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Numero do processo: 11080.003619/99-62
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado Federal. LC Nº 07/70. SEMESTRALIDADE. Ao analisar o disposto no artigo 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP nº 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 202-15887
Decisão: Por unanimidade de votos acolheu-se o pedido para afastar a decadência e no mérito, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar

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Segundo Conselho de Contribuintes MINISTERt0 DA FAZENDA Fl. '1/27V1n2> Segundo Conselho de Conhibuintes Publicado no Diário Oficial da União Processo : 11080.003619/99-62 DeJAL/ i g i o 5- Recurso : 125.108 Acórdão : 202-15.887 VISTO Recorrente : CENTRAL TINTAS LTDA. Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a titulo de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis n"s 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de iv.,N. DA F47Etolla 2^ C.0 cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n° 49, do Senado Federal. CONFERE Xt(f.'ii O ik:INAL, Eal .l. -S ;LIA Uti ...j 49 O LC N° 07/70. SEMESTRALIDADE. V n STC) )(071MCM-, 1-- Ao analisar o disposto no artigo 6°, parágrafo único, da Lei I Complementar n° 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n° 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CENTRAL TINTAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher o pedido para afastar a decadência e no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2004 # 7 . ... 1 .1.—.44../.., eruincelli eiro Torre '''7 Presidente ,I, Raimar da Silv. • i iar /-Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowsici, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr 1 ,_ 29 CC-MF --"à-rkgz,ti; Ministério da Fazenda, Fl. Segundo Conselho de Contribuintes r.-t ri. DA FAZENDA - 2') CC ;•."- CONFERE. CÇM O OR!GINAL Processo : 11080.003619/99-62 BRASLLIAQf.Cft ICC Recurso : 125.108 Acórdão : 202-15.887 VISTO Recorrente : CENTRAL TINTAS LTDA. RELATÓRIO Por bem relatar o processo em tela, transcrevo o Relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre — RS, fl. 183: "O contribuinte supracitado solicitou restituição de PIS, via compensação, de valores que afirma ter recolhido a maior no período de apuração de julho de 1988 a abril de 1995, correspondente ao período de recolhimento de janeiro de 1989 a outubro de 1995, fundamentado na inconstitucionalidczde dos Decretos-leis n's 2.445 e 2.449/1988, combinada como a semes tra /idade da contribuição (base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador). 2. A 12)RP" de origem indeferiu o pleito do contribuinte, na decisão contida no Parecer IDRF/PELISAOR7' n° 048/2002, de fls. 156 a 162, cuja ementa é a seguinte: "RESTITUIÇÃO DE PIS. A Resolução do Senado Federal n" 49 (DOU de 10/10/95) que suspendeu a execução dos Decretos-leis 2.445 e 2.449, de 1988, alterando a legislação do Programa de Integração Social - PIS, o fez apenas quanto aos tópicos abordados naqueles atos. Assim, os demais aios legais, inclusive os normativos secundários, bem como as rotinas relacionadas com o PIS que guardem consonância com a Lei Complementar 7/70, continuam existentes, válidos e eficazes, independentemente da data em que tenham sido expedidos. Quanto aos pagamentos de PIS anteriores a data de 22 de abril de 1994, aplica-se o entendimento constante do art.168. I, do C7N, ou seja, o direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário.. 3. Irresigrzado, o contribuinte apresenta manifestação de Inconformidade, de fis. 165 a 167. Nesta, reitera sua interpretação sobre a semestralidade da contribuição (base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador), concomitante com a argumentação de que o prazo para solicitar restituição é de 10 anos do fato gerador e que o Ato neclaratório n°96/1999 deve ser interpretado de acordo com a jurisprudência dominante. Traz jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes para fundamentar suas alegações." 1 7" 2 .49j;:‘n 22 CC-MF .7w.t4›:... Ministério da Fazenda DA F.17t-jvg)4 - 2" CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes oNFER.: j,Joim O 93;GINAt. BRASILIA k)i" O v ,_/ 05 Processo : 11080.003619/99-62 Recurso : 125.108 vISTO r-- Acórdão : 202-15.887 Em 13 de junho de 2003, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, manifestou-se por meio do acórdão n°2.573, fl. 181, que foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/04/1995 Ementa: SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO -DECADÊNCIA - Nos termos do art.168 do Código Tributário Nacional e da IN SRF n° 96, de 26/11/1999, o prazo para solicitar restituição é de 5 (cinco) anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento. PIS - PRAZO DE VENCIMENTO - O arte da Lei Complementar n° 7, de 07/09/1970, se aplica a prazo de vencimento. As decisões judiciais e administrativas somente se aplicam às partes em litígio, não beneficiando, nem prejudicando a terceiros, nos termos do art.472 do Código de Processo Civil RESTITUIÇÃO — COMPROVAÇÃO — Para solicitar a restituição ou compensação, é necessário que o contribuinte prove a liquidez e certeza do seu crédito tributário, nos termos do ar!. 170 do Código Tributário Nacional e do art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil Solicitação Indeferida". Em 01 de agosto de 2003 a Recorrente tomou ciência da Decisão, fl. 190. Inconformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, a Recorrente apresentou, em 02 de setembro de 2003, fls. 191/193, Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade e pugna pela reforma da decisão recorrida e o conseçjipile deferimento do pedido de compensação dos créditos pleiteados. É o relatório. 3 29 CC-MF .- Ministério da Fazenda 2" CC Fl.-'t? Segundo Conselho de Contribuintes Aft!! DA FA7::TIA .•f-ettk?...•• CONFERE gm lA O itIG:AL Processo : 11080.003619/99-62 BIUSILiA Recurso : 125.108 Acórdão : 202-15.887 VISTO VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RAIMAR DA SILVA AGUIAR O recurso encontra-se revestido das formalidades cabíveis merecendo,assim ser apreciado. A Contribuinte acima identificada requereu, em 22/04/1999, junto à Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre/RS, a compensação de valores recolhidos a títulos de PIS, no montante de R$ 10.812,61, período de apuração de julho/88 a abriU95 (fls. 181/182), com débitos também do PIS. Por bem enfrentar a matéria relativa ao presente processo, adoto como razões de decidir pelos seus próprios fundamentos o voto da lavra do Ilustre Conselheiro Dr. DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, relativo ao Processo n° 13826.000599/99-97 (Recurso n° 123.867): "Em preliminar, volto meus esforços para a análise de tormentosa questão, que se ainda não alcançou este Colegiado de forma mais latente, por certo o tomará. Assim, com respeito a meus pares, passo ao exame da questão da aplicação do dies a quo para o reconhecimento, ou não, de haver prescrito o direito da recorrente em pleitear a restituição/compensação da Contribuição ao PIS, nos moldes em que formulada nestes autos. O Superior Tribunal de Justiça, por intermédio de sua Primeira Seção, fixou o entendimento de que como "...já ficou consignado em diversos antecedentes, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade, pelo Pretório Excelso, da discutida exação, houve recolhimento indevido (RE n. I48.754-2/RJ, publicado no DJU de 04.03.94 e com trânsito em julgado em 16.03.94) e assiste direito ao contribuinte o direito a ser ressarcido ".Assim, "... para as hipóteses restritas de devolução do tributo indevido, porfulminado de inconstitucionalidade, desenvolveu tese segundo a qual se admite como dies a quo para a contagem do prazo para a repetição do indébito para o contribuinte a declaração de inconstitucionalidade da contribuição para o PIS."' Tal entendimento, aliás, recentemente veio a ser questionado pelo próprio Tribunal Superior, pois, em Informativo Jurídico mais recente, assim noticiou: "16/09/2003 - Prazo. Prescrição. Repetição. Indébito. PIS. (Informativo STJ 182 - De 01a05/09/2003) O dies a quo para a contagem da prescrição da ação de repetição de indébito do PIS cobrado com base nos DL n. 2.445/1988 e • I AgRg no Recurso Especial n° 331.417/SP, Ministro Franciulli Neto, Segunda Tua do Superior Tribunal de Justiça, &dão publicado em DJU, Seção I, de 25/8/2003. 4 Ministério da Fazenda MIN 10/1 FAZ ENO" 2" CO I CC-MF—11.n:ir:g- Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CO..fr ERE TA O '‘ IG:NAL >n,ekter ER4SiL1.4 (25 Processo : 11080.003619/99-62 Recurso : 125.108 visto Acórdão : 202-15.887 DL n. 2.449/1988 é 10 de outubro de 1995, data em que publicada a Resolução n. 49/1995 do Senado Federal, que, erga omines, tornou sem efeito os referidos decretos em razão de o STF, incidentalmente, os ter declarado inconstitucionais. Precedente citado: Ag no REsp 267.718- DF, LU 5/5/2003. REsp 528.023-RS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 4/972003." • Para aquele Superior Tribunal de Justiça, mesmo que recentemente questionada, reconhecida é a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de prescrição de cinco anos para pleitear a devolução, contado tal prazo a partir do trânsito em julgado da decisão da Corte Suprema que declarou inconstitucional a aludida exação. Com a devida vênia àqueles que sustentam a referida tese, consigno que não inc filio à referida corrente, pois, a meu ver, estar-se-á contrariando o sistema constitucional brasileiro em vigor que disciplina o controle da constitucionalidade e, conseqüentemente, os efeitos dessa declaração de inconstitucionalidade. A Corte Suprema, quando da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis "Cs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, proferida em sua composição Plenária, o fez por ocasião do julgamento de Recurso Extraordinário interposto por Paparica Emreendimentos e Participações S.A. e Outros e em desfavor da União Federal. A meu ver e a despeito de a decisão ter sido exarado pelo órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, os efeitos daquela declaração de inconstitucionalidade em comento, quando de seu trânsito em julgado surtiram somente para as partes envolvidas naquela lide, pois promovida pel via de exceção.3 2 Recurso Extraordinário n° 148754-2/RJ, Ementário n° 1735-2. 3 "8. O sistema brasileiro de controle da constitucionalidade das leis Temos no Brasil duas sortes de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de exceção e o controle por via de ação. Em nosso sistema constitucional, o emprego e a introdução das duas técnicas traduzem de certo modo uma determinada evolução doutrinária e institucional que não deve passar desapercebida. Com efeito, a aplicação da via de exceção, unicamente pelo recurso extraordinário, a principio, e a seguir também pelo mandado de segurança, configura o momento liberal das instituiçães pátrios, volvidas preponderantemente, desde a Constituição de 1891, para a defesa e salvaguarda dos direitos individuais. (-) O controle por via de exceção é de sua natureza o mais apto a prover a defesa do cidadão contra atos normativos do Poder, porquanto em toda demanda que suscite controvérsia constitucional sobre lesão de direitos individuais estará sempre aberta uma via recurso/ à pane ofendida. (.) A) A via de exceção, um controle já tradicional. 5 2° CC-MF Ministério da Fazenda V.A L7P lN:3,1 - 2' CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C,974 O 691G&NS 8R 4S iA t74--; • ¡Iria Processo : 11080.003619/99-62 Recurso : 125.108 7 VISTO Acórdão : 202-15.887 E nesses termos, já dissertava e interpretava Rui Barbosa sobre o tema, ao afirmar que decisões proferidas pela via de exceção "... deveriam adotar-se "em relação a cada caso particular, por sentença proferida em ação adequada e executável entre as partes". 4 Na sistemática constitucional brasileira vigente, a declaração de irzconstitucionalidade definitiva e em grau de Recurso Extraordinário, como na hipótese de que se está tratando, somente pode surtir efeitos inter panes?, e, não, erga omnes, como se fundou equivocadamente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, pois a prestação jurisdicional realizada pela Corte Suprema não o foi de forma direta e abstrata 6, ou seja, não declarava direitos a todos os contribuintes indistintamente. Pois bem, a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionctlidade dos Decretos-Leis n't's 2.445 e 2.449, de 1988, somente surtiu efeitos para Itaparica Empreendimentos e Participações S.A. e Outros e a União Federal. Assim, somente para Itaparica e Outros seria aplicável o entendimento de que é qüinqüenal o prazo para a repetição dos valores recolhidos a maior a titulo da Contribuição para o PIS, a partir do trânsito em julgado de referida declaração; ou, então, para contribuinte que tenha ingressado com ação judicial e obtido manifestação judicial própria a seu favor. Para a hipótese desses autos e para os demais contribuintes, que não ingressaram em Juízo para discutir tal incorzstitucionalidade, tenho que o prazo prescricional qüinqüenal deve ser contado (e observado) a partir A via de exceção no direito constitucional brasileiro já tem raizes na tradição judiciána do País. Inaugurou-se teoricamente com a Constituição de 1891(45), que institui recursos o Supremo das sentenças pro latadas pelas justiças dos Estados em últi instância. (..)."(Curso de Direito Constitucional, Paulo Bonavides, Malheiros Editores, 1 P edição, pgs. 293/296). 4 •op.cit. pg. 296. $ -(-) O Tribunal, no exercício de sua função de aplica dor do direito, deixa de aplicar em relação à lias a lei inconstitucional, o que, porém, não vem afetar sua obrigatoriedade em relação aos demais não participantes da questão levada à apreciação pelo Poder Judiciário, de tal forma que, continuando a existir e obrigar no universo jurídico, todas as pessoas que queiram que a elas se estenda o beneficio da inconstitucionalidade já declarada em caso id értdco, devem postular sua pretensão junto aos órgãos do Poder Judiciário, para que possam eximir-se do cumprimento da mesma. dá que em nosso sistema as decisões judiciais têm seu alcance limitado às partes em litígio, salvo nos casos de declaração de inconstitucionalidade em tese, o que ainda será analisado posteriormente (44). (..)."(Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade, Regina Maria Macedo Nety Ferrari, Editora Revista dos Tribunais, 3' edição, ampliada e atualizada de acordo com a Constituição Federal de 1988, pgs. 112/113). 6 "As decisões consubstanciadoras de declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive aquelas que importem em interpretação conforme à Constituição e em declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, quando proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de fiscalização normativa abstrata, revestem-se de eficácia contra todos ("erga omnes") e possuem efeito vinculante em relação a todos os magistrados impondo-se, em conseqüência, à necessária observância ..., que deverão adequar-se, por isso mesmo, em seus pronunciamentos. ao que a Suprema Corte, em manifestação subordinante, houver decidido, seja no âmbito da ação direta de inconstitucionalidade seja no da ação declaratória de constitucionalidade, a propósito da validade ou da invaliderde jurídico-constitucional de determinada lei ou ato normativo." (Reclamação n° 2143/Agravo Regimental/ SI', Ministro relator Celso de Mello, Tribunal Pleno do S.T.F., www.stErk,site acessado em 26/08/2003). 6 22 CC-MFMinistério da Fazenda MN. 04 FAZENDA - 2" CC Fl. 7; ::! Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CM O 9p1GINAL BRAS1LIA . 0/0 Processo : 11080.003619/99-62 -- Recurso : 125.108 Acórdão : 202-15.887 da edição da Resolução n° 49, do Senado Federal, aliás, como vem sendo acertadamente decidido por este Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda 7. Sustento e corroboro o entendimento deste Segundo Conselho de Contribuintes na afirmativa de que cabe ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal", nos exatos termos em que vazado o inciso X do artigo 52 da Carta Magna. Abrindo aqui um parêntese e ao contrário - e com o devido respeito ao que defende e vem sinalizando o Ministro Gilmar Mendes s, em diversas decisões monocráticas, por ele exaradas no exercício da magistratura no Supremo Tribunal Federal -, filio-me à corrente doutrinária que defende que a "... nós nos parece que essa doutrina privatistica da invalidade dos atos jurídicos não pode ser transposta para o campo da inconstitucionalidade, pelo menos no sistema brasileiro, onde, como nota Themistocles Brandão Cavalcanti, a declaração de inconstitucionalidade em nenhum momento tem efeitos tão radicais, e, em realidade, não importa por si só na eficácia da lei(25). "9 E ao aderir a tal corrente doutrinária, observadora que é do sistema constitucional brasileiro, concluo que a declaração de incottstitucionalidczde promovida por intermédio de decisão Plenária da Corte 7 "O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, pela via indireta." Recurso Voluntário n°120.616, Conselheiro Eduardo da Rocha Scmidt, Acórdão n° 202-14.485, publicado no DOU, I, de 27/8/2003, pg. 43. 8 "(..j. Esse novo modelo legal traduz, sem dúvida, um avanço, na concepção vetusta que caracteriza o recurso extraordinário entre nós. Esse instrumento deixa de ter caráter marcadamerzte subjetivo ou de defesa dos interesses das partes, para assumir, de forma decisiva, a função de defesa da ordem constitucional objetiva. Trata-se de orientação que os modernos sistemas de Corte Constitucional vêm conferindo ao recurso de amparo e ao recurso constitucional (Verfassungsbeschwerde). Nesse sentido, destaca-se a observação de Hiiberle segundo a qual "a _função da Constituição na proteção dos direitos individuais (subjectivas) é apenas uma faceta do recurso de amparo", dotado de uma "dupla fiinção", subjetiva e objetiva, "consistindo esta última em assegurar o Direito Constitucional objetivo" (Peter Fláberle, O recurso de amparo no sistema germânico. Sub Judite 20/21, 2001, p. 33 (49). Essa orientação há muito mostra-se dominante também no direito americano. Já no primeiro quartel do século passado, afirmava Triepel que os processos de controle de normas deveriam ser concebidos como processos objetivos. Assim, sustentava ele, no conhecido Referes sobre "a natureza e desenvolvimento da jurisdição constitucional", que, quanto mais políticas fossem as questões submetidas à jurisdição constitucional, tanto mais adequada pareceria a adoção de um processo judicial totalmente diferenciado dos processos ordinários. "Quanto menos se cogitar, nesse processo, de ação (..), de condenação, de cassação de atos estatais — dizia Triepel — mais facilmente poderão ser resolvidas, sob a forma judicial, as questões políticas, que são, igualmente, questões jurídicas". (Triepel, Heinrich, Wesen und Entwicklung deer Staatsgerichtsbariceit VVDStRL, vol. 5 (1929), p. 26). (...). OU, nas palavras do Chiei Justice Vinson, "para permanecer efetiva, a Suprema Cone deve decidir os casos que contenham questões cuja resolução haverá de ter importância imediata para além das situações particulares e das partes envolvidas" ("To remain ejjrective, the Supreme Court mure continue to decide only those cases wich present questions whose resolutions will have immediate importance jar beyond the particular facts and parties involved") (Griffin, op. cit., p. 34). De certa forma, é essa a visão que, com algum atraso e relativa timidez, ressalte-se, a Lei n° 10.259, de 2001, busca imprimir aos recursos extraordinários, ainda que, inicialmente, apenas para aqueles interpostos contras as decisões dos juizadosfederais," (Recurso Extraordinário 3608471SC Medida Cautelar, DJU, 1, de 15/8/2003, pg. 6Ø. 9 Curso de Direito Constitucional Positivo, José Afonso da Silva, Malheiros Editores, 22' edição, revista e atualiza os ermos da Reforma Constitucional (até a Emenda Constitucional n. 39, de 19.12.2002, pg. 53. 7 22 CC-MF Ministério da Fazenda sest:rr,-;„: MIN CU'. EA ir-Y JA 2" V: Fl. 4::"*"( Segundo Conselho de Contribuintes r "(.v. O hRit3lN,L ; 00 Processo : 11080.003619/99-62 EIRAERJA Recurso : 125.108 21~_ Acórdão : 202-15.887 V n S Te Suprema, que veio a se tornar definitiva com seu tránsito em julgado, somente passará a ter os efeitos de sua inconstitucionalidade (e aplicação) erga omnes, a partir da legítima e constitucional suspensão pelo Senado FederaL Neste sentido, aliás, posicionam-se de forma firme José Afonso da Silva", Paulo Bonavides", Regina Maria Macedo Ne°, Ferraria, Ricardo Lobo Torres", Celso Ribeiro Bastos e André Ramos Tavares". Assim, e com relação ao caso em concreto, concluo que o prazo prescricional para se pleitear a restituição/compensação, nos moldes como pretendido pela recorrente, é o de 05 (cinco) anos, contados a partir da edição da Resolução n° 49, do Senado Federal, editada em 09/10/1995 - com publicação no Diário Oficial da União, I, em 10/10/1995 - e após decisão definitiva do Supremo Federal, que declarou inconstitucional a exigência da Contribuição para o PIS, nos moldes dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88". In casu, o pleito foi formulado pela recorrente em 22/04/1999, portanto, anterior a 10/10/2000, o que afasta a prescrição do referido pedido administrativo. ir op. cit., pgs. 52 a 54. op. cit., p. 296. 12 op. cit., pgs. 102 a 116. 13 Restituição de Tributos, p. 169, citado por Paulo Roberto Lyrio Pimenta 14 "(..). Isso ocorre, no Direito brasileiro, nos casos de inconsiitucionalidade proferida em sede de controle difuso. O Senado, como se verá, atua, em tal hipótese, suspendendo a eficácia da lei. Contudo, essa situação só ocorre porque o Supremo Tribunal Federal revela-se, a um só tempo, como Cone Constitucional e último tribunal na escala judicial. No caso específico de decisão proferida em sede de recurso extraordinário, atua como órgão último do Poder Judiciário, e sua decisão só produz efeitos erga omnes após a manifestação do Senado. Já, quando atua como Corte Constitucional, fiscalizando direta e abstratamente a constitucionalidade das leis, sua decisão independe de manifestação senatorial para a produção dos efeitos típicos. Existindo esse controle concentrado da constitucionalidade, não haveria sentido em reconhecer-se a permanência da norma no sistema após o reconhecimento de sua inconstitucionalidade pelo órgão próprio, por meio de ação específica." (As Tendências do Direito Público — No Limiar de um Novo Milênio, Celso Ribeiro Bastos e André Ramos Tavares, Editora Saraiva, pgs. 94/95). 15 "N0 controle difuso, é inquestionável a eficácia declaratória da pronúncia de inconstitucionalidade, ou seja, a aplicação do princípio da nulidade da norma inconstitucional Vale notar, a propósito, que a teoria da nulidade surgiu no sistema norte- americano, no qual se adota o controle difuso, e não o abstrato, vale reafirmar. Assim, a sentença do juiz singular, ou o acórdão do Tribunal, inclusive do STF, que, em sede de controle incidental, reconhecer a inconstitucionalidade de determinada norma, apresentará a eficácia declaratária, eis que estará certificando a invalidade do ato normativo. Entretanto, no tipo de controle em exame há uma nota de distinção em relação ao modelo concentrado, que reside na eficácia subjetiva da decisão. Logo, a declaração de invalidade não atingirá terceiros (eficácia erga omnes), limitando-se às panes litigantes no processo em que a inconstitucionalidade foi resolvida como questão prejudicial (interna). De outro lado, a decisão em pauta não apresenta a eficácia constitutiva com idêntico grau evidenciado no controle abstrato, posto que não tem o condão de expulsar a norma do sistema jurídico. Vale dizer, a pronúncia de inconstitucionalidade apresenta a carga eficacial constitutiva em grau mínimo, porque retira a eficácia da norma tão-somente no caso concreto em que se deu a decisão. No modelo brasileiro de controle de incidental só existe um ato capaz de eliminar a norma inconstitucional do sistema: a Resolução do Senado Federal (CF, art. 52, A). A origem do instituto explica a primeira junção do ato em epígrafe: atribuir eficácia erga omnes as decisões definitivas de inconstitucionalidade do Pretória Excelso, pro latadas no controle incidental (...)."(Efeitos da Decisão de Inconstitucionalidade em Direito Tributário, Paulo Roberto Lyrio Pimenta, Editora Dialética, 2002, p. 92). e 8 .c0;. 22 CC-MF Ministério da Fazenda FA ZESOA - 2" CC Fl. ZS.1-r-t01. Segundo Conselho de Contribuintes coNFEF:E çpm o ORIGINAL BRASIL-IA Processo : 11080.003619/99-62 Recurso : 125.108 Acórdão : 202-15.887 VISTO Passo, então, a enfrentar a segunda discussão destes autos que se limita ao reconhecimento, ou não, da aplicação do critério da semestralidade ao PIS. A propósito e sobre a matéria, em verdade, sopesava duas situações: uma de técnica impositiva, e outra no sentido da estrita legalidade que deve nortear a interpretação da lei impositiva. E, neste último sentido, veio tornar-se consentânea à jurisprudência da CSR_F46 e também do STJ. Assim, calcado nas decisões destas Cortes, entendo que deve prevalecer a estrita legalidade, no sentido de resguardar a segurança jurídica do contribuinte, mesmo que para isso tenha- se como afrontada a melhor técnica tributária, a r qual entende despropositada a disjunção de fato gerador e base de cálculo. E a aplicação do princípio da proporcionalidade, prevalecendo o direito que mais resguarde o ordenamento jurídico como um todo. Aliás, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, desde 1995, vinha reconhecendo o critério da semestralidade para o PIS, na forma em que reclamada sua aplicação pela ora recorrente". E o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção,' 8 veio tornar pacifico o entendimento impugnado pela recorrent , consoante se depreende da ementa a seguir transcrita: "TRIBUTÁRIO - - SEME'STRALIDADE - BASE DE CÁLCULO - CORREÇÃO MONETÁRIA. I. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE - art. 3, letra "a" da mesma lei - tem como fato gerador o faturamen to mensal_ 2. Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base num árica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o _faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do _fato gerador - art. ót parágrafo único da LC07/70. 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. 11 O Acórdão CSRF/02-0.8 71" também adotou o mesmo entendimento firmado pelo ST1. Também nos RD ars 203-0.293 e 203-0.334,j em 09/02/2001, em sua maioria, a CSRF esposou o entendimento de que a base de cálculo do PIS refere-se ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador (Acórdãos ainda não formalizados). E o RD n° 203-0.3000 (Processo n° 11080.001223/96-38), votado em Sessões de junho do corrente ano, teve votação unânime nesse sentido. 17 RV 83.778, Ac. 101-89.249, sessão de julgamentos em 7_12.1995; e, RV 11.004, Ac. 107-04.102, sessão de julgamentos em 18.04.1997. is Resp n°144.708, rel. Ministra Eliane Cahnon, j. em 29/05/2001, acórdão não formalizado. 9 _ _ ° át. 2' CC-NIF• Ministério da Fazenda /EM1")A - 2" CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE cpm o RIGINAL CM-SUA Ove 1 06 Processo : 11080.003619/99-62 Recurso : 125.108 WA--dtaiN N.ISTC Acórdão : 202-15.887 Recurso Especial improvido." Portanto, até a edição da MP n 1.212/95, convertida na Lei na 9.715/98, é de ser dado provimento ao recurso, para que os cálculos sejam feitos considerando-se como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei (Leis na 7.691/88; 8.019/90; 8.218/91; 8.383/91; 8.850/94; 9.069/95 e MP rta 812/94) do momento da ocorrência do fato gerador. E a IN SRF na 006, de 19 de janeiro de 2000, no parágrafo único do art. P. com base no decidido julgamento do Recurso Extraordinário 232.896-3-PA, aduz que "aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre l a de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplica-se o disposto na Lei Complementar na 7, de 7 de setembro de 1970, e rt a 8, de 3 de dezembro de 1970". Em face do todo exposto, dou provimento parcial ao recurso, para o fim de declarar que a base de cálculo do PIS deve ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Contudo, a averiguação da liquidez e certeza dos créditos e débitos em discussão nestes autos é da competência da SRF, que fiscalizará o encontro de contas efetuadas pela contribuinte, atendendo, na feitura dos cálculos, a forma declarada." Os indébitos assim calculados, depois de aferida a certeza e liquidez dos mesmos pela administração tributária, poderão ser compensados com parcelas de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, observados os critérios estabelecidos na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10.03.97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n°73, de 15.09.97. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: a) reconhecer que não ocorreu a decadência do direito de pleitear da Recorrente em relação ao PIS; b) determinar que os cálculos do PIS devido sejam realizados, considerando-se como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária; e c) ressalvar o direito de a Fazenda Nacional conferir todos os cálculos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 20 d utubro de 2004 ";!/-ette, f RAIMAR DA SIL ti/AGUIAR 10

