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Numero do processo: 10980.006839/2009-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES – INÍCIO DOS EFEITOS
Além de as notas fiscais serem emitidas pelo tomador com retenção de 11% à
guisa de cessão de mão de obra, o instrumento contratual prevê também o
fornecimento de mão de obra. Hipótese vedatória ao Simples federal. A
norma legal aplicável que prevê o início dos efeitos da exclusão do Simples é
a em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a
exclusão. Exclusão com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004.
IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO
A recorrente não apresentara a escrituração contábil, mesmo após reiteradas
intimações, o que impõe o arbitramento do lucro. Lucro arbitrado que se deu
com base na receita conhecida, no caso, sobre as receitas omitidas
correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente, contra os quais ela não controverteu.
ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE DE 38,4%
Como a atividade da recorrente foi a de prestação de serviços, correto o
coeficiente de 38,4%, para fins de IRPJ, e de 32%, para efeitos de CSLL.
Haveria tributação do que não é renda, se as exigência de IRPJ e de CSLL
recaíssem simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicando-se sobre elas as
alíquotas desses tributos. Trata-se, no arbitramento do lucro com aplicação
dos coeficientes sobre as receitas, de medida presuntiva legal diante da
inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso
de lucro real).
PIS, COFINS
Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas
sobre receitas omitidas para IRPJ.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS DEMAIS SOCIEDADES DO GRUPO
A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois se trata de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindo-se
a recorrente, sendo as demais sociedades simuladas.
Mas, como os autos de infração se deram somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE JOSÉ CARLOS SCHADE
Sócio administrador que esteve à frente da constituição de todas as sociedades simuladas, e como administrador “de todas elas”, ou da única sociedade existente. Responsabilidade evidenciada com tipificação do art. 135, III, do CTN.
Numero da decisão: 1103-000.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – INÍCIO DOS EFEITOS Além de as notas fiscais serem emitidas pelo tomador com retenção de 11% à guisa de cessão de mão de obra, o instrumento contratual prevê também o fornecimento de mão de obra. Hipótese vedatória ao Simples federal. A norma legal aplicável que prevê o início dos efeitos da exclusão do Simples é a em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a exclusão. Exclusão com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente não apresentara a escrituração contábil, mesmo após reiteradas intimações, o que impõe o arbitramento do lucro. Lucro arbitrado que se deu com base na receita conhecida, no caso, sobre as receitas omitidas correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente, contra os quais ela não controverteu. ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE DE 38,4% Como a atividade da recorrente foi a de prestação de serviços, correto o coeficiente de 38,4%, para fins de IRPJ, e de 32%, para efeitos de CSLL. Haveria tributação do que não é renda, se as exigência de IRPJ e de CSLL recaíssem simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicando-se sobre elas as alíquotas desses tributos. Trata-se, no arbitramento do lucro com aplicação dos coeficientes sobre as receitas, de medida presuntiva legal diante da inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso de lucro real). PIS, COFINS Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas sobre receitas omitidas para IRPJ. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS DEMAIS SOCIEDADES DO GRUPO A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois se trata de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindo-se a recorrente, sendo as demais sociedades simuladas. Mas, como os autos de infração se deram somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE JOSÉ CARLOS SCHADE Sócio administrador que esteve à frente da constituição de todas as sociedades simuladas, e como administrador “de todas elas”, ou da única sociedade existente. Responsabilidade evidenciada com tipificação do art. 135, III, do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – INÍCIO DOS EFEITOS Além de as notas fiscais serem emitidas pelo tomador com retenção de 11% à guisa de cessão de mão de obra, o instrumento contratual prevê também o fornecimento de mão de obra. Hipótese vedatória ao Simples federal. A norma legal aplicável que prevê o início dos efeitos da exclusão do Simples é a em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a exclusão. Exclusão com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente não apresentara a escrituração contábil, mesmo após reiteradas intimações, o que impõe o arbitramento do lucro. Lucro arbitrado que se deu com base na receita conhecida, no caso, sobre as receitas omitidas correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente, contra os quais ela não controverteu. ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE DE 38,4% Como a atividade da recorrente foi a de prestação de serviços, correto o coeficiente de 38,4%, para fins de IRPJ, e de 32%, para efeitos de CSLL. Haveria tributação do que não é renda, se as exigência de IRPJ e de CSLL recaíssem simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicandose sobre elas as alíquotas desses tributos. Tratase, no arbitramento do lucro com aplicação dos coeficientes sobre as receitas, de medida presuntiva legal diante da inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso de lucro real). PIS, COFINS Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas sobre receitas omitidas para IRPJ. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 417 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS DEMAIS SOCIEDADES DO GRUPO A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois se trata de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindose a recorrente, sendo as demais sociedades simuladas. Mas, como os autos de infração se deram somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE JOSÉ CARLOS SCHADE Sócio administrador que esteve à frente da constituição de todas as sociedades simuladas, e como administrador “de todas elas”, ou da única sociedade existente. Responsabilidade evidenciada com tipificação do art. 135, III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 418 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo do Ato Declaratório Executivo nº 292 (fl. 46), de 23/11/2009, que determinou a exclusão da recorrente ao sistema do Simples, desde 1º/12/2003; e dos autos de infração lavrados na sistemática do lucro arbitrado, relativo aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, fls. 54 a 124, onde se exige o crédito tributário de IRPJ (fls. 54 a 59) no valor de R$ 1.086.974,46; CSL (fls. 75 a 81) no valor de R$ 289.666,85; COFINS (fls. 93 a 98) no valor de R$ 185.855,45; e PIS (fls. 109 a 114) no valor de R$ 40.483,08, além de juros e multa de 75%. O ADE nº 292, de 23/11/2009 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 4 e 5, quando restou comprovado o desempenho de atividades vedadas ao Simples, aliado ao fato de possuir sócio com participação superior a 10% em outras empresas, sendo que a soma da receita bruta global teria ultrapassado o limite estabelecido pela legislação de regência. Dentre as atividades vedadas exercidas pela recorrente estão a locação de mão de obra e a prestação de serviços que dependem de profissional legalmente habilitado. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao art. 9º, incisos IX, XII, alínea “f” e XIII, da Lei 9.317/96, com efeitos a partir de 1º/12/2003. Foi detectado que o sócioadministrador José Carlos Schade abriu diversas empresas com o mesmo objeto social a fim de burlar o sistema tributário do Simples. Na verdade, tratase de apenas uma empresa, denominada de “Grupo Schade”, atuando com seis CNPJ diferentes. A confusão pode ser claramente evidenciada, pois, quando uma das empresas necessitava de recursos financeiros, era rapidamente providenciada uma transferência de outra empresa que dispusesse de recursos em conta bancária, sem formalidade, sem contrato e nem devolução de dinheiro. Diante deste quadro, são todas as empresas solidárias em relação aos autos de infração lavrados nesse procedimento fiscal, motivo pelo qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 256 e 257 para as empresas: Schade Manutenção Mecânica Ltda ME – CNPJ 05.242.075/000100; SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda – CNPJ 05.673.216/0001 31; JRS Manutenção Mecânica Ltda ME – CNPJ 05.863.502/000160; Laci Manutenção Mecânica Ltda – CNPJ 07.494.082/000117; e Allu Manutenção Mecânica Ltda – CNPJ 08.937.381/000141. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 419 4 Foi constatada também a responsabilidade solidária pessoal do sócio administrador, pois abriu empresas fictícias para burlar o sistema tributário, onde não há diferenças entre os serviços prestados pelas mesmas, onde nunca houve integralização das cotas da sociedade pelos sócios “laranjas”, bem como nunca houve pagamentos quando saíram das sociedades. Os percentuais de cotas de José Carlos Schade nas empresas criadas foi mantido abaixo de 10%, para não violar o art. 9º da Lei 9.317/96. Apesar desses percentuais, José Carlos Schade foi instituído como único administrador de todas as empresas e os demais sócios à exceção de Mario Celso Richter nunca participaram das atividades do “Grupo Schade” e não receberam os frutos do negócio, mesmo possuindo a maioria das cotas. Podese dizer que a divisão de cotas a partir da criação da segunda empresa não passou de mera simulação. Ainda, quando o sócio administrador necessitou de valores maiores para compra de imóveis, utilizavase de artifício de dividir as despesas entre as empresas. A partir das constatações, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, nº 2, de fls. 258 a 260, para José Carlos Schade. A infração imputada nos autos de infração foi a omissão de receitas de prestação de serviços gerais, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 125 a 141. Para os anoscalendário 2004 e 2005, todas as empresas do “Grupo Schade” declararamse inativas. De acordo com as declarações, o início das atividades terseia dado apenas em 2006, na condição de optante pelo Simples. No anocalendário de 2007, desobedecendo aos ditames legais, não houve apresentação de declaração relativa ao IRPJ. Entretanto, de acordo com as Notas Fiscais de Prestação de Serviços analisadas, estavam sendo prestados serviços desde 2004. Na condição de optante pelo Simples, estaria a recorrente dispensada de manter escrituração comercial, desde que mantivesse Livro Caixa. A recorrente foi intimada diversas vezes a apresentar Livro Caixa ou Livro Diário, mas nada foi apresentado. Diante deste quadro, o regime de tributação adotado em todo o período foi o lucro arbitrado, que foi feito com base nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços apresentadas. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exclusão do Simples e dos lançamentos, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 282 a 302, e impugnação de fls. 309 a 321, ambas em 3/03/2010, alegando, em síntese, o que segue. Na manifestação de inconformidade, é arguido que a RFB presumiu, pelo recolhimento do percentual de 11% a título de antecipação de contribuição previdenciária, que teria existido locação de mão de obra. Porém, porém presumiu equivocadamente, pois o que houve foi excesso de zelo da contratante, embora tenha recolhido indevidamente. Ademais, o fisco não juntou qualquer prova ou indício material da alegada locação, e não se exclui contribuinte do Simples apenas por presunção. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 420 5 Da mesma forma, equivocouse a RFB ao presumir que, tendo a recorrente prestado serviços de manutenção ou conserto, houve prestação de serviços regulamentados, e que haveria necessidade de habilitação profissional em curso superior dos seus empregados. Isso, pois a manutenção e conservação de locomotivas nada mais são do que serviços mecânicos, não sendo necessário formação universitária e muito menos ser engenheiro. Sobre a participação superior a 10% no capital social de outra empresa, aduz a recorrente que a Constituição Federal, em seus arts. 170 e 179, assegurou às empresas de pequeno porte – EPP e às microempresas – ME, tratamento privilegiado por parte do Poder Público. Que a definição dessas entidades encontrase na Lei 9.317/96. Entretanto, embora tenha a CF autorizado a lei ordinária a definir o contorno das entidades, não permitiu que tal definição acabasse por negar a elas, expressamente inseridas no conceito, o próprio incentivo. O que o art. 9º, IX da Lei 9.317/96 fez, em contrariedade à CF, foi vedar o benefício que estava obrigada a conceder, utilizando como fundamento a condição pessoal do titular ou sócio, pessoa essa que tem personalidade jurídica distinta das sociedades empresárias e não pode com elas se confundir. Alega que a RFB interpretou de forma equivocada o art. 9º, IX, da Lei 9.317/96. A norma é transparente ao estabelecer, na primeira parte, que o titular ou sócio da empresa não pode participar com mais de 10% do capital de outra empresa. Por óbvio, a lei admitiu, ao fazer referência à “outra empresa”, que a pessoa física seja sócia de uma empresa com mais de 10% e de outras quantas com participação menor. Posto isso, considerando que até 14/07/2006 nenhum dos sócios da recorrente participava de outra pessoa jurídica com mais de 10% do capital social, não cabe a efetuada soma das receitas brutas das empresas para fins de exclusão do Simples. Relativamente à data de início dos efeitos da exclusão de ofício do Simples, pondera o seguinte. A requerente foi notificada do ADE nº 292 apenas em 1º/02/2010. Entretanto, os efeitos da exclusão do Simples, segundo a RFB, retroagiriam a 1º/12/2003, residindo aí grave equívoco. Tais efeitos somente poderiam ocorrer a partir do novo exercício financeiro, ou seja, 1º/01/2011. Em última hipótese, por apego ao texto legal, devese acatar o disposto no art. 3º da Lei 9.732/98, que determinou sejam os efeitos iniciados a partir do mês seguinte ao da exclusão, no caso concreto, a partir de 1º/03/2010. Requer que o ADE seja anulado por cerceamento de defesa. Alega que todo o procedimento para excluir a recorrente do Simples transcorreu sem que ela fosse cientificada de qualquer ato a respeito. Não consta em nenhuma das folhas do processo qualquer ciência ou solicitação de informações ou esclarecimento, em evidente ofensa ao sagrado princípio do direito de defesa. Na impugnação, em preliminar, alega a nulidade dos autos de infração, pois o art. 3º, caput e § 1º, alínea “a”, da Lei 9.317/96, reproduzido no art. 187 do RIR/99, determina que as pessoas jurídicas optantes pelo Simples ficarão sujeitas ao pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições federais. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 421 6 Por conseguinte, a Fazenda Nacional não poderia ter constituído o crédito tributário isoladamente, por imposto e contribuição, dada absoluta falta de previsão legal. Deveria efetuar um único lançamento e constituir o crédito tributário unificado, a título de Simples, respeitando a opção do contribuinte e as normas que regulam a matéria. No mérito, aduz que o arbitramento do lucro e a tributação do patrimônio são ilegais. Que as normas tributárias não autorizam o sujeito ativo da obrigação arbitrar o lucro do contribuinte sem antes lhe dar a opção para decidir a respeito de uma das formas de tributação previstas pela legislação. Como a RFB sabia do extravio dos livros e documentos da recorrente, deveria primeiro perquirir a mesma a respeito da opção que pretendia adotar para a apuração da base de cálculo do tributo, e abrir prazo razoável para que pudesse reconstituir a escrituração contábil ou o Livro Caixa, e não simplesmente intimar e reintimar para apresentar os livros. Para o lucro arbitrado, a fiscalização utilizou o percentual de 38,40% sobre a receita bruta da pessoa jurídica. As despesas com a folha de pagamento, os encargos trabalhistas e sociais e os tributos, por si só considerados e sem levar em conta as demais despesas, bastam para demonstrar que a rentabilidade da recorrente está bem longe do que pretende a RFB. Em face do vulto da exação, a RFB deixou de tributar a renda, e passou a tributar em 100% o patrimônio da pessoa jurídica e em 100% o patrimônio dos sócios, uma vez que mesmo a soma do patrimônio da pessoa jurídica e das pessoas físicas dos sócios não é suficiente para honrar os tributos exigidos. A fiscalização afirma que a autuada pagou despesas de sócios bem como pagou bens diversos por eles adquiridos. Defende que não há nenhuma ilegalidade nessa prática. Que também não há ilegalidade no que tange ao empréstimo de valores por transferências entre pessoas jurídicas, pois se trata de sociedades que pertencem a mesma família, que isso seria demonstração de união familiar. Aduz que os tributos deveriam ter sido exigidos segundo as normas do próprio Simples, e não arbitrar o lucro, como fez. Sobre as exigências de CSL, COFINS e PIS, requer, por brevidade e economia processual, que nelas se façam refletir, no que couber, todo os fundamentos já demonstrados, excluindose a totalidade ou parcialmente as exigências. Requer o cancelamento ou revogação da sujeição passiva tanto das pessoas jurídicas relacionadas no “Termo de Sujeição Passiva nº 1”, quanto da pessoa física citada no “Termo de Sujeição Passiva nº 2”, pois não existe máfé ou dolo: ao contrário, as sociedades empresárias foram legalmente constituídas e os sócios são pessoas físicas que existem e estão devidamente inscritas no CPF. Que a constituição de mais de uma pessoa jurídica com o mesmo sócio não ofende as normas legais e nem autoriza presumir tratarse de procedimento visando fraudar o fisco. Requer apresentar no futuro todas as demais espécies de provas admitidas em direito. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 422 7 DA DECISÃO DA DRJ Em 2/02/2011 acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, por unanimidade de votos confirmar o ADE de Exclusão do Simples nº 292/2009; não acatar as preliminares de nulidade e de cerceamento ao direito de defesa; considerar não formulado o pedido de produção de novas provas e, no mérito: julgar procedente em parte o lançamento, mantendo de R$ 989.574,46 a título de IRPJ, R$ 40.483,08 de PIS, R$ 185.775,86 de COFINS, e R$ 289.666,85 de CSL, além das respectivas multas de lançamento de ofício e dos acréscimos legais; julgar procedente a atribuição de responsabilidade solidária às empresas do Grupo Schade; e julgar definitiva a atribuição de responsabilidade pessoal pelos tributos exigidos no presente processo ao sócio José Carlos Schade. Seguem os fundamentos, sintetizados. Inicialmente não houve preterição ao direito de defesa, visto que a recorrente foi regularmente notificada da exclusão do Simples através do Ato Declaratório com sua motivação claramente identificada. Restou caracterizada a cessão de mão de obra, pois pelo “Contrato de Prestação de Serviços” realizado entre a recorrente e a contratante houve a colocação de funcionários da contratada à disposição da contratante nas dependências que esta determinar e a prestação de serviços contínuos. As notas fiscais constituem prova direta da locação de mão de obra ao descrever que se referem a serviços prestados de recuperação de freios, compressores, limpeza de valas, montagem de conjunto de força, etc. A própria empresa classificou seus empregados como mecânicos de manutenção metroviária, seguindo a Classificação Brasileira de Operações. Constatase, ainda, pela GFIP acostada às fls. 24 a 26, que a empresa fez recolhimentos com o código 150 que é típico de empresa prestadora de serviços com cessão de mão de obra, em relação aos empregados cedidos, onde informa, dentre outras coisas, o valor da retenção sobre as Notas Fiscais/Faturas de Serviços. Com relação à atividade de manutenção de locomotivas, o argumento de que esta atividade é mera atividade mecânica, que não é atividade de engenheiro, não deve prosperar. Em atenção às regras hermenêuticas elementares, em se tratando de dispositivo excepcional, que limita o alcance da regra geral de vedação estipulada pelo art. 9º, XIII, da Lei do Simples, sua leitura deve ser feita restritivamente. Nesse sentido, a melhor interpretação que deve ser dada é aquela que afasta o enquadramento do trem em categoria dos “outros veículos pesados” de que trata a lei em comento. Ao focalizar a análise no caso típico dessa classe (oficinas mecânicas de automóveis), percebese que se trata de atividade massificada, padronizada e impessoal, que é o objetivo do Simples, pois sua execução é menos complexa. Já o caso de trens não versa produto massificado; a execução do trabalho não é feita de modo rotineira; e a recorrente presta Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 423 8 serviços quase que exclusivamente a apenas uma contratante, seguindo determinações dela. Sendo assim, o trabalho passa a ser executado de forma pessoal, com mais complexidade. Quanto à alegação de que teria havido afronta ao disposto no art. 179 da CF, descabe razão à recorrente, pois se trata de norma de eficácia limitada, e o art. 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96 veio trazer eficácia jurídica ao art. 179 da CF. Por outro lado, assiste razão à recorrente quanto à inocorrência da outra hipótese vedatória ao regime simplificado, i.e., a assertiva de que o sócio não teria participação de outra empresa em percentual igual ou superior a 10%. No anocalendário de 2005, José Carlos Schade tinha somente participação de 3%. Somente em 2008, passou a ter percentuais de participações entre 97% e 99% dentre as empresas do grupo. Entretanto, em face dos dois outros motivos, prevalece a exclusão conformada pelo ADE nº 292/09. Sobre a data dos efeitos do ADE, nas hipóteses que a recorrente restou enquadrado não houve qualquer alteração que pudesse modificar o início dos efeitos do ADE. Portanto, tendo optado pelo Simples à data de sua constituição, 18/11/2003, sua exclusão deveria surtir efeitos a partir de 1º/12/2003, em obediência ao texto legal, como de fato ocorreu. O art. 187 do RIR/99 não foi violado como argumenta a recorrente, pois o dispositivo em nenhum momento estabelece que no lançamento de ofício, pela sistemática do Simples, os valores tem que constar num mesmo auto de infração. No arbitramento do lucro, a recorrente foi intimada diversas vezes a apresentar o Livro Caixa ou o Diário, mas não o fez. Assim, por conta da ausência total de escrituração contábil, seu lucro foi arbitrado com base no art. 47, III, da Lei 8.981/95. O percentual para determinação do lucro arbitrado, no caso de prestação de serviços em geral, é de 32%, não cabendo qualquer reparo aos autos. Sobre a contestação a afirmação do fisco sobre os pagamentos de contas dos sócios, aquisição de bens para os sócios, a autoridade fiscal utilizouse não só das transferências numerárias entre as contas correntes das empresas do grupo, como de outras operações estranhas ao objeto social da recorrente, para demonstrar a intensa ligação entre as diversas pessoas jurídicas que compõe o Grupo Schade. Diante da confusão patrimonial e financeira existente entre as empresas pertencentes ao grupo, que atuavam como se fosse uma única entidade, restou caracterizada a intenção de burlar a ação do fisco para que elas usufruíssem dos benefícios do Simples, demonstrando o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Desta forma, reputamse solidárias todas as empresas do Grupo Schade em relação aos autos de infração. Entretanto não cabe, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade ao sócio da pessoa jurídica, na medida em que esta não detém legitimidade, e nem interesse para tanto. Assim, nesta parte, não se conhece da impugnação. No que tange ao pedido de produção de provas, de acordo com o art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/72, o momento para apresentação de documentos comprobatórios é o da impugnação. Transcorrido este, apenas será possível a juntada de tais elementos ao Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 424 9 processo administrativo se ocorrer algum dos eventos descritos na normal legal, o que não é o caso da recorrente. De acordo com o aproveitamento dos valores retidos na fonte e/ou recolhidos tempestivamente, a DRJ elaborou planilhas com os acertos a serem feitos. Com tais ajustes, retificase o lançamento para reduzir a exigência de IRPJ de R$ 1.086.974,46 para R$ 989.574,46; reduzir a exigência de COFINS de R$ 185.855,85 para R$ 185.775,86, e manter integralmente a exigência de PIS no importe de R$ 40.483.08 e de CSL de R$ 289.666,85. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente e o sujeito passivo solidário José Carlos Schade foram cientificados da decisão em 18/02/2011, conforme fls. 377 e 378. Foram apresentados dois recursos voluntários pela Locomaq, ambos em 21/03/2011, de fls. 380 a 393 e fls. 396 a 413. Nos dois recursos, foram reiteradas, em sua maioria, as alegações contidas na manifestação de inconformidade e na impugnação. Entretanto, não desafiou recurso contra omissão de receitas por pagamento de despesas pessoais do sócio José Carlos Schade, da empresa de seu cônjuge (Lulan Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.) e decorrentes de outros operações estranhas ao objeto da recorrente (como recebimento de recursos de Luciano Luzzi). É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 425 10 Voto Conselheiro Marcos Takata Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Deles, pois, conheço. A recorrente fora excluída do Simples federal por tríplice motivo: a) consecução de atividade de cessão de mão de obra (art. 9º, XII, “f”, da Lei 9.317/96); b) participação do sócio da recorrente com mais de 10% do capital de outra sociedade, com receita brutal global superior ao estabelecido na lei do regime simplificado (art. 9º, IX, da Lei 9.317/96) c) exercício de atividade dependente de habilitação profissional legalmente exigida (art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96). Como se constata do Relatório Fiscal dos Autos de Infração, foram relacionadas mais de 2.000 notas fiscais emitidas pelo tomador de serviços com retenção de contribuição previdenciária à alíquota de 11% (anexo 2 do Relatório Fiscal). E se vê que tal retenção se deu por conta da atividade de cessão de mão de obra (fl. 9). No instrumento contratual de prestação de serviços GS4600001970 (fls. 6 a 8, e Anexo I descritivo do escopo dos serviços nas fls. 10 e 11) são previstas como obrigações da recorrente (contratada) “planejar, conduzir e executar os serviços com integral observância das disposições deste contrato” (item 6.1), e também a responsabilização da contratada por qualquer dano material ou pessoal (item 6.5). A recorrente argui que as atividades de planejar e conduzir são incompatíveis com a cessão de mão de obra, e ainda mais a responsabilização por danos. Entretanto, o item 6.3 do mesmo instrumento contratual prevê o fornecimento de mão de obra pela contratada. Mais. A responsabilidade da contratada por dano material ou pessoal é preceituada não só em relação aos bens e interesses da contratante, mas também quanto aos equipamentos e instalações da contratada. Ora, seria despicienda tal previsão contratual de responsabilidade em relação aos próprios equipamentos e instalações da contratada, a não ser que eles sejam manuseados pela contratante direta ou indiretamente, neste caso, por ser cessionária da mão de obra da contratada. Enfim, diante do quadro posto, há elementos suficientes para a conclusão de que a recorrente desenvolvia atividade vedada à opção pelo regime simplificado federal, especificamente, a cessão de mão de obra. E a recorrente não trouxe aos autos elementos outros que infirmem a caracterização da cessão de mão de obra. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 426 11 Ressalto que, conforme o próprio Relatório Fiscal, as notas fiscais relacionadas iniciamse em 2004, ano do início de fato das atividades da recorrente. É em 2004, pois, que se consuma o pressuposto de fato vedatório em discussão ao Simples federal e, assim, a situação excludente em questão. Em relação ao segundo motivo, observo o seguinte. A recorrente compõe um suposto grupo de seis sociedades, chamado de Grupo Schade, todas elas dedicadas ao mesmo ramo de atividade, que é relativa à manutenção e reparação de veículos ferroviários e de ferrovias. A alegação do autuante é de que as seis sociedades não existem efetivamente. Só há uma sociedade, sendo as cinco demais apenas aparentes. Ou seja, tratase sociedades simuladas. Em 2002 fora criada a Schade Manutenção Mecânica Ltda. Posteriormente, em 2003, foram constituídas a recorrente, a SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda. e a JRS Manutenção Mecânica Ltda. ME. Em 2005, foi criada a Laci Manutenção Mecânica Ltda. e em 2007 a Allu Manutenção Mecânica Ltda. Segundo o autuante, as novas empresas vieram à lume para se procurar manter a empresa sob o tratamento simplificado. Para tanto, o sócio administrador José Carlos Schade, que participava com 50% do capital da Schade Manutenção, criara as outras sociedades aparentes, mantendo percentual inferior a 10% nelas, e para as quais foram colocadas como sócios seus parentes que nunca trabalharam nas supostas empresas: Ivani Maria Pereira (cônjuge), Aldo Schade (irmão), Maria Dalila Ricardo (irmã), entre outros. Todas as supostas empresas prestavam os mesmos tipos de serviços para as empresas do grupo ALL – América Latina Logística S.A., com cessão de mão de obra. Elas se encontravam sediadas em endereços diversos, mas, durante a fiscalização, suas sedes foram alteradas para um único endereço, onde se encontra a administração, e também as participações societárias foram modificadas, passando o sócio administrador José Carlos Schade a possuir pelo menos 95% de participação em todas as supostas sociedades. Em 2009, todas as supostas sociedades passaram a ter como sócia minoritária somente Maria Dalila Ribeiro, a irmã de José Carlos Schade. O fato de terem sido criadas sociedades, posteriormente à primeira, prestando os mesmos tipos de serviços, inclusive ao mesmo tomador, e de todas elas ostentarem o mesmo sócio administrador, com participação que não superasse os 10%, isso conforma indícios significativos de que as cinco sociedades eram aparentes, simuladas. Tais indícios, ainda que significativos, podem ser insuficientes para se ter como comprovada a simulação das cinco sociedades. Por outro lado, a constatação da confusão patrimonial entre as sociedades, associada aos já referidos indícios, faz prova cabal de que as cinco sociedades eram aparentes, havendo efetivamente somente uma. Tratase casos de simulações absolutas, e não relativas. