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Numero do processo: 19740.000634/2008-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO-BABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA.
Integra o salário-de-contribuição o benefício auxílio-babá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99.
A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxílio-babá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010.
Numero da decisão: 9202-006.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIOBABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Integra o saláriodecontribuição o benefício auxíliobabá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxíliobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 34 /2 00 8- 92 Fl. 780DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2402002.397 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 20/01/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11941/09, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, como se vê: Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIO BABÁ. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62ª DO RICARF. O auxílio babá não é espécie de benefício distinta do auxílio creche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Como tal, deve ser dispensado à essa modalidade do benefício o mesmo tratamento tributário do auxílio creche: Súmula STJ nº 310, de 11/05/2005 e Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 19740.000634/200892 Acórdão n.º 9202006.172 CSRFT2 Fl. 781 3 Recurso voluntário este provido por unanimidade conforme ementa supra. Para o contribuinte, que se manifesta por meio das contrarrazões nos seguintes termos: Fl. 782DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por tudo, entendo que deve ser dispensado à modalidade do benefício titulada auxíliobabá, o mesmo tratamento tributário do auxílio creche. Tendo a fiscalização se convencido de que os valores são efetivamente relativos ao benefício, a parcela tem natureza indenizatória e fica, portanto, dispensada a comprovação da despesa do empregado com a babá. Para se afastar a incidência sobre os valores pagos ou reembolsados pela empresa, é suficiente a identificação do responsável e do dependente através de certidão de nascimento ou de outro documento onde também se possa comprovar a idade da criança. Ademais, esta Câmara Superior já pacificou o entendimento no sentido do constante do Acórdão 9202005.674, da ilustre Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que transcrevo: Cingese a controvérsia sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobres valores pagos aos segurados empregados a título de reembolso babá. No entender do recorrente aplicase ao caso a Súmula 310 do STJ e o Parecer PGFN nº 2600/2008, pois tal verba possui a mesma natureza jurídica do auxílio creche. Em que pense o debate travado nos autos, devemos destacar a existência do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 que, encerrando definitivamente a controvérsia ora analisada, reconheceu expressamente que o reembolsobabá não compõe o saláriode contribuição em razão da sua natureza indenizatória. Tal parecer foi editado, exatamente, para solucionar as dúvidas relativas a abrangência da Súmula 310 e Parecer 2.600/08. Vejamos trechos do citado Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2271/2013: Tributário. Imposto de Renda e Contribuição Previdenciária. Reembolsobabá. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. Matéria infraconstitucional. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. ... 3. A análise em comento decorre da dúvida que surgiu acerca da abrangência do Ato Declaratório 13/2011. Isto é, se o ato Fl. 783DF CARF MF Processo nº 19740.000634/200892 Acórdão n.º 9202006.172 CSRFT2 Fl. 782 5 também abarca o reembolsobabá, tendo em vista a equiparação dos institutos pela jurisprudência, bem como diante das diferentes acepções do termo “auxíliocreche” na legislação. ... 7. Os Tribunais, notadamente o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao tratar do benefício, trata indistintamente o auxílio creche e o auxíliobabá como institutos congêneres. Com efeito, conforme tratado no PARECER PGFN/CRJ/N.º 13/2011 o STJ quando instado a se manifestar sobre as ações judiciais que tratam acerca do auxíliocreche e do auxíliobabá, não demarca os limites e a abrangência das citadas expressões. Somente descrevem, de modo genérico, que estas verbas correspondem a um reembolso (indenização) de despesas efetuadas pelo trabalhador por ter sido privado de obrigação legalmente imposta ao empregador. ... 9. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o reembolsobabá não possui natureza indenizatória, ao contrário, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deveria haver incidência tanto no imposto de renda como na contribuição previdenciária. 10. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual os valores percebidos a título de reembolsobabá têm caráter indenizatório, não incidindo, por isso, imposto de renda ou contribuição previdenciária. ... 23. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos a título de reembolsobabá (auxíliobabá), como na hipótese objeto deste Parecer, a competência para representar a União é da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, já que se trata de matéria fiscal (art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993); e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de se reconhecer a não incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos moldes acima delineados. ... 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: Fl. 784DF CARF MF 6 (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. ... Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Destaco que, referido ato declaratório decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Segundo o citado artigo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... Fl. 785DF CARF MF Processo nº 19740.000634/200892 Acórdão n.º 9202006.172 CSRFT2 Fl. 783 7 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Ante exposto ao NEGO Provimento ao Recurso da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 786DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira Patrícia da Silva para divergir do seu entendimento em relação a exclusão dos pagamentos feitos pelo sujeito passivo, à título de auxílio babá, do conceito de salário de contribuição. Analisando o caso concreto, fica claro que inaplicável o ato declaratório descrito pela relatora, uma vez que as situações ali esplanadas não se subssumem a tese trazida no parecer. De igual forma, inaplicável o julgado transcrito pela relatora do voto vencido, novamente por tratarse de situações fáticas distintas. A lei 8.212/91 é clara em definir no art. 28, §9º, "s", as parcelas excluídas do conceito de salário de contribuição, senão vejamos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; Embora a lei não faça expressa previsão do pagamento feito à título de auxílio babá, o Decreto nº 3048/99 em seu art. 214, §9º, incisos XXIII e XXIV assim dispõem: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: XXIII o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas; (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; e (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Ou seja, o legislador impõe condições para que o auxílio babá possa ser excluído do conceito de salário de contribuição, quais sejam: limitado ao menor saláriode contribuição mensal, condicionado à comprovação do registro na CTPS da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária e observado o limite máximo de seis anos de idade da criança. Contudo, o citado Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, consubstanciado nas decisões reiteradas do STJ, o qual baseouse a relatora para fundamentar seu voto, não acolhe a interpretação por ela adotada. Notese que o próprio trecho do voto Acórdão 9202005.674, transcrito pela relatora, em alusão ao Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, deixa claro a inaplicabilidade ao caso ora sob análise: Fl. 787DF CARF MF Processo nº 19740.000634/200892 Acórdão n.º 9202006.172 CSRFT2 Fl. 784 9 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. Ou seja, a dispensa somente estaria autorizada quando comprovadas as despesas que fundamentaram o seu pagamento. Notese que em virtude do parecer transcrito acima, foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Referido ato declaratório, decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, contudo, restou claro que a sua aplicabilidade estava restrita aos casos em que expressa a comprovação das despesas, o que não é o caso dos autos, senão vejamos trecho do relatório fiscal: 5. SITUAÇÃO FÁTICA 5.1 Na análise das Folhas de Pagamentos do ano de 2004, foi detectada a ocorrência de pagamentos sob o título de Auxílio Creche, Auxílio Creche—Mês Anterior, Auxílio Babá e Auxílio Babá—Mês Anterior. Em anexo, cópia dos os resumos das folhas de pagamento (fls. 1%). 5.2. Foram solicitados os comprovantes de despesas com Creche relativos a todos os empregados que receberam esta Fl. 788DF CARF MF 10 rubrica e a comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária da empregada em relação àqueles que receberam o Auxilio Babá. 5.3. Ocorre que a empresa não logrou apresentar a maior parte dos comprovantes solicitados, apresentando apenas os relativos a treze funcionários, ficando claro que a empresa não observou os requisitos legais para efetuar o pagamento destes valores, passando estes a integrar a base do salário de contribuição previdenciária. 5.4. Em anexo (fls. VSut ), encontrase uma lista com todos os pagamentos efetuados em desobediência aos preceitos legais, ou seja, sem a comprovação das despesas com creche ou babá, contendo as informações do empregado, o valor pago e o mês do pagamento, além de cópia dos 1110 resumos mensais da folha de pagamento. 5.5. Foram excluídos os valores pagos àqueles segurados empregados que apresentaram a documentação bastante e suficiente para comprovar as despesas de acordo com a lei. 5.6. Cabe ressaltar que, quando se trata de comprovação de despesas, formulários preenchidos pelos próprios funcionários quando da solicitação do benefício, não comprovam despesa alguma, comprovam apenas que o funcionário solicitou o recebimento do tal auxílio. No que se refere à cópia da Carteira de Trabalho da babá, não obstante este ser um dos' documentos exigidos pela legislação para que não haja incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio babá, não é bastante e suficiente para a comprovação da efetiva despesa já que não evidencia a continuidade do contrato de trabalho, o efetivo pagamento dos salários devidos à ,babá nem o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Pelos trechos transcritos acima fica claro que não logrou o sujeito passivo apresentar o comprovante de pagamento feito a babá, documento este necessário para demonstrar o caráter indenizatório previsto nas decisões do STJ que culminaram com a publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 e Ato declaratório PGFN nº 01/2014. Dessa forma, inaplicável o entendimento exarado pela relatora, inclusive citando o art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, posto que o citado Ato Declaratório expressamente exclui a situação ora sob julgamento do seu alcance. Conclusão Face o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720205/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO.
Cabível o indeferimento de crédito decorrente de aquisições de mercadorias de empresas declaradas inaptas se inexistir efetiva demonstração, por meio de documentação hábil, de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens.
RECEITA BRUTA. CONCEITO. DESCONTOS OBTIDOS. REDUÇÃO DE PASSIVO.
Os abatimentos sobre compras importam para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizando-se como receitas operacionais, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo.
CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO
Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos.
MÚTUO ENTRE DIRETOR E EMPRESA PARA PAGAMENTO DE TÍTULOS DE CRÉDITO. ENDOSSO DE CHEQUES DO FORNECEDOR PARA TERCEIROS. NECESSIDADE DE PROVA DE PAGAMENTO NO CASO DE FORNECEDOR REGULAR.
Não tendo a Recorrente feito prova das operações financeiras com documentos hábeis, nem demonstrado inequivocamente a origem dos recursos para a quitação das duplicatas, deve ser mantida a glosa das compras.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido quando não formulado nos termos da legislação ou quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou, ainda, se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
Numero da decisão: 3402-004.971
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Assinado Digitalmente
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo-Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o indeferimento de crédito decorrente de aquisições de mercadorias de empresas declaradas inaptas se inexistir efetiva demonstração, por meio de documentação hábil, de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. RECEITA BRUTA. CONCEITO. DESCONTOS OBTIDOS. REDUÇÃO DE PASSIVO. Os abatimentos sobre compras importam para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizandose como receitas operacionais, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. MÚTUO ENTRE DIRETOR E EMPRESA PARA PAGAMENTO DE TÍTULOS DE CRÉDITO. ENDOSSO DE CHEQUES DO FORNECEDOR PARA TERCEIROS. NECESSIDADE DE PROVA DE PAGAMENTO NO CASO DE FORNECEDOR REGULAR. Não tendo a Recorrente feito prova das operações financeiras com documentos hábeis, nem demonstrado inequivocamente a origem dos recursos para a quitação das duplicatas, deve ser mantida a glosa das compras. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 02 05 /2 01 0- 26 Fl. 29765DF CARF MF 2 Indeferese o pedido quando não formulado nos termos da legislação ou quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou, ainda, se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Assinado Digitalmente Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRedator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Por bem relatar o feito, utilizarei de trechos do relatório fiscal da decisão recorrida. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual do Pedido de Ressarcimento – PER nº 03940.79087.010210.1.5.095405, que retificou o PER nº 05438.46111.301009.1.1.095071, anexado às fls. 10 a 18, referente a crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) NãoCumulativa Exportação relativo ao 3º trimestre de 2009. Vinculadas ao crédito pleiteado, a interessada transmitiu as Declarações de Compensação – DCOMP abaixo relacionadas, informando a compensação de débitos próprios discriminados em planilha dos autos. Fl. 29766DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.766 3 O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal explicou os procedimentos e critérios adotados para a consideração (ou não) dos créditos objeto deste PER e para a apuração do valor a ser ressarcido, e veio acompanhado dos seguintes anexos: ANEXO I: Remissão de dívida referente a aquisição de insumos – descontos obtidos. Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente aos descontos aleatórios obtidos. ANEXO II: Glosa efetuada em função da cessão de crédito (fls. 1214/1218). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente aos pagamentos efetuados a terceiros via cessão de crédito. ANEXO III: Operações de mútuo com o diretor administrativo da Vitapelli (fls. 1219/1225). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente aos pagamentos efetuados com suprimento de recursos do diretor administrativo. ANEXO IV: Operações de transporte com veículos incompatíveis ou sem registro. Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente às operações não comprovadas. ANEXO V: Glosa situação irregular do fornecedor. Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente às operações não comprovadas. Ao final, propôs o reconhecimento parcial do direito creditório pretendido, no que foi acompanhado pelo Despacho decisório exarado pela DRF/Presidente Prudente. Regularmente cientificada do resultado, a interessada protocolou sua Manifestação de Inconformidade, que veio acompanhada dos documentos, alegando em síntese: que quanto ao item “1 – Dos supostos descontos aleatórios obtidos junto aos fornecedores de couros. (item 3.1 – Relatório Fiscal) [...] é comum na atividade da Manifestante a ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matéria prima principal, ou seja, o couro verde, salgado ou salmorado” e que “Algumas dessas inconformidades só aparecem após iniciado o processo industrial, sendo um dos motivos pelo qual os descontos não são imediatos ao recebimento da mercadoria [...] somente se resolvendo meses após, de forma cumulativa, resultando nos casos de descontos superiores relatados pela fiscalização”; que “Quanto aos ‘abatimentos s/ compras’, são descontos concedidos após a entrega da mercadoria” e que “embora tenha sido registrado em conta de Receitas Financeiras, não se trata de receitas [...] não podendo servir de base para a exigência de contribuição ao PIS/PASEP e COFINS”; que “não há que se falar em insubsistência passiva, não se aplicando as soluções de consulta colacionadas pela fiscalização” e que “Quanto ao ‘Perguntas e Respostas’ do IRPJ, tratase de questão diversa da aqui tratada, pois se referem a vendas canceladas, enquanto aqui tratamos de descontos ou abatimentos nas compras”; que “tenta a d. fiscalização fazer uso de Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 750/1993, que teve sua redação atualizada pela Resolução nº 1111/2007 e Resolução nº 1282/2010” que “o Apêndice II nada mais é que, uma Fl. 29767DF CARF MF 4 interpretação do que era veiculado na Resolução nº 750/1993 do CFC, antes das alterações promovidas pela Resolução nº 1282/2010” e que “Com a nova redação [...] já não se pode atribuir validade aquele Apêndice II, pois, se refere a algo que não mais existe”; que com relação ao item “2 – Dos Pagamentos Efetuados a Terceiros em Decorrência de Cessão de Crédito. (item 3.2 – Relatório Fiscal) [...] Em que pese todo o zelo do senhor fiscal nessa parte também não merece prosperar o entendimento aqui levado a efeito”; que “A cessão de créditos está disciplinada no art. 286 e 290 do novel Código Civil” e que “partindo do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda e a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido pelo credor a quem bem lhes aprouver”; que “A única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase aí o negócio jurídico perfeito e acabado”; que “Nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/manifestante, não cabendo ao fisco qualquer questionamento nesse sentido”; que “Portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e beneficiáriocessionário, porque, aqueles, não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora manifestante”; que quanto ao item “3 – Dos Contratos de Mútuo com o Diretor Administrativo da Vitapelli. (item 3.3 – Relatório Fiscal) [...] é comum o suprimento de recursos financeiros pelos sócios, especialmente no caso do Diretor Administrativo que é sócio majoritário da empresa, nada havendo de anormal nessa situação”; que “... conforme dito pela fiscalização a manifestante apresentou contrato de mútuo e cópia dos cheques endossados, não comprovando o efetivo pagamento dos fornecedores” e que “... se foram apresentados os cheques endossados pelos fornecedores e que estavam em poder de terceiros, é porque a relação jurídica entre Vitapelli x fornecedores estava extinta, ainda que os cheques fossem pósdatados”; que com relação ao item “4 – Dos Veículos Incompatíveis para o Transporte de Carga. (item 3.4 – Relatório Fiscal) [...] Não existem veículos incompatíveis com o transporte das mercadorias como quer fazer crer o fisco, as supostas divergências decorrem de visíveis erros na anotação dos dados dos veículos. Para espancar de vez as dúvidas colacionamos abaixo os dados corretos dos veículos e juntamos consulta ao Sistema Renavam”; que quanto ao item “5 – Empresas cujas Notas Fiscais foram glosadas [...] O fato de essas empresas ter apresentado suas Declarações obrigatórias na condição de Inativa, ou mesmo, não apresentadoas, longe de afastar a veracidade e efetividade das operações entabuladas com esses fornecedores, demonstram a ineficiência do órgão fiscalizador”; que com relação ao item “6 – Da boa fé da Manifestante [...] Nos casos de apropriação de custos de produção acobertado por documentação fiscal considerada inidônea pela fiscalização, o entendimento manifestado pelo Conselho de Fl. 29768DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.767 5 Contribuintes é que em se tratando de compras efetivamente comprovadas por contribuinte de boafé, descabe a glosa dos respectivos custos”; que “... atestam à ocorrência/veracidade da operação os seguintes documentos, que já foram juntados aos autos pela fiscalização: (a) as cópias dos depósitos bancários, que comprovam o pagamento das aquisições das peles de bovinos dos Fornecedores posteriormente declarados inidôneos; (b) ‘tickets de pesagem’ que comprovam o recebimento das mercadorias; e (c) RPAs que comprovam o transporte das mercadorias e; (d) controles de descarregamento”; que quanto ao item “7 – Do Princípio da Verdade Material [...] além de analisar as provas juntadas pelas partes no processo administrativo tributário, o Fisco também tem o dever de buscar elementos que comprovem aquilo que realmente aconteceu”; que com relação ao item “8 – Da Publicidade da Declaração de ‘Inapta’ e ‘não habilitada’ dos Fornecedores [...] somente após a conclusão desses processos pelo Fisco é que a condição de ‘inapta’ ou ‘não habilitada’ desses fornecedores, foi disponibilizada para consulta pública no site da Receita Federal do Brasil e no SINTEGRA, ou seja, até então não era possível que qualquer contribuinte soubesse da inidoneidade da referida Empresa”; que quanto ao item “IV – DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC [...]nas relações com o Fisco, o contribuinte deve dispor tanto de ressarcimentos quanto de restituições atualizadas pelos mesmos índices utilizados pela Receita Federal do Brasil quando da constituição do crédito tributário”; Ao final, requer que sejam acolhidas as razões de fato e de direito apresentadas, e protesta pelo aditamento da manifestação de inconformidade e a realização de perícia contábil. A DRJ julgou sua manifestação de inconformidade parcialmente procedente, revertendo somente a glosa relativa ao ANEXO IV Operações de transporte com veículos incompatíveis ou sem registro. Irresignado, apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário, no qual pugna: I) Que se aplique o Acórdão proferido no PAF nº 10835.721527/201254 às glosas relativas às aquisições de insumos de empresas consideradas pela fiscalização como inaptas, relativamente aos fornecedores: a) J A Comércio de Couros Ltda; b) José de Carvalho Lima Júnior e Reginaldo Carvalho Siqueira ME; c) Simental Comércio de Couros; II) Em relação às glosas relativas às fornecedoras Maria Lúcia da Silva Madeireira e Amarildo Gobes dos Santos ME, remete à planilhaguia anexada, que articula as provas documentais presentes no processo e comprova a ocorrência dos negócios. III) Que os descontos glosados são, em rigor, abatimentos sobre as compras, reiterando o que fora dito na manifestação de inconformidade. IV) Que os contratos de mútuo com o Diretor Administrativo da Recorrente não são irregulares, mas sim prática usual e remete ao caso do Frigorífico Angelelli Ltda, para afirmar que as duplicatas fazem prova do efetivo pagamento. Fl. 29769DF CARF MF 6 V) Que se aplique a taxa SELIC ao crédito objeto do pedido de ressarcimento. VI) Requer a produção de prova pericial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de passar à análise das razões do Recurso Voluntário, na ordem em que foram aduzidas naquela peça, cabe frisar que a Recorrente juntou planilha, construída à partir de documentação acostada ao processo administrativo, que vincula as Notas Fiscais de Entrada ao fornecedor (com número da folha respectiva), indicando a data do registro no Livro Registro de Entrada (LRE, também com a folha em que se encontra), à respectiva entrada no Livro Razão e a forma, data e dados do pagamento (com indicação da folha respectiva). Tal planilha está em fl. 19562 e ss. I) Das glosas de créditos relativos às aquisições de fornecedores considerados inaptos pela fiscalização. Pugna inicialmente, o Contribuinte, pela aplicação do decidido no Acórdão CARF nº 1102001.075, julgado pela 1ª Seção e relativo ao efeito das presentes glosas na apuração do IRPJ e CSLL da Recorrente, nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, no qual foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade de certas operações. Conquanto concorde que é incoerente que as mesmas operações possam receber tratamento contraditório ao serem julgadas por turmas em sessões distintas do CARF, o Acórdão que se pretende aplicar sequer é definitivo, pendente atualmente de análise no âmbito da 1ª CSRF, cabendo aqui a análise específica do mérito das glosas. Parte das glosas de créditos pleiteados pelo contribuinte no trimestre respectivo do anocalendário de 2009, referentes à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. Em seu recurso voluntário a interessada alega que as operações efetivamente ocorreram e foram pagas, devendo serem mantidos os efeitos tributários dos negócios, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp 1.148.444MG. Sobre a aquisição de empresas declaradas inaptas a lei nº 9.430/96 a partir do art. 80 estabeleceu as diretrizes sobre “empresa inidônea" e define em seu art. 82 “caput” que não produzirá efeitos em favor de terceiros os documentos expedidos por pessoas jurídicas inaptas, in verbis: Fl. 29770DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.768 7 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Analisemos especificamente os fornecedores, adotando como metodologia o cotejo entre o Anexo 5 do Termo de Verificação Fiscal e a Planilha entregue pelo Contribuinte, articulando as provas dos autos. Além disso, ressaltese que as glosas referentes a todas as fornecedoras, com exceção da Maria Lúcia da Silva Madeireira e Amarildo Gobes dos Santos ME foram revertidas no âmbito do Acórdão CARF nº 1102001.075. a) J A Comércio de Couros Ltda A fiscalização aduziu que esta empresa não se encontra no endereço indicado no sistema da RFB, e que a mesma se encontra como "não habilitado" no SINTEGRA em pesquisa datada de 16/04/2009. Por outro lado, compulsando a planilha juntada pelo contribuinte e as telas de pesquisa junto ao SINTEGRA, se verifica que esta empresa estava "habilitada" em consultas de 29/04/2009 até 08/12/2009, abrangendo todas as operações realizadas durante o período habilitado. Com a devida vênia, tratase apenas de indício de inexistência, que teria de ser melhor depurados e analisados pelo fisco para dar lastro à autuação. Não se pode simplesmente concordar com a alegação fiscal de que o simples fato da empresa não estar localizada no endereço indicado à RFB seria prova de que ela nunca existiu. Verificase nos autos que a empresa era habilitada no SINTEGRA, há provas do transporte e entrega dos bens, há comprovação do pagamento, há registro contábil da entrada dos bens adquiridos, perfazendo todas as condições necessárias para o aproveitamento o crédito de PIS/Cofins. Desse modo, voto por reverter a glosa dos créditos desse fornecedor. b) José de Carvalho Lima Júnior e Reginaldo de Carvalho Siqueira ME O motivo da glosa das aquisições do Sr. José de Carvalho Lima Júnior foi a constatação do seu falecimento em 03/01/2009, e que, por ser este empresário individual, a sua morte acarretaria a extinção da empresa. Por outro lado, a Recorrente alega que não foi lavrado qualquer certidão de óbito, de modo que não há publicidade do falecimento do empresário e, além disso, a própria fiscalização reconhece ser fato comprovado, constatado pelo fisco estadual de Minas Gerais, Fl. 29771DF CARF MF 8 que o Sr. Reginaldo de Carvalho afigurase como sucessor econômico de fato do Sr. José de Carvalho, prosseguindo nas suas atividades econômicas, tendo em vista: (i) o mesmo endereço e atividade; (ii) os mesmos fornecedores e clientes; (iii) o parentesco entre ambos; (iv) notas fiscais preenchidas pelo mesmo punho: Ora, em primeiro lugar, há que se verificar que em tudo o Sr. Reginaldo manteve a aparência de higidez da operação, inclusive da sucessão empresarial, não havendo qualquer prova nos autos de máfé, seja objetiva, seja subjetiva, da Recorrente o que por si já atrai a aplicação da teoria da aparência para a proteção jurídica dos negócios realizados. Todavia, uma vez comprovado a transferência da mercadoria e o pagamento do preço, tornase despicienda a discussão sobre a validade do negócio, como determinado expressamente por art. 118, I do CTN: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Novamente, verificase nos autos provas de todos os elementos aptos a autorizar a manutenção do crédito, independentemente da validade jurídica do negócio, visto que se comprovou o pagamento e a transferência dos bens. Frisese: não se está dizendo aqui que as operações eram juridicamente válidas mas da invalidade delas não se pode depreender diretamente a inidoneidade dos documentos emitidos, especialmente para fins de aproveitamento dos créditos. Ao invés de demonstrar que a empresa não vendia couro, a diligência fiscal serviu para deixar absolutamente claro que a empresa trabalhava essencialmente com isso, fornecendo quase 100% do seu estoque de couros à Vitapelli Ltda, e sendo pago através de cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Em relação ao Reginaldo de Carvalho Siqueira ME, a fiscalização glosou os créditos sob os seguintes fundamentos: i) o empresário individual não tinha capacidade econômica para gerir os negócios, conforme DIRPF/2010; ii) a empresa escriturou notas fiscais Fl. 29772DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.769 9 de entrada emitidas por fornecedores declarados inexistentes pelos Fiscos Estaduais, e há indícios de notas fiscais de entrada frias, pois teriam sido emitidas pelo mesmo punho escritor responsável pelo preenchimento dos documentos fiscais de saída; c) nos extratos bancários da empresa inexistem os depósitos de cheques emitidas pela Vitapelli Ltda. Quanto à ausência de depósitos dos cheques emitidos pela Vitapelli Ltda, tal fato é absolutamente cediço, visto que a própria fiscalização reconheceu que é comum nesse ambiente de negócios a cessão de créditos por parte dos fornecedores. O simples fato da inexistência de depósitos dos cheques resta enfraquecido, enquanto indício da ausência de pagamento, em razão dessas circunstâncias específicas. O que há nos autos, isso sim, são cheques correspondente aos valores pagos informados, referentes às notas fiscais de aquisição junto a esse fornecedor. Ora, tampouco há que se imputar à Recorrente qualquer tipo de ônus ou sanção relacionado a irregularidades que a fornecedora possa ter cometido junto àquelas que lhe forneciam bens haja vista que não há efetivamente provas nos autos, mas simplesmente suspeitas do órgão de fiscalização. A relação da fornecedora com a Recorrente é um degrau acima, e não pode ser afetada por esses indícios salvo no caso de se comprovar que esse fornecedor seria uma pessoa jurídica simulada o que não está comprovado nos autos. Além disso, a empresa se encontrava "habilitada" no Sintegra, durante o período dos negócios realizados, o que reforça a boafé da Recorrente nas suas operações e corrobora a manutenção do crédito. Se os fiscos estaduais tinham plena certeza da ocorrência de irregularidades junto a este fornecedor, que tomassem medidas voltadas à declaração de sua inaptidão e sua inabilitação no Sintegra, o que não foi realizado anteriormente às operações analisadas. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa/sucessão fraudulenta. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Desse modo, voto por reverter estas glosas. c) Simental Comércio de Couros A fiscalização glosou as aquisições dessa empresa em razão dos seguintes elementos: i) um dos sócios não tinha capacidade econômica para gerir o negócio e nem conhecimento das operações; ii) divergência entre os pedidos efetuados pela Vitapelli e os pagamentos efetuados ao fornecedor; iii) indícios de interposição entre a Simental e a empresa Império do Boi Indústria e Comércio Ltda. Neste caso, aderimos integralmente às conclusões do relator do Acórdão CARF nº 1102001.075, pelo que reproduzimos abaixo suas considerações: Da análise das peças constantes dos autos, relativas ao processo de inaptidão da empresa Simental, restou claro para este relator que a pessoa jurídica de fato não possuía patrimônio e capacidade operacional condizente com as vendas que disse ter efetuado à recorrente, pelo que são inidôneas as notas fiscais por ele emitidas. Fl. 29773DF CARF MF 10 Contudo, a mesma diligência apontou indícios de que a empresa atuaria como interposta pessoa do frigorífico que se localizava a menos de 200 metros do local. Nos autos há inclusive fotos do couro no que seriam as instalações da Simental, tiradas pelo fisco. A exemplo de outros casos já aqui relatados, a despeito da inidoneidade do fornecedor e da documentação por ele emitida, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento dessas irregularidades. Nos documentos trazidos aos autos pelo fisco, constam conhecimentos de transporte emitidos por terceiros, além de documentos internos da recorrente (relatórios de entrada, ocorrências no recebimento de couros, e “tickets de pesagem”, entre outros). E, com relação aos pagamentos, cópias dos documentos de controle interno da recorrente (“cópias de cheque”, nominais ao fornecedor e aos transportadores), bem como, em alguns casos, cópias efetivas dos cheques emitidos, também nominais ao fornecedor. Diante destes elementos, entendo que o quanto trazido aos autos não afasta a condição da recorrente, em relação ao fornecedor ora em análise, de adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades por ele praticadas. Apesar das irregularidades constatadas na empresa Simental, a documentação referida na planilha apresentada pela Recorrente deixa claro que a operação ocorreu efetivamente, não havendo qualquer indício de que a mesma tivesse ciência dos vícios apontados na empresa que inclusive se encontrava habilitada junto ao SINTEGRA. Quanto às divergências entre os valores das notas e os recebimentos, tal se dá em razão dos abatimentos que já foram elucidados pela Recorrente, não devendo causar espécie tais discrepâncias. Desse modo, voto por reverter a glosa neste ponto. d) Amarildo Gobes dos Santos ME e Maria de Lucia da Silva Madeireira O relatório fiscal destacou as seguintes constatações, em síntese: o empresário individual Amarildo Gobes dos Santos demonstrou não ter conhecimento de aspectos importantes dos negócios da empresa, desconhecendo o valor do seu capital social, os nomes de seus fornecedores de lenha, dos seus prestadores de serviços de transporte e demais ajudantes, bem como os valores mensais de compras e vendas; o endereço da empresa (Rodovia Raposo Tavares s/n, Km 649, Presidente Epitácio/SP), não foi utilizado para o exercício da referida atividade comercial; falta de escrituração dos documentos fiscais de saídas de mercadorias nos livros próprios; falta de lastro de compra de mercadoria em quantidade suficiente para as vendas declaradas, no período de 02/2009 a 03/2010; ausência de conta bancária para um empreendimento que teria realizado vendas de vários milhões; Além disso, este fornecedor se encontrava "não habilitado" no SINTEGRA desde 2004, não estando apto a emitir notas fiscais e realizar operações mercantis Fl. 29774DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.770 11 normalmente. Mais ainda, se verificou que a empresa tinha montantes de gastos de compra muito inferiores ao valor das vendas, refletindo uma margem de lucro irreal. O Fisco Estadual fez uma elaborada fiscalização para demonstrar que essa pessoa jurídica era simulada, não tinha existência real. Neste caso, há provas contundentes da inaptidão da empresa e a inidoneidade dos documentos por ela emitidos, além do fato da inabilitação no Sintegra fazer prova contra a boafé do contribuinte nesse ponto. Frisese também que nos autos não há prova nenhuma do recebimento das mercadorias (com exceção do Livro Registro de Entrada), constando apenas as notas fiscais e a "telas" do sistema de controle de negócios da Vitapelli Ltda., que informariam os pagamentos. Já nos manifestamos em outras oportunidades que a aplicação do regime do art. 82, parágrafo único da Lei 9.430/96 pressupõe, antes de tudo, a efetiva existência da pessoa jurídica que tenha fornecido o bem cuja documentação foi tratada como inidônea para fins fiscais. É dizer, à partir da constatação da existência a despeito de eventual inaptidão que irá se verificar se foi efetivamente realizado o pagamento e a mercadoria recebida. A mesma situação é constatada quanto à Maria Lucia da Silva Madeireira, a qual foi constatada pela fiscalização como pessoa jurídica simulada, interposta pela Madeireira Santo Antônio, do Sr. Daniel Gobes dos Santos, que operava ambas, sendo a que a Sra Maria Lúcia da Silva sequer tinha conhecimento das atividades da empresa, somente assinando a procuração para o Sr. Daniel Gobes. O mesmo raciocínio esgrimido anteriormente se aplica aqui: apesar da existência de entradas no Livro Registro, das notas fiscais e da tela do sistema de controle indicando a emissão de cheques para pagamento, tais elementos só se tornam relevantes à partir do momento que se constate a existência real da empresa, e não mero simulacro. Além disso, a não habilitação desta no SINTEGRA corrobora as razões da fiscalização, pela manutenção da glosa. Assim, voto por manter estas glosas. e) Conclusão Parcial Desse modo, voto por reverter as glosas relativas às aquisições das fornecedoras indicadas, com exceção das aquisições das empresas Amarildo Gobes dos Santos ME e Maria de Lucia da Silva Madeireira. II) Da inclusão na base de cálculo dos abatimentos sobre as compras conceito de receita tributável para PIS/Cofins A fiscalização apurou diferenças entre os valores efetivamente pagos aos fornecedores e os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas, o que foi justificado pelo Recorrente como abatimentos sobre as compras, concedidos pelos fornecedores em razão de inconformidades relacionadas ao couro verde, salgado ou salmorado. Fl. 29775DF CARF MF 12 Em razão dessas inconformidades, às vezes, serem constatadas apenas durante o processo industrial, os descontos são concedidos posteriormente à operação comercial, de forma cumulativa relativamente às diversas aquisições de períodos anteriores. A fiscalização, por sua vez, reconhece em tais descontos "um ato liberatório da credora em relação à devedora, que se coaduna com descontos independentes de qualquer condição", não devendo ser tratado como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Em razão disso, deu aos abatimentos o tratamento de perdão de dívida, para fins de inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições sociais. Sobre a possibilidade de inclusão ou não de valores relativos a perdão de dívida na base de cálculo do PIS/Cofins, este Colegiado se manifestou no Acórdão CARF nº 3402004.002, no qual fui designado redator do voto vencedor, nos termos que serão reproduzidos abaixo. Antes disso, todavia, é preciso fazer algumas colocações acerca dos fundamento invocados no Termo de Verificação Fiscal e no Despacho Decisório. Em primeiro lugar, fundamenta o tratamento jurídico do perdão de dívida com base na Decisão SRRF/6ª RF/DISIT Nº 297, de 21 de dezembro de 2000, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À baixa de valor registrado no passivo, por insubsistência da obrigação de pagar (insubsistência passiva) corresponde uma receita tributável, no momento desta baixa. Dispositivos Legais: Lei nº 6.404/1976, art. 186, § 1º; IR/1999, art. 273, caput; Lei nº 7.689/1988, art. 2º; Lei Complementar nº 7/1970, art. 3º. Sobre isto, três óbices distintos: i) em primeiro lugar, a presente decisão não se refere às contribuições sociais não cumulativas, mas sim a IRPJ, CSLL e PISRepique, não tendo aplicabilidade direta ao caso em tela; ii) em segundo lugar, o conceito de insubsistência passiva utilizada na decisão é absolutamente impróprio, pois em rigor ela se refere à variação negativa da Situação Líquida Patrimonial (SLP) em razão da diminuição do ativo da empresa provavelmente a decisão quis se referir à insubsistência do passivo, figura diametralmente diversa; e iii) ainda que se refira à insubsistência do passivo o que não o fez, pelo menos no jargão técnicocontábil , essa variação afeta a SLP, daí a pertinência de tal dado para fins de IRPJ e CSLL, mas não necessariamente para as contribuições sociais sobre a receita. A fiscalização tributária adotou, para fins de incidência tributária, o conceito contábil de receita veiculado, por exemplo, na Resolução CFC nº 1.374/2011, que qualificaria o "perdão de dívidas" como espécie de receita: Reconhecimento de receitas 4.47. A receita deve ser reconhecida na demonstração do resultado quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionado com aumento de ativo ou com diminuição de passivo, e puder ser mensurado com confiabilidade. Isso significa, na prática, que o reconhecimento da receita ocorre simultaneamente com o reconhecimento do aumento nos ativos ou da diminuição nos passivos (por exemplo, o aumento líquido nos ativos originado da venda de bens e Fl. 29776DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.771 13 serviços ou o decréscimo do passivo originado do perdão de dívida a ser paga). De fato, a fiscalização apontou precisamente um dispositivo de pronunciamento do Conselho Federal de Contabilidade que se presta a definir a receita, mas olvidou em distinguir que se trata de um reconhecimento de receita "na demonstração do resultado". Tratase de um escopo específico e distinto do reconhecimento de receita para fins de tributação, como expressamente reconhecimento no item 8A do Pronunciamento CPC nº 30, verbis: 8A. A divulgação da receita na demonstração do resultado deve ser feita a partir das receitas conforme conceituadas neste Pronunciamento. A entidade deve fazer uso de outras contas de controle interno, como “Receita Bruta Tributável”, para fins fiscais e outros. Como se vê, cai por terra o fundamento contábil da autuação a partir do reconhecimento, pela própria contabilidade, da diversidade entre o conceito de receita para fins de demonstração de resultado e para fins de cálculo das contribuições sociais devidas tratam se de finalidades absolutamente distintas que demandam registros coerentes com seus próprios escopos. Resta, ultrapassada a fronteira de um conceito contábil de receita, o enfrentamento de um conceito constitucional e legal de receita para fins de determinação da hipótese de incidência das contribuições sociais, bem como a delimitação de sua base de cálculo. Em se tratando de um conceito utilizado pela Constituição Federal e com reflexos nos textos do artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determinam a incidência do PIS/Cofins não cumulativo sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, "independentemente de sua denominação ou classificação contábil". Tal redação do dispositivo, como explica o Professor Marco Aurélio Greco, tem o condão de desatrelar da contabilidade o conceito de receita gerando dois efeitos opostos, mas complementares: de um lado, se contabilmente algo não está registrado como receita, mas tem essa natureza, as contribuições devem incidir; de outro lado, se algo está registrado contabilmente como receita, mas não tem essa natureza, não há incidência das contribuições. Outro não foi o entendimento do Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, sujeito à sistemática de repercussão geral: O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. Fl. 29777DF CARF MF 14 Como não poderia deixar de ser, não cabe nem deve caber ao Conselho Federal de Contabilidade ou aos demais órgãos definidores de regras contábeis a definição da hipótese de incidência dos tributos brasileiro, sob pena de subversão da sistemática normativa de delimitação de competência pela Constituição e definição da incidência pelas leis. Sob uma perspectiva histórica, o que se pode constatar é a tentativa constante de União de estender a hipótese de incidência das contribuições sociais, esbarrando sempre no conceito constitucional de receita tributável e nas limitações legais. Tal levantamento é feito de forma extremamente competente pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em declaração de voto apresentada no Acórdão nº 3402003.071, julgado em Maio de 2016, cujo conteúdo reproduzo abaixo: Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Fl. 29778DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.772 15 Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. Todas as vezes em que a União tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS para alcançar as receitas operacionais das empresas, houve declaração de inconstitucionalidade da norma infraconstitucional. Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o texto do art. 195, I, "b" da CF/88, que passou a prever a incidência das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social sobre a "receita ou o faturamento". A partir dessa alteração constitucional, passou a existir permissão para que o legislador incluísse nas bases de cálculo das contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, pois o texto constitucional utilizou o vocábulo "receita" sem nenhuma qualificação ou limitação. Com lastro nessa alteração constitucional, foram editadas as Medidas Provisórias nº 66, de 2002 e 135, de 2003, que resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas suas redações originais definiram as bases de cálculo das contribuições nos seguintes termos: Lei nº 10.637: " Art. 1oA contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" Lei nº 10.833 "Art. 1oA Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 29779DF CARF MF 16 § 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" A primeira leitura desses dispositivos legais aparentemente autoriza a pretensão fiscal de incluir a na base de cálculo das contribuições qualquer tipo de receita, seja ela operacional ou não operacional. Mas embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: Lei 10.637/2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I a IV omissis... V referentes a: a) vendas canceladas ou aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003) Lei nº 10.833/2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I omissis II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III e IV omissis V referentes a: a) omissis Fl. 29780DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.773 17 b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...)" Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas não operacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis que instituíram as contribuições não cumulativas, é incabível a pretensão da fiscalização tributálas. Com razão o Ilustre Conselheiro retrocitado. A legislação do PIS/Cofins não cumulativo vigente à época da concessão dos abatimentos previa em seu artigo 1º o seguinte: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tal dispositivo enseja uma leitura conjunta com o art. 12 do DecretoLei 1.598/77, que definia expressamente o conceito de faturamento mensal e receita bruta, nos seguintes termos: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Não se está diante, no presente caso, de receita bruta decorrente da venda de bens e serviços, caracterizado pela legislação de regência como o conjunto de fatos aptos a configurar a incidência do PIS e da Cofins. É preciso mais do que simples "ganho" para que se configura receita tributável, como também consignou o STF, no mesmo REx 606.107/RS: Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no Fl. 29781DF CARF MF 18 patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (grifo nosso) No caso em tela, resta claro que o perdão de dívida considerando aqui o fundamento da fiscalização nunca poderia ser tratado como receita para fins de tributação (apenas para fins de demonstração de resultado da empresa), por não configurar ingresso. Ele não se integra ao patrimônio de forma inaugural não há aquisição de disponibilidade nova, mas apenas eliminação de um comprometimento patrimonial existente. E mais, não se trata de uma distinção que estamos inaugurando aqui, mas sim de elemento de discrímen não apenas consagrado jurisprudencialmente como também pela própria legislação, que não se furtou, em diversas oportunidades, em deixar claro que a eliminação de um passivo, conquanto represente um ganho, não deve ingressar na base de cálculo do PIS e Cofins, como no artigo 1º, §3º, incisos V, "b", X e XII da Lei nº 10637/02: Art. 1º (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: V referentes a: b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, QUE NÃO REPRESENTEM INGRESSO DE NOVAS RECEITAS, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; XII relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; A lei é categórica: sempre que estiver ausente o elemento de ingresso financeiro, o "ganho" não pode se enquadrar na categoria de "receita tributável" quando muito, no conceito de receita contábil para fins de demonstração do resultado. Desse modo, não podem os valores reputados como "perdão de dívida" ou mesmo que sejam abatimentos s/ compras serem incluídos na base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativo. Assim, voto pela exclusão de tais valores da apuração. III) Da validade da cessão de créditos A fiscalização entendeu por desconsiderar os pagamentos feitos pelo Recorrente a terceiros que não correspondiam aos fornecedores, em razão da existência de contratos de "cessão de crédito a terceiros com autorização do fornecedor", para desconsiderar os pagamentos feitos em relação aos negócios jurídicos realizados com os fornecedores. O equívoco é total, neste ponto. A cessão de créditos é operação típica, descrita no art. 286 do Código Civil: Fl. 29782DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.774 19 Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Em primeiro lugar, o titular, proprietário, dos créditos que serão cedidos NÃO é a Vitapelli, mas sim os FORNECEDORES que se tornaram credores do Recorrente após o fornecimento de matériasprimas mediante contraprestação (ou promessa de contraprestação). Portanto, que cede o crédito não é a Vitapelli, mas sim o fornecedor. Assim, a cessão de crédito, como já foi dito anteriormente, é uma relação negocial entre o fornecedor credor da Vitapelli e uma terceira pessoa que não tem qualquer relação necessária com a Vitapelli , cujos efeitos somente poderão ser opostos ao devedor (o Recorrente) mediante notificação deste, nos termos do art. 290 do CC/02 (Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.). O que a cessão de crédito opera é apenas o efeito translativo na posição creditória da relação jurídica decorrente do negócio realizado originalmente entre a Vitapelli e seus fornecedores. Ora, se é reconhecido pela própria fiscalização que os pagamentos foram feitos aos terceiros cessionários dos créditos dos fornecedores, a relação jurídica creditória decorrente dos negócios jurídicos de aquisição de matériasprimas que estarão sendo extintas por esses pagamentos pois o cessionário subrogase na posição do fornecedor, como credor da Vitapelli. Como bem colocado pela Recorrente, não há que se confundir a cessão de créditos relativos à operação de compra e venda, com a operação de compra e venda em si, pois é nesta que se funda o direito aos créditos, conforme a legislação. São três momentos distintos: i) a compra e venda (Vitapelli e fornecedor); ii) a cessão dos créditos (fornecedor e terceiros); e iii) o pagamento das compras (Vitapelli e terceiros). Ainda se aduziu, na decisão recorrida, que segundo o art. 288 do CC/02, "É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654". Ora, o Fisco não é terceiro interessado na cessão de créditos, mas apenas na ocorrência do pagamento relativo ao negócio jurídico, de modo que o negócio foi celebrado mediante instrumento particular com assinaturas devidamente reconhecidas em cartórios, garantindo a validade da operação de cessão e a sua oponibilidade ao devedor (Vitapelli). O terceiros a que se refere a legislação são aqueles que tenham interesses patrimoniais em bens e direitos dos envolvidos na operação de cessão de crédito especificamente o cedente e o cessionário como forma de proteger terceiros, por exemplo, da dilapidação patrimonial para frustrar obrigações privadas existentes absolutamente nada tem a ver com a verificação da ocorrência ou não dos negócios jurídicos de aquisição de matérias primas entre os fornecedores e o Recorrente. Pelo contrário, ao atestar a ocorrência dos pagamentos feitos pela Vitapelli aos cessionários, a Fiscalização confirma a ocorrência da condição necessária para afastar a inidoneidade dos documentos, conforme art. 82, parágrafo único da Lei 9.430/96: Fl. 29783DF CARF MF 20 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. É dizer, a própria Fiscalização confirmou o pagamento as obrigações oriundas do fornecimento de matériaprima. Desse modo, há que se reconhecer a validade das operações de cessão de crédito realizadas pelos fornecedores, que impactaram na comprovação do pagamento do preço respectivo das matériasprimas adquiridas, o que, conjuntamente ao Livro de Registro de Entradas do período analisado, bem como os tickets de pesagem e demais documentos que atestem o transporte e recebimento das mercadorias, servem para comprovar a ocorrência do negócio e para afastar a inidoneidade das notas fiscais. Assim, voto por reverter as glosas referentes aos pagamentos de terceiros cessionários de créditos que a Vitapelli tinha perante seus fornecedores. IV) Das glosas em razão do contrato de mútuo com o Diretor da Recorrente A fiscalização constatou que parte dos cheques utilizados para o pagamento dos fornecedores estava em poder do Diretor Administrativo da Vitapelli, o Sr. Nilson Riga Vitale, em face de contrato de mútuo. Em rigor, o motivo da glosa foi o fato do Diretor Administrativo ter apresentado cópia dos cheques endossados pelos fornecedores, e que isso não teria comprovado o efetivo pagamento dos fornecedores. Em relação à empresa Frigorífico Angelelli (CNPJ 44.802.528/000150), a fiscalização aduz que não teria sido comprovado a quitação da compra de matériaprima com recursos do Diretor Administrativo, em razão de ter sido apresentado apenas cópia do contrato de mútuo e das duplicatas. Em primeiro lugar, é preciso frisar aqui que a lógica é distinta daquela utilizada em relação às empresas cuja glosa se fundou na inidoneidade das notas fiscais em razão da inaptidão da empresa, ou mesmo na sua simulação. No presente caso, tratamse de empresas cuja existência e operação não foram contestadas pela fiscalização, de modo que o gozo do crédito não fica condicionado ao efetivo pagamento do montante da operação, mas simplesmente o registro fiscal da ocorrência dela, através da nota fiscal. Isso se dá em razão da apuração de créditos de PIS/Cofins obedecer ao regime de competência, fazendo jus o Recorrente ao crédito no período em que foi realizado o negócio e nascida a relação jurídica, e não em um eventual momento posterior de recebimento da mercadoria (exemplo disso são os casos de venda para entrega futura de produto já existente). Portanto, se exigir a comprovação dos pagamentos para se conceder o crédito da operação é criar condição não prevista pela legislação para os casos ordinários, mas somente Fl. 29784DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.775 21 para aqueles em que a presunção de boafé do adquirente é colocada em xeque em razão da inaptidão do seu fornecedor, demandando o escorço probatório específico previsto na Lei nº 9.430/96. Então, novamente, é preciso frisar que a respeito destas glosas não foi feita qualquer acusação fiscal quanto à inaptidão das empresas, razão pela qual o fundamento da autuação, qual seja, a não comprovação do efetivo pagamento, não pode ser mantida. Além disso, verificase que a fiscalização insiste em glosar os créditos em razão do endosso dos cheques, por entender que não haveria prova de pagamento aos fornecedores. Causa espécie, a este relator, esse argumento. O endosso de título de crédito tem o condão de transferir o direito de recepção do valor nominal do respectivo título do endossante para o endossatário. Os títulos endossados são os cheques emitidos pela Vitapelli Ltda (cf. consta nos autos cópias deles), mas na operação de endosso que também envolve a cessão de um crédito, razão pela qual o que foi aduzido anteriormente aqui também se aplica esta não tem nenhuma participação. Em rigor, o endossante é o fornecedor e o endossatário é o terceiro que passou a ter direito ao recebimento do valor do título de crédito a única peculiaridade nesse caso é que o pagamento desses valores, aos terceiros endossatários, seria feito com recursos do Diretor Administrativo, em razão de contrato de mútuo estabelecido entre este e a Recorrente, para fins de suprimento de recursos financeiros algo absolutamente cediço no meio comercial. O fato dos recursos advirem do contrato de mútuo para o pagamento dos cheques endossados é juridicamente irrelevante para fins de concessão ou não do direito ao crédito, seja porque tratase de um negócio não relacionado à operação comercial em si, mas simplesmente ao suprimento de recursos à Recorrente, seja porque não é necessária a comprovação do efetivo pagamento para que se tenha direito ao crédito, salvo nos casos de fornecedor inapto. Em relação ao Frigorídico Angelelli, a apresentação das duplicatas quitadas é documento suficiente para demonstrar o direito ao crédito. Ora, o devedor emitiu um título de crédito se obrigando a pagar o valor da fatura num determinado prazo, e tal valor foi pago ainda que com recursos do Diretor, auferidos através de mútuo contratado entre eles. Não consigo ver qual o problema neste caso, pois não há um ônus probatório específico quanto ao pagamento, como comprovação da origem dos recursos, comprovantes de depósitos etc.; além do fato reconhecido pela fiscalização da quitação da duplicata deixar claro o efetivo pagamento da obrigação nascida da relação comercial entre a Recorrente e este fornecedor. Desse modo, voto pela reversão também destas glosas. V) Correção monetária do ressarcimento pela SELIC. Fl. 29785DF CARF MF 22 Requer o contribuinte o reconhecimento do direito à correção monetária pela SELIC. Sobre o tema, aduziu o Cons. Waldir Navarro no julgamento do PAF nº 10835.002183/200471, nos seguintes termos: Pois bem. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e o art. 39, caput e § 4º , da Lei nº 9.250, de 1995, autorizavam a compensação ou a restituição, corrigida monetariamente, com base na variação da Unidade Fiscal de Referência (Ufir), ou o abono de juros calculados pela taxa Selic, de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições, o que não é o caso de ressarcimento de créditos, oriundos de receitas de exportação, de PIS/COFINS não absorvidos pelos débitos do mesmo imposto ou compensados com os demais tributos federais. Cabe ressaltar que ressarcimento e restituição são institutos distintos, porquanto o primeiro é modalidade de aproveitamento de incentivo fiscal (um benefício), ao passo que a restituição, ou repetição de indébito é a devolução, ao contribuinte que tenha suportado o ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior do que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres da Fazenda Pública. E mais. Entendo que essa matéria prescinde de maiores digressões, pois a pretensão da Recorrente correção do ressarcimento da COFINS pela incidência da taxa SELIC, encontrase cabal e expressamente vedada pela legislação de regência, disposta no art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável também ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa pela norma de extensão do inciso VI do art. 15: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (....). Assim, contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a Recorrente. E é desta forma que vem reiteradamente sendo decidido pela CSRF. Por fim, sobre a alegação de inconstitucionalidade, deste outro lado, pela aplicação da Súmula CARF nº 2, fica impedido o Colegiado deste CARF de apreciar a Constitucionalidade da lei. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. À vista disso, o pleito feito pela Recorrente de atualização monetária e incidência de juros pela SELIC dos valores dos créditos a serem ressarcidos não pode ser acolhido. Aderindo às razões acima, há que se negar o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC. VI) Da boafé do contribuinte, da verdade material, da publicidade da inaptidão ou inabilitação do fornecedor, da realização de perícia. Fl. 29786DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.776 23 A Recorrente aduz sua boafé através da apresentação das pesquisas à habilitação de seus fornecedores, e pela apresentação de documentação comprobatória das operações. Tais pontos já foram levados em conta na análise das glosas perpetradas, razão pela qual não cabe manifestação específica sobre este ponto aqui. Quanto à realização de perícia, este relator entende ser despicienda em razão do farto acervo probatório e das diversas planilhas apresentadas, que facilitam a compreensão de tudo. Desse, modo, nego a realização de perícia com fundamento no art. 18 do Decreto 70.235/72. VII) Conclusão Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) para reverter todas as glosas de crédito, com exceção das glosas relativas às aquisições dos fornecedores Amarildo Gobes dos Santos ME e Maria de Lucia da Silva Madeireira; II) excluir da base de cálculo da contribuição os valores reputados como "perdão de dívida" pela fiscalização; III) reverter as glosas referentes aos pagamentos a terceiros cessionários de créditos que a Vitapelli tinha perante seus fornecedores, e aos pagamentos feitos pelo Diretor Administrativo a endossatários de cheques emitidos pela Vitapelli, em razão de operação de mútuo. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, fui designado a redigir o presente voto vencedor, uma vez que o Colegiado, por voto de qualidade, não acompanhou o entendimento do eminente Relator quanto aos seguintes itens do seu voto: I) Das glosas de créditos relativos às aquisições de fornecedores considerados inaptos pela fiscalização ( relativos às empresas J.A Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Júnior, Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e Simental Comércio de Couros); II) Da inclusão na base de cálculo dos abatimentos sobre as compras conceito de receita tributável para PIS/Cofins; III) Da validade da cessão de créditos; e Fl. 29787DF CARF MF 24 IV) Das glosas em razão do contrato de mútuo com o Diretor da Recorrente. Das glosas de créditos relativos às aquisições de fornecedores considerados inaptos pela fiscalização Conforme informa o ilustre Relator, parte das glosas de créditos pleiteados pelo contribuinte no trimestre respectivo do anocalendário de 2009, referentes à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo Auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. A Recorrente pugna, inicialmente, pela aplicação do decidido no Acórdão CARF nº 1102001.075 julgado pela 1ª Seção e relativo ao efeito das presentes glosas na apuração do IRPJ e CSLL da Recorrente, nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, no qual foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade de certas operações. Compartilho das mesma conclusões do Relator, que se manifestou sobre o tema da seguinte forma: Conquanto concorde que é incoerente que as mesmas operações possam receber tratamento contraditório ao serem julgadas por turmas em sessões distintas do CARF, o Acórdão que se pretende aplicar sequer é definitivo, pendente atualmente de análise no âmbito da 1ª CSRF, cabendo aqui a análise específica do mérito das glosas. Acrescento ainda que o processo citado pela Recorrente trata de auto de infração, enquanto o processo ora analisado trata de pedido de ressarcimento no qual cabe à Recorrente o ônus da prova de seu direito creditório. Em seu recurso voluntário a interessada alega que as operações efetivamente ocorreram e foram pagas, devendo ser mantidos os efeitos tributários dos negócios. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento ser do contribuinte, cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua Fl. 29788DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.777 25 escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. A busca da verdade material deve nortear toda a fase inquisitorial e o contencioso administrativo. A comprovação de uma dada situação fática pode se dar com uma única prova, que por si só é suficiente para se concluir pela ocorrência do fato, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente não garantem a ocorrência do fato, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Nesse sentido, a Autoridade Tributária realizou, por meio de auditoria, a análise do direito creditório do contribuinte e concluiu que, pelo conjunto de provas obtidas, eram insubsistentes os créditos pleiteados sobre as aquisições realizadas das empresas J.A Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Júnior, Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e Simental Comércio de Couros, haja vista que as operações não teriam efetivamente ocorrido no plano fático. O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal expõe em seus subitens 3.5 a 3.10 e também no ANEXO V as glosas decorrentes de situação irregular de cada fornecedor (fl.1215/1229). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente às operações não comprovadas (fls. 9567/12259 e 12447/13157). As irregularidades apuradas nas empresas diligenciadas foram fartamente documentadas (fls. 1215/1229, 9567/12259 e 12447/13157) pela Fiscalização. Várias irregularidades que levaram a desconsideração das compras dessas empresas foram identificadas, tais como falta de habilitação junto ao sistema Sintegra, inaptidão do CNPJ, inexistência de fato do empreendimento, desconhecimento do negócio pelo responsável legal (empresa fornecedora operada por terceiros), valores de aquisições incompatíveis com os declarados pelos fornecedores, etc. No presente Recurso, caberia então à Interessada trazer aos autos elementos de prova inequívocos que comprovassem a efetividade das operações, principalmente quanto ao pagamento das notas fiscais e o recebimento das mercadorias, tudo isso visando infirmar as conclusões levadas a efeito pela Fiscalização. Nesse sentido, a empresa juntou aos autos planilha com a relação dos documentos que entendeu necessários à comprovação da efetividade das operações com as citadas empresas. O ilustre Relator, da mesma forma, entendeu que a documentação acostada aos autos comprovariam a ocorrência das ditas operações objetos de glosas. Durante a sessão de julgamento, pedi vistas do processo a fim de analisar a documentação juntada e avaliar a sua potencialidade de infirmar as conclusões da fiscalização pelas glosas dos créditos relativos as aquisições das empresas citadas. A seguir, são expostas as conclusões obtidas após a análise realizada. Na tentativa de comprovar a efetividade das operações com as empresas citadas, A Recorrente apresentou planilha, junto com o seu recurso, na qual relaciona todos os documentos comprobatórios anexados aos autos. Conforme consta na planilha de fls.13.655 a 13.664, a empresa juntou aos autos cópias das notas fiscais de compras, cópias dos conhecimentos de transportes, RPAs, cópias e espelhos de cheques, alguns recibos de prestadores de serviços e tickets de pesagem, Fl. 29789DF CARF MF 26 tudo com o fim de comprovar o pagamento das compras e respectivo recebimento da mercadorias originadas das empresas em epígrafe. A documentação apresentada para comprovação de pagamentos das compras e fretes juntadas, por si só, não se mostrou hábil para comprovar de forma inequívoca a realização das operações quanto ao pagamento e recebimento das mercadorias. OsTickets de pesagem. recibos de autônomos, registros contábeis, cópias e espelhos de cheques não são documentos hábeis para comprovar a efetividade da ocorrência das operações com as empresa em situação irregular quanto a ocorrência do efetivo pagamento e recebimento das mercadorias adquiridas. Deveria a empresa ter trazido aos autos extratos bancários que demonstrassem as movimentações entre as empresas ou mesmo os comprovantes de depósitos referentes aos pagamentos. Ademais, não constam nos autos, como comprovação do efetivo ingresso dos bens, com registros individualizados, cópias do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou o controle quantitativo, como preceituam os arts. 383 e 388 do Decreto n. 4.544, de 2002. Mesmo naqueles casos em que a empresa apresentou comprovantes de depósitos do pagamento das mercadorias adquiridas, a exemplo do que se deu em algumas notas fiscais da empresa Reginaldo de Carvalho Siqueira ME, a Recorrente deixou de apresentar os comprovantes de depósitos em relação ao pagamento dos respectivos fretes contratados, limitandose também a juntar cópias de cheques. Noticiase nos autos que nos extratos bancários dessa empresa não constam cheques compensados da Vitapelli, tampouco foram apresentados contratos de operações de créditos envolvendo os supostos cheques. Nesse sentido, não deve ser reconhecido o direito creditório quanto às aquisições de mercadorias das empresas J.A Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Júnior, Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e Simental Comércio de Couros, por falta de comprovação inequívoca da realização das operações, nos termo do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. Da inclusão na base de cálculo dos abatimentos sobre as compras conceito de receita tributável para PIS/Cofins. A Autoridade Tributária apurou diferenças entre os valores efetivamente pagos aos fornecedores e os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas. Tal fato foi justificado pelo Recorrente como abatimentos sobre as compras, concedidos pelos fornecedores em razão de inconformidades relacionadas ao couro verde, salgado ou salmorado. A fiscalização entendeu que tais descontos se constituem em "um ato liberatório da credora (fornecedor) em relação à devedora, que se coaduna com descontos independentes de qualquer condição", não devendo ser tratado como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Em razão disso, deu aos abatimentos o tratamento de perdão de dívida, para fins de inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições sociais. O tema envolvido em questão diz respeito principalmente ao conceito de receita para a legislação do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos. O Relator defendeu que os valores contabilizados relativos aos abatimentos sobre compras concedidos por fornecedores não possuem a natureza de receita. Segundo o seu entendimento, somente ocorre a caracterização de receita quando há ingresso financeiro de recursos que se integre ao patrimônio na condição de elemento novo e positivo, fato que não ocorreu no caso.ora analisado. A turma colegiada, por voto de qualidade, entretanto, concordou com o entendimento da Autoridade Tributária ao atribuir natureza jurídica de receitas operacionais as Fl. 29790DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.778 27 parcelas em discussão, mantendo a sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme fundamentos a seguir expostos. Percebese pela leitura dos autos que a recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações em 2009 eram as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, Fl. 29791DF CARF MF 28 independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Constatase pela legislação transcrita que a base de cálculo das contribuições na sistemática não cumulativa é bem ampla, incluindo todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Além disso, a legislação também prevê as exclusões desta base de cálculo. No entanto, não se identifica no dispositivo legal legal transcrito previsão para a exclusão da remissão de dívidas da incidência do PIS e da COFINS não cumulativos. Assim, resta verificar se esses valores se subsumem ao conceito de receita. O Relator, em seu voto, insistiu na tese da necessidade de ingresso positivo de recurso que implique repercussão patrimonial positiva para que o evento seja caracterizado como receita para quem aufere. Fl. 29792DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.779 29 O Colegiado, por voto de qualidade, discordou dessa assertiva por entender que não apenas o ingresso de recursos na entidade com aumento do seu ativo (sem contrapartida no passivo) representa receita, mas também aqueles benefícios econômicos decorrentes de diminuição de passivo, sem contrapartida diminutiva no ativo, têm efeito positivo patrimônio líquido da entidade, da mesma forma se caracterizando como receita. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis confirma esse entendimento na sua definição de receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. (negritos nossos) Concluise que receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resulta em aumento de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, os abatimentos sobre compras possuem natureza jurídica de remissões de dívidas, caracterizadas por um ingresso econômico decorrente da redução de um passivo sem a redução cocomitante de um ativo, resultando, desta forma, em um acréscimo de riqueza refletida no patrimônio da entidade.. A não inclusão desses eventos na base de cálculo do PIS e da COFINS somente seria possível por meio de previsão em lei. Não havendo previsão legal para tanto, correto está a tributação dessas receitas pelas contribuições em comento. Este colegiado também já se pronunciou em outras oportunidades sobre a matéria, a teor dos Acórdãos nº 1401001.114 e 3201002.117, cujas ementas parciais transcrevemse, respectivamente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Fl. 29793DF CARF MF 30 PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Recurso Voluntário Negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2002 PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O perdão de dívida importa para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizandose como receita operacional, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. Recurso Voluntário negado Assim, os abatimentos sobre compras se constituem em receitas tributáveis, decorrentes de um acréscimo patrimonial para o devedor, pela redução de um passivo, sem correspondente redução do ativo, que não se qualificam como receitas financeiras, estando corretamente classificadas como “Outras Receitas Operacionais”, conforme restou comprovado nos autos. Da validade da cessão de créditos Conforme relatado nos autos, a Autoridade Tributária desconsiderou os pagamentos feitos pela Recorrente a terceiros que não correspondiam aos fornecedores, em razão da existência de contratos de "cessão de crédito a terceiros com autorização do fornecedor". A Recorrente, por sua vez, afirma que não seriam necessárias maiores formalidades, bastando apenas a comunicação ao devedor nos termos dos art. 107 e 108 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002). No entanto, ao contrário do que aduz a Recorrente, o Código Civil em seu art. 288 define que a cessão de crédito é ineficaz quando a transmissão de um crédito não for celebrada por meio de instrumento público, ou em caso de instrumento particular, que sejam atendidos os requisitos constantes no art. 654 do mesmo diploma legal, o qual ao estabelecer as condições de validade da procuração particular define em seu § 1ª que a mesma deve conter a indicação do lugar onde ocorre a outorga, a qualificação das partes, e discriminação dos poderes conferidos. Código Civil Fl. 29794DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.780 31 Art. 288: É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 12 do art. 654. (...) Art. 654: Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1ºO instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 22 O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Vale ressaltar, ainda, que a Lei de Registros Públicos nº 6.015, de 1973, que estabelece em seu art. 130, § 9º que para os instrumentos de cessão de direitos e de créditos surtirem efeitos perante terceiros devem ser registrados no Registro de Títulos e Documentos. Art.130. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (Renumerado do art. 130 pela Lei nº 6.216, de 1975). §9º os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. No caso concreto, percebese que as referidas exigências legais não foram obedecidas pela empresa. Constatase que não constam nos autos os instrumentos referentes às diversas cessões de crédito que os fornecedores da requerente teriam feito com vários cessionários, apenas há cartas de alguns fornecedores (denominado Notificação de Cessão de Crédito), comunicando a Recorrente que o pagamento deveria ser feito para um terceiro por eles escolhidos. Por essas razões não há como reconhecer a eficácia das cessões de créditos desprovidas das formalidades legais. Das glosas em razão do contrato de mútuo com o Diretor da Recorrente Os motivos alegados pela Fiscalização para efetuar a glosa quanto a esse item foram assim resumidos no voto do ilustre Relator: A fiscalização constatou que parte dos cheques utilizados para o pagamento dos fornecedores estava em poder do Diretor Administrativo da Vitapelli, o Sr. Nilson Riga Vitale, em face de contrato de mútuo. Em rigor, o motivo da glosa foi o fato do Diretor Administrativo ter apresentado cópia dos cheques endossados pelos fornecedores, e que isso não teria comprovado o efetivo pagamento dos fornecedores. Fl. 29795DF CARF MF 32 Em relação à empresa Frigorífico Angelelli (CNPJ 44.802.528/000150), a fiscalização aduz que não teria sido comprovado a quitação da compra de matériaprima com recursos do Diretor Administrativo, em razão de ter sido apresentado apenas cópia do contrato de mútuo e das duplicatas. A Recorrente, por sua vez, alega que deve ser dada validade as operações pois foram apresentados o contrato de mútuo e cópia dos cheques endossados, sendo tais documentos suficientes para comprovar a efetividade das operações. Justificou, ainda, que se foram apresentados os cheques endossados pelos fornecedores e que estes estavam em poder de terceiros, é porque a relação jurídica entre Vitapelli x fornecedores estava extinta, ainda que os cheques fossem pósdatados. Conforme já registrado, os documentos comprobatórios de ocorrência das compras, apresentados pela empresa, resumiramse aos contratos de mútuo e os cheques do Diretor endossados pelos fornecedores. Ambos documentos não são hábeis para comprovar o efetivo pagamento das compras, pelo que está correta a glosa operada pela Fiscalização. O contrato de mútuo, por si só, é insuficiente para comprovar o suprimento de recursos pelo sóciodiretor, necessitaria o Contribuinte apresentar documentação que de fato demonstrasse a efetiva transferência do recurso para a empresa. Cheque endossado por fornecedor também não se mostra hábil para comprovar essa transferência, tampouco para o efetivo pagamento da mercadoria junto aos fornecedores. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento ser do contribuinte, cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No presente Recurso, caberia então à Interessada trazer aos autos elementos de prova inequívocos que comprovassem a efetividade das operações principalmente quanto ao pagamento das notas fiscais de aquisição das mercadorias, tudo isso visando infirmar as conclusões levadas a efeito pela Fiscalização. Fl. 29796DF CARF MF Processo nº 10835.720205/201026 Acórdão n.º 3402004.971 S3C4T2 Fl. 29.781 33 Em situação semelhante, com relação as compras do Frigorífico Angelelli Ltda., a Recorrente alega que a simples apresentação das duplicatas quitadas pelo seu emitente ou endossatário é suficiente para comprovar a efetividade da operação. Em posição divergente, entendo que a documentação apresentada é insuficiente para comprovar a efetividade das operações com o referido frigorífico. Da mesma forma que o caso anterior, a documentação apresentada pelo Contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos, tampouco o efetivo pagamento das aquisições das mercadorias. Dessa forma, uma vez que a Recorrente não logrou êxito na comprovação de ocorrência das referidas operações financeiras com o sóciodiretor e os fornecedores, também devem ser mantidas as glosas operadas pela Fiscalização nesse item. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRedator Designado Fl. 29797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001434/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 19/12/2007 a 31/12/2007
INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL
O prazo para efetuar opção pelo SN era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 19/12/2007 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL O prazo para efetuar opção pelo SN era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (Assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 14 34 /2 00 8- 19 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10640.001434/200819 Acórdão n.º 1001000.259 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51 a 65) interposto contra o Acórdão nº 0941.869, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 46 a 48), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 19/12/2007 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL O prazo para efetuar opção pelo SN era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o processo de pedido de enquadramento no Simples com efeitos retroativos a 19/12/2007. A unidade preparadora indeferiu a solicitação, por concluir que não foi respeitado o prazo de 10 dias da última inscrição, no caso no estado, para exercício da opção pelo SN. Cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que a opção realizada em 14/02/2008 foi tempestiva, considerandose que a inscrição estadual foi deferida em 07/02/2008." Inconformada com a decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário mantendo a mesma argumentação. É o relatório. Voto Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10640.001434/200819 Acórdão n.º 1001000.259 S1C0T1 Fl. 4 3 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, entendo que a matéria que a Recorrente preferiu tratar em um tópico chamado de "preliminar" não se trata de preliminar alguma, e sim do próprio mérito. Notese que são esses mesmos argumentos que a parte usou como mérito em sua impugnação. Assim, da mesma forma que o fez a decisão da DRJ de origem, analisarei toda a questão como mérito do processo. Superada esta questão, prosseguimos ao mérito. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A LC 123/2006 determina que: Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. §3º A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. A Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, por sua vez, assim dispõe: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; A contribuinte, após intimada, juntou ao processo documento emitido pela Prefeitura Municipal de Rio Novo (fl. 12) que comprova o cadastro de sua inscrição municipal em 01/01/2008. Juntou também comprovante de inscrição estadual (fl. 13) onde consta como data de inscrição 01/02/2008. No documento juntado pela contribuinte em sua manifestação (“Acompanhamento da solicitação CNPJ via internet”) consta que: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10640.001434/200819 Acórdão n.º 1001000.259 S1C0T1 Fl. 5 4 Portanto, está claro que a data inicial para contagem de prazo para opção pelo SN foi 24/01/2008. Como a contribuinte realizou sua opção em 14/02/2008, essa foi considerada inválida, porque fora do prazo de 10 dias constante da legislação. Entretanto, cumpre considerar como data de inscrição no estado àquela constante do comprovante de inscrição estadual (01/02/2008) e, ainda assim, a opção realizada em 14/02/2008 se encontra fora do prazo. Pelo exposto deve ser considerada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Esclareçase que: se acatássemos a argumentação da contribuinte de que sua inscrição estadual foi deferida em 07/02/2008, em 14/02/2008 a contribuinte estaria dentro do prazo, entretanto sua opção nessa data foi considerada inválida pelo sistema. Caberia a contribuinte, dentro do prazo legal, ou seja, até 16/02/2008, protocolar seu pedido de inclusão na unidade da RFB de sua jurisdição. Como só adotou essa providência em 28/03/2008, sua opção se encontraria intempestiva. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (Assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10640.001434/200819 Acórdão n.º 1001000.259 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.911730/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2002
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ.
Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste.
Numero da decisão: 1301-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2002 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 17 30 /2 00 9- 99 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13896.911730/200999 Acórdão n.º 1301002.798 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada e, DCOMP nº 10411.78859.100806.1.3.040026, referente a alegado crédito de valor original na data transmissão de R$ 7.232,53, relativo a pagamento indevido ou a maior de código de receita nº 2484, DARF de valor total de R$ 7.232,53, período de apuração de 31/12/2001 e data de arrecadação de 31/01/2002. Segundo o Despacho Decisório de não homologação, o DARF informado na DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, conforme processo nº 13896.004119/200821, não restando assim crédito disponível para a compensação do(s) débito(s) informado(s) na DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade a interessada pediu a homologação da compensação. Para tanto, assim resumiu seus argumentos: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Excluir o lançamento referente à CSLL código 2484, da DCTF do 4 trimestre/2001, constante na página 32, no valor de R$ 7.232,53, pois esse valor não é devido para o período Dezembro/2001. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.796, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 13896.911728/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13896.911730/200999 Acórdão n.º 1301002.798 S1C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.796): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. 1. Nulidade da decisão de 1a instancia por falta de motivação e inobservância ao principio da verdade material Alega a Recorrente que a decisão de primeira instancia violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, pois entendeu não estar clara a motivação que levou o julgador às conclusões exportas na parte dispositiva do julgamento. Defende que o argumento ensejador do não provimento da manifestação de inconformidade se baseou em alegações de que a recorrente não trouxe aos autos sua escrituração contábil, sem sequer analisar os documentos juntados a manifestação de inconformidade. Compulsandose os autos verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4° trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664496 de 07/10/2009, CNPJ, Última Alteração Contratual Consolidada e documentos do representante legal. No entanto, em linha com a decisão de primeira instancia, tais documentos não são capazes de comprovar os argumentos da Recorrente de que o valor do DARF relativo a pagamento de Dezembro 2001 não seria deveras devido. Contrariamente ao alegado, o julgador de primeira instancia, buscando a verdade material dos fatos, buscou nos sistemas disponíveis a Receita Federal informações detalhadas sobre o crédito tributário perquirido. Solicitou, ainda, desarquivamento do processo relativo ao restabelecimento da DCTF relativa que havia sido cancelada pela Recorrente. Em resumo, não vejo qualquer razão nos argumentos apresentados pela Recorrente que possam dar ensejo a nulidade da decisão de primeira instancia. 2. Compensação Em relação a compensação, sabese que o art. 170 do CTN determina que os créditos tributários líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública podem ser objetos de compensação, na forma que a lei estipular. Como liquido e certo, entendese aquele crédito tributário cuja existência seja garantida e cujo valor seja mensurável. No caso em tela, temse que a interessada não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, conforme Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13896.911730/200999 Acórdão n.º 1301002.798 S1C3T1 Fl. 5 4 disposto no art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente os contábeis e fiscais, não sendo suficiente, por si só, como prova, a mera apresentação da DIPJ, que, ao contrário da DCTF, não se constitui em instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No presente caso verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4 trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 7.232,53, Despacho Decisório n°. 848664553 de 07/10/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16637.000023/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO.
Tendo o sócio participado do capital de outra pessoa jurídica, com mais de 10% de participação e tendo a receita bruta global ultrapassado o limite legal, não é permitido à pessoa jurídica ser optante do Simples. Tendo o sujeito passivo optado pelo regime do Simples durante a vigência da Lei 9.317/96,
que impôs a restrição contida no seu art. 9º, IX, e levando em conta o disposto no art. 15, II, da mesma Lei, com a redação da MP 255/2005, descabe sua pretensão de que a exclusão se dê somente a partir da ciência do Ato Declaratório.
Numero da decisão: 1402-000.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Tendo o sócio participado do capital de outra pessoa jurídica, com mais de 10% de participação e tendo a receita bruta global ultrapassado o limite legal, não é permitido à pessoa jurídica ser optante do Simples. Tendo o sujeito passivo optado pelo regime do Simples durante a vigência da Lei 9.317/96, que impôs a restrição contida no seu art. 9º, IX, e levando em conta o disposto no art. 15, II, da mesma Lei, com a redação da MP 255/2005, descabe sua pretensão de que a exclusão se dê somente a partir da ciência do Ato Declaratório.
