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Numero do processo: 19515.001796/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Devidamente cientificado o sujeito passivo dos termos e documentos
integrantes da autuação e sendo lhe facultado o fornecimento de cópias dos autos, não há de se cogitar a respeito de cerceamento de defesa.
LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. NÃO APRESENTAÇÃO.
LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO.
ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita ou
rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado.
MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de oficio ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Devidamente cientificado o sujeito passivo dos termos e documentos integrantes da autuação e sendolhe facultado o fornecimento de cópias dos autos, não há de se cogitar a respeito de cerceamento de defesa. LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. NÃO APRESENTAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de oficio ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório WRW PROJETOS E DECORAÇÕES LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168), constatouse que, para o anocalendário 2003, o contribuinte entregou declaração de INATIVIDADE (fls. 13/15). No entanto, deixou de esclarecer suas movimentações financeiras realizadas, neste período, no Banco Bradesco S/A, na ordem de R$ 1.812.956,41 (um milhão, oitocentos e doze mil, novecentos e cinqüenta e seis reais e quarenta e um centavos), e, no Banco Safra S/A, no montante de R$ 3.977.374,43 (três milhões, novecentos e setenta e sete mil, trezentos e setenta e quatro reais e quarenta e três centavos), conforme planilhas anexas ao Termo de Constatação Fiscal de 18/06/2007 (fls. 144/164) entregues ao contribuinte em 21/06/2007 (fls. 165), razão pela qual o lucro foi arbitrado e a multa agravada nos termos dos autos de infração abaixo descritos. 2. O referido Termo de Verificação Fiscal informa, ainda, em síntese que: 2.1. O contribuinte foi cientificado, em 05/09/2006, do Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01) e do Termo de Início de Fiscalização (fls. 05/06). 2.2. Foram fiscalizados os anoscalendário 2001 a 2003, sendo os dois primeiros (2001 e 2002) encerrados por meio do processo administrativo nº 19515.002311/200635. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 3 2.3. O contribuinte deixou de apresentar os documentos relativos ao ano calendário de 2003, solicitados por meio do mencionado Termo de Início de Fiscalização (fls. 05/06), e demais Termos de 11/10/2006 (fls. 16/17) e de 26/01/2007 (fls. 135/136), sendo, então, lavrado, em 22/05/2007, o Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 141/142), cientificado em 24/05/2007 (fls. 143). 2.4. Em 04/06/2007, a empresa apresentou os extratos bancários dos bancos acima referenciados. 2.5. O contribuinte foi excluído do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO nº 55 de 15/09/2004 (fls. 104) integrante do processo administrativo nº 19515.001417/200450, cuja cópia encontrase em anexo (fls. 21/130), em razão de ter excedido o limite da receita bruta. 2.6. No processo administrativo nº 19515.001417/200450, a empresa foi intimada em 23/05/2005 (fls. 119) a apresentar Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica e efetuar os pagamentos das obrigações tributárias relativas a pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES no período em que foram entregues declarações simplificadas e/ou realizados recolhimentos com o código 6106. No entanto, o contribuinte entregou a Declaração do anocalendário 2003 como INATIVO. 2.7. A multa de lançamento de ofício foi aplicada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) com fundamento no art. 44, II da Lei nº 9.430/1996 c/c arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, vez que a entrega de declaração de inativo com movimentação financeira importa em ocultação de receitas auferidas e caracteriza sonegação com evidente intuito de fraude. 3. Em decorrência da falta apurada, foram lavrados em 14/08/2007, e cientificados ao contribuinte na mesma data, os seguintes autos de infração: 3.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 172/174): Crédito tributário no valor total de R$ 1.641.228,33 (um milhão, seiscentos e quarenta e um mil, duzentos e vinte e oito reais e trinta e três centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 173/174. 3.2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 179/181): Crédito tributário no valor total de R$ 116.727,65 (cento e dezesseis mil, setecentos e vinte e sete reais e sessenta e cinco centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 181. 3.3. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 186/188): Crédito tributário no valor total de R$ 538.743,96 (quinhentos e trinta e oito mil, setecentos e quarenta e três reais e noventa e seis centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 188. 3.4. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 192/195): Crédito tributário no valor total de R$ 302.416,45 (trezentos e dois mil, quatrocentos e dezesseis reais e quarenta e cinco centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 194/195. DA IMPUGNAÇÃO 4. Inconformada com a presente autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 312/315, acompanhada de documentos de fls. 316/366 (transcrições do art. 535 do RIR/99 e de ementas de decisões do Conselho de Contribuintes, cópias do Termo de Verificação Fiscal, dos Autos de Infração e Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 4 respectivos demonstrativos, do Termo de Encerramento, do Termo de Arrolamento de Bens, da Alteração e Consolidação de Contrato Social, da Carteira de Identidade e do CPF do Sr. Wagner Trindade), alegando em síntese que: 4.1. O procedimento fiscal iniciouse em 18/06/2007 com a solicitação de documentos e informações ao contribuinte, porém, por diversos motivos, o mesmo não conseguiu atender às intimações, sendo, então, utilizados dados da fiscalização anterior para arbitramento do lucro e lavratura do auto de infração referente ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). 4.2. Houve cerceamento de defesa, pois, não teve vista dos documentos que instruem o processo administrativo e que estavam em poder do Fisco, bem como, protesta pela juntada de documentos para a apuração do real fato gerador dos débitos tributários nos termos do Código Tributário Nacional – CTN. 4.3. Em virtude de estar passando por dificuldades financeiras e gerenciais, bem como, por encontrarse em processo de reestruturação administrativa, não conseguiu atender às solicitações feitas pela fiscalização, mas contesta, integralmente, os valores e critérios por ela adotados para o arbitramento. 4.4. A fiscalização não adotou nenhuma das hipóteses estabelecidas no art. 535 do Regulamento do Imposto de Renda para determinação do lucro arbitrado. 4.5. Tendo em vista que a fiscalização havia sido baseada em valores referentes à movimentação bancária apurada em procedimento fiscal anterior, e, como os valores relativos ao anocalendário 2003 não seriam utilizados em eventual autuação naquela ação fiscal, não se preocupou em verificar se os mesmos estavam corretos. Portanto, a atual fiscalização baseouse em valores que o contribuinte não teve a oportunidade de justificar que não se tratavam de receitas omitidas, bem como, que não eram corretos. 4.6. Sua movimentação bancária não pode ser utilizada como base de cálculo para o arbitramento do lucro, ainda que não tenham sido prestados os esclarecimentos solicitados, pois, não é crível que cada movimento bancário seja considerado receita, havendo, assim, dúvidas e polêmicas sobre os valores considerados. Neste sentido, apresenta às fls. 314 decisões do Conselho de Contribuintes. 4.7. Por fim, requer o reconhecimento da abusividade da multa lançada em 150% sobre os tributos considerados devidos, vez que estes foram calculados com base em documentos bancários da impugnante que não estavam escondidos e nem foram objeto de recusa, portanto, não merece a pena máxima. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Devidamente cientificado o sujeito passivo dos termos e documentos integrantes da autuação e sendolhe facultado o fornecimento de cópias dos autos, não há de se cogitar a respeito de cerceamento de defesa. PROTESTO POR NOVAS PROVAS. Indeferese o pedido pela produção posterior de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 5 LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. NÃO APRESENTAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Não trazendo aos autos nada mais que meras alegações, mantémse o lançamento efetuado. MULTA APLICADA. INTUITO DE FRAUDE. AGRAVAMENTO. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício agravada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS/PIS/CSLL. O decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que se originam dos mesmos elementos de prova Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): “(...) Ante o exposto, requer o Recorrente seja o presente Recurso conhecido e provido, reformandose a r. decisão de Primeira Instancia, julgandose improcedente o Auto de Infração objeto do presente recurso, determinando seu arquivamento, pois assim agindo, os ilustres julgadores do CONSELHO DE CONTRIBUINTES, estará praticando um incensurável ato de JUSTIÇA. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, Tratase de auto de infração lavrado para exigência de impostos e contribuições, cujo recolhimento ocorre de forma unificada no Simples (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, INSS), bem como os respectivos acréscimos legais, decorrentes de: I – Omissão de receitas decorrente de depósitos efetuados em contacorrente cuja origem não foi comprovada. O contribuinte foi excluído do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO nº 55 de 15/09/2004 (fls. 104) integrante do processo administrativo nº 19515.001417/200450, cuja cópia encontrase no presente processo (fls. 21/130), em razão de ter excedido o limite da receita bruta. A exclusão foi retroativa ao ano de 2000. No recurso voluntário a contribuinte alega em “preliminar”que: Pois bem, nos termos do art. 29 do decreto 70.235/1972 (PAF), na apreciação das provas a autoridade julgadora pode forma livremente sua convicção, solicitando as perícias e diligencias que entender necessárias. Por sua vez, o art. 16 do mesmo PAF estabelece que essa mesma autoridade pode indeferir, justificadamente os pedidos de diligência ou perícias. No presente caso a exigência fiscal está calcada em omissão de receitas por presunção legal, em face da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários no ano de 2004, que atingiram montante de R$ 3.977.374,73, já expurgados todos os valores referentes a empréstimo contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma titularidade, enquanto o contribuinte apresentou Declaração de Inatividade à Receita Federal. Ao invés de apresentar os elementos de prova ou justificativa da origem desse montante de recursos, ainda que na face recursal, a recorrente busca anular a decisão de primeira instância alegando estar sendo cerceada em sua defesa. Ora, o ônus da prova nesse caso é da contribuinte, que não foi feita, pelo que rejeito a preliminar de nulidade. Frisese que a autuação foi fundamentada, entre outros dispositivos legais, no 42 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 7 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com essa previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Cabe evidenciar que este entendimento é reiterado por todas as turma deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Registrese que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. No que tange às demais alegações da recorrente, vejamos a transcrição dos fundamentos da decisão recorrida: “(...) DOS FATOS 7. Inicialmente, cumpre esclarecer que, ao contrário do alegado pela Impugnante, a fiscalização iniciouse em 05/09/2006, conforme Termo de Início de Fiscalização às fls. 05/06, no qual já constava a intimação para apresentação de documentos relativos ao anocalendário 2003, objeto da presente autuação fiscal, bem como, foram feitas novas intimações para apresentação destes documentos em 11/10/2006 (fls. 16/17) e, em 26/01/2007 (fls. 135/136). 8. Ademais, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168), a autuação teve como base os extratos bancários apresentados pelo contribuinte em 04/06/2007, ou seja, após a ciência, em 24/05/2007, do Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 141/143). Portanto, descabida a alegação de que tenham sido utilizados dados de fiscalização anterior para o arbitramento do lucro. DO SUPOSTO CERCEAMENTO DE DEFESA 9. Também não assiste razão à Impugnante ao alegar cerceamento de defesa em razão da fiscalização, supostamente, não ter disponibilizado os documentos que integram o presente processo administrativo. 10. Da análise dos autos, especialmente do Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168), depreendese que todos os documentos que amparam os referidos autos de infração foram fornecidos pela própria empresa, como por exemplo, seus extratos bancários, ou a ela, devidamente, cientificados. 11. Por outro lado, a legislação vigente faculta ao sujeito passivo o fornecimento de cópias do processo nos termos do §2º do art. 38 da Lei nº 9.250/1995 e do §2º do art. 1.101 do Decreto nº 3.000 de 26/03/1999, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/99): Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 8 Lei nº 9.250/1995: Art. 38. (...) § 2º É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. Decreto nº 3.000/1999: Art. 1.001. (...) §2ºÉ facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 38, §2º). 12. Portanto, caso, de fato, necessitasse ter vistas dos documentos integrantes do presente processo administrativo, bastaria ao sujeito passivo ou a seu mandatário solicitar cópia destes à Secretaria da Receita Federal, não havendo, assim, o que se cogitar a respeito de cerceamento de defesa. 13. Neste sentido, encontramse as decisões do Egrégio Conselho de Contribuintes conforme, por exemplo, parte de ementa a seguir destacada: PAF – CERCEAMENTO DE DEFESA – Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é possibilitado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. (Recurso Voluntário, Proc. nº 10909.001833/200450, Rel. Karem Jureidini Dias, 8ª Câmara, Acórdão 10808940, julgado em 28/07/2006). (g.n.) 14. Contudo, e ainda que não quisesse dispor desta faculdade, caberia à Impugnante apresentar toda documentação relativa aos valores creditados em suas contas bancárias a fim de demonstrar a origem destes créditos que serviram de base para a presente autuação fiscal. 15. Destarte, não é possível reconhecer qualquer cerceamento de defesa, vez que a legislação tributária garante ao sujeito passivo o direito ao contraditório e a ampla defesa. DO PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS 16. No tocante ao protesto pela apresentação posterior de documentos o mesmo deve ser indeferido, senão vejamos: 16.1. O Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, em seus arts. 15 e 16, as seguintes disposições: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 9 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) 16.2. Do exposto acima, concluise que a apresentação de documentos deve ser feita pelo sujeito passivo juntamente com sua impugnação, salvo as exceções, legalmente, previstas, as quais não restaram demonstradas em sua impugnação. 17. Destarte, considerando que a Impugnante não atendeu às exigências contidas nos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/1972 acima destacados, indeferese o protesto pela juntada de documentos com fulcro nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 10 DO MÉRITO 18. Também não é possível acolher as alegações da Impugnante no tocante aos depósitos bancários cujas origens não restaram comprovadas, senão vejamos: 18.1. De acordo com o item 4 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168), a empresa foi excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO nº 55, de 15/09/2004 constante do processo administrativo nº 19515.001417/200450 em anexo (fls. 199/309). A referida exclusão (fls. 281) restou definitiva em razão de a empresa, devidamente notificada da decisão de indeferimento de solicitação de revisão de exclusão (fls. 295 e verso), não ter se manifestado no prazo legal (fls. 298). 18.2. Em virtude da mencionada exclusão do SIMPLES, iniciouse, em 05/09/2006, procedimento de fiscalização junto à empresa, sendo esta intimada a apresentar documentação relativa aos anoscalendário 2001 a 2003 (fls. 05/06). Em 11/10/2006 (fls. 16/17), o contribuinte foi reintimado a apresentar a referida documentação. 18.3. A empresa foi, novamente, intimada em 26/01/2007 (fls. 135/136) a disponibilizar a mencionada documentação. 18.4. No entanto, mais uma vez o contribuinte não se manifestou, sendo, então, lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 141/142) cuja ciência foi feita em 24/05/2007 (fls. 143). 18.5. Em 04/06/2007, a empresa apresentou os extratos bancários do Banco Bradesco S/A e Banco Safra S/A relativos ao anocalendário 2003, sendo, então, intimada, em 21/06/2007, por meio do Termo de Constatação Fiscal (fls. 144/165), a prestar informações, justificações e esclarecimentos por escrito dos valores movimentados nestas instituições financeiras, tendo em vista que, no referido ano calendário, entregou a respectiva Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica de inatividade (fls. 13/15). Ademais, foi alertada de que o não atendimento desta intimação implicaria em arbitramento do lucro e agravamento da multa. 18.6. Contudo, o contribuinte não se pronunciou no prazo concedido, sendo, então, autuado de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168) acima descrito. 18.7. Fazse necessário esclarecer à Impugnante que, em razão do disposto no art. 195, parágrafo único do Código Tributário Nacional – CTN e art. 264 do RIR/99, abaixo transcritos, a empresa tem a obrigação de conservar e exibir à Fiscalização todos os documentos relativos a sua atividade, independentemente, de sua situação financeira, gerencial, administrativa ou de quaisquer outros problemas por ela enfrentados, ressalvada a hipótese prevista no §1º do citado art. 264 que, no entanto, não foi alegada e tampouco demonstrada pela Impugnante: CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 11 ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. RIR/99: Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1ºOcorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2ºA legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3ºOs comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). 