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Numero do processo: 10715.004868/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 23/11/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE.
MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA.
OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/11/2004
MULTA POR REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE
EMBARQUE. ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO TEMPESTIVA DAS
INFORMAÇÕES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA. RECUSA DO
ARGUMENTO.
Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas de que teria prestado tempestivamente as informações concernentes aos dados do embarque das mercadorias exportadas. Sem tais provas, não há como afastar o crédito tributário, este que foi constituído em elementos suficientes para a lavratura do auto de infração correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 23/11/2004
ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO
LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE
IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI.
INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA
AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES.
Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no
artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 256, de 22/06/2009).
Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal.
Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula n° 2 do CARF.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº 134.407.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2004 MULTA POR REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO TEMPESTIVA DAS INFORMAÇÕES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA. RECUSA DO ARGUMENTO. Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas de que teria prestado tempestivamente as informações concernentes aos dados do embarque das mercadorias exportadas. Sem tais provas, não há como afastar o crédito tributário, este que foi constituído em elementos suficientes para a lavratura do auto de infração correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/11/2004 ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES. Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula n° 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2004 MULTA POR REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO TEMPESTIVA DAS INFORMAÇÕES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA. RECUSA DO ARGUMENTO. Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas de que teria prestado tempestivamente as informações concernentes aos dados do embarque das mercadorias exportadas. Sem tais provas, não há como afastar o crédito tributário, este que foi constituído em elementos suficientes para a lavratura do auto de infração correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/11/2004 ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES. Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº 134.407. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 11/05/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Florianópolis (fls. 182/196), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento formalizado contra a recorrente, nos termos do Acórdão nº 0723.743, proferido em 01/04/2011. A lide decorre dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 10.000,00 consubstanciada no auto de infração juntado às fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 380200.956 S3TE02 Fl. 107 3 pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em setembro de 2004 iniciados nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00200/09”, descumprindo, por conseguinte, com a obrigação acessória estatuída no artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 25 alegando, em apertada síntese, que: a norma que estipula o prazo de dois dias para que o transportador aéreo registre os dados de embarque no Siscomex foi introduzida no ordenamento jurídico somente a partir da IN SRF 510, de 15.02.2005, razão pela qual entende ser inaplicável essa disposição a fatos narrados no lançamento, por ofender aos princípios da irretroatividade, da segurança jurídica e da legalidade, evidenciando a nulidade do presente auto de infração, eis que fundado em norma não vigente à época dos fatos, em nítida violação ao artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72; antes de ser modificada pelo artigo 1º da IN SRF 510/05, a redação original do artigo 37 da IN SRF 28/94, não fixava prazo específico para a prestação de informações por parte do transportador, pelo que considera ser inexigível o estabelecimento de prazo para o cumprimento da obrigação, por falta de previsão legal; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de maio do referido ano. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Por todo exposto, requer seja acolhida sua defesa a fim de que seja declarada a nulidade do auto de infração em tela e, por conseguinte, a desconstituição do crédito tributário apurado. A decisão recorrida, com esteio na retroatividade benigna da norma tributária, afastou a parte do crédito (R$ 5.000,00) correspondente ao embarque cuja informação foi prestada obedecendo ao novo prazo de 7 dias estatuído pela IN RFB no 1.096/2010. Assim, o lançamento, originariamente de R$ 10.000,00, foi mantido apenas em relação ao vôo GEC/0503, ocorrido em 08/09/2004, mas cuja informação sobre o embarque só foi registrada em 23/11/2004. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/05/2011 (fls. 104 – Extrato do processo). Inconformada, a mesma apresentou, em 01/06/2011 (fls. 104), o recurso voluntário de fls. 60/94, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, aduzindo, ainda, o seguinte: a) que não existiria prova de que o registro da informação sobre o embarque tenha se dado a destempo, já que a planilha na qual se funda o lançamento contém “[...] a data da averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX”; continua sua exegese discorrendo sobre a diferença entre o registro das informações de embarque e a averbação; b) alicerçada em aduzidas falhas no SISCOMEX ocorridas no ano de 2004, requer seja o SERPRO intimado para prestar informações sobre as falhas no referido sistema ocorridas naquele ano; colaciona notícias obtidas no site da ANVISA concernentes a algumas das indisponibilidades do referido sistema, bem como correios eletrônicos enviados pela Infraero comunicando problemas do mesmo tipo; c) argumenta, ainda, que a própria Receita Federal, ao editar a IN RFB no 835/2008, reconhece a ocorrência de indisponibilidade do Siscomex; d) fundamentada no artigo 113, parágrafo 2o, do CTN, defende que a multa cominada à empresa não tem razão de existir simplesmente porque a conduta supostamente praticada pela recorrente é irrelevante para o direito tributário, posto que nenhum tributo deixou de ser recolhido e não houve qualquer espécie de prejuízo à fiscalização; e) propugna a violação dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, e o caráter confiscatório da exação em tela. Com base nos argumentos em tela, requer, ao final, seja dado provimento ao seu recurso e, consequentemente, cancelada a exigência em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 380200.956 S3TE02 Fl. 108 5 Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 11/05/2011 (fls. 104 – Extrato do processo). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 01/06/2011 (fls. 104), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do instrumento de mandato de fls. 29, vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. Todavia, há alguns argumentos que só foram aduzidos nesta instância recursal, os quais não podem ser conhecidos por força do disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, segundo o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Com efeito, a autuada, na sua impugnação (fls. 14/25), alegou exclusivamente: a) a inaplicabilidade de exação que teria sido introduzida no ordenamento jurídico somente posteriormente aos fatos (no caso, a IN SRF 510/2005); b) que, a norma à época, não fixava prazo específico para a prestação de informação sobre os embarques, pelo que seria inexigível o estabelecimento de prazo para o cumprimento da obrigação; c) que a exação violaria o princípio da finalidade da norma, já que a multa cominada à empresa não teria razão de existir porque a conduta supostamente praticada pela recorrente seria irrelevante para o direito tributário; d) que as informações não foram prestadas por razões alheias à vontade do exportador; e) que a aplicação da penalidade representava violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; f) pela inaplicabilidade, à conduta, do disposto no artigo 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/66; e, g) que o Siscomex teria permanecido indisponível por diversas vezes no ano de 2004, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas. Confrontando a impugnação com os argumentos aduzidos no recurso voluntário, constatase que a recorrente trouxe inovação argumentativa com respeito aos seguintes assuntos: a) à alegada inexistência de prova da infração, posto que a planilha em que se funda o lançamento contém “[...] a data da averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX”; e, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 b) que a própria Receita Federal, ao editar a IN RFB no 835/2008, reconhece a ocorrência de indisponibilidade do Siscomex. Estes assuntos, a rigor, estão preclusos, pois não estão dispensados do requisito de prequestionamento por não dizerem respeito a matéria de ordem pública, e ainda, por não corresponderem a nenhuma das hipóteses de apresentação de prova documental elencadas no § 4º do artigo 16 do Decreto no 70.235/72. No entanto, em respeito ao princípio da ampla defesa e da verdade material, conheço também, do argumento segundo o qual a autuada alega a inexistência de prova da infração, já que os autos estariam instruídos unicamente com a data em que a exportação fora averbada, e não concernente ao momento em que foram prestadas as informações sobre o embarque. Todavia, quanto ao argumento de que trata o item “b” imediatamente acima, não se conhece do mesmo. Do mérito Examinaremos a lide em relação aos seguintes argumentos aduzidos pela interessada: a) inaplicabilidade da exação, uma vez que esta teria sido introduzida no ordenamento jurídico somente posteriormente aos fatos (no caso, a IN SRF 510/2005); b) a norma, à época, não fixava prazo específico para a prestação de informação sobre os embarques, pelo que seria inexigível o estabelecimento de prazo para o cumprimento da obrigação; c) as informações não foram prestadas no prazo exíguo prescrito na legislação por razões alheias à vontade do exportador; d) a aplicação da penalidade representava violação aos princípios da finalidade, proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; e) o Siscomex teria permanecido indisponível por diversas vezes no ano de 2004, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas; f) inexistência de prova da infração, posto que a planilha em que se funda o lançamento contém “[...] a data da averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX”. Vale lembrar que a lide se restringe à exação inerente ao vôo GEC/0503, ocorrido em 08/09/2004, com embarque registrado em 23/11/2004. Passemos, pois, à análise dos argumentos do sujeito passivo. Da aduzida inexistência de prova da infração, posto que a fiscalização se refere à data da averbação do embarque, e não ao momento da prestação das informações necessárias Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 380200.956 S3TE02 Fl. 109 7 Em sintonia com o que foi alegado pela recorrente, a planilha em que se funda o lançamento (fls. 10) contém, unicamente, o número da DDE, o dia em que ocorreu o embarque, o dia da averbação e o número do vôo. O fato de a fiscalização se referir à data da averbação da exportação como data em que teriam sido informados os dados do embarque caracterizaria, segundo tese defendida pela reclamante, a inexistência de prova da infração, já que a data de averbação não representaria necessariamente o dia em que teriam sido registradas as informações correspondentes. Contudo, o argumento da suplicante não merece ser acolhido. Com efeito, não obstante a averbação representar a conclusão do despacho de exportação (artigo 46 da IN SRF no 28/94), esta – a averbação –, nos termos do § 1º do mesmo dispositivo, se dá automaticamente “após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37”. E é o que, de fato, ocorre. Prestadas as informações pelo exportador, o sistema as coteja com os dados do embarque, averbando automaticamente a exportação acaso não evidenciadas divergências entre os dados confrontados, tudo em sintonia com os seguintes dispositivos da Instrução Normativa no 28/94: Art. 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. § 1º Nas exportações por via aérea ou marítima, a averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37. § 2º Nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a averbação dar seá no momento da transposição de fronteira da mercadoria, na forma do inciso III do art. 39. Art. 47. Nos termos do artigo anterior, a averbação do embarque ou da transposição de fronteira, no SISCOMEX, apenas confirma e valida a data de embarque ou de transposição de fronteira e a data de emissão do Conhecimento de Carga, registradas, no Sistema, pelo transportador ou exportador, que são as efetivamente consideradas para fins comerciais, fiscais e cambiais. Art. 48. Será automática a averbação do embarque ou da transposição de fronteira: I nos casos indicados no art. 45, após o desembaraço da mercadoria ou da conclusão do trânsito aduaneiro; e II nos demais casos, após a confirmação do embarque da mercadoria, pelo transportador, ou da sua transposição de fronteira, conforme definido no inciso III do art. 39, quando os dados sobre a carga embarcada informados, no Sistema, coincidirem com os da carga desembaraçada pela fiscalização aduaneira. Parágrafo único. A averbação automática, na forma deste artigo, não prejudica a apuração da responsabilidade, por eventuais erros ou fraudes constatados após o desembaraço e o embarque da mercadoria, e a aplicação, aos responsáveis, das sanções administrativas, fiscais, cambiais e penais cabíveis. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 Evidentemente, a averbação automática não ocorre acaso o sistema detecte divergências nos dados informados. Nessa hipótese, caberá à fiscalização aduaneira realizála, com registro, no Siscomex, das divergências constatadas (IN SRF 28/94, artigo 49). O habitual, no entanto, é que a averbação ocorra de forma automática. No caso presente, a recorrente não trouxe nenhuma prova capaz de demonstrar que a averbação não teria ocorrido automaticamente, com a correspondente prestação das informações de forma tempestiva. Diferentemente do que afirma a interessada, tal prova poderia ser facilmente colacionada aos autos pela mesma, bastando que a empresa extraísse, do Siscomex, o histórico do despacho de interesse. Tal funcionalidade, com efeito, é disponibilizada para os operadores do sistema. Ademais, não custa lembrar o disposto no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, diante dos argumentos acima expostos, e considerando ainda a inexistência de prova capaz de afastar a exação lavrada contra a reclamante, rejeito a argumentação concernente à aduzida inexistência de prova da infração. Da alegada inexistência de sanção para a conduta à época dos fatos De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 03), verificase que a conduta que motivou a aplicação da multa prescrita na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107, do Decretolei no 37/1966, foi a prestação de informação concernente a embarques aéreos discriminados às fls. 10 depois do prazo de dois dias estabelecido pelo caput do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, a seguir transcrito: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. De fato, analisando os elementos probatórios colacionados aos autos, notadamente a planilha de fls. 10, constatase que as informações concernentes aos embarques objeto do lançamento extrapolaram o prazo de dois dias à época prescrito pela norma em evidência. Mas, como relatado, a instância recorrida, acertadamente, aplicou a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso “b” do CTN em relação ao embarque cuja informação foi prestada obedecendo ao novo prazo de 7 dias estatuído pela IN RFB no 1.096/2010. É importante destacar que a conduta típica descrita na norma em comento não se restringe simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – hoje, Secretaria da Receita Federal do Brasil –, isso em relação às informações sobre a carga transportada em veículo de transporte de carga internacional. É o que se extrai da redação do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 380200.956 S3TE02 Fl. 110 9 [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (destaquei) Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente se subsume à hipótese da infração descrita no referido preceito legal, já que é incontroverso que a prestação das informações sobre a carga embarcada se deu depois do prazo definido à época pela Administração Tributária/Aduaneira. Quanto à alegada inexistência, na ocasião, de norma que previsse a infração cominada à empresa – posto que a IN 510/2005, que estabeleceu prazo específico para a prestação das informações, só foi editada posteriormente aos fatos – também não merece ser acolhida a tese defendida pela reclamante. O embarque objeto da lide, de fato, ocorreu no mês de setembro de 2004, portanto, anteriormente à edição da IN 510/2005, que alterou para dois dias o prazo, para registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Mas referido dispositivo, simplesmente, ampliou o prazo anteriormente previsto no artigo 37 da IN 28 de 1994, que exigia fossem tais informações prestadas imediatamente, conforme redação original do dispositivo em tela, abaixo reproduzido: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Visando aclarar e uniformizar o alcance do termo “imediatamente”, disposto na norma em evidência, foi publicada a Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, onde foi esclarecido que referida expressão deveria ser interpretada como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Com efeito, a IN SRF no 510, de 2005, deu nova redação ao art. 37 da IN SRF no 28/94, estabelecendo os prazos de dois dias (por via aérea) e de sete dias (por via marítima) para o registro dos dados de embarque no SISCOMEX. Ou seja, o prazo para a informação dos dados no referido sistema foi estendido, tornandose inegavelmente mais favorável para o administrado (embora, no caso, não suficientemente), passível de ser aplicado retroativamente, portanto. Não há dúvida de que o tipo infracional é contemporâneo aos fatos. Com efeito, o Decretolei no 37/66 já prescrevia multa para aquele que deixasse de prestar Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 prescrevia a necessidade de prestação imediata das informações sobre as mercadorias embarcadas. O fato de o termo “imediatamente” ser impreciso – o que motivou a edição de esclarecimento quanto ao seu alcance – não autoriza concluir que a sanção pelo descumprimento da obrigação de prestação tempestiva das informações sobre o embarque carecesse de previsão normativa. Assim, rejeitase também o argumento concernente à alegada inexistência de sanção para a conduta à época dos fatos. Das demais alegações do sujeito passivo Relativamente à alegada ofensa a princípios constitucionais, importa ressaltar que é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, visto que tal forma de proceder, quanto aos seus efeitos, em nada divergiria da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, ou por via de exceção, que, como se sabe, é prerrogativa do Poder Judiciário. Se isso fosse possível, estarseia diante de hipótese de atuação do julgador administrativo como verdadeiro legislador negativo, prerrogativa, como já dito, exclusiva do Poder Judiciário, que tem no Supremo Tribunal Federal o dever de ser o guardião principal da Constituição, nos termos do artigo 102, caput, da Constituição Federal. Ademais, os princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. O disposto acima também está pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula no 02 do CARF, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. Falece, pois, à autoridade administrativa, competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegada ofensa a princípio constitucional, que, por natureza, é dirigido ao legislador ordinário. Quanto ao argumento de que as informações não foram prestadas por razões alheias à vontade do exportador, este não trouxe aos autos nenhuma prova de ocorrência de eventual caso fortuito ou de força maior capaz de justificar o atraso na apresentação tempestiva dos dados exigidos pela fiscalização aduaneira. O mesmo se diga quanto aos alegados problemas de acesso ao Siscomex. Tal sistema, como todo e qualquer outro, decerto, apresenta momentos em que pode se tornar Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.004868/200922 Acórdão n.º 380200.956 S3TE02 Fl. 111 11 indisponível. Mas o prazo para a prestação das informações sobre os embarques é de 7 (dias), bastante elástico para neutralizar momentâneas falhas do sistema. Ademais, vale lembrar que a lide diz respeito a embarque ocorrido em 08/09/2004 mas cuja informação somente foi registrada em 23/11/2004, ou seja, 76 (setenta e seis) dias depois, o que demonstra ser completamente desarrazoada a tese aduzida pela reclamante. Da conclusão Diante de todo o exposto, e uma vez demonstrada a legitimidade do lançamento formalizado contra o sujeito passivo, voto para conhecer em parte do recurso, negandolhe, contudo, provimento. Sala de sessões, em 25 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10814.018096/2007-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 16/04/2003
CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO.
INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, que o sujeito passivo tenha cometido alguma das infrações por dano erário, prevista nos incisos do art. 23 do citado Decreto-lei, e reste inviabilizada a aplicação da pena perdimento porque a mercadoria não foi localizada ou consumida. Nos presentes autos, como a Autuada não cometeu nenhuma das referidas infrações, inadmissível a aplicação da pena de perdimento e, por óbvio, a sua conversão em multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-000.912
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, que o sujeito passivo tenha cometido alguma das infrações por dano erário, prevista nos incisos do art. 23 do citado Decreto-lei, e reste inviabilizada a aplicação da pena perdimento porque a mercadoria não foi localizada ou consumida. Nos presentes autos, como a Autuada não cometeu nenhuma das referidas infrações, inadmissível a aplicação da pena de perdimento e, por óbvio, a sua conversão em multa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 05/04/2012 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 17-49.897, de 12 de abril de 2011 (fls. 271/274), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 16/04/2003 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação da decisão de primeiro grau, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o presente de auto de infração (fls. 01 e ss), decorrente de extravio de carga. De acordo com descrição dos fatos restou comprovado que “conforme se pode evidenciar há um forte indício de adulteração dolosa das etiquetas, com a finalidade de ocultar o extravio de mercadorias, e que a Infraero registrou armazenamento de 36 volumes e 2.525,8000 kg, mas apresentou apenas 1 volume e 161,5 kg. Portanto, o extravio deve ter ocorrido muito antes de 17/03/2003. Provavelmente antes da triagem da carga realizada pela EMAP em 24/08/2001....Quanto a data do fato gerador, o extravio veio a ser apurado em 16/04/2003.” Cientificada da autuação em 22/01/08 (fls 1), a autuada apresentou impugnação em 21/02/2008 (fls. 258 e ss), alegando em síntese que: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10814.018096/2007-26 Acórdão n.º 3802-00.912 S3-TE02 Fl. 2 3 - A carga amparada pelo AWB 343-0557-5441, cujo consignatário expresso no SISCOMEX –MANTRA é a empresa DYSTAK COM REP. LTDA. foi considerada abandonada. - Assim sendo, nos termos do artigo 579 do RA/02, foi considerada abandonada. - Foi lavrado AITAGF nº 359/2001, onde estão consignados 36 volumes do AWB 343-0557-5441, em 24/08/2001 Consta dos autos a relação de mercadorias emitida pela CTMA com data de 28/10/2002, em duas folhas, sem averbação da Receita Federal nem da Infraero, a primeira no valor de R$ 1.537,00 com os itens de 1 a 15 e a segunda no valor de R$ 3.217,00 com os itens de 16 a 22, totalizando 22 itens no valor de R$ 4.754,00. - Em contrapartida consta em 21/12/2007 a relação de mercadoria pertencentes ao AITAGF 0817600/359/2001, assinada pela SRFB e INFRAERO, em duas afolhas, a primeira no valor de R$ 8.226,96 com os itens de 1 a 15 e a segunda no valor de R$ 1.551,00 com os itens de 16 a 29, totalizando 29 itens no valor de R$ 9.777,96, que faz supor a legitimidade do AITGF 359/2001. - Não obstante, o auto de infração baseia-se na ocorrência de extravio de mercadorias durante a operação da INFRAERO, no âmbito do recito alfandegado, Argumenta que a autuação baseou-se em documentos da empresa Dystac Com Rep. Ltda, cuja apenas a existência de direito foi comprovada. - Alega a inexistência de “recibo” da INFRAERO no AITAGF nº 359/2001. - Ao final requer o cancelamento da autuação. Em 26/04/2011 (fl. 278), a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, protocolado em 24/05/2011, em que alegou nulidade da presente autuação, com base nos seguintes argumentos: a) a causa da pena perdimento foi dada pelo importador que abandonou a carga no Terminal alfandegado administrado pela Recorrente, o que isentava de qualquer responsabilidade, por se tratar de fato de terceiro; b) a carga não foi submetida a procedimento de vistoria aduaneira, previsto no art. 650 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), indispensável para fim de apurar a ocorrência de extravio e o crédito tributário exigível, assim como identificar o responsável, inclusive, verificar se houve excludentes da responsabilidade; c) como não deu causa ao perdimento da mercadoria, não podia responder pela penalidade dela decorrente, consistindo na ocorrência de caso fortuito ou de força maior de que trata o art. 664 do RA/2009; d) o extravio da mercadoria somente se sujeita a pena de perdimento se for constado na fase de despacho aduaneiro; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 e) a Fiscalização não podia atribuir à Autuada a culpa pelo extravio da mercadoria, haja vista que a administração e alienação das mercadorias apreendidas era da responsabilidade do Alfândega do Aeroporto de Guarulhos, nos termos § 4º do art. 29 do Decreto-lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, cabendo a Autuada a condição de mera depositária; f) após o perdimento havia cargas que permaneciam no Terminal de Cargas da Autuada por mais 10 (dez) anos, logo não podia ser penalizada pela lentidão dos processos de destinação das mercadorias; e g) a presente autuação afrontava os princípios da legalidade estrita, eficiência e razoabilidade. Em 20/07/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de agosto de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto O presente Recurso foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado e se enquadra dentro do seu limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente autuação. A presente autuação trata da conversão da pena perdimento por dano erário em multa no valor de R$ 300.353,45, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias discriminadas no Demonstrativo de fls. 21/23, não localizadas no Depósito de Mercadorias Apreendidas da Recorrente. A referida multa foi enquadrada no § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a seguir transcrito: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] II - importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenha sido iniciado o seu despacho;ou [...] § 1 o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 648DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10814.018096/2007-26 Acórdão n.º 3802-00.912 S3-TE02 Fl. 3 5 [...] § 3º A pena prevista no § 1º converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] De acordo o Descrição dos Fatos que integra o presente Auto de Infração (fls. 02/05), o motivo da aplicação da presente penalidade foi a constatação pela Equipe de Mercadorias Apreendidas (Emap) da Alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos (ALF/GRU) do extravio de parte das mercadorias acobertadas pelo Conhecimento de Carga Aérea (AWB) nº 343-0557-5441 (fl. 45), chegadas ao Aeroporto Internacional Guarulhos em 04/07/1999 e armazenadas pela Autuada no dia 05/07/1999. Segundo a Autoridade Fiscal autuante, a Recorrente “registrou armazenamento de 36 volumes e 2.525,8000 kg, mas apresentou apenas 1 volume e 161,5 kg. Portanto, o extravio deve ter ocorrido muito antes de 17/03/2003. Provavelmente antes da triagem da carga realizada pela EMAP em 24/08/2001”. Entretanto, de forma contraditória, concluiu a referida Autoridade Fiscal que, em relação ao fato gerador, “o extravio veio a ser apurado em 16/04/2003”, data em que a mesma Autoridade lavrou o Termo de Constatação da Carga de fl. 65. Do procedimento determinado pelo Inspetor da ALF/GRU. Inicialmente, é pertinente esclarecer que, em atenção à consulta formulada pelo Chefe-Substituto da SECAT da ALF/GRU (fls. 98/100), o Chefe da Divisão de Contratos da Coordenação-Geral de Programação e Logística (Copol) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da mensagem de eletrônica de fls. 96/97, expediu orientação no sentido de que, no caso de extravio de mercadorias apreendidas nos depósitos da Infraero, o procedimento cabível seria a formalização de processo de indenização, devidamente instruído com toda documentação e parecer conclusivo da Unidade gestora responsável pelas mercadorias apreendidas, para ser encaminhado à Copol, com vistas à adoção das providência previstas na Cláusula Décima Primeira do Contrato de Prestação de Serviços de Guarda e Armazenagem de Mercadorias Apreendidas, celebrado entre a citada Coordenação e a Recorrente. Porém, contrariando tal orientação, por meio do Despacho de fl. 146/147, o Inspetor da ALF/GRU determinou a lavratura de Auto de Infração, para cobrança dos tributos que deixaram de ser recolhidos em decorrência do extravio das mercadorias e das penalidades cabíveis, na forma estabelecida nos arts. 591, 593 e 628 do RA/2002, com base no argumento de que a responsabilidade contratual da Infraero pela guarda de mercadorias apreendidas somente se iniciava a partir do momento em que a União assumisse a propriedade das mercadorias, o que se daria após a aplicação da respectiva pena de perdimento. Em desconformidade com a referida determinação, por meio do presente Auto de Infração, em substituição a pena de perdimento por dano erário, capitulada no § 1º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, a Autoridade Fiscal procedeu a imposição da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias extraviadas, conforme anteriormente exposto. Do aplicação da pena perdimento. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Em 24/08/2001, por meio do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAG) de fls. 27/28, que deu origem ao processo de perdimento nº 10814.007225/2001-65 (fls. 26/160), foi formalizada a apreensão das referidas mercadorias, com vistas à aplicação da pena de perdimento por dano erário tipificada na aliena “a” do inciso II do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976. Por conseguinte, desde a referida data, as citadas mercadorias saíram do controle aduaneiro da Autuada passando a guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acauteladora dos interesses da Fazenda Nacional, conforme estabelecido no art. 25 1 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976. Também na mesma data, os dados constantes da Relação de Mercadorias – Termo de Guarda Fiscal de fls. 09/10 foram inseridos no sistema de Controle de Mercadorias Apreendidas (CTMA – Contábil) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme informou a Autoridade Fiscal no histórico que integra o presente Auto de Infração (fl. 02/03). Ainda no âmbito do referido processo perdimento, em consonância com disposto no Ato Declaratório SRF nº 12, de 22 de dezembro de 1981, em 29/11/2001, por meio do Despacho de fl. 34, em face da revelia da proprietária e importadora Distak Comércio e Representação Ltda., tais mercadorias foram declaradas perdidas em favor da Fazenda Nacional. Ato contínuo, o processo de apuração da mencionada infração por dano erário foi encerrado e, em seguida, enviados os autos ao Setor competente para o processamento da destinação da mercadoria. Portanto, diferentemente do que alegou o Inspetor da ALF/GRU, a partir de 24/08/2001, data da formalização da apreensão, as citadas mercadorias saíram do controle aduaneiro do depositário e passaram a guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, ou seja, sob guarda/posse da ALF/GRU, sendo que a propriedade definitiva da União somente ocorreu em 29/11/2001, com formalização do ato de perdimento das mercadorias. A partir da referida data, no que tange as mercadorias apreendidas, muda o tipo de relação da depositária Infraero com a ALF/GRU, que deixa de ser fiel depositária de mercadorias sob controle aduaneiro para mera depositário de mercadorias da União, cuja relação passa ser regida pelas cláusulas do Contrato de Prestação de Serviços de Guarda e Armazenagem de Mercadorias Apreendidas, celebrado entre a Copol e a Recorrente. Do procedimento de indenização cabível. Somente em 16/04/2003, notícia o Termo de Constatação da Carga de fl. 65 o extravio das mercadorias em apreço, ou seja, depois de quase dois anos que as mercadorias foram apreendidas e declaradas perdidas em favor da Fazenda Nacional. Além disso, conforme anteriormente exposto, na referida data, as mercadorias não estava mais sob controle aduaneiro da Autuada, mas depositadas em seus terminais sob guarda e ordem da ALF/GRU, responsável direta pela administração das mercadorias apreendidas no referido Aeroporto. Dessa forma, em consonância com a orientação expedida pela Copol, no presente caso, tratando-se de extravio de mercadorias apreendidas nos depósitos da Infraero, para indenização Fazenda Nacional, o procedimento cabível seria a formalização de processo de indenização, devidamente instruído com toda documentação e parecer conclusivo da ALF/GRU, Unidade gestora responsável pelas mercadorias apreendidas, para ser encaminhado, em seguida, à Copol, com vistas à adoção das providência previstas na Cláusula Décima 1 "Art. 25. As mercadorias nas condições dos artigos 23 e 24 serão guardadas em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional". Fl. 650DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10814.018096/2007-26 Acórdão n.º 3802-00.912 S3-TE02 Fl. 4 7 Primeira do Contrato de Prestação de Serviços de Guarda e Armazenagem de Mercadorias Apreendidas, celebrado entre a citada Coordenação e a Recorrente. No mesmo sentido, o entendimento esposado na Informação Fiscal de fls. 156/157, da lavra de Auditor-Fiscal da própria ALF/GRU, cujo trecho relevante para o caso em tela peço licença para transcrever: Por outro lado, entendemos que a melhor solução para este caso concreto seria o cumprimento da orientação prestada pela COPOL/SRF, constante das folhas números 70 e 71 deste processo [processo perdimento], que, com fundamento na Cláusula Décima Primeira, do Contrato de Prestação de Serviços de Guarda e Armazenagem em Dependências Aeroportuárias de Mercadorias Objeto de Aplicação de Pena de Perdimento, indica/propõe a formalização de um processo administrativo de Indenização por Extravio de Mercadorias Apreendidas, com emissão, por esta Alfândega, de Parecer Conclusivo da responsabilidade, da empresa INFRAERO, pelo extravio de mercadorias, onde reste evidente a data de apuração dos fatos, objetivando permitir a atualização dos valores das mercadorias extraviadas e dos cálculos dos tributos incidentes à época. Este referido processo de indenização deverá ser encaminhado à COPOL/SRF, para as providências cabíveis. Assim, quanto à determinação de lavratura de Auto de Infração e encaminhamento, por extravio de mercadorias, de cópia integral do presente processo à Procuradoria da República em Guarulhos, entendemos que, em um primeiro momento, deveríamos tratar o assunto conforme acordado na Cláusula Décima Primeira, do Contrato de Prestação de Serviços de Guarda e Annazenagem em Dependências Aeroportuárias de Mercadorias Objeto de Aplicação de Pena de Perdimento. Posteriormente, caberá à COPOL/SRF decidir da oportunidade, ou não, de encaminhamento do processo ao Ministério Público Federal. Assim, em consonância com o entendimento esposado na citada Informação e na orientação expendida pela Copol, reafirmo que o procedimento cabível para o caso em tela seria a formalização de processo de indenização, na forma estabelecida no citado Contrato de Prestação de Serviços. Não é demais lembrar que no Estado de Direito, submetido ao império da ordem jurídica e norteado pela segurança jurídica e pelo primado da legalidade, a aplicação de qualquer medida restritiva de direito por parte do agente público deve está em conformidade com a lei, nos termos do art. 37 da CF/1988, e com a lei e o Direito, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999. Como de sabença, na relação de natureza administrativa, a vontade da Administração Pública é aquela decorrente da lei, ou seja, nesta esfera não é dado ao agente público agir segunda as suas convicções e vontade pessoais, ao contrário, o seu agir deve estar em perfeita sintonia com a lei e o Direito. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 No presente caso, em total menosprezo as orientações do corpo técnico da própria Unidade e do Órgão superior, foi imposta a Autuada uma multa de elevado valor pecuniário, sem qualquer suporte legal, conforme a seguir demonstrado. Da análise da multa aplicada à Recorrente. Por ser substitutiva da aplicação da pena de perdimento, por óbvio, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, somente pode ser aplicada a quem cometeu algum tipo de infração por dano erário tipificada em um dos incisos do art. 23 do citado diploma legal, e desde que a mercadoria objeto da referida pena não seja localizada ou que tenha sido consumida. No presente caso, quem abandonou as mercadorias no recinto alfandegado administrado pela Recorrente, por prazo superior a 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenha sido iniciado o respectivo despacho aduaneiro, foi a importadora Distak Comércio e Representação Ltda. Logo, induvidosamente, foi esta pessoa jurídica quem cometeu a infração por dano erário caracterizada pelo abandono das mercadorias em recinto alfandegado, descrita na alínea “a” do inciso II do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976. Consequentemente, por ter cometido a referida infração e ser a proprietária das citadas mercadorias, a ela foi imputada a pena de perdimento das citadas mercadorias, no âmbito do processo administrativo nº 10814.007225/2001-65, conforme documentos de fls. 27/34. Além disso, conforme expressamente consignado no AITAG de fls. 27/28, desde 24/08/2001, após a formalização da apreensão, as mencionadas mercadorias foram colocadas sob guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, inclusive, com a transferência definitiva da propriedade para União a partir de 29/11/2001, com a declaração da pena perdimento. Dessa forma, resta cabalmente demonstrado que as mercadorias extraviadas no depósito de mercadorias apreendidas da Recorrente, objeto da presente multa, não se enquadra na hipótese de conversão da pena de perdimento em multa pecuniária, descrita no § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, com a nova redação. Primeiro, porque a Recorrente não praticou nenhuma conduta que se subsuma às hipóteses das infrações por dano erário descritas nos incisos do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, condição necessária para conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não localizada ou consumida. Segundo, porque o extravio das referidas mercadorias ocorreu no depósito de mercadorias apreendidas da Recorrente, após aplicação da pena perdimento, ou seja, quando as ditas mercadorias já eram de propriedade da União e, portanto, não mais se encontrava sob controle aduaneiro da Autuada. Terceiro, porque, ainda que as referidas mercadorias estivessem sido extraviadas na fase de controle aduaneiro, hipótese que contraria os fatos provados nos autos, o caso seria de indenização da Fazenda Nacional pelos tributos que deixaram ser recolhidos, nos termos dos arts. 591 a 593 do RA/2002, porém, precedido do necessário procedimento de vistoria aduaneira, estabelecido nos arts. 581 a 588 do citado RA, o que também não ocorreu no presente caso. Por todas essas considerações, estou plenamente convencido no sentido de que a conduta cometida pela Recorrente não se subsume a hipótese da infração que lhe foi imputada, portanto, indevida a aplicação da presente penalidade. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10814.018096/2007-26 Acórdão n.º 3802-00.912 S3-TE02 Fl. 5 9 Da conclusão. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso, para reformar integralmente o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 653DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10980.003832/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1402-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Alexandre Iabrudi Catunda, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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E FAZENDA NACIONAL Interessado CELESTE TRANSPORTES LTDA. E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Alexandre Iabrudi Catunda, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 03 83 2/ 20 07 -2 0 Fl. 58038DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 Relatório Retorna o processo supra à apreciação do Colegiado depois de cumprida a 4ª diligência, determinada pela Resolução nº 1402-000.938 desta Turma Ordinária, sessão de 11/12/2019 (fls. 58003/58020). Como já relatado na ocasião, está-se diante de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/CTA em sessão de 20 de setembro de 2007 (fls. 1545/1576) 1 que improveu parcialmente a impugnação interposta (fls. 839/880) contra os lançamentos de IRRF constantes do AI (fls. 6 e 685/836) e de recurso de ofício manejado pelo referido Colegiado, nos termos da legislação vigente. O AI tem a seguinte conformação: De acordo com o TVF (fls. 680/684), estas as irregularidades apontadas pelo Fisco, bem resumidas pela decisão a quo (neste caso, a indicação de fls. segue a numeração manual): - já no Termo de Inicio de Fiscalização, a empresa foi intimada a apresentar os documentos nele relacionados, com ênfase para os contratos firmados com a empresa Pluma Conforto e Turismo S/A, extratos de movimentação de suas contas bancárias e arquivos magnéticos dos lançamentos contábeis; 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 58039DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 - em virtude da não apresentação dos extratos das contas bancárias, estes foram requisitados e obtidos diretamente dos bancos. Tabulada a movimentação bancária, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos referentes aos valores creditados nas contas bancárias de sua titularidade, e também a esclarecer e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os beneficiários e as causas de diversos pagamentos ocorridos nos anos-calendário fiscalizados, obtidos nos extratos de sua movimentação bancária, no montante total de R$ 116.369.399,75; - por meio do expediente de fls. 417, a fiscalizada apresentou o “Contrato de Administração e Outras Avenças” (fls. 446-449) firmado com a empresa Pluma Conforto e Turismo S/A, e declarou que seu setor jurídico estaria providenciando outros contratos e que não seria possível apresentar os arquivos magnéticos devido a problemas técnicos; - posteriormente, por meio do expediente de fls. 455, comunicou A. fiscalização que a documentação relativa à origem dos recursos creditados nas contas bancárias se encontrava à disposição, em sua sede, no horário comercial no período de segunda a sexta-feira. Comparecendo a sede da empresa (fls. 457), a fiscalização constatou que os documentos disponibilizados referem-se a relatórios diários de vendas de passagens de cada filial ou agência da empresa Pluma Conforto e turismo S/A, acompanhados de comprovantes de depósito em contas correntes da fiscalizada; - no ano-calendário de 2002, quase todas as contrapartidas dos lançamentos a crédito efetuados nas contas contábeis representativas das contas correntes bancárias (débito nos extratos bancários) foram efetuadas em contas do passivo cujas denominações se iniciavam com a expressão “PLUMA C. TURISMO”, e com o histórico “Nosso cheque N. ... P/Pgtos. Ref. Pluma C. Turismo”. Ademais, nesse ano-calendário, diversos pagamentos não foram escriturados, conforme relação inserta no item 5.5 do Termo de Intimação If 1 (fls. 182- 183); - nos anos-calendário de 2003 e 2004, a escrituração de todos os lançamentos das contas bancárias foi omitida, exceto os da conta mantida no banco Bradesco, dois lançamentos da conta n° 212.003-8, além de 23 lançamentos da conta n° 12.001-4, ambas no Banco do Brasil; - em virtude da grande quantidade de lançamentos, a relação de pagamentos a esclarecer abrangeu apenas os débitos superiores a R$ 5.000,00, com exceção de um no valor de R$ 4.500,00, totalizando assim o percentual de 67% do total dos débitos nas contas bancárias; - por meio do Termo de Intimação If 1, a contribuinte foi intimada a esclarecer o significado dos históricos, a falta de escrituração da maioria dos pagamentos e a esclarecer e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os beneficiários e as causas dos pagamentos relativos aos débitos constantes da “Relação de Débitos em C/C Bancária” de fls. 357-413. Entretanto, a contribuinte não se Fl. 58040DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 manifestou sobre os erros ou falhas na escrituração dos pagamentos, e tampouco apresentou algum esclarecimento ou documento que identificasse ou comprovasse os beneficiários e as operações ou suas causas, sendo que os documentos disponibilizados para exame em sua sede não fazem referência a pagamentos; - as normas pertinentes do RIR/99 estipulam que, no caso de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados e também no caso de pagamentos, contabilizados ou não, sem comprovação da operação ou sua causa, há incidência do imposto de renda na fonte, calculado a alíquota de 35%, com reajustamento da base de cálculo; - o reajustamento da base de cálculo obedeceu à forma prevista no art. 20 da IN/SRF n° 15/2001. A Relação de Pagamentos Não Comprovados (fls. 459- 492) apresenta os valores originais e reajustados dos pagamentos não comprovados; - tendo em vista que a contribuinte não escriturou a movimentação financeira ocorrida nos anos de 2003 e 2004, e também que não apresentou os extratos bancários solicitados, a fiscalização considerou materializada a hipótese prevista no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, razão pela qual aplicou a multa qualificada, relativamente a esses anos; - em decorrência da não apresentação dos arquivos magnéticos dos lançamentos contábeis referentes aos anos de 2002 a 2004, foi aplicada a multa agravada, na forma prevista no inciso II do §, 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O enquadramento legal da infração, descrito no campo próprio, às fls. 647, consiste no art. 674 e seus parágrafos 1º, 2° e 3º do Decreto n° 3.000, de 28/03/1999 (RIR/99), e no art. 61 e seus parágrafos, da Lei n° 8.981, de 1995. Irresignada a contribuinte acostou impugnação (fls. 839/880), arguindo: 1. Em face da íntima conexão entre os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração aqui apreciado com os fatos descritos no auto de infração do PAF n° 10980.003640/2007-13, e do direito a ser aplicado, requer a apensação deste PAF àquele, para o aproveitamento das provas produzidas em ambos os procedimentos administrativos e o afastamento da exigência tributária. Acrescenta que integra o grupo econômico da Pluma Conforto e Turismo S.A. e que existe entre as duas empresas uma gestão compartilhada, e que os documentos apresentados na impugnação daquele PAF retratam os débitos em conta corrente questionados pela autoridade fiscal, e que as provas produzidas nos dois processos repercutirão a inexistência de obrigação tributária; 2. Argumenta que, por força do Contrato de Administração e Outras Avenças, assumiu o dever de gerir os negócios e operações da empresa Pluma Conforto e Turismo S/A, mas a autoridade fiscal, sem desconsiderar a validade desse contrato, ignorou os documentos relativos à sua execução, comprobatórios dos lançamentos questionados. Acrescenta que Fl. 58041DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 a comprovação da causa e beneficiários dos pagamentos é inexequível no prazo concedido, porquanto pretendia que os documentos fossem organizados por lançamento bancário, tarefa que não teria amparo legal e tampouco cabimento com as técnicas de arquivamento e lançamentos contábeis. Enfatiza que os documentos comprobatórios foram disponibilizados autoridade fiscal e ficam à disposição da autoridade julgadora para conferência em diligência que requer; 3. Diz que, mesmo exaustivamente informada, a fiscalização desconsiderou o fato de que efetuava o pagamento da folha da empresa Pluma S/A, e que vários lançamentos do auto de infração referem-se a tal fato, circunstância que estaria a impor a nulidade do auto de infração; 4. Alega que a fiscalização fundamentou o agravamento nos incisos I e II do parágrafo segundo do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, o que lhe causa pasmo, porquanto tal parágrafo não possuiria incisos. Acrescenta que essa circunstância inviabiliza sua defesa, razão pela qual o auto de infração padeceria de vicio formal e deve ser declarado nulo; suscita, ainda, que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, já teria ocorrido a decadência do direito de efetuar o lançamento dos fatos geradores ocorridos antes de 12/04/2002; 5. Assenta que aludido contrato espelha um modo de administração licito; que desde o inicio da fiscalização foi esclarecido que a impugnante administra os recursos financeiros da Pluma Conforto e Turismo S/A, e que tal contrato é publicamente conhecido pelo Fisco e por terceiros. Advoga a legalidade do contrato e sustenta a possibilidade e licitude de receber somas daquela empresa, em face do Código Civil Brasileiro. Aduz ter sido em função desse contrato que a maioria dos créditos e débitos em suas contas bancárias se referem às receitas e despesas daquela. Perora que disponibilizou à autoridade fiscal os documentos de ambas as empresas para verificação da causa e beneficiários de tais pagamentos, mas o Fisco, sem desqualificar o contrato e sem refletir sobre os seus efeitos, simplesmente presumiu que os lançamentos a débito em suas contas bancárias foram pagamentos sem causa a beneficiários não identificados, rejeitando os documentos apresentados como prova da causa e identificação dos beneficiários dos pagamentos. Aduz que a simples verificação dos documentos apresentados eliminaria as dúvidas quanto à causa e identificação dos beneficiários; 6. Assegura que o parecer contábil anexado à impugnação (fls. 997-1.021) e os documentos nele referidos (fls. 1.023-1.332) demonstram, por amostragem, a existência de beneficiários e causa dos pagamentos tidos pela fiscalização como irregulares, instaurando controvérsia e dúvida quanto à presunção de veracidade das arguições da autoridade fiscal; 7. Acrescenta que o lançamento se refere a cerca de 2.010 débitos bancários ocorridos em três anos, e que a tarefa de apresentar todos os documentos no curto prazo de trinta dias lhe impôs um ônus desproporcional para a realização da prova que lhe é essencial, ofendendo não só a instrumentalidade, celeridade e economia processual, mas também o direito de defesa; 8. Adiciona que nenhuma culpa lhe pode ser atribuída, porquanto os documentos se encontram em sua sede e foram apresentados à autoridade fiscal. Por tal razão, protesta Fl. 58042DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 pela permissão de juntar essa documentação durante o curso do julgamento, ou que se determine a realização de diligencia para que tenha a oportunidade de apresentar toda a documentação comprobatória, que se encontra em seus arquivos. Requer, também, que a autoridade julgadora determine a requisição dos documentos de débitos aos bancos, para que tenha a oportunidade de se defender adequadamente. Argumenta que os próprios documentos já poderão identificar o beneficiário; 9. Afirma que o parecer e documentos apresentados evidenciam que há sim identificação e causa dos lançamentos a débito em suas contas correntes e, como demonstrará no curso da instrução deste PAF, tal se aplica a todos os demais lançamentos questionados; 10. Afirma que a fiscalização se deu por satisfeita com a documentação comprobatória da origem dos créditos, uma vez que não efetuou qualquer lançamento nesse sentido. Acrescenta estar claro que suas contas bancárias recebiam as receitas da Pluma S/A. Raciocina que, se os depósitos em suas contas são receitas da Pluma S/A, fica claro que os pagamentos referem-se a pagamentos da Pluma, porquanto nenhuma empresa depositaria a quase totalidade de suas receitas em uma conta de onde não retirasse recursos para fazer frente aos seus encargos. Prossegue argumentando que, sendo os créditos na Pluma S/A, o lançamento deveria ter sido feito em face desta, e que há um evidente erro de identificação do sujeito passivo, e que o conteúdo material do lançamento impugnado é obviamente imputável a outra pessoa jurídica, pelo fato de que se a receita não lhe pertence, as despesas também não lhe pertencem; 11. Formula a seguir o seguinte raciocínio: a autoridade fiscal destaca que os créditos tiveram sua origem comprovada. Se está comprovada, significa que não ficou à margem da tributação, seja na empresa Celeste, seja na empresa Pluma Conforto e Turismo. Logo, a pretensão de que todos os pagamentos deveriam ser novamente tributados é uma pretensão sem fronteiras. Aduz que a quase totalidade dos créditos tiveram sua origem comprovada,e portanto já tributada, foi novamente tributada, desta vez sob a forma de débitos em conta corrente; 12. Assegura que, ao contrário do que consta do Termo de Verificação Fiscal, atendeu aos Termos de Intimação, disponibilizando os livros contábeis e fiscais e todos os documentos, que foram colocados a disposição da autoridade fiscal para os levantamentos cabíveis; e que prestou todos os esclarecimentos necessários. Acrescenta que, com relação aos pagamentos realizados por meio de sua conta, que teriam sido efetuados a beneficiários não identificados ou sem comprovação de causa, a lei já prevê uma tributação elevada que, por si só já penaliza excessivamente o contribuinte. Argumenta que foi tributada pesadamente porque a fiscalização entendeu que não comprovou o beneficiário e a causa dos pagamentos e foi novamente penalizada com a multa agravada de 112% pela mesma razão. Sustenta que o art. 255 do RIR199 apenas faculta, e não obriga, a escrituração por sistema de processamento eletrônico de dados. Adiciona que apresentou os livros contábeis pelo meio físico, o que sana a falta dos arquivos magnéticos. Aduz que deixou de apresentar os arquivos em meio magnético devido a problemas técnicos, e que não teve a intenção de obstruir a ação fiscal; 13. Diz não ser verdadeiro que tenha deixado de escriturar a movimentação financeira ocorrida nos anos de 2003 e 2004, porque os extratos bancários teriam sido disponibilizados em sua sede, mas a fiscalização preferiu obtê-los por meio magnético Fl. 58043DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 para facilitar seu trabalho. Assegura que escriturou sua movimentação bancária, conforme documentos em anexo. Aduz que a fiscalização não demonstrou sonegação fiscal ou dolo, requisitos elementares para imposição da penalidade qualificada. Acrescenta que a fiscalização reconheceu que foi totalmente escriturada a conta mantida no Banco Bradesco e alguns lançamentos em duas contas no Banco do Brasil. Afirma que o dolo não está caracterizado e que elemento contundente nesse sentido é que os recursos foram movimentados por meio de contas bancárias, o que revela inexistir intenção de ocultá-los. Aduz que, para o lançamento da multa de 150%, não basta a simples falta de comprovação de beneficiário dos pagamentos ou da sua causa, mas deve estar perfeitamente demonstrado e materialmente comprovado que agiu de forma deliberada na intenção de fraudar o Fisco, com o objetivo de obter vantagens indevidas em matéria tributária. Acrescenta que não se trata de utilização de “laranjas”, e que as contas bancárias foram abertas em seu nome, com o seu CNPJ, com o seu endereço e demais dados, e que não procurou dificultar ou impedir o trabalho fiscal, e que disponibilizou a fiscalização documentos em sua sede. Acrescenta, ainda, que a jurisprudência é pacifica em entender que a simples não-contabilização das contas bancárias não é pressuposto para a qualificação da multa de oficio; 14. Aduz não ser aplicável o art. 20 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, e que atos de natureza meramente administrativa não têm o efeito de considerar renda aquilo que não o é, para o fim de alterar a base de cálculo definida na Constituição e lei infraconstitucional. Aduz que a base de cálculo do imposto de renda é a renda liquida; 15. Argumenta que, devido ao grande número de lançamentos a débito das contas bancárias, torna-se necessário verificar documento a documento para provar a causa e identificar o pagamento a cada debito questionado, que se refere a pagamentos próprios e da empresa Pluma. Acrescenta que este momento processual é de crucial importância na preservação dos seus direitos, pois é esta a instância onde a prova técnica deve ser apreciada. Afirma ser real a necessidade da elucidação dos aspectos duvidosos na apuração do crédito tributário, os quais somente poderiam ser esclarecidos de forma isenta por perito na área contábil, sob o, crivo do contraditório e da ampla defesa. Requer a realização de perícia Fisco-contábil para a revisão do lançamento, indicando o perito qualificado às fls. 685 e declinando os quesitos espelhados às fls. 685-687; 16. Em extenso arrazoado, contesta a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios. Noticia estar juntando os documentos relacionados às fls. 693, protesta pela juntada de outros documentos que se fizerem necessários à elucidação dos fatos, e formula pedido nos seguintes termos, na hipótese de não ser considerada a total improcedência do lançamento: - sejam efetivados os ajustes propugnados, especialmente quanto à. Qualificação e agravamento da multa de oficio; - seja deferida diligencia para coleta da documentação comprobatória das despesas e/ou apresentação dos documentos; - seja solicitada a documentação bancária relativa aos débitos lançados; - a realização de perícia Fisco-contábil. Fl. 58044DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 Submetidos os autos ao crivo da 1ª Turma da DRJ/CTA foi prolatada decisão acolhendo parcialmente os argumentos, em face da comprovação documental, e mantidos os lançamentos naquilo que a Turma a quo entendeu não haver comprovação. Igualmente foram afastadas as preliminares de decadência e nulidades e a qualificação da multa de ofício em todo o período em que lançada. Decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DECADÊNCIA. Na hipótese em que não houve recolhimento de tributo sujeito a lançamento por homologação, cabe ao Fisco proceder ao lançamento de oficio no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, na forma estabelecida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais; e também a beneficiário identificado, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa. Em ocorrências da espécie, o rendimento será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE As razões determinantes da imposição da multa qualificada de 150% devem ser minuciosamente justificadas e comprovadas nos autos. Alem disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Indefere-se a realização de perícia requerida, quando evidentemente desnecessária e meramente protelatória. MULTA AGRAVADA. Impõe-se o agravamento da multa quando o contribuinte, além de não prestar os esclarecimentos solicitados acerca de múltiplos lançamentos vertidos em sua contabilidade, também deixar de apresentar os arquivos e sistemas eletrônicos de sua escrituração, que declarou possuir e que foram reiteradas vezes solicitados. TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Fl. 58045DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 Lançamento Procedente em Parte Com o seguinte dispositivo de acórdão: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e as nulidades argüidas e, no mérito, por maioria, reconhecer a improcedência da imposição de multa qualificada em todo o período em que esta foi lançada, e ainda, cancelar do IRRF lançado a parcela de R$ 518.456,41, correspondente aos pagamentos comprovados, discriminados em quadro constante na parte final do voto. Vencido o julgador Sérgio Rodrigues Mendes, que votou pela manutenção integral do lançamento. Novamente inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1621/1641), basicamente repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação inaugural. Subindo ao CARF, os autos, em diferentes Turmas e diferentes ocasiões, foram apreciados pelos Colegiados e convertidos em quatro diligências, a saber: 1ª Diligência – Resolução nº 3401-00.001 - 04/03/2009 (fls. 1643/1653) 2ª Diligência – Resolução nº 1402-000.443 – 25/07/2017 (fls. 1922/1936) 3ª Diligência – Resolução nº 1402-000.781 – 11/12/2018 (fls. 1944/1946) 4ª Diligência – Resolução nº 1402-000.938 – 11/12/2019 (fls. 58003/58020) Exceto em relação à primeira, as demais diligências voltaram inconclusivas. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 58046DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 VOTO Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator Já foi atestada antes a tempestividade do RV e os demais pressupostos para sua admissibilidade. DESTAQUE INICIAL Como relatado e pode ser observado pelo manuseio dos autos, inequivocamente o presente processo exigiu dos relatores originais e deste Relator 2 , um verdadeiro exercício de paciência e parcimônia no sentido de conseguir alinhavar as argumentações e provas acostadas e delas extrair a tão decantada verdade material, princípio basilar do processo administrativo-fiscal, missão dificultada ao extremo não só pela imensa quantidade documental a ele juntada, como – e principalmente – pela não colaboração das partes, no caso, a própria recorrente, que simplesmente descarregou nos autos a referida documentação (mais de 40.000 fls.) sem se dignar a fazer a mínima correlação entre tais documentos e suas argumentações no recurso voluntário e, de outro lado, o Fisco que, quando instado a executar as diligências determinadas pelo CARF, inclusive com supedâneo no Parecer COSIT nº 02/2018, mostrou-se reticente, chegando a assentar, com todas as tintas, na última delas (Informação Fiscal – fls. 58025/58030) que: “30. Como já dito, a autoridade julgadora tem o dever de apreciar todos os documentos do processo, sejam as provas apresentadas pelo sujeito passivo ou os documentos da exigência fiscal. A partir dessa análise, pode então baixar o processo em diligência para suprir deficiências de instrução do processo ou questões pontuais, de forma a esclarecer pontos específicos necessários ao entendimento. 31. Vale lembrar que não houve impedimento para o julgamento de primeira instância, ou seja, mesmo em menor quantidade, as provas foram apreciadas e as conclusões foram redigidas no voto do Sr. Relator. 32. Baixar o processo para análise integral das provas apresentadas não é uma possibilidade no processo administrativo fiscal, por não haver tal previsão. Isso não significa que houve falha na juntada de elementos de prova aos autos de infração. As eventuais dúvidas das autoridades julgadoras, impeditivas ao julgamento do processo, devem ser específicas e apresentadas com clareza, para que então uma das partes possa prestar os devidos esclarecimentos. (...) 36. Estando os documentos organizados corretamente, cabe à autoridade julgadora apreciá-los, tal como foi executado no julgamento de primeira instância. Não há impedimento ao julgamento nesse ponto, bastando a análise do mérito. 2 (este Relator atual assumiu a relatoria somente a partir do momento da saída do último deles do CARF) Fl. 58047DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 37. Diante da fundamentação exposta, com o devido respeito, a unidade de origem abstém-se de executar as solicitações da Resolução do CARF desprovidas de amparo legal”. (este destaque foi acrescido). Pois bem, a respeito deste comportamento da Autoridade Fiscal que presidiu a última diligência, deixo de tecer maiores considerações (sem prejuízo de que possa ser objeto de análise em outro ambiente), até porque, embora raro, não é um procedimento inédito no CARF de modo geral e nesta Turma em particular, sendo exemplo o Acórdão nº 1402-001.969, de 08/12/2015 (Processo nº 10166.728246/2011-71), relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, hoje presidente da 1ª Seção de Julgamento, cujo voto bem retrata o cenário enfrentado à época e que, com as adaptações devidas e respeitando o respectivo viés, em tudo perfila com o contexto aqui presente, de modo que faço minhas as palavras daquele Relator no referido PA para consignar a ocorrência que se estampa neste agora em julgamento (todos os destaques são do original): “Em sede de recurso voluntário, conforme já esclarecido na resolução 1402- 000.307, foram anexados aos autos 41 volumes de documentos que, a bem da verdade, buscam rebater os argumentos contidos na decisão de primeira instância a respeito da parcela dos depósitos não considerados como comprovados, ou seja, o montante mantido como receita omitida. Compulsando os elementos complementares de prova concluiu-se serem verossímeis as alegações da recorrente, e, com base em tal juízo de valor, determinou-se à unidade de origem que analisasse a documentação, cotejando-a com os demais elementos constantes dos autos. Contudo, a autoridade fiscal responsável pelo cumprimento da diligência, negou-se a realizá-la, fazendo considerações peculiares, a saber: - impossibilidade de decidir questão de direito em procedimento de diligência; - princípio da verdade material não seria aplicável neste processo por não ter sido definitivamente julgado e inexistir acórdão decidindo questão de direito, bem como a matéria poder ainda ser analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, concluindo que em razão disso, a autoridade tributária não estaria vinculada a esse princípio; - os documentos apresentados em desacordo com os prazos processuais não devem ser considerados, tendo em vista o entendimento da RFB de que não seria possível flexibilizar a preclusão contida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 (entendimento que não poderia ser suplantado por resolução, que se trata de decisão interlocutória sem efeito vinculante nos termos do Regimento Interno do CARF); - que o julgamento pelo CARF baseado em documentação apresentada após a impugnação, sem que essa tenha sido analisada pela Delegacia de julgamento, implicaria a supressão de instância. Fl. 58048DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 Ocorre que, segundo o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Longe de se discutir questões de ordem hierárquica, fica evidente que o legislador deixou suficientemente claro que uma vez decidido pelos órgãos julgadores a necessidade de diligência, deveria a autoridade fiscal incumbida de sua realização proceder conforme a decisão. Veja-se que a própria Receita Federal do Brasil também comunga de tal entendimento. Por exemplo, em recente Portaria editada pelo Subsecretário de Fiscalização a respeito do planejamento, diretrizes e metas para as atividades da Fiscalização para o ano de 2016 (Portaria RFB/Sufis nº 1.567, de 13 de novembro de 2015), assim dispõe o § 4º de seu art.2º: § 4º Os procedimentos de diligências requeridos pelos órgãos de julgamento, PGFN e o Poder Judiciário na fase de contencioso, administrativo ou judicial deverão ser executados por Auditor-Fiscal da unidade de jurisdição atual do sujeito passivo ou pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo lançamento. [grifos nossos] Como não poderia deixar de ser, tal Portaria é taxativa: os procedimentos de diligência requeridos pelos órgãos de julgamento deverão ser executados pela unidade de origem. Por fim, corroborando o até aqui exposto, destaco a redação do § 3º do art. 35 do Decreto nº 7574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União: § 3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. [grifos nossos] Ainda a respeito dos argumentos expedidos pela autoridade fiscal que negou-se a realizar a diligência, outros aspectos merecem ainda ser analisados. Esclarece-se que não se solicitou qualquer decisão em matéria de direito, mas simplesmente a análise dos elementos de fato trazidos aos autos pela recorrente a fim de rebater os argumentos que embasam a decisão de primeira instância. A respeito da não vinculação da autoridade tributária ao princípio da verdade material, não compete à autoridade encarregada da realização de diligência discutir se a decisão está ou não correta. Esperava-se, isso sim, que se procedesse conforme determinado pela turma julgadora, determinação essa que emana de poder advindo de lei (art. 29 do Decreto nº 70.235/72). Sobre a inexistência de questão de direito decidida em acórdão e sobre a ausência de efeito vinculante das resoluções, trata-se de argumentos desconexos Fl. 58049DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 e talvez inéditos no âmbito processo administrativo fiscal. É possível que o Auditor Fiscal responsável pela diligência, ou melhor, pela não realização da diligência, não tenha percebido que quando o Regimento Interno do CARF faz menção a efeitos vinculantes (Súmulas aprovadas pelo Ministro da Fazenda vinculam toda a Administração Tributária Federal, e, se não aprovadas, ou tratando-se Resoluções do Pleno, vinculam os membros do CARF), não está se referindo ao caso concreto, mas sim nas questões de direito a serem aplicadas em todos os processos. A resolução emanada pelas turmas julgadoras possui, por si só, e, conforme dito, em decorrência de lei, efeitos cogentes em relação à unidade preparadora, mas o responsável por cumpri-la, interpretando a decisão e o Regimento Interno do CARF de maneira absolutamente equivocada, entendeu por bem descumprir o que fora requerido por este Colegiado. A respeito do argumento sobre possível supressão de instância levantada pela autoridade fiscal, além de ser matéria estranha ao determinado em diligência, não se aplica ao caso. Determinar que a delegacia de julgamento se pronunciasse sobre documentos anexados aos autos para atacar a sua própria decisão feriria um princípio que até o mais leigo entenderia: o do bom senso, ou, juridicizando-o, o princípio da razoabilidade”. Pela pertinência, faço questão de pinçar o seguinte excerto do brilhante voto acima transcrito: Sobre a inexistência de questão de direito decidida em acórdão e sobre a ausência de efeito vinculante das resoluções, trata-se de argumentos desconexos e talvez inéditos no âmbito processo administrativo fiscal. É possível que o Auditor Fiscal responsável pela diligência, ou melhor, pela não realização da diligência, não tenha percebido que quando o Regimento Interno do CARF faz menção a efeitos vinculantes (Súmulas aprovadas pelo Ministro da Fazenda vinculam toda a Administração Tributária Federal, e, se não aprovadas, ou tratando-se Resoluções do Pleno, vinculam os membros do CARF), não está se referindo ao caso concreto, mas sim nas questões de direito a serem aplicadas em todos os processos. A resolução emanada pelas turmas julgadoras possui, por si só, e, conforme dito, em decorrência de lei, efeitos cogentes em relação à unidade preparadora, mas o responsável por cumpri-la, interpretando a decisão e o Regimento Interno do CARF de maneira absolutamente equivocada, entendeu por bem descumprir o que fora requerido por este Colegiado. Enfim, penso sem incontroverso que as demandas feitas pelos Relatores anteriores foram pertinentes e visaram chegar à almejada “verdade material”, inerente ao processo administrativo-fiscal, de modo que o não atendimento completo, pela Autoridade Fiscal que presidiu a diligência, do que foi requerido pelo CARF, potencializado pela óbvia desorganização da recorrente em simplesmente juntar 54 caixas de documentos sem lhes dar um mínimo e razoável ordenamento, certamente dificulta a prolação da decisão. Fl. 58050DF CARF MF Original Fl. 14 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 Nesse ponto, impende destacar que a dissertação da Autoridade Fiscal de que “36. Estando os documentos organizados corretamente, cabe à autoridade julgadora apreciá-los, tal como foi executado no julgamento de primeira instância. Não há impedimento ao julgamento nesse ponto, bastando a análise do mérito” fica integralmente soterrada e não reflete a realidade estampada nos autos, visto não haver NADA ORGANIZADO (se assim estivesse, a decisão já teria sido prolatada) e, sim, um amontoado de documentos (54 caixas) desconexos, sem índice, vinculação, planilhamento, junção e comunhão entre os dados, possíveis provas documentais e narrativa discursiva. Por isso – e só por isso – as diligências se mostraram imprescindíveis no entender dos Relatores anteriores. De qualquer modo, deixando de lado as inconclusivas posições assumidas pela Autoridade Fiscal que em nada, absolutamente nada, contribuíram para a elucidação das inúmeras dúvidas suscitadas pela Turma Julgadora e debruçando-me sobre o que interessa e focando apenas no que mostram os autos, conclui ser absolutamente impossível formar convicção para proferir a decisão necessária, justamente pela verdadeira babilônia documental que neles se inserem. Dizendo de modo diverso (e aí concordando nesta parte com a Informação Fiscal da diligência – fls. 58030), “a organização dos documentos que são apresentados ao processo administrativo tributário é obrigação de quem os apresenta. No caso em tela, cabia ao sujeito passivo relacionar, de forma clara e precisa, os documentos apresentados aos fatos geradores presentes nos lançamentos fiscais”, ou seja, não basta a juntada aleatória e dispersa de documentos para comprovar o que se alega, antes é preciso que tenham lógica, ordenamento e correlação com a dissertação trazida nas peças recursais. Nas palavras de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no direito tributário, Editora Noesis, 2005): “Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendo-o com o animus de convencimento”. Não é demais lembrar que, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, compete à parte oferecer precisamente as razões de impugnação, não podendo ser aceita a conduta de indicar algumas divergências e dizer que uma extensa planilha ou documentos juntados em 54 caixas (caso dos autos) demonstraria a ilegitimidade do procedimento fiscal. As argumentações oferecidas devem ser mais detalhadas para que o julgador administrativo não seja impelido a procurar questões que não foram expressamente levantadas pela parte. Na jurisprudência: IRPJ – PROVA – Cumpre à impugnante demonstrar o efeito modificativo ou extintivo do crédito constituído pelo lançamento. Não basta ao impugnante juntar documentos aos autos, sendo indispensável que ele demonstre o efeito probatório por eles produzido. (Acórdão nº 107-07882) Fl. 58051DF CARF MF Original Fl. 15 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 Em suma, o não alinhamento lógico das provas coletadas, dificultando ou quase impedindo a formação da convicção do julgador, teria como consequência o indeferimento do pleito. Todavia, como o presente processo tem as nuances já antes referidas, que culminaram inclusive com a conversão do julgamento em diligência por quatro vezes e a recorrente, ainda que, como dito, tenha simplesmente aportado aos autos milhares de documentos, entendo que, dentro do princípio da busca da verdade material, norteador do processo administrativo-fiscal, deva ser oportunizado à contribuinte a possibilidade de dar ordenamento lógico ao rol probatório apresentado, vinculando os documentos à sua peça recursal, com o fito de demonstrar a correção de seu procedimento. Nessa linha – e definitivamente – entendo deva ser NOVAMENTE convertido em diligência o presente julgamento de forma a oportunizar à recorrente fazer a correlação estrutural lógica entre provas e argumentos e coerente com o raciocínio desenvolvido, tudo de modo a se alinhavar as informações, discursos e documentos dentro de uma coerência regular e necessária de acontecimentos, coisas e pensamentos. Em outro e claro dizer, transformar as manifestações recursais e o extenso rol documental disperso e desconexo, em um conjunto de regras e princípios que visem mostrar, implícita ou explicitamente, o desenvolvimento de uma argumentação ou de um raciocínio e a solução de um problema, de forma que tais assertivas, pressupostos e instruções sejam organizadas e inteligíveis aos fins propostos. Nesse cenário, dento do conceito que guia esta Turma de Julgamento de buscar sempre e sempre, até o limite possível, a verdade material preconizada, dentre outros por Demetrius Nichele Macei 3 , professor universitário e ex-conselheiro desta TO (1402) e da 1ª Turma da CSRF do CARF, voto por converter o julgamento UMA VEZ MAIS em diligência para que a Autoridade Tributária a quem for distribuído o presente processo SIMPLESMENTE proceda à intimação da recorrente para que atenda àquilo que vai abaixo determinado por este Colegiado, abstendo-se de fazer ilações e comentários sobre questões legais ou regimentais a 3 Sobre o tema, Demetrius Nichele Macei, em sua obra “A Verdade Material no Direito Tributário” – Malheiros Editores – 2013 – pg. 53 – afirma: “a matéria tributária em si, independentemente do âmbito em que a lide entre contribuinte e Fisco seja travada, (...) já é suficiente para que o princípio adotado seja o da busca pela verdade material em todos os casos”. Igualmente Celso Antonio Bandeira de Mello, recorrendo às lições de Hector Jorge Escola: “no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” (in Curso de Direito Administrativo – 29ª Ed. SP – Malheiros – 2012 – pg. 512). Linha em consonância com a jurisprudência da Corte Administrativa Tributária Federal: “A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação” (Ac. 103-18789 – 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). Fl. 58052DF CARF MF Original Fl. 16 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 respeito da competência deste Tribunal Administrativo Tributário Federal de determinar referido procedimento que visa, em última análise, dar ao administrado e à Administração a devida resposta exigida para um embate que já passa de 15 anos! Mais a mais, bom não olvidar que a doutrina e jurisprudência relativizam a norma do artigo 16, § 4º do PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972) entendendo, justamente pela imperativa necessidade de se buscar a verdade material no processo administrativo-fiscal, que “na esfera administrativa (...), a segunda instância é tão atuante quanto a primeira, no que se refere à busca da verdade, admitindo provas e até em alguns casos a intervenção de terceiros na fase recursal para auxiliar na elucidação dos fatos” (Demetrius Nichele Macei, obra citada – negrito acrescido). Em outro dizer, seria um despropósito negar ao contribuinte a entrega de provas que pudessem elucidar a refrega, ainda que somente o faça na segunda etapa processual e não tenha dado a tais documentos a mínima formatação lógica. Nessa linha, Como leciona Gilson Wessler Michels, em sua didática obra “PAF- Processo Administrativo Fiscal”, (1ª reimpressão -11/2018 – Cenofisco – SP – pg. 156) “a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, a jurisprudência administrativa tem relativizado o princípio da preclusão, admitindo a inovação em casos relacionados a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas”. Mesmo entendimento de Antonio da Silva Cabral (in Processo Administrativo Fiscal – SP – Saraiva – 1993 - pg. 75): No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. E, na mesma linha, Hely Lopes Mirelles: O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valer-se de qualquer prova que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal.(Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo, RT, 16ª edição, 1991, Pág. 581). CONCLUSÃO Assim, por tudo o que foi exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Tributária de jurisdição da recorrente ou quem lhe faça as vezes, dentro da nova estrutura da Receita Federal, intime a recorrente a ordenar as provas que entendeu lhe aproveitar e que trouxe nesta fase recursal, vinculando-as aos argumentos expendidos no recurso voluntário, dando-lhes uma formatação lógica e coerente de forma a permitir ao colegiado a sua apreciação e delas tirar a subsequente conclusão. Então, considerando estar-se diante de milhares de documentos, entendo que o prazo a ser concedido para tal mister deva se estender por noventa dias, prorrogáveis por mais trinta, como, aliás, constou da última Resolução (fls. 58003/58020), devendo a Fiscalização Fl. 58053DF CARF MF Original Fl. 17 da Resolução n.º 1402-001.741 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.003832/2007-20 providenciar intimação neste sentido, ALERTANDO A CONTRIBUINTE de que a não elaboração de roteiro e ordenamento lógico das provas implicará no julgamento do processo na forma em que se encontra. Findo tal prazo, com ou sem o atendimento por parte da interessada, os autos devem voltar ao CARF para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 58054DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901358/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente Resolução.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.901358/201246 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.153 – 2ª Turma Especial Data 25 de fevereiro de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente PARA AUTOMOVEIS LTDA Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos,em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente Resolução. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB n° 87.168 MG. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1445.368, da 14a Turma da DRJ Ribeirão Preto (DRJ/RPO fls. 52/55 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 01 35 8/ 20 12 -4 6 Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.901358/201246 Resolução nº 3802000.153 S3TE02 Fl. 122 2 interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 36578.04650.101108.1.3.043082 (fl. 4/7), onde a análise do direito creditório está limitada ao valor do “crédito original na data de transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 7.338,18 (COFINS). Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que (...) nenhuma providência foi tomada no sentido de sanar as irregularidades, o que motivou o indeferimento. Portanto, dado o fundamento fático do Despacho Decisório, qual seja, a inexistência do documento de arrecadação em que se materializaria o crédito reivindicado, os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade são ineptos na medida em que não conseguem responder às razões da Administração Tributária para indeferir o pleito. Com efeito, se não está comprovada nem mesmo a existência do recolhimento, não há como discutir a tese de direito que daria suporte ao crédito. A ciência da decisão que indeferiu o pedido da recorrente ocorreu em 13/11/2013 (fls. 60). Inconformada, a mesma apresentou, em 13/12/2013, o recurso voluntário de fls. 62/74, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o mencionado equívoco consiste no fato de que, a recorrente, ao preencher o DARF indicado no pedido de restituição, no campo destinado à indicação da data do vencimento, ao invés de informar a sua efetiva data de ocorrência, qual seja, 10.7.1999, fez constar, equivocadamente, a data correspondente à data do pagamento do tributo, qual seja, 08.7.1999; que apresentou planilha de cálculo, livro diário, termo de abertura e encerramento, referente ao período sob judice; portanto, o acórdão recorrido não reúne mínimas condições de prosperar, na medida em que contrariou a legislação tributária em vigor, assim como a jurisprudência; que os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09). Juntou ao processo, cópias dos seguintes documentos: extrato de Documento de Arrecadação (fl. 82), planilha de cálculo (fl. 83), cópia do Balancete de Verificação (fls.84) e do Livro Razão (fl. 85/88). Requer, ao final, que em observância ao princípio da economia processual, por tratarem do mesmo objeto, a reunião dos processos que relaciona e que seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.901358/201246 Resolução nº 3802000.153 S3TE02 Fl. 123 3 O recurso voluntário há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. No que tange ao pedido de reunião de processos administrativos pela identidade da matéria neles tratadas, tal assunto se encontra recepcionado pelo art. 6º, Anexo II, do RI CARF (Portaria MF nº 256/2009), no entanto adotamos a mesma posição já destacada pela decisão a quo: (...) “que a execução das atividades de preparação de processos, e de controle/cobrança dos respectivos créditos tributários é de competência regimental da DRF jurisdicionante”. (...) Considerandose que muitos processos da contribuinte foram encaminhados para apreciação desta Delegacia de Julgamento, e que, embora não estejam reunidos, estão individualizadamente prontos para apreciação nesta instância, entendo que restituílos neste momento para que aquela unidade aprecie a possibilidade de juntada vai contra os princípios da economia processual e celeridade mencionados pela interessada. Por outro lado, o julgamento dos autos assim separados, ainda que tratem de mesma matéria, não traz qualquer prejuízo à defesa da contribuinte. Dessa forma, deixase de atender à solicitação da contribuinte, mas assinalase à DRF de origem que verifique a possibilidade de juntada quando do preparo dos autos para a etapa que sucederá este julgamento “ (...). Quanto ao mérito, a discussão se limita a dois pontos básicos, quais sejam: a) que não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal e, b) quanto à análise do direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, uma vez que nos autos não se faz referência a insuficiência probatória do crédito guerreado. A seguir, passaremos a análise dos dois itens apontados. a) da não localização nos sistemas da RFB do DARF discriminado no PER/DCOMP. Preliminarmente, verificase que a recorrente alega irregularidade na decisão proferida pela autoridade fiscal que por si só ensejaria o seu cancelamento, pois não se teria examinado concretamente o seu direito de crédito. Desta forma, quanto ao levantamento do crédito, prejudicado pela não localização do DARF nos sistemas da RFB, em favor da interessada, nada foi analisado pela decisão de 1ª instancia a respeito dessa questão, posto que o litígio se restringiu à questão dada pelo fundamento fático do Despacho Decisório, qual seja, a inexistência do documento de arrecadação em que se materializaria o crédito reivindicado em que os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade foram ineptos na medida em que não conseguiu responder às razões da Administração Tributária para indeferir o pleito. Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.901358/201246 Resolução nº 3802000.153 S3TE02 Fl. 124 4 Nesse tópico, tomamos emprestado trecho da decisão prolatada pela DRJ/RPO, esclarecendo conforme a seguir: (...) “Não obstante, nenhuma irregularidade se vislumbra no procedimento adotado, tendo em vista que o exame fiscal decorreu das informações prestadas pela própria contribuinte à Administração Tributária, que revelaram que o crédito pleiteado não existia, e portanto, não havia crédito liquido e certo passível de restituição ou compensação. Além disso, registrese que no caso em tela houve intimação prévia ao despacho decisório notificando a contribuinte acerca da não confirmação dos dados do DARF por ela informado no PER/DCOMP (vide despacho decisório). No entanto, nenhuma providência foi tomada no sentido de sanar as irregularidades, o que motivou o indeferimento”. No entanto, a recorrente em seu recurso voluntário, alega que ocorreu um mencionado equívoco e que o mesmo consiste no fato de que, a recorrente, ao preencher o DARF indicado no pedido de restituição, no campo destinado à indicação da data do vencimento, ao invés de informar a sua efetiva data de ocorrência, qual seja, 10.7.1999, fez constar, equivocadamente, a data correspondente à data do vencimento do tributo, qual seja, 8.7.1999. Junta aos autos cópia do Documento de Arrecadação (fl. 82), quadro demonstrativo das receitas financeiras, com as alíquotas e os valores das bases de cálculos do PIS e da COFINS (fl. 83) e cópia do balancete de verificação e do razão (fl. 84). Como podemos observar no referido Comprovante Arrecadação, o valor pago informado é de R$ 12.457,34 (código 2172), sendo este o mesmo valor analisado pelo despacho decisório da DRF de origem (fl. 2). Ressaltamos que na argumentação apresentada pela recorrente em seu recurso (fl. 68), os períodos citados foram os seguintes: 10/07/1999 e 8/07/1999, no entanto no referido Comprovante de Arrecadação juntado aos autos (fl. 82), se refere ao período de apuração: 30/06/1999, sendo a data de arrecadação 08/07/1999 e data de vencimento: 08/07/1999. b) da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.901358/201246 Resolução nº 3802000.153 S3TE02 Fl. 125 5 Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.901358/201246 Resolução nº 3802000.153 S3TE02 Fl. 126 6 a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Tal dispositivo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. Assim, superada a aduzida questão de direito em favor do sujeito passivo (item “b” deste relatório), e considerando que não há nos autos elementos suficientes para o exame do montante do crédito em favor da recorrente, deverão os autos ser remetidos à autoridade administrativa responsável pelo indeferimento inicial da compensação, para que esta se pronuncie sobre o direito creditório reclamado pela interessada, como também, verificar 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC nº 20/98. Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.901358/201246 Resolução nº 3802000.153 S3TE02 Fl. 127 7 se houve o alegado erro de preenchimento do DARF (item “a” deste relatório), apresentando demonstrativo, acaso necessário, do crédito tributário remanescente. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que: 1. A Delegacia de origem examine a liquidez, certeza e disponibilidade dos créditos aludidos, considerando o decidido no item “b” e verificando a veracidade do suposto equívoco apontado pela empresa descrito no item “a” deste voto. 2. Abra prazo para a contribuinte se manifestar. 3. Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15431.7UJA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR NAVARRO BEZERRA em 09/03/2014 20:58:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR NAVARRO BEZERRA em 14/03/2014. Documento assinado digitalmente por: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 19/03/2014 e WALDIR NAVARRO BEZERRA em 14/03/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0221.15431.7UJA Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7C2B6947B052C159FB24F647F3F6A615FA0FD54B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10850.901358/2012-46. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10120.910686/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF)
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. INCORPORAÇÃO. EFEITOS JURÍDICOS.
Se os atos societários atinentes à incorporação foram devidamente arquivados na Junta Comercial, cumpridas as obrigações acessórias comunicando a incorporação e providenciada a baixa do CNPJ da empresa incorporada junto à Receita Federal, não há como negar os efeitos jurídicos dessa incorporação, dentre os quais o direito da incorporadora de compensar créditos antes pertencentes à incorporada.
ILEGITIMIDADE ATIVA. PRELIMINAR IMPROCEDENTE. RETORNO DOS AUTOS. MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Não procedendo a preliminar de ilegitimidade ativa da recorrente para pleitear compensação de tributos recolhidos indevidamente, impõe-se a restituição dos autos à instância de piso, para que prossiga no julgamento do mérito, evitada assim a indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 3402-010.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à instância de piso para que seja realizado novo julgamento, com a análise do mérito do direito creditório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.465, de 27 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.910669/2009-45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF) Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. INCORPORAÇÃO. EFEITOS JURÍDICOS. Se os atos societários atinentes à incorporação foram devidamente arquivados na Junta Comercial, cumpridas as obrigações acessórias comunicando a incorporação e providenciada a baixa do CNPJ da empresa incorporada junto à Receita Federal, não há como negar os efeitos jurídicos dessa incorporação, dentre os quais o direito da incorporadora de compensar créditos antes pertencentes à incorporada. ILEGITIMIDADE ATIVA. PRELIMINAR IMPROCEDENTE. RETORNO DOS AUTOS. MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Não procedendo a preliminar de ilegitimidade ativa da recorrente para pleitear compensação de tributos recolhidos indevidamente, impõe-se a restituição dos autos à instância de piso, para que prossiga no julgamento do mérito, evitada assim a indevida supressão de instância.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à instância de piso para que seja realizado novo julgamento, com a análise do mérito do direito creditório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.465, de 27 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.910669/2009-45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
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INCORPORAÇÃO. EFEITOS JURÍDICOS. Se os atos societários atinentes à incorporação foram devidamente arquivados na Junta Comercial, cumpridas as obrigações acessórias comunicando a incorporação e providenciada a baixa do CNPJ da empresa incorporada junto à Receita Federal, não há como negar os efeitos jurídicos dessa incorporação, dentre os quais o direito da incorporadora de compensar créditos antes pertencentes à incorporada. ILEGITIMIDADE ATIVA. PRELIMINAR IMPROCEDENTE. RETORNO DOS AUTOS. MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Não procedendo a preliminar de ilegitimidade ativa da recorrente para pleitear compensação de tributos recolhidos indevidamente, impõe-se a restituição dos autos à instância de piso, para que prossiga no julgamento do mérito, evitada assim a indevida supressão de instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à instância de piso para que seja realizado novo julgamento, com a análise do mérito do direito creditório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.465, de 27 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.910669/2009-45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 06 86 /2 00 9- 82 Fl. 132DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.472 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.910686/2009-82 Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo do Perdcomp 07534.71920.151206.1.3.04-2038, fls. 17/22, no qual o Interessado declara a quitação de débito de COFINS, através de Crédito de “Pagamento Indevido ou a Maior” de IOF (cód. 1150). A compensação não foi homologada, conforme despacho decisório datado de 11/08/2009, fl. 13, pois o DARF 4707022768 foi integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte (PA 30/09/2004, cód. 1150). O interessado tomou ciência da decisão, via AR, e apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese o seguinte: A Requerente é contribuinte do IOF, vez que realiza operações de mútuo entre pessoas jurídicas, realizado por meio de conta-corrente. Para o caso em questão, a Requerente calculou e cobrou IOF no 1º dia útil do mês subsequente àquele a que se referia, relativamente a cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o mês, pelo somatório dos saldos diários recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente, utilizando como BC o saldo acumulado do mês anterior. Para o caso em questão, a requerente tinha dúvida quanto a correta composição da BC do IOF e, visando sanar a dúvida formulou consulta, via processo 13126.000230/2005-17, junto a SRRF da 1ª Região. Em 11/09/2006 foi exarada a Solução de Consulta nº 101 (cópia anexa), a qual firmou entendimento que no referido caso a BC para a apuração do IOF seria o somatório de cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o mês, sem a utilização de saldos anteriores. De acordo com a Solução de Consulta nº 101, a Requerente recolheu IOF a maior em vários períodos, pois estava usando como BC os valores acumulados mês a mês, enquanto que, de acordo com a solução da consulta o correto seria o saldo dos valores entregues ao mutuário durante o mês. A Requerente então fez o levantamento dos valores recolhidos a maior e optou pela compensação, nos termos da IN/SRF nº 600/05. Todavia, esqueceu-se de retificar a DCTF, o que só foi efetuado em 03/09/2009, alterando o débito de R$ 93.678,80 para R$ 744,39. Requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação integral da compensação. Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.472 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.910686/2009-82 A DRJ proferiu o Acórdão nº 12-73.399, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender tratar-se de caso de ilegitimidade ativa, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 IOF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA. Poderá declarar compensação de débito utilizando crédito de IOF quem prove haver assumido o ônus do recolhimento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. Quanto à questão da ilegitimidade ativa, assevera que trata-se de situação peculiar, uma vez que os contratos de mútuo que deram origem aos créditos pleiteados foram celebrados com a empresa Caramuru Comércio de Cereais Ltda, incorporada pela recorrente. Junto ao recurso interposto apresenta novos documentos, que comprovariam a operação de incorporação, afirmando ainda que tal informação não havia sido fornecida quando da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o objeto do presente processo é um pedido de restituição associado a declaração de compensação (PER/DCOMP) que tem como lastro creditório o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) incidente nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas. A recorrente informa ter sido surpreendida pelo Despacho Decisório Eletrônico que homologou parcialmente a compensação pretendida, gerando uma cobrança à título de débitos indevidamente compensados de PIS/Pasep no valor principal de R$ 92.532,09, acrescido de multa e juros. Em sua defesa, alega que de acordo com a Solução de Consulta SRRF01 nº 101, de 11/09/2006 (fls. 29 a 31), reteve o IOF a maior em vários períodos, pois estava utilizando base de cálculo equivocada para a apuração do imposto. Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.472 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.910686/2009-82 Diante de tal entendimento, teria efetuado o levantamento dos valores recolhidos a maior, optando pela compensação de débitos nos termos da IN SRF nº 600/2005. Afirma ainda que a não homologação da compensação ocorreu exclusivamente porque não houve retificação de DCTF no período. No entanto, quando do julgamento de primeira instância, a 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro não analisou o mérito da manifestação de inconformidade, sob o argumento de ilegitimidade ativa da recorrente. Nesse sentido, a própria interessada admite (fl. 94) que “não constava nos autos documentos informando a incorporação da mutuaria pela Recorrente”. Tal deficiência foi sanada no presente Recurso Voluntário, tendo a recorrente juntado aos autos: Ata de Reunião da Assembleia Geral Extraordinária que deliberou sobre a incorporação (fls. 105 a 107), Contrato de Mútuo (fls. 108/109), Certidão de Baixa do CNPJ e o Comprovante de Situação Cadastral da empresa incorporada (fls. 110/111), Ata de Reunião de Sócios da incorporada (fls. 112/113), Protocolo e Justificação para Incorporação (fls. 114 a 119), Laudo de Avaliação Patrimonial da incorporada (fls. 120 a 123), e fichas financeiras de cálculo do IOF e das operações de mútuo realizadas (fls. 124 e 125). Diante da documentação acostada aos autos, é fato incontroverso que a empresa Caramuru Comércio de Cereais Ltda (mutuaria) foi incorporada pela recorrente, Caramuru Alimentos S/A (mutuante). Na forma do art. 1.116 do Código Civil, a incorporação tem por efeito imediato transmitir todos os direitos e obrigações da sucedida à sucessora, in verbis: Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprová-la, na forma estabelecida para os respectivos tipos. Assim também determina o art. 227 da Lei nº 6.404/1976: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléia-geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléia-geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Na incorporação ocorre a unificação dos patrimônios, sendo que o patrimônio da empresa incorporada é consolidado ao da incorporadora, que a sucede universalmente. Com a sucessão universal, a incorporadora passa a ser titular de todos os bens, direitos e obrigações que compunham o patrimônio da incorporada, que deixa de existir. Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.472 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.910686/2009-82 Se os atos societários atinentes à incorporação foram devidamente arquivados na Junta Comercial, cumpridas as obrigações acessórias comunicando a incorporação e providenciada a baixa do CNPJ da empresa incorporada junto à Receita Federal, não há como negar os efeitos jurídicos dessa incorporação, dentre os quais o direito da incorporadora de compensar créditos antes pertencentes à incorporada. Portanto, superada a preliminar de ilegitimidade ativa da recorrente. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à instância de piso para que seja realizado novo julgamento, com a análise do mérito do direito creditório. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à instância de piso para que seja realizado novo julgamento, com a análise do mérito do direito creditório. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 136DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13527.000087/2001-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF,
aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a IN SRF 23/97 extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF,
aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizálos
monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco
Numero da decisão: 3201-000.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a IN SRF 23/97 extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco
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AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a IN SRF 23/97 extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN 2 Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 12/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Daniel Mariz Gudiño. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: O estabelecimento acima identificado formalizou pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base na lei n° 9.363, de 1996 e portaria MF n° 38, de 1997, como ressarcimento das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins incidentes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, relativos ao 2° trimestre de 2001, no valor de R$ 256.289,34, fl. 01, cumulado com os pedidos de compensação de fls. 17, 19, 22, 26 e 285. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 171/172, a fiscal diligente descreve que a interessada adquiriu matériaprima de pessoas fisicas, de pessoas jurídicas cooperativas e de pessoa jurídica, e que a maior parte dos seus fornecedores estão INATIVOS ou são optantes pelo SIMPLES. Entende que apenas os produtores/exportadores que comprarem insumos nacionais de fornecedores que sofrem incidência do PIS/Pasep e da Cofins podem ser beneficiados com a concessão dos créditos presumidos de IPI, não podendo ser estendido tal beneficio aos exportadores que adquirem de fornecedores isentos do PIS/Pasep e da Cofins, bem como das pessoas físicas. Conclui propondo a glosa dos valores solicitados nos pedidos de ressarcimento. A DRF/Feira de Santana indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento pleiteado e determinou o arquivamento do processo, com base no relatório de diligência fiscal, fls. 171/172, e no parecer às fls. 173 a 175, conforme Despacho Decisório, fl. 176, emitido em 26/02/2003. Cientificada da decisão em 10/10/2003, fl. 178, a contribuinte apresentou, em 11/11/2003, manifestação de inconformidade de folhas 179 a 183, alegando, em síntese que: • formulou o pedido com base apenas em valores referentes às aquisições de pessoas jurídicas Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN Processo nº 13527.000087/200117 Acórdão n.º 320100.742 S3C2T1 Fl. 309 3 normalmente tributadas pelo PIS e COFINS, não estando incluídos nenhum valor referente às aquisições feitas junto a pessoas físicas e/ou cooperativas, conforme planilhas de cálculos e cópias das notas fiscais anexadas ao processo; • causa estranheza o relatório de diligência fiscal a que se refere o parecer que acompanha o despacho decisório. Uma, por não ter conhecimento dos seus termos, pois não foi cientificada do resultado da diligencia fiscal e duas, por estar o mesmo em desacordo com os fatos e elementos probatórios anexados ao processo e colocados à disposição do fiscal; • com base na legislação vigente, principalmente no art. 1° da lei n° 9.363, de 1996 e nas IN SRF n° 23, de 1997 e 103, de 1997, e tendo em vista a vasta documentação apresentada e o fato de a requerente industrializar e exportar produtos cujos insumos são onerados pelo PIS e pela COFINS, está ela "apta a requerer o beneficio fiscal do crédito presumido na forma do disposto no art. 1° da Lei 9363/96"; • não está discutindo o direito de pleitear o crédito presumido. No presente caso, "a discussão resumese aos elementos de prova anexados ao processo", os quais deixam evidente o acerto da interessada em requerer o beneficio fiscal pretendido; • por fim, requer que a impugnação seja julgada procedente e reformulado o despacho decisório da DRF/FSA, sendo deferido o pedido de ressarcimento no valor de R$ 256.289,34, acrescido da taxa SELIC desde a apuração do crédito até o efetivo ressarcimento. Em 04/02/2005, foi determinada a realização de diligência pela DRJ/Recife, conforme resolução n° 00289, fls. 189 a 193, para: 1. analisar a documentação que instruiu o processo e proceder todas as verificação necessárias a identificação do valor passível de ressarcimento, reintimando a contribuinte, caso necessário, a apresentar documentos ou informações adicionais; 2. caso se confirme, integral ou parcialmente, a glosa com relação ao valor requerido, identificar e apontar através de demonstrativo quais os fornecedores, as notas fiscais e os valores objeto de glosa e expor, com todas as minucias e provas, o respectivo fundamento; 3. submeter o relatório à autoridade competente, que, ao decidir justificadamente sobre o ressarcimento solicitado, poderá manter ou reformar o despacho decisório de fl. 176; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN 4 4. cientificar o sujeito passivo das providencias adotadas, para, se assim o desejar, aditar a manifestação de inconformidade no prazo legal de 30 dias. No termo de encerramento de diligência fiscal, fls. 247/248, o fiscal diligente relata que: a) a contribuinte incluiu as aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido de IPI e no valor do estoque inicial anual dos insumos para o anocalendário de 2001, para o cálculo do consumo na produção; b) os valores das transferências da filial foram parcialmente desconsiderados, por se tratarem de matériasprimas adquiridas de pessoas físicas, conforme planilhas anexas. Todas as notas de transferência são de emissão da filial e estão em nome de pessoas físicas; c) os valores referentes a materiais secundários e material de embalagem foram integralmente aceitos, pois não constavam valores de aquisição junto a pessoas físicas ou cooperativas; d) considerando que as glosas referemse somente a matérias primas, o rateio foi aplicado apenas às materiasprimas dos estoques finais; e) o valor do crédito presumido apurado nesta diligência fiscal para o 2° trimestres do anocalendário de 2001 foi de R$ 233.105,37. A contribuinte, cientificada da diligência fiscal em 23/07/2008, apresentou manifestação de inconformidade em 13/08/2008, alegando em síntese que: • adquire sua matériaprima principal (couros e peles de caprinos) de pessoas físicas. Explica que estas mercadorias são adquiridas, na feira, por comerciantes (intermediários) que as revendem para a indústria, mediante a emissão de nota fiscal avulsa de venda; • dessa forma, o indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento decorre — quase na sua totalidade — da exclusão dos valores relativamente às referidas aquisições de pessoas físicas, sendo pouco representativo — no contexto geral — as aquisições de cooperativas e empresas optantes pelo SIMPLES. • as Instruções Normativas SRF n°s 23/1997 e 103/1997 extrapolaram os limites fixados pelo legislador, na medida que excluíram as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, da base de cálculo do benefício do crédito presumido, uma vez que o disposto no artigo 1° da Lei n° 9.363, de 1996, não estabelece nenhuma restrição, quaisquer aquisições de matéria prima, materiais de embalagens e produtos intermediários devem ser consideradas para fins de apuração do valor do benefício fiscal; não cabe, pois, ao intérprete criar uma exceção não contida no texto legal, isto é, não é Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN Processo nº 13527.000087/200117 Acórdão n.º 320100.742 S3C2T1 Fl. 310 5 juridicamente válido sustentar que apenas as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas fazem jus ao benefício, posto que isso implicaria afronta ao princípio da legalidade, bem como afronta ao disposto no art. 100 do CTN. • descreve sobre ato administrativo e seus pressupostos de validade, sobre o princípio da legalidade e da impossibilidade de que normas complementares contrariem as leis que visam regulamentar, nesse sentido cita e transcreve decisões judiciais e administrativas (Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais), que corroboram com sua tese. • por fim, requer que a impugnação seja julgada procedente, com vistas a ser deferido integralmente o ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo a contribuição para o PIS e COFINS no valor de R$ 23.183,97. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 12/11/2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1517.516 (fls. 287/290v): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. EXCLUSÃO. Por falta de autorização legal, excluemse da base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de atos regularmente editados. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN 6 Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre os valores a ser objeto de ressarcimento. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n°1517.516, em 09/12/2008 (f1. 294), tendo protocolado seu recurso voluntário em 19/12/2008 (fls. 295/306), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade (fls. 179/183). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. A discussão em tela cingese ao crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas de pessoas físicas e à atualização do referido crédito para fins de ressarcimento. O primeiro desdobramento da discussão, qual seja a restrição do crédito presumido de IPI por meio de ato infralegal relativamente a matériasprimas adquiridas de pessoas físicas, é objeto do Recurso Especial nº 993.164 sobre o qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça aplicou o regime dos recursos repetitivos de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil. É o que se depreende da ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN Processo nº 13527.000087/200117 Acórdão n.º 320100.742 S3C2T1 Fl. 311 7 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nªs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN 8 produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN Processo nº 13527.000087/200117 Acórdão n.º 320100.742 S3C2T1 Fl. 312 9 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Assim, com base no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, é forçoso reconhecer o direito da Recorrente ao crédito presumido de IPI por ela pleiteado, ainda que seja decorrente da aquisição de matéria prima de pessoas físicas. No tocante à atualização dos créditos objeto do pedido de ressarcimento da Recorrente – segundo desdobramento da discussão em tela –, há também decisão em sede de recurso repetitivo proferida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847, cuja ementa transcrevo abaixo: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN 10 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Assim, com base no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e reproduzindo parte da ementa acima transcrita, entendo que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente para reconhecer o seu direito aos créditos cujo ressarcimento fora pleiteado, com a devida atualização. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN Processo nº 13527.000087/200117 Acórdão n.º 320100.742 S3C2T1 Fl. 313 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCOND ES ARMAN
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Numero do processo: 10680.903216/2008-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/05/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a titularidade de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, relativo a tributo administrado pelo referido Órgão, é um dos requisitos necessários para realização da autocompensação declarada (art. 170 do CTN, combinado com o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação). Dessa forma, se comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados em Declaração de Compensação (DComp), consequentemente, o respectivo procedimento compensatório deve ser declarado não homologado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/05/2002
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E
FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO.
INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.909
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/05/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a titularidade de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, relativo a tributo administrado pelo referido Órgão, é um dos requisitos necessários para realização da autocompensação declarada (art. 170 do CTN, combinado com o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação). Dessa forma, se comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados em Declaração de Compensação (DComp), consequentemente, o respectivo procedimento compensatório deve ser declarado não homologado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/05/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a titularidade de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, relativo a tributo administrado pelo referido Órgão, é um dos requisitos necessários para realização da autocompensação declarada (art. 170 do CTN, combinado com o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação). Dessa forma, se comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados em Declaração de Compensação (DComp), consequentemente, o respectivo procedimento compensatório deve ser declarado não homologado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 05/04/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 02-27.925, de 02 de agosto de 2010, proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/05/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos que ocorreram até a prolação do referido Acórdão, transcrevo a seguir o relatório do julgador de primeiro grau: O interessado transmitiu PER/DCOMP de fls.17/19, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao período de 31/05/2002. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.903216/2008-36 Acórdão n.º 3802-00.909 S3-TE02 Fl. 2 3 A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 16) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte - no presente caso, a própria contribuição devida no período - não restando, portanto, saldo creditório disponível. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/15, com os argumentos a seguir sintetizados. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo e com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que transcreve, aduz ser o procedimento de compensação um ato que tem presunção de validade, porquanto a lei autoriza o contribuinte a fazer um juízo de valor, por sua conta e risco, acerca de um pagamento eventualmente feito de maneira indevida ou a maior, cabendo ao fisco motivar adequadamente o indeferimento do pleito, que no presente caso entende vazio, desprovido de fundamento, pelo que argúi a nulidade do despacho decisório, uma vez que tal fato viola também os princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, pela Constituição Federal. Em 11/02/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 01/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. No final requereu o provimento do citado Recurso, para que fosse declarado nulo o despacho decisório ou homologada as compensações realizadas. Em 25/05/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de novembro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive no que tange ao limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Em sede de preliminar, o cerne da presente controvérsia limita-se a legalidade do Despacho Decisório colacionados aos autos (fl. 16), em que o Titular da Unidade da Receita Federal de origem, não homologou a compensação declarada pela Recorrente, com base no argumento que não existia o crédito informado, haja vista que já havia sido integralmente utilizado no pagamento de outro débito da própria Recorrente. No presente Recurso, a Interessada pleiteou a nulidade do citado Despacho Decisório sob alegação de que houve cerceamento do direito de defesa e afronta ao contraditório, com base no argumento que não houve exposição das razões de fato e direito que motivaram a referida decisão. Não procede a presente alegação, com a devida vênia. A uma, porque a decisão questionada foi devidamente motivada, conforme reconheceu a própria Recorrente no excerto a seguir transcrito: Como no presente caso, segundo o Fisco, a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente, evidentemente que tal alegação é nula, tendo em vista ser completamente vazia e desprovida de fundamentação. De fato, ao afirmar que “a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente”, a Recorrente demonstrou que compreendeu o motivo da não homologação da compensação declarada, que foi consignado no tópico da fundamentação do referido Despacho Decisório, com os seguintes termos, in verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, porque o enquadramento legal nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, representa adequada fundamentação legal para a decisão proferida. Dessa forma, diferentemente do que alegou a Recorrente, entendo que o presente Despacho Decisório foi devidamente motivado e fundamentado. Ademais, a Recorrente compreendeu as razões de ordem fática e jurídica da decisão proferida, o que descaracteriza alegação de cerceamento do seu direito de defesa. Também não procede a alegação que houve afronta ao contraditório, haja vista que a Recorrente foi pleno conhecimento do inteiro teor do citado Despacho Decisório, assim como lhe foi facultado a apresentação de manifestação de inconformidade, nos prazos e nos termos dos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, o que foi normalmente exercido, sem nenhum empecilho, conforme demonstram os elementos coligidos aos autos. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Da análise do mérito. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.903216/2008-36 Acórdão n.º 3802-00.909 S3-TE02 Fl. 3 5 Em relação ao mérito, o cerne da presente controvérsia diz respeito a existência ou não do crédito utilizado pelo sujeito passivo na quitação do débito confessado na Declaração de Compensação (DComp) nº 32521.72698.150404.1.3.04-5801 (fls. 17/19), transmitida em 15/04/2004. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a titularidade de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, relativo a tributo administrado pelo referido Órgão, é um dos requisitos necessários para realização da autocompensação declarada, conforme disposto no art. 170 do CTN, combinado com estatuído no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Na presente DComp (fl. 18), foi informado que o crédito utilizado para quitação do débito confessado refere-se ao pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2002, recolhido em 14/06/2002. Acontece que, com base nas informações disponíveis nos sistemas de dados de controle interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi constatado que o referido pagamento era devido e que todo valor informado havia sido integralmente utilizado no pagamento do débito da Cofins do mês de maio de 2002. Esse foi o motivo pelo qual o Titular da Unidade da RFB de origem não homologou o presente procedimento compensatório. É oportuno ressaltar que, no presente caso, foi a própria Recorrente quem apurou e confessou a existência do débito tributário objeto do alegado pagamento indevido, mediante a apresentação da respectiva DCTF que, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Diante dessa circunstância, para reverter a decisão em questão, era imprescindível que a Recorrente apresentasse as provas que o dito pagamento fora indevido. E tal mister seria facilmente realizado mediante a exibição dos documentos e livros fiscais, relativos ao mês de maio do ano de 2002, que representam os documentos hábeis e idôneos para comprovar se houve ou não faturamento no referido mês, que consiste na base de cálculo da referida Contribuição, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. No entanto, ao invés de trazer tal documentação aos autos e assim provar a existência do indébito tributário, a Recorrente alegou, nas duas oportunidades em que exerceu o seu direito de defesa, inclusive, incluindo o presente Recurso, que a autocompensação por ela realizada gozava de presunção de validade, não podendo o Fisco indeferi-la com base na alegação de que não existia o crédito declarado. Evidentemente, essa alegação que a autocompensação (declarada) goza de presunção de validade não tem respaldo jurídico. De fato, é comezinho que a presunção de validade ou legitimidade (juris tantum) é uma prerrogativa exclusiva do ato administrativo emanado do Poder Público, em decorrência direta da sujeição da Administração Pública ao princípio da estrita legalidade, explicitamente previsto no caput do art. 37 da CF/1988, que exige que tais atos sejam expedidos com estrita observância do que determina a lei. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 É oportuno esclarecer que a autocompensação declarada tem natureza de confissão dívida, segundo o disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação que foi atribuída pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Também não procedem as alegações da Recorrente acerca da impossibilidade de retificação da DCTF. Na verdade, diversamente do alegado, há permissão expressa de alteração dos dados da DCTF, conforme estabelecido no artigo 9º e seus parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, e nas Instruções Normativas anteriores que disciplinavam a matéria, a qual se efetiva mediante a entrega, via Internet, da declaração retificadora gerada a partir do PGD DCTF. É oportuno esclarecer que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e pode ser utilizada para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. A DCTF retificadora só não produzirá efeitos quando tiver por objeto: a) reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (i) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; (ii) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou (iii) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. b) alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nos presentes autos, nenhum dessas situações impeditivas ocorreram, portanto, inaplicáveis ao caso tais alegações. Também fica demonstrado a improcedência da alegação de que a apresentação da DComp implica na anulação automática do pagamento do débito informado na DCTF, pois, conforme demonstrado precedentemente a alteração dos débitos declarados na DCTF somente pode ser realizada mediante a entrega da DCTF retificadora. É oportuno ainda ressalta que, além de não ter nenhum amparo legal, no meu entendimento, tais alegações, representa apenas uma tentativa da Recorrente de se eximir do ônus de comprovar o pagamento indevido e, por conseguinte, a existência do indébito tributário utilizado na quitação do débito declarado. Também não procedem as alegações da Recorrente acerca da retificação das DCTF, especialmente, a alegação de que a apresentação da DComp implica na anulação automática do pagamento do débito informado na DCTF. Além de não ter nenhum amparo legal, tais alegações, no meu entendimento, representa apenas uma tentativa da Recorrente de se eximir do ônus de comprovar o pagamento indevido e, por conseguinte, a existência do indébito tributário utilizado na quitação do débito declarado. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.903216/2008-36 Acórdão n.º 3802-00.909 S3-TE02 Fl. 4 7 Com base nessas, considerações estou convencido que o crédito informado pela Recorrente não existe, pois o valor do suposto pagamento indevido foi utilizado integralmente no pagamento do débito da Cofins do mês de maio de 2002. Dessa forma, se não existe o crédito informado, consequentemente, a compensação declarada reputa-se indevida e, portanto, legítima a sua não homologação. Da conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter a não homologação da compensação declarada. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /04/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 37017.001558/2006-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 205-00.080
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior e a Conselheira Renata
Costa de Souza. Voto vencedor do Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RESOLUÇÃO n Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, DOMINGOS ZEMA VEíCULOS LTDA. RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior e a Conselheira Renata Costa de Souza. Voto vencedor do Conselheiro Marcelo Oliveira. Sala das S ssõ - , em 09 de Abril de 2008. ‘kiP1 III ,(0‘) JULI o :SA ' VIEIRA GOMES Preside, 4, •RCELO OLIVEIRA •elator Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros, Marco André Ramos . Vieira, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Renata Souza Rocha (Suplente). ..41114:À., MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF• taVie.t. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 183 51 CÂMARA DE JULGAMENTO Processo na..: 37017.001558/2006-37 Recurso n2...: 141.452 Recorrente...: DOMINGOS ZEMA VEÍCULOS LTDA Recorrida....: SRP - ARAXÁ/MG 2° CC/MF - Quinta Carn.4.•CONFERE COM O ORIGINAL Brasilla fa)- / ae, 0g/fl./ RELATÓRIO laia Sousa Moura Matr. 4295 gni Trata-se de crédito lançado referente a contribuição dos segurados para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho [SAT/RAT], Terceiros e Salário- Educação, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, no período de 03/1999 a 12/1999, 03/2001 a 10/2002, 12/2002 a 05/2004 e 07/2004, não declaradas em GFIP e não recolhidas. A base de cálculo das contribuições foi apurada por meio de os recibos de pagamento e dos registros contábeis, em Livro Diário, onde, segundo a Fiscalização, evidenciou- se o pagamento de bolsa de estudo e/ou reembolso escolar aos segurados empregados: Rodrigo José Silva, Andreia Cristina Dias, Luciene Aparecida Pereira Rosa e Wagner Tannus, sem constituir plano educacional que vise a educação básica ou curso de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Devidamente intimada, a Notificada manifestou, em síntese, que a remuneração paga, a título de bolsa escola, aos segurados empregados da empresa, não constitui salário-de- contribuição, em atenção ao disposto na alínea "t", do §9°, do art. 28, da Lei n. 8.212/91 e tendo em vista que com o advento do art. 58, da Lei n. 10.243/2001, que alterou o §2°, do art. 458, da CLT. Em 28 de setembro de 2006, foi exarada Decisão-Notificação [fls. 156-162] que julgou procedente o lançamento. Irresignada com a decisão proferida, a Notificada interpôs recurso que ratificou os argumentos constantes da impugnação. Instada a se manifestar, a SRP repisou os argumentos do decisum. É o Relatório. • Éà'r;•1'‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF / SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f . 184 5' CÂMARA DE JULGAMENTO Processo lig : 37017.001558/2006-37 Recurso n2 : 141.452 CC/MF - Quinta Camara Recorrente : DOMINGOS ZEMA VEÍCULOS LTDA Recorrida • SRP - ATIAXAJMG CONFERE COM O ORIGINAL O 5- hBrasília, og VOTO VENCIDO laia Sousa Moura Matr. 4295 Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Relator. DA ADMISSIBILIDADE Sendo tempestivo o recurso do notificado e tendo sido procedido depósito, passo ao exame. DA NÃO INCIDÊNCIA Trata-se de crédito lançado, pois, segundo a Fiscalização, evidenciou-se o pagamento de bolsa de estudo elou reembolso escolar aos segurados empregados: Rodrigo José Silva, Andreia Cristina Dias, Luciene Aparecida Pereira Rosa e Wagner Tannus, sem constituir plano educacional que vise a educação básica ou curso de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Em relação a essa parcela educação, tenho entendimento consentâneo ao constante do voto vista apresentado pelo i. Conselheiro Damião Cordeiro, nos autos do Recurso n. 141.492, que se aplica perfeitamente ao caso em análise. Assim, peço licença aos d. Conselheiros desta Câmara para colacionar ao meu voto o entendimento ali exposto. O inciso II do §2° da CLT taxativamente determinou que não são considerados como salário as utilidades pagas a titulo de educação, incluindo os valores destinados à matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Senão vejamos: "Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. sç 2° Para os efeitos previstos neste artigo não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: II — educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei n°10.243, de 19.6.2001)" Note-se, que a norma em tela literalmente retirou a natureza salarial d. utilidades fornecidas pelo empregador a título de educação, incluindo os valores relativos à matrícu 4 • alidade, anuidade, livros e material didático. E a própria Lei n° 8.212/91 diz que não integram o salário tribuição as importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (a §9°, letra "e", número 7). MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF blziis.r:t" SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fl. 185 s.'11R,t. 5' CÂMARA DE JULGAMENTO Processo n2 : 37017.001558/2006-37 Recurso n' : 141.452 2° CC/MF - Quinta Carn- ur. oCONFERE COM O ORIGINAL Recorrente : DOMINGOS ZEMA VEÍCULOS LTDA 1 Brasília, In / °c og Recorrida • SRP - ARAXÁ/MG leis Sousa Moura Matr. 4295 Evidentemente que, em atendimento ao princípio da especificidade das normas, a lei trabalhista deve ser considerada sempre com muita cautela para que não invada a esfera do ordenamento legal previdenciário, notadamente no que se refere à cobrança de contribuições sociais. Ocorre que o conceito jurídico de salário não é originário do direito previdenciário, mas sim do direito trabalhista. E não se pode admitir que a CLT exclua do salário do trabalhador determinada parcela e a previdência a considere para efeitos de cobrança das contribuições sociais, desvirtuando conceitos jurídicos. Pensar de forma diferente é colocar em risco a segurança jurídica nas relações entre fisco e contribuinte. Aliás, não se pode perder de vista, jamais, que o princípio da segurança jurídica se acha esculpido no art. 2°, da Lei n° 9.784, de 1999 e que deve ser cumprido por toda a administração pública. Amiúde a doutrina vem apregoando a necessidade de se observar tão importante princípio. MAURO NICOLAU JUNIOR não deixa passar em branco quando assevera que "a segurança jurídica é o mínimo de previsibilidade necessária que o estado de Direito deve oferecer a todo cidadão, a respeito de quais são as normas de convivência que ele deve observar e com base nas quais pode travar relações jurídicas válidas e eficazes". (in wwwjurid.com.br, p.21) Muito mais se deve observar a previsibilidade jurídica quando se trata de pagamento de tributos, em que o Estado retira do cidadão a sua riqueza, o seu patrimônio, os seus bens, a sua renda... Camisa de força deve ser imposta ao fisco para que não se viva em constante instabilidade jurídica, situação odiosa a uma sociedade baseada nos princípios de justiça e legalidade. É sempre bom ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça — STJ tem fumado posição no sentido de considerar os valores despendidos pelo empregador a titulo de bolsas de estudo, destinadas a seus empregados, como não integrantes da base de cálculo de contribuição previdenciária. Nesse sentido, peço permissão aos que entendem de forma contrária para transcrever a ementa de recente julgado da r Turma do STJ: "TRIBUTÁRIO. SALÁR1O-DE-CONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCL4. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO-INCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a titulo de bolsas de estudo destinadas a seus empregados não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária. 2.Recurso especial provido." (REsp 729901/MG; pub. DJ 17.10.2006 tr p 1 7) 1 1Vale enfatizar, porque importante, que o relator do acórdão, Minis .o Octávio de i • Noronha, deixou claro em seu voto que os valores despendidos com educação pel. -. ' pregador não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, mesmo antes do advento da 4 i n. 9.528/97. . MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fl. 186 5a CÂMARA DE JULGAMENTO Processo n2 : 37017.001558/2006-37 Recurso 141.452 Recorrente : DOMINGOS ZEMA VEÍCULOS LTDA 2° CC/MF - Quinta Cantara CONFERE COM O ORIGINAL Recorrida • SRP - ARAXÁ/MG10 C o 12Brasília •.n - • - leis Sousa Moura • Metr. 4295 íg De outro norte, atenta às transformações sociais a que presenciamos na atualida. e, a Emenda Constitucional n° 26, de 2000, deu nova redação ao art. 6 de nossa Constituição Cidadã, elevando a educação a direito social devendo ser "promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho" (art. 205). As empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social cobrindo a lacuna deixada pelo próprio Estado, que não consegue garantir o acesso ao ensino à totalidade da população carente, notadamente nos Estados do Nordeste Brasileiro, local em que se encontra a empresa recorrente. Com isso, cobrar contribuições sociais sobre estes beneficios é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na capacitação dos trabalhadores. É interessante ainda ressaltar, porque relevante para a compreensão do caso ora em questão, que a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 (altera a legislação do imposto de renda das pessoas fisicas e dá outras providências), já considera como isentas do imposto de renda as bolsas de estudos e de pesquisa, caracterizadas como doação. Eis o teor do dispositivo citado: "Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços." De outro norte, a norma trabalhista não colocou a peia que pretende impor a fiscalização ao contribuinte, pois asseverou de forma ampla que a "educação" não seria considerada como salário, ou seja, sequer especificou como sendo abrangidos pela norma somente os cursos técnicos, ensino básico, médio ou superior. Contrariamente ao entendimento da fiscalização, a garantia do beneficio é ampla e deve abranger, inclusive, os materiais didáticos necessários ao desenvolvimento educacional do beneficiário, uma vez que, assim como o "auxílio bolsa de estudos", constitui investimento na qualificação de empregados, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. Portanto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para, no mérito, D LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir as contribuições previdenciárias sobre os valores pag a itulo de bolsa de estudo, a partir de 20.6.2001, data em que se iniciou a vigência da lei n° 10.243, de . .2001, que incluiu o inciso II do §2° ao art. 458 da CLT. MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relator. . . Jtç MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC—Mf rar t' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fl. 187 '4ifefr" 5' CÂMARA DE JULGAMENTO Processo n2 : 37017.001558/2006-37 Recurso n2 : 141.452 Recorrente : DOMINGOS ZEMA VEÍCULOS LTDA Recorrida • SRP - ARAXA/MG CC/MF - Quinta Camara CONFERE COM O ORIC3INAL • 0,9 O r n2Brasília / VOTO VENCEDOR lois Sousa Moura Matr. 42flt3 Conselheiro, MARCELO OLIVEIRA, RELATOR Designado. Não podemos deixar sem menção, que a Legislação Trabalhista, do Imposto de Renda e as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm deixado os investimentos das empresas em educação de seus empregados/segurados fora do conceito de Salário-de- Contribuição (SC). Apesar dessa pacificidade, a fiscalização tem considerado auxilio-educação parcela integrante do salário-de-contribuição, de acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91, sendo tratado como ganho habitual sob a forma de utilidade. Entretanto, não tem havido unanimidade nas decisões no âmbito da Previdência Social. Decisões Contrárias: - Fundamentam-se no fato de ser o auxilio-educação uma gratuidade, fornecida por liberalidade da empresa e não habitual, por não exigir contraprestação de serviço, originando-se da simples vontade do empregador em oferecer melhores oportunidades aos seus empregados; - Outro ponto é que poderá ser suprimida a qualquer tempo; e - Outra justificativa é o sentido e objetivo social da iniciativa da empresa colaborando na área educacional, ajudando a suprir a carência do ensino oficial. Decisões Favoráveis: - Não obstante todo o componente social do auxilio-educação, é inegável o acréscimo patrimonial do empregado, devendo então incidir contribuição previdenciária; e - Tendo em vista que a prestação in natura constitui salário, quando fornecida habitualmente ao empregado, por força de contrato ou costume, o auxilio- educação também pode resultar de acordo expresso entre as partes ou de ajuste tácito, oriundo do costume atinente à empresa ou à atividade profissional empreendida. Portanto, há, aqui, uma dúvida, que deve ser enfrentada. Já a Lei 8.212/1991 afirma quais são as parcelas que integram e que não integram o Salário-de-Contribuição (SC). Lei 8.212/1991: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: e;.'014 ;4'. MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF .-takt 't SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f 1 . 188 5' CÂMARA DE JULGAMENTO Processo n2 : 37017.001558/2006-37 Recurso n2 : 141452 r CC/MF - Quinta Câmara Recorrente : DOMINGOS ZEMA VEÍCULOS LTDA CONFERE COM O ORIGINAL O â- / Recorrida • SRP - ARAXA/MG Brasilia / Isla Sousa Moura Matr. 4295 sç 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394. de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Na leitura do RF, fl. 053, não há como verificar se as condições para que os valores pagos a titulo d educação integram, ou não, o SC: - são cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa (são oferecidos, ou não, para o desenvolvimento do segurado, a fim de aprimorar o trabalho que executa na empresa)?; - são pagos em substituição de parcela salarial? e - todos os empregados e dirigentes da empresa têm acesso aos cursos? Sem a resposta para essas três condições presentes na Legislação, não há como ter certeza se os valores integram ou não o SC. Assim, para que busquemos a melhor solução, voto para que se realize diligência, ao fim da qual deve ser emitido Parecer Conclusivo pela fiscalização, onde essas três dúvidas sejam elucidadas. Após a elaboração do Parecer citado, a fiscalização deve dar ciência ao sujeito passivo, para, caso deseje, em quinze dias apresente argumentos sobre a diligência realizada e seu resultado, a fim de respeito à ampla defesa a ao contraditório. Portanto, voto pel. VERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Sala es• em O' de Abril de 2008. 21. • C LO OLIVEIRA • elator Designado ( Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1
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Numero do processo: 12448.906909/2014-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO E PREENCHIMENTO DA DIPJ. DIREITO CREDITÓRIO EXISTENTE.
O erro de fato na indicação da origem do crédito, quando do preenchimento da DIPJ, não pode obstaculizar o reconhecimento do direito creditório, se restar comprovada a ocorrência do erro e a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
In casu, o contribuinte indicou erroneamente como retenção na fonte, valores que, na verdade, correspondiam a pagamento de estimativas.
Numero da decisão: 1002-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento para reconhecer o saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2007, no valor de R$ 207.117,33 (duzentos e sete mil, cento e dezessete reais e trinta e três centavos), homologando-se as compensações até o limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Miriam Costa Faccin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: MIRIAM COSTA FACCIN
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO E PREENCHIMENTO DA DIPJ. DIREITO CREDITÓRIO EXISTENTE. O erro de fato na indicação da origem do crédito, quando do preenchimento da DIPJ, não pode obstaculizar o reconhecimento do direito creditório, se restar comprovada a ocorrência do erro e a liquidez e certeza do crédito pleiteado. In casu, o contribuinte indicou erroneamente como retenção na fonte, valores que, na verdade, correspondiam a pagamento de estimativas.
