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Numero do processo: 13881.000060/2009-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS
TRIBUTÁVEIS.
A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não
incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.628
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 45 1 44 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13881.000060/200942 Recurso nº 915.630 Voluntário Acórdão nº 2801002.628 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ AMAURY GOMES BOAVENTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000060/200942 Acórdão n.º 2801002.628 S2TE01 Fl. 46 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 07/09, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2005, no montante de R$ 4.569,74, sendo R$ 2.195,73, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 1.646,79, de multa de ofício, e R$ 727,22, de juros de mora, calculados até 30/01/2009. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08 verso e anverso), o procedimento resultou na apuração das seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Previdência Oficial Glosa do valor de R$ 7.984,47, por falta de comprovação. 2. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 42.384,77, recebidos do Ministério da Justiça, CNPJ n° 00.394.494/011251. Cientificado da autuação em 11/02/2009 (fls. 16), o interessado apresentou, em 20/02/2009, a impugnação de fls. 01/06, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. o requerente se ativa como funcionário público federal no Departamento de Polícia Rodoviária Federal, recebendo seus vencimentos já com as deduções na fonte do Imposto de renda, deduções estas calculadas sobre a somatória das verbas contidas em sue demonstrativo de pagamentos; 2. com o advento da Lei n° 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no cômputo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias (art. Io , inciso III, alínea "r"); 3. no caso em tela, o servidor possui as seguintes parcelas indenizatórias: Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Polícia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço; 4. não há fato gerador a justificar a incidência de imposto de renda sobre parcelas pagas a título de indenizações especiais com a finalidade única de minorar os efeitos das condições de Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000060/200942 Acórdão n.º 2801002.628 S2TE01 Fl. 47 3 trabalho a que estavam sujeitos tais obreiros, posto que pagas para compensar danos, inclusive aos já aposentados; 5. tais parcelas estariam isentas de tributação por não se caracterizarem, ao teor da lei, como remuneração, o que, de per si, já está a justificar a Declaração Retificadora, não havendo porque se falar em omissão de rendimentos posto que estes estão revestidos de caráter indenizatório, uma vez que não são produto do trabalho; 6. não há que se falar em imposto suplementar no valor de R$2.195,73 e seus acréscimos, pois, se desconsiderada a retificadora, houve o correto pagamento dos impostos devidos quando da declaração original; 7. quanto à glosa da dedução de contribuição à previdência oficial, melhor sorte não lhe cabe senão o seu cancelamento, pois o referido desconto é feito diretamente pela fonte pagadora; 8. deste modo, o requerente teve sua base de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Física, para efeito de retenção na fonte, alterada, o que lhe causou uma cobrança de imposto maior do que a efetivamente devida e, por conseguinte, uma restituição, menor da que deveria acontecer; 9. traz à colação jurisprudência sobre o assunto; 10. em face do princípio da igualdade expresso no art. 5º da Constituição Federal, requer o mesmo tratamento dado aos parlamentares com relação a suas verbas indenizatórias, as quais, como sobejamente sabido, encontramse absolutamente isentas de tributação por se tratar de valores necessários ao desempenho de sua atividade parlamentar; 11. isto posto, requer o cancelamento da Notificação de Lançamento por ser medida de imperiosa Justiça pelo todo demonstrado, ex vi da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a Administração pode anular seus próprios atos.” A impugnação foi considerada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/35, que restou assim ementado: DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. Uma vez não comprovado o valor descontado a título de previdência oficial, cabe manter a dedução correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, disposição legal específica. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000060/200942 Acórdão n.º 2801002.628 S2TE01 Fl. 48 4 Regularmente cientificado daquele acórdão em 30/05/2011 (fl. 38), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 39/42, em 21/06/2011, no qual, em síntese, sustenta os argumentos expendidos na impugnação no sentido de que, com o advento da Lei n° 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no computo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Do exame das peças processuais, constatase que o litígio cingese à discussão acerca da interpretação da Lei nº 8.852, de 04/02/1994, especialmente no tocante à tributação de valores (rendimentos) recebidos pelo interessado no anocalendário 2004, sobre os quais sustentou em sua defesa que não deveria incidir o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Ocorre que, da análise da referida legislação, inferese claramente que as alíneas “a” até “r” do inciso III, do art. 1°, da Lei n° 8.852/94, tratam de exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, ou seja, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1°, da Lei n° 7.713, de 1988. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Logo, é de se considerar acertado o lançamento em tela. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000060/200942 Acórdão n.º 2801002.628 S2TE01 Fl. 49 5 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005649/2008-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submete-se ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.113
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submete-se ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005649/200844 Acórdão n.º 180101.113 S1TE01 Fl. 104 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 06, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por falta na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) referente ao primeiro trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 14.05.2004. Ela foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113, art. 115 e art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e incido II do art. 3º e incisos I e II do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 14.11.2008, fl. 79, a Recorrente apresentou a impugnação em 12.12.2008, fls. 0105, com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita que foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01.01.2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/NHO n° 453.441 de 07.08.2003. Este procedimento tem como motivo a ocorrência da situação excludente, qual seja, “sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 492.917.93000. CNPJ 72.353.618/000146”. Argui que a referida sócia Raquel Cristina Schierholt, CPF 492.917.93000, retirouse da pessoa jurídica Usefibra Indústria Comércio de Fibras de Vidro Ltda, CNPJ 72.353.618/000146, em 14.02.2000, cuja alteração contratual foi arquivada em 21.08.2001 na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. Defende que não exerceu a atividade de representante comercial, tampouco qualquer outra atividade impeditiva e que cumpriu suas obrigações tributárias com regularidade inclusive procedendo aos recolhimentos mediante DarfSimples e à entrega das Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples). Aduz, assim, que a exclusão foi imotivada. Neste sentido formaliza o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005649/200844 Acórdão n.º 180101.113 S1TE01 Fl. 105 3 Entende que não incorreu em circunstância que vedasse a opção pelo Simples e que por este motivo estava dispensada legalmente de apresentar DCTF. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, reativando a empresa no simples. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1021.525, de 22.10.2009, fls. 8185: “Impugnação Improcedente” : Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF MULTA POR FALTA DE ENTREGA SIMPLES EXCLUSÃO OBRIGATORIEDADE. O contribuinte que foi excluído retroativamente do Simples, esta obrigado a apresentar a DCTF, sendo o inadimplemento desta obrigação passível de multa, na forma da lei. Notificada em 23.11.2009, fl. 89, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.12.2009, fls. 9096, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e incluída no SIMPLES. Termos em que, Pede deferimento É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005649/200844 Acórdão n.º 180101.113 S1TE01 Fl. 106 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda de sua exclusão de ofício do Simples. Esta matéria não é objeto do presente processo administrativo fiscal em que está formalizada a exigência de multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. Consta no Voto condutor do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 21.525, de 22.10.2009, fls. 8185 O contribuinte, em 26/08/2003, foi cientificada do Ato Declaratório Executivo n° 0453441 emitido em 17/08/2003, que o excluía do Simples, tendo como situação excludente o fato de ter "sócio com mais de 10% e receita global acima do limite legal". A empresa ingressou com pedido de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) em 23/09/2003, que levou o n° 10107000073 e suspendeu temporariamente a exclusão. Porém, após análise da SRS, a exclusão foi mantida com efeitos retroativos a 01/01/2002. A SRS foi declarada improcedente em 23/07/2004 e o contribuinte foi cientificado do fato, por AR, em 04/08/2004, conforme informação da DRF/Novo Hamburgo. Poderia o contribuinte, dentro do prazo, ter recorrido à. Delegacia da Receita Federal de Julgamento e, em última instância, ao Conselho de Contribuintes. Não localizamos nenhum desses procedimentos por parte dele, logo está sujeito aos efeitos da exclusão. A partir destas informações não expressamente contestadas pela Recorrente, verificase que o procedimento de exclusão de ofício está findo na esfera administrativa, de sorte que esta matéria não pode ser reexaminada nos presentes autos. Por esta razão, ela fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente afirma que pode ser incluída de ofício no Simples, nos termos legais. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. Comprovada a ocorrência de erro de fato, a autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão com efeito retroativo no Simples de pessoa jurídica inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Para tanto é imprescindível identificar sua intenção inequívoca de aderir ao Simples, cujos instrumentos hábeis os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada (DSPJ) e ainda não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito do processo Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005649/200844 Acórdão n.º 180101.113 S1TE01 Fl. 107 5 administrativo fiscal1. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples, todavia, não prescinde de ser processado no rito especial previsto no § 6º do art. 8º da Lei nº 9.317, de 1996 e em autos apartados. Logo, esta questão não pode ser examinada no presente processo. Assim superadas as matérias prejudiciais referentes à exclusão de ofício e ao pedido de inclusão retroativa, ambas referentes ao Simples, tem cabimento a análise dos demais argumentos constantes na peça recursal. A Recorrente discorda, no mérito, da aplicação da multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB. Neste caso a pessoa jurídica fica sujeita multa de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento). Por via de regra, a multa mínima a ser aplicada é de R$500,00 ( quinhentos reais). Será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. A DCTF deve ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos2. Na presente situação fática, a Recorrente foi excluída do Simples a partir de 01.01.2002. O prazo final para entrega da DCTF relativa ao primeiro trimestre do ano calendário de 2004 era 14.05.2004. A Recorrente foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Por esta razão não cabem reparos ao crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art.7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e art. 2º, art. 3º e art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005649/200844 Acórdão n.º 180101.113 S1TE01 Fl. 108 6 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face de o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13811.004650/2003-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 25/10/1993 a 14/08/2003
PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005
aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da
vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE
566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O recolhimento de tributo, quando a destempo, deve-se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora. Tendo o recolhimento sido feito fora do prazo de vencimento do tributo, não configura indébito o pagamento da parcela relativa à multa de mora devida, nos termos da legislação vigente.
Não há nos autos provas de que o sujeito passivo estivesse amparado pelo
instituto da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 1102-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto e João Carlos de Figueiredo Neto. Documento assinado digitalmente.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/10/1993 a 14/08/2003 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O recolhimento de tributo, quando a destempo, deve-se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora. Tendo o recolhimento sido feito fora do prazo de vencimento do tributo, não configura indébito o pagamento da parcela relativa à multa de mora devida, nos termos da legislação vigente. Não há nos autos provas de que o sujeito passivo estivesse amparado pelo instituto da denúncia espontânea.
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Recorrente LARK S/A MAQUINAS E EQUIPAMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/10/1993 a 14/08/2003 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplicase somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplicase o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O recolhimento de tributo, quando a destempo, devese fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora. Tendo o recolhimento sido feito fora do prazo de vencimento do tributo, não configura indébito o pagamento da parcela relativa à multa de mora devida, nos termos da legislação vigente. Não há nos autos provas de que o sujeito passivo estivesse amparado pelo instituto da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto e João Carlos de Figueiredo Neto. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 2 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra interposto por LARK S/A MAQUINAS E EQUIPAMENTOS, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – DRJ/SPI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – Derat/SP, que, por sua vez, indeferiu o pedido o pedido de restituição de multas de mora e não homologou a Declaração de Compensação apresentada. O caso foi assim relatado pela DRJ: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fls. 57/66, pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO, analisando o formulário protocolizado a fl. 01 e retificado a fl. 33, decidiu indeferir o pedido de restituição referente a pagamentos indevidos de multas de mora efetuados entre 25/10/93 e 14/08/2003 (fls. 19 a 31) e não homologar a DCOMP vinculada ao crédito pleiteado, a fl. 52. O pedido de restituição retificador foi apresentado em 11/11/2003 (fl. 32) e o despacho decisório recorrido, em 12/09/2008 (AR a fl. 68). Conforme relatado no despacho decisório recorrido: • A requerente não acostou os DARFs de recolhimentos que pretendeu fossem restituídos, apenas acostou a fls. 19/31 planilha da restituição pretendida; • A teor dos arts. 156, I, e 165, I, do Código Tributário Nacional, do Ato Declaratório SRF nº 96/99, que acolheu o Parecer PGFN/CAT nº 1538/99, o prazo para pleitear restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento efetivo do tributo. Assim, os pagamentos efetuados anteriormente a 12/09/98 foram alcançados pelo prazo decadencial; • A partir da edição da Lei nº 10.637/03, que em seu artigo 49 alterou a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação foram convertidos em declarações de compensação e os débitos compensados considerados extintos sob condição resolutória de ulterior homologação; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 3 3 • A exclusão da responsabilidade de que trata o artigo 138 do Código Tributário Nacional não dispensa qualquer multa moratória, pois o dispositivo se refere a responsabilidade pessoal ou não do agente quanto a infrações conceituadas em lei como crimes, contravenções ou dolo específico; • Não cabe a restituição pretendida, vez que a multa de mora é devida nos termos do artigo 161 do Código Tributário Nacional e do art. 61 da Lei nº 9.4330/96 e os juros de mora, nos termos dos artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002; Cientificada da decisão em 12/09/2009 (AR a fl. 68), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/10/2009, a fls. 69/78 na qual postula pela reforma do despacho recorrido, com base nas alegações abaixo sintetizadas: • Que se reconheça e atribua à peça de defesa os efeitos da suspensão de exigibilidade dos débitos objeto da compensação não homologada, para que esses não sejam encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; • A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, seguida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, é pacífica quanto ao entendimento de que o recolhimento espontâneo de tributo, embora em atraso, isenta o pagamento da multa de mora; • Os créditos pretendidos não se encontram decaídos, eis que se aplica a posição adotada pela melhor doutrina, por nossos Tribunais Superiores e pela própria Receita Federal, no sentido de que o prazo decadencial de cinco anos somente se inicia cinco anos após a ocorrência do fato gerador; • Requer sejam restituídas todas as parcelas pagas indevidamente a título de multa moratória, corrigidas monetariamente conforme determinado pela NE nº 08/97, acrescido esse valor dos expurgos inflacionários aceitos pelo Superior Tribunal de Justiça, além dos decorrentes de adoção do Plano Real e, ainda, acrescidos de variação da taxa Selic a partir de 01/01/96, assegurando à requerente o direito de compensar referido crédito com quaisquer tributos administrados ou cobrados pela RFB, na forma da IN SRF nº 210/2002. A 5ª Turma da DRJ/SPI, em síntese, ratificou o entendimento exposto pela autoridade administrativa, confirmando a decadência relativa aos pagamentos efetuados anteriormente a 12.09.1998, bem como a incidência da multa de mora sobre tributos e contribuições pagos em atraso, de sorte que tais recolhimentos, quando efetuados, não se afiguram indevidos. O Acórdão no 1625.494 possui a seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 25/10/1993 a 14/08/2003 RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 4 4 O prazo decadencial do direito à restituição de pagamentos indevidos ou a maior expira em cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que corresponde ao seu efetivo pagamento. RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade excluída pela denúncia espontânea referese a infrações tributárias, nas quais não se inclui a multa moratória. É devido o pagamento da multa de mora calculada sobre tributo recolhido em atraso, ainda que antes do início de qualquer procedimento fiscal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE HOMOLOGAÇÃO. Não cabe a homologação de compensação declarada de débitos com crédito referente a pagamento devido de multa de mora incidente sobre tributo recolhido em mora.” Cientificada desta decisão em 22.06.2010, conforme AR de fls. 97, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 11.07.2010, fls. 98 a 102, no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A meu sentir, o pleito da recorrente há de ser analisado com relação a três aspectos: (i) o prazo para exercer o direito de pleitear a restituição; (ii) a prova do recolhimento dos valores que a recorrente pretende ver repetidos; e (iii) a incidência ou não da multa de mora sobre tributos e contribuições pagos em atraso, mas antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização a eles relativo. 