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Numero do processo: 10845.004725/2003-40
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Atividade Vedada. Produtor de Espetáculos e Publicitário. Não caracterização.
A filmagem e edição de imagens, para comerciais veiculados na televisão não se confunde nem se assemelha à coordenação e intermediação da captação de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros empregados na produção de espetáculos audiovisuais, atividades típicas do produtor de espetáculos.
Igualmente descabida a equiparação dessas atividades à de publicidade e propaganda. Como é cediço, o filme é exclusivamente um meio para a veiculação da campanha coordenada pelo publicitário.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.572
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Atividade Vedada. Produtor de Espetáculos e Publicitário. Não caracterização. A filmagem e edição de imagens, para comerciais veiculados na televisão não se confunde nem se assemelha à coordenação e intermediação da captação de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros empregados na produção de espetáculos audiovisuais, atividades típicas do produtor de espetáculos. Igualmente descabida a equiparação dessas atividades à de publicidade e propaganda. Como é cediço, o filme é exclusivamente um meio para a veiculação da campanha coordenada pelo publicitário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Numero do processo: 10980.007704/2005-93
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
Ementa: DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Nos termos do art. 113, § 3º, do CTN, o simples fato da inobservância da obrigação acessória converte-a em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.092
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 Ementa: DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Nos termos do art. 113, § 3º, do CTN, o simples fato da inobservância da obrigação acessória converte-a em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Numero do processo: 13839.001346/2003-75
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1997
PROCESSO FISCAL. PRAZOS. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado fora do prazo acarreta em preclusão, impedindo o julgador de conhecer as razões da defesa. Perempto o recurso, não há como serem analisadas as questões envolvidas no processo (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972).
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 303-35.135
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1997 PROCESSO FISCAL. PRAZOS. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado fora do prazo acarreta em preclusão, impedindo o julgador de conhecer as razões da defesa. Perempto o recurso, não há como serem analisadas as questões envolvidas no processo (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
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A Delegacia da Receita Federal em Jundiai apreciou a solicitação da interessada, ressalvando, de inicio, que, como a empresa nunca foi optante do Simples, a solicitação dela é na verdade de inclusão retroativa no Simples coin data de 01/01/1997, fundamentada no ADI SRF re 16, de 02/10/2002. Não obstante a contribuinte estar desde o ano-calendário de 1997 comportando-se como optante do Simples, pela entrega das declarações simplificadas e pelos recolhimentos coin código 6106, a DRF indeferiu seu pedido porque a atividade de prestação de serviços de manutenção de balanças, constante de seu ato constitutivo, veda a opção pelo Simples, conforme art. 9 0, inciso XIII, da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996, por caracterizar presta cão de serviços profissionais de engenheiro. Cientificada do indeferimento de seu pleito, em 06/01/2005 N. 27v), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 25/01/2005 (fls. 31/33), na qual alega: I — Fatos Conforme Processo n- 13839.001346/2003-75, no uso de sua competência, através do Art. 1" Declara excluído do regime Fiscal do Simples o contribuinte supramencionado, a partir de 1997, por Atividade Econômica Vedada conforme Fundamentação Legal descrita no Ato Declaratório. II — O Direito II. I -Preliminar Conforme na Lei no 9.317/96, no Capitulo V, das Vedações Opção, Art 9° Alterado pelo art. 6" da lei 9.779/99, parágrafo interprete-se: Processo n° 13839.001346/2003-75 Acórdão n.° 303-35.135 CC03/CO3 Fls. 61 - Exclusão é indevida, já que conforme a Lei 9732 de 11 de Dezembro e 1998, publicada no Diário Oficial da União de 14/12/1998 em seu artigo 15: II — a partir do inês subseqüente aquele em que se proceder a exclusão, ainda que de oficio, on virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9 0. - A Secretaria da Receita Federal não permitiu ao contribuinte as possibilidades prévias de defesa, violando, neste ponto, o principio constitucional do devido processo legal, previsto no artigo 5", LIV e LV, da Constituição Federal de 1998. - A cobrança retroativa também se afigura inconstitucional, já que a Secretaria da Receita Federal anuiu coin a inclusão de referidas empresas no Simples a época da inscrição manifestando-se - mesmo por omissão — favoravelmente ao enquadramento dos micro e pequenas da Lei n0 9.317/96. - Se a Secretaria da Receita Federal alterou sua interpretação acerca das atividades econômicas passives de se inscreverem no Simples, não pode aplicar referido método de maneira retroativa, malferindo o principio constitucional da irretroatividade da norma jurídica tributária, ex vi do artigo 150, III, a, da Carta Política. III — Conclusão A vista de todo exposto demonstrado a insubsistência e improcedência do Processo n- 13839.001346/2003-75, aos postulados constitucionais da iS011omia, da capacidade con tributiva e da proporcionalidade, afeta aos contribuintes e pautada pelos princípios constitucionais de isonomia, da legalidade e da equidade e s6 repara uma situação de desigualdade até então existente de forma in justificada, esperam e requerem a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o procedimento fiscal reclamado." Fundamentado no acima exposto, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas (SP), indeferiu a solicitação As fls. 41/43, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 1997 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPERTINÊNCIA. Não ton pertinência coin o indeferimento de pedido de inclusão no Simples a manifestação de inconformidade que traz apenas argumentos referentes a exclusão dessa sistemática. Processo n° 13839.001346/2003-75 Acórdão n.° 303-35.135 CC03/CO3 Fls. 62 Solicitação Indeferida." Ciente A fl. 46, da decisão proferida, o contribuinte apresenta intempestivamente o Recurso Voluntário de fls. 47/48, no qual reitera os argumentos já apresentados e acrescenta que: Não houve intenção de fraudar o fisco e sim apenas desinforma cão, já que considerava estar incluída na opção Simples desde o ano- calendário de 1997, requer por esse motivo a consideração do pedido de inclusão no Simples desde esse período; As atividades exercidas pela empresa não se enquadram no inciso XIII da Lei 9317/96, pois não utiliza serviços profissionais de engenheiro e sim apenas conserto de balanças eletrônicas e mecânicas, o que exige somente qualificaçâo técnica; S Não é necessário para as atividades do contribuinte, os serviços de profissionais de engenharia, tal a simplicidade do trabalho realizado. Diante do exposto, requer a revogação da decisão de primeira instância e enquadramento na opção SIMPLES. No processo em foco, a SACAT constatou A fl. 54, procedimentos contrários ao Decreto 70235/72, decorrentes da falta de encaminhamento do recurso voluntário intempestivo ao Conselho de Contribuintes, para julgamento da perempção. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 04/12/2007, em um único volume, constando numeração até As fl. 57, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo A Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. 110 t o relatório. Processo n° 13839.001346/2003-75 Acórdão n.° 303-35.135 CC03/CO3 Fls. 63 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Dou inicio à análise dos autos, tendo em vista tratar-se de matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. Inicialmente, cabe ao Relator observar se foram cumpridos pela Recorrente os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, sem os quais, impossível a apreciação do mérito. De pronto, esclareça-se que o art. 35 1 do Decreto 70.235, de 06 de mat-go de 1972 — PAF determina a remessa do Recurso Voluntário h. Segunda Instância, ainda que o mesmo seja perempto, para que se julgue a perempção. E, no que concerne ao prazo de interposição do Recurso Voluntário, como se verifica do Aviso de Recebimento juntado aos autos às fls. 46, a Recorrente fora intimada da decisão singular em 25/05/2006 (no endereço constante às fls. 06, 08, 19, 23, 29, 31 e 37), tendo, a partir desta data, o prazo fatal de 30 dias para apresentação do Recurso Voluntário, na forma do Decreto n° 70.235/72, que dispõe: "Art. 33 — Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes h. ciência da decisão." Em observância ao artigo supracitado e aplicando-se a regra para contagem dos prazos estabelecida no artigo 5° c/c parágrafo Unico 2 do mesmo Decreto, verifica-se que o prazo fatal para a apresentação do recurso fora dia 26/06/2006 , tendo o contribuinte se manifestado somente em 30/06/2006, conforme protocolo constante às fls. 47, bem como informação de fls. 49 e termo de perempção constante as fls. 54, o que importa na constatação da intempestividade do protocolo da peça recursal. 1 Art. 35 - 0 recurso, mesmo perempto, sera encaminhado ao órgão de segunda instancia, que julgará a perempção. ,, Art. 5° - Os prazos serão continuos, excluindo-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. • Processo n° 13839.001346/2003-75 Acórdão n.° 303-35.135 .. CC03, CO3 Fls. 64 Diante do exposto, não é de se tomar conhecimento do Recurso Voluntário apresentado tardiamente, por intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2008 2l'ON LU ARTO - Relator • 6
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000497/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
OBRIGAÇÃO DE RETER.
A empresa está obrigada legalmente a reter a contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço e recolher o montante aos cofres da Seguridade Social.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.541
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO DE RETER. A empresa está obrigada legalmente a reter a contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço e recolher o montante aos cofres da Seguridade Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO - Relator Participaram, do presente julgamento, o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Wilson Antonio de Souza Correa, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Trata o presente processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD n.º 37.196.340-0, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho e lavrada contra a contribuinte já qualificada. O crédito diz respeito às contribuições dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço a empresa autuada, as quais deixaram de ser descontadas das remunerações desses trabalhadores. O valor consolidado em 17/11/2008 assumiu o montante de R$ 339,10 (trezentos e trinta e nove reais e dez centavos). De acordo como relato do Fisco, fls. 13/15, a entidade deixou de descontar a contribuição dos segurados contribuintes individuais (autônomos), conforme discriminativo colacionado. Foram juntadas ainda cópias dos recibos relativos aos pagamentos efetuados. O sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 46/50, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de julgamento de primeira instância, que declarou procedente o lançamento, fls. 128/132. Inconformada a entidade autuada interpôs recurso voluntário, fls. 135/139, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a autuação é nula, posto que lavrada durante a vigência da Medida Provisória n. 446/2008, a qual considerava regulares as entidades filantrópicas que ostentavam as condições da recorrente; b) a entidade requereu ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS revalidação de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), achando-se o respectivo processo em fase de análise, desde 16 de junho de 2006. Nesse sentido, não pode ser penalizada pela inércia do órgão requerido; c) a farta documentação acostada demonstra que a recorrente é uma autêntica entidade filantrópica, que presta serviços a comunidade na qual está inserida há mais de 50 anos; d) vinha apresentando anualmente ao INSS os relatórios de suas atividades, nos quais requeria a manutenção dos benefícios fiscais de que sempre gozou, não tendo a Autarquia Previdenciária afastado expressamente as suas postulações em nenhum momento. e) a decisão recorrida desconsiderou os relatórios apresentados, apegando-se tão somente à necessidade de pedido específico de isenção; f) não haveria sentido em apresentar o Relatório Anual e o Balanço Patrimonial não fosse para manter os benefícios fiscais que a legislação lhe conferia; g) a decisão hostilizada deixou de apreciar de modo exaustivo todos os pontos deduzidos em sede de impugnação. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12963.000497/2008-22 Acórdão n.º 2401-01.541 S2-C4T1 Fl. 142 3 Ao final, pede que o seu recurso seja provido e, consequentemente, seja reconhecida a improcedência do auto de infração atacado. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Cabe inicialmente destacar que os valores lançados no presente auto de infração dizem respeito à contribuição dos segurados contribuintes individuais que o sujeito passivo teria a obrigação legal de reter e repassar à Seguridade Social e não o fez. A citada obrigação foi instituída, para fatos geradores ocorridos a partir da competência 04/2003, pela MP n. 83/2002, a qual foi convertida na Lei n. 10.666/2003, consistindo no dever das empresas de arrecadar a contribuição previdenciária do contribuinte individual a seu serviço, mediante desconto de 11%(onze por cento) na remuneração paga ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado no mês seguinte, até o vencimento. Eis o texto legal: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.(...) Portanto, verifica-se que o lançamento não trata de contribuições patronais, mas a contribuição dos segurados, a qual a entidade, independentemente de gozar do benefício da isenção fiscal, estava legalmente obrigada a efetuar a retenção e recolhimento à Seguridade Social. De acordo com o § 5. do art. 33 da Lei n. 8.212/1991 1 , esse desconto presume-se efetuado, respondendo a empresa pelas retenções que deixou de efetuar. Nesse sentido, os argumentos do recurso que tratam do suposto direito à isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária são impertinentes na situação em tela, posto que, conforme já assinalei, o lançamento refere-se a contribuição dos segurados. Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso, negando-lhe provimento. 1 Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (...) Fl. 154DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12963.000497/2008-22 Acórdão n.º 2401-01.541 S2-C4T1 Fl. 143 5 Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Fl. 155DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007872/00-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 301-01.420
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10166.005611/2002-85
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Mar 04 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 105-01.372
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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Numero do processo: 13116.000638/2004-27
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício; 2000
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A suposta nulidade do auto de infração, por insuficiência na
descrição dos fatos e contradição entre seus elementos, não
merece guarida, haja vista que a descrição dos fatos e o
enquadramento legal constam de forma escorreita do auto de
infração, que discrimina a diferença de imposto apurada. De todo
modo, qualquer irregularidade restou superada no decorrer do
contencioso, pois o vicio formal convalesce quando a parte dá
mostras de que bem entendeu a imputação e se defende
amplamente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Uma vez que o contribuinte trouxe averbação parcial da área de
reserva legal declarada, deve-se entender a existência do direito de exclui-la parcialmente da base de cálculo do imposto no período.
