Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.004958/2003-59
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. CONTAGEM PELO ART. 173, I DO CTN.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, prazo que foi respeitado. Dessa forma, não ocorreu decadência.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NULIDADE.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. CUSTO MÉDIO.
O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado, na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º do mesmo dispositivo. A aplicação do custo Zero ocorre somente em hipóteses subsidiárias. Não se pode concluir que o caso dos autos subsume-se a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no mencionado parágrafo, baseado nos demonstrativos emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo constantes dos autos. Outrossim, o cálculo do custo médio ponderado fica distorcido quando o saldo inicial das ações é desprezado pela Fiscalização e a respectiva existência é comprovada pelo recorrente.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO.
A presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária individual, em relação aos quais o titular, regularmente intimados, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações fica afastada quando a documentação dos autos comprova que são recursos advindos da operação em bolsa de valores, cuja tributação se dá segundo regras específicas. De outro modo, mantém-se a atuação quanto aos créditos que restaram sem comprovação da origem e que, ainda que de valor individual inferior a R$12.000,00, somaram no ano mais de R$80.000,00.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. CONTAGEM PELO ART. 173, I DO CTN. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, prazo que foi respeitado. Dessa forma, não ocorreu decadência. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NULIDADE. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. CUSTO MÉDIO. O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado, na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º do mesmo dispositivo. A aplicação do custo Zero ocorre somente em hipóteses subsidiárias. Não se pode concluir que o caso dos autos subsume-se a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no mencionado parágrafo, baseado nos demonstrativos emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo constantes dos autos. Outrossim, o cálculo do custo médio ponderado fica distorcido quando o saldo inicial das ações é desprezado pela Fiscalização e a respectiva existência é comprovada pelo recorrente. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. A presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária individual, em relação aos quais o titular, regularmente intimados, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações fica afastada quando a documentação dos autos comprova que são recursos advindos da operação em bolsa de valores, cuja tributação se dá segundo regras específicas. De outro modo, mantém-se a atuação quanto aos créditos que restaram sem comprovação da origem e que, ainda que de valor individual inferior a R$12.000,00, somaram no ano mais de R$80.000,00. Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004958/2003-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354591
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.856
nome_arquivo_s : Decisao_19515004958200359.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004958200359_5354591.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5497402
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811176861696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 442 1 441 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004958/200359 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.856 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente HONG WAH MO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. CONTAGEM PELO ART. 173, I DO CTN. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, prazo que foi respeitado. Dessa forma, não ocorreu decadência. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. IRPF. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. CUSTO MÉDIO. O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado, na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º do mesmo dispositivo. A aplicação do custo Zero ocorre somente em hipóteses subsidiárias. Não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 58 /2 00 3- 59 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 pode concluir que o caso dos autos subsumese a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no mencionado parágrafo, baseado nos demonstrativos emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo constantes dos autos. Outrossim, o cálculo do custo médio ponderado fica distorcido quando o saldo inicial das ações é desprezado pela Fiscalização e a respectiva existência é comprovada pelo recorrente. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. A presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária individual, em relação aos quais o titular, regularmente intimados, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações fica afastada quando a documentação dos autos comprova que são recursos advindos da operação em bolsa de valores, cuja tributação se dá segundo regras específicas. De outro modo, mantémse a atuação quanto aos créditos que restaram sem comprovação da origem e que, ainda que de valor individual inferior a R$12.000,00, somaram no ano mais de R$80.000,00. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Em 29/12/2003, o contribuinte foi notificado de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente de duas infrações: a) falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável (mercado à vista) nos meses de janeiro a abril de 1998 (fls. 365); e Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 443 3 b) omissão de rendimentos, no anocalendário 1998, caracterizada por valores creditados em contas correntes, em relação às quais o contribuinte foi intimado, porém não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recurso utilizados (art. 42 da Lei 9.430/1996). A fiscalização foi provocada pela verificação de que a movimentação financeira do contribuinte (base CPMF) era incompatível como a entrega de declaração de isento. Intimado para apresentar extratos de movimentação financeira, o contribuinte apresentou diversas Notas de Corretagem emitidas pela Corretora Solidez. A fiscalização utilizouse de Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 180). Documento apresentado pelo Bradesco (fls. 182) indica que a conta 49.7592, na agência 1198 era uma conta conjunta, fazendo menção de que os dados cadastrais do co titular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processoadministrativo instaurado contra o cotitular. As contas 8.511.3925 (fls. 186 em diante) e 272.3085 (fls. 191 e seguintes) e 8.608.9734 (fls. 206 e ss) são contas individuais. O demonstrativo dos depósitos inferiores a R$12.000,00 indica uma soma anual superior a R$80.000,00 (fls. 214/220). O contribuinte foi intimado do referido demonstrativo, bem como para comprovar origem dos valores depositado e, também, documentos que comprovem a aquisição das ações com data, quantidade e custo de aquisição que justificassem os saldos em carteira em 31/12/1997, com a informação de que a falta de comprovação implicaria considerar o custo de aquisição igual a zero (fls. 221). A partir da fl. 223 foram juntados Avisos de Negociação de Ações – ANA emitidos pela Bovespa. O demonstrativo dos valores de depósitos justificados e não justificados foi juntado a partir das fls. 332 e a respectiva consolidação, às fls. 339. A partir das fls. 340 estão as planilhas elaboradas pela fiscalização referentes à apuração do resultados das operações com renda variável, enquanto o Termo de Verificação Fiscal (fls. 359) resume o procedimento de fiscalização. Os argumentos impugnatórios foram reiterados com a peça recursal e serão adiante resumido. A impugnação foi indeferida pelos seguintes fundamentos, em resumo: a) a decadência contase na forma do inciso I do art. 173 do CTN, com termo inicial em 01/01/1999 em relação à renda variável e 01/01/2000 quanto aos depósitos de origem não comprovada; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 b) a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001 encontra respaldo no §1º do art. 144 do CTN; c) improcedência da alegação de que diversos depósitos teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398, pois se constata que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garanta validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, às fls. 17; d) quanto às alegações de que os depósitos nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400, o acórdão recorrido decidiu pela exclusão desses valores do lançamento (fls. 415) e) o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.3085, agência 00973, em 28/07/1998, também foi excluído, posto que duplicado (fls. 415) f) a contestação acerca do custo de aquisição com base na existência de estoque de ações em dezembro de 1997 foi rejeitada porque os valores não devem ser computados por não constarem da declaração de bens do anocalendário 1997, conforme extrato de fls. 18. Ciência da decisão em 27/06/2008. Recurso voluntário interposto em 24/07/2008. Em síntese, a peça recursal amparase nas seguintes alegações: 1. vedação à aplicação retroativa da permissão dada pela Lei nº 10.174/2001 para os fatos ocorrido em 1998, por força do art. 105 do CTN e da restrição imposta pelo art. 11 da Lei 9.311/1996, tal como reconhecido no acórdão 10419498, deste Conselho; 2. decadência em relação aos fatos ocorridos até 25/12/1998, nos termos do §4º do art. 150 do CTN c/c inciso II do art. 4º da Lei 8.134/1990, este último dispositivo ao tratar do recolhimento mensal nas operações de renda variável, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 26/12/2003, cita como precedente o acórdão 10193392; 3. No mérito, os documentos anexos, ignorados pelo Órgão Julgador de primeira instância, comprovam as origens dos depósitos a seguir discriminados: 3.1. Conta Corrente — n° 0119/49.7592 20/01/1998 – R$20.000,00; 26/01/1998 – R$3.184,89; e 02/02/1998 – R$30.000,00 transferências procedidas pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente; 3.2. Conta Corrente — n° 0097/8.608.9734 01/06/1998 — R$ 777,03 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do recorrente; Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 444 5 3.3. Conta Corrente — n° 0097/272.3085 05/06/1998 — R$ 20.365,12 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do recorrente; 3.4. 22/06/1998 — R$ 21.845,36 transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente; 3.5. 28/07/1998 — R$ 1.200,00 transferência procedida da contapoupança vinculada à contacorrente; 28/07/1998 — R$ 1.200,00 — lançamento inexistente; 13/08/1998 — R$ 1.200,00; 25/08/1998 — R$ 1.200,00; 26/08/1998 — R$ 1.200,00; 31/08/1998 — R$ 1.200,00 transferências procedidas da contapoupança vinculada à contacorrente. 4. o cálculo do valor do imposto devido em relação às operações com renda variável não levou em consideração o estoque de ações existentes em dezembro de 1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000); 5. o custo médio ponderado poderá ser obtido pelos documentos anexos à impugnação, que refletem a oscilação das cotações das referidas ações àquela época; e 6. a impropriedade da planilha elaborada pela autoridade fiscal é flagrante, um exemplo é a adoção do custo de aquisição zero no demonstrativo de venda de 3.400 ações da Gerasul PNB. O recurso foi admitido. Em virtude de a decisão de mérito envolver a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada com emprego de Requisição de Informação Financeira RMF, a Turma sobrestou o julgamento do processo por meio da Resolução 2802 000.141, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento é retomado. Esse foi o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Recurso já admitido, passase a transcrever resultado das deliberações já consignadas na Resolução 2802000.141 referentes às preliminares e à preliminar de mérito (decadência). “Rejeito a alegação de que não seria lícita a aplicação retroativa da lei 10.174/2001, com fundamento na Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Da decadência A preliminar de mérito também deve ser rejeitada. Não há qualquer indicativo de antecipação de pagamento pelo contribuinte, o qual entregou declaração de isento para o anocalendário da autuação. A matéria já foi pacificada no âmbito desse Colegiado e do CARF, bem como foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, cujo recurso representativo de controvérsia sobre o prazo decadencial foi julgado no Recurso Especial Nº 973.733 – SC. Aplicase a norma do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Nestes autos verificase que o fato gerador mais antigo em relação ao Imposto sobre Renda Variável ocorreu em janeiro de 1998, ao passo que aquele incidente sobre os depósitos de origem não comprovada, em 31 de dezembro de 1998, este último reconhecido no enunciado da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. A falta de antecipação de pagamento e de entrega de Declaração de Ajuste Anual, acarreta a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. Desta forma, o acórdão recorrido está correto ao considerar que o temo inicial é 01/01/1999 para a incidência sobre os ganhos em renda variável e 01/01/2000 para a tributação dos depósitos de origem não comprovada. Assim, o lançamento regularmente notificado até 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial de todas as incidências.” Da exatidão do cálculo do imposto incidente sobre ganho em aplicações de renda variável O lançamento decorreu da apuração de ganhos líquidos no mercados à vista de ações negociadas em bolsa, conforme demonstrativos de fls. 340/356. Nestes casos a legislação aplicável está consolidada nos art. 761 e 762 do RIR1999. O acórdão recorrido ratificou a decisão de considerar como Zero o custo de aquisição das ações em razão de os saldos existentes em 31/12/1997 não constarem da Declaração de Ajuste Anual, entretanto, diante do contexto dos autos, essa conclusão não encontra suporte em lei. O art. 762 do RIR prescreve que o custo de aquisição será calculado pelo custo médio ponderado – neste ponto o lançamento andou bem – porém na ausência do valor pago a previsão legal será definido conforme o inciso II ou IV do §2º. Embora o dispositivo contemple hipóteses de custo Zero no §3º, essas são subsidiárias. Não se pode concluir que o caso dos autos subsumese a alguma delas, posto que é possível apurar o custo de aquisição pelos critérios ordinários previstos no §2º, a exemplo da utilização do critério do valor corrente (inciso IV do §2º) baseado nos demonstrativos de fls. 404/408, emitidos pela Bolsa de Valores de São Paulo. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 445 7 Anotese, também, que o cálculo do custo médio ponderado ficou distorcido em razão de o saldo inicial das ações ter sido desprezado pela autoridade fiscal. Os ganhos líquidos apurados pela Fiscalização concentraramse no começo do ano de 1998, há situações em que o cálculo do ganho baseouse em alienação de ações, como se fosse possível alienação ações sem que houvesse ao menos uma ação em estoque, como por exemplo as primeiras linhas do demonstrativo de fls. 343. De outro giro, com a documentação de fls. 401/403, o recorrente demonstrou a existência de ações em estoque em 31/12/1997: Eletrobrás PNB (50.000); Petrobras (210.000); Telebrás (800.000); Vale do Rio Doce (9500) e Gerasul (3.400.000). A inexatidão e as incertezas quanto ao valor eventualmente devido conclamam pela exclusão dessa infração do lançamento. Com essa solução prestigiase os princípios da legalidade, da capacidade contributiva e da busca da verdade material. Pedese vênia para transcrever os dispositivos do RIR1999 mencionados: Art.761.Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição (Lei n º 7.799, de 1989, art. 55, §2 º , alínea "a", e Lei n º 8.541, de 1992, art. 29, §2 º , alínea "a"). Custo de Aquisição Art.762.Os custos de aquisição dos ativos objeto das operações de que trata o artigo anterior serão considerados pela média ponderada dos custos unitários (Lei n º 8.981, de 1995, art. 72, §2 º ). §1 º Quando se tratar de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, apurados no anocalendário de 1993, e a partir de 1 º de janeiro de 1996, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizados que corresponder ao acionista beneficiário (Lei n º 8.383, de 1991, art. 75, e Lei n º 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). §2 º Na ausência do valor pago, o custo de aquisição será, conforme o caso (Lei n º 7.713, de 1988, art. 16, incisos III, IV e V): I o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho líquido do alienante; III o valor da ação por conversão de debênture fixado pela companhia emissora; IV o valor corrente, na data da aquisição. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 §3 º O custo de aquisição é igual a zero nos casos de (Lei n º 7.713, de 1988, art. 16, §4 º ): Ipartes beneficiárias adquiridas gratuitamente; II acréscimo da quantidade de ações por desdobramento; III aquisição de qualquer ativo cujo valor não possa ser determinado pelos critérios previstos nos parágrafos anteriores. Da comprovação da origem de depósitos para afastar a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada. A obtenção de dados bancários do contribuinte foi regular, posto que fundamentada em lei. Anotese que as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Não é correta a alegação do recorrente de que os documentos apresentados foram ignorados pelo Órgão Julgador de primeira instância, tal como se afere da expressa manifestação no voto condutor abaixo transcrita (fls. 415). Quanto à apuração dos valores relativos à omissão de receita com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o impugnante alegou que os depósitos de R$ 20.000,00 (22/01/1998), R$ 3.184,89 (26/01/1998) e R$ R$ 30.000,00 (02/02/1998) na conta corrente n° 0119/49.7592; de R$ 777,03 (01/06/1998) na conta corrente n° 0097/8.608.9734; de R$ 20.365,12 (05/06/1998) e R$ 21.854,36 (22/06/1998) na conta corrente n° 0097/272.3085; teriam como origem as transferências pela Corretora Solidez, tendo em vista saldo credor existente em conta corrente interna de titularidade do impugnante, conforme documentos, às fls. 396/398. Entretanto, constatase que os referidos documentos são meras listagens, não estando revestidos de qualquer formalidade que lhes garantam validade como prova hábil para comprovar os fatos neles constantes. Além disso, as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante no Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, às fls. 17. O recorrente não contrapõe qualquer apontamento da DRJ. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 446 9 Ao repetir as alegações da impugnação não se deu conta de que os depósitos de R$1.200,00 (item 5 do relatório deste acórdão) já foram excluídos do lançamento em primeira instância. Vejamos. Ainda quanto à apuração dos valores relativos à omissão de receita com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o impugnante alegou que os depósitos de nos valores de R$ 1.200,00 efetuados em 28/07/1998, 13/08/1998, 25/08/1998, 26/08/1998 e 31/08/1998, teriam como origem a transferência procedida da conta poupança vinculada à conta corrente, conforme documentos, às fls. 399/400. Constatase que de fato não foram excluídos do lançamento fiscal os valores das transferências entre as contas corrente e de poupança n° 272.3085, agência 00973, conforme extratos, às fls. 197/198 e 205, e planilha de conferência dos depósitos bancários às fls. 336/337. Cabe ressaltar que somente foram excluídas as transferências relativas às contas n's 8.608.9734 e 8.511.3925. Constatase, também, que o depósito no valor de RS 1.200,00 na conta corrente n° 272.3085, agência 00973, em 28/07/1998, constante no extrato, às fls. 197, foi indevidamente duplicado na planilha de conferência dos depósitos bancários às fls. 336, sendo cabível sua exclusão do lançamento fiscal. (...) Com base nestas observações, cabe alterar tão somente o lançamento relativo à omissão de receita com base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, reduzindo a base de cálculo de R$ 226.010,13 para R$ 218.820,13.(grifos originais) Cabe analisar exclusivamente as alegações relativas aos depósitos que subsistiram na autuação. Quanto aos depósitos na conta corrente n° 0119/49.7592, o Banco Bradesco (fls. 182) indicou ser uma conta conjunta e que os dados cadastrais do cotitular não estavam sendo fornecidos à Receita Federal por não constar processoadministrativo instaurado contra o cotitular. Não há registro nos autos de que tenha havido identificação, menos ainda, intimação desse cotitular, o que leva à aplicação da Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Isto leva à exclusão da base de cálculo dos depósitos efetuados nessa conta: R$20.000,00 e de R$3.184,89, em 22/01 e 26/01, de R$30.000,00 em 02/02 e de R$300,00 e R$650,00 em 06/05, somando 54.134,89. (fls. 334 e 339). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Por se tratar de hipótese de nulidade, esse provimento independe de específica provocação do recorrente. As outras contas correntes são individuais (0097/8.608.9734; 8.511.3925 e 272.3085, mantidas no Banco Bradesco) e as respectivas alegações recursais passam a ser analisadas. No que se refere à conta Corrente n° 0097/8.608.9734, o contribuinte alega que o depósito de R$ 777,03, realizado em 01/06/1998, corresponde a transferência procedida pela Corretora Solidez em razão de saldo credor existente em contacorrente interna de titularidade do recorrente, o documento apresentado pelo recorrente consta às fls. 398. Essa mesma alegação é feita em relação aos depósitos de R$20.365,12, em 05/06/1998, e de R$21.845,36, em 22/06/1998, na conta Corrente n° 0097/272.3085. O acórdão recorrido apontou que os documentos apresentados, como meras listagens e sem qualquer formalidade não constituem prova hábil, além de apontar que as discriminações constantes em tais listagens fazem referência a uma conta no Banco Bamerindus, quando os depósitos foram realizados em contas do Banco Bradesco, que por sua vez é o único banco constante da relação CPMF (fls. 17), único cuja movimentação financeira foi auditada e que consta dos autos. Anotese que o valor de R$21.845,36 foi considerado erroneamente no acórdão recorrido como R$21.854,36 (vide Demonstrativo do lançamento às fls. 336 e acórdão fls. 415), o que aumentou incorretamente em R$9,00 o valor de rendimento omitido. O depósito de R$22.365,12 merece exposição mais detalhada que irá corroborar a conclusão exposta adiante. Analisandose o extrato correspondente verificase que esse depósito foi registrado como “autodeposito outra agenc” (fls. 214). Dias antes, em 02/06 houve depósito com idêntico histórico na conta 8.608.973,4 (fls. 209), o qual foi reputado comprovado pela autoridade fiscal como vinculado a um Aviso de Negociação de Ações (fls. 332) e, portanto, não constou da autuação. Eis evidências favoráveis à alegação recursal: 1. o contribuinte praticava investimentos na BOVESPA por meio da Corretora Solidez; 2. há depósitos em contas do contribuinte referentes a essas operações; 3. não obstante a cautela da DRJ em admitir a documentação emitida pela Corretora, não há evidências de que não sejam fidedignas; 4. os depósitos em discussão tem os mesmos valores dos que foram assinalados nos extratos da Corretora e datas aproximadas e nos demonstrativos fiscais constou observação quanto ao interstício entre a operação em bolsa e o crédito em conta bancária; 5. os extratos indicam que os depósitos foram “autodeposito”, o que sugere que foi feito pelo próprio correntista. Vindo de outra agência; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 447 11 6. há depósitos de mesmo valor e datas próximas em contas do contribuinte cuja vinculação com as operações em bolsa foram admitidas pela Fiscalização. Concluise que está comprovado que esses depósitos correspondem ao recebimento de recursos advindos das operações com ações, cuja tributação não se dá com amparo no caput do art. 42 da Lei 9.430/1996 e sim por meio de regra específica referente a ganho de capital (§2º do art. 42 da Lei 9.430/1996), o que implica exclusão desses depósitos do lançamento, uma vez amparado na existência de depósitos de origem não comprovada. Mesmo após a citada exclusão a soma dos depósitos de origem não comprovada inferiores a R$12.000,00 (fls. 214/220), efetuados nas contas individual, é superior a R$80.000,00. Em suma, a base de cálculo deve ser reduzida em função da exclusão da infração ganho líquido no mercado de renda variável (item 1 fls. 361) e dos seguintes valores da omissão de rendimentos (item 2 – fls. 361/362): a) depósitos da conta conjunta (R$54.134,89); b) R$9,00 do equívoco do acórdão recorrido; e c) R$ 777,03, depositado em 01/06/1998; R$20.365,12, em 05/06/1998, e de R$21.845,36, em 22/06/1998. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração ganhos líquidos no mercado de renda variável e o valor de R$ 97.131,40 (noventa e sete mil, cento e trinta e um mil e quarenta centavos) de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 460DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004958/200359 Acórdão n.º 2802002.856 S2TE02 Fl. 448 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 19 de maio de 2014 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 462DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003128/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOME COMERCIAL IGEPAL CO 430.
