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Numero do processo: 13881.000017/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNT0: PROCESSO ADMINSTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PEDIDO DE PERÍCIA NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA
INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o acórdão de primeira instância que indefere pedido de pericia por
considerar que a solução da controvérsia dependeria de prova apresentada
Pelo contribuinte autuado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRUDUTO INDUSTRIALIZADO - IPI
Período de aputacaO: 01/09/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO BASICO. DEVOLUÇÕES CONTROLE DO ESTOQUE.
CONDIÇA0
É permitida a escrituração de créditos por devoluções se houver efetivo
registro da produção em livro previsto no regulamento ou em controle
equivalente
CREDITO BASICO AMOSTRAS PARA TEStES, PARTES E PEÇAS DE
MAQUINAS APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO PROVA,
AUSENCIA
0 direito de crédito relativo a produtos adquiridos para outros fins, que não o
uso na produção, depende de prova contabil e fiscal inequívoca que
demonstre sua utilização como insumos no processo produtivo
CRÉDITO BÁSICO INSUMOS CONCEITO
Somente se caracterizam como insumos as matérias-primas, os produtos
intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto
fabricado ou consumido em contato direto na sua ptoducao
RESSARCIMENTO DE IPI, JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE
Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos presumidos ou básico de IPI.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3302-00.462
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Censelheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassano Keramidas, que reconheciam o direito à correção pela taxa Selic e ao crédito básico de alguns insumos relacionados na declaração de voto apresentada pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138192.
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : ASSUNT0: PROCESSO ADMINSTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE PERÍCIA NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o acórdão de primeira instância que indefere pedido de pericia por considerar que a solução da controvérsia dependeria de prova apresentada Pelo contribuinte autuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRUDUTO INDUSTRIALIZADO - IPI Período de aputacaO: 01/09/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO BASICO. DEVOLUÇÕES CONTROLE DO ESTOQUE. CONDIÇA0 É permitida a escrituração de créditos por devoluções se houver efetivo registro da produção em livro previsto no regulamento ou em controle equivalente CREDITO BASICO AMOSTRAS PARA TEStES, PARTES E PEÇAS DE MAQUINAS APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO PROVA, AUSENCIA 0 direito de crédito relativo a produtos adquiridos para outros fins, que não o uso na produção, depende de prova contabil e fiscal inequívoca que demonstre sua utilização como insumos no processo produtivo CRÉDITO BÁSICO INSUMOS CONCEITO Somente se caracterizam como insumos as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto fabricado ou consumido em contato direto na sua ptoducao RESSARCIMENTO DE IPI, JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos presumidos ou básico de IPI. Recurso voluntário provido em parte.
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INOCORRENCIA. Nio é nut() o actirdao de primeira instancia que indelere pedido de pericia pot considcrar que a soluyao da controvérsia dependeria de prova apresentada Pelo contribuinte autuado,. ASSUNTO: 1MPOS I 0 SOME: l'RODUI OS iNDUS I RI A 1,IZkDOS - 1 PI Período de aputacaO: 01/09/2000 a 30/09/2000 (.:11',-,1)1 to BASICa DEVOLUÇÕES CON - 1ROLE DO ES I OQUE. CONDIÇA0 peimitida a escrituração de créditos por devoluções se Irou ver efetivo registro da produção ein livro previsto no regulamento ou em controle equivalente CREDI10 BASIC°. AMOSTRAS PARA TEStES. PAR:FES E PEÇAS DE MAQUINAS APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO PROVA , AUSENCIA 0 direito de crédito relativo a produtos adquiridos para outros fins, que não o uso na produção, depende de prova contabil e fiscal inequívoca que demonstre sua utilizac»lo como insumos no processo produtivo CR1'-1)110 BÁSICO. 1NSU.MOS, CONCH 1:0. Somente se caracterizam como insumos as inal6rias-prUnas, os produtos intermedit'itios e o material de embalagem que seja incorporado ao produto labrieado ou consumido em contato diieto na sua ptoducao RESSARCIMENTO DE III, MROS SEI IC INAPLICAIIHIDADE„ )se da Silva - 115 resid.ente Jos ê An1ii 7-raiteisco - Relator - Descabe a incidência de rnos compensatórios no caso de ressarcimento de créditos presumkkm ou básicos de 11)1.. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parei al ao recurs°, 1108 termos do voto do Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Gomes e .Fabiolo Cassiano Kerarnidas, que reconheciam o direito correcao pela taxa Selie e ao crédito básico de alguns insumos relacionados na declaraçáo de vor o apresentada pela Conselheira Fabiola (_Tassiano K.erantidas.. Fez sustentaçáo oral o Dr Ricardo Krdkowiak,, OAB/SP 1.38192, FM -FAD° 1 M: 03/08/2010 Participaram do presente . julgamento os Conselheiros Waffler José da Silva (Presidente), Jose Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Luis ldriardo Barbieri e Alexa.ndre Clomes. Ausente o Conselheiro GurjAo Barret°. Relatório Troia-se de retorno de diligência aprovada pela Resolução n" 201-00 754 (1034 a 1041), de 4 de junho de .2008, cujo voto foi o seguinte: Como rclatoi do I- (!Cl.fl"V) 130763, iaolei 17oiclonovircnto pcla nece ■ sidade de nova dilt5:ncia, vez que us di fig -ern:ins solici !arias nao rca/hoC/as. OCNW fi-Y adoto O mesmo 0111.C11(fillle1710 C711 I elay-to ao prercinc r(A uriso, coin a di felon:a do que, nos presentes moor a into assada deve ser intimada a apI .C.:!Nelltar tainixin documenta(lio comp) obatória, quc suporomente jiff-1101f 11ON autos relativos dquele recurro . Con) orsa provid)ncra, If l'iscalizavíto deve; it adotar o ti procedimentor indicados a/moiro I) Lua clacCio crtrutur a dos pt °dittos. a) .la/la/al a jr fef"e!'ialitt a aprCNCIlia ICICIVii0 (ION pl 0(11110S cuja cst) wino. fora incin amen le in fin mada ao si sterna, hem 1.1 5 ,im a demonsti acr'io do (fire foi alterado ata-se de I. clatót io cm que deverri apon ten cin tabcla, cada °ditto afilado, a composi(lio O 5 11 1 1111/17_ (MICS e dcpoir da (or) e(do 1 label() devera indicar [Laois dos documentor untados aos (linos I ciciem -se a cada produto Proet2sso n" I 0000 17/2002-19 S3-C3•12 Acórd50 ii " 3302-00.462 Fl 2 12) A Interessado arnda devetit informar- a quantidade de Ors 1.)r odulos- 11 qUe se deu saída Fio pet iodo de aptiração .I.)evei ti ainda demonstrar, a partir do tais inlitrinaçães, as (111(1 ('liças solve o saldo de estoque de insumos provocadas polo S oiro S apontados. 2) Ein rolaçáo aos (itt 0505 na alimentação do sisteant de controle cio estoque. • Iraimar a Interessada a t -wresentar as fio/ias relativas a polo 1001 1 0 ii (73 dtas coasecutivos do perio(i() de aputação, indicando Os dado s inç:orrelamerne (tlimentados « aftontando coino ficaria O i -esultado depois da recomposição. b) Interessada (rind(' deverá demonsfiar por documentos apoinar quais documentos dos- autos lazem a comp- OW(00) crentucii) 011 05 (1 uota° as &this de alimeniação dos- infintriaçôes (cor foi me afirmado pela Interessada, ela leria tais infOrtnaoies) 3) Lin Faucet() entradas- para teste .semelitantes. a) JriI/raar a Interessada a apresentar a I clação dos produtos «/ativos ao item tespectivo autuação ti) ii Ititcr(..'ssada ainda deverá demonstrUI «til que produtos foi am os instnnos empregados e a respectiva venda. 4) Lin relut,:ão aos lançamentos contábeis 'Ielitados ci vista das inconsistCncias 0/101 tidas a) A Interessado deverá .ser intimada a apreseruar a relocao dos lançamentos conta beis efiluados eia /ace aputação do incousisljncitts no esioque quanto c sua inclusão na base de cálc trio do 11?1).1 CS/IL b) Devet - a, (Undo, esclarecer se as apuraç-ócs Lfetut.ulas no auto de jult'ação podem ser eyphcadas por meio dos alegados rearranjos ria apuração do estoque. 5) Poi lim, a Fiscalização devei compoiccet cio estabelec or ento du Jiiiotessada, quo devet a demonsttar-lhe todo o process() do suposto t earranjo ciO esioque, especialmente a origem das infin triaçijes - om lose, a mostra da çpoco da (Kilo fiscal -, as infOrmayijes soba e a estrutura dos produtos antes e depots das cot re y'jes, ci ibrina como foram efetuadas as correcães e. a comparação enfio as infOrma0--jes (Intel- toles e as atuais A soma, a Fiscalização devetá tola tan de forma objetivel como /he foi am lot necidas fats in//n maçôes Lv entuats inconsist6teia s almtadas deveni ser ()Net° de itUormação no I- io da dilig6leiti, tool ado ao final, cio qual será dodo ciencio à Intetessada, para mani.lestacão no prazo de ii inla dias A vista da resolução, a Interessada ftii intimada pela Fiscalização (li s. 1044 a. 1046) a apresou tar a docuinentaçao tendo apresentado seguidos pedidos de prorrogação de prazo. Apresentou, final metric, a resposta de fls. 1053 a 1057, em que explica o eontendos dos anexos de ifs. 1058 a 1132. A resposta da Interessada é a seguir resumida. Em relação aos produtos que feriam sido afetados pelos err os de estrutura in1bi mados e corrigidos no sistema de con hole lniciethnente crimpy(' infOrmar, que a questrio de 011 7/8 na es/J-11111r0 (le (..0 5105 dos produlos apontada 11.0 sisterna da Movion nas(on de tun document() colhido nas diligencias tiscais of igina is yls. 80 (1os - autos, 38 do auto de infrac00) comsistente em mera manifestiqiio do 3 linhas, .8C1T1 a juntada de qualquer documento de pp ova A analise te's..crilea (10 loomierilizada foi apt esentada na resposla quo sido n° .3 do; esclarecimontos apresontados pola Max-ron om novembro do 2007 (fls 1012/1021), cujo iesultado apontou ile O it'al.a142V1110 dodo pela Alayion Joi o 700 - 5,1// O dad() ao (tpo lei(oamonlo do .5 /510/107, coot inserções das modifi00005 nas eslmturas das- produtos decorrentes n;oihora o mudanças nos prodmos .1 cciii, eabe parct essa hipótese a mesma 0 7/1 a da mudon(a dos estruturas de oitos polci evolucõ0 do processo produtivo, soja, tuna ve.7: Pon] icada a base do .sistema, n(Tio testain moios de SC conhecor 0 baso anterior, COMO podo eonstatar das oriontiloões (:0/ilidas elo Manual do /15(W) /O - Of.(lens do produ(iio 511/528) 1)o erido manual se erktiai que, ainda quo a cstruillra do produto tivosse sido modilic(lda, a est.' unna vigonte no moment() do aboron a (10 oidem de pi-Q(11.1(17e e quo (5/ 00(1 a movimentaçõo dos itens dc os toque, ou s. (10, alocava 00(10 componento do produto, nas quantidades necessót paf a a fah, ic0Q70 do 5 pi-or/trios elativos eada ordem, confinme composicc'to da estrulura ntrquele moment() Como a diligencnt notrve os elementos da 100 hq como, nesta diligencia atual, obte-los Ainda pot que, esses el-0/10s se aft/slam para 0 fiturro, som imerkrir nas 0/1.07 (10005 /710 /21 Mrs Lan relação ã quantidade de tais produtos que sanam do estabclecimento, disse que, "Diante da inexistencia de dados da época, não se tem como deli nit quais as quantidades de produtos vendidos corn alteração do sistema, por redefinição do custo ou por redefinição da esttutura de formação do custo," No tocanle à demonstração das (Ii feren.os sobre o saldo, afirmou due constar ia da IL 1012 dos autos "explicação detalhada da inexistência de rellexos nos saldos dos estoques" e acrescentou que "não se constatam diferenças porque os ajustes produzem efeitos futuros" e o "reprocessamento dos conl roles de estoques se deu, apenas, para adequar a PK/CI-111,1SO 11 " 3531 00001712002.-19 S3-C312 Afúrd;7ion.." 3302-00.462 Fl cronologia de movirnentac'ao, como .ja mencionado 11.0 capitulo 3 do Pareeer Teo:Lieu juntado As 377 i 379" Quanto a apresentaçao de documentayao relativametilc ao sistema de connote de estoque, alegou que constaria dos anexos I a 3, tendo sido organizada por produto. A coinprovae5o dos erros quanto as datas de aliinentaçao do sistema de connote de estoque poderia ser constatada pela própria ficha de MOVilitelliaÇa) Relativamente entradas para testes e semelhantes, afinnou que os produtos estariam identilieados fls, 215 a 217 e os esclarecimentos prestados As tis.. 1026 a 1029, além do payeer técnico de lis. 1021 a 1023. A seguir, no que se reteriu aos lançamentos contabeis decorrentes de riconsistencias do estoque, alegou: (.1s (./us/es de estoque feitos pela .Fisealizada eram . feitos contabilmente (to tempo do lechamento 1110010I ilci OpCT0(5c.s, cortfOrme amostra colhida na dilign( ia fiscal original (IA 97 do,s auto e _59 do auto dc infraçao) N00 há lançamentos de ajustes decorrentes dos remanejamentos de estrutura de custo no sistema quanto a estey não houve itfeta(,..ao de resultado e nem (rjuste em base de cálculo dos tributos due/os. A Fiscalizaça.o lavrou o relatório de fls. 1133 a 1136, resumindo inicialmente as explicacóes da birteressada Além disso, esclareceu o seguinte: II - Deixamos de apresentar relatór io resumido do process° pois o Rehitór .i0 e o Voto do Conselheiro relator-, constantesà.s fts 1035 a 1041 deste processo, permitem a c0inpreens0o de todas as circuirstancias clue curtecederam este pedido de diligCncia Passamos, diretamente cb apresentaçao (Ias respostas do contribuinte aos questionamentos constarnes da Resoluelio cm epigrate ii - No itk:wi 5 do voto (f is. 1041), 0 Consclheiro 1 Ci0107 - diz que a Tiscalizaçáo deverá cr.miparecer ao estabelecimento da interessada, que devera demonstrar-lhe todo 0 process() do stipo.sto warmly° de estoque , 0 OTIgem das - injOi mayTics - cm tese, a mesma da é720(0 açei.o fiscal -, as infOrmayeies sobre a estrutura dos produtos awes. e depois das co/fey -res., a forma como linam eletuadas as correções e a compataçáo entre as inlbtinações anteriwes 0 as atuais ii seguir, a fiscalizaçáo (level (.. "1 relator de forma objetiva como lhe Arrant passada.s tais informações , é o que passamos a relator. Pm 28 de pith() de 2009, comparecemos 00 estabclecimento truer e s soda, para reunião COM OS seus represerautite, Sr. Leon,/ Pe/cgrini da area (ontábil).„V. Fernando Cai icale (contabilista que assina 0 Parecer Técnico de Its. 1008) 0 o Si Nilo Cielos este g,erente dci !it co fiscal e procurador da ernpresa becialmente foi lido pa; nós, a itcm .5 rio voto Ia COIndh(.".if a relator e solicited() oar representerntes empl . c..!srr. (pre disc orressein sobre 0 assure°, com o hereto de a i aiicia; à solicita(ào (..7onse7herro. 0 Si Fernando Car Ica le prop"; inlciar• corn um hri.T(.! dos faros ocorridos, apos o quo, as tetria er di sposiçào pale quaisath..T es(larecimentos qua Sc! flees sere necessários, a qua por nos acatada Iniciou caplicundo os proced imento.s de registros e haiyas de estoquec antes e depois (la fisealiza(Jo ern tact, ao fen do que, afirmou (pre ndo havia erro meta da pr. ()ditto au des.ontrole nos rc.i.siros.- a hail-as de estoques, o gee alter-011 fól a forma de. apr isto à ilucic.11manic or re,f-_21stros e brevets (..1 -a fei lay por apontamento e em determined° moment°, foi elintinado o apon tamer! to e infórmatizado o controle. Cam ci infi ;vela começarani ci 0cm rar saidas antes dos regist" os de en tradas, o que gerava, momentaneamente (per lodos de dies) re,,,i;istra: ncgativo nos. saldos dos esloq nes, trolanto, bis registros nao passavare de we fers par a aueo Ouestionado, a Si Fernando Or (:ateiror icamente, que N., 10 IJOUVF ,S`,11 DOS NR(l,4711/0S AO L'INAL (7/11)/1 4.1F,S filtarincra (Ueda (plc as fichas fbra rc:Ii.-!eas corn a obser onologia drA fi adas a daA saidati a, am decor I. (- :?...ecia, houve o dewpal eel mento dos sa !dos negatipos Encer and() esia par to (la apresentaeiro, a Si Fernando afire/re' quc 0V alteraoTles nos- rep,istr as dos estoques !rode' iam ser Tesumidas em tres . situações Mho' 110 ci onologia dos ; egise os a seu/era dos p; odulos Ofiestionado solve a ese Wura dos prod utos, i esentie rapidamen le a si.stema MIL-ado (Back-Hush), On (101' itens de uma estrutur a q !ramie a (..)r dent de ProdwYto era realizeula formou que o sistema nero pas side ulna trava witonniticcl, que verilicasse "online" Sc' (r. ado (I(A j(r1_ havia sido registrada ficha de cone ole de estoque awed() asses insurnoc et. am Fequisitudos pet(' Orden; dc Pr odeerio OlIC S tiallado S ehre 0 4140 de apheado a pogo pela c repro sa rils 60 e seguintes deste ocesso), os ii i/S i'L:preS"Cill(liliCS do cremes(' afirmaram que wit rele Arno de nfrao-lo decor r. eu de difi.lereas de invert Ice io e oApor taçoes re-io ; calizadas (),trestionado Si! o /Iwo Infroçao rill() decor e" a de a »isles de estoques lovados a eke° par c onto dos saidos irep,ativos, ale ma" am, categor ;warm:Ilk illfc" OS" WINOS PC-gill:11 ,0S ()beck's nao Hie epos tavern a ere; c cm e, cm riecorreia, neio haver ai !Ales para. (:!.1 (?in levados ris comers de resulted° I rlda,fiwrlo, reperiir Hera fOrren levatlos ajustes prey as canters (le i esullado 1'roces:::0 ¡I" I 3551 000017/2002-19 S3-C.3 12 Ac6R150 ii 1302-00.462 1-1 41 RIO e o quo no.s foi informado. 