VTN MÍNIMO. REVISÃO.
A revisão do VTN mínimo para fins da base de cálculo do ITR
exercício 2000 somente é possível na forma da lei, devendo ser o
laudo técnico revestido das formalidades previstas nas normas da
ABNT.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 302-39.302
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pela recorrente e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso quanto A área de reserva legal,
nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente) e Nanci Gama que davam provimento integral, e por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao VTN, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A suposta nulidade do auto de infração, por insuficiência na descrição dos fatos e contradição entre seus elementos, não merece guarida, haja vista que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constam de forma escorreita do auto de infração, que discrimina a diferença de imposto apurada. De todo modo, qualquer irregularidade restou superada no decorrer do contencioso, pois o vicio formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez que o contribuinte trouxe averbação parcial da área de reserva legal declarada, deve-se entender a existência do direito de exclui-la parcialmente da base de cálculo do imposto no período. VTN MÍNIMO. REVISÃO. A revisão do VTN mínimo para fins da base de cálculo do ITR exercício 2000 somente é possível na forma da lei, devendo ser o laudo técnico revestido das formalidades previstas nas normas da ABNT. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 cA.A__ C7<----'-C JUDITH 111 MARAL MARCONDES ARMANDO'- Presidente Processo no 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 141 ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pela recorrente e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso quanto A área de reserva legal, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente) e Nanci Gama que davam provimento integral, e por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao VTN, nos termos do voto do relator. CORINTHO OLWEH4A MACHADO - Relator Participaram, ainda, do presente jiIgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ricardo Paulo Rosa e R sa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausentes o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. iff 2 Processo no 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 142 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Por meio do auto de infração/anexos de fls. 01/09, o contribuinte em referencia foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 12.687,70, correspondente ao lançamento do ITR do exercício de 2000, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 31/05/2004, incidente sobre o imóvel rural "Fazenda Olho D 'Agua" (NIRF 2.874.371-7), com 2.622,0 ha, localizado no município de Sao Domingos - GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2000 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 10 e 11), iniciou-se com a intimação de fls. 12/13, recepcionada em 14/04/2004 ("AR" de .11s. 14), exigindo-se que fossem apresentados, no prazo de 20 dias, os seguintes documentos de prova: I" - documentação probatória da averbação da reserva legal em Cartório de Registro de Imóveis, à margem da matricula do imóvel , em data anterior a do fato gerador do ITR (01/01/2000), conforme art. 10, §1", inciso II, tetra. "a", da Lei 9.393/96 e art. 16, §20, da Lei 4.771/65, com redação dada pelo art. 1 0, da Lei 7.803/89; 2" - documento probatório do ingresso, junto ao IBAMA, da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental; 3' - Nota Fiscal de venda ou transferência, ou outro documento qualquer, probatória da colheita oriunda do plantio feito durante o ano de 1999 no imóvel em questão, conforme art. 10, § 10, inciso V. letra "a" da Lei 9393/96; e, 4" - Notas Fiscais de aquisição de vacinas (maio e novembro de 1999) ou copia autenticada da Ficha de Controle de Vacinação da Agência Rural ou qualquer outro documento probatório da existência de gado em suas pastagens ao longo de ano de 1999, conforme art. 10, §1", inciso IV, letra "b", da Lei 9.393/96 e art. 25 do Decreto n" 4.382/02; e, 5" - Laudo de Avaliação (nível de precisão normal ou rigorosa), conforme preconizado na NBR 8799 da ABNT. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 15/16, 17, 18 e 1 9. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2000, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, alterando a área utilizada como pastagens de 1.873,0 ha para 1.949,0 ha e glosar II totalmente as áreas declaradas como de utilização limitada (622,4 ha) 3 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 143 e a utilizada com produtos vegetais (76,0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 288.420,00, que entendeu subavaliado, para R$ 374.946,00, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIFT. Desta forma, foi aumentada a área tributada do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização dessa nova área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado — devido a glosa da área de utilização limitada declarada e ao novo valor atribuído pela fiscalização -, bem como a respectiva aliquota de calculo, alterada de 0,30% para 1,60%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 02. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos ás folhas 03, 06 e 07. Da Impugnacdo Cientificado do lançamento em 21/06/2004 (AR de .fls. 20), o interessado apresentou em 16/07/2004 a impugnação de fls. 26/33, acompanhada dos documentos de .fls.34, 35/43, 44/46, 47/48 e 49, alegando, em síntese, que: .faz uni relato sobre o auto de infração; • a glosa da área de utilização limitada teve como fundamento, a falta de comunicação ao IBAMA da área declarada pelo ora impugnante em sua declaração de ITR, de 622,4 hectares, exercício 2000; • partindo dessa suposta infração, principiou o autuante, refazimento da mencionada declaração, fazendo-o pelo simples expurgo da mencionada circa do respectivo documento declaratório, não a adicionando em nenhum dos itens de distribuição de área, constante do Demonstrativo de apuração do ITR; • transcreve o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 60, de 06 de junho de 2001, para demonstrar que o auditor equivocou-se; • pela simples leitura do texto legal acima transcrito, conclui-se facilmente que é imprescindível que haja averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, da área de reserva legal; • no caso em questão, a área declarada como Reserva Florestal foi averbada no Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato (1°) de Notas, município e comarca de São Domingos - GO, registrada sob os n° R-01-Matricula 599, L° 2-B, .fls. 74, na data de 22 de setembro de 1989; • portanto, a área de reserva legal glosada pelo fisco existe desde 1989 e foi gravada como de utilização limitada pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal - IBDF, órgão responsável a época, pela 1 . fiscalização e constatação das áreas de utilização limitada. Conforme se verifica no Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, 4 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 144 anexado a presente, o IBDF declara que a área descrita em tal documento foi localizada dentro da propriedade; • o certo é que, a falta de comunicação ao IBAMA, da área de preservação permanente, não tem o condão de diminuir o grau de utilização da área do imóvel, para qualquer efeito, pois, em momento algum, pode ser desprezada, como fez o fisco, uma vez provado de maneira irrefutável, que a área de reserva legal é existente e real. Por lado, também improcedente a pretensão fiscal; • cita o artigo 3 0 da MP 2.166/2001, que alterou o artigo 10 da Lei n° 9.393/96, para dizer que, se inexiste a exigência de prévia comprovação da circa de reserva legal junto ao IBAMA, não há que se falar em prazo de entrega de Ato Declaratório Ambiental, .ficando improcedente o trabalho fiscal; • cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes em caso similar,. • finalmente, foi a mesma sanada através de comunicação protocolizada junto ao IBAMA; • quanto ao que concerne à última acusação fiscal, tendente a não aceitação do valor da terra nua levado a efeito pelo Impugnante, sob a alegação personalistica de não apresentação do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, também não encontra na unidade da ordem jurídica tributaria, e, principalmente, na norma de regência da matéria ora questionada; • coin efeito, nos precisos termos da Lei n° 9.393/96, artigo 14, o Valor da Terra Nua - VTN declarado pelo Impugnante, só poderia ser desconsiderado, caso se verificasse .falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, ou fraudulentas; • cabe registrar que da peça fiscal não consta nenhuma informação no sentido de ter o hnpugnante incorrido em qualquer das situações enumeradas na norma, para que pudesse ser desconsiderado o valor para estabelecimento de base imponivel do tributo; • dispõe o artigo 8, ,sç 20, da Seção V. da Lei 9.393/96, que o VTN - Valor da Terra Nua, será considerado auto-avaliação da terra nua a prep de mercado e o cita; • não obstante, impende ressaltar, que o Impugnante cumpriu ern todos os sentidos, as exigências legais no que diz respeito ao estabelecimento do Valor da Terra Nua (Valor de Mercado), já que colheu 02 (dois) Laudos de Avaliação de profissionais do ramo, procedimento este, que, data maxima vênia, não pode ser rejeitado de forma simplista como pretende o ilustre autuante, com simples insinuações e alegações destituídas de qualquer prova; • nesse item, evidentemente, peca o lançamento por falta dos requisitos de forma exigidos para sua feitura, quer pela insuficiência na II descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, que efetivamente, não permitindo ao Impugnante conhecer com nitidez a 5 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 145 acusação que lhe é imputada, acarretou sua inconteste nulidade por falta de contendo ou objeto, na medida que não restou provada a materialização da hipótese de incidência ou irregularidade cometida, na avaliação procedida que instruiu sua declaração; • portanto, resta claramente demonstrada completa falta de juridicidade da pretensão fiscal e, conseqüentemente, a inconteste ilicitude da acusação .fiscal; • clama o Impugnante pelo julgamento procedente da vertente impugnação, ordenando-se o cancelamento do questionado lançamento. A DRJ em BRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento, ficando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 Ementa: DA NULIDADE. Não hcí que se falar em nulidade do auto de infração, estando as matérias tributadas devidamente caracterizadas e compreendidas pelo contribuinte, possibilitando a ampla defesa e o contraditório. DA DISTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DO IMÓVEL - DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgdo conveniado, conforme exigido pela .fiscalização com base na legislação de regência correspondente, resta incabível a exclusão das áreas de utilização limitada da incidência do ITR/2000. DO VALOR DA TERRA NUA — VTN. Cabe manter a tributação do imóvel com base no VTN/ha arbitrado pela fiscalização, quando não for apresentado o "Laudo Técnico de Avaliação" de acordo corn a NBR 8.799, de fevereiro de 1985, da ABNT. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 74 e seguintes, onde, basicamente, reprisa os argumentos alinhavados quando da impugnação. A Repartição de origem, considerando que está presente o arrolamento de bens, encaminhou os presentes autos para este Conselho, consoante despacho de fls. 137. o relatório. 6 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 146 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator 0 recurso voluntário e tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO AUTO DE INFRACÃO Em preliminar, insta analisar a argüição de nulidade do auto de infração, ao argumento de que faltaram requisitos de forma (insuficiência na descrição dos fatos e contradição entre seus elementos, não permitindo ao recorrente conhecer a acusação que lhe foi imputada) e ainda que o lançamento teve como lastro somente Instrução Normativa, uma vez que a lei não exige Ato Declaratório Ambiental. A preliminar de nulidade do auto de infração, por insuficiência na descrição dos fatos e contradição entre seus elementos, não permitindo ao recorrente conhecer a acusação que lhe foi imputada, o que poderia acarretar cerceamento do direito de defesa, não merece guarida, haja vista que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constam de forma escorreita do auto de infração, o qual está acompanhado do Termo de Intimação Fiscal, fls. 12/13. Sem mencionar que o Demonstrativo de fl. 02, que discrimina a diferença de imposto apurada (entre o que foi declarado e o apurado), é auto-explicativo. E de todo modo, a alegação restou superada no decorrer do contencioso, pois o vicio formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. A decisão recorrida tratou bem da matéria: Quanto ao Auto de Infração em si, verificou-se que não .faltou ao lançamento os requisitos essenciais a sua validade, que poderiam torná-lo juridicamente ineficaz, como faz crer o impugnante, tendo atendido aos requisitos legais estabelecidos no art. 10, do Decreto n" 70.235/1972, ai incluído o seu inciso III (descrição dos fatos), pois identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada glosa efetuada, bem como o arbitramento de novo VTN para o imóvel, o que foi feito de forma sucinta, porém clara (ver, especialmente, fls. 06), em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Tanto é verdade, que o interessado refutou, de forma igualmente clara e precisa, as imputações que lhe foram feitas, como se observa do teor de sua impugnação, em que o autuado expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, não apenas suscitando preliminar, mas discutindo o mérito da lide relativamente a cada matéria envolvida, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto 70.235/72 (ver fls. 38/51), não restando dúvidas de que compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. Note-se que, se junto com a impugnação, Optou o contribuinte por 1 apresentar os documentos complementares, para .fins de análise da ' lide, sendo assim, e não se verificando qualquer outra irregularidade 7 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 147 que tenha prejudicado o direito ao contraditório e ampla defesa do recorrente, assegurado no art. 5", inciso LV, da atual Constituição Federal. Com respeito ao lançamento ter como lastro somente Instrução Normativa, uma vez que a lei não exige Ato Declaratório Ambiental, entendo que a matéria se confunde com o mérito, e nesse sentido analisar-se-á o argumento adiante. No mérito, o recurso voluntário combate o lançamento que tem por objeto a Area de reserva legal (declarados 622,4 ha - apurados: zero ha) e valor da terra nua (declarado R$ 288.420,00 - apurado RS 374.946,00). Importa observar que a alteração da área utilizada como pastagens de 1.873,0 ha para 1.949,0 ha compensou totalmente a glosa da Area declarada como utilizada corn produtos vegetais (76,0 ha), e portanto não houve conseqüências tributárias, consoante a própria fiscalização fez constar no auto de infração, fl. 06, item Utilização das pastagens. Dito isso, cabe examinar as duas glosas (Area de reserva legal e Valor da Terra Nua) e as suas respectivas comprovações. