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Numero do processo: 10166.000051/2004-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002
Falta de Recolhimento
Base de Cálculo - Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-001.358
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado Via Dragados S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 Falta de Recolhimento Base de Cálculo Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 13 de julho de 2011 Fl. 225DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório A decisão de primeira instância assim descreveu os fatos: Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, em virtude da falta de recolhimento da contribuição incidente sobre receitas omitidas, receita decorrente de dação de bens em pagamento e receitas financeiras remuneração de debêntures, não incluídas na base de cálculo, nos meses de junho, setembro e dezembro/2000 e agosto/2002. (fls. 09 a 15) O valor do crédito tributário apurado perfaz um total de R$ 215.383,73, computados os juros de mora e a multa proporcional. (fls. 08 e 09) A capitulação legal da autuação se encontra às folhas 10 e 13. A contribuinte impugna (fls. 52 a 68) o auto de infração constante do presente processo, alegando, em síntese, que: O valor de R$ 2.424.297,00 é parcela integrante do valor adicionado ao lucro líquido, mediante retificação da DIPJ do exercício de 2003. O valor dos custos estornados é de R$ 7.391.593,13, do qual repetiase faz parte o valor de R$ 2.424.297, 00, classificado, erroneamente, pelo Auditor Fiscal, como receita não contabilizada. O estorno de custos apropriados erroneamente em sua contabilidade no ano de 2002 não pode ser classificado como faturamento ou receita bruta. Anexa os registros contábeis efetuados a título de recuperação de despesas, objeto da retificação da DIPJ, onde se pode verificar o valor da adição de R$ 7.391.593,13; A remuneração da debênture exclusivamente calculada em função de lucros, não se sujeita à tributação na fonte na sistemática da renda fixa, mas sim na da renda variável, ou seja, a base de cálculo é o ganho líquido, o resultado positivo das operações realizadas em cada mês, sendo que tal resultado considerará necessariamente os custos e despesas necessárias à realização das operações. Assim sendo, somente o ganho líquido com as debêntures seria passível de tributação pelo PIS, que no caso não ocorreu, não havendo portanto PIS a pagar (fls. 64). E, mesmo que se considere tributável os R$ 12.387.444,43, o valor de R$ 6.752.248,43 deve ser excluído da base porque o registro contábil nº 00518, de 29/12/2000, efetuado no Razão Analítico da empresa Via Empreendimentos Imobiliários S/A, se refere a ajuste societário e não a pagamento de remuneração de debêntures. Julgando o feito, a turma julgadora de primeira julgou o lançamento fiscal procedente em parte, em acórdão assim ementado. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.000051/200434 Acórdão n.º 930301.358 CSRFT3 Fl. 218 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 Ementa: Falta de Recolhimento Constatada falta de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei. Exclusões da Base de Cálculo Excluemse da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, somente os valores autorizados pela legislação de regência. Dação de Bens em Pagamento A dação em pagamento constitui mero fato financeiro e não econômico. Tratase da entrega de bem para a quitação de dívida anteriormente assumida, não representando ingresso de receita, devendo ser excluído o valor correspondente da base de cálculo da contribuição. Lançamento Procedente em parte. Irresignada, a autuada apresentou recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, que, por meio de sua Terceira Câmara, cancelou o lançamento fiscal em sua totalidade. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial no qual se insurge contra a exclusão da base de cálculo do PIS dos valores relativos à remuneração de debêntures e aos ajustes contábeis com vistas a adequar os resultados operacionais apurados pelo regime de caixa ao regime de competência. O presidente da Câmara recorrida, por meio do despacho de fl. 198, admitiu o apelo fazendário. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 203 a 211. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão posta em debate cingese a decidir se os valores relativos à remuneração de debêntures e aos ajustes contábeis com vistas a adequar os resultados Fl. 227DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 operacionais apurados pelo regime de caixa ao regime de competência., integravam, até a entrada em vigor da Lei 10.637/2002, a base de cálculo da PIS/Pasep. Primeiramente, fazse necessário definir a natureza desses ingressos. Se configuram ou não receita. Receita, do latim "recepta", é o vocábulo que designa recebimento, valores recebidos. Assim, em sentido amplo, é o vocábulo que designa o conjunto ou a soma de valores que ingressam no patrimônio de determinada pessoa. O mestre Geraldo Ataliba1, em trabalho publicado sobre o ISS, conceituou receita, e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer à entidade.Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. É que estas não pertencem à entidade que as recebe. Têm caráter eminentemente transitório.Ingressam a título provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo.” Das palavras do mestre, podemos concluir que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou física, são considerados como receita, já os valores que são recebidos, a título transitório, que não pertencem ao recebedor, e, em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos. ALIOMAR BALEEIRO, ao analisar o que se deve entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo,vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando o conceito dado pelo mestre baiano, ao Direito Tributário, temse que receita não é, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. Nessa linha de raciocínio, vêse que os valores relativos à remuneração de debêntures e aos ajustes contábeis (que representam acréscimo patrimonial) com vistas a adequar os resultados operacionais apurados pelo regime de caixa ao regime de competência, são ingressos que se incorporam ao patrimônio da pessoa jurídica, sem implicar em contrapartida, reserva, ou condições ou correspondência em seu passivo. Assim, podese afirmar que tais valores constituem receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. 1 ATALIBA, Geraldo. ISS – Base Imponível. Estudos e pareceres de Direito Tributário, v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978, p. 88. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.000051/200434 Acórdão n.º 930301.358 CSRFT3 Fl. 219 5 Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência do PIS/Pasep. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §2 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas de remuneração de debêntures e de ajustes contábeis (que representam acréscimo patrimonial) com vistas a adequar os resultados operacionais apurados pelo regime de caixa ao regime de competência, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendese que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender o alcance de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, 2 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, temse notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, fato esse que corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do SRF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.637/2002, a base de cálculo do PIS/Pasep voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Todavia, a partir de 1º de dezembro de 2002, por força do disposto no inciso II, do art. 68 da Lei 10.637/2002, passou a viger os artigos 1º a 6º e 8º a 11 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada do PIS/Pasep, nos termos seguintes: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de dezembro de 2002, data de vigência dos arts. 1º a 6 e 8º a 11 da Lei nº 10.637/2002, a base de cálculo do PIS/Pasep era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas oriundas de remuneração de debêntures e dos ajustes contábeis com vistas a adequar os resultados operacionais apurados pelo regime de caixa ao regime de competência, não integravam a base de cálculo da contribuição. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência não cumulativa do PIS/Pasep estavam sujeitas ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Aí incluídas as oriundas de remuneração de debêntures e de ajustes contábeis com vistas a adequar os resultados operacionais apurados pelo regime de caixa ao regime de competência. Todavia, como caso dos autos o lançamento referese a períodos de apuração anteriores a dezembro de 2002, é lícita a exclusão de tais receitas da base de cálculo do PIS/Pasep. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.000051/200434 Acórdão n.º 930301.358 CSRFT3 Fl. 220 7 Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 231DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 35344.000219/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.147
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) rejeitar as preliminares suscitadas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Rejeitase a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) rejeitar as preliminares suscitadas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 35344.000219/200604 Acórdão n.º 2401002.147 S2C4T1 Fl. 966 3 Relatório SETEP TOPOGRAFIA E CONSTRUÇÕES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Florianópolis/SC, DN nº 20.4014/0203/2006, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II e §§ 13 a 17, do RPS, por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos por estabelecimento, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15/22, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 03/01/2006, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 11.017,46 (Onze mil e dezessete reais e quarenta e seis centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, do exame dos documentos fornecidos pela contribuinte durante a ação fiscal, dentre eles, contratos de prestação de serviços, anotações de responsabilidade técnica (ART), notas fiscais e processos trabalhistas, constatouse que a autuada não registrou a totalidade das remunerações dos segurados empregados e demais pessoas físicas que laboraram na empresa, bem como não registrou o movimento real de seu faturamento, infringindo o dispositivo legal encimado. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 670/709, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4º, do CTN, sobretudo tratandose de lançamento por homologação. Traz à colação jurisprudência corroborando seu entendimento. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, aduzindo para tanto que o fiscal autuante, ao constituir o crédito previdenciário, mais precisamente no Relatório Fiscal, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa, contrariando o disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Requer seja decretada a nulidade da decisão recorrida, argumentando ter incorrido em preterição do direito de defesa do contribuinte, ao deixar de determinar a diligência requerida em sede de impugnação, indispensável ao deslinde da controvérsia, bem como não apreciando todas as alegações suscitadas na sua peça inaugural, malferindo os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo. Reitera o pedido de realização de perícia, por entender ser indispensável ao julgamento da demanda, sobretudo tratandose de lançamento com base em arbitramento totalmente injustificado. Assevera que o contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pelo notificado, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Contrapõese ao lançamento fiscal em comento, especialmente em relação ao arbitramento levado a efeito na constituição do crédito previdenciário, alegando que referido procedimento somente poderá ser utilizado em situações extremas, quando inexistir escrita contábil ou outros casos devidamente dispostos na legislação de regência, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, mormente quando sequer fora concedido prazo para a contribuinte regularizar eventuais erros em sua contabilidade, na forma que prescreve o artigo 148 do CTN. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, reiterando que a decisão recorrida se omitiu quanto ao parecer de auditoria fiscal externa contratada pela contribuinte com o fito de reconstituir os principais procedimentos de fiscalização adotados pela autoridade lançadora, a partir dos relatórios constantes da NFLD. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões, às fls. 938/941, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara, por unanimidade de votos, achou por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 240100.032, às fls. 942/946, remetendo os autos à DRF de origem para aguardar nova decisão a ser exarada nos autos do Processo nº 35600.003683/200676, NFLD nº 37.002.1371, oportunidade em que deveria ser encaminhado a este Conselho juntamente com àquele processo, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em atendimento à diligência requerida por esta Turma, o processo fora encaminhado a DRF em Palmas/TO para o cumprimento das determinações contidas na Resolução supra, tendo sido remetido a este Colegiado, com a informação de que a NFLD supracitada encontrase no CARF, desde 30/04/2010, como se verifica do Despacho de fl. 958. É o relatório. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 35344.000219/200604 Acórdão n.º 2401002.147 S2C4T1 Fl. 967 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 35344.000219/200604 Acórdão n.º 2401002.147 S2C4T1 Fl. 968 7 Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o Fl. 971DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 972DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 35344.000219/200604 Acórdão n.º 2401002.147 S2C4T1 Fl. 969 9 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação à antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez tratarse de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impondo a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário, decorrente da multa aplicada, em 03/01/2006, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR de fls. 485, exigência fiscal restaria parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1995 a 11/2000, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, insculpido no artigo 173, inciso I, do CTN, aplicável no caso de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. No entanto, inobstante a aplicação do prazo decadencial do CTN, nos termos do artigo 173, inciso I, não há como se acolher a pretensão da recorrente, em razão de ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma Fl. 973DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos por estabelecimento, relativamente a períodos já fulminados pela decadência, bem como outros dentro do prazo decadencial encimado. E, como é do conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, tratandose de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de parte do período já ter sido alcançado pela decadência, não tem o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente, devendo ser rejeitada a decadência pretendida. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Ainda em sede de preliminar, pretende a recorrente seja declarada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais levados a efeito no lançamento, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos Relatórios Fiscal da Infração e da Multa Aplicada, às fls. 15/22, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do Auto de Infração. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe deram suporte, ou melhor, os fatos geradores da multa ora exigida, não se cogitando na nulidade do procedimento. Com efeito, restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos durante o período fiscalizado, infringindo o disposto no artigo 32, inciso II, Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II, do RPS, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada com arrimo no artigo 283, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.048/99, nos seguintes termos: “ Lei n º 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” “ Decreto nº 3.048/99 RPS Fl. 974DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 35344.000219/200604 Acórdão n.º 2401002.147 S2C4T1 Fl. 970 11 Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos [...] Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis n os 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento. MÉRITO Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência consubstanciada na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.002.1371, a qual o fisco previdenciário desconsiderou a contabilidade da contribuinte, dentre outros motivos, por não registrar o movimento real das remunerações, constituindo crédito previdenciário decorrente de aludida conduta. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Registrese, que em nenhum momento a recorrente alega não ter incorrido na falta imputada, questionando exclusivamente o mérito da NFLD encimada, que fora julgada pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, em 24/08/2011, a qual entendeu por bem conhecer do recurso voluntário da contribuinte e negarlhe provimento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 2402001.941, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1995 a 31/08/2004 ERRO MATERIAL. INOCORRÊNCIA. CÁLCULO DO TRIBUTO. AFERIÇÃO INDIRETA Não se considera que houve erro material no lançamento anulado se este foi efetuado por aferição indireta em razão da própria empresa não ter possibilitado a verificação do montante do tributo devido e, em sede de defesa, vir apresenta documentos que levam à necessidade de correção, a qual, se levada a efeito, prejudicaria a própria compreensão do lançamento PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não há necessidade de produção de prova pericial, quando as razões esposadas pelo contribuinte já foram exaustivamente apreciadas, atendendo aos princípios do contraditório e da ampla defesa, podendo se concluir que o presente litígio não exige a opinião específica de um terceiro profissional qualificado, mormente quando não se trata de matéria estranha àquelas julgadas por este órgão colegiado. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Negado.” Como se constata, a NFLD supramencionada, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias a partir da desconsideração da contabilidade da contribuinte, fora mantida pelo Acórdão com sua ementa acima transcrita, impondo a apreciação deste lançamento com estrita observância à decisão prolatada nos autos daquelas autuações, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Na esteira desse entendimento, uma vez mantida a exigência fiscal com esteio na desconsideração da contabilidade da contribuinte, não há que se falar na improcedência da presente autuação, na forma que pretende fazer crer a recorrente, devendo ser mantida a exigência na forma lançada. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância, ressaltandose o insurgimento em relação ao pretenso arbitramento, Fl. 976DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 35344.000219/200604 Acórdão n.º 2401002.147 S2C4T1 Fl. 971 13 totalmente impertinente, eis que sequer fora levado a efeito neste auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, tendo em vista que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 977DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001974/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS ATRAVÉS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – RECURSO IMPROVIDO
Os valores deduzidos da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física a título de despesas médicas devem ser comprovados sempre que solicitados pelas autoridades fiscais, notadamente quando alegados que os mesmos foram efetuados em papel moeda e representarem valores expressivos, com provas da movimentação financeira para as mesmas. Na ausência destas, deve prevalecer a pretensão fiscal.
Numero da decisão: 2102-001.543
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS ATRAVÉS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – RECURSO IMPROVIDO Os valores deduzidos da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física a título de despesas médicas devem ser comprovados sempre que solicitados pelas autoridades fiscais, notadamente quando alegados que os mesmos foram efetuados em papel moeda e representarem valores expressivos, com provas da movimentação financeira para as mesmas. Na ausência destas, deve prevalecer a pretensão fiscal.
