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Numero do processo: 36216.000055/2006-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003
PREVIDENCIÁRIO. TRANSPORTE DE CARGA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INOCORRÊNCIA.
Em relação aos serviços de transporte de carga, a retenção prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, somente ocorre quando comprovada e devidamente caracterizada a presença da cessão de mão-de-obra.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.730
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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TRANSPORTE DE CARGA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INOCORRÊNCIA. Em relação aos serviços de transporte de carga, a retenção prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, somente ocorre quando comprovada e devidamente caracterizada a presença da cessão de mãodeobra. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 EDITADO EM: 18/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão nº 20601.418, de 08/10/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003 PREVIDENCIÁRIO. TRANSPORTE DE CARGA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INOCORRÊNCIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO DECADÊNCIA. 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n°2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3 E inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. Termo Inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência] do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART.! 173 I) . (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 41. No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art: 150, § 4° do CTN. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 36216.000055/200635 Acórdão n.º 920201.730 CSRFT2 Fl. 2 3 A inconformidade da Fazenda Nacional referese ao acolhimento da preliminar de decadência do lançamento referente aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2000, aplicando no caso o art. 150, § 4º, do CTN, extinguindo parcialmente o crédito tributário lançado, bem como a exclusão dos valores devidos pelo tomador (sujeito passivo) a título de retenção relacionados aos serviços de transporte de cargas no período anterior à modificação implementada pelo Decreto nº 4.729, 09 de junho de 2003, tendo em vista inexistir disposição legal para considerar o referido ato normativo como interpretativo e, portanto, retroagindo. No entendimento da Fazenda Nacional, a decisão contrariou os dispositivos previstos nos artigos 149, V, e 173, I, ambos do CTN, pois inexistindo pagamento do fato gerador específico do tributo sob análise o prazo a ser aplicado não é o previsto no art. 150, § 4º, conforme aplicou a decisão recorrida, mas o previsto no art. 173 do CTN, sendo esta a orientação atual do Superior Tribunal de Justiça. No tocante aos serviços de transporte de cargas, aduz a Fazenda Nacional que houve contrariedade ao art. 106, I, do CTN, que exige presença de lei interpretativa em sentido estrito no tocante à dispensa da retenção no período anterior ao Decreto nº 4.729, de 2003, que deixou de considerar tais serviços com objetos da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8 .212, de 1991. Também afirma ter ocorrido contrariedade às provas dos autos, tendo em vista o relatório fiscal ter demonstrado que os serviços foram prestados mediante cessão de mãode obra. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 600/601, e encaminhado ao contribuinte para ciência, tendo sido facultadolhe a apresentação de contra razões que, por sua vez, sustentou a tese referente à aplicação do art. 150, 4º, haja vista o que se homologa é a atividade do sujeito passivo e não o recolhimento propriamente dito. Em relação aos serviços de transporte de cargas, especificamente, a não retenção dos 11% previstos pelo art. 31 da Lei nº 8 .212, de 1991, defende que tais serviços não são prestados no enquadramento do conceito de cessão de mãodeobra, razão pela qual o Decreto nº 4.729, de 2003, apenas reconheceu que a inclusão anterior era indevida, promovendo o ajuste da norma às situações fáticas, razão pela qual a natureza interpretativa do ato normativo é evidente por se tratar de regulamentar as formas de execução da lei. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta dos despachos às fls.600/601. As teses controversas trazidas para apreciação desta Turma da Câmara Superior referemse à aplicação do prazo de decadência ao crédito previdenciário lançado e discutido no presente lançamento bem como a incidência da retenção em relação às notas fiscais decorrentes de serviços relacionados ao transporte de cargas no período anterior ao Decreto nº 4.729, de 2003. Por questão lógica, será analisada primeiramente a questão da retenção tendo em vista o lançamento referirse em sua integralidade ao período anterior ao Decreto nº 4.729, de 09/06/2003. Em relação à matéria, não acolho a pretensão da Fazenda Nacional nos termos que passo a aduzir. Em breve resumo, a retenção dos 11% foi instituída pela Medida Provisória nº 1.66315, de 22/10/1998, convertida na Lei nº 9.711, de 20/11/1998, e passou a ser exigida a partir da competência 02/1999, isto é, 90 dias após a sua instituição. A redação alterada do art. 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98, não inovou nem alterou a fonte de custeio da previdência social, nem elegeu novo contribuinte. Em verdade, a alteração promovida pela Lei nº 9.711, de 1998, foi apenas da sistemática de recolhimento, permanecendo o cálculo da contribuição previdenciária submetido ao regime da folha de pagamento, inaugurando o sistema de substituição tributária no âmbito da previdência social para o setor de prestação de serviços, elegendo a empresa prestadora como contribuinte de direito e a empresa tomadora como contribuinte de fato com status de responsável tributário, autorizando o prestador de serviços, compensar os valores por si devidos com os valores retidos e recolhidos pelos tomadores de serviços. O § 4º do art. 31 indicava algumas atividades submetidas ao regime de retenção e remetia ao regulamento a indicação de outras. Em um primeiro momento foram indicados diversos serviços. Alguns deles (limpeza, conservação, zeladoria, vigilância e segurança, construção civil, serviços rurais, digitação e preparação de dados para processamento), na oportunidade em que a nota fiscal fosse emitida, tanto cessão de mãode obra quanto empreitada, deveria ocorrer a retenção e o recolhimento pelo tomador. Diversas outras atividades indicadas em um rol previsto no art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, contudo somente seriam submetidas ao regime de retenção caso fosse caracterizada a prestação mediante cessão de mãodeobra. Nesse breve histórico da legislação, a redação inicial do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, previa em seu inciso XIX que as operações de transporte de cargas e passageiros estariam submetidas ao Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 36216.000055/200635 Acórdão n.º 920201.730 CSRFT2 Fl. 3 5 regime de retenção, desde que prestadas em regime de cessão de mãodeobra. A contrário senso, caso fossem prestadas em regime de empreitada, não haveria retenção. Posteriormente, em 9 de junho de 2003, o Decreto nº 4.729, alterou o Regulamento da Previdência Social, excluindo o transporte de cargas dos serviços inseridos no regime de retenção. A dúvida reside na definição dos efeitos que advêm desta exclusão, haja vista a Lei ter autorizado o Regulamento estabelecer outros serviços sujeitos à retenção, desde que prestados em regime de cessão de mãodeobra. Segundo penso, a solução da controvérsia apresentada pela Fazenda Nacional exige o entendimento relacionado a qual seria o efeito de uma alteração no Regulamento sem a respectiva alteração na lei. O art. 97 do Código Tributário Nacional estabelece que somente a lei, pode estabelecer a instituição de tributos, a majoração, a definição do fato gerador, etc. Por sua vez, o artigo 84, IV, da Constituição Federal estabelece que os Decretos são atos normativos expedidos pelo Presidente da República com o objetivo de explicar a aplicação da lei. Assim, o regulamento não pode ir além do que a lei prevê, pois tem seu alicerce de validade na própria lei que pretende explicar a correta aplicação. Pois bem, dada a natureza regulamentadora do Decreto Presidencial cujo objetivo é permitir a fiel execução da lei, verificase que tais atributos revelam em alguma medida uma natureza interpretativa do ato normativo cujo escopo maior é definir o alcance da lei que está sendo regulamentada. Nesse sentido, segundo penso, especificamente em relação aos serviços de transporte de cargas, a exclusão dessa atividade do rol de atividades submetida ao regime da retenção implica na aplicação retroativa, na medida em que a regulamentação considerou que tais serviços não atendiam ao critério estabelecido pela lei, isto é, em regime de cessão de mão de obra. Tal entendimento tem como fundamento lógico o fato de ser insustentável que um serviço seja considerado submetido ao regime de retenção em um período anterior à publicação do decreto e, no momento seguinte, a mesma atividade não mais ser considerada submetida a este regime sem qualquer alteração da lei. A única condição para que um serviço fosse submetido ao regime de retenção era a sua prestação ocorrer no regime de cessão de mãodeobra, em conformidade com a definição do § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Segundo penso, a razão mais provável para que o serviço de transporte de carga fosse excluído do rol de serviços submetidos à retenção, foi a compreensão de que tal atividade não se enquadrava no conceito legal de cessão de mão de obra e, portanto, não poderia estar submetida ao regime de retenção. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Por sua vez, se o transporte de carga não era cessão de mãodeobra no período posterior ao Decreto, tão pouco seria no período anterior, razão pela qual não caberia a retenção. Inexistindo previsão de retenção para o futuro, concluise que para o passado ela também não é devida, por força do regulamento. Com base nessas considerações, afasto a tese de contrariedade à lei. Quanto ao argumento de que houve contrariedade às provas dos autos, melhor sorte não assiste à Fazenda Nacional. A afirmação de que o relatório fiscal demonstra que os serviços foram prestados mediante cessão de mão de obra não condiz com o que consta do referido relatório. Os contratos juntados aos autos, embora apresentem cláusulas de ajuste referente ao quantitativo de pessoas envolvidas, não permitem inferir a existência da cessão de mão de obra, haja vista o objeto do contrato ser a coleta e o transporte de produtos comercializados. Na cessão de mão de obra, a essência do contrato são os segurados colocados à disposição do contratante, tal como ocorre, por exemplo, nos serviços de vigilância. Nestes serviços, observase que os segurados são colocados de maneira contínua e à disposição exclusiva do tomador que, por sua vez, gerencia a realização do serviço. Em outras palavras, no conceito de cessão de mãodeobra, destacase a natureza contínua do serviço, ficando o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mãodeobra. Na empreitada, o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. O transporte de carga, na forma como foi pactuado nos contratos juntados aos autos, referemse a empreitada referente à movimentação de produtos comercializados pela empresa, contudo, nestes casos, somente há retenção em relação aos serviços listados nos incisos I a V do § 2º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, conforme estabelece o § 3º, transcrevo: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 36216.000055/200635 Acórdão n.º 920201.730 CSRFT2 Fl. 4 7 I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; (...................) § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. Ante o exposto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL, exonerando todo o crédito tributário lançado, circunstância que prejudica a análise do recurso especial no tocante à preliminar decadência. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 10980.000120/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. LIMITE ANUAL INDIVIDUAL DE R$1.998,00. O valor dos gastos com instrução que ultrapassar esse limite não
pode ser aproveitado nem mesmo para compensar gastos de valor inferior a R$ 1.998,00 efetuados com o próprio contribuinte ou com outro dependente ou alimentando. Hipótese em que a dependente recebe bolsa de 100%.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.248
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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LIMITE ANUAL INDIVIDUAL DE R$1.998,00. O valor dos gastos com instrução que ultrapassar esse limite não pode ser aproveitado nem mesmo para compensar gastos de valor inferior a R$ 1.998,00 efetuados com o próprio contribuinte ou com outro dependente ou alimentando. Hipótese em que a dependente recebe bolsa de 100%. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 50DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0628.304, proferido pela 4ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 31), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, As fls. 09/13, lavrado em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2003, anocalendário 2002, que exige R$ 549,44 de imposto suplementar, R$ 412,08 de multa de ofício de 75%, e encargos legais. Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração à fl. 10, foi constatada omissão de rendimentos recebidos de Kraft Foods, no valor de R$ 3.813,28, e dedução indevida de despesas de instrução, no valor de R$ 1.998,00. Cientificado em 07/12/2007 (fl. 30), o interessado apresentou, em 07/01/2008, por meio de representante (procuração A fl. 05), a impugnação de fls. 01/04, instruída com os documentos de fls. 06/18, onde argumenta que informou as despesas de instrução no valor de R$ 7.992,00 corretamente, porquanto teria observado o limite individual de R$ 1.998,00, já que o desembolso em gastos de instrução dos seus quatro filhos (Rafael, Sabrina, Marina e Natália) totalizou R$ 9.972,00. Argumenta que o desconto de 100% aproveitado por um de seus dependentes traduz a soma de 25% de acréscimo na mensalidade de cada filho, desconto este concedido em razão de manter os quatro filhos na mesma instituição de ensino, conforme declaração de fls. 16/18; aduz que o formulário da DIRPF/2003, não exigia que os valores fossem especificados por dependente e que a intitulação do procedimento como "bolsa" foi mera liberalidade da escola, não significando que não tenha deixado de desembolsar os valores referentes à instrução da filha Natália. Por fim, requer o acolhimento das suas razões, para julgar improcedente o Auto de Infração, tendo em vista que a forma de desconto adotado pela instituição de ensino não interfere na limitação de dedução das despesas com instrução e, caso não seja este o entendimento, requer a improcedência do auto de infração ante a ausência de exigência de detalhamento das despesas de instrução na DIRPF/2003. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não contestada expressamente. DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), e de 10, 2° e 3° graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes, não se admitindo a compensação de gastos de instrução efetuados individualmente que ultrapassarem o limite estabelecido entre dependentes e entre esses e o próprio declarante. Impugnação Improcedente Fl. 51DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10980.000120/200830 Acórdão n.º 2101001.248 S2C1T1 Fl. 46 3 Em seu apelo ao CARF, às fls. 38/43, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, a glosa da despesa com instrução da dependente Natália Trevizan Fernandes. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Sobre a dedução da despesa com instrução, o artigo 81 do RIR/1999, cuja base legal é o art. 8°, II, "b", e §§, da Lei 9.250, de 1995, com as alterações da Lei 10.451, de 2002, estabelece: Art. 81. Na declaração de ajuste anual poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré escolar), e de 1°, 2° e 3° graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.998,00. § Iº O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de R$ 1.998,00, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso individual para outra pessoa. (grifos acrescidos) Com efeito, a partir da vigência da Lei 9.250, de 1995, não mais se admite a compensação de gastos de instrução efetuados individualmente que ultrapassarem o limite estabelecido, no anocalendário de 2002, no montante anual de R$ 1.998,00, entre dependentes e entre esses e o próprio declarante. A Declaração de Mensalidades Escolares expedida pela Escola São Carlos Barromeo (fls. 16/18) informa expressamente que nenhuma mensalidade foi paga relativo à dependente Natalia Trevizan Fernandes, que é beneficiária de uma bolsa de integral, em face de o contribuinte manter seus quatro filhos no mesmo estabelecimento de ensino: Em função do Sr. Pedro Henrique Fernandes manter neste estabelecimento de ensino no ano de 2002 seus 4 filhos foi concedido uma bolsa de 100% na anuidade escolar de Natalia Fernandes Trevizan totalizando o valor de R$ 3.276,00 (três mil duzentos e setenta e seis reais), conforme demonstrativo. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 Era o que tínhamos a informar e, por ser expressão da verdade, firmamos a presente declaração, para que surta os efeitos que se fizerem necessários. Diferentemente do que foi alegado pela defesa, a contrapartida matrícula dos quatro filhos na Escola São Carlos Barromeo foi a concessão da bolsa integral para a dependente Natália, estando expressamente previsto na legislação acima transcrita a impossibilidade de compensação de gastos de instrução efetuados individualmente com outros dependentes, que ultrapassarem o limite estabelecido de R$1.998,00, como ocorreu no presente caso. De fato, não foi apresentado comprovante de pagamento de mensalidades escolares para a dependente Natália e não há elemento de prova nos autos a comprovar que cada um dos filhos tinha o desconto individual de 25%. A pergunta nº 359 do Perguntas e Respostas elaborado pela Receita Federal, para orientar os contribuinte no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2003, dispõe que: 359 — As deduções de despesas com instrução estão sujeitas a algum limite? Sim. Estão sujeitas ao limite anual individual de R$ 1.998,00. O valor dos gastos que ultrapassar esse limite não pode ser aproveitado nem mesmo para compensar gastos de valor inferior a R$ 1.998,00 efetuados com o próprio contribuinte ou com outro dependente ou alimentando. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, II, "b"; Lei nº 10.451, de 2002, art. 2º; RIR/1999, art. 81; IN SRF nº 15, de 2001, art. 39) Por fim, cumpre ressaltar que o quadro “6. Dependentes” da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003 (fl. 27) solicita que o contribuinte informe a quantidade de dependentes com os quais efetuou despesas de instrução. A filha Natália não deveria ter sido indicada na listagem, por ser beneficiária de bolsa integral de estudo. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 53DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002602/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO COOPERATIVA DE TRABALHO ATIVIDADE FIM CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO
O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho.
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.”
O art. 3° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF descreve que compete à Segunda Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-002.023
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO COOPERATIVA DE TRABALHO ATIVIDADE FIM CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.” O art. 3° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF descreve que compete à Segunda Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002602/200886 Acórdão n.º 240102.023 S2C4T1 Fl. 177 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob n. 37.174.3788 em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas por meio de Cooperativas de Trabalho em atividade fim da contratante, tendo em ação do Ministério do Trabalho sido caracterizado vínculo empregatício. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2003 a 12/2004, sendo que os fatos geradores incluídos neste AI foram apurado por meio das notas emitidas pela Cooperativa, j[a que a empresa, mesmo intimada n’ao apresentou os contratos. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/09/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 113 a 116. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 130 a 139. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 143 a 151. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente, conforme informação à fl. 173. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o aviso de recebimento à fl. 141, a recorrente foi cientificada no dia 22 de dezembro de 2009 (terçafeira), à época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerandose que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 21/01/2098. A notificada interpôs o recurso no dia 03/02/2010, conforme protocolo fl. 143, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) O art. 21, II do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, dispõe acerca da competência para julgar os processos de competência do CRPS . Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único Fl. 179DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002602/200886 Acórdão n.º 240102.023 S2C4T1 Fl. 178 5 do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. NO mesmo sentido a Portaria MF nº 147/2007, dispõe acerca da transferência dos processos pendentes de julgamento do CRPS para o extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos II e IV, da Constituição Federal, no art. 4º do Decreto n.º 4.395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. 25, 27, 29, 30 e 31 da Lei n.º 11.457, de 16 de março de 2007 e no art. 4º do Decreto n.º 5.136, de 7 de julho de 2004, resolve: Art. 5º Ficam instaladas a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes. §1º No prazo de 30 (trinta) dias da data da publicação desta Portaria, os processos administrativofiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei n.º 11.457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuídos por sorteio para a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §2º Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n. o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no §1º, nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3º Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §1º serão regulados pelo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. E por fim, o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria n. 256, de 22 de junho de 2009, assim determina a competência para julgamento de processos sobre matéria previdenciária. Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); Fl. 180DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do recurso. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 181DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002098/2004-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
1999, 2000, 2001, 2002, 2003
CONSIGNAÇÃO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. ARTIGO 5° DA LEI N° 9.716/1998. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PERCENTUAL DE 32%.
Optando, o contribuinte que desempenha revenda de veículos usados, pelo lucro presumido, nos termos da Lei n° 9.716/1998, tem tal operação equiparada à consignação, hipótese em que a alíquota será de 32%, nos termos do artigo 15, §1°, da Lei ° 9.249/95.
Numero da decisão: 9101-001.175
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CONSIGNAÇÃO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. ARTIGO 5° DA LEI N° 9.716/1998. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PERCENTUAL DE 32%. Optando, o contribuinte que desempenha revenda de veículos usados, pelo lucro presumido, nos termos da Lei n° 9.716/1998, tem tal operação equiparada à consignação, hipótese em que a alíquota será de 32%, nos termos do artigo 15, §1°, da Lei ° 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 401DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann, Jorge Celso Freire da Silva, Karen Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Júnior e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. O contribuinte foi autuado nos seguintes termos do relatório do acórdão recorrido: “A Recorrente exerce a atividade de "comércio de veículos novos e usados, estacionamento, consignação, demonstração de veículos, vendas de veículos para consórcios e prestação de serviços de polimento e limpeza de veículos.", conforme descrito em seu contrato social; e à época dos fatos geradores pesquisados era optante do Lucro Presumido. No Termo de Constatação Fiscal exarado às fls. 166/174, a autoridade fiscalizadora aponta: Os Demonstrativos de Receitas apresentam dois tipos de receitas: a) receitas de prestação de serviços, regularmente declaradas nas DIPJs apresentadas, tendo sido aplicado o percentual de presunção de 32% sobre o lucro bruto para determinarse a base de cálculo do tributo; b) receitas de vendas de mercadorias, tendo sido demonstrado em DIPJ que à diferença entre o valor contábil dessas receitas e o custo das mercadorias vendidas foi aplicado o percentual de presunção de 8% sobre o lucro bruto para determinarse a base de cálculo do tributo; O fato de o contribuinte oferecer à tributação, para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apenas a diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição dos veículos usados vendidos, encontra amparo no art. 50 da Lei n. 9716/98. O contribuinte errou ao aplicar o percentual de 8% às operações de consignação, pois este seria o regime normal de compra e venda, enquanto que a fiscalização entende que o percentual a ser aplicado é o de 32%, conforme disposto pelo Parecer Normativo Cosit 45/2003, de 17/10/200. Através do Auto de Infração de fls. 176/185, foi lançado de oficio o IRPJ referente às divergências entre os valores declarados pelo contribuinte em DCTF e os valores calculados a partir das receitas registradas em sua contabilidade, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal. Ao principal foi Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 3 3 acrescida a multa de 75% e os juros de mora calculados pela Taxa Selic.” O contribuinte apresentou impugnação (fls. 188/200). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de oficio, exigíveis em lançamento de oficio, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Indeferese pedido de juntada de novos documentos, por preclusão do direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, e não sendo caso das exceções legalmente previstas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 VEÍCULOS USADOS. CONTRATO DE CONSIGNAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 32%. Na revenda de veículos usados, é insubsistente o pleito de redução da alíquota de 32% para 8%, uma vez que a legislação vigente a equipara à operação de consignação, para efeitos tributários, sendo que esta possui natureza jurídica de contrato de prestação de serviços, sujeito ao percentual de 32%. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 280/296). Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 4 4 A antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso do contribuinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE VEÍCULOS USADOS. LEI N. 9.716/98, ART. 5°. Equiparação legal a operação de consignação. Natureza jurídica própria e, portanto, diversa da compra e venda. Lucro presumido. Utilização indevida do percentual de 8%. O contribuinte interpôs o presente recurso especial (fls. 311/344), suscitando divergência jurisprudencial relativamente à interpretação do artigo 5° da Lei n° 9.716/1998. Sustentou a tese de que “não se pode tributar os negócios jurídicos de consignação, ou negócios jurídicos estimatórios, utilizandose a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), prevista no §1°, art. 15, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995”. Segundo o recorrente: “Analisandose a norma do art. 5°, da Lei n° 9.716, de 26.11.1998, em conjunto com os ensinamentos doutrinários, a melhor interpretação que se lhe pode dar é no sentido de, para os contratos de consignação, ou estimatórios, onde há negócios com veículos, a base de cálculo do tributo há de ser 8% da receita bruta — observada diferença entre o custo e o preço de venda—, e não 32%, como afirma o aresto paragonado. Importa, ainda, ressaltar que, se por hipótese, a consignação não se caracterizasse como compra e venda, como afirma o acórdão recorrido, por certo, também não seria prestação de serviços, conforme entendimento fixado no aresto n° 10706945. E, se prestação de serviços não é, como, então, seria possível aplicar a base de cálculo de 32%, prevista no § 1°, inciso III, alínea a, do art. 15, da Lei 9.249, de 26.12.1995? Não restaria ferido o princípio da legalidade? As operações de consignação, ou de estimação, são, pois, compra e venda, ou, no mínimo, a elas se equiparam. Incabível a fixação da base de cálculo em 32%. Ao permitir que as vendas de veículos usados, adquiridos para revenda, bem como dos veículos usados recebidos como parte do pagamento, pudessem ser tributadas, na hipótese de opção pelo lucro presumido, pela margem bruta de lucro (diferença entre o custo de aquisição e o preço de venda), em nenhum momento, a norma jurídica, bem como todo o sistema jurídico, mesmo fazendo referência à consignação, classificou tal ato jurídico como prestação de serviço. Ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, o entendimento que se pode ter é o de que tal ato jurídico só pode ser entendido como compra e venda, ou, na pior hipótese, o regime que lhe será aplicável é o da compra e venda. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 5 5 Defendeu, desta forma, a tese de que os negócios jurídicos que ensejaram o lançamento, na verdade, têm a natureza jurídica de contrato de compra e venda. Segundo a recorrente, antes do advento do Código Civil de 2002, não havia normas específicas relativas ao contrato de venda em consignação, ou contrato estimatório. Diante disso, aplicavase as regras pertinentes aos demais contratos. Trouxe à tona o enunciado n° 32, da Primeira Jornada de Direito Civil do CJF/STJ, no seguinte sentido: “No contrato estimatório (art. 534), o consignante não transfere ao consignatário, temporariamente, o poder de alienação da coisa consignada, com a opção do pagamento do preço de estima ou sua restituição ao final do prazo ajustado”. O recorrente, assim, prosseguiu: “Ora, pelos elementos do contrato estimatório, se percebe que, de fato, é ele um contrato de compra e venda condicional, ou a ela deve ser equiparada para fins tributários. A empresa vendedora de veículos usados recebe a coisa em consignação e a vende a um terceiro, emitindo, inclusive, uma nota fiscal de venda. O comprador, terceiro e totalmente estranho à relação jurídica que desenvolveuse entre o tradens e o accipiens, sequer sabe da consignação. E se souber, nenhum diferença faz, porquanto contratou com o consignatário e este responderá, perante ele — o comprador — , por todas as garantias. Ora, um ato desta natureza não pode ser enquadrado como prestação de serviços. Tratase de uma compra e venda perfeita e acabada, ou, no mínimo, develhe ser equiparada. Ao se referir a consignação, o art. 5° da Lei n° 9.716, de 26.11.1998, em nenhum momento disse, contrariamente ao afirmado no r. aresto recorrido, tratarse de prestação de serviços. Disse tratarse, sim, de consignação. E esta, à luz da doutrina, tem natureza de compra e venda.” O recorrente arrematou suas alegações, no sentido de que, aproximandose a natureza jurídica da consignação mais à de um contrato de compra e venda condicional, sustentou não ser lícita interpretação de que o artigo 5° da Lei n° 9.716/98 quis se referir a prestação de serviços. Segundo o recorrente, a norma referiuse a compra e venda. Segundo o contribuinte: “Aplicamse, assim, os dispositivos da Lei n° 9.249, de 26.12.95, com as alterações ulteriores, que tratam da base de cálculo do IRPJ para os negócios de compra e venda, e não os incisos do § 1° do art. 15 do mesmo diploma legal, que estipulam a base de cálculo para as empresas que prestam serviços.” Diante disso, postulou pela reforma do acórdão recorrido. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões (fls. 384/393). Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 6 6 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial. Em primeiro lugar, é de se ter que, conforme o despacho de fls. 379/382 dos autos, que deu seguimento ao recurso especial em análise, a divergência jurisprudencial, no que se refere aos acórdãos paradigmas trazidos à tona pelo contribuinte, somente pode ser aferida em relação ao julgado de n° 10808865, pois que: “(...) em relação ao Acórdão n° 10706945 não pode sequer ser cogitado como divergência, eis que exarado pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ou seja, a mesma Câmara que emitiu o Acórdão recorrido, o que contraria o então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” Tal acórdão, posteriormente, veio ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Eis a ementa do julgado (acórdão 910100.017): IRPJ LUCRO PRESUMIDO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS Nos termos do art. 5° da Lei n° 9.716, de1998, as pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Referido dispositivo não traz qualquer menção (rectius, restrição) às empresas que apuram o IRPJ pela modalidade do lucro real ou lucro presumido. Fazendo o contribuinte a opção pela tributação nos moldes da Lei n° 9.716, de 1998, embora tenha praticado operação de venda e compra (sujeita a priori à alíquota de 8%), tal evento deverá ser tratado para efeitos tributários como consignação e, portanto, sujeito à alíquota de 32% para a apuração do lucro a ser tributado. O artigo 5° da Lei n° 9.716/98 dispõe no seguinte sentido: Art. 5o As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 7 7 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Em face do dispositivo acima mencionado, é a de que o legislador equiparou, de forma expressa, a revenda de veículos usados à operação de consignação. Não a equiparou à operação de compra e venda. Isto ressalta a conclusão de que as operações de compra e venda e de consignação constituem realidades jurídicas distintas. Não possuem a mesma natureza jurídica. A Lei, ademais, ao permitir que o contribuinte opte pela tributação na forma da Lei n° 9.716/98, determinou expressamente que a operação em questão fosse tratada como de consignação (evidenciando a diferença do tratamento da compra e venda), sujeito à alíquota de 32% para a apuração do lucro. Neste sentido, trago à baila trecho da decisão citada, desta Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Fazendo o contribuinte a opção pela tributação nos moldes da Lei n° 9.716, de 1998, embora tenha praticado operação de venda e compra (sujeita à priori à alíquota de 8%), tal evento deverá ser tratado para efeitos tributários como consignação e, portanto, sujeito à alíquota de 32% para a apuração do lucro a ser tributado. Entenderse em sentido contrário seria admitir vantagem desmedida ao contribuinte, qual seja: para efeito de apuração da base de cálculo a partir da qual se calcularia o lucro, tomarseia como certo o valor da diferença entre a venda e a compra dos veículos usados (e não o total da venda), tal como ocorre nas consignações; mas, para efeito de alíquota, adotarseia o percentual de 8% (e não o de 32%), tal como se tratasse de uma mera operação de venda e compra, o que não se pode razoavelmente admitir”. Trago à tona outros julgados no mesmo sentido: CARF 1a. Seção / 5a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180500.003 em 19/03/2009 IRPJ Ex(s): 2004, 2005 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ EMENTA ANOCALENDÁRIO: 2003,2004 COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS USADOS EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO EFEITOS TRIBUTÁRIOS Na determinação da base de cálculo presumida do Imposto de Renda devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados , adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados , é a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do citado veículo. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 8 8 Sobre a receita bruta definida nos termos acima, auferida no período de apuração, deve ser aplicado o percentual de 32%, que é o coeficiente de presunção de lucro da consignação por comissão. A consignação por venda, tipificada no atual Código Civil Brasileiro como contrato estima tório, implica em duas operações de venda, e não pode servir como parâmetro para a equiparação do art. 5° da Lei 9.716/1998, porque possui a mesma natureza da operação a ser equiparada, com idêntico tratamento tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela SÃO SEBASTIÃO COMERCIAL LTDA. ACORDAM os Membros da 5ª turma especial da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Publicado no DOU em: 06.04.2011 Recorrente: SÃO SEBASTIÃO COMERCIAL LTDA. Recorrida: 2ª TURMA/DRJBELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2002, 2003, 2004 VENDA DE VEÍCULOS USADOS. EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. PERCENTUAL APLICÁVEL DE 32%. A Lei n° 9716/98 permite que a pessoa jurídica, cujo objeto social seja a compra e venda de veículos, opte por equiparar suas operações de venda de veículos usados às operações de consignação. Feita a opção pelo sujeito passivo, ao apurar a base de cálculo presumida da CSLL a partir da diferença entre os valores de venda e de compra dos veículos usados, é devida a aplicação do percentual de trinta e dois por cento para a apuração da base de cálculo presumida em cumprimento ao disposto no art. 22 da Lei n° 10684/2003, c/c o inciso III, parágrafo 1°, do art. 15, da Lei n° 9249/95, uma vez que a operação de consignação tem natureza de prestação de serviço “1° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais; Processo n° 13603.002011/200419; Recurso n° 105146.714 Especial do Contribuinte; Matéria CSLL; Acórdão n° 0105.846; Sessão de 15 de abril de 2008; Recorrente IRMÃOS SILVA COMERCIAL LTDA; Interessado FAZENDA NACIONAL” Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10935.002098/200484 Acórdão n.º 9101001.175 CSRFT1 Fl. 9 9 Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 13 de setembro de 201113 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 409DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 13858.000302/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 08/05/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 77. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constitui-se
violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. EXIGUIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O prazo assinalado ao sujeito passivo para o oferecimento de impugnação a Auto de Infração tem natureza ex lege, não conferindo a lei que rege a matéria à administração tributária qualquer discricionariedade para a concessão de prazo diverso.
AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias.
Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.345
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CFL 77. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constituise violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. EXIGUIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O prazo assinalado ao sujeito passivo para o oferecimento de impugnação a Auto de Infração tem natureza ex lege, não conferindo a lei que rege a matéria à administração tributária qualquer discricionariedade para a concessão de prazo diverso. AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a aplicação de penalidade pecuniária mediante a lavratura de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração MPF : dezembro/2005 a dezembro/2006. Data da lavratura da Auto de Infração: 05/08/2009. Data da ciência do Auto de Infração : 14/08/2009. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de não ter sido comprovada a entrega, na rede bancária, das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, referente às competências 13/2005 e 13/2006 (13º salário), conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 06. CFL 77 Deixar o contribuinte de declarar à SRFB, na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou entrega após o prazo. Informa a autoridade lançadora que a infração tributária em tela se deu antes da vigência da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09 e que depois de efetuada a comparação das multas relativas a esta infração especifica vigente à data da ocorrência dos fatos geradores, com aquela prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/08, convertida na Lei 11941/09, apurouse que a legislação atual é mais benéfica ao contribuinte. Considerando que o contribuinte apresentou as GFIP faltantes no prazo da intimação, fez ele jus à redução prevista no §2°, inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91 incluído pela MP nº 449/08. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 17/25. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 59 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I lavrou Decisão Administrativa a fls. 31/34, julgando procedente a autuação, mantendo o valor do crédito tributário objeto do Auto de Infração em relevo em sua integralidade. A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 04 de outubro de 2010, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 37. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 40/55, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que é nulo o auto de infração por falta de justa causa para a sua lavratura, eis que, no seu entender, o Recorrente não teria vulnerado os dispositivos legais inseridos no auto de infração; • Que houve cerceamento de defesa, pois, tendo sido notificada de 08 imputações na mesma data, estava obrigada a apresentar as defesas no mesmo prazo (trinta dias), o que reputa ser materialmente impossível; • Que o valor da multa imposta é excessivo, havendo vedação constitucional à imposição de multa com efeito de confisco; • Requer que seja aplicada a minoração retroativa das multas impostas pela fiscalização, face à observância ao principio da retroatividade da lei mais benéfica em matéria tributária; • Requer o retorno dos autos para realização de prova pericial contábil e prolação de nova decisão. Ao fim, requer que seja declarada a insubsistência da autuação com o consequente arquivamento dos autos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/10/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA ALEGADA NULIDADE Alega o Recorrente ser nulo o auto de infração por falta de justa causa para a sua lavratura, eis que, no seu entender, o Recorrente não teria vulnerado os dispositivos legais inseridos no auto de infração. Tais alegações, no entanto, não correspondem à realidade dos fatos. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. De outro canto, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 60 5 no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o dever instrumental de informar mensalmente ao INSS, por intermédio das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da autarquia previdenciária federal em relevo. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Há que se ter em mente que as informações prestadas ao fisco federal mediante GFIP não possui finalidade unicamente tributária, não visa unicamente à arrecadação. Elas têm uma função social paralela àquela de natureza arrecadatória eis que tais informações prestadas nas GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirão a base de dados da própria autarquia previdenciária visando à concessão de aposentadorias e pensões em tempo ágil, dispensando a comprovação dos requisitos de concessão por parte do segurados. A inclusão de informações na base de dados do CNIS visa a garantir que novos subsídios para o reconhecimento dos benefícios passem a constar do Cadastro, além daqueles já disponíveis como o registro de pessoas físicas e jurídicas, vínculos empregatícios, remunerações e contribuições. Em termos tributários, a entrega da GFIP, muito além de uma mera obrigação acessória, configurase como o próprio lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias nela declaradas, podendo o fisco federal, vencido o prazo para o recolhimento da exação nela consignada, ajuizar imediatamente a competente ação de execução fiscal. A não entrega das GFIP impõe ao fisco o ônus de instaurar auditoria fiscal na empresa infratora visando a promover o lançamento tributário das contribuições previdenciárias não declaradas no citado documento declaratório, o que implica relevante atraso na realização do crédito previdenciário de titularidade do fisco. Tal atraso importa em redução do Orçamento Público, o que compromete a realização das metas traçadas pelo Governo Federal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 61 7 Aditese, conforme já salientado em tópico precedente, que o mero descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Mostra auspicioso ainda destacar que, nos termos do art. 136 do CTN, a responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independente da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante, igualmente, a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostrase irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária. Não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a sindicância, pelos agentes do fisco, do efetivo cumprimento das obrigações ditas principais, bem como na prestação de informações de relevante interesse para o Estado, como é o caso ora em apreciação. Dessarte, a mera violação objetiva de obrigação de natureza instrumental, acarreta, por presunção legal, prejuízo imediato no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, bem como outros de natureza parafiscal e extrafiscal. No caso presente, a fiscalização apurou que o Recorrente deixou de entregar, objetivamente, no prazo normativo, as GFIP referentes às competências 13/2005 e 13/2006. Portanto, ao contrário do que entende o Recorrente, restou configurada a infração à legislação tributária, consubstanciada na falta de entrega das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social referentes às competências acima mencionadas, infração essa que sujeita o infrator à penalidade administrativa estabelecida no art. 32, §4º da Lei nº 8.212/91, independentemente de o sujeito passivo ter promovido o devido recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (grifos nossos) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (grifos nossos) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo A conduta omissiva perpetrada pela empresa em foco acarretou quádruplo prejuízo para a Administração Pública: O social, pela não prestação de informações destinadas a integrar o Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS; O Tributário, eis que não se consolida o lançamento tributário das contribuições previdenciárias que a lei obriga a declarar em GFIP, O econômico, representado pelo atraso na realização do crédito previdenciário e pela penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória; e o público, pela redução em redução do Orçamento Anual, o que compromete a realização das metas traçadas pelo Governo Federal. Não se mostra demasiado enaltecer que a prestação mensal, ao fisco federal, mediante GFIP de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS não se configura como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da Constituição da República. Não se deve perder de vista, igualmente, que as GFIP equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 62 9 II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Nessas circunstâncias, a não entrega das GFIP nas competências em relevo frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Dessarte, a conduta omissiva perpetrada pelo Recorrente representa ofensa direta à obrigação acessória ordenada no art. 32, IV da Lei Orgânica da Seguridade Social, não sendo despiciendo relembrar que o marco primitivo da fundamentação legal em que se sustentam as obrigações tributárias estabelece, taxativamente, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação desse jaez tem natureza objetiva, figurando como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a sua caracterização, a mera inobservância de seus dispositivos, a teor dos preceitos insculpidos no §3º do art. 113 c.c. art. 136, ambos do CTN. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência da autuação levada a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente ter havido cerceamento de defesa, pois, tendo sido notificada de 08 imputações na mesma data, estava obrigada a apresentar as defesas no mesmo prazo (trinta dias), o que reputa ser materialmente impossível. Não há como atender ao apelo acima lançado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 O prazo concedido ao notificado para a apresentação de impugnação à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD tem natureza estritamente legal, nos termos do Parágrafo Único do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. §1º do art. 293 do RPS. Saliente se, ademais, que o legislador ordinário não facultou alternativas à Administração Tributária, extirpandolhe toda e qualquer discricionariedade associada a essa questão, não lhe atribuindo igualmente competência para afastar norma legal de cunho imperativo, como esta sobre a qual ora cerramos o foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Regulamento da Previdência Social Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto no 6.103, de 30 de abril de 2007) §1º Recebido o auto de infração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinquenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto no 4.032, de 2001) Por outro vértice, caminhando pari passu com as normas legais supra aludidas, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina os processos administrativos fiscais em nível federal, determina de forma expressa em seu art. 18, que o prazo para a apresentação de impugnação será de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 63 11 Nessa toada, se ofensa houve aos Princípios Constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, consoante alegações do Recorrente, essa foi promovida pelo Legislador Ordinário Federal ao editar a norma cogente em apreço, e não pelo Administração Tributária Previdenciária, que apenas cumpriu os mandamentos insculpidos na lei, a qual, conforme cediço, ostenta presunção iuris tantum de constitucionalidade. Verificase portanto que o presente lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO. Inicialmente, cumpre assentar que não será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA ONEROSIDADE EXCESSIVA DA MULTA APLICADA O Recorrente alega que o valor da multa imposta é excessivo, havendo vedação constitucional à imposição de multa com efeito de confisco; A súplica acima clamada se atrita com o ordenamento jurídico nacional. Com efeito, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da CF/88 obstou a utilização de tributos com efeito de confisco. Tal disposição constitucional é dirigida, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, assim dispõe o art. 92 da Lei nº 8.212/91, em excerto adiante rememorado, para a melhor compreensão de seus fundamentos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Conforme articulado, escapa da competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações constitucionais aviadas no art. 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela legislação que regem as obrigações tributárias ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este colegiado de apreciar tais alegações e reduzir a penalidade pecuniária aplicada rigidamente nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 64 13 Requer que seja aplicada a minoração retroativa das multas impostas pela fiscalização, face à observância ao principio da retroatividade da lei mais benéfica em matéria tributária. A alegação acima postada revelase imprópria no presente processo uma vez que, conforme exaustivamente explicitado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fls. 27/28, o auditor fiscal, ao efetuar o cálculo da multa, já o fez segundo a memória de cálculo traçada pela novel legislação, sabidamente, o art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009, aplicando, inclusive, a redução de 75% do valor da penalidade a ser imposta ao contribuinte, prevista no inciso II do parágrafo 2º desse mesmo dispositivo legal, eis que foi promovida a entrega das GFIP faltantes dentro do prazo fixado na intimação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 3.3. DO RETORNO DOS AUTOS PARA A REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Requer, por derradeiro, o retorno dos autos à instância a quo para realização de prova pericial contábil e prolação de nova decisão. A pretensão do Recorrente não merece prosperar. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por meios, nos documentos acostados aos autos. Por óbvio que nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No caso vertente, o postulante pleiteia a devolução dos autos à primeira instância para que esta promova a realização de prova pericial contábil. Tal pleito não se justifica, uma vez que a infração sub examine decorreu única e exclusivamente da não entrega objetiva das GFIP referentes às competências 13/2005 e 13/2006, fato que nada tem a ver com perícia contábil. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13858.000302/200995 Acórdão n.º 230201.345 S2C3T2 Fl. 65 15 Arlindo da Costa e Silva Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13502.000309/00-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 1995, 1996, 1997
Ementa:
DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. O fato de ter sido intimada a apresentar documentos relativos ao crédito que
pretendeu compensar, não significa que em conseqüência, o processo estava regular em relação à compensação de débitos. Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida, tendo a autoridade administrativa apreciado a matéria com suas convicções.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. FALTA DE INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO FORMULÁRIO “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO”.
Não se pode falar em homologação tácita de compensações, se sequer se conhece os débitos a serem compensados. Supera-se
a falha de insuficiência no preenchimento do pedido de compensação, uma vez que nos requerimentos de 30.09.2004, a contribuinte informou os débitos que
pretendia compensar, tendo retificado as DCTF e informado o número do
presente processo, sendo essa a data que deve ser considerada, para efeito de
se considerar formulados os pedidos de compensação. A falta de
apresentação do formulário “pedido de restituição” também pode ser
superada, uma vez que a contribuinte, deixou claro, na sua petição inicial e
nas petições de 30.09.2004, que o crédito a ser reconhecido referiase
ao
saldo negativo do imposto de renda dos anos de 1997 a 1999.
Numero da decisão: 1402-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que mediante complementação do despacho decisório, analise
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. O fato de ter sido intimada a apresentar documentos relativos ao crédito que pretendeu compensar, não significa que em conseqüência, o processo estava regular em relação à compensação de débitos. Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida, tendo a autoridade administrativa apreciado a matéria com suas convicções. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. FALTA DE INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO FORMULÁRIO “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO”. Não se pode falar em homologação tácita de compensações, se sequer se conhece os débitos a serem compensados. Supera-se a falha de insuficiência no preenchimento do pedido de compensação, uma vez que nos requerimentos de 30.09.2004, a contribuinte informou os débitos que pretendia compensar, tendo retificado as DCTF e informado o número do presente processo, sendo essa a data que deve ser considerada, para efeito de se considerar formulados os pedidos de compensação. A falta de apresentação do formulário “pedido de restituição” também pode ser superada, uma vez que a contribuinte, deixou claro, na sua petição inicial e nas petições de 30.09.2004, que o crédito a ser reconhecido referiase ao saldo negativo do imposto de renda dos anos de 1997 a 1999.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000309/0018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.830 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente PROQUIGEL QUÍMICA S/A (nova denominação de POLICABORNATOS DO BRASIL S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. O fato de ter sido intimada a apresentar documentos relativos ao crédito que pretendeu compensar, não significa que em conseqüência, o processo estava regular em relação à compensação de débitos. Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida, tendo a autoridade administrativa apreciado a matéria com suas convicções. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. FALTA DE INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO FORMULÁRIO “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO”. Não se pode falar em homologação tácita de compensações, se sequer se conhece os débitos a serem compensados. Superase a falha de insuficiência no preenchimento do pedido de compensação, uma vez que nos requerimentos de 30.09.2004, a contribuinte informou os débitos que pretendia compensar, tendo retificado as DCTF e informado o número do presente processo, sendo essa a data que deve ser considerada, para efeito de se considerar formulados os pedidos de compensação. A falta de apresentação do formulário “pedido de restituição” também pode ser superada, uma vez que a contribuinte, deixou claro, na sua petição inicial e nas petições de 30.09.2004, que o crédito a ser reconhecido referiase ao saldo negativo do imposto de renda dos anos de 1997 a 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que mediante complementação do despacho decisório, analise Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 2 2 o direito ao crédito do sujeito passivo e em relação aos pedidos de compensação, os considere formulados em 30.09.2004, homologandose as compensações até o limite do crédito a ser reconhecido, com a incidência da multa de mora e dos juros de mora sobre os débitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Conforme capa do processo e doc. de fls. 1, a contribuinte protocolizou, em 11.08.2000, pedido de compensação. Nesse pedido consta que o crédito a compensar é de R$ 1.110.995,84 e que o código desse tributo a compensar é 2430. Em relação aos débitos a serem compensados, foi indicado o código do tributo e sua respectiva denominação (COFINS, PIS, IRRF, CSL e IPI). Não foi indicado o período de apuração, nem o valor. Consta em “outras informações” que tratase de débitos vincendos e que os valores seriam informados na DCTF. A contribuinte não apresentou o formulário “pedido de restituição”, mas, apresentou petição, na qual requer compensação dos valores recolhidos a maior a título de IRPJ dos anoscalendário de 1995 a 1997, com débitos vincendos da COFINS, PIS, CSL, IPI e IRRF sobre o rendimento do trabalho assalariado devidos a partir do mês de julho de 2000. Esclarece nessa petição que o crédito corresponde ao valor original de R$ 620.711,22 retido na fonte pelas instituições bancárias, que por ser superior ao apurado com base no lucro real, apurou saldo negativo do imposto de renda no valor de R$ 212.518,54, R$ 338.161,68 e R$ 37.428,54, referentes aos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, respectivamente. Tais valores acrescidos da taxa selic