O produto denominado comercial por IGEPAL CO 430, identificado por laudos técnicos como uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, à base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, deve ser classificada no código NCM/SH 3824.90.89.
RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. IMPOSTOS A PAGAR. MULTA DE OFÍCIO
Havendo a reclassificação fiscal da mercadoria, com alteração para maior das alíquotas do II e ao IPI, exigível a diferença dos impostos juntamente com as multa de ofícios, por falta de recolhimento e declaração inexata, e juros moratórios.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO
A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 10/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOME COMERCIAL IGEPAL CO 430. O produto denominado comercial por IGEPAL CO 430, identificado por laudos técnicos como uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, à base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, deve ser classificada no código NCM/SH 3824.90.89. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. IMPOSTOS A PAGAR. MULTA DE OFÍCIO Havendo a reclassificação fiscal da mercadoria, com alteração para maior das alíquotas do II e ao IPI, exigível a diferença dos impostos juntamente com as multa de ofícios, por falta de recolhimento e declaração inexata, e juros moratórios. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.003128/2007-90
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362261
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.219
nome_arquivo_s : Decisao_11128003128200790.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 11128003128200790_5362261.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5533818
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811236630528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 156 1 155 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.003128/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.219 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria II/IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente RHODIA BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOME COMERCIAL “IGEPAL CO 430”. O produto denominado comercial por “IGEPAL CO 430”, identificado por laudos técnicos como uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, à base de compostos orgânicos, um produto diverso das indústrias químicas, não especificado nem compreendido em outras posições, deve ser classificada no código NCM/SH 3824.90.89. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. IMPOSTOS A PAGAR. MULTA DE OFÍCIO Havendo a reclassificação fiscal da mercadoria, com alteração para maior das alíquotas do II e ao IPI, exigível a diferença dos impostos juntamente com as multa de ofícios, por falta de recolhimento e declaração inexata, e juros moratórios. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 31 28 /2 00 7- 90 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 157 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculado através de dois autos de infração lavrados em 08/05/2007, em decorrência de erro na classificação fiscal do produto importado: o primeiro para a cobrança da diferença do II, juros de mora, multa de ofício, multa do controle aduaneiro (pela falta de licenciamento) e multa proporcional ao valor aduaneiro (erro de classificação), no montante de R$ 26.443,02; e o segundo, para a cobrança da diferença do IPI, multa de ofício proporcional e juros de mora, no montante de R$ 9.834,59. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Trata o presente processo de auto de infração decorrente de classificação fiscal incorreta com lançamento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multas, totalizando R$ 36.277,61. Por intermédio da Declaração de Importação nº 03/01918311, o interessado declarou importar IGEPAL CO 430, agente orgânico de superfície não iônico, base química NONILFENOL ETOXILADO COM 4 MOLES DE ÓXIDO DE ETILENO aplicação surfactante não iônico para obtenção de látex, classificandoo no código tarifário NCM 3402.13.00, com alíquotas de 12,4% (Redução ALADI) para II e 5% para o IPI e de acordo com o resultado do técnico abaixo discriminado, entende a fiscalização que a correta classificação da mercadoria é no código NCM 3824.90.89. Em ato de conferência do produto, foram retiradas amostras que resultaram no laudo 0797.01, que concluiu: • Não se trata de um Agente Orgânico de Superfície Não Iônico • Tratase de uma mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida. • Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado. • Segundo literatura técnica o produto é utilizado em detergente, como agente emulsificante e umidificante e tratase de nonilfenol etoxilado, contendo em media 4 moles do grupo etoxi. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 158 3 • Ressaltese que a mercadoria, quando misturada na água na concentração de 0,5%, à temperatura de 20ºc, e em seguida deixada em repouso por uma hora, à mesma temperatura, não produz liquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável. Ciente do Auto de Infração em 03/07/2007, fls. 47, apresentou impugnação em 01/08/2007 de fls. 48 e ss, onde alegou em síntese: O produto IGEPAL CO 430 apresentase na forma de solução aquosa e é composto basicamente de um fenol etoxilado, surfactante não iônico, obtido pela síntese de 1 mol de fenol + 4 moles de óxido de etileno, da qual o óxido de etileno resulta como um subproduto, uma impureza. Testes realizados pelo laboratório de análises concluíram que: • O produto não é agente orgânico de superfície não iônico, não podendo ser classificado na posição 3402.13.00, por não atendimento à nota 3a do capítulo 34. • A posição mais adequada seria 2909.50.90, uma vez que o produto importado apresentase na forma de solução aquosa, contendo além do produto principal, fenol etoxilado, uma impureza, um subproduto o óxido de etileno. Não se trata, portanto, de uma mistura ou uma preparação, mas sim de uma solução aquosa de apenas um produto fenol etoxilado. O equívoco na classificação fiscal não trouxe prejuízo ao erário, descabendo a exigência do pagamento da diferença de tributos, bem como a multa do controle administrativo das importações, cabendo apenas a multa por classificação indevida Ao final requer seja julgado procedente em parte o Auto de Infração. Para melhores esclarecimentos, esta DRJ/SPOII solicitou informações complementares consubstanciadas no Parecer Técnico nº 018/2011, que informou: 1. Não se trata de um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente. 2. O produto não contem água. 3. Nas literaturas técnicas consultadas, Nonifenol Etoxilados (NPE) podem ser produzidos através da reação catalítica do ParaNonifenol (pNP) com Óxido de Etileno (EO), onde o produto obtido é um polímero com vários níveis de etoxilação. 4. O óxido de etileno não é uma impureza 5. O produto não é uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico 6. O produto não é um Fenol ou Fenolalcool 7. O produto não é um derivado halogenado ou sulfonado ou nitrado ou nitrosado dos fenóis ou dos fenóisalcoois 8. O produto não é um Éter acíclico ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 9. O produto não é um Éter ciclânico ou ciclênico ou cicloterpênico ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 10. O produto não é um Éteres aromáticos e seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. 11. O produto não é um Éterálcool ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 12. O produto não é um Éterfenol ou um éterálcoolfenol ou um de seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 159 4 13. O produto não é um Peróxido de álcool ou peróxido de éter ou peróxido de cetona ou um de seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 14. O produto não é um epóxido ou epoxoálcool ou epoxiálcool ou epoxifenol ou epoxiéter, com três átomos no ciclo ou seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados 15. O produto não é um acetal ou semiacetal, mesmo contendo outras funções oxigenada ou seus derivados halogenados ou sulfonados ou nitrados ou nitrosados. 16. O produto não é um sabão ou uma preparação orgânica tensoativa utilizada como sabão ou um produto ou preparação orgânica tensoativa para lavagem de pele em forma de líquido ou creme, acondicionado para venda a retalho, mesmo contendo sabão. A interessada não se manifestou a respeito do laudo complementar. É o Relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1757.438 em 09/02/2012 (efolhas 124/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/03/2003 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mercadoria declarada como IGEPAL 430 e identificada como Alquifenol Etoxilado, não se classifica no capítulo 34 como declarado pela contribuinte. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação mais multas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão em 05/03/2012 (efolha 133), interpôs Recurso Voluntário em 04/04/2012 (efolhas 307/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 160 5 O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal do produto importado pela Recorrente através da Declaração de Importação nº 03/01918311, denominado comercialmente de “IGEPAL CO 430”, na Nomenclatura Comum do MERCOSUL. A empresa classificou as mercadorias importadas no código NCM 3402.13.00, posição correspondente aos “Agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares para lavagem) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01”. 3402.1 Agentes orgânicos de superfície, mesmo acondicionados para venda a retalho: 3402.13.00 – Não iônicos A fiscalização entendeu que a classificação correta para as mercadorias seria o código NCM 3824.90.89, correspondente à seguinte posição tarifária: 3824 – Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições. 3824.90 – Outras 3824.90.8 – Produtos ou preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições. 3824.90.89 – Outras. Pois bem. O primeiro passo para classificar uma mercadoria na Nomenclatura Comum do MERCOSUL é conhecêla, em todos os seus aspectos relevantes para essa nomenclatura. Compulsandose o laudo técnico nº 0797.01, elaborado pela FUNCAMP UNICAMP (efls. 33/ss), e o Parecer Técnico 018/2011, elaborado pelo Falcao Bauer – Centro Tecnológico de Controle da Qualidade (efls. 108/ss), podemos extrair as seguintes informações: (i) Laudo da FUNCAMP/UNICAMP: a Afirmou que “não se trata de Agente Orgânico de Superfície Não Iônico” (resposta ao quesito 1); b Afirmou, também, que a mercadoria importada “Tratase de Mistura de Alquilfenol Etoxilado, na forma líquida, um Produto à base de Compostos Orgânicos, um Produto Diverso das Indústrias Químicas, não especificado nem compreendido em outras posições” (resposta ao quesito 1) e que “Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado” (resposta ao quesito 2). (ii) Laudo do Falcão Bauer: a Afirma que “Os resultados das análises constantes no Laudo em epígrafe indicam que a mercadoria tratase de Mistura de AlquílFenol Etoxilado (Alquil Fenol Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 161 6 Polietoxilado), Outro Produto a base de Compostos Orgânicos, um Produto Diverso das Indústrias Químicas não especificado e nem compreendido em Outras Posições. Portanto, o Laudo da FUNCAMP/UNICAMP foi peremptório ao asseverar que a mercadoria importada não se trata de “Agente Orgânico de Superfície Não Iônico” (NCM 3402.13.00), como declarou a Recorrente nos documentos de importação, portanto, afastando de pronto a classificação por ela adotada. Ambos os Laudos – da FUNCAMP e do Falcão Bauer – concluiram que a mercadoria tratase de “Mistura de Alquilfenol Etoxilado” e, também, que é um “Produto Diverso das Indústrias Químicas, não especificado nem compreendido em outras posições” (resposta ao quesito 1) e que “Não se trata de preparação nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado” (resposta ao quesito 2). Como visto, houve convergência nas conclusões exaradas pelos dois laudos técnicos, elaborados por renomadas instituições. Destaquese, por oportuno, que sãos as únicas provas técnicas produzidas nos autos, portanto, é com base nelas que formaremos nosso entendimento quanto à identificação das mercadorias importadas. Uma vez conhecido o produto importado, passemos à aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) ao caso concreto. A Recorrente havia classificado o produto no código NCM 3402.13.00 Agentes orgânicos de superfície, mesmo acondicionados para venda a retalho, não iônicos, o que foi definitivamente afastado pelos laudo técnico elaborado pela FUNCAMP/UNICAMP. A Recorrente inclusive reconhece que houve erro na classificação fiscal, afirmando, então em sua impugnação, que a posição mais adequada seria 2909.50.90, uma vez que o produto importado apresentase na forma de solução aquosa, contendo além do produto principal, fenol etoxilado, uma impureza, o óxido de etileno, não se tratando, portanto, de uma mistura ou uma preparação, mas sim de uma solução aquosa (vide efolha 146 / Recurso Voluntário). Contudo, o Parecer Técnico 018/2011 do Falcão Bauer, ao complementar as informações do laudo 0797.01 da FUNCAMP/UNICAMP, corroborou as informações trazidas no laudo inicial afirmando que o produto importado não se trata de um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, nem uma solução aquosa, afastando, assim, também a nova classificação que o contribuinte tenta atribuir ao produto importado (no capítulo 29 – NCM 2909.50.90). Em outro giro, a Recorrente não traz aos autos qualquer elemento de prova capaz de refutar a classificação adotada pela autoridade fiscal. Ademais, os Laudos da FUNCAMP e do Centro Tecnológico Falcão Bauer foram extremamente objetivos e convergentes ao afirmarem que o produto importado é um “produto diverso das Indústrias Químicas, não especificado nem compreendido em outras posições”, portanto, indicando claramente que devem ser enquadrados dentre as posições do Capítulo 38 – Produtos diversos das indústrias químicas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 162 7 Não bastasse isso, ambos os laudos afirmam que o produto é um “Produto à base de Compostos Orgânicos”, indicando, assim, que a classificação correta é aquela constante do código tarifário NCM 3824.90.89 Produtos ou preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições, outros. No caso, portanto, a classificação pode ser determinada pelo texto da posição 3824, como prescreve a Regra Geral de Interpretação nº 1. O texto desta posição enquadrase perfeitamente com a identificação do produto importado, conforme restaram consignados nos citados laudos técnicos elaborados pela FUNCAMP e pelo Falcão Bauer. Em conclusão, deve a mercadoria em tela ser classificada na posição 3824, com base na RGI nº 1, em função dos textos desta posição, e na RGI nº 6 na sub posição 3824.90, por falta de sub posição mais específica, combinada com a RGC1, resultando no código NCM/SH 3824.90.89. Correta, portanto, a classificação fiscal informada pela fiscalização no lançamento de ofício. Em decorrência do erro de classificação fiscal o sujeito passivo informou as alíquotas incorretas do II (12,4%, quando o correto seria de 15%) e do IPI (5%, quando o correto seria 10%), deixando, assim, de recolher parte dos impostos devidos, de modo que restou caracterizada a conduta descrita no artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na medida em que representa a “falta de recolhimento do imposto” e também a “declaração inexata”, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Desse modo, caracterizado que, de fato, a classificação declarada não é cabível, somente seria possível afastar a penalidade se verificada circunstância excludente expressamente enumerada no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10, de 16 de janeiro de 1997, verbis: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n.º 324, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.º 87.981, de 23 de dezembro de 1982. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º, da Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifei) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 163 8 No caso dos autos, conforme pode se ver na descrição da mercadoria constante do extrato da declaração de importação, o sujeito passivo descreveu a mercadoria como “IGEPAL CO 430 AGENTE ORGÂNICO DE SUPERFÍCIE NÃO IÔNICO BASE QUIMICA: NONOFENOL ETOXILADO COM 4 MOLES DE ÓXIDO DE ETILENO (e folha 27), portanto, o produto não foi corretamente descrito de forma a permitir a sua identificação e correto enquadramento tarifário. Inaplicável o ADN Cosit nº 10/97. Deste modo, a multa de ofício foi devidamente aplicada, como determina o artigo 44, I da Lei 9430/96. Em outro giro, a classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/01: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Tendo em vista que a classificação incorreta restou demonstrada nos autos, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação também dessa multa. Juntese a isso, o fato de que o próprio contribuinte inicialmente classificou a mercadoria na posição 3402 e, posteriormente, em sua defesa reconheceu que houve classificação incorreta, sugerindo outra posição. Por fim, quanto à multa por falta de licenciamento na importação, prevista no artigo 633 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/02), em face da descrição incorreta da mercadoria na declaração de importação, como já demonstrado linhas acima, é de concluirse pelo cabimento da penalidade, uma vez que a licença automática obtida no ato de registro da DI foi para mercadoria diversa da efetivamente importada, como já se demonstrou fartamente neste voto. Pela mesma razão (erro na descrição da mercadoria), inaplicável ao caso em tela o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 13, de 21 de janeiro de 1997, que prescreve: “não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a DI de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “EX” exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado (negritei), e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante”. Assim, este ADN só será aplicado nos casos em que o produto não esteja corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Como visto, ambos os laudos demonstraram que a mercadoria descrita na DI não foi aquela efetivamente importada. Diante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.003128/200790 Acórdão n.º 3202001.219 S3C2T2 Fl. 164 9 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720425/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat May 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS.
A multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL serve para dar efetividade ao comando legal que impõe o seu recolhimento e pode ser aplicada mesmo após o encerramento do período a que se refere a omissão detectada pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1803-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Meigan Sack Rdorigues, Victor Humberto da Silva Maizman e ArthurJosé André Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walter Adolfo Maresch.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. A multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL serve para dar efetividade ao comando legal que impõe o seu recolhimento e pode ser aplicada mesmo após o encerramento do período a que se refere a omissão detectada pela autoridade fiscal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.720425/2012-40
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352041
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.168
nome_arquivo_s : Decisao_11030720425201240.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11030720425201240_5352041.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Meigan Sack Rdorigues, Victor Humberto da Silva Maizman e ArthurJosé André Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
dt_sessao_tdt : Sat May 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5481676
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811305836544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.720425/201240 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.168 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de maio de 2014 Matéria IRPJ Recorrente COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DA AGRICULTURA E COLHEITA LTDA COOPERCOLHEITA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. A multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL serve para dar efetividade ao comando legal que impõe o seu recolhimento e pode ser aplicada mesmo após o encerramento do período a que se refere a omissão detectada pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Meigan Sack Rdorigues, Victor Humberto da Silva Maizman e ArthurJosé André Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 04 25 /2 01 2- 40 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 112 2 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente processo, de auto de infração de aplicação de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL. A empresa recorrente, constituída em forma de cooperativa, não teria cumprido os requisitos legais para se utilizar da forma de tributação aplicável às cooperativas, levando a autoridade fiscal a recalcular os resultados dos períodos, aplicando penalidades isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A autoridade fiscal assim resumiu as questões tratadas no procedimento fiscal: "A empresa intitulada como cooperativa, utilizandose de estatutos para buscar legitimidade, entretanto é uma empresa comercial formada para excluirse do pagamento de tributos e contribuições. Sua formação é irregular e usa de uma organização arquitetada por alguns de seus sócios fundadores que, S.M.J., estabeleceram a criação da ente visando exclusivamente a dissimulação da ocorrência do fato gerado da obrigação principal. Fato que comprova o dolo objetivo, vontade de fazer, conforme demonstramos neste relatório. Há ainda as empresas de ramificação dos principais sócios que dissimulam o pagamento de comissões através de simples recibos emitidos pelo computador e não através de notas fiscais de prestação de serviços. Desta forma não reconhecem esta receita em suas declarações de renda. Destarte, foi lançado o IRPJ, CSLL, sobre o faturamento, como uma empresa normal, sem o caráter cooperativista, aplicação de multa agravada e lavrando a Representação Fiscal para Fins Penais, conforme descrevemos neste relatório. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 113 3 Nas empresas que receberam o rendimento das comissões foi adicionado a receita e tributadas como rendimentos omitidos." Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, de forma tempestiva, alegando que o lançamento seria ilegal, pois as sociedades cooperativas que obedecem ao disposto na legislação específica, no caso a Lei 5.764/71, não estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, nos termos do art. 182 do Decreto 3000/99. Ainda, afere a recorrente que o fato de a sociedade cooperativa praticar ato não cooperativos não a descaracteriza como tal, desde que tais atos sejam essenciais aos seus objetivos. Observa que nas cooperativas, o termo sobras líquidas designa o próprio lucro apurado em balanço, e são distribuídas em razão da quantidade de operações realizadas por seus associados, e não em proporção às suas quotas–parte de capital.Assim, entende que tendo a mesma agido de acordo com o que prevê a lei específica, não poderia prosperar o lançamento. Em relação à aplicação das multas isoladas, assevera que a atividade administrativa é vinculada aos termos da lei e o art. 97, V, do CTN, impõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades. Ainda, aduz que o art. 112 do CTN, disciplina que a lei que determinar a aplicação de penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. De igual modo, salienta que em razão do princípio da tipicidade cerrada, que vige no Direito Tributário, “para dar ensejo à aplicação da penalidade é necessário que tenha efetivamente ocorrido o fato descrito em abstrato na lei como infração, que no caso não acontece”. Desse modo, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, no inciso que trata das penalidades isoladas por falta de recolhimento de estimativas, somente poderia ser aplicada durante o próprio anocalendário a que se refere, o que não ocorreu no caso concreto. Cita jurisprudência administrativa que embasaria seus argumentos. Por fim, assevera que a fiscalização aplicou equivocadamente o percentual de 75% para multas isoladas, já que o correto, a teor do art. 44, II, da Lei 9.430/96, seria 50%. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento de forma parcial, asseverando que tratase de auto de infração referente à tributação de cooperativas e tece voto a respeito da tributação das cooperativas, atos cooperados e atos não cooperados. Trata, o julgador a quo, como correto o entendimento da fiscalização em não considerar como cooperativa a recorrente. Afere que dois pontos são fundamentais para demonstrar a correição do procedimento fiscal, quanto à viabilidade de cobrança de tributos sobre os resultados auferidos pela recorrente: a) a subscrição de 90,5% das quotas partes por parte de um único associado, em flagrante desrespeito ao §1º do art. 24 da Lei nº 5.764/7110 que veda, em regra, que qualquer associado subscreva mais de 1/3 do total das quotas partes da cooperativa; b) a distribuição de benefícios de ordem financeira em favor de associados. Atenta para o fato de que já na constituição da sociedade cooperativa houve afronta à lei nº 5.764/71 ao possibilitar que um único associado subscrevesse mais de 1/3 das Fl. 747DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 114 4 quotas partes, implicando ofensa direta ao art. 24, §1º, do dispositivo legal em comento. Quanto à distribuição de benefícios de ordem financeira em favor de associados, às fls. 21 a 25 dos autos, a autoridade fiscal descreve e demonstra a existência de comissões distribuídas a empresas em nome dos associados responsáveis pela administração da recorrente. Tal fato é incontroverso, uma vez que a impugnação apresentada sequer aborda a questão. Cita legislação nesse sentido. Prossegue observando que a desobediência à lei específica que rege as sociedades cooperativas gera reflexos no tratamento tributário aplicável a essas sociedades. O fundamento jurídico que possibilita ao Fisco a constituição de créditos tributários sobre a totalidade dos resultados auferidos por sociedades cooperativas quando desobedecem à legislação de regência dessas atividades é o art. 182 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 17/06/1999 (RIR/99). Assim sendo, a COOPERCOLHEITA distribuiu comissões aos associados LAÉRCIO CLÁUDIO PIAZZA, EMERSON BRUNETTO, FRANCIELI RIBOLI LARGO e DIOGO LUIZ CASTOLDI, por intermédio de empresas constituídas em seus respectivos nomes (LAÉRCIO C. PIAZZA & CIA. LTDA., EMERSON BRONETTO & CIA. LTDA., AGRO COLHEITA LTDA. e CASTOLDI GEREVINIL & CIA. LTDA. , em desobediência ao art. 24, § 3º da Lei nº 5.764/71. Como consequência, os seus resultados devem ser tributados, em consonância com o § 2º do art. 182 do RIR/99. No presente lançamento não se está desconsiderando a personalidade jurídica da cooperativa, mas sim se aplicando a legislação cooperativista à autuada, o que possibilita, de fato, sua tributação sem quaisquer diferenças em relação às demais pessoas jurídicas. Isso posto, correto o procedimento da Fiscalização ao considerar como base de cálculo do IRPJ e CSLL o valor consignado no LALUR (fls. 591 a 600) como sobras líquidas antes do IRPJ, desconsiderando as exclusões efetuadas a título de “sobras do ato cooperativo”, uma vez, ao descumprir a legislação de regência, o impugnante não faz mais jus ao tratamento diferenciado na tributação de seus resultados. Atenta para as considerações da fiscalização ao final dos anos calendário de 2008 e 2009 de que a recorrente auferiu prejuízos fiscais, não havendo, portanto, saldo de IRPJ e CSLL a serem exigidos. Quanto à exigência de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, observa que embora tenha auferido prejuízo fiscal ao final dos exercícios sob procedimento fiscal, considerandose os resultados mensais, a recorrente deixou de recolher valores significativos a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. No presente caso, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, bem como a IN SRF n. 93/97. Argumenta que as multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente vinculamse a infrações de natureza distintas. Passa a discorrer sobre o tema e conclui que as multas são distintas e autônomas, decorrente das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. Ainda, contrapõese às argumentações da recorrente quanto à aplicabilidade da multa isolada depois de findo o exercício em apreço. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 115 5 Contudo, refere o julgador que razão assiste à recorrente quanto ao percentual da multa aplicada. Isso porque a autoridade fiscal equivocouse no percentual aplicável à penalidade isolada, utilizandose de 75% ao invés do 50% disciplinado em norma. Assim, dá provimento apenas para ajustar o percentual. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo em síntese o já disposto nas razões de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração para aplicação de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL. A empresa recorrente, constituída na forma de cooperativa, não teria cumprido os requisitos legais para se utilizar da forma de tributação aplicável às cooperativas, levando a autoridade fiscal a recalcular os resultados dos períodos, aplicando penalidades isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A autoridade de primeira instância aduz que a recorrente não pode ser considerada cooperativa, para os fins de tributação, porquanto não ter se constituído na forma correta e devidamente disciplinada pela legislação de regência. Nesse sentido, entendo ter razão à autoridade fiscalizadora, vez que segundo determina a legislação de regência, qual seja Lei 5.764/71, em seu art. 24,§1°, o capital social será subdividido e nenhum associado poderá subscrever mais de 1/3(um terço) do total das quotaspartes. Segue legislação: "Art. 24. O capital social será subdividido em quotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior salário mínimo vigente no País. § 1º Nenhum associado poderá subscrever mais de 1/3 (um terço) do total das quotaspartes, salvo nas sociedades em que a subscrição deva ser diretamente proporcional ao movimento financeiro do cooperado ou ao quantitativo dos produtos a serem comercializados, beneficiados ou transformados, ou ainda, em relação à área cultivada ou ao número de plantas e animais em exploração." Fl. 749DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 116 6 De igual modo, a autoridade fiscal atenta para a distribuição de benefícios de ordem financeira em favor de associados. A lei das cooperativas também veda às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefícios às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens (art. 24, §3° da Lei 5.764/71), senão vejamos: "Art. 24. O capital social será subdividido em quotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior salário mínimo vigente no País. (...) § 3° É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano que incidirão sobre a parte integralizada." De outra ponta, a empresa recorrente não expõe uma linha em sua defesa, restringindose tão somente a mencionar que está devidamente constituída como cooperativa e que para tanto faz jus à tributação diferenciada. Apesar da argumentação, entendo que neste caminho, as argumentações da empresa recorrente não merecem procedência, tomando em conta as distribuições de benefícios financeiros aos quotistas, além de ser constituída de forma irregular, sem respeitar as normas disciplinadas para as cooperativas. Contudo, no mérito da demanda, qual seja a autuação por multa isolada, mesmo não sendo a empresa recorrente considerada como cooperativa, não pode prevalecer a imputação. Isso porque a autuação da multa isolada, pela falta de recolhimento das estimativas, se deu após o encerramento do ano calendário em apreço e por se tratar de uma multa coercitiva pela falta da prática de um ato, ela somente pode prevalecer no ano calendário que deveria ter sido praticada. Assim a discussão cingese em saber se a multa pode ser cobrada mesmo após o encerramento do ano calendário. Atentemos para o fato de que o mérito da demanda cingese tão somente à multa isolada, pela falta de recolhimento dos valores a título de estimativa nos anos em comento. E, nesse caminho, a aplicação da multa isolada é descabida, posto que a presente multa tem o condão de disciplinar o contribuinte a recolher as estimativas, durante o ano em que as mesmas devam ser cobras; uma vez ultrapassado, ou seja, uma vez encerrado o ano calendário, entendo que a multa isolada já não pode mais ser cobrada, perdendo por completo a sua aplicação. Ademais, a multa isolada diz respeito aos anos calendários de 2008 e 2009, mas foi lançada em 2012. Ainda, restou esclarecido que tributo algum é devido pela empresa recorrente nos anos calendários em questão, haja vista que apenas a multa isolada foi devidamente computada e nenhum tributo foi lançado, razão pela qual restou incontroversa a questão. Nesse Fl. 750DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 117 7 caminho, incontroversa também restou a questão de que a empresa, somente foi fiscalizada nos anos calendários subsequentes aos apurados pelos presentes autos de infração e segundo o meu entendimento a sanção em apreço serve para dar efetividade aos recolhimentos das estimativas durante o ano calendário calculadas sobre o faturamento escriturado. Assim, após o ano calendário, se a fiscalização averiguar omissão de receita, somente poderá exigir a multa proporcional de 75% ou de 150%, e não mais a multa isolada, vez que essa sanção tem a serventia de dar efetividade aos recolhimentos das estimativas no transcurso do ano calendário, calculadas sobre o faturamento escriturado. No presente feito, a fiscalização lançou a multa isolada após o encerramento dos respectivos anos calendários. Certo que no curso do ano calendário a multa é calculada por estimativa com base na receita bruta, que é a sua base de cálculo; porém, encerrado o período base, levantado o balanço e apurado o lucro líquido do período, feita a provisão do imposto, surge o conceito de tributo referido no artigo 44 da Lei 9.430/96. Nesse caminho, temse que é esse o conceito de tributo disciplinado no artigo em referência e que deve prevalecer como limite para a base de cálculo da multa isolada e que não poderá exceder esse valor, mas se aplicada no tramite do ano calendário em que está sendo apreciada e não mais depois do período finalizado. Desse modo, encerrado o ano calendário sem que o fisco tenha lançado a multa isolada e se o balanço do exercício demonstrar prejuízo ou resultado nulo, descabe lançamento da multa isolada com base em estimativa. Também se pode entender pelas razões contrárias, ainda que não seja o exemplo presente deste processo, posto que havendo tributo a ser pago, a multa isolada estará limitada ao valor da provisão do tributo, vez que o lançamento terá de ser feito com base e limite no tributo apurado em balanço e não mais por estimativa. Isso porque não podemos olvidar que a estimativa existe para substituir o imposto durante o ano calendário, quando ainda não se pode conhecer o seu valor. Assim, por entender que a empresa já havia encerrado todos os anos calendários em comento, sem que o fisco tivesse lançado a multa isolada no curso de qualquer ano em discussão é que entendo ser descabida a multa e que portanto o presente auto não pode prosperar. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 751DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 118 8 Voto Vencedor Walter Adolfo Maresch – Redator Designado. O voto da ilustre conselheira relatora Meigan Sack Rodrigues não foi acompanhado pelo entendimento fazendário consolidado através do voto de qualidade da ilustre presidente da Turma. A divergência versa sobre a possibilidade ou não de que a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL seja aplicada mesmo após o encerramento do período de apuração a qual se referem. Tal entendimento embora tenham fervorosos defensores no âmbito deste colegiado julgador administrativo ainda não tem um posicionamento definitivo da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não me parece ser esta a melhor exegese da norma pois é notório que a fiscalização quase sempre atua encerrado o período de apuração do tributo. Assim, as próprias instruções normativas emanadas da Receita Federal indicam que ao longo do período de apuração deve ser exigido o tributo de acordo com a forma de apuração da base de cálculo adotada pelo contribuinte (art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 11/96). Destarte, afasto a tese de que a multa isolada somente pode ser aplicada dentro do período de apuração a que se referem as estimativas não recolhidas. Outro aspecto que merece atenção, é o de que a empresa não tenha apurado imposto ou contribuição social devidos ao final do período de apuração anual. É a tese vencedora dos julgados que foram trazidos pela contribuinte em seu recurso voluntário e que tem recebido acolhida em inúmeros julgados do CARF inclusive contando com o meu voto nesta turma julgadora. No entanto, além das dúvidas apontadas quanto aos resultados apurados pela recorrente considerando seus expedientes em reduzir o lucro no ajuste ao final do período com notas fiscais e pagamentos à pessoas ligadas, temos que a tese invocada é aplicável para os anos calendários anteriores a 01/01/2008. Com efeito, a partir da mudança da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação data pela Lei nº 11.488/2007, tenho que a situação modificouse substancialmente. A norma sancionadora (art. 44 da Lei nº 9.430/96) tem a seguinte redação após a Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720425/201240 Acórdão n.º 1803002.168 S1TE03 Fl. 119 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...). Assim, não se tem mais a vinculação contida na redação anterior de que a pessoa jurídica deveria estar sujeita ao pagamento de IRPJ e CSLL inclusive ao final do período de apuração. Os períodos de apuração objeto do lançamento de ofício referemse aos anos calendários 2008 e 2009 posteriores portanto, à modificação legislativa introduzida pela Lei nº 11.488/2007. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assina do digitalmente em 04/06/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001866/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência.
