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10298655 #
Numero do processo: 10980.909506/2017-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-002.580
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, com vistas a: (i) aguardar a definitividade da decisão a ser proferida no PAF nº 10480.724426/2017-15; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva no PAF nº 10480.724426/2017-15 sobre o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte a manifestar-se, no prazo de 30 dias, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.574, de 24 de outubro de 2023, prolatada no julgamento do processo 10980.900525/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, Aniello Miranda Aufiero Junior, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO

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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, com vistas a: (i) aguardar a definitividade da decisão a ser proferida no PAF nº 10480.724426/2017-15; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva no PAF nº 10480.724426/2017-15 sobre o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte a manifestar-se, no prazo de 30 dias, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.574, de 24 de outubro de 2023, prolatada no julgamento do processo 10980.900525/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, Aniello Miranda Aufiero Junior, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI vinculado a Declarações de Compensação, relativo ao aproveitamento de créditos sobre insumos adquiridos do estabelecimento Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99, deferidos parcialmente em razão das seguintes irregularidades: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; e, b) Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 09 50 6/ 20 17 -0 8 Fl. 919DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.580 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.909506/2017-08 Após as Glosas de Créditos, procedeu-se a reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, que acabou por gerar saldos devedores do imposto, os quais foram lançados no Auto de Infração – PAF nº 10480.724426/2017-15. Regularmente cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas alegações estão resumidas no relatório da decisão de 1ª Instância, que decidiu pelo indeferimento do sobrestamento dos autos em virtude de ausência de previsão legal para tanto e no mérito manteve a glosa com base no que restou decidido nos autos do PAF nº 10480.724426/2017-15. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, o qual reproduz as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: A recorrente foi intimada da decisão de piso em 13/01/2021 (fl.671) e protocolou Recurso Voluntário em 01/02/2021 (fl.672) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como relatado acima, trata-se de pedido de ressarcimento/compensação, relativo ao saldo credor do IPI do 2º Trimestre de 2014, decorrente de aquisições de insumos adquiridos do estabelecimento Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Oportuno ressaltar que todo o trabalho fiscal realizado no presente caso resultou da reconstituição da escrita fiscal realizada pela fiscalização que determinou a lavratura do Auto de Infração controlado pelo processo administrativo nº 10480.724426/2017-15. Como indicado na informação fiscal de fls.143/164, o Auto de Infração abrangeu os trimestres calendários compreendidos entre out/2010 a set/2016, abrangendo, assim, o 2º trimestre de 2014, objeto dos autos. Com efeito, após a reconstrução da escrita decorrente da glosa de créditos de IPI em razão da constatação de aproveitamento de créditos indevidos, resultou em débito exigido no citado Auto de Infração, e consequentemente no indeferimento do crédito pleiteado pelo sujeito passivo no presente processo. Efetivamente, a própria DRJ, quando da prolação do Acórdão neste processo reconhece a relação de prejudicialidade entre o direito creditório pleiteado nos autos e o processo administrativo de lançamento de ofício 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 920DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3302-002.580 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.909506/2017-08 de IPI ao rechaçar a totalidade do direito creditório pretendido, com base no que restou decidido no PAF nº 10480.724426/2017-15. Conforme exposto, constasse que o direito creditório da recorrente está condicionado ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF nº 10480.724426/2017-15. Aquele processo, resultou na reconstituição da escrita fiscal e consequente alteração do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Desta forma, entendo que os processos são decorrentes, nos termos que dispõe o inciso II, do §1º, do artigo 6º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pelo anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, abaixo transcrito: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando- se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Observa-se que o processo nº 10480.724426/2017-15 tramitou pela DRJ 08, na qual a impugnação ao lançamento foi julgada pela 27ª Turma, em sessão datada de 11/08/2020, cuja decisão, consignada no Acórdão nº 108-000.401 rejeitou as alegações da defesa, mantendo o crédito Fl. 921DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3302-002.580 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.909506/2017-08 tributário como lançado, nos termos da ementa transcrita no acórdão recorrido, que abaixo reproduzo: ACÓRDÃO 108-000.401, de 11 de agosto de 2020, da 27ª Turma da DRJ/08 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 Ementa: CRÉDITO DE IPI. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. O estabelecimento que utiliza créditos ilegítimos do IPI responde pelos saldos devedores desse imposto, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal, bem assim pelos juros de mora e multa de ofício. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. DECISÕES DO STF EM SEDE DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS ERGA OMNES. DECRETO Nº 2.346, DE 1997. As decisões judiciais atinentes a casos concretos possuem apenas efeitos inter partes e não vincula os atos da Administração Tributária. Uma decisão emanada do Supremo Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes da lide se observadas as condições descritas pelo Decreto nº 2.346, de 1997. SUPERINTENDÊNCIA DA ZONA FRANCA DE MANAUS (SUFRAMA). SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIAS. A competência da SUFRAMA no âmbito dos benefícios próprios da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental não exclui a competência da Receita Federal em matéria de classificação fiscal de produtos, exercida para formalizar exigência do IPI, decorrente de glosa de créditos indevidos. CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do adquirente os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no seu processo industrial, se o estabelecimento fornecedor, embora se trate de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e apresente projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, deixou de utilizar na sua elaboração matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. INCENTIVOS FISCAIS. DECRETO-LEI Nº 1.435/75. VERIFICAÇÃO DO CORRETO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA LEGAL. A competência para verificar o correto cumprimento da legislação tributária federal, bem como a aplicação dos demais atos administrativos e judiciais na seara tributária é da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e das autoridades tributárias federais nos exercícios de suas funções, inclusive o aproveitamento de créditos no âmbito da escrita fiscal do IPI. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. BENEFÍCIO DA ISENÇÃO PREVISTO NO ART. 81, II, DO RIPI/10. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Seja por falta de previsão legal, seja por falta de autorização judicial, não cabe o direito ao crédito de IPI como se devido fosse relativamente às aquisições de Fl. 922DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3302-002.580 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.909506/2017-08 insumos isentos sob o fundamento do preceito veiculado no art. 81,II, do RIPI/2010, produzidos na ZFM. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS EXPEDIDOS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a que se refere o inciso I do art. 100 do CTN, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos que versem sobre matéria tributária. São atos gerais e bstratos, tais como portarias, instruções, etc, editadas com a finalidade de explicitar preceitos legais ou de instrumentar o cumprimento das obrigações tributárias. É a observância destes tipos de atos normativos que têm o condão de excluir a cobrança dos consectários legais, nos termos de parágrafo único do art. 100 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há que se falar em aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em consulta efetuada no sítio do CARF, verifica-se que o referido processo está aguardando distribuição/sorteio do Recurso Voluntário proposto pela ora recorrente, desde a data de 08/07/2022. Neste cenário, verifica-se que a decisão final a ser proferida no processo administrativo nº 10480.724426/2017-15, repercutirá nestes autos, sendo Fl. 923DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3302-002.580 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.909506/2017-08 necessário aguardar seu desfecho final e apurar o reflexo daquela decisão ao presente caso. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos a Unidade de Origem para: (i) aguardar e a definitividade da decisão processo o PAF nº 10480.724426/2017-15; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva proferida no PAF nº 10480.724426/2017-15 com o presente caso, ELABORAR PARECER CONCLUSIVO; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011 2 ; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, com vistas a: (i) aguardar a definitividade da decisão a ser proferida no PAF nº 10480.724426/2017-15; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva no PAF nº 10480.724426/2017-15 sobre o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte a manifestar-se, no prazo de 30 dias, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator 2 Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei nº 9.784, de 1999, art. 28). Fl. 924DF CARF MF Original

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Numero do processo: 19515.000362/2002-07
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001 SOCIEDADES COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DE REPASSE AOS ASSOCIADOS. O fato de haver industrialização dos produtos entregues à cooperativa pelos cooperados não elide a exclusão da base de cálculo dos repasses feitos pela comercialização destes produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001 POSSIBILIDADE LANÇAMENTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. É obrigatória a constituição do crédito tributário com a exigibilidade suspensa em função de Sentença concessiva de segurança proferida em sede de ação de Mandado de Segurança, ainda que com o objetivo de prevenir a decadência. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Tributos e contribuições não pagos ou pagos fora do prazo de vencimento sujeitam-se à incidência de juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legitima a cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórias calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.361
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001 SOCIEDADES COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DE REPASSE AOS ASSOCIADOS. O fato de haver industrialização dos produtos entregues à cooperativa pelos cooperados não elide a exclusão da base de cálculo dos repasses feitos pela comercialização destes produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001 POSSIBILIDADE LANÇAMENTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. É obrigatória a constituição do crédito tributário com a exigibilidade suspensa em função de Sentença concessiva de segurança proferida em sede de ação de Mandado de Segurança, ainda que com o objetivo de prevenir a decadência. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Tributos e contribuições não pagos ou pagos fora do prazo de vencimento sujeitam-se à incidência de juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legitima a cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórias calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1980; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 845          1 844  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.000362/2002­07  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3403­002.361  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de julho de 2013  Matéria  COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ EXIGIBILIDADE SUSPENSA ­ AÇÃO  JUDICIAL  Recorrentes  COOPERATIVA CENTRAL DE LATICÍNIOS DO ESTADO DE SÃO  PAULO LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001  SOCIEDADES COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO  DE REPASSE AOS ASSOCIADOS.  O fato de haver  industrialização dos produtos entregues à cooperativa pelos  cooperados não elide a exclusão da base de cálculo dos repasses  feitos pela  comercialização destes produtos.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001  POSSIBILIDADE LANÇAMENTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM A  EXIGIBILIDADE SUSPENSA.  É  obrigatória  a  constituição  do  crédito  tributário  com  a  exigibilidade  suspensa em função de Sentença concessiva de segurança proferida em sede  de ação de Mandado de Segurança, ainda que com o objetivo de prevenir a  decadência.  JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.  Tributos  e  contribuições  não  pagos  ou  pagos  fora  do  prazo  de  vencimento  sujeitam­se à incidência de juros de mora.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  É  legitima  a  cobrança  de  débitos  para  com  a  Fazenda  Nacional,  após  o  vencimento,  acrescidos  de  juros  moratórias  calculados  com  base  na  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ Selic.  Recurso de Ofício Negado  Recurso Voluntário Negado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 62 /2 00 2- 07 Fl. 845DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o  presente julgado.  (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern ­ Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antônio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Rosaldo  Trevisan,  Ivan  Allegretti  e  Marcos  Tranchesi  Ortiz.  Ausente,  temporariamente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.  Relatório  Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 14/08/2002, com a  exigibilidade  suspensa  por  força  da  existência  de  ação  judicial  ainda  em  curso,  para  a  constituição de crédito tributário [principal e juros de mora] relacionado à Cofins dos períodos  de apuração compreendidos entre janeiro de 2000 e fevereiro de 2001.  Na referida ação judicial que garante a suspensão da exigibilidade dos débitos  a autuada pede que seja afastada a  incidência da Cofins sobre os seus atos cooperados. Nada  obstante, mesmo em relação a esses, houve uma divergência de entendimento entre o Fisco e a  autuada  quanto  à  possibilidade  de  dedução  da  base  de  cálculo  da  totalidade  dos  valores  repassados aos associados decorrentes da comercialização de produto [leite] por eles entregues  às  cooperativas,  sendo  exatamente  esses  repasses  os  valores  que  ensejaram  o  presente  lançamento.  De seu  lado,  a  fiscalização entendeu que poderiam  ser  retirados  da base de  cálculo  da Cofins  somente  os  valores  apontados  como  originados  de  repasses  efetuados  por  conta  da  comercialização  de  produtos  entregues  pelos  associados  e  não,  como  entendeu  a  autuada,  também  os  valores  apontados  como  originados  de  repasses  efetuados  por  conta  da  venda de produtos entregues pelos associados para industrialização.  Na impugnação, a autuada, inicialmente, invocou a aplicação da regra contida  no  artigo 62 do Decreto nº 70.235, de 1972,  segundo a qual  Durante  a vigência de medida  judicial que determinar a suspensão da cobrança de tributo não será instaurado procedimento  fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar  a ordem de suspensão.  E, por conta, justamente, de medida liminar garantindo­lhe a suspensão  da exigibilidade do crédito, entendeu a impugnante que não poderiam ter sido lançados os juros  de  mora,  porquanto  não  haveria  que  se  falar  em  débitos  vencidos.  Ainda  quanto  aos  juros,  insurgiu­se contra a utilização da taxa Selic como forma de atualização do débito.  Quanto  ao  mérito  do  lançamento,  propriamente  dito,  argumentou  a  impugnante que não há que se fazer distinção entre os produtos entregues para industrialização  daqueles  entregues  para  comercialização,  visto  que  após  a  etapa  de  industrialização,  os  produtos  resultantes  desse  processo  são,  afinal,  também  comercializados.  Alega  que  se  o  legislador, no art. 15,  I da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, não vedou a dedução da  Fl. 846DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000362/2002­07  Acórdão n.º 3403­002.361  S3­C4T3  Fl. 846          3 base  de  cálculo  dos  valores  relacionados  a  produtos  entregues  pelos  associados  que  sofram  processo de industrialização antes da comercialização, não seria dado ao intérprete fazê­lo.  Pediu, ao final, a realização de perícia para que se comprove que os produtos  entregues à cooperativa por seus associados também são alvo de posterior comercialização.  A 6  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo  SPOI,  por  meio  do  Acórdão  nº  2.236,  de  27/11/2002,  afastou  a  argumentação  da  autuada  relacionada  ao  artigo  62  do  PAF  e  aos  juros  de  mora,  reconhecendo,  entretanto,  como  procedente o pleito no sentido de que fossem retirados da base de cálculo da Cofins os valores  repassados  aos  associados  decorrentes  da  comercialização  de  produtos  por  eles  entregues  à  cooperativa,  mas  que  sofreram  industrialização  por  parte  dessa.  Neste  caso,  recorreu  ao  conceito de industrialização dado pelo artigo 4  do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998   RIPI    para admitir que a transformação do leite em derivados e o seu acondicionamento para venda,  incluindo embalagem, rótulo etc., estariam abrangidos por aquele conceito.  Escorou­se ainda o órgão julgador de primeira instância nos incisos IV a IX  do  art.  3   da  IN  SRF  nº  145,  de  1999,  bem  como  nas  orientações  de  preenchimento  da  Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica   DIPJ, onde se verificaria  que  a  interpretação  dada  pela SRF  é  de  que  as  exclusões  previstas  nos  referidos  incisos  são  permitidas às cooperativas de produção.  O Presidente da 6ª Turma da DRJ/SP1 recorreu de ofício da decisão, que foi  assim ementada:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social – Cofins  Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2001  Ementa:  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. COMPATIBILIDADE.  Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito  tributário, mencionada no art.  62  do Decreto  70.235/72,  faz­se  necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial  suspensivo  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  não  obsta  o  lançamento.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Procede  a  cobrança  de  encargos  de  juros  com  base  na  Taxa  SELIC, porque se encontra amparada em lei,  cuja  legitimidade  não pode ser aferida na esfera administrativa.  COOPERATIVA  ­  POSSIBILIDADE  DE'\  EXCLUSÃO  DE  REPASSES AOS ASSOCIADOS  A  possibilidade  de  exclusão  dos  valores  repassados  aos  associados, prevista no art. 15,1, da MP n° 1.858­ 9, de 1999, e  reedições,  e  no  art.  3o  ,  IV,  da  IN  SRF  n°  145,  de  1999,  está  condicionada  à  efetiva  comercialização  dos  produtos  por  eles  entregues.  Não  está  vedada  a  exclusão  da  base  de  cálculo  da  COFINS dos valores repassados aos associados decorrentes da  Fl. 847DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4 comercialização  de  produtos  por  eles  entregues  a  cooperativa,  mas que sofreram industrialização por parte da cooperativa.  Lançamento Procedente em Parte  No Recurso Voluntário a autuada passou a reclamar pela aplicação retroativa  aos  fatos  geradores  do  lançamento  das  novas  exclusões  da  base  de  cálculo  inseridas  no  ordenamento jurídico por meio do artigo 1 , §§ 1 , 2° e 3° da Lei nº 10.676, de 20031, e do art.  17,  parágrafo  único,  da Lei  nº  10.684,  de  20032.  Para  tanto,  elaborou  quadro  demonstrativo  apontando  uma  considerável  redução  no  valor  da  Cofins  a  ser  exigida,  isto  é,  dos  R$  7.379.794,85  definidos  pela DRJ,  a  Cofins  passaria  a R$  1.381.516,95. No mais,  repetiu  os  termos da impugnação quanto ao descumprimento do artigo 62 do PAF e quanto à exigência  dos juros de mora.  A 4  Câmara do então denominado Segundo Conselho de Contribuintes, por  meio  da  Resolução  nº  204­00.356,  de  25/01/2007,  admitiu  a  existência  de  modificação  superveniente na legislação com efeitos retroativos e determinou a realização de diligência no  sentido  de  que,  na  base  de  cálculo  da  Cofins,  fossem  consideradas  as  possíveis  exclusões  decorrentes da aplicação dos mencionados dispositivos das leis n s. 10.676 e 10.684, ambas de  2003.  A  diligência  referida  foi  concluída  em  21/03/2011  nos  seguintes  termos,  verbis  [fls.  647/658]:  IV DA CONCLUSÃO:  A  Cooperativa  Central  de  Laticínios  do  Estado  de  São  Paulo  quer  se  beneficiar do previsto no art. 15 inciso I da MP 1991­12 (vide item 2 II Legislação)  e  no  art.  17 da Lei  nº10.684,  de 30  de maio  de 2003  (vide  item 1  II Legislação),  excluindo de  sua base de cálculo da Cofins os custos diretos e  indiretos aplicados  sobre a comercialização da matéria prima (leite) adquirido de seus associados (vide  item 5 opção 1 do item III Interpretação da legislação acima), mas não retém e não  recolhe a Cofins devida por seus cooperados (vide item 5 opção 2 III Interpretação  da legislação acima), que se refere aos casos de industrialização.  Enfim,  a  empresa,  quer  ter  os  dois  benefícios,  tanto  o  da  opção  1  (deduzir  custos) como o da opção 2 (não reter e não recolher a Cofins dos seus associados).  Entendo que a previsão legal concedendo o benefício da exclusão da base de  cálculo da Cofins quando da comercialização de produtos está atrelada a retenção e  recolhimento  da  Cofins  devida  dos  associados.  No  ato  cooperado,  o  produtor  agropecuário entrega a sua produção à cooperativa, que efetua a sua comercialização  e somente aí, repassa ao associado o valor da venda dos produtos excluídos os custos  realizados com a comercialização e transporte, sendo ainda retido, deste resultado, o                                                              1  Art.  1º  As  sociedades  cooperativas  também  poderão  excluir  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto  de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição  do Fundo de Reserva  e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional  e Social,  previstos  no  art.  28  da Lei nº  5.764, de 16 de dezembro de 1971.  [...]  2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, e no  art.  1o  da  Medida  Provisória  no  101,  de  30  de  dezembro  de  2002,  as  sociedades  cooperativas  de  produção  agropecuária  e  de  eletrificação  rural  poderão  excluir  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  Programa  de  Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público ­ PIS/PASEP e da Contribuição Social para o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  os  custos  agregados  ao  produto  agropecuário  dos  associados,  quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus  associados.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  alcança  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  da  vigência  da Medida  Provisória no 1.858­10, de 26 de outubro de 1999.  Fl. 848DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000362/2002­07  Acórdão n.º 3403­002.361  S3­C4T3  Fl. 847          5 valor  da COFINS  devido  pelo  associado,  conforme  art.  7o da  IN  145/99  e  art.  50  inciso II da IN 247/2002 e recolhida pela sociedade cooperativa.  Tendo  em  vista  que  a  empresa  não  reteve  e  recolheu  a  Cofins  quando  do  repasse  de  valores  a  seus  associados,  conforme  preconiza  o  art.  66  da  Lei  nº  9.430/66, art. 16 da MP nº 1991­12 e art. 7° da IN nº 145/99, não poderia abater os  repasses aos associados quando da industrialização, custos e despesas diretos (leite  adquirido de seus cooperados) e custos indiretos agregados.  Desta  forma  a  exclusão  dos  valores  dos  repasses  aos  associados  e  custos  diretos e indiretos quando da industrialização está incorreta.  Seguindo o art. 79 da Lei n  5764, de 16 de dezembro de 1971 e a sentença do  processo Mandado de Segurança n  00445942000.6100, a  fiscalização entende que  as vendas dos produtos derivados do leite nos moldes aos praticados pela fiscalizada  NÃO CARACTERIZAM ATO COOPERADO,  portanto  sem  direito  às  exclusões  relativas  aos  custos  de  matéria  prima,  custos  diretos  e  indiretos  e  das  sobras  e  também  as  exclusões  relativas  aos  repasses  de  valores  aos  associados  quando  da  industrialização.  Desta forma, os valores totais da Cofins, primitivamente lançados no auto de  infração,  estão  corretos  e  não  devem  ter  qualquer  exclusão,  podendo  ser  encaminhado à DERAT para a sua definitiva cobrança.   Cientificada  de  seu  teor  a  autuada  contra­argumentou,  e  invocando  o  entendimento  da  DRJ,  que  a  industrialização  é  mera  forma  de  aprimorar  o  produto  para  comercialização  futura,  essa última sempre existente , de forma que não poderia o  intérprete  distinguir as vendas precedidas de industrialização das meras revendas. Insurgiu­se também a  recorrente contra o argumento da fiscalização posto na conclusão da diligência, de que haveria  vínculo entre a caracterização da cooperativa como fonte retentora da Cofins   art. 16 da MP nº  1.858­35,  e  a  circunstância  de  ser  ou  não  industrializadora. Alega,  em primeiro  lugar,  que  a  Cooperativa Central de Laticínios não se configura em uma cooperativa de venda em comum,  mas  sim  em  cooperativa  de  produção,  consoante,  aliás,  ressalta,  a  própria  DRJ  assim  o  entendera. Essa seria a razão, a seu ver, de ela não se submeter à retenção a que alude o artigo  66 da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, em face dos termos da decisão judicial   que afastou  a incidência da Cofins para os atos cooperados   não poderia se falar na retenção da Cofins nos  repasses a cooperativas associadas.  No  retorno  ao  CARF,  o  processo  foi  sorteado  ao  Conselheiro  Odassi  Guerzoni  Filho  da  1ª  TO  desta  4ª  Câmara,  que  entendeu  que  a  diligência  requerida  pela  4ª  Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes não foi atendida, propondo que o recurso fosse  convertido  em diligência novamente. A Resolução nº 3401­000.452, de 24 de  abril  de 2012,  fls. 673 a 681, à unanimidade dos votos do Colegiado, foi editada com a determinação expressa  para que a Unidade de origem informasse, exclusivamente, qual o novo valor da Cofins devido  nos períodos de apuração de janeiro de 2000 a fevereiro de 2001, após terem sido consideradas  as exclusões da base de cálculo permitidas pelo artigo 17 da Lei nº 10.684, de 2003, e levando­ se em conta os valores constantes da coluna  Mantido , que consta do voto da DRJ à fl. 220,  sem levar em consideração quaisquer outros ajustes efetuados na base de cálculo pela autuada  que não os decorrentes das exclusões acima referidas.  No Termo de Constatação Fiscal de fls. 835 e 836­e), a DEFIS/SP deu conta  de  que  intimou  em  05/11/11  (ciência  em  09/11/12)  e  reintimou  em  05/12/12  (ciência  em  Fl. 849DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     6 06/12/12)  a  autuada  a  detalhar  os  valores  dos  custos  das  vendas  relacionados  na  planilha  apresentada pela empresa em razão do art. 17 da Lei nº 10.684, 2003 (custo das vendas menos  repasses aos associados), abaixo transcrita:  PERÍODO DE APURAÇÃO  CUSTO DAS VENDAS (R$)  JAN/00  11.466.760,97  FEV/00  9.262.880,01  MAR/00  9.533.339,69  AB R/00  7.456.920,91  MAI/00  8.546.773,52  JUN/00  7.635.176,58  JUL/00  5.283.588,17  AGO/00  5.647.415,27  SET/00  6.280.421,02  OUT/00  10.551.301,66  NOV/00  10.733.666,46  DEZ/00  10.377.061,26  JAN/01  6.341.690,28  FEV/01  3.560.902,08  Tendo em vista que o contribuinte não apresentou os documentos solicitados,  não respondeu ou prestou quaisquer esclarecimentos aos Termos de Intimação lavrados durante  o procedimento  fiscal,  e considerando que para verificar os custos das vendas é necessário a  sua comprovação por parte do contribuinte, a Autoridade Diligenciante concluiu que os valores  originais  abaixo  relacionados,  remanescentes  da  decisão  de  primeira  instância,  deveriam  ser  considerados como valores finais.  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  VALOR DA  COFINS  MANTIDO (R$)  JAN/00  722.125,61  FEV/00  593.733,92  MAR/00  620.189,85  ABR/00  522.075,80  MAI/00  588.950,69  JUN/00  539.750,24  JUL/00  456.519,86  AGO/00  492.399,85  SET/00  523.398,57  OUT/00  669.144,70  NOV/00  643.616,94  DEZ/00  410.417,40  JAN/01  332.096,14  FEV/01  265.375,28  Abriu­se  o  prazo  regulamentar  para  o  que  o  interessado  se  manifestasse  a  respeito das conclusões da DEFIS/SP, sem que nada fosse apresentado.  Em  razão  da  aposentadoria  do  Conselheiro  Odassi  Guerzoni  Filho,  em  12/06/2013, o processo foi redistribuído, mediante sorteio realizado em 27/06/2013.  É o Relatório.  Voto             Fl. 850DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000362/2002­07  Acórdão n.º 3403­002.361  S3­C4T3  Fl. 848          7 Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Admissibilidade  A decisão recorrida julgou o  lançamento de ofício parcialmente procedente,  para excluir os valores lançados relativamente aos fatos geradores demonstrados abaixo:  PERÍODO DE APURAÇÃO  EXIGIDO (R$)  MANTIDO (R$)  EXONERADO (R$)  01/2000  1.082.731,66  722.125,61  360.606,05  02/2000  908.127,00  593.733,92  314.393,08  03/2000  939.122,53  620.189,85  318.932,68  04/2000  825.474,71  522.075,80  303.398,91  05/2000  904.985,15  588.950,69  316.034,46  06/2000  848.096,37  539.750,24  308.346,13  07/2000  780.719,48  456.519,86  324.199,62  08/2000  857.140,59  492.399,85  364.740,74  09/2000  933.677,90  523.398,57  410.279,33  10/2000  1.064.909,80  669.144,70  395.765,10  11/2000  1.009.784,03  643.616,94  366.167,09  12/2000  744.108,10  410.417,40  333.690,70  01/2001  605.006,63  332.096,14  272.910,49  02/2001  507.430,51  265.375,28  242.055,23  Total  12.011.314,46  7.379.794,85  4.631.519,61  Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em  valor  superior  ao  fixado  pela  Portaria  MF  nº  03,  de  2008,  conheço  do  recurso  de  ofício  impetrado pelo presidente da 6ª Turma da DRJ/SP1.  Presentes  os  pressupostos  recursais,  a  petição  de  fls.  243  a  317 merece  ser  conhecida  como  recurso voluntário  contra o Acórdão DRJ­SP1­6ª Turma nº 2.236, de 27 de  novembro de 2002, fls. 207 a 221.  Recurso de ofício  CONTORNOS DA LIDE  Trata­se de recurso de oficio interposto pela autoridade julgadora de primeira  instância em virtude da exoneração de parte do lançamento, por haver entendido que o fato de  a  cooperativa  realizar  a  industrialização  da  produção  do  cooperado  não  impede  que  seja  deduzido  da  base  de  cálculo  da  Cofins  o  repasse  feito  ao  cooperado  decorrente  da  comercialização de seus produtos (ato cooperativo).  MÉRITO  Os arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, já transcritos na  decisão  recorrida, alteraram o conceito de  faturamento, ampliando o campo de  incidência do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  e,  a  partir  de  10  de  fevereiro  de  1999,  a  base  de  cálculo  dessas  contribuições  passou  a  ser  considerada  como  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, sendo, no entanto, permitidas algumas exclusões. Com a edição da Medida Provisória  nº 1.858­7, de 29 de julho de 1999, foram promovidas novas alterações sobre as normas que  Fl. 851DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     8 tratam  das  contribuições  sociais  incidentes  sobre  as  cooperativas,  principalmente,  no  que  se  refere às exclusões da base de cálculo destas contribuições, consoante o art. 15 da atual Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001. As disposições sobre as contribuições para o  PIS/Pasep  e  Cofins  devidas  pelas  sociedades  cooperativas  em  geral,  introduzidas  pela  legislação  retro­citada, acham­se consolidadas na  Instrução Normativa SRF nº 145, de 09 de  dezembro de 1999.  Verifica­se,  da  análise  das  disposições  citadas,  que  as  sociedades  cooperativas devem recolher as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins sobre a base de  cálculo aplicável às demais pessoas jurídicas, com as exclusões previstas no § 2° do art. 3° da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  e  aquelas  dispostas  no  art.  15  da Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  2001, também constantes da IN­SRF nº 145, de 1999. Cabe ressaltar que somente as exclusões  previstas nos  incisos  I,  II,  III  do  art.  3° da  IN­SRF nº 145, de 1999,  alcançam as  atividades  cooperativas em geral, tendo em vista que as exclusões dos incisos IV, VI, VII, VIII e IX são  atividades  típicas  das  cooperativas  de  produção  agropecuária,  e  a  do  inciso V,  não  há  como  aplicá­la às demais cooperativas, uma vez que somente as sociedades cooperativas de produção  agropecuárias  que  comercializam  mercadorias  e  bens,  de  uso  exclusivo  na  atividade  rural,  poderão excluí­las.  As disposições estabelecidas pela IN­SRF nº 145, de 1999, vieram esclarecer  que a interpretação a ser dada para "receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e  industrialização de produto do associado" é restritiva. Isso significa dizer que o valor cobrado  do associado a titulo de prestações de serviços de melhorias do produto a ser comercializado  poderá  ser  excluído da base de cálculo das  contribuições, na data em que  for emitida a nota  fiscal pela cooperativa de produção agropecuária. É imperativo, também, analisar a extensão da  exclusão  "receita  de  venda  de  bens  e  mercadorias  a  associados".  O  dispositivo  é  claro  ao  permitir  às  sociedades  cooperativas  de  produção  excluir  o  valor  da  receita  de  venda  desses  produtos aos associados, uma vez que estes são empregados nas atividades produtivas.  As sociedades cooperativas de produtores rurais são aquelas que, organizada  na forma da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, constituem­se em pessoa jurídica com o  objetivo de industrializar ou de comercializar ou de comercializar e  industrializar a produção  rural dos cooperados ou de terceiros. Segundo Pedro Einstein dos Santos Anceles3:  "Há  duas  classes  de  cooperativas  de  produção:  agrícola  e  industrial.  Ambas  se  organizam  com  espírito  de  cooperação  entre produtores agrícolas ou criadores, auxiliando­os por todos  os  meios  ao  alcance  dos  recursos  obtidos  pela  organização.  Quando  a  proteção  se  orienta  no  sentido  de  aproveitar  os  produtos agrícolas para transformá­los em novos produtos, pela  industrialização, dá­se­lhe denominação particular de industrial  Mas,  se  fica,  exclusivamente,  na  proteção  à  agricultura  ou  à  criação, sem tendências industriais, será meramente agrícola.  A cooperativa industrial pode ser organizada _fora dos domínios  agrícolas, mas na sua constituição somente podem ser admitidos  profissionais  ou  operários  interessados  diretamente  na  respectiva indústria, que vai ser o objeto da sociedade. Assim, a  cooperativa  de  produção  pode  realizar,  além  da  atividade  principal,  outras  complementares  para  bem  atender  a  seus                                                              3  Anais  do  III  Congresso  Nacional  de  Estudos  Tributários  do  IBET.  11ª  Sessão  de  Investigação  e  Debate:Tributação das Cooperativas  “PIS/Pasep e COFINS nas Sociedades Cooperativas” São Paulo: dezembro  de 2006, p. 16.  Fl. 852DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000362/2002­07  Acórdão n.º 3403­002.361  S3­C4T3  Fl. 849          9 associados,  tais  como  fornecimento de produtos  e prestação de  serviços, etc."  No  caso  em  concreto,  verifica­se  que  a  contribuinte  enquadra­se,  perfeitamente,  na  condição  de  cooperativa  de  produtores  rurais  industriais,  uma  vez  que  industrializa e comercializa a produção de leite de seus cooperados. Para que se possa fazer a  exclusão  prevista  no  inciso  IV  do  art.  3°  da  IN­SRF  nº  145,  de  1999,  é  preciso  que  haja  a  comercialização  dos  produtos  fornecidos  pelos  cooperados.  No  caso  de  adiantamentos  efetuados aos cooperados, de acordo com o disposto no § 1° do citado artigo, estes só podem  ser excluídos quando ocorrer à efetiva comercialização do produto.  É  de  se  ressaltar  que  a  lei  não  determinou  que,  no  caso  de  haver  industrialização do produto, por parte da cooperativa, não se poderia efetuar a exclusão da base  de cálculo da contribuição dos  repasses  feitos aos associados decorrentes da comercialização  de seus produtos. A condição necessária para que se efetue a citada exclusão, de acordo com a  lei de regência da matéria, é que ocorra, simplesmente, a comercialização, tal como decidiu a  instância a quo.  É preciso lembrar que o que a lei não limitou não cabe ao Fisco fazê­lo.  Nego provimento ao recurso de oficio.  Recurso voluntário  LIMITES DA LIDE  Relembrando,  a  autuação  deu­se  apenas  para  fins  de prevenir­se  a Fazenda  Nacional  contra  os  efeitos  da  decadência,  haja  vista  a  existência  de  uma  ação  judicial  da  autuada  buscando  afastar  a  obrigatoriedade  do  recolhimento  da  Cofins  sobre  seus  autos  cooperados a partir dos períodos de apuração de janeiro de 2000.  