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Na ausência destas, deve prevalecer a pretensão fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 198 2 ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 8a. Turma da DRJ/SP2, de 14 de junho de 2.010 (fls. 170/176), que por unanimidade de votos negou procedência à impugnação, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 20.157,99 sendo R$ 6.418,38 a título de imposto, R$ 6.418,38 de multa e R$ 5.181,77 de juros de mora, calculados até 29/08/2008. De acordo com o Auto de Infração (fls. 14/18), a exigência fiscal decorre do seguinte fato: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ ********31.119,39, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8. ° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3. ° , da Lei n. ° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3. 000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS A contribuinte, após ter sido intimada, não apresentou cópias de cheques, comprovantes de saques ou de transferências bancárias coincidentes em datas e valores com os recibos apresentados. Desta forma, não ficou comprovado que houve o desembolso para pagamento dos tratamentos. Despesas glosadas: Thais Ramos Martins Santos R$ 5.000,00 (fisioterapeuta) Claudia de Toledo Arcas R$ 5.000,00 (fisioterapeuta) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 199 3 Elizabete das Graças Maibrada R$ 20.000,00 (dentista) Alteramos a despesa com a UNIMED de R$ 4.560,00 para 3.440,61, conforme recibos apresentados. A decisão recorrida bem relatou os termos da impugnação, às fls. 171/172, justificando assim a sua transcrição: Tratase de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004. ano calendário 2003 em que não foram comprovadas oportunamente as despesas médicas no valor de R$ 31.119,39. De acordo com a descrição dos fatos, fls. 83, a contribuinte foi intimada a fazer a comprovação do efetivo pagamento das despesas indicadas na Declaração de Ajuste do exercício 2004 das profissionais Thais Ramos Martins Santos no valor de R$ 5.000,00, Claudia de Toledo Arcas no valor de R$ 5.000,00 e Elizabete das Graças Maibrada no valor de R$ 20.000.00. Além disso, relata a autoridade administrativa que foi alterada a dedução de despesa com Unimed de R$ 4.560,00 para R$ 3.440,61, de acordo com os recibos apresentados. A contribuinte não teria apresentado cópias de cheques, comprovantes de saques ou de transferências bancárias coincidentes em datas e valores com os recibos apresentados. Tendo em vista o fato acima indicado, foi efetuada a glosa dos valores indicados e lavrada a presente Notificação de Lançamento em 05/08/2008 que alcançou o montante de R$ 20.157,99. A contribuinte apresentou impugnação, juntando os documentos anexos. em que depois de resumir os fatos, manifesta concordância corn a glosa de R$ 1.119,39 relativo ao Plano Unimed admitindo erro na sorna dos pagamentos. Em relação às demais despesas. afirma que as pessoas físicas estão dispensadas de escrituração e que as deduções são amparadas pelos textos legais mencionados não havendo determinação de forma de pagamento nem vedação a que se faça pagamento em dinheiro. Alega ainda ser comum existência de conta corrente com os profissionais que recebem adiantamentos em valores inferiores aos recibos o que dificulta a comprovação. Nesse contexto afirma que a comprovação se dá com recibos e somente na falta é que a lei faculta a comprovação por cheque. Acrescenta que os recibos já apresentados confirmam os serviços prestados e sustenta que a dedução se apóia no tipo de serviço (se dedutível), acompanhamento de recibos, qualidade Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 200 4 profissional e fiscal dos prestadores e vinculação com o declarante. Alega ainda, que os extratos bancários que ora apresenta comprovam a existência dos saques e cheques compensados suficientes para cobrir as despesas, e que os recibos vieram acompanhados de declarações dos prestadores, o que confirmaria os serviços. Menciona jurisprudências administrativas e pede o cancelamento parcial do lançamento. Ao apreciar as questões expostas, foi proferida a decisão, lembrando a modalidade de lançamento por homologação do imposto de renda pessoa física, conforme estabelecido no art. 150 do CTN; art. 835 do Decreto 3.000/99, que prevê a sujeição à revisão das declarações pelas autoridades administrativas, assim como do art. 73, par. 1o e 844, que tratam da necessidade de comprovação ou justificação das deduções da base de cálculo do imposto. Após analise dos documentos apresentados, o Relator fez constar na decisão que “...os recibos apresentados não preenchem os requisitos legais e, quanto aos extratos, não permitem estabelecer vinculação com saques pois não apresentam coincidência de datas e valores, os referidos extratos trazem saques em valores centesimais (ex: R$ 61,41 no dia 07/04 na conta Banespa) que indicam pagamento de boletos de cobrança ou títulos visto não ser crível que a impugnante tenha sacado por cartão algum valor em moeda monetária” Destacou ainda a decisão recorrida, dentre outros pontos, que a Recorrente apresentou recibos com superposição de escrita nas datas, mencionando os documentos de fls. 97 e 98 (abril, junho e novembro), emitidos em dia de domingo, que teriam sido para pagamento de sessões de fisioterapia e à dentista; a estas inconsistências somase a isso, o fato da emissão ser concomitante, ou seja, numa mesma data, domingo – 20/07/2003, pressupondo que teve agenda de fisioterapia e odontólogo, com desembolso de R$ 2.410,00, sem respaldo de saques no extrato bancário, que acusa saques que não ultrapassam o valor de R$ 300,00. Em grau de Recurso Voluntário, a este colegiado, aduz a Recorrente que: a) os recibos constantes dos autos preenchem os requisitos legais previstos no inciso III do art. 80 do RIR/99, com as indicações nele exigidas, e que em momento algum foram declarados inidôneos, os profissionais incompetentes ou inabilitados para exercerem suas profissões, não justificando assim, a glosa efetuada pela autoridade fiscal; b) a declaração da fisioterapeuta não foi feita em papel timbrado de um SPA e sim, de um Centro Médico com o nome de Spaço Inntegrado, onde a fisioterapeuta Dra. Claudia de Toledo Arcas tem seu consultório, e que o diagnóstico e prescrição médica por questão de ética e sigilo profissional, cabe a cada profissional; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 201 5 c) que não procede alegação de que as declarações foram apresentadas extemporaneamente e que deveriam estar acompanhadas de livro caixa, que nem pode ser exigida de pessoa física e que as mesmas foram feitas para atendimento à fiscalização e juntadas em tempo hábil; d) os recibos e declarações juntados aos autos trazem todas as especificações exigidas pela legislação, tornando incoerente afirmar a decisão que os mesmos são importante e depois ignorálos; e) ratifica que os pagamentos foram feitos em espécie e que os documentos apresentados são hábeis e idôneos, não podendo ser afastados por mera suspeita da fiscalização, reiterando colocações da impugnação, com circunstancias em que a pessoa física pode estar impedida de emitir cheques, citando precedente deste colegiado, que teve como relator o Dr. Gonçalo Bonet Allage (fl. 184), destacando em seguida, a utilização da doutrina e jurisprudência em sede de recursos administrativos. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por representante legal devidamente constituído e está fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo à apreciação. As alegações da Recorrente na peça recursal foram feitas acerca de afirmações constantes na decisão recorrida, não obstante, todas de forma genérica, sem com isto, infirmar o trabalho fiscal, que de forma clara e objetiva, a partir da intimação inicial, exige a comprovação dos pagamentos supostamente efetuados a título de despesas médicas. Não obstante a decisão recorrida ter apresentado detalhadamente incoerências e imprecisões nos valores deduzidos, não houve sobre elas qualquer consideração na peça recursal, razão pela qual, entendo que a exigência fiscal deva ser mantida. Com efeito, as deduções da base de cálculo do imposto de renda dos valores pagos a profissionais da medicina encontram previsão legal no inciso II alínea “a” e par. 2o da Lei 9.250/95 , que assim estabelecem: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 202 6 Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2° O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifos Nossos). Por sua vez, o artigo 73 e § 1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) e o artigo 46 da IN SRF n° 15/2001 estabelecem: Regulamento do Imposto de Renda RIR199 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (grifamos) Vários são os precedentes deste colegiado a respeito, todos, como não poderia deixar de ser, no sentido do que estabelece a legislação acima transcrita, dos quais destacamos as seguintes ementas: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em t despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto _à idoneidade do documento (Ac. 1° CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 01 1.458). IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovados os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legitima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1° CC 10416647/1998). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 203 7 IRPF DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DOCUMENTOS INIDÕNEOS Ent condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante das evidências de que o profissional praticava fraude na emissão de recibos, tendo sido formalmente declarada a inidone idade dos documentos por ele emitidos, é licito o Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e do pagamento realizado (Ac. 10421838, sessão de 17/8/2006). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Se o contribuinte não logra comprovar por outros meios as despesas médicas relacionadas em recibos declarados inidôneos, apresentase correta a glosa de despesas, conforme preceitua o art. 73 do Decreto n° 3.000/99 (Ac.10615484, sessão de 26/4/2006). A decisão recorrida, à fl. 174, bem evidenciou a improcedência das alegações da Recorrente, de que os valores das supostas despesas foram pagas em papel moeda, ao demonstrar que os saques em contas bancárias ficaram bem aquém dos valores que alega a Recorrente ter pago, como ocorreu em 20/07/2003, apresentando um valor que exigiria um desembolso de R$ 2.410,00, quando nos extratos, figuram saques que não atingem o valor de R$ 300,00, dentre outras inconsistências nela mencionadas. Não se questiona em momento algum a capacidade ou qualificação dos profissionais, tão pouco, o local onde eles atendem, e sim, se os pagamentos a eles foram efetivamente efetuados, que conforme dispõe a legislação acima, quando instados pela fiscalização, é condição para a dedução da base de cálculo do imposto. Neste sentido, a Recorrente não apresentou um único documento que infirmasse o trabalho fiscal . Por essas razões, CONHEÇO do recurso, pois presentes seus pressupostos de admissibilidade, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10860.001974/200808 Acórdão n.º 2102001.543 S2C1T2 Fl. 204 8 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 16349.000095/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO A ESCRITURAR. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo autorização legal para escriturar crédito não há que se falar em
ressarcimento do mesmo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola
Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas
conclusões.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INEXISTÊNCIA. Inexistindo autorização legal para escriturar crédito não há que se falar em ressarcimento do mesmo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 08/04/2008 a empresa PETROSUL DISTRIBUIDORA TRANSP E COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA, já qualificada nos autos, apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, relativo ao 4o trimestre de 2004. Na mesma data apresentou declaração eletrônica de compensação vinculada ao crédito pleiteado. A autoridade administrativa indeferiu o pedido da interessada porque entendeu que a receita de venda de álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidoras sujeitase ao regime cumulativo e tem alíquota zero. Portanto, não há que se falar na existência de créditos. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade alegando, em apertada síntese, que: 1 o art. 17 da Lei nº 11.033/04 autoriza a manutenção dos créditos da Cofins relativo à venda de produtos com alíquota zero, realizadas a partir de 22/12/2004. Tal dispositivo revogou o que dispunha o art. 3º inciso I, letra “b”, da Lei nº 10.833/03, lei anterior, por ter regulado a mesma matéria do dispositivo revogado; 2 diante da letra do art. 17 da Lei nº 11.033/04, não se poderá deixar de reconhecer aos contribuintes atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, automóveis, autopeças, etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos; 3 com as alterações promovidas na Lei nº 10.833/03 (art. 1º, § 3º, IV e art. 2º) pela Lei nº 10.865/04 toda a cadeia produtiva de derivas de petróleo passou a ser tributada pelo regime não cumulativo, com a alíquota do regime cumulativo; 4 pela alteração na legislação da Cofins acima referida, a receita de venda de álcool anidro carburante continuou sendo tributado pelo regime cumulativo; 5 a Gasolina C é a mercadoria vendida pela recorrente e não a Gasolina A e o Álcool Etílico Anidro Combustível, separadamente; 6 o Álcool Etílico Anidro Combustível sujeitase, em sua saída, após ser misturada à gasolina A, à alíquota zero, prevista no art. 42, incisos II e III, da MP 2.158 35/2001, até a edição da MP nº 413/2008 , convertida na Lei nº 11.727/2008; 7 tem direito ao crédito relativo à aquisição de Gasolina e Óleo Diesel; 8 tem direito ao crédito relativo às despesas com frete (de insumos e produtos acabados), com armazenagem de produtos acabados e com energia elétrica; 9 que a decisão da autoridade administrativa não levou em consideração os créditos das aquisições de Gasolina A, Óleo Diesel, fretes (de insumos e produtos acabados), armazenagem de produtos acabados e energia elétrica. A 6a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1619.305, de 05/11/2008, ratificando o entendimento da Derat/SP e cuja ementa abaixo transcrevo. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000095/200826 Acórdão n.º 330201.180 S3C3T2 Fl. 244 3 CRÉDITO DE COFINS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de COFINS para distribuidora de combustíveis. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os procedimentos de reconhecimento de direito creditório exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Ciente desta decisão em 11/12/2008, a empresa interessada ingressou, no dia 09/01/2009, com o recurso voluntário de fls. 139/160, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e também que: 1 os débitos cuja compensação não foi homologada estão com a exigibilidade suspensa; 2 cabe ao Fisco efetuar a verificação da legitimidade do crédito lançado na DACON e na PER/DCOMP, por meio de rateio com a escrita e os documentos fiscais da recorrente; A Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 199/213 sustentando os argumentos da decisão recorrida. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É a síntese do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito da Cofins do 4º Trimestre de 2004 alegando que, na qualidade de empresa distribuidora de combustível, vende Gasolina C e Óleo Diesel, cuja receita de venda é tributada pela sistemática não cumulativa, com alíquota zero, e com direito de crédito nas compras de Gasolina A, Álcool Etílico Anidro Combustível e Óleo Diesel e de serviços de fretes (de insumos e de produtos acabados)e armazenagem de produtos acabados e de energia elétrica. Entende a recorrente que o ressarcimento pleiteado está autorizado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/04, que também autoriza a escrituração e manutenção dos créditos nas aquisições, por empresa distribuidora de combustível, de Gasolina A, Óleo Diesel e Álcool Etílico Anidro Combustível, este utilizado para misturar à Gasolina A e formar a Gasolina C, objeto de venda pela recorrente. Sem razão a recorrente. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Como se pode constatar da leitura da peça recursal, acima resumido, o pedido da recorrente parte do pressuposto de que o art. 17 da Lei nº 11.033/04, por ter regulado inteiramente a matéria, revogou a alínea “b”, do inciso I, do art. 3º, da Lei n 10.833/03 (lei anterior), que vetava a utilização de crédito na aquisição de gasolinas e óleo diesel. Ocorrendo esta revogação, surge o direito ao crédito nas aquisições de Gasolina A, Óleo Diesel e Álcool Etílico Anidro Combustível, como de resto para todos os produtos submetidos ao regime monofásico de tributação da Cofins, adquiridos pelos comerciantes atacadistas e varejistas, como é o seu caso. Vejamos o que reza o referido art. 17 da Lei nº 11.033/04: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Literalmente, este dispositivo garante a manutenção dos créditos vinculados às operações com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins. Nem de longe o referido dispositivo regula toda a matéria relativa a créditos de Cofins e muito menos assegura que nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins geram direito a crédito todos os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação dos bens ou produtos destinados à venda nestas condições. Está provado que o referido dispositivo legal não tem a abrangência atribuída pela recorrente porque efetivamente não revogou tacitamente disposições da legislação do PIS e da Cofins, não cumulativas, sobre direito de efetuar créditos. Sequer fez alguma alteração nessas disposições legais. A vedação à utilização de créditos dos derivados de petróleo (sujeitos à tributação monofásica), prevista no art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.833/03, continuou em vigor no período objeto da pedido da recorrente. Logo, não existe crédito a escriturar por parte da recorrente e, consequentemente, a ressarcir. Como bem disse a decisão recorrida, no período objeto do pedido a tributação da Cofins do álcool combustível, quando adicionado à gasolina, era pelo regime cumulativo e sujeito à alíquota zero. Portanto, na sua comercialização não há que se falar em crédito na sua aquisição, mesmo que a venda seja após a adição à Gasolina A, pela recorrente. Diante da afirmativa da recorrente de que toda a sua receita decorre da venda de Gasolina C e Óleo Diesel, não há crédito de Cofins vinculado a esta receita. Em conseqüência, entendo correto o procedimento da autoridade administrativa de não efetuar o cotejamento dos crédito pleiteados (inexistentes) com a escrituração e documentos fiscais da recorrente, por ser absolutamente prescindível. Ao contrário do afirmado pela recorrente, cabe a ela, sim, provar a existência dos créditos pleiteados e é inegável que toda sua bem elaborada argumentação está voltada neste sentido: provar que, em tese, tem direito ao crédito pleiteado. Ressalvo que a quantificação do direito ao crédito que, eventualmente, venha a ser reconhecido neste processo pode ser feita a posteriori. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000095/200826 Acórdão n.º 330201.180 S3C3T2 Fl. 245 5 Quanto aos demais argumentos trazidos pela recorrente em sua manifestação de inconformidade e renovados no recurso voluntário, adoto e ratifico o que disse a decisão recorrida, nos termos do art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15586.001044/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARBONATO DE CÁLCIO
MICRONIZADO.
O processo produtivo que envolve a micronização, do qual decorre o
carbonato de cálcio micronizado, vai além do procedimento de trituração,
configurando o “tratamento mais adiantado” referido pela Nota Explicativa 1
do Capítulo 25 da TIPI, equivalendo ao processo produtivo de calcinamento
ou precipitação, devendo por isso ser classificado na posição 2836.50.00.
IPI. ESTORNO DE CRÉDITOS DE ENTRADAS TRIBUTADAS. SAÍDA
DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NT.
MATÉRIA SUMULADA.
A Súmula CARF nº 20 reproduz o entendimento que já havia sido
consolidado pela Súmula 2º CC nº 13, de que “Não há direito aos créditos de
IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de
produtos classificados na TIPI como NT”.
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA
DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO.
CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO
REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE
REPRODUZ EM RAZÃO DO ART. 62A
DO ANEXO II DO RICARF.
Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI
não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo
considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período
compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data
na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o
Estado em reconhecer o direito do contribuinte.
Entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp
468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp
1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo
que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A
do
Anexo II do Regimento Interno.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-001.262
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito aos créditos de IPI relativos aos
insumos aplicados na fabricação do carbonato de cálcio obtido pelo processo de micronização,
por considerálo
classificado na posição 2836.50.00, sujeito à alíquota zero, e para reconhecer
o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido.
Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, quanto à questão da classificação
fiscal. Sustentou pela Recorrente o Dr. César Piantavigna. OAB/ES nº 6.740
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARBONATO DE CÁLCIO MICRONIZADO. O processo produtivo que envolve a micronização, do qual decorre o carbonato de cálcio micronizado, vai além do procedimento de trituração, configurando o “tratamento mais adiantado” referido pela Nota Explicativa 1 do Capítulo 25 da TIPI, equivalendo ao processo produtivo de calcinamento ou precipitação, devendo por isso ser classificado na posição 2836.50.00. IPI. ESTORNO DE CRÉDITOS DE ENTRADAS TRIBUTADAS. SAÍDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NT. MATÉRIA SUMULADA. A Súmula CARF nº 20 reproduz o entendimento que já havia sido consolidado pela Súmula 2º CC nº 13, de que “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ EM RAZÃO DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito aos créditos de IPI relativos aos insumos aplicados na fabricação do carbonato de cálcio obtido pelo processo de micronização, por considerálo classificado na posição 2836.50.00, sujeito à alíquota zero, e para reconhecer o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, quanto à questão da classificação fiscal. Sustentou pela Recorrente o Dr. César Piantavigna. OAB/ES nº 6.740. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Raquel Motta Brandão Minatel e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausentes justificadamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte em 20/01/2005, correspondente ao saldo de créditos de IPI acumulado no 3º trimestre de 2004 (fl. 2). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitória/ES (DRF), por meio do Despacho Decisório de fls. 91, que ratificou as conclusões do Parecer de fls. 81/90, reconheceu apenas em parte o direito de crédito do contribuinte. A DRF glosou os créditos das matériasprimas e material de embalagem utilizados na produção do carbonato de cálcio, por entender que sua classificação fiscal correta estaria na posição 25.21.0000, como produto não tributável NT. Confirase o seguinte trecho do Parecer, que parece bem resumir a verificação fiscal: 6. Inicialmente, antes de adentrar na análise dos créditos propriamente ditos, faremos considerações a respeito da classificação fiscal e alíquota correspondentes ao produto "CARBONATO DE CALCIO” (fls. 61). 7. Como se observa, o contribuinte classificou o produto carbonato de cálcio no código 2836.50.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — TIPI (...). 8. Quanto A. classificação fiscal utilizada nas saídas, diz a Regra Geral n° 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI(SH)), Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 2 3 que "para os efeitos legais, a classificação determinado pelos textos das referidas posições e Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrarias aos textos das referidas posições e Notas, pelas outras regras gerais". 9. Segundo os comentários da NESH (Notas explicativas do Sistema Harmonizado), a posição 2836.50.00 se aplica ao seguinte produto: "4) Carbonato de Cálcio precipitado. O carbonato de cálcio precipitado (CaCO3), aqui incluído, provém do tratamento de soluções de sais de cálcio pelo anidrido carbônico. Empregase como carga na preparação de pastas dentifrícias, de pó́dearroz, em medicina (como medicamento antirraquítico), etc. Excluemse desta posição os calcários naturais (capitulo 25), o crê (carbonato de cálcio natural), mesmo lavado e pulverizado (positivo 25.09) e o carbonato de cálcio em pó́, cujas partículas estejam envolvidas de uma película hidrófuga de ácidos graxos (gordos*) (ácido esteárico, por exemplo) (posilio 38.24)”. 10. De posse de informações obtidas do contribuinte (fls. 90/99) e do site da empresa na Internet (WWW.PROVALE.IND.BR) a respeito de sua linha de produção e constituição final do citado produto, constata se o equivoco em relação à classificação fiscal adotada. Ressaltese que existem, basicamente, dois tipos de carbonato de cálcio, o natural, aquele que é retirado da natureza e moído de acordo com a granulometria desejada, e o precipitado, aquele obtido, artificialmente, por meio de uma reação química com o anidrido carbônico (dióxido de carbono — CO2), a qual promove a formação de uma substância insolúvel (precipitado de CaCO3). 11. O produto "carbonato de cálcio" constituise preponderantemente de rochas carbonaticas — calcário, em seu estado natural, constituídas por calcita (carbonato de cálcio — CaCO3) e/ou dolomita (carbonato de cálcio e magnésio — CaMg(CO3)2) e impurezas, com variações em sua composição química, dependendo do produto, e comercializadas na forma moída ou micronizada, formas utilizadas para se obter estruturas e tamanhos diferenciados de grãos. 12. O termo "calcário" é empregado para caracterizar um grupo de rochas com mais de 50% de carbonatos. Essas rochas podem ser classificadas, de acordo com o teor de MgO (óxido de magnésio), em calcário, calcário magnesiano, calcário dolomítico, dolomito calcítico e dolomito. O emprego das rochas calcárias depende da composição química e/ou características físicas, destacandose as utilizações como cimento, cal, corretivo de solo, agregados e nas indústrias de cerâmica, vidro, siderurgia, tintas e vernizes, fertilizantes, produtos asfálticos, explosivos, plásticos, rações, perfumaria, granilhas, fibrocimento e outros. No caso da requerente, seu produto se aplica como carga mineral em várias aplicações industriais. 13. Para entender melhor classificação fiscal adequada ao presente caso, fazse necessária a leitura do Capitulo 25 da TIPI — SAL; ENXOFRE; TERRAS E PEDRAS; GESSO E CIMENTO, logo em sua 1ª nota de capitulo, como a seguir: "1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. Os produtos do presente Capítulo podem estar adicionados de uma substância antipoeira, desde que essa adição não tome o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral”. 14. Não há, pois, nenhum impedimento do citado produto ser classificado no capitulo 25. 15. A posição 2521 – CASTINAS; PEDRAS CALCÁRIAS UTILIZADAS NA FABRICAÇÃO DE CAL OU DE CIMENTO não prevê em seu texto nenhuma exclusão para outras utilizações. Para corroborar tal entendimento, apresento como subsidio os comentários da NESH a respeito: "Incluemse nesta posição as castinas e as pedras de clã ̃ ou de cimento, propriamente ditas, com exclusão das pedras desta espécie próprias para a construção (posições 25.15 ou 25.16). A dolomita classificase na posição 25.18. O crê incluise na posição 25.09. Denominamse "castinas" as pedras grosseiras, mais ou menos ricas em carbonato de cálcio, utilizadas em siderurgia, principalmente como fundentes. As pedras desta posição são também utilizadas sob a forma de pós, como corretivos de terras."