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Conferencia final de manifesto-Acres cimo de mercadoria. Multa fixa: va- lor vigorante na data do procedimen- to fiscal. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Venci- dos os Conselheiros Luiz Carlos Nogueira (Relator) e Paulo Casar de A- vila e Silva.dosig cic, relator para o AcOrdão o Cons. Hindemburgo Do- bal Teixeir.d ir (- Sala das ^:ss6-z, ir . (DF,) em 30 de abril de 1982., _ /1 ti. _ À AMADOR O ' 0 F "NANDEZ - PRESIDENTE 6,1" 1110B ,IXEI", -HINDEMBUR O RELATOR DESIGNADO ,0 il0" LUIZ ERNANDO O'IV IRA'oE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento,os seguintes Conselheiros: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, PAULO DE ALMEIDA, EDWALDO REIS DA - SILVA E SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/051.349/81-43 RECURSO N.° : RP/ 302-0.147 ACÓRDÃO N.° : CSRE1 03-0.926 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMÁNN RELATÓRIO O Sr. Procurador da Fazenda Nacional junto à Segun- da Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes pleitea a reforma de decisão daquela Câmara onde ficou decidido que, no caso de acres cimo de volume ao manifesto, a multa fixa prevista no art. 107,VII, do D.L. n9 37/66 deve ser aplicada em seu valor vigorante à data da descarga do navio. Alega o Sr, Procurador, em resumo, que a atualiza - ção da multa corresponde à correção monetária instituída pela Lei n9 4.357/64 e que a jurisprudência firmada pelo Terceiro Conselho de Contribuintes e pela Cãmara Superior de Recursos Fiscais ê a de que a data de referência para o cálculo do tri:0 to, na espécie, e a do início da conferência final do manife 2 o relateirio. D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/051.349/81-43 3. Acórdão n9-CSRF/03-0.926. VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO LUIZ CARLOS NOGUEIRA A questão suscitada no processo e a de saber-se que aliquota e taxa de câmbio devem ser aplicadas para cálculo do impos to, no caso do fato gerador ficto estabelecido no parágrafo único do art. 19 do Decreto-lei n9 37/66. Este, depois de estabelecer, concorde com o C.T.N., g ' que o fato gerador do Imposto de Importação é a entrada da mercado- ria estrangeira no território nacional (caput do art. 19) estatue - no seu parágrafo único, a figura do mesmo fato gerador,porem ficto, ao considerar, para efeito da ocorrência do fato gerador, como en- trada no território nacional, a mercadoria que constar como tendo sido importada, mas posteriormente achada em falta. Esse dispositi- vo se apoia no art. 116 do C.T.N., pois considera ocorrido o mesmo fato gerador quando se reúnem as circunstâncias materiais constan- te do manifesto, do conhecimento de carga ou documentos equivalen- tes necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios, ou sejam, a descarga da mercadoria, sua entrada no terri- tório nacional. E nenhuma disposição do Decreto-lei 37/66 ou de ou- tra qualquer lei dispõe em contrário. E portanto estatue que o mesmo fato gerador ficto ocorre no momento estabelecido no caput do art. 19. O fato de haver empregado o mesmo parágrafo único a expressão "cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduanei-- ra", aliado à redação do art. 23 parágrafo único, tem levado à in- terpretação segundo a qual o fato gerador do imposto ocorre no mo- mento em que a autoridade aduaneira apura a falta referida, resul- tando daí conclusão de que a alíquota e taxas cambiais a aplicar se jam as daquele momento. Tal interpretação, data vênia, não eecont. apoio na lei, no direito e nas regras de hermenêutica. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/051.349/81-43 4. . AcOrdão n9-CSRF/03-0.926. Com efeito, uma mercadoria consta como tendo sido importada quando constante de manifesto, conhecimento de carga ou documento equivalentes, e desde o momento em que o veículo condu- tor (navio, avião etc...) entra no porto ou local a que, segundo tais documentos, se destina tem mercadoria, e a autoridade adua- neira recebe tais documentos. Recebendo, outrossim, as folhas de descarga das mercadorias tem, nesse momento, conhecimento de qual quer falta de mercadorias que deveria ter sido descarregada. Aquele, o momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, tendo para as mercadorias efetivamente descarregadas, como para aquelas que porventura venham a ser en- contradas em falta; com relação ãs últimas, o fato gerador é fic- to, isto é, considera-se a mercadoria em falta como realmente en- trada no territOrio nacional, entrada que ocorre desde o momento em que ocorreria o fato gerador real se não houvesse a falta. Interpretar-se de outra maneira, dando como ocor- rido o fato gerador ficto de que trata em outro momento, seria admitir-se a possibilidade jurídica de criar a simples lei tribu- tária fato gerador, ainda que ficto, diverso do previsto no art. 19 do COdigo Tributário Nacional - lei Complementar da Constitui- ção, de maior hierarquia. Tal possibilidade jurídica de criar a simples lei tributária fato gerador, ainda que ficto, diverso do previsto no art. 19 do COdigo Tributário Nacional - lei Complementar da Cons- tituição, de maior hierarquia. Tal possibilidade jurídica tem sido rechassada pe lo Supremo Tribunal Federal, como se vê, entre outros, dos AcOr- dãos proferidos nos Agravos n9 74.526/in DJ de 05/10/78,74.389-in DJ 10/10/78 e 74.597.1, in DJ 16/03/79, declarando este, em sua ementa, que "o artigo 23, do Decreto-lei n9 37/66, que considera ocorrido o fato gerador do Imposto de Importação na data do regis — tro na repartição aduaneira da respectiva declaração, não pode i erevalecer sobre a disposi ão sobranceira do artigo 19 do •í±igoi , 1 /v , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/051.349/81-43 5. Acórdão n9-CSRF/03-0.926. Tributário Nacional" (os grifos não são do original). Ora, se a disposição expressa de lei não pode preva lecer, muito menos simples interpretação da mesma lei que venha con- flitar com aquela disposição de lei Complementar da Constituição co- mo e o Código Tributário Nacional, Tal interpretação feriria regras elementares de her menêutica, e feriria o princípio da hierarquia das leis. Por outro lado, apurar uma falta de mercadoria pres_ supõe que a mesma tenha sido considerada como entrada, e a falta o- corrida antes de qualquer início do procedimento da apuração, o que exclue a possibilidade de se tomar como momento da ocorrência do fa to gerador o da apuração posterior do mesmo fato já antes ocorrido. O Código Tributário Nacional dispõe no art. 143 que , quando o valor tributável esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento far-se-á sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador, não havendo no Decreto-lei 27/66 qual quer disposição em contrário. . E no artigo 144, imperativamente dispõe que "o lan- çamento reporta-se â data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modifica- da ou revogada". A interpretação do parágrafo único do art. 23 do De creto-lei n9 37/66 há de ser feita em conformidade com tais disposi- ções do C.T.N., lei cogente para a União, se Estados e os Municípios, e de tais disposições não pode divergir. Ora, em nenhum momento o Decreto-lei n9 37/66, e o Decreto n9 63.431/68, dispõem de modo diverso sobre a taxa de câmbio a ser utilizada na conversão da moeda estrangeira, no caso tornando_ -se assim, obrigatória a aplicação do art. 143 do . T.N. I iif ...., ___ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/051.349/81-43 6. Acórdão n9-CSRF/03-0.926. Em nenhum momento diz que deve ser aplicada ali:- quota diversa da correspondente ao momento da ocorrência do fato gerador estabelecido no caput do art. 19 do Decreto-lei 37/66, em consonância com o art. 19 do Código Tributário Nacional. E isso se torna patente na análise do Decreto- n9 63.431/68, que regulamentando especificamente a conferência fi nal do manifesto, disp8e, expressamente, que a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigentes na data do respectivo fato gerador, que não define, limitando-se a repetir a norma do parágrafo único do art. 19 do Decreto-lei 37/66, e que os valores expressos em moeda estrangeira serão convertidos em moeda nacional ã taxa de - câmbio vigente naquela data, que, como vimos, é a prevista no caput do artigo 19 do Decreto-lei n9 37/66. Ante o exposto, dou provimento ao recurso/ - fr 101"- LUI CALe' NOGUEIRA - RELATOR. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/051.349/81-43 7. AcOrdão n9-CSRF/03-0.926 VOTO VENCEDOR DO CONSELHEIRO HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA A jurisprudência desta Câmara, realmente, já é pa- cífica sobre a matéria. A penalidade no caso deve ser aplicada em seu valor atualizado monetariamente, nos termos do art. 99 da Lei n9 4.537/64, combinado com o art. 110 do D.L. n9 37/66. O valor em causa foi atualizado por ato administrativo fundamentado em autoriza_ ção legal. Em face do exposto, dou provimento ao recurso a fim de declarar aplicâv, , no c.so, a multa em vigor na data da constituição do credito. . - Sala das,_ ess6es (DF), em 30 de abril de 1982./:5 HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA - RELATOR DESIGNADO. ._ , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.005896/2008-15
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2007
IPI. LANÇAMENTO. APURAÇÃO. LAIPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. NULIDADE.
A apuração do IPI deve partir necessariamente dos dados constantes do Livro Registro de Apuração do IPI. O lançamento que ignora o LAIPI, baseando-se apenas nos dados da contabilidade, constantes do livro razão, atropela o princípio da autonomia dos estabelecimentos, bem como o princípio da não-cumulatividade.
A fiscalização deve promover a apuração dos tributos seguindo os mesmos passos e procedimentos que o contribuinte é obrigado a seguir, em respeito à legislação tributária, para com isso aferir a verdade dos fatos e valores considerados pelo contribuinte.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-001.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº 14.303.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2007 IPI. LANÇAMENTO. APURAÇÃO. LAIPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. NULIDADE. A apuração do IPI deve partir necessariamente dos dados constantes do Livro Registro de Apuração do IPI. O lançamento que ignora o LAIPI, baseando-se apenas nos dados da contabilidade, constantes do livro razão, atropela o princípio da autonomia dos estabelecimentos, bem como o princípio da não-cumulatividade. A fiscalização deve promover a apuração dos tributos seguindo os mesmos passos e procedimentos que o contribuinte é obrigado a seguir, em respeito à legislação tributária, para com isso aferir a verdade dos fatos e valores considerados pelo contribuinte. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim Presidente Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº 14.303.
