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O lucro da empresa individual caracterizada pela circunstãncia de a pessoa física ficar equiparada ã pessoa jurídica em razão da alienação de imóveis, apurado ao termino de cada ano calendãrio, não compreenderá o re- sultado, correção monetária e juros auferi dos nas alienações de imOveis havidos por daação como adiantamento da legítima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos ter_ mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , Sala das Sessões (DF), 19 de agosto de 1988. 1I UR EL PERE - à LOr S _ dr — PRESIDENTE A ONIb ,51 ,, ,IL A CABRAL - RELATOR ...._,, 1//4/ . ti MAI~ ,,. 4INIO MENEGHETTI - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL v.v , Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS, CARLOS WAL BERTO CHAVES ROSAS, CARLOS AGOSTINHO ALÉSSIO OLIVETO, LUIZ ALBERT5 CAVA MACEIRA, BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA, GERALDO VIEIRA e SEBAS TIÃO RODRIGUES CABRAL. 1 f •. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 11020/001.236/84-41 RECURSON9: - RP/105-0.071 ACÓRDÃON9: CSRF/01-0.852 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JOÃO PEDRO MORÉ - IMÓVEIS RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional contra a decisão objeto do Acór dão n9 105-2.289, de 16/06/1987, da 5a. Câmara do 19 Conselho de Contri buintes, com fundamento no artigo 39, inciso I, do Decreto n9 83304/79. No referido julgamento, a Cãmara recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para o fim de excluir do lu- cro da empresa individual o resultado relativo ã alienação de três lotes de terreno. Entendeu a maioria do Colegiado que no caso não se configura— ra a compra e venda desses imOVeis, mas doação em adiantamento da legiti ma, de tal sorte que, ao alienar os referidos lotes, a pessoa física e- quiparada à pessoa jurídica pôde beneficiar-se do disposto no art.121 do RIR/80, que isenta da tributação a alienação de imóveis havidos por a- diantamento da legítima. Dal o teor da ementa, no seguinte sentido: "EMPRESAS INDIVIDUAIS MOBILIARIAS - Incorporação e lotea- mento - Determina9ão do resultado - 'Resultados e Rendimen tos excluídos Nao serão computados, para efeito de apura çÃo do lucro da empresa individual, o resultado, correção monetária e juros auferidos nas alienações de imóveis havi dos por doação como adiantamento da legitima." Procuradoria sustentou a mesma tese do voto do Relator fhi?‘ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 vencido, no sentido de que a isenção prevista no art.121 do RIR/80 é para o caso de doação em adiantamento da legitima e não para a ven da do bem recebido nessa condição. Logo, o que ocorreu, na hipótese, foi mera compra e venda de imóveis. Isto, aliás, e refletido na es- critura de fls.36, denominada de compra e venda de imóveis, e não doação. Alem do mais, na referida escritura encontram-se todos os elementos de uma compra e venda como preço do bem, pagamento em di- nheiro, declaração do vendedor de que recebeu o preço, etc. Nas contra-razões, alegou o sujeito passivo que a ex- ceçÃo prevista no art.121, II, do RIR/80,e para imóveis havidos por herança, legado e doação por adiantamento de legitima. Exclui-se da tributação da empresa equiparada a venda de imóvel havido por doa- ção. Para tal, recapitulou os fatos ocorridos: "- Em 26/12/1958 a empresa MARIPA, reduziu seu cai- tal, Um de seus acionistas o Sr. Willy Barth (sogro do recorrido) recebeu em restituição de sua partici- pação acionária Cr$ 60,50 em moeda e Cr$ 1.274.289,50em IMWEIS. Destes imóveis, constam os lotes 5, 6 e 7 do perímetro A, com 931 000 m2 , lotes estes avalia dos em Cr$ 28,88. A forma utilizada para formalizar a operação foi uma escritura pública de procuração em causa própria datada de 26/10/1959; - Em 02/04/62 faleceu o Sr. Willy Barth; - Em 16/07173 conforme escritura pública n9 7930, o imóvel passou ã, propriedade do recorrido; Nesta escritura constou: a) VENDEDOR: MARIPà S/A. b) COMPRADOR: JOÃO PEDRO MORÉ (recorrido) c) OUTORGANTE CEDENTE; VVa. DIVA PAIM BARTH; d) Que; "primitivamente os lotes foram cedidos a Wil ly Barth através de procuração em causa pr3 pra, em 29/10/59 e, em virtude de inventa." rio dos bens ficados por falecimento do me-s- mo, os direitos e obrigaçOes sobre tais im-6 veis passaram a pertencer à viúva Dna. Diva Paim Barth, que neste ato cede e transfere, como de fato cedido e transferi- do tem ao ora outorgante João Pedro More,to dos os direitos e obrigaçOes que possulaate então sobre os imóveis." e) VALOR DA OPERAÇÃO: Cr$ 28,88 f) VALOR DA AVALIAÇÃO:Cr$ 190.000,00." °A- A;?r SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 3. AcOrdão n9-CSRF/01-0.852 Por esse contrato, àcentua o sujeito passivo, sua so- gra participou como anuente da escritura, pois ela própria era a proprietária do imóvel. Como não havia sido feita a transmissão no Registro de ImOveis, o imóvel continuou constando como de proprieda de da empresa MARIPÃ. Mas, pelo inventário, coube à viúva, pela mea- ção, o direito sobre o bem. Outro pormenor á o fato de a venda ter sido efetuada por Cr$ 28,88. Este valor representa exatamente o montante pelo qual o bem foi baixado na contabilidade da empresa MARIFÃ, na ocasião da redução de capital e valor pelo qual o Sr. Willy Barth recebeu o ime3 vel em 26/12/1958. O histórico ora apresentado deve clarear e demonstrar a realidade sobre a propriedade do imóvel em questão, bem como a vontade da viúva em doa-lo a filha e, por conseguinte, ao genro. É o relatório. (442 "/J SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 VOTO Conselheiro ANTONIO DA SILVA CABRAL, Relator: O recurso preenche os requisitos para sua apresenta- ção. I - ESTADO DA QUESTÃO Trata-se de hipótese em que pessoa física ficara e- quiparada à pessoa jurídica por ter promovido a incorporação de fa- to de prédios em condomínio, na forma do art.116 do RIR/80, que as- sim dispõe: "Equipara-se, também, ã pessoa jurídica o proprietá- rio ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos documentos de incorpora ção ou loteamento, neles promova a construção de" predio com mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de decorrido o prazo de 60 (sessenta) meses, conta dos da data da averbação, no Registro Imobiliário 7 da construção de prédio ou da aceitação das obras do loteamento." A Câmara recorrida entendeu que a hipótese se verifi cara no caso dos autos, pois o sujeito passivo alienara sua parte numa incorporação de fato. A questão a ser analisada neste recurso se relaciona com a circunstancia de terem sido alienados três lotes que a pessoa física, já então equiparada, possuía numa fazenda. A Camara recorrida entendeu que se aplicava ao caso o art.121, inciso II, do RIR/80, no qual esta escrito o seguinte: "Art.121 - No caso das operaçaes a que se refere o inciso III do art. anterior (isto é, que o lucro da empresa individual haveria de compreender "O resul- tado das alienações de quaisquer outros imOveis,res salvado o disposto no artigo seguinte), não sern- computados, para efeito de apuração do lucro da em- presa individual, o resultado, a correção monetária e juros auferidos nas alienaçoes: /4-2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 5. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 I - "omissis" II - de imóveis havidos por legado, herança e doação i como adiantamento da legitima; III - "omissis". Para chegar a tal conclusão, o Relator do voto vence- dor partiu do fato de que o Sr. Willy Barth, marido de Dona Diva Paim Barth, sogra do então recorrente, que figura na escritura pública de fls.36 como anuente cedente - de acordo com os termos do mandado que lhe foi outorgado pelo instrumento público de procuração em , causa própria (fls.133/134), tornou-se investido de amplos poderes, gerais e ilimitados, para vender, contratar vender, hipotecar, onerar por qualquer forma que quisesse e pelo preço e condições que convencio- nasse os imóveis em questão. Após transcrever as noções de "procuração em causa própria" e "mandato em causa própria", extraídos do Vocabulário Juri dico de DE PLÁCIDO E SILVA, conclui que, nos mandatos em causa pró- pria: "a): o mandatário converte-se em dono do negócio que constitui o objeto do mandato; b) se morre o mandatário, seus herdeiros lhe sucedem para fruir os direitos e obrigações que se geraram da cláusula in rem propriam; c) ate o mandatário faça efetiva a cessão ou venda, agi,rá sempre em nome do mandante, embora em causa própria dele, mandatário; d) o mandatário fica investido no poder do dono, que não lhe poderá ser retirado pela revogação do manda- to, que somente se pode extinguir pela execução pelo mandatário, ou pelos herdeiros deste, do que nele se contem. Diante de tudo o que ate aqui foi exposto é que se pode admitir que o doc. de fls. 36, que em sua forma exterior materializa um ato jurídico de compra e ven da, intrinsecamente representa a execução do mandato constituído pela escritura de procuração em causa pr6pria (fls.133/134), que investiu o Sr. Willy Bar- th na condição de DONO dos lotes 5, 6 e 7, para de- r les dispor como melhor lhe aprouvesse, realizada, no caso, por sua viúva. C- /?, ) SERVIWPWUMFEDMAL Processo n9 11020/001.236/84-41 6. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 "O Sr. Willy Barth faleceu antes de poder executar o mandato, e sem promover a sua tramitação no Registro de Imóveis. A observação se conforma com os fatos certificados pelo Registro de Imóveis (fls.138)...". O voto vencido, bem como o recurso do Procurador, sus tentam tese contrária, na esteira do Fisco, a saber: no caso, não houve alienação de imóvel havido em adiantamento da legitima, e sim mera alienação de imóvel adquirido por contrato de compra e venda. Isto se pode provar por dois fatos principais: a) a escritura de fls.36 fala em compra e venda e os termos se referem a compra e venda, tais como objeto, consenso, pre- ço, etc. b) só se pode invocar a não tributação da doação mes- ma enquanto esta se dá em razão de adiantamento da legítima. A venda de imóvel recebido, em tais circunstâncias, no entanto, não está i- senta da tributação. Entendo que amalhar solução realmente foi a propos- ta pelo voto da maioria, que reconheceu a impossibilidade da tributa ção do resultado da alienação dos três lotes em questão, pelos moti- vos que passo a expor. Consta do auto que os três lotes alienados pelo sujei to passivo estavam inseridos na Fazenda Britânica, que se achava re- gistrada em nome da CIA. DE MADEIRAS DO ALTO PARANA e que a empresa rNDUSTRIAL MADEIREIRA COLONIZADORA RIO PARANA S.A. (e da qual era a- cionista o Sr. Willy Barth) adquiriu essa fazenda. Desde o __momento em que a INDUSTRIAL MADEIREIRA COLONIZADORA RIO PARANÁ S.A. outorgou ao Sr. Willy mandato em causa própria perdeu o poder de dispor das coisas que se constituíram objeto da procuração. Somente o mandatá- rio e seus descendentes poderiam dela dispor. A outorgante do manda to tinha exatamente essa intenção, pois conforme se viu pelo Relató rio, tudo começou quando a empresa da qual o Sr. Willy era sócio re- solveu diminuir o capital, devolvendo ao sócio o capital que lhe per tencia, parte em dinheiro e parte em bens, e para isto servindo-sedo mandato em causa própria. r fr), SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 7. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 II - PROCURAÇÃO EM CAUSA PRÓPRIA A procuração ln_E23_25.22£192 é um poder de representa — ção em causa própria e neste sentido e como qualquer outro poder de representação, apenas com a diferença que o autorgado o exerce em seu próprio interesse e não no interesse do outorgante. Trata-se de negócio jurídico abstrato, no sentido de que pouco importa o negócio subjacente, se houver, que motivou a procura — , ção em causa própria, pois o outorgado pode agir independentemente de consideraçOes acerca do negócio subjacente. Cn mandato, na procuração in rem suam, e irrevogãvel e o outorgado, se morrer, não provocara o desfazimento da procuração. Outra característica peculiar do mandato in rem pro- priam o fato de o outorgado se tornar o dominus negotii, agindo como se ele fosse o proprietário da coisa que deseja alienar. PONTES DE MIRANDA (Tratado de Direito Privado, vol.43, pg. 1561 pergunta; quais os direitos que se atribuem ou são atribuí veis ao procurador em causa aprópria? Responde: "Não e a propriedade imobiliãria, ou a mobiliária:nem o credito , se a procura a respeito de credito. A notificação ao devedor não e a notificação do art. 1.069 do Código Civil, se bem que com ela se pareça e tenha de regular-se por analogia (art.1.078): noti fica-Se para que a atribuição da causa tenha eficá= cia contra o devedor. Ao procurador em causa própria, "em coisa sua pró- pria", como mais romanisticamente diziam as Ordena- çoes Filipinas, Livro III, Titulo 45, § 79, fica "to , -?do o proveito e dano da demanda", se a procurnão para juizo, ou todo o proveito e dano da relaçao ju- ridica, ou das relaçaes jurídicas, para que se ou- torgou a procura. O que se transfere não e o direito de credito, ou de propriedade, ou outro direito transferível: e o po- der de transfer1-1o, com todo o proveito e dano des- de o momento em que se deu a procuração em causa pró pria. Tanto o procurador pode transferir a outrem co mo a si mesmo e, se o bem e divisível, a duas olá; mais pessoas, dentre as quais se pode pôr. Há, por- k- , i SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 8. _ Acórdão n9-CSRF/01-0.852 tanto, atribuição de direito formativo dispositivo. Não houve a transferência do direito de que se pôde dispor, houve a transferência ou a constituição do poder de dispor do direito como seu. No código Civil brasileiro, tal explicação, que tem fontes históricas, é. a que se hã de sustentar. Se se entendesse que a procuração em causa própria é ces são de direitos t inclusive de créditos e de proprie- dade, ter-se-ia posto na lei confuso bis in idem. Se ria supérflua e desaconselhãvel a alusão ã procura= ção em causa própria. Não se "abrevia" qualquer ins- tituto, seja o da cessão de créditos, seja o da transferência do_pfopriedade ou de outro direito (sem razão, MARIO FERREIRA, Do Mandato em causa própriano direito brasileiro, 87). O outorgante não transferiu o direito, pessoal ou real, que poderia ser cedido ou transferido; o outorgante transferiu o que distin -Lamente podia transferir; o direito de dispor; -e." atribuir ao outorgado, desde logo, "todo o proveito e dano". A figura é inconfundível e não abrevia qual quer instituto dispositivo." A procuração em causa própria, como se sabe, foi expe diente criado para enfrentar o problema da sucessão no direito roma- no, que desconhecia a passagem de um bem de um patrimônio para outro a não ser a titulo universal. No caso do mandato em geral o procura _ dor pode operar, inclusive, em nome próprio. No caso de procuração in reM propriam o procurador vai muito mais além, pois opera em cau- sa própria, defendendo seus interesses e não os do mandante. PONTES DE MIRANDA resumiu a teoria da procuração em causa própria, nos seguintes tópicas (op. cit., pg. 163): "Procuração em causa própria não transfere pro- priedade, nem transfere posse; nem á cessão de credi- to (cf. Tomo XXIII, § 2.827, 8). O procurador em causa própria gere os seus prO- prios interesses, embora, no exercer os poderes, e- xerça procura, pratique atos por outrem (cf. 4a. Câ- mara Cível do Tribunal de Apelação do Distrito Fede- ral, 18 de junho de 1940, A.J., 55, 266 s.). Frisa-se, em nome de outrem. A procuração em causa própria não importa ces- são de credito, ou de outro direito (cf. 3a. Cãmara Civel do Tribunal de Apelação do Rio Grande do Sul, 11 de setembro de 1941, R.F., 88, 525), mas atribui /SL /2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/B4-41 9. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 direito à cessão ou a ceder ( = direito a ceder a si mesmo ou a outrem). É isso que significa procurar in rem suam. A procuração em causa própria não é titulo há- bil para a transmissão da propriedade, ou da posse, ou da propriedade e da posse. Tem-se de praticar o ato ou têm-se de praticar os atos de transmissão. Ou trossim, se a procuração em causa própria é para gr-ã vame. Há irrevogabilidade, em princípio; e a incolur midade ao fato de morrer o outorgante (cf. 3a. Cãma- ra Civil do Tribunal de Justiça de São Paulo, 7 de abril de 1949, R. dos T., 180, 608; sem razão, o 19 Grupo de Câmaras Civis, a 13 de maio de 1946, 166 617, a la. Câmara Civil. A 15 de maio de 1944, 151, 240, e a 3a. Câmara Civil, a 5 de fevereiro de 1947, 167, 260). Se na procuração em causa própria se precisou haver transferência do domínio ao procurador a quem logo se transfere a posse, misturaram-se quatro negó cios jurídicos, um unilateral, outro bilateral con- sensual e dois de direito das coisas, os acEirdos de transmissão do domínio e da posse. O instrumento com pOsito e anômalo, se obtem transcrição, por negli= gência do oficial do registro, transfere a proprie- dade (e. g., la. Turma do Supremo Tribunal Federal , a 8 de maio de 1941, A. J., 59, 445 e 446, e a 16 de dezembro de 1943, R.F., 100, 273). A procuração em causa própria atribui direito ao procurador, porem não transfere propriedade (19 Grupo de Cãmaras Civis do Tribunal de Apelação de São Paulo, 20 de agosto de 1940, R. dos T„ 132, 143), nem posse, nem cede credito ou outros direitos. A confunsão, atraves de seculos, foi devida a não ter o direito romano a cessão de creditos e ter -se recorrido à procuração in rem suam para se obter7 - quase, frisemos - a eficácia que o instituto da cessão de creditos veio, depois, a ter." Hã que se considerar o fato de, no presente processo, estarmos diante de problemática relacionada com o direito , tributã rio e não com o direito civil e e isto que ate o momento não se ob- servou. Com efeito, a procuração em causa própria tem um tratamento diverso no Direito Fiscal, vez que, contrariando os dispositivos do Código Civil, o Tributário admite a procuração como instituto pelo qual se aliena um bem. Diz o art. 100 do RIR/80: 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 10. Acórdão n9-CSRF/01-0.852 "Art.100 - Caracterizam-se a aquisição e a alienação pelos atos de compra e venda, de permuta, de trans- ferência do domínio útil de imóveis foreiros, de cessão de direitos, de promessa dessas operações,de adjudica9ão ou arrematação em hasta pública, pela procuraçao em causa própria, ou por outros contra- tos afins em que haja transmissão de imóveis ou de direitos sobre imóveis. (Decreto-lei n9 1381/74,art. 29, § 19)" (grifei). Em Direito Tributário, portanto, a procuração em causa própria á um dos meios de alienação, quando, em Direito Ci- vil não se admite esta tese. Tanto assim que todas as vezes em que algum tentou registrar no Registro de Imóveis um bem que se achava registrado em nome do mandante o Cartório se negou a efetuara trans_ ferência, exigindo que, primeiro f se concretize o respectivo de ces- são ou de compra e venda. PONTES DE MIRANDA, alias, reportou-se a essa problemática (op. cit., pág. 144), referindo-se à jurisprudên- cia favorável a bastar a procuração em causa própria para se proce _ der ã transmissão da propriedade imobiliária, pela transcrição. Se- gundo ele, a procuração em causa própria vale coa) se escrituradecom- pra e venda fosse na hipótese em que nela se acrescentem os três requisitos para a compra e venda: res, pretium, consensus. Do con- trário, não e titulo hábil para a transmissão de propriedade. A lei fiscal, no entanto, deitando por terra , essa tradição, impôs que a alienação de imóvel se desse, inclusive, pela procuração em causa própria. Teve razão o legislador fiscal ao criar essa hipótese contrária ao Código Civil para evitar a evasão fis- cal, COMO aconteceu no antigo regime do lucro imobiliário em que a lei se reportava, apenas, à compra e venda. Para evitar pagar im- posto sobre o lucro imobiliário, certos contribuintes davam vazão à imaginação e fantasiavam o contrato de compra e venda de imóvel sob a capa da doação, de permuta, de procuração em causa própria, etc. No novo regime, sempre que alguám de certo modo adquire ou se lhe confere o direito de adquirir um imóvel já se acha configurada a alienação. Trazendo essa ordem de considerações para o caso pre \ sente, tem-se que encarar o fato da procuração em causa própria co- 'Y-i frit \I _ Processo n9 11020/001.236/84-41 11. