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Numero do processo: 13952.720033/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.536
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 72 00 33 /2 01 1- 23 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13952.720033/201123 Acórdão n.º 3402005.536 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.745, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13952.720033/201123 Acórdão n.º 3402005.536 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720348/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO DE DEPRECIAÇÃO. NÃO-CUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços
CREME DE LEITE. LEITE CONDENSADO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO.
A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, por não se enquadrar no conceito de composto lácteo.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 2
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009
DEPRECIAÇÃO. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços
CREME DE LEITE. LEITE CONDENSADO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO.
A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, por não se enquadrar no conceito de composto lácteo.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 2
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Aplicação da Súmula CARF nº 108
INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3402-005.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento parcial ao Recurso para reverter a glosa dos créditos referentes à monofasia.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento parcial ao Recurso para reverter a glosa dos créditos referentes à monofasia. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO DE DEPRECIAÇÃO. NÃO-CUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços CREME DE LEITE. LEITE CONDENSADO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, por não se enquadrar no conceito de composto lácteo. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009 DEPRECIAÇÃO. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços CREME DE LEITE. LEITE CONDENSADO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, por não se enquadrar no conceito de composto lácteo. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Aplicação da Súmula CARF nº 108 INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 67.755 1 67.754 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720348/201459 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.600 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria Auto de Infração PIS e COFINS Recorrente ATACADÃO DISTRIBUIÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO DE DEPRECIAÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços CREME DE LEITE. LEITE CONDENSADO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, por não se enquadrar no conceito de composto lácteo. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 48 /2 01 4- 59 Fl. 67755DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.756 2 Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009 DEPRECIAÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços CREME DE LEITE. LEITE CONDENSADO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, por não se enquadrar no conceito de composto lácteo. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 67756DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.757 3 O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Aplicação da Súmula CARF nº 108 INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento parcial ao Recurso para reverter a glosa dos créditos referentes à monofasia. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Trata o presente processo de autos de infração (Termo de Verificação Fiscal às fls. 67289 a 67302) relativo à falta/insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS, para os períodos de apuração janeiro/2009, fevereiro/2009 e abril/2009 a dezembro/2009, pela suposta prática das seguintes infrações: 1. Crédito sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (empresa comercial); 2. Aplicação indevida de alíquota zero, prevista no inciso XI do art. 1º da Lei 10925/2004, sobre as receitas provenientes das vendas de leite condensado e de creme de leite (não configuradas como “bebidas e compostos lácteos”); 3. Apropriação indevida de créditos relativos a compra de mercadorias com alíquota zero ou substituição tributária; Fl. 67757DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.758 4 4. Pagamento a menor da COFINS apurada em fevereiro de 2009, em razão de suposta discrepância entre o valor apurado em DCTF e o valor efetivamente pago; 5. Apuração indevida de créditos decorrentes de aluguéis pagos a pessoas físicas, em desconformidade com disposto no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Regularmente cientificada da lavratura dos autos de infração, o sujeito passivo apresentou sua impugnação, reconhecendo que houve um equívoco na apuração e recolhimento do PIS e da COFINS em razão da apropriação indevida de créditos sobre aluguéis pagos a pessoas físicas, e contestando os demais fatos com as seguintes alegações: (i) que seria legítima a apropriação de créditos de PIS e de COFINS sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; (ii) que o creme de leite e o leite condensado constituem "compostos lácteos", sujeitos à alíquota zero do PIS e da COFINS; (iii) que o Artigo 17 da Lei 11.033/04 autorizaria expressamente a apropriação de créditos de PIS e de COFINS com relação às mercadorias que estiveram sujeitas à tributação de acordo com a sistemática monofásica, além de ser inconstitucional a vedação ao aproveitamento de créditos de mercadorias sujeitas à alíquota zero; e (iv) que o valor remanescente apontado pela fiscalização foi pago através de Pedido de Compensação. Alega, ainda, a abusividade da multa aplicada, e contesta a aplicação da SELIC sobre o crédito tributário em geral, e sobre a multa de ofício, em especial. Por meio do acórdão nº 1661.125, de 4 de setembro de 2014 (fls. 67547 a 67566), a 6ª Turma da DRJ em São Paulo, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, excluindo o montante de R$ 23.922,80 referente ao período de apuração fevereiro/2009, cujo valor foi compensado por meio de PER/DCOMP. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009 DEPRECIAÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. Fl. 67758DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.759 5 LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota do PIS/Pasep. SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de bens submetidos à sistemática monofásica não dá direito a crédito na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. VINCULAÇÃO. A atividade administrativa de lançamento tributário é vinculada à lei, não cabendo ao auditor fiscal nenhuma discricionariedade na aplicação desta. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/12/2009 DEPRECIAÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Na apuração da Cofins sob a modalidade não cumulativa, o crédito sobre depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando esses bens forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. ALÍQUOTA ZERO. NÃO ENQUADRAMENTO. A venda de leite condensado e creme de leite não se enquadra na hipótese, estabelecida pelo inciso XI do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004, de redução a zero da alíquota da Cofins. SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de bens submetidos à sistemática monofásica não dá direito a crédito na apuração da Cofins sob a modalidade não cumulativa. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. VINCULAÇÃO. A atividade administrativa de lançamento tributário é vinculada à lei, não cabendo ao auditor fiscal nenhuma discricionariedade na aplicação desta. DÉBITO COMPENSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Revelase improcedente o lançamento de ofício de crédito tributário extinto por meio de declaração de compensação. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 67759DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.760 6 É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.67567 a 67637), alegando, em síntese: I. Que seria legítima a apropriação de créditos de PIS e de COFINS sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; II. que o creme de leite e o leite condensado constituem "compostos lácteos", sujeitos à alíquota zero do PIS e da COFINS; III. que o Artigo 17 da Lei 11.033/04 autorizaria expressamente a apropriação de créditos de PIS e de COFINS com relação às mercadorias que estiveram sujeitas à tributação de acordo com a sistemática monofásica, além de ser inconstitucional a vedação ao aproveitamento de créditos de mercadorias sujeitas à alíquota zero; IV. que seria abusiva a multa de ofício aplicada; V. contesta a aplicação da SELIC sobre o crédito tributário em geral; VI. contesta a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício, em especial. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da possibilidade de apropriação de créditos de PIS e de COFINS sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado por empresa comercial A recorrente alega a possibilidade de apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação de bens de seu ativo imobilizado. Segundo seu entendimento, a vedação imposta pelo artigo 3º, inciso VI, das Leis 10.637 e 10.833 não poderia prosperar, sendo necessária uma interpretação sistemática da legislação. Não assiste razão à recorrente. Assim dispõe a legislação acerca da possibilidade de créditos sobre encargos de depreciação do ativo: Fl. 67760DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.761 7 Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...] §1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] III – dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos inciso VI e VII do caput, incorridos no mês; [...]. O texto é claro sobre a possibilidade de creditamento sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado apenas quanto forem adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O legislador expressamente restringiu tal direito aos setores industrial e de prestação de serviço, não contemplando o setor comercial como pretende a recorrente. A recorrente apresenta os seguintes argumentos para embasar sua posição: (i) que a atividade por ela desenvolvida seria composta de diversas etapas sucessivas e com naturezas distintas, com componentes relacionados à prestação de serviços e produção; (ii) que, no caso específico do PIS e da COFINS, por serem tributos cujo fato gerador é a geração de receita/faturamento, todas aquelas despesas essenciais para a sua formação deveriam ser passíveis de creditamento; (iii) que a interpretação adequada da Lei 10.637/02 deveria levar em conta esta perspectiva ampla (envolvendo as etapas das atividades desenvolvidas pela empresa e todas as despesas essenciais para a formação de receitas); (iv) que, ao examinar a matéria, o STJ não teria vedado o aproveitamento de créditos de "insumos" por empresas comerciais; e (v) que o entendimento em sentido contrário afrontaria o disposto no Artigo 195, I, da Constituição Federal (que não autoriza a segregação do direito ao crédito por segmentos econômicos) e o princípio da isonomia. Tais argumentos também foram apresentados em sua impugnação e prontamente enfrentados e afastados na decisão recorrida. Fl. 67761DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.762 8 Reproduzo excerto do voto condutor do acórdão a quo, com as considerações acerca dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo e seu afastamento, que utilizo como fundamento do presente voto: “Diante da clareza meridiana desse texto legal, salta aos olhos a impertinência da alegação da autuada ao dizer que esse entendimento estaria pautado em uma interpretação restritiva do auditor fiscal. Na verdade, é a impugnante quem faz uma interpretação extensiva buscando contemplar na apuração dos créditos a totalidade de seus dispêndios que, segundo ela, contribuiriam para a geração de receita. Assim, como a atividade principal da contribuinte é distribuição e comércio de artigos, materiais, produtos e/ou mercadorias em geral, a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado não pode gerar direito a crédito na apuração do PIS/Pasep e da Cofins segundo a modalidade não cumulativa. A impugnante alega ainda que seu objeto social também consistiria em atividades de prestação de serviço e produção. Entretanto, ao contrário do que prescreve o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ela não trouxe aos autos nenhum documento que corroborasse o efetivo exercício dessas atividades: [...]. No caso concreto, ainda deveriam ser trazidas aos autos as provas de que as máquinas, os equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que tiveram créditos sobre a depreciação apropriados diziam realmente respeito às alegadas atividades de prestação de serviço e de produção. Desse modo, sem provas que corroborem o exercício das atividades de prestação de serviço e de produção e que permitam calcular se haveria mesmo crédito sobre depreciação passível de ser deduzido, não é possível acatar a alegação da autuada. Vale ainda observar que, ao contrário do que afirma a impugnante, a jurisprudência não tem estabelecido o entendimento de que o rol de despesas passíveis de crédito do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, seria exemplificativo. A jurisprudência citada pela autuada não é representativa de entendimento consolidado. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado (REsp 1020991/RS), no qual, aliás, um dos argumentos analisados era justamente esse utilizado pela autuada, se posicionou dizendo que a interpretação extensiva, como a que é feita na impugnação que ora se aprecia, não se admite nas concessões de benefício fiscal, o que é justamente o caso da obtenção de créditos de PIS/Pasep e Cofins: [...] Com relação ao questionamento da contribuinte de que o legislador não poderia autorizar o direito a crédito para o setor industrial e de prestação de serviços e vedar esse direito ao comerciante, tratase, sim, de contestação da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, acima transcritos. Como já dito, os incisos VI dos arts. 3º dessas leis são de clareza meridiana, não havendo dúvidas quanto à intenção do legislador de vedar às empresas comerciais a possibilidade de créditos sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado. Logo, os argumentos da impugnante não são apenas contra a interpretação, mas contra a constitucionalidade desses dispositivos. Por isso, esse questionamento não pode ser apreciado por esta Turma de Julgamento. Com efeito, em sede de processo administrativo, são vedadas as Fl. 67762DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.763 9 discussões em torno da suposta inconstitucionalidade da legislação, como determina o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 26A: Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal dispositivo decorre de que a declaração de inconstitucionalidade de lei é matéria afeta aos órgãos competentes do Poder Judiciário, tanto por meio do controle difuso como pelo concentrado, ressaltandose que, neste último caso, a competência é exclusiva da Suprema Corte, conforme expresso no art. 102, inciso I, alínea a, da Constituição Federal. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pelo agente está, ou não, conforme a legislação, sem emitir juízo da legalidade ou da constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ressaltese que tal entendimento é pacífico na jurisprudência administrativa, como comprova a Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esse mesmo raciocínio se aplica à alegação de que tal restrição ao crédito sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado afrontaria ao princípio da isonomia consagrado no art. 150, inciso II, da Constituição Federal, não cabendo, também nesse aspecto, apreciação por parte desta Turma de Julgamento.” Do enquadramento dos produtos “creme de leite” e “leite condensado” como "compostos lácteos" para fins de sujeição à alíquota zero do PIS e da COFINS A recorrente alega que os produtos comercializados “creme de leite” e “leite condensado” constituem "compostos lácteos" sujeitos à alíquota zero do PIS e da COFINS, conforme previsto no inciso XI do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim dispõe o referido dispositivo legal: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] XI leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Segundo o entendimento da recorrente, tanto o creme de leite quanto o leite condensado seriam enquadrados como “composto lácteo” por atender aos seguintes critérios: Fl. 67763DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.764 10 (i) possuírem dois ou mais elementos; e (ii) se referirem diretamente ao leite. Sendo considerados “compostos lácteos” fariam jus à redução a 0 (zero) nas alíquotas de PIS e COFINS. Em que se pese suas considerações, entendo que esta não seria a melhor interpretação do dispositivo. O texto legal não deixou o conceito “composto lácteo” aberto, mas condicionou o à definição legal específica. Dessa forma, tornase necessário socorrer da legislação específica para extrairmos o alcance do termo legal e fazermos a correta integração da norma. Interpretar o termo em sua literalidade, a fim de considerar todo e qualquer produto composto derivado do leite generalizaria o benefício e tornaria desnecessária a descrição de outros itens também sujeitos à alíquota zero dispostos em outros incisos, como, por exemplo, os diversos tipos de queijos (inciso XII), que também são compostos derivados de leite. A Autoridade Fiscal corretamente se socorreu da regulamentação expedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para fins de integração normativa. No mesmo sentido entendeu o julgador a quo, pelo afastamento do conceito literal do termo “composto lácteo” e adotou a regulamentação específica. A Instrução Normativa nº 28, de 12 de junho de 2007, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que aprovou o Regulamento Técnico para Fixação de Identidade e Qualidade de Composto Lácteo, apresenta a definição de composto lácteo nos termos a seguir: 1.1. OBJETIVO: estabelecer a identidade e os requisitos mínimos de qualidade que deve atender o produto Composto Lácteo destinado ao consumo humano. 1.2. ÂMBITO DE APLICAÇÃO: o presente Regulamento referese ao produto Composto Lácteo destinado ao comércio nacional e internacional. 2. DESCRIÇÃO 2.1. DEFINIÇÃO: Para efeito de aplicação deste Regulamento Técnico, adotamse as seguintes definições: 2.1.1. Composto Lácteo: é o produto em pó resultante da mistura do leite (1) e produto(s) ou substancia(s) alimentícia(s) láctea(s) (2) ou nãoláctea(s) (3), ou ambas (4), adicionado ou não de produto(s) ou substancia(s) alimentícia(s) láctea(s) ou não láctea(s) ou ambas permitida(s) no presente Regulamento, apta(s) para alimentação humana, mediante processo tecnologicamente adequado. Os ingredientes lácteos devem representar no mínimo 51% (cinqüenta e um por cento) massa/massa (m/m) do total de ingredientes (obrigatórios ou matériaprima) do produto. 2.1.1.1 Composto Lácteo ou Composto Lácteo sem Adição: é o produto definido no subitem 2.1.1, em cuja elaboração seja(m) empregado(s) exclusivamente produto(s) ou substancia(s) alimentícia(s) láctea(s) (2). O produto final deve apresentar 100% (cem por cento) massa/massa (m/m) de ingredientes lácteos. 2.1.1.2 Composto Lácteo com Adição: é o produto definido no subitem 2.1.1, em cuja elaboração seja(m) empregado(s) produto(s) ou substância(s) alimentícia(s) não lácteas (3). O produto final deve apresentar no mínimo 51% (cinqüenta e um por cento) massa/massa (m/m) de ingredientes lácteos. Fl. 67764DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.765 11 Pela simples leitura do texto regulamentar já nos permite distinguir o produto em questão do creme de leite ou do leite condensado, especialmente pela sua forma de apresentação: o composto lácteo é um produto em pó, diferenciandose visualmente dos demais produtos em questão. O composto lácteo é formulado com nutrientes específicos do leite, podendo ser adicionado de outros produtos não lácteos, especialmente recomendável para um desenvolvimento saudável na infância de forma a suprir necessidades de nutrientes específicos. São exemplos de compostos lácteos disponíveis no mercado brasileiro: Neslac (da Nestlé), o Milnutri (da Danone), e o Enfagrow (da Mead Johnson). Neste sentido decidiu a RFB, na Solução de Consulta nº 123 SRRF10/Disit, de 28 de junho de 2012: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS BEBIDAS E COMPOSTOS LÁCTEOS. ENQUADRAMENTO. ALÍQUOTA ZERO. Para ser enquadrado no inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, como “bebidas e compostos lácteos”, o produto deve atender as exigências estabelecidas nos atos normativos emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e se destinar ao consumo humano ou à industrialização de produtos que se destinem ao consumo humano. Dispositivos Legais: Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, XI; IN Mapa nº 16, de 2005; IN Mapa nº 28, de 2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BEBIDAS E COMPOSTOS LÁCTEOS. ENQUADRAMENTO. ALÍQUOTA ZERO. Para ser enquadrado no inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, como “bebidas e compostos lácteos”, o produto deve atender as exigências estabelecidas nos atos normativos emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e se destinar ao consumo humano ou à industrialização de produtos que se destinem ao consumo humano. Dispositivos Legais: Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, XI; IN Mapa nº 16, de 2005; IN Mapa nº 28, de 2007. Dessa forma, nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida e no lançamento efetuado quanto ao desenquadramento dos produtos “creme de leite” e “leite condensado” como sendo aqueles a que se refere o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925/2004, não se enquadrando na hipótese de redução a zero das alíquotas do PIS e COFINS. Da possibilidade de apropriação de créditos de PIS e de COFINS com relação às mercadorias que estiveram sujeitas à tributação de acordo com a sistemática monofásica e sujeitas à alíquota zero A recorrente alega a possibilidade de apropriação de créditos de PIS e de COFINS com relação às mercadorias que estiveram sujeitas à tributação de acordo com a sistemática monofásica e sujeitas à alíquota zero. Para tanto, ela faz uma distinção entre as Fl. 67765DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.766 12 aquisições de mercadorias (i) sujeitas à sistemática monofásica e aquelas que (ii) não estiveram sujeitas à incidência das contribuições. A primeira situação corresponde às aquisições tributadas de acordo com a sistemática monofásica, que foram tributadas em etapas anteriores e cuja saída subsequente estará sujeita à alíquota zero do PIS e da COFINS. A recorrente alega que não haveria qualquer vedação específica para a apropriação de créditos dos produtos que estiveram sujeitos à tributação de acordo com a sistemática monofásica, entendendo que os artigos 3º, §2º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram a vedação ao crédito apenas com relação à "aquisição de bens e serviços que não estiveram sujeitos ao pagamento das contribuições", o que não seria o caso dos produtos sujeitos à incidência monofásica. Alega, em sua defesa, que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, estabelecendo que "as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda (dispositivo similar encontramos na Lei nº 10.637/2002): Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive artigos de perfumaria, águas, cervejas e refrigerantes adquiridos pela recorrente. Fl. 67766DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.767 13 A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Tratase daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não cumulatividade, mas permitila apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da nãocumulatividade. Destacase que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a nãocumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito concedido a todos os que foram sujeitos à não cumulatividade de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração nãocumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINSimportação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da nãocumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Fl. 67767DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.768 14 Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Por fim, importanos destacar a exceção expressa à regra imposta pelo inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, estabelecida pelo art. 24 da Lei nº 11.727/2008: Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”(grifouse) Portanto, concluise que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos (§ 2º do art. 24 da Lei nº 11.727, de 2008). Destacase que a recorrente é revendedora dos produtos sujeitos à sistemática monofásica, e não produtora ou fabricante de tais produtos, não sendo possível o creditamento em relação a tais aquisições. Fl. 67768DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.769 15 Quanto à segunda situação, ou seja, quanto aos produtos que não estiveram sujeitos à incidência do PIS e de COFINS quando de sua aquisição, a recorrente argumenta que a vedação prevista no Artigo 3º, §2º, inciso II, das leis de regência seria contrária ao princípio da nãocumulatividade. Entende que devem gerar direito ao crédito todos os dispêndios intrinsecamente relacionados à geração de receita para a sociedade, independentemente de terem estado sujeitos à incidência do PIS e da COFINS ou não. Também com base nos argumentos e transcrições acima expostas, concluo que a legislação expressamente veda tal possibilidade, não configurando qualquer violação ao princípio da nãocumulatividade, por expressa determinação legislativa. Destacase que os dispositivos relativos ao IPI e o entendimento jurisprudencial com relação à não cumulatividade desse imposto, não tem aplicação direta na apuração das contribuições em questão, por se tratarem de normas distintas e subsistemas distintos (impostos x contribuições), com claras permeabilidades mas sujeitas à análises próprias. Da abusividade da multa de ofício Quanto à alegação de que a penalidade aplicada seria abusiva, tratase, na verdade, de questionamento acerca da constitucionalidade da norma, sendo que esta turma de julgamento não pode apreciar tais questões, conforme determina o art. 62 do RICARF, e a Súmula CARF nº2. Inexiste no julgamento administrativo qualquer juízo de valor atrelado a normas constantes do ordenamento jurídico pátrio. Qualquer argumento acerca da validade jurídica de normas que estão em pleno vigor deve ser levado ao Poder Judiciário, e não às instâncias administrativas. Conforme já destacado na decisão a quo, a atividade administrativa é sempre vinculada e obrigatória, não cabendo nenhuma discricionariedade por parte do auditor fiscal na aplicação da legislação tributária. Ao auditor fiscal, constatado o descumprimento da obrigação, cabe tãosomente o dever de constituir o crédito tributário devido por meio de lançamento de ofício, nos estritos termos da legislação vigente. Da incidência da taxa SELIC sobre o crédito tributário Quanto ao argumento de inaplicabilidade dos juros SELIC para fins tributários, a jurisprudência administrativa já firmou entendimento contrário, quando caracterizada a inadimplência, conforme Súmula CARF nº 4, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A exigência dos juros de mora decorre de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento. Fl. 67769DF CARF MF Processo nº 19515.720348/201459 Acórdão n.º 3402005.600 S3C4T2 Fl. 67.770 16 Existindo a mora, devem ser consignados no lançamento os encargos legais cabíveis, de acordo com o disposto no artigo 161 do CTN, seja qual for o motivo determinante da falta. Portanto, deve ser mantida a aplicação dos juros de mora nos autos de infração objetos do presente processo administrativo fiscal, e a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), de acordo com a súmula 4 do CARF. Da incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício Relativamente aos argumentos lançados pela recorrente acerca da improcedência da incidência dos juros sobre a multa, aplicase o entendimento da Súmula CARF nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 67770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908091/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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score : 1.0
Numero do processo: 19647.006043/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ADMISSIBILIDADE.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900.