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LANÇAMENTO. APURAÇÃO. LAIPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. NULIDADE. A apuração do IPI deve partir necessariamente dos dados constantes do Livro Registro de Apuração do IPI. O lançamento que ignora o LAIPI, baseandose apenas nos dados da contabilidade, constantes do livro razão, atropela o princípio da autonomia dos estabelecimentos, bem como o princípio da não cumulatividade. A fiscalização deve promover a apuração dos tributos seguindo os mesmos passos e procedimentos que o contribuinte é obrigado a seguir, em respeito à legislação tributária, para com isso aferir a verdade dos fatos e valores considerados pelo contribuinte. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº 14.303. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 96 /2 00 8- 15 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 23/09/2008 (fls. 564/567), que formaliza a exigência de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) sobre os fatos geradores ocorridos entre 01/12/2003 a 31/01/2007. A notificação do contribuinte aconteceu em 26/09/2008 (fl. 569). Na descrição dos fatos que deram causa ao lançamento, consta do auto de infração que “Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme Termo de Verificação anexo.” (fl. 566). A conclusão da apuração dos valores é demonstrada por meio da planilha de fls. 556/557. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 590/614) alegando, em preliminar, a nulidade do lançamento por ser imprecisa a descrição dos fatos e por haver erros na apuração do imposto. Afirma que “o suposto valor apontado como devido, referente a pretensos débitos de IPI de diversos fatos geradores ocorridos no ano de 2005, foi lançado como se o IPI fosse um tributo de período de apuração anual!” (fl. 597), ocorrendo o mesmo em relação a 2007. Quanto ao mérito, argumenta a impossibilidade de se lançar débitos de IPI com base em meros lançamentos contábeis na conta de provisão do Passivo, pois tal tributo não incide sobre meras contabilizações. Alega que esses registros não contemplam o sistema de nãocumulatividade do IPI que determina a apuração do saldo entre os débitos e créditos do período. Reivindica que “É absolutamente inaceitável que as D.D. Autoridades Fiscais constituam débitos de IPI pela simples análise da DCTF e da conta de provisão de IPI a recolher no Passivo da Requerente, sem ao menos requisitar e analisar os Livros de Registro de Entradas e Saída de mercadorias ou o Livro de Apuração do IPI da Requerente” (fl. 604). Além disso, requereu produção de provas e juntou cópias dos livros fiscais para comprovação de que possui saldo credor de IPI na escrita fiscal em todos os períodos de apuração deste imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1422.362, de 20 de fevereiro de 2009 (fls.3.133/3.136), deu provimento à impugnação, cancelando integralmente o auto de infração, conforme o entendimento assim resumido em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. E nulo o auto de infração no qual não é possível identificar a origem dos valores lançados. IPI. APURAÇÃO. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005896/200815 Acórdão n.º 3403001.909 S3C4T3 Fl. 3.166 3 O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário). Lançamento Nulo Em razão da interposição de recurso de ofício pela própria Autoridade Julgadora, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF/MF. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Tratase de recurso de ofício regularmente interposto pelo Presidente de Turma da DRJ, em razão de se tratar de tributo cujo total ultrapassa o valor previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. No mérito, deve ser reafirmada a conclusão do acórdão da DRJ, que anulou o auto de infração. A apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi feita de maneira equivocada, a partir dos valores lançados na contabilidade, constantes em conta do Livro Razão. Não houve verificação do Livro Registro de Apuração do IPI, que é a ferramenta central de controle e apuração deste imposto, e que instrumentaliza e concretiza o princípio da nãocumulatividade, cuja aplicação decorre de imperativo constituicional. Merece transcrição o seguinte trecho do voto condutor do acórdão da DRJ, cujo entendimento deve receber a adesão e a reiteração deste Conselho: O autuante baseou toda a apuração do IPI devido nos lançamentos efetuados pela contribuinte nos livros contábeis. No caso do IPI, esse procedimento é inaceitável. O IPI é um imposto regido pelo principio da não cumulatividade, e sua apuração é realizada através do confronto, por período, dos débitos relativos As saídas de produtos com os créditos originados das aquisições de insumos. Além disso, o saldo credor do imposto remanescente em um determinado período de apuração, pode ser utilizado para abater débitos no período seguinte. Os lançamentos nos livros contábeis (Diário, Razão) não Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 permitem a identificação do valor de IPI devido em um determinado período de apuração. Apenas o Livro Registro de Apuração de IPI traz os subsídios necessários para a definição do IPI devido. A fiscalização nem cita o Livro Registro de Apuração. Há ainda outro aspecto relevante que foi ignorado pelo autuante. Conforme pesquisa realizada por mim nos sistemas da Receita Federal, pelas cópias dos Livros Registro de Apuração juntados pela impugnante (fls. 1017/1352), e pela cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 juntada pela fiscalização As fls. 08/47, a contribuinte possui três estabelecimentos (matriz e duas filiais) que industrializam produtos. O IPI é balizado pelo principio da autonomia dos estabelecimentos. Isso implica que a escrituração, apuração, declaração e recolhimento do IPI devem ser feitos por estabelecimento. Esse é mais um motivo pelo qual os livros contábeis não podem servir de base para a apuração do IPI, pois são centralizados na matriz. Os Livros Registro de Entradas e Saídas e o Livro Registro de Apuração de IPI são escriturados por estabelecimento, de maneira autônoma, sendo inclusive possível a existência de saldo credor de IPI em um estabelecimento, e no mesmo período, haver imposto a pagar em outro. Ressaltese que o lançamento do IPI no estabelecimento errado, como por exemplo, lançar o IPI da filial na matriz, é caso de nulidade absoluta, por erro de sujeição passiva. Por fim, constatase que não é possível, para o ano de 2004 fazer uma relação entre os valores apurados pela fiscalização nos livros contábeis e aqueles declarados pela empresa, por estabelecimento, na DIPJ 2005, ano calendário 2004 (fls 11/15 — matriz, fls. 24/28 — filial 0002, e fls. 37/41 — filial 0003), o que comprova a inadmissibilidade do critério do autuante de apurar o IPI pelos livros contábeis. Ante o exposto, voto no sentido de anular o auto de infração. Entendo ser irretocável a conclusão da DRJ no sentido da imprestabilidade do auto de infração. A Fiscalização deve promover a apuração dos tributos seguindo os mesmos passos e procedimentos que o contribuinte é obrigado a seguir, em respeito à legislação tributária, para com isso aferir a verdade dos fatos e dos valores considerados pelo contribuinte. Neste caso, no entanto, a Fiscalização colocou de lado os mecanismos específicos de controle e apuração do IPI, preferindo, talvez por comodidade, tomar os dados Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005896/200815 Acórdão n.º 3403001.909 S3C4T3 Fl. 3.167 5 de uma conta da contabilidade, auxiliar do controle do fluxo financeiro para o pagamento do IPI, comparandoa com os dados declarados em DCTF e DIPJ. Com isso, como visto, misturou a apuração de estabelecimentos distintos, atropelando o princípio da separação dos estabelecimentos, bem como ignorando a sistemática de confronto de créditos e débitos dos períodos de apuração, próprios do princípio da não cumulatividade do IPI. Por tais razões, nego provimento ao recurso de ofício. Ivan Allegretti Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13981.000283/2002-13
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento do recurso repetitivo REsp 993.164/MG, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Deve ser admitida a atualização monetária com base na taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido, em observância ao art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com base na orientação assentada no REsp nº 1.035.847/RS, julgado em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543-C Do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3401-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO DUARTE MARQUES CLETO - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Adriana Oliveira e Ribeiro
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento do recurso repetitivo REsp 993.164/MG, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Deve ser admitida a atualização monetária com base na taxa Selic desde o momento da sua apuração ou da formulação do pedido, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com base na orientação assentada no REsp nº 1.035.847/RS, julgado em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543C Do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO DUARTE MARQUES CLETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 02 83 /2 00 2- 13 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Adriana Oliveira e Ribeiro Relatório Em 25.11.2002 a contribuinte Madeireira Seleme Ltda. protocolou pedido de ressarcimento referente ao crédito presumido de IPI relativo aos insumos empregados na fabricação dos produtos exportados, de acordo com o disposto na Lei nº 9363, de 13 de dezembro de 1996, referente ao 3º trimestre de 2002 no valor de R$12.919,58. Em 29.4.2004 a DRF Joaçaba emitiu Despacho Decisório (fls. 114/115) que reconhece parcialmente o pleito da interessada, no valor de R$10.746,88, sendo que constatada a existência de qualquer débito, o valor a ressarcir deverá ser utilizado para quitar débitos em aberto em nome da contribuinte, mediante compensação em procedimento de ofício, ficando o ressarcimento em espécie restrito ao saldo resultante. A diferença entre o crédito requerido e o crédito reconhecido se deve ao fato de a contribuinte ter incluído, indevidamente, na base de cálculo para apuração do crédito, os valores de aquisições de matériaprima provenientes de pessoas físicas, valores esses glosados na verificação fiscal. Cientificada do parecer da DRF – Joaçaba em 06/10/2004, a intessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.119/126) em 20/10/2004, na qual argumenta, em síntese, que: a) A glosa efetuada no cálculo do ressarcimento com relação às aquisições de pessoas físicas é errônea, já que a Lei 9363/96 não cogita qualquer restrição ou exclusão da base de cálculo do crédito presumido. Sendo assim, deveria ser computado o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme artigo 2º da citada Lei. b) No que se refere às restrições impostas pelas IN/SRF nº 23 de 13 de março de 1997 e IN/SRF nº 103 de 30 de dezembro de 1997, há uma invasão no campo da reserva legal, portanto não poderiam ser aplicadas. A alíquota do benefício teria sido fixada em 5,37% com pressuposto de ressarcir o PIS/Pasesp e Cofins incidentes nas diversas etapas da circulação, caso contrário seria fixada em apenas 2,65% (soma das alíquotas do PIS e da Cofins então vigentes) que corresponderia apenas à operação imediatamente anterior. Portanto, não teria relevância alguma o fato de algumas compras de insumos da interessada terem sido isentas das contribuições de PIS/Pasesp e Cofins na última aquisição. Além disso, a lei visaria retirar dos produtos exportados todo o custo representado pelas referidas contribuições, agregado ao longo de toda cadeia de comercialização. A interessada, ao final de sua manifestação requereu a reforma do Despacho Decisório e o deferimento da restituição do valor integral do crédito presumido solicitado, devidamente atualizado pela taxa SELIC. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13981.000283/200213 Acórdão n.º 3401012.012 S3C4T1 Fl. 214 3 Em 03/03/2006 a DRJ POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes argumentos: a) Os insumos adquiridos de cooperativas de produtos não podem ser incluídos no Cálculo Presumido, de acordo com a da IN nº 23, de 1997, que esclarece o procedimento que deve ser adotado para evitar o possível aproveiramento do benefício além dos horizontes visualizados pela Lei. A matéria também foi objeto da IN nº 103, que, no seu art. 2º, é categórica ao afirmar que as matérias primas, produtos intermediários e matériais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Por fim, a matéria está definitivamente elucidada pelo parecer PGFN/CAT/nº 3092/2002 de 27 de setembro de 2002. b) Os Acórdãos proferidos pelo 2º Conselho de Contribuintes, citados pela defesa, são decisões isoladas daquele Colegiado, portanto não formam jurisprudência, muito menos vinculam esta intância. Em contrapartida, podese afirmar que a jurisprudência daquele conselho consagrou o entendimento aqui exposto, como no julgamento dos recursos objeto dos Acórdãos 20211449 e 20211450, em sessão de 18081999, publicados no DOU de 14/04/2000, cujas ementas, de igual conteúdo, transcrevemos abaixo: IPI CRÉDITOS PRESUMIDOS I INSUMOS ADQUIRIDOS DE PRODUTORES, COOPERATIVAS E/OU MICT Não integram a base de cálculo do crédito presumido devido a inexistência de gravame da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS nesta operação. II ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO Para que seja caracterizado como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em industrialização. A energia elétrica e os combustíveis, no caso presente, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Recurso a que se nega provimento. c) A legislação tributária distingue perfeitamente as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento. Os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o § 42 do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, amparam o abono de juros SELIC apenas nos casos de restituição e compensação. Além disso, a Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, é taxativa ao dizer, no § 22 do seu art. 38, que "não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI ". Assim, fica claro que inexiste o direito atualização dos ressarcimentos a titulo de crédito presumido do IPI, pela taxa de juros SELIC, simplesmente porque não há previsão legal nesse sentido. Em 30.4.2006 a interessada é cientificada do parecer da DRJ – POA e em 2.5.2006 apresentou Recurso Voluntário (fls.139/155), no qual alega em síntese: a) Segundo a decisão da DRFPOA, de 3.3.2006, os insumos adquiridos de pessoas físicas não podem integrar o cálculo do crédito presumido por trataremse de compras de não contribuintes do PIS e da Cofins. Portanto não haveria incidência de contribuição sobre o faturamento, logo não haveria ressarcimento a ser feito. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 b) A base de cálculo do Crédito Presumido deve incluir o total de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, sem cogitar de qualquer restrição ou exclusão, como disposto no art. 2º da Lei n° 9.363/96. c) A lei visa desonerar completamente os produtos nacionais das contribuições do PIS/Pasesp e da Cofins, conferindolhes competitividade no mercado externo. d) A decisão da DRJPOA cita uma suposta ementa da CSRF, na qual teria entendido ser incabível a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido. Na realidade, tal informação não procede, nem tampouco a ementa transcrita correspondente ao teor do que consta no Acórdão. A ementa verdadeira é abaixo reproduzida: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI).RESSARCIMENTO DE CREDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido as aquisições feitas de não contribuintes para o PIS e da COFINS. Recurso a que se nega provimento. e) O art. 100 do CTN determina que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis. Sendo assim, não podem inovar ou de qualquer forma modificar o texto da norma que complementam, ou seja, não podem invadir o campo da reserva legal. Na medida que as IN/SRF nºs 23/97 e 103/97 pretendem restringir a incidência do crédito, estão inovando o conteúdo da Lei nº 9363/96, que visam complementar. f) Quanto à aplicação de taxa SELIC sobre ressarcimento,a CSRF entende que o ressarcimento é uma espécie do gênero da restituição (Processo n° 10825.000730/9333, Recurso n° RD/2010.285, Acórdão CSRF/02.0.708, formalizado em 04/06/98). Portanto se incide a Taxa SELIC sobre a restituição no disposto da lei, cabe também sua aplicação nas hipóteses de ressarcimento, como é o caso do crédito presumido de IPI. g) Nos valores a ressarcir a título de crédito presumido de IPI deverão incidir, nor termos do § 4º, do artigo 39, da Lei nº 9.250/95, juros calculados pela taxa SELIC. Por fim, a interessada requer o recebimento do Recurso, julgandoo procedente para reformar a decisão recorrida e, consequentemente, o deferimento do ressarcimento do crédito presumido no valor originalmente pleitado, acrescido de juros calculados com base na Taxa SELIC, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13981.000283/200213 Acórdão n.º 3401012.012 S3C4T1 Fl. 215 5 Em suma a contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento de créditos presumido de IPI referente ao 3º trimestre de 2002. Logrando êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde alega que a base de cálculo do Crédito Presumido deve incluir o total de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, sem cogitar de qualquer restrição ou exclusão, como disposto no art. 2º da Lei n° 9.363/96. No que toca à glosa dos créditos presumidos como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de pessoas físicas, os artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363/96 dispõem que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. A base de cálculo do crédito presumido será determinada sobre o valor total das aquisições, conforme artigos que transcrevo abaixo: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Entretanto, o art. 2º, § 2º, da IN SRF nº 23/97 delimitou a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei nº 9.363/96, somente em relação às aquisições, efetuadas de pessoa jurídicas, sujeitas às contribuições de PIS/PASEP e Cofins, conforme abaixo reproduzo: Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Entretanto, é importante ressaltar a jurisprudência do Egrégio STJ, vem proclamando que a IN SRF nº 23/97 extrapolou a regra prevista no art. lº da Lei nº. 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as referidas aquisições, como constam as elucidativas ementas, a seguir transcritas: "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO REMESSA EX OFFICIO: ABRANGÊNCIA – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA – LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 – LEGALIDADE (...) 4. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 5. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 6. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 7.Precedente da Segunda Turma no REsp 586.392/RN. 8. Recurso especial provido em parte." (cf. acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 529.758SC, Reg. nº. 2003/00726199, em sessão de 13/12/2005, rel. Min Eliana Calmon, publ. in DJU de 20/02/2006 p. (268))”. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE.1. A Lei n. 9.363/96 instituidora de crédito presumido do IPI não distinguiu entre os fornecedores as pessoas físicas e jurídicas, não podendo a IN 23/97, da SRF, implantar tal distinção, estabelecendo que o benefício do crédito resumido do IPI, para ressarcimento de PIS/Pasep e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas.2. Recurso especial improvido (Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 627.941CE, Reg. nº. 2003/02193428, em sessão de 15/02/2007, rel. Min João Otávio de Noronha , publ. in DJU de 07/03/2007 p)”. Por fim, temos o reconhecimento desse direito, no Resp 993.164/MG. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13981.000283/200213 Acórdão n.º 3401012.012 S3C4T1 Fl. 216 7 No mesmo sentido vem decidindo a CSRF, como se pode ver na seguinte ementa (grifamos): "IPI – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n°. 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n°9.363/96). A lei citada referese a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nº. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n°9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN n°. 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. (..) Recurso especial provido parcialmente." (cf. Acórdão CSRF/0201.416 da 2ª Turma da CSRF, no Recurso nº . 115.731, Processo nº 10980.015233/9941, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003)” Por outro lado, o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, que dispõe o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Portanto o direito ao crédito de IPI está restrita apenas as aquisições feitas de pessoa jurídica, sujeita a contribuição de PIS e Cofins. Se o insumo for fornecido por pessoa jurídica não sujeita ao PIS/Pasep e Cofins, ou diretamente por pessoa física, não há direito ao crédito presumido destes insumos. Conclui que a IN nº. 23/97 não extrapolou a regra prevista pelo art. 1º da Lei nº. 9.363/96.” Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Após essa exposição, parece não haver dúvida de que há que se reconhecer o crédito presumido, proveniente de insumos adquiridos de pessoas físicas. Quanto à utilização da Taxa Selic na atualização de ressarcimento de IPI , esta matéria já foi votada em outras ocasiões nesse Conselho, como por exemplo em voto proferido pela nobre colega Conselheira Maria Tereza Martinez, no Recurso 201125339, conforme abaixo reproduzido: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos1. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse sentido, vejase precedentes jurisprudenciais reconhecendo a aplicação da taxa SELIC. Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. De outra frente, poderseia invocar que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, não seria apropriada em razão de não ser especificamente taxa de atualização monetária. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Há de se lembrar que o crédito presumido, quando aproveitado a maior ou indevidamente, também é pago com o acréscimo da SELIC. Observo inexistir texto legal específico conceituando a taxa SELIC. Podese dizer que a taxa SELIC é por sua composição, híbrida, tendo em vista que comporta juros e atualização monetária. Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, a “atualização/juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Também deve ser considerado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, que preceitua que, a partir de 1º de janeiro de 1996, em lugar da UFIR, a compensação ou restituição de tributos deve ser acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ora, na repetição do indébito, consoante o disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN, os juros moratórios são devidos apenas a partir do trânsito em julgado da decisão que a determinar. Logo, inferese que tal incidência não se faz a título de juros moratórios, pois estes estão vedados pelo Código Tributário Nacional nesse mesmo parágrafo único do art. 167. Por outro lado, as Instruções Normativas da Receita Federal indicam ser a taxa SELIC adotada como referencial de juros moratórios, verdadeiro Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13981.000283/200213 Acórdão n.º 3401012.012 S3C4T1 Fl. 217 9 substitutivo da correção monetária. Mas, se a inflação, mesmo oficial, ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. Em verdade, o que ocorre é a substituição de um indexador por outro, de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O mesmo, de resto, sucede quando credor o Fisco, com a atualização de seus créditos mediante uma taxa de supostos juros moratórios correspondentes à taxa referencial SELIC. Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa SELIC reflete a melhor opção.” Frente a todo o exposto, voto por dar integral provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte homologando o pedido de Ressarcimento. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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CÂMARA DO 19 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: - MILTON MARIANO DE SOUZA IRPF - ERRO DE FATO. Tratando-se, no caso, de autentica prova negativa, as alegaçOes do sujeito passivo corroboradas pelos valo res indicados nos itens da renda bruta e- renda liquida e pelos demais indicadores a pontados na decisão recorrida: provamoque-, desde o inicio da ação fiscal, vem alegan do o impugnante. Recurso Especial desprovi do. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Camara Superior deRecuncs Fis cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especia Sala das Sessee ), em 14 de janeiro de 1981 50fr'AMADO O .E ti R - DEZ - PRESIDENTE LUIZ MIRAN - se - LEO FREJDA SZKLAROWSKY - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: FERNANDO CÍCERO VELLOSO, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WAGNER GON ÇALVES, URGEL PEREIRA LOPES, PEDRO MARTINS FERNANDES e SEBASTIÃO RU DRIGUES CABRAL. I 4 •WY -- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0840/006.035/80 RECURSO N.° : -RP/102-0.045 ACÓRDÃO N.° : -CSRF/01-0.118 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: 2a. CÂMARA DO 19 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: - MILTON MARIANO DE SOUZA RELATÓRIO Não se conformando com o acórdão prolatado pela 2a. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes que, por maioria, que deu provimento ao recurso do sujeito passivo, fls. 29/32, a Fa_ zenda Nacional interpôs recurso especial a esta Câmara, fls.... 34/35, alegando o seguinte: "Trata-se a espécie dos autos do pedido de retificação de declaração de rendimentos. Valendo-se da opção legal, o contribuinte utilizou-se do formulãrio simplificado (MS0),ne le inserindo suas declaraçOes, dentre as quais, a que obtivera rendimentos de Cr$160.000,00 nas demais cédulas, a exceção da "C". Com base nas próprias declaraçOes do con tribuinte, foi efetuado o lançamento, o simple-s- fato de jã ter sido notificado o declarante, im pediria a retificação do lançamento, face à tã- xativa afirmação do § 19 do art. 147 do CTN. — Não existisse tal proibição, apenas para argumentar e cairia por terra seu pretenso di reito, pelo inadimplemento da segunda condição:- "mediante comprovação do erro em que se funde". Poderia, porém, o contribuinte pretender sua correção, se tivesse feito prova do erro. A declaração de fls. 27, não traz aos autos pro vas convincentes. , O contribuinte é um comerciante, •.-= ..e à,d- D M F - RJ/1.° C - - Secgraf - 1600//7 , PROCESSO N9 0840/006.035/80 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/01-0.118 empório, afeito, portanto, às exigências fiscais. Poderia, com facilidade, comprovar os rendimentos declarados. Bastaria uma discriminação destes ren dimentos e juntar prova dos mesmos, de forma ape-r fazer a exata importância declarada. No entanto, o contribuinte não o fez, dada a impossibilidade de fazer coincidir os valores, ten do em vista a necessidade de provar o alegado". - Ao analisar a matéria, no acórdão recorrido às fls. 32, o problema jurídico foi decidido do seguinte modo: "De fato trata-se de um lapso do contribuin te ao preencher a via original da sua declaração transferindo para o item de "outros rendimentos" do modelo "MSO", não a importância de Cr$ 60.000,00, constante da cópia de fls. 10, mas a importância de Cr$160.000,00. Entendemos, que assiste razão ao Recorrente. E o fazemos por estes motivos principais: - primeiro, porque a soma dos rendimentos declara dos, que resultou na renda bruta deCr$100.674,00,1e- vou em consideração, mesmo na declaração apresen tada à repartição, a importância de Cr$60.000,007 e não de Cr$160.000,00; - segundo, porque o erro é factível já que, há a similitude de números, só tendo mesmo amido com a simples colocação de uma unidade (1); - terceiro, porque o contribuinte e comerciante devendo ser essa, como é natural, sua principal fonte de receita, com rendimentos declaráveis na cédula "C"; - quarto, porque é inconcebível que o contribuin te faça opção por modelo de declaração que vá orle rá-lo mais, já que sobre "outros rendimentos", de clarados no modelo "MSO", não podem incidir dedii_ çOes; - quinto, porque não ocorreram outras implicações na declaração de bens do Recorrente, a demonstrar que ele possa ter tido rendimentos, nas demais ce_ dulas de Cr$160.000,00." O sujeito passivo não apresentou contra-razões can_ ~ forme certidão de fls. 36. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 37, opina pelo provimento do recurso, tendo em vista que o sujeito passivo não trouxe à colação provas concretas quanto -.alegado er ro de transcrição no formulário simplificado (MS0). 0.140, É o relatório. -) ,, ' ' _. ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0840/006.035/80 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.118 VOTO , Conselheiro Luiz Miranda, Relator: I Conheço do recurso, uma vez que interposto no . prazo legal. No mérito nego provimento. Analisando-se as peças constantes destes autos principalmente confrontando-se a declaração original (f is. 16 ) com a cópia (f is. 10), chega-se à conclusão que, de fato, ocor_ reu erro no preenchimento da declaração de rendimentos do sujei to passivo, pois em vez de ter sido colocado no item "outros ren _ dimentos" do modelo MS0 a quantia de Cr$60.000,00, o contribuin _ te colocou Cr$160.000,00, dando azo para que a repartição fiscal recodificasse a rendimenta bruta de Cr$100.674,00 para Cr$ 200.674,00, conforme notificação de fls. 2. Apesar de haver divergência de valores e de não ser possível identificar, nos presentes autos, a natureza dos rendimentos declarados sob o item "outros rendimentos", face à I utilização do formulário "MSO" e, considerando que a repartição í fiscal encontrou-se diante de duas realidades ou de 2 declarações, 1 deveria ela optar pela a do contribuinte, uma vez que alem de em suas alegações declarar que ocorreu erro no preenchimento de sua declaração de rendimentos, a própria soma da renda líquida (Cr$. 57.474,00) prova que o valor era realmente Cr$60.000,00 e não Cr$160.000,00, do contrario, não só a renda bruta não seria Cr$. 100.674,00, como a renda líquida não atingiria Cr$57.474,00. Por _ tanto, a consideração dos Cr$ 60.000,00, tanto na soma da renda bruta, como no cálculo da renda líquida, provam o erro praticado pelo sujeito passivo. Aliás, com as razões de recurso de fls. 25/26, o sujeito passivo demonstrou razoavelmente (eis que se trataria de 1 prova negativa, logo impossível, a não ser por meros indícios) a procedéncia de suas alegações e foi por isso que a decisão -,or 4#rida reformou a decisão da autoridade julgadora singul. , , v.v. `, , ___. Assim, diante do exposto e que mais consta dos autos, nego provimento ao presente recursoór \t) LU'IX(MIRANDA - RELATOR, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 17460.000216/2007-35
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006/
COMPENSAÇÃO. TERCEIROS. INCRA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível compensar indébitos referentes a contribuições destinadas ao INCRA, para com os demais Terceiros, SESI, SESC, SENAC, dentre outros, uma vez que a sujeição ativa é diversa, cabendo ao INSS à época, apenas a fiscalização, arrecadação e cobrança destes valores, ou seja, capacidade tributária ativa.
