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Numero do processo: 11610.003222/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
0MISSÃO DE RENDIMENTOS
Rendimentos recebidos de pessoa jurídica por dependente. Responsabilidade pela declaração de rendimentos recebidos pelo dependente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.814
Decisão: ACORDÃO o membros do Colegiado, por unanimidade dc votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998 0MISSÃO DE RENDIMENTOS Rendimentos recebidos de pessoa jurídica por dependente. Responsabilidade pela declaração de rendimentos recebidos pelo dependente. Recurso Voluntário Negado.
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Responsabilidade pel a declaração dc rendimentos recebidos pelo dependente Recurso VOlunidrio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes au tos.. ACORDÀO o membros do Colegi ado, por unanimidade dc votos, em NEGAR p1 ovimento ao reeurso, nos termos do voto 1-*, ator. Caro Marcos Candid() -Pyesidente EDITADO EM: 10/02/2011 Participaram da sessão de .julgamento os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, Caio Marcos Candi do Gonçalo Bonet Adage, Jose Raimundo 'l'osta Santos e Wink: Fernandes Re la t rio hata-se dc Recurso Vol unthio da decisão da 4' Turma de fulgamento da DRJ de Brasilia-DF que manteve em parte da exigência do WIT do exercício de [998, ano calendatio 1997, deconente da omissão de rend ililefitOS, do (a) próprio contribuinte, no valor de R$ 1 000,00; (b) da dependente, Leila Renata Andrade Santos Abraates CPF 030.645628- 19, a saber: Playeenter. R$ 8.385,72; Cromo Cart Artes Chmificas Ltda, R$ 318,88; Fundaydo Padre Anchreta R$ 14.641,86 e (.1 Produções Artisticas Ltda, R$ 4 473,00; (c) omissão de rendimentos de al uguéis ou royalties recebidos de pessoa juddica pela dependente Leila Renata de Andrade Santos Abrantes, junto a Fundação Padre Anchicta, no valor de R.$ 2 894,94 .A decisão recorrida reduziu a exigência i n reconhecer que parte dos rendimentos ornitidos em sua declaração foram comprovados e submetidas a tributação na Deciaração de Ajuste de sua .filha menor 'Leila .R.enata Andrade Santos .Abrantes. Parte da exigência foi mantida - por -talta de comprovação do oferecimento i tributação na sua ou na declaração da filha menor. Nas razões de recurso sustenta que não recebeu os rendimentos objeto da autuação, que forum auferidos e declarados por sua filha Cinthya Rachel de Andrade Santos A.brantes, Mellor A. 'beneliciaria dos rendimentos for sua filha e seu cônjuge Leila Renata de Andrade Santos Abrantes.. A contratação foi feita cm seu nome em razdo da filha menor. -For oferecid.o na Declaração de Ajuste Anual de sua Olha, o valor de R$ sendo que os rendirnentos considerados omitidos totalizam 32.984,40, existindo apenas a diferença de R$ 2,838,44, decorrente de lapso na declaração dc rendimentos,.. Sustente também que a limita de apresentação dos comprovantes e contratos deveu-se ao fato de não ou não existirem por contingência da atividade, terem sido extraviados ou pelo tato de não residir com a cônjuge, face a sua separação judicial em 2001. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve se conhecido. A principal. fonte da ornissao de rendimentos decorre da receita recebida pot decorrência do trabalho artístico de sua filha menor Cintliya Rachel de Andrade Santos Abrantes, Embora o Recorrente tenha demonstrado exercer a atividade de engenheito junto ao M.elifi-SP, ficou incontroverso nos autos que cram suas dependentes o cônjuge Leila Renata dc Andrade Santos Abrantes e a filha do casal Cinthya Rachel de Andrade Santos Abrantes.. Os documentos juntados aos autos pelo Recorrente, por ocasido do recurso, -mencionam o C.PF de sua titularidmidc c assim os rendimentos, obtidos FloS informes das fontes 2 Ante o exposto, conheço - nego provimento ao recurso para manter a. decisao I ecorrida e a autuactlio. iiulndcs Process° n" I I 6 I 0 003222/2001 - [ 0 S2-C1T1 Ac6N;I:io ri 2101-00.814 1H . 2 pelas pagadoras na Dirfs tornam ineontestaveis sua responsabilidade pela declaraçao dos rendimentos recebidos pot . sua li I ha, na sua declaraçao ou da menor.. A. deeisao recorrida, ao analisar a declaraçao de sua Id ha (fls. 3 2 a 34), constatou o (irerceimento a tributaçao de parte dos rendimentos "omitidos" em sua declaraçao, com exelusao dessa parte da exigencia Contudo, nil° excluiu as demais exigências por Ira) existir qualquer prova de que os mesmos corre,spon.da.m aos valores (la:fart-1(1os pela -filha menor, ficando assim a lide recursal limitada aos valores que nulo foram contestados. -Elubora Letitia apresentado alguns documentos nesta rase recall sal, nulo logrou o contribuinte-recorrente demonstrar que os valores seriam objelos dos montantes declarados pela -filha Cinthya...Nao existe indicaçao da fonte e menos ainda. coincidência das importírncias, o que impede qualquer reconheeimento do inconformismo reeursal.
score : 1.0
Numero do processo: 36216.002428/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS
De conformidade com os preceitos contidos no no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa deve contribuir com 15%sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Somente poderão ser deduzidas,
as despesas previstas na legislação pertinente.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em
inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS De conformidade com os preceitos contidos no no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa deve contribuir com 15%sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Somente poderão ser deduzidas, as despesas previstas na legislação pertinente. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado
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COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS De conformidade com os preceitos contidos no no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa deve contribuir com 15%sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Somente poderão ser deduzidas, as despesas previstas na legislação pertinente. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.081 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.903.6449 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 56/59, referese à contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondentes a contribuições da empresa sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme o disposto no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações posteriores. As contribuições devidas foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP da referida empresa. Segundo o relatório fiscal, o presente débito referese ao período de 12/2000 a 04/2005, constituindo fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, o pagamento dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho – COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE AGRONOMIA LTDA – UNICAMPO, CNPJ nº 72.042.799/000190. Serviu de base para a emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD os registros contábeis apresentados via meio magnético. Informa o citado relatório fiscal que a empresa apresentou arquivos de notas fiscais de serviços, alegando que se tratavam de pagamentos referentes a serviços de cooperados, reconhecendo a obrigatoriedade do recolhimento de 15% e pagamentos de reembolso de despesas, não reconhecendo a obrigatoriedade do recolhimento de 15%. Foram levantados como fatos geradores os valores dos recibos de prestação de serviços denominados reembolsos. Informa, ainda, o referido relatório, que foram excluídos os valores referentes a reembolso de locações, já que a legislação faz somente esta previsão de dedução, além de custo de alimentação e fornecimento de valetransporte, conforme o disposto no art. 161 da IN 100/2004. Tempestivamente, a empresa contratante apresentou sua defesa, requerendo a dilação do prazo para apresentação de documentos e, eventual aditamento de defesa, trazendo dentre outras, as alegações de que não pode concordar a notificada com a referida autuação, vez que o d. agente fiscal parte de premissa que não se sustenta, como se os valores por ele identificados, creditados à cooperativa, não se tratam de pagamento de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Por último argüiu a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC e concluiu requerendo seja declarada insubsistente a Notificação Fiscal de lançamento de Débito –NFLD, desconstituindose o crédito tributário apurado. A Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo, por meio da DecisãoNotificação nº 21.434.4/0035/2006, julgou procedente o lançamento, cuja decisão trouxe a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 INCONSTITUCIONALIDAE DAS NORMAS APLICADAS. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INDEFERIMENTO. Quando não documentalmente comprovadas, as despesas para a execução de serviços feitos por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho não podem ser deduzidas do valor da base de cálculo das contribuições previstas no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8212/91, como assim dispõem as normas que regem a matéria. A sujeição das contribuições previdenciárias incluídas em notificação fiscal de lançamento à multa de mora e aos juros equivalentes à taxa SELIC encontramse previstas em legislação própria, cabendo à autoridade administrativa fazer cumprir o que nela está determinado face ao caráter obrigatório e vinculante da atividade de lançamento. É de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal –STF, processar e julgar, originariamente, ação de inconstitucionalidade de lei ou ato federal ou estadual, conforme expresso no art. 102, I, “a” da Constituição Federal. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, a menos que demonstre, com fundamentos, uma das condições previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Intimado da decisão e com ela não se conformando, o interessado ingressou com recurso a este Conselho, reproduzindo os argumentos aduzidos em sua impugnação, requereu a reforma da decisão. Insiste na tese de que os valores que serviram de base para o lançamento são, em verdade, reembolso de despesas, não havendo assim que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre tais importes. (os grifos são do original). Ressaltou que para que a recorrente tenha meios de defesa e demonstre o equívoco cometido na autuação, mister se faz a juntada dos documentos aos autos neste momento processual, vez que, inviabilizado na oportunidade da apresentação da defesa. Ressaltou, ainda, que não se está falando em valor correspondente a serviços prestados, nem de material ou equipamentos, para a exclusão da base de cálculo de contribuição. O caso trata de tributação sobre “reembolso de despesas” despesas estas, efetuadas pelos cooperados, devidamente comprovadas à recorrente, pela cooperativa e devidamente reembolsada, conforme determinação contratual. Entende cabível a aplicação por analogia , do § 9º do art. 28 da Lei nº 8212/91. Alegou, ainda, que mesmo que a lei não excluísse da base de cálculo, após a Emenda Constitucional nº 20/98, valores que não sejam provenientes de rendimentos do trabalho, sejam eles do trabalho assalariado ou não, eventual cobrança sobre valores, como no caso, relacionados a reembolso de despesas, seriam inconstitucionais, mas acredita a recorrente não ser necessário chegar a este nível de discussão para solucionar o equívoco cometido pelo fiscal e corroborado pela Auditora Fiscal. Voltou a insurgir conta a taxa SELIC argüindo sua inconstitucionalidade e concluiu que tendo em vista as diversas razões expostas, deve ser reformada a decisão proferida, declarando a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito totalmente insubsistente, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.082 5 cancelandose o lançamento de débito objeto da NFLD nº 35.903.6449. Juntou aos autos os documentos de fls. 117/3026. Foi efetuado o depósito recursal, nos termos da legislação em vigor, fls. 113. A Secretaria da Receita Previdenciária ofereceu contrarazões, em que alegou que os argumentos ora apresentados já foram devidamente apreciados quando da emissão da Decisão recorrida. Estes autos foram objeto de julgamento pela 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, que por meio da Decisão nº 13/2007, o Julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade lançadora proceda à análise dos documentos apresentados em sede recursal, informando se assiste razão ou não a insurreição do contribuinte, se os documentos mencionados às fls. 117/3026 afetam o lançamento de alguma forma. Após o que, em prestígio ao contraditório e a ampla defesa, dêse ao contribuinte o prazo de 10 dias para, caso queira, se manifestar sobre o resultado da diligência ora requerida. Em cumprimento ao solicitado, conforme se verifica da informação de fls. 3035, a autoridade lançadora informa que foram excluídos do levantamento apenas os valores referentes a reembolso de locações, já que a legislação faz somente esta previsão de dedução, além de custo de alimentação e fornecimento de valetransporte. Argumentou que a legislação é clara quanto às parcelas dedutíveis da base de cálculo, ou seja, custo de alimentação, vale transporte, material ou utilização de equipamentos. Informa que a fiscalização já efetuou as devidas deduções com reembolso de locação. Portanto, não assiste razão a insurreição do contribuinte, ou seja, os documentos apresentados não afetam o lançamento. Intimada a Recorrente manifestouse, no sentido de que Verificase ainda, nas "Notas de Débito" de reembolsos, nas quais consta expressamente descrito que o valor pago e nelas indicado tratase efetivamente de reembolso de despesas, de modo que não pode o nobre agente fiscal em sua análise, fls. 3038/3039, simplesmente desconsiderar o que se exprimiu em tais documentos para manter o lançamento combatido, assim como o nobre julgador não poderá fazêlo. Ressaltou que, a intenção da juntada dos referidos documentos, devidamente acompanhados dos comprovantes dos reembolsos efetuados, era de efetivamente demonstrar que os reembolsos possuem lastro e que definitivamente não podem ser considerados como remuneração de cooperados, não incidindo sobre estes, portanto a contribuição previdenciária. Nesse sentido, há que se destacar que, se há documentos que comprovam as alegações da ora peticionária e se, em nenhum momento a nobre Autoridade Fiscal manifestou se o sentido de considerar tais documentos falsos ou fraudulentos, o que ensejaria o entendimento de que a ora peticionária em conluio com a cooperativa forjaram documentos com intuito de fraudar o INSS, estes não podem simplesmente ser desconsiderados. Assim, restando comprovado que, atendida previsão legal que exclui tais valores da base de cálculo da contribuição, bem como que este reembolso foi expressamente previsto pelas partes contratantes, conforme restou comprovado pelos contratos juntados, atendida assim a outra condição para sua exclusão, concluise que não há que se falar em débito, vez que sobre os valores decorrentes da efetiva remuneração dos cooperados, a contribuição previdenciária foi devidamente paga. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Concluiu alegando que não resta base legal para tributação equivocadamente indicada pelo d. agente fiscal, deve ser reformada a decisão da Ilma. Autoridade Fiscal que julgou a questão, e não merece prosperar também a conclusão resultante da diligência e análise dos documentos efetuada, por não haver acrescentado qualquer fator pendente de apreciação ou distinto das informações até o presente momento debatidas. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.083 7 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressuposto de admissibilidade, porquanto o recurso é tempestivo e devidamente preparado com o depósito recursal obrigatório, nos termos da legislação em vigor. Razão porque, merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.903.6449 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 56/59, referese à contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondentes a contribuições da empresa sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme o disposto no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações posteriores. As contribuições devidas foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP da referida empresa. A Lei nº 9.876/1999, acrescentando ao art. 22 da Lei nº 8212/91 o inciso IV, veio a promover uma substituição tributária estribada no art. 128 do Código Tributário Nacional CTN, onde o contratante passou a ser responsável pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados cooperados em substituição à cooperativa. ( in verbis) Art. 22 ......... (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Coube ao Regulamento da Previdência Social estabelecer as regras quanto aos valores que integrariam a base de cálculo da contribuição previdenciária, atribuindo, inclusive, ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS a prerrogativa de normatizar o assunto. Assim é que a IN/INSS/DC, o faz nos seguintes termos: Art. 161 – Poderá ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços que correspondam: I – ao custo de alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme Lei nº 6.321/1976; II – ao fornecimento de valetransporte de conformidade com a legislação própria. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Parágrafo único. A fiscalização poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste artigo. No presente caso, a controvérsia cingese, não no sentido de ser ou não devida as contribuições sobre os valores relativos à prestação de serviços propriamente dita, mas sobre os valores que a empresa denominou “reembolso de despesas” e que a fiscalização considerou como retribuição à prestação dos serviços, fundamentandose na legislação previdenciária que identifica quais ar verbas são passíveis de reembolso e em que condições o seriam. Por essa razão, em face dos documentos apresentados pela recorrente, de acordo com a decisão nº 013/2007, da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, quando do julgamento do presente processo, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora procedesse à análise dos documentos apresentados em sede recursal, informando se assiste razão ou não a insurreição do contribuinte, se os documentos mencionados às fls. 117/3026 afetam o lançamento de alguma forma. Em resposta informa a autoridade lançadora que foram excluídos do levantamento apenas os valores referentes a reembolso de locações, já que a legislação faz somente esta previsão de dedução, além de custo de alimentação e fornecimento de vale transporte, conforme disposições contidas na IN 100, (que transcreve) É sabido que na prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo o fornecimento de material ou a utilização de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto equipamentos manuais, fica facultado á cooperativa de trabalho discriminar na nota fiscal ou na fatura emitida para a empresa contratante, o valor correspondente a material ou a equipamentos, que será excluído da base de cálculo da contribuição, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso, observado o disposto no art. 161;" É certo que os cooperados de cooperativas de trabalho são considerados contribuintes individuais e a legislação já faz a previsão de uma contribuição menor, ou seja, 15% e não 20% como normalmente se fazem para os contribuintes em geral, prevendo gastos diversos da própria administração das cooperativas. Contudo, a legislação é clara quanto às parcelas dedutiveis da base de cálculo, ou seja, custo de alimentação, vale transporte, material ou a utilização de equipamentos exceto equipamentos manuais e, pelo que se verifica dos autos, a fiscalização já efetuou as devidas deduções com reembolsos de locação. Em que pese a alegação da Recorrente de que em nenhum momento a nobre Autoridade Fiscal manifestouse o sentido de considerar tais documentos falsos ou fraudulentos, o que ensejaria o entendimento de que a ora peticionária em conluio com a cooperativa forjaram documentos com intuito de fraudar o INSS, estes não podem simplesmente ser desconsiderados. Vale esclarecer que esta não é a questão, somente aquilo que a empresa chama de reembolso, não atende às exigências previstas na legislação previdenciária, como parcelas dedutíveis e por essa razão foram considerados como pagamento aos cooperados. Portanto, não se assiste razão a insurreição do contribuinte, ou seja, os documentos apresentados não afetam o lançamento. A fiscalização, portanto, manteve o débito em sua integra. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.084 9 Insurgese a contribuinte contra a aplicação da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, tal entendimento, todavia, não tem o condão de macular a exigência em questão, porquanto, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e em que pese a argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de sua aplicação, insta convir que tal argumento não pode ser acolhido, isto porque sua exigência se assentou em norma legal em pleno vigor. Nesse sentido, impõe salientar que o escopo do processo administrativo fiscal, é tãosomente verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência e não a verificação da legalidade das normas frente à constituição. Ademais, de conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência Por todo o exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001145/2004-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
NULIDADE.
É nulo o auto de infração quanto ao ilícito que não houver sido
suficientemente fundamentado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
REGIME DE COMPETÊNCIA.
Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem.
Numero da decisão: 1201-000.348
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa relativa à glosa de despesas de variação cambial e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael
Correia Fuso e Régis Magalhães Soares de Queiroz (Relator) que DAVAM provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 NULIDADE. É nulo o auto de infração quanto ao ilícito que não houver sido suficientemente fundamentado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999 REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem.