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Sem embargo de o assunto ser por demais conhecido dos membros deste Colegiado, o recorrente, em preliminar, disse que o lançamento teve corno lastro somente Instrução Normativa, uma vez que a lei não exige Ato Deelaratório Ambiental. Esse entendimento, ao meu sentir, não condiz com o arcabouço jurídico do imposto discutido, dai porque devo fazer uma pequena digressão antes de adentrar propriamente no exame das provas da Area glosada trazidas aos autos. A previsão de exclusão da base de cálculo do imposto para a Area de reserva legal, está prevista desde a instituição do imposto ora em exame, pela Lei n° 9.393/96, art. 10, § 1°, II, "a", e inserta na Subseção I — Da apuração (do imposto), sob o comando do caput do art. 10, nupercitado, o qual em seu enunciado traz também a permissão para a Administração Tributária estabelecer as obrigações acessórias necessárias á fiscalização do imposto: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a -homologação posterior." (Grifou -se). Se se levar em consideração que o art. 113 do Código Tributário Nacional 1 franqueia a instituição de obrigações acessórias mediante o uso de legislação tributáriai Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) 2' A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 8 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 148 infralegal, perfeita está a exigência do ADA, ou do protocolo de seu requerimento, nos prazos e condições fixados em ato normativo da Secretaria da Receita Federal. Dessarte, não é verdade que o lançamento está estribado somente em Instrução Normativa, como afirma o recorrente. Passo, então, ao exame das provas - a averbação de area de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, fl. 17, não foi tratada nem pelo auto de infração, nem pela decisão de primeiro grau, as quais restringiram-se à intempestividade do Ato Declaratório Ambiental (19/05/2004, de acordo com o carimbo do IBAMA) apresentado apes o inicio da ação fiscal (14/04/2004). Nota-se, de plano, que a averbação contem valor de 525,0 ha, inferior ao da area declarada, 622,4 ha, (alias, o Ato Declaratório Ambiental também traz o mesmo valor de 525,0 ha) e foi averbada em 25/09/89, portanto, antes do fato gerador do imposto, em 1 0 de janeiro de 2000. Em suma, existe averbação parcial da área de reserva legal, tempestiva, dai porque estou por afastar parcialmente a glosa da aludida 'area. DO VALOR DA TERRA NUA Quanto a este item, o recorrente traz dois laudos, fls. 47 e 48, uma folha cada, que alem de não contar com ART, estão totalmente em descompasso com os padrões mínimos necessários, e portanto não são hábeis para os fins colimados pelo recorrente. Nesse diapasão, reproduzo e adoto como razão de decidir excerto do voto do i. relator a quo: No presente caso é preciso admitir que o VTN Declarado, de R$ 288.420,00, que corresponde a um VTN/ha de R$ 110,00, realmente está subavaliado, quando comparado com o VTN médio, por hectare, apontado no Sistema de Preços de Terra — SIFT, para as terras definidas como "Outras", para o município onde se localiza o imóvel, de R$ 143,00/ha, .115%52. Esse valor foi fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura de Goiás, nos termos do sç' I° do art. 14, da Lei no 9.393/1996. Pois bem. Caracterizada a subavaliação do VTN Declarado, só restava fiscalização arbitrar novo valor para efeito de cálculo do ITR desse exercício, nos termos do art. 14, da citada Lei n°9.393/1996. Nessa situação, para revisão dos valores arbitrados pela fiscalização, cabia ao requerente carrear aos autos "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atendesse, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 8799), principalmente no que diz respeito ã metodologia utilizada e cis fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1701/2000, bem como, as suas possíveis características desfavoráveis quando comparado coin outros imóveis circunvizinhos, que pudessem justificar um VTN/ha abaixo do VTN médio, por hectare, apontado no SIPT. Admite-se, ainda, avaliação efetuada pelas Fazendas Ptiblicas Estaduais ou Municipais, assim como pela EMA TER, desde que observem os requisitos acima mencionados, isto, • nos termos da Norma de Execução NE SRF Cofis n" 002, de 07 de outubro de 2003. 9 Processo n° 13116.000638/2004-27 Acórdão n.° 302-39.302 CC03/CO2 Fls. 149 Entretanto, o requerente além de tentar justificar o valor declarado, alegando, dentre outras coisas, ter cumprido as exigências legais no que diz respeito ao estabelecimento do Valor da Terra Nua (Valor de Mercado), apresentou apenas 02 (dois) Laudos de Avaliação, .11s. 47 e 48, que, sozinhos, não servem para justificar o VTN declarado, pois além de estarem desacompanhados de ART, devidamente anotada no CREA, não atendem aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 8799). Desta forma, cabe manter o valor da terra nua arbitrado pela .fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT para o município onde se localiza o imóvel, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; e no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, no que tange à area de reserva legal. Sala das Sessões, e7, 28 de fevereiro de 2008 CORINTHO OLI MACHADO - Relator lo
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Numero do processo: 16327.000025/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2004
DESPESAS NECESSÁRIAS. MULTA CONTRATUAL. Cabível a dedução de dispêndio com multa contratual ou perda em atividades operacionais. Igualmente, devem ser adicionados na apuração do IRPJ e CSLL os dispêndios incorridos por liberalidade do contribuinte.DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS. Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do inciso V, do art.13, da Lei nº9.249/95.PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS ABATIMENTOSCONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADENão tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9o da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. O abatimento concedido ao devedor na liquidação de operações de crédito classificasse como despesas operacionais e são. Dedutíveis do lucro operacional.Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado em: 1) Pelo voto de qualidade manter a glosa da despesa de que trata o TVI 2, perdas incorridas na prestação de serviço a cliente, vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2) Por unanimidade de votos, em cancelar as glosas dos seguintes valores: TVI n° 1 R$ 634.646,54 e TVI n° 5 R$ 93.229.910,52 e manter a glosa de despesas relativas a contribuições a entidades de classe (TVI 3). Tudo nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá que foi substituído pelo Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrida 4A TURMA DRJ EM BELO HORIZONTE MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 DESPESAS NECESSÁRIAS. MULTA CONTRATUAL. Cabível a dedução de dispêndio com multa contratual ou perda em atividades operacionais. Outrossim, devem ser adicionados na apuração do IRPJ e CSLL os dispêndios incorridos por liberalidade do contribuinte. DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS. Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do inciso V, do art.13, da Lei nº 9.249/95. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Não tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9o da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de .operações de crédito classificamse como despesas operacionais e são. dedutíveis do lucro operacional. Recurso Voluntário Provido em Parte . Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) Pelo voto de qualidade manter a glosa da despesa de que trata o TVI 2, perdas incorridas na prestação de serviço a cliente, vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2) Por unanimidade de votos, cancelar as glosas dos seguintes valores: TVI n° 1 R$ 634.646,54 e TVI n° 5 R$ 93.229.910,52 e manter a glosa de despesas relativas a contribuições a entidades de classe (TVI 3). Tudo nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá que foi substituído pelo Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório UNIBANCO UNIÃO DOS BANCOS BRASILEIROS S.A. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida : Da Autuação A partir de uma síntese dos cinco “Termos de Verificação de Infração” de fls.32/47, verificase que o fiscal autuante efetuou as seguintes constatações, referente ao ano calendário de 2004: 1. A contribuinte debitou valores de R$198.478,07, R$204.793,56 e R$231.374,91 a título de despesas operacionais. 1.1. Intimada a descrever tais eventos e a apresentar a correspondente comprovação documental, a contribuinte esclareceu que tais valores decorriam de recursos monetários entregues à União Federal, em função da participação da empresa como agente arrecadador na rede de arrecadação de receitas federais, disciplinada pela Portaria CORAT nº 36 de 2.001, entre outros atos legais. 1.2. Em auditoria de arrecadação, a SRF instaurou procedimentos administrativos especiais para exigir da instituição fiscalizada, na figura de responsável arrecadador, a entrega das importâncias acima relacionadas, relativas a DARF sem o correspondente repasse. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 2 3 1.3. Temse, assim, que a instituição financeira, como agente arrecadador, entregou certa quantidade de moeda corrente à União para satisfação de créditos tributários devidos por certos contribuintes que lhe haviam confiado os recursos como mero depositário e ordenado tais pagamentos. 1.4. Tais ocorrências nem sequer preenchem o perfil de uma despesa operacional, sob o ponto de vista contábil, pois faltaria a tal dispêndio o requisito fundamental implícito nas despesas operacionais: o consumo de bens ou serviços ou a contraprestação recebida para manutenção da fonte produtora dos rendimentos ou, normal e usual, emprego nas atividades da empresa. 1.5. O valor tributável apurado foi de R$634.646,54. 2. A contribuinte debitou o valor de R$3.207.790,88 a título de despesas operacionais. 2.1. Intimada a descrever tal evento e a apresentar a correspondente comprovação documental, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos: 2.1.1. Em 31/12/2004 tal valor fora transferido da conta “Prejuízos com Fraude no Exterior” para a conta “Prejuízos Operacionais – Outras Despesas Operacionais”. 2.1.2. Em 28/12/2004 a contribuinte creditou conta da empresa Companhia Brasileira de Distribuição, a título de ressarcimento por ordem de crédito referenciada pelo processo “Ocorrência Interna 410/04”. 2.1.3. A contribuinte requereu instauração de inquérito policial, conforme petição datada de 11/07/2005, na qual discorreu sobre eventos fraudulentos, de autoria desconhecida, ocorridos no âmbito do “Contrato de Prestação de Serviços – Folha de Pagamento”, firmado entre a instituição financeira e a empresa Companhia Brasileira de Distribuição. 2.2. Da referida petição extraise que, por liberalidade, a contribuinte efetuou ressarcimento à empresa Companhia Brasileira de Distribuição, no montante de R$3.207.129,38. 2.3. Ocorre que a instituição financeira tratou esse ressarcimento como despesa operacional dedutível para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 2.4. Contudo, o caso em tela não preenche os requisitos legais para dedução do desembolso efetivamente ocorrido. Não se tem uma despesa necessária à atividade da empresa ou manutenção da fonte produtora, sendo que o ordenamento jurídico não contempla a autorização para que as instituições financeiras possam dispensar tratamento de despesa dedutível a esse tipo de gasto. 2.5. O valor tributável apurado foi de R$3.207.129,38. 3. A contribuinte debitou o valor de R$1.526.919,51 a título de despesas operacionais, referente a uma parcela do saldo da conta “Contribuições a Entidades de Classe”. 3.1. Intimada a descrever tal evento e a apresentar a correspondente comprovação documental, a contribuinte esclareceu que tal dedução teria como fundamento jurídico os artigos 247, 248, 249 e 299 do RIR/99, bem como o item 7 do PN CST nº 133/73. 3.2. Cumpre observar que toda e qualquer dedução referente à contribuição e à doação está vedada nos termos do art.365 do RIR/99. Excetuamse da regra somente os casos literalmente mencionados na Lei Tributária: nos incisos V e VI do “caput” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 e nos incisos I e III do §2º do art.13 da Lei nº 9.249/95. Entretanto, em nenhum desses casos destacados se enquadram as contribuições às entidades de classe. 3.3. Pelas razões expostas apurouse o valor tributável de R$1.526.919,61. 