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Numero do processo: 10940.002219/2003-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES-EXCLUSÃO
Ano-calendário: 2003.
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Não caracteriza a locação de mão-de-obra quando o contribuinte firma contrato de prestação de serviços, em que, não obstante sejam prestados na propriedade do contratante, não subordinação dos empregados a este. Foco do contrato que se refere ao serviço a ser prestado, e não à respectiva mão-deobra.
Numero da decisão: 9101-000.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Susy Go Caio Marcos Cândido - Presidente. CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10940.002219/2003-38 Recurso n° 132.570 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.912 — r Turma Sessão de 28 de março de 2011 Matéria SIMPLES- EXCLUSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JASON PEREIRA DOS SANTOS Assunto: SIMPLES-EXCLUSÃO Ano-calendário: 2003. Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Não caracteriza a loca ção de mão-de-obra quando o contribuinte firma contrato de presta ção de serviços, em que, não obstante sejam prestados na propriedade do contratante, não subordina ção dos empregados a este. Foco do contrato que se refere ao servi ço a ser prestado, e não â respectiva indo-de- obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do cole giado, por unanimidade de votos, ne gar provimento ao recurso Editado em: 1 0 m A 12011 Participaram da sessão de jul gamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wa gner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Orlando José Gon çalves Bueno (Suplente Convocado). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em violação à legislação tributária, por parte da decisão tomada por maioria. Refere-se, o processo, à exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples, sob o fundamento de exercício, por parte da empresa, de atividade de locação de mão- de-obra, vedada ao Simples, de acordo com o artigo 9°, inciso XII, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, As fls. 25/29, explicando que, a partir de janeiro de 2000, passou a exercer atividade de comercio e transporte de madeiras e prestação de serviços de corte de pinus, com a utilização de vários equipamentos próprios, como roçadeira, moto-serra, caminhão. Assim, afirmou que há necessidade de operadores para tais equipamentos, de modo que reputar tais atividades como atividade de locação de mão-de-obra importaria querer abranger todas as atividades em que se utiliza de mão-de-obra como atividade de locação de mão-de-obra. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, As fls. 34/39 dos autos, manteve a exclusão. 0 contribuinte interpôs recurso voluntário As fls. 43/61 dos autos. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, As fls. 68/74 dos autos, deu provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Parcelamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples. Ano-calendário: 2003. • Ementa: SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. EXCLUSÁ -0.O. Há que se distinguir a contratação da prestação de serviços com cessão de mão-de-obra da assim chamada locação de mão-de- obra. No primeiro caso há uma "locação de serviços" com disponibilização de mão-de-obra, de força de trabalho, não há, no entanto, obrigação da contratada de fornecer determinada pessoa, mas sim alguma pessoa, e, portanto, não há pessoalidade dos obreiros cedidos. Neste caso, nenhum impedimento a opção pelo SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então interpôs recurso especial, As fls. 78/84 dos autos, com base em violação à legislação tributária. 2 Processo n° 10940.002219/2003-38 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.912 Fl. 2 Salientou que a fiscalização constatou que o contribuinte, que optou pelo SIMPLES em 07/02/2000, praticava serviço vedado pela legislação referente à matéria, consistente em locação de mão-de-obra, o que, enfatizou, restou documentalmente comprovado. Transcreveu trechos da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, bem como de clausulas do contrato de prestação de serviços apurado. Referindo-se ao contribuinte como contratada, discorreu no seguinte sentido: "Nota-se nas cláusulas contratuais que todos os empregados da contratada devem ter vinculo empregaticio com a mesma, e estar com a documentação trabalhista ern ordem, isto ê, não têm vinculo empregaticio com a contratante. Os equipamentos necessários à produção pertencem et contratada e a prestação dos serviços é desenvolvida em propriedade de terceiros (cláusula nona), sob fiscalização e supervisão da contratante, e está dito que esta efetuará em nome da contratada a retenção para a seguridade social prevista na Lei no 9.711, de 1998". Desta forma, defendeu a legitimidade da exclusão do contribuinte do SIMPLES. 0 contribuinte não apresentou contra-razões. E o relatório. 3 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora 0 presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo da legislação tributária que reputa violado. Diante disso, passo à análise do mérito recursal. 0 deslinde do caso depende da configuração ou não, na hipótese, de locação de mão-de-obra, atividade vedada ao Simples pelo artigo 9°, inciso XII, da Lei n° 9.317/96. Eis o texto do dispositivo legal: Art. 9e Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII - que realize operações relativas a: a) importação de produtos estrangeiros; (Revogado pela MPV n2 2.158-35, de 24.8.2001) b) locação ou administração de imóveis; c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; e) factoring; 19 prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; No presente caso, conforme se infere do "Contrato Particular de Prestação de Serviços" constante de fls. 08/12 dos autos, o seu objeto consiste em "Extração, Desgalhamento, Arraste e Estaleiramento de produtos florestais". As cláusulas n° 8 e 9 do contrato dispõem que: "CLÁUSULA OITAVA- A prestação de serviços não é uma relação exclusiva entre as partes, podendo a contratada prestar serviços a outras Empresas, bem como a contratante contratar outros prestadores de serviços, vedando-se a vincula ção deste contrato a relação de terceiros. CLÁUSULA NONA- A contratada deverá fornecer todos os equipamentos, veículos e outros meios para bem executar seus serviços, sob responsabilidade e administração, sendo sua opera cão restrita aos serviços prestados" Dessas duas cláusulas pode-se depreender importantes circunstâncias que permitem o enquadramento da atividade da contribuinte como contrato de prestação de serviços, e não como locação de mão-de-obra, como pretende a recorrente. 4 Processo n° 10940.002219/2003-38 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.912 Fl. 3 Com efeito, traço característico que distingue a prestação de serviços da locação de mão-de-obra é o foco que, em cada caso, se tem. Na prestação de serviços, o relevante é o próprio serviço. Na locação da mão-de-obra, o objeto principal é a pessoa cuja mão-de-obra se transfere. Outrossim, na prestação de serviço, este é realizado por conta da prestadora, sem relação, por assim dizer, de hierarquia ou subordinação em relação àquele que contrata o serviço a ser prestado. Na locação de mão-de-obra, por sua vez, o sujeito realiza o trabalho para o contratante, a este se subordinando. No caso, a ausência de tal subordinação resta inequívoca quando se analisa detidamente o contrato de prestação de serviços. Veja-se, por exemplo, a seguinte cláusula contratual: "CLÁUSULA DÉCIMA: A contratada assume total responsabilidade civil e criminal no cumprimento de toda legislação ambiental das normas e leis florestais, de fauna, em especial quanto à proibição de caça e da proibição de uso de fogo, armas ou materiais perigosos nas áreas de propriedade da contratante, sabendo que não pode manter seu pessoal acampado ou pernoitando nestas áreas, salvo em casas e alojamentos provisórios, previamente autorizados pela contratante. Parágrafo Único: A contratante poderá a qualquer momento e local fiscalizar o fiel cumprimento do caput desta cláusula, comunicando ás autoridades eventuais irregularidades ou solicitando ao contratado o imediato cumprimento das leis Ou normas, sendo que o não atendimento pelo contratado gera o imediato cancelamento da Ordem de Serviço OS em vigor e a imediata retirada de seu pessoal e equipamentos, sem prejuízo das demais sanções cabiveis". Ora, depreende-se, claramente, da passagem em negrito, que a contratante tem a faculdade de fiscalizar, em qualquer momento, o serviço prestado pelo contribuinte, o que denota a inexistência de subordinação dos empregados que efetivam o serviço na propriedade do contratante a este. Nessa esteira, trago A. baila lição de Roque Antonio Can-azza e Eduardo Domingos Bottallo: "A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando o esforço humano posto a disposição do contratante (o tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mão-de-obra, para que este dela Aga uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento a assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviço, não há cessão ou locação de mão-de-obra. 5 Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mão-de-obra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não !were cessão ou locação de mão-de-obra, mas apenas prestação de serviços. Já, pelo contrário, se a sujeição dos empregados ás ordens do tomador de serviços for a característica marcante do contrato, então, ai sim, haverá autentica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mão-de-obra". Neste sentido, também: "Na locação de mão-de-obra e na falsa subempreitada, quem angaria trabalhadores os coloca simplesmente (ou quase) a disposição de um empresário, de quem recebeu as ordens e com quem se relacionam constante e diretamente, inserindo-se no meio empresarial do tomador de serviço, muito mais no que do de quem o contratou e o remunera, o locador é apenas um intermediário que se intromete entre ambos, comprometendo o relacionamento direto entre o empregado e seu patrão natural; em seu grau extremo, quando, sem mais, apenas avilta o salário do trabalhador e lucra o intermediário (Camerlynek, "Le Contrat'). É a figura do marchandage, com suas características mais ou menos nítidas e que é proibida em vários países". 2 Fica claro, destarte, que as peculiaridades do presente caso não permitem concluir tratar-se de locação de mão-de-obra, mas sim, efetivamente, de uma prestação de serviço. Não se insere, pois, na vedação estatuída no artigo 9°, inciso XII, da Lei no 9.317/96. Ademais, neste sentido há manifestações recentes do CARF, como no seguinte exemplo: "Assunto: sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte-simples. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO -DE-OBRA. Ano-calendário: 2003 Ementa: LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Não caracteriza locação de mão-de-obra, a disponibilização de funcionários para execução de tarefas determinadas, mesmo quando as atividades contratadas sejam executadas nas dependências da contratante, desde que as atividades laborais exercidas nas dependências • da contratante, desde que as atividades laborais exercidas não caracterizem vinculo direto ou indireto entre o contratante e o efetivo prestador de serviço contratado, seja pela inexistência de relação de subordinação/hierarquia, ou pela inexistência de continuidade na realização da prestação desses serviços, ou mesmo pela inexistência de pagamento efetuado por horas-homem trabalhadas" (acórdão n° 1202-00.334. Primeira Seção de julgamento. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sessão de 6 de julho de 2010). CARRAZA, Roque Antonio; BOTTALLO, Eduardo Domingos. Serviço de Atendimento Pós-venda por Empresas Especializadas- Não-caracterização de Cessão de Mão-de-obra ou Consultoria- Possibilidade de ingresso no Simples Nacional. Revista Dialética de Direito Tributário if 169. p.136. 2 CARRION, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 6 Processo n° 10940.002219/2003-38 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.912 F1.4 Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, 28 de março de 2011. I , I Susy Gomes Ho Vgii 14.,,I1 ' 4- iatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000739/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/10/1998
Ementa: DÉBITO TRATADO EM OUTRO PROCESSO.
IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA EXIGÊNCIA.
