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Numero do processo: 13805.007542/94-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1994
MATÉRIAS SUJEITAS AO RITO DO DECRETO N° 70.235, DE 1972. -
Só podem ser objeto de recurso em processo administrativo os atos da Administração que criem ou modifiquem direitos e deveres do contribuinte, e para os quais haja previsão de discussão administrativa. So cabe recurso voluntário ao CARF, no rito do Decreto n° 70.235,de 1972, sobre lançamento de oficio e outras questões indicadas em lei ou ato normativo que vincule o CARF.
Numero da decisão: 1101-000.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER o recurso voluntário, nos termos, o relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1994 MATÉRIAS SUJEITAS AO RITO DO DECRETO N° 70.235, DE 1972. - Só podem ser objeto de recurso em processo administrativo os atos da Administração que criem ou modifiquem direitos e deveres do contribuinte, e para os quais haja previsão de discussão administrativa. So cabe recurso voluntário ao CARF, no rito do Decreto n° 70.235,de 1972, sobre lançamento de oficio e outras questões indicadas em lei ou ato normativo que vincule o CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos,„ o relatório e voto que integram o presente julgado. VALMAR FONSECAP MENEZES - Presidente /, /". CARLOS EDUARDO9 ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 18/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que deixou de analisar parte de manifestação de inconformidade por considerar que versa sobre questões não discutíveis no processo administrativo regido pelo Decreto n° 70.235 e considerou improcedente a outra parte da manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho da DRF. Em 16/11/1994, o contribuinte apresenta petição, direcionada a DRF em São Paulo, indicando uma lista de débitos inscritos no sistema conta-correntes da Receita, dizendo já estarem quitados e pedindo para que serem cancelados, bem como para que não haja bloqueio nas CND (proc. fls. 1 a 7). Em 21/11/1996, a DRF de São Paulo analisa a petição (proc. fls. 40 a 45). Diz que parte dos débitos já foram objeto de questionamento em outro processo administrativo (proc. 13805.004392/94-80). Explica que o contribuinte alega ter quitados os débitos ou por pagamento ou por compensação. Esclarece que a análise das alegações do contribuinte será feita considerando a interpretação da Receita sobre as regras da compensação, correção monetária e multa de mora. Analisa cada um dos débitos com a correspondente alegação do contribuinte, chegando a conclusão que alguns estão de fato já pagos. Também, decide que algumas cobrança de multa de mora são pertimentes e que alguns débitos que o contribuinte informou ter quitado por compensação devem continuar sendo cobrados porque não era cabível a compensação de tributos de espécies diferentes nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991. Ainda, entende que em alguns casos o contribuinte tem de fazer REDARF e em outros tem de retificar a declaração, mas que outros devem continuar sendo cobrados. Em 11/11/1907, o contribuinte apresenta impugnação contra a decisão da DRF (proc. fls. 47 a 54). Explica que peticionou pedindo a regularização de 33 débitos que estavam sendo indevidamente considerados pendentes. Diz que a decisão atendeu parcialmente seu pedido, mas manteve a cobrança de alguns débitos e formulou algumas exigências para outros. Argumenta que, mesmo antes da Lei n° 8.383, de 1991, já havia o direito de considerar a correção monetária para determinar o montante do seu crédito a ser usado em compensação. Afirma que havendo pagamento espontâneo a destempo não é cabível a multa de mora. Sustenta que pode compensar seu crédito de ILL com IRPJ. Em 16/08/2000, a DRJ se manifesta informando que não consta do processo auto de infração ou notificação de lançamento e propondo o encaminhamento do processo para a DRF a fim de verificar a necessidade de formalizar lançamento (proc. fls. 63 e 64). Em 28/01/2009, a DRF explica que o processo trata de débitos de IRPJ de abril a junho de 1994, que o contribuinte alega estarem extintos por compensação, mas que a DRF entendeu que tais compensações não foram corretas e que os débitos ficaram em aberto (proc. fl. 212). Diz que o contribuinte apresentou impugnação contra a decisão da DRF e que, por isso, o processo deve ser encaminhado para a DRJ. Em 10/08/2009, a 5 a Turtma da DRJ I em São Paulo indefere a manifestação de inconformidade (proc. fls. 213 a 220). Diz que não cabe a DRJ analisar manifestação contra decisão da DRF sobre existência de débitos informados pelo contribuinte no cumprimento de suas obrigações acessórias. Transcreve o art 212 do RI da RFB e conclui que só pode analisar manifestação de inconformidade sobre "restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, 2 Processo n° 13805.007542/94-15 SI-C IT! Acórdão n.° 1101-00.635 Fl. 252 imunidade, suspensão, isenção e a redução de aliquotas de tributos e contribuições". Explica que inconformidades relativas a exigência de multa de mora deveria ter sido encaminhada autoridade competente nos termos da Lei n° 9.784, de 1999. Conclui que: Assim, no presente caso, apenas a manifestação de inconformidade dirigida a compensação efetuada pelo contribuinte do débito n° 515506886000 (IRPJ cód 2362- PA 01- 04/93) com o crédito de ILL apurado na DIRPJ/I 993, ano- calendário 1992 preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dela se conhece. Quanto a esta questão, a turma julgadora entende que "verifica-se que no caso em tela não cabe a manifestação posta pela requerente acerca da atualização do crédito no período anterior ao advento da lei n° 8.383 de 30/12/1991, visto que, o crédito utilizado tem como origem o lucro apurado no anocalendcirio de 1992". Esclarece que a Administração deve aplicar a lei e que o julgador de la instancia está vinculado aos atos da RFB, razão porque não analisa as alegações do contribuinte sobre a IN DPRF no 67, de 1992. Explica que a Lei no 8.383, de 1991, limita a compensação entre tributos da mesma espécie e a IN DPRF n° 67, de 1992, regula os procedimentos a serem adotados. Afirma que, no caso, o crédito utilizado pelo contribuinte tem como origem o ILL, cujo sujeito passivo é o sócio da empresa, ao passo que o débito compensado é de IRPJ, cujo sujeito passivo é a empresa. Em 03/09/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 221 v.). Em 05/10/2009, o contribuinte apresenta seu recurso voluntário (proc. fls. 228 a 234). Alega que, se houve erro na peça processual que apresentou, deveria ter sido feito o desmembramento do processo para que o órgão competente o apreciasse e que, se for o caso, ainda deve ser feito isto. Diz que o art. 212 do Regimento Interno da Receita Federal aprovado pela Portaria 125, de 04/03/2009, é posterior a apresentação da impugnação e, por isso, não pode prejudicá-la. Afirma que a decisão da turma julgadora é nula por não ter analisado os outros débitos, em razão de cerceamento de defesa. Diz que a compensação entre IRRI e ILL é possível, pois ambos incidem sobre renda. 3 Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o fato que motivou a primeira manifestação do contribuinte foi a existência de débitos, nos sistemas de controle da Receita, que ele diz estarem extintos por compensação ou pagamento. A partir desta manifestação, a DRF reviu os débitos, cancelando alguns e mantendo outros. 0 contribuinte não se conformou com tal posicionamento e apresentou uma petição, que denominou de impugnação, dirigida a DRJ. A turma julgadora não conheceu parte da petição do contribuinte, por entender que não era matéria sucetivel de discussão no rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Por outro lado, a DRJ entendeu que seria objeto de discussão no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, a compensação que o contribuinte alega ter feito, entre ILL e IRPJ, com base no art. 66 da lei n° 8.383, de 1991, e que não foi reconhecida pela DRF na resposta dada à petição inicial do contribuinte. Sobre esta questão, decidiu contrariamente ao contribuinte. Por sua vez, o contribuinte apresenta nova peça denominada de recurso voluntário, onde questiona amplamente a decisão da turma julgadora. No resumo acima, fica claro que o contribuinte não se opõem a existências dos créditos tributários, mas apenas alega que eles foram extintos e pretende discutir esta extinção no rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Porém, apenas algumas matérias podem ser discutidas administrativamente no rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Dentre elas, cabe destacar a formalização de oficio de créditos tributários e a negativa de homologação de compensação. Então, cabe ver se a matéria versada nos autos se refere a alguma destas duas questões. De plano, fica afastada a possibilidade de discussão de lançamento de oficio, pois o contribuinte é enfático em concordar com suas dividas e apenas alegar que já as extinguiu. Resta ver se se trata de discussão sobre não homologação de compensação. Antes, vale recapitular brevemente a legislação relativa à. compensação: 1°) o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, permitiu a compensação entre tributos da mesma espécie; 2°) a IN DpRF n° 67, de 26/05/1992 autorizou a compensação independente de qualquer requerimento ou informação ao Fisco (o único controle da compensação era a contabilidade do contribuinte); 3°) o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, permitiu a compensação entre tributos de diferentes natureza; 4°) a IN SRF n° 73, de 1996, determinou a informação em DCTF de compensações efetuadas a partir de 01/01/1997; 5°) o art. 14 da IN SRF n° 21, de 1997, estabeleceu que somente a compensação entre tributos da mesma espécie poderia ser feita independente de requerimento; 6°) a MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002, e a MP 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, alteraram a redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, estabelecendo, respectivamente, que toda compensação se daria mediante apresentação de declaração de compensação, e que o prazo para a homologação era de 5 anos. Está expresso nos autos que a compensação mencionada pelo contribuinte foi feita tendo por base a Lei n° 8.383, de 1991, e antes de 1994. Como visto, a compensação prevista em tal lei era feita pelo contribuinte, na sua contabilidade. Paralelo a isso, o C::; ------- 4 Processo n° 13805.007542/94-15 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.635 Fl. 253 contribuinte não formalizava seu débito e nem informava a compensação. Caso o Fisco viesse a fiscalizar o contribuinte e constatasse na sua contabilidade alguma compensação que não concordasse, efetuava o lançamento do tributo pretensamente extinto por compensação. Ora, nesta situação, o que o contribuinte poderia impugnar era o lançamento de oficio, e não a não aceitação da compensação em si. A previsão legal de um ato do Fisco não aceitando a compensação, bem como a possibilidade de discutir a não aceitação de compensação no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, surge apenas com a Lei n° 9.430, de 1996 e suas alterações. Portanto, no presente caso, o contribuinte está querendo discutir administrativamente uma manifestação da DRF feita em 1997, a cerca de débitos do contribuinte. Tal manifestação, de modo algum teve o condão de afastar a compensação efetuada, mas de apenas confirmar a existência de um débito em aberto. Por isso, não há possibilidade de discussão no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, do conteúdo do ato da DRF. Dito de outro modo, s6 pode ser objeto de recurso no processo administrativo os atos da Administração que criem ou modifiquem direitos e deveres do contribuinte, e para os quais haja previsão de discussão administrativa. No caso concreto o contribuinte se insurge contra uma manifestação da DRF de 1997 que não altera a esfera jurídica do contribuinte, mas é simples resposta a petição original com as devidas providências de acerto no conta corrente. Ainda por outro ângulo, só é possível processo administrativo no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, no caso de alguns atos específicos do Fisco, tais como lançamento de oficio e não homologação de compensação. 0 caso trazido pelo contribuinte não se refere a qualquer destes atos. Por estas razões, voto por não conhecer o recurso voluntário. CARLOS EDUAR DE ALMEIDA GUERREIRO 5
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003029/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96.
A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”,
do CTN.
FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96.
Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.
Numero da decisão: 9202-001.886
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo.
