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Numero do processo: 10120.012764/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008
IMUNIDADE RECÍPROCA. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA
A imunidade tributária recíproca não alcança as sociedades de economia mista.
LANÇAMENTOS. NULIDADE
São validos os lançamentos efetuados de conformidade com a legislação
tributária vigente.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008
REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUINTES
Estão sujeitas à Cofins com incidência não cumulativa, calculada sobre o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta total, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008
REGIME NÃOCUMULATIVO.
CONTRIBUINTES
Estão sujeitas à contribuição para o PIS com incidência não-cumulativa, calculada sobre o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta total, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real.
MULTA DE OFÍCIO
Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC
Súmula CARF nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
PERÍCIA
Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeita-se o pedido.
Numero da decisão: 3301-000.856
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a
preliminar de nulidade do lançamento, indeferir a perícia solicitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008 IMUNIDADE RECÍPROCA. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA A imunidade tributária recíproca não alcança as sociedades de economia mista. LANÇAMENTOS. NULIDADE São validos os lançamentos efetuados de conformidade com a legislação tributária vigente. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUINTES Estão sujeitas à Cofins com incidência não cumulativa, calculada sobre o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta total, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUINTES Estão sujeitas à contribuição para o PIS com incidência não-cumulativa, calculada sobre o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta total, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real. MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PERÍCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeita-se o pedido.
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SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA A imunidade tributária recíproca não alcança as sociedades de economia mista. LANÇAMENTOS. NULIDADE São validos os lançamentos efetuados de conformidade com a legislação tributária vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO.CONTRIBUINTES Estão sujeitas à Cofins com incidência nãocumulativa, calculada sobre o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta total, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO.CONTRIBUINTES Estão sujeitas à contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa, calculada sobre o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta total, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real. MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PERÍCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeitase o pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir a perícia solicitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Brasília, DF, que julgou procedente os lançamentos das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS), ambas com incidência cumulativa, referentes aos fatos geradores ocorridos no período de competência de janeiro de 2005 a junho de 2008. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores das contribuições declarados/pagos e os valores escriturados, apurados com base no livro Razão, nas DCTFs e planilhas anexas a cada um dos autos de infração. Inconformada com a exigência dos créditos tributários, a recorrente impugnou os lançamentos, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “Em sede de preliminar, alega que o auto de infração foi apurado sem que a Fiscalização considerasse a natureza jurídica da CIA COMURG, a imunidade da sociedade de economia mista na prestação de serviços essenciais e obrigatórios e, caso os tributos fossem devidos, houve inobservância de critérios legais imprescindíveis para a constituição do lançamento do PIS e da COFINS, razão pela qual entende que o mesmo deve ser considerado nulo ab initio. Em relação à natureza jurídica da impugnante, informa ser uma sociedade de economia mista criada nos termos da Lei Municipal n° 4.915/74, com o propósito Fl. 293DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 290 3 de flexibilizar a contratação de empregados para a prestação dos serviços de urbanização, que compreendem a varrição, coleta de lixo, iluminação pública e jardinagem de praças e via públicas do Município de Goiânia. Cita o art. 30, inciso V, da Constituição Federal, o art. 50, inciso III, do Decretolei n° 200/67 e transcreve parte do RE n° 89.876/RJ, do STF, que fala sobre serviço de remoção de lixo. Acrescenta ainda entendimento de tributarista no mesmo sentido, concluindo que determinada natureza de serviços não podem e não devem ser relegados aos particulares, por isso a COMURG foi fundada com a participação majoritária do Município de Goiânia, que detém o total controle acionário, com o objetivo de prestar serviços de limpeza e urbanização, não exercendo atividade econômica de outra espécie. Admite que as sociedades de economia mista que exploram atividade típica da administração pública possuem personalidade jurídica de direito privado, mas são submetidas a princípios do Direito Público que impõem a realização de concursos para admissão de funcionários, fiscalização pelo Tribunal de Contas, realização de licitação, submissão à Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outros atos peculiares da administração pública direta. Informa que atualmente todos os caminhões coletores de lixo utilizados pela COMURG são de propriedade da municipalidade, que cedeu o uso dos veículos, afirmando estar anexando documentação nesse sentido. Entende que as sociedades de economia mista gozam das mesmas prerrogativas das autarquias e entes públicos propriamente ditos, de acordo com o disposto no art. 150, inciso VI, § 2° da Constituição Federal. Diz que a COMURG é empresa prestadora de serviços essenciais e obrigatórios do Município de Goiânia, razão pela qual encontrase amparada pela imunidade recíproca, conforme ementas de julgados do TRF 2ª Região que transcreve, amparandose também em entendimento de tributarista sobre o tema. Alega que nenhuma razão assiste à Receita Federal quando quer cobrar tributos sobre prestação de serviços essenciais de limpeza urbana, restando até trivial o entendimento nesse sentido, face à certeza da imunidade recíproca no caso de atividade essencial. Assim, considerando a natureza jurídica da empresa, bem como a natureza dos serviços essenciais, além da ausência comprovada de receita proveniente de outras atividades econômicas, entende deve ser reconhecida a imunidade recíproca entre a União, o Município de Goiânia e conseqüentemente a impugnante. Diz que os lançamentos a título do PIS e COFINS não podem prevalecer, pois não foram observados inúmeros requisitos legais e constitucionais que regulam a matéria, tais como: prorrogação indevida do mandado de procedimento fiscal; utilização indevida de base de cálculo em desacordo com a legislação; não aproveitamento de créditos, aplicação defeituosa da nãocumulatividade; juros, multa e correção monetária em desacordo com princípios basilares da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, capacidade econômica e contributiva. Em relação à prorrogação indevida do mandado de procedimento fiscal, alega que o referido mandado foi prorrogado sucessivamente sem qualquer justificativa ou fundamentação, o que caracteriza ausência de requisito essencial da motivação dos atos administrativos, determinando sua nulidade. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Relativamente à aplicação do regime da cumulatividade, cita o art. 8° inciso IV da Lei n° 10.637/2002 e o art. 10, inciso IV da Lei n° 10.833/2003, que tratam do PIS e COFINS, e expressa seu entendimento de que considerando a natureza da empresa a mesma não se sujeita às regras da nãocumulatividade, devendo ser aplicadas respectivamente as alíquotas de 0,65% e 3%, o que representaria redução do crédito tributário. Assim, requer seja reconhecida a sujeição da empresa ao regime da cumulatividade, com base nos dispositivos citados. Em relação ao PIS e também à COFINS, afirma que a Fiscalização considerou alguns créditos (aquisições de serviços de pessoa jurídica utilizados como insumos diretamente ligados à prestação de serviços da empresa; despesas de depreciação; aluguéis de imóveis pagos a pessoa jurídica; despesas de energia elétrica), porém, deixou de considerar a totalidade dos créditos que permitem a compensação, bem como desconsiderou outros créditos, razão pela qual requer seja julgado improcedente o auto de infração. Em relação à multa lançada, alega que a mesma não guarda proporção com a prestação tributária, caso ela fosse devida, possuindo caráter confiscatório, que é vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Entende que não cabe a aplicação cumulativa da multa com a taxa de juros SELIC. Cita ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes sobre exigência de ‘Multa Isolada’ e transcreve o art. 145, § 1°, da Constituição Federal, dizendo que a aplicação da penalidade genérica e não individualizada fere o princípio da capacidade contributiva e desconsidera a equivalência entre a gravidade do ato irregular e a mensuração da pena aplicável. Transcreve o art. 5° da Lei de Introdução ao Código Civil e diz que julgador deve obedecer ao princípio da equidade ao aplicar a lei. Afirma que as sanções aplicadas em razão do descumprimento de obrigações ou deveres tributários devem conter elementos normativos que permitam a consideração de cada caso concreto, segundo as circunstâncias fáticas e jurídicas presentes, e que há inconstitucionalidade material se isso não ocorre. Cita ainda o princípio da racionalidade ou proporcionalidade que determina que a aplicação da pena deve obedecer aos limites e não deve ocorrer aquém ou além da conduta imputável. Diz que ao arbitrar o valor do imposto ‘devido’, embasada em metodologia contrária ao direito, a RFB desconsiderou a capacidade contributiva do recorrente, tornando absolutamente impagável o débito. Finalmente diz que a exigência de multa além dos limites legais ou limites que não correspondem à realidade do contribuinte fere o princípio da propriedade e por conseqüência o princípio da vedação do confisco. Relativamente aos juros, diz que a taxa SELIC é de nítida índole remuneratória, não se prestando à fixação de juros moratórios e muito menos para fixar juros em relação às penalidades pecuniárias em matéria tributária. Que o citado índice não tem definição legal nem foi criado por lei, ficando ao alvedrio do Banco Central que tem competência para atuar na área financeira mas não para instituir ou majorar tributos e contribuições previdenciárias, alegando ainda a inconstitucionalidade da delegação de competência tributária. Cita ementa de julgado do STJ, referente ao Resp 215881, que trata de Empréstimo compulsório. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 291 5 Finaliza requerendo seja aplicada a imunidade recíproca, seja reconhecida a nulidade do MPF e sucessivas prorrogações, seja aplicado o regime da cumulatividade e reconhecido o direito de aproveitar a totalidade dos créditos no regime da nãocumulatividade; seja reconhecida a ilegalidade da multa e dos juros e, por fim, a produção de provas admitidas em Direito, inclusive juntada de documentos e diligências.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou os lançamentos procedentes, conforme acórdão nº 0329.031, datado de 23/01/2009, às fls. 240/247, assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO DEVIDA POR SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA Sociedade de Economia Mista constituída sob a forma de sociedade por ações, mesmo prestadora de serviços públicos, não pode ser considerada autarquia ou a esta equiparada. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Apuradas, mediante procedimento de auditoria fiscal, divergências entre os valores escriturados a título de COFINS e PIS e os que haviam sido declarados em DCTF pelo contribuinte, é procedente a autuação para exigência das diferenças não declaradas. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto à própria Contabilidade do contribuinte, pois as informações registradas na escrita fiscal fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inexatidão. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE Rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração, quando esse estiver revestido de todas as formalidades exigidas em lei para sua lavratura. APLICAÇÃO DA LEI A autoridade administrativa não tem atribuição para conhecer, no mérito, a argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, uma vez que tal competência é exclusiva do Poder Judiciário, em face dos princípios constitucionais da separação do poderes e da unidade de jurisdição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, sendo que a Lei 9.430/96 elegeu a Taxa SELIC como sendo a taxa de juros a ser Fl. 296DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 aplicada em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio exigida no Auto de Infração está prevista em normas legais válidas e vigentes à época da constituição do respectivo crédito tributário. DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PRODUÇÃO DE PROVAS Para que seja deferido o pedido de realização de diligência, perícia ou produção de outras provas, estes devem devidamente justificados e formulados de acordo com o disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. EQÜIDADE E PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO A eqüidade não pode ser aplicada no sentido da dispensa de penalidades em matéria tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP LANÇAMENTO DECORRENTE DE IDÊNTICA MATÉRIA Aplicase aos lançamentos de PIS o decidido em relação ao Auto de Infração da COFINS, quando ambos decorrem de idêntica matéria tributável.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 268/282, requerendo, preliminarmente, o reconhecimento da imunidade tributária recíproca de que goza e, alternativamente, seja reconhecida; i) a nulidade dos lançamentos em virtude das sucessivas prorrogações do MPF, sem a devida motivação; ii) a aplicação do regime da cumulatividade, nos termos do art. 8º, I da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 10, IV da Lei nº 10.833, de 2003; iii) o direito ao aproveitamento da totalidade dos créditos para o cálculo do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade; iv) a ilegalidade da aplicação da multa e dos juros à taxa Selic; v) deferida a produção de provas admitidas em direito, inclusive a juntada de documentos e realização de diligência nos termos do art. 16, IV do Decreto nº 70.235, de 1972. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) a natureza jurídica da recorrente; ii) a imunidade tributária das sociedades de economia mista na prestação de serviços essenciais e obrigatórios; iii) as ilegalidades na constituição e no lançamento dos supostos créditos tributários de PIS e Cofins; iv) a prorrogação indevida do mandado de procedimento fiscal; v) a aplicação do regime da cumulatividade dessas contribuições; vii) a desconsideração dos créditos na apuração do PIS e da Cofins no regime nãocumulativo; viii) a multa aplicada; e, ix) os juros à taxa Selic; concluindo, ao final, preliminarmente, que é imune ao pagamento das contribuições ora exigidas ou, alternativamente, que os lançamentos são nulos, em face da prorrogação indevida do MPF ou, ainda, se sujeita a essas contribuições, seria pelo regime cumulativo e, por fim, que a multa aplicada tem caráter confiscatório e não pode ser exigida cumulativamente com juros e que a exigência destes, taxa Selic, é ilegal por esta taxa ter natureza remuneratória e ser administrada pelo Banco Central do Brasil. