriormente, concordar ou não com o valor  apurado;  5.7.  como  se  pode  depreender  da  redação  clara  e  precisa  do  dispositivo  acima  mencionado,  bem  como  de  seu  parágrafo  quarto,  o  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  decadencial  de  lançamento  é  a  ocorrência  do  fato  gerador,  e,  sendo  assim,  considerando  que  o  lançamento  somente  se  materializou  em  03/12/2004,  com  a  ciência  expressa  do  contribuinte,  todos  os  valores  relativos  a  fatos  geradores  ocorridos  há mais  de  cinco  anos, contados regressivamente à essa data, já foram alcançados  pela decadência;  5.8. a  jurisprudência administrativa é pacífica no que  tange ao  prazo decadencial  na  forma acima  esposada,  consoante  alguns  recentes julgados do E. Conselho de Contribuintes (Acórdãos n's  201­76960, 203­08044 e 108­06908);  5.9. o Poder Judiciário também abraça a tese da decadência em  cinco  anos  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  conforme  entendimento  exarado  pelo  E.  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ), nos autos do AGRESP 178.308 e do RESP 178.433/SP;  5.10.  além  disso,  a  ampliação  das  bases  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  pretendida  pela  MP  n°  1.724/98,  posteriormente  convertida  na  Lei  n°  9.718,  de  27/11/1998  (DOU  de  28/11/1998),  ofende  de  maneira  irrecuperável o disposto no artigo 195, inciso I, da Constituição  Federal vigente (CF/88), que determinava, à época da edição da  medida provisória e da lei em comento, fossem as contribuições  sociais calculadas com base no faturamento, folha de salários ou  lucro;  5.11.  somente  com  a  promulgação  da  Emenda  Constitucional  (EC)  n°  20,  aprovada  na  sessão  do  Congresso  Nacional  de  01/12/1998  e  editada  no  DOU  de  16/12/1998,  é  que  foi  modificado  o  artigo  195,  inciso  I,  da  CF/88,  ampliando  a  competência  para  instituição  de  contribuições  sociais  para  a  totalidade das receitas;  5.12. a exigência das referidas contribuições com base no valor  das receitas, em relação aos  fatos geradores ocorridos a partir  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 228          6 de  01/02/1999,  ofende  o  ordenamento  jurídico  do  País,  principalmente  porque  a  vigência  e  a  eficácia  das  leis  estão  subordinadas a uma condição prévia de existência e validade em  nível  jurídico, sendo que, nesse sentido, algumas considerações  acerca  dos  conceitos  de  faturamento  e  receita  se  fazem  necessárias,  a  fim de que se possa  constatar a  efetiva  violação  ao artigo 110 do CTN;  5.13.  receita bruta  e  faturamento se equiparam no que  tange a  seu conceito jurídico, conforme já havia decidido o E. Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  n°  150.755­1  e  da  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  n°  1­1/DF,  e,  nesses  termos,  até  a  edição  da  malsinada  Lei  n°  9.718/98,  o  conceito  de  receita  bruta, para fins da contribuição ao PIS e da COFINS, foi sempre  correspondente ao de faturamento, opinião de consenso nos três  Poderes da República;  5.14.  da  leitura  dos  art.  2°  e  3°,  §  1°,  da  Lei  n°  9.718/98,  observa­se afronta ao art. 110 do CTN, que veda à lei tributária  alterar  os  conceitos  próprios  do  direito  positivo,  devendo  ser  considerado  ainda  nesse  sentido  que  o  DL  n°  2.397/87,  que  alterou  o  DL  n°  1.940/82,  em  seu  artigo  22,  conceitua  receita  bruta  tão­somente  como  o  produto  da  venda  de  bens  e  da  prestação de serviços e nada mais;  5.15. a partir da nova competência outorgada pela EC n° 20/98,  seria necessária a edição de nova lei, sem o que resta no mundo  jurídico apenas uma competência outorgada ainda pendente de  exercício,  valendo  dizer  que  a  rigidez  da  atual  Constituição  Federal  implica  o  submetimento  do  legislador  infraconstitucional  a  esta,  determinando  a  própria  validade  da  lei;  5.16.  o  legislador  infraconstitucional,  propositadamente,  utilizou­se de instrumento normativo de hierarquia superior para  regulamentar  a  cobrança  da COFINS,  visando  a  garantir  uma  maior  segurança  jurídica à  sociedade,  e,  sendo assim,  sendo a  COFINS  um  tributo  instituído  por  lei  complementar,  apenas  poderia  ser  alterado  por  lei  complementar,  e  jamais  por  lei  ordinária, em observância ao princípio da hierarquia das leis:  5.17.  nesse  contexto,  a majoração  da  alíquota  da COFINS,  de  2%  para  3%,  determinada  no  art.  8°  da  Lei  n°  9.718/98,  não  pode subsistir, dada a sua manifesta inconstitucionalidade, como  aliás vem se manifestando alguns eminentes magistrados (AI n°  21.464­PE/TRF­5°. Região; MS n° 99.0007632­0/PR);  5.18. a compatibilidade da Lei n° 9.718/98 com o ordenamento  jurídico  vigente deve ser aferida no momento de  sua existência  (no dia 27/11/1998), ou seja, à luz do art. 195, I, da CF/88, antes  da promulgação da EC n° 20/98;  5.19. no caso específico, a EC n° 20/98 foi aprovada em sessão  do  Congresso  Nacional  de  01/12/1998,  data  posterior  a  de  conversão da MP n° 1.724/98 na Lei n° 9.718/98, ocorrida  em  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 229          7 27/11/1998, e, nesses termos, o vício de inconstitucionalidade da  Lei  n°  9.718/98  é  originário,  sendo  impassível,  portanto,  de  convalidação,  pelo  que,  destarte,  é  patente  a  inconstitucionalidade  da  Lei  n°  9.718/98,  haja  vista  que  extrapolou  a  competência  constitucional  à  época  outorgada  à  União Federal para a instituição de contribuições sociais;  5.20. ainda que se admita,  apenas para argumentar, a possível  constitucionalidade  da  Lei  n°  9.718/98,  deve­se,  no  caso  concreto, verificar o que, à luz das ciências jurídica, contábil e  econômica, seriam efetivamente "receitas auferidas pela pessoa  jurídica"  (art.  3°,  §  1°),  buscando  a  real  base  de  cálculo  das  referidas contribuições;  5.21. muito  embora  o  legislador  não  tenha  cuidado  de  definir,  expressamente, o que afinal comporia "a totalidade das receitas  auferidas pela pessoa jurídica", é certo que nem todas variações  patrimoniais  de  uma  pessoa  jurídica  são  produto  de  um  faturamento  ou  receita,  conceitos  que,  necessariamente,  devem  estar conectados à idéia de efetivos ingressos de novas riquezas  ao  patrimônio  da  pessoa  jurídica,  decorrentes  do  exercício  da  sociedade empresarial;  5.22.  portanto,  como  se  aponta  como  traço  caracterizador  e  marcante do conceito de receita o efetivo ingresso de numerários  e  valores no patrimônio da  empresa,  e  como,  também de outro  lado,  receita  bruta  decorre  exclusivamente  da  venda  de  bens  e  serviços,  nem  sempre,  desse  modo,  alterações  meramente  escriturais  representam  receita  bruta,  base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  restando  irrefutável  a  improcedência do Auto de Infração;  5.23.  como  se  já  não  bastasse,  a  fiscalização  incluiu  juros  de  mora até 29/10/2004, calculados de acordo com a taxa SELIC, a  partir do vencimento dos tributos cobrados, fundamentando seu  ato no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96;  5.24.  a  redação  do  artigo  acima  citado  demonstra  claramente  que o requisito para  imputação de juros de mora é o atraso no  pagamento,  contudo,  quando  um  contribuinte  impetra  um  Mandado de Segurança e obtém liminar para afastar a exigência  tributária,  essa  ordem  judicial  tem  o  poder  de  garantir  ao  impetrante  o  não­pagamento  do  tributo  até  a  cassação  da  medida  (art.  151,  V,  do  CTN),  visando  evitar  a  ocorrência  do  dano irreparável combatido no writ;  5.25. outrossim, o depósito em juízo do valor do tributo objeto de  questionamento  judicial  também  tem  o  condão  de  suspender  a  exigibilidade do crédito tributário, tendo em vista que o depósito  judicial  visa  a  garantir  ao  credor  (no  caso,  a  União)  o  pagamento  do  tributo  em  caso  de  sucumbência  daquele,  o  que  vale dizer que, decidido o pleito em favor da União, esta poderá  efetuar  o  levantamento  do  depósito,  extinguindo­se,  assim,  a  obrigação tributária;  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 230          8 5.26.  assim,  em  que  pese  a  cassação  da  liminar  anteriormente  concedida,  bem  como  a  reforma  da  sentença  em  face  da  interposição  de  apelação  pela  União,  como  a  impugnante  efetuou  o  depósito  em  juízo  do  tributo  em  discussão,  o mesmo  encontra­se com a sua exigibilidade suspensa nos termos do art.  151, inciso II, do CTN;  5.27.  desse modo,  pode­se  afirmar  que,  no momento  em  que  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado,  o  tributo  não  deveria  ter  sido  considerado como "não pago" (redação do artigo descrito), mas  sim como "não deve ser pago", pois existe um depósito judicial  que  ampara  o  não­pagamento  do  tributo,  inexistindo  assim  qualquer  demora  no  cumprimento  de  obrigação  tributária  estabelecida entre as partes;  5.28.  o  conceito  de  mora  está  intrinsecamente  ligado  à  exigibilidade  do  cumprimento  de  determinada  obrigação,  mas,  como  o  próprio  artigo  151  do  CTN  prevê  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  objeto  de  depósito  judicial,  fica  claro  que  não  existe  exigibilidade  enquanto  o  contribuinte  estiver acobertado por depósito judicial;  5.29. os valores lançados são, todos, objeto de depósito judicial,  conforme  constatou  a  própria  fiscalização,  não  se  discutindo,  dessa  forma,  o  direito  de  a  Fazenda  lançar  os  valores  para  evitar  a  decadência,  mas  sim  o  lançamento  de  juros  (taxa  SELIC) relativos a valores depositados em juízo, sobre os quais  a  impugnante  não  tem  mais  posse  e  que  são  devidamente  atualizados pelas normas pertinentes;  5.30. não há como subsistir a incidência de juros em se tratando  de depósito judicial, já que o poder aquisitivo da moeda já está  resguardado  pela  atualização  dos  depósitos;  é  impossível  o  enriquecimento  ilícito do contribuinte haja vista que os valores  não  mais  se  encontram  sob  sua  posse;  não  há  pagamento  atrasado  a  penalizar,  mas  apenas  discussão  judicial  que  não  pode ser cerceada;  5.31.  se  o  depósito  judicial  efetuado  no  curso  da  execução  judicial faz cessar a responsabilidade pelos juros de mora, igual  tratamento deve ser dispensado aos valores depositados no curso  de qualquer outra ação que discuta o crédito tributário;  5.32.  além  disso,  é  farta  a  jurisprudência  dos  Conselhos  de  Contribuintes em excluir a  incidência de juros sobre os valores  depositados  em  juízo  (Recurso  n°  134.208,  processo  n°  13808.003452/2001­99;  Recurso  n°  107.140,  processo  n°  10830.002208/96­23;  Recurso  n°  111.819,  processo  n°  13805.005227/97­51;  Recurso  n°  088.215,  processo  n°  13982.000344/93­72),  entendimento  esse  que  também  não  diverge daquele emanado do STJ (Resp n° 221.560/RS);  5.33. a redação do art. 30 da Lei n° 10.522/02 é clara quanto á  natureza  moratória  da  Taxa  SELIC,  caracterizando  esse  acréscimo  como  indenização  devida  por  conta  do  atraso  no  pagamento  do  tributo,  ocorrendo  na  espécie,  contudo,  que  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 231          9 inexiste qualquer atraso no pagamento do tributo, o que fulmina  a  incidência  desse  acréscimo  na  autuação  de  tributos  com  exigibilidade  suspensa  por  força  do  depósito  judicial,  motivo  pelo qual merece a  impugnante seja determinada a reforma do  lançamento  fiscal,  para  que  se  proceda  à  exclusão  dos  juros  moratórios  imputados  em  seu  "Demonstrativo  de  Crédito  Tributário";  5.34. ainda que se entenda que os juros de mora sejam devidos  no caso em comento, não pode a Taxa SELIC ser utilizada para  substituir os juros de 1% ao mês previsto no artigo 161, § 1º , do  CTN,  sendo  flagrantes  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  dessa  aplicação,  o  que  vem  sendo  reconhecido  pela  doutrina  e  jurisprudência nacionais;  5.35.  de  acordo  com  a  definição  dada  pelo  próprio  Banco  Central do Brasil  (Circulares nos 2.868/99 e 2.900/99), a Taxa  SELIC é a média ponderada do montante de transações diárias  registradas  no  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  do  Banco  Central  com  títulos  públicos  federais,  sejam  de  curto,  médio ou longo prazo;  5.36. como a apuração desse  índice é  feita pelo próprio Banco  Central do Brasil, não sendo objeto de lei,  contraria­se, per  si,  os preceitos do Sistema Tributário Nacional, constante da Carta  Magna de 1988;  5.37. o STJ já se manifestou contrariamente à aplicação da taxa  SELIC para  fms  de  substituição  dos  juros moratórios  previstos  no  Codex  Tributário,  conforme  Incidente  de  Inconstitucionalidade  no  RESP  n°  215.881/PR,  restando  comprovado,  desse  modo,  que  a  Taxa  SELIC  não  pode  ser  utilizada  para  substituir  os  juros  de  mora  previstos  no  artigo  161, § 1°, do CTN, baseado na melhor doutrina e jurisprudência  existentes;  5.38.  por  todo  o  exposto,  requer  a  impugnante  que  seja  considerado o integral acolhimento dos argumentos aduzidos na  presente impugnação, para que seja extinto o crédito  tributário  em sua totalidade, e, finalmente, determinado o arquivamento do  presente procedimento administrativo, julgando­se improcedente  o  Auto  de  Infração  lavrado,  protestando­se,  outrossim,  com  fundamento no artigo 16, § 4°. Do Decreto n° 70.325/72, provar  o alegado por todos os meios de prova admitidos.  6. À fl. 295, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 10.706,  de  14/07/2007,  que  transferiu  a  competência  para  julgamento  dos  processos  relacionados  em  seu Anexo  único,  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  São  Paulo  I  (DRJ/SP01)  para a Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  II  (DRJ/RJ02),  o  presente  processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02, para julgamento.  7.  Posteriormente,  tendo  sido  verificada,  após  a  realização  de  pesquisa  junto  aos  sítios  do  Poder  Judiciário  na  internet,  a  ocorrência  do  trânsito  em  julgado  do  MS  n°  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 232          10 1999.61.00.026986­1/SP e da conversão em renda da União das  quantias  depositadas  junto  àquele  mandamus,  "nos  moldes  do  julgado" (v. fls. 303/304), foi o presente processo encaminhado à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Fiscalização  (Defis/SPO)  em diligência,  a  fm de  que,  considerado os  efeitos  dispostos  nos  incisos  VI  e  X  do  art.  156  do  CTN,  fossem  discriminadas as quantias efetivamente convertidas em renda da  União, para cada um dos fatos geradores mensais integrantes do  lançamento.  8.  A  fiscalização,  em  atendimento,  elaborou  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal  de  fls.  466/467,  no  qual  esclareceu  ­  considerando  os  documentos  e  esclarecimentos  apresentados  pelo  contribuinte  (cf.  fls.  310/410)  ­  que  todos  os  depósitos  efetuados foram integralmente convertidos em renda da União  (cf.  fls.  411/465),  após  o  que,  cientificado  o  autuado  das  conclusões  da  diligência  realizada  (cf.  fl.  468),  apresentou  o  referido fiscalizado, em seguida, a manifestação de fls. 469/470,  sendo  que,  ainda  na  seqüência,  o  processo  foi  remetido  a  esta  DRJ/RJ02 para julgamento (v. fl. 471).  (negritamos)  Transcrevemos,  ainda,  por  entendermos  relevante  para  a  compreensão  do  litígio, o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 466 – volume III) lavrado pela fiscalização:   RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA FISCAL   Sr. Supervisor,  O presente  processo  se  refere  à  exigência  de  crédito  tributário  da  COFINS  —  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social,  instituída  pela  Lei  Complementar  n°  70/91,  constituído  no  curso  das  Verificações  Obrigatórias  em  cumprimento  ao MPF — Mandado  de  Procedimento  Fiscal —  Fiscalização n° 08.1.90.00­2003­03926­8.  A referida contribuição, ante as alterações introduzidas pela Lei  n°  9.718/98,  era  objeto  de  discussão  judicial  através  do  Mandado  de  Segurança  no  processo  n°  1999.61.00.026986­1,  sendo  que  os  valores  em  discussão  estavam  sendo  depositados  judicialmente.  Dessa  forma,  o  procedimento  fiscal  gerou  dois  processos  de  lançamento de ofício, dos quais o de n° 19515.002968/2004­31,  com  sua  exigibilidade  suspensa,  para  formalização  do  crédito  tributário  em  relação  aos  meses  de  apuração  em  que  os  depósitos  judiciais  ainda  que  efetuados,  não  se  encontravam  declarados  nas  respectivas  DCTF  ­  Declaração  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais e, o de n° 19515.002969/2004­85,  para  exigência  da  contribuição  apurada  no  curso  do  procedimento  fiscal  com  insuficiência  de  declaração  e  de  recolhimento.  Tendo  em  vista  decisão  definitiva  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (fls.  331  e  332)  reconhecendo  a  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  cálculo  da  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 233          11 contribuição  (parágrafo  1°  do  artigo  3°  da  Lei  n°  9.718/98),  admitindo­se,  porém,  o  aumento  da  sua  alíquota  na  forma  do  artigo 8° da citada lei, através do despacho exarado a folha 188,  este processo foi submetido à esta DEFIS­SPO para diligência e  exame  dos  depósitos  judiciais,  elaborando­se  demonstrativo  detalhado  das  quantias  efetivamente  convertidas  em  renda  da  União para cada um dos fatos geradores mensais integrantes do  lançamento, haja vista o disposto no artigo VI do artigo 156 do  CTN.  Verificou­se  no  curso  da  diligência  fiscal  instaurada  para  atender  o  requerido,  que  os  depósitos  judiciais  efetuados  pelo  contribuinte  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  na  vigência  da  sistemática  de  apuração  introduzida  pela  Lei  9.718/98  ­  Junho/99  até  Janeiro/2004  —,  contemplando,  inclusive,  os  meses  de  apuração  que  foram  objeto  de  lançamento de ofício, totalizaram R$ 1.259.702,35.  De acordo com o extrato resumo da Agência/Operação/Conta n°  0265­635­00186345­5  (fi.  410)  que  acolheu  os  depósitos  judiciais efetuados no curso do processo n° 1999.61.00.026986­ 1,  apresentado  pelo  contribuinte  em  atendimento  a  intimação  desta equipe fiscal, verificou­se que o seu saldo em montante de  R$  1.259.712,38  foi  integralmente  transformado  em  renda  da  União,  não  se  verificando,  portanto,  valores  devolvidos  ao  contribuinte.  Analisando­se  os  extratos  de  cada  um  dos  depósitos  efetuados  (fls. 411 a 465),  disponíveis no  sistema de  consulta desta RFB,  verificou­se  que,  em  todos  eles,  os  valores  depositados  foram  integralmente convertidos em renda da União.  Os  documentos  e  os  esclarecimentos  apresentados  pelo  contribuinte  no  curso  deste  procedimento  fiscal  de  diligência  encontram­se as fls. 310 à 410.  No intuito de ter atendido o solicitado pela Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento, levo o presente à análise desta  supervisão,  para  considerações  de  v.  alçada  e  ciência  do  contribuinte, concedendo­lhe o prazo de 10 (dez) dias para que,  sendo  o  caso,  o  mesmo  se  manifeste  prestando  os  esclarecimentos julgados necessários.  (negritamos)  A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio  de Janeiro – II julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão n.º 13­21.220 de 28 de  agosto de 2008 (folhas 496/ss – volume III), o qual recebeu a seguinte ementa:  Assunto:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/10/1999  a  31/12/1999,  01/03/2000  a  31/03/2000, 01/03/2002 a 31/03/2003.  SÚMULA  VINCULANTE  ­  EFEITOS  SOBRE  A  ADMINISTRAÇÃO DIRETA.  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 234          12 A  súmula  vinculante  editada  pelo  STF  obriga  a Administração  Direta  à  adoção  do  entendimento  nela  fixado,  a  partir  de  sua  publicação no órgão de imprensa oficial.  COFINS ­ DECADÊNCIA.  Declarada  a  inconstitucionalidade  do  artigo  45  da  Lei  n°  8.212/91  por  meio  de  súmula  vinculante,  cabe  a  aplicação  da  regra de decadência prevista no CTN.  COFINS.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  CONVERSÃO  EM  RENDA  DA  UNIÃO.  TRANSFORMAÇÃO  EM  PAGAMENTO  DEFINITIVO.  As  quantias  depositadas  transformam­se  em  pagamento  definitivo,  proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo  ou  contribuição,  inclusive  seus  acessórios,  quando  se  tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional.  AÇÃO  JUDICIAL  PROPOSTA  PELO  INTERESSADO.  RENÚNCIA  ÀS  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS.  IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE.  Não  devem  ser  apreciadas  as  alegações  constantes  da  impugnação, que já foram analisadas pelo Poder Judiciário em  ação  proposta  pelo  interessado  contra  a  Fazenda  Nacional,  a  impor a renúncia de seu exame pelas instâncias administrativas.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.  A decisão judicial passada em julgado favorável ao contribuinte  extingue  o  crédito  tributário,  devendo  a  autoridade  administrativa obedecer a seus termos.  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a  aplicação  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC.  ELEMENTOS DE PROVA   A  prova  deve  ser  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento processual, por força do artigo 16, § 4º , do Decreto n°  70.235/72.  Lançamento Procedente.  A  interessada  foi  cientificada  do Acórdão  da DRJ  – Rio  de  Janeiro­  II  em  10/11/2008  (folhas  516/519  –  volume  III),  apresentou Recurso  Voluntário  em  09/12/2008  (fls. 541/ss – volume III), onde aduz os argumentos sintetizados em dois tópicos:  i.  Dos erros da DRJ quando do cálculo da imputação de encargos  ­  a DRJ  reconheceu  que  o  trânsito  em  julgado havido  nos  autos  do MS  n°  1999.61.00.026986­1  determinou  que  a  COFINS  deveria  incidir  à  alíquota  de  3%  sobre  o  faturamento da Recorrente, e também aplicou corretamente o disposto pela Súmula Vinculante  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 235          13 n°  8  do  STF,  que  consagra  o  entendimento  daquela  Corte  de  que  o  prazo  decadencial  das  contribuições  sociais  é  de  5  anos,  que  neste  caso  culminou  com  o  afastamento  dos  débitos  relativos ao período que vai de janeiro a novembro de 1999;   ­  deste  modo,  permanecem  objeto  do  presente  processo  a  COFINS  correspondente  a  1%  do  faturamento  da  Recorrente  para  os  meses  do  lançamento  não  alcançados pela decadência, ou seja, períodos de apuração a partir de dezembro de 1999;  ­  conforme  relatado  na  própria  decisão  da  DRJ/RJ,  de  acordo  com  o  levantamento da  fiscalização, alguns depósitos  foram realizados  em atraso, alguns  foram  realizados  em  valores  inferiores  aos  devidos  e  alguns  outros  em  valores  superiores  ao  montante exigível. O atraso dos depósitos levou a fiscalização a fazer a respectiva imputação  dos encargos de mora entendidos como devidos, para então se considerar como convertida em  renda  da  União  apenas  a  parcela  efetivamente  amortizada  do  crédito  tributário.  Assim,  do  levantamento  apurado  pela  fiscalização  concluiu­se  existirem  valores  a  recolher  e  valores  a  restituir por parte da Recorrente (vide planilha “DOC 02” ­ folha 551);  ­ da análise desta planilha, verifica­se que mesmo com a imputação realizada  pela fiscalização em virtude dos depósitos feitos a destempo, a soma dos valores recolhidos e  depositados  pela  Recorrente  excede  o  montante  devido  lançado  a  título  de  COFINS.  