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Numero do processo: 16095.000216/2008-69
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/03/1997
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.343
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA ;IN ',,,r,,jd7. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16095.000216/2008-69 Recurso n° 261.299 Voluntário Acórdão n° 2301-01.343 - 3" Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente ACCENTUM MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA E OU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ress-alta-ise\ que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrênCi4.,f16 ?.to gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimok err salário. ri, NA\J 1 ' \,. JUL -0 . \ CESAR VIEIRA GOMES - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). t Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: Relator(a): Julio Cesar Vieira Gomes No julgamento dos itens 58 (recurso-padrão) e 59 a 107 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 58 - Recurso: 241679 Tipo: RV Processo: 35564.001890/2006- 70 Recorrente: DROGARIA SÃO PAULO S/A Recorrida: SRP- SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n° 2301-01.309. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 22/12/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. •É corno voto. n ... Sala das Ses oessem 24 de março de 2010. JULIO C A , EIRA GOMES - Relator 2
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100226/2002-61
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CSLL, INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. INCIDÊNCIA.
O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superavits ou
deficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial, O fato de
as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º da Lei nº 8212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF.
Numero da decisão: 9101-000.653
Decisão: ACORDAM os membros da lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o Recurso Especial de divergência, para excluir as questões relativas a erro material da Fiscalização, quanto a apuração da base de cálculo do tributo lançado e inexigibilidade dos encargos moratórios. Por maioria de votos, na parte conhecida dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : CSLL, INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. INCIDÊNCIA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superavits ou deficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial, O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º da Lei nº 8212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF.
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INCIDÊNCIA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superavits ou deficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regencia . O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial, O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1 0 da Lei IV 8212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o Recurso Especial de divergência, para excluir as questões relativas a erro material da Fiscalização, quanto a apuração da base de cálculo do tributo lançado e inexigibilidade dos encargos moratórios. Por maioria de votos, na parte conhecida dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto, CARLOS ALBERTO EDITADO EM: 21 FEV 111 TO - Presidente. ANTONIO CARLO ILHO - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Com base no permissivo do art 32, II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e do art, 50, II do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF n. 55/98, a Contribuinte interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 3' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CSLL — ART. 72, III, DOS ADCT, LEI _Al' 7:689/88, A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a . finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior, A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional a Lei n" 7.689/88, denota a inversão do principio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei n" 7,689/88, é o resultado do exercício.. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a lei indigitada impae que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit.." O caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "Versa a presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo Fisco do auto de infração de CSL (fis. 313/316). A . fiscalização reporta-se aos meses de março e dezembro do ano-base de 1997, iniciando-se em 13/08/2002 (fls. 01 — MPF n" 07.1,66,00-2002-000880-0), corn a posterior emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (lis. 02). Os fatos que levaram o Fisco ao entendimento sustentado no auto de infração constam do Termo de Verificação Fiscal (lls. 288/312), o qual, em resumo, abaixo se reproduz: Processo n 0 10768 100226/2002-61 CSRF-T1 Acórdao n 9101-00.453 Fl. 2 A instituição fiscalizada é entidade .fechada de previdência complementar, nos termos da Lei Complemental - n" 109, de 29 de maio de 2001, a qual veio a revogar o dispositivo que anteriormente regulava tais entidades, a Lei n" 6,435/77. As entidades de previdência privada . fechada advogaram, por longo tempo, tanto no âmbito da Administração Tributária quanta na esfera a tese de sua imunidade, no que se refere a tributação pelo Imposto de Renda. polêmica foi definitivamente encerrada pelo STF, o qual pronunciou-se contrariamente à imunidade das entidades fechadas de previdência privada, em Acórdão definitivo prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário n" 20.2-700- 6, em 08/11/2001, relator Min Sidney Sanches, Afitstada a hipótese de imunidade, enquadram-se as entidades . fechadas de previdência privada na condição de contribuintes da contribuição social. Quanto a base de cálculo da contribuição, esta corresponde ao resultado positivo do exercício, ajustado na forma da lei, que, neste caso, corresponde ao superavit apurado no programa previdencial quando do encerramento do correspondente período de apuração, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações previstas na legislação da CSLL No tocante às medidas judiciais relativas à CSL do ano- calendário de 1997, respondeu o contribuinte que foram as mesmas promovidas pela ABRAPP, sendo a fiscalizada associada desta entidade. O Mandado de Segurança n" 2001.5101024801-0 (7" Vara Federal — RJ), tem por objeto requerer o direito as associadas de aderir à anistia proposta pelo artigo .5" da MP 2,222/2001, sem desistência das ações que versam sobre as tributos ali referidos e independentemente do pagamento, que será substituído pelo arrolamento de bens. A autoridade judicial de 1" instância, em despacho proferido em 31/01/2002, indeferiu a medida liminar, alegando que a anistia constitui faculdade do contribuinte, não lhe sendo imposta pelo Poder Público, cabendo à impetrante assumir o ânus da escolha entre aderir et anistia ou discutir judicialmente os créditos tributários cuja exclusão ora se almeja com a adesão à anistia. Do despacho, ingressou a impetrante com Agravo de Instrumento, recebido pelo TRF, 2" Região, sendo atribuído ao mesmo efeito suspensivo para afim de determinar a autoridade coatora a se abster de tomar qualquer medida pat-a exigir das filiadas da ABRA PP a CSL. Em 26/08/2002, a Quarta Turma do TRF, 2" Região, por unanimidade, decidiu negar provimento ao agravo. E, em 19/12/2002, foi denegada a segurança vindicada na peça inaugural constante dos autos do Mandado de Segurança, tendo se exaurido o efeito suspensivo atribuído ao Agravo de Instrumento e sujeitando o contribuinte ao presente lançamento. Ressaltou o Fisco, ainda, no Termo de Verificação Fiscal, que o procedimento foi instaurado afim de se verificar a existência de valores devidos a titulo de CSL no período de 1997. De posse dos livros e balancetes foram elaboradas planilhas para identificação da correta base de cálculo da CSL. Essas planilhas visaram identificar possíveis valores que, tendo afetado o resultado da fiscalizada, não são considerados dedutiveis ou tributáveis para fins. de CSL Do resultado apurado pela entidade, deduzimos as constituições das Reservas Matemáticas e das Reservas para Contingências. Após estas destinações o resultado líquido „ficou igual a zero. A este valor efetuamos as adições, exclusões e compensações prescritas ou determinadas pela legislação de regência. Identificando o . fisco bases positivas de CSL nos 1" e 4" trimestres de 1997 foi efetuado o presente lançamento. As fls. 268/287 constam os demonstrativos elaborados pelo Fisco, onde constam os valores tributáveis, os quais se traduzem conforme as tabelas abaixo Devidamente cientificado (fls. 31,5) em 26/12/2002, apresentou o interessado impugnação em 27/01/2003 (lis, 322/342), instruída coin a documentação de fls 344/416, trazendo as razões de defesa que abaixo se seguem.. Preliminar Nulidade do auto de infração inobservância às normas relativas à rorro a do dos ra os dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF a) Nib foi observado pelo .fisco o disposto no artigo 13, § 2", da Portaria SRF n" 3007/2001 para a lavratura do respectivo auto de infração; b) O prazo para a conclusão dos trabalhos foi prorrogado por três vezes. Todavia, em nenhum momento a impugnante recebeu o documento de que trata o § 2' do artigo 13 da legislação citada, .fato este que . fazem tornar nulas as prorrogações; forçoso concluir que sendo nulas as prorrogações do prazo do MPF, o encerramento dos trabalhos deveria ter ocorrido em 11/10/2002, Contudo, a autuação se deu somente em 26/12/2002, não restando dúvida de que a presente ação fiscal é extemporânea, sendo irrefutável, já por essa primeira razão, a nulidade da autuação, pelo que se requer o arquivamento deste auto de ii?fragelo lavrado a destempo; Mérito Nature a 'ttridica da tut iii .. nante e a in: ossibilidade de gliArk:422s,ijrcr.22 4 Processo n° 10768 100226/2002-61 CSRF-T1 Acôrdiio n 9101-0E053 F1 3 A impugnante é uma entidade fechada de previdência privada, sujeita ao regime da Lei Complementar 109/01, que sucedeu a Lei n" 6.435/77 e autorizada a. finicionar através da Portaria n" 2..201/1980; e) É notório que a obrigação de recolhimento de tributos surge com a ocorrência da hipótese definida por lei como fato gerador; f) A proibição de atrferkii o de lucros pelas entidades fechadas de previdência privada . foi mantida, conforme se observa pelo artigo 31 da Lei Complementar n" 109/2001, que sucedeu a Lei n" 6.435/1977; Adenzais, o artigo 2", da Lei n" 7.689/88 estabelece o resultado do período-base; h) Portanto, com fundamento no artigo 195, I, alínea "c" da Constituição Federal, a Lei n" 7,689/88 criou lima contribuição sobre o lucro apurado de acordo com a legislação comercial em relação a pessoas .jurídicas que tenham como pressuposto básico a auferigão de lucro; A legislação do imposto de renda ou a Lei das S/A esclarecem que o lucro apurado se traduz no resultado do exercício, que não pode ser aplicado às entidades fechadas de previdência privada que tem uma sistemática totalmente difèrenciada das empresas que visam ao lucro; Transcreve sobre o assunto ementas proferidas pelo Conselho de Contribuintes; k) A Lei V 8.212/91, em seu artigo 22, ,§ 1", embora mencione expressamente as entidades fechadas de previdência privada, não trata da contribuição incidente sobre o lucro e sim sobre as remunerações pagas, o que, evidentemente, não é objeto da autuação,' A (mica interpreta cão razoável para o inciso III do artigo 72 dos ADCT é no sentido de que apenas foi majorada a aliquota da CSL para as pessoas que já se enquadravam como contribuintes pela Lei n" 7..689/88; in) Também 6 incabível a conclusão de que tal inclusão se deu em virtude do artigo 13, inciso I da Lei n" 9.249/199.5. Ao contrário, ao afirmar que a base de cálculo da CSL é o lucro liquido, o caput do dispositivo afasta qualquer possibilidade de remissão às entidades fechadas de previdência privada, legalmente proibidas de persegui- lo; 17) As entidades fechadas de previdência social submetem-se a um regime contábil adotado pelas entidades .fechadas de previdência complementar em que não se prevêem lucros ou prejuízos e sim superávits ou déficits; 5 o) Razão adicional para a improcedência do auto de iqfração ora impugnado 6 a desobediência ao principio da igualdade; as empresas comerciais que apuram lucros realizam várias deduções e compensa cães para alcançar a base de cálculo da CSL, Todavia, por ser a impugnante entidade sem ,fins lucrativos, a fiscalização de modo simplório, considerou o superávit obtido como base de cálculo do referido tributo; se a fiscalização pretende tributar a impugnante seria necessária a alteração de toda a sua sistemática contábil, com vistas ti apuração de um lucro fictício, como se uma empresa comercial fosse, que possa servir como base de cálculo, após todas as compensações e deduções permitidas por lei; Inexikibilidade dos acréscimos moratórios r) Não podem prevalecer os valores cobrados pela fiscalização; s) Invoca o Ato Declaratório ("normativo) COSIT n" 17/1990; t) Tendo em vista que o ato não fora revogado, jamais poderiam ter sido lançados juros de mora e multa pela suposta ausência de recolhimento da ca exigida; u) Dessa forma, na remota eventualidade de o auto de infração vir a ser mantido impõe-se que os valores a serem exigidos correspondam apenas aqueles referentes à CSL em 1997, sem atualização, multa ou juros de mora; Do erro material cometido pela fiscalização v) Estão os cálculos da autuação equivocados, A . fiscalização adicionou ao superávit da impugnante valor correspondente it soma do Fundo de Ganhos e Perdas Atuariais e o Fundo de Transferência de Riscos Atuariais, desautorizando sua dedução; • A contabilização de ambos os findos encontra respaldo no artigo 40 da Lei n" 6435/1977 e atualmente no artigo 18, § 3" da Lei Complementar 109/01; x) Esclarece ainda a imp ugnante a razão para constituição do Fundo de Transferência de Riscos Atuariais; Requer seja deduzido da base de cálculo dos valores lançados aqueles equivalentes à adição do Fundo de Ganhos e Perdas Atuariais e do Fundo de Transferência dos Riscos Atuariais, - z) A multa de oficio aplicada possui caráter confiscatório; 6 Processo n° 10768 100226/2002-61 CSRF-T1 Ac6rd5o o ° 9101-00.653 Fl 4 tia) Embora o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal se refira a instituição de tributos confiscatórios, o STF já definiu que essa veda cão se aplica igualmente as multas por infra cão tributária; bb) Dessa forma, a aplicação da majora cão da multa pretendida pela „fiscalização mostra-se inconstitucional por violar o princípio do não-confisco; cc) Também contraria o principio da razoabilidade, já que representa ate mesmo um enriquecimento ilícito por parte do erário público; dd) Neste caso, pode se concluir que o motivo da autuação teria sido o não recolhimento do tributo supostamente devido; o meio de punir para tal conduta foi a própria sanção; e o fim seria o de recompor o patrimônio da União Federal (com o pagamento de acréscimos legais) e punir a infração Pode-se dizer, assim, que haveria, no caso, razoabilidade interna, posto que presente se encontra a relação racional e proporcional entre seus motivos, meios e fins; cc) O ônus imposto mostra-se exorbitante em relação ao beneficio que seria o de punir a impugnante; .f12 mostra-se imprestável por violação direta Constituição Federal, mais precisamente aos princípios do não-confisco e da razoabilidade externa; ilsgalidade da taxa selic gg) A natureza dos juros moratórias é a de recomposição do patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir a obrigação; hh) A taxa selic, no entanto, não reflete esta natureza, sendo imprestável para aquele fim. A referida taxa resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercados; Assim, a real natureza da taxa selic é a de pagamento pelo uso de dinheiro alheio, caracterizando com isso sua natureza remuneratória; .11) Não e suficiente dizer que a taxa selic tem amparo legal, pois lei ordinária (como a Lei nu 9.065/1995) não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, conform estabelece o artigo 110 do Código Tributário Nacional'----- (CTN); Como não poderia deixar de ser, a .jurisprudência vem reconhecendo a inconstitucionahdade da Taxa Selic; 11) Transcreve, ainda, sabre o assunto, ementas proferidas em acórdãos prolatados pelo STJ; 7 Posteriormente, após a apresenta cão de sua defesa, em 11/04/2003 (fls. 419), peticionou a interessada junto a esta DRJ/RJO 1, ,fazendo com que fosse aditada a sua defesa ementa pin çada de Decisão proferida pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, o qual previa a possibilidade de dedução do cômputo da base de cálculo do IRPJ e da CSL das importâncias destinadas a complementar as provisões técnicas para garantia das operações das Entidades Fechadas de Previdência Privada. O processo veio a julgamento, tendo sido anulada a decisão "a quo", por meio do Acórdão 103-22.030, de fls. 648, por entender a Câmara que não havia concomitância entre as matérias discutidas na orbe judicial e Administrativa.. Elaborada outra decisão, desta feita, com a apreciação de todas as matérias ventiladas na impugnação, o processo foi novamente julgado, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro considerado o lançamento procedente, ementando a sua Decisão na forma abaixo transcrita. "Assunto; Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário • 1997 Ementa, AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PARCIALMENTE. Deixa de se conhece ,.. da impugnação quando as questões meritórias que envolvem z a imunidade tributária das entidades fechadas de previdência privada já integram a lide judiciária, AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. NATUREZA JURÍDICA DAS ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE APRECIAÇÃO NECESSÁRIA APENAS PARA A AVALIAÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. Deixa de se conhecer a parte da impugnação relativa à natureza jurídica da contribuição social sobre o lucro, matéria esta já submetida à apreciação judicial. Entretanto, por possuir intima relação de causa e efeitocom a aplicabilidade da penalidade e dos encargos legais cabíveis, cuja contestação é realizada apenas em sede administrativa, a apreciação meritória, na espécie, incidentabnente fazia-se necessária. JUNTADA DE DOCUMENTO APÓS A IMPUGNAÇÃO PRECLUSÃO RELATIVA DO DIREITO EM MATÉRA PROCESSUAL FISCAL. Deixa de estar prechisa o direito de o contribuinte fazer juntar, após o oferecimento da impugnação, documento, cujo objetivo ,foi apenas trazer ao conhecimento da Autoridade Julgadora entendimento exarado pela própria Administração Tributária, A preclusão do direito de apresentai- prova documental após a defesa, segundo as regras do Processo Administrativo Fiscal, tenz caráter relativo, haja vista que sua aceitação pode vir a acontecer nos casos em que .fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de faro maior; refira-se a fato ou a direito superveniente 8 Processo n" 10768 100226/2002-61 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.653 Fl 5 ou destine-se a contrapor .fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário. 1997 Ementa - ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA TRIBUTARIA DA CSL.. Com o advento da Emenda Constitucional de Revisão n" 01/1994 e da Emenda Constitucional n" 10/1996, o legislador, exercendo o poder constituinte derivado estabeleceu que todas as pessoas jurídicas, inclusive as entidades abertas e fechadas de previdência privada, são contribuintes da contribuição social sabre o lucro. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ACRÉSCIMOS AUTORIZADOS POR LEI QUE FAZEM PARTE INTEGRANTE DO CÁLCULO DO MONTANTE TRIBUTÁRIO DEVIDO. Ao incidir sobre as entidades fechadas de previdência privada a contribuição social sobre o lucro, integrarão o intrumento de lançamento a multa de oficio e os juros de mora, cuja aplicabilidade encontra-se devidamente autorizada pela legislação de regência. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA , BASE DE CÁLCULO DA CSL. FUNDO DE COBERTURA OSCILAÇÃO DE RISCOS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Sonia dedutiveis da base de cálculo daContribuiçâo Social sobre o Lucro Liquido das Entidades Fechadas de Previdência Privada as Reservas Matemáticas e as de Contingências. Impossível equiparar, na espécie, as provisões constituídas para assegurar perdas inerentes ã própria entidade, quandoa legislação de regência traz no seu bojo autorização para que sejam deduzidas reservas de caráter assecuratório quanto ao compromisso com os seas beneficiários. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO QUANTO AO CARÁTER CONFISCATORIO. A alegação de ofensa ao principio vedação de confisco diz respeito a inconstitucionalidade de lei e refere-se aos tributos e não às multas aplicadas de oficio. Estas últimas e os juros de mora estão previstos em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos se pronunciarem sobre matéria afeta exclusivamente ao Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os tributos e contribuições sociais que deixam de ser pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1995 serão acrescidos de juros demora, equivalentes a partir de I" de abril de 1995, a taxa referencial do SELIG para os títulos federais, Lançamento Procedente" 9 Iii esignada, manejou o Recurso Especial, onde alega, em síntese, o seguinte: (sic) È o relatório. " No que interessa a esta instancia recursal, o acórdão recorrido negou provimento recurso voluntário para manter o lançamento de CSLL sobre o resultado ("superavit") da Contribuinte no ano-calendário de 1997, Entendeu o Colegiado a quo, por maioria de votos, que seria legitima a incidência de CSLL sobre os resultados operacionais das entidades de previdência privada, sob pena de restarem esvaziados o texto constitucional e os dispositivos de lei que incluem tais entidades entre os contribuintes da citada contribuição . Em sede de recurso especial, argiii a Contribuinte, em síntese, divergência entre o acórdão recorrido e arestos da extinta Oitava Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, os quais assentam o entendimento de que "o pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidadés de previdência privada fechadas obedecem a uma planifica cão e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas supercivits ou déficits técnicos, que têm destinagão especifica prevista na lei de regência, 0 superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial,. 0 fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1' da Lei n' 8,212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados". Sustentou -se, ainda, "erro material da Fiscalização quanto á apuração da base de cálculo do tributo lançado" e "inexigibilidade dos encargos moratórios .face a Contribuinte, entidade sem . fins lucrativos", nada obstante nab tenham sido apresentados acórdãos paradigmas para tais questões, O recurso especial da Contribuinte foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n, 103-01)33/2009 (fl. 893/895)), ante a configuração da alegada divergência jurisprudencial, A Fazenda Nacional apresentou contra-razões. o relatório. 10 Processo o" 10768 100226/2002-61 CSRF-T1 Aeórcl5o 9101-00,653 Fl 6 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDON' FILHO Peça vênia para divergir em parte do r. despacho de admissibilidade de fls. 893/895 . Conforme se depreende do acórdão recorrido, o Colegiada a quo não tratou das questões subsidiárias invocadas pela Contribuinte, quais sejam: "erro matehal da Fiscalização quanto à apuração da base de cálculo do tributo lançado" e "inexigibilidade dos encargos moratórios face a Contribuinte, entidade sem 7 fins lucrativos" . Ausente, pois, o prequestionamento, não há corno conhecer do recurso especial nessa parte Cinge-se a controvérsia em saber se é legitima a incidência de CSLL sobre os resultados ("superávit") de entidades fechadas de previdência privada. Em julgamentos realizados por este Colegiado e pela extinta 3 Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferi votos no sentido de que seria legitima a incidência de CSLL sobre o superávit apurado pelas entidades de previdência privada, sob pena de negativa de vigência à Constituição Federal e ao art. 23 da Lei n. 8.212/91. Veja-se, nesse sentido, ementa de acórdão proferido no Recurso n. 161.178 (Processo n. 10680.011108/2006- 73) de minha relataria, verbis: "DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, syç 4 0 do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido. CSLL ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As disposições legal e constitucional que estabelecem a incidência da CSLL sobre os resultados auferidos por entidades de previdência privada impedem esta Corte Administrativa de afastar a exigência tributária, Precedentes Aplicação da Súmula 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, MATÉRIA DE FATO. É de se reconhecer a improcedência da exigência fiscal na parte em que o contribuinte colaciona aos autos elementos que ratificam as alegações recursais. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. " Contudo, mais recentemente, este Colegiado modificou o entendimento supra para reconhecer que o pressuposto básico para a incidência da CSLL é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. Corno as entidades de previdência privada fechadas não apuram lucro tal como definido na Lei n. 7.689/88, mas, ao contrario, obedecem a normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas super-al/its ou déficits técnicos, entendeu-se que não 1 1 haveria afronta à legislação vigente, em especial a Lei n. 8.212/91. Esse entendimento é prestigiado pelos demais Colegiados desta Corte Administrativa, verbis: 1° Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 101-94.668 em 12.08.2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - Ex(s): 1998 a 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Anos-calendário de 1997 a 2001 BASE DE CÁLCULO ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS - O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades fechadas de previdência privada obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superavits ou (Wicks técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. A rega matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7,689/1988 e alterações posteriores, não alcança o superavit obtido pelas entidades ,fechadas de previdência privada. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado de tais entidades se . fosse descaracterizada a finalidade não lucrativa das mesmas, apurando-se o lucro, base imponivel da CSLL, na forma da legislação comercial e . fiscal. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1", da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurado. Recurso voluntário provido Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias - PRESIDENTE Publicado no DOU em; 29,10,2004 Relator: Caio Marcos Cândido Recorrente: INSTITUTO GEIPREV DE SEGURIDADE SOCIAL Recorrida,' 4" TURMA/DRI-BRASÍLIA/DF No mesmo sentido: 1" Conselho de Contribuintes / 3a, Câmara / ACÓRDÃO 103-21:639 em 16.06,2004 CSLL - Ex(s).' 1998 a 2000 IRPJ E CSLL PERÍODO DE APURAÇÃO LANÇAMENTO EX OFFICIO - Com o advento da Lei 9.430/96, o IRPJ e a CSLL passaram a ser apurados em períodos trimestrais. Alternativamente apuração trimestral, a pessoa jurídica tributada com base no lucro 12 Processo I 0768.100226/2002-61 Acórdão o ." 9101-00.653 real poderá optar pelo pagamento mensal do imposto e da contribuição social, determinados sobre base de cálculo estimada, obrigando-se a apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano-calendário. No lançamento ex officio realizado após o término do ano-calendário, e inexistindo opção do contribuinte pelo pagamento mensal, a autoridade lançadora deverá apurar o imposto e a contribuição social com base na regra geral, qual seja, a apuração em períodos trimestrais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCL4 PRIVADA FECHADA - O superávit apurado pelas entidades fechadas de previdência complementar não:sofre incidência da CSLL. por não se enquadrar no conceito de lucro cogforme definido pela Lei 7.689/88, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, os Conselheiros Antonio José Praga de Souza (Suplente Convocado) e Cândido Rodrigues Neuber acompanharam o Relator pelas conclusões. CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER PRESIDENTE Publicado no DOU em.. 28.12.2004 Relator, ALOYSIO JOSÉ PERCJNIO DA SILVA RELATOR Recorrente: POSTALIS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL DOS CORREIOS E TELEGRAFOS Recorrida.. 2" TURMA/DRJ-BRASILIA/DF No mesmo sentido: 1" Conselho de Contribuintes / 5a. Camara / ACÓRDÃO 10.5-15.117 em 15.06 2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL - EXS: 1998 e 2000 a 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS - O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades fechadas de previdência privada obedecem a uma planificação e normas conkibeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complemental -, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas supertivits ou dOficits técnicos, que têm de.stinaçâo especifica prevista na lei de regência, A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7689/1988 e alterações posteriores, não alcança o superávit obtido pelas entidades fechadas de previdência privada. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado de tais entidades se .fosse descaracterizada a finalidade não CSRF-111 Fl 7 13 lucrativa das mesmas, apurando-se o lucro, base imponivel da CSLL, na forma da legisla cão comercial e fiscal O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluidas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1", da Lei n° 8212/91, não implica tributação do superavit técnico por elas apurado, eis que o art. 175, RIR/99, dispõe que são isentas do recolhimento do IRPJ as entidades de previdência sem fins lucrativos Por serem isentas do IRPJ, são elas isentas, também, do recolhimento da CSLL. Tal isenção que vinha sendo reconhecida pela jurisprudência administrativa, .foi, confirmada explicitamente pelo art. 5" da Lei 10426/2002. Recurso provido, Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Nadja Rodrigues Romero, Adriana Gomes Régo e Cláudia Lúcia Pimentel Martins da Silva. JOSE CLÓVIS ALVES - PRESIDENTE Publicado no DOU em: 04.10.2005 Relator DANIEL SAHAGOFF Recorrente REGIUS - SOCIEDADE CIVIL DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Recorrida; 4a TURA/IA/DIU em BRASiL1A/D No mesmo sentido: 1" Conselho de Contribuintes / 7a. Camara / ACÓRDÃO 107-09522 em 15,10,2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Ex(s).• 1998 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL - Exercício. 1998 CSLL. INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADAS, CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS QUESTÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA Súmula 1"CC n" 1.. Importa renúncia as instfincias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, corn o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CSLL, BASE DE CÁLCULO.. SUPERÁVIT IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO Não obstante a exclusão tic's reservas aia temáticas e das resetvas de contingências estarem limitadas a 25%, não há no que se 14 Sala das Sessões ANTONIO Jr ONI FILHO - Relator Processo na 10768.100226/2002-61 CSRF-T1 Acórdtio n ° 9101-00453 Fl 8 falar em lucro tributável, pois o contribuinte destina a totalidade do superávit restante pant garantir os beneficias pagos no futuro. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso Marcos Vil?lain Neder de Lima - Presidente Publicado no DOU em 24.03.2009 Relator: Hugo Correia Sotero Recorrente: PRECE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Recorrida' 3" TURA/IA/DIU-RIO DE JANEIRO/RJ I Curvo-me h novel orientacào do Colegiado e das extintas Câmaras do Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento. 15
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Numero do processo: 16349.000050/2009-32
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS EXPORTAÇÃO. FRETE INTERNO. CUSTO DE PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE
O frete incorrido na aquisição dos insumos, bem como na transferência de insumos ou mesmo produtos acabados entre os estabelecimentos ou para armazéns geral, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002.