4. A partir de análise dos registros da conta “Recuperação de Créditos Baixados como Prejuízo” verificouse a ocorrência de registros duplicados, que demonstram a existência de erro de fato na determinação da parcela excluída das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 4.1. A partir do exposto apurouse o valor tributável de R$3.199.883,56. 5. A contribuinte debitou o valor de R$93.229.910,52 a título de despesas operacionais, sendo que, conforme apurado pela fiscalização, tal valor seria referente a descontos concedidos em renegociações de créditos ou de outras operações com características de créditos. 5.1. Devidamente intimada a prestar esclarecimentos, a contribuinte nada informou quanto às situações fáticas alcançadas ou não pelas normas insertas na Lei nº 9.430. 5.2. Quanto à natureza dos atos e fatos registrados nas contas objeto da intimação, a contribuinte em nada se opôs, o que autorizou a fiscalização a tomar todas as operações ocorridas como descontos concedidos no recebimento de créditos. 5.3. No caso em tela, a contribuinte fundamenta sua conduta sob os argumentos de que as situações concretas ocorridas não se ajustam ao disposto na Lei nº 9.430/96 e que o alcance dos artigos 9º e 10 do referido diploma legal estaria circunscrito aos casos de instauração de cobrança administrativa ou judicial. 5.4. Contudo, tal distinção não pode prosperar frente ao nosso ordenamento, uma vez que a pretensão da contribuinte está embasada nos efeitos econômicos dos eventos e não nos efeitos jurídicos dos fatos materiais. 5.5. A Lei nº 9.430/96 alcança todos os casos envolvendo a relação jurídica credor devedor. Existindo os elementos básicos (credor, devedor, crédito e perda), há de se aplicar a disciplina especialmente concedida para tal finalidade. 5.6. As manifestações escritas da contribuinte, bem como o fato de os eventos terem sido apropriados em contas de despesas, sem nenhum ajuste de ordem fiscal, revelam que a contribuinte desconsiderou o sistema jurídico da Lei nº 9.430/96. Tal conduta só geraria a pretendida dedutibilidade se ocorresse a situação concreta de insolvência do devedor, devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário. Entretanto, quando intimada pela fiscalização, a instituição financeira nada informou quanto à ocorrência desses casos específicos. 5.7. Sendo assim, houve efetivamente redução não autorizada das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por todas as razões expostas é de se tributar de ofício, nas exações do IRPJ e da CSLL, o valor de R$93.229.91,52. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 08/01/2007 foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls.48/52) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls.53/57), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (...) TOTAL 36.575.433,80 Demonstrativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (...) TOTAL 13.167.156,16 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 3 5 DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.65/91, protocolizada em 08/02/2007, alegando em síntese que: 1. Quanto ao tributo devido sobre a alegada exclusão em duplicidade de créditos recuperados no anocalendário de 2004, a contribuinte optou pelo recolhimento do montante exigido, com os acréscimos decorrentes (multa e juros), beneficiandose da redução do percentual da multa de ofício (fls.106/109). 2. A fiscalização equivocouse ao afirmar que o desconto é uma espécie de perda enquadrável no art.9º da Lei nº 9.430/96. Os descontos são concessões que diminuem o patrimônio de forma certa e irreversível, oferecidas pelo próprio credor, em vista de seu objetivo. Diferentemente, as hipóteses listadas no art.9º da Lei nº 9.430/96 tratam de situações incertas em que seu devedor poderá deixar de honrar sua dívida, sem que isso tenha origem em concessão alguma do credor. 2.1. Por essa razão, os descontos não são espécies do quanto disposto no art.9º da Lei nº 9.430/96. Os descontos têm fundamento e características distintas das provisões de perdas no recebimento de crédito, seja na forma da legislação anterior ou da vigente no presente. Os descontos sempre foram tratados como despesas efetivas, sujeitas ao exame de necessidade e usualidade para que sejam dedutíveis. 2.2. No caso concreto, todos os dispêndios glosados foram contabilizados no grupo de contas 8.1.9.52.00, do plano de contas COSIF, que tem a função de registrar, nos adequados subtítulos, as despesas referentes a descontos concedidos em renegociações de operações de crédito, de arrendamento mercantil ou de outras operações com características de concessão de crédito. 2.3. A partir da breve descrição de fls.74/75 das operações relacionadas com as subcontas indicadas no “Termo de Verificação de Infração” nº 5, verificase que a totalidade dos valores lançados corresponde a descontos concedidos pela impugnante nas mais variadas operações financeiras de que era titular. Tais apropriações contábeis estão de acordo com os documentos juntados pela impugnante ao longo da fiscalização, bem como os documentos apresentados juntamente com a presente defesa (fls.110/144), que demonstram, exemplificativamente, o funcionamento dos descontos concedidos. De qualquer modo, a impugnante desde já fica à disposição para apresentar toda a documentação relacionada com as despesas apropriadas, caso seja decidida a conversão do julgamento em diligência. 2.4. A própria administração fiscal reconhece que a diminuição do valor a ser recebido deve ser reconhecida como dedutível pelo credor por meio do Ato Declaratório 85/99, que tratou da renegociação do crédito rural. 2.5. Por uma questão de coerência no fluxo de bens e direitos e uniformidade de tratamento fiscal nas relações entre credores e devedores, se o beneficiário do desconto obteve renda tributável, é imperioso que o ofertante do desconto possa deduzilo como despesa operacional nas suas bases de IRPJ e de CSLL. 3. A impugnante faz parte da rede arrecadadora de receitas federais, cujas regras estão disciplinadas pela Portaria SRF 2.609/01 e outras normas regulamentares. No exercício dessas atividades, ela recebe uma série de pagamentos e depósitos relativos aos tributos de competência da União, administrados pela SRF. Uma vez recebidos os referidos pagamentos e depósitos, a impugnante é obrigada a repassá los aos cofres da União Federal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 3.1. Dentre as inúmeras guias que são levadas aos seus estabelecimentos, recorre, às vezes, que algumas delas, embora sejam autenticadas, acabam não sendo efetivamente pagas, hipóteses em que não há o débito de recursos da conta do sujeito passivo e transferência à impugnante para que ela, posteriormente, na condição de agente arrecadador, repasse à União Federal. 3.2. No ano de 2004, a impugnante foi intimada a recolher três débitos que a SRF constatou não terem sido repassados aos cofres da União. Em tais intimações, a administração fiscal assinalou que a impugnante deveria pagar os débitos (acrescidos de multa), sob pena de serem cobrados pela PFN por meio de execução fiscal. Assim, em razão de ter sido obrigada a efetuar o recolhimento dos débitos originariamente de terceiros, foi que a impugnante pagou à União e deduziu os respectivos valores como despesa. 3.3. Tratase, em todas as situações, de despesas que têm origem no descumprimento de obrigação contratual. Além disso, impõe registrar que os valores pagos não dizem apenas ao quanto do tributo que deveria ser arrecadado e repassado, mas compreende acréscimos legais e penalidade que correspondem a grande parte do montante recolhido. 3.4. As despesas dessa natureza são operacionais e, conseqüentemente, dedutíveis na apuração do resultado tributável. Com efeito, eram necessárias para a manutenção da sua fonte de produção de receitas, pois, para que não fosse descredenciada da rede arrecadadora da SRF e deixasse de auferir receitas dessa atividade, a impugnante estava obrigada a acatar as decisões proferidas. Eram usuais na medida em que relacionadas com as atividades específicas, comumente desenvolvidas pela impugnante (intermediação financeira e controle de créditos recebíveis). 3.5. A própria administração fiscal, por meio do PN 50/76, afirma que é dedutível a multa contratual decorrente do inadimplemento de cláusula contratual que obrigue o representante comercial, o mandatário ou comissário mercantil a vender determinada quantia de mercadoria. Portanto, estando a impugnante obrigada ao recolhimento por conta da assunção de obrigações contratuais para com a União Federal, o montante deve ser reconhecido como dedutível. 3.6. Não pode ser igualmente aceito o argumento da fiscalização de que os valores seriam indedutíveis em razão de a impugnante, ao pagar a União, ter direito de exigir os valores dos devedores por via de regresso, como se houvesse uma espécie de subrogação. Primeiramente, porque a impugnante não conseguiu reaver tais valores até o momento da presente impugnação. Em segundo lugar, porque, se forem recuperados, deverão ser tributados em tal momento, conforme determina o art.392, II, do RIR/99. 4. A fiscalização sustenta que a impugnante teria ressarcido, por liberalidade, parte dos prejuízos suportados pela sua cliente Cia. Brasileira de Distribuição, decorrentes da prática de fraude detectada na execução de atividade financeira. 4.1. Todavia, é improcedente a premissa de que teria sido praticada uma liberalidade, já que a impugnante era contratualmente responsável pelos atos de seus funcionários ou terceiros sub contratados para a auxiliarem nas atividades que desenvolvia (no que se inclui a fraude praticada). 4.2. Como o desfalque se deu na conta de titularidade da Cia. Brasileira de Distribuição, a impugnante transferiu a ela o montante equivalente a 50%, devidamente atualizado, do prejuízo suportado, a título de ressarcimento pelos prejuízos decorrentes dos pagamentos feitos a funcionários inexistentes. O montante transferido – R$3.207.129,38 – foi deduzido pela impugnante como despesa operacional no cálculo do resultado tributável. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 4 7 4.3. O montante pago não se confunde com uma liberalidade, assim entendida a prática de atos contrários aos objetivos sociais da impugnante ou mesmo dissociada da intenção de melhorar suas atividades lucrativas. 4.4. Como se vê do pleito formulado para instauração do inquérito, a impugnante, ao destacar que teria transferido cerca de 50% do prejuízo ao cliente como “liberalidade”, expressou a idéia de que havia pago uma parte dos prejuízos, mesmo que não houvesse até então uma ordem expressa, definitiva e peremptória que a obrigasse a pagar o desfalque ou prova de que era a responsável integral por ele. Isso, porém, evidentemente, não se confunde com o conceito de liberalidade aplicável à determinação do resultado tributável, pois o gasto deduzido inegavelmente foi feito em benefício da própria impugnante. 4.5. Deste modo, provada a existência do desfalque e a apresentação de queixa perante a autoridade policial, estão atendidos os pressupostos para reconhecimento da dedutibilidade da despesa, nos termos do art.364 do RIR/99. 5. As despesas com os pagamentos a entidades de classe que representam a categoria econômica de que faz parte a impugnante foram feitas com o objetivo de que ela possa usufruir as vantagens obtidas e oferecidas por tais instituições aos seus associados. Não se trata de contribuição ou doação – ato unilateral –, mas de gasto vinculado com as finalidades econômicas e as fontes produtoras de rendimentos. 5.1. Os gastos com as associações eram necessários e estão estritamente relacionados com os objetivos sociais da impugnante. A norma citada pela fiscalização como fundamento para impor a glosa – art. 365 do RIR/99 – é inaplicável ao caso concreto, na medida em que o dispositivo tem por objetivo restringir a dedução de “contribuições e doações” feitas sem contrapartida da obtenção de qualquer benefício. Na hipótese em exame, porém, não se trata de doação, ato unilateral sem a expectativa de contraprestação, mas de gasto estratégico, fundamental na condução dos negócios. 