Numero da decisão: 1201-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 43 /2 00 6- 25 Fl. 315DF CARF MF 2 COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1130.523, sessão de 28 de julho de 2010, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem sintetizar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, constante do Acórdão ao norte mencionado, completandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou as Declarações de Compensação PERDCOMPs de fls. 10/24, por meio das quais compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 4.497.296,49, seria decorrente do saldo negativo do imposto apurado em 31/12/1999. 2. Em análise realizada pela Delegacia da Receita Federal no Recife — DRF/Recife (relatório de fls. 03/07), concluiuse pela existência parcial do crédito apontado nas DCOMPs, no valor de R$ 4.383.821,99, em razão de glosas na extinção de estimativas que compuseram o saldo negativo declarado. Em relação aos débitos informados nas DCOMPs, foram adicionados os encargos moratórios, os quais não haviam sido considerados pela empresa nas declarações de compensação. 3. Por meio do Despacho Decisório de fl. 102, a autoridade a quo, acatando os fundamentos expostos no relatório, homologou integralmente as compensações efetuadas através dos PERDCOMPs nºs 39044.62553.091204.1.7.026010 (fls. 10/16) e 11062.58698.151204.1.7.023635 (fls. 17/20), e homologou parcialmente a compensação efetuada através do PERDCOMP n° 28061.09245.150205.1.7.020714 (fls. 21/24), até o limite do crédito reconhecido, determinando a cobrança, no valor de R$ 895.127,93, do débito da Cofins apurada em novembro de 2004. \4. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 106/122), alegando, em síntese: a) que a empresa não apurou estimativas nos meses de janeiro e fevereiro de 1999, razão pela qual os pagamentos foram indevidos e, sendo assim, deveriam ser corrigidos desde o mês subsequente ao do recolhimento; b) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, não estava em vigor à data em que apurados os créditos, razão pela qual não poderia dar suporte ao despacho decisório; c) que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, admite a compensação de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, sem qualquer restrição; d) que, na questão n° 611 do Manual de Perguntas e Respostas de 2005, há a informação de que o imposto pago a maior pode ser compensado com as estimativas apuradas nos meses subsequentes do mesmo anocalendário; Fl. 316DF CARF MF Processo nº 19647.006043/200625 Acórdão n.º 1201002.367 S1C2T1 Fl. 304 3 e) que o crédito deveria ter sido atualizado pela autoridade fiscal até dezembro de 2004, quando se deu a transmissão das DCOMPs terminadas em 6010 e 3635, e não até junho e julho de 2003; 5. Ao final, requereu a aplicação da interpretação benigna, a juntada posterior de provas, a realização de perícia e diligência que o julgador entender necessárias e a homologação das compensações. 6. Despacho decisório de fl. 156 reviu de oficio a decisão inicial, para alterar o valor do crédito e do saldo a pagar do débito não homologado. Consoante Informação Fiscal de fls. 154/155, a alteração do crédito, para maior, se deveu à sua atualização pela Selic até a data da transmissão dos PERDCOMPs, e não até a data de vencimento de cada débito. Em decorrência, o saldo do débito não homologado passou de R$ 895.127,93 para R$ 601.235,26. 7. Reaberto o prazo para defesa, a contribuinte apresentou a peça de fls. 165/180, na qual repisa argumentos anteriores, exceto quanto à questão da atualização do crédito procedida no despacho revisor, e acrescenta sua discordância em relação à cobrança de encargos moratórios sobre os débitos da Cofins apurados em maio e junho de 2003, já que teria transmitido os PERDCOMPs tempestivamente em junho e julho de 2003. 8. Em 26/02/2010, a interessada fez entrega de desistência parcial da manifestação de inconformidade, mantendo a discussão apenas no tocante à atualização pela Selic das estimativas apuradas em janeiro e fevereiro de 1999 (fls. 221/223). (Grifamos). A decisão da DRJ/Recife assim restou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do 1RPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. Fl. 317DF CARF MF 4 O recolhimento por estimativa, pelo seu caráter de mera antecipação, não se enquadra no conceito de pagamento indevido ou a maior, e será computado, sem a atualização pela Selic, quando da apuração do imposto devido no final do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia e diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. (Grifamos). Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (e fls. 256 e seguintes) onde reitera o pedido para que a autoridade competente reconheça o pagamento indevido ou a maior que o devido nos meses de janeiro e fevereiro de 1999 e efetue a devida correção monetária a partir do mês subsequente ao pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. Com relação à lide instaurada, assim se pronunciou a DRJ/RECIFE no voto condutor da decisão de primeira instância: 11. A contribuinte recolheu IRPJ por estimativa nos meses de janeiro de fevereiro de 1999, embora nada houvesse apurado de imposto a tal título com base em balanço ou balancete de suspensão (DIPJ de fls. 57/75). Os valores assim recolhidos, considerados pela empresa como pagamento indevido ou a maior, foram por ela utilizados para compensar o imposto apurado por estimativa nos meses de março e abril do mesmo ano (DCTFs de fls. 79/85). 12. A DRF/Recife, tendo em conta a vedação expressa no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, desconsiderou as compensações assim efetuadas pela contribuinte nos meses de março e abril de 1999 e computou, no cálculo do saldo negativo ao final do ano, as estimativas que haviam sido pagas nos meses de janeiro e fevereiro. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 19647.006043/200625 Acórdão n.º 1201002.367 S1C2T1 Fl. 305 5 13. Podese aqui indagar qual a razão da contenda, dado que os valores recolhidos a título de estimativa foram efetivamente considerados pela autoridade administrativa no cálculo do saldo negativo. 14. O núcleo da discussão está na atualização do crédito, como melhor resumiu a inconformada ao final de sua carta de desistência parcial do litígio. É que enquanto o saldo negativo é acrescido da taxa Selic somente a partir de janeiro do ano subsequente ao de sua apuração, o pagamento indevido ou a maior sofre incidência da Selic desde o mês seguinte ao do recolhimento. 15. Assim, o saldo negativo apurado pela empresa foi superior ao admitido pela DRF/Recife porque esta considerou as estimativas pagas em janeiro e fevereiro sem nenhuma atualização, enquanto a contribuinte, ao compensar as estimativas de março e abril, utilizou os valores pagos em janeiro e fevereiro acrescidos da taxa Selic. 16. A meu ver, a razão está do lado da autoridade a quo, pelos fundamentos que passo a expor. (.....) 30. Conforme já aqui assente, os pagamentos das estimativas realizados ao longo do anocalendário, se superiores ao apurado em cada mês, não configuram pagamentos indevidos, mas apenas motivam a geração de saldo negativo do imposto. Tais recolhimentos constituem antecipação do imposto devido ao final de cada período de apuração e são computados pelo seu valor original, sem a atualização pela taxa Selic. Se ao final do período for apurado saldo negativo do imposto, sobre esse valor é que se fará incidir a atualização, considerandose a variação da taxa Selic a partir do mês de janeiro até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que o procedimento estiver sendo efetuado. Da análise do presente caso constatase que a decisão que não homologou a compensação apresentada pelo contribuinte baseouse na vedação estabelecida pelo art. 10, da IN RFB nº 600/2005. Referida vedação, no entanto, já foi objeto de análise por parte deste CARF em outros julgados que culminaram com a edição da Súmula nº 84, conforme abaixo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Demonstrase desta forma que é forçoso reconhecer que assiste razão ao contribuinte quanto ao fato da necessidade de revisão da decisão recorrida pelo fato de terem sido revogados os efeitos do dispositivo que gerou a inicial não homologação da compensação, tendo em vista as disposições trazidas pela Súmula do CARF acima transcrita. Fl. 319DF CARF MF 6 Neste sentido é que, não havendo maiores controvérsias quanto ao assunto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte para acrescer ao direito creditório reconhecido pela autoridade ""a quo", aquele decorrente da atualização pela Selic das estimativas recolhidas indevidamente em janeiro e fevereiro de 1999 desde a data de seu recolhimento e homologar a compensação apresentada pela empresa até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722304/2015-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. PRESSUPOSTO DE PROCEDIBILIDADE À FORMALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. SITUAÇÃO IMPEDIENTE. DESPESAS PAGAS EM MONTE SUPERIOR À 20% DO INGRESSOS DE RECURSOS. RECEITA BRUTA COMO ESPÉCIE DO GÊNERO INGRESSOS DE RECURSOS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGISTRO EM LIVRO ESPECÍFICO CONSIGNADO PELA LEGISLAÇÃO.