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É nulo o auto de infração quanto ao ilícito que não houver sido suficientemente fundamentado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa relativa à glosa de despesas de variação cambial e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Correia Fuso e Régis Magalhães Soares de Queiroz (Relator) que DAVAM provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Redator designado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) e Eduardo Martins Neiva Monteiro (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de lançamento decorrente da glosa de despesa relativa a variação cambial passiva de contrato de venda de ações de empresa controlada e glosa da dedutibilidade da despesa de juros sobre capital próprio referentes à exercícios anteriores (1997 e 1998). O termo de verificação fiscal de fls. 93 está assim redigido: “Exercício de 2000 ano calendário 1999 I OS FATOS 1 DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA Glosa de variação cambial passiva decorrente de contrato de venda de ações de empresa controlada CIA AGRÍCOLA SONORA ESTÂNCIA CNPJ 47.902.283/000120, ao comprador Sr. Francisco Giobbi, CPF 667.249.70806, brasileiro, residente no Estado de São Paulo Capital, conforme contrato firmado em 18 de dezembro de 1997. VALOR TRIBUTÁVEL R$ 6.490.944,25 2 EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do Imposto de Renda decorrente da remuneração de juros sobre capital próprio, referentes à exercícios anteriores (1997 e 1998), que ora glosamos, por se tratar de despesa, cuja dedutibilidade encontrase condicionada a cada exercício,e nas condições estabelecidas em Lei. VALOR TRIBUTÁVEL R$ 7.001.422,18. II INFRINGÊNCIAS No subitem I.1 o contribuinte infringiu aos Arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 do RIR/99,combinado com o art. 1° do DecretoLei 857, de 11 de setembro de 1969. No subitem I.2 o contribuinte infringiu ao Art. 250, inciso I, do RIR/99”. O relatório elaborado na Delegacia da Receita Federal de Julgamento está assim lavrado: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 3 3 “Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada o IRPJ e CSLL , sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999, nos valores abaixo discriminados, acrescidos de multa e juros de mora. TRIBUTO MONTANTE (R$) IRPJ 2.861.253,85 CSLL 621.751,41 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 96 a 105 e o consignado no Termo de Constatação Fiscal (fl. 93 a 94) as autuações decorreram de: DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. Glosa de variação cambial passiva decorrente de contrato de venda de ações de empresa controlada CIA AGRÍCOLA SONORA ESTÂNCIA CNPJ 47.902.283/00120 ao comprador Sr. Francisco Giobbi, CPF 667.249.70806, conforme contrato firmado em 18/12/97. EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real em virtude da exclusão, não autorizada da remuneração dos juros sobre capital próprio referentes à exercícios anteriores (1997 e 1988), por se tratar de despesa cuja dedutibilidade encontrase condicionada a cada exercício e nas condições estabelecidas em lei.” A DRJ negou provimento à impugnação para manter o lançamento em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário. 1999 Ementa NULIDADE Rejeitase a preliminar de nulidade se a fiscalização agiu em perfeita consonância com o artigo 142 do CTN, e ainda com as normas contidas no Decreto 70.235/72. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. Não é válida a contabilização de variações cambiais passivas em 1999 relativos a valores a receber em 2000. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 4 4 BIS IN IDEM. Não foi constatada a existência, posto que, tal instituto ocorre somente quando o mesmo fato gerador é tributado duas ou mais vezes na mesma pessoa jurídica, fato que não ocorreu. EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. ADICIONAL DE 4% DA CSLL. Tendo em vista a correta aplicação do adicional de CSLL, mantémse a aplicação do adicional na forma como consta da autuação. DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Face a inexistência de prejuízos fiscais anteriores, indeferese a compensação solicitada. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Como o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC foi efetuado beneficiou o contribuinte. Mantémse o cálculo inserto no Auto de Infração. O recurso voluntário está a fls. 348, sustentando (i) cerceio de defesa pela indicação errônea de fundamento legal que embasou o auto de infração; (ii) sustenta a legalidade da dedutibilidade da variação cambial passiva, em vista de que tinha créditos a receber indexados em moeda estrangeira que sofreram desvalorização; (iii) a legalidade da dedutibilidade da remuneração de juros sobre capital próprio, referentes à exercícios anteriores. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da glosa da despesa de variação cambial e o cerceamento de defesa pela falha de fundamentação do lançamento O auto de infração foi realmente demasiado conciso ao fundamentar essa parte do lançamento, tendo que apenas afirmou o quanto segue: 1 DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA Glosa de variação cambial passiva decorrente de contrato de venda de ações de empresa controlada CIA AGRÍCOLA SONORA ESTÂNCIA CNPJ 47.902.283/000120, ao comprador Sr. Francisco Giobbi, CPF 667.249.70806, brasileiro, residente no Estado de São Paulo Capital, conforme contrato firmado em 18 de dezembro de 1997. VALOR TRIBUTÁVEL R$ 6.490.944,25 Na fundamentação legal, citou os arts. 247, 249, inc. I, 251, parágrafo único e 299, todos do RIR/1999, que tratam da apuração do lucro real e sua escrituração, bem como o art. 1º, do DecretoLei nº 857/69, que trata da nulidade dos contratos, títulos e quaisquer documentos, bem como as obrigações que exeqüíveis no Brasil, que estipulem pagamento em ouro, em moeda estrangeira, ou, por alguma forma, restrinjam ou recusem, nos seus efeitos, o curso legal da moeda nacional. Da referencia ao art. 1º, do DecretoLei 857/60 depreendese que o motivo da glosa da variação cambial teria sido a suposta nulidade do contrato de compra e venda de ações da sociedade Companhia Agrícola Sonora Estância, estipulando entre a recorrente e o Sr. Giobbi, por ter previsto obrigação em moeda estrangeira ou, o que de fato ocorreu, obrigação em real mas indexado à moeda estrangeira. A DRJ teceu diversas considerações acerca da incorreção do procedimento adotado pela recorrente, de dedução da variação cambial – todas rebatidas pelo recurso voluntário, é bom que se diga – mas que, a meu ver, são absolutamente impertinentes ao deslinde do caso, uma vez que o fundamento que está sub examem é exclusivamente o ato exarado pela autoridade autuante, exclusivamente à luz de seus próprios fundamentos legais, que foram adotados pela autoridade competente para a prática do lançamento que, sendo plenamente vinculado, fica amalgamado em seus fundamentos. Trazer na fase recursal elementos e fundamentos outros para supostamente justificar o ato administrativo é tentar praticálo novamente, o que não é possível seja porque Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 6 6 ele já foi externado anteriormente seja pela ausência de competência funcional da autoridade julgadora para tanto. Assim, me aterei à validade do fundamento utilizado pela autoridade autuante, para justificar a glosa à despesa de variação cambial: a nulidade do contrato de compra e venda de ações pela previsão de pagamento em moeda estrangeira, cfr. art. 1º, do DecretoLei nº 857, de 11 de setembro de 1969. A leitura da longa cláusula 8.3 que trata do pagamento denota que ela não estipula nenhuma obrigação cujo pagamento deve ocorrer em moeda estrangeira. Muito ao contrário, a cláusula estipula o pagamento em reais: “O preço total certo e ajustado, para esta venda e compra, é de R$ 16.711.500,00”. Tanto que parte do sinal foi pago em cheque, emitido contra o Banco Sudameris e parte foi pago mediante endosso "pro solvendo" de nota promissória de emissão da Cia. Agrícola Sonora Estância em favor do ora COMPRADOR É verdade que o contrato faz referencia à equivalência do preço em dólares norte americanos, mas só porque o contrato é indexado nesta moeda. Tanto que há disposição expressa tratando da “correção cambial” do débito estipulado em reais, a serem pagos no Brasil em reais. Há, inclusive, disposição contratual expressa mitigando os efeitos deletérios da indexação cambial em caso de midi ou maxi desvalorização do real, fixando limites à variação cambial a fim de evitar perdas que pudessem levar o contrato à inexequibilidade ou ao desequilíbrio contratual. Antes da instituição do Plano Real, o entendimento do Col. STJ sobre a interpretação deste dispositivo legal era no sentido – guardados as inevitáveis divergências que soem ocorre naquela Corte – de que a vedação atinava exclusivamente com a circulação de moeda estrangeira dentro do país, de forma que a indexação de obrigações na variação cambial, desde que pagáveis em moeda nacional, era tolerada. No julgamento do RESP nº 79.476, o Min. Eduardo Ribeiro consignou em ementa que “com o mercado globalizado, avançando ate mesmo para a criação de moeda única, como no caso da unidade européia, o anacronismo de pretender inviabilizar o padrão internacional, dado pelas moedas fortes como o dólar, o marco e a libra, não tem passagem, ademais de esbarrar em precedente da corte”. Já no corpo de seu voto, o Ministro afirmou: “Pretendese tenha havido infração ao disposto no DecretoLei 857/69. Tal, entretanto, a toda evidencia não se verificou. Ali se veda seja estipulado o pagamento em ouro ou moeda estrangeira. Isso não ocorreu. Determinouse o pagamento em importância equivalente a determinado montante de dólares, o que é coisa diversa”. No mesmo sentido o RESP 36120 / SP, rel. Min. Waldemar Sveiter: COMERCIAL VALIDADE DE CONTRATO CELEBRADO EM MOEDA ESTRANGEIRA PAGAMENTO EM CRUZEIRO EXEGESE DA NORMA CONTIDA NO ART. 1. DO DECRETO LEI N. 857/69. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 7 7 I legitimo é o pacto celebrado em moeda estrangeira, desde que o pagamento se efetive pela conversão na moeda nacional. Ii alegação de nulidade do ajuste por suposta violação ao art. 1. Do decretolei n. 857/69, não favorece os participes na celebração do negocio porque estariam tirando proveito da própria torpeza. Iii o legislador visou evitar não a celebração de pactos ou obrigações em moedas estrangeiras, mas sim, aqueles que estipulassem o seu pagamento em outro valor que não o cruzeiro moeda nacional recusando seus efeitos ou restringindo seu curso legal. Iv inteligência do art. 1., do decretolei n. 857/69. Precedentes RESPs nos. 4.819RJ e 11.8010RJ. V recurso não conhecido. Essa interpretação mudou com o advento do Plano Real, que como instrumento de combate à inflação e a fim de minar a denominada “memória inflacionária”, proibiu a indexação de contratos pela variação cambial no art. 6º, da Lei 8.889/94, que assim dispôs: Art. 6º É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no País, com base em captação de recursos provenientes do exterior. Alguns anos depois, a Lei nº 10.192/2001 vou ao tema, e reforçou: Art. 1º As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2º e 3º do Decreto Lei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Nesse sentido, o precedente do Col. STJ cuja ementa se transcreve abaixo: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 8 8 REsp 673468 / MG RECURSO ESPECIAL 2004/00959191 Relator(a)Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO QUARTA TURMA Data do Julgamento 28/09/2010 Data da Publicação 07/10/2010 Ementa CIVIL E PROCESSUAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE SOJA COM ADIANTAMENTO PARCIAL DO PREÇO. CORREÇÃO MONETÁRIA ATRELADA AO DÓLAR AMERICANO. CELEBRAÇÃO POSTERIOR À LEI N.º 8.880/94. IMPOSSIBILIDADE. CREDOR QUE NÃO INTEGRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. APLICABILIDADE DA LEI DE USURA. 1. Com o advento da Lei n.º 8.880/94, que criou a URV como padrão de valor monetário, bem como as medidas provisórias que redundaram, finalmente, na edição da Lei n.º 10.192/01(Plano Real), a vinculação de correção monetária ao dólar americano ficou expressamente vedada, salvo em hipóteses legalmente autorizadas. (...) As novas estipulações legais trazidas pelas leis 8.889/94 e 10.192/2001, em meu entender, reforçam que a estipulação de cláusula de indexação pela variação cambial não era vedada pelo DecretoLei 857/69, tanto que foi necessária a edição de uma nova lei para atingir a esse desiderato. A luz dessa situação houve grave defeito de fundamentação no ato administrativo de lançamento, mais do que conciso, que padece do defeito da incompletude na descrição dos fatos que motivaram o lançamento e na fundamentação legal invocada para justificar a glosa. Não por outro motivo a impugnação não tratou sobre a questão central da acusação, tendo divagado longamente sobre o melhor critério de contabilização de receitas futuras em moeda estrangeira como bem reporta o ilustre Voto Vencido encartado na r. decisão a quo, ao reconhecer a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa decorrente da parca fundamentação (fls. 331): “Todavia, não passou, por certo, pela cabeça da impugnante que esse foi — ou pode ter sido — o motivo da glosa, uma vez que ela não abordou esse assunto em momento algum na impugnação. É evidente, portanto, que ela não se defendeu, como deveria, da acusação de ter computado indevidamente, no lucro líquido do exercício, a contrapartida da variação monetária verificada.” Outra evidencia da ausência de fundamentação que justifica o lançamento é a extensa seara de argumentos utilizados pelo voto vencedor, que na falta de uma clara baliza à justificar a glosa, acabou sendo forçado a percorrer inúmeras possibilidades para justificar o ato administrativo. O mesmo se vislumbra até mesmo no voto vencido quando, a par de reconhecer a omissão do dever de fundamentar, preocupouse também em justificar a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 9 9 adequação da contabilização da despesa de variação cambial passiva a luz dos melhores critérios contábeis, também à fls. 331. Ora, se a autuação entendeu que a indexação de contrato em moeda estrangeira é nula e por isso inválida qualquer reconhecimento de despesa de variação cambial, descabe analisar a melhor técnica para o reconhecimento deste tipo de obrigação, como se se tratasse de obrigação passível de indexação cambial. Ou bem a cláusula de indexação cambial é valida e o que se analisa é a correta contabilização da obrigação, ou ela é nula na forma que a legislação invocada pelo auto de infração parece entender e aí pouco importa a melhor contabilização das obrigações cambiais, uma vez que esta obrigação não terá esta natureza por imposição legal. O que não se pode fazer é dar à cláusula aparentemente se alega nula um tratamento de cláusula válida, mas contabilizada de forma equivocada, como fazem a impugnação, o voto vencedor e, em certa passagem, mesmo o voto vencido. Tal inversão de ordem só ocorre, obviamente, porque o libelo acusatório está insuficientemente relatado e fundamentado em base legal insuficiente e falha. Assim, nesta parte, meu voto vai no mesmo sentido do voto vencido, a fim de reconhecer o defeito de fundamentação do auto de infração e a conseqüente improcedência do lançamento. 2. Da glosa da despesa de juros sobre capital próprio. A auto de infração fundamentou a glosa da despesa com o pagamento de juros sobre capital próprio nos seguintes termos: “2 EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do Imposto de Renda decorrente da remuneração de juros sobre capital próprio, referentes à exercícios anteriores (1997 e 1998), que ora glosamos, por se tratar de despesa, cuja dedutibilidade encontrase condicionada a cada exercício, e nas condições estabelecidas em Lei.” O art. 9º, da Lei nº 9.249/95, autoriza à pessoa jurídica deduzir da apuração do lucro real os juros pagos aos sócios e aos acionistas a título de remuneração sobre capital próprio, verbis: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 10 10 § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados." Segundo a Instrução Normativa SRF nº 11/96, os juros sobre capital próprio tem tratamento tributário como receita financeira, conforme dispões seu art. 29: "Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observando o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualmente ao titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação, pro rata die, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (...) § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) – lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; (...)" Não obstante o regramento fiscal é de reconhecerse haver dissenso acerca da natureza jurídica dos juros sobre capital próprio: se dividendos ou receita financeira como, aliás, deixa entrever a r. decisão recorrida quando faz referência à contraposição de entendimentos entre a SRFB e a regulamentação da CVM. Resolver essa vexata quaestio, entretanto, é irrelevante para o deslinde do presente processo. Para Fábio Ulhoa Coelho, os juros sob capital próprio remuneram o investidor pela indisponibilidade dos recursos, enquanto os dividendos remuneram particular sucesso do empreendimento social. Segundo este autor: 1 “A limitação dos juros sobre o capital à TJLP, estabelecida pelo legislador tributário (Lei n. 9.249/95, art. 9º, caput), estabelece uma equivalência genérica entre essa espécie de remuneração do acionista e a que ele, normalmente particular sucesso do empreendimento social encontraria no mercado, caso destinasse os mesmos recursos a investimento diverso. Os dividendos representam, por sua vez, a remuneração proporcionada ao investimento, pelo sucesso da empresa explorada pela companhia. Se a sociedade anônima, em determinado exercício, paga juros no limite legal da TJLP, e ainda, delibera a 1 Fábio Ulhoa Coelho: Curso de Direito Comercial Vol. 2, 9ª Edição, p. 342/343, Ed. Saraiva – 2006. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 11 11 distribuição de dividendos, os acionistas podem distinguir, com clareza, a parcela da remuneração de seu capital, que seria também obtida, em média, noutros investimentos oferecidos no mercado (juros), da parcela gerada de modo particular pela concreta alternativa de investimento por eles adotada (dividendos)” . Nessa linha, observamos que o Col. STJ já reconheceu que conquanto os juros sobre capital próprio não possuam a natureza de dividendos, já que estes incidem sobre o lucro apresentado no exercício pela companhia eles são inegavelmente espécies do gênero “remuneração dos acionistas”, 2 incidentes sobre as reservas patrimoniais retidas em anos anteriores pela Sociedade Anônima.3 Não é de estranhar, portanto, que o entendimento daquela Corte de que Lei nº 9.249/95 faculta à pessoa jurídica fazer valer o seu creditamento sem que ocorra o efetivo pagamento de maneira imediata, aproveitandose da capitalização durante esse tempo, posto que os juros sobre capital próprio dizem respeito ao patrimônio líqüido da empresa, o que permite que sejam creditados de acordo com os lucros e reservas acumulados. 4 O que vale para fins de demonstração de resultado e de tributação é o momento do efetivo pagamento dos juros sobre capital próprio, sendo irrelevante se eles foram apurados com base nos lucros do exercício corrente ou dos passados. A interpretação que o Col. STJ faz da legislação chega a conclusão diametralmente oposta àquela da autoridade julgadora a quo. Para a Corte Superior, “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento”, pois “tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. 5 O entendimento adotado pela r. decisão a quo, segundo o Col. STJ, “obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976”, o que não encontra resguardo na legislação de regência. 6 Sobre o tema, vale transcrever a ementa do REsp 1086752 / PR, de relatoria do Min. Francisco Falcão , julgado em 17/02/2009: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS / ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. 2 Resp 1.112.717 – RS. 3 AgRg no REsp 1166243 / RS. 4 REsp 1.086.753 / PR. 5 Idem ibidem. 6 Idem ibidem. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 12 12 I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma obliqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. No mesmo sentido confirase, ainda do Col. STJ, o REsp 1086752 / PR. Do antigo 1º Conselho de Contribuintes, ainda que existentes decisões em sentido contrário, eu adoto a conclusão dos seguintes precedentes: 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.751 em 29.05.2008 IRPJ E OUTRO Ex(s): 2002 e 2006 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário: 2002 e 2006 Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendario em que se deliberou sua distribuição. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 13 13 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Antonio Praga Presidente Publicado no DOU em: 11.08.2008 Relator: Valmir Sandri 1º Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 107 08.941 em 28.03.2007 IRPJ E OUTROS Exs.:1996 a 2000 (...) IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP PAGAMENTO ACUMULADO POSSIBILIDADE Provado nos autos do processo que, ano a ano, a recorrente tinha capacidade para distribuir JCP, nada obsta que possa fazêlo em ano calendário posterior, de forma acumulada. IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP PAGAMENTO ACUMULADO LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição , para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. (...) Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. Publicado no DOU em: 31.08.2007 3. Dispositivo Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de cerceamento de defesa pela fundamentação defeituosa do auto de infração e, desta forma, anular o lançamento relativo à glosa da despesa de variação cambial. No mérito, dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento decorrente da glosa da despesa de juros sobre capital próprio. É o voto. REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 14 14 Conselheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator Designado. Esclareçase inicialmente que a presente divergência referese apenas a parte do voto do relator que cuida da glosa de despesas com juros sobre o capital próprio. Pois bem, sobre a escrituração a que as pessoas jurídicas estão obrigadas o art. 177 da Lei nº 6.404/76 assim prescreve: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifamos) Segundo o regime de competência as receitas e despesas devem ser reconhecidas na escrituração no momento em que forem, respectivamente, auferidas ou incorridas, independentemente de seu recebimento ou pagamento. O regime de competência é, portanto, a regra, consistindo mera exceção a adoção do regime de caixa quando expressamente estabelecido na legislação, como na hipótese da dedução de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa (art. 344, § 1º, do RIR/99), e da dedução da variação monetária passiva (art. 30 da Medida Provisória nº 2.03723/2000). No caso sob exame, tratase da dedução de despesa com juros sobre o capital próprio (JCP) para o qual o art. 9º da Lei 9.249/95, a seguir transcrito, não estabeleceu exceção ao regime de competência. Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Em outras palavras, se pretender gozar da faculdade de distribuir JCP a seus sócios, a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Constituída, se for o caso, a obrigação de distribuir JCP, a pessoa jurídica poderá extinguila imediatamente através de “pagamento” ao sócio, ou deixar a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 15 15 extinção para momento posterior, caso em que deverá registrar, também imediatamente, o “crédito” ao sócio. Como, no caso, a contribuinte deduziu no anocalendário de 1999 despesas com juros sobre o capital próprio que, por força do regime de competência, somente poderiam ter sido levadas ao resultado dos anos de 1997 e 1998, voto por manter essa parcela do lançamento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10680.014480/2006-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJAno-calendário: 2001DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.Não restou configurada a decadência, uma vez que sequer houve o transcurso do prazo qüinqüenal previsto no art. 150, § 4º do CTN.GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CONSÓRCIO. Deve ser mantida a glosa dos custos se não foi apresentada documentação hábil e idônea a comprovar as prestações específicas de cada participante no consórcio, bem como os critérios de partilha das receitas e despesas.GLOSA DE IRRF APROPRIADO COMO PERDA OPERACIONAL. Não comprovado o direito à dedução do valor como despesa, deve ser mantida a glosa.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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INOCORRÊNCIA. Não restou configurada a decadência, uma vez que sequer houve o transcurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CONSÓRCIO. Deve ser mantida a glosa dos custos se não foi apresentada documentação hábil e idônea a comprovar as prestações específicas de cada participante no consórcio, bem como os critérios de partilha das receitas e despesas. GLOSA DE IRRF APROPRIADO COMO PERDA OPERACIONAL. Não comprovado o direito à dedução do valor como despesa, deve ser mantida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 17/02/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, calculado com base no lucro real, relativo ao ano de 2001, no valor total de R$ 365.021,72. A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações: • Não foram comprovadas por documentação hábil despesas escrituradas como “despesas operacionais – perda”, contabilizadas nas contas n° 4.1.01.03.0007 (fretes e carretos), e 4.1.01.03.0999 (outros serviços). • Enquadramento legal do auto de infração: art. 249, inciso I, e art. 251, parágrafo único do RIR/99. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) No decorrer de 2001 realizou operações com parceiros e subempreiteiros, além de acertos de contas contábeis sem movimentação. b) Pela base legal informada não foi possível tipificar o enquadramento da despesa indedutível. c) A documentação relativa aos apontamentos, medições etc, deve permanecer no local da obra. Frenquentemente esses documentos são guardados de modo inadequado, o que torna grandemente difícil o seu resgate. Glosa de R$ 225.000,00 d) Em 21/11/2001 foi emitida a nota fiscal de serviço n° 1.726, na qual constou o valor de R$ 225.000,00 lançado como custo –fretes e carretos, com a discriminação de “acerto diferença de distância de transporte de material de jazida”. O destinatário foi a empresa Conserva de Estradas Ltda. Em 20/07/2000, a autuada e a Conserva firmaram instrumento particular de compromisso de constituição de consórcio, cujas cláusulas previam que todos os custos diretos e indiretos, despesas comuns, inclusive as garantias contratuais exigidas, seriam repartidas entre as consorciadas, na proporção de suas respectivas participações no consórcio. e) A Conserva e a autuada ganharam uma concorrência que tinha por objeto a execução de obras de complementação da ampliação da capacidade rodoviária do Corredor São Paulo/Curitiba/Florianópolis. Conforme termo de recebimento definitivo dos serviços de execução, emitido pelo DNIT, essa obra foi completada e entregue. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 242 3 f) O acerto de fretes e carretos é devido à distância diversa entre o transporte de brita sobre a parte da obra realizada pela Conserva em relação à parte autuada. Glosa de R$ 45.058,00 g) A nota fiscal foi emitida pela Construtora OCS, fornecedor que é um subempreiteiro cujo objeto social é a exploração dos serviços de engenharia civil e rodoviária. Foi subcontratado em 01/11/2000 para a realização de parte da obra na Rodovia Fernão Dias. h) A subcontratação decorre da otimização do contrato PJU – 22.026/99, firmado entre a autuada e o DERMG em 29/09/99, o qual possui, anexo, a proposta de preços e serviços e que prevê o revestimento vegetal por hidrossemeadura e drenagem. Ambas as descrições constam na NF em causa. É comum as construtoras apresentarem valores em caixa para enfrentar pagamento de empregados e outros desembolsos nas obras, situação que ocorreu com o pagamento da NF 1 em 10/01/2001, como se pode comprovar pelo movimento de caixa da época e pelo recibo dado na própria nota fiscal. Glosas de R$ 50.000,00 e R$ 58.000,00 i) Notas fiscais emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos, firma individual e subempreiteiro fornecedor que possui como atividade a prestação de serviços consistente no plantio de grama e de construção civil. Foi subcontratado para a realização de obras na Rodovia Fernão Dias. As notas fiscais foram liquidadas mediante pagamento em dinheiro, conforme movimento de caixa. Os recebimentos foram apostos nos corpos das notas fiscais. Glosas de R$ 59.548,90 referente à NF 000187 j) A nota fiscal foi emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos e apresentou pequena rasura no campo Preço R$, que integra a descrição dos serviços. Entretanto o valor de serviços e total da nota fiscal apresentavam valor correto. k) O valor de R$ 51.273.71, pago em cheque, resulta do saldo apurado após a dedução do INSS retido no montante de R$ 3.275,19 (conforme GPS) e do desconto de adiantamento de R$ 5.000,00, conforme recibo aposto no corpo da nota fiscal. Glosas de R$ 70.000,00 e R$ 41.000,00 l) Notas fiscais emitidas por JCM Engenharia e Construções Ltda., subempreiteiro cujo objeto social é terraplenagem, pavimentação, drenagem, obras complementares de estrada. As notas fiscais foram liquidadas mediante pagamento em dinheiro, conforme movimento de caixa. Os recebimentos foram apostos nos corpos das notas fiscais. m) Decadência da exigência fiscal, pois sendo o lançamento por homologação, extinguese o direito do fisco lançar os tributos após 5 anos da ocorrência do fato gerador. Glosa de perda não comprovada no valor de R$ 17.033,27 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 n) Esse montante é composto de três valores, dos quais serão tratados os dois mais significativos: R$ 14.968,30, referente a IRRF sobre aplicações financeiras contabilizado a maior, e R$ 2.052,88 relativo a IR pago a maior. o) A multa de 75% é desproporcional. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: Argüição de falha na capitulação legal a) Os artigos consignados no lançamento fornecem o fundamento legal da infração e permitem identificar perfeitamente as infrações imputadas. b) O art. 300 trata de toda e qualquer despesa ou custo, e não apenas de rendimentos pagos a terceiros. Decadência c) Se aplicável o art. 150, § 4°, do CTN, a decadência em causa só se daria em 31/12/2006, sendo que o lançamento foi efetuado em 28/12/2006. Observações gerais sobre a dedutibilidade de custos e despesas d) Incumbe ao contribuinte comprovar as despesas deduzidas, devendo munir a contabilidade de documentos que comprovem a natureza e a efetiva realização dos serviços. Glosa de R$ 225.000,00 e) Nenhum dos documentos apresentados constituem prova de que houve a execução de serviço de transporte, tampouco se informa o percurso percorrido, os meios utilizados, o que teria sido transportado. Sem dispor desses elementos essenciais, a fiscalização não tem como avaliar a necessidade e a utilidade do pretenso custo ou despesa. f) Tanto o contrato de constituição do consórcio quanto o de execução da obra não especificam nenhum tipo de transporte que deveria ser realizado pelas partes, nem muito menos fornece pormenor algum a esse respeito. Os dizeres da nota fiscal não permitem identificar precisamente de que serviço se trata. A declaração da Conserva, pela mesma razão, também não pode ser aceita como prova da prestação efetiva do serviço. g) É indiferente que a Conserva tenha registrado o respectivo valor como receita em sua escrituração. A dedutibilidade de determinado gasto não é determinada pelo tratamento contábil e fiscal que lhe der o beneficiário do pagamento, mas sim pela utilidade e necessidade dele em relação a quem fizer o pagamento. Glosa de R$ 45.058,00 h) Não ficou comprovada a execução efetiva dos serviços, por meio dos documentos mencionados no próprio contrato de subempreitada. i) É no mínimo incomum que quantia de tal monta tenha sido paga em dinheiro a outra pessoa jurídica, e não por meio de movimentação bancária. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 243 5 j) Os documentos relativos ao contrato com o DERMG, quando muito, demonstram que havia motivação para contratar subempretadas, mas não que foram efetivamente executadas por aqueles que supostamente foram beneficiários dos pagamentos glosados. Glosa de quantias pagas a Elizabet Rezende dos Santos k) As considerações expendidas acerca da glosa analisada na subseção precedente valem também para as aqui vertentes, já que todas as circunstâncias são idênticas. O contrato de subempreitada assinado contém as mesma cláusulas, mas não foi apresentada a planilha de preços a que se refere o contrato. l) O documento de fls. 51 não oferece nenhuma certeza quanto à contabilização do adiantamento. Embora exista o registro de R$ 5.000,00, no histórico dizse apenas que esse valor foi transferido do caixa da obra 158, mas não se esclarece para que fim e a quem se destinou. Glosa de quantias pagas à JCM Engenharia e Construções Ltda. m) As considerações expendidas acerca da glosa analisada na subseção precedente valem também para as aqui vertentes, já que todas as circunstâncias são idênticas. O contrato de subempreitada assinado contém as mesma cláusulas, mas não foi apresentada a planilha de preços a que se refere o contrato. Glosa de perdas com IRRF sobre aplicações financeiras n) Não constitui boa técnica contábil compensar os excessos verificados numa conta com os de outra, ainda mais quando se trata de contas de natureza distinta. A conta em que se registra receita financeira é conta de resultado, ao passo que a conta em que se registra IRRF a compensar é de natureza patrimonial. o) Se o informe de rendimentos e retenção fornecido pela Caixa Econômica Federal é que estava errado, cabia à autuada exigir da instituição que os corrigisse, e não compensar as perdas resultantes desse erro mediante manobra contábil esdrúxula. Multa de ofício p) A autuante aplicou estritamente o disposto no art. 44, inciso I, § 1° , inciso II, da Lei n° 9.430/1996. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) Nos dispositivos mencionados na autuação não se materializa a tipificação cerrada, clara e objetiva dos tributos devidos na situação fática aplicada à recorrente, sendo que até sofreu interpretação pelo órgão julgador de primeira instância buscando deixar a base legal de imposição em condições de exigibilidade com a referência ao art. 304, do RIR/99. b) O acórdão 0213.973 da DRJ/BHE implicou em inovação na fundamentação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 c) O serviço de transporte é imprescindível a atividade de construção civil e quando vinculado a “viagens a jazida”, se refere ao transporte de brita (rocha), sendo que a aferição da sua realização ocorreu na Conserva, mantenedora dos registros dos custos desse transporte. d) A Construtora OCS era uma empresa de pequeno porte recém criada, que possui estrutura enxuta, muitas vezes não lhe sendo possível desenvolver os controles requeridos pela fiscalização. e) A contabilização do IRRF foi realizada a maior conforme quadro às fls. 206. f) Considerando que a recorrente adotou no ano calendário de 2001 o recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa mensal com balanço de redução/suspensão, claro está que o fato gerador é complexivo e continuado, sendo cada mês de apuração referente a cada fato gerador. g) O STF já entendeu pela inconstitucionalidade de multa excessivamente onerosa e desproporcional ao agravo causado pelo devedor. Em 13 de novembro de 2009 foi protocolada petição em que a recorrente desiste parcialmente do recurso interposto, parcelando os débitos citados no item 1.2 da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/10/2009 (AR de fls. 190). O recurso foi protocolado em 20/11/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Preliminarmente é mister delimitar a matéria que restou controversa após a desistência de fls. 229. Os débitos citados no item 1.2 da impugnação referemse à glosas dos seguintes valores: Data Nota fiscal n° /lançamento Valor (R$) 28/12/2000 0000001 – emitida pela Construtora OCS (anexo I – fls. 30) 45.058,00 28/02/2001 e 07/08/2001 164 e 184 – emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos (anexo I – fls. 46 e 49) 50.000,00 e 58.000,00 05/09/2001 187 – emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos (anexo I – fls. 52) 59.548,90 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 244 7 21/03/2001 e 16/04/2001 208 e 210 – emitidas por JCM Eng. Constr. Ltda. (anexo I – fls. 65 e 68) 70.000,00 e 41.000,00 Por conseguinte permanece o litígio em relação às seguintes glosas, discutidas nos itens 1.1 e 1.3 da impugnação: Data Nota fiscal n° /lançamento Valor (R$) 21/11/2001 1726 – desconto por serviços prestados a Conserva de Estradas Ltda. (anexo I – fls. 2) 225.000,00 31/12/2001 Perda operacional lançamento às fls. 452 do livro Diário n° 52 (anexo I – fls. 74/91) 17.033,27 I. Decadência No tocante à decadência, nem sequer é necessário abordar a questão polêmica do termo inicial do prazo decadencial, uma vez que o lançamento foi efetuado antes do transcurso do prazo de cinco anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador. A contagem a partir do termo inicial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, nos leva ao menor prazo legal possível. De acordo com a DIPJ 2002 (fls. 98) a empresa adotou o regime anual de apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, para efeitos do lançamento de ofício, há que se considerar como data de ocorrência do fato gerador o último dia do correspondente ano calendário, ou seja, 31/12/2001. O presente lançamento foi efetuado em 28/12/2006, ou seja, antes de transcurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN. Logo, não merece acolhida a preliminar de decadência arguida. II. Nulidade por falha no enquadramento legal Aduz a recorrente que nos dispositivos mencionados na autuação não se materializa a tipificação cerrada, clara e objetiva dos tributos devidos na situação fática aplicada à recorrente, sendo que até sofreu interpretação pelo órgão julgador de primeira instância buscando deixar a base legal de imposição em condições de exigibilidade com a referência ao art. 304, do RIR/99. A seguir transcrevemos todos os dispositivos legais mencionados no enquadramento legal da autuação: IRPJ Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 RIR/99 “Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;” Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º).Leia mais: Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 2º).” CSLL Lei n° 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 245 9 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Lei n° 9.249/95 Art. 19. A partir de 1º de janeiro de 1996, a alíquota da contribuição social sobre o lucro líquido, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a ser de oito por cento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às instituições a que se refere o § 1º do art. 22. da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para as quais a alíquota da contribuição social será de dezoito por cento. Lei n° 9.316/96 Art. 1º O valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da Contribuição Social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao Lucro Líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do Lucro Real e de sua própria base de cálculo. Lei n° 9.430/1996 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. MP n° 1.85810/1999 Art.6oA contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional: Ide quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000; IIde um ponto percentual, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de fevereiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 Parágrafo único.O adicional a que se refere este artigo aplica se, inclusive, na hipótese do pagamento mensal por estimativa previsto no art. 30 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem assim às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado.” Da leitura destes dispositivos extraise que a infração imputada à contribuinte foi a dedução indevida de custos ou despesas, do lucro real e da base de calcula da CSLL. O Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante do auto de infração. Nele foram explicitados claramente os motivos pelos quais a fiscalização considerou indedutíveis as despesas e custos glosados, conforme tabela abaixo: Data Nota fiscal n° /lançamento Valor (R$) Motivação da glosa pela fiscalização 21/11/2001 1726 – desconto por serviços prestados a Conserva de Estradas Ltda. (anexo I – fls. 2) 225.000,00 Não foi comprovada a necessidade e usualidade do dispêndio a título de custo. Faltou demonstrar objetivamente a diferença deduzida a título de acerto: qual transporte? Quando? Qual o documento que originou o custo? 