5.2. Portanto, não há relação entre as despesas com as associações representativas de classes, denominadas de “contribuições”, realizadas pela impugnante, e os gastos unilaterais, feitos com objetivos sociais e culturais mais diversos, de que tratam as “contribuições e doações” listadas no art.365 do RIR/99. A decisão recorrida está assim ementada: DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Procedente a glosa dos valores lançados a título de despesas que não forem comprovados com documentação idônea pela contribuinte, a quem cabe o ônus da prova. DESPESAS OPERACIONAIS. REPASSE DE RECURSOS À UNIÃO. REDE ARRECADADORA DE RECEITAS FEDERAIS. O repasse de recursos arrecadados por meio de participação da instituição financeira na Rede Arrecadadora de Receitas Federais não pode ser considerado como despesa operacional. DESPESAS. PREJUÍZO POR DESFALQUE. É incabível a dedução de prejuízo por desfalque sofrido por terceiros. DESPESAS. CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE CLASSE. CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS. Inadmissível a dedução de contribuições a entidades de classe não compulsórias, que não se enquadrarem nas hipóteses de exceção do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 inciso V, do art.13, da Lei nº 9.249/95. O entendimento acerca da compulsoriedade de contribuições decorre de previsão constitucional. DEMAIS TRIBUTOS. CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. LANÇAMENTO PROCEDENTE Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou extenso recurso voluntário, que traz as seguintes conclusões e pleito: Remanesceram em discussão nos autos apenas as exigências decorrentes das glosas de despesas apropriadas pela Recorrente na determinação de seu resultado tributável. Cada uma destas exigências foi subdivida pela Fiscalização em um TVI, assim ordenados: TVI n° 1 A assunção de ônus de tributo pago em seus estabelecimentos por terceiros que não teriam sido repassados aos cofres da União. TVI n° 2 Pagamento de parte do prejuízo incorrido na prestação de serviço a cliente (Cia. Brasileira de Distribuição) em razão de ter sido detectada fraude praticada por funcionários (ou prestadores contratados) na execução de tal atividade. TVI n° 3 Recolhimento de contribuições em benefício de entidades de classes representativas da categoria econômica das quais a Recorrente faz parte. TVI n° 5 Descontos concedidos a clientes para liquidação de operações financeiras (empréstimos e financiamentos). Em impugnação, foram demonstrados os equívocos cometidos pela Fiscalização, uma vez que os dispêndios se qualificam como despesas operacionais (necessárias e usuais) para a atividade da Recorrente, razão pela qual estaria configurada a conseqüente improcedência da exação. A DRJ, porém, manteve a totalidade da exigência, afirmando que: (a) o cometimento de falhas na arrecadação e repasse de tributos por entidade integrante da rede arrecadadora de tributos não se enquadra no conceito de usualidade previsto no art. 299 do RIR/99 (TVI n° 1); (b) o desfalque teria prejudicado e sido suportado unicamente pelo cliente da Recorrente (TVI n° 2); (c) as contribuições a entidades de classe são pagamentos não compulsórios e, nessa medida, indedutíveis nos termos do art. 365 do RIR/99 (TVI n° 3) e (d) não teria sido apresentada prova das despesas lançadas a título de descontos (TVI n° 5). Entretanto, as exigências não podem subsistir, devendo ser reformada a decisão de Io. grau, como se passa a demonstrar. (...) Por todo o exposto, ficou demonstrado que: (i)A decisão de 1 ° grau manteve a exigência fiscal relacionada ao TVI n° 5 descontos em operações de crédito com fundamento em motivação diversa daquela constante ao trabalho realizado pela Fiscalização. As autuações foram lavradas sob a justificativa de que a concessão de descontos na renegociação de créditos não se enquadra dentre as hipóteses descritas nos arts. 9o a 12 da Lei n° 9.430/96 como passíveis de serem registradas como perdas no recebimento de créditos, enquanto que a decisão de Io grau manteve as exações fiscais sob a justificativa de que a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 5 9 Recorrente não teria apresentado provas dos valores deduzidos a título de descontos. Como a DRJ nao tem competência para modificar a fundamentação das exigências lavradas pela Fiscalização, tal parcela do crédito tributário deve ser cancelada; (ii) A decisão de 1 ° grau deve ser reformada em relação à glosa dos descontos concedidos na renegociação de créditos (TVI n 5), pois (a) os valores deduzidos a esse título foram devidamente discriminados no grupo de contas 8.1.9.52.00, do plano de contas COSIF, tendo sido a sua origem verificada e validada pela Fiscalização, que discordou somente dos argumentos de direito invocados para a sua dedução, mas não da existência e registro dos valores e (b) o desconto concedido em renegociação de crédito e figura distinta da provisão para crédito de liquidação duvidosa. Isso porque se trata de opção oferecida pelo credor, que torna irreversível a diminuição no valor da divida original, algo comum nesses tipos de operações. Por isso, o desconto qualificase como despesa necessária e usual e, conseqüentemente, como despesa operacional; (iii) Os valores pagos pela Recorrente em razão do descumprimento de disposições relacionadas à função de agente arrecadadora de receitas federais (TVI n° 1) qualificamse como usuais, na medida em que estão relacionados com a atividade econômica que desenvolve e com a sua fonte produtora de receitas. (iv) A assunção de parte de desfalque decorrente de fraude na execução de serviços (TVI n° 2) qualificase como dispêndio obrigatório, na medida em que não se conseguiu precisar se os responsáveis pela fraude eram funcionários ou empresas subcontratadas pela Recorrente ou se eram os funcionários de sua cliente (ou até mesmo se eram funcionários de ambos). A hipótese distinguese da mera liberalidade, em que é feito pagamento espontâneo e dissociado das atividades econômicas do contribuinte. Desse modo e tendo em vista o preenchimento das condições exigidas pelo art. 364 do RIR/99, deve ser reconhecida a legitimidade da dedução efetuada. Os pagamentos a entidades de classe que representam a categoria econômica de que faz parte a Recorrente (TVI n° 3) foram feitas com o objetivo de que ela possa usufruir as vantagens obtidas e oferecidas por tais instituições aos seus associados. Não se trata de contribuição ou doação ato unilateral , mas de gasto vinculado com as finalidades econômicas e as fontes produtoras de rendimentos. Por isso, não lhes é aplicável o art. 365 do RIR/99, mas sim o art. 299 do Regulamento, devendo ser reconhecida a legitimidade da dedução da despesa. A partir desses fundamentos e do quanto exposto em impugnação, que se reitera como se estivesse transcrito no recurso, verificase que as autuações devem ser integralmente canceladas, o que ora se requer, com a conseqüente reforma da decisão de 1o grau. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, remanesceram em discussão nos autos as exigências decorrentes das glosas de despesas apropriadas pela contribuinte na determinação de seu resultado tributável, a seguir resumidas: TVI n° 1 A assunção de ônus de tributo pago em seus estabelecimentos por terceiros que não teriam sido repassados aos cofres da União. Valor total da glosa R$ 634.646,54 (base de cálculo do IRPJ e CSLL). TVI n° 2 Pagamento de parte do prejuízo incorrido na prestação de serviço a cliente (Cia. Brasileira de Distribuição) em razão de ter sido detectada fraude praticada por funcionários (ou prestadores contratados) na execução de tal atividade. Valor total da glosa R$ 3.207.129,38. TVI n° 3 Recolhimento de contribuições em benefício de entidades de classes representativas da categoria econômica das quais a Recorrente faz parte. Valor total da glosa R$ 1.526.919,61. TVI n° 5 Descontos concedidos a clientes para liquidação de operações financeiras (empréstimos e financiamentos). Valor total da glosa R$ 93.229.910,52. Passo a apreciar as alegações da recorrente. TVI n° 1 A assunção de ônus de tributo pago em seus estabelecimentos por terceiros que não teriam sido repassados aos cofres da União. Vejamos as alegações recursais quanto a este item da autuação. A Fiscalização glosou dispêndios da Recorrente para com a União Federal por considerar que tais valores não teriam a natureza de despesa. A seu ver, não haveria desembolso próprio, pois "o banco repassa recursos como mero depositário". De qualquer modo, mesmo que a Recorrente tivesse;feito a transferência dos valores à União com recursos próprios, ainda assim o montante repassado não seria dedutível, na medida em que, caso houvesse obrigação para com a União Federal, haveria um direito correspondente em face do sujeito passivo identificado na guia de recolhimento. Em impugnação, a Recorrente destacou que faz parte da rede arrecadadora de receitas federais (RARF disciplinada pela Portaria SRF 2.609/01 e outras normas regulamentares), em razão do que recebe pagamentos relativos aos tributos administrados pela Receita Federal, que é obrigada a repassar aos cofres federais. Assim, no desenvolvimento dessa atividade, ocorre, às vezes, que algumas das inúmeras guias levadas aos seus estabelecimentos, embora sejam autenticadas, acabam não sendo efetivamente pagas, hipóteses em que não há o repasse dos recursos à União. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 6 11 No anobase de 2004, a Recorrente foi intimada a recolher três débitos que a Receita Federal constatou que não teriam sido repassados aos cofres da União. Em tais intimaçoes, a Administração Fiscal assinalou que a Recorrente deveria pagar os débitos (acrescidos de multa), sob pena de serem cobrados pela PFN por meio execução fiscal. Assim, em razão de ter sido obrigada a efetuar o recolhimento dos débitos originariamente de terceiros, foi que a Recorrente pagou à União e deduziu os respectivos valores como despesas. Destacouse na defesa apresentada que cada débito exigido da Recorrente foi objeto de processo administrativo diverso de auditoria da Administração Fiscal. O histórico de cada um dos mencionados PAs foi exposto na impugnação apresentada pela Recorrente, juntamente com os documentos que demonstram a veracidade dos fatos, motivo pelo qual se remete às razões ali indicadas como se aqui estivessem transcritas. Tais valores decorrem, resumidamente, dos seguintes eventos: (a) demora além da admitida para transmissão da informação de que o débito fiscal teria sido pago por contribuinte com cheque sem fundos (PA n° 16327.003477/200355); (b) equívoco de funcionário ao apor chancelas de recebimento débitos fiscais em nome de contribuinte, quando, na realidade, a parcela correspondia ao pagamento de outras dívidas feito na mesma ocasião pelo contribuinte (contas de energia elétrica), impondo assim a responsabilidade da Recorrente (PA n° '10§05.00779/9677) e (c) aposição de chancela em Guias DARFs por funcionária da Recorrente sem ter recebido fundos suficientes para quitálas (PA n° 13770.000519/200451). A decisão DRJ manteve as autuações fiscais, sob o argumento de que falhas na arrecadação de recursos, com o atraso no repasse dos valores à União, gerando assim a obrigação de pagálos com multa e juros, não "se enquadram no requisito de usualidade ", previsto no art. 299, § 2o, do RIR/99 (fls. 238), por não serem comuns. O descumprimento de uma disposição normativa ou contratual não poderia ser tido como algo usual. Entretanto, mais uma vez a posição externada na decisão de Io grau não pode prevalecer. A despesa usual prevista na legislação fiscal compreende qualquer pagamento que seja razoável que o contribuinte fique sujeito a arcar no desenvolvimento das atividades a que se propõe. Ou seja, deve haver uma pertinência entre o pagamento realizado e os negócios desenvolvidos pela sociedade. O gasto deve estar relacionado com os custos ou riscos da atividade econômica. Em resumo, demonstrado que a usualidade da despesa diz respeito à conexão dela com a atividade do contribuinte e que a Recorrente estava obrigada ao recolhimento por conta da assunção de obrigações contratuais para com a União Federal, o montante deve ser reconhecido como dedutível, com a conseqüente reforma da decisão recorrida. Nessa medida, a usualidade não se confunde com a repetição quantitativa de pagamentos da mesma natureza durante o períodobase de apuração. Na realidade, tanto a realização de diversos pagamentos idênticos, quanto de um único dispêndio podem ser igualmente usuais e, portanto, dedutíveis. O número de desembolsos não é importante. O fator a ser examinado é a existência de correlação entre o gasto e o negócio explorado pela sociedade. É o que afirma Bulhões Pedreira: "Despesa normal é a usual, costumeira ou ordinária no tipo de negócios do contribuinte. O requisito legal não é que seja usualmente paga pelo contribuinte: pode ser excepcional ou esporádica na experiência do contribuinte, desde que possa Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 12 ser considerada como usual ou normal do tipo de seus negócios, operações ou atividades ". No caso em exame, os dispêndios suportados pela Recorrente decorrem de falhas indesejadas, porém possíveis de ocorrer no desenvolvimento da atividade de arrecadação e repasse de recursos, realizada por ela na condição de agente arrecadadora de receitas federais. Dentre os 1 inúmeros pagamentos recebidos diariamente nos estabelecimentos da Recorrente, é natural que alguns equívocos possam ocorrer no recebimento, liquidação e repasse dos recursos em parte dessas transações. Desse modo, para que não fosse descredenciada da rede arrecadadora da SRF e deixasse de auferir receitas dessa atividade, a Recorrente estava obrigada a acatar as decisões proferidas nos processos administrativos com exigências dos valores. Examinandose a questão, verificase que ela guarda certa semelhança com a quebra ou perda ocorridas na fabricação, transporte e manuseio de determinados produtos (por exemplo, evaporação de parte do álcool fabricado, perda de parte do GLP quando do seu envazamento em botijões e destruição de vasilhames de bebidas no seu transporte). Em ambas os casos, parte daquilo que é feito pelos contribuintes para gerarem suasreceitas foi desperdiçado. As quebras e perdas são dedutíveis na determinação do resultado tributável, quando razoáveis (art. 291 do RIR/99), não havendo razão para que se deixe de aplicar o mesmo regime no caso dos débitos que a Recorrente foi obrigada a saldar para continuar a atuar como agente participante da rede arrecadadora da Receita Federal. A Recorrente recolheu os valores que lhe foram cobrados por terem sidos exigidos em razão de ela ter descumprido os termos do contrato firmou com a União Federal para integrar a rede arrecadadora de receitas federais. A própria Administração Fiscal, por meio do PN 50/76, afirma que é dedutível a multa contratual decorrente do inadimplemento de cláusula contratual que obrigue o representante comercial, o mandatário ou comissário mercantil a vender determinada quantia de mercadoria. Do mesmo modo, o Conselho de Contribuintes tem manifestado o entendimento de que o montante pago pela parte que descumpre obrigação contratual no desenvolvimento de suas atividades econômicas qualificase como despesa operacional: (...) Em resumo, demonstrado que a usualidade da despesa diz respeito à conexão dela com a atividade do contribuinte e que a Recorrente estava obrigada ao recolhimento por conta da assunção de obrigações contratuais para com a União Federal, o montante deve ser reconhecido como dedutível, com a conseqüente reforma da decisão recorrida. Vejamos agora os fundamentos da decisão recorrida: No entanto, tal entendimento se encontra equivocado, pois os repasses em questão não se enquadram no requisito de usualidade, conforme previsto no §2º, do art.299, do RIR/99. De fato, a partir da análise dos argumentos de fls.80/81, referentes a três processos administrativos que deram causa ao repasse em tela, constatase que: a) Processo Administrativo nº 16327.003477/200355: a impugnante não respeitou o prazo disciplinado pelo parágrafo único, do art.21, da Portaria