18.8. Convém destacar, ainda, que ao contribuinte foi conferida a oportunidade para justificar, por meio de documentação hábil e idônea, a contradição existente entre os valores creditados em suas contas bancárias (fls. 146/164) e sua Declaração de Inatividade (fls. 13/15) relativos ao ano calendário 2003. Portanto, não tendo o contribuinte apresentado os livros e documentos solicitados, mesmo tendo sido intimado por diversas vezes, ou seja, com prazo suficiente, inclusive, para reconstituílos, o Fisco arbitrou, corretamente, o lucro com fulcro no art. 530, III do RIR/99 in verbis: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifos nossos) 18.9. Diante desse fato e, valendose o Fisco da presunção legal estabelecida no art. 42, caput da Lei nº 9.430 de 27/12/1996, abaixo transcrito, foi arbitrado o lucro para a empresa com base na omissão de receita ou rendimento, justamente, em razão de a mesma, devidamente intimada, não ter apresentado documentação hábil e idônea capaz de justificar a origem de seus créditos bancários. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 12 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 18.10. Verificase que a lei estabeleceu uma presunção de omissão de receitas. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que estes recursos representam rendimentos do contribuinte. Neste caso, ocorre a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais. 18.11. A propósito de presunções legais cabe aqui reproduzir o que diz José Luiz Bulhões Pedreira, (JUSTECRJ1979pág. 806), que muito bem representa a doutrina predominante sobre a matéria: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que o negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa), provar que o fato presumido não existe no caso.” 18.12. Este entendimento é reiterado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como fica evidenciado no Acórdão CSRF nº 010.071, de 23/05/1980, da lavra do Conselheiro Urgel Pereira Lopes, do qual se destaca o seguinte trecho: "O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte." 18.13. Como ensina Maria Rita Ferragut, em “Presunções no Direito Tributário”, Dialética, São Paulo, 2001, p. 105, uma prova indireta condutora da mesma “probabilidade fática” da prova direta, in verbis: Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível. 18.14. Evidente que qualquer movimentação financeira retrata um fato patrimonial. O não interesse em demonstrar a origem dessa movimentação implica na sujeição à tributação com fundamento na presunção legal de que a mesma corresponde a uma receita omitida, ou seja, uma aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 13 18.15. Fazse necessário destacar e reiterar que o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, porém, não o fez, permitindo, assim, ao Fisco lançar o crédito tributário aqui discutido, valendose de uma presunção legal de omissão de receitas. 18.16. Nesse contexto, lícita é a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. 18.17. Neste sentido, encontramse as mais recentes decisões do Egrégio Conselho de Contribuintes conforme as seguintes ementas exemplificativas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS – OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, bem como a sua contabilização.ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.LANÇAMENTOS DECORRENTES Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.Recurso Voluntário Negado. (Recurso Voluntário, Proc. nº 10909.000535/200523, Rel. Valmir Sandri, 1ª Câmara, Acórdão 10196542, julgado em 24/01/2008). LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Recurso Negado. (Recurso Voluntário, Proc. nº 13971.002410/200220, Rel. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, 1ª Câmara, Acórdão 10196413, julgado em 07/11/2007). 18.18. Nesta esteira, também se encontra a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, conforme a seguinte ementa exemplificativa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 14 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC nº 105/2001, art. 6º, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá la. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que "É possível a aplicação imediata do art. 6º da LC nº 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, revelase possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1º da Lei nº 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96" (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 15 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou se inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5, em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de “um amigo estrangeiro residente no Líbano” (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: “Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, devese observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. (REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.03.2007, DJ 02.04.2007 p. 242) (g.n.) 18.19. Como visto anteriormente, o arbitramento do lucro teve como base a omissão de receita ou rendimento decorrente dos valores creditados em contas bancárias cujas origens o sujeito passivo não comprovou, sendo estes valores apurados nos extratos bancários fornecidos pela empresa em 04/06/2007 conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168), e não em dados de fiscalização anterior com alega, equivocadamente, a Impugnante. 18.20. Portanto, conhecida a receita (créditos bancários de origem não comprovada), e sendo a empresa prestadora de serviços conforme cláusula terceira de seu contrato social (fls. 361/366), utilizouse o percentual de 38,40% (trinta e dois por cento, acrescidos de vinte por cento) incidente sobre a receita bruta para arbitramento do lucro no termos dos art. 532 c/c art. 519, §1º, III, “a”, e art. 537 do RIR/99 in verbis: Art.532.O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (g.n.) Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. §1ºNas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §1o): (...) IIItrinta e dois por cento, para as atividades de: a)prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Art.537.Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 16 18.21. Conseqüentemente, inaplicável o art. 535 do RIR/99, que trata das formas de arbitramento do lucro quando a receita é desconhecida, o que não ocorre no presente caso: Art.535.O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): (...) (g.n.) 18.22. Nesta esteira, descabida também a alegação da Impugnante de que não se preocupou em apurar a exatidão dos valores e de que não teve a oportunidade de justificálos. Verificase que a empresa foi intimada a justificar, no prazo de 5 (cinco) dias, sua movimentação financeira relativa ao anocalendário 2003, conforme Termo de Constatação de 18/06/2007 entregue ao contribuinte em 21/06/2007 (fls. 144/165). Ademais, gozou do prazo de 30 (trinta) dias para impugnação. No entanto, limitouse a contestar o lançamento sem apresentar quaisquer documentos que pudessem elidilo. 18.23. Cumpre reiterar que, constatada a omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), decorrente de valores creditados em contas bancárias cujas origens não foram comprovadas, o ônus da prova recai sobre o sujeito passivo, que deveria ter apresentado documentação idônea capaz de afastar esta presunção legal, porém, não o fez, permanecendo, assim, inalterado o lançamento. 19. Destarte, concluise que a fiscalização agiu acertadamente ao arbitrar o lucro e ao considerar como receita omitida os créditos bancários cujas origens o sujeito passivo não comprovou por meio de documentação hábil e idônea conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 169/170) e planilhas de fls. 146/164. (...) Uma vez que o contribuinte limitouse a reiterar suas alegações impugnatórias, que a meu ver foram adequadamente enfrentadas pela decisão de 1a. instância, conforme fundamentos acima transcrito, peço vênia para adotálos como razões de decidir. Multa Qualificada Consoante consta dos autos de infração lavrados, foi exigida a multa de ofício no percentual de 150%, de acordo com as disposições do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, posteriormente alterado para art. 44, inciso I, § 1o, na redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001796/200721 Acórdão n.º 140201.107 S1C4T2 Fl. 0 17 Os fatos que motivaram a qualificação da multa foram expressos em item específico do Relatório Fiscal. A fiscalização entendeu corretamente que a infração fiscal restou qualificada na medida em que a Impugnante, mesmo tendo apresentado diversas movimentações bancárias no anocalendário 2003 (fls. 146/164) entregou, para este período, uma Declaração de Inatividade (fls. 13/15), fato que caracteriza sonegação com evidente intuito de fraude conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 166/168). A DRJ manteve a exigência sob o fundamento de que a prática do sujeito passivo, em apresentar declaração fiscal dissociada da realidade, revela sua intenção em ocultar da Administração Tributária os fatos geradores dos tributos em questão, restando caracterizado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, definido nos termos do aludido inciso I do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, sendo corretamente imposta a multa de 150% nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/1996. Não se trata, portanto, de documentos escondidos ou recusados, mas sim, de receitas omitidas. Pois bem, consoante entendimento pacificado nesta Turma, não é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando a exigência é calcada exclusivamente em presunção fiscal, no caso omissão de Receitas com base em depósitos bancários. Isso porque, a fraude não se presume, deve ser provada o que não ocorreu no presente caso. Constatase, pois, a inocorrência de qualquer das hipóteses previstas nos art. 71 a 73 da 4.502/1964. Por certo, a contribuinte apresentou declarações zeradas, fato que poderia ensejar o evidente intuito de fraude, caso a Fiscalização apresentasse prova direta da omissão de receitas, o que repito, não ocorreu no presente caso. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso tão somente para reduzir a multa de oficio para 75%. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10976.000515/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.223
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10976.000515/200800 Resolução n.º 2402000.223 S2C4T2 Fl. 272 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 21/11/2008 para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 01/2003 a 12/2003. A Recorrente apresentou defesa (fls. 156/225) pleiteando pela total improcedência desta autuação. A d. DRJ em Belo Horizonte, ao analisar o processo (fls. 228/232), julgou o lançamento totalmente procedente. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 236/269) alegando que a comparação da presente multa, para fins de retroatividade benigna, deve ser feita de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10976.000515/200800 Resolução n.º 2402000.223 S2C4T2 Fl. 273 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando o processo, verificase que há óbices para a realização do presente julgamento. Da análise das peças que compõem os autos, constatase que as contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP foram objeto de lançamento em notificações próprias, conforme mencionado no Relatório Fiscal (fl. 106), onde se esclarece que “o presente Auto de Infração é correlato aos Autos de Infração AI n. °. 37.035.3048, 37.035.3064 e 37.025.5593”. A Recorrente também menciona em sua impugnação (fls. 157) que há correlação entre os Autos de Infração, requerendo que a presente demanda siga a mesma sorte das demais, in verbis: “2 O presente auto de infração é correlato aos autos de infração n° 37.035.3048, 37.035.3064, contra os quais o Impugnante apresentou defesa. Dessa forma, uma vez cancelado os autos de infração correlatos, seja pela decadência, seja pela não incidência da contribuição previdenciária sobre abonos concedidos por Convenção Coletiva, o presente auto de infração (obrigação acessória) também deve ser cancelado. 3 Isto posto, requer, uma vez cancelados os Autos de Infração nºs 37.035.3048, 37.035.3064, seja cancelado também o presente Auto de Infração”. Conforme informações contidas no PAF nº 10976.000517/200891 (fl. 31 do referido processo): (i) o AI nº 37.035.3048 foi lavrado para exigir crédito tributário correspondente ao não pagamento da contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais; (ii) o AI nº 37.035.3064 busca exigir os valores devidos a título de contribuição da empresa e RAT; e (iii) o AI nº 37.025.5593 visa exigir multa por deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pelo INSS. Este último processo, no entanto, encontrase arquivado, conforme informações obtidas através do site do COMPROT, em consulta realizada em 11/04/2012. Posto isso, entendo que se verifica uma conexão entre os Autos de Infração nº 37.035.3048 e 37.035.3064 e a multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória lavrada no presente processo. Consultando os processos nº 10976.000520/200812 (AI nº 37.035.3048) e 10976.000518/200835 (AI nº 37.035.3064), verificase que ambos estão aguardando sorteio neste Conselho, para posterior julgamento. Em vista disso, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e determino que este processo fique sobrestado neste órgão até que os julgamentos dos processos nº 10976.000520/200812 e 10976.000518/200835 sejam realizados. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10976.000515/200800 Resolução n.º 2402000.223 S2C4T2 Fl. 274 4 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a providência determinada acima seja realizada. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 19647.004253/2005-06
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 3 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 62 a 65): Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, constante do PER/DCOMP nº 18928.04016.140504.1.3.043813 (fls. 01 a 05), apresentado pela contribuinte, para fins de compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, a título de estimativa mensal (código 2362), mês de novembro de 2002, no valor original de R$ 509.324,84, com débitos de: a) CSLL, estimativa de abril de 2004, no valor de R$ 390.991,74 (fl. 04); b) COFINS, período de apuração abril de 2004, no valor de R$ 259.976,34 (fl. 04). Por meio do Despacho Decisório à fl. 12, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife, aprovando proposta contida no Relatório de Informação Fiscal às fls. 08 a 09, NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada mediante PER/DCOMP acima mencionado, DETERMINANDO, ainda, a cobrança do débito cuja compensação declarada foi considerada indevida pela inexistência de crédito. Consta do citado Relatório (fls. 08/09) que, de acordo com o que preceitua o artigo 10 da IN/SRF/nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo do IRPJ. Sendo assim, concluiu a autoridade fiscal que o valor alegado como sendo de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação – DCOMP de natureza de “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR”, para compensação de débitos. A ciência, pela contribuinte, do Despacho Decisório de fl. 12 ocorreu em 27/04/2007, através do Termo de Ciência de fls. 16/17. Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 19 a 31 (juntamente com documentação de fls. 32 a 58), onde, inicialmente, afirma que, em outubro de 2006, recebeu autos de infração de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações (sic), que deram origem ao processo administrativo nº 19647.009690/200699 e que, entre tais infrações, constavam dos itens 6 e 7, respectivamente, “deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas” e “imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e CSLL por estimativa mensal”. Adita que as mencionadas exigências não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa da empresa autuada. Em seguida, a contribuinte alega que, em março de 2007, foi intimada pela DRF/Recife, mediante Relatório de Informação Fiscal, onde os auditores responsáveis informam que tomaram conhecimento da Solução de Consulta Interna nº 18, de 2006, que prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por ocasião da fiscalização e, por essa razão, alguns valores foram excluídos do processo nº 19647.009690/200699, passando a ser tratados em processos específicos e objeto de cobrança espontânea, entre os quais o presente processo de compensação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 4 4 Feitas as considerações acima, a contribuinte se insurge contra a decisão da autoridade administrativa, nos seguintes termos: I – Previsão do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 não tem amparo em lei Segundo a contribuinte, o artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 estabelece restrição à restituição e/ou compensação que a Lei nº 9.430/1996 não prevê. Transcreve, nesse sentido, redação do artigo 74 da citada Lei, dada pela Lei nº 10.637/2002, dispositivo que faculta ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive judicial transitado em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, sua utilização na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo Órgão. Assim, entende que, se foi apurado crédito fiscal, o que ocorre quando há recolhimento indevido ou a maior de tributo, o mesmo pode ser utilizado para compensar seus próprios débitos fiscais. Em seguida, afirma que o mesmo artigo 74, em seu § 3º, prevê os casos em que a compensação não poderia ser realizada e no § 12 estão relacionadas as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada. Entretanto, argumenta, o citado dispositivo não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos, não podendo a Receita Federal criar restrições e proibições não previstas em lei. Alega que o fato de o citado artigo 74 estabelecer, em seu § 14, que cabe à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto no mesmo artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação, não significa permitir restrição ou vedação de direitos, mas apenas estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Com relação ao IRPJ e à CSLL, manifesta seu entendimento de que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido, com base em tais regras, configurase a situação de recolhimento indevido ou a maior. Reportase ao IRRF, argumentando que, como a retenção ocorre independentemente do total do lucro apurado no período (estimado, real ou presumido), poderá ocorrer que o imposto retido supere o valor efetivamente devido com base no lucro apurado. A contribuinte afirma que o artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 não poderia ter estabelecido restrição ao direito de compensação que já não estivesse prevista em lei e que, apenas por tal razão, o Despacho Decisório de fl. 12 deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação declarada. II – Quando das compensações realizadas pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 ainda não existia. A contribuinte afirma que, ainda que o questionamento anterior venha a ser superado, o Despacho Decisório de fl. 12 deve ser reformado, pois, quando da formalização da declaração de compensação, não existia a regra estabelecida no já mencionado artigo 10. Alega que a regra contida no citado artigo é a mesma estabelecida no artigo 10 da IN/SRF nº 460, de 18/10/2004 (mas não contida nas revogadas IN/SRF nº 210/2002 e IN/SRF nº 21/1997, publicadas anteriormente). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 5 5 Prossegue a interessada afirmando que, ao decidir pela não homologação da compensação declarada em 14/07/2004 (fl. 01), portanto, anteriormente à restrição contida nas IN/SRF nº 460/2004 e IN/SRF nº 600/2005 (artigo 10, em ambos os casos), a autoridade administrativa aplicou retroativamente dispositivo restritivo ao direito da empresa, afrontando as disposições contidas no artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal e nos artigos 103, 106 e 146 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), cujas redações se encontram reproduzidas às fls. 24/25. Com as considerações acima, a contribuinte conclui que a aplicação retroativa do artigo 10 da IN/SRF nº 600, pela autoridade administrativa, contraria a legislação tributária, entendendo que tal razão, por si só, já seria suficiente para que fosse reformado o Despacho de fl. 12, homologandose, em decorrência, a compensação declarada mediante PER/DCOMP de fls. 01/05. III – Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de novembro de 2002, recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. A contribuinte afirma que, mesmo que se pudesse discordar de todas as razões expostas acima, haveria mais um motivo para que se desse provimento a sua manifestação de inconformidade, homologandose a compensação realizada. Segundo a interessada, chegase à conclusão, a partir dos termos do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005, de que o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do anocalendário somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, de onde conclui que, no máximo, haveria um problema de inobservância de exercício em que o IRPJ de novembro de 2002, recolhido a maior, transformarseia em saldo negativo de IRPJ, passível de compensação com qualquer tributo, a partir do final do ano de 2002. Em seguida, a contribuinte, sob o argumento de que o Despacho Decisório não contém qualquer fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico (sic), alega que, possivelmente, a DRF/Recife julgasse que, ao final do ano calendário, a contribuinte teria saldo negativo de IRPJ inferior ao declarado e que, portanto, o referido órgão teria concluído, em razão do auto de infração lavrado, constante do processo nº 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte, sucedida pela TIM Nordeste S/A, foi considerada indedutível. Feitas essas considerações, a contribuinte manifesta seu entendimento no sentido de que, se a decisão a ser prolatada nos autos do mencionado processo for pelo cancelamento do auto de infração, o provimento da manifestação de inconformidade no presente processo (19647.004265/200522) será imperativo. IV – Indevida revisão de lançamento. Sob outro enfoque, a contribuinte questiona os termos em que foi efetuada a revisão do lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELPE Celular S/A), constante do processo nº 19647.009690/200699. Segundo a contribuinte, o novo valor total exigido por intermédio dos vinte e cinco despachos decisórios por ela recebidos é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício havida nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/200699. Conclui, dessa forma, ter havido uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado, que não se coaduna com o que estabelecem os artigos 145 a 149 do CTN (redação do artigo 145 e seus incisos, à fl. 28). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 6 6 A contribuinte afirma que, assim agindo, a autoridade administrativa, ao rever seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que uma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Adita que, ao adotar entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil contido na Solução de Consulta Interna nº 18, de 13/10/2006, posterior aos autos de infração lavrados em 09/10/2006, a autoridade administrativa introduz modificação nos critérios jurídicos por ocasião do lançamento, atentando contra o disposto no artigo 146 do CTN, segundo o qual é vedada a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento da exigência fiscal. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja reformado o Despacho Decisório ora contestado, para que a compensação seja integralmente homologada, com base nos argumentos já expostos e sintetizados como a seguir: a) a previsão do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 não tem amparo em lei; b) quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 ainda não existia; c) se a compensação do IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais; d) o Despacho Decisório de fl. 12 é fruto de uma revisão de ofício de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela autoridade administrativa), o que configura violação ao artigo 149 do CTN. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÃO DOS JULGADORES. O julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. IRPJ/CSLL LUCRO REAL ANUAL PAGAMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto ou contribuição social com base em estimativa mensal deve apurar seus resultados ao final do ano calendário, ocasião em que, caso venha a constatar a existência de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, nasce o direito de requerer a restituição do referido saldo ou proceder a sua compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação de regência. INSTRUÇÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO. A orientação contida em instrução normativa se aplica a fatos ocorridos anteriormente a sua vigência quando dispõe sobre procedimento compatível com diploma legal em vigor à época de ocorrência desses fatos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFICÁCIA A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 7 7 Solicitação Indeferida 3. Cientificada da referida decisão, a tempo, reitera a Recorrente os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. O Despacho Decisório de fls. 12 não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 5. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 6. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004253/200506 Acórdão n.º 180301.260 S1TE03 Fl. 9 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13827.003348/2008-42
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 PRELIMINARES - NULIDADE DO LANÇAMENTO E NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Não restando caracterizada nenhuma situação que poderia macular a autuação ou a decisão recorrida pelo vício da nulidade, as preliminares devem ser rejeitadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO CONSIDERADA INDEVIDA E POR COMPENSAÇÃO CONSIDERADA COMO NÃO DECLARADA Conforme o artigo 18 da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos sob exame, deve ser exigida multa isolada quando a compensação realizada pela Contribuinte abranger crédito que não é passível de compensação por expressa disposição legal ou crédito de natureza não tributária (compensação indevida), hipóteses que a lei, em dado momento, passou a designar como compensação não declarada. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA MULTA Somente a partir de 22/01/2007, com a Medida Provisória nº 351, convertida na Lei 11.488/2007, é que a multa de 150% passou a ter como hipótese de incidência a falsidade na declaração de compensação, que abrange a fraude em relação aos créditos oferecidos (fraude no pagamento). Antes disso, o Direito Tributário punia apenas a fraude que buscava dissimular a existência do débito, situação que não se verifica no caso sob exame, porque a Declaração de Compensação configura o próprio reconhecimento do débito pelo Contribuinte. Da mesma forma que não podemos admitir a integração de hipótese por analogia, ampliando o alcance dos artigos 71 a 73 da Lei4.502/1964, também não podemos admitir a aplicação retroativa da Lei
11.488/2007 para alcançar fatos ocorridos nos anos de 2004 e 2005, pelo que
o percentual da multa deve ser reduzido para 75%.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS TAXA
SELIC
Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa
referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos
federais sobre as multas exigidas isoladamente, conforme os ditames do art.
43, parágrafo único, e art. 5º, § 3º, ambos da Lei n° 9.430/96, uma vez que se
coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria Código
Tributário Nacional, art. 161, § 1º.
Numero da decisão: 1802-001.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de 150% para 75%, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 PRELIMINARES - NULIDADE DO LANÇAMENTO E NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Não restando caracterizada nenhuma situação que poderia macular a autuação ou a decisão recorrida pelo vício da nulidade, as preliminares devem ser rejeitadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO CONSIDERADA INDEVIDA E POR COMPENSAÇÃO CONSIDERADA COMO NÃO DECLARADA Conforme o artigo 18 da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos sob exame, deve ser exigida multa isolada quando a compensação realizada pela Contribuinte abranger crédito que não é passível de compensação por expressa disposição legal ou crédito de natureza não tributária (compensação indevida), hipóteses que a lei, em dado momento, passou a designar como compensação não declarada. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA MULTA Somente a partir de 22/01/2007, com a Medida Provisória nº 351, convertida na Lei 11.488/2007, é que a multa de 150% passou a ter como hipótese de incidência a falsidade na declaração de compensação, que abrange a fraude em relação aos créditos oferecidos (fraude no pagamento). Antes disso, o Direito Tributário punia apenas a fraude que buscava dissimular a existência do débito, situação que não se verifica no caso sob exame, porque a Declaração de Compensação configura o próprio reconhecimento do débito pelo Contribuinte. Da mesma forma que não podemos admitir a integração de hipótese por analogia, ampliando o alcance dos artigos 71 a 73 da Lei4.502/1964, também não podemos admitir a aplicação retroativa da Lei 11.488/2007 para alcançar fatos ocorridos nos anos de 2004 e 2005, pelo que o percentual da multa deve ser reduzido para 75%. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS TAXA SELIC Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais sobre as multas exigidas isoladamente, conforme os ditames do art. 43, parágrafo único, e art. 5º, § 3º, ambos da Lei n° 9.430/96, uma vez que se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 PRELIMINARES NULIDADE DO LANÇAMENTO E NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Não restando caracterizada nenhuma situação que poderia macular a autuação ou a decisão recorrida pelo vício da nulidade, as preliminares devem ser rejeitadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO CONSIDERADA INDEVIDA E POR COMPENSAÇÃO CONSIDERADA COMO NÃO DECLARADA Conforme o artigo 18 da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos sob exame, deve ser exigida multa isolada quando a compensação realizada pela Contribuinte abranger crédito que não é passível de compensação por expressa disposição legal ou crédito de natureza não tributária (compensação indevida), hipóteses que a lei, em dado momento, passou a designar como compensação não declarada. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA MULTA Somente a partir de 22/01/2007, com a Medida Provisória nº 351, convertida na Lei 11.488/2007, é que a multa de 150% passou a ter como hipótese de incidência a falsidade na declaração de compensação, que abrange a fraude em relação aos créditos oferecidos (fraude no pagamento). Antes disso, o Direito Tributário punia apenas a fraude que buscava dissimular a existência do débito, situação que não se verifica no caso sob exame, porque a Declaração de Compensação configura o próprio reconhecimento do débito pelo Contribuinte. Da mesma forma que não podemos admitir a integração de hipótese por analogia, ampliando o alcance dos artigos 71 a 73 da Lei Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 199 2 4.502/1964, também não podemos admitir a aplicação retroativa da Lei 11.488/2007 para alcançar fatos ocorridos nos anos de 2004 e 2005, pelo que o percentual da multa deve ser reduzido para 75%. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS TAXA SELIC Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais sobre as multas exigidas isoladamente, conforme os ditames do art. 43, parágrafo único, e art. 5º, § 3º, ambos da Lei n° 9.430/96, uma vez que se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de 150% para 75%, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 200 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que concluiu pela procedência do lançamento para aplicação de Multa Isolada por apresentação indevida de Declarações de Compensação – DCOMP, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Para descrever os fatos que antecederam o recurso sob exame, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1424.176, às fls. 147 a 154: (...) As declarações referentes ao processo nº 15892.000050/2006 61, protocolizadas em 14/10/2004 e 15/10/2004, tiveram os respectivos direitos creditórios indeferidos pelo fato de os créditos nelas contidos não se referirem a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), hipótese vedada pela legislação de regência. A Declaração de Compensação relativa ao processo nº 10166.012902/200572, protocolizada em 22/12/2005, foi considerada não declarada pelo mesmo motivo. 0 crédito, relativo aos processos acima citados, referese a ação trabalhista e seria de propriedade da empresa Benetti Prestadora de Serviços. Segundo a fiscalização, a totalidade do crédito foi distribuída para diversas empresas do mesmo grupo a que pertence a autuada e todas o usaram para tentar compensar tributos e contribuições não pagos. Também não foram apresentadas provas de que aquela empresa fosse detentora de tal crédito. As DCOMP referentes ao processo nº 13873.000032/200681, protocolizadas em 09/01/2004 e 13/05/2004, tiveram os respectivos direitos creditórios indeferidos pelo fato de os créditos nelas contidos não se referirem a tributos administrados pela RFB e a ação judicial da qual o crédito advém não haver transitado em julgado. A multa foi agravada porquanto os autuantes consideraram que a contribuinte ao utilizar de forma reiterada, para compensação com débitos tributários, créditos vedados pela legislação, teria demonstrado “intuito de fraudar a fiscalização”. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, pois o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 7 a 13, cita a Lei nº 11.488, de 2007, que é posterior à ocorrência do fato gerador, e também os arts. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sem esclarecer qual a redação destes. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 201 4 Assim, restariam dúvidas sobre se a Lei nº 11.051, de 2004, mencionada no auto de infração, que foi publicada em 30/12/2004, foi aplicada aos fatos geradores ocorridos em 2004; se a Lei nº 11.488, de 2007, foi, de fato, aplicada; e sobre qual a redação utilizada do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, se as dadas pelas Leis nºs 11.051, de 2004, e 11.196, de 2005, mencionadas no auto de infração, ou a prescrita pela Lei nº 11.488, de 2007, citada no referido termo. Quanto ao mérito, alega que, como a autuada adquiriu os créditos da empresa Benetti, conforme escritura pública, a falsidade, pelo fato alegado pela fiscalização de não ser detentora de tal crédito, seria dessa empresa, e não da impugnante. Assim, não haveria falsidade, mas apenas erro de direito, pois as declarações não contêm informações falsas, somente pretendeu compensar créditos que não teriam amparo para tanto. Em relação aos créditos de R$ 83.907,47 e R$ 65.255,69, compensados em 09/01/2004 e 13/05/2004, alega que não entende .a distinção feita pela fiscalização já que se encontram na mesma situação dos demais. Argumenta que o conceito de declaração não compensada pelo fato de se compensar débitos com créditos de terceiros ou decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado ou ainda que não se refiram a tributos administrados pela RFB somente foi criado pela Lei nº 11.051, de 2004, publicada em 30/12/2004, assim não poderia ser aplicada às compensações efetuadas antes disso. Quanto ao agravamento da multa para 150%, argumenta que não houve fraude, que é, de acordo com o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, retardar ou impedir a ocorrência do fato gerador, portanto a fraude não poderia ocorrer pela extinção do tributo pela compensação. O mesmo se pode dizer do fato de se utilizar créditos de natureza nãotributária, conforme acórdãos do Conselho de Contribuintes que transcreve. Portanto, teria ocorrido apenas falha na compensação e não conduta fraudulenta. Em relação à conduta reiterada, alegada pela fiscalização, argumenta que tal fato não constitui fraude, conforme acórdão do Conselho que cita. Quanto à incidência de juros sobre o montante lançado, implícita no auto de infração, argúi que não há amparo legal para exigência da taxa do Selic sobre multa de oficio, conforme acórdãos do Conselho que cita. Em relação à distribuição do crédito da empresa Benetti, esclarece que o termo de verificação deixa a impressão de que todos os adquirentes compensaram o mesmo crédito, o que não seria verdade. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 202 5 Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou procedente o lançamento da multa isolada, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, as diferenças apuradas decorrentes de compensação considerada não declarada pela legislação de regência. DCOMP. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS NÃO TRIBUTÁRIOS. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de oficio, as diferenças apuradas decorrentes de compensação nas quais se utiliza créditos vedados pela legislação de regência. DCOMP. MULTA ISOLADA. AGRAVAMENTO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada agravada quando resta comprovado o evidente intuito de fraude na apresentação de Declaração de Compensação. JUROS MORATÓRIOS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Somente sofre acréscimo de juros de mora a multa isolada se paga após mais de trinta dias da ciência da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. Lançamento Procedente Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento esclareceu que o auto de infração indica como enquadramento legal o art. 18 da Lei 10.833/2003, com a redação original, e esse mesmo artigo com as redações dadas pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005. Assim, concluiu que o lançamento da multa isolada foi corretamente embasado, pois parte das DCOMP foi apresentada em 2004, na vigência da redação original do indigitado art. 18 da Lei 10.833/2003 (originada com a MP nº 135/2003). Registrou também que as demais DCOMP foram apresentadas em 2005, que nesse período o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 era aplicado com as redações dadas pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, que tais leis estavam vigentes quando da apresentação dessas declarações, e que em todas as redações o art. 18 remetia aos incisos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação original, também vigente nesse período. Consignou ainda que o fato de constar no Termo de Verificação o art. 18 da Lei 10.833/2003 e o art. 44 da Lei 9.430/1996 com as redações dadas pela Lei 11.488/2007, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, primeiramente porque no auto de infração consta a indicação das normas vigentes à época dos fatos, e, em segundo lugar, porque a autuada, ao chamar a atenção para esse aspecto em sua impugnação, demonstrou conhecer as Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 203 6 alterações das leis e suas vigências e, com isso, que pode exercer seu direito de defesa plenamente, como de fato o fez em sua peça impugnatória. Afirmou que mesmo considerando a redação dada pela Lei 11.488/2007, o resultado seria o mesmo, pois caberia a aplicação da multa isolada pelo fato de a compensação ter sido considerada não declarada, e a multa, segundo entendimento da fiscalização, deveria ser duplicada em virtude de constatação de fraude. Em relação à caracterização da fraude, a DRJ teceu comentários sobre a conduta adotada pela Contribuinte, concluindo que não havia reparos a se fazer na qualificação da multa, eis que a atuação da impugnante poderia ser enquadrada no art. 72 da Lei n 0 4.502, de 1964. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/07/2009, a Contribuinte apresentou em 24/07/2009 o recurso voluntário de fls. 164 a 184, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos abaixo. PRELIMINARMENTE O CERCEAMENTO DA DEFESA: as “razões” para o não acolhimento da preliminar de cerceamento de defesa apresenta expresso reconhecimento de que o enquadramento legal está incorreto; o Termo de Verificação Fiscal emprega as redações legais da Lei 11.488/2007, portanto o Auto reconhece expressamente que aplicou legislação de 2007; a alegação do r. Acórdão de que qualquer que fosse a legislação aplicada o resultado aritmético seria o mesmo, não tem qualquer respaldo jurídico/legal; o incorreto enquadramento legal é infração ao inciso IV do art. 10 do Dec. n. 70.235/72; se a jurisprudência não é vinculante, a Lei (inciso IV, do art. 10, do Processo Administrativo Fiscal) o é, e o r.Acórdão recorrido não “ousou” dizer que tal inciso não foi desrespeitado. NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS: com a Impugnação foi dito expressamente que “...a reiteração de determinada conduta, por si, não caracteriza fraude...”, e citouse Acórdão favorável; a alegação genérica de que a jurisprudência citada não é vinculante, não pode ser entendida como apreciação/análise/enfrentamento do argumento de que “a reiteração de determinada conduta, por si, não caracteriza fraude”; a “reiteração” foi considerada o motivo para majoração da multa. Sendo assim, é elementar que deve ser minuciosamente analisado o argumento de que “reiteração” não caracteriza fraude, o que não foi feito; Fl. 214DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 204 7 há jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes (hoje CARF) com referencia à nulidade de Decisões que não analisam/ apreciam/enfrentam todos os argumentos da Impugnação (ementas transcritas); a determinação legal de que a decisão deve referirse, expressamente, “às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” é justamente para que não se cerceie a defesa que é o que ocorre quando o Julgador não analisa os argumentos apresentados; portanto, toda e qualquer justificativa para não se rebater, um a um, todos os argumentos suscitados pela impugnação (e pelo recurso) é desobediência à expressa determinação da Lei; não basta referirse às razões da impugnação, é preciso que na decisão as questões sejam “...tratadas com argumentação suficiente para que fiquem visíveis os argumentos de decidir, até para garantir o amplo direito de defesa...”; o r. Acórdão recorrido não justificou o entendimento de que “reiteração” é fraude. MÉRITO A “FALSIDADE”: o Acórdão recorrido assinala que a então Impugnante “perdeu tempo” referindose à falsidade, já que esse não foi o motivo da autuação; essa “perda de tempo” é decorrente exatamente do incorreto enquadramento legal, e onde também reside o cerceamento da defesa: a Autuada “perdeu tempo” com alegações que não seriam apreciadas por não cabíveis, mas que foi levada a fazêlas face ao enquadramento dado, enquanto que deixou de fazer alegações que lhe seriam úteis. Tudo conseqüência, insistase, do incorreto enquadramento legal. A “FRAUDE”: viuse que a fiscalização considera que houve fraude à vista da “reiteração” da conduta; vêse no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 2 do mesmo) que os créditos foram adquiridos por quatro empresas do mesmo grupo: a de que trata o presente, a “Expresso”, a “Empresa”, e a “RKT”; no processo da “Expresso” (Acórdão nº 1423.964, dessa 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto) e da “Empresa” (Acórdão n. 1423.963, também dessa 4ª Turma) a multa aplicada foi reduzida à metade pela inexistência de “reiteração” como pretendeu a fiscalização. O processo da “RKT” ainda não foi julgado; temos, então, que o fato isolado (não reiteração) não constitui fraude; ora, um fato que isoladamente não constitui fraude, por mais que se repita o conjunto não será fraudulento. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 205 8 A “REITERAÇÃO”: a Recorrente apresentou compensação em jan/04, mai/04, out/04 e dez/05; não faz sentido falar em uma “reiteração” que “mostra intenção de fraudar o Fisco”; as compensações foram apresentadas com dois intervalos de cinco meses e um de quatorze meses. É “forçado” falar em “reiteração”; além disso, as declarações de compensação são revistas pela Receita e, assim, crédito que a mesma considera inutilizáveis não serão utilizados, o que torna impraticável a efetivação de fraude. EXCLUSÃO/MODIFICAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS DA OBRIGAÇÃO: o r. Acórdão pretende, inovando no feito, caracterizar fraude pela exclusão/modificação de características essenciais da obrigação, “de modo a reduzir o montante do imposto devido, e evitar ou diferir seu pagamento” ; evidentemente, não pode o r. Acórdão, inovando, “descobrir” outro tipo de fraude. Tratarseia de supressão de instância, o que não é admissível; no entanto, o próprio r. Acórdão não “acredita” na “nova fraude”. Ao usar a expressão “...não deixa de ser uma modificação da obrigação...”, fica claro que se está usando a analogia para se criar outro “tipo” de fraude, o que também não é admissível. A JURISPRUDÊNCIA E A FRAUDE: embora não tenham eficácia normativa, e portanto não sejam consideradas normas complementares, a menção das decisões dos órgãos coletivos de jurisdição administrativa pelo CTN, art. 100, demonstra a importância dos Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes (hoje CARF); ao invocar Acórdão, quem o invoca está adotando seus argumentos, e portanto, tais argumentos devem ser analisados; não poderia o r. Acórdão ora recorrido deixar de analisar os Acórdãos mencionados. Obviamente, poderia até não adotar a mesma decisão, mas deve esclarecer o porquê, sob pena de configurarse cerceamento da defesa, que foi o caso; não se diga que no julgamento em contrário está implícito o conhecimento e a discordância do Acórdão; o não esclarecimento das razões do julgamento em contrário impede o Impugnante de rebater tais razões, ou mesmo concordar com elas. Insistase: a jurisprudência não pode ser desprezada; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 206 9 OS JUROS DE MORA: não deve incidir juros moratórios sobre a multa isolada, em qualquer época, conforme demonstrado com a Impugnação; o r. Acórdão limitase a dizer que os juros só incidirão “...se pagos mais de trinta dias da ciência da decisão administrativa da qual não caiba recurso, a teor do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996”; reiterase aqui todas as alegações da Impugnação, assim como a jurisprudência citada, jurisprudência que, embora não vinculante, deve orientar os órgãos julgadores como fonte do direito que é. CONCLUSÃO: a ação fiscal é nula face ao incorreto enquadramento legal, o que cerceou a defesa; o Auto de Infração é expresso em dizer que aplicou legislação de 2007, o que é inadmissível, ainda que o “resultado aritmético” seja o mesmo; o r. Acórdão ora recorrido é nulo por não apreciar argumento de relevância para a decisão; para o agravamento da multa, a fiscalização não justificou/caracterizou/ comprovou o “evidente intuito de fraude”; o presente recurso dever ser julgado procedente, o que se requer. Este é o Relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 207 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, este processo tem por objeto a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei 10.833/2003, motivada pela apresentação indevida de Declarações de Compensação – DCOMP. As referidas DCOMP foram apresentadas em 09/01/2004, 13/05/2004, 14/10/2004, 15/10/2004 e 22/12/2005. O Termo de Verificação Fiscal indica que os créditos utilizados nas Declarações apresentadas em janeiro e maio de 2004 seriam créditos de terceiros, os quais não se referiam a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, e cuja ação judicial que lhes dava origem não havia transitado em julgado. Para as DCOMP de outubro de 2004, o TVF informa que também foram utilizados créditos de terceiros e de natureza não tributária (crédito trabalhista). O mesmo teria ocorrido com a DCOMP de dezembro de 2005, que foi considerada como “compensação não declarada”. Em seu recurso, a Contribuinte suscita duas preliminares: a nulidade do auto de infração, por erro de enquadramento legal; e a nulidade da decisão de primeira instância, por falta de apreciação de argumentos da impugnação. PRELIMINARES NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Quanto à primeira preliminar, é importante registrar que o art. 18 da Lei 10.833/2003 sofreu sucessivas alterações ao longo do tempo. Já restou esclarecido na decisão de primeira instância que o auto de infração fez menção ao art. 18 da Lei 10.833/2003, em sua versão original, e também a esse mesmo dispositivo com as alterações promovidas pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005. O Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, mencionou o mesmo art. 18, mas com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. O problema do enquadramento legal suscitado pela Recorrente reside justamente aí, ou seja, na identificação correta do texto legal aplicável ao caso. A Delegacia de Julgamento rejeitou a alegação de nulidade por erro de enquadramento e pelo cerceamento de defesa que dele teria decorrido, primeiramente porque no auto de infração consta a indicação das normas vigentes à época dos fatos, e, em segundo Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 208 11 lugar, porque a autuada demonstrou conhecer as sucessivas alterações no referido dispositivo legal, de modo que pôde exercer plenamente o seu direito de defesa, como de fato o fez. De acordo com o art. 59 do Decreto 70.235/1972 – PAF, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Desde logo, é preciso registrar que as nulidades do Ato Administrativo de Lançamento não se resumem às hipóteses do referido art. 59. Há outras situações que podem viciar o lançamento, como é o caso da utilização de prova ilícita, ou da inobservância de requisitos formais estabelecidos em lei para a sua prática. Mas em relação a estes outros aspectos, ao examinar as questões de nulidade, é sempre importante analisar qual a repercussão e a gravidade do vício. Isto porque os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (nesse caso, o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas. Nesse sentido, o Decreto nº 70.235/1972 – PAF indica os aspectos mais caros ao procedimento/processo fiscal, quais sejam, a competência da autoridade administrativa e o direito de defesa dos contribuintes, para em seguida estabelecer que outras irregularidades não importarão em nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A Jurisprudência Administrativa também é pacífica em afirmar que os problemas relativos à capitulação legal, desde que o fato esteja perfeitamente descrito, não comprometem o ato de lançamento. No caso sob exame, nem mesmo houve erro de capitulação, porque se trata do mesmo art. 18 da Lei 10.833/2003. O que ocorreu foi a transcrição no TVF do texto legal dado pela Lei 11.488/2007, enquanto que o auto de infração fazia referência aos textos vigentes à época dos fatos (2004 e 2005). Para melhor visualizar o problema, é necessário transcrever as várias e sucessivas redações do art. 18 da Lei 10.833/2003, até porque retornaremos a elas na análise do mérito: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 209 12 Lei 10.833, de 29/12/2003 – redação original Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Lei 11.051, de 29/12/2004 Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (NR) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 210 13 Lei 11.196, de 21/11/2005 Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18 . ........................................................................................ ........................................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo.” (NR) Lei 11.488, de 15/06/2007 Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 211 14 o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” (NR) A observação das várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003, evidencia que desde o início há um núcleo que não se alterou até os dias de hoje. O fato é que o legislador, logo após modificar toda a sistemática para a compensação de tributos federais, mediante as alterações promovidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, estabeleceu pelo art. 18 da Lei 10.833/2003 multa isolada para as hipóteses em que o crédito ou o débito envolvido no encontro de contas não era passível de compensação por expressa disposição legal; em que o crédito era de natureza não tributária; ou em que ficasse caracterizada a prática de fraude. Para o caso concreto, vale registrar que o art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) só admite a compensação de débitos com créditos próprios, e desde que estes créditos sejam relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. Quanto a esse aspecto, as várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003 em nada alteraram os pressupostos para a aplicação da multa isolada em questão. Oportuno registrar que os créditos de terceiros e os créditos que não correspondam a tributos administrados pela Receita Federal constam exatamente entre as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/1996 (incluído pela Lei 11.051/2004), situações em que a compensação passou a ser designada como “não declarada”. Tais hipóteses, para as quais o legislador previu a multa isolada desde a redação original da Lei 10.833/2003, apenas foram retiradas do caput do art. 18 desta lei e passaram a constar do § 4º deste mesmo dispositivo, eis que, como dito acima, estão exatamente entre aquelas que a lei passou a designar como “compensação não declarada” . Foi exatamente por isso que a Delegacia de Julgamento concluiu que, neste caso, as diferentes redações legais em nada afetariam o resultado, porque a redação do referido art. 18 dado pela Lei 11.488/2007 também prevê a multa isolada para as hipóteses acima mencionadas, da mesma forma que a redação original deste dispositivo previa. Com efeito, a compensação com créditos de terceiros, com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal, e até mesmo com crédito embasado em decisão judicial não transitada em julgado (hipótese de compensação que é expressamente vedada desde a Lei Complementar nº 104/2001), enseja a aplicação da multa isolada em questão, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Para esses casos, a norma que se extrai do texto legal é exatamente a mesma, e não podemos confundir a norma com o texto que a veicula. Nesse caso, as meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para caracterizar o alegado erro no enquadramento, e muito menos o cerceamento do direito de defesa. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 212 15 Nestes termos, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Em sede de preliminar, a Recorrente também alega que a decisão recorrida não apreciou devidamente o argumento de que “a reiteração de determinada conduta, por si, não caracteriza fraude”. No seu entendimento, se um fato isoladamente não constitui fraude, por mais que ele se repita, o conjunto destes fatos também não será fraudulento. Ainda segundo ela, a alegação genérica contida na decisão de primeira instância, no sentido de que a jurisprudência citada na impugnação não é vinculante, não pode ser entendida como apreciação, análise e enfrentamento do referido argumento. Quanto a esse ponto, cabe transcrever os fundamentos da decisão recorrida: (...) Com relação ao agravamento da multa, primeiramente há que se transcrever os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, verbis: (...) Os autuantes aplicaram a multa agravada porque a contribuinte utilizou créditos vedados pela legislação para compensação com débitos tributários, considerando que “a utilização reiterada de suposto crédito de natureza não tributária...” “...mostra a intenção de fraudar o Fisco” (grifei). A autuada alega que, de acordo com a lei acima, o conceito de fraude se refere à omissão dolosa relativa à ocorrência do fato gerador, não estando relacionada à compensação, e a reiteração por si só não caracterizaria a fraude, apenas falha na compensação. Tal alegação não pode se sustentar, pois o legislador, ao colocar como hipótese de ocorrência da fraude definida na Lei nº 4.502, de 1964, os casos de compensação considerada não declarada, indica que a inferência da fiscalização — de que ocorreu a fraude prevista nessa lei — não é infundada, porquanto não teria sentido constar determinada remissão em um texto legal se os artigos nele citados não se aplicassem ao caso previsto na própria lei que fez a remissão. Corroborando a conclusão acima o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, considera também fraude “excluir ou modificar as características essenciais” da obrigação tributária principal Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 213 16 “de modo a reduzir o montante do impôsto (sic) devido, a evitar ou diferir o seu pagamento”. Assim, o fato de se compensar um tributo de forma irregular não deixa de ser uma modificação da obrigação tributária principal, tendente a reduzir ou a evitar seu pagamento. Como a contribuinte, por meio da apresentação de várias Declarações de Compensação, em diversos períodos, utilizou créditos referentes a tributos não administrados pela RFB e, em alguns casos, relativos a ação judicial não transitada em julgado, hipóteses expressamente vedadas pela legislação de regência, os autuantes consideraram que a autuada agiu com intuito de fraudar a fiscalização, reduzindo ou evitando o pagamento de vários tributos de forma irregular e reiterada. Portanto, não há reparos a se fazer quanto ao agravamento da multa, pois, como acima exposto, a atuação da impugnante pode ser enquadrada no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Não constato a alegada omissão na decisão recorrida. Não verifico em seus fundamentos apenas uma alegação genérica de que a jurisprudência citada na impugnação não é vinculante. Ao contrário, a Delegacia de Julgamento apresentou argumentos tanto sobre o enquadramento da conduta da Contribuinte na hipótese do art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (elemento material objetivo), quanto sobre a reiteração desta conduta (aspecto subjetivo dolo). Em relação à questão da reiteração da conduta, cabe consignar que resta cada vez mais superada, no âmbito das relações jurídicotributárias, a idéia de que, para a qualificação das multas, deve haver necessariamente uma prova material (documental) do dolo, até porque, dada a sua natureza, isto nem sempre é possível. Como elemento subjetivo do tipo, o Dolo é a consciência e a vontade de o agente realizar a conduta que está descrita em cada um dos tipos legais. E como vontade e consciência, jamais estará colado ao próprio fato que está sendo taxado como infração ou delito, ao contrário, o Dolo é sempre revelado no contexto geral dos fatos, ou seja, nos elementos que circundam o ocorrido. Por isso é que a reiteração da conduta tem sido considerada em muitos casos como elemento revelador do dolo, eis que ela afasta a possibilidade de erro não intencional: COFINS EXERCÍCIOS: 2000 a 2002 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. DECLARAÇÃO ABAIXO DO VALOR DA RECEITA EM PERÍODOS SEGUIDOS. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada, e seus motivos simulatórios. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, no que couber, aos lançamentos Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 214 17 decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (1ª Turma da CSRF, Acórdão nº 910100509, de 10/01/2010) Ementa: MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos, de forma reiterada, com valores significativamente menores do que o apurado e com valores distintos das declarações entregues ao fisco estadual, legitima a aplicação da multa qualificada. (1ª Turma da CSRF, Acórdão nº 910100156, de 15/06/2009) Esse é o sentido da decisão recorrida, cujas conclusões tem origem na convicção do julgador diante dos fatos narrados nos autos. O fato é que não há um critério previamente definido e objetivo para se caracterizar a reiteração de uma determinada conduta. Já os fundamentos da decisão recorrida relativamente à tipificação material da conduta da Contribuinte nesse caso concreto (independentemente da reiteração), para fins de aplicação da qualificadora, dizem respeito ao processo de subsunção do fato à norma, e, como tal, configuram matéria de mérito, onde serão melhor analisados. Mas a nulidade alegada não está presente. Assim, também rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. MÉRITO Quanto ao mérito, todos os argumentos da Contribuinte são no sentido de contestar a fraude que lhe foi imputada. Já sustentamos no tópico das preliminares que a compensação com créditos de terceiros e com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (hipóteses que não são admitidas pelo art. 74 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.637/2002), e também com crédito embasado em decisão judicial não transitada em julgado (hipótese que é vedada desde a Lei Complementar nº 104/2001), enseja a aplicação de multa isolada desde a redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, fato que não foi modificado com as sucessivas alterações na redação deste dispositivo. Cabível, portanto, a multa isolada, já que os créditos utilizados nas DCOMP enquadramse nas hipóteses acima. A questão é se esta multa deve ser aplicada no percentual normal (75%), ou se estão presentes os pressupostos da qualificadora (150%), no caso, a fraude. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 215 18 Apesar da ressalva acima, no sentido de que a reiteração de uma conduta pode perfeitamente revelar o dolo/intenção do agente (elemento subjetivo), divirjo da decisão recorrida, nesse caso concreto, quanto à tipificação legal da conduta em si, no aspecto de sua materialidade, para fins de qualificação da penalidade. A meu ver, o fato de a Contribuinte apresentar DCOMP com crédito que manifestamente não pode ser utilizado em procedimento de compensação, revela conduta compatível com a multa qualificada, principalmente num contexto normativo em que a compensação declarada à Receita Federal adquiriu relevantes efeitos favoráveis aos contribuintes, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória. Mas apesar deste entendimento, penso que há um problema de tipicidade a ser enfrentado, e que está muito bem traduzido na ementa abaixo: MULTA QUALIFICADA – COMPENSAÇÃO – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – INOCORRÊNCIA – A compensação indevida de débitos declarados com créditos de terceiros decorrentes de ação trabalhista não caracteriza fraude, pois não impede ou retarda a ocorrência de fato gerador, nem, tampouco, modifica ou exclui as características do tributo devido, vez que é próprio da sua natureza extinguir o crédito tributário sob condição resolutiva da sua posterior homologação, sem qualquer interferência no fato gerador da obrigação, cuja ocorrência, aliás, é expressamente confessada. Recurso provido. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007. (Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.142, de 08/08/2007) A Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF também já tratou desse assunto no Acórdão CSRF/0202.735, de 02/07/2007, cuja ementa e voto condutor trazem informações esclarecedoras: Ementa:MULTA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. A declaração de compensação de débito tributário do contribuinte com créditos de natureza não tributária não configura o evidente intuito de fraude por absoluta inépcia do meio empregado pelo contribuinte. Recurso especial negado. (...) Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator (...) Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 216 19 A questão, portanto, está em saber se na conduta de informar à repartição fiscal uma compensação de tributo com créditos de natureza não tributária está presente uma das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O conluio, conduta prevista no art. 73 da Lei nº 4.502/64, está excluída de plano desta análise, pois exige o ajuste doloso entre dois sujeitos e neste caso específico as declarações foram apresentadas individualmente pelo contribuinte à repartição. A sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64 também não restou configurada, pois com a apresentação das declarações o contribuinte não impediu e nem retardou o conhecimento da ocorrência do fato gerador e nem as suas condições pessoais susceptíveis de afetar a obrigação tributária correspondente. Da mesma forma, também não restou caracterizada a fraude tal como definida no art. 72 da Lei nº 4.502/64, pois ao apresentar as declarações informando a compensação de tributo com créditos de natureza não tributária, o contribuinte não impediu e nem retardou a ocorrência do fato gerador e tampouco excluiu ou modificou suas características essenciais de modo a reduzir ou diferir o imposto devido. Houve redução de tributo, porque foi declarada uma compensação, mas esta redução não foi decorrente da exclusão ou da modificação de características essenciais do fato gerador da obrigação. O fato gerador ocorreu com todas as suas características e a sua dimensão econômica foi declarada à repartição fiscal, porém, foi vinculada a um crédito de natureza não tributária. É importante reproduzir os artigos da Lei 4.502/1964, onde estão descritas as condutas normalmente sujeitas à multa qualificada: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 217 20 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (grifos acrescidos) Constatase que as condutas acima descritas estão sempre voltadas para o fato gerador da obrigação tributária, seja quando o Contribuinte busca impedir que a Autoridade Fazendária dele tome conhecimento, ou quando altera as suas características essenciais. O art. 18 da Lei 10.833/2003, por sua vez, ao tomar de empréstimo esses tipos legais, em todos os seus elementos, também acabou prevendo a multa qualificada para as fraudes que envolvam o fato gerador da obrigação tributária. Ocorre que no caso sob exame não houve nenhuma fraude relacionada a fato gerador de obrigação tributária, muito menos no que diz respeito ao seu conhecimento por parte da Autoridade Fazendária, ou às suas características essenciais. Ao contrário disso, os débitos a serem quitados pela via da compensação foram expressamente reconhecidos pela Contribuinte perante a Receita Federal. No caso, a conduta da Contribuinte que poderia ser merecedora de punição se deu em relação à “moeda” oferecida para a quitação dos débitos, situação que é bastante distinta daquelas previstas na Lei 4.502/1964. E se o aplicador da norma tributária não pode fazer uso da analogia para exigir tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º, do CTN), menos ainda pode fazêlo para aplicar penalidades. Simplesmente não havia punição para a fraude no pagamento, situação que somente foi modificada com a Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que deu nova redação ao art. 18 da Lei 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 218 21 § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) Portanto, somente a partir de 22/01/2007 é que passou a ser prevista a multa de 150% para a fraude em relação à “moeda” oferecida, ou seja, a fraude no pagamento. Antes disso, o Direito Tributário punia apenas a fraude que buscava dissimular a existência do próprio débito. Foi exatamente por isso que o legislador modificou a lei. Nesse sentido, é interessante observar que o novo texto não fez mais qualquer menção à Lei 4.502/1964, evidenciando que o legislador, realmente, criou uma nova hipótese para a aplicação da multa de 150%. Contudo, da mesma forma que não podermos admitir a integração de hipótese por analogia, ampliando o alcance dos dispositivos da Lei 4.502/1964, também não podemos admitir a aplicação retroativa da Lei 11.488/2007 para alcançar fatos ocorridos nos anos de 2004 e 2005, pelo que o percentual da multa deve ser reduzido para 75%. JUROS SELIC Quanto aos juros, cabe mencionar que toda a jurisprudência colacionada pela Contribuinte em sua impugnação, e reiterada no recurso voluntário, diz respeito à multa de ofício que é exigida juntamente com tributo. Essa matéria realmente é objeto de controvérsias. Para alguns, deveriam incidir sobre este tipo de multa os juros Selic; para outros, os juros de 1% previstos no Código Tributário Nacional; e para outros, nem mesmo haveria a incidência de juros, em razão do texto legal vigente. Mas toda essa polêmica existe em relação à multa que é cobrada juntamente com os tributos. Para o caso de multa isolada, que é o objeto destes autos, o parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/1996 é taxativo ao determinar a incidência dos juros Selic: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13827.003348/200842 Acórdão n.º 180201.215 S1TE02 Fl. 219 22 do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430/1996, por sua vez, estabeleceu que: § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. E o art. 161, “caput”, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora...”, e no seu parágrafo primeiro determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Assim, como a Lei 9.430/1996 dispôs de modo diverso, incumbe a esse órgão julgador cumprir a norma legal que se encontra em pleno vigor, sem prejuízo da jurisprudência apresentada pela Recorrente, que não se aplica ao caso. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade, e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa isolada de 150% para 75%. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13878.000132/2002-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/1992 a 31/03/1996
Ementa: PASEP. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral.
Recurso do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-001.904
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Recurso do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido, no qual, por sua vez, foi adotado o relatório da DRJ: No dia 10/06/2002 a PREFEITURA MUNICIPAL DE CERQUILHO, já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS/Pasep, relativo a pagamentos efetuados no período de 12/05/1992 a 10/04/1996, alegando inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. A DRF em Sorocaba SP, em sede de preliminar, declarou decaído o direito de a recorrente pleitear a restituição e não conheceu do mérito do pedido, nos termos da decisão de fl. 511 (arts. 150, § 1º, 156; 165,1; e 168, I, todos do CTN). 1 ‘No uso da competência delegada pela Portaria DRF SOROCABA/GB Nº 079/01, de 31 de outubro de 2001, DECIDO DECLARAR PRELIMINARMENTE DECAÍDO o direito do contribuinte de pleitear a restituição aqui analisada, NÃO CONHECENDO do pedido em seu mérito, pelos motivos aqui expostos’. (grifos do original) Ciente da decisão, a Prefeitura interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 55/78, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão DRJ/RPO nº 9.917, de 16/11/2005, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/02/1992 a 10/04/1996 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA A decadência do direito de se pleitear restituição e/ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei, posteriormente, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1992 a 31/03/1996 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13878.000132/200234 Acórdão n.º 930301.904 CSRFT3 Fl. 186 3 Ementa: BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Considerase ocorrido o fato gerador da contribuição para o Pasep com a apuração do faturamento mensal, situação necessária e suficiente para que seja devida a contribuição. Solicitação Indeferida’. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 30/01/2006, conforme AR de fl. 93, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 17/02/2006, o recurso voluntário de fls. 95/131, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 preliminarmente, ocorreu erro material na decisão recorrida ao indicar o período de apuração de março de 1992 a março de 1996, quando o correto é agosto de 1992 a março de 1996, conforme consta na planilha de fls. 05/06; 2 decai em 10 (dez) anos (5+5) o direito de pleitear a restituição do Pasep, tributo lançado por homologação. Ao caso em tela não se aplica a Lei Complementar nº 118/2005; 3 para o período objeto do pedido a base de cálculo do Pasep é a receita do sexto mês anterior, sem correção (art. 14 do Decreto Lei nº 71.618/72). A planilha apresentada está de acordo com a legislação vigente à época dos pagamentos; 4 devem ser homologadas as compensações antecipadas do crédito lançado no pedido de restituição, com parcelas do próprio PIS/Pasep, como lhe garante a legislação; e 5 o recurso voluntário contempla tanto o direito creditório quanto o direito compensatório consignado em Declaração de Compensação. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 20/11/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos fl. 133. A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1992 a 31/03/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. Recurso negado. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial às fls. 145/158, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Insurgese quanto ao indeferimento do pedido de restituição/compensação de PIS, por entender que o prazo decadencial para a restituição/compensação do PIS é de cinco anos contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos a partir da homologação tácita. Pugna pela aplicação da tese dos 5 + 5. No acórdão recorrido foi aplicado o prazo de prescrição de 5 anos contados do pagamento antecipado. O recurso foi admitido pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 168/171. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 174/183. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial do Contribuinte, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. Ao contrário do que entende a Fazenda em suas Contrarrazões, entendo estar a divergência demonstrada no Recurso Especial proposto pelo contribuinte e conforme despacho de fls. 168/171, pois, se o Acórdão apresentado não foi modificado, subsiste a divergência, além do que, não se pode afirmar que neste caso há tese prevalecente, em virtude de jurisprudência cambiante sobre a matéria, na esfera administrativa e no judiciário, que só restou assentada depois do RE 566.621/RS. Superada a preliminar de admissibilidade passo ao mérito. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese ao termo inicial da contagem do prazo prescricional para pedido de restituição, restando superada a questão da semestralidade do PASEP para o período em discussão, bem como outras questões suscitadas no curso do processo. A decisão da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes entendeu, que a contagem do prazo prescricional deveria ser feita considerando cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado. Já o contribuinte entende que nos casos de lançamento por homologação aplicase a tese dos “cinco mais cinco” e, “tendo sido protocolado o pedido de restituição em 10/06/2002”, estariam acobertados os fatos geradores pleiteados no pedido de restituição (12/05/1992 a 10/04/1996), como ocorreu de fato (fls. 148), alegando a não aplicação do artigo 3°, da Lei Complementar nº 118/2005, vez que sua utilização deve ser restrita a fatos geradores pretéritos ainda não submetidos a análise judicial e/ou administrativa. A PGFN em suas contrarrazões adota a tese de que o prazo prescricional é de cinco anos contados do pagamento. Ambas as posições já foram sustentadas pelos diversos órgãos julgadores do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes. A posição Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13878.000132/200234 Acórdão n.º 930301.904 CSRFT3 Fl. 187 5 que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecido no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC nº 118/2005. No caso presente, a prescrição ocorreria para os indébitos decorrentes dos fatos geradores ocorridos há dez anos da data da entrega do documento da compensação. Aplicado ao caso presente, é o que se conclui a partir da decisão do STF, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Deve, portanto, ser revista a decisão recorrida. Os indébitos relativos aos fatos geradores anteriores a 28/09/1990 (período 01/01/1989 a 27/09/1990) foram atingidos pela prescrição, visto que o pedido foi protocolizado em 28/09/2000. São passíveis de restituição/compensação indébitos incorridos em relação aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28/09/1990 a 31/10/1993 Assim, há que se afastar a prescrição em relação a indébitos de PASEP referentes somente aos fatos geradores ocorridos depois de 10/06/1992, em virtude de que o pedido de restituição foi protocolizado em 10/06/2002. Como, in casu, os indébitos de PIS referemse a a fatos geradores referentes ao período de agosto de 1992 à março de 1996, estão, portanto, dentro do período no qual ainda não se deu a prescrição. Pelo exposto, DOU provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, ressaltando que a liquidez dos créditos alegados deverá ser verificada pela Administração Tributária. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.001711/2003-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais. Decadência. IRPJ. CSLL.