31/12/2001 Perda operacional lançamento às fls. 452 do livro Diário n° 52 (anexo I – fls. 74/91) 17.033,27 As cópias do Razão contábil da conta 1.1.04.02 e subcontas do ano de 1999 não são suficientes para comprovar o direito à dedução do valor como despesa. A tabela acima afasta integralmente a alegação de nulidade da autuação. A decisão recorrida não inovou a autuação, sendo que o voto condutor do acórdão apenas apenas rebateu corretamente as alegações da recorrente, esclarecendo corretamente o sentido do art. 300. A menção ao art. 304 não configura nenhuma inovação do lançamento, não merecendo reparos a decisão recorrida quanto a este tópico. Por conseguinte é improcendente a argumentação da recorrente, que não só compreendeu, mas também se defendeu adequadamente contra as infrações que lhe foram imputadas. III. Do mérito No tocante ao mérito, no cabe apreciar a documentação apresentada pela recorrente. A tabela abaixo relaciona os documentos apresentados: Custo ou despesa (R$) Documentos apresentados (Anexo I) 225.000,00 1 NF 1.726 e Fatura 162.12.01, emitidas pela recorrente, tendo como destinatário dos serviços a empresa Conserva de Estradas (fls. 2 e 4). 2 Declaração da empresa Conserva de Estradas (fls. 3). 3 Contrato PG – 221/200000 entre DNIT e o consórcio Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 246 11 Conserva/Torc (fls. 5/10). 4 Termo de Recebimento dos serviços (fls. 11/12). 5 Instrumento de constituição de consórcio (fls. 13/16). 6 Extrato do contrato entre o DNIT e o Consórcio 17.033,27 1 Demonstrativo de retenção do IRRF (fls. 70) 2 Informes de rendimentos emitido pela Caixa Econômica Federal (fls. 71/73) 3 Livro Razão (fls. 74/91) III.1. – Glosa de R$ 225.000,00 Esta parcela foi contabilizada a débito da conta 4.1.01.03.0007 – Fretes e carretos, com o seguinte histórico: “Vr. ref. Acerto na fat. 162.12.0”. Nesta fatura consta o seguinte no campo “descrição dos serviços e valor”: valor da 12a. medição dos serviços de execução da obra de complementação do corredor São PauloCuritibaFlorianópolis. O valor de R$ 225.000,00 foi descontado da receita medida a título de acerto de diferença da distância de transporte de material de jazida. Aduz a recorrente que celebrou convênio com a empresa Conserva, e que o acerto é devido à distância diferenciada entre o transporte de brita sobre a parte da obra realizada pela Conserva em relação à sua parte. Afirma ainda que o serviço de transporte é imprescindível a atividade de construção civil, seno que a aferição da sua realização ocorreu na Conserva, mantenedora dos registros dos custos desse transporte. Os arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404/1976, que regulam a criação dos consórcios assim dispunham na época da constituição do presente consórcio: “Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 12 IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada.” Ao analisarmos o instrumento de consórcio anexado verificamos que a definição sobre a participação de cada empresa é genérica, e não define claramente as obrigações e responsabilidades de cada sociedade consorciada, nem das prestações específicas, conforme demonstram as claúsulas a seguir reproduzidas (anexo I – fls. 14): “6.1 – As CONSORCIADAS participarão nas responsabilidades e obrigações decorrentes do presente acordo na seguinte proporção: CONSERVA DE ESTRADAS LTDA. .................................... 56% TORCTERRAPLENAGEM, OBRAS RODOVIÁRIAS E CONSTRUÇÕES LTDA. ............................................. ..........44% 6.2 – Todos os custos diretos e indiretos, despesas comuns, inclusive as garantias contratuais exigidas serão repartidas entre as CONSORCIADAS na proporção do item 6.” Para que seja possível auditar as receitas e despesas de um consórcio é necessária a apresentação de sua contabilidade. Como é possível verificar o recebimento das receitas e a partilha dos resultados sem sua apresentação? As perguntas formuladas pela fiscalização – qual o transporte, quando foi realizado, qual o documento que deu origem ao lançamento – são pertinentes e permanecem sem resposta. Se a aferição dos custos do tranporte de brita foi efetuada pela Conserva, bastaria anexar os documentos comprobatórios. Eventuais acertos não podem ser entendidos como desconto comercial, mas sim como operações a serem contabilizadas de acordo com as regras previstas no instrumento de consórcio. Notese que no instrumento anexado não há nenhuma norma específica sobre a contabilização das operações dos consórcios, dispondo apenas que todos os custos diretos e indiretos serão repartidos na proporção indicada no item 6.1 do contrato. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (lei n° 556/1850, revogado pela Lei n° 10.406/2002): “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 247 13 não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 10 Todos os comerciantes são obrigados: 1 a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título. XVII); 4 a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer.” É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra “Curso de Direito Comercial”: “A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, uma espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante”. A documentação constante dos autos é insuficiente para demonstrar as condições mínimas exigidas pela lei para o funcionamento de um consórcio. Por conseguinte, merece subsistir a glosa de custos efetuada pela fiscalização. III.2. Glosa de R$ 17.033,27 A fiscalização intimou a recorrente a comprovar o valor de R$ 17.033,27, apropriado como perdas em 31/12/2001 a título de “Res. IRRF s/ aplic. Financeira 1999 não compensado nas declarações por não constarem dos comprovantes de rendimentos recebidos”. A recorrente afirma que o reconhecimento a maior do IRRF transitou por receita e sua baixa em 31/12/2001 foi o estorno da receita financeira contabilizada a maior, em Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 14 1998 e 1999, não havendo motivo para glosar um acerto de conta, normatizado pelo art. 2°, § 2°, do Decretolei n° 486/1969, in verbis: “Art. 2º A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacional em forma mercantil, com individualização e clareza por ordem cronológica do dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens. § 1º É permitido o uso do código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidos neste decretolei. § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamentos de estorno”. A Delegacia de Julgamento entendeu que não constitui boa técnica contábil compensar os excessos verificados numa conta com os de outra, ainda mais quando se trata de contas de natureza distinta. A conta em que se registra receita financeira é conta de resultado, ao passo que a conta em que se registra IRRF a compensar é de natureza patrimonial. Se ocorreu de fato um registro de receita financeira a maior no ano calendário de 1999, com reflexos no lucro real e na base de cálculo da CSLL, a contribuinte deveria ter pleiteado a restituição/compensação de eventuais créditos apurados, e não registrado uma perda, no ano calendário de 2001, como se fosse um estorno de receita financeira. No tocante à parcela de R$ 2.052,87 a recorrente afirmou que o crédito já estava prescrito, ou seja, “foi registrado contabilmente em período anterior a 1998 e já havia expirado o prazo para aproveitar a restituição/compensação, motivo pelo qual foi levado a resultado”. Tais fatos e os documentos anexados aos autos realmente não são suficientes para comprovar o direito à dedutibilidade de tais valores, tal como afirmado pela fiscalização. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11080.001599/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Tem-se corno definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil
apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.888
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 25.110,00, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:44:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:44:52Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:44:53Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:44:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ad2a585a-d6b7-4ef5-b874-0d8e205e058e; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:44:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:44:53Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:44:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:44:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:44:52Z; created: 2010-12-21T10:44:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-21T10:44:52Z; pdf:charsPerPage: 1070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:44:52Z | Conteúdo => 3iovanni Christian /,.41 ii.etv I ti, /// Núbia Matco, our latora S2-C1T2 El. 352 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.001599/2008-38 Recurso no 17L357 Voluntário Acórdão n° 2102-00.888 — P Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF - Despesas médicas Recorrente ALVARO AZEVEDO GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Tem-se corno definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede reclusa', DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros—a-C-rei-A giado, por unanimidade de votos, em DAR.)a provimento parcial ao recursc5pa"-a--restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de 4 y toR$ 25.110,00, nos termos 'voto da Relatora. EDITADO EM: 19/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Naja Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Contra ALVARO AZEVEDO GOMES foi lavrada Notificação de Lançamento, fis, 311/314, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano- calendário 2005, exercício 2006, para reduzir o valor da restituição pleiteada na Declaração de Ajuste Anual (DAA) de R$ 28,957,93 para R$ 17.756,65. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada na Notificação de Lançamento, fls. 312, e no demonstrativo, fls. 23, foi dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 40.731,94, assim discriminada: N BENEFICIÁRIO VALOR EM R$ MOTIVAÇÃO 01 Marcelo W Jeffinan 200,00 Recibo sem endereço do emitente 02 Andrea Biolo 600,00 Recibo sem endereço do emitente 03 Roberto C. Guimarães 24,310,00 Recibo sem endereço do emitente 04 Previne 84,00 Vacinas 05 Pé de Apoio Complementos Ortopédicos Ltda 11,100,00 Despesas com produtos farmacêuticos (absorvente geriátrico, compressa de gaze, colchão hospitalar, luvas de procedimento, fraldas) em nome de Ana Gomes 06 Dimed (Farmácia PANVEL) 23,83 Aquisição de munhequeira (cupom fiscal sem nome ao adquirente) 07 Cirurgica Moinhos de Vento 6,00 Compra de produto (argola ortopédica); não se inclui entre as despesas passiveis de dedução, 08 Moita e Oliveira 1,504,50 Compra de produto (advantage, resourse); não se inclui entre as despesas passíveis de dedução; cupom fiscal sem nome do adquirente. 09 Dr °gabei 1.597,41 Compra de medicamentos, sabonete, escova dental etc. Cupom fiscal sem nome do adquirente. 10 SAS-Superintendência de Assistência a Saúde 1.306,20 O valor pago ao plano de saúde inclui a contribuição em nome de Ana Margarida Barbieri Gomes, que é cônjuge do contribuinte, mas declarante do Imposto de Renda. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme 2 Processo n" 11080 001599/2008-38 S2 -CIT2 Acórdão ri." 2102-00.888 Fl 353 Acórdão DRJ/P0A n° 10-17.284, de 01/10/2008, fls. 317/320, decidindo-se, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls, 322, o contribuinte apresentou, em 29/10/2008, recurso voluntário, fls. 323/325, trazendo as alegações a seguir resumidamente transcritas: Há que considerar que o ora Contribuinte é portador de seqüelas de caráter permanente, em razão de ter .feito um acidente vascular cerebral em 01.09,2003, ou seja, não está somente enfermo, é contribuinte que necessita de cuidados médicos e assistência especial continuada e por tempo indeterminado. Todos os documentos comprobatório.s das despesas médicas, ortopédicas, fisioterápicas, e outras mais capituladas no art, 80 do RIR, foram entregues à Autoridade Lançadora, no original, quando da solicitação inaugural (art, 73 do RIR). Quando da apresentação da impugnação feita à Tiffilla de Julgamento nesta Capital, foram anexados comprovantes novos das despesas apropriadas, onde constam os dados .fallante.s anteriormente, particularmente recibos com endereço do emitente e outras informações identificativas.. Na mesma ocasião foram juntados receituários médicos, relatórios médicos, onde indicam a necessidade de uso de aparelhos ortopédicos e outros mais que possam amenizar a existência do Contribuinte. Negar tais condições especiais é abdicar de principio constitucional de resguardo à dignidade da pessoa humana. No que diz respeito às despesas médicas do cônjuge, também declarante do Imposto de Renda, nada a opor quanto à glosa uma vez terem sido realizadas inadvertidamente, e, portanto perfeitamente pertinente o lançamento realizado pela Autoridade Fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço, „ofp 3 De pronto vale destacar que o contribuinte afirma no recurso concordar com a glosa de despesa médica, no valor de R$ 1306,20, paga ao SAS-Superintendência de Assistência a Saúde, por tratar-se de plano de saúde de sua esposa Nesse sentido, deve-se observar o disposto no parágrafo único do art, 42 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 1 e, assim, considerar definitiva a decisão de primeira instância, relativamente à referida glosa. Portanto, tem-se que a lide instaurada com a apresentação do recurso, que ora se examina, restringe-se às demais despesas médicas glosadas. Para a análise da questão, deve-se observar o art. 8° da Lei n° 9250, de 26 de dezembro de 1995: Art, 8" A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas; 1- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas; a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, .fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ) § 2" O disposto na alínea a do inciso II: 1 - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; lii - a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na . falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; I Art 42 São definitivas as decisões: ) Parágrafo única Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. 4 Marcelo W. Jeffman 200,00 Recibo sem endereço do emitente01 Andrea Biolo 600,00 Recibo sem endereço do emitente02 Roberto C. Guimarães 24,310,00 Recibo sem endereço do emitente03 Processo n° 11080 001599/2008-38 S2-C1T2 Acórdão n.° 2142-00.888 Fl 354 V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.. § 3" As despesas médicas e de educação dos alimentando,s, quando realizadas pelo ahmenwnte em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimenrante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea "b" do inciso II deste artigo. Da legislação acima transcrita, verifica-se que são consideradas despesas médicas ou de hospitalização os pagamentos efetuados a médicos, de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, e as despesas provenientes de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. São também dedutiveis despesas com internação hospitalar efetuada em residência, desde que tais despesas integrem fatura emitida por estabelecimento hospitalar. No presente caso, o contribuinte teve várias de suas despesas médicas glosadas, conforme quadro demonstrativo contido no relatório deste acórdão, que serão a seguir analisadas individualmente: Neste caso, constam dos autos, recibo, fls. 41, e declaração, lis, 11, onde o profissional confirma o atendimento realizado e informa seu endereço, de sorte que deve ser restabelecida a dedução pleiteada. Para esta despesa é bem verdade que no recibo apresentado, fls. 50, não consta o endereço da profissional, entretanto, a emitente encontra-se perfeitamente identificada no recibo, do qual consta CPF e número de identificação junto ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. Logo, a dedução deve ser restabelecida. Trata-se de despesas com fisioterapia e dos autos consta declaração, fls. 08, onde o profissional confirma o atendimento realizado e informa seu endereço. Suprida a falta que determinou a glosa, deve tal dedução ser restabelecida. 5 06 23,83Dimed (Farmácia PANVEL) Aquisição de munhequeira (cupom fiscal sem nome ao adquirente) Compra de produto (advantage, resourse); não se inclui entre as despesas passíveis de dedução; cupom fiscal sem nome do adquirente. Moita e Oliveira08 1 504,50 04 Previne 84,00 Vacinas Do comprovante da despesa, fls. 74, observa-se que se trata de despesas com vacinas, que não são dedutiveis da base de cálculo do imposto por falta de previsão legal. 05 Pé de Apoio Complementos 11 i00,00 Despesas com produtos farmacêuticos Ortopédicos Ltda (absorvente geriátrico, compressa de gaze, colchão hospitalar', luvas de procedimento, fraldas) em nome de Ana Gomes Dos comprovantes da despesa, fls. 76/121, observa-se que se trata de despesas com produtos farmacêuticos, que não são dedutiveis da base de cálculo do imposto por falta de previsão legal. Do comprovante da despesa, fls. 122, constata-se que se trata de despesa com produto não-dedutivel da base de cálculo do imposto por falta de previsão legal. 07 Cirurgica Moinhos de Vento 6,00 Compra de produto (argola ortopédica); não se inclui entre as despesas passíveis de dedução Do comprovante da despesa, fls. 176, constata-se que se trata de despesa com produto não-dedutivel da base de cálculo do imposto por falta de previsão legal. Dos comprovantes da despesa, fls. 177/180, constata-se que se trata de despesas com produtos não-dedutiveis da base de cálculo do imposto por falta de previsão legal. 09 Drogabel 1 597,41 Compra de medicamentos, sabonete, escova dental etc. Cupom fiscal sem nome do adquirente Do comprovante da despesa, fls. 181/186, constata-se que se trata de despesas com produtos não-dedutiveis da base de cálculo do imposto por falta de previsão legal „dr 6 Processo n° 11080.001599/2008-38 S2-C1T2 Acórdão n ° 2102-00.888 Fl- 355 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 25.110,00. Nada atos Moura - Relatora 7
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Numero do processo: 18471.000576/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS.Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/092002 a 30/09/2002Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISSÃO. Somente as declarações de compensação entregue à SRF a partir de 31/10/2003 constituem-se confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JULGAMENTO. Embora o débito declarado, em princípio, dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituem-se atos perfeitos, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.668