Entretanto, ignorando o indébito evidenciado para a maioria dos períodos de apuração, a DRJ  decidiu prosseguir apenas com a cobrança das parcelas tidas como devidas pela Recorrente;  ­  tais  débitos  foram  conciliados  aos  valores  lançados  no  auto  de  infração  objeto  do  presente  processo  e  naquele  objeto  do  processo  n°  19515.002969/2004­85,  mantendo­se então a cobrança acompanhada dos encargos de mora (vide planilha “DOC 3” –  folha 552);  ­  a  DRJ  além  de  ter  ignorado  a  existência  de  créditos  em  favor  da  Recorrente,  prosseguindo  na  cobrança  dos  valores  tidos  como  devidos  sem  qualquer  compensação, ainda fez o cálculo da imputação de forma incorreta, em desrespeito a decisão  judicial obtida pela Recorrente e os ditames da legislação fiscal;  ­ de acordo com o art. 151,  IV, do CTN combinado com o art. 63, § 2°, da  Lei  n°  9.430/96,  a  liminar  concedida  judicialmente  suspende  a  exigibilidade  até  30  dias  contados da data em que cassada. Desse modo, até 19/10/2003, isto é, 30 dias após a data da  publicação  da  decisão  do  TRF  que  cassou  a  liminar,  a  Recorrente  poderia  ter  realizado  o  pagamento dos valores controvertidos sem aplicação de multa de mora;  ­  por outro  lado,  como  o  depósito  em  juízo  é uma  faculdade  do  particular,  independendo de autorização judicial para ser realizado, e ele também suspende a exigibilidade  do crédito tributário, desde que realizado integralmente, nos termos do art. 151, IV, do CTN, a  Recorrente teve até o dia 19/10/2003 para recolher ou depositar em juízo a COFINS devida. No  caso concreto, a Recorrente  já vinha depositando em juízo a parcela da COFINS que acabou  por  ser  tida como devida pelo TRF. Portanto, como os depósitos  foram realizados quando  ainda vigente a liminar, eles nunca poderiam considerar multa de mora, ainda que a data  em que realizados não fosse propriamente a de vencimento;  ­ desta  forma, para os meses em que a Recorrente depositou a COFINS  após sua data legal de vencimento, tais depósitos deveriam ter sido apurados com juros  SELIC, para serem tidos como integrais, mas nunca com multa de mora, pois esta estava  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 236          14 afastada pela ordem judicial então vigente. Entretanto, a fiscalização procedeu à imputação dos  valores depositados e convertidos considerando que entre a data de vencimento legal e aquela  do depósito seriam devidos juros e multa;  ­  para  correta  apuração  do  montante  ainda  devido  não  pode  ser  aplicada  multa  para  os  depósitos  realizados  entre  16/06/1999  e  19/10/2003, mas  apenas  os  juros  nos  casos em que o depósito foi realizado somente no mês posterior ao do vencimento (conforme  planilha “DOC 4” – folha 556).   ­  com  o  refazimento  dos  cálculos,  informando  a  correta  imputação  dos  encargos, o valor devido pela Recorrente cai significativamente, conforme planilha “DOC 5”  (folha 557);  ii.  Da necessidade de compensação dos créditos da Recorrente  ­  a  decisão  da  DRJ,  ainda,  merece  ser  reformada,  pois  incorre  em  impropriedade ao não considerar o reconhecido crédito em favor da Recorrente;  ­  os  demonstrativos  da  autoridade  fiscal  já  apuraram  haver  indébito  da  Recorrente em boa parte dos meses, entretanto, mesmo tendo ela mesmo apurado o crédito em  favor do particular, a autoridade decidiu por prosseguir no processo apenas para cobrança do  montante tido como devido;   ­  além  da  correta  imputação  dos  valores  convertidos  em  renda,  deve­se  proceder à compensação dos indébitos havidos, uma vez que a própria autoridade, no intuito de  conciliar  o  julgado  ao  presente  lançamento,  reconhece  ter  havido  pagamento  a  maior  pelo  particular, deve ela providenciar sua compensação com o montante relativo aos meses em que  houve saldo a recolher (vide planilha “DOC 6” – fl. 559);  ­  conclui,  assim,  a Recorrente  alegando que  enquanto  o  débito  relativo  aos  meses  em  que  a  conversão  em  renda  não  foi  suficiente  para  quitar  a  COFINS  soma  R$  93.714,47 (planilha “DOC 5” – fl. 557), o crédito dos meses em que os depósitos se mostraram  superiores ao efetivamente devido é de R$ 258.124,76 (planilha “DOC 6” – fl. 559).  ­ por fim, requer­se seja a decisão da DRJ – Rio de Janeiro reformada para o  fim  de  reconhecer  o  direito  da  Recorrente  ao  indébito  correspondente  ao  valor  pago/convertido a maior, já líquido do débito.   Os processos digitalizados  foram distribuídos a  este Conselheiro Relator na  forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.  O Recurso Voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece.  De início, ressalte­se, que muito embora a DRJ – Rio de Janeiro II tenha feito  a análise e o julgamento de ambos os processos de forma conjunta (n° 19515.002968/2004­31,  objeto  destes  autos;  e  n°  19515.002969/2004­85),  inclusive  inovando  na  metodologia  de  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 237          15 apuração do crédito tributário (como veremos linhas abaixo), entendo, que o julgamento  de cada um deles deve ser feito separadamente. Tal entendimento é necessário uma vez que  os  lançamentos  referem­se a bases de cálculos  e períodos de apuração distintos da COFINS,  conforme se depreende das planilhas anexadas às folhas 147 (ano 1999), 151 (ano 2000), 155  (ano 2001), 159 (ano 2002) e 163 (ano 2003) destes autos.  O auto de infração tratado nos autos deste processo n° 19515.002968/2004­ 31 foi lavrado com suspensão de sua exigibilidade, para a cobrança da COFINS e juros de  mora, levando­se em consideração as quantias depositadas judicialmente, junto ao mandado  de  segurança  (MS)  n°  1999.61.00.029986­1/SP,  por  intermédio  do  qual  o  contribuinte  questiona  a  apuração  da  COFINS,  nos  termos  em  que  disciplinada  pela  referida  Lei  n°  9.718/98.  Os  depósitos  judiciais  foram  efetivados  pela  autuada,  muitas  vezes,  após  o  vencimento do prazo previsto na  legislação para pagamento da contribuição que se pretendia  depositada,  outras  vezes  foram  realizados  em  valores  inferiores  e  alguns  outros  em  valores  superiores (as datas em que os depósitos foram efetivados encontram­se informadas na planilha  de fl. 273, anexada pelo autuado à impugnação apresentada).  O outro auto de  infração – objeto do processo n° 19515.002969/2004­85 –  foi  lavrado  para  a  cobrança  da COFINS,  juros  de mora  e multa  de  ofício,  em  relação  à  diferença  dos  valores  devidos  e  não  recolhidos  e não  depositados  em  juízo  ou,  ainda,  não  declarados em DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. O montante do  crédito tributário lançado neste processo é de R$ 239.292,63.  Importante  registrar  que  o  acórdão  de  primeira  instância  administrativa  já  afastou,  por  decadência,  os  lançamentos  relativos  aos  períodos  de  apuração  de  outubro  e  novembro de 1999, tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 03/12/2004.   Não menos  importante deixar consignado que como a Recorrente  ingressou  com Mandado  de  Segurança  (processo  judicial  n°  1999.61.00.026986­1),  no  qual  discute  as  alterações trazidas pela Lei 9.718/98 na base do cálculo e na alíquota da COFINS, não serão  discutidas na via administrativa estas matérias, tendo em vista o que dispõe o parágrafo único  do artigo 38 da Lei 6.830/80, assim como a prescrição contida na Súmula CARF nº 1, verbis:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Passemos  a  análise,  portanto,  dos  argumentos  trazidos  pela  Recorrente  em  relação ao  lançamento de ofício constante destes autos  (processo n° 19515.002968/2004­31),  para cada um dos tópicos do Recurso Voluntário apresentado.   (i)  Dos erros da DRJ quando do cálculo da imputação de encargos   Como destacado  linhas acima, os valores constantes deste auto de  infração,  lavrado com a suspensão de sua exigibilidade, referem­se à cobrança da COFINS e dos juros  moratórios,  em  relação  às quantias depositadas  judicialmente  (MS  n°  1999.61.00.029986­ 1/SP), por intermédio do qual o contribuinte questiona a apuração da contribuição, nos termos  em que disciplinada pela referida Lei n° 9.718/98.  A DRJ – Rio de  Janeiro,  no meu  entender,  equivocadamente,  fazendo uma  análise conjunta dos dois autos de infração lavrados (processos n° 19515.002968/2004­31 e n°  19515.002969/2004­85),  efetuou  a  imputação  dos  encargos  de  mora  entendidos  como  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 238          16 devidos ­ multa de mora e juros de mora, para então considerar como convertida em renda  da  União  apenas  a  parcela  efetivamente  amortizada  do  crédito  tributário.  O  órgão  de  julgamento  de  primeira  instância  considerou  (ou  talvez,  presumiu!),  que  as  divergências  apuradas nos autos deste processo n° 19515.002968/2004­31 (valores depositados em relação à  discussão sobre a alíquota e a base de cálculo – LC 70/91 e Lei 9.718/98) e os valores apurados  nos autos do outro processo (n° 19515.002969/2004­85),  teriam a mesma origem, entretanto,  não me parece (ou pelo menos isto não está provado nos autos) que foi isso o que constatou a  fiscalização.   Deste modo,  não  há  como  tratar  conjuntamente  os  valores  constantes  deste  processo, para os quais existe depósito judicial, com aqueles constantes do outro processo (n°  19515.002969/2004­85),  para  o  qual  os  valores  não  foram  depositados  e  nem  constam  em  DCTF.   Muito bem. Passemos à análise da matéria relativa a este processo.   Com  o  trânsito  em  julgado  havido  nos  autos  da  ação  judicial  (MS  n°  1999.61.00.026986­1) restou decidido que a COFINS deveria incidir à alíquota de 3% sobre o  faturamento  da  Recorrente,  assim,  o  objeto  do  presente  litígio  refere­se,  exclusivamente,  à  diferença de 1% do  faturamento da Recorrente para os meses do  lançamento não alcançados  pela decadência (períodos de apuração a partir de dezembro de 1999), conforme reconheceu o  próprio Acórdão n.º 13­21.220, da DRJ – Rio de Janeiro.   No voto da decisão de primeira instância, o Relator entendeu que deveria ser  considerado procedente o lançamento, nos seguintes termos (fls. 507/508):   27.  Assim,  deve­se  considerar  procedente  o  lançamento  que  promoveu  a  constituição  de  crédito  tributário  que  se  refere  às  quantias depositadas em ação judicial por intermédio da qual se  questiona  a  legalidade/constitucionalidade  da  exigência  de  tributo/contribuição,  já que, à ocasião do  lançamento,  inexistia  qualquer  condição  extintiva  do  crédito  em  questão,  mas,  tão­ somente,  observava­se,  até  então,  a  existência  de  depósito  judicial  apto  a  suspender  o  crédito  até  o  limite  das  quantias  depositadas.  28.  A  posterior  transformação  em  pagamento  definitivo  das  quantias  depositadas,  longe  de  afastar  a  procedência  do  lançamento, muito antes confirma a sua necessidade, como meio  de prevenir a eventual decadência do direito lançar, ocorrência,  aliás,  que  não  se  evitou  em  relação  aos  meses  de  outubro  e  novembro  de  1999,  como  aqui  visto  anteriormente.  Deve­se,  entretanto,  com  a  transformação  das  quantias  depositadas  em  pagamento  definitivo,  proceder­se à  sua  imputação aos  débitos  correspondentes, extinguindo­o, na forma do inciso II do art. 1°  da  Lei  n°  9.703/98  anteriormente  colacionado,  "proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo  ou  contribuição, inclusive seus acessórios".  29.  Ou  seja,  como  na  grande  maioria  dos  casos,  os  depósitos  foram  efetivados  após  o  vencimento  do  prazo  original  para  pagamento  da  COFINS  considerada  devida,  as  quantias  depositadas  deveriam  se  fazer  acompanhadas  dos  acréscimos  (acessórios)  legais  previstos  na  legislação  —  ou  seja,  mais  especificamente, de multa de mora e de juros de mora — para  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 239          17 que, com a sua eventual transformação em pagamento definitivo  —  posteriormente  ocorrida  —  citadas  quantias  pudessem  se  fazer capazes de promover a extinção da totalidade das quantias  que se pretendeu depositada. Tal conclusão decorre da própria  leitura  do  dispositivo  acima  citado,  que,  vale  ratificar,  prevê a  transformação  em  pagamento  definitivo,  "proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo  ou  contribuição,  inclusive  seus acessórios.  30. Como a  realização dos depósitos não  se  fez acompanhada  dos  devidos  acréscimos  legais,  para  se  chegar  às  quantias  efetivamente extintas do presente lançamento da COFINS, com a  transformação  em  pagamento  definitivo  das  quantias  depositadas,  utilizou­se  do  sistema  informatizado  da  RFB  (SICALC), por intermédio do qual, utilizando­se do método de  imputação proporcional (v. fls. 472/495), apura­se, na data em  que  efetivado  o  depósito,  o  percentual  (in  casu,  na  grande  maioria  das  vezes,  inferior  a  100%)  decorrente  da  divisão  da  quantia  que  se  fez  depositada  em  relação  àquela  que  se  fazia  efetivamente  devida  na  data  do  depósito,  caso  considerado  o  valor  principal  depositado,  acompanhado  dos  acréscimos  de  multa e de juros de mora cabíveis. O percentual obtido é então  aplicado à  quantia  efetivamente  depositada,  para  se  chegar  ao  valor cabível de extinção no presente lançamento.  Assim,  em  decorrência  dos  atrasos  na  efetivação  dos  depósitos  judiciais,  a  DRJ  –  Rio  de  Janeiro,  fazendo  uma  análise  conjunta  dos  dois  autos  de  infração  lavrados  (processos  n°  19515.002968/2004­31  e  n°  19515.002969/2004­85),  fez  imputação  dos  encargos  de  mora  entendidos  como  devidos  (multa  de  mora  e  juros  de  mora),  para  então  considerar como convertida em renda da União apenas a parcela efetivamente amortizada do  crédito tributário. As planilhas de cálculo elaboradas pela DRJ – Rio de Janeiro estão anexadas  às folhas 472 a 495.  Neste  ponto,  assiste  razão  à  Recorrente.  Não  há  como  concordar  com  a  decisão de primeira instância, devendo a mesma ser reformada.   Em  primeiro  lugar,  como  já  argumentado,  porque  o  acórdão  proferido  em  primeira  instância  inovou,  inclusive  alterando  os  lançamentos  originalmente  efetuados,  ao  utilizar o chamado “método de imputação proporcional”, resultando na cobrança de multa de  mora  e  juros  de  mora.  Veja  que  no  auto  de  infração  lavrado  não  consta,  originalmente,  a  “multa de mora”, mas apenas a cobrança da COFINS e os juros de mora, com suspensão de sua  exigibilidade.   Em segundo lugar, entendo que no caso concreto deve­se aplicar o art. 151,  inciso IV, do CTN combinado com o art. 63, § 2°, da Lei n° 9.430/96, uma vez que a liminar  concedida judicialmente suspendeu a exigibilidade até 30 dias contados da data em que cassada  pelo TRF (ou seja, até 19/10/2003), e desta forma, a empresa poderia ter realizado o pagamento  dos valores controvertidos sem aplicação de multa de mora, e muito menos multa de ofício, a  teor do que dispõe o caput do artigo 63 (como corretamente lançou a autoridade fiscal!)  Vejamos o que prescrevem os textos dos dispositivos citados:   Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 240          18 I­  moratória;  II­  o depósito em seu montante integral;  III­  as reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras  do processo tributário administrativo;  IV ­ a concessão de medida liminar em mandado de segurança.  IV­  a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em  outras espécies de ação judicial;  V­  o parcelamento".  Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício.   § 1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  débito  tenha  ocorrido  antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.   §2°  A  interposição  da  ação  judicial  favorecida  com  a medida  liminar  interrompe  a  incidência  da  multa  de  mora,  desde  a  concessão  da  medida  judicial,  até  30  dias  após  a  data  da  publicação da  decisão  judicial  que  considerar  devido  o  tributo  ou contribuição.  A empresa, portanto, teria até o dia 19/10/2003 para recolher e/ou depositar a  diferença  da  COFINS  devida.  Como  os  depósitos  foram  efetuados  durante  a  vigência  da  liminar,  não  deve  ser  cogitada  a  cobrada  a multa  de  mora,  mesmo  que  os  depósitos  não  tenham sido efetuados na data do vencimento. Repita­se,  a exigibilidade estava suspensa por  força da medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV / CTN) e, assim sendo, estava  interrompida a incidência da multa de mora (art. 63, §2°, Lei 9.430/96).  Diferentemente  do  que  ocorre  com  a  multa  de  mora,  os  juros  de  mora  devem ser mantidos, com base na taxa Selic. Os juros moratórios devem­se à exigência legal  estipulada  no  art.  161  do  CTN  e  à  inexistência  do  depósito  integral  efetuado  nas  datas  dos  respectivos  vencimentos.  É  que  dentre  as  hipóteses  de  suspensão  do  crédito  tributário  elencadas  no  art.  151  do  CTN,  somente  o  seu  inciso  II  (depósito  integral,  seja  judicial  ou  administrativo) suspende a exigibilidade com dispensa dos juros de mora, desde que feitos na  data prevista na legislação. Em havendo depósito integral, após o trânsito em julgado o valor  depositado será convertido em renda da União, caso o Fisco saia vitorioso na causa, ou então  será  levantado  pelo  contribuinte,  se  este  lograr  êxito.  Do  contrário,  e  mesmo  no  caso  de  suspensão da exigibilidade decorrente de medida judicial, cabe aplicação dos juros em questão.  Por último, a aplicação da Selic como juros moratórios já é tema pacificado  neste Conselho, inclusive, atualmente, já existe a Súmula CARF n° 4, de 2009, específica sobre  a  matéria:  "A  partir  de  1°  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórias  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –  SELIC para títulos federais."  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 241          19 Em conclusão, no meu entender, o montante devido pela Recorrente deve ser  calculado com a incidência dos juros de mora (nos casos em que o depósito foi efetuado em  atraso) e sem a aplicação da multa de mora, (para os depósitos realizados entre 16/06/1999 e  19/10/2003, ou seja,  entre a data da concessão da medida  liminar até 30 dias após  a data da  publicação da decisão do TRF que cassou a liminar).   Passemos ao segundo tópico do Recurso Voluntário.  (ii)  Da necessidade de compensação dos créditos da Recorrente  Neste  item,  a  Recorrente  alega  que  muito  embora  os  demonstrativos  da  autoridade  fiscal  já  informarem  haver  indébito  a  seu  favor,  em  boa  parte  dos  meses,  não  reconheceu  estes  valores,  decidindo  por  prosseguir  no  processo  apenas  para  cobrança  do  montante  tido  como  devido.  Requer,  desta  forma,  que  seja  efetuada  a  compensação  dos  indébitos  apontados,  uma  vez  que  a  própria  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  reconheceu ter havido pagamento a maior pelo particular.  Assiste razão, em parte, à Recorrente.   Nos  termos  do  que  dispõe  o  artigo  1º,  §3º,  inciso  II,  da  Lei  9.703/98,  os  depósitos judiciais, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, serão transformados  em  pagamento  definitivo,  proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente  tributo  ou  contribuição,  inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à  Fazenda Nacional. E, uma vez, convertidos em renda da União, extinguem o crédito tributário,  ex vi do inciso VI, artigo 156, CTN.   Assim, parece­me correta a argumentação trazida pela Recorrente no sentido  de que devem ser computados os depósitos efetuados a maior que o apurado pela fiscalização  para abater daqueles depositados a menor em outros períodos, notadamente considerando­se  que os depósitos foram convertidos em sua totalidade em renda da União (ou seja, inclusive os  valores considerados a maior foram convertidos à Fazenda Pública).   Deve­se,  portanto,  com  a  conversão  dos  depósitos  efetuados  em  renda  da  União, proceder­se à sua  imputação aos débitos correspondentes, extinguindo­o, na forma do  inciso  II  do  art.  1°  da  Lei  n°  9.703/98,  ou  seja,  "proporcionalmente  à  exigência  do  correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios".  Entretanto,  por  outro  lado,  não  há  como  reconhecer,  como  requer  a  Recorrente,  direito  ao  indébito  correspondente  ao  valor  pago/convertido  a  maior,  já  líquido  do  débito,  uma  vez  que  o  objeto  do  presente  litígio  não  é  o  “reconhecimento  de  indébito tributário”, mas sim os lançamentos de ofício efetuados.   Deve­se, portanto, nestes autos, efetuar a apuração dos depósitos convertidos  em  renda  da  União,  verificando­se  a  suficiência  de  todos  os  depósitos  efetuados  (tanto  os  valores “depositados a maior” como os “depositados a menor”) para quitar os montantes dos  créditos tributários lançados nos autos de infração.  Conclusão   Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  Recurso  Voluntário,  devendo  a  autoridade  fiscal  da  unidade  de  jurisdição  do  contribuinte  confrontar  o  montante  lançado  no  auto  de  infração  ­  COFINS  e  juros  de  mora  ­  com  a  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 242          20 totalidade  dos  depósitos  efetuados,  de  forma  que  os  depósitos  efetuados  a  maior  sejam  computados e abatidos em relação àqueles depósitos efetuados à menor, até o limite do crédito  tributário constituído neste lançamento.   Alerto, entretanto, que, quando da execução deste julgado, caso seja apurado  saldo  credor  da  contribuinte,  deve  ser  abatida  a  parcela  exonerada  pela  DRJ,  nos  autos  do  processo n° 19515.002969/2004­85, para que não seja considerada duas vezes a mesma parcela  do crédito da contribuinte.  É como voto.  Relator    Declaração de Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator.  Minha única divergência reside, como já adiantei em sessão passada, no fato  de  que os  valores  recolhidos  a maior  na  fase  judicial  somente  não  podem  ser  compensados,  pela só decisão deste Colegiado, com os valores recolhidos a menor em períodos de apuração  diversos, ainda que do mesmo ano­calendário. É o que de fato significa o encontro de contas  proposto  pelo Relator.  Afinal,  falece  competência  ao CARF  (também  às DRJs)  promover  a  compensação  de  tributos,  mas  apenas  apreciá­la  quando  instaurado  o  litígio,  mediante  apresentação de manifestação de inconformidade tempestivamente aviada contra a decisão da  autoridade administrativa competente (Despacho Decisório proferido pelo chefe da unidade de  origem).  No caso, caberia à contribuinte pleitear ao magistrado, no momento oportuno,  o levantamento dos valores recolhidos a maior na ação judicial (ou a sua compensação com os  recolhidos  a  menor)  ou  apresentar  PER/DCOMP,  o  único  meio  adequado  para  as  pessoas  jurídicas requererem a restituição cumulada ou não com a compensação de tributos.  É o meu entendimento.  Charles Mayer de Castro Souza                                Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.002968/2004­31  Acórdão n.º 3202­000.584  S3­C2T2  Fl. 243          21   Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 11060.002228/2005-69
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. A incidência da Cofins em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei deregência. NORMAS COMPLEMENTARES. ALCANCE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos impor limites temporais para a utilização de suspensão da incidência estabelecida por lei. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que as normas complementares (portarias, instruções normativas, etc...) estão subordinadas estritamente à lei que autorizou a sua expedição, jamais poderão extrapolar estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade. O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos (e, consequentemente, das instruções normativas) restringem-se aos das leis em função das quais foram expedidos. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal, de pessoas físicas, podem ser calculados pelas empresas cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza Trindade Torres – Presidente atual. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa ausente momentaneamente.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. A incidência da Cofins em relação às vendas efetuadas pelas empresas cerealistas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei deregência. NORMAS COMPLEMENTARES. ALCANCE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos impor limites temporais para a utilização de suspensão da incidência estabelecida por lei. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que as normas complementares (portarias, instruções normativas, etc...) estão subordinadas estritamente à lei que autorizou a sua expedição, jamais poderão extrapolar estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade. O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos (e, consequentemente, das instruções normativas) restringem-se aos das leis em função das quais foram expedidos. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal, de pessoas físicas, podem ser calculados pelas empresas cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos. Recurso Voluntário Provido

