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Numero do processo: 10670.001358/2004-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL (ARL)
A teor do artigo 10°, §7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade.
NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N°
9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE E RESERVA LEGAL.
VALOR DA TERRA NUA - REVISÃO DO LANÇAMENTO
A autoridade administrativa competente poderá rever o VTN questionado pelo contribuinte, com base em Laudo Técnico de Avaliação que demonstre a realidade tática do imóvel e que se reporte à data do fato gerador do lançamento questionado.
VTN - LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO
Firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART, contendo elementos suficientes à convicção do julgador, merece acolhida.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-000.231
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / lª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário para acatar o VTN médio de R$168,98 ha. Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário para acolher 4100,2ha vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que acolhiam 1430ha e Celso Lopes Pereira Neto, que negou provimento. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Voluntário Acórdão n° 3201-00.231 — 2a Câmara / Pa Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2009 Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrente AGRO ENERGÉTICA LUV1MAR LTDA. Recorrida DRJ-BRASIL1A/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL (ARL) - A teor do artigo 10°, §7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS A S ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. VALOR DA TERRA NUA - REVISÃO DO LANÇAMENTO - A autoridade administrativa competente poderá rever o VTN questionado pelo contribuinte, com base em Laudo Técnico de Avaliação que demonstre a realidade tática do imóvel e que se reporte à data do fato gerador do lançamento questionado. VTN - LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO - Firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART, contendo elementos suficientes à convicção do julgador, merece acolhida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / l' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário para acatar o VTN médio de R$168,98 ha. Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário para acolher 4100,2ha vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que acolhiam 1430ha e Celso Lopes Pereira Neto, que negou a Processo n" 10670.001358/2004-52 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.231 Fl. 442 provimento. A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator. L CELO GUE E CASTRO - Presidente Nja0N LU ARTOLI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Processo n° 10670.001358/2004-52 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.231 Fl. 443 Relatório Tomam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista cumprimento da diligência formulada na Resolução n° 303-01.444, juntada às fls. 192/204. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls. 193/199, o qual passo a ler em sessão. Comprova o cumprimento da referida diligência os documentos juntados às fls. 217 a 439. É o relatório. 415/4 Processo n° 10670.001358/2004-52 S3-C2T1 AcOrd5o n." 3201-00.231 Fl. 444 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Tendo em vista o retomo da diligência solicitada em 08 de julho de 2008, retomam-se os autos a esse relator para julgamento. Cuida o presente de lançamento de oficio (fls. 01/08), em razão da glosa integral das áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal, dos valores atribuidos as benfeitorias, culturas/pastagens/florestas e alteração do VTN com base no SIPT, com conseqüente redução no Grau de Utilização (GU). A fiscalização considerou, como pode se depreender do Termo de Verificação e Infração do ITR, que o Laudo apresentado pelo contribuinte (fls. 24/27), sem ART, não comprova os valores contidos em sua DITA para as benfeitorias, culturas/pastagens/florestas, uma vez que estas áreas não são mencionadas no Laudo. No que tange ao VTN, concluiu que o laudo não traz elementos suficientes para estabelecê-lo, tais como, pesquisa de valores e dados comparativos de outros imóveis e quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal estas foram glosadas em razão da protocolização intempestiva do ADA, bem como da averbação na matrícula do imóvel, respectivamente. A decisão ora recorrida manteve "in totum" o lançamento guerreado. Os autos foram convertidos em diligência, a fim de que o recorrente apresentasse novo Laudo Técnico, referente ao exercício autuado, realizado por profissional habilitado, acompanhado de ART, no qual fossem discriminados os valores constantes das benfeitorias. Intimado o contribuinte apresentou Novo Laudo Técnico às fls. 217/430. Após este breve resumo dos fatos, passo análise da controvérsia. No que tange as áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (ARL), para efeitos de apuração do Imposto Territorial Rural, a Lei n.° 8.8471, de 28 de janeiro de 1994, são isentas do 1TR, consoante previsão na Lei ri.° 4.771, de 15 de setembro de 1965. Trata-se, portanto, de imposição legal. I Lei n.°8.847, de 28 de janeiro de 1994 Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1 . de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n.° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n.°7.803, de 1989; - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente - federal ou estadual - e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior; III . reflorestadas com essências nativas. (-924 Processo n° 10670.001358/2004-52 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.231 Fl. 445 Mais recente, a Lei n°9.393, de 19 de dezembro de 1996, dispõe que as áreas de preservação permanente e de reserva legal não são tributáveis, conforme disposto em seu artigo 10, §1°, inciso II, in verbis: "Art. 10 — (...) §1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II — área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989;" A referida Lei foi alterada mediante a Medida Provisória n." 2.166-67/2001, com a inclusão do §7° no artigo supra citado, segundo o qual basta a simples declaração do interessado para gozar da isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § I° do mesmo artigo2, aí incluídas as de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Neste particular, desnecessária uma maior análise das alegações do contribuinte, já que basta sua declaração para que usufrua da isenção destinada às áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (reserva legal). Tanto as áreas -de preservação permanente quanto às de reserva legal são isentas de tributação pelo ITR, independente de prévia comprovação por parte do declarante, como disposto no já mencionado §70, do artigo 10, da Lei n°9.393/96. Neste aspecto, a autuação não trouxe qualquer elemento que pudesse implicar na constatação de falsidade da declaração do contribuinte, elemento que poderia ensejar na cobrança do tributo, nos termos do já mencionado §7°. Aliás, a autoridade fiscal autuante poderia ter providenciado a fiscalização "in loco", com o fito de trazer provas suficientes para descaracterizar a declaração do 2 "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § I° Para os efeitos da apuração do TIR considerar-se-á: I - II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do Orgâo competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas ria alínea anterior, c) comprovadtunente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiilcola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal- § 7° A declaração para Fun de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, 5 deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (NR) 41#15 Processo n° 10670.001358/2004-52 S3 -C2TI Acórdão n.° 3201-00.231 Fl. 446 contribuinte, já que a regra isencional, in casu, não prevê prévia comprovação por parte do declarante. Por oportuno, cabe mencionar recente decisão proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça sobre a questão aqui tratada: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP . 2166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR 1.Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir §7° ao art. 10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, 1, do CTN, aplicar-se a fatos pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante §7°, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (grifei) (Recurso Especial n°. 587.429— AL (2003/0157080-9), j. em 01 de junho de 2004, Rel. Mim Luiz Fux) E, citando trecho do mencionado acórdão do STJ: Com efeito, o voto condutor do acórdão recorrido bem analisou a questão, litteris: Discute-se, nos presentes autos, a validade da cobrança, mediante lançamento complementar, de diferença de 1TR, em virtude da Receita Federal haver reputado indevida a exclusão de área de preservação permanente, na extensão de 817,00 hectares, sem observar a IN 43/97, a exigir para a finalidade discutida, ato declaratório do 1BAMA. Penso que a sentença deve ser mantida. Utilizo-me, para tanto, do seguinte argumento: a MP 1.956-50, de 26-05-00, cuja última reedição, cristalizada na MP 2.166-67, de 24-08-01, dispensa o contribuinte, a fim de obter a exclusão do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, da comprovação de tal circunstância pelo contribuinte, bastando, para tanto, declaração deste. Caso posteriormente se verifique que tal não é verdadeiro, ficará sujeito ao imposto, com as devidas penalidades e6 Processo n° 10670.001358/2004-52 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.231 Fl. 447 Segue-se, então, que, com a nova disciplina constante de §7° ao art. 10, da Lei 9.393/96, não mais se faz necessário a apresentação pelo contribuinte de ato declaratório do IBAMA, como requerido pela IN 33/97. Pergunta-se: recuando a 1997 o fato gerador do tributo em discussão, é possível, sem que se cogite de maltrato à regra da irretroatividade, a aplicação do art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, uma vez emanada de diploma legal editado no ano de 2000? Penso que sim. É que o art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, não afeta a substância da relação jurídico-tributária, criando hipótese de não incidência, ou de isenção. Giza, na verdade, critério de in relação, dispondo sobre a maneira pela qual a exclusão da base de cálculo, preconizada pelo art. 10, §1°, I, do diploma legal, acima mencionado, é demonstrada no procedimento de lançamento. A exclusão da base de cálculo do 1TR das áreas de preservação permanente e da reserva legal foi patrocinada pela redação originária do art. 10 da Lei 9.393/96, a qual se encontrava vigente quando do fato gerador do referido imposto. Melhor explicando: o art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, apenas afastou a interpretação contida na IN 43/97, a qual, por ostentar natureza regulamentar, não criava direito novo, limitando a facilitar a execução de norma legal, mediante enunciado interpretativo. O caráter interpretativo do art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, instituído pela MP 1.956-50/00, possui o condão mirífico da retroatividade, nos termos do art. 106, I, do CTN: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados:" (...)" Nesse ínterim, manifesto que tenho o particular entendimento de que a ausência de apresentação de Ato Declaratório Ambiental, ou averbação junto à matrícula do imóvel, ou a tardia providência dos mesmos, poderia, quando muito, caracterizar um mero descumprimento de obrigação acessória, nunca o fundamento legal válido para a glosa das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, mesmo porque, tais exigências não são condição ao aproveitamento da isenção destinada a tais áreas, conforme disposto no art. 3° da MP n'. 