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 427 12 Como destacado pelo autuante, era prática comum a transferência de recursos entre as contas das supostas empresas, para solver obrigações, mas não havia devolução dos valores, nem contrato de empréstimo entre elas. Entre 2004 e 2008, mais de 4 milhões de reais foram transferidos dessa forma, sob mais de 500 operações bancárias. É citado o exemplo em que a recorrente recebera nesse período cerca de 300 mil reais das outras supostas empresas do grupo, mas fora debitada em cerca de 1,6 milhão de reais, nesse período. Diante disso tudo, sem provas que infirmem as postas, não tenho dúvidas de que só existia efetivamente uma sociedade e uma empresa, sendo simulações absolutas as outras sociedades. Em face dessa conclusão, revelase adequado o segundo motivo para a exclusão do regime simplificado? Entendo que não. Se não há mais de uma sociedade, não há como se falar de sócio que participe com mais de 10% do capital de outra. Portanto, rejeito o segundo dos motivos para a exclusão do Simples federal. Desnecessário se analisar a adequação do outro motivo conducente à exclusão do Simples federal, porquanto o primeiro deles já revela juridicidade a tal exclusão. Sob o manto dessas considerações, nego provimento ao recurso quanto à questão da exclusão do regime simplificado federal. O ADE de exclusão consignou seu efeito para 1º de dezembro de 2003 (fl. 46). A recorrente alega que a exclusão só pode irradiar efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, porquanto o ADE de exclusão fora publicizado somente em 1º/02/10. Ou, quanto muito, a exclusão só produz efeitos a partir do mês seguinte ao do ato de exclusão, i.e., a partir de 1º de março de 2010, na conformidade do art. 15, II, da Lei 9.317/96 com a redação da Lei 9.732/97. Aduz que o art. 15, II, da Lei 9.317/96, na redação atual dada pelo art. 33 da Lei 11.196/05 só tem eficácia para períodos incorridos a partir de 14/10/05, data do início da vigência do art. 33 da última lei. O art. 15, II, da Lei 9.317/96 com a redação dada pela Lei 9.732/97 ostentava a seguinte dicção: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 428 13 A redação atual do art. 15, II, da Lei 9.317/96 conforme o art. 33 da Lei 11.196/05 é: Art. 33. Os arts. 2º e 15 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 15. ........................................................................................ ........................................................................................ II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei; Questão que se põe é de direito intertemporal (vez que não há normas de disposição transitória, que regulem o conflito aparente de normas, para o caso em exame). Se a lei aplicável é a em vigor na data do ato de exclusão do Simples federal, ou a que vigorava ao tempo da consecução do pressuposto de fato para a exclusão, i.e., da concreção da situação excludente (no caso, correspondente à da hipótese vedatória ao regime simplificado federal). Caso a conclusão seja pela aplicabilidade da lei em vigor ao tempo do ato excludente do Simples federal, conformase o efeito prescrito pela Lei 11.196/05 (nova redação do art. 15, II, da Lei 9.317/96). Do contrário, será aplicável o art. 15, II, da Lei 9.317/96 segundo a preceituação dada pela lei em vigor ao tempo da concreção da situação excludente. Não tenho dúvidas de que a norma legal aplicável é aquela em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a exclusão (situação excludente), i.e., no momento do aperfeiçoamento da fattispecie de vedação ao regime do Simples federal – hipótese eleita como pressuposto fático de exclusão (art. 13, II, “a”, da Lei 9.317/96). Dito analiticamente. A norma legal prescritora dos efeitos da concreção da hipótese vedatória ao Simples federal aplicável é a vigente ao tempo em que se consuma o pressuposto de vedação ao Simples federal, que, por sua vez, é eleito como hipótese de exclusão. Mas há duas normas legais prescritoras desses efeitos: uma a que prescreve a exclusão (art. 13, II, “a”, da Lei 9.317/96); outra, a que prescreve o início desse efeito (exclusão) – art. 15, II, da Lei 9.317/96. Não há lugar para discussão quanto a ser aplicável a hipótese legal de vedação ao Simples federal que esteja em vigor no momento em que se concretiza a situação vedatória: não pode ser a norma legal posterior à concretização do suporte fático. O mesmo se diga quanto à norma legal aplicável que prevê a hipótese vedatória como de exclusão do regime. É a norma que prescreve o efeito de exclusão do regime simplificado. Ora, de igual modo, a norma legal que prescreve o início desse efeito (exclusão) tem de ser a que esteja em vigor ao tempo em que a hipótese vedatória ao regime fora concretizada. Tanto a norma que impõe a exclusão do Simples federal, como a que prevê o momento dessa exclusão, são prescritoras dos efeitos pela concreção da hipótese legal vedatória ao regime. A exclusão do Simples federal é efeito prescrito por realização de hipótese vedatória ao regime. O início dos efeitos da exclusão também é efeito prescrito por Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 429 14 realização de hipótese vedatória ao regime, mesmo que no plano da lógica jurídica o último efeito seja prescrição pela realização da norma que prevê a exclusão (“primeiro” efeito). Portanto, a regra legal que determina o início dos efeitos da exclusão do Simples federal aplicável ao caso é a vigente no ano de 2004. Foi para esse ano que se constatou o aperfeiçoamento da hipótese vedatória do art. 9º, XII, “f”, da Lei 9.317/96, alhures examinado. Mas, entre a Lei 11.196/05, que alterou o art. 15, II, da Lei 9.317/96, e a Lei 9.732/97, que igualmente havia alterado o referido dispositivo legal, a Medida Provisória (MP) 2.15834, publicada no DOU de 28/07/01, também alterou o preceito em questão. O art. 73 da MP 2.15834, de 28/07/01, trouxe nova redação ao art. 15, II, da Lei 9.317/96, nos seguintes termos: Art. 73. O inciso II do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;" O art. 133 da Lei 11.196/05 revogou o art. 73 da MP 2.12835/01 (última reedição da MP), com efeitos a partir de 22/11/05 (data da publicação da referida lei): Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) VIII a partir da data da publicação desta Lei, em relação aos demais dispositivos. Art. 133. Ficam revogados: (...) II o art. 73 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; Logo, a regra legal que prescreve o início dos efeitos da exclusão do Simples federal vigente na época da concreção da hipótese vedatória a tal regime é a contida no art. 73 da MP 2.15835/01 (reedição da MP 2.15834/01). E, pela regra em questão, a exclusão do regime simplificado se dá a partir do mês subsequente ao da consecução da hipótese vedatória do art. 9º, IX, da Lei 9.317/96. Posto isso, dou provimento parcial sobre a questão do início da eficácia da exclusão do Simples federal, para reconhecer o efeito excludente a partir de 1º de fevereiro de 2004. Isso, em que pese tal juízo não verter efeito prático, vez que os lançamentos se deram somente em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 2005. Prossigo com o exame dos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS relativos a 2005, 2006, 2007 e 2008. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 430 15 A recorrente se insurge arguindo que a exigência tributária deveria darse sob o regime simplificado. Irresignase também quanto ao arbitramento do lucro, porquanto lhe foi oportunizada a opção do regime tributário nem aberto prazo para reconstituição de sua escrituração contábil. Rejeito de plano o primeiro dos inconformismos, que dispensa digressões, porquanto já quanto ao anocalendário de 2005 a recorrente se encontrava excluída do Simples federal. Evidentemente a pessoa não pode “estar” e “não estar” ao mesmo tempo sob determinado regime de tributação. A recorrente não possuía ou ao menos não apresentou sequer o Livro Caixa, apesar de intimada reiteradamente. Descabido falar em opção a regime se a recorrente não possui nem ao menos o Livro Caixa – para cogitar do lucro presumido. Aliás, a faculdade por regime deve ser exercida mediante o pagamento do IRPJ e CSL trimestrais, para o lucro presumido, ou por pagamento da estimativa mensal de IRPJ e de CSL, para o lucro real anual, na conformidade dos arts. 2º, 3º, 26, § 1º e 28, da Lei 9.430/96. Sem o exercício da opção, a regra geral é o regime do lucro real trimestral, nos termos do art. 1º da Lei 9.430/96. Sem dúvida, o arbitramento do lucro é medida extrema. Mas, no caso vertente, a recorrente não possuía ou não apresentara nenhuma escrituração contábil. Nem o Livro Caixa, quanto menos os Livros Diário e Razão. Bem verdade que a recorrente declarara sua DIPJ/09 como sujeita ao regime do lucro presumido, conquanto zerada. Mas a opção pelo lucro presumido se opera conforme descrevi acima, além de reclamar, se não a escrituração contábil regular através dos Livros Diário e Razão, ao menos com o Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira. Notese que na impugnação a recorrente ainda assevera que está providenciando a escrituração contábil. Quer dizer, sequer ao tempo da impugnação havia a escrita contábil. Na peça recursiva, ela reitera que ainda está providenciando a escrituração contábil. No quadro posto, reputo cabível o arbitramento do lucro, na conformidade do art. 530, I e III, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 456DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 431 16 O arbitramento do lucro se deu com base na receita conhecida. In casu, sobre as receitas omitidas correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente. E contra tais valores das notas fiscais ela não controverteu. Combate a recorrente a aplicação do coeficiente de 38,4% para o arbitramento do lucro sob argumento de que não se estaria a tributar a renda. De início, cabe ponderar que tributação do que não é renda haveria certamente se a exigência de IRPJ e de CSL recaísse simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicandose sobre elas as alíquotas desses tributos. O arbitramento do lucro, ainda que medida extrema, não é penalidade. Tratase de medida presuntiva legal, diante da inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso de lucro real), em que se aplica o coeficiente previsto para determinação do lucro presumido acrescido de 20%, no caso de IRPJ. Para a CSL não há esse acréscimo de 20% sobre o coeficiente previsto para o lucro presumido. No caso vertente, como a atividade desenvolvida foi a de prestação de serviços, correto o arbitramento do lucro para fins de IRPJ, ao coeficiente de 38,4% (32% acrescidos de 20%) sobre a receita bruta conhecida. Aplicação do art. 532 c/c o art. 519, § 1º, III, “a”, do RIR/99. Igualmente correto o arbitramento do lucro para efeito de CSL, com aplicação do coeficiente de 32%, nos termos do art. 20 da Lei 9.249/95 com a redação da Lei 10.684/03 c/c o art. 29 da Lei 9.430/96. Nesses moldes, nego provimento ao recurso sobre a questão do arbitramento do lucro, para fins de IRPJ e de CSL. A recorrente articula os mesmos fundamentos deduzidos contra a exigência de IRPJ, no que cabível, para o PIS e a COFINS. Ora, o único fundamento cabível é a sujeição ao regime simplificado para os tributos em questão. E este, como já apreciado, ficou derruído de plano. Outrossim, nego provimento ao recurso quanto ao PIS e à COFINS. Apesar de não ter sido articulada pela recorrente, enfrento a questão da decadência quanto às obrigações tributárias conseqüentes aos fatos geradores de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, ocorridos no anocalendário de 2005, porquanto os lançamentos se aperfeiçoaram em 1º/02/10 (fls. 55, 76, 94 e 110). Ponto fundamental é o de que não houve pagamento de nenhum desses tributos no anocalendário de 2005, inclusive porque a recorrente se declarara inativa. Constatado isso, fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, Fl. 457DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 432 17 conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Sobre esse problema, já me manifestei recentemente, no Acórdão nº 1103 00.587, de 2011, do qual fui relator: Em que pese o dislate redacional contido no referido acórdão do STJ, em sede de procedimento repetitivo, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto nenhum com termo inicial previsto no CTN. Acolhido, por conseguinte, o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN para hipóteses em que não tenha havido algum pagamento de tributo, vêse que o termo inicial do referido prazo é 1º/01/07 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado) em relação aos fatos geradores ocorridos em 2005. Tivesse havido algum pagamento de tributo quanto às obrigações tributárias decorrentes de fatos geradores consumados em 2005, terseia aperfeiçoado a decadência do “direito” de lançar os créditos tributários de 2005 e de janeiro de 2006 (para PIS e COFINS), vez que os lançamentos ocorreram em 1º/02/10. Como o primeiro termo a quo do prazo decadencial é 1º/01/07, não houve concreção da decadência. Por fim, restam as questões da responsabilização solidária das demais sociedades do grupo Schade e do sócio administrador de todas as sociedades, José Carlos Schade. A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois, como ficou deduzido, tratase de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindose a recorrente. Quer dizer, todas as sociedades, que são uma, são, no rigor jurídico, contribuintes. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 433 18 Como, entretanto, os autos de infração em causa foram aperfeiçoados somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, reputo cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias, ao invés de aquela se dar como contribuinte. No que concerne ao sócio administrador José Carlos Schade, de tudo quanto já foi deduzido referentemente à constituição das sociedades aparentes, resulta claramente evidenciada sua responsabilidade, com suporte no art. 135, III, do CTN1. Em tais termos, nego provimento ao recurso no que pertine às questões da responsabilidade tributária. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004. É o meu voto. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13116.000896/2006-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso relativo h. área de reserva legal. Por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso na parte que foi conhecida.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO,. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da area eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do 1TR. Recurso especial negado. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso relativo h. área de reserva legal. Por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à área de preservação permanente . Vencidos os Conselheiros Susy Gornes Hoffinann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurs o na parte que foi conhecida. , Jena Gom s - Relator Julio\ Carlo Al T eitas B rreto — Presidente EDITADO EM: 7 0E2 20 10 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Affuda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual decidiu-se pela isenção correspondente as ét :eas do imóvel de preservação permanente e de reserva legal, em razão da dispensa do ato declaratório ambiental protocolado tempestivamente e pelo reconhecimento de que parte da area de reserva legal declarada através da DITR já havia sido averbada quando do fato gerador. Seguem transcrições do acórdão recorrido e do recursb especial, respectivamente: ITR/2000. ADA. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Incabível a incidência do 1TR quando houver comprovação da referida área mesmo que fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na IN-SRF /I ° 43 de 07/0511997 com a redação dada pelo art. I° da IN-SRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa ei área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art, 10, parágrafo 1 Q, da Lei II. 9_393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a .sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação ,feita após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do TTR. 2 Processo n" 13116.000896/2006-75 CSRF-T2 Acórdao n 9202-01.179 Fl 2 Divergindo deste entendimento, a co/cada Segunda câmara do Terceira Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda exige a apresentação tempestiva do ato especifico do órgão competente, para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada (ADA), bem como a averbação, em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, da área de reserva legal junto ao. Cartório de Registry de hnóveis. A ementa abaixo transcrita consagra a exigência tanto do ato do IBAMA, ou órgão delegado, quanto da averba cão, no caso de reserva legal Confira-se (cópia anexa); "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCICIO DE 1997. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convinio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imeiveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." (Ac,;02- 6 278, Relator Walber José da Silva) Relativamente à reserva legal, traz-se à colação outro julgado da Colenda Segunda câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em que restou reiterada a necessidade, para fins exclusão da incidência do ITR, da averbagio anterior ao .fato gerador da respectiva obrigação tributária, Anote-se "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR, ilREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel , junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior h da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de "posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a aVerbagdo daquela área, nos termos supra-indicados, sujeitando-se, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. No caso das áreas declaradas como de RESERVA LEGAL, além do contribuinte não ter apresentado tempestivamente o ADA, a . fiscalização constatou que as áreas não ,foram tempestivamente averbadas HO Registra de Imóveis '/7s 91/94). Como se constata, duas são as matérias divergentes: necessidade ou não de protocolização tempestiva do ADA para fins de isenção do ITR e, no caso da reserva 3 legal/utilização limitada, necessidade de averbação no registro de imóvel em data anterior ao fato gerador. No primeiro exame de admissibilidade, somente havia sido reconhecida a divergência para a area de preservação permanente, mas ern sede de agravo se decidiu pela comprovação também quanta a area de utilização limitada. Segue transcrição do primeiro despacho: Quanto á área de reserva legal, entendo que não houve divergência entre os julgados, pois o paradigma qfirma que aquela área somente será considerada para efeito de exclusão da tributação, quando estiver devidamente aver bada à margem da matricula do imóvel em data anterior ir ocorrência do fato gerador. No acórdão recorrido, conforme explicitado no voto, ficou comprovado que a área de 1.501,3680 ha estava averbada desde 22/08/94, portanto bem antes da ocorrência do fato gerador. 0 interessado apresentou contra-razões, onde reitera as alegações trazidas no recurso voluntário e ainda que: a) quanto a area de preservação permanente, lembra que se trata do exercício de 2000, antes da vigência da Lei n 10.165/2000; e b) quanto a área de reserva legal: conforme efetivamente comprovado nos autos, a Reserve Legal da propriedade encontra-se averbada desde o ano de 1994, e as áreas legalmente definidas como sendo de Preservação Permanente, conforme Laudo Técnico aos autos colacionado, estão efetivamente mantidas no imóvel, restando teminativamente cumpridas as exigências legais vigentes na data do fato gerador. È o relatório. 4 Processo n" 13116 000896/2006-75 AcárcIdo 9202-01.179 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Devolve-se a esta Camara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das Leas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. Sao isentas do impo.sto as áreas I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 196.5, com a nova redação dada pela Lei n" 7.803, de 1989. Embora ambas as Areas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto as exigências a serem cumpridas. Exigência de averbação Para a área conceituada corno reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei IV 7,803/89, a exigência e a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de area não inferior a 20% do total do imóvel. E o que se conclui da combinação corn a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8,847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n" 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16 ,,,,,,, § 2". A reserva legal, assim entendida a circa de, no minim, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não á permitido o corte raso, deverá ser averbada a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área , Alem da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: CSRF-T2 Fl 3 5 Art 1.227 Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou tiansmitidos pot atos entre vivos, só se adquirent com o regisiro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo corn que a partir de então sobre aquela Area o proprietário se submeta As limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34883 de 07/11/2007, da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v,g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fax e o RMS 18301 / MG, Min, Ado Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação adminisnativa a propriedade rui al Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não finer (o corte raso) quanto de fazer ('e delimitar a (ilea de reserva e averbá-la junto ao órgão competente), Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo São Paulo Atlas . 2003. 15" ed , p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas coin fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigafiies positivas ou negativas, coin o fin; de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social ('destaquei) De se notar, que, pant a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restriçâo administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas Li restrição do pagamento do ITR Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seda apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicada multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco qfirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbagão das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Flare.«tal pode e deve acarretam- sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do 17'R quanto a essas areas se elas fojem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal, (• • •.) De fato agredii ia a lógica elementiv estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero • ato de averbagão, acessório, complementar na tarefa cent, al de buscar a preservação da álea, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga °nines, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa set responsabilizado 6 Process° n° 13116.000896/2006-75 Ac6r(15o n.° 9202 -01.179 Fl 4 polo des-cumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas corn certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal 6 estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive ci administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n" 127,562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) urna peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. E a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a Area de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da area eleita pelo proprietário/possuidor. 'A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Embora no caso apreciado pela Corte Constitucional a finalidade era a desapropriação para fins de reforma agrária, restou claro que a averbação é ato constitutivo da reserva legal. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.88.3 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição .firmou-se .a partir do julgamento do Mandado de Segurança n" 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber; a despeito de não averbada se a área correspondente a reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para ,fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8,629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art, 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.. .) IV - as áreas c/c efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa ã conservação dos recursos naturais e ci preservação do meio ambiente Entendo que esse dispositivo não se refere a tuna fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exempla, as matas ciliares, as 7 nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é unia abstração matemática Há de se] entendida coma uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não. fbi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietcir ias só eslaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserver, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de ti ansmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averba cão determinada pelo § 20 do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a resenfa legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min Sepálveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA. 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserve legal . A "reserva legal", prevista no art. 16, § 20 do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraida da área total do inióvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf, L. 8.629/93, art. 10, II1),sem que esteja identificada na sua averbagão (v.g MS 22,688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago ci colação o MS 25186 / DF; Tribunal Pleno, de relataria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007.. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a circa de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraida da área total do imóvel pa/-a o fim de cálculo da produtividade Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever- novamente outro ti echo do voto condutor onde tal entendimento fica consignado. Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. S Processo n° 13116000896/2006-75 CSRF-T2 AcOrdao n " 9202-01.179 F1 $ Antes da demcncação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir 1111I percentual sujeito a proteção. Quanto As exigências relacionadas A reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição corno tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da Area ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. No caso em comento, a Area declarada de reserva legal foi parcialmente averbada antes da ocorrência do fato gerador. Verifico nos documentos .juntados aos autos e no voto vencedor que 1.501,3680 hectares foram averbados em 22/08/1994: No presente caso, está devidamente averbada desde .22.08.1994 na matricula do imóvel a área de 1.501,3680 hectares correspondente it Reserva Legal (certiddo de matricula de ils,91- 94), que também restou corroborado pelo Laudo Técnico de fir. 70-78 elaborado por profissional habilitado acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART e pelo ADA de .f1.86. Parece inconteste, então, que uma área de Reserva Legal, estipulada em 1,501,3680 hectares, existia e estava preservada a época do fato gerador do tributo que aqui se discute, No acórdão recorrido venceu a tese da dispensa de averbação quando comprovada a existência da reserva legal por outros meios idóneos; no entanto, somente se reconheceu como isenta do ITR a área averbada anteriormente aos fatos geradores. E também se esclarece que o contribuinte não recorreu quanto A área remanescente no lançamento. Concluindo, quanto à área de reserva legal/utilização limitada, entendo que assiste razão à recorrente; no entanto, em que pese a fundamentação em outro sentido, a conclusão no acórdão recorrido foi pela exclusão somente da Area averbada anteriormente ao fato gerador. E, portanto, a Fazenda Nacional não possuía interesse em recorrer dessa matéria, devendo assim não ser conhecida essa parte do recurso. Exigência de ADA Ern complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, ccíput, da Lei n°9.393, de 19/12/1996, in vet -bis: Art. 11. Sao isentas do imposto as áreas: 1 – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 196.5, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior 9 § 1"Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á — área tributável, a álea total do imóvel menos as tit eas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989, Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SU' n° 43, de 07/05/1997, corn a redação dada pelo art. 1' da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. JO. Área tributável é a circa total do imóvel excluídas as áleas: I - de preset vação permanente,' - de utilização § 1"A área total do imóvel deve se referir à situação existente época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em z I" de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II ( .) § 3" são áreas de utilização limitada: 4" As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratário do IBAIVIA, ou &giro delegado através de convênio, para fins da apuração do ITR, observado o seguinte. II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do IT]?, para protocolar requerimento do ato declaratório,junto ao IBAMA, III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o I'TR devido. Nos termos acima está claro que o contribuinte tern o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratOrio junto ao IBAMA. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal. Art 84. Compete privativamente ao Presidente da República. 1 0 Processo n° 13116 000896/2006-75 CSRF-T2 AcOrdrio n.° 9202-01,179 r. I G IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bent coma expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;. Art. 49, É da competência exclusiva do Congresso -Nacional .: V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos. limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar corno modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente; a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância corn a expressão "nos plazas e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art, 10. A apuração e o pagamento do 17R serão efetuadas pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" Se a lei não ,fixar prazo a homologação, seta ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,. eXpirado esse prazo sent que a Fazenda Ptiblica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Art, 150 ( .) § 6." Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivantente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuizo do disposto no art. 155, § 2 .", XII, g. (Redação ciada pela Emenda constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer. 1 1 Julio leira Gomes IV - a fixação de aliquot(' do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos plazas e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se As verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do urN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176 A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua din ação. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em coda caso, por despacho da autoridade administrative, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condiçães e do cumprimento dos requisitos previstos cm i lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o penado lançado a al:séncia do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impeditivo para o gozo da isenção. Em razão do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso para na parte conhecida negar pi imento ao recurso interposto. 12
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920505/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/04/2005
CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF
RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação,
substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo
consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação
por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da
causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por
meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito
do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.406
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 43 a 59) apresentado em 27 de dezembro de 2010 contra o Acórdão no 1627.142, de 20 de outubro de 2010, da 5ª Turma da DRJ/SP 1 (fls. 35 a 41), cientificado em 25 de novembro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de CIDE do período de 15 de abril de 2005, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao principio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 18 de junho de 2007. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.920505/200924 Acórdão n.º 330201.406 S3C3T2 Fl. 88 3 TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 06 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 15/04/2005. 2 O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 3 Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 8 a 22, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINS exportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). 3.10 Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria necessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.920505/200924 Acórdão n.º 330201.406 S3C3T2 Fl. 89 5 saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19740.000414/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO.