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 213          1 212  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11060.002228/2005­69  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3202­000.378  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de outubro de 2011  Matéria  PIS ­ CEREALISTAS  Recorrente  S C CEREAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004  SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS.   A  incidência  da  Cofins  em  relação  às  vendas  efetuadas  pelas  empresas  cerealistas  às  agroindústrias  que  apurem  o  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  real  foi  suspensa  a partir  de 01 de  agosto  de 2004, nos  termos da  lei  deregência.  NORMAS  COMPLEMENTARES.  ALCANCE.  PRINCÍPIO  DA  LEGALIDADE.  Normas  complementares,  na  acepção  do  artigo  100,  inciso  I,  do CTN,  não  podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em lei, muito menos  impor  limites  temporais  para  a  utilização  de  suspensão  da  incidência  estabelecida por lei. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que as normas  complementares  (portarias,  instruções normativas,  etc...)  estão  subordinadas  estritamente  à  lei  que autorizou a  sua expedição,  jamais poderão  extrapolar  estes limites dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena  de incorrerem em nulidade por vício de ilegalidade.  O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos  (e,  consequentemente, das instruções normativas) restringem­se aos das leis em  função das quais foram expedidos.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  PRESUMIDOS.  EMPRESAS CEREALISTAS.  Os  créditos  presumidos  por  aquisição  de  produtos  de  origem  vegetal,  de  pessoas físicas, podem ser calculados pelas empresas cerealistas que exerçam  cumulativamente  as  atividades  de  secar,  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar tais produtos.  Recurso Voluntário Provido       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 28 /2 00 5- 69 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 214          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.  Irene Souza Trindade Torres – Presidente atual.  Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  José  Luiz  Novo  Rossari,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Irene  Souza  da  Trindade  Torres,  Gilberto  de  Castro  Moreira  Junior  e  Luís  Eduardo  Garrossino  Barbieri.  O  conselheiro  Octávio  Carneiro  Silva  Corrêa ausente momentaneamente.  Relatório  O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de Auto  de Infração (fls. 04/ss), para a cobrança de diferença apurada pela fiscalização em relação ao  recolhimento  ao  PIS,  multa  de  ofício  e  juros  moratórios,  em  decorrência  das  seguintes  irregularidades  apontadas  no  Relatório  de  Fiscalização  (fls.  6/ss),  que  tento  reproduzir  em  apertada síntese:  (i) exclusões indevidas sobre as bases de cálculo do PIS quanto às receitas de  exportações,  pelo  fato  da  fiscalização  alegar  que  a  recorrente  não  atendeu  os  requisitos  estabelecidos na legislação para comprovar a efetiva exportação das mercadorias (fls. 06/12);  (ii) quando da apuração dos créditos quanto ao PIS, foram utilizados valores  para  aproveitamento  de  crédito  presumido  relativamente  a  produtos  in  natura  de  origem  vegetal,  adquiridos  de  pessoas  físicas  nos  meses  de  03/04  a  07/04,  em  desacordo  com  a  legislação. A  fiscalização  entendeu  que  as  empresas  cerealistas  apenas  poderão  utilizar  para  aproveitamento de crédito presumido os valores das aquisições efetuadas de produtos in natura  de  origem  vegetal  adquiridos  de  pessoas  físicas  que  forem  posteriormente  revendidos  para  serem utilizados como insumos pelas agroindústrias de que tratam o artigo 3°, § 5° da Lei n°.  10.833/03. Aduz  que  a  expressão  utilizada  no  artigo  3°,  §  11  da Lei  n°.  10.833/03,  "vendas  realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º não se refere à condição da pessoa jurídica,  se  agroindústria  ou  não,  mas  sim  à  operação  de  revenda  de  mercadorias  que  serão  posteriormente utilizadas como insumos pelas agroindústrias para a fabricação de produtos de  origem  animal  ou  vegetal  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal”.  Desta  forma,  a  recorrente não tem direito ao crédito presumido quanto às aquisições de mercadorias que foram  posteriormente  revendidas  (exportadas  em  estado  natural)  e  não  foram  utilizadas  como  insumos pela agroindústria/empresa exportadora BIANCHINI (fls. 13/18).  Transcrevemos,  a  seguir,  o  Relatório  constante  da  decisão  de  primeira  instância administrativa:  Relatório  A contribuinte supra identificada foi autuada por lhe ter sido atribuída falta  de  recolhimento  da  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  social  –  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 215          3 PIS/Pasep  com  incidência  não­cumulativa  em  relação  aos  períodos  de  apuração correspondentes aos meses de maio,  junho, agosto e setembro de  2004.  As  infrações apuradas encontram­se descritas no Relatório de Fiscalização  de fls. 06 a 18. Os demonstrativos dos valores apurados encontram­se às fls.  19 a 32.  Da  autuação  resultou  a  exigência  do  PIS/Pasep  no  valor  de  R$17.937,95,  acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora.  Em 12 de setembro de 2005 foi apresentada a impugnação que se encontra  às  fls.  181  a  192,  na  qual  se  encontram  os  argumentos  de  defesa  da  contribuinte, que podem ser assim resumidos:  ­  Houve  erro  material  na  formação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  relativamente  ao  mês  de  maio  de  2004,  com  a  inclusão  do  valor  de  R$  630.000,00  decorrentes  da  comercialização  de  soja  em  grãos  à  empresa  Bianchini, pois conforme consta do anexo 1, o Memorando de Exportação n°  520/03, expedido pela mencionada empresa em face da nota fiscal n° 6418,  emitida  pela  impugnante  na  comercialização,  houve  a  destinação  ao  mercado externo de soja em grãos no valor apontado como não exportado.  ­  O  produto  constante  da  mencionada  nota  fiscal  foi  vendido  com  o  fim  específico  de  exportação,  o  que  foi  aceito  pela  fiscalização,  por  estar  incluído  no  montante  de  R$  1.746.515,79  considerados  efetivamente  exportados no período submetido à análise.   ­  Na  planilha  de  fl.  30,  o  montante  de  vendas  consideradas  como  efetivamente exportadas montam R$ 2.376.515,79, enquanto somente  foram  deduzidos  da  base  de  cálculo  do  PIS  R$  1.746.515,79  como  receitas  de  exportação,  resultando  numa  diferença  de  exatamente  R$  630.000,00,  que  solicita que seja excluída da base de cálculo.  ­  A  exigência  do  PIS  em  relação  aos  períodos  de  apuração  de  agosto  e  setembro  de  2004  é  ilegal,  visto  que  o  art.  9°,  da Lei  n°  10.925,  de  23  de  julho de 2004 determinou,  com efeitos a partir de 1° de agosto de 2004, a  suspensão da incidência da contribuição na hipótese de venda realizada pela  empresas  cerealistas,  como  a  impugnante,  dos  produtos  "in  natura"  de  origem vegetal classificados, entre outros, na posição 12.01.  ­ A impugnante tem direito à fruição do crédito presumido do PIS sobre as  aquisições de  soja  em grãos  realizadas de pessoas  físicas  e posteriormente  revendidas  para  as  empresas  agroindustriais,  independentemente  de  serem  tais  produtos  utilizados  pelas  adquirentes  como  insumos  na  produção  de  produtos destinados à alimentação humana ou animal.  ­ A  interpretação da  fiscalização está  equivocada,  visto que as disposições  dos  parágrafos  5°  e  11  do  art.  3°  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  tratam  de  hipóteses  diferentes  de  apropriação  de  créditos,  que  não  podem  ser  confundidas, visto que a lei não determina que os produtos sejam utilizados  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 216          4 como insumos pelas empresas industriais adquirentes para que a vendedora  tenha direito ao cálculo de créditos presumidos.  Requereu  a  impugnante  que  seja  julgado  improcedente  o  lançamento  questionado.  Juntamente  com  a  impugnação  foram  apresentados  os  documentos  que  se  encontram às fls. 193 a 196.  A tempestividade da impugnação foi atestada à fl. 198.  A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa  Maria – RS  julgou o  lançamento procedente em parte, proferindo o Acórdão nº 188.790 (fls.  199/ss), o qual recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004  REGIME  DA  NÃOCUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  PRESUMIDOS.  EMPRESAS CEREALISTAS.  Os  créditos  presumidos  por  aquisição  de  produtos  de  origem  vegetal  de  pessoas  físicas  somente  podem  ser  calculados  pelas  empresas  cerealistas  sobre as vendas efetuadas a agroindústrias que os utilize como insumos.  SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS.  A  incidência  do  PIS  em  relação  às  vendas  efetuadas  pelas  empresas  cerealistas  às  agroindústrias  que apurem o  imposto  de  renda  com base no  lucro real foi suspensa somente a partir de 04 de abril de 2006.  VENDAS  COM  O  FIM  ESPECÍFICO  DE  EXPORTAÇÃO.  NÃO  INCIDÊNCIA.  O PIS não incide sobre receita decorrente de vendas com o fim específico de  exportação.  Lançamento Procedente em Parte  Portanto, a decisão da DRJ – Santa Maria afastou parte do crédito tributário  lançado, por entender que uma parcela das exportações foi efetivamente comprovada (deve ser  excluída da base de cálculo a receita de exportação no valor de R$ 630.000,00, do mês de maio  de 2004) nos seguintes termos:  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  se  julgar  procedente  em  parte  o  lançamento, mantendo­se  a  exigência  do  PIS  em  relação  aos  períodos  de  apuração correspondentes aos meses de  junho, agosto e setembro de 2004,  nos  valores  de,  respectivamente,  R$  1.341,69,  R$  3.244,34  e  R$  2.956,92,  com as respectivas multas de ofício de 75%; cancelando­se a exigência em  relação  ao mês  de maio  de  2004,  no  valor  de R$  9.404,12,  assim  como  a  respectiva multa de ofício de 75%; e cancelando­se parcialmente a exigência  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 217          5 do PIS  em  relação  ao mês  de  junho  de  2004,  no  valor  de R$  990,88  e  da  correspondente multa de oficio de 75%.  A recorrente foi cientificada do Acórdão em 07/04/2008 (fl. 210).  Inconformada  com  a  decisão  da  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  administrativa,  interpôs  Recurso Voluntário  em  30/04/2008  (fls.  213/ss)  onde  apresenta,  em  síntese, os seguintes argumentos para contestar a decisão de primeira instância administrativa:  (i) da ilegalidade da exigência do PIS, nos períodos de apuração de 08/2004 a  09/2001, por  inobservância da regra de “suspensão” da incidência do tributo, em decorrência  do disposto no artigo 9º da Lei n° 10.925/2004.  A lei 10.925/2004 foi publicada no DOU em 26/07/2004, sendo que o artigo  17,  inciso  III,  estabeleceu  que  o  início  dos  seus  efeitos  dar­se­ia  em  1º  de  agosto  de  2004,  portanto,  abarcando  os  pretensos  fatos  geradores  de  08/2004  e  09/2004.  Assim,  a  suposta  restrição a que se apega o julgador da DRJ Santa Maria não merece acolhida, sobretudo porque  a  IN SRF No. 636/2006  (revogada pela  IN SRF 660/2006) não pode  limitar, no  tempo, uma  garantia/direito plasmada em Lei (artigo 9º da Lei 10.925/2004). Somente a lei pode estipular  “condições”  –  ampliativas  ou  restritivas  –  para matérias  suspensivas/exonerativas  ao  sujeito  passivo.  Em conclusão, afirma que a regra suspensiva é clara e auto­exequível, como  prevista no  artigo 9º da Lei 10.925/2004,  com  todos os  elementos  e  condições necessárias  à  implementação do direito nela albergado, não podendo a Instrução Normativa dispor de forma  diferente à dicção legal da norma superior.  (ii) do direito à fruição do “crédito presumido” do PIS no período fiscalizado.  Discorda  do  entendimento  da  fiscalização  de  que  o  crédito  presumido  em  discussão só poderia ser apurado e utilizado nos casos em que as aquisições de tais produtos  junto  as  pessoas  físicas  fossem,  posteriormente,  revendidas  para  serem  utilizados  como  insumos pelas agroindústrias adquirentes.  Este  entendimento  não  deve  prosperar  porque  abarcam  situações  diferentes  no que diz respeito ao direito do crédito presumido, mormente em função dos §§ 11º e 5º (art.  3, da Lei 10.833/03) regularem situações fático­jurídicas distintas . O § 11º prescreve o direito  creditório às empresas cerealistas, tal como o é a recorrente, desde que "adquiram diretamente  de pessoas  físicas [...] produtos  in natura de origem vegetal" classificados, dentre outros, na  posição 12.01 da NCM (i e., soja em grãos), e que desempenhe, como já mencionado outrora,  as  atividades  de  secar,  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  estes  produtos.  O  regramento  do  §  5°,  responsável  por  conceder  o  direito  ao  crédito  presumido  às  empresas  agroindustriais,  tal  como o é a BIANCHINI, vale dizer,  às  "pessoas  jurídicas que produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal",  conquanto  neste  processo  industrial  sejam  consumidos  produtos  classificados  em  vários  códigos  da  NCM,  dentre  os  quais  o  "soja  em  grãos", que deve ser, a posteriori, destinados à alimentação humana.  Aduz, assim, que se trata de comandos insertos em parágrafos distintos de um  mesmo  artigo  (art.  3°  Lei  10.833/03);  comando  legal  cuja  função  é  disciplinar  situações  antagônicas no que tange ao direito do crédito em análise. Assim, de um lado, tem­se o crédito  presumido das cerealistas (§ 11°), de outro, o crédito presumido das agroindústrias (§ 5°).  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 218          6 Deste modo, alega serem disposições inconciliáveis sob o enfoque do direito  aquisitivo ao crédito do  tributo em pauta. Conjugando­os (§11º com o § 5°), como feito pela  fiscalização,  nunca  se  poderá  chegar  à  outra  conclusão  que  não  a  de  que  são  previsões  absolutamente  independentes,  eis que  tratam de hipóteses diversas  entre  si  e que  somente  se  aproximam  quando  se  pretende  saber  (identificar)  quais  pessoas  jurídicas  se  está  a  tratar  (cerealistas/agroindústrias).  Em conclusão,  afirma que  a  lei  exige da  recorrente,  para  fins de permitir o  creditamento em contenda, a "venda" dos produtos in natura de origem vegetal, adquiridos de  pessoas físicas, para uma empresa agroindustrial. Nada mais foi exigido. Por outro lado, no que  concerne  à  agroindústria  (como  é  o  caso  da  BIANCHINI,  como  exemplo)  pede  sejam  insumidos na "produção" (fabricação) de alimentos, destinados ao consumo humano, produtos  de  origem  vegetal,  sempre  quando  ela  compra­los  diretamente  de  pessoas  físicas,  o  que  à  evidência não ocorreu. Para a primeira  (cerealista/recorrente),  imperioso haver a  "venda" dos  produtos,  enquanto  para  a  segunda  (agroindústria/BIANCHINI),  fundamental  se  torna  a  sua  "industrialização", sempre quando adquiridos por si mesma diretamente de pessoas físicas.  Por fim, requer a reforma da decisão atacada para o fim de julgar nulo o auto  de infração.  O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma  regimental.  É o relatório  Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.  O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em  lei, razão pela qual dele se conhece.  Primeiramente  destacamos  que  o  Acórdão  da  DRJ  –  STM,  como  relatado,  cancelou a cobrança do crédito tributário em relação ao mês de maio de 2004 (PIS no valor de  R$  9.404,12, mais  acréscimos  legais)  e,  parcialmente,  em  relação  ao mês  de  junho  de  2004  (PIS no valor de R$ 990,88, mais acréscimos legais), relativos às exclusões sobre as bases de  cálculo da contribuição quanto às receitas de exportações. O Acórdão recorrido manteve a  cobrança do crédito tributário em relação aos períodos de apuração correspondentes aos meses  de  junho  (parcialmente),  agosto  e  setembro  de  2004,  nos  valores  de  respectivamente,  R$  1.341,69, R$ 3.244,34 e R$ 2.956,92, com os respectivos acréscimos legais.  Quanto  a  esta matéria  (exclusões  sobre  as bases  de  cálculo da  contribuição  quanto às receitas de exportação) a contribuinte não se manifestou no recurso.  Passemos, então, à análise da primeira questão suscitada pela recorrente ­ (i)  a  suspensão  da  incidência  da  Cofins  em  relação  às  vendas  efetuadas  pelas  empresas  cerealistas às agroindústrias.  Para melhor entendimento da questão transcrevo o artigo 9º (em sua redação  original) e 17 da Lei n° 10.925/2004, verbis:  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 219          7 Art.  9º A  incidência da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  fica  suspensa  na  hipótese  de  venda  dos  produtos  in  natura  de  origem  vegetal,  classificados  nas  posições  09.01,  10.01  a  10.08,  12.01  e  18.01,  todos  da  NCM,  efetuada  pelos  cerealistas  que  exerçam  cumulativamente  as  atividades  de  secar,  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  referidos  produtos,  por  pessoa  jurídica  e  por  cooperativa  que  exerçam  atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro  real,  nos  termos  e  condições  estabelecidas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  Art. 17. Produz efeitos:  (...)  III – a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei;  (grifou­se)  O dispositivo legal foi regulamentado através da Instrução Normativa SRF n°  636, de 24 de março de 2006, nos seguintes termos:  Art.  1° Esta  Instrução Normativa disciplina a  comercialização de produtos  agropecuários na forma dos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n°10.925, de 2004.  Art. 2° Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes  sobre a receita bruta decorrente da venda:  I  –  efetuada  por  cerealista,  de  produtos  in  natura  de  origem  vegetal  classificados  na  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (Tipi) sob os códigos:  a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30;  b) 12.01 e 18.01;  § 1° Para os efeitos deste artigo, entende­se por:   I­   cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  produtos  in  natura  de  origem vegetal;  §  2°  A  suspensão  de  que  trata  este  artigo  alcança  somente  as  vendas  efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3°.  §3° A pessoa  jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção  do  regime  de  tributação  pelo  lucro  real mediante  apresentação,  perante  a  pessoa  jurídica  vendedora,  de  declaração  firmada  pelo  sócio,  acionista  ou  representante legal da pessoa jurídica adquirente.  § 4° É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o  aproveitamento  de  créditos  referentes  à  incidência  não  cumulativa  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  quando  decorrentes  de  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 220          8 aquisição  de  insumos  relativos  aos  produtos  agropecuários  vendidos  com  suspensão da exigência dessas contribuições.  Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação,  produzindo efeitos a partir de 1° de agosto de 2004.  (grifou­se)  Destaque­se,  de  antemão,  que  o  artigo  17,  inciso  III,  da  Lei  10.925/2004  prescreveu que o início dos seus efeitos dar­se­ia em 1º de agosto de 2004, portanto, a Lei já  estava apta a produzir efeitos em relação aos fatos geradores relativos aos períodos de apuração  referentes à 08/2004 e 09/2004.  Portanto,  há  que  se  concordar  com  a  recorrente  quando  afirma  que  a  Lei  10.925/2004 já poderia ser aplicada a partir de 01/08/2004, pois a partir desta data já era válida,  vigente e eficaz.  Normas complementares, na acepção do artigo 100, inciso I, do CTN, como é  o caso da instrução normativa, não podem restringir, inovar ou modificar direitos prescritos em  lei, muito menos impor limites temporais para a utilização da suspensão da incidência, por falta  de  regulamentação,  em  desacordo  com  o  disposto  na  lei  (artigo  17),  sob  pena  de  desatendimento ao princípio da legalidade. O ordenamento jurídico brasileiro impõe que estas  normas  complementares  (portarias,  instruções  normativas,  etc...)  estão  subordinadas  estritamente  à  lei  que  autorizou  a  sua  expedição,  jamais  poderão  extrapolar  estes  limites  dispondo contra legem, praeter legem ou extra legem, sob pena de incorrerem em nulidade por  vício de ilegalidade.  O artigo 99 do CTN prescreve que o conteúdo e o alcance dos decretos  (e,  consequentemente, das instruções normativas) restringem­se aos das leis em função das quais  foram expedidos.  Assim, não podemos concordar com a posição exarada no voto condutor do  Acórdão recorrido no sentido de que a suspensão da incidência do PIS dependia da edição da  IN SRF n° 636, de 2006 (DOU de 4 de abril de 2006), posteriormente revogada pela IN SRF n°  660,  de  2006,  portanto,  somente  a  partir  dessa  data  (04.04.2006)  é  que  se  tornou  possível  efetuar vendas com a referida suspensão.  Ademais,  o  próprio  artigo  5º  da  IN  SRF No  636/2006  estipulava  que  esta  norma complementar entraria em vigor na data de sua publicação e produziria efeitos a partir  de 1° de agosto de 2004 (em conformidade com o artigo 17 da Lei n° 10.925/2004, aliás, como  não poderia deixar de ser).  Em conclusão, entendo que a vigência do direito à suspensão da incidência da  Contribuição deve ser determinada pelo artigo 17º da Lei n° 10.925/2004, ou seja, a partir de  01/08/2004.  Portanto,  os  fatos  geradores  ocorridos  nos  períodos  de  apuração  referentes  à  agosto e setembro de 2004 estavam com a exigibilidade das contribuições suspensas por força  do disposto no artigo 9º da Lei n° 10.925/2004, devendo, assim, ser cancelada a exigibilidade  do crédito tributário relativo aos períodos de agosto e setembro de 2004.  Passemos à análise da outra questão suscitada pela recorrente: (ii) do direito  à fruição do “crédito presumido” da COFINS no período fiscalizado.  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 221          9 Para  melhor  entendimento  da  questão  transcrevo  os  artigos  pertinentes  à  discussão da Lei n° 10.833/2004, verbis:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na  forma deste  artigo, as  pessoas  jurídicas  que  produzam mercadorias  de  origem animal  ou  vegetal,  classificadas  nos  capítulos  2  a  4,  8  a  12  e  23,  e  nos  códigos  01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90,  07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00,  1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e  2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados  à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em  cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o  valor dos  bens  e  serviços  referidos no  inciso  II  do  caput deste artigo, adquiridos,  no  mesmo período, de pessoas físicas residentes no País.  § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste  artigo,  as  pessoas  jurídicas  que  adquiram  diretamente  de  pessoas  físicas  residentes no País produtos  in natura de origem vegetal, classificados nas  posições  10.01  a  10.08  e  12.01,  todos  da  NCM,  que  exerçam  cumulativamente  as  atividades  de  secar,  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  tais  produtos,  poderão  deduzir  da  COFINS  devida,  relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o §  5o,  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido  calculado  à  alíquota  correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o  valor de aquisição dos referidos produtos in natura.  .  O artigo 3º da Lei 10.833/2003 relaciona em seus incisos diversas operações  que  propiciam  o  direito  ao  crédito  da  Contribuição,  sendo  que  em  seus  parágrafos  estipula  condições específicas ou especiais para a fruição do direito ao crédito. Neste aspecto, entendo  que,  efetivamente,  os  parágrafos  5º  e  11º  prescreviam  hipóteses  distintas  de  concessão  de  crédito  presumido,  cada  qual  destinada  a  uma  categoria  de  contribuinte.  O  parágrafo  5º  destinado  às  “pessoas  jurídicas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal”,  classificadas nas posições especificadas, destinados à alimentação humana ou animal, enquanto  que  o  parágrafo  11º  às  “pessoas  jurídicas  que  adquiram  diretamente  de  pessoas  físicas  residentes  no  País  produtos  in  natura  de  origem  vegetal”,  classificados  nas  posições  especificadas,  que  exerçam  cumulativamente  as  atividades  de  secar,  limpar,  padronizar,  armazenar e comercializar tais produtos.  Desta  forma,  assiste  razão  à  recorrente  quando  afirma  serem  situações  distintas,  embora  ambas  digam  respeito  ao  direito  ao  crédito  presumido  da  contribuição.  O  parágrafo  5º  prescreve  a  concessão  do  direito  às  empresas  agroindustriais  (pessoas  jurídicas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal),  enquanto  o  parágrafo  11º  faz  a  prescrição  em  relação  às  empresas  cerealistas  (“pessoas  jurídicas  que  adquiram  produtos  de  origem vegetal de pessoas físicas para secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar”).  Não há, portanto, como equiparar ou correlacionar situações em que a própria  lei fez distinções.  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.002228/2005­69  Acórdão n.º 3202­000.378  S3­C2T2  Fl. 222          10 Concluo,  assim,  que  deve  ser  afastado  o  entendimento  da  fiscalização  no  sentido de que a recorrente não poderia calcular os créditos presumidos sobre as aquisições de  soja realizadas de pessoas físicas, conforma consta dos autos.  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  posto  que  presentes  os  requisitos  objetivos  de  admissibilidade  para  o  fim,  no  mérito,  de DAR PROVIMENTO  às  seguintes  matérias suscitadas pela recorrente:  (i) a suspensão da incidência do PIS em relação às vendas efetuadas pelas  empresas cerealistas às agroindústrias, em relação aos períodos de agosto e setembro de  2004;  (ii) direito à fruição do “crédito presumido” do PIS.  Ressalto, por fim, que a DRF – Santa Maria (RS) deverá verificar se restam  créditos  tributários a serem exigidos, após o recalculo considerando as duas matérias para as  quais foram dadas provimento, uma vez que não houve recurso em relação às exclusões sobre  as bases de cálculo da contribuição quanto às receita de exportação (o Acórdão recorrido havia  mantido, parcialmente, a cobrança do crédito tributário em relação ao período de junho/2004,  no montante de R$ 1.341,69, com os respectivos acréscimos legais).  É como voto.  Luís Eduardo Garrossino Barbieri                                Fl. 222DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 10680.011087/2007-77
