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Numero do processo: 18471.000993/2004-71
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2002, 2003
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS .EMPRESAS LIGADAS.
Para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, a autoridade lançadora deve comprovar, de forma inequívoca, que houve favorecimento para acionista controlador ou empresas ligadas. Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: (i)
o valor de mercado e (ii) o preço de venda do bem à pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente inferior àquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Mesmo constatado que a transação foi efetuada com valor de venda inferior ao valor de compra isso por si só, sem qualquer consideração a respeito do valor de mercado não é suficiente para
caracterizar a distribuição disfarçada de lucros.
ÁGIO - GLOSA CUSTO - ALIENAÇÃO DE AÇÕES. A partir da alteração
legislativa produzida pelo Decreto-Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III, que deu nova redação ao art. 25 Decreto-lei de n.° 1.598/77, as contrapartidas da amortização do ágio não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuando-se o caso de alienação ou liquidação do investimento, em que integrará o valor contábil do investimento na apuração do resultado da operação, mesmo que amortizado na escrituração comercial e desde que devidamente controlado no Lalur, conforme art. 391 e 426 do RIR/99. Como o caso que se cuida trata exatamente da hipótese de alienação das ações, equivocada é a glosa da dedução do ágio que passa a integrar o valor contábil
do investimento na apuração do resultado.
LANÇAMENTO DECORRENTE (CSLL). Por estar sustentado na mesma
matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear o cancelamento da exigência lançada por via reflexa.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1201-000.002
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ªcâmara /1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2002, 2003 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS .EMPRESAS LIGADAS. Para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, a autoridade lançadora deve comprovar, de forma inequívoca, que houve favorecimento para acionista controlador ou empresas ligadas. Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: (i) o valor de mercado e (ii) o preço de venda do bem à pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente inferior àquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Mesmo constatado que a transação foi efetuada com valor de venda inferior ao valor de compra isso por si só, sem qualquer consideração a respeito do valor de mercado não é suficiente para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. ÁGIO - GLOSA CUSTO - ALIENAÇÃO DE AÇÕES. A partir da alteração legislativa produzida pelo Decreto-Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III, que deu nova redação ao art. 25 Decreto-lei de n.° 1.598/77, as contrapartidas da amortização do ágio não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuando-se o caso de alienação ou liquidação do investimento, em que integrará o valor contábil do investimento na apuração do resultado da operação, mesmo que amortizado na escrituração comercial e desde que devidamente controlado no Lalur, conforme art. 391 e 426 do RIR/99. Como o caso que se cuida trata exatamente da hipótese de alienação das ações, equivocada é a glosa da dedução do ágio que passa a integrar o valor contábil do investimento na apuração do resultado. LANÇAMENTO DECORRENTE (CSLL). Por estar sustentado na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear o cancelamento da exigência lançada por via reflexa. Recurso de Ofício Negado.
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Ia( \ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.000993/2004-71 Recurso n° 160.070 De Ofício Acórdão n° 1201-00.002 — 2' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2009 Matéria TRPJ E OUTRO - Ex(s): 2000, 2003 e 2004 Recorrente BOA ESPERANÇA S.A Interessado 6° TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2002, 2003 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS .EMPRESAS LIGADAS. Para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, a autoridade lançadora deve comprovar, de forma inequívoca, que houve favorecimento para acionista controlador ou empresas ligadas. Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: (i) o valor de mercado e (ii) o preço de venda do bem à pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente inferior àquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Mesmo constatado que a transação foi efetuada com valor de venda inferior ao valor de compra isso por si só, sem qualquer consideração a respeito do valor de mercado não é suficiente para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. ÁGIO - GLOSA CUSTO - ALIENAÇÃO DE AÇÕES. A partir da alteração legislativa produzida pelo Decreto-Lei n9 1.730, de 1979, art. 1 9-, inciso III, que deu nova redação ao art. 25 Decreto-lei de n.° 1.598/77, as contrapartidas da amortização do ágio não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuando-se o caso de alienação ou liquidação do investimento, em que integrará o valor contábil do investimento na apuração do resultado da operação, mesmo que amortizado na escrituração comercial e desde que devidamente controlado no Lalur, conforme art. 391 e 426 do RIR/99. Como o caso que se cuida trata exatamente da hipótese de alienação das ações, equivocada é a glosa da dedução do ágio que passa a integrar o valor contábil do investimento na apuração do resultado. LANÇAMENTO DECORRENTE (CSLL). Por estar sustentado na mesma matéria fática, os mesmos fimdamentos devem nortear o cancelamento da exigência lançada por via reflexa. Recurso de Ofício Negado. Processo n° 18471.00099312004-71 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela COMERCIAL ALDEIA LTDA. ACORDAM os Membros da r câmara 1 1* turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SittÁrAir) RÊGO Presidente NTONIO,BEZERRA NETO Relator FORMALIZADO EM: 28 JUL 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, LEONARDO DE ANDRADE COUTO, CARLOS PELA, REGIS MAGALHÃES SOARES QUEIROZ, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. 2 Processo n° 18471.000993/2004-71 SI-C2TI Acórdão rt, 1201-00.002 Fl. 3 Relatório Trata-se de recurso oficio, em face de Acórdão n° 12-14.047, da 6' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1-RJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Do Lançamento Infrações Trata o presente processo da exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, por meio de autos de infração com as seguintes características: Fls. Tributo Total 230/2361RPJ704.220,31 237/245C5LL1.316.506,84 • calculados até 31/08/2004. No curso do procedimento fiscal, foram apuradas as ocorrências relatadas a seguir. a) Falta de adição ao lucro líquido de perda não operacional na venda de imóvel Intimada a apresentar a composição do saldo de R$ 4.650.843,64, em 31/1211999, da rubrica "Outras Despesas Não Operacionais" da DIPJ, a contribuinte ofereceu em resposta: (1 cópia da página do Livro Razão em que contabilizava o valor de - R$ 471.237,17 na conta "Diferença Vend. Ativ. Permanente", escriturado em 31/10/1999 como "Compl. perda venda imóvel Av. das Américas em 27.11.98"; e (ii) carta onde explica que o valor escriturado refere-se a diferença entre os valores de compra e venda de fração igual a 20% de um imóvel adquirido por ela em 31/12/1997 e alienado em 01/10/1998. Ocorre que o valor de compra foi de R$ 694.000,00 e o de venda R$ 170.400,00, gerando uma perda não operacional de R$ 523.600,00. Contudo, teria havido um erro contábil que computou somente R$ 52.362,83 como perda em outubro de • 1998 e que só foi percebido um ano depois, ocasião em que se complementou o lançamento na conta no valor R$ 471.237,17. A autoridade fazendária mencionou que a alienação frita pela contribuinte fiscalizada se deu em favor de pessoa jurídica 3 Processo n° 18471.00099312004-71 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-00.002 FL 4 acionista majoritária com 80% de participação social na empresa que havia vendido antes à autuada. Os 20% restantes do capital social da empresa que realizou a venda inicial são da própria fiscalizada. Questionada quanto à diferença entre os valores praticados nas negociações do imóvel, ocorridas em datas tão próximas, justificou a interessada alegando que a motivação para sua compra foi a instalação de novo empreendimento comercial, motivação posteriormente abandonada e que fez com que o bem adquirido passasse a representar apenas um ônus de manutenção, razão pela qual aceitou realizar a venda com tamanho prejuízo. No entendimento do auditor, tal procedimento caracterizou uma presunção legal de distribuição disfarçada de lucros, conforme o disposto no art. 464, I e 466 do RIR/99, além do que a perda não operacional computada pela fiscalizada deve ser adicionada ao lucro líquido do período de apuração, na forma do art. 467, Ido mesmo diploma normativo. Como parte desta perda já foi contabilizada no próprio período-base (1998), o valor da adição seria o da diferença faltante, ou seja. R$ 471.237,17. b) Falta de Comprovação e Majoração Indevida de Custo referente a Ações Alienadas Ainda em atendimento à intimação para informar a composição do saldo da rubrica "Outras Despesas Não Operacionais", a contribuinte alegou perdas de R$ 3.390.683,54 na venda de ações do banco Sogeral S/A — considerando o valor da compra (ações e ágio) igual a R$ 10.607.092,78 e o de venda igual a R$ 7.216.409,14. A Fiscalização, então, indagou a razão da contabilização de tal perda apenas em 30/11/1999, posto que a venda foi pactuada em 28/06/1999. A resposta foi que a validade da transação estava subordinada à aprovação do Bacen, o que só aconteceu em 20/10/1999. Ocorre que analisando a documentação da contribuinte, a autoridade fiscal constatou que, no passado, existiu uma "Companhia Boa Esperança" constituída pela fiscalizada, "Boa Esperança S/A", como sua subsidiária e com o objetivo de participar exclusivamente do capital social do "Banco Sogeral S/A". Posteriormente, a primeira foi incorporada pela segunda. Percebeu o auditor, também, que as ações referidas acima haviam sido adquiridas pela incorporada, tendo sido parte vendida antes da incorporação e as demais absorvidas por sua incorporadora pelo valor integral, vale dizer, incluindo o ágio pago na compra. O valor considerado das ações transmitidas por ocasião da incorporação foi de R$ 6.535.743,05, acrescido do ágio de R$ 4.071.3491 73, merecendo destaque o fato das ações terem, proporcionalmente à quantidade de títulos negociados, perdido valor, enquanto o ágio foi mantido 4 Processo r? 18471.000993/2004-71 81-C211 Acórdo o? 1201-00.002 Fl. 5 constante. Tais valores foram ratificados por laudo de avaliação patrimonial. Do montante da transação, entendeu o fiscal ser necessário glosar R$ 287.599,94, referentes à diferença de índices de correção IPC e BT1VF das ações alienadas antes da incorporação, já que isso não foi feito na ocasião devida. Também concluiu a autoridade administrativa que seria essencial que a contribuinte tivesse apresentado laudo de avaliação que justificasse o ágio pago na alienação efetuada em 1987, de modo a conferir credibilidade ao valor pago a título de ágio e, por conseguinte, dar respaldo ao montante utilizado como parte do custo das ações alienadas em 1999 e que culminou no significativo prejuízo da transação. A relevância de tal procedimento encontra fundamentação no art. 385, II e parágrafos do RIR/99, segundo o qual o lançamento do ágio deve indicar seu fundamento econômico, sob pena de impedir a . utilização de seu montante como parte do custo computado na apuração do resultado referente à alienação das ações. Como decorrência lógica de tal constatação, entendeu o auditor que, do montante da aquisição (R$ 10.607.092,78), deve-se glosar o valor do ágio, igual a R$ 4.071.349,73, que não deve compor o custo das ações para fins de apuração do resultado, restando classificado como custo não comprovado. • c) Compensações Indevidas do "prejuízo fiscal" e da "base de cálculo negativa da CSLL" Intimado a informar se o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, apontados na DIPJ relativa ao ano- . calendário de 1999, haviam sido utilizados, a título de compensação, para diminuir o lucro real e/ou a base de cálculo da CSLL apurados em períodos posteriores, a interessada informou que houve utilização parcial, sendo que a perda de capital referente à alienação do imóvel ocorrida naquele ano- calendário, por ser de natureza não operacional, foi segregado da compensação. • Com base na documentação que acompanhou a explicação da interessada, o fiscal observou que, do prejuízo de R$ 4.100.040,93, o contribuinte utilizou os montantes de R$ 150.724,37 e de RS 650.148,28 para compensar com o lucro real dos anos 2002 e 2003. Da mesma forma, da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 1.243.108,53 apurada na DIPJ, foram empregados os valores de R$ 344.243,61, R$ 337.019,92 e RS 90.607,83 em compensações efetuadas respectivamente em 2000, 2001e 2002. Como as glosas até então determinadas somavam R$ 4.830.186,84 (R$ 4.358.949,67 + R$ 471.237,17), o "prejuízo fiscal" e a "base de cálculo negativa da CSLL" que foram apuradas pela contribuinte em 1999 foram transformados, 5 • Processo n° 18471.000993/2004-71 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 6 respectivamente, em "lucro real" e em "base de cálculo positiva da CSLL", razão pela qual todas essas compensações mostraram-se indevidas. II. Créditos Tributários Face às infrações identificadas no curso do procedimento fiscal, restou apurado o crédito tributário de R$ 2.020.727,15, referente à soma dos valores totais dos autos de infração já caracterizados no inicio deste relatório. A autuação relativa ao IRPJ alcançou os anos-calendário de 1999, 2002 e 2003 e foi apurada no valor principal de R$ 319.682,19, com o enquadramento legal contido nas fls. 231, 232 e 236 e conforme o racional de cálculo sintetizado no quadro abaixo. Período Infração Glosa Prej.Comp. Valor Imposto Per.Ant. Tributável Apurado Adicional Devido (A) (E) (c) (D) (E)r-(C)—(D) (F) (G) go--(n+(G) Custos ou despesas não 4.358.949,67 1999 comprovadas. 4.100.040,93 730.145,91 109.521,88 49.014,59 158.536,47 Distribuição 471237,17 disfarçada. 2002 Prejuízos 150.724,37 - 150.724,37 22.608,65 - 22.608,65 compensados 2003 indevidamente. 650.148,28 - 650.148,28 97.522,24 41.014,83 138.537,07 TOTAL 319.682,19 Quanto à CSLL, o lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos de 1999 a 2002, no montante de R$ 524.328,60, além de multa e juros, conforme enquadramento legal de fls. 238, 239 e 244 e apurado de forma descrita no quadro a seguir. Período Infração Glosa Prej.Comp. Valor Contribuição Per.Ant. Tributável Apurado Adicional Devido (A) (B) (C) (D) (E)=(C)—(D) (k) (G) (1-0=(F)+(G) Falta de recolhimento da 4.358.949,67 1999 CSLL. 1.243.108,53 3.587.078,31 286.966,26 171.336,39 458.302,65 Distribuição 471.237,17 disfarçada. 2000 Compensação 344.243,61 - 344.243,61 27.539,48 • - 27.539,48 indevida de base de cálculo 2001 337.019,92 - 337.019,92 26.961,59 3.370,19 30.331,78 negativa de peíodos 2002 riores 90.607,83 - 90.607,83 7.248,62 906,07 8.154,69anter. TOTAL 524.328,60 6 Processo n° 18471.000993/2004-71 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 7 Da Impugnação Inconformada com a exigência, a Interessada interpôs a impugnação de fls. 266/290, na qual requer a inteira exoneração das exigências decorrentes dos procedimentos fiscais. Para tanto, apresenta os seguintes fundamentos: 1 Impossibilidade de caracterização de distribuição disfarçada de lucros Alega a impugnante que a imputação de distribuição disfarçada de lucros à Brasil- Comercial Exportação e Importação Lida, em razão de venda de imóvel por valor notoriamente inferior ao seu valor de mercado, é improcedente por não haver entre ela e a empresa supostamente favorecida qualquer vínculo referente à participação societária nas pessoas jurídicas em questão ou entre estas e as pessoas físicas de seus sócios, cônjuges e parentes, fato que reputa de conhecimento da autoridade fiscal. Acrescenta que, conforme narrado no próprio Termo de Constatação Fiscal (TCF), ela e a adquirente detinham, respectivamente, as fiações de 20% e 80% das ações representativas do capital social de uma terceira empresa, a Brasif Fast Food S.A, companhia constituída com o propósito de implantação da rede Pizza Inn no Brasil. Em razão de resultados desfavoráveis com a exploração do negócio, os acionistas controladores da Brasif Fast Food S.A deliberaram, em Assembléia Geral Extraordinária (AGE), cuja cópia da ata encontra-se às fls. 117, reduzir o capital investido, mediante procedimento de entrega de ativos aos acionistas — dentre os quais a fração ideal de 6,27333% do terreno situado à Av. das Américas, matriculado sob o n.° 119.663, repassado à Impugnante e à Brasif Comercial Exportação e Importação Ltda. Como conseqüência, os ativos foram repartidos entre as beneficiárias na proporção de suas cotas de capital, sendo que em relação ao supracitado terreno na Barra da Tijuca, coube à Impugnante a fração de 1,2547% (20% de 6,27333%), sobre a qual versa a presente lide, ao valor contábil de R$ 694.000,00. Ressaltou a requerente que os valores envolvidos não são os de mercado, mas os que assim foram contabilizados em seu ativo permanente, conforme previsão no art. 22 da Lei n.° 9.249/95 e RIR199, art. 133, 238 e 419. Nove meses após a redução de capital referida acima, por perceber que: (i) a Brasil- Fast Food S.A se encontrava em flagrante declínio; (ir) seria necessário aporte de recursos financeiros para que tal empresa quitasse suas dívidas; (iii) não conseguiria dar destinação econômica à sua diminuta fração (1,2547%) do imóvel; e (iv) incorria em encargos de manutenção da referida fração, a Impuganante convenceu a Brasif Comercial Exportação e Importação Ltda, que já detinha a parcela restante da fração, a adquirir sua porção pelo preço de R$ 170.400,00, //, 7 Processo n°18471.000993/2004-71 S1-C2T1 AcórcItlo n.° 1201-00.002 Fl. 8 valor livremente pactuado entre as partes e que foi destinado ao aumento de capital da sociedade em dificuldades para honrar as suas obrigações, conforme contrato de fls. 128/130. (.-) Em suas alegações, a reclamante destaca a necessidade de existência de ligação entre as empresas envolvidas em distribuição disfarçada de lucros, sendo tal vínculo caracterizado na forma-do art. 465 do RIR/99. Frisa ser óbvio tal pressuposto, pois somente se pode cogitar distribuição de lucros para pessoa que participe do capital social da empresa distribuidora, ou detenha, direta ou indiretamente, interesse econômico no seu resultado. Acrescenta, por fim, que o comando do art. 466 do regulamento Já citado visa alcançar situações em que uma pessoa jurídica realize negócio favorecendo pessoa que não lhe é ligada, para que esta transfira a vantagem patrimonial obtida para outra, esta sim ligada à primeira. Descabimento da alegação de falta de comprovação e de majoração indevida de custo das ações alienadas Informa a Impugnante que, em 1985, tomou empréstimo perante a Sogener Administração de Serviços Ltda e utilizou os recursos assim obtidos para adquirir ações do Banco Sogeral S.A, efetuando lançamento contábil na forma do art. 385 do RIR/99, vale dizer, segregando contabilmente os valores do investimento e do ágio. Em 1987, vendeu as ações que ainda remanesciam em seu patrimônio (cerca de 1/3 do total adquirido) para a Cia. Boa Esperança, subsidiária sua constituída com o propósito específico de participar do capital social daquela instituição financeira e que quitou a operação mediante assunção da dívida que havia sido contraída pela Impugnante junto à Sogener Administração de Serviços Ltda, como faz prova o contrato as fls. 148/153. Em adição, a requerente informa que, no ano de 1998, a Cia Boa Esperança vendeu 25% das ações que detinha do Banco Sogeral S.A para a Sogener Administração de Serviços Ltda. O valor total do investimento antes da alienação era de R$ 17.697.054,49, desdobrado no Livro Razão em duas contas de saldos R$ 12.267867,01, referente ao patrimônio líquido reflexo do investimento, e £5 5.429.187,48, relativo ao ágio do investimento, ambos contendo a parcela de correção monetária da diferença entre o !PC e o BTNF de 1990. Confirma a Impugnante que não localizou laudo de avaliação das referidas ações que pudesse informar o valor de sua aquisição pela Cia Boa Esperança, em 1981 Pondera, contudo, as alegações da autoridade fiscal, declarando que a referida Companhia pagou efetivamente o preço que constava na sua contabilidade, jamais tendo amortizado o ágio então apurado, o que, segundo ela, se assim tivesse feito, também não alteraria a 17 1 8 • Processo n° 18471.000993/2004-71 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.002 Ti. 9 determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 391 do RIR199. Quanto à imputação fiscal de majoração indevida do custo do investimento, relacionada com a correção monetária correspondente à diferença entre o IPC e o BINE no ano de 1990, a Impugnante nega sua ocorrência e pondera que nem mesmo a autoridade lançadora teria demonstrado os cálculos efetuados para chegar aos valores do auto de infração, conduta que em seu entendimento macula o ato administrativo com o vício da nulidade, em face • de violação aos direitos a ampla defesa e ao contraditório. Entretanto, a própria interessada solicita a não pronúncia da nulidade, com fundamento no art. 59, § 30 do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). HL Insubsistência da compensação indevida dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL Argumenta a Impugnante que a improcedência do lançamento quanto às exigências fiscais que atacou acima conduz ao reconhecimento da procedência das compensações referentes ao ano-calendário de 1999 de que trata o item 3 do TCF (fls. 228/229). Em seu entender, a consideração de tais compensações como indevidas é mera decorrência de ajustes feitos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por efeito das imputações anteriormente consideradas pela autoridade fiscaL Em razão de todo o exposto, requer a interessada que se julgue procedente sua impugnação. É o relatório." A DRJ, por unanimidade de votos, cancelou integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2002, 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ). DISTRIBUIÇÃO DISFRAÇADA DE LUCROS. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO PAGO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. A distribuição disfarçada de lucros só pode ser presumida quando feita à pessoa ligada, na forma definida na legislação vigente. O lançamento contábil do ágio pago na aquisição de ações deve ser acompanhado do seu fundamento econômico, podendo ser computado na determinação do lucro real nas hipóteses de alienação e baixa do investimento. Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL 9 Processo n° 18471.000993/2004-71 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 10 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO (CSLL). DISTRIBUIÇÃO DISFRAÇADA DE LUCROS. DEDUTIBILTDADE DO AMO PAGO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. A distribuição disfarçada de lucros só pode ser presumida quando feita à pessoa ligada, na forma definida na legislação vigente. O lançamento contábil do ágio pago na aquisição de ações deve ser acompanhado do seu fundamento econômico, podendo ser computado na determinação da base de cálculo da CSLL nas hipóteses de alienação e baixa do investimento" O presente processo foi remetido a esta Câmara para análise do recurso de oficio. É o relatório. io Processo a' 18471.00099312004-71 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 11 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso limita-se ao de oficio. Preenche o requisito de alçada, merecendo ser conhecido. A matéria submetida a análise de recurso de ofício restringe-se a 3 (três) matérias: 1) Falta de adição ao lucro líquido de perda não operacional na venda de imóvel (distribuição disfarçada de lucros). 2) Falta de Comprovação e Majoração Indevida de Custo referente a Ações Alienadas. Ainda em atendimento à intimação para informar a composição do saldo da rubrica "Outras Despesas Não Operacionais", a contribuinte alegou perdas de R$ 3.390.683,54 na venda de ações do banco Sogeral S/A — considerando o valor da compra (ações e ágio) igual a R$ 10.607.092,78 e o de venda igual a R$ 7.216.409,14. 3) Compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL indevidas em função das infrações acima. 1) Falta de adição ao lucro líquido de perda não operacional na venda de imóvel( Distribuição disfarçada de lucros) Conforme descrição dos fatos, a glosa se deu porque, no Auto de Infração, a perda na venda do ativo permanente foi considerada indedutivel por configurar distribuição disfarçada de lucros, enquadrada legalmente nos arts. 247, 249, inciso II; 464, inciso 1;465;466 e 467, inciso I do RIR/99. Para melhor acompanhamento, segue abaixo a legislação pertinente: "RIR-99 Seção IILucros Distribuídos Disfarçadamente Art. 464. Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 60, e Decreto-Lei n 2 2.065, de 1983, art. 20, inciso]] ): 1 - aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada;11 - adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada:Hl - perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em beneficio de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição:IV - transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia;V - paga a pessoa ligada II - Processo n° 18471.000993/2004-71 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 12 aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI - realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. § 12 O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de • devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei n2 9.249, de 1995, art. 22). § 22 A hipótese prevista no inciso II não se aplica quando a pessoa física transferir a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante na respectiva declaração de bens (Lei n2 9.249, de 1995, art. 23, § 12). § 32 A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativo, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 60, §2'). Pessoas Ligadas e Valor de Mercado Art. 465. Considera-se pessoa ligada à pessoa jurídica (Decreto- Lei n2 1.598, de 1977, art. 60, § 3 2, e Decreto-Lei n2 2.065, de 1983, art. 20, inciso IV): I - o sócio ou acionista desta, mesmo quando outra pessoa jurídica;11 - o administrador ou o titular da pessoa jurídica;III - o cônjuge e os parentes até o terceiro grau, inclusive os afins, do sócio pessoa física de que trata o inciso I e das demais pessoas mencionadas no inciso § 12 Valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 60, § 42). § 22 O valor do bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 60, § 52). § 32 O valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto- Lei n'1.598, de 1977 art. 60, § 69. 12 • Processo a° 18471.00099312004-71 S1-C2T1 Acórdão n.°1201-00.002 Fl. 13 42 Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §52! e 32 e o valor negociado pela pessoa jurídica basear-se em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 60,5 79. Distribuição a Sócio ou Acionista Controlador por Intermédio de Terceiros Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumir-se-á distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos Ia VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 61, e Decreto-Lei n2 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa fisica ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e Decreto-Lei ns 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Subseção !Cômputo na Determinação do Lucro Real Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 62, e Decreto-Lei n2 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): 1- nos casos dos incisos I e IV do art. 464, a diferença entre o valor de mercado e o de alienação será adicionada ao lucro líquido do período de apuração; II - no caso do inciso lido art. 464, a diferença entre o custo de aquisição do bem pela pessoa jurídica e o valor de mercado não constituirá custo ou prejuízo dedutível na posterior alienação ou baixa, inclusive por depreciação, amortização ou exaustão; III - no caso do inciso III do art. 464, a importância perdida não será dedutível;W - no caso do inciso V do art. 464, o montante dos rendimentos que exceder ao valor de mercado não será dedutívekV - no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis." O art. 464, caput, do RIR/99, que indica os pressupostos legais para a ocorrência da distribuição disfarçada de lucros (DDL), diz que se presume a DDL o negócio jurídico pelo qual a pessoa jurídica aliena bem do seu ativo a pessoa ligada, por valor notoriamente superior ao de mercado. 13 • Processo n°18471.000993/2004-71 sl-C2T1 Acórdáo ri.° 1201-00.002 Fl. 14 A alienação de bem do seu ativo, de fato, ocorreu, envolvendo a recorrente, como alienante; a Brasif Comercial Exportação e Importação Ltda, na qualidade de adquirente; e a fração ideal de um imóvel localizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, como objeto. De fato o valor de venda foi consideravelmente inferior ao valor pago pelo alienante na compra e contabilizado como tal, poucos meses antes. Contudo, para que se configure a distribuição disfarçada de lucros na alienação de um bem da pessoa jurídica é condição sitie qua non o aferimento do preço de mercado, o que não foi feito pelo fiscal. Reprise-se, o valor de mercado do bem é o parâmetro indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Mesmo constatado que a transação foi efetuada com valor de venda inferior ao valor de compra isso por si só, sem qualquer consideração a respeito do valor de mercado não é suficiente para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Apenas essa situação, por si só, já seria suficiente para afastar o lançamento, como muito bem fez a decisão de piso, porém apenas para argumentar, a outra condição também não foi satisfeita, qual seja, é também necessário prova concludente de que a adquirente é pessoa ligada, nos exatos termos da definição legal, que consta do já citado art. 465, já transcrito acima. Também não socorre ao autuante o enquadramento no art. 466 do RIR-99, que trata da distribuição de lucros por intermédio de terceiros. Faço minhas as palavras da decisão de piso, que muito bem rebateu esse ponto: "Porém, se analisado todo o fluxo do negócio, vale dizer, desde a primeira transmissão — da Bras( Fast Food S.A à Impugnemte — poder-se-ia até aventar hipótese de distribuição disfarçada de lucros daquela à Brasif Comercial Exportação e Importação Ltda, com atuação da Boa Esperança S.A na condição de terceira. Mas sendo esta a fiscalizada, descabida é a exigência tributária em razão dos fatos trazidos aos autos." Portanto, quanto a esse item nego provimento ao recurso de oficio. 2) Falta de Comprovação e Majoração Indevida de Custo referente a Ações Alienadas. 2.1) glosa do ágio pago na aquisição das ações do Banco Sogeral Conforme relatado: "Informa a Impugnante que, em 1985, tomou empréstimo perante a Sogener Administração de Serviços Ltda e utilizou os recursos assim obtidos para adquirir ações do Banco Sogeral S.A, efetuando lançamento contábil na forma do art. 385 do 14 in.aso n° 18471.000993/2004-71 S1-C2T1 Márd8o 1201-00.002 Fl. 15 RLR/99, vale dizer, segregando contabilmente os valores do investimento e do ágio. Em 1987, vendeu as ações que ainda remanesciam em seu patrimônio (cerca de 1/3 do total adquirido) para a Cia. Boa Esperança, subsidiária sua constituída com o propósito específico de participar do capital social daquela instituição financeira e que quitou a operação mediante assunção da dívida que havia sido contraída pela Impugnante junto à Sogener Administração de Serviços Lida, como faz prova o contrato as fls. 148/153. Em adição, a requerente informa que, no ano de 1998, a Cia. Boa Esperança vendeu 25% das ações que detinha do Banco Sogeral S.A para a Sogener Administração de Serviços Ltda. O valor total do investimento antes da alienação era de R$ 17.697.054,49, desdobrado no Livro Razão em duas contas de saldos R$ 12.267.867,01, referente ao patrimônio líquido reflexo do investimento, e R$ 5.429.187,48, relativo ao ágio do investimento, ambos contendo a parcela de correção monetária da diferença entre o IPC e o BPnIF de 1990. Confirma a Impugnante que não localizou laudo de avaliação das referidas ações 'que pudesse informar o valor de sua aquisição pela Cia. Boa Esperança, em 1987. Pondera, contudo, as alegações da autoridade fiscal, declarando que a referida Companhia pagou efetivamente o preço que constava na sua contabilidade, jamais tendo amortizado o ágio então apurado, o que, segundo ela, se assim tivesse feito, também não alteraria a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 391 do RIR199. Quanto à imputação fiscal de majoração indevida do custo do investimento, relacionada com a correção monetária correspondente à diferença entre o IPC e o BINF no ano de 1990, a Impugnante nega sua ocorrência e pondera que nem mesmo a autoridade lançadora teria demonstrado os cálculos efetuados para chegar aos valores do auto de infração" Em resumo, o ágio pago na aquisição das ações do Banco Sogeral foi glosado em decorrência da falta da apresentação do laudo ou da demonstração dos seus fundamentos, pois entendeu o autuante que, sem eles, o custo do ágio não estaria comprovado. Outrossim, entendeu o autuante ser descabida a dedução da parcela da diferença de índices de correção referente à alienação anterior de parte dos papéis. Tratemos do primeiro ponto. Eis abaixo a legislação correlata: "RIR-99 Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, os/ 15 Processo n° 18471.000993/2004-71 S1-C2T1 Acórdão ri? 1201-00.002 Fl. 16 por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 20): I - valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; ell - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 12 O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 20, § 19. § 22 0 lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 20, §2-: 1- valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;!! - valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros:111 - fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 320 lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos 1 e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 20, § 39. Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art 426 (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 25, e Decreto-Lei n2 1.730, de 1979, art. 12, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Avaliado pelo Valor de Património Líquido Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art 33, e Decreto-Lei ni 1.730, de 1979, art. 12, inciso 1- valor de património líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinteal - ágio ou deságio 16 Processo n° 18471.000993/2004-71 51-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 17 na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro reala - provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior." O Ágio corresponde à diferença positiva entre o valor pago na aquisição da participação societária e o seu valor patrimonial, em função da adoção do método de avaliação de investimento com base na equivalência patrimonial. O custo da aquisição deve ser registrado na contabilidade observando-se o desdobramento do seu valor nos seus dois componentes (valor patrimonial e ágio), em subcontas distintas (art. 385 do RIR/99). O § 2° do referido artigo exige que conste do lançamento contábil a indicação do fundamento econômico da formação do sobrevalor, baseado em demonstrativos arquivados pelo contribuinte como comprovantes da escrituração. Conforme muito bem apontado pela decisão de piso, "o fundamento econômico para registro do ágio era muito importante até o Decreto-lei 1.730/79, já que, conforme a fundamentação apresentada, a amortização do ágio era computada na determinação do lucro real." É que hoje, a partir da alteração legislativa produzida pelo Decreto-Lei n2 1.730, de 1979, art. 12, inciso III, que deu nova redação ao art. 25 Decreto-lei de n.° 1.598/77, as contrapartidas da amortização do ágio não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuando-se o caso de alienação ou liquidação do investimento, em que integrará o valor contábil do investimento na apuração do resultado da operação, mesmo que amortizado na escrituração comercial e desde que devidamente controlado no Lalur, conforme art. 391 e 426 do RIR/99. Como o caso que se cuida trata exatamente da hipótese de alienação das ações, equivocada é a glosa da dedução do ágio que passa a integrar o valor contábil do investimento na apuração do resultado. 2.2) Quanto à majoração indevida em relação à diferença de índices de correção referente à alienação anterior de parte dos papéis que não foi computada no cálculo. A esse respeito assim se pronunciou a decisão de piso no sentido de afastar o lançamento dessa diferença de correção: "Quanto ao valor da diferença de correção dos índices, assiste razão à Interessada quando alega que a apuração do mesmo não foi fundamentada pela autoridade fiscal, fato constatável com a mera observação do TCF, motivo pela qual afasto também a glosa do mesmo." A decisão de piso merece ser reparada em parte, pois o lançamento ao final deve mesmo ser cancelado, mas por outro motivo. O autuante no Termo de Constatação Fiscal de fls. 216/219 muito bem explicitou essa infração de forma até, pode-se ousar dizer, repetitiva,. e cansativa, senão vejamos. 17 • Processo n° 18471.000993/2004-71 81-C2T1 Acórdão Ti.° 1201-00.002 Fl. 18 "Com o objetivo de acompanhar a evolução do valor supracitado, por meio de atualizações monetárias e ganhos e/ou perdas por equivalência patrimonial, o contribuinte foi intimado em 15/04/2004 (fls. 154) a apresentar uma planilha na qual constasse todas as alterações efetuadas neste valor desde a compra de tais ações pela 'Cia Boa Esperança '(01/12/87) até a data do último balanço patrimonial levantado antes da mesma ser incorporada pela 'Boa Esperança 5/A '(28/02/99). Por conseguinte, em anexo a uma carta datada de 29/09/2004 (lis. 155), foram apresentadas quatro planilhas intituladas IPC x BTNF, 'Ágio Invest. — Ações cia Coligada — Banco Sogeral S/A' e 'Ágio Invest. —Ações Cia Coligada — Banco Sogeral SIA — IPC x BTNF (fls. 156/199). A análise dessas planilhas nos permite constatar que do valor de compra de Cz$ 530.185.779,08, acima mencionado, Cz$ 252.327.900,00 se refere ao valor nominal das ações e Cz$ 277.857.879, 08 ao ágio pago pela compradora. A análise das_planilhas supracitadas nos permite contatar ainda Que parte das ações em questão foi alienada em 31/01/1998 (Jls. 167 e 189), porém, se obsevarmos as planilhas nomeadas 'Ações Cia. Coligada — Banco Sogeral S/A IPC x BTNF e Ágio Invest. — . Ações Cia Coligada — Banco Sogeral S/A — IPC x BTNF (fls. 176 e 198), verificamos que os valores constantes nestas planilhas, correspondentes às parcelas de IPC x BTNF das acões alienadas, não foram diminuídas dos valores totais contabilizados, tendo permanecido, nestas planilhas. os valores correspondentes ao total das acões adquiridas pela 'Cia Boa Esperança' em 01/12/1987. (.) 4 — Em 15/01/1998 a 'Cia Boa Esperança' vendeu parte das ações, porém deixou de dar baixa na planilha apresentada pelo contribuinte e que controlava os valores referentes ao custo de aquisição das ações adquiridas em 01/12/1987, das parcelas correspondentes aos valores de IPC x BTNF referentes as ações alienadas; - em 31/03/1998, a fiscalizada incorporou a 'Cia Boa Esperança', sua subsidiária, tendo, em consequência, contabilizado em seu ativo permanente, além do valor de R$ 6.535.743,05, relativo às ações remanescentes, o valor de R$ 4.071.349,73, referente ao ágio que havia sido pago à própria fiscalizada por ocasião da venda destas mesmas ações à incorporada em 01/12/87; cabe destacar que nestes valores estão incluídos. respectivamente. os montantes de R$ 287.599.94 e R$ 1.363.694,59. referentes à diferença dos índices de correção IPC/BTNF. relativos. proporcionalmente. às ações alienadas em 15/01/1998: (...) .& finalmente, cabe ainda ressaltar que do montante de R$ 6.535.743,05, contabilizado como a parcela do custo de aquisição das ações alienadas em 30/11/1998 relativa ao valor // 18 Processo n° 18471.000993/2004-71 51-C2T1 Acórcláto n.° 1201-00.002 FL 19 do patrimônio líquido na época da aquisição das mesmas, o valor de R$ 287.599.94 se refere à parcela das ações que havia sido alienada pela incorporada (Cia Boa Esperança) em 15/01/1998. que, indevidamente, por ocasião desta primeira alienação, não foi baixado na planilha apresentada pelo contribuinte. majorando indevidamente o custo da parcela de ações referente à segunda alienação, efetuada pela incorporadora (Boa Esperança S/A), e que, em consequência deve ser desconsiderada na apuração do lucro líquido do período-base, motivando uma glosa de custo de R$ 287.599,94." Ora, é de estranhar que a decisão de piso tenha assinalado que o autuante não fundamentou a referida glosa É uma questão puramente fática, de erro contábil/matemático, onde foi apontado pelo fisco a ocorrência de uma suposta majoração indevida do custo das ações, por incorporar valores que já deveriam ter sido baixados quando pela incorporada em 15/01/1998. Entretanto, analisando detidamente as provas constantes dos autos e as explicações dadas pela recorrente, vejo que a mesma está com a razão. Apesar dessa primeira alienação não ter sido baixada nas planilhas apresentadas pelo contribuinte que registram a diferença de EPC/BTNF (fls. 176 e 198), baixou essa mesma parcela (Diferença 1PC/BTNF) nas outras planilhas que controlam o ágio e o valor do investimento em moeda corrente (fls 167 e 189). De fato, não era a melhor metodologia a ser utilizada, pois mistura parcelas que estão sendo controladas em contas diferentes, mas ao fim e ao cabo, como se demonstrará no próximo tópico (cálculo), o efeito contábil é o mesmo, não tendo trazido nenhum prejuízo ao fisco. CÁLCULO A Cia Boa Esperança baixou de seu ativo permanente as quantias de R$ 3.066.966,76, a crédito da conta 1.03.01.01.99 (25% de R$ 12.267.867,01), e de R$ 1.357.296,87 a crédito da conta 1.03.01.04.99 (25% de R$ 5.429.187,48), perfazendo um total de R$ 4.424.263,63, isto é, 25% (percentual da alienação) do valor total do investimento, inclusive já constando a diferença EPUBTNF Para melhor elucidação do fato, basta verificar a conta contábil constante no razão (fls 372/373 ) para verificar que a baixa referente a alienação foi efetuada corretamente nessa conta contábil, apesar de nos controles auxiliares ela se apresentar aparentemente distorcida. Portanto, nego provimento ao recurso de oficio também nesse tópico. 3) Compensações indevidas de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Cabe salientar que esse item é meramente reflexo dos outros itens. Em face da improcedência total do lançamento, resta pacífico que as compensações do IRPJ e da CSLL foram efetuadas corretamente, sendo inválidas as glosas em 4 relação as mesmas. Lançamento decorrente (CSLL) 19 Processo n° 10471.000993/2004-71 SI-C2T1 . Acórdão n.° 1201-00.002 Fl. 20 Por estar sustentado na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear o cancelamento da exigência lançada por via reflexa. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2009. NIO BEillattA NE i O 20k Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027400.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13116.000282/85-16
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 1987
Ementa: IPI - VALOR TRIBUTÁVEL - vespesas de transporte: estão incluídas entre as despesas de transporte, para efeito de exclusão do VT as chamadas " despesas de manuseio", carga e descarga, referentes aos recipientes e embalagens, inclusive quanto ao retorno ao estabelecimento industrial.
CRÉDITO DO IMPOSTO: A) ART. 82,0 I: inadmissível quanto aos insumos que não participam do processo de industrialização e nem compõem o produto final: b)DL n° 1.136/70: só admissível quanto aos aparelhos e equipamentos nacionais. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-64.130
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencida a Conselheira SELMA SANTOS SALOMAO MOLSZCZAK. Presente ao julgamento o Patrono da recorrente, o Dr. NEWTON FERNANDES DE FARIAS.