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Numero do processo: 11060.001171/97-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PIS - PRAZO DE RECOLHIMENTO - Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS deve ser aquele previsto na Lei Complementar nº 07/70 e na legislação posterior que a alterou (Lei nº 8.019/90, originada da conversão das MPs n ºs 134 e 147/90, e Lei nº 8.218/91, originada da conversão das MPs nºs 297/91 e 298/91), normas essas que não foram objeto de questionamento, e, portanto, permanecem em vigor. Incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-06.994
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Daniel Correa Homem de Carvalho (Relator), Antonio Augusto Borges Torres, Mauro Wasilewski e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Renato Scalco Isquierdo. Esteve presente ao julgamento, o advogado da recorrente, Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro.
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO

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Recorrida : DRJ em Santa Maria - RS PIS - PRAZO DE RECOLHIMENTO - Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS deve ser aquele previsto na Lei Complementar n° 07/70 e na legislação posterior que a alterou (Lei n° 8.019/90, originada da conversão das MPs n°s 134 e 147/90, e Lei n° 8.218/91 - originada da conversão das MPs n's 297/91 e 298/91), normas essas que não foram objeto de questionamento, e, portanto, permanecem em vigor. Incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COFRAN ENGENHARIA PROJETOS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Daniel Correa Homem de Carvalho (Relator), Antonio Augusto Borges Torres, Mauro Wasilewski e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Renato Scalco Isquierdo. Esteve presente ao julgamento, o advogado da recorrente, Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2000 orsv,. Otacilio D. • as artaxo Presidente iatté.Scáá(l3s ierdo-eALA Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Lina Maria Vieira e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Suplente). Eaal/ovrs 1 z MINISTÉRIO DA FAZENDA r.e1"..•?'/r SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1V.:.f":2) • Processo : 11060.001171/97-19 Acórdão : 203-06.994 Recurso : 108.038 Recorrente : COFRAN ENGENHARIA PROJETOS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. RELATÓRIO Trata o presente caso de cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, decorrente da suposta falta de recolhimento dos valores devidos, relativos ao período de apuração de junho de 1993 a maio de 1997, conforme descrito no Auto de Infração de lis. 01/03 e Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 04/05. A fiscalização ainda lavrou a Intimação Fiscal de lis. 28/29 e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 63. Irresignada, a contribuinte apresenta, tempestivamente, Impugnação às fls. 65/77, alegando, em síntese, os seguintes fundamentos, que: - no período de junho de 1993 a outubro de 1995, aplicou parcialmente a Lei Complementar n° 07/70, cobrando o PIS com alíquota de 0,75%, mas não utilizou a base de cálculo referente ao faturamento do sexto mês anterior ao de competência, conforme determina o parágrafo único do art. 60 do mesmo diploma legal; - no mesmo período supramencionado, considerando a base de cálculo do sexto mês anterior, realizou recolhimentos a maior que o devido, motivando a existência de créditos que podem ser compensados com débitos porventura existentes em outros períodos; - não podem ser cobrados juros moratórios equivalentes à Taxa SELIC, porque se trata de remuneração de capital aplicado no mercado especulativo, não se prestando como taxa de juros de mora; - a multa aplicada é exagerada, pois não pode ser aplicada a mesma pena ao infrator imbuído de dolo, fraude ou simulação, e aos que cometeram infrações sem o emprego de expedientes dolosos; e - por fim, seja julgada insubsistente a acusação fiscal, por não ter cometido qualquer infração à legislação do PIS, sendo determinada realização de diligência para comprovar a existência do indébito que gerou os créditos sujeitos à compensação, ou ainda, caso se entenda haver algum débito, que os mesmos sejam determinados sem a incidência da Taxa SELIC a titulo de juros de mora e que seja corretamente aplicada a penalidade cabível. 2 6?"‘- 171 MINISTÉRIO DA FAZEM DA • .• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , ' Wc•41- Processo : 11060.00 1 1 7 1 /97-1 9 Acórdão : 203-06.994 Na decisão de primeira instância — DRJ/STM n° SN1/01/188/98, de 13/04/98 -, a autoridade julgou procedente a ação fiscal, pois o prazo para recolhimento é fixado pela legislação de regência, em cada período de sua vigência, tendo o art. 6° e seu parágrafo único da Lei Complementar n° 07/70 estabelecido a sistemática de recolhimento no sexto mês após a ocorrência do fato gerador, sendo posteriormente modificado por legislação superveniente. Ainda, manteve os juros de mora equivalentes à Taxa SELIC e multa de oficio de 75%. Devidamente intimada da decisão, a contribuinte, tempestivamente, apresenta Recurso Voluntário (fis 13 1/1 50), repisando os argumentos já expendidos na sua defesa. Assim sendo, os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento. É o relatório. ti2 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA •:;j4t .) SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..• • • -:41k:k- Processo : 11060.001171/9749 Acórdão : 203-06.994 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR DANIEL CORREA HOMEM DE CARVALHO O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Correta a decisão monocrática no que tange à impossibilidade de se apreciar a inconstitucionalidade de dispositivo legal, tendo em vista que a Constituição Federal reserva tal competência ao Supremo Tribunal Federal (artigo 102). Cabe ressaltar, contudo, que já foi objeto de parecer da PGFN a possibilidade de este tribunal administrativo apreciar matéria de constitucionalidade, desde que a questão já tenha sido pacificada pelos Tribunais Superiores, como é o caso do processo em pauta. Assim, não havendo o Supremo Tribunal Federal declarado a inconstitucionalidade da legislação pertinente à SELIC, não compete aos órgãos judicantes administrativos pronunciar-se sobre tal. Contudo, depreende-se do Auto de Infração de fls. 01/26 que os cálculos foram refeitos sem levar em cota que a Contribuição ao PIS deve ser calculada conforme estabelecido no parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70, in verbis: "Art. 6°- A efetivcação dos depósitos do Fundo corresponde à contribuição referida na alínea 'h' do artigo 3° será processada mensalmente a partir de I° de julho de 1971. Parágrafo único. A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim, sucessivamente." Tem-se, assim, que a Contribuição ao PIS deve ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior, conforme decidido pela r Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Acórdão n° CSRF/02-0.871, relatado pela Exma. Conselheira Maria Tereza Maninez López: 'PIS - LC 7/70 - Ao analisar o disposto no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que !aturamento' representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à 4 Qa2 MINISTÉRIO DA FAZENDA c‘ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo : 11060.001171/97-19 Acórdão : 203-06.994 realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser a ser considerado o faturameizto do sexto mês anterior. Recurso a que se dá provimento." Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que, recentemente, ao julgar o Recurso Especial n° 255.520-RS, acolheu a tese de que no regime semestral do PIS não há que se cogitar de correção monetária da base de cálculo, ante a ausência de norma legal. Com efeito, o parágrafo único do artigo 60 da Lei Complementar n° 07/70 trata de base de cálculo do PIS e não de prazo para recolhimento. Assim, o PIS devido no mês é calculado com base no faturamento do sexto mês anterior. O dispositivo em questão é muito claro, o fato gerador do PIS é o faturamento do mês, a sua base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. Com estas considerações, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. E como voto. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2000 DANIEL CORREA HOMEM DE CARVALHO 5 c,s2à7t MINISTÉRIO DA FAZENDA 1:4• àf.,‘ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • )44' Processo : 11060.001171/97-19 Acórdão : 203-06.994 VOTO DO CONSELHEIRO RENATO SCALCO ISQUIERDO, RELATOR-DESIGNADO Em relação à parte do recurso voluntário interposto que objetiva o reconhecimento da sistemática de apuração da Contribuição para o PIS, considerando o faturamento do sexto mês anterior ao do mês de competência, isso em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis IN 2.445 e 2.449, ambos de 1988, discordo do ilustre Conselheiro-Relator. A dúvida decorre da interpretação do art. 6° da Lei Complementar n° 07/70, que contém uma redação imprecisa, o que exige do intérprete um esforço adicional para sua compreensão. Penso que o erro dos que defendem a tese de que a lei elegeu um fato, cuja ocorrência se dá seis meses antes da ocorrência do fato gerador da contribuição em análise, está na interpretação gramatical unicamente do dispositivo legal em comento. Para a correta compreensão dessa norma jurídica, deve-se apurar o momento histórico em que foi produzida, e, principalmente, o contexto onde ela se insere. À época em que foi editada a Lei Complementar n° 07/70, era comum a fixação de prazos de recolhimento de tributos longos. Assim foi por muito tempo com o IPI, por exemplo, que chegou a ter prazos de recolhimentos de 180 dias. Por outro lado, não conheço precedentes nos tributos brasileiros em que o legislador tenha utilizado esse expediente, de eleger um fato passado, para obter, por vias transversas, o efeito da concessão de prazo recolhimento. Rejeito, portanto, a interpretação que, restringindo-se ao exame gramatical, ignora a lógica sempre adotada e deduz uma conseqüência da norma jurídica fora do contexto histórico e distante do restante do ordenamento jurídico. Essa questão, aliás, já foi objeto de apreciação por este Colegiado no Recurso de n°101.935, cuja ementa teve a seguinte redação: "PIS - BASE DE CÁLCULO - A Contribuição para o PIS é calculada sobre o faturamento do próprio mês de competência, sendo exigível, a partir de julho de 1991, no mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador (MP ifs 297/91 e 298191 e Lei n° 8.218/91). Incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior." Uma vez retirados do ordenamento jurídico os decretos-leis inconstitucionais, evidentemente, volta a vigorar a norma por eles revogada, a Lei Complementar n° 07/70, que fixava o prazo de recolhimento do PIS em seis meses. Ocorre que a Lei n° 7.691, de 16 de dezembro de 1988, novamente alterou a Lei Complementar n° 07/70, reduzindo para três meses o prazo para recolhimento do PIS. Essa norma vigorou até a edição das Medidas Provisórias tfs 6 Q2 gef MINISTÉRIO DA FAZENDA . eigik„ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -Çhil Processo : 11060.001171/97-19 Acórdão : 203-06.994 134 e 147, ambas de 1990, posteriormente convertidas na Lei n° 8.019/90, que fixou o prazo de recolhimento no dia 05 do terceiro mês subseqüente. Finalmente, as Medidas Provisórias nos 297 e 298, ambas de 1991, esta última convertida na Lei n° 8.218/91, fixou definitivamente o prazo de recolhimento do PIS como sendo o dia 05 do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador. Todas essas normas não foram declaradas inconstitucionais e, portanto, produzem os seus efeitos. Note-se que, em se tratando de fixação de prazo de recolhimento, a Constituição Federal não exige a edição de lei complementar, podendo a matéria ser tratada por lei ordinária. A própria Lei Complementar n° 07/70, nesse item, tem natureza de lei ordinária e pode ser alterada por lei ordinária, conforme precedentes jurisprudenciais do Supremo Tribunal Federal. A empresa autuada deveria ter recolhido as Contribuições para o PIS segundo os prazos contidos na Lei Complementar n° 07/70 e suas alterações posteriores. Não o fazendo, os recolhimentos feitos mostraram-se insuficientes, justificando o lançamento das diferenças apuradas. Correto o lançamento, que não merece qualquer reparo. Por todos os motivos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2000 á/ATO skiça,SQ - RDO 7

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4695760 #
Numero do processo: 11060.000352/95-66
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - Descabe a aplicação de multa de ofício sobre a diferença de imposto apurada, quando mesmo já foi retido na fonte. Com referência ao exercício de 1994 a sistemática do cálculo adotada para o lançamento suplementar do IRPF deve ser retificada conforme norma prevista na NE - SRF/COTEC/COSIT/COFIS n°. 06 de 21/12/95. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-41946
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Maria Goretti Azevedo Alves dos Santos

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Com referência ao exercício de 1994 a sistemática do cálculo adotada para o lançamento suplementar do IRPF deve ser retificada conforme norma prevista na NE - SRF/COTEC/COSIT/COFIS n°. 06 de 21/12/95. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO BATISTA VENTURA DOS SANTOS. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /A_ ANTONIO FREITAS DUTRA PRESIDENTE „- MARIA GORETTI À VEDO ALVES DOS SANTOS RELATORA -- FORMALIZADO EM: 1 7 ABR 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros URSULA HANSEN, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, JOSÉ CLÕVIS ALVES, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MNS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 11060.000352/95-66 Acórdão n°. : 102-41.946 Recurso n°. : 10.906 Recorrente : JOÃO BATISTA VENTURA DOS SANTOS RELATÓRIO Impugnação do Contribuinte às fls. 01, entregue em 12/04/95, confirmando ter efetuado o calculo de dedução por dependente erradamente, devendo o valor correto ser de 1.920,00 UFIR e não 19.200,00 UFIR, concordando inclusive com o pagamento da multa de 50% sobre o valor que deveria ter recolhido. Notificação às fls. 02, para pagamento do valor equivalente de 1.637,28 UFIR mais a multa de ofício já reduzida em 50%. "AR" recebido em 22/03/95, juntado às fis. 04. Dossiê do Recorrente IRPF/94 às fls. 05/10. Certidão remetendo o processo para apreciação do DRJ/STM às fls. 12. Decisão do DRJ/STM julgando procedente em parte a impugnação, retificando n valor da ITILfit2 de ofício el tz 818,65 I IFIR para 995,93 I IFIR; r&tifinnan do valor do saldo do Imposto de Renda Suplementar a pagar de 1.637,28 UFIR para 295,93 UFIR e prosseguimento da cobrança do imposto e multa de ofício prevista no inciso Ido art. 992 do RIR/94, aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, mais os juros de mora pertinentes. Intimação da decisão de 1 a. instância às fls. 16. "AR" juntado às fls. 18 - verso. Recurso do Recorrente às fls. 19; alegando "in verbis": A) que no documento emitido em 18/07/96 consta a retificação do valor do saldo do impost., de renda suplementar, com uma redução de 5,5326597 enquanto que a redução foi\ 2 -'----- .- •-•;;, MINISTÉRIO DA FAZENDA z3-_•_',P__;4_,,,f- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 11060.000352/95-66 Acórdão n°. : 102-41.946 de 2,7663636; B) devendo a multa acompanhar o mesmo parâmetro de redução; e C) informar qual o valor do percentual de juros. Intimação para o Procurador apresentar Contra-Razões às fls. 20 e recebida em 23/09/96. Contra-Razões às fls. 21/22, requerendo a improcedência do recurso. ; É o Relatório. ‘,\ , \ ,\ 3 --n•-• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :11060.000352/95-66 Acórdão n°. :102-41.946 VOTO Conselheira MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, Relatora Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. Voto no sentido de fazer permanecer integralmente a decisão da DR.! - Santa Maria /RS no sentido de manter parcialmente a exigência tributária, nos termos da r. decisão proferida pelo L. Delegado daquela Delegacia. Sala das Sessões - DF, em 11 de julho de 1997. MAÏÂ GORETTl - _ O ALVES DOS SANTOS 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