Numero da decisão: 2201-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001866/2009-11
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.419
nome_arquivo_s : Decisao_19515001866200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 19515001866200911_5364552.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 23/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5549963
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811385528320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001866/200911 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201002.419 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado YALE LA FONTE SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 66 /2 00 9- 11 Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2003 a 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 79/104, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.212.647,63. A fiscalização apurou divergências entre os valores escriturados nos registros contábeis e as DCTF’s, em confronto com os respectivos comprovantes de pagamento, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/78. Cientificado do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... sobre o lançamento cuja matéria tributável foi as diferenças acima listadas, tidas pelo autuante como IRRF recolhido a menor, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 108/125, alegando dentre outras razões, nada dever ao fisco, tendo apresentado o anexo de fls. 126/136, com o resumo dos valores declarados em DCTF e dos DARF’s que teriam sido recolhidos. Colacionou com a impugnação os documentos de fls. 230/645, que se constituem, em cópia da DCTF e respectivos DARF e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para justificar a improcedência dos valores lançados. Os autos foram baixados em diligência, fls. 676/678, para saneamento, pois, alegou a Impugnante que os valores que estavam sendo exigidos, já haviam sido pagos. Efetuada a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal contendo os novos valores exigidos, ou seja, a autoridade autuante reduziu o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). A contribuinte foi cientificada da Informação Fiscal e respectivas planilhas e apresentou petição, fls. 765/767, reiterando o entendimento de que nada deve ao fisco. Da análise da informação fiscal, a 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI resolveu converter novamente os autos em diligência, para a autoridade lançadora responder aos quesitos arrolados e elaborar resumo conclusivo e memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes. A autoridade fiscal solicitou a contribuinte apresentação de todos os comprovantes de pagamento efetuados, para todos os valores objeto do Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou os documentos às fls. 860/3.746, contendo cópias de notas fiscais, de DARFs e de Demonstrativos de Pagamento de salários efetuados. Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 3 3 Por sua vez, a fiscalização cotejou os documentos apresentados pela autuada e elaborou nova Informação Fiscal (fls. 3749/3752). A contribuinte foi novamente cientificada da Informação Fiscal de fls. 3749/3752, e alegou, mais uma vez, que cumpriu todas as obrigações principais e acessórias. A 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: VALORES ESCRITURADOS. VALORES DECLARADOS/PAGOS. Comprovado equívoco na apuração do crédito tributário, ao confrontarse os registros contábeis do contribuinte, as respectivas DCTF’s e os comprovantes de pagamento, evidenciandose erro na apuração do valor tributável, bem assim da data do fato gerador, exonerase a exigência. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 3, de 2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a Impugnação apresentada pela recorrente, no cotejo das provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Do extenso e exaustivo relatório acima apresentado, evidencia se o esforço despendido por esta turma de julgamento, com o intuito de sanear os autos. Desde a primeira análise, constatouse haver diferenças entre os valores apontados como devidos pela fiscalização, no Termo de Verificação (fls. 77/78), que montavam a R$ 1.498.123,48, e no Auto de Infração R$ 1.419.383,37 (fls. 96/103). Essa discrepância inicial, foi evidenciada no quadro comparativo apresentado em fls. 839/843 e acima reproduzido, onde se verifica que os valores hachurados são alguns fatos geradores do IRRF que só constavam no TFV ou só no AI. Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A isto se acrescente que, junto com a impugnação o contribuinte colacionou documentos (fls. 230/645), quais sejam cópias de DCTF e respectivos DARFs e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para sustentar a alegação de serem improcedentes os valores lançados. Da análise daqueles documentos esta turma de julgamento deparouse com uma série de evidências de que o procedimento adotado pela fiscalização estava eivado de equívocos. Os autos foram baixados em diligência, conforme acima relatado para o saneamento dos autos, a fim de que a fiscalização procedesse ao batimento dos DARFs apresentados, vinculandoos às DCTFs e os registros contábeis, a fim de se que se verificasse se alguns dos valores que estavam sendo exigidos e para os quais alegava o impugnante ter pago, não teriam sido de fato tomados pela fiscalização com defasagem de período de apuração, como sugeriam os documentos acostados pelo impugnante, ou qualquer outro equívoco, tal como código de receita diferente. A fiscalização procedeu à diligência e os autos retornaram com valores diferentes a serem exigidos, conforme sintetizados no quadro apresentado em fls. 846/848 e acima reproduzido. Da leitura do referido quadro, verificase que do montante de R$ 1.419.383,37, do auto de infração original (fls. 96/103), a autuante elaborou novo cotejo das informações contábilfiscais (fls. 770/784), onde introduziu uma nova coluna denominada “LANCTO FINAL), valores esses que totalizam R$ 309.915,64, ou seja a fiscalização reconheceu que de fato os valores não eram bem aqueles e reduziu a exigência inicial de R$ 1.419.383,37 para R$ 309.915,64. Ocorre, que mais uma vez, esta turma de julgamento procedeu a análise de todos os documentos e constatou que a autuante não havia procedido ao correto saneamento dos autos e introduzido outros equívocos. Incluiu no lançamento por ela denominado de final alguns fatos geradores que não figuravam no auto de infração inicial e para uns poucos outros majorou o valor que inicialmente havia lançado. Tais fatos ficaram evidenciados no quadro apresentado em fls. 844/845 e 846/848 e acima reproduzidos. Novamente os autos foram baixados para a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da TABELA FINAL (fls. 848/850) R$ 149,24 e R$ 545,16 , fazendose uma análise profunda da procedência desses valores e solicitando para a fiscalização que apresentasse a memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, ou seja procedesse ao mesmo exame para as demais diferenças. Sobre os dois primeiros valores R$ 149,24, R$ 545,16 dissecados por esta turma de julgamento na segunda diligência, conforme acima relatado a fiscalização ora afirmou categoricamente não ter sido possível determinar com exatidão a efetiva data do fato gerador do IRRF, ora ter havido desencontro do valor contabilizado em relação à DCTF e conseqüentemente com o Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 4 5 SINAL (pagamentos), culminando por concluir pela eliminação dessas duas primeiras diferenças da autuação. E não procedeu a esta mesma análise e à produção da memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, conforme lhe fora solicitado. Ora, por duas vezes teve a fiscalização a oportunidade de sanear e manifestarse sobre eventuais diferenças a serem exigidas e não o fez. A isto se acrescente que para todas as diferenças remanescentes, verificase ter havido equívocos ora na apuração do valor tributável, ora na data do fato gerador. O artigo 142 do Código Tributário Nacional descreve da seguinte forma a atividade do lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ora, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a identificação correta do momento em que ocorrido o evento que dá origem à obrigação tributária, o que tem diversos reflexos na constituição do crédito tributário, seja na aplicação correta da legislação então vigente, na verificação da ocorrência eventual da decadência, e mesmo, em algumas situações, no próprio dimensionamento da matéria tributável. Destarte, tendo sido exaustivamente analisada a documentação apresentada e evidenciadose erro na apuração do valor tributável, bem assim na possível data do fato gerador em face dos registros contábeis do contribuinte, das respectivas DCTF’s e dos comprovantes de pagamento, deve ser exonerada a exigência por comprovadamente ser indevida. Diante do exposto, voto por julgar procedente a impugnação e pela exoneração do crédito tributário exigido. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida converteu o processo em diligência para que a autoridade lançadora procedesse ao saneamento dos autos. Efetuada a diligência, a autoridade autuante elaborou Tabela Final (fls. 848/850), reduzindo o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). Contudo, em razão de outros equívocos na apuração do valor tributável, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da Tabela Final, R$ 149,24 e R$ 545,16, efetuasse novo exame dos valores remanescentes, elaborando memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças. Entretanto, a fiscalização não se manifestou sobre as diferenças levantadas pela autoridade recorrida. Ora, para exigir o crédito tributário a autoridade fiscal responsável pela sua constituição deverá demonstrar claramente sua ocorrência. Ao não fazêlo de forma adequada Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 impediu que o contribuinte exercesse plenamente o direito ao contraditório. O objetivo da diligência proposta pela DRJ foi esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas pelo julgador no exame do litígio. Todavia, a autoridade lançadora não logrou elucidar os valores constantes da Tabela Final (fls. 848/850), mantendo, dessa feita, a falta de clareza do conteúdo do Auto de Infração. A falta de clareza do auto de infração, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, também impede a correta análise dos fatos por parte do julgador, conforme se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa transcrevese: Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE CLAREZA E PRECISÃO. Constatada a ocorrência de infração deve ser lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada. A falta de clareza e precisão na lavratura da infração impede o exercício do direito de defesa do contribuinte, como também impede a correta análise por parte do julgador. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Acórdão nº 920201.772 –2ª Turma Processo nº 35301.008000/200641) Portanto, ante a falta de clareza e precisão dos fatos em que se funda o auto de infração, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.001866/200911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.419. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727226/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS.
O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto.
MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE.
Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreende-se que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento.
Numero da decisão: 2302-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS. O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreende-se que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.727226/2012-20
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352473
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.148
nome_arquivo_s : Decisao_10380727226201220.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 10380727226201220_5352473.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NOME DO PRESIDENTE - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5484769
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811409645568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.727226/201220 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.148 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS. O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 72 26 /2 01 2- 20 Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NOME DO PRESIDENTE Presidente. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3870,lavrado em 21/06/2012, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., no valor deR$ 116.535,96(cento e dezesseis mil, quinhentos e trinta e cinco reais e noventa e seis centavos),referente a contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais incidentes sobre as remunerações pagas e não declaradas em GFIP, descontadas e não repassadas à Seguridade Social em época própria, abrangendo as competências 01/2009 a 13/2010. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.019.3889, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 21/06/2012, no valorde R$ 13.535,95 (treze mil, quinhentos e trinta e cinco reais e noventa e cinco centavos), referente a contribuições previdenciáriasincidentes sobre as remunerações, pagas ou creditadas aos segurados empregados, bem como, sobre as remunerações pagas ou creditadas a freteiros, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3897, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA.,lavrado em 21/06/2012, no valor de R$ 422.729,20 (quatrocentos e vinte e dois mil, setecentos e vinte e nove reais e vinte centavos), referente às contribuições previdenciárias, Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 3 3 parte patronal, incidentes sobre a remuneração dossegurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, abrangendo as competências de 01/2009 a 13/2010. Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3900, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 21/06/2012, no valor de R$ 519.122,20 (quinhentos e dezenove mil, cento e vinte e dois reais e vinte centavos), referente à glosa de compensação indevidaabrangendo as competências 01/2009 a 02/2011. Por fim, tratase Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.019.3919, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 22/006/2012, no valor de R$ 16.190,98 (dezesseis mil, cento e noventa reais e noventa e oito centavos)referente à multa por deixar a empresa de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Segundo consta o Relatório Fiscal, o cálculo das contribuições devidaspela empresa sobre as remunerações dos segurados empregados foi efetuado tomandoseporbase o maior valor da base de cálculo encontrada obtidas através do batimento da folha depagamento com aqueles constantes em GFIP.Já os valores da contribuição devida pela empresa sobre as remuneraçõesdos contribuintes individuais foram encontrados por meio de batimento entre as importânciasconstantes das folhas de pagamento com as da GFIP, salientando que não havia declaradonenhum valor referente aos contribuintes individuais autônomos e freteiros. Apresentada impugnação pelaempresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2011 AI nº 51.019.3870, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3889, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3897, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3900, de 21/06/2012, e AI nº 51.019.3919, de 22/06/2012. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO EM GFIP. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, cabível o lançamento fiscal para se exigir o crédito tributário pago a menor. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃO AFETAÇÃO AO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO DO TRIBUTO. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 A suspensão da exigibilidade do crédito não obsta a realização do lançamento pela Fazenda Pública a fim de prevenir a decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, aEmpresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, apresentando as seguintes razões: a) Aduz que, em relação aos contribuintes individuais, a empresa não declarou as remunerações pagas a estes profissionais em GFIP e, consequentemente, não recolheu as contribuições previdenciárias, por entender que as contribuições previdenciárias são de responsabilidade única dos próprios contribuintes individuais. Sendo assim, agiu de boafé; b) Alega que as compensações feitas pela empresa não seguiram a legislação vigente. E mais, que tais glosassão indevidas, posto quefoi proferida decisão liminar favorável à empresa nos autos do Agravo de Instrumentonº 006246474.2006.4.05.0000,decisão esta que autorizou as compensações e que teria sido confirmada em sede de recurso; c) Argui que não cabe a aplicação de qualquer penalidade à empresa pela compensação tida como indevida, uma vez que a empresase compensou de com crédito que o Poder Judiciárioo conferira através do Agravo de Instrumento supramencionado; d) Assevera que o fisco,ao exigir o recolhimento da contribuição socialprevidenciária sob a importância paga nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de funcionário doente ou acidentado, sob os valores pagos a título de salário maternidade, bem como, sob os valores pagos a título de férias e adicional de férias, age incorretamente, posto que nestes casos não háremuneração por serviços prestados. Sendo assim, tendo a empresa recolhido contribuições previdenciárias sobre estas verbas fez jus à compensação dos valores pagos indevidamente com débitos próprios. e) Sustenta que, conforme o disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/91, o saláriodecontribuiçãoé a base de cálculo da contribuiçãodevida pelos segurados, mas não a base de cálculo da contribuição patronal. Assim, indevida é exigência feita pelo fiscobaseadana citada IN RFB 971/09, dispositivo infralegal, desrespeitandoflagrantemente ao principio da legalidade. f) Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios em direitoadmitidos, notadamente a juntada posterior de documentos e, especialmente, pela realização deperícia técnica. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 4 5 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito I – Contribuição Previdenciáriasobre a remuneração dos contribuintes individuais e dos segurados empregados. Antes de quaisquer argumentos, é imperioso destacar que o art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91 prevê a arrecadação de 20% (vinte por cento) das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais a título de contribuição previdenciária pela empresa tomadora dos serviços destes profissionais, logo, tratase de obrigação legalmente estabelecida e em perfeita consonância com os dispositivos constitucionais. Citado nos Autos de Infração para embasamento legal da autuação, o artigo 4º da Lei nº 10.666/2003 é ainda mais direto e preciso e impõe às empresas tomadoras de serviços a obrigação de arrecadar a contribuição do contribuinte individual a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e devendo proceder com o devido recolhimento do valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo para os demais segurados até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior no caso de não haver expediente bancário naquele dia: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Lei 10.666/2003 Dispõe sobre a concessão da aposentadoria especial ao cooperado de cooperativa de trabalho ou de produção e dá outras providências.) Cabe ainda salientar que, antes mesmo da Lei 9.876/1999 que incluiu deu a nova redação ao já mencionado artigo 22, inciso III, da Lei 8.212, já havia na Constituição Federal previsão para a incidência da contribuição social, sobre os rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Da leitura dos excertos legais aqui colacionados, inferese quesobre a remuneração paga a pessoas físicas que prestem serviços a determinada empresa deve incidir as contribuições previdenciárias, haja vista que as remunerações pagas aos autônomos estão compreendida na categoria de contribuintes individuais a que se refere a Lei 8.212/1991. Resta, portanto, indubitável ante a clarividência da lei a obrigação atribuída à empresa de reter e recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Diante do exposto, incabível se mostra a alegação de boa fé feita pela empresa como forma de eximirse de sua obrigação fundamentada com a alegação de que a empresa não procedeu com a declaração em GFIPs e consequente recolhimento das contribuições previdenciárias sob as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços por acreditar que esta responsabilidade caberia unicamente ao segurado contribuinte individual, sobretudo porque, como bem posto no acórdão de julgamento guerreado,“em matéria tributária, o lançamento deve obedecer unicamente os comandos da lei, não havendo espaço para perquirição a respeito de atributos subjetivos da conduta da contribuinte”. No que concerne às contribuições dos segurados empregados,o cálculo das contribuições devidaspela empresa sobre as remunerações destes foi efetuado tomando seporbase o maior valor da base de cálculo encontrada obtidas através do batimento da folha depagamento com aqueles constantes em GFIP. Assim, conforme preceitua o Artigo 11, Parágrafo único, alínea a da Lei 8.212/91, devidas são tais contribuições sociais. Ademais, nada há nos Autos que comprove que este lançamento se fez de forma indevida. Desta feita, o lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente,das contribuições dos segurados nãodeclaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. II Contribuição previdenciária incidente sobre férias gozadas e respectivo adicional, importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e valores pagos a título de salário maternidade. A Recorrente tanto no recurso, quanto na impugnação, aduz em sua defesa que os valore as férias gozadas e seu respectivo adicional, as importânciaspagas nos 15(quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, osvalores pagos a título de saláriomaternidade não seria alvo de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 5 7 Ocorre que, a contribuinte, ora Recorrente, já discute na esfera judicial, o caráter não tributário das verbas em comento, ou seja, existe processo judicial instaurado sobre o mesmo assunto tratado nesta esfera administrativa, o que configura a coexistência de duas demandas com o mesmo objeto, o que não pode acontecer. Pela clareza e alto grau elucidativo, transcrevese nas próximas linhas excerto do acórdão de Impugnação, onde o relator expõe o levantamento que realizou sobre o Mandado de Segurança nº 2006.81.00.0122759,protocolizadona 2ª vara da Seção Judiciária do Ceará pela ora Recorrente: “Por meio de aresto proferido pelo TRF 5 em sede de apelação da MWN,extraiseque referida ação mandamental foi manejada no intuito de obter provimento jurisdicional no sentido de que se determinasse, inclusive, em sede de medida liminar, o direitoà compensação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária patronal sobre osalário, por motivo de doença ou acidente, bem como, aquelas recolhidas a título de saláriomaternidade,férias e adicional de férias, inclusive, os acrescidos referentes a juros de mora de1%, correção monetária e taxa SELIC, a partir de 01.01.96. No entanto, o juiz de 1º grau indeferiu o pedido liminar, por entender quese fariam presentes os requisitos legais necessários à outorga da medida reclamada, em vista davedação constante na Súmula de nº 212 do STJ e, bem assim, no artigo 170Ado CTN, queimpedem odeferimento de liminar para fins de compensação. Irresignada, a requerente impetrou Agravo de Instrumento nº2006.05.00.0624644no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a fim de reverter a decisão de1ª instância. Em julgamento ao recurso manejado, foi lavrado acórdão, cuja ementareproduzo abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIODOENÇA,AUXÍLIOACIDENTE.PRIMEIROS 15 DIAS. SALÁRIOMATERNIDADE E 1/3 DEFÉRIAS. PAGAMENTO PELA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO INDEVIDO. FÉRIAS. NATUREZA JURÍDICASALARIAL. TRIBUTO DEVIDO. 1Agravode Instrumento contra a decisão que, em sede de Mandado de Segurança, indeferiu o pedido de medida liminar do Impetrante/Agravante, determinando que fosse suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciáriapatronal sobre o salário por motivo de doença ou acidente, bem como, aquelasrecolhidas a título de saláriomaternidade,férias e adicional de férias, inclusive,os acrescidos referentes a juros de mora de 1%, correção monetária e taxaSELIC, a partir de 01.01.96. 2 O pagamento efetuado pela empresa ao empregado nos primeiros 15 (quinze)dias por motivo de doença, acidente de trabalho Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 8 ousaláriomaternidade,nãopossui natureza jurídica de remuneração salarial, não devendo, portanto, incidircontribuição previdenciária. 3Quantoao adicional de 1/3 de férias gozadas, não deve servir de base de cálculo para contribuição previdenciária, posto que não será percebido pelo servidor quando de sua aposentadoria. 4Quantoao adicional de férias não gozadas e 1/3 de férias não gozadas, nãodeve incidir contribuição previdenciária, ao passo em que, se não foramgozadasas férias, o empregado irá recebelasem caráter indenizatório, e não, em carátersalarial. 5Emrelação às férias gozadas, deve incidir a contribuição previdenciária, hajavista que, no gozo da mesma, não se interrompe o contrato de trabalho, configurando, assim, natureza jurídica salarial. Agravo de Instrumento providoem parte. Já no dispositivo do acórdão ficou assentado:Ante todo o exposto, dou provimento, em parte, ao Agravo de Instrumento, paraque o empregador/Agravante não recolha a contribuiçãoprevidenciária emrelação aos primeiros 15 dias do auxíliodoençae auxílioacidente;ao salário maternidade, as férias apenas as não gozadas e 1/3 de férias gozadas ou não. Écomo voto. Após isso, em sentido diametralmente oposto, sobreveio sentença no juízosingular julgando o pedido improcedente sob o fundamento de ser a contribuiçãoprevidenciária devida em virtude do princípio da solidariedade da Previdência Social, defiliação obrigatória.Restou então ao autor da demanda ingressar com apelação no TRF 5, como propósito de ver tutelada a sua pretensão. Do recurso impetrado, adveio a decisão do Tribunal, abaixo ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AUXÍLIOACIDENTE.AUXÍLIODOENÇA. SALÁRIOMATERNIDADE.FÉRIAS.ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. ART. 170A DO CTN. LEI Nº 9.129/95. 1.A Impetrante pretende excluir da base de cálculo da ContribuiçãoPrevidenciária os valores pagos a título de férias,do adicional de 1/3 (um terço)de férias, do auxíliodoença,do auxílio acidente e do saláriomaternidade; 2. Todavia, apenas os valores pagos a título de auxíliodoença(os primeiros 15dias) e do adicional de 1/3 de férias,quando gozadas, não devem ser incluídos nabase de cálculo daContribuição Previdenciária, haja vista que possuem naturezaindenizatória. Precedentes Jurisprudenciais; 3. As Férias e o SalárioMaternidadepossuem natureza salarial, devendointegrar a base de cálculo da contribuição; 4. O auxílioacidenteé pago integralmente pela Previdência Social, destarte, nãohá interesse da Impetrante em sua exclusão. Precedentes Jurisprudenciais; 5. O Egrégio STJ, no âmbito da Primeira Seção, órgão regimentalmentecompetente para analisar questões atinentes ao direito tributário, é firme quantoà aplicação, para fins de compensação, da lei em vigor ao tempo do ajuizamentoda ação (Resp 853.903/SP), in casu na data de 12/07/06, portanto, na vigênciada Lei nº 10.637/02, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96; Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 6 9 6. Os juros de mora passaram ser devidos pela taxa SELIC a partir dorecolhimento indevido, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c o art. 167,parágrafo único, do CTN; 7. A limitação à compensação, imposta pela Lei nº 9.129/95, deve ser aplicada,uma vez que o crédito não decorreu de tributo declarado inconstitucional.Obediência ao art. 170A do CTN; 8. Apelação da Impetrante provida em parte para reconhecer a aplicação daprescrição decenal aos valores pagos indevidamente até a data do início davigência da Lei Complementar nº118/05, ocorrida em 09.06.2005, assim comodeterminar a exclusão dos valores pagos a título de auxíliodoença(os primeiros15 dias) e do adicional de um terço constitucional das férias da base de cálculoda Contribuição Previdenciária Patronal. Pesquisando a movimentação processual no sitio eletrônico do TRF 5 nainternet, verifiquei que contra o acórdão do TRF foram desafiados embargos de declaraçãopela MWN e pela Fazenda. No entanto, ambas não foram providas. Inconformada, a MWN, por sua vez, ingressou com Recurso Especial e aFazenda, com Recurso Especial e Recurso Extraordinário. O Recurso da MWN (Resp 1269341), em consulta processual no sítio doSTJ, ainda se encontra pendente de julgamento de decisão até a presente data.O mesmo ocorre com os recursos desafiados pela Fazenda Nacional. Ressalteseque Desembargador Federal Vice–Presidente do TRF 5, aoanalisar aadmissibilidade do Recurso Extraordinário, determinou o sobrestamento do processo,em virtude de a questão constitucional objeto de recurso estar submetida à análise do STF, emrelação ao qual já foi reconhecida a repercussão geral. Desse modo, o processo ficarásobrestado até o pronunciamento definitivo daquela corte. Essa é, portanto, a atual situação do processo judicial.” Pela descrição narrativa supra, verificaseclaramente a concomitância deste processo administrativo e de processo judicialtratando do mesmo objeto, qual seja, a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias gozadas e de seuadicional, do valor pago pela empresa pelos quinze primeiros dias em que o empregado esteveafastado por doença e do saláriomaternidade. Ante o exposto, devese recordar o ordenado no Ato Declaratório de nº 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, segundo o qual “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. O referido Ato Declaratório foi formulado em observância ao art. 1º, § 2º, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e ao art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, que deixam claro que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 10 A concomitância de processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto já é matéria sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso em tela, a ação judicial interposta pelaRecorrente poderárefletir no presente lançamento, uma vez que o resultado definitivo com o seu julgamento noPoder Judiciário poderá substituir integralmente um suposto julgamento administrativo, motivo pelo qualse tornadispensável, neste momento, a análise a respeito a matéria em discussão. Desta forma, o presente processo administrativo resta ineficaz em face da identidade de questionamentos com a ação judicial já proposta pelaRecorrente e ainda em trâmite, haja vista que o setor competente deverá observar a decisão final a ser proferida na ação judicial em comento. III Glosa de Compensação A Recorrente alegou que as compensações por ela efetuadas não poderiam ter sido glosadas pelo fisco, posto que foi proferida decisão liminar favorável à empresa nos autos do Agravo de Instrumento nº 006246474.2006.4.05.0000, decisão esta que autorizou as compensações e que teria sido confirmada em sede de recurso; De logo insta destacar que o direito à compensação também é matéria da ação judicial Já mencionada e, assim, pelas razões já expostas, cabe apenas declarar a renúncia também neste ponto do recurso apresentado pela Recorrente na esfera administrativa. Todavia, ainda sobre este ponto, cabem algumas considerações: Da análise do já mencionado processo judicial em trâmite, viuse que, de fato, houve a concessão da antecipação da tutela pelo TRF5 em sede deagravo de instrumento. Ocorre que, ao contrário do que foi posto pela Recorrente, a concessão da tutela antecipada não se deu na forma como foi pleiteada por ela.A antecipação dos efeitos da tutela foi parcial, tãosomente para que a empresa não recolhesse a contribuição previdenciária em relação aosprimeiros 15(quinze) dias do auxíliodoençae auxílioacidente,aosaláriomaternidade,às fériasnão gozadas e 1/3 de férias gozadas ou não e quanto ao pedido de compensação o TRF5pronunciousecontrariamente à pretensão da Recorrente, determinando a obediência aoartigo 170A do CTN, que veda a realização de compensação mediante o aproveitamento de tributo,objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgadoda respectiva decisão judicial. Ademais, o entendimento das cortes superiores é pacífico quanto a este tema, sendo inclusive, objeto da Súmula 212 do Superior Tribunal de Justiça: “STJ Súmula nº 212 11/05/2005 DJ 23.05.2005 Compensação de Créditos Tributários Medida Liminar A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar.” Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 7 11 Por fim, é importante destacar que o lançamento realizado temtambém uma função de prevenir a decadência, e sobre esteponto no acórdão de julgamento ora combatido há um excerto bastante esclarecedor: “Não seria razoável imaginar uma situação emque, havendo umademanda judicial e esta tivesse o fim de impedir o lançamento, a FazendaPública, tendo obtido decisão a si favorável, não pudesse mais exigir o tributo, em virtude deter operado adecadência, principalmente em casos em que o processo se arrastasse por algumtempo.” Assim, não restando prejudicado o direito potestativo daFazenda Pública de efetivar a constituição do crédito tributário, acertado se mostra o lançamento efetuado pelo fisco com a glosa das compensações realizadas indevidamente pela Recorrente. IV –Da Multa Aplicada A fiscalização lavrou o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.019.3919, referente à multa por deixar a empresa de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Pois bem, Tal fato ensejou a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 32, II, art.92,art.102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art.225, II, parágrafos 13 a 17 e art. 283, II, ‘a’ , inverbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001) § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 12 decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ************************************************** Art. 225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Ademais, na aplicação da multa, foram constatadas circunstâncias agravantes da penalidade prevista no inciso V do artigo 290 do RPS, qual seja, aquela do art. 292, IV, do RPS, in verbis: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Por todo exposto, correta a lavratura do Auto de infração ora tratado, sendo cabível a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. V Do Pedido de Perícia e Produção de Provas Supervenientes Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 8 13 Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72, é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, cuja procedência não há mais, em virtude do até agora exposto, que ser questionada. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação. Sendo assim, consoante dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, após a apresentação da impugnação, passase à frase processual seguinte. Esta frase é destinada à preparação e à complementação da instrução do processo para que esteja apto ao julgamento. Frisase que esta ocasião tem caráter probatório complementar, uma vez que a prova documental já deve ter sido apresentada pelo contribuinte na fase instauratória, por ocasião da impugnação, em conjunto com a indicação das provas diligenciais, realização de perícia e respectivos quesitos. Nesse diapasão, a juntada de novos documentos deverá ser requerida fundamentadamente à autoridade julgadora, nos termos dos §§4º e 5º do art. 16 do Decreto70.235/72: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 14 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante disso, percebese que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, nos casos em que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à apresentação da impugnação ou, na primeira oportunidade, em que o documento refirase a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 9 15 Perlustrando este entendimento, na hipótese do Recorrente não atender a nenhuma das assertivas elencadas no referido §5º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, este Colegiado não possui competência para autorizar a juntada de novas provas ou apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação. Devendo, portanto, esse direito ser pleiteado perante o Poder Judiciário. IV Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito NEGAR LHE TOTAL PROVIMENTO e manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns°51.019.3870, 51.019.3889, 51.019.3897, 51.019.3900 e 51.019.3919. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes,Relator Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011382/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE LALUR.
Torna-se inevitável o arbitramento do lucro, quando é apresentado Lalur em branco, o que equivale a sua não-apresentação.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA.
Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação.
Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital.