Nome do relator: Osvaldo Tancredo de Oliveira
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I b t RECURSO Nis° R ?.] t2-0 A-02,2.7,), ,. I Emde , -iii( -f*- gi cie 192.1_ vLlg" A - .t, .... _Procurador Rep. da ria, Nacional MINISTÉRIO DA FA . EN.DA .. . , ., ... SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 1 3 . 1 1 6- 000 . 282/85-16 VLDS PUBLICADO NO D. O. r/ i DO / 06, IRà tn o' Rubric• 29 de janeiro de 19 87 Seseâo de ACORDA° Nple:$.4.,130 Recurso n.o 78.038 Recorrente CERVEJARIA DE BRASiLIA S.A. - CEBRASA Recorrid a DRF EM GOIÂNIA - GO , IPI - VALOR TRIBUTAVEU - Veápedsasó de tAamponte: eótão íncluída4 entAe as deópe4a4 de tAanápoAte, pana ege,ito de excids -do do VT aá chamadas "dedspeóaá de manuseio", canga e deáeaAga, tedenentes aos Aecipíentts e embalagem, ínclusíve quanto ao AetoAno ao eá tabeezeÁlnento induátAíat. CREDITO DO IMPOSTO: a) aAt. 52, I: "ínadmUssível quanto ao4-1J14u mods que não pantLcipam do pnocesso de índvótitíatízação e nem compõem o pAoduto iy.nal; b) VL nQ 1.136/70: s j admi.44Zute quanta aos apane/hos e equípamentos nacionaís Recatos° pnouído, em pan- te. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso in_ terposto por CERVEJARIA DE BRASTLIA S.A. - CERBRASA. , ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Segundo Conselho de Con tribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira SELMA SANTOS SALOMAO MOLSZ CZAK. Presente ao julgamento o Patrono da recorrente, o Dr. NEWTON FERNANDES" DE FARIAS. Sala das Sessões, 29 de janeiro de 1987 • - / ' {3OLDO RAGA L BO - 'RE,,DENTE vue/14"-------- LDO TA CRO O DE OLIVEIRA- RELATAR il .. , , , (::tu-v- ,,,,,---- AN DE L - PROCURADOR-R(RESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL .7 VISTA EM SESSÃO DE 2OFEv 1987 'Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros FERNANDO NEVES I DA SILVA, MARIO DE ALMEIDA, CARLOS EDUARDO CAPUT° BASTOS, LINO DE AZEVEDO MESQUITA e SERGIO GOMES VELLOSO. \ • A 4 t ilL "j--1,;';=• MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo . N.° 13.116-000.282/85-16 Recurso ref: 78.038 Acordem) 201-64.130 Recorrente: CERVEJARIA DE BRASÍLIA S.A. - CEBRASA RELATÓRIO Conforme o Auto de Infração que abre o presente, foi a firma acima identificada denunciada por inftingência dos artigos 63, II e parág. 19; 107, II e 112, IV do regulamento do imposto so bre produtos industrializádos, aprovado pelo Decreto n9 87.981, de 23.12.82(RIPI/82). Segundo a denúncia, apesar de os preços de venda dos produtos da autuada serem FOB, correndo o transporte por conta dos adquirentes, a remetentá cobra dos seus clientes, no período abran- gido pela fiscalização, uma determinada importância, indicada em separado na nota-fiscal; .atítulo de "despesas acessOriw de manuse sem contudo efetuar o lançamento do IPI sobre -referida parceLanova lor indicado, o qual é exigido, com os acréscimos legais, nos ter- mos do artigo 29 do D.L. n9 1.736/79, com proposta de aplicação da multa prevista no inc. II do art. 364, do já referido regulamento sendo que os valores exigidos se acham discriminados no verso do au to de infração e em quadro demonstrativo, também anexo. A firma também é acusada de haver se creditado inde- vidamente do IPI constante das nótas-fiscais arroladas nos quadros demonstrativos em anexo, fato que também implicou na falta de reco- lhimento do referido imposto, na importância também exigida, com os çlacrésoimos legais e mais a multa do inc. II do art. 364 do citado RIPI/82. segue- 11*I‘, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -2- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Impugnação da exigência, mediante as alegações que sintetizamos. Que a lei assegura a exclusão das despesas de transporte da base de cálculo do IPI. Que a expressão "transporte" engloba, necessaria - mente, três fases interligadas, a saber: carga, condução e descar ga. Que aãohá transporte sem que se verifique a ocor - rencia física dessas três etapas, que são objeto das próprias ta belas de preços dos Sindicatos das Empresas de Transportes. Invoca a abrangência dessas despesas de transporte, constante do art. 63, parág. 19, do RIPI, segundo o qual, compre- endem as de frete, carreto e utilização do porte, etc. Que, o próprio Termo de Encerramento de Ação Fis cal declara que os serviços de carga e descarga são feitos pelos empregados da empresa e que o montante da receita com manuseio "E contabi/ízado pe/a “4ea/ízada em título pnEionío - Aeceíta de Vtete e manuaeío." Que, no tocante à glosa dos créditos, trata-se de "produtos intermediários", cujo crédito é admitido pelo inc. do art. 82 do RIPI. Que são, na verdade, insumos que "embota. não 4e ín tegkando ao bem “ncti, aao consumídoa no wtoceaao .6abxíl de que decovte a índu4titía/ízação doa ptoduto4 ttibatadoa." Que tais produtos são empregados . como graxas e sol ventes nos equipamentos de condução das garrafas para envasilha- mento e arrolhamento e nesse processo são consumidos, sendo seu- emprego indispensável para a industrialização do produto final. segue- ° • , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -3- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Que outros créditos glosados se referem ao IPI in cidentes sobre equipamentos adquiridos e destinados ã moderniza- ção do estabelecimento, bem como para ampliação e modernização inscritos no ativo permanente da empresa. Finalmente que, quanto aos créditos referentes a produtos não relacionados na Portaria MF n9 349/80, que está re colhendo a importância correspondente, com os devidos acréscimos, conforme DARF que anexa. Contesta um dos autores do feito. Que o transporte, a carga e a descarga são etapas distintas de um processo, com caracteriSticas próprias, o que ex plica porque o contrato de transporte não inclui a carga e a des carga. Que a lei exclui da base de cálculo apenas as des pesas de transporte, assim consideradas o frete e o carreto. Que a autuada não transporta, não conduz o . seu produto até o estabelcimento do destinatário, nem ela, nem por intermédio de terceiro. Que faz apenas "manuseio° de garrafas cheias e vazias, que não podem ser consideradas como despesas de transporte. Que não tem nenhuma consistencia a argumentaçâoda impugnanfe, quanto ao conflito que ela invoca entre a legislação do Imposto sobre Transporte e do IPI. No que diz respeito .à glosa dos créditos, os pra dutos sobre os quais recaiu a glosa não são insumos, visto não integrarem o produto final fabricado pela Impugnante e nem são consumidos no processo de industrialização. segue- Ata SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -4- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Trata-se, segundo esclarecimentos dos funcionários, de produtos de uso generalizado em suas máquinas e equipamentos (a ditivo para óleo, anti-corrosivo, solvente, etc.). Por outro lado, diz que a Impugnante se credita de tais produtos, tanto de origem nacional, quanto estrangeiros, co mo é o caso das notas-fiscais que identifica. Que ainda há os casos das partes e peças separadas, que a Portaria n9 349/80, no seu item 4, diz que não geram o di reito de crédito em questão. A decisão recorrida, conforme consubstanciado na sua ementa, diz que serão incluídos no preço da operação de que decorrer o fato gerador as despesas de carga e descarga de produ- tos, debitadas ao comprador ou destinatário, sob qualquer titulo. No que diz respeito aos créditos a que se refere o D.L. número 1.136, transcreve as condições em que são admitidos, as quais diz que não são cumpridas pela Impugnante, nos casos especificados na denúncia. Por essas principais razões, julga procedente a ação fiscal e mantém a exigência, conforme discriminada. 'no auto de infração. A autuada apela para este Conselho, tempestivamen- te, com as razões que resumimos. Invoca e transcreve o art. 14 da Lei n9 4.502/64 sobre o valor tributável do IPI, que dele exclui as despesas de 1 transporte, nas condições e limites estabelecidos no regulamento. 1 Invoca o principio constitucional da reserva 1 da Çb\\) lei para instituir ou aumentar imposto (art. 19, parág. 29) e \ volta a transcrever o art. 14 da Lei n9 4.502/64, e a delegação ao regulamento, para disciplinar a matéria. segue - ° . , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -5- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Para concluir que a autorização só vai a nível de regulamento', de decreto do Poder Executivo. Isso para inquinar de ilegais e arbitrários os atos administrativos menores, especialmente-os pareceres normati vos, que colidam, ampliem ou restrinjam a g 'condições préS-Critas no regulamento. Em seguida, invoca disposição sobre o Imposto so bre Transportes (D.L. n9 1.438/75, art. 79, parãg. 39), o qual declara que "o !meço do aenviço de coleta e enttega de canga ín cLuem-ae na baae de calculo de44e ímpoato." Que o PN-CST n9 93/77 dispôs a respeito que'ínte gnam a baae de calculo do ISTR toda4 aa ímpontéincía4 . díapendí- daa "em .6unçao da4 atíOídade4 de coleta e entnega de canga4.° Que o mesmo parecer descreve a atividade de "cole ta", conforme leio, às fls. 189, para conhecimento do Colegiado. Que é exatamente isso que a recorrente executa na consecução do transporte de seus produtos, conforme, aliás, é descrito no próprio auto de infração, mas já então, para 'dizer que não se incluem no serviço de transporte, mas sim na base de cálculo do IPI. Passa a examinar de como os regulamentos do IPI com autorização do art. 14 da Lei n9 4.502/64, conceituam as des pesas de transpomte, as quais compreendem, "verbis": "a4 de piete, canteto e utílízaao de ponto , íncivaíve aa neatízadaa com a xeme44a doa pnodu- toa a 1ÇLliaL4 e demaí4 e4tabe/ecímento4..." segue- 011 150 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -6- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Invoca os léxicos, os quais transcreve, para desta car o sentido amplo atribuído ao conceito de "transporte, frete, carreto, etc." Depois de analisar o significado e o alcance de tais expressOes, conclui que "frete" tem um alcance e "carreto moutro- aLeãneemais amplo, de caráter resildual, de tudo o mais que I esteja envolvido no citado serviço. Que aí, sem dúvida, se inclui o manuseio de carga e descarga dos produtos. Que, por sua vez, as empresas de transporte adotam duas tabelas de preços de transporte: uma cobrando condução, mais carga e descarga, e outra com preço só para condução (caminhão= motorista). Que a recorrente sempre praticou os preços fixados ou aprovados pelo CIP, em cujas tabelas consta expresso o valor das despesas acessórias excludentes da incidência do IPI. Que a 2a. Câmara desta Conselho já teve oportunida de de apreciar matéria idêntica, admitindo a incidência do IPI apenas sobre a carga dos produtos, não as aceitando sobre a desca - ga dos vasilhames. Que já a antiga Junta Consultiva do Imposto de Con sumo, também ao apreciar a mesma matéria, pronunciou-se sobre a exclusão da incidência sobre as despesas de carga, e também de descarga(decisão n9 9.294, cópia anexa). Que tanto a carga quanto a descarga se acham vincu-. ladas ã mesma operação de venda dos produtos, conforme expresso no corpo da nota-fiscal de remessa, visto que o retorno do vasi - lhame ao estabelecimento, porque não cobrado, é obrigatório, con ‘\)\\\ forme deflui do art. 72 do RIPI. ()Jr. segue- 451 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -7- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão ri9 201-64.130 Por fim que, quando o contribuinte vende cada pra duto, suporta inevitavelmente ,duas despesas de transporte, uma de carregamento do produto, e outra necessária de descarrega- mento do vasilhame vazio, ambas relativas ã mesma operação de venda, conforme expresso na hota-fiscal, cujas despesas se acham destacadas, em parcela separada, como determina a lei, como con dição da exclúdente da base de cálculo. Quanto aos créditos julgados indevidos, diz que limitou-se a aproveitar os relativos ao IPI incidente sobre pra dutos intermediários utilizados em seu processo fabril, conforme autoriza oard,gp82, I do RIPI/82. Que basta verificar a relação de tais produtos discriminados que se acham nos quadros demonstrativos e notas - fiscais anexas aos autos. Trata-se de graxas e solventes em pregados nos equipamentos de condução das garrafas para lavagem, envasilha - mento e arrolhamento e que são consumidos nesse processo, indis - pensável para a industrialização dos produtos finais. No que diz respeito aos créditos pela aquisição de equipamentos para modernização e/ou ampliação do estabelecimento, que basta verificar-se as notas fiscais de aquisição em que os mesmos produtos se acham descritos. Pela ci-tad&des'oriçãg antes que pela classificação, ver-se-ã que os mesmos se acham relacionados na Portaria n9 349, de 1980. Quanto aos produtos da pos. 84.61, conforme decla ração anexa, são efetivamente válvulas automáticas, pelo que o crédito também é procedente. Quedfabode determinadosequipauentasserem moutentanea' mente cedidos a terceiros, por empréstimos (a bares, restauran- tes e similares) não autoriza a glosa do crédito, como quer a de cisão recorrida. 1 segue- 9 p-- . , 1162i . , • SERVIÇO KIBLICO FEDERAL -8- Processo n9 13.2116000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Finalizando com um resumo do que foi alegado e pe dido, pede o provimento do recurso. 1 2 o relatório. VOTO DO RELATOR, CONSELHEIRO OSVALDO TANCREDO DEOUIVEIRA 1 A mataria do presente recurso e sobejamente conhe _ cida deste Conselho. Quer desta la. Câmara, quer da 2a. Câmara, quer, ainda, pela diversidade de votos e de posições. Assim I que, quanto ao resultado, nesta Câmara por duas vezes prevaleceu, por maioria, o ponto de vista da Re corrente, contra uma vez, também por maioria, foi mantida a deéi _ são recorrida. I Na 2a. Câmara, provimento, em parte, pelo voto de qualidade, contra o provimento integral. Nesta Câmara houVemudançasde votateum para outro re _ curso, em favor da Recorrente. Por fim, na parte contrária à Recorrente, tambem houve divergência entre esta e a 2a. Câmara. I Enquanto que estaCgMara apoiava o voto do relator, fundado no fato de serem os serviços de darga e descarga efetua- i dos e cobrados pela Recorrente (dai não poderem ser incluidos en tre as despesas de transporte), entendia o voto contrário da 2a. Câmra que as despesas relativas àqueles serviços só poderiam ser excluídas do VT do IPI quando decorrentes da saida do estabe lecimento da Recorrente ate à descarga(inclusive) no estabeleci- mento do dest4inatârio. Mas não as despesas decorrentes do retor- no dos recipientes ao estabelecimento industrial. \-\\1 segue- \ 453 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -9- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acãrdão n9 201-64.130 Preliminarmente, descartamos o entendimento do voto contrãrio desta Câmara, antes referido, baseado no fato de serem os aludidos serviços executados pela Recorrente e cobrados do destinatãrio. Evidentemente, tal circunstãncia não retira dos re — feridos serviços de manuseio, carga ou descarga a condição generi ca de "despesas de transporte". Nesse sentido, aliãs, destacamos trecho do voto sempre brilhante do ilustre Conselheiro ELIO ROTHE(o voto que não reconheceu o direito no retorno dos vasilhames), quando declara que "Re44a/tamo4, áet da áístematíca do ímpoáto o contAíbaínte pode& debtacat e cobtat, em 4epatado, na Nota-Fí4cal,a4 de4pe4a4 de txan4poxte, mesmo ue o ttan4potte éeja 6e1to pot ele pAõpitío, como .44poem 04 íneí4o4 TIL IV e V do_paAa9. 19 do iitn5—ar1IPI/82." (grifos nossos). Por sua vez, esse voto do ilustre Conselheiro ELIO ROTHE negou em parte o direito em questão, no sentido de que a parcela da despesa "te/atíva ã de4cax9a de ca.lxaá de gat4alSa4 va zícii) não deve aet exciuída do valot ttibutave/pot que eáta atívídade não díz Aeápeíto ao ttanápotti de metcadotía saída do eátabelecímento com a obní- gação de pagat o ímpoáto." (grifos não são nossos). Por outras palavras, embora reconhecendo - que as tais despesas de manuseio, ou seja, carga e descarga, estão compreendi das entre as despesas de transporte, que a lei autoriza a exClu- ir do VT do IPI, apenas as reconhece pela metade, ou seja, ate ã descarga no estabelecimento do destinatãrio. Isso, por entender que as despesas em questão segue- 45(1 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -10- Processo n9 13.116,000.282/85-16 Acerdão n9 201-64.130 "dízem tespeíto ã detetmínação do valoA txíbutã veL dos ptodutos índusttía/ízados, ttautados, no" áaídaá do estabe/ecímento índusttía/."(grifos no?—= sos). Quer dizer que vinculou ditas despesas ao momento da ocorrência do fato gerador, com exclusão das posteriores. Nesse caso, data vertia, não poderia admitir as des pesas relativas descarga final, no estabelecimento do destinatã- rio, porque posteriores equele fato. Em verdade, porem, o que prevalece do referido voto e que mais nos convence das razões da Recorrente este consubstan - ciado no trecho decisivo, de que nos valemos, "data venia" em prol do nosso entendimento, "in verbis": "Concondamoá, assím, com a colocação do tecox - tente de que "a expteááao "ttanspotte" engloba ne- cessatíamente ttes dases íntet/ígadas e dependen - tes uma dais outna4, qual. áejam: canga, condução e descaxga", No entanto, E na legíálação do ímpoáto 4obhe txanápoAte que vamos enconttat o maís ,otte atgumen to no sentído de que a canja e a descaxga devem sa. compteendídas no ttanspotte, poíá que o att. 79 39, do Decteto-/eí n9 1.438/75, com a hedação da da pelo Decketo-leí n g 1.582/77, ao estabe/ecet valox ttíbutavel., díspas que Uncluem-4e na base de calculo o piceço do setvíço de coleta e enttega de caxgas,..: Pot catita Lado, o Patecex Noxmatívo CST 93/77 eácIatecendo áobne estes aspectos do ímpoáto sobte ttanspotte, xeza: "2. "Coleta", em texmoá de ttanspotte, sígní ,áí- ca a atívídade de tetítat a catga (mexcadoxía e/ou bens que devam áen ttanspoittados) do local de oní gem e coloca-1a, díteta ou índítetamente, no vacu- ;:\3\ lo que deva executai:. o 4ekvíço. Pot m enttega", en tende-se a atívídade sí tmí/a conaí t tstene na etíicar da da catga deste veículo e sua colocação no local de deátíno. segue- 1 55 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -11- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acórdão n9 201-64.130 Acontece que, no caso quase exclusivo e "sul gene- ris" de que estamd9 tratando, cistrédinientes d. e vaSilhames.debebt dàÈ, cujo valor;"por- fórçaide-lei,se'acha .:exClúrdo dd vaTofrp-tributóvel - do' IPI - no caso em questão - a sua descarga compreende o retor no ate o estabelecimento do remetente dos recipientes e embala - gens vazios. Tanto que as tabelas dos . sindidátos .:são fixadïs,....sempre nesse caso especial, em função da distãncia percorrida, ida e vol- ta, porque ai sempre ocorre o retorno. E, obviamente, os valores cobrados por es9es percur sos são abrangidos pela incidência, ou do imposto sobre transpor tes, quando intermunicipais ou interestaduais, ou doISS„atitulo:de "carga e descarga" que e um dos itens expressos da "lista de ser viços." Hã que considerar, ainda, o elemento histórico trazido ã colação no tantas vezes invocado voto do • Cortelbeiro ELIO ROTHE, quando diz que a exclusão em causa "C.muito antíga na Legí41ação apticaue/ n04 tekmo4 em que xegu/amentada, como .se pode uva, flícax pela obáeftvação la... "a" da Tabela "A", do Regulamento do Impo4to de Ui/ótimo, apnovado pelo Deeketo ng 26.149, de '5.01.49." E a concessão se deve ao fato da elevada aliquota de incidência do imposto sobre pródutos (cervejas ou refrigeran tes, atualmente de 200% e 40%, respectivamente) cujo conteúdo por si só,éde valor e custo muito mais baixo do que o relativo ao dos recipientes e embalagens e as despesas de transportes, todas de incidencia muito mais baixa, quer quanto ao IPI (no caso de recipientes e embalagens), quer quanto ao ISTR ou ISS. seg-ue- 0 451 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -12- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acerdão n9 201-64.130 Dai a autorização legal de limitar a elevada inci- dencia do IPI exclusivamente ao contei:ido, vedando, por outro lado, o credito do imposto sobre os recipientes e embalagens adquiri - dos. A invocação desse elemento histarico serve para ro bustecer a nossa convicção de que as despesas de "manuseio", ai compreendidas as de carga e descarga, devem ser exclunas da base de cãlculo do IPI por se acharem compreendidas no item genérico de "despesas de transporte", como tambem em face das caracteris- ticas especiais da comercialização dos produtos de que se trata que sempre compreende o retorno dos recipientes e embalagens ao estabelcimento do fabricante, como, ainda, em face daquelas ra zees jã referidas, relacionadas com a eleveda aliquota de incide!) cia a que este sujeito o produto (contejdo). Jã no que se refere aos credites sobre insumos ad quiridos para emprego nos equipamentos de condução das garrafas para lavagem, envasilhamentoe arrolhamentos do produto, bem como no que diz respeito ãs partes e peças de equipamentos e ; outros produtos estrangeiros, entendo que não assiste razão ã recorrente. No primeiro caso (credito do art. 82, I do RIPI), por não se tratar de insumos que participem do processo de indus- trialização dos produtos propriamente ditos, no sentido do dispos to no referido dispositiva tampouco do Parecer Normativo n9 65/76, que o interpretou. No segundo caso (credito autorizado pelo D.L. hq 1.136/70), em face de não se acharem incluidas as peças e partes na Portaria n9 349, de 1980, e porque o D.L. n9 1.136/70, sé au toriza o crédito para as mãquinas e equipamentos nacionais. segue- 151 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -13- Processo n9 13.116-000.282/85-16 Acérdão n9 201-64.130 De todo o exposto, voto no sentido de dar, em par te, provimento ao recurso, para manter a exigência -ctio-somente quanto aos créditos do IPI, referidos no art. 82, I e art. 93, do vigente regulamento do citado imposto, aprovado pelo Decreto n9 87.981/82. S a das Sess:es, -' 9/de janeiro de 1987 OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA C;22 Ligi /1591 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 13.1)6-000.282/85-16 Foi dada vista do acórdão ao Sr. Procurador-Re presentante da Fazenda Nacional, em sessão de 20 de fevereiro de 1987, para efeito do art. 59, do Õecreto n9 83.304, de 28 de março de 1979. 221 Em 1/2:2 id7 C o ,7 de 751.41 C c f (910 , Crat ta Zerso:ulta 1 e'41,1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Exmo. Sr. Dr. Presidente da la. Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes RP/201-0.227 A FAZENDA NACIONAL, inconformada com a decisão que lhe foi adversa no julgamento do recurso voluntário em cue figura como parte contrária a CERVEJARIA DE BRASTLIA S/A.