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/01-0.852 mo um expediente de aquisição de propriedade para efeitos fiscais, de tal sorte que, sob a ótica fiscal a empresa que alienou o imó- vel, na realidade,jã o havia alienado nos idos de 1959. A escritura de compra e venda, de fls.36, nada mais representou, para fins Lis- . acais, do que o cumprimento de mera formalidade para se ajustar s exigências da lei civil.A pessoa que aparece como outorgante anuen- te cedente não era nada disso, pois a empresa vendedora não alienou nada, já que em 1959 alienara esses três lotes em questão para o ma rido da ora "outorgante anuente cedente". O fiscal autuante, não sabendo como qualificar a ope ração em causa afirmou ter havido cessão gratuita dos lotes. Disse ele, às fls.10: "Em 09/09/1983, procedeu a venda de um imóvel rural "Granja Rio Grande", para W.P., por Cr$... adquiri do em 16/07/1973, a titulo gratuito de D.P., avaliã- do para fins fiscais "sisa" por Cr$ 190.000,00." - Não qualificou adequadamente o fato sob a ótica do direito fiscal, pois se ele mesmo afirmara que a cessão do imóvel se dera a título gratuito, não houvera contrato de compra e venda. Por outro lado, cessão a título gratuito, de mãe para filha, como foi o caso, envolve dação em adiantamento da legítima. Por isso mes Mo é que nem sequer se obedeceu ao art. 1.132 do Código Civil, que proíbe a venda de ascendente a descendente sem o consentimento ex- presso dos outros herdeiros. Isto porque o imóvel cedido deverá ser oferecido à colação, pois, até prova em contrario, a passagem de um bem do ascendente para o descendente é tido como adiantamento da le gítima. Estou com o Relator do voto vencedor quando afirmou que, uma vez falecido o Sr. Willy, que era o mandatário, o processa- mento da sucessão do de cujus nos seus bens e direitos deveria ocor rer normalmente, mediante inventãrio judicial. Não se questionou nos autos se a viúva meeira recebera ou não os lotes 5, 6 e 7 da fazen- da em questão, mas como o Fisco não contestou esta parte, supõe—se que concordou com o então recorrente, que atribuiu ã viúva a suces- são nos direitos resultantes do mandato em causa própria outorgados a seu marido. ( fr?, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 12. Acórdão n9-cSRF/01-0.852 Outro aspecto a ser esclarecido: embora a doação te- nha sido feita ao Sr. João Paulo Morá (sujeito passivo), na reali- dade a dóação se deu ã sua esposa Dona Maria Cristina Barth More , que era filha do de cujus e casada em cumunhão de bens com o Senhor João. No processo foi invocado pelo então recorrente o art. 1.171 do Código Civil, segundo o qual: "Art.1.171 - A doação dos pais aos filhos importa a- diantamento da legitima." A legítima é importante para efeitos de inventário a fim de que as doações de pais para filhos não prejudique o direito de qualquer herdeiro. O próprio Código Civil se encarregou de dizer como se calculam as legítimas, ao dispor: "Art.1.721 - O testador que tiver descendente ou as- cendente sucessível não poderá dispor de mais da metade de seus bens; a outra pertencerá de pleno di reito ao descendente e, em sua falta, ao ascenden- te, dos quais constitui a legítima, segundo o dis- posto neste Código (arts.1603 a 1619 e 1723). Art. 1.722 - Calcula-se a metade disponível (art. 1721) sobre o total dos bens existentes ao falecer o testador, abatidas as dividas e as despesas do funeral. Parágrafo único - Calculam-se as legitimas so- bre a soma, que resultar, adicionanando-se ã metade dos bens que então possuía o testador, a importân- cia das doações por ele feitas aos seus descenden- tes." No direito sucessório, aliás, existe o fenômeno da chamada "colação", na qual se verifica, realmente, o que deve to— car a cada um. Leia-se, por exemplo, o que determina o art.1.785 do Código Civil: "Art. 1.785 - A colação tem por fim igualar as legí- timas dos herdeiros. Os bens conferidos não aumen- tam a metade disponível. ‘, 'krt. 1.786 - Os descendentes, que concorrerem à su- /17, , - , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 13. AcOrdão n9-CSRF/01-0.852 i cessão do ascendente comum, são obrigados a confe • rir as doações e os dotes, que dele em vida recebe-- ram." O Relatar do voto vencedor, no entanto, não explo_ rou até as últimas conseqüências, o caso presente. Votando ã cir- , custáncia de que a lei fiscal considera a procuração em causa pró- pria como uma hipótese de alienação de imóvel e, considerando-se que, por isso mesmo, os imóveis em questão já pertenciam ao Sr. Barth des - de 1959, a sua morte fez com que sua mulher, que aparece no indigita 1_ do contrato de fls.36 na qualidade de outorgante anuente cedente,já 1 era dona desses imóveis a partir de 1959. Quando o seu marido fale- ceu, ela, na qualidade de meeira, continuou como proprietária de me- tade dessas áreas, sendo que a outra metade passou a ser proprieda- de de sua filha, talvez a única herdeira. Digo "talvez", porque nos autos nada consta a respeito da existência de outros herdeiros. Na realidade, quando aSra. Barth ingressou no contrato de compra e ven- da de fls.36 como outorgante anuente cedente só poderia ser, sob a õtica fiscal, na qualidade de doadora de sua parte (1/2), pois a ou- tra matade já pertencia ã sua filha. Para fins fiscais, portanto, a escritura de compra evenda de fls.36 nada mais representa do que um do , cumento realizado para preencher requisitos relacionados com o direi - to privado. Em CONCLUSÃO: No decorrer deste processo verificou-se que o Fisco se prendeu a nomeclatura da Escritura Pública de Compra e Venda, de fls.36, para sustentar que de alienação de imóvel se tratava. Desde logo, no entanto, não deve passar despercebido a quem for examinares te documento que se trata de simples formulário impresso, com espa- ços em branco, preenchidos com caracteres diferentes, revelando ex- pediente ou maneira pratica de se lavrar uma escritura, sobretudo por pessoas não afeitas aos aspectos tributários. Conforme salientou o Relator do voto vencedor, o instrumento utilizado pelas partes foi o meio mais pratico para se realizar a transferência do imOvel da MADEIREIRA RIO PARANà para o 17 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 14. Acórdão ri-CSRF/01-0.852 sujeito passivo, já que ate então não se tinha levado a efeito, ate as Ultimas conseqüências, o instrumento de procuração em causa pró- pria. Por isso mesmo essa Madeireira aparece como VENDEDORA, o que de si seria um absurdo, pois não poderia vender nada, já que as ter — ras objeto da escritura de fls.36 tinham sido entregues em DAÇÃO EM PAGAMENTO, na ocasião em que a MADEIREIRA resolveu diminuir o - capital social, embora sob a roupagem de procuração em causa pr6- pria. Apenas para satisfazer as formalidades de Cartório e porque o imóvel ainda se encontrava em seu nome, fingiu-se uma compra e ven- da que, na realidade, não existira, pois ninguém vende o que não tem. A viúva apareceu na qualidade de ANUENTE, quando ela era a do- na das terras, por ser meeira, conforme acima ressaltado. Em ne- nhum momento se contestou o fato de ela ser a legitima sucessora dos direitos do marido em relação a essas terras, na qualidade de meeira. O Fisco preocupou-se com o fato de a escritura men- cionar um preço de venda. Acontece que, tratando-se de instrumento "formalmente" denominado de compra e venda teria que haver um pre- ço. Esse preço, no entanto, foi simbólico. Não só porque correspon dia ao valor que estava contabilizado na empresa MADEIREIRA, em 1959, como também se fosse comparado com o valor que serviu de base para o imposto de transmissão imensamente maior do que o preço de Venda. É praxe entre comprador e vendedor atribuir um valor de ven- da menor possivel para que o Imposto de Transmissão seja também o nais baixo possIvel. Se o valor simbólico, que, conforme o texto , foi calculado apenas para efeitos de Imposto de Transmissão, , era muito superior ao preço de venda, óbvio que o preço de venda foi simbõlico. Na realidade, a cláusula terceira, sempre invocada no processo, á esclarecedora, quando diz que os lotes objeto da es critura tinham sido cedidos 4 Willy Barth, mediante procuração _em causa pr6pria, em 29 de outubro de 1959, e em virtude de inventãrio dos bens ficados por falecimento do mesmo, os direitos e obriga- çaes sobre tais imOveis passaram a pertencer à viúva meeira, a qual transferiu esses direitos, por meio dessa escritura ao Sr. João Pe— dro More. /s ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11020/001.236/84-41 15. Acôrdão n9-CSRF/01-0.852 Na poca em que o lucro imobiliário tinha por fato gerador as operaçaes de compra e vendas de imOveis, muitos contri buintes celebravam escrituras de doação, justamente para fugirem da tributação. Nessas circunstâncias, o Fisco deixava de lado a forma jurídica da "doação" para ir à realidade econômica, que era a "com- pra e venda" celebrada mediante contrato de doação. 1 i Neste processo acontece exatamente o contrário. As partes celebraram um contrato de doação de terras em que a viúva meeira abria mão de seus direitos em favor da filha, mas utilizando - -se de instrumento inadequado, que foi a escritura de compra e ven- da. Entendo não poder o fisco, aproveitar-se destas circunstâncias para exigir dele tributação que sabe não dever ser exigida. O argumento do voto vencido, a saber, a ausência da donatãria, que seria a filha da Dona Diva Paim Barth, tem-se a ob- servar que a donatária era caGada, ern comunhão de bens com o Sr. João Pedro e e claro que o marido, em questão de imeiveis t e quem toma a iniciativa. Finalizando, tem-se, a bem da verdade, que atentar Para o fato de o chamado REGIME DE EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA A PESSOA JURIDICA, no qual se acha inserido o sujeito passivo, pos- suir regras prõprias a respeito. Por força da legislação citada, o Sr. J.P. Mora j era proprietÃrio de pelo menos metade desses lotes e sua sogra, embora empregando o expediente de escritura de compra e venda não lhe alienou nada; doou-lhe simplesmente a outra metade. 1 Doação de ascendente a descendente importa em adiantamento da legi- tima. 1 Assim sendo, voto no sentido de se negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Braslia (DF), em 19 de agosto de 1988. /15' i —,--,2---(2 ANT IO bA SILVA CABRAL - RELATORj LRC/ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 00008.200000/09-83
Data da sessão: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 1984
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Quando o contribuinte logra provar, em cada exercício, a origem dos seus depósitos bancários, em razoável
proporção ao tempo decorrido entre a ação fiscal e os créditos investigados, são de admitir-se infirmadas as presunções legais
do art. 39, alíneas "c" e "e", do RIR/75, reproduzidas no art. 39, incisos III e V, do RIR/80.
Numero da decisão: CSRF/01-00.497
Decisão: ACORDAM os membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pagam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Urgel Pereira Lopes
Nome do relator: Luiz Miranda
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MINISTÉRIO DA FAZENDA SP.M. Sessão de _30 de novembr0de 19 84. ACORDÃO N o CSRF/01- 0. 497 Recurso n° RD/104-0.233 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . SUJEITO PASSIVO : WILDEVALDO CAMBAUVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS-Quando o contribuinte logra provar, em cada exercício, a origem dos seus depósitos bancários, em razoável proporção ao tempo decorrido entre a ação fiscal e os créditos investigados, são de admitir-se infirmadas as presunções le- gais do art. 39, alíneas "O" e "e", do RIR/75, reproduzidas no art. 39, incisos III e V, do RIR/80. Vistos,relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do rela- tório e voto que pagam , :ntegrar o presente julgado. Vencido o Cons. Urgel Pereira Lope0 -,., /t., I, Sala d.:., se- . Of: s O em 30 de novembro de 1984 . i kil '' 7 AMADORr',"* "FRNÃNDE -PRESIDENTE LUIZ MIRANDA 4/ AV-RELATOR Ar. LUIZ FERNANDO OLI. ' À IIE MORAES -PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL , 1, v.v. . ,, Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, PEDRO MARTINS FERNANDES, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, FRANCISCO AMARAL MANSO, CARLOS ROBERTO MONTEIRO BERTAZI e ANTÔNIO DA SILVA CABRAL.Ausen te o Cons. JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVALHO. „ • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 0820/000.009/83-30 RECURSO N9:i .12D/104-0.233 ACÓRDÃO N9: CSRF/010 497 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDO: 4 CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO:WILDEVALDO CAMBAUVA RELATÓRIO Não se conformando com o acórdão 104-4.258, pro ferido pela 4 Câmara do egrégio 19 Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do sujeito passivo, para excluir da tributação, como comprovado, a quantia de Cr$ 1.104.852, o que representa 13,44% do montante de tais depósitos (fls. 583/586), a Fazenda Nacional, dentro do prazo legal, interpôs recurso divirgência dirigido a esta Câmara Superior, conforme ra- zões de fls. 587/591, no qual anexou o acórdão divirgente CSRF/ 01-0.071 (fls. 591/598). No acórdão recorrido, o voto vencedor,ãs fis.585/ /586, foi fundamentado nestes termos: Discute-se no presente feito, tão somente a tributação incidente sobre a importância de Cr$ 1.104.852,00 equivalente a depósitos efetuados em contas bancárias do interessado, cuja origem não resultou identificada, no exercício de 1980, ano base de 1979. Verifica-se dos autos que, do total de depó sitos efetuados naquele período, que alcançou a Cr$ 7.924.431,00 consoante o documento de .fls. , 447, reafirmado pela decisão a quo, logrou o coo tribuinte demonstrar a origem de Cr$ 6.819.579,00, remanescendo, apenas a importância já referid. de Cr$ 1.1_04.852,00, o que perfaz 13,44% do mon tante dos depositos. DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/7 3. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO n9 0820/000.009/83-30 Acórdão n9-CSRF/01-0.497 Atendendo ã iterativa orientação desta Câmara que exclui da tributação os valores dos depósitos que sejam apurados no ano seguinte ao ano base, in feriores a 10% do total, a 15% no segundo ano, 20--9-; no terceiro e assim, sucessivamente, até 30%, é de se concluir que a exigência em tela esbarra no critério em questão. Com efeito, trata-se de apuração referente ao ano de 1979, datado o respectivo auto de infração de 23 de fevereiro de 1983, fato que autoriza, com sobras, a não tributação, ainda que somente 75% dos depósitos resultassem comprovados quanto ã sua ori_ gem." Em suas razões de recurso especial, a Fazenda Na- cional alegou o seguinte: II 5. A decisão recorrida admitiu a comprovação de 86,56% dos depósitos bancários, considerando jus tificados os restantes 13,44%; a seu turno, a deci são trazida a confronto considera a comprovação de mais de 90%, para admitir como justificada a parce la excedente. A matéria é idêntica, versando sobre depósitos bancários, cuja origem o contribuinte de ve justificar. O dissídio está patente no modo de interpretar as justificativas apresentadas pelo su_ jeito passivo. 6. Estabelecida, assim, a divirgência, deve- -se reconhecer que a melhor solução foi dada pelo acórdão paradigma. 7. Embora se reconheça a dificuldade de com- provação de créditos bancários, após certo tempo, não se pode desconhecer a incúria do contribuinte em escriturar suas atividades e manter os compro- vantes e controles, pelo menos durante cinco anos, ã disposição da administração." Por despacho,ã-s fls. 600/601, o presidente da egre gia 4 Câmara recorrida admitiu o recurso especial, uma vez que ficou demonstrada a divirgência de julgado. Intimado, fls. 602, o contribuinte, tempestivamente , apresentou contra-razões, fls. 605/606, r portando-se ao s u re- -----/ curso voluntário e ao acórdão recorrido É o relatório. //4 -/7 -,--Y--- ,,,\_/ , 4. PROCESSO n9 0820/000.009/83-30 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acordão n9 -CSRF/01-0.497 VOTO Conselheiro LUIZ MIRANDA, Relator: Conheço do recurso, tendo em vista que o mesmo foi interposto no prazo estabelecido no Decreto 83.304/79, inclusive pela divirgência de julgado demonstrado. No mérito, entretanto, nego-lhe provimento faço-o pelos seguintes fundamentos. O problema jurídico versado nos presentes autos diz respeito se há ou não tributação incidente sobre depósitos bancários que deixaram de comprovados e que correspondem ao percentual de 13,44% do montante dos referidos depósitos, relativo ao exercício de 1980, ano base de 1979. , Analisando este processo, verifica-se que na apura' ção desses depósitos bancários, o auto de infração de fls. 1 foi lavrado em 23/2/83. Como é de amplo conhecimento, principalmente no cur _ so de ação fiscal, é difícil o contribuinte provar a origem dos seus depósitos bancários que dizem respeito a 2 ou mais exercícios. Aliás, sobre essa dificuldade, esta Cãmara Superior já se pronunciou a respeito, conforme isso já ficou assentado no A _ córdão CSRF/01-0.071, da lavra do nosso eminente Conselheiro Urgel Pereira Lopes, onde é salientado, verbis: "Deve-se reconhecer que a prova de origem de depósi tos bancários, em 2, 3, 4 ou 5 exercícios, não -é" das mais fáceis, mormente se o contribuinte não te- ve a prudência de se munir de registros particula- res, se é intenso seu movimento bancário. Essa pro- va, como se sabe, por vezes depende de colaboração _ dos estabelecimento ba ários, nem sempre °líci- tos nesse aspecto. _ 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0820/000.009/83-30 Acórdão n9-CSRF/01-0.497 Diante do reconhecimento dessa dificuldade, esse acór dão admitiu e estipulou o percentual de 10% incomprovado do montan- te do depósito bancário, num determinado exercício, como excludente da tributação. Acontece, que, apreciando caso análogo ao deste pro- cesso, cujo acórdão recorrido excluiu da tributação os valores dos depósitos bancários que sejam apurados no ano seguinte ao ano base inferiores a 10% do total, 15% no segundo ano, 20% no terceiro ano e assim sucessivamente ate 30%, esta Câmara Superior, através do seu acórdão CSRF/ 01-0.479, da lavra do nosso eminente Conselheiro Jacinto de Medeiros Calmon, resolveu adotar essa tese, inclusive am pliando-a para 10% do total no seguinte ano base, 20% no segundo ano, 30% no terceiro ano, 40% no quarto ano e 50% no quinto ano. Assim, tendo o contribuinte em causa deixado de com- provar neste processo a origem de seus depósitos bancários no per- centual de 13,44% do seu montante, no segundo ano,chega7-se ã con- clusão que a exigência fiscal em questão esbarra no critério adota- do por esta Câmara Superior no Acórdão CSRF/ 01-0.479. Diante do exposto e do que mais consta nos presentes autos, voto no sentido de negar provimento ao redso eseecial da Fazenda Nacional, para manter a decisão recorrida/ Brasília (DF), em ,p de novembro de_ A4 V-_ LUIZ MIRANDA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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A conversão do julgamento em diligência, para melhor instrução do processo, e competência do Conselho ou da Câmara em qualquer fase. Nega-se provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especia 41)"-v Sala das Se aesfriF), em 26 de maio de 1980 AMADOR OU - R OAERki DEZ PRESIDENTE , --- HIND lk BURGe BOWAL TEIXEIRA RELATOR ..st 44,,I ,...