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Numero do processo: 13888.002356/2007-76
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 26/07/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ENTREGA DE GFIP. AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CORREÇÃO DENTRO DO PRAZO LEGAL.
Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de informar ao INSS, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, ficando impossibilitada a relevação da multa para os casos em que o contribuinte não conserta a falha no prazo legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.016
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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NÃO ENTREGA DE GFIP. AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CORREÇÃO DENTRO DO PRAZO LEGAL. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de informar ao INSS, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, ficando impossibilitada a relevação da multa para os casos em que o contribuinte não conserta a falha no prazo legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002356/200776 Acórdão n.º 2403001.016 S2C4T3 Fl. 343 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.76 a 90 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 62 a 70) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante do Auto de Infração nº 37.071.0908 no valor originário de R$ 59.756,50 (cinquenta e nove mil, setecentos e cinquenta e seis reais e cinquenta centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 13 e 14, a empresa foi autuada por infringir o artigo 32, inciso IV e parágrafos 2 e 9, da Lei n 8.212191, acrescentados pela Lei no 9.528/97 ao deixar de informar à Previdência Social por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 13/2005, 02/2006 e 13/2006, todos os fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. A auditoria, no decorrer da ação fiscal, solicitou ao sujeito passivo que fossem apresentadas a GFIP, GRFP e GRFC, todas com comprovantes de entrega e eventuais retificações do período 01/1999 a 01/2007. Referida solicitação foi atendida com a entrega dos documentos requeridos relativos a todas as competências, exceto as GFIP's para as competências 13/2005, 02/2006 e 13/2006. Em razão dessa conduta (não entrega de GFIP), a fiscalização lavrou o Auto de Infração 37.071.0908 por ter entendido ter havido violação à Lei n°. 8.212/91 (art. 32, inciso IV e parágrafos 4° e 7°, acrescentados pela Lei n° 9.528/97 e art.102) e ao Regulamento da Previdência Social (art. 284, inciso I, e parágrafos 1° e 2° do “caput” e art. 373). Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 25 a 35, alegando em síntese que: Não se pode falar em edificação definitiva do crédito se a inobservância da lei ou da lógica tributada propiciar o seu cancelamento, retificação ou anulação da assiete originária. Tratandose de acertamento de oficio, deve ser precedido de esclarecimentos, pois na feitura do Auto de Infração, não poderá a autoridade fundarse em presunções, é preciso especificar com clareza o dispositivo infringido, não sendo este passivo de mera retificação capaz de dar validade a todo processo administrativo; Quanto ao "limite quantitativo", não podem as multas chegar ao confisco. Todavia, determinar o montante destas, em atenção a este postulado, é muito difícil. Afinal há que evitar o periculum in mora e dissuadir os infratores, pois esse é o objetivo das multas. Por fim, entendeu que ainda não havia expirado o prazo para apresentação de documentos, motivo pelo qual requereu a juntada posterior das GFIP’s retificadas com a impugnação aditiva em face dos volumosos lançamentos a serem efetuados. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Instada a manifestarse acerca da matéria, a 7° turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP proferiu o acórdão n° 1421.226 nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/07/2007 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de informar mensalmente, dentro do prazo, por intermédio de GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da Seguridade Social. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA. As contribuições sociais, não recolhidas nas épocas próprias, aos juros equivalentes à taxa SELIC, ambos de caráter irrelevável, porém não incidem sobre a multa pecuniária, no caso de descumprimento de obrigação acessória, com a lavratura do correspondente AI. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO / RELEVAÇÃO DA MULTA. Para que possa ter a multa relevada, a empresa deve, entre outros requisitos exigidos, corrigir a falta dentro do prazo de impugnação, conforme caput do art. 291 do Decreto 3.048/99. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazê lo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 76 a 90, utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na impugnação. No pedido, requereu o acolhimento integral do recurso, rogando pela sua procedência e consequente reforma da decisão atacada, com o fim de ajustar a multa aplicada. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002356/200776 Acórdão n.º 2403001.016 S2C4T3 Fl. 344 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO I – DA INFRAÇÃO COMETIDA A recorrente praticamente utilizase dos mesmos argumentos apresentados na impugnação. Assim, levanta pontos que já foram exaustivamente analisados pela 1 instância, os quais também entendo que não há maior relevância para o caso em tela. Todavia, enfrentarei as alegações da parte, vejamos: Sobre a alegação de que a auditoria deveria ter realizado o lançamento do crédito tributário à luz da lei tributária, entendo que essa observação foi atendida, ao passo que a lavratura do Auto de Infração foi motivada pela não entrega da GFIP, ou seja, por descumprimento de obrigação acessória. Nessa hipótese, o Código Tributário Nacional preleciona que uma multa será lançada em desfavor do sujeito passivo infrator, o que foi feito pela autoridade fiscal do presente caso. Além disso, alega ausência de requisitos essenciais para a lavratura do AI, reforçando a idéia de ter ocorrido a violação ao contraditório e à ampladefesa do contribuinte. Não há como prosperar esse fundamento, tendo em vista que todas as garantias constitucionais foram atendidas, inclusive a informação de que a parte autuada poderia apresentar defesa no prazo de 30 (trinta dias) a contar da ciência da autuação Assim, diante dessa análise documental, verificouse que a empresa recorrente deixou de informar em GFIP informações relevantes para a caracterização do fato gerador das contribuições previdenciárias (por exemplo: dados cadastrais) nas competências 13/2005, 02/2006 e 13/2006. Desse modo, havendo previsão legal que determine a prestação de informações pelo contribuinte por um documento específico (GFIP) ao órgão arrecadador, a fiscalização, em um trabalho de auditoria apurado, se verificar que tais informações não foram prestadas, deverá obrigatoriamente lavrar auto de infração com fundamento no descumprimento de obrigação acessória prevista em legislação. No caso em tela, o fisco procedeu à lavratura do auto de infração ao verificar que as GFIP’s não foram entregues em algumas competências com fundamento no art.32, IV, parágrafos 2 e 9 da Lei n 8.212/91 combinado com o art.225, IV, e parágrafos 2, 3 e 4 do Regulamento da Previdência Social Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Destacouse) (...) § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) §2 ºA entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Ressaltese que os parágrafos 1 a 8 do art.32, IV, da Lei n 8.212/91 foram revogados pela Lei n 11.941/2009, mas esses dispositivos não alteraram a obrigação tributária da empresa de declarar/informar à Secretaria da Receita Federal dados cadastrais e elementos relativos aos fatos geradores de contribuição previdenciária. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002356/200776 Acórdão n.º 2403001.016 S2C4T3 Fl. 345 7 Assim, à época da lavratura do Auto, a auditoria fundamentou a autuação (pagamento da penalidade) com base no art.32,IV, parágrafos 4 e 7, e art.102 da Lei n 8.212/91 combinado com o art.284, I, parágrafos 1 e 2, caput , e art.373 do Regulamento. Todavia, com a revogação dos parágrafos 4 e 7 do inciso IV do art.32 da Lei n 8.212/91, a penalidade pelo descumprimento da obrigação de prestar informações por GFIP, mesmo que não tivesse ocorrido fato gerador, passou a ser regulada pelo parágrafo 9 desse dispositivo, o qual determinou que o art.32A da mesma lei seria o dispositivo a ser aplicado em se tratando de infrações relacionadas às GFIP’s, então vejamos: § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. O novo dispositivo, acrescido pela Lei n 11.941/2009, estabeleceu que a empresa que deixasse de apresentar o documento do inciso IV do art.32 ou apresentasseo com incorreções/omissões seria intimada a prestar esclarecimentos e para o pagamento de multa de acordo com a conduta praticada. Vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Pelo exposto, percebese que o critério adotado para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória foi alterado, haja vista o critério anterior basearse no número de segurados por cada competência para aplicação da multa, diferentemente do que ocorre no atual critério. Desse modo, o valor de R$ 59.756,50 (cinquenta e nove mil, setecentos e cinquenta e seis reais e cinquenta centavos) poderá ser reduzido, considerando a possibilidade da nova regra para o cálculo de infração por não apresentação de GFIP ser mais benéfica ao contribuinte. Caso isso ocorra, o art.32A, acrescido pela Lei n 11.941/2009 retroagirá para beneficiar o contribuinte, nos moldes do art.106, II, “c”do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Sendo assim, entendo que a atitude da recorrente em não apresentar GFIP nas competências 13/2005, 02/2006 e 13/2006 incorre no descumprimento previsto no art.32A, caput, da Lei n 8.212/91 com redação dada pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto, tal norma retroagir, se for mais benéfica ao contribuinte, para ser aplicada ao caso em tela, conforme o art.106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Além disso, ressalto aqui que a fiscalização utilizouse também do art.284,I, parágrafos 1 e 2 do RPS para fundamentar a aplicação da penalidade, ora exigida. Entretanto, não adentrarei na fundamentação exposta no Decreto n 3.048/99, tendo em vista que o Regulamento da Previdência Social tem o condão de reproduzir as orientações da Lei n 8.212/91, a qual já foi devidamente atualizada pela Lei n 11.941/2009 e servirá de fundamento para a manutenção da cobrança, conforme já exposto na íntegra do voto. Por fim, não entendo que seja possível a relevação da multa com base no art.291 do Regulamento da Previdência, dispositivo já revogado pelo Decreto n 6.727/2009, considerando que a recorrente não atendeu aos requisitos para receber tal benefício, qual seja, a correção da falta dentro do prazo da impugnação, haja vista ter expirado o prazo para Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002356/200776 Acórdão n.