'Sobro a forma COMO HOY Ibram passadas tars informavics, vorificomos quo a apre..sontoçao fOito do forma segura e cocrente com Os argumentas »í infõtmodos em today as - outras informações 70 prestadas pela emptesa. Ressaltamos quo as informações anteriores da emproya nao fOrom pot nós auditadas, !nos Mio ha ineonsiviências critic o que .fin argumentado na re.sposta a esto diligência e o quo foi 0 (rpresentado 71e,Sia relf/liao E o que nos calm! relator VII - 11 (le se eselarecor que ci consistência dos informaçõe.s Otri pIVshRIUS aquelas prestadas anteriormonio, bom assim, alegado roordetramonto cronologico (.los lançamontos levados cfeit(»ms fichas de C011ifOlO de estoque, nada nos di±ent a espolio da confiabilidade claque/os controles 17-so que tal controle unecia do precisiio pois a contagem Tevciou dif(..len(ds do esto quo quo fi.n - arn levaday cl contabilidade, confinmo planilha do apura(do de Ils I 72 dc,sie proce.s.so 0 próprio contribuinte infOrma que os osloque cram ajustados contabilmente ao tempo do fechamento mensal day operações (Ifs 1(157) Ent resposta ao relatório, a interessada apresentou Os esclarecimentos de 11 -.37 a 1.147, CM que, inicialmente, resuiniu os resultados da c1i1igncia , tendo acrescentado o seguinte: 1)o /ato, tanto o sistema do cOlIttOIC de estoques Recoil - unto c'! oonfhivel quc:' pertnitiu detector a falha ocorrida, 011ielldliqa 0 001figi-la Após a cot 7 CÇ:ao, a inl'orma(ao passou U sor adequada 110'S resultados da empresa, C:07170 bom 07ipliCliad0 101110 110S 105I)0 s /a s ria Recorrente d (Niger -lord, guard() no laud° pericial contabil acos tad° aos autos Poi mitt- o ludo, ao apontar no Relatório Conclusivo a contagem fisica osloquo como elemento da impris(io do sistema, olvidou-se a liscalizacao do que a infroduçao da contagem fisica pet em todo e qualquer sisterna (le contiolo de esloques, 101 'Lila para so ehminai Milom quo, porvenand venha a ocorroi duronic ci iealizacõo do processo cio cm( adds e saidas do nrol(V .ia prima, matcriais auxiliares, produlos cm ff OCOS Sc) e produtos acabados, mds isso le1,41 C't cor clu,sao de qUe 0 si,steuto n 0/0 seta confitivol Nosso sentielo, a alit movio final da [Rea/L(10'i°, trazendo, inclusivo, a constenaçoo da contagem fisica (11s. 172 desk! pi ocos so) e a informação de quo os 'estoques cram aj ustados contabilinente ao tempo do fechamento mensal das operaeCies (lis 1057) ", confirmam a precise-1'o do sistonia contiole do O fic.7.o o cormario.. E confirmam, tarnWin, o cumprimento legal do realiza(ao de inventario a cada lecharnorno O scu colic-10 ragisoo contabil pant imputar adoquadamente os custos de prodtwao, requisito basic° [mug que se possa escriturai corretainente o Livio de Re.stro do inventario. Realm-route,O Iiindainental er! que conlOrine comprovado nos autos, Inuit() einbora tenhain oc..01 rid() alguns movimentos "ne,f2yitivar" relativainente a alguns produlos no sistoma do baiya de in.sumos pelas 1o7.60.5 j(1 acimo erspostas, ein moment() algum houve 011sequer se eogitou de apropriação indevida de credito de intposto, .sendo certo que todas as matérias-primas e conjulnos adqtõridos e regularmente entrados iw estabelecimento da Requerente possuem documentos relativos à operação, COMO resvallado peter aruilise pcticial conló.bil (doe 03 do recurso) 0 esclarecimentos j» 051(1(105 ern atendimento hitinia0a0 s'sim é que, "data maxima ven"„ demonstra-se arbitrária e ,sem qualquer sustentação A-flosa dos valores pleiteados sob a ..justificativa que restou proved.° o valor pretendido, (onto sustenta a d. autoridade fiscal, au% porque tal eirciiimsiâimcia per si só titio pode tu/minar O pi .óprio direito da Requerente. Realmente, ainda que lido aceitos o.s controles de produção e ostoque apresentados it . fiscalização, o que so whittle apenas pant atrunwntar, o &wit() ao .gozo do beneficio decorre da lei e portanto subsiste, sendo certo que por °alias . formas podem ser quantificados os valores totais das aquisições matérias- primas, produtos intermediários, e material de eiribalaeni utilizadas no processo produtivo, sob pena de se fithninar o próprio dire mediante a análise de Notas Fiscais de Entrada "versus" prodwiio, considerando que toda e qualquer matéria- prima, produto in1ermedi&i.0 material de embalagem adquirida e que deu entrada no c,..slabelecimento da Requerente sempre esteve acobertada pelos documentos pertinentes, exigidos pant 118 operações, fain em momenta akinn questionado polo fiscalizaciio. A seguir, citou ementas dos C.',onsellios de Contribuintes sobre impossibilidade de lirnitaça) de beneficios, ".s -e 0.5 denials wquisitos provistos em lei. Jou preencludaç" I) relatório Voto Consetheiro los6.Antonio Francisco, Relator 0 T 00111 .51) (",s, tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conheeimento. Inicialmente, quanto IO pedido para que 15 intimacoes scjam encaminhadas ao eseritório do advogado, trata-se de matéria de competaicia da autoridade local corn jurisdi0o sobre o estabelecimento da Recorrente Ressalte-se, entretanto, que o (-.46digo Tributzlrio Nacional (Lei II_ 5.172, de 1966) e o Decreto n" 70.235, de 1072, estabelecem como 8 Process() 11" I 551 0000! 7/2002-19 S1-C3 r2 2C.011F)10 11 :3302-00,462 1 • 1 5 a autoridade fiscal deve tratar a rnatéria, especilicamente no que diz respeito as intimações, não havendo previsão pata seu envio ao endereço do procurador. Quanto à per icia e à alegação de cerceamento do direito de defesa, trata-se de materia relativa a convicção da autoridade julgadora que, para concluir pela improcedência do pedido, entendeu não ser necessária a perícia. 0 entendimento dc que a produção de provas deve ser efetuada no momento da apresentação da impugnação encontra respaldo no Decreto n" 70.235, de 1972, e não representa contradição Tanto assim que, pas resoluçôes aprovadas pela Camara, não se aventou de pericia, pelo fato de que a matéria não ensejaria a opinião de urn especialista mas basicamente demonsti ação probatória, o que foi alcançado pelas diligencias realizadas. A matéria que seria exame da perícia de engenharia também não requereria Perícia para ser elucidada, pelo fato de apenas ser necessário saber coin° os chamados insumos seriam aplicados no processo produtivo. Quanto ao crédito presumido de IN, a alegação da Interessada de que a legislação exigiria, como rinieos requisitos para a fruição, que a empresa fosse produtora e exportadora de mercadorias nacionais é ingênua.. É elementar que a afirmação pressup6e a prova dos fatos e, ademais, possibilidade de apuração do direito de crédito.. Sc a ernpresa produz e exporta produtos nacionais mas não prova que o faz ou não demonstra o quanto exportou, o pagamento do beneficio não pode ser efetuado.. Por isso mesmo é que se discute nos autos se o controle do estoque seria fidedigno Ademais, Rao se discute nos presentes autos se a Interessada poderia utilizar outro ni 6todo de apuraydo, uma. vez que houve urna tentativa de alteração do método de apuração da qual u própria Interessada desistiu. 0 que se trata, portanto, é. de um caso bastante especifico e não de (In eito genérico ao crédito presumido. Dessa forma„ passa-se à análise das glosas A tabela, abaixo demonstra as exclusões efetuadas pela Fiscalização. Period() 1.11/2.11 1..31/1 32/2.31 1.99/2.99/3.99 Iskao de Infraçlio (.04 4o 111,011111d1: Tolal '14dal a gl.,.));:1) a ,141.),),af 4 .)_)10,-.:)). a ..) ) 1):naf ,1...a.10.,,0)).,1) ,,i0,1 ■ 0:).1),..),,,Impe.),1).e 1.-1))1410 497 29 5511 75 17.23 i').6 1 011 4 7 1)57105 1.121 .1111/01) 131 2 9 11 1 0 ES 191124 212$21 031 1 iiiin0 1 94 0 27 57045 2111 12 0 ))1)77 •.))) " 126 CH 11721 H -2. )0 561 44 51 39 1 71..1 34 1 501 24 7 90S11, ).1 1:12., 4 ))1011 2013 0221/ 22191 449 14 0 4 7114 94 043292.4 1019 1/ 2 1:)',1)1 11 2 3)0 . 90 16 39 i 9/ I— .....I-00 66 1 1 20 2- 1 '..; 2 10 ,..'0 1 :,..1. 7 79 07.P. ■ i!CIO / 4., 2% :',:.(", XL,. 71;1 ̀..,.`i: 1 1 7 '. T.... 21,00 06 ',01 ..Y.., 16061 ..; ,..:,9c, 7;,.. 0; 1 29 ":.[.. 100 -.141.6, l'.. -2 :::11 7:, Segundo os documentos constantes dos ffitos, 05 produtos dc CFOP I.I 1 e 2.1 I seriam o seguinte: espiral de aço, bico dc contato, porta ftesa, toda motot a, quebra cavaco, calço, I ebite , pedi a pia isqueno, oleo de pi oteçao, bico de corte, oleo térmico, rodízio giratório, mola, guia, flange, grampo, manipulo, anel dc pressão, bocal cônico, nvore , thinnei, válvula, porta bico pal a tocha, suporte, embuchado magnético, caixas, pallet., pond I. ante (coin:role de qualiclade), para fits°, cilindro pneumatic°, ponteira par a cilindro, chave, estojo de pinças, pot Ia I iça, chavela, eixo, isolador, placa compensadora, prato posicionador, acendcdor para maçarico, adaptador, "outlet", braço de pressao, unidade de limpeza, conduit e, rolei es cônicos, chave "tork", alojador de guia, graxa, lieza, piloto, macaco meanie°, pino, alavanca, porca, cápsula, guia espiral, rolete, pastilha, verificação (serviço), distancia (gabarito), inspeçao (gabai ito), mandril (gabarito), posição (gabai ito), profitndidadc (gabarito), tocha, componente de fixaciIo, flexivel , osquadro, serviço de usinagem, massa de calatétar, loco]. (manutencao), calibro dc inspeção (gabarito) Destes produtos, foram glosados os créditos relativos aos soguintes: oleo, dosengtaxanto, chapa xachez, tubo, barras cantoneiras, chapa SAP, chapas pala braçadeiras, pertil, tubo dc recalque, tubo de sucção, viga, óleo de proteção, válvula borboleta, "(haw spring" (pela paw rob() de solda), braço de pressão (solda), poças de máquinas, parafuso, removedor e revelador (controle dc qualidade), col iente, calço , bico spray, cilindio, tolamonto, motoi Weg, peneriante, eletrodo, quebra cavaco, cabo de corrente, mangueira, inibick» de col iosão, lubri ficante, viga, capsula, csfera, trilhos, porca, engrenagem, tub() dc aço, conexão rapida, sensor, bomba, tomadas, bobinas, fixação, silenciador, conexão, distt ibuidor, 1cdu0o, bati a de montagem (solda), arruela, transportador, csleira, base, kit de reparo para cilindro. A ludo da glosa é sua não aplicação direta na produção e a Interessada aposentou laudo justi ficando o uso dos produtos De acordo com o laudo apresentado, os produtos seriam especi heart -lento os seguintes: 1) materiais consumidos no processo: coii entes par a motoiização, válvulas pneumaticas, gf axa; 2) materiais usados e consumidos no processo: - parafuso e calço quo fixam o ângulo do inserto/pastilha, - ai ame, fluxo e gases de solda, Ml( (arame de solda e gases de proteção), are° submerso (arame de solda c fluxo), oleo de lam nação (iarninaçao, se evapora mio contato corn a supeyticrie), sabão de estampagem (estampagem, idem anterior), granalhas do aço (decapagem), tintas e solventes (proteção da superficie dos componentes); - gases e flux° impedem o contato diido da solda com o ar, evitando a - o x id ação; acessórios para o process° do solda: bico, bocal, spray protetivo - acessorios paia corte a quente: isqueiro, bico, bocal, mangueir a. lo manguei ta; I 35,1; I 1)00017120(12-I 9 S3-C312 Acói 1.150 11 " 3302'00462 Fi Coii liame esclarecido pelo acórdão de primeira instancia, para se enquadrarem no conceito de matéria prima ou produto intermediario, os produtos devem satisiazer as condições previstas no Parecer Normativo CS! n. 65, de 1979, que são "o consumo, O desgaste ou a alteração do instal)°, em função de ação direta exei cr.da sobre o produto em fabricação", e o contato direto com o produto 0 replan-teak), nessa matéria, ref -ere-se a produto consumido 110 processo industrial Cabe esclarecer que a referi.'ncia ao termo não consta expressamente do att. 25 da Lei n.. 4.502, de 30 de novembro dc 1964, cam as alterações dos Decretos-lei a.. 34, de 1966, e L.136, de -1970, que estabeleceram como condição para o creditamento a destinação do produto adquirido comercialização, industrialização Out acondicionamento". 0 regulamento, por sua vez, impôs duns condições, ao estabelecer possibilidade de crédito: tratar-se de modulo consumido no processo produtivo e não integral: . 0 piodulo o ativo permanente Ja. a Constituição diz que a não-cumulatividade se processa pela compensayrio do imposto cobrado na operação anterior (irrt. 153, § 3 0,11). A. Constituição não estabelece de maneira clara o que seria "operação anterior". Dessa forma, os limites sobre o que gera ou ado direito de crédito podem ser objeto de regulação legal , dentro de limites iaterpretativos que não impliquem a descaracterização da não-cumul atividade. A lei, na realidade, estabelece uma condição bastante restritiva, dizendo que os créditos referem-se a "produtos entrados", de forma que a comercialização, a industrialização e o acondicionamento mencionados referem-se a destinação do proprio produto. Nesse contexto, o regulamento impôs limites menos restritivos as disposições esclarecendo que os produtos consumidos no processo e que não se destinem ao ativo permanente também geram direito de crédito . Ao assim proceder, o regulamento aparentemente impôs limites que permilidam a interpretacão realizada pela recorrente, entendendo que todo produto que fosse consumido no pi ocesso industrial e não se destinasse ao ativo permanente poderia gerar direito de ci6dito, Partindo dessas premissas, não se pode admitir que o regulamento possa estender os limites legais, sob pena de ilegalidade Então, é preciso interpretar as disposições egulamentares de forma a compatibiliza-las coin as disposições legais Assim, a interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n 65, de 1979, é a mais adequada, ulna vez que identi.fica uma característica das matérias-primas e dos produtos intermediários comum também a outros produtos utilizados tro processo in.dustrial, que justilica o reconheci nento do (liven° de crédito, que é o contato fisico coin o produto (item 10 1).. De acordo corn o laudo apresentado, tais produtos seriam consumidos no processo ou incorporados ao produto final. Q 1)\\ Entretanto, não se trata de produtos que se integrant ao produto fabi icado c seu consumo não se da pelo contato direto coin ele, con forme exigido pelo Niece] Normativo CST n" 6.5, de 1979 Hselareça-se, ainda, em relação aos produtos que, em tese integrar-se-iam aos produtos fabricados, como as soldas, que não houve prova de sua efetiva e especifica utilização em produtos fabricados, uma vez que poderiam set utilizados na manutenção dc equipment os e bens de produção. Quanto aos produtos de (.. -",FO.P 1,31 e 2,31, tbrain glosados por conta da falia de controle de estoque, questão que sera tratada .juntamente coin a análise do crédito presurnido. Em relação aos produtos de ('FOP 1.99 e 2.99, seriam os seguintes, segundo 05 documentos constantes dos autos: suporte, porca, parafuso, wash, gardonclean, conexão rapida, chassis, dispositivo, empilhadeira, derust, EB, esmalte, suporie, cubo, cera, primer, lapis, broca, mandril, 10, wilco (AG), solução PTT (AG), buhlguicol (AG), conjunto, suporte sensor, rebite, fita, iilmric , selo, caixa de metal, aio, disco, ti avessa, transportador, co -wick:11, roda, maquina, fundo selador, rolamento, concentrado, ferraillentas, união reta, sabonete liquido, kit dc vedação, transmissão 0 motivo da. glosa foi tratar-se de amosnas para deinonstração, testes corn ou sem retorno, partes e peças dc máquinas, remessa de moldes de clientes, todos sem comprovação de uso no processo produtivo (remessas para demonstração, consignação etc.). A Interessada afirmou que os produtos estariam identi ficados ástis 216 a 218 e os esclarecimentos prestados às lis, 959 e 960, além de no parecei técnico de lis. 1007 a I 099 e 1486 -Entretanto, somente a chamada perícia de engenharia não 6 meio hábil para esse tipo dc prova, que 6 de natureza contábil e fiscal e teria que ser efetu.ada especificamente em relação a. cada produto, unia vez que a natureza da operação de entrada não era condizente corn a alegada finalidade de emprego na produção. (,) fito é que a Interessada não demonstrou sua utilização, embora tenha sido cientiticada do Lem da resolução que aprovou a diligencia anterior c a questao tenha sido suscitada na éFIima diligência. Quanto aos ajustes do auto de infração constante do processo adminisfrativo 10860_00.5574/2002-'78, tratou-se de ajustes de estoque (II 97), utilização indevida de imunidade e inobservância do valor tributável mínimo. A Interessada pagou o auto de in ti - ação, conforme Observado pela primeira instancia. um Felacr.do ao "ferramental", teria havido aputa.