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Numero do processo: 10768.100409/2003-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.100409/200368 Recurso nº 157.222 Resolução nº 1401000.137 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08.05.2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BANCO FININVIEST S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório BANCO FININVEST S/A., já qualificado nos autos, recorre a este E. Conselho de Contribuintes de decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ01, que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação de compensação do interessado. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DComp), às fls. 1/2, não homologada através de despacho decisório (fls. 156/160), por se considerar que o crédito pleiteado na DComp original estaria zerado na data do pedido e de não ser possível aceitar a retificação do anocalendário e do valor do crédito. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10768.100409/200368 Resolução n.º 1401000.137 S1C4T1 Fl. 2 2 Diante deste parecer, o interessado, ora Recorrente, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 165/169), na qual alega que a compensação foi efetuada (conforme razão) com crédito de IRPJ, anobase 2001 e não, como erroneamente declarado, do anobase 1998, cabendo a retificação por se tratar de erro material. À vista da manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de primeira instância negou o pedido de homologação da compensação (fls 205/207), mantendo a decisão consubstanciada no Parecer n° 24/04, nos seguintes termos. Inicialmente, aponta que o crédito informado na DComp original (fls. 1/2)coincide, em seu valor (R$ 139.118,02) com a CSLL a restituir apurada na DIPJ, anocalendário de 1998 (fls. 105). Ademais, o contribuinte haveria confessado a insuficiência de crédito de CSLL no anocalendário de 1998, ao pedir que fosse considerado o crédito de período posterior (2001), que, segundo respostas às intimações, seria de R$ 9.359.113,95 (fls. 142/143). Diante disto, conclui que não poderia prosperar a alegação de simples inexatidão material, não sendo possível aceitar a retificação do direito creditório pleiteado e assim, inexistindo direito creditório, não poderia ser homologada a compensação mantendo o Despacho Decisório Parecer n°24/04 (fls. 156/160). Inconformado com a decisão acima relatada, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 214/219), no qual requer a reforma da decisão a quo com fulcro nos argumentos abaixo resumido. Inicialmente relata que a compensação em debate é relativa a débitos de COFINS com créditos oriundos de saldo negativo de CSLL e IRPJ. Intimada pela Secretaria da Receita Federal (Intimação n° 3/04), a Recorrente teria explicado que a DComp original continha erro material e inexatidões por falha de preenchimento tudo comprovado em sua • escrituração contábil (Livro Razão, DCTF Retificadora do 4° Trimestre de 2002, Razão Auxiliar e DIPJ). Aponta que as decisões até aqui proferidas deixaram de considerar os documentos apresentados, que seriam suficientes para comprovar a existência de crédito em 2001 e que este fora utilizado para compensar o débito, pois existia o direito como um bem que poderia ser utilizado, inexistindo prejuízo ao Fisco. Argumenta, ainda, que não poderia prosperar a decisão quanto à incompatibilidade do pedido com os artigos 60 a 100 da Instrução Normativa n° 414/04, "sobretudo pelo trabalho intelectual de comprovar a verdade dos fatos pela negação das vedações ali estampadas" — como ocorre com o art. 8°, que trata de inclusão "de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado", que não se aplica ao caso. Em seu favor, cita doutrina do Prof. Aliomar Baleeiro e destaca trecho da própria decisão da DEINF/RJO/DIORT n° 24/04, que entende como erro de fato a simples menção de valor não correto e de exercício errado, requerendo seja julgado procedente o recurso. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10768.100409/200368 Resolução n.º 1401000.137 S1C4T1 Fl. 3 3 Analisando a questão os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade, deram provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA .IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO — Urna vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. Em cumprimento ao referido acórdão o processo foi remetido à DEINF/RJ que, após analisar o caso, apresentou parecer com a seguinte conclusão: “Pelas considerações aqui apresentadas propõese o encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, sugerindo que os demais, já localizados naquele órgão (10768.001215/200381 , 10768.001216/200325) e ( 10768.003092/200312) sejam apreciados em conjunto, convindo, de imediato, o ) redirecionamento para a Câmara que se ocupa da análise do processo (10768.001216/200325 com relator já sorteado, com a finalidade de se obter pronunciamento uniforme sobre as matérias tratadas. Analisando o andamento dos processos acima mencionados verifiquei que o processo nº 10768.003092/200312 já foi julgado pelo antigo Conselho de Contribuintes e encontrase em tramitação e que o processo nº 10768.001215/200381 encontrase pendente de julgamento de Recurso Especial. O processo nº 10768.001216/200325 já se encontra distribuído para a minha relatoria. Considerando o parecer emitido pela DEINF/RJ acerca da necessidade de análise conjunta dos referidos processos, proponho o sobrestamento do presente processo e do processo nº 10768.001216/200325 até que os processos nº 10768.003092/200312 e 10768.001215/200381 transitem em julgado. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 830DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003453/2002-15
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.017
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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MERCANTIL Recorrida 3a TURMA - DRJ EM CAMPINAS - SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório LEASING BMC S/A ARREND. MERCANTIL recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo de auto de infração da Contribuição Social, fls. 01/07, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, constituindo o crédito total de R$418.951,05, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/09/2002. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 De acordo com a descrição dos fatos, de fls. 04, a autuação decorre de falta de recolhimento da contribuição social sobre o lucro, relatada da seguinte forma: “001- FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ( FINANCEIRAS) Constituição de crédito tributário relativo à CSLL constante dos autos do processo 16327.002049/00-73. O contribuinte deixou de recolher a CSLL no valor de R$ 194.147,58, fato gerador de 31/12/99, com vencimento em 31/01/2000, uma vez ter requerido a liquidação do mesmo através de compensação com créditos de terceiros. O pedido do contribuinte foi indeferido e o contribuinte apresentou impugnação à decisão. Por orientação da DIORT/DEINF/SP faz-se a constituição do crédito tributário para que o mesmo possa ser cobrado face a caracterização de compensação indevida na forma da MP 2.158/35, art.90. (...) Tendo sido cientificado por meio de AR, em 10/10/2002, conforme se verifica à fl. 11, em 08/11/2002, a contribuinte apresenta impugnação às fls. 19/21, sintetizando os seguintes fatos: “...2- O montante atinente ao suposto débito tributário é decorrente- nos dizeres da própria fiscalização, de valores apurados nos autos do processo de representação nº 16.327.002049/000-73, em face de o indeferimento do pedido de compensação efetuado pela ora impugnante, na modalidade “Compensação de Crédito com Débito de Terceiros”, em 04/04/00, concernente ao processo administrativo de restituição nº 16.327.000.621/00-51 ( doc. nº04), de autoria do contribuinte BANCO DE INVESTIMENTOS BMC S/A(CNPJ/MF sob o nº 58.685.322/0001-00). De seu turno, o pedido de restituição em tela foi alvo de indeferimento pela D. autoridade julgadora (doc.5), tendo sido interposto, tempestivamente, as competentes razões de INCONFORMISMO perante este I. órgão julgador (doc.nº6), atualmente, aguardando essas razões pauta para julgamento em data futura neste D. órgão julgador. Destarte, não obstante a lavratura do auto de infração ora impugnado, ressalta de todo irrefutável, à evidência, que eventual crédito tributário dele decorrente encontra-se, nos dias atuais, com sua EXIGIBILIDADE SUSPENSA, nos termos do inciso II do Art.151 do CTN, com redação determinada pela Lei Complementar nº104/00, uma vez que o pedido de restituição deduzido nos autos do processo administrativo acima (Proc. 16.327.000.621/00-51), foi objeto de manifestação formal de INCONFORMISMO apresentada, tempestivamente, perante este I. órgão julgador, em virtude da qual desnecessário será ressaltar que, até o julgamento definitivo do pedido de restituição em questão, a cobrança do crédito tributário respectivo ficará devidamente sobrestada, nos termos da legislação de regência acima. II- DO PEDIDO 5-À luz de todo exposto, a ora impugnante requer e aguarda desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento/SP, se digne, por conseguinte, SUSPENDER, o processamento do presente auto de infração, até o julgamento, em caráter definitivo, do pedido de restituição em tela, deverá então este I. órgão Julgador, em conseqüência, declarar totalmente nulo o auto de infração em questão, para todos os fins e efeitos de direito.” O acórdão de 1 a . Instância está assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.003453/2002-15 Resolução n.º 1402-00.017 S1-C4T2 Fl. 2 3 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento do tributo, correta a sua exigência de ofício. Lançamento procedente. Cientificado via postal, o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando as alegações da peça impugnatória. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este conselho para julgamento em segunda instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza - Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Passo a apreciar as alegações da recorrente. A contribuinte reafirma a necessidade de sobrestamento desta decisão até o julgamento final da lide administrativa sobre a existência do direito à restituição, cujo indeferimento motivou o presente lançamento. Alega não teriam sido esgotadas todas as instâncias administrativas na discussão travada no âmbito do processo administrativo nº 16327.000.621/00-51, que foi objeto da resolução No. 101-02572, de 20/10/2006, e ainda não retornou a este Conselho. Correto, a meu ver, o entendimento dos julgadores de 1 a . instancia no sentido de que não caberia o sobrestamento deste processo em função naquele, antes do julgamento da DRJ, pois o processo 16327.000.621/00-51 já havia sido julgado em 1 a . instância.. Todavia, agora ambos estão na mesma fase processual. Assim não havendo condição do julgamento deste antes daquele, propugno pela conversão em diligencia para que este processo seja encaminhado à origem para reunir ao de 16327000621/00-51, sem prejuízo da efetivação da diligencia em curso naquele procedimento. É de bom alvitre que seja procedida a apensação dos processos para que passem a tramitar em conjunto. É como voto: converter em diligência fiscal para apensar este ao processo 16327000621/00-51. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13214.000009/2004-99
Data da sessão: Sun Mar 13 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 1401-000.144
Decisão: Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. Julgado no dia 14 de maio de 2012.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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O contribuinte indicou os seguintes débitos para compensação: • IRPJ, 2362, PA 31/01/2003, vencimento 28/02/2003, R$ 28.496,98; • IRPJ, 2362, PA 28/02/2003, vencimento 31/03/2003, R$ 12.967,53; • CSLL, 2484, PA 31/01/2003, vencimento 28/02/2003, R$ 11.357,45. Por intermédio do Parecer SEORT/DIZF/BEL n° 0123/2008 e respectivo Despacho Decisório (fls.52/57), de 26/03/2008, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, em conseqüência, não homologadas as compensações declaradas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que da análise das Tabelas 1 e 2 (fl.53), as quais apenas reproduzem as informações declaradas em DIPJ pelo contribuinte, não há que se falar em direito creditório proveniente de saldo negativo IRPJ e CSLL do anocalendário 2002, vem que o valor antecipado de ambos os tributos, mediante pagamento de estimativas mensais, é o exato montante encontrado quando da apuração anual (incluindo as deduções). Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 09/04/2008 (fl.63, verso), o contribuinte apresentou manifestação de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13214.000009/200499 Resolução n.º 1401000.144 S1C4T1 Fl. 2 2 inconformidade (fl.64) em 07/05/2008, através de procurador (fls.118/121), alegando em síntese que: 1. O Despacho Decisório objeto da presente manifestação de inconformidade, considerou a existência de débito que, conforme informado no PER/DCOMP n° 13214.000009/200499, via formulário aprovado pela IN SRF n° 210/2002, protocolado em 30/04/2003, em que está vinculado ao crédito gerado nos DARF's de R$ 167.787,17, código 2362, com pagamento em 30/09/2002 e DARF de R$ 62.906,15, código 2484, com pagamento em 30/09/2002, ambos pagos a maior; 2. Para ratificar a existência desse crédito, também anexamos fichas da DIPJ anocalendário 2002, assim como páginas da DCTF3° trimestre de 2002, pelos quais pode ser demonstrado claramente o pagamento a maior do respectivo débito, na competência de agosto/2002; 3. Dessa forma, conforme a DCTF do 3° trimestre/2002, no mês de agosto nos sobra um saldo de R$ 141.674,73 referente ao pagamento de IRPJ e saldo de R$ 52.490,49 referente ao pagamento de CSL, o que nos gera crédito e, sendo assim, temos direito de fazer a compensação desse valor; Entretanto, na declaração de compensaçao foi informado equivocadamente que o crédito gerado nessa compensação seria de saldo negativo de IRPJ e CSLL, mas na verdade referese a pagamento a maior dos DARF's acima referenciados; 5. Portanto não há débito a pagar uma vez que existe o pagamento a maior, conforme comprovações; 6. Requer seja cancelado o débito, uma vez que não há saldo a pagar. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por indeferir a compensação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO. INEXISTÊNCIA. Tendo sido comprovado na DIPJ que o contribuinte apurou saldo zero de IRPJ a pagar, não há que se falar em saldo negativo. Descabe a essa instância julgadora apreciar a alegação de que o crédito se refere a pagamento indevido ou a maior, matéria estranha ao requerido nesses autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13214.000009/200499 Resolução n.º 1401000.144 S1C4T1 Fl. 3 3 SALDO NEGATIVO. INEXISTÊNCIA. Tendo sido comprovado na DIPJ que o contribuinte apurou saldo zero de CSLL a pagar, não há que se falar em saldo negativo. Descabe a essa instância julgadora apreciar a alegação de que o crédito se refere a pagamento indevido ou a maior, matéria estranha ao requerido nesses autos. Da leitura do caso ora analisado podemos verificar que o órgão julgador a quo indeferiu a compensaçao pleiteada sob o fundamento de que o contribuinte, muito embora tenha indicado que a origem do crédito utilizado fosse saldo negativo de IRPJ e CSL, não possuia efetivamente os referidos saldos. Por seu turno, o contribuinte sustentou na Manifestaçao de Inconformidade, bem como no recurso ora analisado, que se equivou na informação indicada na compensação, haja vista que o crédito se refere efetivamente a pagamento a maior dos DARF's. mencionados no processo. Muito embora o contribuinte tenha trazido aos autos documentos que, em tese, podem comprovar a efetiva existência do crédito em discussão, o órgão julgador a quo se absteve de analisar os referidos documentos sob o argumento de que tal matéria seria estranha aos autos, razão pela qual a compensação restou indeferida. Todavia, entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como ao direito constitucional da ampla defesa e do contraditorio, entendo que a referida documentaçao trazida pelo contribuinte para suspostamente comprovar os pagamentos a maior que legitimariam o crédito aqui em discussão merece ser analisado, razao pela qual determino que o presente processo seja baixado em diligência para que seja verificado se efetivamente existe o pagamento a maior dos DARF's de R$ 167.787,17, código 2362, com pagamento em 30/09/2002 e DARF de R$ 62.906,15, código 2484, com pagamento em 30/09/2002. Após a conclusão da diligência, intimese o contribuinte para se manifestar sobre o resultado da mesma. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Fl. 222DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000964/98-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2001