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº. 08, do Supremo Tribunal Federal.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário no período de 01/1999 a 03/2002, nos termos do art. 150§ 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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TERCEIROS. INCRA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível compensar indébitos referentes a contribuições destinadas ao INCRA, para com os demais Terceiros, SESI, SESC, SENAC, dentre outros, uma vez que a sujeição ativa é diversa, cabendo ao INSS à época, apenas a fiscalização, arrecadação e cobrança destes valores, ou seja, capacidade tributária ativa. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº. 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 02 16 /2 00 7- 35 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário no período de 01/1999 a 03/2002, nos termos do art. 150§ 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17460.000216/200735 Acórdão n.º 2403001.948 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 139/152, em face do Acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que manteve o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD 37.069.625 5, no importe de R$ 413.254,26 (quatrocentos e treze mil duzentos e cinquenta e quatro reais e vinte e seis centavos). O lançamento imputado compreende o período de 01/1999 a 08/2006, relativos a contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos), conforme planilha anexada pela autoridade fiscal autuante, constante nas fls. 55/62. Ademais, também foram constatados os seguintes créditos previdenciários, conforme Relatório Fiscal de fls. 50/54, que os descreveu da seguinte maneira, em suma: 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados: empregados e contribuintes individuais (autônomos), conforme Planilha Anexa 3.2. As remunerações estão discriminadas nas folhas de pagamento, recibos de pagamentos, Notas Fiscais de Prestação de Serviços e Lançamentos Contábeis, cujos valores estão indicados no "Discriminativo Analítico de Débito — DAD" e no "RL — RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS" e nas planilhas anexas ao presente relatório fiscal:" PLANILHA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (AUTÔNOMOS) NÃO INFORMADOS EM GFIP" e "PLANILHA DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO DE TERCEIROS — 5,6%). 5.1. Foi apurada diferenças de contribuição sobre , os valores pagos ou creditados a contribuintes individuais (PUAut) nas competências 03/2000 e 04/2000 ,face a empresa ter recolhido as contribuições na alíquota de 15%, quando a partir de 03/200 a mesma passou para 20%, conforme demonstrado abaixo: 5.2. Incluse também na presente Notificação a partir da competência 04/2003, as contribuições (C.Ind/Adm/Aut) de 11% calculadas sobre os valores pagos ou creditados aos Contribuintes Individuais (Autônomos), obedecendo o limite máximo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito por meio do instrumento de fls. 70/83. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto– 09ª Turma DRJ/RPO, prolatou Acórdão de fls. 124/133, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006 MPF. PREPOSTO. CONTADOR EMPREGADO. O contador empregado revestese da condição de preposto, sendo competente para receber o MPF ao início da ação fiscal. DECADÊNCIA O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. COMPENSAÇÃO. TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação somente pode ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie, sendo vedadas compensações de contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social ou a Terceiros diversos. CORESPONSÁVEIS Os sócios do sujeito passivo são coresponsáveis pelo débito. Lançamento Procedente. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 684/716, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: 1. Nulidade do procedimento fiscal, uma vez que o MPF foi cientificado pelo contador da empresa, que não corresponderia ao representante legal, mandatário ou preposto do sujeito passivo; 2. Decadência dos créditos previdenciários relativos ao período compreendido entre 01/1999 e 04/2002, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, uma vez que a Constituição Federal atribui exclusivamente à Lei Complementar versar sobre decadência, afastando a incidência do art. 45, da Lei n º. 8.212/91, devido ao seu caráter ordinário. 3. Compensação das Contribuições Previdenciárias devidas a Terceiros (SESC, SESI, dentre outros) com créditos oriundos de contribuições destinadas ao INCRA, tendo em vista que seriam considerados o mesmo tributo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17460.000216/200735 Acórdão n.º 2403001.948 S2C4T3 Fl. 4 5 4. Ilegalidade da inclusão dos sócios no pólo passivo da NFLD, considerando que não há a incidência de nenhuma das hipóteses previstas nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 157, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL POR ENTREGA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A PESSOA DESPROVIDA DE COMPETÊNCIA Alega o recorrente que houve desobediência ao disposto no artigo 574 da Instrução Normativa SRP n. 3/2005 uma vez que a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal foi dada somente ao contador da empresa, Sr. André Baltazar Filho, o qual não seria representante legal, mandatário ou preposto da empresa. Afirma também que o contador da empresa não poderia ser considerado preposto, haja vista esta posição seria daquele que por consentimento expresso (instrumento legal hábil), responderia pelos direito e deveres do preponente. No entanto, cumpre esclarecer, que, conforme informação prestada pelo próprio sujeito passivo, o contador é empregado da empresa e portanto figura como preposto da empresa, não necessitando para tanto de documento específico para tal ato. Concluise que não ocorreu qualquer nulidade, estando os atos devidamente adequados à legislação tributária. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17460.000216/200735 Acórdão n.º 2403001.948 S2C4T3 Fl. 5 7 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Percebese do DAD, fls. 06/17 que não houve qualquer antecipação do credito relativo apenas à parte destinada a terceiros, conforme corrobora o item 3.1. do REFISC, no entanto, isso se deu em razão da compensação realizada pelo contribuinte com esteio em título executivo judicial, conforme se analisará a seguir, devendo portanto, ser considerada a decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN, já que houve antecipação relativa a outras rubricas. Discorre o recorrente que a exigência fiscal se refere a período alcançado pela decadência quinquenal, uma vez que os fatos geradores são de janeiro de 1999 a agosto de 2006, confirmado pelo Relatório da NFLD, fl. 50. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 A consolidação da NFLD se deu em 02/04/2007 e a notificação via A.R, se deu em 17 de abril de 2007, fl. 66/67. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período de 01/1999 a 03/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DA EXTINÇÃO EM RAZÃO DO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO Informa o contribuinte que propôs ação ordinária n. 2004.61.07.0002119, buscando a declaração da inexistência de relação jurídicotributária que a obrigasse a proceder ao recolhimento da contribuição ao INCRA, na qual foi proferida sentença de procedência do pleito autoral. Em razão do fato acima, procedeu à compensação dos valores devidos, no entanto, ao invés de descontar do cálculo apenas a porcentagem referente às contribuições ao INCRA – 0,2% e pedir a restituição dos valores indevidamente recolhidos, os compensou com contribuição destinada a todos os Terceiros. Resta a discussão acerca da legitimidade da compensação realizada pelo contribuinte em razão da alíquota aplicada, se poderia ou não a empresa compensar sob toda a rubrica destinada a Terceiros. Razão assiste à Fiscalização e à DRJ quanto ao erro material realizado pelo recorrente. As contribuições para outras entidades e fundos, previstas no art. 240, da CF/88 e art. 274 do Decreto 3.048/99, não são receitas da seguridade social e, muito menos, da previdência social. Apenas a arrecadação, fiscalização e cobrança, que são realizadas pela SRFB para, posteriormente, repassar os valores para cada entidade. Hoje a disposição legal está no art. 3º, da Lei 11.457/07, tratandose de Intervenção no Domínio Econômico: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17460.000216/200735 Acórdão n.º 2403001.948 S2C4T3 Fl. 6 9 inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido. (RE 396266, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 26/11/2003, DJ 27022004 PP00022 EMENT VOL0214107 PP01422) No mesmo sentido: STF, 1ª Turma, REAgR 437839, Rel. Min Carlos Brito, DJ 18/11/2005; STF, 2ª Turma, REAgR 367973, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ 10/06/2005 e STF, 2ª Turma, REAgR 399649, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 19/11/2004. Portanto, a compensação da forma pela qual foi realizada prejudica todos os demais, além de contrariar o disposto na sentença, que determina ser o INCRA devedor do indébito tributário, fl. 119 dos autos. Também esclareçase desde já que a fiscalização desconsiderou, como não poderia deixar de ser, a contribuição declarada indevida pelo judiciário, conforme se percebe de trecho do acórdão da DRJ, fl. 130 No caso em estudo, observamos exatamente isso: a notificada, entendendo possuir crédito referente aos recolhimentos efetuados ao "terceiro" INCRA, compensou tais valores com as contribuições destinadas aos outros "terceiros", procedimento incorreto que justificou os lançamentos efetuados pela fiscalização no que tange a esta rubrica (terceiros), o qual se materializou através do levantamento TER, que utilizou o código 0077. O lançamento abrangeu, portanto todos os terceiros do código 0079 excluindose apenas o INCRA (código 2). A questão acima pode ser corroborada pela planilha anexa à NFLD, constante na fl. 62 – DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO DE TERCEIROS – 5,6%, uma vez que na categoria a qual se enquadra a empresa, deve ela 5,8%, no código 0079, correspondente às contribuições devidas ao INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE e SalárioEducaçãoFNDE. Ora, a sentença em razão da ação proposta teve dois efeitos: condenatório ao INCRA para determinar a restituição dos valores e declaratório da inexistência da relação jurídico tributária, o que acarreta na desoneração do recolhimento para o futuro. Portanto, se não havia qualquer outra relação jurídico tributária entre o INCRA e o Recorrente, não haveria como ocorrer a compensação, por faltar um dos requisitos inerentes ao instituto, qual seja, a reciprocidade de créditos e débitos. No caso concreto, o recorrente era credor e não mais devedor e o INCRA apenas devedor. Tanto assim o é, que o douto magistrado em sua sentença apreciou a matéria, em razão de um dos pedidos do contribuinte ter sido este que acabou por indeferilo, para tanto, colacionase trechos do decisum acostados nas fls. 114/117: Não obstante o reconhecimento da ilegalidade da cobrança sub judice, após o advento da Lei 8212/91, não faz jus a demandante ao reconhecimento do direito A compensação dos indébitos com parcelas vincendas arrecadadas pelo INSS, tal como pleiteado, haja vista não se destinar a contribuição do INCRA ao Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 orçamento da Seguridade Social. Portanto, os valores recolhidos indevidamente a este titulo não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS, cujo escopo é o custeio da Seguridade Social. A contribuição incidente sobre a folha de salários devida por empresas urbanas ao INCRA é uma contribuição de terceiro, assim como 'aquelas destinadas. ao SENAC, SENAI, SESI e SESC, bem como o salário educação, em que pesem opiniões em sentido contrário. Neste, ponto, tais contribuições são arrecadadas . pela Previdência Social e repassadas As respectivas entidades, que, no caso, estão fora do sistema de seguridade social. Na mesma , direção, é o ensinamento do doutrinador Ronaldo Belmonte2., segundo o qual "as contribuições arrecadadas pelo INSS e repassadas para o INCRA têm a finalidade de propiciar a este instituto a prestação de serviços rurais, no meio rural e em programas de aprendizado e de aperfeiçoamento • das técnicas de trabalho adequadas ao campo". Dessa forma, os valores recolhidos a tal titulo (contribuição para o INCRA), como no caso dos autos, não podem ser compensados, reiterese, com outras contribuições arrecadadas pelo INSS, cuja finalidade é o custeio da Seguridade. Logo, não se aplica à espécie o § 1 0 do artigo 66 da Lei n. 8.383/91, que, na esteira de reiterados julgados do E. STJ, "permite a compensação entre tributos e contribuições distintas, desde que sejam da mesma espécie e apresentem a mesma destinação orçamentária" (Resp 438.580/MG, rel. Min. Castro Meira, DJ 01.12.2003). (...) Inviável, pois, o deferimento do pleito de compensação da contribuição em comento com quaisquer exações administradas pelo INSS, por falta de amparo legal. Cuidando se de exações que não se destinam ao mesmo orçamento, o encontro de contas não pode ser efetuado. Portanto, correta a autuação. DA INCLUSÃO DOS DIRETORES NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO FISCAL Alega que a Auditoria Fiscal arbitrária e ilegalmente imputou responsabilidade solidária aos sócios da recorrente para o pagamento do crédito tributário através da relação de CoResponsáveis que compõe a NFLD. Não existiriam razões legais para tanto, haja vista não serem eles sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária. No entanto, apesar dos argumentos do recorrente serem plausíveis, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sumulou a questão e, portanto, vinculativa das decisões deste conselheiro, razão pela qual deve ser o pleito indeferido haja vista o texto da Súmula CARF n. 88, in verbis: Súmula CARF nº 88: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17460.000216/200735 Acórdão n.º 2403001.948 S2C4T3 Fl. 7 11 A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DAS MULTAS APLICADAS Com relação às multas aplicadas, percebese, conforme o documento de fl. 36, que foram aplicadas com base no art. 25, I, II e III, com redação dada pela Lei 9.876/99 que variava de 4% dentro do mês do vencimento da obrigação, até 50% sobre o valor originário após o ajuizamento de execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito fora objeto de parcelamento. No entanto, deve a penalidade ser revista, nos seguintes termos. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17460.000216/200735 Acórdão n.º 2403001.948 S2C4T3 Fl. 8 13 menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento reconhecer a decadência parcial do crédito tributário no período de 01/1999 a 03/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11065.003720/2008-54
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/05/2004
DECISÕES DEFINITIVAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ART. 543-C DO CPC. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática do artigo 543-C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF nos termos do artigo 62-A do RICARF.
