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Numero do processo: 12466.004582/2002-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 14/01/1998, 17/12/1999
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRÓPRIA FISCALIZAÇÃO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. PROIBIÇÃO DO VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM.
Não procede a autuação, com base em errônea classificação fiscal de produto importado pelo contribuinte, quando esta classificação se baseia em entendimento fixado pela própria fiscalização em outra autuação, relativa ao mesmo produto. Incidência do principio da proibição do "venire contra factum proprium", que veda que as partes, numa da relação jurídica, adote comportamentos contraditórios.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/01/1998, 17/12/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRÓPRIA FISCALIZAÇÃO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. PROIBIÇÃO DO VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM. Não procede a autuação, com base em errônea classificação fiscal de produto importado pelo contribuinte, quando esta classificação se baseia em entendimento fixado pela própria fiscalização em outra autuação, relativa ao mesmo produto. Incidência do principio da proibição do "venire contra factum proprium", que veda que as partes, numa da relação jurídica, adote comportamentos contraditórios. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Gilson Macedo Rosenburg Filho. ,-- r- -,, Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo t Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama, Maria Teresa Martinez L6pez e Caio Marcos Cândido. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em contrariedade à evidência das provas dos autos. Lavrou-se auto de infração contra o contribuinte, promovendo-se revisão aduaneira de diversas declarações de importação. Concluiu-se que, no lugar da classificação fiscal perpetrada pelo contribuinte, em que se apontou o código NCM n° 9008.30.00, o código correto era o de n° 8528.30.00 da TEC (projetores de video). Considerou-se que "com base nas características, retiradas dos ditos manuais, sob a denominação de 'input', 'input signals', 'source' ou 'input sources' notamos que as mercadorias importadas apresentam entradas para sinais de video. Assim, as mesmas não seriam simplesmente "Projetores de imagens fixas como foram descritas inicialmente das DI's, divergindo do procedimento para classificação explicado abaixo". Exigiu-se, destarte, o valor de R$ 150.626,44, a titulo de II, de R$ 112.249,44, relativos a 1PI, ambos acrescido de multa de oficio e juros de mora, além do valor de R$ 441.835,06, a titulo de multa de controle administrativo de informações, nos termos do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. 0 contribuinte apresentou impugnação As fls. 553/589 dos autos. Argumentou, em síntese, que procedeu à classificação no código NCM n° 9008.30.00, tendo em vista autuação sofrida anteriormente, em outras importações, em que se entendeu como correta referida classificação. Alegou que, a partir de 1997, efetuou diversas importações do equipamento em questão, adotando tal classificação. Ressaltou que passou a adotá-la a partir de uma autuação fiscal sofrida. Antes, relatou, adotava o código 9013.80.10. Desta forma, o contribuinte aduziu a ilegalidade de alteração dos critérios jurídicos de classificação pelo Fisco. A Delegacia da Receita federal de Julgamento, As fls. 619/629, julgou procedente o lançamento. As fls. 637/659, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Reiterou, em linhas gerais, os seus argumentos já expendidos na impugnação. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligencia (fls. 701/710). Diante da controvérsia entre o contribuinte e a fiscalização no que se refere A correta classificação da mercadoria importada, determinou-se a realização de perícia técnica pelo Instituto Nacional de Tecnologia. As fls. 735, o contribuinte informou não mais possuir, para a realização da diligência, exemplares do produto para a sua verificação fisica. Ressaltou, porém, que há farta documentação, suficiente para a resposta aos quesitos. Conforme Relatório de Diligência Fiscal, não foi possível proceder-se A realização da diligência, em face da dificuldade que se teve em intimar o contribuinte, tendo 2 Processo n° 12466.004582/2002-85 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.355 Fl. em vista mudança de endereço da empresa. Depois da realização do contato com o contribuinte, este demorou a comparecer ao órgão fiscal para tomar ciência do Termo de Intimação e do Termo de Constatação. Quando finalmente o fez, relatou não dispor de amostras fisicas do produto para a realização da perícia. Diante disso, concluiu-se que: "Em consonância com a informação prestada pelo contribuinte, notamos que, até a presente data deste relatório, não houve interesse por parte daquela em adotar quaisquer ações ou procedimentos para cumprimento das intimações, efetuadas nos termos da referida Diligencia, embora tenha tomado ciência pessoal de todos os termos lavrados pelas autoridades Alfândega no curso do procedimento fiscal". A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, desta forma, As fls. 740/745, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir a imputação das penalidades e dos juros moratórios, entendendo-se que não houve por parte da fiscalização, alteração do critério jurídico, com base nos termos do artigo 146 do Código Tributário Nacional, mas apenas correção de erro anterior. Tendo vista, no entanto, que o contribuinte seguiu, na sua classificação fiscal, entendimento anteriormente externado pelo próprio Fisco, aplicou-se o artigo 100 do CTN. O órgão julgador, nos termos do voto do relator, reputou como correta a classificação fiscal determinada pelo Fisco no presente processo. Aduziu-se que: "Pelo que depreendi dos autos, inclusive culminando nas razões de decidir expostas acima, fica evidente que a fiscalização federal, ao lavrar o auto de infra cão em 23/10/97, incorreu em erro na interpretação da correta classificação fiscal das mercadorias objeto daquela e desta autuação. Entretanto, corrigir o equivoco anterior, não me parece ser caracterizado como alteração do critério jurídico. Este se dá quando a aplicador da lei, podendo escolher uma ou outra interpretação possível, hora escolhe uma, hora alberga outra ". Ressalvou-se, no entanto, que, ainda que não se tenha caracterizada a alteração do critério jurídico, o contribuinte agiu em conformidade com anterior decisão do próprio fisco, de modo que se entendeu aplicável o artigo 100, parágrafo único, do CTN, excluindo-se as penalidades, juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Entendeu-se que a decisão anterior da fiscalização, no outro auto de infração, que ensejou a classificação adotada pelo contribuinte, constituiu-se em verdadeiro ato normativo entre o Fisco e o contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 751/764), com base em contrariedade da decisão recorrida A, evidência das provas dos autos. Discorreu, primeiramente, sobre a inocorrência de alteração de critério jurídico por parte da autoridade fiscal. Sustentou que a classificação fiscal 6, de fato, a correta, e que: "(..) resta claro que os projetores de mesa de cristal liquido importados pela interessada, que funcionam acoplados a computadores e a equipamentos de video, projetam imagens animadas, atributo amplamente utilizado nas apresentações 3 profissionais, conectados diretamente a aparelhos como videocassetes ou por meio da movimentação de textos e imagens na tela do computador, que visam a tornar a exposição dos temas mais dinâmica. Considerando que a classificação fiscal de um produto é determinada pelos textos das posições (RGI I), conclui-se que a posição 9008 é inadequada para o produto em questão, pois engloba unicamente os projetores de imagem fixa, sem recursos de animação". Destacou que tal entendimento fora corroborado pela IN SRF no 60/2000. Assim, sustentou, como tese recursal, que "a descrição das mercadorias constantes das DIs foi inexata, haja vista ter o importador consignado os produtos importados como sendo "Projetores de Imagem Fixa", impedindo a sua correta identificação". Suscitou o ADN COSIT n° 12/97, aduzindo que, para o afastamento da "infração administrativa ao controle das importações (importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente), seria imprescindível que os produtos em questão houvessem sido corretamente descritos, com todos os elementos necessários á. sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado". Diante disso, defendeu a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações, nos termos do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/85). Repeliu a incidência do artigo 100 do CTN, para a exclusão das multas e juros. 0 contribuinte apresentou suas contrarrazões ás fis. 777/788 dos autos. Ressaltou que a classificação afastada pela fiscalização no presente processo é a mesma por ela determinada em outro auto de infração, e que o produto importado é o mesmo. Alegou que restou caracterizada a mudança do critério jurídico. o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora 0 presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a decisão recorrida fora tomada por maioria de votos, e a recorrente baseou-se na violação à evidencia das provas dos autos. 0 objeto recursal refere-se à impossibilidade de aplicação do artigo 100 do CTN, para a exclusão dos juros de mora e das multas, diante do conjunto probatório constante dos autos. de se ter, antes que se passe A. análise do mérito recursal, que, malgrado o contribuinte tenha tecido considerações a respeito, a questão referente à inocorrência de alteração do critério jurídico já fora definitivamente resolvida no acórdão a quo. Não será enfrentada aqui, até porque não houve interposição de recurso especial pelo contribuinte. • 4 Processo n° 12466.004582/2002-85 CSRF-T3 AcórcIdo n.° 9303-01.355 Fl93 0 que se deve analisar é se, nos termos do defendido pela recorrente, houve de fato descrição inexata da mercadoria por parte do contribuinte, o que ensejaria a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações. Realmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional insurgiu-se contra o afastamento das multas e dos juros, defendendo que teria havido descrição inexata do produto importado pelo contribuinte. Neste sentido, sustentou inafastável a multa por infração administrativa ao controle das infrações, com base no Ato Declaratório COSIT n° 12/1997. Não houve, contudo, tal descrição inexata. Não há embasamento para a manutenção das multas e dos juros de mora. Com efeito, conforme se depreende dos autos, fato que não se pode afastar é o de que a descrição feita do produto importado pelo contribuinte, no sentido de se tratar de "Projetores de Imagem Fixa", decorreu do entendimento externado pelo próprio fisco em outro auto de infração, que determinou a classificação fiscal no código em que se expressa em tais termos. Antes, o contribuinte, os classificava no código n° 9013.8010, quando, então, sofreu a primeira autuação. Quanto ao produto classificado, é incontroverso nos autos de que se trata do mesmo importado e objeto do outro auto de infração, que levou o contribuinte a classificá-lo da maneira que se fez aqui, no código 9008.30.00. A descrição do produto, desta forma, deu-se de acordo com os termos do referido código, consoante enquadramento da própria Fiscalização em autuação anterior. Conforme se vê na decisão recorrida, ao se considerar como correta a classificação fiscal adotada pelo fisco no presente auto de infração, ressalvou-se que a classificação defendida pelo contribuinte fundamentou-se em decisão da própria autoridade fiscal em auto de infração anterior, nos termos de tal decisão. Não seria razoável, nem legitima a aplicação de qualquer multa ou juros ao contribuinte, pois tal fato contraria o artigo 100 do CTN. Ora, se o contribuinte, importando determinada mercadoria, é autuado com base em errônea classificação fiscal, e desde então passa a observar o entendimento da própria autoridade fiscal nas importações subseqüentes, não há como se pretender legitima a imposição de multas e juros de mora, quando o Fisco muda de posicionamento, reputando equivocada classificação antes por ele determinada. Deve incidir, de fato, o artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Este dispositivo visa dar guarida à boa-fé que se revela patente nos autos por parte do contribuinte. Este não pode ser onerado da forma que se pretende por ter seguido entendimento da Fiscalização. Ademais, outras normas principiológicas que devem sempre ser observadas numa relação jurídica, sobretudo quando integrada, em um de seus pólos, pelo Estado, encontrar-se-iam maculadas se fosse admitida, em face das particularidades do presente caso concreto, a imposição de penalidades e de juros de mora. 5 o caso, especialmente, do principio da proibição do "venire contra factum proprium", que veda que as partes, numa da relação jurídica, adote comportamentos contraditórios. Tal principio é decorrência direta do principio da confiança. Cumpre trazer interessante definição do seu significado; "(.) Pela teoria dos atos próprios ("venire contra factum proprium") significa que ninguém estaria autorizado a contrariar um comportamento por si mesmo praticado anteriormente, desde que este tenha função orientativa, ou seja, na medida em que dirija a conduta dos sujeitos ou implique na tomada de decisão por parte deles. Na exata proporção em que informação relevante e necessária para o agir, o ato próprio vincula, de modo que não pode ser contrariado sob pena de esta mudança quebrar a lealdade. Nota-se uma verdadeira eficácia vinculativa de atos, ainda que não atos jurídicos em sentido estrito. A parte que os pratica gerando confiança na outra parte de que aquela orientação de conduta seria mantida, ao alterar o comportamento, imprimindo-lhe direção oposta àquela original, frustra a expectativa de confiança e viola a boa-fé objetiva(..)1" Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, a fim de que se mantenha a decisão recorrida em todos os seus termos. 6
score : 1.0
Numero do processo: 35067.003332/2006-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS.
O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
O auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal.
No presente caso, o processo nº 35067.003331/200613, que se refere ao lançamento da obrigação principal, já transitou em julgado administrativamente, tendo sido negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, preponderando, assim o que fora decidido pelo colegiado a quo e que serviu de base para o julgamento do presente feito.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.904
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal. No presente caso, o processo nº 35067.003331/200613, que se refere ao lançamento da obrigação principal, já transitou em julgado administrativamente, tendo sido negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, preponderando, assim o que fora decidido pelo colegiado a quo e que serviu de base para o julgamento do presente feito. Recurso especial negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35067.003332/200650 Recurso nº 241.373 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.904 – 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANFER CONSTRUÇÕES LTDA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal. No presente caso, o processo nº 35067.003331/200613, que se refere ao lançamento da obrigação principal, já transitou em julgado administrativamente, tendo sido negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, preponderando, assim o que fora decidido pelo colegiado a quo e que serviu de base para o julgamento do presente feito. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 24/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 205 00.246, proferido pela antiga Quinta Câmara do 2º CC em 12/02/2008 (fls. 388/402), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 415/435). A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial para que sejam excluídos os levantamentos CMM e FPM. Segue abaixo sua ementa: “GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. EMPREGADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Uma vez constatado que não há o devido enquadramento dos segurados como empregados da recorrente, deve ser retificado o valor referente à multa aplicada. Da mesma forma, se excluídos do lançamento fiscal os valores lançados a título de serviços prestados, a decisão tem efeitos no quantum estabelecido na multa aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte” A recorrente afirma que há clara divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o paradigma que apresenta acerca da interpretação do art. 50, § 1, da Lei 9.784/99. Explica que, diante da mesma situação, qual seja, a aplicação de motivação adotada em decisão proferida em processo principal no processo decorrente, as Câmaras decidiram de forma contrária. Afirma que a Câmara a quo fundamentou sua decisão única e exclusivamente em decisão proferida em processo principal, desconsiderando o fato de que a referida deliberação não é definitiva e que pode vir a ser reformada, enquanto que o paradigma acolheu a tese de que a decisão proferida em processo principal somente poderia ser aplicada aos seus decorrentes após ter se tornado definitiva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35067.003332/200650 Acórdão n.º 920201.904 CSRFT2 Fl. 2 3 Destaca que o paradigma chega a afirmar que o trânsito em julgado da decisão proferida no processo principal seria condição, futura e incerta, para o julgamento da lide decorrente, razão pela qual configuraria um empecilho à atividade judicante no processo reflexo. Diz que a conclusão que ensejou o cancelamento de parte da NFLD objeto do processo de nº 35067.003331/200613 não pode ser utilizada como único fundamento para cancelar a exigência fiscal em exame, já que a discussão nestes últimos autos ainda não se tornou definitiva. Pondera que a exigência fiscal aqui sob análise não pode ser cancelada utilizandose como único fundamento uma assertiva equivocada, qual seja, a de que não mais subsiste parte da NFLD nº 35.576.3249 – proc. nº 35067.003331/200613, a que se encontra relacionada a multa objeto do presente AI —DEBCAD: 35.576.3230 (fls. 01/05). Ainda que afastada esta argumentação, anota que o aresto proferido se tornou deficitário em expor os fundamentos que motivaram o cancelamento do crédito tributário, fato este que ocasiona a nulidade do julgado. Ao final, requer o conhecimento e provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 205054 (fls. 437/439), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 444/455. Considera inverossímeis e insubsistentes os argumentos lançados pela recorrente. Destaca que o voto do Ilustre Conselheiro Dr. Damião Cordeiro de Moraes foi suficientemente motivado, fazendo inclusive referência ao voto proferido no Recurso n° 148.054. Afirma que não se pode confundir "ausência de motivação" (o que é vedado pela legislação pátria) com motivação concisa. A diferença entre fundamentação concisa e insuficiente reside no fato de que enquanto nesta o julgador trata de todos os pontos relevantes do processo, expondo sua motivação de forma resumida, mas clara, naquela não há análise de todas as questões de fato e de direito expostas no processo, o que geraria uma nulidade absoluta. Alega que é impróprio argüir que a decisão prolatada foi "condicional" visto que ao longo do processo foi suficientemente provado e decidido que o fato que ensejou a multa nunca ocorreu, não havendo óbices para o julgamento imediato da presente NFLD (onde se apuram as multas), independentemente do julgamento daquela outra onde se discute a própria cobrança do tributo. Ao final, requer o improvimento do recurso especial em análise. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A decisão recorrida foi no sentido de que a verificação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP dáse no momento da apreciação da obrigação principal, devendo o resultado daqueles lançamentos refletirse neste lançamento, que é decorrente de descumprimento da obrigação acessória de não declarar os referidos fatos geradores em GFIP. Confira: “3. Desta forma, fiel ao meu entendimento acima alinhavado e considerando que o presente auto de infração está embasado no fato de que a empresa deixou de incluir os segurados empregados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, a decisão adotada no processo principal tem efeito direto no presente auto de infração. 4. Assim, tendo em vista que não há a comprovação de que os segurados eram efetivamente empregados da recorrente, pressuposto necessário para que possa prevalecer a respectiva obrigação acessória, dou provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do quantum, relativo à multa aplicada, os levantamentos "CMM e FPM'.” É certo que o auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal. Neste sentido, já se manifestou esta Turma, em julgado de minha relatoria, cuja ementa transcrevo a seguir: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35067.003332/200650 Acórdão n.º 920201.904 CSRFT2 Fl. 3 5 entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio.” (Acórdão nº 920201.244) Contudo, no presente caso, o processo nº 35067.003331/200613, que se refere ao lançamento da obrigação principal, já transitou em julgado administrativamente, tendo sido negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, preponderando, assim o que fora decidido pelo colegiado a quo e que serviu de base para o julgamento do presente feito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003183/2003-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL – ÔNUS DA PROVA Se o contribuinte se recusa a
apresentar as provas de que dispõe e que permitiriam demonstrar a
exigibilidade da obrigação registrada no balanço, assume o ônus de suportar a acusação de omissão de receita quantificada pelo valor do passivo não comprovado.
OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO NÃO COMPROVADO PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA Se em qualquer tempo do processo fiscal restar comprovada a exigibilidade de parte da obrigação registrada, a presunção, no montante comprovado, fica elidida.
Numero da decisão: 9101-001.018
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, DERAM provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência até o montante de R$ 758.147,00 (R$ 3.106.591,64 R$ 2.348.444,64), nos termos
do relatório e voto do Relator.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO NÃO COMPROVADO PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA Se em qualquer tempo do processo fiscal restar comprovada a exigibilidade de parte da obrigação registrada, a presunção, no montante comprovado, fica elidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DERAM provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência até o montante de R$ 758.147,00 (R$ 3.106.591,64 R$ 2.348.444,64), nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 300DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Suzy Gomes Hoffmann e João Carlos de Lima Junior. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional inconformada com a decisão contida no Acórdão n°.10515.458 (Sessão de 09/12/2005), que, por maioria de votos deu provimento ao recurso voluntário de Construtora Santa Catarina S/A., no prazo regimental ingressou com Recurso Especial (fls. 254/259), com fundamento no art. 5°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 55, de 12/03/98. Afirma a Recorrente que, ao excluir a exigência calcada na omissão de receitas por passivo não comprovado, contrariou as provas dos autos, as quais indicou, e também a legislação contida no artigo 40 da Lei 9.430/96, e art. 322 do Código Civil Brasileiro, bem como a jurisprudência, tendo juntado o acórdão 10196.056, para ilustrar interpretação divergente dada pela Primeira Câmara. O Presidente da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso, considerando atendidos os requisitos para sua admissibilidade. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Conforme se depreende dos autos, o auto de infração descreve a infração como omissão de receita nos montantes de R$ 3.106.591,64 e R$ 1.015.386,45, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação já paga e/ou incomprovada, e pela não comprovação de pagamento escriturado, relativo à mesma conta, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Segundo o Termo de Verificação Fiscal e demais elementos dos autos, constou do passivo da interessada, em 31/12/98, passivo no montante de R$ 3.106.591,64 junto ao Banco do Estado de Santa Catarina (conta BESC nº 15636). Intimada a apresentar os comprovantes desse passivo, dos pagamentos a ele relativos realizados em 1999 (que demonstrariam sua existência em 31/12/1998) e extratos bancários, a pessoa jurídica esclareceu que a origem do passivo era uma cédula de crédito comercial, mas deixou de apresentar os comprovantes, alegando incêndio ocorrido em 2000. Quanto aos extratos bancários, informou que “ reservase o contribuinte em retêlos, vez que estão sobre a égide protetora do sigilo bancário, direito fundamental e pétreo do contribuinte, que só irá apresentálo dentro dos limites e situações legais e constitucionais previstas.” Em relação à mesma conta BESC nº 15636, o contribuinte contabilizou pagamento em 31/12/98, no valor de R$ 1.015.386,45, e intimado, não apresentou comprovante sob a mesma alegação. A fiscalização assentou que extratos bancários são documentos comprobatórios da contabilidade da pessoa jurídica, como qualquer outro, e que todo documento comprobatório da escrituração deve ser apresentado ao fisco, não existindo sigilo bancário entre pessoas jurídicas e o fisco, quando se trata de corroborar (ou não) a escrituração. Ressaltou que mesmo que tenham sido queimados no incêndio alegado, extratos bancários são documentos dos quais o contribuinte poderia solicitar segundas vias a qualquer tempo, junto às instituições bancárias, lembrado que a existência de obrigações no passivo, sem comprovação por documentação hábil e idônea, inverte o ônus da prova por tratarse de uma presunção legal de omissão de receitas. Observou que, em se tratando de um passivo existente em 31/12/1998 (baixado em parte em 1999, segundo os livros diário e razão), bastaria à contribuinte apresentar a existência deste passivo durante o ano calendário de 1999 (extrato bancário, por exemplo), ou simplesmente a sua baixa durante aquele anocalendário, ou períodos seguintes, para que ficasse irremediavelmente comprovada sua existência na data do balanço. E ressaltou que a apresentação do documento originário da assunção da dívida não comprova o passivo existente em 31/12/1998, mas sim, precipuamente, a demonstração de que o seu pagamento deuse em datas posteriores ao saldo do passivo a ser comprovado. Ponderou que bastaria que a contribuinte apresentasse os extratos bancários do início de 1999, obrigatórios (e que com certeza não se perderam no incêndio, pois não constaram no boletim de ocorrências), demonstrando a existência deste saldo no passivo (por Fl. 303DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 5 5 exemplo, em 01/01/1999), para que tal passivo ficasse comprovado irremediavelmente, sem maiores dificuldades. Em sua impugnação a interessada, para demonstrar a existência do passivo, relatou ter contratado com o BESC, por meio de Cédula de Crédito Comercial, linha de financiamento em moeda nacional, equivalente a US$ 2,000,000.00 (dois milhões de dólares dos Estados Unidos da América), com base na Resolução n.° 63 do Banco Central do Brasil, dos quais US$ 392,000.00 (trezentos e noventa e dois mil dólares), correspondentes a Cr$ 184.996.560,00 (cento e oitenta e quatro milhões, novecentos e noventa e seis mil, quinhentos e sessenta cruzeiros), foramlhe repassados nos termos da Cédula mencionada e do Termo de Aditamento e ReRatificação de fls. 123/128. Juntou, ainda, Termo de Acordo (fls. 129/130) a ser homologado pelo juiz da Execução n.° 302/87, para pagamento parcelado, de dívida restante, relacionada com a Cédula de Crédito Comercial — Resolução 63 — Bacen — n.° DJ83/063, em valor estipulado de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), e comprovantes de pagamento desse valor. O Termo de Acordo foi assinado em 10 de junho de 1999 (fl. 130) e o último pagamento ocorreu em 28 de dezembro de 2000 (fl. 136). A Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis considerou não comprovado o passivo registrado. Sobre os documentos apresentados para justificar o passivo, relacionados com a Cédula de Crédito Comercial, argumentou que o passivo fictício objeto do Auto de Infração (R$ 3.106.591,64) é muito superior à comprovação de passivo pretendida, e ainda, que os valores da linha de crédito e mesmo os efetivamente creditados são muito superiores aos R$ 500.000,00 de que trata o Termo de Acordo. Também em relação ao passivo fictício de R$ 1.015.386,45, correspondente a valor alegadamente baixado em 31/12/1998, entendeu a Turma que a interessada não logrou provar a existência da exigibilidade em seu passivo na data do alegado pagamento, nem a existência do pagamento, que contabilizou como se tivesse ocorrido no BESC, por competência e não por caixa. Antes de proferir o Acórdão que é objeto do recurso especial ora em julgamento, a 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes solicitou que a fiscalização em diligência junto ao BESC, verificasse a existência da dívida junto à instituição financeira, sua origem, seu montante em 31/12/98, as parcelas pagas em 1998 e no ano seguinte, de forma a esclarecer a questão. Por ofícios, o chefe da Fiscalização solicitou ao banco que informasse o montante da divida da empresa em 31.12.98, bem como se a empresa tinha realizado pagamentos, inclusive um em 31.12.98, no valor de R$ 1.015.386,45. Em atendimento, o Banco do Estado de Santa Catarina, informou: (a) que não foi possível localizar o valor do débito da empresa junto à instituição em 31.12.98; (b) que em junho de 1999 o valor da Cédula de Crédito Comercial era de R$ 2.563.882,00; (c) que, através de acordo, foi renegociada em junho de 1999 em 8 parcelas de R$ 52.500,00; (d) que confirma o pagamento em 2000 das parcelas 06, 07 e 08, liquidando o contrato; (e) que o valor aproximado da dívida em 31.12.98, descapitalizando de junho 99 para a referida data seria de R$ 2.348.444,64; (f) quanto à confirmação de dois pagamentos, um no valor de R$ 1.015.386,45 em 31.12.98 e outro no valor de R$ 1.775.872,00 em 02.01.99, que não encontrara registros dos pagamentos. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 6 6 Com o resultado da diligência, por maioria de votos, a Quinta Câmara deu provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica. O voto condutor do acórdão guerreado, inicialmente, identifica as duas acusações: (i) passivo fictício, em virtude do registro, em 31.12.98, de pagamento ao BESC no valor de R$ 1.015.386,45, para o qual a empresa não teria apresentado o documento que teria dado origem ao lançamento contábil; (ii) passivo não comprovado, no valor de R$ 3.106.591,64, referente à conta contábil 15636. Sobre a acusação de passivo fictício no valor de R$ 1.015.386,45, considerou a Câmara que o fato apontado pela fiscalização (registro na contabilidade de pagamento não comprovado) não se identifica com o fato indicio previsto na lei que autoriza a presunção. Sobre a acusação de passivo não comprovado no valor de R$ 3.106.591,64, que se encontra registrado em 31/12/1998, tendo como credor o BESC, a Câmara recorrida cancelou o lançamento ao argumento de que ocorreu defeito na aplicação da regra matriz de incidência por parte da autoridade lançadora. O voto condutor do acórdão guerreado argumenta que: (i) na diligência houve efetivamente a comprovação de dívida junto ao BESC, não no valor de R$ 3.106.591,64, mas um outro qualquer, visto que o próprio credor, ao mesmo tempo em que diz que não foi possível localizar o valor da dívida em 31.12.98, faz conta de chegada, partindo do valor da dívida negociado em junho de 99, de R$ 2.563.882,00, deflacionandoo para sugerir um valor de R$ 2.348.444,64, (valor aproximado); (ii) que no momento da lavratura do auto de infração a fiscalização não tinha nenhuma certeza da real inexistência da divida, perfeitamente conferível visto que registrada como débito a favor de banco, ainda mais, de banco oficial; (iii) que, deparandose a fiscalização com um determinado valor no passivo, se informado o credor, para que se caracterize como passivo não comprovado, deve, no mínimo, diligenciar junto ao credor, só se confirmando a presunção legal se o credor não for encontrado ou se confirmar à inexistência da divida.; (iv) que no caso concreto, mesmo conhecendo o credor, a fiscalização partiu direto para a lavratura do auto de infração; (v) que a informação de que houve pagamentos em 1999 e 2.000, no valor de R$ 62.500,00, é perfeitamente coerente com os registros de mesmo valor contidos no razão de folha 13. A Procuradoria da Fazenda Nacional entende que, ao afastar a presunção, a Câmara decidiu contra as provas dos autos e contrariou o art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Pois bem. Em relação à parcela de R$ 1.015.386,45, entendo irretocável a decisão da extinta Quinta Câmara, eis que por se tratar de presunção legal, o fisco fica dispensado de provar a efetiva omissão de receita, mas não fica desobrigado de comprovar o fato indício previsto na lei como autorelativo da presunção. E, no caso concreto, o fato apontado pelo fisco sequer se identifica com a hipótese legal. A fiscalização presumiu omissão de receita a partir de pagamento escriturado, mas não comprovado, enquanto a previsão legal autorizativa da presunção é, exatamente, o oposto, ou seja, a não escrituração de pagamento efetuado. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 7 7 Por seu turno, em relação à parcela de R$ 3.106.591,64, registrada no balanço de 31/12/1998 como obrigação junto ao BESC, para presumir a omissão de receita é suficiente que o contribuinte não comprove sua exigibilidade. No caso, não estava o fisco obrigado a diligenciar para apurar a efetividade da obrigação no valor registrado. Vejase que o fisco deu oportunidade ao contribuinte de demonstrar a existência do passivo em 31/12/1998, pela apresentação dos seus extratos bancários que possibilitassem a identificação de sua baixa no ano calendário de 1999 ou períodos seguintes, mas recusouse a fazêlo, alegando sigilo bancário. Sendo seu ônus comprovar a efetividade do passivo, ao recusarse a fazêlo, deve suportar a conseqüência, que é a presunção. Assim, neste caso, em que houve recusa do contribuinte na apresentação dos documentos que permitiriam a verificação da efetividade da obrigação, peço vênia para discordar do entendimento manifestado no voto condutor, de que o fisco só poderia caracterizar a presunção depois de diligenciar junto ao credor. Logo, entendo não ter havido falha por parte da autoridade fiscal na aplicação da regra matriz de incidência. A lei autoriza a presunção em relação à obrigação registrada, cuja exigibilidade não esteja comprovada. Por sua vez, o contribuinte, intimado, não comprovou que o valor registrado no passivo em 31/12/98 (R$ 3.106.591,64) era exigível. Portanto, não houve defeito no critério material da regra matriz de incidência: o valor da omissão é todo aquele cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte. Todavia, tratase de presunção legal relativa. Embora o ônus de desconstituir a presunção fosse do contribuinte, a diligência levada a cabo por parte da extinta Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, demonstrou que em 31/12/1998 permanecia exigível parte da dívida assumida a partir da Cédula de Crédito Comercial nº 83/063, e que, segundo cálculo do credor, seu valor (aproximado) seria de R$ 2.348.444,64. Portanto, quanto a essa acusação, entendo que o acórdão recorrido contrariou, em parte, a prova dos autos. Nesses termos, conheço do recurso da D. Procuradoria para darlhe parcial provimento, reduzindo a matéria tributável para R$ 758.147,00 (R$ 3.106.591,64 R$ 2.348.444,64). Sala das Sessões, em 24 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 306DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.003183/200382 Acórdão n.º 9101001.018 CSRFT1 Fl. 8 8 Fl. 307DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000686/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO.
Apenas as despesas comprovadamente indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda.
Consideram-se despesas de custeio aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo.
LIVRO CAIXA. DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE TERCEIROS.
Remuneração paga a terceiros com os quais o contribuinte não mantenha vínculo (relação de emprego) não poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda.
LIVRO CAIXA. DESPESA COM TELEFONE CELULAR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE USO EXCLUSIVO.
Admite-se como dedução a quinta parte das despesas comprovadas com uso de telefone celular quando não se possa determinar quais as oriundas da atividade profissional exercida.