(grifos originais) 16. Portanto, com base nas descrições dadas pelo contribuinte e de acordo com a nova Nomenclatura de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado/Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (NBM/SH/TIPI), concluise que a classificação fiscal adequada ao produto "carbonato de cálcio" é 2521.00.00, cuja alíquota é NT (nãotributado). 17. Deveras, restando patente que o estabelecimento dá saída a produtos que se caracterizam como tributados e não tributados (NT), passase, a seguir a apreciação da matéria concernente ao pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI acumulado ao final do trimestre calendário, formalizado às fls. 03, sob o amparo do art. 11 da Lei n° 9.779/99 e da IN n° 33/99. 18. Quanto aos produtos fora do campo de incidência do imposto (NT), não há por que se efetivar o aproveitamento dos créditos básicos nele empregados, devendose providenciar o estorno destes na escrita fiscal, em respeito ao disposto no art. 2°, parágrafo único do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, verbis: "Art. 2° (...) Parágrafo único — o campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributados)(Lei n° 9.493, de 10 de dezembro de 19997, art. 13)."(grifamos) 19. Por seu turno, a IN SRF n° 33/99, em seu art. 2°, §3°, estabelece o seguinte: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 3 5 "Art. 2° (...) § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)." 20. Ademais, ao analisarmos a legislação de regência do IPI, verifica se que o art. 25, §3° da Lei n° 4.502/64, determina que o crédito relativo i matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) que fossem empregados na industrialização de produtos isentos, não tributados ou que tenham suas alíquotas reduzidas a zero, respeitadas as ressalvas admitidas, deveria ser anulado, mediante estorno na escrita fiscal. 21. Ainda com o advento da Lei n° 9.779/99, foi mantida a orientação de estorno da escrita fiscal dos créditos referentes à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregado na industrialização de produtos não tributados, conforme se depreende do art. 2°, § 3° da IN SRF 33/99. Além de glosar o material de embalagem utilizado nos produtos tidos como NT, a DRF também glosou créditos correspondentes a “partes e peças de reposição de máquinas (mancal, bucha de mancal) e ferragens, os quais não se enquadram no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens admitidos pela legislação do IPI e conforme disposto no Parecer COSIT n° 65/79”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 100/101) alegando, em síntese, o seguinte: 11) Não são todas as "Castinas" (posição 2521) que servem como matériaprima para carbonato de cálcio devido as impurezas contidas em sua formação geológica. Porém, as pedras de carbonato de cálcio puras, que a empresa utiliza, podem servir como matériaprima para o calcário siderúrgico e calcário corretivo de acidez quando seus índices de pureza são baixos e pobres de carbonato. 12) A classificação fiscal do Carbonato de Cálcio (posição 2836.50.00) não contempla apenas o Carbonato de cálcio precipitado podendo ser atribuído ao Carbonato de Cálcio com outros atributos, como pode ser verificado na NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado): "4) O Carbonato de cálcio precipitado. O carbonato de cálcio precipitado (CaCO3), aqui incluído,..." (grifo nosso). As exclusões desta posição são limitadas aos processos mencionados, não se aplicando à totalidade do processo industrial dos produtos fabricados na empresa. 13) As propriedades físicoquímicas do carbonato de cálcio precipitado e o carbonato de cálcio fabricado na empresa têm praticamente as mesmas propriedades e utilizações como, se comprova com laudos em anexo, ALÉM DE O CARBONATO DE CALCIO PRECIPITADO TER A MESMA COMPOSIÇÃO QUÍMICA QUE O CARBONATO DE CALCIO PRODUZIDO PELA EMPRESA, APÓS O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. 14) Assim, o que deve contar para a Receita Federal é a composição química final do produto, aferido através de análise química dele, afim de classificalo ou desclassificalo de uma posição para outra e não uma simples descrição. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG (DRJ) converteu o julgamento em diligência para o fim de obter do contribuinte a descrição do processo produtivo em relação aos seus produtos, bem como a apresentação de notas fiscais por amostragem. A contribuinte apresentou esclarecimentos (fls. 115/120) e juntou Parecer do Instituto Nacional de Tecnologia – INT (fls. 123/153). Os esclarecimentos podem ser resumidos no seguinte trecho: Todos os produtos aqui referidos, indistintamente, tem a forma de um pó. E as designações de todos eles, também indistintamente, estão basicamente relacionadas ao tamanho das partículas de carbonato de cálcio que compõem o pó, ou seja, granulometria. Enfim: a linha de produtos da empresa é composta pelos carbonatos de cálcio (em pó) anteriormente especificados, cabendo cada qual dos interessados em adquirilos apurar o item que se mostra adequado à utilização pretendida para a substância. A razão de a empresa manter uma diversidade de produtos em produção e oferta se deve à intenção, portanto, de atender aos anseios do mercado, que, como dito, toma por principal referencial a dimensão da partícula que compõe o carbonato de cálcio em pó, possibilitandoa negociar itens que são enquadrados pelos seus clientes como carbonato de cálcio "MÉDIO", "FINO", "LEVE", "CALCÁRIO 244 MÍCRONS", etc. (...) De acordo com o laudo confeccionado pelo INT verificase que a PROVALE produz três classes de produtos: (i) carbonato de cálcio proveniente do processo de peneiramento, que compreenderiam os itens listados no "GRUPO 1" a que fez referência logo atrás; (ii) carbonato de cálcio finos provenientes de moagem em moinhos de rolos, que abrangeriam os itens listados no "GRUPO 2" previamente mencionado, e; (iii) carbonato de cálcio micronizados, que correspondem aos produtos associados ao "GRUPO 3, também especificado nas linhas anteriores. Quanto ao Parecer do INT, destacamse os seguintes trechos das respostas aos quesitos: 7) Quais são as características físicas e químicas dos carbonatos de cálcio produzidos pela Provale? Resposta: As características físicas fundamentais são as dimensões granulométricas do carbonato de cálcio (CaCO3) oferecidas ao mercado, com preocupação quanto a alvura do material com comparação a padrões de coloração. As características químicas fundamentais são as variações de proporcionalidade de teores de carbonato de cálcio (CaCO3) e carbonato de magnésio (MgCO3) e, ainda, o controle dos Resíduos Insolúveis (RI). Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 4 7 8) Quais são as aplicações dos carbonatos de cálcio produzidos pela Provale? Resposta: O carbonato de cálcio produzido pela PROVALE tem aplicação no mercado como aditivo na fabricação de tubos e conexões de PVC, polietileno, tintas, resinas, borrachas termoplásticas, mármores sintéticos, revestimentos de parede, cerâmicas, entre outros, segundo informações colhidas no local da diligência. 9) Existe algum processo de produção diferente, pelo qual se obtém carbonatos de cálcio de características iguais, ou equivalentes, aos que são produzidos pela Provale? Em caso positivo descrever o pertinente processo de produção, e o resultado (produto) nele obtido. Resposta: Sim, existe o processo denominado PCC ("Precipitaded Calcium Carbonate') que parte da obtenção do carbonato de cálcio (CaCO3) por calcinação e reações químicas. A etapa de calcinação é feita pela queima do carbonato de cálcio (CaCO3) em sua forma "in natura" com o objetivo de dissociar o dióxido de carbono (CO2) do carbonato de cálcio (CaCO3) formando, assim, o óxido de cálcio (CaO), chamado vulgarmente de cal. (...) 10) O carbonato de cálcio produzido pela Provale tem as mesmas características e aplicações daquele que é obtido pelo processo de precipitação? Resposta: Como dito acima a PROVALE não produz carbonato de cálcio pelo processo de precipitação, fazendose necessário adquirir, no mercado a amostra deste produto de uma empresa que utiliza este método para ser analisado e comparado com o carbonato de cálcio produzido pela PROVALE. As características dos dois carbonatos de cálcio, moído (produzido pela PROVALE) e precipitado (produzido pela QUINVALE) estão mostradas no quadro abaixo e os resultados apresentados foram obtidos em análises químicas e fisicas realizadas pelos peritos desta Instituição nos laboratórios do Interessado. Como pode ser observado, os valores encontrados, na comparação entre estes dois tipos de carbonato de cálcio (calciticodolomitico no caso da PROVALE e calcitico no caso da QUINVALE), são divergentes, entretanto, ambos atendem aos máximos e mínimo requeridos. (...) 12) É possível diferençar o carbonato de cálcio obtido pela Provale por processos de moagem e de micronização, do carbonato de cálcio resultante do processo de precipitação, ou seja, estabelecer alguma diferença levandose em conta unicamente os produtos em si considerados? Resposta: Tanto o carbonato de cálcio obtido pela PROVALE por processos de moagem e de micronização, quanto o carbonato de cálcio resultante do processo de precipitação são na realidade o mesmo produto carbonato de cálcio, porém, com especificações diferenciadas em função dos processos industriais de que são decorrentes. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 As diferenças encontradas nos resultados dos ensaios realizados, demonstrados na tabela comparativa denominada "Composições Químicas dos Produtos PROVALE e QUINVALE", apresentada na resposta ao quesito 10 deste Relatório Técnico, existem devido à natureza da rocha que apresenta variação na sua composição quanto aos teores cálciticos e dolomiticos ao longo da jazida. Em outras palavras, se a amostra colhida tivesse sido proveniente de uma rocha totalmente calcitica os resultados de sua análise se aproximariam — ou até mesmo poderiam teoricamente se igualar — aos resultados da amostra do carbonato de cálcio precipitado recebida. Esta afirmativa é comprovada pela comparação entre os resultados da amostra QUINVALE e os resultados da amostra retirada na jazida de calcita (amostra 1 do parágrafo 32), conforme reprodução e comparação no quadro abaixo: (...) Quanto à forma, granulometria, coloração e natureza podese afirmar que não há diferença significativa entre os carbonatos de cálcio produzidos pela PROVALE por processo de moagem e de micronização, do carbonato de cálcio obtido pelo processo de precipitação. A DRJ, por meio do Acórdão nº 0931.032, de 20 de agosto de 2010 (fls. 167/172), manteve a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Os carbonatos de cálcio resultantes de trituração, pulverização ou peneiramento, devem ser classificados no código 2521.00.00 da TIP, que detêm a notação NT Não tributado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido O voto do Relator do acórdão da DRJ desdobra, em síntese, as seguintes razões: Assim, no exame da matéria em questão, cumpre esclarecer à empresa que é irrelevante a natureza química do produto, pois, da análise de outros aspectos objetivos, sobre os quais não houve controvérsia, restou clara a classificação fiscal a ser adotada, não havendo de ser considerado o primeiro laudo trazido pela reclamante (fls. 102/103), que versa sobre a análise química do produto carbonato de cálcio e nem mesmo o segundo laudo de fls. 122/153 — proveniente do Instituto Nacional de Tecnologia, no que se refere às conclusões sobre a mesma matéria — composição química do produtos em comento. Porém, há de ser considerado que o laudo do Instituto Nacional de Tecnologia somente veio a confirmar e corroborar o fato de que os produtos objeto de questionamento resultam de um processo de moagem e micronização e não de um processo de precipitação, cumprindo, neste aspecto, adotar suas conclusões conforme previsão contida no art. 30 do Decreto 70.235, de 1972 (...) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 5 9 Desta forma, restou evidente a impossibilidade de manutenção dos carbonatos de cálcio produzidos pela Provale na classificação por ela adotada 2836.50.00, pois, referidos produtos carecem, objetivamente, de uma característica necessária para sua inclusão na classificação desejada pela empresa – 2836.50.00 serem obtidos por precipitação. E mais, o argumento trazido pela reclamante, de que a similaridade química entre os produtos resultantes do seu processo produtivo e do processo de precipitação de outra empresa permitiria incluir seus produtos no capitulo 28, não merece prosperar, pois, para a classificação fiscal dos carbonatos de cálcio dos quais se cuida, o que deve ser relevado é a sua forma de obtenção e não a composição química final do produto. (...) Frisese que a adequação dos produtos da reclamante ao capitulo 25 se deu em consequência do processo produtivo por ela utilizado e não contestado nos autos. Processo produtivo que, digase, foi confirmado pela mesma em sua resposta à intimação (fls. 115/120) e pelo laudo do Instituto Nacional de Tecnologia. Concluise, portanto que o código a ser adotado para a classificação dos carbonatos de cálcio produzidos pela reclamante é: 2521.00.00 da TIPI, conforme decidido pela autoridade da DRF de origem. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 176/199) alegando, em síntese, o seguinte: a) que a descrição contida na posição 25.21.0000 corresponderia apenas a materiais brutos (pedras) e que “Tal redação não deixa dúvidas, porquanto deixa nítida a sua referência a pedras, e não a um produto extremamente beneficiado como o carbonato de cálcio micronizado ainda que se considere que a industrialização dele consome pedras como matériaprima (rochas calciticas ou dolomiticas)” e que “a matériaprima do carbonato de cálcio micronizado não apresenta dimensões de algo qualificável como pedra, e não o próprio produto 'mencionado, que consiste na substancia resultante do processo industrial promovido pela recorrente”; b) que “embora a nota explicativa diga que as “pedras ... são também utilizadas sob a forma de pós", esclarece imediatamente em seguida que tais “pós" são aqueles empregados como "corretivos de terras", situação em nada coincidente com o carbonato de cálcio micronizado elaborado pela recorrente” pois “os corretivos de solo são pós compostos de partículas que possuem dimensões superiores à medida "micron", em virtude do que nada tem a ver com as industrializações dos produtos que a recorrente releva para efeito do ressarcimento em apreço, pois todos detêm destinação alheia à correção de solo e apresentam granulometria aferida pela unidade "micron"; c) que a posição 25, embora compreenda os produtos “triturados, pulverizados.. peneirados, ... ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização”, cuida de excepcionar que “Não estão, porém, incluídos os produtos... que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições", alegando, assim, que “o processo de micronização que traduz o diferencial do processo industrial desenvolvido pela recorrente, por consubstanciar urna moderna técnica de industrialização, está abarcado na ressalva da nota explicativa, justamente por espelhar um "tratamento mais adiantado" do que a simples trituração ou pulverização de pedras”; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 d) que “a posição 28.36.5000, além de apontar, expressamente, para o carbonato de cálcio na sua descrição, tem confirmada a inclusão de dita substância na sua redação pela alusão irrestrita que as Notas Explicativas de abertura do capitulo 28 fazem aos carbonatos”, insistindo que a Nota Explicativa da suposição 28.36 abarcaria todo e qualquer carbonato; e) que, ainda que mantida a classificação fiscal adotada pelo Fisco, teria o direito ao crédito em razão de se tratar da produção de um produto mineral, enquadrado na imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição, pois também os produtos imunes estariam abrangidos pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, citando também precedentes deste Conselho no sentido de que “Os produtos constantes na TIPI como não tributáveis por força da imunidade constitucional e que não estejam excluídos do conceito de industrialização constante do art. 3' do RIPI/98 devem gozar do direito ao ressarcimento dos créditos relativos aos insumos empregados no processo produtivo, consoante dispõe o art. 11 da Lei n° 9.779/99” (Acórdão 20216.984, PA 13836.000018/200110, j. 28/03/2006, Rel. Designada Cons. Cristina Roza da Costa). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Os fundamentos do recurso voluntário podem ser divididos em duas partes, uma correspondente à classificação fiscal e a outra tratando do direito de crédito na industrialização de produtos imunes. a) A classificação fiscal. A primeira questão a ser resolvida consiste na classificação do “carbonato de cálcio” produzido pelo contribuinte. O contribuinte entende que seu produto deve ser classificado na posição 2836.50.00, sujeito à alíquota zero, enquanto a Fiscalização entendeu pelo enquadramento do produto na posição 25.21.00.00, como nãotributável (NT). O enquadramento pretendido pelo contribuinte inserese no seguinte contexto da TIPI: SEÇÃO VI PRODUTOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS ........... Capítulo 28 Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos ........... V. SAIS E PEROXOSSAIS, METÁLICOS, DOS ÁCIDOS INORGÂNICOS Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 6 11 ........... 28.36 Carbonatos; peroxocarbonatos (percarbonatos); carbonato de amônio comercial contendo carbonato de amônio. 2836.20 Carbonato dissódico 0 2836.20.10 Anidro 0 2836.20.90 Outros 0 2836.30.00 Hidrogenocarbonato (bicarbonato) de sódio 0 2836.40.00 Carbonatos de potássio 0 2836.50.00 Carbonato de cálcio 0 Já o enquadramento adotado pela fiscalização inserese no seguinte contexto: SEÇÃO PRODUTOS MINERAIS Capítulo 25 Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento ........... 2521.00.00 Castinas; pedras calcárias utilizadas na fabricação de cal ou de cimento. NT O ponto principal da discussão reside na interpretação da primeira Nota Explicativa do capítulo 25: 1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. Os produtos do presente Capítulo podem estar adicionados de uma substância antipoeira, desde que essa adição não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. A Fiscalização entende que o processo produtivo do contribuinte, em relação a todos os produtos que fabrica, nada mais é do que a trituração, pulverização e peneiragem dos produtos em estado bruto que ele recebe, devendo ser mantidos, pois, na mesma posição. O contribuinte, por seu turno, sustenta que tal classificação deveria estar restrita a materiais brutos, não podendo ser aplicada ao carbonato de cálcio que obtém pelo processo de micronização, processamento do qual resulta o mesmo produto que, submetido à calcinação ou precipitação, seria classificado na posição 2836.50.00. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 A solução deste dilema pela DRJ pode ser resumida nos seguintes trechos: Assim, no exame da matéria em questão, cumpre esclarecer à empresa que é irrelevante a natureza química do produto, pois, da análise de outros aspectos objetivos, sobre os quais não houve controvérsia, restou clara a classificação fiscal a ser adotada, não havendo de ser considerado o primeiro laudo trazido pela reclamante (fls. 128/131), que versa sobre a análise química do produto carbonato de cálcio e nem mesmo o segundo laudo de fls. 149/180 — proveniente do Instituto Nacional de Tecnologia, no que se refere às conclusões sobre a mesma matéria — composição química do produtos em comento. Porém, há de ser considerado que o laudo do Instituto Nacional de Tecnologia somente veio a confirmar e corroborar o fato de que os produtos objeto de questionamento resultam de um processo de moagem e micronização e não de um processo de precipitação, cumprindo, neste aspecto, adotar suas conclusões conforme previsão contida no art. 30 do Decreto 70.235, de 1972 (...) Desta forma, restou evidente a impossibilidade de manutenção dos carbonatos de cálcio produzidos pela Provale na classificação por ela adotada 2836.50.00, pois, referidos produtos carecem, objetivamente, de uma característica necessária para sua inclusão na classificação desejada pela empresa – 2836.50.00 serem obtidos por precipitação. E mais, o argumento trazido pela reclamante, de que a similaridade química entre os produtos resultantes do seu processo produtivo e do processo de precipitação de outra empresa permitiria incluir seus produtos no capitulo 28, não merece prosperar, pois, para a classificação fiscal dos carbonatos de cálcio dos quais se cuida, o que deve ser relevado é a sua forma de obtenção e não a composição química final do produto. (...) Frisese que a adequação dos produtos da reclamante ao capitulo 25 se deu em consequência do processo produtivo por ela utilizado e não contestado nos autos. Processo produtivo que, digase, foi confirmado pela mesma em sua resposta à intimação (fls. 142/147) e pelo laudo do Instituto Nacional de Tecnologia. Como visto, o entendimento central da DRJ é de que não importaria a natureza química do produto obtido, mas o processo produtivo da qual resultou. Entende a DRJ que a classificação na posição 2836.50.00, desejada pelo contribuinte, apenas aconteceria se o produto tivesse sido obtido pelo método da calcinação ou precipitação. Entendo, no entanto, que o julgador de piso não considerou de maneira adequada a alegação da contribuinte de que o processamento diferenciado de “micronização” que adota em relação a um tipo dos seus produtos, deveria ser considerado como “que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições”, conforme excepcionado pela Nota Explicativa nº 1 do capítulo 25, em par de igualdade com o procedimento de calcinação. Ou seja, a redução promovida por este procedimento de micronização não significa mera trituração, pois não se resume a uma mudança de ordem de tamanho apenas, mas de natureza, sendo capaz de fazer resultar o mesmo produto que se obteria por meio da calcinação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 7 13 É isto o que conclui o parecer da INT na resposta ao seguinte quesito: 12) É possível diferenciar o carbonato de cálcio obtido pela Provale por processos de moagem e de micronização, do carbonato de cálcio resultante do processo de precipitação, ou seja, estabelecer alguma diferença levandose em conta unicamente os produtos em si considerados? Resposta: Tanto o carbonato de cálcio obtido pela PROVALE por processos de moagem e de micronização, quanto o carbonato de cálcio resultante do processo de precipitação são na realidade o mesmo produto carbonato de cálcio, porém, com especificações diferenciadas em função dos processos industriais de que são decorrentes. As diferenças encontradas nos resultados dos ensaios realizados, demonstrados na tabela comparativa denominada "Composições Químicas dos Produtos PROVALE e QUINVALE", apresentada na resposta ao quesito 10 deste Relatório Técnico, existem devido à natureza da rocha que apresenta variação na sua composição quanto aos teores calciticos e dolomiticos ao longo da jazida. Em outras palavras, se a amostra colhida tivesse sido proveniente de uma rocha totalmente calcitica os resultados de sua análise se aproximariam — ou até mesmo poderiam teoricamente se igualar — aos resultados da amostra do carbonato de cálcio precipitado recebida. Esta afirmativa é comprovada pela comparação entre os resultados da amostra QUINVALE e os resultados da amostra retirada na jazida de calcita (amostra 1 do parágrafo 32), conforme reprodução e comparação no quadro abaixo: (...) Quanto à forma, granulometria, coloração e natureza podese afirmar que não há diferença significativa entre os carbonatos de cálcio produzidos pela PROVALE por processo de moagem e de micronização, do carbonato de cálcio obtido pelo processo de precipitação. (grifos editados) Assim, não se trata exatamente de uma alegação de similaridade de produtos, para o efeito de obter a mesma classificação, tal como tratado pela DRJ. Mas da similaridade de processamento, a exigir a equiparação entre a atividade de calcinação ou precipitação e a atividade de moagem e micronização, no sentido de que esta última termina por configurar “um tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições”. Ou seja, o processamento realizado pelo contribuinte é equivalente, quanto aos seus efeitos, à calcinação, representando um processamento mais avançado que a trituração, pulverização e peneiragem. Entendo, por isso, que assiste em relação especificamente ao carbonato de cálcio micronizado, que deve ser classificado na posição 2836.50.00. Os demais produtos, que não recebem o tratamento de micronização, contudo, permanecem classificados na posição 25.21.0000. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 b) A industrialização de produtos imunes. A Súmula CARF nº 20 reproduz o enunciado da Súmula nº 13 do Segundo Conselho de Contribuintes, que consolida o entendimento de que “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. O entendimento consubstanciado nesta Súmula levou em conta o texto do art. 11 da Lei nº 9.779/99, que assegura a manutenção dos créditos pela entrada de MP, PI e ME correspondentes à industrialização de produtos sujeitos à isenção e à alíquota zero. Este é o texto do dispositivo em testilha: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo editado) A referida Súmula, ao afastar o direito de crédito no que se refere à “fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”, não diferenciou entre as razões pelas quais o produto seja classificado como NT. Por isso, encontrandose o produto fora do campo de incidência, seja por sua natureza ou por força de imunidade, sendo por isso classificado como NT, aplicase o entendimento da Súmula. É neste sentido, aliás, que instrui o Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 17 de abril de 2006: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 8 15 Foi com fundamento nesta Súmula que deste Conselho já recusou o direito de crédito pleiteado por este mesmo contribuinterecorrente em caso idêntico ao presente, cuja ementa se transcreve abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. MINERAIS. NOTAÇÃO "NT" NA TIPI. SÚMULA N° 13. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso negado. (Acórdão 20312935, Processo 13766.000948/200225, j. 03/06/2008, Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho) Entendo, por isso, que a manutenção de crédito prevista no art. 11 da Lei nº 9.779/99 não se aplica em relação a produtos imunes. c) Atualização pela taxa SELIC. Embora não tenha sido suscitado em recurso, este Relator está de acordo com os demais Conselheiros, que em sessão de julgamento destacaram que a matéria da atualização entre o pedido e o efetivo ressarcimento configura matéria de ordem pública, cujo enfrentamento deve ser feito por exigência de conformidade com o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Com efeito, o entendimento firmado pelo STJ em regime de recurso repetitivo foi resumido na seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009; grifos editados) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, tem de ser reproduzido neste caso o mesmo entendimento. Deve, por isso, ser reconhecido ao contribuinte o direito à atualização, pela aplicação da taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a data em que houve o efetivo aproveitamento: (a) seja pela concretização do ressarcimento em dinheiro (b) seja pelo aproveitamento do direito por meio de compensação. No caso, portanto, a atualização deve ser entre a data do pedido de ressarcimento e a data de apresentação de pedido de compensação. d) Conclusão. Entendo, por isso, que deve ser parcialmente provido o recurso do contribuinte para reconhecer o direito aos créditos de IPI relativos aos insumos aplicados na fabricação do carbonato de cálcio obtido pelo processo de micronização, por considerálo classificado na posição 2836.50.00, sujeito à alíquota zero, e para reconhecer o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.001044/200856 Acórdão n.º 3403001.262 S3C4T3 Fl. 9 17 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002807/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
COFINS. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO.