Ementa: FINSOCIAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - O Parecer COSIT nº 58, de 27/10/98, em relação ao FINSOCIAL, determina que o termo a quo para o pedido de restituição do valor indevidamente recolhido é contado a partir da MP nº 1.110/95. Desta forma, considerando que até 30/11/99 esse era o entendimento da SRF, todos os pedidos protocolizados até tal data devem seguir o Parecer COSIT nº 58, de 27/10/98.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 201-75.165
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: SÉRGIO GOMES VELLOSO
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',,:j .. • t -P-bbil, ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r;f4-::, - Processo : 13888.000964/98-21 Acórdão : 201-75.165 Recurso : 116.276 Sessão : 12 de julho de 2001 Recorrente : MARCONI EQUIPAMENTOS PARA LABORATÓRIOS LTDA. Recorrida : DRJ em Campinas - SP FINSOCIAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - O Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, em relação ao FINSOCIAL, determina que o termo a quo para o pedido de restituição do valor indevidamente recolhido é contado a partir da MP n° 1.110/95. Desta forma, considerando que até 30/11/99 esse era o entendimento da SRF, todos os pedidos protocolizados até tal data devem seguir o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MARCONI EQUIPAMENTOS PARA LABORATÓRIOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 12 de julho de 2001 Jorge r 1-eL Preside R4 V S g. Gomes Velloso la r Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gilberto Cassuli, José Roberto Vieira, Luiza Helena Galante de Moraes, Antonio Mário de Abreu Pinto, Serafim Fernandes Corrêa e Rogério Gustavo Dreyer. cl/cf 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13888.000964/98-21 Acórdão : 201-75.165 Recurso : 116.276 Recorrente : MARCONI EQUIPAMENTOS PARA LABORATÓRIOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de compensação formulado em 09/10/98, pela Recorrente, de importância relativa ao FINSOCIAL recolhido a maior, nos meses de setembro/89 a março/92, correspondente aos valores calculados pelas aliquotas que excederam a 0,5%, com débitos relacionados às fls. 49, 54, 57, 60, 68, 71 e 76/79. De acordo com a Intimação n° 415/99, a Recorrente foi intimada a recolher aos cofres públicos os valores correspondentes aos débitos objeto do seu pedido de compensação. Inconformada, a contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 137/147, anexando, inclusive, planilha com o demonstrativo dos cálculos do valor do crédito pleiteado. Às fls. 151/161, foi indeferida a restituição, sob o fundamento segundo o qual decaiu o direito de a Recorrente pleitear os valores indevidamente recolhidos da Contribuição ao FINSOCIAL. Inconformada, a Recorrente formulou, às fls. 165/170, Impugnação à DRJ em Campinas - SP, aduzindo o seguinte: 1) que o prazo decadencial somente começa a fluir após o transcurso de 5 cinco anos para homologação do lançamento; 2) a inaplicabilidade do Ato Declaratório n° 96/99 ao presente caso; e 3) estar suspensa a exigibilidade dos débitos objeto do pedido de compensação. Pela Decisão DRJ/CPS/n° 2436, de 04.09.2000, o pleito foi indeferido, sob os seguintes fundamentos: "Ementa: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em 2 # 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13888.000964/98-21 Acórdão : 201-75.165 Recurso : 116.276 recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário." Recorre a Recorrente a este Colegiado, às fls. 188/195, repisando os seus fundamentos da peça impugnatória. É o relatório \\t 3 , tie.'?:".k", MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13888.000964/98-21 Acórdão : 201-75.165 Recurso : 116.276 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SÉRGIO GOMES VELLOSO O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Após inúmeros debates acerca da questão referente ao termo inicial para contagem do prazo para o pedido de restituição da Contribuição para o FINSOCIAL pago a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade das majorações de aliquotas pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário n° 150.764-1), esta Câmara já se posicionou no mesmo sentido daquele adotado pelo Parecer COSIT n° 58, de 27.10.98. De acordo com o Parecer COSIT n° 58/98, em relação aos contribuintes que fizeram parte da ação da qual resultou a declaração de inconstitucionalidade, o prazo para pleitear a restituição tem inicio com a data da publicação da decisão do STF. Mas, no que tange aos demais contribuintes que não integraram a referida lide, o prazo para formular o pedido de restituição tem sua contagem inicial a partir da data em que foi publicada a Medida Provisória n° 1.110/95, ou seja, 31/08/95, quando foi, então, reconhecido pelo Poder Executivo que não caberia a constituição de crédito tributário relativo ao FINSOCIAL na aliquota que excedera 0,5%. Isto porque não foi expedida Resolução pelo Senado Federal suspendendo a eficácia dos artigos 9° da Lei n° 7.689/88, 7° da Lei n° 7.787/89, e 10 da Lei n° 8.147/90, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, a decisão do STF não produziu efeitos erga omnes, mas permaneceu restrita às partes integrantes da ação judicial de que resultou o acórdão no sentido da invalidade dos dispositivos majoradores das aliquotas do FINSOCIAL. O Poder Executivo, entretanto, editou a Medida Provisória n° 1.110/95, que dispôs: "Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: 1 - à contribuição de que trata a Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, incidente sobre o resultado apurado no período-base encerrado em 31 de dezembro de 1988; II - ao empréstimo compulsório instituído pelo Decreto-lei n° 2.288, de 23 de julho de 1986, sobre a aquisição de veículos automotores e de combustível; 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • • ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13888.000964/98-21 Acórdão : 201-75.165 Recurso : 116.276 iii - à contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, exigida das' empresas comerciais e mistas, com fulcro no artigo 9° da Lei n° 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis ii°s 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; (.)" Infere-se, portanto, que, a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110/95, o Poder Executivo reconheceu não serem devidas quaisquer quantias a titulo de FINSOCIAL calculadas com base nas majorações de aliquotas das Leis n's 7.689/88, 7.787/89 e 8.147/90, pelas empresas mistas, vendedoras de mercadorias, seguradoras e instituições financeiras. A seu turno, o Parecer COSIT tf 58/98, de caráter normativo, asseverou que o prazo para pleitear restituição de tributo recolhido com base em lei declarada inconstitucional é de 05 (cinco) anos contado a partir do ato que conceda ao contribuinte o direito ao pleito: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex tune. TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES. Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizadas a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não participantes da ação - como regra geral - apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da lei. Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato especifico do Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contado 5 \)\ -et= k,... .-mo ,-,--,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA 4,. -.- „ir SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''.z . • o Processo : 13888.000964198-21 Acórdão : 201-75.165 Recurso : 116.276 a partir data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição." Ocorre que esse Parecer COSIT n° 58/98 vigeu até 30.11.99, data da publicação do Ato Declaratório SRF n° 096/99, editado com base nos fundamentos constantes do Parecer PGFN n° 1.538/99. Em resumo, até 30.11.99, os contribuintes que pleitearam o crédito deverão ter seus pedidos examinados sob a ótica do Parecer COSIT n° 58/98, o que significa que o marco inicial à contagem do prazo para protocolização dos mesmos é o dia em que foi publicada a Medida Provisória n° 1.110/95. Trata-se, pois, de modificação do posicionamento da Administração Pública em relação às datas em que o pedido de restituição poderia ter sido efetuado pelo sujeito passivo. Tendo em vista o disposto no artigo 146 do CTN, as mudanças introduzidas, se eventualmente julgadas válidas, posto que não são objeto do presente exame, somente poderiam atingir os contribuintes que requereram a restituição posteriormente à publicação do Ato Declaratório n° 96/99. Desta feita, considerando que a Recorrente requereu a compensação dos créditos em 09.10.98, antes de 30.11.99, dou provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida, determinado a restituição dos valores pleiteados, atualizados pela Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08/97. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de julho de 2001 if fi do ....,. SÉR. I GOMES VELLOSO 6
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Numero do processo: 11831.003546/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam analisados os documentos de retenção apresentados e verificado se os valores foram oferecidos à tributação.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso visando à reforma do acórdão que, não concordando com a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, não homologou a compensação vindicada, mantendose os argumentos lançados no despacho decisório que iniciou a demanda. A Auditoria Fiscal houve por bem limitar a homologação das compensações em R$ 249.339,05 de CSLL e em R$ 5.748,19 de IRPJ, todas relativas ao saldo negativo apurado no anocalendário de 2002. Fl. 1080DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11261.5PUU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11831.003546/200315 Resolução n.º 1401000.069 S1C4T1 Fl. 2 2 Irresignado, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi improvida pelo órgão julgador, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF PLEITEADO SEM A APRESENTAÇÃO DO INFORME DE RENDIMENTOS. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. Para efeito de determinação do saldo negativo de IRPJ a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ademais, a prova hábil da retenção do IRRF é o informe de rendimentos emitido pelas fontes pagadoras. Apenas o saldo negativo de IRPJ efetivamente apurado pelo contribuinte pode ser objeto de compensação. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR DIPJ DE ANOS ANTERIORES. INOCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE AVERIGUAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Somente créditos líquidos e certos são passíveis de compensação. Se o crédito referese a saldo negativo de IRPJ, em cujo cálculo interferem declarações de rendimentos de anos anteriores, é necessária a análise de tais declarações. Esse procedimento não se confunde com a atividade de lançamento, cujo direito se extingue com o decurso do prazo de decadência. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF. DCOMP FORMALIZADA A PARTIR DE 10/2003. EXTINÇÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO EMPREENDIDA SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO PELA SRF. NÃOHOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NO PRAZO LEGALMENTE ESTATUÍDO. RESTABELECIMENTO DOS DÉBITOS COMPENSADOS NÃOHOMOLOGADOS . INEXISTÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL ENQUANTO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS EM DECORRÊNCIA DA APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU RECURSO VOLUNTÁRIO. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, como ocorre com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Divida Ativa da União e Fl. 1081DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11261.5PUU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11831.003546/200315 Resolução n.º 1401000.069 S1C4T1 Fl. 3 3 posterior cobrança executiva. Nos tributos lançados por homologação, a declaração do contribuinte, por via da DCTF, elide a necessidade da constituição do débito pelo Fisco. A Declaração de Compensação – DCOMP protocolizada a partir da entrada em vigor da Medida Provisória n°. 135/2003 constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Nos casos em que o contribuinte apresenta DCOMP comunicando a existência de determinado débito tributário já confessado em DCTF, não há que se cogitar de nova constituição desta exação. Entretanto, evidente a interrupção do prazo prescricional para a cobrança deste débito tributário, na esteira da norma veiculada no art. 174, parágrafo único, inciso IV, do Código Tributário Nacional CTN. Ademais, o prazo prescricional em comento resta suspenso desde a data de protocolização da DCOMP, permanecendo nesta situação enquanto pendente de apreciação a manifestação de inconformidade ou o recurso voluntário aptos a suspender a exigibilidade dos débitos cujas compensações não foram homologadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. A comprovação da regular compensação dos valores devidos de estimativas mensais da CSLL, com o saldo negativo de anos anteriores, na sistemática prevista no art. 66 da Lei n°. 8.383/91, deve estar consignada na escrituração contábil por meio de lançamentos específicos, principalmente quando o contribuinte deixa de proceder à declaração dos débitos e das compensações supostamente efetuadas na DCTF. Apenas o saldo negativo de CSLL efetivamente apurado pelo contribuinte pode ser objeto de compensação. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR DIPJ DE ANOS ANTERIORES. INOCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE AVERIGUAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Somente créditos líquidos e certos são passíveis de compensação. Se o crédito referese a saldo negativo de CSLL, em cujo cálculo interferem declarações de rendimentos de anos anteriores, é necessária a análise de tais declarações. Esse procedimento não se confunde com a atividade de lançamento, cujo direito se extingue com o decurso do prazo de decadência. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DCTF. DCOMP FORMALIZADA A PARTIR DE 10/2003. Fl. 1082DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11261.5PUU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11831.003546/200315 Resolução n.º 1401000.069 S1C4T1 Fl. 4 4 EXTINÇÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO EMPREENDIDA SOB CONDIÇÃO RESOLUTORIA DA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO PELA SRF. NÃOHOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NO PRAZO LEGALMENTE ESTATUÍDO. RESTABELECIMENTO DOS DÉBITOS COMPENSADOS NÃOHOMOLOGADOS. INEXISTÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL ENQUANTO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS EM DECORRÊNCIA DA APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU RECURSO VOLUNTÁRIO. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, como ocorre com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União e posterior cobrança executiva. Nos tributos lançados por homologação, a declaração do contribuinte, por via da DCTF, elide a necessidade da constituição do débito pelo Fisco. A Declaração de Compensação – DCOMP protocolizada a partir da entrada em vigor da Medida Provisória n°. 135/2003 constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Nos casos em que o contribuinte apresenta DCOMP comunicando a existência de determinado débito tributário já confessado em DCTF, não há que se cogitar de nova constituição desta exação. Entretanto, evidente a interrupção do prazo prescricional para a cobrança deste débito tributário, na esteira da norma veiculada no art. 174, parágrafo único, inciso IV, do Código Tributário Nacional CTN. Ademais, o prazo prescricional em comento resta suspenso desde a data de protocolização da DCOMP, permanecendo nesta situação enquanto pendente de apreciação a manifestação de inconformidade ou .o recurso voluntário aptos a suspender a exigibilidade dos débitos cujas compensações não foram homologadas. Compensação não Homologada Voto Fl. 1083DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11261.5PUU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11831.003546/200315 Resolução n.º 1401000.069 S1C4T1 Fl. 5 5 Em face do referido julgamento interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos expostos, apresentando, ainda, os documentos de fls 943 a 1003 relativos aos comprovantes de retenções de IRRF. Nessa linha, sustenta a Recorrente ter reunido às fls 943/1003 Informes de Rendimentos em um total de R$ 519.289,07 do anocalendário de 2002 e extratos no montante de R$ 191.794,12. De fato, analisando a referida documentação verifico a apresentação de diversos extratos de instituições retentoras de IRRF. Por seu turno, o órgão julgador a quo fundamentou a não homologação de parte das compensações relativas às retenções de IRRF ao fato de que o Recorrente se abstevese de apresentar os comprovantes dos mesmos. Dessa forma, considerando os documentos apresentados às fls 943/1003 e em observância ao princípio da verdade material, proponho a presente Resolução com o objetivo de baixar o processo em diligência para que sejam analisados os documentos de retenção apresentados às fls. pelo Recorrente no recurso voluntário e verificado se os valores foram oferecidos à tributação. Após a realização da referida diligência deve o contribuinte ser intimado para se manifestar acerca do resultado da mesma. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 1084DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11261.5PUU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MAURICIO PEREIRA FARO em 15/03/2012 16:06:38. Documento autenticado digitalmente por MAURICIO PEREIRA FARO em 15/03/2012. Documento assinado digitalmente por: VIVIANE VIDAL WAGNER em 29/03/2012 e MAURICIO PEREIRA FARO em 15/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0520.11261.5PUU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: BFF1509DAE3363D04D6966DB1D72980D1904600A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11831.003546/2003-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 19515.005604/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.164