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4697244 #
Numero do processo: 11075.000979/2001-58
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PIS. PROCESSUAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Aplicação do ADN nº 03/96. Ação proposta pelo contribuinte com o mesmo objeto implica renúncia à esfera administrativa. Precedentes da Câmara. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 201-77118
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, por opção pela via judicial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SÉRGIO GOMES VELLOSO

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4697923 #
Numero do processo: 11080.004315/97-41
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 1998
Ementa: COFINS - IMUNIDADE DE ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - ART. 159, § 7, CF/88. A própria lei que previu a instituição do SESI o caracterizou como instituição de educação e assistência socia, de acordo com o que preceitua a Constituição Federal. Improcede a exigência da contribuição, tendo em vista que a Lei Complementar nr. 70/91, com base na norma constitucional, reitera a imunidade dessas entidades (art. 6, inciso III, Lei nr. 70/91). Recurso provido.
Numero da decisão: 202-10114
Decisão: Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros: Marcos Vinícius Neder de Lima, Maria Teresa Martinez Lopez e Tarásio Campelo Borges. Designado o Conselheiro Helvio Escovedo Carcellos para redigir o Acórdão.
Nome do relator: Maria Teresa Martínez López

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T05:14:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T05:14:35Z; Last-Modified: 2010-01-30T05:14:36Z; dcterms:modified: 2010-01-30T05:14:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T05:14:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T05:14:36Z; meta:save-date: 2010-01-30T05:14:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T05:14:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T05:14:35Z; created: 2010-01-30T05:14:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2010-01-30T05:14:35Z; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T05:14:35Z | Conteúdo => I-- D e 0-3 / 0.3 / 193.5_ , c Rubrica AW4. MINISTÉRIO DA FAZENDA %(14 ;.• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CORRI EMA DECISÃOProcesso : 11080.004315/97-41 _e", RO .2 Acórdão : 202-10.114 0 c EM, /g 06 Ai• Sessão • 13 de maio de 1998 rcrtrzr,, Jfe or21 Recurso : 105.027 Recorrente : SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI Recorrida : DRJ em Porto alegre - RS COFINS - IMUNIDADE DE ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - ART. 159, § 7°, CF/88. A própria lei que previu a instituição do SESI o caracterizou como instituição de educação e assistência social, de acordo com o que preceitua a Constituição Federal. Improcede a exigência da contribuição, tendo em vista que a Lei Complementar n°. 70/91, com base na norma constitucional, reitera a imunidade dessas entidades (art. 6°, inciso III, Lei n° 70/91). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA — SESI. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Marcos Vinícius Neder de Lima e Tarásio Campelo Borges. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Helvio Escovedo Barcellos. Esteve presente o patrono da recorrente Dr. Celso Luiz Bernardon. Sala das Sessões em 13 de maio de 1998 1. Ma cos ícius Neder de Lima Pr(suln. te Helvio E/sá edo Barcellos / Relatortpesignado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho e Ricardo Leite Rodrigues. Eaal/cf 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA . ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ... É. It .3 -.3r Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 Recurso : 105.027 Recorrente : SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI RELATÓRIO O presente processo origina-se de lançamento de COFINS de fatos geradores de 1992 a 1996. A recorrente acima identificada vem atuando no comércio varejista, através da venda de produtos farmacêuticos, que são comercializados em farmácias com CGC e endereços próprios. Os medicamentos e perfumarias são vendidos tanto para beneficiários do SESI como para o público em geral. No período sob ação fiscal, a recorrente não efetuou nenhum recolhimento a título de COFINS. Argumenta a requerente ser uma entidade jurídica privada de caráter assistencial e educacional, de fins não lucrativos, e como tal imune aos impostos e à COFINS, com fundamento no art. 150 da CF e art. 9° do CTN. Em síntese, portanto, alega que: a) o SESI é ente jurídico de direito privado exercente de função delegada do Poder Público, instituído pelo Decreto n° 9.430/46 e regulado pela Lei n° 2613/55, sendo seus bens e serviços equiparados como se da União fossem; b) é uma entidade de caráter assistencial e educacional, por força do Decreto n° 9.430/46, art. 1°, Decreto n° 57.375/65, arts. 3 0, 4° e 5°, Lei n° 4.440/64, art. 50 , e Circular INPS n° 10/67; c) em sendo entidade de educação e assistência social ao trabalhador urbano, da indústria, do transporte, das comunicações e da pesca, é de ser excluída da incidência do artigo 17, inciso III, do Decreto n° 88.081/79, conforme o Processo Judicial n° 88.0040233-0, na Justiça Federal; d) inserida na vedação à tributação constante do artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Carta Magna, e artigo 9°, inciso IV, "c", do CTN, nada deve a título de COFINS, que se trata de tributo; e) a COFINS possui caráter tributário, fato que contamina de inconstitucionalidade e ilegalidade o presente lançamento, na medida em que o SESI possui imunidade legal e constitucional a qualquer tipo de imposto; 2 , _ MINISTÉRIO DA FAZENDA j SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES rr- - Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 O o parágrafo único do artigo 2° da Lei Complementar n° 70/91 determina a exclusão da base de cálculo do valor dos descontos a qualquer título, concedidos incondicionalmente, demonstrando ser aplicável a atividades comerciais, sendo o objetivo da lei o ganho financeiro da atividade comercial; g) a venda pelo SESI de sacolas econômicas e medicamentos em suas farmácias faz parte de um objetivo social da organização, funcionando, inclusive, como regulador de mercado; h) é isenta da COFINS, consoante o artigo 6°, inciso HL da Lei Complementar n° 70/91, em combinação com as condicionantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91; i) por fim, alega que em nenhum momento houve fato capaz de desnaturar suas características organizacionais que viesse a justificar uma mudança de enquadramento por parte da Receita Federal, tendo o requerente diplomas de utilidade pública no âmbito municipal, estadual e federal, demonstrando sua condição de entidade beneficente de assistência social; e j) por derradeiro, com base no demonstrado e na qualidade de Entidade de Assistência Educacional e Assistencial, conforme a legislação que descreve, pede o julgamento pela insubsistência do auto de infração. A autoridade singular julgou procedente a ação fiscal, tendo decidido nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANC. SEGUR. SOCIAL Apurada falta ou insuficiência de recolhimento da COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Estabelecimento instituído por Entidade Educacional e Assistencial que exerça atividade comercial sujeita-se ao recolhimento da COFINS nos mesmos moldes das pessoas jurídicas de direito privado, com base no faturamento do mês. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE". Tempestivamente, a recorrente interpôs recurso voluntário a este Colegiado, 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA %\4.4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 reiterando os argumentos expendidos em sua impugnação, em especial atribuindo sua defesa ao enquadramento no artigo 150 da CF. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3> • t4 Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 VOTO VENCIDO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA TERESA MARTINEZ LÓPEZ No mérito, circunscreve-se a questão, a meu ver, em definir se as atividades comerciais, através da venda de produtos farmacêuticos e outros realizados pela Recorrente, estariam enquadradas na imunidade, e, como tal, não seria devida a COFINS sobre o faturamento das farmácias. A questão apresentada envolve basicamente três correntes doutrinárias. A primeira defende o raciocínio de que, em sendo a COFINS espécie de contribuição social, e, portanto, sujeita ao disposto no parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal, para que a entidade fosse imune (ou isenta para alguns) necessário se faria demonstrar que a interessada cumpre os seguintes requisitos estabelecidos especificamente no artigo 55 da Lei n° 8.212/91: - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou Municipal; - seja portadora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada 3 anos (veja-se, também, o Decreto n° 2.536, de 06 de abril de 1998); - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentado anualmente ao órgão do INSS competente relatório circunstanciado de suas atividades. (Alterado pela Lei n° 9.528/97). A segunda corrente entende que não haveria que se falar em imunidade da COFINS, em razão de ter sido a Lei n° 8.212/91 instituída antes da Lei Complementar n° 70/91. Neste raciocínio, ainda teria que ser instituída uma nova lei (específica para a COFINS) para que as entidades pudessem ou não se enquadrar na chamada "isenção". Com relação à esta corrente, num primeiro momento, entendo não ser plausível tal raciocínio, em razão da própria redação estabelecida no parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal. A terceira corrente entende que o artigo 14 do Código Tributário Nacional regularia o artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, em especial esclareça-se, em relação à 5 irtiká MINISTÉRIO DA FAZENDA \ft, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 imunidade dos contribuintes à COFINS, uma vez que inexiste outra lei específica. Tal raciocínio também é defendido pelo respeitável doutrinador "Roque Antonio Carraza" em sua obra "Curso de Direito Constitucional Tributário" - 1 l a ed. 1998, pág. 473 a seguir transcrito: "6.11 A imunidade do art. 195, par. 7°, da CF. São imunes à tributação por via de contribuição para a seguridade social (que para o empregado, como vimos, é um imposto) as entidades beneficentes de assistência social, que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, par. 7°, da CF). A esta lei (que só pode ser uma lei complementar) não é dado inviabilizar a fruição do benefício. Presentemente faz as vezes desta lei o art. 14 do CTN." No caso da primeira, a Recorrente argüiu, em seu favor, não ser adepta desta corrente, e, portanto, não concordar com o raciocínio defendido por aqueles, de que os requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, acima discriminados, seriam os necessários para o pronto enquadramento ao § 7° do artigo 195 da Constituição Federal, quer simplesmente por adotar esta posição, quer por não possuir todos os documentos exigidos. Abra-se parênteses para comentar que a entidade mencionou ter o registro no CNAS, ao invés do certificado de filantropia, o que, a meu ver, tratam-se (registro e certificado) de coisas distintas. Destarte, oportuno mencionar que alguns doutrinadores defendem que o artigo 55 da Lei n° 8.212 é ilegal, na medida em que, segundo estes (terceira corrente) dispõem de matéria sujeita à Lei Complementar, e, neste caso, somente seria aplicável o Código Tributário Nacional. Já no que diz respeito à terceira corrente, passo a fazer as minhas considerações. O artigo 14 do Código Tributário Nacional, como me referi anteriormente, regularia o artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, em especial no que pertine à imunidade da COFINS. Nesse sentido, pela importância, reproduzo parcialmente o artigo 14 do Código Tributário Nacional: "§ 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos". No mérito, adoto o entendimento externado na decisão prolatada pela autoridade singular, ao trazer ensinamentos colhidos do Livro Direito Tributário e Econômico, do doutrinador Ives Gandra Martins, quando diz que "o parágrafo segundo do Código Tributário Nacional restringe os serviços relacionados diretamente aos objetivos institucionais. Os serviços não podem sequer ser relacionados indiretamente com os objetivos institucionais, visto que a 6 4i2j,* MINISTÉRIO DA FAZENDA Wrii SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --- Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 utilização dos advérbios "diretamente" e "exclusivamente" afastam a interpretação integrativa". O Decreto-Lei n° 9.403/46, que atribui à Confederação Nacional da Indústria o encargo de criar, organizar e dirigir o Serviço Social da Indústria, dispõe que: "Art.1°- Fica atribuído à Confederação Nacional da Industria (SESI), com a finalidade de estudar, planejar e executar, direta ou indiretamente, medidas que contribuam para o bem estar social dos trabalhadores na indústria e nas atividades assemelhadas, concorrendo para a melhoria do padrão geral de vida no país e, bem assim, para o aperfeiçoamento moral e cívico e o desenvolvimento do espírito de solidariedade entre as classes. § 1 0- Na execução dessas finalidades, o Serviço Social da Indústria terá em vista, especialmente, providências no sentido da defesa dos salários reais do trabalhador (melhoria das condições de habitação, nutrição e higiene), a assistência em relação aos problemas domésticos decorrentes da dificuldade de vida, as pesquisas sociais-econômicas e atividades educacionais e culturais, visando à valorização do homem e os incentivos à atividade produtora." Ainda, o Decreto n° 57.375/65, que aprovou o Regulamento do Serviço Social da Indústria, nos termos do Decreto-Lei n° 9.403/46, menciona, dentre outras coisas, que: "Art. 1°- Serviço Nacional da Indústria (SESI), criado pela Confederação Nacional da Indústria, a 1° de julho de 1946,consoante o Decreto-lei n° 9.403, de 25 de junho do mesmo ano, tem por escôpo estudar, planejar e executar medidas que contribuam diretamente para o bem-estar social dos trabalhadores na indústria e nas atividades assemelhadas, concorrendo para a melhoria do padrão de vida no país, e, bem assim, para o aperfeiçoamento moral e cívico, e o desenvolvimento do espírito da solidariedade entre as classes. § 1 0- Na execução dessas finalidades, o Serviço Social da Indústria terá em vista, especialmente, providências no sentido da defesa dos salários reais do trabalhador (melhoria das condições da habitação, nutrição e higiene), a assistência em relação aos problemas domésticos decorrentes das dificuldades de vida, as pesquisas sócio-econômicas e atividades educativas e culturais, visando à valorização do homem à atividade produtora. (...) Art 8°- Para consecução de seus fins, incumbe ao SESI: 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA (‘ ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 - organizar os serviços sociais adequados às necessidades e possibilidades locais, regionais e nacionais; - utilizar os recursos educativos e assistenciais existentes, tanto públicos como particulares; - estabelecer convênios, contratos e acordos com órgãos públicos, profissionais e particulares; - promover quaisquer modalidades de cursos e atividades especializadas de serviço social; - conceder bolsas de estudo, no país e no estrangeiro, ao seu pessoal técnico, para formação e aperfeiçoamento; - contratar técnicos, dentro e fora do território nacional, quando necessários ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de seus serviços; - participar de congressos técnicos relacionados com suas finalidades; - realizar, diretamente ou indiretamente, no interesse do desenvolvimento econômico-social do país, estudos e pesquisas sobre as circunstâncias vivenciais dos seus usuários, sobre a eficiência da produção individual e coletiva, sobre aspectos ligados à vida do trabalhador e sobre as condições sócio-econômicas das comunidades; - servir-se dos recursos audiovisuais e dos instrumentos de formação da opinião pública, para interpretar e realizar a sua obra educativa e divulgar os princípios, métodos e técnicas de serviço social." Não há no Estatuto da entidade discriminação dos serviços voltados para o comércio de produtos, tal como os praticados pela Recorrente. Não compartilho do entendimento alegado pela Recorrente de que os referidos serviços (sacola econômica e a farmácia do SESI) estariam enquadrados na "defesa dos salários reais dos trabalhadores e a assistência em relação aos problemas domésticos decorrentes da dificuldade de vida". Se tais receitas, oriundas da comercialização de produtos, estivessem evidenciadas no estatuto, apreciar-se-ia o presente litígio sobre outro enfoque, o que não é o caso. 8 , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .,- VA> Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 Portanto, tendo em vista que a recorrente não possui todos os documentos exigidos pelo artigo 55 da Lei n° 8212/91, bem como não atende plenamente aos requisitos estabelecidos no artigo 14 do CTN, voto no sentido de se negar provimento ao recurso. É o voto. Sala das Sessões, em 13 de maio de 1998 ,/ ----, MARIA TE' .d• 'A MARTNEZ LÓPEZ 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 VOTO DO CONSELHEIRO HELVIO ESCO VEDO BARCELLOS RELATOR-DESIGNADO Entendo, preliminarmente, que a matéria deve ser examinada à luz do artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, visto que, no nosso entender, a imunidade instituída pelo artigo 150, IV, "c", é restrita aos" impostos", nas hipóteses ali consideradas. Declara o dispositivo inicialmente citado, que dispõe sobre a seguridade social: "Artigo 195. # 70 - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social, que atendam às exigências estabelecidas em lei." Desde logo, é de se afirmar que o dispositivo constitucional transcrito, embora fale de" isenção" , refere-se a" imunidade". Tal entendimento constitui ponto pacífico na doutrina, conforme, aliás, foi invocado por este Conselho no Acórdão n°. 202-09.718, que, ao ensejo do exame desse dispositivo, invocando, por igual, a doutrina pacífica, declarou, in verbis: ‘`.... o mandamento contido no § 7" do art. 195 da C.F., " são isentas de contribuição para a seguridade social...." não traduz tecnicamente o instituto da isenção, que tem aptidão para ser veiculado por lei ordinária, devendo o intérprete conceber tal locução com a textura "São imunes...", uma vez que a proteção assegurada pela Lei Maior assume o " status" do instituto jurídico da imunidade." Diga-se que esse aspecto da questão tem relevância na hipótese em exame, uma vez que, também segundo a doutrina pacífica, entre outros o insigne Carlos Maximiliano, contrariamente ao que ocorre com a isenção, que é de interpretação restritiva (v. CTN, art. 111), a imunidade tem alcance amplo e extensivo. Por outro lado, para não nos alongarmos em considerações quanto ao caráter tributário das contribuições sociais, é a própria decisão recorrida que, depois de se socorrer dos mestres, declara que: 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA jf: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 está pacificado na jurisprudência atual o caráter tributário das contribuições sociais, entre as quais o PIS, frente à Carta de 88". É certo que o mencionado dispositivo subordina sua aplicação ao atendimento "das exigências legais". Antes, porém, de apreciarmos o atendimento das exigências legais, vejamos a primeira condição, inscrita no próprio texto constitucional, de ser o destinatário do beneficio da imunidade um " instituto de educação e de assistência social". A própria lei que previu a instituição do SESI o caracterizou como instituição de educação e de assistência social. Trata-se da Lei n° 4.403/46, cujo artigo 1° atribuiu à Confederação Nacional da Indústria: "... o encargo de criar o Serviço Social da Indústria (SESI), com a finalidade de estudar, planejar e executar, direta ou indiretamente, medidas que contribuam para o bem estar dos trabalhadores na indústria e nas atividades assemelhadas, concorrendo para a melhoria do padrão geral da vida no pais e, bem assim, para o aperfeiçoamento moral e cívico e o desenvolvimento do espirito de solidariedade entre as classes." O § 1 0 desse artigo 1° delineia com detalhes as atribuições do SESI, na execução daquelas atribuições, a saber, a de adotar: .... providências no sentido da defesa dos salários reais do trabalhador (melhoria das condições de habitação, nutrição e higiene), a assistência em relação aos problemas domésticos decorrentes da dificuldade de vida, as pesquisas sociais-econômicas e atividades educacionais e culturais, visando à valorização do homem e os incentivos à atividade produtora." Tais atribuições, como não poderia deixar de ser, são reeditadas no Decreto n°. 57.375/65, que aprovou o Regulamento do SESI. Conforme, aliás, já foi dito pelo recorrente, o SESI é: "... integralmente, uma entidade de assistência social e todas as atividades que ele desempenha são vinculadas a esta sua qualidade, sendo que até mesmo a venda de sacolas econômicas e medicamentos têm essa finalidade, pois a renda 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA ri? SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 obtida nestas atividades é diretamente direcionada para o sustento da atividade global do SESI, inexistindo distribuição de lucros o qualquer forma de dividendos para seus funcionários, Diretores elou Conselheiros. Reconhecendo, aliás, tais contribuições e atividades, declarou a decisão recorrida que: " Os bons e relevantes serviços prestados pelo SESI não estão em julgamento, nem tampouco os nobres objetivos que certamente norteiam também os empreendimentos aqui gozados." Demonstrada, assim, a condição da instituição de educação e de assistência social que caracteriza o SESI, vejamos agora o " atendimento das condições estabelecidas em lei". Nesse passo, conforme declara a decisão recorrida, invocando a doutrina de Sacha Calmon, a " lei reguladora do § 7° do art. 195 deverá ser Lei Complementar". Pois bem, a Lei Complementar n°. 70/91, com base na norma constitucional em causa, apenas reiterou a imunidade, ao declarar, pelo inciso III do seu art. 6°, isentas da contribuição: "as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei." Embora a Lei Complementar pouco ou nada tenha acrescentado, afinal, foram estabelecidas as necessárias condições, com o advento da Lei n°. 8.212/91, enunciadas que foram ditas condições, traduzidas no cumprimento das exigências inscritas no seu artigo 55, a saber: "1 - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal; II - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Serviço Social; III - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV- não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios, a qualquer título; V - apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais." 12 - MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES rt. Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 Nesse passo é preciso esclarecer que tão detalhadas condições e exigências são mais endereçadas às instituições privadas aí também incluídas. Daí o rigor. É evidente que, no caso do SESI, como nas entidades dessa natureza, estabelecidas por lei e indiretamente vinculadas ao Poder Público, o próprio texto legal que estabelece suas atividades e objeto não só reconhece como exige o cumprimento das citadas condições. Não obstante encontrar-se nessa hipótese, como vimos pela transcrição da legislação em causa, o SESI ainda atende, dentre as condições acima transcritas, especificamente as dos incisos I, III, IV e V, visto que, quanto ao inciso II , é suprida pela própria lei e pela entidade que o instituiu. O reconhecimento de utilidade pública, pelos governos federal, estadual e municipal, é atestado pelos correspondentes certificados anexos ao recursos: a condição do inciso III constitui a própria atividade institucional do SESI, assim como as dos incisos IV e V também são de ordem institucional da organização; as eventuais rendas obtidas são integralmente aplicadas no País e não há distribuição de lucros, tampouco são os seus diretores e/ou conselheiros remunerados. Vejamos agora o caso das vendas de sacolas econômicas e as farmácias do SESI, que, especificamente, ensejaram o procedimento fiscal contra a mencionada entidade. Quanto aos produtos objeto das vendas, são produtos alimentares (sacolas econômicas) e produtos farmacêuticos, esclarecendo-se, quanto a estes, que a menção feita pelo Fisco, com especial ênfase, a artigos de perfumaria, refere-se, na realidade, a artigos de higiene e cuidados corporais (dentrifícios, sabão, sabonete e desodorantes). Sem dúvida, produtos de primeira necessidade, destinados à alimentação, higiene e tratamento médico das pessoas de limitada capacidade econômica, merecedoras de tratamento privilegiado, por parte das referidas entidades. Resta, então, o aspecto, também invocado pela decisão recorrida com tanto destaque, de serem tais produtos também expostos à venda a terceiros que, embora não associados da entidade, não obstante fazem parte da comunidade local. Ainda aí estamos com o patrono da recorrente, quando este afirma que: " ... na medida em que a defesa do salário real dos trabalhadores e a assistência em relação aos problemas domésticos decorrentes da dificuldade de vida fazem parte dos objetivos institucionais do SESI, pergunta-se se está a 13 Á; MINISTÉRIO DA FAZENDA tY, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5;., • r.! Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 venda de alimentos e medicamentos por preço abaixo dos praticados no mercado, divorciado de tais objetivos...." Entende a decisão recorrida que não se vislumbra na legislação constituinte do SESI autorização expressa para o comércio de produtos. Mas nem sempre a vontade do legislador está expressa literalmente, "cabendo aos que trabalham com a lei sua interpretação, tanto restritiva, quanto extensiva". E não nos esqueçamos do consagrado princípio de hermenêutica, que manda interpretar de maneira ampla e sempre mais favorável a quem se destina o dispositivo que confere imunidade. Assim é que o saudoso mestre Aliomar Baleeiro, em comentário a dispositivo semelhante da Constituição anterior, mas que se ajusta à hipótese em exame, declarava, com toda a convicção de seu vasto conhecimento (invocado por Ivens Gandra, em "Comentários à Constituição, vol. 6°, Tomo I): ".... a interpretação deve repousar no estudo do alcance econômico ... e não no puro sentido literal das cláusulas constitucionais. A Constituição quer imunes instituições desinteressadas e nascidas do espírito de cooperação com o Poder Público, em suas atividades especificas. Ilude-se o intérprete que procura dissociar o fato econômico do negócio jurídico, para sustentar que o dispositivo não se refere a este." Examinemos, por fim, a questão à luz do principio da livre concorrência, inscrito na Constituição, e também invocado na decisão recorrida. A norma foi inserida no Capítulo referente à Ordem Econômica e, especificamente, no que interessa à hipótese em exame, no § 1° do art. 173, que sujeita ao regime jurídico próprio das empresas privadas, "inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias", as instituições públicas que pratiquem as atividades próprias dessas empresas privadas. Entendo que não há como se enquadrar nessa hipótese o caso do SESI, pelo simples fato da venda das sacolas econômicas e dos produtos farmacêuticos, nas condições descritas. Ainda, a invocação da decisão recorrida foi muito bem contestada pela recorrente, ao declarar, a propósito: "Quanto à venda indiscriminada, sem a restrição a seus usuários legais, é o 14 , MINISTÉRIO DA FAZENDA ,.-, -7•9:e: . -,74, 1...„)/ ls :.lrg SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 11080.004315/97-41 Acórdão : 202-10.114 reconhecimento do SESI de que a assistência social, nos termos preconizados em seus constitutivos, visa fundamentalmente ao atendimento de seres humanos, pessoas que sofrem os males da penúria financeira e cujos filhos e demais dependentes, além deles próprios, adoecerem e sentirem fome, independente da categoria econômica a que pertençam. Limitar a venda de sacolas econômicas ou de medicamentos aos usuários legais do SESI é desconhecer o verdadeiro sentido da prática da assistência social, é querer que o SESI pratique a verdadeira omissão de socorro a quem precisa comer e necessita de medicamentos para sanar seus males, tudo a preço abaixo do mercado, valorizando desta forma seu salário real." Depois, não há de ser tal atividade tipicamente assistencial e humanitária, mesmo sem outro propósito senão o de servir a comunidade carente, exercida, infelizmente, em escala mínima, que há de afetar as empresas que, embora legalmente habilitadas, visem exclusivamente o lucro. As empresas públicas alcançadas pela regra constitucional, em face do principio da livre iniciativa (art. 173, § 1°), quando explorem atividades econômicas, diferem fundamentalmente do SESI, pois este não visa lucro, enquanto que a empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividades econômicas, visam lucro, "tanto que aquelas que não o conseguem estão sendo privatizadas". E convenhamos que jamais se cogitou de se privatizar o SESI ou qualquer entidade de assistência social da mesma natureza, simplesmente pelo fato de ser a assistência social e educacional o seu objetivo, e não o lucro. Por todas essas razões, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 13 de maio de 1998 -d- HÉLVIO E ' 1 EDO BAR ELLOS 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA \‘\':XkOr.n • n•• ", PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL EX:M° SR. PRESIDENTE DA 2° CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 11080.004315/97-41 Acórdão n° 202-10.114 Rrpo-2-0 • '-2 ?- Interessada: SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI A Fazenda Nacional, irresignada com a respeitável decisão consubstanciada no Acórdão em epígrafe, prolatada por maioria de votos, vem, com fundamento no art. 32. inc. I. do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Anexo II. aprovado pela Portaria n° 55. de 16-03-98. do Senhor Ministro da Fazenda. interpor RECURSO ESPECIAL para a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no que se segue. Do relatório que instrui a decisão consolidada no Acórdão em causa. destacam-se os seguintes tópicos. com referência ao fundamento da denúncia fiscal descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls: "...que a entidade vem atuando no comércio varejista, através da venda de produtos farmacêuticos, que são comercializados totalmente desvinculados da parte assistencial." "...que o Serviço Social da Indústria - SESI vem exercendo, "sistematicamente," atividades econômicas tributáveis (comércio de produtos farmacêuticos e outros) e o que determina sua isenção não são os objetos de seus estatutos, mas, sim, o objeto de fato praticado." Inicialmente. o voto condutor do acórdão examinou a matéria à vista do disposto no § 7' do art. 195 da Constituição Federal, pondo em destaque o fato da impropriedade do dispositivo legal referir-se à isenção. em vez de imunidade. e que, segundo a doutrina pacifica. entre outros o insigne Carlos Maximiliano. contrariamente ao que ocorre com a isenção, que é de interpretação restritiva, a imunidade tem alcance amplo e extensivo. ( Os negritos não são do original) Em seguida. afirma: "É certo que o mencionado dispositivo (§ 7° do art. 195 da CF) subordina sua aplicação ao atendimento 'das exigências legais.' É exatamente neste ponto. -das exigências legais - que se expora. que a imunidade da interessada não tem a extensão que conferiu a maioria do Egrégio Colegiado. Pacifico é o entendimento de que a interessada é uma instituição de educação c de assistência social, desde a previsão de sua criação pela Lei 9.403/46. que atribuiu este encargo a Confederação Nacional da Indústria, consoante se pode verificar do disposto no seu anigo 1°. A..; MINISTÉRIO DA FAZENDA `JI-- , PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo ri° 11080.004315/97-41 Acórdão ir) 202-10.114 Assim, dispõe o artigo 150. VI. b e e da vigente Constituição Federal: -Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asse guradas ao contribuinte. é vedado à União, aos Estados, ao Distrito e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: b) templos de qualquer culto: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos. inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores. das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. atendidos os requisitos da lei: (os negritos não são do original) Comentando a última disposição acima transcrita, o ilustre prof. Sacha Calmon Navarro. contrariamente ao entendimento do autor a que se referiu o Ilustre Relator, posiciona-se pela interpretação restritiva da imunidade, às espécies de tributos expressamente mencionados acima, como se pode verificar do seu comentário, traslado abaixo: (os negritos não são do original) "A imunidade das instituições de educação e assistência social protege-as da incidência do IR, dos impostos sobre o patrimônio e dos impostos sobre serviços, não de outros, quer sejam as instituições contribuintes de jure ou de fato. Destes outros só se livrarão mediante isenção expressa, uma questão diversa. Aqui se cuida de imunidade, cujo assento é constitucional. (Vide pág. 395/396, da obra "O Controle da Constitucionalidade das Leis". publicação da Dei Rey Editora. 2a ed., 1993). (Os negritos não são do original) Nesta linha de posicionamento pela interpretação restritiva da imunidade tributária. a que se refere o art. 150, inciso VI. letra "c - da Constituição Federal, cumpre realçar. aqui. a transcrição a que se refere o item 15 da decisão de primeiro grau. nestes termos: "Também concordando com o caráter restritivo daquele dispositivo legal Paulo de Barros Carvalho, por citação de Roque Antonio Carrraza. in Curso de Direito Tributário. 7" ed. Malheiros Editores. pág . 369. in verbis: Não devemos nos esquecer que as vedações expressas no inciso VI, alínea b e c, compreendem somente o património, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas (art. 150, § 4°, da CF). Logo, se, por exemplo, um partido político abrir uma loja, vendendo, ao público em geral, mercadorias. deverá pagar ICMS, ainda que os lucros revertam em benefício das suas atividades. Por quê? Porque a r;IY?./iy 3 MINISTERIO DA FAZENDA ‘4 ‘v-ZI ,.. PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL .-.- Processo n° 11080.004315/97-41 Acórdão ri° 202-10.114 prática de operações mercantis não se relaciona, nem mesmo indiretamente, com as finalidades de um partido político." Também nesta mesma linha o inolvidável prof. Aliomar Baleeiro que. em sua valiosa obra "Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar." 5' ed.. Forense. 1977. Rio. pág. 178. assim se expressa sobre referida restrição: "Mas não perde o caráter de instituição de educação e assistência a que remunera apenas o trabalho de médicos, professores, enfermeiros e técnicos, ou a que cobra serviços a alguns para custear a assistência e educação gratuita a outros - e construiu muito bem - à luz do princípio da capacidade contributiva, a inexistência de fato tributável em caso de administrador de hospital, lançado para indústria e profissões, embora nenhum salário recebesse da instituição, que, aliás, aceitava clientes à base de tarifas. E se partidos e instituições exploram comércio ou industria? Os impostos que repercutem sobre terceiros são suportados por estes e não se excluem por força da imunidade. (Destaques em negritos não constam do original) De outra parte. este eminente mestre. dissertando sob o tema -Partidos e Instituições Educacionais ou Assistenciais- à pág. 92. do seu "Direito Tributário Brasileiro. - 9' ed.. Forense. 1977. assim se manifesta sobre a matéria em discussão: "Se a instituição explora indústria ou comércio, como meio de renda para a realização de seus fins, está sujeita aos impostos de que seja contribuinte de iure, mas que, nas circunstâncias concretas, repercutem sobre terceiros - os seus compradores ou usuários. Não assim o imposto de renda ou de transmissão de propriedade imobiliária, que lhe toquem." (Os grifos e os destaques em negrito não constam do original) Fica, pois. muito evidente das transcrições acima que mesmo as instituições de assistência social, aplicando suas rendas em atividades comerciais, com a aplicação do lucro aos seus objetivos institucionais. estarão sujeitas aos tributos que. de um modo ou de outro, repercutem sobre terceiros. como é o caso do ICMS. IPI e. obviamente. a COFINS. como contribuição. - com discussão pacificada de ser um tributo especial. -cuja incidência tem repercussão econômica sobre terceiros. Assim. dispondo o § 3° do artigo 195 da CF, norma de eficácia contida. que "são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. - hão de valer-se do preceito que a instituiu, qual seja. a Lei Complementar n°70. de 30-12-91. que dispõe: "Art. 6° São isentas de contribuição: Ill - as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (Os negritos não são do original) As exigências genéricas são as indicadas pelo Códi go Tributário Nacional. que e Lei Complementar Geral no tocante à matéria tributária. A COFINS. regida pela Lei Complementar Especifica. para a espécie. LC 70/91. não poderia ser mencionada por aquela, eis que só era então vigente a Contribuição de '-- Melhoria. n ', , , ."ip..%I. MINISTÉRIO DA FAZENDA :44:::11::V • •JI-----';)':. PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL- Processo n" 11080.004315/97-41 Acórdão n 202-10.114 Desta forma. pertinentemente. dispõe o Código Tributário Nacional: "Art. 90 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV - cobrar imposto sobre: a) b) c) o patrimônio, a renda ou o serviços de partidos políticos e de instituições de educação ou de assistência social. observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (o grifo não é do original) Na seção II. das Disposições Especiais. temos concernentemente à matéria: "Art. 14 O disposto na alínea c do inc. IV do art. 90 é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I - não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado: II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais: III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do art. 9 0 , são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo. previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos." (Os destaques em negrito não são dosoriginal). Desta forma. no Capítulo II. que trata das Limitações da Competéncia Tributária. comentando. no tópico 10, a imunidade subjetiva dos partidos políticos e instituições de educação ou de assistência social. P.R. Tavares Paes, à folha 108 do seu apreciado "COMENTÁRIOS AO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. 5' ED. de 1996. assim se posiciona: "Trata-se de casos de imunidade subjetiva. A instituição aqui não deve ter o fim de lucro. Claro está que se a instituição exercer o comércio ou a indústria se submeterá aos impostos incidentes trasladáveis e repercutiveis. (Os negritos não são do original) Com a remetida da parte final do § 2 0 acima transcrito, tem-se que verificar os respectivos estatutos ou atos constitutivos da entidade em causa.Â./ A.; •S:.?('::?.P MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo u° 11080.004315/97-41 Acórdão n° 202-10.114 Assim, o Serviço Social da Indústria (SESI), criado pela Confederação Nacional da Indústria. em 1°-07-46. consoante Decreto-lei n° 9.403. de 25 de junho do mesmo ano. cujo Reirulamento aprovado pelo Decreto tf 57.375. de 02-12-65. discrimina os seus objetivos institucionais, onde avultam " ... medidas que contribuam. diretamente, para o bem-estar social dos trabalhadores na indústria e nas atividades assemelhadas...-. O art. 8° do mesmo Regulamento dispõe: "Para consecução dos seus fins, incumbe ao SESI: a) organizar os serviços sociais adequados às necessidades e possibilidades locais, regionais e nacionais; c) estabelecer convênios, contratos e acordos com órgãos públicos, profissionais e particulares; d) A Procuradoria da Fazenda Nacional está plenamente de acordo com várias das colocações da decisão de primeiro grau. sendo uma delas relativamente às disposições legais supra transcritas, segundo a qual: "... da legislação citada, não há no estatuto formador autorização para que o SESI promovesse a abertura de filiais para o comércio de produtos, ainda que fossem remédios e sacolas básicas. A alínea 'c' do artigo 8° prevê o estabelecimento de convênios, contratos e acordos com particulares no intuito de obter benefícios para os trabalhadores. mediante, por exemplo, programas de descontos. Mas na receita advinda das vendas desses particulares, continuaria havendo a imposição das contribuições sociais, tais como o PIS e a COFINS. Foi nesse sentido o trabalho da fiscalização, ao afirmar que o exercício de atividades econômicas tributáveis está fora do enquadramento dos objetivos da instituição." (Os grifos não são do original) Registra. ainda, a decisão de primeira instância, nos seus itens 26 e 27, colocações com as quais concorda inteiramente este representante da Fazenda Nacional, nos seguintes termos: -26. Transparece cristalino nos autos que as farmácias e sacolões do SESI realizam a compra de medicamentos e gêneros alimentícios de fornecedores privados e realizam a venda a todos, indistintamente. Não há atividade benemerente nesse negócio, apenas um meio de auferir recursos que, ao que tudo indica, são empregados em causa nobre. Mas, aí, apenas pela finalidade da utilização dos recursos, não há imunidade ou isenção. 27. Raciocinar de modo diverso poderia permitir a seguinte ilação. Se ao SESI é permitido abrir filiais para outros negócios, por que não instituir industria de confecções para atender as necessidades dos trabalhadores? Ou comércio de calçados e roupas populares? Indústria de brinquedos? E assim por diante." Assim, a imunidade de impostos, corno registra o texto constitucional. no art. 150. inc VI. alínea -c," diz respeito tão-somente ao património, a renda ou serviços das instituições de educaçao e de MINISTÉRIO DA FAZENDA .`---ir.,-,), •-• PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo rf 11080.004315/97-41 Acórdão n°202-10.114 assistência social. sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei, que são os impostos cujos ônus econômicos seriam absorvidos pela entidade. (se ela não fosse imune), jamais aos impostos que são repassados para o adquirentes das mercadorias ou produtos. Pois se isso fosse possível, estar-se-ia a ferir o principio constitucional da isonomia, seria uma concorrência desleal com as empresas não imunes. ferindo. em conseqüência. o disposto no art. 170, inciso IV, combinado com o art. 173, § 1°. princípios constitucionais básicos da atividade econômica. inserido na vigente Carta Magna. Imagine-se, a venda de produtos. como é o caso em discussão, por exemplo, sem o acréscimo do LPI de 12% e o ICM de 15%. onde o preço para o adquirente final do produto ficaria inferior a 27% aos das empresas. Seria uma concorrência desleal. O que se deve admitir é que o SESI pode vender os seus produtos com preços menores e com menos resultado, sem. contudo. haver dispensa da obrigatoriedade do recolhimento desses impostos: revertendo o resultado final às suas finalidade institucionais, mas. jamais. ignorar o princípio constitucional da isonornia. Assim, a situação do SESI é de entidade assistencial imune aos impostos que incidem sobre o seu patrimônio, a sua renda ou seus serviços (os tributos denominados diretos). jamais aos que dizem respeito à produção e a circulação dos bens (IPI e ICM, impostos indiretos), vez que o ônus decorrente destes é repassado integralmente para os adquirentes ou consumidores finais dos mesmos c que são os contribuintes de fato, não onerando. pois. os contribuintes de direito. O voto da autoridade de primeiro grau bem se referiu a essa situação. quando coloca o seguinte. no tópico correspondente ao seu item 32, nestes termos: "Cabe também dizer o caráter regulador do comércio daqueles gêneros que o SESI quer se atribuir não encontra guarida em qualquer ato legal que o sustente, pois a Constituição prevê essa atividade no Capitulo I, do Título VII, que trata da ordem econômica e financeira. Dentro desse contexto, o artigo 170, incisos IV e V, tratam da livre concorrência e da defesa do consumidor. Regula-se pelas Leis 8.884/94, que outorga ao Conselho Administrativo da Ordem Econômica (CADA) essa função, e pela Lei 8.078/90, Código de Defesa do Consumidor, que confere tal prerrogativa às entidades arroladas no artigo 82, 105 e 106, dentro do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. De outra parte. a Lei Complementar ri° 70/91. que instituiu a Contribuição Social - COFINS. nos termos do inc. I, do art. 195, da Constituição Federal. dispõe no seu inciso III do art. 6°. que são isentas da contribuição: "as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigên- cias estabelecidas em lei" (Grifou-se) Pertinente às exigências a que se refere o dispositivo acima transcrito, assim se manifesta o \ oto do Senhor Relator: "Embora a Lei Complementar pouco ou nada tenha acrescentado, afinal, foram estabelecidas as necessárias condições, com o advento da Lei n°8.212/91, enunciadas que foram ditas condições, traduzidas no cumprimento das exigências inscritas no seu artigo 55, a saber: '1 - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal; II - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Servido Social;,'',/ i. il 1 , , 7:N MINISTÉRIO DA FAZENDA (.. PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 11080.004315/97-41 Acórdão n°202-10.114 V - apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutencão e desenvolvimento de seus objetivos institucionais.' Nesse passo, é preciso esclarecer que tão detalhadas condições e exigências são mais endereçadas às instituições privadas aí também incluídas. Daí o rigor. É evidente que, no caso do SESI, como nas entidades dessa natureza, estabelecidas por lei e indiretamente vinculadas ao Poder Público, o próprio texto legal que estabelece suas atividades e objeto não só reconhece como exige o cumprimento das citadas condições. Não obstante encontrar-se nessa hipótese, como vimos pela transcrição da legislação em causa, o SESI ainda atende, dentre as condições acima transcritas, especificamente as dos incisos I, III, IV e V, visto que, quanto ao inciso II, é suprida pela própria lei e pela entidade que o instituiu. O reconhecimento de utilidade pública, pelos governos federal, estadual e municipal, é atestado pelos correspondentes certificados anexos aos recursos: a condição do inciso III constitui a própria atividade institucional do SESI, assim como as dos incisos IV e V também são de ordem institucional da organização; as eventuais rendas obtidas são integralmente aplicadas no País e não há distribuição de lucros, tampouco são os seus diretores e/ou conselheiros remunerados." Discordando das colocações do voto do Sr. Relator acima transcritas, assim se manifestou o Senhor Conselheiro Marcos Vinícius em sua declaração de voto em outros processos dessa entidade sobre esta matéria, como na constante do Acórdão na 202-10.100. com a qual está inteiramente de acordo este representante da Fazenda Nacional e. por isso, adota-a em todos os seus termos, como razões integrantes deste recurso: "Cuida-se do alcance da imunidade de Contribuição para Financiamento Seguridade Social (COFINS) prevista no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, em relação às atividades desenvolvidas pelo Serviço Social da Indústria (SESI). O Conselheiro-Relator, em seu voto, defende que esta entidade preenche todos os requisitos legais exigidos para seu enquadramento neste dispositivo consitucional. Ouso, com o devido respeito, discorda de tal entendimento. A referida norma constitucional remeteu à lei infraconstitucional a definição de requisitos que devem ser atendidos pela entidades imunes. Tal exigência constitucional refere-se não com a definição da situação imune (que já está posta na Constituição), mas com a prevenção da possibilidade de ser desvirtuada a imunidade constitucional. O legislador procurou, em atenção à segurança jurídica, reduzir a margem de dúvida porventura existente no alcance dessa imunidade, explicitando certos requisitos a serem exigidos da entidade para que possa ser claramente identificada como imune. O ilustre Conselheiro aduz, ainda, que, presentemente, faz as vezes desta lei o artigo 55 da Lei n° 8.212/91 e, baseado nela, a autoridade fiscal deve analisar, concretamente, as situações de imunidade. Dentre outros requisitos, esta norma estabelece, em seu inciso II, a obrigatoriedade da apresentação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social. Entretanto, ao examinar os elementos de prova trazido aos autos, verifica-se que a entidade não é portadora do referido Certificado. Não se trata de exigência meramente formal, como quer fazer crer a recorrente, mas de requisito legal relevante para que se reconheça o enquadramento na norma imunizante, eis que, por ocasião da concessão ou renovação do Certificado, a autoridade fiscal tem a oportunidade de examinar a documentação das entidades ditas imunes e detectar possíveis desvirtuamentos na condição de instituição de assistência „ - : MINISTÉRIO DA FAZENDA a.n-41i110,.. ''' " ri, -----`"› ''.9.., zzi, , --. - - PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Processo n° 11080.004315/97-41 Acórdão n°202-10.114 Entretanto, ao examinar os elementos de prova trazido aos autos, verifica-se que a entidade não é portadora do referido Certificado. Não se trata de exigência meramente formal, como quer fazer crer a recorrente, mas de requisito legal relevante para que se reconheça o enquadramento na norma imunizante, eis que, por ocasião da concessão ou renovação do Certificado, a autoridade fiscal tem a oportunidade de examinar a documentação das entidades ditas imunes e detectar possíveis desvirtuamentos na condição de instituição de assistência social. Por estas razões, não compartilho do entendimento exposto no voto vencedor do aresto, que admite suficiente a existência da Lei 4.403/46, que instituiu o SESI, para suprir a ausência do referido Certificado, porquanto, a meu ver, estar-se-ia reconhecendo, em caráter permanente, sem controle periódico da autoridade fiscal, a imunidade da COFINS para estas entidades, em claro contra-senso com o que diz a norma constitucional. Além disso, se a entidade é assistencial e não tem fim de lucro, daí decorre, por imperativo lógico, que ela precise ter um estatuto que defina seu objeto e que esse estatuto precise ser respeitado. Se não atender a esses pressupostos, ela não terá condições de demonstrar que se enquadra na hipótese de imunidade Não basta, pois, que uma entidade se intitule assistencial, é necessário que possua condições para evidenciar que isso é verdadeiro." Por oportuno. há que se ressalvar que o Ilustre Conselheiro quis referir-se a Lei n'' 9.403/46 e ido e Lei ri° 4.403/46. Diante do exposto. a Fazenda Nacional, pelo procurador infra-assinado, entendendo que a razão está com a decisão de primeiro grau proferida nestes autos, vem requerer ao respeitável colegiado da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais.a reforma da decisão recorrida, para que. em consequência, prevaleça a decisão de primeiro grau. que melhor interpretou e aplicou a lei ao caso concreto destes autos. Nestes termos. Pede deferimento. i , ,.., :. Brasilia-DF.. ,/,,Y _,Z1/ .̀.Y.,' t--t.e... Á-.. :4-4'; t-Y t 47 j d d tb i tr-oe_ _e trica C . yes vares Procstaiior da Fazenda Nacional / ,,,, I : I; 1,