COMPENSAÇÃO. LEI VIGENTE. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte.
CESSÃO. CREDITOS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS.
O Direito tributário não pode alterar o conceito da cessão de crédito, mas pode lhe atribuir efeitos próprios na seara tributária, inclusive dispondo sobre requisitos de validade da cessão.
Numero da decisão: 3803-003.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Alexandre Kern acompanhou o relator por suas conclusões.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/05/2004 DECISÕES DEFINITIVAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ART. 543-C DO CPC. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática do artigo 543-C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF nos termos do artigo 62-A do RICARF. COMPENSAÇÃO. LEI VIGENTE. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. CESSÃO. CREDITOS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. O Direito tributário não pode alterar o conceito da cessão de crédito, mas pode lhe atribuir efeitos próprios na seara tributária, inclusive dispondo sobre requisitos de validade da cessão.
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CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Após o advento da Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002, é vedada a compensação de creditos auferidos por terceiros por estrita vedação legal. COMPENSAÇÃO. LEI VIGENTE. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. CESSÃO. CREDITOS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. O Direito tributário não pode alterar o conceito da cessão de crédito, mas pode lhe atribuir efeitos próprios na seara tributária, inclusive dispondo sobre requisitos de validade da cessão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/05/2004 DECISÕES DEFINITIVAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ART. 543C DO CPC. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática do artigo 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF nos termos do artigo 62A do RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 37 20 /2 00 8- 54 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Alexandre Kern acompanhou o relator por suas conclusões. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de pedidos eletrônicos de compensação números: 03020.61615.140504.1.3.579083 (fls. 3 a 5, numeração eletrônica do processo), 20119.67444.150604.1.3.574069 (fls. 6 a 8) e 26020.45131.150704.1.3.570961 (fls. 9 a 11, através dos quais busca a contribuinte utilizar créditos adquiridos em processo judicial transitado em julgado em 18/05/2004, de no 98.13.011700, de titularidade de GAVEL GATTIBONI VEÍCULOS LTDA, para compensar débitos de PIS e COFINS que totalizam o valor original de R$ 96.553,90. A DRF em Novo Hamburgo/RS intimou a contribuinte através de Termo de Intimação de fls. 16 a apresentar: Cópia da petição inicial e das decisões proferidas no processo judicial, prova na qual o contribuinte demonstre seu direito creditório, planilha de demonstração do crédito, assinada, sob carimbo, pelo representante legal da empresa, a existência de eventuais compensações efetuadas com o referido crédito tributário e ainda informar, se houver, a existência de outros processos administrativos e/ou judiciais que se refiram ao respectivo crédito tributário. O sujeito passivo anexou aos autos à documentação requerida pela Receita Federal às folhas 20 a 81. Após analise da documentação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo indeferiu o requerimento do direito creditório e não homologou as compensações em Despacho Decisório de fls. 82 a 86. Fundamentou sua decisão no fato de que a contribuinte não é parte na ação judicial e a decisão na referida ação reconheceu o direito para a autora compensar os valores pagos a maior. Salienta que a posterior alteração da titularidade fere a coisa julgada. A luz do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 10.637/02, concluiu ser impossível a compensação de créditos de terceiros e a própria cessão de créditos com efeitos tributários. Irresignada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em suma: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.003720/200854 Acórdão n.º 3803003.779 S3TE03 Fl. 11 3 a. que o procedimento de compensação foi efetuado de forma correta e legal segundo lei vigente a época do credito; b. argumenta ser correta a aplicação da lei vigente à época do recolhimento indevido ou a maior (Instrução Normativa n°21/97) colaciona jurisprudência e doutrina; c. afirma ser o titular do credito, proveniente de processo judicial, por cessão de crédito, e que, foi efetuada notificação extrajudicial da União Federal, dandolhe ciência da cessão de crédito realizada, anexa cópia; d. afasta a aplicabilidade do art. 123 do CTN; Pede, ao final, declaração de insubsistência do despacho decisório em face à procedência das compensações. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 235 a 239) não reconhecendo seu direito creditório concluindo serem impossíveis as compensações com créditos de terceiros por inequívoca disposição legal, fundamentando sua decisão no artigo 74 da Lei 9.430/96. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando os mesmos argumentos e pedidos anteriormente apresentados em manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da legislação aplicável “tempus regit actum”. O entendimento acerca da legislação a ser aplicada é pacifico no sentido de que nas compensações tributárias, a lei aplicável é a vigente no momento do encontro de contas, e não do momento da apuração do crédito. Corroborando nosso entendimento, colacionamos decisão do STJ, prolatada no rito do artigo 543C do CPC: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. LEI VIGENTE AO TEMPO DO ENCONTRO DE CONTAS. ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP 1.164.452/MG, JULGADO NO RITO DO ART. 543C DO CPC. RECURSO PROTELATÓRIO. MULTA DO ART. 557, § 2º, DO CPC. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem afastou a aplicação da lei em vigor quando da propositura da demanda ao fundamento Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 de que,conforme autoriza o art. 462 do CPC, deve ser aplicada à compensaçãopleiteada judicialmente a legislação superveniente (que passou aviger no curso da lide). 2. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. 3. Orientação reafirmada no Recurso Especial 1.164.452/MG, julgado no rito do art. 543C do CPC. 4. Agravo Regimental não provido. Multa de 10% do valor do crédito atualizado a ser compensado, nos termos do art. 557, § 2º, do CPC.” (AgRg no REsp 1287833 / MG, Relator Min. Herman Benjamin, de 16/08/2012) Em obediência ao artigo 62A da Portaria nº 256 de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), os conselheiros do CARF devem reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática dos art. 543B e 543C do CPC. A compensação tributária que está prevista no art. 170 do CTN foi regulamentada a partir do § I o do art. 66 da Lei 8.383/91 e depois pelos arts. 73/74 da Lei 9.430/96, com redação alterada pelas Leis no s 10.637/02, 10.833/03, e 11.051/04, conforme o respectivo período de vigência, de acordo com a data de apresentação da declaração de compensação. No caso do presente processo, o PER/DCOMP foi transmitido já sob a vigência da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. Traçados os limites da questão supra, passemos à análise do mérito. Da impossibilidade da compensação de créditos de terceiros A contribuinte logra êxito em comprovar a existência do credito requerido, resta inconteste a validade do transito em julgado que obrigou a Fazenda Nacional a restituir os valores referentes à declaração de inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL promovidas pelas Leis n°(s) 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/89. Provaremos que mesmo existindo o credito, este não pode ser compensado pela contribuinte por estrita vedação legal. A lei no 9.430/96 em seu artigo 74, com a redação dado pela lei no 10.637 de 30/12/2002, versa sobre a compensação de créditos e assim se pronuncia: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Grifamos. O dispositivo é claro em limitar as compensações a débitos do próprio contribuinte que apurou o crédito, vedando, a contrário senso, a utilização por terceiros. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.003720/200854 Acórdão n.º 3803003.779 S3TE03 Fl. 12 5 Entendemos que o fato de ter adquirido crédito por cessão de terceiros não transmuda a natureza do crédito a ponto de modificar a sua origem, ou seja, tornandose um crédito próprio. Por outro lado, a Lei 11.051 de 29/12/2004, ao introduzir a alínea “a”, do inciso II, do § 12 do art. 74 da Lei 9.430, reforça a impossibilidade do encontro de débitos próprios do contribuinte com créditos outros que não aqueles apurados por ele mesmo, se não vejamos a cristalinidade do dispositivo: “ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:[...] II em que o crédito: a) seja de terceiros;” A vedação expressa da lei torna a compensação de créditos de terceiros impossível, entendimento pacifico no STJ em diversos julgados, dos quais aduzo ementa a seguir: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA CONDENATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE. LEI 9.430/96. PROIBIÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. 1. A Lei n° 9.430/96, no artigo 74, utilizandose da faculdade que lhe foi conferida pelo CTN, proíbe a compensação de débitos tributários com créditos de terceiros, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 2. In casu, tratase de decisão transitada em julgado reconhecendo o direito de compensação da cedente em face da Fazenda Nacional. Não obstante a admissibilidade da cessão de créditos na seara tributária, verificase a existência de óbice legal à efetivação da compensação nos moldes requeridos pelas recorrentes (com créditos de terceiros), qual seja, o mandamento inserto no art. 74 da Lei 9.430/96, o que conduz à ineficácia da cessão de créditos perante o fisco e, consectariamente, à inoperosidade da substituição processual almejada. (Precedentes: REsp 1121045/RS, DJe 15/10/2009; REsp 939.651/RS, DJ 27/02/2008) 3. Diversa seria a solução acaso as recorrentes pretendessem executar o quantum debeatur, isto porque o direito à restituição do indébito é direito de crédito (art. 165, do CTN), sendo, portanto,disponível, consoante a norma insculpida no art. 286, do Código Civil. Por isso que, na ausência de regra tributária expressamente proibitiva, aplicase a regra geral que trata de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 cessão de créditos, máxime por não se tratar, o crédito tributário, de direito intransferível, indisponível ou personalíssimo. (Precedentes: AgRg no REsp 1094429/RJ, DJe 04/11/2009; REsp 789453/RS, DJ 11/06/2007) 4. Não obstante, o Direito Tributário, conquanto não possa alterar o conceito da cessão de crédito da lei civil, podelhe atribuir efeitos próprios na seara tributária, inclusive dispondo sobre requisitos de validade da cessão. (Precedente: AgRg no Ag 1228671/PR, DJe 03/05/2010) 5. "...o legislador ordinário tem total liberdade para fixar a forma como os créditos do contribuinte poderão ou não ser compensados. Os critérios que nortearão o estabelecimento das regras da compensação serão aqueles ditados pelas conveniências da política fiscal, não havendo restrição no CTN que limite a atuação estatal. Desse modo, poderá o legislador admitir a compensação apenas de alguns tipos de créditos e não de outros, estabelecer restrições quanto à data da constituição do crédito, quanto à origem do crédito e até quanto ao seu montante. Não há nada que impeça o legislador de admitir a compensação apenas de parte do crédito do contribuinte, deixando que o restante seja passível de repetição." (Leandro Paulsen, in Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 18ª ed., p. 1121) 6. Sob esse enfoque, o Código Tributário Nacional, em seu art. 170, autoriza que lei ordinária possa estipular condições ou atribuir à autoridade administrativa a estipulação de condições, para a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (Precedentes: AgRg no Ag 1228671/PR, DJe 03/05/2010; AgRg no RMS 30.340/PR, DJe 30/03/2010) 7. Conquanto as recorrentes aleguem o objetivo exclusivo de execução do título executivo pela cessionária, é certo que o mesmo autorizou a compensação do indébito nos registros contábeis e fiscais da cedente, razão pela qual incide, in casu, a vedação expressa do art. 74, da Lei 9.430/96. 8. Recurso especial desprovido.” Grifamos.( REsp 993925 / RS, Relator Min. Luiz Fux, de 05/08/2010) Da cessão de créditos e da inaplicatividade do art. 123 do CTN O artigo 123 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional – CTN, determina: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.003720/200854 Acórdão n.º 3803003.779 S3TE03 Fl. 13 7 O Direito Tributário não pode alterar o conceito da cessão de crédito da lei civil, porém, pode lhe atribuir efeitos próprios na seara tributária, inclusive dispondo sobre requisitos de validade da cessão. Neste sentido, o Código Tributário Nacional, em seu art. 170, autoriza que lei ordinária possa estipular condições ou atribuir à autoridade administrativa a estipulação de condições, para a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Confiramse os julgados do STJ, acerca da legitimidade do condicionamento do instituto da compensação tributária pela legislação ordinária: “PROCESSO CIVIL RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO ICMS COMPENSAÇÃO PRECATÓRIO HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL REQUISITO DA LEGISLAÇÃO LOCAL ART. 170 DO CTN. 1. Segundo sedimentada jurisprudência desta Corte, compete à legislação local estabelecer o regramento da compensação tributária, ainda que para fins do art. 78, § 2º do ADCT. 2. O Direito tributário não pode alterar o conceito da cessão de crédito, mas pode lhe atribuir efeitos próprios na seara tributária, inclusive dispondo sobre requisitos de validade da cessão. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1228671/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/04/2010, De 03/05/2010)”Grifamos. Não obstante a não vedação da cessão de créditos, porquanto se trata de um instituto do direito civil, verificase a existência de óbice legal à efetivação da compensação, nos moldes requeridos pela recorrente (art. 74 da Lei 9.430/96), o que conduz à ineficácia da cessão de créditos perante o fisco e vedação à substituição processual almejada. A contribuinte colaciona doutrina que, em suma, dispõe sobre a não vedação legal da cessão de créditos e que o art. 123 do CTN diz respeito apenas à substituição. Resta provado que o entendimento supramencionado procede, pois, não é vedada a cessão de créditos, o que encontra óbice é a compensação de créditos cedidos por terceiros consoante o arrazoado anteriormente exposto. A clara conclusão alcançada é no sentido de que é vedada, por força da disposição do artigo 74 da lei no 9430/96, a compensação de créditos de terceiros com débitos próprios. Quanto à cessão de créditos, entendemos valida, porém, o Direito Tributário pode dispor efeitos próprios na seara tributária e é exatamente isto que faz ao estabelecer as limitações do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35301.002667/2006-31
Data da sessão: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE
DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS
EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE
TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO
IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não impugnou os valores objeto do lançamento, resumindo-se a atacar o reenquadramento da forma de contribuir.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.2 12/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
O lançamento foi efetuado em 18/02/2005, tendo a cientificacão ao sujeito passivo ocorrido em 22/02/2005, os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/1996 a 06/2004, dessa forma em aplicando-se o art. 173 do CTN, encontram-se decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999.