SRF nº 2.609/2001. Logo, não há como se considerar usual a ofensa a uma expressa determinação legal. b) Processo Administrativo nº 10805.000779/9677: a impugnante alega que se equivocou ao apor chancelas de recebimento em guias DARF. Tal equívoco se reveste de uma característica de excepcionalidade e não pode ser considerado um acontecimento usual. Ademais, nos termos do art.46 da Portaria SRF nº 2.609/2001, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 7 13 “o agente arrecadador é responsável pelas ações e omissões de seus funcionários ou prepostos”. c) Processo Administrativo nº 13770.000519/200451: a impugnante afirma que a ausência de repasse se deu em razão de um funcionário ter recepcionado pagamentos e aposto a chancela em guias DARF, sem, no entanto, ter recebido os fundos suficientes para a quitação dos tributos. Sendo assim, fica nitidamente caracterizado o caráter excepcional do evento ocorrido, não havendo como se sustentar que a chancela de um DARF sem o recebimento de fundos suficientes seja uma prática usual das instituições financeiras. Pelo exposto, é incabível o entendimento da impugnante de que o repasse de recursos arrecadados por meio de participação da instituição financeira na Rede Arrecadadora de Receitas Federais possa ser considerado como despesa operacional. Do confronto das justificativas/esclarecimentos da recorrente com os fundamentos da decisão de 1a. instância, estou convencido da improcedência da glosa. Ora, a contribuinte tem um contrato com a Receita Federal para integrar a rede arrecadadora de tributos federais, e deve arcar com eventuais perdas e multas decorrentes de falhas em procedimentos. Tratase de um serviço prestado pela recorrente dentro de suas atividades operacionais. É óbvio que tais valores são perdas operacionais dedutíveis, pois compõe o risco da operação. Portanto, incabível a glosa, devendo ser cancelada a tributação deste item. TVI n° 2 Pagamento de parte do prejuízo incorrido na prestação de serviço a cliente em razão de ter sido detectada fraude praticada por na execução de tal atividade. Transcrevo as alegações da Recorrente: Na visão da Fiscalização, a Recorrente teria ressarcido, por liberalidade, parte dos prejuízos suportados por seu cliente, decorrentes da prática de fraude detectada na execução de atividade financeira. Por essa razão, glosou os valores transferidos pela Recorrente ao seu cliente, afirmando não se tratar de despesa operacional. A fim de demonstrar a improcedência do entendimento adotado pela Fiscalização, a Recorrente afirmou por meio de impugnação que era responsável por gerir a folha de pagamentos da Companhia Brasileira,.de Distribuição, via sistema informatizado conhecido como "Cartão Pagamento Eletrônico Salários". Para a realização de parte dessas atividades, a Recorrente mantinha"relação com a Guasti Intermediações e Serviços de Informática Ltda., que tinha como obrigação realizar o atendimento e a consultoria "em Análise de Sistemas e Cash Manegement ao Grupo Pão de Açúcar da Diretoria Corporate 11". Em impugnação, relatouse que, no desenvolvimento de tais atividades, apurouse que o sistema eletrônico determinava a carga de Cartões Pagamento Eletrônico Salários a cinco (5) indivíduos que não eram funcionários ou exfuncionários da Cia. Brasileira de Distribuição, no valor de R$ 10.000,00 a cada um. Em face disso, a Recorrente instaurou auditoria interna para apurar os fatos e a responsabilidade pelo ilícito (Ocorrência 410/04) e solicitou à Delegacia Especializada de Roubo a Bancos (DEIC) a instauração de inquérito policial, a fim de averiguar o sujeito (ou sujeitos) responsável pela execução dos ilícitos cometidos, dando origem ao Inquérito Policial n° 108/05. Os detalhes acerca dos fatos apurados na auditoria interna promovida Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 14 pela Recorrente, assim como das investigações das autoridades policiais estão descritos na impugnação apresentada, que se requer sejam aqui considerados como se estivessem transcritos. Tais investigações não conseguiram precisar ao certo se os prejuízos decorreriam de atos praticados por funcionários da Cia. Brasileira de Distribuição ou da Recorrente (ou se de sub contratados por ela). Por essa razão, foi feita uma composição entre os interessados, que firmaram um "Instrumento Particular de Transação e Recibo com Quitação e Outras A venças", no qual foi consignado que "As partes resolveram dividir os prejuízos advindos das falhas acima mencionadas Desse modo, considerando que o desfalque se deu na conta de titularidade da Cia. Brasileira de Distribuição, a Recorrente transferiu a ela o montante equivalente a 50% do prejuízo, a título de ressarcimento decorrente dos pagamentos feitos a funcionários inexistentes, montante deduzido como despesa operacional no cálculo do resultado tributável, com fundamento no art. 364 do RIR/99. Pelas razões apontadas, a Recorrente demonstrou ser equivocado o entendimento da Fiscalização, de que ela teria praticado ufhtrliberalidade, assim considerado um pagamento espontâneo, desvinculado das suas atividades econômicas. A decisão DRJ, no entanto, manteve as autuações lavradas, sob o argumento de que a Recorrente não teria sofrido prejuízos com o desfalque ocorrido e, conseqüentemente, seria inaplicável ao caso o art. 364 do RIR/99 (fls. 239 e 240). Entretanto, mais uma vez a decisão de Io grau revelase equivocada. A Recorrente era contratualmente responsável pelos atos de seus funcionários ou terceiros sub contratados. No caso, como inexistia prova da autoria do ilícito, não restava a ela outra alternativa a não ser dividir os prejuízos com o cliente desfalcado. A opção da Recorrente não tem a natureza de liberalidade, assim considerada como a realização de gasto dissociado das suas atividades econômicas. Em primeiro lugar, porque, se deixasse de fazer o acordo, é possível que a Cia. Brasileira de Distribuição viesse a notificála e posteriormente ingressasse com ação judicial para cobrar os prejuízos, dado que ela afirmou que não forneceu o nome dos falsos funcionários beneficiados com os cartões salários. Em segundo lugar, porque a Recorrente tinha interesse em manter o cliente, não obstante a ocorrência do desfalque citado, o que já era motivo suficiente para que ele Cia. Brasileira de Distribuição cancelasse o serviço. Por essa razão, como forma de demonstrar o interesse em continuar a prestar tal serviço, era justificável que a Recorrente suportasse parte do prejuízo, ante a impossibilidade de identificar o autor do ilícito. A partir de tais dados, resta demonstrada a subsunção dos gastos realizados pela Recorrente à previsão do art. 364 do RIR/99, que trata de prejuízos por desfalque, apropriação indébita ou furto, praticados por empregados ou terceiros. Por seu turno, a decisão recorrida, sustenta a glosa pelos seguintes fundamentos de fato de direito. Em relação ao “Termo de Verificação” nº 2, a contribuinte alega que a comprovação do desfalque e a apresentação de queixa à autoridade policial atendem os pressupostos para dedutibilidade da despesa, nos termos de art.364, do RIR/99. Cabe então verificar o que dispõe o art.364, do RIR/99, in verbis: Art. 364. Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver Fl. 14DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 8 15 inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 3º). Pela leitura do dispositivo legal, fica evidente que um dos requisitos elementares para a referida dedução é a efetiva ocorrência de prejuízo. Ocorre que, no caso em tela, quem sofreu o prejuízo foi a empresa Cia. Brasileira de Distribuição, conforme é evidenciado pela impugnação, ao esclarecer que “o desfalque se deu na conta de titularidade da Cia. Brasileira de Distribuição” (fls.85). A própria impugnante afirma categoricamente em relação ao prejuízo sofrido pela Cia. Brasileira de Distribuição que não havia “uma ordem expressa, definitiva e peremptória que a obrigasse a pagar o desfalque ou prova de que era a responsável integral por ele” (fls.87). No mesmo sentido já havia se pronunciado o fiscal autuante, às fls.35: O que temos no caso concreto é que o efetivo prejuízo foi suportado pela empresa cliente da instituição financeira. (...) Os registros contábeis da fiscalizada sinalizam na mesma direção, visto que o valor não foi levado à conta própria de “Roubos e Furtos”. Sendo assim, fica claro que não foi a impugnante quem sofreu o prejuízo em função do desfalque, razão pela qual é inaplicável ao caso o art.364, do RIR/99, sendo incabível, portanto, a dedução pleiteada pela contribuinte. Aqui, entendo que não cabe razão à recorrente, isso porque, embora tenha suportado a perda, o fez por mera liberalidade, visando, a meu ver, continuar com o bom relacionamento com cliente. Diferentemente do que vimos no item anterior, a recorrente não trouxe aos autos provas de que as perdas decorreram de falhas da mesma nos procedimentos com a folha de pagamento de seu cliente, tampouco que deveria arcar com as perdas por força de disposição contratual. Mantenho a tributação desse item. TVI n° 3 Recolhimento de contribuições em benefício de entidades de classes representativas da categoria econômica das quais a Recorrente faz parte. A impugnante entende que não seria aplicável o art. 13 da Lei nº 9.249/95 (art. 365 do RIR/99) às contribuições a entidades de classe que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Cabe inicialmente observar a disciplina referente a contribuições estabelecida pela Constituição Federal de 1988. O texto da Carta Magna identifica dois tipos de contribuições, quais sejam, as “contribuições de melhoria”, previstas no inciso III, do art.145, da CF, e as “contribuições parafiscais”, previstas no caput, do art.149, da CF, in verbis: (..) Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249/95 dispõe que: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, Fl. 15DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 16 independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; (...). (grifo nosso) A partir dos dispositivos legais acima transcritos, cabe identificar qual é a categoria das contribuições objeto da atuação. A impugnante esclarece às fls.88 que: “(...) a Fiscalização glosou despesas no total de R$ 1.526.919,51 relacionadas aos pagamentos em benefício da Associação Brasileira das Entidades de Crédito (ABECIP), da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), da Associação de Bancos do Rio de Janeiro (ABERJ), da Associação de Bancos de Investimento (ANBID) e da Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (BOVESPA)”. Fica claro assim que as glosas em questão não se tratam de contribuições compulsórias, pois não se referem nem a “contribuições de melhoria” e nem a “contribuições parafiscais”, conforme a previsão do texto constitucional. Portanto, as contribuições a entidades de classe efetuadas pela contribuinte são de fato contribuições não compulsórias, sujeitas, conseqüentemente, à disciplina do inciso V, do art.13, da Lei nº 9.249/95. Cumpre observar que o caso em tela não se enquadra nas hipóteses de exceção reguladas pelo inciso V, do art.13, uma vez que as contribuições glosadas não são “destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica”. Logo, nos exatos termos do caput do art.13 da Lei nº 9.249/95, as contribuições a entidades de classe não compulsórias em análise possuem a dedução vedada para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, razão pela qual não assiste razão à impugnante. No recurso voluntário o digno patrono da recorrente contesta esse entendimento asseverando que: Os dispêndios em exame não foram realizados pela Recorrente com objetivo meramente altruísta, tais como são as contribuições e doações descritas no art. 13, V, da Lei n° 9.249/95. Tais gastos têm um propósito econômico específico, consistente na possibilidade de a Recorrente usufruir as vantagens garantidas por tais associações às instituições financeiras, que as representam, na defesa de seus direitos. Por outro turno, tais contribuições são indispensáveis à execução das finalidades da associação. Logo, as denominadas "contribuições" qualificamse como dispêndios necessários para que a Recorrente possa aprimorar suas diversas atividades de instituição bancária, ofertante de crédito, investidora de recursos tomados e operadora de derivativos. Além disso, tais gastos são comuns e usuais às mais variadas instituições financeiras também associadas a tais entidades. Resta, assim, evidente que os gastos com as associações eram necessários e estão estritamente relacionados com os objetivos sociais da Recorrente. Por isso, o art. 365 do RIR/99 é inaplicável ao caso concreto, na medida em que o dispositivo tem por objetivo restringir a dedução de "contribuições e doações" feitas sem contrapartida da obtenção de qualquer benefício. Na hipótese em exame, não se trata de doação, Fl. 16DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 9 17 ato unilateral sem a expectativa de contraprestação, mas de gasto estratégico, fundamental na condução dos negócios. As alegações da recorrente, embora coerentes, não podem aqui prevalecer. É certo que a contribuinte realiza pagamentos para custeio das aludidas organizações, em face de ser a elas associada. Não se trata, em principio, de liberalidade ou dispêndios desvinculados. Também é certo que tais organizações proporcionam benefícios e contrapartida à empresa. Todavia, o art. 13, inciso V, da Lei 9.249/1995, acima transcrito, base legal da autuação, não comporta outro entendimento: tais valores são indedutíveis na apuração do IRPJ/CSLL. Mantenho esta glosa. iv) TVI n° 5 Descontos concedidos a clientes para liquidação de operações financeiras (empréstimos e financiamentos). Tratase do principal item da autuação, no valor total da glosa R$ 93.229.910,52(base de cálculo do IRPJ e CSLL). Essa mesma matéria foi objeto de tributação dos anoscalendários anteriores em outros processos administrativos, a exemplo do Processo n° 16327.001263/200514, que foi julgado na 1a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 8/11/2007, Acórdão n° 