- CE BRASA, por seu representante legal, vem interpor RECURSO ESP-L: CIAL para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, na forma das anexas razões, requerendo sejam as mesmas recebidas e encaminha das ao conhecimento daquela instância superior. Nestes Termos, Pede deferimento. • Brasilia-DF, 24 de fevereiro de 1987. /(.2 IA" 21"-""" Dr. IRAN DE LIMA • .5- 2 2 y 14°7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Pelo Recorrente: A FAZENDA NACIONAL Recorrida : CERVEJARIA DE BRASILIA S/A. - CEBRASA RAZOES DE RECURSO Egrégia Cãmara Superior de Recursos Fiscais! Eminentes Conselheiros: Versa o presente recurso, unicamente, sobre a parte da decisão que considerou as chamadas despesas de manuseio como integrando as despesas de transporte, para o efeito de ex clusão do valor tributável do imposto sobre produtos industriali zados - IPI, vez que essa parte da decisão foi a única que lo grou obter a necessária maioria ensejadora do recurso. O ilustre Conselheiro relator, em cuja estei ra foi a maioria do Colegiado, argumentou firme com base no voto _ do ilustre Conselheiro ELIO ROTHE, da 2a. Cãmara deste Conselho. Segundo o voto daquele ilustre Conselheiro, a expressão "transporte" engloba necessariamente trés fases inter- ligadas, quais sejam a carga, a condução e a descarga. Naquele - voto, citado no relatório há, ainda a precisão de que "coleta", em termos de transporte, significa a atividade de retirar a car- ga (mercadoria e/ou bens que devem ser transportados) do local de origem e.colocá-la, direta ou indiretamente, no veiculo que deva executar o serviço..." (fls. 10, do acórdão). "Data venia" dos ilustres Conselheiros, de uma Câmara e outra, entendemos que o raciocinio não se ajusta ã hipótese vertente. Primeiro porque uma coisa são os parâmetros utilizados pelo imposto sobre transporte e outra, que não é ne cessariamente igual, os parâmetros utilizados para apuração do valor tributável na área do IPI. A legislação do imposto sobre transportes pode utilizar, para os efeitos legais, evidentemente, um conceito mais amplo de transporte que abranja aquilo que, tec — 2i cr" 40/ SERVIÇO PODIA° FEDERAL nicamente, não o é, como carga descarga, etc., enfim, "manuseio". O nosso grande comercialista, J.X. CARVALHO DE MENDONÇA, Tratado de Direito Comercial Brasileiro, volume VI, 2a. parte, p.465/466, sublinha que "não se compreende o trans- porte sem uma pessoa ou coisa a transportar... A execução do contrato começa não com o inicio da viagem, mas com a entrega da mercadoria pelo carregador e com a aceitação destas..." Sendo assim, as despesas de manuseio, que ante cedem essa entrega, não são despesas de transporte, porquanto tecnicamente, ainda não se iniciou a execução do contrato. As despesas de transporte serão, necessariamente, aquelas despendi das com o transporte da coisa e não aquelas outras que antece - dem ii execução do contrato de transporte. Na hipótese dos autos ainda há o fato de que as próprias despesas de descarga, que vém a ocorrer no final do percurso, são consideradas pela Recorrida como "manuseio" in- cluído na expressão genérica de transporte. E ainda mais, a ven da é feita com a cláusula FOB, "free on board", ou seja, merca dona entregue livre de despesas ao comprador. Se assim é, o que foi cobrado há de ser considerado, necessariamente, para a aferição do valor tributável. Não se pode, validamente, conside rar que, como quer a recorrida, que os antecedentes necessários de uma operação venham a integrar essa operação. Como diz, se o manuseio antecede necessariamente o contrato propriamente dito de transporte, em sua execução, então o conceito deste Gltimo ó abrangente daquele. Ora, se assim fosse, regressaríamos "ad in finitum", o que é absurdo. Antes do manuseio, necessariamente existe a produção e antes desta, necessariamente, existe a maté ria prima produzida, e assim sucessivamente. O que é preciso, no caso vertente, não é a abran gência mas, pelo contrário, a delimitação no tempo do que seja transporte. O transporte, como já dito, pode ser de pessoas e coisas, mas somente se inicia com a entrega da mercadoria a ser transportada, no caso de transporte de coisa. Antes disso, ain da não há transporte. O nróprio Código Comercial, art. 101, em tema de responsabilidade, diz que a do condutor ou comissário começa a correr desde o momento em que recebe as fazendas e só expira depois de efetuada a entrega. r nesse período em que há a responsabilidade do transportador, que vige o contrato de transporte, nunca antes, nunca depois. .-L2v9,0 . , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Não conforta a tese da Recorrida o fato de que, conforme salienta o ilustre Conselheiro Relator, OSVALDO TANCRE- DO DE OLIVEIRA, no "caso em questão . - a sua descarga compreende o retorno até o estabelecimento do remetente dos recipientes e embalagens vazios" (fls. 11). Ora, trata-se, na espécie de nega cios juridicos coligados, um envolvendo o produto propriamente ' dito e o outro a embalagem somente. No primeiro dos negócios ju- ridicos é cogitãvel de exclusão o transporte, dentro dos parâme- tros legais, a partir da entrega da mercadoria ao transportador, . excluida as operações antecedentes. O segundo negócio juridico — ' envolvendo vasilhames, inquestionavelmente, pelo seu preço, não é excluido da base de cálculo do IPI. E isso pela razão de que, no primeiro dos contratos coligados, venda de produto, foi incidi do no preço, via de conseqüéncia, vai integrar o valor tributá - . vel. Se os negócios jurldicos fossem distintamente realizados de forma não coligada, de tal forma que o segundo contrato, dis tinto do primeiro, naturalmente, tivesse o único objetivo do re torno até o estabelecimento produtor dos recipientes e embala- gens vazios, cogitar-se-ia, então, de não incidéncia do IPI, mas de outro tributo, o que, sem duvida, viria de encontro aos dese_ jos da Recorrida, que nada mais quer do que não pagar o tributo sobre os valores resultantes. Assim, dessa forma coligada, inobstante figurarem nas tabelas dos sindicatos, em função da distância percorrida. Não há como entender que o manuseio Aeixe de integrar a base de cálculo do IPI, razão porque esperamos da Câmara Superior de Re cursos Fiscais, a reforma dae—isão recorrida, como de JUSTIÇA. i' l il 01/4-Q- 11 Dr. IRAN DE LIMA - I . , , , #93/ SERVIÇO P.IBLICO FEDERAL Processo n9 13.116-000.282/85-16 RP n9 201-0.227 Recurso n9 78.038 Ac6rdão n9 201-64.130 • • Recurso especial do Sr. Procurador-Representante da Fazenda Nacional, interposto com fundamento no inciso 1 do artigo 39 do Decreto n9 83.304, de 28 de março de 1979. ã consideração do Sr. Presidente. 29 Em:£ CilO L. de Hi 15:77-T C ji? 1 Ainne 4ár tsit Philo C _ rhere Secritari ; • 169/ WAL 'Eze."4, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 13.116-000.282/85-16 RP/201-0.227 • Rocuro n.": 78.038 Acorde:o riP: 201-64.130 Recorrente: A FAZENDA NACIONAL Recorrido : SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: CERVEJARIA DE BRASTLIA ' S.A. - CEBRASA DESPACHO N9 1042 O Senhor Procurador-Representante da Fa7enda Na. cional recorre para a Câmara Superior de Recursos Fiscais da Deci- são deste Conselho proferida por maioria de votos, na sessão de 29 • de janeiro de 1987 e consubstanciada no Ac6rdão n9 201-64.130. A "vista" do Ac6rdão foi dada na sessão de 20 de fevereiro de 1987. Tendo em vista a presença dos requisitos _exigi dos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais: decisão não unânime (artigo 49, I) e tempestividade (artigo 59, 29), recebo o recurso interposto pelo ilustre representante da Fa zenda Nacional. Encaminhe-se ã repartição preparadora tendo em vista o disposto no artigo 39, Ç 39, do Decreto n9 83.304/79, com a redação que lhe deu o artigo 19 do . Decreto n9 89.892/84. Brasilia-DF, 27 de fever iro de 1987. • Harcoldo Brp o Lobo• • Presidente 416 PROCESSO N9 13116/000.282/85-16 ,ttfln , o- . •- seb, n,LtkM MINISTÉRIO DA FAZENDA • Sessão de..2:2...U...ab.r.i.J...de ACÓRDÃO N 2..5;Brif).2.7 . O .266 Recurso n9 : RP/201- 0.227 Recorrente : FAZENDA NACIONAL • Recorrida : PRIMEIRA CAMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SIMEITO PMS1VO: CERVECJARTA DE BRASILlA !;.A. - C•URK;A 11 1 1 - VALOR TRINUTT,VE1 . . Ti:Hd() eu' vir:La que as jttti. Lulctts despesas ac,Jssr,- rias de frete manuseio" referem-se à cobertura dos eus Los com os serviços de carga e descarga dos produtos c dos respectivos vdsilhamus, d:Jdo ri?) integrarem o ciclo. de produção, se Ge- bitadas_separadamenLe nas Notas lis - cais, nao compõem a base de cálculo do • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos da recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. • ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fie :ais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos ter- nos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O :ons. José Alves da Fonseca l jto votou por tIZto ter assistid r, :10 Pela -õrio. Sala dos Sessbes(DF), cm 25 de abril de Fiaf::. 1:(2.; • URCEL PEREIP. L PE3 - PRESIDENTE fr• UNtOLDO BRAGA LOBO RELATOR fiy / •- MARCZÍÇ1hMNIO MENEGHETTI- PROCURADOR DA FAZENDA NA-/ CIONAL • • v.v. . . Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros. SÉRGIO GOMES VELLOSO, HAMILTON DE Sà DANTAS, JOSE FAÇANHA MA: MEDE, SEBASTIÃO BORGES TAQUARY e SEBASTIÃO RODRICUES CABRAL. Falou pelo sujeito passivo o Dr. Amador Outerelo Fernandez - OAB/DF n9 7100 com instrumento de mandato nos autos, e, pela Fazenda Nacio- nal o Dr. Marco Antonio Meneghetti. • • • / 466 Ntt. Yrn ÀJ • SEHVIÇO PÚBLICO FIDEIIAL PROCESSO N(? 13.116-000.282/85-16 HEeta1SON9: RP/201-0.227 ACORDA0Ny: CSRF/02-0.266 • HEcOHHENTC: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÃMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTHIBUILTL:: SUJEITO PASSIVO: CERVEJARIA .DE BRASILIA s/A. - CEBRASA ‘ •RELATÓRIO' Com fundamento no que estabelece o art. 3 rd, inciso 1, do Decreto nQ 83.304, de 28.03.79, recorre a Fazenda Nacitinal pelo seu Representante junto à Colenda la Cãmara do 2Q Conselho de Contribuintes, conforme petição de fls. 222/224, da decis5o pro latada por aquele Colegiado, em sessão de 29.01.87, e consubstan- ciada no Acórdão n4 - 201-64.130 (fls. 206/217), em cuja ementa se lê: "IPI - VALOR TRIBUTÁVEL - Despesas de trans porte: estio incluídas entre as despesandetrans • porte, para efeito de exclusão do VI as chamada:7-, "despesas de manuseio", carga e descarga, (-c:ft-- rentes aos recipientes e embalagens, incLusive quanto ao retorno ao estabelecimento industriaL" Como se , verifica da peça bãsdia de fls. 50, a contri- buinte foi autuada por ter excluído da base de cálculo do IPI o valor das "DESPESAS ACESSÓRIAS DE MANUSEIO", debitadas em separa- do nas respectivas Notas Fiscais, referentes à carga de seus pro- dutos e descarga dos respectivos vasilhames e emgradados, Lendo sido no que diz respeito a essa irregularidade, dado 1.(Jr g—) /. -02 - • -o , 114: rr-f-t"Ní I: - sumo NBUW nown í1Processo no -13.116-000.282/85-16 '41 C?r j„,,L, Acórdão nQ - CSRF/02-0.266 erp do o disposto nos artigos 55, inc. 1, letra "b" e inciso II, le tra "e", 63, inc. II, e § 10, 107, inc. II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nQ 87.981, de 23.12.82. .Sustentando a exigência, a decisão singular consig- nou que: "O Regulamento do IPI aprovado pelo Decre to nQ 87.981/82 6 muito claro na determinação do valor tributável dos produtos nacionais. No artigo 63, inciso II, especifica que constitui o valor UribuCvel o preço da operação de ,;ue decorrer o fato gerador. Neste mesmo arl • 10, é dito que as despesas acessórias dehit“ • das ao comprador ou destinatário, salvo as de transporte -e seguro, guando escriturada:: sepa- • radamente, por esp(Jcic, na Nota YL:;edl, incluídas no preço da operação, desde que aten didas, ainda certas normas. Uma destas normas explicitamente indica que as despesas de trans . porte compreendem as de frete, carreto e utili zação de porto. Ora, da análise do processo temos clara a situação ocorrida, referonle a parLe do auto que trata do não recolhimento do IP), das despe sas de manuseio. O fato gerador doimposto o- corre na saída do produto do estabelecimento ' industrial (artigo 29, inciso II do RIPI/82) é o preço de que decorre esta operação, inclusi- ve com todas as despesas acessórias, salvo a- quelas expressamente determinadas. No presente caso, ocorre a venda dos produtos da autuada e nas Notas Fiscais vem incluído "Despesas Aces- sórias de Manuseio", que são debitadas ao com- prador. Eska despi . sa se rerere a manuseio e carga de engradados no veiculo, efetuado v r funcionário da empresa e, que deve, portanto, constituir valor tributável do imposto. Nenhuma das alegações da interessada sua impugnação, pretendendo que estas despesas acessórias discutidas não constituam valor tri butável deve prosperar. Assim tem-se que: - O transporte não emgloba necessariamen- te as três fases interligadas, carga, condução e descarga, como quer a autuada, pois como po- 11, • • • -03- 4 62 /-7\ SCRVIÇO rúBLICO FEDERAL Processo no -13.11G-000.282/85-1G ;, Acórdão no - CSRF/02-0.266 esp • \C dom ter ligação tais fases, se são feitas dis- tintamente por pessoas diferentes? A carga cor re por conta da CEBRASA S/A e a condução e a descarga pelo comprador ou por outra firma con tratada;" ... "A impugnante entrega 2OU produ--: to na sua fábrica para o cliente ou o transpor tador deste e, daí em diante, tudo corre por conta do adquirente, inclusive a descarga no destino. Como se não bastasse a clara definiçãocon tida no artigo 63, 5 19, inciso I, do RIPI/82,- especificando expressamente que as despeSas de transporte compreendem apenas as de frete, car reto e utilização do porto, o Parecer Normati- vo CST no 32/84, vem confirmar que sobre• despesas de manuseio e carga deve incidirulPL na situação do caso em exame. Estabelece tc Parecer que nomente poderão ser excluídas do valor IrilaiHvol paria.la:; eZNI' d ~ p i e dicadas nu 5 iv do artigo 63 do RIPS/82, gue as despesas acessórias, todas elas, devem abri toriamente integrar o valor da operação oara fins de incidência do IPI, nos termos do inci- so II do artigo 14 da Lei nO'4.502/64. E diz mais, que serão incluídas no preço da operação de que decorra o fato gerador as despesas de carga e descarga dos produtos, debitadas ao comprador ou destinatário, sob qualquer denomi • nação ou qualquer título. • Está, pois, configurando que a impugnante interpretou erroneamente tal assunto, não reco lhendo o IPI sobre as despesas de carga e ma- - nuseio." Por sua vez, a decisão reocrrida, dando provimento 'ao Recurso Voluntário, na parte que é objeto do presente recur- so, está assim fundamentada: • "Preliminarmente, descartamos o entendi- mento do voto contrário desta Câmara, antes proferido, baseado no fato de serem os aludi- dos serviços executados pela Recor drente e co- brados do destinatário. • Evidentemente , tal circiistãncia não reti ra dos referidos serviços de manuseio, carga ou descarga a condição genérica de "despesas de, 1rannporte". . - ;J(. • • •• • - 04 - 46, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo nO 13.116-000.282/85-16? qf» ' Acórdão nQ - CSRF/02-0.206 Nj5-}rn Nesse sentido, aliás, destacamos trdt-hO—to voto sempre brilhante do ilustre Conselheiro ELIO ROTHE (o voto que não reconheceu o direito no retorno dos vasilhames) , quando declara que "Ressaltamos, ser da sistem5tica do imposto o contribuinte poder destacar cobrar, sem separado, na Nota-Fiscal, as despesas de transporte, mesmo :F:0 t-rans- porte seja feito por ele P;:(.1.prLo, como dispoem os incisos III, IV e V do parágra- fo lO do art. 63 do RIPI/82." (grifos nos-. sos). Por sua vez, esse voto do ilustre Cons e- lheiro ELIO ROTHE negou em parte o direito em questão, no sentido de que a parcela da despesa "relativa à descarga de caixas de rrafas vazias nao deve ser excluída do valor tribuCával porque esta atividade riT.o diz respeito ao transporte de mercadoria saída do estabelecimento com a obrigação de , pagar o imposto •" (grifos não são nossos). Por outras palavras, elitbora reconhecendo que as tais despesas de manuseio, ou seja, car- ga e descarga, estão compreendidoas entre despesas de transporte, que a lei autoriza a excluir do VT do Th', npenan nn reconhrue pnla metade, ou seja, até ã descarga no estabeleci - mento do destinatário. Isso, por entender que as despesas em questão "dizem respeito à determinação do va- lor tributável dos produtos industrializa- dos, tributados, nas saídas do estabeleci- mento industrial." (grifos nossos). • Quer dizer que vinculou ditas despesas ao momento da ocorrencia do fato gerador, com ex- clusão das posteriores. Nesse caso, data venia, não poderia admi- • tir as despesas relativas a descarga final, no estabelecimento do destinatário, porque posterio res ' àquele fato. Em verdade, porém, o que prevalece do refe rido voto e que mais nos convence das razões da Recorrente estã consubstanciado no trecho deci- sivo , de que nos valemos: "data vonia" em prol do nosso entendimento, "in verbis": • te-1 • -05- /1.4n ,,) p r-f/1--„ altviçO rouco MERAL Processo nO 13.116-000.282/85-16 Acórdão nO - CSRF/02-0.206 gl) "Concordamos, assim, com a cof3t-ac5o do recorrente de que "a expresso "trans- porte" engloba necessariamente trós fases interligadas e dependentes uma das onLra qual sejam: carga, conduçao e descarga". No entanto, e na legislação do impôs to sobre transporte que vamos encontrar o mais forte argumento no sentido de qui-, a carga e a descarga devem ser compreendi- dos no transporte, pois que o art. 70, s 30, do Decreto-lei no 1.438/75, com a re- dação dada pelo Decreto-lei no 1.582/77, ao estabelecer o valor tributável, dispós que "incluem-se na base de cálculo o pre- ço do serviço de coleta e entrega de car- gas, ..." • Por outro lado, o Parecer Norm.itivi, CST 93/77, esclarecendo sobre estes asu j:c_ tos do ámpsto sobre transporie, rnza: • "2. "Coleta", em termos de transpor- te, significa a atividade de retirar a 'carga (mercadoria e/ou bens que devam ser • transportados) do local, de origem e colo- • • cá-la, direta ou indiretamente, no veícu- lo que deva executar o serviço. Por "en- trega", entende-se a atividade similar consistente na retirada da carga deste veículo e sua colocação no local de det1 no. • Acontece que, no caso quase exclusivo e "sui generis" de que estamos tratando, os re- cipientes e vasilhames de bebidas, cujo valor, por força de lei, se acha excluído do valor tributável do IPI - no caso em questão - a sua descarga compreende o retorno até o estabeleci mento do remetente dos recipientes e embala- gens vazios. Tanto que as tabelas dos sindicatos s5o fixadas, sempre nesse caso especial, em função da distãncia percorrida, ida e volta, porciue aí sempre ocorre o retorno. E, obviamente, os valores cobrados- esses percursos são abrangidos pela incidncia, • ou do imposto sobre transportes, quando inter- municipais Ou interestaduais, ou do ISS, a tí- tulo de "carga e descarga" que é um dos itens expressos da "lista de serviços". Há que considerar, ainda, o CICIW,We hir:- tórico, trazido ã eolao5o no lantiw vezes iav.; fin.indr,cada voto do Conselheiro ELLO uoTnE, diz que a exclusão em causa: • - 06 - n til Ais SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO Nu-43.116-000.282/85-,lC • Acórdão nQ-CSRF/02-0.266 411 ‘. 5 . • "é muito antiga na legislação ;Jr) gAi vel nos termos em que foi regulamenta-. da, como se pode verificar pela obser- vação 1Q... "a" da Tabela "A", do Regu lamento do Imposto de Consumo, aprova- do pelo Decreto nu 29.119, de 5.01.19". E a concessão se deve ao fato da eleva da alíquota de incidóncia do imposto sobr7; produtos (cervejas ou refrigerantes, atual- mente de 200% e 40%, respectivamente) cujo conteúdo, por si só, e de valor e custo mui to mais baixo do que o relativo ao dos reei • pientes e embalagens e as despesas de trans porte, todas de incidência muito mais bac: • xa, quer quanto ao IPI (no caso de recipien tes e embalagens), quer quanto ao ISRT ou ISS. Daí a autorização legal de ]imitar a elevada incidirnica do IPI excjuNivflmenli: conteúdo, vedando, por outro lado o creTrdieo do imposto sobre os recipientes eembalagens adquiridos. • A invocação desse elemento histórico serve para robustecer a nossa convicção de que as despesas de "manuseio", aí compreen- didas as de carga e descarga, devem ser ex- cluídas da base de cálculo do IPI por se acharem compreendidas no i Leni c/enf.:rico d(2 "despesas de transporte", como também em fa co tias características especiais de comer- cialização dos produtos de que se trata,qu sempre compreende o retorno dos recipientes e embalagens ao estabelecimento do fabrican te, como, ainda, em face daquelas razoes já referidas, relacionadas com a elevada alíquota de incidência a que está sujeita o produto (conteúdo)". Em contra - razões ao Recurso Especial, :fliulenla o su- jeito passivo: • "2.4 Em seu recurso à amara Superior de Recursos Fiscais até mesmo a.Douta Procu radoria da Fazenda Nacional reconhece, ci- . tando as expressões de Carvalho de Mendonça -- Tratado de Direito Comercial Brasileiro, que "a execução do contrato começa não com o início da viagem, mas com a entrega da meroadoria pelçrcarr onador e Com a il"it;:1- ção desta ... H . Ora, se assim é, a expressa° "transporte" compreende obrigaloriamon- te três fases distintas, interligadas e de- . • - 0/ - , • n i• ao • ref- SCRVIÇO PUBLICO FEDERAI PROCESSO NO-13.116-000.282/85-16(5 %- Acórdão n4-CSRF/02-0.266 • pendentes uma da:: outras, ou ;c:jam: carga, condução e descarga. 2.5 Neste mesmo sentido se manifesta • o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga no Entado do "Ido de janeiro, ao decla rar: "que o Contrato de Transporte consti- tui em termos jurídicos um pacto misto de locação de veículo e prestação de serviços de carregamento, condução e descarregamento, onde cada fase Ade concretização, embora de pendente uma da outra, pode ser executada por pessoas ou firmas diversas, cabendo pra• porcionalmente a cada uma a remuneração ou ressarcimento do custo dos respectivos ser- viços 'ou locação efetivamente realizados. 2.6 ig Lia 1 wild ido, o lheiro Dr. Oswaldo Tancredo de 011volt-ti, um seu voto lembra "que, no caso quase exclusi vo e "Flui gencris" de que estamo LraLan(!o, os reciplenles . e vasilhames de be)jida::, cu- jo valor, por força de lei, se acha excluí- do do valor tributável do IPI — no caso em questão -- a sua descarga compreende o re- torno até o estabelecimento do remetente dos recipientes e embalagens vazias". 2.7 Igualmente o nobre Conselheiro Dr. Eugãnio Botinelly no Acórdão nQ -202- 01.063/86, apercebeu-se de que tratava, no caso, de situação particulariásima de TRANSPORTE DE BEBIDAS, que tem tratamento especial, quer em relação ã legislação fis- cal, quer igualMente quanto aos seus aspec- tos de custo e operacionalidade. No tocante à legislação fiscal, a• saída de vasilhame não computado no valor da bebida goza de isenção desde que deva re tornar ao estabelecimento remetente, "ex vi77. do disponto no arL. 72 do RIPI/a2, edoPICM - artigo 10. 