Comprovada a exigência do mesmo crédito tributário, declarado em DCTF,
em outro processo administrativo, anterior, decorrente de compensação, a exigência posterior deverá ser cancelada, sob pena de duplicidade de cobrança, o que não se admite.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-000.855
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1998 a 31/10/1998 Ementa: DÉBITO TRATADO EM OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA EXIGÊNCIA. Comprovada a exigência do mesmo crédito tributário, declarado em DCTF, em outro processo administrativo, anterior, decorrente de compensação, a exigência posterior deverá ser cancelada, sob pena de duplicidade de cobrança, o que não se admite. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1998 a 31/10/1998 Ementa: DÉBITO TRATADO EM OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA EXIGÊNCIA. Comprovada a exigência do mesmo crédito tributário, declarado em DCTF, em outro processo administrativo, anterior, decorrente de compensação, a exigência posterior deverá ser cancelada, sob pena de duplicidade de cobrança, o que não se admite. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 270 2 Relatório CAMBUCI S.A., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 152/170 contra o Acórdão nº 1516.142, de 09/07/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, fls. 33/39, que julgou procedente em parte o auto de infração nº 0000428 (fls. 31/31) relativo ao PIS, períodos de setembro e outubro de 1998, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 13877.000126/9787, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc de outro débito”, (fl. 33) e “Pagto não Localizado” (fl. 34). A contribuinte foi devidamente cientificada do lançamento em 29/07/2003 (fl. 113). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/21, com as alegações sintetizadas pela instância a quo, nos seguintes termos: • diz, após se referir à autuação, que tal exigência não pode prosperar, uma vez que o débito ora exigido foi, uma parte, devidamente quitada Mediante recolhimento em Darf (cópia, fl. 41), e outra parte, compensada com créditos do próprio PIS, demonstrados nos autos do Processo Administrativo n° 13877.000126/9789 (cópia, fls. 42/96); • que para a lavratura do presente AI seria imperioso que a autoridade fiscal verificasse "in locu" os procedimentos por ela adotados, já que pagou corretamente parte do débito exigido, bem como indicou em sua DCTF o número do processo administrativo que deu origem aos seus créditos compensáveis; que, ao deixar de assim proceder, contrariou o art. 142, do CTN, que exige o esgotamento da matéria tributável; • que, tendo em vista que os pedidos de compensação pendentes de julgamento à época da edição da MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002, como é o seu caso devem ser considerados declarações de compensação, que extinguem o crédito tributário (art. 74, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 21, da IN SRF n° 210, de 2002), sob condição resolutória de posterior homologação, concluise, por imperativo lógico, que não pode haver cobrança de valores compensados por essa via até decisão final do pedido de compensação, sob pena não somente de violação aos dispositivos legais citados, mas também de usurpação da competência da autoridade administrativa que apreciará o pleito compensatório; • argúi, desse modo, a nulidade do AI, em razão do não exaurimento da matéria da matéria tributável, e tendo em vista a quitação integral do crédito tributário mediante o pagamento do PIS de outubro /1998 (Darf, cópia fl. 41) e a compensação do PIS de setembro/1998, através do processo administrativo n° 13877.000126/9789 (cópia, fls. 42/96), com créditos do próprio PIS, decorrentes de recolhimentos efetuados com base nos DecretosLeis n.ºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, considerados indevidos, em razão da Resolução do Senado Federal n.° 49, de 09 de outubro de 1995; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 271 3 • diz, quanto ao pedido de compensação, Processo Administrativo N° 13877.000126/9789), que este foi inicialmente indeferido pela autoridade julgadora com base no § 2° inciso VIII, do art. 18 da MP n° 1.62132/98, que vedava a restituição de quantias pagas com base nos DL acima mencionados; que inconformada com o indeferimento do seu pedido, ajuizou Mandado de Segurança (Processo n° 98.09025696 da i a Vara Federal de Sorocaba/SP —cópia, fls. 97/111), requerendo a concessão de ordem que determinasse à autoridade administrativa o pronto conhecimento do mérito do pleito ressarcitório, afastandose as limitações da referida MP; • que, não obstante a liminar ter sido concedida, e posteriormente confirmada por sentença, seu pedido de compensação foi novamente julgado improcedente, agora sob o fundamento de que o art. 6°, da LC n° 07, de 1970, não tratava de base de cálculo da contribuição, mas sim do seu prazo de recolhimento, não detendo, em razão disso, quaisquer créditos a compensar a titulo de PIS; que, não se conformando com tal decisão, apresentou recurso ao 2° Conselho de Contribuintes, o qual foi provido, conforme ementa que transcreve; que contra tal decisum a Fazenda Nacional interpôs Recuso Especial, o qual, por unanimidade de votos, foi improvido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (cópia, fls. 88/95); • que, portanto, tendo sido reconhecido o seu direito à compensação e o processo devolvido a autoridade julgadora de 1ª instância somente para apuração dos créditos compensáveis, concluise, por imperativo, que somente poderão ser cobrados eventuais diferenças a titulo de compensações indevidas se, e somente se, após a apuração dos seus créditos de PIS for constatado que os montantes compensados são superiores aos créditos apurados; • na seqüência passa a discorrer sobre a aplicação da multa de oficio, afirmando ser indevida haja vista que o valor da exação foi declarado em DCTF e, neste caso, deveria ser aplicada tão somente a multa de mora, conforme reconhecido por diversos dispositivos na legislação tributária que, por questão de política fiscal, diferenciam os contribuintes que declaram a existência de débitos em DCTF, daqueles que se furtam a declarar essas informações; cita, em argumento ao seu pleito, além de legislação, jurisprudência do Conselho de Contribuintes; • discorre, também, sobra a imprestabilidade da taxa Selic para cálculo dos juros de mora; sustenta, após transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que os juros moratórios, ainda que devidos fossem, o que diz admitir ad argumentandum tantum, jamais seriam na dimensão pretendida, posto que a taxa Selic não pode ser tomada como fator para o seu cômputo; • requer ante o exposto, e à vista da flagrante nulidade e improcedência da exigência fiscal ora combatida, que sua impugnação seja acolhida e provida a fim de que seja julgado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 272 4 insubsistente o presente AI, protestando, ainda, pela produção de quaisquer provas que se façam necessárias ao longo do procedimento. Após o recebimento da impugnação, em relação ao período de outubro de 1998 (principal R$52.636,39), a própria DRF, por meio de revisão de ofício, considerou improcedente o lançamento, conforme fls. 119/124. Na sequência encaminhou os autos para julgamento. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento exonerando a multa de ofício. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 01/10/1998 a 31/10/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PIS. LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Presente a falta de recolhimento, apurada em auditoria interna de DCTF, cabível o lançamento de oficio da contribuição correspondente. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Cobramse juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial Selic, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de oficio. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, em 05/11/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 152/170, acrescido dos documentos de fls. 171/266, aduzindo os seguintes argumentos: a) houve alteração na motivação fática na medida em que o lançamento decorreu de “declaração inexata” e não de falha da repartição fiscal ao cadastrar o processo de compensação no Profisc; b) impossibilidade de inovar o lançamento ao aplicar de multa de mora, após o cancelamento da multa de ofício, sendo que o acórdão recorrido sequer faz menção à multa de 20%, constante do documento de cobrança. Ademais, ainda que se cogitasse a aplicação da multa moratória nessa fase, não seria mais possível pela ocorrência de decadência relativa a fato gerador de setembro/1998 em 2008; c) impossibilidade de cobrança de valor que é objeto de compensação administrativa ainda não definitivamente apreciada junto ao processo nº 13877.000126/9787, no qual requereuse a compensação de PIS pagos a maior com o próprio PIS e a Cofins. Portanto, o presente lançamento está eivado de vício insanável; d) dissonância Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 273 5 entre os fatos e fundamentos legais descritos e a situação fática, visto que inexiste inadimplência que sustente o lançamento. O v. acórdão em análise simplesmente ignora a motivação do lançamento e mantém a exigência fiscal sob o fundamento de que em consulta feita ao Sistema Profisc (tela, fls. 139/140) não constar tal débito no referido processo; e) inexistiu verificação na empresa e a intimação para comprovação da compensação procedida e, portanto, em afronta ao art. 142 do CTN; f) o valor aqui exigido já é objeto de cobrança nos autos do processo n° 13877.000126/9787, evidenciado, a duplicidade de cobrança do suposto débito relativo ao período de apuração de setembro de 1998, merecendo ser cancelada a exigência contida neste auto de infração. Ressaltese que, em face da decisão que não homologou as compensações e que originou a edição de carta cobrança, a ora Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, a qual encontrase pendente de análise; g) é necessário o sobrestamento do julgamento deste recurso, até o julgamento definitivo do processo n° 13877.000126/9787. Por fim, requer o cancelamento da exigência fiscal em sua totalidade, ou quando menos, seja sobrestado o presente feito até o julgamento definitivo no processo n° 13877.000126/9787. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O recurso cingese ao período de apuração setembro de 1998 (principal R$68.030,58), vez que em relação ao período de outubro de 1998 (principal R$52.636,39), a própria DRF, por meio de revisão de ofício, considerou improcedente o lançamento, conforme fls. 119/124. Dentre os argumentos aduzidos pela recorrente temse a alegação de que o valor aqui exigido já é objeto de cobrança nos autos do processo n° 13877.000126/9787, evidenciado, a duplicidade de exigência do suposto débito relativo ao período de apuração de setembro de 1998 cujo valor principal do PIS é de R$68.030,58, merecendo ser cancelada a exigência contida neste auto de infração. Assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. Às fls. 198/207 temse o Despacho Decisório relativo ao processo nº 13877.000126/9787, de 21/07/2008, no qual relata, de forma minuciosa, os procedimentos levados a efeito naquele processo. Destacamse, a seguir, parágrafos de interesse deste processo (nº 13558.000739/200318), evidenciando que o período de apuração em questão, de fato é objeto de compensação naquele processo (nº 13877.000126/9787): [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 274 6 6. Após a liminar obtida no MS n° 98.09.025696, o contribuinte apresentou um demonstrativo de impostos compensados dos períodos de apuração de outubro/97 a setembro/98, envolvendo IPI, PIS, Cofins e processos de parcelamento de PIS, IPI e Finsocial (fls. 73 e 87) [...] 50. Em face das considerações contidas no despacho supra, com fundamento no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95/2007, artigo 167, inciso VI, c/c artigo 241, e na competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54/2001, em vigor de acordo com o artigo 48, inciso IV, da Lei n° 11.457/2007, INDEFIRO o Pedido de Restituição retificador de 11. 250, CONVALIDO AS COMPENSAÇÕES efetuadas em DCTF e DEFIRO AS COMPENSAÇÕES objeto de Pedidos de Compensação, protocoladas pela empresa Cambuci S/A, CNN: 61.088.894/000108, relativas a PIS dos PA 10/97 a 09/98 e 11/2000 a 03/2001, Cofins dos PA 11/97 a 08/98, 02/2000, 08/2000, 09/2000 e 11/2000 a 03/2001, IP! dos PA 01/11/97 a 02/09/98 e IRRF dos PA 02/11/2000 a 04/04/2001, conforme fl. 716, ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO apurado no valor de R$ 1.493.571,41, conforme fl. 715, nos termos do disposto no art. 49 da Lei n°10.637/2002, no acórdão n° 20173.912 do Segundo Conselho de Contribuintes e no acórdão n° CSRF/0201.185 da Câmara Superior de Recursos Especiais. (destaquei) [...] Na sequência temse, ainda, à fl. 208, a “Tabela de Pedidos de Compensação Efetuados”, na qual se verifica constar o referido débito de PIS (set/98 – 68.030,58). Na mesma toada, à fl. 219, observase a “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes”, que também registra o mesmo débito, evidenciando que os créditos não foram suficientes para quitálo. Mais adiante, à fl. 222, encontrase a carta cobrança nº 4327/2008, relativa àquele processo de compensação (nº 13877.000126/9787), na qual consigna, dentre outros, o PIS faturamento (cód 8109), PA/EX 091998, vcto 15/10/1998, no valor de R$68.030,58. Portanto, conforme alegou a interessada, de fato o PIS declarado em DCTF e objeto do presente lançamento já integrava o pedido de compensação efetuado por meio do processo n° 13877.000126/9787, não sendo possível a manutenção do presente auto de infração sob pena de duplicidade de exigência do referido débito, ficando prejudicada a análise dos demais argumentos apresentados pela interessada. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 275 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10245.001573/2005-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2003
IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, sendo que a fiscalização, em nenhum momento, justificou a exasperação da penalidade. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que em valores incompatíveis com aqueles informados nas declarações de ajuste anual, por dois exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, sendo que a fiscalização, em nenhum momento, justificou a exasperação da penalidade. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que em valores incompatíveis com aqueles informados nas declarações de ajuste anual, por dois exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 498 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Francisco Edmar de Souza foi lavrado o auto de infração de fls. 0314, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2001 e 2003, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase sintetizado no próprio auto de infração e no Termo de Verificação de fls. 1522, sendo que nada foi escrito a respeito dos motivos que levaram à qualificação da multa. Com relação à conclusão da fiscalização, às fls. 09 está consignado o seguinte: Através da vinculação aos atos legais emanados no texto abaixo e pela incidência de crimes financeiros e tributários, propomos a constituição do crédito tributário e a representação fiscal para fins penais. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) considerou o lançamento procedente (fls. 306315, Volume II). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10248.719, que se encontra às fls. 372394 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000, 2002 Ementa: IRPF DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A tributação das pessoas físicas sujeitase a ajuste na declaração anual e Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 499 3 independente de exame prévio da autoridade administrativa, lançamento é por homologação, regra que também se aplica aos rendimentos arbitrados com base na presunção legal do art. 42 da lei 9.430/1996 (depósitos bancários de origem não comprovada). DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA Não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento justificado do pedido de perícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC –A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância e, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores até nov/2005, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que a acolheu. No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa, vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que não a desqualificou. Intimada do acórdão em 19/12/2007 (fls. 395), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 398407 (Volume II), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão prolatado pela eg. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para desqualificar a multa de Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 500 4 ofício aplicada, vencido o ilustre Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, que não a desqualificava; b) Nos termos em que prolatado, o acórdão ora recorrido nega vigência ao disposto no art. 44, II da Lei n° 9.430/96, ao mesmo tempo em que contraria a evidência das provas constantes dos autos; c) A ilustre maioria dos membros da Câmara a quo entendeu por desqualificar a multa de ofício aplicada, ao argumento de que “a qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada”. d) Data venia, não é o que se depreende dos autos. Certamente, não foi o valor das importâncias envolvidas no lançamento (depósitos bancários) que motivou ou baseou a qualificação da multa pelo fiscal autuante; e) Não há no Auto de Infração (fls. 02/14) ou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/27), qualquer informação de que o fundamento para a aplicação da multa de ofício ao percentual de 150%, foram os vultuosos valores dos recursos movimentados nas contas bancárias do contribuinte; f) Ao contrário do entendimento firmado pela douta Câmara a quo, in casu, a Fiscalização logrou demonstrar, devidamente, os fatos que caracterizam o intuito doloso do contribuinte de sonegação fiscal, definido nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; g) Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/27, com base nos elementos trazidos à Fiscalização pela Polícia Federal (Laudos de Exame Econômicos Financeiros relativos à quebra de sigilo bancário no exterior da empresa “Beacon Hill Service Corporation”), devidamente autorizada a transferência dos dados à Secretaria da Receita Federal por decisão judicial, evidenciouse que diversos contribuintes, dentre eles o autuado, enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas "off shore" com participação de brasileiros; h) No curso dos trabalhos efetuados, foram identificadas operações às quais restou vinculado o empresário Francisco Edmar de Souza (autuado), conforme se constata pela análise da Representação Fiscal n° 154/04; i) Por meio dessa Representação foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Boa Vista, os laudos periciais elaborados para cada conta/subconta; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 501 5 j) Tais fatos, mormente às remessas de divisas ao exterior, algumas inclusive confessadas pelo contribuinte, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, revelam o intuito doloso do contribuinte autuado de impedir, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, qual seja, a disponibilidade econômica das respectivas receitas (art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964); k) Dessa forma, e com base nesses fatos (e não no montante dos recursos movimentados, objeto do lançamento) foi aplicada à multa de ofício a alíquota qualificada de 150% (art. 44, II, da Lei n° 9.430/96), por restar configurada a conduta dolosa do Recorrido, consistente em tentar impedir, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (art. 71 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964); l) Todos os fatos anteriormente apontados, conjuntamente analisados, levam à conclusão de que o autuado, conscientemente, omitiu do Fisco, durante dois anoscalendário (2000 a 2002), os numerários depositados em contascorrente de sua titularidade e/ou remetidos irregularmente ao exterior, através de contas/subcontas mantidas em banco estrangeiro ("JP Morgan Chase Bank"), visando impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, com o intuito de reduzir a base de cálculo do imposto de renda; m) As DIRPF's dos exercícios relativos aos anoscalendário 2000 e 2002 (fl. 306) contém valores completamente incompatíveis com os detectados no auto de infração. O contribuinte movimentou valor superior a R$ 1.800.000,00, sem qualquer indicação à possível origem desses recursos, sendo as remessas ao exterior mediante operações à revelia das autoridades monetárias e fiscais brasileiras, utilizandose de contas e subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava doleiros brasileiros ou empresas off shore com participação de brasileiros; n) Resta, portanto, demonstrado que teve o contribuinte, ao contrário do que restou firmado pelo acórdão recorrido, a intenção deliberada de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, estando perfeitamente caracterizadas as hipóteses previstas nos arts. 71, I, da Lei n° 4.502/1964 e 2° da Lei n° 8.137/1990. Ou seja, houve dolo na omissão da existência de bens, direitos ou aferimento de rendimentos que dessem suporte à origem dos recursos por ele movimentados; o) Dessa maneira, apresentase sem qualquer pecha a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, amplamente justificada, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, refletido, particularmente, no já citado auto de infração, que bem demonstra a materialidade da conduta dolosa do contribuinte; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 502 6 p) Destarte, constatada a ocorrência do fato ensejador da aplicação da penalidade pecuniária em tela (intuito de sonegação), é imperiosa sua manutenção, motivo pelo qual deve ser mantida a decisão de primeira instância; q) Requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, para o fim de restabelecer a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), tendo em vista a evidente configuração de atividade fraudulenta pelo contribuinte (lato sensu), nos termos da fundamentação supra, incidente o art. 44, II, da Lei n°9.430/96 (atual § 1°, com redação determinada pela Medida Provisória n.