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AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em violação à legislação tributária. O contribuinte foi autuado com base nas seguintes infrações: 1) MULTA ISOLADA FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF — Multa devida pela falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre o pagamento de rendimentos provenientes do arrendamento de imóvel rural, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo, que é parte integrante deste auto de infração. 2) JUROS ISOLADOS FALTA/ATRASO NA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF Juros devidos pela falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o pagamento de rendimentos provenientes do arrendamento de imóvel rural, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo, que é parte integrante deste auto de infração. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 127/135 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento (fls. 210/230), nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: FALTA DE RETENÇÃO DO IRF. APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS ISOLADOS. PREVISÃO LEGAL ANTERIOR À MEDIDA PROVISÓRIA N° 16/2001. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 3 3 Antes da publicação da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426/2002, a aplicação de multa e de juros pela falta de retenção do IRF pela fonte pagadora já era prevista pelo art. 722 do RIR/99, que prescrevia que, caso o beneficiário tivesse incluído o rendimento em sua declaração, seria exigido da fonte pagadora somente as penalidades do art. 957 e juros de mora, sem o imposto que deveria ter sido retido CONTRATO DE PARCERIA. ASSUNÇÃO DO RISCO DO EMPREENDIMENTO. ALEGAÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO DE COMPLEMENTOS A ASSOCIADOS. IRRELEVÂNCIA. Inexistindo a assunção dos riscos do negócio, partilhados pelos dois contraentes, não há contrato de parceria, por ausência de elemento essencial dessa modalidade contratual, descabendo alegar distribuição de complementos em dinheiro aos associados, proporcionalmente à cana produzida, eis que tal medida configura relação entre a cooperativa e seus associados, não afetando a relação contratual contraída entre a cooperativa e os proprietários de terras. ARRENDAMENTO RURAL. EQUIPARAÇÃO A RENDIMENTO DE ALUGUEL. VARIABILIDADE DO VALOR DO ALUGUEL. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. AUTONOMIA DA VONTADE. Para fins de tributação do IRRF, o contrato de arrendamento rural equiparase a rendimento de aluguel, não descaracterizando essa natureza o fato de o rendimento pactuado não ser fixo, sendo lícito às partes estipulálo em função do valor de mercadoria, em atenção ao princípio da autonomia da vontade. CONTRATO DE PARCERIA. DESCARACTERIZAÇÃO. ARRENDAMENTO RURAL. IRRELEVÂNCIA DA DENOMINAÇÃO. A despeito de serem intitulados contratos de parceria, em que o imposto de renda é exigido de ambos os contratantes, na proporção dos rendimentos auferidos temse, em essência, arrendamento rural, sendo o IRRF exigível do arrendatário, quando ausente a partilha do risco do empreendimento. ARRENDAMENTO RURAL. RENDIMENTO TRIBUTADO NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. CÁLCULO DO IRRF. Nos rendimentos tributados na fonte a título de antecipação, corno é o caso dos aluguéis pagos a pessoa física, se o fisco constatar o fato antes do prazo de entrega da declaração de ajuste, exigese da fonte pagadora o IRRF acrescido dos juros de mora e multa de oficio; e, caso a constatação ocorra posteriormente à entrega da declaração, da fonte pagadora somente exigese os juros de mora e multa de oficio, isoladamente, sendo os juros calculados a partir do prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, até a data prevista para a entrega da declaração. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 4 4 Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 243/264). A antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte, por maioria de votos, para excluir da exigência a multa de ofício. Eis a ementa do julgado: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Não provada violação das disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum outro vício substancial, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRATO DE PARCERIA CARACTERIZAÇÃO IRRELEVÂNCIA DA DENOMINAÇÃO A despeito de ter sido atribuída a denominação de contrato de parceria, quando, pelas características do negócio jurídico praticado, em especial pela ausência de compartilhamento de riscos, tratase de contrato de arrendamento rural, a tributação da renda deve se dar com base na legislação aplicável ao arrendamento rural, que prevê a responsabilidade do arrendatário pela retenção e recolhimento do imposto. ATOS COOPERATIVOS DEFINIÇÃO Consideramse cooperativos somente aqueles atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus associados, voltados à consecução dos seus objetivos sociais. IRPF ARRENDAMENTO RURAL TRIBUTAÇÃO NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA PROCEDIMENTO – Nos rendimentos tributados na fonte a título de antecipação, como é o caso dos aluguéis pagos a pessoas físicas, se a fonte pagadora não proceder à retenção e a omissão for constatada somente após o término do anobase, não mais se exigirá o imposto da fonte pagadora, mas dos beneficiários. Pela falta de retenção e recolhimento do imposto, entretanto, a fonte pagadora fica sujeita a penalidade específica e aos juros de mora devidos desde o término do prazo em que o imposto deveria ter sido recolhimento. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF MULTA EXIGIDA ISOLADADAMENTE LEI N° 11.488, DE 2007 – RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso parcialmente provido. Entendeuse, no acórdão recorrido, no sentido da não incidência das multas previstas nos incisos I e II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Relativamente ao inciso I do artigo 44, o relator fundamentou o seu entendimento no seguinte sentido: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 5 5 “Não resta dúvida, portanto, de que não há possibilidade de incidência da multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de falta de pagamento ou recolhimento do IRRF ou de pagamento com atraso sem a multa de mora. Restaria examinar se é devida a exigência da multa do inciso I, isoladamente. Ora, como observou a própria autoridade lançadora neste caso, com base no Parecer Normativo COSIT n° 1, de 24/09/2002, após o prazo de entrega da declaração rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, não mais é exigível o imposto incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, que deixou de ser retido. Ora, se não é devida a exigência do imposto que deixou de ser retido. Resta, então para ser respondida a seguinte questão: se não é mais exigível o imposto à fonte pagadora, é possível a aplicação da multa de oficio isoladamente? A resposta é negativa. Primeiramente, porque, claramente, o referido inciso trata de multa exigida juntamente com o imposto, portanto, no caso de falta de retenção e recolhimento do imposto, porém, no caso de falta de recolhimento apenas quando o imposto for exigível da fonte pagadora.” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em violação ao artigo 9° da Lei n° 10.426/2002 e do artigo 43 da Lei n° 9430/96 (fls. 295/301). Conforme a recorrente: Com o advento da Lei n. 10.426/2002, houve previsão legal expressa no sentido de submeter as fontes pagadoras às multas previstas na Lei 9.430/96 (...) Segundo o Ilustre Relator, tal inclusão foi abolida com a MP n. 321/07, convertida na Lei n. 11.488/07, eis que excluiu a hipótese da multa prevista no inciso II, do art. 44 da Lei n. 9.430/96. Entretanto, tal conclusão é sofismática, a multa isolada persiste no nosso ordenamento jurídico tributário desde a Lei n. 10.426/2002 até os dias atuais. Caso assim não fosse, a própria nova disposição legal prevista no artigo 9° da Lei 11.488/2007 se esvaziaria, não teria razão de ser (...) Desta forma, é incontestável a aplicação da permanência da multa isolada no caso de falta de recolhimento do IRRF da fonte pagadora (responsável pelo crédito tributário de outrem, eis que vinculada ao fato gerador). Não há que se aplicar, no caso vertente, o artigo 106, inciso II, alínea "a", do CTN, porque não houve lei que abolisse a aplicação desta multa. Ainda permanece no sistema tributário a sanção (multa isolada) no caso de falta de recolhimento do imposto recebido na fonte pelo responsável legal. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 6 6 Deuse seguimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional apenas no que se refere às multas isoladas excluídas, referentes aos períodos posteriores ao advento da Lei n° 10.426/2002, uma vez que, no que tange aos períodos anteriores, a exclusão das multas se deu por unanimidade, e não por maioria de votos. Quanto à parte unânime, a divergência jurisprudencial não se caracterizou. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 313/321. O contribuinte interpôs, também, recurso especial, ao qual não se deu seguimento. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou os dispositivos legais que reputa violados, quais sejam: artigo 9° da Lei n° 10.426/2002, e artigo 43 da Lei n° 9.430/96. Devese decidir acerca da incidência, ou não, das multas isoladas, posteriormente ao advento da lei n° 10.426/2002, para as hipóteses de falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, tendo em vista a Lei n° 11.488/2007. O artigo 16 da Lei n° 11.488/2007 dispõe no seguinte sentido: Art. 16. O art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ..................................................... ” (NR) A redação do dispositivo legal, antes da alteração, era no seguinte sentido: Art. 9° Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativa ou criminais cabíveis. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 7 7 A recorrente defende a permanência da multa isolada, aplicável na hipótese de falta de retenção ou recolhimento, ou de recolhimento extemporâneo, por parte da fonte pagadora. Não procedem, contudo, suas alegações. Com efeito, o artigo 106 do CTN dispõe expressamente no seguinte sentido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, vêse que, em tema de penalidade, aplicase ao direito tributário o mesmo tratamento que se aplica no Direito Penal: a retroatividade da norma mais benigna. Na hipótese, temse que a Lei n° 11.488/2007 deu nova redação ao artigo 9° da Lei n° 10.426/2002, que antes previa a aplicabilidade das multas previstas nos incisos I e II da Lei n° 9.430/96, no caso da fonte pagadora que, obrigada a reter tributo ou contribuição, deixa de fazêlo ou de recolhêlos, ou os recolhe fora do respectivo prazo. Com a redação determinada pela Lei n° 11.488/2007, a multa prevista no inciso II da Lei n° 9.430/96 deixou de ser, expressamente, aplicável ao caso. Pois bem, inequívoco o tratamento mais benigno conferido pela Lei n° 11.488/2007, à fonte pagadora do IRRF. E, em se tratando de ato não definitivamente julgado, indubitável, também, a necessária incidência da norma prevista no artigo 106 do CTN, sob pena de se negar a aplicação do princípio da retroatividade da norma penal tributária mais benigna. Por outro lado, relativamente à multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, entendeuse, no acórdão recorrido, que, conforme entendimento da própria autoridade lançadora, exposto no Parecer Normativo COSIT n° 01/2002, “após o prazo de entrega da declaração de rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, não mais é exigível o imposto incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, que deixou de ser retido”. Ora, deste modo, é de se manter o entendimento fixado no acórdão recorrido, até por uma questão lógica: se não é mais exigível o imposto da fonte pagadora, sobre ela também não deve incidir a multa prevista no artigo 44, inciso I , da Lei n° 9.430/96. Até porque, a multa deveria ser exigida juntamente com o imposto propriamente dito. Se da fonte Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10950.003029/200581 Acórdão n.º 9202001.886 CSRFT2 Fl. 8 8 pagadora não mais se exige o imposto pela falta de recolhimento, a respectiva penalidade também não deve ser aplicada. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19647.007476/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/12/2006
Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da
regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para
os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais
alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 316 1 315 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.007476/200789 Recurso nº 259.062 Voluntário Acórdão nº 230102.433 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente SOCEL SOCIEDADE OESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19647.007476/200789 Acórdão n.º 230102.433 S2C3T1 Fl. 317 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, além de diferença de acréscimos legais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 284), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada, extraídas das GFIP's e folhas de pagamento. Segundo autoridade lançadora, o lançamento encontrase baseado na apuração das divergências do Batimento GFIP X GPS, e na apuração de diferença de acréscimos legais. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1120.840, da 7a Turma da DRJ/REC, (fls. 284), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 298), repetindo basicamente os argumentos já apresentados na impugnação. Preliminarmente, alega nulidade da NFLD por ocorrência de vício formal, ao argumento de que não foi indicada qual a autoridade fiscal competente para processar e julgar o presente feito. No mérito, insurgese contra o arbitramento do débito, reafirmando que no presente caso não ocorreu recusa ou sonegação de documento ou informação, ou mesmo sua apresentação deficiente. Frisa que o simples fato de o setor pessoal, por ignorância, não fazer o recolhimento dos segurados autônomos/equiparados, não impede que a Autoridade, tendo conhecimento posterior, não proceda com tais recolhimentos, sem que haja a incidência de multa e juros moratórios. Qualifica de ilegal o lançamento uma vez que a recorrente não é empresa rural ou agroindustrial, não sendo, portanto, contribuinte do INCRA e classifica de indevida a atualização do crédito com base na taxa SELIC. Destaca que a multa aplicada é abusiva e possui caráter confiscatório e inconstitucional. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19647.007476/200789 Acórdão n.º 230102.433 S2C3T1 Fl. 318 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Da análise dos relatórios DAD, RDA e RADA, verificase que houve recolhimento de parte do tributo em todo o período do débito. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 A cientificação da NFLD ao sujeito passivo se deu em 27/03/2007, e o débito se refere ao período compreendido entre 01/2001 a 13/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados até a competência 02/2002, inclusive. Nesse sentido, reconheço a decadência de parte do débito. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade da NFLD argumentando que não foi indicada qual a autoridade fiscal competente para processar e julgar o presente feito, o que, segundo entende, consistiria em vício formal. Contudo, tal fato não acarreta a nulidade do ato do lançamento. O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, a ausência de indicação da autoridade que iria processar e julgar o feito não enseja a sua nulidade. Assim, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Dessa forma, todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuintes encontrase nos autos, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade. No mérito, a recorrente insurgese contra o arbitramento do débito, alegando que no presente caso não ocorreu recusa ou sonegação de documento ou informação, ou mesmo sua apresentação deficiente. No entanto, no presente caso, não houve arbitramento do débito, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente. O agente lançador deixa bastante claro que o crédito lançado por meio da NFLD em questão fora apurado tendo em vista a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19647.007476/200789 Acórdão n.º 230102.433 S2C3T1 Fl. 319 7 Dessa forma, não procede o argumento de que “irregular, descurando das regras aplicáveis e implicando crédito superior ao que, mesmo se restasse considerado cabível o lançamento por tal modalidade, se poderia considerar devido”, já que os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no batimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. De acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Dessa forma, a Autoridade Fiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições que a notificada confessou que deve, já que declarou em GFIP, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. E o valor da contribuição devida foi acrescida de juros e multa tendo em vista o não recolhimento no prazo legal, em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento. Com relação às alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições, ao INCRA e da aplicação da taxa SELIC para atualização de débitos tributários, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma lega, vigentes à época do lançamento. Da mesma forma, a cobrança de contribuição ao INCRA encontra respaldo na legislação discriminada no relatório da FLD. Portanto, não há que se falar em ilegalidade da referida exação. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/2001 a 02/2002 inclusive É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19647.007476/200789 Acórdão n.º 230102.433 S2C3T1 Fl. 320 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11522.002982/2007-86
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2001
DECADÊNCIA
A caracterização de fraude/sonegação enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN.
