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Numero do processo: 13051.000096/2009-07
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPUGNAÇÃO. PROVAS.
ÔNUS DA DEFESA.
A manifestação de inconformidade apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para incidência de correção monetária ou de quaisquer outros acréscimos sobre o ressarcimento de créditos do PIS.
Numero da decisão: 3803-003.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. ÔNUS DA DEFESA. A manifestação de inconformidade apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para incidência de correção monetária ou de quaisquer outros acréscimos sobre o ressarcimento de créditos do PIS.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. ÔNUS DA DEFESA. A manifestação de inconformidade apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para incidência de correção monetária ou de quaisquer outros acréscimos sobre o ressarcimento de créditos do PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1527.330, da DRJ/SalvadorBA, de 31 de maio de 2011, fls. 266/270, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada apresentou Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER por meio do qual solicita o saldo credor de PIS, oriundo do regime não cumulativo, referente ao 4º trimestre de 2008. Conforme apontado pela Fiscalização da DRF/Santa Cruz do Sul, do exame do pedido foi constatado que os valores solicitados eram superiores aos efetivamente existentes. As divergências estão descritas no Relatório de Ação Fiscal de fls. 21/24. As divergências apontadas foram assim sintetizadas: 1. Erro no cálculo dos créditos presumidos agroindustriais. 2. Base de cálculo da contribuição calculada a menor. Em decorrência da citada Ação Fiscal foi lavrado Auto de Infração, fls. 17/20, destacando as contribuições apuradas e o crédito total encontrado. Declarou a Fiscalização que o auto de infração foi formalizado nos termos do § 4º, do art. 9º, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 20091, para registrar infração à legislação tributária sem exigência de crédito tributário. O despacho decisório de 19 de outubro de 2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul, fl. 43, baseouse no Parecer DRF/SCS n° 151/2009 fls. 41/42, que por sua vez resultou da dita Ação Fiscal. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 161/168, contrapondose ao despacho decisório, ao tempo em que abordou as questões levantadas na ação fiscal, na qual alegou que: a) a contabilidade da contribuinte não foi fiscalizada, e não lhe foram solicitadas informações, prejudicando o contraditório na ação fiscal e a ampla defesa no nesse procedimento. b) a Fiscalização equivocouse na apuração da base de cálculo da contribuição, visto que não considerou as exclusões previstas em lei para as sociedades cooperativas agroindustriais. Considerando a inconsistência da Fiscalização, insubsistente o despacho decisório emitido com amparo na base precariamente apurada; 1 Art. 9º. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 4º. O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (...) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13051.000096/200907 Acórdão n.º 3803003.445 S3TE03 Fl. 2 3 c) ao calcular o crédito presumido agropecuário, a Fiscalização não considerou a compra de leitões para produção em regime de parceria integrada com os cooperados e a compra de milho para industrialização; d) mesmo se considerados os débitos apurados pela Fiscalização e deles fossem descontados os créditos, ordinários e presumidos, também apurados pela Fiscalização, a contribuinte teria saldo credor em todos os períodos, não se justificando a glosa dos créditos restituíveis; e) considerando que a glosa protelou indevidamente a restituição do crédito da contribuinte, esta faz jus à atualização do crédito restituível com a aplicação da Selic. Ao fim, requereu diligência fiscal para apuração dos fatos invocados na manifestação de inconformidade. Em julgamento da lide, a DRJ/Salvador declarou fazer análise, a um só tempo, da manifestação de inconformidade e da impugnação, por serem de mesmo teor. Rejeitou o pedido de diligência realizado pela impugnante por não atender aos requisitos legais, porquanto não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, em total desacordo com o transcrito artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 19722. Também, ressaltou, por não ser papel da diligência fiscal suprir a deficiência da defesa da contribuinte, buscando a apuração dos fatos alegados na manifestação de inconformidade e os elementos de prova não carreados pela Manifestante ao processo. Exclusões da base de cálculo Neste ponto a Relatora a quo anotou que a condição da contribuinte, de ser Cooperativa, foi considerada pela Fiscalização, e, sob esse prisma, foram feitas as devidas exclusões, conforme previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e artigo 33 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002 (alterada pela IN SRF n° 358, de 2003). Destacou que a manifestante deixou de apontar especificamente quais valores a que teria direito não foram excluídos, alegando apenas genericamente que a apuração da Fiscalização foi inconsistente, e que deveriam valer, nesse caso, os valores encontrados pela 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, qualificação profissional de seu perito; § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) § 4.° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos; § 5. ° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Cooperativa, conforme informados em uma tabela à folha 165. E, para confirmar esses valores apresentados por ela, a interessada novamente requisita diligência fiscal. Crédito presumido agropecuário, relativamente: a) à compra de leitões para produção em regime de parceria integrada com os cooperados. Consignou que a interessada anexou um relatório denominado "Movimento de NF Entradas", em que constaria todas as aquisições de leitões de associados. Considerou, porém, que tal documento não permite a comprovação da alegação da manifestante, visto que desacompanhado das notas fiscais ou elementos que demonstrassem se tratar realmente da aquisição de leitões. Créditos da não cumulatividade. A interessada queixouse que mesmo se fossem adotados como débitos os apurados pela Fiscalização e os descontasse dos créditos, ordinários e presumidos, também apurados pela Fiscalização, a contribuinte teria saldo credor em todos os períodos, não se justificando a glosa dos créditos restituíveis, em vez de se utilizar dos créditos não restituíveis. Nessa linha de raciocínio, a manifestante apresentou à folha 167 uma tabela considerando os valores apurados pela Fiscalização e chegou a um saldo credor diverso do encontrado no auto de infração, à folha 20. Atualização monetária pela Selic Aqui, a Relatora a quo esclareceu que a legislação tributária distingue claramente as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, sem considerar esta última uma espécie da primeira, que não é contemplado pelos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e do § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995. Fundouse sobretudo no inciso I, do § 5º, do artigo 72, da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que foi taxativa ao determinar, que "não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos". Cientificada a Contribuinte da decisão em 08 de julho de 2012, irresignada, apresentou em 03 de agosto de 2012 o recurso voluntário de fls. S/nº, em que reitera todos os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. No pedido de ressarcimento sob juízo a Interessada levantou controvérsia nos seguintes pontos: a) desconstituição do acórdão recorrido por não ter sido julgada explicitamente a impugnação; b) Exclusões da base de cálculo; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13051.000096/200907 Acórdão n.º 3803003.445 S3TE03 Fl. 3 5 c) Crédito presumido agropecuário; d) Créditos da não cumulatividade; e e) Atualização monetária pela Selic. Desconstituição do acórdão Foi relatado no acórdão recorrido tratar a impugnação da mesma matéria constante da manifestação de inconformidade. O voto novamente o registra e declara a dispensabilidade de proferir voto em separado, por ser de mesmo conteúdo. Desse modo, considero que o desprovimento da manifestação de inconformidade alcança a impugnação, sobretudo em razão de o auto de infração não estar consubstanciado com crédito tributário. Exclusões da base de cálculo No Relatório de Ação Fiscal (RAF), fl. 23, a Fiscalização consignou que: As vendas da Cosuel, assim como as compras, enquadram se em vários regimes de tributação, sendo as exportações cobertas pela imunidade, as vendas de leites, creme de leite e queijos feitas com alíquota zero, e os insumos agrícolas por ela vendidos aos cooperados, tais como rações, soja em granel, vacinas e outros produtos que fazem parte da criação de suínos são retirados da base de cálculo por expressa previsão legal. No entanto, ao totalizar os valores das notas fiscais restantes encontramos valores superiores aos declarados pelo contribuinte como base de cálculo.[destaque aqui]. Ante este destaque que se dá aos parâmetros observados pela Fiscalização na execução do seu trabalho, consignese, primeiramente, que é inverídica a afirmação da Recorrente de que sua condição de Cooperativa fora desconsiderada. Entre os parâmetros fixados na apuração das bases de cálculo da contribuição, a Auditoria Fiscal destacou: i) os Códigos Fiscais de Operação; e ii) a observação de que nenhuma situação especial envolve os produtos vendidos e listados no Relatório Valores de Vendas Tributadas (RVVT), fls. 29/36, identificandoos como sendo em sua “imensa maioria embutidos de suíno e carnes resfriadas ou congeladas de suíno”, como se vê no excerto abaixo do mesmo Relatório de Ação Fiscal: No Relatório Valores de Vendas Tributadas, emitido por trimestre, estão totalizados os valores mensalmente vendidos, agrupados por produto e ordenados pelos valores de venda. Somente foram somadas neste relatório as vendas feitas com os Códigos Fiscais de Operação (CFOP) 5101, 5102, 5116, 5119, 5403, 6101 e 6102 de produtos que não estão em nenhuma situação especial, produtos comuns, sujeitos à Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 tributação à alíquota de 7,6%, a imensa maioria sendo embutidos de suíno e carnes resfriadas ou congeladas de suíno. Como a empresa também possui fábrica de rações, que são vendidas aos associados, os insumos destas rações que são produtos para alimentação animal também dão direto ao crédito presumido agroindustrial, ainda que tais rações sejam depois excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS por serem vendidas a cooperados.