ção a inenoi da base de cálculo, com aplicação de multa por não destaque do imposto, reduzindo o crédito. Ern relação à revenda de mercadoria (apuração a menor da base de caleulo), aplicou-se multa por não destaque do imposto, também reduzindo o crédito. A Inlet essada pretende, no presente processo, discutir regularidade da situação, embora não o tenha feito no auto de infração 12 Procesm) a" I 3 55 I 00071712002-19 53-C3 I 2 A c6r(l'i() ri " 3.302-00A62 1' 1 7 Entretanto, a nao contestaçao do auto de infraydo implica concorclancia tacita coin os latos apurados, de forma que naoé possível admitir a rediscussao da matéria, a vista das disposições do art. 145 cio Código Tributario Nacional. Passa-se, a seguir, a analise do controle de estoque da Interessada As provas colhidas peia Fiscal izaçao em rela.çao a imprestabilidade do controle de estoque da Interessada foram as seguintes: 1) Auto de infrayao sobre ajustes retiticadores de saldos negativos do estoque, em tace da -Yalta de emissdo de documentos fiscais (1 61); 2) Razões dos saldos negativos (lis. 80 e 81): eliininaçao dos "apontadoi es de produçao", em . janeiro de 2000; mudança no sistema de baixa de illtit11110S; crio na estrutura do prod rito, cuja con eçao jib teria sido providenciada; ati aso na alimentaçao; alimentaçao do sistema no dia útil seguinte; 3) Comunicaçao interna (11 82) relatando o problema causado pela demora alimenta0o do sistema de baixa; 4) Comunicaçao interim (11 83), dando conta de que a causa principal dos saldos negativos seria a demora na alimentaçao do sistema de produçao, que poderia alcançar q at o (I i as; 5) Conninicaçao interna (11, 84)„ relatando a continuidade do problema; 6) Relatório de valores contabilizados na conta "ajuste diferença de inventario" ('H. 97), entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001 e entre julho de 2000 e dezembro de 2001 (11. 172) Na primeira diligência efetuada (Hs. 945 e 946), a Fiscalizaçao adotou o procedimento cle questionar a recorrente, quando deveria ela mesmo ter verificado os latos requeridos Nesse contexto, as respostas da Interessada foram as seguintes: 1) Quais aquisições nao dariam direito a cr édito? Somente as do laudo on orilias? Resposta (11 956): silo somente as relacionadas no laudo. 2) As fichas de controle silo contiiiveis e têm todas as informações pa i a. serem. achnitidas? Resposta da Interessada: sim. 3) Quanto ao processo 10860.005574/2002-78, resposta c,onliirme consta dos ti os 4) Quanto aos produtos de Cl OP 1 99, 2.99 e 3.99, foram posteriormente adquiridas pela teem) ente? Resposta: sim A.s respostas da fisealizaçao foram que a Interessada teria adotado u ni novo estoque, que seria "equivalente do equivalente retroativo".. Juntou copia do movimento do ahnoxinitado emitido em 15/05/2006, demonstr .ando o estoque negativo Na segunda diligência, aprovada pela Resoluçao n. 201-00.689 (IN 1030 a 1043 requerevani-se intoi mações sobre os erros na estrutura dos produtos„ erros nos ç. lançamentos nus fichas de controle, amostras e consignações (processo produtivo e conversão (his entradas- cm vendas). 'Nil° foi realizada diligência e a liscalização produziu o relatório de tis. 11)45 a 1058 e destacou que a Interessada pagou o auto de infração sem contestá-lo; alegou que Os erros na estrutura terrain sido o principal motivo dos saldos negativos e que o problema leria pet cl ado dois anos; destacou as di ferenças apuradas no estoque., em função de discrepancias no estoque. Empresa refutou, reportando-se aos laudo e parecer. Nova resolução toi aprovada, tendo sido a diligência, desta vez, realizada con forme I ever ido e minudentemente exposto no relatório. Para analise da questão, é importante resumir os critérios adotarlos para requisição das diligencias, que, de fato, apontam as razões necessat ias A torn -K.1.0o dc convicção. Primeiramente, a apuração de saldos negativos, por si só, nao implicam a i mprestabi idade do controle do estoque. A apuração de saldos negativos é consequência de Minas n.o controle de estoque, que podem ser sandveis ou nAo. Nesse contexto, upuraram-sc originalmente no presente caso duas causas: descompasso na i!imei.taç)o do sistema e crio pa estrutura de produtos. () descompasso na alimentação do sistema, por sua vez, pode ocorrer coin maior ou menor gravidade, 0 que, de fato, não foi aptuado pela Fiscalização, tondo a Inter essada insistentemente afirmado não ter havido transferência de erros de um mês pat a o segu i nte. .IA o erro na esirutura dos produtos eS um probletna sério, que compr()Incle o controle do estoque, uma vez que a baixa das matérias-primas seria efetuada de forma completamente indevida. Em relação a. essa matéria, a. Interessada afirmou que, na realidade, 1 -6'0 lei ia OCOrrido, sendo quo leria mencionado a qucstão uma única vez, não tendo a 1 , iscaliza.ção demonstrado o fato e tendo os laudos apresentados demonstrado sua inexistência. Essa roi a questão central de todas as diligências, uma vez que, dc taro, a Fiscalização n.o colheu prova material alguma (demonstração contábil da falha) da ocorrência de tal Cato. Nas opiniões que forneceu As diligências, a Fiscalização insistiu nas respostas da Interessada, no desespero dos funcionários, nas diferenças apuradas, mas, ainda assim, não se metre:L.9)ot] em demonstrar diretamente a. ocorrência da falha Por outro lado, a Interessada apresentou um parecer, segundo o qual tal fato nunca terra ocorrido. A análise direta das lichas de controle, que per a reconstituiçao dos saldos na ordem correta das entradas e saídas de píOdutos, permitiria demonstrar suas alegações (.) que se pretendeu na .altima diligencia foi exatamente apurar corno tal apuração seria possível e a dimensão de tal problema (produtos a tetados e valores incorretainentei gerados). 14 Pi .ocesso if 13551 .000017/2002- I 9 S.1-(7112 AoLirdi'io n.' 3302-00.462 I COMO resultado, constatou-se que as informaçOes constantes do laudo e parecer seriam coerentes cam os documentos apresentados pela Interessada. Vale dizer, os novos saldos foram apurados com base nas fichas de controle de forma coerente. Lntietanto, a questão do erro na estrutura dos piodutos 171.10 fbi esclarecida a conterito pela Interessada, pelas iazôes a seguir expostas Em relação ao auto de infração, que apurou diferenças de estoque, a Interessada negou haver decorrido dos saldos negativos . Lniretanto, conforme „Kr esclarecido, Os saldos negativos são unia consequencia de talhas no controle Se há saldos negativos e apuração de diferenças de inventario, urna mesina causa pode explicar os dois fenômenos. A c.fuestão importante seria desvincular a causa do auto de in fração do et ro na estrutura dos produtos, questdo que não restou esclarecida. Portanto, o tato de haver auto de infracao decorrente de di ferenças de inventário é indicio relevante de que poderia haver erro na estrutura de produtos. Conforme esclarecido no relatório, ern relação à quantidade de tais produtos que saíram do estabelecimento, a interessada disse que, "Diante da inexistrMeia de dodos da (Toed »00 se tern como detinir quais as quwitidnde do produtos vendidas coin alicraçiiio do 0st:cilia, por 1 edefinieao do custo 00 por redelinkao da estrutura do lOrincletio do custo ' 7 Como consequência das afirmações da Interessada, Ili-to se teria como provar diretamente a existência ou não do problema, embora, no parecer juntado aos autos, teria sido possível apumr que a causa dos saldos negativos seria apenas o descompasso na alimentação do Si stem a . .Decorreria tal possibilidade da recomposição da movimentação de estoque a partir das fichas, o que tainkérn resolveria a questão do descompasso, uma vez que, das tich.as, constariam as datas de movimentação.. Lntretanto, não há corno aferir a contiabilidade do sistema sem se poder analisar a dimensão do problema causado pelo CITO na estrutura dos produtos, o que, segundo a própria hiteressadzt, não poderia sei apurado, "(hank,. da Judas da cr!poca'' Ademais, constou do relatorio :fiscal a seguinte informação, fOrnecida pela propria Interessada e já constante do relatório: .Encrell turd() eqa park da apiesentacao, o ,S'r Fernando afirmou que as idle, ações nos registros dos estoques poder lam set esumidas ern Ives situtu,:aes father humana nos apontamentos, cronologia dos registros e estrutur a dos produlos. One N tiOth td0 )obre a estrutura dos produtos, resumiu apidamente o sistema utilizado (Back-Flush), ou seja, a baixa aritomatica dos dens de Lima estrutura quando a Or afoot de PfeduçiCio 0111 realizada InfOrmou que o sistema Ira° /101 unia ama tram automatica, que verificasse "online" se a entrada dos insumos ja havia sido re,istrada na ficha de controle de estoque, quando esses insumos eram requisitudos pela Ordem de Pi Odil1ii0 15 Tais questóes, em princípio, colocariam em xeque a afirmação da própria Interessada de que set ia possível apurar corn fidedignidade as intormaçoes de movirnen(aça.o de estoque, pois, na realidade, não se pode (lesCart ai a ocorrência de etro na °strut -Lira dos produtos e, além disso, não se pode avaliar a dimensiio das consequências de tal al lia Entretanto, a Fiscalização tat -14)6m não foi capaz de demonstrar a existência. do erro na estrutura do produto. Consequentemente, o que se verifica é que a razão de a Fiscalização não haver respondido adequad; ,.ffilente lis outr-as ditigências err a pi dpi impossibilidade de prova, (rue, no caso, deveria ter sido efctuada Ib época própria.. 'Nfo tocante aos cléditos de C.14 -11) 1.31, 1,.3'2 e 2..31, trata-se de retornos de prodatos que saíram com débito, para o qual o Regulamento exige o registro de controle de estoque ou equivalente, única razno pela qual os Créditos foram glosa.dos, nos termos do art 169 do Ripi/2002: 169 0 &toil.° ao c) -4>clito do impost() &at condirUmado ( .10 cumprimonto dos so:■ 111.11 tes c.vigc 3m. v.in ir 1 502. de I 064, ro .2 7, 4')• 1 11 - pelo eslabelecimento que yeceber o ptoduto I ill (feio/tIl (TO .1 1)) c-,'s();not'acito das 11010, fiscais rece .:'Indas no livt Os Regis'', o Eilf.tadat e Registt o Controle da Ri -odualo I do Estoquc, 011 em sistema cvavalente mis let mas do at i778, e c) pi ova, pelos ) egis/r os conhjbeiÇ el.enu..-wtos de 81.10 Ctiei t es s- arcirwnto do vale)t. dos pt odmos devolvidos, mediante crédito on estitui<ito do mesmo, ott sulystintly'io do produto. salvo se a opo-0(0o live) sido fi'ita a titulo aflito Portanto, a razão da glosa foi a inexistência de controle equivalente de estoque Como o controle de estoque da Interessada foi considerado habit (efetivamente equival onto), a glosa não deve ser mantida, Em relação li Selic, não há previ são legal que permita a incidência de . juros, no caso de -ressarcimento de 111. Esclareca-se que não se esta falando de correção mondaria, mas de juros compensatórios A wevisao legal para a incidência de . juros Sei ie , par sun vez, somente se refere aos casos dc restituição. Ao mencionai a compensação (art. 39, § é claro qtte disposihvo refere-se aos valores que poderiam ser restituidos, não permitindo interprdnção extensiva. 0 texto da Lei n 9..250, de 1995, 6 clam, não havendo como aplicar por analogi a aquele dispositivo ao caso do tessarcimento. Procso n" 111551 000017/2002-19 53-C312 Acota",io 3302-00 462 1H I 9 A data prevista para o inicio da incidência dos juros é a do pagamento indevido on a maior do que o devido, data que somente pode Ser identificada se se tratar de pedido de restituiçao A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que nao consta da legislacao, o que reforça a tese dc que Os juros nao podem incidir, nesse caso (..:',orno a incidência de juros depende de expressa previsao n.ao sua incidência no presente caso. Consider ando todo o exposto, .ha que se esclarecer o seguinte: 1.) Em relaedo ao crédito presumido foi reconhecido, apenas, a efetividade do controle do estoque da Interessada, devendo os autos, no tempo adequado, retornarem ir origem, para a realizayiio de diligência para a apuraçao dos valores; 2) Ern relaçao aos créditos de produtos de C.1...01.) 1,31., i 32 e 2 31., foi. reconhecido incondicionatmente o direito de crédito, cabendo eventual recurso da Fazenda Nacional; 3) Em relacao aos &Innis créditos e a Selic, o direito nib o 1.bi reconhecido, cabendo eventualmente direito a recurso pela Interessada. Ainda ern relaçao ao item 1, seriam cabíveis eventualmente recursos da Erizenda Nacional (contra o reconhecimento da efetividade do controle do estoque) e do contribuinte (contra a condiçao de que o credito ainda depende de apuraçdo da autoridade fiscal). relacao a todas as ressalvas ern tese a direito do recurs() acima mencionadas, obviamente o achy() direito a eventual recurso depende6 da prova, pela parte interessírda, d tsíltistaçao dos requisitos de adrnissibilidade previstos no Ri Calf Fsgotados os prazos processuais e IAA:On-M(10S OS autos a ()rigor) para apulaçao do montante de credito presumido, sera cabível novo processo administrativo tiscal contra eventual reconhecimento parcial do direito de crédito As compensações apresentadas deverao Ser efetivadas em relaçao aos créditos reconhecidos e, em relacao aos nib o reconhecidos, deverao pennanecer suspensas ate que haja contraditório a seu respeito em julgamento, o quo alcança o eventual. contraditório mencionado no parrIgrato anterior vista do exposto, voto por dar provimento -parcial ao recurso, para declarar que o credit° presumido pleiteado seja apurado utilizando-se o sistema de controle de estoques apreseniado pela recorrente e reconhecer o direito ao crédito dos insuinos de código CEUP's I 31, 132 e 231. - Jose 'fit ;trio Francisco 17
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000324/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Súmula
CARF n° 68.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Súmula CARF n° 68. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13707.000324/200806 Acórdão n.º 2101001.496 S2C1T1 Fl. 46 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 20 a 22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para lançar infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, formalizando a redução do Imposto a Restituir IAR de R$8.702,711 para R$4.782,31. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 35), o recurso foca “primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 34 a 38): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício:2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 02/06/2008 (fl. 40v), o contribuinte apresentou, em 1/7/2008, o recurso de fls. 41 a 42, onde afirma que os rendimentos lançados correspondem a “Adicional por tempo de Serviço e Compensação Orgânica”, que possuem natureza não tributável nos termos da Lei no 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 1o, inciso III, alíneas “d” e “n”. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 44, que também trata do envio dos autos então Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13707.000324/200806 Acórdão n.º 2101001.496 S2C1T1 Fl. 47 3 É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte declarou originalmente, em sua declaração anual de ajuste do exercício de 2004, ter recebido R$67.753,35 de rendimentos tributáveis, e R$240,84 de rendimentos isentos (fl. 25). Mas, em 25/09/2007, enviou declaração retificadora reduzindo os rendimentos tributáveis para R$53.497,35 e aumentando os isentos para R$14.496,84 (fl. 29). A diferença foi tributada, na notificação de lançamento em análise, como omissão de rendimentos. O sujeito passivo argumenta que a diferença lançada corresponde a rendimentos isentos nos termos das alíneas “d” e “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, e dá outras providências. Transcrevemse os dispositivos legais: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e Fl. 53DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13707.000324/200806 Acórdão n.º 2101001.496 S2C1T1 Fl. 48 4 a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) Em suma, defende o recorrente que o adicional por tempo de serviço e a compensação orgânica são isentos do imposto de renda por terem sido excluídos do conceito de remuneração da Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Assim, as verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Esse entendimento já está consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68, que determina que “a Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 54DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002769/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
Ementa: COFINS NÃO-CUMULATIVA. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Somente os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil geram crédito da COFINS não-cumulativa.