Ocorreu  que,  da  análise  que  fez  dos  quadros  demonstrativos  da  base  de  cálculo  oferecidos  pela  autuada,  a  Fiscalização  procedeu  à  glosa  da  exclusão  dos  valores  repassados  aos  associados,  decorrentes  da  industrialização  de  produto  por  eles  entregues  à  cooperativa   ou  seja,  admitiu  somente  a  exclusão  dos  valores  repassados  aos  associados,  decorrentes da comercialização de produto por eles entregues. Então, como bem apontado pela  instância de piso, as matérias deste processo  e a que se discute no processo  judicial não são  concomitantes.  De lembrar também que a recorrente, quando da apresentação de seu Recurso  Voluntário,  suscitou  a  ocorrência  de  fato  novo,  por  força de  legislação  superveniente  e  com  aplicação retroativa à época dos fatos, e pediu que novas exclusões fossem levadas em conta  para fins de determinação da base de cálculo da Cofins. Registre­se o seu conformismo com os  termos da decisão da DRJ, no que toca à apuração da base de cálculo, continuando a questionar  apenas o procedimento do  fisco  como um  todo  [lavratura de auto de  infração diante de uma  decisão liminar favorável ao sujeito passivo] e à exigência relacionada aos juros de mora.  Essas  foram, portanto,  as matérias  agitadas pela  recorrente  em seu Recurso  Voluntário,  que,  registre­se,  não  contestou  o  Acórdão  da  DRJ  quanto  ao  montante  das  Fl. 853DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     10 exonerações, isto é, conformou­se com o valor da Cofins exonerado e que constou do quadro  acima reproduzido.  Todavia, após ser intimada pela Fiscalização com a finalidade de atender aos  termos da Resolução para, verbis,  Apresentar (conforme arts. 1  da Lei nº 10.676, de 2003, e  17  da  Lei  nº  10.684,  de  2003)  planilha  discriminando,  item  por  item,  os  valores  dos  custos  agregados ao produto agropecuário dos associados, decorrentes da comercialização de produto  por  eles  entregue  à  cooperativa,  indicando  ainda  a  devida  escrituração  nos  livros  Diário  e  Razão.  [fl. 373], a autuada foi mais além e, julgando­se no direito de refazer novamente sua  base de cálculo, isto é, não se conformando aos limites implícitos da Resolução, mas levando  em  conta  acertos   nas  rubricas  Descontos  s/  Vendas  de  Mercadorias  e  Serviços,  complementos   nos  valores  dos  repasses  por  conta  da  aquisição  de  leite   valores  considerados  indevidamente  como  próprios   recálculo   no  valor  das  receitas  financeiras  e  acerto   na  base  de  cálculo  no  valor  faturado  e  devolvido,  apresentou  dois  novos  demonstrativos de sua base de cálculo para os períodos de apuração do auto de infração.  No primeiro deles,  tomou como ponto de partida aqueles valores da Cofins  mantidos pela DRJ [vide tabela acima] e procedendo aos tais  acertos  a que me referi acima,  passou  a  apresentar  um  montante  total  de  Cofins  devida  no  período  de  janeiro  de  2000  a  fevereiro  de  2001,  não  mais  naqueles  R$  7.379.794,85,  mas,  sim,  R$  7.296.471,78.  Vide  detalhes  à  fl.  376.  No  segundo  demonstrativo,  partindo  da  base  de  cálculo  já  ajustada  [conforme acima explicado], procedeu às exclusões ditadas pelo artigo 17 da Lei nº 10.684, de  2003, e que consistiram na  retirada da base de cálculo para  fins de  incidência da Cofins dos  valores  dos  custos  agregados  ao  produto  agropecuário  dos  associados   e  das  despesas  comerciais diretas e indiretas. Com isso, o valor total da Cofins no período, que era tido como  R$ 7.296.471,78, passou a ser, segundo a recorrente, da ordem de R$ 1.381.516,96, devendo  ser ressaltado que para os meses de dezembro de 2000 e janeiro de 2001, encontrou ela valores  negativos   na  base  de  cálculo.  É  o  que  se  depreende  da  análise  do  documento  à  fl.  378,  posteriormente pormenorizado pela recorrente por meio dos demonstrativos de fls. 418 a 420.  Por  fim,  encontra­se  à  fl.  645  um  documento  aparentemente  elaborado  pela  recorrente  que  parece ser a última versão das bases de cálculos por ela defendidas e que difere um pouco da  penúltima versão, mencionada acima. Nesta, tem­se que o montante da Cofins para os períodos  de apuração compreendidos entre janeiro de 2000 e fevereiro de 2001 passou a ser, por conta  de  uma  nova  série  de  ajustes,  não  mais  daqueles  R$  1.381.516,96,  mas,  sim,  de  R$  1.645.200,96,  levando em conta ainda que no mês de dezembro de 2000 nada haveria de ser  recolhido.  Vê­se,  portanto,  que,  além  das  exclusões  da  base  de  cálculo  ditadas  pelo  artigo 17 da Lei nº 10.684, de 2003, parece que a recorrente acabou por postular também que  fossem considerados alguns  acertos  em relação àquela primeira base de cálculo informada ao  fisco no início da ação fiscal. Digo  parece  porquanto não consegui ter a certeza quanto a qual  dos demonstrativos deseja a recorrente prevaleça como correto: se o de fl. 378 ou se o de fl.  645.  Uma  última  observação  é  a  de  que,  não  obstante  constasse  de  seu  recurso  voluntário, quando da elaboração de sua nova base de cálculo, a  recorrente não  fez qualquer  menção às exclusões constantes do disposto no artigo 1  da Lei nº 10.676, de 2003.  O que deve ficar claro neste momento é que a lide gira apenas em torno da  correta  formação  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  após  os  ajustes  procedidos  pela  DRJ,  e  considerando­se os efeitos das exclusões permitidas pelo artigo 17 da Lei nº 10.684, de 2003,  Fl. 854DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000362/2002­07  Acórdão n.º 3403­002.361  S3­C4T3  Fl. 850          11 de sorte que não pode a recorrente pugnar, nesta fase processual, por novas alterações na base  de cálculo [pela preclusão].  MÉRITO  Acerca da impossibilidade de o Fisco efetuar lançamento de crédito tributário  com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar obtida em sede de mandado de segurança,  é  matéria  pacífica,  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  não  impede  sua  constituição por meio do lançamento, que visa, nesse caso, a salvaguardar a Fazenda Nacional  dos  efeitos  da  decadência,  conforme  orientação  expressa  no  Parecer  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional nº 742/88, publicado no DOU de 14/10/88:  Não constituído o crédito tributário, haverá a autoridade  fiscal  que  preservar  a  obrigação  tributária  do  efeito  decadencial,  incumbindo­lhe,  como  dever  de  diligência  no  trato  da  coisa  pública,  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento.  Essa  medida  se  impõe,  pela  falta  de  outro  meio  que  possa  evitar  a  decadência do direito da Fazenda Nacional.  Importante  ressaltar  que  a  constituição  do  crédito  tributário,  com  a  exigibilidade  suspensa  visa  a  prevenir  a  decadência,  e  não  deve  ser  confundida  com  algum  procedimento  fiscal  visando  à  efetiva  cobrança  do  referido  crédito  tributário.  Ademais,  a  atividade  obrigatória  e  vinculada  da  autoridade  fiscal  ­  determinada  pelo  art.  142  do CTN  ­  obriga ao lançamento, mesmo de matérias já submetidas à via judicial, restando protegidos os  direitos  do  contribuinte  pela  suspensão  dos  procedimentos  de  exigência  concreta  do  crédito  tributário até a decisão judicial final, ou, independentemente desta, pela existência de alguma  das outras causas elencadas no art. 151 do CTN.  De  sublinhar,  a  decisão  do  pedido  de  liminar  na  Medida  Cautelar  nº  2000.61.00007007­6 garante o direito do Fisco de efetuar o lançamento com o fim de resguardar­ se da decadência. Confira­se (fl. 82):  Apenas  para  evitar  eventual  decadência  poderá  a  autoridade  administrativa proceder ao lançamento.  Quanto à aplicação dos juros de mora, observa­se que sua exigência decorre  de lei e da indenização da mora. Os juros de mora são calculados sobre o tributo não pago, a  título  de  ressarcir  o  Estado  pela  não  disponibilidade  do  dinheiro,  representado  pelo  crédito  tributário.  No  Código  Tributário  Nacional,  há  apenas  duas  hipóteses  em  que  a  fluência  dos  juros de mora fica excluída: na pendência de consulta formulada pelo interessado (art. 161, §  2°)  e  quando  a  falta  de  pagamento  de  tributo  é  devida  à  observância,  pelo  contribuinte,  de  normas  complementares  da  legislação  tributária  (art.  100,  parágrafo  único). Nos  dois  casos,  saliente­se, a causa da mora é imputável à autoridade administrativa, daí porque inexigível.  Em  rigor,  os  juros  de  mora,  juros  legais  que  se  deve  ex  vi  legis,  visam  a  reparar  o  dano  pelo  atraso  no  adimplemento  da  obrigação,  variando  em  função  do  tempo  transcorrido  entre  a  data  do  vencimento  do  crédito  e  a  data  da  sua  extinção. A  fluência  dos  juros de mora, portanto, deve ser a partir da data do vencimento da obrigação tributária.   Fl. 855DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     12 A  exigência  de  juros  de  mora,  em  acréscimo  aos  créditos  tributários  não  saldados  no  vencimento,  é  regulada  justamente  pelo  artigo  161  da  Lei  n°  5.172,  de  1966  (Código Tributário Nacional), com status de lei complementar, que assim dispõe:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da falta , sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  Vale  a  pena  transcrever  os  ensinamentos  do  prof.  Leon  Frejda  Szklarouwslcy4:  na aplicação dos juros de mora mister se faz lembrar a distinção  entre  vencimento  da  divida  e  exigibilidade  da  mesma.  O  vencimento  do  crédito  tributário  tem  seu  momento  certo  e  dele  se  deve  os  juros  de  mora.  Há  hipóteses  em  que  o  crédito  tributário,  mesmo  vencido,  apresenta­se  ainda  inexigível  (v.g.  casos  de  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário),  que  não  tem  o  condão  de  suprimir  o  pagamento  do  crédito  tributário  com  os  seus  acréscimos  legais, inclusive com o valor dos juros de mora. Em outras  palavras, os juros de mora são devidos inclusive durante o  período em que a respectiva cobrança (exigibilidade) esteja  suspensa.  Ademais,  na  forma  da  legislação  em  vigor,  os  juros  de  mora  são  devidos  inclusive  durante  o  período  em  que  a  respectiva  cobrança  estiver  suspensa  por  decisão  administrativa ou  judicial  (art.  5° do Decreto­Lei nº 1.736, de 1979) e,  portanto,  os  juros de  mora são sempre devidos desde o vencimento da obrigação.  No  que  tange  à  taxa  utilizada  como  índice  dos  juros  moratórios,  é  de  se  salientar  que  em  devaneio  algum  pode  ser  acolhida  tese  qualquer  que  pretenda  ler  no  dispositivo legal citado pela contribuinte, qual seja, o art. 161, §1°, do CTN, a determinação de  que os juros tributários fixados devidamente em lei específica jamais podem ultrapassar a taxa  de um por cento ao mês. Bem destaca, em sua oração subordinada adverbial condicional,  tal  norma  que  esta  será  a  taxa  "se  a  lei  não  dispuser  de  modo  diverso  (sic)"  .  Em  nenhuma,  absolutamente nenhuma, proposição normativa positivada em vigor há qualquer coisa de onde  se possa extrair tal inferência. Ela é, simplesmente, tirada ex nihilo, ou seja, da própria mente  de  quem  assim  afirma,  e  de  nada  mais.  E,  devido  a  justamente  isso,  por  mais  brilhante  a  respeitável que seja a mente ou, rectius, o pensador, constitui mero subjetivismo. Como se trata  de subjetivismo, configura algo totalmente arbitrário. Portanto, nada há de objetivo, no Direito  vigorante, que tenha erigido tal vedação que possa vincular a observância por parte de outrem,  ora a recorrente, pois ninguém está obrigado a acatar arbitrariedades alheias.  Psitacismos da recorrente à parte,  a matéria  já  tem  tratamento definitivo na  esfera  administrativa,  plasmado  na  Súmula  nº  4,  (DOU  de  22/12/2009),  que  assevera  ser  cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  do Brasil  com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos federais.                                                              4 apud Bernardo Ribeiro de Moraes, Compêndio de Direito Tributário, 3ª Edição, Forense, pág. 583.  Fl. 856DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000362/2002­07  Acórdão n.º 3403­002.361  S3­C4T3  Fl. 851          13 Por fim, no que pertine ao pleito recursal de admissão das exclusões da base  de cálculo permitidas pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, o mesmo esvaziou­se em razão da  falta de atendimento à intimação para a detalhar os valores dos custos das vendas, de sorte que  quedam definitivos os valores do lançamento remanescentes da decisão recorrida.  Nego provimento ao recurso voluntário.  Conclusão  Com  essas  considerações,  nego  provimento  aos  recursos  de  ofício  e  voluntario.  Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013  Alexandre Kern                                Fl. 857DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1021.11325.LG0B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 25/07/2013 10:07:12. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 25/07/2013. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 26/07/2013 e ALEXANDRE KERN em 25/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1021.11325.LG0B Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D5C02C980090AFD8E022436057AD07D76ECD2B54 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.000362/2002-07. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 10935.004515/2004-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a .30/06/2004 RESSARCIMENTO REFERENTE A PRODUTOS ADQUIRIDOS À ALÍQUOTA ZERO, O ressarcimento reclamado por aquisição de produtos tributados à alíquota zero já está sumulado por este Segundo Conselho de Contribuintes, Veja-se: "SÚMULA N" 10, A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI, CORREÇÃO MONETÁRIA SOBRE TAXA SELIC, A Correção Monetária é apenas acessório do principal, se, in casu, não cabe o Ressarcimento, não há Correção Monetária sobre a Taxa Selic, Recurso Negado.
Numero da decisão: 3401-000.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

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Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, n termos do, oto do Rei tor, ,-",;,13/1#7; . • - G . son Macedo osenrurg Filho - Presidente ean Cleuter Simões M a — Relatar • EDITADO EN,"„( 4/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzorti Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do IPI do 2° trimestre de 2004 (f1.01), referente à aquisição de produtos tributados à aliquota zero, Em Despacho Decisório (11s..122/123), a Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR negou o pedido da contribuinte por falta de previsão legal e de crédito a ser ressarcido. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.141/159) alegando, em outras palavras, que o seu direito ao ressarcimento e compensação do crédito de IPI está garantido na Constituição Federal pelo Princípio da não-cumulatividade e que a esses créditos deve ser aplicado o juro da Taxa SELIC em atendimento ao §4° do art. 39 da Lei n°9250/95. A DRJ em Ribeirão Preto/SP indeferiu o pedido da contribuinte, prolatando em seu acórdão (f1s,146/153) a seguinte ementa: "DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de imposto alusivos a insiono.s isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa é incompetente para julgar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais Solicitação Indeferida" A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ e 06/02/2008 (f1.154) e interpôs Recurso Voluntário em 19/02/2008 (11s,156/176), apenas te çando os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório, 2 Processo o' 10935004515/2004-23 S3-C4T1 Acórdão n° 3401-00.604 Fl 180 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Relatar O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente pretende o ressarcimento de créditos oriundos da aquisição de insumos tributados à alíquota zero, sob pretexto de que o ressarcimento é garantia constitucional trazida pelo princípio da não-cumulatividade e a negação de seu pedido contrariaria a Constituição Federal. A respeito do IPI, o Código Tributário Nacional dispõe que: "Art. 49 — O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinados períodos, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados," Concernente ao objetivo do Princípio da Não-cumulatividade, interessante é a lição de Leandro Pausen, que leciona o seguinte: "Visa a impedir que as incidências sucessivas nas diversas operações da cadeia econômicas de um produto impliquem um ônus tributário muito elevado, decorrente da múltipla tributação da mesma base econômica," (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência —Porto Alegre: Editora Livraria do Advogado, 2008, p,316) Em outras palavras, o Princípio da Não-cumulatividade tem o intuito de que o mesmo imposto não seja cobrado mais uma vez. No caso em tela, o produto foi adquirido com alíquota zero. Portanto, não foi cobrado imposto. Desta forma, não há o que ser creditado, A Carta Magna confirma este entendimento de forma expressa em seu art.153, parágrafo .3° , inciso II, in verbis: "Art. 153 — Compete à União, instituir imposto sobre: IV - produtos industrializados ,55" 300 imposto previsto no inciso IV 3 — será não-cunzidatim compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" (grifo nosso) A Constituição Federal é clara ao expressar: a compensação deve ser feita "com o montante cobrado nas (operações) anteriores". Sendo assim, ratificando o que já foi afirmado, se não houve cobrança anterior', não deve existir ressarcimento ou compensação. A matéria, objeto do Recurso Voluntário, já está sumulada no Segundo Conselho de Contribuintes, pela Súmula n° 10, in verbis: "SÚMULA N" 10 A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à aliquota zero não gera crédito do IPI" A súmula acima foi recepcionada pelo cARF na forma do § 40 do art, 72 da Portaria do Ministério da Fazenda n° 256, abaixo: "Art. 72 A decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmulas de observância obrigatória pelos membros do CARF", § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF". No que tange à Correção Monetária sobre a Taxa Selic, em decisões pretéritas este ,julgador já se pronunciou favoravelmente a esse pedido No entanto, a correção monetária é apenas acessório do principal. Se, in casu, não cabe o ressarcimento, então não há correção monetária sobre a Taxa SELIC po.sitis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, Jean C leuter,Si -nu onça 'Y 4

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Numero do processo: 13656.000708/2006-00
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS NÃO-CUMULATIVO OPERAÇÃO DE COMPRA NÃO COMPROVADA MANUTENÇÃO DA GLOSA EFETUADA. A falta de comprovação de operação geradora de crédito do PIS não-cumulativo enseja a manutenção da glosa efetuada pela fiscalização. PRECLUSÃO CONSUMATIVA: Na instância inferior, a recorrente não questionou as glosas referentes ao frete e ao armazenamento, portanto, precluiu seu direito de reclamar tais glosas no seu Recurso Voluntário. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3401-000.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA

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Numero do processo: 10980.905541/2018-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) null IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.
Numero da decisão: 3301-013.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) null IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.