A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas.
LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO.
Verificando-se a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastá-las, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA.
Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituí-lo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR.
A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora.
LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA.
Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra,
somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.487
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificandose a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastálas, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituílo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DEOBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA. Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 299 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.179.5648, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, na condição de devedor solidário, pelas contribuições decorrentes da remuneração paga aos trabalhadores que laboraram para a empresa Sintonia Assessoria em Recursos Humanos LTDA., CNPJ 36.171.999/000189, que prestou serviço à autuada mediante cessão de mãodeobra no período do levantamento. O AI em questão contempla a contribuição dos segurados. Afirma o fisco que o sujeito passivo não foram apresentadas as guias de recolhimento específicas para as competências de 05/95 a 07197, 11/98 a 01/99; nem tampouco as folhas de pagamento específicas para as competências de 05/95, 08/95 a 07/97 e 11/98. O que teria impossibilitado verificar se foi realizado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos empregados cedidos. Continuando, asseverase que, para as competências 06/95 e 07/95, as folhas de pagamento apresentadas não registram todos os empregados que prestaram o serviço, como verificado nos demonstrativos que discriminam os trabalhadores nesses meses. O fisco acrescenta que foram apresentados recolhimentos, em guias que não apresentam vinculação a prestação de serviços, para as competências 07/95, 10/95, 06/96 e 12/96. Como as guias não são específicas, não foram consideradas para dedução das contribuições apuradas. Informase que a empresa tomadora foi intimada mais de uma vez a exibir os documentos que afastariam a responsabilidade solidária, todavia, não os apresentou. A base de cálculo, afirma o fisco, foi obtida por aferição indireta, equivalendo a cinquenta por cento do valor das notas fiscais de prestação de serviço apresentadas. Segundo a Auditoria, o presente auto de infração é composto pelos levantamentos "SIN — SINTONIA" e "SIG —SINTONIA", onde estão lançadas as contribuição dos segurados, quando possível apurálas, e as bases de cálculo sobre as quais foram calculadas as contribuições dos segurados, estas apuradas por aferição indireta. Para as competências 12/98 e 01/99, afirmase, foram consideradas como contribuição dos segurados os valores apurados nas folhas de pagamento apresentadas (12/98 — R$ 28,66 e 01/99 — R$ 75,37). O fisco mencionou que, em pesquisas sobre a regularidade fiscal da prestadora, verificouse que a mesma nunca houvera sido fiscalizada, nem havia débitos em seu nome. Afirmase ainda que o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD n.º 35.005.8423, nulificada por vício formal em decisão proferida pela 4.ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, datada de 25/10/2005. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Mencionase no relato que a análise do contrato de prestação de serviço evidenciou que se tratava de execução mediante cessão de mãodeobra. Apresentada impugnação apenas pela Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I decidiu pela procedência parcial do lançamento. Foram afastadas as competências que não estavam incluídas no lançamento substituído (NFLD n.º 35.005.8423), assim como, foram excluídas as bases de cálculo que excederam aquelas originariamente lançadas. A utilização de Auto de Infração para constituição do crédito, rechaçada na defesa, foi tida como regular pela DRJ, que também não acolheu o argumento relativo à falta de precisão na fundamentação legal da contribuição ao RAT, haja vista que o lançamento em questão diz respeito à contribuição dos segurados. Por fim, argumentouse que a apresentação de prova de que supostamente a contabilidade da prestadora dos serviços seria regular não serve para elisão da responsabilidade solidária. Afirmou o relator que tal comprovação serviria apenas para que se aceitasse recolhimento específico em valor inferior aos previstos na legislação que trata dos critérios de aferição indireta. Inconformada com a notificação, a tomadora apresentou recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o lançamento está viciado, posto que, nos termos dos artigos 243, 244 e 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, o instrumento hábil para constituir o crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal é a Notificação de Lançamento e não o Auto de Infração, este reservado para aplicação de multa em razão do descumprimento da obrigação tributária acessória; b) o crédito de que se cuida não decorreu de um lançamento substitutivo, haja vista que foram acrescentadas competências diversas e bases de cálculo majoradas em relação à NFLD anulada por vício formal; c) o fisco, em obediência aos manuais de procedimento da Administração Tributária, estaria limitado a unicamente corrigir os vícios que deram ensejo a nulidade da NFLD substituída. Como houve inovação nos critérios de apuração, não cabe a aplicação do prazo decadencial fixado do art. 173, II, do CTN, estando todas as competências lançadas fulminadas pela decadência, seja pela contagem do art. 150, § 4.º, ou do 173, I, ambos também do Codex Tributário; d) considerandose que anulação da NFLD n.º 35.005.8423 ocorreu em 2005, o lançamento substitutivo somente poderia alcançar fatos geradores ocorridos do ano de 2000 em diante; e) a decisão recorrida ao tentar manter o lançamento, utilizouse da argumentação de que o AI contemplaria crédito substitutivo e revisão de valores, todavia, essa linha argumentativa sequer foi utilizada no relatório fiscal, portanto, há de se concluir que a DRJ inovou nos próprios fundamentos do lançamento, o que é inadmissível; f) o fisco deveria diligenciar no sentido de verificar no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS a existência de compatibilidade entre os dados ali lançados e os Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 300 5 recolhimentos efetuados pela empresa prestadora. Esse argumento da defesa, inclusive, deixou de ser apreciado pelo órgão recorrido; g) ostentando o prestador de serviços regularidade contábil adequadamente comprovada, é certo que as GRPS existentes em com vinculação expressa ao seu CNPJ/MF, mesmo que não específicas, devem ser reconhecidas como hábeis para fins de elisão da solidariedade ora debelada. Ao final pede que se dê efeito suspensivo ao presente recurso e que no seu julgamento se cancele o crédito fiscal consubstanciado no presente AI. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O efeito suspensivo do mesmo é decorrência da lei, não havendo necessidade de requerêlo. Da inadequação do instrumento de constituição do crédito Alega a recorrente que o AI seria nulo, por não ser instrumento hábil a constituir crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal, conforme preceituam os artigos 243, 244 e 293 do RPS. Sobre essa questão há de se ter em conta que, quando da ciência do AI pelo sujeito passivo, em 02/09/2008, já eram aplicadas às contribuições sociais as disposições procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972. Tal alteração decorreu da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Receita Previdenciária na atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A inovação legislativa que criou a nova estrutura da Administração Tributária da União foi a Lei n.º 11.457, de 16/03/2007. Esta determinou em seu art. 25 que, a partir de abril de 2008, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de exigência das contribuições previdenciárias passariam a ser regidos pelo Decreto n.º 70.235/1972. Eis o dispositivo: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972: 1 a partir da data fixada no § 1.º art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei; O referido Decreto, por sua vez, determina: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente na data da lavratura) Assim, não há de se querer aplicar à situação sob enfoque as regras do RPS invocadas pelo sujeito passivo, uma vez que houve revogação tácita de todos os dispositivos incompatíveis com a novel legislação, conforme prevê o § 1.º do art. 2.º do DecretoLei n.º 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil): Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 301 7 Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Nesse sentido, a utilização de Auto de Infração para constituição de crédito decorrente de contribuições não recolhidas encontra amparo na legislação atualmente em vigor, não devendo ser acatada a tese de nulidade do lançamento por essa razão. Da inovação do lançamento substitutivo Outra alegação do recorrente é que o lançamento, por haver inovado no período e nas bases de cálculo em relação à NFLD que fora anulada por vício formal, encontra se viciado não podendo ser aproveitado, mesmo com as correções procedidas pelo órgão de primeira instância. A DRJ, ao contrário, defende que o presente AI contempla uma parte substitutiva e outra concernente à revisão de lançamento, não sendo esta cabível posto que estariam decadentes todas as contribuições que não foram lançadas na NFLD anulada, devendo remanescer, todavia, os valores originariamente constituídos, uma vez que aos mesmos seria aplicado o inciso II do art. 173 do CTN. A meu ver, a inclusão em determinado lançamento de contribuições indevidas, seja por decadência ou mesmo por improcedência não é causa de sua nulidade integral, devendo serem expurgadas apenas os valores exigidos ao arrepio da legislação. A principal função dos órgãos de julgamento administrativo é garantir a higidez do crédito tributário, afastando do mesmo valores que indevidamente cobrados, ou sendo o caso de ocorrência de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, mediante a nulificação do ato, que pode vir a ser refeito, respeitado, é claro, o prazo decadencial para constituição do crédito. O princípio da eficiência, ao qual está jungida a Administração Pública (art. 37, “caput”, da Constituição Federal), não admite que se repita um ato administrativo quando é possível, mediante o seu saneamento, que o mesmo venha a surtir os efeitos que lhes são próprios. É o caso do lançamento em questão, no qual a DRJ, ao verificar que o fisco extrapolou as balizas legais, resgatou a legalidade do ato administrativo, ao expurgar do crédito as competências e os valores de base de cálculo que não constavam no lançamento substituído. Não vislumbro na espécie prejuízo ao direito do defesa do sujeito passivo ou mesmo preterição de formalidade essencial no lançamento. Os fatos geradores estão descritos a contento, a base imponível encontrase bem delineada e as contribuições devidas foram devidamente apresentadas no AI e anexos, não se verificando atropelo aos ditames do art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972 também não se fazem presentes, como se pode ver: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. No momento em que foram pinçados do ato administrativo os vícios de legalidade já comentados, há a possibilidade de convalidação do lançamento pela Administração, conforme prevê a Lei n.º 9.784/1999, em seu art. 55: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administra Pois bem, não encontro na espécie motivo suficiente para que se decrete a nulidade do lançamento se, após a retificação de valores indevidamente exigidos, o mesmo encontrase apto a produzir os efeitos que lhe fizeram vir ao mundo. Não hei de acatar o pedido de nulificação do AI, quando a recorrente não consegue demonstrar a ocorrência de prejuízo aos seus direitos, posto que não há o que se falar em nulidade de ato administrativo se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Não há nulidade sem prejuízo. É desnecessário, do ponto de vista prático, anular se ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. A doutrina tem chamado de princípio da transcendência àquele de que se origina a regra de que, para que a nulidade seja declarada, é necessário que esta produza prejuízo. Do contrário, não se deve nulificar o ato. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em provas convincentes, afasto essa preliminar. Devo reconhecer também que a DRJ enfrentou a contento os argumentos defensórios relativas a inovação no lançamento substitutivo, posto que afastou as contribuições que não estavam lançadas na NFLD n.º 35.005.8423 e justificou a manutenção da parte coincidente. Não se vislumbra, assim, motivos para a nulificação da decisão guerreada. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 302 9 Decadência Conforme já exposto, o órgão a quo afastou a exigência de contribuições não incluídas no lançamento substituído, eliminando assim a ilegalidade perpetrada pela Auditoria. Por outro lado, não há dúvida quanto à natureza do vício que ensejou a declaração de nulidade da NFLD n.º 35.005.8423 pelo CRPS, basta ver a ementa da decisão: EMENTA CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA AFERIÇÃO INDIRETA VÍCIO FORMAL. A omissão, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito, quanto ao fundamento de direito que autoriza o procedimento de aferição indireta das contribuições previdenciárias, vicia o procedimento fiscal. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, nos termos do art. 53, da Lei n o 9.784, de 29/01/99. ANULADA A NFLD, N.º do(a) Acórdão: 2492/2005. Pois bem, anulado o crédito por vício formal, a contagem do prazo decadencial se dá pela norma inserta no art. 173, II, do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Ao contrário do que defende a recorrente, o dies a quo para definição do lapso de decadência se baseia, nesse caso, não em marco relacionado à ocorrência do fato gerador, mas se vincula diretamente à data em que houve a declaração de nulidade. Não se tendo constatado no lançamento original o transcurso do prazo decadencial para quaisquer das competências, posto que o período lançado é 05/1995 a 01/1999 e a ciência da NFLD n.º 35.005.8423 ocorreu em 25/02/2000, verificase que o prazo para que o fisco pudesse reconstituir este lançamento não houvera transcorrido em 02/09/2008, uma vez que a decisão anulatória do CRPS foi de 25/10/2005. A tese da empresa de que, a partir da decisão que declarou a nulidade do crédito, o fisco teria que respeitar o prazo de cinco anos, contados dos fatos geradores, para efetuar a substituição do mesmo, não deve subsistir. É que o art. 173, II, do CTN, representa interrupção do prazo de decadência, contandose, a partir da decisão anulatória, integralmente o lustro para todo o período lançado, o que faz com que a Fazenda Pública, passe a dispor de cinco anos, da nulificação do crédito, para reconstituir a integralidade do lançamento declarado nulo por vício formal. Afasto, assim, a suscitada decadência. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Necessidade de fiscalização prévia no prestador de serviço Um primeiro aspecto a ser examinado neste tópico é a possível ocorrência de fiscalização prévia na empresa prestadora. Sobre essa questão o fisco assim se pronunciou: 17. Buscando evitar o lançamento de crédito tributário já extinto ou devidamente constituído, e assim conferir maior certeza e liquidez ao ora lançado, foram realizadas consultas aos sistemas informatizados do Fisco a fim de verificar a possibilidade de existência de débitos já registrados e de ocorrência de ações fiscais com exame de contabilidade. No Sistema de Cobrança SICOB não há débito registrado para o prestador no período abrangido pelo lançamento; e no Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, não consta qualquer ação de fiscalização desenvolvida no prestador. Outra questão apontada pela empresa autuada é que a Autoridade Fiscal deveria, antes de constituir o crédito na tomadora, verificar, mediante consulta ao CNIS, se os recolhimentos efetuados pela prestadora eram compatíveis com as remunerações informadas. A bem da verdade, no período do débito, as informações prestadas através da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais, do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e do FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, disponíveis no banco de dados do CNIS, não seriam úteis para verificar se a empresa prestadora teria efetuado o recolhimento relativo à mão de obra disponibilizada à recorrente. É que os dados de remuneração constantes no cadastro do CNIS eram precários, haja vista não conterem as informações individualizadas por tomador de serviço, como hoje ocorre, após o advento da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Quanto essa questão, vou mais além. De acordo com a legislação tributária e previdenciária a Administração tem o direito de escolher e de exigir o valor total das contribuições devidas de quaisquer dos devedores solidários, sem que estes tenham qualquer benefício de ordem, considerando a determinação contida no parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Nesse sentido, pode o débito ser exigido de qualquer dos coobrigados, ressalvado o direito regressivo do tomador dos serviços e admitida a retenção das importâncias devidas para garantia do cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Sobre o argumento de que a falta de fiscalização prévia no prestador de serviço invalidaria o lançamento, tenho a dizer que o entendimento reinante nesse colegiado é contrário ao mesmo. Percebese que nem sempre é possível essa verificação, até porque em muitos casos a empresa contratada nem mais existe. A prevalecer essa exigência, criarseia mais uma dificuldade para recuperação de contribuições em um seguimento em que, sabidamente, a evasão tributária era considerável. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 303 11 Sensível a essa problemática, esse tribunal administrativo sedimentou o entendimento de que é válido o lançamento por solidariedade com base na documentação apresentada pelo contratante de obra realizada por empreitada total, sem que seja necessária uma verificação prévia na empresa prestadora. Trago à colação ementa de recentes julgados que abonam a tese acima expressa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/01/1999 EMENTA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Recurso Voluntário Negado. (Recurso n.º 254368, Segundo Conselho de Contribuintes, 5.ª Câmara, Rel. Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Seção 03/12/2008, Negado Provimento por Maioria) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeuse ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que defendem ser determinante à aplicação do instituto. LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SOLIDARIEDADE CONSTRUÇÃO CIVIL ELISÃO NÃO OCORRÊNCIA O proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR DESNECESSIDADE Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Recurso n.º 255769, Segunda Seção do CARF, 4.ª Câmara, 1.ª Turma, Rel. Conselheiro Ana Maria Bandeira, Seção 08/05/2009, Provimento Parcial por Unanimidade) Esses julgados bem demonstram que não havendo a elisão da responsabilidade solidária pela empresa tomadora, tem o Fisco a prerrogativa de constituir o crédito independentemente de fiscalização na empresa contratada. Das guias de recolhimento apresentadas O próprio sujeito passivo admite em seu recurso que as guias de recolhimento apresentadas não eram específicas para a mãodeobra que lhe fora cedida pela prestadora. Todavia, argumenta que o fato de haver comprovado que a contratada possuía contabilidade regular elidiria a responsabilidade solidária. Não é esse o melhor entendimento. O § 4.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, vigente no período do lançamento, assim prescrevia: § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Para que todos os pagamentos pudessem vir a ser aproveitados na presente apuração, haveria de ser feito uma fiscalização prévia na empresa tomadora, o que contraria frontalmente a técnica de arrecadação baseada na responsabilidade solidária do tomador para com as contribuições devidas em razão da prestação de serviço por cessão de mãodeobra. Assim, por haver deixado de exigir, para todo o período fiscalizado, as guias de recolhimento específicas para o serviço que lhe foi prestado, quando da quitação das notas fiscais de prestação de serviço, a recorrente deve ser responsabilizada pelas contribuições, haja vista que o seu adimplemento não foi comprovado. É bom que se ressalte que o fato da prestadora possuir regularidade contábil, por si só não faz com que as guias genéricas possam ser aceitas para afastar a responsabilidade solidária, apenas teriam serventia para que o fisco aceitasse guias genéricas em valores inferiores aqueles prescritos pela legislação que regula a aferição indireta. Dizendo melhor, as instruções da Administração Tributária prevêem um percentual mínimo de remuneração que deve estar contido nas guias específicas relacionadas a prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, todavia, comprovandose que a prestadora possui contabilidade regular, aceitase, para elisão da responsabilidade solidária, guias com valores inferiores aos determinados nas citadas normas. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 304 13 Conclusão Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e a decadências suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000016/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO.
INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Ferreira Presta.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Ferreira Presta. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório TORRES & CIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida. Trata este processo de auto infração de IRPJ (fls. 157 a 164), lavrado pela SEFIS da DRF – VITÓRIA – ES, em função da redução indevida do imposto no ano calendário de 2003, no valor de R$ 365.968,25, acompanhado de juros de mora incidentes até a data do efetivo pagamento. O crédito foi lançado sem multa. A seguir, os pontos principais do Termo de Verificação de Infração constante das folhas 148 a 156. TERMO DE VERIFICAÇÃO Em 02/05/2003, o interessado requereu, nos termos do Decreto nº 4.213/2002, o reconhecimento do direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro de exploração, conforme disposto na IN nº 267/2002, originando o processo administrativo nº 11543.001409/200383 (fls. 03 e 04). O pedido de reconhecimento do direito foi instruído com os Laudos Constitutivos nº 0135/2003 (original) e 0269/2003 (complementar), expedidos pelo Ministério da Integração Nacional, que atestavam que o interessado atendia à seguinte condição: modernização de empreendimento industrial na área da extinta SUDENE. Em 03/09/2003, emitiuse o Parecer SEORT nº 1.115/2003 e com base nesse parecer foi exarado pela Delegada da Receita Federal em Vitória um despacho decisório reconhecendo o direito do interessado, conforme MP nº 2.19914/2001. No entanto, em 23/12/2003, a Inventariança Extrajudicial da Extinta SUDENE, enviou o Ofício nº 1.438/2003 à Delegada de Vitória informando sobre o cancelamento dos Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003, por não terem amparo legal. A motivação do cancelamento dos laudos residiu no fato de que o interessado não se localizava em área de atuação da extinta SUDENE, delimitada pela lei nº 9.690/98. Tendo em vista que o interessado, estabelecido no município de Serra (ES), não está localizado em área de atuação da extinta SUDENE, em 15/03/2004, a Delegada da Receita Federal de Vitória emitiu um novo despacho decisório, com base no Parecer SEORT nº 388/2004, cancelando o despacho anterior, o que implicou no não reconhecimento do direito à redução. Ou seja, a concessão do benefício inicialmente concedido, foi anulada. Em 13/04/2004, o interessado apresentou manifestação de inconformidade junto à Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro. Em 23/12/2004, a ADENE emitiu o Ofício nº 1.189/2004, comunicando à Receita Federal que foi julgado improcedente, POR UNANIMIDADE, o recurso interposto pelo interessado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 4 3 junto àquele órgão e portanto, os Laudos Constitutivos nº 0135/2003 (original) e 0269/2003 (complementar) estavam definitivamente anulados. Em 11/08/2005, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou o Acórdão nº 8.221/2005, indeferindo, POR UNANIMIDADE, a manifestação de inconformidade do interessado, ou seja, manteve o decidido no Parecer SEORT nº 338/2004, que não reconheceu o direito à redução do IRPJ pleiteado pelo interessado. Em 08/09/2005, o interessado foi cientificado do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, tornando definitiva, na esfera administrativa, a decisão que cancelou o benefício de redução do imposto de renda. A Lei nº 9.690/98 foi taxativa e exaustiva ao incluir apenas os municípios do norte do Estado do Espírito Santo na área de atuação da extinta SUDENE. Nenhum município ao sul do Rio Doce foi contemplado. Desse modo, para que fosse legítimo o gozo do incentivo, o interessado deveria cumprir o requisito de estar situado na área de atuação da extinta SUDENE, que não abrange o município de Serra, onde está localizado seu empreendimento. Não houve, entre o primeiro Despacho Decisório SEORT/DRF/VIT nº 1.115/2003 que reconhecia o benefício e o de nº 338/2004 que reviu (anulando o primeiro), qualquer mudança de critério jurídico de concessão, mas sim o acolhimento de situação de fato que não correspondia à verdade material quanto à localização do empreendimento na área da SUDENE. A rigor, o Despacho Decisório nº 1.115/2003, sobre violar a disposição legal, o fez, também, por ter se assentado em fatos que não foram corretamente descritos nos laudos constitutivos e no requerimento do interessado. Portanto, o primeiro despacho, o de nº 1.115/2003, que reconheceu, de forma indevida, o benefício fiscal, incorreu em nulidade por duas razões: a) Ilegalidade do objeto, por ter produzido resultado em violação de lei que limitava o incentivo à área da extinta SUDENE; b) Inexistência dos motivos, em razão de que a assertiva inserida no requerimento do interessado e nos laudos emitidos originariamente pelo Ministério da Integração Nacional, de que o empreendimento estava localizado em área da SUDENE, é materialmente inexistente. Destarte, por não ter havido alteração no critério jurídico por parte da Receita Federal, inaplicável o artigo 146 do CTN à matéria. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Cumpre dizer ainda, que o despacho decisório que reconheceu indevidamente o benefício não é passível de convalidação, pois os defeitos são insanáveis, tendo acarretado provisória lesão ao interesse público (supressão na arrecadação de tributos) que pode e deve ser corrigida pelo competente lançamento tributário. Ademais, o ato de reconhecimento não poderia ser refeito para fins de garantir o gozo do benefício, pela simples razão de que ainda hoje ofenderia expressa disposição de lei. Além disso, é cediço que a administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos. A anulação produz efeitos retroativos (ex tunc), portanto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 5 4 A corroborar a afirmativa temse o artigo 179 do CTN que estabelece, ainda, que o lançamento não deverá impor multa de mora ou de ofício, a não ser que se comprove dolo, fraude ou simulação por parte dos sujeitos passivos. Da fiscalização e das infrações verificadas. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização autorizada pelo MPF 0720100 2005005965, o interessado informou que: a) Não efetuou os recolhimentos dos valores de IRPJ relativos à redução indevida e que optou por utilizar o benefício fiscal apenas no ano de 2003; b) Em virtude do não recolhimento dos valores reduzidos do IRPJ, não foram realizados os lançamentos contábeis dos ajustes a que se refere; As parcelas, referentes ao benefício de redução do IRPJ com base no lucro de exploração, utilizadas pelo interessado no ano calendário de 2003, foram as seguintes: 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre Total 62.453,74 3.379,63 88.746,11 211.388,77 R$ 365.968,25 Em função do interessado não ter procedido aos ajustes contábeis e aos recolhimentos das parcelas do IRPJ devidas em virtude do cancelamento do benefício de redução, efetuouse o lançamento de ofício do IRPJ reduzido indevidamente, acrescido de juros moratórios. O interessado tomou ciência do auto de infração e do Termo de Verificação em 30/01/2006 (fl. 156) e, em 1º/03/2006, apresentou a impugnação de folhas 166 a 187, a seguir resumida. IMPUGNAÇÃO. O interessado apresenta, ao início, os “destaques da defesa” que tem como pontos principais as seguintes ponderações. Destaques da Defesa. O interessado formalizou o pedido de redução do IRPJ em 08/05/2003. A Receita Federal ultrapassou o prazo de 120 dias previstos para deliberação sobre o mesmo, em conformidade com o art. 3º do Decreto nº 4.213/2002. Portanto, o direito ficou tacitamente consignado. Assim, a partir de 04/09/2003, o interessado passou a ter direito ao benefício até que a decisão da DRJ/RJO declarasse esse direito revogado em decisão irrecorrível na esfera administrativa (08/09/2005). Mesmo intempestivamente, a Receita Federal examinou todos os documentos e aprovou o Pedido de Redução de 75% do IRPJ e adicionais. A partir dessa concessão, tivemos uma série de contradições e modificações de opinião por parte da DRF de Vitória, da Inventariança Extrajudicial da Extinta SUDENE, da Procuradoria Federal junto à Inventariança da extinta SUDENE e da Consultoria Jurídica do Ministério da Integração Nacional. Todas as idas e vindas das Autoridades não interferiram no direito legal concedido ao interessado pelo § 2º do art. 3º do Decreto nº 4.213/2002, até o exato dia em que a empresa tomou ciência do Acórdão DRJ/RJI nº 8.221/2005 recebido em 08/09/2005. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o inteiro gozo do benefício fiscal durou de 01/01/2003 até 07/09/2005, véspera da decisão irrecorrível, consoante artigo 3º, § 4º, do Decreto nº 4.213/2002. A partir daí, às folhas 168 e 169, o interessado tenta justificar que tem direito à redução do IRPJ, pelo fato de ser uma empresa considerada como de setor prioritário ao desenvolvimento regional. Em seguida, volta à questão do prazo de 120 dias para a Receita Federal se pronunciar. Do exame do mérito em relação à exigência fiscal. Da folha 175 à 186, o interessado volta a questionar seu direito à redução do IRPJ (já definitivamente negado no processo administrativo 11543.001409/200383), trazendo argumentos sobre as áreas geográficas de atuação da Extinta SUDENE e da ADENE. Argumenta que a seu favor está o fato de que a área de atuação da ADENE abrange todo o território do Estado do Espírito Santo. Afirma que a questão geográfica o fato de o município de Serra (ES) não estar incluído na área de atuação da Extinta SUDENE – é de completa responsabilidade dos órgãos federais, não podendo ser imputada ao interessado, que sempre mencionou seu endereço correto em seus requerimentos. Requer o cancelamento do auto de infração. A decisão recorrida está assim ementada: REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. MATÉRIA DEFINITIVAMENTE JULGADA. NOVO JULGAMENTO. Não cabe, por impedimento legal (Decreto nº 4.213, de 26/04/2002), reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado, quanto ao não reconhecimento, já definitivamente julgado na esfera administrativa, de seu direito à redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de litígio quanto a isenção do imposto de renda sobre lucro da exploração de empreendimento na área da antiga SUDENE. A contribuinte reitera a alegação de que pleiteou o beneficio na forma correta e que os órgãos demoraram mais de 120 dias na apreciação, portanto, passou a fazer jus a redução até que fosse indeferida. Descabe razão à empresa. Isso porque após o indeferimento, o contribuinte teve prazo suficiente para recolher o tributo devido sem a multa de oficio, mas insistiu na tese que naquele período a isenção vigorou a seu favor. Pois bem, a meu ver não cabe razão à recorrente, conforme já fundamentado na decisão de 1a. instancia, a seguir transcrita: (...) QUANTO AO PRAZO PARA EMISSÃO DO PARECER SEORT Nº 1.115/2003. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o Decreto nº 4.213/2002. Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 8 7 § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o. Já que o interessado afirma que a Delegacia da Receita Federal de Vitória demorou mais de 120 dias para analisar seu pedido de redução, vejamos, em primeiro lugar, o cronograma dos acontecimentos. O Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ foi apresentado em 02/05/2003, acompanhado do Laudo Constitutivo nº 0135/2003 datado de 01/03/2003. Conforme exposto no Parecer SEORT nº 1.115/2003 (fl. 12), “em função do laudo apresentado pelo interessado não estar em conformidade com o contido no § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 1.564/77, pois não esclarece por que tipo de modernização passou o empreendimento, se parcial ou total, e nem atesta o percentual de aumento da capacidade instalada do empreendimento, o interessado foi intimado a apresentar um NOVO LAUDO constitutivo, no qual fossem contempladas as demais informações necessárias à análise do pleito. O interessado, então, apresentou o Laudo Constitutivo Complementar nº 0269/2003 (fls. 09 a 11), emitido em 26/08/2003, o qual atesta a modernização total do empreendimento industrial e a equivalência percentual em relação à modernização em 100%”. A cópia da Solicitação de Documentos nº 166/2003, que comprova que antes do prazo de 120 dias para o parecer definitivo da Delegacia de Vitória, este órgão já havia analisado o pedido e verificado que o laudo constitutivo estava incompleto, foi juntada à folha 227. A solicitação em referência foi recebida em 28/07/2003 – portanto, menos de 90 dias do pedido de redução. O laudo complementar foi solicitado, pelo próprio interessado, à Inventariança Extrajudicial da SUDENE em 15/08/2003, conforme comprova a cópia de folha 11. Assim dispôs o laudo complementar em referência: Em face da solicitação dessa empresa datada de 15/08/2003, com vistas ao atendimento da Solicitação de Documentos da Delegacia da Receita Federal de nº 166/2003, o Grupo de Trabalho no preâmbulo qualificado considera o pleito procedente e com base legal e resolve: a) os itens 7 e 10 do Laudo Constitutivo nº 0135/2003, de 31/03/2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) O Laudo Complementar nº 0269/2003 (fls. 09 a 11) foi emitido em 26/08/2003. Portanto, só em 26/08/2003, o interessado cumpriu as formalidades legais para solicitar a redução do IRPJ, já que o laudo inicialmente apresentado estava incompleto. O Parecer SEORT nº 1.115/2003, que analisou o pleito e os laudos, foi emitido em 16/09/2003, com ciência do interessado em 07/10/2003 (fl. 15), ou seja, menos de um mês após a apresentação do laudo complementar. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 9 8 Dessa forma, vêse que o interessado tenta, utilizandose de uma omissão de acontecimentos, responsabilizar a Receita Federal pela emissão do parecer em mais de 120 dias do pedido de reconhecimento. Pelo que se relatou acima, vêse claramente que a Receita Federal se posicionou acerca da irregularidade do laudo inicialmente apresentado (nº 0135/2003) antes de 90 dias – prazo inferior ao determinado pelo Decreto nº 4.213/2002 e menos de 30 dias após a apresentação do laudo complementar. Assim, cai por terra a afirmação do interessado de que usufruía do direito de redução, em função do § 2º do art. 3º do Decreto nº 4.213/2002, pelo prazo de 01/01/2003 a 08/09/2005 (data da ciência do Acórdão DRJ/RJ 01 nº 8.221, de 11/08/2005). DO CANCELAMENTO DO DIREITO À REDUÇÃO DO IRPJ E ADICIONAL CALCULADO SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. O interessado efetuou reduções do IRPJ no ano calendário 2003, com base no direito que entendia possuir de reduzir o IRPJ e adicional concedido a empresas situadas na área da extinta SUDENE. O Auditor Fiscal glosou as exclusões, pelo fato de este direito, inicialmente concedido de forma indevida pela Receita Federal, ter sido cancelado, conforme decisão administrativa definitiva prolatada no processo 11543.001409/200383 (Acórdão DRJ/RJOI nº 8.221, de 11/08/2005). Da folha 175 à 186 o interessado se atém a levantar quesitos quanto à matéria definitivamente julgada no processo administrativo citado no parágrafo anterior através do acórdão prolatado pela 6ª Turma desta Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro. Conforme visto anteriormente, o Decreto nº 4.213/2002 dispõe que o direito à redução será reconhecido pela unidade da Receita federal de jurisdição do interessado e que é irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. A IN SRF nº 267, de 23/12/2002, também dispõe em seu artigo 60: Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. § 1º O titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2º Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, a partir da data de expiração do prazo. § 3º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 10 9 § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. § 5º Na hipótese do § 4º, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. Conforme se conclui da leitura dos textos legais acima, do Acórdão 8.221, prolatado em 11/08/2005, não cabe mais recurso administrativo. E, de fato, o interessado respeitou o dispositivo legal, não recorrendo do referido julgado. O processo 11543.001409/200383 encontrase parado, para consulta, na Delegacia da Receita Federal de Vitória. O que o interessado tenta fazer agora, através da impugnação apresentada, é burlar o impedimento legal de recorrer da decisão que lhe negou o direito à redução, apresentando alegações quanto às áreas de jurisdição da ADENE e da Extinta SUDENE. O benefício de redução do IRPJ, pleiteado pelo interessado, só é dirigido, conforme art. 1º da MP 2.19914, aos empreendimentos instalados na área da Extinta SUDENE e não nas áreas sob administração da ADENE, como tenta fazer entender o interessado. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Posteriormente à criação da SUDENE, a área de sua atuação foi ampliada pela Lei nº 9.690, de 15/07/1998, que listou, de forma taxativa, alguns municípios do Estado de Minas Gerais e da região norte do Estado do Espírito Santo. Entre eles, não se encontra o município de Serra (ES), onde está localizado o empreendimento do interessado. Senão, vejamos: Art. 1o Para os efeitos da Lei no 3.692, de 15 de dezembro de 1959, é o Poder Executivo autorizado a incluir na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, os Municípios de Almenara, Araçuaí, Bandeira, Berilo, Cachoeira do Pajeú, Capelinha, Caraí, Carbonita, Chapada do Norte, Comercinho, Coronel Murta, Couto Magalhães de Minas, Datas, Diamantina, Divisópolis, Felício dos Santos, Felisburgo, Francisco Badaró, Itamarandiba, Itaobim, Itinga, Jacinto, Jequitinhonha, Joaíma, Jordânia, Malacacheta, Mata Verde, Medina, Minas Novas, Montezuma, Novo Cruzeiro, Padre Paraíso, Palmópolis, Pedra Azul, Rio do Prado, Rio Vermelho, Rubim, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto, Santo Antônio Jacinto, Senador Modestino Gonçalves, São Gonçalo do Rio Preto, Serro, Turmalina, Virgem da Lapa, da região do Vale do Jequitinhonha, no Estado Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 11 10 de Minas Gerais; e os Municípios de Baixo Guandu, Colatina, Linhares, Marilândia, Rio Bananal, São Domingos do Norte, Pancas, Sooretama, Alto Rio Novo, Águia Branca, São Gabriel da Palha, Vila Valério, Jaguaré, Mantenópolis, Barra de São Francisco, Vila Pavão, Água Doce do Norte, Nova Venécia, São Mateus, Conceição da Barra, Boa Esperança, Pinheiros, Ecoporanga, Ponto Belo, Montanha, Mucurici e Pedro Canário, da região norte do Estado do Espírito Santo. Por meio da Medida Provisória 2.145, de 02/05/2001, e reedições, foi extinta a SUDENE (art. 41) e criada a ADENE, cuja área de jurisdição abrange todo o Estado do Espírito Santo (art. 31 e § 2º). No entanto, a legislação relativa ao benefício fiscal pleiteado pelo interessado, posterior à extinção da SUDENE, sempre deixou claro que os mesmos eram restritos à área de abrangência da extinta autarquia, conforme se vê do disposto no artigo 1º da MP 2.19914. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Além do mais, o benefício da redução questionado já não é mais passível de discussão neste processo, em virtude de o assunto, conforme esclarecido anteriormente, já estar definitivamente julgado na esfera administrativa. Os principais pontos do Acórdão 8.221/2005 que negou o pedido de redução do interessado (fls 50 a 56) são os seguintes. Ementa: INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. CANCELAMENTO. A todo tempo, a autoridade poderá cancelar de ofício o despacho concessivo se apurar que o beneficiário não satisfazia as condições iniciais ou deixou de satisfazêlas, não cumprindo os requisitos da lei. Solicitação Indeferida.......... Quando a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade em relação ao Parecer SEORT nº 388/2004, a decisão administrativa do recurso a respeito da anulação dos Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003 ainda não tinha sido proferida pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE. No entanto, em 23/12/2004, este órgão, através do Ofício nº 1.189 (fl. 85), comunicou à DRF/Vitória/ES que o recurso da Interessada foi julgado improcedente, sendo então mantida a anulação dos Laudos Constitutivo nº 0135 e Constitutivo Complementar 0269/2003. .......... Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 12 11 Ao ANULAR os Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003, a ADENE/MIN justificou o ato pelo não atendimento aos requisitos legais exigidos no que tange à abrangência espacial de concessão do benefício. Esta abrangência espacial está definida, relativamente ao Estado do Espírito Santo, onde está localizada a empresa, na Lei nº 9.690/98 que não inclui, na área da SUDENE, o município de Serra. Conforme o art. 60 da IN nº 267/2002 a competência para reconhecer o direito à redução do IRPJ será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. Logicamente, a falta deste laudo impede a concessão do benefício. ... para obtenção de uma isenção individual (e não geral), há necessidade de prova, pelo interessado, de que preenche determinados requisitos e condições previstos em lei. No caso em discussão, uma das condições para auferir o benefício fiscal pleiteado seria a apresentação do Laudo repetidamente citado. O documento, inicialmente emitido, foi posteriormente anulado, exatamente porque a empresa não preenchia, desde a origem do pedido, um dos requisitos necessários – a localização. Por este motivo, as condições acessórias previstas em lei passaram a não ser atendidas. Conseqüentemente, o benefício fiscal deve ser também cancelado desde a data inicial de sua concessão, sem que haja qualquer obrigação da União para com o contribuinte. Face ao exposto e por tudo o mais que dos autos consta, INDEFIRO a solicitação efetuada, e mantenho o decidido no Parecer SEORT nº 388/2004 de 15/03/2004. O interessado perdeu nos recursos apresentados junto à ADENE (processo nº 59301.001847/200230 – fl. 49) e junto à Receita Federal (processo 11543.001409/200386 – acórdão acima) e agora tenta levantar outras questões sobre seu direito à obtenção do benefício fiscal, com a intenção clara de conseguir, através deste processo de auto de infração, chegar a um veredito do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais que, no entanto, pelo Decreto nº 4.213/2002, está impedido de se pronunciar quanto a este assunto específico, em virtude do disposto no § 4º do art. 3º. Resumindo; o interessado teve seu direito à redução do IRPJ, originalmente concedido por engano, cancelado, tanto pela ADENE (através dos seus laudos constitutivos), quanto pela SRFB (através do processo 11543.001409/200383), pelo fato de sua modernização industrial ser efetuada em empreendimento localizado no município de Serra (ES), não localizado em área de atuação da extinta SUDENE, que só abrange os municípios do norte do Espírito Santo. Portanto, não cabe a esta DRJ/RJO 1, nesta oportunidade, por impedimento legal (Decreto nº 4.213, de 26/04/2002), reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado quanto à denegação, já definitivamente julgada em instâncias administrativas através do processo 11543.001409/200383, de seu pedido de redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração, conforme pretendido pelo mesmo. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 13 12 Em função de todo o exposto, concluo que são indevidas as reduções do IRPJ efetuadas com base em benefícios fiscais indevidamente concedidos a empresas que não estão situadas na área da SUDENE, devendo ser mantido o lançamento de ofício destas diferenças de imposto relativas ao ano calendário de 2003. O lançamento do IRPJ, referente às glosas destas deduções, foi efetuado sem qualquer aplicação de multa, mas com juros moratórios. Sobre isso lembremos que o direito do interessado à redução do IRPJ foi definitivamente revogado em 2005 porque ele não satisfazia, desde o pedido inicial, as condições para a obtenção do benefício. Houve erros iniciais, por parte da Inventariança Extrajudicial da SUDENE e da Delegacia da Receita Federal de Vitória, ao emitirem os Laudos Constitutivos 0135/2003 e 0269/2003 e o Parecer SEORT 1.115/2003 concedendolhe ilegalmente o benefício da redução. Os erros foram corrigidos e os laudos e o parecer inicial foram cancelados, com efeitos extunc. No entanto, não houve dolo por parte do interessado. Ele não omitiu, ou mentiu, quanto à localização do seu empreendimento, com a finalidade de obter o benefício fiscal em questão, e é exatamente por isto que a multa de ofício de 75% (ou qualquer outra multa) não foi aplicada, em obediência ao disposto no inciso II do artigo 155 do CTN. (..) Conclusão Aos fundamentos acima transcritos nada mais merece ser acrescentado. Em verdade, a pretensão do contribuinte é beneficiarse temporariamente de uma isenção que jamais fez jus. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000663/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 08/08/2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA
A jurisprudência deste E. Conselho entende que não padece de nulidade o auto de infração cuja descrição fática permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa.
FINANCIAMENTO. JUROS. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO
Não se vislumbra no art. 80 do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n° 4.543/2002) qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro.
A norma em questão reza apenas que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou a pagar e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento.
Deve prevalecer o princípio da livre iniciativa, a liberdade de preços fixados pelas práticas comerciais e a livre concorrência.
Preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida.