Uma coisa é estar o ato de exclusão do Contribuinte do Simples Nacional na condição de pressuposto para o ato de exigência tributária decorrente do seu enquadramento em outro regime de apuração. Outra é condicionar a formalização do segundo (exigência tributária) ao encerramento das instâncias administrativas eventualmente inauguradas pelo Contribuinte sobre o primeiro (exclusão do Simples Nacional), como se fora uma espécie de pressuposto de procedibilidade. Não é. A matéria não se confunde com a processualística. Quando muito essa última faz suspender a atualização dos efeitos jurídicos que emanam do primeiro. É situação que inspira a exclusão do Simples Nacional a hipótese de a pessoa jurídica pagar despesas em patamar superior a 20% de seus próprios ingressos de numerário, sendo certo que nesses últimos, como exemplar a compor o seu dimensionamento, está a receita bruta. Os optantes pelo Simples Nacional estão obrigados à guarda e manutenção do Livro-Caixa ou, na sua falta, dos Livros Diário e Razão, sendo certo que, num e n'outro caso, todo o tráfego financeiro deve aí estar registrado. Não é serviente a qualquer pretensão de prova registros de natureza financeira anotados em Livro de criação autônoma do Contribuinte.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2015
ALEGAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. PRESSUPOSTO DE PROCEDIBILIDADE À FORMALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. SITUAÇÃO IMPEDIENTE. DESPESAS PAGAS EM MONTE SUPERIOR À 20% DO INGRESSOS DE RECURSOS. RECEITA BRUTA COMO ESPÉCIE DO GÊNERO INGRESSOS DE RECURSOS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGISTRO EM LIVRO ESPECÍFICO CONSIGNADO PELA LEGISLAÇÃO. Uma coisa é estar o ato de exclusão do Contribuinte do Simples Nacional na condição de pressuposto para o ato de exigência tributária decorrente do seu enquadramento em outro regime de apuração. Outra é condicionar a formalização do segundo (exigência tributária) ao encerramento das instâncias administrativas eventualmente inauguradas pelo Contribuinte sobre o primeiro (exclusão do Simples Nacional), como se fora uma espécie de pressuposto de procedibilidade. Não é. A matéria não se confunde com a processualística. Quando muito essa última faz suspender a atualização dos efeitos jurídicos que emanam do primeiro. É situação que inspira a exclusão do Simples Nacional a hipótese de a pessoa jurídica pagar despesas em patamar superior a 20% de seus próprios ingressos de numerário, sendo certo que nesses últimos, como exemplar a compor o seu dimensionamento, está a receita bruta. Os optantes pelo Simples Nacional estão obrigados à guarda e manutenção do Livro-Caixa ou, na sua falta, dos Livros Diário e Razão, sendo certo que, num e n'outro caso, todo o tráfego financeiro deve aí estar registrado. Não é serviente a qualquer pretensão de prova registros de natureza financeira anotados em Livro de criação autônoma do Contribuinte. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2015 ALEGAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. PRESSUPOSTO DE PROCEDIBILIDADE À FORMALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. SITUAÇÃO IMPEDIENTE. DESPESAS PAGAS EM MONTE SUPERIOR À 20% DO INGRESSOS DE RECURSOS. RECEITA BRUTA COMO ESPÉCIE DO GÊNERO INGRESSOS DE RECURSOS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGISTRO EM LIVRO ESPECÍFICO CONSIGNADO PELA LEGISLAÇÃO. Uma coisa é estar o ato de exclusão do Contribuinte do Simples Nacional na condição de pressuposto para o ato de exigência tributária decorrente do seu enquadramento em outro regime de apuração. Outra é condicionar a formalização do segundo (exigência tributária) ao encerramento das instâncias administrativas eventualmente inauguradas pelo Contribuinte sobre o primeiro (exclusão do Simples Nacional), como se fora uma espécie de pressuposto de procedibilidade. Não é. A matéria não se confunde com a processualística. Quando muito essa última faz suspender a atualização dos efeitos jurídicos que emanam do primeiro. É situação que inspira a exclusão do Simples Nacional a hipótese de a pessoa jurídica pagar despesas em patamar superior a 20% de seus próprios ingressos de numerário, sendo certo que nesses últimos, como exemplar a compor o seu dimensionamento, está a receita bruta. Os optantes pelo Simples Nacional estão obrigados à guarda e manutenção do LivroCaixa ou, na sua falta, dos Livros Diário e Razão, sendo certo que, num e n'outro caso, todo o tráfego financeiro deve aí estar registrado. Não é serviente a qualquer pretensão de prova registros de natureza financeira anotados em Livro de criação autônoma do Contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 23 04 /2 01 5- 90 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 449 2 ALEGAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), mediante o Acórdão nº 1674.962, de 11/10/2016 (efls. 405/410), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos constam do original) 1. Contra o Contribuinte em epígrafe foi exarado o Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 03, de 19 de março de 2015 (fl. 73), que o excluiu do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006), com efeitos a contar de 01/01/2011 e a perdurar pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, tudo em razão de "suas despesas serem superiores a no mínimo 20% de sua receita bruta", conforme parâmetro legal dado pelo art. 29, inciso IX, c/c seu §1º, LC nº 123, de 2006. Seguem excertos da respectiva representação fiscal para a exclusão em comento (fls. 05/10): 4 FATOS APURADOS 4.1.A fiscalização da empresa foi determinada pelo Procedimento Fiscal PF n° 1010100201400805, com código de acesso 61490397. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 450 3 4.2.Em 11/12/2014 foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e foi enviado por via postal com A.R. Aviso de Recebimento n° 186089889 DG, com ciência em 12/12/2014. 4.3.Em 19/02/2015 foi emitido o Termo de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal TCCPF n° 001, com ciência postal em 23/02/2015 pelo AR n° 762517788 JL. 4.4.Em 27/02/2015 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal TIF n° 001, com ciência postal em 04/03/2015 pelo AR n° 762520288 JL. 4.5.A documentação abrangeu o período de 01/2011 a 12/2013. 4.6. As despesas da empresa, somente com sua folha salarial, neste período, foram superiores a no mínimo 20% da sua receita bruta, conforme dados obtidos nas suas declarações para o simples e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's. Vide tabela abaixo: 2011 2012 2013 Receita Bruta DASN 1.779.270,18 2.111.452,32 405.795,93 Mas Tot GFIP 2.762.495,37 3.750.888,85 1.818.951,52 GFIP/Receita Bruta 155,26% 177,64% 448,24% 2. O Contribuinte tomou ciência do ato sob consideração em 30/03/2015 (fl. 75), vindo a colacionar a respectiva manifestação de inconformidade em 28/04/2015 (fls. 78/92). Alega: 2.1. Nulidade do procedimento por violação dos princípios "da legalidade, da proporcionalidade, da eficiência e o do devido processo legal", isso tudo à consideração de não ter sido devidamente intimado do ato excludente em debate, sendo certo que o "conhecimento do dito Ato só ocorreu com a ciência dos Autos de Infração (DEBCADs) n. 51.044.9140 e 51.044.9158, que foram concentrados no processo administrativo fiscal n. 11080.722.352/201588 e do qual a Requerente foi intimada em 30/03/2015." (fl. 81; destaques do original). 2.2. Mais especificamente, compreende que se haveria, primeiro, de só formalizar o ato de sua exclusão do Simples Nacional, franquearlhe as instâncias administrativas impugnatórias próprias e, enfim, vindo a confirmação em definitivo da negativa de permanência no regime privilegiado, aí sim poderseia cogitar da formalização de consequentes exigências tributárias. 2.3. O parâmetro de cotejo referido no art. 29, inciso IX, LC nº 123, de 2006 não seria a receita bruta, como referido pela Fiscalização, mas o total de ingressos de recursos, como expressamente apontado no dispositivo legal em relevo. A dizer, haverseia de comparar, dentro d'um mesmo anocalendário, as "despesas pagas" com 1,2*ingressos de recursos e não com 1.2*receita bruta. Nesse passo, certo que o importe a título de ingressos de recursos correria a maior monta que o tanto de receita bruta, o cômputo feito pela Fiscalização para o teto das despesas pagas estaria aquém do parâmetro legal. Nas palavras do Contribuinte: 3.1.7 Tais valores, não considerados pelo Auditor Fiscal, dizem respeito a ingressos e/ou entradas de recursos na Requerente, advindos das sociedades LESSA, PILLA, BRUSAMOLIN, KAVINSKI & ADVOGADOS ASSOCIADOS CNPJ n. 04.074.640/000105 (LPBK ADVOGADOS) e BRUSAMOLIN & KAVINSKI ADVOGADOS ASSOCIADOS CNPJ n. 05.006.786/000178 (B&K ADVOGADOS), Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 451 4 em face da seguinte estrutura operacional que era mantida com a Requerente no período compreendido pelo referido ato declaratório, assim, detalhada: 1) As sociedades LPBK ADVOGADOS e B&K ADVOGADOS ajustaram com a Requerente para esta realizar a cobrança extrajudicial, através da sua estrutura operacional de call center, de contratos de financiamentos bancários, empréstimos de factorings e duplicatas mercantis para as empresas "On Line Sociedade de Fomento Mercantil Ltda."; "Serbom Armazéns Gerais Frigoríficos Ltda."; "Sulfinanceira SA. Crédito, Financiamento e Investimento"; "Itaú Financiamentos S.A."; "Aymoré Financiamentos"; "Banco Santander S.A." e da "BV Financeira". 2) A Requerente promovia a contratação da equipe de trabalho (negociadores) necessária à prestação do referido serviço, bem como fazia a gestão dos mesmos e a prestação de contas sobre as cobranças realizadas. 3) Os honorários decorrentes da prestação do referido serviço, ou seja, das cobranças realizadas, eram repassados à Requerente. 4) Os contratos de prestação de serviços de cobrança administrativa eram firmados pela LPBK ADVOGADOS e B&K ADVOGADOS com as aludidas instituições financeiras, de modo que os honorários profissionais decorrentes desses serviços eram auferidos pelas sociedades de advogados, haja vista tal modelo de negócios ser uma exigência de tais instituições financeiras. Como o serviço de cobrança, na prática, era realizado pela Requerente, esta, para fazer jus aos seus honorários sobre as cobranças realizadas, emitia Notas Fiscais de Prestação de Serviços contra a LPBK ADVOGADOS e B&K ADVOGADOS, de modo a reconhecer a receita decorrente das operações de cobrança, conforme se verifica pela amostragem de notas fiscais em anexo (Doc. 4). 5) No caso dessa receita de serviços prestados pela Requerente ser inferior aos recursos necessários para suportar os custos da sua operação, em especial a sua folha de pagamento, a LPBK ADVOGADOS e a B&K ADVOGADOS comprometiamse a prover tais recursos, de modo a manter a continuidade das operações da Requerente e o equilíbrio financeiro de suas contas. 