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Eunyce Porchat Secco Faveret, OAB 81.841-RJ.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO, CONFISSÃO. Somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de .31/10/2003 constituem-se confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JULGAMENTO, Embora o débito declarado, em princípio, dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituem-se atos perfeitos, motivo pelo qual devem Ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas, Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dia. Eunyce PoNhat Secco Faveret, OAB 81.841-1.0. Walber-Jose / da Silva - Presidente WIP14 EDITADO EM: 18/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fablola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator).. Relatório Adota-se o relatório do acórdão DRJ/RJ n° 9.509 de 21 de julho de 2005: "Trata o presente processo de Auto de Infração , lavrado em nome do contribuinte SHELL DO BRASIL LTDA, CNPJ n" 33.453.598/0001-23, pertinente à insuficiência do recolhimento da Contribuição Financiamento da Seguridade Social - COFINS nos fatos geradores ocorridos em 31/01/2002 a 31/03/2002, 31/05/2002 e 30/09/2002, conforme elementos acostados às fls.110, no valor de R$ 53,358.914,71 , incluindo principal e juros de mora calculados até 29/04/2005, Na Descrição dos Fatos (fls. 111), a autoridade fiscal autuante esclarece que ocorreu falta de recolhimento da COFINS, lace à diferença entre o valor escriturado e o declarado, salientando que os valores apurados estão com a exigibilidade suspensa em razão do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, n°20035101009213-3, na 10" Vara Federal no Rio de Janeiro, ainda pendente de apreciação pelo Tribunal Regional de Federal da 2" Região, cuja matéria versa sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos da CUPINS para fins de expedição da Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa. Às fls., 109, consta relatório proferido pela autuante no processo de representação para lançamento de oficio n" 13706.005349/2002-11, onde esclarece que; Analisando o presente processo(13706 005349/2002-11), verti* ica-se que os valores considerados pelo PROFISC quais sejam R$ 7,000.000,00, R$ 8,500000,00, R$ 8500.000,00 e R$ 9 154.331„55, todos eles relativos ao código 2172 — Co fins foram cancelados, sendo que relerem-se a valores estimados; Diante disso foi lavrado o competente Auto de Infração referente aos débitos tributários relativos a Cotins nos períodos base de Janeiro, Fevereiro, Março, Maio e Setembro de 2002 pelos valores registrados nas DCTF, e que de acordo com a 11/1P n" 21 58-32/2001, determina o Lançamento de Oficio para cobrança da contribuição no .periodo de 24 de agosto de 2001 a 29 de dezembro de 2003 de valores não recolhidos por terem sido compensados nas DCTF e terem sido objeto de decisão judicial não transitada em julgado O enquadramento legal arts.1" da Lei Complementar 70/91, art.s. 2 0, 3" e 80, da Lei n" 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n" 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n" 1 858/99 e reedições. 2 Processo 0" 18471 .000576/2005-17 S3-C3.1"2 Acórdão 0.0 3302-00,668 Fl 385 Irresignado com o lançamento consubstanciado no Auto de Infração supramencionado, o interessado apresentou a petição impugnatória de lis. 183/189. alegando que a exigibilidade do crédito lançado se dá não propriamente em razão da liminar obtida no referido processo judicial, mas em virtude de o crédito ter sido objeto de pedidos de compensação ainda pendentes de decisão definitiva na esfera administrativa; que em 28/12/2001, na vigência da redação original do artigo 74 da Lei n" 9.430/96, protocolizou pedido de restituição da totalidade do crédito da contribuição para o PIS, recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996; que na mesma data .fbi também protocolizado pedido de compensação para quitar, por compensação, a COFINS relativa a .janeiro de 2002 (um dos períodos-base mensais questionados no Auto), com parte do crédito relativo ao PIS, recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996, ainda não restituído. O pedido de restituição e esse primeiro pedido de compensação geraram um único processo administrativo n" 10070.002227/2001-17; que a partir de então, passou a protocolizar mensalmente novos pedidos de compensação — posteriormente declarações de compensações(em face da nova redação dada ao artigo 74 da Lei n" 9.430/96, pelo art. 49 da Lei n" 10.637/2002, para quitar a COFINS vincenda relativa aos meses subseqüentes a janeiro de 2002( incluindo fevereiro, março, maio e setembro de 200.2 — demais períodos-base lançados no Auto); que os novos pedidos de compensação geraram novos processos administrativos, diretamente vinculados ao referido processo n" 10070.002227/2001-17, sendo que este processo principal, bem como os tais novos processos (que abrangem os pedidos de compensação referentes aos demais períodos-base mensais lançados no Auto), ainda aguardam julgamento definitivo na esfera adminitrativa; que em 11/04/2003, impetrou o Mandado de Segurança que originou o processo judicial a que se fez referência no Auto, porém, por objeto única e exclusivamente de assegurar que lhe fisse fornecida a Certidão Positiva com efeito de Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, que não havia sido emitida por constarem débitos que supostamente não quitados, mas que, na realidade, correspondiam justamente aos débitos de COFINS lançados no Auto, que, como visto, .foram objeto de pedidos de compensação ainda pendentes de .julgamento definitivo(e que, por conseguinte, estavam com sua exigibilidade suspensa porfbrça do art.. 151, III, do CTN); que não se discute no processo judicial o suposto crédito de PIS, recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996. Também não se discute a possibilidade de sua compensação com a COFINS devida nos períodos- base mensais questionados no Auto; 3 que a impugnante não está impedida de invocar argumentos que levem ao descabimento do Auto e de demandar que eles sejam apreciados na via administrativa. Não houve em momento algum renúncia à discussão da matéria na esfera administrativa, devendo ser conhecida a impugnação ora rip esen tad a ; que jamais questionou os valores devidos a titulo de COHNS nos períodos- base mensais objeto do Auto (janeiro, .fevereiro, março, inato e setembro de 2002), apenas pleiteou que esses débitos .fbssein quitados por meio de compensação, com créditos de PIS que ela entende ser titular; que os valores em questão foram lançados pela interessada nos pedidos de compensação apresentados em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários- Federais — DCTF.s, sendo que o artigo 74 da Lei n" 9.430/96 ( com redação dada pela Lei n" 10.637/02 e pela Lei n°10.833, de 29/12/2003) dispõe que os pedidos/declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e _suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados,' que enquanto os pedidos de compensação não fbrem julgados em definitivo, os débitos em discussão não podem ser exigidos pela fiscalização (par força do art. 151, III, do CTN), mas, para todos os efeitos legais, .já são considerados lançados, sendo absolutamente desnecessário e descabido o lançamento de oficio; que a inclusão dos débitos em DCTF também tem o eleito de lançamento, o que ilustra ainda mais a desnecessidade do Auto, conforme o artigo 5" do Decreto-lei n" 2.121/1984, tendo sido formada jurisprudência nesse sentido pelo Superior Tribunal de Justiça; que no caso concreto, pela circunstância de os débitos também terem sido objeto de pedido de compensação, só poderão ser exigidos após o .julgamento final desses pedidos ; que a COFINS já declarada pela contribuinte, tanto em seus pedidos/declarações de compensação como em suas DCTPS, não poderia ser exigida por meio de auto de infração, sob pena de duplicidade de lançamento; que por todo o exposto, espera que o Auto de Infração seja declarado nulo, sob pena de duplicidade de lançamento." Como visto, trata a lide de Auto de Infração, pertinente à suposta insuficiência do recolhimento da COFINS nos fatos geradores ocorridos em 31/01/2002 a 31/03/2002, 31/05/2002 e 30/09/2002, conforme elementos acostados à fl. 110, no valor de R$ 53.358.914,71, incluindo principal e juros de mora calculados até 29/04/2005. Na descrição dos fatos (11.111), a autoridade fiscal autuante esclarece que Ocorreu falta de recolhimento da COFINS, face à diferença entre o valor escriturado e o valor declarado, salientando que os valores apurados estão com a exigibilidade suspensa em razão do Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte, n° 2003,5101009213-3, na 10" Vara Federal do Rio de Janeiro, ainda pendente de apreciação pelo Tribunal Regional Federal da 2" Região, cuja matéria versa sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos da COFINS para fins de expedição da Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa. 4 Processo n" 18471. 000576/2005-17 S3-C312 Acórdão n " 3302-00,.668 H . 386 Irresignada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, de fis. 183/189, alegando, em síntese, que, na vigência da redação original do art, 74 da Lei n° 9,430/96, protocolizou pedido de restituição da totalidade do crédito da contribuição para o PIS, recolhido a maior no período de 1992 a 1996, sob a égide dos Decretos 2.445 e 2..449/88, protocolizando pedido de compensação para quitar a COFINS relativa ao ano de 2002, com parte do crédito relativo ao PIS ainda não restituído. Ambos os pedidos geraram um único processo administrativo, de n° 10070.002227/2001-17. A partir de então, a contribuinte passou a formular mensalmente novos pedidos de compensação, com a finalidade de quitar a COFINS vincenda relativa aos meses subseqüentes a janeiro de 2002. Os novos pedidos de compensação geraram novos processos administrativos, diretamente vinculados ao processo principal (IV 10070..002227/2001-17), até então ainda não julgados em definitivo na esfera administrativa. Desta forma, entende que até o trânsito em julgado do processo principal, bem como dos demais processos administrativos, a exigibilidade dos valores que forma objeto da autuação deveria estar suspensa, o que inviabilizaria a autuação discutida. Por meio do acórdão n° 9,509, datado de 21 de julho de 2005, a 5" Turma da DRERJ decidiu, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, com fundamento no entendimento emanado na Solução de Consulta Cosit/SRF 3/2004. Entenderam os . julgadores que a impugnação e o recurso interpostos no processo principal (10070,002227/2001-17) não teriam o condão de suspender a exigibilidade dos valores objeto da autuação, uma vez que se trataria de pedido de compensação não convolado em declaração de compensação. A interessada tomou ciência do teor da decisão em 15/01/06, conforme cópia do AR à 11, 255, e, inconformada, interpôs recurso voluntário de fls. 256/263 em 16/03/06, alegando, em síntese, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação supracitada. É o relatório. 5 Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relatou O recurso é tempestivo e atende as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele o conheço. A questão envolve algumas compensações realizadas pela requerente, através de declarações de compensação não homologadas pela Receita Federal, uma vez que o crédito utilizado ainda permanece em discussão na esfera administrativa, resultando em autuação para prevenir a decadencia, impugnada pela contribuinte por entender que a discussão na esfera administrativa seria justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos eventualmente compensados, até que a situação acerca dos créditos esteja elucidada, e que esses valores já estariam devidamente lançados. Cabe ressaltar que o processo que discute a restituição dos valores parcialmente utilizados nas compensações aguarda decisão final junto ao CARF até os dias de hoje, o que não confere a certeza e liquidez aos créditos utilizados para as compensações não homologadas pela autoridade fiscal. O pleito para considerar suspensa a exigibilidade dos créditos no valor autuado seria válida Se a discussão judicial envolvesse diretamente as compensações realizadas, porém, o objeto desta autuação é a falta de recolhimento por parte da requerente da COHNS devida no período em destaque, justamente pelo fato de não haver a homologação das declarações de compensações realizadas. A situação em tela descreve compensações realizadas utilizando-se de um crédito ainda discutido administrativamente, portanto, ainda não garantido legalmente à requerente, não satisfazendo portanto a premissa básica para a sua utilização em compensações com débitos da empresa. Para tanto, a legislação, mormente após inovação do art. 170-A do CTN exige que o crédito tenha liquidez e certeza. Por isso, entendo que merece vigorar o lançamento, bem como a decisão ora atacada por seus próprios fundamentos. Ressalto que os créditos, uma vez que fbram objeto de pedido de compensação, não poderão ser cobrados do contribuinte ate a decisão final da lide principal. Esse auto de infração, pela sua natureza, idem, posto que lavrado para prevenir a decadência dos créditos tributarios. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida por seus próprios fundamentos.. 6
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000076/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2006, 2007, 2008
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AGREGAÇÃO DE VALOR. MÉTODO PRL.
O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da
margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos.
DESPESAS. COM A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS.
Despesas com a prestação de serviços técnicos que se mostrem usuais, normais e necessários à atividade da empresa, sem que a fiscalização indique qualquer irregularidade quanto aos pagamentos e comprovados por contratos e notas fiscais formalmente corretos, cumprem as condições de dedutibilidade.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende, à CSLL.
Numero da decisão: 1301-000.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução no valor de R$ 103.925,90 referente à glosa de despesas com prestação de serviços. O Conselheiro Valmir Sandri votou pelas conclusões.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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AGREGAÇÃO DE VALOR. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESPESAS. COM A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. Despesas com a prestação de serviços técnicos que se mostrem usuais, normais e necessários à atividade da empresa, sem que a fiscalização indique qualquer irregularidade quanto aos pagamentos e comprovados por contratos e notas fiscais formalmente corretos, cumprem as condições de dedutibilidade. CSLL. DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende, à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução no valor de R$ 103.925,90 referente a glosa de despesas com prestação de serviços. O Conselheiro Valmir Sandri votou pelas conclusões. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 2 Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Sandra Maria Dias Nunes e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 2 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido. Em razão da dependência dos processos n°s 16561.000083/2008-87, 16561.000086/2008-11 e 16561.000087/2008-65 em relação aos elementos de prova constantes deste processo (n° 16561.000076/2008-85), os referidos processos foram juntados por anexação a este (despacho de fls. 2053). DA AUTUAÇÃO Conforme Termos de Verificação Fiscal de fls. 1275/1288, 2076/2080, 2120/2125 e 2179/2184, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, constatou-se o seguinte: 1-DAS INFORMAÇÕES DECLARADAS NA DIPJ/2004 Na DIPJ/2004 (ano-calendário 2003), a fiscalizada declarou importações de vinculadas no montante de R$ 446.199.569,53 (Ficha 38A, linha 15, fl. 99) e ajuste ao Lucro Real a titulo de preços de transferência no montante de R$ 11.462.954,57 (Ficha 9A, linha 07, fl. 10). 2-DA METODOLOGIA ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO Inicialmente, a fiscalizada foi intimada a apresentar os arquivos eletrônicos em layout especifico, onde dispôs os dados da empresa que serviram de base para o cálculo, pela fiscalização, dos preços-parâmetro e dos preços praticados. A fiscalizada foi também intimada a apresentar as memórias de cálculo e documentos de suporte dos preços-parâmetro apurados para fins de preços de transferência, tendo apresentado arquivos eletrônicos com os dados solicitados. Os dados constantes do arquivo "Saídas Maio03.xls" subsidiaram os trabalhos da fiscalização, especialmente na apuração do Preço Líquido de Venda (PLV) para fins de cálculo do preço-parâmetro pelo método PRL (Preço de Revenda menos Lucro). Quanto aos valores e quantidades em estoque inicial (01/01/2003) e em estoque final (31/12/2003), a fiscalização baseou-se nos dados constantes do arquivo eletrônico "7b Livro Geral PH CV e NCH.xls" (impresso às fls. 204 a 366). 3-DA AMOSTRAGEM DOS ITENS IMPORTADOS DE VINCULADAS Os itens importados de vinculadas analisados pela fiscalização selecionados por amostragem, incluindo os mais relevantes e englobando mais de 80% do volume de importações de vinculadas no ano-calendário de 2003. 4-DOS PREÇOS PRATICADOS Os preços praticados foram calculados pela fiscalização com base nas importações extraídas dos sistemas da SRF, após serem ratificados e retificados pela fiscalizada, em resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização e ao Termo de Intimação n° 3. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 4 Na apuração do preço praticado pelo método PRL, a fiscalização utilizou o Custo CIF (que inclui o valor do frete e do seguro suportado pelo importador) + Imposto de Importação. Os preços praticados apurados pela fiscalização constam do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS PRATICADOS DOS ITENS IMPORTADOS DE VINCULADAS CONSUMIDOS EM 2003" (em anexo). 5-DOS PREÇOS-PARÂMETRO 5.1 - Da não utilização do método PRL com margem de 20% Para efeito de determinação do preço de transferência, é vedada a aplicação do método PRL com margem de 20% (PRL20) às operações que se enquadram no conceito de produção de outro bem, assim entendidas aquelas em que haja alteração de bem importado, que envolva transformação ou agregação de valor, para posterior comercialização no mercado nacional, consoante o disposto no § 9 o ., do artigo 12, IN SRF n° 243/2002. O processo de industrialização é definido no artigo 4° do Decreto n° 2.637/98 (RIPI). Nos casos em que há agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, a legislação é clara ao vedar o uso da margem de 20% no método PRL. Nesse sentido orienta a Coordenação-Geral de Tributação — COSIT da Secretaria da Receita Federal do Brasil, através, por exemplo, da Solução de Consulta n° 5, de 01/09/2006, que dispõe que "A pessoa jurídica, sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e procede, previamente a sua comercialização no País, à aposição da marca, bem assim ao acondicionamento e rotulagem, voltados ao atendimento de determinações legais brasileiras, deve, acaso opte por calcular o preço parâmetro com base no método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), utilizar a metodologia atinente a margem de sessenta por cento, uma vez que as atividades por ela empreendidas representam agregação de valor aos bens". No caso sob análise, cotejando os dados constantes dos arquivos "7d saídas efetivas PH e CV.xls" e "7d saídas efetivas NCH.xls" com o arquivo das importações de vinculadas, verificou-se que alguns itens importados, de acordo com a codificação informada, não tiveram saída direta. Ademais, verificou-se que houve agregação de valor aos bens importados, de acordo com as informações sobre o custo de produção constantes da planilha "8 Relação dos Itens PH CV e NCH.xls" (tendo sido alguns dados posteriormente retificados a planilha Intimação Receita Federal TP2003.xls. A partir dessas informações a fiscalização efetuou a comparação do custo proporcional do item importado, apurado de acordo com a relação quantitativa entre os itens apresentada pela fiscalizada, como custo do produto final, conforme consta do "DEMONSTRATIVO DE ITENS IMPORTADOS COM AGREGAÇÃO DE VALOR — ITENS NÃO REVENDIDOS DIRETAMENTE (em anexo). Sendo assim, a fiscalização adotou, no cálculo dos preços-parâmetro dos itens constantes daquele demonstrativo, o método PRL com margem de 60% (PRL60), apurado conforme o item seguinte. 5.2- Método PRL com margem de 60% Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 3 5 O preço-parâmetro dos itens importados utilizados na produção foi apurado seguindo a metodologia do § 11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. A fiscalização considerou a média da participação do item (insumo) no(s) produto(s) acabado(s) conforme os dados constantes da planilha "8 Relação dos Itens PH CV e NCH.xls" (fls. 191 2201). A partir dessa concentração do item importado no produto final, apurou-se a participação do insumo importado no custo do produto final, considerando-se como custo médio do item importado e como custo médio do produto final os valores constantes da planilha "Intimação Receita Federal TP2003.xls" (em resposta ao Termo de Intimação n° 5, fl. 787). Os preços-parâmetro apurados pela fiscalização para fins de ajuste de preços de transferência constam do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO — PRL 60% (em anexo). 6- DAS QUANTIDADES AJUSTADAS 6.1- Do ajuste dos estoques iniciais de importações de vinculadas realizados no ano Em razão das diferenças apuradas entre o preço praticado e o preço- parâmetro de alguns itens importados de vinculadas, a fiscalização, inicialmente, ajustou os estoques de importações de vinculadas remanescentes do ano anterior, não ajustados pela fiscalizada, conforme se inferiu, por amostragem, das quantidades informadas nas planilhas de memórias de cálculo Item 4 - ajustes itens impod", "item 5 — cálculo PRL60 — SP" e "item 5 — cálculo do PRL20 — SP", e que foram realizados (consumidos) no ano ora fiscalizado. No caso de insumos importados de vinculadas utilizados na produção de outros itens, considerou-se como estoque inicial a soma da quantidade do item importado propriamente dito mais a quantidade proporcional do mesmo dentro do estoque inicial dos seus respectivos produtos finais, conforme "DEMONSTRATIVO DA QUANTIDADE DO ITEM IMPORTADO NOS ESTOQUES DO PRODUTO FINAL - MÉTODO PRL 60%" (em anexo), elaborado de acordo com os dados apresentados pela fiscalizada através das planilhas 7b Livro Geral PH CV e NCH.xls" (fls. 204 a 366) e "8 Relação dos Itens PH CV e NC .xls", fls. 191 a 201). A apuração dos ajustes dos estoques iniciais pela fiscalização consta do ''DEMONSTRATIVO DO AJUSTE DO ESTOQUE INICIAL — MÉTODO PRL 60% (em anexo). 