2.166, de 24 de agosto de 01, que alterou o art. 10 da Lei n°. 9.393, de 19 de dezembro de 1996. No caso dos autos, porém, em que pese à desnecessidade, como demonstrado, da comprovação das referidas áreas, o contribuinte anexou cópia do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, de 28/02/2000, na qual consta a área de reserva legal de 2.671,28 ha, sendo realizada sua averbação em 25 de março de 2002, consoante comprova a Certidão do Cartório de Imóveis (fls. 57/58), bem como cópia Ato Declaratório Ambiental, protocolizado em 13/01/2005 (fls. 80), no qual consta 1.430,0 ha, como área de preservação permanente. Ex posistis, entendo que as áreas de preservação permanente e reserva legal deverão ser restabelecidas, haja vista sua comprovação. Processo n° [0670.001358/2004-52 53-C2T1 Acórclilo n.° 3201-00.231 Fl. 448 Passemos a verificar os outros objetos do lançamento combatido, sendo estes a alteração do Valor da Terra Nua, com base no SIPT e os valores declarados para as benfeitorias e culturas/pastagens/florestas. Cumpre destacar que o laudo apresentado pelo contribuinte a ser analisado será o constante às fls. 218/439, uma vez que o Laudo às fls. 24/27 não atende os requisitos • necessários para a sua apreciação, pois não é acompanhado de ART, bem como não menciona os valores atribuídos a cultura/pastagem/floresta e nada versa sobre o VTN da propriedade. Assim, é assente neste Colegiado a possibilidade de revisão do Valor da Terra Nua e nesse sentido convencionou-se que a documentação hábil para tal fim é a apresentação do Laudo Técnico, consoante dispõe a Súmula n° 03, do Terceiro Conselho dos Contribuintes: " Súmula 3°CC n° 3 - A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas." Constata-se que o Laudo Técnico apresentado foi elaborado pelo engenheiro Marco Aurélio Della Lúcia, CREA — MG 10.613/D, instruido por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART (fl. 259), quanto ao período referente, infere-se que esté versa sobre o ano-calendário do ano 2000, uma vez que os dados constantes nele são todos deste período, conforme se comprova à fl. 229 e demais folhas. Portanto, resta comprovado que o mencionado Laudo Técnico preenche os requisitos extrínsecos para ser considerado documento hábil para comprovação dos valores declarados na DITR 2001. Observados os requisitos extrínsecos, passemos aos intrínsecos. O Laudo Técnico apresentado colacionou os valores atribuídos as benfeitorias, as quais foram analisadas individualmente (fls.236/249), bem como os valores atribuídos a Produção de maciço florestal (fl. 228) e Produção Pecuária (fl. 229) para o período da autuação. Observo, ainda, que os valores são diferentes aos da declaração, todavia é assente neste Colegiado a possibilidade de retificação da D1TR, mesmo depois de sua notificação quanto ao lançamento tributário, em observância ao que dispõe o §2°, do artigo 147 do Código Tributário Nacional, entendimento assentado no âmbito deste Colegiado Assim, entendo que estas áreas deverão ser restelecidas consoante informações do Laudo Técnico. No que concerne ao Valor da Terra Nua — VTN, observa-se que o Laudo apresentado utilizou o método comparativo direto, através da análises das escrituras de compra $)._:,e venda (fls. 118/148), todas referentes ao 2000, realizada a média aritmética, determinado o g" 8 Processo n° 10670.00135812004-52 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.231 Fl. 449 limite das amostras, excluídas as amostras fora do limite, resultando no valor de R$ 168,98 o hectare para a localidade do contribuinte. O Laudo apresentado comprovou com documentos os valores ali constantes, razão pela qual entendo por acolhê-lo a fim de retificar o Valor da Terra Nua - VTN e os valores atribuídos as benfeitorias, culturas/pastagem/floresta, assim como deverão ser restabelecidas às áreas de reserva legal e preservação permanente. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2009. 7 BARTO - Relator)4TONO ai 9 itm».. MINISTÉRIO DA FAZENDA el, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS *tl'i::.sie% -11W TERCEIRA SEÇÃO ..,.:-.0.- Processo n°: 10670.001358/2004-52 Recurso n.°: 138125 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no j 3° do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.231. Brasília, 18 de 4agosto . - -109. LUIZ NU B 9IPTIPTCRU rs RNANDES Chefetta 2a• âi .: ; ia Ter. eira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência — [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.003714/2007-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios.
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÕES E MULTA DE OFÍCIO.
Cabe cancelar a exigência de imposto quando decorrente de glosa de deduções e reconhecido no processo administrativo que os rendimentos são isentos. Afastada a exigência do principal, a mesma sorte é assegurada à multa e aos juros, cabendo cancelar todo o lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. IRPF. GLOSA DE DEDUÇÕES E MULTA DE OFÍCIO. Cabe cancelar a exigência de imposto quando decorrente de glosa de deduções e reconhecido no processo administrativo que os rendimentos são isentos. Afastada a exigência do principal, a mesma sorte é assegurada à multa e aos juros, cabendo cancelar todo o lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/05/2012 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) dos exercícios 2003, 2004 e 2005, anocalendário 2002 a 2004 respectivamente, em virtude de glosa de deduções de dependentes, despesas com instrução, previdência privada, despesas médicas e exigência de multa de ofício, bem como multa de ofício qualificada em relação às deduções indevidas referente à profissional Danielle Torres Botine. Às fls. 13/15 consta o Termo de Constatação Fiscal de fls. 13/15 no qual estão anotados os fatos mais relevante referente ao procedimento de fiscalização, a saber: a) o contribuinte alegou que os documentos comprobatórios das deduções encontravamse em poder de Marcos Antonio de Mesquita, envolvido na operação "Grandes Lagos", o que impossibilitava apresentar os documentos relativos às deduções do ano calendário de 2004, essa argumentação não foi acatada pela autoridade fiscal, por estar desacompanhada de quaisquer elementos de provas; b) embora o contribuinte tenha protocolado junto à Justiça Federal em Jales petição, solicitando a devolução dos documentos, tal ato não tem efeito probante, na medida em que o pedido foi efetuado de maneira genérica e, nos pontos em que é especifico, seria incompatível com o objeto da auditoria fiscal; c) após analisar a documentação apresentada pelo contribuinte, em relação ao anocalendário de 2004, a autoridade fiscal concluiu que não houve a comprovação da participação do filho em curso superior, razão pela qual efetuou a glosa das despesas de instrução e de dependência no mencionado período; d) o contribuinte não entregou os recibos concernentes às prestações de serviços da Sra. Danielle Torres Botine no anocalendário de 2004. Quanto aos anoscalendário 2002 e 2003, os recibos foram apresentados, mas, tendo em vista que a DRF São José do Rio Preto apurou que a mencionada profissional emitiu recibos de favor para várias pessoas, a fim de deduzirem, indevidamente, valores da base de cálculo do imposto de renda, a autoridade fiscal decidiu por também glosar tais valores; em resposta a intimação fiscal essa profissional afirmou que teria prestado serviços fisioterápicos de forma esporádica no anocalendário de 2005 a apenas cinco pacientes, dentre os quais não está o contribuinte; e) em razão de tal conduta configurar, em tese, crime contra a ordem tributária, a autoridade fiscal formulou Representação Fiscal para Fins Penais ; f) para o anocalendário de 2004, houve ainda a inserção de despesa médica no montante de R$ 4.294,40, sendo indicado como prestador dos serviços o próprio filho do contribuinte, o qual sequer é profissional de saúde; ainda neste anocalendário, não houve comprovação da prestação de serviços pelo Sr.Carlos Alberto Hideki Maruyama; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10820.003714/200754 Acórdão n.º 280201.607 S2TE02 Fl. 201 3 g) para o anocalendário de 2003, houve a glosa de despesa referente a serviços supostamente prestados por Luciana Assis Tofanelli, pois o respectivo valor foi objeto de ressarcimento em dinheiro; h) quanto ao anocalendário de 2002 houve lançamento do valor correspondente à contribuição à previdência privada no campo da contribuição à previdência oficial. No campo da contribuição à previdência privada foi lançado um outro valor, sem documento de suporte, impondose a glosa deste; no anocalendário de 2003 constou um valor a maior de previdência privada, glosandose a diferença; e para o anocalendário de 2004 a glosa do valor de previdência privada foi integral, na medida em que não foi apresentado qualquer documento de suporte. Impugnado o lançamento, a 8ª Turma da DRJ São Paulo II: a) deferiu parcialmente a impugnação, restabelecendo a dedução à previdência privada integralmente nos anos de 2003 e 2004 e parcialmente em 2002; b) restabeleceu a dedução de dependente e as deduções de despesas com instrução correspondentes ao mesmo dependentes; c) a alegação de isenção por ser portador de moléstia grave foi rechaçada por falta de comprovação da moléstia grave com laudo pericial emitido por serviço médico oficial, condição não atendida pelo documento apresentado (fls. 124) que também não poderia ser admitido por ser uma cópia simples; d) o conjunto probatório dos autos demonstra que as despesas com a profissional Daniele não ocorreram; e) o documentos de fls. 83/84 bem como o conjunto probatório demonstra que houve o reembolso da despesa de R$500,00 referente à profissional Luciana; f) a declaração de fls. 129 não tem valor probante do pagamento de despesa médica relativa ao profissional Carlos Alberto Hideki; g) toda a análise do conjunto probatório demonstra exaustivamente tratarse de típico caso de fraude a justificar a multa qualificada. Ciência do acórdão em 20/8/2008 e interposição de recurso voluntário em 19/09/2008 assentado nas seguintes alegações: 1. nulidade do auto de infração em razão da absoluta impossibilidade de apresentação da documentação à auditoria fiscal, uma vez que estava de posse da Polícia Federal, órgão que negou seu pedido de restituição, a decisão judicial facultando a apresentação diretamente pela autoridade policial somente foi disponibilizada em 26/02/2008, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 enquanto o prazo final para apresentar a impugnação foi 14/01/2008, estando impossibilitado de apresentar os documentos caberia à autoridade fiscal investigar a verdade material antes de efetivar o lançamento. 