LIVRO CAIXA. DESPESAS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO
Somente são dedutíveis as despesas escrituradas em Livro Caixa que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
É de se manter a glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa quando não justificadas, comprovadas e contempladas pela legislação.
MULTA DE OFÍCIO.
Concretizada a hipótese legal de incidência da penalidade (falta de pagamento ou recolhimento do imposto, Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I) não cabe à autoridade lançadora outra alternativa senão aplicá-la, por força dos artigos 136 e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2101-001.413
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções com despesas comprovadas, escrituradas em livro Caixa, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. Apenas as despesas comprovadamente indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda. Consideramse despesas de custeio aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE TERCEIROS. Remuneração paga a terceiros com os quais o contribuinte não mantenha vínculo (relação de emprego) não poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda. LIVRO CAIXA. DESPESA COM TELEFONE CELULAR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE USO EXCLUSIVO. Admitese como dedução a quinta parte das despesas comprovadas com uso de telefone celular quando não se possa determinar quais as oriundas da atividade profissional exercida. LIVRO CAIXA. DESPESAS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Somente são dedutíveis as despesas escrituradas em Livro Caixa que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. É de se manter a glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa quando não justificadas, comprovadas e contempladas pela legislação. MULTA DE OFÍCIO. Concretizada a hipótese legal de incidência da penalidade (falta de pagamento ou recolhimento do imposto, Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I) não cabe à autoridade lançadora outra alternativa senão aplicála, por força dos artigos 136 e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções com despesas comprovadas, escrituradas em livro Caixa, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor da contribuinte CESAR MARINELLI DE OLIVEIRA, médico, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 89 a 92, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2005 (exercício 2006), no valor total de R$ 8.836,28 (oito mil, oitocentos e trinta e seis reais e vinte e oito centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29 de agosto de 2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 17.909,37 (dezessete mil, novecentos e nove reais e trinta e sete centavos). Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 445 3 As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 90. A Fiscalização alega ter havido a dedução indevida de despesas de livro Caixa. Segundo o Fisco, de acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em livro Caixa o contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Como o contribuinte declarou apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, foi glosado o valor de R$ 32.131,94 informado a titulo de Livro Caixa. Em 27 de março de 2009 foi apresentada Impugnação (fls. 01 a 07), cujas razões e pedido foram assim sintetizados pelo órgão a quo: “> além de exercer suas funções laborais na Prefeitura Municipal de Mauá, onde é servidor, exerce funções para outras empresas que contratam seus serviços; > é médico do trabalho, possuindo consultório médico devidamente regularizado; > na lei vigente não existe a menção de "somente", sendo que o contribuinte autônomo ou não, não só pode, mas deve escriturar Livro Caixa, tendo em vista tratar de beneficio amparado pela legislação; > as deduções correspondem a despesas advindas do serviço prestado, tanto para pessoa física ou jurídica, fato este autorizado pela legislação específica; > todos os documentos comprobatórios das despesas de custeio de sua atividade escrituradas em Livro Caixa estão a disposição da Receita Federal do Brasil; > contesta a multa imposta, uma vez que houve respeito as instruções impostas pela Receita Federal do Brasil; > requer acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal reclamado.” Ao examinar o pleito, a 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela procedência parcial da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1744.873, de 4 de outubro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GLOSA DE DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. Somente poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto os dispêndios realizados por contribuinte não assalariado comprovadamente pagos, indispensáveis à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 As despesas de custeio escrituradas em Livro Caixa podem ser deduzidas independentemente das receitai serem oriundas de serviços prestados como autônomo a pessoa física ou jurídica. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de 75% prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de oficio realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. DILIGÊNCIA FISCAL CABIMENTO. A diligência fiscal deve ser determinada pela autoridade julgadora, de oficio ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implica na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir e angariar essas mesmas provas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 reconheceu o direito do contribuinte de escriturar livro Caixa, por entender que o interessado, no ano calendário, mantinha consultório particular, auferindo rendimentos do trabalho não assalariado, tendo, a respeito, assim se manifestado: “Em consulta aos assentamentos da Receita Federal do Brasil, constatamos que para o ano calendário de 2005 existe somente retenção de IR em nome do interessado oriundo de uma fonte pagadora (Prefeitura Municipal de Mauá: — 46.522.959/0001 98), sob o código de recolhimento 0561 (rendimentos do trabalho assalariado). Os documentos acostados ao processo comprovam que o interessado mantinha no ano calendário fiscalizado consultório particular, onde desenvolvia atividades de médico do trabalho, prestando serviços para empresas que contratavam seus préstimos (fls. 15/87). Isto posto, é de se concluir que com exceção dos rendimentos provenientes da Prefeitura Municipal de Mauá, todos os demais declarados pelo interessado em sua DIRPF são oriundos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho não assalariado, tendo o notificado portanto, direito de pleitear no exercício de 2006 deduções de despesas escrituradas em livro Caixa, desde que obedecidos os comandos da legislação anteriormente reproduzida.” A decisão a quo restabeleceu deduções feitas em livro Caixa no valor total de R$ 1.047,76, correspondente a: a) GFIP e comprovantes de pagamento apresentados que comprovam o recolhimento do total de R$ 414,34 a título de encargos trabalhistas e previdenciários de Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 446 5 empregada mantida no consultório do interessado (R$ 67,91 —fls. 64; R$ 72,67 —fls. 65; R$ 233,01 —fls. 66; R$ 40,75 fls. 123); b) ISS — Imposto sobre Serviços e Licença acatouse como dedutível a quantia de R$ 633,42 (fls. 67/70 e 105/116) como despesas suportadas pelo interessado a título de ISS — Imposto sobre Serviços e Licença junto à Prefeitura Municipal de Mauá, necessárias à percepção dos rendimentos do notificado e manutenção de sua fonte produtora (consultório). A DRJ em São Paulo 2 ressaltou, no entanto, que: a) as Notas Fiscais de Prestação de Serviços (Documentos de fls. 15/57 e 135/177) comprovam somente receitas auferidas pelo notificado, sendo imprestáveis como prova de despesas escrituradas em Livro Caixa; b) o documento apresentado as fls. 117 referese a pagamento de encargos em ano calendário diverso do fiscalizado. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 23 de novembro de 2010, no qual alega que: a) realizou com presteza e idoneidade todos os lançamentos devidos e apresentou os documentos comprobatórios, das despesas de custeio, estas dedutíveis, já que estabelecem, também, o critério de normalidade, usualidade, necessidade e pertinência. b) as despesas comprovadas e efetivamente juntadas demonstram que os critérios adotados foram preenchidos, já que se trata de despesas advindas da manutenção do trabalho exercido pelo recorrente. c) a multa aplicada é absurda já que, no presente caso, não estamos falando de um contribuinte que não apresentou seus documentos devidamente; os documentos pertinentes foram apresentados, mas, por conta de discussões administrativas ou interpretativas, não foram aceitos. Pede o provimento do Recurso, com a declaração da nulidade do lançamento. Requer, ainda sejam as despesas advindas do trabalho exercido pelo recorrente declaradas dedutíveis. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da nulidade do lançamento Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 As hipóteses de nulidade, no Processo Administrativo Fiscal, são as apontadas no artigo 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] No presente processo, o Recorrente propugna pela nulidade do lançamento. Não aponta, todavia, em sua argumentação, a ocorrência de qualquer uma das circunstâncias previstas em lei que possam ensejar a nulidade pleiteada, quais sejam, atos ou termos lavrados por agente incompetente ou com preterição do direito de defesa. O lançamento constante deste processo foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 88 a 92. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento às fls. 88 a 92, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Sendo assim, do exame dos autos, no controle de legalidade dos atos administrativos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse dar causa a uma declaração de nulidade do lançamento, razão pela qual não procede a alegação do Recorrente. 2. Das despesas escrituradas em livro Caixa No presente processo, a Fiscalização procedeu a glosa de todas as despesas lançadas no livro Caixa, por entender que o sujeito passivo não poderia deduzilas em razão de Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 447 7 não receber rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Demonstrado não ser esse o caso, isto é, uma vez reconhecido pela DRJ em São Paulo 2 que o Recorrente recebe, sim, rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, há que se considerar as deduções feitas em livro Caixa, desde que de acordo com a legislação de regência, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Ante a documentação então apresentada pelo contribuinte, a DRJ em São Paulo 2 manteve parcialmente a glosa de despesas escrituradas em livro Caixa, restabelecendo somente aquelas correspondentes a: a) GFIP e comprovantes de pagamento apresentados que comprovam o recolhimento do total de R$ 414,34 a título de encargos trabalhistas e previdenciários de empregada mantida no consultório do interessado (R$ 67,91 —fls. 64; R$ 72,67 —fls. 65; R$ 233,01 —fls. 66; R$ 40,75 fls. 123); b) ISS — Imposto sobre Serviços e Licença acatouse como dedutível a quantia de R$ 633,42 (fls. 67/70 e 105/116) como despesas suportadas pelo interessado a título de ISS — Imposto sobre Serviços e Licença junto à Prefeitura Municipal de Mauá, necessárias à percepção dos rendimentos do notificado e manutenção de sua fonte produtora (consultório). Juntamente com o Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos, que foram acostados às fls. 217 a 438, os quais passamos a analisar em confronto com a legislação que rege a matéria. O Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 1999, ao tratar da apresentação anual da declaração de rendimentos, estabelece que as informações prestadas pelo contribuinte estão sujeitas a comprovação, a saber: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). [...]. Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). [...] Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). [...]. § 4º. O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 A dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa encontrase regulada no Artigo 75 do Decreto n.º 3.000, de 1999, cuja matriz legal é o artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990, o qual assim prescreve: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros,desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei n.° 8.134, de 1990, art. 6.°, § 1.°, e Lei n.° 9.250, de 1995, art. 34): I – as quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento; II as despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III – em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Tendo em vista não haver questionamentoquanto às receitas recebidas pelo Recorrente, analisaremos somente as despesas lançadas no livro Caixa, a fim de constatar se elas podem ser deduzidas, de acordo com a legislação, e se encontramse devidamente comprovadas, por meio de documentação hábil e idônea. Saliento, primeiramente, que, compulsando os autos, verifiquei uma incongruência no tocante ao endereço do consultório do Recorrente. No Cadastro Imobiliário da Prefeitura do Município de Mauá, assim como no Alvará de Funcionamento do Consultório Médico (fls. 58 e 59) consta o endereço Rua Bandeirantes, n.º 449, sala 4, Vila Bocaina, Mauá, SP. No entanto, os comprovantes de aluguéis pagos, assim como as contas de água e esgoto da SAMA – Saneamento Básico do Município de Mauá, anexados aos autos do presente processo, correspondem ao n.º 471 da mesma rua. Na conta da SAMA consta que o n.º 471 corresponde ao antigo n.º 455 (fls. 255), que também não coincide com o endereço do consultório do contribuinte. A emissora dos recibos de alugueis e demais despesas, Sra. Gisely Elena Álvares Monari, é procuradora de Luiz Gustavo Delegrego com poderes para representálo perante a Administração de Aluguel do Imóvel localizado na Rua dos Bandeirantes n.º 471, salas 01, 02,03, 04 e 05 na cidade de Mauá, SP. Devido à proximidade dos endereços (uns poucos metros de distância, na mesma rua), e levando em conta o princípio da boafé, consideramos tratarse de um único imóvel. Dentre as deduções feitas pelo contribuinte em seu livro Caixa, constam despesas com telefone celular Claro. Como visto, sendo o contribuinte profissional que aufere rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, a legislação do imposto sobre a renda admite as deduções das despesas de custeio pagas, desde que necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não resta dúvida de que o telefone celular é indispensável à atividade do médico. No entanto, no presente processo, o contribuinte não demonstrou que o Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 448 9 telefone celular Claro é utilizado exclusivamente para fins profissionais, tal como exige a lei para autorizar que a despesa seja integralmente deduzida do profissional autônomo que escritura livro Caixa. Para que se possa considerar dedutível toda a despesa efetuada com o telefone celular Claro, o contribuinte deve demonstrar que referido telefone é de uso exclusivamente profissional. Como tal não foi feito, e considerandose que o endereço informado na conta telefônica é o da residência do contribuinte, admitiuse como dedução a quinta parte da despesa comprovada, utilizandose o critério adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, manifestado Parecer Normativo CST n.º 60, de 1978, que consiste em admitir como despesa dedutível 1/5 do valor total comprovado. De acordo com o inciso I do artigo 6.º da Lei n.º 8.134, de 1990, pode ser deduzida da receita decorrente do exercício da atividade profissional autônoma a remuneração paga a terceiros e os encargos trabalhistas e previdenciários, além dos emolumentos pagos e das despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Todavia, a lei exige que esse terceiro tenha vínculo empregatício com o contribuinte. No presente processo, foram deduzidas despesas efetuadas com terceiros que não têm vínculo empregatício com o Recorrente. Também não ficou demonstrada a necessidade de tais despesas para a percepção dos rendimentos do contribuinte e a manutenção da fonte produtora, tal como exige a lei, razão pela qual as deduções pleiteadas a esse título não foram admitidas. Com esses esclarecimentos, passo a analisar as despesas comprovadas, individualmente, mês a mês, conforme os quadros demonstrativos a seguir: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 JANEIRO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telecomunicações de São Paulo S/A ref. conta 12/05 147,33 Comprovado fls. 241 2 Pag.ref. Vale transporte 01/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 80,00 80,00 Comprovado fls. 242 3 Pag. INSS ref. 12/2004 233,01 Comprovado fls. 243. Dedução já restabelecida pela DRJ. 4 Pago p/Centro diagnostico Mauá S/C Ltda ref. NF 956, serviços médicos prestados 543,56 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 5 Pago p/ Claro S/A ref. Conta telefone 12/2005 36,23 Comprovado fls. 249. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 7,25. 