Numero da decisão: 3301-008.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira. Divergiu o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que negava provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-008.738, de 22 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 16349.000040/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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FRETE INTERNO. CUSTO DE PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE O frete incorrido na aquisição dos insumos, bem como na transferência de insumos ou mesmo produtos acabados entre os estabelecimentos ou para armazéns geral, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira. Divergiu o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que negava provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-008.738, de 22 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 16349.000040/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 50 /2 00 9- 32 Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a ressarcimento de créditos de PIS/COFINS não cumulativos – Exportação. Após fiscalização, com diversas intimações para apresentação de documentos, demonstrativos, notas fiscais, conhecimentos de transporte, dentre outros, a autoridade administrativa proferiu o despacho decisório para glosar os créditos apurados sobre despesas de frete incorridas na aquisição de insumos e na remessa para armazém ou filiais, fretes estes desvinculados das operações de venda. Assim, reconheceu parcialmente os créditos pleiteados. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para fins de reverter as glosas, sob o argumento de que os fretes representam insumos de seu processo produtivo, apresentando jurisprudência administrativa nesse sentido. No julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ proferiu o Acórdão, para julgar improcedente a manifestação de inconformidade e manter as glosas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. Somente dá direito a crédito, no regime de incidência não cumulativa, o frete na aquisição cujo valor esteja incluído no preço dos bens para os quais a legislação também preveja igualmente o direito a crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada da r. decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário para repisar os argumentos de sua defesa inicial. É o que basta para relatar. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 513DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 O recurso voluntário é tempestivo. Cinge a controvérsia na discussão sobre a possibilidade de apuração dos créditos de COFINS não cumulativa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo, bem como nas remessas de produtos produzidos pela Recorrente para armazéns. A fiscalização realizou as glosas, admitindo o crédito apenas nas despesas com armazéns e fretes nas operações de venda, verbis: Dos créditos das despesas de armazenagens e fretes na operação de venda 30.Para apurar a base de cálculo do crédito a descontar decorrente das despesas de armazenagens e fretes na operação de venda, foram utilizados os arquivos digitais apresentados pelo interessado conforme a IN SRF nº 86/2001 e o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 23 de outubro de 2001, alterado pelo Ato Declaratório Cofis nº 55, de 11 de dezembro de 2009 (Anexo n° 12585.000003/2012-41 do presente processo). 31.Utilizando esses arquivos, foi elaborado relatório no Contágil. A partir deste relatório e utilizando-se de técnicas de auditoria, selecionou-se uma série de conhecimentos de transporte (fls. 36 a 269) para corroborar as informações dos aquivos digitais - 3° Intimação Fiscal (fls. 33 e 34). 32.Os valores informados nos arquivos digitais foram comprovados por essa seleção de notas e estão de acordo com os valores informados no DACON. Mas detectou-se que parte dos fretes que compõem a base de cálculo dos créditos referentes a essa rubrica não se referem a frete na operação de venda. Esta condição é necessária para que o contribuinte possa se creditar, segundo o art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003, in verbis: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” 33.Sendo assim, a parte do crédito referente aos fretes ligados a outras operações, que não a operação de venda, foi glosada por esta fiscalização, de acordo com planilha à fl. 667. 34.Resumo da glosa: (grifei) Veja que a motivação da glosa é tão somente esta. A partir de todas as notas fiscais e contabilidade, a fiscalização constatou que parte dos fretes não estão vinculados às operações de venda. Assim, não têm pertinência ao caso concreto os argumentos da d. DRF desenvolvidos no acórdão recorrido, no sentido de que a Recorrente não comprovou ter assumido o ônus desses custos para que passassem a integrar o custo de aquisição dos insumos. Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 A discussão sobre o conceito de insumos resta superada pela jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento, em sede de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR, que julgou como ilegais as Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 ao firmar a seguinte tese: “O conceito de insumo deve ser aferido a luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte” (grifei): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifei) Trata-se o insumo, portanto, de uma despesa incorrida para a aquisição de um bem ou de um serviço essencial ou relevante para a produção ou para a prestação de serviço, não se incluindo aí uma essencialidade para o comércio ou para a administração da empresa. Veja que são despesas “na” produção /prestação de serviços, o que afasta também a consideração como insumo quaisquer outras despesas ou encargos incorridos, como publicidade, representante comercial e que tais, já que esta despesa não é Fl. 515DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 incorrida NA produção ou NA prestação de um serviço. Ou se produz um serviço ou se produz um produto, assim é possível verificar quais foram os insumos desta produção. Este é o teor do quanto previsto no artigo 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ao estabelecer que os créditos serão apurados sobre bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3º (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes Quando a despesa de transporte é incorrida pelo adquirente do insumo, separado do valor da operação, este frete é tributado pelas contribuições e deve ser considerado insumo para compor a base de cálculo dos créditos. Especificamente: se o adquirente do produto contrata um serviço de frete para o prestador do serviço buscar a mercadoria (insumos) onde quer que ela esteja para trazer até seu estabelecimento, esse frete é insumo, com direito à crédito, independentemente do produto em si não ser tributado. Neste sentido, se os fretes sobre as compras correram por conta do comprador, tais despesas não integram o custo de aquisição dos bens, consistindo em um serviço que onera o processo produtivo, sendo cabível a apuração dos créditos. Acórdão nº 3402-006.999. Relator Pedro Sousa Bispo. Sessão de 25/09/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 (...) CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. --- Acórdão nº 3402-007.189. Relatora Maria Aparecida Martins de Paula. Sessão de 17/12/2019 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PIS/COFINS. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A essencialidade do serviço de frete na aquisição de insumo existe em face da essencialidade do próprio bem transportado. O serviço de transporte do insumo até o estabelecimento da recorrente, onde ocorrerá efetivamente o processo Fl. 516DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 produtivo de interesse. Embora anteceda o processo produtivo da adquirente, trata-se de serviço essencial a ele. A subtração desse serviço privaria o processo produtivo do próprio bem essencial (insumo) transportado. Se o frete aplicado na aquisição de insumos pode ser também considerado essencial ao processo produtivo da recorrente, cabível é o creditamento das contribuições em face de tais serviços, independentemente do efetivo direito de creditamento relativo aos insumos transportados. Apreciando esta matéria, esta colenda 1ª Turma Ordinária, no acórdão 3301-006.035 de relatoria do i. Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferiu o entendimento de que o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições. O mesmo raciocínio se aplica ao frete do produto acabado, após a produção realizada pela contribuinte, para as remessas entre estabelecimentos ou para transferência ao armazém geral, ainda antes da operação de venda. Isso porque o serviço de frete interno dos insumos e produtos acabados entre estabelecimentos, ou mesmo serviço de frete entre estabelecimento e armazém, incluindo aí próprio serviço de armazenamento, em que pese após a produção do produto em si, ainda fazem parte do processo produtivo e integram o custo de produção, já que não estão vinculados à operação de venda. É por isso que o crédito, nessa hipótese, se faz na modalidade de insumo, previsto no artigo 3º, II, e não na modalidade de frete e armazém na operação de venda, previsto no artigo 3, IX, todos da Lei 10.833/2003. Estes custos de frete interno e armazém irão compor o custo de produção e farão parte do valor agregado ao produto produzido pela indústria. Daí sua configuração como insumo. As turmas ordinárias e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais possuem entendimento consolidado na matéria: Acórdão nº -3201-006.152. Relator Hélcio Lafetá Reis. Publicação 11/12/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/2013 a 31/12/2015 (...) CRÉDITO. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E PARA ARMAZÉNS GERAIS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa ou destinados a armazéns gerais, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratar-se de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. --- Acórdão 9303-009.736. Relator Rodrigo da Costa Pôssas. Publicação 11/12/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 Fl. 517DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 CUSTOS/DESPESAS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS, EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, FERRAMENTAS E MATERIAIS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. LIMPEZA E INSPEÇÃO SANITÁRIA CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes entre estabelecimentos para transporte de produtos acabados, com embalagens para transporte dos produtos acabados, com ferramentas e materiais utilizados nas máquinas e equipamentos de produção/fabricação e com limpeza e inspeção sanitária enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. Note que esse raciocínio se presta a permitir o tratamento do frete como insumos se vinculado ao processo produtivo. Melhor dizendo, o frete incorrido na aquisição de insumos para seu processo produtivo, bem como o frete incorrido para a transferência interna do produto que acabou de ser produzido, deve ser considerado insumo. Importante sopesar um argumento do v. acórdão recorrido em relação à aquisição de produtos acabados para revenda, no sentido de que a Recorrente não fez prova de que suportou a despesa do frete nessa aquisição, situação que justificaria a glosa da despesa como insumo porque não houve prova de que o frete faz parte do custo da aquisição. Realmente, não se trata de insumo, mas isso não foi objeto de glosa. Não será insumo o frete incorrido na aquisição de produtos produzidos por terceiros para realizar uma revenda. Isso porque, nessa operação, a contribuinte atua como comerciante/revendedor, nada produzindo, não havendo que se falar em insumos para o processo produtivo. Até porque, se assim for, o frete na aquisição do produto para revenda integra o valor da operação nessa aquisição, se suportado pelo adquirente, mas debitado em sua conta pelo fornecedor do produto. Assim, já compõe a base de cálculo da apuração do crédito por fazer parte do custo de aquisição da mercadoria adquirida para revenda. Portanto, o caso trata de crédito no artigo 3º, II da Lei 10.833/2003. É de se reconhecer, portanto, o direito à apuração dos créditos das contribuições sobre as despesas incorridas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e para armazenamento. Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para dar provimento. Informe-se que o crédito se refere à Cofins ou PIS. Assim, as referências a Cofins constantes no voto condutor do acórdão paradigma retro transcrito devem ser aplicadas, nos mesmos termos, ao crédito de PIS. Fl. 518DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-008.741 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000050/2009-32 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 519DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0321.10345.TT2O. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 03/12/2020 13:22:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 03/12/2020. Documento assinado digitalmente por: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA em 07/12/2020. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 19/03/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0321.10345.TT2O Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 3E0489D0B6A6539EF3DE28E2D0C07ACDB50B3CBA791A6A81C99E385F54EE0FC2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16349.000050/2009-32. 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Numero do processo: 13830.903265/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do Fato gerador: 13/06/2003
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. ANÁLISE DO DIREITO PELO FISCO.
A legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos, não sendo possível o reconhecimento por preclusão de crédito tributário objeto de pedido de restituição.
Numero da decisão: 3301-010.600
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.597, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13830.903243/2011-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato gerador: 13/06/2003 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. ANÁLISE DO DIREITO PELO FISCO. A legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos, não sendo possível o reconhecimento por preclusão de crédito tributário objeto de pedido de restituição.
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ANÁLISE DO DIREITO PELO FISCO. A legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos, não sendo possível o reconhecimento por preclusão de crédito tributário objeto de pedido de restituição. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.597, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13830.903243/2011-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 32 65 /2 01 1- 00 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.600 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903265/2011-00 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Visando à elucidação do caso, adoto o relatório do constante da decisão recorrida. Segundo esse relatório, trata-se de Pedido de Restituição Eletrônico – PER apresentado pela interessada, relativo à Pagamento Indevido e/ou a Maior (PGIM) de PIS/Cofins. Conforme Despacho Decisório Eletrônico, o direito creditório foi parcialmente reconhecido, mediante o fundamento de que o pagamento apontado foi parcialmente alocado a débito confessado, restando saldo disponível inferior ao pretendido. Cientificada do despacho decisório a interessada apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos, na qual defendeu seus direitos e requereu a homologação tácita da totalidade do crédito pretendido, reformando-se ou cancelando-se o Despacho Decisório. A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual são apresentadas questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente concentra seu Recurso Voluntário no argumento de que, se a autoridade fiscal não analisou seu pedido de restituição no prazo de cinco anos, haveria decadência. Cumpre lembrar que a Recorrente apresentou o PER 7 e não apresentou posteriormente Pedido de Compensação. Conforme se concluiu na decisão recorrida, a legislação não estabelece um prazo para a Administração tributária analisar os pedidos de restituição e não há direito à restituição por preclusão ou por decadência. Reproduzo o entendimento da decisão recorrida, com o qual concordo e adoto integralmente. Vejamos os termos da decisão recorrida: Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.600 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903265/2011-00 A manifestação de inconformidade é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. No que tange ao lapso temporal transcorrido para que o pleito da contribuinte fosse analisado, em que pese suas alegações, fato é que a legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos. De outro lado, o prazo processual é matéria expressamente regulada no Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal. E, particularmente aos atos processuais, assim dispôs o mencionado Decreto: “Art. 4.º. Salvo disposição em contrário, o servidor executará os atos processuais no prazo de 8 (oito) dias.” Na técnica processual, prazos próprios são aqueles cujo descumprimento produz uma conseqüência específica dentro da relação processual, qual seja, em regra, a de perder o direito, no âmbito restrito do curso processual, de fazer aquilo a que aquele prazo se destinava (preclusão). Já os prazos impróprios representam limites legais cujo descumprimento importa, eventualmente, em sanções disciplinares, sem interferir no conteúdo da relação processual em si (na esfera judicial, são tidos como prazos impróprios aqueles atribuídos ao juiz, e próprios, em regra, os atribuídos às partes). O prazo previsto no artigo 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, é, assim, prazo impróprio, destinado que é não às partes da relação jurídico-processual, mas à autoridade local, para a prática dos atos de condução do processo. O art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 10.833, de 2003, tratando especificamente de compensação e fazendo uso da previsão contida no art. 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, que facultou a execução de ato processual em lapso de tempo diferente de 8 (oito) dias, estipulou prazo próprio de 5 (cinco) anos para a homologação, pela autoridade administrativa, da compensação declarada pela contribuinte. Como dito acima, o prazo estabelecido no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, aplica-se, tão-somente, na apreciação das declarações de compensação, haja vista sua natureza jurídica diversa, que opera efeitos constitutivos e extintivos de débitos a partir da data de transmissão. A jurisprudência trazida pela Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.600 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903265/2011-00 recorrente trata, justamente, dessa hipótese de Declaração de Compensação, não se referindo a Pedido de Restituição. A Lei nº 9.784, de 1999, por sua vez, aplicável subsidiariamente no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, foi editada no sentido de regular o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelecendo a obediência aos princípios constitucionais que devem regrar a atuação da Administração Pública, entre os quais aqueles citados pela recorrente, de segurança jurídica e duração razoável do processo. Muito embora também verse sobre atos dos processos administrativos (ciência ao interessado, intimação, petição, dever de decidir, prazos processuais), não respalda eventual conclusão de que, diante da demora na análise do pedido, resta reconhecido o pleito de restituição de indébitos tributários feito pela contribuinte. Não se pode olvidar que a atuação da Administração Pública regra-se pela legalidade. Assim é que a busca pela eficiência – aqui compreendida a resposta ao administrado em prazo mais breve possível – não prescinde da verificação da legitimidade do pleito, especialmente no caso de restituição de tributos. Portanto, incabível a pretensão de aplicação das disposições do art. 108 do CTN, pois inexiste lacuna legal acerca do prazo para conclusão de atos processuais, sendo imperioso reconhecer que, nos casos de pedido de restituição, à falta de determinação expressa em sentido contrário, aplica- se a disposição do art. 4º do Decreto nº 70.235/1972, cuja inobservância não interfere no conteúdo da relação jurídico-tributária tratada no pedido de restituição. Dessa forma, não há de se falar em reconhecimento de crédito tributário objeto de pedido de restituição por preclusão. Importante destacar que o tratamento do PER transmitido pela contribuinte se deu de forma eletrônica. O deferimento parcial do PER em tela decorreu do fato de o DARF como origem do crédito ter sido parcialmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. Dessa forma e considerando que o Recurso Voluntário se concentrou na questão da decadência ou preclusão, proponho manter o entendimento da decisão de piso, nos seus próprios termos. Diante do exposto, proponho negar provimento o Recurso Voluntário. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.600 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903265/2011-00 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste processo. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10768.009918/2001-95
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
EXERCÍCIO: 1999
IRPF. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO.
O imposto pago no exterior é dedutivel quando há reciprocidade de
tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento através da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado.