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Numero do processo: 11060.001156/00-01
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: DECADÊNCIA – IRPJ, CSL, PIS, COFINS, IRF – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4O DO CTN – Aplica-se o termo inicial previsto no art. 150, § 4O, do CTN, para contagem da decadência dos tributos considerados como de lançamento por homologação. OMISSÃO DE RECEITA – SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO – FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DO NUMERÁRIO – PRESUNÇÃO RELATIVA – A presunção legal do art. 229 do RIR/94 é considerada relativa, isto é, passível de prova em contrário pelo contribuinte. Não demonstrando a efetiva entrega ou a origem do numerário suprido, deve ser mantida a exigência. Preliminar acolhida. Recurso negado.
Numero da decisão: 108-07.900
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência suscitada pelo Relator para os fatos geradores ocorridos até 13.08.1995 e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos, quanto à preliminar de decadência, os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca, que não acolhiam a decadência quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS).
Nome do relator: José Henrique Longo

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I. 44 -0 • tr. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .N ii;' OITAVA CÂMARA Processo n°. :11060.001156/00-01 Recurso n°. :135.667 Matéria : IRPJ e OUTROS - EXS.: 1996 a 2000 Recorrente . : CEREALISTA STUKER LTDA. Recorrida : l a TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS Sessão de :11 DE AGOSTO DE 2004 Acórdão n°. :108-07.900 DECADÊNCIA — IRPJ, CSL, PIS, COFINS, IRF — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — APLICAÇÃO DO , ART. 150, § 4° DO CTN — Aplica-se o termo Inicial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, para contagem da decadência dos tributos considerados como de lançamento por homologação. OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA DO NUMERÁRIO — PRESUNÇÃO RELATIVA — A presunção legal do art. 229 do RIR194 é considerada relativa, • isto é, passível de prova em contrário pelo contribuinte. Não demonstrando a efetiva entrega ou a origem do numerário suprido, deve ser mantida a exigência. Preliminar acolhida. Recurso negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela CEREALISTA STUKER LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência suscitada pelo Relator para os fatos geradores ocorridos até 13.08.1995 e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos, quanto à preliminar de decadência, os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca, que não acolhiam a decadência quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 0,4- 4 . . e t, 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA •- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -*/•:-. 1' OITAVA CÂMARA ,;;;•{?;:i.:5 Processo n°. :11060.001156/O0-01 Acórdão n°. :108-07.900 Do Rit2:91/ I A PAD AN PRE D NT fia J e Éft E "IQ 1,~ O• "I FORMALIZADO EM: 2 0 SEI 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, MARGIL MOURÃO GIL NUNES e KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO. 2 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 2." , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fr! - OITAVA CÂMARA Processo n°. :11060.001156/00-01 Acórdão n°. :108-07.900 Recurso n°. : 135.667 Recorrente : CEREALISTA STUKER LTDA. RELATÓRIO Trata-se de lançamento de ofício de IRPJ, IRFONTE, PIS, CSL e COFINS de meses de 1995, anos de 1996 a 1998 e aos trimestres do ano de 1999, em razão de omissão de receita por não comprovação de origem e efetiva entrega de numerário. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 43/47), a autuada não comprovou a entrega nem a origem dos valores supridos à empresa. A autuada registrou na sua contabilidade diversos suprimentos de caixa, tendo como contrapartida contas de passivo correspondentes a empréstimos de seus sócios. Foram apresentados, durante a fiscalização contratos de empréstimos. Nos extratos bancários apresentados não foi possível encontrar registros que coincidissem em data e valor com os empréstimos contabilizados. A impugnação de fls. 720/729 (vol. V) trouxe documentos tais como Contrato de Empréstimo entre a empresa autuada e seus sócios, recibo de entrega de valores, documentos de venda de bens (veículos e imóveis), declaração de rendimentos dos sócios, notas de produtor rural dos sócios, e sustentou que: a) como a empresa estava em fase de implantação, e com baixa quantidade de operações e sem recursos próprios suficientes, os seus bens foram adquiridos com valores emprestados pelos sócios majoritários; b) os sócios abriram mão de bens particulares (venda de automóvel e de imóveis); 3 • ' . n k 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA ty' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tfr OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11060.001156/00-01 Acórdão n°. :108-07.900 c) a comprovação é mediante cópias de depósitos bancários por eles feitos na conta da pessoa jurídica e de cheques dos sócios para credores da empresa; d) todos os valores emprestados à empresa foram provenientes de atividades dos sócios como profissionais liberais, da atividade rural, de negócios particulares e de empréstimos bancários; e) a presunção tem por pressupostos fundamentais as máximas da experiência e o mais alto grau da probabilidade de acontecer o pressuposto como verdadeiro; no caso, não há no processo qualquer prova de que nos períodos em consideração, os dados lançados na peça fiscal correspondam efetivamente à omissão de • receita; cabe ao fisco provar a veracidade dos fatos ou pelo menos apresentar indícios veementes que sustentem o lançamento; f) no caso, não se trata de presunção legal, e não há indícios veementes capazes de levar a dedução do fato desconhecido e tido como verdadeiro no procedimento fiscal; trata-se de mera suspeita que nada prova; • g) a autuada possui escrituração regular, abrangendo registro de todas as operações da empresa, sendo que o fisco não constatou nenhuma irregularidade; h) não pode a fiscalização exigir que o contribuinte adote formas não determinadas pela legislação de regência, por afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade; I) em homenagem aos princípios da imparcialidade, oficialidade e da busca da verdade material, a fiscalização deveria ser imparcial, pois ela não pode ter interesse subjetivo, colhendo elementos de fato necessários para a determinação da correta aplicação da norma, com intuito de buscar a verdade material, independentemente das questões meramente formais. 4 • k MINISTÉRIO DA FAZENDA -• • :".1.-4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ri":-.1; OITAVA CÂMARA ,;;J[ye:z5 Processo n°. :11060.001156/0O-0l Acórdão n°. : 108-07.900 A decisão de fls. 1322/1331 (vol. VI) manteve integralmente o lançamento pelo motivo de que não houve comprovação da efetiva entrega e origem dos recursos, mais especificamente: - os documentos de fls. 737/757 não comprovam a entrega de numerário, pois não há coincidência de datas e valores entre os suprimentos e os pagamentos feitos pelos sócios por meio dos cheques às empresas fornecedoras dos materiais adquiridos; - os documentos de fls. 766/774 não comprovam a origem dos numerários supridos; não há coincidência de datas e valores entre os empréstimos e os rendimentos nas alienações realizadas, nem há prova de que foram esses recursos transferidos à pessoa jurídica; - os documentos de fls. 775/801 comprovam apenas que os sócios cumpriam com obrigações da empresa, sem haver coincidências em datas e valores com os empréstimos realizados; - os documentos de fls. 803/913 não comprovam a origem dos numerários supridos; não há coincidência de datas e valores entre os empréstimos e os rendimentos decorrentes das atividades agropecuárias, nem há prova de que foram esses recursos transferidos à pessoa jurídica. O recurso voluntário de fls. 1343/1357 insistiu nas razões apresentadas na impugnação e trouxe argumentos adicionais sobre a inconsistência da decisão, pois os cheques particulares dos sócios depositados na conta da empresa e o pagamento de débitos da empresa com cheques dos sócios comprovam entrega de valores. E a falta de coincidência de datas e valores não está prevista na legislação; o tipo da prova não está definido na norma, de modo que devem ser admitidos todos os meios de prova, até mesmo inícios. para , e k MINISTÉRIO DA FAZENDA ?".' • % PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • -fr OITAVA CÂMARA Processo n°. :11060.001156/O0-0l • Acórdão n°. :108-07.900 demonstrar a origem e entrega do numerário, aplicando-se o disposto no art. 112, II, do CTN. Ademais, o administrador da companhia, buscando lograr os fins do objetivo social, pode praticar atos (inclusive empréstimo) independentemente de requisitos formais, quando a legislação assim não exigir, e também pode transacionar valores sem intermédio de estabelecimentos bancários. O arrolamento de bens foi anexado às fls. 1359/1360. • É o Relatório. #411, 6 w tk 4,, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ...ir OITAVA CÂMARA Processo n°. :11060.001156/00-01 Acórdão n°. :108-07.900 VOTO Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator Estão presentes os pressupostos legais, de maneira que o recurso voluntário merece ser conhecido. De início suscito de ofício a decadência de IRPJ, COFINS, CSL, IRFONTE e PIS relativamente aos fatos geradores ocorridos até o dia 13/08/1995, considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 14/08/2000. É cediço que a decadência e a prescrição, em matéria tributária, estão sob reserva absoluta de Lei Complementar (art. 146, inciso III, alínea b, da CF/88). Partindo-se das disposições do Código Tributário Nacional — que possui força de Lei Complementar — verifica-se que, em se tratando o IRPJ, IRRF, COFINS, PIS e CSLL de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do art. 173, do CTN, para encontrar fundamento no art. 150. 4 0, do mesmo diploma legal. Assim, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, é extinto o crédito tributário pela decadência, se expirado o prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador. Em suma, sendo o IRPJ, o IRFONTE, a CSL, a COFINS e o PIS tributos classificados como lançamento por homologação, e tendo transcorrido prazo superior a 5 anos (art. 150, § 4 0, CTN) desde o fato 7 1.141/4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :11060.001156/0O-0l Acórdão n°. :108-07.900 gerador e até o lançamento de ofício, é inquestionável a extinção de eventual crédito tributário em face da decadência. De mais a mais, não há que se falar em prazo decadencial de 10 anos paras as contribuições sociais, previsto na Lei 8212/91, uma vez que somente lei complementar pode estabelecer limitações ao poder de tributar (Constituição Federal, art. 146, II), inclusive acerca de decadência (inciso III, b), e, no atual sistema jurídico, a norma desse nível hierárquico que estabelece a decadência para tributos é o Código Tributário Nacional, e lá está previsto o prazo de 5 anos (art. 150, § 4°). Nesse sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste colegiado na sessão de 17/412001 (Acórdão CSRF/1-3.348), além de noutras oportunidades (v.g. CSRF/1-3.906). Assim, reconheço a ocorrência da decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário de IRPJ, IRFONTE, COFINS, PIS e CSSL em relação aos fatos ocorridos até 13/08/1995. No tocante à omissão de receitas por suprimento de numerário, o art. 229, do RIR194, determina que "provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas". Da leitura do precitado dispositivo, depreende-se que a omissão de receita caracterizada por suprimento de caixa somente é elidida se comprovadas a origem e a entrega do respectivo numerário. 8 a , MINISTÉRIO DA FAZENDA e b• • "ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.rs OITAVA CÂMARA Processo n°. :11060.001156/00-01 • Acórdão n°. : 108-07.900 Conforme o Relatório de Fiscalização, os documentos que foram apresentados pela recorrente anteriormente à lavratura do auto não demonstraram, cumulativamente, a origem e entrega pelos sócios dos suprimentos de caixa constatados pelo agente fiscal. Na impugnação, a recorrente presta esclarecimentos sobre a origem do numerário e traz documentos (fls.7371913), os quais, no • entendimento da DRJ em Santa Maria, também não foram suficientes para elidir a presunção fiscal. De fato, os contratos particulares de empréstimos firmados entre a recorrente e seus sócios, por si só, não são documentos hábeis à • comprovação do suprimento de recursos efetuado pelos sócios à empresa. Por meio dos demais documentos, tais como, notas fiscais de • produtor, escritura pública de venda e compra de imóvel, a recorrente• • demonstrou que as pessoas físicas dos sócios teriam como justificar a origem • de parte dos suprimentos, porém não há qualquer documento nos autos que ateste a efetiva transferência desses mesmos recursos para o caixa da empresa. • O Livro Razão acostado aos autos aponta que os empréstimos dos sócios eram debitados na conta Caixa e portanto não se prestam a • comprovar a transferência das pessoas físicas para a pessoa jurídica os pagamentos efetuados em favor dos credores da empresa. Os depósitos bancários — sem identificação do real depositante — também não demonstram que os recursos eram advindos dos sócios pessoas físicas. • Como bem afirmou a Turma de Julgamento, deveria o contribuinte demonstrar a origem (venda de bens, empréstimos, rendimentos) 9 a. MINISTÉRIO DA FAZENDAL. - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• .z.t OITAVA CÂMARA qz0,,Zr>. Processo n°. :11060.001156/00-01 • Acórdão n°. :108-07.900 e a sua efetiva transferência para a empresa (cópia de cheque, extrato bancário das pessoas envolvidas na relação de mútuo, etc.), contudo não há nos autos elementos suficientes para abalar a presunção legal acima mencionada. Em razão disso, afasto a exigência de IRPJ, PIS, COFINS, CSL e IRFONTE relativos aos fatos geradores ocorridos até 13/08/1995, e no mérito nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 de agosto de 2004. • " IQ / g r, •.11 lo Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1

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Numero do processo: 11041.000281/2001-20
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Ementa: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - OBRIGATORIEDADE - As pessoas físicas, beneficiárias de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda, deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído (Lei n 9.250, de 1995, art. 7). DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - INTEMPESTIVIDADE - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimento porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. As penalidades previstas no art. 88, da Lei n. º 8.981, de 1995, incidem à falta de apresentação de declaração de rendimentos ou à sua apresentação fora do prazo fixado. MULTA - VALOR MÁXIMO E MÍNIMO - BASE DE CÁLCULO - IMPOSTO A PAGAR - Aplica-se a multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite do valor máximo de vinte por cento do imposto a pagar e o limite do valor mínimo de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-20.251
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a base de cálculo para a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual de imposto devido de R$ 30.534,07 para saldo do imposto a pagar de R$ 5.415,91, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho que negam provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelson Mallmann