° 351, de 22 de janeiro de 2007). Admitido o recurso através do despacho n° 1020.117/2008 (fls. 410411, Volume III), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 421431, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. Interpôs, também, recurso especial às fls. 432486, o qual não foi admitido, nos termos do despacho n° 22010154/2009 (fls. 494495), que restou confirmado pelo despacho n° 22020154/2009R (fls. 496, Volume III). É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, além de rejeitar as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo, no mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de ofício é justificada pela conduta reiterada do contribuinte em omitir suas receitas do Fisco, que movimentou recursos em contas bancárias no exterior, não havendo compatibilidade entre a movimentação bancária superior a R$ 1.800.000,00 e os valores informados nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2001 e 2003, sendo que a decisão de segunda instância teria contrariado o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 e o artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64, bem como afrontado a prova dos autos. Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: 1 Atualmente esta regra encontrase expressa no artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 503 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto, novamente, que a autoridade lançadora sequer justificou a qualificação da penalidade. Afirmou, apenas, às fls. 09, que “Através da vinculação aos atos legais emanados no texto abaixo e pela incidência de crimes financeiros e tributários, propomos a constituição do crédito tributário e a representação fiscal para fins penais.”. Segundo penso, tal fato, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício. A conduta do contribuinte estaria enquadrada nas previsões do artigo 71 (sonegação), do artigo 72 (fraude) ou do artigo 73 (conluio) da Lei n° 4.502/64? Difícil responder a tal questionamento, na medida em que a fiscalização não tratou do assunto. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 504 8 O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Tenho como inaceitável presumirse o evidente intuito de fraude nos casos de presunções legais de omissão de rendimentos (no caso, depósitos bancários sem origem comprovada). Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. E isso não ocorreu no caso em apreço. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. Embora a recorrente tenha trazido argumentos que poderiam caracterizar o dolo do contribuinte, não se pode olvidar que a delimitação da controvérsia, inclusive com relação à penalidade, deve estar justificada no lançamento. Reitero que a qualificação da multa não está justificada no auto de infração de fls. 0314 ou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1522. Segundo o Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Antonio José Praga de Souza (fls. 392394): Afasto exigência, devendo a multa ser reduzida ao percentual de 75%, tendo em vista a quase totalidade dos valores tributados referemse aos depósitos não justificados nas contas correntes no Brasil (fl. 27), R$ 986.121,00 em 2000 e R$ 700.265,08. (...) O fato de o contribuinte apresentar grande disparidade entre os valores consignados nas suas DIRPF (declarações de imposto de renda) com expressiva movimentação financeira sem qualquer comprovação da origem dos recursos movimentados, por si só, não é motivador para qualificação da multa de ofício, com alíquota de 150%, para a infração depósitos bancários de origem não comprovada. A qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basearse na conduta adotada pelo infrator em relação à infração. Se provada a intenção de fraude, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou pequenos os valores envolvidos. Enquanto não provado tal intento e não existindo nos autos qualquer outro elemento fático ou jurídico do "evidente intuito de fraude", deve ser afastada a exigência da multa qualificada Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 505 9 para a referida infração depósitos bancários de origem não comprovada. Em síntese: na aplicação da multa qualificada, em se tratando de rendimentos tributados por presunção legal, deve restar inequívoca a conduta dolosa do infrator. Ademais, o Fisco tem meios para confrontar a movimentação financeira com os rendimentos declarados, que aliás foram utilizados no caso presente. Logo, ao informar rendimentos ínfimos em sua declaração, ao invés de elidir a ação fiscal, o efeito foi justamente o contrário, o procedimento chamou a atenção do fisco. Assim, não há (sic) restou configurado o dolo, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/1964. Portanto, a multa de ofício deve ser desqualificada e reduzida para 75%. As circunstâncias dos autos podem subsumirse à presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, da forma considerada pelo acórdão recorrido, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Francisco Edmar de Souza, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes era firme nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular nº 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 506 10 mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 148.837, Acórdão n° 10617.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. INCONSTITUCIONALIDADE Súmula 1º CC nº 2 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem o evidente intuito de fraude. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso n° 152.024, Acórdão n° 10249.094, Redatora Designada Conselheira Núbia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 507 11 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso n° 155.366, Acórdão n° 10422.619, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 13/09/2007) Ademais, o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 508 12 Com esses fundamentos, entendo que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11159.000196/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3301-001.391
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Alan Fialho Gandra, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidasede recurso em face do acórdão que manteve a multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Contribuições Sociais – DACON, ao mês de janeiro de 2010, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON. 0 cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributaria, sujeita o infrator A aplicação das penalidades legais. 0 DACON relativo ao mês de janeiro/2010 deveria ser apresentado até o 5° (quinto) dia útil do mês de março/2010 (05/03/10). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme relatado, entende o contribuinte que a periodicidade do Dacon foi alterada somente pela IN RFB n° 1.015, de 05/03/10, publicada no DOU em 08/03/10. Dessa forma, não havia como se exigir que a entrega do Demonstrativo de janeiro/2010 fosse em 05/03/2010. De fato, nos termos da IN RFB n° 940, de 19 de maio de 2009, até 31/12/2009 somente as pessoas jurídicas obrigadas ou optantes pela entrega mensal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF deveriam apresentar o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON mensal. Ocorre que com a edição da IN RFB n° 974, de 27 de novembro de 2009, a periodicidade da DCTF passou a ser mensal. Desta feita, como a periodicidade de entrega do DACON foi vinculada à apresentação da DCTF, a partir de 1° de janeiro de 2010 este também passou a ser entregue de forma mensal. De outro lado, o respectivo prazo de entrega desse demonstrativo mensal já estava previsto na citada IN 940, de 2009: 5° (quinto) dia útil do 2° (segundo) mês subseqüente ao mês de referência. Enfim, o Dacon semestral, em face da IN RFB n° 974, de 2009, foi tacitamente extinto a partir de 01/01/10 e a IN RFB n° 1.015, de 2010 somente veio consolidar a nova disciplina de obrigatoriedade mensal, que, repitase foi imposta pela referida IN RFB n° 974, de 2009. Cientificada em 11/02/2011 (AR fl. 33), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 34 e seguintes, em 04/03/2011, aduzindo, em síntese, que do emaranhando de normas, resultou na extinção tácita da DACON SEMESTRAL a partir de 1° de janeiro de 2010, o que só posteriormente foi disciplinado e divulgado pela Instrução Normativa RFB n° 1.015, de 05/03/2010, publicado no Diário Oficial da Unido de 08/03/2010, tanto é que no próprio site da RFB constava a previsão para entrega da DACON SEMESTRAL do período de janeiro a junho 2010, a ser entregue em 07 de outubro de 2010. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11159.000196/201035 Acórdão n.º 330101.391 S3C3T1 Fl. 64 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7º da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 § 3º. A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifado) Ademais disto, nem mesmo quando presente a denúncia espontânea, o que não é o caso, ainda assim é devida a multa decorrente do atraso na entrega de declaração, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000026/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário:2007
RECURSO. INTEMPESTIVO.
A apresentação do recurso em prazo superior a trinta dias, contados da ciência da decisão prolatada em primeira instância, impede que seja conhecido, por intempestivo, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-000.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário:2007 RECURSO. INTEMPESTIVO. A apresentação do recurso em prazo superior a trinta dias, contados da ciência da decisão prolatada em primeira instância, impede que seja conhecido, por intempestivo, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
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INTEMPESTIVO. A apresentação do recurso em prazo superior a trinta dias, contados da ciência da decisão prolatada em primeira instância, impede que seja conhecido, por intempestivo, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa pede a inclusão retroativa ao sistema favorecido, diferenciado e simplificado – Simples Nacional, regulamentado pela Lei Complementar 123/06, tendo em Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 vista que foi excluída do regime tributário por “Atividade econômica vedada: 46354/02 Comércio Atacadista de cerveja, chope e refrigerante”, sendo que já havia procedido a alteração do CNAE para “47237/00 – Comércio varejista de bebidas”. Instrui o pedido com a cópia da Consolidação do Contrato Social e documentos de constituição da empresa – fls. 02 a 16. O “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional” está às fls. 21 e a fundamentação legal do indeferimento foi o inciso X do artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão nº 0522.199/08, fls. 24 a 26, mantendo o indeferimento porque a empresa não comprovou de forma satisfatória que não vende bebidas alcoólicas. A empresa foi cientificada do referido acórdão em 21 de julho de 2008, conforme Aviso de Recebimento (AR) juntado às fls. 28. Contra o aresto, apresentou o Recurso de fls. 31 e 32 protocolizado em 03 de setembro de 2008, argumentando que suas atividades restringemse à comercialização de água, instruindo o recurso com cópias das Notas Fiscais D1 nºs 3401 a 3800 – fls. 33 a 418. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora O recurso apresentado pela empresa não pode ser conhecido por esta turma julgadora em segundo grau, por intempestivo. A empresa foi cientificada do acórdão recorrido em 21 de julho de 2008, segundafeira, iniciando o prazo para a interposição de recurso no dia seguinte, terçafeira, 22 de julho. Transcorrido os trinta dias para a interposição do recurso, consoante artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF, o dies a quem firmouse em 20 de agosto de 2008. Assim a apresentação do recurso somente em 03 de setembro de 2008 (fls. 31) o torna intempestivo e impede que seja conhecido. Destarte, só resta à empresa pleitear que a própria Delegacia da Receita Federal que a jurisdiciona reveja de ofício o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e aprecie as provas apresentadas – talonários fiscais – as quais pretende corroborar a argumentação de que suas atividades limitamse à comercialização de água, atividade não vedada à opção do Simples Nacional. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso interposto. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13816.000026/200871 Acórdão n.º 180100.861 S1TE01 Fl. 422 3 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905882/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS/PASEP
Período de apuração: Fevereiro/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, através da linguagem competente das provas.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de ompensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal.
Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : PIS/PASEP Período de apuração: Fevereiro/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, através da linguagem competente das provas. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de ompensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PIS/PASEP Período de apuração: Fevereiro/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, através da linguagem competente das provas. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. José Luiz Novo Rossari Presidente. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROS SINO BARBIERI Processo nº 10840.905882/200918 Acórdão n.º 3202000.429 S3C2T2 Fl. 161 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP Eletrônico – de crédito do PIS/PASEP, supostamente pagos indevidamente ou a maior (fls. 1/ss), período de 02/2004, onde o contribuinte pretende compensar com débitos do PIS/PASEP (período de apuração 01/2005) no valor de R$ 46,64 (valor original). Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Por intermédio do despacho decisório de fls. 10, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fl.8 contestando a não homologação da compensação. A recorrente alega que a DIPJ 2005, ano calendário 2004, comprova que o valor de PIS referente ao fato gerador de 29/02/2004, foi pago a maior, restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Anexou DIPJ e DCTF referentes ao período. É o relatório. A 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferindo o Acórdão nº 1431.050 (fls. 124/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 29/02/2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROS SINO BARBIERI Processo nº 10840.905882/200918 Acórdão n.º 3202000.429 S3C2T2 Fl. 162 3 O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou a maior que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 18/10/2010 (fl. 128/129). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 16/11/2010 (fls. 130/ss) onde aduz os seguintes argumentos, em síntese: em fevereiro de 2004 obteve um faturamento de R$ 27.791,06, através das notas que relaciona em planilha, onde constam os valores apurados em relação “PIS retido” e “PIS devido após retenção”; do total do PIS devido abateuse os créditos relacionados em planilha, no total de R$ 129,12, restando assim, um valor de PIS a recolher de R$ 132,94; foi pago um DARF com período de apuração 29/02/2004, código da receita 6912 no valor de R$ 238,85, no Banco Bradesco S/A. Entende, assim, que diante do exposto acima, fica evidente o pagamento a maior do DARF no valor de R$ 105,91. para comprovar tal entendimento anexou cópias do Livro de Prestação de Serviços, notas fiscais de prestação de serviços, livros Razão e Diário e o DARF de recolhimento. por fim, diante da omissão ocorrida da não apresentação da DCTF retificadora, requer a apreciação dos documentos ora apresentados para reverter a decisão do processo, uma vez que não houve dolo e o erro foi cometido por inexperiência. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. É certo que a compensação de valores pagos a maior que o devido com créditos tributários é modalidade de extinção (artigo 156, II/CTN) de tais créditos tributários, prescrita no artigo 170 do Código Tributário Nacional, a ser regulada nos termos de lei Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROS SINO BARBIERI Processo nº 10840.905882/200918 Acórdão n.º 3202000.429 S3C2T2 Fl. 163 4 ordinária. A norma legal que trata desse instituto está inscrita na Lei n° 9.430/96, em seus artigos 73 e 74. A regulamentação de tais normas está inscrita em diversas normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal. Pelos dispositivos acima citados, não há dúvidas que, comprovada a existência de pagamento indevido ou a maior que o devido, o contribuinte tem direito à compensação de tal valor com créditos tributários de que seja sujeito passivo. Portanto, a extinção do crédito tributário por esta modalidade, condicionase à necessidade de comprovação da existência do crédito, ou seja, da sua certeza e liquidez, exigência determinada pela regra matriz do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Muito bem. No caso em tela, a própria Recorrente reconhece que houve erro na informação dos dados quando da apresentação da DCTF (ano 2004) e que não fez a devida retificação destes dados. Assim, teve o seu pedido de compensação de tributos indeferido, conforme despacho anexado aos autos (fl. 4). Quando da apresentação da Impugnação para contestar o indeferimento de seu pedido de compensação, resignouse apenas a afirmar o que segue abaixo: “NÃO CONCORDA com o despacho decisório numero rastreamento 835797349 de 25 de Maio de 2009 referente a PER/DCOMP numero 15091.20349.170205.1.3.048100 transmitida em 17/02/2005, numero do processo de crédito 10840905.882/200918, pelo motivo que expõe: O Supra mencionado Despacho alega que o crédito originário no DARF Período de Apuração 29/02/2004, código da receita 6912 no valor de R$ 238,85 arrecadado em 15/03/2004, foi utilizado para pagamento total do Débito com código 6912 do PA 29/02/2004, mas conforme comprova a DIPJ ano Base 2005/ano Calendário 2004 numero de recibo 29.19.30.30.0889, o valor devido do PIS do PA 29/02/2004 é de R$ 132,94 restando assim um saldo de R$ 105,91, para tanto enviamos anexo a cópia da DIPJ e da DCTF do período do crédito” O Acórdão da DRF – Ribeirão Preto, no meu entender, corretamente julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, uma vez que não restou comprovado nos autos o alegado recolhimento indevido, através da competente linguagem das provas. Ocorre que não foi feita a devida prova do direito pleiteado, nos termos do que prescreve o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Ao autor, no caso o sujeito passivo, incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito, deste modo, a declaração de compensação deveria estar, necessariamente, instruída com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena do seu indeferimento. Ademais, prescreve o artigo 15 do Decreto 70.235/72 (PAF) que a Impugnação (Manifestação de Inconformidade) deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, havendo a preclusão do direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Este é o momento previsto para que sejam apresentadas as provas, comportando exceções apenas nos casos previstos no parágrafo 4º do artigo 16 do mesmo Decreto. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROS SINO BARBIERI Processo nº 10840.905882/200918 Acórdão n.º 3202000.429 S3C2T2 Fl. 164 5 Assim, as provas trazidas ao processo pelo contribuinte, após a apresentação da Impugnação (Manifestação de Inconformidade), estão atingidas pela preclusão. Destaque se, que apenas quando a apresentação do Recurso Voluntário é que foram juntados documentos na tentativa de comprovar o direito à compensação de tributos. Em respeito ao devido processo legal, do qual são corolários os princípios da ampla defesa e do contraditório, todas as provas necessárias à comprovação do direito reclamado devem ser de logo apresentadas para que à outra parte delas seja dado conhecimento, e, assim, sobre elas possa se manifestar. E mais, a apreciação de elementos não trazidos pelo contribuinte quando da Impugnação fere também o princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez que não puderam ser apreciados pelos julgadores de primeira instância, que sobre eles não se manifestaram. Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini (artigo “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal”, do livro “A Prova no Processo Tributário”, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51): “(...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) Destarte, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN e, ainda, considerando que houve a preclusão do direito do sujeito passivo em apresentar provas na fase recursal, conforme prescreve o artigo 15 do Decreto 70.235/72, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROS SINO BARBIERI Processo nº 10840.905882/200918 Acórdão n.º 3202000.429 S3C2T2 Fl. 165 6 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROS SINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003391/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MARKETING DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE PRÊMIO DE INCENTIVO POR DESEMPENHO. FUNCIONÁRIOS OU TERCEIROS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FONTE. PAGADORA É A EMPRESA QUE PRETENDE INCENTIVAR SEUS COLABORADOS. USO DE TERCEIRO CONTRATADO PARA
IMPLEMENTAR O PROGRAMA DE INCENTIVO. IR.RELEVÂNCIA.