[grifo aqui] A Recorrente admite, implicitamente, a base levantada pela Fiscalização a partir da quantificação das vendas com incidência da contribuição, em cada um dos meses, ao partir dela para efetuar as exclusões que julga ter direito, no quadro à fl. 278. É nessas exclusões que reside o conflito entre as bases de cálculo da incidência da contribuição devida. Os valores das bases de cálculo que a Recorrente sustenta como verossímeis estão consignadas no DACON transmitido pela Contribuinte, e se conformam aos valores de R$ 9.971.056,36 (fl. 229), R$ 9.878.908,02 (fl. 244) e R$ 10.580.913,67 (fl. 259). No entanto, admite as bases de cálculo de R$ 9.484.706,93, R$ 9.484.004,61 e R$ 10.061.674,31, partindo das bases levantadas pela ação fiscal, fl. 278. As exclusões de que se vale a Recorrente possuem valores significativos. Às fls. 85 a 93 a então Manifestante reproduz os dados de sua DACON, e destaca às fls. 87, 90 e 93 as exclusões que teriam faltado na apuração da Fiscalização. A Recorrente explica que não há campo no DACON apto a sediálas. No quadro abaixo, transposto da defesa, fl. 278, a Recorrente, admitindo as bases levantadas pela Fiscalização, destaca as exclusões a que considera ter direito e registra as bases de cálculo ajustadas, em valores próximos aos que anteriormente considerara no DACON: PERÍODO OUT/2008 NOV/2008 DEZ/2008 BASE RFB R$ 12.918.991,21 11.893.543,72 15.440.678,24 EXCLUSÕES COSUEL R$ 3.434.284,28 2.409.539,11 5.379.003,93 BASES AJUSTADAS R$ 9.484.706,93 9.484.004,61 10.061.674,31 No RAF, a Auditoria destaca que os valores das rações fabricadas pela Cooperativa e vendidas aos cooperados são excluídos das bases de cálculo, segundo previsão no art. 15 da MP nº 2.158/20013.. Nesse tocante, sem demonstração pela Recorrente e cabal comprovação em contrário considero que tais valores não foram incluídos nas bases de cálculo levantadas pela Fiscalização. Vejase o expresso destaque deste procedimento: Como a empresa também possui fábrica de rações, que são vendidas aos associados, os insumos destas rações que são 3 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13051.000096/200907 Acórdão n.º 3803003.445 S3TE03 Fl. 4 7 produtos para alimentação animal também dão direto ao crédito presumido agroindustrial, ainda que tais rações sejam depois excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS por serem vendidas a cooperados.[grifo aqui] Quanto às exclusões do art. 17 da Lei nº 10.684/20034, que diz respeito aos custos agregados ao produto agropecuário dos cooperados, não estão elucidadas pelo RAF, e foram indicadas pela Recorrente, também em seus valores totais, às fls. 87, 90 e 93. Não obstante essa indicação, a Recorrente deveria ter, minimamente, demonstrado a apuração dos valores dessa exclusão, não seus totais, a fim de que pudesse lograr êxito no pedido de diligência. Desse modo, ante o claro registro feito pela Fiscalização, quanto ao seu critério de apuração das bases de cálculo, destacado no excerto retro, ante a afirmação inverídica da Recorrente de a Fiscalização desconsiderou sua condição especial, vejo que não seria a mera indicação de valores totais a excluir, em cada mês, que sustentaria a aprovação do seu pedido de diligência. Nesse tocante, a Defesa não logra esclarecer e comprovar em contrário a conclusão da Fiscalização. Assim, considero que tais valores não foram incluídos nas bases de cálculo levantadas pela Fiscalização. Por esta razão rejeito o pedido formulado pela Recorrente, por não se prestar o procedimento a levantar valores que haveriam de estar demonstrados na defesa, não merecendo reparo a decisão recorrida neste ponto. Crédito presumido agropecuário; Neste tópico, a Recorrente labora sobre a afirmação de que deixaram de ser considerados no procedimento fiscal créditos sobre aquisição de suínos e de milho. Percebo que há equívoco na alegação, a considerar que a Fiscalização indicara expressamente este seu procedimento no citado RAF, como se pode ver a seguir: Desta forma existem vários regimes de tributação de PIS e COFINS envolvidos nas atividades da empresa. Entre eles, na produção de leite e na suinocultura, alguns insumos são adquiridos às alíquotas cheias da contribuição, enquanto o leite dos associados ou de terceiros e os suinos vivos para abate são adquiridos sem a incidência para os vendedores, fazendo juz a cooperativa a calcular crédito presumido sobre estas compras. Totalizando, porém os valores das aquisições, através das notas fiscais em meio magnético entregues pelo contribuinte, chegamos a valores que são inferiores aos declarados na DACON. 4 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1 o da Medida Provisória n° 101, de 30 de dezembro de 2001, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Dos produtos adquiridos pela empresa classificamos como dando direito a crédito à fração de 35% da alíquota cheia das contribuições os animais vivos adquiridos para abate, a lenha adquirida para o estabelecimento industrial e o milho adquirido para as rações. Com a fração de 50% da alíquota cheia estão as compras de leite e animais não vivos. Nos relatórios Base de Cálculo do Crédito Presumido, que estão em anexo ao Auto de infração estão totalizados, por mês e produto, os valores das notas fiscais que consideramos como estando dentro das normas legais do crédito presumido. Também faz parte do presente auto de infração uma listagem em meio magnético das notas consideradas, acompanhada de relatório de acompanhamento. A partir do expresso reconhecimento deste direito da Contribuinte, o RAF deixou claro que as notas fiscais fornecidas em meio magnético pela Contribuinte foram examinadas do que se depreende, uma a uma e listadas as que foram consideradas. Ante isso, não é plausível a afirmação de que as notas fiscais dessas aquisições foram olvidadas nesse cálculo. Quanto ao milho, a exemplo do que ocorreu com a defesa no processo 13051.000143/200912, não houve manifetação expressa da Recorrente, com os elementos que nela anexou. Créditos da Não Cumulatividade Quanto a este tópico, é correta a observação da decisão recorrida em contraponto à leitura do trabalho fiscal feito pela Recorrente relativamente a esses créditos, segundo a qual teria saldo credor em todos os períodos, mesmo se adotasse os débitos apurados pela Fiscalização e os descontasse dos créditos, ordinários e presumidos, também apurados pela Fiscalização. Abraço e transcrevo o que pontuou o Relator a quo: Nessa linha de raciocínio, a manifestante apresenta à folha 177 uma tabela considerando os valores apurados pela Fiscalização e chegando a um saldo credor diverso do encontrado no auto de infração à folha 20. Notese, porém, que o cálculo da manifestante traz um erro. Peguese, como exemplo, o período de outubro de 2008: em sua tabela, ela considera que possui um crédito ordinário de R$ 165.813,47, mais um crédito presumido de R$ 63.364,60, perfazendo um total de R$ 229.178,07. Engano. De fato, a Fiscalização levantou o valor do crédito presumido, chegando ao valor de R$ 63.364,60 (fl. 22), porém o valor dos créditos ordinários é de apenas R$ 102.448,87, e a soma destas duas parcelas é que l e v a aos R $ 165.813,47 ( f l . 2 5 ) . Portanto, quando é apresentado no auto de infração o valor de créditos de mercado interno de R$ 165.813,47, este valor já engloba os créditos ordinários e os presumidos. Ressarcimento. Correção Monetária. Taxa Selic. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13051.000096/200907 Acórdão n.º 3803003.445 S3TE03 Fl. 5 9 Adoto os fundamentos já despendidos no acórdão recorrido, cujos argumentos dispensome de tecer, em virtude do encaminhamento que dou ao presente julgamento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 22 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13051.000096/200907 Interessada: COOPERATIVA DOS SUINOSCULTORES DE ENCANTADO LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.445, de 22 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 22 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13051.000096/200907 Acórdão n.º 3803003.445 S3TE03 Fl. 6 11 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.006740/99-59
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2004
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. CRECHES, PRÉ-ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. As pessoas jurídicas que exerçam exclusivamente as atividades de creches, pré-escolas ou ensino fundamental podem optar pelo SIMPLES.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.630
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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LTDA. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP SIMPLES. EXCLUSÃO. CRECHES, PRÉ-ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. As pessoas jurídicas que exerçam exclusivamente as atividades de creches, pré-escolas ou ensino • fundamental podem optar pelo SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.k / COSTA,‘ Brasília-DF, e 16 de setembro de 2004 JOÃO A Presid te • ANELISE DAUDT PRIETO Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA KARLA FERRAZ. MA/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.617 ACÓRDÃO N° : 303-31.630 RECORRENTE : ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL LUA ENCANTADA S/C. LTDA. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO E VOTO Trata o presente processo de ato de exclusão do SIMPLES da empresa acima qualificada, tendo em vista o exercício de atividade não permitida. • Em 14/05/2003, com a Resolução n° 303-00.880, este Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, conforme relatório de voto de fls. 79/87, que leio em sessão. Foi então anexado contrato social, onde se lê que a finalidade social da empresa é a exploração do ramo de prestação de serviços de maternal, jardim e pré-escolar. O artigo 90 da Lei n° 9.317/96 dispõe sobre as vedações à opção pelo sistema de tributação simplificada e, no seu inciso XIII, são elencadas as pessoas jurídicas que não podem optar pelo SIMPLES, à vista da atividade por elas desenvolvidas, verbis: "Art.9*. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..-) • XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." (grifou meu) Entretanto, a Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, em seu artigo 1°, excetuou da restrição supracitada "as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental." 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.617 ACÓRDÃO N° : 303-31.630 Portanto, as atividades da recorrente estão previstas na Lei 10.034/2000 e, em decorrência, ela está excepcionada da vedação estabelecida no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Mesmo tendo sido a exclusão anterior à edição da Lei n° 10.034/2000, esta deve ser aplicada, em face do disposto no artigo 106, inciso II, alínea b, do CTN, que determina a retroatividade da lei em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo. Sendo assim, a recorrente deve ser mantida no Sistema. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2004 dge„ ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora 410 3 •• p iDE Co 1?- ° Mf MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t,',,t1/4f,‘,§1./' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°: 10880.006740/99-59 Recurso n°: 124617 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto 010 à Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31630. Brasília, 06/12/2004 • , Me se Daudt Prieto Presi r te da Terceira Câmara Ciente em Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10073.901519/2008-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/12/2003 a 10/12/2003
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO
CRÉDITO.
Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é
necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO
Se a operação ensejadora da tributação resulte em valores menores que aqueles veiculados pela norma, deve ser adotado o valor que a lei determina, nunca menor que aquele.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade argüidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Drª Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112.