Não se exige do sujeito passivo a demonstração da não compensação ou da não restituição do tributo no pais de origem dos rendimentos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior que dava provimento.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. O imposto pago no exterior é dedutivel quando há reciprocidade de tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento através da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado. Não se exige do sujeito passivo a demonstração da não compensação ou da não restituição do tributo no pais de origem dos rendimentos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior que dava provimento. 4 - CARLOgrALPIRT • EITAS BA' ' ETO- Presidente 1 \ 1 111 JULIO CESAR VIEIRA GOMES — R lator 1•EDITADO EM: 3 1 1v1,11; 1 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Ryeardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual se decidiu por dar provimento ao recurso voluntário, aceitando a dedução dos valores de impostos pagos no exterior. Segue ementa: IRPF. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. O imposto pago no exterior é dedutivel quando há reciprocidade de tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento através da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado. Não se exige do sujeito passivo a demonstração da não compensação ou da não restituição do tributo no país de origem dos rendimentos. Recurso provido. Segue transcrição de trechos do relatório pertencente ao acórdão recorrido: Trata-se de recurso voluntário interposto em 04 de abril de 2006 (fls. 77/86) contra o acórdão de fls. 68/72, do qual a Recorrente teve ciência em 13 de março de 2006 gr. 75 verso), proferido pela 3`: Turma da DRJ no Rio de Janeiro (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de/Is. 41/94, decorrente de: "DEDUÇÃO INDEVIDA A TITULO DE CARNÉ-LEÃO" (f. 44) Em sessão realizada em 13 de janeiro de 2006, a Recorrida considerou procedente o lançamento, através de acórdão que teve basicamente a seguinte fundamentação: "Os documentos juntados na impugnação não fazem prova quanto à inexistência de compensação ou restituição do imposto no pais de origem dos rendimentos como também não constam traduzidos por tradutor juramentado e autenticados pela representação diplomática do Brasil naquele pais." (17. 72) "\51 Em seu recurso, a Recorrente procurou demonstrar que: "a) o Brasil celebrou com a Argentina convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda, a qual foi incorporada à legislação interna brasileira pelo Decreto Legislativo no. 74, de 2 Processo n° 10768.009918/2001-95 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.633 Fl. 2 05.12.1981, e promulgada pelo Decreto no. 87.976, de 22.12.1982 (CONVENÇÃO); •-• c) a exigibilidade da prova da reciprocidade de tratamento tributário só tem cabimento no caso de ausência de convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda celebrada entre o Brasil e o país de origem dos rendimentos, uma vez que, em havendo tal convenção, esta deve ser observada internamente, ante os fundamentos, legais e jurisp-udencial, referidos na letra b), acima; d) a CONVENÇÃO não prevê como condição para compensação do imposto pago na Argentina com aquele devido no Brasil a comprovação da não-restituição ou não-compensação, na Argentina, do imposto pago naquele pais (art. XXIII), sendo que também a Portaria do Ministro da Fazenda (MF) no. 22, de 20.01.1983, que tratou de disciplinar o método da referida compensação, de igual modo não contempla condição desse jaez (item HO; e) a exigência da comprovação da não-restituição ou não- compensação sequer foi imposta no Brasil por meio de lei (em sentido estrito), o que infringe o art. 170 do CTN, estando ela fundada em mero decreto cuja função seria a de apenas regulamentar e não extrapolar a lei (C7N, art. 99), lei essa que, no caso, não existe, e mesmo que existisse, não poderia dispor diversamente da CONVENÇÃO (art. 98 do CTN); f) ainda que fosse possível que mero decreto ou ato legal de hierarquia inferior à lei pudesse criar a exigência em causa (como condição da compensação do imposto pago na Argentina com aquele devido no Brasil), a norma não seria auto-aplicável, ante não esclarecer por que meio a prova (da não-restituição ou da não-compensação, na Argentina, do imposto pago naquele pais) deveria ser produzida, o que seria por demais necessário, por tratar-se de 'prova negativa'; ï ; g) qualquer 'prova' da não-restituição ou 'não-compensação' configuraria ónus da autoridade fázendária, já que ela ('prova) estaria enfeixada entre os deveres de colaboração que os Estados celebrantes de convenções reciprocamente se obrigam a cumprir a título de 'troca de informações', que, no caso da CONVENÇÃO, está contemplada no art. XXVI; neste particular, a jurisprudência administrativa (de primeiro grau, inclusive) é firme no sentido de que o ônus de tal prova não é do contribuinte, mas da fiscalização; h) devem ser considerados os recibos que comprovam que o BANCO reteve o IR argentino, uma vez que foram traduzidos para a língua portuguesa por tradutor público juramentado, não se fazendo necessária autenticação pela representação diplomática do Brasil na Argentina, por ausência de previsão legal nesse sentido." (fi. 80). 3 Depósito às fls. 98 e 118. É o relatório. A decisão recorrida considerou que foram atendidos os requisitos para a dedução do imposto pago no exterior: a) acordo de reciprocidade de tratamento entre o Brasil e a Argentina; e b) comprovantes dos pagamentos realizados no exterior com documento traduzido por tradutor juramentado. A recorrente alega que houve contrariedade às evidências das provas Cozidas aos autos: os recibos de pagamento não comprovam que a remuneração sofreu dedução de imposto; o valor declarado como imposto pago no exterior R$ 22.037,26 corresponde a todas as deduções (fls. 10 e fls. 991111). Em contra-razões, rebate a interessada: a dedução denominada GANHOS (código. 800) é o imposto de renda argentino. É o breve relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo e comprovada a contrariedade, CONHEÇO DO RECURSO. Como se verifica no relatório, o recurso especial cinge-se a demonstrar que os recibos de pagamento no exterior não comprovam que a remuneração percebida no exterior tenha sofrido desconto do imposto de renda. De fato, sem essa comprovação não haveria o que deduzir do IRPF a ser pago no Brasil; no entanto, vejo que o interessado logrou comprová-la, atendendo o que dispõe a IN SRF n°73, de 23/07/98: Art. 16. Os demais rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior, auferidos a qualquer titulo por residente no Brasil, inclusive os decorrentes de participações societárias e de aplicações financeiras, transferidos ou não para o Brasil, estão r,sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) e na Declaração de Ajuste Anual. [ (Ç[/ § /o O imposto de renda pago em pais com o qual o Brasil tenha firmado acordos, tratados ou convenções internacionais prevendo a compensação, ou naquele em que haja reciprocidade de tratamento, poderá ser considerado como redução do imposto devido no Pais, desde que não seja compensado ou restituído no exterior. Não procede o argumento de que o valor deduzido de R$ 22.037,26 corresponde a total de deduções que constam nos recibos de pagamento. Efetuei a soma de todos os descontos, mês a mês, e cheguei ao montante de R$ 27.684,21, o que toma a 4 Processo n° 10768.009918/2001-95 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.633 Fl. 3 afirmação inverídica. E, somando apenas o desconto sob a denominação GANHOS, de fato, o montante é de R$ 18.814,74, conforme indicado pelo interessado às fls. 157. Por esses fatos, entendo que deve ser mantido o acórdão recorrido, uma vez que o interessado logrou comprovar o pagamento do imposto no exterior, fato contestado no especial. Portanto, roto 0-1- negar provimento ao recurso especial. ,i / Julio Cts' r Vi Gomes - Relator : 5 5
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Numero do processo: 11041.000166/2003-17
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998, 1999
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA COM RELAÇÃO À QUESTÃO DA PRESUNÇÃO DO ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96 - CONJUNTO PROBATÓRIO - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO NESTA PARTE.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 15, § 2º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que
autorizava a interposição de recurso especial devia estar demonstrada de forma fundamentada, o que não acontece no caso, onde a Fazenda Nacional se insurgiu contra o afastamento da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, que ocorreu com base no conjunto probatório dá autos, mas deixou de comprovar as decisões divergentes para situações idênticas ou muito semelhantes.
IRPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96).
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro
de cada ano-calendário, Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CIN. Para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento
antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano-calendário 1997.
Recurso parcialmente conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-000.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso relativo ao mérito da presunção de omissão de rendimentos. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele conheciam. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que lhe davam provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 15, § 2', do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que autorizava a interposição de recurso especial devia estar demonstrada de forma fundamentada, o que não acontece no caso, onde a Fazenda Nacional se insurgiu contra o afastamento da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, que ocorreu com base no conjunto probatório dá autos, mas deixou de comprovar as decisões divergentes para situações idênticas ou muito semelhantes. IRPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96). O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador., que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos EDITADO EM: SEI 2010 Processo n° 11041.000166/2003-17 Acórdão ri" 9202-00.907 CSRF-T2 Fl. 2 termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CIN. Para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano- calendário 1997. Recurso parcialmente conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso relativo ao mérito da presunção de omissão de rendimentos. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele conheciam. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que lhe davam provimento. 1/\4/Lr/ Carlos Alberto Fre t, s Barreto Presidente C3 7 Gonçalo k • llag -.Relato Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.. Relatório Em face de Alexandre Mattos Sarmento foi lavrado o auto de infração de fls. 02-17 (Volume I), para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 1998 e 1999, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de oficio de 75%. Houve ciência pessoal do lançamento em 15/04/2003 (fls. 17). A 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria (RS) considerou o lançamento procedente em parte, reduzindo a base de cálculo da exigência referente ao ano-calendário 1998 em R$ 258.814,22 (fis. 1.880-1.892, Volume VIII). Processo n" 11041000166/2003-17 Acórao n " 9202-00.907 CSRF-T2 Fl 3 Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 102-48,252, que se encontra às fls. 1.947-1,960 (Volume VIII), cuja ementa é a seguinte: Assunto. Imposto de Renda de Pessoa Física — IRPF Ano-calendário. 1997 IRPF - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do ,fato gerador.. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do .fato gerador (art. 150, § 4", do CTN). Ano-calendário; 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS — CRITÉRIOS PARA AFASTAR A PRESUNÇÃO — DEPÓSITOS BANCÁRIOS, - Em face da alegação de que os . fatos não ocorreram conforme presumiu o legislador, cabe ao julgador-, diante da prova carreada aos autos, ,formar convencimento para, diante do caso concreto, decidir se a presunção estabelecido pelo legislador corresponde à realidade dos fatos que estão .sob julgamento. - A formação do convencimento de quem julga deve ser . feita com base em todas as circunstâncias que cercam o caso. A presunção em relação aos depósitos bancários é que eles constituem rendimentos do seu titular, presunção esta que, dadas as provas dos autos, tenho como não verificada no caso concreto. Preliminar acolhida Recurso provido, A decisão recorrida, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência relativa ao ano-calendário 1997, vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, concluindo que a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é inaplicável ao caso. Intimada do acórdão em 17/07/2007 (fls. 1.961, Volume VIII), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7', incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 1.973-1.979, acompanhado do documento de fls. 1.980 (Volume IX), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Em relação à presunção contida no artigo 42 da Lei n° 9,430/96, o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida por este e. Conselho de Contribuintes. E quanto à preliminar de decadência do IRPF, o r, acórdão nega vigência a dispositivo de lei (artigos 149, V; 150, §4° e 173, I, do CTN), devendo portanto ser reformado; 3 Processo n' I 1041 000 I 66/2003-17 Acórdão n 9202-00.907 CSRF-T2 F I 4 b) A decisão recorrida, ao afastar a presunção prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, apesar do contribuinte não ter comprovado a origem dos depósitos bancários, por meio de documentos hábeis, diverge do acórdão n° 106-14,764; c) Demonstrada, assim, a divergência jurisprudencial diante da ementa anexa, encontra-se presente o requisito de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 7 0 , inciso II, do RICSRF (Portaria 114F n° 147/2007); d) O acórdão recorrido contrariou frontalmente os artigos, 149, V; 150, §4° e 173, 1, do CTN, ao julgar, por maioria de votos, que o lançamento referente ao ano-calendário de 1997 estaria alcançado pela decadência; e) Quando não há pagamento antecipado ou quando este pagamento é inexato, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I, do CTN e não o artigo 150, § 4 0, do CTN; f) Assim, para o fato gerador ocorrido em 1997, o lançamento somente poderia ser efetuado em 1998, fázendo com que o inicio do prazo decadencial fosse para o dia 1° de janeiro de 1999. Contando-se cinco anos, tem-se que a decadência iria ocorrer em 31/12/2003, Como a ciência do auto ocorreu em abril de 2003, o lançamento não aconteceu a destempo; g) Quanto à presunção de omissão de rendimentos, registre-se que para a comprovação da origem dos depósitos é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos. No presente caso, o contribuinte não conseguiu comprovar a origem de cada depósito. Ressalte-se que não basta, para justificar os depósitos, alegar que a movimentação financeira apurada seja proveniente da pessoa jurídica, é necessária, como já mencionado, a comprovação da origem de cada depósito; h) Desse modo, deve ser mantida a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, já que não restou devidamente comprovada a origem dos valores depositados; i) Deve ser reformado o acórdão recorrido, com o restabelecimento da decisão de primeira instância. O contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 1,967-L969 (Volume IX), os quais restaram rejeitados através do Despacho n° 338 (fis, 1,983), com fundamento na manifestação do Conselheiro Relator da decisão recorrida às fls. 1,982, Na seqüência, admitido o recurso especial por meio do Despacho n° 339 (fis, 1.984-1.986, Volume IX), o sujeito passivo foi intimado e, devidamente representado, apresentou contra-razões às fis, 1,989-1.996, onde alegou, em apertada síntese, que: 7,2r 4 Processo rip 1041000166/200.3-17 Acórdão n 9202-90..907 CSRF-T2 11 5 7 , 1. O recurso não pode ser conhecido, pois o acórdão n° 106-14,764 não serve como paradigma, eis que em nada se assemelha à situação fática do caso recorrido; Quanto ao mérito, no caso dos autos, a origem dos depósitos bancários está devidamente comprovada, qual seja, são provenientes do comércio relacionado a posto de gasolina; 3. Com relação à decadência, aplica-se ao caso a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, de modo que a decisão recorrida deve ser confirmada. É o Relatório, Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, mas apenas com relação à decadência. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência referente ao ano- calendário 1997 e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, para cancelar a exigência relativa ao ano-calendário 1998, sob o fundamento de que a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9,430/96 é inaplicável ao caso. A recorrente defendeu que: a) deve ser mantida a autuação com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, trazendo como paradigma o acórdão n° 106-14.764; b) a decadência não atingiu o lançamento referente ao ano-calendário 1997, ainda que a ciência do lançamento tenha ocorrido apenas em 15/04/2003 (fls. 17). De acordo com o artigo 7°, inciso II, combinado com o artigo 15, § 2', ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 147/2007: Art 7°, Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, Art, 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado enz petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver pra/atado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão, /1 ( 5 Processo n° 11041.000166/200,3-17 Acórdão n 9202-00.907 CSRF -12 FI 6 § 2" Na hipótese de que trata o inciso H do art 7" deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, ,fandamentadamente, divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente ria Câmara recorrida Na visão deste julgador, para que pudesse ser apreciada por este Colegiada a questão envolvendo o mérito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, caberia à recorrente a demonstração fundamentada da divergência jurisprudencial, conforme previa o artigo 15, § 2', do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, o que não ocorreu, No voto condutor do acórdão recorrido, o Relatar, Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, fez as seguintes considerações para afastar a exigência (fls. 1,954, 1,958-1,960, Volume VIII): Nas primeiras informações que prestou àrfiscalização 40/41), o impugnante, que em 1997 contava com 20 anos de idade, registra que é filho Joana Sarmento e _lonas Sarmento, únicos sócios da empresa AGROPOSTO, que tem por objeto social o comércio de combustível e derivados de petróleo, ou seja, posto de gasolina, oportunidade em que, ein virtude de grave problemas de doença na família (câncer e depressão eia sua mãe e leucemia em seu avô paterno, que inclusive veio a falecei), viu- se obrigado a assumir o comando da empresa e passou a movimentar os recursos da citada pessoa jurídica por meio de suas contas particulares, abertas recentemente Quando das informaçôes prestadas às fls. 40/41, o contribuinte juntou documentos relacionados à doença de sua mãe, planilha de pagamento correspondente às despesas da COMERCIAL DE COMBUSTíVEL AGROPOSTO, pertencente aos seus pais (fl. 50/55) Em 04 de fevereiro de 2003 o contribuinte juntou novas Manilhas (fls. 057 a 83) relacionando gastos da pessoa jurídica antes referida que foram pagos com os recursos depositados em sua conta corrente, sendo que nesta oportunidade requereu prorrogação de prazo por mais (10) dias para completar os documentos, o que . fez eia 14/02/2003 quando . juntou a planilha de crédito na conta corrente no ano de 1998, esclarecendo que ditos valores referentes aos créditos correspondem ao pagamento das notas . fiscais de venda de produtos para .firmas destinatárias, as quais efetuallani o pagamento das compras através de crédito direto na conta, antes das firmas Agroposto e Diesel Sul e depois na conta particular . do contribuinte, Consta dos autos recibos de pagamento de salários de funcionários da COMERCIAL DE COMBUSTÍVEL AGROPOSTO LIDA (fls 132/162) e as Manilhas. de ,fls. 165/169) e o requerimento de fls. 170 por meio do qual o 6 Processo ri' 11041 000166/2003-17 Acórdão n 9202-00,907 CSI2F-T2 Fl 7 contribuinte requer ao BANCO BRADESCO a microfilmagem de aproximadamente duas centenas de cheques. Foi juntado aos autos (fis. 680/728) o Diário Geral da empresa COMERCIAL DE COMBUSTÍVEL AGROPOSTO LTD.4 Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda do Contribuinte, ano-calendário de 1988 (fi, 7.29), sendo que no ano de 1997 o recorrente .figura como dependente na Declaração do Imposto de Renda do seu pai (11 1941); microfilmagem de cheques (fls. 560/644); notas .fiscais de venda de combustível ao • consumidor e a empresas, bem como dois anexos relacionados à contabilidade da empresa COMERCIAL DE COMBUSTÍVEL AGROPOSTO LTDA. ) Retomando a análise da matéria [ática e ingressando na verificação da prova, não há como desconsiderar que no ano de 1997, em relação ao qual o contribuinte não juntou documentos à semelhança do que fez em relação ao ano de 1998, a .fiscalização identificou créditos nas contas bancárias no valor de R$ 1,434,013,40 e no ano de 1998, somente nas três contas do Banco Meridional (fls. 28 a .35), identificou créditos no valor de aproximadamente R$ 650.000,00, restando, como de origem não comprovada, R$ 152.829,80, que equivale a quase um quarto dos depósitos investigados. Olhando os valores, de . forma isolada, tratam-se de quantias expressivas, mas lançados estes números dentro da movimentação .financeira do recorrente e da empresa de seus pais, da qual passou a se,- sócio (ver extratos de movimentação do anexo II da empresa), tal valor .fica abaixo do percentual de 12% (vinte e cinco por cento) do que . foi creditado na conta do recorrente, Não estou adotando o percentual de dez, vinte ou trinta por cento para dizer que, em toda e qualquer situação, para formação do meu convencimento, o correntista que, passados mais de quatro anos, provar pelo menos, setenta, oitenta ou noventa por cento da origem dos recursos que transitaram por sua conta afasta a presunção do artigo 42 da Lei 9.4.30, de 1996, Para mim, cada caso requer avaliação específica. No caso dos autos, observo que ao listar e comprovar a utilização dos recursos para pagar despesas da pessoa jurídica, a .fiscalização, em determinada oportunidade, registra que tal procedimento comprova a destinação dos recursos, mas não a origem. A observação fèita pela „fiscalização é procedente, mas não pode desconsiderar as circunstâncias do caso concreto. É sabido que os postos de gasolina, nas vendas ao consumidor; em face da substituição tributária relativa ao ICMS, salvo quando solicitado, não emitem nota fiscal em cada uma das vendas.. Ademais, também não se pode ignorar que as vendas de combustíveis e derivados de petróleo, feitas por meio dos postos de gasolina, são pagas parte em cheque e parte em dinheiro. A identificação da origem do valor que a empresa recebeu em, -7 8 Processo n" 11041,000166/2003-17 Acórdão n 9202-00,907 CSRF-12 Fl. 8 dinheiro, sem emitir nota fiscal ao consumidor, constitui-se em prova impossível, Se o contribuinte, pelas circunstâncias elencadas nos autos, depositou em sua conta os recursos recebidos em moeda corrente, ainda que num segundo momento venha a utilizá-los para pagar despesas da empresa, não vejo como, documentalmente, que não a declaração do próprio representante da empresa, provar a origem dos recursos que ingressaram na conta bancária do contribuinte e saíram para pagar contas da empresa Diante tia conclusão da fiscalização de comprovação da utilização de parte dos recursos para pagar despesas da empresa, sem a comprovação de que estes pertenciam à empresa, tenho que não é crivei, em circunstâncias normais, que alguém pague com seu dinheiro particular contas de determinada empresa, quando esta, sabidamente, deposita na conta do particular os recursos que este, na circunstância revelada nos autos, utilizava para pagar os débitos da pessoa jurídica. Ademais, salvo a procedência de atividade ilícita do dinheiro que transitou pelas contas do recorrente, o que não se nem o menor indício, muito antes pelo contrário, considerando que recorrente não exercia outra atividade senão a de grande responsabilidade de administrar a empresa de Seus pais, em momento de graves problemas familiares, só posso concluir que os recursos utilizados para pagar as despesas da empresa efetivamente pertenciam a esta O anexo II contém os extratos da movimentação do Caixa da empresa COMERCIAL DE COMBUSTI VEL AGROPOSTO LTDA cujos recursos serviam de origem à movimentação das contas particulares do recorrente. Sabidamente, confarine relatado anteriormente, nos postos de gasolina os pagamentos sãoefetuados em cheque, dinheiro e atualmente também por meio de cartões de crédito 0 ideal, no caso concreto, seria a fiscalização ter solicitado os extratos bancários da pessoa jurídica para ver se eventualmente OS recursos creditados na conta corrente do contribuinte não tinham outra origem, pois, se eventualmente os recursos da pessoa jurídica estivessem sendo creditados em conta desta, não poderiam servir de base para, também, justificar a origem da movimentação financeira do recorrente, A fiscalização entendeu desnecessária tal prova em face da presunção Todavia, analisando as circunstâncias do caso concreto, tenho que as provas carreadas pelo contribuinte afastam a presunção de que trata o artigo 42 da Lei n°, 9.430, de 1996. Por .. .fim, mas não menos importante, observo que o agente fiscal, de forma precisa, ainda que por amostragem, verificou as justificativas que o contribuinte apresentou para vários cheques e que segundo a fiscalização, não conferem, como por exemplo o cheque n° 001732, no valor de R$ 3.000,00, para depósito no Bradesco, para pagamentos de títulos e retirada para caixa, sendo que o referido cheque, com cópia à /1 568, demonstra que o mesmo foi efetivamente utilizado para saque, tendo sido preenchido nominalmente a Luiz Fernando C Ribeiro. A Processo n" 1 1041 000166/2003-1 7 Acórdão ri' 9202-00,907 CSRF-T2 H. 9 .fiscalização não aceitou a justificativa por ter sido o cheque preenchido nominal a Luiz Fernando C. Ribeiro. Tenho que circunstâncias como estas não são suficientes para afastar a conclusão que a que cheguei de que os recursos que transitaram pela conta do recorrente eram oriundos da empresa COMERCIAL DE COMBUSTÍVEL AGROPOSTO LTDA e que se deu em razão das circunstâncias antes relacionadas. Quanto ao referido cheque, de imediato observo que se trata de cheque do Banco Bradesco, Ag. de Bagé. Se o contribuinte necessitava pagar os títulos que relacionou e trazer parte do dinheiro para fazer troco .junto ao Posto de Combustível, por evidente que não se tratava de depósito de cheque, mas sim de saque cujos recursos, em parte, seriam utilizados para pagamento dos títulos relacionados e parte para fazer troco junto ao Posto de Combustível. O fato deste cheque e outros não estar nominal ao contribuinte em nada altera a convicção deste relator, pois não se pode pretender, em condições normais, que o Diretor- da empresa enfrente a .1i/a do Banco para pagar títulos e buscar troco.. Emitido o cheque ao portador, ele será preenchido nominalmente a quem se apresentar com ele no estabelecimento bancário. Para citar mais um exemplo, a fiscalização, para infirmar determinados cheques, apontou o exemplo do cheque n° 001503, no valor de R$ 5,621,16 em que o contribuinte informou que foi utilizado para pagamento à empresa Fronteira Bebidas E.sso Brasileira e retirada para Caixa, no entanto, cópia do cheque à ff 574 demonstra que o mesmo .foi utilizado para saque, tendo sido preenchido nominalmente a Esso Brasileira de Petróleo Lida Para este relator, tal fato, não afastam as provas carreadas aos autos pelo contribuinte. Por outro lado, não se pode ignorar que em face da exigência da CPMF, da admissibilidade de endosso dos cheques e da normal circulação destes pela mera tradição, com a presunção de que ele pertence ao seu portador, tanto as pessoas fisica.s, quanto as jurídicas, quando podem pagar seus compromissos com cheques recebidos de terceiros, por evidente que assim procedem. A formação do convencimento de quem julga deve ser feita com base em todas as circunstâncias que cercam o caso. A circunstância de existir presunção relativa sobre determinado fato transfere à outra parte a obrigação de fazer prova de que o fato presumido não ocorreu. A presunção em relação aos depósitos bancários é que eles se constituem rendimentos do seu titular, fato este que, dadas as provas dos autos, tenho como não verificada a presunção estabelecido' pelo legislador Portanto, a não aplicação da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no caso, está relacionada à prova ou ao conjunto probatório que instrui os autos. 9 Processo n" 11041.000166/2003-17 Acórdão o 9202-00,907 CSRF-I2 Fl 10 Em seu recurso, a Fazenda Nacional sustentou que para a comprovação da origem dos depósitos é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos, sendo que com o objetivo de comprovar a divergência jurisprudencial que autorizaria a interposição de recurso especial com firndamento no artigo 7', inciso EI, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, trouxe como paradigma o acórdão n° 106-14.764, cuja ementa é a seguinte: INCONSTITUCIONALIDADE ARGÜIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA, O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo pelos órgãos administrativos está condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. Incabivel a argüição de irretroatividade das leis que instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas QUEBRA DO SIGILO BANCA RIO. Iniciado o procedimento de _fiscalização, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, mormente quando o interessado não atende às intimações autoridade.fazendária OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição .financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações INVERSÃO DO ÓNUS DA PROVA. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime- se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode retida, a presunção legal regularmente estabelecida Recurso negado, Devo ressaltar que no bojo do recurso não houve a confrontação dos acórdãos para mostrar a similaridade entre os casos. Dessa forma, impossível saber se ocorreram decisões divergentes para fatos idênticos ou muito semelhantes. Ademais, pala saber se a decisão recorrida é divergente daquela externada no acórdão n° 106-14,764, seria preciso analisar o conjunto probatório deste feito„ No entanto, salvo melhor juízo, isso não é possível em sede de recurso especial de divergência, pois a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como instância especial, não é analisar provas, mas sim uniformizar a jurisprudência. 72) 10 Processo n" 11041.000166/2003-17 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00,907 El II Diante de tal situação, penso que, no caso em apreço, não está caracterizada a divergência de interpretação da legislação tributária. Sob minha ótica, a Fazenda Nacional deixou de demonstrar; fundamentadamente, a divergência argüida, desatendendo, assim, a regra do artigo 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147/2007. Por tal motivo e pela impossibilidade de se analisar provas em sede de recurso especial, não conheço do recurso com relação à aplicação ou não da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9,430/96. Com isso, está devolvida para análise da Câmara Superior de Recursos Fiscais tão-somente a questão da decadência para o ano-calendário 1997, sendo que a ciência do lançamento ocorreu em 15/04/2003 (fis, 17). A matéria é bastante conhecida no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Pois bem, corno regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, contando-se, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários. Tal raciocínio aplica-se ao caso em comento, haja vista que os rendimentos presumidamente omitidos pelo contribuinte, quando submetidos a lançamento de oficio, embora apurados mês a mês, conforme previsão do artigo 2' da Lei n° 7,71.3/88, sujeitam-se à tributação apenas na declaração de ajuste anual, Inteligência dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8,134/1990, especialmente do artigo 10, inciso 1, do referido texto normativo. Embora tenha me posicionado por alguns anos no sentido de que o fato gerador do imposto de renda das pessoas fisicas, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei É' 9,430/96, é mensal, passei, a partir das sessões de setembro de 2008, a seguir a jurisprudência amplamente majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, segundo a qual, também neste caso, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de dezembro do ano-calendário. Tal entendimento, atualmente, encontra-se consubstanciado no Enunciado de Súmula CARF n° 38, cuja redação prevê que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário," Seguindo essa linha de raciocínio, os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, ai sim se apurando o total de imposto devido no ano- calendário. Assim, no caso, com relação ao ano-calendário 1997, o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1997. 11 Processo n" 11041.000166/2003-17 Acórdão n." 9202-00.907 CSRF-I2 I 12 Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, o imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4', do CTN, que prevê: Ari 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ) 4° Se a lei não . fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário.. Considerando que, com relação ao ano-calendário 1997, o fato gerador do imposto de renda pessoa física ocorreu em 31/12/1997 e diante do fito de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 15/04/2003 (fis, 17, Volume 1), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento quanto a este período.. Na visão deste julgador, como não se imputou ao contribuinte as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional. Sob minha ótica, para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. Entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada com relação à decadência. Processo n" 11041 000166/2003-17 Acórdão o Õ 9202-00.907 CSRF-T2 F1 13 Voto, portanto, no sentido de conhecer em parte do recurso da Fazenda Nacional para negar-lhe provimento 13
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Numero do processo: 10845.004816/2003-85
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido.