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas upostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços. MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS. É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidôneos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir ao percentual de 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas upostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços. MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS. É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidôneos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:43:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:43:20Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:43:20Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:43:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:43:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:43:20Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:43:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:43:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:43:20Z; created: 2010-04-05T15:43:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-04-05T15:43:20Z; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:43:20Z | Conteúdo => Fl. 1 "id> •MINISTÉRIO DA FAZENDA . )1*.rr/.5I CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS _ PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.011087/2007-77 Recurso n° 166.050 Voluntário Acórdão n° 1301-00.227 — 3° Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente DAM PROJETOS DE ENGENHARIA LTDA, Recorrida 4' TURMA / DRJ BELO HORIZONTE / MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas supostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços. MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS. É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidemeos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir ao percentual de 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. el—kh rix LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente I VEIG CHA - Relator • Fi MB ZOO EDITADO EM: n rar Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 10680.011087/2007-77 SI-C311 Acórdão n.° 1301-00.227 CL 2 Relatório DAM PROJETOS DE ENGENHARIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 02-16036, de 18/10/2007, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 09/08/2007 (ciência do sujeito passivo em 10/08/2007) para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fl. 05), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fl. 10) e Imposto de Renda na Fonte — IR_F (fl. 15), tudo por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2002 e 2003. 0 total da exação foi de R$ 1344.548,17, aí incluídos multa de oficio de 150% e juros moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 04. De acordo com a Descrição dos Fatos (fl. 06) e com o Tenno de Verificação Fiscal (fls. 21/28), a interessada efetuou pagamentos, contabilizados corno custos, às seguintes pessoas jurídicas: (i) MCM Construtora & Serviços Técnicos Ltda., CNPJ 02.438.750/0001-75; (ii) Pavimento Construções e Comércio Ltda., CNPI 00.374.624/0001-79; (iii) Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., CNPJ 17.046.970/0001-20; (iv) Construtora Speed Ltda., CNPJ 66.375.007/0001-04; e (v) PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., CNPJ 65.168.262/0001-05. No entanto, além das notas fiscais, em tese emitidas pelas contratadas, e da alegação de que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro, nenhum contrato ou outro documento foi apresentado, que ' pudesse comprovar a efetiva prestação de serviços. Ademais, a fiscalização relata que a empresa MCM já havia sido objeto de fiscalizações anteriores da Receita Federal, quando foi constatado que praticava a venda de notas fiscais, mediante o pagamento de comissões, sem nenhuma efetiva prestação de serviços. Quanto às demais empresas, com pequenas variações, não foram localizadas em seus endereços cadastrais, nem seus sécios, e se declaravam como inativas à Receita Federal. Assim, concluiu o Fisco tratar-se de custos inexistentes, suportados por notas fiscais inidôneas, sem a comprovação de sua efetiva prestação, o que motivou a lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL para as glosas desses custos. A fiscalização também considerou que as saídas do caixa da empresa, a titulo de pagamento por prestação de serviços a essas empresas, seriam de fato pagamentos sem causa ou pagamentos a beneficiários não identificados, urna vez que todos os pagamentos foram efetuados em dinheiro, sem qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços nem identificação do real beneficiário. Por este motivo, foi também lavrado o auto de infração do Imposto de Renda na Fonte, com base nos arts. 674, 675 e 725 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99). Cientificada das exigências e com elas irresignada, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 531/545), com argumentos que podem ser sintetizados como segue: 3 Alega a decadência do direito de lançar o Imposto de Renda na Fonte para fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, com base no art. 150, § 4°, do CTN, considerando que o auto de infração foi lavrado em 10108/2007. Insurge-se contra as glosas efetuadas pelo Fisco, afirmando, no que toca à empresa MCM Construtora e Serviços Técnicos Ltda., que a própria fiscalização teria admitido que a prestadora de serviços recebeu parte do pagamento. Desta forma, caberia individualizar essa parcela, que teria sido paga a beneficiário identificado, para exclui-la da exigência do IRF a titulo de "pagamento a beneficiário não identificado". Reproduz trechos do Termo de Verificação Fiscal, para concluir que os motivos arrolados não seriam suficientes para a glosa dos valores, muito menos para imposição de multa qualificada, e que "se uma empresa não é encontrada em determinado local cinco anos após os fatos em questão, isto não significa que o serviço não tenha sido prestado. Por outro lado, não se pode apenar o tomado,- dos serviços se o prestador dos mesmos não cumpriu suas obrigações para com a Receita Federal. Quanto às declarações de pessoas a quem aproveita negar a efetividade dos serviços e o recebimento dos valores, não podem ser tomadas como testemunhos válidos, porque contaminadas pelo interesse próprio". Argumenta que caberia à fiscalização o ônus da prova, aprofimdando as investigações, e que os elementos relatados no Termo Fiscal, constituem, quando muito, indícios que poderiam ser levados em conta para a declaração das empresas como inaptas, na forma da legislação própria. Diz que o fisco não procedeu à declaração da inaptidão das empresas prestadoras dos serviços, não podendo transferir o ônus da prova, eis que não é dado à impugnante "o poder de fiscalizar o cumprimento das obrigações fiscais de seus fornecedores". Por outro lado, argumenta que fiscalização não negou a existência dos pagamentos, mas os considerou como tendo sido feitos (em parte) a beneficiários não identificados, sem que provasse o alegado. Citando jurisprudência afirma que simples suspeitas não são suficientes para desfazer a presunção de legitimidade e boa-fé que milita a favor do contribuinte. Quanto à aplicação da multa agravada alega que foi feita sem que a Fiscalização trouxesse ao processo provas de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. A 4' Turma da DRS em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n°02-16036, de 18/10/2007 (fls. 558/572), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sabre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 2003, 2004 Glosa de Custos. Mantém a glosa de custos, quando, regularmente intimada na fase preliminar de investigações, a empresa não comprova com documentação hábil e idónea, a natureza das operações que lhe deram causa, elementos que continuam sem a comprovação necessária mesmo após o contencioso. ier 4 Processo n 10680.011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 A escrituração da contribuinte faz prova em seu favor somente se respaldada em documentos hábeis que efetivamente comprovem os fatos nela registrados. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte —IR)?? Exercício: 2003, 2004 Pagamentos a beneficiários não identificados. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros, contabilizados ou mio, quando não for comprovada a operação, ou a causa que deu origem à entrega dos valores, nem identificado o beneficiário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 Normas Gerais: Decadência e Multa Proporcional Qualificada. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IRRF extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento encontra amparo legal, nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Não se prestam a comprovar custos/despesas notas fiscais emitidas em nome de empresas inexistentes e/ou já desativadas, se a pessoa jurídica não logra comprovar de forma irrefutável que os serviços foram efetivamente prestados. A utilização de documentos inidaneos configura evidente intuito de fraude, sujeitando a pessoa jurídica à multa agravada. Ementa Normas Processuais: Tributação Reflexa Observada a legislação de regência, aplica-se ao lançamento reflexo de CSLL e IRRF o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Ciente da decisão de primeira instância em 21/11/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 578, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 579. No recurso interposto (fls. 579/596), reitera preliminarmente a argüição de decadência do IRF para os fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, com base no art. 150, § 4°, do CTN, colacionando jurisprudência que entende aplicável. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Afirma que o acórdão recorrido ter-se-ia apoiado apenas no que já estava fundamentado no auto de infração, deixando de tecer consideração acerca da necessidade do o órgão fiscal declarar a inidoneidade da documentação de determinado fornecedor para negar validade ao respectivo documentário. O rito fixado pelo próprio órgão teria sido inobservado. No que toca aos pagamentos contabilizados com custos contratados à empresa MCM Construtora, reitera as alegações trazidas em sede de impugnação, e considera que a Turma Julgadora em primeira instância passou ao largo de incoerência evidenciada no procedimento fiscal, quando se admitiu que parte do pagamento seria de comissões, portanto, pago a beneficiário identificado. Sobre os pagamentos às demais empresas, repete, com as mesmas palavras, os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. A preliminar de decadência será apreciada ao final do voto, visto que depende da análise que se há de fazer acerca da presença, ou não, de dolo na conduta do contribuinte. Alega a recorrente que a decisão a quo teria deixado de se manifestar acerca de sua reclamação sobre a necessidade de ser declarada a inaptidão das empresas e de seus documentos fiscais para somente então impugnar os custos e despesas amparados por esses documentos. Embora o assunto não tenha sido tratado explicitamente, tenho que o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, com o que concordo. É que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte quando lastreada por documentos capazes de comprovar os fatos nela registrados. Quando, como no caso vertente, o Fisco não encontra junto à fiscalizada documentos que comprovem a efetiva realização dos serviços, os pagamentos foram feitos em espécie, e o aprofundamento das investigações mediante diligências junto às empresas alegadamente contratadas nada acrescenta no sentido de comprovar que os custos tenham sido de fato incorridos e pagos, é perfeitamente licita a glosa dos custos, ainda que não declarada a inaptidão das empresas que supostamente teriam emitido os documentos fiscais que lastrearam esses custos. O cerne da questão é se os elementos reunidos pelo Fisco são suficientes para glosar os custos contabilizados pela recorrente, e mais, negar validade às notas fiscais que os lastrearam e afirmar que se trata de documentos inidõneos, a justificar a aplicação de multa qualificada (150%) e a incidência do imposto de renda na fonte sobre os respectivos pagamentos, por considera-los sem causa e/ou a beneficiário não identificado. Para tanto, considero relevante transcrever trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 21/28) em que o Fisco descreve os esforços empreendidos em relação a cada uma das empresas supostamente contratadas pela recorrente, no sentido de obter documentos que pudessem comprovar a efetiva realização dos alegados serviços. 6 Processo n° 0-68D.DT108”1007-11 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 4 1- MCM CONSTRUTORA & SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, CNPJ: 02.438.750/0001-75. Esta empresa surgiu como prestadora de serviços, para outras empresas do ramo de construção civil, que foram fiscalizadas pela Receita Federal, sendo concluído que a mesma, efetivamente praticava a venda de notas fiscais, mediante o pagamento de comissão, sem nenhuma prestação efetiva de serviços. No curso da presente fiscalização a empresa MCM Construção não foi intimada a prestar esclarecimentos tendo em vista as diversas diligências já efetuadas, que comprovam que a empresa não fiencionava nos endereços fornecidos à SRF, e que o quadro societário informado pela mesma não condizia com a realidade, entre outras irregularidades detectadas. Entre as diligências já efetuadas, retro citadas, destaca-se a identificação do ex-sócio da empresa, Sr. Clésio Lúcio da Apresentação, CPF: 616.447.816-20, que prestou depoimentos por três vezes e informou que efetivamente nunca exerceu a gerência da empresa, e que apenas esteve como sócio gerente, por um período curto, a fim de posteriormente efetuar a transferência da empresa para o Sr. Luiz Gonzaga Torres, CPF: 222.519.956-68, tendo inclusive endossado cheques para o mesmo. A empresa MCM Construtora apresentou DIPJ's como "INATIVA", desde o ano-calendário de 1999 até 2005. A empresa ora fiscalizada, apresentou as notas fiscais n's 000197, 000302, 000320, 000391, 000426, e 000447, em tese emitidas pela MCM Construtora. Conforme visto no rodapé das citadas NF's, as mesmas foram impressas pela Gráfica Digital Ltda, em função da AIDF-Autorização de Impressão de Documentos Fiscais emitida pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, de n° 2249/2003, emitida em 08/01/2003, entretanto trata-se de informação inveddica, uma vez que a prefeitura retro citada, através do Oficio Externo GETM n° 066/2006, de 07/03/2006, informa que a Ultima AIDF autorizada para a empresa MCM Construtora, foi a de n ü 16.138, de 04/07/2001, para as Notas Fiscais de no 000151 a 000250. Não foi apresentado pela empresa DAM Projetos, nenhum contrato ou qualquer outro documento comprobatório da relação comercial entre a mesma e a empresa MCM Construtora. Os documentos acima citados encontram-se anexados as fls. 304 a 351. 2- PAVIMENTO CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. CNPJ: 00.374.624/0001-79. A empresa PAVIMENTO construções também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa 7 fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada intimação ao sócio da empresa Sr. João Evangelista Resende Silva. O Sr. João Evangelista Resende Silva informou que a empresa PAVIMEIVTO Construções não prestou nenhum serviço à DANI PROJETOS, conforme documento de fl. 357. A empresa PAVIMENTO Construções apresentou DIPJ's utilizando o Formulário III, nos anos-calendário de 1995 e no ano-calendário de 1998 optou pelo Lucro presumido. Para os anos-calendário de 2001, 2002 e 2003 apresentou DIPJ como INATIVA, não apresentando DIPJ para os anos-calendário subseqüentes. A empresa DAM PROJETOS em resposta à intimação, apresentou a nota fiscal de n° 001195, que em tese, teria sido emitida pela PAVIMENTO Construções, entretanto a mesma não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou qualquer outro documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa PAVIMENTO Construções, apenas informando que o pagamento à mesma foi efetuado em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados àsfls, 352 a 361. 03 — FERRAZ CAVALCANT1 CONS. DE PLANEJAMENTO, PROJETOS E OBRAS LTDA, CNPJ: 17.046.970/0001-20. A empresa FERRAZ CAVALCANTI também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS:, entretanto a intimação não foi entregue ema vez, que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada a intimação ao sócio da empresa Sr. Miguel Bento, que também não foi entregue. A empresa FERR,4Z CAVALCANT1 apresentou D1PJ, no ano- calendário de 2002 como INATIVA, tendo sido a última DIPJ apresentada. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou as notas fiscais de n as 000215, 000258, 000334 e 000347, que em tese, teriam sido emitidas pela empresa FERRAZ CAVALCANTI, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou qualquer outros documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à mesma, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às /is. 362 a 371. 04 — CONSTRUTORA SPEED LTDA, CNPJ: 66375.007/0001- 04 8 Processo 1—w-LI068G1011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão a° 1301-00.227 Fl. 5 Á empresa CONSTRUTORA SPEED também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue ema vez, que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada a intimação ao sócio da empresa Sr. Rubens Santos, que também não foi entregue. A empresa CONSTRUTORA SPEED apresentou DIPJ, no ano- calendário de 2001 a 2005 como INATIVA, tendo sido a Ultima DIPJ apresentada. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou a cópia da nota fiscal de n° 001148, que em tese, teria sido emitida pela empresa CONSTRUTORA SPEED, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou quaisquer outros documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa contratada, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às fis. 372 a 380. 05 — PC&M PROJ. PUB. COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA, CNPJ: 65.168.262/0001-05. A empresa PC&M PROJ. PUB. COMUNICAÇÃO também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue, uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou a cópia da nota fiscal de n° 000018, que em tese, teria sido emitida pela empresa PC&M PROL PUB. COMUNICAÇÃO, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou quaisquer outros documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa contratada, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às fls. 381 A 386. Tenho que os custos contabilizados pela recorrente não restaram devidamente comprovados. Atendo-me, neste momento, à documentação apresentada pela interessada, constato que, em todos os casos, a descrição dos serviços que consta nas notas fiscais é "Elaboração de Projeto para o Complexo da Lagoa da Pampulha" (fls. 138, 141, 143, 145, 147, 149, 154, 156, 158 e 163), "Elaboração de Projeto para a Barragem Casa de Pedra para a Mineração Casa de Pedra em Congonhas — M.G." (11. 151), ou, ainda, "Elaboração de Projeto para a Barragem do Batateira para a Mineração Casa de Pedra em Congonhas — MG' (fls. 160 e 165). Ou seja, trata-se, em todos os casos, de projetos técnicos, algo concreto, material, que, se efetivamente fornecidos, deveriam estar no acervo técnico da contratante. E 9 mais, para que fossem custos dedutiveis, teriam quê estar ligados a obras ou projetos levados a efeito pela própria contratante, ora recorrente. Apesar de intimada (fl. 38), além de não apresentar nenhum dos projetos alegadamente contatados e elaborados, a ora recorrente também não apresentou nenhum outro elemento que viesse em apoio da efetividade dos serviços: contratos, relatórios, planilhas, atas de reunião, correspondências trocadas, identificação de profissionais envolvidos nos projetos, nada foi trazido a lume. E mais, os pagamentos foram todos feitos em dinheiro, o que não é proibido, mas pouco usual, em se tratando de quantias mais elevadas (média superior a RS 40 mil), e não concorre para a comprovação da efetividade dos serviços. Acrescento, ainda, que não foram apresentados nem identificados pela recorrente nenhum dos projetos ou obras, de sua execução, para cujo bom termo houvesse sido necessária a contratação (ou subcontratação) de terceiros para elaboração de projetos. Esse foi o motivo principal e determinante para a glosa dos custos, e também para que o lançamento, sob esse aspecto, fosse mantido em primeira instância. Não faço reparos, sob este aspecto, ao decidido, e entendo cabivel a glosa de custos, por falta de comprovação, sem prejuízo das considerações que se seguem. Indo além da mera falta de comprovação dos custos e dos indícios já apontados, o Fisco buscou, junto às empresas que teriam prestado os serviços, a comprovação da efetividade de sua prestação, com os resultados anteriormente transcritos, e sobre os quais teço algumas considerações. I. Acerca da empresa MCM Construtora & Serviços Técnicos Ltda. A documentação probatória reunida pelo Fisco é farta no sentido de provar sua inexistência de fato e a prática reiterada, constatada inclusive em outras fiscalizações, de emissão de notas fiscais que não correspondiam à efetiva prestação de serviços. O Fisco diligenciou junto à gráfica que teria impresso as notas fiscais apresentadas, a qual negou sua autoria. Também a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte negou que houvesse autorizado a MCM a imprimir esses documentos. A toda a evidência, trata-se de documentos inicloneos, utilizados pela interessada para aumentar artificialmente seus custos e, por via de conseqüência, reduzir o resultado tributável do IRPJ e da CSLL, além de acobertar a saída de recursos de seu caixa para destino e beneficiário ignorados. Inexiste, aqui, presunção, como alega a recorrente. O Fisco comprovou a inidoneidade dos documentos apresentados e a incapacidade da empresa contratada, e a interessada não conseguiu trazer qualquer contraprova, no sentido da efetividade da prestação dos serviços. O que era, até aqui, mera falta de comprovação, adquire ares bastante mais graves, de custos inexistentes, lastreados por documentos inidoneos. Nesse sentido também a jurisprudência administrativa, cabendo citar o acórdão do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes n° 103-19.504/98 — DOU de 25/09/98, assim ementado: IRPJ - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - NOTAS FISCAIS DE EMPRESAS INIDONEAS OU INEXISTENTES - Nos lançamentos efetuados sob alegação de que o contribuinte utilizou documentos fiscais inidõneos, para o fim de efetuar deduções ou exclusões, na apuração do lucro real, cabe ao Fisco aprova da inidoneidade desses documentos, assim como da inveracidade de quaisquer dados ou elementos registrados na escrituração comercial e fiscal. Em se tratando de documentos fiscais dados como emitidos por empresa inexistente f io Processo n°10680.011087/2RM74/ S1-C3.T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 6 de fato, é imprescindível a prova dessa inexistência, podendo o contribuinte, entretanto, ilidir a pretensão fiscal, mediante contraprova que demonstre a efetividade da operação descrita nos referidos documentos, produzida por qualquer meio admitido em Direito. Diante do exposto, impõe-se a conclusão da correção da multa de 150% aplicada às glosas que correspondem a notas fiscais de emissão da MCM Construtora. Eis o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, em sua redação vigente à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de/alta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de h__mck, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 1) 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [-1 Observe-se que a Lei n° 11.884/2007 introduziu alterações na redação do art. 44, acima, pelo que a multa de 150% passou a ser prevista pelo §10, e não mais pelo inciso II. As hipóteses de sua aplicação, no entanto, restaram inalteradas, sempre que presente alguma das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. O art. 72, abaixo transcrito, é relevante para a solução da lide: Art . 