Nome do relator: JOÃO ALFREDO E. FERREIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/2003 a 10/12/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO Se a operação ensejadora da tributação resulte em valores menores que aqueles veiculados pela norma, deve ser adotado o valor que a lei determina, nunca menor que aquele. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 285 1 284 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.901519/200872 Recurso nº 919.842 Voluntário Acórdão nº 380302.297 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Recorrente PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2003 a 10/12/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO Se a operação ensejadora da tributação resulte em valores menores que aqueles veiculados pela norma, deve ser adotado o valor que a lei determina, nunca menor que aquele. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade argüidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Drª Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 2 [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Alam Fialho Gandra, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de processo formalizado para tratamento manual da declaração de compensação de n° 06019.44870.101104.1.3.049076, transmitida em 10/11/2004, por meio da qual a interessada utiliza o montante de crédito de R$ 229.231,25, indicado a título de pagamento indevido ou a maior de IPI código de receita 0676, que teria se originado do pagamento efetuado pelo estabelecimento filial 67.405.936/000416 em 19/12/2003, referente ao período de apuração 1º decêndio de dezembro/2003, para compensar débito de IPI do período de apuração do 3º decêndio de outubro/2004, do estabelecimento filial 67.405.936/000516 (fls. 03/07). Após a transmissão da DCTF original, a interessada transmitiu três DCTF retificadoras do 4º Trimestre de 2003, em 03/08/2004, 14/03/2005 e 03/04/2006, nas quais manteve o valor original do débito apurado de IPI do período de apuração 1º Dec dezembro/2003 (fls. 26, 31 e 36, respectivamente). Entretanto, posteriormente à apresentação da declaração de compensação em comento, a interessada transmitiu duas novas DCTF retificadoras, em 26/03/2007 e 03/04/2007, nas quais reduziu o valor do saldo a pagar do IPI do referido período de apuração para zero, o que originou o valor de R$ 229.231,25, a título de pagamento indevido ou a maior de IPI (fls. 37/44). A Interessada foi intimada para identificar e comprovar, por meio de seus livros contábeisfiscais e respectivos documentos fiscais, o procedimento que gerou o crédito a título de pagamento a maior de IPI, no montante R$ 229.231,25 relativo ao pagamento efetuado pelo estabelecimento filial 0004 em 19/12/2003, a partir da DCTF retificadora apresentada 26/03/2007, cujo montante a interessada utiliza para compensar débitos do estabelecimento filial 0005 no PER/DCOMP n° 06019.44870.101104.1.3.049076 (fls. 46/47). Em resposta, apresentou uma petição, juntada por cópia às fls. 52/54, acompanhada, entre outros documentos, da cópia do livro Registro de Apuração do IPI do 1º decêndio12/2003 (fls. 79/83). Na referida petição, alega, em síntese, que o pretenso crédito originouse de retificações na sistematização da apuração do IPI do período de 2000 a 2003, em que ocorreram vendas de veículos importados por preço inferior ao custo de aquisição, cujo valor correspondente do IPI era lançado no campo "Estorno de Crédito", sendo que não havia fundamento legal para exigência do imposto, com base no valor mínimo tributável. A Saort/DRF/Volta Redonda/RJ analisou as informações e os documentos apresentados, mas não reconheceu o direito ao crédito. Afirmou que o procedimento adotado pela interessada não encontrava respaldo na legislação do IPI. No tocante ao valor pleiteado como pagamento indevido, argumentou que a contribuinte não comprovou a redução do valor do saldo originalmente apurado para zero, única forma de comprovar ter sido indevido o pagamento efetuado. Concluiu que o procedimento adotado pela contribuinte não se enquadra na sistemática da restituição de Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10073.901519/200872 Acórdão n.º 380302.297 S3TE03 Fl. 286 3 pagamento indevido prevista no artigo 165 do CTN, do que resultou o nãoreconhecimento do direito creditório. Por conseguinte, a compensação declarada resultou não homologada, nos termos do Despacho Decisório de fls. 86/89. Cientificada em 23/10/2009 (fls. 98), apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 99/119) insurgindose contra o indeferimento do seu pleito. Em apertada síntese, as razões apresentadas foram as seguintes: a) a ilegalidade do artigo 136 do RIPI/2002, que exige a observância de um valor tributável mínimo, quando confrontado aos artigos 46 e 47 do CTN, que definem a base de cálculo do IPI; b) que é imperiosa a manutenção dos créditos escriturais, indevidamente estornados, em razão do princípio da nãocumulatividade e da capacidade contributiva; c) que é inequívoca a existência dos estornos indevidamente efetuados, e por conseqüência, dos créditos utilizados nas compensações declaradas; d) que a autoridade administrativa não deve restringir seu exame ao que foi trazido ou provado pelos contribuintes, devendo agir com diligência na apuração dos fatos, em atendimento ao princípio da verdade material; e) ao final, requer a realização de diligência para confirmar o valor dos créditos estornados como ajustes ao valor tributável mínimo, bem como a vinculação desses estornos com a diferença entre os valores de entradas e saídas dos veículos importados. Apesar de a contribuinte ter apresentado alguns documentos em atendimento à intimação da unidade de origem, deixou de apresentar a cópia do RAIPI relativo ao período de apuração para o qual solicitou a restituição (112/2003). O processo foi, então, baixado em diligência por intermédio do despacho de fl. 200. Em atendimento, foi juntado aos autos a cópia do RAIPI solicitado (fls. 212/218). Após o retorno dos autos, a DRJ/JFA analisou o feito concluindo pelo deferimento parcial do pedido para reconhecer o direito à restituição do montante de R$ 78.905,52, a ser utilizado na compensação do débito informado na DCOMP n° 06019.44870.101104.1.3.049076, permanecendo não homologada a parcela excedente. No tocante à alegação de pagamento indevido, concluíram os ilustres julgadores que “Como citado pela própria Manifestante o valor tributável mínimo é estabelecimento por Lei Federal (art. 15, I, da Lei 4.502. de 1964), que se encontra em plena vigência, não cabendo, neste voto, apreciar a sua legalidade”, entretanto, no âmbito administrativo já encontrase consolidado a necessidade de se observar o valor tributável mínimo. Quanto à manifestação sobre a ausência de previsão legal para a hipótese de estorno realizada pela Interessada no art. 193 do RIPI/2002, restou consignado que “não é o fato de o estorno de crédito para ajuste ao VTM não estar relacionado no artigo 193 do RIPI/2002 que o caracteriza como estorno indevido. Assim, as razões aduzidas pela Manifestante não comprovam que o estorno foi indevido.” Ademais, o voto do colegiado seguiu no sentido de que não há como reconhecer direito creditório informado como pagamento indevido se não restar comprovado Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 4 que o valor do pagamento do tributo foi superior ao devido em face da legislação tributária aplicável. Intimada em 08/07/2011 (fls. 239), apresentou Recurso Voluntário em 20/07/2011 (fls. 240) no qual, em apertada síntese, repisa a tese advogada em sede de Manifestação de Inconformidade, e adita o que segue: 1 DA POSSÍVEL NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO EM FACE DO INDEFERIMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL: Inicialmente, insta consignar que a decisão de 1ª instância proferida pela DRJ indeferiu o pedido de perícia contábil por considerar que a observância (ou não) da tributação do IPI à sistemática do Valor Mínimo Tributável VMT é questão de mérito, tornandose, portanto, prescindível. Percebese, por conseguinte, que a negativa à realização da perícia contábil solicitada carece de fundamentação, visto que, uma vez que este E. CARF entenda de forma divergente quanto ao mérito no presente processo, restará evidenciado o prejuízo à Recorrente de comprovar a liquidez do crédito utilizado. 2 –DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO: As afirmações de que a Recorrente não comprovou a origem dos créditos compensados não se afigura como fundamento suficiente para denegação da compensação, pois a Recorrente esclareceu que a comprovação do crédito dependia de diligência, mas esta somente não pode ser realizada porque as autoridades fiscais as julgaram despiciendas. Verificase, por conseguinte, a contradição patente no arrazoado das autoridades fiscais e a inexistência dos pressupostos de fato que ensejam a não homologação vergastada, do que decorre a falta de motivação, o cerceamento do direito de defesa da Recorrente e, assim, a nulidade do despacho decisório impugnado. Ao final, reitera o pedido de perícia contábil, indicando peritoassistente bem como as questões que pretende ver respondidas pertinentes ao caso. Pugna, ainda, pela declaração de nulidade do despacho decisório e, alternativamente, pela decretação de nulidade do acórdão vergastado. Por entender demonstrada a liquidez e certeza de seu crédito, requer a homologação da compensação declarada. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O crédito da contribuinte não foi reconhecido pela DRF em Volta Redonda por dois fundamentos: a) o procedimento adotado por esta não encontrou amparo na legislação do IPI; b) a interessada não trouxe aos autos por ocasião do contraditório documentos que comprovassem o valor Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10073.901519/200872 Acórdão n.º 380302.297 S3TE03 Fl. 287 5 pleiteado, segundo as normas atinentes a pedidos de restituição. Da Impugnação do Despacho Decisório Inconformada, a Interessada apresentou recurso onde em preliminar se manifesta pela declaração de nulidade do Despacho Decisório exarado pela autoridade competente de origem. Em seus argumentos encontramse alegações como: violação a princípios basilares da administração pública, a exemplo dos princípios da legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório, bem como violação ao princípio da verdade material. A defendente entende que não há elementos suficientes para se determinar a razão que deu ensejo à exigência fiscal em comento, visto ser impossível extrair os reais motivos que suportam a decisão fazendária, sendo inviável a Recorrente se defender da exigência que ora lhe é imposta, em flagrante ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos no art. 5º, inciso LV, da CF. Por outro lado, defende que as afirmações de que a mesma não comprovou a origem dos créditos compensados não se afigura como fundamento suficiente para denegação da compensação, pois a Recorrente esclareceu que a comprovação do crédito dependia de diligência, medida entendida como desnecessária pela autoridade fiscal. A despeito de toda a construção jurídica desenvolvida pela contribuinte para abater o Despacho Decisório retro, neste ponto, seus argumentos não serão objeto de análise nesta instância recursal. Isto porque, conforme se observa, a matéria em comento não foi impugnada em sede de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não foi objeto de apreciação pela instância a quo. Reza o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que a matéria que não for expressamente impugnada no momento oportuno não será, a posteriori, apreciada: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifamos) Dispositivo semelhante também encontramos no Código de Processo Civil: Art. 300. Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. (grifamos) Os artigos suso transcritos consolidam o princípio da eventualidade, segundo o qual, todas as defesas, ainda que sejam incompatíveis entre si, devem ser alegadas na impugnação, neste caso específico, na manifestação de inconformidade, pois na eventualidade de o julgador não atender a uma delas, passa a examinar a outra. Caso toda a matéria de direito não sejam alegadas na primeira oportunidade, ocorrerá o instituto da preclusão consumativa, tal qual o caso, impossibilitando o impugnante de aduzílas em momento posterior. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Observe que o instituto da preclusão busca nada mais, nada menos, do que tornar o rito processual mais célere, atendendo o preceito constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, CF), com o fito de evitar que processos judiciais e administrativos se estendam ad infinitum. Assim, entendo que por não ter sido a ausência de fundamentação do Despacho Decisório suscitada na Manifestação de Inconformidade pela Recorrente tratase, inequivocamente, de questão não controvertida e sua apreciação neste momento configuraria supressão de instância por não ter sido a matéria apreciada pela DRJ/JFA, pelo que, não conheço desta preliminar. Da Impugnação do Acórdão Proferido Pela DRJ/JFA A Recorrente impugnou o acórdão proferido pela DRJ de origem aventando possível nulidade tendo em vista que os eméritos julgadores indeferiram o pedido de perícia contábil por considerarem a diligência prescindível. No seu entender “a negativa à realização da perícia contábil solicitada carece de fundamentação, visto que, uma vez que este E. CARF entenda de forma divergente quanto ao mérito no presente processo, restará evidenciado o prejuízo à Recorrente de comprovar a liquidez do crédito utilizado”. E prossegue afirmando: Ora, como pode a Autoridade administrativa negar o direito creditório ora pleiteado se a mesma afirma que a Recorrente já apresentou o documento essencial à comprovação de seu crédito? Tal argumentação não merece prosperar, sob pena de restar violado o princípio da verdade material. Restou firmado, naquela assentada, que no que diz respeito à comprovação do pleito, a prova documental essencial já estaria acostada aos autos que é a cópia do RAIPI do estabelecimento que apurou o crédito, relativo ao período de apuração para o qual foi alegado o pagamento indevido. Por outro lado, entenderam os hermeneutas que as questões que versam o processo são eminentemente de direito de forma que tornase necessária apenas a interpretação da legislação aplicável, e não a análise do conjunto probatório. Mesmo porque, a questão de fundo teria sido muito bem delineada pelo contribuinte: pagamento indevido pela realização de estornos "indevidos" de créditos do IPI pago na importação de veículos revendidos a preço inferior ao custo de aquisição. Ao contrário do tópico abordado anteriormente, a manifestação da Recorrente neste ponto merece apreciação tendo em vista que foi trazida à tona em momento oportuno. Apesar do seu inconformismo, não vejo como acatar a apelação posto que os argumentos aduzidos pelo colegiado foram muito bem e claramente fundamentados. Reza o Decreto nº 70.235/72 preceitua que a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção podendo determinar as diligências que entender necessárias e indeferilas, fundamentadamente, se for o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10073.901519/200872 Acórdão n.º 380302.297 S3TE03 Fl. 288 7 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Pelo que se observa da leitura dos autos, a contribuinte foi intimada (fls. 46) para identificar e comprovar, por meio de seus livros contábeisfiscais e respectivos documentos fiscais, o procedimento contábilfiscal que gerou o crédito a título de pagamento a maior de IPI. A autoridade julgadora honrou com os dispositivos acima, bem assim, com o que preceitua o princípio da verdade material e solicitou o retorno dos autos por intermédio do despacho de fls. 200 para que fosse juntado aos autos cópia do RAIPI extraída diretamente do livro fiscal, revestida das formalidades legais, relativo ao período de apuração para o qual a interessada solicitou a restituição (112/2003). Atendimento em fls. 212/218. Da diligência solicitada, foi possível chegar a conclusão de que de fato havia ocorrido pagamento a maior no período de apuração(112/2003), embora por outro motivo, que não guarda qualquer vinculação ao estorno para ajuste ao VTM. Eis os argumentos da DRJ/JFA: Todavia, há de ser reconhecido que houve, de fato, recolhimento a maior nesse período de apuração (112/2003). embora por outro motivo, que não guarda qualquer vinculação ao estorno para ajuste ao VTM. Ocorre que a contribuinte efetuou o pagamento do montante de R$ 229.231,25 (fls. 15 e 84), enquanto a apuração do imposto atesta um saldo devedor de R$ 150.325,73 (fl. 217). Portanto, a diferença de R$ 78.905,52 caracteriza recolhimento a maior, sendo passível de restituição. Ressaltese que a diferença constatada (R$ 78.905,52) corresponde, exatamente, ao montante dos créditos relativos a importações, escriturados, à fl. 213, no CFOP 3.102 (recolhimento do IPI vinculado confirmado à fl. 220). E muito provável que a contribuinte tenha apurado o montante a recolher, provisoriamente, sem considerar o crédito relativo a essa importação, pois, na informação prestada na DIPJ/2004 original, foi informado como saldo devedor, para o estabelecimento 0004, exatamente o valor apurado no RAIPI (estabelecimento 0004, R$150.325.73 fl. 221).Não vejo como atender à Manifestante, pois entendo que a diligência requerida é absolutamente prescindível. Primeiro, porque, no que diz respeito a prova documental, a única essencial à comprovação do pleito é, tãosomente, a cópia do RAIPI relativo ao período de apuração para o qual foi alegado o pagamento indevido, obviamente, RAIPI do estabelecimento que apurou e efetuou o pagamento. Essa prova já foi juntada aos autos (fls. 212/218), Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 8 tendo servido, inclusive, para reconhecer o direito à restituição do montante de R$ 78.905,52. Conforme se vislumbra, os argumentos da contribuinte de que houve cerceamento no direito de defesa pelo indeferimento da diligência solicitada não subsistem. A diligência foi requerida pelos julgadores de piso e a juntada da cópia do RAIPI do período de apuração foi benéfica para o contribuinte na medida em que gerou a reforma do Despacho Decisório com a homologação de parcela do crédito, no importe de R$ 78.905,52, que esta entendia fazer jus. Ademais, a decisão do indeferimento da diligência foi devidamente fundamentada tal qual demanda o Decreto nº 70.235/72, não existindo qualquer mácula que possa anular o julgamento proferido naquela ocasião. Pelo que, rejeitamos a preliminar de nulidade suscitada. Do Mérito Do Valor Tributável Mínimo –VTM No tocante ao valor tributável mínimo, vejamos o que dispõem os arts. 136 e 137, do RIPI/2002: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo; III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor; IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10073.901519/200872 Acórdão n.º 380302.297 S3TE03 Fl. 289 9 Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Preliminarmente, impende que seja aclarado o conceito de valor tributável, que é a base de cálculo sobre a qual, aplicada a alíquota, chegarseá ao valor do tributo a ser pago, vez que, ocorrida uma das situações que se caracterizem em fato gerador do IPI, incidirá a norma, surgindo daí a obrigação de pagar o tributo. Ocorre que, por algumas vezes, surgem situações especiais entre o produtor e o adquirente do produto. Tais situações exigiram da lei atenção específica e o balizamento, para que a distinção da situação não acarrete o pagamento do tributo a menor que um limite mínimo admitido. Devese ter presente que os valores tributáveis indicam os valores mínimos admitidos para serem submetidos à tributação, ou seja, se a operação ensejadora da tributação resulte em valores menores que aqueles veiculados pela norma, deve ser adotado o valor que a lei determina, nunca menor que aquele. Da leitura dos dispositivos legais supratranscritos, depreendese que o valor ali determinado é um "mínimo" que deveria ser submetido à tributação, caso a operação real corresponde a valor menor que aquele. Compulsando os autos vislumbrase que a recorrente estava obrigada a observar o VTM quando das saídas dos veículos importados, e, ao promover saídas por valor inferior, ajustou a tributação ao valor mínimo mediante estorno de crédito do IPI, no mesmo período de apuração. Os estornos são justificados pela Recorrente quanto à ilegalidade do VTM, bem como, alega esta que os estornos foram indevidos. Razão não lhe assiste. A uma porque o valor tributável mínimo é estabelecimento por Lei Federal (art. 15, I, da Lei 4.502. de 1964) e que ainda se encontra em vigência. Em não havendo pronunciamento quanto a sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, deverá ser observado pelos agentes administrativos quando da execução de seus atos. A duas porque os estornos discriminados pelo RIPI como obrigatórios não impedem a contribuinte de efetuar outros estornos de créditos para realizar eventuais ajustes em sua contabilidade que atendam a legislação do imposto sobre produtos industrializados. Visando melhor instrução do processo foi solicitada a anexação da cópia do RAIPI relativo ao período de apuração do pagamento alegado como indevido, nos termos do despacho de fl. 200. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Segundo a cópia do RAIPI de fls. 212/218, apresentada pela contribuinte, da apuração de fl. 216, relativa ao primeiro decêndio de dezembro de 2003, consta um estorno historiado como “IPI REF. VR. MÍNIMO TRIBUTÁVEL 1º DEC. DEZEMBRO/2003, no montante de R$ 835,59.” Esse valor do estorno (R$ 835.59) seria o limite de crédito a ser reconhecido, para o período em comento, pela Receita Federal caso a pagamento do tributo fosse indevido. Ressaltase, ainda, que conforme consignado pela autoridade fiscal: Apesar de intimada, a interessada não logrou comprovar, por meio de seus livros contábeisfiscais, quer por meio de seus livros obrigatórios quer por meio de seus livros auxiliares, a redução do valor do saldo devedor originalmente apurado a título de IPI no período de apuração l°decêndio de dezembro/2003, de R$229.231,25, como informado na DCTF original, para zero, conforme consta na sua DCTF retificadora, e, por conseqüência, que o valor de R$ 229.231,25 teria sido pago indevidamente ou a maior. Em se tratando de compensação tributária, há necessidade da comprovação da liquidez e certeza do crédito, conforme prevê o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Assim, quando o contribuinte transmite uma DCOMP, pressupõese a existência de um indébito tributário contra a Fazenda Nacional, para extinguir um crédito constituído em seu nome, de forma que, a existência do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Por essa razão, deve o sujeito passivo trazer, por ocasião do contencioso, justificativas lastreadas em documentos e lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido. Nesse sentido, pontuamos que via de regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, no parágrafo 4º de seu art. 16, incluído pela lei nº 9.532/97, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. Como exceção à regra, admitese a juntada posterior de documentos nos seguintes casos: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10073.901519/200872 Acórdão n.º 380302.297 S3TE03 Fl. 290 11 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Neste caso, o sujeito passivo deverá peticionar à autoridade julgadora pleiteando a juntada dos documentos que comprovem seu direito, devendo, porém, demonstrar cabalmente e mediante fundamentos de fato e de direito a ocorrência de quaisquer das hipóteses acima elencadas. Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. Diante disto, competirá exclusivamente ao contribuinte, exibir as provas técnicas, contábeis e jurídicas de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. A contribuinte não logrou em comprovar através das provas acostadas aos autos que efetivamente realizou pagamento indevido ou a maior e que, portanto, é credora da Fazenda Nacional, do valor de R$ 150.325,73 (R$ 229.231,25 – R$ 78.905,52). Assim, entendo que as decisões vergastadas não merecem reparo. Ante o exposto, demonstrada a ausência de liquidez e certeza do crédito face a não comprovação do efetivo pagamento indevido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, mantendo incólume a decisão proferida pela DRJ/JFA. Sala das sessões, em 24 de janeiro de 2012. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10073.901519/200872 Interessada: PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMOVEIS LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.297, de 24 de janeiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000946/2007-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL INCOMPETÊNCIA DA RFB.