6-2- Do ajuste das importações de vinculadas realizadas no ano Na apuração das quantidades importadas em 2003 ajustadas pelo método PRL com margem de 60%, a quantidade realizada no ano foi diminuída da quantidade ajustada do estoque inicial, foram consideradas as quantidades referentes à participação do item importado nos produtos finais em estoque inicial, assim como as quantidades referentes a essa participação em estoque final, conforme descrito no item anterior. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 6 A apuração dos ajustes das importações pela fiscalização consta do "DEMONSTRATIVO DO AJUSTE DAS IMPORTAÇÕES CONSUMIDAS EM 2003 (-) ESTOQUE INICIAL # MÉTODO PRL 60%" (em anexo). 7-DO RESUMO DOS ITENS AJUSTADOS E DO AJUSTE TOTAL Na apuração do ajuste final do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, a fiscalização considerou os ajustes declarados pela fiscalizada na DIPJ/2004, em relação a alguns dos itens importados ajustados pela fiscalização, de acordo com os valores discriminados na planilha de ajustes (fl. 157), combinada com os dados constantes dos arquivos "item 5 — cálculo PRL60 — SP" e "item 5— cálculo do PRL20 — SP", já que os ajustes efetuados pela fiscalizada foram apurados englobando diversos itens importados (em desacordo com a legislação), mas lançados na planilha de ajustes (fl. 157) em relação a apenas alguns itens. A apuração detalhada do ajuste final do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL consta do "DEMONSTRATIVO DO AJUSTE DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL EM 2003" (fls. 1319 e 1320), Em resumo, foram ajustados os seguintes valores: Método de Ajuste Total (R$) . PRL-60% - Ajuste do estoque inicial R$ 29.127.704,01 PRL-60% - Ajuste das importações do ano R$117.546.460,35 Ajuste total apurado R$146.674.164,36 (-) Ajuste declarado na DIPJ/2004 (*) (-)R$ 10.590.628,00 AJUSTE FINAL R$136.083.536,36 (*) Ajuste da fiscalizada referente a alguns dos itens ajustados pela fiscalização. 8-DA GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS A fiscalizada foi intimada a apresentar documentação comprobatória de eventual importância paga, creditada ou remetida a não-residente no Pais no ano-calendário de 2003 a titulo de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes, deduzida da apuração do lucro. Em resposta, a fiscalizada afirmou que não foi efetuado qualquer pagamento a titulo de royalties, mas sim a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, fls. 666, apresentando documentação referente a pagamentos efetuados a "K.J.Bradley Consulting Inc.", "Fiberlink Comunications", "MCI" e "Dimension Data" (fls. 670 a 780). A fiscalizada foi então intimada a apresentar documentação comprobatória, nos termos dos artigos 354 e 355 do RIR/99. Em reposta, a fiscalizada afirmou se tratar de prestação de serviço estrangeiro sem transferência de tecnologia. Diante disso, e considerando não se tratar de operações entre vinculadas, a fiscalização passou a analisar a documentação apresentada à luz da regra geral de dedutibilidade de despesas operacionais, prevista no artigo 299 do RIR/99, segundo o qual devem ser observados os requisitos de necessidade e usualidade. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 4 7 Considerando que apenas o contrato firmado com "K.J.Bradley Consulting Inc." (fls. 675 a 683) continha os elementos necessários à analise dos requisitos legais, a fiscalização intimou a fiscalizada a apresentar, em relação aos valores pagos a "Fiberlink Comunications", "MCI" e "Dimension Data" (fls. 670 a 780), cópia dos contratos de prestação de serviços e/ou assistência técnica, devidamente assinados pelas partes e redigidos no idioma nacional ou traduzido, considerando o disposto nos artigos 224 da Lei n° 10.406/2002 (Código Civil), 156 e 157 da Lei n° 5.869/73 (Código de Processo Civil) e 129 da Lei n° 6.015/73 (Lei dos Registros Públicos). Os documentos solicitados não foram apresentados, consoante afirmação da própria fiscalizada (fls. 786 a 807). Nesse caso, já que a falta de elementos que demonstrassem, especificamente, quais os serviços contratados impediu a avaliação da necessidade, usualidade ou normalidade desses serviços, impõe-se a glosa dos respectivos dispêndios, relacionados à fl. 1285 (pagamentos a "Fiberlink Comunications", “MCI" e "Dimension Data", no total de R$ 103 925,90). No tocante aos pagamentos efetuados a "K.J.Bradley Consulting Inc.", referentes a consultoria de Projeto de Gestão Integrada de Recursos e Processos —"Projeto PEP/SAP", verificou-se que em alguns períodos foram indevidamente apropriados valores superiores aos efetivamente pagos, de acordo com a documentação bancária apresentada (fls. 700 a 713). As diferenças indevidamente apropriadas correspondem aos valores devidos a titulo de IRRF e CIDE, conforme registros efetuados em 08/10/2003 e 30/10/2003 (fls. 791 e 792) e cotejados com os DARFs apresentados (fls, 698, 699 e 712). Tais diferenças foram objeto de glosa, conforme discriminado à fl. 1285 (total de R$ 33.270,99). 9-DA AUTUAÇÃO APARTADA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL • Os valores que serviram de base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano- calendário de 2003, no montante de R$ 136.220.733,25, reduziram o prejuízo e a base de cálculo negativa da CSLL apurados pela empresa no período, assim como o saldo de períodos anteriores, conforme "DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS" (fl. 1321) e "DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS" (fl. 1322). A redução do saldo de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores teve reflexo sobre a compensação destes nos anos subseqüentes, mormente no ano-calendário de 2006, ano em que foi compensado o último saldo remanescente, assim como nos períodos posteriores, até a última DIPJ entregue. As DIPJs/2008, referentes ao período de junho a dezembro de 2007 e de janeiro e fevereiro de 2008, entregues em maio de 2008, ainda em processamento, foram apresentadas pela fiscalizada juntamente com os respectivos recibos de entrega. As declarações referente ao período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2008 encontram-se as fls. 1209 a 1269. No cálculo do saldo remanescente foram consideradas as cisões parciais realizadas pela fiscalizada em 2006, 2007 e 2008, consoante as informações declaradas nas respectivas DIPJs. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 8 Em razão das cisões parciais, as glosas a título de compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL foram lançadas separadamente e constam dos seguintes processos (inicialmente juntados por apensação e posteriormente juntados por anexação ao presente processo, conforme despacho de fl. 2053): As referidas glosas encontram-se demonstradas às fls 2077, 2078, 2079, 2122, 2124, 2181 e 2183. DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos: Ano calendário 2003 (preço de transferência e glosa de despesas, processo n° 16561.000076/2008-85) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), (Auto de Infração fls. 1323 a 1328), fundamento legal artigos 241, 249, inciso I, 251 e § único, 299 e 300 do RIR/99, no valor total de R$ 48.370.375,87, fl. 2.219, (incluindo multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2008); Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), (Auto de Infração fls. 1329 a 1334), fundamento legal artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002, no valor total de R$ 17.282.585,28, fl.2.219, (incluindo multa de 75% e juros até 30/06/2008). Período de 04/01/2006 a 31/12/2006. Compensação indevida. Processo 16561.000083/2008-87 IRPJ (AI fls.2081 a 2085), no valor total de R$ 7.711.761,60; CSLL (AI fls. 2086 a 2090), no valor total de R$ 2.256.626,82 Período de 03/01/2007 a 01/06/2007. Compensação indevida. Processo 16561.000086/2008-11 IRPJ (AI fls. 2126 a 2130), no valor total de R$ 5.379.004,31; CSLL (AI fls. 2131 a 2135), no valor total de R$ 1.929.955,83. Período de 02/06/2007 a 01/02/2008. Compensação indevida. Processo 16561.000087/2008-65 IRPJ (AI fls. 2185 a 2190), no valor total de R$ 6.032.203,20; CSLL, fls. 2191 a 2196, no valor total de R$ 2.090.009,56. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 22/07/08 (fls. 1326, 1332, 2084, 2089, 2129, 2134, 2189 e 2195), a contribuinte, par meio de seu advogado, regularmente constituído (fls. 1355 e 2028), apresentou, em 21/08/2008 as impugnações de fls. 1342/1352 referente ao processo n° 16561.000076/2008-85), fls. 1513/1522),ao processo n° 16561.000083/2008-87, fls. 1684/1693, ao processo n° 16561.000086/2008-11 e fls. 1854/1863, ao processo n° 16561.000087/2008-65, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 5 9 PRELIMINARMENTE Do cerceamento de defesa pela ausência de Auto de Infração Consta do Termo de Verificação Fiscal que o mesmo " é parte integrante e indissociável do Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, em razão dos fatos e fundamentos a seguir exposto”. Todavia, a impugnante não teve ciência do mencionado Auto de Inflação, o que impossibilita que a impugnante se manifeste sobre o montante do tributo que teria sido objeto de lançamento de oficio, bem como da multa e juros sobre ele incidentes. Logo, verifica-se que não foi atendido o comando do artigo 9 o . do Decreto n° 70.235/72, tendo a impugnante seu direito de defesa cerceado, razão pela qual deve ser declarado nulo o presente feito. O método PRL utilizado pela impugnante é aplicável à espécie De acordo com o § 1° do artigo 4° da IN SRF n° 243/2002, "A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam o art. 8°, a alínea "b" do inciso IV do art. 12 e o art.13" . Nesse sentido foi proferida a Solução de Consulta da COSIT n° 9, de 30/05/2003, dando aplicação expressa às normas supracitada. E segundo a alinea "d" do inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, o método PRL com margem de 60% deverá ser aplicado "na hipótese de bens importados aplicados a produção de outro bem, podendo-se aplicar o mesmo método com margem de 20% "nas demais hipóteses". Ou seja, a aplicação do método PRL com margem de 20% só é vedada na hipótese de bens importados aplicados à produção de outro bem. E foi precisamente isso que fez a impugnante: aplicou o método PRL com margem de 20% pois os produtos por ela importados não são produtos aplicados é produção de outro bem, mas permanecem sendo os mesmos bens importados. No caso em tela, os princípios ativos importados, apesar de repartidos uniformemente em quantidades usadas para fins terapêuticos, não modificaram sua essência de medicamento. A respeito desse tema, a impugnante traz aos autos (fls. 1345 a 1350) manifestações doutrinárias de Luis Eduardo Schoueri, Paulo de Barros Carvalho e Heleno Taveira Torres. Ao não aceitar a aplicação do método PRL com margem de 20%, a fiscalização incorreu em manifesto equivoco, já que a margem de 60% por ela utilizada só seria aplicável aos casos em que houvesse produção de novo bem, o que não ocorreu na espécie. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 10 Nesse aspecto, inclusive, cumpre ressaltar que a OCDE expressamente admite a utilização do método PRL, como pode ser observado pelo item 2.22 da obra "Transfer Pricing Guidelines For Multinational Enterprises And Tax Administrations". É oportuno destacar que no item 12 da Exposição de Motivos da Lei n° 9430/96, o Governo Brasileiro deixou claro que o modelo de controle de preços adotado pelo nosso País procurou acompanhar e estar em consonância com as normas e orientações traçadas pela OCDE. Diante do exposto, o entendimento da fiscalização não deve ser acatado. As despesas de serviços contratados foram necessárias, usuais e normais Conforme demonstram os documentos aqui acostados, as despesas deduzidas pela impugnante se referem a serviços prestados que guardavam absoluta conexão com a manutenção de sua atividade econômica. DO PEDIDO Diante do exposto, requer que seja declarado nulo o presente feito, por cerceamento de defesa da impugnante. Caso assim não se entenda, que seja cancelado em face das razões de mérito. A DRJ/SPOI decidiu a questão por meio do Acórdão 16-20.435, de 16/02/2009, julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2006, 2007, 2008 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AGREGAÇÃO DE VALOR. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. GLOSA DE DESPESAS. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. INADMISSIBILIDADE. Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira (no caso, juntados pela contribuinte para comprovar a necessidade de despesas) deverão ser traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. Prova não aceita e glosa de despesas mantida. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. Mantida a atuação relativa aos ajustes relativos a preços de transferência e à glosa de despesas operacionais, há que se manter também, como conseqüência, a autuação por compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende, à CSLL. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 6 11 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 12 O recurso é tempestivo e assente em lei, portanto, dele conheço. Inicialmente, não vislumbro nos autos do presente processo, causa para a alegação do cerceamento do direito de defesa pela ausência do Auto de Infração ou de sua ciência. Conforme afirmado no voto do acórdão recorrido, vê-se, perfeitamente, que os mesmos (autos de infração) encontram-se anexados às fls. 1323/1334, 2081/2090, 2126/2135 e 2185/2196, da mesma forma, confirma-se a ciência datada em 22/07/2008, às fls.1326, 1332, 2084, 2089, 2129 2134, 2189 e 2195. Demais peças (por exemplo Termo de Verificação Fiscal, etc.) encontram-se anexados ao presente processo. Por assim dizer rejeito a preliminar de nulidade do feito. Ressalte-se, que a discussão no presente processo, igualmente da impugnação, encontra-se relacionada a dois tópicos: (I) aplicação do método PRL com margem de 20% ou com margem de 60% e, (II) se as despesas de serviços contratados foram necessárias, usuais e normais. Afirma a própria recorrente que “a alinea "d" do inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, o método PRL com margem de 60% deverá ser aplicado "na hipótese de bens importados aplicados a produção de outro bem, podendo- se aplicar o mesmo método com margem de 20% "nas demais hipóteses". Ou seja, a aplicação do método PRL com margem de 20% só é vedada na hipótese de bens importados aplicados à produção de outro bem.” Por pertinente transcrevo a legislação citada: Preços de Transferência. Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I - Método dos Preços Independentes Comparados - PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II - Método do Preço de Revenda menos Lucro - PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1.= sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 7 13 2.= vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000).” A recorrente alega que aplicou o método PRL20 pois os produtos por ela importados não são aplicados à produção de outros bens, mas permanecem sendo os mesmos bens importados. Cita vasta doutrina a respeito da matéria. Pois bem, a recorrente contesta o fato de a fiscalização ter desconsiderado com relação a alguns produtos, o método PRL20, por ela adotado, e ter recalculado os correspondentes ajustes segundo o método PRL60. A autoridade fiscal constata que, “esses produtos não tiveram saída direta, tendo havido agregação de valor aos "itens importados em relação ao produto final comercializado, portanto, não é possível a utilização do método PRL20 (sendo, no entanto, possível a utilização do método PRL60), na interpretação a contrário senso do § 9°, do artigo 12, IN SRF n° 243/2002,” in verbis: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I - dos descontos incondicionais concedidos; II - dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III - das comissões e corretagens pagas; IV - de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computando-se as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 14 § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I - referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II - Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I - incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II - impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III - comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindo-se o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I - preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 16561.000076/2008-85 Acórdão n.º 1301-000.451 S1-C3T1 Fl. 8 15 II - percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III - participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV - margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V - preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV.” Aduz mais, a autoridade autuante: “a contribuinte alega, sem trazer aos autos qualquer comprovação, que os produtos por ela importados não são produtos aplicados à produção de outro bem. No entanto, conforme se observa do "DEMONSTRATIVO DE AGREGAÇÃO DE VALOR AOS ITENS IMPORTADOS — ITENS NÃO REVENDIDOS DIRETAMENTE" (fls. 1291/1297), nenhum dos produtos objeto de autuação foi .revendido diretamente; todos integraram produtos finais diferentes, conforme se observa dos códigos relacionados (de itens e de produtos). Inclusive, alguns itens importados fazem parte de inúmeros produtos finais, com diferentes proporções, conforme o citado demonstrativo.” Dessa forma, não procedem as alegações da recorrente contrárias á desconsideração, no caso, do método PRL20 e a adoção do método PRL60, haja vista que à época dos fatos geradores foi aplicada a legislação pertinente, conforme citada acima. Por fim, com relação a glosa de despesas operacionais consta no voto do acórdão guerreado que: (I) “deveu-se à não comprovação de sua necessidade (relativas às empresas Fiberlink Comunications, a MCI e a Dimension Data), visto que a documentação apresentada em língua estrangeira (não traduzidos) não podem ser aceitos e, (II) em parte por a contribuinte haver apropriado valores superiores aos efetivamente pagos (relativas à empresa K.J.Bradley Consulting Inc.)”. Inclusive com relação a esta última a recorrente não faz qualquer alegação pelo que deve ser mantido. Relativamente às despesas consideradas não comprovadas pela fiscalização no valor total de R$ 103.925,90, relativas às empresas Firberlink Comunications, MCI e Dimension Data, é de apreciar a argumentação da recorrente acerca da necessidade, usualidade e normalidade. Da leitura dos aludidos contratos e documentos anexados vê-se claramente que trata-se de contratos com empresas de informática e telecomunicações (docs. de fls. 2266 a 2331), dos quais não resta dúvidas quanto sua conexão com a manutenção da atividade da contribuinte. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 16 Concluo, desta maneira, que atendidas as condições básicas de dedutibilidade e não estando registrada qualquer irregularidade formal ou jurídica nos documentos exibidos como notas fiscais e contratos de prestação de serviços, nem mesmo irregularidades quanto a pagamentos ou situação cadastral das prestadoras de serviços, é de se admitir sua dedutibilidade. Relativamente à compensação de prejuízos glosada, deve ser ajustado o seu valor ao provimento parcial ora concedido. Assim, diante do que consta do processo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da tributação a parcela de R$ 103.925,90 relativa à glosa de despesas de prestação de serviços, bem como proceder ao ajuste à conta de prejuízos compensados em decorrência do provimento parcial ora concedido. Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 24/12/2010 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 19/01/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004715/2003-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 08/05/2001
PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA DOMICILIADA NO EXTERIOR.