º 2403001.016 S2C4T3 Fl. 346 9 impugnação em 28/08/2007, data em que as GFIP’s das competências 13/2005, 02/2006 e 13/2006 não haviam sido apresentadas. Destaco que, com relação à competência 02/2006, consta nos autos documentação relativa à essa competência, como que se houvesse prova de sua apresentação ao órgão fazendário arrecadador em 06/03/2006 (antes do prazo da impugnação e antes da própria ciência da autuação). Todavia, há informação fiscal (fls.58 e 59) que atesta a ausência de transmissão dessa GFIP de 02/2006 à Receita Federal, vejamos: 1. Em atendimento ao Despacho da DRJ/ Ribeirão Preto, de fls. 55 e 56, foi feita a revisão do cálculo da multa no Auto de Infração DEBCAD N° 37.071.0932 de 26/07/2007, excluindose a competência 02/2006 pelo fato de ter sido indevidamente considerada a GFIP apresentada pelo contribuinte sem que a mesma tenha sido transmitida para o Sistema da Receita Federal do Brasil. 2. Dessa forma, o presente Auto de Infração fica mantido, visto que não foi transmitida a GFIP da competência 02/2006. Sendo assim, entendo que a infração tenha ocorrido e que a aplicação da penalidade deve ser mantida. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.071.0908, na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11330.000176/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O
PAGAMENTO DA COMPLEMENTAÇÃO DO auxílio-doença: Não incide contribuição social previdenciária sobre os valores pagos aos
empregados da empresa, a título de complementação de auxílio-doença, quando o beneficio é extensível a todos os empregados, em respeito ao art. 28, parágrafo 9, alínea "n" da Lei 8.212/91).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2403-001.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IBM BRASIL INDÚSTRIA MÁQUINAS E SERVIÇOS LIMITADA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Fl. 421DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O PAGAMENTO DA COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIODOENÇA: Não incide contribuição social previdenciária sobre os valores pagos aos empregados da empresa, a título de complementação de auxíliodoença, quando o beneficio é extensível a todos os empregados, em respeito ao art. 28, parágrafo 9, alínea "n" da Lei 8.212/91). Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000176/200721 Acórdão n.º 2403001.015 S2C4T3 Fl. 422 3 Relatório Tratase de recurso oficial apresentado em face da decisão da 15 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I ter exonerado a empresa IBM, ora recorrida, do valor total do crédito tributário lançado na NFLD n 37.065.2584 cujo quantia inicial era de R$ 1.457.032,60 (hum milhão, quatrocentos e cinquenta e sete reais mil, trinta e dois reais e sessenta centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 257 a 262, a auditoria lançou crédito tributário ao ter verificado que a empresa vinha pagando aos seus segurados uma complementação ao valor do auxíliodoença, mas, mais do que isso, fazia um nível de plano de afastamento por motivo de doença. Em decorrência de um desses níveis, a fiscalização lavrou a presente NFLD por entender que um dos planos de afastamento limitava o gozo do benefício para apenas os empregados com no mínimo 5 (cinco) anos de tempo de trabalho na empresa. Desse modo, solicitouse a apresentação dos nomes de todos os segurados que prestaram serviços à recorrida durante o período de 09/1999 a 12/2005, tendo sido lançado crédito com base nos dados acima referente às contribuições previdenciárias identificadas pelas rubricas: patronal, SAT/RAT e terceiros. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 29/12/2006 e apresentou impugnação às fls. fls.265 a 276, alegando em síntese: A decadência quinquenal das competências 09/1999 a 11/2001 com base no art.150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional; E que o plano AIT (complementação do auxíliodoença) sempre foi extensível à totalidade dos empregados, não se encontrando em vigor a norma interna que restringia o beneficio apenas àqueles que tivessem mais de 5 anos de serviço, trazendo para isso provas (nomes de beneficiários do plano com menos de 5 anos de empresa). Por fim, requereu que fosse cancelada a NFLD em epígrafe, ocorrendo a extinção do crédito tributário nela exigido. Às fls. 311, há despacho determinando a realização de diligência com o objetivo específico de juntar cópia do documento de concessão do benefício com a data de vigência do mesmo, bem como informar se há empregados que não receberam o complemento em razão do tempo de serviço inferior a 5 (cinco) anos. Em resposta, o agente fiscal informou que foi requisitada a cópia do documento que concedeu o benefício, tendo sido o mesmo apresentado e denominado de "Solicitação de Integralização Salarial LI SIS", para cada empregado que recebeu a complementação do auxíliodoença e que tinha menos de 5 anos de serviço. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 15 Turma da DRJ/ Rio de Janeiro I/RJ proferiu acórdão (1227.811) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Diante da Súmula vinculante no.08 do STF, o artigo 45 da lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional. Aplicase, Portanto, o prazo decadencial qüinqüenal previsto no CTN. COMPLEMENTAÇÃO DE AUXÍLIODOENÇA, EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OUTRAS ENTIDADES. Não incide contribuição para a Seguridade Social e para Outras entidades sobre os valores pagos aos empregados da empresa, a titulo de complementação de auxíliodoença, quando o beneficio é extensível a todos os empregados (art. 28, parágrafo 9 0 alínea "n" da lei 8.212/91). Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. Em razão do valor exonerado, o Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorreu de ofício da decisão, em respeito ao art. l da Portaria MF no.3, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000176/200721 Acórdão n.º 2403001.015 S2C4T3 Fl. 423 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator DA PRELIMINAR: I – DECADÊNCIA RECONHECIDA PELA 1 INSTÂNCIA: Preliminarmente, cabe analisar se a decadência foi reconhecida devidamente pela instância a quo. A empresa, ora recorrida, pleiteou o reconhecimento da decadência das competências 09/1999 a 11/2001 com base no art.150, §4° do CTN, considerando a ciência da autuação ter ocorrido apenas em 29/12/2006. É inconteste que atualmente o prazo decadencial para o fisco apurar seus créditos é de 5 (cinco) anos, em razão das controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação a esse tema terem sido resolvidas com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000176/200721 Acórdão n.º 2403001.015 S2C4T3 Fl. 424 7 Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. Desse modo, considerando a ciência em 29/12/2006, as competências objeto de levantamento abrangerem o período compreendido entre 09/1999 a 12/2005, o recolhimento antecipado da rubrica segurados, entendo que o marco inicial da decadência no presente caso é o fato gerador, hipótese do art.150, §4° do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual encontramse decadentes as competências 09/99 a 11/2001, conforme decisão de 1 instância. DO MÉRITO: I – DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O PAGAMENTO DA COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIODOENÇA: A empresa recorrida foi autuada por ter realizado o pagamento aos seus segurados de uma complementação ao valor do auxíliodoença, mas, mais do que isso, restringia a concessão de um dos níveis do benefício, como foi explicado no relato acima, somente aos empregados com no mínimo 5 (cinco) anos de tempo de trabalho na empresa. Sobre o pagamento desse complemento, prevê a legislação previdenciária (Lei 8.212/91) o seguinte, in verbis: Art.28 – (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97): (...) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97.). Pelo exposto, fica excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária a parcela paga a título de complementação ao valor do auxíliodoença, se comprovado o benefício a todos os empregados da empresa. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Sob tal comprovação, o fisco alega que a empresa não disponibilizou à totalidade de empregados o benefício, utilizando como prova um documento que garantia um dos tipos de auxíliodoença (AIT) somente aos empregados com mais de 5 (cinco) anos de serviço, o qual foi requerido em diligência para ser juntado aos autos, o que não aconteceu. Já a recorrida afirma o contrário, ou seja, todos os empregados tinham acesso ao benefício, bastava o preenchimento de um formulário, caso o empregado necessitasse ser afastado, para que a complementação do benefício fosse paga, trazendo ainda nomes de beneficiários com menos de 5 (cinco) anos de empresa. Desse modo, como não há prova que possa fundamentar o lançamento e, levando em consideração que a empresa demonstrou sua boafé com a anexação aos autos de registros de empregados beneficiados com a complementação, exemplificando alguns que tinham menos de 5 (cinco) anos de serviço prestado, atestando tão somente que o benefício da complementação é extensivo a TODOS OS EMPREGADOS, entendo que tal parcela deva ser excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme decidido também decidido acertadamente pela instância a quo. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO in totum, devendo ser mantida, em todos os termos, a decisão (acórdão n 12 27.811) proferida pela 15 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I/RJ. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000176/200721 Acórdão n.º 2403001.015 S2C4T3 Fl. 425 9 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13807.002731/00-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1996, 1997
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO.
A manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, ou cuja exigibilidade não seja comprovada, autoriza presunção de omissão no registro de receita.