2.9 Sob o aspecto operacional é de se ressaltar que a quase totalidade dos trans- portes se faz no sentido de"ponto de parti- . da" para "destino final", onde as três fa- ses de sua concretização se passam o senti do vetorial perfeito: ponto de partida carregamento + condução + destino final = descarregamento. 2.10 Mas o transporte de bebidas se • processa no sentido "ida-e-volta", ou seja de "mão-dupla", onde na realidade o "ponto de partida" do produto 6 o "destino final" do vasilhame ou vice-versa. - OU - SERVIÇO POOLICO FEDERAL n-• PROCESSO N(2-13.116-000.282/85- Pif t)tn- ‘" Acórdão n4-CS1tF/02-0.266 , , #rfil) 2.11 Por esta razão, a tabela de preço do CONET (Conselho Nacional de Estudos Tari fários da NTC - Associação Nacional das Em: presas de TransporCe Rodoviario de Carga) determina que no cuslo do trginsporte de be- bidas (vasilhame cheio) esl5 incluso o re- torno do vasilhame vazio, na mesma quantida de e no me:;mo percurso ida-e-volta. 2.12 Do mesmo modo que o frete/condu- • ção/deslocamento de um ponto para outro a- . brange seu retorno, o .carregamento e descar regamento também se processam nos dois ex- tremos; "ponto de partida" e"destino finan 2.15 • Com exceção da embalagem "one- , way", não se vende bebida sem as operações de carga e descarga de vasilhame no "ponto de partida" c no "Ponto final". Assim h5 de incorrer em despesa dupla de carregamento e descarregamento. A realizada no domicilio do cliente está inclusa no conhecimento de • carga e cobrada pela empresa de transporte. A praticada pela recorrenbe foi testemunha- . • da pela Fiscalização como assumida pela coa tribuinte, cabendo, então, a si odireito ressarcir na forma do art. 63, 5 1Q, doRIP1/ 82. 2.16 É bom que se frise que a recorren te arca com esta despesa sem ultrapassar -a- tabela do Sindicato das Empresas Transporta doras, isto é, a despesa ressarcida à títu- lo de carga do produto e descarga do vasi - lhame vazio em retorno mais'adespesa de fre te/condução estão aquém do limite da tabela do Sindicato das Empresas Transportadoras • na forma prevista no art. 63, do RIPI/82. 2.17 É de se notar também que este va- lor ressarcido t: recorrente consta expresso na Tabela de Preço aprovada pelo CIP. 2.18 Ambas as Cãmaras doEgrégio2.9 Cozi selho de Contribuintes j5 decidiram que dg fato e de direito a expressão "transporte" a que alude o diploma legal retromencionado alcança, sem dúvida, trõs fases distintas, . interligadas e dependentes: carga, condução e descarga: Em processo, a contribuinte com prova que arcou com despesa para consecução do transporte, limitando seu reembolso aos • part.:metros disciplinados no art. 63 doldijI/ 82. O transporte de bebidas comporta obriga toriamente no "ponto de partida" a carga do produtos envasilhados e o conseqüente dos- ' • • - 0 9 - 1:1 1:11; 4: 1 19 SERVO PUBLICO FEDERAL PROCESSO NO-13.116-000.282/85-16 , vrpi ; go71: Acórdão no-CSRF/02:-0.266 carregamento de vasilhames vazios, sendo que ambas as atividades se incluem no ciclo da operação de venda do produto tributado. 2.19 Diante do exposto, o recurso a es sa Colonda càmara Superior, inLerpohto Douta Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de se negar à contribuinte o direi - . to de se reembolsar da despesa de carga e descarga que efetivamente realiza sem agre- ' dir o valor legítimo da operação, não proce • de face se tratar de transporte de bebid-a- acondicionada obrigatoriamente em embalagem que circula com suspensão tributária e su- jeita necessariamente a duas operações: de carga e descarga. • 2 o Relatório./ \ • • • • • • • • • • n'i) J SERVIÇO PÚDLICO FEDERAL PROCESSO I\19 13116/000.282/85-19(Ï, 10• Acôrdáo 11.:-C2RP/02-0.266 VOTO Conselheiro UAROLDO BRABA LOBO, Relatar Como vimos do Relatório, o sujeito passivo, vando reembolsar-se dos custos com os serviços de carga c dfl::e.nrc:a dos produtos e respeci4vos vasilhames, cobrou dos adquirentes dr seus produtos parcelas intituladas "frete manw,eio", lançad:is — damenIc nas respectivas notas fiscais. Por entender a autuada que estas despesas eram, por natureza, parcelas de correto ou, mesmo se assim não fosse entendi- , do, seriam elas despesas acess6ri as de frete, 'n3o as incluiu na ba- se de cálculo do IPI e, em consequência, no arrecadou nem recolheu o tributo sobre essas importâncias. Tanto no vigente Regulamento do IPI, anexo ao tecre- :, tO 119 87.981, de 23.12.81, como em todos os anteriores, baixados a- pós a publicaçao da Lei. n9 4.502, de 30.11.64, estabeleceu-se que constitui valor tributável dos produtos nacionais o preço da opera- çao de que decorrer o fato gerador, inclusive as despesas acessó- rias debitadas ao comprador ou destinatSrio, "salvo as de transpor- te c seguro, quando escrituradas separadamente por esp6cie, IIfl uota Fiscal" e que "as despesas de transporte compreendem as de frete, carreto e utilização de porto". Do transcrito no relato, tambiSm observamos cluc as au toridades fiscais, cw ' resumo, sustentam a exige:leia, alegando bási- camente que: • a) Embora as despesas de 1r1 us 225)Ce comP reend. " :1 as de frete c carreto, segundo o Parecer NormaLivo (WT) n e) 32»,4, Les termos seriam sinônímns, significando o preço do scrvic:u ernar:L tado com o transportador; • 01, Ito • to r:f 7 gg A -; senvice PÚULICO FEDERAL --PROCESSO N9 13116/000.282/85-1 j j Acórdão n9-CSRF/02-0.266 b) O sujeito passivo não tinha despesas de transnor- te, mas desmesas . de manuseio de carga c desczarga de garrafas c gra- des, o que não seria .o mesmo; c) o preço de venda da autuada seria F03 e, portan- to, não admitiria cobrar do adquirente qualquer parcela adicional. Posicionando-me quanto ao márito, entendo não se po- der concluir pela sinonimia dos Lermos frete c carreto, utilizados no Segulamouto para explicitar o voeribulo tramv,11..c:. • • Com efeito, Sã o Decreto-lei 7.404/45, guc i“sti- tuiu o Imposto de Consumo, antiga denominação do atual IPI, , estabe- lecia que, no caso de serem debitadas em separado, não integravam o preço de venda, para efeito de cálculo do'imposto, as despesas de "carreto, utilização do porto, frete, seus adicionais, respectivas taxas e seguros" (grifei). 2 evidente 'que, ) se o logisladOr considerasse cssesvo cabulas sinónimos, ele os teria grafado próximos, separando-os, ' a- penas, pela alternativa "ou". Do mesmo modo, consagrado principio de hermenj2utica, declara não ser admitido supor ou concluir que em texto de lei ha- ja palavrau inúteis ou sem sentido, sendo dever do exegeta desço- brir o seu verdadeiro significado, face ã eficácia própria que o le gislador, com certeza, lhe atribuiu. Portanto, para os efeitos da legislação citada: quer, ,quando os termos vinham separados, interca lando-se a expressão "utilização do porto"; quer, agora, pois .7? e en contraiu separados por virgula,:não 6 acertado considerS-loz mos. O mestre CALDAS AULLTE, no seu l Uicionrkrio ConLemml, neo da Língua Portuguesa, Ed. Delta', 19 vol., Rio, 1958, pág. 866, • , • • • . • • 1P5 SERVICO PCJOUCO PCOGRAL PROCESSO N9 13116/000.282/85-1G / Acórdão n9-CSRF/02-C.266 entro os significados que atribui ao termo carreto, se encontra o •de ser "ato de carregar; carregamento". Consequente/mente, carreto, utilizaçÃo do porto, fre- te e outras despesas adicionais para entregar a mercadoria em deter minado destino, são parcelas componentes do contrato de transnorte, denominação gen6rica empregada pela legislação do II'!, a partir da Lei n9 4.502/64, dado que, como nos ensina De Plácido e Silva, nc seu Vocabunrio Jurídico, Forense, Rio, Vol. IV:• 11.0 contrato de trans porte cv).dencia-se um contrato misto, desiW.2 crue, i3Tira a :uri ferma- ção 115 interferêmcia dos contrates de I.,,caç;le, coisas e de serviços e, cm certas eircunstãnci- as, o de depósito. E, para que se imponha cum u caraer quc próprio, devo apresentar-se como o contrate em que o transportador fornece os 'untos de con- duzir of por si ou por outrem a seu mando, eze- UUtik OS servHor nero sIsfirlosa (H:;1(':;c7-1 rir se faz mister para consecucaodourassport,.."(gr: foi). A legislaçao do IPI, ao considerar abrangido pela c: pressão "despesas de transporte" aquelas referentes ao carreto, frt • te, utilização do porto e seguro da mercadoria transnortada, est. em harmonia com a definição do contrato mist . o em que pode haver in terfer3ncia dos contratos de locaçïto de coisas, de serviy,:: c (:):J d. pósito. - Mesmo que disconrincia possa haver dessa classific Ça0 • todos concordam em que, as despesas de transporte ser -;:o todas quelas necessãr.las El colocação, do produto no estabe1eci.me:..-0 dt de tinatãrio (compreendendo a ,.earga, o deslocamento ou frete e a desc.:a .2a. Comprovam o alegado, o fato de as empresas de transporte , adot.: rem duas tabelas de preço, UnICICUbralla0 CO/lati r: rio liii (Jiirl;$ ga (caminha° com motorista c estivadores) e outra com prei:u pal a condução (caminhão com motorista). • • • • • 49•1' • • ,‘ • -C N,• • rci &ijc ;(4_, .ERVIÇO PÚDLICO FEDERAL PROCESSO NY 13116/01)0.282/85-16'• -;:. LI 1j. fl ' '1cOrdão n9-CSRF/02-0.266 • • Solucionando consulta formulada pela COMPAU1A CERVE TARJA BOEMIA, de PetrOpolis, a respeito da incidancia do tributo so )re o valor da carga c descarga, a antiga junta Consultiva du ao de Consumo, em sessão do 18.04.GO, alravGs do Parecer nç, 5.294, )or decisão unãnime, confirmou o declarado pelo Delegado Fiscal no estado do Rio, o qual entendia que as importar -leias cobradas dos fre • lilases e distribuidores pelo serviço de cara e de:J.:num de seus nrç) lutos; da f5briea para os veículos transportadores c destes vira Jr; lepósitos dos clientes não se incluía na base decalculodoirm,osto. • Tendo em vista a nova sistemática constitucional de livisao de rendas, instituída pe 'la Ementa Constitucional n2 14/C5, )s tributos passaram a incidir sobre campos de imoosição ou fluxos - conomicos (Comercio Exterior, Patrimonio, Renda, Produçao, Circula -:ão, Serviços etc.), devendo recair sobre fatos expressivos de sig- lifieniSo econômica e tendo como base impositiva categorias econômi :o-jurídicas. O imposto sobre Produtos Industrializadõs 6 um tribu io cujo uulxarato econC)mLeo proéisauente a aLividade = SOUS ganhos. 'Trata-se de um tributo que incide sobre a produção. :ua base de cálculo, quando se tratar de produto nacional, salvo iisposição em contrário de Lei Complementar, deve ser o custo in- Iustrial, dado ser este o fluxo econômico que caracteriza e tini [1- a o tributo. Assim, sobre as parcelas que venham a onerar poste- i.ormente o produto jã elaborado, desde que obedecidas as normas le iais que determinam a individualizarão das parcelas acrescidas, nSo iodo incidir o IPI, sob, pena de invasão de outra ;área de competõn,- 2ia (ISS, ITR etc.). Saliento-se ql:10 a .110Va n J.L1 J. C41 da parti nr11:;•--, .itucional de rendas, por via de refer3ncia 5s hiises ev» ,~ i-tc.ju- -laicas e não mais em termo puramente . ) uridico-formals, er,- o. premissa básica impedir a interpenetração de campos de incidôn- ia privativos. , • /v).9 • • •• ; #:?>, •„ • SERVIÇO POOLICO FEDERAL PROCESSO NO 13116/000.282/S5-1 jV14. Acórdão n9-CSRP/02-0.266 • `á ) ••• , • •-n?.? r•-•••°• n, Diversos autores,'aPós salientarem que a ouerução e- conômica onerada pelo IPI e a produção c fazerem distinção entre a saída u a operação de industrialização que a integra, esclarecemque, nem tudo que seja cobrado na salda 4:tegra a base de calculo do Lri • buto, dado não $e conter na substância econômica do fenômeno tribu- tado. • Deste modo, quando o Regulamento do IPI em seu art. 63, inc. II, c § 19, inc, 1, declara que o tributo incide sobre lo- 'das as demais parcelas cobradas do adquirente tem de ser•interprela do ,dentro de um contexto sistematico, isto 6, tem de referir-se a outras parecias que indiscutivelmente integram o ei daie-oducãe. Por essa razão, ja entendeu •a Administração que o va ler do ICM arrecadado pelo fabricante na eoudiç;io do contribuinte' - substituto, embora debitado ao comprador não integra a base de cól- culo. Igualmente não integra o valor referente ao selo de controle! c todas as desposas com embalagens de qualquer naturevr.:. _ Da mesma maneira, alem de as despesas com a carga,, deslocamento e descarga, estarem fora do ciclo da produeao, tambc5m 'seria juridicamente incorreto sustentar a inclusão de tais parcelas na base de calculo do IPI, após o legislador federal e a pr6pria Administração haverem declarado que sobre as parcelas de manuseio (carga e descarga) incido o Imuoslo sobre ;urviços de L.fl'inp,,r1.e::, COMO se observa do estabelecido ne Dec:reto-lei n9 1.438, de:M.12.75, e no-Decreto-lei n9 1.582, de 17.11.77, orde se ratificou a inclu- são "na base de calculo desse tributo, do preço do serviçode coleta e entrega de cargas". • Do modo mais , claro possível, objetivando dirimir chi- ' vidas a respeito do que se entenderia por "preço • de serviço de cole La é entrega do mercadorias", constante do:: Devretos-lels, Idt-Im como nos respectivos Decretos que ou regulamentaram, a saber: os do n9s. 77.789/6 e 80.760/77, tamb6m foi consignudo no rareL • r (:rnuiivo ffri , . . 496 • " <>/ "s 3/•".",(1) sEnvico p uotico FEDERAL 'PROCESSO N9 13116/U00.282/S5-16 AcUrdão n9-CSRF/02-0.266 10srVii (CST) n9 93, de 1977, que integram a base de cálculo do imposto so- bre Serviços de Transporte (IST10 "todas as iumort&nelas dispendi- das em função das atividades de coleta e entrega de cargas". Consr.- gut:ui:emento, a parcela que integre a base de cálculo dente imposto, não ,pode compor a do IPI, dado referir-se a fluxo econC;mico Poste- ror ã industrialização, a não ser que houvesse expressa disposição em contrário, como 6 O case do ICM que integra a base de ciculo do IPI. Assim, se as despesas com a cargn, denleeasto eden • carga dos vasilhames cheios, desde que deLi Ladcw CIII seun y ai'., ha no- ta fiscd1, nau integram a base de cálculo do IPJ Cnn .rnz5u çnn- diÇacs de venda de bebidas, quando 'a lei autoriza a uï:u incluir na 7 base de cálculo o valor das embalagens, desde rue elas returne::: a fábrica -- seja simultaneamente, mediante u Fccebimento de simila- res: seja posteriormente, com O retorno das pr6prias -- igualmente os desembolsos com a carga, deslocamento e descarga com vanilhames vazios nela não podem ser incluidas, visto que eSsas despesas obri- gatoriwnente integram um contrato de transporte Cheio, constituindo um todo indissocióvel, sob pená de sobre o valor das próprias emba- lagens tambãm incidir o IPI. Deve ressaltar-se a peculiaridade, no caso de bebi- das, em que o ciclo daoperaç6o de venda se encerra com adescáryades vasilhames vanies, lia() sondo correto secionar_ ciclo na opLraçao de venda. • • Sob o aspecto operacional, é de salientar-se que a quase totalidade dos transportes se faz no sentido do " ponto de par tida" para "destino final", onde ar;três facac: du sua conerc:ti.worjSo 'se passam no sentido vetorial perfeito: ponto de partida = carrega- mento + condução + destino final = descarregamento. Mas o transoor- te de bebidas se processa no sentido ou s e ja ; deuT7';ci -dupla", onde na realidade o "ponto de pai-Lica" do prodolu C (Á "(les tino final" do vasilhame ou vice-versa. g , • ess. S 0,5 \s, •• • SERVIÇO PCJULICO FEDERAL PROCESSO N9 13116 /000.282/55-16 : 2 ri . \c\\:? Acórdão n9-CS1P/02-0.266 -;h 471 .-- . -c(0SvâO Por esta razão, as despesas de transporte, no caso ec pecial de bebidas, tamb8m abrange os gastos com o retorno ã fabrica do vas i lb ame vazio o sua clubalayom, como c xpro w - muen Lo o oi: taba ecein as tabelas de transporte, elaboradas para o deslocamcntodelMJidas, . 'organizadas pelos respectivos órgãos do classe, ali se consignando que o "custo do transporte do vasilhame vazio na mesma quantidade do vasilhame cheio, do distribuidor ã fabrica, J7S estri incluído na co- luna do frete/peso Cz$/t, de modo que ... a tarifa ... é de ida e • volta nesse percurso" (grifei). No caso nao deixa de Lratar-se de uma di: . svisa a cos- sória do transporte do conteGdo cheio, e, salvo dist-,osiço em con- trario, o acessório segue o nrincipal, pois do mesmo modo que o frc te/condução/deslocamento de um ponto p ara outro abrange-seuretorno, o carregamento e descarregamento Lambóm Ge processam nos dois extro mos: "ponto de partida" e "destino final", caso contr jirio, não se . estaria permitindo o fechamento do ciclo operacional de venda urodu to tributado (bebida). • Tais despesas npnbum relacionamento tõm com a pro- . dura° ou industrializaçao. Referem-se a'desembolsos com um servico prestado ao comprador ou distribuidor da bebida, que tanto poderia ser executado pelo vendedor, como por terceiro. O descarregamento dos vasilhames ou engradados vazios em "retorno" ou em troca, se es tão vinculados a uma venda, nada tem a ver com a fauc de Produção. Trata-se de um serviço cuja execuç:au e . respectivos encargos fica ao inteiro critório das partes, não havendo como cogitar-se da sua in- clusão na base de e5lculo da bebiea vendida, desde oue o valor des- se serviço não seja cobrado englobadamente com o oreçuclamercad_oria Se a atividade e correspondente duspesa integra de- terminado fluxo econômico, não muda a sua natureza, seja ela execu- tada pelo adquirente, o executor do frete, ou pelo vendedor. Twita-)g .8 irrelevante a elassificaHo contribil flor acaso adoLada, :;endc, dc considerar-se o ciclo a que pertence o gasto. p 1 • • SERVIÇO PÚDLICO FEDERAL PROCESSO N9 13116/000.282/85-1b - - 1 Acórdão n9-CSRE/02-0.266 • Igualmente se 6 correto que, para o estabelecimento dos fatos geradoreS e a base de cr(lculo, o legislador est5 jungido às normas consLituicionais c complementares, em vista da discrimina çào constitucional de competências, nflo admisH:vel que O IMLITrOre te ou aplicador da norma amplie o campo de abrangência de advertindo o saudoso Professor RUBENS COMES DE SOUSA cr n "c nrc;cu- posto material ou jurídico de incidência define a natureza e deter- mina sua base de cólculo u , mas quando esta seja incom patível rcna a- quele "a ordem natural das Coisas se inverte e a natureza jurídica do j)róprio tributo passa a ser determinada pela base de cflculo e nao pela definição legal de 'incidõncia", in Ri' 226/65. Para evitar a invasão de competência, através do a- largamento do campo de incidência, a base de c jilculo do IPI devo ser interpretada, respeitando os campos jã eleitos pelo legislador para outros tributos, especialmente, o ISS ou o ITR. A interpretação a ser dada ao dis posLP firL. 62, inciso II, e 19, inciso 1, do vigente Regulamento do Uri, segundo o qual não se incluem no preço da operação as dospecac do trans pnr- te (frete, carreto e seus acessóriosi, desde nue debitadas em se pa- rado, tem de harmonizar-se com a sictemTilica conctituicional c com- plementar. • O declarado nu Parecer Normativo (CST) ri? 32/84. não se amolda 'à hipótese dos autos, isto porque ao interpretar o disnos to nt, art. 14, inc. II, da Lei n9 4.502/64, consolidado no art. 63, inc .. II, e 19, inc. I, do vigente RIPI, o narecerista no se a- percebeu: • 19) Que, se •o aéessório segue o ori nci pal, as desoo_ sns aconnórins de transporte devem seguir o mesmo regime de .;1le c sorem incLuidas como donpenan 29) W-to alentou o subscritor do mencinad() Parecc. , 133 , \t°V11 R VICO PÚBLICO PEDERAL PROCESSO N? 13116/000.282/85-16.d- 7 18. Cirno n9-CSRF/02-0.266 -!,Y ra o fato de que "as despesas acessórias" a que se refere o dispo- tivo analisado, sSo aquelas vinculadas ti producão, as quais, lote- ando o preço industrial do produto, não podem indiretamente ser em uldasdaztelecuslo,nobtenaderoduzir ilegalmente a base de cálculo do ibuto. Deste modo, o dispositivo não alcança as "despesas de nuseio" (carga e desgarga), dado que estas são des pesas que nada m a ver com o ciclo da produão, dado que elas estão diretamente Iculadas ao ciclo da circulação, isto é, são despesas componntes tranr:porte: GO 9210.1:sejam qualificadas como despesas de carreto, este termo nâo for, efetivamente, sinónimo de flei.e, Cum0 da interpretação da legislação especifica do tributo, (b) guer se m conceituadas como despesas acessórias de frete e, neste caso, a- icandy-se as mesmas normas que disciplinam o 1.)r1ne1pal (fretel,tam m não integram a base de cálculo do 1PI. • 39) Não é verdadeira data venia, a premissa adotada lo* parecerista, segundo a qual o T:ontrato de compra e venda entre produtora e a distribuidora obedecia â clausula FOB, pois, nos con atos de venda da fiscalizada, est5 dito que a distribuidord compra os-produtos pelos preços da tabela previamente por aquele organi- da. • Se nau vendas da Elseallzaylo "as d,2spesas aemcsóflas frete manuseio", visando cobertura dos custos dos serviços efe- ados com a carga c adescarga dos produtos e dos respectivos vai- ames sao debitadas separadamente nas notas fiscais, ou seja, se o efetivamente ressarcidas pelo adquirente dos prodUtosi esse fato ova, por si só, que as Vendas da autuada jamais , se enquadrariam na dalidade FOB, a qual tem por piessuposto justamente a não cobrança qualquer parcela at.5 a entrega do produto ao transportador. Concluindo, entendo que se ns "despesas de manuseio" m os vasilhames cheios OU vazios integram as despesas de transpor- ir) • Afi • C4SOS • • • -Ç:\ URVIÇONWWFUMM PROCESSO N9 13116/000.282/85-15 '1/4, • (, /97 19. Acórdão n9-CSRF/02-0.266 ?4,1514-:; te, no caso espacial ou atípico de venda de bebidas: sejam elas con sideradas despesas do carreto, sejam entendidas como acoHGriars frete, ti ;10 podendo 1 ! d e u mi: [' nue do crilen3o do n , r, que des pesas de transporte, quando desliaeadas na nota fiscal se excluem_ da base de elileulo e no caso da fiscalizada, o Irausnolle C c•intr- tado pelo adquirente dos seus produtos, sendo dele a responsabilida de com as despesas de manuseio. Portanto, se aluuém por ele (o trans portador, o vendedor ou qualquer outro) com elas arcar transitoria- mente, deverã delas se ressarcir, constituindo-se em parcelas total mente distintas do preço de venda do produto c, sendo destdcadas no documento fiscal de venda, uru', inteqram a base de cóleniu do Ari, como previsto no art. G3, fj do Requlamanto do API. Em face, cio todo o exnosto, meu voto 6 pelo n j:0 provi mento do necurE;o Especial. it.. • Brasília-DF, eu 25 de abril de 1988..: frOr •• 11A2OLDO BRAGA LOBO - RELATOR • • .• • "3/41 . . -.. n i i , ..'I' . .... n nen • •e. U. I) . IN S.,,, ^ h'ilol• • Caiorlei -1. .fi5 C.4(rfath •e ,7"), • Cata aln0 U. Cum r. itsuini,a tiiit:,) til •P(.1Nrjr/e0 fitai-O...a ia • Oiacwe...-29 ........ Se‘ n4 ar ;Ai tu atikt r / 4111. 0 r10 •rlo),,fr 1 • Ct11 1, g9 surunRtu. I'llUVISGS IISf.,415 CR.) •a em 15 i *, ) --' „110 C--x> I / 4. URUÁ. Pliftr.114AAOKS 5,..n1“,•11 / ' n • ' . . . i I
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Numero do processo: 13982.000600/2001-01
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO A simples objetividade da parte dispositiva do relatório do acórdão não configura omissão que mereça ser reparada.