Numero da decisão: 1302-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. Os Conselheiros Waldir Rocha e Márcio Frizzo ficaram vencidos, em questão preliminar, pois entendiam que a DRJ/BSB deveria ser representada para apresentar recurso de ofício, relativa à parte da decisão que retirou Cesar Antônio de Paula Silva do polo passivo.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE LALUR. Torna-se inevitável o arbitramento do lucro, quando é apresentado Lalur em branco, o que equivale a sua não-apresentação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.011382/2009-31
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351460
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.322
nome_arquivo_s : Decisao_10120011382200931.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10120011382200931_5351460.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. Os Conselheiros Waldir Rocha e Márcio Frizzo ficaram vencidos, em questão preliminar, pois entendiam que a DRJ/BSB deveria ser representada para apresentar recurso de ofício, relativa à parte da decisão que retirou Cesar Antônio de Paula Silva do polo passivo. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5475673
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811494580224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.440 1 1.439 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.011382/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.322 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 Matéria IRPJ e outros tributos Recorrente PROPACE IND. E COM. DE EMBALAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE LALUR. Tornase inevitável o arbitramento do lucro, quando é apresentado Lalur em branco, o que equivale a sua nãoapresentação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. Os Conselheiros Waldir Rocha e Márcio Frizzo ficaram vencidos, em questão preliminar, pois entendiam que a DRJ/BSB deveria ser representada para apresentar recurso de ofício, relativa à parte da decisão que retirou Cesar Antônio de Paula Silva do polo passivo. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 82 /2 00 9- 31 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0348.325 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSÁVEL. SOLIDARIEDADE De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar á. autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tornem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juizo discricionário da autoridade fiscal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Inacolhiveis são os pedidos de perícia, quando se destinam estes ã. produção de prova que não demanda conhecimento técnico especializado complementar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUID() CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação ao imposto de renda acompanhar o lançamento da contribuição social a partir da mesma matéria Mica. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INDEFERIMENTO. De acordo com o Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da Unido, e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as formas de intimação são: pessoal, por via postal, por meio eletrônico ou por edital. As intimações pessoais, por via postal ou por meio eletrônico, não estão sujeitas a ordem de preferência. As intimações serão endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.441 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido” A contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 31/07/2012 (cf. Edital a fls. 1365) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 1.410 e segs.) em 22/08/2012 (cf. despacho da unidade preparadora a fls. 1.437), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que a pretensão fiscal descrita nos autos de infração, em última análise ora questionados, é baseada no suposto descumprimento de obrigações acessórias de escrituração contábil, o que implicou no arbitramento de tributos federais IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base na presunção do lucro auferido pela ora RECORRENTE; b) que a primeira instância administrativa pretende manter a cobrança de tributo, juros e multa, incidentes sobre os referidos supostos rendimentos arbitrados, apesar da apresentação de balancetes contábeis, dos Livros Diário e Razão e de todas as obrigações acessórias do exercício autuado, o que, por conseguinte, malfere frontalmente no presente caso o principio da verdade material, o qual, digase de passagem, deve reger a conduta da autoridade administrativa; c) que se encontra presente uma NULIDADE processual, pois a Delegacia de julgamento não esgotou os meios que possuía em busca da verdade material, tendo em vista que preferiu desconsiderar os documentos contábeis e os livros a ela apresentados; d) que foram apresentados pela RECORRENTE os Livros Fiscais – Razão e Diário Balancetes e todas as obrigações acessórias relativas ao período de apuração autuado, os quais são documentos hábeis e idôneos a provarem a real contabilização da empresa, haja vista que estes são instrumentos de escrituração obrigatória; e) que a mantença do referido arbitramento, apesar da entrega dos Livros Razão e Diário, afronta a jurisprudência administrativa deste E. Conselho; f) que irrazoável se mostra a atuação da Autoridade Julgadora de primeira instância, que manteve o arbitramento de tributo supostamente devido em razão da realização de vendas sem levar em consideração todas as despesas inerentes à atividade da empresa autuada, as quais, repitase, estão demonstradas nos Livros Razão e Diário que foram anexados ao presente feito; g) que requer seja determinado 0 RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis colacionados no presente feito, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da ora RECORRENTE. Os responsáveis tributários, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida tomaram ciência da decisão recorrida em 25/06/2012 (AR a fls. 1362 e 1364) e interpuseram recurso voluntário (doc. a fls. 1.366) em 24/07/2012 (cf. despacho da unidade preparadora a fls. 1.437), no qual alegam, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o auto de infração, com fundamento no art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II, art. 128 e 134, inciso VII, atribuiu responsabilidade solidária aos sócios da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 b) que a própria decisão ora recorrida afastou a aplicabilidade do art. 134, VII, do CTN, pois este somente poderia ser utilizado no caso de liquidação da sociedade de pessoas, o que, como deduzido nas respectivas impugnações, não se apresentou; c) que o Julgador de primeira instância, não querendo se dar por vencido, com o devido acatamento, buscou caracterizar os RECORRENTES como "responsáveis tributários" dos tributos ora cobrados; d) que, assim, entendese que a decisão em referência quer impingir a responsabilidade tributária aos exsócios sob o manto do art. 135, III, do CTN; e) que não é possível admitir que o redirecionamento se dê contra o sócio porquanto não seja demonstrado que o mesmo agiu com excesso de poderes ou infração à lei, fatos esses que não se caracterizam pela simples inadimplência tributária; f) que vislumbrase, a partir da decisão ora recorrida, a manobra utilizada pela Delegacia de Julgamento, para forçar a inclusão do sócio como coresponsável tributário para, quiçá, poder exigir a cobrança dos tributos em referência em futura execução fiscal; g) que chamar o sócio para responder por débitos da pessoa jurídica sem que se prove ter havido excesso de mandato ou infração à norma representa afastar totalmente a figura da limitação da responsabilidade insita nas sociedades; h) que o Min. Fux, no REsp. 200502069717 (DOU 18/09/06) sustentou que: “o Superior Tribunal de Justiça sedimentou entendimento segundo o qual é imprescindível a prova, a cargo da exequente, de que o sócio, com poderes de gerência, tenha infringido a Lei ou desbordado dos limites do estatuto social, a fim de redirecionar contra ele o executivo fiscal”; i) que dúvida não há quanto a inaplicabilidade do dispositivo em tela ao caso presente, uma vez que so é possível a execução recair sobre os sócios com base no art. 135 do CTN se houver excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto; os quais deverão ser trazidos com fundamentos concretos, devendo haver comprovação do alegado; j) que requer que seja considerado INSUBSISTENTE O RE DIRECIONAMENTO da autuação aos ora RECORRENTES, pois estes não podem ser considerados como responsáveis tributários, haja vista que não há, nos autos, comprovação de comportamento fraudulento por parte destes, conforme preconizado pelo art. 135, III, do CTN; l) que requer, em não sendo esse o entendimento, seja determinado o RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis trazidos pelos RECORRENTES, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da empresa autuada. O responsável tributário Milton Rui Jaworski tomou ciência da decisão recorrida em 25/06/2012 (AR a fls. 1363) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 1.428 e segs.) em 24/07/2012 (cf. despacho da unidade preparadora a fls. 1.437), no qual alegam, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que Ata da Assembléia Geral é documento hábil, que fora devidamente registrado na Junta comercial, devendo ser considerado como prova cabível para desvendar a solução questionada, pois, descreve que o endereço da autuada é na Rua Capistábos, n° 350, Setor Santa Genoveva, Goiânia, Goiás, e não o que consta do auto de infração; b) que há no presente caso erro processual quanto à intimação do sujeito passivo principal, pois, na intenção de receber o tributo, o erário preferiu utilizar de meios mais fáceis e cômodos, mas, entretanto, em desconsonância com os princípios constitucionais; Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.442 5 c) que indispensável dessa forma, a realização de diligência para confirmar se a intimação foi endereçada ou não corretamente, uma vez que a falha processual resulta em nulidade do auto de infração e tal vicio deve ser sanado a qualquer tempo, não se restringindo apenas na via judicial; d) que, ao realizar a diligência e for constatada que a intimação fora feita em local diverso onde a empresa se encontra, configurado estará que a afirmação de dissolução irregular da empresa, feita pelo erário, foi indevida e prejudicial; e) que, mesmo que não seja levada em consideração a possibilidade da dissolução irregular ser imprópria, o sujeito passivo ora recorrente não deve fazer parte da lide por vários motivos, um deles é que sua renúncia ao cargo de administrador se deu em 02/05/2007, muito antes da data em que a empresa foi declarada inapta, em 19/01/2009; f) que, quando o Sr. Milton Rui Jarwoski se afastou da administração, ele o fez de forma legal, estando ainda a empresa em pleno exercício, isto é, não existia a manifestação do fisco em relação a irregularidade; g) que auto de infração fora lavrado em 16/11/2009, referindo a fato gerador ao período de 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006, sendo a intimação do sujeito passivo denominado responsável, emitida em 19/11/2009; h) que o entendimento majoritário nos tribunais referente a responsabilidade dos sócios que se retira da sociedade sobrevive até 2 (dois anos) e o no caso do recorrente já havia mais de dois anos; i) que o Sr. Milton Rui Jarwoski não tem nenhuma responsabilidade pelas dividas tributárias da empresa após a sua retirada; j) que a denominada solidariedade, constante no art. 134, VII, do CTN, não é aplicada a empresa autuada, pois, não se trata de sociedade de pessoas e sim sociedade anônima; l) que autos devem ser retornados a instância anterior para que se manifeste quanto ao fato de não caber a solidariedade dos sócios, como descreve o art. 134, VII, CTN, pois, o sujeito passivo principal é uma empresa de capital e não de pessoa; m) que o fiscal autuante, adequado seria ter realizado todos os procedimentos cabíveis para receber o tributo da empresa, para depois cobrar dos sócios e atuais administradores e não dos exsócios e exadministradores; n) que a recorrente não era sócio da empresa, não tendo motivo a sua inclusão no pólo passivo da lide, atuando em pequeno período apenas como administrador da empresa autuada; o) que na lavratura do auto de infração não foi mencionado nenhum dispositivo legal que responsabilizasse o exadministrador como solidário com divida tributária da empresa; p) que o posicionamento dos tribunais quanto a responsabilidade do administrador com as dividas tributárias da empresa não é objetiva, mas sim, subjetiva, devendo ater para o animus do agente; q) Sr. MILTON RUI JAWORSKI não deve estar incluído no pólo passivo da lide, pois, não agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nem tendo qualquer outra atitude que o torne responsável por divida tributária da Propace; Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 r) que requer seja: o presente recurso recebido e provido para julgar NULO o presente auto de infração, com base no erro na identificação das impugnantes como sujeitos passivos solidários, sendo todos consequentemente retirados do polo passivo da lide; e seja realizada diligência para sanar a falha que se encontra nos autos e retorne este a instância anterior para manifestação dos julgadores quando foram 'omissos quanto ao questionamento feito pelo sujeito passivo na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Os recursos voluntários são tempestivos e foram subscritos por mandatário com poderes para tal, conforme procurações a fls. 1305/1398/1400/1402/1403, razão pela qual deles conheço. Inicialmente, submeto a este Colegiado questão preliminar, qual seja, que a DRJ/BSB não recorreu de ofício, embora tenha retirado o responsável tributário César Antônio de Paula Silva do polo passivo da relação tributária, sendo que o crédito tributário objeto está acima do limite de alçada. Conheço a posição de alguns dos meus pares, razão pela qual tenho a preocupação de atentar para esta questão. Não obstante, ouso divergir dos que entendem que cabe recurso de ofício nesta hipótese, pois entendo que a simples retirada de um dos responsáveis solidários não implica na exoneração de crédito tributário de que trata o art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Ao meu ver, apenas e tãosomente na hipótese em que a decisão de primeira instância reduz tributo e multa em mais de um milhão por processo é que se torna obrigatória a interposição de recurso de ofício. Observo que o crédito tributário deste processo restou incólume com a decisão da DRJ/BSB, logo, correto o entendimento daquela instância ao não recorrer de ofício. Passo a analisar os recursos em conjunto, tendo em vista que os argumentos expendidos pelo contribuinte e responsáveis ora são os mesmo ora são complementares. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Preliminarmente, cabe ressaltar que a realização de diligências e auditorias nesta fase do processo tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, conforme restará demonstrado mais a frente, não se faz necessário para conhecimento e solução das questões postas em julgamento nos presentes autos. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DOS RESPONSÁVEIS Fazse mister, para análise das sujeições passivas dos responsáveis tributários, que, inicialmente, verifiquemos o que consta do auto de infração a fls. 1089, in verbis: “Conforme comprova a 23ª alteração contratual registrada na Juceg sob NIRE n° 52060292814, a partir de 07/03/2006, a pessoa jurídica passou Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.443 7 a ser administrada pelos senhores Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904, e Renato Antônio Almeida, CPF n° 539.302.23953. Mediante procuração outorgada por instrumento público perante o 2° Tabelionato de Notas da Comarca desta Capital, transcrito no Livro n° 724, às folhas 35/37, a partir de 21/03/2006 foram conferidos poderes de gestão ao senhor Cesar Antônio de Paula Silva, CPF n° 056.087.91134. A sociedade limitada foi transformada em sociedade anônima, mediante ato registrado na Juceg em 04/07/2006 sob NIRE n° 52300010527; entretanto, não houve alteração dos gestores da pessoa jurídica. Por meio de resposta protocolizada em 17/04/2009 sob n° 093740, o senhor César Antônio de Paula Silva alegou haver emprestado recursos para as pessoas físicas dos sócios, tendo por garantia os bens da pessoa jurídica. Isto explicaria a outorga de poderes mediante instrumento público de mandato, com a finalidade de lhe propriciar amplo acesso às dependências, livros e documentos da empresa para aferir a aplicação dos recursos emprestados. O documento mencionado na parte final do n° 19 do item "DOCUMENTOS PRODUZIDOS" entregue pelos ex sócios Pedro Paulo Gonçalves de Avila e José Vicente Vieira – trata de Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Participação Societária e Outras Avenças, firmado em 08/02/2006 entre César Antônio de Paula Silva como comprador, e como vendedores: Agrochão Participações e Administração Ltda, Light Point Incorporação Ltda e Jaworski Consultoria Empresarial Ltda. De acordo com a cláusula segunda, o contrato tem por objeto assegurar "o direito de subscrever ações representativas de 40% do capital social da PROPACE ou da EMBALAGENS (a que remanescer após a incorporação descrita na alínea 'f' da cláusula anterior).". Na cláusula terceira, estão previstos os aportes de recursos a que o comprador se obriga a realizar. Embora o mandatário alegue que não exerceu os poderes de gerência, não foram trazidas provas da ausência de seu comando na empresa. Desta forma, mantemos a responsabilidade tributária sobre o mandatário. Ante o exposto, com fundamento no CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII, atribuímos responsabilidade solidária aos sócios da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. A sujeição passiva do mandatário está amparada pelo art. 134 inciso III do CTN.” Notese que o mandatário César Antônio de Paula Silva já foi retirado do polo passivo da relação tributária pela decisão recorrida, assim, o que nos cabe analisar é a sujeição passiva dos demais, a qual foi enquadrada nos art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII do CTN. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Com relação a aplicação do art.134, VII, do CTN, a primeira questão que temos que verificar é se a recorrente era uma sociedade de pessoas. O contrato social na sua cláusula sétima (a fls. 119) não deixa dúvida que ela foi constituída como uma sociedade de pessoas, se não vejamos: “Cláusula Sétima As quotas são indivisíveis e não poderão ser cedidas ou transferidas a terceiros sem o consentimento do outro sócio, a quem fica assegurado, em igualdade de condições e preço direito de preferência para a sua aquisição se postas a venda, formalizando, se realizada a cessão delas, a alteração contratual pertinente.”. Verificase, assim, perfeitamente configurado a affectio societatis, pois o animus contrahendi societatis estava diretamente vinculado as pessoas dos sócios, tanto que a entrada de qualquer outra pessoa no quadro societário dependia do consentimentos dos demais sócios. Ocorre, porém, que o próprio autuante informa que a sociedade recorrente passou a ser uma sociedade anônima a partir de 04/07/2006, ou seja, prima facie, uma sociedade de capital. Antes de perquirir o efeito de tal transformação sobre a aplicação do art. 134, VII do CTN, vale ressaltar que, em condições muito particulares, o Superior Tribunal de Justiça tem considerado sociedades anônimas fechadas como sociedade de pessoas, se não vejamos a ementa do REsp 917531/RS, da relatoria do Min. Luís Salomão, o qual talvez melhor resuma a posição dominante no STJ, in verbis: DIREITO SOCIETÁRIO E EMPRESARIAL. SOCIEDADE ANÔNIMA DE CAPITAL FECHADO EM QUE PREPONDERA A AFFECTIO SOCIETATIS. DISSOLUÇÃO PARCIAL. EXCLUSÃO DE ACIONISTAS. CONFIGURAÇÃO DE JUSTA CAUSA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO DIREITO À ESPÉCIE. ART. 257 DO RISTJ E SÚMULA 456 DO STF. 1. O instituto da dissolução parcial erigiuse baseado nas sociedades contratuais e personalistas, como alternativa à dissolução total e, portanto, como medida mais consentânea ao princípio da preservação da sociedade e sua função social, contudo a complexa realidade das relações negociais hodiernas potencializa a extensão do referido instituto às sociedades "circunstancialmente" anônimas, ou seja, àquelas que, em virtude de cláusulas estatutárias restritivas à livre circulação das ações, ostentam caráter familiar ou fechado, onde as qualidades pessoais dos sócios adquirem relevância para o desenvolvimento das atividades sociais ("affectio societatis"). (Precedente: EREsp 111.294/PR, Segunda Seção, Rel. Ministro Castro Filho, DJ 10/09/2007) ............................................................................................................................. 