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MINISTÉRIO DA FAZENDA‘eisr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Recurso n°. : 138.340 Matéria : IRPF - Ex(s): 2000 Recorrente : BRENORLEI CORREA DA SILVEIRA Recorrida : 28 TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS Sessão de : 21 de outubro de 2004 Acórdão n°. : 104-20.251 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - OBRIGATORIEDADE - As pessoas físicas, beneficiárias de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda, deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído (Lei n° 9.250, de 1995, art. 7°). DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - INTEMPESTIVIDADE - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimento porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. As penalidades previstas no art. 88, da Lei n. ° 8.981, de 1995, incidem à falta de apresentação de declaração de rendimentos ou à sua apresentação fora do prazo fixado. MULTA - VALOR MÁXIMO E MÍNIMO - BASE DE CÁLCULO - IMPOSTO A PAGAR - Aplica-se a multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite do valor máximo de vinte por cento do imposto a pagar e o limite do valor mínimo de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRENORLEI CORREA DA SILVEIRA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a base de cálculo para a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual de imposto devido de R$ 30.534,07 para saldo do imposto a pagar de R$ 5.415,91, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os =• MINISTÉRIO DA FAZENDA •-:„.fri"4„.'" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho que negam provimento ao recurso. -iftilicÁ2 LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE N -S011 S77. LAT. FORMALIZA O EM: El 2 110V '4004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, MEIGAN SACK RODRIGUES, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 -4• *- 2 - MINISTÉRIO DA FAZENDA sir . iiskr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e Sana' '),==-5•fr-.;:' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 Recurso n°. : 138.340 Recorrente : BRENORLEI CORREA DA SILVEIRA RELATÓRIO BRENORLEI CORREA DA SILVEIRA, contribuinte inscrito CPF/MF sob o n° 035.514.230-91, residente e domiciliado na cidade de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua Mal Deodoro, n° 247— Bairro Centro, jurisdicionado a IRF em Bagé - RS, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 20/28, prolatada pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria - RS, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 32/38. Contra o contribuinte foi lavrado, em 21/06/01, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 01/04 sem data da ciência, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.969,42 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, relativo ao exercício de 2000, correspondente ao ano-calendário de 1999. Em sua peça impugnatória de fls. 05/07, instruída pelos documentos de fls. 08/16 apresentada, tempestivamente, em 09/07/01, o autuado, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando o seu cancelamento amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: 3 -3:;tj MINISTÉRIO DA FAZENDA netd;. - ... pis PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';r110 :̀ QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 - que a Caixa Econômica Federal, telefonou no dia 11/05/01, avisando que eu estava irregular com a Declaração do Imposto de Renda, Pessoa Física. Espontaneamente, dirigi-me a Inspetoria da Receita Federal, em Bagé, com a pasta dos documentos da declaração do exercício 2000, ano-calendário de 1999. Fui informado pelo chefe da arrecadação, que eu não tinha entregue a declaração. Entreguei o disquete, na mesma hora, o chefe da arrecadação devolveu-me com o recibo de entrega, "Declaração recebida via INTERNET pelo Agente Receptor SERPRO 11.05.2001 às 14:47:51 hs, 1077861964"; - que a declaração foi entregue em 25.04.2000, como pode ser constatado pelo DARF, quando do pagamento da primeira quota; as demais quotas foram pagas, em 23.05.2000; 26.06.2000; 27.07.2000; 29.08.2000 e 28.09.2000. Se não tivesse declarado o imposto, como teria pago o "Saldo do Imposto"; - que o caso em pauta não está capitulado na legislação tributária pertinente a declaração do imposto de renda. O imposto foi totalmente satisfeito, a declaração foi entregue, o que houve foi um erro eletrônico, que foge do alcance, sob o aspecto "lato sensu", dos contribuintes, talvez por ignorância ou descuido de verificar o recibo via INTERNET; - que a autuação é muito rigorosa, seu eu fosse um contribuinte isento pagaria a importância de R$ 165,74. Está havendo um tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria - e-7 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Cl:tf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 RS, concluiu pela procedência da ação fiscal e manutenção integral do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que não cabe a este órgão julgador apreciar a constitucionalidade ou a legalidade de diplomas legais. Incumbe, sim, aos órgãos da Administração Tributária o dever de sempre procederem de acordo com os mandamentos legais, conforme preceitua o Princípio da Legalidade, insculpido no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988; - que os mecanismos de controle de constitucionalidade ou legalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois a presente autoridade julgadora não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada pela defesa, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do CTN; - que contra a exigência da multa pelo atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual Simplificada, relativa ao Exercício 2000, ano-calendário 1999, apresentada em 11/05/2000 (fl. 12), o contribuinte argumenta em dois sentidos: a) visando excluir sua responsabilidade pelo atraso na entrega argumenta que a declaração de ajuste teria sido entregue, fato não confirmado por ocorrência de erro eletrônico; b) levanta a hipótese de ser indicado como infração o fato da declaração entregue não constar nos arquivos da Secretaria da Receita Federal; - que a Declaração de Ajuste pode, efetivamente, ter sido gerada em tempo hábil e os valores devidos a título de imposto de renda pessoa física podem ter sido recolhidos, como argumenta o contribuinte. Mas esses fatos não indicam que tenha ocorrido qualquer espécie de erro eletrônico, tampouco suprem a falta de entrega da declaração de rendimentos; 5 e1/4.zo MINISTÉRIO DA FAZENDA ,;;;;:.,:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 - que na Declaração de Ajuste Anual Simplificada (fl. 13) os rendimentos tributáveis do contribuinte somam R$ 141.868,62 e teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Logo, estava obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste; - que a multa de mora por atraso na declaração deve ser paga sempre que o contribuinte entregar a declaração fora do prazo. O fato gerador da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração; - que apresentar a declaração de rendimentos é uma obrigação para todos aqueles que se enquadram nos parâmetros fixados pela lei. Como se trata de uma obrigação de fazer, possui prazo certo para seu adimplemento, logo, seu descumprimento impõe uma sanção; - que se equivoca o contribuinte se entendeu que a apresentação espontânea exclui a responsabilidade pela infração cometida e a correspondente multa de mora, pois se tratando no caso de obrigação acessória à qual estão sujeitos todos os contribuintes, é inaplicável o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. A ementa que consubstancia a decisão dos Membros da Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria, é a seguinte: "Assunto: processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000 Ementa: PRELIMINAR. APRECIAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DE ATOS LEGAIS. Compete exclusivamente ao Poder 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA "0. itáj--2:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 Judiciário apreciar questões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de atos legais. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2000 Ementa: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual a pessoa física, residente ou domiciliada no Brasil, que no ano- calendário 1999 teve rendimentos tributáveis cuja soma foi superior a R$ 10.800,00 (dez mil e oitocentos reais). Lançamento Procedente." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 09/10/03, conforme Termo constante às fls. 29/31 e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, dentro do prazo hábil (07/11/03), o recurso voluntário de fls. 32/39, instruído pelo documento de fls. 40/58, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça impugnatória. É o Relatório. 7 - MINISTÉRIO DA FAZENDA •-0...„1..“-St PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. No mérito, como se vê do relatório, cinge-se a discussão do presente litígio em tomo da aplicabilidade de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 2000, relativo ao ano-calendário de 1999. Da análise dos autos, verifica-se que houve a aplicação da multa de 1% por cento ao mês de atraso sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, destinado para as pessoas físicas que deixarem de apresentar a Declaração de Ajuste Anual, como determina a legislação de regência (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, inciso I). Inicialmente, é de se esclarecer que todas as pessoas físicas, enquadradas nos itens abaixo relacionados, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda estão obrigadas a apresentar declaração de rendimentos como pessoa física no exercício de 2000, relativo ao ano-calendário de 1999 (IN SRF n°157, de 1999): MINISTÉRIO DA FAZENDA "kfr --;:"'" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 1. recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 10.800,00; 2. recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00; 3. participou do quadro societário de empresa como titular ou sócio; 4. teve posse ou propriedade, em 31 de dezembro, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00; 5. realizou, em qualquer mês do ano-calendário, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou operações em bolsas de valores de mercadorias, de futuros e assemelhadas; 6.passou à condição de residente no Brasil no ano de 1998; 7. relativamente à atividade rural: (a) obteve receita bruta superior a R$ 54.000,00; ou (b) deseja compensar prejuízos de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário a que se referir à declaração. Apresentar a declaração de rendimentos é unia obrigação para todos aqueles que se enquadram nos parâmetros fixados pela legislação tributária de regência. Assim, para o deslinde da questão impõe-se invocar o que diz a respeito do assunto o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: "Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: 9 _4•4:4‘ MINISTÉRIO DA FAZENDAirJT PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';;¥2.: ;" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 I — multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2° e 5° deste artigo (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei n°9.532, de 1997, art. 27); b)de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § 1° do art. 23 (Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 49); II — multa a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 30); § 1° As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (Decreto-lei n° 1.967, de 1982, art. 17, e Decreto-lei n° 1.968, de 1982, art. 8°). § 2° Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, § 1°, e Lei n°9.249, de 1995, art. 30): I — de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II — de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. § 3° A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, § 2°) § 4° Às reduções de que tratam os arts. 961 e 962 não se aplicam o disposto neste artigo. 10 4 A'Atk.. I- . MINISTÉRIO DA FAZENDANn4 4_-; .tt -ot PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 § 5° A multa a que se refere à alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2° (Lei n° 9.532, de 1997, art. 27)." Como se vê do dispositivo legal retrotranscrito, a falta de apresentação de declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado pela legislação de regência se sujeita à aplicação da penalidade ali prevista. Ou seja: (1) - multa de mora de 1% ao mês, limitado no valor máximo de 20% do imposto a pagar e limitado no valor mínimo de R$ 165,74, quando for apurado imposto de renda a pagar; e (2) - multa fixada em valores de R$ 165,74 a R$ 6.629,60, quando não for apurado imposto de renda a pagar. De acordo com legislação de regência a Declaração de Ajuste Anual deverá ser entregue, pelas pessoas físicas, até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subseqüente ao da percepção dos rendimentos, inclusive no caso de pessoa física ausente no exterior a serviço do país (Lei n°9.250, de 1995, art. 7°). Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo, estabelecido pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento, demonstrado nos autos e admitido explicitamente pela impugnante, resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa estabelecida no inciso II, do artigo 88, da Lei n.° 8.981/95, observado o valor mínimo previsto no § 1°, alínea "b", do citado diploma legal. Dos autos, verifica-se que o contribuinte estava obrigado à apresentação da referida declaração, tendo em vista que recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 10.800,00. Sendo que uma das condições para a apresentação obrigatória da Declaração de Ajuste Anual é o montante da renda recebida durante o exercício em questão. Assim, não há respaldo legal para excluir a multa imposta. 11 - MINISTÉRIO DA FAZENDA "kr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 Está provado no processo que o recorrente cumpriu fora do prazo estabelecido a obrigação acessória de apresentação de sua declaração de rendimentos. É cristalino que a obrigação tributária acessória diz respeito a fazer ou deixar de fazer no interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo. Sendo óbvio que a suplicante pode ser penalizado pelo seu não cumprimento, mesmo não havendo tributo a ser exigido do mesmo. A multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, sendo que a denúncia espontânea da infração só tem o condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. É certo que, a partir da edição da Lei n° 8.891, de 1995, fora suscitada diversas discussões e debates em torno da multa pela falta de apresentação de declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo. Surgindo duas correntes: uma defendendo a aplicabilidade da multa em ambos os casos. Qual seja, cabe a multa independentemente do contribuinte ter apresentado a sua declaração de rendimentos espontaneamente ou não; a outra, defende a inaplicabilidade da multa em caso de apresentação espontânea amparado no art. 138, do CTN. Os adeptos à corrente que defende a aplicabilidade da multa em ambos os casos, apoia-se no fundamento de que a multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária. Sendo que a denúncia espontânea da infração só tem condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo, estabelecido pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação 12 n.•42, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 tributária, notadamente à multa estabelecida no inciso II, do artigo 88, da Lei n° 8.981/95, observado o valor mínimo previsto no § 1°, alínea "a", do citado diploma legal. Esta corrente entende, ainda, que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo do serviço público e ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior, sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. Os adeptos à corrente que defendem a inaplicabilidade da multa em caso de apresentação espontânea, entendem que a denúncia espontânea da infração, exime do gravame da multa, com o amparo do art. 138, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), porque a denúncia teria o condão de evitar ou reparar o prejuízo causado com a inadimplência no cumprimento da obrigação tributária acessória. Estou filiado à corrente dos que defendem a coexistência da multa nos dois casos, ou seja, defendo a aplicabilidade da multa independentemente do contribuinte ter apresentado a sua declaração de rendimentos espontaneamente ou não. Posição esta mantida no Judiciário, como já decidiu a Egrégia V Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 195161/G0 (98/0084905-0), conforme se constata abaixo: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI N° 8.981/95. 1 — A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso a declaração do imposto de renda. 13 4.512,-44 tw•;- • MINISTÉRIO DA FAZENDA‘h •,:z- f 1::St PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 2 — As responsabilidade acessórias autónomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançados pelo art. 138 do CTN. 3 — Há de se acolher à incidência do art. 88 da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes.". Posição esta mantida na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com devido respeito às opiniões em contrário, entendo aplicável a multa mesmo nos casos de denúncia espontânea, já que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo do serviço público ou ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior. Sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. É sabido que todo cidadão, sendo ou não sujeito passivo da obrigação tributária principal, está obrigado a certos procedimentos que visem facilitar a autuação estatal. Uma vez não atendidos esses procedimentos estaremos diante de uma infração que tem como conseqüência lógica à aplicação de uma sanção. As sanções pela infração e inadimplemento das obrigações tributárias acessórias são as mais importantes da legislação tributária, pois conforme previsto no CTN quando descumprida uma obrigação acessória, esta se toma pessoal e independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ora, da mesma forma é sabido que a multa de mora tem natureza indenizatória, visa essencialmente recompor, ainda que parcialmente, o património do z 14 :4!t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;tf> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 Estado pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, é uma pena de natureza tributária. É de se ressaltar, que as circunstâncias pessoais do sujeito passivo não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do CTN, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Desta forma, observada a legislação de regência, advém a conclusão que o contribuinte em tela, estava inequivocadamente obrigado a cumprir a obrigação tributária acessória de entregar a sua declaração de rendimentos do exercício de 2000 até o dia 30 de abril de 2000. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo estabelecida pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento, demonstrado nos autos e admitido explicitamente pelo suplicante, resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária. Como se vê, basta a tardança no cumprimento da obrigação fiscal para ela ser exigível. E, desrespeitado o prazo legal, que a todos é dado conhecer pelo fisco e legislação pertinente, além de amplamente divulgado pela imprensa, não há que se falar mais na possibilidade do contribuinte faltoso simplesmente cumprir a obrigação de natureza acessória. O infrator sujeita-se, a partir daquele momento, também, cumulativamente, a uma obrigação principal, que é a de pagar a multa devida por este atraso (o fato gerador já ocorreu e não pode ser abstraído). O contribuinte não pode atribuir a si o adjetivo de" espontâneo ", pois já está constituído em mora. Por outro lado, se faz necessário ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle 15 ara: MINISTÉRIO DA FAZENDA si»:1.,:::Ar PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 interno da legalidade do lançamento e, para tanto, se faz necessário uma correção na base de cálculo da multa de mora por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, calculada na base de 1% ao mês sobre o imposto de renda devido. Assim, evidencia-se nos autos que a base de cálculo para a exigência da multa por atraso na entrega da declaração é o imposto detectado após a aplicação da tabela progressiva e não o imposto efetivamente devido, ou seja, aquele que se deve, em última análise o imposto a pagar. Indiscutivelmente, a multa ora questionada é devida, entretanto necessário se faz à correção da sua base imponivel (base de cálculo - aliquota de imposto — parcela a deduzir - imposto calculado — imposto antecipado — imposto a pagar - multa sobre o imposto a pagar, efetivamente devido). Em obediência aos ditames legais, reconhece-se o equivoco do lançamento quanto à aplicação da multa por atraso na entrega da declaração sobre o imposto calculado na declaração de rendimentos e não sobre o imposto devido, aquele efetivamente a pagar. Quando a Lei de regência instituiu a multa por atraso na entrega da declaração sobre o imposto devido, ainda que integralmente pago, refere-se ao saldo de "imposto a pagar na declaração, ainda que já tenha sido integralmente pago, seja através de pagamento em cota única ou não. Outro entendimento, estar-se-ia exigindo do contribuinte multa sobre determinado valor que não mais devido, seja em face de antecipação pela fonte pagadora ou através de antecipação no regime de recolhimento mensal ("camê-leão") ou complementação mensal. 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4'. Erik PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 A propósito, a Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CAT/N° 628. de 21 de junho de 1995, devidamente aprovado pelo então Procurador Geral da Fazenda Nacional, manifestou-se no tocante à expressão "imposto devido", do qual transcrevo os seguintes excertos: "2. Esclarece a Nota SRF/COSIT/Assessoria n° 127, DE 6 DE abril de 1995, reportando-se às modificações introduzidas na forma de cálculo do lançamento suplementar do IRPF/94 via processamento eletrônico: "2. O Lançamento Suplementar IRPF/94 foi efetuado com base no art. 889, inciso III, do RIR/94 que determina o lançamento de oficio sempre que o contribuinte fizer declaração inexata, considerando como tal a que contiver ou omitir qualquer elemento que implique em redução do imposto a pagar ou restituição indevida. A multa de oficio, conforme dispõe o inciso I do art. 992 do RIR/94, incide: a)sobre a diferença a maior do imposto devido apurado pelo processamento (linha 19 da declaração) independentemente de ter sido apurado saldo de imposto a pagar ou valor a ser restituído; e b)sobre a parcela de imposto devido não paga na época própria decorrente de glosa do valor compensado a maior indevidamente pelo contribuinte na declaração (linha 24). 3. Portanto, a multa de ofício foi cobrada nos casos em que o processamento apurou: a)diferença a maior de imposto devido (linha 19); e b) valor de imposto compensado, indevidamente pelo contribuinte na declaração (linha 24) cuja glosa tenha resultado saldo de imposto a pagar maior que o declarado." 3. Por outro lado, a Nota SRF/COSIT N° 126, de 6 de abril de 1995, informa: "(...) O critério adotado no lançamento suplementar do exercício de 1994 visou eliminar o tratamento diferenciado que vinha sendo adotado ao contribuinte em função do resultado final de sua declaração, uma vez que a interpretação da Lei n° 8.218, de 1991, art. 4°, consubstanciado no art. 992 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA tiT-1.S PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "'iaiçft:::> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 do RIR/94, permite a cobrança da diferença a maior verificada entre o valor do imposto devido apurado pelo processamento e o valor informado pelo contribuinte na declaração, bem como nos casos em que o contribuinte pleitear compensação a maior de imposto." (..-) 11.Acrescenta Aliomar Baleeiro ("Direito Tributário Brasileiro", Forense, Rio, 1972, pág. 443) que a liquidação do auantum do tributo a ser cobrado, ou seja, a fixação do imposto devido, é feita por agente competente do fisco, através do procedimento administrativo denominado lançamento. 12.A indicação, no formulário da declaração do imposto devido a menor poderia, com efeito, consistir em declaração inexata. Todavia, o "imposto devido" mencionado no art. 992 do RIR194 não é objeto especifico da declaração e sim os fatos materiais que permitam à autoridade administrativa efetuar o lançamento tributário, visto não haver auto- lançamento no regime de declaração. Entendemos, dai, que não se deve interpretar literalmente "imposto devido" como o valor inserido na linha 19 da declaração IRPF/94, no campo reservado ao cálculo do imposto." Em vista de todo o exposto, o parecer é no sentido de que as multas previstas no art. 992 do RIR/94 serão proporcionais, em forma percentual ao valor que a autoridade fiscal houver apurado a maior como imposto devido no procedimento fiscal correspondente, atendidas as compensações legalmente permitidas, e não, literalmente, ao valor declarado como "imposto devido" pelo contribuinte." Não obstante o Parecer acima se referir base de cálculo da multa em caso de lançamento de oficio, verifica-se, por sua vez, também a manifestação no sentido de que a terminologia "imposto devido" não pode se dar literalmente em relação àquele constante na linha 19 da DIRPF/94, campo então reservado ao cálculo do imposto. Pode-se concluir ser incabível a duplicidade de interpretação ao termo Imposto devido". Ora, se em procedimento de oficio, decorrente de imposto a menor na DIRPF, há de se aplicar à multa proporcional sobre o imposto então apurado, efetivamente a pagar, com as devidas compensações, conforme constante no citado Parecer, também no 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA tr>1...,1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 caso de multa por atraso na entrega da declaração à base de cálculo não há de ser o imposto calculado, mas o efetivo imposto devido, aquele a pagar, após as devidas compensações. A interpretação da terminologia, por óbvio, há de ser única. Se em procedimento de ofício há de ser permitir as deduções e compensações legais, conforme manifestação da PFN, também na entrega em atraso da declaração, a multa proporcional também há de ser aplicada após as compensações permitidas. No tocante à expressão, "ainda que integralmente pago", no caso da multa por atraso na entrega da declaração, há de ser entendido que, entregue a DIRPF em atraso, ainda que a cota única esteja paga, integralmente, ou que estejam quitadas as cotas, se parcelado o imposto devido, ainda assim a multa é devida. Entender-se diferente, quando a legislação sequer previa multa por falta de antecipação de imposto, seria penalizar àqueles que anteciparam imposto em beneficio àqueles que deixaram para pagar aos cofres públicos apenas quando da apresentação da DIRPF. Por isso o entendimento manifesto no Parecer anteriormente citado, de que cabíveis as compensações legalmente permitidas. Por outro lado, criou o legislador a figura da multa mínima, no caso de declaração intempestiva na qual não resulte imposto devido (Lei n°8.981, de 1995, art. 88). Nos presentes autos, aplicou-se a multa exatamente sobre o imposto calculado, quando da aplicação da tabela progressiva, sem efetuar a compensação de imposto já antecipado, ou seja, parcela que não mais se deve. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a base de cálculo para a cobrança da multa 19 n ,i*A.4s1 ZÇ-!:re:r. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11041.000281/2001-20 Acórdão n°. : 104-20.251 por atraso na entrega da declaração de ajuste anual de imposto devido de R$ 30.534,07 para saldo do imposto a pagar de R$ 5.415,91. Sala das Sessões - DF, em 21 de outubro de 2004 //‘,,7 dWIfff 20