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 820 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo I. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo à glosa de dedução de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF inserta na respectiva DIPJ, reduzindo tal importe aos valores efetivamente comprovados, bem como de multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas de IRPJ no curso do anocalendário de 2004. No lançamento em foco foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ R$ 9.578.992,73 JUROS DE MORA R$ 4.689.874,84 MULTA PROPORCIONAL R$ 7.184.244,54 MULTA ISOLADA R$ 4.789.496,38 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 26.242.608,49 2. Nos termos expostos nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 108/111 e 115/117), o lançamento em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: 2.1. O contribuinte em comento foi intimado a apresentar os comprovantes de pagamento do IRPJ no valor de R$ 129.287.997,78 (cento e vinte e nove milhões, duzentos e oitenta e sete mil, novecentos e noventa e sete Reais e setenta e oito centavos), constante da Ficha 12A, Linha 10 do anocalendário de 2004. Em resposta, foram apresentados DARF totalizando a importância de R$ 121.091.743,42 (cento e vinte e um milhões, noventa e mil, setecentos e quarenta e três Reais e quarenta e dois centavos). Ademais, também foram apresentados alguns comprovantes de retenções na fonte sobre aplicações financeiras e dividendos recebidos do exterior, nos valores de R$ 8.741.881,75 (oito milhões, setecentos e quarenta e um mil, oitocentos e oitenta e um Reais e setenta e cinco centavos) e R$ 1.319.864,71 (um milhão, trezentos e dezenove mil, oitocentos e sessenta e quatro Reais e setenta e um centavos), alegando que sobre os dividendos da Molson Inc. situada no Canadá, foram entregues apenas as cópias dos contratos de fechamento de câmbio, pois ainda não localizaram os informes emitidos pela fonte. 2.2. Em decorrência da situação exposta no parágrafo precedente, a fiscalização intimou a empresa a apresentar os comprovantes de retenção do IRRF da empresa Molson Coors, relembrando que é condição para compensação o cumprimento dos requisitos estabelecidos no artigo 26 da Lei n°. 9.249/95 e no artigo 14 da Instrução Normativa SRF n°. 213, de 07/10/2002. 2.3. O contribuinte não apresentou a comprovação das aventadas retenções na fonte da empresa Molson Coors, e, desta feita, as mesmas não foram consideradas. Ademais, com base nos comprovantes de retenção apresentados pela empresa, a fiscalização empreendeu a competente pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal, sendo recalculado o imposto de renda retido sobre aplicações financeiras, conforme demonstrativo exposto às fls. 112. Destarte, o resultado deste trabalho residiu no lançamento de ofício das compensações efetuadas relativas ao IRPJ devido em face da ausência de comprovação integral das retenções na fonte. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 821 3 2.4. A fiscalização apurou, ainda, que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento das antecipações mensais de IRPJ, apuradas com base em balanços / balancetes elaborados para fins de suspensão ou redução, tendo em vista a compensação a maior de IRRF sobre aplicações financeiras. Entretanto, conforme mencionado no parágrafo precedente, as referidas retenções foram insuficientes para fazer face aos dispêndios em foco, ensejando o lançamento da multa isolada incidente sobre as antecipações mensais de IRPJ inadimplidas. 3. Em decorrência de todo o acima exposto, foi lavrado, em 17/05/2006, o seguinte auto de infração relativo ao IRPJ e à multa isolada mencionada no item 2.4 supra: 3.1 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento nos arts. 213, inciso III, e 943, §2°, ambos do RIR/99; art. 14 da Instrução Normativa SRF n°. 213, de 2002; art. 55 da Lei n°. 7.450/85; arts. 11, §3° e 26, §2°, ambos da Lei n°. 9.249/95; arts. 2o, §4°, 15 e 16, §2°, todos da Lei n°. 9.430/96; arts. 142, parágrafo único, 147, §2° e 149, inciso II, todos do CTN; 3.2. Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada, com fundamento nos arts. 222 e 843, ambos do RIR/99, c/c art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n°. 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n°. 351/07, c/c art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN; arts. 142, parágrafo único, 147, §2° e 149, inciso II, todos do CTN. DA IMPUGNAÇÃO 4. Cientificado do auto de infração em 18/09/2008 (fls. 124), o contribuinte apresentou, em 17/10/2008, a impugnação de fls. 161/172, aduzindo, em síntese, que: 4.1. Na DIPJ relativa ao períodobase de 2004, a Impugnante teria informado que compensou parte do IRPJ devido por estimativa com (i) créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras e (ii) créditos de imposto retido sobre dividendos a ela pagos por empresa residente no exterior, no valor total de R$ 10.061.746,46 (dez milhões, sessenta e um mil, setecentos e quarenta e seis Reais e quarenta e seis centavos). Ademais, durante o procedimento de fiscalização a Defendente teria esclarecido que grande parte dos referidos créditos teria origem em períodos anteriores, com a apresentação dos respectivos comprovantes. 4.2. A partir dos demonstrativos anexos ao autodeinfração, verificase que a fiscalização entendeu que o crédito oriundo de períodos anteriores já teria sido integralmente utilizado pela Impugnante na quitação do IRPJ devido em 2003, no importe de R$ 2.070.164,91 (dois milhões, setenta mil, cento e sessenta e quatro Reais e noventa e um centavos). Além disso, a fiscalização também desconsiderou o crédito decorrente de pagamentos efetuados no exterior, vez que não teria sido devidamente comprovado, em razão dos comprovantes de pagamento nãoatenderem aos requisitos estabelecidos pela Lei n°. 9.249, de 26/12/95. 4.3. Entretanto, o crédito de IRPJ utilizado pela Impugnante1 em 2004 seria facilmente comprovado pela documentação anexa à defesa, nos termos abaixo explicitados. 4.3.1. Em 17/07/2002, a Impugnante teria incorporado a Hocabra S/A. Na apuração de encerramento do IRPJ desta empresa incorporada, teria sido apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 3.409.749,08 (três milhões, quatrocentos e nove mil, setecentos e quarenta e nove Reais e oito centavos). 4.3.2. Computado o saldo negativo de IRPJ mencionado acima, a Defendente teria apurado, no encerramento do anocalendário de 2002, saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 4.991.555,91 (quatro milhões, novecentos e noventa e um mil, quinhentos e cinqüenta e cinco Reais e noventa e um centavos). Ressaltase que, no curso do anocalendário de 2002, a Impugnante teria percebido dividendos da empresa Molson Inc, com sede no Canadá, no valor de CAD 778.587,80, Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 822 4 equivalente a R$ 3.971.089,20 (três milhões, novecentos e setenta e um mil, oitenta e nove Reais e vinte centavos), com retenção de IRF no Canadá à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), no montante de R$ 992.772,30 (novecentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e dois Reais e trinta centavos). 4.3.2.1. Frisase que a maior parte da receita correspondente aos dividendos percebidos do exterior, mencionados no parágrafo anterior, teria sido reconhecida no anocalendário de 2002. Contudo, o IRF sobre ela incidente teria sido, por equívoco da Impugnante, integralmente informado na DIPJ 2004, quando reconhecida a parcela restante da receita, no importe de R$ 992.772,30 (novecentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e dois Reais e trinta centavos). Não obstante, em razão de a legislação tributária dispor que o IRF deve ser apropriado ao períodobase em que a receita é tributada, a Defendente teria reconhecido, no anocalendário de 2002, apenas parcela do IRF incidente sobre os dividendos recebidos da Molson proporcionais à receita lá reconhecida (R$ 744.579,23 setecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e setenta e nove Reais e vinte e três centavos), com o competente estorno desse valor no períodobase de 2003. 4.3.3. Considerando a retificação relembrada acima, a Impugnante teria apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003 no importe de R$ 665.217,42 (seiscentos e sessenta e cinco mil, duzentos e dezessete Reais e quarenta e dois centavos) que, somado ao saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, devidamente atualizado para o encerramento do ano de 2003, totalizou a importância de R$ 6.712.986,55 (seis milhões, setecentos e doze mil, novecentos e oitenta e seis Reais e cinqüenta e cinco centavos). 4.3.4. Em 2004, a Defendente teria utilizado parte do crédito existente em 31/12/2003, atualizado até 31/12/2004, para quitar o IRPJ daquele períodobase, como segue: 2004 NESLIP IRF DE 2004 IR EXTERIOR IRPJ COMPENSADO DIFERENÇA A COMPENSAR Jan/2004 62.811,33 592.151,19 429.986,16 (224.976,36) Fev/2004 0,00 0,00 0,00 0,00 Mar/2004 103.497,47 0,00 8.007.523,78 7.679.049,95 Abr/2004 0,00 592.072,53 592.072,53 0,00 Mai/2004 18.892,63 0,00 0,00 (18.892,63) Jun/2004 0,00 0,00 0,00 (18.892,63) Jul/2004 0,00 524.945,75 673.073,59 129.235,21 Ago/2004 109.776,42 0,00 0,00 (109.776,42) Set/2004 108.046,44 0,00 0,00 (217.822,86) Out/2004 53.419,14 0,00 77.701,60 ,(193.540,40) Nov/2004 0,00 0,00 0,00 (193.540,40) Dez/2004 26.310,30 0,00 281.388,80 61.538,10 TOTAL 482.753,73 1.709,169,47 10.061.746,46 ■ 2004 NESLIP CRÉDITOS DÉBITOS SALDO IRF retido por HSBC em 2004 código 3426 (ficha 53 da DIPJ) 207.640,92 207.640,92 IRF retido por ING Bank N.V. em 2004 código 3426 (ficha 43 da DIPJ) 174.023,73 381.664,65 IRF retido por Banco Alfa em 2004 código 3426 (ficha 43 da DIPJ) 101.089,08 482.753,73 Imposto de renda pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganho de capital 1.709.169,47 2.191.923,20 2004 NESLIP CRÉDITOS DÉBITOS SALDO IRPJ estimado efetivamente pago 121.111.203,31 123.303.126,51 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 6.963.380,95 130.266.507,46 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 823 5 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) IRPJ apurado em 31.12.2004 (ficha 12A da DIPJ) 131.153.489,88 (886.982,42) Insuficiência de recolhimento IRPJ 886.982,42 4.3.4.1. Deste modo, entende a Defendente que, após as compensações efetuadas, teria sido apurada a insuficiência de recolhimento de IRPJ no valor de R$ 886.982,42 (oitocentos e oitenta e seis mil, novecentos e oitenta e dois Reais e quarenta e dois centavos). Ademais, a Impugnante concorda que esta importância é efetivamente devida e aduz que efetuou a competente quitação no prazo legal da impugnação por intermédio da DCOMP eletrônica acostada aos autos (fls. 475/480). 4.4. No tocante ao imposto pago no exterior, a Defendente frisa que o mesmo referirseia ao recebimento 4.5. de dividendos pagos pela Molson, sociedade com sede no Canadá, sendo apresentados os seguintes elementos de prova: documentos comprobatórios das retenções emitidos pelo fisco canadense (Canada Customs and Revenue Agency), no formulário NR4 Statements of Amounts Paid or Credit to Nonresidents of Canada", devidamente reconhecidos pelo Consulado da embaixada Brasileira em Toronto e traduzido para o português (doe. 6 fls. 436/467). Adicionalmente, a Defendente acosta aos autos opinião legal emitida pelo escritório de advocacia canadense David Ward, Phillips & Vineberg LLP, atestando que o formulário NR4 seria o documento adequado, de acordo com a legislação canadense, para comprovar a retenção do imposto sobre rendimentos pagos a nãoresidentes (doc. 7fls. 464/473). 4.6. As multa isoladas aplicadas não mereceriam prosperar, vez que as estimativas de IRPJ em comento teriam sido regularmente quitadas. Entretanto, mesmo que se considerasse que tais antecipações obrigatórias não teriam sido adimplidas oportunamente, entende o Defendente que a fiscalização não poderia impor conjuntamente a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores pagos e a multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) incidente sobre a mesma importância, vez que tal conduta caracteriza bis in idem. Ressaltase que a exigência da multa isolada em testilha só seria cabível quando há o recolhimento do IRPJ apurado no encerramento do períodobase, mas não o da antecipação do IRPJ devida por estimativa, conforme reconheceriam a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o Primeiro Conselho de Contribuintes nos acórdãos transcritos na peça defensiva. 4.5.1. Ademais, a imposição de multa isolada na hipótese de nãocumprimento de obrigação principal ofenderia a norma veiculada no art. 97, inciso V, combinado com o art. 113, ambos do CTN, que somente autoriza a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, conforme já reconheceu o Primeiro Conselho de Contribuintes nos arestos relembrados na impugnação. De resto, o lançamento da multa isolada não obedeceu à regra contida no art. 9o do Decreto n°. 70.235/72, que determina que as multas isoladas aplicadas em razão de insuficiência de antecipações de IRPJ e CSL devem ser lançadas em auto de infração específico, o que acarretaria a nulidade da presente autuação, na esteira do entendimento exarado no Acórdão 101 94.355. 4.6. O pedido é pelo cancelamento da parte litigiosa da autuação, sendo pleiteado, em caráter subsidiário, a exclusão das multas isoladas lançadas. A DRJ MANTEVE em PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 824 6 PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade são as arroladas no artigo 59, do Decreto n°. 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, especialmente quando o contribuinte demonstra entender perfeitamente a autuação, não se vislumbrando qualquer óbice ao regular exercício 'do direito de defesa. SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SUPOSTAMENTE SOFRIDAS NO EXTERIOR. A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condicionase ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOS CALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL. As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do anocalendário de 2004, mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerálas, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído. RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ DEDUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO SALDO DO IRPJ A PAGAR. COMPROVAÇÃO DE VALORES PAGOS DESONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RECALCULO DO SALDO DO IRPJ A PAGAR. Evidenciado que o contribuinte recolheu estimativas de IRPJ em patamar superior ao considerado pela fiscalização, é imperiosa a retificação da autuação, com a competente dedução da integralidade das importâncias recolhidas. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento do imposto por estimativa e multa de ofício incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual, já que se tratam de infrações distintas. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e acrescentando em complemento: que no julgamento de um lançamento fiscal, a autoridade julgadora deve restringir a sua análise aos fatos e fundamentos constantes do auto de infração; não pode ela Fl. 824DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 825 7 decidir pela procedência da autuação com base em fatos e fundamentos que não foram antes invocados pela fiscalização. Faltalhe competência para agravar, modificar ou aperfeiçoar o lançamento. Sendo assim, considerando que o auto de infração foi lavrado, exclusivamente, por não ter a Recorrente comprovado os créditos (i) resultantes de IRF recolhido sobre suas aplicações financeiras e (ii) de IR pago no exterior, não poderia a autoridade julgadora, uma vez comprovada a existência de tais créditos, ter decidido pela manutenção da autuação em razão de uma suposta não apresentação de outros documentos (e.g. DCOMP) e/ou comprovação do atendimento de outros requisitos (e.g. oferecimento à tributação, no Brasil, dos rendimentos tributados no exterior), que não foram suscitados pela fiscalização. Em relação ao não preenchimento das fichas que indicariam o tipo de participação societária afirma o percentual de participação na Molson era abaixo de 7%, portanto, menor do que 10%, e assim, a participação no exterior na Molson não se enquadraria como controlada, nem coligada e muito menos filial ou sucursal e que o método de avaliação pela empresa Molson era o método do “custo de aquisição” e não pelo método da equivalência patrimonial. A esse mesmo respeito ainda acrescenta: “De acordo com declaração emitida pela CIBC Mellon Trust Company (agente custodiante das ações da MOLSON), em 20.09.2002 (DOC. 01), a RECORRENTE adquiriu 7.785.858 ações representativas do capital social da MOLSON (Class A Shares). Em 23.04.2004, a RECORRENTE alienou uma parcela desse investimento, o tendo liquidado definitivamente em 12.07.2004. Ao comparar (a) a participação detida pela RECORRENTE e (b) o capital social da MOLSON no período correspondente (conforme divulgado nos Relatórios Anuais de 2003 e 2004 DOC. 02 e DOC. 03), podese constatar que o investimento da RECORRENTE não chegou a representar nem mesmo 7% do capital da empresa investida. A decisão de piso não atentou para esse fato, tendo em vista que a maior parte dos dispositivos legais por ela citados trata especificamente da tributação de lucros auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. Por outro lado, reconhece que, na Linha 6 da Ficha 9A de sua DIPJ 2005, deveria ter sido informado o valor dos dividendos recebidos da MOLSON, o que, por um equívoco, deixou de ser feito; esse equivoco, contudo, não teve qualquer efeito relevante, razão pela qual rejeita a conclusão a que chegou a decisão de piso no item 5.5(ii), segundo a qual o nãopreenchimento da referida linha teria implicado na não inclusão do valor dos dividendos no cômputo de seu lucro real e na conseqüente perda do direito ao creditamento do respectivo imposto pago no exterior. E nesse contexto continua a Recorrente tentado esclarecer essa questão, alegando que cometeu um equívoco de preencher o oferecimento à tributação dessa participação societária no exterior na ficha errada. Ao invés de preencher a Linha 6 da Ficha 94, preencheu a linha 26 da Ficha 6A (Resultado positivo em participações societárias), no valor de R$ 7.461.968,43. A inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON (R$ 7.461.968,43) na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a não exclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) evidencia que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real Fl. 825DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 826 8 Em relação à assertiva da DRJ que considerou que não havia informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela Molson, a Recorrente traz documentação que supostamente resolveria essa questão: quanto à falta de informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela MOLSON apontada pela DRJ, a RECORRENTE informa, para não haver dúvida com relação à quantificação em Reais do crédito do imposto de renda pago no Canadá, que os dividendos em questão foram pagos à RECORRENTE nas datas de 25.07.2002 (DOC. 05), 22.10.2002 (DOC. 06), 22.01.2003 (DOC. 07), 03.04.2003 (DOC. 08), 08.07.2003 (DOC. 09), 22.10.2003 (DOC. 10), 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14), conforme evidenciado nos respectivos contratos de câmbio. É o relatório. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 827 9 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da Diligência A diligência circunscrevese à questão da compensação dos alegados impostos de renda pagos no exterior em face de dividendos supostamente recebidos da empresa Molson Inc., que foram deduzidos na DIPJ 2005. Os dispositivos legais constantes do auto de infração foram consolidados no art. 395 do RIR/99: Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). (...) §2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, §22). (...) §4° Para efeito da compensação do imposto referido neste artigo, com relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do §10 do art. 394 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, §2º inciso I) §5° Fica dispensada da obrigação de que trata o §2 deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2S, inciso II). (...) Como se vê, o ordenamento jurídico permite a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil. Ora, se a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, por meio da nova sistemática legal de tributação (princípio da universalidade) deve consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária, para fins de tributação no Brasil, nada mais coerente do que permitir a compensação do tributo pago sobre o montante já tributado no exterior. Porém, condiciona esta compensação a vários requisitos: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 828 10 O oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26, caput da Lei nº 9.249/95). efetiva apuração do lucro em país estrangeiro (art. 16, inciso II, § 2º da Lei nº 9.430/96). Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). No caso concreto, a Recorrente indicou na DIPJ 2005 (Ficha 12A Linha 12), a compensação de imposto pago no exterior no valor de R$ 1.865.492,10. Já em sua impugnação, conforme apontado pela DRJ, alegou a tal título um valor um pouco diferente: R$ 1.709.169,47, conforme se demonstra através da tabela abaixo cujos dados foram extraídos de sua defesa: IRPJ EXTINTO NO CURSO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 IRRF Aplicações Financeiras no Brasil R$482.753,73 Imposto de renda pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganho de capital R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado efetivamente pago R$ 121.111.203,31 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 6.963.380,95 Total IRPJ extinto no curso do anocalendário 2004 R$ 130.266.507,46 IRPJ DEVIDO EM FACE DO ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 IRPJ apurado em 31.12.2004 (ficha 12A da DIPJ) R$ 131.153.489,88 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO IRPJ Insuficiência de recolhimento IRPJ (quitado mediante DCOMP) R$ 886.982,42 A fiscalização, por sua vez glosou o valor de : R$ 1.709.169,47. A DRJ negou provimento em primeiro lugar porque o primeiro requisito (oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real) não se teria realizado com sucesso. Se é permitido abater o imposto pago no exterior, a base de cálculo que gerou esse pagamento de imposto também deve compor a base total de ajustes no cálculo do IRPJ no Brasil em uma clara semelhança com o que acontece com as antecipações do IRPJ na forma de retenção e o ajuste final do imposto. É uma condição justa e lógica, mas sobretudo é uma condição legal que deve ser respeitada e, segundo a DRJ, não o foi. Sem sombra de dúvidas tal informação deveria constar nas Linhas 05 e 06 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (LR) da DIPJ 2005 (fls.207), mas encontramse zeradas, não tendo sido infirmada pela Recorrente. Vejamos como são claras as instruções do Manual de preenchimento das DIPJ a esse respeito: Linha 09A/05 Lucros Disponibilizados no Exterior Indicar, nesta linha, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, que tiverem sido disponibilizados para a pessoa Fl. 828DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 829 11 jurídica domiciliada no Brasil no curso do anocalendário (Lei n 9.532, de 1997, art. 1°, § 1º; Lei n9.959, de 27 de janeiro de 2000, art. 3º; MP nº 1.99115, de 2000, art. 35 e reedições; MP ns 2.15834, de 2001, art. 74). Em caso de apuração trimestral do imposto, tais lucros devem ser informados na coluna relativa ao 42 trimestre. Linha 09A/06 Exterior Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior Indicar, nesta linha, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, os quais devem ser considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem (IN SRF n 213, de 07 de outubro de 2002, art. 1º, § 7º). No caso de apuração trimestral, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior que tenham sido excluídos nos 1, 2 e 3trimestres na apuração do lucro real referente a esses períodos (Linha 09A/30) devem ser adicionados, nesta linha, na coluna do 4 trimestre (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25; Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º; IN SRF n 213, de 2002, art. 9º). Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n 9.249, de 1995, relativos a rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil, se os referidos rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração. " (grifei). Nesse ponto, em seu Recurso a Recorrente alega que houve inovação do fiscal. Nada mais equivocado. Em primeiro lugar, porque se existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa e cada uma delas é independente da outra, basta para o autuante apontar uma dessas condições que não foi cumprida para dar azo ao lançamento. Isso não quer dizer que o contribuinte bastaria provar a satisfação dessa em fase recursal para se isentar de provar as demais condições. E foi isso que aconteceu. Se o contribuinte, em uma prejudicial, não consegue nem provar que pagou IR no exterior, não haveria porque o fiscal avançar e perquirir a respeito do oferecimento à tributação do rendimento que deu origem àquele recolhimento. De toda sorte, o fiscal ainda descreveu todas as condições que eram necessárias para o atendimento, inclusive o oferecimento à tributação. Eis os Termos de Constatação Fiscal: O contribuinte acima identificado foi intimado em 13 de maio de 2008, para apresentar no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os comprovantes de pagamentos do IRPJ no valor de R$ 129.287.997,78, constante da ficha 12 A, linha 10 do ano calendário de 2004. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal apresentou os DARFS dos pagamentos totalizado à importância de R$ 121.091.743,42 e comprovantes de retenções na fonte sobre aplicações financeiras e dividendos recebidos do exterior, nos valores de R$ 8.741.881,75 e R$ 1.319.864,71, alegando que sobre os dividendos recebidos da Molson Inc. situada no Canadá, estavam entregando cópia dos contratos de fechamento de cambio, pois ainda não localizaram os informes emitidos pela fonte. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 830 12 Diante deste fato, lavramos o Termo de Intimação, Constatação e Reintimacão Fiscal em 08 de julho de 2008, intimando o contribuinte para no prazo Máximo de 05 (cinco) dias úteis, para apresentar os comprovantes de retenção do IR fonte da empresa Molson Coors, sendo condição para compensação o disposto no artigo 26 da Lei n. 9.249/95 e artigo 14 da IN SRF 213 de 07/10/2002. "(...) Cabe salientar que os valores retidos referentes aos dividendos recebidos da Molson não foram considerados, pois não foram atendidos os requisitos estabelecidos pela Lei nº 9.249/05. (...) Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, o imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real (artigo 231, inciso III do RIR/99; artigo 2o, § 4o da Lei n° 9.430, de 1996). O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (artigo 943, parágrafo 2° do RIR/99; art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985). A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (artigo 26, § 2o da Lei n° 9.249/95; artigos 15, 16, § 2o da Lei n° 9.430/96). Outrossim, nem mesmo as informações básicas necessárias para aferir a existência de participação societária no exterior foram preenchidas deixando o quadro geral mais nebuloso ainda. É que no caso dos contribuintes possuírem participação societária no exterior, deveria ter sido preenchida especificamente as Fichas 43 Participações no Exterior e 44 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração e isso definitivamente não aconteceu (fls. 09/82). Outrossim, conforme apontado também pela DRJ, “restou prejudicada a identificação do método de avaliação do investimento em comento, pois não restou evidenciado se a Molson Inc é controlada ou coligada da Impugnante, e sequer se o referido investimento é relevante.” Porém, contra esse ponto a Recorrente em fase recursal traz informações esclarecedoras. No caso alegou que por ter um percentual de participação na Molson da ordem de 7%, portanto, menor do que 10%, e assim, a participação no exterior na Molson não se enquadraria como controlada, nem coligada e muito menos filial ou sucursal e que o método de avaliação pela empresa Molson era o método do “custo de aquisição” e não pelo método da equivalência patrimonial: 5.16. Por conseguinte, a MOLSON não era nem controlada nem coligada da RECORRENTE (e muito menos sua filial ou sucursal), do que resulta que a participação societária da RECORRENTE nesta empresa era avaliada pelo método de "custo de aquisição", e não pelo método de "equivalência patrimonial", em conformidade com o disposto no art. 248 da Lei n. 6.404, de 15.12.1976, em sua redação então em vigor (Lei das Sociedades por Ações "LSA"). Fl. 830DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 831 13 5.17. A DECISÃO, contudo, parece não ter atentado para esse fato, tendo em vista que a maior parte dos dispositivos legais por ela citados trata especificamente da tributação de lucros auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior; e, nesse contexto, a maior parte das linhas e fichas que, segundo a DECISÃO, deveriam ter sido preenchidas pela RECORRENTE, referemse a informações sobre investimentos em filial, sucursal, controlada e coligada no exterior. Isso não quer dizer que a Recorrente tenta “fugir” da necessidade de comprovar o oferecimento à tributação no Brasil da base de cálculo tributada no exterior, mesmo porque isso não seria possível, pois há lógica e nem muito menos previsão legar para se permitir essa compensação fora do escopo do também oferecimento à tributação desses mesmos rendimentos aqui no Brasil, pois a compensação não é uma benesse, nem um incentivo fiscal, mas sim uma forma justa de ajuste e consolidação da tributação por meio do princípio da universalidade. E nesse contexto continua a Recorrente tentado esclarecer essa questão, alegando que cometeu um equívoco de preencher o oferecimento à tributação dessa participação societária no exterior na ficha errada. Ao invés de preencher a Linha 6 da Ficha 94, preencheu a linha 26 da Ficha 6A (Resultado positivo em participações societárias), no valor de R$ 7.461.968,43: 5.18. Por outro lado, a RECORRENTE reconhece que, na Linha 6 da Ficha 9A de sua DIPJ 2005, deveria ter sido informado o valor dos dividendos recebidos da MOLSON, o que, por um equívoco, deixou de ser feito; esse equivoco, contudo, não teve qualquer efeito relevante, razão pela qual a RECORRENTE categoricamente rejeita a conclusão a que chegou a DECISÃO no item 5.5(ii), acima, segundo a qual o nãopreenchimento da referida linha teria implicado na não inclusão do valor dos dividendos no cômputo de seu lucro real e na conseqüente perda do direito ao creditamento do respectivo imposto pago no exterior. 5.19. Com efeito, a inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a nãoexclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) evidencia que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido da RECORRENTE, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real, conforme se demonstrará a seguir. (...) 5.21. Como se vê, na Linha 26 da Ficha 6A devem ser declarados, dentre outros valores, os lucros e dividendos de participações societárias avaliadas pelo custo de aquisição, exatamente como era o caso dos investimentos da RECORRENTE na MOLSON. 