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Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 17/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 06/03/2009, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara julgou e negou provimento ao Recurso Voluntário 159.201, relativo à exigência de IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário de 1998, exarando o Acórdão 340100.042 (fls. 189 a 198), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA JULGADOR ADMINISTRATIVO IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais e a cúpula dos poderes executivo e legislativo detêm esse poder. No caso específico dos Conselhos de Contribuintes, tem aplicação o art. 49 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI N° 9.430/96 POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SIGILO PROFISSIONAL OPERAÇÕES DE CARÁTER ECONÔMICO EXCEÇÃO QUE NÃO PODE ELIDIR A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.4130/96. Incabível falar em sigilo profissional do advogado para arrestar o ônus da prova instituído pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, que determina ao contribuinte o dever de comprovar a origem dos depósitos bancários sob pena de considerálos como rendimentos omitidos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10845.004816/200385 Acórdão n.º 9202002.290 CSRFT2 Fl. 2 3 Cientificado do acórdão em 08/09/2010 (fls. 204), o contribuinte interpôs, em 15/09/2010, tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 215 a 218, indicando, à guisa de paradigmas, as ementas dos Acórdãos CSRF/0102.650, 10244645 e 10612.943 (fls. 217/218), a seguir transcritas: Acórdão CSRF/0102.650 “IRPF OMISSAO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ‘Os depósitos bancários, embora possam indicar auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, cabendo à fiscalização demonstrar o nexo causal entre cada depósito e o fato para caracterizar omissão de rendimentos. Recurso conhecido e improvido.’(Acórdão n ° 01 02.650 da lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais; rel. Wilfrido Augusto Marques ; DOU 1 de 11 . 06.2001, pág 16).” Acórdão 10244645 “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO HIPÓTESE EM QUE OCORRE. ‘Depósitos bancários, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda, por não caracterizarem disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos, Tal lançamento somente será possível quando comprovado de forma inequívoca pelo Fisco, o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a omissão da receita que o originou. Recurso provido. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.’ (Acórdão n ° 10244.645 da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Rel. Valmir Sandri, DOU 1 de 14.08.2001, p. 03) .” Acórdão 10612.943 “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS APLICAÇÕES FINANCEIRAS CHEQUES EMITIDOS No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósitos bancários, cheques emitidos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores bancários como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários, cheques emitidos e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. 0 lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos/cheques/aplicações e o fato que represente omissão de rendimento. Recurso de ofício Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 negado. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Designado em 11.08.2004,para redigir ad hoc o acórdão supra o Conselheiro Luiz Antonio de Paula (1° CC Proc. 15374/002324/0076 Rec. 130.535 (AC. 10612.943) 6' C Rel. p/o AC. Luiz Antonio de Paulo – DOU 24.10.2004 p.23) (Revista de Estudos Tributários n° 40/100 Em. 5413)” Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2200.375, de 16/06/2011 (fls. 228 a 233). Dito despacho assim especificou a matéria objeto da pretendida rediscussão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 229): “I Matérias objeto do recurso especial O recurso está manejado quanto à discussão sobre a alegada impossibilidade de tributação exclusivamente com base em depósitos bancários.” O seguimento dado ao Recurso Especial foi assim fundamentado, no Despacho de Exame de Admissibilidade (fls. 232): “Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a impossibilidade de tributação exclusivamente com base em depósitos bancários. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende ser cabível a tributação exclusivamente com base em depósitos bancários, ao passo que os acórdãos paradigmas entendem de maneira diferente, de que a simples tributação com base em depósitos bancários não se sustenta, está sujeita a comprovação, de forma inequívoca pelo Fisco, do nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a omissão de receita que o originou.” Cientificada do Recurso Especial, bem como do despacho que lhe deu seguimento em 1º/07/2011, a Fazenda Nacional ofereceu, em 04/07/2011, tempestivamente, as contrarazões de fls. 239 a 246, reiterando os argumentos contidos no acórdão recorrido. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10845.004816/200385 Acórdão n.º 9202002.290 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Preliminarmente, cabe aferir acerca dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, com vistas a verificar se o apelo efetivamente merece ser conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso Especial de Divergência está assim disciplinado no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara,turma especial ou a própria CSRF. § 1 ° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruido com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sitio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9° As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma,independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” (grifei) No Recurso Especial ora tratado, foram indicadas três ementas de acórdãos, à guisa de paradigmas. Não obstante, por força dos §§ 4º e 5º, acima negritados, serão analisados apenas os dois primeiros Acórdãos n°s CSRF/0102.650 e 0244.645, para fins de verificação da alegada divergência. Antes de proceder ao exame dos paradigmas, importa reiterar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações, obviamente que em face da mesma legislação. Com efeito, não haveria qualquer sentido em estabelecerse dissídio jurisprudencial em face de legislações diversas, editadas em momentos distintos. Destarte, tornase imprescindível perquirir sobre a legislação que teria orientado os julgados recorrido e paradigmas. No caso do acórdão recorrido, tratase de autuação com base em depósitos bancários de origem não identificada, fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. O trecho da ementa abaixo transcrito não deixa dúvidas: “(...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI N° 9.430/96 POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...)” O primeiro paradigma indicado pelo contribuinte é o Acórdão CSRF/01 02.650, exarado no processo nº 11080.008936/9315, formalizado em 1993, que trata de autuação referente aos anoscalendário de 1989 e 1990. O segundo paradigma trazido à colação pelo contribuinte é o Acórdão 10244.645, proferido no processo nº 10670.000405/9246, formalizado em 1992, que trata de autuação referente ao exercício de 1987. Constatase, assim, que os paradigmas dizem respeito a processos e períodos objeto de autuação muito anteriores à edição da Lei nº 9.430, de 1996, que orientou o acórdão recorrido, portanto jamais poderiam conferirlhe interpretação diversa da contida no acórdão Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10845.004816/200385 Acórdão n.º 9202002.290 CSRFT2 Fl. 4 7 recorrido, simplesmente porque tal lei sequer existia àquela época (anoscalendário de 1989 e 1990, e exercício de 1987). Com efeito, os votos condutores dos paradigmas tratam da interpretação da Lei nº 8.021, de 1990, que tratou da tributação com base em depósitos bancários, até a edição da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte indicou ainda um terceiro paradigma – Acórdão 10612.943 que não pode ser analisado, por força do art. 67, §§ 4º e 5º, a seguir reiterados: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara,turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5' Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência.” Ainda que esse terceiro paradigma pudesse ser considerado – o que se admite apenas para argumentar – ele também não socorreria o contribuinte, já que não trata de autuação com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim de acréscimo patrimonial a descoberto. Além dos argumentos já expostos, importa salientar que a matéria que se intentava a rediscussão em sede de Recurso Especial é objeto da Súmula CARF nº 26, aprovada em 08/12q2009: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pelo contribuinte, por falta de demonstração de divergência. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11020.720774/2017-95
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2012 BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CONFIGURAÇÃO. MOMENTO DA AQUISIÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
Os bens que, no momento da aquisição, são classificados como integrantes do ativo imobilizado, por sua utilização pelo proprietário ou grupo econômico, estão sujeitos à apuração de ganho de capital no momento de sua alienação.
SIMULAÇÃO. ATO DISSIMULADO. TRIBUTAÇÃO. Configurando-se a utilização de interposta pessoa e a simulação, tem-se, como fato jurídico tributário, o ato dissimulado realizado pelo verdadeiro contribuinte.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. No grupo econômico, as pessoas jurídicas cujos patrimônios sejam afetados pela confusão patrimonial ou que participem em conluio da dissimulação do fato jurídico tributário estão sujeitas ao vínculo de solidariedade por interesse comum.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. As pessoas físicas que tenham poderes de gestão e atuem em conluio para o cometimento de atos tendentes a dissimular a ocorrência do fato jurídico tributário estão sujeitas ao vínculo de responsabilidade por infração à lei.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. O TVF não logrou êxito em fundamentar de forma devida a eventual conduta dolosa que justificaria a qualificação da penalidade. Não é possível "aproveitar" os demais tópicos do TVF para justificar a qualificação da penalidade, que deve vir fundamentada em tópico específico do TVF, sob pena de cerceamento do direito de defesa.
UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE IRPJ/CSLL FEITOS PELA RAFEBE. POSSIBILIDADE.
Caracterizando-se a existência de operação única de alienação do bem, o pagamento realizado pela RAFEBE (operação desconsiderada pelo Fisco) deve ser aproveitado para fins de redução do lançamento do imposto devido pela mesma operação, agora lançado na pessoa jurídica sujeito passivo correta.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2012
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplicam-se à CSLL de forma decorrente as infrações apuradas na base de cálculo do IRPJ.
Numero da decisão: 1401-003.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva da empresa PS TRÊS. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários para admitir a compensação do IRPJ e da CSLL pagos pela empresa RAFEBE e afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira, que negava provimento ao recurso in totum, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que davam provimento tão somente para a compensação do IRPJ e da CSLL pagos pela empresa RAFEBE. O Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano votou pelas conclusões em relação à manutenção das responsabilidades solidárias. Designado o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Carlos André Soares Nogueira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012 BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CONFIGURAÇÃO. MOMENTO DA AQUISIÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Os bens que, no momento da aquisição, são classificados como integrantes do ativo imobilizado, por sua utilização pelo proprietário ou grupo econômico, estão sujeitos à apuração de ganho de capital no momento de sua alienação. SIMULAÇÃO. ATO DISSIMULADO. TRIBUTAÇÃO. Configurando-se a utilização de interposta pessoa e a simulação, tem-se, como fato jurídico tributário, o ato dissimulado realizado pelo verdadeiro contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. No grupo econômico, as pessoas jurídicas cujos patrimônios sejam afetados pela confusão patrimonial ou que participem em conluio da dissimulação do fato jurídico tributário estão sujeitas ao vínculo de solidariedade por interesse comum. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. As pessoas físicas que tenham poderes de gestão e atuem em conluio para o cometimento de atos tendentes a dissimular a ocorrência do fato jurídico tributário estão sujeitas ao vínculo de responsabilidade por infração à lei. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. O TVF não logrou êxito em fundamentar de forma devida a eventual conduta dolosa que justificaria a qualificação da penalidade. Não é possível "aproveitar" os demais tópicos do TVF para justificar a qualificação da penalidade, que deve vir fundamentada em tópico específico do TVF, sob pena de cerceamento do direito de defesa. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE IRPJ/CSLL FEITOS PELA RAFEBE. POSSIBILIDADE. Caracterizando-se a existência de operação única de alienação do bem, o pagamento realizado pela RAFEBE (operação desconsiderada pelo Fisco) deve ser aproveitado para fins de redução do lançamento do imposto devido pela mesma operação, agora lançado na pessoa jurídica sujeito passivo correta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2012 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicam-se à CSLL de forma decorrente as infrações apuradas na base de cálculo do IRPJ.