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 292 7 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminares I.1 – Imunidade A recorrente defende a imunidade tributária recíproca para as contribuições lançadas e exigidas nos termos da Constituição Federal de 1988, art. 150, que assim dispõe, in verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...). VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...). § 2º A vedação do inciso VI, ‘a’, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, ‘a’, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. (destaque acrescentado) (...).” Conforme se verifica do conteúdo deste dispositivo, ao contrário do entendimento da recorrente, a imunidade nele determinada se aplica somente a impostos e não a contribuições sociais que, segundo a CF/1988, art. 195, deve ser financiada por toda a sociedade. Ainda que se aplicasse a contribuições sociais, a imunidade prevista naquele dispositivo constitucional se aplica exclusivamente às pessoas de direito público que são ao mesmo tempo sujeitos passivos e ativos de obrigação tributária, ou seja, a União, Estados, Distrito Federal e Municípios e suas autarquias e fundações, desde que no caso destas o Fl. 298DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 patrimônio, a renda e os serviços estejam vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. No presente caso, conforme demonstrados nos autos e prova os estatutos sociais, art. 1º, cópia às fls. 09/30, a recorrente é uma sociedade de economia mista por ações de direito privado cujo objetivo econômico é a prestação de serviços elencados no art. 2º, in verbis: “Art. 2° A Companhia tem como objetivo: I Administrar o Fundo de Urbanização de Goiânia, instituído pela Lei Municipal n° 4.914, de 21 de outubro de 1974, podendo, à conta desses recursos, realizar investimentos nos programas de equipamentos urbanos e de infraestrutura, estudos e projetos vinculados aos referidos programas, e bem aplicar seus próprios recursos nas mesmas finalidades ou em atividades relacionadas com o desenvolvimento urbano da cidade de Goiânia; II Incumbirse da execução de obras e serviços públicos de caráter rentável e/ou autofinanciáveis, quando tais obras e serviços lhe forem cometidos; III Explorar serviços públicos municipais nos termos de contrato de concessão a serem firmados com o Poder Executivo, podendo, para tanto, criar subsidiárias; IV Urbanizar terrenos oriundos de desapropriações realizadas pela municipalidade, desde que tenha convênio celebrado com o Município para esse fim, ou adquiridos pela própria Companhia; V Proceder ao remanejamento de áreas urbanas deterioradas, pertencentes ao patrimônio da COMURG, negociandoas na forma legal; VI Proceder ao remanejamento de áreas deterioradas, com prévio consentimento de seus proprietários, ressarcindose das despesas, acrescidas de remuneração pelos serviços prestados; VII Celebrar, sempre que atendam aos interesses da COMURG, convênios ou contratos com entidades concessionárias de serviços públicos responsáveis por obras de infraestrutura, em áreas a serem utilizadas; VIII Promover convênios com órgãos públicos que contribuam ou possam contribuir direta ou indiretamente para estudo, financiamento e realização de obras de urbanização; IX Promover permuta, alienação e arrendamento de imóveis que lhe sejam destinados nos termos da lei; X Realizar financiamento e outras operações de crédito, observandose a legislação pertinente para execução de programas e planos relacionados com sua área de atuação.” Conforme se verifica deste dispositivo, a recorrente realiza atividades econômicas de prestação de serviços que são também realizadas por outras empresas do setor Fl. 299DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 293 9 privado, sociedades limitadas e/ ou por ações, abertas ou fechadas, concorrendo em igualdades de condições. Assim, tendo optado em explorar “atividades públicas” no regime empresarial, constituindo uma sociedade de economia mista por ações, optou também pelo regime privado, devendo, portanto, se submeter a ele, inclusive no que se refere às obrigações tributárias. Ressaltese, ainda, que o parágrafo 3º do art. 150 da CF/1998 que trata da imunidade, citado e transcrito anteriormente, veda de forma expressa a sua aplicação à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades economias regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja a contraprestação de serviços ou tarifas pelo usuário, como no presente caso. Concederlhe tratamento tributário diferenciado, em relação a outras empresas públicas, privadas e/ ou de economia mista, a CF/1988, art. 150, II, e o §3º, que assim dispõe, in verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...); II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; (...). § 3º As vedações do inciso VI, ‘a’, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. (...).” Ora, segundo a legislação tributária das contribuições para o PIS e Cofins, todas as pessoas jurídicas de direito privado são contribuintes destas contribuições. I.2 – Nulidade do lançamento A suscitada nulidade do lançamento sob o argumento de que o MPF foi prorrogado, sem devida motivação não têm amparo legal. A Portaria RFB nº 11.371, de 1997, que trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelece em seu art. 12 que o MPF Fl. 300DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 10 pode ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quanto necessárias, assim dispondo, in verbis: “Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência.’ A motivação das prorrogações das prorrogações consta expressamente dos Termos lavrados pela Fiscalização para esse fim, nos quais se observa que a pessoa jurídica fiscalizada foi devidamente comunicada das prorrogações. Além disto, de conformidade com o Decreto nº 70.235, de 1972, somente são nulas as autuações lavradas por pessoa incompetente, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...).” Os autos de infração em discussão foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para as suas lavraturas, com o objetivo de constituir os créditos tributários por meio dos lançamentos de ofício. Em ambos os autos de infrações estão demonstradas e fundamentadas as infrações imputadas à recorrente, falta de declaração e pagamento das contribuições para o PIS e Cofins incidentes sobre o faturamento, ou seja, sobre as receitas de prestação de serviços, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, art. 1º, 2º, 4º e 10, e nº 10.833, de 2003, arts. 1º, 2º, 5º e 11. A identificação das infrações que lhe foram imputadas e a fundamentação de suas exigências lhes permitiram exercer seu direito de defesa. Tanto é verdade que o exerceu combatendo a exigência das contribuições sobre seu faturamento, mais especificamente, sobre as receitas de prestação de serviços. Possíveis incorreções e/ ou deficiências não os tornam nulos nem anuláveis e sim defeituosos ou ineficazes até as suas retificações. Contudo, inexiste a deficiência alegada pela recorrente. II – Mérito II.1) Aplicação do regime cumulativo A recorrente solicita a aplicação do regime cumulativo das contribuições nos termos do inciso IV do art. 8º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, em relação ao PIS, e inciso IV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Esses dispositivos legais determinam que permanecem sujeitas às normas das contribuições vigentes anteriormente àquelas leis, ou seja, ao regime cumulativo, as seguintes pessoas jurídicas: Lei nº 10.637, de 30/12/2002: Fl. 301DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 294 11 “Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; VI (VETADO) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1º; (Vide Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5º da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX (VETADO) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.” Lei nº 70.833, de 29/12/2003: “I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; Fl. 302DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 12 V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VII as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1º; (Vide Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da COFINS; c) referidas no art. 5º da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX as receitas decorrentes de venda de jornais e periódicos e de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) X as receitas submetidas ao regime especial de tributação previsto no art. 47 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; XIII as receitas decorrentes de serviços: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 303DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 295 13 a) prestados por hospital, prontosocorro, clínica médica, odontológica, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de diálise, raios X, radiodiagnóstico e radioterapia, quimioterapia e de banco de sangue; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. XV as receitas decorrentes de vendas de mercadorias realizadas pelas pessoas jurídicas referidas no art. 15 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XVII as receitas auferidas por pessoas jurídicas, decorrentes da edição de periódicos e de informações neles contidas, que sejam relativas aos assinantes dos serviços públicos de telefonia; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XVIII – as receitas decorrentes de prestação de serviços com aeronaves de uso agrícola inscritas no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XIX – as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas de call center, telemarketing, telecobrança e de teleatendimento em geral; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2006; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XXI – as receitas auferidas por parques temáticos, e as decorrentes de serviços de hotelaria e de organização de feiras e eventos, conforme definido em ato conjunto dos Ministérios da Fazenda e do Turismo. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XXII as receitas decorrentes da prestação de serviços postais e telegráficos prestados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 304DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 14 XXIII as receitas decorrentes de prestação de serviços públicos de concessionárias operadoras de rodovias; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXIV as receitas decorrentes da prestação de serviços das agências de viagem e de viagens e turismo. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXV as receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) XXVI as receitas relativas às atividades de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda, quando decorrentes de contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003; (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) XXVII – (VETADO).” A recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas acima que a sujeitaria ao pagamento das contribuições ao PIS e a Cofins pelo regime cumulativo. Dessa forma, está sujeita ao pagamento das referidas contribuições pelo regime nãocumulativo, conforme os lançamentos em discussão. II.2) Desconsideração dos créditos na apuração do PIS e da Cofins no regime nãocumulativo Alega a recorrente que, na apuração das diferenças das contribuições lançadas e exigidas, o autuante não teria considerado todos os créditos passíveis de dedução da contribuição a pagar nos termos do arts. 3º e §§ das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Contudo, tratase de alegação genérica, uma vez que não informou nem discriminou nenhum custo de insumos que teria utilizado na prestação dos serviços cujos créditos não foram levados em conta nos respectivos autos de infração. Conforme consta das descrições dos fatos e enquadramento legal de cada auto de infração, as diferenças lançadas e exigidas foram apuradas com base nos valores das contribuições declarados nas respectivas DCTFs e os valores efetivamente devidos, apurados com base nas receitas escrituradas em sua contabilidade, ou seja, todos os valores considerados pelo autuante, valores devidos, valores declarados/pagos, foram informados pela própria recorrente. Como as diferenças lançadas e ora exigidas decorreram da subtração entre os valores informados na contabilidade (livro razão) e os declarados nas respectivas DCTFs, concluise que os créditos foram apurados pela própria recorrente. Assim, não há que se falar em desconsideração de créditos passíveis de dedução das contribuições a pagar. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10120.012764/200809 Acórdão n.º 330100.856 S3C3T1 Fl. 296 15 Quaisquer retificações nos créditos passíveis de deduções dos valores da contribuição a pagar somente seriam possíveis, mediante provas de que a recorrente errou na escrituração daqueles créditos. Contudo, em momento algum, alegou erro na escrituração de tais créditos, tais como: deixar de escriturar créditos sobre custos de insumos aplicados na prestação de seus serviços, e/ ou que errou na apuração dos valores. Alegações genéricas de desconsideração de créditos na apuração do PIS e da Cofins no regime nãocumulativo sem apresentação de provas de erros cometidos não têm como ser aceitas. Caberia à recorrente demonstrar: a) os valores dos créditos aproveitados por ela; b) os valores dos créditos a que fazia jus; c) as diferenças a serem deduzidas; e, d) os erros na escrituração de tais valores, seja, por interpretação errada quanto aos insumos que dariam créditos, seja por erro na apuração, em face de utilização de alíquotas erradas e/ ou de valores. Como não nada disto foi feito, não há como retificar quaisquer valores lançados e exigidos a título de diferenças de PIS e Cofins. II.3) Multa aplicada A multa aplicada teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, que assim dispõe, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...); I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...).” A multa no lançamento de ofício tem como objetivo punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de lançamento, de declaração e de pagamento da contribuição). Não há amparo, no âmbito administrativo, para reduzir ou altear, por critérios meramente subjetivos, o percentual fixado em lei. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório. II.4) juros de mora à taxa Selic Tratase matéria já sumulada pelo Carf, nos termos da Súmula 04, que assim dispões, in verbis: “Súmula CARF nº 4. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 16 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Dessa forma, em relação a esta matéria, aplicase esta súmula. II.5) Perícia Já o requerimento para se baixar os autos em diligência, no presente caso, a solução do litígio prescinde da perícia solicitada. Os documentos carreados aos autos pela própria recorrente são suficientes para o deslinde da questão. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito a suscitada preliminar de nulidades dos lançamentos, indefiro o pedido de perícia e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 307DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 18471.000771/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000
SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL.
INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.
Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras
administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República.
O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte.