72. Fraude é tóda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impósto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A utilização de documentos inidâneos indiscutivelmente se amolda à perfeição à situação descrita no texto legal, evidenciando a conduta dolosa no sentido de reduzir o montante tributável e evitar o pagamento dos tributos devidos. Correta, pois, a decisão de primeira instância que manteve a multa qualificada sobre as glosas de custos lastreadas por notas fiscais supostamente emitidas por MCM Construtora. E, desde que comprovada a inexistência dos serviços, correto também o entendimento do Fisco, confirmado pela decisão recorrida, de que os pagamentos, feitos em dinheiro, se destinaram a beneficiário não identificado, por causa igualmente desconhecida, devendo se sujeitar à tributação na fonte de que trata o art. 61 da Lei n°8.981/1995, base legal dos arts. 674 e 675 do RIR/99. Eis o dispositivo legal em comento: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, 11 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § I° Á incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3 0 O rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Não procede a afirmação da recorrente de que "nem todo o pagamento foi efetuado a beneficiário não identificado". Não se constatou, no caso concreto, que tivesse havido o pagamento de comissões pela emissão de notas fiscais graciosas, mas tão somente se fez referência ao fato de que isso já havia sido constatado, em outras fiscalizações, com relação a outras empresas que igualmente contabilizavam custos lastreados em notas fiscais da MCM. nNo caso vertente, as constatações do fisco foram aquelas já anteriormente reproduzidas, e levam à conclusão da inexistência dos custos escriturados. Inexistentes os custos, os pagamentos a eles correspondentes não têm causa, o que já seria suficiente para a tributação na fonte ora sob análise. Além disto, pelo fato de terem sido feitos em dinheiro, não é possível a identificação de seu beneficiário, o que reforça a incidência do imposto. Deve ser mantida, por estes motivos, a tributação na fonte incidente sobre os pagamentos correspondentes a notas fiscais supostamente emitidas por MCM Construtora. 2. Acerca das empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda. Anteriormente me manifestei sobre a propriedade das glosas dos custos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas acima referidas, por absoluta falta de comprovação de sua efetividade, o que aqui reitero. No entanto, o teor das diligências e demais verificações empreendidas pelo Fisco não se me afigura suficiente para avançar no sentido da inexistência dos custos e da inidoneidade dos documentos fiscais trazidos aos autos. Em todos os quatro casos, o Fisco se limitou a enviar intimação, por via postal, para o endereço cadastral das empresas, as quais foram devolvidas pelos Correios, que não conseguiu localizar o destinatário. O Fisco não diligenciou pessoalmente, o que poderia, se fosse o caso, evidenciar que no passado, à época dos fatos, a empresa já havia operado no local, ou, ao contrário, que ali seria absolutamente desconhecida em qualquer tempo. Quanto à PC&M, não há notícia de que tenha sido tentado qualquer contato com algum dos sócios. No caso das empresas Ferraz Cavalcanti e Construtora Speed, foi enviada, também por via postal, intimação a um dos sócios, igualmente devolvida pelos Correios, e sem qualquer tentativa de diligência pessoal. Finalmente um dos sócios da Pavimento foi localizado, e respondeu à intimação (fl. 357) de forma vaga afirmando tão somente que "parte da documentação foi extraviada" e que "não lembramos de nenhuma prestação de serviços p/ empresa em questão". 12 Processo n° 10680.011087/2007-77 el-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 7 Ainda, não há notícias de que tenha sido feita qualquer diligência para verificar se as notas fiscais apresentadas teriam sido impressas mediante autorização emitida pelo órgão municipal competente ou não, como foi o caso anteriormente analisado da empresa MCIVI. Em que pese haver indícios, entendo que, para estas quatro empresas não houve aprofundamento suficiente a ponto de afirmar a inidoneidade dos documentos fiscais apresentados, limitando-se a glosa de custos à falta de comprovação da efetiva prestação de serviços. Em decorrência, não vislumbro também elementos que permitam afirmar o dolo na conduta do contribuinte, pelo que considero cabível a redução para 75% da multa aplicada nas glosas de custos lastreados por notas fiscais de suposta emissão das quatro empresas aqui nominadas. Finalmente, no que toca ao Imposto de Renda na Fonte, a recorrente alega (fl. 588) que o Fisco teria que provar que os pagamentos foram feitos a terceiros, não identificados, diversos daqueles que constam nos documentos fiscais apresentados. Não poderia haver inversão do ônus da prova, pois não se trataria de presunção legal, nesse caso. Ocorre que a base legal da autuação do IRF prevê mais de uma hipótese de incidência. Além do pagamento a beneficiário não identificado, a mesma tributação incide sobre o pagamento quando não for comprovada a operação ou a sua causa Em grande parte dos casos, essas duas hipóteses caminham juntas, visto que, quando não se comprova o beneficiário, não se há de cogitar da comprovação da causa. Mas também podem surgir dissociadas quando, mesmo identificado o beneficiário, a causa do pagamento reste obscura ou incomprovada. No caso das quatro empresas de que aqui se trata, a inidoneidade das notas fiscais apresentadas não restou cabalmente comprovada. Assim, seria possível admitir que os pagamentos tenham sido mesmo feitos a seus representantes, ainda que feitos em dinheiro (portanto, sem confirmação bancária) e que a comprovação seja bastante precária (carimbo no verso da duplicata, sem 'data e com assinatura ilegível ou semi-legível). No entanto, a causa desses pagamentos, a saber, os serviços alegadamente prestados, restam ainda incomprovados. A mesma lei que estabeleceu a incidência tributária atribuiu o ônus de provar a causa do pagamento ao contribuinte, vide texto do art. 61, anteriormente transcrito. Desta forma, a decisão que manteve a tributação do IRF incidente sobre pagamentos supostamente efetuados às quatro empresas aqui tratadas merece reforma parcial, mantendo-se a exigência com a redução da multa ao percentual de 75%. De se analisar, finalmente, a alegação de decadência do lançamento do IRE, na parte que incide sobre pagamentos realizados em 30/04/2002 e em 31/07/2002, considerando-se que a ciência do lançamento ocorreu em 10/08/2007, e à luz do art. 150, § 40, do CTN. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso 1, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: /3 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; L Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: • Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto ao Imposto de Renda na Fonte, ora sob análise, é espécie do Imposto de Renda, o qual, por sua forma de apuração e pagamento, é tido como tributo sujeito ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. Mas ressalto: o que caracteriza o lançamento por homologação é a atividade cujo exercício é atribuído ao contribuinte, no sentido de calcular o montante devido do tributo e antecipar seu pagamento sem prévio exame da autoridade. Observo ainda que o pagamento, a meu ver, pode ou não existir, a depender do caso concreto, sendo essencial no entanto que o contribuinte tenha praticado a atividade a que se refere a lei e dela tenha dado conhecimento à autoridade administrativa. Na decisão recorrida, a turma julgadora considerou que as exigências apuradas em procedimento de oficio recaem sobre valores não incluídos anteriormente na base de cálculo dos tributos. Portanto, a contagem do prazo decadencial seria regida pelas disposições do art. 173, I, do CTN. Embora por fundamentos distintos, considero correta essa decisão. Em primeiro lugar, no que se refere ao pagamento de R$ 38.098,13, em 31/07/2002, lastreado em nota fiscal inidônea, supostamente emitida por MCM Construtora, foi considerado o evidente intuito de fraude (necessariamente doloso) na prática da infração apurada. A multa foi qualificada em face da constatação e comprovação de que o documento fiscal apresentado foi impresso de forma irregular, com base em AIDF inexistente, e que igualmente inexistentes eram os serviços descritos na nota fiscal. Configurada, assim, a hipótese prevista no § 4° do art. 150, que prevê o retomo à regra geral do art. 173, I. Além disto, esta modalidade do imposto de renda, a saber, o imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou cuja operação ou causa não tenham sido comprovadas, ocorre sempre de oficio, e não existe qualquer procedimento ou atividade previamente praticada pelo contribuinte que seja passivel de homologação pela autoridade administrativa. Embora haja respeitáveis opiniões em contrário, entendo que a ausência dessa atividade descaracteriza essa incidência na fonte do imposto de it 14 Processo n° 10680.011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00227 Fl. 8 renda como sujeito ao lançamento por homologação, aplicando-se então a regra geral do art. 173, I. Assim, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia se efetuar o lançamento. Desde que o lançamento poderia se dar no próprio ano-calendário 2002, o dies a quo é o dia 1° de janeiro de 2003, vindo o prazo qüinqüenal a extinguir-se em 31/12/2007. Não ocorreu a decadência, portanto, visto que a ciência do lançamento se deu em 10/08/2007. Em conclusão, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, reduzindo para 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda,, e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas. ft; TALérl<yA ROCHA - Relator 15

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4612191 #
Numero do processo: 13976.000232/00-83
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira

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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjdo Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga. Participa am d presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cor. eir de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson M do Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Praga. S Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 CSIZUF02 Hs. 524 Ausentes justificada e momentaneamente os Conselheiros hallo César Vieira Gomes e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório CERAMARTE LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído pela Medida Provisória n° 725/1995 e alterações, convertida na Lei n° 9.363/1996, em relação ao período de 01/01/1999 a 31/03/1999, conforme Petição Inicial, as fls. 01/02, 78 e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes contra Decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, consubstanciada no Acórdão n° 4.493/2004, as fls. 442/449, que manteve o Despacho Decisório, as lls. 358, o qual deferiu parcialmente o Pedido em referência, a Egrégia 2a Camara, em 08/11/2005, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 202- 16.675, sintetizados na seguinte ementa: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. DIREITO A CRÉDITO. LEI N° 9.363/96. 0 beneficio deve ser calculado incluindo-se os valores referentes à operação de heneficiamento de ins t11110 semi-acabado — industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA. A Lei V 9.636, de 13/12/96, enumera taxativamente as espécies de illS111170S, cuja aquisições dá direito ao crédito presumido de IPI, são elas: as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Para a legislação da exação ent questão somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao 110V0 produto fabricado, sejam consumidos, ent decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. A energia elétrica não sofre essa ação direta, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. VARIAÇÃO CAMBIAL. Integra o valor das exportações a ser utilizado no cálculo do incentivo a variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e o fechamento do contrato de Cámbio, quando a variação cambial engloba o prey) do produto exportado, sendo, inclusive, emitida nota fiscal complementar. Recurso provido em parte." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, as fls. 481/490, com arrimo no artigo 32, inciso I, do então Regimento Interno dos Conselhos Processo n° 13976.000232/00-83 CSRF/"1'02 Acórdão n.° 02 -03.534 Hs. 525. de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado de forma flagrante a legislação que regulamenta a matéria (Ressarcimento de Crédito Presumido de WI), mais precisamente o artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96. Assevera que o ressarcimento de crédito presumido de IPI, na condição de incentivo a exportação, concedido por mera liberalidade do Estado, não pode ser interpretado extensivamente, cabendo ao legislador delinear os contornos desse incentivo, sob pena de ofensa ao principio de legalidade. Contrapõe-se ao decisum guerreado, aduzindo para tanto que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo de referido beneficio fiscal tão somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não contemplando os serviços de beneficiamento prestado por terceiros. Sustenta que o beneficiamento de insumos, em que pese tratar-se de industrialização por terceiros, é hipótese de prestação de serviço e não de aquisição de matéria- prima, na forma que entendeu a Camara recorrida. Alega que ao prevalecer o Acórdão recorrido, estar-se-ia computando os gastos gerais na fabricação como se matéria-prima fossem, não se cogitando em aquisição de matéria-prima, malferindo o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, extrapolando o alcance da hipótese prevista em lei. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2' Camara do 2° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, ao incluir a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI, contrariou, a priori, os preceitos contidos no comando legal que impõe interpretação literal e restritiva no caso de renúncia fiscal, conforme Despacho n° 202-259, as fls. 492/493. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contra-razões, as fls. 497/508, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência administrativa a respeito da matéria, oferecendo guarida à sua pretensão. É o Relatório. 3 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA. Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2 a Camara do 2° Conselho a contrariedade a. lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Pretende a Fazenda Nacional a reforma do Acórdão recorrido, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, determinando a inclusão dos valores utilizados na industrialização por encomenda na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, sob o argumento de que o entendimento levado a efeito pela Camara recorrida afronta de forma flagrante o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, bem como o principio da legalidade, impondo a interpretação restritiva da legislação que regulamenta a matéria, sobretudo quando referido beneficio fiscal, na condição de incentivo à exportação, é concedido por mera liberalidade do Estado. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI exclusivamente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, o que não se vislumbra na hipótese vertente (serviços de beneficiamento prestado por terceiros). Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar as questões controvertidas a propósito da matéria, cumpre trazer a. baila a legislação tributária que instituiu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, notadamente a Medida Provisória n° 725 e reedições, convertida na Lei n° 9.363/96„ in verbis: "Lei n°9.363/1996 Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrialiazados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ;es 7. de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilizaçõv no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora C0171 o Jim especifico exportaçáo para o exterior. 4 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 Art. 20 A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1...1" Conforme se extrai das normas legais retromencionadas, o beneficio fiscal em comento tem o escopo de desonerar as exportações brasileiras de produtos manufaturados, a partir do crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incidentes sobre os insumos adquiridos para aplicação na industrialização de produtos nacionais destinados ao mercado externo, corno muito bem sedimentado no bojo do voto vencido constante do Acórdão recorrido. A teor dessa conclusão, somente a titulo de reflexão, cumpre inferir que o simples fato de o fisco, acompanhado por alguns dignos julgadores administrativos, não entender estarem incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores concernentes aos serviços de beneficiamento do insumo executados por terceiros e sob encomenda, além de coarctar os ditames da Lei n° 9.363/1996, fere mortalmente o fim precipuo de beneficio fiscal sub examine, explicitado acima. Na hipótese dos autos, tratando-se de beneficiamento de matéria-prima destinada à fabricação de mercadorias destinadas ao exterior, o exame da matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações em relação ao procedimento adotado na aquisição da matéria-prima, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, citando a titulo exemplificativo a indústria calçadista, a qual reflete muito bem o processo produtivo em comento. Como é do conhecimento daqueles que lidam com referido tema, em virtude da quantidade e dos valores mais acessíveis, o exportador adquire o couro praticamente em uma única época do ano ("safra"), como matéria-prima inacabada (couro semi acabado ou "wet blue"), vindo a estocá-la. Na medida em que os pedidos são concretizados, o exportador encaminha o couro semi acabado para beneficiamento executado por terceiros e sob encomenda. Observe-se, que a conduta da contribuinte obedece principio de economia na produção do bem a ser exportado, visando o maior faturamento da empresa corn a diminuição de custos na produção. Ora, antes de efetuado o pedido, a empresa exportadora não tem conhecimento de qual sera a demanda, tanto em relação à quantidade quanto às cores dos calçados a serem exportados. Dessa forma, além da economia em adquirir grande quantidade de couro de uma só vez, a conduta da contribuinte encontra sustentáculo, ainda, na própria lógica comercial, ou seja, adquire o produto (couro) semi acabado e entrega para o beneficiamento somente quando houver necessidade, observando a quantidade e as especificações (especialmente cores) a serem adotadas por ocasião da exportação. -3 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórcido n.' 02 -03.534 Diante desse raciocínio, é de fácil conclusão que somente poderá ser admitida como matéria-prima propriamente dita o couro acabado, após o respectivo beneficiamento, que deverá obrigatoriamente ser considerado como custo na aquisição da matéria-prima. Verifica-se, que o couro inacabado, denominado de "wet blue". isoladamente, não oferece condições de industrialização do produto final a ser exportado, qual seja, o calçado. Nesse sentido, não pode ser considerado como efetiva matéria-prima. A rigor, o beneficiamento (operação industrial) procedido por terceiros ou sob encomenda é condição essencial à caracterização da matéria-prima em comento, couro acabado. Assim, nada mais justo/correto que os custos do beneficiamento do couro inacabado serem incluidos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, ainda que procedido por terceiros. Impende esclarecer, ainda, que na hipótese de o exportador adquirir a matéria-prima já submetida a processo de beneficiamento (couro acabado), o valor total de referida aquisição seria admitido para cálculo do crédito presumido de IPI, inclusive a importância relativa a mão-de-obra utilizada nessa operação industrial. Destarte, a não ser no aspecto comercial da empresa como já relatado acima, no entendimento deste conselheiro, inexiste diferença entre a aquisição do couro acabado (efetiva matéria-prima) ou o "wet blue" a ser submetido a posterior processo de beneficiamento. Em ambos os casos, o custo do beneficiamento do couro inacabado será suportado pelo exportador, devendo referida importância ser agregada ao valor final da aquisição da matéria-prima — couro acabado. Mais a mais, somente a titulo elucidativo, constata-se que a operação de industrialização (beneficiamento) sob responsabilidade de terceiros sofre incidência da COFINS e do PIS, o justifica ainda mais o acolhimento do pleito da contribuinte, eis que o beneficio fiscal em comento tern como fim precipuo justamente a desoneração de referidos tributos na exportação de produtos nacionais. Nessa toada, é de se admitir o valor relativo aos serviços de beneficiamento da matéria-prima executados por terceiros na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Alias, essa Colenda Câmara Superior já se manifestou por diversas vezes a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, conforme se extrai dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "b." INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso CIO qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao P1S e a COFINS previsto na Lei n° 9.363/96. [...j" (2 Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-02.175 — Sessão de 23/01/2006) "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos referentes à matéria prima 6 AES DE OLIVEIRA Processo nÕ 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 beneficiada por terceiros e utilizada no produto final exportado deve ser incluído na base de cálculo do incentivo criado pela Lei n° 9.363/96. Recurso negado." (2' Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-01.857 — Sessão de 11/04/2005) Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2 0 Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA aROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. 7 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 CSRF/T02 53( Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO PRAGA - Redator Designado. Tendo em vista que a Conselheira Jose Maria Coelho Marques - redatora designada originalmente - deixou de compor o CARF, passo ao voto que exprime a decisão aprovada pelo colegiado, no julgamento deste processo. Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A argumentação expendida no Especial é procedente. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Acerca dessa matéria, sigo a jurisprudência atual desta Turma, no sentido de desconsiderar da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações efetuados por terceiros, por absoluta falta de previsão legal. Para tanto, adoto os fundamentos e a conclusão do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, relator original no Acórdão n° CSRF/02-02.776, de 03 de julho de 2007: "A contenda prende-se a existência ou não de previsão legal que suporte a inclusão concedida pelo Acórdão recorrido em relação aos valores dos insUMOS adquiridos pelo contribuinte, com os respectivos custos de seus beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa para posteriores reaprovellamentos pela 111eS1110, na base de cálculo do crédito presumido de IPI O ponto central da análise pode ser colocado da seguinte forma: somente a matéria-prima e o produto intermediário comprados diretamente pelo contribuinte que configuraria insumo para efeito de consideração na base de cálculo do crédito presumido de IPI, ou tambéni assim poderiam ser considerados os prodmos beneficiados e elaborados por terceiros coin material fornecido pela empresa, transitados com suspensão do IPL A Lei 11. 0 9.363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art. 10 , que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes "sobre as respectivas aquisições, 110 mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" Art. I°A empresa produtora e exportadora de mercadorias 11UCi011UiS fillY1 jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n' 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes' sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(g.n.) Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastar-se das seguintes premissas: por primeiro, que os Processo n° 13976.000232/00-83 Acórddo n.° 02-03.534 CSRF/T02 Fls. 531 insumos utilizados no cômputo do beneficio devam ser adquiridos, ozè seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, conto se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Da necessidade de aquisição dos ins 111170S Ent relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matéria-prima, vez que .16 pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matéria-prima se deu, portanto, em momento anterior à remessu para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado conto "Gastos Gerais de Fabricação", não como incremento do valor da matéria-prima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do beneficio, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, confirme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.