Numero da decisão: 1302-001.339
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(nova denominação societária de FRIGORÍFICO BRASIL NOVO SP LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1996, 1997 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO. A manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, ou cuja exigibilidade não seja comprovada, autoriza presunção de omissão no registro de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 27 31 /0 0- 39 Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11113.T7IH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002731/0039 Acórdão n.º 1302001.339 S1C3T2 Fl. 377 2 COMERCIAL BRASIL NOVO SP LTDA. (nova denominação societária de FRIGORÍFICO BRASIL NOVO SP LTDA.), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 00.199, de 20/12/2001, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação e Constatação nº 01, de fls. 190 a 193, foi empreendida fiscalização junto à empresa acima identificada, referente aos anos calendário de 1995 e 1996, constatandose o seguinte: 2. Nos meses de janeiro a dezembro de 1996 existiam lançamentos levados a débito da conta "Fornecedores", e a crédito da conta "Caixa", sendo que a maioria com valores "redondos", sem que houvesse menção das duplicatas baixadas, existindo também, nos mesmos meses, baixas de duplicatas cujos números eram devidamente mencionadas. 3. A fiscalização constatou, ainda, que todas as compras efetuadas eram lançadas como sendo a prazo, sendo que a maioria com vencimento na apresentação ou a vista, e que, conforme informação do contador, as mesmas eram pagas com prazo médio de 20 dias. 4. A contribuinte foi intimada a comprovar os saldos da conta "Fornecedores" existentes em 31/12/95 e 31/12/96, nos valores de R$ 4.200.781,47 e R$ 6.382.582,03, respectivamente. A contribuinte forneceu relação, sendo que na referente a 31/12/1995 existiam notas ficais emitidas desde 02/11/95 e, na referente a 31/12/96, existiam notas fiscais desde 09/10/96. 5. Intimouse, ainda, a contribuinte a demonstrar e comprovar todos os fornecedores relacionados aos lançamentos levados a débito da conta "Fornecedores" e a crédito da conta "Caixa", nos valores relacionados às fls. 190 e 191, sem que houvesse menção dos números das respectivas duplicatas. 6. A contribuinte não demonstrou, nem comprovou, mas simplesmente salientou que era impossível demonstrar ou comprovar, em virtude da sistemática de pagamentos, que eram efetuados através de transferências de diversos cheques de clientes. 7. Com base na relação de fornecedores em aberto em 31/12/95, na existência de duplicatas baixadas durante o ano com individualização dos respectivos números, e nas compras efetuadas pela contribuinte em 1996, a fiscalização relacionou os fornecedores não baixados em sua contabilidade. 8. Em 17/02/2000, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar, através de documentos hábeis, a baixa contábil dos fornecedores relacionados na planilha de fls. 163 a 188, cujos totais mensais estão demonstrados à fl. 191. 9. A contribuinte não logrou comprovar, nem tampouco se manifestou a respeito. 10. A fiscalização salienta que a contribuinte, nos anocalendário de 1995 e 1996, apresentou declarações de rendimentos com opção pelo Lucro Real mensal, e Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11113.T7IH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002731/0039 Acórdão n.º 1302001.339 S1C3T2 Fl. 378 3 que os lucros brutos apurados foram negativos, ou seja, que as receitas líquidas foram menores que os custos das mercadorias vendidas. 11. De acordo com a legislação vigente, a não comprovação do total ou de parte da conta "Fornecedores" é considerada omissão de receitas, sendo tal presunção "iuris tantum" (relativa). 12. A fiscalização relaciona à fl. 193 os valores tributáveis. Salienta, por fim, que "embora o contribuinte não comprovou os lançamentos levados a débito da conta Fornecedores e a crédito da conta Caixa, achamos por bem considerar os valores como devidamente baixado dentro do mês lançado". 13. Em face do acima exposto, foi (sic) efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anos calendário de 1995 e 1996: [...] DA IMPUGNAÇÃO 14. Cientificada dos lançamentos em 27 de março de 2000 (fls. 205, 210, 215, 220 e 224), a empresa interessada, por meio de seu representante, apresentou, em 26 de abril de 2000, a impugnação de fls. 232 e 233, alegando em síntese: 15. Improcede o Auto de Infração, pois não houve omissão de receita e tampouco existe passivo fictício. 16. A impugnante esclareceu e demonstrou exaustivamente ao agente fiscal autuante que as compras são realizadas com notas fiscais "à vista", mas os pagamentos são feitos com prazo médio de 20 a 25 dias, sendo tais pagamentos feitos com transferências de diversos cheques de clientes. 17. Por via de conseqüência, igualmente indevido o Imposto de Renda Retido na Fonte, decorrente do suposto passivo fictício. 18. Assim, o Auto é insubsistente em sua totalidade, e a exigência fiscal decorrente do Auto de Infração em epígrafe (nº 13807.002731/0039) não pode subsistir. A impugnante requer cancelar a intimação em tela e a exigência fiscal decorrente do Auto de Infração nº 13807.002731/0039. 19. Protesta, ao final, por eventuais aditamentos à impugnação e eventuais juntadas de novos documentos. A 10ª Turma da DRJ em São Paulo / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 00.199, de 20/12/2001 (fls. 272/281), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendario: 1995, 1996 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO. A manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, ou cuja exigibilidade não seja comprovada, autoriza presunção de omissão no registro de receita. Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11113.T7IH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002731/0039 Acórdão n.º 1302001.339 S1C3T2 Fl. 379 4 TRIBUTOS REFLEXOS (PIS, COFINS, IRRF e CSLL). DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Ciente da decisão de primeira instância em 22/02/2002, conforme Aviso de Recebimento à fl. 284, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2002 conforme carimbo de postagem à folha 289. No recurso interposto (fls. 286/288), a interessada reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. Conclui com o pedido de reforma da decisão recorrida e improcedência dos autos de infração. Caso seu pedido não seja aceito, pede a realização de perícia contábilfiscal. Pleiteia, também, a remição (sic) da multa, diante da “flagrante inexistência de dolo, máfé ou simulação da parte da Recorrente”, devendo a multa ser relevada ou reduzida. O recurso teve seu seguimento negado, diante da falta do depósito recursal, oferta de garantias ou arrolamento de bens, então exigidos. O processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional e os débitos inscritos em Divida Ativa da União. No entanto, diante da Súmula Vinculante nº 21, do Supremo Tribunal Federal, foi determinado o retorno do crédito à fase administrativa, o cancelamento das inscrições em dívida ativa e o prosseguimento dos trâmites administrativos, vide Despacho da PSFN à fl. 366. O processo foi, então, encaminhado a este CARF para apreciação do recurso voluntário interposto. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, nos termos do art. 228 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94), aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11/01/1994, verbis: Art. 228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto lei nº 1.598/77, art. 12, § 2º). Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11113.T7IH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002731/0039 Acórdão n.º 1302001.339 S1C3T2 Fl. 380 5 Parágrafo único. Caracterizase, também, como omissão de receitas: a) [...]; b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse a exigibilidade das obrigações registradas em seu passivo. A obrigação de escriturar todas as suas operações com observância das leis comerciais e fiscais e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista nos arts. 197 e 210 do RIR/94. Ao descumprir essa obrigação, a recorrente queda sem meios hábeis para comprovação da exigibilidade dos valores registrados em seu passivo. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequada e completamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. De se observar que, durante a fase procedimental, a contribuinte não se manifestou em resposta à intimação do Fisco. Após o lançamento, tanto na fase impugnatória quanto agora em sede de recurso, suas alegações se limitam a afirmar que não houve receitas omitidas e que os pagamentos se davam com prazo médio de 25 dias, mediante transferência de cheques de clientes. Não comprova, no entanto, os valores questionados de modo específico pelo Fisco. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, sob este aspecto. Quanto ao pedido de perícia contábil fiscal, revelase também descabido. Em primeiro lugar, porque formulado em desacordo com as normas legais pertinentes (Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso IV e § 1º). Em segundo lugar, porque as provas a serem produzidas seriam de natureza documental e já deveriam, se existentes, ter sido produzidas pela própria interessada e acostadas aos autos. Não sendo este o caso, a perícia/diligência deve ser rejeitada. Finalmente, a recorrente pleiteia a remição (sic) da multa, diante da “flagrante inexistência de dolo, máfé ou simulação da parte da Recorrente”, devendo a multa ser relevada ou reduzida. Entendese que seu pedido seja pela remissão da multa, forma de extinção do crédito tributário regulada pelos arts. 156, inciso IV, e 172, ambos do Código Tributário Nacional. Também aqui improcede a pretensão da recorrente. A uma, porque a remissão depende de lei específica (art. 172) que autorize a Autoridade Administrativa a concedêla, autorização que não encontro no caso vertente. A duas, porque a multa aplicada ao lançamento foi no percentual de 75%, e possui caráter objetivo (Lei nº 9.430/1996, art. 44). Não havendo, na situação em comento, qualquer acusação de dolo máfé ou simulação, tal argumento não pode ser acolhido. Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11113.T7IH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002731/0039 Acórdão n.º 1302001.339 S1C3T2 Fl. 381 6 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11113.T7IH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 18/03/2014 09:53:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 18/03/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 07/04/2014 e WALDIR VEIGA ROCHA em 18/03/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0422.11113.T7IH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 79A049D9F042AF31D3A64E0AD6E2304AB1A4CB7A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13807.002731/00-39. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10814.006473/85-16
Data da sessão: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 1986
Ementa: INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Declaração indevida de mercadoria. Reimportação de mercadorias enviadas ao exterior para reparos, isenta de tributação, estende seus efeitos aos itens aderidos no exterior. Não havendo imposto a cobrar, inexiste possibilidade de cálculo da diferença, base da multa. Recurso provido.