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ERRO DE FATO NA INDICAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO E PREENCHIMENTO DA DIPJ. DIREITO CREDITÓRIO EXISTENTE. O erro de fato na indicação da origem do crédito, quando do preenchimento da DIPJ, não pode obstaculizar o reconhecimento do direito creditório, se restar comprovada a ocorrência do erro e a liquidez e certeza do crédito pleiteado. In casu, o contribuinte indicou erroneamente como “retenção na fonte”, valores que, na verdade, correspondiam a “pagamento de estimativas”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento para reconhecer o saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2007, no valor de R$ 207.117,33 (duzentos e sete mil, cento e dezessete reais e trinta e três centavos), homologando-se as compensações até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 69 09 /2 01 4- 15 Fl. 216DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por UP OFFSHORE APOIO MARÍTIMO LTDA., em face do acórdão de n° 102-001.668, proferido pela C. 1ª Turma da DRJ/02, objetivando sua reforma integral. Por economia processual e por bem reproduzir os fatos, pedimos licença para transcrever o relatório constante do acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 02 (“DRJ/02”), o qual será complementado ao final: “Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 30793.67481.100210.1.3.03-5262 (fl.152/154) onde o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL ano- calendário 2007 no valor de R$ 207.398,51 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta da declaração de compensação, o crédito em questão seria constituído por CSLL Retida na Fonte (R$ 409.902,74) e pagamentos de estimativa CSLL (R$ 100.456,46). Por intermédio do Despacho Decisório nº 089585102 de 07/08/2014 e anexos (fl.44 e 50/51), o direito creditório foi parcialmente reconhecido (R$ 78.511,59). As compensações, por sua vez, restaram homologadas em parte. O trecho a seguir, extraído do Despacho Decisório, melhor esclarece a questão: Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 18/08/2014 (fl.149), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2014 (fl.3/13), via procuradores (fl.15/42), alegando em síntese que: 1. A manifestação é tempestiva; 2. A requerente foi intimada do Despacho Decisório exarada nos autos do processo administrativo acima mencionado, o qual glosou parcialmente a composição do crédito; 3. Os referidos PER/DCOMP`s retratam declarações de compensação de crédito oriundo de saldo negativo CSLL ano-calendário 2007 no valor original de R$ 207.398,51; 4. O Despacho Decisório reconheceu parcialmente (R$ 78.511,59) o crédito pleiteado; 5. Da análise do Despacho Decisório verifica-se que a RFB reconheceu apenas parcialmente o direito creditório, não tendo confirmado determinadas parcelas que compõem o saldo negativo CSLL; 6. A razão para que a D. Autoridade Fiscal efetuasse a glosa decorre de mero equívoco formal no preenchimento da DIPJ/2008 com relação à formação do saldo credor; Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 7. A requerente indicou como retenção de CSLL na fonte valores que, em verdade, correspondem a outras parcelas também integrantes do saldo negativo CSLL; 8. A requerente realizou recolhimentos de estimativas de CSLL, por meio do pagamento de DARF`s, cujos montantes, no valor total de R$ 100.456,46 foram somados para a formação do saldo negativo na Ficha 17 da DIPJ; 9. Quanto aos valores de CSLL retidos na fonte que compuseram o referido crédito apurado no ano-calendário 2007, a requerente informou na Ficha 54 de sua DIPJ/2008 que tal parcela perfazia o valor total de R$ 281.015,78, o que também corresponde ao montante confirmado pela RFB; 10. Ocorre que, por um equívoco formal foram indicados na linha 08 do campo “deduções” da Ficha 16 da DIPJ valores que não correspondem à CSLL retida pelas fontes pagadoras, os quais constituem, em verdade, montantes relativos a pagamentos de estimativas mensais de CSLL do período junho a agosto/2007, bem como montantes relativos a pagamentos de estimativas mensais de CSLL via DARF, referentes ao período de setembro e outubro/2007; 11. Esse equívoco no campo “deduções” da Ficha 16 não alterou a real composição do saldo negativo; 12. Apesar desse erro no preenchimento da DIPJ, a RFB confirmou os valores referentes aos pagamentos das estimativas realizados por meio de DARF no total de R$ 100.456,46; 13. Resta esclarecida a forma como ocorreu a composição do saldo negativo CSLL apurado, o que apesar do equívoco formal no preenchimento da DIPJ/2008, foi retratado nos pedidos eletrônicos objeto do presente processo; 14. O saldo negativo a ser reconhecido é de R$ 205.433,58 (R$ 508.394,27 – R$ 302.960,69); 15. O princípio da verdade material deve levar à reforma do Despacho Decisório, sob pena de enriquecimento ilícito; 16. A jurisprudência do CARF é consolidada no sentido de que o princípio da verdade material deve ser rigorosamente observado no processo administrativo fiscal; (...) 17. Razão assiste à requerente quanto ao seu direito de compensar o indébito tributário; 18. A matéria é tratada pelo CTN em seu art.165, que defere a possibilidade de restituição do tributo indevido ou recolhido a maior que o devido; 19. A legislação permite que a compensação seja efetuada mediante a entrega de declaração de compensação; 20. O CARF adotou, em vários julgados, o entendimento de que não se pode impedir a compensação de valores pagos a maior na apuração das estimativas mensais; Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 (...) 21. Requer o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 205.433,58; 22. Protesta pela produção de quaisquer provas adicionais que possam comprovar o seu direito à compensação pleiteada nos autos do presente processo administrativo. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: DIPJ/2008 (fl.55/94), DARF (fl.141/142), despacho de encaminhamento (fl.151), PER/DCOMP 3079367481 (fl.152/154), DIRF (fl.155/158) e telas sistemas RFB (fl.159/161).” (g.n.) Confira-se, a propósito, a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007 Ementa dispensada conforme Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em sessão do dia 14/05/2021, a DRJ/02 ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, entendeu por bem julgá-la parcialmente procedente, ao fundamento de que: (i) o contribuinte pleiteia via PER/DCOMP 30793.67481.100210.1.3.03- 5262 crédito de saldo negativo CSLL ano-calendário 2007 no valor de R$ 207.398,51 para compensar débitos próprios; (ii) o contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, alega que o crédito pleiteado existe, sendo que houve erro no preenchimento da Ficha 16 da DIPJ/2008 eis que, no campo “deduções”, em vez de informar IRRF, informou valores de pagamentos de estimativa CSLL. Além disso, diz que já quitou valor indevidamente compensado (R$ 1.964,63). Finalmente, afirma que a jurisprudência do CARF ampara seu pleito; (iii) no que se refere às retenções na fonte temos: CNPJ 33.000.167/0001-01: consta DIRF para essa fonte pagadora com retenção sob o código 6190. A CSLL corresponde a 1%. Assim, a CSLL Retida é de R$ 280.593,32 e essa parcela já foi reconhecida pela unidade de origem. Não consta retenção para essa fonte pagadora no valor de R$ 127.344,79 como indicado no PER/DCOMP. CNPJ 68.915.891/0001-40: consta DIRF para essa fonte pagadora com retenção sob o código 5952. A CSLL corresponde a 1%. Assim, a CSLL Retida é de R$ 422,50 e essa parcela já foi reconhecida pela unidade de origem; (iv) quanto aos pagamentos: o contribuinte informou dois pagamentos de estimativa CSLL: R$ 66.642,33 (set/2007) e R$ 33.814,13 (out/2007). Esses dois valores foram ratificados no Despacho Decisório; Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 (v) conforme Ficha 16 da DIPJ/2008 o contribuinte não apurou estimativas de CSLL a pagar. Para isso, fez deduções de CSLL retida no total de R$ 455.615,59. Já na Ficha 17, informou: CSLL Retida: R$ 54.743,61; CSLL Mensal paga por estimativa: R$ 455.615,59; (vi) na análise do Despacho Decisório o contribuinte efetivamente possui as seguintes parcelas do crédito: R$ 281.015,82 (retenções CSLL) e R$ 100.456,46 (pagamentos estimativa). O contribuinte pagou R$ 1.964,63 no código 2484 (estimativa) e entendo que esse valor também deve ser levado ao ajuste anual. Assim, o total dos pagamentos perfaz R$ 102.421,09, de forma que o saldo negativo CSLL é de R$ 80.476,22; (vii) não procede a petição do contribuinte para produzir provas adicionais em outros momentos processuais; (viii) improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo, porque essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; (ix) por fim, conclui por reconhecer o crédito adicional no valor de R$ 1.964,63. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 181/192), no qual pleiteia a reforma do acórdão proferido pela DRJ/02, sob a alegação de que: (i) analisando a discriminação mês a mês constante na Ficha 16 da DIPJ 2008 (fls. 66/69) em conjunto com as informações constantes na Ficha 54 da DIPJ 2008 (fl. 91), verifica-se que a Recorrente, por um lapso, informou um valor muito superior de CSLL retida na fonte nos meses de junho a outubro de 2007; (ii) a Recorrente comprovou que o crédito pleiteado – saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2007 no valor de R$ 207.398,51 - realmente existe, não tendo sido reconhecido no despacho decisório exclusivamente em razão dos erros de preenchimento da DIPJ; (iii) como muito bem detalhado na defesa, parte dos valores indicados como “retenção na fonte” nos meses de junho a outubro de 2007 correspondiam, na verdade, a pagamentos de estimativas mensais por DARF ou via PER/DCOMP; (iv) baseando-se exclusivamente nas informações constantes na DIPJ 2008 da Recorrente, a RFB e, posteriormente, a 1ª Turma da DRJ02, entenderam que o valor do saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2007 era insuficiente para quitar todos os débitos compensados; Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 (v) em relação às retenções na fonte, vale destacar que o Despacho Decisório e a própria DRJ02 confirmaram o valor de R$ 281.015,78, o qual representa exatamente ao valor informado pela Recorrente na Ficha 54 da DIPJ 2008; (vi) em relação aos pagamentos não reconhecidos pelo v. acórdão recorrido, a Recorrente já havia apresentado com a sua Manifestação de Inconformidade todos os comprovantes de pagamento: Junho/07 – R$ 52.265,33 – PER/DCOMP juntado às folhas 97 a 104, Julho/07 – R$ 38.964,47 – PER/DCOMP juntada às folhas 106 a 111 e Agosto/07 – R$ 35.692,33 – PER/DCOMPs juntados às folhas 113 a 139; (vii) ao preencher a DIPJ 2008, a Recorrente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitaram a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não podem prejudicar seu direito material ao crédito; (viii) princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, determina que o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, (ix) a própria RFB reconhece a importância da verdade material no processo administrativo, como se percebe no seguinte trecho do Parecer Normativo COSIT nº 3, de 04 de novembro de 2016; (x) por fim, conclui que é manifesto que um simples erro material no preenchimento da DIPJ não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente do Saldo Negativo de CSLL do ano-calendário 2007, o que leva à consequente homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Costa Faccin, Relatora. Admissibilidade e Tempestividade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017 1 e pela Portaria CARF n° 6.786/2022 2 . Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 13/10/2021 (e-fl. 178), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 05/11/2021 (e- fl. 180), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 3 . Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito O propósito recursal consiste no reconhecimento do direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2007, no valor de R$ 207.398,51 (duzentos e sete mil, trezentos e noventa e oito reais e cinquenta e um centavos), resultante de valores antecipados a título de estimativas e retenções na fonte. O Despacho Decisório (e-fls. 44/50) reconheceu parcialmente o direito creditório alegado, sendo que do somatório das parcelas de composição do crédito informado em DIPJ no montante de R$ 510.359,20 (quinhentos e dez mil, trezentos e cinquenta e nove reais e vinte centavos), reconheceu o valor de R$ 281.015,82 (duzentos e oitenta e um mil, quinze reais e oitenta e dois centavos) a título de retenções na fonte e R$ 100.456,46 (cem mil, quatrocentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos), a título de pagamento de estimativas, glosando o montante de R$ 128.886,92 (cento e vinte e oito mil, oitocentos e oitenta e seis reais e noventa e dois centavos), de forma que o saldo negativo disponível resultou em R$ 78.511,59 (setenta e oito mil, quinhentos e onze reais e cinquenta e nove centavos), sendo insuficiente, portanto, para compensar os débitos informados em PER/DCOMP. Confira-se: 1 Art. 23-B. As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. 2 Art. 1° Elevar a até 120 (cento e vinte) salários mínimos, o limite das turmas extraordinárias para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Parágrafo único. A elevação de limite atribuída às turmas extraordinárias não prejudica a competência das turmas ordinárias sobre os recursos voluntários tratados no caput. 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Para melhor ilustração do caso, transcrevo o seguinte trecho do acórdão recorrido: “Na verdade, conforme vimos na análise do Anexo ao Despacho Decisório o contribuinte efetivamente possui as seguintes parcelas do crédito: R$ 281.015,82 (retenções CSLL) e R$ 100.456,46 (pagamentos estimativa). O contribuinte pagou R$ 1.964,63 no código 2484 (estimativa) e entendo que esse valor também deve ser levado ao ajuste anual. Assim, o total dos pagamentos perfaz R$ 102.421,09. O ajuste anual fica assim discriminado: 1. CSLL Devida= R$ 302.960,69 (=) 2. Retenções CSLL= R$ 281.015,82 (-) 3. Pagamentos estimativa CSLL= R$ 102.421,09 (-) 4. Saldo Negativo CSLL = R$ 80.476,22 (=) Esse montante é o que deve ser reconhecido a título de saldo negativo CSLL ano- calendário 2007.” (e-fl. 168, g.n.) Em suas razões recursais, a Recorrente alega que “parte dessas retenções na fonte não ocorreram, já que se referiam à pagamentos de estimativas mensais realizados através de DARFs ou PER/DCOMPS” (e-fl. 187, g.n.). Compulsando os autos, em específico a DIPJ/2008 (e-fls. 67/69), período junho a outubro, verifica-se que a Recorrente indicou na Ficha 16 os seguintes valores a título de retenções na fonte: Fl. 223DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Fl. 224DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Enquanto que, na Ficha 54 (e-fl. 51), indicou o valor total de R$ 281.015,78, correspondente ao confirmado no Despacho Decisório. Confira-se: Com relação aos pagamentos, argumentou a Recorrente que apresentou os PER/DCOMP´s, nos seguintes termos: “25. Ocorre que, conforme já falado anteriormente, em relação aos pagamentos não reconhecidos pelo v. acórdão recorrido, a Recorrente já havia apresentado com a sua Manifestação de Inconformidade todos os comprovantes de pagamento, como se vê abaixo: • Junho/07 – R$ 52.265,33 – PER/DCOMP juntado às folhas 97 a 104 • Julho/07 – R$ 38.964,47 – PER/DCOMP juntada às folhas 106 a 111 • Agosto/07 – R$ 35.692,33 – PER/DCOMPs juntados às folhas 113 a 139”. (e-fl. 188, g.n.) Segundo se extrai das razões recursais, “o saldo negativo de CSLL do ano- calendário de 2007 no valor R$ 207.398,51 (duzentos e sete mil, trezentos e noventa e oito reais e cinquenta e um centavo), de fato existe, não tendo sido reconhecido no Despacho Decisório exclusivamente em razão de erros de preenchimento da DIPJ”. Confira-se: “10. Como muito bem detalhado na defesa, parte dos valores indicados como “retenção na fonte” nos meses de junho a outubro de 2007 correspondiam, na verdade, a pagamentos de estimativas mensais por DARF ou via PER/DCOMP. Fl. 225DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Veja-se a tabela que foi apresentada pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade: 11. Importante destacar, desde já, que os DARFs e PER/DCOMPs mencionados acima e que confirmam os erros de preenchimento da DIPJ foram apresentados, tempestivamente, junto com a Manifestação de Inconformidade.” (e-fls. 183/184, grifos no original). Nesse contexto, ao analisar os PER/DCOMP´s supramencionados esta Relatora constatou que a somatória dos pagamentos das estimativas correspondem ao valor de R$ 227.097,56 (duzentos e vinte e sete mil, noventa e sete reais e cinquenta e seis centavos), conforme sintetiza a tabela abaixo: JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO TOTAL PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS POR COMPENSAÇÃO 52.265,33 (e-fl.104) 38.964,47 (e-fl.110) 28.553,68 (e-fl.121) 6.141,25 (e-fl. 126) 245,84 (e-fl. 132) 470,54 (e-fl. 138) 126.641,11 PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS VIA DARF - - - 66.642,32 (confirmado no DD) 33.814,13 (confirmado no DD) 100.456,45 227.097,56 Assim, recalculando o ajuste final trazido pelo acórdão recorrido, tem-se: CSLL Devida 302.960,69 Retenções CSLL R$ 281.015,82 - 281.015,82 Pagamentos estimativa CSLL R$ 102.421,09 + R$ 126.641,11 - 229.062,20 Saldo Negativo CSLL 207.117,33 Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Analisando o saldo negativo de CSLL informado em DIPJ e PER/DCOMP (R$ 207.398,51) com o valor acima mencionado (R$ 207.117,33), tem-se uma pequena diferença no montante de R$ 281,01 (duzentos e oitenta e um reais e um centavo), o que nos leva a crer, que a pretensão creditória exarada pela Recorrente encontra-se fundada na notória existência de erro de fato no preenchimento da declaração de compensação, ao indicar como “retenção na fonte”, valores que correspondiam a “pagamentos de estimativas”. Em tais circunstâncias, este Conselho assim vem se manifestando: SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 - Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a ideia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de CSLL), nem seu período de apuração (ano-calendário 2002), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 - Apesar de a decisão de primeira instância administrativa decidir não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, na hipótese de nada ter sido informado na DIPJ a título de saldo negativo, o afastamento deste óbice impõe o retorno à Unidade de Origem para exame do mérito do direito creditório e das compensações declaradas pela Contribuinte. (Processo n° 10880.915010/2008-01. Acórdão n° 9101-005.446. Sessão de 11/05/2021. Relatora Edeli Pereira Bessa, g.n.) O colegiado desta 2ª Turma Extraordinária já se deparou com hipótese similar, tendo concluído que, “é permitido ao contribuinte a comprovação do erro de fato no preenchimento da declaração, sendo esse, inclusive, o entendimento da própria Receita Federal, ou seja, é possível superar esse equívoco desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014”. Em judicioso voto, o relator, Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, expôs de maneira bastante didática e elucidativa, que o erro de preenchimento de DIPJ não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não possa ter o erro sanado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Confira-se: “Vale salientar, que na visão desse julgador é permitido ao contribuinte a comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, sendo esse, inclusive, o entendimento atual da própria Receita Federal, ou seja, é possível superar esse equívoco desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduz-se a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. [grifos nossos] Conforme se observa, o erro no preenchimento de uma declaração não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Sendo assim, confirmada à certeza e liquidez do direito creditório, exigência prevista no artigo 170 do CTN, entendo pela existência do direito creditório pretendido.” (Processo n° 11080.908288/2015-21, Acórdão n° 1002-002.611. Sessão de 01/02/2023. Relator Fellipe Honório Rodrigues da Costa, g.n.) A mesma ratio decidendi deve ser aplicada ao caso dos autos. In casu, restou confirmada a certeza e liquidez do direito creditório 4 , referente ao saldo negativo de CSLL, do ano-calendário de 2007, no valor de R$ 207.117,33 (duzentos e sete mil, cento e dezessete reais e trinta e três centavos). Logo o acórdão recorrido não merece subsistir. 4 Conforme exigência prevista no artigo 170 do CTN. Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1002-002.819 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.906909/2014-15 Dispositivo Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, dar-lhe parcial provimento para reconhecer o saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2007, no valor de R$ 207.117,33 (duzentos e sete mil, cento e dezessete reais e trinta e três centavos), homologando-se as compensações até o limite do crédito compensado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin Fl. 229DF CARF MF Original
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Numero do processo: 12448.724563/2011-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-007.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator, para fins de reestabelecer a glosa de despesa médica no valor total de R$ 25.480,00. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator, para fins de reestabelecer a glosa de despesa médica no valor total de R$ 25.480,00. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 45 63 /2 01 1- 88 Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.473 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.724563/2011-88 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 03 a 08, na qual é exigido imposto de renda pessoa física-suplementar no valor de R$ 7.584,50, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao ano-calendário 2008, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas . Discordando da notificação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/04/2015, o sujeito passivo interpôs, em 08/05/2015, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) as despesas médicas estão comprovadas pelos documentos juntados aos autos, identificando o beneficiário dos serviços prestados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Da dedução de despesas médicas As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.473 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.724563/2011-88 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valer-se de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boa-fé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001-000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.473 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.724563/2011-88 No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocando-o na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê-lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Some-se a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazê-lo daquela forma." Ainda, há jurisprudência deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.473 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.724563/2011-88 Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/2009-23 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 2202-01.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Complementando os recibos apresentados às e-fls. 12 e seguintes, o contribuinte anexa aos autos declarações prestadas pelos profissionais de saúde (e-fls. 61 a 68), documentação esta que considero hábil e idônea para comprovação das despesas médicas. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento. Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-007.473 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.724563/2011-88 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheiro(a) Marcelo de Sousa Sáteles – Redator Designado No que pese o excelente voto apresentado pelo relator acima, permita-me divergir de seu entendimento quanto à comprovação de dedução de despesa médica apenas com o profissional Cláudio Roberto Lopes da Silva no valor de R$ 2.100,00, uma vez que os recibos médicos juntados aos autos desse profissional não estão assinados por ele. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento, para fins de restabelecer a dedução de despesa médica no valor total de R$ 25.480,00. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles – Redator Designado Fl. 76DF CARF MF Original
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