~1,Nes 44~4 , LEON FREJuÀ AROWSKY PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL Participaram ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, PAULO — DE ALMEIDA, RANDOLFO HENRIQUE DE SOUZA NETO, EDWALDO REIS DA SILVA, v.v. SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. WW SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 0783/001.903/79 RECURSO N.`° : RP/3 O 3-0.017 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-0.163 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS G= S.A. -USIMINAS RELATÓRIO O recurso do Sr. Procurador da Fazenda visa a re_ forma de acórdão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Con_ tribuintes, que adotou a seguinte ementa: "Cobrança de imposto sobre acrescimo veri- ficado pelo metodo de arqueação. Conversão do jul gamento em diligencia ao INT para melhor instru_ ção do processo." Sustenta o Procurador da Fazenda, em resumo, que a decisão contraria as normas legais. Cita o art. 19 do Regimen_ to Interno do Conselho e o art. 14 do Dec. n9 70.235, o qual de_ termina que a diligencia deve ser solicitada na impugnação. Alega que a diligencia em causa não se destina a esclarecer pontos obs curos, mas tem como fim único permitir â interessada produzir pro vas que deveria jã. ter produzido. Nas contra-razões de fls., o sujeito passivo ressalta que a determinação da diligencia representou um ato espon tãneo da Câmara julgadora, "de maneira que as razOes do recurso se esv LLç O M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600175 2, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0783/001.903/79 Acõrdão n9-CSRF/03-0.163 ziam totalmente". Ressalta igualmente que a diligência de ofício nãO sofre qualquer restrição legal, bem como o esclarecimento de ques- t8es suscitadas e faculdade regimentalmente reconhecida ao Conselhei_ ro, em qualquer fase do julgamento. Ë o relatOrio. VOTO - - - - Conselheiro HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, Relator: Ao contrário do que pode parecer da leitura do re- curso do ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto à 3a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes, o que se aprovou não foi a solici tação da parte, mas pedido de diligencia formulado por um Conselhei_ ro. E' irrelevante que esse Conselheiro, para a formulação de seu pedido, tenha se mostrado sensível à argumentação desenvolvida pelo representante da parte durante a sustentação oral. Disto resulta que o recurso do ilustre Procurador e um esforço para contrariar um princípio fundamental do direito pro cessual: a possibilidade de o julgador formar livremente a sua con_ vicção. Na realidade, tenta-se impedir que o julgador se impressio ne com argumentos desenvolvidos pelo interessado. Diz o Senhor Procurador ser "ilegal e incongruente" baixar o processo em diligencia e que "não concordamos com a dili- gencia aprovada." Cabe lembrar que a aprovação de pedido de diligên- cia não depende de concordância do Procurador, podendo ser feita ate por ato do Presidente sem ouvir a Câmara. (art. 19 Regimento Inter no, aprovado pela Portaria n9 185/77). :Por outro lado não pode haver qualquer ilegalidade ou incongruência no fato de um Conselheiro solic' r a realização de diligência para melhor instrução doprocesso . ,i7 7/ 3. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0783/001.903/79 Acórdão n9-CSRF/03-0.163 No recurso n9 91.959, da 2a. Câmara do 39 Conselho, de que o ilustre Procurador que subscreve o recurso sub judice tem pleno conhecimento, a Instância Especial firmou este ponto de vista. Realmente, naquele caso, semelhante ao presente, o Sr. Secretário Geral negou provimento a recurso de Procurador da Fazenda aprovando parecer onde se declara textualmente: "se a autoridade preparadora ou julgadora de primeira instância tem competência para determinar as diligências que entender necessárias, não vemos porque não possa faze-lo a da instância superior". Em face do exposto, verifica-se que, sob todos os pontos de vista, é -: olutamente insustentável o recurso, pelo que lhe nego provimento.1%1 Brasília - DF, em 26 de maio de 1980. ii # --lit HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA - RELATOR. , :--, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Conferência final de manifesto. Falta de vo lumes: toma-se como data de referência par -à- cálculo do tributo a data da denúnica espon tânea. Negado provimento ao Recurso espe- cial interposto pela Fazenda Nacional e da- do provimento ao Recurso de Divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: , ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso especial de di rgen 'a apresenta do pelo contribuinte nos termos do voto do Relator Sala das Se. ap lNoF), em 10 de dez- bro de 1982. . AMADOR GUT , if,,L#" '' ' rs" ._ ."4. k .,NpEZ , - PRESIDENTE / el-~:":1U-1 --' - 7/--,::---- d' --- , PAULO CÉSAR BlE" ÂV E - SILVA - RELATOR // 4010'1 LUIZ FERNANDO IVEI RA" DE MORAES - PROCURADOR DA //15/ -,.., FAZENDA NACIONAL ' ‘-- Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, WILFRIDO AU GUSTO MARQUES, PAULO DE ALMEIDA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RO:: DRIGUES CABRAL. / _ „,/,n-t4 -°-'t .,,‘,...- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL pRoussoN.20845/055.564/81-78 RECURSO w°,-RP/303-0.730 ACÓRDÃO Ni.°,CSRF/03-1.024 RECORRENTE:FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RELATÓRIO Por seu Procurador junto à Terceira Câmara do Egré gio Terceiro Conselho de Contribuintes, recorre a Fazenda Nacio- nal, pleiteando a reforma do AcÓrdão 22.387, de 19 de julho de 1982, daquele Colegiada, que deu provimento em parte, pelo voto de quali dade, quanto às faltas e provimento, por maioria de votos, quanto aos acréscimos, a recurso interposto pelo Sujeito Passivo - Nauti- lus Agência Marítima LTDA., de decisão de primeiro grau que lhe im pusera o recolhimento do imposto de importação, acrescido da multa de que trata o artigo 106, inciso II, alínea "d”, do Decreto-lei 37/66, para as faltas apuradas; e a multa prevista no artigo 59, inciso VI, do Decreto-lei 751/69, para os acréscimos apontados. Os fundamentos do Acardão recorrido estão assim re sumidos na respectiva ementa, "verbis": "Conferência final de Manifesto. Falta e acres cimo de mercadoria. Falta de volumes: toma-se- como referência para cálculo do tributo devi- do (conversOes da taxa de câmbio e aplicação de alíquota tarifárias) a data da Conferência Final do manifesto. Recurso provido, em parte, quanto a este aspecto. Acréscimo de volumes: aceitação da denúncia da irregularidade, ante rior ao procedimento fiscal?ecu o provido quanto a este aspecto—.-5 , /,'-' /7/S'-- --F.— ../ _ -- DN/1,/,,7'-'*F - RJ/1.° C - C - Secgra1 - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/055.564/81-78 2. Acórdão n9-CSRF/03-1.024 No Recurso Especial, de folhas 51 a 54,sustenta o Se nhor Procurador, em resumo, que: - o eminente Relator entendeu, no que foi acompa nhado pela douta maioria dos Conselheiros, que a multa fixa estaria excluída da atualização monetária, em virtude de que a confissão es- pontânea da infração exclui a penalidade de acordo com o artigo 138 do CTN. II - alega erro no julgamento, pois a aceitação da tese de "denúncia espontânea", contraria os pressupostos exigidos pe ia legislação, tendo em vista que esta, em absoluto, não ocorreu,vez que, na espécie, deveria ter sido apresentada uma carta de correção, prevista pelo Decreto n9 360/75 e no Ato DeclaratOrio n9 079, de 29 de maio de 1978. III - que o artigo 138 do C.T.N., é taxativo quando determina que: "não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração", e que, no caso, o do- cumento foi apresentado após o inicio da ação fiscal, ou seja, de- pois do pedido de esclarecimento, IV - defende, ao final, a validade de atualização das multas expressas em cruzeiro, que encontra amparo no aritgo 105 do CTN e o artigo 110 do Decreto-lei n9 37/66. Contra-razOes às fls.: 55 a 58, onde o Sujeito Passi_ vo após fazer alguns reparos ao Recurso Especial, reitera os pontos de vista expendidos na impugnação e no Recurso. Apresenta, também, Recurso Especial dito de divergen cia, fundamentado nos artigos 49 e 59 da Portaria Ministerial n9 434, de 03-05-79 onde cita alguns Acórdãos da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa, é a seguinte: "Faltas e acréscimos de mercadoria estrangeira (volumes), apurados em conferência final mani.c,p 2 : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/055.564/81-78 3. Acórdão n9-CSRF/03-1.024 to. Mercadoria originada de país-membro da ALALC su- jeita-se a alíquota negociada. Multa por acréscimo de volumes: admitida a exclusão de responsabilidade, em face da denúncia espontânea da infração. A data- -base para cálculo do tributo referente às faltas é a do conhecimento da ocorrência (doc. de fls. 52)." Destaca que a data do conhecimento da falta é na ! pior das hipóteses, a data do documento em que é feita a denúncia es_ pontânea é a que deve prevalecer como referência para o cálculo do tributo. As fls.: 64 o Ilustríssimo Senhor Presidente da Ter- ceira Câmara do Terceiro Conselho admitiu o "Recurso de Divergência proferindo o seguinte despacho: "Em face do acórdão juntado pela interessada,con sidero comprovada a divergência de decisOes re- lativas a denúncia espontânea de ocorrência de faltas, e em conseqüência defiro o pedido, de- terminando sejam os autos encaminhados à Câmara Superior de Recursos Fiscais, dando-se ciência, previamente, ao Senhor Procurador da Fazenda Na cional, para fins de oferecimento de contra-ra- . zOes." , Em suas contra-razOes, o douto representante da Fa- zenda Nacional, alega que não lhe parece oportuno, que concomitante- mente seja apresentado Recurso de divergência, pela interessada, ver_ sando sobre decisão proferida no mesmo acórdão, ainda sem julgamento definitivo, pois não estaria configurado um dos pressupostos exigi-- i dos pela legislação de regência, ou seja, decisão que dá à lei tribu tária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, porque a matéria ainda está em julgamento, face ao recurso interpos- to pela Fazenda Nacional, sem que houvesse decisão da Câmara Supe- rior de Recursos Fiscais. No méri á, f r ifica os argumentos apresentados em seu recurso especia //4;/tt 2 o rela "rio. ///. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/055.564/81-78 4. Acórdão n9-CSRF/03-1.024. VOTO_ _ Conselheiro PAULO CÉSAR DE AVILA E SILVA, Relator: Duas questOes distintas se nos antepaem no presente caso. O recurso de divergência interposto pelo Sujeito Passivo e o recurso especial do ilustríssimo representante da Fazenda Nacional. Entendo perfeitamente cabível o recurso de divergên- cia e escampo o despacho dado às fls.: 64 pelo digno Presidente da Câmara recorrida. Desta forma, declarada a divergência voto no sentido de que se faça prevalecer a inter pretação dada pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, aceitando a data da comunica- ção das faltas como sendo o momento conveniente para o cálculo do credito fiscal, muito embora tenha, por diversas vezes defendido o ponto de vista de que esta data deveria ser a da entrada do navio. Entretanto, as dúvidas levantadas quanto aos temas "APURAR AS FALTAS ou DELAS TOMAR CONHECIMENTO", no caso em tela não têm razão de ser pois, insofismável e que o conhecimento das faltas se deu na data da denúncia espontânea. Isto posto, dou provimento ao recurso de divergência. Quanto ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, nego provimento, por entender que o Acórdão recorrido não discute a legalidade da atualização monetária das multas, mas sim, fixa o momento em que esses valores devem ser tomados. E por achar, ainda, que a denúncia espontânea não pretende se equiparar à carta de correção, saneando as irregularidades a caso existentes no mani- festo de carga. Tem •or of4:etivo 1 fixar o marco inicial de todo o procedimento fiscal./V Bras1-1-.. i-1/- -209zembro de 1982. .7 - . wAULO êÉSAR DE E'SILVA - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:54:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:54:55Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:54:56Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:54:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:54:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:54:56Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:54:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:54:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:54:55Z; created: 2009-07-08T14:54:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-07-08T14:54:55Z; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:54:55Z | Conteúdo => PROCESSO N90845/050.322/80 MINISTÉRIO DA FAZENDA BMV Sessão de 22 de maio de 19 81 ACORDÃO N° -CSRF/03-0 .276 Recurso n° RP/303-0. 134 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO 3 e.? CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: - AGÊNCIA MARITIMA JOHNSON LTDA. FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA: apuração em ato de conferência firai de ma nifesto (parágrafo único do art. 19, combr nado com o parágrafo único do art. 23, (-1.5. Decreto-lei n9 37, de 18.11.66. Toma-se co mo referência para cálculo do tributo devi do a titulo de indenização pelo respons3.- vel (conversão da taxa de câmbio e aplica çao de aliquotas tarifárias) a data da apu ração da falta. Não aplicação do Ato Decla ratOrio n9 0800-125/75, da S.R.R.F. na 8aT Região, a fatos geradores ocorridos após sua automática derrogação pelo item IV do Parecer Normativo C.S.T. n9 56/77, de efei to 1'ex-tune", por se tratar de norma intei: pretativa da legislação tributária, de hij rarquia superior. ACRÉSCIMO DE VOLUMES AO MANIFESTO: legali dade da aplicação da multa fixa prevista no art. 107, inc. VI, do Decreto-lei no. 37/66 (com a nova redação do art. 59 do De creto-lei n9 751/69), em seu valor atuali- zado anualmente pela autoridade competente, por força de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Venci dos os Cons. Randolfo Henrique de gOuza Neto, Enila Leite de Freitas Chagas e Wilf rido Augusto Marques/ vo'è Sala das S-ssOes rDF), em 22 de maio de 1981 r AMADOR 0 O - - r . F r * ANDEZ - PRESIDENTE (I/ ,-E1DWALDO • 01 1 cA/ Slgd, RELATOR .r• kl/ r Á ADHEMIL-"0tAnyo DE CARVALHO - PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL / Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros:HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, PAULO DE ALMEIDA e SEBASTIÃO RODRI GUES CABRAL. A " t. ~ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0345/050.322/80 RECURSO N.° : Ri)/ 303-0 .134 ACÓRDÃO N.°: CSRF/03-0. 276 IA2_ RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL . RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO 39 CONSELHO BE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: - AGÊNCIA MARÍTIMA JOHNSON LTDA. RELATÓRIO i Em ato de conferencia final de manifesto do navio ,,- " MONTIVIDEO " , aportado em Santos a 14/09/75, apurou C) 'órgão fiscal da jurisdição faltas e acréscimos de mercadorias estrangei ras importadas, sendo responsabilizada pelas ocorrências a empre _ sa transportadora, da qual se exige, nos termos do art. 60 e seu parágrafo único do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66, a devida inde_ nização do valor do Imposto de Importação correspondente, e res pectiva penalidade prevista no art. 106, inc. II, alínea "d", do mesmo Decreto-lei, alem da multa fixa do art. 59, inc. VI, do De_ creto-lei n9 751/69 (que deu nova redação ao art. 107 do Decreto- -lei n9 37/66), por volume acrescido ao manifesto. A respc:nsabilizada reconhece e confirma os extra vios e acréscimos apurados, mas discorda da autoridade aduaneira quanto ã forma de cálculo e determinação do valor do tributo devi do, que entende deva ter por base os valores fiscais - taxa de conversão e alíquotas tarifãrias - em vigor ã época da importação, pretendendo, ainda, seja aplicada aos acréscimos a penalidade fi xa, mas em seu valor também vigorante naquela data. Dal o apelo ã 3a. Câmara do Egrégio 39 Conselho de Contribuintes, provido por maioria de votos pelo AcOrdão n919.993, de 08/01/81 (fls.31/33), em que ficou decidido, conforme consta da -- respectiva ementa, que "o fato gerador remonta ã época do estabe lecimento de controles pela administração aduaneira, pelos quaisà W9/ DM F - RJ/1.° C - C - Secgrat - 1600" ‘ /. . _ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.322/80 2. Acórdão n9-CSRF/03-0. 276 _ -- ---~ toma conhecimento dos fatos imputáveis". A tese vem assim resumi_ da na conclusão do voto vencedor da ilustre relatora, "verbis": "Assim, nos termos do Ato Declaratório n9. 