Para a aplicação deste dispositivo, não basta identificar precisamente a data de ocorrência do fato gerador, eis que o termo inicial para a contagem da decadência não é esta
data, e sim o primeiro dia do exercício seguinte àquele (exercício) em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Importa, então, verificar o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, para, em seguida, identificar
o primeiro dia seguinte àquele exercício. A expressão “exercício”, quando utilizada pelo CTN no contexto de um lapso temporal, corresponde ao exercício financeiro dos entes federados (anocivil) e não ao período de apuração de cada tributo (decêndio, quinzena, mês, etc.). No caso dos tributos
referentes a novembro e dezembro de 2001, o “exercício em que o
lançamento poderia ter sido efetuado” é o ano de 2002, e, deste modo, o termo inicial para a contagem da decadência é o dia 01/01/2003. O prazo decadencial se consumaria em 01/01/2008, mas o lançamento foi realizado antes disso, em 13/12/2007. Preliminar rejeitada.
OMISSÃO DE RECEITA
A identificação de divergências entre os valores declarados e os saldos registrados nos livros diários das empresas tributadas pelo SIMPLES ensejam omissão de receitas.
AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA COM INTUITO DE IMPEDIR OU
RETARDAR PROCEDIMENTO FISCAL SONEGAÇÃO
Considera-se sonegação fiscal toda ação ou omissão dolosa a qual vise impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais que lhe sejam inerentes.
Numero da decisão: 1802-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em AFASTAR a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Marco Antonio Nunes Castilho (Relator), Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, acordam em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2001 DECADÊNCIA A caracterização de fraude/sonegação enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN. Para a aplicação deste dispositivo, não basta identificar precisamente a data de ocorrência do fato gerador, eis que o termo inicial para a contagem da decadência não é esta data, e sim o primeiro dia do exercício seguinte àquele (exercício) em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Importa, então, verificar o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, para, em seguida, identificar o primeiro dia seguinte àquele exercício. A expressão “exercício”, quando utilizada pelo CTN no contexto de um lapso temporal, corresponde ao exercício financeiro dos entes federados (anocivil) e não ao período de apuração de cada tributo (decêndio, quinzena, mês, etc.). No caso dos tributos referentes a novembro e dezembro de 2001, o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado” é o ano de 2002, e, deste modo, o termo inicial para a contagem da decadência é o dia 01/01/2003. O prazo decadencial se consumaria em 01/01/2008, mas o lançamento foi realizado antes disso, em 13/12/2007. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RECEITA A identificação de divergências entre os valores declarados e os saldos registrados nos livros diários das empresas tributadas pelo SIMPLES ensejam omissão de receitas. AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA COM INTUITO DE IMPEDIR OU RETARDAR PROCEDIMENTO FISCAL SONEGAÇÃO Considera-se sonegação fiscal toda ação ou omissão dolosa a qual vise impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais que lhe sejam inerentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 210 1 209 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.002982/200786 Recurso nº 887.681 Voluntário Acórdão nº 180201.029 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente CASA DO MACARRÃO THAINA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA A caracterização de fraude/sonegação enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN. Para a aplicação deste dispositivo, não basta identificar precisamente a data de ocorrência do fato gerador, eis que o termo inicial para a contagem da decadência não é esta data, e sim o primeiro dia do exercício seguinte àquele (exercício) em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Importa, então, verificar o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, para, em seguida, identificar o primeiro dia seguinte àquele exercício. A expressão “exercício”, quando utilizada pelo CTN no contexto de um lapso temporal, corresponde ao exercício financeiro dos entes federados (anocivil) e não ao período de apuração de cada tributo (decêndio, quinzena, mês, etc.). No caso dos tributos referentes a novembro e dezembro de 2001, o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado” é o ano de 2002, e, deste modo, o termo inicial para a contagem da decadência é o dia 01/01/2003. O prazo decadencial se consumaria em 01/01/2008, mas o lançamento foi realizado antes disso, em 13/12/2007. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RECEITA A identificação de divergências entre os valores declarados e os saldos registrados nos livros diários das empresas tributadas pelo SIMPLES ensejam omissão de receitas. AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA COM INTUITO DE IMPEDIR OU RETARDAR PROCEDIMENTO FISCAL SONEGAÇÃO Considerase sonegação fiscal toda ação ou omissão dolosa a qual vise impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 211 2 autoridade fiscal da ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais que lhe sejam inerentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em AFASTAR a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Marco Antonio Nunes Castilho (Relator), Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, acordam em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 212 3 Relatório CASA DO MACARRÃO THAINA LTDA ME, já qualificada nos autos, apresentou recurso voluntário contra decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (“DRJ/PA”), que por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente a impugnação ao auto de infração em questão, mantendo em parte o crédito tributário exigido. No decorrer da fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar o Livro Caixa, Registro de Entradas, Registros de Saídas, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência, Contratos de Financiamento e Empréstimos, Contratos de Locação, Demonstrativos com valores das vendas para 50 maiores clientes, Demonstrativos com valores das compras feitas junto aos maiores fornecedores, Notas Fiscais de compra, Comprovantes de retirada de remuneração de sócios do período de 2001. Conforme informações do Contribuinte, o mesmo ficou impossibilitado de entregar a documentação solicitada à fiscalização, em razão de estarem em posse do poder judiciário estadual – processo no. 001.03.122911 (ação de despejo). Ante essa impossibilidade, foi lavrado ofício ao juízo da causa requerendo a disponibilização dos documentos para realização de fotocópia. De posse da documentação disponibiliza pelo Poder Judiciário, a Fiscalização analisou os Livros Diários e Razão, verificando a existência divergência entre os valores das receitas escrituradas e a receita declarada à Receita, intimando o Recorrente a esclarecer tais divergências. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 178/185, em sua resposta o Recorrente alegou que (i) os livros em poder da fiscalização não eram de sua empresa e que desconheciam a sua existência, pois não apresentavam assinatura e registro obrigatório na Junta Comercial; (ii) que ocorreu a mudança de contadores no período entre 2001 e 2004; (iii) pela sua opção da tributação pelo SIMPLES, não estaria obrigado a efetuar a contabilização comercial a não ser o Livro Caixa; e (iv) que foi ganha a causa judicial, desprezados os apontamentos do perito, como também os livros apresentados, pois não pertenciam à Recorrente. Diante desses argumentos, a fiscalização intimou novamente o contribuinte a entregar os Livros Fiscais de Entradas e Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Livros Auxiliares de escrituração, Livro Registro de Inventário e todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros requeridos anteriormente. O contribuinte informou que os seus livros também estão em poder da Justiça, juntando petição na qual requer a responsabilização do Perito Contábil para que informe o paradeiro dos livros. A Recorrente ainda solicitou por mais três vezes a prorrogação no prazo para entrega dos livros, sendo que todas foram acatadas pela fiscalização, mas, ao final, os livros não foram entregues. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 213 4 Em 13 de dezembro de 2007, o Recorrente foi cientificado da lavratura do auto de infração (fls. 125/187), decorrente do SIMPLES, do anocalendário de 2001, relativos aos tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e CSLL, tendo como fundamento (i) omissões de receitas não escrituradas, (ii) omissão de rendimentos caracterizada por saldo credor de caixa e (iii) insuficiência de recolhimento. Fora aplicada multa de 75% na infração de insuficiência de recolhimento e de 150% nas infrações relativas a omissão de receitas não escrituradas e omissão de rendimentos, perfazendo um crédito tributário de R$ 95.871,57, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. Em 17 de dezembro de 2004, o Recorrente tomou ciência do auto de infração e apresentou, em 18 de dezembro de 2007, a Impugnação de fls. 189/190, na qual alegou: “A receita da empresa durante o exercício de 2001 é efetivamente aquela declarada, que se encontra na página 6 da documentação anexa ao Auto de Infração; A ausência dos livros originais para a realização do procedimento de fiscalização culminou por prejudicar a empresa, vez que as informações foram colhidas de livros outros que não os verdadeiros. Esta situação lamentável foi informada nos presentes autos e é motivo de interpelação judicial, em face do perito judicial, cujo processo tramita no Tribunal de Justiça do estado do Acre, conforme já demonstrado por documentos para o senhor Auditor Fiscal. É caso ainda de prescrição, ferindo de morte a pretensão da Fazenda em cobrar tal suposto devido imposto, razão pela qual também se requer desde já sua declaração, vez que o tributo referese ao ano de 2001 e o prazo prescricional de cinco anos já se consumou.” A 2º Turma da DRJ/PA, no acórdão de fls. 193/195, considerou a impugnação do Recorrente procedente em parte, com os seguintes argumentos (i) à ocorrência de fraude aplicase a imposição do artigo 173, I do CTN e, tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 13/12/07, decaiu o direito do fisco em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 2001, visto que se passaram mais de 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte (2002) àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e (ii) ocorrência da presunção de omissão de receita com base no artigo 18 da Lei n. 9.317/96 e multa agravada por ocorrência de fraude. Mencionada decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 EMENTA Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da Fl. 213DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 214 5 obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Ciente da decisão em 17/12/2009, a Recorrente protocolizou o recurso voluntário em 14/01/2010, no qual apresenta os mesmos argumentos e requerimentos lançados na impugnação. É o relatório, passo a decidir. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 215 6 Voto Vencido Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, desta forma, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Os tributos (Simples) ora questionados, referemse ao exercício de 2001, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 13 de dezembro de 2007, sendo reconhecida pela decisão da DRJ, a decadência dos fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 2001, mediante aplicação da regra constante do art. 173, I do CTN, face ao entendimento de que houve dolo, fraude ou simulação; restando mantida a exigência fiscal sobre os fatos geradores de novembro e dezembro de 2001. Preliminarmente, cabe asseverar que restou comprovado no comportamento da Recorrente, o intuito de sonegação fiscal, mantendose, por conseguinte, a contagem do prazo decadência pelo inciso I do artio 173 do CTN. Isto porque, fora comprovado pela fiscalização que o contribuinte repetidas vezes, dentro do anocalendário de 2001, declarou valores de receita inferiores aos efetivamente registrados em seus livros fiscais, encontrandose aí o fato que corrobora a prática de sonegação fiscal, nos termos do artigo 71 da Lei n. 4.502/64. Desta forma, mantenho a contagem do prazo decadencial pela regra do inciso I, do artigo 173 do CTN, tendo em vista o comportamento com intuito fraudulento da Recorrente. Nesse sentido, cabe esclarecer que no caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, diferentemente do previsto para os casos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica tributada pelo Lucro Real, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês, sendo tal tributação definitiva, não havendo espaços para ajustes e, desta forma, a decadência também é verificada mensalmente, conforme a ocorrência de cada fato gerador. Isto porque, o vocábulo exercício exprime inúmeros conteúdos semânticos e, consequentemente, diversas unidades de tempo para medilo. Ao se referir ao exercício social, por exemplo, o artigo 175 da Lei nº 6.404/76 dispõe que, em regra, sua duração será de 1 (um), mas poderá ter outra duração a depender do estatuto da sociedade. Já o artigo 150, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, referese ao termo exercício financeiro para regulamentar o princípio constitucional da anterioridade e, neste caso específico, a jurisprudência equiparou o conceito de exercício financeiro ao de exercício civil, de modo que, para esses fins, será compreendido entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de cada ano. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 216 7 Ocorre que, o exercício dito no texto do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, não é aquele tratado na Lei das Sociedades por Ações, tampouco o exercício financeiro mencionado no artigo 150, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal. É necessário, pois, caracterizálo devidamente. Socorrime à redação do já mencionado artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e verifiquei que o exercício lá referido é o seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ou seja, o conceito de exercício, para os fins do prazo decadencial, está afeto ao período de apuração de determinado tributo e, em função de seu encerramento, à possibilidade de o Fisco efetuar o lançamento de ofício após analisar as informações prestadas pelo contribuinte em suas declarações. Aplicando o conceito acima ao Simples, cuja apuração é mensal, então o prazo decadencial tem início no exercício (mês) subseqüente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado que, segundo entendo, consiste no mês de entrega da declaração ao fisco, porquanto este é o documento que constitui crédito tributário e permite ao Fisco efetuar o lançamento tributário de ofício após analisar as informações prestadas pelo contribuinte. Em outras palavras, o prazo decadencial do IRPJSimples tem início no primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do fato gerador, afinal: (i) no mês seguinte ao do fato gerador há a entrega da declaração ao fisco; e (ii) no segundo mês subseqüente tem início o prazo decadencial. Ao caso concreto, o cômputo do prazo decadencial na forma acima implicou reconhecer que houvera decadência dos meses de novembro e dezembro de 2001, mesmo ante a regra do artigo 173, I do CTN. Isto porque em relação ao fato gerador ocorrido em Novembro de 2001, o prazo decadencial iniciouse em janeiro de 2002, decaindo em fevereiro de 2007; o mesmo acontecendo com o fato gerador de Dezembro de 2001, cujo prazo decadencial iniciouse em fevereiro de 2002, tendo decaído em março de 2007. Com efeito, mesmo diante da comprovação da existência de dolo, fraude e simulação no comportamento da Recorrente, cuja conseqüência é o deslocamento do início da contagem do prazo de decadência nos moldes estabelecidos pelo inciso I, do art. 173 do Código Tributário Nacional que determina a extinção do crédito tributário depois de passados 05 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, os fatos geradores ocorridos em novembro e dezembro de 2001, estariam abraçados pela decadência, tendo em vista estar se tratando de tributo (IRPJSimples) cujo fato gerador é mensal. Com base nessa linha de entendimento, votei no sentido de ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, cancelandose, por conseqüência, o auto de infração. Entretanto, no julgamento dessa preliminar, por voto de qualidade, o Colegiado entendeu que os fatos geradores de novembro e dezembro de 2001, não restaram abrangidos pela decadência, nos termos do voto vencedor. Desta forma, superada a preliminar de decadência, passo análise do mérito. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 217 8 OMISSÃO DE RECEITAS Restou comprovado pela fiscalização que o contribuinte repetidas vezes, dentro do anocalendário de 2001, declarou valores de receita inferiores aos efetivamente registrados em seus livros fiscais. A Recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de forma a se afastar a decisão proferida pela DRJ/PA. Nesse sentido, durante o processo de fiscalização foram solicitados livros contábeis, os quais deveriam estar sob o poder da empresa. Todavia, após as intimações para que estes documentos fossem apresentados, a resposta da Recorrente se mostrou, no mínimo, contraditória. Em um primeiro momento, foi afirmado que os livros solicitados pela fiscalização estavam em poder da Justiça e que, de tal sorte, a Recorrente não teria acesso a eles. Porém, após tais documentos terem sido disponibilizados à fiscalização pelo poder judiciário e, verificadas as irregularidades, a Recorrente alegou que estes documentos não lhe pertenciam. Este comportamento contribui ainda mais com a evidencia do intuito de dificultar e protelar o procedimento de fiscalização realizado pela RFB. Ao analisar os livros da Recorrente foram identificadas divergências entre os valores declarados pela Recorrente em suas Declarações Anuais Simplificadas – SIMPLES e os saldos registrados em seu livro Diário e Razão (fls. 183). Tal divergência diz respeito à discrepância entre os valores declarados como receita bruta, declarada no anocalendário de 2001, em relação aos valores escriturados nos Livros Diário e Razão. Esta diferença foi entendida, pela fiscalização como receita omitida, nos termos do artigo 186 do Decreto n. 3.000/99 pelo qual: “considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos”. Por sua vez, quanto ao saldo credor de caixa, também fora considerado pela Fiscalização como omissão de receita, nos termos do artigo 281, inciso I do Decreto 3.000/99, que dispõe: “Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 218 9 Intimada a se manifestar, a Recorrente em nenhum momento trouxe ao processo elementos que afastassem o entendimento da fiscalização. Deste modo, restou caracterizada a omissão de receita por parte da Recorrente e, como consequência, mantenho as exigências fiscais. DA MULTA AGRAVADA Por fim, entendo que deve prosperar para as infrações relativas à omissão de receitas não escrituradas e omissão de rendimentos e, por conseguinte, a multa agravada no percentual de 150%. Isto porque, conforme se verifica nos autos, a Recorrente, durante o transcorrer do processo administrativo agiu de forma dolosa para impedir a apuração por parte da fiscalização da ocorrência do fato gerador, o que nos termos do artigo 71 da Lei nº 4.502/64, caracterizase como sonegação. Ainda neste sentido, notadamente declarou, de forma dolosa, valores inferiores aos registrados nos livros fiscais e tentou impedir e embaraçar as atividades da autoridade fiscal na apuração dos tributos, reforçando entendimento de que seu comportamento se enquadra como sonegatório. Ante o exposto, vencido na questão da decadência, no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose as exigências fiscais e também a aplicação de multa agravada de 150% sobre as infrações de omissão de receitas não escrituradas e omissão de rendimentos. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 218DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 219 10 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir apenas quanto à preliminar de decadência. Não há dúvidas de que a tributação pelo regime simplificado – SIMPLES está submetida a períodos de apuração mensal e que os fatos geradores dos tributos englobados neste sistema ocorrem no último dia de cada mês. Tal informação realmente é fundamental para a contagem da decadência pela regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN, que adota como termo de início a data da ocorrência do fato gerador: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo acrescido) Ocorre que em virtude da caracterização de fraude/sonegação, a contagem do prazo decadencial no presente processo foi deslocada para a regra do art. 173, I, do mesmo CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Nesse caso, não basta identificar precisamente a data de ocorrência do fato gerador, eis que o termo inicial para a contagem da decadência não é mais aquela data, e sim o primeiro dia do exercício seguinte àquele (exercício) em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O que importa, então, é verificar o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, para, em seguida, identificar o primeiro dia seguinte àquele exercício. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 220 11 No caso dos tributos referentes a novembro e dezembro de 2001, cuja exigência foi mantida em primeira instância, a decisão recorrida considerou que o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado” seria o ano de 2002, e, deste modo, adotou como termo inicial para a contagem da decadência o dia 01/01/2003. Vale registrar que o lançamento não pode ser realizado antes do vencimento do tributo, motivo pelo qual os meses de novembro e dezembro receberam tratamento diferente dos demais janeiro a outubro (para estes a decadência foi contada a partir de 01/01/2002, pois o lançamento poderia ter sido realizado no próprio ano de 2001). Para os meses de novembro e dezembro/2001, portanto, não houve decadência, eis que em relação a eles o prazo previsto no art. 173, I, do CTN seria consumado em 01/01/2008, e o lançamento foi realizado antes disso, em 13/12/2007. O problema é que na interpretação dessa mesma regra, o eminente relator fez coincidir os conceitos de “período de apuração” e “exercício”, expondo uma linha de pensamento contra a qual suscitei divergência. Não desconsidero a fundamental importância do período de apuração e da data de ocorrência do fato gerador, aspectos que devem ser precisamente indicados no ato de lançamento. Mas uma vez transcorrido o período de apuração (seja ele decendial, quinzenal, mensal, trimestral ou anual) e ocorrido o fato gerador, não há sentido algum em delimitar um período de mesma extensão do período de apuração (decêndio, quinzena, mês, trimestre ou ano) para, somente depois dele, ser iniciada a contagem da decadência. Na linha de raciocínio do relator, para a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, precisaríamos identificar o “período de apuração em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, frase que, por si só, já soa completamente confusa e equivocada. Quando pensamos no lapso temporal que corresponde ao “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, que é a expressão utilizada pelo CTN, não é coerente pretender incluir nessa etapa de realização de lançamento um novo “período de apuração”, até porque a realização do lançamento depende do encerramento do período de apuração. O exercício a que alude o art. 173, I, ou seja, o “exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, é o exercício financeiro que coincide com o ano civil, nos termos do art. 34 da Lei nº 4.320/1964, que estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Nesse sentido, vale registrar a manifestação de Sacha Calmon a respeito da regra do art. 173, I, do CTN: Dispõe o art. 173 do CTN, cuidando da decadência do crédito tributário: (...) Este artigo se coaduna com o § 4º do art. 150: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 221 12 (...) Temos, então, quatro pontos de partida, dies a quo, para contar os cinco anos que fazem decair o direito de crédito da Fazenda Pública em decorrência de preclusão do ato jurídico do lançamento. A) regra geral ligada à anualidade do exercício fiscal é a do art. 173, I: o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O fato gerador ocorre em março de 1997. Começase a contar o prazo decadencial em 1º de janeiro de 1998. Cinco anos depois ocorrerá a decadência; (grifo acrescido) (Sacha Calmon Navarro Coêlho, Curso de Direito Tributário Brasileiro, 7a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 849) Menciono ainda que a Constituição da República emprega a expressão “exercício” em vários de seus artigos, e mesmo quando não a qualifica, vêse que “exercício” significa “exercício financeiro”: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República (...) XXIV prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior; (...) Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, farseão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009). (...) § 5º É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de verba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de precatórios judiciários apresentados até 1º de julho, fazendose o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados monetariamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009). (...) Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindolhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 222 13 (...) § 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (...) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III cobrar tributos: a) (...) b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (...) Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I o plano plurianual; II as diretrizes orçamentárias; III os orçamentos anuais. § 1º (...) § 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. (...) Art. 167. São vedados: (...) § 1º Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. (grifos acrescidos) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11522.002982/200786 Acórdão n.º 180201.029 S1TE02 Fl. 223 14 O Código Tributário Nacional – CTN, por sua vez, também não deixa dúvidas de que quando emprega esta expressão no contexto de um lapso temporal, claramente se refere ao exercício financeiro dos entes federados, que, como já mencionado, coincide com o anocivil: Cálculo e Pagamento das Quotas Estaduais e Municipais Art. 92. Até o último dia útil de cada exercício, o Tribunal de Contas da União comunicará ao Banco do Brasil S.A. os coeficientes individuais de participação de cada Estado e do Distrito Federal, calculados na forma do disposto no artigo 88, e de cada Município, calculados na forma do disposto no artigo 91, que prevalecerão para todo o exercício subseqüente. (...) Vigência da Legislação Tributária (...) Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Por todas estas razões, penso que a expressão “exercício” contida no art. 173, I, do CTN (exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado) corresponde ao exercício financeiro dos entes federados (anocivil) e não ao período de apuração de cada tributo. Nestes termos, também em relação à decadência, NEGO provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003431/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento
superior ao limite de isenção nem esteja declarando em separado, e sua filha declare em conjunto com o marido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, no valor de R$ 1.272,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção nem esteja declarando em separado, e sua filha declare em conjunto com o marido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, no valor de R$ 1.272,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 132DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0338.446, proferido pela 6ª Turma da DRJ Brasília (fl. 103), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para restabelecer a dedução de dependente no valor de R$ 5.088,00; a dedução de despesas de instrução no valor de R$ 1.231,20 e a dedução de despesas médicas no valor de R$ 3.314,15, e, por conseguinte, apurar imposto de renda suplementar no valor R$ 5.337,53. A descrição dos fatos da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 69 a 74), referente ao exercício 2004, indica as seguintes infrações: Dedução Indevida com Dependente(s) — glosa de dedução com dependente(s), pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 6.360,00. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A intimação. Dedução Indevida a Titulo de Despesas com Instrução — glosa de dedução de despesas com instrução, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 6.644,00. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A intimação. Dedução Indevida a Titulo de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 24.603,15. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A intimação. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação de fls. 01/02, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. FILHOS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, os filhos e enteados até vinte e um anos, maiores até vinte e quatro anos cursando universidade ou escola técnica de 2° grau ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. CÔNJUGE. A legislação vigente permite que seja incluído como dependente na declaração do contribuinte o seu cônjuge, quando este não apresentou declaração de ajuste anual em separado. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGROS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda do genro ou nora, os sogros desde que a filha ou filho tenha auferido rendimentos tributáveis e declarado em conjunto com o cônjuge. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10166.003431/200854 Acórdão n.º 21011.257 S2C1T1 Fl. 122 3 Só são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação pré escolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, à fl. 118, o recorrente requer o restabelecimento da dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, mãe da sua esposa. Junta cópia autenticada da folha número 079 dos assentamentos profissionais, onde consta que em 27/04/93 o interessado registrou na Marinha do Brasil esta dependente, seguindo os preceitos legais vigentes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Remanesce em litígio a glosa da dedução da despesa com a dependente Kazuka Dogakiuchi, sogra do contribuinte, única questão discutida no recurso. Nos termos do inciso VI do artigo 35 da Lei nº 9.250, de 1995, os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, poderão ser considerados dependentes dos filhos. A Receita Federal do Brasil esclarece, em seu manual de perguntas e respostas, que o sogro ou a sogra podem ser declarados dependentes desde que o seu filho ou filha esteja declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. No caso em exame, como a esposa do autuado não apresentou declaração em separado, e foi relacionada como dependente do marido na Declaração de Rendimentos do período fiscalizado, entendo que a sogra pode figurar como dependente do genro. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 A decisão recorrida manteve a glosa em relação à sogra por entender que somente há declaração em conjunto quando ambos os cônjuges auferem qualquer tipo de rendimento. Não vejo sentido nesta distinção, até por que algum rendimento do dependente pode ser detectado pela Fiscalização até o decurso do prazo decadencial. A meu ver, todas as pessoas relacionadas como dependentes na Declaração de Ajuste Anual é um declarante em conjunto, pois a capacidade tributária independe da capacidade civil ou de qualquer outra circunstância pessoal do beneficiário do rendimento, e a inclusão do dependente na declaração implica em incluir os rendimentos por eles auferidos. Não é incomum transitar recursos por este Colegiado em que o dependente auferiu rendimentos que não foram incluídos na base de cálculo do tributo informada pelo declarante. Muitos pedem que se retire o dependente da declaração, pois o ingresso do rendimento para tributação não compensa a dedução do dependente, e que se este apresentar declaração em separado ficará abaixo do limite de isenção – solicitação que não é atendida, pois a opção da declaração em conjunto foi exercida. No presente caso, o cônjuge do contribuinte, Sueli Mieko Dogakiuchi Silva, teve o nome informado na declaração do contribuinte, no campo próprio para dependentes e foi assinalado que a Declaração de Ajuste Anual era em conjunto. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, no valor de R$ 1.272,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 135DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.004446/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve-se reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de
21 de dezembro de 2010)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 13.200,00. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Amaury Maciel, OAB-SP N°
212.481.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Deve-se reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. Devese reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 13.200,00. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Amaury Maciel, OABSP N° 212.481. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 104 2 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MOREVI ARAUJO REGO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 21/26, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 29.706,74, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: dedução indevida de previdência privada e dedução indevida de despesas médicas, nos valores de R$ 14.129,17 e R$ 38.617,19, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/20, onde contesta apenas as deduções de despesas médicas, relativas aos odontólogos Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão, ambas no valor de R$ 6.600,00 e a cobrança dos juros de mora. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1745.810, de 04/11/2010, fls. 48/52. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30/12/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 57, o contribuinte apresentou, em 26/01/2011, recurso voluntário, fls. 59/72, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Os serviços odontológicos prestados pelos dentistas Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão estão devidamente atestados e comprovados nos autos. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 105 3 A prova do pagamento somente é exigida na falta dos recibos ou quando estes não cumprem as exigências prescritas na lei, o que não é o caso. A Declaração de Ajuste Anual demonstra que o contribuinte teve a sua disposição recursos financeiros no montante total de R$ 354.782,61, ou seja, teve disponibilidade financeira suficiente para dar cobertura a todas as despesas efetuadas. Os juros de mora calculados com base na taxa Selic são inconstitucionais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído por força do disposto na Lei nº 9.532, de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 106 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, devese observar que na impugnação, assim como no recurso, o contribuinte reconhece a infração de dedução indevida de previdência privada, assim como parte da infração de dedução indevida de despesas médicas, sendo certo que sua contestação se restringe tãosomente no que se refere às despesas médicas relativas aos odontólogos Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão, ambas no valor de R$ 6.600,00 e à cobrança dos juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que consta da Notificação de Lançamento, fls. 23, a glosa das despesas médicas relativas aos dentistas acima referidos se deu em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar os respectivos comprovantes. Ocorre que, quando da apresentação da impugnação o contribuinte juntou aos autos documentos, fls. 27/28, firmados pelos profissionais, que atestam ter prestado serviços odontológicos ao contribuinte e ter recebido as importâncias de R$ 6.600,00. Por seu turno, a decisão recorrida não reconheceu as referidas despesas médicas, sob a seguinte fundamentação: De se observar que, embora o contribuinte tenha declarado ter pago ao Sr. Paulo Antonio Dal Médico a quantia de R$ 7.500,00, apresentou agora um recibo no valor de R$ 6.600,00, exatamente a mesma quantia declarada como tendo sido paga a outro cirurgiãodentista, Dr. Paulo Estevão Sandoval Abrahão. Não tendo sido carreado aos autos nenhuma prova dos efetivos pagamentos ou mesmo da prestação dos serviços odontológicos com os dois profissionais listados, entendo não estar devidamente comprovada a ocorrência das despesas odontológicas, devendo ser mantida a glosa integral efetuada pela fiscalização. Ora, o fato de o recibo apresentado possuir valor menor do que aquele pleiteado pelo contribuinte justifica plenamente a manutenção da diferença verificada, entretanto, não pode ser utilizado como motivação para a manutenção da glosa total. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente e legalmente habilitado. Somente quando existe dúvida quanto à idoneidade do documento, a autoridade fiscal solicita provas da efetividade do pagamento e também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 107 5 Entretanto, no presente caso não existem nos autos indícios de inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte. E mais, a autoridade fiscal procedeu a glosa por falta de apresentação dos recibos, sendo certo que não consta dos autos que o contribuinte tenha sido, durante o procedimento fiscal, intimado a fazer a comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Destacase, ainda, que as demais glosas de despesas médicas efetivadas pela autoridade fiscal, contra as quais o contribuinte não se insurgiu, se deram em razão de dedução de despesas médicas realizadas com o cônjuge do contribuinte, que apresentou Declaração de Ajuste Simplificada e com pessoa nãodependente. Vêse, portanto, que tais motivações não colocam em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte. Nessa conformidade, devese restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 13.200,00, correspondente ao somatório das despesas incorridas com os profissionais Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmulas nºs 4 e 5, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação, ainda que o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 13.200,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 216DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002035/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/12/2005
REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIOS CONTRATADOS ANTES DE 21 DE NOVEMBRO DE 1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI.
Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Na presença de provas de que o escrevente foi contratado antes da data acima referida e que não optou pela mudança de regime, deve o lançamento ser afastado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/12/2005 REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIOS CONTRATADOS ANTES DE 21 DE NOVEMBRO DE 1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI. Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Na presença de provas de que o escrevente foi contratado antes da data acima referida e que não optou pela mudança de regime, deve o lançamento ser afastado. Recurso Voluntário Provido.