TRANSPORTE ENTRE FILIAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRETE.
O transporte entre filiais não caracteriza serviço de frete capaz de gerar crédito da COFINS não-cumulativa.
Numero da decisão: 3401-000.708
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: COFINS NÃO-CUMULATIVA. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. Somente os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil geram crédito da COFINS não-cumulativa. TRANSPORTE ENTRE FILIAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRETE. O transporte entre filiais não caracteriza serviço de frete capaz de gerar crédito da COFINS não-cumulativa.
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Recorrida DRJFLORIANÓPOLIS/SC Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVA. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. Somente os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil geram crédito da COFINS nãocumulativa. TRANSPORTE ENTRE FILIAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRETE. O transporte entre filiais não caracteriza serviço de frete capaz de gerar crédito da COFINS nãocumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. GILSON MACEDO ROSEBURG FILHO Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO Processo nº 10909.002769/200696 Acórdão n.º 340100.708 S3C4T1 Fl. 728 3 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa do 2o Trimestre de 2006, no valor de R$ 878.940,69 (fls.84/85), com declaração de compensação do IRPJ, IRRF, PIS, COFINS e CSRF de diversos períodos, totalizando R$ 874.238,91 (fls.01/41). A Delegacia da Receita Federal em Itajaí analisou os documentos apresentados pela Contribuinte e elaborou o Parecer nº 021/2007 (fls.542/553), do qual podese destacar o seguinte: 1 Apesar de não ter incluído na base de cálculo do crédito os valores referentes à aquisição de produtos com fim único de exportação, a empresa incluiu o valor adquirido com a exportação desses produtos na formação da receita de exportação, que é utilizada para o cálculo do rateio proporcional entre as receitas obtidas nas operações no mercado interno e externo. 2 Excluiu da base de cálculo do crédito o valor de R$ 1.807.245,40, relativo a bens adquiridos de pessoa física; 3 Excluiu da base de cálculo do crédito o valor do “frete sobre compra”, utilizado apenas para transportar produtos prontos entre as filiais (540/550); 4 Os gastos com “armazenagem e frete na operação de venda” na verdade constitui transporte entre as filiais, razão pela qual esse gasto também foi excluído da base de cálculo do crédito; Ao fim, o parecer concluiu que a Contribuinte possui um saldo da COFINS nãocumulativa com origem na exportação no valor de R$ 524.703,35 e um saldo da COFINS na quantia de R$ 152.352,33, o qual poderá ser utilizado apenas para deduzir o valor da COFINS de períodos posteriores. O delegado da Receita Federal em Jundiaí elaborou despacho decisório deferindo parcialmente o ressarcimento requerido e homologando parcialmente as compensações declaradas, com base no parecer (fl.554). Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.583/593) alegando, em suma, o seguinte: 1 A fiscalização se equivocou no conceito de “receita bruta total”, causando erro no cálculo da proporcionalidade entre a receita de exportação e a receita bruta; 2 A fiscalização excluiu, do valor das exportações, os valores auferidos com produtos fabricados por terceiros adquiridos com fim específico de exportação, mas não excluiu esse mesmo valor da receita operacional bruta, causando desacerto no cálculo da proporcionalidade Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO 4 entre a receita de exportação e a receita bruta, resultando erro no cálculo do crédito; 3 O valor dos produtos adquiridos de pessoa física devem fazer parte da base de cálculo do crédito, pois a COFINS está embutida no valor pago pelo produto; 4 O valor de armazenagem e frete na operação de venda, cuja autoridade fiscal entendeu se tratar apenas de transporte entre as filiais, na realidade tratase do transporte de venda. Como os portos pelo quais embarcam as mercadorias para o exterior não dispõem de espaço físico suficiente para armazenar as mercadorias até o momento do embarque, a Contribuinte alugou um galpão próximo ao porto, no qual deixa os produtos armazenados até o atraque do navio, portanto, a mercadoria sai de uma filial com destino à filial mais próxima ao porto, com o único fim de venda; 5 O valor do frete sobre as compras foi equivocadamente classificado pela fiscalização como transporte entre filiais, pois na verdade tratase de insumos adquiridos pela Contribuinte, cujo valor do frete por ela foi suportado; A DRJ em Florianópolis/SC prolatou acórdão (fls.631/640) com a seguinte ementa: “MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS, NO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito da Cofins nãocumulativa, (inciso II do parágrafo 8.º do art. 3.º da Lei n.º 10.833/2003), na ‘receita bruta total’devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos , despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas vinculadas a exportação indireta. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou credenciados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, somente geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida quando houver prova de que se referem efetivamente a operações de venda já efetivadas pelo estabelecimento remetente. PESSOA JURÍDICA SUJEITA À INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA EM RELAÇÃO A PARTE DE SUAS RECEITAS. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO Processo nº 10909.002769/200696 Acórdão n.º 340100.708 S3C4T1 Fl. 729 5 DE CONTABILIDADE DE CUSTOS INTEGRADA COM ESCRITURAÇÃO . MÉTODO DE RATEIO DOS CRÉDITOS Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. No caso de a pessoa jurídica não dispor de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, o crédito será determinado pelo método de rateio proporcional, aplicando aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à existência nãocumulativa e a receita bruta total, auferida em cada mês. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO No regime nãocumulativo, o direito de crédito aplicase, exclusivamente, em relação a bens adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, não se estendendo às aquisições efetuadas junto a pessoas físicas. Solicitação Deferida em Parte”. A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 12/05/2008 (fl.699) e interpôs Recurso Voluntário em 30/05/2008 (fls.700/709), apenas reforçando os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade e pedindo o seguinte: “reforma parcial da decisão proferida, no sentido de homologar o crédito de COFINS relativo às aquisições de pessoas físicas; relativo às despesas constantes da Manifestação de Inconformidade aos fretes de envio das mercadorias para o porto a partir dos estabelecimentos utilizados no interior (que foram indevidamente tratados como fretes de transferência entre filiais)”. É o relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO 6 Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Foram devolvidas para apreciação deste Conselho somente as seguintes matérias: créditos oriundos da aquisição de produtos de pessoa física e crédito referente ao custo do frete de venda. 1 Produtos adquiridos de pessoa física. No que tange ao crédito presumido do IPI, este Conselheiro entende que a aquisição de insumos de pessoa física gera o crédito, haja vista a lei nada delimitar em relação à origem do insumo, sendo a limitação dada por instrução normativa, o que entende este Conselheiro ser ilegal. Contudo, o crédito da COFINS nãocumulativa tem natureza e sistemática diferente. Como explica Fátima Fernandes Rodrigues e Ives Granda Martins (apud.FERNANDES, Edison Carlos. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS, 2007. p.33), a COFINS nãocumulativa não se trata de um mecanismo não cumulativo propriamente dito, como no IPI e no ICMS, mas de redução da base de cálculo. Enquanto a lei do crédito presumido do IPI não tem limitação quanto à origem da aquisição do produto, a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no §3º, inciso I, limita a geração de crédito a produtos oriundos de pessoa jurídica. Vejase: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei”. (grifo nosso) Conforme se percebe do texto acima, o crédito referente à aquisição de bens e serviço é permitido apenas aqueles oriundos de pessoa jurídica domiciliada no país, não havendo previsão legal para os produtos adquiridos de pessoa física. 2 Custo com frete de venda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO Processo nº 10909.002769/200696 Acórdão n.º 340100.708 S3C4T1 Fl. 730 7 A Recorrente alega que o transporte entre as filiais faz parte do frete, pois o objetivo desse transporte é o embarque da mercadoria para o destinatário final. O art. 8o, inciso II, alínea “e” da IN/SRF nº 404/04, assim dispõe a respeito do frete: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores. (...) II das despesas e custos incorridos no mês, relativos: (...) e) a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. (grifo nosso) A determinação acima expõe que quando o contribuinte suporta o ônus do frete na operação de venda, poderá ser creditada desse valor. Ocorre que o serviço de frete que gera o crédito é aquele prestado na venda do produto, para que o produto seja transportado do estabelecimento do vendedor ao estabelecimento do comprador. O custo só começa a ser contabilizado a partir do momento que o produto sai do estabelecimento vendedor. No caso em tela, a Recorrente não logrou provar que o custo do frete ocorreu para que o produto fosse entregue ao comprador, isto é, que ocorreu na operação de venda, não havendo, pois, direito ao creditamento. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o voto da DRJ em sua integralidade. Sala das Sessões, em 29 de abril de 2010. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, 27/07/2011 por GILSON MACEDO R OSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007853/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF
Ano calendário: 1998
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL.
1. A manifestação de inconformidade apresentada após o decurso de trinta dias da ciência da decisão ao sujeito passivo não instaura a fase litigiosa do procedimento.
2. A tempestividade é pressuposto intransponível para o seguimento do recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL. 1. A manifestação de inconformidade apresentada após o decurso de trinta dias da ciência da decisão ao sujeito passivo não instaura a fase litigiosa do procedimento. 2. A tempestividade é pressuposto intransponível para o seguimento do recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura e presente o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 48DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 O contribuinte, já qualificado neste processo, solicitou, em 30 de agosto de 2005, a devolução do Imposto de Renda Pessoa Física retido, relativo aos valores pagos a título de incentivo a adesão ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) no ano calendário 1998. A Delegacia da Receita Federal em Salvador, por meio do Despacho Decisório nº 26/2008, indeferiu o pedido, por considerar prescrito o direito de solicitar a restituição, e postou duas correspondências. A primeira foi enviada ao endereço de trabalho (fl. 9), conforme documentos juntados aos autos na petição inicial (fl. 4); e a segunda foi destinada ao endereço constante do cadastro fiscal da RFB (fl. 10). Ambas foram devolvidas com identificação de “destinatário desconhecido”. Diante disso, a unidade da RFB expediu o Edital de Notificação nº 59/2009 (fl. 11), afixado em 11 de dezembro de 2009 e desafixado em 11 de janeiro de 2010. Posteriormente, em 18 de março de 2011 (fl. 12), o contribuinte recebeu cópia do despacho decisório. Inconformado, o requerente apresentou manifestação de inconformidade, em 30 de março de 2011, alegando que não foi tempestivamente notificado e que compareceu diversas vezes ao Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da DRF e não obteve informações a respeito do processo. E que, depois, ao comparecer ao Setor responsável pela análise do processo, o SEORT, tomou conhecimento que os endereços estavam incorretos, quando adotou as providências de alteração do endereço. Anexa novo comprovante de endereço e requer que seja o pedido de restituição julgado procedente. Na consulta ao banco de dados da Receita Federal (fl. 28), vêse que o endereço foi alterado pelo contribuinte em 22 de março e 23 de abril de 2011, em datas posteriores à intimação, e que na correspondência postada em 29 de abril de 2008 consta o endereço cadastral informado pelo contribuinte em 18 de junho de 2005. A 3ª Turma de julgamento da DRJ/SDR, não conheceu da manifestação de inconformidade, tendo em vista que “a notificação do indeferimento do pedido fora encaminhada para o endereço que havia sido informado pelo contribuinte à Receita Federal” e que “a notificação por edital se mostra regular, como previsto no art. 23, inciso III, do Decreto 70.235/1972”. Cientificado do resultado do julgamento em 29 de julho de 2011 (fl. 34), o contribuinte interpôs recurso no dia 16 do mês subsequente, arguindo que: a) requereu a restituição do IRPF descontado indevidamente do PDV, em maio de 1998, tendo em vista sua natureza não tributável; b) não houve citação válida, tendo em vista que o recorrente jamais recebeu qualquer documento referente à questionada citação, apesar de ter acompanhado por meio da internet e comparecido por diversas vezes ao CAC; c) os endereços eram “inválidos”, pois havia mudado de residência e se aposentado da empresa que trabalhava, mas que a Receita Federal poderia ter buscado o endereço por outros meios, como em outras instituições vinculadas, bancos etc; d) o prazo para restituição é de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e Fl. 49DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.007853/200565 Acórdão n.º 210201.900 S2C1T2 Fl. 49 3 e) é pacífico na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial resulta da aplicação cumulativa das disposições do art. 150, § 4º, com as do art. 173, inciso I, de modo que o prazo somente se inicia depois da homologação tácita, resultado no denominado prazo de “5 + 5”, ou seja, dez anos . Por fim, requer que seja julgado procedente o recurso, declarada tempestiva a manifestação de inconformidade e descaracterizada a suposta prescrição do direito à restituição do IRPF. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto O recurso é tempestivo e trata do não conhecimento, pela primeira instância, da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, condição vital para acatamento do recurso voluntário no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inicialmente, cabe discorrer que as normas gerais do Direito Tributário são estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (CTN). E, de acordo com o CTN, art. 145, I, o lançamento pode ser modificado em virtude de impugnação do sujeito passivo. Os prazos para apresentação da impugnação são regulados pelo Decreto nº 70.235/72, conforme texto em vigor à época: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.007853/200565 Acórdão n.º 210201.900 S2C1T2 Fl. 50 5 § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O texto legal deixa claro que o edital pode ser expedido quando improfícuos os meios adotados para intimação, não importando a ordem de preferência. As alterações posteriores ao Decreto, promovidas pelas Leis nº 11.196, de 2005, nº 11.457, de 2007 e nº 11.941, de 2009, não modificam esse entendimento. O edital foi publicado em 11 de dezembro de 2009 e o contribuinte somente apresentou a manifestação de inconformidade em 30 de março de 2011, portanto, intempestiva. Nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, a impugnação apresentada depois de expirado o prazo legal não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo fiscal. Assim, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. Por isso, não se pode analisar as razões de mérito contidas na manifestação de inconformidade intempestiva. Diante do exposto, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000326/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casa, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.036
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª a Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casa, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DO MUNICÍPIO DE 1GUATU Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casa, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SAi PAIO FREIRE - Presidente Ali§ ti • n14/1 Ve- RYCARDO QUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente Iga ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de S Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°10315.000326/2008-11 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-01.036 Fl. 255 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 95 da Lei n` 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's es 556664, 559882 e 560626. oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n` 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTIV). É o relatório. • .• 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEICULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessõ s, -m 24 de fevereiro de 2010 , dee, áa• a lk RYCARDO HE in E MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 4 ,/,n ,,4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10315.000326/2008-11 Recurso n°: 168.376 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.036 Brasi Iiiie março de 2010 11) ELIAS SA 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração , Data da ciência: / / ' Procurador (a) da Fazenda Nacional , 1
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000041/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO REGIMENTAL DO CARF.