Não há previsão legal que possibilite a compensação de contribuições previdenciárias com empréstimo compulsório recolhido à ELETROBRAS, visto que são tributos de espécies distintas. Incompetência da RFB para promover a compensação de tributos com obrigações da ELETROBRAS.
Aplicabilidade da Súmula n° 24 do CARF - Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2803-000.238
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDEN CIÁRIAS E OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGALINCOMPETÊNCIA DA RFB. Não há previsão legal que possibilite a compensação de contribuições previdencidrias com empréstimo compulsório recolhido à ELETROBRAS, visto que são tributos de espécies distintas. Incompetência da RFB para promover a compensação de tributos com obrigações da ELETROBRAS. Aplicabilidade da Súmula n° 24 do CARF - Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obriga çães da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). E-LIMA—Presidente. OSEAS COIYUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo ` *de Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Antilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão da Agência da Receita Federal em Jaragud do Sul/SC, fls. 07 e ss, que indeferiu pedido de compensação em razão de supostos créditos referentes A. empréstimo compulsório sobre energia elétrica, convertidos em cautelas de obrigações da Eletrobrds. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • O mérito do pedido de restituição é a competência da Secretaria da Receita Federal em administrar o empréstimo compulsório sobre energia elétrica, enquanto o mérito da declaração de compensação diz sobre a existência de créditos recíprocos, sendo que a questão inerente A. administração do empréstimo compulsório é incidental declaração de compensação. • 0 empréstimo compulsório tem natureza tributária, possibilitando sua compensação com tributos administrados pela Receita Federal. • Termina por requerer a reforma da decisão a quo, com a respectiva homologação da compensação declarada. o relatório. Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator O caso em questão já foi amplamente discutido neste Conselho. Não há previsão legal para a referida compensação ou restituição, como veremos. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, que define as regras gerais de compensação de créditos tributários, informa: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O art. 66 da Lei. 8383/1991, pertinente a matéria, traz: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no ç 2 Processo n 0 13973.000946/2007-03 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.238 Fl. 2 recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n" 9.069, de 29.6.199) § I" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n°9.069, de 29.6.199) § 2' É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei n°9.069, de 29.6.1995) § 3 0 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei n" 9.069, de 29.6.1995) § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Património da Unido e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n°9.069, de 29.6.1995) Na mesma linha, o art. 89 da Lei. 8.212/1991, com a redação vigente na época do protocolo do pedido: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. § 1" Admitir-se-á apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2" Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c, do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3' Ern qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4° Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (.) fora de dúvida que os empréstimos compulsórios não são tributos da mesma espécie das contribuições previdencidrias. A impossibilidade da compensação requerida encontra-se, como já dito, sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos ternos da súmula 24, que transcrevemos: Súmula CARF No- 24 3 Não compete a Secretaria da Receita Federal do Brasil A -, promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários Acrescente-se que o contribuinte não trouxe ao processo nenhum elemento que comprovasse os eventuais créditos, limitando-se a informar que a "comprovação do crédito da contribuinte junto à Unido bem como a legislação pertinente, já foram recepcionados por este r. órgão em 11/06/2005, através do Aviso de Recebimento n.° 55052355888BR". Tal fato, por si só, também inviabilizaria a pretensão ora requerida. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2010 OSEAS COIMB\RA JI1JOR - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001431/97-27
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL COMPENSAÇÃO
Não se conhece de pedido de compensação cujo direito creditório ainda se encontra em discussão.
PROCESSO DECORRENTE
O processo referente a "pedido de compensação de Finsocial com outros tributos" é decorrente daquele relativo a "pedido de restituição de Finsocial", o que requer a reunião dos autos por apensação, aplicando-se ao primeiro o resultado do segundo, respeitadas as normas fixadas pela Secretaria da Receita Federal no que tange à efetivação da compensação.
RECURSO NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE.
Numero da decisão: 302-36.251
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : FINSOCIAL COMPENSAÇÃO Não se conhece de pedido de compensação cujo direito creditório ainda se encontra em discussão. PROCESSO DECORRENTE O processo referente a "pedido de compensação de Finsocial com outros tributos" é decorrente daquele relativo a "pedido de restituição de Finsocial", o que requer a reunião dos autos por apensação, aplicando-se ao primeiro o resultado do segundo, respeitadas as normas fixadas pela Secretaria da Receita Federal no que tange à efetivação da compensação. RECURSO NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RECORRIDA : DRUCAMPINAS/SP FINSOCIAL COMPENSAÇÃO Não se conhece de pedido de compensação cujo direito creditório ainda se encontra em discussão. PROCESSO DECORRENTE O processo referente a "pedido de compensação de Finsocial com outros tributos" 1 é decorrente daquele relativo a "pedido de restituição de Finsocial", o que requer a reunião dos autos por apensação, aplicando-se ao primeiro o resultado do segundo, respeitadas as normas fixadas pela Secretaria da Receita Federal no que tange à efetivação da compensação. RECURSO NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 08 de julho de 2004 - HENRIQUE PRADO MEGDA Presidente _MARIA HELENA COTTA CA= Relatara _„. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO, WALBER JOSÉ DA SILVA, PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, LUIS ANTONIO FLORA e LUIS ALBERTO PINHEIRO GOMES E ALCOFORADO (Suplente). Ausente a Conselheira SIMONE CRISTINA BISSOTO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional PEDRO VALTER LEAL. tale . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 126.035 ACÓRDÃO N° : 302-36.251 RECORRENTE : DORNBUSCH & CIA. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RECORRIDA : DRJ/CAMPINAS/SP RELATOR(A) : MARIA HELENA COTTA CARDOZO RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento jelki em Campinas/SP. DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO A interessada apresentou, em 30/07/97, o Pedido de Compensação de de Finsocial com outros tributos (fls. 01). DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL Em 21/12/2000, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos/SP indeferiu o pleito, por meio da Decisão n° 028/00 (fls. 28 a 33). Na oportunidade, a autoridade esclareceu tratar-se de pedido de compensação de Finsocial, correspondente aos períodos de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, vinculado ao pleito de restituição do Finsocial objeto do processo n° 10875.001251/97-45, que fora indeferido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada da Decisão da DRF por meio de intimação datada de 02/04/2001 (fls. 38), a interessada apresentou, em 20/04/2001, tempestivamente (fls. 44), a Manifestação de Inconformidade de fls. 39 a 43, contendo os argumentos que leio em sessão, para o mais completo esclarecimento de meus pares. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 27/06/2001, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP proferiu a Decisão DRJ/CPS n° 935 (fls. 53 a 55), assim ementado: "Tratando de processo decorrente, no qual se pleiteia a compensação de valores relativos à contribuição ao Finsocial, cujo pedido de restituição foi objeto de outro processo, adota-se a decisão prolatada naquele processo matriz. Solicitação Indeferida" )3‘ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 126.035 ACÓRDÃO N° : 302-36.251 Quanto ao processo matriz, acima referido, trata-se, como já foi dito, do de n° 10875.001251/97-45. Neste, o pedido foi denegando, com base na ocorrência da decadência, citando-se, dentre outros fundamentos, o Ato Declaratório n°96/99 (fls. 46 a 52). DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada da decisão em 18/03/2002 (fls. 63), a interessada apresentou, em 16/04/2002, tempestivamente, por seu advogado (instrumento de fls. 72), o recurso de fls. 66 a 72, contendo as razões que maia uma vez leio em sessão, para o mais completo esclarecimento de meus pares. ID Às fls. 79 consta a remessa dos autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes e, às fls. 80, registra-se que o processo foi distribuído ao Ilustre Conselheiro Irineu Bianchi, da Terceira Câmara deste Conselho. DA RESOLUÇÃO PROFERIDA PELA 3A CÂMARA Em 16/10/2003, foi exarada pela Terceira Câmara deste Conselho, a Resolução n° 303-00.924 (fls. 81 a 84), assim dispondo, em voto da lavra do Ilustre Conselheiro 1rineu Bianchi: "Trata-se de processo decorrente do Processo n° 10875.001251/97- 45, atualmente em grau de recurso perante a Segunda Câmara, sob o número 126.034, onde a recorrente pleiteia a restituição da contribuição ao Finsocial. O processo referido é anterior e mais amplo do que este. O resultado deste, depende fundamentalmente daquele. Não foi por outro motivo que o julgador singular assentou na sua decisão que, `tratando-se o presente processo de pedido de compensação de decorrência lógica daquele pedido de restituição, deve ser adotada a mesma decisão, pelo que é de indeferir-se o pedido'. Assim, pelas mesmas razões, entendo que deve o presente recurso ser apreciado juntamente com o processo principal. Voto, pois, no sentido de não conhecer do recurso, declinando sua competência para a Egrégia Segunda Câmara." Cientificada a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 85), foi o processo distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 86 (última), que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Colegiado. )13\ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 126.035 ACÓRDÃO N° : 302-36.251 É o relatório. 59.X 4 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 126.035 ACÓRDÃO N° : 302-36.251 VOTO Trata o presente processo, de pedido de compensação de crédito tributário referente a Finsocial, com débitos referentes a outros tributos. A compensação requer, em primeiro lugar, a existência liquida e certa de um crédito em favor do contribuinte. No caso em apreço, esse crédito está sendo discutido no processo n° 10875.001251/97-45, recurso n° 126.034, julgado por este Colegiado em maio de 2004. No julgamento acima referido, reformou-se a decisão de primeira instância, afastando-se a decadência e encaminhando-se os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para exame das demais questões de mérito, o que envolve efetivamente a verificação sobre a liquidez do crédito objeto do pedido de restituição. Assim, a compensação pleiteada no presente processo só poderá ser examinada após a verificação sobre a liquidez do crédito objeto do processo n° 10875.001251/97-45. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO, determinando a apensação do presente processo ao de n° 10875.001251/97-45, aguardando-se a finalização deste e aplicando-se o seu resultado ao presente processo. - Caso se decida pela liquidez do crédito objeto do pedido de restituição de que trata o citado processo, a compensação pleiteada no presente processo deverá obedecer às Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a matéria. Retifique-se a matéria constante na capa do presente processo, de "restituição de Finsocial" para "compensação de Finsocial". Sala das Sessões, em 08 de abril de 2004 • J2c, ARIA H LENA COTTAtabOZO - Relatora 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003711/97-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Produto identificado como sendo o fungicida agrícola folpet em grau técnico, a ser utilizado na formulação de preparações fungicidas. Ficou caracterizado no laudo técnico produzido pelo INT que as impurezas presentes no produto técnico são todas provenientes do processo de obtenção do folpet. Trata-se, pois, de um composto orgânico de constituição química definida, apresentado, isoladamente, em grau técnico, e não se trata de produto vendido em retalho. Classifica-se no Capítulo 29 do SII.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-31.536