1. Prazo para pleitear a restituição de indébito tributário Conforme visto, o Despacho Decisório considerou ter sido formulado a destempo o pedido de restituição, datado de 12.09.2003, com relação aos valores recolhidos antes de 12.09.1998, mesmo entendimento esposado também pela decisão recorrida. Neste aspecto, merece reparo a decisão. Não há dúvidas de que a Lei Complementar nº 118/2005 dirimiu quaisquer dúvidas existentes acerca do dies a quo para a contagem do prazo prescricional para solicitar a restituição de tributo indevidamente recolhido, ao estabelecer que, para efeito de interpretação Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 5 5 do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado. Contudo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da referida Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo seu art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação retroativa foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Contudo, a inconstitucionalidade do referido dispositivo da LC nº 118/05 foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que, em 03.12.2007, reconheceu a repercussão geral da matéria, nos autos do RE 561.908. Em 04.08.2011, o STF julgou o RE 566.621, que substituiu o paradigma original, e, nos termos do voto da relatora, Ministra Ellen Gracie, considerou inconstitucional a segunda parte do artigo 4º da LC 118/05, por violação à segurança jurídica, porém, entendeu aplicável o novo prazo às ações ajuizadas após a vacatio legis, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, e não aos pagamentos efetuados a partir daquela data, conforme entendia o STJ. A decisão encontrase assim ementada: “DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4, 156, VII, e 168,1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 6 6 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Do exposto, temse que o prazo estabelecido pelo artigo 3º da LC nº 118/05 (cinco anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN) somente se aplica aos casos já ajuizados ou pleiteados pela via administrativa a partir de 9 de junho de 2005. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal, com termo inicial na data do fato gerador, nos termos da consolidada jurisprudência do STJ a respeito. Este tem sido o entendimento aplicado por esta Turma nos recentes julgados sobre o tema, conforme Acórdãos 110200609, 110200611, 110200656, 110200682, 1102 00692, e 110200.711, entre outros. No caso presente, o pedido foi formalizado em 12.09.2003, data anterior a 09.06.2005. Aplicase, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ. Sob esse prisma, considerando que o crédito alegado é de multa de mora paga sobre recolhimentos diversos, o termo inicial relativo ao fato gerador mais antigo a ser considerado é 25.10.1993, cujo termo final seria 25.10.2003. Como o pedido for formalizado em data anterior (12.09.2003), não se encontrava ainda prescrito com relação a nenhum dos valores pleiteados. Em situações em que a autoridade administrativa denega a restituição por entender extinto o direito do contribuinte de pleiteála, sem que haja pronunciamento quanto ao mérito do pedido, o procedimento adotado por esta Turma tem sido o de retornar os autos à Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 7 7 DRF de origem para que seja feita esta análise, com o restabelecimento de todo o trâmite processual a partir daí. No presente caso, contudo, tendo em vista que nem todos os pagamentos encontravamse nesta situação, e que o caso daqueles que assim se enquadravam (no entender da autoridade administrativa) é o mesmo, na sua essência, dos demais pagamentos efetuados a partir de 12.09.1998, ou seja, todos dizem respeito exclusivamente à multa de mora, não há motivos para adotar o procedimento acima referido, visto que houve pronunciamento daquela autoridade, portanto, também quanto ao mérito, de uma forma geral. Podese, assim, prosseguir na análise do presente recurso. 2. Prova do recolhimento dos valores objeto do pedido No Despacho Decisório constou expressamente que: “[a interessada] Não apresentou DARFs que comprovassem os recolhimentos que pretende sejam restituidos.” E, ainda, ao final do despacho (grifo nosso): “Em face das considerações contidas no despacho supra, decido pelo indeferimento do pedido de restituição de multas de mora, e que a Declaração de Compensação relacionada no relatório do presente despacho decisório não seja homologada. (...) Face ao exposto, com supedâneo nos autos e nos aspectos legais discutidos, (...), diante da não comprovação do crédito pleiteado pelo contribuinte, INDEFIRO o pedido de restituição de multas de mora e NÃO HOMOLOGO a Declaração de Compensação, relacionada no relatório deste despacho decisório.” Uma vez que houve mais de um fundamento para o indeferimento do pleito da recorrente, sendo que a parte final dispositiva os resume todos, por assim dizer, sob o rótulo de “não comprovação do crédito pleiteado”, e que não houve nenhuma outra manifestação, ao longo do processo, quanto ao efetivo recolhimento dos valores que se pretende sejam restituídos, além daquela feita pela autoridade administrativa que primeiro analisou o pedido, e acima transcrita, entendo que, acaso a Turma se pronuncie pela procedência do pedido quanto ao item 3 seguinte (i.e., quanto à possibilidade de repetição da multa de mora sobre os tributos e contribuições pagos em atraso, mas antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização a eles relativo), o procedimento correto a adotar, nessa hipótese, seria a conversão do julgamento em diligência, a fim de atestar o efetivo recolhimento dos valores que constam somente na planilha de fls. 19 a 31 dos autos. 3. Multa de mora sobre tributos e contribuições pagos em atraso Incontroverso nos autos que os recolhimentos a que se refere o pedido de restituição, indicados como origem do crédito pleiteado, foram todos efetuados a destempo. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 8 8 Entretanto, muito embora tenha a recorrente efetuado o recolhimento à época com o acréscimo da multa de mora, ora entende ser esta multa indevida, por ter o pagamento sido feito ao abrigo da denúncia espontânea, pelo que pretende a sua compensação com outros débitos. O instituto da denúncia espontânea está previsto no art. 138 do CTN, que se encontra assim redigido: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Por outro lado, o mesmo CTN, no seu artigo 97, afirma que a lei (ordinária) pode estabelecer a cominação de penalidades para quaisquer ações ou omissões contrárias aos seus dispositivos, bem como para outras infrações nela (lei ordinária) definidas. Este dispositivo reflete o poder de coerção de que é dotado o Estado, como ente tributante, para exigir o cumprimento das obrigações tributárias previstas no ordenamento jurídico pátrio. Também o artigo 161 do mesmo CTN dispõe que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.” O próprio Código, contudo, em nenhum momento define qual a penalidade cabível em cada caso, deixando tal tarefa a cargo da legislação ordinária, que terá então de sopesálas em razão do potencial lesivo da conduta. Assim é que, por exemplo, nos casos em que a falta de pagamento decorra de fraude, sonegação ou conluio, incide a multa de ofício de 150%; nos casos em que decorra de simples falta de declaração e pagamento, incide a multa de 75%; e, nos casos em que decorra de simples inadimplência ou de pagamento a destempo, incide a multa de mora à razão de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a 20%, conforme dispõe o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, que atualmente trata do assunto, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 9 9 Aliás, a penalidade denominada de multa de mora por pagamento de tributos após o seu vencimento, mesmo quando age espontaneamente o sujeito passivo, desde há muito integra o nosso ordenamento jurídico, inserida que está nas diversas leis tributárias de todos os entes federativos, não tendo sido afastada até o momento sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, não sendo razoável admitirse que o legislador ordinário estaria confrontando o CTN, tenho que o afastamento do acréscimo não se aplica aos pagamentos trazidos pela Recorrente, vez que não ficou provado que teriam eles origem em obrigação tributária nascida à margem de sua escrituração. De fato, não há que se falar na aplicação da excludente no caso em que o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comercias e fiscais do contribuinte. Percebase que o artigo 138 do CTN encontrase inserido dentro da Seção IV do Código, que se inicia com os artigos 136 e 137, que tratam da responsabilidade pessoal ou não do agente quanto ao crime, contravenção ou dolo, para só a seguir estatuir que a responsabilidade do agente estará excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e juros de mora. Ou seja, há uma seqüência lógica entre os dispositivos citados, de modo que o artigo 138 está voltado às situações que a lei conceitua como crimes ou contravenções, ou àquelas em que presente o dolo específico do agente. Já a multa de mora, conforme visto, surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, e nela incorre o contribuinte independentemente de essas ocorrências já terem ou não sido trazidas ao conhecimento do Fisco mediante as declarações de cunho obrigatório, a exemplo da DCTF. Aliás, a regra é que o débito seja pago antes mesmo de ser informado à Receita Federal. Basta ver que há tributos apurados em períodos mensais, ou ainda menores que o mês, enquanto a maior parte dos contribuintes, durante muito tempo, esteve sujeita à apresentação da DCTF apenas por períodos trimestrais ou semestrais, sendo que atualmente a apresentação da DCTF deve ser feita até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. Além disto, de se observar que o artigo 138 do CTN foi concebido numa época em que sequer havia DCTF, de modo que não há por que tomála como referência temporal para definir se um pagamento extemporâneo deve ou não submeterse à multa de mora, conforme tenha ele sido efetuado após ou antes a entrega, respectivamente, daquela declaração. Admitir tal vinculação seria restringir o conceito de espontaneidade ao ato de levarse ou não ao conhecimento do fisco o tributo retratado na própria escrita contábil, não sendo razoável tão estreita visão, quando na realidade a norma existe para instigar o contribuinte a denunciar aquilo que dela foi omitido, a revelar a conduta ilícita ou culposa, beneficiandoo por meio da exoneração das penalidades pecuniárias, tanto a de ofício quanto a moratória. Neste mesmo sentido trago à colação os seguintes julgados do CARF: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 10 10 “PAF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — EXTENSÃO DO CONCEITO — A denúncia espontânea acontece quando o contribuinte, sem qualquer conhecimento do administrador tributário, confessa fato tributário delituoso ocorrido e promove o pagamento do tributo e acréscimos legais correspondentes, nos termos do artigo 138 do CTN, não se aplicando ao pagamento em atraso sem recolhimento da multa de mora.” (Acórdão nº 10809.352, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, sessão de 25 de maio de 2007) “APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PAGAMENTO A DESTEMPO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente, o qual também prevê a cobrança de ofício da parcela não solvida, integral ou complementarmente. O instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138) não exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência.” (Acórdão nº 110200.452, relator José Sérgio Gomes, sessão de 26 de maio de 2011) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA MORATÓRIA — O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem notas fiscal, venda com preços registrados aquém do real, etc.” (Acórdão nº 10322.100, relator Márcio Machado Caldeira, sessão de 13 de setembro de 2005) “PAGAMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo, com relação aos fatos geradores que se encontram registrados nos livros comerciais e/ou fiscais da contribuinte. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar a ocorrência de fatos geradores que haviam sido omitidos, como é o caso da aquisição de mercadorias sem notas fiscal, ou da venda com preços registrados aquém do real, entre outros. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Tendo o recolhimento sido feito fora do prazo de vencimento do tributo, não configura indébito o pagamento da parcela relativa à multa de mora devida nos termos da legislação vigente.” (Acórdão nº 110200.619, relator João Otávio Oppermann Thomé, sessão de 24 de novembro de 2011) Neste mesmo sentido também já sinalizou o próprio Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo transcrita, ainda que atualmente tenha vingado tese parcialmente diversa: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 11 11 “I O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo Fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. II. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real etc. (...)” (REsp 516.337/RJ. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 17/06/2003. DJ de 15/09/2003, p. 268.) De fato, nos julgados mais recentes do STJ passouse a dar uma relevância muito grande ao fato de estar ou não determinado débito previamente declarado em DCTF ou outras declarações de cunho equivalente. Neste sentido, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC (recurso repetitivo), estatuiu o STJ que, nos casos em que o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte em DCTF, não configura denúncia espontânea o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. Abaixo transcrevese a ementa deste julgado: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (REsp 962.379/RS. Rel.: Min. Teori Albino Zavascki. 1ª Seção. Decisão: 22/10/2008) No que toca ao não reconhecimento da denúncia espontânea, no caso referido no REsp 962.379, não há porque discordar de suas conclusões. Além disto, de se observar que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, tal entendimento há de ser obrigatoriamente reproduzido pelos Conselheiros nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Entretanto, o entendimento a contrario sensu, que daí se pode extrair, no sentido de que, no caso de não estar determinado tributo previamente declarado em DCTF, necessariamente há de ser reconhecida a denúncia espontânea, embora já tenha sido expressamente manifestado pelo STJ em outros julgados posteriores ao REsp 962.379, até o presente momento não o foi em nenhum recurso submetido ao rito do artigo 543C do CPC, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13811.004650/200382 Acórdão n.º 110200.765 S1C1T2 Fl. 12 12 pelo que, no meu entender, não se configura a obrigatoriedade de sua reprodução pelos Conselheiros do CARF, já que o referido entendimento a contrario sensu não é o único que se poderia validamente extrair do citado precedente. Seja como for, importante frisar que, no caso concreto, não fez a recorrente nenhum esforço no sentido de demonstrar, sequer, que os recolhimentos que ora pretende ver desonerados da imposição da multa de mora, tenham sido feitos anteriormente à apresentação da DCTF. Em outras palavras, sequer demonstrou que tais recolhimentos estariam abrangidos pelo conceito de denúncia espontânea obtido segundo o entendimento que somente a contrario sensu se poderia extrair do precedente do STJ. E, tratandose de pedido de repetição de indébito, incumbe ao autor a prova do direito que alega. Concluindo, o contribuinte, ao efetuar a destempo o pagamento dos tributos indicados na planilha que acompanha o pedido de restituição objeto do presente processo, encontravase sujeito à incidência da multa de mora, pelo que não configura indébito sujeito à restituição ou compensação o pagamento feito da parcela relativa à multa de mora devida nos termos da legislação vigente. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 13617.001049/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL. INCLUSÃO RETROATIVA. OPÇÃO PELA INTERNET NÃO REALIZADA. IMPOSSIBILIDADE.
Ano calendário: 2008.
A opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio da internet, nos termos da regulamentação específica. Sendo extemporânea, a opção não é válida, logo, não poderá retroagir para produzir efeitos para o mesmo ano calendário no qual foi realizada.