Nos termos da Súmula n º 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO.
Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos.
AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO).
A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.
Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF.
Numero da decisão: 3102-01.039
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, deu-se parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorne ao processo produtivo da Recorrente, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceu-se, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos.
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO REGIMENTAL DO CARF. Nos termos da Súmula n º 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF.
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IMPEDIMENTO REGIMENTAL DO CARF. Nos termos da Súmula n º 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, deuse parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorne ao processo produtivo da Recorrente, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceuse, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosas, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sérgio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1811.673 (fls. 209229), da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. O processo administrativo originouse de procedimento de verificação e controle de PER/DCOMP transmitido eletronicamente em 30/01/2009, pelo qual o contribuinte pretendeu que lhe fosse ressarcido valores a título de crédito de PIS nãocumulativo, relativo ao 4o trimestre de 2008, no importe de R$ 3.026.948,36. A unidade de origem, ratificando o Parecer DRF/SCS/SAORT n º 112, de 01/07/2009 (fls. 1328), acatou parcialmente a solicitação, homologando as compensações até o limite dos créditos reconhecidos (R$ 2.966.638,23). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 310201.039 S3C1T2 Fl. 400 3 Da referida peça fiscal, conferemse as razões para a rejeição e/ou glosa parciais dos créditos requestados, as quais seguem resumidas: (i) divergências entre o valor do ressarcimento solicitado via PER/DCOMP e o valor ressarcível declarado nas DACON’s; (ii) inclusão indevida na base de cálculo dos créditos de custos incorridos em produção de terceiros, decorrentes de contratos de parceria agrícola/rural; (iii) aplicação indevida, no cálculo do crédito presumido de que versa o art. 8o da Lei n º 9.925/2004, dos percentuais relacionados nos incisos I a III, do §3o, do mencionado dispositivo, que são aplicados sobre os custos dos insumos (para fins da definição da base de cálculo do crédito em questão); (iv) pela vedação legal, imposta pelo art. 8o da Lei n º 9.925/2004 e pelo inciso II, do §3o, do art. 8o, da IN SRF n º 660, de 2006, ao ressarcimento dos créditos tratados no item acima, uma vez que na esteira das normas referenciadas os créditos em questão só seriam admitidos para fins da dedução da própria contribuição ao PIS e da Cofins, devidas em cada período de apuração. Cientificado quanto a negativa parcial do seu pedido de ressarcimento, a contribuinte manejou competente manifestação de inconformidade, pela qual arguiu, em síntese: (a) que as diferenças anotadas em relação ao PER/DCOMP e a DACON respectiva se devem ao fato desta impossibilitar, em sua ficha 14, que versa sobre o controle de utilização dos créditos no mês, impossibilitar a demonstração da utilização dos tais saldos de créditos registrados na ficha 06A. Enfim, o arquivo magnético é que não possuiria campo próprio a inserção da informação respectiva. E concluiu que o crédito requestado estaria sobejamente demonstrado em todas as demais obrigações assessórias, por si suficientes a sua verificação; (b) pela inexistência de qualquer irregularidade quanto ao valor ressarcível, imputando a DRF erro quando esta promoveu, sob a premissa de que apenas 90% (noventa por cento) dos animais seriam produzidos pela contribuinte, o expurgo de 10% (dez por cento) sobre os valores das aquisições de insumos que serviram de base para o cálculo do crédito presumido; (c) pela igual impropriedade da autoridade fiscal em rechaçar o percentual, utilizado pela contribuinte, de 60% (sessenta por cento) para o cálculo do crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, aplicando, em seu lugar, os percentuais de 35% e 50% versados nos incisos II e III, do §3o, do art. 8o, da Lei n º 9.925/2004. Neste particular, defende a contribuinte, inclusive, ter a unidade de origem incorrido em inconstitucionalidade, pois ao negar a aplicação da alíquota devida ao caso concreto sem qualquer motivação, maculou a legalidade tributária e demais princípios veiculados pelo art. 37 da CF; (d) o seu direito ao ressarcimento de saldos credores, devendo ser afastada a restrição imposta pela IN SRF n º 660/2006, que tenta vincular os créditos de que trata o art. 8o da Lei n º 9.925/2004 a própria contribuição ao PIS e da Cofins dentro do mesmo período de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 apuração. O respectivo direito, segundo a contribuinte, teria esteio no art. 17 da Lei n º 11.033/2004 e art. 16 da Lei n º 11.116/2005. Por fim, pede ainda a realização de diligência pericial, com fim último a comprovar o acerto seu no que toca a aplicação do percentual de 60% (sessenta por cento) sobre o valor dos insumos. Apresenta quesitos e indica assistente. Após delimitar a matéria impugnada, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS, através do acórdão já referenciado, manteve a linha do Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT n º 112, de 01/07/2009, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ATOS ADMINISTRATIVOS. EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADES. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam ilegalidade de atos legislativos ou normativos, bem como de afronta a princípios constitucionais. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS objeto de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples apresentação de DACON não tem o condão de comprovar que os créditos apurados e utilizados no PER/DCOMP tiveram origem , em vendas para o mercado externo. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. t Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 310201.039 S3C1T2 Fl. 401 5 Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro, da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Em relação a esta, inova quando aduz ter havido o acórdão a quo ofendido aos princípios da ampla defesa e do contraditório por ter se esquivado quanto a apreciação da inconstitucionalidade de normas por si reputadas como tal. Também inova em relação a sua manifestação de inconformidade ao pugnar pela recomposição, nos períodos de apurações anteriores, dos saldos de créditos vinculados ao tema em apreço. De resto, insurgese mais uma vez: (i) quanto as glosas relacionadas as divergências entre o PER/DCOMP e as DACON’s; (ii) a legitimidade na utilização da alíquota de 60% (sessenta por cento) de que versa o inciso I, do §3o do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, vez que o legislador teria tomado como premissa para a aplicação de cada uma das alíquotas estipuladas o produto fabricado/produzido pelo beneficiário do crédito presumido; e, (iii) a possibilidade de tomar créditos sobre o custo com ração animal, por si suportado, ainda quando o produto final seja produzido por terceiro em regime de parceria. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 É o relatório. Voto Conselheiro Relator LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal no caso sob análise, tomo conhecimento do recurso respectivo. Já adentrando ao exame do recurso em si, e tal qual retratado no relato supra, a Recorrente empreende algumas insurgências em relação a atos comissivos e omissivos aos quais ela reputa terem incorrido em ofensa à Constituição. A suposta ofensa a legalidade pelo prestígio à atos normativos administrativos e não à lei em sentido estrito, assim como a defendida falta de motivação ou a negativa em se apreciar a inconstitucionalidade são os atos reputados por inconstitucionais pelo recurso em julgamento. Neste particular, sem que ao menos adentremos na análises das reputadas ofensas, somos levados a corroborar com a postura adotada pela instância de piso ao não se pronunciar sobre tais ofensas a si apresentadas. É que às instâncias administrativas são impostas limitações regimentais quanto à análise da constitucionalidade, tendo esta matéria, inclusive, já sido alvo de enunciado sumular no âmbito do CARF (Súmula 2). Ultrapassada esta questão, a lide fica restrita basicamente a análise de três questões que contribuíram às glosas/rejeição de parte dos créditos pleiteados pela Recorrente, a saber: (a) (in)correção da aplicação dos percentuais versados em forma progressiva nos incisos do §3o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004; (b) possibilidade de tomar a Recorrente créditos oriundos da sistemática não cumulativa do PIS/PASEP nas aquisições de insumos a serem aplicados em relação de parceria; e, (c) aproveitamento dos créditos de que trata o art. 8o da Lei n º 9.925/2004 além da mera dedução dentro do respectivo período de apuração com a própria contribuição ao PIS a Cofins. Demais matérias como as glosas relacionadas às divergências entre os valores solicitados em PER/DCOMP e DACON’s, assim como o pedido de diligência pericial, por entendermos correlatos aos itens arrolados acima, serão tratados ao longo do exame daqueles. Pois bem. No que remonta ao primeiro ponto, devese observar que foi a Lei n° 10.637, de 2002, quem inseriu o PIS dentro do regime de apuração nãocumulativa, sendo esta, portanto, quem trata dos créditos básicos vinculados a este sistema de apuração não cumulada. Foi entretanto, a Lei n º 10.925, de 2004, por seu art. 8o, que em forma de crédito presumido assegurou o aproveitamento de créditos sobre as aquisições, efetuadas à pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de insumos aplicados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal (nela especificadas) e destinados a alimentação humana ou animal. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 310201.039 S3C1T2 Fl. 402 7 O §3o do aludido dispositivo é quem define a forma de apuração do crédito em questão. Atentese para a sua redação: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n°11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis es 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis ns 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Na realidade, o objeto da lide, no caso, se a aplicação das alíquotas acima destacadas estariam vinculadas ao bem produzido pelo beneficiário do crédito presumido ou ao insumo adquirido para a produção do mesmo bem, não se resolve à partir de uma interpretação literal do texto legal. Aliás, são manifestadamente retóricos as considerações de ambas as partes quando enaltecem a clareza do texto, de indiscutível obscuridade no que tange ao critério para a definição da alíquota a ser aplicada. A solução à questão, distante da literalidade do texto legislativo, está em sua teleologia do dispositivo ou na mens legis. Atentese. A legislação em questão sucedeu intensa discussão travada logo após a instituição do regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS, especificamente sobre a possibilidade da tomada de créditos nas aquisições efetuadas à pessoa física. Os reclames partiam principalmente do setor agropecuário, aonde estão reunidos os maiores produtores de mercadorias para consumo humano ou animal. Aliás, cujos negócios possuíam e possuem como característica marcante a aquisição de insumos de produtores rurais pessoas físicas. Como argumento mais substancial, defendiase exatamente que embora as pessoas físicas não fossem contribuintes do PIS e da COFINS, na produção dos bens por estes negociados, eram indiscutivelmente utilizados insumos tributados pelas aludidas contribuições. A graduação constante dos incisos do citado §3o do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, então, entendemos nós, adota como referência o insumo adquirido pelo beneficiário, não o produto por este produzido, como quer fazer crer a recorrente. E isto por uma lógica simples: O crédito que se pretende assegurar de forma presumida é aquele decorrente dos insumos onerados pelo PIS e pela COFINS e suportados pelo produtor pessoa física, não contribuinte destas contribuições. Assim, as alíquotas decrescentes são inversamente proporcionais ao custo de produção dos bens (insumos) de que farão uso o beneficiário do crédito presumido em seu processo de produção. Por estas razões, entendemos que agiu com acerto a instância a quo ao manter a glosa sobre os créditos tomados com base na alíquota máxima do §3o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, aplicando, conforme o caso, os percentuais de 35 e 50%. Ainda sobre este tema, tendo sido ele aqui definido mediante premissa de direito, em prejuízo ou esvaziando de qualquer sentido o esclarecimento fáticoprobatório quanto à natureza do bem produzido pela Recorrente, entendemos pela impertinência da diligência pericial requestada. O segundo ponto acima indicado está relacionado à possibilidade da pessoa jurídica tomar créditos, na forma do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, sobre insumos por ela fornecidos a parceiro para a produção de bens, mediante contraprestação, em favor daquela primeira. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 310201.039 S3C1T2 Fl. 403 9 Para a correta aplicação da norma jurídica contida no art. 3o acima citado, convém inicialmente conhecermos em detalhes a operação de remessa de insumos a terceiro parceiro. Conforme se infere dos autos, a recorrente processa/industrializa frango, iniciando seu processo produtivo com a criação das aves. Por razões que não interessa ao deslinde da lide, terceiriza parte da criação dos animais a parceiros, fornecendo a estes insumos (ração). Tais animais, por seu turno, retornam à recorrente e são reinseridos no seu processo produtivo, de modo a que entendemos que a melhor exegese do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, é a que permite ao recorrente a apuração de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS. Atente à redação do dispositivo mencionado: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; No que concerne ao aproveitamento, mediante pedido de ressarcimento e fora do período de apuração respectivo, dos créditos assegurados pelo art. 8o da Lei n º 9.925/2004, chegamos à conclusão de que a legislação então vigente militava contra a comentada pretensão. E não só pela letra do art. 5o da IN SRF n º 660/2006, como afirmou a Recorrente em sua defesa, mas pelas normas jurídicas veiculadas no caput e §2o da própria lei que institui o crédito presumido. Ora, se de um lado no caput emerge a autorização para a dedução do crédito apurado com o crédito devido (débito) “em cada período de apuração”, do outro, ou melhor, no §2o está textualmente anotado que o crédito, para fins, é aquele calculado sobre os “bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração”. Enfim, a restrição é textual. O art. 17 da Lei n º 11.033/2004, c/c o art. 16 da Lei n º 11.116/2005 não tem aplicação ao crédito presumido de que versa o art. 8 da Lei n º 9.925/2004. Aqueles regulam a manutenção creditória relacionadas às saídas à alíquota zero, isenção e imunidade. O último institui crédito presumido, em lei especial que veda o pretenso aproveitamento. Já o art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, por sua vez, efetivamente introduziu no mundo jurídico outras hipótese para a utilização dos saldos credores de créditos apurados na forma do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, relativos aos bens nele mencionados, especificamente a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pela RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie. Confirase: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A publicação superveniente do citado diploma legislativo, aliado ao texto do §1o, II, que condiciona o exercício da faculdade em testilha a que o protocolo do pleito se dê a partir de 1o/01/2010 para os créditos apurados no curso do exercício de 2009, afasta qualquer dúvida quanto a inviabilidade do pleito da recorrente em pretender o ressarcimento em momento anterior. E a partir da presente constatação é que é possível compreender toda problemática relacionada as divergências entre o pedido de ressarcimento transmitido (PER/DCOMP) e a DACON, estando, aqui também, as instâncias de origem corretas em promover as glosas respectivas. O suposta carência no programa eletrônico da DACON, no que toca a inserção dos saldos credores relacionados aos créditos do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, na realidade, estava em sintonia com a legislação de regência que restringia a manutenção do crédito para períodos de apuração subseqüentes. Por fim, no que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de crédito presumido. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 20311.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 310201.039 S3C1T2 Fl. 404 11 Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em afronta da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo: Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690)Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência parcial dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, ora ampliados, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe parcial provimento, apenas para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorne ao processo produtivo daquela. Deve, no entanto, a autoridade de origem observar as limitações ao reconhecimento dos créditos quando estes tenham sido solicitados mediante pedido de ressarcimento fora do período de apuração da contribuição. Sala de Sessões, em 02 de junho de 2011. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 310201.039 S3C1T2 Fl. 405 13 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 13851.001708/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
Ementa: CONTRADITÓRIO — o procedimento fiscal é de natureza
inquisitiva. O contraditório somente se inaugura com a impugnação
administrativa.
RETROATIVIDADE — a Lei Complementar n° 105/01 e a Lei Ordinária n° 10.174/01, por ampliarem os poderes conferidos à fiscalização federal, aplicam-se ao ato de lançamento realizado após sua publicação, mesmo que este se reporte a fato gerador pretérito. Não há que se falar, nesta hipótese, em retroatividade de seus efeitos, pois tais efeitos são relativos aos fatos
jurídicos procedimentais e não aos tributários, estes sim — e não aqueles — anteriores à vigência das referidas leis.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS — com o advento da Lei 9.430/96, a presunção
de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito.
MULTA QUALIFICADA — Uma mera omissão não pode ensejar a
qualificadora da multa. No entanto, assim não deve ser qualificado o comportamento de se deixar de registrar duas contas por onde transitou a maior parte das entradas financeiras do contribuinte. Ademais, o intuito doloso da conduta omissiva foi ratificado pela resposta à intimação fiscal que negou a existência de outras contas bancárias além das contabilizadas.