A remuneração pelos serviços prestados, por residente ou domiciliado no exterior, está sujeito à incidência do imposto de Renda Retido na Fonte, qualquer que seja a forma do pagamento destes serviços. O fato gerador da obrigação ocorre no primeiro ato cometido pela fonte pagadora que identifique a disponibilização da renda ao beneficiário, que no caso em exame ocorreu em 08/05/2001.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.692
Decisão: Acordam os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - 1RRF Data do fato gerador: 08/05/2001 PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA DOMICILIADA NO EXTERIOR. A remunei ação pelos serviços prestados, por residente ou domiciliado no exterior, está sujeito à inciancia do imposto de Renda Retido na Fonte, qualquer que seja a forma do pagamento destes serviços. O fato gerador da obrigação ocorre no primeiro ato cometido pela fonte pagadora que identifique a disponibilização da renda ao beneficiário, que no caso em exame ocorreu em 08/05/2001. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator EDITADO EM: g 3 0E7. an Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 02-14.595, proferido pela 3" Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 122/135), que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação declarada neste processo . Os fatos e fundamentos jurídicos do pedido de compensação em exame foram resumidos no acórdão de primeiro grau nos seguintes termos: Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), informando a compensação de debito de CORNS-2172, no valor de RS 230.048,69, mediante a utilização de "pagamento indevido/a maioi" pretensamente ocorrido em 08/05/2001, no valor de R8171.371,19 (fls.. 01/02). 2. Verificando a DCOMP apresentada pelo contribuinte, a DRF/Belo Horizonte- MG emitiu em 07/07/2006 o Despacho Decisório anexado as Es, 88 a 90, nos seguintes termos: ". .ainda que os pagamentos por serviços prestados sejam efetuados inediante entrega de numerário banco contratado para financiar a operação, ocorreu o fato gerador do imposto tal como previsto no ai t 116 do CTN ( Lei a" 5. 172, de 2.5/10/1966), eis que verificadas as eh cunstrincias materiais necessárias que produza efeitos próprios. [.]Verifica-se, assim, que a empresa interessada não era detentora de crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional no valor original de R$ 171.37119 eta 08/05/2001, sendo inaceitável a compensação realizada " Tendo em vista a constatação da inexistência do crédito utilizado, a DRF NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada pelo contribuinte 3. Cientificado do procedimento aos 12/07/2006, conforme AR-Aviso de Recebimento anexado à fl. 95, o contribuinte apresenta aos 11/08/2006, através dos Correios (fl. 97), a manifestação de inconformidade anexada às fls. 98 a 105, onde resumidamente alega: • No ano de 2001 a JICESITA firmou uma prestação de serviços com a empresa fi ancesa denominada Stein Heurtey, serviços estes que foram prestados na forma pactuada contiatualmente.. • A ACESITA desejava pagar tais serviços corn tun financiamento a ser obtido no exterior.. Contudo, o financiamento — por entraves burocráticos — não foi concedido a tempo de pagai pelos sea viços prestados, assim, restou à recorrente guitar os valm es por lima remessa própria de munerário à empresa francesa (EUR 488.849,01), pagando, para tanto a impoi kincia de R$ 171 371,19 a titulo de 1RRF-remessa pala o exterior em 08/05/2001 • Poster ioi mente, tendo obtido o mencionado financiamento por parte do Banco BNP Paribas, recebeu os valores de volta, o banco quitou a obrigação junto ao prestador dos serviços e a ACESITA passou apagar ofinanciamento junto ao Banco BNP Paribas 2 Processo n" 10680 004715 12003-34 82-C1 -1- 1 Acinddo n. 2101-00.692 Fl 711 • O pagamento do .financiamento passou a ser realizado e o 1RRF incidindo sabre o principal e juros- de mora. Apresenta planilha demonstrativa à fl. 99. • Entendendo que o fato gerador do IRRF na primeira remessa, tendo em vista a devolução subseqüente, não se realizou, a empresa realizou tuna compensação coin a COFINS apurada em 31/03/200.3, com vencimento para 15/04/2003, con/brine Declaração de Compensação juntada aos autos. • Em momento algum a ACESITA discute a incidência ou não do IRRF sobre o principal pago no financiamento, mas sim o valor de R$ 171.371,19 que foi pago quando da primeira remessa, para quitação dos serviços realizados, mar este valor foi devolvido remetente algunt tenzpo depois. • Fica evidente no.s autos que o aspecto material da hipótese de incidência é o recebimento de rendimentos, ganhos de capital e demais proventos. Ilustra seu entendimento com ementas de "SoluçOes de Consulta" prolatadas pela la e 9 RegiCies Fiscais da SRRF. • No imposto de renda na fonte de remessas para o exterior aplicam-se as mesmas regras do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, ou seja, "há uma presunção de riqueza de tuna pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, por isso, o aspecto material será sempre a renda presumida, o aspecto pessoal será o residente no exterior (contribuinte) e o temporal a remessa dos valores". • Adotar o que consta da decisão, que o fato gerador seria apenas a remessa, estaríamos diante de um tributo sobre as despesas das empresas no exterior e não sabre as remessas, pois quem exerceria (art. 121, CTN) o aspecto material seria o próprio remetente (e ele não oufere renda, mas sim gasta com o pagamento dos serviços), bem como perderia o sentido do que consta no próprio art 685 do RIR/99. Transcreve passagens de tributaristas renomados. • Com a devolução dos rendimentos pelo beneficiário demonstra-se a inexistência do fato gerador em sett aspecto material, ensejando o direito de restituição/compensação pleiteado nos' presentes autos Conclui sua argumentação da seguinte forma: "Isto posto, requer a requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, para que seja honzologada compensação efetuada na sua integralidade. De toda forma, enquanto não decidida a presente maniftstação, protesta pela internipção da prescrição dos valores das remessas subseqüentes, pois há consenso de que o tributo foi recolhido a maior, sendo a discussão aqui somente de qual remessa, se da primeira ou das subseqüentes." 4. Tendo em vista a apresentação da Manifestação de Inconformidade, a DRF encaminha o processo a esta DRJ, para manifestação acerca da lide (fl. 121). Submetida o litígio a julgamento, o Órgão julgador a quo indeferiu a compensação pleiteada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto • Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador. 08/05/2001 3 PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOA DOMICILIADA NO EXTERIOR A remuneraçáo pelos serviços pastados por residente ou domiciliado no exterior está sujeito ao Imposto de Renda Retido na Fonte, qualquer que seja a forma do pagamento destes serviços, O fato gerador da obrigação ocorre no primeiro ato cometido pela fonte pagadora que identifique o airferimento da renda pelo beneficiário DECLARAÇÃO DE COMPENSA CÃO - IRRF Na Declaração de Compensação somente podem Ser utilizados os créditos comprovadan2ente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Compensação não Homologada O recurso voluntário interposto (fis. 140/149) reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, e comenta os fundamentos da decisão recorrida. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos 0 recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verifica-se que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. De fato, os fundamentos declinados rio voto condutor do Acórdão recorrido abordou minuciosamente as questões suscitadas pela interessada (fls. 125/135), em consonância com o entendimento deste Colegiado sobre a matéria, razão pea qual os adoto como razões de decidir.. Com efeito, não se vislumbra na hipótese em exame as causas indicadas no artigo 165 do CTN a dar suporte à repetição do indébito, pleiteada pela recorrente. O pagamento não foi indevido nem a maior, já que houve a remessa para o exterior e o recolhimento do IRRF em 08/05/2001, no valor de R$171.371,19, foi calculado corretamente, sob base de cálculo e aliquota aplicáveis. Se a retenção não tivesse suporte cm remessa efetuada ou se esta fosse indevida, poder-se-ia cogitar de pagamento indevido do IRRF. Entretanto, este não é o caso. Realizada a hipótese de incidência segue-se o dever de pagar o tributo. A devolução superveniente não ocorreu pela inexistência de causa do pagamento a dar ensejo à repetição do indébito, mas devido a uma operação financeira, que se encontra fora da hipótese de incidência. A devolução da remessa anteriormente recebida pela Stein Heutey à Acesita, em 10/07/2001, por conta do financiamento bancário obtido no exterior ., para pagamento da obrigação, superveniente à prestação do serviço (assistência técnica), remessa e retenção na fonte, em nada altera os aspectos do fato gerador do IRRF já ocorrido, tat como previsto no artigo 116 do CTN, eis que verificadas as condições materiais necessárias a que se produza os efeitos que normalmente lhe são próprios, A remessa foi efetuada em contraprestação aos 4 Processo n' 10680 004715/2003-34 S2-C1T1 Acórdiio n 2101-00,692 Fl 712 serviços de assistência técnica prestados em território nacional por domiciliado no exterior: trata-se de uma despesa para o contratante dos serviços (recorrente) e de renda para o beneficiário do pagamento, sujeito, portanto, à incidência do IRRF. Relevante para a questão 6: a disponibilidade dos rendimentos ocorreu e sobre ele incidiu o imposto. 0 contribuinte do imposto é aquele titular da disponibilidade (o domiciliado no exterior), sendo o recorrente responsável pela satisfação da obrigação, decorrente de expressa disposição em lei. A remuneração pelos serviços prestados, por residente ou domiciliado no exterior, está sujeito a. incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, nos termos do artigo 682 e 685 do RIR199, qualquer que seja a forma do pagamento destes serviços , O imposto não incide propriamente sobre a remessa, mas sobre a renda, auferida por parte da pessoa estrangeira, quando a fonte pagadora é nacional. A remessa, o crédito em conta, a entrega, são apenas os meios utilizados pelo legislador para identificar o momenta da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (renda), conforme art. 43 do CTN. O fato gerador da obrigação ocorre no primeiro ato cometido pela fonte pagadora que identifique a disponibilização da renda ao beneficiário, que no caso em exame ocorreu em 08/0512001, e o recolhimento do imposto retido deve ser efetuado na data da ocorrência do fato gerador, no caso de rendimentos atribuidos a residente ou domiciliado no exterior, conforme dispõe o artigo 865 do RIR199. As soluções de consulta transcritas no recurso dispõem neste sentido. Por fim, não cabe a este Colegiado deliberar sobre o pedido da recorrente para interrupção do prazo prescricional, em relação aos valores das remessas subseqüentes, já que esta matéria tem regramento especifico no Código Tributário Nacional. Se houve recolhimento indevido de IRRF não foi sobre a remessa questionada neste recurso, conforme assinalado no Despacho Decisório DRF/BHE de n° 657, de 07 de julho de 2006, às fls. 88/90. Por outro lado, a substituição do crédito utilizado na DCOMP cuja compensação não foi homologada pela DRF equivale à apresentação de nova DCOMP, conforme explanado na decisão recorrida. Este procedimento encontra-se expressamente vedado pelo inciso V do parágrafo 3' do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, na redação dada pela Lei IV 11.051, de 2004. Em face ao exposto, ner provimento ao recurso. JOSÉ RA1MtJb IFbSTA SANTOS 5
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Numero do processo: 19679.013246/2004-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PERC INCENTIVO FISCAL. FINOR. PRAZO PARA APLICAÇÃO EM
PROJETOS DE TERCEIROS. A aplicação no fundo poderia ser feita até a
vigência da MP 2.145/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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FINOR. PRAZO PARA APLICAÇÃO EM PROJETOS DE TERCEIROS. A aplicação no fundo poderia ser feita até a vigência da MP 2.145/2001. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Relatório ANGLO AMERICAN OF SOUTH AMERICAN LTDA (INCORPORADA POR ANGLO AMERICAN DO BRASIL) recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): 1. Tratam os presentes autos de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC (fls. 01 e 02), formulado pela pessoa jurídica acima identificada. 2. À fl. 342 dos autos, há a “INTIMAÇÃO Nº 169/2006”, da DERAT/DIORT/ECRER/SPO, através da qual o Contribuinte foi intimado a “TOMAR CIÊNCIA do parecer, em anexo, apensado à fl. 342 do mesmo”, comunicando-se também o prazo de 30 dias para apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pelo órgão. Conforme “AR” anexo à fl. 343, a intimação foi recebida em 19/01/2006. Nos autos do presente processo administrativo, não encontramos a decisão proferida pela Autoridade Fiscal. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada em 17/02/2006 (fls. 344 a 352). 3. Na manifestação de inconformidade, à fl. 346, o Requerente reproduz parte da decisão que indeferiu o seu pleito, sendo que tal se deu pela informação prestada pela Administração do FINOR/FINAM à Secretaria da Receita Federal de que o Contribuinte não está enquadrado no art. 9º da Lei nº 8.167/91, não possuindo direito ao incentivo requerido. 4. Através da Intimação nº 1444 (fl. 293), o Contribuinte havia sido intimado a apresentar declaração se possuía, conforme art. 32, IV, da MP nº 2.157/2001, e art. 9º da Lei nº 8.167/91, projeto aprovado como beneficiário das aplicações no FINOR, FINAM, FUNRES, protocolizado até 02/05/2001 e em situação de regularidade. 5. Em atendimento à Intimação nº 1444, o Contribuinte apresentou resposta às fls. 294 a 297. Defendeu o direito ao incentivo, alegando que indeferi-lo constituiria ofensa ao direito adquirido como também aos princípios da irretroatividade das normas, da isonomia, da equidade e da segurança jurídica. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 6. A Interessada tomou ciência do despacho decisório em 19/01/2006 e apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 344 a 351 em 17/02/2006, alegando, contra o indeferimento de seu pedido, as razões a seguir sintetizadas. 7. Inicialmente, a Interessada indicou à fl. 345 os três motivos iniciais que ensejaram o indeferimento de seu pleito (ocorrências 11, 14 e 16). Como a decisão recorrida apenas se referiu à ocorrência 16 – ausência de projetos próprios, conclui que as outras duas não são mais óbices para o reconhecimento do direito da empresa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.013246/2004-39 Acórdão n.º 1402-00.228 S1-C4T2 Fl. 2 3 8. Em seguida, disse que os contribuintes podiam aderir aos investimentos no FINOR/FINAM/FUNRES deferidos, até o mês de dezembro de 2013, conforme art. 4º da Lei nº 9.532/97, mediante recolhimento mensal de parte do imposto devido, ou na declaração de rendimentos apresentada no ano seguinte. A opção adotada foi a da entrega da sua declaração de rendimentos, apresentada em 28/06/2002, em “investimento em projeto de terceiros”. Essa modalidade de investimento só foi extinta a partir da Medida Provisória nº 2.199-14/2001. 9. Como os investimentos no FINOR/FINAM/FUNRES em projetos de terceiros só foram extintos a partir da MP nº 2.199-14, de 24/08/2001, deve ser assegurado o incentivo em análise relativamente ao imposto de renda pago ao longo de todo o ano de 2001, sob pena de ofensa ao direito adquirido, garantido pelo art. 4º da Lei nº 9.532/97 e depois pelo art. 3º da MP nº 2.158/2000 e reedições. Outra interpretação também estaria afetando o princípio da irretroatividade das leis, ao fazer com que os efeitos da MP nº 2.199-14, de 24/08/2001, retroagissem. 10. O princípio da isonomia também estaria sendo atingido, na medida em que os investimentos feitos pela Recorrente com a opção feita com a entrega da declaração estariam sendo negados, em relação àqueles que o fizeram mediante recolhimentos mensais, cujo direito foi assegurado até agosto de 2001. 11. Pelos motivos expostos, conclui a Manifestante pela ilegalidade e inconstitucionalidade da não atribuição dos seus investimentos no FINOR, pleiteando o deferimento de seu pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais. A decisão da DRJ traz a seguinte ementa: INCENTIVO FISCAL. FINOR. PRAZO PARA APLICAÇÃO EM PROJETOS PRÓPRIOS. A aplicação no fundo fica assegurada até o final do prazo previsto para a implantação do projeto, desde que a pessoa jurídica tenha exercido o direito até 02/05/2001 e o projeto esteja em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de matérias que questionam a constitucionalidade/legalidade de legislação tributária é de competência reservada ao Poder Judiciário. Cientificado em 30/07/2007, fl. 372-verso, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/08/2007, alegando que: [ . . . ] I I - D O DIREITO 11.1 - IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO EM RAZÃO DE SUPOSTAS PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO AO FISCO SEM OPORTUNIZAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE - DA AUSÊNCIA DE PRAZO LEGALMENTE DETERMINADO PARA APRESENTAR PROVA DE REGULARIDADE FISCAL Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 Não obstante a r. decisão recorrida disponha expressamente que a autoridade fiscal não teria analisado a regularidade fiscal da Recorrente, uma vez que a entrega da DIPJ após o dia 02/05/2001 seria motivo suficiente para o indeferimento do pleito, constou, expressamente, no "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais", como ocorrência impeditiva do pleito, a questão da regularidade fiscal da Recorrente perante a SRF e ao FGTS, conforme relatado anteriormente. Além disso, a r. decisão recorrida dispõe claramente que o entendimento da Recorrente quanto às ocorrências relativas a sua regularidade fiscal estaria equivocadas, posto que, além da "ocorrência 16" (data da entrega da DIPJ), as demais ocorrências seriam impeditivas à emissão do certificado de investimento. Em razão disso, cumpre destacar, desde já, que, uma vez superada a ocorrência que, no entendimento no I. Julgador "a quo", impediria a opção pelo investimento em tela, ou seja, a opção manifestada após 02/05/2001, as demais ocorrências apontadas no extrato não, também têm o condão de justificar o indeferimento do pleito, posto que referidas irregularidades, além de absolutamente improcedentes, delas a empresa não foi previamente intimada para se manifestar e exercer o seu legítimo direito de defesa. E como se sabe, nessas situações, antes da emissão do extrato "zerado", o contribuinte deve ser intimado a apresentar prova de sua regularidade. O que não ocorreu no presente caso. Com efeito, pode o contribuinte, a qualquer tempo, durante o processo de análise do incentivo, apresentar a prova de quitação de seus débitos ou comprovar que os mesmos estão com sua exigibilidade suspensa. Isto porque, a Lei n° 9.069/95, apenas condiciona a concessão à prova da regularidade fiscal do contribuinte, todavia, não estipula o prazo que essa prova pode ser feita. Diante disso, é certo que a prova deve e pode ser feita em prazo razoável, de forma a não inviabilizar o exercício do amplo direito de defesa do contribuinte, nem anular o direito ao benefício. [...] 11.2 - DA DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELA ORA RECORRENTE PA EXISTÊNCIA, EM NOME PRÓPRIO, DOS PROJETOS DO FINOR/FINAM/F1NRES PARA SER BENEFICIÁRIA DO INCENTIVO FISCAL Conforme se infere da r. decisão recorrida, o I. Julgador "a quo" indeferiu o PERC formulado pela empresa por entender que a mesma não possui projetos próprios no FINOR/FINAM, nos termos do art. 9o da Lei n.° 8.167/91, bem como que a DIPJ foi entregue pela ora Recorrente após a data limite para concessão do referido incentivo fiscal, ou seja, 02/05/2001. Entretanto, tal entendimento, "permissa venia", está completamente equivocado, visto que os investimentos no FINOR/FUNRES/FINAM - deferidos, até o mês de dezembro de 2013, pelo artigo 4o, da Lei n° 9.532/97, e, depois, pelo art. 3o, da MP 2.058, de 23/08/00 e reedições - e cuia opção, assegurada ao contribuinte do imposto de renda, poderia ser feita a) mediante o recolhimento mensal de parte do imposto devido, em DARF com código de receita específico ou b) por ocasião da entrega da DIPJ do ano-calendário correspondente, na medida em que a aplicação nesses investimentos só foram extintos, na modalidade de investimento em projeto de terceiros, a partir da Medida Provisória n° 2.199-14, de 24/08/2001. No caso concreto, a modalidade de investimentos utilizada pela ora Recorrente foi exclusivamente "investimentos em projetos de terceiros". Logo não há que se falar em inexistência de projeto próprio de investimentos, pois nesse fundos, pois a aplicação em projetos de terceiros, conforme acima citado, somente foi extinta em agosto de 2001. Tanto é assim, que a própria Secretaria da Receita Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.013246/2004-39 Acórdão n.