° 312, de 3 de agosto de 1998. Normalmente se argumenta que se o contribuinte houvesse adquirido de fornecedores o couro beneficiado/acabado, e os itens elaborados que emprega na MOntagent de calçados, então poderia enquadrar os valores aos mesmos correspondentes no dimensionamento (artigo 20 da Lei 9363/96) do crédito presumido de IPI? Vê-se que se levanta uma hipótese contrafactual, o que so pela natureza do argumento já se vê que não é um fato. Mas, vamos conceder 11171 crédito a essa hipótese. Sim, nessa hipótese o pleiteante teria direito ao crédito, pois nesse caso a situação se amoldaria aos precisos termos da norma, conto otitis deve ocorrer com qualquer direito excepto: estar-se-ia adquirindo efetivamante matéria-prima ou um produto intermediário, para efeito de se compor a base de cálculo do credit() presumido do IN Aliás, a tentativa de coerência buscada naquela hipótese contrafactual abriria brecha a uma outra incoerência, qual seja: Por que o legislador, seguindo o mesmo raciocínio, e COM muito maior razão, não optaria também por conceder esse crédito relativo ao beneficiamento quando efetuado pelo próprio industrializador, e não por terceiro? Por que o legislador iria privilegiar a terceirização em detrimento da industrialização pelo próprio exportador, en) ulna mesma situação? Não concedeu, por questão de coerência, pois não se está a tratar de aquisição de matéria prima ou produto intermediário, mas de simples custo do beneficicunento que deve ser contabilizado COMO "Gastos Gerais de Fabricação". COM efeito, tratar-se-ia de situação no MittiM0 incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõent o arcabottço normally() do IPI. Ora, "Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito", diz o brocardo romano, assim, se não é possível incluir na base de cálculo do beneficio, os custos com beneficiamentos realizados pelo próprio industrial 9 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 exportador, não devem ser incluídos aqueles incorridos no.s beneficiamentos realizados na industrialização por encomenda, nos mesmos produtos. Do Direito Excepto No tocante a última das premissas inicia/mente delineadas, pois que, quanto segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência a construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente eC0116111ka, tão costumeiramente encontráveis no dia-a-dia do julgador. preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada. pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. A interpretação econômica do fato gerador serve de auxilio a interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Admitir que a industrialização por encomenda seja considerada na base de cálculo do crédito presumido é alargar o rol dos contribuintes beneficiados pela "terceirização" do processo produtivo e estender o beneficio a empresas que tem processo produtivo parcial, sem qualquer previsão legal, que, a princípio, dirigiu o crédito apenas aos industriais com processo integrado, excluindo vários outros setores da economia que realizam exportações, por exemplo, de produtos não tributados. Ademais, sublinhe-se novamente, que se tratando de normas onde o Estado abre 17010 de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. E nesse sentido o escólio de Carlos Maximiliano (In Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12', Forense, Rio de Janeiro, 1992, p. 333/334): "0 rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus eni proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abri mão de direitos inerentes à autoridade supremo. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquiveis; ficar privada ate a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais sera inferida de 'aim que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que envolva. No caso, não ten, cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos". Vê-se que a boa hermenêutica, baseada nos proficuos ensinamentos de Carlos Maxim lhano, ensina que a norma que veicula renúncia fiscal há de ser entendida de forma restrita. Argumento Empírico — Lei n°10.276/2001 Por último, e quem sabe o mais importante, se o cômputo dos valores dos serviços de industrialização por encomenda estivessem incluídos na base de cálculo do beneficio previsto pela Lei n° 9.363/96, lido haveria razão para que o legislador expressamente viesse a prever esta alternativa, em lei posterior. Vejamos como dispôs oar!. 1° da Lei 11. ° 10.276, de 2001, in verbis: "Ari. 1 2 Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o 10 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórclfto n.° 02-03.534 exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Prochttos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFI1VS), de conformidade COM o disposto em regulamento. § 12 A base de calculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos. sobre os quais incidiram as contribuições referidas no capul: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bent assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado inferno e utilizados no processo produtivo: II - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomemkurte seja contribuinte do 1P1, nu forma da legislação deste imposto" (grifei). Costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre HermenOutica Jurídica a afirmação de que "a lei não contém palavras infiteis", a qual, segundo se diz, vem a ser principio basilar da disciplina. E dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao metros, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastas, 1965, p. 262). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.° 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.° 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente con, o custo de outros inS111110S (energia elétrica e combustíveis). Note-se, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.° 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.° 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Nesse aspecto, é importante notar que uma lei nova sempre inova o ordenamento jurídico, apresentando algo novo e destinado à vigência apenas a partir da sua entrada em vigor, mas também projetando lures sobre o passado, no sentido de que identifica um comando novo e distinto do comando que vigorava anteriormente a ela, ajudando (milli a melhor compreender e interpretar as duas. Observar-, finalmente, que o uso do método alternativo para o calculo do beneficio, tem, como contrapartida à inclusão de novos valores nu base de calculo (aquisição de energia elétrica e combustíveis, e serviços de industrialização por encomenda), a definição de um fator multiplicativo menor: de 0,0537 (5,37% da base de cálculo, nu Lei n° 9.363/96) para 0,0365 (3,65% da base de cálculo, na Lei n°10.276/2001). Portanto, não se pode argumentar que a Lei n° 10.276/2001 seja "expressamente interpretativa", nos termos do art. 106, I, do CTN. Por todo o exposto, voto no sentido de que sejam desconsiderados da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações referidas anteriormente, para efeitos de operar-se o ressarcimento/compensação pleiteado nesses autos. " Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 Dessa forma, a posição mais consentânea com a norma legal e aquela pela exclusão dos custos de beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Antonio Pra edator Designado. 12

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4615234 #
Numero do processo: 18471.000560/2003-34
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 Assunto: NULIDADE. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Cabe à autoridade autuante demonstrar o nexo causal entre os fatos narrados e as provas da falta da necessidade das despesas financeiras glosadas, de maneira clara, lógica e precisa. Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1402-00003
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Pelá

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1          1             S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000560/2003­34  Recurso nº  167.794   De Ofício  Acórdão nº  1402­00.003  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de julho de 2009  Matéria  IRPJ E REFLEXOS  Recorrente  FORT ROLL EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA  Interessado  DRJ/RJ­I    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ   Ano­calendário: 1998, 1999, 2000  Assunto:  NULIDADE.  GLOSA  DE  DESPESAS  FINANCEIRAS.  Cabe  à  autoridade  autuante  demonstrar  o  nexo  causal  entre  os  fatos  narrados  e  as  provas da falta da necessidade das despesas financeiras glosadas, de maneira  clara, lógica e precisa.  Recurso de Ofício Negado    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos  ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  primeira   SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de ofício,  nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.     (assinado digitalmente)  Leonardo Andrade Couto ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade  Couto  (Presidente), Valmar Fonseca  de Menezes, Carlos Pelá, Carlos Alberto Niza  e Castro  (Suplente Convocado), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de  Oliveira  Relatório     Fl. 738DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.003  S1­C4T2  Fl. 2          2 Trata­se de complexo auto de infração lavrado contra Fort Roll Embalagens  Técnicas  Ltda  para  o  pagamento  de  IRPJ,  CSL,  PIS  e  COFINS  (estes  três  últimos  reflexamente) no valor total de R$ 2.987.962,33, já que glosadas algumas despesas financeiras  nos anos de 1998, 1999 e 2000, bem como supostas omissões de receitas por parte da empresa.  01 ­ Da omissão de receitas   Sustentou  a  fiscalização  que  não  estaria  comprovada  a  origem  de  R$  37.500,00,  já  que  aumentado  o  capital  de  giro  por  um  sócio  estrangeiro  sem  o  registro  da  comprovação de seu ingresso das divisas no país.  02 – Das despesas Financeiras não necessárias  Entendeu  a  fiscalização  que  o  Contribuinte  Fort  Roll  Embalagens  técnicas  LTDA  contabilizou  gastos  que  não  poderiam  ser  deduzidos  como  despesas,  por  serem  desnecessárias, bem como  teriam a finalidade única e exclusiva de exaurir o capital de giro da  empresa, sendo que a esta parte da autuação foi aplicada com multa agravada de 150%.   Pelo auto de  infração, em suma, estaria a empresa  levando o  seu capital de  giro  à  exaustão,  pois  (i)  teria  comprado  por  R$  4.500.000,00  70%  um  crédito  de  suposto  crédito da empresa Dover Indústria e Comércio em face da União Federal, (ii) a empresa não  teria  demonstrado  qualquer  relação  desta  operação  com  os  seus    objetivos  sociais,  (iii)  teria  feito  adiantamentos  graciosos  de  elevados  valores  à mesma  empresa Dover,  (iv)  esta  cessão  teria sido paga com valores obtidos de duplicatas de empresas de factoring (v),  as duplicatas  seriam frias, (vi) o contribuinte contabilizava compras de matérias primas para entrega futura ,  com notas emitidas pela Dover no valor de R$ 30.000.000,00, que nunca  foram entregues e,  (vii) se tais mercadorias fossem entregues a interessada, ela não teria espaço físico para guardá­ las.  Em decorrência da multa qualificada, foi lavrada a Representação Fiscal para  fins Penais sob o n.º 18741.000641/2003­34.  Em sua impugnação, o Contribuinte alegou em preliminar a nulidade do auto,  por  falta  de  clareza  e  individualização  do  fato  oponível  e  no  mérito  alegou  que  não  houve  suprimento de numerário no valor de R$ 37.500,00, pois se referia à integralização de capital  de uma empresa, conforme alteração contratual.  Quanto  às  despesas  financeiras  tidas  como  não  necessárias,  discordou  completamente da autuação, explicou que a cessão de crédito foi feita nos termos da lei, que o  crédito efetivamente existe e que o valor deste crédito logo que atualizado e disponível servirá  como base para tributação.   Quanto  aos  adiantamentos,  supostamente  graciosos,  esclareceu  que  eram  efetuados ao fornecedor Dover para entrega futura contra a emissão regular de nota fiscal para  este  tipo de operação, constituindo­se em receita de vendas para a empresa emissora. Alegou  que as despesas financeiras glosadas foram efetivamente contabilizadas e estavam à disposição  da fiscalização.    Fl. 739DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.003  S1­C4T2  Fl. 3          3 Em 08 de  setembro de 2004,  a DRJ converteu o  julgamento  em diligência,  visando  obter  maiores  esclarecimentos  sobre  o  nexo  causal  entre  todos  fatos  narrados  na  autuação, bem como fosse explicada a composição dos valores autuados.  A  fiscalização  atendeu  à  solicitação  e  juntou  documentos  de  fls.  461/654  e  659/665. Esclareceu,  ainda  que  a  empresa  havia  se mudado para  lugar  incerto  e  não  sabido,  logo não pôde apurar maiores informações além daquelas já colhidas até o presente momento.   Explicou a autoridade fiscal que todos os indícios indicavam que a empresa  mantinha terceiros como sócios para prática de determinados delitos tributários, praticados em  conjunto  com  a  empresa  Dover,  anteriormente  citada  neste  relatório,  tanto  que  após  a  fiscalização a empresa teria se mudado.  Com relação à composição dos valores nada foi explicado.  A empresa foi intimada por edital do resultado desta diligência, já que não foi  encontrada pelo endereço que constava no CNPJ.  Em  seguida,  os  autos  retornaram  para  julgamento  na  DRJ,  que  julgou  o  lançamento procedente em parte e, em suma, afastou a preliminar de nulidade,  já que ao seu  ver o erro era sanável. Quanto ao mérito manteve o lançamento quanto à omissão de receitas, já  que  o  contribuinte não  teria  comprovado  a origem do  numerário  com documentação  hábil  e  quanto às despesas financeiras entendeu que caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo  causal da autuação e provas de forma clara e precisa, aplicando­se o mesmo raciocínio para os  tributos reflexos.  Embora  cientificado  da  decisão,  o  Contribuinte  não  apresentou  Recurso  Voluntário,  porém  considerando  os  valores  exonerados  vieram  os  presentes  autos  para  julgamento da  remessa necessária,  também chamado de Recurso de Ofício,  interposto pela r.  autoridade julgadora a quo.  Voto             Conselheiro Carlos Pelá ­ Relator  O Recurso preenche os requisitos legais e dele tomo conhecimento.  Como se verá abaixo, a decisão deverá ser mantida.  Trata­se de auto de infração rico em folhas, porém pobre em conteúdo. Aliás,  há de se exaltar o excelente trabalho da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro  que,  em  nome  da  verdade  material,  baixou  o  processo  em  diligência  e  tentou  uma  melhor  compreensão sobre o efetivo motivo que teria levado a lavratura do auto de infração. Vejamos:  O auto de infração foi lavrado na seguinte rubrica (fl. 263): “002 – CUSTOS  DESPESAS  OPERACIONAIS  E  ENCARGOS  NÃO  NECESSÁRIOS”  (sem  grifo  no  original). Explicando a autuação, mais à frente afirma:   “Glosa do total das despesas financeiras deduzidas no ano calendário tendo  em  vista  que  elas  decorrem  única  e  exclusivamente  da  exaustão  do  capital  de  giro  da  Fl. 740DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.003  S1­C4T2  Fl. 4          4 fiscalizada  seja  pela  compra,  pelo  valor  total  de  R$  4.500.000,00,  de  70%  de  um  suposto  crédito que a empresa DOVER Indústria e Comércio S/A teria em face da União Federal, tendo  sido pagos R$ 1.000.000,00 no ano calendário de 1998, R$ 2.066.000,00 no ano calendário de  1999  e  R$  1.434.000,00,  no  ano  calendário  de  2000,  seja  pela  adiantamento  gracioso  de  elevadores (sic) valores a mesma empresa Dover  Indústria e Comércio S/A.” (sem grifos nos  original)  A  partir  da  afirmação  da  fiscalização  de  que  todas  as  despesas  seriam  glosadas seja por um motivo, seja por outro, caberia a ela  demonstrar exatamente quais seriam  estas  despesas.  Se  o  total  seria  glosado,  por  que  o  auto  não  partiu  como  valor  base  os  R$  4.500.000,00  que  teria  utilizado  o  Recorrido  como  despesa?  Se  existiram  dois  tipos  de  situações  (compra  de  direito  creditório  e  adiantamentos  graciosos)  por  que  não  explicou  claramente a fiscalização quanto seria um e quanto seria outro?  De maneira muito mais  ampla,  foi  o  que  tentou  descobrir  sem  sucesso  a  r.  autoridade  julgadora  a  quo.  Conforme  fls.  456/459,  a DRJ  tentou  entender  qual  era  o  nexo  causal entre as empresas de Factoring, os empréstimos, as duplicatas “frias” e os créditos de  ICMS e IPI sobre o valor de R$ 30.000.000,00 com a despesa financeira glosada. Ou seja, de  maneira formal, técnica e respeitosa questionou a DRJ: O que todos estes documentos e fatos  trazidos aos autos têm a ver com o fato de a despesa glosada ser ou não ser necessária?  Conforme muito bem pontua a r. autoridade julgadora a quo, após o fiscal ter  constatado que haviam problemas nas despesas financeiras não intimou a empresa para que se  explicasse sobre elas, isso em um processo de mais de 700 folhas.  Ora, é do conhecimento de todos que para alguns casos a própria Lei presume  que  determinadas  despesas  não  são  necessárias.  Assim  sendo,  entendendo  que  as  despesas  seriam  desnecessárias  caberia  a  autoridade  demonstrá­las  de  modo  cabal,  individualizando  cada motivo para que o contribuinte pudesse rebatê­las ponto a ponto.  Ora,  os  fatos  narrados  no  presente  processo  dão  conta  de  que  despesas  desnecessárias  estavam  sendo  glosadas,  porém  sem  maiores  detalhes,  sem  vinculá­las  aos  documentos  trazidos  aos  autos  e,  por  fim,  sem  compor  os  valores  que  deram  origem  à  autuação.  A DRJ, portanto, cancelou a autuação, nos seguintes termos:  “Considero  portanto  ultrapassada  a  preliminar  de  nulidade,  uma vez que  foi  determinada de ofício,  diligência a  fim de que  fossem esclarecidos, item a item, com descrição mais analítica, o  nexo  causal  da  autuação,  com  a  demonstração  da  composição  das  despesas  financeiras  glosadas,  relacionando­as  às  operações anteriormente descritas.”        A própria DRJ conclui o voto, conforme item 52, também transcrito:  Fl. 741DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.003  S1­C4T2  Fl. 5          5 “Caberia  à  autoridade  autuante  demonstrar  o  nexo  causal  da  autuação e a apresentação da prova da falta de necessidade das  despesas financeiras glosadas, de forma clara e precisa.”  Ora, a própria DRJ  reconhece que nada agregou a diligência à  fiscalização.  Conclui a DRJ que “caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal”, o que não  foi  feito.  Assim,  entendo  que  não  haja  reparos  a  fazer  na  decisão  da  DRJ,  que  examinou os fatos e chegou à decisão de cancelar parcialmente a exigência.   Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício.    (assinado digitalmente)  Carlos Pelá                                Fl. 742DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS PELA em 02/02/2012 16:46:11. Documento autenticado digitalmente por CARLOS PELA em 02/02/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 06/02/2012 e CARLOS PELA em 02/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.12568.4J8M Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9FBCF61557DBF26D67267857D5D3CFD1F07AE4A5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.000560/2003-34. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 13971.000640/2008-40
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35-A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica-se a multa prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
Numero da decisão: 2401-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35-A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica-se a multa prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 846          1 845  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.000640/2008­40  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­002.692  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­ OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Recorrente  HACO ETIQUETAS LTDA E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006  LANÇAMENTO.  GRUPO  ECONÔMICO  CARACTERIZADO  APENAS  COM  BASE  NA  PARTICIPAÇÃO  SOCIETÁRIA  DAS  EMPRESAS  ENVOLVIDAS. CRITÉRIO ÚNICO. SOLIDARIEDADE AFASTADA.   A  solidariedade  ao  adimplemento  das  contribuições  previdenciárias,  com  esteio  no  art.  30,  IX,  da  Lei  8.212/91,  enseja  a  necessidade  do  devido  apontamento  dos  elementos  que  demonstrem,  de  fato,  que  as  empresas  envolvidas ou tidas como componentes do grupo, se caracterizam como uma  única empresa, possuindo um centro de comando unificado. Desta feita, não é  suficiente  para  tanto,  o  simples  fato  de  uma  empresa  participar  do  capital  social da outra, tratando­se o critério de participação societária apenas como  um dos elementos caracterizadores do grupo, mas não o determinante.  APLICAÇÃO  DO  §  4.º  DO  ART.  32  DA  LEI  N.º  8.212/1991.  ENQUADRAMENTO  NA  TABELA  LEVANDO­SE  EM  CONTA  NÚMERO TOTAL DE SEGURADOS DA EMPRESA.  Para cálculo do limite da multa, previsto no revogado § 4.º do art. 32 da Lei  n.º  8.212/1991,  deve­se  tomar  como  base  o  número  total  de  segurados  a  serviço  da  empresa  e  não  apenas  aqueles  cuja  remuneração  deixou  de  ser  declarada na GFIP.  FIXAÇÃO  DA  MULTA.  VALORES  VIGENTES  NA  DATA  DA  AUTUAÇÃO.  A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de  acordo  com  o  valor  vigente  na  data  da  lavratura  fiscal  e  não  na  data  da  ocorrência do ilícito administrativo.  ALTERAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO.  MULTA  MAIS  BENÉFICA.  APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 40 /2 00 8- 40 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2 Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  deve­se  aplicar  a  norma  superveniente  aos  processos  pendentes  de  julgamento,  se  mais  benéfica ao sujeito passivo.  FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  APLICAÇÃO DO ART. 35­A DA LEI N.º 8.212/1991.  Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica­se a multa  prevista no art. 35­A da Lei n.º 8.212/1991.  DECLARAÇÃO  PARCIAL  DOS  FATOS  GERADORES.  RELEVAÇÃO  DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA.  Se  o  contribuinte,  até  a  decisão  de  primeira  instância,  declarava  parte  dos  fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção  das  contribuições  declaradas,  desde  que  cumpridos  os  demais  requisitos  normativos.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006  FALHA  NA  CIENTIFICAÇÃO  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO  PELOS  RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO.  NULIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA.  A mera  remessa  de  comunicação  às  empresas  arroladas  como  coobrigadas,  desacompanhada  das  peças  do  Auto  de  Infração,  é  falha  em  condição  de  validade  do  lançamento,  sendo  cabível  o  seu  saneamento,  sem  que  disso  decorra a nulificação de todo o procedimento fiscal.  INOCORRÊNCIA  DE  PREJUÍZO.  DECLARAÇÃO  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido  das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito  de defesa do sujeito passivo.  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  QUE  APRESENTA  FUNDAMENTAÇÃO  ADEQUADA  E  ENFRENTA  TODAS  AS  ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da  impugnação  com  fundamento  nos  fatos  constantes  dos  autos  e  no  direito  aplicável à espécie.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO.  PRAZO  DECADENCIAL.  O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à  penalidade por descumprimento de obrigação acessória.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 847DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 847          3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar  as  preliminares  de  nulidade;  II)  pelo  voto  de  qualidade,  excluir  os  responsáveis  solidários,  vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e  III) Pelo voto de qualidade, no  mérito,  relevar  a  multa  na  proporção  das  contribuições  que  foram  declaradas  nas  GFIP  retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas  de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em  maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32­A da Lei nº  8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.    Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator    Igor Araújo Soares – Redator Designado  Participaram  do  presente  julgamento  o(a)s  Conselheiro(a)s  Elias  Sampaio  Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 848DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4   Relatório  Trata­se  do  Auto  de  Infração  –  AI  n.º  37.121.468­8,  lavrado  contra  o  contribuinte acima identificado, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de  informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os  fatos geradores de contribuições previdenciárias.  A  penalidade  aplicada  importou  no  valor  de  R$  667.493,02  (seiscentos  e  setenta e sete mil e quatrocentos e noventa e três reais e setenta e dois centavos).  De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 60/64, a empresa deixou de  incluir na GFIP os valores pagos a título de:  a)  verba  denominada  “Indenização”  paga  ao  segurado  empregado  JORGE  LUIZ KOPROWSKI;   b) “Indenização Aposentadoria”, rubrica relativa ao pagamento de um salário  nominal a funcionários aposentados quando do desligamento;   c) verba destinada ao pagamento de gratificação dos funcionários que fazem  parte do grupo de bombeiros voluntários da empresa;   d)  verba  denominada  “Gratificação”  paga  em  03/2004,  no  estabelecimento  matriz, em parcela única, na rescisão do segurado empregado ALCIDES SCHWANK;   e)  verba  denominada  “Indenização Clausula  29”,  relativa  a  pagamentos  no  ato da rescisão a segurados empregados com mais de 05, 10 e 15 anos de serviço na empresa,  previsto em convenção coletiva;   f)  verba  denominada  “Aviso  Prévio  Idade  45  anos”,  a  qual  consistia  em  pagamento de um salário nominal aos empregados desligados com  idade superior a 45 anos,  conforme Convenção Coletiva firmada com o Sindicato de Blumenau, cláusula 09;   g)  remuneração  de  contribuintes  individuais  que  prestaram  serviços  à  autuada, registrada na escrita contábil da empresa, nas contas "5530 SERVIÇO TERCEIROS  PF e "3790 SERVIÇO TERCEIROS PF";   h) custeio, por parte da  autuada, de gastos pessoais do sócio administrador,  Sr.  