6 Pago p/ Stillu's Bazar e papelaria LtdaME, NF22058, ref. Materiais de escritório 21,30 Comprovado fls. 257 7 Pag. FGTS folha de Pagamento 68,00 Comprovado pagto de R$ 67,91 às fls. 246. Dedução já restabelecida pela DRJ. 8 Pago Conservatório ref. Material de escritório (Encadernação) 12,00 Despesa não comprovada. Documento às fls. 257 não tem valor fiscal 9 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, CPF:006.323.148 42, ref. aluguel mês 12/04 300,00 Comprovado às fls. 247 10 Pago p/ Escritório Contábil Jose Luiz Galizi, honorários de 12/2004 50,00 Despesa não comprovada. Documento às fls. 248 não tem valor fiscal 11 Pago p/ SANDRENEURO por serv. Médicos prestados ao consultório 34,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 12 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, CPF:07999268844, ref. Audios 70,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 13 Pago p/ Simone Ap. de Morais Vale cesta básica 48,00 Comprovado fls. 242 14 Pago p/ Valdemir dos Santos Andrade Informática ME, NF:000224, ref. Compra cartucho impressora 22,00 Comprovado fls. 250 15 Pag. p/ Cartório de notas de Mauá 16,20 Despesa não comprovada. Documento às fls. 237 não tem valor fiscal 16 Pago p/ Prefeitura de Mauá Taxa ISS/ Licença 105,57 Comprovado fls. 116, 251 e 252. Dedução já restabelecida pela DRJ 17 Pagamento efetuado ref. Conta de água e luz mês 01/2005 (condomínio) 13,12 Despesa não comprovada 18 Pago p/Stillu's Bazar e papelaria Ltda ME, NF22201, ref. Materiais de escritório 2,20 Comprovado fls. 253 19 Pago p/ ECTEmp.Bras. de Correios, ref. Carta registrada para empresa 6,45 Comprovado fls. 256 20 Pago p/ IAR Fonoaudiologia, manut.e Com. Acess. Auditivos Ltda, ref. Audios 45,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 21 Pago p/ Eletropaulo conta de luz do consultório mês 01/2005 20,03 Comprovado fls. 258 22 Pag. Salário 01/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 442,74 Comprovado fls. 259 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 449 11 FEVEREIRO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefônica ref. Conta mês 01/2005 débito automático 161,14 Comprovado fls. 273 2 Pago Sama ref. Conta água 01/2005 (Proporcional) 6,19 Comprovado às fls. 263 3 Pago p/ BCP S/A Claro, ref. Conta telefônica 50,13 Comprovado fls. 267 e 268. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 10,03. 4 Pag. Ref. INSS 01/2005 174,75 Comprovado às fls. 260 5 Pago p/Centro Diagnóstico Mauá, nota 1001, ref. Serviços médicos 290,67 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 6 Pag. Ref. FGTS ref. 01/2005 40,75 Comprovado fls. 277. Dedução já restabelecida pela DRJ. 7 Pag. a Escritório Contábil José Luiz Galizi, ref. Honorários de 01/2005 50,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 8 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, CPF: ref. Aluguel ref. 01/2005 335,00 Comprovado às fls. 271 9 Pago p/ Vera Lúcia de Oliveira, CPF 07233277821 ref. mat escrit. 95,00 Despesa não comprovada. Documento às fls. 264 não tem valor fiscal. 10 Pag. Sandreneuro por Serv. Prestados em medicina (EEG) 85,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 11 Pago p/ Eliana Magnusson C.Ruiz, CPF 079.992.68844, REF. Audios 240,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 12 Pag. Ref. Cesta básica p/ Simone Aparecida de Morais 48,00 Comprovado fls. 269 13 Pago p/ Prefeitura de Mauá ref. ISS/ taxa licença 105,57 Comprovado fls. 115. Dedução já restabelecida pela DRJ 14 Pago p/Terezinha Aparecida M. Silva, CPF 74239729 3 ref. Limpeza consultório 59,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990 15 Pago p/ Stillu's Bazar e Armarinhos Nota n.º 22415 ref. Mat. Escrit. 16,05 Comprovado fls. 263 16 Pago p/ IARFonoaudiologia, Mnaut e com.Acessórios ref. Audiometrias 90,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Documento às fls. 163 não tem valor fiscal. 17 Pag. Supermercados Onitsuka Ltda ref. Produtos de Limpeza 6,63 Comprovado fls. 264 18 Pago p/ Padrão Assessoria Contábil S/C Ltda, ref. Água e luz (Condomínio) 11,80 Comprovado às fls. 263. 19 Pago p/ Eletropaulo Eletricidade ref. Conta de luz consultório 20,50 Comprovado fls. 270 20 Pago valetransporte 02/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 80,00 Comprovado fls. 269 21 Pag. Ref. Salário 02/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 442,74 Comprovado fls. 269 22 Pag. Abílio José Francisco, Téc. Seg. Trabalho por Serv. Prestados p/ realização de PPRA p/empresas, CPF 008.866.69804 600,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 MARÇO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefônica conta ref. 02/2005 Débito Automático 153,13 Comprovado fls. 283 2 Pago p/ BCP S/A ref. Conta mês 02/2005 58,69 Comprovado fls. 284 e 285. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 11,74. 3 Pago p/.Valedmir dos Santos Andrade Informática ME ref. Cartuchos de tinta 40,00 Comprovado fls. 286 4 Pago GPS/INSS ref. 02/2005 174,75 Comprovado fls. 287 5 Pago p/Centro diagnóstico Mauá S/C Ltda, nota n° 1039, ref. Serviços médicos 566,09 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 6 Pago p/ ECT por postagem de Cartas p/ empresas 2,95 Comprovado fls. 283 7 Pag. FGTS ref. 02/2005 42,99 Comprovado fls. 290 e 291. 8 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel 02/2005 335,00 Comprovado às fls. 292 9 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, ref. Audiometrias realizadas 280,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 10 Pago p/Jose Luiz Galizi CPF 407.984.29887 ref. Honorários de contabilidade 50,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Vide fls. 293 11 Pago p/ Stillu's Bazar e papelaria ref. Materiais de escritório 5,90 Comprovado fls. 302 – NF 022588 12 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Vale transporte ônibus 03/2005 80,00 Comprovado fls. 294 13 Pag. Ref. Cesta básica 03/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 48,00 Comprovado fls. 294 14 Pag. Antonio José Francisco por Serv. Prestados em Segurança do Trabalho 330,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 15 Pago p/ Prefeitura de Mauá taxa ISS/Licença 105,57 Comprovado fls. 114. Dedução restabelecida pela DRJ 16 Pag. Ref. Limpeza do consultório p/ Terezinha Aparecida M. Silva CPF19452762829 40,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Vide fls. 302verso. 17 Pago p/ BCP S/A ref. Conta mês 03/2005 60,93 Comprovado fls. 298 e 299. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 12,19. 18 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. água e luz ref. Mês 03/2005 8,00 Comprovado às fls. 302verso e 217. 19 Pago p/ ECT por postagem de Cartas p/ empresas 7,60 Comprovado fls. 302 20 Pago p/ Cartórios de Notas de Mauá ref. Autenticação de Doc. 37,45 Despesa não comprovada. Documento às fls. 302 não tem valor fiscal 21 Pago p/ Chaveiros e carimbos Marka ref. Encadernação de documentos 4,60 Despesa não comprovada. Documentos às fls. 302 (R$ 1,60 e R$ 3,00) não têm valor fiscal. 22 Pago p/ CREMESP ref. Anuidade 2005 338,00 Comprovado fls. 300 e 301 23 Pag. Ref. Salário 03/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 442,74 Comprovado fls. 282 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 450 13 ABRIL/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefonica conta ref. 03/2005 153,13 Comprovado fls. 316 2 Pago p/ Juarez Braga da Cruz ME ref. Recarga de cartucho de impressora NF 52 20,00 Comprovado fls. 310. 3 Pag. GPS ref. 03/2005 174,75 Comprovado fls. 314 4 Pago p/ centro Diagnostico Mauá ref. Nota 1081, serviços médicos 118,10 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Vide fls.309 5 Pago p/ Stillu's Bazar e papelaria Ltda ME, nota n° 22760, ref. Materiais Escritório 11,10 Comprovado fls. 319 6 Pago p/ Chaveiros e Carimbos Marka ref. Encadernação de documentos 9,00 Comprovado o valor de R$ 6,00 fls. 304. Documento às fls. 319 (R$ 3,00) não tem valor fiscal. 7 Pago a ECT por Serv. De Postagem 4,00 Comprovado fls. 321 8 Pag. p/ Bazar Bazeio & Bazeio Ltda ref. Mat. de escritório 2,30 Documento às fls. 320 não tem valor fiscal 9 Pago p/ Cartório de Notas de Mauá ref. Cópias 2,97 Despesa não comprovada 10 Pag. p/ Valdemir dos Santos Andrade Informática ME ref. Cartuchos de impressora 40,00 Comprovado fls. 311 11 Pago p/ Eletropaulo ref. conta de luz do consultório ref. Mês 03/2005 atrasado 20,13 Comprovado fls. 313 12 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel mês 03/2005 335,00 Comprovado às fls. 308 13 Pago a Carrefour Com. Ind. Ltda ref. Compra cartucho de tinta de impressora 39,90 Comprovado fls. 321 14 Pago p/Eliana Magnusson C. Ruiz, CPF:079.992.68844, ref. Audiometrias 500,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 15 Pag. Fabiano Ramella Mauá ME ref. Mat. de escritório 4,00 Comprovado fls. 320 16 Pago p/ Stillu's Bazar e papelaria Ltda ME, nota n° 22805, ref. Materiais Escritório 15,20 Comprovado fls. 319 17 Pago p/ Cartório de Notas de Mauá 8,10 Despesa não comprovada. Documento às fls. 321 não tem valor fiscal 18 Pag. FGTS ref. 03/2005 43,01 Comprovado fls. 315 19 Pag. a Jose Luiz Galizi CPF 407.984.29887 ref. Honorários de Serv. de Contabilidade 50,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Vide fls. 306 20 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Vale cesta básica 04/2005 48,00 Comprovado fls. 312 21 Pago p/ Terezinha Aparecida M. Silva, CPF 194.527.62829 ref. Limpeza consultório 40,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 22 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Agua e Luz Corredor ref. Mês 04/2005 8,00 Comprovado às fls. 320 23 Pag. p/ Antonio José Francisco ref. Serv. Prestados de Seg. do Trabalho 180,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. Vide fls. 305 24 Pago p/ ABC J. Chaveiros ref. Carimbo automático 32,00 Comprovado fls. 303 25 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Vale transporte ônibus 04/2005 80,00 Comprovado fls. 312 26 Pago p/ Eletropaulo ref. conta de luz do consultório ref. Mês 04/2005 20,52 Comprovado fls. 317 27 Pago p/ BCP S/A ref. Conta de telefone mês 03/2005 42,20 Documento às fls. 318 não comprova o pagamento 28 Pag. Ref. Salário 04/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 442,74 Comprovado fls. 307 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 MAIO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/Telefônica ref. Conta mês 04/2005 157,79 Comprovado fls. 330 2 Pago p/ INSS/GPS ref. 04/2005 174,75 Comprovado fls. 325 3 Pago p/ Stillu's Bazar e Papelaria Ltda ME, ref. Nota 22972, ref. Materiais escritório 6,55 Comprovado fls. 333 4 Pago Cartório de Notas de Mauá por fotocópias 3,88 Despesa não comprovada 5 Pago p/ centro Diagnostico Mauá, ref. Nota 1122, ref. Serviços médicos 235,77 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 6 Pago p/ Chaveiros e carimbos Marka REF.encadernação de documentos 3,00 Documento às fls. 332 não tem valor fiscal 7 Pag. Ref. Água e luz do condomínio 05/2005 p/ Luis Gustavo Delgrego 13,03 Documento às fls. 331 não tem valor fiscal 8 Pago p/ Luis Gustavo Delgrego, ref. Recarga de extintores de incêndio condomínio 10,00 Comprovado fls. 331 9 Pag. FGTS ref.04/2005 40,75 Comprovado fls. 324 10 Pago p/ ECT EMPR. BRAS. de Correios ref. carta registrada p/ empresa 3,20 Comprovado fls. 333 11 Pago p/ Valdemir dos Santos Andrade ME ref. Comp. de cartuchos de tinta impressora 22,00 Comprovado fls. 328 12 Pago p/ Stillu's Bazar e Papelaria Ltda ME, ref. Nota 23022, ref. Materiais escritório 12,50 Comprovado fls. 331 13 Pago p/ Supermercados Onitsuka ref. Material de limpeza 4,06 Comprovada despesa de R$ 1,85. Valor de R$ 2,21 em desacordo com o artigo 6.º, III, da Lei n.º 8.134, de 1990 14 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, ref. Audiometrias 220,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 15 Pago p/ Jose Luiz Galizi ref. Honorários de contabilidade 50,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 16 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel mês 04/2005 335,00 Comprovado fls.327 17 Pago p/ Chaveiros e carimbos Marka REF. encadernação de documentos 4,00 Documento às fls. 331 não tem valor fiscal 18 Pago p/ Stillu's Bazar e Papelaria Ltda ME, ref. Nota 23055, ref. Materiais escritório 4,15 Comprovado fls. 332 19 Pago p/.Simone Ap. de Morais, CPF:225.441.048 21, ref. Vale cesta básica 05/2005 48,00 Comprovado fls. 329 20 Pago p/ Stillu's Bazar e Papelaria Ltda ME, ref. Nota 23084, ref. Materiais escritório 1,20 Comprovado fls. 332 21 Pag. p/ Antonio José Francisco Ref. Serv. Prestados em Seg. do Trabalho 160,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 22 Pago p/ BCP S.A ref. Conta de telefone mês 04/2005 42,89 Despesa não comprovada 23 Pago p/ Simone Ap. de Morais,CPF:225.441.04821, ref. Valetransporte 06/2005 80,00 Comprovado fls. 329 24 Pag. Ref. Salário 05/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 442,74 Despesa não comprovada Fl. 469DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 451 15 JUNHO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefônica ref. Conta mês 05/2005, débito automático 165,88 Comprovado fls. 342 2 Pag. GPS Ref. 05/2005 174,75 Comprovado fls. 340 3 Pago p/ Centro Diagnostico Mauá ref. Nota n°1165 serviços médicos 246,02 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 4 Pago p/ Terezinha Aparecida M. da Silva, ref. Limpeza do consultório 40,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 5 Pag. FGTS Ref. 05/2005 40,75 Comprovado fls. 339 6 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, CPF 079.992.68044 ref. Audiometrias 230,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 7 Pago p/ Chaveiros e Carimbos Marka ref. Encadernação de documentos, NF 768 12,00 Comprovado fls. 338 8 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel 05/2005 335,00 Comprovado fls. 341 9 Pag. p/ Padrão Assessoria Contábil, administradora das salas do Sr Luiz Delegrego ref. Pintura e conserv. 116,75 Documento às fls. 350 não tem valor fiscal 10 Pago p/ Cartório de Notas de Mauá ref. Autenticação 10,45 9 485 94 10,45 Documento às fls. 350 não tem valor fiscal 11 Pago p/ José Luiz Galizi CPF 407.984.29887 ref. Serv. Contabilidade 50,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 12 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Vale cesta básica 06/2005 48,00 Comprovado fls. 343 13 Pago p/ Chaveiros e Carimbos Marka ref. Encadernação de documentos 6,00 Documento às fls. 349 não tem valor fiscal 14 Pag. Ref. Cartucho de tinta de impressora p/ Valdemir dos Santos Andrade Informática 22,00 Comprovado fls. 345 15 Pag. p/ IAR Fonoaudiologia ref. Audiometrias 63,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 16 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Conta de água e luz Mês 06/2005 8,57 Comprovado às fls. 350 17 Pago p/ Stillus Bazar e Papelaria ME, ref. Materiais de escritório 23,36 Comprovado o valor de R$ 19,66 às fls. 349 (R$ 5,56 + R$ 12,50) e às fls. 350 (R$ 1,60) 18 Pago p/ BCP S/A ref. Conta de telefone mês 06/2005 débito automático 78,31 Comprovado fls.347. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 15,66 19 Pago p/ Eletropaulo ref. Conta de luz do consultório mês 06/2005 20,49 Comprovado fls. 346 20 Pago p/ Chaveiros e Carimbos Marka ref. Encadernação de documentos, NF 781 10,00 Comprovado fls. 337 21 Pago p/ Vera Lucia de Oliveira Farcci, CPF 072.532.77021 ref. Mat. Escritório 110,00 Documentos às fls. 335 não têm valor fiscal 22 Pago p/ Supermercados Onitsuka ref. Material de limpeza 11,47 Comprovado fls. 350 e 352 (R$ 1,85 + R$ 6,73 + R$ 2,89) 23 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Vale transporte ônibus 06/2005 80,00 Comprovado fls. 343 24 Pag. Ref. Salário 06/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 442,74 Comprovado fls. 348 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 JULHO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/Telefônica ref. Conta mês 06/2005, débito automático 181,27 Comprovado fls. 357 2 Pago GPS/INSS ref. 06/2005 174,75 Comprovado fls. 360 3 Pag. p/ Danilo Fermino Santana, CPF 355.391.778 43 ref. Limpeza do consultório 40,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 4 Pago p/ Centro Diagnostico Mauá, ref. Nota 11199, ref. serviços médicos prestados 531,08 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 5 Pag. FGTS ref. 06/2005 40,75 Comprovado fls. 361 6 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel Mês 06/2005 335,00 Comprovado às fls. 355 7 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, ref. Audiometrias CPF 079.992.68844 260,00 10.308,15 260,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 8 Pago p/José Luiz Galizi, CPF 407.984.29887, ref. Contabilidade 06/2005 60,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 9 Pago p/ Valdemir dos Santos Andrade informática ME, nota n° 272, ref. Materiais de escritório 22,00 Comprovado fls. 359 10 Pago p/ Lourdes Mendes de Souza Utilidades CNPJ 06.885.637/000199 ref. Mat. Limpeza 6,65 Comprovado o valor de R$ 6,20 às fls. 362 e 363 (R$ 1,00 + R$ 2,80 + R$ 2,40) 11 Pago p/ Yoswhie Neide Kitano ME NF 1681 ref. Material de limpeza 5,00 Documento (Nota Fiscal) às fls. 364 não especifica a despesa. Não se admite como dedução. 12 Pag. Conta de luz consultório p/ Eletropaulo 20,28 Comprovado fls. 358 13 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Conta de água e luz Mês 07/2005 11,23 Comprovado às fls. 364 14 Pago p/ Chaveiros e carimbos Marka, ref. Material de escritório 12,50 Documentos às fls.362 e 363 não têm valor fiscal 15 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. 1.ª parc. IPTU 2005 20,00 Comprovado às fls. 365 16 Pago p/ BCP S/A ref conta de telefone mês 06/2005, Débito automático 41,04 Comprovado fls. 356. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 8,21. 17 Pago p/ Stillu's Bazar e Armarinhos Ltda ME, ref. materiais escritório 31,30 Comprovado fls. 362 a 364 (R$ 12,50 + R$ 12,30 + R$ 5,20 + R$ 1,30) 18 Pag. Ref. Salário 07/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 551,55 Comprovado fls. 354 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 452 17 AGOSTO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefônica ref. Mês 07/2005 débito automático 216,27 Comprovado fls. 370 2 Pago p/ Centro Diagnóstico Mauá, NF 1236, ref. Serv. Médicos prestados 633,11 Despesa em desacordo com o art. 6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 3 Pag. FGTS ref. 07/2005 40,75 Comprovado fls. 373 4 Pago p/ Lourdes Mendes de Souza Utilidades, NF 880, ref. Mat. de Escritório 1,75 Comprovado fls. 378 5 Pago p/ Supermercados Onitsuka Ltda ref. Mat. de limpeza 3,00 Comprovado fls. 376 6 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, CPF 079.992.68844 ref. Audiometrias 150,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 7 Pago p/ Carrefour NF 2290, ref. Compra de cartucho de impressora 59,70 Comprovado fls. 375 8 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel+IPTU mês 07/2005 355,00 Comprovado às fls. 374 9 Pago p/ Varejão Piramide Shizue Takara, ref. Compra de lâmpadas 3,00 Comprovado fls. 376 10 Pag. p/ IAR Fonoaudiologia ref. Audiometrias realizadas 18,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 11 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. conta de água e luz corredor mês 08/2005 11,24 Comprovado às fls. 377 12 Pago p/ Jose Luis Galizi, CPF 407.984.29887 ref. Contabilidade 07/2005 60,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 13 Pago p/ BCP S/A ref. Conta de telefone mês 07/2006, débito automático 34,00 Comprovado fls. 372. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 6,80. 14 Pag. ECT ref. Serviços de postagem 2,00 Comprovado fls. 377 (R$ 0,80 + R$ 1,20) 15 Pago p/ Eletropaulo ref. Conta de luz do consultório mês 08/2005 19,72 Comprovado fls. 369 16 Pago p/ Chaveiros e Carimbos Marka ref. Material de escritório, NF 844 10,20 Comprovado fls. 367 17 Pago p/ Sergio Kazutoshi Ui ME NF 10444, ref. mat. de limpeza 2,03 Comprovado o valor de R$ 1,20 às fls. 378 18 Pago p/ World Ink Jet, NF 0392, ref. Material de escritório 20,00 Documento às fls. 379 não tem valor fiscal 19 Pago p/ Waldomiro Monteiro da Silva Jr., NF 4677, ref. Mat. escritório 40,00 Comprovado fls. 378 20 Pago p/ Stillu's Bazar e armarinhos Ltda ME, ref. Mat. Escritório 22,90 Comprovado fls. 379 (R$ 16,30 + R$ 6,60) 21 Pago p/ Antonio Jose Francisco, Téc. Seg. Trabalho, CPF 008.866.69804 ref. Serv. Seg. Trabalho 200,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 22 Paqo p/ Chaveiros e Carimbos Marka ref. Encadernação de documentos 2,00 Documento às fls. 379 não tem valor fiscal 23 Pag. Ref. Salário 08/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 524,99 Comprovado fls. 371 24 Pag. Prefeitura de Mauá Taxa ISS fixo/Licença 105,57 Despesa não comprovada Fl. 472DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 18 SETEMBRO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefonica Ref. Mês 08/2005 194,72 Comprovado fls. 386 2 Pago p/ Centro Diagnóstico Mauá ref. Nota 1275, ref. Serv. Médicos prestados 172,91 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 3 Pag. p/ Antonio Jose Francisco ref. Serv. Prestados em Seg. do Trabalho 980,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 4 Pag. FGTS Ref. 08/2005 43,60 Comprovado fls. 389 5 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, ref. audiometrias 360,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 6 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel + IPTU mês 08/2005 355,00 Comprovado às fls. 388 7 Pago p/ Luis Gustavo Delegreqo ref. Parc de IPTU 2005 20,00 Comprovado às fls. 391 8 Pag.p/ IAR Fonoaudiologia ref. Audiometrias 18,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 9 Pago p/ Jose Luiz Galizi, CPF 407.984.29887, ref. Contabilidade 08/2005 60,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 10 Pago p/ Chaveiros e Carimbos Marka , ref. Encadernação de documentos 10,14 Documentos às fls. 391 (R$ 10,00) e fls. 392 (R$ 4,00) não têm valor fiscal 11 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Conta de água e luz corredor mês 09/2005 20,67 Comprovado às fls. 392 12 Pago p/ Eletropaulo ref. Conta de luz do consultório mês 09/2005 19,63 Comprovado fls. 381 13 Pago p/ BCP S/A ref. Conta de telefone ref. 08/2006, débito automático 15,65 Comprovado fls. 387. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 3,13. 14 Pago p/ BCP S/A ref. Conta de telefone ref. 08/2005, recarga 35,00 Despesa não comprovada. Documento às fls. 383 não comprova o pagamento 15 Pag. Ref. Taxa ISS/ Licença Prefeitura de Mauá 105,57 Comprovado fls. 113 e 384. Dedução já restabelecida pela DRJ. 16 Pag. Ref.Salário 09/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 524,99 Comprovado fls. 382 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 453 19 OUTUBRO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pag. GPS Ref. 07,08 e 09/2005 acumuladas 95,50 Comprovado fls. 405 a 407 2 World Ink Jet, ref. Mat. Escritório 15,00 Documento às fls. 409 não tem valor fiscal 3 Pago p/ Stillu's Bazar e papelaria Ltda ME, Nota 24198, ref. Mat. escritório 18,40 Comprovado fls. 409 4 Pag. FGTS Ref. 09/2005 43,60 Comprovado fls. 403 5 Pago p/ Vivo S/A, ref. Conta de 10/2005, Recarga 30,00 Comprovado fls. 401. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 6,00. 6 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Salário de férias 30 dias 629,26 Comprovado fls. 397 7 Pag. p/ Antonio Jose Francisco ref. Serv. Prestados em Seg. do trabalho 650,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 8 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Salário 10/2005, 25 dias 446,50 Comprovado fls. 393 9 Pago p/ Prefeitura de Mauá, ref. TAXA ISS/Licença 105,57 Comprovado fls. 119 e. 402. Dedução já restabelecida pela DRJ 10 Pago p/ Telefônica conta ref. 09/2005, pago via Débito Automático 205,90 Comprovado fls. 398 11 Pago p/ Centro Diagnostico Mauá S/C Ltda, NF 1315 351,74 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 12 Pago p/ Eliana M. Campos Ruiz, CPF 079.992.688 44 ref. Audiometrias 170,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 13 Pago p/ Chaveiros e carimbos Marka, ref. Encadernação de documento 8,00 Documentos às fls. 409 não têm valor fiscal 14 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Parc. IPTU 2005 20,00 Despesa não comprovada 15 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel mês 09/2005 335,00 Comprovado às fls. 400 16 Pag. p/ José Luiz Galizi, CPF 407.984.29887, ref. Contabilidade 09/2005 60,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 17 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Conta de água e luz condomínio 16,57 Comprovado às fls. 408 18 Pago p/ Claro BCP S/A, conta telefone, débito automático 35,00 Comprovado fls. 399. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 7,00. 19 Pago p/ Vera Lúcia de Oliveira Farcci,ref. Mat. de escritório 95,00 Documento às fls. 408 não tem valor fiscal 20 Pago p/ Eletropaulo ref. Conta de luz do consultório mês 10/2005 19,72 Comprovado fls. 396 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 20 NOVEMBRO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/Telefônica ref. Conta de 1012005, pago débito automático 237,03 Comprovado fls. 414 2 Pago p/ Stillus Bazar e Papelaria Ltda ME ref. Mat de escritório 1,00 Comprovado fls. 423 3 Pag. GPS Ref. 10/2005 32,73 Comprovado fls. 417 4 Pago p/ Centro Diagnostico Mauá S/C Ltda, ref. Serv. Médicos do mês 10/2005 358,18 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 5 Pag. FGTS Ref. 10/2005 47,96 Comprovado fls. 418 6 Pago p/ Eliana Magnusson Campos Ruiz, CPF 079.992.68844 ref. audiometrias 160,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 7 Pago p/ ECT ref. Serv. de postagem 4,70 Comprovado fls. 423 8 Pag. p/ CIA Brasileira de Distribuição (EXTRA) ref. Mat. de escritório 29,90 Comprovado fls. 423 9 Pago p/ Luís Gustavo Delegrego, ref. Aluguel + IPTU mês 10/05 355,00 Comprovado às fls. 415 10 Pago p/ Inforpaper Informática e Escritório Ltda, ref. Mat. escritório 43,60 Documento às fls. 423 não tem valor fiscal 11 Pago p/ Jose Luiz Galizi, CPF 407.984.29887, ref. Contabilidade 10/2005 60,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 12 Pago p/ Sandreneuro Clinica Neurológica Santo Andre Ltda ref. 07 EEG, NF 547 140,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 13 Pago p/ Eletropaulo ref. Conta de luz do consultório ref. 11/2005 19,47 Comprovado fls. 412 14 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Água + Luz condomínio ref.11/05 13,60 Comprovado às fls. 422 15 Pago p/ BCP S/A ref. conta de telefone mês 10/2005, débito automático 35,00 Comprovado fls. 413. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 7,00. 16 Pago p/ Simone Aparecida de Morais, ref. Vale transporte ônibus 04 dias 20,00 Comprovado fls. 421 17 Pag. p/ Antonio Jose Francisco Ref. Serv. Prestados em Seg. do Trabalho 680,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 18 Pago p/ Rigio & Monteiro Bazar e Papelaria LtdaME ref. Mat. de escritório 40,00 Comprovado fls. 422 19 Pago p/ Prefeitura Municipal de Mauá ref. Taxa ISS fixo/licença 105,57 Comprovado fls. 111 e 416. Dedução já restabelecida pela DRJ 20 Pag. Ref. Saldo de Salário 11/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 103,54 Comprovado fls. 420 21 Pag. Ref. 1ª Parc. Décimo terceiro salário p/ Simone Aparecida de Morais 256,49 Comprovado fls. 419 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 454 21 DEZEMBRO/2005 HISTÓRICO SAÍDA OBSERVAÇÕES 1 Pago p/ Telefônica ref. Conta 11/2005, débito automático 367,19 Comprovado fls. 433 2 Pago p/ Centro Diagnóstico Mauá S/C Ltda, NF 1402, ref. Exames Médicos 418,81 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 3 Pago p/ Simone Aparecida de Morais ref. Vale transporte 12/2005 84,00 Comprovado fls. 436 4 Pag. p/ Valdemir dos Santos Andrade Informática ME ref. Mat. Escritório 40,00 Comprovado fls. 435 5 Pago p/ IAR Fonoaudiologia por Audiometrias realizadas 63,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 6 Pag. FGTS Ref. 11/2005 72,67 Comprovado fls. 434. Dedução já restabelecida pela DRJ 7 Pago p/ Carrefour ref. Mat de escritório e limpeza 21,19 Comprovado o valor de R$ 21,10 às fls. 436 8 Pago p/ Eliana M. Campos Ruiz,CPF 079.992.688 44 ref. Audiometrias 160,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 9 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. IPTU 2005 20,00 Comprovado fls. 437 10 Pago p/ Jose Luiz Galizi CPF 407.984.29887, ref. Contabilidade 11/2005 60,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 11 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Aluguel 11/2005 335,00 Comprovado fls. 437 12 Pago p/ Luis Gustavo Delegrego, ref. Conta de água e Luz do corredor do mês 12/2005 12,45 Comprovado às fls. 437 13 Pag. p/ Antonio Jose Francisco ref. Serv. Prestados em Seg. do Trabalho 600,00 Despesa em desacordo com o art.6.º, I, da Lei n.º 8.134/1990. 14 Pago p/ Eletropaulo eletricidade, ref. Conta de luz mês 12/2005 do consultório 19,75 Comprovado fls. 431 15 Pago p/ BCP S/A, ref. Conta de telefone mês 11/2005, debito automático 35,00 Comprovado fls. 432. Admitida a dedução de 1/5 da despesa comprovada, que corresponde a R$ 7,00. 16 Pag. Ref. Saláriohora 12/2005 p/ Simone Aparecida de Morais 302,94 Comprovado fls. 438 17 Pag. Ref. 2ª Parc. 13° Salário p/ Simone Aparecida de Morais 216,90 Comprovado fls. 438 3. Da multa de 75% Sustenta o Recorrente que a multa de 75% sobre o imposto é absurda, já que, no presente caso, não estamos falando de um contribuinte que não apresentou seus documentos devidamente; os documentos pertinentes foram apresentados, mas, por conta de discussões administrativas ou interpretativas, não foram aceitos. O argumento não procede. Primeiramente, porque o Código Tributário Nacional prescreve, em seu artigo 136, que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. As multas de lançamento de ofício estão previstas no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996: Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 22 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...]. A multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, acima transcrito, é lançada sempre que existe diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, tal como ocorreu no presente caso, de revisão de declaração (malha IRPF) – vide fls. 88 a 92, e incide sobre aquela diferença. A aplicação da referida multa, portanto, não é escolha do agente da Fiscalização, mas decorre de imposição legal. É que a atividade administrativa é plenamente vinculada à lei, e, por esse motivo, não cabe à autoridade fiscal decidir se aplica ou não a multa prevista, assim como não lhe compete julgar se o percentual de multa determinado pelo legislador é razoável ou absurdo, afastando a aplicação da lei tributária quando entender adequado. Sendo assim, ocorrendo a hipótese prevista na lei, no caso, a falta de pagamento ou recolhimento do tributo, a autoridade administrativa não tem outra escolha a não ser proceder ao lançamento do tributo e aplicar a multa prevista, por força do artigo 142 do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre a razoabilidade da multa de ofício estipulada na lei, haja vista que, como dito, a fixação do percentual das penalidades aplicáveis é atribuição do legislador. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções com despesas escrituradas em livro Caixa no valor de R$ 16.336,21, além das deduções já restabelecidas em primeira instância (R$ 1.047,76). (assinado digitalmente) ________________________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 477DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000686/200973 Acórdão n.º 210101.413 S2C1T1 Fl. 455 23 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017448/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa: PPREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SOCIEDADE
COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES
AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP.
MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA
PROVISÓRIA 2.16840/
2001).
1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP
foi
instituída em substituição às contribuições da mesma
espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas
a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI,
SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR)
(Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro
Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004,
DJ 06.09.2004).
2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse
que: (i) A
Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST
e do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Transporte SENAT,
dispôs que:
"Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a
partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas
atuais contribuições compulsórias das empresas de
transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da
remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a
todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto
Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI,
e do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial SENAI,
que passarão a ser
recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte –
SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Transporte SENAT,
respectivamente; II pela
contribuição mensal compulsória dos transportadores
autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos
por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente,
do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A
arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos
incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência
Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST
e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a
que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às
mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive
no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às
contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo
INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3
de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840,
de
24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço
Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP,
preceitua que:
"Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A
referida contribuição é instituída em substituição às
contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas
sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998,
destinadas ao: I Serviço
Nacional de Aprendizagem
Industrial SENAI;
II Serviço
Social da Indústria SESI;
III Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC;
IV Serviço
Social do Comércio SESC;
V Serviço
Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT;
VI Serviço
Social do Transporte SEST;
VII Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural SENAR.
§ 3o A
partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam
desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades
mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência
até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos,
multas e juros."