O pagamento de prêmio de incentivo por desempenho por pessoa jurídica a pessoas físicas colaboradoras, sejam empregadas ou terceiras, mediante o uso de cartão de crédito ou débito, está sujeita ao imposto de renda retido na fonte. A fonte pagadora do prêmio de incentivo é a pessoa jurídica que incentivou
os colaboradores e no a empresa terceirizada contratada por aquela para instrumentalizar o plano de incentivo.
MARKETING DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE PRÊMIO DE. INCENTIVO POR DESEMPENHO. FUNCIONÁRIOS OU TERCEIROS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, BASE DE. CÁLCULO DO IRRF.
A base de cálculo do imposto de renda fonte é o valor do prêmio pago ao colaborador cujo desempenho se quis incentivar.
Numero da decisão: 1201-000.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 'LV.5*IROJ',' PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO -• Processo n" 10680,003.391/2007-41 Recurso n" 166478 Acórdão n" 1201-00.234 — 2" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2010 Matéria IRRI E. OUTRO Recorrente BR SERVIÇOS E TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida DRJ BELO HORIZONTE - MG MARKETING DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE PRÊMIO DE INCENTIVO POR DESEMPENHO. FUNCIONÁRIOS OU TERCEIROS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FONTE. PAGADORA É A EMPRESA QUE PRETENDE INCENTIVAR SEUS COLABORADOS. USO DE TERCEIRO CONTRATADO PARA IMPLEMENTAR O PROGRAMA DE INCENTIVO. IR.RELEVÂNCIA. O pagamento de prêmio de incentivo por desempenho por pessoa jurídica a pessoas físicas colaboradoras, sejam empregadas ou terceiras, mediante o uso de cartão de crédito ou débito, está sujeita ao imposto de renda retido na fonte. A fonte pagadora do prêmio de incentivo é a pessoa jurídica que incentivou os colaboradores e no a empresa terceirizada contratada por aquela para instrumentalizar o plano de incentivo. MARKETING DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE PRÊMIO DE. INCENTIVO POR DESEMPENHO. FUNCIONÁRIOS OU TERCEIROS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, BASE DE. CÁLCULO DO IRRF. A base de cálculo do imposto de renda fonte é o valor do prêmio pago ao colaborador cujo desempenho se quis incentivar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. d»11" Processo n" I 0680 00339 I /2007-41 • S1-C2T1• • AcOrd1lo n." 1201-00.234 Fl. 2 Claudeinir Ro igues alc4Uias - Presidente. IJÀ .Regis Magalhães Soares 41 07 - Relatar. EDITADO EM: 6 ?nin Participaram da sessão de julga e e o conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Sérgio Luiz Bezerra Presta (Su ylente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe„ Processo e 10680 003391/2007-41 SI - C2T1 Acórdão n" 1201-00,234 E l .3 Relatório O presente processo cuida de auto de infração para lançamento de IRPI e CSLL, referente aos anos calendário 2003 e 2004, decorrente de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa além do limite legal de .30%, além de multa e juros isolados decorrente da falta de retenção de imposto de renda na fonte, de pagamentos realizados a funcionários coma prêmios de incentivos por produção. O auto de infração fundamenta o lançamento da multa isolada por falta de retenção na fonte apenas no art, 9, da Lei 10.426/2002 e os juros isolados no art, 61, §3 0, da Lei 9.430/1996. Impugnação a fis, 172. Decisão da DRJ deu parcial provimento à impugnação pata reduzir o valor da multa e dos juros isolados, e manteve o lançamento de IRPJ e CSLL. Recurso voluntário a fis, 2.33, aduzindo os seguintes fundamentos: 1. Não ser a autuada a fonte pagadora dos prêmios de incentivo, que eram pagos por empresa terceirizada contratada para tanto e, portanto, não poderia sujeitar-se às penalidade por não ter efetuado a retenção e recolhimento do IRF; 2. A base de cálculo utilizada para calcular o IRF está equivocada, porque incluiu o valor pago pela recorrente à empresa terceirizada a título de contraprestação dos serviços, além do valor dos prêmios que seriam repassados aos premiados, fato que anularia o lançamento; .3. A multa isolada deveria ser reduzida de 75% para 50%, na forma da lei 11.488/2007, que retroagiria para beneficiar o imputado; 4. Que estaria dispensada do limite de compensação de 30% por ter encerrado de fato as suas atividades; 5. Inconstitucionalidade da multa de 75% por ser confiscatória e por infringência aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade; 6. Inconstitucionalidade da cobrança de juros pela taxa SELIC. Este é o relatório, 41(01°— 3 Processo n" 10680.003391/2007-41 Sl-C2 Acórao o." 1201-00,234 F1 4 Voto Conselheiro Relator, Regis Magalhães Soares Queiroz O recurso voluntário foi protocolizado no prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento.. Não há remessa oficial em vista de o valor da parcela exonerada ser inferior ao valor de alçada, 1. Retenção na fonte A questão da incidência do imposto de renda sobre os prêmios pagos por empresas para incentivar colaboradores, assalariados ou não, a aumentarem a produtividade é tortuosa, ante a falta de tratamento legal explicito. Também tortuosa é a questão da exigência ou não da retenção na fonte do IR, quando do pagamento do prêmio à pessoa física. A recorrente contratou empresa terceirizada para "prestação do serviço de planejamento, desenvolvimento e gerenciamento de programas de motivação e incentivo para aumento de produtividade e de programa de ,fidelidade" (cfr. cláusula 1.1 do contrato de prestação de serviços, fls. 02 do anexo), Pelos termos do contrato, à recorrente cabia informar à contratada "o valor total dos bônus e cartões ) segundo seus interesses de premiação, respeitados sempre os limites mínimos" (cláusula 7,1, do contrato), A prestadora de serviço tinha a responsabilidade de fornecer à recorrente os cartões eletrônicos de crédito nos valores solicitados e em favor dos beneficiários indicados, além de "disponibilizar os recursos alocados pelo cliente para pagamento dos prêmios por ela concedidos quando da utilização dos cartões" (cfr. cláusula 2A .6 do contrato, grifo nosso). Evidentemente, o recorrente deveria, então, "efetuar o pagamento (..) dos valores a serem disponibilizados nos cartões e/ou impresso nos bônus, bem como da respectiva comissão de serviços" (cfr. cláusula 312 do contrato, grifos nossos). Fica claro também, no contrato e na sistemática do serviço em questão, que "a comissão de serviços", paga pelo recorrente à contratada, "não integra os valores creditados nos cartões ou inscritos no bônus" (cfi-, cláusula 61, do contrato). Na nota fiscal de prestação de serviços vêm discriminados (i) o valor atinente ao prêmio que será creditado nos cartões de crédito a serem distribuídos, conforme sua orientação, aos seus colaboradores e (ii) o valor da comissão por prestação de serviços paga ao contratado. O auto de infração parte do pressuposto de que o IRRF seria devido, sem se preocupar em aprofundar na discussão deste entendimento, tendo apenas fundamentado a 4 Processo n" 10680 003391/2007A I S1-C2 TI Acórdão n " 1201-00,234 Fl 5 autuação e o lançamento da multa e dos juros isolados por falta de retenção na fonte nos art. 9, da Lei 10,426/2002 e art. 61, §3 0, da Lei 9430/1996, respectivamente. Lei 10.426/2002 .Art. 9 Sujeita-se às multas de que tratam os incisos I e lido art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o aci éschno de intelta moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Medida Provisória n" 3.51, de 2007) Lei 9.430/1996 Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, eidos fatos geradores ocorrerem a partir de 1"de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do ml, 5", a partir do primeiro dia do mês .subseqiiente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao cio pagamento e de um por cento no mês de pagamento (Vide Lei n" 9.716, de 1998) O imposto de renda devido pelas pessoas físicas está delineado na Lei 7.71.3/1988 nos seguintes termos: Art. 1" Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na fórina da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2" O imposto de renda das pessoas físicas .serà devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos Art. 3" O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos mis. 9" a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4 90) § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais- não correspondentes aos rendimentos declarados. § 4" A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, par incidência do 5 Processo n" 10680 00339 I /2007-41 Si-C2 TI Acórdão n " 1201-00,234 E l 6 imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título Já a obrigação de retenção do imposto na fonte nos pagamentos de prêmios de incentivo desta espécie, pagos em pecúnia ou em cartão de crédito por pessoa jurídica decorre da regra legal de retenção na fonte dos rendimentos percebidos por pessoa fisica, de pessoa jurídica, art. 7 0, inc. II, da Lei 7,713/1988, verbis: Art. 7" Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na ,fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei... (Vide • Lei n" 8.134, de 1990, Lei 0" 8 383, de 1991, Lei n" 8.848, de 1994, Lei n" 9250, de 1995) 1 - os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas.; - os dentais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributa çâo exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas, I" O imposto a que se refere este artigo será retido par ocasião de cada pagamento ou crédito e, se houver mais de um pagamento ou crédito, pela mesma fonte pagadora, aplicar-se-á a ai/quota correspondente à soma dos rendimentos pagas ou creditados à pessoa física no mês, a qualquer título. Neste ponto, peço vênia para afastar-me do entendimento dos professores Paulo de Barros Carvalho, Elidie Bifano e Luciana Aguiar, que entendem não existir norma legal obrigando a retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre os prêmios pagos por empresas para seus colaboradores, para incentivo de produtividade. O recurso voluntário aduz que o recorrente não seria o responsável pela retenção na fonte na medida em que a fonte pagadora seria a empresa contratada por ele para emitir o cartão de crédito, pelo meio do qual foi veiculado o prêmio monetário. Não tem razão o recorrente. A retenção do imposto de renda na fonte é uma técnica de arrecadação para facilitar o recebimento da exação pela União. Consiste em transferir a responsabilidade pelo pagamento do contribuinte (definido como tal no art. 45 do CTN) para uma terceira pessoa, o responsável, vinculada pessoal e diretamente com o fato gerador (cfr. CTN, art. 121). No caso, existe vinculação entre o recorrente e a pessoa fisica cuja atividade aquele quer incentivar mediante o pagamento do prêmio,. Ambos participam do mesmo processo econômico que desencadeou a obrigação tributária (vínculo econômico). O recorrente é a fonte do recurso que será meramente transmitido pelo seu contratado. Aquele é o único titular da disponibilidade econômica que uma vez transferida para a pessoa física beneficiada será objeto de tributação pelo imposto de renda. Cfi Elidie P. Bifano e Luciana Aguiar: O marketing promocional e de incentivos motivacionais aplicado na empresa: inferência legais, hl Marketing de incentivo urna visão legal, 2008, Ed Manole, Barueri — SP, pp 37-38 e Paulo de Banos Carvalho: Considerações . juridico tributárias a respeito das atividades de marketing de incentivo, op• cit. pp 74-76 Processo n" 10680 003391/2007-41 SI-C2TI Acórdão n." 1201-00.234 Fl 7 Adicionalmente, ambos desfrutam também de uma vinculação jurídica, na medida em que o contribuinte é credor da fonte pagadora por ter atendido às condições estabelecidas por esta última em contrato. Nota-se, pois, que para consideração do recorrente como a verdadeira fonte pagadora não é necessário o recurso à analogia, mas aplicação direta da lei à filtaspecie, Nessa linha aduziu Ricardo Lobo Torres, verbis: 2 .) o substituído não é totahn ente estranho à relação tributária. Para que haja substituição é necessário que o contribuinte e o substituído participem do mesmo processo econômico, de modo que entre as suas atividades haja algum nexo" E Hugo de Brito Machado: 3 "Realmente, entre fonte pagadora da renda e o beneficiário desta não existe apenas uma relação econômica, mas uma relação jurídica, com base na qual o imposto pode ser deste exigido por aquela. A fbnte pagadora assume a posição de credora em relação ao contribuinte". Também a opinião de Fabiana Carsoni Alves Fernandes da Silva, em artigo específico sobre a questão: 4 A fonte, por sua vez, é. o único sujeito passivo da relação jurídico- tributária, podendo ser colocada nesta posição em razão de deter um vínculo com o fáto gerador que lhe cozzfere meios de adimplir a obrigação tributária, sem sacrifício de seu patrimônio pessoal, ou sem ônus excessivos a este. Esta vincula ção não é pessoal e direta. Ela é, ao menos, de ordem econômica e resulta do artigo 128 do Código Tributário Nacional, pelo qual não pode uma pessoa qualquer, sem nenhum vinculo com a situação que configure o . fato gerador e, pois, desprovida de mecanismos para providenciar o desconto do tributo na .fonte, ou para buscar se ressarcir de maneira eficaz, ser escolhida para adentrar a relação jurídico-tributária. Ainda, inclina-se por essa linha a lição de Paulo de Barros Carvalho: 5 Operacionahnezne, a entrega dos prêmios é efetuada pela empresa de marketing, que .figura como o intermediário, prestando serviços ao patrocinador e sendo remunerada por tal atividade. A prenziação é fèita em nome do contratante, o qual entrega numerários à empresa de marketing para que esta providencie a premiação. Como as empresas de marke.ting de incentivo apenas prestam serviço para os patrocinadores, atuando em nome destes, não lhes podem ser atribuídos quaisquer l'qfleXOS dessa prenziação, inclusive os de 2 Apud Fabiana Carsoni Alves Fernandes da Silva, A responsabilidade tributái ia pelo imposto de renda na fonte nos programas de marketing de incentivo, in Revista de direito tributário atual, vol. 23, 2009, SP, p. 156. 3 Apud Fabiana Carsoni Alves Fernandes da Silva, A responsabilidade tributái ia pelo imposto de renda na fonte nos programas de marketing de incentivo, in Revista de direito tributário atual, vol .23, 2009, SP, p. 157. A responsabilidade ti ibutái ia pelo imposto de renda na fonte nos progunnas de marketing de incentivo, in Revista de direito tributário atual, vol. 23, 2009, SP, p. 156. 5 Op. p. 77 7 Processo o" 10680 003391/2007-41 S1-C2T1 Acórdão o." 1201-00.234 F I 8 natureza tributária. É o contratante-patrocinador quem fornece os recursos necessários à premiação, fazendo-o para incrementar a sua produtividade Trata-se, por conseguinte, de despesa empregada no implemento de seu objeto social, possibilitando que tais valores sejam deduzidos do lucro líquido para fins de cálculo e recolhimento do imposto sobre a renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro liquido No caso, nota-se que é a recorrente quem detém nítida relação econômica e jurídica com o beneficiário dos prêmios pagos por intermédio da empresa terceirizada. Aquela é quem estipula as condições em que os sujeitos elegíveis aos prêmios farão jus a eles, desta forma se obrigado econômica e juridicamente ao pagamento, quando alcançada as metas por ele estipuladas. A empresa contratada para emitir os cartões de crédito apenas segue determinações de natureza meramente instrumentais a fim de implementar o pagamento devido pelo ora recorrente, como facilmente se depreende do processo descrito no início deste item, conforme as cláusulas do contrato de prestação de serviços firmado entre ambos. A empresa contratada atua, no pagamento dos beneficios, em similitude com o banco onde o contribuinte tem sua conta corrente e onde ele recebe o pagamento de certo rendimento. No fundo é o banco quem instrumentaliza a movimentação do valor pago pelo agente pagador ao beneficio, mas o faz como mero instrumento daquele e não como fonte efetivamente pagadora por relação jurídica própria. Para Fabiana Carsoni Alves Femandes da Silva, "a fOnte pagadora é a empresa contratante, única devedora cio prêmio pago ao beneficiário. Quando credita no cartão de premiação a recompensa a que faz jus o beneficiário, a agência de marketing o . faz na condição de mandatária, sendo, pois, mera intermediária na relação . jurídica havida entre empresa contratante e beneficiário". 