Numero da decisão: 1401-000.673
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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INCLUSÃO RETROATIVA. OPÇÃO PELA INTERNET NÃO REALIZADA. IMPOSSIBILIDADE. Anocalendário: 2008. A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, nos termos da regulamentação específica. Sendo extemporânea, a opção não é válida, logo, não poderá retroagir para produzir efeitos para o mesmo anocalendário no qual foi realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 Relatório Tratase de indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, pelo fato de a Recorrente não ter realizado a sua opção pelos programa, nos termos do que determinam as resoluções do CGSN, que serão abordadas adiante. Por medida de economia processual, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ, que descreve com riqueza de detalhes os principais fatos a ser considerados: A interessada protocolizou, em 26 de agosto de 2008, o Pedido de Inclusão de fl. 1, alegando não haver providenciado sua inclusão no Simples Nacional "no prazo de 10 dias" por entender que, segundo a Resolução CGSN n° 29, de 21 de Janeiro de 2008, a opção pelo Simples Nacional seria automática, "a partir de 10 de Janeiro de 2008", retroagindo "data da abertura do CNPJ". Analisando tal pedido, assim se manifestou a DRF de origem no Despacho Decisório de fls. 13 e 14: Trata o presente processo de pedido de inclusão, a partir da data de abertura da empresa no CNPJ (18/03/2008) no Simples Nacional, formalizado em 22/08/2008. [...] Em verificação ao Portal do Simples Nacional, constatouse que a única solicitação de inclusão por parte do contribuinte foi feita em 06/01/2009, incluindoo a partir de 01/01/2009. No Sistema CNPJ, verificouse que a data do pedido de inscrição no CNPJ foi 08/04/2008, e o processamento se deu em 15/05/2008. O contribuinte anexou, à fl. 06, uma notícia com o título "Empresas com CNPJ a partir de janeiro são automaticamente incluídas no Supersimples", que informava que o CGSN aprovou, em 21/01/2008, uma medida que [incluiria] automaticamente as empresas no Simples Nacional inscritas no CNPJ a partir de 2008. Salientase que a informação, ou ao menos sua interpretação, está equivocada. [...] O Requerimento de Empresário, relativo ao ato de inscrição da empresa, à fl. 02, foi registrado na Junta Comercial em 09/11/2007, que é a data de abertura da empresa no CNPJ. [...] A Resolução CGSN n° 29, que modificou a Resolução CGSN nº 004, não informou em nenhum momento que as empresas seriam automaticamente incluídas no Simples Nacional a partir de 2008. A legislação informa, de forma clara, que a opção é feita via internet, e que a modificação foi em relação à data em que as empresas passaram a ser consideradas como optantes pelo Simples Nacional. Em 2007, era a data de última inscrição (federal, estadual, municipal). Em 2008, passou a ser considerada a data da abertura da empresa no CNPJ. Ante o exposto, proponho o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13617.001049/200849 Acórdão n.º 1401000.673 S1C4T1 Fl. 54 3 Ciente em 13 de fevereiro de 2009, a interessada apresentou, em 12 de março de 2009 (fls. 17), a impugnação de fls. 22, como segue: [...] Assim que a inscrição ficou pronta, sabedores do prazo, tentamos inúmeras vezes efetuar o pedido de opção, através do Sitio da RFB, porém mesmo dentro do prazo dos 10 dias, em todas as tentativas foi emitida a seguinte mensagem:"Opção pelo Simples Nacional fora do prazo". Diante de tal situação, iniciamos uma pesquisa, via telefone e internet, e ao encontrarmos a medida aprovada pelo CGSN em 21.01.2008, copia em anexo, entendemos que não estávamos conseguindo fazer a opção, pois a mesma já estava sendo automática, visto que não ficou claro na Resolução que a opção, a partir de Janeiro/2008, continuaria sendo feita via internet no prazo de 10 dias, dando a entender que a opçãoproduziria efeitos, simultaneamente a inscrição no CNPJ. Justificamos ainda que, tivemos como agravante a falta de informações, por parte dos órgãos envolvidos, e a demora na implantação do Cadastro Sincronizado. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, esta houve por bem julgála improcedente: Como muito bem observado pela DRF de origem, o caput da Resolução CGSN n° 4, de 2007, que determina o modo pelo qual deve ser feita a opção pelo Simples Nacional, não foi afetado pela Resolução CGSN n° 29, de 2008, que se limita a definir a data a partir da qual tal opção passa a produzir efeitos. Em outras palavras, a interessada interpretou erroneamente o texto legal, que jamais previu o ingresso automático das micro e pequenas empresas no Sistema, principalmente porque tal ingresso resulta da vontade da pessoa jurídica – vontade esta que o texto da lei adequadamente resume na palavra opção, isto é, escolha, preferência, desejo. Ressalvese que esta regra foi excepcionalizada apenas por ocasião da assim dita "migração automática", tal como definida pela Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007: Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples' Nacional, em 10 de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. Uma vez que esta hipótese não se enquadra no caso presente, deve prevalecer a regra geral de que uma pessoa jurídica somente pode ingressar no Simples Nacional depois de manifestar sua intenção neste sentido, na forma estabelecida por seu Conselho Gestor. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 38/39, que passa a ser apreciado por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Sustenta a Recorrente, em preliminar, que “assim que a inscrição ficou pronta, sabedores do prazo, tentamos inúmeras vezes efetuar a solicitação, pela Internet através do sítio da RFB, porém mesmo dentro do prazo (10 dias), em todas as tentativas, foi emitida a seguinte mensagem: ‘Opção pelo Simples Nacional Fora do Prazo’”. Merece destaque o fato de que a Recorrente apenas limitouse a afirmar o ocorrido, não realizando nenhuma prova sobre o alegado. Como a preliminar em análise se confunde com o mérito do recurso, é prudente analisar esses dois pontos conjuntamente. A Autoridade Administrativa, encarregada de analisar os pedidos de inclusão no Simples Nacional, verificou que, em consulta ao sistema do CNPJ, a data do pedido de inscrição no CNPJ, feito pela Recorrente, foi 08/04/2008, e o seu processamento se deu em 15/05/2008 (fl. 13). Confirase: No Sistema CNPJ, verificouse que a data do pedido de inscrição no CNPJ foi 08/04/2008, e o processamento se deu em 15/05/2008. O contribuinte anexou, à fl. 06, uma notícia com o título "Empresas com CNPJ a partir de janeiro são automaticamente incluídas no Supersimples", que informava que o CGSN aprovou, em 21/01/2008, uma medida que [incluiria] automaticamente as empresas no Simples Nacional inscritas no CNPJ a partir de 2008. Salientase que a informação, ou ao menos sua interpretação, está equivocada. [...] O Requerimento de Empresário, relativo ao ato de inscrição da empresa, à fl. 02, foi registrado na Junta Comercial em 09/11/2007, que é a data de abertura da empresa no CNPJ. Temse que a Recorrente, em seu recurso, alegou que ela somente não efetuou a sua inscrição no programa, dentro do prazo de 10 dias contados da sua inscrição no CNPJ, porque o sistema da RFB a impediu. Contudo, as suas afirmações mostramse contraditórias pois, ao formular o seu pedido de inclusão no Simples Nacional (formalizado em 26/08/2008), ela mencionou que não providenciou o pedido no prazo de 10 dias, por acreditar que a opção pelo Simples Nacional seria automática a partir de 1º de janeiro de 2008, a partir da data da abertura do CNPJ. Vêse, desse modo, que a justificativa apresentada no pedido de inclusão é completamente diferente daquela suscitada em seu recurso. Confirase: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13617.001049/200849 Acórdão n.º 1401000.673 S1C4T1 Fl. 55 5 A Empresa acima, não providenciou o pedido de inclusão no Simples Nacional, no prazo de 10 dias pelo seguinte motivo; conforme o resumo em anexo, feito pelo consultor, Ricardo Paz Gonçalves, da Affectum, referente a Resolução CGSN nº 29, de 21 de Janeiro de 2008, em que a opção pelo simples nacional se dará automaticamente a partir de 1° de Janeiro de 2008, a partir da data da abertura do CNPJ. Observando que esta Empresa está com seus cadastros paralisados na Caixa e Inss, e com pendências na Receita Estadual, devido a falta dessa inclusão. Tal inclusão se faz urgente para que a mesma possa iniciar suas atividades. Apesar das contradições abordadas, fato é: a data de abertura do CNPJ é 15/05/2008 e a Recorrente somente protocolizou extemporaneamente o seu pedido de inclusão no Simples Nacional em 26/08/2008, não podendo retroagir para o anocalendário de 2008, em conformidade com o embasamento legal que será adiante exposto: A Lei Complementar nº 123/2006 instituiu o Simples Nacional e, em seu art. 16, dispôs que a opção para ingresso no programa será regulamentada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, sendo irretratável para todo o anocalendário: Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) §3º A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. A Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) de n° 4, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente até 20 de janeiro de 2008, determinava: Art. 7° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. §3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; A partir da edição da Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, o inciso V do transcrito artigo 7° passou a ter a seguinte redação: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 Art. 1º Os incisos V e VI do § 3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, passam a vigorar com a seguinte redação: “V – a opção produzirá efeitos: a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1º de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; As alterações promovidas pela Resolução CGSN n° 29/2008 não alteraram o modo de opção pelo Simples Nacional (via internet) estabelecido pela Resolução CGSN n° 4, de 2007, já que aquela resolução limitouse a definir a data de produção de efeitos da opção pelo ingresso no programa. Assim, como a própria contribuinte reconhece em seu recurso voluntário, ela deveria ter efetuado o opção pelo Simples Nacional no prazo de 10 (dez) dias contados da sua inscrição no CNPJ. Embora tenha alegado a ocorrência de problemas no Cadastro Sincronizado Nacional que impediram a conclusão da opção e, também, ter sustentado que nenhuma orientação lhe foi repassada pela RFB sobre como proceder neste caso, ela foi displicente e deixou passar mais de 90 dias entre o efetivo cadastro no CNPJ e a data de sua opção pelo Simples Nacional, protocolizada diretamente junto à RFB. Pelas poucas provas apresentadas, não há como concluir se realmente houve falha do sistema ou se a Recorrente quedouse inerte. Caberia a esta comprovar a primeira hipótese, devendo ter sido cautelosa ao imprimir as telas que apontavam os erros do sistema e relatado à RFB, por escrito, os problemas ocorridos. Não é admissível que, neste momento, pretenda afastar a aplicação dos dispositivos legais que tratam do prazo para opção, sendo que a própria Recorrente, apesar de tudo o que expôs no seu recurso, não cuidou de apresentar nenhuma prova que pudesse corroborar o que foi dito, respaldando a sua pretensão. O ingresso no sistema do Simples Nacional resulta da vontade da pessoa jurídica, vontade esta que o texto da lei adequadamente resume na palavra opção, isto é, escolha, preferência, desejo, e, justamente por isso, a opção precisar ser expressa e formalizada no prazo adequado. A única exceção à obrigatoriedade da opção é a hipótese de migração automática que, naquela época, foi destinada apenas às microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que tratava a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (LC nº 123/2006 e Resolução CGSN nº 04/2007). Entretanto, não é esse o caso da Recorrente. Desta feita, pelo fato de a Recorrente não ter efetuado tempestivamente a sua opção pelo Simples Nacional, deixando de atender formalidade essencial para a sua inclusão no programa, nego provimento ao recurso voluntário interposto, vedando a sua inclusão retroativa para o anocalendário de 2008. É como voto. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13617.001049/200849 Acórdão n.º 1401000.673 S1C4T1 Fl. 56 7 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 18050.009793/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO
1. Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
2. A infração é caracterizada ainda que se trate de equívocos na contabilização efetuados sem má fé por parte do contribuinte
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
1. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
3. Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO 1. Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 2. A infração é caracterizada ainda que se trate de equívocos na contabilização efetuados sem má fé por parte do contribuinte DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN 1. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. 2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. 3. Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação Recurso Voluntário Negado.