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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 55 41 /2 01 8- 21 Fl. 7233DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens Fl. 7234DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. Fl. 7235DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Fl. 7236DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ, que julgou procedente em parte/improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não reconheceu o direito da recorrente ao crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologou as Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, com base na Informação Fiscal e Planilhas de Cálculo anexas, partes integrantes do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório do contribuinte e, consequentemente, indeferiu o PER e não homologou as Dcomp. Intimada do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo: I) em preliminar: I.1) o reconhecimento da vinculação do presente Fl. 7237DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 processo aos 13 (treze) nela discriminados, bem como o julgamento conjunto de todos eles, ou, subsidiariamente, o sobrestamento do presente até o julgamento do de nº 10980.726089/2018-32, evitando-se a prolação de decisões conflitantes; e, I.2) a nulidade do lançamento tributário em razão da ausência de fundamentação, mais especificadamente, falta da adoção de critérios próprios para a glosa dos créditos descontados sobre bens e serviços; e, II) no mérito, discorreu sobre o conceito de insumos, concluindo que tem direito aos créditos glosados pela Fiscalização, descontados sobre os custos/despesas incorridos com: II.1) bens para revenda; II.2) bens utilizados como insumos; II.3) serviços utilizados como insumos; e, II.4) serviços utilizados como insumos decorrentes de importação; defendeu ainda a aplicação do princípio da verdade material e alegou excesso de glosa de créditos. Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ rejeitou a suscitada nulidade do lançamento, de fato, do despacho decisório; e, no mérito, julgou-a procedente/improcedente em parte, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-PASEP/COFINS Período de apuração: [...] CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1221170/PR. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1221170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório demandado. LIQUIDEZ E CERTEZA. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova - certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, suscitando/ requerendo: I) em preliminar: I.1) a necessidade de vinculação dos treze processos administrativos elencados no tópico II.1, do recurso voluntário, ao presente processo, para que sejam julgados concomitantemente; I.2) a nulidade do acórdão recorrido por vícios e omissões; e, I.3) a realização de diligência, caso se entenda que os documentos e esclarecimentos apresentados não sejam suficientes para a reversão das glosas dos créditos mantidas pela DRJ; e, II) no mérito, defendeu a reversão das glosas dos créditos efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela DRJ sobre os custos/despesas incorridos com bens/serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e com aquisições de bens para revenda. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os Fl. 7238DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto Ao mérito, exceto quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF; assim dele conheço. I) Preliminares I.1) Nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida. De acordo com Decreto nº 70.235/72, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...). No presente caso, o despacho decisório foi proferido pela DRF em Curitiba/PR, autoridade competente para se manifestar sobre o PER/Dcomp apresentado pela recorrente, conforme previsto no art. 280, inciso VI, da Portaria MF nº 125/2009. Já a decisão recorrida foi proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS, autoridade competente para julgar a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp transmitidas. No despacho decisório, consta o valor correto do pedido de ressarcimento/ compensação transmitido pela recorrente; já os fundamentos e a motivação das glosas dos créditos e, consequentemente, do indeferimento e da não homologação das Dcomp, constam da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Também, a decisão recorrida contém a motivação e a fundamentação da glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, conforme consta do seu voto condutor. Em resumo, a motivação e a fundamentação da DRJ para a manutenção da glosa dos créditos foram as mesmas da Fiscalização, ou seja, os bens e serviços cujos créditos foram glosados não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do voto do Relator. Essa motivEação e fundamentação permitiram à recorrente exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez expressamente no recurso voluntário em análise. Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório nem da decisão recorrida. I.2) Diligência A realização de diligência está prevista no Decreto nº 70.235/72, literalmente: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 7239DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. No presente caso, a recorrente solicitou a baixa do processo à Unidade de Origem para a realização de diligência, visando à análise, pela Fiscalização, das Notas Fiscais de compras, disponibilizadas em seu domínio eletrônico, que compuseram a base de cálculo das contribuições cujos custos/despesas tiveram os créditos glosados. Ao contrário do seu entendimento, a Fiscalização examinou as Notas Fiscais de compras de bens e de serviços para efetuar a glosa dos créditos que, no seu entendimento, não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, rejeito o pedido de diligência. I.3) Necessidade de vinculação por conexão com outros processos administrativos No presente caso, o processo em julgamento é paradigma para 8 (oito) dos 13 (treze) processos cujos julgamentos a recorrente solicitou vinculação por conexão. O lote deste paradigma é composto pelos seguintes processos: 1) 10980.905534/2018-29; 2) 10980.905545/2018-17; 3) 10980.905541/2018-21; 4) 10980.905540/2018-86; 5) 10980.905539/2018-51; 6) 10980.905536/2018-18; 7) 10980.905535/2018-73; 8) 10980.905543/2018-10. Assim, a decisão neste processo será aplicada àqueles oito. Quanto aos outros (cinco), solicitamos a distribuição dos processos 10980.726089/2018-32 (autos de infração do PIS/Cofins) e 10980.905537/2018-62 (PER/Dcomp) para este Relator e serão relatados e julgados nesta mesma sessão; o processo 10980.905544/2018-64, encontra-se ainda na DRJ em Ribeirão Preto/SP, na equipe “CEGEP- COCAJ-RPO-SP-GESTOR02-PRR/DCOMP”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”; o processo 10980.726092/2018-56, da multa isolada, foi juntado por apensação ao de nº 10980.905538/2018-15 que trata da Dcomp que originou esta penalidade. Contudo, embora ambos estejam no CARF. na equipe “DISOR-CEGAP-CARF-CA03”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”, de seus exames, verificamos que a impugnação oposta contra a exigência da multa isolada não foi julgada pela DRJ; assim, os dois deverão ser devolvidos à DRJ de origem para o julgamento da impugnação. Dessa forma, a solicitação da recorrente para o julgamento concomitante dos processos que estão no CARF e que foram objeto de recurso voluntário está sendo atendida. II) Mérito As questões de mérito abrangem a glosa de créditos descontados pela recorrente sobre os custos/despesas de aquisições de insumos e serviços do seu processo produtivo e de bens para revenda. Fl. 7240DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 A legislação tributária que trata do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo, vigentes à época dos fatos geradores do PER/Dcomp em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Fl. 7241DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 -Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I - nos incisos I e II do § 3 o do art. 1 o desta Lei; II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; (...) Fl. 7242DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 -Lei nº 10.865/2004: Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1º-A. O valor da Cofins-Importação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8º não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput. (...) § 3º O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8º sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam-se, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 9º do art. 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados como insumos dos bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a Fl. 7243DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A77 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, a recorrente é uma empresa que tem como atividade econômica, dentre outras: i) a industrialização, comercialização, distribuição, locação e assistência técnica de bens e equipamentos de qualquer natureza na área de informática e eletroeletrônica; ii) a industrialização, comercialização e desenvolvimento de projetos tecnológicos na área de informática e eletroeletrônica; iii) a representação, comercialização, planejamento, implantação, treinamento, suporte técnico, suporte pedagógico e assistência técnica de equipamentos, laboratórios e mobiliário de informática, franquias, sistemas de aplicação pedagógica, sistemas de administração escolar e sistema didáticos de ensino; e, iv) a prestação de serviços na área de informática. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1) Bens para Revenda II.1.1) Equivocada Alegação Fiscal de Apropriação de Créditos Recuperáveis de IPI – Inexistência de Apropriação dos Referidos Créditos A recorrente defende a reversão da glosa de créditos descontados sobre o valor do IPI não recuperável pago sobre a aquisição de bens para revenda sob o argumento de que esse valor integra o custo da mercadoria vendida. Segundo o inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a aquisição de bens para revenda dá direito ao desconto de créditos; já o inciso II do § 2º, desse mesmo artigo, prevê que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dará direito ao desconto de créditos. No presente caso, as contribuições não incidiram sobre o valor total das Notas Fiscais de aquisições dos bens destinados à revenda, mas tão somente sobre o valor do bem, conforme provam as cópias das notas carreadas aos autos pela própria recorrente. O IPI destacado na nota fiscal, independentemente de ser ou não recuperável não integra a base de cálculo das contribuições. Assim, a glosa efetuada pela Fiscalização deve ser mantida; II.2) Bens utilizados como insumos II.2.1) IPI Recuperável – Inexistência de Créditos de PIS e Cofins – Glosa Indevida A recorrente alegou que, ao contrário do entendimento da Fiscalização, não descontou créditos sobre o valor do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição de insumos pelo fato de tratar de imposto recuperável. Se não houve desconto de créditos por parte da recorrente, não houve glosa por parte da Fiscalização. Dessa forma, não há mérito a ser analisado e julgado neste item. II.2.2) Insumos Creditados pela Recorrente Fl. 7244DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre os seguintes bens/serviços: a) Álcool e licença para uso de Software Os custos/despesas com álcool e com licença para uso de Software, segundo depreendemos da documentação carreada aos autos, são utilizados no seu processo produtivo. O álcool é utilizado na montagem dos computadores para limpeza e higienização de placas-mães de circuitos impressos dos equipamentos eletrônicos produzidos; já a despesa com software refere- se a contrato de cessão de direito para uso de programas na produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Dessa forma, ambos os custos/despesas enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, a glosa dos créditos sobre tais custos/despesas deve ser revertida. b) Pallets As despesas incorridas com pallets não constituem insumos do processo de produção dos bens destinados à venda. A própria recorrente informou no recurso voluntário que se trata de produtos intermediários utilizados no transporte de insumos. Assim, como não se enquadra no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. c) Estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica Também, neste caso, trata-se de despesas que não se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Assim, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. d) Ferramentas, instrumentos e aparelho para medidas e controle de grandezas: A própria recorrente informou e demonstrou no seu recurso voluntário que tais custos foram incorridos com ferramentas que dão direito ao desconto de créditos sobre os encargos de suas depreciações. Segundo o inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 os custos com aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito ao desconto de créditos. Por sua vez, o inciso III do § 1º, desse mesmo artigo, determina que o crédito sobre tais custos seja calculado sobre os encargos de depreciação dos respectivos bens. Opcionalmente, segundo o § 14 daquele mesmo artigo, o crédito pode ser calculado no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º das referidas leis sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição. No presente caso, a recorrente não utilizou nenhum das duas opções previstas em lei, calculando e descontando o crédito sobre o valor total da aquisição, contrariando aqueles dispositivos legais. Fl. 7245DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Dessa forma, a glosa dos créditos deve ser mantida. II.2.3) Notas Fiscais com Alíquota Zero O desconto de créditos do PIS e da Cofins sobre a aquisição de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Consta expressamente do § 2º, inciso II, do art. 3º das referidas leis, que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito ao desconto de créditos. Assim, a glosa dos créditos sobre a aquisição de bens representados por notas fiscais com alíquota zero deve ser mantida. II.2.4) Indevida Exclusão dos Conhecimentos de Transporte – Suposta Alegação de Ausência de Tributação da Mercadoria Transportada Os custos com fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pela recorrente, integram o custo da matéria-prima adquirida. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, os fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pelas contribuições para o PIS e Cofins. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre os custos/despesas dos fretes onerados pelas contribuições, incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, deve ser revertida. II.2.6) Serviços de Transporte (Conserto, Devolução, Retorno Substituição Em Garantia, dentre outros) – “GLOSA FRETE” Neste item, a recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com: a) devolução de mercadorias, b) intercompany (transferências) de ativo imobilizado; c) intercompany (transferências) de insumos e mercadorias; d) remessa em bonificação; e, e) remessa/retorno para conserto. O direito de descontar créditos sobre despesas incorridas com fretes está previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 que, inclusive aplica-se ao PIS. Segundo aquele inciso, o desconto de créditos sobre despesas incorridas com fretes aplica-se somente aos fretes na operação de venda. No presente caso, nenhuma das referidas despesas foram incorridas na operação de venda dos bens produzidos e/ ou na revenda de bens adquiridos. No entanto, as despesas incorridas com fretes no transporte/movimentação de insumos, denominadas “intercompany” com remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente integram, respectivamente, o custo matéria-prima dos bens produzidos e dos serviços prestados e, portanto, se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Já as demais despesas não se enquadram naquele dispositivo legal nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 7246DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 O conceito de insumos dado pelo STJ aplica-se apenas e tão somente aos custos/despesas imprescindíveis à produção dos bens destinados à venda e à prestação de serviços (assistência técnica/prestação de serviços). No presente caso, tais despesas não são imprescindíveis à produção dos bens destinados a venda, aliás, trata-se de despesas incorridas depois de suas produções. Por isso, entendo que as referidas despesas, com exceção dos fretes incorridos na transferência/movimentação de insumos entre os estabelecimentos e na remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente, não dão direito ao desconto de créditos, por não se enquadrarem no inciso II do artigo 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e também por não se subsumirem ao conceito de insumo dado pelo STJ no julgamento do referido REsp nem no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10;833/2003. Dessa forma, somente a glosa de créditos descontados sobre os custos/despesas com (i) fretes na transferência/movimentação de insumos (intercompany) e (ii) com fretes na remessa/retorno de bens consertados (assistência técnica/prestação de serviços) deve ser revertida. II.2.7) Suposta Ausência de Informações para Fins de Creditamento – Supostos Dados Faltantes A recorrente alegou que a Fiscalização glosou créditos sobre serviços de fretes sob o fundamento de que “não foi possível identificar o tipo de serviço já que a empresa não informou dados essenciais para a identificação do direito a crédito, nos campos EFD Contribuições ‘descrição da mercadoria/serviço’, ‘código NCM’ e ‘Código CFOP’”; alegou ainda que informou na manifestação de inconformidade que tais serviços referiam-se a gastos com fretes intramunicipais os quais não dispõem das informações (CFOP e NCM); o certo é que tais despesas compõem o custo incorrido pela recorrente em decorrência de sua atividade econômica. Ao contrário do seu entendimento, consta expressamente da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, que a Fiscalização efetuou a glosa desse item pelo fato de não ter sido possível identificar a natureza do serviço prestado, tendo em vista que nas informações prestadas não foram apresentados dados essenciais para a comprovação do direito creditório. Nesta fase recursal, conforme demonstrado, a recorrente limitou-se a informar que se trata de gastos com fretes municipais que não dispõem das informações CFOP e NCM e que o certo é que tais despesas compõem o custo de produção dos bens produzidos por ela. Inicialmente, caberia a ela ter apresentado, desde a manifestação de inconformidade, documentação fiscal e contábil demonstrando a natureza dos fretes e em quais operações foram incorridos. Conforme demonstrado anteriormente, no item II.2.6 deste voto, o desconto de créditos sobre gastos com frete somente é permitido sobre despesa na operação de venda, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, quando suportado pelo vendedor, e sobre frete na aquisição de bens utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e/ ou para revenda, nos termos do inciso II do mesmo artigo. No presente caso, a recorrente em momento algum demonstrou a natureza dos fretes e em quais setores da empresa foram incorridos, limitando-se a alegar que se trata de fretes intramunicipais que não possuem códigos CFOP e NCM. Fl. 7247DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Dessa forma, a glosa dos créditos sobre tais fretes deve ser mantida. III) Serviços Utilizados Como Insumos III.1) Da prestação de serviços de Assistência Técnica – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “(Alimentação/Refeição”, “Deslocamentos/Diária/Hospedagem”, “Despesas Não Planejadas”, “Reembolso de Icms” e “Telegrama” A recorrente alegou que tais despesas são incorridas com a prestação de serviços de assistência técnica dada a seus clientes por meio de terceiros, ou seja, empresas contratadas por ela para esse fim. Alegou ainda que Fiscalização ao invés de considerar o total da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço, excluiu o valor correspondente àqueles itens, ou seja, alimentação/refeição, deslocamentos/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama. Para comprovar essa alegação, não apresentou cópia de nenhuma nota fiscal, mas apenas reproduziu no recurso voluntário o que seriam as Notas Fiscais nº 1414, emitida pela Terabytte Service Comercial Ltda. – ME e nº 2142, emitida pela RM Brasília Informática Ltda. Contudo, de seus exames não encontramos na discriminação dos serviços prestados, ou seja, no seu corpo, nenhuma das referidas rubricas. Nos pedidos de ressarcimento/compensação de créditos financeiros, o ônus de provar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é do contribuinte, conforme previsto no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e no inciso I do art. 373 da Lei nº 13.105/2015 (Novo Código de Processo Civil). Também, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Assim, a glosa de créditos sobre tais despesas deve ser mantida. III.2) Da prestação de serviços de Publicidade e Propaganda – Itens glosados referenciados pela Agente Fiscal como “Agenciamento de publicidade e propaganda/honorários agência”, “Serviços de campanhas e incentivos e de pesquisas MKT”, “Serviços suporte a gestão”, “Serviços de elaboração de revista/inspeção visual/de produção de eventos/de produção de fotos”, “Acordo mensal MKT”, “Administração de contratos” e “Produção filmes/textos/artigos e vídeos” Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre essas despesas. O direito ao desconto de créditos das contribuições sobre custos/despesas incorridos pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades econômicas está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, todos citados e transcritos anteriormente neste voto. Nenhum das referidas despesas estão contempladas naqueles dispositivos legais. Já a alegação de que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR não prospera. O STJ analisou e julgou custos/despesas vinculados ao processo de produção/industrialização de bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e não a despesas vinculadas à administração da empresa e à comercialização dos produtos. Fl. 7248DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 As despesas impugnadas neste item não têm vinculação direta com o processo de produção dos bens fabricados e vendidos pela recorrente. As únicas despesas incorridas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades, que dão direito ao desconto de créditos, são aquelas elencadas expressamente nos incisos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. As despesas discriminadas neste item não estão elencadas dentre aquelas que dão direito ao crédito. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre as despesas deste item deve ser mantida. III.3) Da prestação de serviços de Representação Comercial – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Comissões Sobre Vendas” e “Intermediação de Negócios” Assim como no item imediatamente anterior (III.2), trata-se de despesas vinculadas à comercialização dos bens produzidos e vendidos cujo direito ao desconto de créditos não está previsto na legislação do PIS e da Cofins. Também, tais despesas não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista não estão vinculadas à produção e sim à comercialização. A única despesa vinculada à comercialização dos bens produzidos e vendidos, que dá direito ao desconto de créditos, é despesa com frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser mantida. III.4) Da prestação de serviços de Frete - Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “EPI”, “Ferramentas/fita demarcação”, “Loop back áudio - Anatel - paralelo/duplo/frontal/triplo/único/serial”, “Creme protetor luvex”, “Fita isolante/Fita verde rosca” e “Gás R22 ar condicionado” Neste item, a recorrente reclama fretes sobre o transporte/movimentação dos bens referenciados. Segundo, seu entendimento são despesas que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do Respe nº 1.221.170/PR. Para comprova a realização das despesas e suas naturezas apresentou como prova o Doc. 13 (Doc_13.xlsx, arquivo não paginável ZIP) carreado aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade. No entanto, do exame daquele documento, verificamos que nele constam apenas e tão somente três máquinas que, segundo suas descrições, são utilizadas na produção dos bens destinados à venda. Os demais bens, com exceção das três máquinas, não foram identificados, aliás sequer constam daquele documento. Quanto aos fretes incorridos com a aquisição de EPI, levando-se em conta que seus custos integram o custo total desses equipamentos e que estes dão direito ao desconto de créditos, segundo o conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, os fretes incorridos nas aquisições dos EPI, devidamente comprovados mediante documentos fiscais (Notas Fiscais de Serviços e/ ou Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico -DACTE), dão direito ao desconto de créditos. Quanto aos demais bens, apenas os fretes incorridos na aquisição das três máquinas, por integrarem seus custos, dão direito ao desconto de créditos. Contudo, o crédito é Fl. 7249DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 determinado sobre os encargos de depreciação das máquinas e não sobre os seus custos de aquisição, conforme previsto no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Dessa forma, apenas a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos na aquisição de EPI, deve ser revertida. III.5) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Serviços de Coleta”, “Serviços de Descarga”, “Serviços de Devolução”, “Serviços de Venda”, “Serviços de Reentrega”, “Serviços de Transferência”, “Serviços de Envio”, “Serviços De Remessa e “Retorno” O desconto de créditos sobre despesas incorridas com os referidos serviços não tem amparo na legislação do PIS e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.627/2002 e 10.833/2003. Embora tais serviços estejam vinculados a operações comerciais, apenas as despesas com fretes na operação de venda dão direito ao desconto de créditos das contribuições, conforme consta do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Além da hipótese prevista no inciso IX do referido artigo, os custos incorridos com fretes nas aquisições de bens para revenda e de bens utilizados como insumos na produção destinados à venda também dão direito ao desconto de créditos, por integrarem o custo dos bens adquiridos, nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Contudo, não se trata de insumos nem de bens para revenda. No presente caso, os referidos serviços não se enquadram em nenhum daqueles incisos (II e IX) nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista que se trata de despesas desvinculadas do processo de produção dos bens destinados à venda. Ressaltamos ainda que a Fiscalização não glosou créditos descontados sobre fretes na operação de venda, conforme verificamos da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços impugnados neste item deve ser mantida. III.6) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Pedágio”, “Seguro”, “Escolta” O desconto de créditos sobre essas despesas não tem amparo legal. Primeiro, pelo fato de não estarem elencadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/200,3 dentre aquelas que dão direito ao desconto de créditos; e, segundo não estão vinculadas ao processo de produção dos bens destinados á venda, não sendo possível enquadrá-las no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR Especificamente, em relação às despesas com pedágio, a Lei nº 10.209/2001 que criou o vale pedágio, assim dispõe: Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. (...) Fl. 7250DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Assim, levando-se em consideração que as despesas com pedágio não foram tributadas pelas contribuições para o PIS e Cofins, não dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Quanto às despesas com seguro e escolta, como não estão vinculadas à produção dos bens destinados à venda, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Esse julgamento tratou de custos e despesas vinculados à produção e que devem ser consideradas como insumos nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre essas despesas deve ser mantida. III.7) Da prestação de serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras” As empilhadeiras são bens do ativo imobilizado, essenciais à produção dos bens destinados à venda. São utilizadas na movimentação de insumos e de produtos em elaboração no interior da fábrica. Assim, as despesas incorridas com a suas manutenções enquadram-se como insumos dos produtos fabricados e vendidos e dão direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser revertida. III.8) Da prestação de serviços de Mão De Obra Temporária – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Agenciamento de Bens Imóveis e Mão De Obra Temporária/Encargos e Salários” A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com mão- de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda. Destacou que, conforme se depreende da planilha de glosa de “Resultado Serviços Insumos” elaborada pela Fiscalização, apesar da nomenclatura adotada, “agenciamento de imóveis”, de fato, os serviços, primordialmente, referem-se à contratação por meio de pessoa jurídica com atuação no mercado de agenciamento de mão-de-obra temporária de indivíduos para utilização na produção dos bens destinados à venda. Para comprovar essa alegação, acostou à manifestação de inconformidade, ainda que por amostragem, a documentação que comprova que a despesa “agenciamento de imóveis” corresponde, de fato, à mão-de-obra temporária e que esta foi utilizada na produção dos bens fabricados e vendidos por ela. O desconto de contribuições sobre custo com mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, a recorrente indicou o arquivo não paginável-ZIP Doc_40- 1.xlsx, visando comprovar que toda a mão-de-obra glosada foi utilizada na produção e para comprovar que a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis” integra o custo total da mão- de-obra, apresentou a cópia da Nota Fiscal 14570, (Doc. 40.1), emitida pela empresa Nossa Serviço Temporário de Gestão de Pessoas Ltda. Ao contrário do seu entendimento, a referida documentação não comprova suas alegações. Do exame do “Arquivo não paginável-ZIP, Doc_40_1.xlsb”, verificamos que nele Fl. 7251DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 constam mão-de-obra passível de utilização nas áreas de: 1) logística; 2) produção; e, 3) qualidade, para os cargos de: 1) auxiliar de logística; 2) auxiliara de processo; e, 3) operador de qualidade. Do exame da Nota Fiscal nº 14570, verificamos que nela constam as seguintes rubricas (nomenclaturas): locação de: 1) salários; 2) encargos/provisão; 3) taxa de serviços; e, 4) benefícios. Ressaltamos ainda que, em nenhuma das notas fiscais de prestação de serviços, constantes do Doc. 41, consta a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis”. Levando-se em conta as informações desses dois documentos, examinamos a documentação carreada aos autos relativa à mão-de-obra temporária, cujas glosas foram efetuadas pela Fiscalização. No “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_1.xlsb” constam gastos com: 1) expedição; 2) promotores Trade MKT; 3) facilities; 4) MOD PROD – FÁB - PLACAS; no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_2.xlsb, constam gastos com: 1) MOD PROD; e, 2) expedição; e, no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_40_2.xlsb constam gastos com: 1) expedição; 2) MOD PROD JB; 3) promotores Trade MKT Reg 3; 4) facilities; e, 5) MOD PROD – FÁB PLACAS. O custo como mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.83/2003. Assim, com fundamento no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.83/2003, a glosa dos créditos descontados sobre o custo com a mão-de-obra utilizada na atividade fim da recorrente, ou seja, utilizada na produção dos bens destinados à venda, correspondentes às rubricas (nomenclaturas): 1) MOD PROD – FÁB – PLACAS; 2) MOD PROD; e, 3) MOD PROD JB, discriminados naqueles documentos, deve ser revertida, mantendo-se a glosa sobre as demais rubricas (nomenclatura), por não se enquadrarem no inciso II do art. 3º das referidas leis nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. III.9) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Retrabalho/gabinete/LCD”, “Royalty”, “Móveis”, “Serviços de telemarketing”, “Desenvolvimento de sistemas”, “Desenvolvimento de conteúdo”, “Taxa Infraero” A recorrente alega que tais despesas estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo e assistência a seus clientes adquirentes dos bens que fabrica e vende; assim, se enquadram como insumos, segundo o conceito do STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ao contrário do seu entendimento, com exceção das despesas incorridas com Royalties, as demais não são essenciais e/ ou relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento daquele REsp nem estão elencadas no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, que dão direito ao desconto de créditos. As despesas com Retrabalho/gabinete/LCD não foram identificadas pela recorrente, ou seja, não informou suas naturezas nem onde foram incorridas. A simples alegação de que estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo não é suficiente para enquadrá-las como insumos; as despesas com Móveis, segundo consta da Informação Fiscal, referem-se a armários, a um conjunto de três bancos, a um tampo central e a um ventilador de coluna; estas despesas não têm vinculação com o processo de produção; a Taxa Infraero, também não foi identificada nem informada sua vinculação com o setor fabril; Serviços de Telemarketing também não têm vinculação com a produção; os Serviços de Desenvolvimento de Sistema, segundo consta do recurso, referem-se a despesas incorridas com serviços de medição de Fl. 7252DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 veiculação em mídia para audiência em sites na web; já os Serviços Desenvolvimento de conteúdo, também conforme consta do recurso voluntário, referem-se a despesas com o Sistema de Controle de Pagamento. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre tais serviços (rubricas) deve ser mantida. Já os gastos com Royalties correspondem aos custos/despesas incorridos com licença para uso de programa de computador destinado ao embarque nos equipamentos produzidos pela recorrente e integram seu custo final. Trata-se de custos/despesas imprescindíveis à produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas com Royalties deve ser revertida. Nesse mesmo item, ao seu final, a recorrente impugnou glosa de créditos sobre “Serviços por Industrialização”. Embora, do exame da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, não tenhamos encontrado quaisquer referências sobre aqueles serviços e, ainda, que a DRJ não tenha decidido sobre tal glosa, levando-se em conta que o julgamento deste processo é paradigma para outros processos desse mesmo contribuinte, passemos a análise e julgamento desta matéria. Os custos/despesas incorridos com “serviços por industrialização” referem-se à produção de bens (componentes elétricos/eletrônicos), encomenda a terceiros, utilizados como produtos intermediários nos bens produzidos pela recorrente, conforme se depreende do exame por amostragem das notas fiscais carreadas aos autos, dentre elas as emitidas pela Soc Educ Santa Catarina, CNPJ 84.684.182/0001-57. Assim, tais custos enquadram-se no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, dando direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre os referidos serviços (custos) deve ser revertida. III.10) Serviços Utilizados como Insumos – Serviços Decorrentes de Importação – despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais As despesas alfandegárias e aduaneiras e os fretes internacionais, segundo a legislação do PIS e da Cofins, não dão direito ao desconto de créditos. A Lei nº 10.865/2004 que instituiu o PIS-Pasep Importação e a Cofins Importação assim dispôs: Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP-Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, com base nos arts. 149, § 2º , inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º . (...) Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) Fl. 7253DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195%C2%A76 Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Por sua vez, o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 veda expressamente o desconto de créditos sobre custos/despesas não sujeitos ao pagamento das contribuições, sendo que o § 3º, inciso I, deste mesmo artigo, dispõe que o direito ao crédito aplica-se exclusivamente aos custos/despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Segundo o inciso X do art. 2º da Lei nº 10.865/2004, citado e transcrito, não incidem contribuições, a título de PIS-Importação e Cofins-Importação sobre os custos/despesas com transporte internacional de cargas (fretes) e com outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. Assim, independentemente da falta de informações do contribuinte sobre as importações realizadas, notas fiscais e números das DIs, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços alfandegários e aduaneiros e sobre os fretes internacionais deve ser mantida. IV) Da aplicação do princípio da verdade material Conforme demonstrado na Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, a apuração da certeza e liquidez do ressarcimento pleiteado/compensado teve como fundamento a escrituração contábil das contribuições (EFD-Contribuições) e a documentação fiscal e contábil apresentadas pela recorrente. Dessa forma, não há que se falar em inobservância desse princípio. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indefiro o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intecompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) fretes na aquisição de EPI no respetivo trimestre; 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas.” Quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com o devido respeito ao didaticamente elaborado voto condutor, de lavra do Ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, fui designado para redigir o voto vencedor, no que tange á apuração/apropriação e utilização/desconto de créditos extemporâneos, matéria com a qual a maioria da turma julgadora discordou do voto condutor. Em sintéticas palavras, já é pacífico neste CARF o entendimento de que créditos extemporâneos de Contribuição ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, apurados Fl. 7254DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 extemporaneamente, podem ser utilizados/descontados, sem a necessidade de retificação de DCTF ou EFD-Contribuições, desde que preencham certos requisitos, quais sejam: - comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Se a recorrente lograr comprovar de forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie, então tais créditos podem ser aproveitados. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex; sobre pedágio e seguro; sobre a despesa com paletes; sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”; e sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 7255DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-013.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905541/2018-21 Declaração de Voto Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 7256DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10860.001340/2003-32
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. Período de apuração: 01/01/1998 a 31 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. AUSÊNCIA DE INDUSTRIALIZAÇÃO PELA ENCOMENDANTE. Não se inclui na base de cálculo de crédito presumido de IPI o custo de simples remessa de matéria-prima para que terceiros realizem a industrialização e devolvam o produto final a ser exportado, não se caracterizando, portanto, o beneficiamento de matéria-prima ou produto intermediário realizado por terceiros, sob a forma de industrialização por encomenda. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 204-03.354
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência, suscitada de oficio pela Conselheira Silvia de Brito Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Júnior, Silvia de Brito Oliveira e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente); e II) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto ao mérito.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN

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I ---- SEGUNDO CONSELHO 0 1. NTES CONFERE CM; O ORIGINAL eriodo de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Brasilia, RÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR NCOMENDA. AUSÊNCIA DE INDUSTRIALIZAÇÃO PELA Maria NCOMENDANTE. 1.11/11119 ovais Mal. SiLine 611 ao- se mcliii na base de cálculo de crédito presumido de PI o custo de simples remessa de matéria-prima para que terceiros realizem a industrialização e devolvam o produto final a ser exportado, não se caracterizando, portanto, o beneficiamento de matéria-prima ou produto intermediário realizado por terceiros, • sob a forma de industrialização por encomenda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência, suscitada de oficio pela Conselheira Silvia de Brito Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Júnior, Silvia de Brito Oliveira e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente); e II) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto ao mérito. f-IEIZIMJE (NHEII290 TORRES Presidente ..0"" -alar *ARDO ZAN Relator • • • • Processo e 1 10860.001340/2003-32 • CCO2/C04 Acórdão n.• 204-03.354 Fls. 268 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente). Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti (Suplente). di • V 1 ,0.4F sEGt.41)0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Vir asila. msretfrkii-t. Novais, • Ntot. Stape 91641 I • 2 • • • Processo e 10860.001340/2003-32 CCO2/C04 • Acórdão n.• 204-03.354 Fls. 269 IMF SEUU4C3 CONSELHO DE CONTRIBUINTES Coèi.:ERE COM O ORIG n NA a+astlia. 3/ /0 L Marta Luzim No% :ás Relatório ma; supe v1641 Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, transcrevo o rotatório da DEI em Ribeirão Preto/SP, ipsis literis: Trata-se de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados apo, formalizada no auto de infração de fis. 04/10, lavrado em 31/03/2003, com ciência da contribuinte em 01/04/2003, e demonstrativos de fls. 11/13, totalizando o crédito tributário de R$ 165.829,89. Segundo a descrição dos fatos de fls. 05/09, houve ressarcimento indevido do crédito presumido de IP1 (Lei n°9.363/96), referente aos 1° e 4° trimestres de 1998, em virtude da inclusão irregular; pela contribuinte, do valor da prestação de serviços de industrialização por encomenda, na apuração do custo dos insumos aplicados na produção, o que era vedado pela legislação vigente. • A fiscalização recalculou o beneficio (fl. 22), considerando ainda que nos 2° e 3" trimestres de 1998 a fiscalizada apurou a menor o valor do crédito. Tendo sido feita as devidas compensações, resultou em ressarcimento indevido (fls. 11/12), além de falta de recolhimento de multa de mora e de juros de mora (demonstrado à fl. 23). Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 172/181, em 14/10/2005, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. O auto de infração é nulo por ausência de comprovação de qualificação técnica da autoridade autuante, já que a análise de escritas constitui atribuição privativa de contador diplomado; 2. Defende a inclusão dos serviços de industrialização por encomenda no custo dos insumos aplicados na produção, para efeito de cálculo do crédito presumido; 3. Questiona a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC. Por fim, requer que se declare nulo o auto de infração, ou ainda a improcedência da autuação. Alternativamente, requer a substituição do índice utilizado para cálculo dos juros de mora." A DRJ em Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação da contribuinte em decisão assim ementada: Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRL4LIZAÇÃO POR ENCOMENDA. • O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. 3 • • Processo e 10860.001340/2003-32 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.354 Els. 270 • RESSARCIMENTO INDEVIDO. COBRANÇA. Cobra-se o valor correspondente ao ressarcimento indevido, pago em espécie ou aproveitado na forma de compensação homologada, com a imposição de multa de oficio. NULIDADE. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL. FALTA DE HABILITAÇÃO TÉCNICA. > O exercício da função de AF77V não está condicionado à habilitação' prévia em Ciências Contábeis. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento Procedente. A contribuinte, irresignada com a decisão de Primeira Instância, interpôs o presente Recurso Voluntário, reiterando os fundamentos de sua Impugnação. É o Relatório. ; vhd: - SECO400 CONSELHO DE CCNTRIBUNTES CONFERE COM O ORIGINAL flrasilia. 3! 1 ló 1°)? Voto Ms . lii-;:Navais Nist S.pv 1611 Conselheiro LEONARDO STADE MANZAN, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. Conforme relato supra, o núcleo do presente litígio cinge-se ao reconhecimento, ou não, de crédito presumido de IPI referente à prestação de serviços relativos às industrializações por encomenda. Importante frisar-se que o beneficiamento de matéria-prima ou produto intermediário por terceiros não tem a natureza de prestação de serviços, e sim, de industrialização por encomenda. Assim, tratando-se de industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso a matéria-prima ou produto intermediário, que integra o custo do produto industrializado e posteriormente exportado, o valor cobrado por esta industrialização por encomenda integra a base de cálculo do crédito presumido de PI. Aliás, outra não é a posição da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual passo a transcrever, verbis: IPL RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei 4,(k) 4 11 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n° 10860.001340/2003-32 1 1 CCO2/004 Acórdão n.' 204-03.354 [insola. 3 1 / / O —I n Fls. 271 Marieas n u 9.363/96. ReJ rsa_especialjénkiiiii4igire. . 6, Rel. Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 12/4/2005). Portanto, para ser caracterizada a industrialização por encomenda, como forma de beneficiamento de matérias-primas ou produtos intermediários, imprescindível que tais insumos sejam remetidos a terceiros para aperfeiçoamento e que após retomem ao encomendante para que, utilizando-os como matéria-prima ou produto intermediário, seja realizada a industrialização até se chegar ao produto final a ser exportado. Conforme a Resolução n° 204-00.325 (fls. 222/224), os autos foram baixados em diligência para que se apurasse quais produtos são remetidos à industrialização por terceiros e se, efetivamente, tais produtos são utilizados pela contribuinte como matéria-prima ou produto intermediário em seu processo de industrialização. • Ressalte-se, que a delegacia de origem não realizou a diligência requerida, simplesmente intimou a contribuinte para que "atendesse" o determinado na resolução, não havendo, portanto, nenhuma informação fiscal da DRF em Taubaté/SP nos autos. Por sua vez, em resposta à intimação, a contribuinte acostou aos autos a petição de fls. 233/236, esclarecendo as questões suscitadas por esta Câmara e juntando notas fiscais, por amostragem, a título exemplificativo, para comprovar suas alegações acerca da operação. Primeiramente, a contribuinte informa que "os produtos enviados para industrialização por encomenda correspondem a chapas e bobinas de aço, os quais serão transformados em tubos para exportação". Ato contínuo, a contribuinte esclarece que "remete, através de seu fornecedor, a matéria-prima para a industrialização dos tubos à Confab Tubos S.A. Esta, por sua vez, transforma a matéria-prima (chapas e bobinas) em tubos, sendo que para isso ainda emprega outras matérias-primas, as chamadas matérias-primas auxiliares, que referem-se ao acabamento dos tubos, ao revestimento. Após a industrialização de tais tubos pela Confab Tubos S.A., os produtos são enviados à peticionária, sendo, posteriormente, remetidos ao mercado externo". Dessa forma, pelas próprias explicações da contribuinte, é possível verificar que a mesma, Confab Industrial S/A, não realiza industrialização alguma no produto que exporta, não utilizando, portanto, nenhum insumo beneficiado por terceiro como matéria-prima ou produto intermediário. O que ocorre, de fato, é a simples remessa da matéria-prima, feita diretamente pelo fornecedor, à empresa Confab Tubos S/A, e, esta sim, realiza a industrialização do produto final que será exportado pela Confab Industrial S/A, ora recorrente. • Portanto, com base nos documentos que instruem os autos e nas informações, prestadas pela contribuinte, resta provado que, no . caso destes autos, há remessa do produto final para exportação sem qualquer tipo de alteração que possa ser considerada industrialização nos termos da legislação do IPI. Por conseguinte, tal custo não deve integrar a base de cálculo do crédito presumido pleiteado. Por último, cumpre salientar que, após a leitura do Relatório, a Ilustríssima Conselheira Silvia de Brito Oliveira, sempre brilhante em suas ponderações, levantou, de oficio, preliminar de diligência, cujo conteúdo vem abaixo transcrito: - • Processo TC 10860.001340/2003-32 CCO2/034 • Acórdão n.• 204-03.354 Fls. 272 Na apreciação destes autos, dos quais que tive vista, verifiquei que o auto de infração faz referências a processos anteriores que cuidaram do ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que, no auto de infração, com ciência à contribuinte em 1" de abril de 2003, a fiscalização acusou como indevido. A ação fiscal decorreu de MPF emitido em 19 de outubro de 2002 para fiscalização do IPI relativo aos períodos de apuração de fevereiro de 1997 a dezembro de 1999 e, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da peça fiscal, foram apontadas três infrações, a saber: 001 -falta de recolhimento do IPI: Demonstrativo do débito aponta data de ressarcimento e valor do IPI lançado, com multa de oficio e juros de mora, da seguinte forma: a) em 31 de agosto de 1998: IPI no valor de quarenta e sete mil seiscentos e cinqüenta e cinco reais e noventa e três centavos (R$ 47.655,93), que teria sido utilizado para compensação com débito de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cotins), com data de valoração da compensação em 20 de agosto de 1998; ter tué- b) em 03 de maio de 1999: 5 co & IPI no valor de doze mil novecentos e setenta e cinco reais e vinte e seis centavos (R$ 12.975,26) ressarcido em espécie, com emissão da Ordem g go (2 Bancária em 30 de abril de 1999. cr 01.11 O 3 o o NI a' 002 - falta de recolhimento da multa de mora, que foi cobrada 3 :5 E 'R 2 isoladamente, no valor de sete mil quinhentos e vinte e nove reais e til O tf) --- 1 nove centavos (R$ 7529,09), tendo como data de referencia 31 deZ uj O w o .2 agosto de 1998. 2 4. O 003 -falta de recolhimento dos juros de mora, que também foi cobrado -g O<ia isoladamente, no valor de dois mil duzentos e sessenta e sete reais e ta ri 10 -- setenta e seis centavos (R$ 2.267,76) cuja data de referencia é 31 de agosto de 1998 Os valores lançados nas infrações dos itens 002 e 003 resultam da amortização do crédito do IPI utilizado em valor maior no 1° trimestre (R$ 93.713,65) com os valores menores que o devido nos dois trimestres seguintes (R$ 23.596,68 e R$ 22.461,04). Consta que foram formalizados quatro processos para requerer ressarcimento dos saldos credores do IPI apurados nos quatro trimestres de 1998. Depreende-se dos autos que a fiscalização, após encerramento desses processos, com efetivação das compensações solicitadas e ressarcimento em espécie do saldo remanescente, revisou os cálculos dos demonstrativos do crédito presumido apresentados pela recorrente nos processos de ressarcimento e, em função do que entendeu ser "prestação de serviço" na industrialização por encomenda, glosou os I 6 • ° Processo n° 10860.00134012003-32 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.354 Fls. 273 valores relativos a essa prestação de serviço , obtendo diferença no valor total das aquisições de matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) e, conseqüentemente, saldos divergentes em cada um dos trimestres de 1998, assim especificados: TRIMESTRE -1998 DIFERENÇA APURADA (em reais) 1° 93.713,65 2° 23.596,68 30 22.461,04 40 12.975,26' A matéria litigiosa diz respeito à composição da base de cálculo do crédito presumido do IPI, mais especificamente, refere-se à inclusão, no valor total das aquisições de MP, PI e ME, dos valores pagos ao tfl estabelecimento que realizou industrialização por encomenda da recorrente. • ai t" A meu ver, uma vez que o crédito presumido dos periodos de apuração z z o o .tn objeto da autuação foi objeto de processos administrativos regularmente formalizados, a discussão dessa matéria encerrara-se re o CD Z naqueles processos administrativos, não se podendo novamente trazê- o 3 2 la à baila, sob pena de ofensa à definitividade das decisões tu O r.2 5 administrativas ali proferidas e de frontal colisão com o art. 146 da Leie.)z w e n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário NacionalO ce " (C77V). 8 fr) ã8 Isso, abstraindo o mérito da validade do lançamento para recuperar 41 1'5 IPI ressarcido em espécie, pois, nesse ponto, o que se poderia cogitar ,-- era o lançamento da multa na forma prevista no art. 44, § 4°, da Lei n° açu- c15 9.430, de 27 de dezembro de 1996, contudo, nesse caso, não me parece que tenha sido a recorrente a dar causa ao ressarcimento indevido, pois, parece, foi observado o rito processual especifico e os valores ressarcidos e os compensados foram aqueles decididos pela administração tributária. Todavia, uma vez que vigoraram normas procedimentais para que, em determinadas hipóteses, se procedessem, antes, aos ressarcimentos, para, posteriormente, ser verificada a legitimidade dos créditos ressarcidos, para formação da convicção sobre a matéria litigada, suscito de oficio, preliminar de diligência para que sejam anexados a estes autos cópia de todas as peças dos processos de ressarcimento indicados rw auto de infração. • 7 fç . _ _ ' Processo e 10860.001340/2003-32 CCO2/C04 Acórdâo n.° 204-03.354 Fls. 274 • Todavia, a proposta de diligência foi negada pela maioria do Colegiado, que decidiu enfrentar o mérito e reputou desnecessária a diligência aventada. Diante do exposto, considerando os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. É o meu voto. Sala das Sws'ôt, em 05 dea ost, . e 2008. adrg ra ler P 1.151ri.-41 ri r IM "I" — • ~ir" - - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAI. arasitia. ai j jC.) Miaria" 1•(CI;;-sis 1)16-11 • • • • • 8 _ - . , . . . Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10880.985469/2018-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1003-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria votou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria votou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 54 69 /2 01 8- 35 Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em desfavor do Acórdão nº 108-001.117, em 22 de maio de 2023, pela 5ªTurma da DRJ08, para julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando- o adiante: O presente processo trata de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório (fls. 157/165) com número de rastreamento 2516919, emitido eletronicamente em 12/12/2018, referente ao crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 37271.74603.040814.1.7.02--1500, conforme demonstrado no trecho do despacho decisório abaixo reproduzido: O contribuinte solicitou saldo negativo de IRPJ, do período 01/01/2012 a 31/12/2012, no valor de R$ 140.191,89 e teve seu direito creditório negado, uma vez que as parcelas de retenção na fonte não foram confirmadas integralmente, conforme demonstrativo de detalhamento de crédito constante às fls. 163/164. Consequentemente, as compensações não foram homologadas. O contribuinte foi cientificado em 13/12/2018 (fl. 185) e apresentou manifestação de inconformidade (fl. 04/18) em 09/01/2019 (fl. 02), alegando em síntese: -No faturamento dos serviços de propaganda e publicidade, a requerente se sujeita à retenção do IRPJ na fonte segundo a sistemática conhecida como “auto retenção”, prescrita pelo art. 651, inciso II, do Decreto nº 3.000/99; Fl. 258DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 - A requerente efetua a retenção, recolhimento, informa na DCTF e fornece aos anunciantes o documento com a indicação do IR retido e o anunciante (tomador do serviço) apresenta a DIRF; - O procedimento é nulo já que a prolação do despacho decisório ocorreu sem que fosse dada a chance para a requerente esclarecer a validade dos créditos glosados; - Requer a conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia efetue a análise de todos os documentos apresentados na presente manifestação de inconformidade; - Não tem como fiscalizar o cumprimento da obrigação de apresentar DIRF pelas tomadoras do serviço e o não cumprimento dessa obrigação não pode afastar a realidade dos fatos; Junta DARFs (fls. 109/120) para comprovar o recolhimento e planilha listando as notas fiscais emitidas por tomador. Já a 5ªTurma da DRJ08 julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, cuja decisão restou assim ementada: DCOMP. SALDO NEGATIVO. AUTO RETENÇÃO. SERVIÇO DE PROPAGANDA. PROVAS. A retenção na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital deduzido na declaração da pessoa jurídica, poderá ser comprovada por meio do comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Ausente o comprovante, admite-se a prova por outros meios. O DARF de recolhimento não é prova suficiente para comprovar a retenção já que não permite confirmar se é caso de autoretenção ou retenção pela fonte pagadora, nem o valor da receita tributável a ser computada na determinação do lucro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo o seguinte: III – PRELIMINARMENTE: DA NULIDADE DO R. DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO 08. Antes de ingressar no mérito da discussão, cumpre destacar que não assiste razão ao v. acórdão recorrido quando se afirma que o argumento de nulidade trazido pelo Recorrente não merece prosperar porque, supostamente, os atos e termos do feito foram lavrados por autoridade competente e foi garantido o direito à ampla defesa. 09. Vale relembrar, por se tratar de matéria de ordem pública, a nulidade dos atos pode ser suscitada a qualquer momento no curso do processo, podendo, inclusive, ser reconhecida de ofício. Dessa forma, deve ser reconhecida a nulidade do r. despacho decisório, tendo em vista a ausência de procedimento fiscalizatório, conforme será demonstrado. 10. No caso em apreço, embora as informações lançadas na DIPJ do ano-calendário de 2012 demonstrassem a existência de saldo negativo de CSLL naquele período, a compensação pleiteada pela Recorrente não foi homologada na íntegra por suposta insuficiência de crédito. Fl. 259DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 11. Tal situação ocorreu em virtude de a I. Receita Federal do Brasil não ter identificado a comprovação de parte das retenções realizadas sob o código 8045, sendo que não houve intimação do contribuinte para apresentar eventuais documentos necessários ou, ao menos, prestar esclarecimentos a respeito da divergência apontada. 12. Ora, uma vez constatado pela D. Autoridade Administrativa eventual insuficiência ou irregularidade na documentação apresentada para embasar o crédito aproveitado, o contribuinte deveria ser intimado para regularizar o necessário, garantindo-lhe o exercício do contraditório, além de evitar a instauração do contencioso administrativo, conferindo, inclusive, maior celeridade ao processo –cenário este que deixou de ser observado pela r. decisão recorrida. 13. Portanto, diante da total ausência de fiscalização anterior ao r. despacho decisório aqui combatido, não há dúvidas de que a D. Autoridade Administrativa, de forma arbitrária, impediu o contribuinte de exercer o seu amplo direito de defesa, impondo- lhe, assim, lançamento de supostos débitos decorrentes de compensação não homologada, sem o arcabouço probatório que lhes sustente. 14. Em verdade, os débitos lançados pela I. Autoridade Administrativa, decorrente da homologação parcial da compensação pleiteada, se deu por mera presunção, o que não se pode admitir no processo administrativo tributário. 15. Ademais, ainda que se fale em discricionariedade da Administração Pública para instauração do procedimento administrativo, devem ser observados, antes de tudo, os princípios do contraditório e ampla defesa, insculpidos na Carta Maior. Nesse ponto, o posicionamento da doutrina é uníssono, a saber: (...) 16. Diante disso, dúvidas não pairam quanto a nulidade do r. despacho decisório em questão, visto que, se o que se busca no processo administrativo tributário é assegurar a existência da obrigação tributária desprovida de vícios, não se admitindo discricionariedade e, tampouco, o cerceamento do direito de defesa no âmbito da Administração Pública, sob pena de ofensa ao art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal, que consagram o devido processo legal e o contraditório e a mais ampla defesa como garantias fundamentais dos administrados, como a Recorrente. 17. Acerca da questão, confira-se os ensinamentos do renomado Professor Celso Antônio Bandeira de Melo, em sua obra, Curso de Direito Administrativo: (...) 18. Nesse mesmo sentido, a verdade é que todo processo administrativo fiscal tem o específico objetivo de apurar, com exatidão, os fatos ensejadores da incidência tributária previamente delimitada em lei. Sendo assim, como corolário do princípio da legalidade, o despacho decisório mencionado e, consequentemente, o lançamento tributário gerado a partir da homologação parcial da compensação pleiteada, têm de se pautar em outro princípio fundamental: o da verdade material. Isso porque não seria admissível em um sistema jurídico norteado por princípios como o da legalidade que a Administração Tributária pudesse promover uma exigência baseada no exame precário da documentação, fundamentando-se tão somente na discricionariedade do Órgão Público, muito menos nos casos em que o contribuinte sequer foi cientificado acerca da necessidade de complementação dos documentos apresentados, como ocorre na situação em voga. Fl. 260DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 Sendo assim, resta evidente a necessidade de reforma do v. acórdão recorrido, em razão da ausência de procedimento fiscalizatório que permitisse ao contribuinte a apresentação dos documentos necessários à comprovação integral do crédito ora discutido, desaguando na nulidade absoluta do r. despacho decisório. IV – MÉRITO: DA AUTO RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA – AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE – RIR E IN SRF Nº 123/1992 – COMPROVAÇÃO DOS RECOLHIMENTOS 20. Como se verifica da leitura da v. acórdão recorrido, a I. DRJ limitou-se a analisar os valores indicados no r. despacho decisório combatido, rejeitando as planilhas e notas fiscais apresentadas pela Recorrente como documentos comprobatórios do seu direito ao crédito, em que pese sejam suficientes para comprovar a retenção na fonte. 21. Todavia, como será esmiuçado adiante, tal entendimento não merece prosperar. 22. Por ser a Recorrente pessoa jurídica cujo objeto social destina-se à prestação de serviços de propaganda e publicidade, a retenção do IR na fonte é realizada de uma forma bastante particular, específica para o “setor”. 23. Com efeito, nos termos do art. 651, II, do RIR/99, as agências de publicidade estão sujeitas à incidência do IR que será retido na fonte, à alíquota de 1,5%. Confira-se: (...) 24. § 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. (destaques da Recorrente). 25. Ou seja, as atividades ligadas à propaganda e publicidade estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte. 25. Ou seja, as atividades ligadas à propaganda e publicidade estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte. 26. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 123 de 20 de novembro de 1992, que “dispõe sobre o cálculo e o recolhimento do imposto de renda na fonte sobre serviços de propaganda e publicidade prestados por agências de propaganda”, prescreve que: (...) 27. Como se vê, a norma que regulamenta o IR para as agências de publicidade determina que o imposto de renda será retido na fonte pela própria agência. Isso significa dizer que, na prática, a Recorrente emite a nota fiscal de prestação de serviços, procede com a “retenção na fonte” e a consequente antecipação do Imposto de Renda, ao passo que o anunciante (tomador do serviço), efetua o pagamento do “valor bruto” dos serviços para agência – Recorrente. 28. Tem-se, assim, que a retenção do imposto de renda relativo às agências de publicidade não é efetuada diretamente pela fonte pagadora, tomadora dos serviços, mas sim pela própria agência de publicidade, que realiza o pagamento por conta e ordem dos anunciantes (tomadores do serviço). 29. Por este motivo, no curso do ano calendário de 2012 a Recorrente reteve o IRRF devido na integralidade das receitas por ela auferidas, tendo declarado tais valores na DIPJ/2013 e nas DCTFs do período, como determina o art. 6º da IN SRF nº 123/1992, que dispõe: (...) Fl. 261DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 30. Pela análise dos documentos acostados aos autos (DIPJ, demonstrativos e comprovantes de recolhimento) observa-se que a Recorrente efetivamente recolheu os tributos, consoante se constata dos comprovantes de pagamento emitidos no website da Receita Federal do Brasil (vide Doc. 06 – Comprovantes – fls. 109/120 e Doc. 08 – Demonstrativos de recolhimento detalhados por CNPJ – fls. 121/152), que totalizam o mesmo montante que foi declarado em sua DIPJ, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte recolhido no período. Ou seja, não há que se falar em ausência de recolhimento do IRRF do período. 31. Desse modo, resta evidente a existência de saldo negativo para a ora Recorrente no ano calendário 2012, devendo ser reconhecida a suficiência de crédito para, assim, homologar integralmente a compensação pleiteada. 32. Com efeito, é certo que a Recorrente recebeu, efetivamente, o valor líquido dos serviços por ela prestados, deduzido o montante relativo ao imposto que foi devidamente retido e recolhido. 33. Com base nessas informações, tem-se que, somando os valores objeto da auto- retenção (código 8045), e aqueles já confirmados quando da emissão do despacho decisório pela Receita Federal do Brasil, tem-se exatamente o montante declarado e utilizado a título de Saldo Negativo de IRPJ para o ano-calendário de 2012 (exercício de 2013). 34. Portanto, não há que se falar em ausência do recolhimento do IRRF relativo ao ano- calendário de 2012, exercício de 2013, no código 8045, como constou do despacho decisório. 