Numero da decisão: 1202-000.514
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000771/200610 Acórdão n.º 120200.514 S1C2T2 Fl. 70 2 Relatório Trata o presente processo do exame do Auto de Infração, no valor de R$ 45.358,69, para exigência da multa isolada, no percentual de 75%, sobre as estimativas mensais da CSLL não declaradas/recolhidas, do anocalendário de 1999 e parte de 2000, fls. 34 a 38. As razões para a exigência encontramse na Representação Fiscal, de fls. 03 a 05, cujo teor, em síntese, se reproduz: a) a representada teve indeferido seu crédito para compensação de débitos da CSLL formulado no processo nº 13707.000427/200191 e, por conseqüência, não homologada a DCOMP; b) foi verificado em consulta aos sistemas de controle da SRF, que os débitos relacionados na DCOMP correspondiam às diferenças entre os valores da CSLL informados na DIPJ e aqueles declarados/confessados em DCTF para o mesmo período. c) foi proposto o lançamento de oficio do crédito tributário decorrente dos débitos não declarados na DCTF constantes na respectiva DCOMP, nos termos do art. 68 da IN SRF nº 600, de 2005. Devidamente cientificada, a interessada apresentou sua impugnação onde, em síntese, apresentou as seguintes razões de defesa: a) a não homologação da DCOMP, que ensejou a aplicação da multa isolada ainda se encontra em grau de manifestação de inconformidade; b) enquanto não apreciada em definitivo a manifestação de inconformidade, o crédito tributário objeto de compensação encontrase inexigível; c) enquanto não houver a "coisa julgada administrativa" em desfavor da interessada, as prestações consignadas na DCOMP restam íntegras. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 12 21688 da DRJ/RJ I, de fls. 42 a 47, reduzindo o percentual da multa para 50% face ao princípio da retroatividade benigna, contendo o seguinte ementário: “COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. LANÇAMENTO DE OFICIO. Indeferido o pedido de compensação, é cabível o lançamento de oficio para a cobrança do crédito tributário inadimplido/multa exigida isoladamente como conseqüência. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000771/200610 Acórdão n.º 120200.514 S1C2T2 Fl. 71 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração impulsionar o processo até sua decisão final. Lançamento Procedente em Parte” Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim resumidos: 1 a formalização do crédito tributário pelo lançamento de oficio, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo; 2 no ordenamento preconizado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não existe determinação para que, nas circunstâncias do presente caso, o presente processo tenha o seu trâmite suspenso no aguardo de decisão definitiva de outro processo em andamento; 3 em razão da alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, promovida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 2007, bem como pela aplicação da lei tributária que comina penalidade menos severa, conforme artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional – CTN, os valores da multa lançados deverão ser reduzidos para o percentual de 50%. Irresignado com a decisão proferida pela DRJ, a autuada apresentou seu recurso voluntário, de fls. 53 a 59, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo gira em torno da possibilidade de suspensão do andamento do presente processo, até que se julgue definitivamente o processo nº 13707.000427/200191, que trata de DCOMP não homologada, cujos débitos ali consignados ficaram sujeitos à multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais da CSLL. Pois bem. O que se percebe da leitura do recurso voluntário é que a interessada contesta a aplicação da multa isolada exigida na autuação antes que se julgue em definitivo, na esfera administrativa, o processo nº 13707.000427/200191, requerendo o seu sobrestamento. A esse respeito cumpre dizer que não existe suporte legal para o sobrestamento de processos no âmbito do processo administrativo fiscal, em atendimento ao Fl. 71DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000771/200610 Acórdão n.º 120200.514 S1C2T2 Fl. 72 4 princípio da oficialidade, que impele a Administração Tributária a impulsionar o processo até a sua decisão final. Não existindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento, sob pena de violar o princípio da “legalidade” a que estão sujeitos os órgãos da administração pública, inserto no art. 37, caput da Constituição da República. A jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes também se posicionava nesse sentido, conforme se verifica na Ementa do Acórdão nº 30235520 sessão de 16/04/2003 , dentre outros: SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO . O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte, principalmente quando parte do primeiro processo já foi julgada. Em que pese a matéria estar suficientemente decidida, cumpre consignar que a matéria que está sendo discutida no processo nº 13707.000427/200191 já foi apreciada por este CARF, por ocasião do exame do recurso voluntário nº 163302 impetrado pela recorrente, tendo sido negado provimento ao recurso, por unanimidade, conforme consulta efetuada ao sítio do CARF na internet, em 14/04/2010, encontrandose, atualmente, no aguardo do exame de admissibilidade do recurso especial. Cumpre também dizer, que a imposição da penalidade encontra perfeito amparo no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo sido aplicada pela constatação de que os débitos relacionados na DCOMP, correspondentes às diferenças entre os valores da CSLL informados na DIPJ e daqueles declarados em DCTF, não teriam sido lançados e nem recolhidos/compensados. Ora, se haviam diferenças das estimativas mensais da CSLL, fato reconhecido pela própria interessada ao informar os respectivos valores na DCOMP, e essas diferenças não foram compensadas e nem recolhidas nos prazos estabelecidos pela legislação, incide sobre o caso a multa isolada aplicada pela fiscalização. Dessa forma, nos termos do acima exposto, entendo que não há como sustentar a pretensão da requerente em querer ver sobrestado o presente processo até julgamento final do processo nº 13707.000427/200191, por absoluta falta de previsão legal. Além disso, em que pese a matéria não ter sido aventada pela defesa e para que não se alegue cerceamento no direito de defesa, cabe também esclarecer à interessada a procedência da multa lançada. A esse respeito, cumpre dizer que uma vez não cumprida a obrigação do recolhimento das estimativas mensais da CSLL a contento, a Lei nº 9.430, de 1996, nos seus artigos 43 e 44 e alterações, estabelecem a imposição de uma penalidade isolada para coibir a prática do não pagamento ou do pagamento a menor dessas estimativas mensais, conforme redação dos dispositivos que se transcreve: Fl. 72DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000771/200610 Acórdão n.º 120200.514 S1C2T2 Fl. 73 5 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Multas de Lançamento de Oficio Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei na 11.488, de 15 de junho de 2007) (Grifei). Estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento da contribuição social, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, deixando de recolher a contribuição sem demonstrar que não era devida, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida nos arts. 43 e 44 mencionados, que deve ser aplicada e cumprida integralmente pelas autoridades administrativas. Sobre esse último aspecto, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não cabe à autoridade administrativa usar do poder discricionário para aplicação da norma legal. Ocorrido o fato, e estando ele perfeitamente enquadrado no dispositivo legal que o regula, a autoridade deve obrigatoriamente aplicar a lei ao caso concreto. Por outro lado, em face da aplicação do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "c", do CTN, decidiu o acórdão recorrido, corretamente, por reduzir o percentual de aplicação da multa isolada para 50%, incidente sobre o valor não recolhido, tendo em vista a nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 pela Lei n° 11.488, de 15 de dezembro de 2007, remanescendo o crédito tributário no valor de R$ 30.235,78 a título de multa isolada, conforme discriminado no quadro da fl. 47. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000771/200610 Acórdão n.º 120200.514 S1C2T2 Fl. 74 6 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 74DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13005.900580/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO.
Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.
PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO.
Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase
inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado.
DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO.
A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
Numero da decisão: 1202-000.530
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Fl. 321DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900580/200802 Acórdão n.º 120200.530 S1C2T2 Fl. 322 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório A interessada transmitiu, em 29/07/2004, PERD/COMP eletrônico (fls. 11 a 16) visando utilizar o crédito da estimativa mensal da CSLL do período de apuração de agosto de 2003, pago mediante DARF, no valor de R$ 5.899,41, para compensação de débito nele declarado, relativo à CSLL do período de apuração de junho de 2004, no valor de R$ 5.552,14. Na sequência, a DRF/Santa Cruz do Sul emitiu Despacho Decisório Eletrônico, em 24/04/2008 (fl. 04), não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da CSLL relativo à agosto de 2003, não restando assim crédito disponível para a compensação. Cientificada da decisão, em 05/05/2008, a interessada protocolizou a manifestação de inconformidade, de fls. 01 a 03, aduzindo que: a) por lapso, informou no PER/DCOMP a origem do crédito como sendo "pagamento indevido ou a maior", tendo indicado o DARF recolhido no valor de R$ 5.899,41, código de receita 2484, PA: agosto/2003, com vencimento em 30/09/2003; b) na verdade, deveria ter indicado como origem do crédito "base de cálculo negativa da CSLL", apurada ao final do ano de 2003; c) o cruzamento de informações acabou constatando que o referido DARF acabou sendo utilizado duas vezes. Primeiro, pagando o débito de R$ 5.899,41 (PA agosto/2003), e, depois, buscando extinguir parcialmente o débito de R$ 5.552,14 (PA junho/2004), o que acabou resultando na nãohomologação da declaração de compensação pretendida; d) a partir da comunicação de nãohomologação do PER/DCOMP, a requerente tratou de proceder à retificação da DCTF do 2° trimestre de 2004, informando em tal documento um débito para a CSLL, PA: junho/2004, no valor de R$ 256,80, com indicação de que o pagamento se deu por DARF. O valor original informado na DCTF era de R$ 5.808,94, fl. 57. A fim de conciliar os novos valores, também foi retificada a DIPJ/2005; Após a análise da manifestação, foi emitido o Acórdão DRJ/Santa Maria, fls. 292 a 296, com o seguinte ementário: CSLL POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. As estimativas da CSLL recolhidas devem ser levadas à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando recolhimento da CSLL em montante superior ao devido no exercício de apuração, compensar ou restituir o saldo negativo, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao da apuração. COMPENSAÇÃO. INCABÍVEL EXTINÇÃO DO DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE PROVAS. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900580/200802 Acórdão n.º 120200.530 S1C2T2 Fl. 323 3 Incabível reconhecer a extinção do débito referente à estimativa mensal da CSLL em sede de manifestação de inconformidade, especialmente quando o contribuinte não apresenta provas que fundamente o seu alegado direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A fundamentação utilizada no referido Acórdão foi no sentido de que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, o que possibilita ao contribuinte aproveitar o saldo negativo, mediante compensação ou restituição, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. No caso dos autos, não haveria comprovação do direito creditório passível de compensação com débitos do contribuinte. O acórdão também aborda a alteração do valor do débito da CSLL de junho/2004, por meio de retificação da DCTF feita após o recebimento do Despacho Decisório Eletrônico. Sustenta ainda que, nos termos da IN SRF nº 11, de 1996, dita alteração deverá ser registrada com a transcrição do balanço ou balancete no livro Diário e no livro LALUR, comprovando que o valor do tributo pago até o mês do balanço/balancete é igual ou excede o valor do tributo devido. Dessa forma, o contribuinte não poderia, diante da nãohomologação da compensação, simplesmente reduzir o valor do débito da CSLL informado na DCTF, período de apuração junho de 2004, de R$ 5.808,94 para R$ 256,80, sem comprovar o seu direito. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, fls. 299 a 301, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça a tese de erro de preenchimento do PER/DCOMP, salientando que existe saldo negativo da CSLL, ao final do ano de 2003, passível de compensação no ano de 2004. A respeito das retificações das declarações DCTFs e DIPJs, menciona que tal procedimento se fazia necessário, a fim de conciliar os valores nelas informados. Alega, por fim, que encontrase suficientemente provado nos autos a alteração dos valores devidos, com a juntada de cópias das respectivas declarações originais e retificadoras. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à existência do crédito de R$ 5.899,41, informado na PER/DCOMP como sendo pagamento indevido ou a maior da CSLL relativo ao PA agosto/2003, para quitar um débito em aberto de R$ 5.552,14, relativo à CSLL, PA junho/2004, informado nessa mesma PER/DCOMP. Alega a recorrente que houve erro de preenchimento do PER/DCOMP e que o crédito seria originário do saldo negativo da CSLL apurado ao final do ano de 2003, ao invés de agosto de 2003. Menciona, ainda, que após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico Fl. 323DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900580/200802 Acórdão n.º 120200.530 S1C2T2 Fl. 324 4 DDE, providenciou na retificação do valor devido da CSLL do período em análise, junho de 2004, mediante entrega de DCTF e DIPJ retificadoras, cujo débito de R$ 5.808,94, passou para R$ 256,80, quitado mediante pagamento em DARF. Assim, o débito não compensado, de R$ 5.808,94não mais existiria. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, cabe analisar a situação do crédito informado no pedido PER/DCOMP. Do exame do Despacho Decisório Eletrônico, consta que a interessada teria efetuado um pagamento da CSLL, referente ao PA agosto/2003, no valor de R$ 5.899,41. Após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, a interessada apresentou DCTF retificadora, em 12/05/2008. Segundo a recorrente, a DCTF retificadora referese ao débito originalmente compensado no PER/DCOMP, período de apuração junho/2004, cujo valor original informado na DCTF, passou de R$ 5.808,94 para o valor retificado de R$ 256,80. fls. 57 e 80. Como se percebe, a interessada reduziu o débito informado na DCTF relativo ao período em análise. Entretanto, no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida. O interessado confessou originalmente em DCTF que apurou débito de CSLL em agosto de 2003. E foi ao débito assim confessado que o DARF que indicou na PER/DCOMP está alocado, de sorte que não poderia ter sido utilizado para a quitação de outro débito, em junho de 2004. De fato, o débito da CSLL encontravase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.