Numero da decisão: 1802-001.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO A simples objetividade da parte dispositiva do relatório do acórdão não configura omissão que mereça ser reparada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13982.000600/200101 Acórdão n.º 1802001.368 S1TE02 Fl. 393 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por pessoa jurídica de direito privado, visando sanar alegado vício de omissão constante do Acórdão nº 180200.007, proferido pela Terceira Turma Especial, na sessão de 18/03/2009, às fls. 107 a 109. O auto de infração lançou a multa isolada baseado na falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada: 1) em virtude da compensação indevida com créditos de PIS. A decisão transitada em julgado do Poder Judiciário assegurou a compensação do PIS com o PIS e autuada compensou débitos devidos a titulo de CSLL devida mensalmente com base na receita bruta e acréscimo legais, estimativa mensal; 2) em virtude de compensação com 1/3 da COFINS. Houve a compensação do PIS com a COFINS e de 1/3 desta com a CSLL. A fiscalização considerou que só a COFINS efetivamente paga seria dedutivel da CSLL. A Embargante alegou: 1) que compensou o PIS com a CSLL e com a COFINS e que o pagamento por compensação extinguiu o crédito tributário nos termos do art. 156 do CTN; 2) que não procedia a cobrança de multa isolada enquanto não transitada em julgado a decisão relativa aos créditos principais; 3) que teve prejuízos fiscais suficientes para abater os valores a serem recolhidos no exercício de 1999. A Delegacia de Julgamento de Curitiba julgou procedente o lançamento. A Embargante então apresentou Recurso Voluntário, alegando que: 1) a multa isolada era indevida porque tinha o direito de compensar e não dependia para tanto de decisão judicial que só foi pleiteada em razão da correção monetária plena e do prazo decenal; 2) que tinha prejuízo fiscal; 3) que a CSLL incide sobre o lucro e que não teve lucro a época; 4) que caso mantenhase a multa ao menos seja a mesma reduzida nos termos da Solução de Consulta Interna 3 de 8/1/2004, da Coordenação Geral de Tributação e do art. 18 da Lei 10.833/2003. Em sessão de julgamento realizada em 18/03/2009, a 3ª Turma Especial, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão n° 180200.007, cujo voto tem o seguinte teor: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13982.000600/200101 Acórdão n.º 1802001.368 S1TE02 Fl. 394 3 “Voto Conselheira Relatora, Cheryl Berno Conforme a decisão judicial transitada em julgado o PIS só poderia ser compensado com o PIS, portanto, indevida a compensação promovida pelo contribuinte, cabendo o lançamento da multa regulamentar, por ter compensado indevidamente o PIS com a CSLL. Não é dado ao julgador administrativo negar cumprimento aos exatos termos da decisão judicial. Com relação a multa, art. 55, II, ‘b’, alterado pela 11.488 de 15.6.2007, art. 44 da Lei 9.430, em atenção ao art. 106 do CTN cabe a redução para 50%. Por unanimidade decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário tão somente para reduzir a multa sobre a base de cálculo estimada ao patamar de 50%.” No presente recurso a Embargante alega omissão do acórdão 180200.007, por considerar que o voto se limitou apenas a tratar da ilegalidade da compensação realizada, sem, contudo se manifestar a respeito da ilegalidade da exigência da multa pela falta de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, depois de encerrado o anocalendário com apuração de prejuízo fiscal. Este é o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13982.000600/200101 Acórdão n.º 1802001.368 S1TE02 Fl. 395 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. Os Embargos são tempestivos, portanto deles tomo conhecimento. Conforme exposto no relatório a Embargante ingressou com o presente recurso visando sanar alegado vício de omissão constante do Acórdão nº 180200.007, proferido por este colegiado na sessão de 18/03/2009, às fls. 107 a 109. Preliminarmente vale corrigir a atecnia da Embargante, certamente por discuido, eis que a exação referese a CSLL e não IRPJ. Sendo assim, ao fim do período em questão o que devese levar em conta é a base negativa de CSLL e não o prejuízo fiscal. Isto posto, com a devida correção, a omissão alegada pela Embargante diz respeito a não abordagem, pela 3ª Turma Especial, da ilegalidade de se exigir multa pela falta de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, considerando que o anocalendário encerrou com apuração de base negativa. Deixando de lado os aspectos referentes à matéria que foi julgada, passamos a analisar somente os pontos que poderiam gerar a dita omissão alegada pela Embargante, eis que os presentes embargos não consistem no remédio adequado para reapreciar matéria já discutida. Embora a Relatora tenha sido extremamente suscinta no seu voto, não há como afirmar que a mesma foi omissa ao tratar da questão da aplicação da multa isolada, eis que citou toda a base legal pertinente ao ponto, inclusive aplicando a redução do percentual de 75% (setenta e cinco porcento) para 50% (cinqüenta porcento). Senão vejamos a transcrição do voto da Relatora: “Com relação a multa, art. 55, II, ‘b’, alterado pela 11.488 de 15.6.2007, art. 44 da Lei 9.430, em atenção ao art. 106 do CTN cabe a redução para 50%. A base legal citada no voto é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13982.000600/200101 Acórdão n.º 1802001.368 S1TE02 Fl. 396 5 anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Ainda que não tenha havido a transcrição da base legal, a citação efetuada pela Relatora corre no sentido de se aplicar a multa, mesmo que se tenha apurado base negativa de CSLL, conforme a literalidade do dispositivo legal citado no voto. Acolher os presentes embargos com base na dita omissão alegada pela Embargante seria uma tentativa de reavaliar a decisão da Turma em decorrência de novos precedentes surgidos no Conselho, sendo que o presente recurso não pode se prestar a esse papel. Deste modo, conheço dos embargos, mas no mérito voto no sentido de REJEITÁLOS frente a ausência da alegada omissão. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10768.015214/2001-51
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 31/10/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL - PRAZO DE DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a essa contribuição é de 05 anos, contados nos termos do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-001.203
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/10/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL - PRAZO DE DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a essa contribuição é de 05 anos, contados nos termos do CTN. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-14T13:45:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-02-14T13:45:12Z; Last-Modified: 2011-02-14T13:45:12Z; dcterms:modified: 2011-02-14T13:45:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:77055886-dedb-446b-955a-fc5ce9505057; Last-Save-Date: 2011-02-14T13:45:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-02-14T13:45:12Z; meta:save-date: 2011-02-14T13:45:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-02-14T13:45:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-02-14T13:45:12Z; created: 2011-02-14T13:45:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-02-14T13:45:12Z; pdf:charsPerPage: 1244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-02-14T13:45:12Z | Conteúdo => Relatório 15,11:2 1 .,:)1T C Ai . iNAT' rl CSRF-T3 Fl 245 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10768.015214/2001-51 Recurso u" 330,877 Especial do Contribuinte Acórdão n" 9303-01.203 — 3 Turma Sessão de 26 de outubro de 2010 Matéria Decadência Finsocial 8212/91 x CTN Recorrente Banco Nacional de Investimentos S.A. Em Liquidação Extrajudicial Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/10/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL - PRAZO DE DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a essa contribuição é de 05 anos, contados nos termos do CTN Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator EDITADO EM: 15/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Casta Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto DF. L'N.R1.: H 2 Os fatos foram assim narrados no acórdão recorr ido. Cuida-se de processo administrativo fiscal, em que se impugna Auto de Infração, de fls 84/91, posto que autuou o contribuinte por falta de recolhimento da Contribuição pata o Fundo de Investimento Social — Finsocial, no valor de R$ 38.032,08 de cono ibuição, e multa de oficio no valor de R$ 28524,04 e juros de mora calculados até a data da lavratura do auto de inflação, no valor total de R$134961,80. Para melhor análise da matéria, adota-se relatório elaborado didaticamente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do RIO DE JANEIRO - RJ, de fls. 119, conforme transcrito logo abaixo, que passa afazer parte deste: "Versa o presente processo sobre o auto de infração de fls. 84/91, relativo ao não recolhimento da Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), referente aos fatos geradores de outubro, novembro e dezembro de 1991, e de .fevereiro e março de 1992, consubstanciando o crédito tributário no valor de R$ 38.032,08 de contribuição, e multa de oficio no valor de R$ 28 524,04 e finos de mora calculados até a data da lavratura do auto de infração.. 2. Segundo o Termo de Verificação de . fls. 90/91, o crédito lançado refere-se a falta de recolhimento do Finsocial devido à alíquota de 0,5%. Informa a autoridade fiscal que o acompanhamento do feito judicial n" 91.0121042-4, 3" Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, na qual o Contribuinte pleiteia que a autoridade se abstenha de cobrar a contribuição ao Finsocial acima daquela ali quota, verificou — após considerar os pagamentos efetuados — a falta de recolhimento para os meses de outubro, novembro e dezembro de 1991, e de fevereiro e março de 1992, conforme se observa pela planilha de fls 72. Tais valores foram lançados com multa, pois não estão suspensos pela medida judicial, pois só se encontravam suspensos os valores relativos ao mesmo período, mas calculados com base nas &ignotas superiores a 0,5%. 3. Os documentos relativos à citada ação encontiom-se acostados às fls. 05/16. 4. Tem-se ainda a informação de que a lide judicial citada foi originariamente impetrada pela empresa NAPART PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ N" 35.793.785/0001-81, que .foi poste, iormente incorporada pela empresa em epígrafe 2 I Processo ri" 10768 015214/2001-51 Acórdão ri ° 9303-01,203 CSRIF-T3 Fl 246 Nessa matéria, o meu posicionamento era no sentido de que predita contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante n° 08 do STF, e da remansosa jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto o prazo limite de cinco anos ,estabelecidano 1... kí,"::. estat)erecrao,nm " 1 ' j 3 :1 .5 O interessado inconformado com a autuação Unpugnou o lançamento nos termos da peça de .fis. 95196, onde em resumo alega que o lançamento não pode prosperar, pois o direito de a Fazenda lançar o crédito já decairá à época do procedimento , a teor do artigo 1.50, .§ 4", c/c artigo 173, ambos do CTN 6 Termina por pedir o cancelamento do auto de inflação, em .face das azães expostas. Julgando o feito, a câmara recorrida manteve o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: FINSOCIAL DECADÊNCIA. FINSOCIAL. A partir da Lei 8212 de 24 de julho e 1991 é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído o prazo decadencial para lançamento da contribuição para Finsocial. Antes do advento da referida lei, o prazo decadencial era o previsto na regra geral do artigo 1.50, § do CTN, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Às fls. 206/207, o sujeito passivo apresentou recurso especial de divergência, onde postula a reforma do acórdão recorrida para que se afaste o prazo decaclencial trazido pelo art. 45 da Lei 8212/1991 e aplique-se o do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relatar O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão posta em debate diz respeito, unicamente, ao prazo de decadência para constituir o crédito pertinente a Finsocial A Câmara recorrida aplicou os dez anos trazidos pelo art. 45 da lei 8.212/1991, enquanto a recorrente defende os 5 anos do CTN. Na hipótese dos autos, o termo de início — se da extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do § 4' do art. 150 do CTN ou se do primeiro dia do exercício seguinte, como previsto no inciso 1 do art. 173 do Código Tributário - é irrelevante, tendo em vista o longo espaço de tempo decorrido entre o fato gerador e o lançamento fiscal (mais de nove anos). Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo Sujeito Passivo Henrique Pinheiro Torres 1.1.1 ' I li) 4
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001094/98-54
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/10/1990 a 31/01/1992
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
0 recurso especial previsto no então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF 147/2007), tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso,
nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.088
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopes
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIOES Período de apuração: 01/10/1990 a 31/01/1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. 0 recurso especial previsto no então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF 147/2007), tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora. Maria Teresa Ma ez López - Relatora EDITADO EM: 09/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo 1 Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez LOpez, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Contribuinte, apresentado contra o acórdão 303-135470, da então 3 Camara do 3 ° Conselho de Contribuintes, que negou provimento por maioria, ao recurso voluntário da interessada. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1990 a 31/01/1992 Ementa.. FINSOCIAL COMPENSAÇÃO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. A compensação de tributos determinada por meio de decisão judicial transitada em julgado considerará estritamente os indices de juros fixados pela autoridade judiciária. Ainda que diversos dos previstos pela legisla cão vigente a época da sua execução. Consta do voto vencedor: A solução do litígio trazido a julgamento, ao meu ver, deve se balizar no conteúdo da sentença prolatada nos autos da Ação Ordinária Declaratória movida pela recorrente, que tramitou nos autos do processo 95.1505228-9, da Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio Grande do Sul, ainda que lei superveniente viesse a inovar em relação a matéria debatida. Como é cediço, em homenagem ao principio da segurança jurídica, a lei não retroage para atingir a coisa julgada. Ademais, conforme já se pronunciou a relatora no voto condutor do acórdão guerreado, aquele pronunciamento judicial "disse o direito" aplicável àquelas relações jurídico-tributárias debatidas entre a Unido e a recorrente, nos autos do sobredito processo, onde foi tratado, inclusive, o índice de juros que incidiria sobre os haveres da recorrente. A esse respeito, peço vênia para me apoiar nas ponderações de Moacyr Amaral Santos': "0 comando emergente da sentença, como ato imperativo do Estado, torna-se definitivo, inatacável, imutável, não podendo ser desconhecido fora do processo. E ai se tem o que se chama coisa julgada material, ou coisa julgada substancial, que consiste no fenômeno pelo qual a imperatividade do comando emergente da sentença adquire força de lei entre as partes". (grifei) I Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. 30 volume. Saraiva. 8' edição. Sao Paulo. 1.985, pág. 43. 2 Processo n° 11020.001094/98-54 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.088 Fl. 300 Dessa forma, considero que a atuação deste colegiado deve se limitar ao cotejo entre o conteúdo do decisum objeto do processo que tramitou pela Justiça Federal e o despacho decisório proferido pela autoridade jurisdicionante, posteriormente confirmado pelo acórdão debativo no presente recurso voluntário. Nos demais aspectos, no meu sentir, operou-se a chamada eficácia preclusiva da coisa julgada, gizada no art. 474 do Código de Processo Civi12, assim definida por Moreira3: "A eficácia preclusiva da coisa julgada manifesta-se no impedimento que surge, com o trânsito em julgado, à discussão e apreciação das questões suscetíveis de incluir, por sua solução, no teor do pronunciamento judicial, ainda que não examinadas pelo juiz." Analisando o processo exclusivamente sob o prisma do cotejamento entre a sentença e os despacho decisório, que, após as devidas correções, incorporou as orientações decorrentes da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n" 08, de 27 de junho de 1997, chego à conclusão de que foram efetivamente cumpridas as determinações contidas na sentença condenatória: correção monetária nos mesmos moldes da atualização monetária dos crédidos da Unido, acrescidas de juros de 6% (seis por cento) ao ano. Note-se, que, ao contrário do que questionou a recorrente, os cálculos homologados efetivamente incorporaram os expurgos inflacionários do in& de fevereiro de 1991 (chamado "Plano Collor II"), único que alcançou o período em que ele tinha haveres contra a União. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. A recorrente centraliza o seu inconformismo no fato de a decisão recorrida ter negado o pedido de utilização da Taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na correção dos valores pagos a maior a titulo de FINSOCIAL, por entender que a questão decidida em esfera judicial impede o exame em sede administrativa, devendo a administração considerar apenas o que foi estritamente determinado pelo Judiciário. Alega discordar de tal decisão, eis que a aplicação da Taxa SELIC para a correção dos referidos créditos não caracterizar ofensa a coisa julgada. 2 "Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como a rejeição do pedido" 3 MOREIRA, José Carlos Barbosa. A Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material no Sistema do Processo Civil Brasileiro. In Temas de Direito Processual. Primeira Série. Saraiva. 2a edição. São Paulo. 1.988, págs. 100 a 101. 3 Recorre à esta CSRF sob entendimento de ter ocorrido interpretação divergente, de outra decisão dada por outra Câmara (AC. n° 202-16.510) cuja ementa está assim redigida: COFINS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. TAXA SELIC. APLICAÇÃ O. Na integração de decisão judicial que tenha autorizado a correção monetária dos indébitos do COFINS pela UFIR, cabe a aplicação da Taxa Selic, criada por lei superveniente, a partir de 1 0/01/1996 até o momento da efetiva compensação, conforme entendimento firmado pela Administração Fazendária na Nota Cosit n°141/2003. Recurso provido O recurso foi admitido pelo despacho n° 497/2007, de fls. 278, sob entendimento de terem sido preenchidos as condições de admissibilidade. A Fazenda Nacional, nas contra-razões, requer o não conhecimento do recurso especial sob entendimento de ausência de similitude fática, e se conhecido, para que seja respeitado o instituto da coisa julgada. E o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo A apreciação. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denomina-se juizo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juizo de mérito do recurso. Dispõe o Regimento Interno dos então Conselhos de Contribuintes, A época vigente, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado A legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Camara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF (Portaria MF n° 147/2007). Traz a recorrente como paradigma, o Acórdão n° 202-16.510) cuja ementa está assim redigida: COFINS. PEDIDO DE COMPENSA ÇÃO.DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. TAXA SELIC. APLICAÇÃ O. Na integração de decisão judicial que tenha autorizado a correção monetária dos indébitos do COFINS pela UFIR, cabe a aplicação da Taxa Selic, criada por lei superveniente, a partir de 1 0/01/1996 até o momento da efetiva compensação, conforme 4 Processo n° 11020.001094/98-54 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.088 Fl. 301 entendimento firmado pela Administração Fazendária na Nota Cosit n°141/2003. Recurso provido Consta do relatório (fl.272) e das razões de decidir (Acórdão paradigma) que a sentença e o acórdão proferido pela Justiça são anteriores à edição da Lei n° 9.250/96. DIVERSAMENTE, pleiteia a recorrente, sem juntar paradigma, que seja aplicado a Taxa SELIC, a questão que já foi decidida pelo Judiciário. Nesse sentido, bem discriminado pela D. Procuradora da Fazenda Nacional em suas contrarazões. Sendo vejamos: "Constata-se que por ocasião da interposição do recurso de apelação, a empresa recorrente requereu expressamente a reforma da decisão de primeiro grau no que tange a correção monetária e juros. Inclusive, fez referencia a Lei n° 9.250/95 e requereu a aplicação da taxa Selic; confira-se a respeito: Ademais, com a edição da Lei n°9.250 de 26.12.95, em seu art. 39, § 4°, à restituição ou compensação de tributos federais são acrescidos juros equivalentes 6 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, acumulados mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1 % relativa ao mês em que estiver sendo efetuada a compensação. Dessa forma, aos pagamentos efetuados deve ser aplicado, a titulo de mora, 1° após o transito em julgado da decisão, além da taxa referencial SELIC, nos termos acima preconizados. " Contudo tal pleito foi indeferido pelo Tribunal Regional Federal da 4" regido e o Superior Tribunal de Justiça não modificou a sentença. Desta forma, observa-se que na verdade, no caso em apreço, o judiciário já se manifestou contrariamente a aplicação da Taxa SELIC: "Por fim, a incidência dos juros morató rios, dar-se-á na forma em que determinada pela sentença de 1' grau, a fim de se evitar a reformatio in pejus" — trecho final do acórdão do TRF 4" Regido. Entenda-se por divergência a interpretação de maneira diversa a mesma norma a fatos iguais. No caso, a situação em tela não guarda semelhança com a tratada pelo acórdão paradigma, vez que, nestes autos, há manifestação judiciária proferida após a edição da Lei no 9.250/95 e manifestação expresamente contrária a sua aplicação, enquanto que a hipótese versada na decisão paradigma o foi a de inexistência de comando judicial posterior ao citado diploma legal. Conclusão Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, com o pedido pela recorrente VOTO no sentido de não conhecer do recurso especial. Maria Teres -Martinez López 5
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000187/2009-98
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
LANÇAMENTO. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Após o encerramento do espólio, com trânsito em julgado da partilha, o lançamento deve ser realizado em face dos sucessores, nos termos do artigo 131 do CTN. Sendo o lançamento realizado contra o espólio após o encerramento deste, deve ser declarado nulo por vício material.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-004.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor. Vencida a Relatora que dava provimento ao Recurso de Ofício. Quanto à natureza do vício, por maioria de votos reconhecer que se trata de vício material. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini, que entenderam que se tratava de vício formal.