No mérito, recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.450
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/08/2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA A jurisprudência deste E. Conselho entende que não padece de nulidade o auto de infração cuja descrição fática permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa. FINANCIAMENTO. JUROS. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO Não se vislumbra no art. 80 do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n° 4.543/2002) qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro. A norma em questão reza apenas que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou a pagar e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Deve prevalecer o princípio da livre iniciativa, a liberdade de preços fixados pelas práticas comerciais e a livre concorrência. Preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida. No mérito, recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 222 2 José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 200/216) interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (“DRJSPOII”), que julgou improcedente a Impugnação (fls. 150/167) apresentada pela Hudtelfa Textile Technology Ltda. (doravante “Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Em 08/08/2003, a interessada submeteu a despacho seis máquinas de tecer, com alíquota de IPI de 5% e de II de 0%, tendo sido intimada a apresentar documentos que comprovassem o valor aduaneiro utilizado para importação, apresentando declaração do fabricante (fls. 94 e 95) na qual é confirmado que os preços praticados são especiais (realmente baixos, bem abaixo dos valores apresentados no mercado para esse tipo de máquina) em razão de a importadora ser cliente há muitos anos. A transação comercial ocorreu com financiamento, havendo juros de mora, os quais a fiscalização fez compor o valor aduaneiro da mercadoria em razão do que preceitua o art. 80 do Dec. 4543/2002, especialmente o inciso III, letra a, relativamente à necessidade de comprovação pelo importador, para que os juros não sejam considerados, de que as mercadorias sejam vendidas ao preço declarado como o efetivamente pago ou a pagar. Havendo outro valor aduaneiro (fatura + juros de financiamento), diferença de IPI foi apurada, com lavratura de Auto de Infração onde são também exigidos juros de mora e multa de oficio prevista no art. 80, I da Lei 4502/64, com a redação do art. 45 da Lei 9430/96. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 223 3 Discordando sobre a composição do valor aduaneiro com os juros do financiamento, a interessada apresentou impugnação (fls. 150 a 167) onde alega, em síntese, que: o auto é nulo por não ter havido descrição detalhada das mercadorias sendo duas modelo GAMMAX 6J e quatro modelo GAMMAX 6R, o que impossibilitou individualizar o cálculo do valor aduaneiro para cada mercadoria; os juros foram destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, o acordo de financiamento foi firmado por escrito e a taxa de juros não excedeu o nível usualmente praticado nesse tipo de transação; as mercadorias foram real e efetivamente vendidas pelo preço declarado, tendo o primeiro método de valoração sido aceito pela fiscalização; com a interpretação do auditor, a administração teria de aceitar outros aspectos que compõe a negociação comercial, internacional ou não, tais como habitualidade, idoneidade, risco, estratégia, etc, restando total desconsideração ao acordo de valoração aduaneira. É o Relatório.” Em sua decisão, a DRJSPOII houve por bem manter o lançamento. Referida decisão restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/08/2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. Os juros do contrato de financiamento entre importador e exportador são considerados parte do valor aduaneiro quando a negociação das mercadorias acontece por um preço inferior ao valor de mercado.” Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduz, em síntese, os mesmos argumentos já apresentados na Impugnação, requerendo a declaração de nulidade do Auto de Infração de fls. 02/10 e, no mérito, a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 224 4 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. Preliminar. Nulidade do auto de infração. Em sede de preliminares, a Recorrente alega a nulidade do Auto de Infração em vista de supostas omissões e informações incorretas que teriam cerceado seu direito à ampla defesa. Isso teria ocorrido pois, na opinião da Recorrente, a Fiscalização descreveu o fato de forma genérica, fazendo menção à importação de “06 (seis) máquinas de tecer, a pinça, modelos GAMMAX 6J e 6R 190 cm, da marca Picanol, classificável na Tarifa Externa Comum no código 8446.30.40”, quando o correto seria o seguinte: “A02 (duas) unidades de máquinas de tecer a pinça modelo GAMMAX 6J 190 CM, de números de série 267.479 e 267.480, no valor unitário de EUR 26.000,00 B04 unidades de máquinas de tecer a pinça modelo GAMMAX 6 R 190 Cm da marca picanol, numero de série 267.481; 267.484; 267.485 e 267.486. no valor unitário de EUR 35.500,00” Como se vê, a descrição dada pelo Auto de Infração, ainda que não tão pormenorizada quanto a apresentada pela Recorrente, é clara o suficiente para permitir ao contribuinte o regular exercício de seu direito de defesa. Tanto isso é verdade que tanto a Impugnação quanto o Recurso Voluntário trazem extensa argumentação atacando todos os pontos do Auto de Infração com os quais a Recorrente não concorda, prova de que a mesma compreendeu perfeitamente o teor da autuação, motivo pelo qual a preliminar não deve ser acolhida. Friso também que este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) possui extensa jurisprudência no sentido de que não padece de nulidade Auto de Infração, cuja descrição fática permita ao contribuinte entendimento pleno da autuação e o exercício regular do direito de defesa. Senão vejamos: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 225 5 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui qualquer vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de oficio e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram. O litígio só se instaura com a apresentação tempestiva da impugnação, não se cogitando preterição ao direito de defesa antes de iniciada a fase contenciosa. MPF. PRORROGAÇÃO. As prorrogações de MPF serão feitas automaticamente por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet. (…)” (grifamos) (AC n° 10617.186; 6ª Câmara do 1° CC; Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos; Julgamento em 16/12/08) “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO E DISPOSITIVO. ADMISSÃO. Tendo o acórdão embargado reconhecido a semestralidade do PIS até fevereiro de 1996, relativamente a débitos de períodos posteriores, acolhem se os embargos para retificação do resultado do julgamento, passando a ementa a ser a seguinte: ‘PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa, quando a descrição dos fatos seja suficiente para a compreensão dos fatos que deram origem ao lançamento. (…)’”(grifamos) (AC n° 20179.299; 1ª Câmara do 2° CC; Relator Conselheiro José Antônio Francisco; Julgamento em 24/05/06) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 226 6 de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento” (grifamos) (AC n° CSRF/0 04.778; 1ª turma da CSRF; Relator Conselheiro José Carlos Passuelo; Julgado em 01/12/2003) Por último, ainda em sede de preliminares, a Recorrente alega que não lhe foi permitido utilizar o depósito em garantia, efetuado quando da parametrização da importação sob o canal cinza e comprovado às fls. 56, para quitar o valor exigido. Nesse sentido, ressalto que a própria Recorrente admite em seu Recurso Voluntário que tal alegação é feita apenas ad argumentandum, visto que não teria a intenção de se utilizar de tais valores, já que não concorda com a exigência fiscal. Ademais, como se verá adiante, o lançamento não merece ser mantido, fato que, consequentemente, permitirá à Recorrente proceder ao levantamento do depósito efetuado. Por este motivo, entendo que essa última alegação preliminar perde o objeto e, portanto, deixo de apreciála. Superadas as preliminares, passo agora ao exame do mérito. Juros. Valor Aduaneiro. IPI. A Recorrente foi autuada por uma suposta diferença entre o IPI recolhido e aquele que seria efetivamente devido. Tal diferença, que acrescida da multa de 75% e dos juros de mora totaliza o crédito de R$ 10.706,47 (dez mil, setecentos e seis reais e quarenta e sete centavos), se deve à incorporação do valor devido a título de juros do financiamento acordado entre a Picanol N.V. (doravante “Exportador”) e a Recorrente no Valor Aduaneiro, que é considerado como a base de cálculo do IPI. A inclusão dos juros no Valor Aduaneiro foi sustentada pela fiscalização com base no que dispunha o art. 80, III, a, do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n°4.543/2002). O referido artigo encontrase reproduzido abaixo: “Art. 80. Os juros devidos em razão de contrato de financiamento firmado pelo importador e relativos à compra de mercadorias importadas não serão considerados como parte do valor aduaneiro, desde que (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 18, parágrafo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994, e Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 227 7 Decisão 3.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, aprovada em 12 de maio de 1995): I sejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; II o contrato de financiamento tenha sido firmado por escrito; e III o importador possa comprovar que: a) as mercadorias sejam vendidas ao preço declarado como o efetivamente pago ou por pagar; e b) a taxa de juros negociada não exceda o nível usualmente praticado nesse tipo de transação no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase: I independentemente de o financiamento ter sido concedido pelo vendedor, por uma instituição bancária ou por outra pessoa física ou jurídica; e II ainda que a mercadoria seja valorada segundo um método diverso daquele baseado no valor de transação.” A argumentação utilizada pelo Fisco para a incorporação do valor dos juros no Valor Aduaneiro foi a seguinte: “Depreendese da leitura do artigo acima que as condições impostas são cumulativas, ou seja, não atendida qualquer uma das condições, os juros devidos em razão de financiamento firmado pelo importador deverão ser considerados como parte integrante do valor aduaneiro. Ora, conforme declaração do exportador/fabricante PICANOL N.V. os preços praticados na transação, relativa à importação das máquinas, efetivadas por meio da DI n° 03/06721354, são preços especiais para a HUDTELFA e que estão abaixo dos praticados no mercado. Portanto, essa situação especialíssima aniquila a condição IIIa) do artigo 80 do Regulamento Aduaneiro. Em condições normais, tais máquinas não são vendidas ao preço declarado pelo importador, pois este é um preço especial concedido pelo fornecedor diretamente à HUDTELFA, um cliente de muitos anos e que para não perdêla para a concorrência, concedeu esses preços que estão claramente abaixo do valor de mercado.” A Recorrente, de sua parte, alega que o valor pelo qual foram vendidas as mercadorias, não obstante ser o mesmo declaradamente inferior ao valor de mercado, consistiria no valor efetivamente pago ou a pagar. Nesse particular, entendo que assiste razão à Recorrente. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 228 8 Vejase que o art. 80 do antigo Regulamento Aduaneiro impõe três condições para que os juros devidos a título de financiamento não integrem o cálculo do Valor Aduaneiro, a saber: (i) que os juros venham destacados do preço das mercadorias na invoice; (ii) que o contrato de financiamento tenha sido firmado por escrito; e (iii) que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou, como é o caso da Recorrente, a pagar, e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Quanto ao primeiro requisito, entendo que o mesmo foi cumprido pela Recorrente uma vez que, da Declaração de Importação (“DI”) de fls. 71 consta apenas o preço das mercadorias, sem estarem embutidos os juros. É bem verdade que esses juros poderiam estar demonstrados de forma explícita na DI. Mesmo assim, entendo que isso não chega a prejudicar a tese da Recorrente, pois os juros foram efetivamente demonstrados, como se verá no próximo parágrafo. Quanto ao segundo requisito, é certo que o mesmo foi cumprido, visto que as condições de pagamento acordadas entre o exportador e a Recorrente, incluindo a taxa de juros e seu valor base, podem ser vistos na invoice, às fls. 59. Finalmente, chegamos ao terceiro requisito, sobre o qual existe a controvérsia entre a Fiscalização e a Recorrente. De fato, no que tange ao nível da taxa de juros, fixada em 6,5% a.a., noto que a mesma encontrase de acordo com as taxas internacionalmente praticadas, ou seja, atendido está o comando legal. Quanto à questão da comprovação do preço pago/a pagar, entendo ser necessário esclarecer alguns pontos antes de entrar na análise do dispositivo legal. Em situações como a presente, onde o importador compra mercadoria por preço manifestamente menor do que aquele praticado no mercado, me parece razoável que seja feita uma análise mais cautelosa da operação do que o normal. Afirmo isso tomando como base o que dispõe o item 1 da Decisão 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, que deve ser observada na apuração do Valor Aduaneiro, conforme a Instrução Normativa n° 318/03, verbis Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 229 9 “Instrução Normativa n° 318/03 Art. 1º Na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; e as Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), constantes do Anexo a esta Instrução Normativa. (…)” (grifamos) “DECISÃO 6.1 CASOS EM QUE AS ADMINISTRAÇÕES ADUANEIRAS TENHAM MOTIVOS PARA DUVIDAR DA VERACIDADE OU EXATIDÃO DO VALOR DECLARADO O Comitê de Valoração Aduaneira, Reafirmando que o valor de transação é a base principal de valoração em conformidade com o Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994 (doravante denominado "Acordo"); Reconhecendo que a Administração Aduaneira pode ter que tratar casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados pelos negociantes para justificar um valor declarado; Enfatizando que, ao atuar assim, a Administração Aduaneira não deve causar prejuízo aos interesses comerciais legítimos dos negociantes; Tendo em conta o Artigo 17 do Acordo, o parágrafo 6 do Anexo III ao Acordo e as decisões pertinentes do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira; DECIDE o seguinte: 1. Quando tiver sido apresentada uma declaração e a Administração Aduaneira tiver motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, a Administração Aduaneira poderá solicitar ao importador o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 230 10 fornecimento de uma explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8. Se, após o recebimento de informação adicional, ou na falta de resposta, a Administração Aduaneira ainda tiver dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, poderá decidir, tendo em conta as disposições do Artigo 11, que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nas disposições do Artigo 1. Antes de tomar uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, quando solicitado, suas razões para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados e lhe dará oportunidade razoável para responder. Quando for tomada uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, os motivos que a embasaram. (…)” (grifamos) Entretanto, no caso em tela, percebese que a motivação por trás da expressiva diferença de preços se deveu a razões comerciais. Como se vê na Declaração de fls. 94/95, o Exportador afirma de forma clara que optou por vender as mercadorias a um preço inferior ao normalmente praticado em razão do risco de a Recorrente, que é um cliente antigo e de peso, optar por comprar os produtos de alguma empresa concorrente. A citada Declaração vai além, confirmando que os preços praticados, manifestamente incomuns, valem apenas para a Recorrente. Tratase de uma situação incomum, é verdade, mas lícita, não havendo razão para duvidar da lisura das partes, seja a Recorrente, seja o exportador. Tendo colocado esses pontos, passo agora à análise do art. 80, III, a, do antigo Regulamento Aduaneiro. Pela leitura do texto legal, notase que tal alínea condiciona a não consideração dos juros no cálculo do Valor Aduaneiro à capacidade do importador de comprovar que efetivamente pagou ou pagará o preço declarado na DI. Em vista disso, e com todo o respeito devido às autoridades fiscais, entendo que a interpretação da norma na qual se baseia o Auto de Infração ora combatido encontrase equivocada. Digo isso porque não vislumbro no art. 80 qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 231 11 Além disso, lembro que, como bem pontuou a Decisão da DRJSPOII, o racional que baseava o art. 80 é o de se evitar que, a título de juros, seja cobrado parte do preço do produto, reduzindo, assim, o Valor Aduaneiro e, consequentemente, a tributação. Essa observação é relevante pois, analisando os valores da operação, não me parece que tenham as partes agido em conluio no sentido de lesar o fisco. Explico. Vejase que, conforme o Auto de Infração, o Valor Aduaneiro das mercadorias importadas, após a conversão para Reais, seria de R$ 684.216,56 (seiscentos e oitenta e quatro mil duzentos e dezesseis reais e cinquenta e seis centavos). Os juros, por sua vez, totalizaram a quantia de R$ 101.685,44 (cento e um mil seiscentos e oitenta e cinco reais e quarenta e quatro centavos), ou seja, aproximadamente 14% do Valor Aduaneiro. Por outro lado, de acordo com o Termo de Intimação de fls. 102/104, o preço praticado pelo exportador na transação com a Recorrente é aproximadamente 35% menor do que o praticado por ele em outra transação, envolvendo produto idêntico e importador diverso. Ora, pareceme que, caso a intenção das partes fosse a de fraudar o fisco, a taxa de juros acordada teria sido mais elevada, de forma a aproximar o preço praticado do preço de mercado. A diferença restante, de aproximadamente 20%, entre o valor da transação, acrescido dos juros, e o valor de mercado dos bens importados, acaba servindo para corroborar a tese da Recorrente de que o preço pago foi inferior àquele normalmente praticado por razões comerciais. Em caso similar, apesar de tratar de hipótese inversa (imputação de fraude na exportação), a Câmara Superior de Recursos Fiscais cancelou a autuação, prestigiando a aplicação do princípio da livre iniciativa e a liberdade de preços fixadas pelas práticas comerciais. Vide, a propósito, o seguinte trecho do voto do Relator Nilton Luiz Bartoli: “A Constituição Federal de 1988, consagrou o princípio da livre iniciativa econômica, em seu art. 170, e limitou a intervenção do Estado na economia, estabelecendo em seu art. 174 que: “Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.” A interpretação dos artigos do Pacto Social trazidos à baila, face ao caso em foco, é apropriada visto que, se de um lado a fiscalização encontra justificativa para seu ato de verificar o preço da mercadoria exportada, vez Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 232 12 que o Estado é agente regulador da atividade econômica, de outro lado, o exportador é protegido pela livre iniciativa, que a constituição lhe outorga. Ocorre que a fiscalização exercida pelo Estado, inclusive para verificar se a livre iniciativa não é exercida com abusos, tem regras que devem ser seguidas e princípios de direitos que devem ser respeitados. Do mesmo, a livre iniciativa está adstrita à livre concorrência, à soberania nacional, ao respeito ao consumidor, busca de pleno emprego e aos limites das normas que regem as relações comerciais, sejam elas nacionais ou internacionais. (...) O simples fato de vender uma mercadoria com valor diminuto ou com prejuízo, não caracteriza nenhuma infração comercial, salvo se acompanhada de outra vantagem que não se mostra a primeira vista. O exemplo característico que pode ser trazido é a liquidação de estoques no final da estação, cujo valor de venda das mercadorias pode ser menor, inclusive, que o valor da compra, sem que isso tipifique fraude ou concorrência desleal.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão nº 0302.738, Sessão de 13 de outubro de 1997). Assim, não vislumbro nos autos qualquer elemento capaz de autorizar a inclusão dos valores devidos pela Recorrente a título de juros no cálculo do Valor Aduaneiro, dado o cumprimento das condições elencadas pelo art. 80 do antigo Regulamento Aduaneiro. Em consequência, não há o que se falar em alteração da base de cálculo do IPI, não restando qualquer valor adicional a ser recolhido pela Recorrente. Diante de todo o exposto, NÃO ACOLHO a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, devendo ser reformada a Decisão proferida pela DRJSPOII. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10380.003154/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS
A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a COFINS.
Numero da decisão: 3201-000.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 300 1 299 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.003154/200501 Recurso nº 883664 Voluntário Acórdão nº 320100.848 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria COFINS IMUNIDADE Recorrente LIVRARIA E PAPELARIA PEDRO I LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 28/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adreine Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 03/09, no valor total de R$ 285.514,02, incluindo encargos legais e multa exigida isoladamente; O item apurado pela Fiscalização, relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, foi o seguinte. 1) PIS Faturamento — Falta ou Insuficiência de Recolhimento do PIS (sic) O contribuinte deixou de declarar e recolher integralmente os valores da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cotins relativos aos períodos de apuração nos anos calendário de 2001 a 2003. Enquadramento legal: art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 dô Decreto n° 4.524/02. Inconformado com a exigência, daqual tomou ciência em 19/04/2005, fls. 03, apresentou o contribuinte em 18/07/2008 impugnação, fls. 118/121, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. De acordo com a defesa existe no levantamento da base de cálculo erros de lançamentos que ocasionaram a apuração do tributo, pois deixou de apontar o valor das receitas de serviços e não exclui as receitas imunes, "PELA REVENDA DE LIVROS DIDÁTICOS, OPERAÇÃO IMUNE DE TRIBUTOS CONFORME CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL". Com o levantamento feito com valores totalmente distorcidos da realidade, fica assim descumprindo o Art. 904, inciso primeiro do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999, Arts. 142 e 144 do CTN e Arts, 150, V e 151, I, titulo VI seção II da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. As exigências do artigo 904 do Decreto n° 3.000/99 e as contidas nos artigos 142 e 144 do CTN e nos artigos 150 e 151 da Constituição Federal oferece não apenas as recomendações técnicas para a efetivação do lançamento, mas igualmente dá a exata extensão das exigências legais de validade do lançamento. Tanto no aspecto técnico quanto do ponto de vista da legitimidade do lançamento observase, na Ação Fiscal "sub examen", defeituação que elimina o vigor jurídico do ato administrativo manifestado na peça vestibular, tirando a total subsistência da autuação. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003154/200501 Acórdão n.º 320100.848 S3C2T1 Fl. 301 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 26/03/2010, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 0817.247 (fls. 128/132): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange o IRPJ, cuja base, no caso, é o lucro arbitrado trimestral, nem as contribuições que, além de não serem impostos, têm por base, no caso, a receita trimestral CSLL e a receita mensal,c PIS e Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por meio da Intimação n° 31540501 (fls. 136/137), em 29/03/2010 (f1. 138), tendo protocolado seu recurso voluntário em 20/05/2010 (fl. 139/145), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 118/121) com ênfase para a alegação de vício formal contido no auto de infração. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da divergência entre o acórdão recorrido e o recurso em si diz respeito à extensão da imunidade de que trata o art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal. Na visão a Recorrente, referido dispositivo constitucional abrangeria não apenas os impostos. Nesse particular, registro que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que a referida imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, não contempla as contribuições para o PIS e a COFINS. Vejamos: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS SOBRE A VENDA DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. IMUNIDADE. OMISSÃO. ALEGAÇÃO PROCEDENTE. 1. A imunidade prevista no art. 150, VI da Constituição Federal não alcança a contribuição para o PIS, mas somente os impostos incidentes sobre a venda de livros, jornais e periódicos. 2. Embargos recebidos para, suprindo a omissão apontada pelas embargantes, declarar conhecido e parcialmente provido o recurso extraordinário. (RE 211388 ED, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 10/02/1998, DJ 08051998 PP 00012 EMENT VOL0190906 PP01185) ......................................................................................................... EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. LETRA "D" DO INCISO VI DO ARTIGO 150 DA CARTA MAGNA. PRETENDIDA EXTENSÃO À COFINS. Dispositivo constitucional que, nos termos da jurisprudência desta excelsa Corte, diz respeito, unicamente, a impostos. Agravo desprovido. (RE 325302 AgR, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 20/06/2006, DJ 27102006 PP00046 EMENT VOL0225304 PP00671) ......................................................................................................... EMENTA: 1. Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. COFINS. Imunidade. Livros. Art. 150, VI, d, da CF. 3. É firme a jurisprudência de ambas as Turmas e do Pleno no sentido de que as imunidades vinculadas a "impostos" não se estendem às "contribuições". 4. Agravo regimental a que se nega provimento (RE 332963 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 23/05/2006, DJ 16062006 PP00024 EMENT VOL0223703 PP00487) A menção ao art. 151 da Constituição Federal não se aplica ao caso, uma vez que o tratamento tributário que foi descumprido pela Recorrente é uniforme em todo o território nacional. Esse dispositivo constitucional tem o condão de impedir que a União crie tributos apenas no território de determinados entes federativos, de modo a lhes onerar em benefício de outros. Sem outros argumentos relevantes que possam repercutir no resultado deste julgamento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho integralmente a decisão recorrida. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003154/200501 Acórdão n.º 320100.848 S3C2T1 Fl. 302 5 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10855.003306/2004-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Exercício: 1996, 1997