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Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 2. A infração é caracterizada ainda que se trate de equívocos na contabilização efetuados sem má fé por parte do contribuinte DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN 1. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. 2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. 3. Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 97 93 /2 00 8- 68 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.009793/200868 Acórdão n.º 2402003.479 S2C4T2 Fl. 418 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls 08/10), a autuada efetuou sua escrituração contábil com as seguintes irregularidades. · Foi constatada a contabilização de pagamentos efetuados a pessoa jurídica na conta “Serviços de Terceiros – P. Física” e de pessoa física na conta “Serviços de Terceiros – P. Jurídica”. · A empresa contabilizou verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária abrigadas em uma mesma conta contábil, impossibilitando a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Foi caracterizado grupo econômico de fato entre a autuada e as empresas abaixo, as quais foram consideradas solidárias pelo crédito lançado. · Nordeste Segurança de Valores Ltda · Nordeste Transporte de Valores Ltda · Nordeste Segurança e Transporte de Valores Piauí Ltda · Nordeste Segurança e Transporte de Valores Sergipe Ltda · Nordeste Segurança de Valores Ceará Ltda · Nordeste Segurança de Valores Rio Grande do Norte Ltda. Não foi constatada circunstância agravante e atenuante. As autuadas tiveram ciência do lançamento em 04/12/2008 e apresentaram defesa única, em nome de todas, argumentando, em síntese, o que se segue. Alegam a inexistência de grupo econômico de fato e, conseqüentemente, de responsabilidade solidária entre as empresas, inexistindo substrato jurídico para a lavratura do Termo de Responsabilidade Solidária entre a autuada e os sujeitos passivos solidários. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada alega que não deixou de lançar em títulos próprios os fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando muito, lançouos equivocadamente, o que não tipifica a infração apontada no Auto de infração. Considera que não houve omissão no dever de escriturar os fatos geradores e, além disso, a autuada afirma que agiu de boa fé. Considera que a pretensão do fisco para constituir o crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória já estaria atingido pela prescrição, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 9.873/1999. Pelo Acórdão nº 1521.829 (fls. 181/186), a 7ª Turma da DRJ/Salvador considerou a autuação procedente, porém, retirou do pólo passivo todas as empresas consideradas solidárias pela auditoria fiscal, sob o argumento de que o responsável solidário é parte ilegítima para figurar no pólo passivo de crédito lavrado por descumprimento de obrigação previdenciária acessória consoante entendimento do art. 179 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 210/216), onde manifesta seu inconformismo em razão da decisão de primeira instância ter considerado a decadência pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, quando no julgamento da obrigação principal considerou a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Argumenta que por força do caráter acessório, a extinção da obrigação principal implica o desaparecimento da acessória, a ineficácia ou nulidade da principal reflete se na acessória; a prescrição ou a decadência da principal afeta a acessória. Assim, a autuada requer a reforma do acórdão ora recorrido, de modo que seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração acessório, dado o julgamento de improcedência das autuações lhe são principais, seja pela decadência do direito de o Fisco Federal constituir créditos tributários com fatos geradores entre janeiro de novembro de 2003, seja, ainda, pelo fato de que eventuais impropriedades de escrituração contábil não configuram infração ao art.32, II, da Lei nº 8.212/1991. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.009793/200868 Acórdão n.º 2402003.479 S2C4T2 Fl. 419 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Em sua peça recursal a recorrente questiona a decadência que não foi acolhida pela primeira instância. A recorrente entende que deveria ser aplicado o § 4º do art. 150 do CTN ao invés do art. 173, inciso I, do mesmo código. Salienta que no julgamento das obrigações principais, foi aplicado o art. 150, § 4º do CTN e extinto o crédito tributário, razão pela qual não poderia prevalecer o acessório se o principal já se encontraria decadente. Asseverese que o cômputo da decadência já foi efetuado considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que a decisão recorrida não merece reparo, uma vez que o período da autuação compreende as competências de 01 a 12/2003 e o lançamento ocorreu em 04/12/2008, não tendo ocorrido a decadência. Muito embora a autuação em questão não tenha correlação com as obrigações principais, cuja constituição não ocorreu em face dos equívocos apurados na contabilização, cumpre observar que, de acordo com as cópias de acórdãos juntados pela recorrente, a primeira instância, de fato, efetuou a aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN, no entanto, só o fez e relação àquelas competências em que se verificou a existência de antecipação de pagamento. Além disso, em nenhum dos julgamentos o crédito foi totalmente extinto pela decadência, uma vez que como a ciência do contribuinte ocorreu em 04/12/2008, a decadência nos termos do art. 150 § 4º do CTN ocorreria até a competência 11/2003. Assim, nos lançamentos das obrigações principais, restou procedente a competência 12/2003 e outras em que não se verificou antecipação de pagamento. Não ocorrendo a desconstituição total do lançamento da obrigação principal, não se pode acolher o argumento da recorrente de que o acessória não poderia prevalecer em face da extinção do principal pela decadência. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.009793/200868 Acórdão n.º 2402003.479 S2C4T2 Fl. 420 7 Verificase que a recorrente realizou contabilizações equivocadas durante o exercício de 2003, inclusive na competência 12/2003. Ainda que fosse considerado o argumento da recorrente, a autuação em tela prevaleceria, uma vez que a multa para o tipo de infração em tela é única e independente do tempo da infração. Desse modo, ocorrendo a caracterização do descumprimento da obrigação acessória numa única competência não abrangida pela decadência a autuação já seria devida. Assim, não há que se falar em decadência no presente caso. Quanto ao argumento da recorrente de que meros equívocos não se caracterizarem em descumprimento de obrigação acessória, melhor sorte não merece. Cumpre dizer que a ocorrência da infração independe da boa ou má fé do contribuinte, bastando para sua caracterização a contabilização de fatos geradores em títulos impróprios, ainda que por equívoco. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 429DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10380.008026/2003-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01-12/1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovada a efetividade da compensação informada em DCTF, deve ser cancelada a exigência. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.633
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01-12/1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovada a efetividade da compensação informada em DCTF, deve ser cancelada a exigência. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.008026/200383 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 340301.633 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente CERVEJARIAS KAISER BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 0112/1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovada a efetividade da compensação informada em DCTF, deve ser cancelada a exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 31/36), lavrado em 17.07.2003 sob o nº 0005426, para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao primeiro decêndio de dezembro de 1998, informado na DCTF como débito compensado com crédito do Processo Administrativo n.º 13884.003820/9884 – tido no auto de infração como “Proc inexist no Profisc”. O Auto de Infração é no valor de R$ 1.111.054,69, sendo R$ 426.951,04 relativo ao imposto, e R$ 684.103,65, referentes a juros e à multa de ofício. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 08/08/2003 (fls. 47) e apresentou Impugnação (fls. 01/07) em 04/09/2003, no qual, em suma, alegou ter compensado o valor de R$ 426.951,04 no Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, nos moldes da IN 21/97, já com as alterações trazidas pela IN 73/97, art. 2º, inciso I, combinado com o artigo 12 e parágrafos. Ressaltou, ainda, que em sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 4º Trimestre de 1998 constou a informação de que este débito havia sido compensado no processo administrativo citado acima. Ademais, afirmou que não houve qualquer questionamento pelas autoridades fazendárias acerca do valor do crédito e de suas condições, bem como, que foram respeitadas todas as normas reguladoras do procedimento administrativo, sejam aquelas relativas à competência dos órgãos da Administração Tributária, sejam aquelas que estabelecem os requisitos a serem cumpridos pelos contribuintes – IN 21/97, o que, para ela, enseja a extinção do crédito tributário, nos moldes do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. A impugnação foi julgada improcedente, conforme se constata no acórdão n.º 0119.629, proferido pela 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, de fls. 87/88, proferida em 20 de outubro de 2010, que tomou por base extrato de compensação do SIEF (fls.83 e 84) que demonstra que somente dois tributos haviam sido vinculados ao crédito existente no Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, e que nenhum deles correspondia ao IPI do primeiro decêndio de dezembro de 1998, tampouco ao CNPJ da Recorrente e que, portanto, não havia comprovação suficiente que demonstrasse a compensação alegada. A Recorrente, por sua vez, tomou ciência do Acórdão da DRJ em 10/02/2011 (fls. 91) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 92/100) em 14/03/2011, e em suas razões de recurso aduziu, em síntese, primeiramente acerca da tempestividade da peça recursal, tendo em vista o prazo concedido pelo artigo 33 do Decreto n.º70.235/72, expondo, em seguida, breve relato fático sobre as questões escopo dos autos. Passou a Recorrente a explicitar o ocorrido no Processo Administrativo n.º 13884.003820/9884, por entender que esse conhecimento seria determinante para a reforma do acórdão de primeira instância. Explicita, que foram atrelados ao Pedido de Restituição, consubstanciado no Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, veiculado ao CNPJ de sua matriz, diversos Pedidos de Compensação de débitos de outros estabelecimentos da mesma empresa, nos moldes da IN 21/97 e 73/97. Contudo, por força de decisão da autoridade administrativa, foi determinado a formalização do Processo Administrativo nº 13884.003991/200549, para tratar do pedido de compensação do débito de IPI relativo ao primeiro decêndio de dezembro de Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10380.008026/200383 Acórdão n.º 340301.633 S3C4T3 Fl. 2 3 1998 (ora em discussão) por se tratar de pedido de compensação vinculado a CNPJ distinto da matriz. A Recorrente juntou cópia dos autos do Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, e passou a explicitar o seu trâmite, informando que inicialmente o seu direito creditório no valor total de R$ 7.457.920,99, fora indeferido pela DRFS.José dos CamposParecer SAORT n.º 13884.431/2003 (fls. 112/114), mas que, inconformada com a decisão, interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 115/128), julgada pela DRJ de Campinas/SP (fls. 131/142) que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório, o que a fez interpor Recurso Voluntário (fls. 143/155), buscando o reconhecimento do valor integral pleiteado. No entanto, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, o que, por sua vez, ensejou a interposição de Recurso Especial (fls. 176/186), que, em seu turno, teve seguimento negado (fls. 187/188), culminando com o provimento parcial do crédito pleiteado, no valor de R$ 5.437.342,73, e com a compensação de débitos atrelados a esse processo, até o limite do direito creditório reconhecido. Demonstra a Recorrente que dentre os débitos que teriam sido compensados com o crédito pleiteado no Processo Administrativo n.º13884.003820/9884 estaria o IPI lançado por meio do Auto de Infração ora em julgamento, conforme extrato SIEF juntado às fls. 225. Por fim, em conclusão, requereu o provimento de seu Recurso Voluntário, para reformar integralmente prolatado em primeira instância, e cancelar o Auto de Infração, mediante o reconhecimento da extinção do débito de IPI em exame, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. Outrossim, clamou pela produção de novas provas ou a conversão do julgamento em diligência, tudo por apego ao princípio da verdade real, bem como à correta demonstração de novos elementos que demonstrem o direito pleiteado. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Mérito Conforme se depreende do relatório, tratase de débito informado na DCTF com crédito do Processo Administrativo n.º 13884.003820/9884 – tido no auto de infração como “Proc inexist no Profisc”. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 A Recorrente demonstra que o débito lançado fora objeto de pedido de compensação, formalizado por meio do formulário “Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros”, contido às fls.45 dos autos, ainda à luz da IN SRF 21/97, com as alterações da IN SRF 73/97, com crédito de IRPJ pago a maior, pleiteado por meio do formulário “Pedido de Restituição”, consubstanciado do Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, de outro estabelecimento da mesma empresa (matriz). Por seu turno, o Acórdão recorrido negou provimento à Impugnação, com base extrato de compensação do SIEF (fls.83 e 84) que demonstrava que somente dois tributos haviam sido vinculados ao crédito existente no Processo Administrativo nº 13884.003820/98 84, e que nenhum deles corresponderia ao IPI do primeiro decêndio de dezembro de 1998, tampouco ao CNPJ da Recorrente e que, portanto, não havia comprovação suficiente que demonstrasse o crédito alegado, in verbis: “Analisando o processo verificase que o contribuinte informa na DCTF compensação sem DARF, processo n.º 13884.003820/9894, contudo, em análise ao extrato do processo, fls. 83/84, verificase que no processo de compensação estão cadastrados e compensados créditos de IPI (0668) 09/1999 e PIS (8109 – 11/1998. Portanto, não há no presente processo comprovantes de que o contribuinte efetivamente possuía o crédito e o direito de compensálo”. (grifos acrescidos) A Recorrente esclareceu em suas razões que no processo 13884.003820/98 84 se buscava o reconhecimento do direito creditório no importe de R$ 7.457.920,99, relativamente a: “(i) Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRRF”): R$ 3.528.841,76; e (ii) Imposto de Renda Mensal por Estimativa: R$ 3.929.079,23”. Contudo, conforme demonstram as cópias de peças do Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, juntadas aos autos pela Recorrente, restou reconhecido apenas parcialmente o valor do crédito pleiteado. Assim, após ter sido proferida decisão definitiva no referido processo de restituição, a administração realizou o encontro de contas e, em 18.11.2005, efetivamente homologou as compensações dos débitos vinculados ao crédito, até o limite efetivamente reconhecido (R$ 5.437.342,73), e dentre esses débitos compensados está o do IPI, relativo ao primeiro decêndio de dezembro de 1998, no valor de R$ 426.951,04 (lançado no auto de infração), conforme demonstra o extrato da compensação SIEF às fls. 225. Esse fato foi elucidado pela Recorrente em suas razões, in verbis: “Nesse levantamento, encontramse os débitos existentes em nome da matriz e também os débitos pertinentes às filiais da Recorrente (doc. n.º 15). A partir desses documentos é possível verificar que parte do crédito que foi deferida no Processo Administrativo n.º13884.003820/9884 foi utilizada para extinguir todo o débito de IPI ora exigido nesses autos, e que também era objeto do processo administrativo n.º 13884.003991/200549 (doc. n.º 16).” (destaques originais) Assim, é possível constatar que o acórdão proferido em primeira instância não considerou a decisão definitiva do processo administrativo n.º13884.003820/9884, pois analisou somente o extrato SINIEF de fls. 83/84, que demonstra a compensação apenas dos débitos relacionados à matriz CNPJ que constava no Pedido de Restituição. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10380.008026/200383 Acórdão n.º 340301.633 S3C4T3 Fl. 3 5 Desta forma, entendo que, como a Recorrente trouxe prova aos autos que demonstra: (i) primeiramente a existência do Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, contrariamente ao que consta do auto de infração eletrônico em discussão, e (ii) que o IPI relativo ao primeiro decêndio de dezembro de 1998, lançado no auto de infração, foi compensado no Processo Administrativo nº 13884.003820/9884, de acordo com o extrato SIEF às fls. 225; não há como sustentar o lançamento de ofício. Assim sendo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que não subsiste o fundamento da autuação, motivo pelo qual deve ser cancelada. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
score : 1.0
Numero do processo: 13629.003950/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
Ementa: PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerar-se-ão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios pré-legais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe aoPoder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não
cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
Numero da decisão: 2302-001.844
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Ementa: PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerar-se-ão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios pré-legais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe aoPoder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
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Recorrente COTENCO CONSTRUCOES E COMERCIO LTDA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Ementa: PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13629.003950/200816 Acórdão n.º 230201.844 S2C3T2 Fl. 414 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social – parcela a cargo dos segurados – em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, fls. 16 a 18. Os valores foram lançados por aferição indireta, relativos à diferença da NFLD n° 37.078.9032, lavrada em 22/2/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 22 a 36. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e proferiu a decisão de fls. 389 a 394, mantendo o lançamento. Não concordando com a decisão, houve interposição de recuso voluntário conforme fls. 396 a 410. Alegou, em síntese, a autuada: a) Devia ser julgado o presente recurso com as notificações conexas; b) Não cabia a aferição de valores; c) Fora demonstrada a regularidade dos lançamentos contábeis; d) A multa aplicada afrontava o princípio do nãoconfisco; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 412. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. O recorrente inovou as alegações em recurso. Dessa forma, as matérias que não foram expressamente impugnadas em primeira instância, não serão conhecidas por este Colegiado. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A redação do art. 17 do Decreto n º 70.235 retrata o disposto no art. 302 do CPC, nestas palavras: Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Desse modo, analisando em conjunto o Decreto n º 70.235 e o CPC, o sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. No primeiro momento oportuno para se manifestar nos autos, a parte tem o ônus de impugnar toda a matéria. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13629.003950/200816 Acórdão n.º 230201.844 S2C3T2 Fl. 415 5 Entretanto, há matérias que independentemente de arguição pelo sujeito passivo na impugnação podem ser conhecidas de ofício pelo órgão julgador. São elas: a relativa a direito superveniente, surgida somente após a impugnação, ou no corpo da decisão de primeiro grau; ou as relativas às questões que o julgador pode conhecer de ofício como a decadência e os pressupostos processuais; ou às questões que envolvam nulidade absoluta, que são aquelas não passíveis de convalidação. As nulidades absolutas no processo administrativo estão previstas no art. 59 do Decreto n º 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fora das hipóteses do art. 59 do Decreto n º 70.235, as demais irregularidades serão sanadas apenas se resultarem prejuízo ao sujeito passivo, e desde que tenham sido argüidas pelo sujeito passivo, pois caso contrário haverá preclusão, na forma do art. 17 do Decreto n º 70.235. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Conforme previsto no art. 61 do Decreto n º 70.235, a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, pode o Conselho de Contribuintes como órgão julgador da legitimidade do lançamento fiscal reconhecer a nulidade absoluta, o que não ocorreu in casu. Não procede o argumento recursal de que devia ser julgado o presente recurso com as notificações conexas. Esses autos possuem todos os elementos probatórios suficientes para que seja proferido o julgamento, não havendo prejudicialidade em relação às demais notificações. Ao contrário do afirmado pela recorrente, foi correta a aferição realizada pela fiscalização tributária. Conforme consignado pela Auditoria Fiscal, cujo trecho é transcrito no recurso: "Analisada toda a documentação apresentada e ainda, a solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 22/11/2007, foi verificado que a obra Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 encerrouse em 31/01/2004 e a empresa, em março, abril, maio, setembro e outubro/2004, efetuou lançamentos de aquisição de materiais empregados na obra (cimento, telhas, tintas), bem como houve contabilização de aquisição de equipamentos de segurança, pagamento de refeições, quando não mais possuía trabalhadores alocados na obra, ou seja, não restando comprovada a mãodeobra necessária para a sua utilização ou os materiais não foram utilizados na referida obra." Desse modo, a contabilidade não registrou o movimento real de todos os fatos geradores, o que possibilitou o arbitramento dos valores na forma do art. 148 do CTN e do art. 33, parágrafos 3º a 6º da Lei n 8.212 de 1991. Os argumentos colacionados pela recorrente confirmam a continuidade da obra, apesar de já encerrada na contabilidade. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, a lei publicada possui presunção de constitucionalidade, e cabe ao Poder Executivo cumprir e executar as suas determinações, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela negativa de provimento a ele. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10665.001092/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2006, 2007
Ementa:
SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. NATUREZA DA OPERAÇÃO
A comercialização de cartões telefônicos não representam operações de compra e venda de mercadorias. Isso porque, em verdade, quem compra um “cartão telefônico” não o faz para adquirir uma cártula de plástico ou de papel, mas sim para usufruir do direito a um serviço de telefonia, a ser
prestado por uma operadora devidamente autorizada, por meio de concessão pública. Os cartões telefônicos são um instrumento, um veículo encontrado pelo operadores de telefonia, para comercializar os créditos necessário para a ativação da disponibilidade, junto à Concessionário de Serviço de Telefonia,
do direito do cliente, de demandar por referido serviço. Nesse sentido, não é venda de mercadorias, mas sim intermediação de venda de créditos telefônicos, inseridos no bojo de um contrato de prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia.
SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. BASE DE CÁLCULO
Tratando-se da intermediação de crédito para a prestação de um serviço, cuja remuneração se dá por valor fixo ou variável, de acordo com o volume da intermediação realizada, a remuneração contratada mais se aproximando de um contrato de comissão. Com isso, apenas esse valor, representativo da remuneração pela intermediação realizada, é que deverá ser considerado
faturamento da empresa, sujeito à incidência da alíquota unificada do Simples
Numero da decisão: 1401-000.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2006, 2007 Ementa: SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. NATUREZA DA OPERAÇÃO A comercialização de cartões telefônicos não representam operações de compra e venda de mercadorias. Isso porque, em verdade, quem compra um “cartão telefônico” não o faz para adquirir uma cártula de plástico ou de papel, mas sim para usufruir do direito a um serviço de telefonia, a ser prestado por uma operadora devidamente autorizada, por meio de concessão pública. Os cartões telefônicos são um instrumento, um veículo encontrado pelo operadores de telefonia, para comercializar os créditos necessário para a ativação da disponibilidade, junto à Concessionário de Serviço de Telefonia, do direito do cliente, de demandar por referido serviço. Nesse sentido, não é venda de mercadorias, mas sim intermediação de venda de créditos telefônicos, inseridos no bojo de um contrato de prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia. SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. BASE DE CÁLCULO Tratando-se da intermediação de crédito para a prestação de um serviço, cuja remuneração se dá por valor fixo ou variável, de acordo com o volume da intermediação realizada, a remuneração contratada mais se aproximando de um contrato de comissão. Com isso, apenas esse valor, representativo da remuneração pela intermediação realizada, é que deverá ser considerado faturamento da empresa, sujeito à incidência da alíquota unificada do Simples
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INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. NATUREZA DA OPERAÇÃO A comercialização de cartões telefônicos não representam operações de compra e venda de mercadorias. Isso porque, em verdade, quem compra um “cartão telefônico” não o faz para adquirir uma cártula de plástico ou de papel, mas sim para usufruir do direito a um serviço de telefonia, a ser prestado por uma operadora devidamente autorizada, por meio de concessão pública. Os cartões telefônicos são um instrumento, um veículo encontrado pelo operadores de telefonia, para comercializar os créditos necessário para a ativação da disponibilidade, junto à Concessionário de Serviço de Telefonia, do direito do cliente, de demandar por referido serviço. Nesse sentido, não é venda de mercadorias, mas sim intermediação de venda de créditos telefônicos, inseridos no bojo de um contrato de prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia. SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. BASE DE CÁLCULO Tratandose da intermediação de crédito para a prestação de um serviço, cuja remuneração se dá por valor fixo ou variável, de acordo com o volume da intermediação realizada, a remuneração contratada mais se aproximando de um contrato de comissão. Com isso, apenas esse valor, representativo da remuneração pela intermediação realizada, é que deverá ser considerado faturamento da empresa, sujeito à incidência da alíquota unificada do Simples. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 2 Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Karem Jureidini Dias Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente julgamento da análise conjunta de um grupo de processos do mesmo contribuinte que possuem o mesmo pano de fundo: a Recorrente foi excluída do Simples (processo nº 10665.001091/201065), com o conseqüente lançamento de IRPJ Simples e tributos decorrentes no anocalendário 2006 (processo nº 10665.001871/201061), IRPJ Simples e contribuições no anocalendário 2007 (processo nº 10665.001872/201013) e demais tributos decorrentes no anocalendário 2007 (processo nº 10665.001869/201091), tudo com multa qualificada, representação fiscal para fins penais e atribuição de responsabilidade solidária à sócia Isis Naiara Pimentel Pereira Feliciano e ao sócio Sam Deguejo Angheti Pimental. As razões que levaram à exclusão da Recorrente do Simples perpassa pela reclassificação promovida pela Autoridade Fiscal quanto à natureza da atividade desenvolvida pela Recorrente, implicando na alteração da base de incidência tributária, superando a receita bruta legalmente admitida para o regime excepcional. Em resumo, segundo a representação para fins de exclusão do Simples (fls. 1), a Recorrente realiza a “venda” de cartões telefônicos móveis e celulares, pelo que a base de incidência do Simples deveria ser a receita bruta decorrente de referidas vendas. A Recorrente, por sua vez, alega que realiza atividade de prestação de serviços de distribuição de carões telefônicos entre as Concessionária de Telefonia e os pontos de venda a consumidor final, razões pela qual a base de incidência do Simples deveria ser apenas o valor por ela recebido à título de comissão. Vejase com mais detalhes a representação supra referida, in verbis: No curso de procedimento de auditoria Fiscal do contribuinte acima qualificado, referente a apuração de irregularidades do SIMPLES, movimentação financeira incompatível com a receita declarada PJ do período de janeiro de 2006 a maio de 2007, relativamente à inscrição no Simples, foram constatados os seguintes fatos: a) O contribuinte iniciou as atividades em 05.10.2004 e optou pelo Simples nesta data, conforme tela CONSULTA PELO CNPJ; b) No cadastro CNPJ, junto à Receita Federal do Brasil, o contribuinte informou exercer a atividade "6120501" Telefonia Móvel Celular; Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 4 c) A empresa vende cartões telefônicos de celulares, aparelhos celulares e chips, conforme cópias das notas fiscais de saídas anexas a esta representação por amostragem. d) Pela planilha anexa a esta representação, constatamos a ausência de declaração de valores de receita de venda de produtos no ano de 2006, confrontando valores declarados Receita Federal e os apurados pelas notas fiscais de saídas da empresa, quando a soma das receitas apuradas por esta Auditoria Fiscal ultrapassa o Valor limite permitido por lei para que a mesma permanecesse como optante pelo SIMPLES, constatamos tal fato; e) Anexamos à presente, os seguintes elementos comprobatários: * Cópia de Notas Fiscais de Saída do ano de 2006, por amostragem; * Cópia do Livro de Registro de saídas do ano de 2006 com os lançamentos das respectivas Notas Fiscais de Saídas; * Cópia da Declaração do SIMPLES do ano de 2006 extraída do portal do IRPJ; * Telas do sistema Consulta CNPJ onde constam a data de opção pelo SIMPLES, quadro societário e CNAE; f) De acordo com artigo 9°. da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996, não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei n211.307, de 2006). A Instrução Normativa SRF n° 608 de 09.01.2006, regulamentando a situação, define: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); * Para o ano de 2004 o limite era de R$ 1.200.000,00 ( Um milhão e duzentos mil reais); Art. 22. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I ..) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 20; Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 3 5 Art. 23. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses:: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso lie § 22 do art. 22, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Parágrafo único. A exclusão de oficio darseá mediante Ato Declaratório Executivo (ADE) da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto n2 70.235, de 1972. Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: VI a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 20; Pela descrição da fundamentação legal da Lei n°. 9.317/96 e Instrução Normativa SRF 608/06, passamos a descrever os valores recebidos a titulo de Receitas com venda de produtos em consonância com as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. No quadro abaixo, resumese o total anual da receita bruta do contribuinte apurada pela fiscalização, neste procedimento: Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 6 De acordo com o demonstrativo acima, verificase que o contribuinte não preenchia as condições para enquadramento no Simples, no ano de 2007, em razão do excesso de faturamento no ano de 2006. Solicito que o Chefe da Seção de Fiscalização SAFIS encaminhe a presente Representação Fiscal à SACAT/DRF Divinópolis para, com base no art. 6°, inciso IX, da Portaria DRF/DIV n° 29, de 15.07.2009, decidir a respeito da proposta de exclusão do contribuinte do SIMPLES, pela ocorrência de situação impeditiva a opção, sem que o contribuinte espontaneamente procedesse a alteração cadastral para a exclusão. Proponho, fundamentado no art. 14, inciso I da Lei n° 9.317/1996, que a mesma seja excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2007. Em sequencia, a Autoridade Fiscal fez anexar uma “Planilha Demonstrativa do Faturamento”, em que relaciona as notas fiscais com data de emissão, mês de referência, número da NF, UF de destino, valor no livro de saída, CFOP e valor real da Nota Fiscal (fls. 04/32). Ainda, às fls. 40 a 78, foram juntadas, por amostragem cópias das notas fiscais relacionadas na planilha supra descrita, assim como o registro no livro de saídas do ano calendário 2006 (fls. 79 a 130). Notificada a Recorrente da sua exclusão do Simples, assim como dos autos de infração já enumerados, a mesma apresentou impugnação, em que alegou, em suma: a) Que não realiza venda de cartões telefônicos, mas sim a intermediação da prestação de serviços telefônicos entre as operadoras e o consumidor final; b) firmado este entendimento, que sua receita bruta não superou o limite legal para recolhimento dos tributos no âmbito do Simples; c) que as notas fiscais com o código CFOP 5.904 não se referem a vendas, mas sim de notas de mera remessa para fora do estabelecimento, pelo que não podem constituir base de incidência dos tributos. d) ausência dos requisitos legais para imputação de e responsabilidade pessoal à sócia Isis Naiara Pimentel Pereira Feliciano. Postos os feitos em julgamento perante a DRJ de foram julgados improcedentes as impugnações, salvo no que toca à atribuição da responsabilidade pessoal da sócio, que foi acolhida. A decisão restou assim ementada, in verbis: Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 4 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários dai decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração a legislação tributária, por dever de oficio, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. NATUREZA DE ATIVIDADE Constatado que a pessoa jurídica adquire e vende produtos, legitima é a caracterização de sua atividade como comercial de venda de produtos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando se constata a conduta com o evidente intuito de fugir ao cumprimento legal. SUJEIÇÃO PASSIVO SOLIDÁRIA Não estando devidamente provado que a sócia cotista teria praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, afastase a sua indicação como sujeito passivo solidário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL' Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE DE LANÇAMENTO Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, consolidandose administrativamente a indicação de responsabilidade solidária. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 8 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGALMENTE ESTABELECIDO Evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a omissão de receitas a partir do cotejo entre os valores declarados e os constantes dos livros fiscais é legitimo o lançamento de oficio da receita omitida. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTOS DECORRENTES Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. A Recorrente foi intimada acerca da decisão proferida pela DRJ em 25 de fevereiro de 2011, conforme AR acostado às fls. 721verso. Em 23 de março de 2011, o Sr. Sam Deguejo Angheti Pimental, na condição de exsócio da empresa Recorrente, apresentou recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Tratase de recurso interposto pelo Sr. Sam Deguejo Angueti Pimental, inscrito no CPF nº 029.844.71695, na condição de exsócio e responsável tributário indicado no auto de infração. Entendo que, apesar de a empresa não possuir legitimidade para questionar a indicação do administrador como responsável tributário pelo débito, este, uma vez, indicado, tem poderes para questionar o débito apontado em desfavor da empresa, e do qual é responsável solidário. Diante disso, entendo estarem presentes os requisitos legais para o conhecimento do recurso, pelo que dele conheço. Prefacial No presente feito, estão em julgamento (i) o ato de exclusão da Recorrente do Simples e (ii) os efeitos decorrentes de referida exclusão, consubstanciados nos autos de infração. A impugnação, assim como o recurso voluntário, batemse contrariamente a esses dois momentos: inicialmente, alega a Recorrente que não deve apresentar a integralidade dos valores recebidos pela distribuição dos cartões telefônicos à tributação, mas apenas os valores percebidos por essa intermediação e, num segundo momento, pretende que, caso se entenda devida a referida inclusão, que se operem os efeitos ex tunc. Não procede, assim, a afirmativa da decisão recorrida de que “poderseia até mesmo concluir que a impugnante não contesta o entendimento da fiscalização, vale dizer, não contesta que excedeu o limite permitido para a sua permanência no Simples. Pretende tão somente que os efeitos da exclusão se realizem a partir do anocalendário de 2006, por ter ultrapassado a receita bruta em 2005, e quer que se apure o tributo para o anocalendário de 2006, com base no lucro real, tal qual fora feito para o ano calendário de 2007, que ela entende pertinente”. Na verdade, a Recorrente expressamente se posiciona contra o entendimento que levou à sua exclusão do Simples e que, de fato, constitui o cerne essencial da autuação fiscal. Transcrevo parte da impugnação, extraída do relatório do acórdão da DRJ, que bem sintetiza a discussão, a saber: Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 10 "A autoridade tributária ao realizar a diligencia fiscal na empresa contribuinte se deparou com três atividades econômicas realizadas: vendas de celulares, vendas de chips e "venda" de cartões com créditos prépagos para acesso de telefonia móvel. "Conforme a farta documentação anexa, a diferença entre a receita bruta apurada no ano de 2006 pela contribuinte e a receita bruta apurada pela autoridade tributária, decorre da inclusão ou não dos valores recebidos pela vendas "dos cartões de créditos prépagos para acesso a telefonia celular. Com efeito, a contribuinte ao lançar as receitas recebidas com a disponibilização do serviço prépago de telefonia celular, não incluía como receita bruta o preço de "venda" dos cartões, mas apenas as comissões pela disponibilização ao consumidor, por se tratar de uma prestação de serviços e não de um produto. Entende o contribuinte que nesse caso não há operação de "compra e venda", mas apenas a prestação do serviço de telefonia celular e, portanto, não se trata de um produto inserido na cadeia de produção, mas de um serviço. Conseqüentemente, a impugnante agiu com acerto ao não incluir em sua composição de receitas brutas, as receitas que não lhe pertencem, mas que pertencem a operadora que disponibilizou o serviço de telefonia móvel ao consumidor final, diretamente, mediante pagamento antecipado" Feitas essas considerações, a questão posta em debate é saber qual a natureza da atividade exercida pela empresa que realiza a disponibilização de cartões telefônicos das concessionárias de telefonia para consumo perante o usuário final de tal serviço. Mérito Segundo o entendimento do auto de infração, as operações realizadas pela Recorrente configuram de comércio de bens, sujeitandose à tributação pelo Simples segundo a totalidade do valor de venda do produto. A Representação Fiscal, fls. 01 e 02, que embasou a emissão do Ato Declaratório Executivo DRV/DIF n° 54, de 09 de agosto de 2010, fls. 133, afirma que: "c1) Pela planilha anexa a esta representação, constatamos a ausência de declaração de valores de receita de venda de produtos no ano de 2006, confrontando valores declarados à Receita Federal e os apurados pelas notas fiscais de saídas da empresa, quando a soma das receitas apuradas por esta Auditoria Fiscal ultrapassa o valor limite permitido por lei para que a mesma permanecesse como optante pelo SIMPLES, constatamos tal fato; " A citada planilha encontrase As fls. 04/32, informando a data de emissão da nota fiscal, o mês, o número, a unidade da federação de destino, o valor registrado no livro de saída, o CFOP e o valor real da nota fiscal. Podese Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 6 11 verificar que os valores registrados no livro de saídas são efetivamente os mesmos que constam nas notas fiscais. A fiscalização faz juntar algumas cópias de notas fiscais. Assim, podese constatar que as notas fiscais de fls. 40 a 