5.22. Em cumprimento ao disposto acima, a RECORRENTE declarou, na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005, os dividendos recebidos da MOLSON no ano calendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (DOC. 05 da IMPUGNAÇÃO). Conforme demonstram os lançamentos contábeis efetuados no livro razão da RECORRENTE (conta 423200. Receita de Dividendos DOC. 04) , o valor em questão é composto exclusivamente pelo valor bruto dos dividendos pagos pela MOLSON em 2004 (i.e., valor líquido acrescidos do imposto de renda recolhido no Canadá). Por conseguinte, os dividendos em questão foram efetivamente incluídos na apuração do lucro líquido da RECORRENTE. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005604/200836 Resolução n.º 1401000.164 S1C4T1 Fl. 832 14 Em relação à assertiva da DRJ que considerou que não havia informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela Molson, a Recorrente traz documetntação que supostamente resolveria essa questão: 5.32. Por fim, quanto à falta de informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela MOLSON , a RECORRENTE informa, para não haver dúvida com relação à quantificação em Reais do crédito do imposto de renda pago no Canadá, que os dividendos em questão foram pagos à RECORRENTE nas datas de 25.07.2002 (DOC. 05), 22.10.2002 (DOC. 06), 22.01.2003 (DOC. 07), 03.04.2003 (DOC. 08), 08.07.2003 (DOC. 09), 22.10.2003 (DOC. 10), 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14), conforme evidenciado nos respectivos contratos de câmbio. Dessa forma, em função do reforço das provas de defesa e do respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, proponho baixar o feito em diligência: Para que a fiscalização investigue melhor e esclareça a veracidade da assertiva de que se equivocara no preenchimento da linha 06 da Ficha 9 A, declarando na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005, os dividendos recebidos da MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (DOC. 05 da IMPUGNAÇÃO). Investigar isso em consonância com os lançamentos contábeis efetuados no livro razão da RECORRENTE (conta 423200. Receita de Dividendos DOC. 04). Caso a assertiva acima se mostre verossímil, investigar a origem da diferença apontada pela DRJ. Se for o caso, apresentar suas considerações, inclusive para se opor às assertivas da Recorrente em fase recursal ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. Se for o caso, apurar o crédito tributário remanescente, após a devida apreciação dos argumentos e documentos juntados aos autos pela Recorrente. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 832DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 19647.014623/2007-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
No presente caso, o Auto de Infração, cuja ciência pela recorrente se deu em 10.12.2007, foi lavrado em função de descumprimento de obrigação legal acessória no período objeto de 01/1997 a 12/1997.
Dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória no período de 01/1997 a 12/1997.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.464
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em dar
provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no Art. 173, I, CTN; quanto no Art.150, § 4º, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o Auto de Infração, cuja ciência pela recorrente se deu em 10.12.2007, foi lavrado em função de descumprimento de obrigação legal acessória no período objeto de 01/1997 a 12/1997. Dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória no período de 01/1997 a 12/1997. Recurso Voluntário Provido.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o Auto de Infração, cuja ciência pela recorrente se deu em 10.12.2007, foi lavrado em função de descumprimento de obrigação legal acessória no período objeto de 01/1997 a 12/1997. Dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória no período de 01/1997 a 12/1997. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no Art. 173, I, CTN; quanto no Art.150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 19647.014623/200777 Acórdão n.º 240300.464 S2C4T3 Fl. 106 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 91 a 92, com Anexos às fls. 93 a 99, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife PE, emitiu o Acórdão nº 1122.349 – 6ª Turma, fls. 79 a 83, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.081.5297, com valor consolidado de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 24, o Auto de Infração nº. 37.081.5297, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira: a) Livro Razão do exercício financeiro de 1997; b) Termos de rescisões contratuais dos seguintes segurados empregados: Gilda Bezerra Machado; Josenilda Mendes da Silva; Edgar Roberto N. das Chagas. c) RAIS ano 1997; d) Documentação relacionada a saláriofamília (Termo de responsabilidade; Fichas de saláriofamília); e) Documentação comprobatória dos lançamentos efetuados nas contas: Aluguéis (3.1.04.004.01 cód. 1784); Aluguéis e Arrendamento (3.1.04.002.01 cód. 3079); Fretes e Carretos (3.1.04.004.01 cód. 1880); Indenizações (3.1.04.002.01 cód. 3027); Reservas de Lucros (2.3.02.001 cód. 1146); Serviços de Terceiros (3.1.04.002.01 cód. 3004); Taxas Diversas (3.1.04.004.01 cód. 1778); Prólabore (3.1.04.004.01 cód. 1666). f) DIRF (Declaração de Imposto Retido na Fonte) e DIPJ (Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica) do ano calendário 1997. g) CAGED (Cadastro Geral de Admissões e Dispensas) 1997. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 3. Apresentação do livro Diário relativo ao período de 10/1997 a 12/1997 com omissão de informação verdadeira, consubstanciado na ausência de lançamento na contabilidade do termo de rescisão de contrato de trabalho de Ester Barreiras do Nascimento, em 15/09/1997, no valor de R$ 963,89 (novecentos e sessenta e três reais, oitenta e nove centavos) 4. A Autuada apresentou Livro Diário referente ao período de 01/1997 a 12/1997 sem atender as formalidades legais exigidas, na medida em que o Diário fora apresentado sem registro do órgão competente (Junta Comercial), ou seja, não foi atendida uma das formalidades extrínsecas. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 25, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09425345F00, foi de 01/1997 a 12/1997, fls. 06. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 24 a 25, é de 01/1997 a 12/1997. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 10.12.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 526423376 BR, às fls. 60. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, em 07.01.2008, de fls. 63 a 71, com Anexos às fls. 72 a 76. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife PE, emitiu o Acórdão nº 1122.349 – 6ª Turma, fls. 79 a 83, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOCUMENTOS. A empresa é obrigada a escriturar em seus livros fiscais todos os fatos geradores de contribuições para o financiamento da Seguridade Social, e a apresentar todos os documentos solicitados pela Fiscalização, sob pena de multa. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 19647.014623/200777 Acórdão n.º 240300.464 S2C4T3 Fl. 107 5 Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, às fls. 91 a 92, com Anexos às fls. 93 a 99, no qual, em preliminar, alega em síntese: (i) da decadência em função da Súmula Vinculante nº 8 do STF, de forma que o exercício de 1997 se encontra decaído. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 104. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 104. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 19647.014623/200777 Acórdão n.º 240300.464 S2C4T3 Fl. 108 7 Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob Fl. 114DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 19647.014623/200777 Acórdão n.º 240300.464 S2C4T3 Fl. 109 9 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento Fl. 116DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN – devese identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 19647.014623/200777 Acórdão n.º 240300.464 S2C4T3 Fl. 110 11 Então, verificase, da análise dos autos que: (i) O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 24 a 25, é de 01/1997 a 12/1997. (ii) A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 10.12.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 526423376 BR, às fls. 60. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência total do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, NAS PRELIMINARES, DARLHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 118DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10166.722189/2010-36
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que dava
provimento ao recurso por entender que o lançamento era insubsistente.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que dava provimento ao recurso por entender que o lançamento era insubsistente. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza – Relator (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO SOLEDADE COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em 04/10/2010, foram lavrados contra a interessada autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 14.173.102,31, assim discriminados por exação fiscal: (...) Consoante Termo de Verificação Fiscal às fls. 1770 a 1778, o procedimento fiscal foi realizado com o objetivo de verificar a efetividade de diversos custos com aquisições de mercadorias para revenda, relativos aos anoscalendário 2007 e 2008, visto que a fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEF/DF) identificara a inexistência de fato de diversos fornecedores da empresa sob análise. Por meio do Relatório n° 03/COINF/SUREC/05 JUN 2009, a SEF/DF informou ao fisco federal a existência de um grupo organizado na emissão e distribuição de "notas frias" com o objetivo de fraudar a fazenda pública. Comunicou, ainda, que, em virtude dos fatos constatados nas diligências realizadas, as empresas fictícias tiveram a sua inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal (CF/DF) cancelada. Também foi declarada a inidoneidade de grande parte das notas fiscais autorizadas pela SEF/DF a essas pessoas jurídicas, conforme abaixo: (...) Ciente dos fatos, a fiscalização federal emitiu o MPF de nº 01.1.01.00 2010001457, tendo início o procedimento fiscal correspondente em 05/03/2010. De posse da escrituração contábil da fiscalizada, a autoridade lançadora identificou as notas fiscais de entrada, relativas aos anos de 2007 e 2008, emitidas pelos fornecedores fictícios anteriormente listados, e intimou a empresa a apresentar os originais de tais documentos, bem como o respectivo comprovante de pagamento (cópias de cheque, boletos bancários, transferências entre contas etc). A intimação foi atendida parcialmente em 16/06/2010, ocasião em que foi apresentada apenas parte das notas fiscais, sem a devida comprovação do pagamento. A soma dos valores das notas apresentadas consta a seguir: Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 3 3 Os originais das notas fiscais foram retidos para compor o processo de representação fiscal para fins penais, de acordo com o art. 915, § 15, do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Esclarece, ainda, a Fiscalização que, no Termo de Intimação Fiscal n° 4, a fiscalizada foi intimada a confirmar se utilizara créditos de PIS e COFINS (nãocumulativos) calculados sobre as notas fiscais a que se refere o Termo de Intimação n° 2 e que, em resposta à intimação, a empresa confirmou essa utilização. Como resultado, a Fiscalização constatou as seguintes irregularidades: 22. GLOSA DE CUSTOS (IRPJ/CSLL): O contribuinte contabilizou como custo das mercadorias vendidas (compras) notas fiscais declaradas inidôneas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal e, intimado, não apresentou os comprovantes do efetivo pagamento. 23. Estes custos reduziram indevidamente a base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social (CSLL). Portanto estamos lançando os valores referentes às notas fiscais contabilizadas mas que não correspondem a uma efetiva transação comercial. 24. Os valores glosados são aqueles discriminados no item 14 acima, sendo que o Anexo I detalha os valores mensalmente. O Termo de Intimação Fiscal n° 2 relaciona as notas fiscais individualmente. 25. Enquadramento leqalIRPJ: Artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 256, 289, e 290, inciso I, do RIR/99. 26. Enquadramento leqalCSLL: Artigo 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1o da Lei n° 9.316/96 e artigo 28 da Lei n° 9.430/96; Artigo 37 da Lei n° 10.637/02. 27. GLOSA DE CRÉDITOS (PIS/COFINS): O contribuinte utilizou indevidamente, como crédito na apuração do PIS e da COFINS nãocumulativos, notas fiscais declaradas inidôneas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal e, intimado, não apresentou os comprovantes do efetivo pagamento. 28. Portanto, estamos glosando os valores referentes aos créditos oriundos dessas notas fiscais contabilizadas, mas que não corresponderam a uma efetiva transação comercial de compra e venda. 29. Os Anexos II (PIS) e III (COFINS) detalham os cálculos das respectivas contribuições. 30. Enquadramento leqalPIS: Arts. 1o, 3o e 4o da Lei n° 10 637/02. 31. Enquadramento leqalCOFINS: Arts. 1 °, 3o e 5o da Lei n° 10.833/03. Diante da conduta do contribuinte de inserir custos fictícios na escrituração contábil e fiscal, a fiscalização entendeu que a contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, reduzindo os tributos devidos e, por conseguinte, foi aplicada a multa qualificada de 150% (§1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96). Além disso, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais (...) Cientificada das exigências pessoalmente em 05/10/2010, conforme ciência constante dos autos de infração, a contribuinte apresentou em 03/11/2010 a petição impugnativa Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 4 4 de fls. 1.785 a 1.803. Apoiada nos documentos acostados aos autos às fls. seguintes, a peça de defesa, em suma, discorre sobre os pontos a seguir expostos., Das Preliminares. Afirma a interessada que é nulo o procedimento fiscal, uma vez que o MPF não atendeu os requisitos previstos na legislação para a sua finalidade, faltando lhe as formalidades a ele inerentes, tais como a ultrapassagem do prazo estipulado e a renovação reiterada sem que houvesse intimação ao contribuinte. Além disso, assevera que, durante a fiscalização, as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, visto que os prazos eram “exíguos e incompatíveis com o cumprimento de obrigação de prestação de informações que demandavam uma quantidade enorme de documentos e pesquisas”. Do Mérito. Documento inidôneo. Glosa de custos. Argumenta a impugnante que a legislação determina que o documento, para ser considerado inidôneo, requer a publicação de ato declaratório e que, no caso em tela, não houve inidoneidade declarada na área federal, mas somente pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. Além disso, defende que, quando publicado, tal ato não pode retroagir para ser aplicado em casos de documentos emitidos em data anterior à publicação. Cita, então, os arts. 80, § 2º, e 82, da Lei n° 9.430/96, bem como jurisprudência judicial sobre o assunto. Afirma, ainda, que a contabilidade do contribuinte faz prova plena daquilo que está registrado em sua escrituração comercial e fiscal e que a presente autuação baseouse apenas em informação do Fisco Distrital sobre as idoneidades, não tendo realizado os auditores desse procedimento nenhuma pesquisa ou exame desses casos específicos, para corroborar, se fosse o caso, a procedência da referida inidoneidade fiscal. Conclui, dessa forma, que o lançamento realizouse por presunção. Nessa linha de raciocínio, defende que eventuais indícios, suspeitas ou suposições não autorizam concluir pela ocorrência de sonegação fiscal e que cumpriria uma melhor análise dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário com suporte em prova direta. Cita jurisprudência administrativa sobre o assunto. Consigna a interessada que as notas fiscais glosadas representam para a autuada compras efetivas de mercadorias destinadas à sua atividade comercial, que adentraram em seu estabelecimento e foram vendidas, compondo a sua receita de venda operacional, e que eventuais irregularidades com a situação fiscal dos fornecedores não podem atingir a autuada, que agiu de boafé. Defende que os custos glosados são legítimos porque estão de acordo com o RIR/99, em seus arts. 300 e 299, sendo, pois, passíveis de dedutibilidade, porquanto necessários e indispensáveis ao desenvolvimento da atividade da autuada. Novamente cita jurisprudência administrativa sobre a matéria. Aduz, ainda, a