atingiriam a importância de R$ 1.110.995,84. Juntou aos autos informes de rendimento emitidos pelas fontes pagadoras. Também consta nos autos cópia dos recibos de entrega da Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1995, 1996 e 1997, com data de recepção de 06.07.2000, onde consta o saldo negativo do IRPJ de R$ 212.518,54, R$ 338.161,28, R$ 37.428,54, respectivamente, e cópia das respectivas declarações de rendimento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 3 3 Consta ainda, cópia de uma petição, protocolizada em 30.09.2004, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Camaçari, decorrente de uma intimação, emitida pela Delegacia de Osasco, relativa a inconsistências verificadas nas DCTF do 1º e 3º trimestre de 2000 e 1º e 4º trimestres de 2001 do tributo IPI Informa que nas DCTFs então retificadas, houve um equívoco no seu preenchimento por ter declarado compensação com DARF, quando o correto seria pedido de compensação solicitado por meio dos processos 13502.000309/0918, 13502.000251/200174, 13502.000882/200193. Consta ainda outra petição, protocolizada em 30.09.2004 dirigida ao Delegado da Receita Federal em Camaçari, decorrente de uma intimação, emitida por essa DRF, relativa a inconsistências verificadas nas DCTF do 2º, 3º e 4º trimestres de 2000 e 1º e 2º trimestres de 2001. Informa que nas DCTF então retificadas, houve equívoco no preenchimento por ter declarado compensação com DARF, quando o correto seria pedido de compensação solicitado por meio deste processo e dos processos 13502.000251/200174 e 13502.000234/200137. A autoridade administrativa, em despacho de 25.10.2004, por não ter localizado o requerimento de compensação dos débitos, consideroua como não declarada e intimou o sujeito passivo a regularizar o pedido com a apresentação de DCOMP via internet, com ciência à interessada em 27.10.2004. Em 07.11.2005, a contribuinte requereu a baixa do processo administrativo, em face de suposta homologação tácita da compensação pleiteada. Em 04.07.2007, por meio do despacho decisório de fls. 295/300, indeferiuse a solicitação da interessada, uma vez que não revestida das formalidades legais previstas na IN SRF 21/97 vigente à época da formalização do processo, ou naquelas previstas na IN SRF 432/2004, vigente à época da adoção das providências tidas como inadequadas. Apresentada manifestação de inconformidade, a Turma Julgadora indeferiu a solicitação da interessada, tendo proferido a seguinte ementa: DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, Para fins de se verificar a ocorrência da decadência do direito do contribuinte solicitar o pedido de restituição/compensação, bem como para se aferir a ocorrência de homologação tácita por decurso de prazo para o julgamento, devese exigir a formalização do mesmo de maneira que a autoridade tributária possa identificar os valores de crédito e de débito que deverão compor a compensação. A ausência de qualquer desses valores macula materialmente a pretensa solicitação. A Turma Julgadora concluiu que: i) não tem sentido se falar em decadência dos valores representativos dos débitos; ii) os valores constitutivos dos débitos não estão alcançados pela prescrição e iii) não houve ocorrência de homologação tácita por decurso do prazo de julgamento, pois o pedido de compensação somente se Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 4 4 aperfeiçoou em 2004, com a vinculação dos créditos aos débitos declarados na DCTF 2000; iv) a solicitação, material, (vinculação dos débitos) foi apresentada a destempo estando alcançado pela decadência. A ciência da decisão foi dada em 30.09.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 30.10.2008. Argumenta a recorrente que à época da formalização do processo, a restituição/compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal era regulada pela IN SRF 21/97 (transcreve o caput do art. 6º, § 2) e que dessa forma, o crédito utilizado para fins de compensação não padeceria de qualquer vício, material ou formal, uma vez que o direito já havia sido constituído com o envio das declarações de rendimentos. Diz que a seguir apresentou pedido de compensação aprovado pela IN SRF 21/97, vigente à época. Argumenta que as compensações foram informadas nas DCTF e que todas as retificações foram anteriores ao despacho que indeferiu o pedido de restituição/compensação. Assim, não haveria como sustentar a assertiva de que não era possível controlar os débitos compensados no presente processo, que seria a única justificativa proclamada para indeferimento do pleito. Conclui que deve ser reconhecido o direito à compensação existindo tão somente erro material no preenchimento do formulário, o qual não teria o condão de anular o direito da empresa, sob pena de sobrepor a forma em detrimento do conteúdo. Cita a respeito, acórdão CSRF/010079, de 13.06.1980 e acórdão 337578PR proferido em Recurso especial, em 15.03.1995, pela 1ª Turma do STJ. O item IV do seu recurso é dedicado à NULIDADE. Argumenta que, inicialmente, foi intimada a apresentar documentos voltados para a instrução e comprovação do crédito utilizado, sem qualquer ressalva quanto à forma de preenchimento do formulário; e que posteriormente foi surpreendida com o despacho de fls. 286/287 que pugnou pela inobservância do art. 12 da IN SRF 21/97, e com a informação de que as compensações foram consideradas não declaradas, com a intimação à empresa para que se utilizasse do programa PER/DCOMP para efetivação das compensações, com o que não concordou porque implicaria em novo pedido, com encargos de multa de mora e juros de mora, com prejuízos inequívocos. Cita acórdão 20401.650, recurso 132.742, que concluiu pela anulação do processo administrativo, a partir da decisão de primeira instância, determinando a intimação da empresa para formular pedido de compensação com os devidos ajustes no formulário e novo exame do pedido, considerando a data de protocolo inicialmente formulada. Pede o reconhecimento da nulidade do despacho decisório, tendo em vista os vícios verificados na fase instrutória do presente processo. Afirma também que não foi observado o prazo de cinco anos, tendo em vista que o despacho decisório com o indeferimento da restituição/compensação foi recebido pela empresa apenas em 10.07.2007, sendo que o pedido foi formulado em 11.08.2000. Aduz que o crédito tributário compensado encontrase extinto pela homologação tácita do lançamento (art. 150, § 4º do CTN) ou então deve ser reconhecida a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 5 5 homologação tácita das compensações, com fundamento nos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Este é relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 11.08.200, quando o sujeito passivo apresentou o pedido de compensação, a legislação vigente determinava: IN SRF 21/97: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. Depreendese que a norma vigente na data do ingresso do pedido de compensação, determinava que para sua formalização deveria ser apresentado o Pedido de Compensação de que trata o Anexo III, e que poderia ser efetuada inclusive com débitos vincendos (desde que não existissem débitos vencidos), razão pela qual no parágrafo 4º, se permitiu a apresentação de quantos pedidos de compensação fossem necessários, desde que o crédito ainda não houvesse sido restituído. No caso concreto, o sujeito passivo apresentou pedido de compensação, sem ter informado no mesmo, as informações relativas aos débitos que deveriam ser compensados, limitandose a informar que se tratariam de débitos vincendos. Tampouco apresentou o pedido de restituição previsto na mesma IN. Nas DCTF originais apresentadas relativas aos períodos seguintes, cujos débitos seriam compensados, não foi informado quais débitos foram compensados com o crédito pleiteado no presente processo. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 6 6 Somente se soube dessa intenção, em 30.09.2004, quando da apresentação de resposta a intimação para informação de inconsistências de DCTF de alguns trimestres dos anos de 2000 a 2001, quando foi informado que as DCTF haviam sido então retificadas (29.09.2004) para informar a compensação, com o crédito discutido no presente processo. A autoridade administrativa chegou a intimar a contribuinte a apresentar documentos voltados para a instrução e comprovação do crédito utilizado. A autoridade administrativa, por não ter localizado o requerimento de compensação dos débitos, consideroua como não declarada e intimou o sujeito passivo a regularizar o pedido de compensação com a apresentação da DCOMP, via internet, não tendo essa providência sido realizada, sob a justificativa de que a recorrente seria prejudicada, porque se consideraria um novo pedido de compensação com incidência de acréscimos legais aos débitos. Em razão do contribuinte ter, posteriormente, pleiteado a baixa dos autos, com a justificativa de ter havido a homologação tácita foi expedido o despacho decisório de 04.07.2007, com a negativa do pedido. Expostos os fatos, inicialmente devese decidir sobre: a) a homologação tácita das compensações em razão do despacho decisório ter sido proferido depois de cinco anos da apresentação do pedido inicial; b) Extinção do crédito tributário compensado pela homologação tácita do lançamento (art. 150, § 4º do CTN); c) a argüição de nulidade do despacho decisório; Em relação à argüição da homologação tácita das compensações, em razão do despacho decisório ter sido proferido depois de cinco anos da apresentação do pedido inicial, não tem razão a recorrente. Não se pode falar em homologação tácita de compensações, se sequer se conhece os débitos a serem compensados. Ainda que se considere que se tratou de mero erro de preenchimento e que os débitos a serem compensados vieram ao conhecimento da autoridade administrativa, em 30.09.2004, quando a contribuinte informou que retificou as DCTFs com a informação dos débitos a serem compensados, nesse caso, a homologação tácita também não teria ocorrido, seja porque houve o despacho da autoridade administrativa que considerou a compensação não homologada, datado de 25.10.2004 e cientificado à interessada em 27.10.2004, seja porque o despacho decisório foi proferido em 05.07.2007 (ciência em 10.07.2007), ambos a menos de cinco anos em relação a 30.09.2004. Assim, deve ser rejeitada essa argüição. Quanto à alegação de que os débitos estariam extintos em razão da homologação tácita do lançamento, também não tem razão a recorrente. A Turma Julgadora apreciou adequadamente a matéria, conforme o trecho que a seguir transcrevo: 4.O art. 150 e § 4 ° do CTN, conforme transcrito pela Recorrente 11, 317/318, trata de lançamento, contudo, no caso em tela, não está a DRF Camaçarí modificando ou questionando os valores já confessados pela contribuinte, pois que declarados em DCTF. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 7 7 Isso seria efetivamente impossível em face do referido dispositivo legal. 5. Entretanto, no que se refere aos débitos fiscais da Recorrente declarados em DCTF, os quais seriam extintos por compensação com os saldos negativos do IRRI relativos aos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997 de que trata o presente processo, teríamos que efetivamente nos preocupar com a prescrição. 6. Conforme artigo 174 do CTN a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva, mas se interrompe por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. 7. Conforme se pode verificar, no decorrer do processo existem diversos atos por escrito, inclusive retificação de DCTF, onde a Impugnante (devedora), reconhece a existência do débito em apreço, acontecimento que vem afastar qualquer pretensão de prescrição. Quanto à argüição de nulidade do despacho decisório, a recorrente ressalta que deveria ter sido intimada a formular pedido de compensação com os devidos ajustes no formulário e novo exame do pedido, considerando a data inicialmente formulada. Entende ser um vício ter sido intimada a apresentar documentos voltados para a instrução e comprovação do crédito utilizado, sem qualquer ressalva quanto à forma de preenchimento do formulário. O fato de ter sido intimada a apresentar documentos relativos ao crédito que pretendeu compensar, não significa que o processo estava regular em relação à compensação de débitos. Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida, tendo a autoridade administrativa apreciado a matéria com suas convicções. Prosseguese em relação à análise do mérito: Perguntase: O fato da contribuinte, não ter especificado os débitos que pretendia compensar, seja completando o preenchimento do pedido de fls. 1, seja apresentando os pedidos de compensação à medida em que os fatos geradores ocorressem, cujos procedimentos eram exigidos pela IN SRF21/97, poderia ser tido como mero erro de preenchimento, passível de superação? Entendo que não, pois, a contribuinte nem ao menos declarou as compensações na DCTF. Não há como superar essas falhas, pois eram procedimentos essenciais para que se conhecesse os débitos a serem compensados. Outra pergunta: O fato da autoridade administrativa ter tomado conhecimento em 30.09.2004, dos débitos que a contribuinte pretendia compensar, quando o contribuinte atendeu intimação que tinha como objetivo verificar inconsistências nas DCTF, e respondeu que havia retificado as DCTFs, em 29.09.2004, para fazer constar o número do presente processo, sanaria as irregularidades formais praticadas? Em relação ao pedido de compensação, concluo ser possível, superar a falha de falta de apresentação formal dos pedidos de compensação, uma vez que em seus Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13502.000309/0018 Acórdão n.º 140200.830 S1C4T2 Fl. 8 8 requerimentos de 30.09.2004, deixou claro quais débitos pretendia compensar, tendo retificado as DCTF e informado o número do presente processo. A falta de apresentação do formulário “pedido de restituição” também pode ser superada, uma vez que a contribuinte, deixou claro, na sua petição inicial e nas petições de 30.09.2004, que o crédito a ser reconhecido referiase ao saldo negativo do imposto de renda dos anos de 1997 a 1999. Do exposto, oriento meu voto, para rejeitar a preliminares, e no mérito dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que mediante complementação do despacho decisório, analise o direito ao crédito do sujeito passivo e em relação aos pedidos de compensação, os considere formulados em 30.09.2004, homologandose as compensações até o limite do crédito a ser reconhecido, com a incidência da multa de mora e dos juros de mora sobre os débitos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10940.002219/2003-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES-EXCLUSÃO
Ano-calendário: 2003.
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Não caracteriza a locação de mão-de-obra quando o contribuinte firma contrato de prestação de serviços, em que, não obstante sejam prestados na propriedade do contratante, não subordinação dos empregados a este. Foco do contrato que se refere ao serviço a ser prestado, e não à respectiva mão-deobra.