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CONFIGURAÇÃO. MOMENTO DA AQUISIÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Os bens que, no momento da aquisição, são classificados como integrantes do ativo imobilizado, por sua utilização pelo proprietário ou grupo econômico, estão sujeitos à apuração de ganho de capital no momento de sua alienação. SIMULAÇÃO. ATO DISSIMULADO. TRIBUTAÇÃO. Configurandose a utilização de interposta pessoa e a simulação, temse, como fato jurídico tributário, o ato dissimulado realizado pelo verdadeiro contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. No grupo econômico, as pessoas jurídicas cujos patrimônios sejam afetados pela confusão patrimonial ou que participem em conluio da dissimulação do fato jurídico tributário estão sujeitas ao vínculo de solidariedade por interesse comum. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. As pessoas físicas que tenham poderes de gestão e atuem em conluio para o cometimento de atos tendentes a dissimular a ocorrência do fato jurídico tributário estão sujeitas ao vínculo de responsabilidade por infração à lei. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 07 74 /2 01 7- 95 Fl. 2491DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. O TVF não logrou êxito em fundamentar de forma devida a eventual conduta dolosa que justificaria a qualificação da penalidade. Não é possível "aproveitar" os demais tópicos do TVF para justificar a qualificação da penalidade, que deve vir fundamentada em tópico específico do TVF, sob pena de cerceamento do direito de defesa. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE IRPJ/CSLL FEITOS PELA RAFEBE. POSSIBILIDADE. Caracterizandose a existência de operação única de alienação do bem, o pagamento realizado pela RAFEBE (operação desconsiderada pelo Fisco) deve ser aproveitado para fins de redução do lançamento do imposto devido pela mesma operação, agora lançado na pessoa jurídica sujeito passivo correta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicamse à CSLL de forma decorrente as infrações apuradas na base de cálculo do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva da empresa PS TRÊS. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários para admitir a compensação do IRPJ e da CSLL pagos pela empresa RAFEBE e afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira, que negava provimento ao recurso in totum, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que davam provimento tão somente para a compensação do IRPJ e da CSLL pagos pela empresa RAFEBE. O Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano votou pelas conclusões em relação à manutenção das responsabilidades solidárias. Designado o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. (assinado digitalmente) Fl. 2492DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.492 3 Daniel Ribeiro Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório I Relatório dos fatos apurados pela fiscalização e das alegações em sede de impugnação. Inicialmente, reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, no qual estão sinteticamente narrados os fatos apurados pela fiscalização e as alegações das impugnações apresentadas pela contribuinte e pelos responsáveis solidários: Conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 27 a 54), parte integrante do auto de infração lavrado em 06/04/2017 (fls. 02 a 25), o contribuinte acima identificado foi fiscalizado em relação ao IRPJ e CSLL, em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias, que abrangeu fato gerador ocorrido no ano de 2012. Relata a Autoridade Fiscal que a fiscalizada PS Três optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido e adotou o regime de competência, cujo o objeto social é a administração de negócios e a prestação de serviços em franquias e representações em geral, além da participação societária em outras empresas. O objetivo da fiscalização foi avaliar a regularidade fiscal da venda de um terreno com uma edificação de dois andares à empresa EvenSP. Ao narrar os fatos, alega que a empresa Rafebe, registrada na Junta Comercial em 08/08/2012, estabeleceu contrato de promessa de venda e compra com a Even SP, em 20/08/2012, do imóvel de matrícula n° 17.173, ao preço de R$ 20.000.000,00 em 10 parcelas iguais. Em 27/08/2012, com registro na JUCERGS em 09/10/2012, foi lavrada a Alteração e Consolidação de Contrato Social que aprovou a absorção de parcela de patrimônio da empresa PS Três, o mesmo imóvel de Matrícula n° 17.173, elevando capital em R$ 441.192,00. Fl. 2493DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 O Auditor Fiscal destaca que esse imóvel recebido pela Rafebe no valor de R$ 441.192,00 estava cedido pela fiscalizada em comodato para a Rodoviário Bedin Ltda. por tempo indeterminado. Afirma que foi a PS Três quem efetuou a venda do imóvel diretamente à EvenSP, mas criou uma nova empresa, cujo objeto social engloba compra e venda de imóveis próprios e seria tributada pelo lucro presumido, com a intenção de tributar o ganho de capital a menor. Alega que a empresa constituída (Rafebe) possui quadro social idêntico ao da PS Três à época da cisão, concluindo pelo pleno controle da última nas ações da primeira. Ao resumir a estratégia criada pela PS Três para “livrarse da tributação da venda de um bem como ganho de capital”, assim esquematiza o Fiscal: “1) criar a empresa RAFEBE, com o objeto social de compra e venda de imóveis próprios, 2) cindir parcialmente a PS TRES e verter o bem à RAFEBE que, imediatamente, 3) venderia o bem que seria considerado receita operacional e, portanto, submetido à tributação presumida do lucro.” Afirma, porém, que a PS Três cometeu o “erro grosseiro” de realizar a venda do imóvel à EvenSP em 20/08/2012, antes mesmo de verter o bem à Rafebe (em 27/08/2012), descuido que ocorreu tendo em vista a coincidência de corpos societários. Aduz não ser possível que uma empresa, que iniciou suas atividades em 08/08/2012, tenha condições de efetuar a venda de um imóvel no dia 20/08/2012, operação realizada em prazo exíguo, levandose em conta as inúmeras etapas a serem vencidas, evidenciando que as tratativas se iniciaram antes do surgimento da Rafebe, pela própria PS Três. Alega também que outras evidências comprovam que a Rafebe foi criada especificamente para mascarar a venda do imóvel cujo dono era a PS Três: não contratou empregados durante os anos de 2012 a 2015 e havia vendido apenas um imóvel nesse período, conforme resposta a intimação, e constatou que o domicílio tributário da Rafebe é a residência de Sueli Bedin Lovatel e Paulo Luiz Bedin. Conclui que a PS Três optou por efetuar a sua cisão e transferir o imóvel de matrícula n° 17.173 para a Rafebe, com a finalidade de aplicar um percentual de lucro menor que a primeira. Com isso, calculou o ganho de capital que deveria ter sido submetidos à tributação pelo lucro real da PS Três, em 20 de agosto de 2012. A Autoridade Fiscal aplicou multa qualificada de 150%, por ter a fiscalizada promovido uma série de arranjos organizacionais com a finalidade de evitar a correta tributação sobre a venda de um bem de sua propriedade, cujos atos e documentos juntados aos autos evidenciam a prática dolosa de fraude e sonegação. Ao proceder à responsabilização solidária das pessoas jurídicas e físicas que atuaram de modo ativo para iludir o fisco federal, alega que a documentação coletada revela o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação, nascida com a venda do imóvel. Imputou solidariedade com base no artigo Fl. 2494DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.493 5 124 I do CTN às seguintes pessoas jurídicas: Bedin Lovatel Participações Ltda, Suzana Bedin Participações Ltda., Hamalu Participações Ltda, Vyoletah Participações Empresarias Ltda. e Rafebe Participacões Empresariais Ltda. Imputou ainda solidariedade às pessoas físicas com poderes legais de atuação, ou seja, aos administradores e diretores que atuaram ativamente na formação da infração, com base nos arts 124 – I e 135 – III do CTN, visto constar as suas assinaturas nos documentos comprovadores da infração trazida à luz neste processo, quais sejam: Sueli Bedin Lovatel, Suzete Bedin, Paulo Luiz Bedin e Suzana Bedin. Por fim, imputou responsabilidade solidária à Rodoviário Bedin Ltda., proprietária anterior do bem objeto da autuação, pois estava usufruindo do bem no momento da venda e continuou a usufruir do bem após a venda, em ambas as situações por meio de comodato, constando expressamente no contrato de compra e venda estabelecido com a Even SP, com base no art. 124 – I do CTN. Em consequência das divergências acima, a contribuinte foi intimada a pagar o tributo apurado, juros de mora e multa de 150%, , totalizando R$ 20.049.666,24. Inconformados com a autuação, apresentaram impugnações e juntaram documentos o contribuinte PS Três (fls. 722 a 732 e 806 a 816) e os responsáveis solidários Sueli Bedin Lovatel (fls. 846 a 873 e 949 a 976), Rafebe Participações Empresariais Ltda. (fls. 1054 a 1064 e 1158 a 1168), Paulo Luiz Bedin (fls. 1187 a 1201 e 1383 a 1411), Suzana Bedin (fls. 1278 a 1305 e 1776 a 1833), Suzete Bedin (fls. 1487 a 1515 e 1687 a 1773), Rodoviário Bedin Ltda. (fls. 1592 a 1604 e 1671 a 1682), Hamalu Participações Ltda (fls. 1883 a 1895 e 1972 a 1984), Bedin Lovatel Participações Ltda. (fls. 1994 a 2006 e 2085 a 2097), Vyoletah Participações Empresarias Ltda. (fls. 2109 a 2121 e 2200 a 2212) e Suzana Bedin Participações Ltda. (fls. 2224 a 2236 e 2314 a 2326). A Impugnante PS Três Administradora de Bens Ltda. defende em preliminares sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da exação, pois foi proprietária do imóvel objeto da presente autuação antes do fato gerador, não realizando nenhum negócio jurídico que incidisse tal tributação, além de possuir quadro societário distinto, não configurando o interesse comum previsto no art. 124, I, CTN. No mérito, defende que o fato de duas empresas possuírem um mesmo quadro societário não pressupõe nenhum tipo de fraude, e nada impedia que a impugnante alterasse o objeto social de sua empresa e realizasse tal procedimento (venda) através desta com o mesmo tipo de tributação realizado na Rafebe, em nome do princípio da legalidade tributária do art. 150, I, da CF, e o procedimento de cindir seu patrimônio para uma nova empresa que atuaria no ramo imobiliário não encontra óbice legal, sendo “uma decisão interna dos sócios de ter uma empresa específica e Fl. 2495DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 assim poder gerenciar melhor as atividades que seriam desenvolvidas no ramo imobiliário”. Alega também que a venda de coisa alheia é perfeitamente possível, conforme doutrina colacionada, e que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou no mesmo sentido: “A venda a non domino não é nula de pleno direito, nem anulável. É negócio condicional.”. Por isso, “a venda de RAFEBE PARTICIPAÇÕES EMPRESARIAIS LTDA existiu, é válida e eficaz, sendo descabida qualquer espécie de responsabilização da ora impugnante.”. Ademais, quanto ao curto lapso temporal da negociação, afirma que “para que uma venda se realize basta que exista, vendedor, comprador e interesse das partes na realização do negócio”. Quanto à multa qualificada, defende que não houve qualquer tipo de dolo, apenas manifestação da livre iniciativa comercial, que poderia ser feita com alteração do objeto social para realização de atividade imobiliária, e que a empresa que recebeu o imóvel vertido na cisão cumpriu com suas obrigações tributárias, sendo que já era intenção dispor dos bens que se encontram registrados junto à impugnante como propriedade para investimento desde 2009. A responsável solidária Sueli Bedin Lovatel, após narrativa dos fatos, alega ser parte ilegítima para figurar no polo passivo do referido auto de infração, já que nunca foi proprietária do imóvel objeto da presente autuação, não se confundindo a pessoa física do administrador e/ou sócio com a pessoa jurídica que ele representa, conforme Súmula 430 do STJ. No mérito, defende que não atuou diretamente em seu nome na situação que deu origem à tributação, embora tenha representado alguma das autuadas, bem como não há ilegalidade ou fraude no fato de uma empresa possuir sócios comuns ou quadro societário idêntico à outra empresa. Outro argumentos utilizados são semelhantes ao da impugnação da Contribuinte PS Três, inclusive no que tange à nulidade da multa qualificada. A responsável solidária Rafebe Participações Empresariais Ltda. argumenta que, após a venda do primeiro imóvel, realizou outras atividades, tais como “compra de imóvel em Guarulhos, construção de pavilhões e locação dos mesmos para as empresas Rodoviário Bedin Ltda, M A Capasso Transportes e Armazenamento Ltda e Veclog Transportes e Logística Ltda.”. Com o desaquecimento do mercado, outras atividades não são mais visíveis. No mais, argumentos similares aos acima elencados. Os Impugnantes Paulo Luiz Bedin, Suzana Bedin, Rodoviário Bedin Ltda., Suzete Bedin, Hamalu Participações Ltda, Bedin Lovatel Participações Ltda., Vyoletah Participações Empresarias Ltda. e Suzana Bedin Participações Ltda. apresentaram defesa com argumentos similares aos dos Impugnantes anteriormente citados, motivo pelo qual não serão resumidos. É o relatório, suficiente para o julgamento. Fl. 2496DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.494 7 A DRJ julgou improcedentes as impugnações e manteve incólumes os créditos tributários de IRPJ e CSLL constituídos de ofício, bem como os vínculos de responsabilidade tributária. A ementa do Acórdão nº 1469.900, da 1ª Turma da DRJ/RPO, restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 20/08/2012 VENDA DE BEM A TERCEIRO. PROPRIEDADE NÃO CONSOLIDADA. NULIDADE PARA FINS TRIBUTÁRIOS. Não é possível a venda de bem a terceiro por quem não possui a sua propriedade. O procedimento de transferência de bem imóvel a empresa com tributação mais benéfica, em data posterior à assinatura de contrato de compra e venda, evidenciam simulação no intuito de reduzir o pagamento dos tributos devidos e lesar o Fisco, merecendo a desconsideração do negócio para fins tributários e o agravamento da multa em 150%. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS JURÍDICAS. ATUAÇÃO DECISIVA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Participando ativamente da situação que ensejou a ocorrência do fato gerador que deu origem à tributação indevida, a menor e que interessava às partes, os responsáveis devem ser incluídos no polo passivo da demanda. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. DIRETORES, GERENTES E REPRESENTANTES. ATUAÇÃO DECISIVA NA OPERAÇÃO QUE RESULTOU TRIBUTAÇÃO A MENOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. MULTA AGRAVADA DE 150%. ATOS CONSCIENTES E PREMEDITADOS COM O INTUITO DE PAGAR MENOS IMPOSTOS. A comprovação do intuito de pagar menos tributos, configurando fraude e simulação, com lesão direta ao Fisco, é suficiente para a aplicação da multa agravada. Impugnação Improcedente Fl. 2497DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Crédito Tributário Mantido Irresignados com a decisão de piso, apresentaram recursos voluntários a contribuinte PS TRÊS Administradora de Bens (fls. 2372 a 2399); RAFEBE (fls. 2402 a 2429; Suzete Bedin, Sueli Bedin Lovatel, Suzana Bedin e Paulo Luiz Bedin (fls. 2430 a 2457); Bedin Lovatel Participações, Suzana Bedin Participações, Hamalu Participações, Vyoletah Participações Empresariais e Rodoviário Bedin (2458 a 2485). II Recursos voluntários. II.1 Recurso voluntário da contribuinte PS TRÊS Administradora de bens. II.1.a Preliminar de ilegitimidade passiva. Inicialmente, PS TRÊS Administradora de Bens alegou a ilegitimidade passiva. Aduziu que o fato jurídico tributário relevante para o presente feito era a venda do imóvel de matrícula nº 17.173 pela Rafebe à EvenSP, após recebêlo, via cisão parcial, da PS TRÊS. Assim, a contribuinte, ou seja, a pessoa que guardaria relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador, seria a Rafebe. Também não seria o caso de atribuição de vinculo de responsabilidade, pois este não poderia ser presumido ou implícito. Ademais, a cronologia dos fatos possibilitaria visualizar o “caminho” feito pelo bem vendido, que deixa o patrimônio da Recorrente, sendo transferido à Rafebe, por cisão parcial de seu patrimônio, e que então é objeto de contrato de promessa de compra e venda entre esta a EvenSP, promessa essa condicionada à perfectibilização da cisão referida, a qual ocorreu, dando azo aos atos que se seguiram. II.1.b Inexistência de solidariedade. Argumenta que a solidariedade não se presta a incluir terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas "mera forma de graduar a responsabilidade daqueles que já ocupam a condição de sujeito passivo". Não sendo a recorrente contribuinte, não se lhe aplicaria a solidariedade. II.1.c Mérito. Da licitude das operações ou da inexistência de fraude, simulação e conluio. No mérito, a recorrente alega que Ao contrário da perspectiva da Fiscalização, a Recorrente não realizou, entretanto, o negócio jurídico de formação sucessiva, com evidente intuito de fraude! Realizou uma step by step transaction, mediante a execução de atos válidos, que foram Fl. 2498DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.495 9 registrados, antes da ocorrência do fato gerador (posto que condicionado à fato futuro, como abordado na alínea “b” abaixo) e sem a intenção de prejudicar o Fisco ante a licitude das operações. Argumentou, também, que não omitiu declarações, falsificou documentos, prestou informação falsa, inseriu elementos inexatos nos livros, com o objetivo de não pagar ou pagar menos imposto e contribuição. Informou que o bem estava escriturado como propriedade para investimento, o que denotaria a vontade de ingressar no mercado imobiliário. Para otimizar estrutura, o Grupo Empresarial do qual a recorrente faz parte optou por constituir sociedade empresária especializada em atividade imobiliária, a Rafebe. Neste contexto, incumbiria ao Fisco provar a ilicitude, não sendo suficientes indícios ou presunções. Sobre a licitude das operações, a recorrente lança os seguintes argumentos: Quanto às operações entabuladas, o que temos aqui é o estabelecimento de estratégias para a realização de atos e negócios jurídicos com o fito de melhor atender à atividade empresarial dos envolvidos, considerando o livre exercício da atividade econômica, sem descuidar do dever fundamental de pagar tributos. A Recorrente poderia ter realizado a venda do bem ela mesma, se tivesse alterado seu objeto social e transferido o imóvel para ativo seu circulante. No entanto, como o contribuinte tem competência para exercer discricionariamente seus negócios e gerir seu patrimônio respaldado no princípio da autonomia da vontade, não está legalmente impedido de agir em busca de uma tributação mais amena. Temos que a licitude do comportamento – em obediência ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária, harmonizada com os princípios da autonomia da vontade e da livre empresa, que permeiam os atos privados , significa que, salvo excepcional e específica restrição legal, a efetivação de negócio menos gravoso não deve sofrer objeção. A tipicidade dos negócios realizados (perfeitos nos seus efeitos) colima resultado econômico diferenciado, mas não revestido de ilicitude, nem muito menos desconexo entre os fatos econômicos e os atos jurídicos negociais. Estamos a falar da elisão, que, além de lícita, se delineia conforme o momento da ação do contribuinte, não sendo cabível sua configuração após a positivação da obrigação tributária. Enquanto esta não estiver concretizada, ainda tem lugar a figura elisiva. In casu, o fato gerador (venda do bem imóvel), posto que condicionado, se perfectibilizou com a cisão da Recorrente, consolidando a propriedade na Rafebe e, portanto, possibilitando os efeitos do contrato firmado por esta com a EvenSP. Assim, podemos dizer que a participação da Recorrente termina com a sua cisão que, Fl. 2499DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 em que pese concomitante, dado o caráter suspensivo dessa condição, cronologicamente antecede à venda (fato gerador). Ao final deste tópico, conclui que, não havendo fraude, a autoridade lançadora não poderia ter desconsiderado o negócio jurídico e nem ter aplicado a multa qualificada (150%). Do contrato condicional. O contribuinte defende a validade do contrato com cláusula suspensiva, nos termos do artigo 125 do Código Civil. A venda do imóvel de matrícula 17.173 da Rafebe à EvenSP estaria condicionada à cisão parcial da recorrente e a consequente averbação no Registro de Imóveis. Uma vez implantada a condição suspensiva, o contrato seria plenamente eficaz. Destaca que os atos necessários à satisfação da condição suspensiva (cisão, averbação no registro de imóveis e até pagamento de ITBI) foram realizados e, portanto, in casu, o negócio seria perfeito. Da desconsideração do pagamento dos tributos pela Rafebe. Alega a recorrente, sucessivamente, que a fiscalização deveria ter levado em consideração, na apuração dos tributos, os montantes recolhidos espontaneamente pela Rafebe. Da multa confiscatória. Alega a recorrente que a multa qualificada de 150% fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, apresentando inegável caráter confiscatório. Ademais, no caso concreto, não se teria evidenciado simulação, fraude ou conluio. II.2 Recursos voluntários dos responsáveis solidários. Os recursos voluntários dos responsáveis solidários repetem diversas alegações da contribuinte PS TRÊS, assim, serão relatados abaixo somente os pontos não abordados anteriormente. II.2.a Recurso voluntário de Rafebe Participações Empresariais. Em seu recurso voluntário, a Rafebe repete as alegações da PS TRÊS, razão pela qual deixo de sumarizar os argumentos. II.2.b Recurso voluntário de Bedin Lovatel Participações Ltda, Suzana Bedin Participações Ltda, Hamalu Participações Ltda, Vyoletah Participações Empresariais Ltda e Rodoviário Bedin Ltda. Os recorrentes reprisam as alegações feitas pela contribuinte PS TRÊS. Com base na validade dos atos praticados, da inexistência de irregularidade tributária, pois o tributo teria sido regularmente recolhido pela Rafebe, e na impossibilidade jurídica de aplicação do instituto da solidariedade, advogam o afastamento do vínculo de responsabilidade. Fl. 2500DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.496 11 II.2.c Recurso voluntário de Suzete Bedin, Sueli Bedin Lovatel, Suzana Bedin e Paulo Luiz Bedin. Os recorrentes reprisam as alegações feitas pelas recorrentes anteriores e também pedem o afastamento do vínculo de responsabilidade. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos legais. Deles, tomo conhecimento. O cerne da questão de relevo para o deslinde do presente feito reside na forma como se interpreta o conjunto de atos jurídicos realizados pela PS TRÊS e pela Rafebe para vender o imóvel matrícula 17.173 para a EvenSP. Não há dúvidas acerca dos atos jurídicos realizados, uma vez que estão documentalmente comprovados. A Rafebe foi constituída em 01/08/2012. Em 20/08/2012, foi celebrado o contrato de promessa de compra e venda entre a Rafebe e a EvenSP. No dia 27/08/2012, houve a cisão da PS TRÊS, com a versão parcial do patrimônio, com o citado imóvel, para a Rafebe. Ao tratar a matéria, a fiscalização considerou que os atos são simulados, com o fito de escapar fraudulentamente da tributação mais rigorosa, uma vez que a Rafebe foi criada com a atividade de compra e venda de imóveis próprios e, dessa forma, apurou o imposto e a contribuição considerando o produto da alienação do imóvel como receita bruta da atividade. Como consequência da simulação, a fiscalização considerou que a venda foi realizada pela PS TRÊS. Esta seria a contribuinte. Como a PS TRÊS não exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios e tinha o imóvel escriturado no ativo não circulante, a autoridade lançadora tributou o ganho de capital adicionandoo diretamente às bases de cálculo de IRPJ e CSLL no Lucro Presumido. De outra banda, a contribuinte e os recorrentes argumentam nos recursos voluntários que os atos jurídicos realizados seriam todos perfeitamente válidos e, dessa forma, estariam lastreados na liberdade empresarial e no princípio da legalidade. Fl. 2501DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Argumentam que a própria PS TRÊS poderia ter escriturado o imóvel no estoque, ter alterado sua atividade no contrato social e, a partir daí, poderia ter feito a mesma operação de venda e a mesma apuração. Entretanto, o Grupo Econômico ao qual a sociedade PS TRÊS pertence teria avaliado que seria mais interessante do ponto de vista administrativo criar uma sociedade com atividade própria de compra e venda de bens próprios. Pois bem, a matéria é delicada e deve ser analisada com vagar. Afinal, como visto na síntese acima, estáse confrontando a liberdade empresarial, que lança suas raízes no direito à livre iniciativa de estatura constitucional, e o dever fundamental de pagar tributos, que também tem índole constitucional. Penso que devese partir dos argumentos esgrimidos pelos recorrentes, ou seja, pela liberdade. Os argumentos dos recursos voluntários procuram situar a compreensão dos fatos narrados no campo dos planejamentos tributários, ou, na expressão mais corrente da doutrina brasileira, da elisão fiscal. Neste campo, em abstrato, o sujeito passivo tem proteção constitucional para organizar sua atividade empresarial, seja no aspecto operacional, seja nos aspectos administrativos e societários, da forma mais eficiente que encontrar, mesmo que tal organização leve à redução da carga tributária que, de outra forma, seria mais gravosa. De fato, os sujeitos passivos, na ordem constitucional pátria, não estão obrigados a se submeter à tributação mais onerosa, desde que se limitem a planejamentos tributários legítimos. Entretanto, em que pese a insistência da contribuinte e das recorrentes em analisar individualmente cada um dos atos jurídicos, a análise hodierna da legitimidade dos planejamentos tributários não se dá com apego à formalidade dos textos legais, observandose em abstrato a validade do conceito de cada classe de ato individualmente realizado. É preciso olhar para os atos efetivamente realizados. E olhálos em seu conjunto, como uma pintura, para se compreender o quadro como um todo, e não isoladamente, como se fossem pinceladas no éter. Nas alegações invocadas nos recursos voluntários, um argumento é relevante. Aduzem que a própria PS TRÊS poderia ter alterado o contrato social para incluir a atividade de compra e venda de imóveis próprios. Em seguida, poderia ter escriturado o imóvel em conta de ativo circulante (estoque) e realizado ela mesma a venda para a EvenSP. A tributação, neste caso aventado, seria a mesma que foi apurada pela Rafebe. Dessa forma, segundo o raciocínio dos recorrentes, o Grupo Econômico estaria diante de duas opções válidas, ambas com a mesma carga tributária: realizar a venda diretamente por meio da PS TRÊS ou criar uma nova sociedade com uma atividade própria de compra e venda de imóveis próprios. Pensado dessa forma, o conjunto de atos poderia amoldarse ao conceito de planejamento fiscal, na lição de José Luís Saldanha Sanches: O planeamento fiscal consiste numa técnica de redução da carga fiscal pela qual o sujeito passivo renuncia a um certo Fl. 2502DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.497 13 comportamento por este estar ligado a uma obrigação tributária ou escolhe, entre as várias soluções que lhe são proporcionadas pelo ordenamento jurídico, aquela que, por acção intencional ou omissão do legislador fiscal, está acompanhada de menos encargos fiscais. O planeamento fiscal ilegítimo consiste em qualquer comportamento de redução indevida, por contrariar princípios ou regras do ordenamento jurídicotributário, das onerações fiscais de um determinado sujeito passivo. (Sanches, José Luís Saldanha. Os limites do planeamento fiscal: substância e forma no direito fiscal português, comunitário e internacional. Coimbra: Coimbra Editora, 2006, p. 21 nota de rodapé) grifei. Na esteira dos argumentos lançados pelos recorrentes, o planejamento realizado pelo Grupo Econômico ao qual pertence a PS TRÊS, configurado nos atos jurídicos realizados em sequencia (step by step transactions), seria legítimo e estaria ancorado em razão extratributária, em outras palavras, não padeceria de abusividade pois não teria sido realizado com o objetivo exclusivo de economizar tributos. Também não padeceria de vícios como fraude, simulação ou sonegação. Todavia, não lhe assiste razão. De se ver. O primeiro ponto relevante é a falta de suporte na legislação para o argumento de que a PS TRÊS poderia livremente escriturar o imóvel em questão no ativo circulante (estoque), após alterar o contrato social para incluir a atividade de compra e venda de imóveis próprios. A determinação da forma de apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL quando da alienação de um bem que foi, originalmente, registrado em conta do Ativo Imobilizado e que serviu às atividades operacionais da sociedade empresária e de seu Grupo Econômico, deve ser feita de acordo com a situação do bem no momento de sua aquisição e não no momento da venda. Nesse sentido, é firme a jurisprudência deste Conselho, como se pode observar no julgado abaixo, cuja ementa está reproduzida na parte que interessa: IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. Sujeitase a apuração de ganho de capital a venda de bens originalmente registrados no ativo imobilizado e que serviram para a consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica ou da controladora. A classificação do ativo deve ser observada no momento da sua aquisição, e a contribuinte fez a opção de classificação como ativo permanente, pois essa era a natureza do bem quando da sua incorporação, servindo de parque fabril da Controladora. (Acórdão nº 1401002.832, de 25/08/2018, relatoria do conselheiro Daniel Ribeiro Silva) Convém trazer à colação trechos da fundamentação do voto, cujas razões de fato e de direito são bastante semelhantes às tratadas no presente processo, permitindo a aplicação da lógica jurídica que o anima: O cerne da questão está em se analisar a efetiva natureza contábil dos bens imóveis objeto da fiscalização, bem como Fl. 2503DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 acerca da possibilidade de sua reclassificação do ativo imobilizado para o ativo circulante antes da sua venda. Oportuno se faz rememorar o contexto fático das operações. A contribuinte foi constituída em novembro de 2010, e no mês seguinte recebeu em integralização de seu capital por meio de imóveis, de sua Controladora. Em seqüência, no início de 2011, os imóveis integralizados (vindos da Controladora), todos, alugados à Controladora, por um prazo de cinco anos. A recorrente os classificou no Ativo Não Circulante, subgrupo imobilizado e assim lá permaneceram até 31/10/2012, quando, após ter certeza de sua alienação (com a assinatura de um Memorando de Entendimentos com a CSHG), foram reclassificados para o sub grupo Realizável a Longo Prazo e, em 01/11/2012, reclassificados para o Ativo Circulante (imóveis/terrenos para venda). De fato, como bem concluiu a DRJ, os imóveis alienados nunca perderam a sua natureza de ativo imobilizado. Neste sentido, destaca que desde que se iniciaram as tratativas para a venda dos imóveis, por exemplo, para a CSHG Logística, em maio de 2012, os imóveis permaneceram classificados no Ativo Não Circulante. De fato, como bem concluiu a DRJ, os imóveis recebidos para integralização do capital da recorrente jamais deixaram de ser o que eram na Controladora, ou seja, eram imóveis e/ou terrenos que faziam parte de seu parque fabril, portanto eram bens do ativo imobilizado. Tanto é que foram assim classificados na escrituração da recorrente, aliado ao fato de que logo após a integralização foram, todos, alugados à Controladora por um prazo de cinco anos. Então, os imóveis recebidos não poderiam ser classificados no ativo circulante (estoques), pois, apesar de constar no objeto social da recorrente, a administração, aluguel, compra e venda de imóveis próprios, tais imóveis não eram destinados à venda, ou seja, não faziam parte de venda no curso ordinário de seu negócio. Isto porque, a classificação do bem como ativo permanente (bem necessário à manutenção da atividades da empresa) deve ser verificado no momento da sua aquisição ou incorporação à empresa, e nesse caso, não restam dúvidas que os imóveis que serviam de parque fabril para a Controladora, e alugados por um período de 5 anos estavam corretamente classificados. Não fosse assim, bastaria antes de se proceder à alienação de quaisquer bens do ativo imobilizado, alterar o objeto social da empresa para o tributar como receita operacional, evitando a tributação pelo ganho de capital quando fosse o caso. Ressaltese ainda que, a classificação como ativo imobilizado não impede que o referido ativo seja locado ou eventualmente vendido, entretanto as tributações correspondentes são distintas. [...] Fl. 2504DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.498 15 De toda forma, apenas para fins de debate, a jurisprudência administrativa mais recente tem adotado a mesma linha de entendimento da DRJ, senão vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2011, 2012 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. EFEITOS TRIBUTÁRIOS A receita obtida com da venda de bens do ativo permanente sujeitase à apuração de ganho de capital. No regime do lucro presumido, o ganho de capital deve ser somado à base de cálculo, obtida pela aplicação de percentual pertinente à atividade econômica sobre a receita bruta auferida no trimestre. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, mas, diversamente, para serem usados como meio de obtenção de renda ou para o desempenho de atividade econômica prevista no objeto social da empresa, sujeitase à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto e da reclassificação contábil, efetivada, no anocalendário precedente ao da venda, pela transferência dos bens do ativo permanente para o ativo circulante, como se mercadorias fossem. (Acórdão 1302002.327 de 27/07/2017 Relator Conselheiro Gustavo Guimarães da Foseca) A presente turma também se deparou com tal análise em pelo menos duas oportunidades, sendo também foram Acórdãos de minha relatoria, e as decisões foram unânimes quanto ao ponto ora analisado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 IRPJ. GANHO DE CAPITAL. ATIVO PERMANENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. A alienação de direito minerário registrado junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM é receita não operacional. A classificação contábil de um bem como ativo imobilizado tem que ser analisada de acordo com a sua destinação prevista no momento da sua aquisição, e não no momento da sua venda. (Acórdão 1401002.041 de 16 de agosto de 2017 CMP Ferro e Mineração Ltda) Fl. 2505DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. Sujeitase a apuração de ganho de capital a venda de bens originalmente registrados no ativo imobilizado e que serviram para a consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica. A classificação do ativo deve ser observada no momento da sua aquisição, e a contribuinte fez a opção de classificação como ativo permanente, pois essa era a natureza do bem quando da sua aquisição. Tanto assim, que procedeu à depreciação do mesmo. Outrossim, a fazer valer a tese do contribuinte, ele poderia ter classificado o ativo como imobilizado (como o fez), ter usufruído da sua depreciação (como também o fez), e depois simplesmente reclassificar para vender o bem com uma tributação reduzida. Entretanto, agente fiscal ao calcular o crédito tributário devido, aplicou o regime de caixa, diverso do adotado pelo contribuinte. A conclusão disso é que a tributação que deveria ocorrer no terceiro trimestre de 2009, teve parte da sua tributação transferida para o quarto trimestre de 2009, o que desrespeitou a escolha e forma de tributação adotada pelo contribuinte. O ajuste não pode ser feito no presente lançamento porque acarretaria em majoração do crédito original. Lançamento mantido, tão somente quanto ao ganho de capital apurado no terceiro trimestre de 2009. (Acórdão 1401002.158 de 19 de fevereiro de 2018 Zambonatto Construções Ltda) grifei. In casu, de acordo com o Contrato Social lavrado em 01/04/2002, a contribuinte adquiriu a propriedade do imóvel em questão em decorrência da cisão parcial da Sociedade Rodoviário Bedin Ltda com subsequente versão do patrimônio cindido para a PS TRÊS. De acordo com o Laudo de Avaliação, foi vertido o seguinte patrimônio: Ativo contas Valores R$ 1.CIRCULANTE 1.887,61 1.1 DISPONÍVEL 1.887,61 1.1.1 Bens numerários 1.887,61 1. PERMANENTE 1.808.112,39 1.1 terrenos 509.172,88 1.2 Prédios 1.685.923,84 1.3 () Depreciações s/ prédios (386.984,33) TOTAL 1.810.000,00 Fl. 2506DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.499 17 Patrimônio Líquido Real a ser vertido contas Total Capital social 1.810.000,00 TOTAL 1.810.000,00 A sociedade PS TRÊS foi criada com objetivo social de (a) administração de negócios empresariais em geral, bem como prestação de serviços em franquias e representações em geral; (b) participação societária em outras empresas. Releva destacar, no item 2 Dos motivos determinantes da operação propostas do Anexo I do Protocolo de Cisão da Sociedade Rodoviário Bedin Ltda, que Ora, a sociedade Rodoviário Bedin Ltda atua na área de transportes (Transportes Panex) e o imóvel em questão é o local em que a empresa funciona. Após a cisão, a sociedade Rodoviário Bedin permaneceu utilizando o imóvel para sua atividade fim e passou "as atividades complementares" para a PS TRÊS. Portanto, nos termos da fundamentação acima exposta, o imóvel foi recebido pela PS TRÊS, em 2002, como ativo imobilizado e permaneceu sendo utilizado pelo Grupo Econômico para a consecução de suas atividades operacionais. Nunca perdeu a condição de ativo imobilizado, mesmo que em algum momento (2009) a PS TRÊS tenha passado a registrá lo contabilmente como propriedade para investimento. Ademais, o imóvel permaneceu sendo utilizado pela Rodoviário Bedin, em suas atividades operacionais, mesmo após a venda, por força de contrato de comodato firmado com a compradora. O fato de haver uma decisão de vender o imóvel não altera a sua condição. Afinal, bens do ativo imobilizado podem ser alienados. Mas, a tributação é como ganho de capital. Concluise, ao fim deste arrazoado, que não assiste razão à contribuinte e aos responsáveis solidários quando alegam que teriam a possibilidade de alterar o contrato social da PS TRÊS e classificar o imóvel matrícula 17.173 em conta de estoque para obter resultado tributário equivalente à operação que resultou na alienação, por parte da Rafebe, à EvenSP. Em termos da conceituação do professor Saldanha Sanches, acima mencionada, a PS TRÊS não estava diante de duas opções válidas oferecidas pelo sistema jurídico. De fato, a norma imperativa tributária determina que o imóvel classificado originalmente como ativo imobilizado seja tributado como ganho de capital. Ao realizar as step Fl. 2507DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 by step transactions, a contribuinte, em verdade, buscou contornar a norma tributária imperativa. É de se destacar que a fiscalização bem descreveu os fatos, como se pode ver do seguinte trecho do Relatório Fiscal: No presente caso, resta claro que a PS TRES ao integrar inicialmente ao seu patrimônio o imóvel de matrícula n° 17.173 não o fez com intenções de exercer a atividade rotineira de compra e venda de imóveis, visto que o registrou no seu ativo permanente (DOC. 21). Ciente de que no caso de venda desse imóvel a integralidade do ganho de capital seria submetida à tributação de IRPJ e CSLL, a PS TRES buscou meios escusos para escapar aos procedimentos adequados. Até este ponto, seria de se considerar que o conjunto de atos configuraria planejamento tributário abusivo e os efeitos tributários pretendidos haveriam de ser desconsiderados para fins tributários. Afastarseia a tributação indevidamente obtida e a apuração dos tributos deveria ser feita conforme a norma tributária imperativa, mas sem a qualificação da multa. Contudo, os elementos de prova trazidos aos autos pela fiscalização demonstram, além de qualquer dúvida razoável, que se trata de uma simulação, como se passa a demonstrar. À partida, é oportuno ponderar que os planejamentos tributários stricto sensu, nos termos definidos acima, configuram condutas legítimas inerentes à autonomia privada que utilizam meios e alcançam resultados pretendidos ou não vedados pelo sistema jurídico. Entretanto, não é suficiente para configurar a legitimidade do planejamento tributário a mera observância formal ou literal da lei. Em outras palavras, não basta para configurar a legitimidade de um determinado planejamento tributário a utilização de atos cujos conceitos – individualmente considerados – remetam formalmente a classes permitidas ou não vedadas pelo sistema jurídico. Diante de tal premissa, podese afastar da matéria de planejamento tributário as condutas que utilizam, como meio, atos cujos conceitos remetam a classes vedadas pelo direito e, portanto, violem frontalmente o sistema jurídico, em especial as condutas fraudulentas sujeitas a sanções penais. Não há como se considerar planejamento tributário a decisão do particular de transgredir dolosamente as normas tributárias ou mesmo as normas extratributárias. Assim, quando se tem uma simulação, cujo conceito é expressamente vedado pelo sistema jurídico, não se está mais a tratar de planejamento tributário. A simulação é evidente quando a PS TRÊS desloca, com os atos jurídicos realizados em sequência, o fato gerador para uma interposta pessoa, a Rafebe. Vejamos: A Rafebe foi criada dias antes da operação de compra e venda. Não qualquer venda, mas uma venda de imóvel no valor de R$ 20.000.000,00. O imóvel em questão, que era cedido por comodato à sociedade Rodoviário Bedin, que pertence ao Grupo Econômico familiar, permaneceu cedido por comodato após a venda para a Even SP. Fl. 2508DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.500 19 A Rafebe pertence ao mesmo Grupo Econômico e tem os mesmos sócios e administradores da PS TRÊS. Seu domicílio é a residência particular (apartamento) de pessoas da família que comanda o Grupo Econômico. Não contratou quaisquer funcionários. Não realizou outras operações de venda de imóveis. O que se conclui é que a Rafebe é uma empresa de fachada, sem existência de fato, que serviu apenas para submeter a operação de venda do imóvel de matrícula 17.173 à tributação favorecida. A inexistência de fato decorre da total incapacidade operacional e falta de autonomia em relação ao Grupo Econômico para realizar as atividades empresariais que constam de seu contrato social. O uso da Rafebe como interposta pessoa para obter uma vantagem tributária indevida amoldase à hipótese de abuso da personalidade jurídica por desvio de finalidade prevista no artigo 50 do Código Civil. Contudo, mencionase este dispositivo legal não como fundamento da decisão, mas tãosomente para colher o conceito de abuso da personalidade jurídica, que é vedado pelo sistema jurídico. De fato, Não há que se falar em de desconsideração de personalidade jurídica ou mesmo em desconsideração de ato jurídico. Os fatos narrados e suficientemente provados subsumemse à hipótese da simulação relativa, nos termos disposto pelo artigo 167 do Código Civil, verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Acerca da simulação e, em especial da utilização de atos simulados para fraudar o Fisco, leciona Carlos Roberto Gonçalves: Simular significa fingir, enganar. Negócio simulado, assim, é o que tem aparência contrária à realidade. A simulação é produto de um conluio entre os contratantes, visando obter efeito diverso daquele que o negócio aparenta conferir. Não é vício do consentimento, pois não atinge a vontade em sua formação. É Fl. 2509DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 uma desconformidade consciente da declaração, realizada de comum acordo com a pessoa a quem se destina, com o objetivo de enganar terceiros ou fraudar a lei. Tratase, em realidade, de vício social. A causa simulandi tem as mais diversas procedências e finalidades. Ora visa a burlar a lei, especialmente a de ordem pública, ora a fraudar o Fisco, ora a prejudicar credores, ora até guardar em reserva determinado negócio.” (GONÇALVES, C. R. Direito Civil Brasileiro, volume I: parte geral. 6a. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 442) grifei. Os atos realizados compuseram uma aparência para conferir à Rafebe a titularidade (efêmera!) do imóvel em questão para em seguida, ainda de forma aparente, aliená lo à Even SP. Este fato amoldase perfeitamente à hipótese de ato simulado do inciso I do dispositivo legal citado, pois deu a aparência de transmitir a propriedade do imóvel à Rafebe para que esta pudesse contratar com a Even SP. O negócio dissimulado foi a venda do imóvel pela PS TRÊS à Even SP. Este é o negócio a ser tributado, até porque subsistirá o negócio que se dissimulou. Quanto à controvérsia acerca da sequência cronológica dos fatos, é de se dizer que tanto a exiguidade do tempo quanto a aparente contradição lógica da ordem dos atos jurídicos não configuram a causa, mas expõem os sintomas da enfermidade da qual toda a operação padece: a simulação. Em vista do contexto traçado, a autoridade lançadora, corretamente, efetuou o lançamento de ofício tendo o fato dissimulado acima mencionado como fato jurídico tributário. Assim, a regra individual e concreta posta pelo lançamento de ofício tem, no consequente, a PS TRÊS como contribuinte (critério pessoal). E o montante devido (critério de valor) foi apurado por meio da adição do ganho de capital diretamente às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, conforme as regras atinentes ao lucro presumido. É o que se pode depreender do seguinte trecho do Relatório Fiscal: Tendo em vista o fato gerador da venda do imóvel ter ocorrido no dia 20 de agosto de 2012, data em que a propriedade pertencia de fato e de direito a PS TRES, evidenciase como inevitável a tributação do ganho de capital nesta pessoa jurídica. Como exaustivamente demonstrado a PS TRES tentou fazer parecer que o imóvel teria sido vendido pela RAFEBE, no entanto foram apresentadas fartas provas de que a RAFEBE, mesmo que hipoteticamente detivesse a propriedade do bem vendido em 20 de agosto de 2012, ainda assim não teria condições jurídicas nem técnicas de efetuar uma venda de tal porte alguns dias após o seu surgimento. O lançamento fiscal feito nesses termos encontra amparo no artigo 149, VII, do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] Fl. 2510DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.501 21 VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Decidida a questão essencial, passase às alegações dos recursos voluntários da contribuinte e dos responsáveis solidários. Preliminar de ilegitimidade passiva da PS TRÊS e de inexistência de solidariedade. Nos termos da fundamentação acima, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL tendo como fato jurídico tributário o ato dissimulado, qual seja, a venda do imóvel matrícula 17.173 pela PS TRÊS à Even SP em 20/08/2012. Assim, a PS TRÊS é quem tem a relação pessoal de direta com o fato jurídico tributário e, portanto, deve figurar no consequente da norma individual e concreta, no que diz respeito ao critério pessoal, como contribuinte. A existência de solidariedade e a responsabilidade dos demais coobrigados será examinada à frente em tópicos próprios. Assim, no ponto que diz respeito à ilegitimidade passiva da PS TRÊS, voto por não acolher as alegações da recorrente. Da licitude das operações ou da inexistência de fraude, simulação e conluio e do contrato condicional. Como visto anteriormente, ao se contemplar o conjunto das operações, no contexto descrito, chegase à conclusão de que houve a utilização de interposta pessoa (Rafebe) para fraudar o Fisco. Tratase de simulação relativa na qual o fato simulado era composto por um conjunto de atos, que davam a aparência de que a venda do imóvel à Even SP tinha sido efetuada pela Rafebe, e o fato dissimulado era a venda feita pela PS TRÊS. A alegação de validade do contrato condicional apegase à idéia de que não se pode negar validade a uma sequência de atos cujos conceitos, individualmente considerados, sejam permitidos ou não vedados pelo sistema jurídico. Entretanto, na esteira dos argumentos que fundamentam este voto, é de se ver o conjunto de atos efetivamente realizados. No caso, os atos estão irremediavelmente maculados pelo uso de interposta pessoa para contornar a norma tributária imperativa. Nestes termos, não deve prosperar a alegação das recorrentes. Da desconsideração do pagamento dos tributos pela Rafebe. Este é um tópico sensível, pois numa leitura inicial, pela lógica econômica, parece fazer sentido compensar os tributos apurados pela Rafebe com os apurados de ofício. Entretanto, pela lógica jurídica detalhada anteriormente, o lançamento não está desconsiderando a personalidade jurídica da Rafebe. O que se está tributando é o fato dissimulado, ou seja, o ganho de capital da PS TRÊS na venda do imóvel de matrícula 17.173 à Even SP. Fl. 2511DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 Nos autos de infração, a autoridade lançadora identificou a realização de um fato jurídico tributário por uma pessoa distinta da Rafebe. Descabe, portanto, compensar os tributos apurados por uma pessoa para compensar de ofício com os tributos lançados em face de outra pessoa. Afinal, a pessoa jurídica Rafebe não foi extinta e permanece apta a ser titular de direitos e obrigações. O que ocorre, a partir desta decisão, é que configurase a hipótese de pagamento a maior ou indevido, por parte da Rafebe, no que diz respeito ao IRPJ e à CSLL recolhidos sobre a operação de venda do imóvel em comento, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional. Voto, portanto, por negar provimento aos recursos voluntários nesse ponto. Multa confiscatória (150%). Os recorrentes alegam que descabe a aplicação da multa de 150%, qualificada nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, tendo em vista a inocorrência de fraude, sonegação ou conluio. Argumentam, ademais, que a multa de 150% fere a proporcionalidade, a razoabilidade e tem caráter confiscatório. Quando à primeira alegação, em conformidade com a fundamentação apresentada anteriormente, as operações simuladas configuram fraudes cometidas em conluio por diversas pessoas para fins de aplicação dos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que são pressupostos para a qualificação da multa. Quanto à constitucionalidade dos dispositivos legais, este Conselho não é competente para se manifestar sobre a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 2. Neste ponto, é de se negar os recursos voluntários. Recursos voluntários de Bedin Lovatel Participações Ltda, Suzana Bedin Participações Ltda, Hamalu Participações Ltda, Vyoletah Participações Empresariais Ltda e Rodoviário Bedin Ltda. Conforme relatado anteriormente, as pessoas jurídicas coobrigadas repetiram os argumentos acerca da legitimidade das operações sob análise, que foram anteriormente examinados. Com base nesses argumentos, pedem o afastamento do vínculo de responsabilidade solidária. Em relação às pessoas jurídicas, a autoridade lançadora resumiu da seguinte forma o fundamento do vínculo de responsabilidade: Conforme farta documentação integrante deste processo administrativo, diferentes pessoas jurídicas e físicas atuaram ativamente e