6) Os recursos aportados pela LPBK ADVOGADOS e B&K ADVOGADOS, bem como as despesas da Requerente pagas pelas referidas sociedades, eram controlados em demonstrativos próprios, conforme se verifica pela sua "movimentação financeira auxiliar" atinente aos exercícios de 2011, 2012 e 2013, em anexo (Doc. 5), nos quais resta comprovado o suporte financeiro de: R$ 909.291,79 (em 2011); R$ 2.812.967,20 (em 2012) e R$ 2. 343.370,32 (em 2013). 3.1.8 Portanto, em face da estrutura operacional que era mantida com a LPBK ADVOGADOS e B&K ADVOGADOS, as diferenças verificadas entre o total da receita bruta auferida pela Requerente e as despesas com a remuneração da sua equipe de trabalho (declaradas em GFIP), constantes do quadro demonstrativo do item 3.1.4, eram Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 452 5 suportadas por aquelas sociedades de advocacia, para as quais a Requerente prestava serviços de cobrança administrativa de valores. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão do Simples Nacional, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. PRESSUPOSTO DE PROCEDIBILIDADE À FORMALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. SITUAÇÃO IMPEDIENTE. DESPESAS PAGAS EM MONTE SUPERIOR À 20% DO INGRESSOS DE RECURSOS. RECEITA BRUTA COMO ESPÉCIE DO GÊNERO INGRESSOS DE RECURSOS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGISTRO EM LIVRO ESPECÍFICO CONSIGNADO PELA LEGISLAÇÃO. Uma coisa é estar o ato de exclusão do Contribuinte do Simples Nacional na condição de pressuposto para o ato de exigência tributária decorrente do seu enquadramento em outro regime de apuração. Outra é condicionar a formalização do segundo (exigência tributária) ao encerramento das instâncias administrativas eventualmente inauguradas pelo Contribuinte sobre o primeiro (exclusão do Simples Nacional), como se fora uma espécie de pressuposto de procedibilidade. Não é. A matéria não se confunde com a processualística. Quando muito essa última faz suspender a atualização dos efeitos jurídicos que emanam do primeiro. É situação que inspira a exclusão do Simples Nacional a hipótese de a pessoa jurídica pagar despesas em patamar superior a 20% de seus próprios ingressos de numerário, sendo certo que nesses últimos, como exemplar a compor o seu dimensionamento, está a receita bruta. Os optantes pelo Simples Nacional estão obrigados à guarda e manutenção do LivroCaixa ou, na sua falta, dos Livros Diário e Razão, sendo certo que, num e n'outro caso, todo o tráfego financeiro deve aí estar registrado. Não é serviente a qualquer pretensão de prova registros de natureza financeira anotados em Livro de criação autônoma do Contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 414/445) em 24/11/2016 segundafeira, conforme carimbo aposto à efl. 414. No Aviso de Recebimento à efl. 412, não é possível a leitura da data, no entanto, no despacho de encaminhamento (efl. 447), consta a data de ciência de 30/10/2016. É o Relatório. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 453 6 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Trata o presente processo de exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional cujo do lançamento de crédito tributário decorrente desta exclusão foi consubstanciado mediante o processo administrativofiscal de nº 11080722.352/201588. Da preliminar de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão No recurso interposto, a recorrente requer em preliminar, assim como ocorrera na manifestação de inconformidade (item 2.8), a anulação do Ato Declaratório Executivo, pois a autoridade fiscal "não poderia ter realizado a lavratura dos autos de infração" sem a intimação prévia da sua exclusão de ofício do Simples Nacional e sem que a exclusão não fosse julgada na esfera administrativa, de modo definitivo. Não assiste razão à recorrente. A argumentação da recorrente foi muito bem combatida pela Câmara baixa, a qual não merece reparo, portanto, não procede a alegação de os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade não foram contestados pelos membros do órgão julgador fazendário. E por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF: DA ARGUIÇÃO DE NULIDADE 4. Não é o caso. 5. Uma coisa é estar o ato de exclusão do Contribuinte do Simples Nacional na condição de pressuposto para o ato de exigência tributária decorrente do seu enquadramento em outro regime de apuração. Outra é condicionar a formalização do segundo (exigência tributária) ao encerramento das instâncias administrativas eventualmente inauguradas pelo Contribuinte sobre o primeiro (exclusão do Simples Nacional), como se fora uma espécie de pressuposto de procedibilidade. Não é. A matéria não se confunde com a processualística. Quando muito essa última faz suspender a atualização dos efeitos jurídicos que emanam do primeiro. É o que acontece no caso. Compreendese que enquanto perdurarem as instâncias administrativas que tenham por objeto o ato que exclui o Contribuinte do Simples Nacional suspensos estarão os efeitos do próprio ato excludente, bem que os do ato de exigência tributária que o teve por pressuposto material. A mais dizer, está o art. 75, § 3º, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de dezembro de 2011, base, aliás, para a expedição da Solução de Consulta Interna nº 18 Cosit, de 30 de julho de 2014. Tais normativos, em essência, conduzem à conclusão, sim, da necessária assunção de Fl. 453DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 454 7 suspensão dos efeitos jurídicos inatos ao ato excludente, mas sem obstar a formalização de consequentes exigências tributárias em regime mais gravoso, as quais, igualmente e de toda forma, ficam com a exigibilidade suspensa. Não fosse assim, digase, sobre a possibilidade de formalizar o lançamento tributário, perguntase: quem cuidaria da decadência? Sim, pois, sem a formalização do crédito tributário e à espera da decisão final administrativa sobre a procedência, ou não, do ato que exclui o Contribuinte do Simples Nacional, o prazo decadencial vem de correr, no caso presente, desde 31/01/2011 (fato gerador mais antigo, por exemplo), sendo certo que já se está em fins de 2016. Eis, a propósito, a ementa da mencionada Solução de Consulta: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: Com base no art. 39 da Lei Complementar (LC) nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a manifestação de inconformidade interposta em âmbito federal contra a exclusão do Simples Nacional se enquadra no conceito de recurso administrativo admissível pelas leis reguladoras do processo tributário administrativo a que se refere o inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Nos termos do § 3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, razão pela qual o lançamento de ofício que teve tal ato de exclusão como premissa necessária terá caráter preventivo, e, portanto, estará com a exigibilidade suspensa. Dispositivos Legais: art. 151, inciso III, do CTN; art. 39 da LC nº 123, de 2006; art. 75, § 3º do da RCGSN nº 94, de 2011. (destacouse) Assim, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão. Das questões de mérito No mérito, a recorrente reitera que no procedimento fiscal não foi considerado a totalidade dos valores auferidos mas, tão somente, as receitas operacionais brutas e que isto estaria em desacordo com o disposto no art. 29, IX, da LC n. 123/2006 e no art. 5º, IX, da Resolução CGSN n° 15/2007. Alega, ainda, que o acórdão recorrido negou a negou vigência ao "princípio da verdade material" ao não analisar o documento intitulado "Movimentação Financeira Auxiliar", carreado aos autos quando da manifestação de inconformidade. Cita julgados do CARF contrários à decisão recorrida quanto ao momento da apresentação de provas/preclusão. Quanto à decisão recorrida, alega que "os membros da 1ª Turma da DRJ/SPO incorreram em inúmeros equívocos", em suma: que "os mesmos se ativeram a formatar um entendimento, por meio do qual as alegações da Recorrente tratarseiam de matéria, meramente, "processualística"; que "pelo fato de terem ratificado o procedimento adotado pelo auditor fiscal, os membros da 1a Turma da SRJ/SPO acabaram por afrontar, cabalmente, as premissas que regulamentam o processo administrativo tributário, notadamente, o do contraditório e da ampla defesa". Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 455 8 Mais uma vez, entendo que os argumentos da recorrente foram muito bem afastados pela Turma a quo, não sendo a decisão merecedora de qualquer reparo, pelo qual peço vênia, por uma questão de economia processual, para transcrever excertos do voto condutor do acórdão recorrido, aos quais adiro como razões de decidir, com base nos dispositivos legais supracitados, completando o voto ao final: DA DISPUTA ENTRE AS VARIÁVEIS RECEITA BRUTA E INGRESSOS DE RECURSOS. 6. Primeiro, não há erro de categoria legal no procedimento fiscal que toma o parâmetro receita bruta por ingressos de recursos, pois o primeiro não é um outro gênero distinto do gênero do segundo, mas senão uma sua espécie, um seu elemento compositivo. Por essa razão de pertinência temática, a variável receita bruta pode ser tomada como exemplar do termo ingressos de recursos no texto do art. 29, inciso IX, LC nº 123, de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darse á quando: [...] IX – for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; 7. Segundo, o nomeado "Livro de Movimentação Financeira ExtraCaixa" (fls. 190/400) não tem o condão, pelas anotações que ali se encontram, de fazer inflar o cômputo do teto de despesas pagas, isso à razão de alegado "suporte financeiro" experimentado pelo Contribuinte e provindo de Lessa, Pilla, Brusamolin Kavinski & Advogados Associados, inscrito no CNPJ sob o nº 04.074.640/000105, e Brusamolin & Kavinski Advogados Associados, inscrito no CNPJ sob o nº 05.006.786/000178. 8. Os Contribuintes optantes pelo Simples Nacional estão obrigados à guarda e manutenção de específicos Livros contábilfiscais e respectiva documentação de suporte. E é a partir desses precisos Livros e não de qualquer outra criação que se abre o campo de possível contraditório. 9. Para os optantes pelo Simples Nacional, não há dúvida sobre a obrigatoriedade de guarda e manutenção do Livro Caixa (arts. 26, §2º, 29, inciso VIII, da LC nº 123, de 2006, c/c art. 3º, inciso I, da Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, assimilada pela Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011), ou, à sua falta, de guarda e manutenção dos livros Diário e Razão (art. 3º, §3º, da Resolução CGSN nº 10, de 28 de, assimilada pela Resolução CGSN nº 94, de 2011, em seu art. 61, §3º), sendo certo que, num ou n'outro caso, impende que neles se anote a respectiva movimentação financeira, a tanto que falha nesse específico pormenor é causa de exclusão do regime em causa (art. 29, inciso II, termo médio, da LC nº 123, de 2006, c/c art. 76, inciso IV, alínea "a", da Resolução CGSN nº 94, de 2011, ou mesmo os próprios e antes referidos arts. 26, §2º, 29, inciso VIII, da LC nº 123, de 2006, c/c art. 3º, inciso I, da Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, assimilada pela Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011). 