Numero da decisão: 9101-000.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : SIMPLES-EXCLUSÃO Ano-calendário: 2003. Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Não caracteriza a locação de mão-de-obra quando o contribuinte firma contrato de prestação de serviços, em que, não obstante sejam prestados na propriedade do contratante, não subordinação dos empregados a este. Foco do contrato que se refere ao serviço a ser prestado, e não à respectiva mão-deobra.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-05-16T17:48:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-05-16T17:48:03Z; Last-Modified: 2011-05-16T17:48:03Z; dcterms:modified: 2011-05-16T17:48:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:dc2a02ca-ca52-4a1f-a3e6-172673b0fba0; Last-Save-Date: 2011-05-16T17:48:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-05-16T17:48:03Z; meta:save-date: 2011-05-16T17:48:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-05-16T17:48:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-05-16T17:48:03Z; created: 2011-05-16T17:48:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-05-16T17:48:03Z; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-05-16T17:48:03Z | Conteúdo => ann - Relatora. Susy Go Caio Marcos Cândido - Presidente. CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10940.002219/2003-38 Recurso n° 132.570 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.912 — r Turma Sessão de 28 de março de 2011 Matéria SIMPLES- EXCLUSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JASON PEREIRA DOS SANTOS Assunto: SIMPLES-EXCLUSÃO Ano-calendário: 2003. Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Não caracteriza a loca ção de mão-de-obra quando o contribuinte firma contrato de presta ção de serviços, em que, não obstante sejam prestados na propriedade do contratante, não subordina ção dos empregados a este. Foco do contrato que se refere ao servi ço a ser prestado, e não â respectiva indo-de- obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do cole giado, por unanimidade de votos, ne gar provimento ao recurso Editado em: 1 0 m A 12011 Participaram da sessão de jul gamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wa gner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Orlando José Gon çalves Bueno (Suplente Convocado). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em violação à legislação tributária, por parte da decisão tomada por maioria. Refere-se, o processo, à exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples, sob o fundamento de exercício, por parte da empresa, de atividade de locação de mão- de-obra, vedada ao Simples, de acordo com o artigo 9°, inciso XII, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, As fls. 25/29, explicando que, a partir de janeiro de 2000, passou a exercer atividade de comercio e transporte de madeiras e prestação de serviços de corte de pinus, com a utilização de vários equipamentos próprios, como roçadeira, moto-serra, caminhão. Assim, afirmou que há necessidade de operadores para tais equipamentos, de modo que reputar tais atividades como atividade de locação de mão-de-obra importaria querer abranger todas as atividades em que se utiliza de mão-de-obra como atividade de locação de mão-de-obra. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, As fls. 34/39 dos autos, manteve a exclusão. 0 contribuinte interpôs recurso voluntário As fls. 43/61 dos autos. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, As fls. 68/74 dos autos, deu provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Parcelamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte- Simples. Ano-calendário: 2003. • Ementa: SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. EXCLUSÁ -0.O. Há que se distinguir a contratação da prestação de serviços com cessão de mão-de-obra da assim chamada locação de mão-de- obra. No primeiro caso há uma "locação de serviços" com disponibilização de mão-de-obra, de força de trabalho, não há, no entanto, obrigação da contratada de fornecer determinada pessoa, mas sim alguma pessoa, e, portanto, não há pessoalidade dos obreiros cedidos. Neste caso, nenhum impedimento a opção pelo SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então interpôs recurso especial, As fls. 78/84 dos autos, com base em violação à legislação tributária. 2 Processo n° 10940.002219/2003-38 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.912 Fl. 2 Salientou que a fiscalização constatou que o contribuinte, que optou pelo SIMPLES em 07/02/2000, praticava serviço vedado pela legislação referente à matéria, consistente em locação de mão-de-obra, o que, enfatizou, restou documentalmente comprovado. Transcreveu trechos da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, bem como de clausulas do contrato de prestação de serviços apurado. Referindo-se ao contribuinte como contratada, discorreu no seguinte sentido: "Nota-se nas cláusulas contratuais que todos os empregados da contratada devem ter vinculo empregaticio com a mesma, e estar com a documentação trabalhista ern ordem, isto ê, não têm vinculo empregaticio com a contratante. Os equipamentos necessários à produção pertencem et contratada e a prestação dos serviços é desenvolvida em propriedade de terceiros (cláusula nona), sob fiscalização e supervisão da contratante, e está dito que esta efetuará em nome da contratada a retenção para a seguridade social prevista na Lei no 9.711, de 1998". Desta forma, defendeu a legitimidade da exclusão do contribuinte do SIMPLES. 0 contribuinte não apresentou contra-razões. E o relatório. 3 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora 0 presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo da legislação tributária que reputa violado. Diante disso, passo à análise do mérito recursal. 0 deslinde do caso depende da configuração ou não, na hipótese, de locação de mão-de-obra, atividade vedada ao Simples pelo artigo 9°, inciso XII, da Lei n° 9.317/96. Eis o texto do dispositivo legal: Art. 9e Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII - que realize operações relativas a: a) importação de produtos estrangeiros; (Revogado pela MPV n2 2.158-35, de 24.8.2001) b) locação ou administração de imóveis; c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; e) factoring; 19 prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; No presente caso, conforme se infere do "Contrato Particular de Prestação de Serviços" constante de fls. 08/12 dos autos, o seu objeto consiste em "Extração, Desgalhamento, Arraste e Estaleiramento de produtos florestais". As cláusulas n° 8 e 9 do contrato dispõem que: "CLÁUSULA OITAVA- A prestação de serviços não é uma relação exclusiva entre as partes, podendo a contratada prestar serviços a outras Empresas, bem como a contratante contratar outros prestadores de serviços, vedando-se a vincula ção deste contrato a relação de terceiros. CLÁUSULA NONA- A contratada deverá fornecer todos os equipamentos, veículos e outros meios para bem executar seus serviços, sob responsabilidade e administração, sendo sua opera cão restrita aos serviços prestados" Dessas duas cláusulas pode-se depreender importantes circunstâncias que permitem o enquadramento da atividade da contribuinte como contrato de prestação de serviços, e não como locação de mão-de-obra, como pretende a recorrente. 4 Processo n° 10940.002219/2003-38 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.912 Fl. 3 Com efeito, traço característico que distingue a prestação de serviços da locação de mão-de-obra é o foco que, em cada caso, se tem. Na prestação de serviços, o relevante é o próprio serviço. Na locação da mão-de-obra, o objeto principal é a pessoa cuja mão-de-obra se transfere. Outrossim, na prestação de serviço, este é realizado por conta da prestadora, sem relação, por assim dizer, de hierarquia ou subordinação em relação àquele que contrata o serviço a ser prestado. Na locação de mão-de-obra, por sua vez, o sujeito realiza o trabalho para o contratante, a este se subordinando. No caso, a ausência de tal subordinação resta inequívoca quando se analisa detidamente o contrato de prestação de serviços. Veja-se, por exemplo, a seguinte cláusula contratual: "CLÁUSULA DÉCIMA: A contratada assume total responsabilidade civil e criminal no cumprimento de toda legislação ambiental das normas e leis florestais, de fauna, em especial quanto à proibição de caça e da proibição de uso de fogo, armas ou materiais perigosos nas áreas de propriedade da contratante, sabendo que não pode manter seu pessoal acampado ou pernoitando nestas áreas, salvo em casas e alojamentos provisórios, previamente autorizados pela contratante. Parágrafo Único: A contratante poderá a qualquer momento e local fiscalizar o fiel cumprimento do caput desta cláusula, comunicando ás autoridades eventuais irregularidades ou solicitando ao contratado o imediato cumprimento das leis Ou normas, sendo que o não atendimento pelo contratado gera o imediato cancelamento da Ordem de Serviço OS em vigor e a imediata retirada de seu pessoal e equipamentos, sem prejuízo das demais sanções cabiveis". Ora, depreende-se, claramente, da passagem em negrito, que a contratante tem a faculdade de fiscalizar, em qualquer momento, o serviço prestado pelo contribuinte, o que denota a inexistência de subordinação dos empregados que efetivam o serviço na propriedade do contratante a este. Nessa esteira, trago A. baila lição de Roque Antonio Can-azza e Eduardo Domingos Bottallo: "A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando o esforço humano posto a disposição do contratante (o tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mão-de-obra, para que este dela Aga uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento a assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviço, não há cessão ou locação de mão-de-obra. 5 Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mão-de-obra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não !were cessão ou locação de mão-de-obra, mas apenas prestação de serviços. Já, pelo contrário, se a sujeição dos empregados ás ordens do tomador de serviços for a característica marcante do contrato, então, ai sim, haverá autentica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mão-de-obra". Neste sentido, também: "Na locação de mão-de-obra e na falsa subempreitada, quem angaria trabalhadores os coloca simplesmente (ou quase) a disposição de um empresário, de quem recebeu as ordens e com quem se relacionam constante e diretamente, inserindo-se no meio empresarial do tomador de serviço, muito mais no que do de quem o contratou e o remunera, o locador é apenas um intermediário que se intromete entre ambos, comprometendo o relacionamento direto entre o empregado e seu patrão natural; em seu grau extremo, quando, sem mais, apenas avilta o salário do trabalhador e lucra o intermediário (Camerlynek, "Le Contrat'). É a figura do marchandage, com suas características mais ou menos nítidas e que é proibida em vários países". 2 Fica claro, destarte, que as peculiaridades do presente caso não permitem concluir tratar-se de locação de mão-de-obra, mas sim, efetivamente, de uma prestação de serviço. Não se insere, pois, na vedação estatuída no artigo 9°, inciso XII, da Lei no 9.317/96. Ademais, neste sentido há manifestações recentes do CARF, como no seguinte exemplo: "Assunto: sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte-simples. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO -DE-OBRA. Ano-calendário: 2003 Ementa: LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Não caracteriza locação de mão-de-obra, a disponibilização de funcionários para execução de tarefas determinadas, mesmo quando as atividades contratadas sejam executadas nas dependências da contratante, desde que as atividades laborais exercidas nas dependências • da contratante, desde que as atividades laborais exercidas não caracterizem vinculo direto ou indireto entre o contratante e o efetivo prestador de serviço contratado, seja pela inexistência de relação de subordinação/hierarquia, ou pela inexistência de continuidade na realização da prestação desses serviços, ou mesmo pela inexistência de pagamento efetuado por horas-homem trabalhadas" (acórdão n° 1202-00.334. Primeira Seção de julgamento. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sessão de 6 de julho de 2010). CARRAZA, Roque Antonio; BOTTALLO, Eduardo Domingos. Serviço de Atendimento Pós-venda por Empresas Especializadas- Não-caracterização de Cessão de Mão-de-obra ou Consultoria- Possibilidade de ingresso no Simples Nacional. Revista Dialética de Direito Tributário if 169. p.136. 2 CARRION, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 6 Processo n° 10940.002219/2003-38 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.912 F1.4 Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, 28 de março de 2011. I , I Susy Gomes Ho Vgii 14.,,I1 ' 4- iatora 7
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Numero do processo: 13558.000739/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/10/1998
Ementa: DÉBITO TRATADO EM OUTRO PROCESSO.
IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA EXIGÊNCIA.