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INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIOS CONTRATADOS ANTES DE 21 DE NOVEMBRO DE 1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI. Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência SocialRGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Na presença de provas de que o escrevente foi contratado antes da data acima referida e que não optou pela mudança de regime, deve o lançamento ser afastado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator designado: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 153 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o contribuinte acima identificado, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 27), o autuado, Oficial Titular do Cartório de Registro de Imóveis de Divinópolis, nomeou a Sra Nercy Maria dos Santos para o cargo de escrevente substituta do Cartório e deixou de inscrevêla no RGPS, por considerála como segurada filiada ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. A autoridade autuante esclarece que, tendo em vista a ausência de personalidade jurídica do Cartório, o Auto foi lavrado em nome de seu titular, após ter sido efetuada a matricula CEI 33.620.01853/06, de oficio. O agente lançador entendeu que, não sendo a Sra. Nercy Maria dos Santos servidora titular de cargo efetivo, está excluída do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, está obrigatoriamente vinculada ao RGPS como segurada empregada, conforme previsto no art. 70, X da IN 65/02, art 9°, XIX da IN 100/03, e art 6°, XXI, da IN 03/05. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0221.416, da 8a Turma da DRJ/BHE, (fls. 121), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 132 ), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reitera que nenhuma outra irregularidade ou ausência de cumprimento de obrigações tributárias foram apontadas na conclusão da ação fiscal, salvo, unicamente, aquelas consignadas pelo Sr. AFRFB em razão do entendimento acerca do regime previdenciário ao qual encontrase subordinada a Escrevente Substituta do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Divinópolis, Sra Nercy Maria dos Santos. Entende que é notório o conflito e contradições entre as IN's invocadas no Relatório Fiscal, editadas nos anos de 2002, 2003 e 2005, em face da vigente, mais abrangente e mais recente Instrução Normativa editada pelo próprio INSS, in casu, a IN 20/2007, que somente alinha entre os segurados obrigatórios da Previdência Social/INSS, consoante inciso XII do seu art. 30, o escrevente contratado por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21/11/1994 e, ainda, aquele que tenha exercido opção pelo RGPS/INSS em conformidade com a Lei 8.935/94. Ressaltase que a Lei n° 8.935/94, é a lei especial que regulamenta o art. 236 da Magna Carta de 1988, dispondo sobre os serviços notariais e de registro e, ainda, quanto ao Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 pessoal daqueles cartórios, contratados anteriormente àquela lei (e aqueles a serem futuramente contratados) e seu regime previdenciário Assevera que a Sra. Nercy Maria dos Santos foi nomeada e tomou posse em junho de 1985, como Escrevente Substituta, função que desde então vem sendo por ela exercida sem que tenha havido descontinuidade, sendo que jamais exerceu ela a opção da transformação do seu regime jurídico de contratação, que lhe era resguardada consoante permissivo daquela especial Lei n° 8.935/94 (Lei dos Cartórios), permanecendo, assim, na mesma situação de contratação e regime previdenciário em que se encontrava, havia mais de 09 anos, quando da superveniência daquele diploma especial. Sustenta que o art. 40 da EC n° 20/98 não revogou tacitamente, como entendido pelo Sr. AFRFB, as disposições da Lei n° 8.935/94, diploma especifico que permanece inalterado no arcabouço jurídico pátrio, sendo que as disposições do citado art. 40, ao assegurar aos servidores titulares de cargos efetivos da União, Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, regime previdenciário de caráter contributivo, de sorte a ensejar ampla reforma previdenciária, em nada modificou o então vigente regime jurídico de contratação e previdenciário da Escrevente Substituta. Transcreve dispositivos das Leis Complementares do Estado de Minas Gerais n° 64/2002, 70/2003 e 79/2004 que, segundo entende, demonstram que a referida Escrevente Substituta Nercy Maria dos Santos está obrigada ao custeio e ônus, face a sua condição de segurada da perante o RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG, a titulo de cota de suas contribuições e, por seu titular, o cartório Recorrente, a titulo de contribuições patronais. Transcreve manifestação do STF para demonstrar que os notários, registradores e escreventes, embora exerçam atividade estatal, não são titulares de cargo público efetivo e tampouco ocupam cargo público. Conclui que a referida Escrevente Substituta é vinculada ao RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG, visto que, nomeada e empossada aos 28/06/1985 e, consoante já comprovado pela apensa declaração pessoal daquela servidora, desde então permanece ela no exercício do cargo, não tendo jamais exercido a opção que lhe fora assegurada pela referida Lei n° 8.935/94 de modificação de seu regime jurídico e previdenciário. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 154 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, da análise do recurso apresentado, que o recorrente tenta demonstrar que a Escrevente Substituta Sra. Nercy Maria dos Santos é vinculada ao RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG, por força das Leis Complementares do Estado de Minas Gerais n° 64/2002, 70/2003 e 79/2004. Contudo, a Emenda Constitucional n° 20/98, ao alterar o art. 40 da Constituição Federal, restringiu o Regime Próprio de Previdência aos servidores públicos efetivos, sendo que os demais funcionários passaram a se vincular obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social: Art.40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo Portanto, a Escrevente Nercy Maria dos Santos só poderia permanecer vinculada ao Regime Próprio de Previdência Social caso fosse, à época de publicação da EC n° 20/1998, titular de cargo público efetivo. Porém, conforme tão bem ressaltou o recorrente em seu recurso, a referida segurada não era, em 1998, detentora de cargo público efetivo, e tampouco ocupava cargo público, mas sim cargo de direito privado. Nesse sentido, a Sra Nercy não poderia, após o advento da EC 20/98, permanecer vinculada ao Regime Próprio. Verificase, dos documentos juntados aos autos, que a Sra Nercy Maria era remunerada, à época da ocorrência dos fatos geradores, pelo titular do Cartório de Registro de Imóveis, e não pelo Estado de Minas Gerais. O recorrente alega que a referida segurada estava obrigada ao custeio do Regime Próprio, com o pagamento, ao IPSEMG, de valores a título de sua cota de contribuições, sendo que o Cartório arcava com o pagamento da cota patronal. Todavia, não consta, dos autos, provas de que houve pagamento, pela Sra Nercy ou pelo Cartório, de contribuições ao referido Regime Próprio, gerido pelo IPSEMG. Constam, sim, recibos de pagamentos realizados pelo titular do cartório à Escrevente Substituta nos quais estão registrados apenas a dedução de valores ao Imposto de Renda. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Da análise das cópias dos Livros Caixa juntadas ao processo, observase que não há desconto ou registro de pagamento de contribuições ao IPSEMG. As guias anexadas ao AI pela fiscalização demonstram apenas o pagamento de contribuição do empregado e do empregador relativo ao custeio de saúde, nos termos do art. 85, da LC 64/02. A autoridade fiscal juntou, ainda, às fls. 33, um comunicado do Superintendente de Finanças do IPSEMG, Sr. Walter Juiz Santos Correa, informando o cancelamento da inscrição como segurados dos servidores dos Cartórios, uma vez que tais servidores não eram vinculados ao serviço público do Estado, estando, portanto, impedidos de serem contribuintes do IPSEMG. O recorrente alega que é equivocado o entendimento contido na referida circular. Porém, o recorrente não comprova que a Sra Nercy Maria dos Santos está vinculada ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais. E, tendo sido constato a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária com o pagamento de remuneração, pelo autuado, à Sra Nercy, que, conforme demonstram os documentos acostados aos autos, não está vinculada ao Regime Próprio de Previdência, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento, lavrou corretamente o AI em discussão, em observância aos normativos legais que regem a matéria e ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Observase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 155 7 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva: A despeito das bem fundamentadas considerações da Relatora, apresentamos nossa posição divergente. O caso em análise diz respeito ao lançamento de contribuição previdenciária na parte da empresa, bem como contribuição para o SAT/RAT incidente sobre a remuneração da escrevente substituta do Cartório de Registro de Imóveis de Divinópolis admitida em 28 de junho de 1985. Toda a controvérsia surge com a edição da EC 20/1998 que teria afastado o conteúdo da Lei 8.935/94. Para a fiscalização, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes ou auxiliares admitidos antes do advento da Lei 8.935/94 deveriam continuar vinculados ao Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e pelo IPSEMG até a edição da EC 20/1998. Após a alteração constitucional, somente os titulares de cargo efetivo poderiam continuar regidos pelo RPPS. Para fundamentar tal conclusão, a autoridade fiscal citou o art. 7º, inciso X da IN ISS 65/2002, o art. 9º, inciso XIX da IN ISS 100/2003 e o art. 6º, inciso XXI da IN SRP 03/2005, o qual reproduzimos a seguir: Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XXI o escrevente e o auxiliar contratados até 20 de novembro de 1994 por titular de serviços notariais e de registro, sem relação de emprego com o Estado; Ressalta que a partir da LC 64/2002 do Estado de Minas, o IPSEMG presta somente assistência médica, hospitalar e odontológica aos servidores não titulares de cargo efetivo. A DRJ/Belo Horizonte acatou os argumentos da autoridade fiscal e acrescentou que a Escrevente Nercy não era titular de cargo efetivo, pois na data de publicação da Constituição de 1988 não havia completado os cinco anos na função exigidos pelo art. 19 do ADCT, bem como não era remunerada pelo Estado. A recorrente suscitou a contradição entre os diplomas infralegais apontados pela fiscalização com o art. 9º, inciso I, alínea “o” do RPS e com a IN INSS/PRES 20/2007, a seguir transcritas: RPS Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 156 9 Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei n.8.935, de 18 de novembro de 1994; e (...)" IN INSS/PRES 20/2007 Art. 3º São segurados na categoria de empregado, conforme o inciso I do art. 9º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 (...) XII o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; (...) XVI o servidor Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, incluídas suas autarquias e fundações públicas, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, o contratado por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, bem como de outro cargo temporário ou emprego público (Consolidação das Leis do TrabalhoCLT), observado que: a) até 15 de dezembro de 1998, desde que não amparado por RPPS, nessa condição; b) a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998; Além disso, informou que os escreventes admitidos antes de 18 de novembro de 1994 estão incluídos em no RPPS do Esatdo de Minas por força do inciso V do art. 3º da Lei Complementar MG 64/2002, alterada pela Lei Complementar MG 70/2003, in verbis: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Art. 3° São vinculados compulsoriamente ao Regime Próprio de Previdência Social, na qualidade de segurados, sujeitos as disposições desta lei complementar. (...) V o notário, o registrador, o escrevente e o auxiliar admitido até 18 de novembro de 1994 e não optante pela contratação segundo a legislação trabalhista, nos termos do art. 48 da Lei Federal n° 8.935, de 18 de novembro de 1994; Acrescentou que a LC 64/2002 prevê alíquota de 22% de contribuição patronal para o caso do inciso V do art. 3º, o que reforçaria a inclusão dos escreventes admitidos antes de 18/11/1994 no RPPS do Estado de Minas. A análise da ilustre Relatora teve como ponto central a necessidade de, após a EC 20/98, o servidor do cartório ser titular de cargo efetivo para manterse regido pelo RPPS. Acrescentou, outrossim, que não foram encontrados registros de descontos ao IPSEMG e que tal instituto teria informado que os servidores de cartórios tiveram suas inscrições canceladas em virtude de não serem vinculados ao serviço público do Estado. Concluiu a relatora que a recorrente não demonstrou que a Sra. Nercy estava vinculada ao RPPS do Estado de Minas. Feita a síntese do caso, passamos às nossas considerações. Sem dúvida, a recorrente conseguiu demonstrar que as instruções normativas que tratam do assunto são contraditórias. O conteúdo do inciso XXI do art. 6º da IN 3/2005 conflita explicitamente com o inciso XII da IN INSS/PRES 20/2007. Este último dispositivo infralegal expressa entendimento claro de que o conteúdo da EC 20/1998 não se aplica aos servidores de cartório, uma vez que prescreve normas para estes no inciso XII e para os servidores atingidos pela EC 20/1998 no inciso XVI. Tal confusão normativa, por si só já nos obrigaria a afastar as multa e os juros do lançamento, em atendimento ao parágrafo único do art. 100 do CTN. No entanto, não podemos ignorar o conteúdo da alinea “o” do inciso I do art. 9º do RPS, inverbis: Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei n.8.935, de 18 de novembro de 1994; e Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 157 11 A norma transcrita determina que somente são considerados empregados os servidores de cartório admitidos a partir de 21 de novembro de 1994 ou aqueles que fizeram a opção prevista na Lei 8.935/1994. Como é cediço, não podemos argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, o conteúdo da alínea “o” do inciso I do art. 9º do RPS não pode ser afastado, ainda que consideremos que conflita com a norma constitucional trazida pela EC 20/1998. O fisco federal, se tivesse observado o conflito da norma regulamentar com a Constituição, deveria ter promovido alteração do Decreto 3.048/99, o que não fez. O referido dispositivo, ao contrário, remanesce no ordenamento jurídico produzindo efeitos. Por oportuno, deve ser destacado que as autoridades do poder público já manifestaram recente entendimento, por meio de IN INSS/PRES 20/2007, no sentido de separar a situação dos servidores do cartório da situação dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que reforça nossa conclusão de que a alínea “o” do inciso I do art. 9º do RPS segue produzindo efeitos jurídicos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Acrescentamos que o inciso V do art. 3º da LC MG 64/2002 prevê, explicitamente, a inclusão dos servidores de cartório admitidos até 18/11/1994 no RPPS do Estado de Minas. Se, por alguma razão, a contribuição prevista naquele regime não está sendo cobrada é questão que não altera a situação legal de tais servidores que terão seus benefícios previdenciários suportados pelo Estado de Minas. Cabe ao poder público estadual a fiscalização e a cobrança daquela contribuição. Assim, sendo fato incontroverso que a Sra. Nercy era servidora do cartório desde 1985 e havendo declaração desta afirmando não ter feito a opção prevista na Lei 8.935/1994, concluímos que tal servidora está vinculada ao RPPS do Estado de Minas, o que torna ilegal o presente lançamento e levanos a votar pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014569/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: Lucro Presumido. Diferenças de Receita bruta.
É cabível o lançamento do imposto e da contribuição social, com base nos percentuais legais do lucro presumido, sendo essa a opção manifestada pelo sujeito passivo na DIPJ entregue à Receita Federal, em função das diferenças de receita bruta levantadas pela Fiscalização.
A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia.
Tributação Reflexa.
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende-se aos reflexos.