(grifei) Além disso, as DCTFs retificadoras não produzem efeitos quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal.(destaquei) Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito da CSLL referente a agosto/2003 efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado Fl. 324DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900580/200802 Acórdão n.º 120200.530 S1C2T2 Fl. 325 5 estava integralmente alocado ao respectivo débito de agosto/2003, declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. O fato é que, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN). Por seu turno, a não homologação da compensação está conforme o art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, que tenha por objeto a redução ou a exclusão de tributos, como é o caso, só é possível mediante a comprovação do erro alegado: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(destaquei) Como mencionou o acórdão recorrido, as retificações pretendidas foram indeferidas, porque desacompanhadas das provas documentais correspondentes, entre elas a apresentação dos livros Diário e LALUR e demais documentos que lastreassem a alteração. Não houve a comprovação de que o valor da CSLL paga até o mês do balanço/balancete excedeu o valor da contribuição devida. Juntou apenas DCTFs originais e retificadoras dos períodos em análise e DIPJs original e retificadora do anocalendário de 2004, insuficientes para que se aceitasse as retificações pretendidas. Assim, também por esse motivo, não há como acolher a pretensão da contribuinte em reduzir a CSLL declarada sem elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Por fim, é de se registrar que as reduções da CSLL informadas nas DCTFs, acarretariam a alteração/cancelamento da própria PER/DCOMP ora examinada, que somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento. O erro de identificação do indébito tributário na formulação do PER/DCOMP é insanável, já que se trata de alteração do próprio direito. Não pode ser considerado erro material o fato da recorrente ter pleiteado a compensação de débito cujo crédito já havia sido utilizado para quitar outro débito, confessado em DCTF pelo próprio contribuinte. Em verdade, sob a forma de retificação da DCTF original (sem nenhuma comprovação documental), pretende a recorrente formular novo pedido PER/DCOMP ( com outro crédito e com outro débito) aproveitandose da data do pleito original. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do antigo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 09/08/2007 pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sobre a possibilidade de alteração do pedido após o Despacho Decisório: “Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso Fl. 325DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900580/200802 Acórdão n.º 120200.530 S1C2T2 Fl. 326 6 fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, pautado em declarações e em documentos apresentados pela própria recorrente, uma vez que as alterações efetuadas pela contribuinte, com a entrega da DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, não têm o condão de tornar irregular a decisão administrativa que pretende ver reformada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 326DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 18471.001145/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
Na apuração de infração de omissão de emolumentos recebidos por
serventuários da Justiça são dedutíveis, a título de despesas escrituradas em livro caixa, as quantias recolhidas ao Fundo Especial do Tribunal de Justiça.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
RO Negado e RV Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-001.379
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício e NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Na apuração de infração de omissão de emolumentos recebidos por serventuários da Justiça são dedutíveis, a título de despesas escrituradas em livrocaixa, as quantias recolhidas ao Fundo Especial do Tribunal de Justiça. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RO Negado e RV Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 690 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 14/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLAUDIO ANTONIO MATTOS DE SOUZA foi lavrado Auto de Infração, fls. 561/571, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 2.493.852,43, incluindo multa de ofício proporcional, nos percentuais de 75% e 150%, multa isolada e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 551/560, foram omissão de emolumentos de tabelião, dedução indevida de despesas de livrocaixa, dedução indevida de desconto simplificado e falta de recolhimento do IRPF devido à título de carnêleão. A multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada, no percentual de 150%, no que se refere à infração de omissão de emolumentos de tabelião, em razão de a autoridade fiscal entender evidenciada a ação dolosa do contribuinte tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, de modo a reduzir, substancialmente, o montante do imposto devido. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 590/612, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/RJOII nº 1323.236, de 29/01/2009, fls. 633/645: em obediência à tipicidade e como requisito indispensável do tipo, há de ser analisado o artigo 72 da Lei 4.502/64, que define como fraude a ação ou omissão dolosa para modificar, impedir ou retardar o fato gerador com o objetivo de reduzir o montante do tributo ou evitar ou diferir o pagamento. Assim, o fato de a fiscalização ter apurado uma suposta presunção de omissão de rendimentos não corresponde a tal conduta. Não se escondeu ou omitiu fatos, além de que a suposta presunção de omissão de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 691 3 rendimentos apurada pelo fisco, por si só, não evidencia qualquer prática fraudulenta; se houver inexatidão nas informações constantes do autolançamento, a conseqüência prevista é que seja efetuado o lançamento de oficio; ainda que se entenda que do ato ou omissão do impugnante decorra a diminuição total ou parcial do tributo, ou ainda seu diferimento indevido, deve ser demonstrada a intenção do agente nesse sentido; ou seja a fraude deve ser comprovada e deve ser apresentada com a precisa descrição, dos fatos para a aplicação da multa qualificada, que no caso não ocorreu. Cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes; não houve, por parte do impugnante, a fraude e, assim, não há que falarse em multa na modalidade qualificada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96; o impugnante discorda dos rendimentos mensais descritos na tabela elaborada pela fiscalização que são meras presunções. Para afirmar que são rendimentos efetivamente recebidos, seria necessária comprovação inequívoca desse fato; não pode o fisco simplesmente presumir um recebimento, sem apresentar nos autos os elementos probantes do recebimento desses rendimentos. Para demonstrar que as informações advindas da Corregedoria de Justiça são rendimentos presumidos, transcreve Parecer do Senhor Corregedor Geral de Justiça sobre assunto idêntico; o Parecer deixa claro que as informações prestadas pelos cartórios são para fins meramente estatísticos e em nenhum momento demonstra que as informações obtidas junto à Corregedoria de Justiça representam os efetivos recebimentos auferidos; outra prova inequívoca de que os rendimentos auferidos pelo impugnante foram aqueles escriturados no livro caixa, devese ao fato de que o Fisco estava de posse dos extratos das contas bancárias e, mesmo assim, quis trilhar o caminho da presunção de omissão de rendimentos; o Fisco imputou ao impugnante rendimentos mensais elevadíssimos, porém esqueceuse de abater os 20% das GRERJ sobre esses emolumentos supostamente recebidos. Esse fato está demonstrado na planilha constante do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, onde os rendimentos mensais estão estampados; na concorrência entre os cartórios de notas, prevalecem sempre os preços praticados por cada cartório. Sobrevive nesse mercado concorrido aquele que pratica preços menores, o que acontece até hoje com o 10º Ofício de Notas, apesar de existir uma tabela de preços a ser praticada, expedida pela Corregedoria de Justiça. Dar descontos foi o que aconteceu no Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 692 4 anocalendário de 2003. Para demonstrar e provar que descontos, eram concedidos costumeiramente em percentuais significativos invoca o Provimento CGJ nº 29/2007 que veda expressamente aos Serviços Notariais e de Registro a concessão de descontos nos emolumentos cobrados, tendo em vista a natureza tributária dos mesmos; não se pode tributar por mera presunção, por falta, inclusive, de amparo legal, já que na pessoa física o regime de reconhecimento dos rendimentos é o de caixa. O enquadramento legal disposto no auto de infração não trata de tributação com base em qualquer presunção legal prevista na legislação de regência; a base de cálculo da multa de oficio de 50%, exigida isoladamente, constante do Auto de Infração, é exatamente o montante dos rendimentos mensais considerados omitidos, os quais já estão penalizados com a multa de oficio de 150%. Ou seja, sobre a mesma base de cálculo, o auto de infração imputa contra o impugnante a multa de oficio de 150% e de 50%. Cita ementas de acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes; os juros moratórios em matéria tributária são devidos em razão da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária. A taxa de juros moratórios de 1% ao mês, fixada no parágrafo primeiro do art. 161 do CTN é o limite máximo que pode ser aplicado. É ilegal a utilização da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios por exceder a esse limite e, além disso, essa taxa constitui um parâmetro para remuneração de aplicações de capital no mercado financeiro; é considerada flagrante a inconstitucionalidade e a ilegalidade da utilização da taxa SELIC para cálculo de juros de mora devido quando não pagos os tributos e contribuições sociais arrecadados pela receita Federal nos prazos previstos na legislação tributária; e sendo ilegal a cobrança de juros moratórios com base na taxa SELIC, na hipótese de ser mantida a exigência fiscal ainda que indevida e improcedente, deve prevalecer, para cálculo de juros moratórios, a taxa prevista no parágrafo 1º do artigo 161 do CTN, ou seja, 1% ao mês. A autoridade julgadora de primeira instância considerou não impugnada as infrações de dedução indevida de desconto simplificado e dedução indevida de despesas de livrocaixa e, na parte conhecida, julgou o lançamento procedente em parte para reduzir: (i) a infração de omissão de emolumentos de tabelião de R$ 2.486.897,45 para R$ 911.454,58; (ii) a multa isolada para R$ 342.966,57 e (iii) o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião de 150% para 75%. A DRJ Rio de Janeiro II recorreu de ofício de sua decisão ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 693 5 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/03/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 646, o contribuinte apresentou, em 06/05/2009, recurso voluntário, fls. 649/682, no qual repisa os argumentos trazidos na impugnação, acrescentando ser ilegal a apuração de valores com base em extratos bancários, confisco, inaplicabilidade do art. 161 do CTN e ilegalidade da multa de ofício. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 694 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte para: (i) reduzir a infração de omissão de emolumentos de tabelião de R$ 2.486.897,45 para R$ 911.454,58; (ii) reduzir a multa isolada para R$ 342.966,57 e (iii) reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião de 150% para 75%. De pronto, vale destacar que a infração de omissão de emolumentos foi detectada mediante comparação entre os valores declarados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual e os valores apurados com base nos recolhimentos efetuados junto ao Fundo Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (FETJ), mediante GRERJ. A redução da infração de omissão de emolumentos de tabelião se deu em razão de acatarse a alegação do contribuinte de que a autoridade fiscal, quando da apuração da infração, deixou de excluir os valores que o contribuinte recolheu ao FETJ, mediante GRERJ. De fato, do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 551/560, observa se que a autoridade fiscal, ao apurar a omissão de rendimentos, deixou de deduzir os valores recolhidos ao FETJ, conforme se infere do demonstrativo dos rendimentos omitidos, mês a mês, fls. 558. Destaquese que tais valores também não foram escriturados como despesa no livrocaixa, fls. 49/170, apresentado pelo contribuinte. Logo, correta a decisão recorrida ao deduzir da infração de omissão de emolumentos de tabelião as quantias recolhidas ao FETJ. Via de conseqüência, reduzida a infração de omissão de emolumentos de tabelião, devese reduzir também a multa isolada, dado que sua base de cálculo é o valor do imposto incidente sobre o IRPF devido. Assim, correta também a decisão recorrida, que procedeu ao novo cálculo da multa isolada, considerando os novos valores da infração de omissão. No que se refere a multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião, a autoridade fiscal utilizou o percentual de 150%, justificando que restou evidenciada a ação dolosa do contribuinte, tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, de modo a reduzir, substancialmente, o montante do imposto devido. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 695 7 Como bem ressaltou a decisão recorrida, este não é o entendimento deste colegiado. A simples omissão de rendimentos não pode ensejar a aplicação da multa de ofício, na sua forma qualificada, no percentual de 150%, conforme se infere da Súmula CARF nº 14, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) No presente caso, não restou comprovado nos autos o evidente intuito de fraude, valendose a autoridade fiscal apenas da apuração da omissão de rendimentos para proceder a qualificação da multa de ofício. Nestes termos, mais uma vez, assiste razão a decisão recorrida que reduziu o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião de 150% para 75%. Assim, devese negar provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/03/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 646. Já o recurso voluntário, por sua vez, somente foi apresentado em 06/05/2009, fls. 649, depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância, que se encerrou em 20/04/2009. É forçoso concluir, portanto, pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Nessa conformidade, há de não se conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 210201.379 S2C1T2 Fl. 696 8 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003396/2005-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria.
AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO
A DCTF do contribuinte evidencia a inexistência do crédito por ele pretendido. O contribuinte não alegou a questão de fato de erro no preenchimento dessa DCTF, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmassem a correção de seu preenchimento. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
Numero da decisão: 1103-000.432
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A DCTF do contribuinte evidencia a inexistência do crédito por ele pretendido. O contribuinte não alegou a questão de fato de erro no preenchimento dessa DCTF, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmassem a correção de seu preenchimento. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A DCTF do contribuinte evidencia a inexistência do crédito por ele pretendido. O contribuinte não alegou a questão de fato de erro no preenchimento dessa DCTF, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmassem a correção de seu preenchimento. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 107DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003396/200514 Acórdão n.º 110300.432 S1‐C1T3 Fl. 108 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003396/200514 Acórdão n.º 110300.432 S1‐C1T3 Fl. 109 3 Relatório DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo, protocolado em 22/07/2005, de compensação de tributos, declarada pela recorrente através do PER/DCOMP nº 20805.30572.230305.1.3.04 8187 (fls. 2 a 6). A recorrente alega crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 26.417,27 originado através de um DARF sob o valor de R$ 257.113,24 e declara a compensação do referido crédito com débito de CSRF, no código 595202, período de apuração 1ª quinzena de março de 2005, no valor de R$ 26.417,27. DO DESPACHO DECISÓRIO A DRF de Belém/PA, por meio do despacho decisório (fls. 18 a 21), indeferiu a solicitação da recorrente, visto que o DARF informado, apesar de devidamente localizado e confirmado, foi totalmente utilizado para quitar o débito de CSRF referente à 2ª quinzena de fevereiro de 2005. A vinculação e utilização do pagamento para a quitação do débito de CSRF foram feitas pela própria recorrente na DCTF mensal referente a fevereiro de 2005 (fls. 11 a 13). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do despacho em 20/09/2006 e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 25 a 29) em 18/10/2006, requerendo à DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição da CSRF, cumulada com a compensação de débitos de CSRF, alegando, em síntese, que: a) Houve recolhimento a maior na apuração da CSRF referente à 2ª quinzena de fevereiro de 2005; e b) Constatado este recolhimento a maior foi feita a devida PER/DCOMP que compensou tais valores na apuração da CSRF da 1ª quinzena de março de 2005 e que, portanto, não houve duplicidade no aproveitamento deste crédito. Solicita a prova pericial, considerandose a incompatibilidade entre a sua escrita contábil e as razões de glosa suscitadas pela fiscalização e indicando assistente técnico. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 109DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003396/200514 Acórdão n.º 110300.432 S1‐C1T3 Fl. 110 4 Em 09/08/2007, acordaram os membros da 1ª Turma da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, julgar a restituição indeferida e a compensação não homologada, pelos motivos abaixo sintetizados: a) A recorrente fundamentou sua argumentação no fato de que houve recolhimento a maior, limitandose a informar qual o DARF, código e valor recolhido e qual a DCOMP utilizada, mas em nenhum momento demonstrou seja argumentando ou com documentos que o débito por ele declarado na DCTF original referente à CSRF da 2ª quinzena de fevereiro de 2005, conforme documentos de fls. 11 a 13, estivesse errado, visto que este DARF foi utilizado integralmente para este pagamento, até porque todos os dados informados o vinculam ao débito de fevereiro de 2005; b) A recorrente confirmou este débito ao entregar em sua manifestação de inconformidade cópia da DCTF original de fl. 74; c) Ficou claro na decisão da DRF que a DCOMP não foi homologada, não pela inexistência do valor recolhido e sim pela inexistência de valor disponível do valor recolhido, pois o DARF foi alocado ao débito correspondente ao seu valor, imposto e período de apuração. A recorrente teria que comprovar que o débito ao qual foi alocado o DARF em questão e que foi por ele confessado em DCTF, foi declarado erroneamente com os respectivos documentos e livros contábeis comprobatórios, mas não o fez; d) No que tange ao pedido de perícia, este restou inepto, visto que a recorrente não motivou seu pedido e nem formulou quesitos, regras estas estabelecidas no art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72 com redação dada pela Lei 8.748/93, em seu art. 1º. Cientificada do acórdão em 05/09/2007 e inconformada com a decisão, a recorrente, em 27/09/2007 apresentou seu recurso voluntário (fls. 83 a 89), reiterando, basicamente, o alegado na manifestação de inconformidade e juntou a DCTF retificadora referente ao mês de fevereiro de 2005 (fls. 95 e 96). É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003396/200514 Acórdão n.º 110300.432 S1‐C1T3 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Marcos Takata, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o pedido de perícia da recorrente. Rejeito o pedido de perícia. Primeiro, porque carece de formulação de quesitos aos exames desejados, indispensável ao pedido, conforme o art. 16, IV, do PAF (Decreto 70.235/72). Segundo, porque, no âmbito da distribuição dos ônus das provas no presente feito, entendo ser desnecessária. A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. A perícia, tal como a diligência, tem cabimento quando, a par dos elementos probatórios colacionados aos autos, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte, conforme a pretensão em jogo seja de um ou de outro e as alegações deduzidas, restem dúvidas saneáveis com a determinação daquela. Isso tudo ficará esclarecido adiante. Como se viu do relatório, a controvérsia se fixa na não homologação da compensação do pretenso crédito de CSRF (Contribuições Sociais de CSL, PIS e COFINS na fonte à alíquota de 4,65%) relativo à 2ª quinzena de fevereiro de 2005. Na peça inaugural a recorrente se limita a dizer que: a) houve recolhimento a maior de CSRF no código 5952, correspondente à 2ª quinzena de fevereiro de 2005, e que sua DCOMP foi apresentada para compensação com débito de CSRF no código 5952 relativo à 1ª quinzena de março de 2005, de modo que não se há de falar em duplicidade de aproveitamento do crédito; b) a DCTF referente a fevereiro de 2005, anexada na peça de inconformismo, evidencia que não há compensação feita nesse mês usandose o aludido crédito; este fora empregado para compensar com o débito de março de 2005, conforme a DCTF relativa a março de 2005, juntada aos autos. De plano, vêse a tautologia da primeira asserção que em nada contribui para a pretensão da recorrente. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003396/200514 Acórdão n.º 110300.432 S1‐C1T3 Fl. 112 6 Evidente que, sendo o pretenso crédito de CSRF do código 5952 relativo à segunda quinzena de fevereiro de 2005, ele não foi compensado com débito de CSRF do mesmo código do mesmo mês. Em nenhum momento a DRF dissera o contrário, e tampouco o órgão julgador a quo. O mesmo se diga quanto à primeira parte da argumentação em “b”. Ninguém afirmara seja a DRF, seja o órgão julgador de origem – que na DCTF relativa a fevereiro de 2005 se informara o uso do pretendido crédito para compensação nesse mesmo mês (da apuração do suposto crédito). Por outro lado, na peça recursiva a recorrente aduz que a partir da verificação da DCOMP 20805.30572.230305.1.3.048187, juntamente com o DARF de R$ 257.113,24, vê se que o preenchimento da DCOMP fora equivocada, e posteriormente retificada ficando o crédito de R$ 2.417,27 vinculado ao débito de Contribuições Sociais de CSL, PIS e COFINS na fonte (CSRF) da 1ª quinzena de março de 2005, vez que o débito original era de R$ 230.695,97, e não de R$ 257.113,24. Aí há um notável equívoco: não há retificação de DCOMP, no processo em causa; além disso, o crédito postulado é de R$ 26.417,27 (fl. 3), e não de R$ 2.417,27, a que se deve a suposto erro de digitação. De todo modo, a assertiva em nada contribui para pretensão da recorrente. O que a DCTF de competência de fevereiro de 2005 evidencia é a inexistência do crédito pretendido pela recorrente. Como se vê nas fls. 11 a 13, na DCTF de tal mês é declarado o débito de CSRF de R$ 257.113,24 correspondente à 2ª quinzena de fevereiro de 2005, sob o código 5952, com vinculação ao crédito de mesmo valor, com saldo a pagar igual a zero. Nessa DCTF (fls. 12 e 13) é indicado o pagamento desse crédito com DARF, com a plena solvência do débito declarado, nem mais nem menos. Igualmente é o que consta na cópia da DCTF de competência de fevereiro de 2005 acostada aos autos pela recorrente, com a manifestação de inconformidade (fls. 68 e 74). A alegação da recorrente e os documentos por ela trazidos aos autos, pois, só concorrem contra ela. Eles só estão a indicar que não houve apuração do indébito tributário de CSRF sob o código 5952 relativo à 2ª quinzena de fevereiro de 2005. A recorrente não alegou a quaestio facti (questão de fato) de erro no preenchimento da DCTF de fevereiro de 2005, e tampouco trouxe aos autos documentos que infirmem a correção do preenchimento dessa DCTF. E, se alegasse, a ela competiria carrear aos autos os documentos que denunciassem sua alegação, pois, estando em jogo a pretensão do contribuinte, deste é o onus probandi. Claro que na DCTF de competência de março de 2005 há de constar, como efetivamente consta, a compensação levada a efeito mediante a DCOMP em dissídio: Fl. 112DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003396/200514 Acórdão n.º 110300.432 S1‐C1T3 Fl. 113 7 compensação do suposto crédito de Contribuições Sociais de CSL, PIS e COFINS na fonte (CSRF) do código 5952 da 2ª quinzena de fevereiro de 2005 com débito de CSRF do mesmo código da 1ª quinzena de 2005 (fls. 14 a 17 e 66). Mas isso em nada auxilia a pretensão da recorrente. É de meridiana clareza a precariedade, a insuficiência e a carência de certeza em relação ao crédito postulado pela recorrente. A certeza do crédito é mister para a compensação, além da liquidez daquele, como predica o art. 170 do CTN. Aliás, os dados constantes nos autos me indicam que não há o referido crédito. Não foi oportunizado pela recorrente sequer indício de dúvida quanto à certeza do crédito pretendido. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 113DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000308/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis, na
apuração da base de cálculo do imposto, os valores gastos com despesa de instrução do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nas condições e limites estabelecidos em lei. Comprovada a relação de dependência e a despesa médica, deve ser restabelecida a dedução.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.093
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis, na apuração da base de cálculo do imposto, os valores gastos com despesa de instrução do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nas condições e limites estabelecidos em lei. Comprovada a relação de dependência e a despesa médica, deve ser restabelecida a dedução. Recurso provido.
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis, na apuração da base de cálculo do imposto, os valores gastos com despesa de instrução do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nas condições e limites estabelecidos em lei. Comprovada a relação de dependência e a despesa médica, deve ser restabelecida a dedução. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Fl. 43DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 JOÃO BATISTA DE QUADROS SIMONETTI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 28) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 03/05 , para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 1.098,90. O lançamento decorreu da glosa de valores declarados como dedução de despesas com instrução, conforme descrito na notificação de lançamento. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual se limitou a afirmar que declarou conforme orientação do manual e que anexa os recibos referente aos pagamentos aos estabelecimentos de ensino. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente em parte para reconhecer a dedução de despesa com instrução de um único dependente. Observou que, embora comprovados pagamentos ao Colégio Comercial Olavo Bilac estes foram feitos no ano calendário de 2003, quando o lançamento se refere ao anocalendário de 2002. Observou também que o Contribuinte comprovou o pagamento de despesas com instrução, no ano de 2002, no valor de 2.094,40, do dependente Bruno Russo Simonetti, mas, quanto à outra dependente, Mariana Russo Simonetti, não houve comprovação de qualquer despesa com instrução. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 05/03/2008 (fls. 33) e, em 19/03/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 34 no qual reconhece que não apresentara antes os comprovantes das despesas com instrução de sua filha Mariana Russo Simonetti, o que diz fazer com o recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento referese a glosa de despesa com instrução. Permanece em discussão apenas a glosa da despesa com a dependente Mariana Bruno Simonetti. Com o recurso o Contribuinte diz apresentar as provas da despesa com esta dependente. E às fls. 35 o Contribuinte junta declaração do Colégio Olavo Bilac, atestando o pagamento, no anocalendário de 2002, do valor de R$ 3.918,87 referente à educação de Mariana Russo Simonetti, filha do Recorrente. Resta comprovado, portanto, a meu juízo, o pagamento da despesa médica e, comprovada também a relação de dependência da beneficiária dos serviços, a despesa é dedutível. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13884.000308/200431 Acórdão n.º 220101.093 S2C2T1 Fl. 2 3 Devese observar, contudo o limite legal vigente à época de R$ 1.998,00. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 45DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 14747.000333/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: PIS / 08/2002 a 11/2002, 01/2003, 02/2003
COFINS 08/
2002 a 11/2002, 01/2003.
AÇÃO JUDICIAL COMPENSAÇÃO
A partir da introdução do artigo 170A
ao CTN, pela Lei Complementar nº
104/2001, a compensação é permitida após o trânsito em julgado da decisão
judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não
se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse
dispositivo.
DECISÃO JUDICIAL. PREVALÊNCIA SOBRE O PROCESSO
ADMINISTRATIVO FISCAL.