Numero da decisão: 303-24.543
Decisão: ACORDAMos Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em dar provimento ao recurso,por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Paulo Moreno de Almeida,Salustiano de Pinho Pessoa Neto e Hélio Loyolla de Alencastro que proviam o recurso em parte, por outros fundamentos, para fins de considerar aplicável a multa do art. 107, inciso VII do DL 37/66, na forma do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SIDNEY DE CAMPOS PESSOA
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Recorrente VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO S/A-VASP. Recorrid IRF - AEROPORTO INTERNACIONAL S.P. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇOES. De claração indevida de mercadoria. Reimportação de merca- dorias enviadas ao exterior para reparos, isenta de tributaçaopestende-seus efeitos aos itens aderidos no exterior. Não havendo imposto a cobrar,inexiste possibi lidade de cálculo da diferença, base da multa. Recurso' provido. VIST O, relatado e discutido o presente processo; ACORDAMos Membros da Terceira Câmara do Tercei- ro Conselho de Contribuintes, em dar provimento ao recurso,por maio - ria de votos, vencidos os Conselheiros Paulo Moreno de Almeida,Salus- tiano de Pinho Pessoa Neto e Hélio Loyolla de Alencastro que proviam o recurso em parte, por outros fundamentos, para fins de considerar a plicável a multa do art. 107, inciso VII do DL 37/66, na forma do r-j latOrio e votos, que passam a integrar o presente julgado. Brasll'a _;F an 22 de April de 1986; "Árofr HÉLIO LO OLLA DE ALENe , - RO - Presidente • '•_ SIDNEY D PESS4, - Relator ALEXANDRE COS , DE LUNA FREIRE-Procurador da Fazenda Na cional. 2\ VISTO EM SESSÃO DE: 25 ABR-198; RECURSO DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL N 2 : 303.0.915 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: PAULO MORENO DE ALMEIDA, SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NETO,JOSÉ DANIEL DINIZ, LUIZ CARLOS NOGUEIRA, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. -2- • • , REÇURSO:108.020 SERVIÇO PLIBUCO FEDERAL ACORDÃO:303-24.543 ME-TERCEIRO CONSELHO'DE CONTRIBUINTES • RECORRENTE: VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO S.A.- VASP. RECORRIDA : IRF- AEROPORTO INTERNACIONAL S.P. RELATOR : SIDNEY . DE CAMPOS PESSOA RELATõRIO 1. A empresa Viação Aérea São Paulo S.A., ora Recte., foi autuada em 02/08/85, pela ARF de Vila Mariana, São Paulo, porque, segundo Auto que transcrevo, "através da DI n9 001.273/85, despachou dois alojamen- tos n9 728077-1, séries 39 BD e 27 DL para uso exclu- sivo em aeronaves, ao 'amparo da GI n9 18-84/18144-5 solicitando o respectivo desembaraço aduaneiro com ba se no Decreto 63.433/68. Através do processo dç 10814000.931/85, a interessada solicitou ã Fiscaliza- ' cão desta IRF, autorização para a elaboração de DCI, • tendo em vista que por ocasião do registro da DI fo ram omitidos os materiais aplicados nas peças remeti- das para conserto. Tendo em vista o acima exposto, constata-se que em assim procedendo, o importador sujeita-se ao paga- mento da multa cominada pelo art. 524 do Decreto , n9 91.030, porquanto ocorreu atribuição de valor diferen te do real, em relação ao declarado na DI supramencio. nada, ficando o mesmo obrigado ao recolhimento do crg dito tributãrio discriminado no'anverso deste Auto de Infração (A.I.)." 2. -Em virtude disto, foi-lhe imposta a multa prevista no art. 524 do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto . n9 91.030/85, no percentual de 50, cujo valor corrigido ã data da• autuação montava a então Cr$3.898.701 (treis milhões oitocentos e noventa e oito mil setecentos e hum cruzeiros),-ecrescida a multa dos juros de mora até 31.08.85, de eníao , Cr$154.251 (cento e cm n - quenta e quatro mil duzentos e cinquenta e hum cruzeiros), perfa - zendo a exigência o total de Cr$4-.052.952 (quatro milhões cinquen- ta e dois mil novecentos e cinquenta e dois cruzeiros),1 . na -moeda • da época. 2.1. Ah auto foi junta toda a documentação do despacho em questEo. • 3. Defendendo-se, de forma tempestiva, a fls. 21/27, a au tuada alega, em sintese que: a) a ocorrência havida não é capitula da como infringência i norma tributaria; h) não atribui valor dife • ••, -3- RECURSO:108.020 SERVIÇO MOUCO FEDERAL AC0RDA0:303-24.543 • rente do real aos materiais aplicados no reparo dos begs, de uso •• exclusivo de suas aeronaves, quando de seu desembaraço; c) ocor- reu, apenas l que não tendo ainda recebido a Fatura, ã. época do despacho, foi processando o desembaraço dos materiais, e, ao re- ceber a referida Fatura, requereu, ao amparo do art. 421 do R.A. a respectiva D.C.I.; d) ademais, foi a Recte. que comunicou o fa to..ã repartição o que afasta a hip6tese de mí fé e que se utili- zou de procedimento legal para a retificação da D.I., não haven- do que se falar em infração; e) que a importação foi (-efetuada com isenção de impostos, sendo inaplicível o art. 524 do R.A. que fala em "multa de 50% sobre a diferença de impostos"; no mí ximo que poderia ocorrer ad absurdum, se houvesse infração, se - ria a aplicação da multa máxima de Cz$44,00, prevista no art.522 IV, do R.A., para as infraçõeis quais não seja. prevista :1,:pena especifica. • 4. O AFTN autuante, ao contestar (fls. 27) a defesa da autuada, posiciona-se no sentido de que: a) o art. 136 do CTN dey termina que não depende da intenção do agente a prítica da infra ção ã legislação tributíria;-b) o art. 1. 75 do.mesmo CTN prevê a não dispensa das obrigações acessõrias quando da exclusão do cré dito tributírio; c) houve na Dl imposto calculado, não tendo si- do, contudo, recolhido; d) o R.A. prevê, no art. 87, • I que o fa- to gerador, para efeito de cílculo do' imposto, ocorre na data do registro da DI; e) que a DCI serve não s6 paralretificação de in formações prestadas, mas também para "indicação dos tributos multas e acréscimos legais", ex vi do art. 421 e seu parígrafo do RA. Pede a manutenção da autuação. 5• A Minuta de decisão e Parecer da SECTRI alinha o mesmo pensamento e o mesmo raciocinio do AFTN autuante - fls.29/ 33, no que foi seguida pela decisão da autoridade singular de primeira instãncia que manteve a autuação, mas ao fixar o valor da multa exigida, aplica-a no valor de então Cr$1.928.141 (hum milhão novecentos e vinte e oito mil cento e quarenta e hum cru- zeiros) bem abaixo dos Cr$4.052.952 apontados no Auto de Infra - ção. Quero crertenha a decisão não corrigido a multa nem lhe aplicado os juros, até a data da autuação. 6. A irresignação da autuada, contra a decisão, é mani festada em recurso tempestivo de fls. 38 usque 40 a este õrgão julgador plurinominal, colando í petição de apelo as mesmas ra 410:- -4- RECURSO:108.020 ' ACORDO: 303-24-.543SERVIÇO POBUCO FEDERAL ' zaes da defesa, is quais se reporta e aduzindo que não pode pros perar o racioçinio do prolator da deciaó recorrida no sentido de que Cretorno aó pais das mercadorias exportadas temporariamente constitui não incidência do tributo", "ao contrário do que pensa a autuada que alega tratar-se de hipOtese de. isenção"; não pode prosperar tal s raciocinio porque o que alega e defende a Recte. é que a importação dos itens acrescidos (nos reparos feitos no exte -rior) é que é isenta de qualquer tributação, e não o reingressó dos materiais exportados temporariamente, hipOtese, sim de não in cidencia. 6.1. Dai, diz ainda o recurso, não poder concordar_com a decisão quando afirma que siimente o reingresso das mercadorias ex", portadas temporariamente esteja beneficiado com a não incidência e que a importação dos itens acrescidos no exterior "passa a ser alvo de importação normal,ssujeita portanto ao recolhimento do Im posto de . Importação pertinente", Finaliza afirmando que a importa ção de materiais de aplicação exclusiva em aeronave é isenta : de impostos e que a DCI apenas os entificou não para o fim de se - rem eles tributados. • o relatEirio • • • ' . __ , -5- RECURSO:108.020 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ACORDA0 303-24.543 VOTO 7. É fato irretorquivel que •o Parãgrafo bico do art. 421, do Dec. 91.030/85, o Regulamento Aduaneiro, autoriza a ," iniciativa do contribuinte, mesmo ap6s o desembaraço da mercado ria", no sentido de promover a emissão da D.C.I. para "a.retifi. _ cação de informações prestadas na declaração." Isto é ponto pa- cifico. 7.1. Foi a Recte. autuada, com base no art. 524, do mes mo Regulamento, por "declaração indevida" de mercadoria;. prevê, ainda èste dispositivo regulamentar que a multa de 50% ,a- ser 'aplicada, no caso de infração, é de "cinquenta por cento (50% ) da diferença do imposto apurada em razão da declaração indevi da", "quando a diferença for superior a10% quanto ao preço e a 5% quanto ã quantidade em relação ad declarado pelo importador': 7.1.1. Ilação primeira que se pode tirar é a de que s6 é aplicável a multa quando a mercadoria importada e declarada in- devidamente for sujeita tributação; isto porque, s6 hã dife - rença de imposto, quando existe imposto, ou, em outras palavras diferença de ZERO é ZERO, quando se trata de isenção. 7.2. Diz a autoridade recorrida que no caso dos itens" acrescidos no exterior is mercadorias exportadas temporariamen te, a sua importação não é beneficiada pela isenção e se equipa ra a,uma importação normal; e mais: que o reingresso das merca- dorias, no estado em que foram exportadas temporariamente, é ca so de não incidência e não de isenção, e que não se comunica es ta não ' incidência aos itens aderidos, nos reparos feitos no ex- terior. 8. Analisemos, de per si; cada argumento. 8.1. O primeiro, o de que a importação dos itens aderi- 'dos is mercadorias reparadas no exterior se equipara a uma im - portação norma1,por isto que tributãvel (dai, caber a multa apli - ccada, pois existiria a base de cãlculo que seria a.diferença do tributo) se me afigura contraditório. Isto 'porque se a autorida 'de entende que tal importação é tributãvel, por que não a tribu tou? l'or que não impas ã autuada o recolhimento do Imposto de Importação que ela, autoridade, julga devido? por que s6 . a mul- ta foi aplicada? .8.2. ' Quanto ao outro argumen o de que a importaçãoem 1%, -b- .. 10. RECURSO:108.020 AGORDA0:303 -24.543 SERVIÇO FORMO FEDERAL reingresso, das mercadorias reparadas no exterior,. é caso de não ... --- incidência (que não se comunica nos itens aderidos) e, não, de ,isençao, honestamente, para'efeitos do disposto no art. 524 dá R.A., não vejo qual a diferença; ou melhor, não vejo onde a dife rença possa influir: num casq ou no outro (não'incidência ouisen çao) não ha imposto a cobrar, logo não havendo imposto, não diferença de imposto sobre .a qual se calcularia a multa de 50% prevista na lei. 8.3. De outra banda, exige o art. 524 que a diferença ,' para que incida a multa, tem de ser superior a 10% quanto ao pre ço e a 5% quanto quantidade; isto cumulativamente. S6 com a concomitincia destes dois dados é que se tipifica a incidênciada multa. 8.3.1. - Ora, no processo não consta elementos de aferição e de constataçao destas ocorrências, mesmo porque torna-se impossi vel armar a equação para se encontrar a diferença, pela s6 pre - sença do preço e da quantidade, ausente o outro dado, o valor do imposto,Aada a isenção ou, mesmo, a, não incidência, como quer a , digna autoridade recorrida. 9. Além do mais a Recte. p .romoveu a formalização da DCI, 'nos termos do art. 421, do R.A., ineXistindo, assim, possi- bilidade de se falarem declaração indevida ' , pela retificação temi pestiva. 10. Neste passo e nesta senda de raciocinio, não vejo • por carência de premissas quantitativas, como possa, em dosime - tria, aplicar qualquer penalidade a. autuada, ora Recte. 10.1. Por isto que, conhecendo do recurso, por tempesti - vo, dou-lhe provimento para cassar a exigência tributaria. E o meu voto. • - Sala das Sessões, em 22 il de 1986. . lor, 1 , SIDNEY D 'ESSO.,-,Relator • i •
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Numero do processo: 17460.000979/2007-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EMBARGOS OBSCURIDADE
Demonstrada a existência de obscuridade no Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos a fim de correção.