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Produto identificado como sendo o fungicida agrícola folpet em grau técnico, a ser utilizado na formulação de preparações fungicidas. Ficou caracterizado no laudo técnico produzido pelo INT que as impurezas presentes no produto técnico são todas provenientes do processo de obtenção do folpet. Trata-se, pois, de um composto orgânico de constituição química definida, apresentado, isoladamente, em grau técnico, e não se trata de produto vendido em retalho. Classifica-se no Capítulo 29 do SI!. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 10 de agosto de 2004 • I JO HOLANDA COSTA Pr .iclente Zi • LIO LOIBMAN • Rel. e Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e DAVI EVANGELISTA (Suplente). Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECÍLIA BARBOSA. Fez sustentação oral o Advogado Dr. JOSÉ CABRAL GARÓFANO, OAB/9.659/DF. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 TERCEIRO CONSELII0 DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.312 ACÓRDÃO N° : 303-31.536 RECORRENTE : HOKKO DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATÓRIO E VOTO Trata-se de retorno de diligência. Considere-se aqui transcrito o relatório de fls. 132/143, bem como o voto condutor da Resolução n° 303-0.807, que leio em sessão. Em resumo, havia nos autos dois laudos conflitantes, o primeiro, produzido pelo LABANA, concluiu (fl. 26) que o produto não era apenas Folpct Técnico, mas sim uma preparação fungicida constituída de N-(Triclorometiltio) Ftalimida (Folpet) e composto com caráter aniônico, devendo por isso, segundo a fiscalização, ser classificado no código 3808.20.29. O LABANA complementou sua análise com a Informação Técnica 033/2000 (fls. 69/73), por solicitação da DRJ/SP, acrescentando que o surfactante aniônico não é impureza resultante do processo produtivo do Folpet, mas sim um aditivo cuja finalidade é dispersar o ingrediente ativo em meio aquoso, tratando-se de uma preparação fungicida intermediária ou pré- mistura. O segundo laudo técnico foi produzido pelo IPT/SP a pedido do recorrente, a partir de uma amostra do mesmo produto examinado pelo LABANA, apresentado em 100 gramas de um pó de coloração branca amarelada e com os dizeres no rótulo da embalagem: "FOLPET AGRICUR TÉCNICO - LOTE: 01330428". A conclusão é absolutamente conflitante com a do LABANA, pois afirma que o produto analisado não revelou a presença de composto com caráter aniônico ou de quaisquer outros materiais tensoativos; afirma, ainda, que pode ser considerado de constituição química definida. eDiante da contradição esta Câmara determinou a realização de um terceiro laudo técnico pelo Instituto Nacional de Tecnologia de forma a responder os dez quesitos enumerados à fl. 146, abrindo oportunidade às partes de acrescentar novos quesitos se quisessem. Apenas o recorrente pretendeu aproveitar a oportunidade e formulou mais um quesito, conforme consta à fl. 158. O INT produziu o Relatório Técnico n° 000.248 referente ao processo fiscal n° 11128.003711/97-02, a partir de amostra referida à DI 97/0542721- 6. As respostas aos 11 quesitos formulados encontram-se às fls. 162/165 e concluem, em resumo, que: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELII0 DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.312 ACÓRDÃO N° : 303-31.536 a) O produto em exame é o fungicida agrícola folpet, em grau técnico, cuja estrutura química está apresentada à fl. 163. As impurezas presentes são todas provenientes do processo de obtenção do folpet: água, ftalimida, sais inorgânicos (cloreto de sódio, sulfato de sódio e óxido de magnésio), solventes orgânicos, perclorometil mercaptan, ácido Itálico e N-(triclorometilditio) ftalimida (produto secundário da reação síntese do folpet). As análises realizadas confirmaram as informações disponíveis na literatura, uma vez que o produto analisado contém 3,4% de água e pequenas quantidades de ftalimida e sais inorgânicos (Ca, Na e Mg). Em resumo, o produto analisado é um composto orgânico de constituição química definida, apresentado isoladamente, uma substância com atividade fungicida, em grau técnico, a ser utilizada na formulação de preparações fungicidas Øb) O produto não é uma pré-mistura. É um fungicida em grau técnico a ser utilizado na formulação de preparações fungicidas. Os fungicidas são convencionalmente formulados como preparações inseticidas de vários tipos como pós molháveis, pós, grânulos, iscas, concentrados emulsionáveis, suspensões, dispersões aquosas ou emulsões, para o que sofrem a adição dos ingredientes usuais destas formulações: emulsificantes, dispersantes, cargas e diluentes. Um exemplo de formulação do folpet é o produto Folpan Agricur 500 PM, registrado no Ministério da Agricultura sob o n° 3848389 pela Agricur Defensivos Agrícolas Ltda., um pó molhável que contém 500 g/Kg da substância ativa folpet. c) O produto não contém nenhuma substância adicionada, ou deixada para fins de transporte, segurança ou conservação. d) (resposta ao quesito formulado pelo recorrente) A análise por espectometria de infravermelho permite ao analista identificar uma substância química, quer seja por comparação com o espectro de uma substância padrão, quer seja por interpretação do espectro obtido, uma vez que o espectro no infravermelho é uma das propriedades mais características de uma substância química A técnica, se associada a outras técnicas instrumentais, como a espectometria de massas e a espectometria de ressonância magnética nuclear, permite a completa identificação de uma substância sem que se utilizam padrões. A informação qualitativa é, portanto, um dos mais importantes beneficios da espectometria no infravermelho. Observa-se ademais que não é o caso previsto no Sistema Harmonizado (SH), na Nota de Capítulo do Cap. 38 a saber: "1. O presente capítulo não compreende: a) os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 3 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÀMARA RECURSO N° : 123.312 ACÓRDÃO N° : 303-31.536 2) os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08".( grifos nossos). Ora, as tais formas e embalagens descritas na posição 38.08 não se encaixam no caso concreto, referem-se a quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata-moscas. Verificando-se as Notas de Capítulo do SH, Cap. 29, Nota 1 "a", confirma-se que os compostos de composição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas, são classificados neste capitulo. Bem entendido que tais "impurezas" referem-se, exclusivamente, a substâncias que resultam diretamente do processo de fabricação, que não servem para tornar o produto particularmente apto a um uso específico de preferência à sua aplicação geral. O produto em foco foi identificado como sendo um produto técnico a ser utilizado na formulação de preparações fungicidas, não se trata de produto intermediário, ou seja, não é uma pré-mistura, não sendo vendido a retalho nem sendo apto a ser diretamente aplicado. A sua classificação não pode ser no capitulo 38, mas sim no capitulo 29 pelo que resta improcedente a autuação fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2004 o 4t) - ZEN 1, • LOIBMAN - Relator 4 • • - 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Jn••?'rei., wre TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°: 11128.003711/97-02 Recurso tf: 123312 TERMO DE INTIMAÇÃO - – — Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos O de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31536. Brasília, 28/01/2005 Anel*.e Daudt Prieto Preside e da Terceira Câmara Ciente em Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001850/2009-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF. (Súmula CARF nº 68)
Numero da decisão: 2001-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF. (Súmula CARF nº 68)
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ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF. (Súmula CARF nº 68) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de notificação de lançamento, lavrada em 01 de dezembro de 2008, da qual exige-se do Recorrente o valor de R$ 7.030,80, a título de IRPF, sendo R$ 190,00 de imposto de renda suplementar, acrescido de multa de ofício e demais consectários, ano- calendário 2003, exercício 2004, diante de omissão de rendimentos tributáveis. Ciente do lançamento, o Recorrente protocolou SRL (fl. 11) à DRF – Niterói, cujo provimento fora negado, mantendo o lançamento. Insatisfeito com a notificação de lançamento, o Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese: a) na notificação de lançamento consta em rendimentos omitidos o valor de R$ 7.030,80, porém, tal situação não ocorre, pois o citado valor refere-se a rendimentos não tributáveis e corresponde ao adicional por tempo de serviço, conforme a Lei 8.852/94 em seu art. 1º, inciso III, alínea n; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 18 50 /2 00 9- 81 Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.521 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.001850/2009-81 b) no comprovante de rendimentos pagos emitidos pela Pagadoria de Pessoal da Marinha – PAPEM, o adicional por tempo de serviço foi indevidamente incluído como rendimentos tributáveis, adicionado a outros valores tributáveis com valor total de R$ 25.179,60. Sendo assim, foram deduzidos do referido valor os R$ 7.030,80, em minha declaração retificadora, em rendimentos isentos e não tributáveis. O Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) cópia das declarações de pessoa física (fl. 18); (ii) bilhetes de pagamento (fl. 14 à 27). Na ocasião do julgamento da Impugnação apresentada pela ora Recorrente, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, proferiu o acórdão nº 13-26.349 – 1ª Turma DRJ/RJ2, julgando improcedente a impugnação, por entender em suma, que não há hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda de pessoa física. Irresignado com o v. acórdão a quo, o Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando os motivos supracitados neste relatório. É a síntese do necessário, passo ao voto. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso é tempestivo, preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cinge-se a controvérsia sobre a omissão de rendimentos recebidos pelo Recorrente, que alega serem isentos por se tratarem de adicional por tempo de serviço. Assim, o Recorrente invoca a norma jurídica prescrita no art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/1994, que assim dispõe: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III - como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; Ocorre que equivoca-se o Recorrente, uma vez que o enunciado prescritivo transcrito acima não veicula norma de isenção tributária, que, como é curial, deve ser interpretada de forma literal. Neste sentido, veja-se o enunciado da súmula nº 68 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 68 Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8112cons.htm#art62 Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-003.521 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.001850/2009-81 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em verdade, no sistema do direito positivo não há qualquer norma que isente os valores recebidos a título de adicional por tempo de serviço. Por outro lado, é importante destacar que tais rendimentos se enquadram no conceito de renda e proventos de qualquer natureza e, portanto, devem ser oferecidos à tributação em razão do princípio da universalidade. Dessa forma, entendo que deve ser mantido o lançamento tributário. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