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Numero do processo: 11080.000551/94-18
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPJ - Comprovado nos autos que a notificação de lançamento não continha o enquadramento legal da infração e a identificação do fiscal responsável por sua emissão, com indicação do respectivo número da matrícula, como determina o artigo 11, incisos III e IV do Decreto nº 70.235/72, é nulo o lançamento por falta de requisitos indispensáveis a sua validade. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 107-04535
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, AO RECURSO DE OFÍCIO.
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes

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Numero do processo: 11020.003254/99-81
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DRAWBACK" SUSPENSÃO. O item "preço" na operação de "drawback" não pode ser tomado como um compromisso rígido e inflexível, pois sobre ele gravitam regras de mercado e econômicas que independem da vontade do contribuinte, ao contrário dos itens "quantidade" e "prazo", que mais facilmente podem ser constatados e objeto de aditamento. USO DE DETERMINADA EXPORTAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DE MAIS DE UMA OPERAÇÃO DRAWBACK. Na vigência do Comunicado Cacex n° 179/1987 era licito aceitar, por ocasião da baixa do ato concessório, o uso de uma exportação para comprovação de mais de uma operação drawback. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE.
Numero da decisão: 302-34.774
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUIS ANTONIO FLORA

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O item "preço" na operação de "drawback" não pode ser tomado como um compromisso rígido e inflexível, pois sobre ele gravitam regras de mercado e econômicas que independem da vontade do contribuinte, ao contrário dos itens "quantidade" e "prazo", que mais facilmente podem ser constatados e objeto de aditamento. USO DE DETERMINADA EXPORTAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DE MAIS DE UMA OPERAÇÃO DRAWBACK. Na vigência do Comunicado Cacex n° 179/1987 era licito aceitar, por ocasião da baixa do ato concessério, o uso de uma exportação para comprovação de mais de uma operação drawback. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 09 de maio de 2001 HENRIQUE O MEGDA Presidente • LUI.syl • FLORA Relator 1 O JUL 20W kg (sol- a06 t Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros . ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUCIANA PATO PEÇAM-IA MARTINS (Suplente), PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. Ausente o Conselheiro HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA. tule MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 RECORRENTE : MARCOPOLO S/A RECORRIDA : DREPORTO ALEGRE/RS RELATOR(A) : LUIS ANTONIO FLORA RELATÓRIO A contribuinte acima identificada promoveu a importação de insumos sob o regime de "drawback" suspensão. As (10) DI's e os (9) Atos Concessórios estão arrolados nos quadros de fls. 94. De acordo com o Termo de Verificação de fls. 30/41, alega a Fiscalização que houve descumprimento de requisitos e condições fixadas pela legislação pertinente ao regime, o que resultou no inadimplemento do compromisso de exportar. Em síntese, diz o Fisco que foram verificadas, conforme o caso, as seguintes situações: valor da exportação em desacordo com o compromisso assumido; uso de determinada exportação, em quantidade e valor, para comprovação de mais de uma operação de "drawback"; e, não emprego de parte da mercadoria admitida no regime nos produtos exportados. O quadro de fls. 94 individualiza as DI's com as irregularidades alegadas. Por isso, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 24/29 para exigir da contribuinte as verbas relativas ao regime de tributação normal, além dos juros de mora e das multas de mora e de oficio do II e do nn, conforme o caso, que totalizaram, na data da autuação, 1.721.040,35 UF1R's. A interessada impugnou tempestivamente a exigência por meio do • expediente processual juntado às fls. 43/53, arguindo em prol de sua defesa, em síntese, os seguintes argumentos: "I. PRELWINARMENTE Na fabricação e montagem de carrocerias para ónibus destinadas à exportação, frequentemente são utilizados chassis de procedência estrangeira, de livre escolha do importador dos ônibus. A importação destes chassis é feita através de Atos Consessorios Drawback, em alguns casos com cobertura cambial ou na maioria dos casos, sem cobertura cambial, quando remetidos para industrialização pelo proprietário dos mesmos. 3. DA IMPUGNAÇÃO 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 3.1. Após a análise do mérito do Auto de infração, constatou-se que todos os 09 Atos Concessorios aludidos foram plenamente atendidos, pelas razões de fato abaixo arroladas: - Todos os Atos Conscessorios foram devidamente comprovados, conforme comprovações junto ao Banco do Brasil - SECDC - agência 89 de Caxias do Sul ( RS ), e demonstrados individualmente a partir do item 2.2. - Todas as quantidades e valores importados foram devidamente exportados. O- Todas as solicitações do SECEX foram devidamente atendidas, já que os Relatórios da Posição dos Atos Concessórios de Suspensão em 09.05.95, 22.07.95 e 25.10.95 (cópias anexas ) não apontam pendência de qualquer natureza quanto aos Atos Concessórios questionados, quais sejam: ATO CONCESSORIO IMPORTAÇÃO/US$ EXPORTAÇÃO/U$$ 89-90/58-0 488.841,98 1.030.041,98 89-91/007-9 459.249,60 1.142244,60 89-91/024-9 330.226.94 821.094.58 89-98/34-6 43.247,07 1.164.730,38 89-91/124-5 220.000,00 470.000,00 89-91/136-9 301.134,64 622.653,83 1972-92/15-0 37.500,00 347.500.00 1972-92/129-7 455.000,00 910.000,00 1972-92/174-2 269.600,00 599.100,00 2.604.800,23 7.107.365,37 OTodos os Atos Concessórios listados são sem cobertura cambiaL Os valores descritos demonstram claramente que no cômputo geral as exportações foram substancialmente maiores, numa relação de 2,72 vezes maior, ou seja, as importações representaram tão- somente 36,64% em média, bem abaixo do percentual permitido (70%), conforme carta CECEX (sic) do Banco do Brasil de 02/09.92 ( cópia anexa ) . 3.2. A seguir é demonstrado o cumprimento de cada Ato Concessorio , como segue (verfls. 262 à 268) . 4. DA MULTA A Lei 8383,91, de 30/12/91, em seu artigo 59, estabeleceu que a multa a ser aplicada é de 20% (vinte por cento) do valor dos 3 t. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 impostos, e não de 100% (cem por cento), como pretendem os auditores fiscais para o imposto de importação para os fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.92. 5. DOS JUROS DEMORA 5.1. A 772' e a IRD' como indexadores monetários: a) A IR (mensal) e TRD (diária), instituídas pela Lei n°8177/91, não podem ser utilizadas como índices de correção monetária, conforme já decidiu o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL na • Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 493/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 09/09/02, página 14089. b) Não podem, pois, ser aplicados sobre tributos e contribuições em atraso as TR, como definidas no art I° da Lei que a instituiu, já que trata-se de uma taxa de remuneração de capital, não se constituindo em índice que mede a inflação. c) Assim sendo, os débitos durante o período em que vigorarem (sic) tais índices, de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991, ficam livres da correção monetária. 6. CONCLUSÃO Conforme ficou fartamente demonstrado, a empresa cumpriu todos os compromissos assumidos para a exportação dos ônibus e micro ônibus. Deve-se considerar que a composição destes produtos fazem parte inúmeros componentes, entre eles o chassi e seus componentes, equipamentos de som e vídeo, aparelhos de ar condicionado, poltronas e outros acessórios. Assim, em alguns casos, o ônibus exportados contém dois ou mais atos concessórios, um referente ao chassi e outro (s) referente (s) aos demais componentes. Porém, o compromisso assumido para a exportação obviamente se refere ao produto acabado como um todo. Se porventura, determinado valor utilizado para a exportação dos ônibus não atingiu o compromisso assumido, deve-se ao fato de que a conjuntura econômica assim nos (sic) permitiu. Por isso, em determinadas situações os valores praticados ocorreram em condições de livre concorrência no mercado internacional, como 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 atesta o próprio Regulamento Aduaneiro, Decreto 91030/85, de 05.03.85, em seu artigo 233, parágrafo 1°. Além do mais, conforme dispõe os artigos 526, parágrafo 7°, item I, e 532, parágrafo 1°, do referido Regulamento Aduaneiro, 'não constituirão infrações a diferença ou variação para mais ou para menos, por embarque, não superior a 10% (dez por cento) nos preços praticados, e de 5% (cinco por cento) para as quantidades, nas operações de importação e exportação'. Ressalve-se que eventual falha ou erro cometido pela empresa não constituiu intenção ou intuito doloso, visando prejudicar qualquer interveniente de direito nos processos de importação e exportação. Assim sendo, solicita que por qualquer motivo ora verificado seja a empresa beneficiada com a relevação de qualquer penalidade constante deste Auto de Infração, de acordo com o Regulamento Aduaneiro, decreto 91030/85, em seu artigo 539, itens I e 11, e parágrafos 1°e 2°. Conforme diligência DICEX n.° 04/006/97 de fls. 294 à 296, o processo retornou à origem, para que fosse ouvida a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), com vistas a esclarecer se a aceitação de uma exportação para comprovação relativamente a mais de um AC significava que os diversos insumos importados ao amparo desses AC efetivamente haviam sido empregados na O fabricação do mesmo produto exportado. O retorno do processo também objetivou que fosse juntado aos autos o laudo técnico relativo ao consumo de tecido de fios de filamentos sintéticos, mencionado na folha 6 do Termo de Descrição dos Fatos e Verificação ( fl. 252), sendo que a fiscalização deveria manifestar-se sobre o laudo técnico apresentado pela interessada, com a impugnação (fl. 288), e que também diz respeito ao consumo do mesmo tecido. Em resposta, veio aos autos do ofício de fl. 301, da agência do Banco do Brasil S/A em Caxias do Sul, que é a responsável pela emissão dos AC de que se trata, esclarecendo que não era possível, na época da emissão dos AC, identificar se as mercadorias importadas efetivamente se destinavam ao emprego na fabricação dos mesmos produtos por exportar. O mesmo ofício noticia, também, que "no entanto, em pesquisas aos dossiês dos processos acima, verificamos que mesmas GE/DE [guia de exportação/declaração de exportação], e, portanto, mesmas mercadorias, foram de fato utilizadas nas comprovações de exportação de dois ou mais atos concessários". Por último, acrescenta o seguinte: "entendemos que o procedimento adotado, na comprovação/baixa dos Atos Concessérios em questão, - . e . - • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 está de acordo com o Comunicado CACEX n.° 179, de 24/9/87, (...), haja vista ser a norma vigente à época da protocolização dos Pedidos". Quanto aos laudos técnicos mencionados na Diligência DICEX n.° 04/006/97, foram juntados os documentos de fls. 303 à 306 e o Termo de Informação Fiscal de fls. 307 e 308, que informa não ter sido localizado o laudo técnico mencionado na folha 6 do Termo de Descrição dos Fatos e Verificação. Com respeito ao laudo apresentado com a impugnação, foi dito o seguinte (fls. 307 e 308): Em relação ao laudo técnico apresentado pela interessada, juntamente com a impugnação g1288), esta fiscalização manteve contato com a empresa, para maiores esclarecimentos sobre o mesmo, tendo sido entregue em 02/07/99, correspondência acompanhada de outros documentos (does. De fls .. 303/306), com esclarecimentos complementares ao laudo apresentado, cujas informações dizem respeito e resolvem a divergência existente quanto a forma de conversão ( quantidades de tecidos necessários para revestir as poltronas), conforme se verifica nos documentos de fls. 252 (Ato Concessário 11. 0 89-91/34-6) e 265. Em ato processual seguinte, a ilustre autoridade julgadora a quo passando a decidir julgou procedente em parte o lançamento, para: (a) manter a exigência relativa ao Imposto de Importação, conforme quadro existente às fls. 104 (item 41), no valor correspondente a 75.743,18 UFIR's, ficando cancelado o valor correspondente a 408.802,81 UFIR's, resultado da diferença entre o valor do imposto lançado e o valor mantido; (b) manter a exigência relativa às multas incidentes sobre os débitos do Imposto de Importação mantido de acordo com o item anterior, conforme demonstrativo constante às fls. 107. Além disso, foi mantida a exigência dos juros de mora exclusivamente sobre os débitos do Imposto de Importação mantidos, com a ressalva de que, quanto a estes, fica cancelada a exigência de juros de mora equivalentes à TRD acumulada no período compreendido entre 4/2 e 29/7/91. Por consequência da exclusão da parte do Imposto de Importação foi também cancelada a exigência relativa ao IPI, conforme quadro de fls. 104 (item 41), bem como respectivos juros de mora e multa de oficio. Em sintense, do valor originário do lançamento, ou seja, 1.721.040,35 UFIR's, restou mantido apenas o valor de aproximadamente 76.000 UFIR's, acrescido das multas de mora e oficio, conforme quadro de fls. 107. Da parte exonerada pela decisão monocrática o seu prolator interpôs recurso de oficio. 6 e • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 A decisão em questão está ementada como a seguir transcrita e os principais tópicos de sua fundamentação legal leio nesta sessão para melhor situar meus ilustres pares: "Assunto: Imposto sobre a Importação - Exercido 1990, 1991, 1992 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IN DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ATUANTES. Eventuais baixas de atos concessórios não impedem que a Secretaria da Receita Federal exerça atribuição própria e especifica de verificar se houve o regular cumprimento, pela interessada, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente ao regime. CUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. A verificação do efetivo cumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente ao regime se dá relativamente a cada ato concessário, que individualiza o compromisso assumido em cada oportunidade, para concessão do beneficio correspondente. COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES , e A via V da guia de exportação, averbado, é documento hábil para comprovação de exportação vinculada à operação de drawback. VALOR DA EXPORTAÇÃO EM DESACORDO COM O COMPROMISSO ASSUMIDO. Na verificação do efetivo cumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente ao regime, deve ser observada, dentre outros aspectos, como parâmetro, a razão entre o valor do compromisso de exportação e o valor das importações com suspensão de tributos previstas no respectivo ato concessorio. USO DE DETERMINADA EXPORTAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DE MAIS DE UMA OPERAÇÃO DRAWBACK. 7 1. • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 Na vigência do Comunicado Cacei n° 179, 11987 era licito aceitar, por ocasião da baixa do ato concessário, o uso de uma exportação para comprovação de mais de uma operação drawback. NÃO EMPREGO DE PARTE DA MERCADORIA ADMITIDA NO REGIME NOS PRODUTOS EXPORTADOS. meus/indo elementos nos autos que permitam afirmar que parte da mercadoria admitida no regime não tenha sido empregada nos produtos exportados, resta indevida a exigência de tributos decorrente. O JUROS DE MORA. Deve ser subtraída, no período compreendido entre 4/2 e 29/7/1991 a exigência de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária acumulada. MULTAS A partir da vigência do art. 4° da Lei n° 8.218/1991, a multa aplicável à simples falta de pagamento do Imposto de Importação passou a ser a de oficio, de 100% do referido tributo, ao passo que, antes dessa época, a multa aplicável era a de mora. A multa de oficio mais benigna aplica-se retroativamente aos atos e fatos não definitivamente julgados. O RELEVA ÇÃO DE PENALIDADES A relevação de penalidades não se aplica a infração de que tenha resultado falta de pagamento do Imposto de Importação. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" A contribuinte tomou ciência da referida decisão conforme demonstram os documentos de fls. 109/113, e, dentro do prazo legal, interpôs recurson voluntário, devidamente acompanhado do depósito recursal previsto em lei provisória, endereçado a este Terceiro Conselho de Contribuintes, que foi juntado às fls. 114/120, onde em prol de sua defesa e do provimento do seu recurso presta esclarecimentos individualizados acerca dos três Atos Concessorios restantes, para comprovar que cumpriu todos os compromissos assumidos para exportação de ônibus, em termos de quantidades e valores, utilizando a totalidade dos insumos importados, apesar da complexidade burocrática e administrativa imposta pelo regime de "drawback" sem cobertura cambial. 8 . MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 Às fls. 126 consta a informação que de o presente processo origina- se do processo 11020.001909/95-43, uma vez que houve interposição de recurso de oficio relativamente aos débitos exonerados. O recurso de oficio foi distribuído à egrégia 1 . Câmara onde aguarda julgamento. Os autos vieram sem as contra-razões da Procuradoria da Fazenda Nacional em face do valor do litígio estar abaixo do limite previsto em portada ministerial. É o relatório. 110 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 VOTO A questão que me é proposta a decidir consiste no fato de se saber se houve ou não o descumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente ao regime aduaneiro especial de "drawback" relativamente aos Atos Concessórios 89-90/58-0, 1972-92/129-7 e 89-91/124-5. Em suma, relativamente aos citados Atos Concessórios imputa-se que, quanto aos primeiro e segundo, o valor das exportações está em desacordo com o I • compromisso assumido, e, quanto ao terceiro, houve o uso de uma exportação para comprovação de mais de uma operação de "drawback". No Termo de Verificação Fiscal está dito que, no tocante ao Ato Concessório 89-90/58-0, a empresa exportou 30 ônibus no valor FOB de US$ 946.890,00, quando assumiu o compromisso de exportar US$ 1.103.714,31; no referente ao Ato Concessório 1972-92/129-7, a recorrente exportou 10 ônibus no valor FOB de US$ 508.740,00, comprometendo-se a exportar US$ 569.600,00; e, quanto ao Ato Concessório 89-91/125-5, cumpriu apenas o quesito quantidade eis que os valores deste justificaram outro Ato Concessório. Referidas alegações foram confirmadas pela decisão recorrida. Em seu apelo recursal a contribuinte diz que quanto ao Ato Concessório 89-90/58-0, quando da verificação dos dados constantes na Guia de Exportação 89-90/3624-0 constatou incorreção de valores informados no campo 30 referente ao valor total da mercadoria importada sem cobertura cambial no valor de• US$ 488.841,98, conforme DI's 26.544 e 26.571, que somado ao valor liquido das 30 carrocerias exportadas com cobertura cambial no valor de US$ 541.200,00, totaliza US$ 1.030.041,98, valor efetivamente exportado, e não US$ 946.890,00 como dito no auto de infração. Diz ademais que, de acordo com correspondência DIVEX 93/91, juntada com a impugnação, remetida ao CTIC, com cópia à SECEX solicitou revisão e alteração dos valores assumidos no compromisso de exportação por ocasião da emissão do Ato Concessório. Esclarece que esta manifestação ocorreu antes da comprovação do Ato Concessório e que só não foi efetuada a devida alteração (aditivo) na GE uma vez que o Banco do Brasil (Oficio CESEC, juntado com a impugnação) ocorreu após a sua comprovação. Com isso, entende que empregou a totalidade dos insumos importados e utilizados na fabricação dos 30 ônibus exportados, no valor de US$ 1.030.041,98. De outra parte, diz que no referente ao Ato Concessório 1972- 92/129-7, assumiu o compromisso de exportar 7 ônibus no valor de US$ 910.000,00 e io ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ". SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 efetivamente exportou 7 ônibus no valor total de US$ 910.000,00, conforme atesta a GE 1972-92/7310-7, sendo que o valor mencionado pela fiscalização referente a comprovação de apenas US$ 812.500,00 não pode ser considerado, tendo em vista que houve erro no preenchimento do anexo 01 do relatório de comprovação do "drawback". Dessa forma, conclui que não pode prosperar a alegação da fiscalização de que parte da mercadoria importada, no caso o chassi, não foi totalmente utilizada no produto exportado, eis que no processo de fabricação do ônibus ela recebe o produto pronto (chassi), monta sobre ele uma carroceria de sua fabricação, e efetua a exportação do produto final completo, o ônibus, não havendo resíduos ou perdas do produto importado, quando da fabricação do mesmo. Relativamente ao Ato Concessório 89-91/124-5 diz que o valor total • efetivamente exportado referente aos 5 ônibus conforme consta do anexo 01 da GE 1972-92/1718-5 é de US$ 470.000,00, superando portanto o valor assumido no compromisso de exportação que era de US$ 445.000,00. Neste caso, enfatiza que a via V da Guia de Exportação, averbada, é o documento hábil para comprovação de exportação vinculada à operação de "drawback", conforme item 10, letra "a", do Comunicado Cacex 179/87. Portanto, de acordo com citado documento o valor exportado e que deve prevalecer é de US$ 470.000,00. No meu entendimento os esclarecimentos prestados pela recorrente são satisfatórios para comprovar que, relativamente ao preço dos produtos exportados, não há o que se falar em divergência, não obstante o respeitável entendimento contrário constante da decisão recorrida. É importante destacar, outrossim, que se houvesse efetivamente a diferença apontada, esta diferença seria irrissoria, à luz de todas as operações de exportações efetuadas pela recorrente, como verificado nos autos deste processo. E 119 isso deve ser levado em consideração, entretanto, uma vez que a exportação dos insumos importados com suspensão de tributos foi concretizada e devidamente comprovada. Em outras oportunidades já me manifestei que o item "preço" na operação de "drawback" não pode ser tomado como um compromisso rígido e inflexível, pois sobre este item gravitam regras de mercado e econômicas que independem da vontade do contribuinte, ao contrário dos itens "quantidade" e "prazo", que mais facilmente podem ser objeto de aditamento. Como se sabe o preço, em sua aplicação prática, possui os elementos subjetivo e objetivo, sendo o primeiro, aquele que o proprietário do bem estima o seu valor e pretende receber a título de preço pela venda, e o segundo aquele efetivamente obtido pela venda. São coisas distintas e que dependem do mercado e não apenas da vontade do vendedor. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • . SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 Destarte, o elemento preço no compromisso de "drawaback" não pode ter o mesmo rigorismo aplicado aos quesitos quantidade e prazo porque estes podem ser detectados antecipadamente pelo contribuinte concedendo-lhe prazo para qualquer retificação, o que não acontece com o preço que pode a qualquer momento flutuar no mercado internacional. No tocante ao alegado uso de uma exportação para comprovação de mais de uma operação de "drawback", a norma então vigente dispunha (Comunicado Cacex 179/87) que: "Para efeito de comprovação, uma guia ou declaração de exportação ou nota fiscal deverá abranger, sempre que possível, apenas um ato concessário". OSucedendo o citado normativo, veio a Portaria Decex 24/92, que dizia: "Como regra geral, a mesma guia de importação (GI), guia de exportação (GE), documento especial de exportação (DEE), nota fiscal (NF) ou outros documentos equivalentes não poderá ser utilizada pela mesma empresa, em mais de uma operação de "drawback". Atualmente, regulando esta matéria, está em vigor a Portaria Secex 4/97, onde relativamente à presente questão estabelece: "Para efeito de comprovação de exportação do Regime de "Drawback", modalidade suspensão, ou habilitação ao regime, modalidade isenção, os documentos utilizados na importação deverão abranger apenas um ato concessário de "drawback", bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros regimes aduaneiros ou incentivos à exportação. Conforme se verifica, ao contrário do que se alega na decisão recorrida, a conduta da recorrente à época dos fatos não foi ilícita, de vez que a legislação aplicável ao caso não proibia, e se não proibia, permitia, isso é regra de Odireito. Constata-se que no primeiro normativo citado encontra-se a expressão "sempre que possível" e no segundo a expressão "como regra geral" relativamente ao uso de uma exportação para a comprovação de "drawback". Por outro lado, a citada Portaria Secex 4/97, veda expressamente tal procedimento. Então, de acordo com os dispositivos então vigentes à época dos fatos o alegado procedimento da recorrente era perfeitamente admissivel. Percebe-se, finalmente que a autuação neste quesito recai não sobre o fato em si, mas sobre interpretação das normas regimentais. É evidente que a interpretação que se pretende dar aos normativos para punir a contribuinte não pode contrapor-se ao fato de que as exportações compromissadas foram realizadas, ou sejas, os insumos que ingressaram no pais dele saíram gerando divisas. Portanto, entendo que não se pode premiar a contribuinte, por suas exportações, com uma autuação, sem mencionar a insignificância da divergência alega no contexto de todo volume de atos concessorios envolvidos e adimplindos. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.610 ACÓRDÃO N° : 302-34.774 À visto do exposto, conheço do recurso por tempestivo, para no mérito dar-lhe integral provimento. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2001 LUIS '‘ ‘, 9 RA - Relator • 4IW 13 - • 5,41• C7) a" f , 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '• a:A& 2' CÂMARA Processo n°: 11020.003254/99-81 Recurso n.°: 120.610 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento "Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda UNIacional junto à 2' Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-34.774. Brasília-DF, ZZA 9(02 — • Conselho —de— Ctatzpubstee .0- - — nennque Prado , Proaldortto Cintara Ciente em: 10 ?. 2o0 o Vi .4 iro felit fIn Ata DÁ