º 1402-00.228 S1-C4T2 Fl. 3 5 Federal divulgou os códigos de receita para o investimento mensal nesses incentivos até o mês de agosto de 2001 (Ato Declaratório Executivo Cosar n° 95, de 10 de julho de 2001), só os extinguindo a partir de setembro de 2001 (Ato Declaratório Executivo Cosar n° 125, de 15 de agosto de 2001) É certo, também, que mesmo após essa extinção da opção de investimento no FINOR em projetos de terceiros, veiculada pela MP n° 2.199-14, de 24/08/2001, deve ser assegurado o incentivo em análise relativamente ao imposto de renda pago ao longo de todo o ano de 22001, sob pena de ofensa ao direito adquirido daqueles que, como a ora Recorrente, contando com a possibilidade que lhes era deferida até 2013 - inicialmente pelo artigo 4 o , da Lei n° 9.532/97 e, depois, pelo art. 3 o , da MP 2.058, de 23/08/00 e reedições - deixaram de fazer e/ou de investir em projetos próprios, para fazer esse investimento nos fundos em análise. Realmente, não poderia o Governo Federal, conceder incentivos fiscais com o período pré-determinado e no meio do jogo, mudar as regras e pretender que as mesmas se apliquem imediatamente. Devem, quando menos, ser assegurados os direitos relativos ao ano-calendário de 2001 daqueles que já haviam cumprido naquele ano todos os requisitos necessários para a fruição do investimento em questão, em projeto de terceiros, sendo o principal deles, o pagamento do imposto de renda em referido exercício. E qualquer Interpretação contrária, além de contrariar o direito adquirido e o princípio da irretroatividade das normas (situações anteriores, pagamentos anteriores, projetos próprios anteriores engavetados, em razão da opção pelo investimento em projeto de terceiros, assegurada até 2.013, são atingidos em cheio), vai também contra o princípio da isonomia. Isso porque não se considerou os investimentos feitos pela ora Recorrente, com base nos seus recolhimento de IRPJ relativos ao ano de 2001, na forma que lhe era legalmente assegurada (opção somente por ocasião da entrega da DIPJ), quando, em sentido diametralmente oposto, foi assegurado o direito a esse mesmo investimento àgueles gue fizeram a opção com base em recolhimentos mensais, em códigos específicos. Realmente, não se pode tratar diferentemente contribuintes que, para todos os efeitos legais, referentes ao incentivo do FINOR (aqueles que optaram por fazer o investimento mediante recolhimentos mensais e aqueles que fizeram a opção na DIPJ, no ano seguinte, como Shes era facultado), encontram- se na mesma situação, assegurando-se o investimento e os respectivos certificados aos primeiros e negando-se esse direito adquirido ao segundo grupo. Com efeito, ao assim proceder, a autoridade fiscal responsável pela emissão do extrato de incentivos ora contestado, bem como a r. decisão recorrida transformaram uma OPÇÃO legal (investimento mensal ou na DIPJ) em armadilha, ceifando, com isso, o direito adquirido daqueles que optaram, como a lei lhes assegurava, por fazer a opção de investimento na declaração a ser apresentada em 2001, e tratando diferentemente os iguais, com a violação aos princípios máximos da isonomia, da equidade e da segurança jurídica.[...] É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza - Relator Recurso tempestivo. Trata-se de pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais do ano calendário de 1999 cuja a opção foi realizada na DIPJ/2000. Conforme extrato de fl. 3, a emissão à época não ocorreu pelos seguintes motivos: - falta de regularidade fiscal; - ausência de projetos próprios. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, quanto a regularidade fiscal, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii)quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. É pacifico neste Conselho que o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está subordinado à comprovação da regularidade fiscal até a data da formulação do pedido, constante da DIPJ, e é sob este enfoque que deverá ser analisado o PERC apresentado pela contribuinte. Neste sentido, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão da lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, entendeu que para fins de cumprimento do aludido art. 60, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. O enunciado nº 37 da súmula do CARF, estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.013246/2004-39 Acórdão n.º 1402-00.228 S1-C4T2 Fl. 4 7 a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Considerando que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito, não sendo possivel identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes. Todavia, no que concerne a ausência de projetos próprios, não assiste razão ao contribuinte. Verifica-se pela documentação apresentada pelo contribuinte, fls. 227 e seguintes, a inexistência de recolhimentos mensais para aplicação em fundos de incentivos fiscais. Os recolhimentos foram apenas do tributo. Isso está confirmado na DIPJ/2002, entregue pelo contribuinte em 27/05/2002 (fl. 276). Toda argumentação do contribuinte tem aplicação para as opções feitas na DIPJ/2001 relativas ao ano-calendário de 2000, mesmo que não houvessem recolhimentos mensais, tal qual decidido no acórdão No. 107-08652, proferido em 26/07/2006, cuja ementa foi transcrita na peça recursal: INCENTIVOS FISCAIS – ANO CALENDÁRIO DE 2000 – MP 2.145/01 – REVOGAÇÃO - INDEFERIMENTO – RESPEITO AO DIREITO ADQUIRIDO E AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS – GARANTIA - O contribuinte, a luz da lei vigente no ano calendário de 2000, teve assegurado o direito de destinar parte do imposto de renda pago em incentivos fiscais. A MP 2.145/01, em respeito ao direito adquirido e ao princípio da irretroatividade das leis, evidentemente não teria o condão de revogar esse direito sob o argumento de que a opção, realizada quando da tempestiva entrega da DIPJ, fora feita quando o incentivo já se achava revogado. A opção feita quando da tempestiva entrega da declaração, é, por assim dizer, ato de manifestação de direito que já se incorporara ao patrimônio do contribuinte, pelo que este pode e deve, no âmbito do processo administrativo fiscal, ver solucionado o litígio instaurado quando do protocolo do denominado PERC, em que buscava assegurar o reconhecimento do direito aos incentivos que postulara. o artigo 50, inciso XVIII, da Medida Provisória n°2.145, de 02.05.2001, estabelece: "Art. 50. Ficam revogados:(...) XVIII— o inciso Ido art. 1° da Lei n°8.167, de 16 de abril de 1991;" Por sua vez, o artigo 1°, inciso I, da Lei n° 8.167/191 possui a seguinte redação: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 "Art. 1°. A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao período-base de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I — no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazónia (Finam) (Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Económica do Espírito Santo (Funres) (Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V);" A Medida Provisória n° 2.145 foi editada em 02.05.2001, portanto, a revogação trazida em seu bojo — em face do principio constitucional da irretroatividade -, se aplicar em relação aos fatos geradores de imposto de renda ocorridos a partir daquela data, ou melhor, a partir do ano calendário de sua edição. Com efeito, a opção pelo incentivo em projetos de terceiros formalizada quando da entrega da DIPJ/2002, sem ter havido recolhimentos por estimativa até maio/2001 é inócua.. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000569/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos.
PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA.
As infrações decorrentes de presunções legais, impõem ao sujeito passivo o dever de provar a respectiva improcedência, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos; não tendo a contribuinte apresentado qualquer documentação que pudesse descaracterizá-las, as exigências fiscais devem ser
mantidas.
PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO.
Uma vez presentes os pressupostos legais para imposição da multa de ofício, não é cabível sua exoneração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO
CARF.
Nos termos da súmula nº 2 do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Os juros de mora devem ser aplicados sem prejuízo da aplicação da multa de ofício, nos termos do caput do art. 161 do CTN.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Nos temos da súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB, são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-000.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência da contribuição para o PIS e COFINS, dos fatos geradores de julho e agosto de 2002, suscitada de ofício, e no mérito, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto Gomes de Alencar votaram pelas conclusões, em relação à preliminar. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que foi substituído pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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DECADÊNCIA. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. As infrações decorrentes de presunções legais, impõem ao sujeito passivo o dever de provar a respectiva improcedência, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos; não tendo a contribuinte apresentado qualquer documentação que pudesse descaracterizá-las, as exigências fiscais devem ser mantidas. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. Uma vez presentes os pressupostos legais para imposição da multa de ofício, não é cabível sua exoneração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Nos termos da súmula nº 2 do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Os juros de mora devem ser aplicados sem prejuízo da aplicação da multa de ofício, nos termos do caput do art. 161 do CTN. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Nos temos da súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB, são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência da contribuição para o PIS e COFINS, dos fatos geradores de julho e agosto de 2002, suscitada de ofício, e no mérito, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto Gomes de Alencar votaram pelas conclusões, em relação à preliminar. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que foi substituído pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata-se de recurso interposto contra decisão da Turma Julgadora que considerou os lançamentos do IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS, dos anos- calendário dos anos de 2002 e 2004, procedentes. Foi aplicada a multa de ofício de 75%. A empresa que apresentou DIPJs relativas aos anos-calendário de 2002 pelo lucro presumido e de 2004 pelo lucro real, foi acusada das seguintes infrações: a) falta ou insuficiência de recolhimento de imposto – 3º e 4º trimestres do ano de 2002; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa – anos de 2002 e 2004: Parte do saldo credor de caixa foi apurado em razão da recomposição da conta caixa, mediante inclusão de remessa ao exterior, em 19.08.2002, no montante de US$ 50 mil via Beacon Hill Service Corporation; a outra parte refere-se a indicação do saldo credor na conta caixa; c) omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade – ano de 2004 (remessas ao exterior, via LESPAN, casa de câmbio uruguaia); d) omissão de receitas caracterizada por suprimento de numerário sem comprovação de origem ou efetividade da entrega – ano de 2004. A partir do relatório contido na decisão da Turma Julgadora transcrevo os argumentos apresentados na impugnação: • preliminarmente, o processo administrativo estaria desprovido de elementos essenciais para seu processamento, devendo ser anulado, uma vez que não se encontra o mandado de procedimento fiscal (MPF) assinado pela autoridade fiscal competente para tanto, instrumento necessário nos termos da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, I com as diversas alterações que instituiu a Portaria RFB n° 4.066, de 2007; • no mérito, a autuação fiscal carece de base legal capaz de lhe dar arrimo; • a empresa, nos últimos anos, vem passando por diversas transições em relação à política de trabalho, bem como em relação ao próprio quadro de funcionários, o que é um processo moroso e sofrível, que gera constantes demissões e contratações e outros ajustes necessários; • vem sofrendo com a ausência de mão-de-obra qualificada, notadamente na parte fiscal-contábil, sendo que nos últimos 3 anos teve uma grande rotatividade nos profissionais dessa área, e muitos documentos fiscais não estão mais em sua posse, quiçá por patente, má-fé dos citados profissionais; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 • por tal motivo não foi possível atender integralmente as requisições de documentos pela fiscalização, não obstante grande parte ter sido atendida; • buscando expandir suas atividades, a empresa passou a investir parte de seu capital em empresas que prospectam clientes fora do país e, para tanto, passou a utilizar serviços de empresas de captação de mercado; • tal investimento nada trouxe de lucros, eis que nenhum negócio foi prospectado; • toda a contratação, desenvolvimento e acompanhamento dos trabalhos realizados por tais empresas eram feitos pelo setor contábil, que, como já salientado, sofreu grande rotatividade nos últimos anos, o que acaba acarretando prejuízos na demonstração da regularidade de seus atos; • assim, quanto ao mérito, informa que não houve omissão de receitas, e a remessa ao exterior tipificada justifica-se pelos motivos apresentados; • a autoridade exacerbou na designação da multa a ser cobrada, uma vez que arbitrou em percentual totalmente elevado, afrontando o determinado na legislação fiscal, pois imputar multa excessivamente onerosa é desprestigiar a boa-fé do contribuinte, conforme jurisprudência pacífica de nossos tribunais superiores; • ademais a própria Constituição Federal (CF), no art. 150, IV, veda a utilização de tributos com efeito de confisco, tanto é assim que a Lei no 9.298, de 1° de agosto de 1996, acrescentou um parágrafo ao artigo 52, limitando as multas de mora a dois por cento do valor da prestação; • deve-se ressaltar, ainda, que a Administração Pública deve obediência ao princípio da moralidade, contido na CF, art. 37, caput; • por analogia e em respeito ao princípio da isonomia, supondo- se que a incidência da multa fosse permitida, o percentual máximo para sua aplicação seria de 2% (dois por cento); • além da multa moratória, estão sendo aplicados juros da mesma natureza, o que é absurdo, uma vez que apenas um tipo desse acréscimo deveria compor o débito; • além disso, não é possível verificar se está ocorrendo o chamado anatocismo, isto é, a capitalização dos juros de uma importância emprestada, o que é ilegal, conforme Súmula 121 do Suprem Tribunal Federal (STF); • a taxa Selic é uma correção monetária que favorece tão- somente embargada, ferindo o princípio da isonomia, e, se for entendida com taxa de juros, desrespeita a limitação prevista na CF, além de violar s princípios da estrita legalidade, da anterioridade e da capacidade contributiva; • a taxa Selic não deve ser utilizada em créditos tributários como juros de mora, dado seu caráter remuneratório e considerando a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 3 5 vedação imposta pelo Código Tributário Nacional (CTN), art. 161, de juros superiores a 12% ao ano; • não existe lei instituindo a taxa Selic para cálculo de juros de créditos tributários, havendo indubitável ofensa ao princípio da legalidade e da indelegabilidade dos poderes; • a aplicação de juros deve-se limitar ao percentual de 1% (um r cento) ao mês, previsto na CF, art. 192, § 3°, e no CTN, art. 161. Requereu o recebimento e procedência da preliminar alegada e, quanto o mérito, o total provimento da impugnação, cancelando o auto de infração e/ou a multa impo ta e os juros de mora. As ementas proferidas pela Turma Julgadora são as seguintes: LIVROS E DOCUMENTOS. CONSERVAÇÃO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. A inobservância de normas administrativas relativas ao MPF é insuficiente para caracterizar a nulidade do lançamento de oficio. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas de provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação. o pelo julgador administrativo. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 17.12.2008 e o recurso foi apresentado em 16.01.2009. No recurso, a contribuinte reiterou os argumentos de mérito apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. A contribuinte, no ano-calendário de 2002 optou pelo regime do lucro presumido e em 2004, apurou o lucro, pelo regime do lucro real. As infrações apuradas são: a) falta ou insuficiência no recolhimento de IRPJ e de CSLL do 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 2002; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa apontado na sua escrituração no 3º e 4º trimestre do ano-calendário de 2002 e ano-calendário de 2004 c) omissão de receitas caracterizada por falta de escrituração de pagamentos efetuados (remessas para o exterior), no ano-calendário de 2004; d) omissão de receitas caracterizada por falta de comprovação de suprimento de numerário no ano-calendário de 2004 Embora a contribuinte não tenha alegado, constato que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição para o PIS e a COFINS dos períodos de apuração de 07/2002 e 08/2002, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 26.09.2007, ocasião em que já havia decorrido mais de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, a seguir transcrito. Por ser matéria de ordem pública, pode ser suscitada de ofício. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 4 7 Em relação ao mérito, quanto à infração de falta ou insuficiência de IRPJ e de CSLL, do 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 2002, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum argumento específico. As demais infrações referem-se à acusação de omissão de receitas decorrentes de diferentes presunções legais. A contribuinte foi acusada da infração de omissão de receitas caracterizada pela indicação na escrituração de saldo credor de caixa e também pelo saldo credor de caixa decorrente da recomposição da conta caixa, mediante a inclusão de remessa ao exterior, a que se refere o art. 281, I, do RIR/99. Transcrevo o art. 281 do RIR/99: Art.281.Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I- a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II- a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III- a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Em relação a essa acusação, a contribuinte não apresenta qualquer documentação que pudesse provar a improcedência da presunção. A outra acusação fiscal diz respeito à omissão de receitas, caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos efetuados, a que se refere o art. 281, II, do RIR/99, acima transcrito, sendo que também para essa acusação, a recorrente não traz aos autos qualquer prova documental que pudesse descaracterizar a presunção. Resta ainda, a infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimentos de numerários não comprovados, a que se refere o art. 282 do RIR/99, abaixo transcrito. Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Também para essa infração, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que pudesse descaracterizar a presunção; Essas infrações decorrentes de presunções legais, impõem ao sujeito passivo o dever de provar a improcedência das mesmas mediante a apresentação de documentos hábeis Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 e idôneos, entretanto, como já afirmado anteriormente, a contribuinte não apresentou qualquer documentação que pudesse descaracterizar as mencionadas presunções. De forma genérica, a recorrente em seu recurso aborda sua dificuldade com relação a transição com política de trabalho que teria gerado constantes demissões e contratações, ausência de mão de obra qualificada, principalmente do setor contábil e fiscal, tendo como conseqüência que muitos documentos não estariam mais em sua posse, e que por essa razão somente atendeu em parte às solicitações da fiscalização. Afirma ainda, que buscando expandir suas atividades, passou a investir parte de seu capital em empresas que prospectam clientes fora do país, e para tanto passou a utilizar serviços de empresas de captação de mercado, sendo que tal investimento não teria gerado lucros, pois nenhum negócio foi prospectado, e que toda a contratação, desenvolvimento e acompanhamento dos trabalhos realizados por tais empresas eram feitos pelo setor contábil, o qual sofreu grande rotatividade nos últimos anos, o que acabou acarretando prejuízos na demonstração da regularidade de seus atos. Constata-se, que são meras alegações e que nada provam em relação à acusação fiscal de omissão de receitas, caracterizada pelo saldo credor de caixa, suprimento de numerário cuja origem e efetividade não foi comprovado e falta de escrituração de pagamentos, sendo que o ônus da prova, nas situações especificadas, é do sujeito passivo. Ademais, nos termos do art. 264 do RIR/99, cabe à pessoa jurídica a obrigação de conservar em ordem, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes. A contribuinte se insurge contra o lançamento da multa de 75%. Conforme o disposto no art. 44, da Lei 9.430/96, nos casos de lançamento de ofício, não estando caracterizado o evidente intuito de fraude, situação em que aplica-se a multa de 150%, exige-se o percentual de 75%, de que trata o inciso I, desse artigo. Presentes os pressupostos legais, correta a aplicação da multa de ofício. Quanto ao argumento de confisco, ressalta-se que este colegiado nos termos da súmula CARF, a seguir transcrita, não é competente para se pronunciar sobre constitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Argumenta a recorrente, que ou se deveria exigir a multa de ofício ou os juros de mora. O seu argumento não tem base legal. Os juros de mora devem ser aplicados independentemente da aplicação da multa de ofício, nos termos do caput do art. 161 do CTN, a seguir transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 5 9 Sobre os argumentos relativos à aplicação da taxa selic como juros de mora, aplica-se a súmula nº 4 do CARF, a seguir transcrita: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Quanto ao alegado anatocismo, conforme já registrou a Turma Jugadora, os juros de mora aplicados com base na taxa selic são calculados pela soma dos valores mensais, como juros simples, e não como juros compostos. Portanto, não há que se falar em anatocismo. Do exposto, oriento meu voto, para acolher a preliminar de decadência da contribuição para o PIS e COFINS, do fato gerador de julho e agosto de 2002, suscitada de ofício, e no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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