5. Caracterizada a sociedade anônima como fechada e personalista, o que tem o condão de propiciar a sua dissolução parcial – fenômeno até recentemente vinculado às sociedades de pessoas , é de se entender também pela possibilidade de aplicação das regras atinentes à exclusão de sócios das sociedades regidas pelo Código Civil, máxime diante da previsão contida no art. 1.089 do CC: "A sociedade anônima regese por lei especial, aplicando selhe, nos casos omissos, as disposições deste Código." ............................................................................................................................. De acordo com o entendimento pacificado no STJ, por meio da 2ª seção de direito privado, a sociedade anônima poderá ser considerada uma sociedade de pessoas se atendidos três requisitos: primeiro, a sociedade anônima deve ser fechada; segundo, a sociedade deve ser estritamente familiar; terceiro, a existência de cláusulas estatutárias restritivas à livre circulação das ações. Ora, o Estatuto da recorrente, no seu art. 7º (a fls. 122), expressamente declara que: “É livre a alienação ou transferência de ações a terceiros que não Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.444 9 sejam acionistas da sociedade”, ou seja, não restringe a circulação das ações, razão pela qual, mesmo à luz da jurisprudência do STJ, a recorrente, a partir de 04/07/2006, passou a ser uma sociedade de capital. Voltemos, então, a perquirir qual o efeito dessa transformação em 04/07/2006, sobre a aplicação do art. 134, VII, do CTN no lançamento em tela. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, isso para se definir os aspectos da hipótese de incidência, inclusive a sujeição passiva direta quem é contribuinte. Assim, o dever de o contribuinte pagar o tributo (schuld) nasce no momento da ocorrência do fato gerador, algo que não se confunde com a responsabilidade do sócio (haftung), a qual depende, na hipótese do art. 134, VII, do CTN, que seja impossível de cobrar da sociedade de pessoa por ter sido liquidada. Assim, por exemplo, impossibilitado o Fisco de cobrar tributos de uma sociedade de pessoas já liquidada, deverá efetuar o lançamento contra os seus últimos sócios, aqueles que a liquidaram e que receberam o seu acervo líquido. Ora, sem que tenha se configurado as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social) não vejo como responsabilizar pessoa que já não era sócio da recorrente no momento em que houve a liquidação (vide item 3.2 do doc. a fls. 114), razão pela qual já retiro do polo passivo da relação tributária em tela o Sr. Milton Rui Jarwoski. Ademais, no caso em tela, não houve uma liquidação de uma sociedade de pessoas, pois essa sofreu uma transformação em 04/07/2006, passando a ser uma sociedade anônima (sociedade de capital) e foi já sob esta constituição que foi declarada inapta pelo ADE nº 3/2009 (transcrito na decisão recorrida), logo, inaplicável o art. 134, VII, do CTN. Nesse ponto concordo com a decisão recorrida, pois não há como sustentar que a dissolução irregular da recorrente tenha acontecido em 2006, se o ADE nº 3 é de 2009. Nesse ponto, vale trazer à colação o seguinte excerto da decisão da DRJ/BSB, quando sustenta que: “É de se perguntar porque tal dispositivo foi aplicado e a resposta está estampada na representação para inaptidão do CNPJ (fls. 93 a 95) assim redigida: ‘Esgotadas todas as possibilidades de entregar o Termo do Inicio de Fiscalização, a ação fiscal considerará os elementos e provas que a Receita Federal do Brasil dispuser, tendo prosseguimento em relação aos sócios, diretores, administradores e mandatários da época de ocorrência dos fatos geradores.’ Cuja conclusão e pela inexistência de fato da Pessoa Jurídica, eis o teor: ‘Diante do exposto, fundamentado no item III do art. 34 combinado com os incisos II e III e com o parágrafo único do art. 41 da IN RFB n° 748, de 28 de junho de 2007, está evidenciado que se trata de Pessoa Jurídica inexistente de fato.’ Para que não pairem dúvidas trazemos a redação literal dos dispositivos citados e contidos na IN RFB n° 748, de 28 de junho de 2007: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: (.) III inexistente de fato; (g. n.) (.) Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: (.) II não for localizada no endereço informado a RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; (g. n.) III se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Assim, resta autorizada a presunção de ter a sociedade encerrado irregularmente suas atividades. Tal entendimento é corroborado pelo seguinte julgado: Ementa; .... I. A nãolocalização da empresa executada no endereço que consta no CNPJ, cuja atualização é de sua responsabilidade, autoriza a presunção juris tantum de ter a sociedade encerrado, irregularmente, suas atividades, e, consequentemente, o deferimento do redirecionamento da execução contra os sócios (CTN, art. 134, VII). ...." (TRF 1" Região. Ag 2006.01.00.0201339/BA. Rel.: Des. Federal Antônio Ezequiel da Silva. 7" Turma. Decisão: 22/05/07. DJ de 13/07/07, p. 82.) Neste sentido, recentemente foi publicada pelo STJ a Súmula n° 435, com o seguinte enunciado: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicilio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Contudo, em que pese todo o esforço despendido pela autoridade fiscal e a presunção legal da dissolução irregular, não há como, ao caso em comento, acatar a aplicação do art. 134, VII, pois, como se pode ver abaixo (extrato do DOU n° 108, terçafeira, 9 de junho de 2009) a empresa, em questão, foi declarada inapta por motivo de Inexistência de Fato somente a partir de 19 de janeiro de 2009, vejamos: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N°3, DE 2 DE JUNHO DE 2009 Declara inapta inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. O CHEFE DO SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE GOIANIA/GO, no uso das atribuições que lhe são conferidas no art. 6° da Portaria n° 154/2009 (DOU 22/05/2009), e tendo em vista o disposto no inciso III do artigo 34 da Instrução Normativa RFB n° 748, de 28 de junho de 2007, resolve; Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.445 11 Art. 1º Declarar INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), em nome de PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S.A., CNPJ le 02.160.034/0001 79, por motivo de Inexistência de Fato, conforme processo n°10120.004398/200997; Art. 2º Que serão considerados inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos emitidos pela empresa acima citada, desde 19 de janeiro de 2009; Art. 3º O presente Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o disposto na cláusula quinta da vigésima terceira alteração contratual, a administração da sociedade pelos ora Impugnantes, ocorre a partir de 07/03/2006 (fls. 105): A administração da sociedade cabe aos Srs. Milton Rui Jaworski, Renato Antonio Almeida, ambos já qualificados e ao Sr. Antônio Augusto Fernandes Rapetti que passam a contar, todos, com a designação de Diretores. Portanto, como a sociedade foi declarada inapta após 19/01/2009, não há como falar em liquidação de sociedade de pessoas no período de 07/03/2006 a 31/12/2006, via de consequência deve ser afastada a aplicação do dispositivo 134, inciso VII, do CTN. Entretanto, a responsabilidade dos Impugnantes deve persistir e neste ponto, vale a pena destacar que, responsabilidade tributária, em sentido estrito, ‘é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de dirigir a prestação respectiva’. O conceito aí enunciado decorre do texto do Código Tributário Nacional, que define "responsável" pelo método da exclusão; vale dizer, define "contribuinte", que é o sujeito que pratica o verbonúcleo da norma hipotética tributária, e, por exclusão, denomina de "responsável" todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser "contribuinte", compondo essas espécies o gênero de "sujeito passivo" — arts. 121 e 128 do CTN. ... Assim, uma vez demonstrada a necessidade de trazer para o pólo passivo da exação os responsáveis tributários legais (sócios administradores da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária), cujos fundamentos estão em consonância com o CTN art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128, Renato Antônio Almeida e Antônio Augusto Fernandes Rapetti devem permanecer como responsáveis tributários.”. Divirjo da decisão recorrida,. Antes de abordarmos a Súmula STJ 435, saliento que divirjo da decisão recorrida, pois entendo que os art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128 do CTN não dão suporte legal para responsabilizar o sócio no caso em tela, pois, se o mero interesse econômico fosse suficiente para reponsabilizar o sócio por tributos devidos pela sociedade, Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 restaria baldada a regra do art. 135, III, do CTN, já que independentemente, de ter agido com infração a lei ou ao contrato social, já seria responsàvel pelos tributos devidos pela sociedade, pelo simples fato de ter interesse nos lucros. Ademais, entendo, como já sustentado anterioremnte, equivocada a responsabilização de pessoa que já não era mais sócio à época da publicação do ADE nº 03/2009. O acórdão recorrido, para concluir pela responsabilidade tributária dos recorrente, cita na sua fundamentação a Súmula STJ 435, a qual assim dispõe: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicilio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Ao se consultar os precedentes que deram ensejo a tal Súmula, deparase com os seguintes julgados: "Hipótese em que o Tribunal a quo decidiu pela responsabilidade dos sóciosgerentes, reconhecendo existirem indícios concretos de dissolução irregular da sociedade por 'impossibilidade de se localizar a sede da empresa, estabelecimento encontrado fechado e desativado, etc.'. 2. Dissídio entre o acórdão embargado (segundo o qual a nãolocalização do estabelecimento nos endereços constantes dos registros empresarial e fiscal não permite a responsabilidade tributária do gestor por dissolução irregular da sociedade) e precedentes da Segunda Turma (que decidiu pela responsabilidade em idêntica situação). 3. O sóciogerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei (arts. 1.150 e 1.151, do CC, e arts. 1º, 2º, e 32, da Lei 8.934/1994, entre outros). A nãolocalização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção iuris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, III, do CTN, ressalvado o direito de contradita em Embargos à Execução." (EREsp 716412 PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/09/2007, DJe 22/09/2008) "In casu, o ajuizamento da execução fiscal deuse contra a pessoa jurídica, amparada em certidão de dívida ativa da qual não constam os nomes dos sóciosgerentes. 2. Consoante o entendimento pacífico deste STJ, constando da CDA apenas o nome da pessoa jurídica, inferese que a Fazenda Pública, ao propor a execução, não vislumbrou a responsabilidade dos sóciosgerentes pela dívida, razão pela qual se, posteriormente, pretende voltarse contra eles, precisa demonstrar a infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, a dissolução irregular da empresa [...] 3. 'Se a empresa não for encontrada no endereço constante do contrato social arquivado na junta comercial, sem comunicar onde está operando, será considerada presumidamente desativada ou irregularmente extinta' [...]". (REsp 980150 SP, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.446 13 REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 12/05/2008) "Em matéria de responsabilidade dos sócios de sociedade limitada, é necessário fazer a distinção entre empresa que se dissolve irregularmente daquela que continua a funcionar. 4. Em se tratando de sociedade que se extingue irregularmente, impõese a responsabilidade tributária do sóciogerente, autorizandose o redirecionamento, cabendo ao sóciogerente provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. [...] uma empresa não pode funcionar sem que o endereço de sua sede ou do eventual estabelecimento se encontre atualizado na Junta Comercial e perante o órgão competente da Administração Tributária, sob pena de se macular o direito de eventuais credores, in casu, a Fazenda Pública, que se verá impedida de localizar a empresa devedora para cobrança de seus débitos tributários. Isso porque o art. 127 do CTN impõe ao contribuinte, como obrigação acessória, o dever de informar ao fisco o seu domicílio tributário, que, no caso das pessoas jurídicas de direito privado, é, via de regra, o lugar da sua sede. Assim, presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, comercial e tributário, cabendo a responsabilização do sóciogerente, o qual pode provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder, ou ainda, que efetivamente não tenha ocorrido a dissolução irregular. No direito comercial, há que se valorizar a aparência externa do estabelecimento comercial, não se podendo, por mera suposição de que a empresa poderia estar operando em outro endereço, sem que tivesse ainda comunicado à Junta Comercial, obstar o direito de crédito da Fazenda Pública. Ainda que a atividade comercial esteja sendo realizada em outro endereço, maculada está pela informalidade, pela clandestinidade. Assim, entendo presente indícios de dissolução irregular, e neste caso, é firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que, nesta hipótese, não há que se exigir comprovação da atuação dolosa, com fraude ou excesso de poderes, por parte dos sócios, para se autorizar o redirecionamento da execução fiscal. Necessário apenas que haja indícios da dissolução irregular. Portanto, reconhecida a ocorrência da dissolução irregular da empresa é legítimo o redirecionamento da execução contra os sócios." (REsp 1017732 RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/03/2008, DJe 07/04/2008) Dessa forma, presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação a Receita Federal, cabendo a responsabilização do sóciogerente, o qual pode provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder, ou ainda, que efetivamente não tenha ocorrido a dissolução irregular. Bem, o autuante não imputou dolo, fraude ou excesso de poder aos responsáveis tributários, então, resta saber apenas quem poderia ser responsabilizado pela dissolução irregular, ou seja, quem era o sóciogerente à época da dissolução irregular. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 O Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fls. 3, está datado de 19/01/2009, logo, há que se questionar como presumir que a recorrente teria se dissolvido irregularmente em 2006, se foi em 2009 que a Fiscalização se deu conta de que o endereço, nos cadastros da Receita Federal, estavam, no mínimo, desatualizado. Tanto é verdade, que, só em 02/06/2009, é expedido o ADE nº 03, o qual deixa muito claro que os seus efeitos são a partir de 19 de janeiro de 2009. Nesse ponto, reside, conforme tratado, a outra inconsistência da autuação e da decisão recorrida, qual seja, é que não se pode responsabilizar os sóciosgerentes à época do fato gerador em tela, 2006, se não ocupavam essa função à época da dissolução irregular. Ora, na Representação Fiscal – Pessoa Jurídica Inapta, a fls. 96, é informado que: “Os diretores apontados no quadro societário do CNPJ afirmaram não possuir mais poder de direção sobre a empresa, e indicaram o senhor Angelo de Paiva Teixeira, CPF n° 465.535.506/97, como administrador da sociedade anônima. Uma vez expedido o Oficio n° 11/2009/DRF/GOI/Sefis, a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) nos encaminhou a documentação arquivada, confirmandose que a empresa era administrada pelo senhor Angelo de Paiva Teixeira.”. Diante desse quadro, ou a fiscalização provava ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa (“laranja”) e que os sócios Antônio Rapetti e Renato Almeida continuavam na gerência da sociedade, ou a fiscalização só poderia colocar no polo passivo, em virtude da dissolução irregular, o Sr. Angelo de Paiva Teixeira. Como não há acusação de ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa, entendo equivocada a responsabilização tributária dos exsóciosgerentes Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida. Assim, voto por afastar a responsabilidade tributária de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida. DO ARBITRAMENTO O auto de infração assim resume as infrações apuradas: “Com base no Registro de Apuração do ICMS, destacamos as saídas onerosas mediante verificação do CFOP, e inserimos no Demonstrativo de Apuração de Tributos. Constatada a receita mensal de vendas, foram apurados os tributos federais. A escrituração contábil do contribuinte apresentase inviável para apurar o lucro real anual ou trimestral, diante dos seguintes motivos: a) não foi apresentado o livro de apuração do lucro real (Lalur); b) o Razão apresentado restringiuse a registrar as operações realizadas no 1° trimestre do anocalendário 2006, e as contas não estão ordenadas, em descumprimento às exigências contábeis e legais; c) o contribuinte não exerceu opção pelo lucro presumido, arbitrado ou lucro real anual, posto que não pagou IRPJ, não apresentou DCTF com Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.447 15 débitos de IRPJ, não parcelou nem compensou débito de IRPJ, e não apresentou DIPJ.”. Na verdade, como já apontado na decisão recorrida, a contribuinte apresentou Lalur em branco, o que, ao meu ver, equivale a nãoapresentação dele, pois a escrituração fiscal vale pelo seu conteúdo. Aliás, está expressamente previsto no inciso VIII do art. 47 da Lei 8.981/95 que a não apresentação do Lalur implica no arbitramento do lucro do contribuinte. Assim, resta plenamente configurada a impossibilidade de apuração do lucro real, pois, sem ele não é possível apurar o IR sobre o lucro real e não cabe à autoridade fiscal levantálo, sob pena de estarmos transferindo para o Fisco uma obrigação acessória que é do contribuinte. Notese que nem mesmo a parte A do Lalur que é transcrito na DIPJ estava à disposição do Fisco, já que a contribuinte não apresentou a DIPJ. Friso que a DIPJ não substitui o Lalur, como algumas equivocadas decisões tem sugerido, pois as informações da Parte B do Lalur não estão disponíveis na DIPJ, logo, impossível se apurar o lucro real sem se ter conhecimento dos lucros, receitas e depesas diferidas que eventualmente teriam de impactá lo no período. De qualquer sorte, ainda para os que entendem que a DIPJ pode suprir a ausência de Lalur, no presente caso nem isso estava a disposição do Fisco, pois o contribuinte não a apresentou. Por sua vez, a apresentação de documentos já na fase de impugnação não tem o condão de desconstituir o arbitramento do lucro, se foi oportunizado ao contribuinte, por via postal no endereço que constava no seu CNPJ, a entrega de sua escrituração antes da lavratura do auto de infração. São inúmeros termos de início de ação fiscal, intimações e até pedido de prorrogação deferido, em um esforço enorme da Fiscalização para tentar encontrar a recorrente ou seu representante legal Sr. Angelo Teixeira, que durou mais de 9 meses entre o início de fiscalização e a lavratura do auto de infração, restando todas as tentativas frustadas. Algums documentos coligidos pela Fiscalização foram apresentados por exsócios. Além do mais, a recorrente apenas informa que juntou escrituração sem articular qualquer argumento de defesa que pudesse ter suporte em tais documentos. No contexto que ora enfrentamos, só se a recorrente conseguisse provar que os dados do Livro de ICMS eram incorretos e que o ICMS que certamente pagou era indevido, para concluirmos que não havia ela deixado de pagar tributos federais, pois repito a contribuinte não apresentou DIPJ, não pagou IRPJ e nem apresentou DCTF com débitos declarados. Em face do exposto, voto por: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a reponsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. E Com. de Embalagens S/A. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003470/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Deve ser retificado o erro material constatado na apreciação dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3401-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração em parte.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros:
Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Deve ser retificado o erro material constatado na apreciação dos embargos de declaração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.003470/2007-38
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351116
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.439
nome_arquivo_s : Decisao_19515003470200738.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 19515003470200738_5351116.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração em parte. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5472384