6 Assim, afasto o argumento de não ser o recorrente o responsável por reter e recolher o IRF, 2. Base de cálculo equivocada Quanto ao fundamento de estar equivocada a base de cálculo utilizada pela fiscalização para calcular o IRF, porque incluiu o valor pago pela recorrente a título de contraprestação dos serviços para a empresa terceirizada, o recurso está correto. Cotejando os valores constantes da tabela fls. 47-50 com as notas fiscais de prestação de serviço e as bases lançadas no Termo de Verificação Fiscal é fácil concluir que a fiscalização incluiu o valor das comissões pagas pelo recorrente à empresa terceirizada a titulo de contraprestação pelos serviços prestados na base de cálculo do IRRF dos prêmios pagos aos colaboradores.. Ocorre que foi justamente para excluir da base de cálculo do TU o valor desta comissão que o r. acórdão a quo deu parcial provimento à impugnação, razão porque não conheço deste pedido ante a ausência de interesse recusai, urna vez que ele foi provido pelo v. acórdão a quo. (' Op. cit p 157. nNer"" 8 Processo o" I 0680.00.3391/2007-4 I S1-C2T1 Acórdão o" 1201-00234 Fl 9 3. Redução da multa isolada Pretende o recorrente que a multa isolada de 75% que lhe foi aplicada seja reduzida a 50% com fundamento na redação dada ao inc. TI, do art. 44, da Lei 9,430/1996 pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas; I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falia de declaração e nos de declaração inexata, II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o swlor do pagamento mensal: a) na forma do art. 81'. da Lei n' 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoufisica; b) na fbnna do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Ocorre que a multa de 50% prevista no inc. II do art. 44, da Lei 9.430/1996 somente se aplica — conforme se depreende da própria leitura do texto legal —, quando se observarem as fattispecies descritas nas alíneas "a" e "b", quais sejam, na hipótese de falta de pagamento do IRPF incidente na forma do art. 8", da Lei 7.713/1998; 7 ou do art. 2" da própria Lei 9.430/1996, 8 ambas situações diferentes da vivenciada pelo recorrente, corno se depreende facilmente da leitura dos referidos dispositivos legais, 7 Art 8' - Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no Pais. § 1" O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. § 2" O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. s Art. 2' - A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei if 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2" do art. 29 e nos arts, 30 a 32, .34 e 35 da Lei n" 8,981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, § 1 o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1' e 2" do artigo anterior. § 4" Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa . jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: 9 Processo a" 10680 003391/2007-41 St-C2T1 Acórdão o 1201-00,234 Fl 10 Isso posto, nego provimento ao recurso também nesta parte. 4. Dispensa do limite de 30% para compensação de prejuízo e base negativa Quanto co argumento de que estaria dispensado do limite de compensação de 30% por ter encerrado de fato as suas atividades, este também não procede. Conforme o próprio recorrente relata, a sociedade não encerrou as suas atividades legal e formalmente nem entregou a declaração de encerramento. Ela apenas suspendeu suas atividades e aguarda a solução de pendências com antigos clientes para, só então, efetivamente encerrá-las suas atividades de direito. Sucede que a suspensão de atividades — que a recorrente denominou impropriamente de encerramento das atividades de fato — não autoriza a utilização de prejuízo fiscal e base negativa além do limite. Toda a jurisprudência colacionada pela recorrente refere-se a situações de efetiva extinção da empresa (fusão, incorporação e extinção de sociedades), situação que, no entendimento deste relatar, permitiria ao contribuinte aproveitar-se da totalidade de seu ativo fiscal em vista de que não haverá mais continuidade da empresa. A empresa recorrente — diferentemente da situação que se observa ter dado fundamento à jurisprudência colacionada — continua existindo e, portanto, poderia a qualquer momento retomar as atividades e, desta forma, voltar a ter condições de aproveitar os ativos em questão. Ou poderia, ainda, ser efetivamente extinta, quando então poderia adquirir o direito de aproveitar-se de seus prejuízos acumulados. Tais efeitos ocorrerão, entretanto, apenas quando a extinção da empresa recorrente for efetivamente implementada. Descabe, portanto, antecipar os efeitos de fatos jurídicos que não ocorreram e que podem ou não ocorrer no futuro. Menos ainda se pode impor tais conseqüências trituras e incertas a terceiros, no caso, o fisco.. 5. Multa confiscatória e juros SEL1C O recurso argúi a inconstitucionalidade da multa de 75% por ser confiscatória e Por infringência aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade e, ainda, a inconstitucionalidade da cobrança de juros pela taxa SELIC. Quanto ao primeiro pedido, é de ser afastado em atenção ao disposto na Súmula Unificada n. 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: Súmula Unificada n" 2 — O (...ARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4" do art 3 da Lei n" 9 249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo Processo n" 10680 003391/2007-41 SI-C21-1 Acórdão n 1201-00,234 R 11 Quanto a incidência da SELIC, além da aplicação da Súmula 2 acima, incide, ainda, a Súmula Unificada n, 3, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que expressa: Súmula Unificaria n" 4 — A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administradas pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. 6. Conclusão Isso poste negu movi ento .o-recurso voluntário.. Regis Magalhães Soar 4ilàpz MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10680..003391/2007.-41 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos cio art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009 Brasília, 06 de setembro de 2010. Maria Cohetiçao de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração,
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003756/2003-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1993
Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 30 de maio de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 31 de agosto de 1992, por superar o prazo decenal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-001.986
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Interessado HITLER MASSOCO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1993 Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 30 de maio de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 31 de agosto de 1992, por superar o prazo decenal. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.003756/200342 Acórdão n.º 920201.986 CSRFT2 Fl. 106 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 086, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 072, que decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do direito de pedir da recorrente. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1993 PDV IMPOSTO DE RENDA RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Não tendo transcorrido, entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária (IN SRF n° 165, de 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HITLER MASSOCO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Antonio Lopo Martinez e Maria Helena Cotta Cardozo, que mantinham a decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que a pleito do recorrente ocorreu após o prazo ficado no Art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e por esse motivo solicita o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0100, deuse seguimento ao recurso especial. O interessado, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.003756/200342 Acórdão n.º 920201.986 CSRFT2 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A questão em discussão referese aos efeitos da decadência no direito do interessado em obter restituição de tributo pago. Cabe esclarecer, pois importante para o deslinde da questão, que o pedido de restituição, fls. 002, foi protocolado em 30/05/2003 e os pagamento do tributo ocorreu em 1992, fls. 017. Essa turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) já apreciou caso análogo, com voto extremamente qualificado do competente Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Processo 10830.009341/200382), que demonstro abaixo e utilizo como razões de decidir: “Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendo se considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.003756/200342 Acórdão n.º 920201.986 CSRFT2 Fl. 108 7 declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.003756/200342 Acórdão n.º 920201.986 CSRFT2 Fl. 109 9 Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 12 de dezembro de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Portanto, adotando o voto acima no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 30 de maio de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 30 de maio de 1993, o que não é o caso. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.003756/200342 Acórdão n.º 920201.986 CSRFT2 Fl. 110 11 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da PGFN, a fim de reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.000867/2003-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano calendário 1999
Ementa:
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO – IRF
Se os documentos carreados aos autos permitem identificar o beneficiário e a causa do pagamento, não em relevância a
inapropriada contabilização do valor em conta de resultado, cujos efeitos tributários foram neutralizados por lançamentos de ofício não impugnados, não há como subsistir a exigência ora questionadas.
Numero da decisão: 9101-001.275
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGADO provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGADO provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório A Fazenda Nacional interpõe RECURSO ESPECIAL contra o Acórdão n° 10709144, proferido em 12/09/2007 pela Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, alegando contrariedade à evidência das provas contidas nos autos. Insurgese a PFN contra a decisão que afastou a incidência do IRRF lançado com base no art. 61 da Lei nº 6.981, de1995, em relação a despesas glosadas a título de pagamento sem causa. A ementa do acórdão recorrido, no que interessa ao presente recurso especial, está assim redigida: IRF PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO A glosa de despesas, por si só, não autoriza a aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981/95, quando o beneficiário e a causa do pagamento são perfeitamente identificados. Se a fiscalização não aceita a causa do pagamento, escrituralmente documentada, deveria aprofundar as investigações sobre todos os negócios jurídicos tributários. Por entender presentes os requisitos de admissibilidade, a Presidência da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. É o relatório Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a questão a ser dirimida por esta E. Turma é se a decisão vergastada está em desacordo com as provas dos autos. E para bem compreendê la, é preciso fazer uma síntese do processo, que alberga autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF, sendo que para os dois primeiros não houve exigência de crédito tributário, mas apenas redução de base de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. A fiscalização efetuou os seguintes procedimentos: 1) glosa de despesa lançada a título de despesa financeira porque a empresa, intimada, deixou de comprovar a causa do pagamento. 2) glosa de despesas financeiras contabilizadas a maior; 3) glosa de perda na alienação de ações lançada a maior Os três itens acima influenciaram os autos de infração de IRPJ e CSLL, e o item 1 (pagamento sem causa) influenciou o lançamento de IRRF. O item sobre o qual se assenta a controvérsia está assim descrito no auto de infração: PAGAMENTOS SEM CAUSA PAGAMENTO SEM CAUSA FEITO À ARGOLIS PARTICIPAÇÕES S/A EM 14/09/1999, NO VALOR DE R$ 4.664.096,65. Foi constatado por esta fiscalização que a empresa apurou e declarou, como despesas financeiras, a importância de R$ 7.799.348,13, contabilizada em 14/09/1999, a título de arbitragem (conta n° 8.1.7.54.00.00104), sendo R$ 3.135.251,48 pela quantia paga à Inepar S/A Indústria e Construções e R$ 4.664.096,65 pela paga à Argolis Participações S/A., conforme cópia do livro razão de fls. 158. A arbitragem foi contratada em razão de divergência entre as partes acima, na forma de apuração do saldo a pagar à Inepar pela empresa (denominada Intel), em decorrência do "Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos, Assunção de Direitos e Obrigações e outras Avenças "firmado em 30/06/99 (fls. 178/188), onde foram repassadas à Intel dívidas com terceiros (Fiago e Tesouro Nacional) e a própria Inepar, em contrapartida à aquisição de ações da Tele NorteLeste. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 4 4 Para a Inepar, o valor que a empresa tinha a receber da Intel, resultante do citado instrumento, seria R$ 204.918.000,00 (que corresponde a dívida inicial de R$ 206.000.000,00 menos a importância de R$ 1.082.000,00, que foi aportada ao capital) atualizado pela taxa Anbid + 2% a.a. Já para a Argolis, na condição de controladora da Intel, o saldo a pagar à Inepar seria o resultante da dívida total, na ordem de R$ 494.918.000,00 (R$ 496.000.000,00 R$ 1.082.000,00) atualizada pela taxa Anbid + 2% a.a., deduzida das dívidas de terceiros no valor inicial de R$ 290.000.000,00, corrigido pelo IGPDI + 12% a.a., conforme memória de cálculo apresentada em resposta ao n/Termo de 06/03/03 (fls.822). A conclusão do relatório do Dr. Alfredo Lamy Filho (docto. de fls.841/859), árbitro escolhido pelas partes envolvidas, foi a seguinte: “...o valor da compra foi acertado por um total a ser deduzido das dívidas existentes na data do contratado como foi dito no texto. Improcede, pois, a nosso ver, a pretensão da ARGOLIS nesta questão." Considerando que o Dr. Alfredo Lamy Filho, em seu relatório apreciou tão somente a forma como deveria ser calculada a dívida da Intel com a Inepar, sem se ater aos valores, concluímos, com relação ao pagamento feito à Argolis Participações S/A., no valor de R$ 4.664.096,65: apesar de exaustivamente intimada e reintimada através de n/Termos de 22/01/03 (item 1), 03/02/03, 06/03/03 e 19/03/03 (item 4) a demonstrar e comprovar com documentação hábil a origem, memória de cálculo e o motivo deste pagamento à Argolis, a empresa se manifesta dizendo, em sua resposta de 25/03/03 (fls. 889/896) que "corresponde ao excesso do valor das dívidas assumidas por Intel junto à Inepar, conforme Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda, bem como nas cartas dos advogados da Argolis e Inepar e Obrigação de Arbitragem do Dr. Lamy Filho", juntando planilha de atualização da dívida da Inepar, partindo de valor indevido, tentando chegar, sem conseguir, ao valor questionado, sem se pronunciar, contudo, ao que a fiscalização, realmente, estava questionando, que era o fato de ter sido pago pela empresa uma importância à Argolis, que não fazia parte da transação efetuada, que somente entrou na polêmica da quantia a ser paga à Inepar em nome da Intel, por ser controladora desta, o que não justifica o pagamento efetuado. Em decorrência é de se glosar a importância paga à Argolis de R$ 4.664.096,65, declarada como despesas financeiras, por ser um pagamento sem causa, já que não foi comprovada a operação que deu origem a este pagamento, conforme preceitua o art. 304 do RIR/99. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%). Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 5 5 14/09/1999 R$ 7.175.533,30 75% ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 674 do RIR/99. As explicações da contribuinte sobre a causa do pagamento contestado estão assim sintetizadas no relatório que integra o acórdão recorrido, quando narra às razões de impugnação, como a seguir: 1) A fiscalização glosou a importância de R$ 4.664.096,65, paga à empresa Argolis Participações S/A. ("Argolis"), por se tratar, segundo o Fisco, de pagamento sem causa, já que a Impugnante não teria comprovado a operação originária do citado pagamento, nos termos do art. 304 do RIR/99; que a fiscalização entendeu ser o citado valor dívida/despesa financeira de terceiros (dívida da INEPAR S/A. Indústria e Construções, controladora da Impugnante); que a Impugnante informara à fiscalização que o pagamento à Argolis decorreu: a) primeiramente, de contrato celebrado entre a INEPAR e a INTEL (antigo nome da Impugnante), ambas as empresas do mesmo grupo econômico (sendo a primeira empresa controladora e a segunda controlada), uma vez que a Impugnante assumira, quando de sua constituição pela INEPAR, dívidas ou obrigações da INEPAR junto à Fiago Participações S/A, ao Tesouro Nacional, à La Fonte Investimentos S/A e ao BNDES, em contrapartida à transferência/aquisição de quotas da Tele NorteLeste (6.551.936.023 quotas do condomínio próindiviso TELEMAR, detidas pela INEPAR integrante do consórcio TELEMAR equivalentes a 10,173% do condomínio e de todas as obrigações vinculadas à titularidade dessas quotas), conforme instrumento particular de contrato de compra e venda de ativos, assunção de direitos e obrigações e outras avencas, celebrado em 30/06/1999 e aditivo de 08/07/1999 (fls. 1074/1084 e 1085/1093); b) posteriormente, mediante Acordo de Investimento entre a Argolis (Grupo Opportunity), Inepar e a Intel (nome antigo da Impugnante), a Argolis adquiriu da INEPAR, em 02/07/1999, parte das ações ordinárias representativas do capital da Impugnante. Adicionalmente, a Argolis se propôs a disponibilizar recursos, mediante a subscrição de debêntures e bônus de subscrição emitidos pela Impugnante, que seriam utilizados/vinculados, quando da integralização, para quitação das dívidas da INEPAR, assumidas pela Impugnante. I c) O preço de aquisição das ações pela Argolis foi ajustado tendose em vista o valor do ativo menos o passivo da Impugnante. Como o valor do passivo, na data da celebração do Acordo de Investimento, foi apenas estimado não estava perfeitamente apurado, foi estabelecido na cláusula 8.5 que seria tolerável apenas uma variação de 1% (um por cento) para mais ou para menos, em relação àquele valor estimado do passivo, conforme Acordo de Investimento às fls. 1031/64 e Aditivo às fls. 1065/1072; d) Essa cláusula 8.5 do Acordo de Investimento gerou grande divergência entre a Argolis e a Inepar na liquidação da transação. Duas questões foram objeto de discussão pelas partes: Como fora apurado um excesso nas dívidas da INEPAR que foram assumidas pela Impugnante e que eram objeto de Acordo de Investimento, cujo excesso seria deduzido do preço global acordado, divergiam as partes citadas quanto à forma de apuração do saldo que seria pago à Inepar pela Impugnante. Para a Argolis, à luz da cláusula 8.5, o valor do pagamento de R$ 7.822,067,66, deveria ser deduzido de R$ 4.671.994,30, correspondente ao excesso de dívidas assumidas pela Impugnante Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 6 6 (então Intel) em relação ao valor declarado pela Inepar. Por outro lado, para a Inepar a dedução seria aplicável somente em relação ao que excedesse o percentual de 1%. A outra divergência diz respeito à correção das dívidas assumidas pela Impugnante incidente a partir de 30/06/1999. No entender da Inepar, a referida correção não poderia ser abatida da parcela do preço a lhe ser pago pela Impugnante; para a Argolis, no entanto, a correção deveria ser considerada para reduzir a referida parcela. e) A divergência foi levada a julgamento por um juízo arbitral. A quantia de R$ 7.822.067,66 ficou sob a custódia da INTEL (nome antigo da Impugnante). A decisão arbitral julgou a primeira questão favorável à Argolis; já na segunda, foi vencedora a Inepar, conforme decisão arbitral e outros documentos atinentes à instalação do juízo arbitral às fls. 1108/1142. e) Seguindose a orientação da decisão judicial, o que se verificou na prática foi a reversão de R$ 4.664.096,65 à Argolis, vencedora da primeira divergência, e R$ 3.135.251,48 à INEPAR, vencedora da segunda divergência; f) As divergências insignificantes de valores entre o estabelecido contratualmente e os valores efetivamente pagos em decorrência da decisão arbitral se referem a alguns descontos, conforme planilha anexa a esta impugnação (fls. 1144/1145). Argumenta o sujeito passivo ser incompreensível o tratamento de "pagamento sem causa" dado ao pagamento feito à Argolis. Primeiro, porque o pressuposto da norma tributária o pagamento a beneficiário não identificado não se verifica, já que o próprio auto de infração indica a Argolis como beneficiária. Segundo, porque os pagamentos têm indiscutível origem e causa, sendo fundamentados em instrumentos contratuais válidos e idôneos. A decisão recorrida parte da premissa de que a causa do pagamento está identificada escrituralmente, e baseada em documentação juridicamente válida, e que a documentação juntada para demonstrar as operações cruzadas, correspondentes aos diversos negócios jurídicos celebrados entre as empresas do mesmo grupo econômico, com ajustes e concessões mútuas, é dotada de verossimilhança. O fato controvertido é um pagamento feito pela ora recorrente (antiga INTEL) à ARGOLIS, no valor de R$ 4.664.096,05, escriturado como despesa financeira. O valor questionado está relacionado com complexas operações de reestruturação societária compreendidas no processo de privatização das empresas de telecomunicações, mais especificamente, da Tele Norte Leste (TNL). Para explicar a causa do pagamento, a recorrente (nova denominação da INTEL) se reporta a um acordo de arbitragem quanto a divergências surgidas por ocasião da liquidação da operação de aquisição, pela INTEL à INEPAR, de 6.551.936.023 quotas do condomínio próindiviso TELEMAR, acordo esse que teria determinado caber à ARGOLIS a importância de R$ 4.664.096,65. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 7 7 De acordo com os documentos contidos nos autos, os eventos relacionados com o acordo de arbitragem, a partir do qual aparece o valor sobre o qual reside o questionamento da fiscalização, podem ser assim sintetizados: 1 Por Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos, Assunção de Direitos e Obrigações e Outras Avenças, de 30/06/1999, a INEPAR constituiu a INTEL1, transferindolhe 6.551.936.023 quotas do condomínio próindiviso TELEMAR, pelo valor, em 30/06/99, de R$ 496.000.000,00 e, em contrapartida, dívidas ou obrigações da INEPAR junto à Fiago Participações S/A., ao Tesouro Nacional, e à La Fonte Investimentos S/A., cujo valor estimado era de R$ 290.000.000,00 (fls. 178 a 188), e o saldo do preço, de R$ 206.000.000,00 seria pago à INEPAR no prazo de até 5 dias, contado a partir da efetiva integralização da 2ª Série das debêntures conjugadas com bônus de subscrição emitidas pela INTEL. 2 Dentro desse processo, em 01/07/99 a INTEL celebra escritura de emissão de debêntures (total de R$ 546.000.000,00), a serem subscritas em 02/07/99, garantidas com caução de ações da INEPAR (1ª série vencível em 31/12/99, 1ª e 2ª séries integralizáveis até 03/08/99, 3ª série a partir de 30/06/2000), com bônus de subscrição de aumento de capital, a ser exercido até 31/07/99 (fls. 245 e seguintes). 3 Em 02/07/99 foi celebrado Acordo de Investimento (fls. 664 e seguintes), pelo qual a Argolis se propõe a subscrever debêntures da INTEL (conjugadas com bônus de subscrição), para possibilitar INTEL a honrar compromissos. Pelos bônus de subscrição a Argolis garante o direito de obter o controle da INTEL, cujo único ativo é representado por ações da Telemar. Os recursos aportados por Argolis em 03/08/99 permanecerão em conta de caução no Citibank até serem utilizados para quitar as obrigações pela INTEL. O valor pago pela Argolis (R$ 174.000.000,00 + R$ 256.000.000,00) pela subscrição das duas primeiras séries de debêntures ficaria depositado na contacaução até a quitação das dívidas da Intel junto à União, à Fiago e à INEPAR. A primeira série seria resgatável em 31/12/2000, e para as demais não estava previsto prazo de resgate. Pela cláusula 8.5 restou garantido que a dívida da Intel perante INEPAR, Tesouro Nacional e Fiago, montava em R$ 494.918.000,00, admitida variação de 1% nos valores devidos à Fiago e Tesouro Nacional, sendo que diferença a maior que 1% seria abatida do devido à INEPAR e a diferença a menor seria paga à INEPAR 2 . 4 Em 02/07/99 a Argolis subscreveu bônus de subscrição e debêntures no montante de R$ 430.000.000,00 (R$ 174.000.000,00 + R$ 256.000.000,00), pagáveis em 03/07 e 03/08 (Boletins de subscrição às fls. 270 e 271). 5 Em 03/08/99 a Lexpart (nova denominação da INTEL) verifica e ratifica o aumento de capital subscrito e integralizado por Argolis, em decorrência do exercício do direito dos bônus de subscrição, passando o capital ao montante de R$ 431.092.000,008 (fls. 272 e seguintes). 6 Em setembro de 1999, quando da liquidação da alienação, pela INEPAR à INTEL, das quotas do condomínio proindiviso do Consórcio Telemar, surgiram divergências 1 Sociedade de propósito específico (SPE), como veículo para captar recursos que permitam liquidar parcialmente as próximas parcelas do preço de compra das ações ordinárias de emissão da citada T N L , assim como todas as demais obrigações, relacionadas à aquisição das mencionadas ações, que tiverem sido assumidas pela INEPAR perante quaisquer terceiros. 2 Obs. A redação dessa cláusula, quanto à composição da dívida, foi alterada pelo Aditivo celebrado em 08/08/99, mas essa alteração não importa para a compreensão da procedência da acusação fiscal, de causa não identificada do pagamento à Argolis. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 8 8 quanto ao saldo do preço a ser pago pela INTEL (Lexpart) à INEPAR. Foi, então, celebrado acordo de arbitragem sendo partes Argolis e INEPAR, e árbitro Alfredo Lamy Filho. 7 O Relatório de Arbitragem (fls. 771 a 789) e o documento “Obrigação de Arbitragem” (790), conjugados com a “Liquidação de Arbitragem” (fl.281), dão conta de que: (i) seu objeto é a divergência quanto a parte do preço de compra e venda de 6.551.936.023 quotas do condomínio pró indiviso celebrado entre as integrantes do Consórcio Telemar, conforme instrumento firmado em 30/06/99, no montante de R$ 7.822.067,66; (ii) o árbitro atribuiu à Argolis o valor de R$ 4.664.096,65. Desses documentos se depreende: (a) havia um valor a ser pago pela INTEL à INEPAR decorrente do preço de compra das 6.551.936.023 quotas do Condomínio Telemar, que estaria cotado em R$ 7.822.067,66; (b) havia duas divergências entre Argolis e INEPAR. A primeira, quanto ao valor a ser deduzido do preço total, para apuração do saldo, e a segunda, quanto à incidência da correção monetária e juros. 8 Em 14 de setembro de 1999 (fls. 279), a Lexpart (INTEL) solicita a emissão de três cheques administrativos em favor de Argolis (R$ 4.664.096,65), INEPAR (R$ 3.135.251,48) e Alfredo Lamy Filho(R$ 50.000,00 ). Essa a síntese dos fatos que antecederam o pagamento de R$ 4.664.096,65 à Argolis, cuja causa a fiscalização questionou. A fiscalização intimou a fiscalizada para: (i) apresentar memória de cálculo da apuração da importância de R$ 7.822.067,66, objeto da arbitragem, assim como dos valores que foram pagos a cada uma das partes envolvidas Inepar S/A. e Argolis (fls. 793), e (ii) o motivo do pagamento à Argolis, já que a dívida era da Intel. Essa segunda indagação da fiscalização é que interessa à solução do litígio, já que a exigência corresponde, exatamente, à tributação na fonte sobre esse pagamento, tido pela fiscalização como “sem causa”. Ao responder a segunda indagação do Fisco (fl. 822 a 824), a fiscalizada informou que “Argolis subscreveu e integralizou debêntures para pagamento das dívidas que a Intel assumiu da Inepar pela compra das 6.551.926.023 quotas do condomínio Pró Indiviso (Consórcio Telemar), e o valor que está lhe sendo devolvido representa o excesso do valor das dívidas assumidas pela Intel, com recursos captados pelas debêntures integralizadas pela Argolis”. Os intrincados instrumentos que orientaram a estruturação societária deixam claro, desde o início, que o objetivo era a aquisição do controle acionário da INTEL (cujo único ativo eram as ações da TNL), por parte da Argolis, para o quê esta última transferiu recursos à INTEL, mediante subscrição e integralização de debêntures, com a finalidade específica, e expressamente declarada, de proverlhe recursos para poder arcar com as dívidas assumidas (perante a União, a Fiago e a INEPAR). De fato, o Acordo de Investimentos firmado em 02 de julho de 1999 (fls. 664 e seguintes), na alínea “h” do preâmbulo, vincula a subscrição, pela Argolis, de debêntures emitidas pela INTEL, ao fornecimento de recursos para fazer frente às dívidas de INEPAR junto à União, e da INTEL frente à Fiago e à própria INEPAR. A cláusula 3.2 prevê que o valor correspondente à 1ª série de debêntures ficaria depositado numa conta caução destinandose ao pagamento das dívidas junto à União e Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 18471.000867/200335 Acórdão n.º 9101001275 CSRFT1 Fl. 9 9 à Fiago, e o valor correspondente à 2ª série se destinaria ao pagamento do crédito da INEPAR (saldo do preço), observado o disposto na cláusula 8.5. Essa cláusula 8.5 trata de uma possibilidade de variação no saldo devido à INEPAR. Nos seus termos, ficou estabelecido o valor das dívidas (junto à União e à Fiago) transferidas pela INEPAR à INTEL, e acordado que diferenças até 1% não gerariam efeitos, mas diferenças superiores a esse limite seriam liquidadas da seguinte forma: (a) se a diferença fosse desfavorável à INEPAR, o respectivo valor seria deduzido do montante que INTEL tinha a pagar à INEPAR; (b) se a diferença fosse desfavorável à INTEL, essa pagaria o respectivo valor à INEPAR. Assim, havia expressa vinculação entre os valores das dívidas assumidas pela INTEL e o fornecimento de recursos pela Argolis. Como o aporte foi superior ao necessário, por ter havido superdimensionamento das dívidas, e o valor estava depositado em conta caução em favor da INTEL, a diferença retornou à Argolis. Ainda que se questione a forma de contabilização, o fato é que o impacto em conta de resultado foi neutralizado pelos lançamentos que glosaram a despesa, e que não foram impugnados. Contudo, o beneficiário e a causa do pagamento estão claros. Concordo com o Relator do voto condutor da decisão recorrida quando assenta que, da documentação apresentada, juridicamente válida, dele se extrai, pelo menos escrituralmente, a motivação para o pagamento à empresa coligada. Pelas razões acima declinadas, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10768.000745/2002-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1995
TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA FLUÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL.
