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Numero do processo: 11065.729304/2019-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh) estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo Sistema Harmonizado - SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Cofins será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, ainda não transitou em julgado, porquanto pendente de apreciação o recurso de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e, na situação de que trata a alínea ‘b’ do inciso II do § 4º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, independentemente de ter sido posteriormente modificada ou revogada, a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 3401-013.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Giglio, Laércio Cruz Uliana Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh) estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo Sistema Harmonizado - SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Cofins será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, ainda não transitou em julgado, porquanto pendente de apreciação o recurso de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e, na situação de que trata a alínea ‘b’ do inciso II do § 4º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, independentemente de ter sido posteriormente modificada ou revogada, a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do auto de infração.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh) estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo Sistema Harmonizado - SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da Fl. 18049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 2 TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. Fl. 18050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 3 As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e Fl. 18051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 4 outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e Fl. 18052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 5 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Cofins será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 18053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 6 RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Fl. 18054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 7 Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas Fl. 18055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 8 domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI Fl. 18056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 9 (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, ainda não transitou em julgado, porquanto pendente de apreciação o recurso de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e, na situação de que trata a alínea ‘b’ do inciso II do § 4º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep será Fl. 18057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 10 determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se Fl. 18058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 11 pela lei então vigente, independentemente de ter sido posteriormente modificada ou revogada, a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do auto de infração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Giglio, Laércio Cruz Uliana Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Fl. 18059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 12 RELATÓRIO Leonardo Correia Lima Macedo – Conselheiro Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão 02-101.005 - 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, mantendo em parte o crédito tributário da exigência. O processo trata das atividades fiscais da empresa Armazém Mateus S.A., que atua no comércio atacadista de alimentos, bens duráveis e de consumo, com foco no recolhimento das contribuições de PIS/PASEP e COFINS no regime não cumulativo. Do Relatório da DRJ O relatório da DRJ descreve os fatos no processo de forma completa, sendo o que se segue um breve resumo: O Relatório da DRJ abrange o trabalho realizado pela fiscalização e a impugnação apresentada pela empresa Armazém Mateus S.A., após a autuação por insuficiência de recolhimento de PIS/Pasep e Cofins, no regime não cumulativo, entre dezembro de 2015 e dezembro de 2017. No curso do procedimento fiscal, a fiscalização identificou irregularidades, incluindo:  Vendas não tributadas: A empresa aplicou indevidamente alíquota zero para mercadorias como conservas de carnes, néctares, adoçantes e itens de higiene pessoal, que não se enquadram nos benefícios fiscais previstos por lei.  Classificação incorreta de produtos: Produtos como carnes temperadas, café com leite e misturas para bolo foram classificados incorretamente, resultando em tributação inadequada.  Créditos indevidos: A empresa apropriou-se de créditos superiores aos permitidos para mercadorias da Zona Franca de Manaus e insumos que não qualificavam para crédito tributário. Ao final da fiscalização foi lavrado auto de infração para lançando os tributos dos produtos vendidos sem tributação adequada ou classificados incorretamente. Os créditos apropriados indevidamente, especialmente relacionados à Zona Franca de Manaus e insumos não vinculados à produção, foram glosados. Foram feitos ajustes no cálculo dos tributos devidos, em razão de discrepâncias entre os valores declarados e os efetivamente recolhidos. É a breve síntese do relatório. Do Acórdão da DRJ Fl. 18060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 13 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) tratou, inicialmente, das preliminares da impugnação apresentada pela empresa Armazém Mateus S.A. quanto ao Auto de Infração. A impugnação foi considerada tempestiva e apta para julgamento conforme o Decreto nº 70.235/72. A empresa solicitou diligências para esclarecer dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias e glosas indevidas de despesas e créditos, mas o pedido foi indeferido, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, por não ser imprescindível, visto que os elementos apresentados já permitiam o julgamento. Em relação à nulidade da autuação, a empresa alegou diversas falhas processuais, como irregularidades no Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF). Contudo, o voto afastou tais argumentos, uma vez que a autuação seguiu corretamente as disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), constatando que não houve cerceamento de defesa, e que o procedimento seguiu o devido processo legal. No mérito, o relatório abordou detalhadamente a tributação de vendas não tributadas, destacando que a empresa aplicou indevidamente alíquota zero sobre diversas mercadorias, como conservas de carnes, frutas cristalizadas e néctares, que não se enquadram nos benefícios fiscais. Além disso, foi verificada a apropriação de créditos indevidos de PIS e COFINS, relacionados à Zona Franca de Manaus e insumos que não preenchiam os requisitos legais para a concessão do crédito. A fundamentação do voto foi sustentada na Lei nº 10.925/04 e no Decreto nº 8.442/15, que estabelecem as regras para alíquotas zero e apropriação de créditos no regime não cumulativo. Em conclusão, a DRJ indeferiu a nulidade arguida pela impugnante, considerando que o auto de infração estava devidamente fundamentado e conforme a legislação vigente. O julgamento confirmou o lançamento tributário, com ajustes pontuais relacionados à classificação de alguns itens, mantendo, entretanto, a exigência da maior parte dos tributos devidos. Do Recurso Voluntário Irresignada, a parte apresentou Recurso Voluntário no qual alega em síntese as mesmas questões levantadas na Impugnação, atendo-se, entretanto, no mérito apenas aos itens cujas glosas foram mantidas. É o relatório. Fl. 18061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 14 VOTO Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, relator. Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Do Processo Trata-se de processo originado a partir de Auto de Infração que examinou as atividades fiscais da empresa Armazém Mateus S.A., que atua no comércio atacadista de alimentos, bens duráveis e de consumo. O Auto de Infração foi lavrado para a cobrança de contribuições de PIS/PASEP e COFINS no regime não cumulativo, abrangendo os períodos de períodos de dezembro de 2015 a dezembro de 2017. Do Conceito de Insumo Conforme mencionado, verifica-se que o cerne da presente lide envolve a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e Cofins apurados no regime não cumulativo e a consequente análise sobre o conceito jurídico de insumo dentro de nova sistemática para os itens glosados pela fiscalização. Tais itens serão analisados individualmente no presente voto, em tópicos a seguir. Cabe inicialmente tecer algumas considerações sobre a forma de interpretação do conceito de insumo a ser adotada neste voto. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da Cofins foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (Cofins). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a Cofins. A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS/Cofins. Por meio da Instrução Normativa nº 247, de 2002 (com redação dada pelas Instruções Normativas nºs 358/2003- art. 66 e nº 404/2004- art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento de PIS/Cofins. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos foi excessivamente restritiva, assemelhando-se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do Imposto sobre Fl. 18062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 15 Produtos Industrializados (IPI). As Instruções Normativas RFB nºs 247, de 2002 e 404, de 2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo fosse diretamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI trouxe critério demasiadamente restritivo, contrariando a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS/Cofins. Entendeu-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (do IRPJ), pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. O Superior Tribunal de Justiça acabou por definir tal critério ao julgar, pela sistemática dos recursos repetitivos, o recurso especial nº 1.221.170-PR, no sentido de reconhecer a aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS/Cofins não cumulativos. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas Fl. 18063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 16 com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” O acórdão do REsp, ao ser proferido pela sistemática dos recursos repetitivos (tendo já ocorrido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional), determina que os Conselheiros estão obrigados a reproduzir referida decisão, em razão de disposição contida no Regimento Interno do Conselho. Para melhor subsidiar e elucidar o adequado direcionamento das instruções contidas no acórdão do STJ traz-se a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, a qual melhor esclarece a forma de interpretação do conteúdo da decisão do Tribunal: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Fl. 18064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 17 Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota da PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nessa linha, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Assim, para que determinado bem ou serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS/Cofins, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva comprovação destas características. Salienta-se que a decisão de primeira instância já levou em consideração este conceito de insumo. Preliminares Da Suposta Revisão de Ofício na DRJ A Recorrente argumenta que a DRJ avançou em sua competência ao rever o lançamento original feito pelo Auditor Fiscal responsável. Fl. 18065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 18 Não há a competência legal para os Auditores Fiscais em exercício nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento em agravar ou aprimorar o lançamento efetuado pelo Auditor Fiscal no exercício das suas funções legais e com a sua determinação por MPF-Fiscalização. Alega em síntese que a revisão de ofício efetuada pela DRJ para corrigir créditos concedidos fere o princípio da legalidade e usurpa a competência exclusiva do Auditor Fiscal designado para a fiscalização, conforme estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72 e Portaria RFB nº 6478/2017. Tal atuação violaria também o princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o contribuinte teria sido privado do duplo grau de jurisdição. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O acórdão da DRJ trata do ponto no item “8. Saldo de Créditos oriundos de períodos anteriores.” A leitura do item 8 permite concluir que alguns produtos constantes do Anexo I do Relatório Fiscal faziam jus a alíquota 0 (zero) do PIS e Cofins e, portanto, tiveram sua tributação cancelada. Tais produtos são:  lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos (item 1.d);  xampu para animais (item 1.n); Em razão do cancelamento, ou seja da sujeição de tais produtos a alíquota 0 (zero), houve também o cancelamento do créditos concedidos de ofício relativamente a estes mesmos produtos. Assim, o cancelamento dos créditos ocorreu em função da vedação a apropriação de créditos de PIS e Cofins em relação a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, conforme estabelecido pelo art. 3º, § 2º, inc. II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Insta ainda observar que, em consequência da alteração da tributação das operações de venda que foram objeto de lançamento de ofício, demonstradas no Anexo XX do Relatório da Ação Fiscal, a Fiscalização decidiu conceder de ofício o crédito relativo a aquisição dessas mesmas mercadorias, conforme demonstrado no Anexo XXI do mesmo relatório. Todavia, como os produtos acima elencados estão sujeitos à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, e portanto deverão ser excluídos dos itens tributados do Anexo XX, deve-se cancelar os créditos concedidos de ofício relativos aos mesmos produtos, destacados do Anexo XXI, uma vez que é vedada a apropriação de créditos de PIS e Cofins em relação a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, conforme estabelecido pelo art. 3º, § 2º, inc. II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 18066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 19 Fl. 119 Vê-se, portanto, que os créditos seriam mantidos apenas se tais produtos fossem tributados com uma alíquota positiva. Para a manutenção dos créditos, compete a Recorrente o ônus da prova de que tais produtos estão sujeitos a uma alíquota positiva. Caso haja sucesso na prova, os créditos ora cancelados serão restabelecidos. A jurisprudência do CARF tem reiterado que não há direito ao crédito de PIS e COFINS sobre insumos quando esses são tributados com alíquota zero. Um exemplo claro é o Acórdão nº 3201-007.873 do Processo 10880.944979/2013-48. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 CRÉDITOS. BENS OU SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. As leis que regem a não cumulatividade das contribuições estipulam que não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, dentre os quais se incluem os insumos adquiridos com alíquota zero ou com suspensão. Diante do exposto, conclui-se que não houve qualquer afronta aos princípios do contraditório e ampla defesa. Nega-se provimento. Mérito Pedido de Diligência A Recorrente contesta o indeferimento do pedido de diligência. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto, cabe citar a Súmula CARF nº 163 Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021) Acórdãos Precedentes: 9303-01.098, 2401-007.256, 2202004.120, 2401-007.444, 1401-002.007, 2401006.103, 1301003.768, 2401-007.154 e 2202005.304. Nega-se provimento. Classificação Fiscal A Recorrente contesta a correta classificação de mercadorias, destacando falhas na descrição e enquadramento fiscal de produtos que, segundo a empresa, não deveriam ser tributados. Fl. 18067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 20 A empresa argumenta que muitos itens foram indevidamente tributados devido à ausência de uma correta classificação fiscal NCM/TIPI, o que comprometeria a legitimidade do lançamento. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Em resposta ao argumento da empresa de que a ausência de uma correta classificação fiscal NCM/TIPI comprometeria a legitimidade do lançamento, o voto da DRJ já enfrentou tal questão de forma robusta. A decisão sustentou que a descrição dos produtos constante dos autos e sua respectiva classificação fiscal foi realizada de acordo com as normas pertinentes, incluindo a utilização das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Além disso, a DRJ afirmou que a classificação fiscal NCM/TIPI foi devidamente fundamentada com base na legislação aplicável, como o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que dispõe sobre a competência da autoridade administrativa para constituir o crédito tributário, mediante a adequada descrição dos fatos geradores e a aplicação das normas vigentes. A ausência de detalhamentos excessivos em cada item não compromete a validade do lançamento, visto que a autoridade fiscal utilizou critérios técnicos suficientes para determinar a incidência correta das contribuições de PIS e COFINS. A DRJ também destacou que a empresa teve a oportunidade de contestar a classificação fiscal utilizada, mas não conseguiu demonstrar tecnicamente a inadequação dos códigos aplicados. O lançamento observou, portanto, a regularidade dos procedimentos e as regras fiscais vigentes, sendo que a eventual discussão sobre divergências menores na classificação de alguns produtos não teria o condão de invalidar o lançamento tributário como um todo. Nega-se provimento. Carnes Temperadas e Conservas A Recorrente argumenta que as carnes temperadas e conservas fazem jus à alíquota zero conforme a Lei nº 10.925/2004, mas foram equivocadamente incluídas na base de cálculo tributável. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Ao analisar o argumento do recorrente quanto à tributação de carnes temperadas e conservas, que, segundo a empresa, fariam jus à alíquota zero nos termos da Lei nº 10.925/2004, o voto da DRJ refutou tal entendimento com base em critérios de classificação fiscal. A DRJ sustentou que a legislação tributária aplicável, em especial a Lei nº 10.925/2004, concede alíquota zero apenas para carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, conforme descrito nos capítulos 2 e 3 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Fl. 18068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 21 As carnes temperadas e conservas, que passaram por processos adicionais de preparação ou tempero, não se enquadram nas categorias beneficiadas pela alíquota zero, pois são classificadas em posições da TIPI que não estão contempladas pela referida lei. Além disso, o voto enfatizou que a simples adição de temperos ou a transformação das carnes em conservas modifica a natureza do produto, afastando-o da classificação que garantiria o benefício fiscal. A Lei nº 10.925/2004 foi interpretada de forma restritiva, e, de acordo com o princípio da estrita legalidade tributária, somente os produtos expressamente previstos na legislação podem ser beneficiados pela alíquota zero. Portanto, a inclusão das carnes temperadas e conservas na base de cálculo tributável foi considerada correta pela DRJ, uma vez que esses produtos não se encontram nas posições tarifárias que permitem a aplicação da alíquota zero, conforme os dispositivos legais e a classificação fiscal estabelecida. Em suma, a alíquota zero é aplicada apenas a produtos classificados nos capítulos e códigos específicos da TIPI, geralmente relacionados a produtos de origem animal ou vegetal em seu estado mais natural. Produtos que passam por processos de tempero ou conservação não se enquadram nesses capítulos e, portanto, não podem usufruir desse benefício. Nega-se provimento. Frutas cristalizadas, néctares e bebidas à base de soja A Recorrente alega que produtos como frutas cristalizadas, néctares e bebidas à base de soja foram indevidamente excluídos do regime de alíquota zero, uma vez que não houve a devida apuração técnica para determinar sua correta classificação. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. No caso das frutas cristalizadas, a classificação correta dessas mercadorias foi feita com base na posição 20.06 da TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), que trata de "Frutas e outros produtos comestíveis, preparados ou conservados", e não na posição 08, que contempla frutas frescas e secas, as quais sim fazem jus à alíquota zero de acordo com o artigo 28, inciso III, da Lei nº 10.865/2004. Como as frutas cristalizadas se enquadram na posição 20.06, que se refere a preparações alimentícias, elas não estão sujeitas ao benefício da alíquota zero, devendo, portanto, ser tributadas. Quanto aos néctares, a exclusão da alíquota zero foi justificada com base no Decreto nº 8.442/2015, que em seu artigo 1º, inciso III, estabelece que os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00 não estão sujeitos à redução a zero das alíquotas do PIS e COFINS. Como os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.90, a sua tributação foi devidamente aplicada conforme as normas legais. Além disso, a composição química Fl. 18069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 22 desses produtos, contendo ingredientes como inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína, os exclui da aplicação do regime de alíquota zero. No caso das bebidas à base de soja, elas foram corretamente excluídas da alíquota zero também com base no Decreto nº 8.442/2015, que excetua esses produtos da subposição 2202.90.00, conforme o Ex 01 da referida posição. Tal enquadramento técnico foi considerado suficiente pela DRJ, não havendo necessidade de uma perícia adicional para confirmar sua classificação, visto que a legislação é clara ao definir as condições em que o benefício de alíquota zero pode ser aplicado. Portanto, a exclusão desses produtos do regime de alíquota zero foi fundamentada em uma aplicação correta e detalhada das normas legais, e a apuração técnica realizada pela fiscalização foi suficiente para determinar a classificação fiscal das mercadorias. A Recorrente não demonstrou, de forma concreta, qualquer erro na classificação fiscal realizada pela autoridade fiscal que justificasse uma revisão ou diligência adicional. Nega-se provimento. Adoçantes culinários e lenços umedecidos A Recorrente contesta a tributação de adoçantes culinários e lenços umedecidos, que, de acordo com sua interpretação, deveriam estar sujeitos à alíquota zero, conforme previsto na Instrução Normativa RFB nº 594/2005. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Em relação aos adoçantes culinários, o voto da DRJ ressaltou que a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 1º, inciso XXII, estabelece a alíquota zero apenas para o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, o que não inclui outros tipos de adoçantes ou compostos à base de adoçantes. Portanto, a tributação dos adoçantes culinários é legítima e encontra respaldo na legislação tributária em vigor, conforme os critérios claros de classificação fiscal da TIPI. Quanto aos lenços umedecidos, a Instrução Normativa RFB nº 594/2005, citada pela Recorrente, de fato estabelecia que alguns produtos de higiene pessoal, como lenços umedecidos e demaquilantes, poderiam se enquadrar na alíquota zero, desde que classificados em determinadas posições da TIPI. No entanto, a fiscalização e o voto da DRJ concluíram que os lenços comercializados pela Recorrente não se enquadram nas posições da TIPI que permitiriam a aplicação da alíquota zero, como a posição 33.07 da TIPI, que inclui produtos de higiene pessoal beneficiados. O exame dos produtos indicou que a classificação correta para os lenços contestados não confere o direito ao benefício fiscal, sendo aplicável a tributação conforme a Lei nº 10.833/2003, que rege as contribuições para o PIS e COFINS. Já com relação aos lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de Fl. 18070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 23 cães e gatos houve o reconhecimento de que fazem jus a alíquota 0 (zero). Houve o cancelamento da tributação. Portanto, como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. Assim, deve ser cancelada a tributação dos seguintes produtos elencados no Anexo I do Relatório da Ação Fiscal: Fls. 56-57 A Recorrente não demonstrou, de forma concreta, qualquer erro na classificação fiscal realizada pela autoridade fiscal que justificasse uma revisão ou diligência adicional. Nega-se provimento. Ovo de Codorna em Conserva A Recorrente contesta a exclusão dos ovos de codorna em conserva. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O voto da DRJ foi fundamentado na correta interpretação da legislação tributária vigente, especificamente a Lei nº 10.865/2004, que estabelece a alíquota zero apenas para produtos classificados na posição 04.07 da TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), que se refere exclusivamente a "ovos de aves, com casca, frescos, conservados ou cozidos". Os ovos de codorna em conserva não se enquadram na posição mencionada, uma vez que a forma de conservação – ao serem industrialmente tratados, como em conserva – altera sua classificação fiscal e, consequentemente, a aplicação da alíquota zero. A legislação tributária brasileira, nesse sentido, faz distinção entre ovos frescos e produtos industrializados, aplicando a alíquota zero apenas àqueles que se mantêm na forma natural e dentro da classificação específica da TIPI. Nega-se provimento. Fraldas e Absorventes A Recorrente contesta a exclusão das fraldas e absorventes. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. A DRJ fundamentou sua decisão com base na Instrução Normativa RFB nº 594/2005, que lista as mercadorias que fazem jus ao benefício de alíquota zero para PIS e COFINS. Essa Fl. 18071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 24 norma, em seu art. 1º, inciso VIII, estabelece que apenas produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em posições específicas da TIPI são contemplados pela alíquota zero. As fraldas e absorventes foram classificadas na posição 96.19 da TIPI, que trata de fraldas e artigos semelhantes, diferente das posições previstas na instrução normativa para concessão de alíquota zero. Assim, a DRJ entendeu que esses produtos não se enquadram nas posições listadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594/2005, o que justifica a tributação desses itens. Ademais, ao contrário do que a Recorrente afirma, a decisão da DRJ segue estritamente os critérios legais e regulatórios, não havendo qualquer violação dos princípios do contraditório ou ampla defesa, visto que o lançamento e a análise se baseiam em normas vigentes e claras sobre a tributação específica de cada produto. Nega-se provimento. Algodão A Recorrente contesta a exclusão de algodão. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O julgamento da DRJ, ao ajustar a classificação para enquadrar corretamente o algodão como sendo de uso geral (não medicinal), está em conformidade com o princípio da legalidade tributária, que impõe a tributação correta conforme a natureza do produto. A DRJ tem respaldo para a aplicação correta das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH). As notas explicativas da TIPI deixam claro que o enquadramento de produtos para uso medicinal exige critérios específicos que não se aplicam automaticamente a produtos descritos genericamente como "algodão". A DRJ, portanto, agiu corretamente ao excluir o algodão não medicinal do benefício de alíquota zero, com base na classificação fiscal atribuída. Nega-se provimento. Defensivos Agropecuários, Inseticidas Domésticos e Desinfetantes A Recorrente contesta a exclusão de defensivos agropecuários, inseticidas domésticos e desinfetantes do benefício fiscal, alegando que esses produtos deveriam estar abrangidos pela alíquota zero prevista na legislação para defensivos agrícolas. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. A fiscalização corretamente apontou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, a alíquota zero aplica-se exclusivamente a defensivos agrícolas da posição 38.08 da TIPI, que são definidos como produtos destinados ao controle de pragas em cultivos agrícolas, áreas de pastagem e reflorestamento. Fl. 18072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 25 No entanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes comercializados pela Recorrente não se enquadram nessa definição, sendo classificados como saneantes de uso doméstico. Esses produtos, embora também classificados na posição 38.08, não têm finalidade agropecuária, mas sim a higienização e desinfecção de ambientes domésticos e coletivos. A fundamentação legal para a exclusão desses produtos do benefício fiscal está respaldada em normativos emitidos por órgãos reguladores como o Ministério da Agricultura e a ANVISA, que delimitam claramente a diferença entre defensivos agrícolas e saneantes domésticos. O voto da DRJ concluiu pela correta exclusão de inseticidas domésticos e desinfetantes do benefício da alíquota zero. Nega-se provimento. Arroz Saborizado A Recorrente contesta a exclusão de arroz saborizado da aplicação de alíquota zero. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O Relatório de Ação Fiscal apontou que o arroz saborizado, por conter ingredientes adicionais além do arroz em si, não se enquadra na classificação do arroz in natura beneficiado pela alíquota zero, conforme previsto no artigo 1º, inciso V, da Lei nº 10.925/2004. A legislação concede alíquota zero apenas para o arroz in natura e alguns derivados simples, como o arroz polido e parboilizado, classificados na NCM 1006. No entanto, o arroz saborizado, por ser um preparado alimentar com adição de outros ingredientes, deve ser classificado em outras posições da TIPI, como 1904 ou 2106, que não estão contempladas pelo benefício fiscal da alíquota zero. A DRJ, em consonância com o Relatório de Ação Fiscal, concluiu que o arroz saborizado é, de fato, um preparado alimentar, cujo ingrediente principal é o arroz, mas que não pode ser classificado como arroz in natura ou beneficiado simples. Logo, não atende aos requisitos legais para usufruir da alíquota zero. Nega-se provimento. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. A Recorrente alega que o café solúvel com leite e o cappuccino deveriam ser beneficiados com alíquota zero, prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925/2004, que concede tal benefício para o café solúvel. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. A fiscalização identificou que esses produtos foram classificados de forma equivocada na posição 2101.1 da TIPI, que trata de "extratos, essências e concentrados de café". O voto da DRJ sustentou que a correta classificação dos produtos é a posição 1901.90.90, conforme estabelecido em soluções de consulta anteriores e respaldado pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). O cappuccino e o café solúvel com leite são Fl. 18073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 26 preparações alimentícias compostas majoritariamente por leite em pó, açúcar e outros ingredientes, sendo o café apenas um componente minoritário. Portanto, esses produtos não podem ser enquadrados na posição de extratos de café, mas sim em preparações alimentícias diversas, excluídas do benefício de alíquota zero. Essa interpretação foi consolidada pela Solução de Consulta Diana 9ª RF nº 60/2003, que já havia classificado produtos semelhantes na mesma posição fiscal 1901.90.90, confirmando que a presença de ingredientes majoritários como leite e açúcar desqualifica o produto para o tratamento tributário aplicável ao café solúvel puro. A classificação correta na NCM 1901.90.90 implica a aplicação da tributação normal, conforme as regras gerais de não cumulatividade para PIS e COFINS, rejeitando assim os argumentos apresentados pela Recorrente. Nega-se provimento. CAMARÃO A Recorrente contesta a tributação sobre o camarão, argumentando que o produto não foi adequadamente classificado no Auto de Infração e que deveria se beneficiar da alíquota zero. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O Voto da DRJ e o Relatório de Ação Fiscal oferecem argumentos claros para justificar a exclusão do camarão desse benefício tributário. Conforme apontado no Relatório de Ação Fiscal, a classificação correta dos camarões (incluindo camarão cinza, camarão-rosa e camarão de água doce) como produtos preparados ou em conserva está na posição 1605.21 ou 1605.29 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esta posição refere-se a crustáceos preparados ou conservados, excluindo-os da aplicação da alíquota zero prevista na Lei nº 10.925/2004, a qual é restrita a produtos alimentícios não preparados ou conservados. Nega-se provimento. ÓLEO DE MILHO A Recorrente contesta a tributação sobre o óleo de milho, argumentando que o produto foi inadequadamente classificado no Auto de Infração e que deveria se beneficiar da alíquota zero, alegando que se trata de um óleo vegetal utilizado para alimentação. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ oferece argumentos para justificar a tributação sobre o óleo de milho. Conforme detalhado, o óleo de milho está classificado na posição 1515 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que abrange "Outras gorduras e óleos vegetais", e não nas posições beneficiadas pela Lei nº 10.925/2004, artigo 1º, inciso XXIII, que concede alíquota zero apenas para óleos de soja (posição 1507) e outros óleos vegetais classificados entre as posições 1508 a 1514 da TIPI. Fl. 18074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 27 Portanto, o óleo de milho, classificado fora das posições beneficiadas pela referida legislação, não faz jus à alíquota zero e deve ser tributado conforme estabelecido no Auto de Infração. Nega-se provimento. LEITE CONDENSADO, CREME DE LEITE, LEITE DE SOJA, LEITE DE COCO A Recorrente contesta a tributação sobre leite condensado, creme de leite, leite de soja (em pó ou fluido) e leite de coco, argumentando que esses produtos deveriam se beneficiar da alíquota zero, aplicável a determinados produtos lácteos. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ oferece fundamentos para justificar a tributação desses produtos. A Lei nº 10.925/2004, que estabelece o benefício da alíquota zero para alguns produtos lácteos, restringe essa isenção a produtos classificados na TIPI em códigos específicos, que não incluem os produtos questionados pela Recorrente. Produtos como leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco possuem características que os afastam da classificação para alíquota zero, por não se enquadrarem nos códigos listados para o benefício. De acordo com a análise fiscal, esses produtos são preparados e processados, o que os exclui da redução tributária destinada a produtos lácteos in natura ou minimamente processados. O leite de soja, por exemplo, não é contemplado pela legislação de alíquota zero, pois sua composição e processo de industrialização o enquadram em outra categoria de tributação, conforme a TIPI. Nega-se provimento. PÃO DE QUEIJO E PIZZA A Recorrente contesta a tributação sobre o pão de queijo e pizza, alegando que esses produtos deveriam ser beneficiados pela alíquota zero, como massas alimentícias. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ é claro ao justificar a exclusão desses produtos do benefício tributário. Conforme apontado, o pão de queijo e a pizza não se enquadram na posição 19.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que abrange massas alimentícias como macarrão, espaguete, lasanha, entre outras. A posição correta para tais produtos inclui-se no capítulo 16 da TIPI, que abrange preparações de alimentos que não se beneficiam da alíquota zero conforme a Lei nº 10.925/2004. Além disso, o fisco constatou que esses produtos, ao serem preparados com ingredientes adicionais e específicos para o consumo final (como recheios ou misturas), não podem ser tratados como massas alimentícias simples, mas sim como preparações alimentícias elaboradas, que não gozam da isenção prevista. Nega-se provimento. Fl. 18075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 28 SABÃO EM BARRA E SABONETES LÍQUIDOS A Recorrente contesta a tributação sobre sabão em barra (não de toucador) e sabonetes líquidos, argumentando que esses produtos deveriam se beneficiar da alíquota zero. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ esclarece que a classificação correta dos produtos é determinante para a aplicação da alíquota zero. O sabão em barra, quando não é classificado como de toucador, e os sabonetes líquidos não se enquadram nas posições da TIPI previstas para o benefício fiscal. Conforme estabelecido pelo artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, apenas os produtos de higiene pessoal que atendem aos critérios específicos de classificação fazem jus à alíquota zero. O Relatório de Ação Fiscal também sustenta que os produtos mencionados pela Recorrente não constam nas posições relacionadas à isenção, sendo corretamente tributados. Nega-se provimento. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL) A Recorrente contesta a tributação sobre os sucos de fruta (concentrado ou integral), alegando que tais produtos deveriam ser beneficiados pela alíquota zero prevista para sucos de frutas em geral, nos termos da legislação aplicável. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O voto da DRJ justifica de forma clara a exclusão dos sucos de fruta da aplicação da alíquota zero, com base no Decreto nº 8.442/2015, que prevê exceções expressas para produtos classificados sob o código 2202.90.00 da TIPI. De acordo com o voto, os sucos de fruta enquadrados no Ex 02 dessa subposição, como os néctares de frutas, não são beneficiados pela alíquota zero do PIS e COFINS. A exclusão foi devidamente fundamentada com base nas normas que regulamentam a tributação sobre bebidas que não atendem às condições específicas para isenção tributária. Além disso, o relatório destaca que os elementos fornecidos pela própria Recorrente não permitiram a caracterização desses produtos como beneficiados pela isenção fiscal. Assim, a aplicação da tributação segue as disposições legais e os precedentes administrativos que tratam do enquadramento fiscal correto para sucos de fruta. Nega-se provimento. XAMPU PARA ANIMAIS A Recorrente alega que mesmo acolhendo as razões na Impugnação, não houve a identificação do NCM/TIPI na acusação fiscal. O Julgador interpretou o que foi lançado, sem muito embasamento. O Voto da DRJ deixa claro que os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, fazendo jus Fl. 18076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 29 à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. Por essa razão, cancela a tributação dos produtos elencados no acórdão. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE A Recorrente contesta a exclusão do queijo tipo cheddar e do cream cheese, argumentando que esses produtos deveriam ser beneficiados com a alíquota zero no cálculo do PIS e COFINS. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ oferece uma fundamentação clara para justificar a tributação sobre esses produtos. Conforme o relatório de ação fiscal e a TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), os queijos, incluindo o cheddar e o cream cheese, não se enquadram nas posições beneficiadas com alíquota zero, conforme previsto na Lei nº 10.925/2004, que trata da desoneração de determinados produtos alimentícios. A legislação prevê expressamente quais tipos de produtos lácteos são favorecidos pela alíquota zero, e os queijos tipo cheddar e cream cheese não constam nessa listagem específica. O auditor fiscal procedeu corretamente ao enquadrar esses produtos dentro da categoria tributável, respeitando a legislação vigente. Nega-se provimento. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. A Recorrente contesta a exclusão de misturas para bolo e para pães especiais, alegando que tais produtos deveriam se beneficiar da alíquota zero, visto que se enquadram como massas alimentícias. Segundo a empresa, a classificação fiscal realizada no Auto de Infração foi inadequada, resultando em uma tributação indevida. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O voto da DRJ foi claro ao justificar que as misturas para bolo e pães especiais não se enquadram nas posições da TIPI que beneficiam massas alimentícias com alíquota zero, conforme previsto no artigo 1º, inciso XVIII, da Lei nº 10.925/2004. Essa legislação concede a alíquota zero apenas para produtos classificados especificamente como massas alimentícias não fermentadas, como macarrão e similares, o que não abrange as misturas preparadas para pães ou bolos, que são produtos processados de forma distinta. As misturas contêm ingredientes adicionais e passam por processos que as distanciam das massas alimentícias tradicionais mencionadas na legislação. Nega-se provimento. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. Fl. 18077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 30 A Recorrente contesta a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS, argumentando que, conforme o decidido no Recurso Extraordinário nº 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ICMS não deve compor a base de cálculo dessas contribuições, uma vez que não representa faturamento ou receita da empresa. Alega que o Auditor Fiscal e a DRJ desconsideraram essa decisão, aplicando indevidamente o ICMS na base de cálculo, violando não apenas o entendimento já consolidado, mas também a súmula vinculante nº 2 do CARF, que impede a apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativa. A Recorrente defende que o julgamento pelo STF tem repercussão geral e, mesmo sem o trânsito em julgado, já deveria ser aplicado ao seu caso. Além disso, menciona que a modulação dos efeitos solicitada pela Fazenda Nacional não invalida o direito de exclusão do ICMS, pois a decisão de mérito foi clara e a fiscalização incorreu em erro ao ignorar esse precedente. Neste ponto, assiste razão à Recorrente. O CARF já se pronunciou de forma favorável a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS conforme decidido no STF RE n. 574.706/PR. A título de exemplo, cabe citar o acórdão 3401-013.021, processo nº 10665.907753/2011-49, relatado pelo Conselheiro Celso José Ferreira de Oliveira e o acórdão 9303-015.441, processo nº 10880.679818/2011-14 de relatoria da Conselheira Liziane Angelotti Meira. Acórdão 3401-013.021 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. VALOR DESTACADO EM NOTA. O Egrégio Sodalício fixou em sede de Embargos no RE n. 574.706/PR que o valor do ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições é o destacado em nota, o que foi acatado pela Procuradoria da Fazenda, conforme Parecer SEI nº 7698/2021/ME. Acórdão 9303-015.441 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. Dá-se provimento. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Fl. 18078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 31 A Recorrente contesta a aplicação da alíquota referente ao crédito sobre a aquisição de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus (ZFM), defendendo que tais mercadorias deveriam se beneficiar de uma alíquota diferenciada, com direito à apropriação de crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ justifica a exclusão dos créditos indevidamente apropriados com base em uma análise clara da legislação aplicável. A legislação vigente, em especial as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelece que, para que o contribuinte possa se apropriar de créditos referentes à aquisição de mercadorias com alíquota zero ou reduzida, essas mercadorias devem se enquadrar nos critérios rigorosos estipulados para essa finalidade. No caso das mercadorias adquiridas pela Recorrente, houve apropriação indevida de créditos sobre bens que, embora provenientes da ZFM, não preenchem os requisitos para concessão de crédito nos termos da legislação tributária vigente. O benefício fiscal para produtos da Zona Franca de Manaus é restrito a determinadas operações e não se aplica de forma indiscriminada a todas as mercadorias adquiridas nessa região. Além disso, a alíquota zero de PIS/COFINS para algumas operações não gera direito ao crédito sobre essas aquisições. O CARF já deliberou em outras ocasiões que o crédito é aplicável desde que as mercadorias sejam utilizadas como insumos na produção ou fabricação de bens, conforme previsto no regime não cumulativo das contribuições, e desde que a aquisição dessas mercadorias esteja sujeita à tributação pelas contribuições sociais. Assim, o entendimento da DRJ é claro ao aplicar corretamente a legislação ao caso concreto, glosando os créditos indevidos e reafirmando que o tratamento fiscal diferenciado para produtos oriundos da ZFM não inclui o direito automático à apropriação de crédito quando a mercadoria adquirida se enquadra em alíquotas que não geram esse direito. Nega-se provimento. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. A Recorrente discorda da impossibilidade de concessão de créditos de PIS e COFINS na atividade comercial. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. Conforme bem relatado no voto da DRJ a possibilidade de aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS em atividades comerciais é restringida. O entendimento é de que apenas atividades de produção de bens destinados à venda e a prestação de serviços geram insumos que permitem a apuração de créditos. Esse posicionamento está embasado na leitura restritiva do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, para empresas que atuam na revenda de bens, como no caso do comércio varejista, o CARF tem reiteradamente negado a possibilidade de apuração de créditos Fl. 18079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 32 sobre insumos, mantendo a glosa de todos os dispêndios relacionados. Isso ocorre porque a atividade de revenda de bens não é considerada produtiva, sendo reservada a apuração de créditos sobre os bens adquiridos para revenda. Um exemplo desse entendimento pode ser encontrado no Acórdão 3401-010.738 no processo nº 10120.905195/2013-04 de relatoria da Conselheira Rafaella Dutra Martins, onde foi reafirmada a "impossibilidade de apuração de créditos de insumos na atividade de comércio/varejista, por não se enquadrar nas atividades que geram direito a créditos conforme a Lei nº 10.833/2003". Nega-se provimento. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A Recorrente argumenta, no Recurso Voluntário, que os descontos obtidos e as receitas de acordos promocionais não deveriam ser considerados como receita tributável para fins de incidência de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Quanto aos descontos obtidos, a empresa defende que tais bonificações ou descontos, muitas vezes concedidos em razão de obrigações contratuais ou sujeitas a eventos futuros, não são receitas efetivas e, portanto, não deveriam compor a base de cálculo para apuração das contribuições. A Recorrente sustenta que esses valores não constam nos documentos fiscais emitidos no momento da venda e, assim, não representam receita tributável conforme a legislação aplicável. Em relação às receitas de acordos promocionais, a empresa alega que tais valores são recebidos posteriormente à aquisição de mercadorias, com o objetivo de reembolsar despesas operacionais ou de permitir descontos para aumentar as vendas, entre outros incentivos comerciais. A Recorrente argumenta que esses reembolsos e bonificações não deveriam ser considerados como receitas tributáveis, visto que refletem custos logísticos ou ações promocionais específicas. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. A DRJ manteve a tributação sobre esses itens, com base no entendimento de que bonificações e receitas de acordos promocionais configuram efetivamente uma receita tributável para a empresa adquirente, uma vez que resultam em um aumento patrimonial. Tais valores, independentemente de serem recebidos posteriormente, devem compor a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS. A legislação aplicável, especialmente a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, prevê que todas as receitas auferidas pela empresa, inclusive reembolsos e descontos condicionais, estão sujeitas à tributação. Nega-se provimento. Fl. 18080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 33 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE A Recorrente alega que a aplicação da multa de ofício no presente caso é ilegal, argumentando que o lançamento do crédito tributário foi realizado com base em interpretações errôneas da legislação tributária, o que tornaria indevida a imposição da penalidade. Além disso, alega que não houve intenção de dolo ou fraude, o que afastaria a aplicação de tal sanção. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O voto da DRJ abordou de maneira clara a fundamentação para a aplicação da multa de ofício, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, que autoriza a cobrança da multa de 75% sobre o valor do tributo não recolhido. Tal penalidade é aplicada independentemente da existência de dolo ou fraude, bastando que o contribuinte tenha deixado de recolher o tributo devido, o que foi devidamente comprovado no procedimento fiscal. Além disso, a jurisprudência consolidada no CARF confirma a legalidade da multa de ofício em casos de lançamento de ofício, nos termos do Decreto nº 70.235/72, e reforça que a ausência de recolhimento do tributo em si já configura fato gerador da penalidade, independentemente da intenção do contribuinte. Sobre o assunto, a título de exemplo faço referência ao acórdão 2001-007.046 de relatoria do Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. Acórdão: 2001-007.046 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Quanto aos argumentos de cunho constitucional, cabe reproduzir a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 18081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 34 Assim, o CARF tem reiteradamente decidido que a penalidade é devida sempre que houver omissão de pagamento, conforme entendimento pacificado. Nega-se provimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo Conselheiro Fl. 18082DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11065.000623/2005-67
Data da sessão: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS ONEROSAS DE ICMS. DESCABIMENTO Não constituem receita e portanto não integram a base de cálculo da COFINS valores decorrentes de transferência onerosa de créditos de ICMS autorizada pela Lei Complementar 87. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, todos da lei 10.833/2003, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.