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EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Tendo o sócio participado do capital de outra pessoa jurídica, com mais de 10% de participação e tendo a receita bruta global ultrapassado o limite legal, não é permitido à pessoa jurídica ser optante do Simples. Tendo o sujeito passivo optado pelo regime do Simples durante a vigência da Lei 9.317/96, que impôs a restrição contida no seu art. 9º, IX, e levando em conta o disposto no art. 15, II, da mesma Lei, com a redação da MP 255/2005, descabe sua pretensão de que a exclusão se dê somente a partir da ciência do Ato Declaratório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16637.000023/2008-33 Acórdão n.º 1402-00.245 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório O presente processo refere-se a exclusão do regime do Simples, por meio do ADE DRF/PEL nº. 6, de 10.06.2008, fl. 50, sob o fundamento de que o sócio titular da pessoa jurídica participava no capital de outra empresa com mais de 10%, e de que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, fato que veda a opção pelo Simples, nos termos do art. 9º, IX, da Lei 9.317/96, regulamentado pelo art. 20 da IN 608/2006. Os efeitos da exclusão se deram a partir de 03.06.2005, em obediência ao disposto no art. 15 da Lei 9.317/96, com suas alterações, regulamento pelos arts. 22 a 24 da IN mencionada, sujeitando-se a pessoa jurídica, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da mencionada Lei. O sócio Flávio Luiz Maahs de Castro participava com 60% do capital social na empresa Frigorífico Castro Ltda desde 02.09.2004 e o somatório da receita bruta de ambas as empresas ultrapassou o limite previsto no inciso II, do art. 2º da Lei 9.317/96. O ADE foi emitido com base no despacho decisório de fl. 49 e Parecer de fl. 45/48. Segundo o Parecer da autoridade administrativa, conforme consulta ao quadro societário do sistema do CNPJ, de fls. 39 a 44, comprova-se que o sócio Flávio Maahs de Castro, participa com 95% do capital social da empresa Casa de Carnes e Conveniência Castro Ltda, desde 03.06.2005 e com 60% do capital social na empresa Frigorífico Castro Ltda, desde 02.09.2004, e que segundo a Representação fiscal, o somatório da receita bruta de ambas as empresas ultrapassa o limite previsto no inciso II do art. 2º da Lei 9.317/96. Concluiu pela opção indevida, em razão da IN SRF 608/2006, que prevê que a exclusão do Simples será feita de ofício quando não comunicada pela pessoa jurídica, nos termos dos arts. 22 e 23 da IN, surtindo seus efeitos a partir da data da opção, haja vista que a situação excludente ocorreu naquela data, conforme art.24, IX, da IN. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 62/85, com o argumento de que houve mudança de critério, uma vez que apresentava as mesmas condições do momento de sua opção em 2005, quando foi admitida no regime do Simples, havendo presunção de legitimidade. Também insurge-se contra os efeitos retroativos do ADE. Pediu a anulação do ADE. A Turma Julgadora indeferiu a solicitação da interessada. As ementas proferidas relativas ao acórdão 10-17.768 da 4ª Turma da DRJ de Porto Alegre são as seguintes: EXCLUSÃO DO SIMPLES – PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Fl. 3DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Participando um sócio do capital social de outra pessoa jurídica com mais de 10% e a receita bruta global tendo ultrapassado o limite legal, não pode a empresa ser optante do Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES – EFEITOS. Para a hipótese de exclusão do Simples, fundada no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/96, os seus efeitos é o previsto no inciso II do art. 15 da mesma Lei, ou seja a partir da data de ocorrência da situação excludente. Afirmou que o sócio Sr. Flávio Luiz Maahs de Castro participava de outras sociedades com mais de 10% do capital social, cujo total das receitas ultrapassou o limite legal, fls. 1, 2 e 37 a 44, o que não permitia que a contribuinte fosse optante pelo regime do Simples, nos termos do art. 9º, IX, do art. 9º da Lei 9.317/96. Ressaltou que para esses casos, conforme o art. 15, II, a exclusão do Simples, deverá surtir efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, e que a situação excludente não é a notificação, mas sim, a participação em outra sociedade, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal, que neste caso, se deu a partir de 03.06.2005. Sobre a invocação do art. 3º, § 4º, IV da LC 123/2006, como suposta mudança de interpretação fazendária, alegando que seria vedado, anteriormente, só a participação do sócio em outra ME ou EPP, fl. 68, vindo a ser vedada a participação em empresas sob outras formas de tributação, somente após a LC 123/2006, a Turma Julgadora destacou que o enquadramento legal a que se subsume a ocorrência é o reproduzido pelo inciso IX, do art. 9º da Lei 9.317/96, que em nada difere da especificação dada pelos incisos III e IV do art. 3º, § 4º, da LC 123/2006, que apenas abriu e determinou o termo genérico e abrangente “outra” do mencionado inciso IX, como já o fazia a IN SRF 608/2006, fl. 67 e 68.. Conclui que não houve inovação jurídica para o impedimento de opção ao Simples, o que deveria ser observado pela contribuinte, no momento de sua opção. Destacou que não tendo sido observado o impedimento pela contribuinte, no momento da opção, a autoridade administrativa deverá fazer a exclusão de ofício, conforme arts. 12 a 14 da Lei 9.317/96, não existindo presunção de legitimidade. Afirma que o ADE de fls. 50, está de acordo com a Lei 9.317/96, e suas alterações posteriores, e que a normatização da SRF mencionada que tinham vigência para o período, tratando-se meramente de aplicação de lei material, não possuindo natureza de infração ou punição. Lembra ainda que a IN SRF 608/2006 é ato que vincula os julgadores da DRJ, nos termos do art. 7º da Portaria MF 58/2006. A ciência da decisão foi dada em 24.12.2008. Em 20.01.2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário. A recorrente argumenta que não incorreu nas hipóteses excludentes do regime do Simples e que manteve as mesmas condições originais que permitiram o ingresso no Simples, e que em último caso, os efeitos da referida exclusão não poderiam retroagir, uma vez que decorrentes de atos do próprio ente público. Alega que a exclusão fere as normas, uma vez ausente fato novo que viesse a justificar o afastamento do regime de tributação menos gravoso. Aduz que a condição de EPP é a mesma desde o momento da opção pelo Simples. Fl. 4DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16637.000023/2008-33 Acórdão n.º 1402-00.245 S1-C4T2 Fl. 3 5 Acrescenta que o ingresso da empresa nesse regime ocorreu em 03.06.2005, início da vigência do regime, e que já houvera ultrapassado mais de 3 anos, período em que a RFB deferiu a opção, fiscalizou e a manteve no regime sem objeção; que o Sr. Flávio ingressou como sócio em 24.10.90 no Frigorífico Castro Ltda e que em 20.05.2005, Flávio juntamente com Graziela Maahs de Castro constituíram a EPP, a Choperia Cruz de Malta Ltda, conforme registro na JUCESP de 03.06.2005. Dessa forma, a participação societária de Flávio no Frigorífico Castro Ltda, era de pleno conhecimento da RFB quando da opção pelo Simples e que não houve qualquer insurgência por parte da autoridade administrativa desde a opção por esse regime. Aduz que se a opção foi admitida, o ato administrativo estaria revestido de presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituído. Argumenta que não alterou a atividade, manteve a mantém Flávio como sócio, não superou o limite de faturamento e nem incorreu nas causas excludentes do Simples e que o sócio Flávio já participava com 60% do capital social do Frigorífico Castro quando a autoridade administrativa concedeu a admissão da empresa no regime. Reforça que houve mudança de critério jurídico, aplicando-se na espécie, caso mantido o vergastado ADE, o disposto no art. 146 do CTN. Aduz que a autoridade administrativa ao examinar a documentação da recorrente e investigar a respeito dos sócios integrantes do CPF, conduta rotineira como provaria a documentação de fls. 37 a 40, interpretou (nos idos de 2005 e no correr dos anos seguintes) como inaplicável à espécie dos autos a vedação contida no inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/96. Salienta que agiu assim porque a expressão “outra empresa” foi interpretada corretamente como sendo “outra empresa” do tipo microempresa ou empresa de pequeno porte, diante do que dispõe o cap. I, das disposições preliminares do Estatuto do Simples, pois ali o legislador fixou o marco divisor de águas, atribuindo às regras de regência apenas às ME e EPP (restrito às empresas do Simples), e quando no texto legal faz referência à “empresa” estaria sempre focando aquelas empresas beneficiadas pelo Simples, e que no caso, o Frigorífico Castro Ltda, empresa de porte médio, sempre se sujeitou à tributação pelo regime do lucro real, conforme DIPJ de fls. 4 a 7, e 9 a 12. Com a advento da IN a interpretação a respeito era a mesma adotada desde 01.01.97, considerando como impedidas de ingresso ao regime àquelas ME e EPP em que o titular ou sócio participasse com mais de 10% do capital de outra empresa (ME ou EPP, regime simplificado), desde que a receita bruta global ultrapassasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º da Lei 9.317/96. Afirma que somente com a LC 123/2006, art. 3º, § 4º, IV, passou a existir a vedação do ingresso no Simples as empresas cujo titular ou sócio participe, dentro das condições previstas na disposição mencionada, no capital social de outra empresa não beneficiada pelo regime tributário de menor onerosidade. Acrescenta que mantida a exclusão, os efeitos não poderão se dar a contar de 03.06.2005, e que a posição da irretroatividade dos efeitos da exclusão encontraria respaldo no art. 146 e na jurisprudência do TRF04, chancelada pelo STJ, vertida no RESP 996.098-RS. Aduz que em caso análogo, o TRF04, entendeu que a alteração de critério jurídico por parte da administração não tem o condão de ensejar a revisão do lançamento, e por conseguinte, atribuir Fl. 5DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 efeitos retroativos ao ato de exclusão, respaldando a exigência do pagamento de diferenças de tributos. Cita jurisprudência judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A interessada foi excluída do Simples, em razão do sócio-gerente Flávio Luiz Maahs de Castro deter mais de 10% do capital social da empresa Frigorífico Castro Ltda. Os efeitos da exclusão se deram desde a data inicial de ingresso no regime do Simples. Transcrevo o caput do art. 9º e inciso IX da Lei 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; A legislação é clara. A pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, não poderá optar pelo Simples, caso o somatório da receita bruta de ambas empresas ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º. A contribuinte quer caracterizar o termo “outra empresa” como sendo outra empresa submetida a tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte, a que se refere o art. 1º da Lei 9.317/96, mas, não é essa a interpretação que deve ser feita. Se o legislador quisesse se referir apenas a outra empresa submetida a esse regime, assim, o teria explicitado. A LC 123/2006 não inovou em relação a essa restrição. Transcrevo o art. 3º, § 4º, III e IV: Lei Complementar nº 123 de 14.12.2006: Art.3 o Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: §4 o Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: Fl. 6DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16637.000023/2008-33 Acórdão n.º 1402-00.245 S1-C4T2 Fl. 4 7 III- de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV- cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento)do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; O inciso IV utilizou o termo “outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar”, em razão do inciso III referir-se a restrição de participação no capital da pessoa jurídica (sem restringir o percentual de participação) que receba tratamento diferenciado nos termos daquela Lei Complementar. Sobre os efeitos da exclusão que se deram a partir da opção ao regime, argumenta a recorrente que a Receita Federal não se opôs à opção e que somente após três anos se manifestou contrariamente à adesão, e que se fosse o caso, os efeitos deveriam se dar somente após a ciência da exclusão. Transcrevo alguns dispositivos legais da lei 9.317/96: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9 º.. (Redação dada pela MP 2.158-35, de 2001) Portanto, quando da adesão ao Simples, em 03.06.2005, já vigia a MP 2.158- 35, de 2001, que previa a exclusão do Simples a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente na hipótese de que trata o inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/96. Com a edição da MP 255, de 01.07.2005, a redação do inciso II foi novamente alterada, mas não houve mudança em relação à hipótese mencionada, conforme trecho abaixo transcrito: II – a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei. Fl. 7DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Não houve mudança de critério jurídico, pois a legislação era clara desde o momento da opção da contribuinte ao regime do Simples. Apenas a detecção da irregularidade por parte da autoridade fiscal se deu após o prazo de 3 anos da adesão ao regime, entretanto, a situação de impossibilidade de adesão ao regime do Simples no momento da opção já era de conhecimento da contribuinte. Consequentemente, não é o caso de aplicação do art. 146 do CTN, pleiteada pela recorrente, que a seguir transcrevo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Da jurisprudência judicial, cito decisão do STJ, Recurso Especial nº 1.124.507 – MG (2009/0029627-7), de relatoria do Ministro Benedito Gonçalves: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543-C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discute-se se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2. Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no ano-calendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. Fl. 8DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16637.000023/2008-33 Acórdão n.º 1402-00.245 S1-C4T2 Fl. 5 9 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. Cito também decisão do STJ, AgRg no Recurso Especial nº 791.832 – MG (2005/0168533-1), de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. REGIME TRIBUTÁRIO "SIMPLES". EXCLUSÃO. RETROAÇÃO DOS EFEITOS. POSSIBILIDADE. PREVISÃO PROIBITIVA DA OPÇÃO PELA EMPRESA JÁ EXISTENTE À ÉPOCA DA ADESÃO. 1. É firme a jurisprudência entre as Turmas de Direito Público no sentido da possibilidade de conferir efeitos retroativos ao ato de exclusão do regime tributário "SIMPLES", caso a Administração constate que a empresa optante não preenche os requisitos legais para a permanência no sistema. Fl. 9DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 2. No caso, a empresa optou pelo regime em 20.3.1997, ou seja, durante a vigência da Lei n. 9.137/96. Portanto, à época do cadastro, deveria ter conhecimento da restrição contida no art. 9º, XIII, da referida legislação, razão pela qual mostra-se descabida qualquer pretensão da empresa no sentido de beneficiar-se de sua própria torpeza. 3. Agravo regimental não provido. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso.. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 10DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17160.FQ7C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010 20:08:07. Documento autenticado digitalmente por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010. Documento assinado digitalmente por: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.0318.17160.FQ7C Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2D821D37EFA55D9DC04951396E87E2FD09F5A65F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16637.000023/2008-33. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16366.001154/2008-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazê-lo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido.
Numero da decisão: 1002-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazê-lo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 11 54 /2 00 8- 75 Fl. 268DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de multa isolada, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/03, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), decorrente de compensação não declarada realizada com crédito de terceiros não administrado pela RFB, sendo aplicada à infração a multa de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, por ter sido constatado o evidente intuito de fraude no procedimento de compensação indevida. Em sede de impugnação (efls. 195/216), o contribuinte apresentou as alegações assim sintetizadas no relatório encartado no acórdão recorrido: Trata o presente processo de Auto de Infração, de fls. 155/157, que exige R$ 9.002,87 de Multa Isolada, aplicada em face de compensação considerada indevida em declaração prestada pelo sujeito passivo, pela utilização de crédito inexistente, não administrado pela RFB e concomitantemente pertencente a terceiros, relativa à Ação de Atentado n° 1059/57, que tramitou na Ia Vara da Fazenda Pública da Comarca de Curitiba, cuja Dcomp foi analisada no processo n° 10930.003044/200567, objeto do Parecer/Saort/DRF/Lon n° 703/2008. Tem como enquadramento legal o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação da Lei n° 11.051, de 2004, sendo aplicada à infração constatada a multa de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, por ter sido concluído como evidente intuito de fraude o procedimento de compensação indevida. Consta às fls. 140/154, cópia de Despacho Decisório, datado de 09/10/2008, pelo qual o Delegado da Receita Federal em Londrina/PR, considerando as conclusões e os fundamentos legais reproduzidos no Parecer DRF/LON/Saort n° 703/2008, decide: considerar não declaradas as compensações apresentadas pela interessada na Dcomp relacionada no Quadro 01 constante do mesmo Parecer, pela incidência da hipótese contida no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, alterada pela Lei n° 11.051, de 2004; nãoadmitir a DComp retificadora protocolizada em 15/07/2005 (fl. 112), pelo que dispõe a Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; determinar o lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, combinado com os arts^43 e 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, bem como a formalização da respectiva representação fiscal para fins penais; e a intimação do sujeito passivo para que, no prazo de trinta dias, contados da ciência, efetue o pagamento dos débitos indevidamente compensados, não cabendo a apresentação de manifestação de inconformidade, mas com direito à Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16366.001154/200875 Acórdão n.º 1002000.019 S1C0T2 Fl. 3 3 interposição de recurso hierárquico, no prazo de 10 (dez) dias, a teor dos arts. 56 e 59 da Lei n° 9.784, de 1999. Cientificada, em 26/11/2008 (fl. 174), a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente habilitado (fl. 197), apresentou a impugnação de fls. 175/196, descrevendo, de forma sintética, as conclusões arroladas na conclusão do despacho decisório em causa, com as quais diz não concordar, e argumentando que: (a) providenciou a apresentação dos documentos requeridos, bem como a cópia da petição inicial e das decisões prolatadas no processo judicial n° 87.00188557, certidão de objeto e pé correlatas às Dcomp apresentadas; (b) os créditos servem perfeitamente para compensar créditos tributários vencidos e vincendos, inclusive existem muitas empresas que estão utilizando junto à SRF, nos termos da EC n° 30/00, que alterou o art. 78 do ADCT; (c) requereu o cancelamento das perdcomp e assim os débitos ficaram em aberto e, por isso, a multa máxima devida poderia ser de quando muito igual a 20%, e ainda assim somente quando a dívida fosse enviada para a dívida ativa, mas jamais ser equiparada a uma sonegador contumaz. A seguir, no item "2 Da Realidade Fática. Direito Líquido e Certo da Contribuinte. Direitos Creditórios com possibilidade de Compensação", salienta que seu procedimento está amparado pela Emenda Constitucional n° 30/00, que alterou o art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) que, dentre outros fins, pretendeu eliminar a espera indefinida pelo recebimento do credito; que a compensação vem expressamente prevista no parágrafo segundo, o qual determina que a prestação anual devida pelo Estado, se não liquidada até o final do exercício a que se refere, torna exigível o crédito, como qualquer outra obrigação inadimplida; e que, através da cessão de créditos, havia passado a figurar como titular do crédito, tratandose, portanto, de crédito próprio. Nos tópicos 3 a 5,fala sobre a compensação aludida no art. 170 do CTN, que pressupõe a existência de crédito líquido e certo e sobre as modalidades de lançamento, para concluir que a compensação autorizada pelo art. 170 do CTN diz respeito aos casos de lançamento por homologação, já que é atribuição do contribuinte e não da autoridade administrativa; e sobre o fundamento constitucional de compensar, já que nenhuma norma inferior pode negar esse direito, seja diretamente, seja por via oblíqua, enumerando diversos princípios aos quais a administração deve obedecer. Nos tópicos 6 e 7, reclama da multa de ofício aplicada, já que não é uma sonegadora, apenas informou à SRF através de declaração de compensação ser possuidora de créditos para serem compensados, lembrando a existência Fl. 270DF CARF MF 4 da denúncia espontânea onde há o benefício para o contribuinte que informa o débito antes de qualquer procedimento fiscal; faz considerações gerais acerca de multas consideradas escorchantes, da aplicação às multas fiscais das limitações constitucionais ao poder de tributar, do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade e do princípio do nãoconfisco em matéria tributária. Ao final, requer o cancelamento da multa de ofício. A DRJ/CTA manteve o lançamento mediante decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO INVERÍDICA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL QUALIFICADO. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, consistente na inserção de informação inverídica em declarações de compensação, visando à extinção dos débitos, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. No Recurso Voluntário protocolizando em 29/12/2009, o Recorrente alega, como preliminar, que nos autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.9767, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 33, § 2o, do Decreto 70.235/1972, tornando dispensável o arrolamento de bens e direitos para o conhecimento do presente recurso voluntário. No mérito, o Recorrente alegou, em síntese: a) Atipicidade da conduta prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/64, eis que "a fraude descrita referese à interferência direta e dolosa do contribuinte no evento jurídico tributário, impedindo ou retardando a sua ocorrência, ou excluindo ou modificando seus caracteres; e ao fato jurídico tributário, distorcendo ou omitindo dolosamente o relato linguístico do acontecimento, de maneira a influir, em ambas as hipóteses, na subsunção à hipóteses tributária"; que, no presente caso, houve confissão do débito; e que o Recorrente "em nenhum momento, retardou ou impediu a ocorrência do fato gerador, ou excluiu ou modificou suas características. Ao revés, através da DCOMP confessou e confirmou a ocorrência do fato gerador." Cita doutrina e diversos dispositivos legais; b) Insubsistência da decisão da autoridade administrativa que não admitiu a declaração retificadora apresentada em formulário; que esta foi protocolizada antes do recebimento de qualquer intimação; que "a própria IN SRF 600/2005 o admite em seu art. 56, parágrafo único, apenas exigindo que o formulário seja juntado ao processo administrativo correspondente, o que ocorreu"; e que "sobre este ponto deve a autoridade administrativa manifestarse em suas razões, incorrendo o Acórdão em lamentável e incontornável omissão"; c) Que foi vítima do "Golpe dos Apertados", eis que "acreditou que efetivamente detinha créditos oriundos da ação judicial n° 1059/57", admitindo que "de fato, tais créditos inexistem, e a cessão dos mesmos por instrumento público ou particular é inválida" e que "tratase de golpe de grande prática na região do Paraná, mas também em outras regiões do país, e que a própria autoridade fiscal não desconhece, mas que somente se tornou de conhecimento da Recorrente após o processamento das DCOMP's", aduzindo, ao final, que "não houve dolo do contribuinte, mas erro, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16366.001154/200875 Acórdão n.º 1002000.019 S1C0T2 Fl. 4 5 pois, vítima do 'golpe dos apertados', acreditou ser legítima titular de direitos creditórios oriundos da ação judicial n° 1059/57." d) Que, "não há mais que se falar em aplicação de multa qualificada de 150%, pois o que define a possibilidade ou não de imposição daquela penalidade é o caráter subjetivo que cerca sua aplicação. E, não havendo conduta dolosa do contribuinte, como in casu, deve ter a exclusão da pena pecuniária, por absolutamente indevida, já que não se trata de infração formal." Cita dispositivos legais e constitucionais e jurisprudência administrativa do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Com relação à preliminar suscitada sobre o arrolamento de bens para seguimento do recurso voluntário assiste razão ao Recorrente, eis que o ADI RFB n. 09/2007 dispensou a exigibilidade do arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do recurso voluntário. Com relação à tempestividade, verificase que o Recorrente foi cientificado da decisão de primeira instância em 30/11/09 (efl. 237), e protocolizou o Recurso Voluntário em 29/12/2009 (efls. 244/266), sendo, portanto, tempestivo o recurso. Contudo, embora tempestivo o recurso, dele não se conhece. Isso porque o Recorrente inovou por completo a linha de argumentação da defesa constante de sua impugnação, o que não é admitido no âmbito do contencioso administrativo fiscal, em razão da ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos do arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 272DF CARF MF 6 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela impugnação, de cuja leitura constatase não haver qualquer menção acerca das matérias apresentadas no Recurso Voluntário, a seguir elencadas: a) atipicidade da conduta prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/64; b) insubsistência da decisão da autoridade administrativa que não admitiu a declaração retificadora apresentada em formulário; Fl. 273DF CARF MF Processo nº 16366.001154/200875 Acórdão n.º 1002000.019 S1C0T2 Fl. 5 7 c) erro na Declaração de Compensação, motivado pelo fato de o Recorrente ter sido vítima do "golpe dos apertados"; d) inaplicabilidade da multa qualificada de 150% no presente caso, eis que ausente a conduta dolosa do Recorrente. Além de ter inovado totalmente na sua linha de argumentação, o Recorrente também inovou no pedido, eis que na impugnação requereu a improcedência e o arquivamento (sic) do auto de infração 16366001154/200875, mas no Recurso Voluntário pediu o reconhecimento da inexistência de fato gerador e ilícito tributário ou, alternativamente, a redução da multa qualificada. No âmbito do processo fiscal, em conformidade com o regra da preclusão, prevista no inciso III do art. 16 do PAF, se a interessada não contestou tais questões perante o órgão julgador de primeiro grau, por conseguinte, não poderia mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. Em situação desse jaez, apenas as matérias de ordem pública são excepcionadas dos efeitos da preclusão consumativa determinada no citado preceito legal, situação que não se vislumbra em relação às questões em apreço. Dessa forma, em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição, que norteiam o processo administrativo fiscal, é vedado ao julgador de segundo grau tomar conhecimento de argumentos de defesa apresentados no recurso, mas não aduzidos na fase de impugnação apresentada perante o órgão de julgamento de primeira grau, momento em que se instaura a fase litigiosa do processo. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento das novas questões de mérito suscitadas apenas no recurso em apreço. Pelo exposto, voto por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007804/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPOSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO PRESUMIDO. ‘A luz do art. 42 da Lei 9.430 de 1996, os depósitos bancários cuja origem não for comprovada pelo contribuinte são tributáveis a titulo de receitas omitidas, mormente quando ultrapassam em muito as receitas declaradas, cujo montante já foi subtraído da base de calculo tributada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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AÇÃO FISCAL Recorrente SULMIXNUTRIENTES AGRO PECUARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPOSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO PRESUMIDO. ‘A luz do art. 42 da Lei 9.430 de 1996, os depósitos bancários cuja origem não for comprovada pelo contribuinte são tributáveis a titulo de receitas omitidas, mormente quando ultrapassam em muito as receitas declaradas, cujo montante já foi subtraído da base de calculo tributada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 736DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SULMIXNUTRIENTES AGRO PECUARIOS LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de quatro autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica Sulmix Nutrientes Agropecuários Ltda, para dela exigir, no regime de tributação do lucro presumido e em relação aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 81.027,69 (fls. 02/06 e 20/24); b) contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) no valor de R$ 64.251,17 (fls. 07/11 e 25/29); c) contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) no valor de R$ 38.838,60 (fls. 12/15 e 30/32); e d) contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 169.693,84 (fls. 16/19 e 33/35). Todos os tributos foram acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 33/45). Tratase também da exclusão da interessada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (Simples), por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 091, de 04/12/2008, com efeitos a partir de 01/01/2004, em virtude de ter ela “auferido receita bruta em valor superior ao limite a que se refere o inciso II do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996” (fls. 88/89). As exigências concernentes aos quatro autos de infração bem como a exclusão da interessada do Simples decorreram exclusivamente da acusação de omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada (enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95, art. 18 da Lei nº 9.317/96 e art. 42 da Lei nº 9.430/96). No relatório da atividade fiscal de fls. 46/52, a autoridade lançadora justifica o seu trabalho da seguinte forma, in verbis: (...) No períodobase de 2003 a empresa apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, opção pelo Lucro Presumido e nos períodos base de 2004 e 2005 pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. (...) Embora fixados, nas intimações/reintimações, prazos longos e ainda prorrogados para apresentação dos documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos. Tais prazos são desnecessários, pois, os documentos e esclarecimentos solicitados são os das operações normais da empresa. Não há necessidade de preparação de documentos para apresentálos à fiscalização. O trabalho do contribuinte é o de retirálos do arquivo e apresentálos à fiscalização, fato que demandaria apenas alguns minutos. Constatase, pelo acima exposto, que a empresa demonstrou pouco empenho em apresentar os documentos solicitados. Mas, mesmo assim, esta fiscalização, excluiu dos depósitos bancários, aqueles que foram identificados, como originários de recebimentos de clientes (valor e data coincidentes). A receita declarada está de acordo com as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo. Fl. 737DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 3 Os valores creditados em contas de depósitos não comprovados e não identificados como originários de recebimento de clientes foram considerados como omissão de receita, e, como tal, oferecidos à tributação. (...) Em função da receita bruta anual auferida no período de 2003 a 2005 a empresa perdeu o direito à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES nos exercícios (sic) de 2004 e 2005. Foi então excluída do SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 094, de 04/12/2008, publicado no Diário Oficial da União de 08/12/2008, produzindo seus efeitos a partir de 01/01/2004 (fls. 88/89). No ano de 2003 fez a opção pela tributação pelo lucro presumido e o lançamento referese somente a receita omitida dos depósitos bancários de origem não comprovada. Os valores do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, PIS/Pasep e COFINS recolhidos na sistemática do SIMPLES, foram abatidos do cálculo dos tributos e contribuições devidas na modalidade de apuração de impostos/contribuições com base no regime de tributação do lucro presumido. (...) Em anexo relação dos créditos em contas de depósitos mantidas junto às instituições financeiras cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea (fls. 53/85). Anexamos os extratos bancários do período 01/2003 a 12/2005 impressa a partir dos arquivos magnéticos (fls. 301/376). (...) De acordo com o explanado no presente relatório de Auditoria Fiscal, procedese ao lançamento de ofício dos tributos e contribuições incidentes sobre a receita bruta omitida oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada no período de 10/2003 a 12/2003 e no período de 01/2004 a 12/2005 sobre a receita omitida acrescida da receita declarada na modalidade SIMPLES, de acordo com o art. 5º da 9.317/96, alterado pelo art. 3º da Lei 9.732/98 e artigo 223 e 518 do RIR/1999. Cientificada dos lançamentos e de sua exclusão do Simples em 12/12/2008 (fls. 03, 08, 13, 17, 52, 88 e 89), a interessada impugnouos em 13/01/2009 (fls. 542/559 e 560/565). Alegou, em síntese: que o imposto incidente sobre a renda ou proventos de qualquer natureza só pode ser exigido sobre a parcela correspondente a efetivo acréscimo patrimonial, o qual deve ser real e cabalmente demonstrado pelo poder tributante; que depósitos bancários não configuram fato gerador do imposto de renda, por não representarem acréscimo patrimonial, receita bruta e/ou riqueza nova; que a utilização da presunção para equiparar depósitos bancários a renda auferida é inconstitucional – por criar fato imponível não previsto no inciso III do art. 153 e malferir o princípio da estrita reserva legal constante no inciso I do art. 150, ambos da Constituição Federal – e também ilegal, por introduzir hipótese tributária não prevista no art. 43 do Código Tributário Nacional; que a utilização da presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários restou expressamente afastada pelo §4º do art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001; que deve ser abatido do total dos depósitos bancários considerados de origem não comprovada o montante correspondente aos valores de receita bruta consignados nas declarações de informações econômicofiscais apresentadas, uma vez que tais valores circularam por suas contas bancárias; Fl. 738DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 4 que, “para atender seus compromissos, em especial em relação a dívida vencida com bancos, necessitou realizar novos empréstimos para aporte de capital”; que “tais aportes, na verdade, foram realizados através da sistemática de desconto de cheques de terceiros, ou seja, realizavase um empréstimo por período curto e, em seguida, novos empréstimos, para pagamento do empréstimo anterior e manutenção da atividade, avolumando de forma artificial a dívida e o montante dos valores das operações de descontos”; que, dessa forma, “houve, tãosomente, a substituição de credores, sempre se tratando do mesmo empréstimo; e que “tal circunstância, por si só, afasta a afirmativa de que os descontos de cheques (empréstimos) representam renda omitida à tributação”. Às fls. 377/411, anexouse a declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário 2003; às fls. 412/426, a declaração simplificada (PJSI) concernente a 2004; às fls. 427/441, a PJSI do ano de 2005. Às fls. 569/580, juntei telas extraídas dos sistemas internos da RFB que informam o pagamento dos tributos incidentes sobre os valores declarados pela interessada. A decisão recorrida está assim ementada: LEI. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA DECLARADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SIMULTANEIDADE. Descabe tributar simultaneamente a receita bruta declarada pela interessada e os valores decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, quando referentes ao mesmo períodobase, ante a probabilidade de que a receita declarada esteja compreendida nos valores depositados nas instituições financeiras. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os autos de infração decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem, em função da relação de causa e efeito que os une. Impugnação procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Vejase a transcrição da essência da peça recursal: Necessário vincar que o lançamento de ofício levou em consideração quase que a totalidade da movimentação bancária, contida nos extratos de movimentação que foram disponibilizados pela impugnante. Não foram abatidos os valores de depósitos o montante da receita bruta declarada pela Recorrente. Conforme consta do Auto de Infração, apenas foram Fl. 739DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 5 abatidos os valores de depósitos coincidentes, em valor e data, aos pagamentos e ou recebimentos declarados. 1 . 3 0 Auto de Infração e lançamento de ofício foi lavrado apenas com base na presunção de que os valores constantes nos extratos bancários representarem "receita bruta omitida... " ad verbo fl. 06 do RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL, anexo ao Auto de Infração. A Recorrente, de forma tempestiva, impugnou os lançamentos combatidos, alegando, em apertada síntese, que: a Autoridade Administrativa não excluiu do lançamento os valores declarados pelo Recorrente; ilegalidade da presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários, uma vez que não verificados, no caso em exame, os pressupostos autorizadores previstos no § 3o, do artigo 42, da Lei 9.430/96; (...) 1.6 Resta clarificado que a impugnação foi acolhida parcialmente, apenas para considerar como não omitidos os valores depositados e justificados, bem como, no que exceder estes montantes, os valores da receita bruta declarada. Da mesma forma, resta patente que não foi acolhida a impugnação da ora Recorrente no diz respeito ao pedido de exclusão dos valores relativos ao desconto de cheques, bem como, no tocante a impossibilidade de presunção de omissão de receitas com base em extratos bancários. (...) DO DIREITO. 3. Conforme já adiantado em linhas acima, a impugnação ao Auto de Infração, objeto do presente recurso, não foi acolhida em relação: A) impossibilidade da presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários, na forma do § 3o, do artigo 42, da Lei 9.430/96; e B) inexistência de comprovação de que os valores depositados representavam receita nova, visto que, por si só, depósitos bancários, cheques emitidos e aplicações financeiras não se constituem em fato gerador do imposto de renda. A Recorrente, para evitar o vício da tautologia, reportase remissivamente às razões expendidas quando da impugnação, requerendo que sejam tidas como se aqui expressamente reproduzidas. A Recorrente, a seguir, demonstrará as razões de reforma da decisão guerreada. 4. A Autoridade Administrativa, ao não considerar os rendimentos, empréstimos e operações de desconto de cheques declarados pela Recorrente (com verdadeira reserva mental), busca justificar a realização do arbitramento, com base na presunção legal de que os depósitos bancários representam receita omitida à tributação. De ser conferido o disposto no artigo 42, da Lei 9.430/96, com a redação que lhe foi imprimida através da Lei 9.481/97, verbis: (...) Fl. 740DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 6 4.1 A sistemática de apuração do Imposto de Renda não permite a presunção a que chegou a Autoridade Administrativa, ou seja, de que a totalidade dos valores que circularam nas contas bancárias examinadas representam receitas omitidas à tributação. Destacase que, a partir de Io de janeiro de 1989, o fluxo financeiro de rendimentos e de despesas/aplicações, será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo Contribuinte, para fins de apuração de gastos incompatíveis com a renda disponível para, assim, caracterizar omissão de rendimentos. Ainda, neste levantamento patrimonial de fluxo financeiro, a Autoridade Administrativa deve considerar e abater as sobras de recursos apuradas nos levantamentos patrimoniais mensais, tendo o dever de transferilas para o mês seguinte, diante da inexistência de previsão legal para considerálas como renda consumida, conforme já decidiu este Egrégio Conselho, verbis: (...) 4.2 Desta forma, sem a realização do fluxo de caixa, não há como se sustentar a fantasiosa versão do Fisco, de que a totalidade dos depósitos bancários representa rendimentos omitidos à tributação. 4.3 Não se perder de vista que nas operações de desconto de cheques, a Recorrente vinha mantendo, em cada uma das operações renovadas, saldo idêntico ao anteriormente levantado, ou seja, realizava uma operação de desconto de para o único fim de liquidar a operação imediatamente anterior, através da oferta de cheques prédatados, ou seja, não houve ingresso de dinheiro novo. 4.4 Como já referido acima, afastada a hipótese de presunção legal que caracterize como omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, o Fisco só pode considerar como omissão de receita os valores depositados em conta corrente quando produzir robusta prova da utilização dos valores de depósitos como renda consumida, haja vista que, por si só, depósitos bancários, cheques emitidos e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda. IV DOS PEDIDOS. DIANTE DO EXPOSTO, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, no tocante ao uso não previsto em lei da presunção legal, bem como não demonstrada a omissão de receita, uma vez que não comprovado o nexo causai entre os depósitos e a receita da Recorrente, respeitosamente requer seja acolhido o presente recurso, para o fim de determinar a nulidade do Auto de Infração, em conformidade com as razões acima aduzidas, por ser de justiça. É o relatório. Fl. 741DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos, na sistemática do lucro presumido, em face de omissão receitas apuradas a partir dos depósitos bancários em contacorrente da empresa cuja origem não foi devidamente comprovada. A recorrente contesta veementemente a tributação de omissão de receitas com base em depósitos bancários. Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a Fl. 742DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 8 origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 10613188).” Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor”, consoante Sumula nº. 2 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrandose em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Outrossim, na busca da verdade material e imprescindível a análise de documentos e alegações/justificativas quanto aos ingressos de numerários em conta bancária, para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto a exigência com base na aludida presunção. Fl. 743DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 11020.007804/200883 Acórdão n.º 140200.796 S1C4T2 Fl. 0 9 Pois bem. A decisão de 1a. instância já reduziu os montantes exigidos subtraindo as receitas declaradas haja vista que a contribuinte não estava obrigada a escrituração fiscal, ou seja, não era possível distinguir com segurança as receitas tributadas das omitidas. De igual forma, a decisão de 1a. instancia também efetuou o cotejo entre a relação dos créditos em contas de depósitos mantidas nas instituições financeiras, cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea (fls. 53/85), e os extratos bancários do período 10/2003 a 12/2005 impressos a partir dos arquivos magnéticos (fls. 301/376), obtendo a relação dos depósitos bancários considerados justificados pela autoridade lançadora, transcritos às fls. 592594. Portanto, as bases de cálculo mantidas na decisão de 1a. instancia já se tratam de valores saneados, sendo que o contribuinte nada apresentou no recurso voluntário que ensejasse outras subtrações. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 744DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 13749.000023/2011-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEVIDA COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo Administrativo fiscal. Assim sendo, passemos a análise do mérito da causa.