MULTA CONFISCATÓRIA — não compete a órgãos administrativos de
Ore julgamento analisar o caráter confiscatório de multas estabelecidas em lei, uma vez que redundaria em controle de constitucionalidade — atividade que extrapola sua competência.
Numero da decisão: 1201-000.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de produção de prova pericial e, no mérito, por voto de qualidade manter a exigência da multa isolada, vencidos os conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe,
Régis Magalhães Soares Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, vencido o conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe, que deu provimento parcial para reduzir o percentual da multa qualificada ao patamar de 75%., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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O contraditório somente se inaugura com a impugnação administrativa. RETROATIVIDADE — a Lei Complementar n° 105/01 e a Lei Ordinária n° 10.174/01, por ampliarem os poderes conferidos à fiscalização federal, aplicam-se ao ato de lançamento realizado após sua publicação, mesmo que este se reporte a fato gerador pretérito. Não há que se falar, nesta hipótese, em retroatividade de seus efeitos, pois tais efeitos são relativos aos fatos jurídicos procedimentais e não aos tributários, estes sim — e não aqueles — anteriores à vigência das referidas leis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito. 4 MULTA QUALIFICADA — Uma mera omissão não pode ensejar a qualificadora da multa. No entanto, assim não deve ser qualificado o comportamento de se deixar de registrar duas contas por onde transitou a / maior parte das entradas financeiras do contribuinte. Ademais, o intuito i doloso da conduta omissiva foi ratificado pela resposta à intimação fiscal que negou a existência de outras contas bancárias além das contabilizadas. MULTA CONFISCATÓRIA — não compete a órgãos administrativos de Ore julgamento analisar o caráter con.fiscatório de multas estabelecidas em lei, uma vez que redundaria em controle de constitucionalidade — atividade que extrapola sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de produção de prova pericial e, no mérito, por voto de qualidade manter a exigência da multa isolada, vencidos os conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe, Régis Magalhães Soares Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, vencido o conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe, que deu provimento parcial para reduzir o percentual da multa qualificada ao patamar de 75%., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. I 'I 4111,ç /' .' llif s CLAUDEM PI ODRIG ES MALAQ AS - Presidente. . • Live' , GUIL RME ADOLFO De S SANTOS MENDES - Relator. EDITADO EM: á 2 JUL. 2010 , Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). ' 2 Processo n° 13851.001708/2005-21 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-212 Fl. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente ao ano-calendário de 2000, autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 331 a 357. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata o presente de autos de infração concernentes ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica — IRPJ (fls. 276/282), à contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 283/289), à contribuição para financiamento da seguridade social — Cofins (fls.290/296) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (lis. 297/302), lavrados em conseqüência de apuração de irregularidades relativamente ao ano-calendário 2000. Encontra-se, ainda, exigência de multa isolada sobre base estimada, relativa a CSLL (fls. 517/519), decorrente da anexação ao presente do processo n°13851.001735/2005-02. Conforme descrição dos fatos «is. 303/309), constatou-se que a pessoa jurídica movimentou valores em contas-correntes bancárias sem contabilizá-las, deixando de reconhecer sua existência mesmo intimada para tanto, declarando ainda (fl. 25) que "a empresa não possui no período de 01/01/2000 a 31/12/2000 outras contas-correntes (inclusive de aplicações financeiras), além das escrituradas no Livro Razão da mesma e, elencadas no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 15/04/2005.". Intimada a comprovar as origens dos recursos creditados nas contas-correntes não contabilizadas (após dados obtidos diretamente das instituições financeiras), a empresa alegou (fls. 45/48), em síntese, que em virtude de dificuldades financeiras e em face de compromisso de entrega de Certificado 150/9000, tomou algumas providências (aqui transcritas): I) "A primeira providência a ser tomada foi baixar de sua Carteira de Clientes, sem transitar em conta de resultado, os créditos não recebidos em fase da insolvência de clientes inconformados pelo não recebimento do Certificado de Garantia, que fora prometido; 2) Chamar os clientes devedores para uma rodada de negociação, visando inicialmente recuperar parte de sua 3 carteira de duplicatas a receber, vinculando tal quitação a futuras negociações e à garantia do Certificado IS0/9000; 3) Na medida que os referidos débitos eram quitados a empresa, extra contabilmente movimentava as contas referendadas na presente notificação." Não sendo apresentada qualquer prova do alegado e sem comprovação da origem dos valores creditados nas contas- correntes bancárias (efetuadas as devidas exclusões), foi apurada omissão de receitas com fundamento no art. 42 da Lei n°9.430/1996. Como a empresa manteve no ano de 2000 duas contas-correntes bancárias à margem de sua contabilidade, negando sua existência mesmo quando intimada para tanto, entendeu o autor do feito ter ficado caracterizado, em tese, o evidente intuito de fraude com vistas a reduzir o montante de tributos devidos, ensejando a aplicação da multa de oficio de 150%. Tendo em vista que a contribuinte optou pela apuração do lucro real anual naquele ano-calendário, sujeitando-se aos recolhimentos mensais por estimativa, também está sendo exigida multa isolada sobre base de cálculo estimada, nos termos do art. 44, IV, da Lei n°9.430/1996. Nos corpos dos autos de infração, bem como na "descrição dos fatos", encontram-se os respectivos enquadramentos legais, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 2.896.423,25, já incluídos os valores dos tributos, da multa de 150%, da multa isolada sobre base de cálculo estimada (IRPJ e CSLL) e dos juros de mora calculados até 31/10/2005, assim distribuídos (R$): IR_PJ 1.538.214,02 Multa isolada (IRPJ) 460.353,28 PIS 43.341,65 Cofins 200.039,46 CSL 501.832,69 Multa isolada (CSLL) 152.642,15 Cientificada da autuação em 06/12/2005, apresenta a interessada a impugnação de fls. 331/357, subscrita pelos advogados Velson Figueiredo de Souza e Mário Nelson Rondon Perez Júnior (procuração —fl. 359) e recebida em 20/12/2005, na qual alega, em síntese, que: a) em preliminar, invoca a nulidade da autuação por infringir o art. 11, sÇ 3° da Lei n° 9.311/1996, que impede à época do período em referência o fornecimento de informações pelas instituições financeiras sem amparo judicial (tece extensas considerações acerca do sigilo bancário); 4 Processo n° 13851.001708/2005-21 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-212 Fl. 3 b) o auto de infração não tem motivação idônea e pertinente, não havendo embasamento fático para constituição do crédito tributário, pois é optante pela apuração do IRRI pelo lucro real anual e houve arbitramento do lucro; argumenta que o lançamento não guarda conformidade com os artigos 114, 141, 142 e seu parágrafo único e 144 do CT1V; c) o Fisco não provou a acusação da infração cometida e as informações obtidas dos dados da CPMF foram utilizadas de maneira ilegal; aduz que o auditor fiscal fundamentou o trabalho em simples presunção; d) teria havido cerceamento do seu direito ao contraditório e à ampla defesa durante a ação fiscal; e) no mérito, que não ficou caracterizado o acréscimo patrimonial e o aumento da renda da contribuinte, não havendo como considerar receita omitida valores de depósitos bancários (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes a respeito); J) requer a improcedência da autuação. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 588 a 595) negou provimento à defesa, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. MOTIVAÇÃO. Incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa e da falta de motivação quando os fatos encontram-se minuciosamente descritos no auto de infração. De outra forma, o contraditório somente se instaura com a apresentação da impugnação, inexistindo no âmbito do procedimento administrativo, cuja natureza é inquisitória. DADOS DA CPMF. SIGILO BANCÁRIO. A Lei n°10.174/2001 autorizou a utilização dos dados da CPMF para instauração de procedimentos fiscais relativos a qualquer outro tributo. De outro lado, a Lei Complementar 105/2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de sigilo bancário, permitiu, sob certas condições, o acesso e utilização pelas autoridades da administração tributária de informações fornecidas pelas instituições financeiras. APLICAÇÃO RETROATIVA. • 5 • Nos termos do ,55' Pdo art. 144 do CTN e considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conclui-se pela possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 Ementa: DOLO. PRÁTICA REITERADA. MULTA AGRAVADA. O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras • que justificam a exasperação da penalidade, resta consubstanciado na manutenção pela contribuinte de contas- correntes bancárias à margem de sua contabilidade, bem como na negativa de sua existência quando intimada para tanto, somente vindo admitir a movimentação financeira irregular quando lhe foi apresentado o demonstrativo dos valores fornecidos pelas instituições bancárias. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: RECEITA OMITIDA. VALORES CREDITADOS EM CONTA-CORRENTE NÃO CONTABILIZADA E SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita a existência de valores creditados em contas-correntes bancárias, não contabilizadas, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 Ementa: LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSL, PIS, COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRPJ pela íntima relação de causa e efeito existente. Ademais considerou, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, a multa isolada como matéria não impugnada em razão de a defesa não ter se pronunciado especificamente acerca desta sanção. Do RECURSO VOLUNTÁRIO 6 Processo n° 13851.001708/2005-21 S 1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-212 FI. 4 O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 618 a 655, mediante o qual reitera (aliás, na sua maioria, ipsis litteris) todas as razões trazidas na peça impugnatória portanto, já apresentadas neste relatório. A seguir destaco apenas o que é particular do recurso voluntário. a) Alega que a suposta omissão de receita estaria relacionada à ocorrência de entrega de mercadoria ou prestação de serviço, mas o trabalho fiscal nem sequer verificou se a conta de mercadorias apresentava alguma movimentação que desse suporte à presunção. b) A multa isolada foi contestada em razão de terem sido aduzidas razões pela nulidade do lançamento, bem como contra a omissão de receita — fato que ensejou a sanção. c) Nos fundamentos da decisão recorrida não há a devida fundamentação legal para a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial para períodos anteriores — no caso, o ano de 2000 — à Lei Complementar n° 105/01. Os fundamentos se resumiram apenas a uma opinião do relator. d) As multas impostas violam o preceito constitucional da vedação ao confisco. e) A taxa Selic tem sido repelida por decisões judiciais. f) Pede subsidiariamente a realização de perícia contábil. É o relatório. 7 Voto Conselheiro Guilheime Adolfo dos Santos Mendes Preliminares Nulidade — cerceamento do direito de defesa Em sede de preliminares, a defesa alega violação ao seu direito de defesa no curso da fiscalização o que ensejaria a nulidade do lançamento. Nada obstante, não merece reparos a decisão recorrida. O procedimento de fiscalização está para o inquérito policial, assim como o contencioso tributário para a ação penal, vale dizer, o primeiro é inquisitivo. O contraditório é exercido durante o julgamento administrativo. Ao contribuinte é dada a oportunidade de apresentar suas razões na impugnação e não antes. Desde que o auto de infração contenha os elementos necessários para que o sujeito passivo possa exercer com plenitude a sua defesa na fase contenciosa — como é o presente caso —, não há que se falar em nulidade. Retroatividade da quebra de sigilo e fundamentação da decisão recorrida Outro ponto repisado pela defesa diz respeito à aplicação retroativa da LC n° 105/01, que atribuiu ao Fisco o poder para obter informações bancárias independentemente de prévia autorização judicial, bem como à suposta ilegalidade do uso de dados da CPMF. Ora, a nova redação da Lei 9.311/96, atribuída pela Lei 10.174/01, faculta ao Fisco Federal utilizar as informações acerca da CPMF para "para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente". Ela, como se pode facilmente verificar, não cria nova hipótese de incidência. Aliás, o diploma não inova o ordenamento nem sequer como hipótese presuntiva — o que seria também desnecessário. A presunção legal de omissão de receita em função da não comprovação da origem de depósitos bancários está prescrita na Lei 9.430/96, que é anterior aos fatos aqui analisados. Em Direito Tributário, realmente a norma que se aplica é aquela em vigor na data do fato gerador, mas — se faça aqui a especificação — a que estabelece os elementos eidéticos do tributo, tais como sujeito passivo, base de cálculo, aliquota, dentre outros; em suma, a que caracterize tributo novo. Não é o caso das normas que deram suporte ao procedimento — a Lei 10.174/01 e a Lei Complementar n° 105/01, que atribui ao Fisco o Poder de requisitar informações bancárias. Elas não estabelecem nova hipótese tributária, não criam imposto sobre fatos outrora não alcançados, apenas introduzem novo meio de prova de fatos já jurisdicizados pela regra impositiva sobre a renda. Como são normas de prova — norma processual ou procedimental, portanto — aplicam-se à época da realização do procedimento, ou seja, do lançamento. Não há, no caso, qualquer violação do princípio constitucional da irretroatividade pelo simples fato de que as normas não foram aplicadas retroativamente. Aliás, esse entendimento já objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça, como no recente julgado no REsp 675293 / PE, em 27/05/2008, cuja ementa abaixo reproduzimos: 8 Processo n° 13851.001708/2005-21 S1-C2T1 Acórdão ri.° 1201-00-212 Fl. 5 ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO — UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS — QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO — PERÍODO ANTERIOR À LC N. 105/2001 — APLICAÇÃO IMEDIATA — RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1°, DO CTN — PRECEDENTES DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. I. É possível a aplicação imediata do art. 6° da LC n. 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental. Pelo disposto no artigo 144, § 1°, do CTN, revela-se possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. I° da Lei n. 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96. 2. Não há ofensa ao princípio da irretro atividade da lei - tributária, porquanto a Lei Complementar n. 105/2001, bem como a Lei n. 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotam a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. 3. Não existe direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, pois enquanto não extinto o crédito tributário a autoridade fiscal tem o poder-dever vinculado de realizar o lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Precedentes: REsp 685.708/Fux; REsp 701.996/Zavascki; Resp 985.432/Humberto Martins, REsp 628.116/Meira; AgRg no Resp 669.157/Fakão; REsp 691.601/Calrnon. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Destaque-se que todos esses pontos já haviam sido exemplarmente abordados na decisão recorrida, inclusive com referência à jurisprudência do STJ e ao art. 144, § 1°, do C'TN, que disciplina a aplicação das normas relativas ao poder de fiscalização. Pedido de perícia O pedido de perícia formulado pela parte não traz nenhum conteúdo. A defesa não indica, em parte alguma do recurso, o que pretende provar por meio desse procedimento. Nos termos do inciso IV, art. 16 do Decreto n° 70.235/72 com redação dada pela Lei n° 8.748/93: "as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito". Em razão disso, a jurisprudência deste Conselho firmou o entendimento de que o julgador não está obrigado a deferir todo e qualquer pedido de perícia ou diligência. Tais 9 • pleitos devem ser fundamentados. Ademais, só cabem, quando não for possível ou for demasiadamente oneroso carrear elementos probatórios já no momento da impugnação ou recurso, o que não se configurou no presente feito. Segue acórdão ilustrativo: Número do Recurso: 132391 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10730.000683/00-14 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPF Recorrente: ROZANE RANGEL DA CUNHA Recorrida/Interessado: r TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II Data da Sessão: 16/04/2003 00:00:00 Relator: Geraldo Mascarenhas Lopes Cançado Diniz Decisão: Acórdão 102-45999 Resultado: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ementa: IRPF — PERÍCIA — REQUISITOS - O pedido de perícia deve mencionar as diligências que o Impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 06/03/72). Deve ser negado, pois, o pedido de perícia. Mérito Presunção de omissão de receita No mérito, o principal argumento da defesa se assenta na ilegitimidade da presunção realizada pela autoridade. Nada obstante, ela é esteada em expresso texto legal. É importante citar que a jurisprudência rejeitava a presunção de omissão de renda calcada exclusivamente em depósitos bancários, mas com relação a períodos anteriores a 1996. De 1997 em diante, o entendimento que deve prevalecer é outro. A edição da Lei 9.430/96, trouxe em seu artigo 42 a presunção legal de omissão de rendimentos a partir de créditos em contas-correntes bancárias de origem não comprovada. Na dicção cristalina do texto positivo, assim se estabelece: "Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Ora, não há que a autoridade aprofundar investigação alguma, como analisar a conta estoques, uma vez que se trata de presunção expressa em diploma legal. E sempre vale recordar o que dispõe o art. 334 do Código de Processo Civil: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: io Processo n° 13851.001708/2005-21 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-212 Fi. 6 (.) /V - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade". Ou seja, a presunção, ao contrário do que alega a defesa, inverte o ônus da prova. Para ser mais exato, compete ao Fisco apenas comprovar o fato indiciário, isto é, os depósitos; e isto a autoridade lançadora fez. Em suma, a omissão de receita é presumida em face dos depósitos e, por. força dela, deve ser constituído o respectivo crédito tributário. • Da qualificação da multa No teimo de verificação (fl. 306), merece destaque a seguinte passagem: Quanto à aplicação da multa de oficio, pelo fato do contribuinte ter mantido, durante todo o período sob ação fiscal (ano- calendário de 2000), duas contas-correntes totalmente à margem de sua contabilidade, e ainda, após regularmente intimado a informar se possuía outras contas-correntes em seu nome, além daquelas já informadas ao fisco e registradas em seus livros, ter declarado, por escrito, não possuir outras contas, entendemos ter ficado caracterizado, em tese, o evidente intuito de fraude com vistas a reduzir o montante de tributos devidos pela empresa no período. A movimentação financeira relativa a depósitos não comprovados nas duas contas-correntes mantidas à margem da contabilidade foi da ordem de R$ 2.000.000,00; ao passo que nas quatro contas escrituradas (conforme termo de fls. 49) o valor total das entradas (lançamentos contábeis devedores pela empresa) não suplantou o montante de R$ 500.000,00 i; (conforme balancete analítico de fls. 223). Uma mera omissão realmente não pode ensejar a qualificadora da multa. No presente caso, porém, não considero que tenha se caracterizado uma mera omissão, ou seja, que as duas contas-bancárias não tenham se submetido ao registro contábil por mero esquecimento. Nas duas contas não registradas transitaram mais de 80% das entradas financeiras do contribuinte. É, portanto, um indicativo sobremaneira consistente de que houve intenção em manter tais recursos à margem dos controles contábeis e, portanto, fiscais. Ademais, o intuito doloso da conduta °missiva é ratificado pela resposta à intimação fiscal que negou a existência de outras contas bancárias além daquelas registradas. Deve prevalecer, assim, o patamar qualificado da penalidade. Da multa isolada — não impugnação De fato, a autoridade julgadora considerou matéria não impugnada a multa isolada, mas nem por isso concluiu pela sua constituição definitiva. 11 O que pretendeu o julgador foi expressar que a defesa não trouxe qualquer . questão específica relativa à multa isolada capaz de — uma vez julgada procedente — afastar a punição ainda que mantida a imposição principal. Evidentemente, a multa deveria ser afastada se concluíssemos pela improcedência da omissão de receita ou pela nulidade do próprio procedimento. Não foi o caso, porém. Em razão disso, deve prevalecer a sanção pecuniária isolada. Multas confiscatórias . No que se refere ao alegado caráter confiscatório do patamar sancionador, os argumentos trazidos pela defesa são de índole constitucional. Buscam afastar multa expressamente prevista em lei com base em preceito previsto na Constituição Federal, o que não é da competência deste Órgão Julgador, conforme estipulação da Súmula 1° CC n° 2. É importante destacar que órgãos administrativos só podem deixar de aplicar dispositivo legal caso tenha sido julgado inconstitucional pelo Poder Judiciário (no caso, pelo STF) e com efeitos erga omnes. Pois bem, nenhum dos dispositivos que fundamentam a multa aplicada foi declarado inconstitucional e muito menos com efeitos para todos. Taxa Selic Em relação às alegações atinentes à taxa Selic de juros, delas deixo de tomar conhecimento e aplico a Súmula abaixo transcrita em razão de sua força vinculante: "Súmula 1° CC n° 4.. A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". • DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, . negar provimento ao recurso voluntário. 141{Guilhe ' é Akl)ftfo d/o3s)Sa 1s Mendes , , 12
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Numero do processo: 11065.101291/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP.