800/125, de 06.06.75, do S.R.R.F. da 8a. Região Fiscal, não pode esta Câmara desconhecer que a ocorrência do fato gerador se deu na ocasião do desembaraço aduaneiro, quando a fiscalização to mou conhecimento das faltas e acréscimosocorridosw. , Dessa r. decisão recorre, com guarda de prazo, o Sr. Procurador da Fazenda Nacional junto àquele órgão. Em suas ra zaes de fls. 35/53, que leio na Integra em plenário (lê), invoca as decisões desta Câmara Superior consubstanciadas em reiterados -- acórdãos, considerando como data de referência para cálculo dos i tributos, na espécie, a data da representação prevista no art. 25, § 19, do Decreto n9 63.431/68, que regulamenta a matéria para ;,../: sustentar, ao final, que a apuração das faltas só ocorfeu com a aludida conferencia, de manifesto, somente ai estando a Fazenda Nacional habilitada a quantificar a obrigação tributária e a qua , lificar o sujeito passivo, nos termos do parágrafo -único ao art. 23 do Decreto-lei n9 37/66. . De referência à multa isolada, por acréscimo de volumes, prevista no art. 107, inc. VI, do citado Decreto-lei n9 37/66, na nova redação do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69, enten • de o ilustre recorrente deva ser mantida, porque sua atualização corresponde à correção monetária instituída pela Lei n9 4.357/64, além de ter amparo nos arts. 105 do C.T.N. e 110 do Decreto-lei n9 37/66. Cientificado regularmente, o sujeito passivo não apresentou contra-razaes. Pelo provimento do recurso da Fazenda Nacional,ma nifestou-se às fls. /56 a digna Procuradoria do Contencioso Admi._ nistrativo, ressaltando que a mater'a já mereceu numerosas deci— sOes desta Egrégia Câmara Superior ár E o relatório. / //, CLIV / • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.322/80 3. Acórdão n9-CSRF/03-0.276 . VOTO Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: . Ressalte-se, de inicio, que o sujeito passivo em nenhum momento contesta a ocorrência das faltas e acréscimos apu rados, ou sequer sua responsabilidade por tais eventos. Cinge-se o litígio, portanto, exclusivamente ao critério adotado pela Fis_ calização, para a determinação da base de cálculo do tributo e aplicação das respectivas aliquotas tributárias, em caso de "fal ta" ou "extravio" de mercadorias, e a cóminação da penalidade res pectiva, em caso de "acréscimo" de volumes._ _ , Em numerosas e reiteradas decisaes, esta Cãmara Superior já firmou o entendimento de que, na hipótese de ' 4- serem - conhecidas e apuradas, no ato formal e regulamentar de - "conferen cia final de manifesto", faltas e acréscimos de mercadoria que constar como tendo sido importada (parágrafo único ao art. 19 do , Decreto-lei n9 37/66), e de ser tomada como referencia, para cel._ culo e determinação do valór do tributo devido, a data da aludi_ da conferencia, através da qual são apuradas tais ocorrências (pa rágrafo único ao art. 23 do mesmo Decreto-lei). A "conferencia final de manifesto" e um dos proce _ dimentos legais de apuração de faltas e/ou acrescimos de mercado_ ria estrangeira importada, infraçOes ou irregularidades essas qua se sempre de responsabilidade do transportador, que fica assim obrigado a indenizar a Fazenda Nacional pelos tributos não reco lhidos, na condição de responsável legal. É atividade fiscal de rotina, prevista no art. 39, § 19, do Decreto-lei n9 37/66, e re_ gulamentada pelo Decreto n9 63.431/68, precisamente com a finali dade de apurar irregularidades havidas nas descargas. Nesta Egregia Câmara Superior e no Colendo 39 Con selho de Contribuintes é pacifico o entendimento da plena compati, bilidade do art. 23 do Decreto-lei n9 37/66 com o art. 19 do Códi_ go Tributário Nacional, pertinentesao fato gerador do Imposto de Importação, este último reproduzido pelo art. 19, "caput", do De_ . . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.322/80 4- Acórdão n9-CSRF/03-0. 276 creto-lei n9 37/66. Também o Egrégio Tribunal Federal de Recursos, em memorável sessão plenária de 10.08.78, já fixou em definitivo sua posição nesse sentido, no julgamento de "Incidente de Unifor mização de Jurisprudência" na Ap. em M.S. n9 79.950-SP (v. Revis ta "RT Informa", n9 233/234). Num ligeiro retrospecto das disposiçOes legais ci tadas, temos: Código Tributário Nacional: "Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada desses no território Nacional". Decreto-lei n9 37/66: "Art. 19. O imposto de importação =incide so bre mercadoria estrangeira e tem como fato gera dor sua entrada no território nacional. "Parágrafo único. Considerar-se-á entrada no território nacional, para efeito de ocorrência do fato gerador, a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira". "Art. 23. Quando se tratar de mercadoria des pachada para consumo, considera-se ocorrido o C" to gerador na data do registro, na repartição adu aneira, da declaração a que se refere o art. 44.- "Parágrafo único. No caso do parágrafo único do art. 19, a mercadoria ficará sujeita aos tribu tos vigorantes na data em que a autoridade adua neira apurar a falta ou dela tiver conhecimento". • Das disposiçOes transcritas, e em harmonia com o decidido pelo Egr. Tribunal Federal de Recursos e pelo 39 Canse lho de Contribuintes, conclui-se que, nos casos de falta de merca dona, a ser apurada pela autoridade aduaneira, o elemento mate rial, espacial, do fato gerador do Imposto de Importação é defini do pela presunção jurídica - "Considerar-se-á entrada no territó rio nacional, etc." ( parágrafo único ao art. 19 do Decreto-lei n9 37/66) e, completando a premissa, o elemento temporal, final é da do pela regra legal específica "a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver . conheairsembo" (parágrafo único ao rresno artigo).;0 7/ • o Processo n9 084 5/050.322/80SERVIÇO PUBLICO FEDERAL 5. AcOrdão n9-CSRF/03-0. 276 Tal é, aliás, a posição de há muito adotada pela 2a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes, Orgão titular da com petencia regimental de julgamento da matéria, em numerosas deci sOes, na verdade não unânimes, face ã fixação de ponto de vista dos nobres Conselheiros que ali representam os contribuintes, pe la não aplicação, ao caso, da disposição específica do parágrafo único ao aludido art. 23. Em recenteacOrdão (11925.807de 1 1.12.80 ), teve aquela Cãmara oportunidade de examinar, discutir e decidir sobre o assunto. Do voto do ilustre relator, Conselheiro Levy Va- lério de Oliveira, que estudou aprofundadamente a matéria, achei oportuno transcrever o seguinte e expressivo trecho: "A falta de mercadorias pode ser constatada através de VISTORIA ADUANEIRA ou de CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. • O primeiro procedimento é, geralmente, con temporãneo ao desembaraço da mercadoria,quaseseiri pre individualizado, apurando AVARIAS ou /FALTAS,- que podem resultar em responsabilidade '"do trans Portador ou do depositário. O segundo, que, na espécie, é o importante,6 feito geralmente quando o veículo já abandonou o porto e as mercadorias já foram desembaraçadas abrangendo o total do manifesto, apurando FALTAS e/ou ACRÉSCIMOS que, em 99,9% dos casos, SÃO DE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. A autoridade da administração portuária, com a presença de um preposto do transportador, geral mente sem a presença da autoridade aduaneira, a— companha o desémbarque das mercadorias, fazendo a notações em Folhas de Descarga. No porto de Santos, especificamente, a Dele gacia da Receita Federal recebe, da entidade por tuária, uma INFORMAÇÃO DE DESCARGA, noticiando PO -J. - SIVEIS IRREGULARIDADES, com -relação a FALTAS e/oU j ACRÉSCIMOS DE MERCADORIAS, na descarga de um de— terminado navio. Essa Informação de Descarga é, via de regra, de data bastante prOxima ã da atracação do navio. A autoridade aduaneira é quem decide,de acor- do com suas prioridades e disponibilidade de pes soal, EM QUE DATA VAI APURAR SE, REALMENTE, 0001-- RERAM AS FALTAS E/OU ACRÉSCIMOS APONTADOS NA I-N- FORMAÇÃO DE DESCARGA, nos termos do art. 25 do De" creto n9 63. 431/68 e seus parágrafos, que regula - menta o 19 do art. 39 do Decreto-lei n9 37/66.— É nesta data (da apuração das faltas) que se completa o fato gerador do Imposto de Importação, nos casos de Conferência Final de Manifesto, clâg SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.322/80 6. Acórdão n9-CSRF/03-0. 276 vendo a autoridade fiscal constituir o crédito tributário, atraves da formalização da exigência, consubstanciada em Auto de Infração ou Notifica ção Fiscal". No presente processo, entretanto, surgiu um fato novo, ou seja o de que, quando da chegada do navio ao porto de Santos, já estava ali em vigor o Ato DeclaratOrio n9 0800-125, de 06.06.75, da S.R.R.F. na 8a. Região Fiscal, ato esse que criou, na D.R.F. em Santos, o setor de Controle de Manifestos e implan tou, nesse serviço, o processamento'eletrOnico de dados, e que - alega-se - não teria sido observado, no caso, pela autoridade fis cal. Dispunha o item 6.2 do citado Ato Declaratório: "6.2 - Para efeito de cálculo do que deva ser cobrado na conferencia final de Ilanifestos, o FTF encarregado de sua execução basear-se-á nos valores constantes das DeclaraçOes de Importação e na pró-forma prevista neste item". Estabeleceu ainda referido Ato Declaratarioemseu item 9: "9. O presente ato entrará em vigor na data de sua publicação e abrangerá as DI referentes a navios entrados no porto de Santos a partir do dia 23 de junho de 1975, inclusive". Ora, relativamente aos fatos geradores (apuraçaes de faltas) ocorridos durante a vigencia daquele Ato DeclaratOrio, a D.I. "pró-forma" seria, por força do estabelecido em seu item 6.2, a maneira de dar a conhecer à autoridade fiscal as faltas por ventura ocorridas. Mas, no caso em exame, a autoridade administra tiva só veio a apurar as faltas por ocasião da rotineira confe- rencia final de manifesto do navio trans portador, iniciada com a Representação de fls. , ou seja, quando já não mais vigorava por inteiro o questionado Ato Declara-bói-ia n9 0800-125/75, derrogado que fora, nessa parte, por critério interpretativo diverso, adota do pelo órgão normativo de hierarquia superior, com jurisdição em todo o território nacional - a Coordenação do Sistema de Tributa ção da SRF, através de seu Parecer Normativo n9 56/77, de 24.08.77 (D.O. de 31.08.77), de inegável efeito "ex-tunc", por se tratar 01,-‘ 7:g SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.322/30 7• Acórdão n9-CSRF/03-0. 276 de norma de caráter interpretativo da disposição do parágrafo úni co ao art. 23 do Decreto-lei n9 37/66, da mesma forma que o era a regra adotada pelo questionado Ato DeclaratOrio n9 0800-125, em seu item 6.2, supratranscrito. Assim, no caso "sub judice", não posso concordar com o argumento central que serviu de respaldo à decisão da douta Câmara recorrida - o de que "o fato gerador remonta à época do es tabelecimento de controles pela administração aduaneira, pelos quais toma conhecimento dos fatos imputáveis". Isto porque é fora de dúvida que a falta em questão só foi auutada pela repartição aduaneira (primeira das alternativas do parágrafo único ao citado art. 23) no ato formal da aludida conferé'ncia, ocasião em que se lavrou a Representação de f1s.3 , como previsto no art. 25 do De creto n9 63.431/68, que regulamenta a espécie, e que, em seus 39, prevê a hipótese de nada ser apuradó e conseqüente arquivamento do manifesto. A taxa de conversão (dólar fiscal) e as alíquotas tari fárias aplicáveis, pata efeito de cálculo da indenização tributá ria prevista no art. 60 e seu parágrafo único do Decreto-lei n9 37/66, hão de ser as vigorantes nessa ocasião, por força do dis posto no citado art. 23, parágrafo único, do mesmo diploma legal, consoante o entendimento firmado por esta Câmara Superior. Com relação à multa fixa, por volume acrescido ao manifesto, prevista no art. 107, inc. VI, do Decreto-lei n9 37/66 (na nova redação dada pelo art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), en tendo-a bem e legalmente aplicada, uma vez que, à época do respec tivo lançamento, pelo Auto de Infração e Notificação Fiscal de fl. 1, o seu valor já se achava atualizado monetariamente, pela I.N. do S.R.F. n9 80/79, que estabeleceu os novos valores desse tipo de multa (fixada em cruzeiros), destinados a vigorarem durante o exercício de 1980, nos precisos termos do disposto no art. 110 do Decreto-lei n9 37/66, e art. 99 da Lei n9 4.357/64. Isto posto, dou provimento ao recurso especial,pa ra que, no cálculo do tributo devido, se tomem por base os valo res - taxa de conversão da moeda estrangeira e alíquotas tarifã rias - vigorantes à data da Representação de fls. 3 (30/11/79),res tabelecida a multa referentes aos volumes acrescidos. ,9 v.v. 4 Este o meu voto. t / fi/taili-14\ ADWALDO REIS DA 'ILVA RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Sessão de..2.8....de....maio do 19 7 ACORDÃO N.° - CSREI.0.3=01 .401 Recurso n.° RP/303-0 925 ' Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 ( SUJEITO PASSIVO: BANCO DO BRASIL S/A TAXA DE MELHORAMENTO DOS PORTOS: A movi . mentação de mercadorias em terminais pri vativos não acasiona a hipótese de inci dencia da TMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente juiga ' do. . Sala da Sessões (DF), 28 de maio de 1987. j _l_ . ' 9RGEL PEREIRÃ!PES - PRESIDENTE // 6ê'al,' • ''' (11 4(44° , 5 fMI ON DE SÃ Uk AS, — RELATOR ,ifir LUIZ F ' ANDO 0.1 I'A DE MORAES— PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: AFONSO CELSO DE MATTOS LOURENÇO, HÉLIO LOYOLLA DE ALENCASTRO, JO 1 SÉ FAÇANHA MAMEDE, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO CÉSAR DE ÃVILLA E SIL VA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO I\19 10208/004.843/85-48 RECURSO N9: RP/303-0.925 ACÓRDÃO N9: CSRF/ 3-01 .401 j RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: BANCO DO BRASIL S/A RELATÓRIO Trata-se de recurso especial do ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto à 3Q. Câmara do egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes face ao decidido no Acórdão n9 303-24.658, de 23 de julho de 1986, daquela Câmara, assim ementado: "TAXA DE MELHORAMENTO DOS PORTOS: FATO GERADOR. A mo- vimentação de mercadoria em terminais privativos não configura o fato gerador do tributo. Recurso provido." As razões da Fazenda Pública, em seu recurso especial, insurgem-se contra a decisão recorrida ao fundamento de que o art. 26, do Decreto-lei n9 5/66, não socorre a pretensão do ora recorri- d 1 Ø Banco do Brasil S.A. Como se depreende dos autos, a decisão recorrida ex- cluivaresponsabilidade tributária do Banco do Brasil S.A. dentro do entendimento de que a movimentação de mercadorias dentro de ter minais privativos não ocasiona o fato gerador da Taxa de Melhora- mento dos Portos, o mesmo não acontece, mutatis mutandi, com rela DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10208/004.843/85-48 2. Acórdão n9-CSRF/03-01.401 ção aos portos organizados onde há uma prestação de serviços do se tor público. Nega, ainda, em seu recurso especial, a recorrente, a aplicabilidade do art. 29 do Decreto n9 24.447/34, que define por tos organizados, dentro da afirmativa de que também esse comando legal não socorre a pretensão isencional, ou a da não incidência. O Banco do Brasil S/A, instado, formulou as suas con tra-razões de apelação, insistindo na manutenção da decisão ataca da pelos seus irrepreensíveis fundamentos. A propósito das argu- mentações recursais oficiais, rebatendo-as, diz o sujeito passivo: "4. A propósito, para melhor enuclearasmanifes tas desrazões do Recurso Especial da Fazenda Nacio- nal, impede transcrever o art.49 1 do mencionado DL- -2185/84: "Art. 49 - Excluem-se da incidência da TMP as o perações realizadas em terminais privativos que se refere o art. 26 do Decreto-lei n9 5, de 04 de abril de 1986". E o art. 26 do DL-5/66 - que a Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial diz, inadivertidamente, não socorrer ao Banco - preceitua de forma expressa: "Art. 26 - É permitido a embarcadores ou a ter- ceiros, satisfeitas as exigências da legislação em vigor, construir ou explorar instalações por tuárias, a que se refere o Decreto-lei n96.4607 de 2 de maio de 1944, independentemente da movi mentação anual de mercadorias, desde que a con trução seja realizada sem 'ónus para o Poder Pú- blico ou prejuízo para a segurança nacional, e a exploração se faça para uso próprio". 5. Não se nega que o DL-2185/84, passou a ter eficácia jurídica a partir de 21.12.84, data de sua publicação. A norma contida em seu art. 49, porém, re mete-nos ao art. 26 do Decreto-lei n9 5 1 de 4 de abrir de 1966, que já admitia os terminais privativos para movimentação de mercadorias. Por outro lado, releva sublinhar, como, de res- to, bem frisou o Preclaro Relator: - as operações fo ram realizadas antes da vigência do DL-2185/84. °-7 SERMO PÚBLICO FEDERAL PRocEsso N9 10208/004.843/85-48 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.401 6. Ademais, como acentuou com muita proprieda de o Relator, "... os administradores da TMP que a-n tecederam a SRF não cobravam a Taxa sobre mercado- rias movimentadas em terminais privativos, havendo no processo documentos através dos quais era reco- nhecida isenção." 7. E, além disso, nos terminais privativos a União não presta realmente qualquer serviço nemco- loca serviço à disposição do usuário. Logo,comoes tá dito no acórdão recorrido, não poderia cobraruma- taxa cujo fato gerador configura uma prestação de serviço. Se a União não prestou qualquer serviço nos terminais privativos referidos, é evidente não ser cabível a incidência de TMP, principalmente por que, nem sequer, a União colocou, nesses terminai - privativos, qualquer serviço à disposição do usuá- rio. 8. E, afora isso, o art. 39, da Lei n9 3.421, de 10.07.58, já regulava essa matéria, mandando co brar a TMP apenas sobre as mercadorias movimenta- das nos portos organizados e não nos terminais pri vativos. Vejamos a íntegra do "caput" do artigo: "Art. 39 - A Taxa de Emergência, criada pelo Decreto-lei n9 8.311, de 6 de dezembro de 1945, passará a ser cobrada sob a denominação da Taxa de Melhoramento dos Portos, e incidi- rá sobre todas as mercadorias movimentadas nos portos organizados, de ou para navios ou em- , barcações auxiliares ...". 9. Em seu RE a Fazenda Nacional salienta no item 03, que a pretensão do Banco "está mal coloca da, quanto ao argumento de que estaria o "Governo Federal" respondendo pelo tributo exigido por "Or- gão Federal". A título de elucidação, declara que o Banco é uma sociedade de economista mista e re- ge-se pelas normas de direito privado. 10.Na verdade, o que está mal colocado é racio cinio da Fazenda Nacional. O Banco, ao longodopr-e sente processo, jamais negou ser uma sociedade de economia mista. O que o Banco sempre disse-e repe te agora! - é que ele, Banco, como consignatário do trigo importado, não responde por qualquer tributo ou taxa, tendo em vista que nas compras de trigo es trangeiro não efetiva transações em seu nome mas c-o mo Delegado do Governo Federal. 11.Vale transcrever, a propósito, o texto do art. 39, do Decreto-lei n9 210, de 27.02.67: "Art. 39 As pperações de comprae venda detri (4-/? SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10208/004.843/85-48 4. Acórdão n9-CSRF/03-01.401 go estrangeiro, inclusive farinha, serão reali zadas com exclusividade pelo Governo Federal, através da Carteira de Comércio Exterior do Ban co do Brasil S.A., como seu agente, na forma-a- do que dispõe o item IV do artigo 86 do Decre- to n9 42.820, de 16 de dezembro de 1957, e os artigos 14 e 88 da Lei 5.025, de 10 de junho de 1966 (nova redação dada pela Lei n9 5.420, de 18 de abril de 1968)". 1 12. Não é demais, também, trazer à colação o disposto no art. 19, do Decreto n9 86.348, de 09 de setembro de 1981, assim consubstanciado: "Art. 19 - As operações de compra e venda detri go estrangeiro, inclusive a farinha, serão rei' lizadas com exclusividade pelo Governo Federar, através do Banco do Brasil S.A., camoseu agen- te". 13. Logo, não remanesce dúvida de que a impor- tação de trigo estrangeiro é feita pelo Governo Fe- deral, sendo o Banco do Brasil, no caso mero manda- târio e nessa condição não há de responder por obri gações vinculadas a tal importação." É o relatório. II SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10208/004.843/85-48 5. Acórdão n9-CSRF/03-01.401 VOTO_ ! Conselheiro HAMILTON DE SÃ DANTAS - relator. Efetivamente, assiste a razão ao Banco do Brasil S/A em suas contra-razões recursais. Decidiu bem o colegiado recorri- do quandoas/sentou que a movimentaçãO de mercadorias em ..terminais privativos não configura o fato gerador do tributo, que ora é ob- jeto , pvrio s:::::são do art. 49 do Decreto-lei n9 2.185/84 c autos, uma situação fáctica anterior ao seu A excluo- , advento. Mesmo que se não tenha a sua aplicação, nota-se que esse comando legal faz remissão ao art. 26, do Decreto-lei n9 5, de 4 de abril de 1966. O art. supra-referido, do Decreto-lei n9 2:18.5/84 ,disu _ põe: "Art. 49 - Excluem-se .da incLdência Trqu as opera- ções realizadas em terminais fere o, art. 26 do Decreto-lei n9 5, de 4 de abril de 1966." E o artigo 26 desse último decreto-lei estabelece que "Art. 26 - É permitido a embarcadores ou a.terceiros, satisfeitas as exigências da legislação em vigor, construir ou explorar instalações portuárias, a que se refere o Decreto-lei 6.460, de 2 de maio de 1944, independentemente da movimentação anual de mercado- rias, desde que acon.struçã.o seja realizada sem ônus para o Poder Público ou prejuízo para a segurança na cional, e a exploração se faça para uso próprio." — Ora, tal dispositivo já admitia os terminais privati vos para a movimentação de ercadorias. Nenhum serviço, de nature 7 sERviço PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10 2 0 8 / 0 4 . 8 4 3 / 8 5-4 8 6. Acórdão n9-CSRF/03-01.401 za pública, realiza-se no âmbito ou território de tais imóveis, H o que, se fosse o caso, poderia implicar na incidência impositiva da Taxa de Melhoramento dos Portos. De modo que, não há dúvida de que a incidência daTmP se concretiza com a movimentação de mercadorias dentro dos portos organizados e nesse conceito não se pode incluir os terminais pri vativos que não desenvolvem aquelas atividades tidas como servi- ços prestados pelo setor público, inocorrendo, 'assim, o fato gera dor do tributo razões pelas quais nego provimento ao recurso es- pecial. 171. ))5Pag 'a DF, d- o 6-41987. / H I TON DE 134Á - - 'ELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10640.003658/2010-71