78, apresentam como natureza da operação "Venda de Mercadoria — código 5102" e "Manifesto — código 5904". Como "Dados do produto" registram Cartão Celular Card ou Chip Varejo, sendo que no primeiro caso, consignase um desconto. Assinalese que a nota fiscal de fls. 42, tem como natureza da operação "Presta. Serv. Com . — Código 5.949" e não consta da planilha elaborada pela fiscalização, ainda que esteja registrada no Livro de Saida, conforme fls. 79. Por oportuno, destaquese que nem todas as notas fiscais registradas no Livro de Saída foram consideradas na elaboração da planilha de fls. 04 a 32. Logo, a primeira constatação é que a impugnante emitia notas fiscais de venda de produto em sua quase totalidade, e algumas de prestação de serviços. Constatase também que religiosamente as registrava no seu Livro de Registro de Saídas, juntado por cópia. As fls. 79/130. Desta forma, podese até mesmo afirmar que a impugnante ofereceria ao fisco estadual e/ou municipal a totalidade das suas receitas. Mas eis que dois detalhes se afiguram de maneira gigantesca. A impugnante era optante pelo Simples. Assim, a tributação das suas receitas darseia segundo a sistemática de tributação favorecida, em outras palavras, não seriam tributadas separadamente pelo ICMS, ISS, COFINS, PIS, IRPJ, etc. E o tropeço maior: a impugnante deliberadamente oferecia A tributação, é bom que se repita, tributação favorecida, apenas parte de suas receitas. Não se trata portanto de interpretação quanto As atividades da impugnante. Não se trata de existência de alguma dúvida se a impugnante vendia ou intermediava produtos. Ela desempenhava as duas atividades. E ela própria assim os escriturava. Quando era venda, emitia nota fiscal de venda e registrava no livro de saídas, como vendas. Quando era comissão, emitia nota fiscal de serviços e registrava como serviços. Isto foi o que a fiscalização constatou e apresenta como prova. Mas a impugnante termina por dirimir qualquer dúvida que porventura ainda existisse. Apresenta de livre e Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 12 espontânea vontade os contratos de fls. 197 a 215, assinados em 10 de novembro de 2004. Talvez pretendesse comprovar que desde aquela data adotasse a prática ora detectada e assim tornar vencedora sua tese de exclusão a partir do anocalendário de 2005. Assinalese, de pronto, que esta tese não encontra respaldo, ainda que o argumento da impugnante tenha alguma procedência pois ela realmente deveria ser excluída do SIMPLES já a partir do anocalendário de 2005. Destaco que utilizo a expressão "tem alguma procedência" para assinalar que o procedimento da impugnante logrou algum êxito, uma vez que a fiscalização conseguiu detectar a prática somente em 2006. E tendo constatado o fato no anocalendário de 2006, obviamente não poderia retroceder ao ano calendário de 2005 e excluir a impugnante a partir do ano calendário de 2006. Mas retomando aos contratos. Verificamse dois tipos. Um de serviços e outro de venda de produtos. O contrato de fls. 197/204, estipula: "CLÁUSULA PRIMEIRA: DO OBJETO Constitui objeto deste contrato, a comercialização de serviços de ativação em planos PRÉPAGO da TELEMIG CELULAR, pelo CREDENCIADO... CLÁUSULA QUINTA — DA REMUNERAÇÃO 5.1.1. O CREDENCIADO será remunerado, também mensalmente e uma única vez, pela ativação de novo acesso em um dos Planos PRÉ PAGO, realizado pelos pontos de vendas cadastrados, pelo valor de R$4,00 (Quatro reais), obedecidas as condições abaixo." O contrato de fls. 210/215, determina: "CLÁUSULA I" DO OBJETO A comercialização e distribuição dos produtos denominados "Cartão Celular — PréPago (CARTÕES) pela DISTRIBUIDORA para os pontos de venda apresentados por ela e cadastrados junto à TELEMIG CELULAR,( ...). CLÁUSULA 3"DO VALOR 3.1. As partes ajustam que para todos os efeitos aqui previsto, o valor deste Contrato de Distribuição é de R$2.500.000,00 (Dois milhões e quinhentos mil reais). CLÁUSULA 5" DA COMPRA DOS CARTÕES 5.1. Os Pedidos de Compra de "CARTÕES" efetuados pela DISTRIBUIDORA, após o seu devido cadastramento, serão analisados e atendidos conforme a disponibilidade de "CARTÕES' existentes nos estoques da TELEMIG CELULAR, observadas as regras contidas nessa cláusula. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 7 13 5.3 As "margens comerciais" concedidas à DISTRIBUIDORA são estabelecidas única e exclusivamente pela TELEMIG CELULAR e poderão ser revistas e alteradas a qualquer tempo. CLÁUSULA 6" DA DISPONIBILIZAÇÃO DOS PRODUTOS PARA A DISTRIBUIDORA 6.1. As partes concordam que a TELEMIG CELULAR poderá alterar a forma de disponibilizar para a DISTRIBUIDORA os "CARTÕES' e/ou produtos comercializados, de acordo com sua necessidades e as quantidades solicitadas. CLÁUSULA 7" DAS OBRIGAÇÕES DA TELEMIG CELULAR 7.2. Disponibilizar para a DISTRIBUIDORA os produtos solicitados em um prazo máximo de 96 (noventa e seis) horas após a aprovação do pedido de compra e/ou comprovação de pagamento dos produtos. CLÁUSULA 8" DAS OBRIGAÇÕES DA DISTRIBUIDORA 8.8. Comercializar os "CARTÕES" adquiridos junto a TELEM1G CELULAR, e assegurar que seus Pontos de Venda o façam nas mesmas características de sua aquisição, sendo vedada qualquer alteração no produto, e respeitando os valores de face apresentados individualmente em cada "CARTÃO." Como se vê, o segundo contrato trata indubitavelmente de comercialização de produtos, com uma característica: a fixação de "margens comerciais". Isto pode significar que a impugnante somente poderia vender o produto segundo o preço fixado pela Telemig. No entanto, esta cláusula não invalida a natureza da operação: compra e venda de cartões. A omissão das notas fiscais e a escrituração efetuada pela impugnante estão em perfeita consonância com os contratos, corroborando integralmente o entendimento fiscal. A impugnante alega ainda às fls. 196, do processo 10665.001871/201061: "Os valores recebidos pela impugnante são depositados nas contas das operadoras tomadoras do serviço, autorizada a retenção da comissão pelo serviço prestado, até porque os créditos vendidos correspondem a minutos de ligação e/ou transmissão de dados pelas operadoras." No entanto, não apresenta qualquer comprovação de tais depósitos. Em verdade, há de se assinalar que tais Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 14 comprovantes de depósito poderiam servir para comprovar simplesmente o pagamento da aquisição dos produtos comercializados. Portanto, a apresentação dos comprovantes, caso ocorresse, deveria estar acompanhada dos devidos esclarecimentos. Como se disse, não foi apresentado contudo qualquer comprovante de depósito da impugnante em nome das contratantes. 0 argumento da impugnante de que "Fato insofismável é que o objeto social da empresa das impugnantes, conforme contrato social, sempre foi a prestação de serviços de telefonia e habilitações de linhas telefônicas do tipo prépagas e póspago" é transcrito, inclusive com o negrito do original, tão somente para que não se argua que alguma contestação não foi apreciada. Naturalmente, não há de se tecer maiores comentários, a não ser lembrar ao impugnante que a realidade se sobrepõe ao registrado no contrato social. E a realidade é que está perfeitamente comprovada a operação de compra e venda. Aceitandose "o fato insofismável" seria suficiente que todas as empresas registrassem no seu contrato social que estariam isentas do pagamento de qualquer tributo. Com esses fundamentos, entende, a decisão recorrida, que: Não se trata, repitase, ainda cansativo, de interpretação sobre a atividade econômica, como que fazer crer a impugnante. Trata se de constatação pura e simples, a mais elementar, que a impugnante realizava suas operações mercantis, de compra e venda de produtos e de prestação de serviços, em um montante significativo e oferecia A tributação parcela insignificante. A constatação é instantânea A vista dos documentos constantes dos autos. Não existe qualquer ilegalidade em determinar o recolhimento dos tributos segundo a tributação favorecida. A legislação determina que, constatado o excesso de receita em determinado anocalendário, a tributação para este ano calendário continuará segundo a mesma modalidade escolhida pelo contribuinte. Logo, como a impugnante escolheu oferecer os valores tributáveis segundo o SIMPLES, a sua tributação para o anocalendário de 2006 não poderá ser pelo lucro real. Se os tivesse oferecido em sua integralidade, conforme consta nos registros do seu livro Registro de Saídas, certamente os presentes autos não existiriam. Quanto razoabilidade, falecenos competência para manifestar. Da mesma forma, nos exatos termos determinados pela legislação de regência, a autoridade fiscal adotou o lucro real para o ano calendário de 2007. Constatado está, por tudo que se encontra demonstrado, que a autoridade fiscal aplicou a legislação exatamente conforme determinado. Vejamos: Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 8 15 No Representação Fiscal para Exclusão do Simples acostada a fl. 01, a exclusão da Recorrente do Simples deuse sob o seguinte fundamento, a saber: a) O contribuinte iniciou as atividades em 05.10.2004 e optou pelo Simples nesta data, conforme tela CONSULTA PELO CNPJ; b) No cadastro CNPJ, junto à Receita Federal do Brasil, o contribuinte informou exercer a atividade "6120501" Telefonia Móvel Celular; c) A empresa vende cartões telefônicos de celulares, aparelhos celulares e chips, conforme cópias das notas fiscais de saídas anexas a esta representação por amostragem. d) Pela planilha anexa a esta representação, constatamos a ausência de declaração de valores de receita de venda de produtos no ano de 2006, confrontando valores declarados Receita Federal e os apurados pelas notas fiscais de saídas da empresa, quando a soma das receitas apuradas por esta Auditoria Fiscal ultrapassa o Valor limite permitido por lei para que a mesma permanecesse como opt ante pelo SIMPLES, constatamos tal fato; As notas fiscais a que faz referência a Representação Fiscal para Exclusão do Simples apontam a saída de cartões telefônicos, ora para venda, ora sob “manifesto”. Não se trata, assim, como afirmado pela decisão recorrida, de “constatação pura e simples, a mais elementar, que a impugnante realizava suas operações mercantis, de compra e venda de produtos e de prestação de serviços, em um montante significativo e oferecia à tributação parcela insignificante”. Ao contrário, a partir do momento em que a Autoridade Fiscal tomou as notas fiscais de saída dos cartões telefônicos como fundamento fático para embasar a omissão de receita, saber a natureza da saída desses produtos é essencial para estruturar a tributação que sobre essas operações irá incidir. E não se diga ser óbvio que a comercialização de cartões telefônicos representem operações de compra e venda de mercadorias. Isso porque, em verdade, quem compra um “cartão telefônico” não o faz para adquirir uma cártula de plástico ou de papel, mas sim para usufruir do direito a um serviço de telefonia, a ser prestado por uma operadora devidamente autorizada, por meio de concessão pública. A questão, em verdade, é tratada pela lei nº 9.472/97, que deu poderes para a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, para regulamentar a prestação de serviço de telefonia e atividades correlatas no território nacional. Segundo a resolução ANATEL nº 426, de 09 de dezembro de 2006, o serviço telefônico fixo comutado, que compreende “serviço de telecomunicações que, por meio de Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 16 transmissão de voz e de outros sinais, destinase à comunicação entre pontos fixos determinados, utilizando processos de telefonia”, podem ser prestados no formato póspago, em que o cliente é cobrado pelos serviços prestados mediante faturamento periódico; ou no formato prépago, “mediante a aquisição de créditos” (art. 53). No formato prépago, a resolução apresenta duas formas de disponibilização do serviço, a saber: Art. 56. O plano básico ou alternativo de serviço na forma pré pago é aquele em que a prestação do serviço está vinculada à aquisição de créditos para fruição de tráfego. Art. 57. O crédito referente à fruição de tráfego associado à forma prépago pode ser vinculado ou não a um terminal de assinante, observado o seguinte: I crédito prépago vinculado é caracterizado pela sua não portabilidade, devendo ser consumido em um terminal de assinante da prestadora que comercializou o crédito; e II crédito prépago não vinculado é caracterizado pela sua portabilidade, podendo ser consumido em diferentes terminais de acesso individual ou coletivo. § 1º O crédito não vinculado a terminal de assinante, pode ser utilizado em uma ou mais modalidades do STFC ou para comunicação com outro serviço de telecomunicações de interesse coletivo a partir de acesso individual ou coletivo. § 2º O uso do crédito para fruição de tráfego na modalidade de serviço local, comercializado por prestadora com PMS na modalidade local, só é admitido quando originado nos terminais da respectiva prestadora. § 3º A aquisição de crédito não vinculado a terminal de assinante caracteriza a préseleção da prestadora que comercializou o crédito para fruição de tráfego nas modalidades de serviço de longa distância nacional e longa distância internacional. § 4º O crédito não vinculado a terminal de assinante comercializado por prestadora sem PMS pode ser utilizado a partir de acesso individual ou coletivo, na área local onde a prestadora sem PMS tenha acessos individuais em serviço. § 5º É vedada a geração de débito para fruição de tráfego, além dos créditos disponíveis, vinculados a terminal de assinante, observado o disposto no § 7º deste artigo. § 6º Na chamada em curso, a prestadora deve informar ao usuário, com antecedência mínima de 30 (trinta) segundos, o término do crédito de terminal vinculado ou não vinculado com um sinal ou mensagem específica. § 7º Após o término do crédito, a prestadora pode permitir a continuidade da chamada em curso com a geração do débito correspondente. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10665.001092/201065 Acórdão n.º 1401000.770 S1‐C4T1 Fl. 9 17 § 8º A prestadora deve possibilitar a verificação, de forma gratuita e em tempo real, do crédito prépago disponível para utilização. Ainda, o art. 74 da mesma resolução, in verbis: Art. 74. Contrato de prestação de serviço deve corresponder ao contrato padrão de adesão celebrado entre a prestadora e pessoa natural ou jurídica, que tem como objetivo tornar disponível o STFC, em endereço indicado pelo assinante, mediante o pagamento de tarifas ou preços, no caso de plano de serviço na forma póspago, ou mediante a aquisição de créditos, no caso de plano de serviço com crédito prépago vinculado a terminal de assinante. Vejase que, segundo a legislação de regência, nos contratos de telefonia fixa, deferese ao cliente, consumidor final, assumir um contrato de adesão perante a Concessionária de Telefonia, mediante o qual esta se compromete a prestar o serviço desde que o Cliente adquira créditos vinculados ao seu terminal. O mesmo se aplica ao Serviço Telefônico Móvel, nos termos da resolução ANAC 477. Diante do exposto, resta claro que os cartões telefônicos são um instrumento, um veículo encontrado pelo operadores de telefonia móvel, para comercializar os créditos necessário para a ativação da disponibilidade, junto à Concessionário de Serviço de Telefonia, do direito do cliente, de demandar por referido serviço. Nesse sentido, não vejo como a venda de cartões telefônicos podem ser considerados como venda de mercadoria para fins de tributação. Tratase da aquisição de créditos para usufruir de um serviço de telefonia, que será prestado pela respectiva Concessionária. Nesse sentido, não é venda de mercadorias, mas sim intermediação de venda de créditos telefônicos, inseridos no bojo de um contrato de prestação de serviço celebrado entre o cliente e a empresa de telefonia. No que toca especificamente à escrituração da Recorrente, que emitiu notas fiscais de venda de mercadorias, ou notas fiscais de manifesto, em que constam, no descritivo, cartões telefônicos, da mesma forma entendo não estarem presentes os requisitos para a tributação como mercadoria. Isso porque a Recorrente agiu corretamente ao escriturar como receita apenas os valores decorrentes da intermediação na venda dos cartões telefônicos, ainda que as notas fiscais utilizadas reportemse à “venda de mercadorias”. E a confusão é justificável pois, como já se disse, não se trata de venda de mercadorias, como também não se trata propriamente da prestação de um serviço. Na verdade, tratase da intermediação de crédito para a prestação de um serviço, cuja remuneração se dá por Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 18 valor fixo ou variável, de acordo com o volume da intermediação realizada, mais se aproximando de um contrato de comissão. Com isso, apenas esse valor, representativo da remuneração pela intermediação realizada, é que deverá ser considerado faturamento da empresa, sujeito à incidência da alíquota unificada do Simples. Com estes fundamentos, entendo deva ser afastada a acusação realizada pela autoridade fiscal, cancelandose o ato de exclusão da Recorrente do simples, assim como os autos de infração dele decorrentes. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10855.001662/2005-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. PESSOA JURÍDICA EXTINTA.