A subvenções governamentais consistentes em incentivos
fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da COFINS.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constitui-se em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.454
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se
impedido.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. A subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da COFINS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constituise em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438 José Luiz Novo Rossari Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Irene Souza da Trindade Torres Redatora Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa (fls. 1/ss), referente ao 1º trimestre de 2006, em decorrência de Crédito da Contribuição para a COFINS Exportação (parágrafo l° do art. 6° da Lei n° 10.833/2003)). A DRF – Novo Hamburgo (RS), por meio do Despacho Decisório (fls. 216) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 559.277,81, restando indeferido um saldo no valor de R$ 69.535,16 (fls. 213). A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 269/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de COFINS não cumulativo dos meses de janeiro a março de 2006 para fins de ressarcimento/compensação, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo deferido parcialmente o ressarcimento, conforme Relatório Fiscal e Despacho Decisório, de fls.202 a 216. A glosa parcial do ressarcimento ocorre porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS . Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.269 a 277. Nesta, alega que os benefícios fiscais estaduais recebidos (valores de ICMS a serem utilizados na compensação com débitos do mesmo imposto), sob a forma de subvenção para investimento, não são receita bruta, pois estas são somente as receitas operacionais. As subvenções são classificadas como reserva de capital e não passam pela apuração do resultado do exercício, nos termos da Lei 6.404/1976, não sendo passível a tributação de contas do Patrimônio Liquido pela contribuição. Traz jurisprudência favorável a sua tese de defesa. Para fins de argumentação, alega que os créditos de ICMS presumidos, decorrentes da aplicação de um percentual sobre as vendas efetuadas, são abarcados pelo principio da não cumulatividade (art.155,§2°, inciso I, da Constituição), devendo ter o mesmo tratamento, haja vista que não se constituem em receita, mas em diminuição do custo dos produtos fabricados. Caso ainda seja aceita a tributação sobre as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 328 3 presumido de ICM, requer que os valores que lhe dariam crédito de ICMS na entrada dos produtos, mas não lhe deram, pois pela sistemática do beneficio fiscal fica impedido o creditamento na entrada, somente permitindo na saída, através de um percentual sobre o ICMS devido. Isto porque estes valores serviriam de crédito da contribuição e não foram considerados pela DRF de origem na apuração dos valores do ressarcimento. Ainda requer que a correção monetária do crédito já reconhecido e o requerido na manifestação de inconformidade do período existente entre a requisição do crédito e o efetivo ressarcimento/compensação, através da taxa SELIC (art.39 da Lei 9.250/1995),conforme jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos que estão vinculados ao créditos complementar não deferido e requerido na manifestação de inconformidade, nos termos do art.74, §11°, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 10 27.405 (fls. 291/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 SUBVENÇÕES INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo do PIS e da COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 25/11/2010 (fl. 296/297). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 14/12/2010 (fls. 298/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, além de suscitar a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne do presente litígio referese à incidência, ou não, do PIS e da COFINS, regime nãocumulatividade (previstos, respectivamente, nas Leis Nos. 10.637/2002 e 10.833/2003), sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS recebidos do Governo da Bahia, no programa denominado “Probahia”. Ab initio, devemos entender qual a natureza jurídica dos citados “incentivos fiscais de ICMS”. Vejamos. O incentivo fiscal em discussão foi concedido pelo Estado da Bahia, com base na Lei Estadual n° 7.025 de 1997, alterada pela Lei Estadual 7.138 de 1997 e regulamentado pelo Decreto Estadual n° 6.734 de 1997 (ver fls.188/191). A concessão específica para a recorrente se deu através da Resolução 50/99 (fl. 192), do Conselho Deliberativo do PROBAHIA, fixando em 90% o percentual do crédito do imposto a ser utilizado pelo contribuinte e ratificada pela Resolução 17/02 (fl. 193) do mesmo Conselho, sendo de 15 anos o prazo de vigência do beneficio, contado a partir da emissão da primeira nota fiscal. Este prazo foi alterado para 20 anos através da Resolução No. 45/2006 (fls. 194). Para melhor compreensão da matéria transcrevemos abaixo o artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734 de 1997: Art. 1° Fica concedido crédito presumido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 1° Somente estabelecimentos industriais, dos segmentos descritos neste artigo, inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado da Bahia (CAD/ICMS) a partir da vigência da Lei 7.025/97, poderão utilizar o tratamento tributário previsto nesta Seção. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 329 5 § 2° 0 crédito presumido de que trata este Decreto só se aplica às operações próprias do estabelecimento não alcançando às operações relativas à substituição tributária. § 3° A utilização do tratamento tributário previsto neste artigo constitui opção do estabelecimento em substituição a utilização de quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores. (grifos nossos) O mecanismo utilizado para concessão do incentivo, nos termos do que dispõe o artigo 1º, inciso II, acima transcrito, consiste no creditamento de ICMS (“crédito presumido”) em valor correspondente à aplicação de um percentual sobre o imposto incidente nas saídas da produção de cada estabelecimento instalado no Estado. No caso da Recorrente, o percentual autorizado era de 90%, conforme disposto na Resolução 50/99 do Conselho Deliberativo do PROBAHIA (fl. 192). Assim, ao meu sentir, o incentivo concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, através da concessão de um “crédito presumido”, tratase de um mecanismo de redução do valor do ICMS a pagar, e tem a natureza jurídica de uma redução do critério quantitativo (composto pela combinação da base de cálculo e alíquota) da regramatriz de incidência do imposto estadual. Em outras palavras, de uma redução no montante do ICMS incidente (ou, talvez, um “desconto disfarçado” do imposto a pagar). Com isso, o contribuinte, instalado no território da Bahia, ao fim e ao cabo, deixa de pagar uma parcela do imposto que seria devido. Se com isso, fica caracterizada a chamada “Guerra Fiscal” entre os entes federativos é outra questão, que deve ser debatida em foros próprios. O efeito do incentivo, efetivamente, é o de reduzir a carga tributária final do bem revendido, a qual não é repassada ao custo dos produtos vendidos e, por decorrência, ao consumidor final. Corrobora este entendimento a prescrição contida no §3°, artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734/1997 ao estabelecer que caso o contribuinte opte pela utilização do “crédito presumido” não poderá utilizarse de “quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores”, ou seja, confirma a tese de que efetivamente os “créditos presumidos” têm a finalidade de serem utilizados para deduzir o montante do imposto a pagar, no “sistema de débitos e créditos”, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade do ICMS (artigo 155, §2°, inciso I, CF). Registrese que, em discussão onde foi analisada a constitucionalidade de lei do Distrito Federal que concedia crédito presumido do ICMS (ADI No. 1.5877 DF, de 19/10/2000), o STF entendeu que o citado crédito resultaria em um redução da alíquota do imposto, verbis: Ementa: Arguição de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal, que mediante a instituição de crédito presumido do ICMS, redundou em redução da alíquota efetiva do tributo, independentemente da celebração de convênio com afronta ao disposto no art. 155, § 2°, XII, g, da Constituição Federal. Ação Direta julgada procedente. (grifamos) Pois bem. Passemos à análise do caso concreto em discussão – a incidência do PIS/COFINS sobre os valores decorrentes dos incentivos fiscais do “Probahia”. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Sabemos que a Constituição Federal, quando outorga a competência para os entes federativos instituírem tributos, especifica a hipótese de incidência e base de cálculo de cada tributo, de forma diferenciálo dos demais. A base de cálculo, que juntamente com a alíquota aplicável compõe o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, tem por finalidade, entre outras, dimensionar a intensidade da incidência do tributo sobre determinado fato tributário. A base de cálculo, portanto, visa mensurar/quantificar os eventos ocorridos no mundo fenomênico, que denotem “signos de riqueza” (no sentido de capacidade contributiva), a fim de propiciar ao Estado a captação de recursos extraídos de parcela do patrimônio dos contribuintes. Neste sentido, o artigo 195, I, “b”, da Constituição Federal prescreve que a seguridade social será financiada, dentre outras formas, pela contribuição social das empresas incidentes sobre a “receita ou o faturamento”. Por sua vez, o artigo 1º da Lei 10.833/2003 dispõe que a COFINS, não cumulativo, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O parágrafo §2º estipula que a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput do artigo 1º. A norma de incidência tributária para a citada Contribuição tem, portanto, como critério material “auferir receita ou faturamento” e critério quantitativo “o montante da receita ou do faturamento auferidos, combinado com a alíquota prevista na lei”. Destarte, não consigo vislumbrar como uma redução do montante do ICMS a pagar, operacionalizada através de um mecanismo de “crédito presumido”, pode ser caracterizada como uma “receita auferida” ou “faturamento auferido” (no Dicionário Aurélio o termo “auferir” equivale a “colher” / “obter”). No meu entender, “receitas” decorrem do ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da empresa e, desde que, sejam provenientes de suas atividades empresariais (em acepção ampla); o “faturamento”, por sua vez, é uma espécie do gênero “receitas” e que decorre do ingresso definitivo de recursos oriundos exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Não os entendo como sinônimos. No caso em tela, não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, repitase, houve mera redução no montante do ICMS a pagar. Um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada. Portanto, os valores decorrentes do “crédito presumido do ICMS” estão fora do campo de incidência do PIS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. É desta forma que interpreto o texto normativo e construo a norma de incidência tributária. Veja que não há subsunção do fato concreto (redução do ICMS a pagar por meio da concessão de “crédito presumido”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Na doutrina muito se discute quanto ao conceito jurídico do termo “receita”. Vejamos a posição de alguns juristas a esse respeito. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 330 7 Tércio Sampaio Ferraz Júnior afirma que “receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida” (in Revista Forum de Direito Tributário, número 28). Paulo de Barros Carvalho aduz que “...o termo ‘receita’ é gênero, susceptível de ser dividido em subclasses. O ‘faturamento’ figura como exemplo nítido, pois abrange apenas as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços”. Arremata o jurista: “Receita é o acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica, não a integrando quaisquer entradas provisórias, representadas por importâncias que se encontrem em seu poder de forma temporária, sem pertencerlhes em caráter definitivo.” (em Direito Tributário, Linguagem e Método. Noeses, São Paulo: 2008, p. 728/729). Geraldo Ataliba informa que “o conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que ingressa no cofre de uma entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe” (em Estudos e pareceres de direito tributário”, Revista dos Tribunais, São Paulo. P. 81) Por fim, José Antônio Minatel afirma que “receita é o conteúdo material qualificado pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Caderno de Direito Tributário 2006, EMAGIS – Escola da Magistratura do TRF da 4ª. Região). Em outro giro, com todo respeito àqueles que têm entendimentos diferentes, penso que o conceito de “receita” deve ser buscado no âmbito da linguagem do Direito, e não em outras áreas do conhecimento, na esteira do que já lecionava Hans Kelsen (in “Teoria Pura do Direito”. Ed. Martins Fontes. São Paulo, 2006, p.1/2) ao afirmar que “quando a Teoria Pura empreende delimitar o conhecimento do Direito em face destas disciplinas, fálo não por ignorar ou, muito menos, por negar essa conexão, mas porque intenta evitar um sincretismo metodológico que obscurece a essência da ciência jurídica e dilui os limites que lhe são impostos pela natureza do seu objeto”. O conceito de “receita” trazido pela Ciência Contábil, pareceme, tem por finalidade a consolidação do resultado da empresa (estipulando regras e procedimentos para a escrituração contábil), de forma a apurar o seu lucro contábil (receitas – despesas/custos = lucro), que quando muito, servirá de partida (após os “ajustes” – adições, exclusões e compensações fiscais) para a definição do chamado “lucro real”, este sim, base de cálculo do imposto de renda das empresas (IRPJ). Veja que, mesmo neste caso, o direito positivo não se utiliza diretamente de um conceito da Ciência Contábil (“lucro líquido”) para fazer incidir o IRPJ, mas prescreve um conceito diferente – o “lucro real”. Por fim, destaquese, que a forma de se proceder ao registro contábil, informado pela Ciência Contábil, não deve sobreporse ao conceito jurídico do signo “receita”. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Nesta linha de raciocínio, trago à colação lição de Leandro Paulsen (in “Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência" , editora Livraria do Advogado, 9ª ed., p. 471/472), in verbis : "Ressarcimento ou recuperação de custos tributários e de outras despesas. Nem todo ingresso ou lançamento contábil a crédito constitui receita, que, para ser tributada, deve evidenciar riqueza reveladora de capacidade contributiva. Não pode o Fisco exigir contribuição sobre o simples ressarcimento por tributo pago indevidamente ou sobre o creditamento que visa a compensar custos tributários. (...) Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial...” Destarte, em minha concepção, o conceito de receita deve ser construído com base em prescrições eminentemente jurídicas. Neste diapasão, inclusive, dispõe o artigo 109 do CTN ao prescrever que podem ser utilizados princípios gerais do direito privado para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas. Assim, o conceito de “faturamento”, por exemplo, pode ser construído a partir de dispositivos do direito comercial (Código Comercial, art. 219, antes da fusão com o Código Civil; e Lei 5.474/69, arts. 1º a 5º), quando trata da obrigação de se emitir “fatura” nas vendas, denotando, por conseguinte, que “faturamento” decorre das vendas e prestações de serviços, ou seja, é espécie do gênero “receita”. Nesse gênero (“receita”) podem ser incluídas, ainda, outras receitas, dentre as quais receitas financeiras, receitas patrimoniais (“aluguel”), etc... No que toca à jurisprudência, na mesma linha de entendimento adotado em meu voto, transcrevo trechos do votovencedor do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, proferido no Acórdão No. 20313.634, sessão de 02/12/2008, processo No. 11065.000320/200714, da mesma Recorrente (em votação não unânime): “Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O que me faz ver a impossibilidade de inclusão do incentivo na base de cálculo da Contribuição é a sua caracterização como crédito fiscal do ICMS, tal como estatuído nas normas estaduais concessivas do beneficio. No sistema de débitos e créditos de apuração do ICMS, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo os valores correspondentes redutores do saldo devedor. Dai não serem computados como faturamento ou receita bruta, mesmo nos Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 331 9 termos do alargamento promovido pela Lei n° 9.718/98 (reputado inconstitucional porque anterior à PC n° 20/98) e Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes). Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta, tal como definida nas três leis retrocitadas, se o incentivo fosse estabelecido como crédito em moeda corrente (em vez de crédito escritural), e servisse para pagamento do imposto. Do mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de empréstimo concedido ao contribuinte, mas que em função do beneficio Estadual é pago a menor.” Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes, deixando consignado, entretanto, que a jurisprudência em relação a esta matéria ainda não é pacífica neste Tribunal Administrativo, existindo, do mesmo modo, decisões em sentido contrário (vide, por exemplo, Acórdão CSRF No. 930301.292 de 08/12/2010): (i) Recurso No. 139.098– Acórdão No. 20218.396, sessão de 18 de outubro de 2007: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1 2 DO ART. 32 DA LEI N2 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (ii) Recurso No. 139.268– Acórdão No. 20181.123, sessão de 02/06/2008: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo do PIS. CRÉDITO RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ – Superior Tribunal de Justiça: (i) AgRg No. REsp 1.229.134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido (ii) Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 332 11 pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. (iii) AgRg no Recurso Especial No. 1.165.316 – SC: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO RELATIVA À INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, e, portanto, não assume a natureza de receita ou faturamento, pelo que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: 1a. Turma, AgRg no REsp. 1.229.134/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 03.05.2011; 2a. Turma, REsp. 1.025.833/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 17.11.2008. 2. Por outro lado, mostrase despropositada a argumentação relacionada à observância da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CRFB) e do enunciado 10 da Súmula vinculante do STF, pois, na decisão recorrida, não houve declaração de Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 inconstitucionalidade dos dispositivos legais suscitados, tampouco o seu afastamento. 3. Agravo Regimental desprovido Registrese, por fim, que não há previsão legal para a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros nos casos de aproveitamento dos créditos ora em discussão, a teor do disposto no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Contribuição o crédito presumido do ICMS e determinar o ressarcimento sem a glosa respectiva. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Voto Vencedor Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Redatora Divirjo do entendimento do i. Relator, que propugnou pela não inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, do “crédito presumido” do ICMS concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, no programa denominado “Probahia”, ao entendimento de que “não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, (...) tendo havido “mera redução no montante do ICMS a pagar”. Afirma o relator que “um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada”. Na minha compreensão, o incentivo fiscal ora em análise deve ser considerado como receita não operacional da empresa, vez que não decorre diretamente da alienação de bens ou serviços relativos à sua atividade fim, e, como tal, deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. O incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado da Bahia consiste em subvenção governamental, devendo ser enquadrado contabilmente como receita, como deixa claro o Pronunciamento Técnico CPC nº 07, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Referido Comitê foi criado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.055/2005, e tem por objetivo “o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais”. Por meio do predito Pronunciamento Técnico, vêse, claramente, que as subvenções governamentais (aí não se fazendo distinção entre subvenção para investimento ou de custeio), recebidas em dinheiro ou que se apresentem meramente como redução do passivo (como é o caso em questão), devem ser enquadradas como receita. Vejamos o que afirma o predito Pronunciamento Técnico: Definições Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 333 13 3. ..................................................................................................... Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade ......................................................................................................... 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. ......................................................................................................... Reconhecimento da subvenção ......................................................................................................... 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. ......................................................................................................... Contabilização 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal, na demonstração do resultado. ......................................................................................................... Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 20. Uma subvenção governamental na forma de compensação por gastos ou perdas já incorridos ou para finalidade de dar suporte financeiro imediato à entidade sem qualquer despesa futura relacionada deve ser reconhecida como receita no período em que se tornar recebível. (alguns grifos não constam do original) Entendo que não há como se apartar o conceito contábil de “receita” de seu conceito jurídico, conforme se pronunciou o i. Relator. O conceito de “receita” nasce da Contabilidade e, quando a lei deseja afastálo de sua origem, assim expressamente o faz. Tanto assim o é que a Lei nº. 12.350/2010, em seu art. 30, veio expressamente excluir as subvenções de que tratam as Leis nº. 10.973/2004 e 11.196/2005 das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Se o alegado “conceito jurídico” de “receita” fosse apartado do seu “conceito contábil”, e, assim, não estivessem incluídas as subvenções governamentais, seria desnecessária a edição da referida lei para expressamente excluílas da base de cálculo das preditas contribuições. Vejase: Art. 30. As subvenções governamentais de que tratam o art. 19 da Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, e o art. 21 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, não serão computadas para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tenham atendido aos requisitos estabelecidos na legislação específica e realizadas as contrapartidas assumidas pela empresa beneficiária. Por último, temse que tal assunto já foi apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo nº. 10283.001595/200568, Acórdão nº 930301.292, em sessão realizada em 08/12/2010, na qual a 3ª Turma daquela Câmara Superior, por unanimidade de votos, ao apreciar questão referente ao incentivo fiscal relativo ao “crédito presumido” de ICMS concedido pelo governo do Estado do Amazonas, pronunciouse no sentido de que as subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita na apuração da base de cálculo da Cofins. Por fim, temse que a recorrente suscita a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. Primeiramente, não se trata de caso de nulidade da decisão da DRJ, visto ter sido esta proferida por autoridade competente e ter observado amplamente o direito de defesa da contribuinte, não se subsumindo às hipóteses de nulidade das decisões administrativas previstas no processo administrativo fiscal, no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1972. Demais disso, ao caso em questão também não se faz necessária a formalização da exigência tributária por meio de lançamento, em razão de ter a contribuinte apresentado Declaração de Compensação (fls.220/251), que se constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida, ou seja, na oportunidade em que o sujeito passivo entrega a DCOMP à Secretaria da Receita Federal, ele faz a discriminação dos créditos e também dos débitos objeto da compensação, de tal modo que estes débitos são confessados por meio daquele documento. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101291/200618 Acórdão n.º 3202000.454 S3C2T2 Fl. 334 15 É o que dispõe o §6º do já citado art. 74 da Lei nº. 9.430/1996: §6º.A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Na hipótese de não reconhecimento do pleito creditório, aplicamse as disposições do art. 22 da IN 210/2002, qual seja, a SRF efetua a comunicação do sujeito passivo da nãohomologação da compensação e o intima a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, a saber: Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Assim, diante da apresentação das DCOMP, em que a contribuinte elenca ali seus débitos, não há que se falar em inexigibilidade do crédito tributário em razão de ausência de lançamento. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 348DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSI NO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 37362.000697/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/12/2001 a 31/07/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
INCONSTITUCIONALIDADE - COMPENSAÇÃO.
A GF1P é termo de confissão de divida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.° 8212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso.
NO termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.094
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:01Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:02Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:02Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:01Z; created: 2010-03-30T23:57:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:01Z; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:01Z | Conteúdo => S2-C4Ti Fl. 22/ MINISTÉRIO DA FAZENDA -; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37362000697/2004-51 Recurso n° 148.782 Voluntário Acórdão n° 2401-01.094 — 4" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente INDÚSTRIA DE PAPEL IRAPURU LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/12/2001 a 31/07/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INCONSTITUCIONALIDADE - COMPENSAÇÃO. A GF1P é termo de confissão de divida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.° 8212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. NO termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. 41 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. é ' ACORDAM os membros da 4 Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por animidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade da iedecisão de I' instância; - mérito, em negar provimento ao recurso. 4.4P ELIAS S • 'AIO FREIRE - Presidente . i '' E • E CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justifleadamente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Kleber Ferreira de Araújo. 2 Processo n° 37362.000697/2004-SI S2-C411 Acórdão n.° 2401-01.094 EL 222 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas fisicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 12/2001 a 07/2003, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, em confronto com os valores recolhidos pela empresa. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 28/11/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02112/2003. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 55 a 88. Em síntese o recorrente argumenta a ilegalidade de taxa SELIC, SAT, Terceiros. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 98 a 118 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 124 a 152. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: A defesa apresentada detalhou toda a matéria, mas a referida decisão resumiu-se a homologar o procedimento fiscal, atuando como instÂncia desnecessária, eis que não penetra com profundidade na matéria sob debate. Lamentável a constatação de que o julgamento administrativo atua em manifesto desrespeito ao contribuinte cerceando o seu direito de defesa., no instante em que seus fundamento não são apreciados. Não se tratam de meros argumentos de inconstitucionalidade, mas sim argumentos que visam preservar a moralidade pública nos atos nos atos de gestão e administração. O reitera a argumentação já fixada na peça recursal, reforçando os seguintes pontos. O débito ora lançado foi objeto de compensação com créditos decorrentes de pagamentos indevidos , o que se afirrna e se prova quando devidamente intimada. A multa aplicada deve ser revista, vez que caracterizasse por verdadeiro I confisco. 1> 3 O débito cobrado é objeto de declaração do próprio contribuinte, assim, incabível multa de oficio. A multa de mora também não deve ser aplicada sobre o débito, pois corri a impugnação inevitável a suspensão de sua computação. NO mesmo sentido, inaplicável a progressividade da multa., pois a progressão só é aplicável aqueles impostos previstos na Constituição. Não há que se falar que a compensação realizada depende de autorização administrativa ou judicial, pois tal entendimento é pacifico no STJ. Inexigível a contribuição para o INCRA, salário-educação e SAT. A NFLD não poderia incluir contribuições destinadas a terceiros uma vez que o STJ as considera inválidas. NO mesmo sentido a contribuição para o SEBRAE. O STJ já decidiu pela inconstitucionalidade da taxa SELIC. O recorrente requer que apreciando a matéria este conselho haja por bem modificar o decisório recorrido, para fim de determinar o cancelamento do auto de infração ou se assim, não entender reduzir a multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. 4 Processo n° 37362.000697/2004-5 S2-C4T1 Acórdão a.° 2401-01.090 Fl. 223 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 154. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a inconstitucionalidade do SAT e INCRA e SELIC, SEBRAE, SALÁRIO-EDUCAÇÃO, bem como da decisão de l a instância pela não apreciação dos argumentos; contudo, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos valores dos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Urna vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação. Ao contrário do argumentado pelo recorrente, entendo que a autoridade julgadora de P instância rebateu propriamente todos os pontos apresentados na peça recursal, contudo, não compete seja aquele órgão julgador, ou mesmo a este colegiado a apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma. Com relação ao argumento de realização de compensação nos termos da lei, vez que compensando com diversas contribuições tidos como inconstitucionais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar as bases em que teriam sido realizadas tais compensações, juntando a prova contábil da origem dos valores, bem como da sua realização durante o período objeto do presente lançamento, não simplesmente alegar sua inconstitucionalidade. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n° 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituida ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - LVSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei n" 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei n" 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § I" Admitir-se-á apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei n°9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei n° 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2° Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c", do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei n° 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei n° 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: I) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo "o" antes da expressão "valor"; 3) coloca virgula antes da expressão "do parágrafo") § 3" Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei n°9,129, de 20/11/95) § C Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei n°9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei n°9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras "compensadas" e "atualizadas') § 5' Observado o disposto no § 3', o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei n° 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei ti° 9.129, de 20/11/95) § 6°A atualização monetária de que tratam os §§ 4°e 5° deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei n' 9.03Z de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei n°9,129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 - somente a lei pode estabelecer: VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Havendo disposição especifica na legislação previdenciária, acerca da possibilidade de compensação, deve ser essa a norma a ser obedecida. Conforme prevê o art. 89, § 2° da Lei n ° 8212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições an-ecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. 6 Processo n° 37362.00069712004-51 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.094 Fl. 224 Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valer-se do instituto da compensação. Mesmo que se tratasse de compensação pleiteada em juizo (o que não restou esclarecido), conforme previsto no art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, sem concessão de liminar ou de antecipação de tutela, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art. 170/-A - É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Podemos ainda destacar que a compensação não é regulada pelo artigo 368 do Código Civil; pois há dispositivo legal especifico, quando a origem do crédito do contribuinte é tributário. Nesse caso, há que se observar os artigos 170 e seguintes do CTN, bem como o art. 89 da Lei n ° 8.212/1991. Ainda, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições para o, SELIC, SAT e para o INCRA, frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionafidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitacionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador pública Enquanto não jOr declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. 7 No mesmo sentido posiciona-se este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula d. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção I, pág. 28: SÚMULA IV. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT — Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho - RAT é prevista no art. 22, lida Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (-) 11 - para o financiamento do beneficio previsto nos uns. 57 e 58 da Lei n°8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: ki) Processo n° 37362.00069712004-51 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.094 Fl. 725 I - um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1' As aliquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2' O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica, § 3° Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4" A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5" O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto-enquadramento em qualquer tempo. § 6" Verificado erro no auto-enquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7" O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9" § 8" Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do •capta do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero virgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9" (Revogado pelo Decreto n" 3.265, de 29/11/99) § Ia Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, 2P 9 incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços especifica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", deve-se afastar a argüição de contrariedade ao principio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446-SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. LEI 7 787/89, ARTS. 3" E 4'; LEI 8212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4'; ART. 154, II; ART. 5', II; ART. 150, 1. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3° H; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4", c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, L Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. 11. - O art. 3", II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4" da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. .0 fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5° II, e da legalidade tributciria, CF., art. 150, 1 - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional 1)7 i Processo e 37362.000697/2004-51 S2-C4T1 Acórdão n°2401-01.094 Fl. 226 V. - Recurso extraordinário não conhecido," Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos 1 riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o principio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3° da Lei n° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3° do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Art. 22 (,) § 3' ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3° do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao ali, 153, § 1° da Constituição Federal pelo já exposto. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do indice pela autarquia previdenciária: 1 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de L caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação • dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórias relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições - corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o MM. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ COBRANÇA DE JUROS TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de i validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STI No caso de execução de divida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SEL1C estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § I°, do CTN A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1 0/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n 603267, publicado no Dl em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascici: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal ,firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4° Região: Tributário — Contribuição ao Sebrae — Exigibilidade. I. O •adicional destinado ao Sebrae (Lei n` 8.029/90) na redação dada pela Lei n' 8.154/90) constitui simples majoração das aliquotas previstas no Decreto-Lei n°2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sescj prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da I" Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.106990-9). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TI?? 4" R — 2' T — Ac. n' 2001.70.07.002018-3 — Rel. Dirceu de Almeida Soares — DJ 9.7.2003 —p. 274) Ademais, com relação ao mérito, os valores objeto da presente notificação wforam lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme 12 • Processo if 37362.00069712004-51 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.090 Fl. 227 • dispõe o art 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro • Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciaria e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1 0 As informações prestadas na Guio de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir- se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou descrito em FOPAG, conforme informação nos registros documentais da empresa deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, REJEITAR A NULIDADE DA DECISÃO DE P INSTÂNCIA, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 / • =Rb IIN A MON 1 EIRUESILVA VIEIRA - Relatora 13
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Numero do processo: 11330.001087/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2000
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.217
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.084.5153, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando à aplicação de multa pela infração de deixar de declarar todos os fatos geradores em GFIP, no período de 02/2000 a 07/2000. Cientificada do lançamento em 27/06/2007, a autuada apresentou defesa, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente a lavratura. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, no qual pugna pela declaração de decadência da multa aplicada. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001087/200700 Acórdão n.º 240102.217 S2C4T1 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, em se tratando de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que a decadência atingiu todas as competências da lavratura (02 a 07/2000), uma vez que o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 27/06/2007. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência para a totalidade da multa aplicada. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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