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Numero do processo: 10880.962348/2008-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/10/2000
PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/10/2000 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório relativo à Cofins, no valor de R$ 6.114,05, pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), e, por conseguinte, não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitar débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação, alegando que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidas pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Segundo ele, não foram poucas as saídas gratuitas a título de brindes ou amostras grátis no período do crédito almejado, conforme comprovaria o demonstrativo anexo à peça impugnativa, tendo incorrido em erro ao não retificar as declarações respectivas. Tal equívoco, ainda segundo o então Manifestante, não macularia o seu direito de obtenção dos créditos, que teriam sido facilmente apurados se a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida, nos termos propugnados pelo art. 24 da IN SRF n° 600/2005. Para o contribuinte, a emissão do despacho decisório da forma ocorrida violaria os princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Constituição Federal e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I, da Lei 9.784/1999. A decisão denegatória do pedido do Manifestante proferida pela DRJ Juiz de Fora/MG foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÁO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962348/200843 Acórdão n.º 3803003.554 S3TE03 Fl. 223 3 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que mesmo que o contribuinte tivesse retificado as declarações originalmente apresentadas, reduzindo o valor da contribuição, ainda assim, essa providência não teria sido suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados, conforme preceitua o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ainda segundo o julgador, a defesa apresentara apenas um demonstrativo e uma outra listagem intitulada "balancete", este destituído dos elementos mínimos exigidos (como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e número de registro no CRC), estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T.2.7, aprovada pela Resolução CFC n° 685/90, vigente à época do fato gerador. Consignou, ainda, o não acostamento aos autos dos documentos contábeis hábeis a comprovar a composição da base de cálculo da contribuição, como, por exemplo, Livro Razão, Livros de Registro de Entrada, Livros de Registros de Saída, ou Notas Fiscais, que evidenciassem o erro alegado. Quanto à afirmativa do contribuinte de que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal e diligenciado o estabelecimento, como determinaria o art. 24 da IN SRF n° 600/2005, salientou o relator que, ao contrário dessa alegação, a IN SRF nº 600/2005, em seu art. 24, não obriga, mas, sim, faculta à autoridade administrativa a determinação de diligência para verificar a exatidão das informações prestadas. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, reitera seu pedido de reconhecimento do seu direito creditório e de homologação da compensação e solicita a decretação de nulidade do despacho decisório, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentados os seguintes: a) a decisão recorrida não afirmou em nenhum momento que o crédito não existiria, tendo apenas alegado que ele não teria sido adequadamente comprovado, o que não se sustenta, bem como que a autoridade administrativa "poderia", mas não estava obrigada a realizar diligências para verificar a exatidão das informações prestadas pela Recorrente — diligências essas que, muito a propósito, não foram realizadas no caso concreto; b) nulidade do Despacho Decisório por ter se limitado a indeferir a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem mesmo o Recorrente ter sido intimado para apresentar os documentos comprobatórios dos créditos declarados ou determinado a realização de diligências em seu estabelecimento; c) o art. 4º da IN SRF nº 600/2005, ao estabelecer que a autoridade administrativa "pode" condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e realização de diligências, em nenhum momento deu poder à autoridade Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 administrativa para negar sumariamente o direito de crédito, sem realizar prévia investigação deste; d) os documentos apresentados na primeira instância e não acolhidos pela Delegacia de Julgamento, sob a alegação de não conter os elementos mínimos necessários, foram entregues juntamente com a Manifestação de Inconformidade, esta subscrita por representante legal da pessoa jurídica, atestando, implicitamente, a veracidade das informações ali contidas; e) “Não atribuir valor probatório aos documentos juntados à Manifestação de Inconformidade é partir do pressuposto de que a Recorrente os fraudou, com o objetivo de criar direito de crédito artificial, situação essa que não pode ser tolerada”. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos por ele identificados como (i) “demonstrativo de composição da base de cálculo”, (ii) balancetes idênticos aos anteriormente juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: o nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC”, (iii) “demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo, (...) com indicação de seus respectivos valores contábeis e Códigos Fiscais de Operação ("CFOP")” e (iv) Termo de Abertura, Termo de Encerramento e páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas”. Em 28 de setembro de 2011, o contribuinte protocolizou no CARF pedido de julgamento em conjunto de 78 processos versando sobre o mesmo objeto, qual seja, o direito a crédito da contribuição para o PIS e da Cofins decorrente da inclusão indevida na base de cálculo do valor das mercadorias saídas do estabelecimento a título gratuito. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto ao pedido de julgamento em conjunto de todos os 78 processos do Recorrente versando sobre o mesmo objeto, há que se registrar que as disposições regimentais que cuidam da distribuição e do sorteio de processos para julgamento no CARF não determinam providências nesse sentido, havendo previsão de sorteio de no máximo 15 processos por lote, condição essa que impossibilita o atendimento do pleito. I. Preliminar. Nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962348/200843 Acórdão n.º 3803003.554 S3TE03 Fl. 224 5 base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente; pois, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, alegou que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidos pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Para comprovar os referidos valores dos brindes, o contribuinte trouxe aos autos, na fase de impugnação, um demonstrativo extremamente resumido, de uma folha, Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 contendo valores globais de quatro contas, assim como uma relação por ele intitulada “balancete”, esta em duas folhas, contendo a identificação de algumas contas e colunas de débitos e créditos, elementos esses que foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instãncia, no meu entender corretamente, como insuficientes para comprovar o direito reclamado. Não trouxe o contribuinte aos autos a escrituração contábilfiscal, nem as notas fiscais, estas indispensáveis para se verificar a forma como as mercadorias tidas como brindes deram saída do estabelecimento. Em razão da total falta de prova, além da não entrega, ainda que após o despacho decisório, da DCTF retificadora, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. Devese ressaltar que demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao insinuar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962348/200843 Acórdão n.º 3803003.554 S3TE03 Fl. 225 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisidição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode ignorar que informação não suscitada na primeira instância administrativa, momento em que se instaura a fase litigiosa do PAF, vindo a ser demandada apenas na peça recursal, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento; precipuamente nos casos de pedidos de ressarcimento/restituição e de declarações de compensação, em que o interessado tem o dever de comprovar o direito pleiteado, sendo o procedimento administrativo da espécie inaugurado pelo próprio sujeito passivo, cabendolhe o ônus de comprovar sua alegação. A Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 3º, inciso III, estipula que o administrado tem direito de apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; contudo, tal dispositivo não se sobrepõe à regra do referido art. 16 do PAF, pois, conforme consta do art. 69 da Lei nº 9.784/1999, esta se aplica apenas subsidiariamente ao processos administrativos específicos regidos por lei própria. Nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, em que a Administração tributária exige do contribuinte determinado tributo e seus acréscimos legais, a ela – Administração tributária – cabe o ônus da prova, pois que o processo se inicia a partir de sua atuação, devendo, por conseguinte, o lançamento se encontrar embasado em elementos probatórios consistentes do descumprimento da obrigação tributária. Diferentemente dessa situação, temse o processo inaugurado por pedido do próprio interessado, pois aqui cabe a ele, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Conforme nos ensina José Antônio Savaris1, a exigência de um prazo previamente estabelecido para a apresentação de provas não afronta o direito de ampla defesa, pois a preclusão se afigura indispensável ao devido processo legal, configurandose a ampla defesa como direito vasto ou de grande extensão e não como um direito irrestringível. Não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da verdade material e da ampla defesa devem ser sopesados dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. “De acordo com Marcos Vinicius Neder, a concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo, como a proposição ilimitada de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento ou a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual, para a sua apresentação em momento posterior. A criação de 1 SAVARIS, José Antônio. O processo administrativo tributário e a Lei 9.784/99. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 94, p. 7997, julho 2003. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 regras de preclusão probatória, pois, decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo” 2. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 3 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos novos elementos que, segundo ele, não deixariam dúvidas quanto ao seu direito. Contudo, ainda que se abstraísse da preclusão consumativa, tais elementos não seriam suficientes para comprovar o indébito alegado. O denominado “demonstrativo de composição da base de cálculo” é o mesmo que havia sido apresentado na primeira instância, havendo nele informações que mais confundem do que esclarecem. Ali são identificados valores globais sob as seguintes rubricas: 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 65 e 205. In: BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012) 3 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962348/200843 Acórdão n.