REGIME AUTOMOTIVO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO -
O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.619
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito de lançar e em dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Exercício: 1996, 1997 REGIME AUTOMOTIVO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - direito de constituição do crédito tributário pertencente ã Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4' do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito de lançar e em dar provimento ao recurso voluntário. Luis uerra astro - Presidente Nilt Luiz 'o 1i - Relato EDITADO EM: 19/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Reproduzo e adoto o relatório da DRJ-SP, vez que bem sintetizou o feito, nos seguintes termos: "I- Do Lançamento Trata o presente do Auto de Infração de lis. 166/168, instruido pelo Termo de Verificacdo Fiscal e Descrição dos Fatos de fls. 162/164 e documentos anexos, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Sorocaba contra a interessada acima qualificada. O lançamento do crédito tributário em epígrafe decorreu do atendimento a determinação contida no Mandato de Procedimento Fiscal -MPF, juntado ãs fls. 01. Isto porque, em 19 de setembro de 2000 através do Oficio n" 262/00- SDP/COGIFI, fls. 02, encaminhado a Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro — COANA, o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior comunicou o que se segue: "Cumpre-nos informar a V.S" que o Secretário de Desenvolvimento da Produção, em despacho exarado em 05 de setembro de 2000, aprovou o encerramento do Programa referente ao regime automotivo geral firmado pela empresa SVEDALA DYNAPAC LTDA., Certificado de Habilitação n°018, de 26 de fevereiro de 1996, por decurso de prazo coin indicativo de inadimplemento, nos anos de 1996 a 1997, com relação ao art.10 do Decreto n" 1.761, de 26/12/95, de acordo coin as informações prestadas pela empresa, sujeito a verificação fiscal. Informamos, outrossim, que o mencionado Decreto foi sucedido e revogado pelo Decreto n° 1.863, de 16.04.96, que por sua vez foi sucedido e revogado pelo Decreto n" 2.072, de 14/11/96, que encontra-se em vigor. Assim sendo, estamos encaminhando a essa Coordenação- Geral, em anexo, cópia da documentação do referido Programa, para verificação fiscal c cambial ." II- Das Razões da Fiscalização No que pertine às razões expostas pela autoridade fiscal autuante que levaram à constituição do presente crédito tributário, a seguir, reproduzir-se-d os trechos considerados relevantes a elucidação do presente processo, vejamos : Através do MPF n" 0811000.2004.00333-9, foi iniciada na presente empresa a verificação do Regime Automotivo concedido pela Secretaria de Política Industrial do Ministério da Indústria e Comércio através do Termo de Aprovação e Certificado de Habilitação n° 018/96 de 2&/ Processo n" 10855.003306/2004-52 Acórao n.° 3102-00.619 26/02/1996, tendo como beneficiário a empresa "Svedala Dynapac Ltda", CNPJ 60.869.062/0001-66, que veio a ser incorporada pela "Metso Brasil Indústria e Comércio Ltda", CNPJ 43.939.271/0001-10. Estes documentos foram encaminhados a SRF através do oficio n" 262/00- SDP/COGIFI, de 19/09/2000, onde consta a informação sobre o indicativo de inadimplemento nos anos de 1996 e 1997, com relação artigo 11 do Decreto 2.072/96 (índice Médio de Nacionalização). Comparecemos no endereço da empresa, onde flea localizado o processo produtivo da mesma, silo à Av. Independência, n°2500, Sorocaba, SP, sendo atendido pelo Sr. Marinaldo José Araújo Zuza (Procuradoi) no setor de produção, onde a empresa foi intimada a apresentar documentos de interesse da fiscalização. 5. DA ANALISE DAS PROPORÇÕES DO ÍNDICE DE NACIONALIZACA -0 Analisando os Relatórios Trimestrais apresentados pela empresa habilitada observamos algumas inconsistências entre as informações dos valores ali prestadas e aquelas constantes dos Sistemas da Receita Federal. Após os esclarecimentos prestados pela empresa e entrega das cópias das declarações de importação, os dados dos relatórios ficam assim alterados: Ano de 1996: Item 4 — Importações coin redução no valor FOB de US$ 994.478,61 para US$ 1.053.720,00; Item 4.4 — Importações de autopeças C0171 redução no valor FOB de US$ 994.478,61 para US$ 1.053.720,00; Ano de 1997: Item 3 — Importação via Drawback no valor FOB de US$ 1.048.370,35 para US$ 1.045.495,00; Item 4 — Importação com redução no valor FOB de US$ 337.003,31 para US$ 254.457,00; Item 4.4 — Importação com redução no valor FOB de US$ 337.003,31 para US$ 254.457,00; Item 6- Importações sem i Incentivo no valor FOB de US$ 2.609.537,04 para US$ 3.117.440,00; Item 6.3.2 — Importações sem Incentivo de Autopeças para revenda no valor FOB de US$ 1.631.019,49 para US$ 2.138.923,00; Dos resultados obtidos podemos observar e comprovar que de fato houve um descumprimento do limite mínimo de proporção das aquisições insumos de fabricação nacional sobre os importados nos anos de 1996 e 1997, ao que passaremos então a detalhar o cálculo deste índice para entender os valores ali apontados: Conforme previsto pelo Decreto 2.072/96, o índice médio de nacionalização é uma proporção entre o valor da aquisição das partes, peça; componentes, conjuntos e matérias-primas produzidas no pais com o valor FOB das importações destes produtos, deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas sob o regime de drawback, utilizados na linha de produção do beneficiário, em cada ano calendário, e deverá ser, no mínimo, se sessenta por cento. Para o cálculo do índice Médio de Nacionalização — I.M.N., aplica-se a fórmula : (A/A+B) x 100 Sendo A — InSUMOS Nacionais Sendo B — Insumos Importados Como não constou nos relatórios apresentados pelo contribuinte a aquisição de insumos (Autopeças) de fabricação nacional (A=0), mas consta importação (B), no valor FOB de US$ de 1.221.152,66 em 1996 e US$ 1.232.974,00 em 1997, aplicando a fórmula acima temos um índice igual a zero. Logo, a beneficiária não cumpriu o "indice Médio de Nacionalização — I.M.N." mínimo que deveria ser de sessenta por cento, sujeitando-se a penalidade de 70% sobre o valor FOB das importações de "instil/10S" que contribuiu para o descumprimento do indice Médio de Nacionalização" prevista no inciso V do artigo 14 do Decreto 2.072/96. III- Da Impugnação Inconformada, a contribuinte, por meio de seu representante (fls. 229/230), apresentou, a impugnação de fls. 200 a 225, argüindo o que segue: - em 01/01/2002 a ora Impugnante incorporou a empresa SVEDALA LTDA., denominação social de SVEDALA DYNAPAC LTDA., conforme se verifica dos documentos anexos; Processo n° 10855.003306/2004-52 Acnrao n." 3102-00.619 - a empresa sucedida pela Impugnante tinha, dentre outras atividades, como objeto social, a produção, venda, importação e exportação de máquinas. E peças destinadas a construção civil, pavimentação e compactação de estradas, comercializando seus produtos não somente no mercado interno, como também exportando para diversos países; - a empresa sucedida pela hnpugnante buscou e obteve junto ao MIC sua habilitação para participar do Regime Automotivo instituído pela M. P. n" 1.311/1996, regulamentada pelo Decreto n" 1.761/1995, revogado pelo Decreto n°2.072/96; - a empresa sucedida pela Impugnante importou as peças e os componentes que necessitava para a industrialização dos setts produtos, como também adquiriu no mercado nacional os il7S111110S necessários para tal industrialização numa porcentagem bem maior do que os 60% (sessema por cento) determinados pela legislação de regência; - de acordo com o Termo de Aprovação 11" 18/96, mais precisamente em sua Cláusula Sexta, a empresa sucedida pela Impugnante se comprometeu a apresentar "relatórios 111eStraiS e um anual consolidado, c't Secretaria da política Industrial com as informações necessárias para o acompanhamento do Programa"; todavia, por falha humana, a empresa sucedida pela Inzpugnante, quando da elaboração dos referidos relatórios trimestrais, deixou de informar corretamente a quantidade de ilTS111710S produzidos no mercado nacional e que .foram adquiridos para a industrialização de suas mercadorias. Ou seja, na coluna relativa aos produtos de fabricação nacional adquiridos, a empresa sucedida pela Impugnante informou como sendo 0 (zero), fato esse que deu ensejo a lavmtura do presente Auto de Infração, através do qual o Fisco exige da Impugnante multa regulamentar a que se refere o artigo 13, inciso V da Lei a° 9.449/9 7; - a d. autoridade fiscal limitou-se a analisar' os relatórios trimestrais entregues pela empresa sucedida pela Impugnante, sem ao nzenos tentar buscar a verdade material dos fatos, como assim z lhe exige os princípios que norteiam a atividade da Administração Pública; - se a d. autoridade tivesse analisado os documentos pertinentes para a busca da verdade material, tais C01110, Declaração de Imposto se Produtos Industrializados, livros registros de entrada, notas fiscais relativas aos períodos questionados, dentre outros, teria facilmente se certificado de que, apesar cht empresa sucedida pela Impugnante ter incorrido em erro formal (inclusão de informação incorreta nos relatórios trimestrais), a mesma não deixou de cumprir com as obrigações que assumi iii!, ou seja, na industrialização de seus produtos, utilizo ti-se de ate mais de 60% (sessenta por cento) de il1S111110S adquiridos no nzercado interno; - em homenagem ao Principio da Concentração da Defesa, 6 importante deixar consignado que a Impugnante não responsável pelo pagamento de multa aplicada á empresa por ela sucedida. Esse é o teor do disposto no art" 132 do CT1V, que determina que a pessoa jurídica que incorpora outra somente se torna responsável pelo pagamento do "imposto" devido pela empresa sucedida; - QUANDO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO DO CONTRIBUINTE, A AUTORIDADE TRIBUTÁRIA DEVE SOLICITAR TODOS OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA OU NÃO DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA CUJOS CONTORNOS SÃO DESCRITOS NA LEI TRIBUTARIA. SOMENTE APÓS A ANALISE DE TAIS DOCUMENTOS, A AUTORIDADE FISCAL PODERÁ CONCLUIR DIRETAMENTE OU INDIRETAMENTE PELA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E, NO CASO DE NÃO CUMPRIMENTO DESTA POR PARTE 0 CONTRIBUINTE, EFETUAR 0 LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTARIO: - EXISTE FARTA JURISPRUDÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES NO SENTIDO DE QUE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMPETE A BUSCA DA VERDADE MATERIAL, NÃO PODENDO A D. AUTORIDADE FISCALIZADORA SE SATISFAZER APENAS COM INDÍCIOS DE QUE A INFRAÇÃO TRIBUTA RIA TENHA OCORRIDO. CITA ACORD/r0S; - ANALISANDO AS DECLARAÇÕES DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DA EMPRESA SUCEDIDA PELA IMPUGNANTE RELATIVAMENTE AOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 1996 A 1997 (CÓPIAS EM ANEXO), VERIFICA-SE QUE FORAM ADQUIRIDOS INSUMOS PRODUZIDOS NO MERCADO NACIONAL NOS VALORES ABAIXO INDICA DOS: PERÍODO-BASE DE 1996- R$ 18.025.433,14 PERÍODO-BASE DE 1997 - R$ 19.630.834,73 POR SEU TURNO, A EMPRESA SUCEDIDA PELA IMPUGNANTE IMPORTOU INSUMOS NOS VALORES CONSTANTES DO QUADRO ABAIXO: PERIOD° BASE DE 1996 - R$ 3.174.815,34 PERÍODO BASE DE 1997- R$ 1.908.271,98; - NOS VALORES INDICADOS NAS DIPIs RELATIVOS AOS INSUMOS ADQUIRIDOS NO MERCADO EXTERNO ACIMA MENCIONADOS ESTÃO INCLUÍDOS OS VALORES REFERENTES AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO INCIDENTE, COMO TAMBÉM AS QUANTIAS RELATIVAS ÀS IMPORTAÇÕES REALIZADAS SOB 0 REGIME DE DRAWBACK, DO QUE IA LOGO SE CONSTATA QUE PARA EFEITO DE CALCULO DO IMN OS VALORES INDICADOS ESTÃO MUITO ACIMA DAQUELE DISPOSTO NA LEI N ° 9.449/97; - o IMN QUE SE DEMONSTRA ATRAVÉS DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO É ABSOLUTAMENTE CONSERVADOR. ENQUANTO A LEI N" 9.449/978 AUTORIZA A SUBTRAÇÃO DO IMPORTE INCORRIDO A TÍTULO DE IMPOSTOS E DE IMPORTAÇÕES REALIZADAS SOB 0 REGIME DE 6 Processo ri" 10855.003306/2004-52 Acórdão ri.° 3102-00.619 DRAWBACK, A IMPUGNANTE CONSIDEROU, NA TOTALIZAÇÃO DOS INSUMOS IMPORTADOS, DITOS ACRÉSCIMOS; - MESMO ASSIM, OU SEJA, MESMO CONSIDERANDO UM VALOR MAIOR DE INSUMOS IMPORTADOS DO QUE AQUELE DETERMINADO PELAS REGRAS DO REGIME AUTOMOTIVO, o IMN CONTINUA SENDO SUPERIOR AOS 60% (SESSENTA POR CENTO) PARA CADA ANO CALENDÁRIO (VIDE FLS. 212 DO PROCESSO); - DE UMA SIMPLES ANÁLISE DOS LIVROS REGISTROS DE ENTRADA DA EMPRESA SUCEDIDA PELA IMPUGNANTE RELATIVAMENTE AOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 1996 E 1997 (COPIAS EM ANEXO), VERIFICA-SE QUE HOUVE DIVERSAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS PARA IA'DUSTRIALIZ400 NO MERCADO NACIONAL (CFOPS 1.11 E 2.11), ASSIM COMO IMPORTAÇÕES (FOP 3.11) ESTAS ULTIMAS EM MENOR ESCALA DO QUE AS PRIMEIRAS, AS QUAIS SUPERAM O ÍNDICE DE 60% (SESSENTA PRO CENTO); - SOLICITA PER/CIA, FORMULA QUESITOS E INDICA PERITO; - POR FIM, COM FUNDAMENTO NO ART. 5, XXX1V, LETRA "B" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REQUER A IMPUGNANTE QUE SEJA RESSALVADO 0 SEU DIREITO DE SER NOTIFICADA DA JUNTADA DE QUALQUER DOCUMENTO PELA D. AUTORIDADE FISCAL, OU DE QUALQUER OUTRO FATO SUPERVENIENTE QUE VENHA A OCORRER NOS PRESENTES AUTOS, A FIM DE QUE POSSA SE MANIFESTAR SOBRE OS MESMOS, SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA; - REQUER A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DO INFRAÇÃO. PARA QUE NÃO FOSSE ALEGADO 0 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, FOI ATEND1DA A DILIGÊNCIA SOLICITADA, ATRAVES DA RESOLUÇÃO N" 763, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2007, FLS. 1546/1.548 RETORN.4NDO 0 PROCESSO A REPARTIÇÃO DE ORIGEM, PARA QUE A F1SCALIZAÇÃO RESPONDESSE AOS QUESITOS FORMULADOS PELA INTERESSADA. INTIMADA .4TRAVES D.4 INTIMAÇÃO FISCAL N" 025/2008, FLS 1.552, INTERESSA DA EM 20/03/2008 SOLICITOU PRORROGAÇÃO DE PRAZO POR MAIS 60 (SESSENTA) DIAS, TENDO EM VISTA QUE SE TRATAM DE FATOS GERADORES OCORRIDOS HA' AJAIS DE 10 (DEZ) ANOS. 0 PROCESSO RETORNOU A ESTA DRJ COM A INFORMAÇÃO FISCAL DE FLS. 1554, DE 15/07/2008". Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo II, a qual julgou o lançamento procedente, por unanimidade de votos (11s. 1.555/1.569), conforme a seguinte ementa (fls. 1.555): "Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 1996, 1997 REGIME AUTOMOTIVO MULTA POR DESCUMPRIMENTO DAS PROPORÇÕES E INDICES O clescumprimento do Índice Médio de Nacionalização acarreta multa calculada sobre o valor FOB das importações de insunios que concorrem para esse descumprimento. Lançamento procedente". Devidamente notificado em 27/10/2008 (AR — fls. 1.573), o contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário em 26/11/2008, As fls. 1572/1611, reiterando os argumentos já explanados em sua impugnação e acrescentando os seguintes: A recorrente teve seu direito de defesa cerceado porquanto, após pleitear mencionada prorrogação para apresentação de documentação solicitada pela Fazenda (Intimação Fiscal n° 025/2008), não obteve noticia alguma acerca de seu deferimento ou não; Não poderia se manifestar tempestivamente sem que lhe fosse concedido prazo para tanto, concluindo-se assim que a falha foi da Administração Pública que não intimou a recorrente do resultado do seu pedido de dilação de prazo, ou seja, do resultado da própria diligência; iii. A recorrente não logrou êxito em encontrar os documentos solicitados. Apesar disso, com a documentação já acostada aos autos facilmente se observa que a recorrente até mesmo ultrapassou o IMN; iv. Não há que se falar em estimulo A. sonegação e A fraude; v. 0 que esperamos da autoridade julgadora é que se apegue à prova já acostada aos autos para que se observe que aquilo que consta nos relatórios trimestrais (insumos nacionais = zero) não é a verdade material dos fatos, sendo claro que o apontamento zero por cento decorre de simples falha humana; vi. Não se pode contrariar os princípios norteadores das atividades da Administração Pública estabelecidos no caput do artigo 37 da CF: vii. A responsabilidade no caso de incorporação, de acordo com o artigo 132 do CTN, é pelo pagamento do tributo. Como é cediço, tributo não multa já que o fato que origina o tributo é sempre licito, ao contrário da multa, cuja incidência pressupõe sempre a ocorrência de urn ilícito (especificamente o de não recolher ou recolher a menor o tributo nos prazos previstos); viii.A recorrente não descumpriu qualquer condição imposta pelo Regime Automotivo instituído pela Lei n° 9.449/97 a ensejar a multa regulamentar exigida, tendo o IMN sido plenamente atingido e até superado. Requereu seja totalmente reformada a r. decisão recorrida, corn a conseqüente declaração de nulidade do auto de infração que deu origem ao presente. Pleiteou, por fim, a sustentação oral do recurso voluntário. A Processo n° 10855.003306/2004-52 Acórcl5o 0. 0 3102-00.619 FJ.J6tC Os autos foram distribuídos a este Conselheiro 10/12/2008, em volume, constando numeração até às fls.1.614, penúltima. o relatório. Voto Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Dou inicio a análise dos autos, tendo em vista tratar-se de matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por conter matéria de competência desta E. Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e por atender aos demais requisitos de admissibilidade. Trata-se de Auto de Infração (fls. 166/ 168) decorrente do atendimento de determinação contida no MPF n° 08.1.10.00-2004-00333-9 (fls. 01). O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comercio Exterior, através de O ficio n° 262/2000 (fls. 02), comunicou que, em despacho exarado em 05/09/2000, aprovou o encerramento do Programa referente ao Regime Automotivo geral firmado pela SVEDALA DYNAPAC LTDA, incorporada pela autuada, em 1° de janeiro de 2002. Assim, o Fisco exige o pagamento de multa prevista no artigo 13, V, da Lei 9.449/1997. A sucedida, após obter habilitação para participar do Regime Automotivo, se comprometeu a apresentar, relatórios trimestrais e um anual consolidado, a Secretaria da Política Industrial con-i as informações necessárias para o acompanhamento do Programa. Contudo, a recorrente quando da elaboração dos referidos relatórios trimestrais, informou incorretamente a quantidade de insumos produzidos no mercado nacional e que foram adquiridos para a industrialização de suas mercadorias. Em verdade, a empresa sucedida pela Recorrente informou como sendo "zero", o que ensejou a lavratura do Auto de Infração, que exige o recolhimento da multa prevista no artigo 13, V, da Lei n° 9.449/1997. Todavia, desnecessário verificar a procedência das alegações trazidas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, posto que operou-se in casu a decadência. Embora não tenha sido matéria ventilada nas peças de defesa da recorrente, imperioso lembrar que a decadência, por ser matéria de ordem publica, deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Cumpre lembrar que decadência é a perda do direito de constituir o credito tributário (de lançar) em razão do decurso de um prazo determinado. Em relação a termo a quo do prazo para homologação temos que os cinco anos são contados "do dia da ocorrência do fato gerador e ndo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia (recusando homologagdo) efetuar o lançamento f de oficio - artigo 150 ,sS 4"' - AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 2' Ed. Ed. Saraiva, 1998, p. 383. E cediço que grande parte dos tributos estão sujeitos à lançamento por homologação. Vale dizer que nesta modalidade, o sujeito passivo tem que verificar a ocorrência do fato gerador, calcular o montante devido e efetuar o pagamento no prazo, cabendo ao sujeito ativo apenas conferir a apuração e o pagamento realizados. Assim, tratando-se de tributo cuja modalidade de lançamento é a de homologação, aplica-se, a principio, o disposto no artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, de forma que com o decurso do prazo de cinco anos, contados do fato gerador, ocorreria a decadência para a Fazenda constituir o crédito tributário, como se observa na transcrição abaixo: Art. 150: "0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame de autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4 0: Se a lei não fixar prazo a homologação, set-1i ele de 05 anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste sentido, transcrevo as decisões dos E. Tribunais: "DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4°D0 CTN. LANÇAMENTO. 0 termo inicial da contagem do prazo decadencial para o fisco cobrar eventuais diferenças do tributo recolhido é a ocorrência do fato gerador da exação, na forma do artigo 150, § 4° do CTN. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial, de modo que a concessão de medida liminar em n mandado de segurança pode paralisar a cobrança, mas não o lançamento. Precedentes do STJ. (.)" (TRF, 2". T, unânime, AMS 2002.71.04.000892-8/RS, rel. Des. Fed. Vilson Darós, set/2002). "TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4", do Código Tributário Nacional, isto 6, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra sup-6e, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. (.)" (STI, 1". Seção, unân., EDiv-REsp 101.407/SP, rel. Mill. An Pargendler, 07/abr/2000). Processo ri° 10855.003306/2004-52 AcórcliTio 6.° 3102-00.619 Há que se lembrar, outrossim, que nos autos não há imputação ao contribuinte de acusação de prática de dolo, fraude ou simulação, portanto, havendo recolhimento antecipado do tributo, correto ou não, aplica-se tão somente o §4°, do artigo 150, do CTN. No caso em comento, conforme já mencionado em outro momento, foi aprovado o encerramento do Programa referente ao regime automotivo geral, por decurso de prazo corn indicativo de inadimplemento, nos anos de 1996 a 1997, ou seja, em razão de ter entendido pelo inadimplemento nestes anos, lavrou-se o Auto de Infração, cuja ciência se deu em 10.12.2004, consoante fls. 166. Corno facilmente se depreende, a lavratura e ciência do Auto de Infração ocorreu após mais de 7 anos do fato gerador (anos de 1996 a 1997). Assim, demonstrada o lapso temporal entre a lavratura do Auto de Infração e a ocorrência dos fatos geradores, caracterizada está a decadência do direito de lançar do Fisco. Nestes termos, dou provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, para reconhecer a decadência, já que quando o contribuinte tornou ciência quanto lavratura do Auto de Infração, já se encontrava o crédito tributário exigido contaminado pela decadência. como voto. )on L Bartoli
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000488/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que considerou a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como rendimentos omitidos, pois não restou demonstrado, em sede de fiscalização, que os créditos bancários se referiam a rendimentos da atividade rural.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem de depósitos bancários incluídos no lançamento.
ATIVIDADE RURAL. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20% DOS DEPÓSITOS.
IMPOSSIBILIDADE.
Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão
apurada. Jurisprudência dominante do CARF.
Hipótese em que somente é possível se associar, mesmo que remotamente, menos de 30% dos depósitos à atividade rural, não sendo lícito reduzir a base de cálculo lançada para a tributação específica dessa atividade.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS. RECEITAS DECLARADAS COMO DA ATIVIDADE RURAL NA DIRPF. RELAÇÃO COM OS DEPÓSITOS.
POSSIBILIDADE.
Somente é possível se considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que essas receitas transitaram pelas contas-correntes, mesmo sem vinculação específica com os depósitos.
No caso dos autos, o valor total dos cheques descontados emitidos por frigoríficos é compatível com as receitas declaradas como auferidas, sendo lícito vislumbrar uma vinculação entre essas quantias.