LANÇAMENTO NULO. É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração.
Numero da decisão: 9101-001.298
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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PESSOA JURÍDICA EXTINTA. LANÇAMENTO NULO. É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10855.001662/200512 Acórdão n.º 9101001.298 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte, em face do Acórdão n° 10195.891, proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração exige IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001. Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente. Interposto Recurso Voluntário, o Acórdão nº 10195.891, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, negou provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS – IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – A regra contida no Código Tributário Nacional é preservar o direito do Estado de reaver seu crédito. A empresa dissolvida, representada pelo sócio responsável, deve continuar para responder pelo crédito tributário enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional de proceder ao lançamento. Responsabilidade prevista nos arts. 128 a 138 do Código Tributário Nacional. A autoridade administrativa tributária corretamente agiu, ao cientificar, na pessoa do sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa dissolvida e comprovantes dos lançamentos neles efetuados, o lançamento do crédito tributário, em nome da empresa e devido por ela, no período em que exerceu suas operações comerciais e deixou de recolher os tributos aos cofres públicos. SIGILO BANCÁRIO – V IOLAÇÃO – É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – CASO DE DOLO OU FRAUDE – Uma vez tipificada a conduta fraudulenta prevista no § 4º do art. 150 do CTN, aplicase a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, quando a contagem do prazo de cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RECEITAS Se, com a adição das receitas omitidas, foi excedido o limite permitido para opção pelo lucro presumido, pelo qual a pessoa jurídica optara validamente na declaração de rendimentos, mantêmse a tributação pelo mesmo sistema adotado. IRPJ OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Caracteriza a hipótese de omissão de receitas a existência de depósitos bancários não escriturados, se o contribuinte não conseguir elidir a presunção mediante a apresentação de justificativa e prova adequada à espécie. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10855.001662/200512 Acórdão n.º 9101001.298 CSRFT1 Fl. 3 3 TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO EXPLOSÃO DO LIMITE DE OPÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO REGIME ARBITRAMENTO A ultrapassagem, em dois anos consecutivos, do limite para opção pelo regime de lucro presumido, impõe, no segundo ano, o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS COFINS CSLL Em se tratando de contribuições lançadas com base nos mesmos fatos apurados no lançamento relativo ao Imposto de Renda, a exigência para sua cobrança é decorrente e, assim, a decisão de mérito prolatada no procedimento matriz constitui prejulgado na decisão dos créditos tributários relativos às citadas contribuições. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Especial, argumentando (i) pela ilegitimidade passiva, vez que o lançamento foi efetuado contra pessoa jurídica extinta; (ii) a decadência do lançamento, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez não comprovada a conduta fraudulenta; (iii) redução da multa de ofício qualificada em 150% para 75%, tendo em vista não ter sido comprovada a conduta fraudulenta. O despacho de fls. 2.168/2.171 deu seguimento parcial ao Recurso Especial, apenas quanto à ilegitimidade passiva (item 1). O contribuinte apresentou agravo requerendo o reexame da admissibilidade, o qual foi rejeitado, conforme Despacho nº 91012010.169 (fls. 2.198). A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls.2.202/2.208. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10855.001662/200512 Acórdão n.º 9101001.298 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Quanto ao conhecimento, ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento apenas quanto à alegação de ilegitimidade passiva. No tocante às demais alegações, foi negado seguimento ao Recurso Especial, inclusive por meio de reexame da admissibilidade. Neste passo, cingese a lide em saber se a pessoa jurídica, mesmo que extinta, continua como responsável pelos débitos tributários até que decaído o direito do fisco. Conforme relata o acórdão recorrido (fls. 2.031/2.032), a pessoa jurídica autuada encerrou suas atividades em 27/03/2002, com o registro de distrato social na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Em 15/07/2002, apresentou sua DIPJ de encerramento. O auto de infração de fls. 1.665 e seguintes foi lavrado em 20/06/2005 contra a pessoa jurídica Tijucana Comercial e Distribuidora Ltda. A respectiva notificação, por meio de AR enviado ao sócio, deuse em 24/06/2008 (fls. 1.702). O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva, por entender que, nos termos da responsabilidade prevista no Código Tributário Nacional, a empresa dissolvida deve continuar como responsável pelo crédito tributário até que ocorra a decadência do direito de o fisco proceder ao lançamento. De outro lado, no Recurso resta evidente que quando da lavratura do auto de infração não existia mais aquela pessoa jurídica, tampouco pertencia vigente a sua inscrição no CNPJ. Após a extinção, aquela que antes era pessoa jurídica deixa de existir como tal no ordenamento jurídico, sendo impossível a uma não entidade responder por qualquer obrigação tributária. No caso de extinção da pessoa jurídica, se possível for o lançamento, ele deve considerar a realidade fática ao tempo no fato (tempo do fato gerador), mas reportarse ao responsável, mencionando e motivando aquele que se torne sujeito passivo possível da obrigação tributária, inclusive nos casos de sucessão. Esclareço que não é objeto de controvérsia que o auto de infração foi lavrado contra pessoa jurídica extinta. Com a extinção da personalidade jurídica, não há como se exigir obrigações da sociedade extinta. Sobre o tema, a legislação tributária tem previsão específica, tanto no Código Tributário Nacional quanto no Regulamento do Imposto sobre a Renda: Código Tributário Nacional Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10855.001662/200512 Acórdão n.º 9101001.298 CSRFT1 Fl. 5 5 VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoa (...) RIR/99 Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas I a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; IV a pessoa física sócia da pessoa jurídica extinta mediante liquidação, ou seu espólio, que continuar a exploração da atividade social, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual; V os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. No presente caso, tendo sido a extinção da pessoa jurídica devidamente registrada na Junta Comercial com a posterior entrega da Declaração de Rendimentos relativa à extinção, a autoridade fiscal deveria ter identificado como sujeito passivo da obrigação posteriormente constituída os sócios responsáveis, nos termos do artigo 121 c/c artigo 134, IV, do Código Tributário Nacional, desde que (i) motivasse a situação que ensejou a sucessão; (ii) identificasse como sujeito passivo o(s) sócio(s) responsável(is); e (iii) esclarecesse que se trata de responsabilidade, identificando além do motivo e a previsão legal. Efetuar lançamento contra pessoa jurídica extinta configura erro de identificação de sujeito passivo. O erro de identificação do sujeito passivo impõe o cancelamento do auto de infração. Nesse sentido é a jurisprudência do Conselho Administrativo, inclusive desta Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão CSRF/0105.352 LANÇAMENTO — PESSOA JURÍDICA EXTINTA — LIQUIDAÇÃO — O artigo 121 estabelece que o sujeito passivo é quem estiver obrigado ao pagamento do tributo, que pode ser o contribuinte ou o responsável indicado na lei. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que não é possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa extinta pois ela é inexistente no mundo jurídico. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO — PESSOA JURÍDICA EXTINTA — É inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica extinta, bem como a transferência do pólo passivo da relação jurídica tributária no curso do processo administrativo a um dos sócios da empresa sem o devido processo legal para identificar o responsável Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10855.001662/200512 Acórdão n.º 9101001.298 CSRFT1 Fl. 6 6 conforme previsto no Código Civil e no Código Tributário Nacional (arts. 128 a 135), abrindo a possibilidade do direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso especial provido. Acórdão 140100.377: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EMENTA Anocalendário: 2001, 2002, 2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA. LANÇAMENTO NULO. É materialmente nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração. (...) Acórdão nº 180200.282: LANÇAMENTO DE OFÍCIO PESSOA JURÍDICA EXTINTA – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Está eivado de nulidade o auto de infração contra pessoa jurídica que já se encontrava extinta à época de sua lavratura, e não é possível a transferência do pólo passivo da relação jurídico tributária no curso do processo administrativo para um dos sócios, sem que tenham sido abordados no lançamento os fundamentos para o deslocamento da sujeição passiva. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. Sala das Sessões,. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 18088.000237/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL
A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços.