A protocolização do pedido de compensação e as manifestações de
inconformidade em processo de compensação ou restituição, na esfera administrativa, a teor do art. 151, III, do CTN e do Decreto nº 70.235/72, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir a exigibilidade do débito até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Em decorrência, não flui o prazo prescricional de cobrança do débito, pois a Fazenda Nacional se encontra
impedida de cobrar os débitos pelo pedido e pela discussão administrativa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios.
REGIME DO DECRETO LEI Nº 2.397/87. IRRF INCIDENTE SOBRE
APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE SOCIEDADES CIVIS. COMPENSAÇÃO COM O IRRF INCIDENTE SOBRE O LUCRO DISTRIBUÍDO AOS SÓCIOS. HIGIDEZ. IMPOSSIBILIDADE DE O PRÓPRIO SÓCIO PUGNAR A RESTITUIÇÃO DE IRRF INCIDENTES SOBRE OS RENDIMENTOS DA SOCIEDADE.
Os arts. 1º e 2º do Decreto lei nº 2.397/87 isentaram as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada do imposto de renda, considerando os lucros automaticamente distribuídos, com tributação nos sócios. Ora, como as sociedades civis eram isentas do IRPJ, eventual imposto de renda incidente sobre suas operações teria que ser restituído ou compensado com o IRRF incidente sobre o lucro distribuído aos sócios, como se vê no art. 2º, § 3º,
Decreto lei nº 2.397/87 e art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Entretanto, não havendo a referida compensação, caberia a própria sociedade pugnar a restituição ou compensação com débito próprio e não o sócio, sob pena de indevida confusão das pessoas dos sócios e da sociedade.
LEI Nº 4.155/64. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIRO. RESTITUIÇÃO DE OFÍCIO DE IRRF AO TERCEIRO.
IMPOSSIBILIDADE.
No tocante a eventual transformação do pedido de compensação tombado nestes autos em pedido de restituição (ou compensação) em favor do terceiro constante no pedido de compensação, ao argumento de que o art. 1º da Lei nº 4.155/64 (A restituição da receita do Estado, descontada ou recolhida a maior, poderá ser feita "exoffício" ou a requerimento do credor) estava em
vigor na data do pedido e autorizaria o reconhecimento de ofício da restituição, deve-se anotar que mesmo antes da vigência do regime de transparência fiscal do Decreto lei nº 2.397/87, todas as sociedades já estavam obrigadas a apresentar declaração de imposto de renda e recebiam a restituição do IRPJ informada na declaração na rede bancária, como se vê pelos arts. 30 e 36 da Lei nº 7.450/85, combinado com a IN SRF nº 38/1995,
ou seja, não há falar em reconhecimento de direito creditório ex officio do imposto de renda, devendo o contribuinte pugnar por seu direito, outrora na via da declaração de ajuste anual DIRPJ
e mais modernamente na via do processo administrativo ou pedido de restituição PER/ DCOMP.
Adicionalmente, perceba-se que sequer o art. 1º da Lei nº 4.155/64 tem um comando impositivo à Administração, no tocante ao reconhecimento de ofício de restituição, pois utiliza o verbo poder, a indicar uma mera faculdade e não uma imposição.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Esteve presente e prestou esclarecimentos o advogado do recorrente, Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, OAB-RJ
nº 117.908.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA FLUÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL. A protocolização do pedido de compensação e as manifestações de inconformidade em processo de compensação ou restituição, na esfera administrativa, a teor do art. 151, III, do CTN e do Decreto nº 70.235/72, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir a exigibilidade do débito até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Em decorrência, não flui o prazo prescricional de cobrança do débito, pois a Fazenda Nacional se encontra impedida de cobrar os débitos pelo pedido e pela discussão administrativa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. REGIME DO DECRETOLEI Nº 2.397/87. IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE SOCIEDADES CIVIS. COMPENSAÇÃO COM O IRRF INCIDENTE SOBRE O LUCRO DISTRIBUÍDO AOS SÓCIOS. HIGIDEZ. IMPOSSIBILIDADE DE O PRÓPRIO SÓCIO PUGNAR A RESTITUIÇÃO DE IRRF INCIDENTES SOBRE OS RENDIMENTOS DA SOCIEDADE. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Os arts. 1º e 2º do Decretolei nº 2.397/87 isentaram as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada do imposto de renda, considerando os lucros automaticamente distribuídos, com tributação nos sócios. Ora, como as sociedades civis eram isentas do IRPJ, eventual imposto de renda incidente sobre suas operações teria que ser restituído ou compensado com o IRRF incidente sobre o lucro distribuído aos sócios, como se vê no art. 2º, § 3º, Decretolei nº 2.397/87 e art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Entretanto, não havendo a referida compensação, caberia a própria sociedade pugnar a restituição ou compensação com débito próprio e não o sócio, sob pena de indevida confusão das pessoas dos sócios e da sociedade. LEI Nº 4.155/64. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIRO. RESTITUIÇÃO DE OFÍCIO DE IRRF AO TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. No tocante a eventual transformação do pedido de compensação tombado nestes autos em pedido de restituição (ou compensação) em favor do terceiro constante no pedido de compensação, ao argumento de que o art. 1º da Lei nº 4.155/64 (A restituição da receita do Estado, descontada ou recolhida a maior, poderá ser feita "exoffício" ou a requerimento do credor) estava em vigor na data do pedido e autorizaria o reconhecimento de ofício da restituição, devese anotar que mesmo antes da vigência do regime de transparência fiscal do Decretolei nº 2.397/87, todas as sociedades já estavam obrigadas a apresentar declaração de imposto de renda e recebiam a restituição do IRPJ informada na declaração na rede bancária, como se vê pelos arts. 30 e 36 da Lei nº 7.450/85, combinado com a IN SRF nº 38/1995, ou seja, não há falar em reconhecimento de direito creditório ex officio do imposto de renda, devendo o contribuinte pugnar por seu direito, outrora na via da declaração de ajuste anual DIRPJ e mais modernamente na via do processo administrativo ou pedido de restituição PER/DCOMP. Adicionalmente, percebase que sequer o art. 1º da Lei nº 4.155/64 tem um comando impositivo à Administração, no tocante ao reconhecimento de ofício de restituição, pois utiliza o verbo poder, a indicar uma mera faculdade e não uma imposição. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Esteve presente e prestou esclarecimentos o advogado do recorrente, Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, OABRJ nº 117.908. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000745/200221 Acórdão n.º 210201.911 S2C1T2 Fl. 2 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Antes de tudo, o presente processo controla pedido de compensação de detentor de crédito pessoa física com devedor pessoa jurídica. Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza o pedido compensatório do contribuinte, as razões do indeferimento pela autoridade da DERATRio de Janeiro (RJ) e a manifestação de inconformidade apresentada (fls. 61 a 63), verbis: Trata o presente processo de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros formulado por João Francisco Tellechea Neto, CPF 295.711.89049, onde requer que o crédito tributário no valor de R$ 1.306,55, seja compensado com débitos vincendos devidos pelo Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira, CNPJ n° 33.369.646/000108, conforme discriminado no formulário de fl. 01, protocolizado em 08/01/2002. A fl. 24 consta que o presente processo foi desapensado do de n° 10768.006374/9970. (...) A DIORT da DERAT/RJ proferiu Parecer e Despacho Decisório (fls. 28/30), ciência em 02/07/2008, fl.33, indeferindo o pleito por falta de comprovação documental e principalmente, de previsão legal, com base, em síntese, na seguinte apreciação: . segundo o interessado, na qualidade de sócio do escritório de advocacia teria direito ao crédito não utilizado pela pessoa jurídica do IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, com fundamento no art. 76 da Lei 8981/95, §1° c/c art. 1º, 2º e §§1º, 2º e 3° do Decretolei 2397/87; . os dispositivos citados autorizavam o escritório a compensar o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários com aquele incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa; . o interessado argumentou que o escritório — sociedade civil não exerceu essa faculdade, porém tal não foi demonstrado por documentação hábil; . mesmo que ficasse demonstrada a efetiva aplicação financeira em renda fixa e respectiva retenção na fonte e o não exercício do direito de compensação, o pedido não poderia prosperar, de plano, pois as pessoas físicas dos sócios e jurídica da sociedade não se confundem, são juridicamente distintas; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 . o art. 76, § 1° da Lei 8981/95 aponta o sujeito de direito da faculdade prevista a sociedade civil e não os seus sócios; . inexiste previsão legal para reconhecer em nome dos sócios direito compensação, o qual a pessoa jurídica seria a titular e deixou de exercêlo no momento oportuno; . caso se aceitasse a tese de que as pessoas físicas tivessem suportado o ônus do IRRF sobre os rendimentos de aplicações financeiras ao invés da sociedade, ele seria definitivo, não sujeito à compensação ou restituição, conforme inciso II do art. 76 da Lei n° 8981/95. Inconformado com o indeferimento do pedido, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 23/07/2008, fls. 38/52, com os anexos de fls. 54 e 56, contra o Despacho Decisório, na qual fundamenta sua defesa com os argumentos a seguir descritos: . os pedidos formulados pelas pessoas físicas sócias do escritório de advocacia Gouvêa Vieira fundamentaram seu crédito no §1° do art. 76 da Lei n° 8981/95, tendo em vista a retenção da fonte do IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável auferidos pela sociedade civil de prestação de serviços, não sujeita ao IRPJ nos termos do art. 1° do DecretoLei n°2397/87; . o pedido inicial protocolizado sob n° 10768.006374/9970 foi desmembrado para a formação de processos individualizados, sem que tenham sido trasladados para os novos autos os documentos que comprovam a retenção na fonte do IR sobre aplicações financeiras que deram origem ao crédito, anexados ao processo originário, que foi encaminhado posteriormente para arquivamento; . preliminarmente, o pedido de compensação encontrase homologado tacitamente desde 16/04/2004, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos da data de sua apresentação, ocorrida em 16/04/1999, nos termos do art. 74, §§2°,4° e 5° da Lei 9.430/96, redação das Leis 10637/2002 e 10.833/2003, sendo nulo o Despacho Decisório uma vez que somente foi cientificado em 08/05/2008; . o regime de compensação previsto nos §§2° a 11 do art. 74 da Lei 9430/96 se aplica à compensação com débito de terceiro porque o pedido foi formalizado em 16/04/1999 sob a égide do art. 15 da IN SRF 21/97, muito antes da vedação à compensação com débito de terceiro estabelecida na IN SRF n°41/2000; . a homologação ocorreu antes do advento da Lei 11051/2004, que deu nova redação ao §12 e incluiu o §13, passando a considerar não declaradas as compensações em que o crédito seja de terceiros; . o status de não declaradas aplicase apenas as DCOMP apresentadas após a publicação da MP 219/2004 ( DOU de 01/10/2004) ou quando muito aos pedidos apresentados após a entrada em vigor da IN SRF n° 41/2000, considerando que a Lei previu o reconhecimento dos pedidos desde o protocolo e Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000745/200221 Acórdão n.º 210201.911 S2C1T2 Fl. 3 5 quando empregou a expressão "será considerada não declarada"; . esse parece ser o entendimento do parecerista ao ressalvar o direito à interposição de manifestação de inconformidade perante a DRJ/RJ, conforme art. 48 da IN SRF 600/2005; . cita acórdão do Conselho de Contribuintes reconhecendo a suspensão da exigibilidade de débitos objeto de compensação com créditos de terceiros; . quanto ao mérito, conforme art. 1° ,2°, §3° do DecretoLei n° 2397/87, a sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada não era contribuinte do IRPJ, recaindo a tributação sobre as pessoas físicas de seus sócios; . o IRRF das aplicações financeiras no ano de 1995 do Escritório de Advocacia, cuja documentação se encontra nos autos do Processo 10768.006374/9970 poderia ser compensado com o IRRF que a sociedade reteve e recolheu em nome de seus sócios quando da distribuição automática dos lucros ao final do anocalendário, nos termos do art. 76 da Lei 8981/95, §1°; . não tendo efetuado a compensação do crédito reconhecido por lei, os sócios pagaram IRRF tanto no momento em que foram auferidos os rendimentos financeiros quanto no momento da distribuição do lucro (que incluiu as receitas financeiras já tributadas), sendo descabido cogitar tratarse de rendimento sujeito à tributação definitiva, conforme art. 17,§1º da IN SRF n° 43/95; • demonstrado o total de IRRF pelas instituições financeiras no anocalendário de 1995 e a participação do sócio no resultado da sociedade, resta comprovado o direito creditório; . se correta a premissa de que o direito creditório pertence à sociedade civil, deveria a autoridade reconhecer "exofficio" o direito em favor dela, diante do requerimento conjunto, em respeito aos princípios da finalidade, moralidade, eficiência, razoabilidade e proporcionalidade do art. 37 da CF e art. 2° da Lei 9784/99, bem como art. 1° da Lei 4.155/62, vigente à época, que previa a restituição "exofficio". A 7ª Turma da DRJ/RJOI, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido constante na manifestação de inconformidade, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 12 21.927, de 26 de novembro de 2008 (fls. 60 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 25/03/2009 (fl. 75). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/04/2009 (fl. 76). No voluntário, o recorrente repisa as defesas trazidas na impugnação, acrescentando que não houve qualquer erro formal na protocolização do presente processo de compensação, apresentado antes da IN SRF nº 41/2000 vedar a compensação com créditos de terceiros, com débitos discriminados no processo originário n° 10768.006374/9970, e, caso se Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 acate as teses da decisão recorrida que não reconheceu a homologação tácita e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, deverseia declarar a extinção do crédito tributário, pelo decurso do qüinqüênio prescricional do art. 174 do CTN. Indo mais além, asseverou que a decisão recorrida afastou a legitimidade ativa do recorrente para pugnar a compensação a partir do Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1.499/2005, de conteúdo rigorosamente desconhecido, pois não disponível o seu texto integral no sítio mantido na WEB pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, e ao que se saiba, não foi publicado, impedindo o recorrente de contradizêlo. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 25/03/2009 (fl. 75), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 14/04/2009 (fl. 76), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 24/04/2009, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, devese debater o pedido de homologação tácita da compensação controlada neste processo ou, quiçá, do reconhecimento da prescrição do direito da Fazenda cobrar o crédito tributário passível de compensação, caso se entenda que tal crédito não restou com sua exigibilidade suspensa (como afirmado pela decisão recorrida – fl. 65). Começase pela segunda das questões acima. Independentemente da transformação do pedido de compensação deste processo administrativo em declaração de compensação, na forma do art. 74, § 4º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, entendese que os débitos informados em tais pedidos estão com sua exigibilidade suspensa, desde seu protocolo, até o término deste contencioso administrativo fiscal. A despeito de ter havido debate no passado sobre a pertinência da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários informados em processo de compensação no período anterior ao comando do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96 (A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação), instituído pela Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, sempre entendi que o pedido de compensação, sob égide do art. 74 da Lei nº 9.430/96, desde sua redação original, sempre suspendeu a exigibilidade do crédito tributário (débito), pois não faria sentido a Administração Fiscal permitir que o processo de compensação tramitasse sob o rito do Decreto nº 70.235/72, exigindo de plano o débito a partir do indeferimento da Delegacia da Receita Federal DRF, sob argumento de que o debate ocorreria sobre o direito creditório, sendo o débito certo e exigível. Ora, no momento em que o contribuinte apresenta um pedido de compensação, por óbvio considera o débito não exigível, que deverá ser compensado com o direito creditório perseguido. Indo mais além, permitindose a discussão do direito creditório no rito do Decreto nº 70.235/72, após o indeferimento pela DRF, não se pode exigir o débito constante no Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000745/200221 Acórdão n.º 210201.911 S2C1T2 Fl. 4 7 já processo de compensação (o pedido de compensação é convolado em processo a partir da manifestação de inconformidade para a DRJ), pois, lembrese, o contencioso pode deferir o direito creditório, extinguindo total ou parcialmente o débito, a demonstrar que este não consta com a liquidez necessária à sua exigibilidade. Claramente a manifestação de inconformidade apresentada em desfavor do indeferimento da DRF mantém a exigibilidade do crédito tributário suspensa, já que aquela é uma reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (art. 151, III, do CTN). Aqui, ressaltese, a exigibilidade do crédito tributário informado no pedido de compensação se encontra suspensa desde a protocolização do pedido, passando pelas fases do contencioso administrativo fiscal, pois a Administração Fiscal somente poderá cobrar eventual crédito tributário não compensado após o término da via administrativa. Não por outra razão, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no ERresp nº 850.332 – SP, relatora a ministra Eliana Calmon, esposou entendimento semelhante ao acima descrito, em julgado assim ementado: TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO – RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE – SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO –FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. 1. As impugnações, na esfera administrativa, a teor do CTN, podem ocorrer na forma de reclamações (defesa em primeiro grau) e de recursos (reapreciação em segundo grau) e, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. 2. Interpretação do art. 151, III, do CTN, que sugere a suspensão da exigibilidade da exação quando existente uma impugnação do contribuinte à cobrança do tributo, qualquer que seja esta. 3. Nesses casos, em que suspensa a exigibilidade do tributo, o fisco não pode negar a certidão positiva de débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do CTN. 4. Embargos de divergência providos. Obviamente, apresentado o pedido de compensação, sucedido pelo indeferimento da DRF, sendo aberta a discussão administrativa no processo de compensação, suspensa se encontra a exigibilidade do débito informado, obstando a fluência do prazo prescricional, pois a Fazenda está impedida de cobrar tal débito, não havendo falar em prescrição na forma do art. 174 do CTN, como pugnado pelo recorrente. Outro ponto a ser deslindado antes da apreciação do mérito é a conversão, ou não, do pedido de compensação tombado neste processo em declaração de compensação, na forma do art. 74, § 4º, da Lei nº 9.430/96, e a ocorrência da eventual homologação tácita. A questão da homologação tácita está associada às alterações trazidas ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 10.637/2002, como abaixo se vê: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4oOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5oA Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) (grifouse) A decisão recorrida rejeitou a pretensão recursal baseada no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05, transcrito parcialmente na decisão da DRJ, no qual se demonstra que a nova redação da cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96 está associada apenas a compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, implicando que não existe declaração de compensação com créditos de terceiro, e, assim, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da SRF, não podem transmudarse em declaração de compensação, sendo inviável em falar em homologação qüinqüenal tácita, como regido posterior pelo art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)). Aqui, registrese, apesar do Parecer citado não está colacionado em inteiro teor, fica claro a tese esposada pela decisão recorrida, não havendo qualquer óbice para a defesa do recorrente, como sugerido no recurso voluntário, pois foram transcritos excertos esclarecedores do Parecer (fls. 64 e 65). Apesar de existirem precedentes do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e também de Turmas do CARF que agasalham a tese da transformação de pedido de compensação com crédito de terceiro em declaração de compensação (Acórdãos nºs 108 09.530, sessão de 23 de janeiro de 2008; 180200382, sessão de 11 de março de 2010; 1803 00.429, sessão de 19 de maio de 2010), há igualmente numerosos acórdãos que rejeitam tal tese, entendendo que os pedidos de compensação com crédito de terceiros não foram transformados em declaração de compensação, com a vinda a lume do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002 (Acórdãos nºs 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010; 130200.091, sessão de 03 de novembro de 2009; 10709564, sessão de 13 de novembro de 2008; 10249.362, sessão de 05 de novembro de 2008; 110100077, sessão de 12 de maio de 2009). Vejamse ementas de alguns desses últimos precedentes: Acórdão nº 10249.362, de 05 de novembro de 2008, relatora a Conselheira Núbia Matos Moura Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000745/200221 Acórdão n.º 210201.911 S2C1T2 Fl. 5 9 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação, de sorte que não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. Sendo o beneficiário pessoa jurídica, o IRRF incidente na distribuição de dividendos é considerada definitiva, salvo na hipótese de compensação com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Acórdão nº 130200.091, sessão de 03 de novembro de 2009, relator o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (...) COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4° e 5° do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (...) COMPENSAÇÃO –PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002 c/c IN SRF 21/97 art. 15 § 1º). Apesar da controvérsia acima, quer me parecer que assiste razão à tese que advoga a não conversão dos pedidos de compensação com crédito de terceiros em declaração de compensação. Explicase. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Se a cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, somente versa sobre compensação de débitos e créditos próprios (atentese para as partes destacadas do citado artigo, acima), não se poderia elastecer a interpretação do § 4º do artigo citado, que transformou os pedidos de compensação pendentes de decisão da administração em declaração em declaração de compensação, para abranger os pedidos de compensação com créditos de terceiros, em respeito à regra hermenêutica de que os parágrafos, por limitar a cabeça dos artigos, jamais devem ir além destes últimos. Assim não se pode considerar que os pedidos de compensação com créditos de terceiros, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, tenham sido convertidos em declaração de compensação. E se não houve a conversão em declaração de compensação, não há falar em homologação tácita no prazo qüinqüenal, como prevista no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)), este que também se limita as compensações com débitos e créditos próprios, como estampado na cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Superadas as preliminares, passase ao mérito da questão. Antes de tudo, devese lembrar que, sob égide dos arts. 1º e 2º do Decretolei nº 2.397/87, os lucros das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, como a sociedade detentora dos débitos neste processo, eram considerados automaticamente distribuídos aos sócios no encerramento do períodobase, com tributação pelo imposto de renda na fonte, como antecipação do devido pelos sócios, não havendo a incidência de imposto de renda na pessoa jurídica. É o que doutrinariamente se chama de regime de transparência fiscal das sociedades de prestação de serviço, havendo tal regime em outros países, como Portugal1. Esse regime fiscal funcionou até o exercício financeiro de 1996, tendo sido revogado pelo art. 55 da Lei nº 9.430/96, o qual submeteu as sociedades civis ao regime geral de tributação das demais pessoas jurídicas (lucro presumido, real e arbitrado) a partir de 1997. Eis a redação dos arts. 1º e 2º do DecretoLei nº 2.397/87: Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. (...) Art. 2° O lucro apurado (art. 1°) será considerado automaticamente distribuído aos sócios, na data de encerramento do períodobase, de acordo com a participação de cada um dos resultados da sociedade. 1° O lucro de que trata este artigo ficará sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte, como antecipação do devido na 1 XAVIER, Alberto. Tributação das pessoas jurídicas tendo por objeto direitos patrimoniais relacionados com a atividade profissional de atletas, artistas, jornalistas, apresentadores de rádio e TV, bem como a cessão de direito de uso de imagem, nome, marca e som de voz. Parecer. In ANAN JR., Pedro & PEIXOTO, Marcelo Magalhães (org.). Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas: Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008, p. 223. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000745/200221 Acórdão n.º 210201.911 S2C1T2 Fl. 6 11 declaração da pessoa física, aplicandose a tabela de desconto do Imposto de Renda na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado, exceto quando já tiver sofrido a incidência durante o períodobase, na forma dos §§ 2° e 3° .(Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 2° Os lucros, rendimentos ou quaisquer valores pagos, creditados ou entregues aos sócios, mesmo a título de empréstimo, antes do encerramento do períodobase, equiparam se a rendimentos distribuídos e ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, na data do pagamento ou crédito, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, calculado de conformidade com o disposto no parágrafo anterior.(Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3° O Imposto de Renda retido na fonte sobre receitas da sociedade de que trata o art. 1° poderá ser compensado com o que a sociedade tiver retido, de seus sócios, no pagamento de rendimentos ou lucros. E eventual IRRF incidente sobre aplicações financeiras da sociedade também poderia ser compensado com o IRRF incidente sobre os lucros distribuídos, como se vê pelo art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será:(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) § 1º No caso de sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 1987, o imposto poderá ser compensado com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. Os arts. 1º e 2º do Decretolei nº 2.397/87 isentaram as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada do imposto de renda, considerando os lucros automaticamente distribuídos, com tributação nos sócios. Ora, como as sociedades civis eram isentas do IRPJ, eventual imposto de renda incidente sobre suas operações teria que ser restituído ou compensado com o IRRF incidente sobre o lucro distribuído aos sócios, como se vê no art. 2º, § 3º, Decretolei nº 2.397/87 e art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Então, no momento em que o Escritório de Advocacia Gouveia Vieira teve um IRRF sobre rendimentos financeiros não compensados com o imposto incidente sobre os lucros distribuídos aos sócios, não se pode simplesmente transferir a sujeição passiva da sociedade para os sócios, confundindo as pessoas envolvidas. A sujeição passiva do IRRF sobre rendimentos financeiros da sociedade civil é dela própria, que deveria ter efetuado a compensação com o IRRF sobre os lucros distribuídos aos sócios (ou pedido restituição). Em nenhuma hipótese o sócio poderia se apropriar do IRRF que incidiu sobre as receitas da sociedade civil, pois a pessoa do sócio e da sociedade não se confundem. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 Não se confundindo a pessoa da sociedade civil, à época isenta do imposto de renda, com a figura dos seus sócios, inviável deferir o direito creditório para os sócios em relação ao IRRF que incidiu nas operações do Escritório de Advocacia Gouveia Vieira. Concluindo, no tocante a eventual transformação do pedido de compensação tombado nestes autos em pedido de restituição (ou compensação) em favor do Escritório de Advocacia Gouveia Vieira, ao argumento de que o art. 1º da Lei nº 4.155/64 (A restituição da receita do Estado, descontada ou recolhida a maior, poderá ser feita "exoffício" ou a requerimento do credor) estava em vigor na data do pedido e autorizaria o reconhecimento de ofício da restituição, devese anotar que mesmo antes da vigência do regime de transparência fiscal do Decretolei nº 2.397/87, todas as sociedades já estavam obrigadas a apresentar declaração de imposto de renda e recebiam a restituição do IRPJ informada na declaração na rede bancária, como se vê pelos arts. 30 (As pessoas jurídicas, relativamente ao períodobase encerrado em 1985, observarão, no exercício financeiro de 1986, as normas do Decretolei nº 1967, de 23 de novembro de 1982, e da Lei nº 7.329, de 27 de junho de 1985, inclusive no que concerne a entrega da declaração de rendimentos e ao pagamento do imposto, como antecipação, duodécimo ou quota) e 36 (As restituições, a pessoas jurídicas, do imposto de renda correspondente ao exercício financeiro de 1986, períodobase de 1985, serão efetuadas em quatro parcelas anuais e iguais) da Lei nº 7.450/85, combinado com a IN SRF nº 38/1995, ou seja, não há que falar em reconhecimento de direito creditório ex officio do imposto de renda, devendo o contribuinte pugnar por seu direito, outrora na via da declaração de ajuste anual – DIRPJ e mais modernamente na via do processo administrativo ou pedido de restituição – PER/DCOMP. Adicionalmente, percebase que sequer o art. 1º da Lei nº 4.155/64 tem um comando impositivo à Administração, no tocante ao reconhecimento de ofício de restituição, pois utiliza o verbo poder, a indicar uma mera faculdade e não uma imposição. Ademais, mesmo que se buscasse alicerçar o pleito nos princípios que regem a administração pública, estampados no art. 37 da CR88 e art. 2º da Lei nº 9.784/99, evitando o enriquecimento sem causa da administração, a autoridade da DeratRio de Janeiro já afirmara que “... o requerente argumenta, sem demonstrar através de documentação hábil, que a sociedade civil não exerceu a faculdade em comento [compensar o IRRF sobre rendimentos da sociedade com o imposto incidente sobre a distribuição de lucros aos sócios]” (fl. 29) e, em declaração de voto, a autoridade julgadora já registrara a inviabilidade de qualquer reconhecimento de direito creditório (fls. 69 e 70), tudo a indicar que não se tem como fazer a conversão pretendida pelo contribuinte neste contencioso administrativo, pois toda a apreciação partiu da óptica de que o recorrente não tem legitimidade ativa para pugnar o direito creditório perseguido. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000745/200221 Acórdão n.º 210201.911 S2C1T2 Fl. 7 13 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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