requerente que o procedimento fiscal ora impugnado glosou os custos das mercadorias vendidas, porém manteve a tributação integral das receitas de vendas correspondentes a essas mercadorias, o que teria provocado duplicidade de tributação. Acrescenta que a jurisprudência é no sentido de que não basta examinar a eventual idoneidade do documento fiscal, mas também os efeitos que geraram na contabilidade do contribuinte e na tributação dela decorrente. Erros materiais. A esse título, a impugnante aduz que o lançamento fiscal comete erros materiais ao não considerar os prejuízos fiscais declarados em suas DIPJ e Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 5 5 LALUR, nos respectivos trimestres, o que resultou em tributos lançados em valor superior ao devido. Anexa demonstrativo correspondente. Afirma, ainda, que houve erro em relação aos valores glosados dos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos em razão das glosas das notas fiscais supostamente inidôneas, visto que a fiscalização “teria incluído no lançamento alguns créditos que não foram aproveitados pela contribuinte”. Anexa demonstrativo correspondente. Por fim, alega que houve erro material no cálculo do IRPJ e da CSLL, pois a auditoria fiscal deixou de considerar, como dedutível do lucro real, os valores de PIS e COFINS lançados de ofício. Multa confiscatória de 150%. Alega a impugnante que a multa de ofício de 150%, ainda que prevista na legislação fiscal, não tem amparo e é inaplicável à hipótese do presente procedimento fiscal, merecendo a sua nulidade, pois tem efeito confiscatório. Cita jurisprudência judicial. Ausência de materialidade de sonegação ou fraude. Em relação à qualificação da multa e à formalização de processo de representação fiscal para fins penais, assevera a impugnante que os documentos fiscais foram escriturados regularmente na contabilidade da autuada e em seus livros fiscais, e foram prestadas todas as informações solicitadas pelo Fisco. Além disso, reafirma que a autuada não pode ser responsabilizada se não havia o ato de declaração da situação irregular e de inidoneidade das empresas fornecedoras e respectivas notas fiscais por ocasião da aquisição das referidas mercadorias, na forma prevista nos arts. 80 a 82 da Lei n° 9.430/96. Cita, por fim, jurisprudência administrativa. Elementos dos dados e elementos autuados. No caso da autuação da CSLL, defende que não cabe a exclusão da despesa do lucro real como indedutível, uma vez que a base desta é o lucro líquido. Cita, em sua defesa, o Acórdão 10708.297 do 1º Conselho de Contribuintes. Pedido de juntada de novas provas. A contribuinte protesta, desde já, pelo aditamento à presente impugnação e pela juntada de outros esclarecimentos ou documentos adicionais para o deslinde da questão. Por fim, pugna a requerente que se julgue improcedente a ação fiscal e o seu consequente lançamento, anulando in totum o crédito tributário, bem como os efeitos dele decorrentes. A decisão recorrida está assim ementada: MPF. VALIDADE. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, são procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Reputamse válidos os termos de intimação cujos prazos de atendimento são estabelecidos em consonância com o disposto na legislação de regência, qual seja, art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, conforme provas colhidas por outro órgão fiscalizador, bem como o efetivo ingresso Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 6 6 das mercadorias constantes de tais documentos, devem estes ser considerados inidôneos. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PREJUÍZOS FISCAIS. Não há erro no cálculo do tributo devido quando, no lançamento, é efetuada a devida compensação do prejuízo declarado, e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas a operações cuja efetividade não resta comprovada, constitui fato que caracteriza fraude e implica qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas traduzse em despesa inexistente, que enseja redução indevida tanto do lucro líquido como do lucro real, devendo ser glosada para a correta apuração do tributo devido. GLOSA DE CRÉDITOS. PIS NÃOCUMULATIVO. A mera alegação, desacompanhada da demonstração inequívoca de que o crédito relativo à contabilização de notas fiscais inidôneas não foi aproveitado na apuração do PIS não cumulativo, é insuficiente para elidir a respectiva exigência. GLOSA DE CRÉDITOS. COFINS NÃOCUMULATIVA. A mera alegação, desacompanhada da demonstração inequívoca de que o crédito relativo à contabilização de notas fiscais inidôneas não foi aproveitado na apuração da COFINS nãocumulativa, é insuficiente para elidir a respectiva exigência Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 7 7 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 8 8 VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. DAS PRELIMINARES Início apreciando as preliminares, haja vista que conselheiro Leonardo Oliveira, foi vencido ao votar por acolher a preliminar de impossibilidade de utilização da prova empresta. Antes, porém, fazse necessário alguns esclarecimentos. Consoante registrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a contribuinte tem por nome de fantasia “BIG BOX SUPERMERCADOS”, nome este utilizado por um grupo de empresas do Distrito Federal, que foram fiscalizadas em conjunto pela Receita Federal do Brasil (RFB), em face de representação do Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEFDF), segundo a qual tais empresas utilizaramse de notas frias, emitidas por diversos fornecedores, com o objetivo de fraudar a Fazenda Publica. A Fiscalização da RFB aduz que na esfera das receitas estaduais, essas notas geraram créditos fictícios de ICMS, reduzindo o montante de tributos a recolher; já no âmbito Federal as notas inflaram os custos dos produtos vendidos, reduzindose o lucro e, consequentemente, o IRPJ e CSLL devidos. Segundo a Fiscalização, ainda no âmbito Federal, essas notas também geraram créditos de PIS e Cofins, uma vez que a contribuinte estava sujeita ao regime de apuração nãocumulativo dessas contribuições. Em pesquisa nos processos em julgamento neste Conselho, identifiquei 8 (oito) recursos voluntários de contribuintes do grupo “BIG BOX”, submetidos à mesma operação fiscal, cujas exigências foram mantidas integralmente na DRJ Brasilia, sendo que as peça recursais apresentam o mesmo teor e foram apresentadas pelos mesmos signatários, a saber: Item Contribuinte Processo 1 VIA PARK COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722232201063 2 SIBERIA COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722209201079 3 SUPERMERCADO TATA S/A 10166722455201021 4 SOLEDADE COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA 10166722189201036 5 BIG TRANS COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722297201017 6 BRUNELA COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A 10166722766201090 7 COMERCIAL DE ALIMENTOS CERES S/A 10166722765201045 8 COMERCIAL SÃO PATRICIO S/A 10166722945201027 Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 9 9 Os itens 1 e 3 acima, foram sorteados para a 1a. Turma desta Câmara do CARF, e foram pautados concomitantemente com os itens 4 a 8 (sorteados para esta 2a. Turma). A 1a. Turma já julgou os 3 primeiros, negando provimento aos recursos por unanimidade,enquanto a 2a. Turma converteu os demais em diligência. O item 1 acima, processo 10166.722232/201063, julgado em 16/1/2012, acórdão 140100704, recebeu as seguintes ementas e decisão: MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. VALIDADE Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que as prorrogações de prazo foram feitas de acordo com a legislação de regência. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Rejeitase a preliminar de nulidade, uma vez comprovado que os termos de intimação respeitaram os prazos estabelecidos pelo art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas. PREJUÍZOS FISCAIS. Correto o cálculo do tributo devido, uma vez realizada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Correta a apuração do adicional de IRPJ, uma vez que somente foi tributado o valor excedente ao limite trimestral de R$ 60.000,00. CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a dedução, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas representa despesa inexistente, que deve ser deduzida tanto do lucro líquido como do lucro real, para a correta apuração do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 10 10 Tal qual neste colegiado, as preliminares foram todas rejeitas, pelo que peço vencia para transcrever e adotar nessa parte os fundamentos do voto condutor do aludido acórdão, da lavra do Ilustre conselheiro Fernando Mattos, verbis: Irregularidades relativas ao MPF Preliminarmente, a recorrente arguiu a nulidade do lançamento, sob a alegação de que o MPF não atendeu os requisitos previstos na legislação para a sua finalidade. Sobre o tema, assim decidiu o acórdão recorrido, fls. 844: No caso em concreto, conforme se vê no Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 83 e 84), a interessada foi devidamente cientificada do MPFF (Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002010001392), que determinou a execução da ação fiscal. Por meio do mesmo Termo, foi cientificada do código que lhe possibilitava o acesso, via internet, a todas as informações relacionadas com o aludido mandado. As prorrogações do prazo de validade do MPF foram devidamente registradas na internet e, desse modo, não pode a interessada alegar seu desconhecimento. Ademais, a contribuinte foi informada, em termos de intimação, sobre a continuidade da ação fiscal e sobre a possibilidade de consultar o MPF no sítio da RFB na internet, por meio do aludido código de acesso. Não existe, portanto, a irregularidade noticiada. Em sua peça recursal, a contribuinte não trouxe nenhuma alegação inovadora, razão pela qual, em relação a este tema, adoto as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, retrotranscritas. Irregularidades relativas a prazos concedidos no curso da fiscalização Dando continuidade às suas razões de recurso, a contribuinte afirmou que durante os procedimentos fiscalizatórios as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, em vista de terem sido os prazos exíguos e incompatíveis com a complexidade das informações solicitadas. Mais uma vez, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 844845: Entretanto, o que se constata da análise dos autos é que a Fiscalização agiu em conformidade com o comando expresso no art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, in verbis: Art.71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art.19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 11 11 §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento." (NR)(g.n.o) No caso em tela, no termo de início da ação fiscal e no termo de intimação nº 3, foi concedido um prazo para atendimento de 20 dias, em consonância, portanto, com o caput do art. 19, antes transcrito. Quanto aos termos nº 2, 4 e 5, as intimações efetuadas dizem respeito a informações e documentos que devem estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do contribuinte, situação que se enquadra no §1º do dispositivo reproduzido; em decorrência, foi concedido, corretamente, o prazo de 5 dias úteis ou 8 dias. Restou demonstrado, portanto, que durante os procedimentos de fiscalização todos os prazos foram concedidos em estrita conformidade com a legislação. Por esta razão, rejeito esta preliminar arguida pela recorrente. Prova emprestada Na sequência, a contribuinte discutiu a forma como a prova emprestada foi utilizada pelo Fisco Federal. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente: [...] não basta alegar, com fez a DRJ, que as informações foram obtidas em colaboração com outro Fisco, mas era necessário que o Fisco Federal tivesse laborado o seu ofício dentro do seu mister específico e de suas posições cadastrais, porque a falta desses demonstrativos nos autos ou de aprofundamento da fiscalização nesse sentido é causa de nulidade do procedimento fiscal. Não assiste razão à recorrente. Para demonstrar esse fato, considero suficiente transcrever pequenos trechos do acórdão recorrido (grifado): Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. [...] Portanto, tentar resumir o procedimento fiscal apenas ao trabalho efetuado pelo fisco distrital é fechar os olhos à realidade dos autos. A fiscalização federal executou trabalho de auditoria fiscal, em busca da verdade material, Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 12 12 colhendo provas, intimando o contribuinte a esclarecer fatos e apresentar documentos. [...] Em vista do exposto, constatase que a autoridade autuante, com base nas informações prestadas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, buscou confirmar os indícios apontados, intimando a interessada a comprovar o pagamento das mercadorias adquiridas. Logo, foi concedida à autuada a oportunidade de demonstrar sua boafé mediante a comprovação da efetividade da transação comercial. Entretanto, em vez de efetivar essa comprovação, limitouse a impugnante a argumentar em torno da possibilidade de utilização de atos declaratórios publicados na esfera distrital e de seus efeitos temporais. Nestes termos, também rejeito esta preliminar apresentada pela recorrente. Documentos inidôneos A recorrente afirmou que na relação de empresas supostamente inexistentes havia muitas empresas com operações e existências reais, inclusive integrantes de regimes especiais criados pelo Distrito Federal (TARE ou REA). Afirmou, outrossim, que por várias vezes foi concedida AIDF (Autorização para Impressão de Documentos Fiscais) para algumas dessas empresas, em quantidades razoáveis (até 8000 documentos). Além disso, diversas FAC (Fichas de Alteração Cadastral) destas empresas teriam sido acatadas pelo Fisco Distrital. Com base nestes argumentos, a recorrente afirma que “os contribuintes adquirentes foram vítimas dessas situações e não fraudadores como que a autuação impugnada”. Tais alegações se revelam totalmente desprovidas de sentido. Afinal, a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais daquelas empresas foi apenas o ponto de partida da presente autuação. Posteriormente, foi dado à contribuinte a oportunidade de apresentar as vias originais das notas fiscais, bem como o respectivo comprovante de pagamento. A contribuinte, por seu turno, apresentou apenas parte das notas fiscais, e sem a devida comprovação de pagamento. Ora, se as empresas em questão realmente existiam e se as operações comerciais tivessem sido reais, certamente a recorrente teria apresentado todos os comprovantes solicitados, elidindo por completo a suspeita de utilização de documentos fiscais inidôneos. No item “g” das suas alegações preliminares, a recorrente alegou que apresentou apenas parte das notas fiscais solicitadas, pelo fato de as vias originais terem ficado na posse do Fisco do Distrito Federal. Tal alegação, contudo, não se encontra comprovada nos, posto que a recorrente não juntou qualquer Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 13 13 comprovante de entrega de tais documentos às autoridades fiscais distritais. Além disso, a recorrente se absteve por completo de justificar a falta de apresentação dos supostos comprovantes de pagamento relativos a tais notas fiscais. Em resumo: o fator determinante para a presente autuação não foi a mera declaração de inidoneidade da documentação emitida pelos fornecedores da contribuinte, ora recorrente. Na realidade, o fator determinante para o presente lançamento foi a ausência de comprovação, por parte da recorrente, da efetividade daquelas operações. Como facilmente se percebe, a recorrente limitouse a apresentar simples alegações, de cunho exclusivamente retórico. Com o intuito de elidir a presente autuação, a recorrente deveria ter trazido aos autos a comprovação do efetivo pagamento das supostas operações comerciais, amparadas por documentação inidônea. Diante da ausência de qualquer comprovação de pagamento, merece ser rejitada a presente alegação apresentada pela recorrente. Irretroatividade dos efeitos de ato declaratório de inidoneidade de documento fiscal e necessidade de declaração de inidoneidade também pelo Fisco Federal Em relação a este tema, a recorrente alegou que os Atos Declaratórios de inidoneidade somente foram publicados em 2009, razão pela qual não poderiam abranger as notas fiscais objeto do presente lançamento, as quais foram emitidas em 2007 e 2008. Além disso, para alguns fornecedores sequer teria havido o ato de declaração de inidoneidade. Por fim, não teria havido declaração de inidoneidade pelo Fisco Federal, mas tão somente pelo Fisco