10. O nomeado "Livro de Movimentação Financeira ExtraCaixa" (fls. 190/400) evidencia tráfego financeiro que, acaso dele se pretenda extrair algum valor probatório, haveria de estar integrado ao LivroCaixa ou, na falta deste, aos Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 456 9 Livros Diário e Razão (por óbvio, suportados pela respectiva documentação de suporte). Os Livros de rigor Caixa ou Diário e Razão não constam dos autos. 11. Posto isso e tudo o mais que dos autos consta, este voto dá por IMPROCEDENTE O PEDIDO VEICULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, de ordem a REAFIRMAR A HIGIDEZ do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 03, de 19 de março de 2015 (fl. 73), versado nos correntes autos. Assim, não procede a afirmação da recorrente de que a DRJ "negou vigência ao "princípio da verdade material" ao não analisar o documento intitulado "Movimentação Financeira Auxiliar". Quanto às jurisprudências citadas, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Já em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 e o mesmo se verifica quanto às doutrinas citadas. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto ao ponto alegado pela recorrente. Por último, cabe ressaltar que a recorrente repete no recurso voluntário os mesmos argumentos contra o ADE, e contra a decisão de primeira instância, mais de uma vez, o que contradiz com a afirmação de que a decisão de primeira instância afrontou premissas como o do contraditório e da ampla defesa. Observase, ainda, outros argumentos apresentados apenas em sede de recurso voluntário, assim, a recorrente inova na argumentação de defesa, em relação à manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 457 10 defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Em relação à suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º do art. 489 do CPC/2015 agasalha tal entendimento. Tal exegese foi confirmada por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...]4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. No presente caso, as razões esposadas pela recorrente, em nada acrescentam à lide no sentido de comprovar que assiste razão à demandante, na verdade tratase, também, de mero inconformismo com o indeferimento da opção ao Simples Nacional, não havendo qualquer outra omissão a ser sanada em relação aos fundamentos da decisão a quo, além das questões enfrentadas no presente. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11080.722304/201590 Acórdão n.º 1001000.706 S1C0T1 Fl. 458 11 Por todo o exposto, voto por REJEITAR a PRELIMINAR de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.948190/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos o relator (Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares) e os Cons. Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antonio de Souza Soares - Relator
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos o relator (Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares) e os Cons. Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio de Souza Soares - Relator (assinado digitalmente) Cássio Schappo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos o relator (Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares) e os Cons. Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio de Souza Soares Relator (assinado digitalmente) Cássio Schappo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP nº 28678.76527.100806.1.3.046718, no valor de R$ 138.121,78. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 48 19 0/ 20 09 -1 3 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 441 2 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório emitido em 11/08/2009, de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que em 13/01/2006 efetuou pagamento a maior, código 5856, competência 12/2005, no valor de R$217.655,26, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido para COFINS, apurado para a competência 12/2005, para R$79.533,48. Esse procedimento originou um crédito de R$138.121,78 (R$217.655,26 R$79.533,48), que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas pela COFINS no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 442 3 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, no caso específico a do mês de dezembro de 2005,calculada com base no regime cumulativo, constatando ser devido para este mês somente o valor de R$ 79.533,48. 14. Apresentou, em anexo, DACON retificador (doc. 7), relativo ao período em questão, no qual consta a base de cálculo da COFINS do período de dezembro de 2005 e o valor a pagar com incidência cumulativa (R$ 79.533,48), bem como o valor a pagar com incidência nãocumulativa (R$ 0,00). 15. Anexou também memória de cálculo elaborada para a apuração da diferença relativa aos valores pagos a título de PIS e COFINS não cumulativo e de PIS e COFINS cumulativo (doc. 9), indicando que o impacto apurado no mês de dezembro de 2005 com relação ao montante devido de COFINS é de R$ 138.121,78, enquanto que o somatório das diferenças apuradas nos meses de julho de 2004 a dezembro de 2005 corresponde ao total de R$ 2.266.100,17. 16. Em julho de 2006, a diferença acima apontada foi contabilizada no Livro Razão Contábil da empresa (doc. 10) como direito a recuperar (conta contábil n° 112.41.2.0.00.00.001 Impostos Federais a Compensar) no valor total de R$ 2.974.644,71 em contrapartida à conta de resultado de despesa (conta contábil n° 611.02.1.9.19.11.099 Outras). 17. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 443 4 Voto Vencido Conselheiro Relator Lázaro Antônio Souza Soares 18. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 19. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. 20. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 138.121,78, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, em decorrência de ter apurado esta contribuição pelo regime nãocumulativo, quando o correto seria utilizar o regime cumulativo. Este pedido foi negado através de Despacho Decisório. 21. O contribuinte então apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada pela DRJ/BHE, por unanimidade de votos, improcedente , entendendo o órgão julgador que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova de crédito. Além disso, consta da decisão que o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue, não tendo apresentado nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 22. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte apresenta o histórico legislativo que gerou, em seu entendimento, insegurança jurídica, com a consequente opção por realizar, inicialmente, a apuração das contribuições pelo regime nãocumulativo, alterando para o cumulativo somente após superada as alegadas "contradições legislativas". 23. Realmente, o art. 10 da Lei n° 10.833/2003 garante que o regime de apuração da COFINS deve ser o cumulativo, para os contratos que atendem a todas as condições inseridas nas alineas "b" e "c", do inciso XI: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados Fl. 443DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 444 5 decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; 24. Posteriormente, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 21/11//2005, trata especificamente do "preço predeterminado", com vigência retroagindo a 01/11/2003: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 25. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF n° 658, de 06/07/2006: Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e (...) Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos Fl. 444DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 445 6 custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. 26. Logo, correta a alteração da apuração do PIS/Pasep e da Cofins do regime nãocumulativo para o regime cumulativo, mas apenas em relação à sua incidência sobre as receitas oriundas dos contratos que satisfaçam a todas as condições inseridas nas alineas "b" e "c", do inciso XI do art. 10 da Lei n° 10.833/2003. 27. Para todas as demais receitas, permanece a apuração segundo o regime nãocumulativo, tendo em vista tratarse de contribuinte que apura o IRPJ pela sistemática do lucro real. 28. Superada a dúvida sobre o regime de apuração aplicável às receitas, resta verificar o alegado pagamento indevido ou a maior, pois a simples alteração de regime de apuração das contribuições não implica na existência de uma diferença a maior ou a menor. A depender do produto ou serviço em questão, a apuração das contribuições pode ser maior pelo regime cumulativo ou pelo nãocumulativo; não há uma regra de que a apuração sempre será menor por um por outro regime. Nesse contexto, também se faz necessário definir quais receitas se sujeitam ao regime cumulativo e quais estão vinculadas ao nãocumulativo. 298. No presente processo, o Recorrente anexa ao Recurso Voluntário as fichas 08A e 11A (PIS Regime Cumulativo), bem como as fichas 14A e 17A (Cofins Regime Cumulativo), todas do DACON retificador, demonstrando como realizou a apuração das contribuições. 30. Verificase neste documento que o Recorrente informa todas as suas receitas como sujeitas à apuração pelo regime cumulativo. E no Recurso Voluntário também faz essa afirmação, textualmente: De esclarecer, ainda, que muito embora a Recorrente seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa (Lei n° 10.833/2003), já que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas pela COFINS no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003: 31. Verificase, portanto, que para a correta apuração do valor devido das contribuições no período em questão fazse necessário não apenas quantificar o valor das receitas, mas neste caso, em especial, a sua natureza. 32. Porém não se vislumbra, nos autos, qualquer elemento que possa fazer prova de que todas as receitas do Recorrente realmente se originaram do contrato anexado ao Recurso Voluntário (doc. 07). Tal prova deveria se dar com as correspondentes notas fiscais ou documentos equivalentes comprovando pagamentos à Recorrente oriundos do contrato em questão. 33. Da análise do contrato anexado constatase que a sua assinatura se deu na data de 19/12/2002. E na Cláusula Sexta, consta como se dará o pagamento da Recorrente: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 446 7 34. A primeira subcláusula da Cláusula Segunda (Objeto) determina que as instalações de transmissão deverão entrar em operação comercial 20 meses após a data de assinatura do contrato, ou seja, até Agosto de 2004: 35. No entanto, não há como afirmar como se deu o recebimento pela Recorrente desta "Receita Anual Permitida", muito menos se esta foi, realmente, sua única fonte de receita. Deveria o Recorrente ter anexado comprovações de recebimento de valores que totalizassem o quanto indicado no DACON e que pudessem indicar a origem destes recursos. 