º 3803003.554 S3TE03 Fl. 226 9 “débito apurado”, “suspensão”, “pagamento”, “saídas grátis eletrodomésticos”, “saídas grátis assistência técnica”, “saídas grátis importados”, “saídas grátis diversas diversos”, “devoluções”, “total”, “valor apurado”, “correção” etc., sem haver qualquer explicitação quanto à origem de tais valores. No Recurso Voluntário, a relação que havia sido identificada como “balancete” na Manifestação de Inconformidade foi substituída por uma outra denominada “Relatório Notas Fiscais Saídas”, sendo relacionados vários números de notas fiscais, o estabelecimento emissor, a data de emissão, o CFOP, o valor contábil, o nº do livro e a página, sendo que as referidas notas fiscais não foram apresentadas nem mesmo por amostragem, ainda que apenas uma delas. Não se pode ignorar que tal documento (a nota fiscal) é imprescindível para se aferir a natureza da saída da mercadoria, precipuamente nos casos de saídas gratuitas. Se o contribuinte havia incluído as alegadas notas fiscais relativas a brindes no cômputo da receita bruta para fins de apuração da contribuição, é porque tais notas foram emitidas com um determinado valor, sem o qual inexistiria possibilidade de sua inserção no faturamento. Nessa situação, a apresentação da cópia da nota fiscal tornase condição sine qua non à comprovação pretendida, pois somente conhecendo o seu teor, pode se constatar a natureza e a extensão da operação. O mesmo se diga em relação ao livro Registro de Saídas, cuja cópia foi trazida aos autos juntamente com a peça recursal. Nele, além das informações constantes do relatório supra, há a indentificação dos débitos de IPI e de ICMS incidentes em cada operação, dados esses que nada acrescem à defesa do Recorrente, pois que, reafirmese, desacompanhados dos documentos a que fazem referência, quais sejam, as notas fiscais respectivas. Conforme preceitua o parágrafo único do art. 195 do Códito Tributário Nacional (CTN), evidenciando a necessidade de apresentação dos documentos fiscais que embasam os registros contábeis, “[os] livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente e, inexistindo prova material do direito pleiteado, não se vislumbra necessidade de se enfrentar o mérito, ou seja, as razões de direito alegadas, pois ainda que favoráveis à tese do interessado (não incidência da contribuição sobre brindes), quando desacompanhadas dos elementos Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 fáticos comprobatórios da ocorrência do evento, em nada favorecem a defesa da parte, dada a sua inocuidade. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962348/200843 Acórdão n.º 3803003.554 S3TE03 Fl. 227 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10880.962348/200843 Interessada: ARNO S/A (SUCEDIDA PELA EMPRESA GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA.) Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.554, de 27 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000339/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF.
Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-000.313
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12963.000339/2007-91 Recurso n° 271.075 Voluntário Acórdão n° 2803-00.313 — 3' Turma Especial Sessão de 18 de outubro de 2010 Matéria AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL Recorrente COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CALDAS Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados nos tenrios do art. 173, I, CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). HEL RLOS PR A-DE-L-AMA---Presidente. CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra a COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CALDAS, em virtude do não recolhimento de contribuições devidas A Seguridade Social incidentes sobre os valores da comercialização de produtos rurais adquiridos de Produtor Rural Pessoas Físicas, As destinadas ao SENAR, e as Contribuições para Financiamento dos Beneficios em razão da incapacidade laborativa na comercialização do produto, durante o período de janeiro de 1997 a dezembro de 1997. Nos termos do Relatório Fiscal juntado As fls. 68, constituem fatos geradores das contribuições lançadas o valor bruto da nota fiscal na comercialização de produto rural, conforme escriturado no Livro Razão. Estes valores foram apurados da seguinte forma: 2,7% do valor bruto da Nota Fiscal de produção comprada por produtor rural pessoa fisica, sendo 0,1% de SAT, 0,1% de terceiras entidades (SENAR) e 2,5% INSS. 0 valor lançado (valor originário e acréscimos legais) encontra-se fundamentado na legislação constante do anexo de "Fundamentos Legais do Débito - FLD". Em sua Impugnação (11s. 70/73), argumentou a autuada, em síntese: (a) a prescrição e decadência da notificação, que abrangeria o período de janeiro de 1997 a dezembro de 1998, diante da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91; (b) a exclusão da NFLD dos nomes dos presidentes que não atuaram durante o período notificado, pelo fato de não terem praticado nenhum ato de gestão capaz de qualificá- los como co-responsáveis; (c) que os lançamentos efetuados no período em questão de 01/1997 a 12/1997 teriam sido feitos com base na receita lançada no Livro Razão, sem verificar o conteúdo das notas fiscais; (d) que a Cooperativa jamais teria feito qualquer tipo de comercialização de produtos ou produção rural, já que apenas prestaria serviços de armazenagem aos seus cooperados (c) que a tributação de 2,5% sobre a produção rural no período estaria equivocada, devendo ser totalmente cancelada. Quando do julgamento da peça impugnatória (fls. 82/90), a DRJ manteve o lançamento em sua integralidade, por considerar que, ao constituir o crédito impugnado, o Fisco teria agido na estrita esfera de sua competência, nos termos do disposto no artigo 33, caput, da Lei n° 8.212/1991. No tocante à alegação preliminar de decadência e prescrição, afirmou que não haveria possibilidade do seu reconhecimento, pelo fato de o Fisco ser mero aplicador da norma de eficácia no ordenamento jurídico, estando o art. 45 da Lei n°. 8.212/91 em plena vigência. Alegou a autoridade julgadora que os documentos "REPLEG" e "ViNCULOS — Relação de Vínculos" seriam relatórios de expedição obrigatória, não podendo o Fisco deixar de emiti-los na forma das normas e instruções pertinentes, do mesmo modo que 2 Processo n° 12963.000339/2007-91 S2-TE03 Acórdão n.° 2803 -00.313 FL 2 a autoridade julgadora de primeira instancia também não deteria competência legal para excluir desses relatórios os nomes de pessoas fisicas e/ou jurídicas devidamente qualificadas por tipo de vinculo com o sujeito passivo e por período de atuação. Entendeu, ainda, que nesta fase processual, a eventual responsabilidade das pessoas identificadas nesses documentos não se encontraria em discussão, devendo tal responsabilização se dar em outra etapa do processo, em conformidade com o disposto na legislação pertinente; Por fim, limitou-se a afirmar que o Fisco teria se valido dos lançamentos constantes do Livro Razão para apurar o crédito em discussão, o que teria se dado em absoluta conformidade com as disposições contidas na legislação previdencidria, a qual preveria a obrigatoriedade por parte do contribuinte da escrituração e da exibição ao Fisco dos livros contábeis, sempre que regularmente intimado, inclusive sob pena de autuação se não o fizer na forma da lei, nos termos do disposto no artigo 33 e §§ 1 0 a 6° da Lei n°8.212/1991 e no artigo 225, incisos I e II e §§ 13° a 16° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048/1999 Contra essa decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário às fls. 94/97, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação. o relatório. Voto Conselheira, CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora Antes de se adentrar a análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, faz-se necessário examinar se os tributos lançados na NFLD em questão podem ser exigidos do contribuinte. A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos previdencidrios foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante de n ° 8, nos seguintes termos: "Súmula Vinculante n" 8"Sdo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal de 1988, o entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os órgãos da Administração Pública, inclusive para este Conselho: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos sells membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder á sua revisão ou cancelamento, ndforma estabelecida em lei." 3 Ito Nestes termos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese prevista no art. 45 da Lei n " 8.212/1991, em razão do entendimento contido na Súmula Vinculante n" 8, há que se analisar a questão A luz das regras previstas no Código Tributário Nacional. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão regulados pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Consoante o que estabelece o § 40 do mencionado dispositivo legal, havendo pagamento antecipado do tributo devido, considera-se extinto o crédito tributário coin a homologação expressa ou tácita, que se dará com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Todavia, caso não haja o pagamento antecipado, dever-se-á observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que determina que o prazo para a constituição dos créditos tributários é de cinco anos, contados do primeiro dia útil do ano subsequente àquele no qual poderia ter havido a sua exigência. Esse, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁ RIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONST1TUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA V1NCULANTE N. 8 DO STF. 1. 0 Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Siimula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, coin este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5." do Decreto-Lei 11. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadéncia de crédito tributário". 2. Nos casos ein que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, sç 40, do CTN estabelece a necessidade c/c antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REY]) 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei n" 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543-C do CPC, reafirmou-se tal posicionamento. 3. Recurso especial não provido." (REsp 109002I/PE, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJ 05/05/2010) A NFLD foi lavrada em 27/11/2007 para exigir os créditos tributários relativos As competências de 01/1997 a 12/1997, tendo a empresa tomado ciência em 03/12/2007. Nestes termos, com fundamento no que dispõe o art. 173, I, CTN, em razão de não ter havido o pagamento antecipado do tributo devido, verifica-se que houve a decadência do direito do Fisco de promover a constituição do credito tributário apurado no período fiscalizado. Em razão disso, resta prejudicada a análise das demais questões trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, pela impossibilidade de exigência de qualquer valor relativo a fatos geradores que tenham sido praticados em período já atingido pela decadência. E como voto. 4 Processo n° 12963.000339/2007-91 S2-TE03 Acórdão n.° 2803 -00.313 Fl. 3 CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, para reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir credito tributário relativo ao período de 01/1997 a 12/1997. CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE — Relatora 5
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Numero do processo: 13886.000143/00-64
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.312
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
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Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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