Numero da decisão: 204-03.673
Decisão: ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS - Redator designado ad hoc

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BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO AAccóórr ddããoo nnºº 204-003.673 SSeessssããoo ddee 05 de dezembro de 2008 RReeccoorr rr eennttee MAKOUROS DO BRASIL LTDA. RReeccoorr rr iiddaa DRJ PORTO ALEGRE Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS ONEROSAS DE ICMS. DESCABIMENTO Não constituem receita e portanto não integram a base de cálculo da COFINS valores decorrentes de transferência onerosa de créditos de ICMS autorizada pela Lei Complementar 87. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, todos da lei 10.833/2003, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 123 _________ 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado ad hoc Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Jr, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Marcos Tranchesi Ortiz e Sílvia de Brito Oliveira. Relatório Discute-se no presente processo a tributação de valores decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, assim justificada pela autoridade fiscal ao examinar Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte: Constatamos, no decorrer da ação fiscal, que a fiscalizada efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, nos meses de fevereiro a dezembro de 2004, conforme reconhecido pela própria fiscalizada em atendimento ao nosso Termo de Constatação e Intimação, de 12/01/2005. A fiscalizada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dessas cessões de crédito de ICMS. Essa operação equipara-se a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso e origina receita tributável, devendo compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Para o fim de melhor compreendermos seu enquadramento no campo de incidência da contribuição, passamos a discorrer sobre tal operação de forma detalhada. Ao realizar-se a aquisição de Certo produto sujeito à incidência do ICMS, está-se, em verdade, efetuando duas operações: a compra da mercadoria propriamente dita e a compra do crédito de imposto inerente àquele produto. Esse crédito originalmente adquirido na operação de compra costuma ser alienado de forma conjunta com a mercadoria que lhe deu origem, compondo a receita obtida na operação e, conseqüentemente, sofre a incidência do PIS e da Cofins. Não há, como se sabe, previsão legal para se excluir o ICMS incidente nas vendas da base de cálculo das referidas contribuições e, no que tange ao cálculo do crédito pelo adquirente, poderá ele calculá-lo sobre o valor de toda a operação, incluindo o próprio ICMS. Na cessão de créditos de ICMS, há também a alienação do crédito fiscal, porém de forma separada das mercadorias que o originaram. Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 124 _________ 3 isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estar-se-ia proporcionando ao contribuinte um beneficio sem amparo legal. Ou seja, a incidência do PIS e da COFINS na cessão de créditos de ICMS a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Convém ressaltarmos que tais valores devem compor a base de cálculo das referidas contribuições mesmo na hipótese de não transitarem por conta de resultado, visto que é irrelevante, para fins de apuração do faturamento, a denominação ou classificação contábil das receitas auferidas. No recurso que ofertou, defende a empresa, basicamente, não haver receita alguma, mas mera mutação patrimonial, estando correta a contabilização praticada, que consistiu em creditar diretamente a conta de Ativo representativa do crédito fiscal (ICMS a recuperar) contra o débito feito na conta de Ativo que suporta os estoques ou de Passivo, relativa a dívidas com fornecedores. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Designado redator ad hoc Em sessão de julgamento realizada em 05 de dezembro de 2008, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, com base em relatório e voto lidos em sessão pelo então Conselheiro Ali Zraik Jr, relator, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso do contribuinte, decisão que consubstanciou o acórdão 204-03.673. Tendo em conta a não formalização do acórdão tanto pelo relator original quanto pelo redator ad hoc primeiramente designado, designou-me o Presidente atual da Câmara sucessora para formalizá-lo. Passo, então, a tecer as considerações que levaram o colegiado a acatar apenas parcialmente a pretensão do contribuinte. Como relatado, discutia-se, em 2008, a natureza jurídica da operação de cessão de créditos de ICMS apurados em aquisições de insumos que viessem a integrar produtos exportados sem a incidência daquele imposto nos termos da Lei Complementar 87/98. A data de julgamento é importante, pois, como se sabe, dois fatos relevantes lhe sucederam. Em primeiro lugar, em 2009 foi editado ato legal que, assumindo que esses valores configuravam receitas, permitiu, no entanto, sua exclusão da base de incidência da COFINS e do PIS, a partir de sua edição. Posteriormente, a questão foi decidida pelo STF em julgamento realizado na sistemática do art. 543 do CPC; nesse julgamento, entendeu-se que tais valores estavam alcançados pela imunidade concedida às operações de exportação. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 125 _________ 4 Desse modo, hoje a matéria não comporta maiores controvérsias: não se pode fazer incidir as contribuições sobre tais valores, ainda que se entenda tratar-se mesmo de receitas. À época do julgamento, porém, muito ainda se debatia, sendo certo que o primeiro ponto a dirimir era se estava-se mesmo diante de autêntica receita, como pretendia o Fisco, ou mera forma alternativa de utilização dos créditos, não tributável do mesmo modo que a tradicional - abatimento do saldo devedor - por configurar mera mutação patrimonial sem efeito no PL. No primeiro caso, restava definir se estava, ou não, alcançada pela imunidade. Foram estes dos primeiros julgamentos de que participei e acompanhei a tese pela não tributação, mais concretamente, concordei que não se tratava de receita. Com efeito, não consigo acompanhar a interpretação dada pela autoridade fiscal à sistemática de creditamento/debitamento própria do ICMS, segundo a qual dá-se uma venda de crédito por aquele que vende a mercadoria. A razão para ousar discordar é que o valor que se discute aqui é o que deve ser registrado como débito pelo vendedor por conta da venda feita e não o crédito que ele, vendedor, possui pelas aquisições que fez, normalmente de valor menor. Eles só seriam iguais na remota hipótese de que a venda seja feita pelo mesmo valor da aquisição. Ocorre que tal valor não é um direito daquele que vende, mas sim uma obrigação. Logo, o vendedor jamais o poderia estar alienando. Ademais, mesmo naquela remota hipótese de que o crédito pelas aquisições correspondesse exatamente ao débito da saída, ainda assim não se poderia entender que houve uma venda. E isso pela simples razão de que o vendedor aproveita esse crédito no momento em que recolhe o ICMS devido pela saída, e ao fazê-lo depois de o ter vendido estaria configurada, a meu ver, até mesmo uma fraude, pois estaria aproveitando algo que não mais lhe pertence. Diferentemente, entendo que é a sistemática da não-cumulatividade que garante ao comprador o direito de registrar, como direito seu, exatamente o valor que o vendedor tem de recolher segundo a lei (e mesmo que não o recolha). Esse direito, é então, em respeito àquele princípio constitucional, utilizado como efetivo recolhimento do imposto que ele, vendedor, tem de pagar nas saídas que promover. Ou seja, data máxima vênia, não há alienação alguma nessa forma "normal" de utilização do crédito: ele faz o papel de efetiva moeda para satisfazer (geralmente apenas de forma parcial) o imposto devido pelo contribuinte de direito relativamente aos fatos geradores que faz surgir (saídas das mercadorias). A meu sentir, essa natureza de quase moeda que o crédito possui - como forma de liquidação de dívida, restrita, no entanto, à dívida do próprio ICMS - não muda pela ampliação de seu escopo proporcionada pela Lei Complementar 87. Tal "dinheiro" passa agora a poder também liquidar dívidas com terceiros, cumpridos naturalmente os trâmites previstos na própria LC. E por isso mesmo a contabilização dessa operação não tem, a meu sentir, que mudar: creditar-se-á a conta de ativo representativa desse direito - ICMS a recuperar - diretamente contra aquela que suporta a aquisição que se está fazendo ou da dívida que está Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 126 _________ 5 sendo paga. Somente se os valores não coincidirem é que o resultado é afetado, registrando-se uma perda ou um ganho na operação. Por fim, também não partilho a perplexidade da autoridade fiscal retratada no seguinte trecho de seu relatório: Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estar-se-ia proporcionando ao contribuinte um beneficio sem amparo legal. Ou seja, a incidência do PIS e da COFINS na cessão de créditos de ICMS a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Também não sei se entendi exatamente, mas me parece que ela se refere à incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade do preço que o vendedor, tomador do crédito e que veio a aliená-lo, vier a cobrar (?), pois a incidência das contribuições nas operações anteriores em nada é afetada pela transferência posterior. De fato, o fornecedor das matérias primas há de tributar a integralidade do seu preço (no qual está embutido o ICMS, como de praxe). E é exatamente por isso que a Lei Complementar previu a manutenção desse crédito mesmo que não haja ICMS na saída em razão da exportação. Ou seja, se há algum tratamento tributário diferenciado para essa parcela, ele decorre diretamente do art. 149, I, da Constituição. Com tais considerações é que o colegiado acolheu o argumento da empresa sobre o descabimento de incluir tais valores na base de cálculo das contribuições. No que tange à adição de juros postulada, negou-a o colegiado face à expressa disposição legal: art. 13 da Lei 10.833 a seguir transcrito. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Do exposto, deu-se parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer o crédito glosado por conta do acréscimo dos valores relativos à transferência de créditos de ICMS. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 127 _________ 6 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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4757561 #
Numero do processo: 13116.000876/2003-51
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Ano-calendário: 1998 RO. ACESSÓRIO SEGUE A SORTE DO PRINCIPAL. Análise prejudicada face ao julgamento do recurso voluntário que julgou improcedente o lançamento, e o acessório (multas) segue a sorte do principal . RV. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da rega supõe hipótese típica de lançamento por homologação; aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se não houver antecipação de pagamento do tributo, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar como termo a quo para fluência do prazo decadencial aquele do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, como in casu. MOTIVAÇÃO. O lançamento não há de ser mantido caso a motivação que o ensejou esteja equivocada. Todavia, nestes casos, não se pode afirmar que o crédito tributário lançado é indevido. Apenas a motivação o é. RO Negado e RV Provido
Numero da decisão: 204-03.570
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em negar provimento ao recurso de oficio; e II) em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA

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Recurso n° 148.937 De Oficio e Voluntário Matéria IPI Acórdão n° 204-03.570 Sessão de 05 de novembro de 2008 Recorrentes DRJ em Juiz de Fora-MG e JALLES MACHADO S/A • ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Ano-calendário: 1998 RO. ACESSÓRIO SEGUE A SORTE DO PRINCIPAL. Análise prejudicada face ao julgamento do recurso voluntário que julgou improcedente o lançamento, e o acessório (multas) segue a sorte do principal . RV. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da rega supõe hipótese típica de lançamento por homologação; aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se não houver antecipação de pagamento do tributo, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar como termo a quo para fluência do prazo decadencial aquele do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, como in casu. MOTIVAÇÃO. O lançamento não há de ser mantido caso a motivação que o ensejou esteja equivocada. Todavia, nestes casos, não se pode afirmar que o crédito tributário lançado é indevido. Apenas a motivação o é. RO Negado e RV Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n° 13 l 16.000876/2003-5 1 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.570 Fls. 260 ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em negar provimento ao recurso de oficio; e II) em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira e Henrique Pinheiro Torres. fEm".14-EJE PINHEIRO TORRES Presidente cievo! NAYRA BAS OS MANATTA Relatára Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan. 2 Processo n° 13116.000876/2003-5 I CCO2/C04 Acórdão ri ° 204-03.570 Fls. 261 - Relatório Trata-se de auto de infração, decorrente de auditoria interna de DCTF, através do qual se exige o IPI relativo ao 2°, 3' e 4' trimestres de 1998 em virtude de o processo judicial informado na DCTF como ensejador de suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado não ter sido comprovado. A contribuinte apresenta impugnação alegando: 1. nulidade do auto de infração por não ter obedecido ao disposto no art. 142 do CTN, não buscando a verdade material nem apurando corretamente os fatos envolvidos; 2. decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativos aos fatos geradores ocorridos até 10/07/98 uma vez que o lançamento se deu após cinco anos da sua ocorrência (10/07/03), nos termos do art. 150 do CTN; 3. a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por força dos MS n's 1999.35.00.002566-8 (safra 97/98) e 1998.35.00.005379-2 (safra 98/99) bem como pelos depósitos judiciais dos valores em discussão (fls. 87), o que implica que a exigência formulada por meio de auto de infração do tributo acrescido de penalidades e acréscimos moratórios constitui desobediência à ordem judicial e ao CTN; 4. houve erro na base de cálculo do IPI, pois foram desconsiderados créditos decorrentes da aquisição de produtos não gravados pelo IPI e utilizados no processo de produção do açúcar; 5. ilegitimidade da utilização da Taxa Selic como juros de mora; e 6. solicita realização de perícia, formulando quesitos. A DRJ em Juiz de Fora-MG manifestou-se no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, afastar a decadência, não conhecer da matéria posta à apreciação do judiciário e, em relação às matérias conhecidas por julgar procedente em parte o lançamento, afastando apenas a incidência da multa de oficio lançada e a incidência da multa de mora sob os valores depositados em juizo no prazo dos 30 dias após a liminar concedida ter sido cassada. Indeferiu também a perícia solicitada. Desta decisão foi interposto recurso de oficio. Cientificada em 12/12/06 a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 11/01/07, alegando em sua defesa: 1. decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativos aos fatos geradores ocorridos até 10/07/98 uma vez que o lançamento \ 3 Processo n° 13116.000876/2003-51 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03Á70 Fls. 262 se deu após cinco anos da sua ocorrência (10/07/03), nos termos do art. 150 do CTN 2. nulidade da decisão recorrida por ter havido cerceamento do direito de defesa em virtude de ter sido denegado o pedido de perícia formulado; 3. direito ao crédito relativo à aquisição de produtos isentos, NT ou aliquota zero em virtude do principio constitucional da não-cumulatividade do imposto; e 4. o depósito judicial efetuado considerou sim a incidência de juros de mora, tendo por conseqüência sido integral. Apenas não considerou a multa de mora por ter sido realizado nos 30 dias após a revogação da liminar até então vigente (o que estava correto conforme a própria decisão recorrida). O crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa por força dos depósitos judiciais integrais efetuados (principal+ juros mora), devendo, portanto, ser afastada a incidência de juros de mora no lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira NAYRA BASTOS MANATTA, Relatora Primeiramente, deve ser analisado o recurso voluntário interposto. No caso dos autos não houve qualquer antecipação de pagamento, razão pela qual entendo como descaracterizado o lançamento por homologação, aplicando-se, conseqüentemente, o art. 173, I, no regramento do termo a quo do prazo decadencial. Esta questão foi enfrentada pelo Conselheiro Jorge Freire quando do julgamento • do Recurso Voluntário n° 128.838, no qual foi designado como conselheiro relator. Adoto as razões de decidir esposadas naquele voto como se minhas o fossem: "Não tenho dúvida que a atividade de lançar e gerir tributos é uma parte da fitnção administrativa lato sensu, e que, em princípio, deveria ser desempenhada pela Administração pública. Talvez o ideal fosse que ela própria cobrasse seu crédito prescindindo da ajuda do contribuinte. Contudo, a verdade é que é impossível ao Estado, com a massificação dos fatos tributáveis, por si próprio, verificar cada unia das obrigações tributárias surgidas identificando a ocorrência de todos os fatos imponiveis que vão se operando no plano fático. Por isso que as leis tributárias vêm cominando aos administrados determinadas tarefas que a Administração não pode realizar. O lançamento por homologação foi criado para enfrentar essa carência, atribuindo ao sujeito passivo da obrigação tributária "o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" (CT1V, art. 150, caput), desta forma atribuindo-lhe um dever de colaboração com a administração. Mas essa participação do sujeito passivo não deslocou a si o ato administrativo de lançamento, que continua privativo da autoridade administrativa, a qual incumbe \rtk 4 Processo n° 13116.000876/2003-51 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.570 Fls. 263 apurar com força jurídica definitiva o débito tributário, e justamente por isso que alguns autores pátrios discordam do termo autolançamento na sua sinonimia com lançamento por homologação. A atividade do particular, no lançamento por homologação, é no procedimento de lançamento, restando o ato liquidató rio, o lançamento propriamente dito, à Administração, partindo do pressuposto que lançamento, em sentido técnico-jurídico, é aquele ato emitido pela administração que fixa, em concreto, a quantia do débito tributário. Aceitos tais pressupostos, entendo despicienda a critica acerca do termo "autolançamento". O fulcral é que a atividade do contribuinte, nas hipóteses em que a lei prevê sua participação, consiste num "conjunto de operações mentais ou intelectuais que o particular realiza em cumprimento de um dever imposto pela lei, e que reflete o resultado de um processo de interpretação do ordenamento jurídico tributário e de aplicação deste ao caso concreto, com escopo de obter o quantum de um débito de caráter tributário", como nos ensina Estevão Horvath. I (sublinhei) Com efeito, se o fim buscado com a participação do particular no procedimento de lançamento é o de apurar o montante e recolhê-lo ao erário, se assim a lei impositiva o determinar (conforme expresso na cabeça do artigo 150 do CTN), uma vez não cumprido tal . dever, não há falar-se em lançamento por homologação, desta forma afastando a incidência do § 40 do mencionado artigo 150 do CTN. E obstada sua aplicação, a contagem do prazo decadencial terá como termo a qtto aquele do artigo 173, I, do CTN. Nesse sentido, Luciano Amaro 2 assevera que, • "quando não se efetua o pagamento antecipado exigido pela lei (que é a hipótese versada nos autos), não há possibilidade de lançamento por homologação, pois simplesmente não há o que homologar; a homologação não pode operar no vazio. Tendo em vista que o art. 150 não regulou a hipótese, e o art. 149 diz apenas que cabe lançamento de oficio (item V), enquanto, obviamente, não extinto o direito do Fisco, o prazo a ser aplicado para a hipótese deve seguir a regra geral do art. 173, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que (à vista da omissão do sujeito passivo) o lançamento de oficio poderia ser feito." É ver, também, Sacha Navarro Coelho3: Nos impostos sujeitos a lançamento por" homologação'', contudo — desde que haja pagamento. ainda que insuficiente para pagar todo o crédito tributário — o dia inicial da decadência é o de ocorrência do fato gerador da co-respectiva obrigação, ....(sublinhei) Não é outro o entendimento do STJ, conforme se depreende da decisão nos Embargos de Divergência 101407/SP no Resp 1998/0088733-4, julgado em 07/04/2000, I "Lançamento Tributário e "Autolançamento. " São Paulo, Dialética, 1997, p. 163. kR.2 "Direito Tributário Brasileiro", 7 ed, São Paulo, Saraiva, 2001, p. 394. \3 "Curso de Direito Tributário Brasileiro", Rio de Janeiro, Forense, 2003, p. 721. 5 Processo n° 13116.000876/2003-51 CCOVC04 Acórdão n," 204-03.570 As. 264 publicado no DJ de 08/05/2000, relatado pelo Ministro Ari Pargendler, votado à unanimidade, que restou assim ementada: "TRIBUTÁRIO. DECADENCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇA MENTOPOR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, sç 4", do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador,: a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado 111 não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, 1, do Código Tributário Nacional. Embargos de divergência acolhidos." (sublinhei) À vista do exposto, não tendo havido qualquer antecipação de pagamento, o prazo decadencial reger-se-á pelo art. 173, I, sendo, então, o termo a quo para contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento de oficio poderia ser levado a cabo. Ressalte-se que mesmo que os valores devidos a titulo do tributo tenham sido informados em DCTF com a exigibilidade suspensa por força de ação judicial interposta, não tendo havido pagamento o prazo decadencial há de ser contado pelas regras do art. 173, inciso 1 do CTN. Diante do exposto, tendo o lançamento sido cientificado à contribuinte em 10/07/03, e não tendo havido pagamento o prazo decadencial começa a fruir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento pelo Fisco. Ou seja, no caso em questão, o prazo decadencial teve inicio em 01/01/99, findando-se em 01/01/2004, e como o lançamento foi efetuado antes de findo este prazo não há que se falar em decadência. Prosseguindo-se, todavia, na analise do mérito, verifica-se que o lançamento foi efetuado sob a acusação de "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". Todos os argumentos trazidos pela recorrente na fase impugnatória objetivavam comprovar que existência de ação judicial interposta pela empresa que a autorizou a realizar compensações, tendo sido exatamente este o procedimento efetuado pela recorrente, razão pela qual não houve falta de pagamento ou declaração inexata. Todavia a decisão de primeira manteve o lançamento sob argumentação diversa. Entretanto, a motivação do lançamento foi a não comprovação do processo judicial informado em DCTF. O processo judicial restou comprovado. Se o processo judicial suspende ou não a exigibilidade do crédito tributário, é uma outra questão. Se restasse comprovado que a suspensão da exigibilidade do crédito não estava albergada por decisão judicial, o lançamento deveria ter sido feito sob , outro fundamento. \t\ 6 Processo n° 13116.000876/2003-51 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.570 Fls. 265 Assim sendo, em virtude da motivação equivocada do lançamento considero-o indevido, nos termos em que foi formulado. Entretanto deve ser deixado claro que aqui não se está a considerar como correta a compensação efetuada, nem indevido o crécr to tributário lançado já que nenhum cálculo foi feito para se confirmar os créditos usados nem a compensação declarada. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto para considerar indevido o lançamento nos termos em que foi efetuado. A analise do recurso de oficio resta prejudicada em virtude de todo o lançamento ter sido exonerado, com base na análise do recurso voluntário. Como o acessório segue o principal, nego provimento ao recurso de oficio interposto. É COMO 1./MO. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2008. \<....s\ O unc)-- ....-)ciega. NAYIíA BAS1FOS MANATTA 7 Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1

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10777928 #
Numero do processo: 12448.721698/2013-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. Afastado está o cerceamento do direito de defesa que caracteriza a nulidade dos atos administrativos quando observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa
Numero da decisão: 1001-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. Afastado está o cerceamento do direito de defesa que caracteriza a nulidade dos atos administrativos quando observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva. Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 2 RELATÓRIO Termo de Indeferimento de Opção A Recorrente foi noticiada do Termo de Indeferimento da Opção ao Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional motivado nos fundamentos de fato e de direito indicados com relação anexa de todos os débitos que justificaram o desatendimento registrado em 20.02.2013, e-fl. 04: CNPJ: 05.477.320/0001-50 NOME EMPRESARIAL: DOMINI ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA - EPP DATA DA SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO: 07/01/2013 A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguinte(s) situação(ões) que impediu(ram) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 05.477.320/0001-50 - Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1) Débito: 36891152-7 2) Débito: 36891153-5 3) Débito: 39192077-4 4) Débito: 39192078-2 Os débitos foram listados em valor original. A pessoa jurídica poderá impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação deste Termo. A impugnação deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte e protocolizada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Considera-se feita a intimação 15 dias contados da data do registro deste Termo. (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 39, § 4°) Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado no Acórdão da 4ª Turma DRJ/FOR/CE nº 08-36.728, de 04.07.2016020, e-fls. 46-48: Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 3 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas até a data prevista para a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. Recurso Voluntário Notificada em 11.05.2017, e-fl. 53, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.06.2017, e-fls. 62-66, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II — O Direito II.1 — PRELIMINAR Nulidade do acórdão, por cerceamento do direito de defesa, pela falta de apreciação de todas as questões levantadas pela defesa, como os "Pedidos de Revisão de Débitos Confessados em GFIP" originado pelos "supostos" débitos n° 36891152-7 e 36891153-5 protocolados em 11/03/2013 e ainda em curso nesta Fazenda. Processo N° N° do Débito 12448.722415/2013-91 36891152-7 12448.722416/2013-35 36891153-5 Que foram quitados dentro do prazo estabelecido, ou seja, até 31 de janeiro de 2013, porém ainda constavam na relação de pendências do Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional. II. 2— PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU DE REVISÃO DE LEVANTAMENTO FISCAL Diante do exposto preliminarmente, a recorrente com fulcro no artigo 16, § 4°, "c" do Decreto- Lei 70.235/72, em momento oportuno, à luz do Princípio da Verdade Material, apresenta outros levantamentos contraditórios para que seja garantido o seu direito à ampla defesa, quais sejam: Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 4 a. Roga para que seja feita a conexão dos processos n° 12448.722415/2013-91 e 12448.722416/2013-35, para que haja a confirmação do pagamento, em 31/01/2013, dentro do prazo estabelecido na Lei Complementar n° 123/2006 e Resoluções CGSN de n°04/2007 e 94/2011 dos débitos n° 36891152-7 e 36891153-5, objeto do indeferimento n° 00.05.39.34.02 da opção ao Simples Nacional e declarando que os referidos débitos encontravam-se extintos conforme dispõe o Art. 156, "I" Código Tributário Nacional — CTN. b. Após verificado o item "a", que a Receita declare que os débitos n° 36891152-7 e 36891153-5 foram pagos duas vezes, conforme consta comprovado o segundo pagamento (em maio de 2014) no Acórdão ora recorrido ensejando direito ao crédito dos tributos constantes neles, de acordo com o Art. 165 do Código Tributário Nacional — CTN. c. Que seja feita, também, a conexão do Processo n° 11707.720442/2016-19, pois o mesmo originou-se como desdobramento do indeferimento da opção ao Simples Nacional. A recorrida, no processo descrito neste item, responde a Receita que questiona a não entrega da Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ ano base 2013. No ano 2013 a recorrida entregou a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais— DEFIS. II.3 — MÉRITO Temos, então, que os débitos listados no Termo de Indeferimento encontravam- se extintos em função do pagamento, débitos 36891152-7 e 36891153-5, conforme dispõe o Art. 156, I do Código Tributário Nacional — CTN e com a exigibilidade suspensa em função do parcelamento, débitos n° 39192077-4 e 39192078-2, de acordo com a Art. 151, VI, do mesmo diploma legal citado. O Indeferimento acarretou sérios problemas a recorrente que geraram outros processos, todos pendentes de análise objeto do item II. 2 — PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU DE REVISÃO DE LEVANTAMENTO FISCAL, bem como vem dificultando a emissão de Certidão Negativa de Débitos. Pois a recorrente trabalhou todo o ano calendário de 2013 como se optante do Simples Nacional fosse (Anexo 05). No que concerne ao pedido conclui que: III — A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do termo de indeferimento, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido e declarado a sua inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Nacional no ano- calendário 2013, anulando toda e qualquer cobrança e/ou obrigação do ano- calendário 2013, referente a regime de tributação diverso ao pleiteado, bem Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 5 como a declaração do crédito tributário em nome da recorrente e sua restituição e/ou compensação oriunda dos valores pagos duplicados dos impostos que geraram os débitos 36891152-7 e 36891153-5. Diligência Tendo em vista as alegações constantes na peça de defesa da Recorrente, que está instruída com os motivos de fato e de direito que a fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possui, o julgamento foi convertido na realização de diligência consubstanciada na Resolução da 3ª TEx/1ª Seção nº 1003-000.421, de 09.08.2023, e-fls. 206-213 (art. 15, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em atendimento, foi proferido o Despacho n° 4.883/2024 — REVPREV-EQREV-DEVAT07-VR, de 07.08.2024 e-fls. 310- 315, da qual a Recorrente foi notificada, e-fl. 318 e permaneceu silente. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito do da exclusão do Simples Nacional pela existência dos débitos identificados sob os nºs 36891152-7 e 36891153-5 objeto da lide no presente processo (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Está registrado no Acórdão da 4ª Turma DRJ/FOR/CE nº 08-36.728, de 04.07.2016020, e-fls. 46-48: Lista de Débitos 1) Débito: 36891152-7 2) Débito: 36891153-5 3) Débito: 39192077-4 4) Débito: 39192078-2 Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 6 Os extratos de fls. 33/42, obtidos dos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, confirmam que os dois últimos débitos listados no Termo de Indeferimento foram incluídos em pedido de parcelamento em 15/07/2011 (fls. 41/42), ou seja, dentro do prazo de regularização. Contudo, os mesmos documentos atestam que os dois primeiros débitos apontados no ato de indeferimento foram recolhidos somente em maio de 2014 (fls. 33 e 40), após o prazo final de regularização. Desta feita, não resta comprovado que em 31/01/2013 todos os débitos relacionados no Termo de Indeferimento haviam sido regularizados. Em função do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. No que se refere às alegações recursais referentes ao processo nº 11707.720442/2016-19 tem-se que as matérias litigiosas devem ser ali decididas. Nulidade do Termo de Indeferimento de Opção e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos arguindo que foram violados princípios constitucionais. O Termo de Indeferimento de Opção foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, da qual a Recorrente foi validamente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa que caracteriza a nulidade dos atos administrativos. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foram regularmente analisados pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 7 As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição da República Federativa o Brasil). O Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 99 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Via de regra, “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Ocorre que o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado de ofício. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Afastado está o cerceamento do direito de defesa que caracteriza a nulidade dos atos administrativos quando observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Logo não cabe razão a Recorrente. Existência de Débito A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória é aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte. Elevado à condição de princípio constitucional da atividade econômica orienta os entes federados visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações tributárias (art. 170 e art. 179 da Constituição Federal). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 8 Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional, que é gerido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A pessoa jurídica que preenche as condições legais realiza a opção irretratável para todo o ano-calendário por meio eletrônico no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia. Na hipótese do início de atividade a opção é exercida nos termos legais. A optante deve efetivar o pagamento do valor devido determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas sobre a base de cálculo, ou seja, receita bruta auferida no mês, bem como apresentar a RFB anualmente declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais com natureza de confissão de dívida. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente (art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). A exclusão é feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória no caso de incorrer em qualquer das situações de vedação ou em condutas incompatíveis o procedimento é efetivado de ofício mediante emissão de ato próprio pela autoridade competente. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeita-se, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 29 e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). A pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa não pode recolher tributos na forma do Simples Nacional. A exclusão produz efeitos a partir do ano-calendário subsequente ao da ciência da comunicação da exclusão. É permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão (art. 17 e art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte: [...] Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 9 V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se- á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: [...] II - obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; [...] § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: [...] § 2º A comunicação de que trata o caput deste artigo dar-se-á na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor. [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] IV - na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do ano-calendário subsequente ao da ciência da comunicação da exclusão; [...] § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar-se-ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A Resolução do CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, vigente à época da opção pelo Simples Nacional determina: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o ano-calendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I - regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 10 Consta no Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 627543/RS, Tema 363, proferido pelo Supremo Tribunal Federal (STF): 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI), devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. 5. Recurso extraordinário não provido. Os art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Consta no Acórdão da 4ª Turma DRJ/FOR/CE nº 08-36.728, de 04.07.2016020, e-fls. 46-48, que débitos identificados sob os nºs 36891152-7 e 36891153-5 objeto de litígio: Os extratos de fls. 33/42, obtidos dos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, confirmam que os dois últimos débitos listados no Termo de Indeferimento foram incluídos em pedido de parcelamento em 15/07/2011 (fls. 41/42), ou seja, dentro do prazo de regularização. Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 11 Contudo, os mesmos documentos atestam que os dois primeiros débitos apontados no ato de indeferimento foram recolhidos somente em maio de 2014 (fls. 33 e 40), após o prazo final de regularização. Desta feita, não resta comprovado que em 31/01/2013 todos os débitos relacionados no Termo de Indeferimento haviam sido regularizados. Diferentemente, a Recorrente alega que os débitos identificados sob os nºs 36891152-7 e 36891153-5, que se encontram extintos até 31.01.2013, são objeto de revisões de ofício formalizadas respectivamente nos processos nº 12448.722415/2013-91, e-fl. 82 e nº 12448.722416/2013-35, e-fl. 129 (Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014). Ainda, a Portaria Conjunta SRFB/PGFN nº 01, de 12 de janeiro de 2023, que institui o Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal - PRLF, medida excepcional de regularização fiscal por meio da realização da transação resolutiva de litígio administrativo tributário no âmbito de Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e de pequeno valor no contencioso administrativo ou inscrito em dívida ativa da União, prevê: Art. 6º A adesão ao PRLF poderá ser formalizada das 8h de 1º de fevereiro de 2023 até às 19h, horário de Brasília, do dia 31 de julho de 2023. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 8, de 31 de maio de 2023) [...] § 4º O requerimento de adesão apresentado validamente suspende a tramitação dos processos administrativos fiscais referentes aos débitos incluídos na transação enquanto o requerimento estiver sob análise. [...] Art. 7º A formalização do acordo de transação constitui ato inequívoco de reconhecimento, pelo contribuinte, dos débitos transacionados e importa extinção do litígio administrativo a que se refere. O Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, determina: Art. 133. O recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 12 § 4º Quando houver decisão desfavorável ao sujeito passivo, total ou parcial, sem recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento: I - se a desistência for parcial, os autos serão encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, retornem ao CARF para seguimento quanto à parcela da decisão que não foi objeto de desistência; e II - se a desistência for total, os autos serão encaminhados à unidade de origem para as providências de sua alçada, sem retorno ao CARF. Consta-se na Nota datada de 26.05.2023 no e-processo: Alerta de possível TRANSAÇÃO: o interessado no presente processo possui pedido de transação controlado no DDA nº13031540603202248. O referido pedido encontra-se, nesta data, EM ANÁLISE e não necessariamente o presente processo foi incluído na transação. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário e o alerta de possível transação, admite-se analisar as informações constantes nos sistemas da RFB comparativamente àquelas originárias dos registros contábeis e fiscais que a Recorrente deve apresentar. A partir das divergências apontadas pela Recorrente o julgamento foi convertido na realização de diligência. Consta no Despacho n° 4.883/2024 — REVPREV-EQREV-DEVAT07-VR, de 07.08.2024 e-fls. 310-315, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): 2. No que se refere à análise se os débitos 36.891.152-7 e 36.891.153-5 foram extintos até 31/01/2013, conforme as revisões de ofício formalizadas, respectivamente, nos processos 12448.722415/2013-91 e 12448.722416/2013-35 e à juntada das decisões finais correspondentes, seguem alguns esclarecimentos. 3. Inicialmente, observa-se que ambos os DCG’s foram cadastrados em 19/06/2010, a partir das divergências GFIP x GPS das competências 11/2018 a 01/2010 do estabelecimento de CNPJ n° 05.477.320/0001-50. O segundo débito foi inscrito em Dívida Ativa da União (DAU) em 07/08/2010. Já o primeiro não chegou a ser inscrito em DAU. Os itens de cobrança dos documentos de débito são abaixo discriminados: [...] 4. Verifica-se nas consultas anexadas ao processo que os débitos 36.891.152-7 e 36.891.153-5 foram baixados por pagamento, de modo que não houve decisões relativas à revisão de ofício nos processos 12448.722415/2013-91 e 12448.722416/2013-35 a serem juntadas neste processo. 5. Em relação às GFIP’s transmitidas, observa-se que, em todas as competências sob análise, as declarações que deram origem aos débitos foram transmitidas em 14/06/2010. Quanto à competência 13/2008, a GFIP parâmetro de débito é a Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 13 mesma que consta do sistema CONSULTA VALORES A RECOLHER X VALORES RECOLHIDOS X LDC/DCG (CCORGFIP). 6. Por outro lado, quanto a cada uma das demais competências, foram entregues diversas GFIP’s retificadoras, por meio das quais foram declaradas contribuições em valores mais elevados que os incluídos nos DCG’s. Estes correspondem, na verdade a pouco mais de 3%, em média, dos valores finais declarados nas retificadoras que se encontram ativas no CCORGFIP. [...] 7. No que diz respeito aos pagamentos realizados, considerando-se os valores inicialmente declarados e incluídos nos débitos, estes de fato foram pagos em 31/01/2013, com os devidos acréscimos legais. A cobrança teve prosseguimento, contudo, em razão de tais pagamentos terem sido feitos de forma inadequada, como salientou o próprio sujeito passivo. Além de o documento de arrecadação ter sido preenchido com erro na utilização dos campos, não foi observada a orientação de que recolhimentos efetuados após o cadastramento dos débitos sejam feitos por meio de guias próprias emitidas por sistema próprio pela Receita Federal do Brasil e não por meio de GPS geradas pela Internet. [...] 8. No entanto, cabe destacar que os pagamentos realizados correspondem, como já mencionado, a pouco mais de 3% dos valores efetivamente devidos, segundo as próprias declarações retificadoras enviadas pela pessoa jurídica interessada, o que significa que, embora os DCG’s tenham sido quitados, as contribuições efetivamente devidas não foram. 9. No que se refere à adesão ao Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal (PRLF)para fins de confirmação ou não a desistência parcial ou total do recurso voluntário, ressalta-se que tal programa, conforme dispõe o art. 10 da Portaria Conjunta PGFN / RFB n° 1, de 12 de janeiro de 2023, é medida excepcional de regularização fiscal por meio da realização da transação resolutiva de litígio administrativo tributário no âmbito de Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e de pequeno valor no contencioso administrativo ou inscrito em dívida ative da União. A informação deve, portanto, ser buscada junto aos órgãos competentes. (g. n.) Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos foram regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Embora a Recorrente possa ter efetuados os pagamentos de forma inadequada, restou comprovado que os débitos 36.891.152-7 e 36.891.153-5 foram baixados por pagamento em 31.01.2013, ou seja, dentro do prazo legal de regularização para fins de opção pelo Simples Nacional do ano-calendário de 2013. Logo, cabe razão à Recorrente. Revisão de Ofício A Recorrente apresenta argumentos pertinentes aos débitos confessados. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 14 O Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria ME nº 284, de 27 de julho de 2020, prevê: Art. 1º A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Economia, tem por finalidade:[...] VIII - planejar, dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação e controle dos tributos e das demais receitas da União sob sua administração; [...] Art. 290. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) compete gerir e executar, no âmbito da respectiva região fiscal e de acordo com a distribuição dos processos de trabalho pela SRRF, as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de fiscalização, de revisão de ofício, de atendimento e orientação ao cidadão, de controle aduaneiro e de vigilância e repressão. (g. n.) Sobre a avaliação de possíveis incongruências atinentes ao procedimento de pagamento de débitos, o art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, o Parecer Cosit/RFB nº 38, de 12 de setembro de 2003 e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014, trazem esclarecimentos sobre os procedimentos de revisão, retificação e cancelamento de ofício de débitos confessados, cuja competência é da autoridade administrativa preparadora. Nesse sentido, a autoridade administrativa pode rever e retificar de ofício o autolançamento mediante declaração de confissão de dívidas do sujeito passivo a fim de eximi-lo total ou parcialmente de crédito tributário não extinto. Cabe à Unidade de Origem a revisão de ofício e a cobrança dos débitos tributários confessados em Per/DComp. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1001-003.659 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721698/2013-53 15 Fl. 337DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10983.908243/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. DILIGÊNCIA REALIZADA. RECONHECIMENTO. Aplicando-se o resultado da diligência ao deslinde da presente controvérsia, impõe-se reconhecer o direito creditório postulado e homologar a compensação realizada até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1301-007.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA – Relator Assinado Digitalmente RAFAEL TARANTO MALHEIROS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Eduarda Lacerda Kanieski
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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PAGAMENTO INDEVIDO. DILIGÊNCIA REALIZADA. RECONHECIMENTO. Aplicando-se o resultado da diligência ao deslinde da presente controvérsia, impõe-se reconhecer o direito creditório postulado e homologar a compensação realizada até o limite do crédito reconhecido. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA – Relator Assinado Digitalmente RAFAEL TARANTO MALHEIROS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Eduarda Lacerda Kanieski Fl. 374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 07-26.632, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação, mantendo o decidido no Despacho Decisório. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, não foi homologada a Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida pela interessada em 29 de maio de 2006, em que recolhimento efetuado em 29 de julho de 2005, a título de estimativa mensal, é utilizado como crédito do tipo pagamento indevido ou a maior. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Enquadramento Legal: Arts.165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade na qual alega que o § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, “à época dos fatos, não trazia em seus incisos a limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade fiscalizadora, levando a inevitável conclusão de que a compensação é legítima e pertinente”. Ainda, em referência ao art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, dispositivo citado no enquadramento legal do Despacho Decisório, a contribuinte alega o seguinte: Ao não homologar a compensação realizada deveria a autoridade administrativa especificar diretamente a norma legal desrespeitada, não servindo para tantas normas secundárias regulamentares (IN 600/05), as quais não se prestam a criar obrigações ou impor limitações aos contribuintes. [...] O rol taxativo de situações limitativas a realização de compensações previstas na Lei 9.430/96 (único instrumento legítimo a impor limitações ou criar obrigações), à época dos fatos, não proibia a realização da compensação nos moldes realizados, devendo, portanto, os créditos serem compensados autorizando dessa maneira a homologação na sua integralidade. A contribuinte também alega direito adquirido nos seguintes termos: Fl. 375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 3 A lei não pode retroagir para modificar situações jurídicas já consolidadas por lei anterior, tendo em vista o princípio da segurança jurídica. Por fim, a contribuinte requer o provimento da manifestação de inconformidade, a homologação da compensação objeto do presente processo e, por conseguinte, o cancelamento da cobrança que lhe é dirigida. É o relatório. Naquela oportunidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, analisando os argumentos da interessada, concluiu por julgá-la improcedente, cujo julgamento encontra-se sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, reiterando as razões de defesa apresentadas. Numa primeira apreciação, esta Turma de Julgamento, em outra composição, resolveu converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora providenciasse as informações realizasse as providências mencionadas na Resolução nº 1301-000.359. Em atendimento, foi confeccionado o Parecer nº 1.185/2023 – EQAUD1/DRF/PTG/DEVAT/SRRF09/RFB, de 26 de setembro de 2023, com a seguinte conclusão: Conclusão 21. Assim, em análise aos documentos apresentados e das informações contidas dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, verifica-se o fundamento do montante indicado como direito creditório. Neste caso, fica demonstrado o direito ao crédito de IRPJ na DCOMP nº 15369.82069.290506.1.3.04-4064 no montante de R$ 318.604,11, conforme documento abaixo: Cientificado da diligência, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 4 VOTO Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de análise de DCOMP nº 15369.82069.290506.1.3.04- 4064, por meio do qual a interessada declara a utilização de direito creditório, com origem em pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código, 2362, no montante de R$ 318.604,11, relativo ao período de apuração jun/2005. Confira-se imagem extraída dos sistemas da Receita Federal e reproduzida em diligência: O Despacho Decisório não reconheceu o direito creditório alegado, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Contra esta decisão, foi interposta a Manifestação de Inconformidade, a qual, em sentido semelhante, não fora acolhida, concluindo-se por não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações vinculadas. Em conclusão, infere-se que a DRJ fez referência às disposições da IN SRF nº 460/2004, que dizia que, no caso de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, o valor só poderia ser utilizado ao final do período em que houve o pagamento indevido, seja para Fl. 377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 5 dedução do IRPJ ou da CSLL devida, ou para compor saldo negativo de IRPJ e CSLL do período, conforme previsto em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofi-er retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Confira-se trecho, nesse rumo, extraído da decisão da DRJ: Do dispositivo acima infere-se que a utilização prevista para os pagamentos a título de estimativa limita­se à “dedução” na apuração do saldo a pagar ao final do período, que poderá resultar em saldo negativo. No entanto, ao contrário do que parece ser o entendimento da contribuinte, o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, não inovou o ordenamento jurídico; em verdade, apenas explicitou um aspecto inerente à apuração do IRPJ e da CSLL segundo as regras do Lucro Real na periodicidade anual, conforme previsão da própria Lei nº 9.430, de 1996. A “dedução” a que se refere o art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, não se confunde com a “compensação”. A dedução não precisa ser formalizada por DComp, pois é parte integrante da apuração do tributo, correspondendo a mero reconhecimento de que parte do valor devido (apurado ao final do período anual) foi antecipadamente pago na forma de estimativas mensais. Portanto, os pagamentos efetuados a título de antecipação não constituem indébito, razão pela qual, no caso em exame, [...]. Em recurso, a recorrente insurgiu-se contra este entendimento, cujas alegações foram acolhidas em voto proferido por este mesmo Relator, propondo, na ocasião, a conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1301-000.359. Em síntese, ultrapassou-se o entendimento firmado pela DRJ, de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração, e entendeu-se oportunizar à Interessada trazer novos elementos e esclarecimentos para demonstrar o erro de fato alegado na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não de mera reapuração de estimativa promovida após sua determinação e recolhimento regulares. A proposta de diligência foi nesses termos: Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) Acostar aos autos DIPJ do ex 2006/AC 2005, original e retificadoras, se houver; Fl. 378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 6 b) Acostar aos autos DCTF em que constem as informações do PA jun/2005, original e retificadoras, se houver; c) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa de IRPJ no PA jun/2005. Apresentar memórias de cálculo, balanços/balancetes de suspensão/redução, LALUR, entre outros documentos, conforme o caso. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá apresentar relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, se manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido no PA jun/2005, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão; Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultando-lhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na sequência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. Em atendimento à Resolução, aportou-se aos autos o Parecer nº 1.185/2023 – EQAUD1/DRF/PTG/DEVAT/SRRF09/RFB, que, em apertada síntese, concluiu que, diante da análise dos documentos e informações constantes nos sistemas da Receita Federal, restou demonstrado o direito ao crédito de IRPJ na DCOMP nº 15369.82069.290506.1.3.04-4064 no montante de R$ 318.604,11. Nas palavras da fiscalização: 2. A fim de julgar o direito objeto da declaração de compensação supracitada, o CARF solicitou diligência para que fossem apresentadas as seguintes informações: a) Acostar aos autos DIPJ do ex 2006/AC 2005, original e retificadoras, se houver; b) Acostar aos autos DCTF em que constem as informações do PA jun/2005, original e retificadoras, se houver; c) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa de IRPJ no PA jun/2005. Apresentar memórias de cálculo, balanços/balancetes de suspensão/redução, LALUR, entre outros documentos, conforme o caso. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá apresentar relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, se manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido no PA jun/2005, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão 3. Em referência à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, ano- calendário 2005 (fls. 165/228), informa-se que consta uma única transmissão nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Referida entrega ocorreu em 27/06/2006. [...] Fl. 379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 7 6. Em consulta ao sistema SCC, verifica-se que não foi transmitido documento para aproveitar suposto saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário de 2005. 7. Em referência à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF (fls. 229/237), aponta-se que as informações coincidem com àquelas indicadas na DIPJ. A DCTF Original transmitida em 03/08/2005 e a DCTF Retificadora transmitida em 06/10/2005. 8. Sobre a DCTF do mês de Jun/2005, há indicação original de débito de IRPJ Estimativa de R$ 1.344.237,78, e posteriormente indicação retificadora de débito para R$ R$ 1.025.633,67, sendo a retificação realizada ainda no mesmo mês. 9. No que diz respeito à inmação solicitada pelo CARF no pedido de diligência (“(…)esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa de IRPJ nº PA Jun/2005 (…)”), foi encaminhado o Termo de Intimação nº 9.346/2023 (fls. 238/240), em 12/06/2023, conforme Dossiê nº 10906.259875/2023-71. 10. Em resposta, foi apresentado pelo interessado o que se segue: “(…) Efetuamos o batimento das informações entre a DIPJ, a DCTF, e as DARFs. Verificamos que no mês de 06/2005 havia sido estimado um valor de IRPJ a pagar de R$ 1.344.237,78, valor este recolhido via DARF em 29/07/2005(…) o contador da época estimativa um valor aproximado de estimativa de IRPJ e CSLL, para que desta forma a CASAN não recolhesse em Fl. 380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 8 atraso estes tributos. Desta forma, não temos LALUR anterior contendo o IRPJ de 06/2005 calculado conforme DARF, somente temos o LALUR impresso já ajustado. Realizando o batimento entre DIPJ x DARF x DCTF identificamos que houve um pagamento indevido ou maior. Segue abaixo os valores apurados: Comparando o quadro acima com o valor do DARF da competência 06/2005 pago verificamos que no mês de junho de 2005 houve um pagamento maior do que o devido, desta forma conclui-se que se pode utilizar a diferença de 318.604,11 como “Pagamento indevido ou a maior”. Anexamos ao processo a DIPJ referente ao ano de 2005, a DCTF referente ao mês de junho de 2005, a DARF quitada, assim como a apuração do LALUR referente a este período. Também anexamos as manifestações de inconformidade protocoladas na RFB. Incluímos o razão da conta 1.1.2.2.8.4 (IRPJ e CSLL PAGO A MAIOR A COMPENSAR) onde foi demonstrado contabilmente que o crédito foi reconhecido, e as contabilizações referente as compensações efetuadas, e também o razão da conta 4.1.8.1.7 que demonstra a contabilização do valor devido de IRPJ no ano de 2005. (...)”. 11. Além do exposto, apresentou planilha (fls. 243/245) detalhando as declarações realizadas em DIPJ, valores declarados em DCTF, documentos de arrecadação e indicação das declarações de compensação transmitidas em cada mês do ano-calendário 2005. 12. À vista do exposto, apresenta-se as considerações abaixo. 13. A declaração de imposto de renda pessoa jurídica – DIPJ – foi transmitida originalmente em 27/06/2006. Não houve transmissão de retificadora. Observa- se que mensalmente o valor da estimativa foi calculada com base em balancete de verificação. A única diferença entre as declarações refere-se a Ficha 12A, na linha 17, que detalha o montante da apuração anual do imposto de renda pago por estimativa. Fl. 381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 9 14. Apesar de indicado na própria resposta à inmação do contribuinte, não foi possível identificar o detalhamento dessas estimativas pagas que culminaram no montante de R$ 8.378.281,53. Mesmo em relação a essa incorreção, não há comprometimento das informações prestadas e levantamento do direito creditório em virtude de que: 01) que não foi detectado na apuração anual valores a serem recolhidos mesmo com levando-se em conta as estimativas indicadas; 02) que não houve transmissão de saldo negativo de IRPJ para o ano- calendário 2005. [...] 17. No que se refere ao mês de abril, percebe-se que as 3 declarações de compensação (08471.67411, 39919.99791 e 33072.56731) não foram homologadas, sendo que os débitos de estimativa foram transferidos para pagamento via parcelamento. 18. Posto isto, parte-se para a análise do mês de junho de 2005, confrontando as informações dos sistemas internos com a planilha apresentada pelo interessado. Frisa-se que há um erro de identificação do mês na tabela apresentada pelo contribuinte, mas as informações se referem ao mês de Jun/2005. 19. A base de cálculo do imposto de renda para o mês de junho de 2005 foi indicado no valor de R$ 26.301.015,11. Além de ser o valor declarado em DIPJ, o interessado, em resposta ao Termo de In*mação, ainda apresentou cópia do LALUR com a indicação: Fl. 382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.634 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.908243/2009-71 10 20. Há também a indicação de deduções de estimativas pagas no meses de janeiro a maio de 2005 no valor de R$ 5.204.439,37, que coincidem com os DARFs arrecadados. Conclusão 21. Assim, em análise aos documentos apresentados e das informações contidas dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, verifica-se o fundamento do montante indicado como direito creditório. Neste caso, fica demonstrado o direito ao crédito de IRPJ na DCOMP nº 15369.82069.290506.1.3.04-4064 no montante de R$ 318.604,11, conforme documento abaixo: Aplicando-se o resultado da diligência ao deslinde da presente controvérsia, impõe- se o reconhecimento do direito creditório postulado no valor de R$ 318.604,11, homologando-se a compensação realizada até o limite do crédito reconhecido. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 318.604,11, homologando-se a compensação realizada até o limite do crédito reconhecido. Assinado Digitalmente JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA Fl. 383DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13501.720169/2017-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE SOB PREMISSA EQUIVOCADA ESCLARECIDA PELO CONTRIBUINTE. A análise do direito creditório sob premissa equivocada aclarada pelo contribuinte no curso do processo administrativo justifica a emissão de despacho decisório complementar superando os óbices impostos pelo Acórdão Recorrido.
Numero da decisão: 1201-007.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Vencido o Conselheiro Renato Rodrigues Gomes, que dava provimento ao recurso. O Conselheiro Renato Rodrigues Gomes manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 114, da Portaria MF nº 1.634/2023 (RICARF). (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - Relator (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Eduarda Lacerda Kanieski (substituto[a] integral), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: LUCAS ISSA HALAH

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ANÁLISE SOB PREMISSA EQUIVOCADA ESCLARECIDA PELO CONTRIBUINTE. A análise do direito creditório sob premissa equivocada aclarada pelo contribuinte no curso do processo administrativo justifica a emissão de despacho decisório complementar superando os óbices impostos pelo Acórdão Recorrido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Vencido o Conselheiro Renato Rodrigues Gomes, que dava provimento ao recurso. O Conselheiro Renato Rodrigues Gomes manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 114, da Portaria MF nº 1.634/2023 (RICARF). (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 2 Lucas Issa Halah - Relator (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Eduarda Lacerda Kanieski (substituto[a] integral), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Alexandre Evaristo Pinto. RELATÓRIO Na origem, trata-se de despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição de R$ 290.473,13, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano base 2011. O indeferimento foi fundado no fato de que o saldo negativo já teria sido utilizado na DCOMP nº 02790.04451.200215.1.7.02-9887. Esta DCOMP já foi examinada, e, desse exame, resultou despacho decisório definitivo na esfera administrativa. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que revisou a escrituração contábil do ano base 2011 e verificou a necessidade de retificação dos cálculos do IRPJ e da CSLL. A retificação repercutiu no valor do saldo negativo que havia sido objeto da DCOMP 02790.04451.200215.1.7.02-9887, elevando-o. O novo valor do saldo negativo exigia que se retificasse o PER/DCOMP já enviado. Porém, o PER/DCOMP que tinha por objeto o saldo negativo de IRPJ de 2011 se encontrava no status “retificado” e com “despacho decisório emitido”, obstando, assim, a transmissão de PER/DCOMP retificador. Portanto, para pedir restituição da diferença de crédito, a requerente transmitiu o PER complementar ora em análise. Ao final, reiterou a existência do direito. O Acórdão Recorrido admitiu a possibilidade de transmissão de PER/DCOMP “complementar”, mas deixou de dar provimento à Manifestação de Inconformidade por ausência de prova dos fatos que deram ensejo à reapuração do Saldo Negativo de 2011, razão pela qual entendeu que o contribuinte não teria se desincumbido do ônus de provar o erro que alegou haver em sua apuração. Sobre a prova, especificamente, alegou que a DIPJ retificadora, por si só não faria prova do erro na apuração original, dado que foi transmitida em 30/11/2016, após a emissão do Despacho Decisório. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte frisou que o Acórdão Recorrido admitiu a possibilidade de transmissão de PER/DCOMP complementar em virtude de comprovado erro de fato. Fl. 304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 3 Sobre o erro propriamente dito, esclareceu que a retificação na apuração do IRPJ do ano-calendário de 2011 decorreu da interpretação de que a subvenção para investimento outorgada pelo Estado da Bahia por meio do programa “Desenvolve” deveria ser excluída da base de cálculo do IRPJ, o que não foi considerado na DIPJ original. Anexa ao Recurso Voluntário foi trazida documentação vasta mediante cuja análise o contribuinte pretendeu demonstrar o funcionamento do programa “Desenvolve” para comprovar que os incentivos fiscais de ICMS fornecidos em seu bojo deveriam ser excluídos da base de cálculo do IRPJ. Esclareceu os termos do programa e buscou demonstrar o cumprimento de seus requisitos. Asseverou que:  A análise do funcionamento do Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – Desenvolve, instituído pela Lei Estadual nº 7.980/2001 e regulamentado pelo Decreto nº 8.205/2002, permite verificar que o programa concede incentivos fiscais de ICMS para fomentar a diversificação da matriz industrial e agroindustrial do Estado.  O principal incentivo em questão consiste no diferimento de até 90%, pelo prazo de até 72 meses, do saldo devedor mensal de ICMS do contribuinte relativo a operações próprias, gerado em virtude de investimentos em projetos aprovados pelo Conselho Deliberativo.  O Contribuinte deve informar mensalmente à SEFAZ estadual o valor das deduções, que deverão ser registradas no livro de registro de apuração de ICMS. Caso opte o contribuinte pela liquidação antecipada do ICMS diferido, o Estado da Bahia outorga-lhe um desconto de 90% que representa renúncia fiscal. Esse é o funcionamento, em síntese, do benefício fiscal excluído da base de cálculo do IRPJ pelo contribuinte. A Recorrente esclareceu que o Estado da Bahia, observando os procedimentos estabelecidos pelo Convênio ICMS nº 190/2017 para fins de observância da LC 160/2017, convalidou o incentivo fiscal em questão por meio do Decreto BA nº 18.270/2018. Demonstrou sua habilitação no programa Desenvolve. Trouxe o Livro de Registro e Apuração de ICMS para demonstrar que os valores excluídos foram escriturados adequadamente, preenchendo as condições para fazer jus ao desconto de ICMS, conforme demonstrariam os comprovantes de pagamento acostados aos autos, em que demonstra ter pagado exatamente 10% do valor total do valor cujo prazo de pagamento fora dilatado. Assevera que contabilizou as receitas com a redução do imposto na sua conta de receita “314101 - ICMS s/ Faturamento” do Livro Razão inerente à Escrituração Contábil Digital - Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 4 ECD da Contribuinte se encontra anexo, afirmando que os lançamentos contábeis pertinentes são descritos como “Apropriação do ICMS desenvolve”. Demonstrou o impacto na apuração do IRPJ e demonstrou o efeito comparando-se a DIPJ original com a Retificadora em que se reapurou o IRPJ do período, e que foi recepcionada, processada e “liberada” pela RFB. Pleiteou também que o processo de nº 1350.290.0035/2016-15 que trata da CSLL do mesmo período seja distribuída a este mesmo colegiado por tratar-se de processo conexo. É a síntese do necessário. VOTO Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1 - ADMISSIBILIDADE Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço, ressalva feita ao pleito de distribuição por conexão do processo nº 13502.900035/2016-15, já que referido processo foi sorteado por conexão a este Relator antes da presente sessão de julgamento, razão pela qual o pleito encontra-se prejudicado nesta ocasião. 2 - MÉRITO No mérito, debate-se a existência de prova hábil a justificar a reapuração do IRPJ do ano-calendário de 2011 e a possibilidade de exclusão de sua base de cálculo dos incentivos fiscais de ICMS outorgados pelo Estado da Bahia por meio do programa “Desenvolve”. A matéria, embora controvertida, encontra solução por maioria na atual jurisprudência da CSRF, conforme nos revela o Acórdão nº 9101-005.850 de 2021, “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES DE INVESTIMENTO. ADVENTO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 160/17. APLICAÇÃO AOS PROCESSOS EM CURSO. ATENDIMENTO AOS ARTS. 9 E 10. Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 5 BENEFÍCIO E INCENTIVO DE ICMS. REQUISITOS E CONDIÇÕES DO ART. 30 DA LEI Nº 12.973/14. PROVA DE REGISTRO E DEPÓSITO. CANCELAMENTO INTEGRAL DA EXAÇÃO. O disposto nos artigos 9º e 10 da Lei Complementar nº 160/17 tem aplicação imediata aos processos ainda em curso, retroativamente em relação aos fatos geradores. Após tal alteração legislativa, a averiguação do efetivo cumprimento dos requisitos e exigências trazidos no Parecer Normativo CST nº 112/78, agora legalmente superado, é irrelevante para o desfecho da demanda. Dessa forma, a existência de sincronia e de vinculação entre o recebimento da benesse estatal e a sua aplicação nos empreendimentos privados não mais é elemento oponível aos contribuintes para fundamentar e manter exações de IRPJ e CSLL. A Lei Complementar nº 160/17 subtraiu a competência das Autoridades de Fiscalização tributária federal e dos próprios Julgadores do contencioso tributário de analisar normativos locais e, consequentemente, de decidir se determinada benesse estadual ou distrital, referente ao ICMS, trata-se de subvenção de custeio ou de investimento. A maior Autoridade do Poder Executivo, por meio de ato oficial, formal e público, dirigido ao Poder Legislativo, atestou, expressamente, que os arts. 9 e 10 da Lei Complementar, se promulgados fossem, iriam equiparar as subvenções meramente para custeio às para investimento. Após a efetiva promulgação de tais dispositivo, sem qualquer alteração ou adição ao seu texto - em razão da deliberada derrubada do veto presidencial - é necessário observar a mesma conclusão antes alcançada e dar o correspondente tratamento, como previsto, sendo tal consequência a legítima vontade do Legislador. Assim, à luz do §4º do art. 30 da Lei nº 12.973/14, veiculado pela Lei Complementar nº 160/17, para o reconhecimento de uma benesse estadual de ICMS como subvenção de investimento bastaria a sua devida escrituração em conta de Reserva de Lucros, podendo ser utilizada para a absorção de prejuízos (após o exaurimento dos demais valores, também alocados em Reserva de Lucros) ou para o aumento do capital social, sendo vedado seu cômputo na base de cálculo de dividendos obrigatórios e a sua redução em favor dos sócios, direta ou indiretamente, por outras manobras societárias. Tratando-se de subvenção, efetivada por benefício de ICMS, concedida por estado da Federação à revelia do CONFAZ e suas regras, uma vez trazida aos autos a prova do registro e do depósito abrangendo a benesse sob análise, nos termos das Cláusulas do Convênio ICMS nº 190/17, resta também atendido o art. 10 da Lei Complementar nº 160/17.” Os requisitos para a exclusão de benefícios fiscais de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, portanto, foram alterados pelo art. 9º da LC nº 160/2017, que inseriu no art. 30 da Lei nº 12.973/2014 os parágrafos 4 e 5º. “§ 4º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos Fl. 307DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155ii D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 6 pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º O disposto no § 4º deste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017)” E para os incentivos fiscal concedidos à Revelia do CONFAZ, previu-se na mesma LC nº 160/2017 mecanismo de regularização que garante o gozo do benefício: “Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplica-se inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro- fiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (Parte mantida pelo Congresso Nacional)” O art. 3º por sua vez, traz os requisitos para registro e depósito perante o CONFAZ em seu inciso II: “Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I - publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II - efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e Fl. 308DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp160.htm#art9. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp160.htm#art9. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp160.htm#art9. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art30%C2%A74 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art30%C2%A74 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155%C2%A72xiig https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155%C2%A72xiig https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp160.htm#parte%20promulgada D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 7 depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedê-los e a prorrogá-los, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar:” O Convênio CONFAZ que regulamentou os mecanismos de regularização dos benefícios unilaterais ocultos foi o de nº 190/2017, conceituando os atos de registro e depósito em sua Cláusula Primeira, § 2º, III: “§ 2º Para os efeitos deste convênio, considera-se: (...) III - registro e depósito: atos de entrega pela unidade federada, em meio digital, à Secretaria Executiva do CONFAZ, de relação com a identificação dos atos normativos e concessivos dos benefícios fiscais e da correspondente documentação comprobatória, assim entendida os próprios atos e suas alterações, para arquivamento perante a Secretaria Executiva do CONFAZ.” Os requisitos a serem preenchidos para a exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL são, portanto: 1) Ser subvenção para investimento, presumindo-se tal natureza para os incentivos fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS; 2) Escrituração do benefício como reserva de lucros, que somente poderá ser usada nos termos do art. 30, da lei nº 12.973/2014; e 3) Publicação em seus diários oficiais da lista com os atos normativos concessores dos incentivos fiscais ou financeiro-fiscais de ICMS, procedendo ao Registro e Depósito dos atos normativos concessivos de benefício outorgado unilateralmente em desrespeito o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal, perante o CONFAZ, conforme Convênio Confaz nº 190/2017 editado para regulamentar o procedimento de registro e depósito. Tais requisitos foram confirmados pelo STJ ao julgar o Repetitivo de Tema nº 1.182, cuja tese firmada a seguir se transcreve: 1. Impossível excluir os benefícios fiscais relacionados ao ICMS, - tais como redução de base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, entre outros - da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, salvo quando atendidos os requisitos previstos em lei (art. 10, da Lei Complementar n. 160/2017 e art. 30, da Lei n. 12.973/2014), não se lhes aplicando o entendimento firmado no ERESP 1.517.492/PR que excluiu o crédito presumido de ICMS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 2. Para a exclusão dos benefícios fiscais relacionados ao ICMS, - tais como redução de base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, entre outros - da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não deve ser exigida a demonstração de Fl. 309DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155%C2%A72xiig https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155%C2%A72xiig D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 8 concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. 3. Considerando que a Lei Complementar 160/2017 incluiu os §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei 12.973/2014 sem, entretanto, revogar o disposto no seu § 2º, a dispensa de comprovação prévia, pela empresa, de que a subvenção fiscal foi concedida como medida de estímulo à implantação ou expansão do empreendimento econômico não obsta a Receita Federal de proceder ao lançamento do IRPJ e da CSSL se, em procedimento fiscalizatório, for verificado que os valores oriundos do benefício fiscal foram utilizados para finalidade estranha à garantia da viabilidade do empreendimento econômico. A redação do item nº 3 da tese firmada pode causar alguma dúvida, mas a leitura do § 2º e do Acórdão proferido no julgamento do REsp Nº 1945110 – RS deixa clarividente que a ressalva permite tão somente a verificação de eventual desvio dos recursos para destino aos sócios, viabilizada ou com controle facilitado, por exemplo, pela falta da escrituração de tais valores na conta de reserva de lucros. Avaliando-se então os requisitos postos acima, temos o seguinte. O requisito nº1 a meu ver encontra-se comprovado. O Requisito nº 3, também está comprovado. O DECRETO Nº 18.270 DE 16 DE MARÇO DE 2018 muito embora prove apenas a publicação em diário oficial do Estado, dos atos normativos concessivos de benefícios fiscais ou financeiro-fiscais concedidos unilateralmente que estejam em vigor, elencando o programa Desenvolve, não comprova o registro e depósito perante o CONFAZ. Contudo a consulta ao portal eletrônico do CONFAZ permite a superação deste óbice, já que pelo link https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificado-registro- deposito-cv-icms-190-17-1/bahia/2018/sei_mf-0887024-certificado-de-registro-e-deposito-20- 18.pdf pode-se consultar o certificado de registro e depósito “das PLANILHAS DOS ATOS NORMATIVOS E DOS ATOS CONCESSIVOS DOS BENEFÍCIOS FISCAIS E DA CORRESPONDENTE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA, cuja relação dos atos normativos foi publicada no Diário Oficial do Estado da Bahia, por meio do Decreto nº 18.270, de 16 de março de 2018, alterado pelo Decreto nº 18.288, de 27 de março de 2018, publicados no DOE nos dias 17 de março de 2018 e 28 de março de 2018, respectivamente.” Entretanto, o Requisito nº 2 a meu ver não foi adequadamente comprovado, já que não se trouxe aos autos a escrituração relativa à conta de Reserva de Lucros para demonstrar o preenchimento da exigência contida no caput do art. 30 da Lei nº 12.973/2014. Verifico, contudo, que a evolução probatória promovida pelo contribuinte foi abissal se comparado o estado atual das provas e debates ao teor do despacho decisório, que fiou- se na premissa de que haveria pleito de saldo negativo em duplicidade, já analisado anteriormente. Fl. 310DF CARF MF Original https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificado-registro-deposito-cv-icms-190-17-1/bahia/2018/sei_mf-0887024-certificado-de-registro-e-deposito-20-18.pdf https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificado-registro-deposito-cv-icms-190-17-1/bahia/2018/sei_mf-0887024-certificado-de-registro-e-deposito-20-18.pdf https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificado-registro-deposito-cv-icms-190-17-1/bahia/2018/sei_mf-0887024-certificado-de-registro-e-deposito-20-18.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.088 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13501.720169/2017-37 9 Em Manifestação de Inconformidade o Contribuinte esclareceu o equívoco de premissa do Despacho Decisório, o que permitiu ao Acórdão Recorrido confirmar a possibilidade de transmissão de PER/DCOMP para pleito de saldo negativo “complementar” e analisar se a documentação acostada (DIPJ retificadora) era suficiente à comprovação do direito creditório. Considerada a DIPJ insuficiente, o contribuinte promoveu evolução probatória substancial esclarecendo a causa da reapuração do Saldo Negativo e, trazendo elementos robustos a seu favor, como Livro Razão, instrumentos legislativos relativos à concessão do benefício fiscal de ICMS, Livro de Registro e Apuração de ICMS, guias de recolhimento, dentre outros, mas insuficientes à comprovação do preenchimento do requisito elencado acima sob os nº 2 para fazer jus ao direito creditório. 3 - DISPOSITIVO Pelo exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinar retorno do processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que emita despacho decisório complementar apreciando o pedido do contribuinte com a superação dos óbices impostos pelo Acórdão Recorrido e considerando a correta natureza do direito creditório, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais. (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah Fl. 311DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 - Admissibilidade 2 - Mérito 3 - Dispositivo

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Numero do processo: 10600.720006/2016-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/03/2011 MULTA ISOLADA. PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. Configurada a hipótese de não homologação das compensações, ainda que pendente de decisão definitiva, a multa isolada deve ser constituída de ofício porque inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Lavrado o Despacho Decisório não homologando débito objeto de declaração de compensação, configurado está o fato gerador da multa isolada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei n° 9.430/96. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Havendo reforma do Despacho Decisório em relação a extinção de débitos cuja compensação não foi homologada, há de se cancelar a exigência da multa referente aos valores posteriormente homologados.