3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional
de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP,
a
natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no
setor de transporte de cargas, passou a ser fator
preponderante para fins de recolhimento da contribuição
corporativa respectiva em substituição das contribuições
destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S",
razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições
destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma. 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição
das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo
SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos
de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência
pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao
SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de
transportes. Houve apenas alteração da destinação do
tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o
SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para
o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008,
DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo
Tribunal de origem no sentido de que as empresas
enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT
estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais
destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n.
8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o
SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte.
(...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José
Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ
02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu
adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes
que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando,
apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)"
(REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira
Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...)
Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas
transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas
pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas
obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o
SEBRAE, concluise
pela legalidade desta última
contribuição pelas empresas de transporte rodoviário
vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel.
Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em
04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A
Lei nº
8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições
recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o
SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem
suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática
de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel.
Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em
28.10.2003, DJ 09.12.2003).
5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização,
bem como os argumentos do relator originário, notadamente
em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento,
pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade,
situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento
jurídico 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em
pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as
demais entidades integrantes do referido sistema.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao recurso, nos termos do voto vista vencedor, redator(a) designado Amilcar Barca Teixeira
Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: PPREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/ 2001). 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma. 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Recurso Voluntário Provido
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CUSTEIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/2001). 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 73 2 da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 74 3 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 75 4 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista vencedor, redator(a) designado Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Amilcar Barca Teixeira Junior Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 76 5 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de repasses aos segurados cooperados – motoristas de táxi, por serviços prestados a terceiros e intermediados pela cooperativa, onde não houve repasse ao SEST/SENAT. A DecisãoNotificação – fls 58 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • A contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) substitui a contribuição até então devida pelas cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema S. Por isso, sendo a COOPERTAXI um autêntica cooperativa de transporte, não cabe o desconto do tributo ao Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat). • O Sest e Senat foram criados pela Lei n. 8.706/93, o primeiro, com o objetivo de desenvolver programas nos campos de alimentação, saúde, cultura, lazer e segurança no trabalho para o trabalhador em transporte rodoviário e para o transportador autônomo; e o segundo, na preparação, treinamento, aperfeiçoamento e formação profissional. As rendas são compostas de contribuições compulsórias das empresas de transporte, calculadas sobre o montante de remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e de contribuição mensal dos transportadores autônomos. Antes, essas contribuições eram devidas ao Sesi e ao Senai. • A COOPERTAXI está dispensada das contribuições ao Sest/Senat, antes exigida pela lei, pois só realiza operações com cooperados e não com autônomos. • O SESCOOP, por sua vez, foi criado pela Medida Provisória 1.715/98 (atual MP 2.16840, de agosto de 2001) com o objetivo de organizar, administrar e executar, em todo o território nacional, o ensino de formação profissional, desenvolvimento e promoção social do trabalhador em cooperativa e dos cooperados. O sistema é mantido pelas próprias cooperativas que contribuem com um valor de 2,5% sobre a folha de pagamento dos seus empregados. • Requer sejam consideradas as razões recursais ora apresentadas, com o escopo de se lhe dar provimento integral, a fim de reformar o acórdão local e tornar sem efeito a autuação levada a efeito em função da decretação da nulidade formal e material do auto de infração em causa. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 77 6 É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 78 7 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O ponto controverso cingese a definir a responsabilidade da cooperativa no recolhimento das verbas ao SEST/SENAT em razão de serviços de transporte prestados por seus segurados e com sua intermediação. Inicialmente esclarecemos que os valores devidos ao SESCOOP têm como base de cálculo a remuneração paga aos empregados das cooperativas e não os valores repassados aos segurados, como no caso sob exame. A lei 8.706/93, que institui o SEST/SENAT, assim determina: Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: ... II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; O decreto 1007/93 traz Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: I empresa de transporte rodoviário: a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia; II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1992. 1° O disposto no inciso I deste artigo abrange, também, as empresas que, embora não tenham como atividade principal ou preponderante o transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, realizam a referida atividade. 2° No caso previsto no parágrafo anterior, as contribuições a que se referem os incisos I, letra a , e II, letra a , do art. 1° deste decreto serão calculadas sobre o montante da remuneração paga pelo estabelecimento contribuinte aos seus Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 79 8 empregados diretamente envolvidos na atividade de transporte rodoviário. (...) § 3° As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; b) pelo transportador autônomo, nos casos em que prestar serviços a pessoas físicas. Art. 3° A arrecadação e fiscalização das contribuições compulsórias de que trata este decreto serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao Sest e ao Senat, por meio de convênios. Completando o quadro legal incidente sobre tais exações, temos a IN INSS/ DC n°100/2003 e IN SRP n° 03 de 14 de julho de 2005. IN 100/03 Art. 295. As cooperativas de trabalho e de produção estão sujeitas às mesmas obrigações previdenciárias das empresas em geral, em relação: () § 2° A cooperativa de trabalho, na atividade de transporte, em relação à remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual que lhe presta serviços e a cooperado pelos serviços prestados com sua intermediação, deve reter e recolher a contribuição do segurado transportador autônomo destinada ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENA T), observados os prazos previstos nos arts.102 e 105. IN 003/2005 Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3° da Lei n° 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. ... §9º O condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), o auxiliar de condutor autônomo, bem como o cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, estão sujeitos ao pagamento da contribuição para o Serviço Social do Transporte SEST e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, conforme disposto no art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, que será calculada mediante a Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 80 9 aplicação da alíquota prevista na tabela constante do Anexo III sobre a base de cálculo definida no §2° do art. 69, ambos desta IN. § 10. A contribuição referida no § 9º , para cujo cálculo não se observará o limite máximo do salário de contribuição, deverá ser: (NR dada pela IN nº 20, de 11.01.07) (...) III descontada e recolhida pela cooperativa, quando se tratar de cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos. Fica assim demonstrado que as cooperativas de motoristas de táxi devem reter e recolher as verbas devidas pelos seus cooperados, a título de SEST/SENAT, não se confundindo com os valores devidos ao SESCOOP que, como já explicitado, é ônus da cooperativa e incide sobre a sua folha de pagamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 81 10 VOTO VENCEDOR Solicitei vista destes autos por discordar do voto do i. Relator, notadamente por se tratar de assunto até certo ponto dissonante entre as entidades componentes do denominado Sistema “S”, em especial, quando surge nova entidade dessa natureza no âmbito do referido Sistema. A discussão em relação ao recolhimento da contribuição de terceiros (Sistema “S”) não é recente. O próprio sistema SEST / SENAT, quando criado, enfrentou esse tipo de problema em relação, por exemplo, ao Sistema SESI / SENAI, que pela perda de receitas, entendiam pela ilegalidade da criação do Serviço Social Autônomo na área de transporte. Em virtude dos embates entre referidas entidades, o assunto foi judicializado, chegando, inclusive, ao STJ, onde restou sedimentado que a criação, por lei, do SEST / SENAT, bem como a canalização das contribuições das empresas do ramo transporte para o Serviço Social Autônomo próprio, estava correta. A criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, como era de se esperar, também causou sérios abalos nas entidades mais antigas (SESI / SENAI, SEST / SENAT, SENAR, entre outras), obviamente pela perda de receitas que migrariam delas para a novel entidade. A discussão pelas receitas também chegou ao STJ, conforme se pode observar da ementa do REsp nº 986.273 – SC, abaixo transcrito. RECURSO ESPECIAL Nº 986.273 SC (2007/02155633) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : SERVIÇO SOCIAL DO TRANSPORTE SEST E OUTRO ADVOGADO : RODRIGO JOSÉ MACHADO E OUTRO(S) RECORRIDO : COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA COOPERCARGA ADVOGADO : ANTONIO BONIFACIO SCHMITT FILHO E OUTRO(S) INTERES. : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : REPR. POR PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/2001). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 82 11 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente ; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária ; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios . § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP : (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 83 12 III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Conseqüentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma. 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 84 13 transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. In casu, cuidase de mandado de segurança em que cooperativa de transporte pretende que não lhe sejam cobradas as contribuições destinadas ao SEST e SENAT, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, tendo em vista sua substituição pelo SESCOOP. 6. Recurso especial desprovido. (grifouse e negritouse) Como se pode observar da ementa acima transcrita, não há como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico. Com a criação do Serviço Nacional de aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Redator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 85 14 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 16004.000618/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2302-001.249
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 90DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000618/200916 Acórdão n.º 230201.249 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 112/08/2009, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. De acordo com o relatório fiscal da infração, fl.08/09, a autuada, regularmente intimada através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, não apresentou os Livros Diário do período de 01/2004 a 12/2006. Após a impugnação, Acórdão de fls. 65/70, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo a reforma da decisão recorrida para desconstituir a autuação por insubsistente, já que não havia MPF válido para respaldála e subsidiariamente requer o afastamento da SELIC por ilegal e inconstitucional e da multa por ser confiscatória. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 65/70, em 17/09/2010, fls.73, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 20/09/2009, fruindo até 19/10/2009. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 20/10/2010, conforme protocolo de fl.74, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000618/200916 Acórdão n.º 230201.249 S2C3T2 Fl. 3 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 18088.000604/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a
arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência.
SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais
da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual, quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex
Tributário.
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ.
APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a
jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual.
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços,
enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção,
podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do
contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.116
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine
Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual, quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do Fl. 204DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 902 3 lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Relatório LUPO SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão n° 1230.670/2010, às fls. 866/881, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal correspondentes a parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 191/236, concernentes aos seguintes levantamentos: 1) ALU ALUGUEL LUIS CLAUDIO MARROCO período de 01 e 02, 04 a 07, 09, 10 e 12/2004 — aluguel imóvel pago para moradia de Luis Cláudio Marroco considerado salário de contribuição previdenciário; 2) SUL — ASSIST MEDICA SUL AMERICA — período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 3) AMD — ASSIST MED DlF CONTAB FOL PGTO período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 4) AME — ASSIST MED EMPREG período de 01 a 12/2004 concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 5) AMC — ASSIST MED CONTR INDIV período de 01 a 06 e 12/2004 concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário referente a contribuintes individuais; 6) SVE — SEGURO DE VIDA EMPREGADOS — período de 01 a 12/2004 concessão de seguro de vida em grupo considerado salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 7) VT — VALE TRANSPORTE — período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; 8) RPF — REPRES PESSOA FISICA — período de 04/2004 e 10/2004 — pagamento de valores a pessoas jurídicas ainda não constituídas; 9) D1C VIAGEM CONTA 30203010500012 — período de 07, 08 e 11/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; 10) D1E VIAGEM CONTA 30203010500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 11) D2C VIAGEM CONTA 30203020500012 — período de 02 a 07, 09 a 12/2004 reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; Fl. 206DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 903 5 12) D2E VIAGEM CONTA 30203020500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 13) D3E — VIAGEM CONTA 30103010500012 — período 01, 05 e 07 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 14) FLC — FLORIO CONFECCOES período de 02 a 12/2004 — pagamento de valores com Florio Confecções no histórico sem qualquer comprovante; 15) PRO PROMOTORAS 30203020900029 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de com atividade laboral não comprovadas; 16) PRE — PREMIO DEMONSTRADORAS período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com histórico prêmio demonstradoras; 17) CON — CONVENCAO 30203020900027 — período de 01, 06, 11 e 12/2004 valores dispendidos com contratação de pessoas físicas apropriados na conta contábil 30203020900027; 18) CIN CONTR INDV NAO DECLARADO — período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com contribuintes individuais apropriados na contabilidade; 19) DPJ — DESCONSIDERACAO PJ — período de 01 a 06 e 08 a 12/2004 — valores pagos a empregado mascarado em pessoa jurídica; Tratase de Auto de Infração (Antiga NFLD), lavrado em 24/11/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 1.196.150,19 (Um milhão, cento e noventa e sei mil, cento e cinqüenta reais e dezenove centavos). Irresignada com a autuação, a contribuinte interpôs impugnação, às fls. 245/216, ressaltando que seu inconformismo diz respeito, exclusivamente, às rubricas assistência médica, transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, uma vez ter promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem reconhecer a insubsistência parcial do feito, excluindo do lançamento a rubrica Assistência Médica, com esteio na jurisprudência administrativa, no sentido de que a concessão de planos diferenciados entre os funcionários não desnatura tal verba, não se cogitando, portanto, na incidência de contribuições previdenciárias. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 245/266, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa os argumentos lançados em sua defesa inaugural, a propósito do seu insurgimento tão somente em relação às rubricas transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, tendo promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes Fl. 207DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”, e excluídas contribuições previdências incidentes sobre os valores pagos a título de assistência médica. Contrapõese ao presente lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, devidamente elencadas nos autos, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Quanto aos valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, infere que o fato de a contribuinte somente descontar 4% de participação dos beneficiários não afasta a natureza indenizatória de aludida verba, sobretudo quando o percentual de 6% contemplado na legislação de regência é o teto de referida importância, não podendo a quantia suportada pela empresa ultrapassar tal percentual, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. A fazer prevalecer seu entendimento, transcreve no bojo da peça recursal jurisprudência administrativa e judicial a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da empresa, especialmente julgado do Supremo Tribunal Federal, reafirmando o caráter indenizatório da verba em comento. No que tange às importâncias pagas a título de despesas de viagens, reitera o pedido de diligência/perícia formulado na sua impugnação, com o fito de oportunizar o levantamento dos documentos comprobatórios de aludidas despesas, de maneira a corroborar a documentação já colacionada aos autos. Assevera que o lançamento fora promovido com base na escrituração contábil da contribuinte, deixando a autoridade fazendária de compulsar os documentos ofertados pela autuada quando da ação fiscal, o que justifica a realização de perícia nesta oportunidade para a sua devida análise. Em defesa de sua pretensão, argumenta que alguns valores concernentes a despesas de viagens são insuscetíveis de comprovação, mas nem por isto pode se duvidar da sua existência, como, por exemplo, as importâncias gastas com táxi, ônibus, metrô, etc, os quais, em sua maioria, não fornecem documentos de comprovação. Opõese à exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos Conselheiros do Conselho de Administração a título de reembolso de despesas de viagens, aduzindo para tanto que referidos beneficiários não são segurados empregados que prestam serviços à empresa, inexistindo, portanto, fato gerador do tributo ora exigido. Relativamente à rubrica “Promoção de Vendas”, onde o fiscal autuante considerou as despesas de viagens das promotoras de vendas, insurgese contra a pretensão fiscal, utilizando como esteio à sua empreitada os mesmos fundamentos acima aduzidos, mormente quando o valor admitido pelo Fisco, na maioria dos casos, diverge do lançamento na escrituração contábil. No que concerne aos “Prêmios Demonstradoras”, onde se exige contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de prêmio aos representantes comerciais, igualmente, entende que os argumentos da fiscalização não encontram amparo legal ou fático, eis que concedidos unicamente aos representantes comerciais que mantêm em seus quadros funcionários promotores de vendas. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 904 7 Esclarece que as vendas da empresa são feitas a partir de comissões pagas aos representantes comerciais autônomos (Lei nº 4.886/1965) que, em algumas oportunidades, contratam promotores de vendas, vinculados exclusivamente a eles, com a finalidade de aumentar a lucratividade, recebendo, nestes casos, prêmios a título de estímulo em face do empenho demonstrado na divulgação do produto, não caracterizando, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. Acrescenta que a afirmação do Fisco de “que os pagamentos eram concedidos a pessoas jurídicas, os montantes foram considerados como repasse a contribuinte individual”, não tem o condão de prosperar, tendo em vista que pagamentos a pessoas jurídicas, sem que se desconsidere a personalidade jurídica, não pode ser considerado repasse a contribuintes individuais, sob pena, inclusive, de bin in idem, porquanto tais empresas já promovem o recolhimento dos tributos devidos incidentes sobre as remunerações dos promotores de vendas. Por sua vez, em relação à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fiscont Assessoria Fiscal e Contábil S/S Ltda, defende que o Sr. Tuyoshi Futata, de fato, fora por longo período empregado da autuada. No entanto, após a sua aposentadoria, constituiu pessoa jurídica e começou a prestar serviços à recorrente, notadamente por conta de sua experiência contábil e conhecimento da contribuinte, o que não demonstra qualquer vínculo empregatício, inexistindo subordinação e/ou cumprimento de horários pré estabelecidos. Ressalta, ainda, a prestação de serviços a outras empresas (Comercial Lupo SA e Condomínio Shopping Lupo SA). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, mais precisamente do Relatório Fiscal, às fls. 191/236, o crédito tributário objeto da presente Autuação fora constituído com base nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa, assim consideradas as inúmeras verbas concedidas àqueles segurados, bem como outra rubrica decorrente da desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviços e caracterização do sócio como empregados da autuada. Em sede de impugnação a contribuinte manifestou inconformismo exclusivamente em relação aos levantamentos relativos à assistência médica, transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, uma vez ter promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”. Por sua vez, os julgadores de primeira instância decretaram a improcedência parcial do crédito previdenciário, afastando a tributação sobre as verbas pagas a título de Assistência Médica, por entender não ser necessária a sua concessão de maneira idêntica a todos segurados empregados e diretores da empresa. Ainda irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando seus argumentos a propósito da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas inicialmente combatidas, com exceção do plano de assistência médica, já afastada pelo Acórdão recorrido. PRELIMINAR REALIZAÇÃO PERÍCIA Preliminarmente, reitera pedido de diligência formulado na sua defesa inaugural, objetivando oportunizar o levantamento dos comprovantes das despesas realizadas a título de viagens, de maneira a corroborar a documentação já colacionada aos autos, sobretudo em razão de o lançamento ter sido promovido com arrimo na escrituração contábil da contribuinte, deixando a fiscalização de compulsar os documentos ofertados pela empresa quando da ação fiscal, o que justifica a realização de perícia nesta oportunidade para a sua devida análise. Observase, que relativamente ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a então impugnante não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter parte do lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despicienda a produção de prova pericial. Com efeito, a realização de perícia se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento Fl. 210DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 905 9 nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Nesse contexto, o pedido de produção de prova pericial é desprovido de qualquer elemento motivador, eis que bastaria a recorrente ter apresentado a documentação exigida pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, para afastar a tributação sobre os valores concedidos a título de despesas viagens, desnecessário para tanto qualquer meio de produção de prova pericial. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, elencadas nos autos, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais ainda objeto de contestação, quais sejam, Despesas Viagens, Promoção de Venda, Fl. 211DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 Prêmios Demonstradoras, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das inúmeras verbas lançadas na presente notificação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 212DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 906 11 art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 213DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 214DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 907 13 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos em uma das hipóteses de não incidência e/ou isenção elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte somente se insurgiu contra a tributação de parte das verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, senão vejamos: a) DESPESAS VIAGENS E PROMOÇÃO DE VENDAS – Reembolso de despesas de viagens e promoção de vendas, sem a devida comprovação. Relativamente a estas verbas a contribuinte solicitou a conversão do julgamento em diligência, com a finalidade de colacionar aos autos os comprovantes das despesas, na forma que exige a legislação de regência. Ressaltou, ainda, que parte de tais despesas, em razão da própria natureza, não oferecem condições à comprovação, sendo impossível apresentar à fiscalização os documentos requeridos necessários a afastar a tributação. Observese, que a própria argumentação da contribuinte oferece guarida a pretensão fiscal. Com efeito, referidas despesas com viagens e/ou deslocamentos, com fulcro no artigo 28, § 9°, incisos “h” e “m”, da Lei n° 8.212/91, exigem a sua comprovação, objetivando, inclusive, demonstrar que não excederam 50% da remuneração dos empregados. Assim, como a recorrente em nenhuma fase processual logrou comprovar aludidas despesas mediante documentação hábil e idônea, não há como se acolher o seu pleito. b) PRÊMIO DEMONSTRADORAS valores dispendidos com histórico premio demonstradoras. No que concerne a esta rubrica, considerou a fiscalização como remuneração aludidas verbas pagas a contribuintes individuais, assim considerados os prestadores de serviços dos representantes comerciais, uma vez que a empresa não logrou comprovar que tais pagamentos eram, de fato, realizados a pessoas jurídicas, mas, sim, destinados a gratificações a “free lancer”. Por sua vez, opõese à recorrente à conclusão fiscal, aduzindo que a caracterização desses pagamentos como remuneração de contribuintes individuais somente Fl. 215DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 14 poderia ser levada a efeito com a desconsideração da personalidade jurídica dos representantes comerciais. Não obstante as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado, igualmente, não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando não demonstrou que tais pagamentos, de fato, se destinavam a pessoas jurídicas, constando de sua contabilidade, inclusive, os termos “free lancer” e “regist”, dando a entender que se destinam a prestadores de serviços contribuintes individuais. Diante de tais considerações, em que pese o esforço da contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, não se cogitando na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados e/ou contribuintes individuais as verbas encimadas, ser levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas importâncias, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. c) VALE TRASPORTE período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; Em que pese se tratar de caracterização de salário indireto pela fiscalização, o que determinaria sua análise com as demais verbas acima contempladas, examinaremos a rubrica em epígrafe de forma apartada, em razão de suas peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência atual de nossos Tribunais Superiores. Ao promover o lançamento, o ilustre fiscal autuante constatou que a empresa concede valetransporte aos segurados empregados, descontando 4% das respectivas remunerações a título de reembolso, o que malfere a legislação de regência que estabelece que referido desconto, nos vencimentos dos laboradores, será equivalente a 6%, salvo quando expressamente autorizada dedução a menor mediante Acordo ou Convenção Coletiva, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Neste sentido, considerou a fiscalização a diferença de 2% como salário indireto dos funcionários. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 908 15 Em suas razões recursais, precipuamente, aduz a contribuinte que os valores concedidos aos segurados empregados a título de ValeTransporte possuem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme o Supremo Tribunal Federal reconheceu nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/2010. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a legislação de regência estabeleceu o percentual de 6% como teto do desconto nas remunerações dos beneficiários, não impedindo que seja procedido em percentuais menores, como aqui se constata. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Supremo Tribunal Federal afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, ainda que pago em pecúnia, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, consoante se positiva do Acórdão assim ementado: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” É bem verdade que a decisão com sua ementa acima transcrita não transitou em julgado, ou seja, não se tornou definitiva, de maneira a fazer incidir o permissivo regimental constante do artigo 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, nos seguintes termos: Fl. 217DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 16 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Destarte, extraise do andamento processual no site do Supremo Tribunal Federal que o Acórdão em comento fora objeto de Embargos de Declaração por parte da Procuradoria, estando, desde 13/06/2011, concluso para o Relator. Assim, em tese, não seria viável o acolhimento da pretensão da contribuinte, reconhecendo a natureza indenizatória do ValeTransporte, na forma que o STF decidiu, diante da não definitividade de tal decisão. Entrementes, é de bom alvitre destacar que o Superior Tribunal de Justiça, que já vinha reconhecendo a natureza indenizatória da verba em questão, salvo quando concedida em pecúnia, vem reiterando sua conclusão, adotando, inclusive, o entendimento do STF, quando o pagamento se der em espécie, o que não seria capaz de desnaturar seu caráter indenizatório, como se observa dos recentes julgados com as seguintes ementas: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. CÁLCULO EM SEPARADO. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (Resp 1.066.682/SP). VALETRANSPORTE. VALOR PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção, em recurso especial representativo de controvérsia, processado e julgado sob o regime do art. 543C do CPC, proclamou o entendimento no sentido de ser legítimo o cálculo, em separado, da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, a partir do início da vigência da Lei 8.620/93 (REsp 1.066.682/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 1º/2/10) 2. O Superior Tribunal de Justiça reviu seu entendimento para, alinhandose ao adotado pelo Supremo Tribunal Federal, Fl. 218DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 909 17 firmar compreensão segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte devido ao trabalhador, ainda que pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. 3. Agravo regimental parcialmente provido.” (Primeira Turma do STJ, AgRg no REsp 898932 / PR, Rel.: Ministro Arnaldo Esteves Lima – Dje 14/09/2011 – Unânime) (grifamos) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR 1. Com a decisão tomada pela Excelsa Corte, no RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, em que se concluiu ser inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, houve revisão da jurisprudência deste Tribunal Superior, a fim de se adequar ao precedente citado. Assim, não merece acolhida a pretensão da recorrente, de reconhecimento de que, "se pago em dinheiro o benefício do valetransporte ao empregado, deve este valor ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias". 2. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 25.3.2011; e AR 3.394/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.9.2010. 3. Recurso especial não provido.” (Segunda Turma do STJ REsp 1257192 / SC, Rel.: Ministro Mauro Campbell Marques – Dje de 15/08/2001 Unânime) (grifamos) Partindo dessas premissas, inobstante ainda não ter ocorrido a definitividade da decisão do STF a propósito do tema, em face de oposição de Embargos de Declaração, além da remotíssima possibilidade de reforma do julgado, com acolhimento de efeitos infringentes ao recurso da Procuradoria, não podemos olvidar que o próprio Superior Tribunal de Justiça já vem acolhendo o entendimento do Pretório Excelso, não fazendo sentido a esta Corte Administrativa aguardar um simples formalismo processual, em detrimento ao entendimento dos dois Órgãos máximos do Poder Judiciário, sobretudo em face da economia processual, evitando demandas despiciendas no âmbito Judicial. Mais a mais, a jurisprudência deste Colegiado é firme e mansa no sentido de acolher entendimentos já sedimentados no âmbito dos Tribunais Superiores, senão vejamos: “NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é competente para apreciar matéria constitucional. No entanto, a constitucionalidade das leis deve ser presumida e apenas quando pacífica a jurisprudência, consolidada pelo STF, será merecida consideração da esfera administrativa. Preliminar rejeitada. COFINS. Em Sessão plenária de 01.12.93, no julgamento de Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em decisão unânime, declarou constitucional a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, criada pela Lei Complementar nº 70/91. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 18 Recurso negado.” (3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Processo n° 10880.041416/9373, Acórdão n° 20308023 – Rel.: Lina Maria Vieira) Encampando o entendimento acima, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF já se manifestou a propósito da matéria, adotando posicionamento consolidado na esfera Judicial, reconhecendo a natureza indenizatória das verbas pagas a título de ValeTransporte, como segue: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/12/2006 VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDEN1ZATÓRIA. NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO, DECRETO 95,247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85, O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto n. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n, 7.418/85. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.” (1a TO da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 14041.001392/200818 – Acórdão n° 230101.476, Sessão de 08/06/2010) (grifamos) Na esteira da jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, uma vez reconhecida à natureza indenizatória do Vale Transporte, não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, sobretudo quando se pautou em simples diferença de percentual de desconto nas remunerações dos beneficiários, o que se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja excluído do crédito tributário referida rubrica. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURIDICA Por derradeiro, contrapõese a contribuinte à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fiscont Assessoria Fiscal e Contábil S/S Ltda, sob o argumento de que o Sr. Tuyoshi Futata, de fato, fora por longo período empregado da autuada. No entanto, após a sua aposentadoria, constituiu pessoa jurídica e começou a prestar serviços à recorrente, notadamente por conta de sua experiência contábil e conhecimento da contribuinte, o que não demonstra qualquer vínculo empregatício, inexistindo subordinação e/ou cumprimento de horários pré estabelecidos. Ressalta, ainda, a prestação de serviços a outras empresas (Comercial Lupo SA e Condomínio Shopping Lupo SA). Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais Fl. 220DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 910 19 (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não mais vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO – DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário”. 2. Parecer pelo não conhecimento da avocatória. Precedente Parecer/CJ nº 330/1995.” “EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.” Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Fl. 221DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 20 “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais do vínculo empregatício, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização do prestador de serviços (funcionário da pessoa jurídica desconsiderada) como segurado empregado, foi muito feliz em sua empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, consoante se positiva do Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 85/126, não havendo dúvidas quanto à regularidade do feito. Constatase, assim, que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência, demonstrando circunstanciadamente os fatos que ensejaram a constituição do crédito previdenciário, impondo a manutenção da autuação relativamente a este levantamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000604/200864 Acórdão n.º 2401002.116 S2C4T1 Fl. 911 21 Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 22 Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para excluir do lançamento a rubrica Vale Transporte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 224DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10925.001809/2005-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/12/2003
MULTA – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - Sendo inquestionável que o fato se identifica com a infração prevista na lei, e não havendo qualquer dúvida quanto à penalidade imputada, autoria, gradação, não há como
afastar a multa por consideração às circunstâncias especiais do caso, tendo em vista a vedação prevista no §6º do art. 150 da Constituição Federal.
Numero da decisão: 9101-000.765
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2003 MULTA – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - Sendo inquestionável que o fato se identifica com a infração prevista na lei, e não havendo qualquer dúvida quanto à penalidade imputada, autoria, gradação, não há como afastar a multa por consideração às circunstâncias especiais do caso, tendo em vista a vedação prevista no §6º do art. 150 da Constituição Federal.