Numero da decisão: 2001-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEVIDA COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo Administrativo fiscal. Assim sendo, passemos a análise do mérito da causa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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DEVIDA COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo Administrativo fiscal. Assim sendo, passemos a análise do mérito da causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 00 23 /2 01 1- 83 Fl. 78DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação Fiscal lavrada em face do contribuinte acima qualificado, relativa ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2007, por meio da qual foi exigido o imposto suplementar no montante de R$ 6.173,15, em virtude de suposta dedução indevida de despesas médicas. Na impugnação o contribuinte juntou toda a documentação comprobatória que era possível. No entanto, a DRJ Porto Alegre sustenta que a comprovação não foi suficiente e manteve apenas a glosa de despesas médicas alega que os recibos não apresentavam o beneficiário/paciente de forma clara. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde argumenta que nos recibos apresentados constam o seu nome, nome do profissional que prestou o serviço, carimbo e CPF. Ademais, a fim de ratificar e complementar as informações e recibos já apresentados, e de forma a esclarecer definitivamente a questão levantada pela fiscalização, o contribuinte, no momento da apresentação do Recurso, junta Declaração de Especificação de Valores Recebidos, documento este em que o profissional declara que recebeu da contribuinte os valores referentes à prestação de serviços médicos, com informação detalhadas sobre os valores, as datas de pagamento, nome e CPF da contribuinte e do prestador do serviço. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar prescrição intercorrente Alega a Recorrente, em caráter preliminar, que o processo em análise não deveria ter prosseguimento tendo em vista a suposta ocorrência da prescrição intercorrente. Segundo Arruda Alvim, "a prescrição intercorrente é aquela relacionada com o desaparecimento da proteção ativa, no curso do processo, ao possível direito material postulado, expressado na pretensão deduzida: quer dizer, é aquela que se verifica pela inércia continuada e ininterrupta no curso do processo por segmento temporal superior àquele em que ocorre a prescrição em dada hipótese." O professor Antônio Luiz da Câmara Leal ensina que a prescrição tem por objetivo o "interesse público, a estabilização do direito e o castigo à negligência".Na mesma Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13749.000023/201183 Acórdão n.º 2001000.063 S2C0T1 Fl. 3 3 linha de raciocínio, o STJ já se pronunciou para afirmar que "a prescrição intercorrente pressupõe desídia do credor que, intimado a diligenciar, se mantém inerte." Em que pese terem diversas discussões doutrinárias acerca do tema, reconhecendo ou não a existência e aplicabilidade de tal instituto jurídico, este Colegiado não aplica o racional da prescrição intercorrente, mormente estar tal tema sumulado. Senão vejamos: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim sendo, passemos a análise do mérito da causa. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos dentários e de fisioterapia, com identificação clara do beneficiário do tratamento, especificação do serviço prestado, nome, CPF e carimbo. Fl. 80DF CARF MF 4 A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Além disso, como bem dispõe o artigo 73 do Decreto 3000, de 1999(RIR/1999), abaixo in verbis, a autoridade lançadora pode solicitar a comprovação ou justificação das deduções, sendo ônus do declarante e não do Fisco a comprovação do direito às deduções utilizadas na declaração: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízoda autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Leinº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Foram glosadas as despesas médicas referentes ao fisioterapeuta Thiago Crivano (R$ 15.600,00 fls.15 a 20)), e à cirurgiã dentista Luciana Sanglard (R$ 6.400,00 fls.21 a 26) por falta de comprovação com a identificação do paciente e data, conforme solicitado em intimação fiscal(fl. 12). Na impugnação, o contribuinte junta os recibos de fls. 15 a 26, não suprindo a falta apontada no lançamento (identificação do paciente). De acordo com o dispositivo legal transcrito, as despesas médicas dedutíveis referem se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes e as despesas médicas deduzidas pelo contribuinte totalizam um valor expressivo, sendo possível a obtenção junto aos profissionais de recibos com a identificação do paciente, para atender à solicitação do Fisco. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a boafé e a intenção da contribuinte, ora Recorrente, em comprovar todas as suas despesas, em contribuir para o esclarecimento e inclusive a sua atitude de juntar a declaração detalhada, em sede de Recurso, emitida pelos profissionais que prestaram o serviço, contendo todas as informações necessárias para formar o convencimento e facilitar a busca da verdade material. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13749.000023/201183 Acórdão n.º 2001000.063 S2C0T1 Fl. 4 5 Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela necessidade de exoneração do crédito tributário lançado, e manutenção da dedução das despesas médicas, as quais restaram devidamente comprovadas, formando claramente o convencimento de que ocorreram. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para exonear o crédito tributário outrora exigido contra a supra mencionada e qualificada contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900323/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. O Despacho Decisório é instrumento válido para retificação de lançamento, bem como não homologação de DCOMP, dentre outras aplicações. Portanto, deve conter
relatório, fundamentação válida à luz do CTN e do PAF, além de proferido por autoridade competente. Não é nulo o despacho que atende esses pressuposto.
IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a
insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP.
Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.689
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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NULIDADE. O Despacho Decisório é instrumento válido para retificação de lançamento, bem como não homologação de DCOMP, dentre outras aplicações. Portanto, deve conter relatório, fundamentação válida à luz do CTN e do PAF, além de proferido por autoridade competente. Não é nulo o despacho que atende esses pressuposto. IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório RADIOLOGIA MEDIO VALE LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de números: (...), apresentadas pelo programa PER/DCOMP, por meio das quais a contribuinte pretendeu o reconhecimento de direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, para a compensação de débitos próprios de períodos de apuração subseqüentes. 2. Pelo Despacho Decisório fls. 63/64 , cientificado em 08/10/2008 (AR fl. 72), a autoridade preparadora considerou as “Compensações Parcialmente Homologadas.”, nos seguintes termos, em resumo: “Ementa: Saldo Negativo de IRPJ. Declaração de Compensação. Extinção de obrigação tributária. Todo contribuinte pode extinguir suas obrigações tributárias, através do instituto da COMPENSAÇÃO, bastando demonstrar o crédito, que entende ter direito, e relacionar o débito. A homologação da compensação dependerá da efetiva comprovação da existência dos créditos. COMPENSAÇÕES PARCIALMENTE HOMOLOGADAS. RELATÓRIO 1. Em 22 de julho de 2003, a contribuinte apresentou eletronicamente, a esta Administração Tributária, a Declaração de Compensação nº 18920.62665, na qual informa que é detentora de um crédito de R$ 10.072,02, relativo ao saldo negativo do IRPJ, apurado em 31 de dezembro de 1998. 2. Posteriormente, para aproveitamento do crédito restante, apresentou as Declarações de Compensação nº ......, ficando todas vinculadas àquela primeira declaração, portanto limitadas ao crédito nela informado. FUNDAMENTAÇÃO 3. Na determinação dos créditos utilizados para a extinção do tributo foi, rigorosamente, observado o pedido da contribuinte; tendo sido verificada a formação da parcela por ela requerida com as informações constantes nesta Administração Tributária. 4. O direito pretendido é o saldo negativo do IRPJ, apurado em 31 de dezembro de 1998; pois, como consta na DIPJ, as antecipações mensais próprias e aquelas efetuadas através de terceiros superaram o imposto apurado ao final daquele ano. Entretanto, tal diferença não alcança o Fl. 174DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 3 pretendido pela contribuinte, tendo em vista que o montante retido na fonte é inferior àquele constante na ficha 13 da DIPJ. 5. O imposto comprovadamente retido foi da ordem de R$ 11.155,36 e não daquela informada na DIPJ, resultando na redução do saldo negativo a ser reconhecido para R$ 3.082,10. 6. Com isto e, como já dito, respeitandose a vontade da contribuinte, procedese a verificação das declarações de compensações que utilizam o mesmo crédito, privilegiandose a ordem cronológica; comparase, então, a parcela do crédito destinada a cada uma das referidas declarações com o montante dos débitos nelas constantes. 7. O crédito disponível foi totalmente utilizado nas declarações de compensação 18920.62665, 39391.16723 e 22362.34286, conforme consta nas listagens de débitos, de créditos e no demonstrativo de compensação; encontrandose, essas declarações e a de nº 36210.20476, homologadas por disposição legal. DECISÃO 8. Considerando o exposto e, ainda, em especial o Código Tributário Nacional, a Lei nº 9.430/96, o Regimento Interno desta Secretaria, e os Demonstrativos de Crédito, de Débito e de Compensação NÃO HOMOLOGO as declarações de compensação 23322.33032, 01485.47663, 37696.83694 e 17060.06330. [....]” 3. Inconformada, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, protocolizada em 06/11/2008 e juntada às fls. 73/82, acompanhada dos documentos de fls. 83/110, alegando, em síntese, o que segue: 3.1 De início, resume os fatos e assevera que o suposto débito decorreu de “simples erro material de preenchimento de tais DIPJ`s pela impugnante, não havendo ausência de recolhimento de tributo pela sociedade, e estando aquele devidamente adimplido via compensação válida de crédito existente. 3.2 A seguir, argumenta que o Despacho Decisório de nãohomologação das compensações efetivadas, por ser o primeiro ato praticado pela Receita Federal com a finalidade de constituir formalmente o débito, equiparase a um auto de infração, tanto que o Decreto nº 70.235/72 colocou no mesmo patamar as manifestações de inconformidade e as impugnações aos autos de infração e, prosseguindo, sustenta que a prática de tal ato (despacho decisório) há de ser precedida das formalidades legalmente impostas, quais sejam: legalidade, moralidade, impessoalidade, bem como observada a garantia do contraditório e da ampla defesa. 3.3 Nesse compasso, diz que o despacho decisório é inexato e impreciso quanto à “descrição fática do suposto equívoco cometido pela impugnante no procedimento de compensação”, o que dificultou sua defesa, porquanto as irregularidades detectadas pelo sistema eletrônico da Receita Federal não se fizeram acompanhar de elementos suficientes a identificálas. 3.4 Transcreve os art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, argumentando que “a indicação precisa de todos os elementos constituintes do crédito tributário”, tanto é necessária no auto de infração quanto no despacho decisório. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 4 3.5 Com isso, insurgese contra a validade do despacho decisório, pugnando, inclusive, por sua improcedência, o qual, extraiu à impugnante, seu direito à ampla defesa. 3.6 No tópico seguinte, quanto ao direito, levanta a questão de ocorrência de erro material no preenchimento da DIPJ/1999, para asseverar que: “... A impugnante apura os tributos sobre o resultado com base no lucro real. No exercício de 1998, foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor originário de R$ 12.852,18 .... . Deste valor, foram utilizados, no exercício de 1999, R$ 4.062,56 ...., remanescendo um crédito originário de R$ 8.789,62(Sic) ... Ao final do exercício de 1999, foi apurado, novamente, saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.273,40 .... Ocorre que, por equívoco, ao preencher a DIPJ original correspondente, o contribuinte informou o valor do crédito remanescente do exercício de 1998 (R$ 8.798,62, que deveria ter sido informado no campo contido na Ficha nº 13, linha nº 22 “Saldo Negativo de Períodos Anteriores”), somado ao valor de R$ 9.346,66, correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte do exercício de 1999 (Ficha nº 13, linha nº 13 “Imposto de renda retido na Fonte”). Vejase: DIPJ/1999 – VERSÃO ORIGINAL FICHA 13 – Cálculo do imposto de renda sobre o Lucro Real DISCRIMINAÇÃO VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 10.505,79 (...) DEDUÇÕES (...) 13. ( ) Imposto de Renda retido na Fonte 18.145,28 (...) 16. ( ) Imposto de renda Mensal por Estimativa 2.432,53 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 19. TOTAL DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 20. ( ) Pagamentos 0,00 COMPENSAÇÕES 21. ( ) Pagamentos Indevidos ou a Maior 0,00 22. ( ) Saldo Negativo de Períodos Anteriores 0,00 23. ( ) Outras 0,00 (...) 26. SALDO DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 Posteriormente, intimado pela Receita Federal, em 13 de setembro de 2006, acerca das diferenças entre o crédito informado na DIPJ 1999 e aquele declarado na DCOMP nº 18920.62665.220703.1.3.025363, o contribuinte procedeu à retificação daquela declaração em 10 de outubro de 2006, segregando os valores referentes ao “Saldo Negativo de Períodos Anteriores” (R$ 8.798,62), do “Imposto de Renda Retido na Fonte” (R$ 9.346,66). Entretanto, tal retificação não foi reconhecida pela Receita Federal, tendo em vista a ausência de informação, correspondente ao somatório do imposto a pagar, na linha nº 19 “Total de Imposto de Renda a Pagar”. Tal informação Fl. 176DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 5 deveria ter sido preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ (o que não ocorreu), conforme orientação dada pelo campo AJUDA: AJUDA “Linha 13/19 – Total do Imposto de Renda a Pagar Esta linha será preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ e indicará a soma dos valores constantes das Linhas 13/17 e 13/18” (destacamos) DIPJ/1999 1ª RETIFICAÇÃO FICHA 13 Cálculo do imposto de renda sobre o Lucro Real DISCRIMINAÇÃO VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 10.505,79 (...) DEDUÇÕES (...) 13. ( ) Imposto de Renda retido na Fonte 9.346,66 (...) 16. ( ) Imposto de renda Mensal por Estimativa 2.432,53 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.273,40 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 19. TOTAL DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 20. ( ) Pagamentos 0,00 COMPENSAÇÕES 21. ( ) Pagamentos Indevidos ou a Maior 0,00 22. ( ) Saldo Negativo de Períodos Anteriores 8.798,62 23. ( ) Outras 0,00 Diante disso e sem perceber que o equívoco remanescente decorria de falha operacional do próprio programa da DIPJ, em 29 de agosto de 2007, a Receita Federal lavrou nova intimação, solicitando, novamente, a retificação da DIPJ 1999. O contribuinte, em face de tal posicionamento, confundido pelas orientações fiscais e também desconhecedor da falha do sistema acima narrado retificou a declaração, retornandoa, equivocadamente, aos moldes da original. Notese, no entanto, que à equivalência da primeira retificação, o sistema, novamente, não procedeu ao somatório que deveria ter sido condensado na linha nº 19 “Total de Imposto de Renda a Pagar”, que ficou zerada, novamente. Vejase: (...) 26. SALDO DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 8.798,62 Tal procedimento perpetuou o não reconhecimento, pela Receita Federal, do total do crédito existente em favor da Impugnante, e à posterior lavratura da intimação ora em debate. Nesse contexto, mesmo que entenda tratarse de irregularidade, ainda assim, estáse diante de sucessivos erros materiais de preenchimento de declaração, passíveis de saneamento. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 6 No sentido de prestigiar o princípio da verdade material, registremse diversos julgados do Conselho de Contribuintes ao determinarem a superação dos óbices decorrentes de erro de fato quando comprovada documentalmente (como é o caso) a idoneidade do procedimento adotado pelo contribuinte. [....] 3.7 Diante disso, sustenta a tese de que o direito à compensação decorre antes da existência do crédito e de sua titularidade do que da declaração pela qual ela se processa, posto que esta (a declaração) representa o instrumento (meio), não devendo se confundir com o seu fim, isto é, a própria compensação, sendo certo que o direito que se busca com este instrumento não nasce com o requerimento (declaração) mas sim com o surgimento do crédito. Em suas palavras: “De fato, o entendimento supra exarado não poderia ser diferente, sob pena de prestigiar a forma em detrimento ao conteúdo, já que a existência do crédito e sua respectiva titularidade é que assegura o direito à compensação e não a declaração pela qual ela se processa. Mesmo respeitando a importância das declarações administrativas, que certamente se revestem da condição de veículo de comunicação entre o Fisco e o Contribuinte, fato é que o direito à compensação decorre do crédito, e se este existe, e encontrase materialmente comprovado, não há porque negar o seu exercício em razão de equívoco no preenchimento da DIPJ ou qualquer outra obrigação acessória. Não se pretende defender a inutilidade de tais declarações, instrumento necessário para o auxílio da fiscalização, mas unicamente assegurar a sua condição de instrumento (meio), não se confundindo com seu fim (compensação), cujo direito nasce não do requerimento, mas do surgimento do crédito. Dessa forma, demonstrada a existência do crédito a compensar (alvo de questionamento pela Receita Federal) e considerandose a incontroversa regularidade do procedimento compensatório adotado pela Impugnante, extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do Código tributário Nacional, não havendo diferenças a recolher.” 3.8 Ao final, requer: (i) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do Despacho Decisório em decorrência da imprecisão e inexatidão dos fatos que motivaram a exigência, decorrentes da deficiência e precariedade do documento, o que cerceia o direito de ampla defesa da Impugnante; e (ii) no mérito, ultrapassada a preliminar suscitada, e com fulcro nas razões de fato e de direito elencadas, que se julgue procedente a presente manifestação de inconformidade, reformandose integralmente o Despacho Decisório, em decorrência da existência de direito da Impugnante ao crédito indevidamente glosado, decorrente de mero erro de preenchimento da DIPJ correspondente, declarandose a extinção do crédito nele consubstanciado pelas compensações. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 178DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 7 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO CRÉDITO INDICADO. Não são capazes de alterar a conclusão da autoridade da DRF, alegações que denotam pretensão de alterar a composição do crédito indicado na Declaração de Compensação, mediante inclusão de crédito de período anterior. A compensação de saldo negativo de períodos anteriores está limitada ao valor do saldo do imposto de renda a pagar. (...) No voto condutor do acórdão de primeira instância destancamse os seguintes fundamentos: (...) Em sua manifestação de inconformidade, questiona a interessada, de início, a validade do Despacho Decisório, alegando “imprecisão e inexatidão dos fatos que motivaram a exigência, decorrentes da deficiência e precariedade do documento, o que cerceia o direito de ampla defesa da Impugnante” e defende que o Despacho Decisório equiparase a Auto de Infração. 10. Observese que não se equiparam auto de infração e despacho decisório, pois enquanto o primeiro formaliza exigência, constituindo o crédito tributário, por iniciativa do sujeito ativo, o segundo apenas reflete apreciação de compensação declarada por iniciativa do sujeito passivo, abrangendo débitos informados e constituídos pelo próprio contribuinte, os quais já podem ter sido confessados em DCTF ou que estão confessados na própria declaração de compensação, dado o seu caráter de confissão a partir de 31/10/2003 com a Medida Provisória nº 135, publicada em 31/10/2003, e convertida na Lei nº 10.833/2003. 11. Mas, apesar de o Despacho Decisório não ter iguais elementos e finalidade de Auto de Infração, nele deve estar expressa a descrição de seu objeto e a fundamentação da decisão nele contida, até mesmo para não se caracterizar hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, dentre as quais “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. (...) 14. Assim, injustificável a alegação de que o despacho decisório seria inexato e impreciso, não se cogitando de cerceamento do direito de defesa, pois, como visto, o despacho decisório explicita seu objeto (em consonância com o que pretendido), sua fundamentação e conclusão, e dele a interessada foi cientificada e recebeu cópia, sendolhe concedido prazo regulamentar para apresentar sua manifestação de inconformidade. 15. No mérito, a defendente alega ter ocorrido “erro material no preenchimento de DIPJ”. Mas, para identificar e justificar tal erro, apresenta exposição na qual não é possível identificar motivos capazes de aumentar o crédito reconhecido no Despacho Decisório. Para melhor análise, transcrevese, a seguir, trechos da manifestação apresentada: (...) 26. Na verdade, depreendese da manifestação apresentada, que a pretensão da interessada é promover correções que têm por objetivo destacar saldo credor de período anterior (AC 97) o qual teria sido somado ao saldo negativo do AC informado (98). Mas, ainda que permaneça inalterado o valor pleiteado, a alteração (retificação) de sua composição, agora para incluir eventual saldo negativo do ano Fl. 179DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 8 calendário de 1997, configurase um novo pedido de reconhecimento de indébito, ensejando, inclusive, respeitados os limites temporais pertinentes, a retificação da DIPJ/1998 (AC 1997). 