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS
FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo
impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação
direta com os fundamentos do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.887
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam que a parcela relativa a seguro de vida não integra o salário-de-contribuição.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam que a parcela relativa a seguro de vida não integra o saláriodecontribuição. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 01/12/2010. Data da ciência do AIOP: 01/12/2010. Tratase de Auto de Infração de cobrança de Obrigação Principal — AIOP lavrada em face da empresa em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 44/67. De acordo com o Relatório Fiscal, a exigência fiscal decorreu da cobrança de diferenças das contribuições previdenciárias patronais não declaradas em Guia de Pagamento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP, incidentes sobre os fatos geradores identificados nos seguintes levantamentos: SEGURO DE VIDA EM GRUPO (LEVANTAMENTO L2): Valores pagos pela autuada às empresas MINAS BRASIL E SANTANDER BANESPA, a título de seguro de Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.035 3 vida em grupo dos segurados empregados, sem previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Lançados na conta contábil n° 2.1.05.05.01.05 Seguradora Minas Brasil/ Santander Banespa. EUFRAZIO CARVALHO MARTINS (LEVANTAMENTO L4), ANTONIO PINTO DE ALMEIDA (LEVANTAMENTO L5), BELMIRO ESTEVES (LEVANTAMENTO L6), ANTONIO ALBERTO LOPES MACHADO (LEVANTAMENTO L7), CARLOS MANOEL CASTRO DE MATTOS (LEVANTAMENTO L8), GABRIEL INÁCIO PEIXOTO (LEVANTAMENTO L9): contratados pela empresa como pessoas jurídicas, todavia, com a plena existência dos requisitos legais inerentes à condição de segurados empregados, quais sejam pessoalidade, natureza não eventual, subordinação e onerosidade. Informa o auditor fiscal notificante que, para a fixação da multa de oficio de 75%, foi feito quadro comparativo com vistas a apurar qual era a mais vantajosa ao contribuinte, conforme disposto no CTN, art. 106, inciso. II, "c", se a multa de mora imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador (24%) ou a de oficio (75%) fixada pela legislação superveniente. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 353/381. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz De Fora/MG lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 947/967, julgando procedente em parte o lançamento, para dele excluir as obrigações tributarias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências alcançadas pela decadência, mantendo o crédito tributário na forma assinalada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 968/994. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/01/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 997. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 999/1031, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o auditor fiscal não possui competência para desconstituir relação comercial e para constituir relação de emprego; • Que os valores despendidos a título de seguro saúde não integram o Salário de Contribuição; • Que os valores despendidos a título de seguro de vida em grupo não integram o Salário de Contribuição; • Que o arbitramento realizado nas ordens do levantamento L3 – Cartão de Crédito Corporativo violou o art. 148 do CTN; Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que inexiste vínculo empregatício entre a empresa recorrente e os sócios das pessoas jurídicas elencadas pela fiscalização; • Que a atividade da contabilidade não se insere dentre as atividadesfim do Recorrente, empresa do ramo da indústria têxtil; • Requer a compensação, na qualidade de substituta tributária, das contribuições recolhidas por Beto Instalações ltda em favor de Antonio Alberto Lopes Machado. Ao fim, requer o recebimento do recurso e a declaração de nulidade da do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/01/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB. Em recurso interposto a fls. 999/1031, o Recorrente reage preliminarmente à competência do auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para desconstituir relação comercial e para constituir relação de emprego; A rogativa acima postada não merece o abrigo pretendido. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.036 5 Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.037 7 da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa fiscalizada. Registrese que os contratos são firmados com cláusulas de prorrogação automática, sendo alguns, inclusive, assinados por prazo indeterminado. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual que na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado, Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física, como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação de renomado profissional para a elaboração de Parecer a respeito de matéria de sua notória especialidade, mesmo aqui presente estará a subordinação jurídica, eis que o aludido Parecer deverá atender os objetivos e interesses do contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por este especificado, sob pena de não se consolidar o contrato laboral. A subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o que, quando e quanto do serviço será executado, além do poder de dispensa do trabalhador. Todos trabalham, efetivamente, objetivando atingir as metas determinadas pela contratante, ordenados pelas normas da empresa. No vertente caso, observase em várias cláusulas contratuais a obrigação do contratado em cumprir determinadas rotinas, demonstrando a subordinação jurídica dos serviços prestados. Tal subordinação também se mostra evidente nos documentos relativos à prestação de contas de despesas. Os contratados preenchem relatórios de despesas, os quais tem que ser aprovados por funcionários da Recorrente. Observase, ainda, a existência de valores pagos a título de adiantamento de viagem, procedimento que é normal para empregados da empresa, e não para prestadores de serviços terceirizados. Registrese que o pagamento das remunerações é realizado em dia certo, normalmente, no mês seguinte a prestação dos serviços; O pagamento de despesas do contratado segue as normas internas da empresa; A maioria dos cargos exercidos por tais segurados faz parte da estrutura organizacional da empresa e, consequentemente, as atividades desempenhadas estão subordinadas à política administrativa/produtiva/econômica da CIC, constando, inclusive seus nomes no cargo, sendo apurado, inclusive que tais trabalhadores assinam documentos contratando e demitindo empregados, juntamente com aprovação de outros segurados da administração da CIC. A remuneração foi apurada diretamente dos lançamentos registrados na contabilidade e nas notas fiscais de prestação de serviços, nas quais tais trabalhadores figuravam como sócios ou procuradores pessoas jurídicas, não como pessoas físicas. Corrobora na caracterização da não eventualidade e na representatividade salarial da remuneração auferida pelos obreiros o fato de estes receberem salários fixos, com data certa de recebimento, independente de qualquer mensuração do serviço prestado, com elevado padrão de regularidade de montante e de periodicidade e com cláusulas contratuais de reajustes. Além disso, tais trabalhadores auferiam, além da remuneração direta, remuneração indireta na forma de benefícios sociais, férias, etc. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.038 9 A pessoalidade, por derradeiro, tem sua caracterização realçada na análise de cada caso particular, as quais serão expostas adiante, as quais revelam a prestação exclusiva dos serviços ao contratante, a natureza intuitu personae dos serviços pactuados, a disponibilização de benefícios sociais os quais só podem ser usufruídos por pessoa física, tal como planos de saúde, a referência de tais profissionais na estrutura organizacional da empresa, ocupando cargos de gerência, dentre outros. No caso em tela, observase que tais empresas foram contratadas visando à prestação do serviço exclusivamente pela pessoa do sócio, do procurados ou do titular identificada em cada contrato, caracterizando assim, a Pessoalidade. Digase ainda que tais segurados estão incluídos no rol dos beneficiários de plano de saúde custeado pela empresa, sendo que o nome de alguns dos segurados consta no organograma da CIC. Registrese que nas prestações de contas de despesas, para fins de reembolso, fica evidenciado o nome da pessoa que prestou o serviço e não a empresa prestadora. Reportamonos, então, ao Relatório Fiscal. Os cargos exercidos pelos segurados empregados contratados fazem parte da estrutura organizacional da empresa e, consequentemente, as atividades por eles desempenhadas estão subordinadas à política administrativa, produtiva e econômica da Contratante. Acentuese que os Senhores Eufrazio Carvalho Martins, Antônio Pinto de Almeida e Antônio Alberto Lopes Machado, ocupam respectivamente as gerências de Informática, Controladoria, e Engenharia de Manutenção do Recorrente, figurando, inclusive, no organograma da empresa com a indicação de "gerências ocupadas por terceiros". Além disso, as funções desempenhadas atendem à necessidade permanente da auditada, na atividade fim da empresa. Aditese que os serviços executados apresentam a qualidade "intuitu personae" do pacto laboral, eis que os contratados deveriam pessoalmente prestar seus serviços. Nesse empreendimento, os contratados preenchiam relatórios de despesas, sendo necessário que esses relatórios fossem aprovados por funcionários da autuada. Mas não é só. Há mais. Registrese que o Recorrente fornecia àqueles contratados como pessoas jurídicas, benefícios típicos de segurados empregados, tais como férias, plano de assistência médica, cursos, treinamentos, reembolso de despesas. Citese, em ádito, que as "pessoas físicas", contratadas como "pessoas jurídicas", se apresentavam a terceiros como representantes da empresa, assinando documentos que pactuaram obrigações e direitos entre as partes. No caso do Sr. Eufrazio Martins, Sóciogerente da empresa ECM Consultoria & Informática Ltda, o contrato firmado desde novembro/98 é intuito personae, na medida em que determina que o “serviço de consultoria” seria prestado, com exclusividade, pelo sócio acima indicado (pessoalidade), com dedicação direta de 20 dias mensais (não eventualidade). O liame contratual acima referido especifica que “todo desenvolvimento dos serviços aqui tratados se dará em estreito relacionamento com a direção, gerências e equipe técnica da CIC”, o que deixa às claras a subordinação da pessoa física em pauta ao contratante. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Item 2.1 A CONTRATADA disponibilizará para prestação dos serviços objeto do presente contrato exclusivamente seu Consultor Sócio Eufrázio Carvalho Martins. Item 3.1 0 prazo total de vigência do presente contrato é de 14 (quatorze) meses, equivalente ao período compreendido entre 01/11/98 e 31/12/99. Item 3.2 0 presente contrato será prorrogado de forma automática por sucessivos períodos semestrais, desde que as partes assim concordem. Item 7.1 Pela prestação dos serviços objeto do presente contrato a SOCIEDADE pagará mensalmente à CONTRATADA a quantia total de R$ 6.776,00 (seis mil setecentos e setenta e seis Reais) correspondentes aos serviços mensais previstos na cláusula 1.1. (Contrato assinado em novembro/98. Revela a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais e de mesmo valor, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário). Item 7.5 A CIC arcará com as despesas de viagens, hospedagens e alimentação em caso de prestação de serviços fora da cidade de Cataguases. Tal circunstância demonstra que é o Recorrente que assume o risco e os custos da atividade exercida pelo contratado. A prestação de serviço se revela exclusiva para o Recorrente, na medida em que é faturada com Notas Fiscais sequenciais. Além disso, Sr. Eufrasio Carvalho Martins consta no organograma da empresa como GERENTE DE INFORMÁTICA. Em diversos documentos internos da empresa o segurado assinou como responsável e ocupante do cargo, como, por exemplo: § Ficha de Movimentação de Recursos Humanos da Gerência de Informática, aprovando a contratação de empregados; § Adiantamento e prestação de contas de viagem a serviço (assinou como empregado); § Autorização para compra de passagem para prestadores de serviços da empresa; § Assinou como testemunha e rubrica todas as folhas dos contratos firmados com empresas prestadoras de serviços na área de informática, como por exemplo: Contrato firmado entre a autuada e a empresa LG INFORMATICA LTDA, CNP3 01.468.594/000122; Em Diligência realizada na empresa ECM CONSULTORIA & INFORMÁTICA LTDA, foi constatado que a prestação de serviços é exclusiva para a autuada, não havendo inclusive nenhum segurado empregado contratado desde sua constituição. Cumpre frisar que, no relatório de recomendações emitido em 31/12/2001, elaborado pela empresa de Auditoria / Consultoria externa BRK Lopes, Machado S/C, contratada pelo contribuinte, consta, dentre diversas outras, a seguinte recomendação: "Verificamos que a empresa mantém contrato de prestação de serviços para implantação do plano de tecnologia da informação com a empresa ECM Consultoria & Informática Ltda. Através do Sr. Eufrásio Carvalho que se disponibiliza 20 dias mensais a Companhia para implantação do referido projeto. Verificamos ainda que os honorários mensais são pagos mediante apresentação de nota fiscal de serviços da ECM. Porém, estas notas fiscais vêm Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.039 11 sendo enviadas com sua numeração de forma sequencial, o que permite a caracterização de prestação de serviços única e continua e, consequentemente, o vinculo empregatício. Existem ainda outros contratos com características similares, mas cujas notas fiscais correspondentes não são sequenciais”. No caso do Sr. Antonio Pinto de Almeida, sócio gerente da empresa Apacon Contabilidade ltda, o contrato especifica que os serviços seriam realizados preferencialmente pelo sócio gerente da contratada, acima identificado e qualificado, que se fará presente nas dependências da contratante, sempre que se fizer necessário, circunstância que revela a pessoalidade e a não eventualidade da contratação, eis que o Sr. Antonio Pinto deveria estar sempre à disposição do Recorrente, sempre que se fizesse necessário. O Recorrente se compromete a proporcionar ao Sr. Antonio, “a participação em um curso de especialização profissional, a cada trimestre, nas áreas contábil, financeira ou administrativa, visando principalmente à obtenção de técnicas mais modernas de gestão a serem utilizadas no âmbito da empresa. Todas as despesas com a realização desses cursos, tais como: inscrição, veiculo para deslocamento, passagens terrestres ou aéreas, hospedagem e alimentação, correrão por conta da CONTRATANTE e serão reembolsadas CONTRATADA, mediante a apresentação dos respectivos comprovantes”. CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO PARA PESSOA JURÍDICA !!!!???? Tem mais. “Duas vezes por ano, em meses de sua escolha, o Sócio Gerente da CONTRATADA se ausentará por um prazo não superior a 15 dias (quinze) dias para fins de descanso, condição esta que a CONTRATANTE concorda, desde agora. Parágrafo Único: A ausência prevista nesta Cláusula será comunicada previamente à CONTRATANTE que, em caso de real necessidade, poderá vetála. Ocorrendo tal situação as partes negociarão uma nova data que atenda a seus recíprocos interesses”. O que é isso senão férias anuais de 30 dias ??? Por outro lado, iluminese a estrita pessoalidade na prestação do serviço !!!! É de R$ 10.025,00 (Dez mil e vinte e cinco reais) o valor do presente contrato, de acordo com Planilha de formação de preço pactuada entre as partes e que serão pagos mensalmente pela CONTRATANTE à CONTRATADA, sempre até o penúltimo dia útil de cada mês, no qual os serviços foram prestados. O prazo de validade deste contrato é de 12 (meses) meses, a contar da data de sua assinatura e será renovado automaticamente caso as partes não se manifestem em sentido contrário. Contrato assinado em março/98. Revela a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais e de mesmo valor, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Há ainda mais evidencias. O Sr. António Pinto de Almeida