Numero da decisão: 1202-000.603
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: Lucro Presumido. Diferenças de Receita bruta. É cabível o lançamento do imposto e da contribuição social, com base nos percentuais legais do lucro presumido, sendo essa a opção manifestada pelo sujeito passivo na DIPJ entregue à Receita Federal, em função das diferenças de receita bruta levantadas pela Fiscalização. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Tributação Reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Viviane Vidal Wagner e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado as fls. 04/06, exigindo o IRPJ, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Foram também formalizados, em decorrência do IRPJ, lançamentos de PIS, COFINS e CSLL, todos com multa de ofício de 75% e juros de mora. O lançamento do IRPJ e reflexos se deu em razão de omissão de receitas da atividade, sem emissão de notas fiscais, apurados pela fiscalização. As empresas Liderança Capitalização Sociedade Anônima e BF Utilidades Domésticas LTDA, foram intimadas a comprovar os valores relativos ao faturamento da Recorrente, tendo devidamente encaminhado resposta. Ato contínuo, a Recorrente foi intimada a justificar a diferença entre os valores declarados em DIPJ anocalendário 2002 e os informados na DIRF pelas empresas acima mencionadas. Em resposta informou que registrou como receita bruta, apenas a comissão líquida a receber, deduzindo dos valores repassados pela empresa Liderança, os valores devidos aos revendedores dos títulos distribuídos (Telesena). Os livros contábeis e demais documentos apresentados (Anexo 1) apontam a receita bruta partindo desta premissa (dedução das comissões repassadas a terceiros), o que caracteriza uma receita reduzida em relação ao conceito de receita bruta. A Liderança em sua DIRF, e em resposta à fiscalização, informou que os pagamentos efetuados à Recorrente referemse ao valor total das comissões pagas, não deduzindo repasses feitos aos revendedores, consoante documentos do Anexo 2, apresentando recibos de pagamentos efetuados à Horizonte, nos quais verificase a dedução exclusivamente do IRRF. A empresa BF Utilidades Domésticas, em resposta à fiscalização apresentou documentação parcial em relação aos serviços prestados pela Fiscalizada. Em sua DIRF apresenta os valores idênticos aos relacionados no Termo de Intimação nº 01, deduzindo que estão corretos. A Recorrente, no anocalendário de 2002, optou pela determinação do lucro presumido, assim, não poderia deduzir custos ou despesas da atividade, devendo reconhecer a receita bruta e aplicar o coeficiente de presunção, consoante a atividade exercida, para determinação da base de cálculo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 3 3 Assim, constituiuse o crédito tributário referente ao IRPJ e reflexos. Não se conformando com o lançamento, apresentou a Recorrente impugnação, alegando que as divergências se devem à imprecisa informação prestada pela empresa Liderança em sua DIPJ do anocalendário de 2002. Aponta que esta empresa é que promove o título de capitalização Telesena, por ela emitido e comercializado em todo o país. Afirma ser empresa contratada em 2002 para realizar a distribuição dos títulos em Minas Gerais, assim, a Recorrente recebia os títulos em consignação, e os repassada à rede lotérica da CEF. Desta feita, a Recorrente contava com uma rede de “subdistribuidores”, que se encarregava de alocar os títulos nos pontos de venda. Uma vez efetuada a venda, estes pontos retinham sua comissão e repassavam o produto da venda aos “subdistribuidores”. De seu turno, estes “subdistribuidores” também retinham sua comissão, repassando o restante à Recorrente. Por fim, esta retinha a sua comissão (efetiva remuneração pelo serviço prestado) e depositava o saldo para a empresa Liderança. Desta sorte, a remuneração da Recorrente, pelo serviço prestado (sua renda), seria apenas o valor da comissão retirada por ela, nos termos do art. 43, I, do CTN. Tal remuneração estaria prevista nos itens 4.1 e 4.3.1 do “Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular para Distribuição de Capitalização Telesena”. Aduz que a Fiscalização se afastou sem motivo do que fora contratado entre as partes (Liderança e Horizonte), ou seja, que a remuneração da Horizonte seria de 3% do valor do título, e de R$ 5,80 por lote de títulos, no resgate. Neste sentido, os valores indevidamente informados pela Liderança não poderiam ter sido considerados pela Fiscalização como receita, porquanto não se tratavam de remunerar os serviços prestados e, portanto, não exprimem qualquer parcela de capacidade contributiva, não compondo receita ou “preço do serviço”, na acepção jurídica da expressão. Aponta em planilha que considerou a remuneração pelo resgate de títulos a razão de R$ 0,05 (cinco centavos) por título, quando a remuneração pactuada era de R$ 0,058, o que gerou uma diferença de R$ 19.752,91 no exercício de 2002, valor que reconhece como devido; constatou ainda uma diferença de R$ 48.137,16 no valor das comissões pela venda de produtos, em 2002, também reconhecendo este valor como devido. Assim, reconhece como devido o valor de R$ 67.890,07. Alega também que a Fiscalização se equivocou ao considerar a receita informada na DIPJ em relação ao mês de outubro de 2002, no valor de R$ 36.538,14, quando o correto foi de R$ 38.538,14. Combate ainda a multa aplicada em 75%, invocando os princípios do não confisco e da capacidade contributiva, bem como agressão ao direito de propriedade e ao princípio da proporcionalidade entre o ilícito e sua punição, requerendo a exclusão da pena ou sua redução ao percentual de 2% ou outro mais equânime. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 4 4 Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração ou sua revisão. Diante das razões apresentadas a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Lucro Presumido. Diferenças de Receita bruta. É cabível o lançamento do imposto e da contribuição social, com base nos percentuais legais do lucro presumido, sendo essa a opção manifestada pelo sujeito passivo na DIPJ entregue à Receita Federal, em função das diferenças de receita bruta levantadas pela Fiscalização. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Erro material. Constatado o erro material cometido pela Fiscalização na apuração da diferença de base de cálculo tributada no lançamento, o valor da exigência deve ser refeito. Tributação Reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Multa de Oficio. Em procedimento de oficio, a multa será exigida, no percentual legal de 75%, quando se apurar diferenças de imposto e contribuições, a favor da Fazenda Nacional. Lançamento Procedente em Parte Inicialmente, a autoridade julgadora separou a parte litigiosa da não litigiosa da demanda, tendose em vista o reconhecimento expresso do valor de R$ 67.890,07 como devido. Aponta que o lançamento corresponde às diferenças de imposto e contribuições para os períodos do ano de 2002: para o IRPJ e a CSLL, temse períodos trimestrais, cuja apuração foi feita pela determinação do lucro presumido (opção do contribuinte); e, para o PIS e a COFINS, temse períodos mensais, cuja apuração recaiu sobre o faturamento. Contudo, a Recorrente apenas indicou o valor total, não especificando qual seria a parte correspondente a cada mês ou trimestre do ano de 2002. Sendo assim, a DRF de origem deve adotar as providências cabíveis, à luz do art. 21, § 1 0, do Decreto n° 70.235, de 1972, inclusive, no sentido de segregar dos valores lançados, sejam nos períodos trimestrais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 5 5 (IRPJ e CSLL), sejam nos períodos mensais (PIS e COFINS), os respectivos valores não litigiosos. Elaborou planilha com o objetivo de segregar os valores em litígio daqueles assumidos pela Recorrente. No mérito, a autoridade julgadora aponta a legislação fiscal pertinente, indicando que a determinação da base de cálculo do lucro presumido está regulada pela Lei n° 9.249, de 1995, art. 15, que é a matriz legal dos arts. 518 e 519, do RIR11999. De outro lado, sustenta que a Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997, também esclarece acerca da determinação do lucro presumido, seguindo as determinações legais acima transcritas. Diante dessa legislação, em suma, no que interessa aos autos, na prestação de serviços em geral será utilizado o percentual de 32%. Como se vê da DIPJ/2003 entregue pelo Contribuinte, no anocalendário de 2002 (período lançado), houve opção pela apuração do imposto e da contribuição social com base nos percentuais legais do lucro presumido. Em relação à tributação por essa forma de apuração do imposto e da contribuição social, vale destacar que a base de cálculo será determinada, dentre outros itens, pela receita bruta auferida, decotados os valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos e dos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador. Nesse sentido o artigo 224 do RIR/1999. Assim, consoante evidenciado no TVF e nas respostas dadas pelos clientes da Recorrente, ela era encarregada de distribuir um título lotérico, portanto, sua receita decorria desta atividade. De tal sorte, distribuição da TELESENA, no Estado de Minas Gerais, era de responsabilidade da Recorrente, muito embora essa tarefa exigisse outros parceiros, "sub distribuidores" e "pontos de venda". Na verdade, do ponto de vista jurídico desse negócio, a receita total das vendas era da Recorrente, que, por sua vez, assumia custos ou despesas com os referidos parceiros, para consecução do seu objetivo social. Sustenta que o raciocínio a ser empregado é simples: se a empresa vendeu um título lotérico, essa receita compõe seu faturamento, ainda que estejam envolvidos custos ou despesas para a sua obtenção. Assim, a receita auferida pela recorrente decorre do total obtido com as vendas da TELESENA, estando correta a apuração das diferenças levada a cabo pela Fiscalização (conforme demonstrativo de fls. 64), salvo quanto ao terceiro trimestre de 2002, notadamente, no mês de outubro, em razão do erro apontado pela defesa. Ressalta que o lucro presumido é estabelecido por um percentual legal incidente sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, fazendo com que já sejam aí considerados todos os custos ou despesas envolvidos na atividade por ela exercida. Assim, ficou adstrita a opção feita pelo lucro presumido. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 6 6 Quanto ao erro apontado pela defesa, verificou que, conforme consta da DIPJ apresentada pela Recorrente(documento de fls. 95), foi informada uma receita de prestação de serviços, para o quatro trimestre de 2002, no valor de R$ 104.342,80, o qual está segregando no demonstrativo fiscal, para os meses de outubro a dezembro, respectivamente, nos valores R$ 36.538,14, R$ 14.140,15 e R$ 51.664,51, o que dá o total de R$ 102.342,80. Portanto, a menor em R$ 2.000,00, conforme ressaltou a defesa. Verificase assim que a Fiscalização tomou os valores declarados em DIPJ pelo contribuinte, no mês de outubro de 2002, ou do quarto trimestre desse mesmo ano, a menor em R$ 2.000,00, o que faz com que haja excesso de exigência nessa mesma medida, tendo em vista que o lançamento decorre de diferenças de receita bruta, apuradas entre o levantamento fiscal e o que foi declarado em DIPJ. Realizou, assim, ajuste no lançamento, mantendo parcialmente as exigências. No tocante aos lançamentos reflexos, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese a estes, a título de CSLL, COFINS e PIS. Quanto a aplicação da multa a autoridade julgadora entendeu que a aplicação da porcentagem de 75% seguiu estritamente a legislação, nos termos do artigo 44 da Le 11.488/07. Afasta as alegações quanto aos princípios violados, apontando que o contencioso administrativo não é o foro competente para examinar questões de tal natureza, tendo a Administração apenas exercido seu poder/dever de tributar, constitucionalmente previsto. Assim, conclui por considerar, quanto a parte litigiosa, manter parcialmente o lançamento efetuado. A Recorrente fora intimada da decisão em 15 de junho de 2009, e com ela não se conformando, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário a este Conselho, sustentando em síntese que: O valor exigido decorre de diferenças encontradas na DIPJ do ano calendário de 2002, relativas às receitas auferidas na prestação de serviços realizadas pela ora recorrente às empresas LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A e BF UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. Aponta que tais divergências devemse à imprecisa informação prestada pela LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A, em sua DIPJ do ano calendário de 2002, sendo que essas diferenças, segundo se constata do relatório da fiscalização, decorreram do fato de que a Recorrente “... no ano calendário de 2002, optou pela apuração do IRPF utilizandose da modalidade do Lucro Presumido, não podendo portanto, deduzir custos e/ou despesas da atividade, devendo reconhecer a receita bruta e aplicar o coeficiente de presunção, conforme a atividade exercida, a fim de determinar a base de cálculo do IRPJ". Entende que houve equivoco pela Fiscalização bem como pela autoridade julgadora, posto que considerouse que a Recorrente calculo o tributo apenas sobre a comissão Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 7 7 líquida, deduzindo os valores devidos aos revendedores dos títulos distribuídos (devidos pela LIDERANÇA). Alega que em momento algum deduziu da sua comissão os valores pela LIDERANCA aos revendedores, ou considerou apenas a "comissão líquida", tendo considerado como sua receita (receita bruta) apenas aquilo que efetivamente lhe foi pago pela LIDERANCA pelos serviços de administração da distribuição de títulos em Minas Gerais. Ressalta em momento algum “deduziu” qualquer valor da sua receita, o que se tivesse ocorrido, realmente seria incompatível com o sistema de apuração pelo lucro presumido. Expõe que o que fez foi não considerar como receita aqueles valores que apenas transitaram em razão do contrato (e que nem transitaram em sua conta), e que em momento algum constituíram sua receita pelo serviço prestado. Ressalta novamente a operação, nos seguintes termos: “...a LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A é a empresa que promove o título de capitalização TELESENA, por ela emitido e comercializado em todo o território nacional. No Estado de Minas Gerais, a HORIZONTE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LOTÉRICOS LTDA (ora recorrente) era