Andre Luis Marsico Lombardi - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Carlos Alexandre Tortato - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Após o encerramento do espólio, com trânsito em julgado da partilha, o lançamento deve ser realizado em face dos sucessores, nos termos do artigo 131 do CTN. Sendo o lançamento realizado contra o espólio após o encerramento deste, deve ser declarado nulo por vício material. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor. Vencida a Relatora que dava provimento ao Recurso de Ofício. Quanto à natureza do vício, por maioria de votos reconhecer que se trata de vício material. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini, que entenderam que se tratava de vício formal. Andre Luis Marsico Lombardi - Presidente Maria Cleci Coti Martins - Relatora Carlos Alexandre Tortato - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Rayd Santana Ferreira.
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ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Após o encerramento do espólio, com trânsito em julgado da partilha, o lançamento deve ser realizado em face dos sucessores, nos termos do artigo 131 do CTN. Sendo o lançamento realizado contra o espólio após o encerramento deste, deve ser declarado nulo por vício material. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 87 /2 00 9- 98 Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor. Vencida a Relatora que dava provimento ao Recurso de Ofício. Quanto à natureza do vício, por maioria de votos reconhecer que se trata de vício material. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini, que entenderam que se tratava de vício formal. Andre Luis Marsico Lombardi Presidente Maria Cleci Coti Martins Relatora Carlos Alexandre Tortato Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Rayd Santana Ferreira. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16004.000187/200998 Acórdão n.º 2401004.285 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão 1734.283, da 6a. Turma da DRJ/SP2 que considerou procedente a impugnação do recorrente para o crédito tributário lançado. O Acórdão de Impugnação está assim ementado. PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado, pelos elementos constantes dos autos, que o trânsito em julgado do formal de partilha ocorreu antes do início da ação fiscal, há que se acatar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Preliminar acatada. A investigação fiscal do contribuinte teria iniciado anteriormente ao Termo de Procedimento Fiscal, de 11/07/2008, tendo em vista as diligências efetuadas no bojo das investigações da Operação Grandes Lagos, na qual teria sido constatada a existência de uma organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a Administração Tributária, cujo modus operandi seria a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. Nesse contexto, as pessoas interpostas movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a abertura de contas bancárias em seus nomes, mas movimentando recursos pertencentes a terceiros, titulares de fato desses recursos. Diante disso, a Justiça Federal, a pedido da Receita Federal, decidiu pela quebra do sigilo bancário de todas as pessoas físicas e jurídicas (matriz e filiais) envolvidas direta ou indiretamente na operação, determinando às instituições financeiras que fornecessem diretamente à Delegacia da Receita Federal, as informações e documentos requisitados por meio de Requisição de Movimentação Financeira — RMF. As infrações fiscais objeto deste lançamento fiscal são: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS; OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA (efl. 1266). A ciência ao auto de infração ocorreu em 11/05/2009 pela representante do Espólio de Badih Nassif Aidar, extinto em 26/06/2008, na qualidade de herdeira filha única e inventariante. A sra. DARCY AIDAR, única herdeira no Espólio de BADIH NASSIF AIDAR também fora arrolada (efl.1273/1274) como Sujeito Passivo Solidário da obrigação fiscal, tendo em vista ser a responsável pelas operações financeiras representadas pelos depósitos bancários realizados no período 2003 a 2006 em nome do Espólio, sem a correspondente comprovação de sua(s) origem(ns), bem como pela venda da propriedade rural em 2006, com valor subfaturado. Assim, teria sido a agente e única beneficiária dos fatos que deram origem ao lançamento tributário deste processo. Desta forma, entendeu a autoridade fiscal que a sujeição passiva é plenamente justificável, pois conforme o art. 121 do CTN, a sra. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 DARCY AIDAR possuía interesse na situação que constituiu o fato gerador das obrigações deste lançamento. A ciência ocorreu via postal em 11/05/2009 (efl. 1276). Em 09/06/2009 foi apresentada a impugnação (fls.1033 a 1066), na qual requeria fosse julgado improcedente o auto de infração pelos seguintes motivos arrolados pela autoridade a quo: 1. O Termo de Início de Fiscalização fora recebido em 11/07/2008, quando já havia ocorrido o trânsito em julgado da partilha homologada em 21/05/2008. Assim, quando do início da fiscalização o espólio de Badih Nassif Aidar não mais existia. 2. Anteriormente ao procedimento fiscal teriam havido diligências, como quebra de sigilo fiscal ilegal (fls. 300 a 303), sem direito de defesa do contribuinte. 3. Alega cerceamento de defesa por não ter tido acesso à documentação do processo antes da notificação da autuação. 4. Os lançamentos do ano calendário 2003 estariam fulminados pela decadência. 5. Afirma que todo o rendimento auferido foi originado da atividade rural e, parte do mesmo, declarado pelo contribuinte. 6. A venda da fazenda São José foi feita com base em alvará judicial, e não há prova nos autos relativamente aos fatos que resultaram na apuração e omissão de ganhos de capital. 7. Questiona a multa de 150%, tendo em vista que não há prova de dolo. 8. Pugna pela realização de perícia. Tendo em vista se tratar de Recurso de Ofício, revendo a peça impugnatória, verifico ainda os seguintes pontos levantados pelo recorrente. · O VTN de imóveis rurais da região de Presidente Prudente, segundo o Instituto de Economia Agrícola do Estado (IEA/CATI), variava de R$ 2.896,56 a R$ 1.446,28 e hoje vale menos. A terra era improdutiva dada a pedregulho e cascalho, numa região cuja única produção poderia ser o gado. E a propriedade não possuía muitas cabeças, conforme documento anexado aos autos. Os valores lançados para cálculo de ITBI e ITCDMI teriam sido aceitos pelos órgãos encarregados. · Não há como imputar subfaturamento na venda da Fazenda São José, pois estava à véspera de quebra, com débitos atrasados e passivo trabalhista. · A movimentação financeira resultante da venda do imóvel está devidamente escriturada no Livro Razão de Contabilidade, ano calendário 2006, com os respectivos comprovantes. Lá também estão registrados os mútuos do procurador do espólio. · A maior parte das receitas do espólio estavam bloqueadas por meio de medidas judiciais, quebrando totalmente o fluxo de caixa. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16004.000187/200998 Acórdão n.º 2401004.285 S2C4T1 Fl. 4 5 · O pagamento das dívidas particulares da inventariante estão anotadas nos livros de contabilidade e na escrita fiscal e tais valores em caixa já haviam sido tributados pelo espólio. · Os salários mensais da inventariante e do procurador e administrador geral dos imóveis rurais não foram levados em conta, bem como o retorno dos valores das retiradas de Darcy Aidar, as parcelas de pagamento do mútuo de Durval Antonio Furlan Junior, os aluguéis das torres, que estão tributados na Declaração de Darcy Aidar, e demais saques já tributados na conta do espólio. · Qualquer tributação deveria ter sido feita pelo arbitramento de 20% sobre a receita bruta e não na forma elaborada pelo Termo de Constatação Fiscal. A receita do espólio decorre exclusivamente das propriedades rurais, vendas de fazendas, semoventes, máquinas e implementos agrícolas velhos, e de demais bens móveis que as guarneciam. · A fazenda teria sido vendida pelo sr. Durval Antonio Furlan Júnior, como representante dos espólios de Badih Nassif Aidar e Julieta Said Aidar, ao comprador Nivaldo Fortes Peres, à vista de alvará autorizador do negócio. · Na impugnação, o recorrente aceita os quadros "a" e "b". No entanto, afirma que o quadro "c" contém vários numerários já lançados no quadro "b". O quadro "d" referese a outro contribuinte, o sr. Nivaldo Fontes Peres. Também não mereceria acatamento o quadro "e" e a conclusão. Observa que o valor dos legados (R$ 100.000,00, R$ 100.000,00 e R$ 150.000,00) apareceu nos quadros "b", "c", "d", "e". · Afirma que o negócio da fazenda não tem ligação com a Operação Grandes Lagos. A seguir as justificativas do contribuinte para os valores lançados. Os lançamentos relativos ao ano 2003 estão fulminados pela decadência. Os créditos/depósitos apontados pela fiscalização totalizam R$ 4.848.794,06, sendo que as receitas da atividade rural seriam R$ 1.727.247,20 com a venda do imóvel Fazenda Água Clara no valor de R$ 1.616.598,00 recebido em 2003 e o restante R$ 1.504.948,86 estão ligados à atividade rural, conforme planilha à efl. 1308. No ano 2004, o total dos créditos/depósitos apontados pela fiscalização totalizam R$ 3.427.663,55, sendo que R$ 1.135.567,38 referemse à receita da atividade rural, como venda de imóvel rural denominado Fazenda Água Clara, recebido no ano 2004, o valor de R$ 214.850,00, e R$ 343.243,66 e o restante, R$ 1.734,002,52 também seriam da atividade rural conforme planilha à efl. 1309. Na referida planilha menciona contrato de mútuo com IRINEU FIOREZI, do qual a sra. Darcy Aidar Ittavo consta como fiadora solidária(efl. 1730/1733), feito em 2004. Tal contrato fora transformado em parceria rural, em 11/05/2004, conforme efl. 1735/1739). Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 No ano 2005, os créditos lançados somam R$ 573.083,29, sendo que alguns desses valores estão declarados e contabilizados como receitas da atividade rural, que somam R$ 370.094,91. O restante, R$ 202.988,38 teria sido contabilizado na conta corrente particular da Darcy Aidar, cuja receita da atividade rural foi tributada no espólio de Badih Aidar, conforme planinha da efl. 1310. No ano 2006, foram lançados créditos tributários no valor de R$ 822.294,32, sendo que R$ 176.130,19 seriam receitas da atividade rural(obs. a planilha informa o valor de R$ 222.130,19), R$ 46.000,00 referemse a venda de implementos, R$ 25.694,40 seriam receitas de aluguel para antena telefônica da "Claro" e o restante R$ 574.469,23 foram contabilizados em conta corrente particular da Darcy Aidar, demonstrados conforme efl. 1311. Reforça que os valores contabilizados na conta corrente e derivados de receitas de atividades rurais foram tributadas na origem pelo espólio de Badih Nassif Aidar, alguns dos quais devolvidos em parcelas. Os impostos já pagos nas DIRPF´s anuais não foram considerados. O fisco não conseguiu comprovar a ligação do espólio à operação Grandes Lagos. Desta forma, não está comprovado o dolo e, portanto não se pode manter a majoração da multa. Contesta, com base na jurisprudência, o Termo de Sujeição Passiva Solidária. Considera a multa imoderada e extravagante, porque não há dolo e nem fraude. É o relatório. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16004.000187/200998 Acórdão n.º 2401004.285 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora A autoridade julgadora a quo entendeu que o espólio já havia sido encerrado pelo formal de partilha antes da primeira intimação enviada ao contribuinte. Cita os artigos 23 e 24 do Decreto 3000/99. Com a devida vênia à autoridade julgadora a quo, entendo que o fato do espólio já ter sido encerrado não significa que não poderia ter sido fiscalizado. O artigo 23 do Decreto 3000 informa que o espólio é pessoalmente responsável pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. No caso, a inventariante é a única herdeira do de cujus. A IN/SRF N 81/2001 define a obrigatoriedade de apresentação de declaração de espólio nos anoscalendário a partir do falecimento do contribuinte, conforme a seguir. Art. 3° Consideramse declarações de espólio aquelas relativas aos anoscalendário a partir do falecimento do contribuinte. § 1º Ocorrendo o falecimento a partir de 1o de janeiro, mas antes da entrega da declaração correspondente ao anocalendário anterior, esta não se caracteriza como declaração de espólio, devendo ser apresentada como se o contribuinte estivesse vivo e assinada pelo inventariante, cônjuge ou convivente, sucessor a qualquer título ou por representante do de cujus. § 2º As declarações de espólio são classificadas como: I inicial, a que corresponder ao anocalendário do falecimento; II intermediárias, as referentes aos anoscalendário seguintes ao do falecimento e até o anterior ao da decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens; III final, a que corresponder ao anocalendário em que for proferida a decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens. § 3º Aplicamse, quanto à obrigatoriedade de apresentação das declarações de espólio inicial e intermediárias, as mesmas normas previstas para os contribuintes pessoas físicas. § 4° Havendo bens a inventariar, é obrigatória a apresentação da declaração final, na qual devem ser incluídos os rendimentos, se auferidos, correspondentes ao período de janeiro do ano calendário até o mês da decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens. § 5º Nas declarações de que trata este artigo devem ser computados os rendimentos recebidos nos respectivos períodos, Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 que sejam próprios do de cujus, ainda que transferidos de imediato ao cônjuge meeiro, aos herdeiros ou legatários. § 6º O ganho de capital na alienação de bens e direitos realizada no curso do inventário deve ser tributado em nome do espólio, salvo se tratar de cessão de direitos hereditários, caso em que cabe ao cedente apurar, em seu nome, o ganho de capital. Art. 4º As declarações de espólio devem ser: I apresentadas com o nome do espólio, endereço e número de inscrição no Cadastro das Pessoas Físicas (CPF) do de cujus; II da lavratura da escritura pública de inventário e partilha; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 1º Enquanto não iniciado o processo de inventário ou arrolamento, as declarações de espólio devem ser apresentadas e assinadas pelo cônjuge meeiro, sucessor a qualquer título ou por representante destes. § 2º Se o de cujus ou o inventariante não estiver inscrito no CPF, serlheá conferido número de inscrição quando da entrega da declaração. (grifei) A obrigatoriedade de apresentação de declaração de Imposto de Renda implica, necessariamente, na possibilidade de existência de rendimentos que devem ser oferecidos à tributação. Neste caso, entendo que a verificação por parte do fisco sobre os rendimentos declarados pelo espólio também são regidos pelo Código Tributário Nacional, que especifica o prazo de 5 (cinco) anos para que o lançamento seja homologado pela autoridade tributária (art. 150 ou 170 do da Lei 5172/66). Diante do exposto, entendo que a autoridade fiscal não tinha outra alternativa senão iniciar o procedimento fiscalizatório tendo como sujeito passivo o Espólio de BADIH NASSIF AIDAR, visto que, nos anos investigados, o responsável pela declaração de Imposto de Renda e dos bens do de cujus era o espólio do mesmo. Contudo, tendo em vista o par. III do art. 131 do CTN, a responsabilidade pelos tributos devidos pelo espólio já encerrada a sucessão é dos herdeiros, justificandose assim, a responsabilização solidária da única herdeira do espólio, conforme procedimento adotado pela autoridade fiscal. Duas são as justificativas legais para a responsabilização solidária do herdeiro no caso deste procedimento fiscal: ser a sra. DARCY AIDAR a única herdeira do de cujus, e ter praticado, na qualidade de inventariante, atos dolosos que configuram crime contra a ordem tributária (art. 135, IV, CTN). O art. 131 do Código Tributário Nacional define que são pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16004.000187/200998 Acórdão n.º 2401004.285 S2C4T1 Fl. 6 9 Entendo que os débitos tributários originadas durante a vigência do espólio devem ser a ele impostos, inclusive com responsabilização do inventariante, se for o caso (art. 134 e 135 do CTN, a seguir transcrito). Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: ... IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifei) O art. 1997 do Código Civil Brasileiro, a seguir transcrito, determina que a herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido até a partilha e que, posteriormente, essa tarefa cabe aos herdeiros, na proporção do quinhão recebido. Art. 1.997. A herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido; mas, feita a partilha, só respondem os herdeiros, cada qual em proporção da parte que na herança lhe coube. A questão que se apresenta neste processo não é somente do crédito tributário, mas também dos atos ilegais praticados pelos administradores do espólio/inventariante (conforme efl. 07) que, conforme os diplomas legais citados, são responsáveis pelos créditos tributários devidos pelos representados caso tenham agido com dolo na administração. Relativamente ao mérito, a impugnação do contribuinte apresenta dados incompatíveis e desconexos. Por exemplo, se na propriedade não se podia fazer o cultivo agrícola, restando apenas a agropecuária, que, conforme a declaração à efl. 1329/1330 possuía apenas algumas poucas cabeças de gado, não faz sentido o impugnante argumentar que os recursos teriam advindo da atividade rural da propriedade. Ainda, conforme as DIRPF´s, a atividade rural durante os anos de vigência do espólio possuía lucro bastante pequeno, conforme planilha a seguir. ano receitas(R$) despesas(R$) 2004(efl.54) 5.655.657,70 5.626.065,34 2005(efl.66) 5.127.677,34 5.091.923,70 2006 (efl. 79) 3.569.498,34 3.511.530,80 Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 10 Conforme a impugnação, o recorrente aceita os quadros "a" (forma de pagamento de R$ 5 milhões cheques administrativos e valor declarado como pago na escritura) e "b"(destino dos cheques administrativos e das notas promissórias 1, 2, 3, 4). O impugnante alega que o quadro "c" contém vários numerários já lançados no quadro "b" O impugnante não menciona quais, e do cotejo dos dois quadros que contém informações de valores iguais, verificase que não se referem aos mesmos documentos/pessoas/datas. O Termo de Verificação Fiscal informa que os cheques nominativos referenciados no quadro "c", de números 5055, 5056, 5057, depositados judicialmente no Banco Nossa Caixa, em conta vinculada de Darcy Aidar Ittavo, foram adquiridos com recursos de Nivaldo Fortes Peres, sob o artifício de cheques emitidos por empresa de sua titularidade "de fato", apurado nos trabalhos da "Operação Grandes Lagos" Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. O quadro "d" apresenta os dados relativos aos valores envolvidos na compra dos cheques administrativos que teriam sido depositados na conta bancária de Darcy Aidar Ittavo. O impugnante alega que o quadro "d" do Termo de Verificação Fiscal se refere a outro contribuinte, o sr. Nivaldo Fontes Peres. Contudo, o quadro "c" apresenta os cheques e depósitos que foram utilizados para a aquisição dos cheques administrativos relativos aos depósitos na conta do contribuinte, obtidos através do rastreamento bancário (por ex. doc. efl. 179/180). A fiscalização relacionou, no quadro "e", os valores registrados na contabilidade livro Razão do contribuinte Contas a Receber / Fazenda São José relativamente à venda da propriedade. A planilha "e" desconta do valor lançado os que já haviam sido considerados nas planilhas anteriores e, mesmo assim, ainda restaram valores que não haviam sido explicitados/explicados, num adicional de R$ 1.458.716,10. As receitas advindas dos contratos de parceria deveriam estar registrados na contabilidade do espólio, que foi analisada pela autoridade fiscal. O impugnante não discriminou os valores dos depósitos bancários atrelandoos aos valores advindos dos contratos de parceria e à contabilidade do espólio. Contudo, não apresentou, de forma discriminada a justificativa/comprovação da origem dos valores depositados em contas bancárias, e se os mesmos teriam sido oferecidos à tributação. Assim, concluiu a fiscalização que haveria um valor subfaturado de R$ 2.238.716,10, perfazendo no total com a venda da propriedade, o valor mínimo de R$ 7.238.716,10. Entendo que não houve violação ao princípio da ampla defesa, tendo em vista que, durante a investigação fiscal, ainda não existe um processo administrativo e, sequer, o lançamento tributário. O princípio de ampla defesa visa dar ao contribuinte o direito de se defender em processo administrativo ou judicial por todos os meios admitidos em direito. No caso da investigação fiscal, somente após a formalização do crédito tributário é que existe um processo administrativo fiscal do qual o contribuinte pode se defender, apresentando os elementos probatórios que julgar conveniente. Mais ainda, o pedido de perícia visa esclarecer as autoridades julgadoras/lançadoras sobre provas que exijam conhecimento específico. No caso dos autos, não existe a necessidade de perícia especializada. Na investigação de crime de sonegação fiscal nem sempre é possível de se obter provas diretas. Isso porque o investigado procura tomar todas as precauções possíveis para não deixar vestígios do ocorrido. Contudo, neste caso, ficou comprovado que os cheques administrativos utilizados para o pagamento da Fazenda São José foram adquiridos por um Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16004.000187/200998 Acórdão n.º 2401004.285 S2C4T1 Fl. 7 11 terceiro utilizando uma empresa da qual seria sócio de fato, conforme demonstrados nos quadros "c" e "d" do Termo de Verificação Fiscal. O quadro "c" relaciona valores depositados nas contas bancárias. Assim, está comprovado o modo de operação doloso do contribuinte. Tal fato só pode ser conhecido pela utilização das informações bancárias do contribuinte, através de Requisição de Movimentação Financeira. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário lançado para os fatos geradores ocorridos durante o prazo da vigência do espólio, com a responsabilização solidária da única herdeira do de cujus e que também era a inventariante. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 12 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, Redator Designado Em que pese os argumentos apresentados pela ilustre relatora, abri a divergência no presente caso e fui designado para redigir o presente voto vencedor. Tratase de lançamento de IRPF que foi realizado em face do espólio de BADIH NASSIF AIDAR, como bem mencionado pela relatora em seu voto. Ocorre que o referido espólio transitou em julgado em 26/06/2008 (Certidão de fl. 1416), enquanto que o Termo de Início de Fiscalização se deu em 11/07/2008 e, ainda, o lançamento se deu em face de "BADIH NASSIF AIDAR ESPÓLIO" (fls. 1222 e ss.). Ora, resta inequívoco que o espólio já havia se encerrado, com trânsito em julgado, antes da realização do lançamento do crédito tributário, o que era, inclusive, de conhecimento da própria fiscalização. E se o espólio já havia sido encerrado, este não poderia ser incluído no polo passivo do presente auto de infração, haja vista a dicção expressa do Código Tributário Nacional: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. (grifamos) Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; (grifamos) Na data do lançamento, ante a extinção do espólio, deveria o lançamento ter sido realizado em face dos sucessores, ou em face do inventariante, se verificada a hipótese prevista no caput do artigo 134 do Código Tributário Nacional. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16004.000187/200998 Acórdão n.º 2401004.285 S2C4T1 Fl. 8 13 Não há como se admitir lançamento sobre o espólio, que já havia sido extinto, e os direitos e obrigações do de cujus já estavam albergados pelos efeitos da sucessão, sendo os herdeiros quem deveriam responder pelos créditos tributários. Assim, ante o equívoco pela autoridade fiscal na eleição do sujeito passivo, está fulminado o lançamento por vício material, devendo ser extinto. Eis o artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, por se tratar de requisito intrínseco e indispensável ao lançamento (eleição do sujeito passivo), cuja opção do AFRFB se mostrou equivocada, deve ser declarado nulo o presente lançamento, por vício material. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 04/08/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Numero do processo: 00000.910013/32-77
Data da sessão: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 1980
Numero da decisão: CSRF/03-00.003
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Enila leite de Freitas Chagas.