Numero da decisão: 1402-007.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento de multa isolada por compensação não homologada, conforme decidido pela Suprema Corte no Recurso Extraordinário (RE) nº 796939, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone (Presidente). (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/03/2011 MULTA ISOLADA. PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. Configurada a hipótese de não homologação das compensações, ainda que pendente de decisão definitiva, a multa isolada deve ser constituída de ofício porque inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Lavrado o Despacho Decisório não homologando débito objeto de declaração de compensação, configurado está o fato gerador da multa isolada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei n° 9.430/96. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Havendo reforma do Despacho Decisório em relação a extinção de débitos cuja compensação não foi homologada, há de se cancelar a exigência da multa referente aos valores posteriormente homologados.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento de multa isolada por compensação não homologada, conforme decidido pela Suprema Corte no Recurso Extraordinário (RE) nº 796939, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone (Presidente). (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/03/2011 MULTA ISOLADA. PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. Configurada a hipótese de não homologação das compensações, ainda que pendente de decisão definitiva, a multa isolada deve ser constituída de ofício porque inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Lavrado o Despacho Decisório não homologando débito objeto de declaração de compensação, configurado está o fato gerador da multa isolada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei n° 9.430/96. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Havendo reforma do Despacho Decisório em relação a extinção de débitos cuja compensação não foi homologada, há de se cancelar a exigência da multa referente aos valores posteriormente homologados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento de multa isolada por compensação não homologada, conforme decidido pela Suprema Corte no Recurso Extraordinário (RE) nº 796939, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905. (documento assinado digitalmente) Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.161 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.720006/2016-67 2 Paulo Mateus Ciccone (Presidente). (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da impugnação contra Auto de Infração contendo outras multas administradas pela RFB (e-fls. 2 a 4), referente à multa aplicada em decorrência de Declaração de Compensação não homologada, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (e-fls. 6 a 8) correspondente. Apresento, em síntese, o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal (e- fls. 6 a 8) em observação: 1. Introdução 1) Informa que, nos termos da Súmula nº 46 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação aos sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.”; 2. Descrição dos Fatos 2) A interessada transmitiu Declarações de Compensação, que foram analisadas, resultando em não homologação ou homologação parcial, conforme consignado nos respectivos Despachos Decisórios emitidos, cientificados ao contribuinte e juntados aos autos; 3. Fundamentação 3) Cita os §§ 17 e 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzidos pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. Estes parágrafos definem a multa isolada decorrente de Declaração de Compensação não homologada ou parcialmente homologada; 4) A partir da análise dos dispositivos citados no item “3)”, conclui que a responsabilidade pela infração em observação é do sujeito passivo, detentor do suposto crédito e titular da solicitação apresentada por meio da Declaração de Compensação; 5) Apresenta as características da multa isolada a ser aplicada ao caso em comento; Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.161 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.720006/2016-67 3 6) Conclui pela aplicação da multa isolada, no percentual de cinquenta por cento, incidente sobre o valor total dos débitos (principal, multa e juros) indevidamente compensados; 4. Da Multa Isolada 7) Apresenta anexo contendo a base de cálculo para aplicação da multa isolada ao caso em tela, bem como extratos dos processos eletrônicos que controlam os débitos não homologados; 8) Encerra o TVF, declarando que, uma vez constatadas infrações à legislação tributária, estas resultaram na lavratura de Auto de Infração de Multa Isolada por Compensação Não Homologada ou Parcialmente Homologada; IMPUGNAÇÃO Tendo tomado ciência da decisão proferida em 22 de fevereiro de 2016 (e-fls. 26), a contribuinte, irresignada, apresentou sua impugnação (e-fls. 31 a 50) em 21 de março de 2016 (e- fls. 31), pelo qual aponta a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da multa. Em sessão de 30 de Janeiro de 2020 (e-fls. 258) a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Ciente da decisão de primeira instância no dia 09/06/2020 (e-fls.291), o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário em 09/07/2020 (e-fls. 293), pelo qual repisa seus argumentos. É o relatório. VOTO Conselheiro Rafael Zedral - Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Trata-se de notificação de lançamento de ofício (e-fls. 2) que exige multa isolada de 50% sobre o valor dos débitos objeto de declaração de compensação não homologada no processo administrativo nº 10680-721.013/2013-91 (e-fls. 10). O presente lançamento encontra fundamentação legal no parágrafo 17 do artigo 74 da Lei nº 9430/96 (destaque deste relator): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.161 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.720006/2016-67 4 Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o (...) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Como se vê, a multa isolada incidirá somente sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 supra mencionado, que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação da declaração de compensação apresentada ao Fisco. Em razão disso, foi fixada tese de repercussão geral nos seguintes termos: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Assim, em que pese o impedimento do CARF para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF, prevê que tal vedação não se aplicará aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo “que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.” Nesse quadro, a multa isolada em questão deve ser cancelada, em observância ao entendimento expresso pelo STF sobre a matéria. Dispositivo Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que a multa isolada aplicada seja integralmente cancelada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Fl. 341DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13839.001975/2003-03
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO INTEMPESTIVIDADE. NÃO-CONHECIMENTO. É defeso a este colegiado conhecer do recurso ao apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 204-03.524
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA db SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA

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Ir . ' '1 I ICCO2/C04 Is.55 i I .4 I4: MINISTÉRIO DA FAZENDA 1I !U. 14,..T., SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I QUARTA CÂMARA -1 I 1Processo n• 13839.001975/2003-03 El 1 I Recurso e 137.447 Voluntário I I 1 1 Matéria PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. I I I . ! 1 Acórdão e° 204-03.524 ! ' l 1 Sessão de 04 de novembro de 2008 1 Recorrente COMERCIAL ANDRETA DE VEÍCULOS LTDA. 1 Recorrida DRI em CAMPINAS-SP 1 i I • i 1 1 1 I I.0 : • aao ã ASS1UNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PAS4P I = • to Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/ 1 a ii z i9dis 1 ts-çâ . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISÇAL1 RECURSO. •UJ o vi aS INTEMPESTIVIDADE. NÃO-CONHECIMENTO. io O - O O r.,%.:E0 ?t,. i É defeso a este colegiado conhecer do recursó ap entado após oz z d O cot trigésimo dia da ciência dá decisão recorrida. I 1 (2 ''' -t 31 t ; 48 it O U- Z i 1 .o z Recurso Voluntário Não ConhecidoZ a 7 Up ! 1 I § "I 1 !, ( 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. .1 ! 1 ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA db SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não 4onhalcer do recursd, por intempestivo. 1 I i . 1 i trIVJE PINHEIRO TOtr i • a i Presidente • ! , 1 I • IS .11M-€ÁIS-14) ; 1 ." a1/4 -. t,' ' RITO O IRA I i 1.. elatora 1 i l i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiroh Júho César Alves Ramos, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Nayra Bastos Manatta, Ali ZrÍlik li ánior, Marcoá Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzaii. ! • i 1 1 ! 1 1 ! i t ! , ..- -3 1 ..L. I Processo n'' 13839.001975/2003-03 Acera) n.° 20403.524 NE. SEGUNDO coda-imo DE CONTRIBUINTES 1 CCO2/C04 CONFERE como ORIGINAL Th.56 , iaa. __S o 3 1 _2007 í 1 Necy Batista Jos Reis Mal Siapc 91806 Relatório , 1 i , ! , - Contra a pessoa jurídica qualificada nestes autos foi laivrad0 autd de infração eletrônico para formalizar a exigência de multa isolada, em virtUde tio pagamento da contribuição para ao Programa de Integração Social (PIS) relativo ao período de , apuração de julho de 1998 após o vencimento, sem os acréscimos legais cabíveis. 1 1 A exigência tributária foi impugnada e a Delegacia da Rpceitri Federal de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS) julgou procedente o lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão das fls. 23 a 26. i i. 1 ,, A contribuinte teve ciência dessa decisão em 14 de agofto de 2006, conforme Aviso de Recebimento (AR) à ti. 29, e, em 17 de outubro de 2006, protor.olizou o recurso voluntário das fls. 33 a 40 para expor suas razões de defesa a este Segundo Conselho, de2,Contribuintes. ! i Nas razões recumais, sobre a necessidade de conhecimento do recurso; a contribuinte limitou-se a afirmar que a peça recursal estaria sendo apresentar* no prazo legal e . i que juntara ao recurso relação de bens do ativo imobilizado em valor equivalente a trinta por cento da exigência tributária. . . 1 1 !I ;, É o Itelatório. i1 1 I • • k : , , - , Voto' t Conselheira SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA, Relatora i . I 1Cumpre, preliminarmente, examinar se o recurso atende s requisitos de admissibilidade para que se possa dele conhecer. i . ti I 1 Note-se então que, conforme Aviso de Recebimento (AR) 4 fl. 29, a contribuinte teve ciência da decisão de que ora recorre em 14 de agosto de 2006, segunda-feira, que, sendo dia de expediente normal na unidade preparadora do processo, marca Ia data do inicio da contagem do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n°. 70.235, dê 6 de março de 1972, com as alterações posteriores. i 1 - i i , 1 Em consonância com o art. 5" do referido Decreto, há 1de excluir dessa contagem o dia do início e incluir o dia do vencimento. Dessa forma, ,o tern4 final do prazo para apresentação do recurso voluntário neste processo ocorreu em 13 dê settmbro de 2006, quarta-feira, sendo pois intempestivo o recurso apresentado em 17 de outubro de 2006. I Cabe salientar que, por meio do despacho exarado. à fl. !,53, a unidadeI preparadora remeteu estes autos ao Segundo Conselho de Contribuintes, com informação sobre intempestividade do recurso. 1 ! 1 Ift i 1 "if *eilt i I 1 i i I j I , I. . , ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRI6u4NTE4...... uce CONFERE COM O ORtGINALP rm n° 13839.001975/2003-03 CCOVC04 Acórdão o.' 204-03.524 BrasMa.__ga--1 03 ii. ---g--1 Fls. 57 1 i I - Necy afidos Reis I ; Met Sia 01506 i Destarte, uma vez que não foram atendidos os requisito IIs de admissibilidade doIrecurso voluntário, é defeso a este colegiado dele conhecer. 3/4 Diante do exposto, Voto por não conhecer do i i icurs voluntário, por intempestivo. 1 ii Sala d• s Sessões, em 04 de novembro de 2008. I . i 4i4 14 lik ec—___ 1 i i) . i BRIIICL5INWRA ,j 1ir ... I ! 1 , 11 I 1 1 11. I I I ii t 1 ; '• I 1 i . 1 1• • 1 . •1 1 1 I 1 1 1 i 1 , , i, i 1 , 1 - 1 - 1 3 - 1 ii Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10875.002122/2001-94
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PREVALÊNCIA DA NORMA ESPECÍFICA SOBRE A NORMA GENÉRICA - AUTO DE INFRAÇÃO EXIGINDO TRIBUTO JÁ INCLUÍDO NO REFIS - OPÇÃO PELO REFIS DURANTE PROCESSO FISCALIZATÓRIO - ESPONTANEIDADE READQUIRIDA - APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO - APLICAÇÃO DE JUROS PARAMETRADOS PELA TAXA SELIC EM PERÍODO POSTERIOR À OPÇÃO PELO REFIS - Estando a empresa sob fiscalização e tendo optado pela inclusão do crédito tributário no Refis, ao final do prazo de opção, é de se reconhecer a prevalência da norma específica instituidora do Refis, garantindo-se a opção. Readquire a espontaneidade o contribuinte, após decorridos sessenta dias de intimação escrita (§ 2º, Art. 7º, do Dec. 70.235/72), não tendo havido em tal tempo o encerramento da ação fiscal nem a lavratura de novo ato escrito pela autoridade fiscalizadora, reputando-se espontâneo o procedimento de parcelamento realizado durante a ação fiscal. Advindo a formalização posterior, decorridos oito meses da opção pelo Refis, de exigência de idêntico valor, pela via do auto de infração, deve ser respeitada a multa de 20% adotada pelo Comitê Gestor na consolidação do débito, mercê da espontaneidade readquirida, e também os juros parametrados pela variação da TJLP a partir da data da opção, afastado o cálculo da fiscalização com adoção da Taxa Selic. Não é de se declarar nulo o auto de infração lavrado após a declaração do crédito tributário por sua inclusão no Refis, apesar de despiciendo, servindo como ato homologatório dos cálculos do contribuinte, não podendo, porém, gerar qualquer efeito jurídico além daqueles decorrentes da própria legislação instituidora e reguladora do Refis. Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 105-14.302
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para afastar a cobrança dos juros da taxa SELIC a partir de 13.12.00, substituir a taxa SELIC pela TJLP a partir de 13.12.00 e afastar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Álvaro Barros Barbosa Lima e Luiz Gonzaga Medeiros Nóbrega, que negavam provimento integral ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: JOSE CARLOS PASSUELO

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(INCORPORADORA DE ACELUB COMÉRCIO DE LUBRIFICANTES E DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA.) Recorrida : 1° TURMAJDRJ em CAMPINAS/SP Sessão de : 18 DE FEVEREIRO DE 2004 Acórdão n.°. : 105-14.302 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PREVALÊNCIA DA NORMA ESPECIFICA SOBRE A NORMA GENÉRICA - AUTO DE INFRAÇÃO EXIGINDO TRIBUTO JÁ INCLUÍDO NO REFIS - OPÇÃO PELO REFIS DURANTE PROCESSO FISCALIZATÓRIO - ESPONTANEIDADE READQUIRIDA - APLICAÇÃO DE MULTA DE OFICIO - APLICAÇÃO DE JUROS PARAMETRADOS PELA TAXA SELIC EM PERÍODO POSTERIOR À OPÇÃO PELO REFIS - Estando a empresa sob fiscalização e tendo optado pela inclusão do crédito tributário no Refis, ao final do prazo de opção, é de se reconhecer a prevalência da norma específica instituidora do Refis, garantindo-se a opção. Readquire a espontaneidade o contribuinte, após decorridos sessenta dias de intimação escrita (§ 2°, Art. 7°, do Dec. 70.235/72), não tendo havido em tal tempo o encerramento da ação fiscal nem a lavratura de novo ato escrito pela autoridade fiscalizadora, reputando-se espontâneo o procedimento de parcelamento realizado durante a ação fiscal. Advindo a formalização posterior, decorridos oito meses da opção pelo Refis, de exigência de idêntico valor, pela via do auto de infração, deve ser respeitada a multa de 20% adotada pelo Comitê Gestor na consolidação do débito, mercê da espontaneidade readquirida, e também os juros parametrados pela variação da TJLP a partir da data da opção, afastado o cálculo da fiscalização com adoção da Taxa Selic. Não é de se declarar nulo o auto de infração lavrado após a declaração do crédito tributário por sua inclusão no Refis, apesar de despiciendo, servindo como ato homologatório dos cálculos do contribuinte, não podendo, porém, gerar qualquer efeito jurídico além daqueles decorrentes da própria legislação instituidora e reguladora do Refis. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ÁSTER PETRÓLEO LTDA. (INCORPORADORA DE ACELUB COMÉRCIO DE LUBRIFICANTES E DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA.) ACORDAM os Membros da Quinta Cã • ara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITA ;4 .s preliminares de nulidade e, no ' i r • s‘) • .. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. :105-14.302 mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a cobrança dos juros da taxa SELIC a partir de 13.12.00, substituir a taxa SELIC pela TJLP a partir de 13.12.00 e afastar a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Barros Barbosa Lima e Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, que negavam provimento integral ao recurso. Ah41°44 DO'. i•AN P arin EN' fti frfiky~e SÉ CARLOS PAS UELLO 1. ELATOR FORMALIZADO EM: 2 5 MAR 2004 Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro: EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT. Ausente, justificadamente o Conselheiro DANIEL SAHAGOFF. 2 . .. .. ' . MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 Recurso n.°. : 135.935 Recorrente : ÁSTER PETRÓLEO LTDA. (INCORPORADORA DE ACELUB COMÉRCIO DE LUBRIFICANTES E DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA.) RELATÓRIO ÁSTER PETRÓLEO LTDA. (INCORPORADORA DE ACELUB COMÉRCIO DE LUBRIFICANTES E DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA.), recorreu, em 02.04.2002 (fls. 289 a 303), da decisão prolatada pela 1 a Turma da DRJ em Capinas, SP, consubstanciada no Acórdão n° 283/2001 (fls. 272 a 283) que lhe fora notificada em 25.02.2002 (fls. 286), portanto, tempestivamente, que manteve integralmente exigência relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica do ano de 1999. O exame da petição, na folha inicial do recurso (fls. 289) indica a existência de dois carimbos, sendo um deles datado de 27.03.02 e outro de 02.04.02, sendo que o despacho de fls. 320 esclarece que o recurso foi interposto em 27.03.02, o que comprova sua regularidade, bem como consta, do mesmo despacho, que "... os créditos tributários, ao amparo deste processo, encontram-se garantidos por meio de arrolamento de bens levado a efeito no REFIS, no qual foram incluídos os tributos objeto deste auto de infração:. O encaminhamento ao Conselho de Contribuintes se deu pelo despacho de fls. 366. O processo foi incluído em pauta em razão de preferência decorrente do valor do conjunto de créditos tributários constituídos contra a recorrente. A decisão recorrida está assim ementada (fls. 272 e 273): "Assunto : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL — Data do fato gerador 31/03/1999, 30/06/1999,30/09/1999, 31/12/1999 Ementa: MULTIPLICIDADE D AUTOS DE INFRAÇÃO. . JULGAMENTO UNIFICADO. Os a . 9°, § 1°, e 31 do Decreto n° 3 • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 70.235/72 reportam a hipótese de julgamento unificado apenas no caso de existir mais de um auto de infração e/ou notificação de lançamento no corpo de uma única autuação. LANÇAMENTO. COBRANÇA DO CRÉDITO. O primeiro é ato vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. A mera inclusão de débitos tributários no âmbito do REFIS, originalmente nem declarados em DCTF, não afasta o dever-poder tendente à formalização da relação jurídico-tributária. CONSOLIDAÇÃO DE DÉBITOS NO ÂMBITO DO REFIS. ESPONTANEIDADE. A consolidação dos débitos incluídos no REFIS, a cargo do seu Comitê Gestor, compreende, além do valor originalmente declarado, a imposição de multa de mora (limitada em 20%) e o cômputo de juros de mora (calculados da data do vencimento até 01/03/2000). Se o contribuinte, no momento da adesão ao REFIS, já se encontrava sob procedimento fiscal pertinente, justamente, aos débitos posteriormente incluídos no referido Programa, a consolidação deve necessariamente compreender a imposição da multa de ofício (75%), não a de mora.. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor (L é com força vinculante), sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos (validade da norma jurídica). DILAÇÃO PROBATÓRIA. DOCUMENTOS E SUSTENTAÇÃO ORAL. O contribuinte predui do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto (Decreto no 70.234/72, art. 16, § 4° ). Se for o caso, existe forma a observar (Decreto n° 70.235/72, art. 16, § ). Já a sustentação oral é procedimento não previsto para ter lugar na primeira instância de julgamento do processo administrativo fiscal. Isto é possível, no entanto, em juízo na órbita do Conselho de Contribuintes ou na da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Lançamento Procedente". A exigência, que se refere à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, do ano de 1999, está configurada no auto de infração de fls. 229 a 234 e foi cientificado à recorrente em 17.07.2001, teve como descrição dos fatos (fls. 233): "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE • L à CRO LÍQUIDO FALTA DE RECOLHIMENTO DA nrrRnutçÃo SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (VERIFICAÇÕES PRELIMI h-ES) 4 . . , MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. :105-14.302 Durante o procedimento de verificações obrigatórias foi constatada falta de recolhimento do imposto apurado, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, anexo." O TVCF de fls. 226 e 227 indica a motivação da fiscalização que induziu à exigência: "TERMO PARCIAL DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal, e como conseqüência do ato de fiscalização a que foi submetido o contribuinte acima identificado, procedi às verificações pertinentes, tendo constatado e verificado que: O contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização em 16/11/1.999, relativamente à FM. n° 1999.00.388-6, emitida para a empresa ACELUB Comércio de Lubrificantes e Derivados de Petróleo Ltda., com as solicitações dos livros e documentos de praxe, sendo reintimado em 02102/2.000. Face à edição da Portaria SRF n° 1265, de 22.11.99, a Ficha Multifuncional original foi substituída pela de n° FM 2000.00.166-5, razão pela qual foram efetuadas intimações em 02/05/2000, 14/08/2.000, 27/10/2.000, 21/11/2.000, 05/02/2.001, 19/03/2.001 e 14/05/2.001. Do exame dos livros e documentos apresentados pelo contribuinte e consulta aos nossos sistemas de informação, restaram as seguintes observações: 1) O contribuinte não entregou as DCTFs. Correspondentes aos períodos abril/1.998 a dezembro/1.999, quando estava obrigado a fazê-lo; 2) Foi constatada a incorporação da empresa ACELUB Comércio de Lubrificantes e Derivados de Petróleo Ltda., CNPJ.00.558.438/0001-90 pela empresa ASTER PETRÓLEO LTDA., CNPJ. 02.377.759/0001-13 em fevereiro de 2.000, razão pela qual foi emitida a Ficha Mujtifiiflçíonal n°2001.00209-6, para a operação N3704, tendo emta a mudança de titularidade da empresa inicialmente fiscafizada 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 3) Pelas verificações preliminares efetuadas, constatei a falta de recolhimento do IRPJ e Contribuição Social no ano calendário de 1999 e também a falta de recolhimento do PIS e COFINS próprios e substituição tributária no período de março11.998 a dezembro/1.999, motivado a emissão da FM.2001-00.220-7, operação N3808 - Verificações preliminares; por outro lado, fez adesão ao REFIS em 13.12.2000 referente aos débitos acima, recebendo o número de canta refis. n°920000115613. 4) Tendo em vista o acima exposto, fica o contribuinte sujeito ao lançamento de ofício, através da lavratura dos respectivos Autos de Infração, para a constituição do Crédito Tributário referente ao IRPJ e Contribuição Social no ano calendário de 1999, ao Pis e Co fins próprios e substituição tributária no período de março de 1998 a dezembro de 1999, apurados em seus registros contábeis e fiscais, não declarados e não pagos, conforme anexa planilha Resumo das faltas de recolhimentos constatadas, bem como a multa pela falta da entrega das DCTFs. no período de 03/98 a dez/99 conforme Planilha de cálculos anexa. Para constar lavrei o presente termo, que vai assinado por mim Auditor Fiscal da Receita Federal e pelo representante do contribuinte, que toma ciência, ficando na posse de uma cópia do mesmo." O que se discute no presente processo é apenas a Contribuição Social. Pelo que consta da decisão recorrida, como se depreende do final co acórdão, a discussão se limita à aplicação da multa de 75%, como foi afirmado pelo Ilustre Relator (fls. 274): "Outrossim, quando da execução do acórdão, atende-se que o contribuinte em epígrafe aderiu ao REFIS. Na declaração respectiva incluiu, no âmbito daquele Programa, débitos de IRPJ e de CSLL, pertinentes ao período de apuração de 1999 (fls. 263/264). A consolidação dos débitos assim declarados, sob o pálio do Comitê Gestor do REFIS, fez adicionar aos valores originalmente devidos a multa de mora, limitada ao patamar de 20%, e os juros de mora, calculados com base na taxa t , da data do vencimento da obrigação até 01/03/2000. O co ribui te em questão já se encontrava sob procedimento de ofício quan•wo momento da adesão ao REFIS. ,j /Pbq/ • 6 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 Disto, o correto é que a consolidação se desse e compreendesse a multa de oficio (75%), não a de mora (limitada a 20%)." O recurso voluntário traz, resumidamente, uma preliminar de nulidade do julgamento, pleiteando o julgamento conjunto com outros processos correlacionados (10875-002.122/2001-94, 10875-002.124/2001-83 e 10875-002.125/2001-28), que, no entender da recorrente, deveriam compor apenas um processo para fins de julgamento, ou ter o julgamento procedido simultaneamente, outra preliminar de nulidade por ter a decisão recorrida deixado de apreciar a totalidade dos argumentos contidos na impugnação, principalmente por ter declarado incompetência para apreciar questões de natureza constitucional. Traz ainda preliminar de nulidade do lançamento por já terem os valores lançados, integrado o parcelamento especial denominado Refis, e, já estando confessado o débito, é inócua sua exigência repetida em auto de infração. A inclusão do débito no Refis comprova-se pelo despacho de fls. 362, assim redigido: "O interessado optou pelo programa REFIS em 13/12/2000, nos termos da Lei n° 10.002, de 14/09/2000, em 12/0212001, transmitiu a Declaração PGD-REFIS, como descrito na Instrução Normativa 43/2000, de 25/04/2000, cujo prazo nela estabelecido foi programado pelo § 1°, art. 2° do Decreto 3712, de 27/12/2000. Os débitos nela declarados geraram o processo n° 10875.450250/2001-41, e dentre eles estão os lançamentos contidos neste Auto de Infração, de acordo com os extratos de fls. 358/366. Cabe informar que os documentos que comprovam a data de opção, a entrega da declaração PGD-REFIS, o número do processo gerado e a relação de bens móveis arrolados constam às fls. 3421356. Tendo em vista que os débitos declarados no REFIS constituem confissão irrevogável e irretratável da divida, nos termos do inciso I, art. 3° da Lei 9964, de 10/04/2000, e que o inicio do procedimento fiscal ocorreu em 08/06/2001, com ié cia do contribuinte/responsável em 21/06/2001, data posterior à oçção e declaração dos débitos no REFIS, proponho o encami ento deste processo à 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA 8 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. :105-14.302 DRJ/SECAV/CAMPINAS/SP para manifestar-se sobre o recurso apresentado." Consta, ainda, do recurso, reclamação contra a produção de duas exigências relativas ao IRPJ e à CSLL sobre mesma base e em idênticas condições configurando-se "bis in idem", sem declarar tratar-se de preliminar ou exame de mérito. Além da inconformidade relativamente à multa aplicada, a recorrente se insurge contra o cálculo, no auto de infração de juros moratários, pela aplicação da Taxa Selic, enquanto os débitos inscritos no Refis sofre incidência pela variação da TJLP. A recorrente encaminhou memorial, que envio à Secretaria para juntada ao processo. Assim o processo se apresenta para julgamento. I d kV É o relatório. n 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA 9 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator O recurso é tempestivo e, devidamente preparado, deve ser conhecido. A primeira questão a tratar é a afirmativa de que a existência de dois autos de infração exigindo IRPJ e CSLL sobre mesma base e mesmas condições jurídicas representam "bis in idem" e portanto não podendo sobreviver. Apesar da não indicação de tratar-se de preliminar ou exame de mérito, tratarei tal reclamação como preliminar, uma vez que representa condição de nulidade do lançamento e afronta à lei Maior. A doutrina durante muito tempo se esbateu pela caracterização de tributos com duplicação sobre o mesmo ato ou objeto, exatamente nos moldes do IRPJ e CSLL, mas, infelizmente, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela constitucionalidade de ambos tributos, mesmo que adotando a mesma base de cálculo, o que impede o afastamento de qualquer um dos dois ou a nulidade da exigência no âmbito administrativo. Assim sendo, voto por rejeitar tal preliminar. Outra preliminar diz respeito ao ju,. emento em um único procedimento rdos diversos processos formalizados contra a o rent , dois relativos ao IRPJ e dois relativos à CSLL. 9 . . .. _ - ' MINISTÉRIO DA FAZENDA io PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 O presente processo tem vida autônoma, produzido que foi a partir de exigência calcada em legislação e tributo diferenciada, portanto com características próprias, podendo sobreviver separadamente. O texto legal invocado na defesa tem como redação: "§ 1° Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 9.12.1993)" O comando legal, efetivamente, prevê a juntada dos dois autos de infração em um só processo, mas tal procedimento apresenta notório instrumento de controle e acompanhamento dos processos relativos a infrações praticadas por um mesmo contribuinte, mas não tem o condão de produzir a declaração de nulidade, nem do lançamento, nem das decisões que porventura trataram isoladamente exigências de tributos diferentes exigidos em autos de infração independentes e formalizados em processos isolados. Até porque a norma veio exclusivamente buscar a celeridade e economia processual, não interferindo no direito de defesa do contribuinte. Tanto que a única vantagem prática para o contribuinte na junção das exigências representa a necessidade de formalizar apenas uma impugnação ou recurso, em nada prejudicando a apreciação dos argumentos. oO processo n° 10875-002.121/2001-40 rarriém me foi distribuído e verificando seu conteúdo, constatei que foi decidido em iiro grau no dia 19.12.2001, lo . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. :105-14.302 mesma data da decisão do presente processo, tendo aquele Acórdão recebido o n° 282/2001 1 sendo o Acórdão do presente processo o de n° 283/2001. Assim, ambos processos foram decididos na mesma data, somente tendo as duas decisões sido formalizadas em peças separadas. Basta o exame do texto de ambas ementas para se constatar que em nada diferenciam, além da indicação de se tratar de tributo diferente. Os dois outros foram formalizados e julgados em outra data pela autoridade julgadora de primeiro grau. Ademais, o julgamento em separado dos processos em nada prejudica à recorrente relativamente ao seu amplo direito de defesa, uma vez que em ambos processos sua defesa foi amplamente exposta e apreciada. Assim, não há como acolher a preliminar. As demais questões se resumem ao fato de ter a fiscalização lavrado autos de infração relativamente a tributos que já haviam sido confessados como devidos, mediante sua inclusão no programa especial de parcelamento — Refis, e sobre tais valores ter aplicado a multa de ofício de 75,00 %, quando a recorrente já integrara seu saldo devedor no Refis com a multa de mora de 20,00 % e ter sido lavrado o auto de infração contra empresa sucessora, por incorporação, integrado pela multa de oficio, cuja responsabilidade não se transmite, como no caso, sendo o auto de infração relativo a fatos ocorridos antes da incorporação. Quanto à primeira questão, o pro apresenta uma característica incomum. 11 . . . . • - MINISTÉRIO DA FAZENDA 12 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 Em 16.11.99 foi lavrado o termo de início de ação fiscal, contra a empresa Acelub, incorporada pela recorrente, e, conforme consta do relatório de fls. 362, firmado pela fiscalização ou pela autoridade administrativa, a recorrente, em 13.12.2000 teria optado pelo Refis, com inclusão dos débitos do presente processo, e, adiante afirma que o inicio do procedimento fiscal se deu em 21.06.2001, portanto posteriormente. E, não pode restar dúvidas quanto à inclusão integral do débito, no seu principal, como expressamente afirmado pela autoridade julgadora (fls. 277), que "Note-se que, com respeito ao tributo (excluídos multa e juros), os valores declarados pelo contribuinte e aqueles anotados no auto de infração são rigorosamente idênticos". É importante ressaltar que, na forma do art. 30, 1, da lei n° 9.964/2000, de 10.04.2000, sujeita a pessoa jurídica a "confissão irrevogável e irretratável dos débitos referidos no § 2°.". Assim, independe de declaração ou de constituição do crédito tributária pela via do auto de infração a executabilidade do crédito tributário, mesmo que a optante venha a descumprir o parcelamento e a Fazenda se veja diante da necessidade de executá-lo. Esse texto legal agasta a argumentação da autoridade julgadora recorrida, segundo a qual a Fazenda não disporia de título que pudesse embasar sua execução ou, estaria impedida de fazê-lo pela aplicação do instituto da decadência. Tendo a empresa procedido confissão irrevogável e irretratável dos débitos, como a recorrente fez, tal confissão formalizada pela inclusão do débito no Refis, o que está confirmado pela própria fiscalização, tanto a Fazenda possui o necessário título para execução quanto o prazo decadencial deixou de fluir exatamente no dia em que houve a !confissão da dívida, data anterior à lavratura do auto d i ação. .. 12 , . . . . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 13 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 A dívida confessada passa apenas a ter como pendência de confirmação de seu valor a necessária homologação, que no presente caso pode até ser considerada já efetivada, uma vez que a fiscalização confirmou tais valores no auto de infração sob questão. Parece, seria um caso de homologação expressa. Ainda, a inclusão de débito no Refis implica em suspensão de sua exigibilidade, salvo das prestações vencidas, estando expressamente prevista que a exclusão da pessoa jurídica do Rens implicará exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e ainda não pago e automática execução da garantia prestada (art. 5 0 , § 1°, Lei n° 9.964/2000). Assim, no meu modo de ver a exigência formalizada no auto de infração, se não for ilegal, é, no mínimo, despicienda. Porém não vejo como a repetição da exigência possa prejudicar o contribuinte nem beneficiar o fisco, uma vez que apenas serve para abrir a possibilidade de nova discussão com protelação do deslinde e provocação de ônus para a Fazenda Nacional que é quem financia o andamento dos processos no contencioso administrativo. Portanto, tal desserviço é estranhável, mas, no presente caso, vislumbro uma possibilidade para tal procedimento. É que, provavelmente a fiscalização pretendeu "salvar" algum crédito tributário representado pela diferença entre a mpt1Woratória calculada pela própria Repartição quando da composição do saldo do R is e da eventual multa de ofício que poderia prevalecer em procedimento de ofício. 1 a, 13i • MINISTÉRIO DA FAZENDA 14 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 Poderia a fiscalização ter exigido, como em procedimentos :melhantes, apenas a multa de ofício isolada, ou a diferença entre ela e a multa de morarias preferiu agir de forma diferente, exigindo novamente o tributo e fazendo incidir sobre ea a multa de 75%, tudo sob a égide da ressalva de que (fls. 274) " quando da execuçãc do acórdão, atente-se que o contribuinte em epígrafe aderiu ao REFIS fez adicione- aos valores originalmente devidos a multa de mora, limitada ao patamar de 20% ....". É de se estranhar, inicialmente, que a fiscalização, nem a autoridade julgadora de primeiro grau concedeu a redução de 40% sobre a multa aplicada quando, como é o caso, o contribuinte proceder a parcelamento antes de decorrido o prazo de impugnação. O parcelamento ocorreu mesmo antes do auto de infração, mas, veremos ao final, isso acaba se tornando irrelevante. Pessoalmente preferiria provocar o cancelamento da exigência, mas já fui vencido quanto a essa posição nesta 5° Câmara e, entendendo não ser relevante o fato de existir a exigência em duplicidade, sendo ela apenas despicienda, entendo não ser necessário a declaração de sua nulidade. Quanto à abrangência dos débitos passíveis de inclusão no Refis, o art. 1° define claramente, que seriam parceláveis os débitos com vencimento até 29.02.2000, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos. Podem, portanto ser incluídos no Refis os débitos tributários "constituídos ou não", o que define claramente que independia da constituição do crédito tributário pela via do lançamento de ofício sua inclusão no Refisr4aRto que o processo foi, como confirmado pela autoridade administrativa, confirmado comitê gestor do Refis. 14 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA 15 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 Assim, não tenho dúvidas quanto à desnecessidade da lavratura do auto de infração e da possibilidade de inclusão do crédito tributário sob discussão no parcelamento especial do Refis. O ponto que é relevante, porém, diz respeito ao entendimento da autoridade lançadora, confirmado pela apreciação da autoridade julgadora, segundo o qual sobre o crédito tributário oferecido espontaneamente a parcelamento especial do Refis, com opção no desenvolvimento da ação fiscal, deveria ter complementada a exigência pela multa de lançamento de ofício. É o que se precisa dirimir. A Lei n° 9.964/2000 estabelecia um prazo inicial para a opção pelo Refis, limitado a abril de 2000, prazo esse alterado pela Lei n° 10.002, de 14.09.02 (DOU de 15.09.2002). A recorrente optou, como afirmado pela autoridade administrativa, no dia 13.12.2000, portanto ao final do prazo. Não podia aguardar a formalização do auto de infração sob pena de não poder se valer do benefício de dilação do prazo de pagamento, ainda mais que estava sendo fiscalizada desde 16.11.1999, ou seja, durante mais de um ano e não fora ainda lavrado o auto de infração que, por suas características, de simples constatação de falta de recolhimento, apresentou ao final visível simplicidade técnica: Deixou, a autoridade julgadora, entender nos termos do voto condutor da decisão recorrida (fls. 278), que a aplicação da multa de fido se deu pela inexistência da espontaneidade do contribuinte, que, sob ação fiscal, ou pela inclusão de débito ainda não constituído no parcelamento especial do Refis. 15 . : . .. . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 16 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 Existe a regra prevista no art. 7°, § 2°, do Dec. 70.235/72, pa qual os atos escritos valem por 60 dias, em cujo tempo o contribuinte não goza da esponeidade para pagamento do tributo com multa moratória. Inclui-se no conceito o parcelarnhto. Tendo a fiscalização intimado a empresa a atender solic itação sua, em 21.11.2000, entende a fiscalização que tal ato impediria a espontaneidade da recorrente até 21.01.2001, e, tendo a opção pelo Refis ocorrido em 1.12.2000, a teri a procedido sem os benefícios de tal espontaneidade. Vencido o prazo de quebra da espontaneidade, em 21.01.2001, sem que a autoridade lançadora tivesse encerrado a fiscalização, somente em 05 de fevereiro de 2001 expediu ela nova intimação, o que fez com que a recorrente tivesse readquirido sua espontaneidade, antes de perdê-la novamente, pelo novo termo. A jurisprudência administrativa vem se inclinando em favor da recorrente, no entendimento de que, readquirida a espontaneidade, cobre-se com tal faculdade os atos praticados pela empresa durante o período anterior, sempre que o vencimento do prazo estipulado no § 2°, do art. 7 0, do Dec. 70.235/72, não for antecedido pelo encerramento da ação fiscal ou por outro ato escrito levado à ciência do contribuinte. Entende a jurisprudência que o contribuinte deve ser mantido continuadamente sob regime de quebra de espontaneidade para os atos espontaneamente praticados recebam os benefícios da não aplicação da multa de ofício. Assim já decidiu o Terceiro Conselho de Contribuintes, por sua Terceira Câmara, no recurso n° 120.489, na sessão de 12 de abril de 2.000, cuja decisão unânime está consubstanciada no Acórdão n° 303-29.300, assim entado: 16 . . . . . - . MINISTÉRIO DA FAZENDA 17 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 "ESPONTANEIDADE READQUIRIDA — MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Readquire a espontaneidade o sujeito passivo submetido a procedimento fiscal não concluído dentro do prazo de 60 dias, previsto no § 2° do ar/ 7° do Decreto n° 70.235/72, reputando-se espontâneo o recolhimento do crédito tributário principal, acrescido dos juros e multa moratórios, realizado durante a ação fiscal, e incabível a cobrança da multa de oficio lançada. RECURSO PROVIDO INTEGRALMENTE." Para que não se tenha dúvida acerca da aplicabilidade do raciocínio que levou a 3a Câmara do 3° Contribuinte à decisão mencionada, é de se transcrever parte do voto condutor da decisão recorrida, quando assim define a relação de datas: "Nos presentes autos, o início da ação fiscal se deu no dia 26/02/98, através da Intimação SEAR n° 126 (fls. 79). Ainda dentro do prazo de 60 dias, ou seja, 23/04/98, a contribuinte foi novamente intimada, prorrogando o prazo inicial por mais 60 dias, passando o novo vencimento para o dia 22/06/98. Como o auto de infração foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo, ora Recorrente, em 22/07/98, portanto, após vencido o prazo de 60 dias, a empresa fiscalizada, sem dúvida, reconquistou o benefício da denúncia espontânea em relação ás infrações apuradas na presente ação fiscal." O Segundo Conselho de Contribuintes, igualmente, assim vem entendendo a questão, como demonstram duas decisões prolatadas em setembro de 2003, relativamente a tributos diferentes (PIS e COFINS), ambas trazendo na ementa o seguinte teor (Acórdãos 201-77.179 e 201-77.180): "(4 OPÇÃO PELO REFIS. ESPONTANEIDADE O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício , escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimações, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A conseqüfreiç prática da perda da espontaneidade é que o contribuint4 fica 1 sujeito à multa de oficio ao invés da multa de mora em relaçãs valores que venham a ser i/. 17 I ., MINISTÉRIO DA FAZENDA 18 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. :105-14.302 levantados pela fiscalização. O termo de início da fiscalização vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Se o Fisco não formaliza qualquer ato escrito indicando o prosseguimento, ou o encerramento, dos trabalhos, a partir do 61° dia, o contribuinte readquire a espontaneidade. O resultado concreto desse fato é que o contribuinte pode confessar valores devidos acrescidos de multa de mora ao invés da multa de ofício. Se o contribuinte faz opção pelo Refis, antes de readquirir a espontaneidade e por inércia do Fisco a recupera, fica dispensado da multa de oficio e sujeito, apenas, à multa de mora. (...)" O conteúdo do judicioso voto do Ilustre Relator, Dr. Serafim Fernandes Corrêa, traz, no que pertine ao assunto: " A fiscalização teve início em 16/11/1999 (ft 2). Aí a contribuinte perdeu a espontaneidade. Esse termo valeu por sessenta dias e no dia 16/01/2000 a contribuinte readquiriu a espontaneidade. O novo termo (ft 3) indicando o prosseguimento dos trabalhos está datado de 02/02/2000. Em 04/04/2000, de novo, a contribuinte, readquiriu a espontaneidade. Somente em 02/05/2000 novo termo (fl. 4) foi lavrado. Em 03/07/2000, a contribuinte outra vez readquiriu a espontaneidade. Em 14/08/2000 outro termo (ft 7) foi formalizado. Valeu até 13/10/2000 e no dia seguinte a contribuinte, mais uma vez, readquiriu a espontaneidade. O outro termo (fl. 8) indicando o prosseguimento dos trabalhos está datado de 27/10/2000, quando_ interrompeu-se a espontaneidade. Em 21/11/2000, novo termo (fl. 9) foi formalizado, excluindo a espontaneidade da contribuinte até 20/01/2001. No dia seguinte, em 21/01/2001, a contribuinte readquiriu a espontaneidade, pois somente em 05/02/2001 o novo termo de fl. 10 indicando o prosseguimento dos trabalhos foi lavrado. Em 13/12/2000, como bem registra a decisão recorrida, a contribuinte formalizou confissão de dívida e parcelamento pelo Refis dos mesmos valores que mais tarde, em 17/07/2001, integrariam o auto de infração. Em tal data — 13/12/2000 — não tinha espontaneidade, mas no dia 21/01/2001 a readquiriu, diante da inércia da fiscalização, pois no dia 20/01/2001 venceu o prazo de sessenta dias do termo lavrado em 21/11/2000. A opção pelo Refis ficou, por assim dizer, suspensa a partir de 13/12/2000 até o dia 21/01/2001, quando a contribuinte readquiriu a espontaneidade e a sua opção produziu o efeito de livra-la da multa de ofício, ficando sujeita à mu! mora. Se antes do dia 21/01/2001 novo te mo Fosse lavrado ou o ato de infração fosse formalizado, a mult seria a de ofício. Como a ""k 18 . . ,. .._. MINISTÉRIO DA FAZENDA 19 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 fiscalização ficou inerte, a contribuinte readquiriu a espot-neidade e ficou sujeita à multa de mora. Entendo, portanto, que os valores devidos, confessados, parcelados através do Refis estão sujeitos à multa de mora de 209, e não é de oficio de 75%." A citação jurisprudencial acima tem plena aplicação, uma vez que se refere a dois processos decorrentes de autos de infração lavrados contra o mesmo contribuinte (a recorrente) e, apesar de não serem processos decorrentes, uma vez que alcançaram períodos e base diferenciadas, apresentam coincidências de datas, já que a fiscalização se desenvolveu simultaneamente com relação aos quatro tributos em que houve autuação (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Ando na mesma trilha, entendendo que a reaquisição da espontaneidade beneficia o contribuinte em todos os atos que ele, espontaneamente, procedeu pagamentos ou parcelamentos, mesmo que os tenha efetivado em período no qual a espontaneidade ainda não fora readquirida. Quanto ao juro, outra inconsistência se verifica. Enquanto o parcelamento especial pelo Refis garante, na forma do § 1°, I, do art. 2°, da Lei n° 9.964/2000, a fluência de juros moratórios calculados pela TJLP, no dizer da própria lei "vedada a imposição de qualquer outro acréscimo". Portanto, a partir de 13.12.2000, os juros seriam cobrados pela variação da TJLP, mas, a exigência constante do auto de infração englobou juros medidos pela taxa Selic até 17.07.2001, o que é ilegal. Dessa forma, vejo razão no pleito da recorjene relativamente ao percentual de multa aplicada, que confirmo o seu entendimento e que deve prevalecer aquela ."/: 19 / - MINISTÉRIO DA FAZENDA 20 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10875.002122/2001-94 Acórdão n.°. :105-14.302 adotada pelo comitê gestor do Refis, de 20%, igualmente não sendo aceitávela, imposição de juros parametrados pela taxa Selic após 13.12.2000. Igualmente, a 1° Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, as decisões consubstanciadas nos dois acórdãos acima mencionados, decidiu também sobre os juros moratórios, quando da discussão acerca da aplicação da variação da Selicou da TJLP, assim se expressando: (...)REFIS. SELIC. TJLP. No caso dos débitos confessados e parcelados através do Refis, incidirá a titulo de juros de mora a taxa Selic até a data da consolidação, a partir de quando, nos termos o art. 60, 1, do Decreto n° 3.341/2000, serão aplicados juros correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP, calculada linearmente, na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, vedada a imposição de qualquer outro acréscimo (..)" Relativamente à exigência do principal pela via do auto de infração, mesmo entendendo ser desnecessária, não vejo motivo para declarar sua nulidade, porquanto, se ele sobreviver, será não executável, uma vez que já integra parcelamento regularmente formalizado e com pagamento em andamento, servindo para comprovar a homologação expressa do tributo confessado no Ref is. Dessa forma, meu voto merece um esclarecimento. Voto por dar provimento ao recurso, para afastar a diferença de penalidade entre os 20% aplicados por ocasião da opção pelo Refis e os 75% aplicados de oficio pela fiscalização em data posterior, bem como por afastar owetorcorrespondente à diferença entre o cálculo dos juros cobrados com base na taxa S 'c, a partir de 13.12.2000, e os 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA 21 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. :10875002122/2001-94 Acórdão n.°. : 105-14.302 juros calculados pela variação da TJLP e considerados sobre o valor consolidado correspondente ao tributo sob discussão, aprovados pelo comitê gestor do Refis, A despeito de entender ser desnecessário o lançamento do principal e dos juros moratórios pela Selic, até 13.12.2000, já que foram integral e antecipadamente incluídos no Refis, deixo de votar por seu cancelamento em decorrência de nulidade, mas voto por que seja integrada a exigência ao Refis, confirmando os valores lá já constantes e sem que provoque qualquer medida de exclusão ou tolhimento do beneficio do parcelamento, salvo aquelas decorrentes da legislação própria do Refis. Dessa forma, deixo de apreciar o segundo argumento, qual seja o da inadequada aplicação de penalidade à sucessora por incorporação. É como voto. Sala d- essõ-: - DF, em 18 de fevereiro de 2004. »friA--e/if J0,/ CARLOS PASSUELLO 21 Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1

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Numero do processo: 17459.720046/2023-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018 RESUTADOS NO EXTERIOR DE EMPRESA CONTROLADA. DISTRIBUIÇÃO À CONTROLADORA. PREJUÍZO. IMPOSSIBILIDADE. Não há como prevalecer exigência sobre distribuição de lucros à controladora supostamente apurados por controlada domiciliada no exterior, quando demonstrada nos autos a apuração de prejuízo.
Numero da decisão: 1202-001.497
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Maurício Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente o Conselheiro Roney Sandro Freire Correa.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-12-26T14:21:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-12-26T14:21:11Z; Last-Modified: 2024-12-26T14:21:11Z; dcterms:modified: 2024-12-26T14:21:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-12-26T14:21:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-12-26T14:21:11Z; meta:save-date: 2024-12-26T14:21:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-12-26T14:21:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-12-26T14:21:11Z; created: 2024-12-26T14:21:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-12-26T14:21:11Z; pdf:charsPerPage: 1101; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-12-26T14:21:11Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 17459.720046/2023-68 ACÓRDÃO 1202-001.497 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 10 de dezembro de 2024 RECURSO DE OFÍCIO RECORRENTE FAZENDA NACIONAL INTERESSADO VOTORANTIM S/A Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018 RESUTADOS NO EXTERIOR DE EMPRESA CONTROLADA. DISTRIBUIÇÃO À CONTROLADORA. PREJUÍZO. IMPOSSIBILIDADE. Não há como prevalecer exigência sobre distribuição de lucros à controladora supostamente apurados por controlada domiciliada no exterior, quando demonstrada nos autos a apuração de prejuízo. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Maurício Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente o Conselheiro Roney Sandro Freire Correa. Fl. 3957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.497 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17459.720046/2023-68 2 RELATÓRIO Trata o presente de Autos de infração para cobrança do IRPJ e CSLL referentes ao ano-calendário de 2018 no montante de R$ 364.255.343,83 e R$ 131.131.923,77; aí incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) a interessada teria deixado de acrescentar ao resultado o lucro apurado na controlada Nexa Resources S/A (Nexa) domiciliada no exterior. Isso porque foi apurado lucro de US$ 504.525.720,86 do qual foi reduzido indevidamente o montante de US$ 523.440.000,00; gerando um prejuízo de US$ 18.914.279,14. A exclusão corresponderia a lucros de períodos anteriores da controlada indireta Votorantim GMBH (VGMBH - controlada direta da Nexa) que já teriam sido disponibilizados e deveriam agora ser excluídos para evitar dupla tributação. Entretanto, de acordo com o TVF, aquela tributação anterior não foi demonstrada e o valor não poderia ter sido deduzido. O sujeito passivo apresentou impugnação acompanhada de documentação comprobatória pela qual defende que os lucros apurados pela VGMBH e agora excluídos foram anteriormente acrescentados ao resultado da interessada (aqueles correspondentes aos anos- calendário 2015 e 2016) ou tributados mediante lançamento de ofício (correspondentes aos resultados de 2011 a 2014). Subsidiariamente alega que, mesmo na remota hipótese de não serem aceitas as razões até então apresentadas, o lançamento não poderia ser mantido pela impossibilidade de tributar o resultado da Nexa eis que acobertado pela Convenção para Evitar a Dupla Tributação celebrada pelo Brasil com Luxemburgo. Por fim, reclama pela impossibilidade de incidências dos juros de mora sobra a multa de ofício. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 07 prolatou o Acórdão 107- 025.175 pelo qual, ressaltando que o Tratado para Evitar Dupla Tributação não elidiria o lançamento nos moldes efetuados, deu provimento à impugnação por entender demonstrada a tributação anterior dos lucros auferidos pela VGMBH, sendo correta portanto a exclusão desse montante no resultado da Nexa e consequente apuração do prejuízo. Em função do valor da exclusão, foi interposto recurso de ofício a este Colegiado. É o relatório. Fl. 3958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.497 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17459.720046/2023-68 3 VOTO Leonardo de Andrade Couto – Relator A análise do recurso envolve precipuamente um juízo de valoração probante no que se refere à demonstração de que os lucros auferidos pela controlada indireta Votorantim GMBH (VGMBH) em períodos anteriores a 2018 teriam sido oferecidos à tributação pela interessada e, com base nisso, excluídos do resultado da Nexa Resources (Nexa - controlada direta da interessada e controladora integral da VGMBH) no ano-calendário de 2018, gerando prejuízo e nenhum valor a ser adicionado nesse ano. Registrando que em 2017 a VGMBH apurou prejuízo, dentre aqueles períodos que vão de 2011 a 2016, a decisão recorrida assim se manifestou relativamente ao ano-calendário de 2015: No registro X340 da ECF correspondente ao ano-calendário de 2015 a interessada informou que a VGMBH apurou um lucro líquido antes do IR no valor equivalente a R$429.670.591,28, conforme quadro adiante: (...) Conforme Registro M300 (código 10) da ECF do ano-calendário de 2015, foi adicionado a título de lucros no exterior em 2015 o valor total de R$ 538.149.333,13. A interessada apresenta planilha (arquivo não-paginável de que trata o Termo de Anexação de fls. 3261) demonstrando que o lucro da Votorantim GmbH, no valor de R$ 429.670.591,28, compõe o total de R$ 538.149.333,13 adicionado no Registro M300 (código 10) da ECF do ano-calendário de 2015. Ou seja, no ano-calendário de 2015 a interessada ofereceu à tributação no Brasil o lucro apurado pela Votorantim GmbH, no valor de R$ 429.670.591,28, que equivale a USD 110.036.516,92, segundo a taxa de câmbio para venda de 31/12/2015 (R$3,9048/1 USD). (...) Em relação a 2016 (destaque acrescido): (...) No registro X340 da ECF correspondente ao ano-calendário de 2016 a interessada informou que a VGMBH apurou um lucro líquido antes do IR no valor equivalente a R$ 691.676.304,05, conforme quadro adiante: (...) Conforme Registro M300 (código 10) da ECF do ano-calendário de 2016, foi adicionado a título de lucros no exterior em 2016 o valor total de R$ 695.638.442,65. A interessada apresenta planilha (arquivo não-paginável de que trata o Termo de Anexação de fls. 3261) demonstrando que a parcela do lucro da Votorantim GmbH correspondente a sua participação de 89,35%, no valor de Fl. 3959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.497 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17459.720046/2023-68 4 R$618.012.777,67, compõe o total adicionado no Registro M300 (código 10) da ECF do ano-calendário de 2016. Ou seja, no ano-calendário de 2016 a interessada ofereceu à tributação no Brasil o lucro apurado pela Votorantim GmbH, no valor de R$ 618.012.777,67, que equivale a USD 189.626.822,64, segundo a taxa de câmbio para venda de 31/12/2016 (R$3,2591/1 USD) Ainda de acordo com o acórdão recorrido, para esses dois anos restou comprovado o oferecimento à tributação de lucros apurados pela VGMBH no montante de US$ 299.663.339,56 (US$ 110.036.516,92 + US$ 189.626.822,64) superior ao valor de US$ 279.246.826,10 correspondente ao lucro da Nexa no ano-calendário de 2018 após compensação dos prejuízos acumulados. Assim, o resultado seria negativo e não haveria valor a ser adicionado. Com essa apuração, entendeu a instância de piso que não haveria necessidade de avaliar as razões referentes aos demais anos-calendário, quais sejam: 2012, 2013 e 2014. Quanto a esses períodos, registre-se que a interessada aduziu terem sido tributados em procedimento de ofício. Quanto ao anos-calendário de 2015 e 2016, as planilhas mencionadas no acórdão (trazidas na impugnação) e o registro X340 da ECF foram suficientes para a decisão no sentido de que o montante declarado de Lucros Auferidos no Exterior pela interessada (R$ 538.149.333,13 em 2015, e R$ 695.638.442,65; em 2016) abrangeria o lucro auferido pela VGMBH nesses períodos. Importa ressaltar que o registro X340 da ECF dos anos-calendário de 2015 e 2016 foram trazidos aos autos pela interessada em atendimento ao Termo de Intimação nº 4. Ainda assim, o TVF, mesmo reconhecendo que a recorrente teria adicionado ao resultado valores a título de lucros auferidos no exterior, sustenta que: “...esta fiscalização não teve como afirmar a quais controladas se referem estes valores uma vez que existem diversas controladas que apuraram lucros nestes anos com o valor total muito superior aos disponibilizados.” Em seguida, a interessada trouxe uma tabela especificando a apuração do lucro da VGMBH para os anos-calendário de 2010 a 2016 (em 2107 foi apurado prejuízo). A autoridade lançadora manteve o posicionamento no sentido de que: “...a fiscalizada se limita apenas a apresentar um demonstrativo sem nenhuma contrapartida na apuração do Lucro Real e da CSLL na Votorantim S/A não apresentando nenhuma comprovação efetiva do oferecimento desses valores à tributação no Brasil.” Não restou claro o porquê de a autoridade lançadora ter desconsiderado o registro da X340 da ECF. Sem embargo, com a apresentação das planilhas em sede de impugnação especificando o montante do lucro de cada controlada do exterior que foi acrescido ao resultado da interessada, o conjunto probatório se robustece. As planilhas, individualmente analisadas, seriam indiciárias mas não prova efetiva de que os lucros apurados pela VGMBH estariam incluídos no montante oferecido à tributação Fl. 3960DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.497 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17459.720046/2023-68 5 pela recorrente nos anos-calendário de 2015 e 2016. Entretanto, a apreciação em conjunto com os valores lançados na ECF, leva-me a endossar as conclusões do acórdão recorrido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto Fl. 3961DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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