2. é fato incontroverso que seus rendimentos são decorrentes de aposentadoria, quanto ao documento comprobatório da situação de portador de moléstia grave, o documento original foi apresentado ao protocolo, o qual não fez constar a autenticação, documento original que ora anexa aos autos, este documento atende ao requisito legal ser laudo pericial emitido por serviço médico oficial, foi assinado pelo perito médico Dr. Manoel Ildefonso Paz Landim, vinculado ao serviço médico oficial do Estado de São Paulo, especificamente à Secretaria de Estado de Saúde em suas subdivisões organizacionais, este laudo indica que o recorrente é portador de paralisia irreversível e incapacitante desde novembro de 1993, doença não passível de cura; 3. em razão de isenção, por decorrência lógica, não cabe discutir as deduções, assim como ficam afastados os acessórios (juros e multa); 4. pelo princípio da eventualidade, enfrenta a glosa das despesas médicas: 4.1. a auditoria fiscal não juntou aos autos prova de que a profissional Danielle tenha afirmado que não prestou serviços ao contribuinte nos anos de 2002 a 2004, limitouse a juntar termo de intimação de 18/08/2006, anterior ao próprio MPF que deu origem ao auto de infração impugnado, utilizandose de documento emprestado de outro processo e rasurado, ignorado pelo recorrente e que nada prova em seu desfavor pois não há afirmação da profissional de não ter prestado serviço ao recorrente nos anos de 2002 a 2004, ou que não tenha prestado serviço nesse período, este termo foi entregue no domicílio da fisioterapeuta em 23/08/2006 e a petição apresentada pela profissional Danielle é de 14/09/2006 sem qualquer indício de que tenha sido elaborada em resposta ao termo do dia 18/08/2006, ao contrário dá a entender que elaborada em resposta a questionamentos posteriores referentes ao anocalendário 2005 (não objeto da auditoria em relação ao recorrente); 4.2. não se admite presunção para fins de atestar a ocorrência do fato gerador, nem cabe inverter o ônus da prova; 4.3. quanto à despesa com Luciana A.Toffanelli, não houve o reembolso e sequer consegue compreender como as autoridades lançadora e julgadora concluíram sobre existir reembolso, talvez por má interpretação do documento de fls. 83 o qual não tem vínculo com os serviço da Drª Luciana prestados a dependente do recorrente, ao contrário, há nos autos prova robusta do serviço prestado para o paciente Carlos Merighe, dependentes do recorrente (fls. 73, 77, 78/79, 81/82); 4.4. as despesas com o profissional Carlos Alberto Hideki Maruyama referemse a tratamento odontológico de disfunção temporomandibular com ortodontia de dependente no valor de R$2.760,00, conforme declaração do profissional. 4.5. não há comprovação do evidente intuito de fraude que se exige para a multa qualificada. É o relatório. Voto Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10820.003714/200754 Acórdão n.º 280201.607 S2TE02 Fl. 202 5 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da nulidade Não assiste razão ao recorrente em alegar nulidade, pois eventual impossibilidade de apresentar documentação comprobatória não é caso de nulidade do lançamento, o qual pode ser combatido no curso do processo administrativo, sem prejuízo à defesa do contribuinte. Ademais, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento sob pena de responsabilidade funcional. Do mérito Alegase isenção, o que não foi acatado em primeira instância por falta de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Entretanto, com o recurso voluntário foi juntado o laudo pericial de fls. 196, da Coordenadoria de Saúde do Interior – DIRXXIISão José do Rio Preto, assinado pelo perito Dr. Manoel Ildefonso Paz landim, atestando que o recorrente é portador de paralisia irreversível e incapacitante – CID I64, desde 06/11/1993, e que a doença não é passível de cura. Às fls. 197 está comprovado o vínculo do profissional com o serviço médico oficial do Estado de São Paulo. Há somente uma fonte pagadora (Caixa de Previdência dos Funcionário do Banco do Brasil) e a situação de aposentadoria foi comprovada às fls. 120/122, não refutada pela DRJ que apontou unicamente a falta de prova da doença grave, por meio de laudo pericial oficial, como empecilho à isenção, portanto estão presentes cumulativamente os requisitos para que os rendimentos serão reconhecidos como isentos, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988. Com a exclusão dos rendimentos da base de cálculo fica prejudicada a análise das glosas de deduções, bem como afastada a base de cálculo para a exigência de multa de ofício, implicando o cancelamento do lançamento. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10820.003714/200754 Acórdão n.º 280201.607 S2TE02 Fl. 203 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 24 de maio de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10875.002977/97-96
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO E PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por expressa determinação do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15 DA MP Nº 1.212/95. VEDAÇÃO AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 15 da MP nº 1.212/95, a IN/SRF nº 6/2000 vedou o lançamento do PIS com base na referida norma no período de 10/95 a 02/96.
SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Jurisprudência consolidada do Egrégio Superior Tribunal de Justiça e, no âmbito administrativo, da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. OBSERVÂNCIA DE NORMA REGULARMENTE EDITADA. O parágrafo único do art. 100 d0 CTN exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora de tributo recolhido com insuficiência, porém com observância de norma regularmente editada e regularmente complementada por ato da autoridade fiscal competente.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-09.890
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade de oficio levantada pela Conselheira Maria Teresa Martinez López; b) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto que mantinha os juros de mora e Emanuel Carlos Dantas de Assis que mantinha os juros de mora e a multa.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA
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Em face daZ. .1 151 j declaração de inconstitucionalidade do art. 15 da MP n° 1.212/95, a o .- i IN/SRF n° 6/2000 vedou o lançamento do PIS com base na referida j <11,1 0 norma no período de 10/95 a 02/96. , g O 5 46- `.1 fn SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a edição da O ia ; Medida Provisória n° 1.212/95, era o faturamento do sexto mês o c° anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. (.2 4 o Jurisprudência consolidada do Egrégio Superior Tribunal de Justiça e,Z c V -- a ftlã Ri .9 no âmbito administrativo, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 4 l JUROS DE MORA E MULTA DE OFICIO. OBSERVÂNCIA DE ce ,s NORMA REGULARMENTE EDITADA. O parágrafo único do art. 100 dO CTN exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora de tributo recolhido com insuficiência, porém com observância de norma regularmente editada e regularmente complementada por ato da autoridade fiscal competente. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COMERCIAL FONOGRÁFICA E ELETRÔNICA QUATRO DE PRATA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade de oficio levantada pela Conselheira Maria Teresa Martinez López; b) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto que mantinha os juros de mora e Emanuel Carlos Dantas de Assis que mantinha os juros de mora e a multa. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2004. eurvvas L 1,-Lia el Leonardo de Andrade Couto il PresidenteCtm-er- a.:2t4"-e-2, ci alMana Cristina Roza a1 tostaRelatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Ana Maria Barbosa Ribeiro (suplente), Cesar Piantavigna, Valdemar Ludvig e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Eaal/mdc I Ministério da Fazenda r CC-MF - Fl. tfr.t it Segundo Conselho de Contribuintes 1(.5: 22 o 2_ fas Processo e : 10875.002977/97-96 _ ,Recurso II' : 123.054 — Acórdão n' : 203-09.890 Recorrente : COMERCIAL FONOGRÁFICA E ELETRÔNICA QUATRO DE PRATA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP, referente à constituição de crédito tributário relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, por insuficiência de recolhimento, no período de fevereiro de 1992 a fevereiro de 1997, no valor total de R$84.876,66, cuja ciência se deu em 22/12/1997. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo parte do relatório da decisão recorrida: 2. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (/1 48), o autuante faz as seguintes considerações: 2.1 – o contribuinte impetrou medida cautelar n° 92.33792-9 e ação ordinária n° 92.45291-4, com o objetivo de se abster do recolhimento das contribuições para o PIS dos períodos de apuração 02/92 a 02/97. Em 19/05/92 o MM Juiz da 17" VF deferiu a liminar requerida, mediante depósitos judiciais das importâncias discutidas; 2.2 – em 31/05/95, foi proferida sentença julgando parcialmente procedente o pedido, para declarar a inexistência de relaçao jurídico-tributária relativamente aos DL 's 2445 e 2449/88, sujeitando, entretanto, o autor a recolher o PIS na forma da Lei Complementar n°. 07/70; 2.3 — constatamos que neste período — 02/92 a 02/97 — o contribuinte efetuou depósitos judiciais insuficientes para quitação dos respectivos débitos calculados com base na Le 07/70, bem como não declarou tais valores em DCTF; 2.4 — através do presente auto de infração, estamos constituindo o crédito tributário correspondente aos valores devidos, com base na Lei Complementar 07/70 e suas alterações, não declarados em DCTF. As bases de cálculo foram informadas pelo contribuinte e coincidem com as constantes nas DIRPJ dos exercícios de 1993 a 1998, anos-calendário de 1992 a 1997. 3 Inconformada com o procedimento fiscal, a interessada interpôs impugnação tempestiva em 21/01/1998 (fls. 74/80), onde alega, em síntese e fundamentalmente, que: 3.1 — em 1992, ajuizou ação cautelar n°. 92.33792-9 e ação ordinária visando a declaração de inexigibilidade do PIS, pela total inconstitucionalidade do tributo. O pedido na ação era de inexigibilidade completa do tributo; 3.2 — para sua segurança, após o ajuizamento das ações, passou a depositar mensalmente os valores que eram exigidos pela União Federal: no caso, 0,65% de alíquota sobre a receita bruta operacional; 3.3 – a ação foi julgada parcialmente procedente, sendo considerados inconstitucionais os DL 's 2.445 e 2.449/88, e que a cobrança do PIS poderia ser efetuada com base na Lei Complementar 07/70; 3.4 – com base nestas decisões, a Fiscalização lavrou auto de infração, entendendo que a impugnante havia efetuado depósitos insuficientes. Esta 2 1;11A't•I • 29 CC-MF Ministério da Fazenda - Segundo Conselho de Contribuintes CONFIE tte,CM%, .... Fl. .. BRASiti4 Processo fl2 : 10875.002977/97-96 Recurso n9 : 123.054 fr VISTO Acórdão n : 203-09.890 conclusão se prende no seguinte raciocínio: conforme dito no subitem 3.2, pelos Decretos-Leis 2.445 e 2.449/88, a aliquota de 0,65% incidia sobre a receita bruta operacional. Já pela LC 07/70, a alíquota seria de 0,75% sobre o faturamento, sendo que, no caso da delêndente, a base de cálculo — se considerada a receita bruta operacional ou o faturamento — é exatamente a mesma. Com este raciocínio, a Fiscalização concluiu que a impugnante recolheu 0,10% a menos durante todo o curso da ação; 3.5 — data máxima vênia, a ação judicial não pediu que prevalecesse a Lei Complementar 07/70. Ela pediu sim que nada lhe fosse cobrado à título de PIS. A sentença não poderia dar à autora o que não foi pedido, sendo ineficaz, sem efeito, a parte da sentença que, aparentemente benéfica, se transforma em prejuízo para a autora; 3.6 — a teor do disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional — CTN, os depósitos judiciais efetuados com base no critério jurídico adotado à época pela União Federal são perfeitos e, na pior das hipóteses, irão converter-se em renda a favor da União, conferindo quitação aos débitos tributários. Não pode uma modificação introduzida em conseqüência de decisão judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, alcançar fatos anteriores à sua introdução; 3.7 — ao final, requer a improcedência do auto de infração. Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1992 a 28/02/1997 Ementa: Principio da Segurança Na Relação Jurídica. Provimento Jurisdicional. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. O contribuinte não pode, ao executar o provimento jurisdicional alcançado, transbordar seus limites. A sentença ou decisão interlocutó ria pesa sobre o contribuinte como norma jurídica individual e concreta, de observância obrigatória. Lei Complementar n". 7/70. Base de Cálculo. Com a Resolução n°. 49, de 09/10/1995, do Senado Federal, no período abrangido pelos Decretos-Leis 2.445, de 1988, e 2.449, de 1988, o PIS deve ser recolhido segundo a LC n". 07, de 1970, e demais alterações da legislação superveniente. Insuficiência De Recolhimento. A retirada do mundo jurídico de atos inquinados de ilegalidade e de inconstitucionalidade restabelece a aplicação da norma indevidamente alterada. Destarte, mantém-se a exigência do PIS relativa à difèrença entre as aliquotas de 0,65% e 0,75%. Depósitos Judiciais. O valor depositado é considerado, na amortização do débito, como um DARF pago, na data do depósito. Lançamento Procedente. Intimada a conhecer da decisão em 29/07/2002, a empresa insurreta contra seus termos, apresentou, em 28/08/2002, recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, com as seguintes razões de dissentir: 3 41',e • CC-MF Ministério da Fazenda MIN 1+4 FAZFrit - 2." CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .:,Sbaacv CONFERE COM O ORIi.N.jAL BRASILIA,..2,2jan 6- - Processo n2 10875.002977/97-96 --Recurso n2 123.054 Acórdão q : 203-09.890 • que impetrou ação eautelar de depósito, seguida de ação declaratória de inexistência de débito fiscal (PIS), depositando judicialmente os valores devidos, calculados com base nos Decretos-Leis ifs 2.445/88 e 2.449/88, cuja alíquota era de 0,65% sobre a receita bruta, que considera como tendo sido o depósito integral dos valores cobrados pela União; • A sentença que julgou a ação principal entendeu procedente em parte o pedido, pronunciando a inconstitucionalidade dos referidos Decretos-Leis e fixando como critério de recolhimento do PIS a Lei Complementar 7/70. As sentenças da ação cautelar e da ação declaratória foram confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 3 a Região; • a decisão recorrida ultrapassou obstáculos jurídicos intransponíveis para manter o lançamento, pois, os depósitos judiciais tinham a eficácia de suspender a exigência do crédito tributário e, se convertido em renda da União, extinguir o referido crédito; • a Lei Complementar n° 7/70 tinha como regra o recolhimento semestral. A adoção dessa legislação não importa em somente alterar a alíquota e a base de cálculo; • que os depósitos judiciais tinham eficácia liberatória, havendo impossibilidade de mudança de critério jurídico com efeitos pretéritos; • reporta-se ao artigo 146 do CTN para refinar o que considera modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, adotando para o passado critério jurídico diverso do que o utilizado anteriormente e que orientou os depósitos realizados pela recorrente. Especa-se em autores tributários para reafirmar a introdução de modificação no lançamento efetuado; e • da semestralidade da base de cálculo consoante a LC n° 7/70 não observada pelo lançamento efetuado. Cita jurisprudência do STJ. Ao fim, requer a recorrente o provimento do seu recurso para o fim de reformar a decisão atacada, findando a autuação e cobrança dos valores objeto do processo. A autoridade preparadora, cumprindo a decisão da DRJ em Campinas - SP (fl. 283), através do Processo Administrativo n° 10880.047631/92-82, de controle da ação judicial e atendendo a solicitação da PFN/SP efetuou a atualização do auto de infração, considerando na amortização dos débitos, os valores depositados, como DARFs pagos, na data do depósito. Os valores depositados foram convertidos em renda em favor da União. Informa, também, que os cálculos foram atualizados até 11/2002, tendo resultado em insuficiência de recolhimento, para a qual foi proposta a expedição do auto de infração competente (fl. 283). Efetuado o lançamento das diferenças dos valores não depositados, a recorrente foi novamente intimada a tomar ciência do procedimento e a pagar ou recorrer da referida decisão. Cientificada em 07/01/2003, apresentou em 28/01/2003 complementação ao recurso voluntário anteriormente apresentado, alegando: e- 4 2° CC-MF- - •- -ft Mi MINnistério da Fazenda "OZI n Le Segundo Conselho de Contribuintes CON; Erli C. Fl. —,;»&:,•>•- BRAS, • Processo n' 10875.002977/97-96 O6-• Recurso n2 123.054 Acórdão Q : 203-09.890 • o novo auto de infração perfaz o valor total de R$44.790,81, que considera excessivo no que se refere aos consectários legais; e • ratifica todos os argumentos postos no recurso apresentado anteriormente. Ao fim, requer o acolhimento e provimento do recurso, afirmando haver crédito a seu favor e não débito. A autoridade preparadora informa a declaração da recorrente de inexistência de bens para efetivação do arrolamento para fins de garantir a instância recursal, conforme fl. 304. É o relatório. 5 22 CC-MF" Ministério da Fazenda '07-"•:;:ft Segundo Conselho de Contribuintes Fl._ r 2 . . ce • Processo n2 : 10875.002977/97-96 . es I ta, Recurso n2 : 123.054 Acórdão n2 : 203-09.890 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua admissibilidade e conhecimento. Restringem-se os argumentos de oposição ao lançamento, a dois- quesitos — que a declaração de inconstitucionalidade dos famigerados Decretos-Leis n os 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o correspondente depósito judicial efetuado pela recorrente em ação declaratória ensejaram a extinção do crédito tributário, uma vez que cumpriu o critério jurídico adotado pela Administração quando efetuou os referidos depósitos e que aplica-se a semestralidade da base de cálculo do PIS segundo a LC n° 7/70. Quanto aos efeitos produzidos pela declaração de inconstitucionalidade, somente a partir da edição da Lei n° 9.868, de 10/11/1999, passou a existir em nosso ordenamento jurídico previsão da possibilidade de o STF definir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, diversamente da regra geral. Até essa data, as declarações de inconstitucionalidade de normas tributárias tiveram, sem exceção, efeitos ex tune. A Secretaria da Receita Federal chegou a produzir o Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n° 156, em 07/05/1996 esposando o entendimento manifestado pela recorrente. Porém, tal ato foi implicitamente revogado pelo Decreto n°2.346, de 10/10/1997, do qual reproduzo abaixo o teor do parágrafo único do artigo 4" Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendá ria, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal FederaL É de solar clareza a determinação da norma legal de se proceder ao afastamento da lei declarada inconstitucional, independente dos efeitos que produzir para qualquer das partes. Sendo assim, a administração tributária federal cumpre o pressuposto legal tanto quando a circunstância conduz à liberação da exigência fiscal quanto quando a ela obriga, sendo este o caso da presente lide. Pelos mesmos motivos expostos não entendo como "cobrança retroativa" os valores lançados. A Administração tributária, em procedimento regular de exame dos recolhimentos efetuados através de depósitos judiciais, procedeu à sua conferência, a teor do artigo 150 e seu § 49, do Código Tributário Nacional — CTN e, detectando diferenças nos depósitos judiciais, formalizou a exigência do crédito tributário como devido pela lei complementar, restabelecida em sua plenitude. Ademais, o próprio judiciário, na ação intentada pela recorrente decidiu pela retomada da vigência da Lei Complementar n° 7/70, após a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis ifs 2.445/88 e 2.449/88. Também deve se atentar para o fato de que o lançamento fiscal foi efetuado pela autoridade administrativa (fls. 48 a 72) com enquadramento legal pela LC 7/70 e à aliquota de 6 stkt r CC-MF Ministério da Fazenda ts a Segundo Conselho de Contribuintes '44.5 MIN GA FAZEM' . P - CONFEREACOM O Cicia AL Processo n" 10875.002977/97-96 Recurso TO : 123.054 BRASII.Ii\J__u Acórdão n' : 203-09.890 ";;---- 0,75%. Portanto, não há falar em mudança de criténo jurídico se o lançamento foi formalizado conforme legislação restabelecida em razão da declaração de inconstitucionalidade dos famigerados Decretos-Leis. Rejeito as alegações apresentadas quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade e da extinção do crédito tributário em razão dos depósitos efetuados, não merecendo reparos a decisão recorrida quanto a este quesito. - Quanto à alegada semestralidade da base de cálculo, entendo assistir razão à recorrente. Após o elucidativo voto da Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon, ilustre relatora do RE n° 144.708 — RS, (1997/0058140-3), de 29/05/2001, não mais pairou dúvida, nas esferas judicial e administrativa, acerca da semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, bem como de não ocorrência de sua correção monetária. Vale aqui transcrever excertos do voto prolatado: Sabe-se que, em relação ao PIS, é a Lei Complementar que, instituindo a exação, estabeleceu fato gerador, base de cálculo e contribuintes. [.1 Doutrinariamente, diz-se que a base de cálculo é a expressão econômica do fato gerador. É, em termos práticos, o montante, ou a base numérica que leva ao cálculo do quantum devido, medido este montante pela alíquota estabelecida. Assim, cada exação tem o seu fato gerador e a sua base de cálculo próprios. Em relação ao PIS, a Lei Complementar n° 07/70 estabeleceu duas modalidades de cálculo, ou forma de chegar-se ao montante a recolher: Assim, em julho, o primeiro mês em que se pagou o PIS no ano de 1971, a base de cálculo foi o faturamento do mês de janeiro, no mês de agosto a referência foi o mês de fevereiro e assim sucessivamente (parágrafo único do art. 6). Esta segunda forma de cálculo do PIS ficou conhecido como PIS SEMESTRAL, embora fosse mensal o seu pagamento. [...] o Manual de Normas e Instruções do Fundo de Participação PIS/PASEP, editado pela Portaria n° 142 do Ministro da Fazenda, em data de 15/07/1982 assim deixou explicitado no item 13: A efetivação dos depósitos correspondentes à contribuição referida na alínea "b", do item I, deste Capítulo é processada mensalmente, com base na receita bruta do 6. (sexto) mês anterior (Lei Complementar n° 07, art. 6. e único, e Resolução do CMN n°174, art. 7' e § A referência deixa evidente que o artigo 6 ., parágrafo único não se refere a prazo de pagamento, porque o pagamento do PIS, na modalidade da alínea "b" do artigo 3 . da LC 07/70, é mensal, ou seja, esta é a modalidade de recolhimento. 