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Matéria Multa - DCTF Recorrente Fazenda Nacional Interessado G.A.Vasconcellos Engenharia Ltda ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2003 MULTA – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - Sendo inquestionável que o fato se identifica com a infração prevista na lei, e não havendo qualquer dúvida quanto à penalidade imputada, autoria, gradação, não há como afastar a multa por consideração às circunstâncias especiais do caso, tendo em vista a vedação prevista no §6º do art. 150 da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREIRAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10925.001809/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.765 CSRF-T1 Fl. 2 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Insigne Procurador da Fazenda Nacional, contra decisão da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n° 303-35.100 que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso e cancelou a penalidade imposta ao contribuinte por atraso na entrega da DCTF, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2003 Normas gerais de direito tributário. Interpretação da legislação. Dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato definido como infração. O adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória é fato caracterizador de infração ao ordenamento jurídico e enseja o lançamento da penalidade pecuniária cominada em norma vigente, se ausentes dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato definido corno infração. Dúvidas relacionadas a limitações técnicas (congestionamento) do sistema transmissor de declarações do computador do sujeito passivo para a base de dados da Receita Federal afastam do contribuinte a responsabilidade pelo atraso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O recurso especial foi interposto com fulcro no artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº Portaria MF n° 147/2007, alegando a PFN contrariedade ao art. artigo 7º da Lei n° 10.426/2002 e ao § 2° do artigo 2º da Instrução Normativa SRF n° 126/1998, que determina que a DCTF deve ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Argumenta a Fazenda Nacional, inclusive, que o prazo concedido aos contribuintes para a entrega da DCTF é extenso, atingindo 45 (quarenta e cinco) dias a contar do fechamento do trimestre cujas ocorrências devem ser informadas. E que os contribuintes que optam por transmitir a DCTF no último dia do prazo estão sujeitos a uma série de intempéries, de diversas ordens, inclusive no que concerne à eventual sobrecarga dos sistemas da Secretaria Receita Federal. E mais, que não se trata de fato extraordinário, mas de ocorrência conhecida por todos, fato ordinário, possível e previsível. E aduz: No convívio social, diversos são os atos sujeitos ao cumprimento de prazos, tanto nas relações tributárias, quanto trabalhistas, cíveis, dentre outros. Necessário se faz, assim, que as pessoas físicas e jurídicas tenham o devido zelo para a prática destes nos dias especificados, sob pena de inadimplência ou anulação. Tais limites são impostos para que as relações se dêem de forma organizada, de modo que os cidadãos possam ter prévio Fl. 52DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10925.001809/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.765 CSRF-T1 Fl. 3 3 conhecimento do momento adequado para a realização dos atos que lhe cabem, assim como dos atos atinentes aos demais cidadãos, em respeito à segurança jurídica, principio esculpido e resguardado pela Constituição Federal. Requer a PFN, a restauração integral da decisão de primeira instância. A presidência da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso por atendidos os requisitos legais. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10925.001809/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.765 CSRF-T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os requisitos legais para seu seguimento, devendo ser conhecido. O litígio se instaurou em relação à multa imposta à interessada, motivada por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo. Segundo a denúncia fiscal, a declaração relativa ao último trimestre de 2003, que deveria ter sido apresentada até 13 de fevereiro de 2004, somente foi transmitida no dia 16 daquele mês. Nas razões de defesa, o contribuinte alegou ter transmitido a declaração no primeiro dia útil posterior ao vencimento, porque falha ocorrida no sistema de recepção (congestionamento ou erro) no dia 13 de fevereiro de 2004, sexta-feira, o impediu de fazê-lo com guarda do prazo legal. A Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, cancelou a penalidade seguindo o voto do Relator, que expressou a seguinte motivação: “Da análise dos autos, para a solução deste litígio, busco apoio em quatro fatos relevantes e não controvertidos: (I) entrega da DCTF relativa ao último trimestre de 2003 no primeiro dia útil subseqüente ao prazo fixado em norma legal; (2) existência de norma no ordenamento jurídico vigente com previsão de multa por adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória; (3) sujeito passivo da obrigação acessória alega impedimento da transmissão dos dados do seu computador para a base de dados do sujeito ativo no dia 13 de fevereiro de 2004, sexta-feira, provocado por congestionamento ou erro do sistema disponibilizado pela Receita Federal; e (4) órgão judicante de primeira instância administrativa admite a possibilidade da ocorrência de ‘problemas de congestionamento de linha, principalmente no final do expediente’. Assim, entendo caracterizada dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato definido como infração, porquanto é possível que a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária com um dia útil de atraso seja decorrente de dimensionamento a menor da capacidade operacional do sistema recepcionador de declarações da Receita Federal. Por outro lado, quando fixa as regras de aplicação da legislação tributária, o CTN, no seu artigo 112, inciso II, determina: Fl. 54DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10925.001809/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.765 CSRF-T1 Fl. 5 5 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Com essas considerações, interpreto da maneira mais favorável ao sujeito passivo da obrigação tributária acessória a norma jurídica que define a infração objeto deste litígio e dou provimento ao recurso voluntário. A vista dos argumentos acima despendidos para exonerar o contribuinte da penalidade, não me parece que a questão tenha merecido adequada abordagem pela Câmara, senão vejamos. O que o órgão julgador fez, de fato, não foi interpretar mais favoravelmente a lei tributária que define infração ou comina penalidade, em razão de dúvida quanto a qualquer aspecto mencionado no art. 112 do CTN. O art. 7º da Lei nº 10.426/2002 dispõe: “Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - D1RF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, sujeitar-se-á às seguintes multas. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) (...) II - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º”; Pois bem. No presente caso o julgador não apontou onde estaria sua dúvida. O fato, capitulado no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, está perfeitamente identificado, quer quanto a sua natureza, quer quanto às suas circunstâncias materiais: ocorreu entrega (transmissão) da DCTF após o prazo determinado pela SRF. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10925.001809/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.765 CSRF-T1 Fl. 6 6 Também não há qualquer dúvida quanto à natureza ou extensão dos efeitos do fato: infração à legislação punível com a multa de que se trata. Não se vislumbram incertezas quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade. A natureza da penalidade é a multa pecuniária e sua graduação não dá margem à dúvida: 2% ao mês calendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados, limitada a 20%. Na realidade, o que o colegiado fez foi dispensar a multa (remissão) considerando as circunstâncias especiais do caso (equidade). Antes da nova ordem constitucional, o art. 4º do Decreto-lei nº 1.041, de 21 de outubro de 1.969, dava competência ao Ministro da Fazenda para, em despacho fundamentado, relevar penalidades relativas a infrações tributárias, atendendo a eqüidade em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. Tal possibilidade era restrita às penalidades por infrações de que não houvesse resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos. Considerando essa previsão, o Decreto nº 70.235, de 1972, previu, no inciso II do art. 26, instância especial de competência do Ministro da Fazenda para decidir sobre as propostas de aplicação de equidade apresentadas pelos Conselhos de Contribuintes, nos termos do art. 40, que estabelecia: Art. 40. As propostas de aplicação de equidade apresentadas pelos Conselhos de Contribuintes atenderão às características pessoais ou materiais da espécie julgada e serão restritas à dispensa total ou parcial de penalidade pecuniária, nos casos em que não houver reincidência nem sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que essa possibilidade não mais existe, eis que o § 6º do art. 150 da Constituição de 1988, exige lei específica para concessão de remissão, nos seguintes termos: §6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Colocada as premissas acima, entendo que se encontra configurado no presente caso a contrariedade à lei, razão porque dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exigência da multa. Sala das Sessões, em 13 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 56DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10925.001809/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.765 CSRF-T1 Fl. 7 7 Fl. 57DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI, 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10580.002418/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
IRPF DEDUÇÃO
INDEVIDA DE DESPESAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE CONDUTA
REITERADA MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não
restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A dedução indevida de despesas, ainda que por três exercícios consecutivos ou a mera omissão de rendimentos de dependente, por dois exercícios, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A dedução indevida de despesas, ainda que por três exercícios consecutivos ou a mera omissão de rendimentos de dependente, por dois exercícios, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 299 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 29/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Luiz Claudio Conceição Torres foi lavrado o auto de infração de fls. 0312, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2003, 2004 e 2005, em razão da glosa de deduções com previdência oficial, com dependente, com despesas médicas, com despesas de instrução, com previdência privada, além da omissão de rendimentos de dependente, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase sintetizado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1821, de onde extraio as seguintes assertivas com relação à penalidade aplicada: A multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados neste auto de infração, se justifica tendo em vista o que preceitua o artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96 combinado com o art. 72 da Lei n° 4.502/64, uma vez ser incontestável que o contribuinte modificou e/ou inseriu e/ou omitiu fatos e dados, de forma reiterada, com o objetivo de modificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e, conseqüentemente, reduzir o montante do imposto devido. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) considerou o lançamento procedente (fls. 226229). Por sua vez, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 220100.363, que se encontra às fls. 262265, cuja ementa é a seguinte: Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 300 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA NÃO CARACTERIZAÇÃO. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%. Intimada do acórdão em 21/12/2009 (fls. 266), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, recurso especial de divergência às fls. 269277, acompanhado dos documentos de fls. 278281, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Não há como prosperar o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, que reduziu o percentual da multa de ofício qualificada aplicada em razão de configuração de prática reiterada com o intuito de retardar ou não efetuar o pagamento dos tributos devidos, bem como de prestação de declarações falsas (não comprovadas), o que em conjunto, comprova, de forma cabal, o evidente intuito de fraude; b) Para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamos os acórdãos nos 10196.446 e 10423.244, que diversamente do entendimento demonstrado nos autos, concluíram que a conduta praticada pelo contribuinte no sentido de, de forma contumaz (três anos consecutivos), não ter oferecido à tributação rendimentos, bem como ter prestado declarações falsas (não comprovadas) com relação a vários itens caracteriza sim evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa de ofício qualificada; c) Resta evidente a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, uma vez que estes entenderam por manter a qualificação da multa em situações análogas à perpetrada pelo contribuinte, por caracterizar evidente intuito de fraude, tais como a conduta reiterada e a prestação de informações na declaração que acabaram por se confirmarem inverídicas ou indevidas; d) A aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) tem lugar quando se comprova tratarse de casos envolvendo evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; e) Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utiliza de subterfúgios a fim de escamotear a ocorrência Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 301 4 do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem; f) A caracterização do intuito doloso do Contribuinte, não olvidamos, é de difícil demonstração por parte da fiscalização; g) No presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da multa, tendo em vista condutas de cunho fraudatório, tais como deduções exageradas, sistemáticas e repetidas em diversos exercícios, informações falsas de despesas não realizadas nem justificadas, inclusão de dependentes inexistentes ou não comprovados, relativos aos anoscalendário de 2002 a 2004, ensejando a redução de impostos e contribuições; h) Pelo supra exposto, claramente se configura omissão dolosa para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda; i) Embora de difícil comprovação, o intuito doloso denunciase por meio de indícios ou elementos. Analisados isoladamente conduzem a uma interpretação que se afasta da realidade, mas que, por outro lado, se analisados em seu conjunto, demonstram cabalmente o animus doloso de fraudar o fisco; j) Com efeito, é evidente que a mera declaração inexata não significa prova de evidente intuito de sonegar tributo. O evidente intuito corresponde ao dolo de sonegar, que existe quando o agente omite, de forma voluntária e consciente, receitas, declarações e informações ao Fisco; k) Portanto, quando o contribuinte induz ou mantém em erro os Auditores da Secretaria da Receita Federal, omitindo receitas de forma consciente, há evidente intuito de fraude; l) O evidente intuito doloso foi muito bem caracterizado pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/21, ao dissecar de forma clara e evidente as inúmeras condutas fraudatórias perpetradas pelo contribuinte em exercícios reiterados; m) Como bem concluiu a autoridade julgadora de primeira instância, diante da reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei e da declaração de deduções nunca comprovadas em altas quantias, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir rendimentos e também informações em sua declaração de ajuste anual, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 302 5 n) Neste contexto, patente a necessidade de reforma do julgado no sentido de julgar totalmente improcedente o pleito do contribuinte em sede de Recurso Voluntário, mantendose a multa qualificada de 150%. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 220100.104 (fls. 282 285), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 290292, defendendo, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, pois os acórdãos paradigma não tratam do mesmo assunto e são decorrentes de decisões não unânimes. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo autuado para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de ofício é justificada pela conduta reiterada do contribuinte, consistente em deduzir indevidamente despesas da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, além de omitir rendimentos por dois exercícios, trazendo como paradigmas os acórdão nos 10196.446 e 10423.244, cujas ementas são as seguintes: 10196446 NULIDADE SIGILO BANCÁRIO — APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 INOCORRÊNCIA Não cabe alegação de quebra de sigilo bancário no caso de entrega espontânea à fiscalização de extratos das respectivas contas obtidos pelo sujeito passivo diretamente dos bancos de que é cliente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVAS As provas somente alcançadas após a impugnação devem ser consideradas em grau de recurso, e sua confirmação pela fiscalização produz o efeito de reduzir a matéria tributável. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 303 6 MÚTUO. COMPROVAÇÃO A efetividade da realização de mútuo há que ser comprovada mediante prova da transferência dos recursos financeiros mutuados. LANÇAMENTOS CONEXOS. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são conexos, as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ devem prevalecer na apreciação da CSLL, do PIS e da COFINS, exceto quanto às argüições ou elementos de prova específicos. PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO FATURAMENTO Para poder pleitear a exclusão, da base de cálculo, das receitas omitidas, cumpre ao contribuinte provar que não são oriundas da atividade fim da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. JUROS DE MORA – SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°4). 10423244 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFICIO RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IMPOSSIBILIDADE A retificação da declaração de rendimentos só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal quanto à matéria que conduziu à autuação. MULTA QUALIFICADA GLOSA DE DESPESAS Caracteriza o evidente intuito defraude, imprescindível para autorizar a qualificação da penalidade, a prestação de declaração falsa com a intenção de reduzir o pagamento do imposto devido ou obter restituição indevida. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 304 7 Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto, novamente, que no Termo de Verificação de fls. 1821, a autoridade lançadora justificou a exasperação da penalidade da seguinte forma: A multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados neste auto de infração, se justifica tendo em vista o que preceitua o artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96 combinado com o art. 72 da Lei n° 4.502/64, uma vez ser incontestável que o contribuinte modificou e/ou inseriu e/ou omitiu fatos e dados, de forma reiterada, com o objetivo de modificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e, conseqüentemente, reduzir o montante do imposto devido. Segundo penso, tal fato, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício, pois não configura o evidente intuito de fraude. 1 Atualmente esta regra encontrase expressa no artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 305 8 O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. E isso não ocorreu no caso. O contribuinte apenas deixou de comprovar as despesas informadas em suas declarações de ajuste anual, mas não há informação de ter utilizado, por exemplo, recibos inidôneos, além de ter omitido rendimentos de dependente por dois exercícios. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. As circunstâncias dos autos podem evidenciar a dedução indevida de despesas e a omissão de rendimentos apurados pela fiscalização, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Luiz Claudio Conceição Torres, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Na visão deste julgador, no mínimo, é frágil a tese sustentada pela fiscalização e defendida pela recorrente no sentido de que a conduta do contribuinte justifica a qualificação da multa de ofício para o patamar de 150%. Assim, tenho como aplicável ao caso o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Com esses fundamentos, entendo que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.002418/200714 Acórdão n.º 920201.872 CSRFT2 Fl. 306 9 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13748.000337/2005-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1991
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO ESPECIAL. Formalizada, expressamente, a
desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento especial, não se conhece do apelo voluntário.
Numero da decisão: 3201-000.788
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO ESPECIAL. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento especial, não se conhece do apelo voluntário.
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DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO ESPECIAL. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento especial, não se conhece do apelo voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Armando Marcondes. Relatório Fl. 175DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Em 25.07.2005, a Petro Ita Transportes Coletivos de Passageiros Ltda apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório de R$ 3.843,41 e de compensálo com o débito de PIS relativo a junho de 2005, no valor de R$ 7.915,91. De acordo com o demonstrativo de fl. 02, o crédito pleiteado tem origem no pagamento de IRRF (código 0561), efetuado em 01.03.1991, que, segundo o interessado, seria indevido por constar da "relação de pagamentos não alocados"a ele fornecida pela DRF Nova Iguaçu. Às fls. 14/17, o interessado juntou cópia de decisão de 2004, em ação de habeas data por ele impetrada em 2003, deferindo medida liminar para determinar que o Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu lhe fornecesse todos os registros, em poder daquela autoridade, relativos aos seus pagamentos de tributos federais de 1983 a 1998. Em 23.06.2009, foi emitido Despacho Decisório pela DRF Nova Iguaçu RJ, indeferindo o pleito, com base no Parecer Seort n° 368/2009 (fls. 56/58). Segundo consta do Parecer Seort;.,o . indeferimento teve os seguintes motivos: • O fato de um pagamento constar,nos registros da Receita Federal como "disponível" ou como "não alocado", por si só, não lhe confere o caráter de pagamento indevido ou a maior, e indica apenas que o sistema informatizado não localizou o débito correspondente, o que pode, inclusive, decorrer de falha ou omissão nas informações prestadas pelo próprio contribuinte; e • Ainda que se houvesse comprovado tratarse de pagamento indevido ou a maior, o pedido achase fulminado pela decadência pois os darf foram recolhidos mais de cinco anos antes da data da formalização do pedido (25.07.2005), de acordo com os artigos 156 e 168 do Código Tributário Nacional — CTN e com o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Cientificado do Despacho Decisório por meio da intimação datada de 09.07.2009 (fl. 61), o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 63/70, em 06.08.2009, alegando, em síntese, que: a) Somente após o recebimento das informações da DRF Nova Iguaçu, em cumprimento ao habeas data, quando teve conhecimento da existência dos créditos, é que se iniciou o prazo prescricional, já que não há incidência de prescrição sobre fato desconhecido; Fl. 176DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13748.000337/200548 Acórdão n.º 320100.788 S3C2T1 Fl. 2 3 b) O direito de postulação só se inicia quando se conhece o fato que agride seu direito, conforme jurisprudência reproduzida e juntada; e c) Somente com a negativa do direito, passaria a fluir o prazo prescricional; Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/02/2010, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1228.545 (fls. 117/120): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1991 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A restituição só pode ser requerida até cinco anos após o pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor da INTIMAÇÃO n°171/2010, em 31/05/2010 (f1. 124), tendo protocolado seu recurso voluntário em 16/06/2010 (fl. 125/128), que, em síntese, ataca a violação do princípio da transparência por parte da Administração Tributária, não fazendo qualquer oposição quanto à alegação de escoamento do prazo decadencial. Adicionalmente, antes mesmo de formalizar o recurso voluntário, a própria Recorrente apresentou requerimento endereçado ao Delegado da Receita Federal de Julgamento e ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com vistas a desistir dos recursos administrativos atrelados ao processo em questão, e, assim, aderir ao parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941 de 2009 (fl. 133). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Embora o recurso voluntário atenda aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972 e alterações posteriores, dele não tomo conhecimento Fl. 177DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 em razão do requerimento de desistência de recursos administrativos atrelados ao processo em questão (fl. 116). Isso porque, a teor do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, o pedido de parcelamento importa em desistência do recurso e renúncia ao direito sobre o qual se funda. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 178DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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