Decisão judicial que, no caso concreto, determine a necessidade de trânsito
em julgado para posterior compensação prevalece sobre a discussão no
âmbito do processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3302-000.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Período de apuração: PIS / 08/2002 a 11/2002, 01/2003, 02/2003 COFINS 08/ 2002 a 11/2002, 01/2003. AÇÃO JUDICIAL COMPENSAÇÃO A partir da introdução do artigo 170A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. DECISÃO JUDICIAL. PREVALÊNCIA SOBRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Decisão judicial que, no caso concreto, determine a necessidade de trânsito em julgado para posterior compensação prevalece sobre a discussão no âmbito do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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AÇÃO JUDICIAL COMPENSAÇÃO A partir da introdução do artigo 170A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. DECISÃO JUDICIAL. PREVALÊNCIA SOBRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Decisão judicial que, no caso concreto, determine a necessidade de trânsito em julgado para posterior compensação prevalece sobre a discussão no âmbito do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 14747.000333/200613 Acórdão n.º 330200.966 S3C3T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 14/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem representar a controvérsia: “Tratase de processo formalizado a partir de uma REPRESENTAÇÃO, efetivada em 31/07/2006, com o objetivo de realizar o acompanhamento dos créditos tributários na condição sub judice, em vista de ter o contribuinte impetrado Mandado de Segurança, processo n° 2002.82.00.0010755, tramitando na 3ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária da Paraíba, visando assegurar o direito à Compensação de valores a título de PIS, recolhidos de acordo com a sistemática dos Decretos lei n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais, com parcelas vincendas de tributos federais. O Despacho Decisório (fl. 150) do Delegado da Receita Federal em João Pessoa/PB, com supedâneo no Parecer N° 105/2006 SACAT/DRF/JPA (fls. 142/150) decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação pleiteada pelo sujeito passivo, sob o fundamento de haver necessidade do trânsito em julgado do Mandado de Segurança por ele impetrado. Cientificada de tal decisão, em 25/09/2007, conforme "AR" (fl. 154), a contribuinte, por intermédio de sua advogada, instrumento procuratório anexo (fls. 168/169), apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 155/158), em 24/10/2007, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: Preliminarmente, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no inciso lido artigo 151 do CTN; Breve resumo da demanda. Em 17.61.2001, protocolizou pedido de compensação, n° 11618.000243/200103, que gerou as declarações de compensação das competências que, posteriormente, deram azo à cobrança de que trata o Processo Administrativo n° 14747.000333/2006 13; Tal pedido de compensação se amparou no que fora pleiteado no Mandado de Segurança n° 2001.82.00.0010755, através do qual, o contribuinte obteve a garantia judicial de compensar os valores indevidamente recolhidos nos 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação, a título da Contribuição para o PIS, de acordo com os Decretoslei n° 2.445 e 2.449/88, atualizados e corrigidos pelos índices oficiais; Ocorre que, ao analisar as declarações de compensação lançadas no Processo Administrativo n° 11618.000243/200103, a Receita Federal de Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 14747.000333/200613 Acórdão n.º 330200.966 S3C3T2 Fl. 3 3 João Pessoa proferiu o Parecer n° 105/2006, concluindo que o contribuinte deverá se submeter aos ditames da Instrução Normativa n° 600/2005 e assim, habilitar o crédito perante a autoridade fazendária para só depois, proceder às declarações de compensação; O presente processo foi protocolizado em 17.01.2001, enquanto a IN 600, data de 28.12.2006, ou seja, mais de seis anos após a propositura do pedido administrativo. Desta feita, desmerece de plausibilidade o entendimento de que o contribuinte deveria ter obedecido a IN 600/2005; Na mesma senda, atenta para o fato de que cabe ao contribuinte declarar as compensações, independentemente de prévia autorização do fisco. Apresenta jurisprudência sobre a matéria; Assim sendo, requereu o contribuinte que fosse acolhido seu pedido, com respaldo no direito à ampla defesa e no posicionamento da doutrina e da jurisprudência que coadunam com seu entendimento, para suspender e conseqüentemente anular/desconstituir a cobrança das contribuições ora hostilizadas, declarando a homologação das compensações pleiteadas, conforme declaração em DCTF, relativamente às competências 08 a 11/2002 e 02/2003 do PIS e das competências 08 a 11/2002 e 01/2003 da Cofins, com esteio no fato de que o Poder Judiciário, através do Mandado de Segurança n° 2001.82.00.0010755, que garantiu ao contribuinte o direito de compensar o crédito do PIS indevidamente recolhido nos últimos dez anos, corrigido monetariamente. Por fim, requereu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários questionados, em consonância com o art. 151, inciso III do CTN.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos indeferir a solicitação. Intimada em 30/01/2009, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 03/03/2009. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A questão principal de que trata o presente recurso diz respeito a compensação efetuada pela Recorrente a título de PIS/COFINS sem o trânsito em julgado do processo judicial. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 14747.000333/200613 Acórdão n.º 330200.966 S3C3T2 Fl. 4 4 Ação judicial. Compensação O trânsito em julgado torna definitiva a decisão tomada pelo juiz, que reconhece a ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo e, consequentemente, a inexistência da relação jurídica tributária, traduzindose na existência de créditos a serem recuperados pelo contribuinte. A compensação é uma prerrogativa do Recorrente que deve respeitar o que determina a lei. Neste caso a compensação é admitida sob o regime da estrita legalidade, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Nos termos o artigo 170A do Código Tributário Nacional “ é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Em se tratando de pretensão à compensação de crédito contra a Fazenda Nacional objeto de controvérsia judicial, o requisito trazido pelo artigo 170A do CTN (trânsito em julgado em sentença que afirma a existência do crédito em favor do contribuinte) aplicase, também aos indébitos tributários decorrentes de vício de inconstitucionalidade. Neste sentido o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já decidiu: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ – RESP nº 1.167.039. Rel. Min. Teori Albino Zavascki) No presente caso há no entanto uma particularidade. A própria decisão judicial determinou a necessidade da decisão judicial transitar em julgado para compensar na via administrativa, por meio do encontro de contas, resultando na extinção simultânea das obrigações da Pessoa Jurídica e da União, até o limite em que se equivalerem. Assim, tendo em vista que o Mandado de Segurança nº 2001.82.00.0010755 impetrado pelo Recorrente ainda não transitou em julgado, não há que se falar compensação por inexistência de direito líquido e certo tal como decidido por V.Exa. o Juiz. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 14747.000333/200613 Acórdão n.º 330200.966 S3C3T2 Fl. 5 5 Por todo exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para permitir a compensação dos créditos decorrentes das lides cujas decisões tenham transitado em julgado. Sala das Sessões em 4 de maio de 2011 GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10976.000170/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO: OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO.
Após a revogação do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, em 12/01/2009, devem ser indeferidos os pedidos de relevação da multa, em razão da falta de previsão normativa para a concessão desse favor fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.785
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO: OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. Após a revogação do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, em 12/01/2009, devem ser indeferidos os pedidos de relevação da multa, em razão da falta de previsão normativa para a concessão desse favor fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. Após a revogação do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, em 12/01/2009, devem ser indeferidos os pedidos de relevação da multa, em razão da falta de previsão normativa para a concessão desse favor fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 203DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10976.000170/200967 Acórdão n.º 240101.785 S2C4T1 Fl. 182 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 153/157, interposto pela empresa acima identificada contra decisão da DRJ em Campinas, fls. 480/486, que declarou procedente o Auto de Infração n. 37.215.8250, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 30, decorreu da conduta da empresa de deixar de declarar em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais no período de 01/2004 a 12/2004, conforme discriminado nos Anexos I e II, de fls. 34/78. Afirma a Auditoria em seu relato que a empresa, embora devidamente intimada, não atendeu a suas solicitações para apresentação das GFIP e de esclarecimentos. Foram acostadas planilhas onde são demonstradas as remunerações não declaradas. Acrescenta o Agente Fiscal que a penalidade foi aplicada com esteio no art. 32A, II, da Lei n. 8.212/1991, introduzido pela Lei 11.941/2009, em razão do dispositivo se mostrar mais benéfico ao contribuinte do que a legislação vigente na data de ocorrência da infração. Apresentada a impugnação, fls. 104/108, a DRJ declarou parcialmente procedente o crédito, retificando o valor da multa aplicada, sob a justificativa de que a Auditoria equivocouse quando da quantificação da pena, ao considerar, em relação ao mesmo segurado, cada informação como um campo incorreto, quando deveria ter considerado o conjunto das informações relativas ao mesmo trabalhador como apenas uma falha. Não houve a apresentação de recurso de ofício, uma vez que o valor desonerado não atingiu o limite de alçada defino em ato do Ministro da Fazenda. No recurso apresentado, a empresa, após fazer breves comentários sobre as obrigações acessórias no ordenamento jurídicotributário pátrio, requer o benefício da relevação da multa, sob a justificativa de que os livros e documentos não foram entregues ao Fisco oportunamente, pois estariam com o contador da empresa. Depois afirma que na época da infração o programa gerador das informações estava recém instalado, devendo, por isso, serlhe concedido o favor fiscal de dispensa da multa. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Tendose em consideração que a matéria devolvida a esse Colegiado para pronunciamento diz respeito à possibilidade de dispensa da multa aplicada, não me pronunciarei sobre os critérios utilizados para fixação da penalidade, embora entendendo que a verificação do dispositivo mais benéfico ao contribuinte deveria se dar entre a comparação do art. 32, § 5. da Lei n. 8.212/1991 com o art. 35A da mesma Lei. Uma primeira observação pertinente sobre a presente lide é que os fatos geradores não declarados em GFIP são os mesmos constantes no Auto de Infração n. 37.212.7070 (Processo n. 10976.000173/200909), cujo recurso está em pauta para essa mesma sessão de julgamento. Como bem asseverou o órgão recorrido, a revogação do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social pelo Decreto 6.727, de 12/01/2009, a possibilidade da multa ser relevada ou atenuada em face da correção da falta deixou de existir a partir de 13/01/2009, por falta de previsão na legislação previdenciária. Nesse sentido, verificandose que o presente AI foi lavrado em 09/03/2009, o pedido de relevação da multa formulado pela recorrente não tem como ser atendido por absoluta impossibilidade jurídica, em face da falta de previsão normativa. Também não cabe na espécie a redução do valor da penalidade prevista no § 2. do art. 32A da Lei n. 8.212/1991, uma vez que uma leitura dos autos revela que o contribuinte não adotou qualquer medida para sanar a falta apontada, nem prestou qualquer esclarecimento que viesse alterar a sua situação jurídica. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 206DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10976.000170/200967 Acórdão n.º 240101.785 S2C4T1 Fl. 183 5 Fl. 207DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10680.009023/2006-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJAno-calendário: 2002LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA REAIS.Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido (a) o (a) Conselheiro (a) Digite o nome do conselheiro vencido. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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CONVERSÃO PARA REAIS. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Digite o nome do conselheiro vencido. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch e Roberto Armond Ferreira da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 396 2 Relatório SG COMÉRCIO EXTERIOR S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELO HORIZONTE (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS O autuante, referindose ao termo de verificação fiscal a folhas 11 a 16, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. FALTA DE ADIÇÃO, NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — Adição a menor ao lucro líquido, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por controladas. Data do fato gerador: 31.12.2002. Enquadramento legal:artigo 25, §§ 1° e 3°, da Lei n° 9.249, de 1995; artigo 43, §§ 1° e 2°, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), com a redação dada pela Lei Complementar n° 104, de III 2001; artigo 6°, § 2°, alínea "b", do Decretolei n° 1.598, de 1977; artigo 74, parágrafo único, da Medida Provisória n°2.15835, de 2001. Termo de verificação fiscal. No termo de verificação fiscal a folhas 11 a 16 o autuante apresenta a motivação do lançamento. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. • O contribuinte controla 100% do capital da SG Overseas Limited (doravante SGO), localizada em Nassau, Bahamas. Não houve disponibilização de lucros da SGO entre 1996 e 2001. Em 31.12.2002 foram disponibilizados R$ 3.649.406,58, conforme cópias do Lalur e da DIPJ 2003 juntados ao processo. • Os lucros auferidos no exterior passaram a ser sujeitos à tributação a partir de 01.01.1996, conforme artigo 25 da Lei n° 9.249, de 26.12.1995. O § 6° do artigo 25 da Lei n° 9.249, de 1995, manteve o tratamento previsto com relação a resultados de avaliação do investimento no exterior. Esse dispositivo foi regulamentado pela Instrução Normativa SRF n° 38, de 27.06.1996, que em seu artigo 2° dispôs sobre o momento da tributação do lucro. Fêlo de forma benéfica para o contribuinte, pois permitiu o diferimento da tributação até quando fosse disponibilizado (pago ou creditado), em consonância com o artigo 43 do CTN. Assim, a Receita Federal, postergando a ocorrência do fato gerador, nada fez senão disciplinar a aplicação do preceito legal, sem criar nem aumentar a obrigação tributária dos contribuintes. Desta IN beneficiouse o contribuinte em tela, já que não houve a disponibilização de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 397 3 lucros do exterior em 1996 e 1997. Evidentemente, não poderia a autoridade tributária aplicar literalmente o artigo 25 da lei, em virtude da liberalidade concedida pela IN. • A partir de 1°/01/1998, passou a vigorar o artigo 1° da Lei n° 9.532, de 10.12.1997, que manteve até 31.12.2001, a tributação dos lucros oriundos do exterior, apenas quando disponibilizados à controladora no Brasil. Novas hipóteses de disponibilização de lucros foram definidas a partir de 01.01.2000 pela Medida Provisória n° 1.924, de 1999, sucessivamente reeditada e convertida na Lei n° 9.959, de 27.01.2000. • Posteriormente, a Lei Complementar n° 104, de 10.01.2001, acrescentou os §§ 1° e 2° ao artigo 43 do CTN, autorizando que a lei estabelecesse as condições e o momento em que se dará a disponibilidade das receitas e dos rendimentos oriundos do exterior. Com base nesse permissivo, o artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24.08.2001, definiu que, para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados, no Brasil, na data do balanço no qual tiverem sido apurados no exterior, independentemente de sua distribuição efetiva. • Com a edição do artigo 74 dessa Medida Provisória, ocorreu a revogação tácita do artigo 1° da Lei n° 9.532, de 1997, uma vez que os lucros passaram a ser considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados, e não apenas nas hipóteses aí enumeradas. Pelo seu parágrafo único, os lucros apurados no exterior por controlada ou coligada, entre 01.01.1996 e 31.12.2001, ainda não tributados, serão considerados disponibilizados em 31.12.2002, para fins de tributação no Brasil. • Considerando que o artigo 143 do CTN dispõe que, salvo disposição de lei em contrário (que não há), quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação, a conversão para reais deve ser feita na data do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, na data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. • A MP n° 2.158, de 2001, mantém a tributação dos lucros na data das disponibilização dos lucros, apenas dispondo que os lucros auferidos a partir de 2002 são considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada e que os lucros acumulados, não disponibilizados até 31.12.2001, em 31.12.2002. • Assim, os lucros ainda não disponibilizados até 31.12.2001 devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para venda publicada pelo Banco Central em 31.12.2002, isto é, de R$ 3,5333 por US$. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 398 4 • Em seu demonstrativo, o contribuinte apura os lucros da SGO acumulados até 31.12.2001, convertendo US$ 961.586,13 em R$ 2.231.264,46, pela taxa de 2,3204, de 31.12.2001. • Verificandose os livros, demonstrativos e documentos, depreendese que no total de US$ 961.586,13 está incluída parte dos lucros de 1995, não disponibilizados em 1995, os quais não são tributáveis. Sem essa parte, o lucro tributável reduzse a US$ 956.537,57, o qual, convertido à taxa de R$ 3,5333 por US$, resulta em R$ 3.379.734,20. • No período de 31.12.2001 a 11.07.2003 a SGO foi, por sua vez, investidora na SG Empreendimentos e Participações S/A, o que lhe acarretou uma perda por equivalência patrimonial de US$ 535.766,00 no anocalendário de 2002. Tendo a SGO apresentado um lucro líquido negativo de US$ 134.310,34, daí resulta um lucro líquido positivo a disponibilizar relativo ao período de US$ 401.455,66, equivalentes a R$ 1.418.463,28, pela taxa de conversão para 31.12.2002, ou seja R$ 3,5333 por US$, uma vez que os resultados obtidos em equivalência patrimonial não podem influenciar a tributação do lucro. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. A ciência do lançamento, feita pessoalmente, deuse em 24.08.2006. Em 25.09.2006, uma segundafeira, a autuada apresentou a impugnação juntada a folhas 265 a 274. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. • O contribuinte tomou ciência do auto de infração em 24.08.2006. De acordo com o artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, o prazo para impugnar é de trinta dias, contados da intimação. Os prazos somente se iniciam ou vencem em dia de expediente normal (art. 50, parágrafo único, do Decreto n° 70.235, de 1972). Logo, o prazo de interposição da impugnação • se finda em 25.02.2006, e o presente recurso é tempestivo. • A suposta adição a menor ao lucro líquido, apontada como causa do lançamento, decorreu do equivocado entendimento de que os lucros auferidos no exterior e não disponibilizados pela impugnante até 31.12.2001 deviam ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio de 31.12.2002. • A impugnante apurou em 31.12.2001 lucros acumulados no exterior entre 1995 e 2001, no total de US$ 961.586,12 e efetuou a conversão para reais pela taxa de 2,3204, que era a taxa de câmbio de 31.12.2001. Esse fato é atestado nos itens 22 e 23 do termo de verificação fiscal. • Tanto o procedimento adotado pela impugnante quanto o adotado pela fiscalização foram efetuados em desacordo com a legislação de regência, que determinava a aplicação da taxa de câmbio vigente na data do encerramento de cada uma das demonstrações financeiras nas quais foram apurados os lucros. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 399 5 • Entretanto, o método adotado pela impugnante não causou nenhum prejuízo ao fisco, antes contrário, uma vez que o valor efetivamente recolhido foi bastante superior ao que determinava a lei, motivo pelo qual, em respeito ao princípio da verdade material, o • lançamento fiscal deve ser desconstituído. O recolhimento a maior foi de R$ 1.858.410,61, pois caso fosse aplicada a legislação preconizada, a base de cálculo sobre a qual incidiria o tributo seria bastante inferior (R$ 361.139,16), conforme quadro demonstrativo constante da impugnação. • Contrariamente, agravou ainda mais o montante a recolher pela impugnante o entendimento da fiscalização, que se baseia na falsa premissa de que a norma legal atinente à aplicação da taxa de câmbio é disciplinada pelas normas gerais do CTN, e não nas normas específicas que regem a matéria. • De acordo com o termo de verificação fiscal, as diversas alterações legislativas das normas regentes da tributação dos lucros auferidos no exterior alteraram não só o sistema de disponibilização dos lucros como também a aplicação da taxa de câmbio para sua conversão. Entretanto, todos as disposições legais mencionadas no trabalho fiscal apenas alteraram o momento em que seria considerada como ocorrida, para fins legais, a disponibilização dos lucros acumulados até 31.12.2001, mas não há nenhuma alteração que implique a adoção da taxa de câmbio de 31.12.2002. • O próprio relatório fiscal é taxativo em reconhecer que a MP 2.15835, de 2001, apenas modificou a disponibilização de lucros. Assim, a taxa de câmbio para conversão dos lucros externos continuou a ser a do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados. Esse é o teor do artigo 25, § 40, da Lei n° 9.249, de 1995. O RIR 1999, em seu artigo 394, § 5º, repete a mesma redação. • Elimina qualquer dúvida quanto ao alcance e à correta interpretação das disposições referidas a redação da Instrução Normativa SRF n° 213, de 07.10.2002, editada depois da publicação da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. • Assim, ao contrário do que quer fazer crer a Fiscalização, o artigo 74 da MP n° 2.15835, de 2001, não revogou as normas anteriores que disciplinavam a aplicação da taxa de câmbio no encerramento do período de apuração. Alterou apenas e tão somente o momento do fato gerador. Nesse caso, a norma do artigo 143 do CTN não pode ser aplicada, pois, como tal dispõe a parte inicial do próprio artigo, existe expressa disposição de lei em contrário. • Além disso, o artigo 143 do CTN apenas disciplina o lançamento de oficio de obrigações que sejam, originalmente, quantificadas em moeda estrangeira, o que não é absolutamente a hipótese dos autos. Os lucros auferidos no exterior, no momento de sua apuração, são — ou foram — convertidos para Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 400 6 reais, por força do já mencionado artigo 25, § 4 0, da Lei n° 9.249, de 1995. Não chega a existir na escrita fiscal do contribuinte no Brasil, lucro em dólares a ser disponibilizado. O lucro que se apura é imediatamente convertido em reais e posteriormente disponibilizado. O que se disponibiliza e tributa no Brasil, portanto, é um lucro em reais, calculado a partir de uma taxa de câmbio e de um lucro apurado no exterior. Em se tratando de valor em reais, não há espaço para aplicação do artigo 143 do CTN. • Portanto, seja pela comprovada existência de expressa disposição de lei em contrário, seja pela inaplicabilidade patente do artigo 143 do CTN ao caso presente, deve o lançamento ser anulado. • Ainda que todo o exposto anteriormente seja desconsiderado, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim o lançamento devia ser anulado. • Conforme consta do próprio termo de verificação fiscal, a fiscalização utilizou • equivocadamente um conceito que apenas afeta a apuração fiscal no Brasil, transplantandoo indevidamente para a apuração do lucro líquido da empresa localizada no exterior. Tratase do resultado de equivalèricia patrimonial, que, para fins contábeis, na empresa controlada SGO deve ser considerado como uma redução do seu lucro líquido, pois esse é o tratamento contábil adequado. O artigo 1 0, §§ 1° e 9°, e o artigo 10, ambos da IN n° 38, de 1996, posteriormente revigorados pela IN n° 213, de 2002, são claros a esse respeito. Dessas disposições se extrai que o único ajuste que se faz no lucro líquido contábil da empresa estrangeira é a reversão dos valores de tributo sobre tal lucro incidente no exterior. A adição ou exclusão de qualquer resultado de equivalência patrimonial ao lucro líquido é procedimento incorreto, que somente tem lugar na apuração, de acordo com a legislação brasileira, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. • O procedimento de adição ou exclusão de resultado de equivalência patrimonial é eminentemente fiscal e não deve ser aplicado para fins de apuração de lucro líquido contábil de pessoa jurídica localizada no exterior, para efeito de tributação no Brasil desses lucros. O que se adiciona na base de cálculo do imposto no Brasil é o lucro contábil, e não o lucro real da empresa estrangeira. Isso se confirma por não haver nem sequer menção, na legislação brasileira, do que seria um esdrúxulo "lucro real de empresas estrangeiras". • Assim, o resultado contábil apurado pela SGO no ano calendário de 2002 foi, na realidade, um prejuízo de US$ 134.310,34, e não um lucro, como quer a fiscalização, de sorte que o lucro acumulado entre 1996 e 2002 deve ser de US$ 822.227,23, e não de US$ 2.357.993,23. Convertido esse lucro à taxa de cambial de R$ 3,5333 obtémse em reais o montante de R$ 2.905.175,47, ao passo que o contribuinte no disponibilizou anocalendário de 2002 lucros de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 401 7 R$ 3.649.406,58. Logo, houve uma disponibilização a maior de R$ 744.231,11. • Ou seja, ainda que se ultrapasse o exposto anteriormente, está comprovado que a impugnante tributou valores manifestamente indevidos no anocalendário de 2002 e recolheu uma quantia superior ao que devia. Por essa razão, a autuação merece ser totalmente cancelada. • Por todo o exposto, requer a impugnante seja julgada procedente a impugnação e que seja anulado o auto de infração. A DRJ BELO HORIZONTE (MG), através do acórdão 0221.113, de 11 de fevereiro de 2009 (fls. 303/313), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CONVERSÃO EM MOEDA NACIONAL Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação. DADOS DECLARADOS PELO SUJEITO PASSIVO ALTERAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Resultados tributáveis já formalmente informados à administração tributária somente podem ser alterados, após a notificação do lançamento de oficio, se acompanhadas de comprovação hábil de sua procedência. Ciente da decisão em 08/05/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 633), apresentou o recurso voluntário em 08/06/2009 fls. 321/340, onde reitera os argumentos da inicial de que a conversão para moeda nacional deve se dar na data do balanço da empresa controlada no exterior e equívoco no cálculo realizado pela fiscalização com relação a equivalência patrimonial. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 402 8 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ relativo ao ano calendário 2002, lavrado em virtude de diferença apurada na adição relativa a lucros considerados disponibilizados em 31/12/2002 e gerados no período de 1995 a 2002. A recorrente alega em síntese: a) Que a conversão para moeda nacional de lucros auferidos no exterior deve ocorrer na data do balanço de geração do lucro e não quando disponibilizado no Brasil segundo a legislação vigente; b) Que houve equívoco nos cálculos realizados tanto pela empresa como pela fiscalização, havendo na verdade recolhimento a maior de imposto e não insuficiência conforme apurou a fiscalização; c) Que o equívoco realizado pela recorrente no tocante à equivalência patrimonial da empresa controlada SG OVERSEAS não deveria ter sido considerado pela fiscalização pois não existe apuração de “lucro real” de empresa situada no exterior, havendo prejuízo e não lucro no ano calendário 2002. Assiste razão à interessada. Concebida como norma antielisiva e aplicando o princípio da universalidade da renda, pela qual o Estado brasileiro procurou atingir a postergação indefinida dos lucros auferidos no exterior, a Lei nº 9.249/95, revelouse importante instrumento na política tributária, atendendo os preceitos contidos no art. 153 da Carta Magna, notadamente o princípio da generalidade, constante do seu § 2º, inciso I. O critério da generalidade implica na definição de uma grandeza tributável que engloba toda e qualquer forma de renda, o que implica homenagem também ao princípio da isonomia e da capacidade contributiva, vez que a incidência do imposto sobre toda e qualquer forma de renda implicaria em maior distribuição da carga tributária sobre os sujeitos passíveis. Sendo assim, em atenção ao artigo 146 da Lei Maior, e objetivando trazer maior simplicidade e segurança à legislação tributária, o legislador complementar reduziu o escopo da base imponível do Imposto de Renda ao definir seu fato gerador como sendo o conjunto dos fluxos financeiros que resultam em acréscimo patrimonial. O conceito de renda como acréscimo patrimonial nos termos do art. 43 do CTN é restringido por uma razão de razoabilidade e praticidade, para que fossem tributados Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 403 9 apenas acréscimos patrimoniais acompanhados de fluxos econômicos ou seja, quando verificada a aquisição de nova disponibilidade jurídica ou econômica. Somente a partir da introdução do parágrafo 2º ao art. 43 do CTN, flexibilizouse a possibilidade de o legislador ordinário, determinar o momento da ocorrência da hipótese de incidência, sem que ocorresse a efetiva disponibilização do fluxo econômico. A Lei nº 9.249/95, introduziu a possibilidade de tributação do acréscimo patrimonial, sem a verificação da efetiva disponibilidade jurídica ou econômica do fluxo econômico, fato que causou espanto considerando as disposições do art. 43 do CTN bem como a ausência de normas de transparência fiscal internacional no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, o art. 25 da Lei nº 9.249/95, dispõe: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 404 10 § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Grifamos Constatase pois que a hipótese de incidência do imposto é a geração do lucro no exterior, ficando sua tributação postergada no tempo, conforme estipulou a Instrução Normativa SRF 38/96 e posteriormente a Lei nº 9.532/97. Com o advento da Medida Provisória 2.158/352001, criouse regra especial e transitória de disponibilização determinando a tributação dos lucros auferidos por coligada e controlada até 31/12/2001, conforme seu art. 74: (verbis) Art.74.Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único.Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 405 11 Considerando que a efetiva tributação dos lucros gerados no exterior até 31/12/2001 restou descolada da hipótese de incidência conforme a regra especial, não há porque exigir que aquela se faça com base na taxa da moeda estrangeira em 31/12/2002. Com efeito, conforme reiterada jurisprudência deste colegiado julgador administrativo, parte citada no recurso voluntário da interessada, a correta exegese dos dispositivos relativos à tributação de lucros auferidos no exterior, permite concluir que não obstante ter havido variação quanto ao momento de tributação no Brasil, a forma de conversão para moeda nacional, deve levar em conta a data do balanço em que foram gerados, nos termos do § 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95. Neste sentido os julgados administrativos de diversas Câmaras do então Primeiro Conselho de Contribuintes: CONVERSÃO DE LUCROS NO EXTERIOR PARA MOEDA NACIONAL. TAXA DE CÂMBIO. Os lucros auferidos no exterior serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. (Ac. 10322.638, 3ª Câmara 1º CC) TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR CONVERSÃO PARA MOEDA NACIONAL TAXA DE CÂMBIO Os lucros auferidos por controlada no exterior serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros, a teor do 4° do art. 25 da Lei 9.249/95. (Ac. 10516.886, 5ª Câmara, 1º CC) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CONVERSÃO PARA REAIS Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. (Ac. 10196.364, 1ª Câmara, 1º CC) Comungo do entendimento exarado nos julgados acima transcritos que independentemente da polêmica em relação ao deslocamento do fato gerador, a conversão para reais dos lucros auferidos até 31/12/2001, deve se dar na data da geração do lucro ou seja, tomar como base a conversão da moeda na data da apuração do respectivo balanço, conforme preconiza o § 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95. Em conseqüência o § 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95, permanece plenamente integrado ao ordenamento jurídico tributário, não havendo qualquer ofensa ao art. 143 do Código Tributário Nacional, pois o mesmo ressalva qualquer disposição em contrário quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira. Ante o exposto, voto para dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 180300.877 S1TE03 Fl. 406 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 07/04/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 10410.002729/2004-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento
de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.110
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que davam provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório JOSÉ JACKSON DE LIMA FIGUEIREDO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 32) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 27/29, que alerou o resultado da Declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – DIRPF, referente ao exercício de 2000, de imposto a restituir de R$ 5.089,14 para imposto a restituir de R$ 2.476,64, e determinou a devolução de imposto restituído indevidamente de R$ 2.713,86. A infração que ensejou o lançamento foi a glosa parcial dos valores declarados como dedução de despesa médica. Foi glosado o valor declaradamente pago ao profissional Jairo Vieira da Silva, “em virtude de haver dúvidas quanto aos serviços prestados por este profissional, e, no caso, o Contribuinte só apresentou o simples recibo, não apresentando os outros elementos de prova que pudessem comprovar a efetiva prestação dos serviços”. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que comprovou a despesa médica exatamente como orientava a própria Administração Tributária. Argumenta que o documento apresentado não é um “simples recibo”, mas um “atestado” que o profissional lhe entregou após receber o pagamento. O Contribuinte reafirmava, enfim, que incorreu na despesa e sustenta que os recibos apresentados eram documentos haveis, idôneos e suficientes para comprovar a despesa. A DRJRECIFE/PE julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, se como regra os recibos emitidos por profissionais de saúde são documentos hábeis para comprovar a despesa médica, havendo dúvida quanto à efetividade da prestação dos serviços, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova e que, no caso em apreço, havia tais dúvidas e, intimado, o Contribuinte não comprovou esta efetividade. Observou que a despesa médica corresponde a mais de 37% dos rendimentos brutos declarados e informou que a ação fiscal que levou ao lançamento decorre de uma investigação maior a respeito dos recibos emitidos pelo profissional em questão. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 31/10/2007 (fls. 41) e, em 29/11/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 42/49, que ora se examina, e no qual reafirma que incorreu na despesa e rebate os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido para manter a glosa. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10410.002729/200484 Acórdão n.º 220101.110 S2C2T1 Fl. 2 3 Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de valores declarados como despesa médica. O fundamento da glosa foi a falta de comprovação da efetividade dos pagamentos e da prestação dos serviços, sendo este o mesmo fundamento da decisão de primeira instância para manter a exigência, fundamento rejeitado pelo Contribuinte, que insiste em pleitear o direito à dedução. Sobre esta questão, tenho me posicionado no sentido de que, em regra, os recibos fornecidos pelos profissionais são suficientes para comprovar a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos e, portanto, para comprovar a despesa. Porém, diante de indícios de que pode não ter havido tal prestação de serviços ou pagamento, é lícito o Fisco exigir elementos adicionais de prova. Vejase como exemplo, os seguintes julgados: IRPF DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DOCUMENTOS INIDÔNEOS Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante das evidências de que o profissional praticava fraude na emissão de recibos, tendo sido formalmente declarada a inidoneidade dos documentos por ele emitidos, é lícito o Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e do pagamento realizado. (Ac. 10421838, de 17/08/2006) DEDUÇÕES DESPESA MÉDICA GLOSADA ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. (Ac. 10246467, de 22/03/2006) A teoria da prova distingue a prova em si, que é a demonstração de um fato, dos meios de prova, que são os recursos que se pode lançar mão para fazer tal demonstração. Pois bem, o processo administrativo tributário brasileiro, por um lado, admite variados meios de prova: documento, diligência, perícia, indício, presunção, e, por outro lado, atribui ao julgador a liberdade de apreciar e valorar essas provas de acordo com o seu livre convencimento, que, por sua vez, deve ser fundamentado. A legislação do Imposto de Renda, ao tratar da dedução de despesas médicas, é clara ao determinar a necessidade da comprovação da despesa pelo contribuinte, como não poderia deixar de ser, mas em momento algum especifica o recibo como meio de prova; o dispositivo referese a “documentação”, e elege a cópia do cheque como meio de prova que pode substituir todos os demais. Vejamos: Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 71DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Não há dúvidas, portanto, de que um recibo supostamente emitido por um profissional da saúde, atestando que prestou serviços a uma determinada pessoa e que recebeu dela certa quantia, como remuneração, é um elemento de prova, mas não é a prova em si. Dito isto, penso que, em condições normais, quando há proporcionalidade entre a dedução pleiteada e os rendimentos declarados, quando os valores e os procedimentos envolvidos são compatíveis com no que se verifica entre as pessoas comuns, e não se identifica nenhum outro indício de irregularidade, não há razão para não se aceitar o recibo como elemento suficiente para comprovar essa despesa. Porém, considerando operações envolvendo valores relativamente elevados, que comprometam parcela da renda acima do comum, é lícito ao Fisco exigir outros elementos de prova, e cabe ao julgador valorar as provas levando em conta essas circunstâncias especiais. Por outro lado, não se pode desprezar o fato de que é comum a prática de emissão de recibos inidôneos e/ou fornecidos graciosamente por alguns profissionais os quais são utilizados por alguns contribuintes para pleitear deduções indevidas, fato, aliás, bastante conhecido pelos Conselheiros desta casa que, não raro, de deparam com processos envolvendo este tipo de situação. Ignorar este fato e pretender que o Fisco, como regra, admita o recibo como prova suficiente da despesa, ainda que diante de indícios em sentido contrário, implica em favorecer a prática desse tipo de infração. Notese que não se trata aqui de simplesmente recusar o recibo como meio de prova, de assumir que o documento é frio, inidôneo, mas de buscar elementos adicionais de convencimento que dissipem dúvidas que eventualmente pairem a respeito da efetividade da operação, o que não deveria significar nenhuma dificuldade para o contribuinte. A reunião de elementos de prova da efetividade de um pagamento em valores significativos não é algo tão difícil e poderia ser feita, por exemplo, mediante a indicação de cópia de cheque ou da transferência bancária dos recursos. A propósito desse ponto, embora não haja obrigatoriedade de que os contribuintes realizem seus pagamentos por meio de operação bancária, podendo fazêlo em espécie, convenhamos que tal prática nos dias atuais, tratandose de valores expressivos, é excepcional, para dizer o mínimo. Mas, mesmo assim, mesmo no caso de pagamentos em espécie, é possível reunir elementos de prova outros, como, por exemplo, a indicação da origem dos recursos: a conta bancária, por exemplo. Em reforço do entendimento acima, cabe mencionar, também, que a própria legislação tributária tem disposição expressa inibindo a prática de deduções exageradas em relação aos rendimentos. É o que reza o art. 73, § 1º do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 11, § 1º da Lei nºn 5.844, de 1943, in verbis: Fl. 72DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10410.002729/200484 Acórdão n.º 220101.110 S2C2T1 Fl. 3 5 Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. No presente caso, além da proporção dos serviços em relação ao total dos rendimentos declarados ser relativamente elevada (superior a 30%), há um agravante no fato de que os recibos, de valores relativamente elevados, R$ 5.000,00 e R$ 4.500,00, não descrevem os serviços prestados e não especificam para quem os mesmos foram prestados, embora o próprio modelo do recibo já trouxesse campo específico para este fim. Este fato reforça a necessidade da cautela do Fisco. E Intimado a comprovar a efetividade dos pagamentos, o Contribuinte não o fez. Apresentou declarações do profissional confirmando a prestação dos serviços e extrato bancários que, segundo o Recorrente indicariam a existência de saques bancários. Nestas condições, penso que se justificava a cautela do Fisco em solicitar a comprovação da efetividade dos pagamentos, mediante operações financeiras, como cópias de cheques, transferências bancárias ou, ainda, mediante demonstração da relação entre saques e pagamentos. Entendo até que não seria necessário demonstrar a totalidade dos pagamentos, mas apenas uma parte deles. O que é para mim inaceitável é que, diante de tantos pagamentos que o contribuinte diz ter feito, em valores relativamente elevados, se considerada a renda por ele declarada, o Contribuinte não conseguir demonstrar a efetividade de pelo menos uma parte desses pagamentos. Considerando a soma desses fatores, penso que o Contribuinte não logrou comprovar a realização das despesas e, portanto, deve ser mantida a glosa. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 73DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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