11.7 Conseqüentemente, da data de sua criação até o advento da MP n° 1.212/95, a base de cálculo do PIS FATURAMENTO manteve a característica de semestralidade. E sobre a correção monetária elucida o referido voto: [...1 O normal seria a coincidência da base de cálculo com o fato gerador, de modo a ter-se como tal o faturamento do mês, para pagamento no mês seguinte, até o quinto dia. 7 22 CC-MFfr ''Ministério da Fazenda - 2. CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Li '. O LEICP:ÁL..;.Wk> • Processo a2 : 10875.002977/97-96 \4 Recurso : 123.054 VISTO Acórdão a2 : 203-09.890 Contudo, a opção legislativa foi outra. E se o Fisco, de moto próprio, sem lei autorizadora, corrige a base de cálculo, não se tem dúvida de que está, por via oblíqua, alterando a base de cálculo, o que só a lei pode fazer. Dessarte, acolho a alegação da defesa relativamente à semestralidade da base de cálculo da exação, sem a sua correção, conforme decisão do STJ, também assimilado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. - Por fim, entendendo deva ser mantido o lançamento da exação, devo aqui manifestar-me quanto aos consectários legais. Não se pode olvidar que a recorrente, como alega, efetivamente depositou judicialmente a exação consoante lei e normas procedimentais expedidas pela Secretaria da Receita Federal, vigentes à época do recolhimento, mesmo que posteriormente suspensa em seus efeitos, por inconstitucionalidade. Sendo assim, sob o manto do artigo 100, parágrafo único, do crN, entendo deva ser afastada a exigência de multa de oficio e juros de mora. Determina o parágrafo único do referido artigo: Parágrafo única A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. À época em que os depósitos foram tempestivamente efetuados estavam em vigência os famigerados Decretos-Leis declarados inconstitucionais. Efetuados os depósitos em razão de norma impositiva até então considerada válida, a referida regra impede, ao se exigir a complementação do tributo que se constatou, posteriormente, ter sido legalmente, porém insuficientemente, depositado, que se penalize o contribuinte por uma situação singular a que não deu causa. Quanto aos depósitos judiciais, por haver a recorrente efetuado-os nos prazos então definidos, ou seja, tempestivamente, não comporta aplicar sobre eles qualquer consectário legal que tome necessário a imputação proporcional. Devem os valores devidos serem considerados extintos até o limite dos valores depositados tempestivamente, exigindo-se a diferença sem adição de acréscimos legais sob pena de caracterizar locupletamento da União às custas do particular. Por fim, em que pese não levantado pela recorrente, verifica-se que no lançamento efetuado, no período relativo aos meses de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, que a fiscalização aplicou a alíquota de 0,65%, como determinado na norma da Medida Provisória n° 1.212, de 28/11/1995 (fls. 56 e 57) e não a alíquota de 0,75% correspondente à LC n°7/70. Entretanto, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 232.896-3-PA, declarou a inconstitucionalidade do art. 15, ia fine, da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, ia fine, da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, deve o lançamento do referido período ser cancelado, consoante determina a IN/SRF n°06, de 19/01/2000, verbis: Art. 1 4 Fica vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o P1S/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. 8 22 CC-MF MON DA FAZENDA CC Ministério da Fazenda :Ay rrej! : t Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ,C12h1 Ø ‘0E0GINAL .;'SK> nn2 tiOS Processo n' 10875.002977/97-96 1—i4r wy" Recurso n' : 123.054 Acórdão n' : 203-09.890 Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplica-se o disposto na Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, e n' 8, de 3 de dezembro de 1970. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir o lançamento do PIS nos meses de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 e reconhecer o direito de a recorrente apurar a contribuição para o PIS, no período constante do auto de infração de fls. 48 a 72, nos termos do parágrafo único do artigo 6 da LC n° 7/70, ou seja, com observância da semestralidade da base de cálculo, sem correção, devendo ser extinto o lançamento sem consectários legais até o limite dos depósitos judiciais efetuados tempestivamente e afastar a aplicação dos consectários legais até o início da vigência da MP n° 1.212/1995, cabendo sua aplicação somente sobre eventuais diferenças apuradas após ser efetuado o recalculo da exação nos termos do presente voto. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2004. frkt-44, C/( ARIA C ISTINA ROZA A COSTA 9
score : 1.0
Numero do processo: 14094.000154/2007-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/1999
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.356
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
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HEL S2-TE03 FL 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14094.000154/2007-99 Recurso n° 254.539 Voluntário Acórdão n° 2803-00.356 — 3' Turma Especial Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. EMPRESAS EM GERAL Recorrente SUPERMERCADO MODELO LTDA. E OUTROS Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n O 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). OSEAS COIMBRA VtJNIOR - Relator I. 1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da Secretaria da Receita Previdencidria que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão da responsabilidade solidária legalmente estabelecida entre o "SUPERMERCADO MODELO LTDA E OUTROS"(contratante) e a empresa VANDERLEI DE OLIVEIRA BRITO. Trata-se de NFLD lavrada em substituição à NFLD 35.868.245-2, esta lavrada em 30 de julho de 2005 e anulada por vicio formal em 15.12.2005. 0 contribuinte foi intimado do débito via A/R em 21.03.2006. 0 período lavrado abrange 02/1997 a 01/1999. o relatório. Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, n° 08 traz: "Sao inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § zr e 173, ambos do Código Tributário Nacional — CTN. Trasncrevemos o artigo 173 : Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente corn o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 2 Processo no 14094.000154/2007-99 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.356 Fl. 2 A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. "Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ...." (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: MM. Eliana Calmon. 2" Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, sç 4; e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou ha prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ...." (STJ EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1"Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) A presente notificação, veio a substituir a NFLD 35.868.245-2, lavrada em 30 de julho de 2005. Aplicando-se as regras dos arts. 150, § Lr- ou 173,1 do CTN, ternos que a NFLD substituida trazia apenas débitos já alcançados pela decadência, pois se referia a 02/1997 a 01/1999, competências da presente NFLD. Dessa feita, não há como se aplicar a regra do art. 173, II do CTN uma vez que a primeira NFLD já fora lavrada com competências já decadentes. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dou-lhe provimento. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2010 OSEAS COIRA &TOR - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904234/2009-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO
CONHECIMENTO.
Recurso voluntário que não preenche requisito de admissibilidade de
tempestividade não oferece condição para ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Recurso voluntário que não preenche requisito de admissibilidade de tempestividade não oferece condição para ser conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Recurso voluntário que não preenche requisito de admissibilidade de tempestividade não oferece condição para ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1033.828, da DRJ/Porto Alegre, de 25 de agosto de 2011, fls. 28/29, que considerou parcialmente procedente a impugnação. A Contribuinte transmitiu a DComp nº 30249.30247.280906.1.3.043602 utilizando crédito de Cofins. Por meio de Despacho Decisório de fl. 06 a DRF/Passo fundo não Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALEXANDRE KERN 2 homologou a compensação declarada, em virtude de o crédito informado na DComp ter sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação sob análise. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada, em síntese: a) alegou que pretende demonstrar que os valores que compensou se originaram de créditos oriundos de recolhimentos indevidos de tributos sobre valores repassados a terceiros, nos termos do art. 3o, § 2o, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998; b) refutou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela referida lei; c) afirmou que recolheu ao Erário valores superiores aos efetivamente devidos, sobre valores repassados a terceiros, tendo direito de efetuar as compensações, e que não havia necessidade de norma regulamentadora para utilização da exclusão prevista na lei. Citou a legislação e trouxe doutrina e jurisprudência para fundamentar suas alegações; Ao fim, requereu seja recebida a sua manifestação de inconformidade, se prestando ela para comprovar o direito que tem a empresa de efetuar a compensação que declarou, devendo ser excluído ou declarado nulo o lançamento de ofício objeto da compensação tributária tida como não declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre registrou que inexiste qualquer fundamento lógicojurídico para a pretendida exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores transferidos a terceiros, vez que tal dispositivo legal do inciso III do § 2o do art. 3o da Lei n° 9.718, de 1998 foi revogado pelo art. 47, inciso IV, alínea b, da MP n° 199118, de 2000, sem nunca ter sido eficaz. Para reforçar esse entendimento ancorouse no Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000 e na posição do STJ expressa no REsp n° 445.452RS, Rel. Min. José Delgado. Cientificada a Contribuinte da decisão em 28 de setembro de 2011, irresignada, apresentou em 03 de dezembro de 2011 recurso voluntário em que: a) discorda da exigência prevista na IN SRF nº 517/2005 de habilitação de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, como condição para a realização da compensação, ferindo a disposição da Lei nº 9.430/96; b) descreve o histórico legislativo da incidência tributária sobre as contribuições Pis e Cofins e da compensação de créditos perante o Fazenda Nacional; Pede, ao fim, o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação que declarara. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator O recurso voluntário não atende o pressuposto processual extrínseco para sua admissibilidade, por sua intempestividade. Como relatado, o acórdão de primeira instância foi Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11030.904234/200933 Acórdão n.º 3803003.519 S3TE03 Fl. 2 3 cientificado em 28 de setembro de 2011, AR fl. 31, e o recurso apresentado em 03 de dezembro de 2011. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 26 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11030.904234/200933 Interessada: AUTO POSTO VERONA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.519, de 26 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907970/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/10/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de setembro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907970/200945 Acórdão n.º 3803003.033 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (28/10/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 25/11/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907970/200945 Acórdão n.º 3803003.033 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de setembro de 2004, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008184/2002-78
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/1990 a 31/03/1992
EMENTA: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO COM
DÉBITO DE COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO
JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA APLICÁVEL SOMENTE AO
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO AO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
NÃO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, direito creditório.
Sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-003.098
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/1990 a 31/03/1992 EMENTA: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA APLICÁVEL SOMENTE AO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO AO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, direito creditório. Sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA APLICÁVEL SOMENTE AO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO AO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, direito creditório. Sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em que o Contribuinte contesta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente, por unanimidade, o pleito em Manifestação de Inconformidade. No caso o Contribuinte protocolou em 07/06/2002 Pedido de Compensação de COFINS no valor de R$ 10.112,63, para com o crédito de FINSOCIAL, no valor de R$ 382.513,14, descrito no Pedido de Restituição (pg. 04), e que decorreu de Decisão Judicial transitada em julgado com seus documentos anexados ao pedido de restituição. Após o referido protocolo, a partir de outubro de 2002, foram apresentados demais pedidos de compensação, todos com base no alegado crédito de R$ 382.513,14. A Delegacia da Receita Federal DRF proferiu despacho decisório deferindo parcialmente a solicitação do Contribuinte e reconhecendo o crédito de R$ 120.787,72 em 02/01/1996. Insatisfeito com o Despacho da DRF o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que ocorreu a Homologação tácita do pedido de compensação, bem como se insurgiu sobre a forma de cálculo do crédito proveniente da Decisão judicial. Vejamos o pleito: "a Declarar a decadência do direito da Receita Federal de homologar a declaração de compensação do contribuinte e conseqüentemente o reconhecimento dos efeitos da HOMOLOGAÇÃO TÁCITA; b Se não reconhecida a HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, o que é cogitado por cautela e só pela eventualidade, que seja proferida a declaração de nulidade do despacho decisório." Em julgamento da Manifestação a DRJ/BHE entendeu que houve a homologação tácita do pedido de compensação protocolado em 07/06/2002, bem como determinou que o cálculo de atualização do crédito fosse realizado nos termos da decisão judicial às fls. 199/212 (IPC/INPC até 31/12/91; UFIR de 17/01/92 a 31/12/95; SELIC a partir de 17/01/96 e ainda considerando os expurgos inflacionários explicitados na Súmula 41, do TRF/1ª Região). Em Recurso Voluntário o Contribuinte alega a existência de erro material na decisão da DRJ/BHE, que declarou a homologação tácita em relação ao pedido de compensação, mas não declarou a homologação tácita em relação ao pedido de restituição. Assim pleiteia o reconhecimento de homologação tácita do pedido de restituição que foi protocolado na mesma data do pedido de compensação e que já foi homologado tacitamente. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.008184/200278 Acórdão n.º 380303.098 S3TE03 Fl. 2 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que conheço e passo a análise do mérito. Com efeito, a decisão da DRJ/BHE não merece reparos um vez que analisou expressamente toda a matéria recorrida pelo Contribuinte em Manifestação de Inconformidade, nos estritos termos do pedido. Ainda assim, temse que o Contribuinte não se valeu de fundamentos jurídicos que embasem o pleito de homologação tácita do pedido de restituição. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (G.N.) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANO CALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO Fl. 468DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o Contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, mas no mérito NEGO PROVIMENTO, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, posto que são de naturezas distintas e portanto não se confundem. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.008184/200278 Acórdão n.º 380303.098 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10680.008184/200278 Interessada: CONSTRUTORA FERFRANCO LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.098, de 26 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10640.902990/2009-87
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3803-003.084
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastando o óbice erigido, referente à necessidade de prévia retificação da DCTF e analisando a matéria de direito aventada e suas respectivas provas, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastando o óbice erigido, referente à necessidade de prévia retificação da DCTF e analisando a matéria de direito aventada e suas respectivas provas, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN 2 MARLUVAS CALÇADOS DE SEGURANÇA LTDA.transmitiu a Dcomp, declarando a compensação dos débitos nela informados, no valor de R$ 143.308,91, com crédito oriundo de pagamento a maior de Contribuição Social. A DRFJuiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico mediante o qual não homologou a compensação sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação. Sobreveio reclamação por meio da qual o interessado alegou erro no preenchimento do valor do débito da Contribuição na DCTF do mês respectivo. Pretendeu comprovar sua alegação instruindo sua reclamação com os seguintes documentos: a) cópia dos Darfs pagos referente ao mês de apuração; b) cópia da DCTF que informou o valor apurado erradamente; c) cópia da DCTF devidamente retificada; d) cópia da DACON referente ao mês de apuração; e) cópia do Despacho Decisório; f) cópia das PER/DCOMP homologadas para compensação de parte do débito; g) cópia do PER/DCOMP não homologado do período de apuração; h) cópia da alteração contratual. A 2ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob o fundamento de que é imperiosa a retificação da DCTF previamente à transmissão da Dcomp. O Acórdão nº 09038.245, de 14 de dezembro de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.902990/200987 Acórdão n.º 380303.084 S3TE03 Fl. 3 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. s/nº, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repete os termos de sua Manifestação de Inconformidade, assim sintetizados: a) erro no preenchimento do valor do débito do período na DCTF original; b) retificação da DCTF, e; c) a decisão recorrida não apreciou as alegações e provas juntadas aos autos. Reafirmando que os documentos comprobatórios de suas alegações já foram juntados aos autos por ocasião da Manifestação de Inconformidade, pede provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA2ª Turma nº 09038.245, de 14 de dezembro de 2011. Assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, o colegiado de piso julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer exame do direito e das provas juntadas aos autos. Já é entendimento assentado nesta 3ª TE o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no § 4º do art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Pelo exposto, voto por reformar a decisão de primeira instância, para que uma nova seja proferida, afastando o óbice erigido relativamente à necessidade de prévia apresentação da DCTF retificadora, com apreciação da matéria de fundo controvertida na Manifestação se Inconformidade e suas respectivas provas. Sala das Sessões, em Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Alexandre Kern Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.902990/200987 Acórdão n.º 380303.084 S3TE03 Fl. 4 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: Interessada: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no , de , da 3a. Turma Especial da 3a. Seção. Brasília DF, em . [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.909049/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO
DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e
objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.722
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803-002.104, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803002.104, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira , Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. formulou, em 23 de janeiro de 2012, os Embargos de Declaração de fls. s/nº, contra o Acórdão nº 3803002.104, de 7 de novembro de 2011, fls. 48 a 50, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Invocando o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, a embargante acusa a decisão embargada de incorrer em contradição ao tomar como base de decidir os fundamentos da decisão recorrida, que são distintos dos levantados na fundamentação da decisão embargada. Requer ainda reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 3803002.104, de 7 de novembro de 2011. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Contradição Compulsando o voto condutor da decisão embargada, constato que dele constou, sob o título “Conclusão”, o que segue: Conclusão Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909049/200950 Acórdão n.º 380302.722 S3TE03 Fl. 3 3 Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2011 Alexandre Kern Há que se dar razão à Embargante. Com a locução recém transcrita, o Acórdão embargado findou por encampar os fundamentos levantados pela decisão de primeira instância, sem, contudo ter discorrido sobre eles em sua fundamentação, limitandose a analisar a questão sob a ótica probatória. Nesse sentido, portanto, entendo que a contradição deve ser sanada pela via dos presentes declaratórios. A contradição é meramente aparente. Na verdade, a fórmula empregada na conclusão do voto condutor da decisão embargada não deveria dele constar, tratandose de erro manifesto na formalização do acórdão. Assim, retifico a decisão embargada, cuja conclusão passa a ser, simplesmente, a que segue: Conclusão Em face dessas considerações, nego provimento ao recurso. Pedido de reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento A propósito do pedido de reconsideração, recorro à doutrina Humberto Theodoro Junior1 (2004, p. 560), que leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam à reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” (Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346) 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Salientada a natureza específica deste recurso, qual seja, a de propiciar a correção, integração e complementação da decisão, o pedido em tela não merece acolhida, posto que a via empregada não se presta para o simples reexame do litígio, obtendo nova análise da questão sob determinado ângulo, como meio de alterar o decidido Não conheço o pedido. Conclusão Com essas considerações, voto pelo acolhimento dos declaratórios do contribuinte, apenas para rerratificar a decisão embargada, sem alterarlhe o resultado do julgamento. Sala das Sessões, em Alexandre Kern Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909049/200950 Acórdão n.º 380302.722 S3TE03 Fl. 4 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: Interessada: Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no , de , da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em . [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 36216.004479/2006-79
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO 11% JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO.
1- De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
2- nos termos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2º Conselho de Contribuintes.