35. Ainda quanto à questão das retenções, nas orientações extraídas do website da Receita Federal do Brasil, tem-se que em relação ao “Serviços de Propaganda Prestados Por Pessoa Jurídica – 8045”, o imposto retido será deduzido do apurado quando do encerramento do ano-calendário, ou seja, exatamente o procedimento adotado pela Recorrente, veja-se: 36. Ou seja, por todos os ângulos que se queira analisar, é evidente que a Recorrente adotou todas as providências necessárias, conforme disposição legal expressa, sendo de rigor a improcedência do despacho decisório, uma vez que a mesma procedeu com: (i) a “auto-retenção” do IRRF quando da prestação dos serviços (art. 651, inciso II do RIR/99); (ii) o efetivo pagamento do IRRF devido no código 8045 (art. 651, inciso II do RIR/99); (iii) a declaração de todas estas informações na DIPJ anual; PARA TÃO SOMENTE (iv) deduzir aludido valor relativo ao IRRF quando da apuração anual do IR (art. 651, §2º do RIR/99) e; verificando a existência de Saldo Negativo de IRPJ, (v) proceder com a transmissão de PER/DCOMPs para extinção de seus débitos. 37. Deste modo, resta evidente o direito da Recorrente. Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 38. Por outro giro, insta salientar que o art. 4º da IN SRF nº 123/1999 determina que as agências de publicidade forneçam aos anunciantes (fontes pagadoras) documento com a indicação do IR retido e recolhido relativo ao ano-calendário anterior para que os mesmos possam refletir os mesmos dados em suas DIRFs. 39. E assim, a Recorrente, como não poderia deixar de ser, comunicou todas as fontes pagadoras (anunciantes) que as contratou. 40. Todavia, apesar de ter enviado o informe aos anunciantes, a Recorrente não tem como fiscalizar se eles incluíram ou não a informação relativa ao recolhimento do imposto de renda retido na fonte em suas declarações – DIRF. 41. Em outras palavras, possivelmente o não reconhecimento dos recolhimentos do IRRF decorre de eventual divergência entre as declarações da Recorrente e as dos anunciantes (fontes pagadoras). 42. No entanto, o mero descumprimento de obrigações acessórias por parte dos clientes da Recorrente não pode afastar a realidade dos fatos, qual seja, os pagamentos foram realizados corretamente. 43. Ou seja, ainda que os anunciantes não tenham incluído as informações em DIRF, os recolhimentos do IRRF declarados nas obrigações da Recorrente estão cabalmente comprovados, tendo a Recorrente cumprido com todas as suas obrigações fiscais pertinentes ao IR do ano-calendário de 2012, exercício de 2013, o que viabiliza o acolhimento e provimento do presente Recurso Voluntário, inclusive diante do princípio da busca da verdade material. 44. Assim, notória a existência de crédito em favor da Recorrente, haja vista o saldo negativo do IRPJ apurado no período, devendo ser integralmente acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, com o reconhecimento dos pagamentos efetuados a título de auto retenção do IRRF considerado na formação do saldo negativo e, em consequência, que sejam integralmente homologadas as compensações, com a consequente extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. V – CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA 45. Se superados os argumentos expostos acima, o que se admite por mero dever argumentativo, é de rigor que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Recorrente possa exercer seu direito de defesa, mediante a intimação das fontes tomadoras para que apresentem os informes de rendimento que comprovam as retenções realizadas sob o código 8045, bem como para que seja feita nova verificação dos valores declarados pelos tomadores de serviços em DIRF. Com a análise da referida documentação, é certo que haverá o reconhecimento necessidade de reforma do r. despacho decisório, de modo a homologar as compensações ora discutidas. VI – PEDIDO 46. Dado todo o exposto, requer-se o provimento deste Recurso Voluntário, para que: (i) seja declarada a nulidade do despacho decisório; Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 (ii) subsidiariamente, caso não seja este o entendimento, requer que as retenções na fonte de IRPJ realizadas no ano-calendário 2012 (código 8045) sejam reconhecidas, possibilitando, assim, a homologação integral das compensações pleiteadas, tendo em vista a suficiência dele para quitar todos os débitos declarados, com a consequente extinção do crédito tributário consubstanciado nos Processos de Cobrança em epígrafe, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário Nacional; 47. Ademais, em atenção ao princípio da eventualidade, requer-se a conversão do julgamento em diligência, conforme exposto anteriormente, bem como que seja deferida a posterior juntada de documentos complementares”. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que o atos administrativo é nulo arguindo que foram violados princípios constitucionais. Contudo, o Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. Ademais, também não prospera a alegação da Recorrente de que a ausência de fiscalização anterior ao despacho decisório teria lhe impedindo de exercer o seu amplo direito de defesa. Porém, tal proposição não se confirma, afinal, a emissão do Despacho Decisório é ato unilateral, inquisitório razão pela qual o agente fiscal pode verificar a existência do crédito tributário com os elementos que dispuser, inclusive, sem a participação do sujeito passivo, vejamos que ainda não há litigio instaurado, muito menos direito ao contraditório e à ampla defesa, a teor da Súmula CARF nº 162: Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 Súmula nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Outrossim, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Em suma, as formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Desse modo, a nulidade suscitada não merece acolhida. Diligência A Recorrente diz que o prazo de produção de provas deve ser devolvido. Sobre a diligência, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito com inserção de todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar. Opera-se a preclusão do direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 15, art. 16, art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que determinam critérios de aplicação do princípio da verdade material. Assim, tendo em vista o princípio da concentração da defesa, a manifestação de inconformidade deve conter todas as matérias litigiosas e instruída com os elementos de prova em que se justificar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. A lei prevê meios instrutórios amplos para que o julgador venha formar sua livre convicção motivada na apreciação do conjunto probatório mediante determinação de diligências quando entender necessárias com a finalidade de corrigir erros de fato e suprir lacunas probatórias. Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 As autoridades administrativa e julgadora de primeira instância analisaram detidamente todos os elementos constantes nos registros internos da RFB e aqueles colacionados em sede de manifestação de inconformidade. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). A realização desse meio probante é prescindível, uma vez que os elementos produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio e formação do livre convencimento motivado do julgador. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, conforme art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 Retenção na Fonte. Súmulas CARF nºs 80 e 143 O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Ressalte-se que o regime de competência rege a matéria, já que, repita-se, na apuração do saldo negativo de IRPJ “a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”. Fl. 267DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 O IRRF, código 8045, refere-se às importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços de propaganda e publicidade (art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 1,5% (um e meio por cento). O beneficiário é a pessoa jurídica prestadora do serviço e o imposto é recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito, conforme as Súmulas CARF nº 80 e nº 143 em cuja apuração do saldo negativo foram deduzidas as retenções de tributos, conforme o acervo fático-probatório composto por comprovantes de pagamento – e-fls. 109/120 e demonstrativos de recolhimento detalhados por CNPJ – e-fls. 121/152 , que totalizam o mesmo montante que foi declarado em sua DIPJ, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte recolhido no período. Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 268DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-004.274 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.985469/2018-35 Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80 e nº 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 269DF CARF MF Original

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Numero do processo: 11020.904347/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-002.611
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que os autos sejam devolvidos à unidade de origem com as seguintes instruções: (i) suspender o andamento deste processo até que uma decisão definitiva seja proferida no PA 11020.723906/2013-15; (ii) avaliar as implicações da decisão definitiva proferida naquele processo sobre este caso e elaborar um parecer conclusivo; (iii) notificar a contribuinte para manifestar-se no prazo de 30 dias; e após, (iv) devolver os autos ao CARF para conclusão do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.602, de 26 de outubro de 2023, prolatada no julgamento do processo 11020.904336/2012-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, Aniello Miranda Aufiero Junior, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-02-16T14:45:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-02-16T14:45:23Z; Last-Modified: 2024-02-16T14:45:23Z; dcterms:modified: 2024-02-16T14:45:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-02-16T14:45:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-02-16T14:45:23Z; meta:save-date: 2024-02-16T14:45:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-02-16T14:45:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-02-16T14:45:23Z; created: 2024-02-16T14:45:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-02-16T14:45:23Z; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-02-16T14:45:23Z | Conteúdo => 0 S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11020.904347/2012-53 Recurso Voluntário Resolução nº 3302-002.611 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2023 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Recorrente MARCOPOLO SA Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que os autos sejam devolvidos à unidade de origem com as seguintes instruções: (i) suspender o andamento deste processo até que uma decisão definitiva seja proferida no PA 11020.723906/2013-15; (ii) avaliar as implicações da decisão definitiva proferida naquele processo sobre este caso e elaborar um parecer conclusivo; (iii) notificar a contribuinte para manifestar-se no prazo de 30 dias; e após, (iv) devolver os autos ao CARF para conclusão do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.602, de 26 de outubro de 2023, prolatada no julgamento do processo 11020.904336/2012-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, Aniello Miranda Aufiero Junior, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que <denegara/acolhera em parte> o Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins Não-Cumulativa – Mercado Interno, referente ao RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 04 34 7/ 20 12 -5 3 Fl. 848DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.611 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.904347/2012-53 3° trimestre/2008, no montante de R$ 4.648.719,69, associado a Declaração(ões) de Compensação. Irresignada com o reconhecimento parcial do crédito solicitado (R$ 4.540.782,31) a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade contra a homologação parcial da compensação sob os seguintes argumentos, em síntese: a) Preliminarmente, em relação ao período que permeia janeiro de 2008 a outubro de 2008 (inclusive), já houve a decadência do poder-dever do Fisco de constituir o crédito tributário, porquanto o auto de infração originário e o despacho decisório por meio desta enfrentado somente foram notificados à empresa-contribuinte em novembro do corrente ano, estando, assim, extintos quaisquer créditos tributários que poderiam ser deles originados (art 150, § 4°, c/c art, 156, V, ambos do CTN) tanto aqueles que eventualmente decorram de glosas de créditos (de PIS/COFINS) como também aqueles outros originados da insuficiência de recolhimentos (receitas que não haviam sido tributadas à época); b) o serviço de frete dos chassis pertencentes a terceiros - custeado pela Manifestante e pago a empresa nacional, enquadra-se, sem sombra de dúvidas, no conceito de "insumo" extraído do art. 3°, II, das Leis 10.833/03 e 10.637/02, servindo, portanto, como fonte geradora de créditos de PIS e COFINS; c) da mesma forma, por sua essencialidade, o serviço de frete indispensável ao descarte dos resíduos e o tratamento de efluentes deve possibilitar a tomada de créditos de PIS e COFINS, tudo na linha que vem sendo adotada pelo E. CARF; d) o valor dos alugueis de imóveis pagos a empresas nacionais deve englobar todo e qualquer gasto decorrente direta ou indiretamente da relação jurídica mantida entre locador e locatário, razão pela qual, estando embutidos em tal preço (valor do aluguel), por previsão contratual, despesas relativas a condomínio e IPTU, por exemplo, deverão estas e todas mais servir ao cálculo dos créditos de PIS e COFINS decorrentes do art. 3o, IV, das Leis ns, 10.833/03 e 10.637/02. e) o cálculo por si promovido à obtenção dos créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento, inclusive no que tange ao rateio proporcional dos créditos originados de devoluções, está correto, nada havendo a justificar os ajustes pretendidos pelo respeitado Auditor-Fiscal (inclusive a pretendida "reclassificação" dos créditos de devoluções); f) o total do valor efetivamente recolhido a título de PIS IMPORTAÇÃO e COFINS IMPORTAÇÃO pode ser compensado com débitos de PIS e de COFINS. g) Requer, outrossim, a realização de toda e qualquer prova em direito admitida, em especial a realização de diligência, caso pareça-lhes necessária à comprovação de qualquer dos fatos conducentes a reforma do Manifestação. A DRJ, por meio do acórdão nº 03-086.126, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme a ementa a seguir, em síntese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. Fl. 849DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3302-002.611 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.904347/2012-53 PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM FABRICADO/PRODUZIDO. Geram crédito de PIS e Cofins, descontáveis do valor devido da contribuição e compensáveis, as aquisições de qualquer bem ou serviço aplicados no processo produtivo. O conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não- cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. FRETES NA AQUISIÇÃO DO BEM. Apesar de não haver previsão expressa, inclui-se o frete da aquisição de insumos ou bens para revenda na base de cálculo dos créditos, visto que o mesmo integra o custo de aquisição do bem. Ou seja, se a aquisição do bem gera direito ao crédito, o frete pago à pessoa jurídica e suportado pelo adquirente do bem, por integrar tal custo de aquisição, também dará direito a crédito. In casu, a empresa está pleiteando crédito de contratação de transporte de mercadorias de terceiros (o fabricante de carrocerias não é adquirente das estruturas de chassis, os clientes e futuros proprietários dos ônibus adquirem de outras indústrias e colocam a disposição deste para montagem da carroceria, definindo o produto final o veiculo ônibus), isso não se encaixa no preceito legal de creditamento da contribuição, pois a contribuinte não é adquirente do bem. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligência, quando entendê-la necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis. Ciente da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, como preliminar, a aplicação do instituto da homologação tácita, uma vez que se passaram mais de 05 (cinco) anos a partir da data de entrega da declaração. Além disso, de forma substantiva, ela reitera suas alegações de defesa. Este é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72. Conforme mencionado anteriormente, a Recorrente pleiteia o reconhecimento e a aplicação do instituto da homologação tácita. Segundo ela, o prazo de 05 (cinco) anos a partir da data da entrega da declaração ocorrida em 18.11.2008 (PER 41341.49417.181108.1.5.08-0561) foi ultrapassado, e a cientificação do despacho decisório ocorreu em 25.11.2013. Não obstante os argumentos apresentados pela Recorrente, não procede o pedido de homologação tácita, uma vez que a cientificação do contribuinte Fl. 850DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3302-002.611 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.904347/2012-53 ocorreu dentro do prazo de 05 (cinco) anos. Para efeitos de contagem do prazo decadencial, estabelecido no §5º do artigo 74 da Lei nº 9.4360/1996, a data relevante é a da transmissão da declaração de compensação e não do pedido de ressarcimento. Neste caso, a PER/DCOMP 04961.02126.261108.1.7.08-6000 foi protocolada em 26.11.2008, respeitando, portanto, o prazo de 05 (cinco) anos estipulado no referido dispositivo. É importante destacar que a legislação apenas estabelece um prazo legal para a homologação da compensação declarada (Dcomp), conforme disposto no art. 74, § 5º, da Lei n° 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (grifei) Por outro lado, o sujeito passivo defende a adoção de um prazo quinquenal, a partir da data de apresentação do Pedido de Ressarcimento, para que a Fazenda Pública analise a legitimidade dos créditos. Isso não se sustenta, pois, conforme já discorrido, o único prazo ao qual a Administração Tributária está sujeita é o da homologação tácita da declaração de compensação, expressamente definido em lei (conforme transcrito acima). Dessa forma, o exame da legitimidade dos créditos não possui um prazo legalmente definido, logo, o direito da Fazenda Pública de examinar toda a documentação relacionada ao crédito pretendido, a fim de verificar o montante de crédito ao qual tem direito, não decai. Sob um ponto de vista diferente, mas com a mesma conclusão, observa-se que, se a compensação (uma situação que exclui o crédito tributário) só pode ser regulamentada por lei, da mesma forma, por analogia, o respectivo crédito que dela decorre também só pode ser tratado por meio de lei. Portanto, qualquer definição de prazo para a análise de pedidos de ressarcimento exigiria a existência de uma lei que o estabelecesse, o que, no sistema jurídico atual, não existe. Portanto, é válida a verificação, a qualquer momento, do montante ao qual o requerente de créditos contra a Fazenda Nacional tem direito, devido à sua liquidez. Nesse mesmo sentido, mencionam-se as seguintes decisões administrativas: Acórdão DRJ/BHE nº 02-92.577 de 09/04/2019 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial de que trata o art 150 do CTN destina-se unicamente ao Fisco para fins de formalização do lançamento tributário, não sendo aplicável ao exame de pedidos de restituição/ressarcimento. Acórdão DRJ/SPO nº 16-86.785 de 28/03/2019 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERIFICAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 851DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3302-002.611 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.904347/2012-53 O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão CARF nº 3303-002.243 de 17/04/2019 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de ressarcimento no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de declaração de compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. Acórdão CARF nº 3002-000.601 de 19/02/2019 RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados. Nesse sentido, rejeita-se a preliminar de decadência arguida pela Recorrente. No mérito, constata-se que o direito creditício da Recorrente está condicionado ao resultado do julgamento proferido nos autos do PA 11020.723906/2013-15, no qual ocorreu a lavratura de Auto de Infração e a reconstituição da escrita fiscal, como segue: Da análise da demanda, mediante emissão dos MPFs 1010600.2012.00551e 10106.00-2013-00690, resultou a lavratura de Autos de Infração de COFINS e de PIS, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, consubstanciados no processo aclminstrativo protocolado sob o n° 11020.723906/2013-15, cuja ciência do contribuinte ocorreu na data de 21 de novembro de 2013, os quais reduziram os saldos credores do período conforme tabela abaixo (linhas 32 a 37). Como se vê, a decisão proferida no processo nº 11020.723906/2013-15, envolvendo questões correlatas, poderá, se for parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validar parcial ou totalmente o crédito que ele apurou e modificar o despacho que homologou parcialmente o pedido de compensação/ressarcimento. Nesse contexto, é evidente que a decisão tomada no processo administrativo nº 11020.723906/2013-15 terá implicações neste caso. Portanto, é necessário avaliar o impacto daquela decisão neste processo. Diante do exposto, proponho que os autos sejam devolvidos à unidade de origem com as seguintes instruções: (i) suspender o julgamento deste processo até que uma decisão definitiva seja proferida no PA 11020.723906/2013-15; (ii) avaliar as implicações da decisão definitiva proferida naquele processo neste caso e elaborar um parecer conclusivo; (iii) notificar o contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias; e (iv) devolver os autos ao CARF para julgamento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela Fl. 852DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3302-002.611 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.904347/2012-53 consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que os autos sejam devolvidos à unidade de origem com as seguintes instruções: (i) suspender o andamento deste processo até que uma decisão definitiva seja proferida no PA 11020.723906/2013-15; (ii) avaliar as implicações da decisão definitiva proferida naquele processo sobre este caso e elaborar um parecer conclusivo; (iii) notificar a contribuinte para manifestar-se no prazo de 30 dias; e após, (iv) devolver os autos ao CARF para conclusão do julgamento. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 853DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13601.000016/2001-84