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Numero do processo: 11080.008095/2002-53
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - Por força do inciso II, art.173, do CTN, a contagem do prazo decadencial inicia-se na data em que se tornar definitiva a decisão que tenha anulado por vício formal, o lançamento primitivo. LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO MÍNIMA - A partir de 1988, face ao disposto nos Decretos-Leis nºs 2.341, de 1987 e 2.429, de 1988, deve ser realizado em cada período-base, parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado diferido, informando na DIRFPJ e acompanhados pelos SAPLIS. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - Correta a glosa de prejuízos fiscais indevidamente compensados, ademais se referente a compensação já realizada de ofício quando de outro procedimento de fiscalização que apura matéria tributável. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - É legítima a cobrança de juros calculada com base na SELIC, prescrita em lei e autorizada pelo art. 161, §1º, do CTN, admitindo a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se contida em lei. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 108-08.732
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Dorival Padovan

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-01T17:06:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-01T17:06:06Z; Last-Modified: 2009-09-01T17:06:06Z; dcterms:modified: 2009-09-01T17:06:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-01T17:06:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-01T17:06:06Z; meta:save-date: 2009-09-01T17:06:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-01T17:06:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-01T17:06:06Z; created: 2009-09-01T17:06:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-09-01T17:06:06Z; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-01T17:06:06Z | Conteúdo => ,01.: ,-, MINISTÉRIO DA FAZENDA :!i.,, .(0-''.:--...;,t,,i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESw. 4 •4's,tcest i OITAVA CÂMARA---ttn-- Processo n°. :11080.008095/2002-53 Recurso n°. :143.295 Matéria : IRPJ — EX.: 1992 Recorrente : ÓLEOS VEGETAIS TAQUARUSSU LTDA. Recorrida : 1 a TURMAJDRJ-PORTO ALEGRE/RS Sessão de : 23 DE FEVEREIRO DE 2006 Acórdão n°. :108-08.732 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - Por força do inciso II, art.173, do CTN, a contagem do prazo decadencial inicia-se na data em que se tornar definitiva a decisão que tenha anulado por vício formal, o lançamento primitivo. LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO MÍNIMA - A partir de 1988, face ao disposto nos Decretos-Leis n°s 2.341, de 1987 e 2.429, de 1988, deve ser realizado em cada período-base, parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado diferido, informando na DIRFPJ e acompanhados pelos SAPLIS. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - Correta a glosa de prejuízos fiscais indevidamente compensados, ademais se referente a compensação já realizada de oficio quando de outro procedimento de fiscalização que apura matéria tributável. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - É legítima a cobrança de juros calculada com base na SELIC, prescrita em lei e autorizada pelo art. 161, §1°, do CTN, admitindo a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se contida em lei. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ÓLEOS VEGETAIS TAQUARUSSU LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , t ,:áitlkiSS' MINISTÉRIO DA FAZENDA,szar..Ár:.- ',43nf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '1/2"ttk'>' OITAVA CÂMARA Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 Recurso n°.: : 143.295 Recorrente : ÓLEOS VEGETAIS TAQUARUSSU LTDA. DORIVA/AE e 4940Vik PRESI D T ELATOR , FORMALIZADO EM: I FO MAR 2066 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, !VETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARGIL MOURÃO GIL NUNES, FERNANDO AMÉRICO WALTHER (Suplente Convocado) e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausentes, Justificadamente, os Conselheiros NELSON LóSSO FILHO, KAREM JUREIDINI DIAS e JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDACt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 Recurso n°. : 143.295 Recorrente : ÓLEOS VEGETAIS TAQUARUSSU LTDA. RELATÓRIO Contra ÓLEOS VEGETAIS TAQUARUSSÚ LTDA., foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 1991, cabendo acrescentar que ação fiscal foi realizada exclusivamente em função da nulidade por vício formal da notificação eletrônica de que trata o processo administrativo n° 11080.008368/96-79. Segundo o Relatório de Ação Fiscal, o contribuinte incorreu em duas irregularidades, a saber: A primeira: realização de lucro inflacionário em percentual inferior ao mínimo estabelecido na legislação vigente. Para efeitos de apuração do lucro real, considerou realizado montante calculado a partir do percentual de realização do ativo no período, quando deveria considerar realizado, no mínimo, cinco por cento (5%) do lucro inflacionário acumulado, conforme o art. 23 da Lei n° 7.799/89. A segunda: compensação de prejuízos fiscais inexistentes. Neste ponto, a empresa compensou prejuízos fiscais do ano-calendário de 1990, porém, de acordo com o sistema de acompanhamento de prejuízos fiscais da Receita Federal, no ano-calendário de 1990, a empresa apresentou lucro, e não prejuízo fiscal; e mais: a empresa também não possuia qualquer outro valor de prejuízos fiscais que pudessem ser compensados com o lucro fiscal apurado no ano- calendário de 1991. De outra parte, em julho de 1993, optou pela realização integral do saldo de lucro inflacionário acumulado, nos termos do artigo 31, inciso V, da Lei n° 8.541/92 — alíquota de 5%, tendo pago o imposto no dia 05/08/1993. Assim, uma vez que a fiscalização considerou realizado, no ano-calendário de 1991, um valor de 3 0-'1É-Ose MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'a?' :fr. OITAVA CÂMARA Processo n°.: :11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 lucro inflacionário que foi posteriormente oferecido à tributação com alíquota de 5%, efetuou-se a imputação de parte do valor de IRPJ pago em 05/08/1993. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: preliminarmente, decadência do direito de constituir o crédito tributário, por entender inaplicável o art. 173, II, do CTN, vez que o lançamento anterior foi declarado nulo e não anulado; no mérito, (i) por considerar que a totalidade do lucro inflacionário acumulado foi gerado antes do advento da Lei n° 7.799/89, e até mesmo antes do Decreto-Lei n° 2.341/87, a aplicação de tais diplomas legais implicaria em afronta ao princípio da irretroatividade legal, e (ii) rechaça a glosa de prejuízos fiscais, alegando que a ação fiscal que determinou a realização de lucro inflacionário, transformando o que era prejuízo fiscal em lucro, objeto do processo 11080.003952/93-86, também padeceu dos mesmos vícios que motivaram a decretação de nulidade do processo original, tendo sido anulado pelo Conselho de Contribuintes. Alegou, ainda, a inconstitucionalidade da taxa Selic no cálculo de juros de mora. Requereu a juntada de cópia do processo 11080.003952/93-86 para aclarar o ponto relativo aos prejuízos acumulados pela empresa. Sobreveio a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de decadência e manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa a seguir transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 Ementa: IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. Aplica-se ao fato gerador do IRPJ a lei vigente na data de realização do lucro inflacionário. A partir de 1988, face ao disposto nos Decretos-leis n°s 2.341, de 1987, e 2.429,de 1988, passou a ser obrigatória a realização, em cada exercício, de um percentual mínimo do lucro inflacionário acumulado. J.- 4 4 ..:;*; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Comprovada a inexistência do prejuízo fiscal, está correta a glosa da sua compensação. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora pela taxa Selic, nos pagamentos fora de prazo dos débitos tributários, está prevista em Lei". lrresignado com a decisão de primeria instância, o contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 166-80) ratificando as razões apresentadas na impugnação, salientando: (i) a extinção do crédito tributário pelo pagamento realizado em 05/08/93, haja vista que exercera a opção de realizar o lucro inflacionário acumulado com base na alíquota de 5%, conforme o inciso V, do art. 31 da Lei 8.541/92, e (ii) a vinculação do processo n° 11080.003952/93-86 e do processo 11080.00159612003-90 com questão da glosa de prejuizos. • Despacho de f. 184 consigna o arrolamento de bens. É o Relatório. 5 ?4.flitt MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES;').W•:4r OITAVA CÂMARA----,:c: Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 VOTO Conselheiro DORIVAL PADOVAN, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive com apresentação de arrolamento de bens, devendo, portanto, ser conhecido. A alegada decadência do direito de constituir o crédito tributário, não procede: trata-se de lançamento efetuado com base no inciso II, do art. 173, do CTN, o qual assegura 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente anulado. Verifica-se dos documentos de fls. 22-41 - xerocópias do processo administrativo fiscal n° 11080.008368/96-79 - que o lançamento anterior, formalizado através de notificação eletrônica, foi declarado nulo por não constar a identificação da autoridade emitente, através da indicação de seu cargo e número de matrícula, conforme decisão proferida pelo Acórdão n° 108-04.988, em sessão de 18/03/1998. Com efeito, sabendo-se que o novo lançamento ocorreu em 21/06/2002 (f. 3), resta considerá-lo não alcançado pela dacadência, porquanto efetivado dentro do prazo de 5 (cinco) anos da data da decisão (18/03/1998) que anulou o lançamento anterior por vício formal, sendo irrelevante, para efeito de contagem do prazo decadencial, a distinção sobre nulidade ou anulabilidade do lançamento ou, ainda, a distinção entre ato anulável, nulo e inexistente, conforme decisão do Egrégio TRF da 5° Região, transcrita pelo i. Relator do acórdão de primeira instância (f. 156). •6 i 4Pik.r. itiffr- ...:t4.- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 Destaca-se a seguinte jurisprudência desta Oitava Câmara: "IRPJ — LANÇAMENTO — DECADÊNCIA — Nos termos do art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Acórdão 108-07489 — sessão de 14/08/2003- ReL Luiz Alberto Cava Maceira). DECADÊNCIA - LANÇAMENTO ANTERIOR - CANCELAMENTO POR VÍCIO FORMAL - ART. 173, II, CTN - Quando a autoridade promove novo lançamento sobre os mesmos fatos e com a mesma apuração, aplica-se, para efeito da contagem do prazo de decadência, o termo inicial previsto no art. 173, II, do CTN". (Acórdão 108-08158 — sessão de 27/01/2005 — Rel. José Henrique Longo). Rejeito, pois, a preliminar de decadência proposta pelo recorrente. Conforme relatado, o cerne do litígio versa sobre (i) realização de lucro inflacionário acumulado inferior ao mínimo legal no período-base encerrado em 31/12/1991, e (ii) glosa de prejuízos compensados. O art. 23 do Decreto-Lei n° 2.341/87, com a redação dada pelo art. 9° do Decreto-Lei n° 2.429/88, determina que a pessoa jurídica deverá considerar realizado, em cada período-base, no mínimo cinco por cento (5%) do lucro inflacionário acumulado, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado a partir da realização do ativo sujeito à correção monetária. O entendimento do recorrente de que a realização mínima de 5% imposta pelos Decretos-Leis 2.341/87 e 2.429/88 implica em retroatividade da lei tributária, não procede, ao contrário: a lei pode estabelecer para determinado exercício financeiro as condições de realização do lucro inflacinário cuja tributação esteja suspensa, desde que essa lei esteja em vigor antes de ocorrido o fato gerador desse exercício. (Acórdão 101-85.474 — sessão de 27/07/93 — Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes). , . , • 7 -94.1;:x4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 A decisão de primeira instância examinou bem a questão: do que se está a tratar aqui, não é do momento da formação do lucro inflacionário, mas do de sua integração ao lucro real, respeitadas as regras de realização prevista pelo legislador, que é, justamente, o aspecto temporal da hipótese de incidência da norma impositiva do Imposto de Renda. No caso concreto, a data do fato gerador é 31/12/1991. E a norma que regia o fato, a essa época, era, justamente, a constante do Lei n°7.799, de 1989. Neste sentido, a jurisprudência deste 1° Conselho de Contribuintes: "IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO MÍNIMA — Deve ser realizado em cada período-base, a parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado diferido, informando na DIRFPJ e acompanhados pelos SAPLIS. (Acórdão 108-07197 — sessão de 06/11/2002 — Rel. Márcia Maria Lr:via Meira). LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO MÍNIMA - TRIBUTAÇÃO - A partir do exercício de 1988, existe a obrigatoriedade da realização de um valor mínimo do lucro inflacionário acumulado".(Acordão 107-06468 — sessão de 08/11/2001 — Rel. Paulo Roberto Cortez). Portanto, para efeito de realização do lucro inflacionário diferido, aplica-se a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador do imposto: em 31/12/1991, já vigorava a lei que determinava uma realização mínima de cinco por cento (5%), sendo certo considerar que não houve ofensa ao princípio da anterioridade da lei tributária. Da mesma forma, sem razão o recorrente sobre a alegada extinção do crédito tributário do lançamento questionado, sob o argumento de que teria realizado, integralmente, em julho de 1993, o saldo do lucro inflacionário acumulado conforme previsto pela Lei n° 8.541/92. Na verdade, em julho de 1993, ao realizar o lucro inflacionário acumulado, aproveitando-se do incentivo fiscal à aliquota de cinco por cento (5%) - permitida pela Lei n° 8.541/92 - o contribuinte computou, indevidamente, par las 8 ;;- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ay2.:;:kr: OITAVA CÂMARA.... Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: :108-08.732 de lucro inflacionário cujas realizações já competiam a períodos bases anteriores: daí o acerto da fiscalização que imputou, de ofício, a parcela do imposto pago em 05/08/1993, referente ao valor do lucro inflacionário que deveria ter sido realizado em 31/12/1991, conforme demonstrado à f. 15. A exigência sobre glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente merece ser mantida, sendo de destacar que a decisão de primeira instância examinou bem a questão ao assinalar: Se é verdade que o lançamento objeto do processo 11080.003952/93-86 foi declarado nulo, por vício formal, em julgamento de recurso voluntário do contribuinte, no Conselho de Contribuintes, também é fato conhecido da defesa que o mesmo já foi refeito pela Fiscalização da DRF-Porto Alegre, para sanar o vício de forma original, gerando o processo 11080.001596/2003-90. Além disso, quando do julgamento do Recurso n° 143296 (referente ao processo 11080.001596/2003-90 - acima mencionado), sessão de hoje (23/02/2006) desta Oitava Câmara, consignei no voto do acórdão correspondente, a seguinte informação sobre os aludidos prejuízos fiscais: "De notar, conforme o Auto de Infração expedido em 21/02/2003, que no período-base de 1990 a fiscalização apurou diferença de lucro inflacionário realizado a menor no valor de Cr$ 65.826.562,00, porém, tendo em vista que o contribuinte apresentou prejuízo fiscal no ano de 1990, no valor de Cr$ 10.454.000,00, este valor foi deduzido do montante do lucro inflacionário realizado a menor Cr$ 65.826.562,00 — Cr$ 10.454.000,00 = Cr$ 55.372.562,00, este último serviu de base cálculo do imposto. Tal observação visa, sobretudo, ressaltar que o prejuízo fiscal do período-base de 1990, no valor de Cr$ 10.454.000,00 (f. 60), encontra-se totalmente compensado em face da matéria tributável apurada no presente processo, sendo certo que não remanesce saldo de prejuízo fiscal do período-base de 1990 a compensar em exercícios futuros". Como se vê, o prejuízo fiscal do período-base de 1990, que o recorrente alega ter direito a compensar no período-base de 1991, não existe mis,is, 9 alt MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 OITAVA CÂMARA Processo n°.: : 11080.008095/2002-53 Acórdão n°.: : 108-08.732 tendo em vista que foi totalmente absorvido pela tributação do lucro inflacionário realizado a menor naquele período-base de 1990, conforme restou demonstrado no processo 11080.001596/2003-90. Finalmente, a incidência da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (art. 13 da Lei 9.065/95), estando em consonância com o art. 161, § 1°, do CTN. Neste sentido, a favor da incidência da taxa SELIC, a jurisprudência da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/101-3.877), que considera legitima sua cobrança, devendo, portanto, ser exigida independentemente de sua natureza (remuneratória ou não). Em face do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. É o voto. Sala das Sessões - DF, em 23 de fevereiro de 2006. 1410.010,07 DORI L ,F:ADOVkN- 10 Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1

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