36. No caso que se apresenta, nem mesmo a apresentação de registros contábeis/fiscais seria suficiente, pois estes poderiam até fazer prova relativa das quantias recebidas, mas jamais da natureza dos recebimentos, questão essencial para saber qual regime de apuração das contribuições deve ser aplicado, lembrando que os contribuintes podem, ao mesmo tempo, possuir parte de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo, e parte ao regime nãocumulativo. 37. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. 38. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 39. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 447 8 40. Por tudo quanto exposto, verifico que, no presente processo tal comprovação não foi realizada. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Voto Vencedor Conselheiro Redator Designado Cássio Schappo A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 448 9 poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 15374.948190/200913 Resolução nº 3401001.440 S3C4T1 Fl. 449 10 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720178/2008-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-007.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMINIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 78 /2 00 8- 58 Fl. 568DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2005. Conforme descrição dos fatos a autuação fiscal pode assim ser resumida: 1 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NÃO COMPROVADA: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Infração capitulada no artigo 10, § 1º, inciso II, alínea “a” e 14, da Lei nº 9.393, de 1996. 2 VALOR DA TERRA NUA DECLARADO NÃO COMPROVADO: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo por base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da Receita Federal. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente conforme declarada; reduzir o Valor da Terra Nua – VTN conforme apurado no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e determinar a exclusão da incidência dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício. O acórdão 220201.757 nos termos do voto do Redator, na parte que nos interessa, assim se manifestou: No que diz respeito a incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício, também tenho entendimento diverso ao do relator, uma vez que na minha opinião o parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não permite a incidência dos juros sobre a multa de ofício, que é o caso em questão. Aliás a referida norma legal se permite a aplicação de juros, sobre a multa só se refere a multa de mora. Que aliás também entendo que não é passível de incidência de juros também, tendo em vista de se tratar de obrigação acessória, por atraso no recolhimento do tributo, pela mora. De qualquer forma, entendo que não o parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não permite a incidência dos juros sobre as multas tanto a de ofício, quanto a moratória, pois tais valores só devem incidir sobre a obrigação principal, e não sobre a obrigação acessória. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 9202007.189 CSRFT2 Fl. 569 3 Intimada a União apresenta recurso especial de divergência ao qual foi dado seguimento parcial devolvendo a este Colegiado apenas a discussão acerca da incidência de "juros sobre multa de ofício", acórdão paradigma CSRF/0400.651. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Preenchidos os requisitos legais, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, lembrando que o mesmo foi admitido apenas no que tange a discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. E aqui, entendo que razão assiste à Fazenda Nacional. Isso porque o art. 113 do CTN nos traz a descrição de quais parcelas compõem o crédito relacionado à obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Percebese que para o legislador o crédito tributário pode ser composto por três parcelas: I) o crédito decorrente da obrigação principal, II) o crédito gerado em razão de penalidade pecuniária decorrentes dessa obrigação principal e III) o crédito eventualmente decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Citado por Leandro Paulsen, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, assim esclarece: A obrigação principal, criação de expediente técnicojurídico, congrega em um só objeto, em uma só relação jurídica, mediante a operação de soma ou união de relações, os objetos das relações patrimoniais: relação jurídica tributária, relação jurídica da multa pelo nãopagamento, relação jurídica de mora e relação jurídica sancionadora instrumental, prática esta que, se, de um lado, facilita a integração e cobrança do débito fiscal, de outro, dificulta o discernimento das várias categorias e Fl. 570DF CARF MF 4 regimes jurídicos díspares que compõem a denominada obrigação tributária principal. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. No âmbito da regulamentação dada à matéria pelas legislação ordinária, devemos citar os dispositivos das leis nº 9.430/1996 e 10.522/2002, que disciplinaram o assunto: Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Lei nº 10.522/2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...). Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Considerando a abrangência do conceito de crédito tributário, forçoso concluir que há previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada em razão do não pagamento do tributo devido. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 9202007.189 CSRFT2 Fl. 570 5 Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720436/2015-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2013 FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 36 /2 01 5- 09 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10120.720436/201509 Acórdão n.º 1401002.694 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 3º trimestre de 2012, nos valores de R$ 16.256,32, R$ 7.265,66 e R$ 26.176,46, transmitida através do PER/Dcomp nº 07845.13376.190812.1.3.029034, 05109.06835.280912.1.3.02 0382 e 30668.03540.180613.1.3.023011. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10120.720436/201509 Acórdão n.º 1401002.694 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10120.720436/201509 Acórdão n.º 1401002.694 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10120.720436/201509 Acórdão n.º 1401002.694 S1C4T1 Fl. 6 5 de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919993/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/04/2011
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA.
Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, o recurso não merece prosperar.
Numero da decisão: 3201-004.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/04/2011 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, o recurso não merece prosperar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/04/2011 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, o recurso não merece prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 99 93 /2 01 2- 89 Fl. 75DF CARF MF 2 Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 65 interposto em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 56, que manteve o não reconhecimento do crédito de IPI pleitado, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 44, por ausência de provas e em razão dos pagamentos terem sido utilizados para quitação de débitos, integralmente. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade, basicamente, alegando que efetuou um pagamento indevido e que, de acordo com a legislação, tem direito à restituição devidamente corrigida pela SELIC, conforme seu demonstrativo de cálculo." A decisão de primeira instância da DRJ/SP foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2011 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária." O processo digital foi distribuído e pautado nos moldes do regimento interno vigente. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.919993/201289 Acórdão n.º 3201004.050 S3C2T1 Fl. 76 3 Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O Despacho Decisório de fls. 44 foi devidamente motivado, fundamentado e emitido por autoridade competente. A conclusão apresentada é clara: o crédito não foi reconhecido porque os pagamentos já haviam sido utilizados para quitar outros débitos. Verificase que o contribuinte não apresentou documentação satisfatória para a reversão do julgado em primeira instância, como os registros contábeis oficiais, os DARFs, e a origem dos créditos. Ou seja, não foi apontado e demonstrado nos autos, sequer, qual seria o pagamento indevido. Em Recurso Voluntário o contribuinte se limitou em solicitar a aplicação do Direito ao crédito, como o previsto no Art. 170 do CTN e outros dispositivos, sem comprovar sua origem, certeza e liquidez. Logo, em que pese a argumentação do contribuinte fazer sentido, não é possível concluir que houve o pagamento indevido. Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF: "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 77DF CARF MF 4 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." O contribuinte apresentou os motivos de direito, mas não os motivos de fato, as provas da origem e liquidez do crédito de IPI pleiteado. Por fim, não comprovado o crédito, resta prejudicada a lide no que diz respeito à aplicação da taxa selic na correção dos supostos créditos, porque não podem ser aplicadas em créditos não reconhecidos, situação fática insuperável. Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.919993/201289 Acórdão n.º 3201004.050 S3C2T1 Fl. 77 5 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904598/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