em conjunto com o intuito de iludir o fisco federal. A seguir cada um desses pessoas terá demonstrada a sua atuação. Em conformidade com o repisadamente mencionado neste relatório, os quadros sociais da PS TRES e da RAFEBE eram exatamente iguais. Esses sócios, obviamente, são os responsáveis pela cisão da PS TRES, pela pretensa absorção do imóvel discutido pela RAFEBE e pela venda do imóvel à EVENSP. Fl. 2512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.502 23 Gizase que tanto a RAFEBE quanto a PS TRES assinaram o contrato de compra e venda do imóvel, sendo que a PS TRES o assinou na qualidade de interveniente anuente. A farta documentação coletada revela o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação que nasce com a venda do imóvel, ou seja, houve à realização conjunta de atos legais que buscaram distorcer a realidade dos fatos que constituíram o fato gerador. O mesmo pode ser dito da participação da RAFEBE que naturalmente foi uma das protagonistas da arquitetura empregada no planejamento objeto de análise neste relatório e cuja manifestação se deu por meio de seu corpo societário. Essa sistemática acima exposta vai ao encontro no estatuído no artigo 124, inciso I, da Lei 5.172/1966: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Assim, é imputada solidariedade, com base no artigo 124, inciso I, às seguintes pessoas jurídicas: Bedin Lovatel Participações Ltda (CNPJ 05.458.772/000195) Suzana Bedin Participações Ltda (CNPJ 05.897.592/000100), Hamalu Participações Ltda (CNPJ 05.970.139/0001 81), Vyoletah Participações Empresarias Ltda (CNPJ 10.249.106/000187) e Rafebe Participacões Empresariais Ltda (CNPJ 16.669.965/000101). [...] Por fim, imputase a responsabilidade solidária à Rodoviário Bedin Ltda. Conforme citado previamente, a Rodoviário Bedin Ltda era a proprietária anterior do bem objeto da autuação, sendo que ela estava usufruindo do bem no momento da venda e continuou a usufruir do bem após a venda, em ambas as situações por meio de comodato. A sua influência nas decisões a respeito do destino do bem eram evidentes, a ponto de ela constar expressamente no contrato de compra e venda estabelecido com a EVENSP: “ A VENDEDORA declara que o IMÓVEL é ocupado por Rodoviário Bedin Ltda, conforme contrato de comodato vigente por tempo indeterminado, sendo que, no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias contados desta data, será assinado novo instrumento de comodato entre a COMPRADOR, a Rodoviário Bedin Ltda. e a VENDEDORA” (DOC. 9). No mesmo contrato, na CLAUSULA DÉCIMA DAS COMUNICAÇÕES, é mencionado expressamente que as comunicações destinadas à vendedora e à anuente devem ser efetuadas para os seguintes emails: paulobedin@transpanex.com.br e daniel@transpanex.com.br (Transpanex é o nome fantasia da Rodoviário Bedin Ltda). De fato, a participação em conluio para perpetrar a fraude tributária, mormente quando se trata de Grupo Econômico submetido a um único comando (familiar), caracteriza o interesse comum de que cuida o artigo 124, I, do CTN. O interesse jurídico Fl. 2513DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 comum decorre do ajuste doloso das vontades de cada pessoa e da participação decisiva na simulação. Não é demais lembrar que a criação da interposta pessoa, a cisão parcial e a versão do patrimônio da PS TRÊS para a Rafebe são atos de índole societária e, portanto, todos os sócios e a própria Rafebe participaram no processo decisório e na formalização nos respectivos instrumentos, como contratos sociais, protocolo de cisão, contrato de promessa de compra e venda. É de se destacar que não estão sendo atribuídos vínculos de solidariedade pelo simples fato de serem sócios, o que careceria de fundamento normativo, mas pela atuação direta na dissimulação do fato jurídico tributário. Sobre a sociedade Rodoviário Bedin Ltda, impende fazer alguns comentários. Ela não é sócia da PS TRÊS ou da Rafebe. Portanto, não assinou os instrumentos contratuais e societários mencionados. Entretanto, é de se considerar que haja confusão patrimonial entre as três. Explico. As pessoas jurídicas que compõem o polo passivo da obrigação tributária neste feito integram um grupo econômico de fato. É corrente na doutrina a classificação dos grupos de sociedades em duas categorias, a saber, os grupos “de fato” e os “de direito”. Segundo a lição de José Engrácia Antunes: o critério subjacente a esta distinção reside na existência ou inexistência de um instrumento jurídico de constituição do grupo (“rectius”, de criação de uma direção económica unitária) e de um regime jurídico específico a este aplicável. (ANTUNES, José A. Engrácia. Os grupos de sociedades – estrutura e organização da empresa plurissocietária. 2ª ed. Coimbra: Almedina, 2002, p. 73). A direção econômica unitária é traço característico dos grupos de sociedade. Nos grupos de fato, os poderes de direção têm origem em instrumentos [ou situações de fato] aos quais a lei não associa nenhum regime jurídico especial, tais como participações majoritárias, acordos parassociais e relações econômicas de dependência, “o que significa que aquele poder, a existir e a ser exercido, apenas o poderá ser como um mero poder de facto, que vive sujeito e enquadrado pelos cânones gerais do direito das sociedades" (ANTUNES, José A. Engrácia, Op. Cit., p. 73). Como dito, no sistema jurídico brasileiro, não há um regime jurídico próprio dos grupos de fato. Assim, prevalece a autonomia das sociedades. Tratase do Princípio da Entidade. Não é demais lembrar que o patrimônio não é um conjunto de bens e direitos, mas um conjunto de relações jurídicas de determinada pessoa com conteúdo econômico. Pelo princípio da entidade, o patrimônio tem autonomia e se refere à pessoa titular das relações jurídicas. Nesse contexto, portanto, não encontra amparo no sistema jurídico pátrio, por exemplo, uma sociedade ter seu patrimônio, a correspondente autonomia, sacrificado pela direção unitária do Grupo Econômico, em favor de outra sociedade do grupo. Mas, é o que se observa no caso concreto. Primeiro, é de se repisar que a Rafebe é uma estrutura formal, sem efetiva autonomia em relação ao Grupo Econômico. E as decisões administrativas do Grupo Fl. 2514DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.503 25 Econômico são tais que sacrificaram os patrimônios da PS TRÊS e da Rafebe em favor da Rodoviário Bedin. Em relação à PS TRÊS, impende rememorar que a cisão parcial do patrimônio da Rodoviário Bedin previa que a PS TRÊS receberia o bem imóvel em que a Rodoviário Bedin desenvolve suas atividades operacionais para que a PS TRÊS ficasse responsável pelas "atividades complementares". Ao decidir pelo contrato de comodato, o Grupo Econômico retirou da PS TRÊS as receitas correspondentes a essas "atividades complementares". Esse fato leva a uma conclusão: há uma confusão patrimonial em que a PS TRÊS fica com as despesas das "atividades complementares" e a Rodoviário Bedin com as respectivas receitas operacionais, sem as despesas correspondentes. A PS TRÊS fica só com despesas e a Rodoviário Bedin, com o lucro. Quando se analisa o fato jurídico tributário, ou seja a venda do imóvel pela PS TRÊS para Even SP, também se pode verificar a falta de autonomia e a confusão patrimonial, que ferem o princípio da entidade. Afinal, o próprio valor de negociação do imóvel à Even SP, sendo esta uma parte independente, certamente foi sacrificado pela necessidade da adquirente ceder o imóvel em comodato para a Rodoviário Bedin. Ademais, o comodato de bens adquiridos pela Rafebe em São Paulo, demonstram o sacrifício patrimonial desta em favor da Rodoviário Bedin. Os sacrifícios dos patrimônios de PS TRÊS e Rafebe em favor da Rodoviário Bedin não encontram respaldo na legislação e configura confusão patrimonial. A confusão é caracterizada porque ferese a autonomia dos patrimônios quando parte dos direitos de propriedade (gozar e dispor) é frustrada pela decisão do comando do Grupo Econômico (de fato) que impede PS TRÊS e Rafebe de auferirem receitas inerentes à propriedade dos imóveis (especialmente aluguéis) e à venda, criando um descompasso entre as receitas e custos/despesas dessas pessoas. Em resumo, há um sacrifício patrimonial das sociedades PS TRÊS e Rafebe, em favor da Rodoviário Bedin, comandado pelo grupo econômico de fato, diretamente conectado ao fato gerador do tributo, sem amparo jurídico. Há confusão patrimonial. A jurisprudência deste Conselho e, em especial, desta Turma, é firme no sentido de manter o vínculo de responsabilidade solidária, no caso de Grupo Econômico, quando há confusão patrimonial, fraude e conluio, como se pode verificar nos seguintes julgados, cujas ementas estão reproduzidas no que interessa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. (Acórdão nº 1401003.003, de 21/11/2018, relatoria do conselheiro Daniel Ribeiro Silva) grifei RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124 DO CTN. INTERESSE COMUM. Fl. 2515DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 O artigo 124 do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) e o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do interesse comum (inciso I) ou da indicação da expressa previsão em lei (inciso II). No caso do artigo 124, I, o interesse comum ali referido é jurídico e não meramente econômico. O interesse jurídico comum deve ser direto, imediato, na realização do fato gerador que deu ensejo ao lançamento, e resta configurado quando as pessoas participam em conjunto da prática dos atos descritos na hipótese de incidência. Essa participação em conjunto pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial, quando ambas dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Havendo provas de omissões na contabilidade e da interposição de pessoas, revelando que o imputado responsável era na verdade administrador e proprietário de fato da contribuinte, é de se manter sua responsabilização com base no artigo 124, I, do CTN. (Acórdão nº 1401002.654, de 12/06/2018, relatoria da conselheira Livia De Carli Germano) grifei Entendimento semelhante, no caso de confusão patrimonial, fraudes e simulações, pode ser verificado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça, cuja jurisprudência se firmou no sentido de que a mera participação em Grupo Econômico não configura suporte fático suficiente para a configuração da hipótese de interesse comum, conforme se pode observar no excerto abaixo, extraído da fundamentação do acórdão exarado no AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.055.860RS: Ademais, ainda que superado esse óbice, para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. Nesse sentido leciona Kiyoshi Harada: "Quanto à responsabilidade prevista no inciso II, do art. 124 do CTN já a examinamos em estudos anteriores concluindo que a ordem jurídica vigente não abriga a chamada responsabilidade solidária objetiva. A responsabilidade tributária solidária de que cuida o inciso I é um dos temas onde grassa a maior confusão. Basta a interdependência entre as empresas, caracterizada pela composição do capital ou pela identidade de pessoas que compõem as sociedades para concluirse pela responsabilidade tributária solidária. Isso é um grande equívoco. Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas. Para que isso ocorra é indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Fl. 2516DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.504 27 Ensina Carlos Jorge Sampaio Costa: '.... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa. ............................................................. Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. (.....) Aliás, no caso de fraude, pagam até os representantes pelos representados'[1]. (julgamento em 17/02/2009, relatora Ministra Denise Arruda) grifei. Neste ponto, configurado o interesse comum de que trata o artigo 124, I, do CTN, voto por negar provimento aos recursos voluntários. Recursos voluntários de Suzete Bedin, Sueli Bedin Lovatel, Suzana Bedin e Paulo Luiz Bedin. No caso do vínculo de responsabilidade das pessoas físicas, restou assim resumida a fundamentação da autoridade fiscal: Notoriamente, empresas são abstrações jurídicas que atuam por meio de seus representantes pessoas físicas. Assim, no presente caso, é imputada solidariedade às pessoas físicas com poderes legais de atuação, ou seja, aos administradores e diretores que atuaram ativamente na formação da infração ora discutida e cuja participação é inarredável visto constar as suas assinaturas nos documentos comprovadores da infração trazida à luz neste processo, quais sejam: Sueli Bedin Lovatel, CPF 223.761.78053, administradora da PS TRES, da RAFEBE e da Bedin Lovatel Participações Ltda ; Suzete Bedin, CPF 311.738.53049, administradora da PS TRES, da RAFEBE e da Vyoletah Participações Empresarias Ltda; Fl. 2517DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 28 Paulo Luiz Bedin, CPF 146.892.35015, diretor da Hamalu Participações Ltda; Suzana Bedin, CPF 110.638.90004, diretora da Suzana Bedin Participações Ltda. Essas pessoas físicas são solidárias à fiscalizada por terem atuado de forma direta, em conjunto, na situação que deu origem à tributação, porquanto, além de legalmente incumbidas de atuar em nome das empresas, tiveram sua participação inequivocamente comprovada pelas firmas dos documentos embasadores do ato infracional ora comprovado, tais como: cisão da PS TRES e venda do bem à EVENSP, conforme assinaturas dos referidos documentos. A aplicação do artigo 135, III, do CTN requer a demonstração de poderes de gestão e a atuação com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. No caso, basta mencionar, além dos fatos descritos pela fiscalização, que o contrato social da Rafebe Participações Empresariais que foi utilizada como interposta pessoa no fato jurídico tributário sob exame neste processo foi assinado pelas quatro pessoas físicas acima, na qualidade de diretoras das respectivas sociedades de participação (Hamalu Participações, Suzana Bedin Participações, Bedin Lovatel Participações e Vyoletah Participações Empresariais). Atuaram, portanto, como administradores e em infração à lei. Os fatos, documentalmente comprovados, subsumemse à hipótese normativa do artigo 135, III, do CTN. É de se manter, portanto, os vínculos de responsabilidade solidária das pessoas físicas Sueli Bedin Lovatel, Suzete Bedin, Paulo Luiz Bedin e Suzana Bedin Conclusão. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares de ilegitimidade passiva da PS TRÊS e negar provimento aos recursos voluntários para manter incólume o lançamento de ofício, com multa qualificada e os vínculos de responsabilidade solidária, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Redator Designado Com a devida vênia ao brilhante voto proferido pelo nobre colega Conselheiro Relator, dele divergir parcialmente quanto a dois pontos específicos: (i) Fl. 2518DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.505 29 qualificação da multa de ofício, e; (ii) possibilidade de dedução dos tributos pagos pela RAFEBE. Quanto à qualificação da multa, há uma diferença importante a ser considerada. É que um processo de reorganização societária com "etapas artificiais, apesar de formalmente legais" não se qualifica como fraude, mas simulação. Explico. O caso em questão não envolve a prática de conduta expressamente vedada pelo ordenamento (i.e., ilícito), mas conflito entre interpretações conferidas a um mesmo fato isto é: para a contribuinte, a constituição de uma pessoa jurídica no âmbito meramente formal é suficiente para permitir a produção dos respectivos efeitos tributários e, para a autoridade autuante, tal negócio é artificial. Conforme voto no acórdão CSRF 9101002.189, sessão de 21.01.2016, a simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Por sua vez, para que se possa cogitar a qualificação da multa, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. Esse, inclusive, é o sentido que se extrai do teor da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", assim como da Súmula Vinculante CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Como ensina BRANDÃO MACHADO, na noção de dolo se insere a idéia de contrariedade ao direito, ou seja, da prática de um ilícito ("Um caso de elusão de imposto de renda". In: Direito Tributário Atual, vol. 9, São Paulo: Resenha Tributária, 1989, p. 2209). Da mesma forma, MARCO AURÉLIO GRECO observa: "Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. (...) Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando Fl. 2519DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 30 explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc." (Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2004, grifos nossos) É que, para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito (dolo normativo). Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, que contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada. Na verdade, o que vemos é a prática de condutas expressamente permitidas. Não há como negar que o relatório fiscal traz indícios de uma atuação intencional e consciente dos agentes, entretanto, para fins de qualificação da multa o TVF tem que ser claro e identificar qual a conduta dolosa justifica tal majoração. O fato é que o TVF no tópico que trata da multa qualificada é absolutamente econômico e fundamenta a qualificação nas práticas societárias, as quais, isoladamente, nada tem de ilegal. Seria necessário fundamentar a qualificação em atuações concretas e justificar de que forma estaria comprovada a ciência inequívoca da contribuinte no intento de fraudar o Fisco. O fiscal tinha todos os instrumentos necessários para tal constatação. A exemplo, poderia fundamentar a qualificação na inexistência da sede de uma das empresas, o que foi por ele constatado, mas não foi fundamento para a qualificação. Ao invés disso, o agente fiscal resumiuse a justificar a qualificação em operações societárias que repito, isoladamente, não são vedadas pela legislação, ou ainda, na suposta venda de um imóvel que não era da propriedade do vendedor (o que também não é vedado pelo código civil). Fl. 2520DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.506 31 Não é possível "aproveitar" os demais tópicos do TVF para justificar a qualificação da penalidade, que deve vir fundamentada em tópico específico do TVF, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Possivelmente, se o agente autuante tivesse fundamentado a qualificação da multa na mesma linha do voto do nobre colega Relator, possivelmente a conclusão desse julgamento seria outra, mas não o fez! Tais casos de reclassificação contábil de imóvel para deixar de recolher IR sobre o ganho de capital tem sido cada vez mais comuns no CARF, mas a justificativa para a qualificação da multa tem que ser muito bem elaborada, já que os atos isoladamente não são ilegais. Tanto é assim que, no precedente citado pelo nobre colega Relator, da lavra deste Redator Designado, em que pesem versem sobre situações praticamente idênticas, no caso paradigma o fiscal autuante não qualificou a multa. Tal fato demonstra a subjetividade da análise do tema. Assim, no caso, não há a imputação da prática de qualquer ilícito, é dizer, não se verifica qualquer conduta contrária ao direito que possa levar à qualificação da penalidade. De fato, a depender da linha que se adote e não cabe aqui discorrer sobre todas possíveis acepções a simulação é, no máximo, um ilícito atípico, o qual, por tal natureza, não pode ensejar o agravamento da multa (GERMANO, Livia De Carli. Planejamento tributário e limites para a desconsideração dos negócios jurídicos. São Paulo: Saraiva, 2013, pgs. 83 e 127). Ressalto, entretanto, que a referida redução em nada interfere na manutenção da responsabilização solidária vez que a qualificação não se apresenta como condição para a responsabilização. Em vista disso, entendo como não aplicável ao caso a hipótese de qualificação da multa de ofício para 150%, e voto no sentido de dar parcial provimento aos recursos para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 75%. No que se refere ao aproveitamento dos tributos pagos pela RAFEBE, também divirjo da posição do colega relator. Entendo ser possível e legal que se permita deduzir do imposto ora apurado de ofício contra a pessoa jurídica, aquele imposto pago pela RAFEBE, ambos vinculados ao mesmo fato gerador. Por uma razão simples. A reclassificação do sujeito passivo da operação que gerou ganho de capital, implica que o imposto devido passa a ser atribuído, no caso, à PS Três, de forma que eventual recolhimento/pagamento de imposto (exclusivo na fonte!) deste mesmo fato gerador, então realizado por pessoas que não o sujeito passivo, deve ser deduzido do IRPJ e CSLL. Se a Administração Tributária tratou de reclassificar a natureza da sujeição passiva da obrigação tributária do fato gerador em questão (alienação de participação societária), da RAFEBE para a PS Três, não faz sentido manter a tributação da RAFEBE no que se refere ao valor transferido para a pessoa jurídica. Fl. 2521DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 32 Estamos diante de um erro de direito, uma interpretação equivocada da legislação acerca do assunto, entre a Interessada e seus sócios, não tendo havido uma intenção deliberada de fraudar o Fisco, absolutamente, como já me manifestei anteriormente ao analisar a questão da qualificação da multa de ofício. Se a Administração Tributária transferiu o fato gerador para a pessoa jurídica diversa, e neste aspecto concordei com a reclassificação posta, legítima, evidente que o imposto de renda e CSLL recolhido na RAFEBE, sobre o mesmo fato gerador, deveria ser objeto de compensação do IRPJ ora apurado de ofício, sob pena de enriquecimento ilícito da União (afinal, ela estaria recebendo duas vezes pelo mesmo fato gerador). Acrescento aqui, meu particular entendimento de que, apesar de o pagamento ser uma declaração daquele que paga, informando ao fisco o tributo pago, fato gerador, vencimento etc, quando da existência de ato de ofício a modificar a situação tributária que originou o pagamento realizado, a bem da realização dos princípios de justiça, há de se modificarem todos os fatos jurídicos resultantes daquele fato originalmente alterado para que nenhuma das partes, quer sujeitos passivos, quer o fisco, sejam prejudicados. Se a administração tributária puder alterar apesar a sujeição passiva da obrigação, sem permitir a adequação das situações dela decorrentes, acarretaríamos inegável prejuízo ao sujeitos passivos originários, que, no presente caso, não poderiam aproveitar os pagamentos realizados pela pessoa jurídica sem prejudicarem seu próprio direito de defesa e seus interesses financeiros contra a autuação. Explico. Se acaso a RAFEBE neste processo desejassem utilizar os pagamentos realizados para reduzir os valores lançados, somente poderiam fazêlo por meio de compensação, na forma do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim fazendo, teriam de reconhecer: 1) Que os pagamentos realizados foram indevidos, ou seja, desconsiderariam seus próprios atos; 2) Que os débitos compensados são perfeitos e exigíveis, reconhecendo sua exigibilidade, mesmo que parcial, sem a possibilidade de modificação pelo processo administrativo; 3) seriam penalizados, na compensação, com o acréscimo das multas de ofício que não mais poderiam ser revistas. Caso tentassem evitar tais danos, teriam de aguardar o trâmite de todo o processo administrativo de impugnação e, assim, o dano seria outro, o de ver atingido pela decadência, em face da demora na solução do litígio, os créditos para com a Fazenda Nacional decorrentes dos pagamentos em questão. Em tempo, ressalto que essa posição não é nova nesta TO, que tem aceitado, em situações semelhantes, a referida compensação, a exemplo do Processo 16561.720165/201490, de Relatoria do Conselheiro Abel Nunes. Assim, à vista do exposto e visando evitar o desequilíbrio entre direitos e obrigações entre as partes envolvidas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, mantendo a possibilidade de dedução, do valor da autuação, do montante pago pela RAFEBE a título de ganho de capital e CSLL decorrente da mesma operação objeto desta autuação. Ressalto, entretanto, que deve ser excluído da compensação eventuais valores recolhidos a título de PIS/COFINS vez que a venda não resultou em receita operacional pela PS Três. Fl. 2522DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11020.720774/201795 Acórdão n.º 1401003.130 S1C4T1 Fl. 2.507 33 Desta feita, dou parcial provimento aos Recursos também nesse ponto, tão somente para se aproveitarem os valores pagos pela RAFEBE a título de IRPJ e CSLL e deduzilos do presente lançamento. Nos demais termos, acompanho integralmente o brilhante voto do nobre colega Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2523DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.13548.N2N3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA em 08/03/2019 10:22:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA em 08/03/2019. Documento assinado digitalmente por: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES em 12/03/2019, DANIEL RIBEIRO SILVA em 08/03/2019 e CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA em 08/03/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 14/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.0520.13548.N2N3 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: A2A135F61F1CB6E77E3FDF40DA41E545B6E1A8B0E602DBDAE3FEE2E288F2441C Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11020.720774/2017-95. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15586.001698/2010-02
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RETENÇÃO. CONSTRUÇÃO CIVIL.
Os serviços de construção civil obrigam a empresa tomadora à retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, quer tenham sido prestados através de cessão de mão de obra ou por empreitada.