RICARDO  GUEDES  LOWNDES  e  da  Sra.  CORNÉLIA  CONRAD  LOWNDES,  esta  representante  legal  da  empresa  Conrad  Empreendimentos  e  Participações  S/A,  de  CNPJ  01.528.583/000190,  que  por  sua  vez  é  sócia  majoritária  da  autuada.  Os  referidos  valores  encontram­se  registrados  na  escrita  contábil,  contas  4877  e  3582,  ambas  de  descrição  "VIAGENS E ESTADAS”;  No  seu  relato  a  Auditoria  fez  considerações  adicionais  para  justificar  o  porquê  de  ter  considerado  as  rubricas  acima  mencionadas  como  integrantes  do  salário  de  contribuição.  Na sequência, relata­se que, com esteio no contrato social e alterações, além  de  análise  da  Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais  da  Pessoa  Jurídica  DIPJ,  Fl. 849DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 848          5 constatou­se  a  existência  de  grupo  econômico  integrado  pela  autuada  e  pelas  seguintes  empresas:  a)  CONRAD  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  S/A,  CNPJ  01.528.583/000190. É empresa controladora, que detém 98,01% das cotas da autuada;   b)  HACO  ETIQUETAS  DO  NORDESTE  LTDA.,  CNPJ  02.179.9381000146.  Empresa  controlada  pela Haco  Etiquetas  Ltda.,  que  detém  99%  do  seu  capital;   c) HACO FIOS LTDA., CNPJ 04.740.731/000124. Empresa controlada pela  autuada, a qual possui 99,32% de suas cotas.  Concluiu o Fisco que essas empresas teriam responsabilidade solidárias com  a autuada pela quitação do crédito previdenciário constante no AI.  As  devedoras  apresentaram  impugnações  contra  a  lavratura,  tendo  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  julgado  o  AI  parcialmente procedente.  Dessa decisão, as empresas interpuseram recurso voluntário.  O CARF declarou nula a decisão de primeira instância em razão da falta do  envio, para as empresas arroladas como solidárias, das peças que compõem o AI, limitando­se  o Fisco a remeter apenas comunicação da lavratura e da responsabilidade pelo crédito (ver fls.  385/400).  As  empresas  foram  cientificadas  da  Decisão  do  CARF,  tendo  o  prazo  de  impugnação sido reaberto, em razão do envio do AI e anexos às empresas coobrigadas.  A  empresa  autuada  apresentou  defesa,  fls.  242/258,  na  qual,  em  apertada  síntese, alegou que:  a) o fato como foi narrado pelo Fisco prejudica o seu direito de defesa, uma  vez  que  não  é  possível  se  saber  exatamente  quais  as  competências  em  que  houve  infração,  detectando­se  inclusive  divergências  entre  os  períodos  constantes  do  relatório  e  os  apresentados no anexo “B”. Esse fato é causa de nulidade da lavratura;   b)  no  tocante  a  existência  da  suposta  responsabilidade  solidária,  o  Fisco  sequer  indicou  o  dispositivo  legal  que  daria  embasamento  a  essa  conclusão,  mais  uma  vez  prejudicando o direito de defesa da recorrente;   c)  ocorreu  decadência  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  fevereiro  de  2003;  d) a NFLD n.º 37.121.470­0, correlata ao presente AI, é improcedente, posto  que  os  pagamentos  considerados  fatos  geradores  presentes  naquele  lançamento  não  apresentavam  natureza  remuneratória,  sendo  pagos  especialmente  como  indenizações  e  ressarcimento  de  despesas  aos  funcionários  e  aos  representantes  legais,  o  que  exclui  a  possibilidade de que fossem tributados;  Fl. 850DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6 e) parte da NFLD acima referida foi declarada decadente e o saldo foi objeto  de parcelamento especial;  f)  providenciou  a  declaração  na  GFIP  dos  fatos  geradores  incontroversos,  merecendo a relevação da multa;   g) é necessário, também, que a multa seja reduzida, para que sejam adotados  parâmetros financeiros vigentes na data da infração e não na data da lavratura;  h) na definição do teto da multa devem ser considerados apenas os segurados  relacionados à infração e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa;  i)  deve  ser  aplicado  retroativamente  o  disposto  no  art.  32­A  da  Lei  n.º  8.212/1991, uma vez que prevê multa mais benéfica;  j) caso se aplique o art. 35­A da mesma Lei, deve ser abatida a multa aplicada  na notificação de débito;  k) a multa da forma como foi aplicada é confiscatória;  Foram  acostadas  GFIP  comprovando  a  declaração  de  parte  dos  fatos  geradores apontados pelo Fisco.  Também apresentou defesa a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E  PARTICIPAÇÕES S/A, na peça de fls.334/342, na qual articulou que:  a)  a  ausência  de  notificação  regular  do  AI  não  pode  ser  suprida  com  a  anulação  da  decisão  de  primeira  instância,  pois  o  procedimento  anterior  já  estava maculado  pela nulidade;  b) não foi citada no ofício a base legal necessária à caracterização de grupo  econômico nem a sua responsabilização pela multa, na qualidade de devedor solidário;  c) não se verifica na espécie qualquer hipótese de redirecionamento da dívida  contra possíveis responsáveis tributários, tendo o Fisco criado verdadeira inversão da ordem de  cobrança do débito fiscal;  d)  a  mera  participação  societária  não  autoriza  que  se  conclua  automaticamente  pela  existência  de  grupo  econômico,  haja  vista  que  as  empresas  e  seus  sócios/acionistas possuem personalidades jurídicas próprias que não se confundem;  e)  a  jurisprudência  do  STJ  somente  reconhece  a  responsabilização  por  tributos devidos nos casos em que o sócio pratica atos de gestão, o que não é o caso dos autos;  f) que se aproveite como alegações suas, os argumentos  lançados na defesa  da empresa originalmente autuada.  Compareceram  ao  processo  para  se  defender  também  as  empresas  HACO  FIOS  LTDA,  fls.  354/362  e  HACO  ETIQUETAS  DO  NORDESTE  LTDA,  fls.  392/400,  apresentando  os  mesmos  argumentos  que  a  empresa  CONRAD  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES S/A.  Às fls 422/443, consta decisão da DRJ em Florianópolis declarando a multa  precedente em parte. Foi  reconhecida a decadência até 11/2002, a multa  foi  relevada para as  Fl. 851DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 849          7 competências  12/2003;  08/2005;  05/2006  e  13/2006.  Aplicou­se  ainda  a  legislação  mais  benéfica ao sujeito passivo, tendo­se em conta o disposto na MP n.º 449/2008.  A  autuada  interpôs  recurso  voluntário,  fls.  453/469,  no  qual,  após  breve  síntese dos fatos processuais, manifestou a pretensão de ver a decisão da DRJ reformada, sob  as alegações de que:  a)  é  causa  de  nulidade  da  decisão,  o  fato  da  DRJ  ter  deixado  de  apreciar  alegações defensórias, mormente as questões de inconstitucionalidade e ilegalidade;  b) ocorreu vício formal no lançamento pela falta de clareza na exposição da  conduta infracional, uma vez que há contradição entre o teor do relatório fiscal e de seu anexo  “B”, no que diz respeito às competências lançadas;  c) a solidariedade entre as empresas arroladas pelo Fisco não deve prevalecer.  Primeiro  porque  não  foi  citada  no  Relatório  Fiscal  a  base  legal  que  daria  suporte  a  tal  conclusão, não  se admitindo que  a decisão de primeira  instância  supra  essa  lacuna;  segundo  porque a mera existência de participação societária não autoriza automaticamente que se infira  haver grupo econômico;   d) demais disso, a mera existência de grupo econômico não poderia ocasionar  a responsabilidade tributária, conforme jurisprudência do STJ colacionada;  e) por ser tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial  para as contribuições previdenciárias deve ser aferido pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN,  devendo serem afastadas por caducidade as competências até 02/2003;  f) a decadência reconhecida para a NLFD conexa deve ser estendida ao AI;  g)  o  limite para  aplicação  da  penalidade  deve  levar  em  conta  o  número  de  segurados cuja remuneração não foi declarada e não o total de segurados a serviço da empresa;  h) o valor mínimo utilizado no cálculo da multa deve ser aquele vigente na  data da infração e não na data da autuação;  i) para as competências em que houve correção parcial da falta, a penalidade  deve  ser  relevada  na  proporção  do  saneamento,  conforme  dispões  o  §  1.º  do  art.  291  do  Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 e o § 5.º do art.  656 da Instrução Normativa – IN SRP n.º 03/2005;  j) para as competências 12/2002 e 01/2003, a aplicação da multa mínima de  R$ 500,00  (§  3.º  do  art.  32A da Lei  n.º  8.212/1991)  não  deve  prevalecer,  uma vez  que  não  foram indicados os fatos geradores supostamente omitidos nessas competências;  k) há erro no cálculo da penalidade para as competências em que aplicou a  multa mínima, uma vez o total deveria ser R$ 1.000,0 (um mil reais) e o valor apresentado é de  R$ 19.588,88 (dezenove mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos);  l)  também é  inadmissível que,  para um mesmo AI,  aplique­se  a penalidade  com esteio em dois dispositivos legais distintos, o art. 32­A e o 35­A da Lei n.º 8.212/1991;   m) a multa aplicada é inconstitucional em razão de seu caráter confiscatório.  Fl. 852DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8 Ao final, requereu:  a) que se declare nulo o acórdão recorrido em razão do cerceamento ao seu  direito de defesa;  b) que se cancele o AI pelos vícios apontados;  c) que seja afastada a responsabilidade solidária;  d) que seja relevada a multa na proporção das contribuições declaradas;  e)  que  seja  reconhecida  a  decadência  para  fatos  geradores  ocorridos  até  02/2003;  f) que seja reduzido o valor da multa, pela correção dos erros apontados.  A empresa HACO FIOS também recorreu, fls. 492/501, para alegar que:  a) a nulidade da decisão de primeira instância não tem o condão de apagar o  vício de procedimento representado pela falta de envio do AI;   c) é nulo o AI pela falta de citação do dispositivo legal que fundamentasse a  ocorrência de solidariedade;   d)  a mera  existência de  participação  societária não  é  suficiente para que  se  conclua pela existência de grupo econômico, tampouco existência de responsabilidade solidária  entre as empresas;   e) não pode ser  responsabilizada por conduta que não praticou, haja vista a  responsabilidade penal ser pessoal do agente;   f)  oferta  as  mesmas  razões  de  mérito  apresentadas  no  recurso  da  empresa  diretamente autuada.  Também  interpuseram  recurso  as  empresas  CONRAD  EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A,  fls.  529/538,  e HACO ETIQUETAS DO  NORDESTE LTDA fls. 563/572, apresentando as mesmas alegações da empresa HACO FIOS  LTDA.  É o relatório.  Fl. 853DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 850          9   Voto Vencido  Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade  Os  recursos merecem  conhecimento,  posto  que  preenchem os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Nulidade do procedimento  Alegam  as  empresas  recorrentes  que,  malgrado  o  CARF  tenha  anulado  a  decisão  de  primeira  instância  pelo  fato  das  devedoras  solidárias  não  haverem  inicialmente  recebido  as  peças  que  compõem  o  AI,  o  vício  no  procedimento  permanece,  devendo,  por  consequência o crédito ser nulificado.  Esta tese não deve prevalecer. É que o acórdão de segunda instância entendeu  que houve atropelo ao devido processo legal, pelo fato do Fisco ter apenas encaminhado ofício  às  coobrigadas,  dando  conta  da  existência  de  solidariedade  passiva,  quando  seria  necessário  que as empresas tomassem conhecimento de todas as peças que compõem o AI.   Constatado  o  prejuízo  ao  direito  de  defesa  das  responsáveis  tributárias,  foi  anulada  a  decisão  de  primeira  instância,  de  modo  que  a  legalidade  fosse  restabelecida.  Observe­se que, se o CARF tivesse entendido pela impossibilidade do saneamento, a anulação  teria recaído sobre o AI e não atingiria apenas a decisão da DRJ.  Por esse motivo, ao efetuar o envio do AI e anexos às empresas coobrigadas,  o Fisco saneou o vício, afastando a mácula na lavratura.   Para justificar esse entendimento, devemos fazer um breve comentário acerca  dos  elementos  que  constituem  o  procedimento  de  lançamento,  para  depois  tratar  das  consequências  jurídicas  advindas  de  vícios  em  cada  uma  das  partes  que  compõem  o  ato  procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso  trazido a lume.   Compõem o ato de lançamento:  a)  Requisitos:  são  as  formalidades  que  integram  a  substância  do  ato  de  lançamento, fazendo parte de sua própria estrutura. São tratados no art. 142 do CTN, verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Fl. 854DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10 Assim,  a  descrição  do  fato  gerador,  a  determinação  da  base  de  cálculo,  a  aplicação  da  alíquota  para  obter  o  valor  do  tributo  e  a  identificação  do  sujeito  passivo  são  considerados requisitos do lançamento.  b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura  do  lançamento,  são  imprescindíveis  para  a  formação  do  ato,  a  exemplo  de  cientificação  do  início  do  procedimento  fiscal,  intimação  para  apresentação  de  documentos,  cumprimento  de  normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais  do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc.  c) Condições:  são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que  sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo.  Quando a mácula  situa­se nos  requisitos do  lançamento, deve­se  fulminá­lo  por  vício  material,  nos  casos  em  que  a  autoridade  julgadora  esteja  convencida  de  que  efetivamente  ocorreu  o  fato  gerador,  todavia,  houve  falha  na  sua  descrição,  no  cálculo  do  tributo ou na identificação do sujeito passivo.  Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento  acarretam em saneamento dos mesmos ou na declaração de vício formal do mesmo, quando a  mácula não possa ser afastada. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus  aspectos substanciais, posto que a falha localiza­se em elemento exterior ao lançamento.  No caso sob cuidado, observa­se que o vício detectado pelo CARF situou­se  em uma das condições do  lançamento, qual seja a cientificação pelas empresas devedoras de  todas as peças do AI.  Essa  falha  é  passível  de  saneamento,  o  qual,  nesse  caso,  deu­se  com  a  remessa das peças inicialmente sonegadas, não havendo o que se falar em impossibilidade de  eliminação dessa falha, visto que situada em “condição” de validade do lançamento.  No  momento  em  que  as  empresas  foram  cientificadas  do  inteiro  teor  da  lavratura, cessou o prejuízo existente, não sendo cabível a anulação de  todo o procedimento,  sob pena de atropelo ao princípio constitucional da eficiência da Administração Pública.  A  Lei  n.º  9.784/1999,  que  estabelece  normas  básicas  sobre  o  processo  no  âmbito da Administração Pública Federal trata da matéria nesses termos:  Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão  ao  interesse  público  nem  prejuízo  a  terceiros,  os  atos  que  apresentarem  defeitos  sanáveis  poderão  ser  convalidados  pela  própria Administração.  Ora, tendo sido eliminada a causa que reconhecidamente prejudicou o direito  de  defesa  das  empresas,  a  qual  se  localizava  em  elemento  externo  ao  lançamento,  perfeitamente  cabível  o  saneamento  do  feito,  não  havendo  necessidade  de  nulificação  do  procedimento.  Nulidade da Lavratura  Como causas de nulidade da própria lavratura, os recursos apresentam a falta  de  citação  no  Relatório  Fiscal  da  norma  necessária  a  fundamentação  da  responsabilidade  solidária, bem como, o possível cerceamento ao direito de defesa por  falta de clareza quanto  aos períodos de ocorrência da infração.  Fl. 855DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 851          11 Para  demonstrar  a  ocorrência  da  responsabilidade  solidária,  a  Auditoria  indicou  ter  constatado,  pela  análise  do  contrato  social  e  alterações  e  da  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ,  que  a  autuada  integrava  grupo  econômico, cujo controle acionário pertencia a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E  PARTICIPAÇÕES S/A, do qual  também faziam parte as empresas HACO ETIQUETAS DO  NORDESTE LTDA e HACO FIOS LTDA.  Diante da suposta constatação da existência de grupo econômico, as demais  empresas  foram  cientificadas  da  existência  dos  débitos  e  da  sua  condição  de  devedoras  solidárias pelo fato de integrarem juntamente com a autuada um grupo empresarial.  Percebe­se  que  o  Fisco  narrou  com  precisão  a  situação  que  acarretou  na  responsabilidade  das  empresas  para  com  os  créditos  tributários,  não  cabendo  a  alegação  de  prejuízo ao direito de defesa das mesmas pela mera ausência de citação de dispositivo legal que  prevê a solidária vinculação pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.  Em adição a  isso, diga­se que  inexiste na  legislação aplicável a previsão de  remessa  de  relatório  fiscal  para  caracterização  de  grupo  econômico,  nos  casos  em  que  o  controle  é  visualizado  pela  própria  composição  societária  das  empresas. A demonstração  da  interligação  entre  as  empresas  torna­se  essencial  apenas  para  os  casos  em  que  se  verifica  a  existência de grupos empresariais, cuja vinculação não aparece formalmente, mas é encontrada  nos fatos narrados pelo Fisco.  A  DRJ  atuou  com  acerto  quando  afirmou  que  em  processo  administrativo  fiscal o contribuinte se defende dos fatos e circunstâncias apresentados pela Fiscalização e não  da definição jurídica invocada. Na espécie, os contribuintes, malgrado aleguem prejuízo a sua  defesa, trouxeram em suas peças de impugnação argumentos que me permitem concluir que os  mesmos  estavam  plenamente  cientes  da  circunstância  que  deu  causa  a  sua  vinculação  ao  crédito tributário na condição de devedores solidários.  Portanto, não encontrando qualquer prejuízo ao direito de defesa dos sujeitos  passivos,  deixo  de  acatar  a  preliminar  de  nulidade  pela  falta  de  capitulação  legal  relativa  à  solidariedade.  A outra mácula atribuída à autuação diz respeito a falta de clareza do relato  fiscal quanto aos períodos de ocorrência da infração. Afirma a empresa autuada que, enquanto  o ANEXO B indica ter havido infração relativamente à conta contábil 3790 nas competências  10 e 11/2002, 02/2004 a 04/2004 e 07/2004, o item 4.7 do Relatório Fiscal não menciona tais  períodos.  Sobre  essa  questão  tenho  a  afirmar  que  a  Autoridade  Fiscal  descreveu  a  infração, mencionou  o  dispositivo  legal  infringido  e  acostou  planilhas  onde  demonstra  para  cada período as remunerações que deixaram de ser informadas na GFIP. A falha que o sujeito  passivo  aponta  nada  mais  é  de  que  mero  erro  material  consistente  na  divergência  entre  o  período  indicado  no  relato  fiscal  e  as  competências  constantes  nas  planilhas  acostadas, mas  especificamente no ANEXO B.  A  ocorrência  dessa  falha  em  hipótese  alguma  pode  inquinar  de  nulidade  a  lavratura. Nota­se que o item 4 do Relatório Fiscal teve por desiderato descrever a parcela que  foi  omitida  da  guia  informativa  e  as  circunstâncias  em  que  foi  paga,  de modo  a  justificar  a  Fl. 856DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     12 consideração da mesma como salário de contribuição. Ao fazer essa menção, a Auditoria achou  por bem indicar o período de pagamento da verba.  As  planilhas  acostadas  servem  para  especificar  quantitativamente  a  parcela  paga, indicando­se ainda a data do pagamento, a conta contábil de onde foi extraído, o histórico  da operação e o beneficiário.  Verifica­se  assim  que  o  contribuinte  teve  todo  o  conhecimento  dos  fatos  geradores apontados pelo Fisco nos  seus aspectos qualitativos e quantitativos, com o que foi  possível impugnar a autuação sem obstáculos.  A divergência porventura existente entre o período constante no Relatório e  as  competências  demonstradas  no  ANEXO  B  deve  ser  considerada  como  mero  erro  de  digitação,  que  sequer  merece  ser  saneado,  uma  vez  que  não  trouxe  qualquer  prejuízo  ao  administrado.  Caso  o  sujeito  passivo  viesse  a  demonstrar  que  constava  das  planilhas  acostadas  alguma  parcela  não  mencionada  no  Relatório  Fiscal,  ou  que  os  valores  ali  apresentados estavam em dissonância com a documentação exibida, seria caso de se retificar o  valor divergente ou expurgá­lo do AI, jamais declarar a nulidade da autuação.  Não  custa  invocar  mais  uma  vez  o  art.  55  da  Lei  n.º  9.784/1999,  o  qual  condiciona o saneamento do processo a inexistência de lesão ao interesse público e prejuízo ao  administrado, do que se depreende, a contrário senso, que não há nulidade quando o interesse  público é preservado e do ato não advém prejuízo a terceiros.  O Decreto n° 70.235/1972, que é a norma mestra do processo administrativo  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  da  União,  hoje  também  aplicado  às  contribuições previdenciárias, acerca das nulidades dispõe:  Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.   (...)  Assim, com vistas a apreciar o argumento de nulidade do procedimento fiscal  em razão de mero erro de digitação no Relatório Fiscal, deve­se indagar se:  a) o interesse público foi arranhado;   b) o fato trouxe prejuízo ao sujeito passivo;   c) houve preterição do direito de defesa da recorrente.  Verifica­se que a falha apontada não representou mínimo prejuízo ao sujeito  passivo,  posto  que,  conforme  já  afirmei,  os  elementos  postos  a  sua  disposição  no Relatório  Fiscal,  bem  como  nos  seus  anexos  lhe  possibilitaram  o  exercício  do  direito  de  defesa  com  amplitude. Nesse sentido, não tenho dúvida que o interesse público foi preservado, bem como  as garantias processuais do administrado, não havendo razão para que se anule o lançamento  por esse motivo.  Fl. 857DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 852          13 Nulidade do acórdão recorrido  Sustentam  as  recorrentes  que  a  falta  de  apreciação  de  todas  as  razões  de  defesa pela DRJ estaria a reclamar a nulidade do acórdão de primeira instância.  Não deve prevalecer essa alegação. O mérito da contenda foi exaustivamente  apreciado,  onde  se  destacam  as  ponderações  do  órgão  de  primeira  instância  acerca  da  incidência  de  contribuições  sobre  parcelas  que  a  autuada  entendia  serem  insusceptíveis  de  tributação,  como  é  o  caso  das  chamadas  “indenizações”  e  dos  valores  pagos  a  título  de  despesas de viagem.  Cabe ressaltar que no decisum original lançou­se mão até de trechos do voto  condutor do acórdão que declarou parcialmente procedente a NFLD n.º 37.121.470­0, correlata  ao presente AI. Também se debruçou o órgão recorrido exaustivamente sobre a aplicação da  multa e a possibilidade de sua relevação.  Apenas  as  alegações  de  inconstitucionalidade  de  lei  não  foram  objeto  de  análise pela DRJ, uma vez que tal julgamento não cabe aos órgãos judicantes do contencioso  administrativo fiscal. Essa é a inteligência da Súmula CARF n.º 02, assim redigida:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  Nesse sentido, cai por terra a alegação de nulidade do acórdão guerreado.  Responsabilidade solidária  Assim dispõe o art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  (...)  IX  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei; (...)  Vê­se  que  a  norma  é  enfática  ao  prescrever  que,  em  se  comprovando  a  existência  de  grupo  econômico,  seja  de  fato  ou  de  direito,  é  automático  o  vínculo  de  solidariedade  entre  as  empresas  integrantes  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  Seguridade Social.  Diante  dessa  conclusão,  o  primeiro  passo  para  se  verificar  a  existência  da  solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as  empresas arroladas.  Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT1, a  IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos:                                                              1  §  2º  Sempre  que  uma  ou  mais  empresas,  tendo,  embora,  cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de  Fl. 858DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     14 Art. 748. Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais  empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica.  Na  espécie,  dúvida  não  há  de  que  a  empresa  CONRAD  EMPREENDIMENTOS  era  a  controladora  do  grupo,  haja  vista  deter  98,01%  das  cotas  da  autuada, que por sua vez, era detentora de 99% e 99,32% das empresas HACO ETIQUETAS  DO NORDESTE e HACO FIOS, respectivamente.  