10196.433, julgamento do qual participei enquanto presidente daquele colegiado à época. A ementa do aludido acórdão, cujo inteiro teor foi juntado por cópia às fls. 298 e seguintes dos autos, é precisa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Não tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9o da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificamse como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. Em seu voto conduto, a ilustre conselheira Sandra Maria Faroni, elucida: O auto de infração entendeu que a dedução das perdas no recebimento de créditos foi feita em desacordo com o art. 9º da Lei 9.430/96. Todavia, esse artigo não se aplica às perdas definitivas, relativas a créditos para os quais o credor já deu quitação ao devedor. Trata, o artigo, de presunção legal de perda efetiva, e o próprio autor do procedimento assim o reconhece, ao declarar, no item (8) do Termo de Verificação, que “o marco temporal definidor de uma presunção legal de perda dar seá no prazo de 5 (cinco) anos, ...” Sobre a dedutibilidade dos descontos concedidos, assim me manifestei no voto condutor do Acórdão 10195.469, de 26 de abril de 2006, do interesse do mesmo contribuinte: “ O julgador de primeira instância analisouos e considerou que alguns deles representam descontos que, pela sua magnitude, caracterizamse como liberalidade, e os demais não apresentam elementos necessários para se verificar o atendimento aos requisitos previstos na legislação de regência. Assim, manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as Fl. 17DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 18 perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizando se como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8º e 9º do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 9º da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 7º do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportálas, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O parágrafo 8º do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas.” Naquele voto fiz referência a julgado da Sétima Câmara deste Conselho Acórdão 1076.506, de 17 de dezembro de 2001, em que o colegiado, analisando a mesma questão (sob a égide da Lei 8.981/95), entendeu, por unanimidade, que os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificamse como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. No voto condutor daquele acórdão, o ilustre Relator, Dr. Paulo Roberto Cortez, tece as seguintes considerações: “A autoridade fiscal procedeu a glosa parcial das despesas registradas sob o título de perdas com operações de crédito, por considerar que as deduções não dizem respeito com o disposto na legislação pertinente (art. 43 da Lei nº 8.981/95), tendo consignado que os valores registrados tratamse de atos de mera liberalidade da Recorrente em decorrência de não se valer de todos os meios legais para o recebimento integral junto aos respectivos devedores. Por seu turno, o julgador de primeira instância decidiu pela manutenção do presente item sob os seguintes fundamentos: Fl. 18DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000025/200745 Acórdão n.º 140200.394 S1C4T2 Fl. 10 19 “Provisão não se confunde com despesa. A primeira, que se registra em uma conta redutora de ativo, visa a fazer frente a futuros contratempos, resguardando a empresa, enquanto que a despesa é o lançamento, em conta de resultado, da contrapartida necessária à formação da provisão. (.....) Ressaltese novamente que a despesa é a contrapartida da formação da provisão, porém, somente será dedutível a parcela que se utilizou para levar o saldo da provisão existente no início do período ao limite máximo determinado pela lei fiscal. Além desse montante, toda a despesa lançada em contrapartida à constituição da provisão será indedutível.(.....) Nos termos do § 7º do art. 43 da Lei nº 8.981/95, os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão para créditos de liquidação duvidosa e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Por outro lado, o débito dos prejuízos a que se refere esse parágrafo somente poderá ser efetuado quando atendidas as condições estabelecidas nos §§ 8º, 9º e 10º. Notese que a condição para a dedutibilidade dos prejuízos debitados em prazos inferiores, conforme o caso, aos estabelecidos no parágrafo 8º, é o esgotamento dos recursos de cobrança.” Tenho, entretanto, que não se configura, no caso, a hipótese de incidência da norma, ou seja, não se trata de aplicação da provisão para créditos de liquidação duvidosa, pois, nesse caso, existe uma dúvida quanto ao posterior recebimento dos créditos, sendo que a lei civil possibilita ao credor a cobrança total dos seus haveres e, a lei fiscal exige que se esgote todos os meios de cobrança para possibilitar a dedutibilidade das perdas. Porém, temos na presente situação fática, um acerto efetuado entre a Recorrente (credor) e clientes (devedores), no qual o primeiro, com o intuito de liquidação definitiva de contratos de empréstimos, reduziu uma parcela do montante dos seus créditos junto a determinados clientes, tornando definitiva a perda ocorrida, impossibilitando, assim, a cobrança futura da parcela perdoada. Devese ressaltar ainda que, no valor total dos créditos registrados pela Recorrente, além da importância originária do empréstimo, encontravase incluída a parcela de atualização monetária e de juros, a qual, depreendese que foi reconhecida como receita pela Recorrente. Dessa forma, o desconto concedido pela pessoa jurídica transformase em um ajuste entre as contas de receitas reconhecidas pelo regime de competência, decorrente dos empréstimos concedidos aos clientes, e a parcela reduzida do crédito recebido, a qual foi registrada como despesa. Ou seja, para a liquidação dos contratos, foi concedido uma redução no saldo devedor, extinguindo definitivamente a dívida, evitando assim, a demora no recebimento e o litígio para a execução. Não consta dos autos que o contribuinte tenha procedido de forma diversa, ou seja, que não tenha reconhecido suas receitas pelo regime de competência, aí sim, haveria uma irregularidade fiscal passível de lançamento de ofício. Podese concluir, sem sombra de dúvidas, que as provisões autorizadas pela legislação, referemse a possíveis perdas estimadas, futuras, ou seja, ainda não incorridas, mas que poderão ocorrer, conforme estabelecido no artigo 43 da Lei nº 8.981/95, com as restrições ali previstas. No caso em tela, constatamos a ocorrência de perdas efetivas, concretas e definitivamente incorridas, podendo comparar, a grosso modo, com a perda ocorrida no setor produtivo de uma indústria ou a quebra verificada com mercadorias perecíveis em uma empresa comercial. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 20 Entendo que a perda glosada não se trata de mera liberalidade pois, como se depreende dos autos, houve a prática negocial lícita no sentido de evitar maiores prejuízos, tendo as perdas ocorridas em razão do acerto final para o recebimento dos haveres. É claro que o lançamento de ofício seria cabível caso se apurasse alguma irregularidade nos atos negociais, como, por exemplo, a falta de registro dos recebimentos ou dos juros incorridos, mas este não é o caso em questão. O que foi questionado pelo Fisco situase na dedutibilidade ou não dos descontos concedidos aos clientes para o acerto final dos empréstimos concedidos o que, como visto acima, deve ser considerado como despesa operacional dedutível da base tributável.” Tendo em conta não constar dos autos acusação no sentido de que as despesas contabilizadas não se caracterizavam como definitivas, mas ao contrário, a própria autoridade fiscal, no Termo de Constatação, faz referência a perdas efetivas no recebimento de créditos (...) apropriadas como despesas operacionais tão logo se tornassem definitivas, dou provimento ao recurso. Na decisão de 1a. instância, os ilustres julgadores voltaramse à apresentação das provas trazidas aos autos e deixaram de apreciar a questão de direito. A toda evidência a contribuinte trouxe tais documentos apenas a titulo exemplificativo, a final, a glosa contemplou todos as operações contabilizadas grupo de contas 8.1.9.52.00 da empresa. A auditoria fiscal não questionou a efetividade dos descontos/dispêndios, aliás, sequer cita uma única operação isoladamente. No TVI, à fl. 44, a fiscalização registra expressamente que se trata de matéria de direito. Em verdade, o que se questiona é a natureza e dedutibilidade desses descontos. Nesse contexto entendo inócua a conclusão da DRJ no sentido de que ocorreu a preclusão do direito de a contribuinte apresentar a prova documental em outro momento processual. Diante do exposto, dou provimento ao recurso quanto a este item para restabelecer a dedutibilidade de tais perdas. v) Conclusão. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar as glosas dos seguintes valores: TVI n° 1 R$ 634.646,54 e TVI n° 5 R$ 93.229.910,52. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 20DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10680.003787/98-45
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 102-02.087
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Naury Fragoso Tanaka
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RESOLVEM os Membros da" Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidáde de votos, CONVERTER o julgamento . ••• " • . • • ~ - I • em diligência, nos termos do voto do Relator. Processo nO. Recurso n°. Matéria: Recorrente Recorrida Sessão de " FORMALIZADO EM: 23 l~C fJ 2002 " Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros AMAURY MACIEL, VA'LMIR SANDRI, CÉSAR .BENEDITO SANTA~ITA PITANGA, MARIA BEATRIZ,' ANDRADE DE CARVALHO e LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA \ (SUPLEN:rE CONVOCAI?O) .. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros LUIZ FERNANDO OJ-IVEIRA DE MORAES e MARIA GORETTI DE BULHÕES, CARVALHO. 2 Cr$ 435.888,30, fls. -1e"2. RELATÓRIO : 10680.003787/98-45/ : 102-2.087 : 123.781 . :CGM - CONSTRUTORA GUERRA MARTINS LTDA MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUiNTES SEGUNDA CÂMARA O chefe do Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, MG, indeferiu o pedido considerando extinto o direito de pleitear o •. . a restituição seguida de compensação com outros tributos em vista dadet~.rminação legal ~ontida nos 'artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional,' àprovado pela Lei n.o 5172, de 25 de outubro de 1966. Decisão SESIT/EQIR n.o1192/2000(de 21 de março de 2000, fls. 5 a'7. ;. A Delegada' da Receita Federal d,e Julgamento em Belo Horizoflte - afastou. a inCidência do inc. 1\ do artigo 168 do CTN pela aplicação .deste destinar-se à matéria previamente questionada em processo admiQistrativo ou judicial, cuja decisão irrecorrível anylar, réformar ou rescindir a decisãoconde~atória. Manteve o Ení 28 de abril de 2000, tempestivamenté, recorreu do indeferimento alegando em síntese termo inicial, para a contagem do prazo decadencial, incorr~to \ - . quando centrado na data. do pagamento indevido. Com fundamento na Instrução ..•• . \ ... . , Normativa SRF -IN SRF n.o.63í, de 24 de julho de 1997, e nas disposições do artigo 168, inc .. II do CTN, afirrTl0u que este de~e reportar-se à data da publicação do \ primeiro ato citado -e dessa forma, seu pedido não se encontra decadente. Pedido de compensação do Impost~ sobr~ a Renda retido pela fonte. ~. ~. pagadora sobre o lucro líquido do ano de 1989, recepcionado pela DMF/MG em 29 " . de abril de 1998. Junta~o' Documento de Arrecadação de Receitas Federais - _ DARF relativo ao recolhimento do imposto em 29 de março de 1990, em valor de. . Processo nO. Resolução nO. Recurso ,no. . Recorrente .. .MINISTÉ~IO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA '. . . , Prbcessono. : 10680.003787/98-45 Resolução nO. : 102-2.087 prazo de5 (cinco) anos para repetição do 'indebito previsto nos inc. I dos 'artigos . 165 e 168 do CTN, com termo inicial n~ data do pagamento. Concluiu por indeferir a .solicitação, conforme Decisão DRF/BHE n.o 1117, de 12 de junho de 2000, fls. 20 a 23. Inconformado dirigiu recurso ao E. Primeiro Conselho' de Contribuintes em 10 de agosto 'de 2000, tempestivamente, alegando período decenal para a prescrição e à decadência nos tributos sujeitos à homologação, fls.' 27 a 41. Citou os REsp. n.o 223469/MG, Relator, Min. Humberto Gomes de Barros, - DJ de 03/02/00; REsp n.o 116884/PR,. Relator Min. Garcia Vieira, DJ 09/03198, AG 268300/SP, relator Min. Milton Lúiz Pereira, DJ 02/02/00;. REsp 2328~2/CE" relator Min. José Delgado, DJ 16/11/99, REsp 239430/AL, relator Mi". Milton Luiz Pereira, . .' DJ 17/02/00, como jurisprudência a reforçar o sua alegação. Solicitou seja reconheqida (o): \ 1. a não ocorrência dos institutos da decadência e ou da I prescrição considerando que a doutrina, e jurisprudência para os tributos sujeitos ã homologação trata esse período como decenal; 2. a declaração' de inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n. o . . 7713/88 relativamente às sociedades limitadas em,que. seu confrato social não determine a disponibilidade. imediata dos lucros .auferidos; é,. l 3. o direito da. recorrente em ter os valores recolhidos indevidamente compensados com débitos vincendos. " Submetido à julgamento em 19 de abril de 2001 o recurso foi provido com lastro na Resolução do .Senado Federal n.o 82/96, Acórdão n.o 1à2~ . . ... ~ . 3 -' " É o Relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO C<.?NSELHO,DE CONTRIBUINTES SEGUNDA.CAMARA' . ' . 4 . Atendida a determinação pela Delegacia da Receita Federal em . . Belo Horizonte,. foi juntada cópia "da 13.a alteração contratual, de 30, de novembro de' 1989, fls. 65 ? 