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
EMBARGOS COM EFEITO MODIFICATIVO.
Considerando que os embargos aclaratórios modificaram a decisão
anteriormente proferida, o contribuinte, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, deve ser intimado desse novo decisum, para, querendo, apresentar sua manifestação.
Numero da decisão: 2403-000.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em intimar o
contribuinte dando ciência do embargo e abrindo espaço para manifestação. Vencido o relator Carlos Alberto Mess Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cid
Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EMBARGOS OBSCURIDADE Demonstrada a existência de obscuridade no Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos a fim de correção. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. EMBARGOS COM EFEITO MODIFICATIVO. Considerando que os embargos aclaratórios modificaram a decisão anteriormente proferida, o contribuinte, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, deve ser intimado desse novo decisum, para, querendo, apresentar sua manifestação.
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Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado Conal Avionics Eletr de Aeronaves LTDA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EMBARGOS OBSCURIDADE Demonstrada a existência de obscuridade no Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos a fim de correção. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. EMBARGOS COM EFEITO MODIFICATIVO. Considerando que os embargos aclaratórios modificaram a decisão anteriormente proferida, o contribuinte, em respeito ao princípio do contraditório e da ampladefesa, deve ser intimado desse novo decisum, para, querendo, apresentar sua manifestação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em intimar o contribuinte dando ciência do embargo e abrindo espaço para manifestação. Vencido o relator Carlos Alberto Mess Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Cid Marconi Gurgel de Souza – Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000979/200786 Acórdão n.º 2403000.917 S2C4T3 Fl. 86 3 Relatório Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpõe embargos de declaração contra o Acórdão nº 2403000.259 de 20 de outubro de 2010, de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. A decisão do julgamento foi, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. O fundamento do embargo é que, no voto condutor do acórdão embargado, o relator considera preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso interposto pelo contribuinte, contudo, de acordo com as informações constantes do caderno processual, o recurso foi apresentado intempestivamente. Confirmo o equívoco que cometi e registro a necessidade de sanar o erro. De acordo com o aviso de recebimento de fls. 106, o Embargado foi intimado da decisão de primeira instancia em 21/02/2008, uma quintafeira. 0 prazo de trinta dias para a interposição do recurso voluntário terminaria em 22/03/2008 (sábado), deslocandose o termo final do prazo recursal para 24/03/2008 (segunda feira). Entretanto, verificase às fls. 109, que o recurso foi interposto em 26/03/2008, do que resulta ser intempestivo. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. De acordo com o informado no Relatório, no Acórdão embargado decidiuse, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Foi apontado equívoco no voto condutor do acórdão embargado. O equívoco foi reconhecido e decorreu da não observação do prazo para interposição do recurso. De acordo com o aviso de recebimento de fls. 106, o Embargado foi intimado da decisão de primeira instancia em 21/02/2008, uma quintafeira. 0 prazo de trinta dias para a interposição do recurso voluntário terminaria em 22/03/2008 (sábado), deslocandose o termo final do prazo recursal para 24/03/2008 (segunda feira). Entretanto, verificase às fls. 109, que o recurso foi interposto em 26/03/2008, do que resulta ser intempestivo. Entendo a intempestividade deve ser reconhecida e declarada. CONCLUSÃO: Avista do exposto voto por reconhecer a intempestividade do recurso e em conseqüência, não conheço do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000979/200786 Acórdão n.º 2403000.917 S2C4T3 Fl. 87 5 Voto Vencedor Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Redator Designado. O fundamento encontrado para a oposição de embargos declaratórios por parte da Fazenda Nacional reside no fato do eminente relator, Carlos Alberto Mees Stringari, quando instado a apreciar o recurso voluntário apresentado nos presentes autos, ter conhecido o recurso do contribuinte em razão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal. Assim, após ter conhecido o recurso, decidiu pela manutenção da cobrança inicialmente lançada pela auditoria acrescida do recálculo da multa de mora com previsão no art.35, caput, da Lei n 8.212/91 com a nova redação da Lei n 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte, tendo sido seu entendimento acompanhado por maioria de votos desta 3 Turma Ordinária da 4 Câmara da 2 Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 2403 000.259, de 20 de outubro de 2010). Todavia, entendeu a embargante que a empresa foi notificada da decisão de 1 instância, via A.R, em 21/02/2008 (quintafeira), tendo até a data de 24/03/2008 (segundafeira – primeiro dia útil após 22/03/2008 sábado) para apresentar o recurso voluntário, o que só o fez em 26/03/2008 (quartafeira), extrapolando o prazo legal de 30 (trinta) dias para apresentar a manifestação à 2 instância. Diante desse fato alegado pela embargante, o Douto Relator reconheceu seu equívoco quando do julgamento pela parcial procedência do recurso voluntário e entendeu que este foi apresentado intempestivamente, impedindo seu conhecimento. Sendo assim, considerando que os embargos aclaratórios modificaram a decisão anteriormente proferida, entendo que o contribuinte, em respeito ao princípio do contraditório e da ampladefesa, deve ser intimado desse novo decisum, para, querendo, apresentar sua manifestação. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 37085.003284/2005-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2005
APOSENTADO. CONTRIBUIÇÃO
O aposentado pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS
que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social.
Numero da decisão: 2403-000.823
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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CONTRIBUIÇÃO O aposentado pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, acórdão 1029.7717ª turma, que julgou improcedente a impugnação. O processo versa sobre pedido de restituição de contribuições relativas às competências 02 a 06/2005. A recorrente alega que requereu aposentadoria por tempo de contribuição em 18/02/2005, que a concessão ocorreu em 16/07/2005, com vigência a partir de 18/02/2005 e que recolheu a maior no período 02 a 06/2005. Inicialmente o pedido de restituição foi indeferido pelo Despacho Decisório DRF/PEL 644/2010. Após esse indeferimento, houve manifestação de inconformidade julgado improcedente pela DRJ Porto Alegre, conforme mencionado acima. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que em 19/10/2005 apresentou GFIP retificando os valores devidos, reduzindoos para uma base de cálculo igual a 1 salário mínimo. É o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37085.003284/200526 Acórdão n.º 240300.823 S2C4T3 Fl. 160 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A Lei 8.212/91 estabelece que é segurado obrigatório como contribuinte individual o titular de firma individual que recebe remuneração decorrente de seu trabalho. Para não restar dúvida, existe citação expressa sobre o aposentado pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime. Ele é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições para fins de custeio da Seguridade Social. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual:(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 4º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Verifica se nas folhas de pagamento e GFIP encontradas no processo que Gladis Bittencourt Chagas trabalhou e foi remunerada por exercer a função de sócia gerente da empresa Gladis Bittencourt Chagas ME. Segundo consta dos documentos, a remuneração mensal foi de R$ 1.308,52. Registro que as folhas de pagamento estão assinadas pela senhora Gladis. Segundo o artigo 28 da Lei 8.212/91, o salário de contribuição do contribuinte individual é a remuneração auferida durante o mês. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por Fl. 169DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). As GFIPs retificadoras, que informam que a remuneração da senhora Gladis foi menor que o constante nas GFIPs originais e nas folhas de pagamento não podem ser aceitas. Os recolhimentos estão de acordo com as folhas de pagamento e não vejo fundamento para rstituição. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 170DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11962.000239/2007-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Se o princípio da retroatividade benigna não foi nem mesmo utilizado como fundamento do acórdão embargado, não há que se alegar obscuridade quanto aos requisitos para a sua aplicação.