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO.
EXCLUSÕES.
Os valores transferidos pela cooperativa de trabalho médico a terceiros, pela
prestação de serviços aos usuários do plano de saúde, não se enquadram no
conceito de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, para efeito
de sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO.
EXCLUSÕES.
Os valores transferidos pela cooperativa de trabalho médico a terceiros, pela
prestação de serviços aos usuários do plano de saúde, não se enquadram no
conceito de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, para efeito
de sua exclusão da base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS
FINANCEIRAS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718,
de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do
Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os
conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam o direito à dedução
da base de cálculo das sobras e a da despesa prevista inciso III, § 9º, do art. 3º da Lei nº
9718/98, nos termos definidos pela ANS.
Declarouse
impedida, pela matéria, a Conselheira Fabiola Cassiano
Keramidas.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES. Os valores transferidos pela cooperativa de trabalho médico a terceiros, pela prestação de serviços aos usuários do plano de saúde, não se enquadram no conceito de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, para efeito de sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES. Os valores transferidos pela cooperativa de trabalho médico a terceiros, pela prestação de serviços aos usuários do plano de saúde, não se enquadram no conceito de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, para efeito de sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Fl. 1227DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 2 2 BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam o direito à dedução da base de cálculo das sobras e a da despesa prevista inciso III, § 9º, do art. 3º da Lei nº 9718/98, nos termos definidos pela ANS. Declarouse impedida, pela matéria, a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1152 a 1170) apresentado em 13 de outubro de 2008 contra o Acórdão no 0326.666 , de 29 de agosto de 2008, da 2ª Turma da DRJ / BSA (fls. 1131 a 1146), cientificado em 15 de setembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. Fl. 1228DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 3 3 A prestação de serviços por terceiros não associados, tais como hospitais, clínicas e laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à prestação do serviço profissional do médico, não se enquadra no conceito de atos cooperativos, cabendo a incidência da Cofins sobre as receitas correspondentes. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. INCIDÊNCIA. Incide a Cofins sobre a receita bruta auferida pela Cooperativa, deduzidas as exclusões admitidas na legislação em vigência. PIS LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase à Contribuição para o PIS Contribuição para o Programa de Integração Social o disposto em relação ao lançamento da COFINS, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 07 de maio de 2008, de acordo com o termo de fls. 1138 a 1140 e 1052 a 1055. Foi aplicada a Lei no 9.718, de 1998, à vista do art. 8º da Lei no 10.637, de 2002. Segundo a Fiscalização, a Interessada impetrou mandado de segurança contra a Cofins, tendo obtido sucesso parcial (até a data de lavratura do auto de infração) para afastar a tributação sobre atos cooperativos e declarar a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da contribuição. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Esclarece a Fiscalização que “a ação fiscal teve como motivação a constatação, por parte do setor de seleção interna da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia – GO, de indícios de irregularidade na apuração do PIS e da COFINS, nos anos calendário de 2003 e 2004”. Constatou a Fiscalização que “a contribuinte sob fiscalização cobra o valor pactuado com os participantes – usuários finais ou operadores de plano de saúde. Os recursos recebidos dos clientes transitam pelas contas da cooperativa: crédito de receitas operacionais (resultado – grupo 3) e débito de faturas a receber e/ou mensalidades a receber (ativo circulante). O contribuinte não oferece à tributação de PIS e COFINS a totalidade das mensalidades recebidas, bem como qualquer outra receita operacional e financeira, por entender que a totalidade de suas receitas são decorrentes de ATOS COOPERATIVOS, conforme declaração de fls. 176. O PIS recolhido no período foi com base na folha de pagamento dos funcionários”. Nesse contexto, decidiu a Fiscalização lavrar os Autos de Infração com base nos valores apurados nas planilhas III – DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS (fls. 1027 e 1030). Fl. 1229DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 4 4 Cientificada dos lançamentos, em 07/05/2008 (“AR” às fls. 1059), a interessada apresentou a impugnação de fls. 1066/1085 e anexos, em 05/06/2008 (protocolo de recepção às fls. 1066). Apoiado nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: Dos Fatos. O Auto de Infração foi lavrado em virtude da Fiscalização entender que os recursos recebidos dos clientes que transitam pelas contas da cooperativa, bem como qualquer outra receita operacional e financeira seriam atos não cooperativos e deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. A impugnante impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0224268, objetivando exonerar a Cooperativa da tributação da COFINS incidente sobre a receita dos atos cooperativos, processo este que, julgado procedente parcialmente em primeira instância ainda não possui decisão transitada em julgado. A sentença proferida no citado processo declarou a inexigibilidade da COFINS sobre os atos cooperativos próprios das finalidades da Cooperativa, havendo a incidência, apenas e tãosomente, sobre o que se considerar como receita derivada de ato não cooperativo, incluindose, dentre esses, a receita da prestação de serviços a terceiros, não associados. A Impugnante constituise numa sociedade cooperativa de trabalho, os cooperados são todos médicos que atuam individualmente em suas áreas de especialização, utilizandose da cooperativa para se aproximar de seus clientes, sendo a requerente desprovida de qualquer intuito de auferir lucro, atuando como verdadeiro instrumento que viabiliza a contratação global de seus sócios cooperados, consoante Lei nº 5.764/71. A Impugnante não presta serviços médicos aos usuários dos seus planos de saúde, o que ao faz os seus cooperados, que tem a aproximação com aqueles por meio da ação da Cooperativa. O fato de numa das pontas da relação existir uma pessoa não cooperada (não usuário) não descaracteriza a cooperativa e torna o ato não cooperativo, pelo fato de que, somente assim agindo, estará esta desenvolvendo o papel para o qual foi criada. A Cooperativa não possui receita própria advinda de prestação de serviço ao usuário dos seus planos de saúde, eis que não presta serviço médico, que é atribuição do médico. Sua atividade consiste em prestar serviço ao cooperado e o faz quando adentra ao mercado oferecendo condições para que a clientela se aproxime cada vez mais dos profissionais médicos cooperados. Acresçase a isso o fato de que as receitas financeiras decorrentes de juros e rendimentos sobre aplicações financeiras não podem ser consideradas como renda tributável, uma vez que não se enquadram no disposto do art. 86, da Lei nº 5.764/71, já Fl. 1230DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 5 5 que, nesse caso, inexistiria uma prestação de serviço a um não associado, mas a realização de um ato diretamente voltado ao cooperado, de proteção de seu capital. Do Direito. Das Sociedades Cooperativas e do Ato Cooperativo. Sendo a Impugnante uma sociedade cooperativa de trabalho, que tem por finalidade promover a aproximação da atividade profissional de seus sócios ao usuário final do trabalho, não se confundem, pois, os atos da cooperativa com os atos dos profissionais que a compõem, visando, os primeiros, exclusivamente, organizar e planejar o labor de seus sócios, representandoos na sua contratação, atividade essa denominada atividadefim, pela qual a cooperativa nada aufere, eis que contrata em nome e por conta dos cooperados, como mandatária. Nessa peculiar modalidade operacional, a cooperativa realiza o denominado “ato cooperativo”, que não se confunde com o objeto das atividades dos sócios, vale dizer, a prestação dos serviços médicos. A cooperativa não gera lucros, os cooperados recebem, pela sua participação na sociedade, o que a lei determina de “sobras líquidas”, sendo mensalmente repassadas. Dessa forma, toda a arrecadação da cooperativa pertence aos associados, deduzidas apenas as despesas com administração da sociedade. Por isso, os valores que serviram de base de cálculo do PIS e da COFINS constituemse em receita dos cooperados e não da Impugnante e, muito menos, receita de prestação de serviços. Da leitura dos arts. 79, 4º, 111 e 86 da Lei nº 5.764/71, conclui se que, se a Impugnante somente pode prestar serviços aos médicos cooperados, consistentes, a grosso modo, na aproximação de clientela dos mesmos, forçoso concluir que um ato não cooperativo ocorreria, apenas e tão somente, quando a cooperativa prestasse esse mesmo serviço a um médico não cooperado, desde que relacionado com os objetivos sociais. Ementa de julgado do Conselho de Contribuintes descrita apresenta entendimento sobre definição de ato cooperativo. Conclui que a receita tributável considerada pela Fiscalização não decorreu da prestação de serviço a não cooperados, pelo contrário, a receita considerada pelo mesmo foi, toda ela, advinda da prática de atos cooperativos, decorrentes dos Contratos de Assistência à Saúde celebrados com pessoas físicas e jurídicas por intermédio da Impugnante. Da Não Incidência das Contribuições ao PIS e COFINS. A presente discussão versa sobre a inserção na base de cálculo das mencionadas contribuições sociais dos valores que transitavam pelas contas da Impugnante, oriundos de mensalidades pagas pelos usuários, bem como qualquer outra receita operacional e financeira, por caracterizar tais atos como não cooperativos. Importante esclarecer que apenas os atos não cooperativos é que estariam sujeitos à tributação, consoante art. 111 da Lei nº 5.764/71. Considerando o disposto no art. 86 da citada Lei, que define o ato não cooperativo como sendo o Fl. 1231DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 6 6 fornecimento de bens e serviços a não cooperados, desde que tal ocorra no estrito atendimento aos objetivos sociais da Cooperativa, temse que se a sociedade cooperativa desenvolvesse, apenas, os atos cooperativos próprios de suas finalidades, não haveria o que se falar em tributação, entendimento esposado pelo STJ, conforme ementas transcritas. O mesmo STJ consoante ementa transcrita já reconheceu que as Cooperativas de Trabalho Médico não possuem receita própria e, por conta disso, não podem ser alcançadas pela tributação das Contribuições Sociais que incidem sobre o faturamento. Da Não Incidência da Contribuição ao PIS e COFINS sobre a Receita Financeira. Conforme esclarecido anteriormente, apenas os atos não cooperativos é que estariam sujeitos à tributação, sendo assim, não há que se falar em tributação sobre receitas financeiras, seja ela oriunda dos juros recebidos, ou de rendimentos sobre aplicações financeiras. Toda norma que pretender traçar regra matriz de incidência tributária deverá considerar o disposto no art. 111 da Lei nº 5.764/71, sob pena de manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade, sendo o disposto nos artigos 86 e 111 da citada Lei dispositivos com força de Lei Complementar, pelo que a incidência das Contribuições Sociais ora tratadas somente poderia ocorrer sobre a receita oriunda da prestação de serviço a um médico não cooperado. A sociedade cooperativa não possui receita própria, salvo a decorrente da prática de atos não cooperativos, eis que toda a receita auferida é por expressa previsão legal dos cooperados, assim como os prejuízos verificados num dado exercício. Ementas do TRF e do extinto TFR, respectivamente, dispõem que, em se tratando de sociedades cooperativas, somentes os resultados positivos obtidos nas operações referidas nos artigos 85, 86 e 88, da Lei nº 5.764/71,é que estão sujeitos à incidência do imposto de renda, e que as sobras líquidas do exercício não estão sujeitas à tributação, porque não representam disponibilidade econômica da cooperativa, já que deverão retornar aos associados, ou até ter outra destinação. Das Exclusões da Base de Cálculo. Não foram observadas as exclusões da base de cálculo previstas no art. 32 do Decreto nº 5.524/2002 e no art. 17 da IN SRF nº 635/2006. Conforme constatado na planilha II do Auto de Infração, somente foram excluídas da base de cálculo das referidas Contribuições Sociais algumas receitas, não sendo observadas todas as hipóteses previstas nos artigos mencionados. Tal fato enseja o acolhimento da impugnação, ainda que parcial, para que os lançamentos tributários sejam revistos. Diante o exposto, espera a Impugnante que a presente Impugnação seja conhecida e integralmente provida, a fim de julgar totalmente improcedente a ação fiscal e anulandose os Autos de Infração em sua totalidade. Fl. 1232DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 7 7 No recurso, a Interessada abordou a definição de ato cooperativo auxiliar e citou ementa de acórdão do antigo 1o Conselho de Contribuintes a respeito da matéria. Sustentou que a receita tributada não teria resultado de prestação de serviço a não cooperados, citando parte do acórdão de primeira instância para demonstrar sua alegação. Ademais, de acordo com a referida decisão, apenas atos não cooperativos estariam sujeitos às contribuições e, dessa forma, “a receita auferida em razão dos Contratos de Prestação de Serviços celebrado(s) com terceiros é, em sua essência, receita advinda de um ATO COOPERATIVO, como tal definido no artigo 79, da Lei n° 5.764/71, porque advinda de um relacionamento (ato de contratar representando seus cooperados) entre a cooperativa Recorrente e seus médicos associados.” Citou decisão do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp no 911.778/RN). Em relação às receitas financeiras, alegou que representariam “sobras de caixa da Recorrente dos ingressos financeiros das operações classificadas como ato cooperativo, como já demonstrado e, portanto, o resultado dessas aplicações financeiras somente poderiam, igualmente, possuir a mesma natureza qual seja a de ato cooperativo pois realizado para a proteção dos valores pertencentes aos cooperados.” Ademais, não haveria, no acórdão de primeira instância, “qualquer fundamentação legal para alicerçar a conclusão a que chegou de tributação pelas contribuições sociais do PIS/COFINS sobre as receitas financeiras auferidas pela Recorrente.” Ainda segundo a recorrente, o acórdão teria deixado de apreciar uma das mais importantes alegações, que dizia respeito às disposições do art. 86 da Lei no 5.764, de 1971, que estabeleceu “a possibilidade de haver incidência tributária sobre a receita das cooperativas quando essas prestam serviços a terceiros, e apenas nessa hipótese.” Nesse contexto, não teria ocorrido prestação de serviço para obtenção de resultado financeiro. Acrescentou que não teria havido a exclusão da base de cálculo “das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 1971.”, como previsto no art. 32 do Decreto no 4.524, de 2002. Também não foram observadas as exclusões previstas no art. 17 da Instrução Normativa SRF no 635, de 2006. Segundo a Interessada, “A decisão recorrida, às fls. 1.146 confirma que as planilhas que acompanham o Auto de Infração excluíram ‘as receitas previstas pela legislação, inclusive aquelas referentes aos atos cooperativos (Intercâmbio), além de deduzir os valores relativos à Reserva Legal e ao Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), conforme previsão do art. 10 da IN SRF no 635, de 24 de março de 2006’”, o que demonstraria a não exclusão “do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. A seguir, sugeriu que a exclusão poderia não ter sido efetuada em razão da linguagem excessivamente técnica do dispositivo e esclareceu no que consistiriam os valores mencionados. Segundo a Interessada, “A uma resposta à consulta (efetuada pela Unimed do Brasil) da ANS reconhece que o valor pago pelas sociedades cooperativas às clínicas, laboratórios, hospitais se constituem em despesa para aquelas, daí indenizáveis e, a outra, autoriza sua dedução da Fl. 1233DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 8 8 base de cálculo do PIS/COFINS, como previsto no inciso IV, do artigo 17, da Instrução Normativa SRF no 635/2006.” Nas fls. 1204 a 1211, foi juntado extrato de acompanhamento processual do TRF da 1ª Região. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, discutese nos presentes autos a incidência das contribuições sobre valores de receitas repassadas a terceiros (não cooperados), sobre as sobras e receitas financeiras. Primeiramente, é preciso considerar que a Interessada apresentou mandado de segurança (1999.35.00.0224268), com o fim de afastar a tributação sobre atos cooperativos e declarar a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins (inicial de fls. 136 a 156). Nesse mandado de segurança, a Interessada claramente requer o direito de não efetuar o recolhimento da Cofins. Nos fundamentos, afirma que “todo o valor arrecadado pela cooperativa é transferido integralmente aos associados, deduzidas, apenas, as despesas de administração da cooperativa”. Portanto, na ação judicial relativa à Cofins, a questão da abrangência dos atos cooperativos foi afirmada como fundamento do pedido para que a cooperativa não recolhesse a Cofins. Na sentença (cópia de fls. 157 a 168), tal fato é demonstrado pelo que consta do item 5 do relatório (fl. 158). Dessa forma, é inequívoco que a totalidade da matéria constante do auto de infração foi objeto da ação judicial, uma vez que as sobras e receitas financeiras também são abrangidas pelo pedido de declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da contribuição. Temse, portanto, que a matéria foi submetida ao Judiciário e que, dessa forma, não pode ser discutida em processo administrativo, conforme Súmula Carf no 1: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 1234DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 9 9 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Voltando à sentença, foi reconhecida a inexigibilidade da Cofins sobre “os atos cooperativos próprios das finalidades da Impetrante, prevalecendo o recolhimento da mesma sobre os atos não cooperados, inclusive aqueles em que o serviço é prestado a terceiros, não associados”. Ademais, foi reconhecida a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo. A liminar foi concedida posteriormente às informações da autoridade coatora em 17 de março de 2000. Na sentença, publicada em 24 de abril de 2003, a liminar foi ratificada. De acordo com a certidão de fl. 169, a liminar também foi concedida “para suspender a exigibilidade da Cofins sobre os atos cooperativos próprios das finalidades da Impetrante, nos termos do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional”. Quanto o auto de infração foi lavrado, 07 de maio de 2008, não havia trânsito em julgado, que ocorreu somente em 07 de outubro de 2009. Ao fundamentar a restrição relativa ao primeiro pedido, o Juiz enfatizou que “isenção referese apenas aos atos cooperativos próprios de suas finalidades.” Esclareceu que restrição dizia respeito aos “serviços fornecidos a não associados”, o que não constou, pelo que se deduz da certidão de fl. 169, da concessão da liminar. A seguir, citou decisão do STJ no REsp no 254.549, cuja ementa foi a seguinte: TRIBUTÁRIO. ISS. COOPERATIVAS MÉDICAS. INCIDÊNCIA. 1. As Cooperativas organizadas para fins de prestação de serviços médicos praticam, com características diferentes, dois tipos de atos: a) atos cooperados consistentes no exercício de suas atividades em benefício dos seus associados que prestam serviços médicos a terceiros; b) atos não cooperados de serviços de administração a terceiros que adquiram seus planos de saúde. 2. Os primeiros atos, por serem típicos atos cooperados, na expressão do art. 79, da Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, estão isentos de tributação. Os segundos, por não serem atos cooperados, mas simplesmente serviços remunerados prestados a terceiros, sujeitamse ao pagamento de tributos, conforme determinação do art. 87 da Lei 5764/71. 3. As cooperativas de prestação de serviços médicos praticam, na essência, no relacionamento com terceiros, atividades empresariais de prestação de serviços remunerados. 4. Incidência do ISS sobre os valores recebidos pelas cooperativas médicas de terceiros, não associados, que optam por adesão aos seus planos de saúde. Atos não cooperados. Fl. 1235DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 10 10 5. Recurso provido. Não bastasse isso, a sentença registrou o seguinte: Por último, observo que o pedido constante da inicial é abrangente, dando a entender que a pretensão de isenção tributária incide sobre todos os serviços prestados pela Impetrante. No entanto, tal abrangência serve apenas para confundir este Juízo, o que deve ser evitado, ainda mais que cabe à parte expor os fatos com clareza, lealdade, boafé e de acordo com a verdade (Art. 14, CPC). Portanto, claramente a sentença analisou a matéria discutida no âmbito do presente processo e concluiu que a prática de atos com terceiros não representa ato cooperativo. A Interessada, em sua impugnação e no recurso, tenta contornar tal fato pela alegação de que não haveria receita advinda dos atos que pratica com terceiros. Entretanto, a interpretação dada ao caso pela Fiscalização é a correta, pois é evidente que a parcela dos pagamentos efetuados pelos clientes dos planos de saúde que não é dos médicos cooperados e, sim, dos terceiros contratados, deve ter tratamento diverso. Não fosse esse o entendimento aplicável ao caso, não teria a menor função a distinção citada na fundamentação da sentença, especificamente relativa às cooperativas de trabalho médico. Por fim, a Interessada apresentou embargos de declaração e apelação contra a sentença, que somente denegou o pedido em relação aos atos não cooperativos (considerados pelo Juízo como requeridos pela impetrante, nos termos acima expostos) e à majoração da alíquota da Cofins, o que sugere que a própria Interessada tenha contestado a matéria diretamente no Judiciário. De acordo com os documentos constantes do processo no 10120.012450/200989, fls. 67 a 77 (acórdão do TRF), cujas cópias foram juntadas aos presentes autos no eProcesso, decidiu o seguinte o Tribunal, em relação ao que alegou a Interessada na apelação: 15 Entretanto, devemos examinar se, como pretende a apelante, os atos por ela praticados, de prestação de serviços médicos a terceiros nãoassociados, enquadramse no conceito de ato cooperativo (art. 79 "Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais."). 16 De início, é importante ressaltar que a nãoincidência criada pelo art. 79, parágrafo único, da Lei n° 5.764/71, não se aplica à cooperativa, mas, sim, aos atos cooperativos. É dizer, não se trata de um benefício fiscal subjetivo, aplicável às cooperativas em quaisquer situações, mas de benefício fiscal objetivo, especificamente relacionado com os atos cooperativos. Fl. 1236DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 11 11 Se o benefício ostentasse natureza subjetiva, todos os atos praticados pela cooperativa, inclusive com terceiros não cooperados, seriam atingidos pelo benefício. Entretanto, como o benefício restringese aos atos cooperativos, temse como tributável o faturamento advindo de operações que envolvam terceiros nãoassociados. Com efeito, não é possível estender o benefício direcionado ao ato cooperativo para os atos não cooperativos, sob pena de transmutarse a sua natureza objetiva, específica e restrita. 