A possibilidade de recolhimento com base na comercialização da produção rural, nos termos do art. 201 do Decreto 3048/99, só é possível quando a atividade desenvolvida pela empresa é rural, o que não restou demonstrado pelo recorrente no lançamento em questão.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.627
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo e Cleusa Vieira de Souza. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até 01/2001; II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as preliminares de nulidade; e b) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não impugnou os valores objeto do lançamento, resumindo-se a atacar o reenquadramento da forma de contribuir. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.2 12/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. O lançamento foi efetuado em 18/02/2005, tendo a cientificacão ao sujeito passivo ocorrido em 22/02/2005, os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/1996 a 06/2004, dessa forma em aplicando-se o art. 173 do CTN, encontram-se decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. A possibilidade de recolhimento com base na comercialização da produção rural, nos termos do art. 201 do Decreto 3048/99, só é possível quando a atividade desenvolvida pela empresa é rural, o que não restou demonstrado pelo recorrente no lançamento em questão. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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Ciar )- • . ;0,, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO c'S-4fre. • - P r o c es s o n° 35301.002667/2006-31 Recurso n° 146.235 Voluntário Acórdão n° 2401-00.627 — 4* Câmara IP Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2009 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente BAWANI AGRI-INFORMÁTICA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não impugnou os valores objeto do lançamento, resumindo-se a atacar o reenquadramento da forma de contribuir. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.2 12/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. O lançamento foi efetuado em 18/02/2005, tendo a cientificacão ao sujeito passivo ocorrido em 22/02/2005, os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/1996 a 06/2004, dessa forma em aplicando-se o art. 173 do CTN, encontram-se decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. A possibilidade de recolhimento com base na comercialização da produção rural, nos termos do art. 201 do Decreto 3048/99, só é possível quando a atividade desenvolvida pela empresa é rural, o que não restou demonstrado pelo recorrente no lançamento em questão. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Processo n° 35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 303 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da ‘la Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo e Cleusa Vieira de Souza. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até 01/2001; II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as preliminares de nulidade; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. ELIAS - • • A10 FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Mias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 - - Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 304 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas fisicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 07/1996 a 06/2004, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, bem como folhas de pagamento e registros contábeis. Assim foram apurados os seguintes levantamentos: FP I — FOLHA ANTERIOR E GF1P PERÍODO 07/1996 A 13/1998. FG I — FOLHA FORA GFIP — PERÍODO DE 01/1999 A 03/2003. DFG — GLOSA DE DEDUÇÃO REALIZADA EM DESACORDO — PERÍODO DE 06/1999 A 07/2000. FG2 — DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP — PERÍODO DE 04/2003 A 06/2004. FG3 — DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS — PERÍODO DE 04/2003 A 06/2004. Importante destacar que conforme relatório fiscal, fls. 91 a 94, até a competência 08/1996 a empresa efetuava suas contribuições enquadrada no FPAS 787, tendo por base de cálculo a folha de pagamentos dos segurados a seu serviços. A partir da competência 09/1996 enquadrou-se a empresa no FPAS 604 — Produtor Rural pessoa Jurídica, passando a contribuir sobre a receita bruta da comercialização da produção rural. Contudo, conforme preceitua o inciso IV do art. 201 do Decreto 3048/99, a contribuição sobre comercialização é aplicada a pessoa jurídica que tenha por fim apenas a atividade rural. Depreende-se do objetivo social e dos fatos examinados durante o procedimento, que a atividade comercial é concomitante, descaracterizando a empresa como produtor rural, estando sujeito a incidência de contribuições sobre a folha de salários. Destaca, ainda o objeto social da empresa: exploração comercial da atividade agropecuária, importação e exportação de animais em geral e de seus semens ou cobrições, desenvolvimento e aprimoramento de novas raças ou espécies de animais, importação e exportação de produtos agrícolas e vegetais em geral, desenvolvimento e aprimoramento de novas espécies e pesquisa genética, estabelecimento de atividades agro-industriais, adestramento de animais, cursos de equitação, desenvolvimento promoção e patrocínio de concursos, eventos, competições ligados a atividades desportivas e culturais, e ainda, exploração da atividade de informática, consultoria técnica e projetos de gerenciamento de riscos para seguros e transportes, disgnósticos de riscos empresariais, coordenação e controle Processo n°35301.00266712006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 305 de técnicas aplicadas de gerenciamento de riscos, consultas, análises e desenvolvimento de sistemas, criação e venda de programas para computadores e compra e venda de equipamentos para computadores, serviços de digitação. Durante o procedimento restou constatado por meio dos documentos examinados que a empresa, não apenas possui no seu objeto social atividade alheia a produção rural, como executa essas atividades, conforme as notas fiscais 023, 029, 034, 037, 043 — mod 1 e 047,048,049,056 e 062 — série A, anexadas a NFLD à título de exemplo. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/02/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 22/02/2005. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, Es. 109 a 148. O processo foi baixado em diligência para que o auditor preste esclarecimentos quanto a glosa de valores abatidos indevidamente, bem como esclarecimentos acerca da contribuição de autônomos e empresários, fl. 155. Foi emitido relatório fiscal complementar, fl. 156 a 157, prestando os esclarecimentos solicitados. Devidamente cientificado o recorrente aditou a impugnação às fls. 160 a 182. A Decisão-Notificação confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 207 a 214, determinando a exclusão das contribuições sobre os valores pagos a contribuintes individuais e autônomos, face não constar a fundamentação legal. 1. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 216 a 239. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 2. Na hipótese do recurso não ser conhecido, necessária a revisão do lançamento para que se cumpra o princípio da verdade material. 3. O recorrente desconhece a Decisão Notificação, tendo em vista que a ementa aposta refere-se a auto de infração pela não apresentação de documentos, sendo que não possui correlação com a NFLD em questão. Neste sentido deve a Decisão Notificação ser anulada. A autoridade julgadora de P instância, face o erro material cometido na ementa, procedeu a retificação da Decisão Notificação, fls. 231 a 239. Novamente inconformado com os termos da DN que manteve o lançamento, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 242 a 285. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1"Na hipótese do recurso não ser conhecido, necessária a revisão do lançamento para que se cumpra o princípio da verdade man 1; 4 'rocesso n° 35301.002667/2006-3 1 S2-C4T1 4.córdão n.° 2401-00.627 Fl. 306 2. Nulo encontra-se todo o procedimento por não ter devidamente coberto por MPF. \na data de constituição do crédito tributário representado pela NFED em questão o MPF encontrava-se vencido, o que enseja a nulidade do lançamento conforme diversos votos de conselheiros do CRPS e consultas técnicas formuladas no âmbito do INSS e SRP. 3. Os fatos geradores anteriores a 31/12/1999 encontram-se decaídos. 4. Existe lançamento de contribuições, qual seja sobre os valores pagos a contribuintes individuais e empresários, sendo que a fundamentação legal não conta do relatório FLD — Fundamentos Legais do Débito, portanto também deve ser declarada a nulidade do lançamento. 5. Inexiste o fato gerador apontado pela autoridade fiscal uma vez que a contribuição com base na receita bruta da comercialização está em consonância com os dispositivos descritos no Decreto 612/92 e Decreto 2173/97, que não exige a atividade de produção rural exclusiva, conforme descrito pela autoridade para descaracterizar esse tipo de contribuição e cobrar as contribuições com base na Folha de pagamento. Dessa forma, até a competência 11/2001, estava sim a empresa autorizada a realizar sua contribuições sobre a comercialização.. 6. Ressalte-se que a atividade comercial diversa da rural deu-se apenas até 04/2001, conforme apresentado pelo auditor. 7. Resumindo no período de 07/1996 a 11/2001, não existia por parte da legislação exigência para prestação de serviços exclusivamente, e no período de 12/2001 a 06/2004 todas as atividades da empresas estavam restritas a comercialização do produto rural, fato igualmente constatado pelo auditor que só carreou provas até 23/04/2001, portanto a empresa continua enquadrada no mesmo FPAS, contribuinte pela comercialização. 8. O que leva a crer que o auditor inferiu a existência de serviços prestados até 06/2004, arbitrando tais valores. 9. Nem o Relatório fiscal, nem o relatório FLD, faz qualquer referência a possibilidade de utilização do arbitramento, porquanto deve ser declarada a nulidade do lançamento. 10. Face o exposto, requer seja julgada nula a NFLD face os diversos vícios apontados, bem como seja considerada improcedente pela ausécia do fato gerador ou retificada para retirada das competências anteriores a 01/2000. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2° tendo oferecido contra-razões às fls. 294 a 297. É o relatório. Ps Processo n° 35301.002667/2006-31 S2-C4-1- 1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 307 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 294. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: Lautorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal - MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; 2.intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos - TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; 3.autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD - Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD - Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Com relação especificamente a falta de motivação das contribuições inerentes aos pagamentos feitos a segurados trabalhadores autônomos e empresários, tal argumento foi devidamente apreciado e acatado pela autoridade julgadora de 1" instância, tendo sido excluído do lançamento em questão. Neste caso, não o que ser apreciado quanto a este ponto. : 1I e•è I • 11.• •1 • . •ir • . • • : " legal do arbitramento, também entendo que razão não assiste ao recorrente, visto que não Processo n° 35301.002667/2006-3 I S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 308 realizou o auditor qualquer arbitramento. As bases de cálculo foram obtidas por meio do documento GFIP e folhas de pagamento, portanto, foram os próprios documentos da empresa, que consubstanciaram o lançamento. Na verdade o auditor procedeu ao correto enquadramento do FPAS do recorrente, visto que o seu auto enquadramento não estava em consonância com o" dispositivos normativos.Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria, destaca-se que ao autoridade previdenciária possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Com relação a nulidade apontada de que a ciência da NFLD, deu-se com MPF vencido, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Conforme descrito no art. 16 do Decreto n° 3.969/2001, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Previdenciária a extinção do MPF por decurso de prazo não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto, determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. No caso presente, constata-se a existência de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF válido quando da lavratura da NFLD. Portanto, o lançamento está precedido de MPF. Apenas a cientificação do contribuinte se deu fora do prazo de validade do MPF. Porém, a intimação não se confunde com o lançamento, sendo aquela apenas um requisito da eficácia desse. E, de acordo com o art. 31, da Portaria 520/04, são nulos os lançamentos não precedidos do MPF, o que, conforme restou demonstrado, não é o caso presente. O Conselho Pleno do CRPS, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa previdenciária sobre a matéria, nos termos do art. 14 da Portaria 88/2004, por meio do Enunciado 25/2006, transcrito a seguir: Enunciado 25 - A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento. Na redação do referido Enunciado, acima transcrito, não há ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. De acordo com o disposto no art. 15 do Decreto n° 3.969/2001, que instituiu o MPF, este se extinguirá pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; ou pelo decurso dos prazos. A conclusão do procedimento fiscal não pode, considerando o teor do Enunciado n ° 25, ser interpretada como a ciência ao contribuinte, sendo este um requisito de eficácia do lançamento; mas deve ser interpretada como a lavratura do lançamento, pois esta é o requisito de existência do ato. Quando efetivamente encerra um procedimento fiscal, o Auditor Fiscal tem duas possibilidades para cientificar o contribuinte: pessoalmente, ou pelo correio com aviso de recebimento, sem ordem de preferência entre estas. Entretanto, a lavratura do crédito tributário por meio do auto de infração ou da Notificação Fiscal tem que ocorrer em período coberto pelo MPF. Na verdade não é a data do TEAF que determina a invalidação da NFLD/AI, mas sim, a lavratura da NFLD em si, que só pode ocorrer dentro do prazo de validade do MPF. 71-7; Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 309 A NFLD foi lavrada em 18/02/2005, tendo o TEAF sido emitido em e assinado no mesmo dia18/02/2005, fls. 01 e 88 (plano da existência). A cientificação ocorreu pessoalmente em 22/02/2005, fl. 01 @lano da eficácia). Os prazos concedidos à fiscalização para cientificação do contribuinte são impróprios, e a violação dos mesmos não enseja invalidação ou preclusão dos atos, mas apenas a possibilidade de responsabilidade na esfera administrativa funcional. Por fim, quanto a decadência, entendo que razão assiste em parte ao recorrente, nos termos abaixo propostos. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento, quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Stio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1' Seção no Recurso Especial de n° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - IS& INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AU DECKE1u- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. _ _ _ Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão o.° 2401-00.627 Fl. 310 INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCAT/CIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3•" DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. RED1SCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATORIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1NOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO C77V. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autónomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afii de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361819/RJ, publicado no D1 de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.1006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2618/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQ1V), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 10, § 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso 6fr9 Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 311 extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (H) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Elide° Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CT1V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por pane do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artitors - ,-4"e- I 7.3T do-CTIV em se-tratando de_tributas sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar deaa, • azoado prazo 44,7c/0w-int darrnal 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 312 sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida nodficaçâo (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira pane do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad pág. 170). 14. A notcação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 1.5. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação: (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de Processo n° 35301.002667/2006-3! S2-C4TI Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 313 procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos intponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Ari. 1 73. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Purági tifo ártico. O direity tique ae r e.ft,r C3te urtgti Catingue Se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado (p2, Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 314 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 40, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2' - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3 0 - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (gnfo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401 -00.627 Fl. 315 Dessa forma, ao proceder o recolhimento de contribuições com base na comercialização da produção rural, delimitou o próprio recorrente o fato gerador e o dispositivo legal a ser aplicado para recolhimento de contribuições. Sendo assim, ao ser constatado que o enquadramento do recorrente encontra-se indevido é delimitado novo fato gerador, no caso, folha de pagamentos, decorrendo, desse novo enquadramento, contribuições sobre outros fundamentos legais, o que enseja a aplicação do art. 173 do CTN para fms de apreciação dos prazos alcançados pela decadência qüinqüenal. Afasta-se, aqui a aplicação do art. 150, § 4°., pois não há como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento de contribuições como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 18/02/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 22/02/2005, os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/1996 a 06/2004, dessa forma em aplicando-se o art. 173 do CTN, encontram-se decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. Superadas as preliminares, passamos ao exame do mérito. DO MÉRITO A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GF1P, declaração realizada pela própria empresa, e folhas de pagamento. Conforme dispõe o art. 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, o .s dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; ii'd I 4 Processo n°35301.002667/2006-31 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 316 § 1 0 As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir- se-do em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados, sejam declarados em GFIP, ou descritos em FOPAG, conforme informação nos registros documentais da empresa, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Contudo, o que deve ser analisado no lançamento em questão é se correto o reenquadramento efetuado pela autoridade fiscal, que determinou a impossibilidade da empresa recolher contribuições com base na comercialização da produção rural. Em relação ao período anterior ao Decreto 3048/99, apontado pelo recorrente como possível o exercício de atividade não exclusivamente rural, entendo desnecessária a apreciação tendo em vista que o período foi alcançado pela decadência qüinqüenal. Já em relação ao período posterior, é clara a legislação que o recolhimento sobre a comercialização é inerente ao exercício de atividade rural, sendo que não conseguiu o recorrente, apesar dos argumentos demonstrar o exercício exclusivo de atividade rural. O auditor indicou no relatório fiscal ter constatado durante o procedimento que a empresa não exercia apenas atividade rural, fato este respaldado de forma exemplificativa por notas fiscais. Assim, dispõe o regulamento da previdência, art. 201, IV, acerca da contribuição sobre a comercialização. Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de IV - dois virgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(grifo nosso) Destaca-se que o recorrente em sede de impugnação apresentou sua contabilidade em relação aos anos de 2001 a 2003 (conforme rebatido na DN), onde consta receita pela prestação dos serviços, ou seja, mais uma vez não conseguiu o recorrente demonstrar o cumprimento do dispositivo legal para contribuir com base na produção rural. Portanto, em não demonstrando o recorrente o seu regular enquadramento, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Cumpre-nos esclarecer ainda, que não procede o argumento do recorrente de que a autoridade fiscal extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização previdenciária é competente para Processo n° 35301 002667/2006-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.627 Fl. 317 constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1° da Lei 11.098/2005: Art. lo Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a titulo de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumpri-lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Assim, não só correto foi a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade previdenciária, como encontra-se devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso rejeitar as preliminares argüidas, para DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/1999, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2009 E • E CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora e 6
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MINISTÉRIO DA FAZENDA .S.TS.. Sessão de 29 de setembro de 19 81 ACORDÃO N07CS.R.F/03-0.559 Recurso n° RP/303-0 . 397 Recorrente FAZENDA NACIONAL . Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo - AGÊNCIA MARÍTIMA SINARIUS S.A. FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTA- DA: parágrafo único do art. 19 do Decreto -lei n9 37/66. Na hipótese de ser conheci da e apurada a falta em ato de 'conferên- cia final de manifesto" (Decreto n9 63.431, de 16.10.68, art, 25) toma-se como refe- rencia para cálculo dos tributos devidos (conversão da moeda estrangeira e aplica- ção das alíquotas tarifárias) a data da a ludida conferencia. Atualização do valor . pecuniário das penalidades fiscais (arts. , 105 do C.T.N., 110 do Decreto-lei n9 37/66 e 99 da Lei n9 4.357/64) não constitui a- gravamento penal, devendo-se aplicar o va_ lor vigente à época do lançamento. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis_ cais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Venci dos os Conselheiros Francisco Martins LO b Cavalcante, Luiz Carlos No gueira t e Randolfo Henrique de Souza Net jh - i; ..,') Sala das S-ps4es "F) .,' de setembro de 1981.ir ítiftlri AMADOR e _ti. ,Á - 11#9 ,--F- --r t ANDEZ PRESIDENTE tÁu õ A.' IDA e ---RE-LATOR ' ' )1 i 1 P, ! lb,, I .,' lf . I , I./ ,: TI ' / f ,', ADHEMILS012\1 /13 - STOS 1# 'AR ALHO PROCURADOR DA / FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente j lg. ento os seguintes Conselhei , _ ros: HINDElvD3URGO DOBAL TEIXEIRA, EDWA, DO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO i RODRIGUES CABRAL. . . .. , . . • , , • , • 'Y •). -%-v. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL . PROCESSO N.2 O 8 45/0 6 2 . 889/80 RECURSO N.° : -. Rp/303-0.397 , . ACÓRDÃO N.° : — CSRF/O 3-0.559 RECORRENTE: —FAZENDA NACIONAL • RECORRIDA-TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo -AGÊNCIA MARÍTIMA SINARIUS S.A. • RELATC5RIO , O aresto recorrido - Acórdão n9 20.201 (f is. 30/33), proferido no julgamento do Recurso n9 98,278, pela Terceira Cãma— ra do Terceiro Conselho de Contribuintes, baseou-se no seguinte voto vencedor: "Rejeito a preliminar de nulidade com base em decisões desta Câmara, por ser irrelevante a junta_ da dos documentos no que se refere â decisão. . A recorrente discute, em resumo, a base de cál cúlo do crédito tributário exigido, defendendo ate. se de aplicação dos valores vigentes à época do fa to gerador dos tributos, os quais deixaram de ser recolhidos em virtude da ocorrência da falta. O Decreto n9 63.431/68 é claro em seu art. 29, que repete as disposições contidas no Código Tribu trio Nacional (art. 143 e 144) e no Decreto-lei nV 37/66 (art. 23 parágrafo único e 24). A questão da apuração da falta ou o seu conhecimento pela auto- ridade aduaneira em nada confunde a existência do fato gerador da obrigação, pois que a sua apuração é feita diante dos documentos de importação por o- casião da descarga das mercadorias. A autoridade to_ ma conhecimento da falta atravês do manifesto do , navio, folhas de descarga do trans portador e docu- mentos relativos a faltas e avarias emitidos pela entidade portuária competente. , O transportador, responsabilizado pela ocorrên cia, deve recolher, segundo o que dispõe a lei, os tributos que deixaram de ser recolhidos pelo ior . )/i':7‘,', /5 J , DMF - RJ/ta CC . Socgrai - .. 600/75 . , , , : : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Pitcesso n9 0845/062.889/80 2. Acórdão n9-CSRF/03-0.559 tador, não lhe cabendo pagar o tributo em valores superiores ao devido por ocasião do seu fato gera dor, em virtude de ter a autoridade deixado de pro ceder à conclusão ou termino da apuração iniciada por ocasião da descarga, quando já conhecia os fa tos e a parte responsável pelas faltas ocorridas.