Numero da decisão: 1802-001.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os
embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Se o princípio da retroatividade benigna não foi nem mesmo utilizado como fundamento do acórdão embargado, não há que se alegar obscuridade quanto aos requisitos para a sua aplicação.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11962.000239/200711 Acórdão n.º 180201.128 S1TE02 Fl. 82 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, visando sanar alegado vício de obscuridade constante do Acórdão nº 180200.954, proferido por este colegiado na sessão de 03/08/2011, às fls. 68 a 74. O presente processo tem por objeto lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à multa de mora e juros de mora, os quais foram exigidos isoladamente por meio de auto de infração. O motivo da autuação é que a Contribuinte, ao quitar em atraso a CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2002, deixou de recolher integralmente a multa de mora, e também recolheu algumas parcelas de juros a menor. O acórdão embargado apresentou a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO SEM OS ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA E JUROS, ISOLADAMENTE A Lei 11.941/2009 admitiu a quitação de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008 com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e redução de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora, para os Contribuinte que quitassem estes débitos à vista, assim considerados os pagamentos realizados até 30 de novembro de 2009, conforme definido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. Se antes da Lei 11.941/2009 houve a quitação da rubrica principal, com juros em percentual bem maior do que aquele que seria exigido pela referida lei, não é razoável que se exija da Contribuinte um novo recolhimento da mesma rubrica, sem a multa de mora e com juros reduzidos, para que ela pudesse, aí sim, ver reconhecida a dispensa dos referidos acréscimos. No caso, o efeito produzido pela Lei 11.941/2009 foi simplesmente dispensar a exigência que vinha sendo feita em relação aos acréscimos legais, porque os requisitos para isso já estavam atendidos. A exigência destes acréscimos não pode subsistir após a mencionada lei. A ciência da PFN ocorreu em 24/10/2011, segundo as regras contidas nos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto 70.235/1972 – PAF, e os Embargos de fls. 78/79 foram apresentados em 28/10/2011. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11962.000239/200711 Acórdão n.º 180201.128 S1TE02 Fl. 83 3 De acordo com a Embargante, a obscuridade que justifica a oposição dos presentes embargos de declaração diz respeito à observância dos requisitos legais para obtenção da redução da multa e dos juros moratórios, pois a aplicação do princípio da retroatividade benigna só cabe quando a lei extingue ou reduz penalidade em situação idêntica. Ela destaca que o art. 1°, § 3°, I, da Lei nº 11.941/2009 foi claro ao prever que o Contribuinte somente teria direito à remissão dos juros e à anistia das multas se efetivasse o pagamento à vista dos débitos existentes naquela data, e que, na hipótese destes autos, o débito que originou a aplicação da multa e dos juros de mora foi pago em atraso em 2003, ou seja, o valor principal já não era devido na época da entrada em vigor da Lei nº 11.941/09. Nesse passo, conclui a Embargante: Com efeito, a quitação da CSLL relativa ao 1º, 2° e 3° Trimestres de 2002 ocorrera ainda durante o ano de 2003, sendo certo que o auto de infração em discussão nestes autos diz respeito unicamente aos juros e à multa de mora devidos de forma isolada em razão do pagamento em atraso. Assim, ao contrário do que dá a entender o v. acórdão embargado, não há como determinar a aplicação retroativa do art. 1°, § 3º, I, da Lei nº 11.941/2009 devido à retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional. Isso porque as situações são bem diferentes. O direito à anistia e remissão previsto no referido dispositivo da Lei nº 11.941 depende do pagamento à vista de débitos principais existentes em 27.5.2009. Já o débito principal que deu causa aos juros e à multa moratória em cobrança nestes autos foi pago em atraso durante o ano de 2003. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que, sanada a apontada obscuridade, sejam conferidos efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração. Este é o Relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11962.000239/200711 Acórdão n.º 180201.128 S1TE02 Fl. 84 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator Os Embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Conforme relatado, o processo versa sobre lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à multa de mora e juros de mora, os quais foram exigidos isoladamente por meio de auto de infração. A autuação decorreu do fato de a Contribuinte ter quitado em atraso a CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2002, sem o recolhimento da multa de mora e com recolhimento a menor a título de juros. O acórdão embargado deu provimentos ao recurso voluntário, apresentando os seguintes fundamentos: Realmente, a Lei 11.941/2009 admitiu a quitação de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008 com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e redução de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora, para os Contribuintes que quitassem estes débitos à vista, assim considerados os pagamentos realizados até 30 de novembro de 2009, conforme definido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. No caso, os Demonstrativos do auto de infração indicam claramente que houve integral quitação da rubrica principal. Como já foi mencionado, o auto de infração sob exame faz exigência apenas dos acréscimos legais, de forma isolada. Embora a quitação da rubrica principal tenha ocorrido antes da Lei 11.941/2009, não faria nenhum sentido exigir que a Contribuinte recolhesse novamente esta mesma rubrica, sem a multa de mora e com juros reduzidos, para que pudesse, aí sim, ver reconhecida a dispensa dos referidos acréscimos. Para a situação aqui analisada, o efeito produzido pela Lei 11.941/2009 foi simplesmente dispensar a exigência que vinha sendo feita em relação aos acréscimos legais, porque os requisitos para isso já estavam atendidos. Com efeito, a Contribuinte já havia quitado integralmente a rubrica principal, tendo também recolhido juros em percentual bem maior do que aquele que seria exigido pela Lei 11.941/2009, conforme ilustra o quadro abaixo: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11962.000239/200711 Acórdão n.º 180201.128 S1TE02 Fl. 85 5 1º Trim. 2002 2º Trim. 2002 3º Trim. 2002 TOTAL Juros devidos 85.908,78 38.076,29 968,92 124.953,99 Juros recolhidos 79.739,54 33.063,22 575,60 113.378,36 Juros a pagar 6.169,24 5.013,07 393,32 11.575,63 Como já mencionado, a referida lei exigiria o recolhimento de apenas 55% dos juros devidos, dispensando os 45% restantes, no caso de pagamento à vista, assim considerado aquele que fosse realizado até 30 de novembro de 2009. Portanto, os requisitos já estavam atendidos, e a exigência dos acréscimos legais não pode subsistir após a Lei 11.941/2009. Em nenhum momento o acórdão embargado fez aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN. O seu fundamento é que a Lei 11.941/2009 introduziu norma que dispensava os acréscimos que vinham sendo exigidos neste processo, desde que a Contribuinte recolhesse a vista a rubrica principal de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, sem a multa de mora e com redução de 45% nos juros, considerados a vista os pagamentos realizados até 30 de novembro de 2009, conforme definido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. O processo em referência trata especificamente de exigência de multa de mora e juros, isoladamente, exatamente as rubricas que a referida lei dispensou. No caso, a Contribuinte já havia quitado a rubrica principal muito antes do prazo fixado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009 (30/11/2009), e não há qualquer razoabilidade em exigir que ela recolhesse novamente esta mesma rubrica, sem a multa de mora e com juros reduzidos, para que pudesse, aí sim, ver reconhecida a dispensa dos referidos acréscimos. A título de ilustração, é interessante pensar em um Contribuinte que recolheu débito em atraso, com o acréscimo dos juros moratórios, um dia antes da vigência da Lei 11.941/2009. Nesse caso, ele deveria, então, no dia seguinte, recolher um valor menor do que havia recolhido no dia anterior (em razão da redução nos juros), para enquadrarse na nova norma. Tal entendimento não é razoável, e nem lógico. A situação sob exame é exatamente a mesma do exemplo acima. A diferença é que o pagamento ocorreu em 2003. É por isso que sustentamos que o efeito da Lei 11.941/2009 foi simplesmente dispensar a exigência que vinha sendo feita em relação aos acréscimos legais, porque os requisitos para isso já estavam atendidos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11962.000239/200711 Acórdão n.º 180201.128 S1TE02 Fl. 86 6 Não se trata de retroatividade benigna, mas de dispensa direta decorrente da nova lei, posto que as rubricas que estavam sendo exigidas (multa de mora e juros de mora) foram por ela desoneradas. Vale apenas registrar que o princípio da retroatividade benigna está relacionado aos casos em que uma nova lei deixa de tratar determinado ato como infração, ou passa a lhe cominar sanção menos severa que a prevista anteriormente. Assim, o mesmo tratamento previsto para os atos futuros (que são o objeto da nova lei) é estendido aos atos praticados anteriormente, que são atingidos indiretamente, por força de um princípio geral do direito – retroatividade benigna. Mas não é esse o caso da Lei 11.941/2009, eis que ela própria já é diretamente voltada para o passado, dispensando exigências relativas a “débitos vencidos até 30 de novembro de 2008”. Nestes termos, não há que se falar em retroatividade benigna, e muito menos em obscuridade quanto aos requisitos para a sua aplicação. Finalmente, é oportuno assinalar que a introdução de regras de anistia normalmente já penaliza aqueles Contribuintes que cumpriram anteriormente com suas obrigações. Mas nesse caso, se prevalecesse o entendimento da Embargante, penalizaria duplamente, porque além de a Contribuinte já ter recolhido valor maior do que o exigido pela Lei 11.941/2009 (pelo menos no que diz respeito aos juros de mora), teria ela de pagar novamente para fruir do mesmo tratamento dado aos Contribuintes que estavam totalmente inadimplentes. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14041.001074/2008-57
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
Ementa:
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.868
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
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Numero do processo: 10907.002339/2002-61
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 05/03/1999 a 06/04/2000
Mercadorias direcionadas ao canal cinza. Valor da transação não aceito, porém, não provado que o mesmo é uma fraude, portanto, descabido o arbitramento do valor aduaneiro, por método substitutivo sem que critérios previsto no AVA tenham sido observados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/03/1999 a 06/04/2000 Mercadorias direcionadas ao canal cinza. Valor da transação não aceito, porém, não provado que o mesmo é uma fraude, portanto, descabido o arbitramento do valor aduaneiro, por método substitutivo sem que critérios previsto no AVA tenham sido observados. Recurso Voluntário Provido.