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811544911872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 532 1 531 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003470/200738 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401002.439 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VIAÇÃO IMIGRANTES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Deve ser retificado o erro material constatado na apreciação dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração em parte. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 70 /2 00 7- 38 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 540/542) opostos pela Fazenda Nacional ao acórdão no 3401001.817 (fls.536/539), pelo qual foi abatida parte do lançamento de ofício da COFINS do mês de outubro de 2007. No acórdão embargado, está fundamentado que a Recorrente apresentou alguns DARFs que provam o recolhimento de parte da COFINS do mês de outubro de 2007. A embargante, por sua vez, alega que o acórdão é obscuro, pois um dos DARFs apontados é relativo ao recolhimento do PIS, e não da COFINS, além de que os valores recolhidos já tinham sido abatidos pela DRJ. Ao fim, a Embargante pediu o acolhimento dos embargos de declaração para o saneamento do vício apontado. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator. Os embargos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. A Embargante aponta uma obscuridade inexistente, pois no acórdão está bem claro que os pagamentos relativos ao mês de outubro de 2007 não foram abatidos do lançamento, nem mesmo pela DRJ, conforme é possível verificar no demonstrativo de fl. 496, no qual a DRJ não exonerou nenhum valor do lançamento principal da COFINS. Apesar disso, os embargos da Fazenda evidenciaram um erro que deve ser corrigido. Nas fls. 467 a 470 (numeração do processo físico), a Recorrente apresentou DARFs contendo o recolhimento parcial do débito de outubro de 2007. No julgamento do recurso voluntário, ficou consignado que todos os DARFs eram relativos à COFINS e totalizavam o montante R$ 19.838,72. Todavia, é pertinente a observação da Embargante no sentido de que o DARF de fl. 467 é relativo ao recolhimento do PIS e não da COFINS. Além disso, este Relator notou outra falha a ser corrigida, esta de ofício: pelos DARFs de fls.468 a 470, além do valor principal, também foi recolhida a multa. No cálculo do acórdão embargado, o Relator levou em consideração para abatimento do valor principal tanto a COFINS quanto a multa recolhidas. Ocorre que, no recálculo do valor lançado, deve ser abatido somente o valor principal e, em seguida, excluídos os respectivos encargos que constam no auto de infração. Desse modo, o acórdão deve ser corrigido, a fim de que sejam exonerados do lançamento da COFINS de outubro de 2007 (R$128.597,19) os valores referentes à obrigação principal da COFINS, cujos recolhimentos estão comprovados nos DARFs de fls. 468 a 470 (R$ 16.159,71), de modo a remanescer o lançamento do valor principal da COFINS no montante de R$ 112.437,48 e não de R$ 108.758,47 como disposto no acórdão embargado. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.003470/200738 Acórdão n.º 3401002.439 S3C4T1 Fl. 533 3 Quanto ao DARF de fl. 467, o valor total recolhido nele de R$ 3.501,27 trata unicamente do PIS, sem juros ou multa, razão pela qual ele deve ser aproveitado em sua integralidade para a exoneração do lançamento do PIS de outubro de 2007 (R$ 27.862,72), de forma que permanece o lançamento principal do PIS de outubro de 2007 no valor de R$ 24.361,45. Cabe observar que a multa e os juros relativos ao lançamento do PIS e da COFINS de outubro de 2007 devem ser recalculados sobre o novo valor principal remanescente. Ex positis, acolho os embargos de declaração em parte para corrigir os erros indicados na forma fundamentada acima. É como voto. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721315/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.721315/2009-19
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350726
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.788
nome_arquivo_s : Decisao_10580721315200919.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10580721315200919_5350726.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5468439
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811749384192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 129 1 128 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721315/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.788 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente NARTIR DANTAS WEBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 15 /2 00 9- 19 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 130 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 39 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 23 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 131 5 verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimada da supramencionada decisão (fls.94), interpôs tempestivamente o recurso de fl.95, interpôs tempestivamente o recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 132 7 de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR. Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n. 256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721315/200919 Acórdão n.º 2802002.788 S2TE02 Fl. 133 9 fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001052/2009-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/07/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.001052/2009-20
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351852
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.272
nome_arquivo_s : Decisao_11128001052200920.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11128001052200920_5351852.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5481487
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811791327232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.001052/200920 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.272 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 52 /2 00 9- 20 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3801003.272 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001553/2003-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CIÊNCIA. PREPOSTO E MANDATÁRIO. VALIDADE. Comprovado nos autos instrumento de mandato com outorga de poderes para o mandatário praticar todos os atos do processo e para representar o interessado junto à Delegacia da Receita Federal, considera-se válida a intimação do lançamento tributário assinada pessoalmente pelo representante nomeado pela empresa.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas,Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CIÊNCIA. PREPOSTO E MANDATÁRIO. VALIDADE. Comprovado nos autos instrumento de mandato com outorga de poderes para o mandatário praticar todos os atos do processo e para representar o interessado junto à Delegacia da Receita Federal, considera-se válida a intimação do lançamento tributário assinada pessoalmente pelo representante nomeado pela empresa. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.001553/2003-47
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354420
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.926
nome_arquivo_s : Decisao_11516001553200347.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 11516001553200347_5354420.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas,Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5495836
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811794472960
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-05-07T11:37:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-05-07T11:27:24Z; Last-Modified: 2014-05-07T11:37:59Z; dcterms:modified: 2014-05-07T11:37:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:8a89df0f-7f5c-439b-a8b4-c991251ac3ef; Last-Save-Date: 2014-05-07T11:37:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-05-07T11:37:59Z; meta:save-date: 2014-05-07T11:37:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-05-07T11:37:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-05-07T11:27:24Z; created: 2014-05-07T11:27:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-05-07T11:27:24Z; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-05-07T11:27:24Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 266 1 265 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.001553/200347 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.926 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2014 Matéria PIS Recorrente COLOMBO INSTITUTO DE IDIOMAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CIÊNCIA. PREPOSTO E MANDATÁRIO. VALIDADE. Comprovado nos autos instrumento de mandato com outorga de poderes para o mandatário praticar todos os atos do processo e para representar o interessado junto à Delegacia da Receita Federal, considerase válida a intimação do lançamento tributário assinada pessoalmente pelo representante nomeado pela empresa. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas,Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 53 /2 00 3- 47 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 65/78 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal), lavrado pela DRF/Florianópolis, com ciência do interessado em 30/06/2003 (fls. 71 e 78), para a exigência de crédito tributário de PIS, no valor de R$ 4.432,94, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$10.031,84. O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado: 1 DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Valores apurados conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. O enquadramento legal consta do Auto de Infração. Em 29/07/2003, conforme encaminhamento à fl. 81, "tendo em vista que o crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial", os Autos foram remetidos à SACAT. De acordo com o Despacho de fls. 88/89, em 30/08/2006, considerando a decisão no Mandado de Segurança favorável à Fazenda Nacional, foi determinado o prosseguimento da cobrança. Intimado a recolher o crédito tributário lançado (ciência em 11/09/2006 fls. 96/97), o interessado apresentou, em 11/10/2006, a impugnação de fls. 98/119. Na referida peça alega a tempestividade da impugnação apresentada e a nulidade da intimação do Auto de Infração; contesta o lançamento da multa de oficio e a incidência da taxa Selic; solicita a restituição/compensação de oficio dos valores recolhidos pelo SIMPLES. Considerada intempestiva, a impugnação foi encaminhada para revisão de oficio (fl. 124). Em face da revisão de oficio (fls. 125/129), foi cancelada a parcela referente à multa de oficio. Cientificado (fl. 140), o interessado apresenta a petição de fls. 141/144, onde solicita a abertura do contencioso em razão de, na impugnação, constar argüição de tempestividade como preliminar de mérito.” A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro (RJOI) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do lançamento. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.001553/200347 Acórdão n.º 9303002.926 CSRFT3 Fl. 267 3 caracteriza impugnação e não instaura a fase litigiosa do procedimento. Impugnação não Conhecida.” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 155 a 184, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, acrescentando, em síntese: • Que é equivocado o entendimento de que "um simples preposto" poderia ter recebido a intimação, ou ainda, que o fato do Dr. Pedro ter sido o autor de pedido de dilação de prazo lhe caracterizaria como preposto da Contribuinte. Preposto é aquele expressamente nomeado pela empresa, ou mesmo eleito em contrato social para representála, com extensos e irrestritos poderes em relação à situação para a qual é designado preposto (acompanhamento de fiscalização, participação em audiências judiciais, etc.) . Ainda que não seja expressamente nomeado nos autos do processo administrativo, poderia ser considerado preposto aquele que atende a fiscalização repetidas vezes, na sede da empresa, enfim, apresentandose como representante da contribuinte para todos os atos do processo. • Que o mandatário, por sua vez, tem sua atuação restrita aos termos do mandato e a extensão dos seus poderes deverá estar expressa no instrumento de outorga. Evidentemente os atos que extrapolem esses limites são nulos de pleno direito. • Que após estabelecidos esses conceitos, fica claro que o Dr. Pedro de Queiroz Santos agia como mandatário, atuando como advogado da empresa e praticando atos próprios dessa posição. Em momento algum foi apresentado ou nomeado como preposto da Contribuinte. Tampouco é possível extrair dos autos elementos fáticos suficientes para caracterizálo como preposto da empresa. Julgando o feito, a Câmara recorrida desconheceu do recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. TEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada, tempestivamente, a manifestação de inconformidade, contendo as matérias expressamente contestadas, consoante disposto no art. 14, c/c o art. 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. Comprovado nos autos que a empresa, inequivocamente, encontravase plenamente cientificada da autuação e do prazo decorrente para apresentação de defesa, e o faz de forma extemporânea, considerase intempestiva a impugnação interposta, dela não se tomando conhecimento. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CIÊNCIA. PREPOSTO E MANDATÁRIO. VALIDADE. Comprovado nos autos instrumento de mandato com outorga de poderes para o mandatário praticar todos os atos do processo e para representar o interessado junto à Delegacia da Receita Federal, considerase válida a intimação do lançamento tributário assinada pessoalmente pelo representante nomeado pela empresa. Recurso Voluntário Não Conhecido Inconformada, a contribuinte apresenta recurso especial onde alega dissenso jurisprudencial no tocante à validade da intimação pessoal recebida pelo advogado da empresa, alega que existe diferença entre os termos “preposto” e “mandatário” e contesta o entendimento das decisões combatidas, quando mencionam que “um simples preposto” poderia ter recebido a intimação. Sustenta que preposto seria aquele expressamente nomeado pela empresa, ou eleito em contrato social para representála, com extensos e irrestritos poderes em rekação à situação para a qual é designado, ainda, mesmo quem não seja expressamente nomeado nos autos do processo administrativo, poderia ser considerado preposto aquele que atende a fiscalização repetidas vezes, na sede da empresa. Afirma, então, que a figura do mandatário teria sua atuação restrita nos termos do mandato e a extensão dos seus poderes deverá estar expressa no instrumento de outorga, portanto, os atos que extrapolem tais limites seriam nulos de pleno direito. Neste ponto, afirma que o Dr. Pedro de Queiroz Santos, que assinou a ciência do auto de infração, ato que aponta como sendo da maior importância no processo administrativo fiscal, agiria como mandatário e nunca teria sido apresentado ou nomeado como preposto, atuaria mais como advogado da empresa, praticando atos próprios de gestão. Ressalta que não existiriam nos autos elementos fáticos suficientes para caracterizálo como preposto do contribuinte. Conclui que deveriam ser considerados nulos todos os atos praticados além dos poderes que lhe foram outorgados por sua procuração. Defende que a menção ao termo “intimação” no corpo do mandato de fl. 15 não supriria a falha aqui apontada, pois se trataria de procuração judicial, onde as intimações ali mencionadas seriam aquelas de atos intermediários, necessários ao andamento do processo, cita jurisprudência administrativa e do STJ para embasar seus argumentos. Reclama, então, que o referido instrumento procuratório, fl. 15, além de que não concederia poderes para o recebimento da ciência do lançamento, também não possuiria reconhecimento de firma do outorgante, conforme seria exigido pela Receita Federal, conforme Art. 654, §2º do CC e cita também as instruções existentes no sítio da RFB na parte que trata de Impugnação de Lançamento. Acrescenta, ainda, que a outorga da procuração teria se dado por apenas um e não ambos os sócios, conforme determinaria o Contrato Social da empresa. Por todo o exposto, aponta a nulidade do ato de intimação/notificação do presente lançamento, o que levaria ao reconhecimento da decadência da exigência fiscal, conforme Art. 150, §4º do CTN. Prossegue sua argumentação, agora quanto à tempestividade da impuganação, mesmo que considerada válida a intimação do mandatário, defendendo que o prazo para a interposição de impugnação se iniciaria apenas depois da intimação quanto ao trânsito em julgado da decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito, cujo deslinde lhe foi desfavorável. Reclama que toda a argumentação acerca deste início de prazo para impugnar, bem como sobre a estagnação do processo administrativo fiscal, deveria ser enfrentada pelo Conselho de Contribuintes. Continua sua defesa desta tese, citando e Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.001553/200347 Acórdão n.º 9303002.926 CSRFT3 Fl. 268 5 transcrevendo o art. 63 da Lei nº 9.430/96, Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/1993 e Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3, de 14/02/1996, para então concluir que: “A partir da notificação regular feita por correspondência encaminhada ao endereço da Contribuinte, com AR assinado em 11/09/2006, comunicando o restabelecimento do curso do processo, devese aguardar 30 dias para apresentação da Impugnação Fiscal, nos termos do artigos 14, 15 e 16 do Decreto 20.235/72.”. Na sequência, continua sua argumentação com contestações sobre: o efeito retroativo da permissão legal para inclusão do contribuinte no SIMPLES, a exclusão da multa de ofício, a restituição de ofício, a ilegalidade da inserção de juros previstos na Lei 8.981/95 e da Taxa SELIC. Ao final, postula que a decisão recorrida seja reformada, com o reconhecimento do vício na intimação pessoal de terceiro desprovido de poderes legítimos de representação e o consequente cancelamento do auto de infração, nos termos do Art. 142 do CTN. O recurso especial do sujeito passivo foi por mim admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, é importante ressaltar que a divergência suscitada e o paradigma colacionado pelo recorrente diz respeito apenas à primeira matéria contestada, a qual se refere especificamente ao alegado vício na intimação pessoal recebida pelo advogado da empresa. Portanto, todos os demais argumentos apresentados no recurso especial, inclusive aqueles relativos à suposta tempestividade da impugnação, fundamentados na determinação de data diversa para o início da contagem do prazo recursal, não poderão ser objeto de exame no presente julgamento do recurso especial, uma vez que não houve a necessária demonstração de divergência, sequer houve também qualquer pronunciamento sobre as mesmas na decisão recorrida. Como já apontado, o cerne da questão reside na validade da ciência do auto de infração, em 30/06/2003, fls. 71, pelo Sr. Pedro de Queiroz Cordova Santos, advogado da empresa. Neste ponto, transcrevemos o instrumento de mandato, fl. 15: PROCURAÇÃO "AD JUDICIA" Através do presente instrumento de procuração, WCRICIUMA SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA ME, empresa inscrita no CNPJ sob n. 74.198.714/000192, estabelecida na Rua Santo Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Antonio, 201Centro Criciúma/SC, neste ato representada pelo seu sóciogerente Sr.Pedro Saulo de Medeiros Raro, nos termos de seus atos constitutivos, outorga ao seu bastante procurador, PEDRO DE QUEIROZ CORDOVA SANTOS, brasileiro, solteiro, inscrito na OAB/SC sob n° 13.903, com endereço profissional constante no rodapé desta, os poderes para o foro em geral, da cláusula "ad judicia", para promover defesa na esfera administrativa, assim como ações judiciais de qualquer natureza em defesa de direitos do outorgante perante qualquer Juízo ou Tribunal, elaborar contestações, recursos, reconhecer a procedência do pedido, oferecer queixa crime, confessar, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a ação, receber quantias e intimações, dar quitação, firmar compromissos e acordos, podendo substabelecer os mesmos com ou sem reserva, praticando e assinando, enfim, todos os atos do processo, necessários para o fiel desempenho do presente mandato, NOTADAMENTE para representála junto à Delegacia da Receita Federal desta Circunscrição. Pela leitura do instrumento de fl. 15, fica evidente que a procuração tem expressa em seu corpo a outorga de poderes ao Sr. Pedro de Queiroz Cordova Santos para “receber quantias e intimações, dar quitação, firmar compromissos e acordos, podendo substabelecer os mesmos com ou sem reserva, praticando e assinando, enfim, todos os atos do processo” e “NOTADAMENTE para representála junto à Delegacia da Receita Federal”, grifos nossos. Portanto, ao tomar ciência do auto de infração em apreço, o Sr. Pedro de Queiroz Cordova Santos era legítimo procurador do interessado, perante a Secretaria da Receita Federal. Assim, como tal ciência ocorreu em 30/06/2003 e a impugnação de fls. 98/119 foi apresentada apenas em 11/10/2006, deve ser mantido o entendimento que reconheceu a intempestividade da mesma. Quanto às outras alegações acerda da falta de autenticação e da necessidade da assinatura de ambos os sócios, cabe apontar que as mesmas já foram questionadas pelo interessado em seu recurso voluntário, contudo a decisão recorrida silenciou sobre as mesmas, decidindo apenas com fundamento na validade da ciência do lançamento. Assim, importa esclarecer ao recorrente que, se porventura desejasse que o colegiado enfrentasse tais alegações, que apesar de relacionadas no recurso voluntário não foram expressamente analisados pelo relator, deveria ter interposto embargos de declaração dentro do prazo adequado, o que não ocorreu. Eventuais omissões devem ser sanadas com o remédio processual adequado, não sendo possível manejálas em sede de recurso especial, cujo objetivo é a uniformização da jurisprudência no âmbito do CARF. E é assim que voto. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