Período de apuração: 1997
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo
não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, não existindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9101-001.354
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para afastar a preliminar de decadência e restabelecer os lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao ano-calendário de 1997. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Jorge Celso Freire da Silva e Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HSG PARTICIPACOES S/S LTDA Assunto: Normas Gerais. Decadência. IRPJ. CSLL. Período de apuração: 1997 O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, não existindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para afastar a preliminar de decadência e restabelecer os lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao ano-calendário de 1997. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Jorge Celso Freire da Silva e Silvana Rescigno Guerra Barretto. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. - Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 295/304), com fundamento no art. 67 da Portaria MF n° 256, de 2009, em face do Acórdão n° 1803-00163, fls. 288/291, na parte que, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência do direito de�constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ ao ano-calendário de 1997, se não vejamos o seguinte excerto de sua ementa: “Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-Calendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA - IRPJ E CSLL sobre lucro real anual são tributos lançados por homologação e o Fisco tem 5 anos, contados da data do fato gerador (31/12), para rever o lançamento.” Em apertada síntese, a recorrente se insurge contra o referido acórdão, por sustentar que: a) no caso em apreço, tal como acertadamente observado pelo acórdão da DRJ-São Paulo/SP, não houve pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Nos dizeres do referido acórdão de Iª instância (fl. 245): In casu, não há que se falar em pagamento antecipado do tributo, uma vez que o sujeito passivo não apurou imposto a pagar em sua declaração de rendimentos, em razão da inobservância do limite para a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores (fls. 09 e 10); b) como a ciência do auto de infração ocorreu em 24/04/2003, e o fato gerador dos tributos apurados ocorreu em 31/12/1997, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado é 01/01/1999, razão pela qual o lançamento poderia ter sido realizado até 31/12/2003. É descabido, portanto, cogitar de decadência no presente processo. Alfim, a recorrente requer seja conhecido e provido o recurso , para afastar a declaração dos tributos apurados no presente processo. Em despacho a fls. 314/315, a Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Conforme AR a fls. 315/316, em 28/02/2011, a recorrida tomou ciência do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que o admitiu. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional por atender as condições de admissibilidade. A questão relativa ao dies a quo da contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação encontra-se, hoje, pacificada, no âmbito judicial e administrativo, em razão da decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, se não vejamos o teor de parte da ementa do Acórdão do RESP n° 973733 / SC, in verbis: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 19515.001711/2003-81 Acórdão n.º 9101-001.354 CSRF-T1 Fl. 2 3 “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543- C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Destarte, para sabermos se, no presente caso, aplica-se o § 4º do art. 150 ou o inciso I do art. 173, todos do CTN, devemos perquirir se houve ou não pagamento antecipado de IRPJ relativo ao ano-calendário de 1997 ou se houve declaração prévia do débito. Ao se compulsar os autos, conclui-se que não há IRPJ a pagar no ano de 1997, pois a contribuinte não respeitou a trava de compensação e compensou 100% do lucro real com prejuízos fiscais (conforme doc. a fls. 09). Além disso, conforme a própria contribuinte declarou na DIPJ/98 (a Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 fls. 21), ela não fez qualquer recolhimento de IRPJ sobre bases estimadas ao longo do ano, nem sofreu qualquer retenção de IRRF (conforme doc. a fl. 10). Da mesma forma, com relação à CSLL, o contribuinte não respeitou a trava de 30% e compensou toda a base tributável com base negativa, não apurando qualquer CSLL a pagar em 1997 (conforme doc. a fls. 24), como também, conforme declarou na sua DIPJ/98 (a fls. 21), ela não fez qualquer recolhimento antecipado de CSLL sobre bases estimadas, nem sofreu qulaquer retenção de CSLL. Aliado a isso, a autoridade fiscal declara, no Termo de Verificação Fiscal a fls. 41/43, que: “3.1) Verificamos que não constam quaisquer pagamentos nos sistemas da SRF (sinal 8), referente aos códigos de receita : 2362 e 5993 (IRPJ - Estimativa mensal), 2783 (conversão do depósito judicial) e 7429 (depósito judicial); 3.2) Os débitos não estão declarados em DCTF e nem no REFIS, portanto, estamos efetuando o presente lançamento de ofício, conforme valores discriminados na coluna 7 do Demonstrativo do IRPJ (item 1.5), nos termos do art. 836, 841 e 926 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26/03/99, tendo em vista que foram apuradas infrações aos dispositivos legais mencionados (item 2).” Outrossim, no Termo de Verificação Fiscal a fls. 159 a 161, a autoridade fiscal declara que: 3.1) Verificamos que não constam quaisquer pagamentos nos sistemas da SRF (sinal 8); referente aos códigos de receita: 2851 (conversão do depósito judicial) e 7485 (depósito judicial). Encontramos apenas um pagamento de código 2484 (CSLL - Estimativa mensal), no valor de R$ 34.764,09, com período de apuração 31/12/96 constante no DARF, ou seja, tal pagamento refere-se à CSLL devida no ano-calendário de 1996. 3.2) Os débitos não estão declarados em DCTF e nem REFIS, portanto, estamos efetuando o presente lançamento de ofício, conforme valores discriminados na coluna 7 do Demonstrativo da CSLL (item 1.5), nos termos do art. 836, 841 e 926 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26/03/99, tendo em vista que foram apuradas infrações aos dispositivos legais mencionados (item 2). Assim sendo, o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos de IRPJ e CSLL relativos ao ano-calendário de 1997 decairia em 31/12/2003, logo, há que se reformar a decisão recorrida, para se afastar a decadência do lançamento ocorrido em 24/04/2003 (doc. a fls. 52/53 e 169/170) e manter os créditos de IRPJ e CSLL relativos ao ano-calendário de 1997. Cabe ressaltar que não carece retornar os autos à Turma a quo para prosseguimento do feito, uma vez que, tanto na impugnação a fls. 172/183 como no recurso voluntário a fls. 259/273, as únicas teses de defesa aduzidas foram a decadência do lançamento e a inconstitucionalidade da limitação da compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, sendo que, sobre essa última matéria, este colegiado não tem competência para se pronunciar (Súmula CARF n˚ 2). Assim, não há qualquer questão de mérito que tenha deixado de ser apreciada pela Turma a quo em razão do acolhimento da preliminar de decadência que agora afastamos. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reformar, neste ponto, a decisão recorrida e afastar a decadência do Fl. 332DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 19515.001711/2003-81 Acórdão n.º 9101-001.354 CSRF-T1 Fl. 3 5 lançamento ocorrido em 24/04/2003, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos ao ano-calendário de 1997. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. - Relator. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 10510.000014/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 DECADÊNCIA PARCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, § 4º DO CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Havendo, no caso concreto, pagamento antecipado pelo sujeito passivo há de se reconhecer a decadência qüinqüenal com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. LEVANTAMENTO QUE ALBERGOU REMUNERAÇÃO PAGA A SERVIDORES ESTATUTÁRIOS E COMISSIONADOS. EXISTÊNCIA DE REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. Em razão da aferição indireta, a qual albergou toda a conta contábil, não é possível discriminar quais valores se referem aos servidores estatutários, os de cargo em comissão, e os empregados CLT. Assim, nulo lançamento nessa parte, haja vista que é impossível cindir a parte relativa apenas os segurados estatutários, abrangidos por Regime Próprio de Previdência. LEVANTAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Como os levantamentos anteriores foram ora alcançados pela decadência, ora anulados, as GPS pagas pelo sujeito passivo foram apropriadas no para o o presente levantamento CIN, gerando um DADR (Discriminativo Analítico do Débito Retificado) com valor nulo.
Numero da decisão: 2301-002.712
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 DECADÊNCIA PARCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, § 4º DO CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Havendo, no caso concreto, pagamento antecipado pelo sujeito passivo há de se reconhecer a decadência qüinqüenal com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. LEVANTAMENTO QUE ALBERGOU REMUNERAÇÃO PAGA A SERVIDORES ESTATUTÁRIOS E COMISSIONADOS. EXISTÊNCIA DE REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. Em razão da aferição indireta, a qual albergou toda a conta contábil, não é possível discriminar quais valores se referem aos servidores estatutários, os de cargo em comissão, e os empregados CLT. Assim, nulo lançamento nessa parte, haja vista que é impossível cindir a parte relativa apenas os segurados estatutários, abrangidos por Regime Próprio de Previdência. LEVANTAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Como os levantamentos anteriores foram ora alcançados pela decadência, ora anulados, as GPS pagas pelo sujeito passivo foram apropriadas no para o o presente levantamento CIN, gerando um DADR (Discriminativo Analítico do Débito Retificado) com valor nulo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.015.9730, a qual exige da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, no período compreendido entre 01/1997 a 03/2007, contribuições sociais a cargo da empresa e as contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Além disso, foram apuradas também as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais. Nesse sentido, informa o Relatório Fiscal de fls. 122 a 124 que: “Realizamos auditoria na Secretaria de Estado da Agricultura, relativamente ao período de 01/1997 a 03/2007, com o objetivo de subsidiar a Previdência Social na análise quanto à aplicação das normas que regulamentam a Constituição federal, bem como quanto ao cumprimento das obrigações previdenciárias da referida Superintendência Municipal, inerentes às Contribuições Sociais destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS, e demais rubricas, previstas ao art. 11, parágrafo único, alíneas “a” “b” e “c”, e art. 22, I, II, da Lei nº 8.212, de 24 julho de 1991.” Segue ainda dizendo que: “O Regime Próprio de Previdência (RPPS) do ente acima identificado foi instituído pela seguinte legislação: 1. A instituição não possui regime de previdência complementar para com seus segurados, e por força das normas citadas este AFRFB considerou para lançamento das Bases de Cálculo os fatos Geradores dos segurados empregados (CLT) e os Cargos Fl. 438DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10510.000014/200892 Acórdão n.º 2301002.712 S2C3T1 Fl. 417 3 Comissionados e de todos os servidores estatutários, por conforme explicado, não estarem amparados pelo respectivo Regime Próprio.” O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em síntese, preliminarmente a nulidade da autuação por violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, decadência, e possuir o Estado de Sergipe regime próprio de previdência. A autoridade julgadora entendendo haver omissões e incorreções no lançamento determinou a conversão em diligência, a fim de que a fiscalização respondesse os seguintes questionamentos: “a) por se tratar de lançamento de crédito por aferição indireta, explicitar a justificativa do procedimento, de forma pormenorizada, com indicação dos critérios e parâmetros utilizados na composição da base de cálculo e das alíquotas aplicadas, nos levantamentos envolvidos, mencionando a devida fundamentação legal e o Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória; b) tratandose de lançamento de crédito tendo como sujeito passivo Órgão do Poder Público, explicitar de forma inequívoca a existência ou não de Regime Próprio de Previdência Social, e, caso o Regime Próprio não alcance a totalidade dos servidores, deverão ser evidenciados os não abrangidos, bem como, o motivo do enquadramento como segurado do RGPS e a fundamentação legal; c) descrever de forma circunstanciada os documentos de origem dos valores lançados, períodos a que se referem, créditos e deduções considerados, por cada levantamento; d) se for o caso, identificar nominalmente, os contribuintes individuais que prestaram os serviços citados no Relatório, cuja remuneração consta lançada no levantamento CIN. Determinou, ademais, que após a apresentação do relatório fiscal complementar fosse intimado o sujeito passivo para manifestação. A fiscalização, em relatório fiscal complementar sustenta que procedeu ao levantamento por meio da aferição indireta, já que não foram disponibilizados todos os documentos solicitados ao sujeito passivo. Conclui que a Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário não possui regime próprio de previdência e os lançamentos objeto da autuação abrangem a conta contábil vencimentos e vantagens fixas – 33901100, cuja análise teria demonstrado que os empregados são segurados obrigatórios do RGPS. No tocante ao levantamento de contribuintes individuais sustenta que é objeto do lançamento a conta contábil conta 33903600 – Outros serviços de pessoa física. Ao final presta os seguintes esclarecimentos: “A título de esclarecimento informamos que tivemos perda de toda a nossa base de dados e de demais informações pelos motivos que seguem: a) O meu Computador particular e pessoal deu pane, danificou a placa mãe . possivelmente pela entrada de vírus, não sendo possível recuperar nada e ainda por cima Fl. 439DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 tivemos que adquirir um novo PC. b) O Note Book da Receita Federal. por cumprimento de normas de segurança nos fora solicitado para as devidas adequações e quando o recebemos estava com os programas desinstalados e sem condições de recuperação.” O sujeito passivo apresentou manifestação ao relatório complementar às fl. 315 a 318. A DRJ de Salvador julgou parcialmente procedente a impugnação, o que foi suficiente para cancelar o crédito tributário. Diante do valor envolvido houve recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Decadência De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10510.000014/200892 Acórdão n.º 2301002.712 S2C3T1 Fl. 418 5 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). Fl. 442DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10510.000014/200892 Acórdão n.º 2301002.712 S2C3T1 Fl. 419 7 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso concreto, verifiquei a existência de DAD e RADA, no qual são efetuadas as apropriações de valores pagos pelo sujeito passivo o que seria suficiente para, no meu entendimento, atrair a incidência do artigo 150, § 4º do CTN na verificação da decadência. A r. decisão a quo, por sua vez, fez o mesmo cotejamento, analisando detalhadamente a questão do pagamento antecipado e concluiu pela decadência no período compreendido entre janeiro/1999 a novembro/2002, já que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 19/12/2007. Peço vênia para transcrever o excerto do decisum a quo: “O presente lançamento se refere às contribuições previdenciárias, devendo ser analisado se houve ou não pagamento no intuito de verificar se deve ser aplicada a regra contida no art. 150, §4°, ou a do art. 173, inciso I, ambos do CTN. A notificada tomou ciência do presente débito em 19/12/2007, conforme assinatura à fl. 01. Assim, no presente lançamento, em relação às competências 01/1999 a 11/2001, seja pela aplicação do art. 150, §4°, ou do 173, inciso I, do CTN, transcorreu prazo superior a 5 (cinco) anos, tendo ocorrido a decadência. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Já nas competências 12/2002 a 03/2007, seja pela aplicação do art. 150, §4°, ou do 173, do CTN, não transcorreu prazo superior a 5 (cinco) anos, não tendo ocorrido a decadência. Por fim, nas competências 12/2001 (vencimento em janeiro de 2002) e 01/2002 a 11/2002, fazse necessário analisar se houve ou não pagamento a fim de verificar se deve ser aplicada a regra contida no art. 150, §4°, ou no art. 173, inciso I, ambos do CTN. Conforme extratos anexos, consta nos sistemas previdenciários o pagamento, mesmo que parcial, das contribuições previdenciárias nessas competências, devendo, portanto, ser aplicada a regra contida no art. 150, §4°, do CTN. Assim, constatase que transcorreu mais de cinco anos entre a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária e o presente lançamento, tendo ocorrido a decadência. Então, concluise que somente está decadente o lançamento das contribuições previdenciárias nas competências 01/1999 a 11/2002. Assim, o levantamento NO2 (lev. segurado obrigatório) está totalmente decadente, já os levantamentos CIN (BC Contribuinte Individual) e NOR (lev. Segurados obrigatórios) estão parcialmente decadentes.” Não há, portanto, razões para a reforma do acórdão recorrido nesse ponto, sendo que, como bem atestou a decisão recorrida, está abrangido integralmente pela decadência o levantamento NO2. Levantamento segurados empregados (NOR) No que tange à exigência dos demais créditos tributários não abrangidos pela decadência, cabe registrar inicialmente que, conforme muito bem ressaltado pela decisão recorrida, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário é órgão da administração direta do Estado de Sergipe, e, portanto, seus servidores estatutários estão abrangidos pelo regime de próprio de previdência social, nos termos das seguintes legislações estaduais: Lei nº 1.091/1961; Lei nº 2.595/1986; Lei nº 3.309/1993; Lei Complementar nº 113/2005; Decreto nº 24.041/2006; Lei nº 5.852/2006, devidamente analisadas no acórdão recorrido. Tendo isso presente, registrase que, em resposta à diligência complementar, o I. Auditor Fiscal apresentou relatório fiscal complementar, por meio do qual afirma que o lançamento tributário foi realizado com base na conta 31901100 (vencimentos e vantagens fixas), mencionada na Portaria Interministerial nº 163/2001 que registra as despesas pagas de natureza laborativa em geral. Procedendo ao exame dessa conta de vencimentos e vantagens fixas, o órgão julgador de primeira instância constatou o pagamento de valores destinado a todos os empregados, inclusive a servidores estatutários, os quais foram, pela decisão, excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, já que restou devidamente comprovada existência de Regime Próprio da Previdência Privada da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. Nesse sentido, a decisão recorrida é pontual ao concluir que, em razão da aferição indireta, a qual albergou toda a conta contábil, não é possível “discriminar quais Fl. 444DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10510.000014/200892 Acórdão n.º 2301002.712 S2C3T1 Fl. 420 9 valores se referem aos servidores estatutários, os de cargo em comissão, e os empregados CLT.” Assim, não restou alternativa ao órgão julgador senão considerar nula essa rubrica, “já que não tem como retirar apenas os segurados estatutários.” Entendo que deve ser mantida, nessa parte a decisão, por se cuidar de valores também constituídos com base em vencimentos pagos a servidores estatutários regulamente inscritos no Regime Próprio da Previdência do Estado de Sergipe, ao qual a Secretaria do Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário está vinculada. Diante desse cenário, no qual parte das contribuições previdenciárias teve o prazo decadencial reconhecido (levantamento NO2) e a outra parte foi excluída por se tratar de vencimentos pagos a servidores estatutários devidamente vinculados ao Regime Próprio da Previdência (NOR), restou apreciar o lançamento das contribuições previdenciárias remanescentes, quais sejam, aquelas relativas aos contribuintes individuais (levantamento CIN). Analisando o levantamento CIN, o órgão julgador a quo rebateu as alegações de nulidade apresentadas pelo sujeito passivo, sustentando que foram levantados, em suma, apenas os valores efetivamente pagos a segurados contribuintes individuais. Ocorre que, como o levantamento NO2 foi integralmente alcançado pela decadência e o levantamento NOR fora declarado nulo, os sistemas da RFB, expõe a decisão recorrida, “reaproveitou as GPS anteriormente apropriadas no levantamento NOR para o levantamento CIN, o que gerou um DADR (Discriminativo Analítico do Débito Retificado) com valor nulo”. Desse modo, concluiu que “como os valores pagos através das GPS são superiores aos valores que permaneceram no levantamento CIN, este débito deve ser julgado improcedente.” Novamente peço vênia a meus pares para transcrever as premissas e conclusões a que chegou a decisão, a qual, em minúcias, apreciou a questão: “Todos os recolhimentos efetuados pela impugnante foram aproveitados pela fiscalização. O relatório RDA indica a ocorrência de pagamentos efetuados pelo sujeito passivo no período objeto do lançamento. No relatório RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados estão discriminadas todas as apropriações dos pagamentos a que se refere o relatório RDA, com indicação clara e precisa da respectiva NFLD onde referidos pagamentos foram aproveitados, inclusive com a indicação, por competência e estabelecimento, de qual levantamento recebeu a apropriação e quais os respectivos valores apropriados. A impugnante junta aos autos (doc. 07 fl. 249), a título de exemplo, a GPS da competência 05/2005 no valor de R$ 275,96 (duzentos e setenta e cinco reais e noventa e seis centavos), referente a serviço prestado por pessoa física. Ocorre que também esta GPS já foi considerada pela fiscalização conforme fl. 88 do Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e devidamente apropriada neste débito, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA) à fl. 107 e Discriminativo Analítico de Débito (DAD) à fl. 41. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 Para fins de constituição do crédito previdenciário, quando constatado o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, devese apropriar, prioritariamente, a parcela da contribuição DESCONTADA dos segurados. Ou seja, se o desconto for igual ou inferior ao recolhimento parcial efetuado, considerarseá satisfeita primeiramente a obrigação decorrente desta responsabilidade. Notese no RADA que a referida GPS foi apropriada, juntamente com outras, no levantamento NOR (lev. Segurados obrigatórios), na rubrica segurados. Quanto à apropriação efetuada pela fiscalização na época, temse que a mesma não causou qualquer prejuízo ao sujeito passivo, sendo, que, na verdade, visava exatamente a resguardar os interesses do mesmo, apropriando os recolhimentos primeiramente às contribuições, cujo não recolhimento configuraria, em tese, crime de apropriação indébita previdenciária. Ocorre que nesta decisão o levantamento NOR (segurados obrigatórios) foi declarado nulo, motivo pelo qual as GPS apropriadas pela fiscalização neste levantamento NOR, na rubrica segurados, deverão agora ser apropriadas no levantamento CIN, na parte considerada procedente nesta decisão. Na retificação do presente débito no sistema, ao excluir o período decadente e o levantamento NOR (nulo), e manter parte do levantamento CIN, o sistema reaproveitou as GPS anteriormente apropriadas no levantamento NOR para o levantamento CIN, o que gerou um DADR (Discriminativo Analítico do Débito Retificado) com valor nulo. Assim, como os valores pagos através das GPS são superiores aos valores que permaneceram no levantamento CIN, este débito deve ser julgado improcedente.” Assim, o levantamento CIN, apesar de não haver incorreções, foi integralmente extinto pelas apropriações das GPS pagas pelo sujeito passivo. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendose a r. decisão recorrida tal como lançada. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10665.001848/2003-47
Turma: Quarta Turma Especial
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1992 a 31/05/1997
Ementa:
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF.
TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Numero da decisão: 3402-001.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Tterceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
EDITADO EM: 03/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Tterceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto EDITADO EM: 03/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 18 48 /2 00 3- 47 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10665.001848/200347 Acórdão n.º 3402001.572 S3C4T2 Fl. 296 2 Relatório Tratase auto de infração em virtude de correções efetuadas na apuração da base de cálculo do PIS referentes aos períodos de apuração 31/10/94, 30/11/94, 31/03/95, 31/07/95, 31/08/95, 30/09/95, 31/01/97, 28/02/97, 31/03/97, 30/04/97, 30/06/97 e 31/03/2000. Na impugnação, o recorrente argúi a decadência do direito de constituição do crédito tributário referente aos períodos compreendidos entre julho de 1992 a maio de 1997, uma vez que deve ser observado o prazo qüinqüenal previsto no § 4º do art. 150 do CTN. No mérito, argumenta que o fisco não aplicou a semestralidade prevista na Lei nº 07/70, que prevê o recolhimento do PIS utilizando a alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior. A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte considerou procedente o lançamento proferindo o Acórdão nº 5220, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: O prazo decadencial das contribuições que compõe a Seguridade Social – entre elas o PIS – encontrase fixado em lei. A exegese correta da Lei Complementar nº 07/70 desautoriza entendimento que propugne pela existência de um lapso de tempo entre o fato gerador da obrigação e a base de cálculo da contribuição. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) É totalmente equivocada e absurda a pretensão do Fisco de cobrar supostas diferenças de PIS encontradas no período de julho de 1992 a maio de 1997, em outubro de 2003, quando já decaiu seu direito de constituir tais créditos tributários, em virtude da aplicação do § 4º do art. 150 do CTN; e b) O auto de infração e o acórdão recorrido se mostram contraditórios ao não prever a plena aplicação da Lei Complementar nº 07/70 e, consequentemente, não reconhecer a semestralidade do PIS. Termina sua petição recursal requerendo que seja reformado o acórdão hostilizado no intuito de que, em sede de preliminar, seja declarado nulo o presente auto de infração, tendo em vista que os valores cobrados foram alcançados pela decadência, e, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração para fins de se reconhecer como ilegítima a autuação fiscal, determinando a nulidade e o cancelamento do lançamento epigrafado, com reconhecimento da semestralidade no cálculo do PIS devido. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10665.001848/200347 Acórdão n.º 3402001.572 S3C4T2 Fl. 297 3 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Decadência A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário referente a tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O acórdão vergastado definiu que o direito de constituir crédito tributário relativo ao PIS extinguese transcorridos dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, na linha do art. 45 da Lei nº 8.212/91. O recorrente defende que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ter seu prazo decadencial regulado pelo art. 150, § 4º, do CTN. É sobremodo importante assinalar, preliminarmente, que o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante nº 08, in verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Sobre a matéria “súmula vinculante”, aduzo abordagem digna de aplausos do Ministro Gilmar Mendes: Outra situação decorre de adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10665.001848/200347 Acórdão n.º 3402001.572 S3C4T2 Fl. 298 4 solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a lei objeto da declaração de inconstitucionalidade (nem a orientação que dela se dessume), sem eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade.(grifo meu) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O texto abaixo reflete a orientação da doutrina sobre o tema: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4º do art. 150 em análise. A conseqüência – homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10665.001848/200347 Acórdão n.º 3402001.572 S3C4T2 Fl. 299 5 pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Contudo, para a efetiva solução da presente lide, chamo atenção para o Resp nº 973733, no qual o Superior Tribunal de Justiça decidiu sobre a matéria, sob a sistemática prevista pelo art. 543C. Segue a ementa do julgado, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10665.001848/200347 Acórdão n.º 3402001.572 S3C4T2 Fl. 300 6 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como sabemos, o art. 62A do Regimento Interno do CARF determina a aplicação das decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73. Após breve passeio pela jurisprudência, retornando ao caso em epígrafe, verificase que o sujeito passivo tomou ciência do auto de infração em 07/10/2003 e que houve antecipação de pagamento, conforme exige o art. 150, § 4º do CTN, de sorte que o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Neste sentido, declaro que decaiu o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários referentes aos períodos de apuração 31/10/94, 30/11/94, 31/03/95, 31/07/95, 31/08/95, 30/09/95, 31/01/97, 28/02/97, 31/03/97, 30/04/97, 30/06/97, restando apenas o período de apuração referente a março de 2000 sem ter sido fulminado pelo instituto. Semestralidade A lide sobre a base de cálculo do PIS/Pasep envolvendo a semestralidade restou definitivamente pacificada após a edição do enunciado de Súmula n° 15 do CARF, publicado no DOU de 22/12/2009 (Seção 1, pág 70/72), in verbis: A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Portanto, na linha do enunciado da súmula, a base de cálculo do PIS de determinado mês é o montante do faturamento do sexto mês anterior. Regressando aos autos, o período de apuração que não foi atingido pela decadência foi março de 2000, que não estava mais sob a égide da LC nº 07/70 e sim sob os ditames da Lei nº 9.718/98. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para concluir que não é aplicável a súmula ao caso em questão. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10665.001848/200347 Acórdão n.º 3402001.572 S3C4T2 Fl. 301 7 Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar que sejam canceladas as exigências fiscais referentes aos períodos de apuração 31/10/94, 30/11/94, 31/03/95, 31/07/95, 31/08/95, 30/09/95, 31/01/97, 28/02/97, 31/03/97, 30/04/97 e 30/06/97, já que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tinha sido fulminado pelos efeitos da decadência à época do lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10783.921050/2009-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IPI. INSUMOS. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. DIREITO. INEXISTÊNCIA.
As aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT não geram direito aos créditos de IPI. Súmula CARF nº 20.