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Valor da transação não aceito, porém, não provado que o mesmo é uma fraude, portanto, descabido o arbitramento do valor aduaneiro, por método substitutivo sem que critérios previsto no AVA tenham sido observados. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. 12, ----‘'OL, enrique Pinheiro Torres - Presidente I Valdete Ap rec . a/Mainheiro - Relatora EDITADO EM: 05/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. 1 Relatório Por bem relatar, adota-se o Relatório de fls. 505 a 506 dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, acórdão ri". 07-8.547 por meio do voto do relator Iugho flcemoto, nos seguintes termos: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 07 por meio do qual são feitas as exigências de R$ 54.288,48 (cinqüenta e quatro mil duzentos e oitenta e oito reais e quarenta e oito centavos) de Imposto de Importação (II), R$ 40.716,36 (quarenta mil setecentos e dezesseis reais e trinta e seis centavos) de multa de lançamento de oficio do II, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, I, da Lei n 9.430 de 27/12/1996 — DOU 30/12/1996 e juros de mora. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02/03 tudo decorreu do fato de a mercadoria em questão haver sido direcionada para o canal cinza. A mercadoria direcionada a esse canal é submetida a procedimentos especiais de controle, entre os quais está o da conferência do valor aduaneiro. Quando a fiscalização intimou a importadora a apresentar circunstanciada e detalhadamente informações sobre a realização dos negócios dos quais originaram as importações em tela ela não as prestou adequadamente, motivo pelo qual a autoridade fiscal procedeu à valoração com base em DIs paradigmas do mesmo país de origem, que fazem prova no sentido de que muitas outras importações de mercadorias similares foram efetuadas com valores bastante superiores aos declarados pela autuada. O método substitutivo está autorizado pelo art. 86 da Medida Provisória (MP) n' 2.158-35 de 24/08/2001 - DOU 27/08/2001. Lavrado o Auto de Infração em tela e intimada a autuada em 29/10/2002 (fl. 394), em 28/11/2002 ff I. 395), ela ingressou com a impugnação de fls. 395 a 400 por meio da qual alega em síntese: - nos termos do parágrafo único do art. 1' da IN/SRF ri' 16, de 16/02/1998 o valor aduaneiro da mercadoria importada é o da transação, conforme definido no art. 1 2 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT/1994; - assim, somente e exclusivamente no caso de a autoridade aduaneira desconhecer a valor de transação da mercadoria é que poderá adotar qualquer dos métodos substitutivos previstos na IN/SRF 16/1998 (transcreve ementas de acórdãos e decisões administrativas às fls. 397/398 para embasar sua tese); - ademais, está provada a habitualidade e constância das transações efetuadas sempre com o mesmo exportador, Intexport Trading Company Inc., razão pela qual ela aplica preços privilegiados a Terry Têxtil Ltda.; 4;\ 2 f Processo n° 10907.002339/2002-61 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.272 Fl. 571 - a alteração do valor aduaneiro, posteriormente à liberação da mercadoria, que deve ocorrer no prazo máximo de 5 (cinco) dias, nos termos do art. 447 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 12' 91.030/1985, sem qualquer impugnação por parte da autoridade fiscal, constitui mudança de critério jurídico, vedada pelos arts. 146 e 149 do CIN (transcreve ementas de acórdãos judiciais às fls. 398 a 400). Pede o cancelamento da exação em tela." A decisão recorrida emanada do Acordão n° 07-8.547 — 2° Turma da DRJ/FNS de fls. 504 e 505, traz a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 05/03/1999 a 06/04/2000 Ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO E REVISÃO ADUANEIRA. O mero desembaraço de mercadoria importada sem a declaração da autoridade fiscal, no sentido de que o autolançamento procedido pela importadora, mediante a Declaração de Importação - DI, está homologado, não constitui adoção de critério jurídico da matéria de direito contida nessa DI A revisão aduaneira, nas Declarações de Importação não expressamente homologadas, pode ser procedida dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da data do fato gerador, ou conforme o caso, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VALOR ADUANEIRO Valor aduaneiro das mercadorias importadas é aquele a ser considerado para fins de incidência de direitos aduaneiros ad valorem sobre elas, assim ele não é necessariamente o valor de transação (embora a transação seja a principal referência), ou o declarado na DI e, se for considerado muito baixo, pode ser alterado ex officio pelo fisco através da utilização das Normas sobre Valoração Aduaneira do GAT7' e do princípio da razoabilidade. CANAL CINZA - PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE CONTROLE - VALORAÇÃO ADUANEIRA r Quando a importação for parametrizada para o canal cinza a mercadoria será submetida a procedimentos especiais de controle, entre os quais está o de valoraçã o aduaneira, através dos quais o valor declarado pelo importador poderá ser mantido, ou alterado. Ao importador cabe apresentar todas as informações solicitadas pelo fisco, sob pena de o valor aduaneiro vir a ser estabelecido com os elementos que a fiscalização dispuser. /17/ 3 Alterado de oficio, através do lançamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador cabe a ele (importador) se quiser modificar essa alteração fazer a prova de que ele não é razoável. Lançamento procedente". Irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes (fls. 533 a 537) através de procurador, onde alega, em suma: I —Preliminarmente destaque que sua impugnação mereceu votos favoráveis do Sr. Presidente da 2° Turma de Julgamento e de outro julgador conforme fls. 505 no Acórdão recorrido; II— Ainda, que houve cerceamento ao direito de defesa, nos termos de fls.527 relativos aos dados de outros importadores, que ensejariam conhecimento de outras diferenças de preços de importação aventados em autuação, omitidos sob a alegação de estarem protegidos pelo sigilo fiscal; III — Reportanto a sua impugnação, afirma que suas razões de defesa estão fundamentadas em jurisprudência firmada pelo então Conselho de Contribuintes, nos recursos n° 116.353 — acórdão 303-28.495 e n° 117.773 — acórdão 303-28449 citando-os em fls 535 e 536 e mais o processo administrativo 11128.005803/98-72, bem como na esfera judicial ao julgamento dos Processos de Remessa Ex Officio n° 94.197 — SC, Remessa Ex Officio n° 104.992 — MG, Apelação Cível n° 78.342 — MG, proferidas pelo Egrégio Tribunal Federal de Recursos; IV — Assim, como a decisão recorrida desconsiderou tais jurisprudências, a Recorrente, agora em grau de Recurso Voluntário, requer a consideração dos mesmos acórdãos e decisões em prol do direito da importadora no presente processo para prevalecer os preços transacionados com o exportador nas faturas que fundamentaram os despachos aduaneiros em exame, pela habitualidade e constância das transações, como justo e certo, com a declaração de IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO , IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, e anulação do crédito tributário nele destacado, em principal, multas e juros. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A questão discutida nesse processo é o valor aduaneiro de mercadorias importadas pela Recorrente que redundou na lavratura do AI de fls. 01 a 07. Não obstante, o fato de a mercadoria em questão ter sido direcionada para o canal cinza, a Recorrente atendendo procedimentos especiais de controle respondeu a intimação feita pela fiscalização fls. 26, de apresentar informações circunstanciada e detalhadas sobre a realização dos quais originaram as importações em tela. 4 11 c(\ • Processo n° 10907.002339/2002-61 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.272 Fl. 572 Tal resposta da Recorrente, entretanto, não foi considerada satisfatória pela fiscalização que em conseqüência procedeu com a valoração com base em DIs paradigmas do mesmo pais de origem, que fazem prova no sentido de que muitas outras importações de mercadorias similares foram efetuadas com valores bastante superiores aos declarados pela Recorrente. A fiscalização sustentou seu trabalho de utilização do método substitutivo com base no art. 86 da MP n° 2.158-35 de 24/08/2001 — DOU 27/08/2001, lavrando o AI em tela. A decisão recorrida com base no voto do julgador relator Iugho IKemoto, manteve o lançamento tributário por maioria de votos, entretanto, não é conhecido os motivos dos julgadores que julgaram pela improcedência do lançamento ou votaram pelas conclusões, pois, não há declaração de voto em separado. Agora se atendo as questões recursais, a Recorrente ressalta que houve cerceamento ao direito de defesa, porque os dados relativos a outros importadores aventados na autuação, foram omitidos à Recorrente, sob a alegação de estarem protegidos pelo sigilo fiscal. Esse aspecto foi enfrentado pelo voto vencedor da decisão recorrida em fls. 527, cujo parágrafo transcrevo: "De se observar que os dados relativos a outros importadores, por estarem protegidos pelo sigilo fiscal, não podem ser totalmente apresentados pela fiscalização, caso a peticionaria queira obter maiores informações sobre eles deve requerer junto ao Poder Judiciário" Ocorre, que não é bem assim, na condição de julgador tenho que conhecer a base da autuação se foram outras DIs de mercadorias iguais ou similares, importadas do mesmo pais e com valores bem superiores, isso não pode estar apenas aventado no relatório de fiscalização, e muito menos tenho que suportar a alegação de estarem protegidos pelo sigilo fiscal. A Recorrente, apresentou as informações que julgou suficiente, quanto ao negocio realizado, reconhecendo que o valor da transação foi beneficiado pela fidelidade da Recorrente com o exportador. Entretanto, essas informações foram consideradas insatisfatórias pela fiscalização com base no artigo32 da IN SRF 16, de 16/02/1998, transcrita em fls. 513 dos autos. Mais uma vez entendo que o trabalho fiscal não justificou a insatisfação das informações prestadas pela Recorrente, pois, na verdade, não se trata de serem as informações satisfatórias ou não, mas suficientes ou não para a aceitação do valor declarado como preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada. Se a fiscalização duvidou ou suspeitou da veracidade do valor da transação declarado pelo contribuinte, esse é o caminho para investigar, pois, provado que o valor da transação declarado é uma fraude, cabe o arbitramento do valor aduaneiro, por método substitutivo que pode ser o valor importado da mesma mercadoria ou similar por outros importadores. or 5 Nesse caso, porém, não há provas de fraude do Recorrente, e muito menos que as DIs que serviram para o arbitramento do valor aduaneiro, se refere a mesma mercadoria ou similar. Além, do mais, é da essência do sistema, em qualquer dos critérios estatuídos, que o preço em exame sejam comparáveis, levando-se em conta tempo, lugar, quantidade e nível de negociação conforme o disposto no artigo 1°, 2°, b e art. 2° - I- a e b do AVA, conforme disposto no voto de fls. 446. Nesse mesmo voto, destaca-se que "As quantidades comercializadas, o nível - que se opera a negociação atacadista — varejista — etc, além da época e lugar de ingresso da mercadoria , são fatores de relevância na influencia do preço, que se procedam a ajustes compatíveis e comprováveis a fim de que se alcance a realidade do valor aduaneiro (art. 2° - I — b — nota ao art. 2° - 1/5 — AVA). No caso o paradigma em exame não conhecemos, ou não visualizamos no processo, portanto, falha no trabalho fiscal. Nesse mesmo ritmo, a decisão recorrida, através do voto de fls. 514 traz o artigo 82 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 que regulamenta a administração das atividades aduaneiras etc e já no caput do artigo encontramos o comando que falta nesse processo, ou sei a: "Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoraçã o Aduaneira, Artigo 17 aprovado pelo Decreto Legislativo n°30 de 1994 e promulgado pelo Decreto e 1.355, de 1994): (.)" Portanto, com base em parecer fundamentado, condição não cumprida, pois, esse não existe nesse processo. Ainda, no parágrafo único desse mesmo artigo está prescrito que a autoridade aduaneira poderá solicitar informações à administração aduaneira do país exportador, inclusive o fornecimento do valor declarado na exportação da mercadoria. Mesmo que poderia, não foi feito para justificar o valoração aduaneira realizada pelo fisco. Quanto a valoração aduaneira, ainda temos a Opinião Consultiva n° 2.1 da Instrução Normativa SRF n° 17, de 16.02.98 (Revogada pela IN n° 318, de 4 de abril de 2003 que divulgou atos emanados do Comitê de Valoração, que ao contrário do entendimento esposto no voto de fls. 520 a aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas sem restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira, não traz ao presente caso apenas considerar insatisfatória as informações da Recorrente para atribuir valoração aduaneira superior ao valor da transação. Cabe sim, a autoridade aduaneira provar que as informações e documentos da Recorrente não são verdadeiros ou são inexatos, pois, o seu direito assegurado de questionamento sem restrição está substanciado nesse trabalho. Nesse mesmo sentido, seria obsurdo exigir que o contribuinte produzisse provas contra si mesmo. Se o Recorrente apresentou as informações sobre a empresa, (industria pequena, diga-se de passagem) com documentos contábeis, provas de outras importações com o mesmo exportador e valor de transação, documento do exportador traduzido, esclarecimentos sobre a transação e os indicou como verdadeiros e exatos, não cabe a ele provar ao contrário. 6 Processo n° 10907.002339/2002-61 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.272 Fl. 573 Portanto, não se trata de inversão do ônus de prova, a cada parte cabe provar sua verdade, sem eliminação da autoridade aduaneira de exercendo seu direito de questionamento, provar que a informação não é exata ou verdadeira. Isto posto e demais razões existentes no presente processo administrativo, não acato a preliminar de cerceamento de defesa da Recorrente, por improcedente, uma vez que o contraditório existiu e lhe foi garantido a mais ampla defesa, para no mérito DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, por julgar insubsistente a acusação fiscal. Valdete Apare ida 2rinheiro 7
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Numero do processo: 19311.000191/2009-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdencidrias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR
Integra o salário -de-contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza (relator), Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees stringari.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza (relator), Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees stringari. Carlos Alberto Mees Strin ari — Presidente e Redator Designado Ci. Marconi Gurgel de Souza - Relator 1 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. 2 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo no 19311.000191/2009-71 82-C4T3 Acórdão n.° 2403-000.786 Fl. 129 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado As fls. 115 a 119 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls.103 a 106) que julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançament constante no Auto De Infração De Obrigação Principal n° 37.227.753-5 cujo valor originário era de R$ 20.868,90 (vinte mil, oitocentos e sessenta e oito reais e noventa centavos), tendo sido reduzido para R$ 6.089,43 (seis mil e oitocentos e nove reais e quarenta e três - centavos) após decisão de 1 instância que reconheceu como decadentes as competências 01/2004 a 05/2004 com base no art.150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional Conforme Relatório Fiscal as fls. 15 a 17, a autuação pretende constituir crédito tributário relativo as contribuições previstas no art.22, incisos I e 11 , da Lei n 8.212/91, incidentes sobre os benefícios concedidos pela empresa mediante o fornecimento de cesta básica, sem a devida inscrição no PAT, durante o período de 01/2004 a 12/2004. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 15/05/2009 e apresentou impugnação as fls.67 a 69 alegando: - Que os valores relativos a cesta básica não foram recolhidos, uma que tais montantes eram descontados das quantias recebidas pelos funcionários; - Que nosso ordenamento jurídico prevê como salário a habitação, alimentação e outras prestações "in natura"; - Que a doutrina especifica as hipóteses que o salário "in nanny" integra o salário, o que não é o caso em questão. Por fim, requereu o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito. Alternativamente, requereu a aplicação da multa em patamar mínimo. Instada a manifestar-se acerca da impugnação, a 6' Turma da DRJ/Campinas/SP proferiu acórdão (n° 05-29.494) nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciórias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. Ê de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de ter havido recolhimento parcial, da data do fato gerador. PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÕES PAGAS PELA EMPRESA AOS TRABALHADORES QUE LHE PRESTAM SERVIÇOS. CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA. 3 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO A empresa é obrigada a recolher ao INSS, no prazo legal, as contribuições previdencidrias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações por ela pagas aos segurados empregados que lhe prestam serviços. INSCRIÇÃO NO PAT. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CESTA BÁSICA. CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA. 0 fornecimento de cesta básica para os empregador, por empresa que não comprovou estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, sujeita-se às contribuições previdenciarias. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário As fls. 115 a 119, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação. o relatório. 4 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n° 19311.000191/2009-71 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-000.786 Fl. 130 Voto Vencido Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I — DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OS VALORES PAGOS A TITULO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA: A grande celeuma é saber se a contribuição previdencidria incide sobre a parcela relativa A alimentação (competências 06/2004 a 12/2004), mesmo que a empresa não esteja inscrita no PAT. Sobre essa parcela ser ou não integrante da base de cálculo das contribuições previdencidrias, é importante destacar o posicionamento de nossos Tribunais, em especial o do Superior Tribunal de Justiça - STJ, órgão competente para apreciar as divergências de interpretação que ocorrem na análise das legislações infraconstitucionais. Analisando a Lei n 8.212/91 na parte que trata das verbas que não integram o salário-de-contribuição, o STJ firmou seu entendimento no sentido de que a parcela relativa ao fornecimento de alimentação, desde que essa prestação seja in naiura ao quadro de funcionários, não pode sofrer a incidência da contribuição previdencidria, vejamos: RESP n 1.051.294/PR (2008/0087373-0) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - SALÁRIO IN NATURA - DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR-PAT - NÃO- INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura , ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdencidria, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador- PAT. 2. Recurso especial não provido.(STI, RESP o 1.051.294/PR, 2 Turma, Min. Relatora Eliana Ca/moo, D.O.0 de 05/03/2009). Destacou-se. RESP n 895.146/CE (2006/0229842 -6) EMENTA TRIBUTÁRIO. EMBARGOS A EXECUÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AUXILIO-ALIMENTAÇÃO. PARCELAS PAGAS EM PECÚNIA, EM CARÁTER HABITUAL E REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. PRECEDENTES. 5 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO 1.Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 5' Regido segundo o qual: "A ajuda- alimentação, paga pelo Banco do Brasil, mediante crédito em conta-corrente, aos seus empregados, não configura salário in natura, e sim, salário, sobre o qual incidirá desconto de contribuição previdenciária, FIOS temos do Regulamento do Custeio da Previdência Social. " 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxilio-alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdencidria, por não constituir natureza salarial, este'a o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais 3. Na espécie, as parcelas referentes a ajuda-alimentação foram pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, mediante depósito em conta-corrente dos respectivos valores, integrando, assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Precedentes: REsp n° 433230/RS; REsp n° 447766/RS; REsp n° 330003/CE; REsp n° 320185/RS; REsp n° 180567/CE; REsp n° 163962/RS; REsp n° I99742/PR; REsp n° I12209/RS; REsp n ° 85306/DF e EREsp 603509/CE. 5. Recurso especial não-provido. (STJ, RESP n 895.146/CE, 1 Turma, MM. Relator José Delgado, D.O.0 de 19/04/2007). Destacou-se. Desse modo, a incidência da contribuição social só poderá ocorrer sobre as parcelas pagas em pecúnia pelo empregador, o que não foi verificado no caso em tela, tendo em vista que a recorrente forneceu alimentação aos seus segurados através de cestas básicas. Sendo assim, o pagamento realizou-se nos moldes da Lei n 8.212/91, que, em seu art.28, determina que apenas será excluída da base de cálculo da contribuição social previdencidria a parcela concedida in natura, vejamos: Art.28 — ,sS 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n° 19311.000191/2009-71 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-000.786 Fl. 131 Diante do exposto, mesmo que a empresa não esteja inscrita no PAT, a alimentação por ela fornecida estará isenta de tributação, tendo em vista que a exigência da inscrição no programa do Governo Federal constitui formalidade exacerbada que não pode desvirtuar o caráter não remuneratório dessa verba, e consequentemente sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, diante dos motivos expostos e após ampla reflexão acerca do tema ora discutido, entendo pela exclusão do levantamento "SALÁRIO INDIRETO — CESTA BASICA". CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DAR-LHE PROVIMENTO. Cid arconi Gurgel de Souza. 7 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO Voto Vencedor Inicialmente farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA N° 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os ecursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPITULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 10 0 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Quanto ao auxilio-alimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o beneficio não integre a base de cálculo das contribuições previdencidrias. O inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991, assim dispõe sobre o salário -de-contribuição: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo a disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do beneficio. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de salário-de-contribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, 8 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n° 19311.000191/2009-71 82-C4T3 Acórdão n.° 2403-000.786 FL 132 vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (..)Grifamos Assim o fez a Lei n° 8.212/91 em sua alínea "c", do §9° do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: ,sç 9 0 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari 9 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO
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