Preliminar rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o valor de R$855.250,99 da base de cálculo lançada. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que votaram por excluir da base de cálculo lançada um montante superior. Compareceu ao julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Marcos Caetano da Silva OAB-GO 11767.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que considerou a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como rendimentos omitidos, pois não restou demonstrado, em sede de fiscalização, que os créditos bancários se referiam a rendimentos da atividade rural. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem de depósitos bancários incluídos no lançamento. ATIVIDADE RURAL. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20% DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Jurisprudência dominante do CARF. Hipótese em que somente é possível se associar, mesmo que remotamente, menos de 30% dos depósitos à atividade rural, não sendo lícito reduzir a base de cálculo lançada para a tributação específica dessa atividade. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. RECEITAS DECLARADAS COMO DA ATIVIDADE RURAL NA DIRPF. RELAÇÃO COM OS DEPÓSITOS. POSSIBILIDADE. Somente é possível se considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que essas receitas transitaram pelas contas-correntes, mesmo sem vinculação específica com os depósitos. No caso dos autos, o valor total dos cheques descontados emitidos por frigoríficos é compatível com as receitas declaradas como auferidas, sendo lícito vislumbrar uma vinculação entre essas quantias. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que considerou a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como rendimentos omitidos, pois não restou demonstrado, em sede de fiscalização, que os créditos bancários se referiam a rendimentos da atividade rural. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem de depósitos bancários incluídos no lançamento. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 236 2 ATIVIDADE RURAL. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20% DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Jurisprudência dominante do CARF. Hipótese em que somente é possível se associar, mesmo que remotamente, menos de 30% dos depósitos à atividade rural, não sendo lícito reduzir a base de cálculo lançada para a tributação específica dessa atividade. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. RECEITAS DECLARADAS COMO DA ATIVIDADE RURAL NA DIRPF. RELAÇÃO COM OS DEPÓSITOS. POSSIBILIDADE. Somente é possível se considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que essas receitas transitaram pelas contascorrentes, mesmo sem vinculação específica com os depósitos. No caso dos autos, o valor total dos cheques descontados emitidos por frigoríficos é compatível com as receitas declaradas como auferidas, sendo lícito vislumbrar uma vinculação entre essas quantias. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o valor de R$855.250,99 da base de cálculo lançada. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que votaram por excluir da base de cálculo lançada um montante superior. Compareceu ao julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Marcos Caetano da Silva OABGO 11767. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 237 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 e 92 a 106, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$870.022,23, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 109 a 130 e 177 a 204), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 208 a 212): O LANÇAMENTO (...) A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Como é sabido, o acesso aos extratos bancários dos contribuintes do Imposto de Renda é vedado pela Constituição Federal e pela legislação ordinária, salvo em casos especiais. No caso presente, substituiuse todo um procedimento previsto em lei, violentando o consagrado direito constitucional do impugnante. É ilegal, improcedente portanto, a constituição do crédito tributário com a violação dos direitos constitucionais do contribuinte, tal como o foi. Louvouse o Fisco, como já se disse, exclusivamente, em levantamentos procedidos nos extratos bancários do autuado, desconsiderando os rendimentos declarados espontaneamente na DIRPF do anocalendário fiscalizado, os quais deveriam ser confrontados com os valores dos extratos, tributandose apenas a diferença entre tais quantias, se existentes. Desse modo, sendo improcedente a constituição do crédito tributário apurado, tal como o foi, conforme o farto entendimento dos tribunais (administrativos e judiciais), não pode prosperar o lançamento. Os depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias do contribuinte não refletem, obrigatoriamente, rendimentos omitidos. É absolutamente impertinente inquinarse de “omissão de rendimentos”, sem outros indícios concludentes, créditos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 238 4 em contas bancárias em valores superiores aos rendimentos declarados no período examinado. Nesse sentido, o artigo 42, da Lei nº 9.430/96, apenas, não serve para sustentar a ação fiscal, pois, para fundamentar validamente a autuação, é imprescindível que o fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimento. Aliás, este entendimento (de ilegitimidade do lançamento baseado unicamente em extratos bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes, em nossos tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei nº 8.021/90, que em seu artigo 6º, regulava a matéria debatida neste processo. O dispositivo em que o fisco fundamenta a autuação (artigo 42 da Lei nº 9.430/96) não passa de uma reprodução do §5º, do artigo 6º, da Lei nº 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por nossos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal. Entretanto, jamais os depósitos bancários, exclusivamente, servirão de base para qualquer autuação, pois não caracterizam disponibilidade de renda, sendo, pois, totalmente improcedente a fundamentação do auto de infração no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que, como já dito, veio apenas substituir o § 5º, do art. 6º, da Lei nº 8.021/90, o qual, repetese, foi banido de nosso ordenamento jurídico devido ao despropósito de sua pretensão. Portanto, na prática a legislação não mudou, pois a pretensão do fisco, alicerçada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 também não poderá subsistir, porque está calcada unicamente em depósitos bancários, os quais, já dissemos, não podem ser caracterizados como disponibilidade econômica de renda, sendo pois, totalmente ilegal a presunção capitulada pelo dispositivo que sustenta o auto de infração. (...) No caso presente, o que levou o fisco a constituir o lançamento foi, única e exclusivamente, a existência de lançamentos nas contas bancárias do contribuinte. Não se preocupou a autoridade fiscal em comprovar que tais lançamentos resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou consumo com pagamento de terceiros, serviços, etc. O único fundamento utilizado para constituição do crédito tributário, foi a existência do crédito em conta corrente! A jurisprudência O procedimento adotado pelo fisco que gerou o crédito tributário ora impugnado, tem se repetido com freqüência. E o recurso às vias judiciais tem, igualmente, sido freqüente, sempre com decisões favoráveis ao contribuinte, resultando, inclusive, na publicação da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos que é taxativa: (...) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 239 5 No processo administrativo que deu origem ao crédito tributário ora impugnado, o agente fiscal elaborou um quadro demonstrativo dos depósitos bancários para possibilitar a apuração do crédito tributário, sem demonstrar, contudo, onde estaria o nexo causal entre estes depósitos e o suposto fato caracterizador da alegada omissão de rendimentos. Excluindo tais depósitos não existe nada a tributar!, conseqüentemente, inexiste dívida tributária. A ORIGEM DOS RECURSOS DO CONTRIBUINTE O impugnante é contribuinte ligado exclusivamente à atividade agropecuária e desta atividade advém toda a sua receita, conforme se pode verificar de suas declarações de rendimentos, dos documentos ora inclusos e de outros que virão oportunamente ao bojo do processo que servirão de prova dos recursos que transitaram pelas suas contas correntes para justificar os depósitos realizados, já que, no prazo para apresentação desta peça de defesa, não conseguiu reunir todos eles, estando diligenciando neste sentido. Conforme se verifica do auto de infração, o contribuinte deve comprovar a origem dos recursos que deram suporte aos depósitos efetivados em suas contas correntes. No termo anexo que acompanhou o auto, o AFRF subscritor do mesmo selecionou os valores para aludida comprovação, os quais se referem, em sua grande maioria, a “Operação de Desconto Comercial”, junto ao Bradesco S/A, Agência 237, “Liberação de Operação de Crédito”, junto ao HSBC S/A, Agência 399 e “Liquidação Desconto/Empréstimo Financeiro”, junto ao Banco Rural S/A, Agência 453. Quanto aos lançamentos junto ao Banco do Brasil S/A, estes se tratam, praticamente, de depósitos e descontos de cheques. Na atividade agropecuária exercida pelo contribuinte – compra e venda de gado –ao vender certa quantidade de gado a determinado Frigorífico recebe cheques em pagamento, mais das vezes a prazo e diante da necessidade de levantamento de capital de giro, descontavaos perante as instituições financeiras com as quais movimentava, especialmente o Bradesco S/A (Ag. 237), conforme se pode ver do “Anexo” ao auto de infração. Nestas atividades agropecuárias, sempre diante da necessidade de capital de giro, é comum a utilização de empréstimos emergenciais junto a terceiras pessoas, até mesmo empréstimos de cheques para serem levados a desconto em bancos para levantamento de recursos, o que também era feito pelo impugnante. Também não raras vezes, quando necessitava de recursos financeiros e o gado não estava pronto para abate, socorriase dos próprios frigoríficos solicitando adiantamento por conta desse abate futuro. Vejamos a movimentação junto ao Bradesco S/A: No “Anexo” ao auto, o fisco selecionou, por exemplo, o valor de R$ 25.000,00 depositado junto ao Bradesco S/A (Banco 237), em 02/01/02. Pois bem, este valor referiuse a desconto de um cheque de nº 850102, sacado contra o Banco do Brasil S/A, tomado emprestado da Srª Julita Sampaio de Oliveira, o que se provará oportunamente mediante documento expedido por aquela instituição financeira. Quanto ao valor de R$ 53.375,78, depositado também no Bradesco S/A, este se refere a desconto de dois cheques recebidos do Frigorífico Industrial Açailândia Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 240 6 Ltda, em pagamento de gado para abate, cheques nºs 031614 e 031615, sacado contra o Bradesco S/A, nos valores de R$ 26.375,78 e R$ 26.000,00, respectivamente. Já o depósito de R$ 15.711,00, se refere a desconto de cheque, entretanto, não dispõe de detalhes da transação que envolveu sua emissão, estando diligenciando no sentido de maiores informações junto ao Banco Bradesco S/A para comprovação posterior. E o depósito de R$ 9.632,29 é referente a desconto de dois cheques nos valores de R$ 565,40 e R$ 9.066,89, de nºs 032860 e 032861, de emissão do Frigorífico Ind. Açailândia Ltda, sacados contra o Bradesco S/A, recebidos em pagamento de gado para abate. E a quantia de R$ 105.369,00, se refere também a descontos de dois cheques do Frigorífico Indl. Açailândia Ltda, sob nºs 183070 e 183071, sacados contra o HSBC S/A (Banco 399), nos valores de R$ 50.000,00 e R$ 55.369,00, recebidos também em pagamento de gado. O depósito de R$ 40.109,14 se tratou de desconto de três cheques de emissão do Sr. José Domingos de Melo nos valores de R$ 6.001,47 e 3.557,67, sacados contra o Bradesco S/A e R$ 30.550,00, sacado contra o HSBC S/A, ag. 399, sob nºs 033189, 033190 e 854897, respectivamente, emprestados ao impugnante para complementação de capital de giro. Quanto ao depósito da quantia de R$ 157.398,56, também se tratou de descontos de seis cheques de emissão do Frigorífico Açailândia Ltda, nos importes de R$ 36.470,80, R$ 11.739,13, R$ 8.944,69, R$ 35.243,94, R$ 35.000,00 e R$ 30.000,00 todos sacados contra o Bradesco S/A, sob nºs 033347, 033353, 033377, 033444, 033440 e 033443, recebidos pelo impugnante em pagamento de gado entregue para abate. O mesmo ocorreu com os depósitos nos valores de R$ 5.253,90 e R$ 49.200,00, ou seja, desconto de cheque recebido do mesmo frigorífico em pagamento de gado para abate, de nºs 033708 e 034839, sacados contra o Bradesco S/A. Já os depósitos de R$ 52.000,00 e R$ 20.000,00, feitos em 18/04 e 09/05/02, respectivamente, se referiram a descontos de cheques contudo não conseguiu precisar detalhes sobre aludidas negociações, entretanto, está diligenciando junto à instituição financeira no sentido de juntar aludida prova o mais rápido possível. Também o depósito de R$ 42.747,00 teve origem em descontos de cheques, um no valor de R$ 12.747,00 recebido do Frigorífico Açailândia, cheque nº 036633, sacado contra o Bradesco S/A e outro de R$ 30.000,00, sacado contra o Banco do Brasil S/A, cheque nº 850134. Quanto ao depósito da quantia de R$ 68.062,33, em 09/05/02, teve origem em descontos de dois cheques, sendo um do Frigorífico Açailândia, no importe de R$ 26.812,33, nº 036632, do Bradesco S/A recebido em pagamento de gado entregue para abate e outro de R$ 41.250,00, sob nº 868631, sacado contra o HSBC S/A, recebido do Sr José Domingos de Melo em caráter de empréstimo pessoal. O depósito de R$ 30.000,00 de 31/05, referiuse a desconto de cheque oriunda de sua atividade rural, cuja prova fará juntar oportunamente. E os depósitos de R$ 16.068,90 e R$ 12.000,00, feitos em 03/06 e 10/06/2002, tiveram origem em descontos de cheques recebidos do Frigorífico Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 241 7 Açailândia, cheques nºs 037748 e 037472, ambos do Bradesco S/A. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 150.788,22, ou seja, foi originado em desconto de sete cheques do aludido Frigorífico Açailândia, todos sacados contra o Bradesco S/A e recebidos em pagamento de gado entregue para abate, assim especificados: cheque nº 038014, R$ 20.000,00; nº 038015, R$ 20.000,00; nº 038016, R$ 20.000,00; nº 038017, R$ 22.812,27; nº 038286, R$ 20.000,00, nº 038287, R$ 20.000,00 e Cheque nº 038288, no valor de R$ 27.953,95. Quanto ao depósito de R$ 97.906,00, este teve origem em descontos de dois cheques nos valores de R$ 44.353,00 e R$ 53.553,00, nºs 850172 e 850173, ambos sacados contra o Banco do Brasil s/A, dados em empréstimo ao impugnante pelo Sr Fernando Vaz Sampaio. E o depósito de R$ 16.687,06, feito em 18/07/02, teve origem em desconto de cheque recebido do Frigorífico Açailândia, cheque nº 039689 do Bradesco S/A em pagamento de gado entregue para abate. O depósito de R$ 101.500,00 de 25/07, referiuse a desconto de cheque, recebido em transação envolvendo a atividade rural. Mais uma vez, o depósito de R$ 104.872,76 teve origem em desconto de quatro cheques do aludido Frigorífico Açailândia, todos sacados contra o Bradesco S/A e recebidos em pagamento de gado entregue para abate, assim especificados: cheque nº 040105, R$ 30.576,00; nº 040163, R$ 27.992,93; nº 040205, R$ 27.659,23; nº 040269, R$ 18.644,60. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 71.897,44, isto é, desconto de cheques do Frigorífico Açailândia, recebidos em pagamento de gado, através dos cheques nºs 040592, no valor de R$ 35.738,80 e 040639, no valor de R$ 36.158,64, ambos do Bradesco S/A. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 39.288,60, desconto de cheque do mesmo Frigorífico, cheque nº 040715, também do Bradesco S/A. Também ocorreu a mesma situação quanto ao depósito feito em 30/08/02, no valor de R$ 93.760,69, ou seja, desconto de três cheques, sendo dois recebidos do Frigorífico Açailândia, nos valores de R$ 20.000,00, R$ 20.760,69, de nºs 041347 e 041348, sacados contra o Banco Bradesco S/A e outro de nº 850207, no valor de R$ 53.000,00, sacado contra o Banco do Brasil S/A. Idem, quanto ao depósito de R$ 81.441,48, feito em 04/09/02, desconto de quatro cheques do Frigorífico Açailândia, nos valores de R$ 10.117,92, R$ 29.382,60, R$ 20.000,00 e R$ 21.940,96, cheques nºs 041719, 041925, 041958 e 041959, todos do Bradesco S/A, recebidos em pagamento de gado entregue para abate. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 78.519,58, ou seja, desconto de três cheques do mesmo Frigorífico, nos valores de R$ 8.675,64, R$ 29.731,89 e R$ 40.112,05, sacados contra o Bradesco S/A, cheques nºs 042338, 042511 e 042512. Quanto ao depósito de R$ 35.200,00 de 1º/10, referiuse a desconto de cheque recebido em transação envolvendo a atividade rural, o que também se provará oportunamente, o mesmo ocorrendo quanto ao depósito de R$ 58.400,00, de 28/10/02. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 242 8 Já o depósito de R$ 42.350,06 se referiu a desconto de dois cheques recebidos pelo impugnante de Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, nos valores de R$ 3.697,83 e R$ 38.652,23, de nºs 002723 e 001867, ambos do Bradesco S/A, em pagamento de gado entregue para abate. Quanto aos depósitos de R$ 6.600,00 e R$ 32.000,00, feitos em 28/11/02, se referiram a desconto de dois cheques, ambos sacados contra o HSBC S/A, entretanto, até o momento de apresentação da impugnação não conseguiu reunir documentos comprobatórios desta situação, o que oportunamente o fará. Quanto ao depósito de R$ 80.000,00, este teve origem em desconto de um cheque de nº 850368, sacado contra o Banco do Brasil S/A, dado em empréstimo ao impugnante pelo Sr. Fernando Vaz Sampaio. O depósito de R$ 16.500,00 teve origem em desconto de dois cheques, um no valor de R$ 11.000,00, de nº 002799, sacado contra o Bradesco S/A, recebido pelo impugnante da Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, em pagamento de gado entregue para abate, e outro no valor de R$ 5.500,00, de nº 850062, sacado contra o Banco do Brasil S/A, referente a transação envolvendo a atividade rural, o mesmo ocorrendo quanto ao depósito de R$ 6.058,00, de 18/12/02, cujos documentos juntará oportunamente ao processo. Já o depósito de R$ 93.205,26, teve origem em desconto de cinco cheques, nos valores de R$ 37.793,44, R$ 13.464,00, R$ 23.000,00, R$ 13.579,36 e R$ 5.368,46, cheques nºs 002813, 001986, 001987, 001988 e 046418, sendo os quatro primeiros recebidos pelo impugnante da Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda e o último recebido do Frigorífico Açailândia, em pagamento de gado entregue para abate. Com relação à movimentação acima mencionada, qual seja, desconto dos cheques como origem dos depósitos, oportunamente, o impugnante fará juntar documento expedido pelo Bradesco S/A, o que já foi solicitado à aludida instituição financeira. Com relação aos demais bancos com os quais movimentava, solicitou documentos comprobatórios de todas as operações realizadas que, efetivamente, comprovarão a origem dos depósitos realizados nestas respectivas instituições. Por outro lado, tratandose o impugnante de contribuinte ligado exclusivamente a atividade rural, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física ocorre somente no final do anocalendário, eis que não está obrigado a ter escrituração contábil, razão pela qual devem ser computadas ao longo do ano calendário fiscalizado todos os recursos advindos desta atividade para cobertura dos depósitos que transitaram por suas contas correntes. E, vêse do auto que nem mesmo as receitas declaradas pelo impugnante em sua declaração de rendimentos alusiva ao anocalendário fiscalizado, foram consideradas pelo fisco, as quais, evidentemente, serviram de origem dos depósitos nas suas contas correntes, nos meses de seu efetivo recebimento. Assim, os rendimentos auferidos no anocalendário de 2002 (Doc. 2), devem ser considerados pelo fisco, como suporte aos depósitos nos respectivos meses de seu recebimento pelo contribuinte, ora impugnante. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 243 9 Também devem ser considerados os recursos advindos de financiamentos junto às instituições financeiras com as quais movimentava, conforme contratos anexos (Docs. 3/6), assim discriminados: Mês Banco Nº Contrato Valor (R$) 02/2002 B. Brasil S/a 21/220611 60.000,00 05/2002 B. Brasil S/A 000037037 232.883,91 07/2002 Bradesco S/A 200205031 40.000,00 11/2002 HSBC S/A 90808.2002.0106386 60.000,00 Ao longo do anocalendário de 2002, o contribuinte vendeu grande quantidade de gado para frigoríficos da região, dentre outros, para o Frigorífico Industrial Açailândia Ltda e Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, entretanto, os documentos desta transações extraviaramse, dispondo apenas de anotações paralelas, controles pessoais, que dão conta desta informações, conforme abaixo discrimina: FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA (..) HIPER CARNES COMÉRCIO ATACADISTA DE CARNES LTDA (...) Estes recursos, com certeza, servem de comprovação dos depósitos, eis que se tratam de receitas oriundas de sua atividade rural. Com relação aos documentos comprobatórios da venda do gado, o contribuinte está diligenciando junto aos respectivos Frigoríficos para juntálos ao processo, o que não foi possível no prazo para apresentação desta peça de defesa, contudo, assim que os tiver em mãos providenciará sua juntada aos autos o quanto antes. Existem, ainda, no anocalendário fiscalizado, outras receitas da atividade rural baseadas em contratos, cujos documentos também estão sendo providenciados para juntada posterior, já que no prazo para apresentação da impugnação não foi possível encontrálos. E, por se tratar de receita da atividade rural, estas devem ser consideradas ao longo de todo o respectivo anocalendário na medida de seus recebimentos. Neste sentido, confirase o seguinte julgado do E. 1º CCMF: (...) Deve, ainda, ser considerado como recursos para a justificação dos depósitos, a sobra do saldo existente na declaração de rendimentos do anocalendário de 2001 (Doc. 7) anexo, na quantia de R$ 358.517,00 (...). Tal importância, sem dúvida alguma, deve servir de comprovação de recursos para os depósitos objeto da autuação. Portanto, todas estas receitas, obtidas no período fiscalizado hão de servir como comprovação de origem dos recursos para fazer face aos depósitos em suas contas correntes, não sendo necessário coincidência de datas e valores, pois basta a comprovação da existência dos recursos, independentemente desta coincidência, porque não há no artigo 42 da Lei 9.430/96 qualquer exigência neste sentido, mas apenas a da comprovação da origem dos recursos. Portanto, onde o legislador não distingue descabe ao intérprete o fazêlo. (...) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 244 10 EVIDENTE, PORTANTO, QUE DEVEM SER APROVEITADOS OS RECURSOS COMPROVADAMENTE AUFERIDOS PELO CONTRIBUINTE AO LONGO DO RESPECTIVO ANOCALENDÁRIO FISCALIZADO E, AINDA, OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS JÁ TRIBUTADOS, INCLUSIVE AQUELES OBJETO DA MESMA ACUSAÇÃO, AINDA QUE NÃO HAJA COINCIDÊNCIA DE DATAS E VALORES, UMA VEZ QUE AS PESSOAS FÍSICAS SÃO DESOBRIGADAS DE ESCRITURAÇÃO. Deve se ressaltar, ainda, ilustres julgadores, que o fisco ao tributar os depósitos mensalmente, haveria de planilhálos e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior servirão de recursos para o mês seguinte, conforme entendimento do E. 1º CCMF esposado no acórdão nº 10419.682, supra colacionado. (...) Assim, todos os depósitos feitos nos meses anteriores ao longo dos períodos fiscalizados, servirão de recursos para os meses seguintes, o que não foi feito pelo fisco em total prejuízo ao impugnante. (...) À VISTA DO EXPOSTO, mas contando com os indispensáveis suplementos do conhecer jurídico de Vossas Senhorias que sempre nortearam as decisões dessa Egrégia Delegacia da Receita Federal de Julgamento, requer o impugnante o conhecimento da presente peça e seu provimento para: a) No julgamento da preliminar argüida, declarar a nulidade do lançamento, arquivandose o processo dele decorrente, conforme acima se expôs; b) Para a hipótese de superação da preliminar argüida, o que somente se admite à guisa de argumentação, no mérito, requer a improcedência do lançamento efetuado pelo fisco, por total insubsistência, determinando igualmente o arquivamento do respectivo processo, já que as receitas auferidas durante o ano calendário fiscalizado foram superiores aos valores creditados em sua conta corrente. Cumpre, ainda, observar que, em reforço às suas alegações, o contribuinte citou em sua impugnação doutrina de renomados juristas e decisões administrativas. Em 09/02/2007, o contribuinte, mediante instrumento procuratório, apresentou a petição de fls. 177/179, a seguir parcialmente transcrita, além dos documentos de fls. 180/204: (...) Por ocasião da apresentação da peça de impugnação ao lançamento, que ocorreu em 18/07/2006, o contribuinte supra identificado, protestou pela juntada posterior da documentação que sustentou sua defesa. Assim, requer, nesta oportunidade, a juntada dos documentos inclusos que comprovam a origem dos recursos que transitaram por suas contas correntes e mencionados ao longo da peça de impugnação. Através da “Declaração” inclusa (Doc. 1), firmada pelo Banco Bradesco S/A, comprovase as operações de descontos de títulos, cujos créditos passaram por suas Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 245 11 contas correntes, nos anoscalendário de 2002 e 2003, na forma alegada nas páginas 10/14 da peça de impugnação. No mês de março/2002, o impugnante recebeu recursos originados de sua atividade agropecuária, nos valores de R$ 4.000,00 e R$ 1.964,00, o que se pode verificar das Notas Fiscais Avulsas inclusas (Docs. 2/3). Em junho/2002, através da Cédula de Crédito Bancário anexa (Doc. 4), recebeu a quantia líquida de R$ 17.857,31, que também serviu de origem para os depósitos. Em julho/2002, recebeu recursos de R$ 101.500,00, conforme “Borderô de Desconto de Cheques” incluso, expedido também pelo Bradesco S/A, conforme (Doc. 5) anexo. Neste mesmo mês, recebeu do Banco Rural S/A, crédito total da ordem de R$ 259.899,31, decorrente de descontos de títulos, o que se verifica do (Doc. 6) incluso. Compõem o valor total desse credito, as seguintes Cédulas de Crédito Bancário: 1) Nº 070/5050/2002...... R$52.534,25 2) Nº 070/5350/2002...... R$99.938,61 3).................................... R$24.460,92 4).................................... R$82.965,53 TOTAL.......................... R$259.899,31 Estes dois últimos créditos, nos valores de R$ 24.460,92 e R$ 82.965,53, o Banco Rural S/A ainda não forneceu as cópias das respectivas Cédulas de Créditos Bancário e tão logo o impugnante as tenha em mãos, juntará ao processo. Também em julho/2002, recebeu os montantes de R$ 20.000,00; R$ 12.621,67; R$ 5.686,93; R$ 33.553,00; R$ 12.192,17 e R$ 25.0000,00, conforme (Doc. 6A) anexo, decorrentes de descontos de títulos junto ao Banco Rural S/A. E, através das Cédulas de Crédito Bancário do mesmo Banco Rural S/A, recebeu, outra vez, créditos decorrentes de descontos de títulos de créditos, nos valores líquidos de R$ 52.534,25 e R$ 99.938,61, conforme (Docs. 7/8) anexos. Em Outubro, novembro e dezembro/2002, por via das Cédulas de Crédito Bancário do Banco Rural S/A (Docs. 9/11) inclusos, recebeu as quantias líquidas de R$ 69.540,66, R$ 65.786,76 e R$ 29.571,63, respectivamente. Em agosto/2002, recebeu recursos decorrentes de Financiamento Rural junto ao Bradesco S/A, na quantia de R$ 40.000,00, conforme (Doc. 12) anexo. No mês de setembro/2002, recebeu recursos da ordem de R$ 38.000,00, decorrente da venda de um veículo, conforme (Doc. 13) incluso. E, em dezembro/2002, recebeu recursos decorrente de venda de gado, no importe de R$ 50.000,00, conforme nota fiscal nº 1914627 anexo (Doc. 14) e recursos de R$ 8.749,39 para cobertura posterior de saldo devedor junto ao Banco Rural S/A (Doc. 15) incluso. Também recebeu a título de recursos a quantia de R$ 20.833,33, referente a alienação de 8.333% do apartamento nº 1.102, do Edifício Osvaldo S. Souza, sito à Avenida dos Holandeses, s/nº, São Luiz/MA, conforme apurado ganho de capital em sua DIRPF do anocalendário de 2002. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 246 12 Todos esses valores, obviamente, serviram de origem para os depósitos feitos em suas contas correntes. E, como se pode observar todos os recursos ora comprovados tem origem preponderante nas atividades agropecuárias do contribuinte, ora impugnante. Assim, requer sejam também considerados tais recursos como origem para depósitos em suas contas correntes, na forma postulada na peça de impugnação, ao tempo em que protesta pela juntada posterior de outros documentos comprobatórios das alegações constantes de sua defesa. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 207 a 215): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não há, portanto, obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É legal o procedimento fiscal embasado em extratos bancários apresentados pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 247 13 em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante da documentação trazida aos autos, o julgador de 1a instância considerou comprovada a origem dos seguintes depósitos: Banco/Agência Conta Data Histórico Valor em Reais 237/04600 (Bradesco S/A) 79227 05/08/2002 Lib/Pgto Fin Créd Rural 40.000,00 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 24/06/2002 Liquid Desc/Emp Financ 17.857,31 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 01/07/2002. Liq. Desc/Emp. F. 52.534,25 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 08/07/2002 Liq Desc/Emp. F. 24.460,92 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 10/07/2002 Liq Desc/Emp F. 82.965,53 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 22/07/2002 Liq Desc/Emp F. 99.938,61 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 04/10/2002 Liq Desc/Emp F 69.540,66 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 18/11/2002 Liq Desc/Emp F 65.786,76 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 26/12/2002 Liq Desc/Emp F 29.571,63 TOTAL 482.655,67 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 19/11/2010 (fl. 220), o contribuinte apresentou, em 20/12/2010, o recurso de fls. 221 a 231, onde: a) ratifica todos os termos da impugnação e requer que ela seja considerada parte integrante deste recurso; b) pugna pela nulidade do lançamento, que teria se utilizado da alíquota de 27,5% sobre todos os depósitos, quando deveria ter utilizado como base de cálculo apenas 20% dos valores depositados, pois restou demonstrado que exerce exclusivamente a atividade rural; c) afirma que toda a receita por ele auferida teve origem na sua única fonte de renda, a atividade rural, pois exerce a profissão de pecuarista, atuando na cria, recria e engorda e venda de gado bovino preponderantemente para frigoríficos ou mesmo para outras pessoas físicas ou jurídicas; d) complementa que, assim sendo, por força da legislação de regência, especialmente a Lei n° 8.023/90, as receitas provenientes desta atividade deverão ser consideradas anualmente, razão pela qual não se admite o levantamento mensal, tal como fez o fisco quando da lavratura do auto de infração. Portanto, não podendo haver planilhamento mensal, por se tratar de receitas da atividade rural, o caixa será, por imperativo legal, anual, servindo tais receitas para cobrir qualquer crédito em suas contas correntes, em qualquer mês, independentemente de coincidência de datas e valores; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 248 14 e) assevera que todos os documentos por ele juntados ao longo de sua defesa são papéis comprobatórios de que todos os depósitos feitos nas contas bancárias de sua titularidade tiveram origem na atividade rural por ele desenvolvida e que a receita declarada em sua DIRPF do anofiscalizado, no valor total de R$855.250,99, deve ser considerada como origem dos recursos, independentemente de não terem sido individualizados os depósitos com datas e valores; f) alerta que está providenciando, para juntada posterior, novos documentos que comprovam outras receitas da atividade rural, já que no prazo para apresentação do recurso voluntário não foi possível encontrálos; g) argumenta que o fisco, ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que planilhálos e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior, tornaramse, indiscutivelmente, recursos regularizados para todos os efeitos de direito, os quais servirão de recursos para o mês seguinte, aptos a servir como origem para novos depósitos em dinheiro, em qualquer conta do contribuinte. Neste caso, pressupõese que os valores em dinheiro depositados nas contas correntes, tratavamse de receitas sujeitas tributação e uma vez tributadas passaram a ser recursos legítimos que, obviamente, servirão para novos depósitos em espécie. h) conclui, computadas todas as receitas da atividade rural, bem como outros recursos, e excluídos dos depósitos listados pelo fisco (créditos em conta corrente) os valores referentes a cheques devolvidos, transferências entre contas da mesma titularidade e os empréstimos concedidos pelos bancos com os quais manteve movimentação, e transportadas as sobras apuradas em um mês para o mês seguinte, resulta demonstrado nada haver a se tributar, pelo que insubsistente se mostra a autuação fiscal. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 233, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 234, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Autuação fiscal: O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003, anocalendário de 2002 (fls. 100 a 105), ter auferido somente rendimentos tributáveis relativos ao resultado da atividade rural de R$24.062,11, atividade que lhe proporcionou receitas de R$855.250,99 naquele ano. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 249 15 Entretanto, verificouse que, no ano de 2002, foram depositados R$4.335.620,01 em sua contacorrente, já excluídas as transferências entre contas e os créditos referentes a empréstimos bancários contratados. Intimado a comprovar a origem dos depósitos, o sujeito passivo informou que a maior parte da movimentação financeira era oriunda da atividade rural por ele desempenhada, e, como os valores das receitas dessa atividade foram declarados em DIRPF, ficavam comprovadas essas origens. Acrescentou que outra parte dos valores identificados diziam respeito a empréstimos alocados junto a terceiros próximos a ele, e que o restante se referia a transferências entre contas do mesmo titular. Não apresentou, contudo, qualquer documentação comprobatória. A Fiscalização julgou as explicações insuficientes, afirmando faltar comprovação de que os depósitos ser referiam à atividade rural e a empréstimos com terceiros, e que as transferências e os empréstimos identificados já haviam sido excluídos, e considerou os depósitos como sem origem, presumindo se tratar de receitas omitidas, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Preliminar de nulidade: Preliminarmente, o contribuinte pugna pela nulidade do lançamento, que teria considerado todos os depósitos como receita omitida, quando deveria ter utilizado como base de cálculo apenas 20% dos valores depositados, pois restou demonstrado que exerce exclusivamente a atividade rural. Sem razão o recorrente. Durante a fiscalização, não restou comprovado que os depósitos bancários estavam relacionados com a atividade rural, pois não foi apresentada qualquer documentação que embasasse essa conclusão. Há que se recordar que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, não se permitindo que agente fiscal deixe de constituir o crédito tributário sem que existam fatos concretos que demonstrem a não ocorrência do fato gerador, não sendo possível se admitir simples argumentos desacompanhados de provas. Ademais, há que se notar que o sujeito passivo apurou seu resultado da atividade rural com base na diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase, nos termos do caput do art. 4o da Lei no 8.023, de 12 de abril de 1990, e não com uso da estimativa de 20% da base de cálculo, nos moldes do art. 5o da mesma lei. Assim, não pode agora exigir que o Fisco se utilize de modalidade de apuração do resultado da atividade rural diferente da por ele escolhida. Pela análise dos autos, não verifico qualquer mácula que possa ser imputada ao lançamento, pelo que rejeito a preliminar suscitada. Lançamento com base em depósitos bancários: Como já explicado, o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 250 16 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 251 17 Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fls. 04 e 05), que, depois de totalizar os depósitos, novamente o intimou a justificar sua origem (fls. 80 a 85), e que, após analisar as explicações do fiscalizado, deu a ele nova possibilidade de apresentar justificativas (fls. 86 a 91), tendo sido lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Não procede, também, o argumento de que as receitas da atividade rural devem ser tributadas anualmente, o que impediria o levantamento mensal, como feito no presente lançamento. Como já explicitado, os depósitos não foram tributados como rendimentos da atividade rural, pois não houve provas convincentes desse fato no curso da fiscalização, já tendo sido rejeitada a preliminar de nulidade nesse sentido. Não merece melhor sorte o argumento que afirma que os depósitos tributados em um mês devem ser considerados como origens para os depósitos do mês seguinte, pois não existe previsão legal nesse sentido. Ao contrário, quando a lei exige que os depósitos sejam comprovados mediante documentação hábil e idônea, está determinando que se justifique a origem de cada crédito, não admitindo explicações genéricas ou presumidas. O aproveitamento de sobras de recursos de um mês para outro diz respeito ao método de apuração de receitas com base em acréscimo patrimonial a descoberto, onde se confronta, mensalmente, o total de recursos e origens disponíveis com os dispêndios e aplicações efetuadas, procedimento não adotado no lançamento sob análise. Ademais, em sentido contrário ao pretendido, foi publicada a Súmula CARF nº 30: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 252 18 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Origem dos depósitos: Como já explicado, durante a fiscalização, o contribuinte buscou justificar seus depósitos como oriundos da atividade rural e de empréstimos de terceiros, mas não apresentou provas. Em sede de impugnação, o sujeito passivo trouxe diversos documentos que foram devidamente analisados pelo julgador de 1a instância, que considerou que serviam para comprovar a origem de depósitos no valor de R$482.655,67, relacionados à liberação de empréstimos e financiamentos. No recurso voluntário, o recorrente ratifica todos os termos da impugnação e requer que os argumentos nela contidos sejam considerados parte do apelo. Assim, verificarei se as justificativas apresentadas foram devidamente analisadas pelo julgador a quo, observando se restaram depósitos que merecem ainda ser excluídos da tributação. Em sua impugnação, o contribuinte disse estar ligado exclusivamente à atividade agropecuária e que dela advém toda a sua receita; que muitos dos depósitos junto ao Banco Bradesco S/A se referem a descontos de cheques recebidos de frigoríficos decorrentes da venda de gado; e que, pela necessidade de capital de giro, socorreuse de empréstimos emergenciais junto a terceiras pessoas e de adiantamento dos frigoríficos por conta de abate futuro. Em seguida, relaciona diversos depósitos nos bancos Bradesco S/A, HSBC S/A e Banco do Brasil S/A com cheques emitidos por Julita Sampaio de Oliveira, Frigorífico Industrial Açailândia Ltda, José Domingos de Melo, Fernando Vaz Sampaio, e Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, afirmando se relacionarem a empréstimos e vendas de gado. No documento de fls. 180 a 182, o Banco Bradesco S/A relaciona os cheques descontados pelo recorrente. O julgador a quo analisou essas provas da seguinte maneira (fls. 214v a 215): Inicialmente, com relação à Declaração emitida pelo Banco Bradesco S/A, fls. 180/182, informando que o contribuinte descontava cheques prédatados naquela instituição, temse que somente referida Declaração se mostra, por si só, insuficiente para comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários. Para tanto, seria necessário se apresentar documentos que demonstrassem a que título as pessoas jurídicas Frigorífico Industrial Açailândia Ltda e Hiper Carnes Com. Atacadista Carnes Ltda e as pessoas físicas Julita Sampaio de Oliveira e José Domingos de Melo efetuaram depósitos/créditos em sua contacorrente. Ressaltase que as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. O artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina que a Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 253 19 impugnação deve ser formalizada por escrito e ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Concordo com a decisão recorrida. Sem dúvida o fato de se receber recursos de frigoríficos é um indício de que o contribuinte manteve relações comerciais com essas empresas. Mas não é possível se concluir que se tratam de receitas decorrentes da atividade rural. Para isso, bastaria que se anexassem as notas fiscais de vendas dos produtos. A falta de documentação também não permite concluir que os cheques emitidos pelas pessoas físicas indicadas se relacionavam a empréstimos utilizados para cobrir despesas da atividade rural. O sujeito passivo também lista uma série de depósitos que estariam relacionados a empréstimos de financiamentos junto às instituições financeiras com as quais movimentava recursos. Entretanto, o acórdão recorrido analisou minuciosamente as provas e excluiu todos os depósitos vinculados a financiamentos que ainda compunham o lançamento, não tendo o recorrente comprovado que ainda resta alguma parcela a ser excluída. Também não é possível se admitir como origens aptas a justificar depósitos bancários simples anotações paralelas de venda de gado a frigoríficos. Por fim, concordo com a análise feita pelo acórdão recorrido das demais provas apresentadas na impugnação, que conclui que as notas fiscais do produtor, o documento de alienação de veículo e o informe de rendimentos financeiros descrevem operações que não ser relacionam com depósitos incluídos no lançamento. Acrescentese que valem para os descontos de cheques no Banco Rural as mesmas observações feitas acima para os descontos no Banco Bradesco, e que não existe depósito lançado que possa ser relacionado à venda do imóvel no valor de R$20.833,33. Desta forma, verifico que todas as provas e argumentos apresentados foram minudentemente analisados pela fiscalização e pelo julgador de 1a instância, já tendo sido excluídos os depósitos com explicações suficientes. Tributação como resultado da atividade rural: O contribuinte afirma que só aufere rendimentos da atividade rural, não existindo sequer indícios de que perceba rendas de outro tipo de negócio, o que obrigaria o uso da tributação própria do setor, sobre 20% da receita bruta. De fato, vem se consolidando neste Conselho uma jurisprudência que mitiga os efeitos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, quando se comprova que o sujeito passivo somente atua na atividade rural, oferecendose à tributação um percentual de 20% das receitas, na forma do art. 5o da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990. Nesse sentido os acórdãos: ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 254 20 legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. (Acórdão CSRF/04 00.487, sessão de 13/12/2006, relator do voto vencedor Remis Almeida) DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS CONTRIBUINTE COM FONTES DE RENDIMENTOS PROVENIENTE EXCLUSIVAMENTE DA ATIVIDADE RURAL EXCLUSÃO DE 80% DO VALOR TOTAL DOS DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS OU COMPROVADOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Caso o conjunto probatório dos autos comprove que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese reduzir, a quinta parte, a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na espécie, o fisco tem o ônus de provar a fonte dos rendimentos para desclassificála, se for o caso, para a tributação normal. (Acórdão n° 10616.716, 6a Câmara/1o CC, sessão de 22/01/2008, relator Giovanni Christian Nunes Campos) CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA. Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal.. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. (Acórdão n° 220200.437, 2a Câmara/2a Turma Ordinária/2a SJ, sessão de 10/03/2010, relator Antonio Lopo Martinez) Filiome a essa interpretação. De fato, é conhecida a informalidade com que ocorrem os negócios rurais de pequena monta em nosso país, regidos muito mais pelos usos e costumes da região do que pelas regras contábeis formais, situação agravada pela baixa instrução das partes envolvidas e pelo afastamento dos centros urbanos. Não se pretende com essa afirmação simplesmente afastar as determinações legais, mas sim temperálas com a realidade dos fatos, que obrigatoriamente deve sensibilizar a análise do julgador, bem como harmonizálas com o restante da legislação tributária. Vejase que o art. 18, §2o, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como o parágrafo único do art. 5o da Lei n° 8.023, de 1990, punem a falta de escrituração do Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 255 21 resultado da atividade rural com o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Assim, se é possível se considerar que as receitas apuradas a partir de depósitos bancários decorreram exclusivamente da atividade rural, então é também razoável se apurar o resultado decorrente com o arbitramento previsto para os casos em que não se escriturou as receitas e despesas desse negócio. No caso, está demonstrado que o contribuinte exerce a atividade pecuária. Isso se verifica pelas cédulas pignoratícias de fls. 143 a 163, onde sua atividade é descrita e gado de sua propriedade é oferecido como garantia, por algumas notas fiscais acostadas aos autos, e pela própria declaração de imposto de renda, onde se apura o resultado da atividade rural. Contudo, não consegui me convencer de que o contribuinte aufere rendimentos apenas desse meio. Vejase que foram tributados R$4.335.620,01 de depósitos não comprovados, tendo o julgador a quo reduzido esse montante em R$482.655,67, chegandose ao total sem explicação da ordem de R$3.852.964,34. Mesmo que se admita que os cheques descontados emitidos por frigoríficos, constantes da declaração emitida pelo Banco Bradesco S/A, fls. 180 a 182, bem como as poucas notas fiscais acostadas aos autos, de fato comprovem a percepção de rendimentos da atividade rural, chegarseá à conclusão de que essas receitas totalizaram R$1.078.241,91, conforme apuração por mim efetuada, valor que corresponde a menos de 1/3 dos depósitos tributados. Assim, apesar de me filiar a interpretação do CARF, e de já a ter adotado em outras situações, considero que não é possível se concluir que todos os depósitos se relacionam apenas à atividade rural, e julgo não ser lícito se reduzir a tributação a 20% dos depósitos considerados. Receita declarada da atividade rural: Finalmente, é necessário enfrentar o ponto da defesa que indica que se deve considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, no valor total de R$855.250,99, independentemente de não terem sido individualizados os depósitos com datas e valores. Deixei para abordar esse argumento no final, por não considerar ser possível, a priori, admitir a receita declarada como origem dos depósitos bancários, como reconheço ser a jurisprudência dominante desta casa. Respeito a força do argumento de que não é razoável se presumir que os depósitos não comprovados são receitas tributáveis, mas não se admitir que os rendimentos regularmente tributados transitaram pela contacorrente do fiscalizado, em especial quando toda a movimentação financeira foi considerada na ação fiscal. Os defensores dessa tese lembram, com razão, que, muitas vezes, a própria fiscalização deduz os valores declarados do total lançado, sendo incoerente que não o faça como regra para todos os lançamentos com base em depósitos bancários. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 256 22 Entretanto, penso ser temerário se adotar tal presunção como regra geral. Já analisei processos onde era evidente que os depósitos se referiam a receitas diferentes das declaradas, sendo forte os indícios de se relacionarem a uma atividade oculta. Além disso, nos casos em que todas as receitas auferidas derivam de fontes pagadoras que especificam os pagamentos efetuados, não há sentido em se admitir como origens valores que facilmente se verifica não se relacionarem com créditos bancários. Assim, penso só ser possível se considerar as receitas informadas na declaração de ajuste como origem apta a justificar os depósitos bancários, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que esses rendimentos transitaram pelas contascorrentes e não foram excluídos do lançamento, mesmo que não seja possível fazer uma vinculação específica com os depósitos. Antes de adentrar nas especificidades do processo em análise, aproveito o ensejo para uma pequena digressão, que considero pertinente à matéria. Quando a discussão envolver depósitos bancários relacionados com a atividade rural, haverá situações onde não será possível cumular a redução da base de cálculo para 20% dos depósitos, como se discutiu na seção precedente, e a exclusão da receita declarada como origem dos créditos bancários, mesmo que esses procedimentos sejam recomendados individualmente. Isso ocorrerá nos casos em que o sujeito passivo apurar seu resultado da atividade rural com base na diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase, nos termos do caput do art. 4o da Lei no 8.023, de 1990, e não com uso da estimativa de 20% da base de cálculo, nos moldes do art. 5o da mesma lei, como aconteceu na situação sob análise. Isso porque, para se reduzir a base de cálculo para 20% dos depósitos, seria necessário arbitrar o resultado com base no parágrafo único do art. 5o da citada lei n° 8.023, de 1990, como punição pela falta de escrituração do resultado da atividade rural. Mas esse arbitramento teria que se dar sobre toda a receita auferida, inclusive aquela já declarada, desconsiderandose as despesas também informadas na declaração de ajuste. Dessa forma, caso se deduzisse o valor declarado, para depois reduzir a base de cálculo para 20% dos depósitos, estarseia cumulando o benefício de se apurar parte do resultado a partir do confronto entre receitas e despesas declaradas, e parte com o arbitramento do lucro em função das novas receitas apuradas. Registrada essa opinião, e haja vista não ter permitido a redução da base de cálculo lançada para 20% dos depósitos, volto às peculiaridades do caso em discussão, perquirindo sobre a possibilidade de se deduzir o valor informado como receita da atividade rural na declaração de ajuste. Penso existir um forte argumento contra a concessão desse benefício. Vejase que o contribuinte estava obrigado a apurar o resultado da exploração da atividade rural em Livro Caixa, pois auferiu receitas anuais superiores a R$56.000,00, nos termos do art. 18 da Lei nº 9.250, de 1995. Se tivesse feito, a contabilização serviria como prova irrefutável de parte dos depósitos, destacandoos dos recursos que foram manipulados em espécie, como é bastante comum nessa atividade. Mas, não efetuando a escrituração a qual estava obrigado por lei, nem apresentando os documentos fiscais de vendas, seria beneficiado pela presunção de que todos os valores declarados transitaram por sua conta. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 257 23 De qualquer modo, creio que existem fortes indícios de que os valores declarados transitaram pelas contascorrentes. Como já explicado na seção precedente, verifiquei que os cheques descontados emitidos por frigoríficos totalizaram mais de R$1 milhão. E se a prova dos autos foi considerada fraca para se admitir que toda essa quantia seja oriunda da atividade rural, e excluíla do lançamento, é razoável relacionála com as receitas dessa natureza declaradas, no montante de R$855.250,99, pela própria compatibilidade entre os valores comparados. Assim, creio ser possível, no presente caso, considerar a receita declarada de R$855.250,99 como origem dos depósitos lançados. Conclusão: Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$855.250,99 da base de cálculo lançada. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13976.000717/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE DE DECISÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
Mantém-se a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo em vista a negativa de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente ao período autuado.
Numero da decisão: 1803-001.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o
Acórdão nº 1803-00.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, por preterição do direito de defesa e, procedendo a novo julgamento do processo, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DE DECISÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Mantém-se a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo em vista a negativa de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente ao período autuado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DE DECISÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Mantémse a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo em vista a negativa de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente ao período autuado. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 67 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, por preterição do direito de defesa e, procedendo a novo julgamento do processo, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 68 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 36): Versa o presente processo sobre autos de infração (fls. 03, 06, 09, 12, 15 e 18), mediante os quais é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 18.709,11, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao 4º trimestre de 2002, 1º ao 4º trimestre de 2003, 1º ao 4º trimestre de 2004, 1º e 2º semestre de 2005, 1º semestre de 2006. Cientificada da exigência fiscal em 29/11/2007 (AR fls. 25/30, a interessada, interpôs impugnação (fls. 01/02) em 14/12/2007, na qual requer o cancelamento do presente lançamento, alegando, em síntese, que estaria dispensada da apresentação das DCTF, nos termos do art. 3º, I, da IN/SRF nº 255/2002, relativamente aos períodos sob exame, tendo em vista que o processo de inclusão retroativa no Simples Federal encontravase, à época, pendente de decisão, a qual somente foi expedida em 21/06/2007. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 35): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF. Mantémse a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, tendo em vista o não reconhecimento de enquadramento da empresa no Simples relativamente ao período autuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 15/01/2010 (fls. 40), em 17/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 41 e 42, instruído com os documentos de fls. 43 a 53, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Pelo Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, de fls. 55 a 58, deixou de ser conhecido o Recurso apresentado, em face de sua suposta perempção. 5. Cientificada dessa decisão em 19/08/2011, apresenta a Recorrente, em 02/09/2011, petição de fls. 64 (numeração digital), na qual esclarece que o dia 16/02/2010 foi feriado nacional de carnaval, sem expediente nas repartições públicas, e, em especial, na Receita Federal, pelo que o Recurso foi entregue no dia 17/02/2010, dia seguinte ao feriado. 6. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 69 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Anulação da decisão anterior 7. Conforme destacado pela Recorrente, o dia 16/02/2010 foi feriado nacional de carnaval, na forma da Portaria MPOG nº 834, de 6 de novembro de 2009 DOU de 09/11/2009, como segue: O SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, no uso de suas atribuições e considerando o que consta da Nota Técnica nº 464/COGES/ DENOP/SRH/MP, de 28 de outubro de 2009, resolve: Art. 1º Divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2010, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: [...]; III 16 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); 8. É, pois, tempestivo o Recurso de fls. 41 e 42 por ela apresentado, já que fora cientificada da decisão de primeira instância em 15/01/2010 (fls. 40). 9. Por conseguinte, deve ser anulado o Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, com fundamento no art. 59, inciso II, do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), de seguinte teor (grifouse): Art. 59. São nulos: [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 10. Procedese, pois, a novo julgamento do processo. Novo julgamento do processo 11. Não é de ser acolhida a irresignação da Recorrente. 12. No decorrer de todo o período em que se examinou o processo nº 13976.000590/200346, de inclusão retroativa no Simples, por ela protocolado em Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 70 5 28/05/2003, não estava a Recorrente, por óbvio, incluída nessa sistemática de tributação favorecida. 13. Daí porque não há como se falar em “dispensa” de apresentação de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) quanto a esse período (até 21/06/2007). 14. Com bem observa a decisão recorrida (fls. 35verso e 36): A alegação da contribuinte de que o processo de inclusão retroativa no Simples Federal encontravase, à época dos períodos autuados, pendente de decisão, não prospera para o efeito de dispensála da apresentação das DCTF ou para que seja levado a efeito prazo de entrega diferente daquele estabelecido pela legislação de regência, haja vista os extratos juntados nesta oportunidade, às fls. 32/34, que registram que a empresa, sob o “EVENTO: 319” foi incluída no Simples em 27/02/1997, mas logo em seguida, sob o “EVENTO: 303”, foi excluída do Simples em 31/08/2001. 15. Por conseguinte, em vista da negativa do pleito de inclusão retroativa no Simples o qual se porventura tivesse sido acatado, tornaria aí sim improcedentes os presentes lançamentos , são plenamente cabíveis as multas aplicadas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ANULAR o Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, por preterição do direito de defesa e, procedendo a novo julgamento do processo, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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