69. Processo nO. :.10680:003787/98-45 Resolução nO. : 102-2.087 44752, fls. 45 a 50. No entanto, sofreu embargo impetrado pelo Sr. Presid~nte desta . E. Segunda Câm~ra Antànio de Freita$ Dutra, em virtude de não s~ ehcónÚar o processo devidamente instruído com o contrato social vigente à época dos fatos. " . - Destarte, submetido a novo julgamento em 25 de julho de 2001, resolveu-se ariular a decisão anterior e convertê-lo em diligência para que fosse juntada cópia do . / contrato social vigente à época da ocorrên~ia dos fatos a fim de constatar seh~via pre'ifisão de distribuição automática dos lucros obtidos .. ' MINISTÉRIO DA FAZENDA \ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES' SEGUNDACÂMARA Processo nO, : 10680,003787/98-45 Resolução nO, : 102-2,087 VOT,O Conselheiro NAURY FRAGOSO TANAKA, Relator No julgamento anterior já havia sido afastada a, quest~o preliminar' que'residia na ineficácia do pedido em face de ter sido tal fato atingido pelo período decadencial, com marco inicial de contagem na ~ata ,do recolhimento" Portanto, esta n'ão merece, abordagem neste voto pois matéri'a já analisada pelo Colegiado desta , \ ' E Câmara Restou questionamento a respeito ,das disposições contratuais ,vigente~ à ép~ca do encerram~nto do período-base de incidência, no s~ntido de confirmar a automaticidade da distribuição d9S' lucros obtidos no momento em que realizado o balanço. Essa tributaçã"o .tinha por funda~ento o artigo 35 da Lei n. o . ' , , , . ~ '- 7713, de 27. ~e dezembro de 1988, que permitia à Administração Tributária exigir 0 recolhimento do Imposto sobre a ~enda da fonte pagadora, pela ocorrência da . . hipótese de incidência tributária dada pela distribuiçã,o automática dos lucros ',' obtidos. "Art. 35. O, sócio quotista, o acionista ou titular da empresa '. individua.l ficará sujeito ao imposto de renda na forite,' â al'íquota de oito por cento, calculado com base no,lucro líquido apurado pelas pessoas jurídi~as na data do encerramento do período-base. ' l. '~,4° O imposto de que trata este. artigo: , a) será considerado devido exclusivamente na fonte, quando. O ,beneficiário do lucro for. pessoa física;" ' . 5 .'- , ., ( IMINISTÉRIO DA FAzENDA PRIMEI~O,CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo nO. : 10680.003787/98-45 Resolução nO. : 102-2.087 iam os lucros ou prejuízos a distribuir. ( 6 . . Pelo balanço geral de 31 dê dezembro de cada ano, na proporção da participação societaria de cada um, serão distribuídos os -lucros ou prejuízos .correspondentes ao período, ou serão . mantidos em suspenso por deliberação dos sócios." Já asegundá hipótese, consubstanciada, permitiriél a imediata , . .resolução' do pedido. No entanto, não constam çlado~no process,o que permitam concluir a respeito de todas. essas possibilidades . Da Distribuição dos Resultados "Cláusula Décima-Primeira A diligência efetuada trouxe a cópia da 13.a alteração contratual, de . ( .' 30 de novembro de 1989, C?ndese constata na Cláusula Décima -, primeira que. a distribuição dos lucros obtidos era opcional, podendo ser imediata ou permanecer em suspenso por deliberação dos' sócios. ' Do referido texto não' se pode concluir que houve distribuição , automática dos luc'ros ou se estes. permaneceram em suspenso uma vez que a primeira hipótese permite entender que no ~omento da realização do balanço .os .. lucros ou prejuízos seriam atdbuídos' a cada sócio, prOporcionalmente a sua participação no capital social. Essa có~cltisão decorre da alternativa có-ntida na referidà cláusula para que a distribuição seja "fJe/O Balanço Geral' de 3'1 de ' dezembro-de cada ano". Ainda dessa hipótese, permite-se conClusão diversa, ou . . , seja, distribuição, em momentq seguinte ao' balanço, de~deque tais lucros ou prejuízos não sejam incluídos na condição ."em suspenso"; ~'esta, a expressão "Pelo . / . Balanço de 31 de dezembro" serviria p~ra identificar a referência de onde extrair-se- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CO.NSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA . . . Processo nO. :10680.003787/98-45 Resolução nO. : 102-2.087 Considerando a posição deste qrgão em ~situações similares! e que a j'ncidência tributária decorria da distribu'içãO imediata dos lucros, isto é, como descrita na primeira hipótese ,aventada, e lembrando que tanto o lançamento quanto o julgamento devem buscar a verdade material" claro está que 'os' dadqs do , . processo não permitem decidir, pois evidenciam-se dúvidas quanto à ocorrência da hipótese dê incidência' tributária naquela -oportunidade. ,Para a instrução satisfatória, necessária a juntada de provas da destinação dos resultados obtidos '. , " naquele exe'rcício. Destarté, Com a devida preocupação com o tempo pemàndado, meu voto é nó sentido de converter este julgamento, novamente, em diligência para que seja verificado junto à empresa citada se houve a distribuição imediata dos .Iucros ou se estes 'permaneceram em suspenso. Complementando, instruir o processo com cópias das folhas 'do Livr~ Diário onde transcrítos o balanço geral do exercício em .questão e daquelas relativas .~ distribuição;' se em momento posterior; juntar também parecer conclusivo da autoridade fiscal que realizar a diligência: Sala das Sessões - DF, em 11 de Julho de 2002. 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 10845.002652/2001-90
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 105-01.283
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALLCOFFEE EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Processo nO. Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Processo nO : 10845.002652/2001-90 Resolução nO : 105-1.283 Inconformada, a autuada apresentou impugnação aos feitos fiscais, fls. 156/159, argumentando, em síntese, o seguinte: RELATÓRIO ••• : 150.661 : ALLCOFFEE EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA - que optou por não atualizar os adiantamentos recebidos, razão pela qual não computou em seus registros a variação cambial no curso do ano fiscalizado, com exceçãodo saldoda contadeAdiantamentoconstantedo balany 2 - que, se era obrigada a efetuar o ajuste dos valores da Receita Bruta de Vendas nas exportações de produtos nacionais, contratados em moeda estrangeira (Dólares - US$), pelas taxas de câmbio vigentes nas datas dos embarques, deveria também atualizar os valores recebidos antecipadamente por meio de contratos de câmbios para exportação de café; Trata o processo das exigências de IRPJ e CSLL, relativas ao exercício de 1998, formalizadas em decorrência da constatação de que as notas fiscais de vendas emitidas pela empresa, relativas à exportação de café, teriam sido emitidas em desacordo com a legislação, na medida em que não refletiram o resultado da conversão, para a moeda nacional, dos valores contratados em moeda estrangeira. ALLCOFFEE EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a Decisão nO8.650, de 18 de janeiro de 2006, da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (I), que manteve o lançamento de IRPJ e CSLL, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Recurso nO. Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo nO : 10845.002652/2001-90 Resolução nO : 105-1.283 _ que, nos quadros de fI. 158, fica demonstrado que, computada a variação cambial sobre esses adiantamentos, a empresa devia ter recolhido aos cofres públicos os valores relativos ao IRPJ e à CSLL em montante inferiores ao que recolheu. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ••(I), São Paulo, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, através do Acórdão nO8.650, de 18 de janeiro de 2006, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa de fls. 187, que ora transcrevemos. RECEITAS NÃO CONTABILlZADAS. EXPORTAÇÕES DE CAFÉ. CONVERSÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA. Quando não produzidas as provas para sua fundamentação, não prospera a argüição de que, se por um lado, as exportações não foram convertidas pelas taxas de câmbio vigentes nas datas de embarque, por outro, os valores recebidos antecipadamente por meio de contratos de câmbios também não foram devidamente atualizados e que, portanto, a correspondente variação cambial deveria ser considerada, para efeito de apuração da base tributável. AUTO REFLEXO. Aplica-se ao lançamento reflexo de CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Inconformada, a empresa apresentou o recurso de folhas 196/205 através do qual oferece os seguintes argumentos: 1. que o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo afronta os dispositivos da Portaria MF nO 356, de 1998, a legislação tributária então vigente e os preceitos constantes das Normas Brasileira de Contabilidades, além de estar em desconformidade com a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes; 2. que a documentação apresentada á autoridade fiscal e por ela analisada por ocasião da lavratura do Termo de Verificação e Constatação que deu origem ao Auto de Infração, somada aos demonstrativos, Balanço e Razão Contábil Analítico anexados às fls. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo nO : 10845.002652/2001-90 Resolução n° : 105-1.283 156/159, não só amparam, como inclusive comprovam a inocorrência de omissões de receitas. 3. que está comprovado nos autos que a autoridade fiscal, por ocasião da lavratura do auto de infração originário, deixou de levar em consideração a variação cambial na conta de Adiantamento.ge Câmbio quando do cotejo dos valores da Nota de Venda com o valor do embarque, fato este que resultou na diferença tributável; 4. que, ao deixar de aplicar a variação cambial, além de contrariar as normas vigentes e o entendimento do Conselho de Contribuintes, a autoridade tributária apurou um crédito inexistente, penalizando-a (transcreve a Portaria MF nO356, de 1998, ato que teria dado suporte ao lançamento); 5. que a autoridade de primeira instância teria concluído equivocadamente acerca da conversão, para moeda nacional, dos valores contratados em moeda estrangeira; 6. que, valendo-se da Portaria MF n° 356/98 e de normas técnicas contábeis, optou em não efetuar a atualização dos adiantamentos recebidos, não computando, assim, em seus registros contábeis, no curso do ano-calendário de 1997, a variação cambial. Aduz que o saldo de adiantamento foi atualizado pela taxa de câmbio do último dia útil daquele ano, refletindo no Balanço a variação passiva, conforme documentos que, alega, teriam sido carreados aos autos (transcreve manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes que convergem para o seu entendimento). Recurso lido na integra em plenário. Como garantia, promoveu depósito administrativo. É orelatóri0l 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA VOTO Alega a recorrente que o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo afronta os dispositivos da Portaria MF nO356, de 1998, a legislação tributária então vigente e os preceitos constantes das Normas Brasileiras de Contabilidade, além de estar em desconformidade com a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuinte, Afirma, ainda, que a documentação apresentada à autoridade fiscal e por ela analisada por ocasião da lavratura do Termo de Verificação e Constatação que deu origem ao Auto de Infração, somada aos demonstrativos, Balanço e Razão Contábil Analítico anexados às fls. 156/159, não só amparam, como inclusive comprovam a inocorrência de omissões de receitas. Adiante, alega, naquilo que importa apreciar, que, valendo-se da Portaria MF nO356/98 e de normas técnicas contábeis, optou em não efetuar a atualização dos adiantamentos recebidos, não computando, assim, em seus registros contábeis, no curso do ano-calendário de 1997, a variação cambial. Aduz que o saldo de adiantamento foi atualizado pela taxa de câmbio do último dia útil daquele ano, refletindo no Tratam os autos de exigência de IRPJ e CSLL, lançados em decorrência da constatação, conforme Termo de fls. 13/15, de que as notas fiscais de vendas emitidas no período de 1997, pela matriz e filiais da empresa, nas exportações de café, foram efetuadas em desacordo com a legislação vigente (Portaria MF nO356, de 1988). De acordo com a autoridade fiscal, o valor total das vendas não refletiu o resultado da conversão, para a moeda nacional, dos valores contratados em moeda estrangeira pelas taxas de câmbio vigentes nas datas de embarque dos produtos, caracterizando, com isso, omissão de receitas. ••• O recurso é tempestivo, a empresa apresentou garantia através de depósito administrativo, portanto conheço do apelo. Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, Relator Processo nO : 10845.002652/2001-90 Resolução n° : 105-1.283 Sala das Sessões - DF, em 18 de outubro de 2006. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA 2. relativamente às planilhas de fls. 172/180, intime a recorrente a identificar, anexando as correspondentes folhas do Livro Razão, por período de apuração, os valores de adiantamento e da correspondente variação cambial passiva apropriados contabilmente. 1. relativamente aos contratos de câmbio, anexados ao presente às fls. 30/85, intime a recorrente a apresentar documentação hábil e idônea que comprove que eles foram formalizados com cláusula de indexação à moeda estrangeira; e Produzidas as informações que ora se requer, a interessada deve ser cientificada para, se quiser, aditar razões. Contudo, entendendo não estar o processo em condições de ser julgado, somos pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade local da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte promova as seguintes averiguações: Como se vê, a questão aqui se restringe aos seguintes aspectos: primeiro, se os adiantamentos rece~os pela recorrente estariam sujeitos, da mesma forma que as receitas de exportação, a atualização em razão da variação da taxa de câmbio; segundo, se os documentos trazidos aos autos pela recorrente, admitida a atualização dos adiantamentos recebidos, permitem concluir que o montante de variação cambial passiva suplantaria, como alegado, o total de variação cambial ativa decorrente da não conversão das receitas de exportação nos termos da legislação de regência. Processo nO : 10845.002652/2001-90 Resolução n° : 105-1.283 Balanço a variação passiva, conforme documentos que, alega, foram carreados aos autos (transcreve manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes que convergem para o seu entendimento). 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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