Nome do relator: Edwaldo Reis da Silva
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Numero do processo: 10880.013777/95-55
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO — NULIDADE — SÚMULA CARF n° 21.
É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.447
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. AIO MARÇOS CÂNPIDO - Presidente JOSÉ ° :i" TOSTA SANTOS - Relator I ' EDITADO M: 1 8 JUN 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Robinson Passos de Castro e Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 4445, proferido pela DRJ de São Paulo (fls. 25127), que julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: O contribuinte acima identificado, que foi notificado para recolher o Imposto Territorial Rural - r IR, Contribuição Parafiscal, CNA e CONTAG, relativos ao exercício de 1994, no montante de 22.225,95 Ufirs (vinte e dois mil duzentos e vinte e cinco UFIRs e noventa e cinco centésimos), conforme Notificação de Lançamento de fl. 09, com vencimento em 22/05/1995, apresentou sua peça impugnatória às fls. 01 e 02. Refere-se o lançamento em foco ao imóvel rural denominado "Fazenda Corrente", com área de 4.000,0 ha, localizado no Município de Babaculândia/TO, inscrito na Receita Federal sob o n.° 1862698.0. O impuwiante alegou em sua defesa que houve equívoco quanto à identificação do contribuinte, uma vez que não detém a posse e propriedade do bem. Afirma que o imóvel pertence a terceiros. Solicitou a retificação do lançamento, com sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária. Instruindo sua defesa, o impugnante anexou os documentos de fls. 03 a 10. Complementando a instrução do processo foram anexados os extratos do sistema "ITR" atinentes à declaração/94 (fls. 12 a 20) e ao lançamento/94 (fls. 21 a 23). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1994 Ementa: PERDA DA CONDIÇÃO DE SUJEITO PASSIVO DO TRIBUTO Somente título translativo do domínio ou posse, certidão do Cartório de Registro de Imóveis ou sentença judicial transitada em julgado, que demonstrem a alteração da titularidade ou da condição de possuidor do imóvel, são instrumentos hábeis a alterar o sujeito passivo relativamente ao lançamento efetuado. .Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 32/34), a contribuinte reitera que à época do fato gerador já não detinha a posse e a propriedade da "Fazenda Corrente", como prova a declaração expedida pelo Instituto de Terras do Estado de Tocantins. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência junto ao Cartório do Registro Geral de Imóveis da Comarca de Filadélfia — TO, distrito de Babaculândia, ou mesmo que se aprecie documentação juntada posteriormente pelo recorrente, e inda protesta para que seja oficiado o Instituto de \ 2 Processo n° 10880.013777/95-55 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.447 Fl. 55 Terras Rurais do Estado de Tocantins, a fim de que este decline os nomes dos atuais proprietários do referido imóvel. Requer que sejam as intimações e demais comunicados relativos a este Recurso sejam endereçadas ao seu subscritor. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verifica-se que a Notificação de Lançamento à fl. 9 não contém a identificação da autoridade fiscal que a expediu. Sobre a constituição do crédito tributário, através do lançamento, o artigo 142 do Código Tributário Nacional dispõe que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sobre a notificação de lançamento, o artigo 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo de deteiminação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, estabelece que: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do notificado; - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Por fim, os artigos 50 e 60 da Instrução Noimativa SRF n° 94, de 24/12/1997, dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições, nos seguintes tei mos: 3 Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CIN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: .. 1- a identificação do sujeito passivo; II- a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III - a norma legal infringida; IV - o montante do tributo ou contribuição; • 17- a penalidade aplicável; • VI- o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII- o local, a data e a hora da lavratura; VIII - a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Art. 6° Sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso E, da Lei n° 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5'9: 1- pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento, na hipótese de impugnação do lançamento, inclusive no que se refere aos processos pendentes de julgamento, ainda que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo; II - pelo Delegado da Receita Federal ou Inspetor da Receita Federal, classe A, que jurisdiciona o domicilio fiscal do contribuinte, nos demais casos. (GRIFEI) - No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF foi editada a Súmula n°21: .. É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não -)-contenha a identificação da autoridade que a expediu. 1_ Considerando os fundamentos acima expostos, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2010. /'111°'(ia ,...:4\ JOSÉ' • IP' "e- ,v,-„ OSTA SANTOS 4
score : 1.0
Numero do processo: 13310.000033/2002-78
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito.
CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INDEFERIMENTO.
Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, toma-se impossível o acolhimento da pretensão.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.047
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação Oral o Dr. Sergio Silveira Melo
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INDEFERIMENTO. Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, toma-se impossível o acolhimento da pretensão. Recurso negado.
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Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INDEFERIMENTO. Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, toma-se impossível o acolhimento da pretensão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da I' CÂMARA / I* TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas sties. Fez sustentação Oral o Silveira Melo. 4111 fib / • 'MARCOS CÂNDID Pre-idente LÀ? • Processo n°13310.000033/2002-78 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.047 Fl. 921 • trN111101110MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, relativo ao 1° trimestre de 2002, apresentado com fundamento no art. 11 da Lei n2 9.779/99. O pleito foi formalizado em 06/06/2002, tendo sido vinculados a ele diversos pedidos de compensação juntados aos autos. O processo de industrialização da requerente desenvolve-se em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor-Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 126/155, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborá-los. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, com base nos fundamentos consubstanciados na informação fiscal de fls. 343/345, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações pleiteadas, conforme despacho decisório de fl. 346. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: - a contribuinte disponibilizou à fiscalização todas as notas-fiscais de compra de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no seu processo produtivo. Foram, também, apresentados os livros de Entrada de Mercadorias, Apuração de IPI e de Inventário, nos quais foram escrituradas as aquisições das referidas mercadorias, além dos Livros Diários e Razão, bem como as fichas técnicas dos produtos industrializados pela empresa, de modo que o AFRF teve todas as condições para confirmar a veracidade dos valores solicitados; - o Agente Fiscal, com um mínimo de bom senso, poderia, facilmente, constatar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos pela empresa, conforme notas fiscais e demais documentos que lhe foram disponibilizados, inclusive contratos de câmbio relativos a milhares de pares de calçados exportados, fabricados a partir, _p dos referidos insumos; 2 : .. Processo n° 13310.000033/2002-78 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.047 Fl. 922 - o AFRF esteve na área fabril e observou, nitidamente, o processo de produção. Viu, com os próprios olhos, as matérias-primas e demais insumos sendo utilizados na produção. Viu o estoque de produtos acabados, bem como o de insumos. Afirmar que nada disso existe, ultrapassa o bom senso e alcança a insanidade; - indeferir os pedidos de ressarcimento sob a alegação de que faltou formalidade/controle de documentos fiscais no processo de remessa dos insumos e seu retomo da industrialização por encomenda, em detrimento da verdade material das compras e das exportações, é totalmente inaceitável; - os pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI requeridos antes de 2001 foram atendidos, conforme demonstra a cópia do Despacho Decisório de um deles, que ora se junta. A empresa é a mesma e os procedimentos não sofreram qualquer alteração. Apenas os AFRF são distintos. É impossível que as duas fiscalizações estejam corretas. Se uma fiscalização não encontrou nada de errado e aprovou o ressarcimento, e a outra fiscalização encontrou tudo errado, e não aprovou o ressarcimento de um único centavo, é dever da administração buscar saber com quem está a razão e, a partir daí, tomar as providências cabíveis; - desde a sua fundação, em 31/10/96, a empresa vem requerendo o direito ao crédito presumido do IPI (Lei n° 9.363/96), ao crédito de IPI oriundo de operações de "draw back", bem como do saldo credor de que trata o art. 11 da Lei n° 9.779/99, e, até o início deste processo fiscalizatório, sempre obteve deferimento, total ou parcial, de seus pleitos; - para não pairar qualquer dúvida quanto à lisura dos procedimentos da empresa, e ao direito que tem em relação ao crédito do IPI previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99, requer a realização de perícia, para que seja constatada a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos, exportações e tudo o mais que for necessário para a comprovação do seu direito, apresentando vários quesitos para serem respondidos. Ao final, requer o deferimento integral do ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações vinculadas. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa informa que com os insumos geradores dos créditos solicitados produziu milhares de pares de calçados, produção esta que foi totalmente exportada. Em seguida, descreve o seu processo produtivo e esclarece que a grande maioria dos insumos refere-se a material de embalagem, reiterando o pedido de realização de perícia, para o fim de se confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo. 3gutiÉ o Relatório. 3 • Processo n°13310.000033/2002-78 S2-C ITI Acórdão n.°2101-00.047 Fl. 923 Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN n° 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a toma contribuinte do IPI, está prevista inciso IV do art. 90 do RIPI/98 e do RIPU2002, nos seguintes termos: "Art. 9" Equiparam-se a estabelecimento industrial: b.1 IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei n" 4.502, de 1964, art. 4", inciso III, e Decreto-Lei n" 34, de 1966, art. 2", alteração 339; " Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto n° 2.637/98 — Ripi/98 e Decreto n° 4.544/2002 — Ripi/2002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá saldo credor a ser ressarcido com base no art. 11 da Lei n" 9.779/99. O Auditor-Fiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrário, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e à movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Processo n° 13310.000033/2002-78 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.047 Fl. 924 Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estender-se ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retomo dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceu- se uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 126/155 . Entre elas, destaca-se a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e vice-versa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do IPI e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta desta comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do Auditor-Fiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. - Processo n° 13310.000033/2002-78 S2-CI TI Acórdão n.• 2101-00.047 Fl. 925 O indeferimento do ressarcimento dos créditos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido existéncia efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento dos créditos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retomo dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom - RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os Auditores-Fiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e a outra errada, ou vice-versa, pois ambas foram proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. No entanto, enxertaram-se nos autos uma enormidade de documentos, como laudos do processo produtivo, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos de câmbio de exportação, etc., que nada têm a ver com o motivo do não reconhecimento do direito ao ressarcimento, que foi a inexistência de controles rígidos, que permitam a identificação da realização de industrialização por encomenda, nos moldes preconizados pelo Regulamento do IPI. 6 Processo n° 13310.000033/2002-78 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.047 Fl. 926 Por outro lado, a documentação que acompanhou o recurso voluntário também não trouxe qualquer elemento que demonstre a existência de controles confiáveis da movimentação dos insumos e dos produtos fabricados, entre a recorrente e o estabelecimento industrializador. A realização de mais um exame na mesma documentação não seria capaz de modificar a realidade dos fatos, registrada nos autos e caracterizada, inclusive, pela falta ou atraso injustificado no atendimento das intimações expedidas pela fiscalização. A questão da necessidade de realização de perícia é prerrogativa do julgador, conforme dispõem os arts. 18 e29 do Decreto n°70.235/72, a seguir transcritos: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pelo art. 1" da Lei n" 8.748193). "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A regra do processo administrativo fiscal é que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e tempestivamente. É da essência da relação processual (arts. 14, 15 e 16, inciso III, do Dec. n° 70.235/72, com as alterações posteriores) que as alegações estejam devidamente comprovadas. Desta forma, compete ao contribuinte municiar-se das provas necessárias para refutar a acusação fiscal, não se admitindo a juntada posterior de novos documentos, salvo nas hipóteses taxativamente excepcionadas pelo § 40 do art. 16 do Dec. n°70.235/72. Portanto, existindo nos autos elementos suficientes para a solução do litígio, e não podendo a autoridade julgadora suprir eventual falta do contribuinte, no que concerne à formação das provas de suas alegações, mantém-se o indeferimento do pedido de perícia. Por fim, registra-se que o pedido de atualização do ressarcimento pela taxa Selic restou prejudicado, em face do indeferimento do direito, na análise de mérito. Ante todo o exposto, em preliminar, indefere-se o pedido de perícia e, no mérito, nega-se provimento ao recurso. Sala .s Ses: s, em 06 de maio de 2009. 05:4‘ 11, A110 ER 7 Page 1 _0073300.PDF Page 1 _0073400.PDF Page 1 _0073500.PDF Page 1 _0073600.PDF Page 1 _0073700.PDF Page 1 _0073800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10183.720112/2006-37
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara recorrida, para que esta: (a) promova a correção do questionamento do recurso no sistema e-processo; e (b) complemente a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Relatório
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara recorrida, para que esta: (a) promova a correção do questionamento do recurso no sistema eprocesso; e (b) complemente a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .7 20 11 2/ 20 06 -3 7 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 01/05) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Santa Maria, com área de 9.516,0 ha (NIRF 1.091.5591), localizado no município de Cláudia/MT, relativo ao exercício 2004, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 4.181.102,01, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Com a ação fiscal, decorrente do trabalho de revisão das DITR/2003, 2004 e 2005, a contribuinte foi intimada a apresentar vários documentos, com base na legislação pertinente detalhada no Termo de Intimação, fls. 06 e 07. Importante registrar, que os documentos solicitados foram para os três exercícios citados acima, sendo que o lançamento do exercício 2003 foi autuado no processo nº 10183.720111/200692 e o de 2005, no processo 10183.720113/200681. Em resposta foram apresentados documentos juntados ao processo 10183.720113/200681 para o exercício 2005 e, posteriormente, em 07/06/2006, com a carta de fl. 52, do mesmo processo, foram encaminhados os documentos de fls. 53 a 55 daqueles autos, os quais são: ADA protocolado no IBAMA em 31/05/2006 e cópia do Termo de Intimação. No procedimento de análise e verificação da documentação, a autoridade fiscal verificou a não regularização das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal para isenção, uma vez que o ADA foi protocolado no IBAMA após o prazo regulamentar para os exercícios em análise, além do que não foi comprovada, em ralação à Exploração Extrativa alegada pela contribuinte, a implantação de Plano de Manejo Sustentado para tal atividade ou o cumprimento do cronograma físicofinanceiro previsto no plano. Mais: relativamente ao VTN, o Laudo Técnico solicitado não foi providenciado. Assim, as áreas em questão foram glosadas, bem como procedidas as demais alterações conseqüentes. O VTN foi modificado com a utilização dos valores constantes da tabela do SIPT, conforme artigo 14, da Lei nº 9.393/1996. As razões de fato e de direito para as devidas alterações foram registradas na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, e uma vez apurado o crédito tributário, lavrouse a Auto de Infração, cuja ciência à interessada foi dada em 27/09/2006. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente, fls. 76. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 164 e seguintes, o Colegiado, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negou provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 10/03/2010, negouse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102000.508, assim ementado: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 4 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PARÂMETROS ADOTADOS. Para se contrapor ao lançamento, que teve por base o arbitramento do valor da terra nua (VTN), basta que o contribuinte apresente laudo de avaliação do imóvel, nos termos da NBR/ABNT 14653 – parte 3, sendo, portanto, prescindível para sua defesa o conhecimento dos parâmetros adotados pela autoridade lançadora, quando do levantamento do VTN arbitrado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PRMANENTE E DE S=RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBJUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo”. A contribuinte foi cientificada do processo em 20/07/2010, e opôs, tempestivamente, em 26/07/2010, Embargos de Declaração alegando omissão dos julgadores em analisar o documento apresentado à autoridade fiscal por ocasião da fiscalização, consubstanciado no Ato Declaratório Ambiental relativo ao imóvel autuado. Os Embargos de Declaração opostos pela contribuinte foram acolhidos, com efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão nº 2102000.508, de 10/03/2010, dando parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 402,0 ha e a área de utilização limitada de 7.610,0 ha, restando o acórdão nº 2102002.046, fls. 209/214 de 17/05/2012, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese preferir novo Acordão, para rerratificar o Acórdão embargado. ADA INTEMPESTIVO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 5 4 Comprovada a existência da área de preservação permanente e a averbação da área de reserva legal, o ADA intempestivo, por sí só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Embargos Acolhidos”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 25/10/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 29/10/2012, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma da decisão recorrida, mantendose a glosa referente à área indicada como de reserva legal e de preservação permanente. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª Câmara, de 09/12/2014, fls. 229/230. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações: · que da análise das alegações apresentadas pelo contribuinte, cuja finalidade é ver reconhecida a isenção sobre as áreas apontadas como sendo de reserva legal e preservação permanente, confirmase o não cumprimento de forma tempestiva da exigência da protocolização do Ato Declaratório Ambiental – ADA, no IBAMA ou órgão conveniado. · que a Lei nº 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, em seu art. 10, inciso II, in verbis: · que, no tocante às áreas de preservação permanente e reserva legal, devese destacar que o citado dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 – Código Tributário Nacional. · que, portanto, para efeito de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente das áreas, apresentando o ADA respectivo ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA, ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. · que a obrigatoriedade do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31/08/1981, art. 17O, §1º, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2001. · que esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 6 5 · que a IN SRF nº 60, de 06/06/2001, que revogou a IN SRF n° 73/2000, consolidou, em seu art. 17, caput e incisos, a exigência de lei, in verbis: · que o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo, assim dispõe em seu art. 10: · que a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna n° 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto, sendo oportuna a transcrição do trecho final do citado ato: · que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2° e 3º, da Lei n°5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN), ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto. · que é equivocado o entendimento de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no §7º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, que assim dispõe: · que o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, ficando o contribuinte responsável por preencher os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apurar e recolher o imposto devido, e apresentar a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento; e somente se solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo. · que a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, alem de lhe ser claramente favorável; e que o contribuinte não pode querer valerse da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação, e que o direito ao benefício legal deve estar documentalmente comprovado, e que o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim. · que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de reserva legal e de preservação permanente, e sim buscase a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; e que a condição acima referida está vinculada ao aspecto temporal, não sendo coerente nem prudente que a Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 7 6 regularização junto ao IBAMA das áreas excluídas da tributação do ITR pudesse ser feita a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte. · que, no caso concreto, o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente, deixando de atender, portanto, as exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização. Cientificado dos Acórdãos nºs 2102000.508 e 2102002.046, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 09/04/2015, o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões em 23/04/2015. Em suas contrarrazões, o contribuinte apresenta um histórico cronológico desde quando o ADA foi instituído, com toda a fundamentação e dispositivos legais, até chegar no julgamento do Resp nº 587429/AL, quando o STJ reconheceu a ilegalidade da exigência do ADA; traz um arrazoado acerca da abrangência da segurança coletiva; e por fim, trata da ilegalidade de se computar a área de reserva no cálculo do ITR. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 8 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 229/230. Todavia, embora não exista qualquer questionamento por parte do contribuinte quanto ao conhecimento do recurso da PGFN, debruçandome sobre os autos, identifico um incidente que torna inviável a continuidade do julgamento, sendo necessário saneamento por parte da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. Conforme já relatada no relatório desse voto, foi dado seguimento ao Resp da PGFN nos seguintes termos: Em seu recurso a Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão de nº 39100.037, da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, reproduzindo integralmente sua ementa. Assevera a Fazenda que, ao contrário do recorrido, no acórdão paradigma exigiuse a apresentação do ato específico do órgão competente, protocolizado tempestivamente, para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas declaradas como preservação permanente, conforme ementa, a seguir reproduzida na parte de interesse (destacouse): [...]Com razão a recorrente ao apontar a divergência. Enquanto no paradigma se entende que é indispensável a apresentação tempestiva do ADA como condição para o contribuinte usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR, o voto condutor da decisão ora recorrida, ponderando que "esta Turma vem consolidando o entendimento de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR", admitiu o ADA apresentado extemporaneamente. Contudo, quando apreciamos a peça do recurso especial interposto pela PGFN, verificamos que o recurso vai um pouco além nas matérias apreciadas na admissibilidade, senão vejamos: No caso concreto, a contribuinte não apresentou ADA tempestivamente, não atendendo, portanto, as exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização. III — DO PEDIDO Por todo o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar a decisão recorrida, mantendose a glosa referente à área indicada como de reserva legal e de preservação permanente. Ou seja, a PGFN visa a rediscussão tanto da área glosada de reserva legal, como a de APP, sendo que o exame de admissibilidade restringiuse apenas a esta última matéria, Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10183.720112/200637 Resolução nº 9202000.058 CSRFT2 Fl. 9 8 embora o próprio contribuinte, quando do oferecimento de contrarazzões tenha se manifestado em relação a ambas as matérias. Embora em um primeiro momento, parecenos despicienda a conversão em diligência, devemos ter em mente que a apreciação do recurso no âmbito dessa CSRF é de cognição restrita, competindo, nos termos do Regimento |Interno do CARF, aos Presidentes das Câmaras Ordinárias, a apreciação da admissibilidade das matérias objeto dos recurso especiais. Dessa forma, entendo deva o julgamento ser convertido em diligência para a complementação da admissibilidade do Resp da Fazenda Nacional. Tão logo seja saneado o processo e devidamente cientificadas as partes, deve o processo retornar a esta relatora para continuidade do julgamento. Conclusão Face o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Câmara recorrida, para que esta: (a) promova a correção do questionamento do recurso no sistema eprocesso; e (b) complemente a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 275DF CARF MF
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