Numero da decisão: 3803-004.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. INSUMOS. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. DIREITO. INEXISTÊNCIA. As aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT não geram direito aos créditos de IPI. Súmula CARF nº 20. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta contribuinte transmitiu a declaração de compensação nº 35640.85287.230710.1.7.012414, em que utilizou o valor de R$ 5.072,38, relativo ao saldo credor acumulado ao final do 3º trimestre/2005, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e sua regulamentação dada pelo art. 4º da IN SRF nº 33/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 10 50 /2 00 9- 62 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Despacho Decisório da DRF/Vitória não homologou a compensação com base no Parecer Fiscal anexo ao Detalhamento do Crédito disponibilizado ao contribuinte no endereço www.receita.fazenda.gov.br/opção empresa, Todos os serviços/assunto Restituição, Ressarcimento e Compensação/item PERDCOMP, Despacho Decisório/Informações Complementares da Análise do Crédito, sob os fundamentos a seguir: “a) o contribuinte se dedica ao ramo gráfico; b) a auditoria verificou nas notas fiscais de saída apresentadas que no trimestrecalendário em análise, a Contribuinte deu saída a livros (classificação fiscal 49.01) e a revistas e jornais (classificação fiscal 49.02), todos com notação NT na TIPI, ou seja, fora do campo de incidência do IPI. As demais vendas deste período foram feitas através de notas fiscais de serviços, sem pertinência com o IPI; c) tratandose de produtos dessa classificação fiscal, a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos de insumos utilizados na sua fabricação; d) a Solução de Consulta nº 468, de 2004, apresentada pelo contribuinte para justificar a manutenção e utilização de tais créditos não vincula a administração tributária quanto aos fatos tratados no trabalho fiscal realizado, uma vez que, se ateve a produtos de alíquota zero e isentos, estes os que a Contribuinte informou que dava saída, sendo a menção a produtos imunes contida no corpo da solução de consulta mera informação do texto da IN SRF nº 33/99”; Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese: a) atua no ramo de edição e impressão de produtos gráficos cuja saída é isenta, imune ou alíquota zero, resultando no acúmulo de créditos passíveis de serem compensados na forma do art. 11 da Lei nº 9.779/99; b) realizou consulta perante a DRF/Vitória/ES, “perquirindo sobre o entendimento do Fisco, no que tange aos créditos de IPI advindos de operações isentas ou tributadas à alíquota zero”, que confirmou o seu direito à compensação dos créditos advindos das mencionadas operações; c) defende a possibilidade de utilização dos créditos de IPI decorrentes da compra de MP, PI e ME utilizados na saída de produtos NT ou isentos, sob os seguintes argumentos: c.1) o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não limita a utilização dos créditos do IPI; c.2) “a própria Instrução Normativa que disciplina o art . 11 da Lei n ° 9.779/99, é clara ao determinar que é possível o aproveitamento de crédito de IPI, inclusive no caso da industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero”; c.3) “o advérbio ‘inclusive’ utilizado tanto no art. 11 da Lei n° 9.779/99, como no art. 4º da IN SRF 33/99, encontrase após os vocábulos ‘industrialização de produtos’ , ou seja , explicita que, inclusive para os produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, objeto do processo de industrialização, podese aproveitar os créditos do IPI”; c.4) “as mais altas cortes do país, ao interpretarem o art. 11, da Lei n° 9.779/99 entenderam que o termo 'inclusive’ abarca os produtos imunes, isentos ou tributados Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10783.921050/200962 Acórdão n.º 3803004.112 S3TE03 Fl. 112 3 à alíquota zero, objeto do processo de industrialização, para fins de aproveitamento dos créditos do IPI”; d) a solução de consulta nº 486/2004 em que é a Consulente, é ato administrativo a balizar o seu direito de crédito decorrente de insumos utilizados em produtos imunes, destacando o seguinte fragmento do corpo da solução de consulta: “De se notar que, inclusive em relação aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ou tributados à alíquota zero, aplicase o disposto no artigo 11 da mencionada lei, desde que referidos insumos tenha sido recebidos no estabelecimento industrial a partir de 1 ° de janeiro de 1999. 11 (sem grifos no original)” e) ao contrário do que consta do relatório fiscal a consulta vincula os órgãos da administração tributária, nos termos do art. 46 do Decreto nº 70.235/72 e art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 740/2007; f) acrescenta que a consulta não pode ser interpretada da forma pretendida pela RFB; que ela abarca todas as questões inerentes à compensação do IPI, não se limitando aos produtos imunes ou alíquota zero; e, que não pode o preciosismo de uma palavra, como entendeu o auditor fiscal, anular o texto e a interpretação dada ao art. 11 da Lei nº 9.779/99; Ao final, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, ou caso assim não entenda, sejam dos débitos decotados a multa e os juros aplicados, haja vista a realização de consulta anterior sobre os mesmos fatos. Em julgamento da lide, a DRJ/Juiz de Fora verificou que no trimestre calendário em análise, o contribuinte deu saída basicamente a livros (classificação fiscal 49.01) e a revistas e jornais (classificação fiscal 49.02), todos com notação NT na TIPI. Aduziu que por se tratarem de produtos industrializados que, por determinação da Constituição, não podem ser alcançados pela incidência do imposto. Apontou para a clareza do parágrafo 3°, do art. 2°, da Instrução Normativa SRF nº 33/1999, como disciplinador do art. 11 da Lei nº 9.779/99, sendo ato normativo válido e legal no seu comando quanto ao estorno dos créditos originários de insumos onerados com o IPI, destinados à fabricação de produtos não tributáveis NT. Referiu, ao fim, que a matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF, por meio da Súmula nº 20. Cientificada da decisão em 04 de julho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 30 de julho de 2012, em que tece os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. No recurso voluntário a Recorrente reafirma que os livros, revistas e jornais que produz possuem notação não tributável na tabela TIPI, e é sobre esta situação fática que desenvolve a sua defesa. A matéria em foco teve a legislação que a regula por demais esgarçada em ambas as fases decisórias antecedentes, sendo enfrentada de forma consentânea com as disposições legais e regulamentares pela Autoridade Administrativa, culminando na conclusão segundo a qual a hipótese de fato desenhada no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 não abarca o aproveitamento de créditos de IPI sobre matériasprimas, materiais de embalagens e produtos intermediários aplicados na produção de produtos imunes. Acertadamente, o Acórdão recorrido serviuse dos mesmos fundamentos para sustentar o Despacho Decisório. Para tanto, procedeu a escorreita interpretação da IN SRF nº 33/1999 no tocante ao conteúdo e alcance do termo imune, entendimento consolidado pelo ADI SRF nº 5/2007, que citou. A julgadora a quo ainda refutou a cobertura da Solução de Consulta nº 468, de 01 de outubro de 2004, manejada pela Contribuinte e evocada na defesa como garantia do seu direito ao crédito, considerando que a hipótese apresentada na Consulta e apreciada pelo órgão consultado referese à saída de produtos isentos e alíquota zero, sem vínculo, pois, com produtos com notação não tributável. Estes, uma vez excluídos do campo de incidência do IPI, não geram direito a aproveitamento de créditos do imposto, o que também foi afirmado por meio do Parecer Normativo CST nº 204/1972[1]. Dessarte, não há o que reparar na decisão de primeira instância, devendo ao caso, com efeito, ser aplicada a Súmula CARF nº 20, já utilizada como suporte da decisão guerreada, verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Quanto ao pedido para endereçamento de intimações para o endereço do Advogado da Recorrente, não há previsão legal para o atendimento deste pleito, devendo a remessa ser feita para o domicílio tributário da pessoa jurídica no cadastro da Administração Tributária, nos termos do art. 23, inciso II, c/c o § 4º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72[2]. Pelo exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. 1 “Conforme já foi esclarecido através os Pareceres Normativos nºs 91/71 e 180/71, o direito ao crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem está condicionado a que o produto resultante da industrialização seja tributado na saída do estabelecimento. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 19654, não deixa margem a dúvidas sobre o assunto, de modo que não pode ser admitido o crédito referente às matériasprimas e demais insumos utilizados na industrialização de produtos imunes, os quais, por estarem excluídos do campo de incidência do imposto, são por definição, mercadorias não tributadas”. (grifos acrescidos) 2 Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 4º. Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005); Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10783.921050/200962 Acórdão n.º 3803004.112 S3TE03 Fl. 113 5 Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 13587.000145/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 Ementa: PER/DCOMP. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sem crédito reconhecido e apurado pelo Fisco nos moldes do art.170 do CTN, não há que se falar em compensação, tendo em vista a falta de reciprocidade de obrigações. Caso não haja a correspondência entre créditos e débitos, a parte controversa (não comprovada a sua liquidez e certeza) não poderá ser objeto de qualquer espécie de homologação tendo em vista a inexistência de crédito para compensação.
Numero da decisão: 1802-001.260
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sem crédito reconhecido e apurado pelo Fisco nos moldes do art.170 do CTN, não há que se falar em compensação, tendo em vista a falta de reciprocidade de obrigações. Caso não haja a correspondência entre créditos e débitos, a parte controversa (não comprovada a sua liquidez e certeza) não poderá ser objeto de qualquer espécie de homologação tendo em vista a inexistência de crédito para compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 178 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 179 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ (DRJRJ), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório nº. 704/2009, negando a compensação efetuada nas PER/DCOMP(S) nos. 40503.62591.190106.1.3.04.1993 e 42099.95187.250106.1.3.04.1511. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “O presente processo tem origem nas Per/Dcomp de fls. 2/13, nos. 40503.6259.190106.1.3.041993 e 42099.95187.250106.1.3.041511, que tem por objetivo ver reconhecida a compensação de pagamento indevido e/ou maior no valor de R$23.549,54, com débitos registrados nas Dcomp. As Per/Dcomp foram analisadas com a emissão de despacho decisório de fl. 24 com a não homologação da compensação pois o direito declarado no processo de consulta no. 10725.720028/200568, não corresponde a deferimento de crédito, não gerando, assim, liquidez e certeza quanto aos créditos registrados nas Dcomp referidas. (...) É o relatório.” A 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ (DRJRJ01), indeferiu a solicitação da ora Recorrente através do Acórdão n° 12 – 41.840 de 26 de outubro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO A análise e conseqüente homologação de uma compensação declarada estão condicionadas ao lesivo registro e comprovação do crédito, para que se possa verificar a liquidez e certeza do mesmo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 180 4 Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese: (i) pelo deferimento do pedido de compensação com homologação das declarações de compensação; (ii) pelo deferimento do pedido de emissão da Certidão Negativa de Débitos. É o relatório, passo a decidir. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 181 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente protesta, veementemente, pela homologação das PER/DCOMP(S) nos. 40503.62591.190106.1.3.041993 e 42099.95187.250106.1.3.041511, alegando que inexiste motivo para recusa da Autoridade Fiscal em processar a referida compensação. Segundo entendimento da Recorrente, o processo de consulta no. 10725.720028/200568 seria prova suficiente da existência de crédito tributário capaz de suportar a referida compensação uma vez que (i) reconhece a possibilidade de se utilizar a base presumida de 8% sobre o faturamento no cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, por se tratar empresa prestadora se serviços hospitalares e (ii) atesta a possibilidade de compensação de tributo a maior, no prazo de cinco anos. No que diz respeito ao primeiro item, qual seja, a possibilidade de se utilizar a base presumida de 8% sobre o faturamento no cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, as empresas prestadoras de serviços hospitalares gozam de redução de base, conforme exaustivamente já foi discorrido no processo de consulta da Recorrente (dispositivos legais: Lei no. 9.249/95, art. 15, § 1º, III, “a” e art. 20; Lei no. 10.684/2003, art. 22; IN – SRF no. 480, de 2004, e IN – SRF no. 539, 2005, c/c RDC Anvisa no. 50, de 2002, e ADI – SRF no. 18/2003). Quanto ao segundo item, os argumentos da Recorrente não merecem prosperar. Preleciona o parágrafo 1º do artigo 26 da Instrução Normativa (IN) 600/2005, aplicada à época, a compensação deverá ser realizada mediante apresentação à Receita Federal do Brasil (RFB) da Declaração de Compensação bem como deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Senão vejamos: "Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório.”. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 182 6 O Código Tributário Nacional permite a compensação dos créditos tributários com créditos líquidos e certos vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Conforme consta da citada legislação, somente são passíveis de compensação os débitos com crédito líquido e certo do sujeito passivo. No caso concreto, não tendo o contribuinte logrado êxito na comprovação da liquidez e certeza do crédito, não há que se falar em homologação da compensação. Para Paulo de Barros de Carvalho (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 13ª edição, São Paulo, 2000, pág.455) a compensação possui como pressuposto duas relações jurídicas diferentes, em que o credor de uma é devedor da outra e viceversa. Além disso, define a compensação com a enunciação de quatro requisitos principais: a reciprocidade das obrigações; a liquidez das dívidas; a exigibilidade das prestações; e a fungibilidade das coisas devidas. Corroborando esse posicionamento, a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), coaduna esse entendimento e já se pronunciou a respeito, conforme decisões proferidas a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Ementa Ano Calendário: 1999, 2000, 2001 e 2002. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE. (...) PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Para o reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações, o órgão local não deve se limitar à determinação do valor do saldo negativo do IRPJ, cumprindo também a verificação se aquele indébito já não foi restituído, ou utilizado em outras compensações, de forma a ser reconhecido apenas o direito creditório em relação ao saldo disponível remanescente. (CARF 1ª. Seção / 1ª Turma da 3ª Câmara / Acórdão 1301 00.559, em 26/05/2011). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Não reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõese, por decorrência a não homologação das compensações pleiteadas. (...)” Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 183 7 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora.” (Acórdão n˚. 180300.765 DOU. 26.01.2011, Turma Especial, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Destarte o que foi exposto, a compensação para ter efeito pressupõe a existência de crédito a favor do contribuinte nos moldes do art. 170 do CTN, sem a qual não haveria a possibilidade de extinção dos débitos de natureza tributária. Nessa esteira de raciocínio o trecho da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), prolatada em sede de Recurso Especial: “REsp. 762392/RS; Recurso Especial 2005/01055266 Relator(a)Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) órgão julgador T1 – PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 23/08/2005 p. 320 Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. TUTELA ANTECIPADA. COFINS. ISENÇÃO. LC 70/91. SOCIEDADES PRESTADORAS DE SERVIÇOS. REVOGAÇÃO LEI 9.430/96. SUMULA 276/STJ. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE DIFERENTES ESPÉCIES. SUCESSIVOS REGIMES DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA OU EXAME DA CAUSA A LUZ DO DIREITO SUPERVENIENTE. INVIABILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. LEGALIDADE. JUROS. (...) 3. No caso concreto, tendo em vista o regime normativo vigente à época da postulação (2004), deve ser autorizada a compensação dos valores cujos recolhimentos restaram comprovados mediante guias acostadas aos autos, após o trânsito em julgado da demanda, observados os requisitos da Lei 10637/2002. 4. Só há direito líquido e certo quando o fato jurídico que lhe dá origem está demonstrado por prova pré constituída. O pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. (...)” Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13587.000145/200955 Acórdão n.º 180201.260 S1TE02 Fl. 184 8 Assim, sem o crédito reconhecido e apurado pelo Fisco nos moldes do art.170 do CTN, não há que se falar em compensação, tendo em vista a falta de reciprocidade de obrigações. Caso não haja a correspondência entre créditos e débitos, a parte controversa (não comprovada a sua liquidez e certeza) não poderá ser objeto de qualquer espécie de homologação tendo em vista a inexistência de crédito para a compensação. Quanto a esse aspecto, a Recorrente teve no momento da interposição da sua manifestação de inconformidade em face do despacho decisório da DRJ, a possibilidade de comprovar o pagamento a maior alegado nas Declarações de Compensação desse processo, mediante o acostamento dos DARF(S) comprovando os pagamentos realizados bem como das obrigações acessórias retificadas (DCTFs, DIPJs), de forma que o Fisco pudesse realizar o confronto das informações e reconhecer o direito creditório alegado nas PER/DCOMP(s); entretanto quedouse inerte em produzir essa prova. Com efeito, por ausência de prova documental de comprovação do crédito alegado, no transcurso deste processo administrativo fiscal, não é possível assegurar que o direito creditório pleiteado goza de liquidez e certeza necessárias para homologação das compensações. Sendo assim, considero que subsiste justificativa pela negativa de compensação. Por fim, em relação ao pedido de concessão da Certidão Negativa de Débitos, inobstante os débitos em questão estarem enquadrados no disposto do inciso III do art. 151 do CTN, em virtude da não homologação das Declarações de Compensação, a partir da intimação desse acórdão, os débitos não estarão mais suspensos e poderão ser exigidos, o que impedirá a emissão de Certidão Negativa quanto aos respectivos débitos. Diante de todo o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendo a decisão da DRJ/RJ01 pelos fatos e argumentos supracitados. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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