consta no organograma da empresa como GERENTE DE CONTROLADORIA. Em diversos documentos internos da empresa o segurado assina como responsável e ocupante do cargo, como, por exemplo: • Ficha de Movimentação de Recursos Humanos da Gerência de Controladoria, aprovando a contratação de empregados; • Correspondências com prestadores de serviços; Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 • Adiantamento e prestação de contas de viagem a serviço (assina como empregado); • Possui cartão de visita da empresa, onde consta, além de telefones e endereço, também email corporativo. O mesmo foi entregue ao Auditor fiscal durante ação fiscal citada no item 4.4.6, nas dependências da empresa, em 14/06/07, quando deu ciência no Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos TIAD. Dados extraídos do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, através de acesso aos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, revelam que o segurado em tela era empregado do Recorrente, na mesma função, contador, com demissão datada de 13/03/98. O Contrato de prestação de serviço foi assinado em 10/03/98, três dias antes da demissão. Cabe esclarecer que o fato de o serviço de contabilidade não integrar a atividade fim do contratante não modifica as condições de contorno do lançamento, eis que tal circunstância é irrelevante para a caracterização do vínculo previdenciário de segurado empregado. Conforme já salientado alhures, qualificase como segurado empregado a pessoa física que presta serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Inexiste, pois, qualquer relação de dependência entre a caracterização de segurado empregado e a atividade fim da empresa contratante. Quanto à ação judicial invocada pelo Recorrente, as alegações a ela correlatas não poderão ser contempladas por este Colegiado, eis que desprovidas de esteio probatório. Limitouse o Recorrente a transcrever no bojo de seu Recurso Voluntário excertos de suposta sentença proferida no curso da ação judicial nº 1999.38.01.0000832, em trâmite 3ª Vara de Justiça Federal em Juiz de Fora/MG, sem, no entanto, instruir suas alegações com cópia autenticada da aludida decisão. Tal providência poderia ser dispensada caso o acesso ao conteúdo do decisum em tela fosse possível por outros meios. Nada obstante, pesquisa ao site da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (www.Jfmg.jus.br) revelou que o número do aludido processo é inválido. Por outro lado, mesmo pesquisando pelo nome das partes não logramos sucesso em localizar o referido processo, circunstância que tornou inviável a sindicância de sua existência, e, se existente, a abrangência da decisão nele proferida e se tal decisão houvese por ratificada ou reformada pelo Tribunal ad quem, e se já transitou em julgado. Assim, estando à calva de provas materiais, tais alegações não poderão ser consideradas por esta Corte. Alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Por outro viés, as decisões proferidas no âmbito da ação judicial em realce, em princípio, teriam seu campo de influência adstrito aos efeitos da NFLD nº 32.576.0659, de 21/10/1998, não irradiando efeitos sobre o presente lançamento, eis que se refere a causa de pedir distinta. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.040 13 finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra tributária fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou negócio praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com a prerrogativa de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial, trazendo a consequência ao plano do fato gerador do tributo. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato hostilizado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. No que pertine ao Sr. Belmiro Esteves, Sóciogerente da empresa Inova Consultoria & Negócios Ltda, O segurado foi empregado do contribuinte, no cargo de Gerente de Vendas, tendo sido admitido na empresa em 10/10/78, e com demissão datada de 18/08/2006 sextafeira. Já o Contrato de prestação de serviço foi assinado em 21/08/06, segundafeira seguinte. Cabe enfatizar que, no relatório de recomendações emitido em 31/12/2001, elaborado pela empresa de Auditoria / Consultoria externa BRK Lopes, Machado S/C, contratada pelo contribuinte, consta, dentre diversas outras, a seguinte recomendação: "Objetivando resguardar a empresa de possíveis questionamentos trabalhistas no futuro, recomendamos que não sejam mais aceitas a apresentação de notas fiscais com numeração sequencia, para estes casos e também que todos os demais contratos mencionados sejam reavaliados pela assessoria jurídica da empresa, solicitando um parecer relativo aos riscos trabalhistas envolvidos. Comentários do executivo responsável (Sr. Antônio Pinto): “Apesar das constantes cobranças, alguns fornecedores de serviços não atualizam seus contratos junto à Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Companhia, motivo pelo qual também consideramos importante efetuar a consulta à assessoria jurídica". Seguindo tal orientação, o contrato tenta dissuadir a condição de segurado empregado ao dispor em sua cláusula primeira que “a prestação de serviço e consultoria técnica na área comercial, de caráter não exclusivo, por parte da CONTRATADA em favor da CONTRATANTE”. Outras provas, no entanto, revelam de forma indubitável a existência de todos os elementos da condição de segurado empregado. A empresa disponibiliza e paga plano de saúde da AGF Saúde para o segurado e seus 3 (três) dependentes. Plano de saúde para pessoa jurídica ????. Avulta em tal benefício a existência da pessoalidade na prestação laboral e a não eventualidade. Em Diligência realizada na empresa Inova Consultoria & Negócios Ltda, houvese por constatado que a prestação de serviços é exclusiva para a autuada, não havendo inclusive nenhum segurado empregado contratado desde sua constituição. Corrobora tal constatação, a verificação que todas as Notas Fiscais foram emitidas em sequência numérica. O preço certo a ser pago pela CONTRATANTE à CONTRATADA, sempre no primeiro dia útil de cada mês, pelos serviços indicados na Cláusula Primeira, é de R$ 21.700,00 (vinte e um mil e setecentos reais). Registrese que as partes elegeram o INPC como índice de atualização do presente contrato, ficando acertado que a sua aplicação darseia anualmente, na data de aniversário do presente contrato. O contrato foi assinado em Agosto/2006. Revela a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Além disso, a contratada faz jus ao reembolso das despesas com passagens, refeições, hospedagem, ligações telefônicas e reembolso de quilometragem pelo uso de veiculo próprio na proporção de 1/3 do valor do litro de gasolina, por quilometro rodado. Tais despesas serão reembolsadas à CONTRATADA, mediante a apresentação de relatório detalhado, demonstrando e comprovando tais gastos. Afinal, de quem é o risco e custo da atividade econômica?? Não seria da pessoa jurídica que exerce a atividade, in casu, a contratada ??? Há que se registrar que o contrato, embora firmado por prazo indeterminado, poderá ser rescindido a qualquer tempo, bastando que a parte interessada comunique a outra parte, por escrito, com uma antecedência mínima de 90 (noventa) dias. Mais uma vez se revela a não eventualidade dos serviços e o direito de cada uma das partes de rescindir a relação contratual, unilateralmente, mesmo que de forma imotivada, sem direito a qualquer espécie de indenização típica do direito privado, como sói ocorrer nas relações de emprego. No que tange ao Sr. Antonio Alberto Lopes Machado, esse segurado manteve vínculo empregatício com a empresa autuada, tendo sido admitido em 09/10/59, na função aprendiz de mecânico, e desligado do quadro de empregados em 04/04/94. Foi readmitido em 05/04/94, na função de Supervisor Técnico de Instalações Mecânicas, e desligado em 05/08/97, sendo que em 01/08/97 (04 dias antes do desligamento) assinou contrato de prestação de serviços com a Recorrente; A empresa Machado Eletro Mecânica Ltda, aberta em 02/06/97, e tendo como sócios os senhores Antônio Alberto Lopes Machado (gerente), e Domingos Lopes dos Santos Machado (filho do Sr. Alberto), foi na época a empresa utilizada para a prestação dos Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.041 15 serviços contratados. Em 21/10/98, foi constituída outra empresa: Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda, tendo como sócio gerente o Sr. Alberto dos Santos Lopes Machado (filho do Sr. Antonio Alberto), e a Sra. Ana dos Santos Machado, esposa do Sr. Antonio Alberto. Em 01/08/03 foi assinado o contrato de Nº 039/2003, entre a empresa Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda e a empresa autuada, para prestação de serviços de manutenção mecânica em máquinas, tendo havido uma transferência da empresa utilizada para a prestação de serviços pelo Sr. Antonio Alberto Lopes Machado, com possível intuito de confundir a fiscalização quanto à pessoalidade da prestação dos serviços pelo mesmo, já que ele não pertence ao quadro societário e de empregados da mesma. Tal fato se evidencia pela assinatura aposta no contrato citado acima, onde quem assina pelo Sóciogerente da empresa (Sr. Alberto dos Santos Lopes Machado – filho do Sr. Antonio), é o próprio Sr. Antonio Alberto Lopes Machado. A situação relatada se repete nos Termos aditivos do mesmo contrato, de números 01/2004, 01/2005, 01/2006 e 01/2007, e também em outros contratos firmados, como, por exemplo, o de Nº 056/2001. Com relação ao contrato de Nº 039/2003, formalmente firmado com a empresa Beto Instalações Refrigeração e motores ltda, no primeiro aditivo ao contrato, de Nº 01/2004, em documento anexado ao mesmo, o setor Gerência de Recursos Humanos, autoriza o reajuste do contrato 039/2003, o qual é transcrito o tópico na integra: "Contrato 039/2003 (Toninho Machado) vencto abr/04: reajuste índice de variação INPC (6,62%) 9,42% (mérito/enquadramento política salarial da CIC). Total do valor do contrato será R$ 10.500,00". Importante observar que a parcela do índice de reajuste de 9,42% houvese por concedido a título de “mérito/enquadramento política salarial da CIC”, circunstância que revela o efetivo vínculo do segurado em tela com a empresa. Além disso, a referência expressa entre parênteses a “Toninho Machado” demonstra que o trabalhador executor dos serviços contratados não era outro senão o Sr. Antonio Alberto Lopes Machado. O contrato em foco foi assinado com vigência até março de 2004, podendo ser renovado, com base de reajuste o índice da variação do INPC do período de março de 2003 a março de 2004. O preço certo e ajustado para o presente contrato era inicialmente de R$ 9.000,00 (nove mil reais) mensais, que deveria ser pago até o 5º (quinto) dia útil de cada mês subsequente ao vencido, circunstâncias que demonstram a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Noticiese por relevante que o nome do segurado consta no organograma da empresa, ocupando a Gerência de Engenharia de Manutenção e Segurança (Mecânica), com a seguinte observação destacando: "Cargo de gerência ocupado por terceiro". Nessa condição, ele assina/Rubrica documentos internos da empresa, como por exemplo as Fichas de Movimentação de Recursos Humanos, aprovando a contratação e demissão de empregados da empresa autuada, juntamente com outros administradores de hierarquia superior. Além disso, a prestação de serviços ao Recorrente é exclusiva, condição que se depreende do fato de as notas fiscais emitidas pela contratada serem sequenciais. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 No caso do caso do Sr. Carlos Manoel Castro de Mattos, Procurador da empresa Catriz Agroindustrial Ltda, as circunstâncias não se mostram diferentes. Tratase de empresa de vínculo familiar com o segurado nomeado procurador, uma vez que os sócios Sr. Carlos Henrique Peixoto de Mattos e a Sra. Beatriz Peixoto de Mattos são filhos do Sr. Carlos Manoel Castro de Mattos. Contrato firmado em 01/03/1997 dispõe que o CONTRATANTE se responsabiliza pelo pagamento mensal ao CONTRATADO, no primeiro dia útil de cada mês, tendo como a data de inicio dos serviços, o dia 01/03/97, o valor de R$ 4.000,00. Notese que o referido contrato houvese por assinado por prazo indeterminado, sendo que caso haja interesse na rescisão do mesmo, a parte interessada deveria comunicar a outra por escrito com 60 dias de antecedência. Tais circunstâncias demonstram a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Dispõe ainda que o CONTRATANTE se responsabiliza em reembolsar o CONTRATADO de todas as despesas que o mesmo venha a ter com a prestação dos serviços. Entre estas despesas estão incluído Telefone, o valor mensal de R$ 150,00 referente a aluguel, passagens, refeições, hotel, quilometragem quando utilizado veiculo particular. Ora, nos termos da lei, o risco da atividade econômica e os custos decorrentes de sua execução são da pessoa jurídica, in casu, a Catriz Agroindustrial Ltda, resultante da alteração da Razão Social, em 30/03/2004, da Amarulla Indústria e Comércio Ltda. Aqui, quem arca com os custos é a empresa contratante. Por outro viés, em razão de cláusula contratual, o CONTRATADO se comprometia a executar todos os serviços solicitados pelo CONTRATANTE referente à área comercial da empresa. Não limitado aos serviços aqui, dado a amplitude do assunto, estão Markenting, Vendas, levantamento de mercado, análise de clientes, análise e gerenciamento da equipe de vendas, análise dos representantes de vendas, previsão de vendas, promoção e publicidade, Gerenciamento de Produto, dentre outros. Ou seja, a “pessoa jurídica” foi contratada não para a prestação de um serviço específico, mas, sim, para a execução de todos os serviços inerentes à atividade empresarial, sem limites, abrangência essa que somente se pode esperar de pessoa física à inteira disposição, temporal e intelectual, da empresa. Tal conclusão se avulta de maneira notória ao se verificar que o segurado em apreço assinava documentos internos da empresa na condição de empregado, no Cargo de Gerente de Vendas, como por exemplo, adiantamento e prestação de contas de viagem a serviço, cumprindo norma interna da empresa. Além disso, a empresa disponibiliza e pagava plano da AGF SAÚDE para o segurado e seus 2 (dois) dependentes, benefício que só pode ser disponibilizado a pessoa física, nunca a pessoa jurídica. Como se não bastasse, ao segurado foi disponibilizado cartão de crédito corporativo da operadora Visa Banco do Brasil, fornecido pela autuada, outro benefício que só pode ser disponibilizado a pessoa física, nunca a pessoa jurídica. Aditese que a prestação de serviços ao Recorrente é exclusiva, condição que se depreende do fato de as notas fiscais emitidas pela contratada serem sequenciais. Por derradeiro, na hipótese do Sr. GABRIEL INÁCIO PEIXOTO, Sócio gerente da empresa Zoom Consultoria & Negocios Ltda, a situação apurada pela fiscalização Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.042 17 não se mostra diversa. O segurado foi empregado do contribuinte, tendo sido admitido na empresa em 01/05/98, e com demissão datada de 30/05/06, no cargo de Assessor de Vendas. O Sr. Gabriel acumulou a função de Conselheiro do Conselho de Administração da empresa até a competência 05/2004, na qualidade de segurado contribuinte individual Diretor não empregado. O contrato firmado em 02/01/2007 houvese por firmado por prazo indeterminado, podendo ser rescindido a qualquer tempo, bastando que a parte interessada comunique a outra parte, por escrito, com uma antecedência mínima de 90 (noventa) dias, circunstância que revela a não eventualidade dos serviços e o direito de cada uma das partes de denunciar a relação contratual, unilateralmente, mesmo que de forma imotivada, sem direito a qualquer espécie de indenização típica do direito privado, como sói ocorrer nas relações de emprego. Muito embora o contrato estipule que a prestação de serviço e consultoria técnica na área comercial, tenha caráter não exclusivo, por parte da CONTRATADA em favor da CONTRATANTE, tal estipulação se revela, tão somente, de fachada. Em realidade, a prestação de serviços ao Recorrente é exclusiva, condição que se depreende do fato de as notas fiscais emitidas pela contratada serem sequenciais. Por outro viés, o preço certo a ser pago pela CONTRATANTE à CONTRATADA, sempre no primeiro dia útil de cada mês, pelos serviços indicados na Cláusula Primeira, é de R$ 13.266,59 (Treze mil, duzentos e sessenta e seis reais e cinquenta e nove centavos), tendo as partes elegido o INPC como índice de atualização do presente contrato, ficando acertado que a sua aplicação darseá anualmente, na data de aniversário do aludido contrato. Tais condições demonstram a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Aditese que a CONTRATADA, por força de cláusula contratual, faz jus ao reembolso das despesas com passagens, refeições, hospedagem, ligações telefônicas e reembolso de quilometragem pelo uso de veículo próprio, na proporção de 1/3 do valor do litro de gasolina por quilometro rodado, as quais seriam reembolsadas à CONTRATADA, mediante a apresentação de relatório detalhado, demonstrando e comprovando tais gastos. Ora, nos termos da lei, o risco da atividade econômica e os custos decorrentes de sua execução são da pessoa jurídica, in casu, a Zoom Consultoria & Negócios Ltda. Aqui, quem arca com os custos é a empresa contratante. Além disso, a empresa disponibiliza e pagava plano da AGF SAÚDE para o segurado e seu dependente, benefício que só pode ser disponibilizado a pessoa física, nunca a pessoa jurídica. Cumpre trazer à baila, neste comenos, que o serviço de assessoria, de maneira bem genérica, constituise atividade de apoio profissional à empresa, prestada por pessoa que detém conhecimento especializado e experiência profissional em determinados campos da atividade econômica, atuando em áreas as mais variadas, tais como, planejamento estratégico, elaboração de fluxo de caixa do negócio, consultoria em gestão empresarial, análise de cenários, cronograma de atividades, gestão de projetos, acompanhamento dos processos de tomada de decisão e implementação de atividades econômicas, dentre várias outras. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Nesse cenário, qualquer que seja a área de atuação, o serviço de assessoria constituirseá, sempre, atividade meio nas empresas contratantes, auxiliandoa tecnicamente na elaboração de projetos e na execução de serviços. O que não se concebe como serviço de assessoria é o exercício contínuo e não eventual das atividades fins da contratante, máxime na função gerencial, atividade essa que tem que ser exercida por profissionais contratados diretamente pela empresa. Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais apontem para a celebração de contrato com pessoa jurídica, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas contratadas, importando na submissão de contratante e prestador de serviços, na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou pessoa jurídica para contratálos como prestadores de serviços, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o ex empregado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.043 19 A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurando se o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o ex empregado, agora prestador de serviço, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Encontramse presentes, portanto, os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Cumpre enfatizar que no, caso dos Sres. Gabriel Inácio Peixoto e Belmiro Esteves, a mera disposição contratual de que a contratação de serviços teria “caráter não exclusivo” não é suficiente para afastar a pessoalidade e a subordinação desses profissionais na prestação dos serviços ao contratante, atributos esses que foram apurados por outros meios de prova, conforme acima detalhado, em cada caso. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser segurado empregado em relação uma determinada entidade e segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.044 21 mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, o qual não demanda reparos. Vencidas as questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO. Pondera o Recorrente que os valores despendidos a título de seguro saúde e a título de seguro de vida em grupo não integram o Salário de Contribuição. Razão não lhe assiste. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.045 23 Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.046 25 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.047 27 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Nos termos do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o Salário de Contribuição dos segurados empregado e trabalhador avulso compreende toda a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.048 29 normativa, ressalvadas as hipóteses de isenção fixadas numerus clausus no parágrafo nono do mesmo dispositivo legal. Cumpre registrar, por relevante, que as disposições encartadas no §9º do aludido art. 28, por se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva. Nessa perspectiva, observandose apenas as disposições legais, depreendese que o valor efetivamente pago pela pessoa jurídica a título de prêmio de seguro de vida em grupo, por não constar expressamente nas hipóteses de exclusão do Salário de Contribuição elencadas no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, integra o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de custeio da Seguridade Social. Ocorre que o Regulamento da Previdência Social, aumentando os benefícios fiscais previstos na citada lei de custeio, exclui da planilha de cálculo do Salário de Contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica, relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que tal benefício seja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265/99) (grifos nossos) Nessa prumada, o Regulamento da Previdência Social, ao retirar do referido cômputo tal espécie de verba, não o fez de forma incondicionada, mas, sim, desde que tal benefício estivesse expressamente previsto, entre outras condições, em acordo ou convenção coletiva de trabalho, o que, in casu, não ocorreu. Colhemos do item 4.2 do Relatório Fiscal que os valores pagos pelo contribuinte às empresas MINAS BRASIL e SANTANDER BANESPA, lançados na conta contábil nº 2.1.05.05.01.05 Seguradora Minas Brasil / Santander Banespa, a título de seguro de vida em grupo dos segurados empregados, não se encontrava previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho Assim, por não atender a todos os requisitos condicionantes para a fruição do benefício fiscal previstos na legislação tributária, a verba ora em destaque subsumese na qualidade de parcela integrante do Salário de Contribuição, não podendo este Colegiado fechar os olhos às exigências legais a todos impostas. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, cabendo frisar que, somente houvese por considerado como base de cálculo das contribuições sociais em realce apenas a parcela custeada pela empresa. 3.2. DA COMPENSAÇÃO PRETENDIDA O sujeito passivo requer a compensação, na qualidade de substituta tributária, das contribuições recolhidas por Beto Instalações ltda em favor de Antonio Alberto Lopes Machado. Tal apelo, todavia, não poderá ser objeto de apreciação por este Colegiado eis que, em seu louvor, nos vertentes autos, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.049 31 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo Art. 89 da Lei Nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da lei 8212/91 é de uma clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei Nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.050 33 c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; A compensação tributária, a ser realizada nas condições de contorno fixadas na lei, é um direito subjetivo do sujeito passivo. Tratase de uma faculdade de que dispõe o titular de um crédito tributário em face da fazenda pública para extinguir um débito que lhe é imposto pelo fisco. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no caput do art. 66 da Lei nº 8.383/91, o qual reza que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Outra não é a linguagem do direito legislado na Instrução Normativa SRP nº 3/2005, sob cuja égide se sucederam os fatos geradores objeto do presente lançamento. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Nessa vertente, não se mostra possível atender ao pedido formulado pelo Recorrente. A uma, porque o Recorrente não figura como o titular do crédito tributário alegado, eis que se houve recolhido pela empresa Beto Instalações Refrigeração e Motores Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 Ltda, CNPJ nº 02.831.791/000127 e em seu favor, de molde que somente esta pessoa jurídica detém a prerrogativa de pleitear qualquer espécie de compensação, nos casos e nas condições previstos em lei. A duas, porque a empresa Recorrente não é substituta tributária da empresa Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda, CNPJ nº 02.831.791/000127. As contribuições previdenciárias ora lançadas em relação ao segurado Antonio Alberto Lopes Machado decorreram da responsabilidade direta da Recorrente, na condição de contribuinte e não na de responsável tributário. A três, porque, mesmo que por hipótese a Recorrente tivesse direito a se compensar dos valores pretendidos, o que não é o caso, repisese, a iniciativa do procedimento de compensação teria que ser exercida diretamente pelo titular do direito perante o órgão competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consoante o rito estabelecido na legislação tributária. Por certo, a apreciação de questões dessa estirpe escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Registrese por relevante que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, os pedidos ora deduzidos pelo Recorrente. 3.3. DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE E DO CARTÃO CORPORATIVO Pondera o Recorrente que os valores despendidos a título de seguro saúde não integram o Salário de Contribuição. De outro eito, aduz que o arbitramento realizado nas ordens do levantamento L3 – Cartão de Crédito Corporativo violou o art. 148 do CTN. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação e julgamento por esta Corte Administrativa, eis que tais fatos geradores não integram o presente lançamento. Conforme se depreende do relatório intitulado Discriminativo de Débito, a fls. 08/39, o vertente lançamento é constituído, tão somente, pelos levantamentos: Seguro de Vida em Grupo (Levantamento L2): Eufrazio Carvalho Martins (Levantamento L4), Antonio Pinto de Almeida (Levantamento L5), Belmiro Esteves (Levantamento L6), Antonio Alberto Lopes Machado (Levantamento L7), Carlos Manoel Castro de Mattos (Levantamento L8), Gabriel Inácio Peixoto (Levantamento L9). Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003658/201071 Acórdão n.º 230201.887 S2C3T2 Fl. 1.051 35 {levantamentos} = {L2, L4, L5, L6, L7, L8, L9} Portanto, os lançamentos arguidos pelo Recorrente referentes à Assistência Saúde (Levantamento L1) e Cartão de Crédito Corporativo (Levantamento L3) não integram o vertente lançamento, não havendo sido instaurado em relação aos correspondentes fatos geradores qualquer litígio. {L1, L3} ⊄ {levantamentos} No rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente no parágrafo preambular deste item 3.3. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões aventadas nos primeiro parágrafo deste tópico, eis que, em seu louvor, não se instaurou qualquer controvérsia no presente processo a ser dirimida por este Colegiado. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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CÂMARA DO 39 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CIA. DOCAS DO ESTADO DE SÃO PAULO Avaria de mercadoria importada, acon dicionada em volume semqualquer si- nal externo do dano. Indicios fortes da ocorrência da avaria antes da en- trega ã depositaria, segundo conclu sões da comissão de vistoria e laudo técnico. Descabe a exigência de Im- posto de Importação, dirigida ã depo sitaria. Recurso especial a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscal , por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Espe- cial \ Sala das Se-.6es N IF), em 20 de nov= ,•ro de 1981 i AP-e A( 40,7 AO -, "DOR OU' usIMMDEZ PRESIDENTE i 1110,10 /: / . . A ,,,s3,....,4 I i , ,i, /i , .- rn:ig n „7 "- " - ' , RELATOR i iirlo'S 444 , #1 i r1 ---A DHEMILSON •4k OS DE (lieVA'HO PROCURADOR DA i 1 FAZENDA NACIO / NAL. i ,v.v. ___I Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- * ros: LUIZ CARLOS NOGUEIRA, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO DE ALMEIDA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente por motivo justificado o Cons. RANDOLFO HENRIQUE DE SOUZA NETO. CON0, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 084 5/060 . 84 7/77 RECURSO N.° : RP/303-0-486 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-0.652 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo: CIA. DOCAS DO ESTADO DE SÃO PAULO RELATÓRI O Adoto, por transcrição, o bem elaborado relatõrio de fls. 63/64, da lavra da ilustre Conselheira Enila Leite Frei- tas Chagas, n in verbis": "Em vistoria aduaneira oficial de uma caixa marca HOECHST DO BRASIL, transportada pelo navio ALUDRN aportado em Santos a 18.05.77, foi constatada ava- ria de parte do conteúdo. A fls. 05, está laudo técnico assinalando que uma coluna de destilação tipo HET - 10E foi encontra- da quebrada e inutilizada. Assinala "que a quebra foi proveniente de manuseio inadequado em seu transporte" (verbis). A comissão de vistoria concluiu pela responsabili dade do transportador, AGÊNCIA MARÍTIMA ROSALINHW S/A, que apresentou defesa. Subindo o processo à Sessão de Preparo e julgamen to do Serviço de Tributação, e considerando que- a concessionaria do porto não arrolara o volume em termo de avaria, foi expedida intimação (f is. 32) à C.D.S. para apresentar defesa. A fls. 35/37, a depositária impugnou a exigência de I.I., argumentando ter recebido o volume em perfeitas condições, sem qualquer indicio de ava- ria. Face a defesa, o técnico certificante e a corais- são de vistoria mantiveram as conclusões já expos tas, pela responsabilidade do transportador. r DMF - RJ/1.° C - C - Secêaf' •001r5 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/060.847/77 2, Acórdão n9- CSRF/03-0.652 Considerando o disposto noart. 23 do Dec. 119 63.431/ /68, a autoridade singular julgou procedente ação fiscal. A fls. 44 consta "ciência" da decisão datada de 29.10.80, e a fls. 46 está notificação C.D.S. com data de 21.01.81. A petição recursória é de 12-02.81. Tendo em vista a divergência de datas, o Sr. Procu rador da Fazenda Nacional junto a esta Terceira mara pôs em dúvida a tempestividade do recurso vo- luntário. Baixado o processo em díligência, a repartição de origem informou que a primeira "ciência" fora assi nada por procurador do transportador. Assim, só em 21.01.81 a C.D.S. tomou conhecimento da decisão da instância "a quo", pelo que o recur- so, interposto no dia 12 de fevereiro, é tempesti- vo. A recorrente enfatiza que recebeu o volume sem qualquer indício externo de violação, apurandose a avaria no momento da abertura da caixa para con- ferência da mercadoria. Invoca as conclusoes do laudo técnico e da comissão de vistoria, ambas a seu favor". Pelo Acórdão n9 21.178, de 25.08.81, a Egrégia Câ- mara recorrida acolheu as razões do contribuinte, de conformidade= a seguinte ementa (fls. 62): 'varia de mercadoria importada, acondicionada em volume sem qualquer sinal externo do dano.Indicios fortes da ocorrência da avaria antes da entrega depositária, segundo conclusões da corgssão de vis- toria e laudo técnico. Descabe a exigência de I.I., dirigida à depositária. Recurso provido,!. Inconformado, o culto Procurador junto à Câmara re corrida interpOe recurso especial, que leio em sessão (fls. 66/69) , que sobe a esta Superior Instãn a pelo despacho de fls. 70, sem con tra-razões do sujeito Passivo. //; É o relatório 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/060.847/77 Acórdão n9-CSRF/03-0.652 VOTO= = Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, Relator: Desassiste razão ao Recorrente, eis que tecnicamen te perfeito e juridicamente bem fundamentado o brilhante voto da ilustre Relatora do Acórdão recorrido, cujos fundamentos adoto e transcrevo (fls. 64/66): "Discute-se avaria constatada no momento da conferência da mercadoria, quando foi aberto o vo- lume. Procedeu-se então a vistoria aduaneira, que concluiu pela responsabilidade do transportador. Entretanto, como a depositária não fizera la vrar termo de avaria, foi a exigência fiscal, em um segundo lançamento, a ela dirigida. A responsabilidade pelo prejuízo decorrente de falta ou avaria é de natureza objetiva. Não po de porem o julgador aplicar cegamente esse princi pio, desprezando as circunstâncias materiais. assim o fizesse, estaria se afastando da meta de atingir a justiça fiscal. O art. 69 do Dec. n9 63.431/68 prevê que a de positária ressalvará sua responsabilidade através de termo de avaria lavrado na entrada da mercado ria em seu armazém. É óbvio que só pode fazê-lo se. o volume apresentar indício externo de avaria. Na espécie, o volume não apresentava qualquer sinal de que'tivesse sido danificado (V. laudo téc nico), sendo impossível à interessada valer-se (15 recurso previsto. A comissão de vistoria e o perito, por várias vezes no curso processual, se manifestaram no sen tido de atribuir a responsabilidade a eventos ocor ridos durante o transporte marítimo. Não se mantém, "in casu" o invocado art. 23 do mesmo diploma legal por contrariar elementos contidos nos autos." Em assim sendo, nego provimento ao recurso espe- cia Brasília - em ,0 de. no -mbro d- 1981. /1 RAN ISCO — RTIN LEITE C . ALCAN'E - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Verificada a ocorrenciades ta prejudicial não e admissivel que -E, orgao julgador adentre no exame do me- rito do caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, daT provimento ao Recurso Espe- cial, nos termos do voto do Re1ato44) )Sala das 5)0sZe IVll F), em 13 de junho de 1980 Áf , F ZA DOR OU- ' ,*, • .E:',ÁNDEZ \ n • ; NDO 4(IiiikEewl..0 PRESIDENTE RELATOR 400~-ti- III e ln ,̀ , , t '("1"1"9"- n ~"Ileab. MieffieWM"ei. \inelb . I LEON FREJD À SZKLA-•. o n KY PROCURADOR DA FAZEN- '---._ DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei - ros: JACINTO DE MEDEIROS CALMON, CARLOS DANILO BARBUTO CABRAL DE MEN- DONÇA, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, PEDRO MARTINS FERNANDES,SE BASTIÃO RODRIGUES CABRAL. .__ -~, -5"Wdí *40 ..,5'kzti6.0~ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 0768/041.543/78 RECURSO N.° : RP/102-0 . 027 ACÓRDÃO N.° : CSRF/01-0 . 078 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: NILTON SOARES DOS SANTOS , RELATÓRIO A FAZENDA NACIONAL, tempestivamente, apresenta re_ curso objetivando a reforma da decisão consubstanciada no Acórdão 102-17.451 por onde a maioria dos membros da 2a. Câmara do 19 Con_ selho de Contribuintes, decidiu: "declarar a nulidade da decisão de fls. 47, e de terminar a revisão de oficio da base de cálculO- do credito tributário de que trata a notificação de fls. 5." O voto vencedor, em síntese, tem os seguintes fun_ damentos: a. A perempção do direito de impugnar o lançamen_ to levado a efeito, é clara; b. Todavia, considera que o lançamento em ques tão foi feito em desacordo com o previsto no art. 147, § 29 da Lei 5.172/66; c. omitiu ato essencial na formação da materiatri butária, ficando obrigada - a autoridade - a revi são de oficio do lançamento impugnado a destempo (IX, Art. 149, CTN): d. Ter havido preterição do direito de defesa do contribuinte. Em seu recurso, argumenta a Fazenda Nacional que estando a impugnação e recurso peremptos não poderia a Câmara aden :..._ trarno exame do mérito do caso/-) É o relatório/( D M P - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0768/041.543/78 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.078 VOTO Conselheiro FERNANDO CÍCERO VELLOSO, Relator: Não há dúvidas quanto a intempestividade não só da impugnação como do recurso. Desta forma, cabe razão a recorrente : ao afirmar que "falece competencia ao Egrégio Colegiado para des_ conhecer questão prejudicial do exame do mérito e, com isso,deter_ minar a reforma da decisão "a quo". Lançado o crédito tributário, não foi o mesmo im_ pugnado tempestivamente, acarretando a sua constituição definiti va. Assegura o Decreto 70.235/72 o direito de apresentar recurso, não quanto ao mérito da decisão, mas apenas no que toca a intem- pestividade decidida pela autoridade singular. Além de ter apresentado seu recurso a destempo, deixou de apresentar qualquer razão que contestasse ou nos fizes- se duvidar da intempestividade da sua impugnação. Diante do exposto, voto pelo provimento do recur_ so apresentado pela Fazenda Nacional, sem pr d Ilizo de que a repar tição possa rever "ex officio" o lançamento. ' B asília - DF, em 13 de jde 1980 : , 1 1 F RN NDO d'íCERO VE14,0S0 - RELATOR 1, ¡ , \ : .._. i Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Data da sessão: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 1996
Ementa: O artigo 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal, só se
refere aos impostos sobre o patrimônio a renda ou os serviços, nos
quais não se incluem o imposto de importação e o I.P.I. Incabível a
aplicação de penalidade capitulada no artigo 4º, inciso I, da Lei
8.218/91, ante a mera postulação por benefício fiscal. Recurso
parcialmente provido.
Numero da decisão: 303-28466
Nome do relator: GUINÊS ALVAREZ FERNANDES
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ementa_s : O artigo 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal, só se refere aos impostos sobre o patrimônio a renda ou os serviços, nos quais não se incluem o imposto de importação e o I.P.I. Incabível a aplicação de penalidade capitulada no artigo 4º, inciso I, da Lei 8.218/91, ante a mera postulação por benefício fiscal. Recurso parcialmente provido.