17 A própria "Lei das Cooperativas" faz referência ao relacionamento de tais entidades com sujeitos nãocooperados, sem impedir este relacionamento. Contudo, determina, no art. 87, que o resultado das operações daí decorrentes será escriturado de forma destacada, "de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos". 18 No caso das cooperativas de trabalho, é evidente que a prestação de serviços, por associados, a terceiros não associados, não se enquadra no conceito restrito de ato cooperativo, razão pela qual, o faturamento/receita bruta deles decorrente sujeitase à tributação. 19 Sobre o tema, verbis: [...] "TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO COOPERATIVA DE TRABALHO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS A TERCEIROS NÃO ABRANGIDA PELA DEFINIÇÃO DE ATO COOPERADO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA: LC 84/96, ART. 1°, I e II. As chamadas "cooperativas de trabalho", consistentes na associação de profissionais liberais autônomos para a prestação de serviços a terceiros, que são pagos diretamente à pessoa jurídica e por essa distribuídos ou creditados aos associados, estão equiparadas às empresas em geral para os fins do recolhimento da contribuição previdenciária, nos termos da LC n° 84/96, art. 1°, II, porque, nesse mister, não realizam "atos cooperados" na definição do art. 79 da Lei n° 5.764/71. [...] O trecho acima citado é até mais prejudicial à Interessada do que o entendimento da primeira instância, uma vez que os clientes das cooperativas não são associados, obviamente. A ementa citada pelo acórdão sugere que toda a receita advinda de pagamentos de mensalidades estaria sujeita à incidência da Cofins. Entretanto, ao negar provimento à apelação da União e à remessa de ofício, o acórdão manteve os termos da decisão de primeira instância. Dessa forma, é irretorquível que a matéria foi submetida ao Judiciário, sendo objeto da ação judicial e descabendo sua discussão administrativa. Fl. 1237DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 12 12 Em relação à Cofins, portanto, descabe qualquer discussão na via administrativa sobre a matéria, esclarecendose que, relativamente à incidência da contribuição sobre a parcela da receita transferida a não cooperados a ação judicial foi desfavorável à Interessada e, quanto à incidência sobre as receitas financeiras, que não se enquadram no conceito de faturamento, lhe foi favorável. Observese que tal análise faz parte do mérito do recurso e referese à solução de questão processual que vincula a autoridade administrativa, para efeitos de aplicação do ADN Cosit no 3, de 1996. Assim, caberá à autoridade fiscal a aplicação da decisão judicial transitada em julgado ao caso dos autos, nos termos do ato declaratório acima citado. Em relação às sobras, entretanto, cabe um esclarecimento adicional. Como se trata de sobra do exercício, a Interessada alegou que naturalmente faria parte dos atos cooperativos. Entretanto, o § 2º do art. 1º da Lei no 10.676, de 2003, diz o seguinte (em destaque): Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.858 10, de 26 de outubro de 1999. Portanto, somente caberia a exclusão nos termos acima mencionados. No tocante ao PIS, que não foi objeto da ação judicial, cabe análise do mérito de sua exigência. Mas, no presente caso, cabe o mesmo tratamento de mérito dado à Cofins, uma vez que a parcela da receita transferida a terceiros deve integrar a base de cálculo da contribuição sobre o faturamento, a par da incidência da contribuição sobre a folha de salários, uma vez que, conforme fundamentos do acórdão de primeira instância, aqui adotados com base no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999. Fl. 1238DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 13 13 Já em relação às sobras e receitas financeiras, por não se tratar de faturamento, conforme anteriormente fundamentado, não se sujeitam à incidência do PIS, à vista da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da contribuição. É preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF no 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei no 9.718, de 1998, art. 3o, § 1o. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1o do artigo 1o da Resolução no 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Fl. 1239DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 14 14 Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8oº e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3o, § 1o, DA LEI No 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL No 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI No 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional no 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1o do artigo 3º da Lei no 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em seu recurso, a Interessada também alegou que a primeira instância deixou de apreciar alegações fundamentais sobre a matéria. Entretanto, a não apreciação de todas as alegações apresentadas não implica nulidade, uma vez que o que importa é que, da fundamentação exposta no acórdão, cheguese à conclusão contida no dispositivo, bastando para isso uma análise coerente da lei e dos fatos. Por esse mesmo motivo tais alegações não serão analisadas aqui. Quanto às exclusões da base de cálculo do inciso IV do artigo 17 da Instrução Normativa SRF no 635/2006, a Interessada alegou que abrangeriam o valor pago pelas sociedades cooperativas às clínicas, laboratórios e hospitais, que se constituem em despesa para a realização de receitas e, daí, seria indenizável. Fl. 1240DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 15 15 Devese esclarecer que essa matéria não foi submetida ao exame do judiciário na ação relativa à Cofins e, portanto, a análise abaixo efetuada aplicase a ambos os autos de infração. Nessa matéria, é importante relembrar que as cooperativas de trabalho médico fazem contratos com terceiros para prestar serviços aos clientes não somente para possibilitar o trabalho do médico associado, mas para se equiparar, em termos de prestação de serviços ao usuário, a um plano de saúde e agir como uma empresa que presta essa modalidade de serviço. Considerese ainda que a figura do “ato cooperativo auxiliar” não tem previsão legal, pois é um conceito construído pela doutrina com o fim específico de tentar descaracterizar atos não cooperativos. Tal figura pode até ser aplicada a outros casos, mas considerar que a todos os serviços prestados por terceiros, como internação em hospitais e tratamento por fisioterapeutas, destinamse a auxiliar o trabalho do médico é muito pouco razoável. De fato, o médico pode ser o profissional mais importante de um plano de saúde, mas as atividades desenvolvidas pelos demais profissionais e empresas ligados ao plano de saúde não são meros instrumentos para que o médico possa exercer seu trabalho. Por fim, cabe citar o Acórdão n° 20310.835, de 28/03/2006, de autoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, e em fragmento esclarecedor do voto: UNIMED. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 01/2002 A 12/2002. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI N° 9.718/98, ART. 3°, § 9°. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, introduzido pelo art. 2° da MP n° 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins, a partir de dezembro de 2001, as coresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Todavia, em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. Recurso negado. [...] Por último o inciso III, igual à diferença entre duas quantias: 1) a efetivamente paga, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente aos eventos realizados com associados de outras operadoras (as cedentes) e 2) a quantia correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a titulo de transferência de responsabilidade ou Fl. 1241DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.002807/200830 Acórdão n.º 330201.248 S3C3T2 Fl. 16 16 intercâmbio. Aqui, um esclarecimento: evento é toda e qualquer utilização, pelo beneficiário, das coberturas proporcionadas pelo plano, tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. A diferença entre 1 e 2 deve ser, necessariamente, positiva, para que a dedução estabelecida no inciso III seja permitida. É que, se negativa, os recebimentos da cessionária já cobrem os dispêndios com os eventos praticados com associados das cedentes, descabendo a dedução em análise. O que a recorrente pretende deduzir, supostamente amparada no § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, é a soma dos valores correspondentes a todos os eventos com os seus associados, clientes do plano de saúde. Como afirma, almeja tributar, quando muito, apenas o valor do seu custo operacional. Admitir as deduções pretendidas implica, na prática, em transformar a Contribuição em nãocumulativa, sem qualquer resguardo na legislação em vigor. Ademais, e como visto acima, o inciso III , § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não contempla custos e despesas relativos aos eventos com os associados da recorrente, mas sim com associados de outras operadoras (cessionárias). De resto, não apresentou a Interessada prova alguma de que tenha incorrido em despesas que, de fato, correspondam à hipótese aventada em seu recurso. À vista do exposto, voto para, quanto à Cofins, declarar a concomitância de processos administrativo e judicial em relação à sua incidência sobre os atos descritos como não cooperativos objetos do auto de infração e as receitas financeiras, cabendo à autoridade administrativa aplicar a decisão judicial transitada em julgado ao caso concreto dos presentes autos; em relação ao restante do recurso relativo à Cofins, por lhe negar provimento; e, finalmente, em relação ao recurso relativo ao PIS, para lhe dar provimento parcial, com o fim de afastar a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1242DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901875/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.06.2000 a 30.06.2000
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.311
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº
13.841.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.06.2000 a 30.06.2000 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº 13.841. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Inconformada com a r. decisão que deixou de homologar compensação, a empresa Telemar Norte Leste S/A, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, visando modificar o julgado que lhe teria sido desfavorável. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de Contribuição para PIS/PASEP, atinente ao período de apuração de 01.06.2002 a 30.06.2002, com débito da Contribuição para a COFINS, referente ao período de de apuração setembro de 2003. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Sustenta, em síntese, a recorrente, que merece reforma a r. decisão que indeferiu o direito de compensação pelas razões: 1) que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB; 2) na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível; 3) que no presente caso, a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação; 4) entendem não ser suficiente apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO) com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação; 5) o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP; 6) ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito; 7) um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. A Interessada prostetou por perícia, indicando o assistente técnico, o que foi rechaçado. Na fase recursal manteve as mesmas razões demonstradas em sua peça de inconformidade. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901875/200815 Acórdão n.º 3403001.311 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso sub examine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo do contribuinte, que é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores lançados em DCTF, DARF, compensação e parcelamento ultrapassam o valor do crédito declarado a favor da Fazenda. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a informação da base de cálculo se revela indispensável. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Assevera a recorrente que não basta o confronto entre a DCTF retificadora com a declaração de compensação, motivo pelo qual cabia a Interessada demonstrar a origem do crédito. “Entretanto, conforme demonstrado, não bastará apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO em 17.03.2006), com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP”. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma a inexistência demonstração da base de cálculo que poderia ter levado o contribuinte a recolher valor superior ao devido, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende, em sendo assim, a sustentação de que trata de empresa de grande porte daí a dificuldade de reunir documentos em decorrência do prazo ser exíguo não pode servir de argumento capaz de convencer o julgador do direito pleiteado. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a demonstração da base de cálculo onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901875/200815 Acórdão n.º 3403001.311 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 35187.000242/2005-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE PACTO. REQUISITOS. SEGURADO EMPREGADO.
Quando o Fisco constatar e demonstrar que o segurado que exerça atividade, sob qualquer denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deve desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Marcelo Freitas de Souza Costa que negaram provimento.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE PACTO. REQUISITOS. SEGURADO EMPREGADO. Quando o Fisco constatar e demonstrar que o segurado que exerça atividade, sob qualquer denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deve desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Marcelo Freitas de Souza Costa que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.152 1 1.152 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35187.000242/200560 Recurso nº 251.280 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.390 – 2ª Turma Sessão de 11 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DIPLOMATA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE PACTO. REQUISITOS. SEGURADO EMPREGADO. Quando o Fisco constatar e demonstrar que o segurado que exerça atividade, sob qualquer denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deve desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Marcelo Freitas de Souza Costa que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fl. 1177DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 3.152 2 (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira RedatorDesignado EDITADO EM: 31/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Eivanice Canário da Silva (Conselheira convocada), Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Em face de Diplomata Industrial e Comercial Ltda., CNPJ n° 01.243.305/000278, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.708.0211 (fls. 0188), para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda., CNPJ nos 03.720.774/000185, 03.720.774/000266 e 03.720.774/000347, caracterizados como segurados empregados da autuada, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 10/2001 e 12/2004, bem como sobre a retirada de prólabore na competência 01/2004, da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. A síntese do trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase no Relatório Fiscal da NFLD de fls. 89106, de onde extraio as seguintes assertivas: 4. O presente débito é proveniente de fiscalização designada em virtude de recebimento de Termo de Informação Fiscal emitido pela Receita Federal em 03/03/2004, Termo L020/2004, o qual informava que durante a realização de ação fiscal daquele órgão na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda foi constatado que a empresa poderia ter sido criada para reduzir a incidência de encargos previdenciários. Desta forma, a presente fiscalização verificou a existência de um "contrato de parceria avícola" entre as empresas Diplomata Fl. 1178DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 4.152 3 Agro Avícola Ltda e Diplomata Industrial e Comercial Ltda, cujo o único e exclusivo objeto é o fornecimento de mãodeobra da primeira para a segunda empresa. Diante de tais fatos, e também dos demais constatados e relatados de maneira detalhada nos itens a seguir, esta fiscalização entende que todos os empregados da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. são, para fins previdenciários, empregados da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda. (...) A empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda sempre se enquadrou no FPAS 507, recolhendo as contribuições patronais sobre a folha de pagamento de seus empregados. Em 10/2001, a maior parte de seus empregados foram transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola que sempre se enquadrou nos FPAS 604 e 744, tendo as contribuições patronais substituídas pelas contribuições sobre a comercialização da produção rural. Após a transferência dos empregados, verificouse uma sensível diminuição na soma dos valores recolhidos pelas duas empresas, embora o número de empregados tenha permanecido constante. Isto se deve pelo fato de ter havido uma abrupta diminuição no quadro de pessoal da Diplomata Industrial e Comercial e, por conseqüência, da base de cálculo das contribuições patronais a que ela é responsável; por outro lado, o recolhimento feito pela Diplomata Agro Avícola não aumentou na mesma proporção, pois embora tenha havido acréscimo da folha de pagamento, esta tem as contribuições patronais substituídas pela contribuição sobre a comercialização da produção rural. Desta maneira, a empresa com menor número de empregados recolhe suas contribuições patronais incidentes sobre a folha de pagamento e a que possui mais empregados não utiliza esta base de cálculo para efetuar os recolhimentos de contribuições previdenciárias de sua responsabilidade. Este procedimento, no entender desta fiscalização, configurase uma tentativa de simulação de uma situação que lesa o fisco previdenciário, pois, conforme narrado no decorrer deste relatório, concluise que os empregados cujos contratos foram formalizados com a Diplomata Agro Avícola são, de fato, subordinados à Diplomata Industrial e Comercial e, portanto, os recolhimentos deveriam ter sido efetuados por esta empresa e as contribuições patronais deveriam ter sido calculadas unicamente com base na remuneração dos empregados. 7.1 Embora a empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, tenha como início de atividades em seu ato constitutivo a data de 27/03/2000, verificouse que a mesma iniciou efetivamente suas atividades em 10/2001, quando a maior parte dos segurados empregados da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, foram transferidos para a Diplomata Agro Avícola Ltda, não havendo na maioria dos casos anotação da transferência na respectiva Ficha Registro de Empregado. Como se pode constatar pela Planilha 5 em anexo a este relatório, o número de empregados registrados na Diplomata Industrial e Comercial Fl. 1179DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 5.152 4 caiu de 762 em 09/2001 para 88 em 10/2001. Em compensação, verificase pela Planilha 6 que houve admissão de 678 empregados na Diplomata Agro Avícola em 10/2001. Pela análise da Planilha 7, também em anexo, podese concluir que, somente de 09/2001 para 10/2001, foram transferidos 636 empregados de uma empresa para outra. 7.2 — Com relação ao domicílio da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, é importante ressaltar que, no mesmo endereço da matriz, em Cascavel (BR 277 KM 594), funciona uma filial da Diplomata Industrial e Comercial, que opera como fábrica de rações (filial 000278 que consta no ato constitutivo e alterações, com endereço BR 277 KM 599, no entanto referido endereço está errado, o endereço correto é BR 277 KM 594, endereço este verificado "in loco". Em alguns documentos, como por exemplo em algumas fixas Registro de Empregados consta o endereço correto, conforme fotocópias em anexo). No mesmo endereço da filial da Diplomata Agro Avícola (000347), em Capanema — Rodovia PR 281, KM 107, funciona outra filial da Diplomata Industrial e Comercial (000359), que opera como abatedouro/frigorífico de frango. 73 — De acordo com o contrato de parceria firmado pelas empresas, já mencionado anteriormente, à empresa Diplomata Agro Avícola, denominada produtora (constituída sob a forma de produtora rural pessoa jurídica), competirá o fornecimento de toda a mãodeobra necessária para a produção do frango de corte, abrangendo todo o processo produtivo que inicia no alojamento de matrizes para a produção de ovos férteis até o frango de corte pronto para o abate. No entanto, verificouse que os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda trabalham nos frigoríficos e na fábrica de ração da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda conforme comprovam as fotocópias das fichas registro de empregados e cartões pontos, anexas a presente Notificação, as quais comprovam que os funcionários desempenham as mais variadas funções, não relacionadas a atividade rural, tais como: auxiliar de produção, técnico em alimentos, mecânico industrial, eletricista, auxiliar de controle de qualidade, auxiliar de inspeção, atendente de portaria, encarregado de câmara fria, pedreiro, operador de casa de máquinas, Operador de caldeira, auxiliar de laboratório, auxiliar de enfermagem, auxiliar de expedição, encarregado de escaldagem, encarregado evisceração, encarregado sala de corte, encarregado sala de embalagem, lubrificador industrial, motorista, dentre outras. Como se pode constatar, as atividades desenvolvidas pelos funcionários registrados na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, são incompatíveis com as atividades supostamente desempenhadas pela empresa (que na sua constituição é produtora rural pessoa jurídica) pois embora o contrato de parceria disponha que à produtora competirá todo o fornecimento de mão de obra necessária para a produção do frango de corte, abrangendo todo o processo produtivo que inicia no alojamento de matrizes para a produção de ovos férteis Fl. 1180DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 6.152 5 até o frango de corte pronto para o abate, verificouse que os funcionários trabalham nos frigoríficos e na fábrica de ração, da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda. 7.4 Mesmo os funcionários tendo sido "transferidos ou admitidos" na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, muitos documentos continuam sendo emitidos pela empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, tais como: ASO — Atestados de Saúde Ocupacional; Exames Audiométricos Ocupacional; Termos de Recebimento e Responsabilidade de E.P.I — Equipamento de Proteção Individual; Formulários de Procedimentos Gerais para a entrada ao abatedouro; Formulários de entrevista de saída; conforme comprovam as fotocópias em anexo. Na filial de Xaxim ainda, os funcionários registrados na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda autorizam a empresa Diplomata Comércio e Industrial Ltda, a descontar em folha de pagamento 0,5% (meio por cento) do salário base, para se tornar sócio usuário da SERCA — Sociedade Esportiva e Recreativa dos Colaboradores Avícolas. 