ÓRGÃO PÚBLICO - FATO GERADOR - OCORRÊNCIA
Para os órgãos do Poder Público considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa
COMPENSAÇÃO - INICIATIVA DA EMPRESA - CUMPRIMENTO DE REQUISITOS
Os créditos oriundos de recolhimentos a maior em determinada competência ou estabelecimento pode ser utilizados para efetuar compensações ou ser objeto de pedido de restituição. A iniciativa de efetuar compensações é do contribuinte e deve obedecer determinados requisitos estabelecidos pela legislação, como, declarar a compensação efetuada na competência em GFIP. Não cabe ao auditor fiscal no procedimento de fiscalização efetuar compensações não efetuadas pelo sujeito passivo
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.400
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. ÓRGÃO PÚBLICO - FATO GERADOR - OCORRÊNCIA Para os órgãos do Poder Público considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa COMPENSAÇÃO - INICIATIVA DA EMPRESA - CUMPRIMENTO DE REQUISITOS Os créditos oriundos de recolhimentos a maior em determinada competência ou estabelecimento pode ser utilizados para efetuar compensações ou ser objeto de pedido de restituição. A iniciativa de efetuar compensações é do contribuinte e deve obedecer determinados requisitos estabelecidos pela legislação, como, declarar a compensação efetuada na competência em GFIP. Não cabe ao auditor fiscal no procedimento de fiscalização efetuar compensações não efetuadas pelo sujeito passivo MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000237/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.400 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente MUNICÍPIO DE RINCÃO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÃO PATRONAL A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. ÓRGÃO PÚBLICO FATO GERADOR OCORRÊNCIA Para os órgãos do Poder Público considerase creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendose como tal, o momento do reconhecimento da despesa COMPENSAÇÃO INICIATIVA DA EMPRESA CUMPRIMENTO DE REQUISITOS Os créditos oriundos de recolhimentos a maior em determinada competência ou estabelecimento pode ser utilizados para efetuar compensações ou ser objeto de pedido de restituição. A iniciativa de efetuar compensações é do contribuinte e deve obedecer determinados requisitos estabelecidos pela legislação, como, declarar a compensação efetuada na competência em GFIP. Não cabe ao auditor fiscal no procedimento de fiscalização efetuar compensações não efetuadas pelo sujeito passivo MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 37 /2 01 0- 13 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000237/201013 Acórdão n.º 2402003.400 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase do lançamento da contribuição da empresa incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 10/25), foi instaurado procedimento a fim de verificar a regularidade dos recolhimentos sobre os valores pagos a contribuintes individuais. Foi analisado arquivo digital onde estavam listados os empenhos e liquidações realizadas pelo sujeito passivo e como resultado da análise foi requerida a apresentação de alguns processos físicos da conta 339036 de acordo com anotação alocada em seu histórico, por amostragem, os referentes a gastos com suprimentos e em outras contas em que o beneficiário supostamente seria uma pessoa física. A auditoria fiscal discorre a respeito de conceitos de contabilidade pública para concluir que a ocorrência do fato gerador se dá no momento da liquidação da despesa. No entanto, do confronto dos valores declarados em GFIP Guia de Recolhimento do de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social e os empenhos liquidados foi verificado que diversos segurados estão declarados, entretanto em competência diversa daquela em que ocorreu a liquidação. São discriminados os pagamentos em que se verificou o equívoco e que originaram o presente lançamento. Além da declaração dos valores em GFIP em competências incorretas, a auditoria fiscal também observou a omissão de pagamentos a segurados contribuintes individuais, os quais foram relacionados no relatório fiscal. Também foram lançados valores que teriam sido pagos a pessoas físicas por meio de suprimento de fundos. A auditoria fiscal observou que o balancete da conta 339036 estaria inferior ao da relação de liquidações apropriadas na mesma conta. O mesmo confronto em relação a conta 449051 apurou o valor a maior no balancete de R$ 87.470,28. Como a autuada não esclareceu a origem da diferença a maior, tal valor foi considerado salário de contribuição na competência 12/2007. É informado que não foi somente esta a diferença não tratada pela Prefeitura, uma vez que o livro razão traz um montante liquidado R$ 141.073,98 maior do que existente no balancete. Assim, com base no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, a auditoria fiscal considerou este valor como integrante do salário de contribuição na competência 12/2007. As contribuições dos segurados foram objeto de outra autuação. Quanto à multa aplicada, em face da superveniência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as multas aplicadas Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 tanto no caso de descumprimento de obrigações acessórias como principais, a auditoria fiscal, sob o argumento de apurar a situação mais benéfica ao sujeito passivo com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, Lei n° 8.212/1991, com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 e comparou o resultado com a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, que passou a ser aplicada por força do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pelo art. 26 da Lei nº 11.941/2009. É informado que para o período de 02 a 10/2007, a legislação atual se revelou mais benéfica ao sujeito passivo de acordo com o cálculo descrito. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais em face da ocorrência, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária. A autuada teve ciência do lançamento em 24/05/2010 e apresentou defesa (fls. 85) e requer a compensação sobre a divergência apurada em decorrência de informação de competência, de acordo com a tabela discriminada e contida no item 24 do auto de infração DEBCAD n° 37.266.6221, onde se encontra relacionada a competência declarada em GFIP e a competência correta. Em relação às Liquidações x Balancetes x Livro Razão, elencadas no item 40 verificação de valores dispares conforme quadro especificado, solicita a substituição do arquivo MANAD, através de recurso relativo a DEBCAD n° 37.278.7070. Por fim, requer o deferimento e o reconhecimento da regularidade dos valores declarados e recolhidos, mesmo que seja em competência diversa, uma vez que se trata de declaração divergente de competências, excluindo assim a aplicação da eventual multa. Os autos foram encaminhados em diligência por meio do Despacho nº 22 (fls. 88/89) onde é informado que dos levantamentos de contribuintes individuais declarados em GFIP, porem em competências incorretas; verificase da planilha demonstrativa que instrui a peça fiscal que os contribuintes e valores lançados foram considerados (declarados e recolhidos) pela empresa em competência diferente daquela em que o serviço foi efetivamente prestado. Opõemse a empresa a tal levantamento reclamando a 'compensação' da divergência apurada com os valores já recolhidos em decorrência da informação em competência incorreta. É salientado que ao efetuar o lançamento integral dos valores declarados e recolhidos pelo contribuinte em competência incorreta, não traz a Auditoria aos autos eventuais recolhimentos já efetuados pelo contribuinte sobre os mesmos fatos geradores lançados. Assim, a diligência solicita que a auditoria fiscal informe a existência de eventuais créditos do contribuinte concernentes aos fatos geradores autuados, inclusive com a elaboração de planilha demonstrativa e retificadora do débito, caso se revele necessária. Quanto aos valores apurados por aferição indireta em face das inconsistências no arquivo digital fornecido pela autuada, as quais não foram esclarecidas, a DRJ Ribeirão Preto solicita que a auditoria fiscal informe se a mídia digital anexada aos autos DEBCAD n° Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000237/201013 Acórdão n.º 2402003.400 S2C4T2 Fl. 4 5 37.278.7070 (também diligenciado) em substituição ao arquivo MANAD originalmente apresentado, supre as inconsistências verificadas. Em resposta (fls. 91/93), a auditoria fiscal informa o seguinte: DOS LEVANTAMENTOS CY E CI 2 Em relatório fiscal constante no presente processo às folhas 10 a 25, em seu item 22, a auditoria menciona que alguns segurados estavam declarados em competência diversa daquela em que houvera a real prestação de serviço. 3 No item 24 do mesmo relatório fora emitida uma tabela indicando os montantes declarados err. GFIP onde não foram localizados empenhos liquidados onde constasse o respectivo montante (colunas Comp GFIP e Rem GFIP), de outra feita citando ainda contratação de serviços prestados pelos mesmos profissionais com valores totais idênticos aos declarados entretanto em período de apuração diverso (colunas Comp correta e Rem correta). 4 Convém ressaltar que como preconizado no item 4 do relatório fiscal, a auditoria teve como escopo somente a análise da regularidade da contribuição previdenciária em relação aos montantes pagos aos contribuintes individuais. 5 Imperioso relembrar também (conforme citado pelo despacho do julgador) que as GPS são recolhidas (salvo exceções pontuais) com os montantes totais devidos pelo sujeito passivo numa guia única. 6 Devido o exposto, não há como afirmar a regularidade ;do recolhimento total das contribuições devidas pelo Município de Rincão. 7 Considerando tão somente os montantes totais declarados e os recolhidos por ele não há discrepâncias conforme dados abaixo extraídos dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil. .......................... 8 Por fim, caso o recolhimento da contribuição dos fatos geradores não verificados pela auditoria estejam declarados de forma escorreita, a contribuição social previdenciária com bases de cálculo alocadas nas colunas colunas "Comp GFIP" e "Rem GFIP" do item 24 do relatório fiscal revelamse créditos ao sujeito passivo que deve exercer sua prerrogativa (compensação/pedido de restituição) conforme legislação vigente. DO LEVANTAMENTO AF 9 Para execução da auditoria foram requeridos os arquivos magnéticos do sujeito passivo. A auditoria constatou uma diferença entre o balancete e a relação de valores liquidados fato que, considerando a inércia da auditada quanto a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 correção/esclarecimento da inconsistência, originou a apuração de crédito utilizando o instituto da aferição indireta. 10 Intentando corrigir tal falha a autuada apensou defesa aos autos do processo com deb cad 37.278.7070, mídia magnética contendo novos dados. 11 Convém mencionar que não acompanhara a mídia o recibo contendo os códigos de validação e autenticação dos arquivos nela existentes (omissão corrigida após intimação realizada pela auditoria). 12 Da análise dos novos arquivos trazidos, verificouse que nestes os montantes do balancete coincidem com as liquidações emitidas. 13 Tendo em vista que o cerne do levantamento aferido da diferença entre o balancete e as liquidações foram os valores apropriados na conta 449051, considerando que as liquidações naquela conta do arquivo corrigido superam as do apresentado durante a fiscalização, necessária a verificação da diferença entre eles e análise do que foi apresentado na defesa. 14 Havia 05 (cinco) liquidações no arquivo inicial que não constam no arquivo posterior. Analisandoos caso a caso, constatouse que eles estavam duplicados e portanto incorretamente alocados. 15 Verificouse que 71 liquidações não constavam do arquivo inicial e por isso a auditoria requereu através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, por amostragem, 06 processos que referiamse a pessoas físicas e mais 10 por amostragem do restante. 16 Dos valores de prestação de serviços pelas pessoas físicas mencionadas (serviços prestados que materializaram a hipótese de incidência da contribuição social previdenciária) 02 não estão declarados em GFIP e 01 está declarado em competência incorreta conforme quadro abaixo. ............................. 17 Os outros processos analisados correspondem as informações apresentadas. 18 Pelo exposto, acatando o arquivo apresentado na fase de contraditório deverão ser mantidas no crédito do presente levantamento (AF) as bases de cálculo bem como as respectivas contribuições (20% parcela da empresa mais 11% parcela do segurado) não declaradas em GFIP (tabela item 16), bem como o montante (base de cálculo) de R$ 141.073,98 (cento e quarenta e um mil setenta e três reais e noventa e oito centavos) e respectivas contribuições (20% parcela da empresa mais 11% parcela do segurado), pois corresponde a diferença entre o livro razão e o balancete/liquidações apresentados (fato para o qual o contribuinte não trouxe qualquer nova informação). Assim, a auditoria fiscal concluiu que o lançamento deveria ser retificado no que tange ao levantamento AF. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000237/201013 Acórdão n.º 2402003.400 S2C4T2 Fl. 5 7 A autuada tomou ciência do resultado da diligência e manifestouse (fl. 103) alegando que em dezembro do exercício de 2007, o município liquidou a folha de pagamento de salários dos servidores públicos municipais e transferiu em restos a pagar os encargos devidamente empenhados e liquidados para pagamento em janeiro de 2008, situação esta permitida pela Lei e que sempre ocorre em todos os meses, pois o recolhimento efetivo é realizado e descontado diretamente no repasse do FPM Fundo de Participação dos Municípios, de todo dia 10 do mês subseqüente. Afirma que não houve por parte do município a ausência de recolhimentos, mas apenas a liquidação dos valores devidos a título de encargos previdenciários dentro do mês de dezembro e que passaram em restos a pagar para efetivo pagamento em janeiro de 2008. Entende que tal incorreção não deve gerar encargos ao município, pelo fato de ter realizado operação contábil de liquidação antecipada, tendo em vista que esses encargos são exigíveis até o dia 10 do mês seguinte. Permanecendo essa decisão, o município será obrigado a recolher os encargos previdenciários em duplicidade, pois, em janeiro de 2008 ocorreu a retenção do valor integral do INSS junto ao FPM Fundo de Participação dos Municípios, situação essa que se comprova pelo documento em anexo. Ressalta que o município ao realizar essa operação cumpriu determinação do projeto AUDESP Auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o qual exige a liquidação da despesa no momento em que ela ocorre. Pelo Acórdão nº 1436.662 a 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto considerou o lançamento parcialmente procedente para retificação dos valores trazidos no arquivo original no tocante às discrepâncias encontradas entre o balancete e o empenho, haja vista a substituição da mídia digital. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão referese a contribuições incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais originários de declarações na GFIP em competências incorretas, na omissão de pagamentos em GFIP, inclusive pagos a pessoas físicas por meio de suprimentos de fundos. Além disso, foram lançados, por aferição indireta, as diferenças apuradas entre valores constantes no balancete (conta 339036) que estaria inferior ao da relação de liquidações apropriadas na mesma conta. Este valor já teria sido retificado em parte no julgamento de primeira instância. Como a autuada também não esclareceu a origem da diferença a maior entre os valores liquidados constantes no livro razão e no balancete, a auditoria fiscal utilizou o procedimento da aferição indireta e considerou tal diferença como valores pagos a contribuintes individuais e lançou as contribuições correspondentes. A irresignação da recorrente se restringe às contribuições incidentes sobre os valores pagos aos segurados que foram declarados em GFIP em competência incorreta, bem como àquelas apuradas por aferição indireta haja vista a divergência entre valores do razão e balancete. No primeiro caso, a recorrente afirma que os valores foram declarados e as contribuições correspondentes recolhidas, no entanto, em competência equivocada. Assim, entende que poderia ser efetuada a compensação de valores. Conforme bem argumentou o relator da decisão recorrida, a própria legislação previdenciária, no que concerne aos entes públicos que adotam os princípios da contabilidade pública em seus registros, previa que a ocorrência do fato gerador se daria no momento em que houvesse a liquidação da despesa, conforme se verifica no trecho da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigente à época dos fatos geradores. Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: (...) III em relação à empresa: (...) b) no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços; § 1º Considerase creditada a remuneração na competência em que a empresa contratante for obrigada a reconhecer contabilmente a despesa ou o dispêndio ou, no caso de equiparado ou empresa legalmente dispensada da Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000237/201013 Acórdão n.º 2402003.400 S2C4T2 Fl. 6 9 escrituração contábil regular, na data da emissão do documento comprobatório da prestação de serviços. § 2º Para os órgãos do Poder Público considerase creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendose como tal, o momento do reconhecimento da despesa. (g.n.) Asseverese que a própria recorrente não questiona o entendimento manifestado pela auditoria fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, limitando se a solicitar a compensação de valores. A possibilidade de utilizar valores retidos em demasia ou recolhidos a maior para efetuar compensações ou pleitear restituição é possibilidade prevista na legislação. Ocorre que, a realização de compensação necessita da observação de determinados procedimentos, de tal sorte que seja possível em eventual ação fiscal, verificar a regularidade da compensação efetuada. A própria Lei nº 8.212/1991 dispõe no seu art. 89 que cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecer as condições para a compensação ou restituição de contribuições recolhidas indevidamente ou a maior e não cabe à auditoria durante o procedimento de fiscalização realizar compensações à revelia do contribuinte. Quanto à diferença apurada entre os valores de despesas liquidadas apuradas no Livro Razão e aqueles constantes no Balancete, a recorrente, embora intimada, não esclareceu sua origem o que respaldou o procedimento de aferição indireta com base no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991. A alegação da recorrente de que a diferença decorreria da liquidação dos valores devidos a título de encargos previdenciários dentro do mês de dezembro e que teriam passado a restos a pagar para efetivo pagamento em janeiro de 2008 não justifica a diferença apontada, sobretudo porque a recorrente sequer demonstra que a diferença se originaria do fato alegado. Verificase que a auditoria fiscal sob o argumento de apurar a penalidade mais benéfica ao sujeito passivo efetuou a aplicação da multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I em competências anteriores à Medida Provisória 449/2008. O procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. À época dos fatos geradores, vigia a o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Como se vê da leitura do dispositivo, a multa prevista tinha natureza moratória e era devida inclusive no caso no recolhimento espontâneo por parte do contribuinte. Além da multa de mora, a Lei nº 8.212/1991 previa a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, dentre as quais a omissão de fatos geradores em GFIP. A Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, além de alterar a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, revogou todos os seus incisos e parágrafos e incluiu na mesma lei o art. 35A, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os dispositivos da Lei 9.430/1996, por sua vez dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000237/201013 Acórdão n.º 2402003.400 S2C4T2 Fl. 7 11 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A Lei nº 9.430/1996 traz disposições a respeito do lançamento de tributos e contribuições cuja arrecadação era da então Secretaria da Receita Federal, atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o lançamento das contribuições objeto desta autuação obedeciam as disposições de lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/1991. Depreendese das alterações trazidas pela MP 449/2008, a instituição da multa de ofício, situação inexistente anteriormente. A auditoria fiscal ao fazer as comparações entre multa de mora mais multa por descumprimento de obrigação acessória e multa de ofício de 75% busca amparo no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN que trata das possibilidades de retroação da lei. Tal artigo dispõe os seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (g.n.) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 O dispositivo em questão não se aplica ao caso, uma vez que a multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 tem natureza diversa da multa de ofício prevista na legislação atual. Assim, devese cumprir o que dispõe o artigo 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio para fatos geradores ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Aplicase, sim, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação anterior às alterações trazidas pela citada Medida Provisória. Há que se ressaltar que a multa de mora, no decorrer do contencioso administrativo era escalonada podendo chegar a 100%, no caso de execução fiscal. Assim, em obediência ao princípio da razoabilidade, a multa deve ser aplicada observandose o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, porém, não deve ultrapassar o percentual de 75% que correspondente à multa de ofício prevista na legislação atual. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores limitada a 75%. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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