Nesse  sentido  é  inquestionável  a  existência  de  grupo  econômico,  sendo  as  empresas integrantes, portanto, solidariamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações  para com a Seguridade Social.  Sobre  essa  mesma  matéria,  uma  outra  questão  posta  à  análise  é  se  essa  solidariedade  pode  se  estender  ao  cumprimento  das  obrigações  acessórias.  Entendemos  que  não.  De  fato,  somente  o  sujeito  passivo  direto,  ou  seja,  o  contribuinte  que  promove  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  pode  ser  autuado  pela  descumprimento  dos  deveres  instrumentais instituídos em benefício da arrecadação e fiscalização dos tributos.  Todavia, nos termos do § 3.º do art. 113 do CTN2,. uma vez descumprida a  obrigação acessória, nasce para o Fisco o direito de aplicar sanção legalmente prevista, que faz  surgir à obrigação principal de pagar a penalidade pecuniária aplicada.  Pelo pagamento dessa multa é que recai a responsabilidade para a autuada e  também para as empresas integrantes do grupo econômico da qual a contribuinte faça parte, em  razão  da  existência  de  solidariedade  entre  as  mesmas  pelo  cumprimento  das  obrigações  decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social.  No inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 a expressão “pelas obrigações  decorrentes desta lei” diz respeito ao pagamento do tributo, bem como das multas, sejam elas  de caráter moratório ou punitivo.  Assim,  independentemente  de  terem  dado  causa  a  conduta  infracional,  as  empresas  integrantes  de  grupo  econômico,  por  estarem  submetidas  a  controle  único,  representando  interesses  comuns,  devem  também  responder  pelas  multas  decorrentes  do  descumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária.  Decadência  É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º  8.212/1991  pela  Súmula  Vinculante  n.º  08,  editada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  12/06/2008,  o  prazo  decadencial  para  as  contribuições  previdenciárias  passou  a  ser  aquele  fixado no CTN.  Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem  do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição:  Art. 150 (...)                                                                                                                                                                                           qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a  empresa principal e cada uma das subordinadas.  2 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.(...)  § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese  em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.  Fl. 859DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 853          15 § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  ................................................................................................  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:   I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;   II  ­  da  data  em que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  (...)  A  jurisprudência majoritária do CARF,  seguindo entendimento do Superior  Tribunal  de  Justiça,  tem  adotado  o  §  4.º  do  art.  150  do  CTN  para  os  casos  em  que  há  antecipação  de  pagamento  do  tributo,  ou  até nas  situações  em que,  com base nos  elementos  constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato.  O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o  contribuinte  não  tenha  antecipado  o  pagamento  das  contribuições,  na  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  e  também para os  casos  de  aplicação  de multa  por  descumprimento  de  obrigação acessória.  Por  fim,  o  art.  173,  II,  merece  adoção  quando  se  está  diante  de  novo  lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal.  Por  se  tratar  de  lavratura  para  aplicação  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação acessória,  típico  lançamento de ofício, deve­se contar a decadência pela norma do  inciso I do art. 173 do CTN.  A cientificação do lançamento ocorreu em 12/03/2008 (fl. 226), data em que  a  última  das  coobrigadas  recebeu  a  notícia  da  existência  do  crédito  tributário  e  de  sua  responsabilidade para com o mesmo.  Portanto, devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2002,  não havendo reparos a serem feitos quando ao que ficou decidido na primeira instância.  Aplicação da multa  Outra questão sobre a qual devemos nos debruçar é a aplicação da multa nos  termos  da  legislação  vigente  na  data  da  autuação.  Entendo  que  os  argumentos  apresentados  pela  autuada  de  que  o  Fisco  incorreu  em  equívocos  na  fixação  da  penalidade  não  devem  prevalecer.  Fl. 860DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     16 São duas as alegações, ambas acerca da fixação do limite previsto no § 4.º do  art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, o qual serve de teto para a aplicação da multa prevista no § 5.º do  mesmo artigo, os quais transcrevemos:  §  4º  A  não  apresentação  do  documento  previsto  no  inciso  IV,  independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o  infrator à pena administrativa  correspondente a multa  variável  equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no  art.  92,  em  função  do  número  de  segurados,  conforme  quadro  abaixo:  0 a 5 segurados  1/2 valor mínimo  6 a 15 segurados  1 x o valor mínimo  16 a 50 segurados  2 x o valor mínimo  51 a 100 segurados  5 x o valor mínimo  101 a 500 segurados  10 x o valor mínimo  501 a 1000 segurados  20 x o valor mínimo  1001 a 5000 segurados  35 x o valor mínimo  Acima de 5000 segurados  50 x o valor mínimo    §  5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  (Revogado  pela  Medida Provisória nº 449, de 2008).  Pois bem, alega­se no recurso que na definição do número de segurados para  aplicação  da  tabela  acima  deve  levar  em  apenas  aqueles  cuja  remuneração  deixou  de  ser  declarada e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa.  Essa  não  é  a melhor  exegese  da  norma. Observe­se  que  o  quadro  do  §  4.º  transcrito servia para fixar o valor da multa quando da não apresentação da GFIP e também o  limite na aplicação da multa para a infração prevista no § 5.º.  Tendo­se em conta que na utilização do quadro visando à  fixação da multa  para os casos de falta de entrega da GFIP não faz sentido se falar em segurados envolvidos na  infração, haja vista que nenhum deles foi declarado, não há de se querer que na utilização do  mesmo dispositivo para o cálculo do limite da multa pela omissão de fatos geradores se tome  apenas o número de segurados cuja remuneração não foi declarada.  No que diz  respeito à quantificação do valor mínimo, advoga­se no recurso  que esse deve ser aquele vigente na data a ocorrência da infração e não o da data da autuação.  O  deslinde  desse  ponto  do  recurso  não  merece  maiores  divagações,  posto  que  o  próprio  legislador  se  encarregou  de  esclarecer  essa  questão. Veja­se  o  prescrevia  o  §  8.º  do mesmo  artigo:  Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 854          17 § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data  da lavratura do auto­de­infração.  Assim, por contestar expressa disposição de lei não merece acolhimento essa  tese recursal.  Aplicação da regra mais benéfica  Passemos agora a comentar a forma de aplicação da multa para a infração sob  enfoque  após  as  alterações  promovidas  pela MP  n.º  449/2008,  posteriormente  convertida  na  Lei n.º 11.941/2009 na Lei n.º 8.212/1991.  É  cediço que  essa  alteração  legislativa promoveu uma  substancial mudança  no cálculo das penalidades pelo descumprimento das obrigações decorrentes da declaração em  GFIP. As penalidades, que variavam em função do tipo de infração cometido (falta de entrega,  omissão  de  fatos  geradores,  erro  em  campos  não  relacionados  aos  fatos  geradores,  desconformidade das  informações  com as  orientações  do manual  de  preenchimento,  falta  de  declaração do valor retido na prestação de serviço por cessão de mão de obra), passaram a ser  capituladas em apenas dois dispositivos, os incisos I e II do art. 32­A da Lei n.º 8.212/1991, in  verbis:  Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e(Incluído  pela  Lei  nº  11.941, de 2009).  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês  calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  Na  sistemática  anterior,  aplicava­se  a  multa  pelo  descumprimento  da  obrigação de pagar o tributo cumulativamente com a multa decorrente de falhas na declaração  da GFIP, fosse a falta de entrega da guia ou o seu preenchimento incorreto. Com a introdução  do  art.  35­A  na  Lei  n.º  8.212/1991,  havendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  relacionada a GFIP e falta de pagamento do tributo a multa passou a ser unificada, conforme  disposto no art. 35A, que agora transcrevo:  Art.  35­A.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  O dispositivo da Lei n.º 9.430/1996 está assim redigido:  Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     18 Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  (...)  Diante  da  nova  configuração  legislativa,  o  órgão  de  primeira  instância  promoveu  o  cálculo  da  multa  considerando  as  atuais  disposições  e  comparou  com  a  multa  originalmente calculada pelo Fisco, adotando a multa mais benéfica, em homenagem previsão  constante na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN.  Todavia,  há  um  complicador  para  se  aplicar  a  atual  legislação.  É  que  no  presente AI há fatos geradores não declarados que deram ensejo a lançamento da contribuição  devida e há fatos geradores que, embora não declarados, tiveram as contribuições decorrentes  recolhidas antes ou durante a ação fiscal, não provocando lançamento de ofício. E mais, para as  competências  12/2002  e  01/2003,  as  contribuições  lançadas  na  NFLD  foram  consideradas  decadentes.  Dadas  essas  circunstâncias,  o  órgão  de  primeira  instância  teve  que  adotar  uma conjugação do art. 32­A com o art. 35­A para efetuar o novo cálculo da multa. Sobre a  metodologia utilizada teceremos alguns comentários.  Inicialmente  foram  expurgadas  do  AI  as  competências  consideradas  decadentes  no  próprio  auto  (art.  173,  I,  do  CTN)  e  aquelas  para  as  quais  houve  a  correção  integral  da  falta,  que  foram  objeto  de  relevação  da  penalidade.  Depois,  os  fatos  geradores  foram segregados em razão de terem sido ou não objeto de lançamento de ofício.  Para  os  fatos  geradores  não  contemplados  na  NFLD  ou  consideradas  decadentes  (art.  150,  §  4.º  do  CTN)  adotou­se  para  o  cálculo  da  penalidade  o  art.  32­A,  observando­se o limite mínimo de 500,00 (quinhentos reais) por competência.  Para os fatos geradores que deram ensejo a lançamento de ofício foi aplicada  a regra prevista no art. 35­A, correspondente a 75% da contribuição não declarada, abatendo­se  a multa de mora presente na NFLD.  Ao  final  foram  somadas  as  multas  calculadas  conforme  os  dois  critérios,  chegando­se ao valor da penalidade mantido na decisão de primeira instância.  Diante do exposto, por considerar que o órgão de primeira instância fixou o  valor da penalidade em consonância com o que dispõe a legislação, tendo adotado as cautelas  necessárias  para  que  o  contribuinte  fosse  favorecido  com  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica, afasto a alegação recursal de que houve erro no cálculo da multa.  Relevação da penalidade  Acerca  da  relevação  da  penalidade  na  proporção  da  correção  da  falta,  confesso  que  alterei  meu  posicionamento  a  esse  respeito.  Em  julgamento  realizado  nessa  Turma no dia 16/03/2011, fui vencido nessa questão, o que me levou a uma melhor  reflexão  sobre o tema tendo evoluído para o entendimento firmado no citado julgamento pela maioria da  Turma. Nesse sentido, para justificar meu atual posicionamento, favorável a relevação da multa  de forma parcial, mesmo para as ocorrências em que inexistiu a correção integral da falta, peço  Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 855          19 licença para transcrever o voto vencedor naquela ocasião da lavra do Ilustre Conselheiro Elias  Sampaio Freire (Acórdão n.º 240101.693):  Ouso  divergir  do  ilustre  relator  na  sua  seguinte  afirmação:  “Alinho­me  aos  que  entendem  que  a  concessão  do  benefício  da  relevação  da  penalidade  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  previstas  na  legislação  previdenciária,  hoje  fora  do  nosso  ordenamento,  pressupunha  a  integral  correção  de  cada  ocorrência.”  Anteriormente,  até  o  advento  da  IN  SRP  nº  23/2007,  a  legislação  previa  a  possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais  previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº  3/2005):  Art. 656. (...)  (...)  §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo  autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos  na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa  na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias  relativas aos fatos geradores informados, exceto: (REVOGADO  PELA IN SRP nº 23/2007)  I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal;   II  a  diferença  entre  o  valor  total  relativo  à  contribuição  não  declarada  e  o  limite máximo  estabelecido  para  a  aplicação da  multa.  Ocorre  que  esta  alteração,  decorrente  da  revogação  do  aludido  dispositivo  normativo, não decorreu de alteração legal e sim de interpretação.  Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza  que deva se dar a  interpretação da maneira mais  favorável ao contribuinte, no que  diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in  verbis:  “Art.  112.  A  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se  da  maneira  mais  favorável  ao  acusado, em caso de dúvida quanto:  I à capitulação legal do fato;  II  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza ou extensão dos seus efeitos;   III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da  penalidade aplicável, ou à sua graduação.”  A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à  observância  dos  princípios  da  legalidade  e  da  razoabilidade.  Embora  o  Código  Tributário  Nacional  estabeleça  que  a  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  (art.  113,  §  2°),  expressão  que  compreende  as  leis,  os  tratados  e  as  convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas  complementares  (atos  normativos,  decisões  dos  órgãos  de  jurisdição  administrativa,  as  práticas  Fl. 864DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     20 reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  tributários  e  convênios),  não  se  deve  perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade.  Em  comentário  ao  dispositivo,  Luiz  Alberto  Gurgel  de  Faria  enfatiza,  na  esteira da melhor doutrina, que apenas a  lei  formal poderia  ser fonte de obrigação  tributária  acessória:  (Código  Tributário  Nacional  Comentado,  Coord.  Vladimir  Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551552)  A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser  interpretado  em harmonia  com a Constituição Federal. Com efeito,  nos  termos  do  art.  96  do  CTN,  a  referida  expressão  'compreende  as  leis,  os  tratados  e  as  convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no  todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que,  na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses  atos poderiam instituir uma obrigação acessória.  Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado  ' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de  lei'  (art.  5°,  II)  ,  demonstrando  que  as  obrigações  acessórias  hão  de  ser  criadas  através  de  lei,  formal  e  materialmente  considerada,  advinda,  portanto,  do  Poder  Legislativo,  cabendo  aos  decretos  e  demais  normas  complementares  o  papel  de  explicitar  a  lei,  viabilizando  a  sua melhor  forma  de  execução,  quando  necessário  Portanto,  as  obrigações  tributárias  acessórias,  incluídas  as  possibilidades  de  atenuação  ou  relevação  de  multa,  não  podem  ser  criadas  ou  extintas  via  de  atos  normativas da Administração Tributária.  Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa  na proporção do valor das  contribuições  sociais previdenciárias  relativas  aos  fatos  geradores informados em GFIP.  É como voto.  Diante  dessas  considerações,  a  multa  para  as  competências  em  que  houve  correção  parcial  da  falta  deve  ser  relevada  na  proporção  das  contribuições  previdenciárias  declaradas na GFIP.  Conclusão  Voto  por  afastar  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas,  por  não  acatar  a  decadência e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso de modo que seja relevada a multa  na  proporção  das  contribuições  que  foram  declaradas  nas  GFIP  retificadoras  juntadas  aos  autos.    Kleber Ferreira de Araújo  Fl. 865DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 856          21   Voto Vencedor  Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado  Em que pesem os fundamentos adotados pelo Em. Relator, ao concluir pela  existência  da  solidariedade  ao  adimplemento  das  obrigações  tributárias  ora  lançadas,  e,  decorrência da configuração do grupo econômico de empresas, ouso divergir.  Ocorre,  no  presente  caso,  que  a  caracterização  do  grupo  econômico  ensejadora da responsabilidade solidária das empresas indicadas no relatório fiscal do Auto de  Infração teve como fundamento único, a análise da participação societária das envolvidas.  Conforme se depreende do relatório fiscal, a fiscalização verificou que:  (i) a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A,  CNPJ 01.528.583/000190, constituíase como empresa controladora do grupo, por ser detentora  de 98,01% das cotas da autuada; (ii) a empresa HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA.,  CNPJ 02.179.9381000146, constituíase em empresa controlada pela autuada, a empresa Haco  Etiquetas  Ltda.,  que  detém  99% do  seu  capital  social;  (iii)  a  empresa HACO FIOS LTDA.,  CNPJ 04.740.731/000124 também se constituía em empresa controlada pela autuada, detentora  de 99,32% de suas cotas.  Pois  bem,  sobre  o  grupo,  nada  mais  fora  analisado,  seja  mesmo  a  centralização do controle estratégico da autuada, ou mesmo trazidos aos autos outros elementos  que apontem que as empresas indicadas, em verdade, constituem­se, numa só.  As  alterações  legislativas  que  podem  ser  consideradas  sobre  o  assunto  deixaram de demonstrar a preocupação com a simples questão de participação de uma pessoa  jurídica em outra ou em outras, para que venha a se definir serem ou não coligadas, trazendo  novo elemento que demonstra ser irrelevante o volume da participação para tal finalidade, qual  seja, a questão da influência de uma empresa na gestão dos negócios e administração de outra.  O  cenário  voltado  para  a  definição  do  grupo  econômico  já  ultrapassou  a  questão da mera participação de uma mesma pessoa  (física ou  jurídica) em várias  empresas,  como, por exemplo, era preconizado pela  revogada  IN  INSS/DC n. 70, em seus artigos 13 e  175, cuja evolução passou a considerar como elemento preponderante,  a questão do controle  acerca  das  deliberações  e  administração  em  torno  das  empresas  que  possam  vir  a  compor  o  grupo.  Para WLADIMIR NOVAES MARTINEZ  “Grupo  econômico  pressupõe  a  existência  de  duas  ou  mais  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  pertencentes  às  mesmas  pessoas,  não  necessariamente  em  partes  iguais  ou  coincidindo  com  os  proprietários,  compondo  um  conjunto  de  interesses  econômicos  subordinados ao  controle  do  capital. O  importante  na  caracterização  da  reunião  dessas  empresas  é  o  comando  único,  a  posse  de  ações  ou  quotas  capazes  de  controlar  a  Fl. 866DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     22 administração,  a  convergência  de  políticas  mercantis,  a  padronização  de  procedimentos  e,  se  for  o  caso,  sem  ser  exigência, o objetivo comum.”  Desta  feita,  a  melhor  linha  de  interpretação  a  ser  considerada  no  caso  da  necessidade de  imputação da  responsabilidade  tributária  solidária preceituada pelo  inciso  IX,  art.  30  da  Lei  8.212/91  –  uma  vez  que  referido  artigo  passou  ao  largo  de  dar  qualquer  delimitação à matéria – deve ser aquela que na análise da caracterização do grupo econômico,  possa fazer depreender da situação específica do conjunto de empresas envolvidas, ou mesmo  de  sócios  e  empresas  envolvidos,  não  apenas  a  questão  da  participação  societária  verificada  entre eles, mas também, se dessa participação societária, pode restar caracterizada a figura do  poder de controle, de uma empresa, em face de outra, ou mesmo das demais que se sustenta  comporem o grupo.  Ao  se  falar  em  grupo  econômico,  deve­se,  à  toda  evidência,  considerar  se  tratar  de  uma  reunião  ou  conglomerado  de  empresas,  no  qual  se  verifique  a  existência  da  direção  unificada  ou  centralizada,  aliada  à  presença  de  um  interesse  comum  entre  elas.  Interesse  este  não  simplesmente  alheio, mas  que  seja meramente  distinto  do  objeto  de  cada  uma  delas  individualmente  considerada  e  que  a  nosso  ver  envolva  também  um  resultado  econômico decorrente da gestão única.  A  mera  existência  de  um  ou  mais  sócios  em  comum  não  nos  parece  ser  elemento  único  ou  até  mesmo  apto  a  isoladamente  definir  duas  ou  mais  empresas  como  pertencentes a um grupo econômico. Em verdade, constitui­se apenas em um mero indício de  que tal situação possa vir a ser caracterizada, nos casos de grupos econômicos de fato, em que  não  há  instrumento  escrito  hábil  expressamente  fixando  tal  condição  ou  acordo  entre  as  participantes.  Interessante são as ponderações do Em. Conselheiro Rycardo Henrique M. de  Oliveira,  quando,  no  julgamento  do  processo11474.000151/200792,  exteriorizou,  a  contento  que a participação societária de uma empresa na outra, em verdade, deve ser considerada como  um dos  elementos  caracterizadores  da  existência  de um  grupo  econômico, mas  não  o  único,  valorizando,  a  toda  evidência os demais precedentes desta Casa,  que  em consonância com a  legislação  evoluíram  no  sentido  da  necessidade  de  comprovação  do  centro  de  controle  estratégico,  e mesmo  da  confusão  tamanha  entre  as  empresas,  que  se  conclua,  em  verdade,  serem uma única. Vejamos:  “No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente,  inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência  de  Grupo  Econômico  de  fato,  conforme  restou  circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação  Fiscal.  Ademais,  em  relação  às  alegações  da  notificada  de  que  a  fiscalização não apresentou provas suficientes para comprovar a  sua  tese  de  simulação,  temos  que,  os  elementos  trazidos  aos  autos pela  fiscalização,  tais  como: a  empresa possui  sócios  em  comum  e  são  membros  da  mesma  família;  as  empresas  funcionam  no  mesmo  endereço;  a  prestação  de  serviços  se  dá  "exclusivamente"  a  Engecass;  as  máquinas  e  equipamentos  utilizados  pelas  prestadoras  de  serviços  (empresas  B  e  C),  encontram­se  escriturado  apenas  no  ativo  imobilizado  da  empresa A, mesmo após a  terceirização da atividade  industrial  desta;  as  elétricas,  águas  e  esgoto  das  três,  também  são  lançadas, somente, na "conta despesa" da empresa A, confirmam  Fl. 867DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/2008­40  Acórdão n.º 2401­002.692  S2­C4T1  Fl. 857          23 que  se  trata  simulação  ou  constituição  de  empresas  por  interpostas pessoas,  as quais ao  contrário do que argumenta a  impugnante não são autônomas e independentes entre si.  Verifica­se,  portanto,  que  o  fisco  previdenciário  não  se  fundamentou  simplesmente  no  fato  de  as  empresas  terem  os  mesmos  sócios,  ao  caracterizá­las  como  Grupo  Econômico,  apesar de  também  ter contribuído para  tal conclusão. Como se  observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima,  as  atividades  desenvolvidas  por  todas  empresas  integrantes  do  Grupo Econômico se relacionam e interligam.”  A meu ver, pois, a participação societária é um dos elementos que ensejam a  caracterização  do  grupo  econômico  de  fato  de  empresas, mas  não  o  fator  determinante,  não  podendo, para este fim, ser considerado de forma única, como levado a efeito pela fiscalização.  Em  face  do  exposto,  pedindo  vênias  ao  Em.  Relator,  voto  no  sentido  de  excluir os responsáveis solidários do pólo passivo da presente autuação, acompanhando, no  mais, os demais fundamentos de seu voto.  É como voto.  Igor Araújo Soares                Fl. 868DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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