Comprovada a exigência do mesmo crédito tributário, declarado em DCTF,
em outro processo administrativo, anterior, decorrente de compensação, a exigência posterior deverá ser cancelada, sob pena de duplicidade de cobrança, o que não se admite.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-000.855
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1998 a 31/10/1998 Ementa: DÉBITO TRATADO EM OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA EXIGÊNCIA. Comprovada a exigência do mesmo crédito tributário, declarado em DCTF, em outro processo administrativo, anterior, decorrente de compensação, a exigência posterior deverá ser cancelada, sob pena de duplicidade de cobrança, o que não se admite. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1998 a 31/10/1998 Ementa: DÉBITO TRATADO EM OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA EXIGÊNCIA. Comprovada a exigência do mesmo crédito tributário, declarado em DCTF, em outro processo administrativo, anterior, decorrente de compensação, a exigência posterior deverá ser cancelada, sob pena de duplicidade de cobrança, o que não se admite. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 270 2 Relatório CAMBUCI S.A., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 152/170 contra o Acórdão nº 1516.142, de 09/07/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, fls. 33/39, que julgou procedente em parte o auto de infração nº 0000428 (fls. 31/31) relativo ao PIS, períodos de setembro e outubro de 1998, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 13877.000126/9787, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc de outro débito”, (fl. 33) e “Pagto não Localizado” (fl. 34). A contribuinte foi devidamente cientificada do lançamento em 29/07/2003 (fl. 113). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/21, com as alegações sintetizadas pela instância a quo, nos seguintes termos: • diz, após se referir à autuação, que tal exigência não pode prosperar, uma vez que o débito ora exigido foi, uma parte, devidamente quitada Mediante recolhimento em Darf (cópia, fl. 41), e outra parte, compensada com créditos do próprio PIS, demonstrados nos autos do Processo Administrativo n° 13877.000126/9789 (cópia, fls. 42/96); • que para a lavratura do presente AI seria imperioso que a autoridade fiscal verificasse "in locu" os procedimentos por ela adotados, já que pagou corretamente parte do débito exigido, bem como indicou em sua DCTF o número do processo administrativo que deu origem aos seus créditos compensáveis; que, ao deixar de assim proceder, contrariou o art. 142, do CTN, que exige o esgotamento da matéria tributável; • que, tendo em vista que os pedidos de compensação pendentes de julgamento à época da edição da MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002, como é o seu caso devem ser considerados declarações de compensação, que extinguem o crédito tributário (art. 74, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 21, da IN SRF n° 210, de 2002), sob condição resolutória de posterior homologação, concluise, por imperativo lógico, que não pode haver cobrança de valores compensados por essa via até decisão final do pedido de compensação, sob pena não somente de violação aos dispositivos legais citados, mas também de usurpação da competência da autoridade administrativa que apreciará o pleito compensatório; • argúi, desse modo, a nulidade do AI, em razão do não exaurimento da matéria da matéria tributável, e tendo em vista a quitação integral do crédito tributário mediante o pagamento do PIS de outubro /1998 (Darf, cópia fl. 41) e a compensação do PIS de setembro/1998, através do processo administrativo n° 13877.000126/9789 (cópia, fls. 42/96), com créditos do próprio PIS, decorrentes de recolhimentos efetuados com base nos DecretosLeis n.ºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, considerados indevidos, em razão da Resolução do Senado Federal n.° 49, de 09 de outubro de 1995; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 271 3 • diz, quanto ao pedido de compensação, Processo Administrativo N° 13877.000126/9789), que este foi inicialmente indeferido pela autoridade julgadora com base no § 2° inciso VIII, do art. 18 da MP n° 1.62132/98, que vedava a restituição de quantias pagas com base nos DL acima mencionados; que inconformada com o indeferimento do seu pedido, ajuizou Mandado de Segurança (Processo n° 98.09025696 da i a Vara Federal de Sorocaba/SP —cópia, fls. 97/111), requerendo a concessão de ordem que determinasse à autoridade administrativa o pronto conhecimento do mérito do pleito ressarcitório, afastandose as limitações da referida MP; • que, não obstante a liminar ter sido concedida, e posteriormente confirmada por sentença, seu pedido de compensação foi novamente julgado improcedente, agora sob o fundamento de que o art. 6°, da LC n° 07, de 1970, não tratava de base de cálculo da contribuição, mas sim do seu prazo de recolhimento, não detendo, em razão disso, quaisquer créditos a compensar a titulo de PIS; que, não se conformando com tal decisão, apresentou recurso ao 2° Conselho de Contribuintes, o qual foi provido, conforme ementa que transcreve; que contra tal decisum a Fazenda Nacional interpôs Recuso Especial, o qual, por unanimidade de votos, foi improvido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (cópia, fls. 88/95); • que, portanto, tendo sido reconhecido o seu direito à compensação e o processo devolvido a autoridade julgadora de 1ª instância somente para apuração dos créditos compensáveis, concluise, por imperativo, que somente poderão ser cobrados eventuais diferenças a titulo de compensações indevidas se, e somente se, após a apuração dos seus créditos de PIS for constatado que os montantes compensados são superiores aos créditos apurados; • na seqüência passa a discorrer sobre a aplicação da multa de oficio, afirmando ser indevida haja vista que o valor da exação foi declarado em DCTF e, neste caso, deveria ser aplicada tão somente a multa de mora, conforme reconhecido por diversos dispositivos na legislação tributária que, por questão de política fiscal, diferenciam os contribuintes que declaram a existência de débitos em DCTF, daqueles que se furtam a declarar essas informações; cita, em argumento ao seu pleito, além de legislação, jurisprudência do Conselho de Contribuintes; • discorre, também, sobra a imprestabilidade da taxa Selic para cálculo dos juros de mora; sustenta, após transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que os juros moratórios, ainda que devidos fossem, o que diz admitir ad argumentandum tantum, jamais seriam na dimensão pretendida, posto que a taxa Selic não pode ser tomada como fator para o seu cômputo; • requer ante o exposto, e à vista da flagrante nulidade e improcedência da exigência fiscal ora combatida, que sua impugnação seja acolhida e provida a fim de que seja julgado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 272 4 insubsistente o presente AI, protestando, ainda, pela produção de quaisquer provas que se façam necessárias ao longo do procedimento. Após o recebimento da impugnação, em relação ao período de outubro de 1998 (principal R$52.636,39), a própria DRF, por meio de revisão de ofício, considerou improcedente o lançamento, conforme fls. 119/124. Na sequência encaminhou os autos para julgamento. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento exonerando a multa de ofício. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 01/10/1998 a 31/10/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PIS. LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Presente a falta de recolhimento, apurada em auditoria interna de DCTF, cabível o lançamento de oficio da contribuição correspondente. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Cobramse juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial Selic, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de oficio. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, em 05/11/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 152/170, acrescido dos documentos de fls. 171/266, aduzindo os seguintes argumentos: a) houve alteração na motivação fática na medida em que o lançamento decorreu de “declaração inexata” e não de falha da repartição fiscal ao cadastrar o processo de compensação no Profisc; b) impossibilidade de inovar o lançamento ao aplicar de multa de mora, após o cancelamento da multa de ofício, sendo que o acórdão recorrido sequer faz menção à multa de 20%, constante do documento de cobrança. Ademais, ainda que se cogitasse a aplicação da multa moratória nessa fase, não seria mais possível pela ocorrência de decadência relativa a fato gerador de setembro/1998 em 2008; c) impossibilidade de cobrança de valor que é objeto de compensação administrativa ainda não definitivamente apreciada junto ao processo nº 13877.000126/9787, no qual requereuse a compensação de PIS pagos a maior com o próprio PIS e a Cofins. Portanto, o presente lançamento está eivado de vício insanável; d) dissonância Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 273 5 entre os fatos e fundamentos legais descritos e a situação fática, visto que inexiste inadimplência que sustente o lançamento. O v. acórdão em análise simplesmente ignora a motivação do lançamento e mantém a exigência fiscal sob o fundamento de que em consulta feita ao Sistema Profisc (tela, fls. 139/140) não constar tal débito no referido processo; e) inexistiu verificação na empresa e a intimação para comprovação da compensação procedida e, portanto, em afronta ao art. 142 do CTN; f) o valor aqui exigido já é objeto de cobrança nos autos do processo n° 13877.000126/9787, evidenciado, a duplicidade de cobrança do suposto débito relativo ao período de apuração de setembro de 1998, merecendo ser cancelada a exigência contida neste auto de infração. Ressaltese que, em face da decisão que não homologou as compensações e que originou a edição de carta cobrança, a ora Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, a qual encontrase pendente de análise; g) é necessário o sobrestamento do julgamento deste recurso, até o julgamento definitivo do processo n° 13877.000126/9787. Por fim, requer o cancelamento da exigência fiscal em sua totalidade, ou quando menos, seja sobrestado o presente feito até o julgamento definitivo no processo n° 13877.000126/9787. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O recurso cingese ao período de apuração setembro de 1998 (principal R$68.030,58), vez que em relação ao período de outubro de 1998 (principal R$52.636,39), a própria DRF, por meio de revisão de ofício, considerou improcedente o lançamento, conforme fls. 119/124. Dentre os argumentos aduzidos pela recorrente temse a alegação de que o valor aqui exigido já é objeto de cobrança nos autos do processo n° 13877.000126/9787, evidenciado, a duplicidade de exigência do suposto débito relativo ao período de apuração de setembro de 1998 cujo valor principal do PIS é de R$68.030,58, merecendo ser cancelada a exigência contida neste auto de infração. Assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. Às fls. 198/207 temse o Despacho Decisório relativo ao processo nº 13877.000126/9787, de 21/07/2008, no qual relata, de forma minuciosa, os procedimentos levados a efeito naquele processo. Destacamse, a seguir, parágrafos de interesse deste processo (nº 13558.000739/200318), evidenciando que o período de apuração em questão, de fato é objeto de compensação naquele processo (nº 13877.000126/9787): [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 274 6 6. Após a liminar obtida no MS n° 98.09.025696, o contribuinte apresentou um demonstrativo de impostos compensados dos períodos de apuração de outubro/97 a setembro/98, envolvendo IPI, PIS, Cofins e processos de parcelamento de PIS, IPI e Finsocial (fls. 73 e 87) [...] 50. Em face das considerações contidas no despacho supra, com fundamento no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95/2007, artigo 167, inciso VI, c/c artigo 241, e na competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54/2001, em vigor de acordo com o artigo 48, inciso IV, da Lei n° 11.457/2007, INDEFIRO o Pedido de Restituição retificador de 11. 250, CONVALIDO AS COMPENSAÇÕES efetuadas em DCTF e DEFIRO AS COMPENSAÇÕES objeto de Pedidos de Compensação, protocoladas pela empresa Cambuci S/A, CNN: 61.088.894/000108, relativas a PIS dos PA 10/97 a 09/98 e 11/2000 a 03/2001, Cofins dos PA 11/97 a 08/98, 02/2000, 08/2000, 09/2000 e 11/2000 a 03/2001, IP! dos PA 01/11/97 a 02/09/98 e IRRF dos PA 02/11/2000 a 04/04/2001, conforme fl. 716, ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO apurado no valor de R$ 1.493.571,41, conforme fl. 715, nos termos do disposto no art. 49 da Lei n°10.637/2002, no acórdão n° 20173.912 do Segundo Conselho de Contribuintes e no acórdão n° CSRF/0201.185 da Câmara Superior de Recursos Especiais. (destaquei) [...] Na sequência temse, ainda, à fl. 208, a “Tabela de Pedidos de Compensação Efetuados”, na qual se verifica constar o referido débito de PIS (set/98 – 68.030,58). Na mesma toada, à fl. 219, observase a “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes”, que também registra o mesmo débito, evidenciando que os créditos não foram suficientes para quitálo. Mais adiante, à fl. 222, encontrase a carta cobrança nº 4327/2008, relativa àquele processo de compensação (nº 13877.000126/9787), na qual consigna, dentre outros, o PIS faturamento (cód 8109), PA/EX 091998, vcto 15/10/1998, no valor de R$68.030,58. Portanto, conforme alegou a interessada, de fato o PIS declarado em DCTF e objeto do presente lançamento já integrava o pedido de compensação efetuado por meio do processo n° 13877.000126/9787, não sendo possível a manutenção do presente auto de infração sob pena de duplicidade de exigência do referido débito, ficando prejudicada a análise dos demais argumentos apresentados pela interessada. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13558.000739/200318 Acórdão n.º 3301000.855 S3C3T1 Fl. 275 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10245.001573/2005-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2003
IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, sendo que a fiscalização, em nenhum momento, justificou a exasperação da penalidade. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que em valores incompatíveis com aqueles informados nas declarações de ajuste anual, por dois exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, sendo que a fiscalização, em nenhum momento, justificou a exasperação da penalidade. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que em valores incompatíveis com aqueles informados nas declarações de ajuste anual, por dois exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 498 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Francisco Edmar de Souza foi lavrado o auto de infração de fls. 0314, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2001 e 2003, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase sintetizado no próprio auto de infração e no Termo de Verificação de fls. 1522, sendo que nada foi escrito a respeito dos motivos que levaram à qualificação da multa. Com relação à conclusão da fiscalização, às fls. 09 está consignado o seguinte: Através da vinculação aos atos legais emanados no texto abaixo e pela incidência de crimes financeiros e tributários, propomos a constituição do crédito tributário e a representação fiscal para fins penais. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) considerou o lançamento procedente (fls. 306315, Volume II). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10248.719, que se encontra às fls. 372394 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000, 2002 Ementa: IRPF DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A tributação das pessoas físicas sujeitase a ajuste na declaração anual e Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 499 3 independente de exame prévio da autoridade administrativa, lançamento é por homologação, regra que também se aplica aos rendimentos arbitrados com base na presunção legal do art. 42 da lei 9.430/1996 (depósitos bancários de origem não comprovada). DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA Não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento justificado do pedido de perícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC –A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância e, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores até nov/2005, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que a acolheu. No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa, vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que não a desqualificou. Intimada do acórdão em 19/12/2007 (fls. 395), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 398407 (Volume II), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão prolatado pela eg. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para desqualificar a multa de Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 500 4 ofício aplicada, vencido o ilustre Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, que não a desqualificava; b) Nos termos em que prolatado, o acórdão ora recorrido nega vigência ao disposto no art. 44, II da Lei n° 9.430/96, ao mesmo tempo em que contraria a evidência das provas constantes dos autos; c) A ilustre maioria dos membros da Câmara a quo entendeu por desqualificar a multa de ofício aplicada, ao argumento de que “a qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada”. d) Data venia, não é o que se depreende dos autos. Certamente, não foi o valor das importâncias envolvidas no lançamento (depósitos bancários) que motivou ou baseou a qualificação da multa pelo fiscal autuante; e) Não há no Auto de Infração (fls. 02/14) ou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/27), qualquer informação de que o fundamento para a aplicação da multa de ofício ao percentual de 150%, foram os vultuosos valores dos recursos movimentados nas contas bancárias do contribuinte; f) Ao contrário do entendimento firmado pela douta Câmara a quo, in casu, a Fiscalização logrou demonstrar, devidamente, os fatos que caracterizam o intuito doloso do contribuinte de sonegação fiscal, definido nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; g) Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/27, com base nos elementos trazidos à Fiscalização pela Polícia Federal (Laudos de Exame Econômicos Financeiros relativos à quebra de sigilo bancário no exterior da empresa “Beacon Hill Service Corporation”), devidamente autorizada a transferência dos dados à Secretaria da Receita Federal por decisão judicial, evidenciouse que diversos contribuintes, dentre eles o autuado, enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas "off shore" com participação de brasileiros; h) No curso dos trabalhos efetuados, foram identificadas operações às quais restou vinculado o empresário Francisco Edmar de Souza (autuado), conforme se constata pela análise da Representação Fiscal n° 154/04; i) Por meio dessa Representação foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Boa Vista, os laudos periciais elaborados para cada conta/subconta; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 501 5 j) Tais fatos, mormente às remessas de divisas ao exterior, algumas inclusive confessadas pelo contribuinte, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, revelam o intuito doloso do contribuinte autuado de impedir, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, qual seja, a disponibilidade econômica das respectivas receitas (art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964); k) Dessa forma, e com base nesses fatos (e não no montante dos recursos movimentados, objeto do lançamento) foi aplicada à multa de ofício a alíquota qualificada de 150% (art. 44, II, da Lei n° 9.430/96), por restar configurada a conduta dolosa do Recorrido, consistente em tentar impedir, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (art. 71 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964); l) Todos os fatos anteriormente apontados, conjuntamente analisados, levam à conclusão de que o autuado, conscientemente, omitiu do Fisco, durante dois anoscalendário (2000 a 2002), os numerários depositados em contascorrente de sua titularidade e/ou remetidos irregularmente ao exterior, através de contas/subcontas mantidas em banco estrangeiro ("JP Morgan Chase Bank"), visando impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, com o intuito de reduzir a base de cálculo do imposto de renda; m) As DIRPF's dos exercícios relativos aos anoscalendário 2000 e 2002 (fl. 306) contém valores completamente incompatíveis com os detectados no auto de infração. O contribuinte movimentou valor superior a R$ 1.800.000,00, sem qualquer indicação à possível origem desses recursos, sendo as remessas ao exterior mediante operações à revelia das autoridades monetárias e fiscais brasileiras, utilizandose de contas e subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava doleiros brasileiros ou empresas off shore com participação de brasileiros; n) Resta, portanto, demonstrado que teve o contribuinte, ao contrário do que restou firmado pelo acórdão recorrido, a intenção deliberada de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, estando perfeitamente caracterizadas as hipóteses previstas nos arts. 71, I, da Lei n° 4.502/1964 e 2° da Lei n° 8.137/1990. Ou seja, houve dolo na omissão da existência de bens, direitos ou aferimento de rendimentos que dessem suporte à origem dos recursos por ele movimentados; o) Dessa maneira, apresentase sem qualquer pecha a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, amplamente justificada, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, refletido, particularmente, no já citado auto de infração, que bem demonstra a materialidade da conduta dolosa do contribuinte; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 502 6 p) Destarte, constatada a ocorrência do fato ensejador da aplicação da penalidade pecuniária em tela (intuito de sonegação), é imperiosa sua manutenção, motivo pelo qual deve ser mantida a decisão de primeira instância; q) Requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, para o fim de restabelecer a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), tendo em vista a evidente configuração de atividade fraudulenta pelo contribuinte (lato sensu), nos termos da fundamentação supra, incidente o art. 44, II, da Lei n°9.430/96 (atual § 1°, com redação determinada pela Medida Provisória n.° 351, de 22 de janeiro de 2007). Admitido o recurso através do despacho n° 1020.117/2008 (fls. 410411, Volume III), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 421431, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. Interpôs, também, recurso especial às fls. 432486, o qual não foi admitido, nos termos do despacho n° 22010154/2009 (fls. 494495), que restou confirmado pelo despacho n° 22020154/2009R (fls. 496, Volume III). É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, além de rejeitar as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo, no mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de ofício é justificada pela conduta reiterada do contribuinte em omitir suas receitas do Fisco, que movimentou recursos em contas bancárias no exterior, não havendo compatibilidade entre a movimentação bancária superior a R$ 1.800.000,00 e os valores informados nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2001 e 2003, sendo que a decisão de segunda instância teria contrariado o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 e o artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64, bem como afrontado a prova dos autos. Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: 1 Atualmente esta regra encontrase expressa no artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 503 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto, novamente, que a autoridade lançadora sequer justificou a qualificação da penalidade. Afirmou, apenas, às fls. 09, que “Através da vinculação aos atos legais emanados no texto abaixo e pela incidência de crimes financeiros e tributários, propomos a constituição do crédito tributário e a representação fiscal para fins penais.”. Segundo penso, tal fato, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício. A conduta do contribuinte estaria enquadrada nas previsões do artigo 71 (sonegação), do artigo 72 (fraude) ou do artigo 73 (conluio) da Lei n° 4.502/64? Difícil responder a tal questionamento, na medida em que a fiscalização não tratou do assunto. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 504 8 O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Tenho como inaceitável presumirse o evidente intuito de fraude nos casos de presunções legais de omissão de rendimentos (no caso, depósitos bancários sem origem comprovada). Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. E isso não ocorreu no caso em apreço. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. Embora a recorrente tenha trazido argumentos que poderiam caracterizar o dolo do contribuinte, não se pode olvidar que a delimitação da controvérsia, inclusive com relação à penalidade, deve estar justificada no lançamento. Reitero que a qualificação da multa não está justificada no auto de infração de fls. 0314 ou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1522. Segundo o Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Antonio José Praga de Souza (fls. 392394): Afasto exigência, devendo a multa ser reduzida ao percentual de 75%, tendo em vista a quase totalidade dos valores tributados referemse aos depósitos não justificados nas contas correntes no Brasil (fl. 27), R$ 986.121,00 em 2000 e R$ 700.265,08. (...) O fato de o contribuinte apresentar grande disparidade entre os valores consignados nas suas DIRPF (declarações de imposto de renda) com expressiva movimentação financeira sem qualquer comprovação da origem dos recursos movimentados, por si só, não é motivador para qualificação da multa de ofício, com alíquota de 150%, para a infração depósitos bancários de origem não comprovada. A qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basearse na conduta adotada pelo infrator em relação à infração. Se provada a intenção de fraude, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou pequenos os valores envolvidos. Enquanto não provado tal intento e não existindo nos autos qualquer outro elemento fático ou jurídico do "evidente intuito de fraude", deve ser afastada a exigência da multa qualificada Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 505 9 para a referida infração depósitos bancários de origem não comprovada. Em síntese: na aplicação da multa qualificada, em se tratando de rendimentos tributados por presunção legal, deve restar inequívoca a conduta dolosa do infrator. Ademais, o Fisco tem meios para confrontar a movimentação financeira com os rendimentos declarados, que aliás foram utilizados no caso presente. Logo, ao informar rendimentos ínfimos em sua declaração, ao invés de elidir a ação fiscal, o efeito foi justamente o contrário, o procedimento chamou a atenção do fisco. Assim, não há (sic) restou configurado o dolo, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/1964. Portanto, a multa de ofício deve ser desqualificada e reduzida para 75%. As circunstâncias dos autos podem subsumirse à presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, da forma considerada pelo acórdão recorrido, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Francisco Edmar de Souza, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes era firme nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular nº 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 506 10 mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 148.837, Acórdão n° 10617.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. INCONSTITUCIONALIDADE Súmula 1º CC nº 2 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem o evidente intuito de fraude. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso n° 152.024, Acórdão n° 10249.094, Redatora Designada Conselheira Núbia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 507 11 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso n° 155.366, Acórdão n° 10422.619, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 13/09/2007) Ademais, o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10245.001573/200554 Acórdão n.º 920201.952 CSRFT2 Fl. 508 12 Com esses fundamentos, entendo que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11159.000196/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3301-001.391
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Alan Fialho Gandra, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidasede recurso em face do acórdão que manteve a multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Contribuições Sociais – DACON, ao mês de janeiro de 2010, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON. 0 cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributaria, sujeita o infrator A aplicação das penalidades legais. 0 DACON relativo ao mês de janeiro/2010 deveria ser apresentado até o 5° (quinto) dia útil do mês de março/2010 (05/03/10). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme relatado, entende o contribuinte que a periodicidade do Dacon foi alterada somente pela IN RFB n° 1.015, de 05/03/10, publicada no DOU em 08/03/10. Dessa forma, não havia como se exigir que a entrega do Demonstrativo de janeiro/2010 fosse em 05/03/2010. De fato, nos termos da IN RFB n° 940, de 19 de maio de 2009, até 31/12/2009 somente as pessoas jurídicas obrigadas ou optantes pela entrega mensal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF deveriam apresentar o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON mensal. Ocorre que com a edição da IN RFB n° 974, de 27 de novembro de 2009, a periodicidade da DCTF passou a ser mensal. Desta feita, como a periodicidade de entrega do DACON foi vinculada à apresentação da DCTF, a partir de 1° de janeiro de 2010 este também passou a ser entregue de forma mensal. De outro lado, o respectivo prazo de entrega desse demonstrativo mensal já estava previsto na citada IN 940, de 2009: 5° (quinto) dia útil do 2° (segundo) mês subseqüente ao mês de referência. Enfim, o Dacon semestral, em face da IN RFB n° 974, de 2009, foi tacitamente extinto a partir de 01/01/10 e a IN RFB n° 1.015, de 2010 somente veio consolidar a nova disciplina de obrigatoriedade mensal, que, repitase foi imposta pela referida IN RFB n° 974, de 2009. Cientificada em 11/02/2011 (AR fl. 33), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 34 e seguintes, em 04/03/2011, aduzindo, em síntese, que do emaranhando de normas, resultou na extinção tácita da DACON SEMESTRAL a partir de 1° de janeiro de 2010, o que só posteriormente foi disciplinado e divulgado pela Instrução Normativa RFB n° 1.015, de 05/03/2010, publicado no Diário Oficial da Unido de 08/03/2010, tanto é que no próprio site da RFB constava a previsão para entrega da DACON SEMESTRAL do período de janeiro a junho 2010, a ser entregue em 07 de outubro de 2010. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11159.000196/201035 Acórdão n.º 330101.391 S3C3T1 Fl. 64 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7º da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 § 3º. A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifado) Ademais disto, nem mesmo quando presente a denúncia espontânea, o que não é o caso, ainda assim é devida a multa decorrente do atraso na entrega de declaração, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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