Distrital. No tocante à tais alegações, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do acórdão recorrido: Assim, não obstante o rito estabelecido para a declaração de inaptidão, a redação do caput do art. 82 deixa bem claro que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação. A Instrução Normativa RFB nº 1.005, de 8 de fevereiro de 2010, em seu art. 45, § 4º, esclarece, ainda, que, além de não excluir as demais formas de inidoneidade, a declação de inaptidão tampouco legitima os documentos inidôneos emitidos antes da publicação de tal ato, verbis: § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. Resta claro, portanto, que a consideração ou declaração de inaptidão constituise em uma das hipóteses de inidoneidade de documentos prevista na legislação, mas não a única. Ademais, devese elucidar a natureza declaratória dos atos de inaptidão da RFB, que, como o próprio nome indica, apenas declara uma situação Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 14 14 irregular que já se verificava no passado, não tendo, portanto, a característica de ato constitutivo. Dessa forma, sendo os elementos de prova acostados aos autos do processo suficientes para caracterizar a inidoneidade dos documentos fiscais, não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão das empresas envolvidas. E foi justamente isso que ocorreu no caso concreto e que se demonstrará mais adiante. Ainda em alusão aos atos declaratórios, aduz a impugnante que a autuação baseouse exclusivamente em declaração de inidoneidade publicada na esfera distrital, não sendo esta válida para efeito de lançamento de tributos administrados pelo fisco federal. Nesse sentido, acrescenta que cumpriria à autoridade lançadora efetuar uma melhor análise dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. [...] Neste ponto, é importante assinalar que as provas carreadas pela fazenda distrital são de abrangência e efetividade suficientes para a formação da convicção quanto aos fatos ocorridos, o que torna prescindível a realização de novas diligências. Além disso, não há que se perder de vista que tanto o fisco distrital quanto o federal detêm o poder de polícia e suas afirmações gozam da presunção de veracidade. Dessa forma, a realização das mesmas diligências, já efetuadas em outra esfera, tornase desnecessária. Pelas razões expostas, concluo que os fatos arguidos pela recorrente são completamente inaptos para eivar de nulidade os presentes lançamentos. Por esta razão, também esta preliminar merece ser rejeitada. O ilustre conselheiro Leonardo Oliveira sustentou seu voto acerca nulidade da exigência, asseverando que haveria muitas inconsistências no procedimento fiscal e, “sendo fato que no universo das notas fiscais consideradas inidôneas há grande número que não se subsume a espécie, o crédito tributário padece de liquidez e certeza, passível de os lançamentos de ofício do IRPJ e tributação reflexa serem julgados insubsistentes, face à existência de vício material na determinação da matéria tributável ex vi do disposto no art. 142 do CTN”. Discordei veementemente desse posicionamento, isso porque a glosa dos custos não se deu em razão da inidoneidade das notas fiscais apurada pela SEFDF, e sim pela não comprovação da efetividade das operações de que tratam essas e outras notas fiscais, cujos valores foram deduzidos na apuração do lucro liquido da contribuinte (custos). Não há qualquer inconsistência no procedimento fiscal da RFB. A contribuinte foi regularmente intimada durante a auditoria para comprovar a efetividade da aquisição dos Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 15 15 produtos constantes em diversas notas fiscais emitidas pelas empresas objeto da representação do SEFDF, bem como os comprovantes pagamento aos fornecedores. Apesar de as operações superarem a casa dos milhões de Reais, nenhum comprovante de pagamento via bancária foi apresentado. À inteligência dos artigos 249, inciso I, e 259 parágrafo único do Regulamento do Imposto Renda (RIR/99), citados na base legal dos Autos de Infração, em se tratando de lucro real, cabe à contribuinte fazer prova da efetividade dos custos e despesas contabilizados, incluídos na apuração do resultado tributável. Frisese que tanto nos Autos de Infração, quanto no TVF, dos quais a contribuinte foi cientificada, está patente que o lançamento se deu pela glosa de custos em face da ausência ou insuficiência de comprovação. Portanto, no presente caso, não há que se falar em exigência fiscal calcada em prova emprestada, e sim em falta de provas, pelo que essa a preliminar deve mesmo ser rejeitada. Concluo, pois, por rejeitar todas as preliminares. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À luz do art. 29 do Decreto 70.235 de 1972, que rege o Processo AdministrativoTributário no âmbito Federal (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.”. Frisese que esta redação original é uma das poucas que jamais foi alterada ao longo desses 40 anos de vigência do PAF. Consoante já registrado neste voto, enquanto a 1a. Turma desta Câmara ao apreciar concomitantemente outros 3 (três) processos, oriundos da mesma operação fiscal que este, entendeu por negar provimento aos recursos, diante da insuficiência ou ausência de provas da efetividade dos custos contabilizados, que repito estão mesmo a cargo do contribuinte, o colegiado da 2a. Turma acolheu a proposta deste conselheiro para converter o julgamento em diligência para que sejam efetuadas verificações adiante detalhadas. É certo que não estamos diante de processos ou lançamentos decorrentes, isso porque, embora haja coincidência de fatos e atos, não se trata da mesma ação fiscal, muito menos do mesmo contribuinte ou coligados/sócios/cônjuges, tampouco há qualquer referência nos autos ao disposto no parágrafo único do art. 7o. do PAF. Situações que, a meu ver, implicariam na necessidade de julgamento em conjunto dos processos ou da aplicação do princípio da decorrência. Pois bem, vejamos então parte dos fundamentos de mérito do voto condutor do acórdão 140100.704: Compras efetivas Em relação a este tema, a recorrente afirmou que as notas fiscais glosadas representam compras efetivas de mercadorias destinadas a revenda. Afirmou Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 16 16 que eventuais irregularidades com a situação fiscal dos fornecedores não podem afetar/prejudicar a autuada, que agiu de boa fé. Tais alegações constituem meras repetições dos argumentos apresentados no tópico correspondente às preliminares. Naquela oportunidade, restou demonstrado que o fator determinante para a presente autuação não foi a mera declaração de inidoneidade da documentação emitida pelos fornecedores da contribuinte, ora recorrente. Na realidade, o fator determinante para o presente lançamento foi a ausência de comprovação, por parte da recorrente, da efetividade daquelas operações. Se a contribuinte, ora recorrente, efetivamente tivesse agido de boa fé, certamente teria trazido aos autos os alegados comprovantes de pagamento relativos àquelas operações. No entanto, a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) visando sustentar sua argumentação, quer por ocasião da autuação, quer no momento da impugnação, quer no momento do recurso voluntário. A completa ausência de comprovação de tais pagamentos por parte da recorrente, aliada à declaração de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos seus fornecedores, comprovam à exaustão que as aludidas operações comerciais não existiram, razão pela qual os valores correspondentes não podem ser considerados como custos para a contribuinte. Diante do exposto, em relação a este tema a decisão recorrida merece ser confirmada. Glosa de custo sem glosa da receita correspondente No entender da recorrente, ao se proceder a glosa de custos, as autoridades fiscais também deveriam ter procedido a glosa das receitas correspondentes. Alegação totalmente desprovida de sentido. Afinal, não resta qualquer dúvida acerca da efetiva das receitas, devidamente declaradas e contabilizadas pela contribuinte. A presente autuação versa, exclusivamente, sobre a glosa de custos não comprovados, tendo em vista a ausência de comprovação do seu efetivo pagamento (cumulada com a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos seus fornecedores). Assim sendo, não merece prosperar esta alegação da recorrente. Necessária dedutibilidade do custo das mercadorias vendidas Segundo a recorrente, não foi correta a glosa dos custos, porque decorrem de operações que foram efetivamente realizadas e são necessários à empresa e à sua fonte produtora, e achamse devidamente escrituradas nos livros da autuada, o que faz prova a seu favor. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 17 17 Tratase de mera reiteração da alegação feita no item anterior, o que dispensa maiores considerações sobre o assunto. Por mera formalidade, cumpre repetir que, no presente caso, a contribuinte efetivamente não comprovou que as mercadorias entraram em seu estabelecimento, não tendo demonstrado ter agido de boafé. Importante destacar que a fiscalização atuou com fundamento em provas diretas, e não com base em indícios, suspeitas ou suposições, conforme indevidamente alegado pela recorrente. Em síntese: a insuficiência de elementos comprobatórios impede o acatamento das razões da impugnante. Não há, pois, que se falar em dedutibilidade de custos, uma vez que não restou comprovada a efetividade daquelas operações. Ônus da prova A recorrente admitiu ter o ônus da prova de comprovar a efetividade das operações comerciais realizadas com seus fornecedores. No entanto, sustentou que esta comprovação deve ser realizada por meio de seus livros contábeis. Pelo fato de manter escrituração regular, caberia ao Fisco o ônus de desconstituir as provas registradas em sua contabilidade. Alegação totalmente desprovida de sentido. Ab initio, esclareçase que a contabilidade da contribuinte não era mantida com estrita observância das disposições legais. Afinal, um dos requisitos legais é que todos os lançamentos contábeis sejam alicerçados em documentos hábeis e idôneos. No caso concreto, quando intimada a comprovar o efetivo recebimento e o efetivo pagamento das mercadorias adquiridas junto a determinados fornecedores, a contribuinte abstevese, por completo, de apresentar qualquer documento comprobatório. Sobre o tema, manifestouse com grande propriedade o acórdão recorrido: Sujeitamse, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica, mormente aquelas que envolvem documentos fiscais sob suspeitas de inidoneidade, porque emitidos por empresas irregulares, para fornecer o bem ou para prestar o serviço constante da nota fiscal. Dessa forma, procedeu corretamente a fiscalização à intimação da empresa para que comprovasse o efetivo pagamento dos custos contabilizados, de forma a validar as despesas computadas como dedutíveis na escrituração da empresa. Entretanto, a impugnante não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.), quer quando da autuação, quer no momento da impugnação, para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa. [...] Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 18 18 Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Isso não obstante, em que pese a argumentação apresentada na peça impugnatória, a contribuinte não comprovou que as mercadorias efetivamente entraram em seu estabelecimento, não tendo demonstrado, dessa forma, ter agido de boafé. Pelo contrário, as provas acostadas aos autos são consistentes e inequívocas, as quais, inclusive, autorizam concluir pela ocorrência de máfé da contribuinte. Destaquese, ainda, que a fiscalização atuou com fundamento em provas diretas, e não com base em indícios, suspeitas ou suposições. Diante do exposto, considero que, em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. A partir da análise dos presentes autos, em confronto com as razões de decidir do ilustre conselheiro Fernando Mattos naquele outro processo, acima transcritas, conclui que, embora o ônus da prova seja da contribuinte, especialmente quanto aos custos contabilizados, é possível que tais custos tenham correspondência com a venda de produtos cujas receitas foram contabilizadas e tributadas. Os valores glosados variam em torno de 10% a 15% do total dos custos contabilizadas (isso em todas as empresas e períodos de apuração), logo, é possível que a contribuinte tenha mesmo adquiridos as mercadorias desses fornecedores e contabilizado as vendas, conforme alega a contribuinte. Esses percentuais também coadunam com a acusação fiscal de que não houve ingresso das mercadorias e que as receitas contabilizadas correspondem a vendas dos outros produtos efetivamente adquiridos. Justamente por serem valores significativo e, principalmente, por se tratar em sua maioria de produtos industrializados, alguns produzidos pelas principais indústrias do país, aliado ao fato de o contribuinte possuir contabilidade regular, formei convencimento da pertinência de uma diligência fiscal, priorizando a verdade material, para trazer aos autos elementos seguros quanto a efetividade, ou não, da entrada deste produtos, bem com fazer verificações que certamente irão robustecer o convencimento do Colegiado. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização da DRF Brasilia efetue os seguintes procedimentos: 1. Identifique nas notas fiscais glosadas pelo menos 2 (dois) produtos fabricados por indústrias nacionais de grandes porte, revendidos por cada uma dos fornecedores considerados inidôneos, listados no TVF, por exemplo de Mucilon (Nestlé), Sopão Knnor, Farofa Yoki. Caso sejam identificados produtos de mesmo fabricante fornecidos por varias empresas consideradas inidôneas, a escolha deve recair sobre esses, facilitando as verificações Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10166.722189/201036 Despacho n.º 140200.097 S1C4T2 Fl. 19 19 1.1 Fazer verificação in locu nas prateleiras dos supermercados BIG BOX para apurar o CNPJ dos fabricantes, bem como se os produtos são realmente vendidos nos estabelecimentos, juntando aos autos reprodução da imagem das embalagens. 2. Expedir intimações à essas indústrias (fabricantes) para informar as vendas efetuadas desses produtos, nos anos de 2007 e 2008, tanto para os emitentes das notas fiscais glosadas, quanto para o contribuinte (diretamente) solicitando informar data da venda, numero da NF, quantidades vendidas, valor unitário/total e forma de pagamento. 2.1 Solicitar também às indústrias que informem o total das vendas mensais efetuadas ao contribuinte naqueles anos, nesse caso englobando todos os produtos. 3. Escolher pelo menos 1 (um) trimestre do ano calendário 2007, e outro(s) do anocalendário de 2008, e intimar o contribuinte para que elabore demonstrativos a partir das contabilizações de estoques/entradas/devoluções e vendas desses produtos (quantidades e valores), identificando também se foram realizadas compras de outros fornecedores que não a indústria (fabricante) e das empresas glosas. 3.1 A Fiscalização deverá verificar/atestar a correção desses demonstrativos, mediante análise da escrituração contábil do contribuinte fornecida durante a auditoria fiscal. O objetivo desse item da diligência é apurar a correspondência entre a quantidade desses produtos vendidos e suas respectivas quantidades disponíveis para venda, determinando se nas quantidades vendidas incluemse as compras glosados. Certamente há meios para fazer esse batimento, haja vista que é público e notório que os cupons fiscais emitidos pelos supermercados do Grupo BIG BOX atendem a legislação, individualizando os produtos vendidos, alimentando os sistemas informatizados. 3.2 Elaborar tabela comparativa dos preços médios unitários de compra e venda dos produtos auditados, em cada trimestre (preço da Indústria, preço do fornecedor compras glosados, preço de venda ao consumidor). 4. A Fiscalização poderá realizar outros procedimentos e verificações, alem dos acima solicitados, deste que concernentes com o objetivo da diligência, qual seja, determinar se os produtos relacionados nas notas glosadas foram vendidos pelo contribuinte e compõe as receitas contabilizadas, bem com a pertinência do valor das operações. 5. Ao final, a Fiscalização deverá lavrar relatório consubstanciado, cientificando a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10283.720643/2008-63
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em baixar o processo em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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score : 1.0
Numero do processo: 16707.100656/2005-27
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO — DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA — POSSIBILIDADE.