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TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ." TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10814-010484/95-18 SESSÃO DE : 03 de julho de 1996 ACÓRDÃO N° : 303-28.466 RECURSO N° : 117.924 RECORRENTE : FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVA RECORRIDA : DRJ - SÃO PAULO - SP O artigo 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal, só se refere aos impostos sobre o patrimônio a renda ou os serviços, nos quais não se incluem o imposto de importação e o I P.I. Incabível a aplicação de penalidade capitulada no artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, ante a mera postulação por beneficio fiscal. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir a multa do art. 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 03 de julho de 1996 / I/ ..- JOÃ, 4' ANDA COSTA • -- dente 4 r Ar - el I e ildr.LVAREZ FERN • I 1 ES • - • Or i uk - om (7) EQI;) egiikt. ffruh ltier}entir lincha de ar MC Procurador o• g azando Nacional il 1 NOV 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLL LEVI DAVET ALVES e MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. Ausentes os Conselheiros SÉRGIO SILVEIRA MELO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. mfetvl 17924 MINISTERIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Recurso n° : 117.924 Acórdão n.° : 303 - 28.466 Recorrente : Fundação Padre Anchieta Centro Paulista de Rádio e T.V. Educativa. Recorrida : D.R.F. de Julgamento em São Paulo. Relator : Guinas Alvarez Femandes RELATÓRIO A Recorrente submeteu a despacho ante a ALF/AISP- GUARULHOS, as mercadorias descritas na Declaração de Importação no. 051014, de 07.07.95, postulando o reconhecimento de imunidade tributária para o Imposto de Importação e devidos, com fundamento no artigo 150, item VI, letra " a" parágrafo 2°. da Constituição Federal, e lei 9849/67, que a instituiu como Fundação. Ao exame da pretensão a fiscalização entendeu que a mencionada importação não se enquadrava no dispositivo constitucional invocado, lavrando em consequência auto de infração exigindo o recolhimento do crédito correspondente ao Imposto de Importação devido, no valor de 212,19 ufirs e IPI,no valor de 150,84 Ufirs acrescido da multa de 100% sobre o imposto de importação,capitulada no artigo 4°. -1, da lei 8.218/91 (fis. 1/2). Regularmente intimada, a Autuada, tempestivamente, ofertou impugnação através das razões de fls. 17/25 e documentos de fis. 26137, arguindo em síntese que: a) A impugnante é Fundação instituída e mantida pelo Estado de São Paulo, com finalidade de promover atividades educativas e culturais, através do rádio e da televisão; b) a norma constitucional invocada pela impugnante, veda às Pessoas Políticas, a instituição de impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços, umas das outras, o que foi estendido às autarquias e às fundações instituidas e mantida pelo Poder Público, no pertinente às suas finalidades essenciais ; c) arrola e an à a a documentação que legitimaria a sua feição jurídica, aduzindo considerações 41, utrinárías e jurisprudenciais sobre as características e o alcance da imunidade e imp do inclusive a multa aplicada, conclui postulando a Subsistência da imputação fiscal p • Recurso n? : 117.924 Acórdão n? : 303-28.466 • Com a apresentação da peça impugnatória, a interessada postulou e obteve a liberação da mercadoria, com fundamento na Portaria n°. 389/76 (fls. 139/145). A autoridade julgadora de 1'. instância sustenta que o preceito constitucional invocado encampa estritamente os impostos que oneram o patrimônio, a renda e os serviços, categorias em que não se enquadram os tributos sobre o comércio exterior e o TI. Se outro fora o desejo do legislador, teria usado redação mais genérica, estendendo o beneficio a qualquer hipótese que materializasse fato gerador de obrigação tributária. Repele as informações doutrinárias e jurisprudenciais indicadas pela Impugnante, porque calcadas em texto constitucional anterior ao vigente, transcrevendo ementa da 1'. Câmara deste E. Conselho, como exemplo da reiterada rnanifestaçáo do Colegiado Administrativo em abono do seu entendimento. Determina o agravamento do crédito tributário, para exigir a multa referente ao IPI que deverá ser formalizada em processo diverso a fim de merecer impugnação. Conclui, que embora entendendo não haver infração ao simples pleitear o reconhecimento de beneficio fiscal, decide devida a aplicação da multa em procedimento de oficio, determinando a manutenção da exigência. Irresignada, a Recorrente ofertou, tempestivamente, recurso voluntário, através das razões de fls. 157/165, onde reitera a argumentação deduzida na peça impugnatória, ofertando ementas jq4isprudenciais de julgados anteriores a vigente Constituição. E o relatório. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N°. 117.924. ACÓRDÃO N? 303-28.466 3OTO O objeto do litígio deste feito está fixado em se estabelecer qual a dimensão e exata interpretação , que se deve dar ao texto expresso no item VI "a" do artigo n°150 da Carta Constitucional vigente, ou seja, a vedação às pessoas jurídicas de Direito Público de instituirem impostos sobre o patrimonio, a renda e os serviços, umas das outras. A matéria , que ensejou razoável apreciação jurisprudencial ao tempo da vigência da extinta Constituição, não mereceu abordagem maior dos tribunais superiores após o advendo da Carta de 1988, sendo inclusive esparsas e no geral superficiais, as manifestações doutrinárias sobre o assunto. O texto constitucional veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços. Para a hipótese presente releva indagar qual o entendimento que se deve ter sobre a definição de patrimônio; será o civil, o econômico, o contábil, o fiscal ou tributário ? Todos sabemos que há impostos que oneram o patrimônio civil, outros incidem sobre a movimentação do econômico financeiro, outros ainda sobre o produto ou resultado do patrimonio tributário/fiscal e não necessariamente o contábil. Ora, a Constituição vigente, em matéria tributável, tem como seu intérprete substantivo maior, o Código Tributário Nacional, contido na lei 5172/66, erigido em lei complementar à Carta Magna e por ela recepcionado, que ao dar tratamento sistêmico à discriminação constitucional de rendas no que se refere aos impostos, dividiu-os em quatro categorias assim tituladas: Capítulo II - Impostos sobre o Comércio Exterior: Imposto de Importação (arts.19/22) e Imposto de Exportação (arts.23128). Capítulo IQ : Impostos sobre o Patrimônio e a Renda: - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (arts.29/31); Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (arts.32/34) ; Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis ede Direitos a eles Relativos (arts.35 QuL\ ‘42) ; Imposto sobre a Renda e Proventos de uer Natureza (arts.43/45); Capítulo IV: -Impostos sobre a Produção e Circulação; - I . - ICMS - IOF - ISTC - 155 (arts.46/73), além de impostos especiais e extraordinário n MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 117.924 ACÓRDÃO N' : 303-28.466 Vê-se pois, que o Imposto de Importação não se incluí, para os efeitos tributários, entre os tributos que oneram o patrimônio, a renda ou os serviços, na classificação que lhe deu o Sistema Tributário Nacional, lei complementar à Constituição e repertório de hierarquia superior em matéria tributária. Observe-se que, não obstante a experiência aurida nas controvérsias geradas sobre o tema, ao tempo da Carta Constitucional anterior, o legislador constituinte de 1988 manteve como paradigma o Código Tributário Nacional, que é de 1966 e foi por ela recepcionado, preservando a mesma divisão por categorias, ao usar a expressão "-instituir impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços...". Quisesse o legislador generalizar a concessão e escoimar a controvérsia que já tinha exemplos, bastar-lhe-ia estabelecer vedação à instituição de quaisquer impostos, umas sobre as outras Pessoas Jurídicas de Direito Público. Não o fez. É defeso ao intérprete fazê-lo. Ademais, é princípio elementar de interpretação, que o critério usado para tributar, deve ser o mesmo para isentar ou tornar imune. Se a tributação ao patrimônio se processa apenas através das figuras caracterizadas no Capítulo III - Arts. 29 a 45 do C.T.N., - Impostos sobre o Patrimônio e a Renda -, é inquestionável que sob o mesmo prisma se deve observar o objeto das figuras que desoneram a tributação. A propósito, e pela sua oportunidade, objetividade e brilhantismo, releva trazer à colação, a erudita lição do prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, na obra "Comentários a Constituição de 1988 - Sistema Tributário - 4'. edição - 1992 - Rio de Janeiro" que embasou voto da lavra da douta Conselheira desta E. Câmara, Sandra Maria Faroni, em processo de idêntico objeto, de interesse do mesmo contribuinte, e ora peço vênia para transcrever: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI- instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. Por primeiro, anote-se que a imunidade não tem atuação sobre tributos, mas apenas sobre impostos, uma espécie do gênero. E não atua em relação a todos os impostos, aplicando-se apenas aos que incidirem em renda, patrimônio ou serviços. Do exposto, conclui-se que a regra constitucional da * dade intergovemamental recíproca tem campo de atuação delimitado: a) não atua sobre taxas e contribuições de melhoria que, aliás incidem sobre imóveis particulares; 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO ND : 117.924 ACÓRDÃO N° : 303-28.466 b) não atua sobre as chamadas contribuições parafiscais, especiais ou sociais, salvo se os referidos tributos assumirem juridicamente a feição de impostos suplementares sobre a renda, o patrimônio ou os serviços; c) não atua sobre empréstimos compulsórios, salvo se o "fato gerador" desse tributo for serviço, patrimônio ou renda, passível de ser tributariamente explorado pela União Federal (se o patrimônio ou serviço já estiver sob incidência de imposto estadual ou municipal, o campo está, "ipso facto", vedado à competência da União para impor empréstimo compulsório sob a forma de imposto restituível); d) não atua, finalmente, em relação a impostos cujo 'Tato gerado?' seja fato diverso de renda, patrimônio ou serviços. Esta visualização lógica e sistemática da imunidade em tela no Direito positivo brasileiro. Todavia o afirmado na letra "d" obriga necessariamente a definir e delimitar os conceitos de renda, patrimônio e serviços, sem o que não será possível prever com eficiência o campo jurídico-operacional da imunidade intergovemarnental recíproca A questão exige uma colocação prévia. A linguagem do Direito positivo, isto é, a linguagem utilizada para a feitura das leis é do tipo natural, contendo palavras vagas, equívocas, de textura aberta. Este tipo de linguagem contém - e trata-se de uma constatação inequívoca - - elevado teor de imprecisão; caracteriza-se pela polissemia. À linguagem natural se opõem as "linguagens formalizadas" que se caracterizam pela exatidão de seus termos, precisos e inequívocos, casos da lógica simbólica e da geometria pura. Como o direito é uma técnica de controle social — a mais efetiva de todas -- suas regras são utilizadas para dirigir comportamentos, julgar ações humanas e atribuir potestades. Em consequência, por imposição da comunicação grupai, suas regras são necessariamente vazadas em linguagem natural. Neste momento, estamos diante de um caso desses: definir, precisar, para fins normativos, objetivando colher resultados pragmáticos, três palavras- chaves, ou seja renda, patrimônio e serviços. Nesse ponto, é absolutamente imprescindível dar um salto qualitativo na análise dos vocábulos, deixando de lado os múltiplos significados de que se revestem ordinariamente, para fixar os que interessam ao direito, certo que dita interpretação não pode restar ao alvedrio dos órgãos aplicadores das regras jurídicas, casuisticamente, como que • . os epígonos da "escola realista". Seria a ausência de norm. hn ade prévia, transferida para o momento da aplicação do direito, (que não passaria de uma pauta com elevado teor de indetenninação n rma 'va. Nesse caso a experiência judicial acabaria por fixar o signifi linguagem legal. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA ••TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.924 ACÓRDÃO N° : 303-28.466 Este sistema é incompatível com o nosso Direito, embora tenha alguma aplicação no "common law". É só ler e reler a obra de Aliomar Baleeiro, na área da intergovernamental, para verificar que o preconizado por ele com base na experiência estadunidense não pode ter cabida entre nós, mormente no campo do Direito Constitucional Tributário. Nossa discriminação de competências tributárias bem como as limitações ao poder de tributar estão encartadas numa Constituição rígida, base e ápice do Sistema Jurídico. A indetenninação conceituai (e aí se integram as imunidades) arruinaria a técnica de contenção do poder de tributar, propiciando, ademais, uma casuística desencontrada, onde justamente devem prevalecer a segurança e a certeza. A questão, portanto, logo centra-se na técnica a ser seguida para dar-se o "salto analítico qualitativo" que a matéria sugere e exige, de modo a justificar o posicionamento quanto aos limite e à atuação da imunidade intergovernamental recíproca. Esta técnica, vale a pena repetir, é lógica e sistemática. Tudo há de começar com a Emenda Constitucional n° 18, de 01 de dezembro de 1965, à Constituição de 1946 que inaugurou no Brasil o atual sistema tributário. Embora revogada, não se pode duvidar que a Constituição de 1967, com a redação da Emenda n° 1 de 1969, incorporou a técnica e a ideologia ínsitas naquela Emenda, produto de uma plêiade de juristas que utilizaram, na sua elaboração, tanto os antecedentes históricos como os precedentes judiciais, à luz de uma nova concepção lógica e sistemática. Ora, as três palavras -- renda, patrimônio e serviços -- foram utilizadas na Emenda n° 18 ou desde a emenda n° 18. a) para caracterizar fatos jurigenos tributários; b) para, com base neles, atribuir competências impositivas; c) para limitar essas mesmas competências. Destarte, a Emenda n° 18, e também o Código Tributário Nacional, que logo se lhe seguiu, assim como as Constituições de 9167 e 1988, ao tratarem de um plexo de normas da mesma natureza, normas tributárias, competências impositivas e exonerativas, necessariamente utilizaram os vocábulos com um mesmo sentido. Se assim é, já podemos extrair algumas conclusões: a) o exercício da competência tributária entre nós está su metidc ao principio da legalidade que não só reparte impostos cor determina fatos geradores; 7 - MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO Ne : 117.924 ACÓRDÃO N' : 303-28.466 b) de acordo com este princípio, a exigência de tributo só pode advir de uma regra legislada que subordine o dever de pagar à ocorrência de um fato gerador nela previsto e recortado (princípio da tipicidade) em favor de pessoa política predeterminada; c) em consequência, é vedado tributar por analogia ou extensão; que a obrigação tributária decorre de fato jurígeno tipificado em lei, assim como não tributar sem previsão expressa de exclusão (imunidade ou isenção) De intuir que os vocábulos renda, patrimônio e serviços foram utilizados para estipular regras de competência, definir fatos geradores excluir incidências. Noutro giro, foram utilizados para fixar a tributação e a exceção. A lógica intrínseca do sistema tributário leva inexoravelmente a esta conclusão. Ao tracejar o espaço %tico sobre o qual pode o legislador infraconstitucional atuar, o constituinte previamente o delimita, separando as áreas de incidência e as que lhe são vedadas. O espaço fálico posto à disposição do legislador infraconstitucional resulta das determinações genéricas dos fatos jurígenos (áreas de incidência). As áreas vedadas à tributação decorrem de proibições constitucionais expressas (imunidades) ou de implícitas exclusões (toda porção ratica que não se contiver nos lindes da descrição legislativa do "fato gerador" é intributável à falta de previsão legal). As imunidades alcançam as situações que normalmente — não fosse a previsão expressa de intributabilidade — estariam conceitualmente incluídas no desenho do fato jurígeno tributário. Por isso mesmo são vistas e confundidas as imunidades com um dos seus efeitos: o de limitar o poder de tributar. O legislador constituinte autorizou ao Município criar o ITBI, proibindo, no entanto, sua incidência sobre a transmissão desses bens ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital (colação de bens imóveis ao capital de sociedade). Nesse mesmo passo, deu à União competência para instituir o ITR e aos Estados a faculdade de criar impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias. Proibiu à União, todavia, tributar com o ITR as glebas rurais de área mínima e vedou aos Estados fazer incidir o ICMs sobre produ . industrializados remetidos ao exterior. Os prédios urbanos tão sujeitos ao IPTU de competência municipal, mas esta exação s• • re o patrimônio não pode incidir sobre os "templos de qualquer cult •" virtude de imunidade expressa. R - MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.924 ACÓRDÃO N° : 303-28.466 Nos exemplos figurados, constata-se que o constituinte, ao mesmo tempo que concedeu poder e competência às pessoas políticas para a instituição de imposto sobre a transmissão de bens imóveis, sobre a propriedade predial urbana, sobre a propriedade territorial rural e sobre operações relativas à circulação de mercadorias, vedou o exercício dessas mesmas competências sobre certas transmissões imobiliárias, sobre determinado tipo de propriedade rural, sobre certas operações de circulação de mercadorias (as que destinam ao exterior produtos industrializados) e sobre a propriedade predial de algumas pessoas jurídicas, expressamente norninadas. Inquestionavelmente, não fossem as imunidades — restrições à competência impositiva — e tais situações seriam perfeitamente tributáveis. Pode-se extrair o seguinte enunciado: a situação/base que serve de suporte à regra de tributação deve ter o mesmo sentido para a regra de exclusão (imunidade). Dessarte — e agora voltamos à imunidade intergovemamental recíproca -- quando o constituinte determina que o patrimônio, a renda e os serviços são fatos tributáveis, mas que as pessoas politicas não podem tributar o patrimônio, a renda e os serviços, umas das outras, tais palavras possuem o mesmo significado normativo quer para autorizar a tributação, quer para vedá-la. Nem poderia ser de outra forma. Patrimônio, renda e serviços são vocábulos idênticos Possuem um único sentido, quer para configurar situações expressamente tributáveis, quer para desenhar situações expressamente intributáveis. Não se discute que são vocábulos polissêmicos, capazes de comportar variados significados, mais amplos e mais restritos. Certamente a Ciência Contábil os utiliza com significação diversa. A Ciência das Finanças e os escaninhos do Direito Comercial terão para eles outros significados. Nada disso importa. Importa, ao revés, o caráter sistêmico com que tais palavras foram utilizadas para pôr e tirar a tributação, ao nível da Constituição. Então, o básico na espécie é a delimitação dos conceitos de renda patrimônio e serviços no Direito Tributário Brasileiro (Direit positivo). 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.924 ACÓRDÃO N° : 303-28.466 O conceito de renda está na Constituição de 88; combinado com o art. 43 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). O conceito de patrimônio, para fins tributários, reside nesses mesmos diplomas legais e serve de suporte para a incidência ou exclusão dos seguintes impostos: a) impostos sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos, exceto os de garantia entre vivos e mortos; b) imposto sobre a propriedade territorial e predial urbana; c) imposto sobre a propriedade territorial rural; d) imposto sobre propriedade de veículos automotivos. O conceito de serviços, outro tanto, está na Carta Política e no Código Tributário, servindo de suporte para a incidência e exclusão de dois impostos, um estadual, outro municipal, a saber: a) imposto sobre serviços de transporte e comunicações, subsumidos no ICMS; b) imposto sobre serviços de qualquer natureza. É pois indiscutível, que a imunidade recíproca prevista no artigo n° 150 VI, "a" da Constituição Federal está balizada em fronteiras definidas, que não encampam a pretensão da Recorrente deduzida no apelo. No que se refere a multa aplicada, no entanto, entendo que a razão está com a Recorrente. Na verdade, a matéria sob desate nos autos, não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 4° "I", da Lei 8.218/91. Ademais, a própria Administração já dispôs no Ato Declaratório Normativo n° 36/95 (DOU de 06/10/95), que a mera solicitação de beneficio fiscal incabível, estando o produto corretamente descrito, não configura declaração inexata, para efeito da multa prevista no artigo 4° da Lei 8.218/91. Face ao exposto, voto , - . proc ncia em parte da imposição inaugural, para excluir a multa aplic... e manter a exigência do imposto de importação devido, acrescido dos consect: egais. Sala d. essões, em OA de julho 461 1 • ALV ' Z FERNANDE . - RELATOR -- Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1
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