a empresa contratada para administrar a distribuição dos referidos títulos, no ano de 2002. Essa distribuição ocorria da seguinte forma: a HORIZONTE recebia os títulos e os entregava à rede lotérica da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, bancas de jornal, drogarias, supermercados, dentre outros estabelecimentos. Feita a venda, aqueles pontos de venda retinham sua comissão e repassavam o produto da venda à HORIZONTE. Esta então retinha a sua comissão (que era sua efetiva remuneração pelo serviço prestado) e depositava o saldo líquido à LIDERANÇA. Enfim: a remuneração da HORIZONTE (ora recorrente) pelo serviço prestado à LIDERANÇA, ou seja, a sua renda, na acepção do art 43, inciso I, do CTN, "assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos", é tão somente o valor da comissão que foi retida pela HORIZONTE. E a remuneração/comissão da recorrente, no exercício de 2002, era aquela prevista nos itens 4.1 e 4.3.1, do "Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular para Distribuição de Títulos de Capitalização Telesena". Elucida a operação, contratualmente prevista nos seguintes termos: “...cada título TELESENA era comercializado, na época, por R$ 5,00 (cinco reais). O lote de 100 (cem) títulos, então, tinha o valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 8 8 Desses R$ 500,00, R$ 45,68 (correspondente a 9% (nove por cento) daqueles R$ 500,00) eram retidos pelos pontos de venda. Ao Contratado (HORIZONTE) restava uma margem líquida de R$ 15,22, correspondente a 3% (três por cento) do valor do lote de títulos. Apenas esses R$ 15,22, Por lote de 100 títulos, é que correspondiam à remuneração da HORIZONTE, e apenas esses é que foram informados na DIPJ) da empresa, no exercício de 2002. O mesmo ocorria quando do resgate dos títulos: conforme previsto no contrato, a LIDERANÇA pagaria R$ 8,12 (oito reais e doze centavos) que é o resultado de R$ 2,32 mais R$ 5,80 por cada lote de 100 títulos. Destes, R$ 5,80 caberiam à HORIZONTE e R$ 2,32 caberiam aos pontos de venda. A HORIZONTE, então, retinha o valor de R$ 0,05 (cinco centavos) por título, e o ponto de venda retinha os R$ 0,03 (três centavos) restantes”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No tocante a base de cálculo do tributo, cumpre esclarecer que de acordo com a legislação de regência, relativamente as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido como regime de tributação, temse que a mesma será aferida pela aplicação do percentual, no caso 32%, sobre a receita bruta da empresa. O conceito de receita bruta é matéria bastante discutida e controvertida tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência. No caso em tela, para se decidir a questão imposta, é necessário esclarecer alguns pontos. A Recorrente é pessoa jurídica encarregada de distribuir títulos de capitalização, e a receita bruta aqui discutida foi adquirida em razão do instrumento particular celebrado com a empresa que emite os referidos títulos. Assim, sua receita é composta por valores oriundos das vendas destes títulos. Evidentemente, a referida operação contempla valores que não pertencem a Recorrente, visto Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 9 9 que ela distribui títulos de terceiros sendo devidamente remunerada para tanto, repassando os valores aventados no referido contrato para a empresa contratante. No caso em tela, a Recorrente deduziu estes valores que efetivamente não lhe pertencem de sua receita bruta, aplicando o percentual previsto sobre o valor resultante deste cálculo. Todavia, ao optar pelo regime de tributação denominado lucro presumido, pelo qual é aplicado um percentual sobre a receita bruta da pessoa jurídica utilizandose o resultado deste cálculo como base de cálculo para a incidência do IRPJ e de seus reflexos, a Recorrente abdicou do direito de realizar deduções em sua receita. Portanto, considerase receita bruta das empresas optantes pelo regime de tributação tudo o que for arrecadado à título de vendas de bens e prestação de serviços, remunerados em operações de conta própria, e os resultados auferidos nas operações de conta alheia, nos termos do disposto no artigo 224 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Destarte, verificase que não há permissivo legal para que a Recorrente deduza valores de sua receita para fins de determinação da base de cálculo, uma vez que optou pelo regime de tributação do lucro presumido, como bem asseverado pela decisão de primeira instância. Neste sentido, descabida as alegações relativas a formação da base de cálculo porquanto a Recorrente fez opção pelo lucro presumido como regime de tributação. Se quisesse realizar deduções em sua base de cálculo deveria optar pela tributação pelo regime do lucro real. Como este órgão julgador administrativo de segunda instância está vinculado ao exame da legalidade do procedimento fiscal e do lançamento de ofício, nesse mérito não há como anular o mesmo, nem reformar a decisão “a quo”, considerando a livre opção legalmente exercida pelo tributação sob o regime de lucro presumido, como reiteradamente evidenciado nestes autos. Caso pretenda discutir tal inconstitucionalidade ante o conceito de receita tributável e lucro, perante a regra matriz de incidência do IR, resta a via judicial para tal intento, eis que os seus argumentos, neste processo, contradizem a própria opção pelo lucro presumido, que traz ínsito, no seu cálculo, a consideração de custos e despesas, não cabendo o contribuinte, nesse regime, aplicar conceito próprio de receita bruta sem violar o preceito estabelecido no art. 31 Lei nº 8.981/95 (matriz legal do art. 224 do RIR/99), que foi bem adotado pela autoridade fiscalizadora em seu trabalho de confrontação entre o apurado e o declarado, para exigir a diferença lançada nos autos. Relativamente a suposta abusividade da multa de ofício aplicada, ante configurar suposta situação abusiva, extorsiva, expropriatória, e de caráter confiscatório em confronto com o artigo 150, IV da Constituição Federal, não há que se falar em reforma ante sua expressa previsão legal, qual seja o artigo 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este Conselho manifestarse sobre sua constitucionalidade, ainda que negando sua aplicação, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 10 10 No tocante a aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário principal, de igual sorte a matéria encontrase sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Razão pela qual não cabe seu afastamento. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10380.006101/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.323
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 453 1 452 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.006101/200703 Recurso nº 020.911 Voluntário Acórdão nº 230201.323 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente VULCABRAS DO NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999. Data da lavratura da NFLD: 22/11/2006. Data da Ciência do NFLD : 24/11/2006. Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrente da solidariedade da empresa contratante com a prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 102/105. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa tomadora não apresentou à fiscalização as cópias das Guias de Recolhimento da Previdência Social quitadas e das respectivas folhas de pagamento correspondentes aos segurados incluídos em notas fiscais/fatura de prestação de serviços executados pela empresa Top Services Serviços Temporários Ltda, CNPJ: 68.455.682/000160, relacionadas no Relatório de Lançamentos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 160/180. A empresa prestadora, por seu turno, ofereceu impugnação a fls. 254/280. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa consubstanciada no Acórdão a fls. 404/414, julgando procedente em parte o lançamento tributário, e retificando o crédito tributário na forma postada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 417/422. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl.425. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 428/446, concentrando seu inconformismo, dentre outros argumentos, na alegação de decadência quinquenal do direito do Fisco de constituir o crédito tributário em julgo. Ao fim, requer a extinção do crédito tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006101/200703 Acórdão n.º 230201.323 S2C3T2 Fl. 454 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11/05/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 22 de novembro de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que a vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD promoveu o lançamento tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro de 1996 a janeiro de 1999, fácil é concluir que se encontram atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006101/200703 Acórdão n.º 230201.323 S2C3T2 Fl. 455 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10410.005137/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1802-000.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 627 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 628 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados em face de START SISTEMA E TECNOLOGIA EM RECURSOS TERCEIRIZÁVEIS LTDA., ora Recorrente, relativos ao Imposto sobre Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fundamentados na presunção de omissão de receitas. A Recorrente apresentou a Impugnação de fls. 540/560 alegando, em síntese, que se dedica ao agenciamento, capacitação, seleção e recrutamento de mão de obra temporária, e que as receitas tidas pela Fiscalização como omitidas seriam, em verdade, valores referentes a salários e encargos sociais e trabalhistas que, recebidos por ela das empresas tomadoras de serviços, seriam imediatamente repassados, apenas transitando em sua contabilidade, sem a efetiva aquisição da disponibilidade sobre tais receitas. Nesse sentido, esclarece a Recorrente que sua única fonte de renda adviria da taxa de agenciamento cobrada pela prestação de seus serviços, e que, portanto, somente a tributação correspondente a esses valores deveria ser por ela recolhida. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife DRJ/REC decidiu, às fls. 606/609, não conhecer da Impugnação, tendo em vista que a Recorrente ajuizou ação judicial concomitante, já tendo inclusive sido deferida a antecipação de tutela para autorizar o não recolhimento dos valores de IRPJ e CSLL incidentes sobre reembolsos, salários e contribuições sociais que lhe são repassados pelas sociedades tomadoras de seus serviços. Vejase abaixo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2005, 2006 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 614/623, trazendo, no mérito, os mesmos argumentos da Impugnação e, no que tange à suposta concomitância, alega haver distinção entre os fundamentos e objetos da Impugnação e da Ação Declaratória. Também não foi requerida a juntada de quaisquer elementos probatórios além daqueles já presentes nos autos. É o relatório, passo a decidir Fl. 644DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 629 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Não tomo conhecimento do Recurso em vista da concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Ordinária nº 2006.80.00.0006447. Apesar das alegações da Recorrente no sentido de que os fundamentos utilizados para basear a Impugnação seriam diversos daqueles expostos na Ação Ordinária, é inegável que ambos os feitos possuem a mesma causa de pedir, qual seja, o afastamento da cobrança de IRPJ e CSLL referente às receitas decorrentes de reembolsos, salários e contribuições sociais que lhe são repassados pelas sociedades tomadoras de seus serviços. Nesse sentido, vejase abaixo excerto da decisão judicial acostada às fls. 398/403, que conferiu a tutela antecipada à Recorrente: Consoante relatado, observase dizer que a demanda girar (sic) em torno das bases de cálculo destes dois tributos: o imposto de renda das pessoas jurídicas e a contribuição social sobre o lucro liquido. A sociedade autora discorda da base de cálculo utilizada pela Fazenda Pública na quantificação dos referidos tributos, visto que o Fisco inclui não só a taxa de agenciamento percebida pela autora, mas também os demais valores que são repassados aos trabalhadores (salários), à União (tributos federais) e ao INSS (encargos sociais). Segundo a autora, tais receitas não constituem renda, tampouco lucro e, por isso, não devem sofrer a incidência do IRPJ nem da CSLL. Em seguida, vejase o pedido feito nos autos da Impugnação: 15. Posto isto, diagnosticada à evidência a fragilidade do lançamento de ofício ora hostilizado, depreca para que seja conhecida e provida a presente Impugnação, para julgar improcedente a imposição fiscal sobre a parcela auferida pela lmpugnante a titulo de repasse de salários e verbas sociais ou previdenciárias dos trabalhadores locados, pois se trata de receita que somente transita na conta caixa da empresa e que, por não a pertencer e não constituir signo de riqueza, não constitui em hipótese alguma agregação patrimonial, sendo desinfluente na contabilização da conta ativo no balanço patrimonial da empresa. Como se vê, a Recorrente busca à obtenção da mesma tutela por meio de dois canais paralelos, quais sejam, a via Administrativa e a via Judicial, o que não é admitido. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 630 5 Nesse sentido, não há qualquer reparo a decisão recorrida que bem reconheceu o impedimento da autoridade administrativa julgadora de apreciar as argüições de mérito aduzidas no presente processo, uma vez a matéria está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, a quem caberá dizer em caráter definitivo o direito aplicável. A matéria está pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF nº 1, divulgada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009), que dispõe, in verbis: “Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por fim, entendo que não descaracteriza a concomitância a alegação da Recorrente de que buscava com a Ação Ordinária a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 43 do Código Tributário Nacional, pois, suposta inconstitucionalidade do referido parágrafo é utilizada pela Recorrente como argumento para a consecução do objetivo principal, qual seja, o afastamento da cobrança dos tributos mencionados. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 646DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
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