- O parágrafo único do art. 60, do Decreto-lei n9 37/66, e claro a este respeito quando determina a apuração das faltas segundo dispEie o regulamento (Decreto n9 63.431/68) e a indenização à Fazenda Nacional do valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Dentro do mesmo entendimento deve estar o va- lor da multa aplicada pelo acréscimo de mercado- rias. A posição que sustentamos e no sentido de que o fato gerador, ora em discussão, ocorre no momen to do despacho aduaneiro. A tese da .defendent-e- traz em seu socorro o Ato Declaratório n9 0800/ 125/75, que reforçou este nosso entendimento quan do constitui o sistema de controle Sobre manifes- tos, tornando obrigatória a apresentação da DCI pró-forma, por ocasião do desembaraço aduaneiro, quando fossem constatadas faltas de mercadoria. A conferência final de manifesto passou,apartir da implantação do novo sistema, a tomar por base o documento do despacho aduaneiro para o estabeleci mento dos valores apurados. Assim, nos termos do Ato Declaratório n9 0800/ 125, de 06/06/75, do SRRF da 8a Região Fiscal, não pode esta Câmara desconhecer que a ocorrência do fato gerador se deu na ocasião do desembaraço a- duaneiro, quando a fiscalização tomou conhecimen- to das faltas e acréscimos ocorridos. Dou provimento ao recurso." O minucioso recurso do ilustre Procurador da Fa- zenda Nacional junto àquela Câmara (f is. 35/53) que leio na inte gra, pode, entretanto, ser resumido nas seguintes linhas mestras: 1) quanto à data de referencia para exigência de tributos e res- pectiva base de calculo, no caso de falta de mercadorias verifi- cada em conferencia final de manifesto, e a da representação a que se refere o art. 25, §, 19 do Decreto n9 63.431/68, que deve prevalecer, conforme já copiosa jurisprudência desta Câmara Supe ror, embora o ilustre recorrente manifeste sua preferencia pes- soal pelo declarado na Orientação Normativa Interna n9 15, da Coordenação do Sistema de Tributação, fixando o marco temporal pa na aqueles efeitos na data em que o responsável for intimado a , • • . 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.889/80 Acórdão n9-pCSRF/03-r0.559 . recolher o que for devido; 2) a Segunda Câmara do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, ao julgar recursos abrangendo a matéria de -; conferência final de manifesto, de sua competência origináría,con sagrou o entendimento de que a alegação baseada em dispositivo do Ato DeclaratOrio n9 800/125/75 (item 6.2) da Superintendência da 8-- Região Fiscal não pode ser acolhida, por achar-se o mesmo der- rogado pelo item IV do Parecer Normativo n9 56/77 da Coordenação do Sistema .de Tributação , o qual se sobrepOe ao referido ato decla- ratOrio, de caráter administrativo limitado à DRF em Santos, en- quanto o último tem força interpretativa da legislação tributária, . constituindo-se em norma complementar dela (art. 100 do COdigó Tri ._ butário Nacional); 3) a antiga Instância Especial decidiu reitera_ damente que no caso de mercadorias estrangeiras faltantes na .des_ carga respectiva, os tributos incidentes sejam calculados segun- do os índices vigorantes na data da conferência final do manifes_ to; 4) ademais, no caso em espécie, não consta que a importadora , tenha tomado as providências firmadas no Ato DeclaratOrio 0850/125/ 75, nem de outra forma comunicado o fato à repartição, o que pode_ ria ter feito, na oportunidade, a transportadora, com base em seus registros de descarga; a falta foi somente conhecida, como nos de mais casos, no curso rotineiro da conferência final do manifesto, quando então procedeu-se a sua apuração. 0 ilustre Procurador faz, ainda, consideraçaes so- bre o valor da penalidade do inciso VI do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69 a ser exigido, entendendo deva ser o atualizado pela Por_ tarja MF n9 39/79. O douto procurador do Contencioso Administrativo o_ pinou pelo provimento do recurso especia l- invocando os preceden tes reiterados desta Câmara Superior : i É o relatório:N. . , . . , ,, ', , 1 , , • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.889/80 4. Acórdão n9-cSRF/03-0.559 VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: O assunto do recurso especial já é tranqüilo nesta Câmara Superior, a partir do Acórdão n9 CSRF/03-0.003, como bem observou o douto Procurador do Contencioso Administrativo, no sen- tido de que a data de referência para a conversão da moeda estran- geira e cálculo dos tributos devidos, no caso de falta de mercado- rias manifestadas, é a da conferência final do manifesto - procedi mento administrativo previsto na legislação aduaneira especifica- mente para a apuração de faltas ou acréscimos de volumes constan- tes dos conhecimentos arrolados naquele documento, executado deli- berada e sistematicamente pelas repartiçOes interessadas, mediante rotinas adequadas. Inadmissível, portanto, a pretensão de que a autori dade aduaneira toma conhecimento daquelas ocorrências pelo simples fato de que são anotadas na descarga do navio. Tais anotaçOes se- rão naturalmente levados em consideração, mas no momento oportuno, dentro das rotinas de serviços da repartição, quando os papéis dos navios são propositalmente examinados para os diversos controles fiscais necessários. A não ser,e claro, que, por qualquer outra forma,in clusive comunicação expressa do responsável, seja efetivamente le- vada ao conhecimento da autoridade competente a irregularidade cons tatada-o que, porém, não ocorreu no caso do processo, como salien- tado pelo ilustre Procurador recorrente, ao discutir asignificação do Ato DeclaratOrio n9 0800/125/75 da DPF em Santos. Quanto ã penalidade do inciso VI do art. 59 do Decre to-lei n9 751/69, entendo que o valor a ser exigido é o atualizado pelo referido ato ministerial, por não se tratar de agravação mas de simples correção monetária de seu valor originário, o qual não implica majoração efetiva mas em nova tradução monetária do mes mo. 1 , Dou, assim, provimento ao recurso especia11 A 15 ALMEIDA - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Qualquer via que contenha os requisitos necessários e sobre cuja autenticidade não paire dúvida, á apta a instruir o despacho aduaneiro. Recurso desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: , ACORDAM os Membros da Cámara Superior de Recursos Fis ' cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial /4P .rd Sala das Se Or -‘-si'DF), em 23 de julho de 1982. iiii AMADORQW-, . '• '.-.?me:: _ - PRESIDENTE - . „--- c---_: --------- --7_ -Limines~ P =ue --e-- D T'-' ' • ! ' -.5-5-4---- , - RELATOR /z' I LUIZ FERNANDO (o., '-lEI-.1 DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: LUIZ CARLOS NOGUEIRA, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, FRANCISCO MAR- TINS LEITE CAVALCANTE, PAULO CÉSAR DE ÃVILA E SILVA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. ____, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.9 01081000.332/80 RECURSO N.° :-RP/303-0.678 ACÓRDÃO N.° :CSRF/03-0.988 RECORRENTE:FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FAÉ S.A. - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS RELATÓRIO O recurso especial é contra o decidido pela Tercei ra Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no julgamento do Recurso n9 102.050, conforme Ace5rdão n9 21.796, fundado no seguin- te voto vencedor; "Por ocasião do despacho aduaneiro das merca- dorias, a fiscalização não fez nenhuma restrição aos documentos apresentados, entre os quais, a fa- tura comercial, tanto é que a firma não assinou TERMO DE RESPONSABILIDADE para a apresentnão, a posteriori, do original da fatura em questao. Se naquela ocasião o termo tivesse sido firmado,e bem possível que a empresa tomasse as providências ne- cessarias à sua apresentação, porém, como nada lhe foi exigido, é de se supor que toda a documentação estivesse correta. É bem verdade que o ato de revisão documental um direito da Fazenda, previsto em Lei, porém, co.om no caso presente, entendo que, após realizada a revisão e constatada qualquer irregularidade, de veria o fisco, em primeiro lugar, dirigir-se dire- tamente à importadora para cumprimento da exigên- cia. Entretanto, antes de qualquer outro procedi- mento, a fiscalização- lavra auto de infração pena- lizando a interessada que em nada contribuiu para este fim, pois no pode ser responsabilizada pela omissão de terceiros. Vale ainda ressaltar que o próprio sec,,tãri H „ !I 1,1 D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0108/000.332/80 2. AcOrdão n9-CSRF/03-0.988. da Receita Federal, através do telex circular CST n9 423, datado de 21/07/81, recomendou às reparti- ções fiscais que fossem aceitas quaisquer vias de fatura comercial que não ofereçam dúvidas quanto à sua autenticidade, bem como que contenham os elemen tos essenciais para comprovação da veracidade do-ã- elementos na Declaração de Importação. Assim, tendo em vista ocorrer, também, essa hi pótese para o caso vertente, dou provimento ao re- curso." As razões fundamentais do ilustre Procurador recor- rente são as seguintes: "É perfeitamente legal a aplicação da multa que lhe foi imposta, uma vez que, apresentando uma cOpia de fatura original, infringiu o disposto no artigo 89 do Decreto n9 47.712/60, em sua redação atual, tornando-se conseqüentemente passível da mui ta prevista no art. 106, inciso IV, letra "a" do De- creto-lei n9 37/66. O eminente Relator, inicia seu voto, fundamen- tando-se no Telex-Circular CST n9 423, de 21.07.81 do Secretario da Receita Federal que recomenda "se- jam aceitas, para baixa dos Termos, qualquer via da fatura que não ofereça dúvidas quanto à sua autenti cidade". Em que pese o entendimento da Câmara, em acei- tar a recomendação do Telex-Circular, parece-me que data venia, não encontra amparo na legislação de regência, bem como nos exatos Termos em que foi emitido o referido Telex, porque diz o mesmo tex- tualmente. "Em virtude de constantes reclama- ções recebidas de diversas entidades de classe quanto ao elevedo número de processos fiscais instaurados relati- vamente as faturas comerciais apresen- tadas para baixa dos Termos de Respon- sabilidade firmados para apresentação futura desse documento face ao permis- sivo constante da alínea "A" do artigo 40 do Decreto n9 49.977/61". E ainda: "Recomendo que sejam aceitas, para baixa dos Termos, qualquer via da fatu ra que não oferece dúvidas quanto -a- sua autenticidade, bem como que conte- - nha os elementos essenciais para com- provação da veracidade dos e ,-ent 2 ; ;,11 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0108/000.332/80 3. Acórdão n9-CSRF/03-0.988. lançados na Declaração de Importação". Ora, senhores, não e o caso do presente proces- so que segundo o próprio Relator, inexiste Termo de Responsabilidade firmado pela interessada. Então,não se pode cogitar de aplicação daquela recomendação que é especifica e exclusiva para baixa do Termo em questão. Mas, se assim não entenderem, senhores Conse- lheiros, creio que com o devido respeito, não teria o referido Telex por objetivo possibilitar a aplica- ção de normas contrarias a legislação de regência -- -- Decreto n9 49.977 de 1961, art. 106, IV, "a", do Decreto-lei n9 37/66. A nova legislação est g sendo elaborada, e en- quanto não vier a ser decretada, estão vigentes to- das as normas daquele decreto que regulamenta a fatu ra comercial, inclusive quanto a obrigatoriedade do -s- elementos necessários estabelecidos pelos artigos 29 e 89 do referido Decreto, bem como a assinatura na- quele documento. Outrossim, as normas estabelecidas na Instrução Normativa 40/1974, não foram revogadas, estão vigen- tes, coerentes com as exigências da legislação espe- cifica. A. vista do exposto, verifica-se que inexiste qualquer amparo à pretensão dó interessado, uma vez que o documento de fls. não e original da Fatura Co- mercial e portanto não atende aos requisitos legais, não podendo, em conseqüência, ser considerada váli- da." - Não foram apresentadas contra-raz6esy/ / /I É o relatOrio./ . , /e7 , ii \ 2 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0108/000.332180 4. Acórdão n9-CSRF/03-0.988. VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator; De conformidade com reiterado e já. notório entendi- mento desta Câmara Superior em consonância com orientação do Secre- tãrio da Receita Federal (Telex Circular 428/81), qualquer via da fatura comercial, inclusive cópia reprográfica, que contenha todos os requisitos necessários ao despacho aduaneiro e sobre cuja auten- ticidade não paire dúvidas, ó apta para instruir o processo de libe — . ração da mercadoria. É o caso da fatura de fls. 14, que só não foi acei- ta por no ser a via "original". , Nego, pois, provimento ao recurso espec',; d/ .._/ Sala das Sessões (DF), em 23 de julho :e 1982. ,,-- tdff.- ::----::,s---) P: 40 b ' PIEIDA' " RkUl--- , , , , 2 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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