Se a fiscalização, nos termos do art. 124, I, do CTN conclui pela presença de solidariedade em razão de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e levando em conta que segundo o § único do mesmo artigo, a solidariedade não importa em beneficio de ordem, resulta que todos os devedores
solidários devem constar no lançamento tributário e do título executivo, uma vez que a responsabilidade tributária é una e todos os envolvidos encontram-se na posição de sujeitos passivos da obrigação tributária; assim, anula-se a decisão de primeira instância que não aprecia a impugnação de pessoa incluída no lançamento como responsável solidário.
Numero da decisão: 107-09.579
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão da Turma Julgadora para que aprecie a impugnação apresentada o Sr. Josival Barbosa da Silva, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO — DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA — POSSIBILIDADE. Se a fiscalização, nos termos do art. 124, I, do CTN conclui pela presença de solidariedade em razão de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e levando em conta que segundo o § único do mesmo artigo, a solidariedade não importa em beneficio de ordem, resulta que todos os devedores solidários devem constar no lançamento tributário e do título executivo, uma vez que a responsabilidade tributária é una e todos os envolvidos encontram-se na posição de sujeitos passivos da obrigação tributária; assim, anula-se a decisão de primeira instância que não aprecia a impugnação de pessoa incluída no lançamento como responsável solidário.
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' ";ifr ofr.' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .Lat ..:ZJ5• 2;t4-i-r> SÉTIMA CÂMARA Processo n° 16707.10065612005-27 Recurso n° 154.957 Voluntário Matéria IRPJ e OUTROS - Exs.:2003 a 2005 Acórdão n° 107-09.579 Sessão de 16 de dezembro de 2008 Recorrente SEBASTIÃO DE LIMA DELFINO - FIRMA INDIVIDUAL Recorrida 3' TURMA/DRJ-RECIFE/PE Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO — DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA — POSSIBILIDADE. Se a fiscalização, nos termos do art. 124, I, do CTN conclui pela presença de solidariedade em razão de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e levando em conta que segundo o § único do mesmo artigo, a solidariedade não importa em beneficio de ordem, resulta que todos os devedores solidários devem constar no lançamento tributário e do título executivo, uma vez que a responsabilidade tributária é una e todos os envolvidos encontram-se na posição de sujeitos passivos da obrigação tributária; assim, anula-se a decisão de primeira instância que não aprecia a impugnação de pessoa incluída no lançamento como responsável solidário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, SEBASTIÃO DE LIMA DELFINO - FIRMA INDIVIDUAL f).° Processo n.° 16707.100656/2005-27 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.579 Fls. 231 ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão da Turma Julgadora para que aprecie a impugnação apresentada o Sr. Josival Barbosa da Silva, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o e"fr e julgado. / f • • o: VINICIUS NEDER DE LIMA 't - idente ALBERTINA S IPA SANTOS E LIMA Relatora Formalizado em: 1 5 MA 009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Martins Valero, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Décio Lima Jardim (Suplente Convocados) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ausente, justificadamente a Conselheira Silvia Bessa Ribeiro Biar. Processo n.° 16707.100656/2005-27 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.579 Fls. 232 Relatório Trata-se de lançamento dos anos-calendário de 2002 a 2004, em que se exige o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com aplicação da multa de 150%. Diante da falta de apresentação dos livros Diário, Razão e Lalur, apesar do contribuinte ter sido intimado e reintimado a apresentá-los, bem como dos documentos que embasaram sua escrituração contábil, o lucro foi arbitrado no período de julho de 2002 a dezembro de 2004, com base na receita bruta escriturada nos livros de registro de apuração do ICMS. Do total das vendas foram subtraídas as transferências entre a matriz e o depósito fechado, além de outras saídas que não representavam vendas (cópia do livro às fls. 94/125). Com o objetivo de apurar a responsabilidade de terceiros, diversas empresas foram intimadas a apresentar a relação de compras efetuadas à fiscalizada e indicar o nome do preposto com quem eram tratados os negócios. Responderam que o preposto da empresa era o Sr. Josival Barbosa da Silva (fls. 130/142). Em circularização aos cartórios foi detectada uma procuração outorgada pela fiscalizada, por meio de seu titular, com conferência de amplos poderes, inclusive a movimentação bancária para os Srs. Josival Barbosa da Silva e Edmilson Coutinho dos Santos (fls. 126/129). Foi considerado como responsável solidário o Sr. Josival Barbosa da Silva, CPF 331.347.824-72, conforme Termo de apuração de sujeição passiva solidária, nos termos dos artigos 124, I e 135, II, do CTN (fls. 78/79). Consta no referido Termo que o sujeito passivo solidário pode ter vista ao processo, na DRF. O fato do Sr. Josival negociar em nome da empresa, aliado à sua condição de procurador com amplos poderes, levou o autuante a concluir pela sua participação na gestão da empresa atuando como sócio de fato. Consta às fls. 148 consulta ao sistema CNPJ que indica que no período de até 2005, foram apresentadas declarações de inatividade para os anos-calendário de 2002 e 2003. Foi lavrada representação fiscal para fins penais. Consta na descrição dos fatos caracterizadores do ilícito que a empresa apresentou declarações de IRPJ dos anos-calendário de 2002 e 2003, na condição de inativa, enquanto que escriturou no Livro Registro de Apuração do ICMS, faturamento de R$ 2.825.551,04 em 2002 e R$ 13.273.648,01 em 2003. No ano-calendário de 2004, a fiscalização apurou R$ 13.262.915,60 de receitas escrituradas nos livros fiscais e não declaradas, fatos esses, que motivaram a aplicação da multa de 150%. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente. A impugnação contraposta pelo Sr. Josival Barbosa da Silva não foi apreciada, com o argumento de incompetência da Turma Julgadora com base no art. 224, da Portaria MF 30, de 25.02.2005. Destacou-se que a responsabilidade de terceiro pode ser discutida numa eventual execução forçada do crédito, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A ciência da decisão foi dada em 19.10.2006. O recurso foi apresentado em 31.10.2006 e foi assinado pelo titular da empresa e pelo responsável solidário. A recorrente discorda do arbitramento do lucro. Afirma que havia condições de ser apurado lucro real, mediante a documentação que dispunha, ou que deveria ter sido demonstrada a inviabilidade da apuração pelo regime do lucro real, o que não ocorreu. Processo n.° 16707.100656/2005-27 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.579 Eis. 233 Cita jurisprudência do TRF da Primeira Região, sobre a impossibilidade do fisco valer-se da escrituração e registros pertinentes ao ICMS para arbitrar o lucro. Destacou que a fiscalização utilizou a receita total de vendas e que subtraiu apenas as transferências entre matriz e o depósito fechado, e que deveriam ser excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais e os impostos cumulativos cobrados destacadamente do contribuinte substituto, bem como considerar a natureza específica de cada operação, fatos que não teriam sido respeitados pelos autuantes. Sobre a qualificação da multa, aduz que a fiscalização não logrou demonstrar que a recorrente praticou as condutas de sonegação, fraude ou conluio, exigidas para a aplicação da multa de 150%. Afirma que não foi comprovada a conduta dolosa e nem o evidente intuito de fraude. Cita jurisprudência do 1° CC e doutrina. Alega a violação do princípio da capacidade contributiva, princípio da estrita legalidade tributária e o caráter confiscatório da multa. A recorrente discute a aplicação de juros de mora pela taxa selic. Também discute-se no recurso a sujeição passiva solidária. Argumenta que o julgamento de primeira instância deve ser anulado, para que a impugnação relativa à sujeição passiva seja apreciada, de acordo com o art. 224, I, da Port. MF 30/2005, uma vez que o Sr. Josival tornou-se sujeito passivo da obrigação tributária e é exatamente por meio da impugnação que se defende da exigência do crédito tributário, do qual dele será exigido, caso permaneça na posição de sócio de fato da empresa autuada. Entende que o fato da DRJ não ter apreciado a impugnação configura-se ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório, implicando em violação ao princípio insculpido no inciso XXXV, do art. 50 da CF, combinado com o inciso LC, da mesma Carta. Aduz que em nenhum momento tomou conhecimento dos atos e procedimentos ocorridos no âmbito do feito administrativo, bem como das provas juntadas ao processo, salvo quando do momento do próprio lançamento de oficio. Diz que ficou de mãos atadas porque os dados coletados pela fiscalização não foram levados ao seu conhecimento. É o Relatório. Processo n.° 16707.100656/2005-27 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.579 Fls. 234 Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de lançamento dos anos-calendário de 2002 a 2004, em que se exige o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com aplicação da multa de 150%. Foi considerado como responsável solidário o Sr. Josival Barbosa da Silva, CPF 331.347.824-72, conforme Termo de sujeição passiva solidária, nos termos dos artigos 124, I e 135, II, do CTN (fls. 78/79). Consta no Termo de sujeição passiva que o sujeito passivo solidário poderia ter vista ao processo, na DRF. O fato do Sr. Josival negociar em nome da empresa, aliado à sua condição de procurador com amplos poderes, levou o autuante a concluir pela sua participação na gestão da empresa atuando como sócio de fato. O recurso também foi assinado pelo Sr. Josival Barbosa da Silva. A impugnação apresentada pelo Sr. Josival Barbosa da Silva não foi apreciada na decisão de primeira instância, com o argumento de incompetência da Turma Julgadora com base no art. 224, da Portaria MF 30, de 25.02.2005. Destacou-se que a responsabilidade de terceiro pode ser discutida numa eventual execução forçada do crédito, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Entretanto, este colegiado vem decidindo que a sujeição passiva solidária deve ser discutida no âmbito do PAF, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Justifica-se esse entendimento pelo fato de que se a fiscalização, nos termos do art. 124, I, do CTN, conclui pela presença de solidariedade em razão de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e levando em conta que segundo o § único do mesmo artigo, a solidariedade não importa em beneficio de ordem, resulta que todos os devedores solidários devem constar no lançamento tributário e do titulo executivo, uma vez que a responsabilidade tributária é una e todos os envolvidos encontram-se na posição de sujeitos passivos da obrigação tributária Ressalte-se que nos termos do art. 58 da Lei 9.784/99, os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo têm legitimidade para interpor recurso administrativo. Segundo o art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência e segundo o art. 25 do mesmo Decreto, na redação que lhe foi dada pelo art. 64 da MP 2.158-35, o julgamento de processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela SRF compete em primeira instância às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Conclui-se que a impugnação do responsável solidário deve ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. " Processo n.° 16707.10065612005-27 CCOI/C07 • Acórdão n.° 107-09.579 Fls. 235 Da jurisprudência cito o acórdão 103-23364, de 24.01.2008 da 3* Câmara (recurso 148857): Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO — DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA — POSSIBILIDADE. É possível a apresentação de impugnação ou recurso voluntário por pessoa incluída no rol dos responsáveis solidários com vista à discussão de aspectos não somente do crédito tributário em si, mas, também em relação à responsabilização que a cada um foi atribuída no lançamento de oficio. Publicado no D.O.U. n° 114 de 17 de junho de 2008. Do exposto, oriento meu voto para anular a decisão da Turma Julgadora para que aprecie a impugnação apresentada pelo sr. Josival Barbosa da Silva. Sala das Sessões - DF, em 16 de dezembro de 2008 g C-- ALBERTINA L,fi A SANTOS E LIMA Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1
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