Numero da decisão: 9202-009.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não informado
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CONSTRUÇÃO CIVIL. Os serviços de construção civil obrigam a empresa tomadora à retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, quer tenham sido prestados através de cessão de mão de obra ou por empreitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração de contribuições previdenciárias correspondentes à retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, conforme previsto no caput 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação outorgada pela Lei 9.711/1998, combinado com o art. 219 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 98 /2 01 0- 02 Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 55/59), o Contribuinte contratou e deixou de efetuar as retenções sobre os serviços prestados pelas seguintes empresas: 02.893.908/0001-05 – Fontouratec Prestação Serviços Ltda 03.033.601/0001-99 – Márcia Braga Soares – ME 04.518.954/0001-41 – Solid Construções e Serviços Ltda Verificou-se que para a empresa Solid Construções e Serviços Ltda, a retenção de 11% foi destacada nas Notas Fiscais mas não foram descontadas da empresa prestadora e nem recolhidas à Previdência Social. O Contribuinte apresentou à fiscalização o contrato de prestação de serviços assinado com a empresa Fontouratec Prestação de Serviços Ltda e verificou-se que o seu objeto é: fabricação e montagem de gradil metálico, fechamento, escadas metálicas, cobertura metálica guarita, portões em chapas galvanizadas, recuperação de prateleiras metálicas, suportes de ar condicionado e cobertura metálica sala gerador. Os pagamento efetuados à prestadora, comprovados pelas Notas Fiscais emitidas, foram escriturados na contabilidade do Contribuinte na conta contábil 13019600000000 denominada Construções & Incorporações. Quanto às Notas Fiscais emitidas pela empresa Márcia Braga Soares – ME, referem-se a serviços de jardinagem e paisagismo com fornecimento de material. Em sessão plenária de 15/05/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2301-003.510 (fls. 151/158), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na presença de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica afastada, retirando o fundamento da obrigação de realizar a retenção. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Os autos foram remetidos à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em 08/10/2013 (fl. 159) e, em 13/11/2013 (fl. 193), retornaram com Recurso Especial (fls. 160/168) objetivando rediscutir a matéria: Aplicação da retenção na contratação de serviços de construção civil por cessão de mão de obra e por empreitada. Pelo despacho datado de 30/01/2017 (fls. 195/197), considerou-se demonstrada a divergência jurisprudencial e deu-se seguimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional. Na sequência, transcrevo ementa do acórdão apresentado como paradigma: Acórdão 2403-01.266 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Razões apresentadas pela Fazenda Nacional A Fazenda Nacional alega, em síntese, o que se segue: O acórdão recorrido afastou a exigência de retenção e recolhimento de 11% sobre notas fiscais a título de contribuição previdenciária, diante da ausência dos elementos caracterizadores da cessão de mão de obra. O paradigma confirma claramente a obrigação de reter e recolher 11% sobre as notas fiscais de serviços de construção civil por empreitada, como é o caso dos autos, independentemente da caracterização de cessão de mão de obra. No entendimento do precedente apresentado, a contratação dos serviços de construção civil por empreitada, por si só, sujeita o contratante à retenção para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. A relação dos serviços sujeitos à retenção previdenciária de 11% encontra- se no art. 31 da Lei nº 8.212/91, em seu § 4º, que também remeteu ao Regulamento a possibilidade de inclusão de outros serviços sujeitos à referida obrigação, além dos listados em seu próprio texto. O § 3º do art. 219 do RPS bem ressalta que os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção quando contratados mediante empreitada de mão‑de‑obra, ou seja, os contratos de prestação de serviços de limpeza, conservação e zeladoria; vigilância e segurança; construção civil; serviços rurais; e digitação e preparação de dados para processamento estão obrigados à retenção previdenciária de 11% tanto por empreitada quanto mediante cessão de mão de obra. Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 Conforme anotado no relatório fiscal, tem-se que os serviços prestados enquadram-se no conceito de serviços de construção civil. Tais serviços, aliás, estão sujeitos à retenção, conforme disposto no § 4º do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991. Nesse sentido, também, o § 3°do art. 219 do Decreto nº 3.048/1999. No presente caso, por força dos dispositivos legais citados, a retenção prescinde de comprovação da cessão de mão de obra, já que ela é obrigatória mesmo quando os serviços são prestados mediante empreitada. Logo, por todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento em sua integralidade. Contrarrazões do Contribuinte O Contribuinte tomou ciência das decisões proferidas pelo CARF em 04/04/2017 (fl. 203) e, em 18/04/2017 (fl. 204), apresentou contrarrazões (fls. 206/217) ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, em que alega o que segue: A empresa recorrida não pode ser inserida na obrigação tributária, uma vez que diferentemente do alegado pela União Federal, os serviços prestados não são realizados mediante cessão de mão de obra. A mera prestação de serviços não caracteriza cessão de mão de obra, que é constituída mediante a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos. Outra consideração que merece destaque diz respeito ao pressuposto da continuidade. Como serviços contínuos devem ser entendidos aqueles dos quais a contratante necessita de forma permanente. Cumpre à Autoridade Fiscal demonstrar que o contribuinte contratou serviços do art. 219 do Decreto nº 3.048/1999, para que fique caracterizada a contratação de serviços por cessão de mão de obra, o que não ocorreu. Confirmada a inexistência de cessão de mão de obra, a Recorrente intenta imputar a obrigação de retenção de 11% ao aduzir que tal obrigação é devida em casos de empreitada. No entanto, o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 é claro ao limitar a referida obrigação às hipóteses de cessão de mão de obra e de empreitada de mão de obra. Empreitada de mão de obra é a contratação exclusiva de empresa construtora registrada no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA que assume a responsabilidade direta na execução total da obra, nela incluindo o fornecimento de material. Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 Somente na hipótese em que não se caracterize a empreitada global da obra ou repasse total deste tipo de contrato, aplicar-se-ia a retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/1991. No presente caso, não houve a exploração de mão de obra, mas a exploração da obra para a qual foi contratada a empresa, não se aplicando o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991. De acordo com o art. 176 da Instrução Normativa SRP nº 3/2005, a retenção não se aplica à empreitada global e ao contribuinte individual equiparado à empresa. Assim, a retenção não seria devida, eis que as empresas Solid Construções e Serviços Ltda e Fontauratec – Prestação de Serviços Ltda teriam sido contratadas por empreitada global, bem como a empresa Márcia Braga Soares – ME seria contribuinte individual equiparado a empresa, também não estaria sujeita à retenção. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos necessários à sua admissibilidade, portando dele conheço. A matéria devolvida à apreciação deste Colegiado cinge-se à aplicação da retenção na contratação de serviços de construção civil por cessão de mão de obra e por empreitada. Ao julgar o Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte, o colegiado a quo, assim decidiu: Sabendo tratar-se de presunção legal de retenção, resta-nos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta. Como se sabe, uma presunção é o processo, que utiliza a lógica, no caso das presunções simples, ou a determinação legal, no caso das presunções legais, partindo do fato base, ou do indício, e resultando no fato presumido. Acrescente-se que as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tantum, sendo que as absolutas são insuscetíveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido.(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 136). O art. 33, §5º da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado “alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto” na mesma Lei. Tendo o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrário, concluímos tratar-se de presunção absoluta. Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 Resulta dizer que, constatando a ocorrência de uma situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica “diretamente responsável”. No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 criou uma regra geral para determinarmos se a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mão de obra. Assim, “entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Trata-se de, como dissemos, uma regra geral, mas, em adição, quis a mesma lei criar outra presunção, agora relativa, em relação aos serviços que se enquadram com as características de cessão de mão de obra. No §4º do art. 31 da Lei 8.212/91, portanto, temos uma lista de serviços que, por presunção legal relativa, são considerados como executados por cessão de mão de obra. Além de listar alguns serviços, a lei permitiu ao regulamento aumentar a lista de serviços que, por presunção relativa, seriam considerados executados por meio de cessão de mão de obra. Digo que há uma presunção relativa, pois a lista dos serviços submete-se à regra geral do § 3º do art. 31. Significa dizer que a empresa contratante poderá demonstrar que, mesmo tendo contratado alguns dos serviços listados pela Lei ou pelo regulamento, a execução dos serviços não se deu de uma forma que caracterize a cessão de mão de obra, nos moldes do §3º do art. 31. Em suma, diante da existência de tal presunção relativa, cabe ao fisco demonstrar que houve a contratação de serviços relacionados na lei ou no regulamento para concluir que foi realizado por meio de cessão de obra, ao passo que, ao contratante, caberá o ônus de demonstrar que a prestação de serviços não se deu com características de cessão de mão de obra. Para compreendermos o que seria uma cessão de mão de obra, devemos lembrar que uma das principais características que distinguem a cessão de mão de obra da empreitada é a existência de um resultado pretendido para a empreitada, ao passo que na cessão de mão de obra a contratada não se compromete com um resultado, apenas coloca trabalhadores à disposição da contratante. Concordamos com o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior quando este interpretou, no voto do Acórdão 2301- 00.444, o significado de “estar à disposição” como equivalente estar submetido ao poder de comando do contratante, sem, no entanto, ressalvamos, caracterizar uma subordinação jurídica. Logo, a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal apresentado pela recorrente, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante. A continuidade do serviço é outra característica exigida pela lei para caracterizar a cessão de mão de obra. Mas é a continuidade do serviço, não do prestador ou do trabalhador. Se mensalmente é trocado o prestador, mas o serviço mostra-se contínuo no tempo do ponto de vista da contratante, então, temos a continuidade exigida pela lei. Dessa maneira, nos casos que se enquadram no art. 31 da Lei 8.212/91, temos um encadeamento de duas presunções. A primeira, relativa, que trata da caracterização dos serviços que se consideram realizados com cessão de mão de obra. O fato base de tal presunção é a constatação de contratação de serviço relacionado pela lei ou pelo regulamento, sendo o fato presumido a realização do referido serviço com cessão de mão de obra. Cabe ao contratante, nesse caso, demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. A segunda presunção, esta absoluta, é a presunção de que, caracterizada a contratação de serviço por meio de cessão de mão obra, considera-se efetivada a retenção de 11% e, portanto, deve ser feito o recolhimento. O fato base de tal presunção absoluta é a Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra, sendo o fato presumido a retenção de 11%. A par disso, cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado a existência de contratação de serviços com cessão de mão de obra e, conseqüentemente, surja a obrigação de recolher ao fisco o valor presumidamente retido do contratado. Ao fiscalizado cabe demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 para afastar o fato presumido. Passemos às considerações sobre o caso dos autos. Conforme anotamos alhures, “a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal apresentado pela recorrente, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante”. Como no caso presente em todas as três prestações de serviço temos a realização de um serviço determinado em nota fiscal, de acordo com o relato da própria fiscalização e conforme observamos nos documentos de fls. 67/74, não temos caracterizada a cessão de mão de obra, o que afasta a obrigação da empresa de realizar a retenção. (Grifou-se) O lançamento ocorreu em razão do que determina a Lei 8.212/91, art. 31, na redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5 o do art. 33 A respeito da matéria, o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, estabelece: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão- de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra: [...] III- construção civil; [...] §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão-de-obra. Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 [...] (Grifou-se) Por sua vez, a Instrução Normativa - IN SRP nº 03/05 (que repete o conteúdo da IN INSS/DC nº 100/03), vigente à época dos fatos geradores, assim dispõe: IN SRP 03/05: Art. 143. Cessão de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante entende-se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 144. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Art. 145. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: [...] III - construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou passeios, a colocação de grades ou de instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas; (Grifou-se) [...] De se observar que o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 e o caput e § 3º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social são absolutamente claros no sentido de que, em se tratando de construção civil, o contratante está obrigado à retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal seja nos casos de cessão de mão de obra ou naqueles em que os serviços são prestados mediante empreitada. Em virtude disso, não há como atribuir razão ao Colegiado Ordinário de que a autoridade autuante deveria ter demonstrado a cessão de mão de obra para conferir validade ao lançamento. O fato de os serviços de construção civil terem sido prestados por empreitada, repise-se, é suficiente para fazer nascer a obrigação da contratante de efetuar a retenção. Ademais, segundo demonstrado no Relatório Fiscal (fls. 55/59), em relação à empresa Solid Construções e Serviços Ltda, as retenções de 11% foram inclusive destacadas nas Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 notas fiscais de prestação de serviços, mas não foram descontadas da empresa prestadora e nem recolhida à Previdência Social. Quanto à empresa Fontouratec Prestação de Serviços Ltda, verificou-se que o objeto do contrato é fabricação e montagem de gradil metálico, fechamento, escadas metálicas, cobertura metálica guarita, portões em chapas galvanizadas, recuperação de prateleiras metálicas, suportes de ar condicionado e cobertura metálica sala gerador. Nesse caso, os pagamento efetuados à prestadora, comprovados pelas Notas Fiscais emitidas, foram escriturados na contabilidade do Contribuinte na conta contábil 13019600000000 denominada Construções & Incorporações. No que tange a Notas Fiscais emitidas pela empresa Márcia Braga Soares – ME, referem-se a serviços de jardinagem e paisagismo com fornecimento de material que também se inclui no conceito de obra de construção civil. O Contribuinte, em contrarrazões, não questiona que os serviços prestados pela Solid Construções e Serviços Ltda e pela Fontouratec Prestação de Serviços Ltda sejam de construção civil, porém, argumenta que foram executados por empreitada global, razão pela qual prevaleceria a responsabilidade solidária entre tomadora e prestadora, não sendo devida a retenção, conforme prevê o inciso II, do art. 176 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, que estabelece: Art. 176. Não se aplica o instituto da retenção: [...] II - à empreitada total, conforme definida na alínea “a” do inciso XXVIII do caput e no § 1º, ambas do art. 413, aplicando-se, nesse caso, o instituto da solidariedade, conforme disposições previstas na Seção III do Capítulo X deste Titulo, observado o disposto no art. 191 e no inciso IV do § 2º do art. 178; Ocorre que o dispositivo da Instrução Normativa SRP nº 3/2005 remete à alínea “a” do inciso XXVIII do caput e no § 1º, ambas do art. 413, que dispõem: Art. 413. Considera-se: [...] XXVIII - contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; [...] § 1º Será também considerada empreitada total: I - o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 II - a contratação de obra a ser realizada por consórcio, constituído de acordo com o disposto no art. 279 da Lei nº 6.404, de 1976, desde que pelo menos a empresa líder seja construtora, observados os conceitos dos incisos XX e XXVII do caput deste artigo; e [...] De se esclarecer que, diferentemente do que aduz o Sujeito Passivo, a Instrução Normativa SRP nº 3/2005 não faz referência a empreitada global, mas a empreitada total. Além do que, empreitada total é definida na referida norma como sendo o contrato de construção civil celebrado exclusivamente com empresa construtora que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes. Por certo, além de não fazer prova de que os serviços foram prestados por empreitada total, esses serviços, por sua própria natureza, não compreendem todos os projetos inerentes a uma obra de construção como exige a norma suscitada pelo Sujeito Passivo. Tratam- se de serviços complementares que estão sujeitos a retenção e não se submetem à responsabilidade solidária. Além disso, como dito no Relatório Fiscal, “O presente Auto de Infração é referente [...] à obra de matrícula CEI 50.018.13231/72”, ou seja, não há que se falar em empreitada total em se tratando de obra cuja realização foi executada por três empresas diferentes, consoante apontado pela autoridade autuante. Alega-se ainda em contrarrazões que não seria devida a retenção sobre as Notas Fiscais relativas à empresa Márcia Braga Soares – ME, por se tratar de contribuinte individual equiparado à empresa, buscando fundamento no inciso IV, do art. 176 da mesma normativa. No entanto, a prestadora dos serviços não se trata de contribuinte individual equiparado a empresa, eis que é microempresa com registro de CNPJ, ao passo que o contribuinte individual equiparado à empresa é a pessoa física, com cadastro específico no INSS – CEI, que mantém empregados registrados, como, por exemplo: dentistas, cabeleireiras, contador. A própria IN SRP 03/2005 tratava do assunto, conforme se verifica no trecho abaixo: Art. 18. Os cadastros do INSS são constituídos dos dados das empresas, dos equiparados a empresas e das pessoas físicas seguradas da Previdência Social. Art. 19. A inscrição ou a matrícula serão efetuadas, conforme o caso: I - no Cadastro Nacional de Informação Social - CNIS mediante atribuição de um NIT, para os trabalhadores em geral; II - simultaneamente com a inscrição no CNPJ, para as pessoas jurídicas ou equiparados; III - no Cadastro Específico do INSS (CEI), no prazo de trinta dias contados do inicio de suas atividades, para a empresa e equiparado, quando for o caso, e obra de construção civil, sendo responsável pela matrícula: a) o equiparado à empresa isenta de registro no CNPJ; (Grifou-se) Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-009.711 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001698/2010-02 Além do que, como referida empresa também prestou serviços complementares de construção civil por meio de empreitada, deveria o Sujeito Passivo ter efetuado a retenção de 11% sobre as notas fiscais de serviços. Por todas essas razões, considero que a decisão recorrida deve ser reformada e o lançamento restabelecido. Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35013.001123/2006-05
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 05/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - Constitui infração à legislação previdenciária
deixar o servidor, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir documento comprobatório de inexistência de débito do proprietário pessoa física ou jurídica, de obra de construção civil, quando da averbação de obra no Registro de Imóveis. A aceitação do documento fica condicionada a sua autenticidade verificada pela internet, ou junto à previdência social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.038
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: LIÉGE LACROIX THOMASI
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A aceitação do documento fica condicionada a sua autenticidade verificada pela intemet, ou junto à previdência social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. , LIEGE LACROIXc'THOMASI Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Leonardo Henrique Pires Lopes (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros (Suplente) e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). Ausente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. 24 Processo n° 35013.001123/2006-05 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.038 Fl. 81 Relatório Trata o presente de auto de infração por descumprimento do artigo 47 da Lei n •° 8.212/91, e artigo 257, inciso II e parágrafo 15 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, já que a titular designada do registro de imóveis do Cartório do 6° Oficio de Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Salvador/BA, efetuou averbação de imóvel com uma Certidão Negativa de Débito sem autenticidade confirmada, em 23/08/2004. Após a apresentação da defesa, Decisão-Notificação de fls. 45/49, julgou a autuação procedente. Inconformada, a autuada apresentou recurso tempestivo onde argúi em síntese: que é principio basilar do direito o duplo grau de jurisdição motivo pelo qual não efetuou o deposito recursal, que também vem sendo alvo de rediscussões dos ministros do STF; que o ato cartorário foi executado na forma da lei, em face do documento que lhe foi apresentado, sendo que o cartório não possuía autorização, à época, para acessar a internet, não podendo ver:ficar a autenticidade do mesmo; que não teve orientação de como proceder; que os esclarecimentos sobre a CND eletrônica vieram somente após a autuação; que o cartório não dispõe de legislação atualizada e não dispõe de meios para acompanhar as modificações de procedimentos, sendo impossível os serventuários atenderem as exigências legais; que o interesse da autenticidade é da Previdência que deveria suprir a falta de condições dos cartórios; que faltam condições aos serventuários para exercer um trabalho com excelência porque o Tribunal de Justiça da Bahia não dá subsídios suficientes para que haja uma interação entre os órgãos públicos. Requer a reforma da decisão para que seja julgado improcedente o auto de infração, tornando sem efeito a multa aplicada. A DRP ofereceu as contra-razões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. 3 Voto Conselheira LIÉGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente por ser pessoa fisica está dispensada de efetuar o depósito recursal previsto no artigo 126, §1° da Lei n.° 8.213/91. Ademais, o depósito recursal para garantia de instância não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes - RICC, aprovado pela Portaria n ° 147/2007 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1° e 2° do art. 126 da Lei n ° 8.212/91. A lavratura do Auto de Infração obedeceu fielmente os critérios estabelecidos na Lei n.° 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui o Plano de Custeio e dá outras providências, bem como do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. O artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, diz que o INSS é competente para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais, bem como promover a cobrança e aplicar as sanções revistas legalmente. Assim, atesto que o Auto de Infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória que vem definida na lei, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 06/03/1972, e constantes das folhas 01 a 12, do processo, quais sejam: - a qualificação do autuado; - o local, a data e a hora da lavratura; - a descrição do fato; - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la; - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Processo n°35013.001123/2006-OS S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.038 Fl. 82 Constitui infração à Lei Orgânica da Seguridade Social, punível com multa, deixar o servidor, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir Certidão Negativa de Débito — CND do proprietário, pessoa fisica ou jurídica, de obra de construção civil, quando de sua averbação no registro de imóveis, artigo 47, inciso II da Lei n.° 8.212/91. E a prática do ato com a inobservância do preceito contido no citado artigo 47, ou o seu registro, acarretará a responsabilidade solidária dos contratantes e do oficial que lavrar ou registrar o instrumento, sendo o ato nulo para todos os efeitos, artigo 48, da mesma Lei. Tal disposição é também corroborada pelo artigo 257, inciso II e parágrafo 15, do Regulamento da Previdência Social e artigo 263: Art.257. Deverá ser exigido documento comprobatório de inexistência de débito relativos às contribuições a que se referem os incisos I, III, IV, V, e VII do parágrafo único do artigo 195, destinadas à manutenção da seguridade social, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: II- do proprietário, pessoa fisica ou jurídica de obra de construção civil, quando de sua averbação no Registro de Imóveis, salvo no caso do art. 278; • • §15. A prova de inexistência de débito perante a previdência social será fornecida por certidão emitida por meio eletrônico, ficando a sua aceitação condicionada à venficação de autenticidade pela internet, em endereço específico, ou junto à previdência social. (Acrescentado pelo Decreto n.' 3.265 de 29/11/1999) Art. 263. A prática do ato com inobservância do disposto no artigo 257 ou o seu registro acarretará a responsabilidade solidária dos contratantes e do oficial que lavrar ou registrar o documento, sendo nulo o ato para todos os efeitos. Portanto, ao ser constatado pela fiscalização que o imóvel situado na Rua Alfredo Gomes de Oliveira, Lot.20, Qd 16, Armação Salvador/BA, com área construída de 414,00m2, foi averbado com Certidão Negativa de Débito em nome do espólio de Carlos Alberto da Silva Rodrigues, cuja autenticidade não foi confirmada, conforme preceitua a legislação, correta se mostrou a autuação da titular designada do registro de imóveis do cartório. As alegações da recorrente não tém o escopo de alterar os preceitos legais vigentes, além do que não é possível alegar a própria torpeza para se esquivar do cumprimento da lei. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009 ai-êtr7aeCi, LIÉGE LA ODC THOMASI - Relatora I' 5
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