27. Entretanto, a DRF de origem reconheceu parte do indébito, em função da comprovação de apenas uma parcela do IRRF declarado. Agora, em sede de Manifestação de Inconformidade, após a ciência do Despacho Decisório a interessada manifestase acerca de eventual crédito do anocalendário de 1997. 28. Contudo, tal crédito, reiterese, sequer se confirma como saldo negativo apurado ao final daquele anocalendário, mas seria o imposto retido na fonte no ano de 1997, que, como visto, por si só, não é compensável nem restituível, mas poderia vir a compor eventual saldo negativo, este sim, passível de utilização em compensação ou restituição. 29. Entretanto, o suposto valor do saldo negativo do anocalendário de 1997, por não haver sido apurado na DIPJ/1998 (AC 1997) e nem integrado a declaração de compensação inicialmente ofertada nestes autos, tratase de uma inovação, a qual exigiria a formalização de outra declaração de compensação, distinta da que ora se analisa, além de dever ser apresentada dentro do prazo prescricional, sendo certo ainda que, por falta de competência originária a esta instância de julgamento, necessitaria antes da apreciação da DRF. 30. Noutra vertente da defesa ofertada, a manifestante sustenta também a tese de que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não da declaração pela qual ela se processa. 31. Contudo, a declaração de compensação não se trata de mero “veículo de comunicação entre o Fisco e o Contribuinte”, como defende a interessada, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e conseqüente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Em razão de tais efeitos, a declaração de compensação foi criada para viabilizar compensações nos estritos termos do que disposto no caput art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: (...) 32. Mesmo que existente eventual crédito proveniente do AC 97, a falta de apresentação da declaração de compensação nos moldes da legislação demonstrando a sua utilização não é hábil a permitir a extinção de débitos. 33. Ainda, atribui a interessada o não reconhecimento do crédito, a erro do programa gerador da DIPJ porque, como indicado nas orientações de preenchimento da Ficha 13, a linha 19 (total de IRPJ a pagar), deveria ser preenchida automaticamente com a soma das linhas 17 (imposto de renda a pagar) e 18 (imposto de renda a pagar por SCP), mas a linha 19 ficou indevidamente zerada. 34. De fato, o Majur/1999 trouxe a seguinte orientação para o preenchimento da linha 19 da Ficha 13: “Linha 13/19 – Total do Imposto de Renda a Pagar Esta linha será preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ e indicará a soma dos valores constantes das Linhas 13/17 e 13/18.” 35. Entretanto, a defendente não apurou imposto a pagar e sim saldo negativo da ordem de R$ 10.072,02, portanto, não faria sentido preencher a linha 19 que representa a totalização do imposto a ser pago. Nesse sentido, não se sustenta a alegação da defendente de que o Programa Gerador da DIPJ operou em erro. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 9 36. Cabe ressaltar que, como visto, o reconhecimento apenas de parte do direito creditório não foi motivado pelo fato de a linha 19 da Ficha 13 da DIPJ do AC 98 estar zerada nas declarações original e retificadoras apresentadas. Tanto é assim que, independentemente disto, a autoridade competente da DRF apreciou como saldo credor de IRPJ o valor pleiteado de R$ 10.072,02 indicado na linha 17 tanto da DIPJ original como da 2ª retificadora. 37. Nesse contexto, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade e a documentação que a instrui não permite o reconhecimento de direito creditório superior àquele já admitido pela autoridade da DRF. (...) Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls.125 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, concluiu e requer: (...) Não se pretende defender a inutilidade de tais declarações, instrumento necessário para o auxilio da fiscalização, mas unicamente assegurar a sua condição de instrumento (meio), não se confundindo com seu fim (compensação), cujo direito nasce não do requerimento, mas do surgimento do crédito. Dessa forma, demonstrada a existência do crédito a compensar (alvo de questionamento pela Receita Federal) e considerandose a incontroversa regularidade do procedimento compensatório adotado pela Impugnante, extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II do Código Tributário Nacional, não havendo diferenças a recolher. "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; (...)" (destacamos) Assim que o Despacho Decisório lavrado contra a Radiologia Médio Vale, fundase em crédito devidamente adimplido via compensação. Estes os argumentos que demonstram o direito creditório pleiteado e demonstrado desde a entrega das declarações de compensação objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecidas e homologadas as compensações procedidas pela Impugnante, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. 4 — PEDIDO Pelo exposto, requerse o provimento do Recurso Voluntário para reformar integralmente o Despacho Decisório, em decorrência da existência de direito da Impugnante ao crédito indevidamente glosado, decorrente de mero erro de preenchimento da DIPJ e DCOMP correspondente, deferindose o processamento da retificação daquelas declarações nos termos acima indicados, bem como das fichas de recolhimento por estimativa conforme modelos anexos É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o reconhecimento de direito creditório referente a Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (SNRIRPJ), anocalendário de 1998. Do crédito pretendido (R$ 10.072,02), foi reconhecido o valor de R$ 3.082,10. Segundo o Despacho Decisório da DRF, a diferença entre as antecipações (estimativa + IRRF) e o imposto apurado como devido não alcança o pretendido pela contribuinte, tendo em vista que o montante retido na fonte é inferior àquele constante na ficha 13 da DIPJ. Na DIPJ foi informado IRRF de R$ 18.145,28, mas “o imposto comprovadamente retido foi da ordem de R$ 11.155,36”. Desde a manifestação de inconformidade, a recorrente questiona a validade do Despacho Decisório, alegando “imprecisão e inexatidão dos fatos que motivaram a exigência, decorrentes da deficiência e precariedade do documento, o que cerceia o direito de ampla defesa da Impugnante”. Essa preliminar foi rejeitada na decisão recorrida pelos seguintes fundamentos: 10. Observese que não se equiparam auto de infração e despacho decisório, pois enquanto o primeiro formaliza exigência, constituindo o crédito tributário, por iniciativa do sujeito ativo, o segundo apenas reflete apreciação de compensação declarada por iniciativa do sujeito passivo, abrangendo débitos informados e constituídos pelo próprio contribuinte, os quais já podem ter sido confessados em DCTF ou que estão confessados na própria declaração de compensação, dado o seu caráter de confissão a partir de 31/10/2003 com a Medida Provisória nº 135, publicada em 31/10/2003, e convertida na Lei nº 10.833/2003. 11. Mas, apesar de o Despacho Decisório não ter iguais elementos e finalidade de Auto de Infração, nele deve estar expressa a descrição de seu objeto e a fundamentação da decisão nele contida, até mesmo para não se caracterizar hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, dentre as quais “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. 12. Todavia, o Despacho Decisório é claro ao expor: Fl. 182DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 11 12.1 o objeto de análise: direito creditório pleiteado no valor de R$ 10.072,02, referente a saldo negativo apurado em 31/12/1998 (portanto anocalendário de 1998, exercício de 1999), e compensações declaradas com tal crédito; 12.2 os motivos do reconhecimento apenas parcial de tal crédito (comprovação de retenção na fonte da “ordem de R$ 11.155,36 e não daquela informada na DIPJ, resultando na redução do saldo negativo a ser reconhecido para R$ 3.082,10”... 12.3 as compensações homologadas em função do crédito reconhecido e de disposição legal. 13. Observese que o crédito pretendido, no valor de R$ 10.072,02, como saldo negativo do exercício 1999 (portanto, anocalendário 1998) é indicado pela própria contribuinte em sua Declaração de Compensação e corresponde ao valor negativo indicado a título de IRPJ (saldo credor) no ajuste anual (Ficha 13) da declaração do anocalendário de 1998, à fl. 50. 14. Assim, injustificável a alegação de que o despacho decisório seria inexato e impreciso, não se cogitando de cerceamento do direito de defesa, pois, como visto, o despacho decisório explicita seu objeto (em consonância com o que pretendido), sua fundamentação e conclusão, e dele a interessada foi cientificada e recebeu cópia, sendolhe concedido prazo regulamentar para apresentar sua manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, a contribuinte simplesmente repisa o argumento, porém, nada acrescenta em suas alegações, muito menos, refuta os fundamentos acima transcritos que, a meu ver, são irretocáveis. Rejeito, pois, a preliminar. Mérito O contribuinte reitera a alegação de erro na apuração do IRPJ devido e no preenchimento da DIPJ/99 (anocalendário 1998). Ocorre que tais erros deveriam ter sido verificados e corrigidos antes do transcurso do prazo decadencial. A contribuinte apresentou 2 (duas) DIPJ retificadoras dentro do prazo de 5 anos, contados do fato gerador, que segundo alega estariam também incorretas. Tal qual alegado pelo recorrente, é pacífico neste Conselho o entendimento que é admissível a retificação de erro material no preenchimento de declarações alegados em recursos administrativos, desde que comprovados. Porém, não é essa a situação dos autos: a contribuinte pretende incluir um elemento novo apuração do SNRIRPJ do anocalendário de 1998, que alega se tratar do SNRIRPJ de períodos anteriores (1997), o qual não foi provado no autos do processo. Isso ficou patente nos fundamentos da decisão recorrida, verbis: 16. Do que exposto pela interessada, depreendese que: 16.1 teria apurado no AC 97 (exercício 98) saldo negativo de IRPJ de R$ 12.852,18, do qual teria remanescido para uso ao do anocalendário 1998 (exercício 1999) a parcela de R$ 8.798,62; Fl. 183DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 12 16.2 no AC 98 teria apurado R$ 10.505,79 de IRPJ, do qual foi abatida estimativa de R$ 2.432,53 e IRRF de R$ 9.346,66, redundando em saldo de IRPJ negativo de R$ 1.273,40 (= R$ 10.505,79 – R$ 2.432,53 – R$ 9.346,66), como indicado na 1ª DIPJ retificadora reproduzida na manifestação de inconformidade, e tal valor de R$ 1.273,40, adicionado ao alegado saldo negativo remanescente do AC 97 de R$ 8.798,62, resultaria no valor pleiteado de R$ 10.072,02 (= R$1.273,40 + R$ 8.798,62); 16.3 na DIPJ original e na 2ª retificadora teria indicado indevidamente a título de IRRF o valor de R$ 18.145,28, que seria a soma do IRRF que alega correto de R$ 9.346,66 mais o valor que corresponderia ao saldo negativo remanescente do AC 1997, de R$ 8.798,62, ou seja: R$ 18.145,28 = R$ 9.346,66 + R$ 8.798,62. 17. Em resumo, depreendese que a pretensão da interessada seria aquela abaixo discriminada em comparação com a DIPJ e com o que foi admitido no Despacho Decisório: DIPJ – AC 98 Ficha 13 DIPJ Desp. Dec. Manifestação DISCRIMINAÇÃO VALOR VALOR VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À alíquota de 15% 10.505,79 10.505,79 10.505,79 (...) DEDUÇÕES (...) 13. ( ) Imposto de Renda retido na Fonte 18.145,28 11.155,36 9.346,66 (...) 16. ( ) Imposto de renda Mensal por Estimativa 2.432,53 2.432,53 2.432,53 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 3.082,10 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 0,00 0,00 19. TOTAL DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 3.082,10 1.273,40 20. ( ) Pagamentos 0,00 0,00 0,00 COMPENSAÇÕES 21. ( ) Pagamentos Indevidos ou a Maior 0,00 0,00 0,00 22. ( ) Saldo Negativo de Períodos Anteriores 0,00 0,00 8.798,62 23. ( ) Outras 0,00 0,00 0,00 (...) 26. SALDO DE IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 10.072,02 3.082,10 10.072,02 (...) 18. Ocorre que a formação do saldo credor objeto do pedido, com crédito proveniente de saldo negativo de períodos anteriores (AC 1997), não foi noticiada na Declaração de Compensação e nem na DIPJ do AC 98 (quer na original quer nas retificadoras). Fl. 184DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 13 19. Observese que na Declaração de Compensação (fls. 03 e 04 dos autos) são indicados: a título de “IRPJ retido na fonte”, valores de R$ 8.485,10 mais R$ 861,56, perfazendo a soma de R$ 9.346,66; e a título de pagamento de estimativa de 1998, o valor de R$ 2.432,53, como alegado para as linhas 13 e 16 da Ficha 13 da DIPJ do AC 98 , nada tendo sido mencionado acerca de valor a título de saldo credor de 1997. 20. E, ainda, que, como admite a própria interessada, foi ela intimada, por duas vezes, para esclarecer as “diferenças entre o crédito informado na DIPJ 1999 (ano calendário 1998) e aquele declarado na DCOMP nº 18920.62665.220703.1.3.02 5363”, afirmando ter procedido a retificações, mas a 1ª retificação da DIPJ do AC 98, entregue em 10/10/2006, fora revertida por uma 2ª retificação da mesma declaração, em 01/11/2007, em que nada foi informado no sentido de que o saldo credor pleiteado era formado também por crédito de períodos anteriores. 21. Por outro lado, na Ficha 08 DIPJ do AC 97 (pesquisa juntada às fls. 112/114) verificase que foi declarado no ajuste final saldo negativo de IRPJ de R$ 19,19 e não de R$ 8.798,62 como alegado na manifestação de inconformidade. Desse modo, nem mesmo se confirma a alegação de que existiria saldo credor de ano anterior (AC 97) a ser utilizado na formação do saldo credor do AC 98. 22. Por oportuno, cabe realçar que a interessada instrui sua defesa com cópias de razão contábil do período de janeiro/97 (fls. 101) e dezembro/97 (fls. 102) de onde se depreende que o valor de R$ 8.798,62 corresponderia a saldo de “IRF a compensar”. Por sua vez, na cópia de balancete mensal de jan/98 (fls. 96) e dez/98 (fls. 97) são indicados como saldo inicial e saldo final da conta “IRF a compensar”, os valores respectivamente de R$ 8.798,62 e R$ 18.145,28. Também da cópia do Razão Contábil de jan/98 (fls. 99) e dez/98 (fls. 100), vêse que são indicados, para a conta “IRF a compensar” saldo inicial de R$ 8.798,62, que no mês 10/98 apresenta saldo de R$ 18.145,28 do qual é utilizada em 10/98 a parcela de R$ 8.073,26 (fls. 100) remanescendo saldo de R$ 10.072,02. 23. Assim, a DIPJ do AC de 1997 não aponta apuração de saldo credor alegado de R$ 8.798,62 para ser utilizado na DIPJ do AC 98 e elementos da escrituração, ainda que confirmados, indicam que, na verdade, o referido valor de R$ 8.798,62 corresponderia a IRRF do AC 97 e não ao saldo negativo de imposto apurado ao final do período. 24. Nesse ponto, cabível consignar que as antecipações (como estimativas ou IRRF), por si sós, não são passíveis de restituição/compensação após encerramento do período, mas apenas o saldo credor apurado ao final do período. 25. Com efeito, ampliando o raciocínio até aqui sustentado, cabe ressaltar que a própria contribuinte admitiu em sua manifestação de inconformidade ter apurado no anocalendário de 1998, saldo negativo (Ficha 13, Linha 19) da ordem de R$ 1.273,40, sendo que a compensação de eventual saldo negativo de anos anteriores Fl. 185DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 14 limitarseia ao total do imposto a pagar, ou seja, valor positivo na linha 19 da Ficha13, caso houvesse, como estabelece o Majur /1999: (...) 26. Na verdade, depreendese da manifestação apresentada, que a pretensão da interessada é promover correções que têm por objetivo destacar saldo credor de período anterior (AC 97) o qual teria sido somado ao saldo negativo do AC informado (98). Mas, ainda que permaneça inalterado o valor pleiteado, a alteração (retificação) de sua composição, agora para incluir eventual saldo negativo do anocalendário de 1997, configurase um novo pedido de reconhecimento de indébito, ensejando, inclusive, respeitados os limites temporais pertinentes, a retificação da DIPJ/1998 (AC 1997). 27. Entretanto, a DRF de origem reconheceu parte do indébito, em função da comprovação de apenas uma parcela do IRRF declarado. Agora, em sede de Manifestação de Inconformidade, após a ciência do Despacho Decisório a interessada manifestase acerca de eventual crédito do anocalendário de 1997. 28. Contudo, tal crédito, reiterese, sequer se confirma como saldo negativo apurado ao final daquele anocalendário, mas seria o imposto retido na fonte no ano de 1997, que, como visto, por si só, não é compensável nem restituível, mas poderia vir a compor eventual saldo negativo, este sim, passível de utilização em compensação ou restituição. 29. Entretanto, o suposto valor do saldo negativo do anocalendário de 1997, por não haver sido apurado na DIPJ/1998 (AC 1997) e nem integrado a declaração de compensação inicialmente ofertada nestes autos, tratase de uma inovação, a qual exigiria a formalização de outra declaração de compensação, distinta da que ora se analisa, além de dever ser apresentada dentro do prazo prescricional, sendo certo ainda que, por falta de competência originária a esta instância de julgamento, necessitaria antes da apreciação da DRF. (Grifei) Portanto, além de o alegado erro material não ter sido comprovado nos autos, a pretensão da contribuinte é alterar o credito originalmente apontado na DCOMP (SNRIRPJ de 1998 por alegado SNRIRPJ 1997). Verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP, tal qual reconhecido em julgamentos anteriores desse colegiado, pois, o crédito originalmente apontado inexiste. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) Fl. 186DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10860.900323/200622 Acórdão n.º 140200.689 S1C4T2 Fl. 0 15 § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito remanescente seja compensado com outros créditos. Esse procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Quanto as demais questões, entendo que os fundamentos do despacho decisório da DRF de origem e da decisão de 1a. instância igualmente não merece reparos. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 187DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 19515.001839/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício averbado, implica na sua imediata adoção, quando do juízo de admissibilidade, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante verbete da Súmula CARF nº 103, ainda que ocasionada por retorno de diligência.
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3401-004.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF n. 103.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício averbado, implica na sua imediata adoção, quando do juízo de admissibilidade, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante verbete da Súmula CARF nº 103, ainda que ocasionada por retorno de diligência. Recurso de ofício não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF n. 103. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 39 /2 00 4- 25Fl. 707DF CARF MF 2 convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de lançamento para exigência de diferenças de PIS/Pasep e Cofins verificadas no período 1998/2003. Em impugnação o contribuinte sustentou decadência do período anterior a junho/1999, por força do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; que não houve prova da infração, limitandose a informar o autuante a verificação de recolhimentos a menor; que receitas de terceiros não devem compor o faturamento; que é inconstitucional a inclusão de ICMS na base de cálculo das contribuições; que a ampliação do conceito de faturamento, promovido pela Lei nº 9.718/98, é inconstitucional; que a Lei nº 10.147/2000 estabeleceu a incidência monofásica sobre determinados medicamentos; que a multa de ofício possui efeito confiscatório; e, que a cobrança de juros de mora à taxa selic é inconstitucional. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou o lançamento insubsistente, por vício formal, ante a ausência de elementos de prova da prática do ilícito tributário assinalado. Desse julgado houve interposição de recurso de ofício. Devidamente intimado, o contribuinte não se manifestou. Na sessão de 04/02/2009, através da Resolução nº 20400.687, a 4ª Câmara/2º Conselho de Contribuintes, por entender ausente o prejuízo à defesa e tendo em conta os princípios da economia processual e eficiência, converteu o julgamento em diligência para colação dos documentos que respaldariam o lançamento. Devidamente intimado a apresentar a documentação referente ao período 1998/2003, em junho/2015, o sujeito passivo alegou não mais possuir os livros e demais documentos exigidos, e face ao transcurso de mais de uma década, referenciando o disposto no art. 195, parágrafo único, do CTN. As autoridades diligenciantes anexaram extratos da DIPJ, demonstrativo de apuração dos tributos e relatório de diligência fiscal. Cientificado do relatório o contribuinte reprisou a manifestação acerca da ausência da documentação contábil e fiscal e aduziu que nada de novo foi trazido aos autos, requerendo a manutenção da decisão que declarou a nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos (efls. 62 e 262), nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado não atinge o limite de alçada Fl. 708DF CARF MF Processo nº 19515.001839/200425 Acórdão n.º 3401004.428 S3C4T1 Fl. 11 3 estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Como antecipado, nada obstante a superveniência do aludido ato administrativo em relação à decisão que averbou o recurso de ofício e ainda à resolução que converteu o julgamento em diligência, para fins de conhecimento do reexame, o valor de alçada aplicável é aquele vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, ex vi da Súmula CARF nº 103. Outrossim, o fato de existir manifestação anterior desse sodalício, mediante prolação de resolução, não modifica a circunstância que, na presente assentada, houve novo reexame da remessa necessária, devendo o limite de alçada ser aferido novamente de acordo com a regra ora vigente. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, o que implica a manutenção da decisão administrativa de primeiro grau. Robson José Bayerl Fl. 709DF CARF MF
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