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 204-00.204
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Jorge Freire e Nayra de Bastos Manatta.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: FLAVIO DE SÁ MUNHOZ

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DRJ em Juiz de Fora - MG Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF FL MO D F AZEN) 2 Q CC 01••■••••10•10....... IIMPROe...11.1 CC,INFERE 001.4 0 ORIGINAL BR ASiLIA RESOLUÇÃO N° 204-00.204 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEKSID DO BRASIL LTDA. RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Jorge Freire e Nayra de Bastos Manatta Sala das Sessões, em 29 de maw de 2006. HenriqueinIeiro Torres " Presidente Flávio de á Munhoz Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Roberto Velloso (Suplente), Júlio César Alves Ramos, Mauro Wasilewski (Suplente) e Adriene Maria de Miranda. 1 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl. Processo n° : 13601.000016/2001-84 Recurso n9 : 132.344 oftl,A.74N. iam-2 --Wc"EPtC.ML: TEKSID DO BRASIL LTDA. CONFtEgE Cuo BRASLIA ; RELATÓRIO ata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI. Conforme Relatório da DRJ em Juiz de Fora — MG, "os créditos apontados têm origem no Decreto-lei n° 491/69 (artigo 5°), na Lei n° 8.402/92 (artigo 1°, inciso II), na Portaria MF no 38/97 (crédito presumido), alem de créditos do 'mercado interno". 0 valor objeto do pedido de ressarcimento foi objeto de compensação com outros tributos. A autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento, apontando "irregularidades na apuração do crédito presumido de IPI, tanto no que tange ao cálculo da receita de exportação quanto à apuração dos valores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo", além de ter indicado que "o estabelecimento se aproveitou de créditos de IPI irregulares, tendo efetuado crédito em duplicidade, além de ter lançado R$ 8.785.049,52 sem o devido amparo legal nos meses de abril de 2002 a setembro de 2003". Tendo em vista as irregularidades encontradas, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da Requerente, "encontrando para alguns períodos saldos credores inferiores Aqueles inicialmente apurados pela contribuinte, e saldos devedores para os demais períodos, motivo pelo qual lavrou o Auto de Infração n° 13603.000972/2004-99, exigindo o crédito tributário que deixou de ser pago". Em relação ao período de apuração do crédito pleiteado pelo presente processo, a DRF reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento e homologou parcialmente as compensações efetuadas. Contra a referida decisão a Requerente apresentou manifestação de inconformidade requerendo que: (i) o presente pedido de ressarcimento fosse julgado conjuntamente com o processo relativo ao Auto de Infração n° 13603.000972/2004-9; (ii) as receitas de exportação que a fiscalização entendeu como decorrentes de vendas de produtos adquiridos de terceiros são, na realidade, receitas de exportação de produtos por ela industrializados para clientes no exterior que não integram o seu grupo empresarial; (iii) são indevidas as exclusões efetuadas pela fiscalização do valor relativo a energia elétrica, serviços de telecomunicações e serviços de transporte. Sustentou, ainda, que o conceito de "insumo" para efeito de cálculo do crédito presumido de WI deve ser extraído da legislação atinente A Contribuição ao PIS e A Cofins, na qual há expressa previsão de créditos sobre o valor da energia elétrica e do serviço de telecomunicações. Por fim, informa que a própria fiscalização reconhece que o valor do serviço de transporte integra o custo de aquisição do produto quando for incluído no seu preço final, e que o agente fiscal apenas segregou os CFOP relativo ao transporte estadual e interestadual e não demonstrou que os custos com transporte que foram glosados se referem a aquisições FOB. A DRJ em Juiz de Fora — MG deu provimento parcial A manifestação de inconformidade, corn fundamento em diligência realizada pela autoridade administrativa, reconhecendo que as receitas de exportação estavam corretamente calculadas, posto que não 2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MF Fl. Processo Recurso : 13601.000016/2001-84 : 132.344 rt.. 1A FAZE.11aViam sido ncluidas nelas receitas decorrentes da venda de produtos adquiridos de terceiros, e produtos por ela fabricados por encomenda de clientes no exterior. A decisão recorrida reconheceu que o "custo com transporte (...) integra a base de dito presumido de IPI se for cobrado do adquirente, ou seja, se estiver incluído no uto. No_easo de frete pago pelo adquirente a terceiros que sejam pessoas jurídicas CONFERE CCM Pas.(1:eÇP4a7 s BRASILIA /4 cálculo do c isTcprego do pro contrt umtes do PIS e COFINS, a legislação admite que o valor do frete integre a base de cálculo do crédito presumido desde que o 'conhecimento de transporte' emitido seja vinculado única e exclusivamente a. nota fiscal de aquisição do insumo". No entanto, negou o direito Recorrente de incluir o custo com transporte no cálculo do crédito presumido de IPI em razão dela não ter comprovado que o custo do transporte foi incluído no preço dos insumos adquiridos. Por fim, a DRJ nega o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de energia elétrica e telecomunicações. Contra a referida decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, devidamente acompanhado de arrolamento de bens, nos termos do disposto no § 70 do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 264/2002, no qual reiterou e reforçou seus argumentos expendidos na impugnação. o relatório. 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF FL Processo nQ : 13601.000016/2001-84 Returso 412.— 132.344 WC OA FA7ENf:!A - 2' ) CC CONFER:a. CM O ORIGINAL BRASILIA ..... VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FLAVIO DE SA MUNHOZ Trata-se de pedido de ressarcimento de 'PI. Após a apreciação do pedido pela autoridade administrativa e pela DRJ em Juiz de Fora - MG, resta controvérsia em relação possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins, previsto na Lei n° 9.363/96, do valor relativo as aquisições de (i) energia elétrica, (ii) serviços de telecomunicações e (iii) serviços de transporte. Apesar de reconhecer o direito a inclusão do custo com transporte na base de cálculo do crédito presumido de IPI, se este for cobrado do adquirente, ou seja, se estiver incluído no preço do produto, a decisão recorrida negou o direito a Recorrente sob o fundamento de que não houve comprovação de que o custo do transporte foi incluído no preço dos insumos adquiridos. Vale ressaltar que consta dos autos do presente processo diligência fiscal realizada pela Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Contagem — MG por determinação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora — MG nos autos do processo administrativo relativo ao Auto de Infração n° 13603.000972/2004-9, que solicitou: "(a) esclarecimentos quanto a reconstituição da escrita fiscal do IPI que conduziram ao lançamento de débitos no encerramento de janeiro de 2004 no valor de R$ 1.636.143,45; (b) comprovar a inexistência de receitas de revendas para exportação; e (c) comprovar a existência de receitas de exportação em novembro e dezembro de 2002". O relatório da diligência acima mencionada foi anexada aos autos do presente processo, tendo em vista que "traria reflexos na apreciação do objeto do pedido de ressarcimento de IPI de que trata este processo". Pelo que consta dos autos do presente pedido de ressarcimento, a diligencia efetuada não analisou se os custos de transportes estavam ou não incluídos no preço dos insumos adquiridos pela Recorrente. Não consta dos autos qualquer intimação da fiscalização para que fossem apresentados elementos relativos a inclusão ou não do valor do transporte no prego dos insumos adquiridos, pelo que não há como afirmar se a glosa foi corretamente efetuada pela fiscalização. Assim, para a solução da questão controvertida nos presentes autos, necessário analisar se o valor do custo do transporte que foi glosado pela fiscalização da base de cálculo do crédito presumido de IPI estavam ou não incluídos no preço dos insumos adquiridos. Necessária, desse aspecto, a realização de diligencia. Com estas considerações, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que a autoridade fiscal: intime a Recorrente a prover aos autos cópia dos conhecimentos de transporte relativos aos serviços de transporte contratados para aquisição de insumos, a fim de verificar se o valor do frete integrou o prego de aquisição das matérias-primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários; Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF FL Processo ng : 13601.000016/2001-84 Recurso nik : 132.344 identifique do valor relativo ao transporte incluído pela Recorrente no CONFERE COM 0 ORiGiNAL cálculo original do crédito presumido de IPI quanto integrou o prego dos BRASLIA insumos adquiridos; ( ii) intime a Recorrente a declarar expressamente, e sob as penas da lei, se o custo do valor do transporte dos insumos integraram o prego dos insumos adquiridos no período. Finda a diligência, seja oferecida oportunidade ao sujeito passivo de manifestar- se, caso queira, sobre o resultado desta antes do retorno dos autos a este Colegiado. como voto. Sala das Sessões, em 29 de março de 2006. FLÁVIO DE Sit. MUNHOZ 1.••••■ •••■ MIN. DA 5

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Numero do processo: 10410.723983/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2010, 2011 TRANSFERÊNCIA DA RESPONSABILIDADE PARA O CONTADOR. IMPOSSIBILIDADE. Tanto a legislação tributária (art. 135, inciso II, do CTN) como a legislação civil (art. 1.177 do CC) admitem a inclusão, em determinadas situações, do contador como responsável solidário, mas sem excluir a responsabilidade do contribuinte pelas infrações cometidas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE APÓS O LANÇAMENTO. LIMITES A Retificação somente pode ser admitida se comprovado erro, e antes do início do processo de lançamento de ofício. Depois do início do procedimento fiscal, não é mais possível a retificação, quando vise a reduzir ou excluir tributo”
Numero da decisão: 2402-012.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso voluntário interposto e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Rigo Pinheiro e Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO RIGO PINHEIRO

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IMPOSSIBILIDADE. Tanto a legislação tributária (art. 135, inciso II, do CTN) como a legislação civil (art. 1.177 do CC) admitem a inclusão, em determinadas situações, do contador como responsável solidário, mas sem excluir a responsabilidade do contribuinte pelas infrações cometidas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE APÓS O LANÇAMENTO. LIMITES A Retificação somente pode ser admitida se comprovado erro, e antes do início do processo de lançamento de ofício. Depois do início do procedimento fiscal, não é mais possível a retificação, quando vise a reduzir ou excluir tributo” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso voluntário interposto e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Rigo Pinheiro e Francisco Ibiapino Luz (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 39 83 /2 01 4- 91 Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.499 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.723983/2014-91 Relatório Em desfavor de EDUARDO GONDIM CARNEIRO DE ALBUQUERQUE foi lavrado Auto de Infração, que lhe exige um Crédito Tributário no valor de R$ 1.396.232,55, sendo R$ 606.901,35 relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Física, R$ 32.894,05 aos Juros de Mora (calculados até 10/2014), R$ 455.176,01 de Multa de Ofício e R$ 301.261,14 de Multa Exigida Isoladamente. No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fls. 04 a 05, é informado que, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, foram apuradas as seguintes infrações: 0001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA Redução da base de cálculo do imposto de renda apurado na Declaração de Ajuste Anual com dedução a título de Livro Caixa, pleiteada indevidamente, conforme termo de verificação fiscal, relativo a fatos geradores de 31/01/2013 a 31/12/2013, aplicada com multa de ofício de 75%. 0002 MULTAS APLICÁVEIS À PESSOA FÍSICA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO O contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), motivo pelo qual se aplica a presente multa isolada, relativa a fatos geradores de 31/01/2013 a 31/12/2013, aplicada com multa de ofício de 50%. No "Relatório Fiscal", fls. 13 a 23, a Fiscalização informou em detalhes as razões pelas quais efetuou o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, fls. 60 a 62, apresenta os seguintes argumentos de direito, que se reproduz em transcrição: “II.1 PRELIMINAR Preliminarmente, o que se sucedeu foi um erro, por parte do antigo contador do contribuinte, decorrido de sua imperícia ou de sua negligência, que lançou na coluna de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular, valores a mais do que realmente recebera o contribuinte e, lançamentos em Livro-Caixa, de despesas inexistentes. Cabendo, portanto, retificação da Declaração. Por outro lado, em decorrência de diligências de fiscalização tributária, que bloqueou as operações de retificação, o contribuinte encontra-se impossibilitado de executar por conta própria os procedimentos de retificação de sua declaração. Por isso, o contribuinte autuado pede a anulação de lançamento de crédito tributário existente, em consequência do preenchimento errado da declaração. Neste crivo, há inexorável necessidade de retificação com lançamentos de dados corretos de rendimentos, conforme cópia anexa formalizada de declaração retificadora, por parte do impugnante. II.2 - MÉRITO O simples fato de lançamento errático na retrocitada coluna de rendimentos naquela declaração, não impõe ser absolutamente irretratável, devendo sim o contribuinte ter a Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.499 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.723983/2014-91 oportunidade de retificá-la, posto tempestivo, com prazo quinquenal, uma vez que cometeu um erro material. 0 agente fiscalizador prescindiu o fato de que o contribuinte é sócio-administrador de sua empresa (cópia do Contrato Social anexo), tendo como exclusiva atuação profissional a de empresário industrial. Por conseguinte, depende de orientações especializadas de profissionais competentes na área contábil, sob pena de que qualquer cometimento de erros ou equívocos, submeterá o contribuinte ao constrangimento de receber dispensáveis intimações de auto de infração fiscal. Perante tal atitude desidiosa do antigo profissional contábil, mesmo assim não há afastamento de responsabilidade dos deveres tributários do contribuinte (art. 136 do CTN), no que pese ser objetiva, ainda assim admitem-se temperamentos na sua interpretação, diante da possibilidade de aplicação da equidade e do princípio da lei tributária in dúbio pro contribuinte (arts. 108, inc. IV, e 112, do CTN). Com efeito, causa ofensa ao art. 10, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72, pois o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Sendo que uma vez corrigido tal malogro não há mais do que se dizer acerca de gravames fiscais suscitados contra o contribuinte”. Em 08 de fevereiro de 2021, a 6ª Turma da DRJ05 entendeu por bem julgar improcedente a impugnação apresentada, com manutenção do crédito tributário lançado, com fundamento das razões de fato e de direito, as quais podem ser vistas na ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011 TRANSFERÊNCIA DA RESPONSABILIDADE PARA O CONTADOR. IMPOSSIBILIDADE. Tanto a legislação tributária (art. 135, inciso II, do CTN) como a legislação civil (art. 1.177 do CC) admitem a inclusão, em determinadas situações, do contador como responsável solidário, mas sem excluir a responsabilidade do contribuinte pelas infrações cometidas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE APÓS O LANÇAMENTO. LIMITES A Retificação somente pode ser admitida se comprovado erro, e antes do início do processo de lançamento de ofício. Depois do início do procedimento fiscal, não é mais possível a retificação, quando vise a reduzir ou excluir tributo”. A partir da folha 96, o contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, tempestivamente, reiterando as mesmas razões de fato e de direito delineadas no seu instrumento impugnatório, sem qualquer inovação recursal. Não houve apresentação de contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o Relátório. Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.499 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.723983/2014-91 Voto Conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro, Relator. O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Considerando que não houve inovação recursal, adoto as razões da decisão recorrida a fim de confirmá-la, nos termos do inciso I, §2º, do artigo 114 do novel RICARF, a qual transcrevo abaixo: “DA TRANSFERÊNCIA DA RESPONSABILIDADE PARA O CONTADOR O impugnante tenta transferir para o seu contador a responsabilidade pelas infrações cometidas, alegando sua incompetência e/ou negligência. Neste ponto observe-se que o art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei nº 4.657/1942) estabelece que “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”. Velho brocardo latim já sentenciava “nemini excusat ignorare legem” (a ignorância da lei não exime da responsabilidade pela transgressão de seus preceitos). Especificamente no âmbito do Direito Tributário, o art. 136 do Código Tributário Nacional estabelece que “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Da mesma forma, não se pode transferir a responsabilidade pelas infrações cometidas ao contador da empresa. Nesse aspecto, nos termos da legislação tributária vigente, o contador poderia ser responsabilizado, apenas e tão somente, se enquadrasse em uma das hipóteses previstas no art. 135, caput e inciso II, do CTN, desde que comprovado que agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Porém, mesmo nesta hipótese, a atribuição de responsabilidade seria solidária, e não exclusiva (Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009). Também nesse sentido é o art. 1.177 do Código Civil, ao tratar dos registros de natureza contábil, nos quais poderíamos enquadrar o livro caixa e as declarações de rendimentos, consigna: (...) Desse modo se ocorreram erros ou equívocos no preenchimento da DIRPF ou livro caixa, promovidos pelo seu preposto, o contador, isto não escusa o contribuinte de sua responsabilidade. Destarte, não há como acolher a tese do defendente para exclusão de sua responsabilidade sobre o crédito tributário lançado. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO O impugnante almeja retificar sua declaração. Apresentando para tal com sua impugnação nova declaração retificada, desacompanhada de qualquer elemento probatório. Afirma que na declaração por erro constariam receita a mais do que efetivamente recebeu e teria registrado despesas inexistentes. Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-012.499 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.723983/2014-91 Nesse sentido dispõe o artigo 147, § 1º do CTN, que trata sobre a possibilidade de o contribuinte retificar a declaração visando a redução ou exclusão do tributo. Confira-se: (,,,) No âmbito do processo administrativo fiscal a declaração retificadora, entregue após iniciado o procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, porquanto após o início do procedimento fiscal a espontaneidade do sujeito passivo encontra-se excluída. É nesse sentido, aliás, que prescreve a Súmula CARF n. 33, cuja redação transcrevo abaixo: (...) Por outra perspectiva de acordo com o artigo 832 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n◦ 3.000/99, vigente à época dos fatos geradores, a retificação da declaração de ajuste anual poderia ser realizada em período anterior ao início do processo de lançamento de ofício. Confira-se: (...) Acrescente-se, por pertinente, que não há como se cogitar pela formalização de novo lançamento com fundamento na verdade material tendo em vista que a autoridade judicante não tem competência para tanto, sem contar que o lançamento, enquanto procedimento que visa verificar a ocorrência do fato gerador, vide artigo 142 do CTN, é imodificável e apenas pode ser alterado, nos termos do artigo 145 do CTN, em virtude de impugnação do sujeito passivo, recurso de ofício e iniciativa de ofício da autoridade administradora, de acordo com os casos previstos no artigo 149 do CTN. A rigor, é bem verdade que a autoridade judicante apenas tem competência para examinar o lançamento tal como formulado, consoante se observa do artigo 25, I e II do Decreto n. 70.235/72. Assim, uma vez realizada sua declaração, o contribuinte sujeita-se aos efeitos jurídicos da mesma. Acrescente-se, ainda, que a alteração da declaração após o lançamento não pode ser admitida neste processo, pois as exclusões pretendidas das receitas não decorrem de mero erro de preenchimento pelo contribuinte, mas sim de verdadeira retificação da sua declaração. A pertinência de retificação de declaração regularmente apresentada pelo contribuinte, a menos que fosse o caso de mero erro de preenchimento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação desta DRJ, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade administrativa, o que poderia macular de nulidade o aqui decidido por vício de competência. Portanto, além da vedação legal de alteração, não cabe discussão acerca da exclusão de receitas, o que significaria autorizar a retificação da declaração do contribuinte (revisão de ofício do lançamento), competência não atribuída a este órgão julgador. Ante ao exposto, resta-me julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-012.499 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.723983/2014-91 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, a fim de afastar a preliminar exarada e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro Fl. 108DF CARF MF Original

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