7.5 — Verificouse também que os documentos emitidos pelo departamento pessoal da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, tais como: Ficha Registro de Empregados, Contrato de Experiência, Avisos e Recibos de Férias, Advertências, Rescisões de Contrato de Trabalho são assinados pelas seguintes pessoas: Silvana de F. Bonemberger, José Uberti Machado, Kelin Cristina Welter, Adriana Megerl, todos funcionários da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, conforme fotocópias (amostragem dos documentos em anexo). 7.6 Nas GFIP's — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Sócial e GRFC's da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, consta como responsável pelas informações a Sra. Silvana de F. Bonemberger e também a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, de acordo com fotocópias em anexo. 7.7 Assina como procurador da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, o Sr. Raimundo Galho Sobrinho, funcionário da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, conforme fotocópia do Termo do Livro Razão n. 002 e contrato de parceria Avícola entre Diplomata AgroAvícola Ltda, Jacob Alfredo Stoffels Kaefer e Diplomata Industrial e Comercial Ltda. Assinam também como testemunhas no Contrato Social da Diplomata Agro Avícola Ltda, bem como nas suas alterações, somente funcionários da Diplomata Industrial e Comercial Ltda: Sandra do Rosario Jacqueline Jussara Lange Dudek, Sidnei Nardelli, que inclusive elabora as alterações contratuais da empresa. As fotocópias dos documentos encontramse em anexo. O Sr. Mario Nogueira Franco, contador, procurador das duas empresas, recebe pelos serviços prestados à empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda; fato este verificado através dos pagamentos contabilizados nos livros Diários de 1999 e 2000 da empresa. Verificado os livros contábeis da empresa Diplomata Fl. 1181DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 7.152 6 AgroAvícola Ltda, verificouse que nos anos 2001 a 2003, não houve pagamento ao sr. Mario Nogueira Franco. Desta forma, concluise que o mesmo é contratado pela empresa Diplomata Industrial e Comercial, mas presta serviços também a Diplomata Agro Avícola Ltda. Conforme exposto nos itens 7.4 a 7.7 os controles do departamento pessoal, administrativos e contábeis da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, são efetivamente realizados por funcionários/prepostos da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda. 7.8 Em visita a unidade de Capanema, CNPJ 01.243.305/0003 59 (Diplomata Industrial e Comercial Ltda) e CNPJ 03.720.774/000347 (Diplomata Agro Avícola Ltda), estabelecidas na Rodovia PR 281, S/N, KM 107 — Capanema/PR, encontramos a seguinte situação: Fomos atendidos pelo Sr. Jose Uberti (encarregado do departamento Pessoal da Diplomata Industrial e Comercial) que no momento de nossa chegada encontravase dentro do frigorífico (onde trabalham os funcionários da Diplomata Agro Avícola Ltda), inclusive com uniforme idêntico ao dos funcionários da Diplomata Agro Avícola; dentro do frigorífico fomos acompanhados pelo Sr. José Uberti e pelo Sr. Jose Leonardo (encarregado do Frigorífico); atendeunos também o sr. Milton Luciano Sabíno Pinto (responsável pela Unidade e funcionário da Diplomata Industrial e Comercial). Constatouse que os funcionários da administração são funcionários da Diplomata Industrial e Comercial: Sr. José Uberti, Sr. Milton Luciano Sabino Pinto, Carla Mombach (secretária), Mirtes Coletti Pinto (Auxiliar Administrativo), dentre outros. Solicitamos então, a presença do responsável pelo frigorífico, já que lá trabalham só funcionários da Diplomata Agro Avícola, e fomos informados que lá só existem encarregados e que quando há alguma decisão a tomar a respeito dos funcionários da Diplomata Agro Avícola, o pessoal da administração da Diplomata Industrial entra em contato com Cascavel. Verificando a folha de pagamento do pessoal da Diplomata Agro Avícola de Cascavel CNPJ 03.720.774/000185, verificouse que não há um gerente responsável na folha de pagamento, mas tão somente os funcionários que trabalham na produção, no setor comercial (motoristas) e na administração da Fábrica de Ração. Solicitado esclarecimentos aos Srs. Jose Uberti e Milton Luciano Sabino Pinto, fomos informados que todos os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda naquela unidade trabalham dentro do frigorífico, não havendo mão de obra na área rural. Em visita na unidade de Cascavel, Fábrica de Rações, CNPJ 01.243.305/000278 (Diplomata Industrial e Comercial Ltda) e CNPJ 03.720.774/000185 (Diplomata Agro Avícola Ltda) na Fl. 1182DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 8.152 7 BR 277 Km 594, fomos atendidos pelo Sr. Ladir Darlei Rovani, encarregado da empresa Diplomata Agro Avícola. Constatouse que os trabalhadores da Fábrica de Ração estão vinculados à empresa Diplomata Agro Avícola, já os funcionários administrativos estão vinculados à empresa Diplomata Industrial e Comercial, como podese constatar pelas fotocópias das folhas de pagamento das empresas, competência 07/2004 em anexo. 7.9 O sindicato para qual os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola contribuem é o mesmo para o qual os funcionários da empresa Diplomata Industrial e Comercial contribuem, ou seja: Sindicato dos trabalhadores nas Indústrias de Alimentos, já que de fato aqueles funcionários trabalham diretamente na fábrica de ração e nos frigoríficos. 7.10 Como se não bastassem todas as evidências as quais não deixam dúvidas de que os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, são de fato, funcionários da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, resta ressaltar ainda que todos os custos da empresa Diplomata Agro Avícola são representados por salários, encargos trabalhistas e previdenciários, ou seja, a empresa não tem qualquer outro custo ou despesa com instalações, manutenção, ou mesmo outras despesas operacionais (tais como aluguel, energia, água, telefone); além do que a empresa não possui qualquer valor em seu ativo permanente, conforme comprovam as fotocópias dos Balanços Patrimonial e Demonstrações do Resultado do Exercício dos 1° e 4° trimestres de 2003, extraídos do Livro Diário n° 003, autenticado sob o n° 04/0554880, em 28/05/04. Além da ausência de ativo permanente que representa o patrimônio da empresa, a Diplomata Agro Avícola não possui capital suficiente para gerir a atividade, pois conforme consta no parágrafo Único da Cláusula Quarta do Contrato de Parceria Avícola, firmado entre as empresas: "Devido o tempo elástico compreendendo o espaço entre a formação de matrizes até a entrega de frango de corte formado, a parceira Proprietária (Diplomata Industrial e Comercial Ltda) garantirá recursos financeiros para a parceira Produtora até o limite Máximo de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), cujos recursos serão compensados nos créditos decorrentes da venda da parcela na produção que a parceira Produtora receber". Tal fato foi devidamente constatado na contabilidade da empresa Produtora, já que os recursos oriundos da empresa Proprietária, são contabilizados em Conta do Passivo Exigível a Longo Prazo 2.2.1.1.01.62301 — Diplomata Industrial e Comercial Ltda. Fato importante ainda para se comprovar a confusão entre as duas empresas é que foi intimada a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda para apresentar os contratos de parceria ou produção integrada, sendo que a mesma juntou cópia de contratos de parceria agrícola, por amostragem, encaminhados através de documento datado de 28/10/2004 (emitido pela Diplomata Industrial e Comercial), entretanto, Fl. 1183DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 9.152 8 referidos contratos são da empresa Diplomata Agro Avícola com parceiroscriadores, onde consta que a Diplomata Agro Avícola é responsável por transporte, medicamento, rações, concentrados e assistência técnica, porém, esta empresa não possui quaisquer custo/despesa contabilizados, com exceção de salários, ordenados e encargos trabalhistas e previdenciários, como já mencionado. 7.11 Cabe ressaltar ainda, que verificando os documentos das empresas Diplomata Agro Avícola Ltda e Diplomata Industrial e Comercial, constatouse que é usado um único logotipo para ambas as empresas, o qual reportase a marca Diplomata, conforme comprovam as fotocópias dos documentos em anexo: ASO, Formulários de entrevista de desligamento e formulário de correspondência. 7.12 — Por fim, resta esclarecer que no decorrer da ação fiscal na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, fomos prontamente atendidos nas dependências do escritório administrativo da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda., na Avenida Tancredo Neves 273, em Cascavel — PR, pelos srs. Sidnei Nardelli e Silvana F. Bonemberger, funcionários da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda. (...) Esta fiscalização verificou que os trabalhadores da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, consoante o disposto no art. 3° da CLT e o art. 12, inciso I, alínea "a, da Lei 8.212/91, como segue: a) Pessoalidade — todos prestam serviços pessoalmente nas dependências da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, sem intermédio de outrem. O contrato de trabalho é "intuito personae", ou seja, os trabalhadores não podem se fazer substituir em seu "mister, tendo de prestálo pessoalmente. A exclusividade das atividades da Diplomata Agro Avícola no cumprimento do contrato com a Diplomata Industrial e Comercial já caracteriza este pressuposto, pois tornase obrigatório que todos os empregados formalmente vinculados à primeira empresa trabalhem nas dependências da segunda. b) Nãoeventualidade — trabalham, de fato, cotidianamente na empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, objetivando atender às atividades normais da empresa. A freqüência é controlada por Cartão eletrônico de ponto. A não eventualidade também é caracterizada pela exclusividade das atividades da Agro Avícola no cumprimento do contrato com a Industrial e Comercial, pois os empregados formalmente vinculados à Agro Avícola têm como únicos locais de trabalho as dependências da Industrial e Comercial. c) Subordinação trabalham para a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, inclusive com crachá de Fl. 1184DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 10.152 9 identificação e com uniforme da mesma, tendo que obedecer as normas da empresa e ordens de seus superiores. Verificouse ainda, conforme já descrito no subitem 7.5 deste relatório, a existência de documentos emitidos pelo Departamento Pessoal (Ficha de Registro de Empregados, Contratos de Experiência, Avisos e Recibos de Férias e Advertências) assinados por prepostos da Diplomata Industrial e Comercial. d) Onerosidade — recebem contraprestação pecuniária pelos serviços prestados, ainda que a formalização do pagamento ocorra por intermédio da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. A Diplomata Agro Avícola Ltda é financeiramente dependente da Diplomata Industrial e Comercial Ltda, pois o faturamento daquela provém integralmente do contrato com esta, havendo, inclusive, empréstimos da segunda em favor da primeira. Diante dos fatos narrados e das argumentações expostas acima, concluise que, no presente caso, embora o vínculo empregatício tenha sido formalizado com a empresa Diplomata Agro Avícola, os funcionários são segurados empregados efetivamente da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, já que os mesmos atendem os pressupostos necessários para a formação do vínculo com esta empresa, conforme preceitua o art. 3° da CLT e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8212/91, além do que, é esta a empresa que assume os riscos da atividade econômica, que admite, assalaria e dirige a prestação pessoal dos serviços, mesmo que pela empresa interposta, devendo portanto, ser aplicado o art. 2° da CLT e o Enunciado 331 do TST, considerandose empregador a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, em atendimento ao artigo 9° da CLT, e, conseqüentemente, a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda deve ser responsabilizada pelas contribuições previdenciárias decorrentes dos vínculos de emprego formalizados, inicialmente, pela empresa interposta. Embora extensa a transcrição, o objetivo foi trazer à colação todos os motivos que levaram a autoridade lançadora a constituir este crédito tributário. A Delegacia da Receita Previdenciária em Cascavel (PR) considerou o lançamento procedente (fls. 987999). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 20600.889, que se encontra às fls. 1.0931.109, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2004 Ementa: NFLD. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATO DE PARCERIA. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 1185DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 11.152 10 I — A implementação de contrato de parceira entre empresas sob o mesmo controle acionário e em regular operação, mediante procedimentos lícitos ou não vedados pelo ordenamento jurídico, não pode ser taxada de simulada. II — A caracterização de vínculo empregatício somente há de ser promovida se comprovada a presença dos elementos legais da relação de labor. Recurso Voluntário Provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (Relatora), sendo Redator Designado o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Intimada deste acórdão em 03/12/2008 (fls. 1.110), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 56, inciso I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 1.1141.122, onde alegou, em apertada síntese, que: a) O relatório fiscal explicita que a recorrida e a Diplomata Agro Avícola Ltda celebraram contrato de parceria, que na verdade simularia uma relação de emprego entre a recorrida e os supostos funcionários da Diplomata Agro Avícola Ltda.; b) A decisão recorrida, por maioria de votos, anulou a Notificação Fiscal de Lançamento Débito, ao argumento de ausência de provas que de fato demonstrassem o intuito fraudulento e dissimulado do contrato de parceria; c) Não obstante a argumentação do r. voto condutor, o aresto merece reforma por contrariar o disposto nos arts. 50 e 167, §1°, I, do Código Civil, 116, parágrafo único, e 149 do CTN; d) A fiscalização realizou um trabalho extremamente aprofundado. O "Relatório Fiscal da Notificação Fiscal do Lançamento de Débito" é completo (fls. 89106). Os fiscais autuantes coletaram uma grande quantidade de provas do negócio jurídico simulado; e) Notese a quantidade de verificações de fraude e máfé do contribuinte apresentadas pelos fiscais, como "a transferência de funcionários de uma empresa para a outra", "o exercício de atividades nãorurais pelos supostos empregados da empresa rural Diplomata Agro Avícola Ltda", "realização das atividades laborativas sob a subordinação e no estabelecimento da recorrida", "sedes de ambas empresas em um mesmo endereço", "documentos relacionados ao vínculo empregatício, como Ficha de Registro de Empregados, Rescisões de contrato de trabalho de supostos funcionários da Diplomata Agro Avícola Ltda., assinados por funcionários da recorrida", "o procurador da Diplomata Agro Avícola Ltda também é funcionário da recorrida", e muitos outros; Fl. 1186DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 12.152 11 f) A fiscalização apurou uma grande quantidade de irregularidades, contradições entre o declarado e o efetivamente ocorrido, subterfúgios, abusos, distorções, praticados pelo contribuinte. É extremamente importante ler com atenção o trabalho fiscal; g) Consta do contrato de parceria que a Diplomata Agro Avícola Ltda se obriga a fornecer a mãodeobra para a recorrida com o fim de produzir frango de corte, abrangendo todo o processo produtivo. À recorrida, caberia a cessão das instalações, complexo incubatório, o fornecimento de pintos de um dia, rações, assessoria técnica e acompanhamento veterinário, o pagamento das despesas operacionais e demais despesas; h) A despeito da Diplomata Agro Avícola Ltda. ser, por seu contrato social, empresa destinada à produção rural (atividade rural), foi constatado que os seus supostos funcionários realizavam atividades estranhas a essas, tais como pedreiro, auxiliar de enfermagem, motorista, auxiliar de produção, etc. Ademais, em visita in loco, foi constatado ainda, através de funcionário da empresa, que "todos os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda naquela unidade trabalham dentro do frigorífico, não havendo mão de obra na área rural" (fls. 94); i) E mais, ainda na visita, verificouse que há total confusão entre os empregados da recorrida e os supostos empregados da parceira, inclusive com subordinação aos funcionários da recorrida. De fato, viu se "que os funcionários da administração são funcionários da Diplomata Industrial e Comercial" (fls. 94); j) Contudo, mesmo em face de todos esses elementos de prova, a e. Câmara a quo entendeu que não restou comprovada simulação no negócio jurídico de parceria realizado pelo Recorrido. Data maxima venia, a e. Câmara a quo, apesar da alentada análise do caso, se equivocou; k) A vontade, o "querer" das partes, é a que transparece nas provas objeto de análise, nos documentos, nos demais fatos apurados. A vontade é extraída a partir das provas, e serve como elemento de interpretação do negócio jurídico; l) Percebese a simulação, por exemplo, quando se analisa o que houve quando o contribuinte declara ter transferido seus bens para terceiro, mas continua administrandoos. Ou quando o contribuinte declara ter recebido um empréstimo, mas o valor nunca é devolvido ao mutuante. Ou quando o contribuinte declara que vendeu, mas não recebe o preço. Ou mesmo quando o contribuinte afirma ter criado uma pessoa jurídica, mas desrespeita a separação patrimonial e de interesses que a caracteriza; m) Nessas hipóteses, podese concluir que a vontade das partes não é a que emerge das declarações. Mas não é essa a premissa para se apurar a simulação, até porque, em verdade, podese dizer que as partes quiseram apresentar ao mundo um negócio jurídico, que é falso; Fl. 1187DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 13.152 12 n) Não faz sentido aduzir que somente haveria simulação quando o negócio jurídico simulado fosse ilícito. Data venia, a ilicitude do negócio simulado pode ser apenas uma boa razão para escondêlo, mas as partes podem ocultar um contrato por outras razões, por exemplo, economia fiscal. A questão é saber se existem as provas do acordo simulatório, das declarações incompatíveis; o) E no presente caso, ao se analisar o negócio declarado pelo Recorrido (contrato de parceria) e os fatos apurados pela fiscalização, vêse, de forma patente, não só o verdadeiro intuito das partes, qual seja, a de se valer de mãodeobra com vínculo empregatício (presentes todos os seus elementos) com economia fiscal, como uma série de contradições e falsidades, que provam a simulação; p) A fiscalização apurou um grande número de provas e indícios, e a Recorrente se reporta a todas as verificações fiscais, como se aqui estivessem transcritas; q) Destarte, é flagrante a simulação perpetrada pelo recorrido, pois apesar de declarar que as parceiras são empresas distintas e a mãodeobra empregada no empreendimento não pertence à recorrida, os fatos demonstram que há total confusão entre as empresas, ao menos quando se trata da mãodeobra; r) Diante disso outra atitude não se poderia esperar do fiscal, a não ser desconsiderar o negócio jurídico simulado e a personalidade jurídica da Diplomata Agro Avícola Ltda, como permitem os arts. 50 do Código civil c/c o 116, parágrafo único do CTN; s) Claro e exaustivamente demonstrado está o intuito fraudulento do recorrido, com o fito de ludibriar o Fisco e ilicitamente obter uma redução do encargo tributário, conforme bem constatou o auditor fiscal autuante; t) Diante desses argumentos, correta foi a desconsideração do contrato de parceria com o intuito fraudulento de se ver livre de um maior encargo tributário, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão a quo, com o restabelecimento da decisão de primeira instância. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 080/2009 (fls. 1.1231.125), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 1.132 1.152, cujas alegações são as seguintes, em breve resumo: 1. O recurso não pode ser conhecido, em razão da ausência de demonstração cabal de contrariedade à lei ou à evidência da prova. O artigo 116, § único, do CTN e o artigo 50 do Código Civil não podem ser utilizados para comprovar suposta contrariedade à lei. Ademais, a Procuradoria pretende rediscutir provas, o que é vedado em sede de recurso especial; 2. Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida, pois, além da falta de comprovação da simulação pretendida pela fiscalização, não estão presentes os pressupostos legais para Fl. 1188DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 14.152 13 manutenção do lançamento fundado em desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, uma vez que não restaram comprovados os requisitos do vínculo empregatício elencados no artigo 3° da CLT, na forma que exige o artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Na visão deste julgador, a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pela contribuinte em sede de contrarrazões não pode prosperar, já que, contra decisão não unânime, a Fazenda Nacional apontou contrariedade aos artigos 50 e 167, § 1°, inciso I, do Código Civil e, também, aos artigos 116, § único e 149, ambos do CTN, sob o fundamento de que é flagrante a simulação com relação ao contrato de parceria firmado entre as empresas Diplomata Industrial e Comercial Ltda. e Diplomata Agro Avícola Ltda., na medida em que a mãodeobra formalmente vinculada a esta empresa pertence, na verdade, à autuada. Argumentou, ainda, de forma fundamentada, que a decisão recorrida contrariou a prova dos autos. Segundo penso, agindo assim a recorrente atendeu à regra regimental. Saber se houve ou não contrariedade a tais dispositivos legais ou à evidência da prova dos autos é matéria a ser enfrentada no mérito do julgamento, o que passo a fazer a partir de agora. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. De acordo com a recorrente, a autuada celebrou contrato de parceria, simulado, o qual visava encobrir a relação de emprego existente entre os supostos funcionários da Diplomata Agro Avícola Ltda. e ela. Eis a matéria em litígio. A questão a ser apreciada por este Colegiado envolve a análise do trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora, que culminou com a conclusão de que (fls. 99): “...embora o vínculo empregatício tenha sido formalizado com a empresa Diplomata Agro Avícola, os funcionários são segurados empregados efetivamente da empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, já que os mesmos atendem os pressupostos necessários para a formação do vínculo com esta empresa, conforme preceitua o art. 3° da CLT e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8212/91, além do que, é esta a empresa que assume os riscos da atividade econômica, que admite, assalaria e dirige a prestação pessoal dos serviços, mesmo que pela empresa interposta, devendo portanto, ser aplicado o art. 2° da CLT e o Enunciado 331 do TST, considerandose empregador a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda, em Fl. 1189DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 15.152 14 atendimento ao artigo 9° da CLT, e, conseqüentemente, a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda deve ser responsabilizada pelas contribuições previdenciárias decorrentes dos vínculos de emprego formalizados, inicialmente, pela empresa interposta.” Sob minha ótica, a questão é tormentosa, pois envolve a valoração dos elementos trazidos aos autos pela fiscalização com o objetivo de responsabilizar a autuada pelas contribuições previdenciárias decorrentes de relações de trabalho formalizadas pela empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. A Relatora do acórdão recorrido, que restou vencida, consignou em seu voto que (fls. 1.1001.103): Passandose as questões de mérito, verifico que os segurados, cujas remunerações ensejaram o lançamento das contribuições correspondentes à presente notificação, possuíam vínculo formal com a empresa AGRO AVÍCOLA, porém restou demonstrado que a constituição de tal empresa não trouxe qualquer alteração na situação dos empregados, que permaneceram prestando serviços nas dependências da notificada. Apesar de estarem vinculados à uma empresa rural, os empregados desempenham funções estranhas à atividade rural, como técnico em alimentos, eletricista, atendente de portaria, encarregado de câmara fria, pedreiro, operador de máquinas e outros. Nesse aspecto, não se pode acolher a alegação da recorrente de que uma empresa produtora rural pessoa jurídica teria a necessidade de possuir em seus quadros esse tipo de profissional, alguns deles vinculados de forma inequívoca à atividade industrial. Foi verificado que os controles dos departamentos pessoal, administrativo e contábil da AGRO AVÍCOLA são realizados por funcionários/prepostos da notificada. Apurouse que documentos emitidos pelo Departamento Pessoal da AGRO AVÍCOLA são assinados por funcionários da notificada, que também se responsabilizam pela entrega da GFIP. O contador responsável pelas duas contabilidades é remunerado somente pela notificada. Assina pela empresa AGRO AVÍCOLA, como procurador, funcionário da notificada. Não é aceitável a justificativa apresentada pela recorrente de que, como integrantes de grupo econômico, tais procedimentos seriam considerados normais. Inicialmente vale dizer que, conforme já argüido, não se verificam as características de grupo econômico entre as empresas. Por outro lado, a existência de grupo econômico está vinculada à unicidade de controle de empresas distintas e não à confusão de recursos humanos e patrimoniais apresentada pelas empresas em questão. Interessante é o fato de empregados que possuem vínculo empregatício formal com a AGRO AVÍCOLA, os quais, em tese, Fl. 1190DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 16.152 15 deveriam trabalhar na área rural, contribuir para o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentos. Essa situação fortalece a convicção de que esses funcionários não tem qualquer relação com atividade agrícola, mas à atividade industrial da recorrente. A auditoria fiscal verificou, ainda, que a empresa AGRO AVÍCOLA não possui qualquer outro custo que não seja os salários, encargos trabalhistas e previdenciários. Não possui custos com instalações, manutenção, aluguéis, energia, água ou telefone. Tampouco possui qualquer valor registrado em seu ativo permanente. Entretanto, nos contratos de parceria entre a AGRO AVÍCOLA e produtores rurais pessoas físicas anexados, a primeira se obriga a fornecer pintos de um dia para serem criados pelos produtores até o ponto de abate, fato que só vem reforçar a situação de empresa interposta. Nos referidos contratos, a AGRO AVÍCOLA se compromete não apenas a fornecer os pintos de um dia, mas responsabilizase pelo transporte, medicamento, rações, concentrados e assistência técnica, embora, como já argüido, a AGRO AVÍCOLA não possui qualquer outro custo que não seja a mão de obra. O novo Código Civil substituiu a figura do comerciante pela do empresário e define em seu art. 966 que "considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços". Nesse sentido, podese definir como empresa a "unidade organizada e organizadora de um conjunto de meios materiais e humanos tendentes à obtenção de um fim". Para o atingimento de sua função precípua a empresa necessita articular fatores de produção, capital, insumos, tecnologia e mãodeobra para produzir bens ou serviços. Entendo que a AGRO AVÍCOLA, com base na situação verificada pela auditoria fiscal, nem de longe se aproxima do conceito legal que vincula empresa à idéia de uma organização. Pela situação fática demonstrada, podese dizer que a constituição da empresa AGRO AVÍCOLA se deu unicamente com o intuito de simular o verdadeiro responsável pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos empregados. (...) Escudada no Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária, aos verdadeiros participantes do negócio pois, de acordo com o Fl. 1191DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 17.152 16 art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Não restam dúvidas de que todos os expedientes utilizados tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentio facti se divorcia da intentio iuris, ou seja, a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. A recorrente menciona divergência doutrinária a respeito da possibilidade da autoridade fiscal desconsiderar a personalidade jurídica de empresas. Pretende a recorrente demonstrar que sua tese seria majoritária, ou seja, aquela em que apenas aos juízes seria permitido a aplicação do "disregard". O artigo 50 do Código Civil dispõe que em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Conforme já argumentou o julgador de primeira instância, o dispositivo acima aplicase às relações jurídicas de direito privado que se caracterizam pela horizontalidade. Entretanto, quando se trata da relação fiscocontribuinte não é aceitável supor que o Estado deva se submeter aos ditames do Código Civil, norma que se destina a regular as relações no âmbito privado, sobretudo porque dispõe de legislação própria, o Código Tributário Nacional, que garante ao fisco a prerrogativa de desconsiderar os negócios simulados, conforme se verifica nos artigos 118, inciso I e 149, inciso VII, in verbis: (...) Quanto aos argumentos no sentido de que os pressupostos da relação de emprego ocorreram formal e materialmente com a AGRO AVÍCOLA, também não merecem acolhida. A meu ver, está perfeitamente demonstrado que os segurados em questão trabalhavam nas instalações da notificada, eram vinculados à sua atividade fim e subordinados a sua política administrativa/produtiva/econômica. (...) Da análise da peça recursal verificase que a recorrente tenta, apegandose a minúcias, desqualificar o trabalho da auditoria fiscal e do julgador de primeira instância. As alegações que faz no sentido de que a AGRO AVÍCOLA foi criada e funciona como uma empresa independente não são comprovadas. Fl. 1192DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 18.152 17 Afirma que a AGRO AVÍCOLA não tem a notificada como único cliente, porém não traz prova da existência de qualquer outro. A AGRO AVÍCOLA como produtora rural não possui qualquer bem, móvel ou imóvel, não possui qualquer custo ou despesa, à exceção da mãodeobra, para atingir seu objetivo. Inferese das informações constantes dos autos que a produção rural da AGRO AVÍCOLA se resume a sua parcela em frangos vivos resultante da parceria efetuada com a própria notificada. Produção esta conseguida unicamente com o trabalho dos funcionários, uma vez que as instalações, insumos e demais despesas são assumidas pela notificada. Percebese, pois, que o votovencido rejeitou as teses suscitadas pelo contribuinte apegandose ao trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora e, conseqüentemente, concluindo que a constituição da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. se deu unicamente com o intuito de simular o verdadeiro responsável pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos empregados da pessoa jurídica Diplomata Industrial e Comercial Ltda. Por outro lado, a corrente majoritária considerou não haver a efetiva comprovação de que o contrato de parceria teria como única finalidade simular e mascarar a formação do vínculo de emprego, motivo pelo qual o lançamento não pode prevalecer. Em seu votovencedor, o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto fez as seguintes ponderações (fls. 1.1051.108): Cumprenos observar que, ainda que para fins previdenciários, quando a fiscalização da SRP caracteriza trabalhadores como segurados empregados, embora legítima, sua atuação é incidental, socorrendose nos elementos vinculados às relações de trabalho, afeto ao direito privado, elementos esses que, diga se, não podem ser alterados pela autoridade fiscal. Justamente por ser atuação excepcional, a caracterização de vínculo empregatício, ainda que por empresa interposta, somente há de ser promovida e aceita na estrita hipótese de restar fielmente comprovada a presença dos elementos legais que lhe conferem essência, de forma a permitir terse a certeza da existência da relação de labor. Isso, por óbvio, significa impor ao Agente Fazendário a cautela e o dever de evidenciar nos autos do procedimento fiscal, por meio de provas robustas, e não apenas por entendimentos pessoais, que há na relação encontrada artifícios e manobras evasivas do contribuinte visando mascarar uma realidade diversa da formalmente analisada, até porque o ônus de provar à ocorrência do fato gerador, ressalvadas as hipóteses de sua inversão (o que não é o caso), cabe sempre ao Fisco (art. 333, I do CPC, arts. 142, 149 e 194 do CTN). Lembrese ainda que, na dúvida, não se deve tributar. Sem embargos, um ponto não pode ser questionado, ao Colegiado sempre caberá, da análise fática apresentada pela auditoria fiscal em cotejo com os elementos probatórios trazidos Fl. 1193DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 19.152 18 pelo contribuinte, extrair se há dados seguros que lhe permitam ter a certeza incontroversa (sem apelo a redundância) de que a conduta do contribuinte esconde, dolosamente ou não, uma realidade diversa da apresentada, ou seja, se há evidências firmes dos elementos da relação de emprego. Somente diante de um juízo desprovido de dúvidas e incertezas poderá prevalecer a caracterização de vínculo laboral e o lançamento nele baseado. Na esteira desse raciocínio, e não obstante o grande trabalho desenvolvido pela ilustre autoridade lançadora, tenho comigo que o lançamento, da forma com que fora promovido não pode prevalecer, haja vista não haver elementos suficientes para sustentar que a parceria empreendida entre a Industrial e Agro Avícola, teria como única finalidade simular e mascarar a formação de vínculo de emprego. Segundo se constata do Relatório Fiscal de fls. 96 e s., o raciocínio desenvolvido pelo eminente Agente Fazendário, baseiase no entendimento de que a parceria empreendida entre as empresas em questão seria irregular, e nada mais objetivava do que simular a formação de vínculo dos empregados da Agro Avícola direto com a Notificada. No entanto, não vejo razão para acompanhar seu discurso. Sem embargos, é preciso lembrarmos, antes de mais nada, que tratase aqui de empresas que formalizaram contrato de parceria, ou seja, que optaram pela conjugação de recursos humanos, físicos e financeiros de forma a assegurar o melhor alcance dos objetivos delineados em seus estatutos. Essa conjugação de esforços, entre as empresas parceiras, podem perfeitamente estenderse pela utilização do mesmo espaço, pelo fornecimento de material, pela transferência de experiências, e tanto mais de outras situações que não necessitam de serem expostas neste momento, mas que não conduzem a certeza de existência de qualquer ilegalidade que justifique a desconsideração de atos ou mesmo da personalidade jurídica dos envolvidos. O que acima se disse nos leva a entender que o fato dos empregados da AgroAvícola prestarem seus serviços em locais de propriedade da Notificada, com cessão de espaço, utilizando se de materiais cedidos, de profissionais para serviços de interesse comuns e próprios até, de emissão de documentos por intermédio das mesmas pessoas, é perfeitamente plausível, sendo, em verdade, decorrência óbvia da própria parceria existente entre ambas as empresas, e está até mesmo expresso no contrato que a externa, o que, sopesada a situação, não justifica o tratamento proposto pela autoridade fiscal. Reafirmase que sendo parceiras, nada mais justificável do que as interessadas conjugarem todos os meios necessários para a regular concretização da parceria proposta, tal qual narrado pela autoridade lançadora, que, do contrário, poderia restar prejudicada, e até mesmo impossibilitar o alcance dos objetivos almejados pelos parceiros. Fl. 1194DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 20.152 19 Merece destaque ainda a ênfase quanto ao fato da AgroAvícola ter empregados em setores supostamente não vinculados a sua atividade, e a adesão desses empregados em sindicatos cujos representados não laborariam no campo, o que para este Conselheiro, não repercute na formação do vínculo de emprego destes empregados, como pretende o levantamento ora questionado. Sem embargos, a meu ver tal fato tem relevância apenas no que tange ao enquadramento de FPAS que a própria empresa assume, decorrente da atividade que exerce, mas jamais sobre a perspectiva de vínculo de emprego. Em verdade, tudo o que a douta fiscalização narra como irregular, são nada mais que indícios e construções pessoais de uma situação que apresenta resultados negativos para o Fisco, e que podem, sob uma outra perspectiva, serem perfeitamente justificados pela parceira implementada entre as empresas envolvidas. Em outras palavras, o que para alguém pode representar inconsistência, para outros pode ser justificativa, o que, de qualquer forma, não pode servir de sustentação para qualquer imposição fiscal, já que carregam em si fortes juízos axiológicos ou subjetivos, caminhos indiscutíveis para arbitrariedades e flagrantemente opostos aos primados da legalidade, norteador das relações tributárias. É induvidoso que indícios podem, eventualmente, levar a conclusão de atos simulados ou ilegais, e a partir deles permitir a sua tributação. Todavia, a sua força probante, na preciosa e feliz lição de Marcus Vinicius Neder in Processo Administrativo Federal Comentado, deve vir sempre assentada na gravidade dos fatos elencados, na sua precisão e convergência, cuja conjunção permitira ao julgador formar a sua convicção, visando a aplicação da norma material, o que, entretanto, não é o caso aqui tratado, cujos indícios arrolados no REFISC, não ganham os contornos necessários para comprovar a simulação aventada pela ilustre fiscalização. Devese ponderar que seria retórico analisar todos os fatos relacionados à transferência de empregados entre as empresas parceiras, os atos decorrentes dessa parceria, a minimização do custo fiscal como conseqüência, se efetivamente demonstrado que o modelo abstrato encontrado não corresponderia aquele realizado entre as empresas, ou seja, que o contrato de parceria, na verdade, nada mais seria que uma simulação de ato jurídico, visando mascarar realidade diversa. Certo é, e nada há que se discutir nesse sentido, que havendo a adoção de atos simulados por parte do contribuinte, a realidade formal pode perfeitamente ser ultrapassada, a fim de justificar a aplicação correta e pura do direito tributário material, já que caracterizado esta, neste caso, não um planejamento fiscal, mas sim manobras evasivas que devem ser combatidas e tributadas. Contudo, a declaração da fraude ou simulação poderá ser aceita apenas na hipótese de se fundarem em elementos probatórios irrefutáveis, e que demonstrem que o comportamento do contribuinte viola ou é contrário ao texto da lei ou, que sendo Fl. 1195DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 21.152 20 lícitos, escondam realidade diversa daquela buscada na operação. Repitase, apenas indícios ou provas robustas autorizam o fisco a desconsiderar atos, negócios e personalidade jurídica, a fim de se buscar aplicar a norma tributária material. No caso sob enfoque, todo o levantamento encontrase amparado apenas na interpretação subjetiva que o autor do lançamento confere a alguns indícios, levantados através da análise fática do contribuinte, e de um contrato de parceria que seria irregular, e supostamente simulado, mas que não convergem, necessariamente, para a certeza que tenta lhe imprimir, e que é justamente a única forma de se manter a autuação. Assim é que no entender deste Conselheiro, os fatos narrados no REFISC, e os elementos que compõe esta NFLD, não são suficientes para demonstrar que haja qualquer adoção de atos simulados para justificar a declaração direta de vínculo empregatício entre os empregados da Avícola para com a Notificada, como pretende a presente NFLD. Nem mesmo há que se cogitar que os meios adotados pelas empresas parceiras seriam ilegais, posto não ser juridicamente vedadas pelo ordenamento vigente, o que, aliado a constitucionalmente consagrada liberdade de contratar e de livremente gerir seus negócios, se torna legitimamente possível a eleição dos meios aqui adotados, para fins da implementação da parceria aventada. Convém não nos esquecermos que as fls. 98 dos autos, o ilustre Agente Fazendário declina os elementos que, a seu ver, delimitariam o vínculo de emprego aqui pretendido. Não obstante essa exposição, e pela análise dos argumentos ali declinados, observase que seu raciocínio parte da premissa de que seria irregular e simulada a parceria analisada, fato este acima analisado e que por nós já fora rejeitado, de forma que, não cabe qualquer menção aqueles fatos. Apenas se enfatize que se existem elementos do vínculo de emprego comprovados nos autos, estes estão a deriva da pretensão fiscal, e nos conduzem a única certeza de que a Agro Avícola é que efetivamente está a ele diretamente ligado. Digno de nota também é o fato de que, como alega e comprova o contribuinte, a própria Justiça do Trabalho já reconheceu em outras ocasiões, a realidade formal e factual da empresa Agro Avícola, inclusive imputando a ela responsabilidade na qualidade de empregadora, o que nos leva ao mínimo de certeza de que nem todos aqueles segurados indicados nesta NFLD, poderiam ser presumidamente empregados da Notificada, de forma que a presunção assumida no REFISC resta sensivelmente abalada por tal fato, e lembremos, mais uma vez socorrendonos em Marcus Vinícius Nedder, que havendo dúvida não se deve tributar. Por fim, vale mencionar que pela análise dos autos, parecenos claro que a parceria empreendida entre as empresas, além de Fl. 1196DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 22.152 21 nos parecer lícita, tem como escopo também um melhor gerenciamento administrativo e operacional de suas atividades, racionalizando assim suas formas de atuação, num procedimento que tem sido adotado por outras grandes empresas do setor. Isso nos leva a entender que as conseqüências contrárias ao Fisco, que por certo é seu objetivo, é também decorrência desse processo de reestruturação, que busca a otimização da sua produção, e a maximização de resultados econômicos e fiscais, exigidos na vida empresarial, e que não permitem a desqualificação dos atos ou da personalidade jurídica das empresas envolvidas, a fim de tributálas de forma mais onerosa. Sopesando os argumentos expostos no acórdão recorrido, no votovencido e no votovencedor, entendo que o lançamento é improcedente, ante a ausência de comprovação inequívoca quanto à simulação do contrato de parceria firmado entre a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda. e a pessoa jurídica Diplomata Agro Avícola Ltda. Aliás, por concordar inteiramente com as colocações do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, adotoas como razões de decidir. Segundo penso, os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora poderiam justificar a desclassificação da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. da condição de produtora rural pessoa jurídica, com a respectiva alteração do FPAS adotado, sujeitandoa, assim, à incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. No entanto, não comprovam que a mãodeobra utilizada por ela pertence à empresa autuada. As reclamatórias trabalhistas trazidas aos autos (fls. 927986, Volume IV) também indicam a existência de fato e de direito da pessoa jurídica Diplomata Agro Avícola Ltda. É de se destacar, ainda, de acordo com a planilha de fls. 764 (Volume III), que segundo a interessada foi elaborada pela fiscalização previdenciária para a NFLD n° 35.708.0300, lavrada contra ela, que nas competências 05/2004, 06/2004 e 07/2004, portanto durante o período envolvido neste lançamento, a empresa Diplomata Industrial e Comercial Ltda. teve 1.309, 1.302 e 1.318 funcionários, respectivamente. Conseqüentemente, ao menos para este período, não prospera a alegação da autoridade lançadora no sentido de que houve a “transferência” de funcionários para a Diplomata Agro Avícola Ltda. com o objetivo de reduzir a incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, pois em 10/2001 a interessada tinha 762 empregados registrados, nos termos do relatório fiscal. Outro aspecto que merece ser ressaltado está relacionado ao fato de que a empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. teve como cliente durante o período autuado, além da Diplomata Industrial e Comercial Ltda., a pessoa jurídica Kaefer Avicultura Ltda., CNPJ n° 84.874.726/000143, estabelecida em Cascavel (PR), conforme indicam os documentos de fls. 764926 (Volumes III e IV). Fl. 1197DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 23.152 22 Sob minha ótica, os fatos em apreço, no mínimo, envolvem circunstâncias duvidosas, o que reclama a aplicação ao caso da regra do artigo 112, incisos I e II, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo a qual: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Por estes motivos, entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 1198DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 24.152 23 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao trabalho do nobre Relator, divirjo de seu entendimento. Na análise dos autos, verificase que a fiscalização enquadrou segurados empregados de pessoa jurídica diversa da recorrente como segurados empregados da recorrente. Ressaltamos que o Fisco pode e deve desconsiderar pactos, quando verifique requisitos, características previstos na legislação. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Decreto 3048/1999: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... §2ºSe o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Fl. 1199DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 25.152 24 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Notase, assim a partir da transcrição do dispositivo legal que autoriza o uso dessa competência (desconsideração do vínculo pactuado e enquadramento como segurado empregado) que há a necessidade da fiscalização verificar condições para efetuar essa desconsideração. Portanto, a fiscalização deve constatar a ocorrência das seguintes condições: a) O segurado deve ser pessoa física; b) A prestação de serviço deve ser de natureza não eventual; c) O segurado deve trabalhar para empregador (empresa urbana ou rural); d) O segurado deve prestar serviço sob dependência do empregador (subordinação); e) O segurado deve receber salário (remuneração) pelo serviço prestado. Para maior clareza, analisaremos cada pressuposto. a) Pessoa Física: O contrato de trabalho é “intuitu personae” no que diz respeito ao empregado, isto é, levando em consideração a pessoa que é contratada como empregado, a qual não pode fazerse substituir por outra. A prestação de serviço deve ser cumprida pelo próprio empregado, posto que é indelegável por tratarse de obrigação de fazer. Caso o empregado se faça substituir por outra pessoa, inexistirá o elemento pessoalidade. b) Prestação de Serviço de Natureza não eventual: Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Significa que só se considera empregado quando o serviço por ele prestado for de natureza permanente. A eventualidade não deve ser confundida com a freqüência, com a jornada ou com o horário de trabalho. Diz respeito tãosomente à natureza do serviço. Por exemplo: um bombeiro hidráulico, contratado para realizar reparos na rede hidráulica de um banco, exerce uma atividade, realiza um serviço de natureza eventual em relação à atividade bancária, mesmo que compareça ao serviço pontualmente, no mesmo horário dos demais empregados, durante qualquer tempo de que necessite para terminar o seu trabalho. Entretanto, um trabalhador daquele banco que exerça o cargo de auditor interno, mesmo que compareça ao serviço em dias alternados e não esteja sujeito ao horário e à freqüência dos demais empregados executa serviço de natureza não eventual. Representa uma Fl. 1200DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 26.152 25 necessidade ligada à atividade bancária. Ele realiza um trabalho relacionado com a atividade do banco. c) Trabalhar para Empregador (Empresa): Para a CLT, empregador e empresa são usados como sinônimos. A legislação previdenciária utiliza apenas a expressão "...presta serviço de natureza rural ou urbana à empresa...". Portanto, empresa é o empregador, pessoa física ou jurídica, que contrata, dirige e remunera o trabalho. Outro ponto importante para a definição de empregador é que este assume o risco da atividade econômica. d) Subordinação (Dependência) a Empregador: A dependência a que a lei se refere não é econômica, embora ela se faça presente e até se presume na maioria dos contratos de trabalho. Mas essa dependência econômica não é pressuposto em todos os contratos. Há pessoas economicamente independentes que são empregadas. Por outro lado, também não é a simples subordinação técnica, em que o tomador do serviço pode e exige que a sua execução obedeça a determinados requisitos de ordem técnica, mesmo porque em muitos casos ela nem poderia ocorrer. Um advogado que fosse empregado de pessoa leiga em direito, certamente não teria subordinação técnica. Da mesma forma, o avicultor, obrigado na criação de aves, em decorrência de contrato de parceria, a cumprir determinadas exigências técnicas do parceiro abatedor, tais como, peso mínimo para abate, ração específica, instalações com características pré estabelecidas, exclusividade de fornecimento etc, terá caracterizado a subordinação técnica, mas não o vínculo empregatício. A dependência reconhecida pela lei e pela jurisprudência é a jurídica. Por força do contrato firmado com a empresa, o empregado se obriga a cumprir suas determinações, isto é, em função do contrato de trabalho, onde está sujeito a receber ordens, em decorrência do poder de direção do empregador. A subordinação é o estado de sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens. A subordinação estabelecida na lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação do trabalho e dispor dos serviços contratados como melhor lhe aprouver. Com efeito, se o empregador dirige a prestação do trabalho e o empregado está íntima e pessoalmente ligado ao trabalho, esse estará sob a dependência daquele, a cujas ordens deve obedecer, como ao seu superior hierárquico. Assim, o direito do empregador de definir, no curso da relação contratual e nos limites do contrato, a modalidade de atuação concreta do trabalho (faça isto, não faça aquilo; suspenda tal serviço, inicie outro). Segundo Délio Maranhão da subordinação resulta para o empregador o poder de: Fl. 1201DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 27.152 26 1) Dirigir e comandar a execução da obrigação contratual pelo empregado; 2) Controlar o cumprimento dessa obrigação; 3) Aplicar penas disciplinares (advertência, suspensão, dispensa) quando o empregado não satisfaz devidamente, a prestação a que se obriga, ou se comporta de modo incompatível com a confiança que está na base do contrato. A dependência é pessoal, isto é, não passa da pessoa do empregado, não atinge os seus familiares. O poder de mando não vai além do contrato de trabalho; tem limite no que se relaciona a trabalho e no tempo de vigência da relação de emprego. A lei não exige que o trabalho seja executado no estabelecimento do empregador. Pode ser feito na residência do empregado, desde que exista a sujeição pessoal. Se o empregador determina o conteúdo de cada prestação de trabalho, pouco importa o lugar onde ele é realizado. e) Receber Salário (Remuneração) pelo Serviço Prestado: A CLT, em seu art. 3º, ao conceituar empregado, utiliza a expressão mediante salário; a legislação previdenciária utiliza a expressão remuneração. Assim, podemos concluir que a relação de emprego é onerosa, isto é, o empregado tem o ônus físico de prestar serviço ou estar à disposição do empregador e este tem o ônus de remunerar o empregado, seja em espécie ou em utilidade. Para o empregado que satisfaz o ônus do trabalho não é aceita a alegação do trabalho gratuito. Após esclarecermos as condições, devemos verificar se a fiscalização demonstrou a ocorrência dessas condições, pois só assim existirá o fato gerador, como determina a legislação. Decreto 3.048/1999: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Na análise dos autos encontramos comprovação de todos os requisitos: 1. Os segurados são pessoas físicas; 2. A prestação de serviço é de natureza não eventual (ligada à atividade); Fl. 1202DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35187.000242/200560 Acórdão n.º 920201.390 CSRFT2 Fl. 28.152 27 3. Os segurados trabalham para empregador (empresa urbana ou rural); 4. Os segurados prestam serviços sob dependência do empregador (subordinação); 5. Os segurados recebem salário (remuneração) pelo serviço prestado. É de ressaltar, em síntese, a série de provas e indícios apontados pelo Fisco: 1. Transferência de segurados (dezenas) de uma empresa para outra; 2. Domicílios idênticos; 3. Segurados de empresa diversa exercendo funções ligadas aos fins da recorrente; 4. Documentação de segurados de empresa diversa sendo emitidos pela recorrente; 5. Idênticos responsáveis pelas empresas; 6. Uniformes idênticos para segurados; 7. Segurados da área de administração atuando nas duas empresas; 8. Por fim, destacase a aplicação de penalidade por parte da recorrente aos segurados de empresa diversa, conforme prova que consta dos autos. Portanto, na análise dos fatos e provas descritos nos autos, resta claro, claríssimo, que os segurados que atuam em empresa diversa na verdade são segurados empregados da recorrente, pois estão provados todos os requisitos, características que conceituam esta relação. Por todo exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, na forma do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1203DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 07/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 15/06 /2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000214/2002-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998
DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO ELETRÔNICO.
PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA. DESCABIMENTO DO LANÇAMENTO.
Tendo sido devidamente demonstrada a existência de processo judicial, tido pelo lançamento eletrônico como não comprovado, descabe o lançamento.
Numero da decisão: 1803-001.116
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA. DESCABIMENTO DO LANÇAMENTO. Tendo sido devidamente demonstrada a existência de processo judicial, tido pelo lançamento eletrônico como não comprovado, descabe o lançamento. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 191 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 192 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 141 e 142): Tratase de Auto de Infração emitido contra a contribuinte acima identificada, decorrente da constatação de inconsistências em sua DCTF nº 0000100200048003782, apresentada no primeiro trimestre de 1997, no importe de R$ 31.905,04, representado por: Demonstrativo do Crédito Tributário Imposto R$ 11.642,05 Multa de Ofício R$ 8.731,54 Juros de Mora calculados até 28/02/2002 R$ 11.531,45 Total R$ 31.905,04 Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 55, o Fisco apurou falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, considerando os valores apurados a título de CSLL na DCTF acima identificada. Pela análise do Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fl. 56), o valor do débito apurado declarado na DCTF foi de R$ 0,00, pois foi informado que o imposto no valor de R$ 11.642,05 teria sido compensado pelo motivo “Comp. s/ DARF – Outros – PJU” e informado o processo nº 13161.000310/9918, não tendo sido comprovado o processo judicial referido. Cientificada do auto de infração, em 14/03/2002, fl. 61, a contribuinte interpôs impugnação em 01/04/2002 (fls. 01/18), acompanhada de documentos (fls. 19/59), alegando, preliminarmente: a) a nulidade do lançamento por falta de descrição da matéria tributável e de capitulação legal, motivando o cerceamento do seu direito de defesa; b) a nulidade do lançamento, lavrado na pendência de apreciação de recurso interposto em pedido administrativo de compensação de créditos decorrentes de pagamentos indevidos de PIS, citando as Leis nº 8.383/1991, art. 66, e nº 9.430/1998, arts. 73 e 74, regulamentadas pelo Decreto nº 2.138/1997 e pelas IN/SRF nºs 21, 37 e 73, de 1997. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: a) o procedimento de compensação do PIS recolhido com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988, é legítimo, pois o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais aqueles decretoslei e, em razão disso, o Senado Federal editou a Resolução nº 49/1995, retirandoos do mundo jurídico. A contribuição ao PIS, assim, permaneceu devida nos termos da Lei Complementar nº 7, de 1970, até a publicação da Medida Provisória nº 1.212/1995 e suas reedições; Fl. 221DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 193 4 b) a Lei nº 8.383/1991, art. 66, expressamente autorizou a compensação de créditos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de tributos, com tributos de mesma espécie e destinação constitucional, independentemente de requerimento; c) também podem ser compensados ditos créditos com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, inclusive e especialmente com a CSLL, mediante requerimento, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, regulados pelo Decreto nº 2.138/1997 e pelas IN/SRF nº 21, 37 e 73, de 1997; d) com o reconhecimento do seu direito de pagar o PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/1970, especialmente do seu art. 6º, parágrafo único, apurou o montante pago a maior, em razão de ter recolhido a contribuição na conformidade dos decretosleis declarados inconstitucionais, e apresentou Pedido de Ressarcimento mediante Compensação ao órgão local da Receita Federal e passou a compensar os créditos apurados, informando, mensalmente, nas correspondentes DCTF, as compensações efetivadas; e) o lançamento consubstanciado no auto de infração improcede, pois o tributo nele exigido foi solvido por compensação, nos termos da legislação acima referida, estando com a sua exigibilidade suspensa; f) mesmo que o lançamento tivesse como escopo a prevenção da decadência, ainda assim o auto de infração estaria maculado por vício insanável, pois contrariou ordem expressa do art. 63 da Lei nº 9.430/1996; g) a utilização da Selic não é possível na exigência de tributos, citando jurisprudência. Às fls. 62/63, a contribuinte apresentou pedido de cancelamento do Termo de Comunicação nº 577243210 (fl. 70), pois os débitos ali exigidos constaram do auto de infração contido nestes autos, estando pendentes de julgamento e, portanto, com sua exigibilidade suspensa. A DRF de origem juntou aos autos a Decisão DRJ/CGE nº 473, de 26/04/2001 (fls. 92/103), e o Acórdão nº 20213.985, de 10/07/2002 (fls. 104/109) e pedido da interessada informando a Revogação de Poderes de Mandato e indicação de outro procurador (fls. 110/114). Esta DRJ juntou cópia da concessão de liminar (fls. 126/127) e da sentença (fls. 128/137) dos autos do mandado de segurança nº 98.51104. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 139): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 194 5 A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade de leis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Presentes a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, cabível o lançamento de ofício da contribuição correspondente. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. 3. Cientificada da referida decisão em 07/12/2009 (fls. 156), a tempo, em 29/12/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 158 a 165, instruído com os documentos de fls. 166 a 183, nele argumentando, em síntese: a) que a decisão recorrida se olvidou de que a exigência de trânsito em julgado em processos judiciais, para a compensação de créditos tributários somente surgiu muito tempo depois das compensações aqui questionadas (1997), quando da edição da Lei Complementar nº 104/2001, cujos efeitos não podem ser estendidos às compensações autorizadas judicialmente antes do trânsito em julgado e já concretizadas quando a referida limitação surgiu, sob pena de contrariedade à própria autoridade da decisão judicial e ao princípio máximo da irretroatividade das normas; b) que, não fosse isso o bastante, é certo que, diversamente do quanto sustentado pela decisão recorrida, o cancelamento da autuação fiscal é imperativo justamente em função da nítida complementaridade entre o feito administrativo de compensação aqui noticiado (para o encontro de contas entre o PIS e tributos de espécies distintas) e a medida judicial proposta pela ora Recorrente, na qual foram reconhecidos os seus créditos de PIS (Decretosleis); c) que, no “writ”, se buscou o reconhecimento do direito de crédito e de compensação sem as limitações impostas pela Receita Federal, dos valores pagos indevidamente a título de contribuição ao PIS; d) que, no processo administrativo de compensação, se requereu a autorização para a compensação de tais créditos de PIS com outros tributos, inclusive com a CSLL aqui cobrada, tendo sido apresentados os Fl. 223DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 195 6 formulários e formalidade exigidos pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96 (vigente à época dos encontros de contas), bem como declaradas tais compensações nas respectivas DCTFs (base da autuação combatida); e) que não foi por outro motivo que, em sentença recentíssima, proferida pela Justiça Federal do Distrito Federal, em ação anulatória ajuizada pela ora Recorrente, foi anulada a decisão do Conselho de Contribuintes juntada às fls. 107/112 destes autos, para determinar que esta mesma Corte Administrativa, em cumprimento da decisão judicial do processo no qual se reconheceu o crédito do PIS, analise e homologue todas as compensações dos créditos de PIS, com outros tributos, como a CSLL aqui cobrada, declaradas no processo nº 13161.00310/9918 e nas DCTFs entregues pela empresa; e f) que, havendo claros indicativos das compensações da CSLL aqui cobrada com os créditos de PIS da empresa Recorrente, com base no processo judicial e no processo de compensação acima noticiados, cuja homologação deverá agora, finalmente, ser analisada por este Conselho, em cumprimento de outra ordem judicial (ora comprovada), não há dúvidas sobre a completa improcedência da ação judicial (sic). Em mesa para julgamento. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 196 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Processo judicial não comprovado 4. Conforme se observa de fls. 126 e 127 (cópia de concessão de liminar) e 128 a 137 (cópia da sentença judicial) dos autos do Mandado de Segurança nº 98.51104, está devidamente demonstrada a existência de processo judicial, tido pelo lançamento como não comprovado (fls. 56): 5. Na realidade, o que ocorreu foi que a Recorrente indicou, em sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), equivocadamente, o número do processo de restituição/compensação em que requer administrativamente o mesmo crédito pleiteado judicialmente (nº 13161.000310/9918, conforme fls. 92): Radeke Distribuidora de Bebidas Ltda., acima identificada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 118/144) contra a Decisão nº 517/2000, de 23/08/2000 (fls. 111/113), que indeferiu seu pedido de restituição/compensação de valores pagos a título de PIS — Programa de Integração Social, com os valores vencidos e vincendos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. 6. Descabe, pois, o presente lançamento. 7. Destacase, por oportuno, que o fundamento pelo qual a decisão recorrida, prolatada em 13/11/2009, manteve o presente lançamento, cientificado à Recorrente em 14/03/2002 (fls. 61) e relativo à DCTF do anocalendário de 1997 (fls. 54), foi o seguinte (fls. 139 e 151): COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 197 8 É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. [...]. Correta, pois, a formalização da exigência nesse aspecto, tendo em vista que, à data da lavratura do auto de infração, a contribuinte não estava amparada com decisão judicial transitada em julgado, sobre o direito à compensação em apreço. 8. Sucede que não foi esse o fundamento da autuação, sendo vedada, nos termos dos arts. 149, caput e parágrafo único, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a revisão e alteração do lançamento inicial quando já extinto o direito da Fazenda Pública. 9. Há que se ressaltar, por fim, que o valor exigido neste processo, ao que tudo indica, já estaria sendo objeto de cobrança no processo administrativo nº 13161.000310/9918 (restituição/compensação), acima referido, o qual se encontra atualmente na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme tela do Comprot (http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp): Fl. 226DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13161.000214/200255 Acórdão n.º 180301.116 S1TE03 Fl. 198 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 227DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 35301.005333/2006-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos
543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis Oliveira Júnior, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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E OUTRO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis Oliveira Júnior, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Sendas S.A. foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD de fls. 01/17, objetivando a exigência de contribuição previdenciária imputada à Contribuinte em decorrência da aplicação da responsabilidade solidária instituída pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/1991, pela contratação de serviços com cessão de mãodeobra. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 240100.269, que se encontra às fls. 152/170 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇOES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35301.005333/200619 Acórdão n.º 920201.565 CSRFT2 Fl. 2 3 Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeuse ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que defendem ser determinante à aplicação do instituto. LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO – SOLIDARIEDADE CONSTRUÇÃO CIVIL ELISÃO NÃO OCORRÊNCIA O proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei n° 8.212/91, se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a ropositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 04/1998 e, no mérito, negou provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 04/09/2009 (fls. 171) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 174/200, em que sustenta, em apertada síntese, que a decadência dos tributos em questão deve observar ao disposto no artigo 173, inciso I do CTN e não ao artigo 150, §4º do referido diploma. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400325, de 16 de setembro de 2009 (fls. 263/265). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 282/290. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente observo que embora a Procuradoria da Fazenda Nacional tenha sido cientificada do v. acórdão recorrido após a entrada em vigor do atual regimento interno do CARF (Portaria nº 259/2009), a admissibilidade do presente recurso deve observar o disposto no antigo regimento interno, nos termos do que determina o artigo 4º da Portaria nº 259/2009. Considerando que a decisão que declarou a decadência constante no v. acórdão recorrido se deu por maioria de votos, deve ser conhecido o recurso interposto com base no artigo 7º, inciso I do antigo regimento interno do Conselho de Contribuintes, eis que adequadamente formulada pela Recorrente alegação concreta que busca demonstrar a contrariedade do acórdão recorrido a uma possível interpretação da legislação aplicável. Dessa forma, o Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A questão a ser enfrentada é a aplicação do §4º do art. 150 do CTN para verificação da ocorrência da decadência ou a aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CTN, o que em termos práticos postergaria o início do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em diversas oportunidades manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existëncia de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35301.005333/200619 Acórdão n.º 920201.565 CSRFT2 Fl. 3 5 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, como se verifica do voto vencedor do acórdão proferido pelo CARF, a contribuinte efetuou o recolhimento de contribuições previdenciárias, não tendo retido a referida contribuição no caso de pagamentos efetuados para prestadores de serviço, de forma a elidir sua responsabilidade solidária nos termos do artigo 30 da Lei nº 8.212/1991, como se verifica do trecho abaixo transcrito: “Dessa forma, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária, sobretudo por ter havido antecipação do pagamento, uma vez tratarse de lançamento com base em responsabilidade solidária inscrita no artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro.” (original sem grifos) Entendo, diversamente do quanto sustentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que o deslocamento da regra de contagem do prazo decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, ambos do CTN, requer a ausência total de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte, devidamente comprovada nos autos. Adicionalmente, no caso em questão, a ausência de recolhimento só foi demonstrada em relação ao prestador de serviços, como se verifica das cópias do relatório fiscal de fls. 36/40 e do DAD de fls. 04/06. Ou seja, a fiscalização não demonstrou que não houve recolhimento de contribuições previdenciárias pela tomadora dos serviços, razão pela qual entendo que não cabe a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN. Ademais, a obrigação de retenção da obrigação previdenciária, cujo descumprimento gera a responsabilidade solidária, é parte integrante do fato imponível mensal correspondente ao pagamento de verbas sujeito à contribuição previdenciária, não configurando fato gerador apartado como ocorre no caso do imposto de renda retido sob a sistemática de tributação exclusiva na fonte. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35301.005333/200619 Acórdão n.º 920201.565 CSRFT2 Fl. 4 7 Logo, aplicase no presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador, em consonância com o que foi decidido no v. acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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