3- Consoante disposto no art. 31 da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9711/98, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês seguinte ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão-de-obra.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.261
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO 11% JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. 1- De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2- nos termos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3- Consoante disposto no art. 31 da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9711/98, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês seguinte ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão-de-obra. Recurso Voluntário Negado.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. RETENÇÃO 11% JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. 1- De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2- nos ternos do art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3- Consoante disposto no art. 31 da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9711/98, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês MF - SEGUNOO t. t 1.‘ ',:ti, HO lid (»NUM/MTPS i, CONFERE C....1 (1 Ort1GINAL .limita. __1À ? O 2., / lett, Processo n.° 36216.004479/2006-79 i CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.261 re .1 .1 1 1 Fls. 520 Maria de Fàf , Nb. rr:Aja de carvalho 1 Met Siape 751683 seguinte ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão-de-obra. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Q----- ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente CLEUSA & ITAkirE SOUZA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. MF - nounino CONSUMEI DE CONTRIBUINTESProcesso n.° 36216.004479/2006-79 : ilFaGiNAL CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.261 Fls. 521 Bonina. i_491 Maria de Fiei= de • Relatório Mai S 751683 Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 56/59, refere-se à contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e destinadas à Seguridade Social, na forma da legislação em vigor, relativas à retenção de 11%, incidentes sobre o valor bruto dos serviços contidos nas notas fiscais, faturas ou recibos, na contratação de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, no período de 12/2000 a 04/2005, conforme disposto no art. 31, § 3° da Lei n°8212/91, com a redação dada pela Lei n°9.711/98. Segundo o Relatório Fiscal, constituem os fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, os pagamentos efetuados a empresa TARGET LOGISTICS LTDA CNPJ n° 02.892.126/0001-43, pelos serviços de movimentação interna de materiais e cargas de caminhões Truck, carretos e outros a BASF S/A. Nos arquivos digitais fornecidas não houve a especificação dos estabelecimentos tomadores de serviços, portanto para fins de levantamento foi considerado o estabelecimento Imigrantes (CNPJ 48.539.407/0001-18). Informou, ainda, o citado Relatório Fiscal que os serviços prestados pela empresa TARGET LOGISTICS LTDA se enquadram de acordo com o art. 152, §§ 1°, 2° e 3° da Instrução Normativa 100, que passou a vigorar a partir de 01/04/2004, com alterações posteriores. A IN 100 revogou a Instrução Normativa 071/2002, que por sua vez revogou a Ordem de Serviço n° 209/99; Que os serviços foram tomados periodicamente, constituindo-se uma necessidade permanente, isto é dentro do conceito de cessão de mão-de-obra, não se enquadrando, portanto, em uma empreitada. Além disso, observou-se que a empresa está sempre a disposição da BASF S/A. Tempestivamente, a empresa contratante apresentou sua defesa, trazendo dentre outras, as alegações de que a atividade da contratada não teve como objeto a cessão de mão-de- obra; fez um histórico da retenção. Trouxe à colação diversos julgados do STJ sobre a matéria e por último argüiu a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC e concluiu requerendo seja declarada insubsistente a Notificação Fiscal de lançamento de Débito —NFLD, desconstituindo-se o crédito tributário apurado. Juntou aos autos cópia de julgados do STJ, sobre o assunto; outros documentos da empresa contratada. A Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo, por meio da Decisão-Notificação n° 21.434.4/0059/2006, julgou procedente o lançamento, cuja decisão trouxe a seguinte ementa: "DIREITO PREVIDENCIÁRIO RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. COMPROVAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE EMPRESA CONTRATANTE. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. INDEFERIMENTO. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. Comprovada a cessão de mão-de-obra a empresa contratante dos serviços assim executados é obrigada a reter 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo e é obrigada a recolher o valor retido à previdência Social, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento. Mr - 86.Lit1N50 CONSELHO DE CONTRIBINTES' CONFERS C( : Tar.NAL 9.£0111 Processo n.° 36216.004479/2006-79 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.261Fls. 522 bifariadc creu &to Mat. S . :ire 731683 Indefiro o pedido de prazo para apresentação de documentos por não estarem configuradas as hipóteses legais que permitem a apresentação de prova documental após a impugnação. Os acréscimos legais são cobrados em virtude de determinação legal de caráter irrelevável. É vedado ao julgador administrativo declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo". Intimado da decisão e com ela não se conformando, o interessado ingressou com recurso a este Conselho, reproduzindo os argumentos aduzidos em sua impugnação, donde se destaca, em síntese, o seguinte: Que a recorrente , apresentou tempestivamente sua impugnação, requerendo inicialmente a dilação do prazo para a juntada dos documentos e aditamento da defesa, considerando que a mesma fora efetuada em época de férias coletivas, tanto a recorrente como as empresas prestadoras encontravam-se em dificuldades na localização dos documentos pertinentes à questão, no exíguo prazo para apresentação de defesa; Que tais documentos visavam demonstrar que, mesmo que fosse considerada a existência de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, mesmo assim nada é devido ao Instituto Previdenciário; Contudo, em que pese o douto conhecimento do Ilmo Auditor Fiscal da Previdência Social, entende a recorrente que a r. decisão merece reforma em parte, vez que não foi aplicado corretamente o direito ao caso concreto; Que não pode concordar com a referida autuação, bem como com decisão proferida eis que tanto uma quanto a outra entenderam devida a contribuição com base em premissa que não se sustenta, vez que ambos presumiram que houve cessão de mão-de-obra na prestação dos serviços de treinamento em idiomas, o que não corresponde à realidade; Que a contratada não mantém equipe cedida para a notificada em regime de cessão de mão-de-obra, não prestando serviços nas dependências da tomadora, e não há a necessidade de equipe dedicada, nem serviço continuo podendo inclusive prestar esse tipo de serviço simultaneamente para várias empresas; Que o d. agente fiscal não verificou se havia ou não equipe à disposição do tomador de serviços em suas dependências ou em locais por este indicados, em serviços contínuos, para a caracterização de mão-de-obra. Que a contratada não mantém equipe cedida para a notificada em regime de cessão de mão- de- obra, não prestando serviços nas dependências da tomadora, e não há a necessidade de equipe dedicada, nem serviço continuo podendo inclusive prestar esse tipo de serviço simultaneamente para várias empresas; Que a empresa contratada não é fornecedora de mão de obra, mas sim empresa que, eventualmente, em razão de solicitação de seus clientes, presta serviços que não se identificam com a cessão de mão-de-obra; ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERF. CO'• • Ci r.witNAL Processo n.° 36216.004479/2006 -79 Drânilia. ) o / %001) CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.261 akit 1 Fls. 523 Maria de F2t ; .. Mat. Szape 751683 Que a empresa contratada poderia até mesmo ser considerada prestadora de serviços, mas não é, ontologicamente, locadora de mão-de-obra; Além desses argumentos, faz um histórico sobre a retenção, ressaltando que o dispositivo legal que trata a matéria deveria ser interpretado observando-se de plano a premissa que os serviços somente estariam sujeitos à retenção "quando executados mediante cessão de mão-de-obra", como definida no § 3° do art. 31 da Lei n° 8212/91. Para corroborar sua tese, a recorrente citou Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, transcreveu algumas delas. Argumentou, ainda, que a empresa contratada sempre recolheu integralmente suas contribuições para a Previdência Social, sem efetivar a compensação dos 11%, conforme documentos juntados aos autos. Por derradeiro, argüiu a inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, uma vez que essa forma de cálculo não se encontra prevista em lei, desrespeita-se a reserva absoluta da lei formal, ofendendo-se deste modo, o art. 150, I da Constituição Federal, combinado com o art. 97, inciso V do CTN. Requereu a desconstituição do lançamento e débito objeto da presente e o devido arquivamento do presente processo. Juntou aos autos, Extratos dos Andamentos Processuais e Certidões de Objeto e Pé, das decisões citadas no presente recurso. Foi efetuado o depósito recursal, nos termos da legislação em vigor 175. A Secretaria da Receita Previdenciária ofereceu contra-razões, alegando que os argumentos ora apresentados já foram devidamente apreciados quando da emissão da Decisão recorrida. Estes autos foram objeto de julgamento pela 4* Câmara de Julgamento do CRPS, que por meio da Decisão n° 262/2006, o Julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade lançadora informasse se os contratos objeto da presente NFLD seriam aqueles juntados pela Recorrente, caso não sejam, que juntasse cópias desses contratos, bem como das notas fiscais referentes aos serviços prestados. Em cumprimento ao solicitado foi efetuada diligência na empresa tendo a fiscalização juntado os documentos de fls. 223/496. Consta dos autos relatório da diligência com os seguintes esclarecimentos: que a fiscalização efetuou diligência na empresa , pois verificou que os contratos apresentados em processo cobriam apenas parte do período levantado; que emitiu TIAD solicitando cópia dos contratos de prestação de serviços e cópias das notas fiscais de serviços; que a empresa não apresentou os contratos para os períodos de 12/2000 a 07/2001 e 03/2003 a 05/2003 e apresentou as notas fiscais solicitadas. Que da análise desses contratos verificou-se que a contratada presta serviços especializados para movimentação interna de materiais e carga e descarga de caminhões Trucic, Carreta e outros, nas instalações da contratante; que os serviços são executados de segunda a sexta feira, nas localidades de Paulínia e Resende. Além disso o contrato de prestação de serviços já prevê a retenção do 11%. n ME - SEGUNDO CONS1-1L1-10 DE CONTRIBUINTES CONFERE ' C/NAL Processo n. 36216.004479/2006-79 (:)/C1(t) CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.261 CittVeC191L) Fls. 524 Ma/ia d.. ne eira amam Mat. Siape 751683 A empresa, intimada do resultado da diligência, manifestou-se no sentido de ratificar as razões anteriormente apresentadas alegando mais, que a fiscalização não atendeu à determinação da E. 4' Câmara em sua integralidade, não trazendo no relatório da nova diligência os demais elementos necessários para viabilizar a correta decisão do caso. É o Relatório. Processo 36216.004479/2006-79 CCO2/C06MF - SEGUNDO coNsr:. lin DF CONTR1B. —Tv.SAcórdão ri.° 206-00.261 CONFT.1::' . ' • , *.irmAL Fls. 525 Dtte..:1. a. P. )1 / 2.1001) e &hVoto Maria de 1*.o.2nt reira • Carvalho Mat. Siape 751683 Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, porquanto o recurso é tempestivo e preparado com o depósito prévio nos termos da legislação em vigor. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar a argüição de inconstitucionalidade trazida pela recorrente, quanto à aplicação da taxa de SELIC no cálculo dos juros de mora. Alega a Recorrente que a forma de cálculo da SELIC não se encontra prevista em lei, o que ofende o art. 150, inciso 1 da Constituição, combinado com o art. 97, inciso V do CTN e que por outro lado, encontra-se no art. 161 do CTN, a norma que determina que os tributos não integralmente quitados serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de I% ao mês, exceto dispositivo contrário. Nesse sentido vale salientar que os juros de mora exigidos no presente lançamento, de fato, decorrem de legislação específica, em plena vigência, conforme fundamentada no artigo 34 da Lei n° 8212/91, que assim estabelece. "Art. 34 - As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos em caráter irrelevávet " Cumpre destacar, outrossim, que nos termos do artigo 49 do Regimento Interno dos Conselhos dos Contribuintes, no julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Além disso, a matéria encontra-se sumulada, conforme Súmula n° 02 deste 2° Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". Com isso, rejeito a preliminar de inconstitucionalidade de aplicação da taxa SELIC, no cálculo dos juros de mora. Superada a preliminar, passo à análise das razões de mérito. Conforme relatado, trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 46/50, refere-se às contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e destinadas à Seguridade Social, na forma da legislação em vigor, relativas à retenção de 11%, incidentes sobre o valor bruto dos serviços contidos nas notas fiscais, faturas ou recibos, na contratação de serviços prestados mediante cessão de mão- de-obra, no período de 02/2003 a 04/2005, conforme disposto no art. 31, § 3° da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n°9.711/98. "Art. 31- A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de contrato temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importáncia retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em ME • SEGUNDO CONSE 11-3c" DE CONIRIBUINTES CONFE::/ : • • ,* 'ANAL 9-• • $ 2.001, Processo n. • 36216.00447912006-79 134:3.a, / CCO2/C06 Acórdão a, 206-00.261 Fls. 526 Maria de Fahnia‘r- ia de 1, Mat SUN 731683 nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5° do art. 33. § 3°-para os fins desta lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividade- fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e ajo rma de contratação." Nesse contexto não é licito à empresa alegar omissão para se eximir do recolhimento da importância retida nos termos do art. 31, caput da Lei n.° 8.212/91 c/c art. 33 § 5°, in verbis: "Art. 33 § 5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta lei." Por força do referido dispositivo legal, o contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra passou a ser responsável tributário pelo recolhimento das contribuições sociais decorrentes da prestação de serviços na razão de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, assim a legislação previdenciária lhe comina a responsabilidade pela arrecadação das respectivas contribuições sociais na forma de retenção e, tendo descumprido tal obrigação, toma-se responsável pela importância que deixou de arrecadar. É cediço que a Lei n° 9.711/98 que alterou o art. 31 da Lei n° 8.212/91, com eficácia a partir de 02/1999, estabeleceu a responsabilidade tributária por substituição do tomador de serviços mediante cessão de mão-de-obra, relativamente à contribuição sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço, cujo contribuinte é a empresa prestadora de serviços e cujo fundamento legal é a autorização contida no art. 128 do Código Tributário Nacional. Assim, o instituto da Retenção é uma "hipótese de substituição tributária", cuja criação é autorizada pelo art. 128 do CTN, que permite ao legislador estabelecer hipóteses de responsabilidade tributária, atribuindo a responsabilidade pelo pagamento a terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, terceiro este que passa, então, a ser sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável (art. 121, parágrafo único, II, do CTN). A figura da substituição tributaria existe, justamente, para atender a princípios da racionalização e efetividade da tributação, ora simplificando os procedimentos, ora diminuindo as possibilidades de inadimplemento e ampliando as garantias de recebimento do crédito. Não se tem aqui a instituição de nova "contribuição" (in Paulsen Leandro, Direito Tributário, 6' edição, Livraria do Advogado Editora, p. 937). • I MF - HOM. DO Ctt ''. 'I ' 1 ln 53 CONTRIBUINTES CONH.:" . . . . 11 ClNAL . I Processo n.° 36216.00447912006-79 kl:zaar, Q.)\ . o).- , Q0:51 CCO2JC06 Acórdão n.° 206-00.261 le i I Fls. 527 , land, • Maria de Fátima Ir ír , Carvalho Mm. Siape 751683 Neste sentido o Pleno do STF, em sessão realizada em 03/11/2004, julgando o RE 393.946/MG, assentou entendimento no sentido de que a Lei 9.711/98 apenas criou nova sistemática de arrecadação, tomando as empresas tomadoras de serviços responsáveis tributárias pelo regime de substituição tributária, sem afetar a base de cálculo ou a aliquota da Contribuição Previdenciária sobre a folha de pagamento. A titulo elucidativo, destaco a ementa que resumiu o referido julgado: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: SEGURIDADE. RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Lei 8.212/91, art. 31, com a redação da Lei 9.711/98. I - Empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra: obrigação de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 2 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão-de-obra: inocorrência de ofensa ao disposto no art. 150, § 7°, art. 150. IV, art. 195, § 4", art. 154, I, e art. 148. II - R.E. conhecido e improvido." Vale destacar parte do voto condutor no Recurso Especial n° 695.458 - SP, da lavra da Ministra ELIANA CALMON: "Verifica-se a criação de um sistema eclético de recolhimento, onde o tomador desconta parte do devido à Previdência em razão do serviço locado, responsabilizando-se pelo recolhimento, com destaque na nota fiscal ou na fatura, para então fazer-se o abatimento pela fornecedora da mão-de-obra, quando do recolhimento incidente sobre a folha de salário. Observe-se que não se alterou aliquota ou base de cálculo, apenas adiantou-se parte do recolhimento. E para evitar perplexidades, os parágrafos do novo comando normativo deram a solução para o encontro de contas, ou seja, compensação do devido sobre a folha de salário, calculado em sua integra, com o objeto do adiantamento. E o § 2° do referido dispositivo foi além para permitir a restituição de eventual saldo remanescente à empresa locadora de mão-de-obra, caso o adiantamento fosse maior do que o valor a pagar à previdência. Entendo que a sistemática utilizada obedeceu inteiramente ao disposto no art. 128 do CTN, o qual não foi maculado em nenhum passo. Por outro ângulo, temos que não se alterou a fonte de custeio ou a base de cálculo, porque a incidência não é sobre a fatura ou a nota fiscal, mas sim sobre a folha de salário, porque a fatura serve apenas de base para o adiantamento." (grifo nosso) Portanto inconteste é a obrigação previdenciária da empresa tomadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 2 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão-de-obra, ficando diretamente responsável pelo que deixar de recolher. Justamente, ' pelo L. - . • '•,- t'ONTRIBUINTEsi• ,..»,-. . • _ - /9,00t.... 1Processo n.• 36216.004479/2006-79 . 1D CCO2/C06 Acórdão C 206-00.261 In )4 1 Fls. 528Liaria de Ftit.ma 5- ji" , , . Mat. Siape 751683 fato de o contratante passar a ser sujeito passivo da obrigação previdenciária, toma-se irrelevante, para fins de aferição do cumprimento da obrigação principal, o fato de a prestadora ter ou não efetuado o recolhimento das suas contribuições sobre a folha de pagamento. Dessa forma, por tudo que restou demonstrado, a lei nova (Lei n° 9711/98) não cria uma nova forma de contribuição, não revoga nem modifica a lei anterior (Lei n°9317/96), apenas atribui à empresa tomadora a condição de responsável tributária, como numa forma de se eximir de possível responsabilidade solidária. Não se pode olvidar, todavia, que para que haja a retenção instituída no caput do citado artigo 31, a própria lei cuidou de eliminar quaisquer dúvidas acerca de sua aplicação, quando no seu § terceiro traz a definição de cessão de mão de obra. Nessa mesma direção, a exemplo do que estabelece o § 4° do citado artigo, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, estabeleceu nos incisos do § 2° do art. 219, uma série de serviços que se executados mediante cessão de mão-de-obra estarão sujeitos à retenção. Nesse sentido, é importante esclarecer que para que haja a retenção, não basta que o serviço esteja relacionado no § 2° do art. 219 do RPS, acima mencionado, é necessário, antes que seja demonstrada, pela autoridade lançadora, nos autos do procedimento fiscal, efetivamente a ocorrência de mão-de-obra cedida, da forma como definida no § 3° do art. 31 da Lei n° 8212/91. Esclareça-se por oportuno que todos os entendimentos se convergem no mesmo sentido de que para haver a retenção é imprescindível a demonstração da cessão de mão-de-obra. No presente caso, em que pese as alegações da recorrente, vale esclarecer que, em cumprimento à diligência da 48 CaJ/CRPS, a fiscalização mediante o Termo de Intimação Para Apresentação de Documento —TIAD, solicitou da empresa recorrente a apresentação das cópias dos contratos de prestação de serviços, os quais não foram apresentados com relação a todo o período do levantamento; apresentando apenas as notas fiscais de serviços. Nesse sentido, impõe esclarecer que, de fato, e como já dito, a cessão de mão de obra há que ser demonstrada pela fiscalização. Entretanto, a não apresentação do documento solicitado, pela fiscalização, no caso, o contrato de prestação de serviços, tem o condão de inverter o ónus da prova, de acordo com o disposto no art. 33 § 3° da Lei n°8212/91. Ademais, cumpre esclarecer que as notas fiscais de prestação de serviços e outras situações verificadas pela fiscalização durante a ação fiscal, constantes dos contratos apresentados, levam à conclusão de que os serviços referidos foram prestados mediante cessão de mão-de-obra, satisfazendo, assim a norma contida no § 3° do art. 31 da citada lei. Por fim o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. °8.2l2/91, determinando, de forma clara e precisa o fato gerador do crédito apurado, sendo que a cobrança de tais contribuições decorre do estrito cumprimento da lei, determinação essa a que os fiscais do INSS não podem se omitir no exercício do seu dever funcional e legal, haja vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme disciplina o art. 142 do CTN. Assim, a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa julgar totalmente insubsistente a NFLD, ou levar à \ idesconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestid das formalidades legais exigidas para a sua constituição. - fp: - r.:w7INDO CCiNSF: MfltWa cowrRjBi '-"S!• Processo n.' 36216.00447912006-79 Qft oâ- .200i CCO2JC06 Acórdão n.° 206-00.261 Fls. 529 es. dratt Maria de f Fe; C---a de Graduo Isto posto; e Mat. Siape 751683 CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta. CONCLUSÃO: pelo exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2007 CLEUSA VIEIRA ut. SOUZA Page 1 _0060400.PDF Page 1 _0060500.PDF Page 1 _0060600.PDF Page 1 _0060700.PDF Page 1 _0060800.PDF Page 1 _0060900.PDF Page 1 _0061000.PDF Page 1 _0061100.PDF Page 1 _0061200.PDF Page 1 _0061300.PDF Page 1
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