Numero da decisão: 3302-005.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 45 98 /2 00 8- 01 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 318 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra o v. acórdão nº 3302 001.331 (fls. 150153) que negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.04.2003 a 30.04.2003 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Segundo a Embargante, o acórdão embargado é obscuro e contraditório, posto que o acórdão embargado julgou caso diverso daquele tratada nos autos, a saber: "Como se vê, o v. acórdão embargado não analisou nenhum dos argumentos apresentados no recurso voluntário, e, além disso, tratou de questão absolutamente estranha ao caso dos autos. Buscando os julgamentos ocorridos no mesmo dia nesta mesma Turma do CARF, a Embargante verificou a existência e outro acórdão aboslutamente idêntico ao acórdão embargado. Tratase do PTA nº 15374.904571/200818 (doc nº 04), que tem as mesmas partes. Analisando o acórdão embargado e aquele proferido no PTA nº 15374.904571/200818, concluise que a decisão e as razões de decidir despendidas neste julgamento foram integralmente copiadas para o caso dos autos, que, não obstante, trata de situação absolutamente diversa. Dessa forma, o acórdão embargado viola o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972 uma vez que analisou situação totalmente estranha àquela retratada no caso vertente. "Art.59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 319 3 Em outras palavras, o contribuinte não teve seu recurso julgado o que acarreta preterição do direito de defesa. Com efeito, enquanto no PTA nº 15374.904571/200818 (doc nº 04) o contribuinte afirma que o crédito não está refletido na declaração fiscal (e portanto pede prova pericial) no caso em análise a defesa é centrada justamente no fato de que a DCTF retificada em 2006 reflete o crédito compensado, ao contrário do que sustentou o despacho decisório. Em síntese, há claramente erro in judicando, na medida em que se aplicou ao caso decisão proferida em processo diverso, cuja matéria de fundo era também diversa. Em razão disto, caracterizados estão os vícios de obscuridade e contradição, a ensejarem à oposição destes embargos de declaração. 3. DO PEDIDO Por todo exposto, pede a Embargante a procedência dos presentes embargos, para seja sanada a obscuridade e contradição apontadas no acórdão, anulandose o julgamento realizado para que o recurso voluntário do contribuinte seja corretamente analisado pelo CARF. Não há despacho de admissibilidade dos Embargos de Declaração, sendo apenas proferida a Resolução nº 3403000416 ( fls. 217218) que converteu o julgamento em diligência para a fiscalização tomar as seguintes medidas: a) verificar e informar teria sido a DCTF que serviu de base para o Despacho decisório; b) verifique e informe se a DCTF de fls. 51/55 foi posteriormente retificada e, se foi, demonstrando o histórico das retificações, juntando aos autos cópia dos dados pertinentes à COFINS do período de apuração abril/2003 em cada declaração; Às fls. 235237 foi apresentado o relatório de diligencia fiscal sugerindo a manutenção do despacho decisório q ue não homologou o pedido de compensação sob análise, seguido da Manifestação sobre a Diligência da Embargante carreadas às fls.301311, pleiteando o reconhecimento do crédito, com a homologação integral das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Contribuinte são tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio da Resolução nº 3403000.416, fls. 217218, decidiu implicitamente pelo acolhimento dos Embargos de Declaração. Em novo exame da matéria em litígio, baixou o processo em diligência para que a unidade de origem se pronunciasse sobre a existência do crédito reclamado pelo contribuinte e prestasse outras informações pertinentes ao caso. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 320 4 Dado isso, a fiscalização por meio do Relatório de Diligência carreado às fls. 235237 apresentou as seguintes informações: Serve o presente relatório para comunicar o resultado da diligência, solicitada pela Terceira Seção de Julgamento do CARF, na análise do embargo contra o acórdão nº 3403.01.331, referente ao PERDCOMP nº. 31961.99649.180304.1.7.04 5528. Preliminarmente cabe informar que o contribuinte apresentou sete DCTF, sendo uma original e seis retificadoras, conforme quadro abaixo. NÚMERO DCTF TIPO DATA de RECEPÇÃO 0718.000.2003.0300172574 ORIGINAL 15/08/2003 0718.000.2004.0300066542 RETIFICADORA 18/03/2004 0718.000.2004.0300069096 RETIFICADORA 31/03/2004 0718.000.2004.0300094741 RETIFICADORA 14/07/2004 0718.000.2005.0300015326 RETIFICADORA 08/04/2005 1000.000.2006.0312315674 RETIFICADORA 20/10/2006 1000.000.2008.0391852991 RETIFICADORA 28/02/2008 Informo também que do débito declarado de Cofins em abril de 2003, R$ 16.257.840,26 foram extintos por pagamento, com a utilização de cinco DARF abaixo relacionados (fl.228) PAGAMENTOS DE CONFIS PERIODO DE APURAÇÃO ABRIL/2003 VENCIMENTO PAGAMENTO VALOR 15/05/2003 15/05/2003 719.657,71 15/05/2003 15/05/2003 741.308,75 15/05/2003 15/05/2003 530.044,07 15/05/2003 31/10/2003 224.740,83 15/05/2003 31/10/2003 14.042.088,90 Dois destes pagamentos ocorreram fora do prazo (em 31/10/2003) e foram acompanhados apenas de juros de mora, sem as multas de 20% que eram devidas: Principal R$ 224.740,83 R$ 14.042.088,90 juros de mora R$ 18.855,76 R$ 1.178.131,26 (Fl.230) (fl.231) Por último esclareço que o sistema reconhece como débito a ser liquidado, aquele apontado na DCTF ativa no dia de encerramento da análise do direito creditório. Solicita a Terceira Seção de Julgamento do CARF: a) informar qual foi a DCTF que serviu de base para o Despacho decisório; b) informar se a DCTF de fls. 51/55 foi posteriormente retificada; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 321 5 c) se foi alterada, demonstrar o histórico das retificações, juntando aos autos cópia dos dados. Conforme definição do sistema, a DCTF que serviu de base para o despacho decisório emitido em 12/05/2008 (fl.223) foi a de número 1000.000.2006.0312315674, entregue em 20/10/2006 (fl.224), ativa no dia, 25/10/2007, na conclusão da análise do direito creditório (fl.223). Esta DCTF foi retificada pela de número 1000.000.2008.0391852991, entregue em 28/02/2008 (fl.224). Nestas duas declarações o valor de Cofins declarado, para abril/2003, foi o de R$ 41.572.056,95 (fls.225/226), ou seja, não há registros de mudanças a serem juntados aos autos, pois não houve nenhuma alteração de valores ou alocações. Assim, se a conclusão da análise do direito creditório ocorresse no dia seguinte a entrega da última retificadora, no caso 29/02/2008, o sistema também apontaria a inexistência de crédito. Conforme observado no voto do relator, “o único motivo para não homologação da compensação foi à suposta inexistência de crédito disponível, em análise parametrizada da DCTF transmitida. Tratase crédito de COFINS, decorrente de valor pago a maior contido em um DARF de R$ 719.657,71”. A alocação dos R$ 719.657,71 foi influenciada pelas datas de entrega das DCTF e dos pagamentos realizados para aquele fato gerador. A entrega da DCTF original (0718.000.2003.0300172574) ocorreu no dia 15/08/2003, conforme demonstrado na folha nº 224. O vencimento da contribuição de abril de 2003 foi no dia 15/05/2003 (Fl.228), ou seja, três meses antes da entrega da DCTF. Nem todos valores foram pagos no vencimento. Dois deles ocorreram no dia 31/10/2003 (fls.230/231), cinco meses depois do vencimento e dois meses e meio após a entrega da DCTF. Os pagamentos, como visto acima, foram acompanhados apenas de juros de mora (fls.230/231). No encerramento da análise do direito creditório, o sistema alocou do DARF em discussão R$ 392.909.64 (fl.228) para quitar parte do débito ativo de Cofins em abril de 2003 (R$ 41.572.056,95). Houve uma sobra de R$ 326.748,07. A sobra (R$ 326.748,07) foi usada para liquidar as multas ocasionadas pelos dois pagamento fora de prazo. Quitou totalmente a multa de R$ 44.948,17 do primeiro débito (20% de R$ 224.740,83), conforme folha nº 233 e o restante ( R$ 281.799,91) abatendo parte da multa de 2.808.417,78 devida pelo outro valor pago fora do vencimento (20% de R$ 14.042.088,90), conforme folha nº 234. Deste modo, não houve excesso para sustentar a compensação pleiteada no PERDCOMP 31961.99649.180304.1.7.045528, pois do DARF de R$ 719.657,71, foi todo usado na liquidação de parte do débito de abril de 2003 ( R$ 392.909.64) e o restante em acréscimos legais não pagos nos pagamentos fora do prazo, realizados pelo contribuinte. Em sua manifestação, a Embargante pede que a compensação seja prontamente homologada com base nos seguintes fundamentos: 1) O próprio termo de diligência reconheceu que o DARF objeto do PER/DCOMP (719.657,71 não foi pago em atraso, logo, a incidência da multa de mora sobre os outras DARFs é irrelvante; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 322 6 2) Tratase de clara alteração no fundamento do despacho decisório eletrônico que em nenhum momento falou na intempestividade dos DARFs; se este foi o motivo do indeferimento do direito creditório, então o despacho decisório é nulo por cerceamento do direito de defesa; 3) a multa de mora tem que ser constituída via lançamento, e não exigida por via oblíqua em processo de compensação. Pois bem. Inicialmente, discordo do entendimento explicitado pela Embargante sobre a inovação nos fundamentos jurídicos do despacho decisório. Isto porque, a fiscalização diligente nada mais fez do que demonstrar como o DARF no valor de R$ 719.651,71 foi utilizado para quitação do débitos apurados pela contribuinte. Ou seja, a diligência apenas confirmou o que o despacho decisório já havia dito, a saber: Despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Relatório de Diligência ...não houve excesso para sustentar a compensação pleiteada no PERDCOMP 31961.99649.180304.1.7.045528, pois do DARF de R$ 719.657,71, foi todo usado na liquidação de parte do débito de abril de 2003 ( R$ 392.909.64) e o restante em acréscimos legais não pagos nos pagamentos fora do prazo, realizados pelo contribuinte. É de se ver, que em ambas situações o motivo/fundamento para não homologar o pedido de compensação foi que o crédito apurada já tinha sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A única diferença, é que o despacho decisório, por ser eletrônico, não traz o detalhamento que foi realizado pela fiscalização diligência, contudo, entendo que não é caso de inovação de fundamento como pretende a Embargante. Outro ponto suscitado pela Embargante em sua manifestação, diz respeito a necessidade de lançamento de ofício para a exigência das multas moratórias. Segundo ela, o relatório de diligência fiscal está a exigir a multa moratória (travestida de principal) incidente sobre o suposto pagamento em atraso de COFINS de abril/2013. Em que pese os argumentos explicitados pela Embargante, entendo que o relatório fiscal não esta exigindo multa de mora, a uma porque referido documento não tem o condão de constituir crédito tributário, sendo que sua emissão foi realizada para prestar esclarecimentos suscitados pelo antigo relator, e a duas porque a matéria em litígio diz respeito ao crédito pleiteado pela contribuinte, inexistindo, ao meu ver, discussão sobre a incidência ou não da multa de mora. Já em relação ao crédito propriamente dito, entendo que o despacho decisório deve ser mantido, posto que a Recorrente não demonstrou, seja em sede de manifestação de Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 323 7 inconformidade, recurso voluntário e manifestação diligência, a origem do crédito pleiteado e os motivos que a levaram (se de fato houve) retificar a DTCF para reduzir o débito apurado. Somase à isso, que a fiscalização demonstrou inexistir alteração de valores ou alocações nas DCTFs entregues pela Embargante e do contrário nada se provou. Com efeito e, conforme devidamente explicitado na decisão de piso, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC1). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)2 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 2 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Acórdão n.º 3302005.917 S3C3T2 Fl. 324 8 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20113. Diante do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para sanar os vícios suscitados, sem, contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo 3 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 324DF CARF MF
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