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Numero do processo: 10469.720434/2007-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
FALTA DE RECOLHIMENTO
Procedente o lançamento da diferença de imposto apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de
dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2003
FALTA DE RECOLHIMENTO Procedente o lançamento da diferença da contribuição apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao
Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas.
Numero da decisão: 1802-001.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Marco Antonio Nunes Castilho e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada em razão da concomitância. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 FALTA DE RECOLHIMENTO Procedente o lançamento da diferença de imposto apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2003 FALTA DE RECOLHIMENTO Procedente o lançamento da diferença da contribuição apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO Procedente o lançamento da diferença de imposto apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO Procedente o lançamento da diferença da contribuição apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 334 2 dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Marco Antonio Nunes Castilho e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada em razão da concomitância. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho . Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 335 3 Relatório NATAL MAR HOTEL LTDA, ora Recorrente, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE, que por unanimidade de votos, consideraou procedente o crédito tributário no presente processo. Em 01 de outubro de 2007, foram lavrados autos de infração relativos à falta de recolhimento de Imposto sobre Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multas Isoladas, ambos referentes ao ano de 2003, exigindo crédito tributário no valor de R$ 737.697,92. Conforme se extrai das fls. 08 a 10 dos autos, foi apurada insuficiência de recolhimento ou falta de declaração de imposto de renda devido, consignado na DIPJ/2004, ficha 12, item 19, em confronto com o valor contabilizado no Diário e comparado com os valores declarados ou pagos constantes do sistema da RFB. O recolhimento a menor ensejou a aplicação de penalidades, devidamente descritas nos autos, explicitando o motivo da aplicação de juros de mora, multa proporcional e multas isoladas, além do respectivo enquadramento legal. O Recorrente apresentou demonstrativo de IRPJ e CSLL a compensar recolhidos por estimativa, fls. 36/40 dos autos. Contudo, deixou de apresentar o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), conforme determina o art. 49 §1° da Lei n° 10.637/2002. Cientificado do auto de infração, o Recorrente apresentou, tempestivamente, impugnação, fls. 108 a 126, alegando em síntese que: (i) se utilizou da faculdade estabelecida no art. 39, §2° (redução/suspensão das estimativas por balanços/balancetes mensais) e 39, "b", §5°, além do art. 66, da Lei n° 8.383/91 combinado com o artigo 6°, IL §1°, da Lei 9.430/96 (compensação do saldo negativo do imposto em 31/12 com estimativas do ano subseqüente e/ou restituição de saldo; (ii) preencheu todos os requisitos materiais previstos no art. 74 da Lei 9.430/96, para compensar os pagamentos antecipados (estimativas), do ano calendário de 2003, com o saldo do imposto de renda a recuperar, existente em 31/12/2002, no valor de R$ 225.707,91; (iii) é ilegal o auto de infração por não ter observado os princípios da verdade real, material, da moralidade administrativa, da capacidade tributária e demais princípios constitucionais orientadores da atuação da administração pública (art. 37 da CF/88); (iv) que as compensações efetuadas pelo contribuinte (baseadas no disposto no art. 74, §1° da Lei 9.430/96) não têm como pressuposto lógicojurídico a entrega prévia de qualquer tipo de declaração de compensação ao Fisco Federal, sendo, nesse caso, feita Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 336 4 contabilmente, consoante ocorreu no presente caso, ficando apenas sujeita a posterior fiscalização pelo Fisco, respeitandose o prazo legal (art. 150, §4°); (v) que se houve infringência, esta foi totalmente involuntária e de natureza puramente formal, frente à recente inovação legislativa da Lei n° 10.637/2002; (vi) que a prevalecer a autuação, a impugnante estará pagando tributo em dobro, Bis in idem, vedado pela nossa legislação tributária; (vii) falha na lavratura do auto de infração, uma vez que o fiscal desconsiderou o crédito fiscal para compensar, sem, contudo, glosálo, continuando válido; (viii) ilegalidade da cobrança de multa isolada, consoante acórdãos do Conselho de Contribuintes que anexa; E no final requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e prazo adicional para a juntada de documentos fiscais necessários a comprovação da existência do crédito fiscal em favor da impugnante. A 3º Turma da DRJ de Recife – PE, conforme fls. 305/311, considerou a impugnação improcedente, mantendo os autos de infração. Mencionada decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento da diferença de imposto apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS Procede o lançamento da multa de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre a parcela do valor do pagamento mensal não recolhido/declarado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento da diferença da contribuição apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os valores declarados/pagos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS Procede o lançamento da multa de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre a parcela do valor do pagamento mensal não recolhido/declarado. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 337 5 Lançamento Procedente Ciente da decisão o Recorrente em 11/12/2008 protocolizou o recurso voluntário em 07 de janeiro de 2009, no qual apresenta os mesmos argumentos e requerimentos lançados na impugnação. É o relatório, passo a decidir. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 338 6 Voto Vencido Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A fiscalização identificou falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e sobre a Contribuição social no Lucro Líquido, referente ao ano calendário de 2003, lançando assim auto de infração em 01/10/2007. A Recorrente justifica o recolhimento a menor dos tributos, em virtude de compensação realizada com créditos que detinha frente à União, qual seja, saldo positivo de imposto de renda a recuperar na quantia de R$ 225.707,91, oriundos de recolhimento efetuados a maior por estimativa. A Contribuinte aduz em sua defesa o desconhecimento da inovação legal (Lei n° 10.637/2002), afirma que realizou a compensação nos moldes da legislação anterior e que tal fato não implica em consequências materiais para o Fisco, uma vez que possuía o crédito. Afere que caso seja compelida a pagar o exigido, realizará pagamento do tributo em dobro (Bis in idem). Ademais, sobre o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas (IRPJ e CSLL), apresenta jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes para requerer a ilegalidade da cobrança. Assim, em razão dessas alegações, requer sejam considerados ilegais os lançamentos. Afirma a Recorrente ter realizado compensações que justificam o recolhimento dos tributos a menor. Contudo, deixou de apresentar os Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Conforme o artigo 170 do CTN, “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.”. Nesse diapasão, o artigo 49 da Lei n° 10.637 de 2002, alterou o artigo 74 da Lei n° 9.430 de 1996, passando a dispor o seguinte: (...) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 342DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 339 7 contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) Assim, extraise da leitura do artigo acima que a compensação de débitos tributários deverá ser efetuada mediante a entrega de declaração, na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, sendo que a declaração de compensação está sujeita à homologação da Receita Federal. No presente caso, a Recorrente não apresentou declaração de compensação, por conseguinte não houve homologação da compensação. Dessa forma, não pode a Recorrente argumentar que desconhecia a Lei e que realizou o procedimento conforme regulamentação anterior, na medida em que a nova sistemática de compensação já estava em pleno vigor. O Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em RecifePE (DRJ/PE), conforme constante a fls. 305/311, esclareceu muito bem essa questão, especialmente no seguinte trecho: (...) Conceituase vigência ou validade formal na ordem jurídica positiva brasileira, segundo Miguel Reale (em Lições Preliminares de Direito, 2003, Ed Saraiva, 27ª Edição, f1. 108), como a executoriedade compulsória de uma regra de direito, por haver preenchido os requisitos essenciais à sua feitura ou elaboração (legitimidade do órgão, legitimidade do procedimento e competência do órgão). Da executoriedade compulsória (A norma jurídica é imperativa porque é prescritiva, porque impõe um dever, regulamentando a conduta social — Maria Helena Diniz em Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro Interpretada, Ed Saraiva, 10ª Edição, fl. 47), resulta na ordem de que todos a cumpram, de tal sorte que ninguém se escusará de obedecêla, alegando que não a conhece, sob pena, de assim não ocorrendo, não se manter a Fl. 343DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 340 8 ordem na vida social (art. 3º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro). Logo, estando vigente o artigo 49 da Lei 10.637/2002 no ano de 2003, é o mandamento ali contido de executoriedade compulsória, não cabendo alegações para dele se escusar. (...) Assim, não há que se falar em desconhecimento da legislação aplicada, ou na realização do procedimento de compensação conforme regulamentação anterior, uma vez que as normas vigentes à época e, ainda vigentes, exigem apresentação junto à RFB de declaração de compensação de débitos. Insta salientar que o crédito tributário a compensar que alega a Contribuinte possuir não é objeto da presente lide. Se o crédito realmente existir poderá a Recorrente realizar compensação de acordo com o que dispõe a lei ou ainda pleitear sua restituição. Ressaltase que os lançamentos tratam sobre a falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, restando comprovado que a Recorrente não efetuou o recolhimento dos tributos, vez que as respectivas compensações não observaram os ditames da legislação que rege a matéria. Sendo assim, as alegações de falha na lavratura dos autos e de cobrança do tributo em dobro, bis in idem, não merecem prosperar, vez que não foram realizadas as compensações aduzidas. Quanto à alegação de violação dos princípios constitucionais no lançamento, esclarecese que o auto de infração foi lavrado em perfeita consonância com o que dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Portanto, a autoridade fiscal realizou os lançamentos dentro dos princípios que norteiam a Administração Pública e a Constituição Federal, não havendo o que se falar em qualquer violação dos princípios. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 341 9 Sobre o requerimento de prazo para juntar documentações e livros ficais para comprovar a compensação e a existência do crédito, indefiro o pedido, pois caso se verifique a existência do crédito, sua compensação deverá obedecer ao disposto em lei. No que tange à aplicação das multas, concluo que a cobrança de multa de ofício, prevista no artigo 44, §1º, inciso I e, de encargos moratórios deverão ser mantidos. Por outro lado, a aplicação conjunta destas multas não pode subsistir. A multa isolada, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, tem por objetivo compelir o contribuinte ao pagamento mensal das antecipações do IRPJ e CSLL que será potencialmente devido ao final do anocalendário, quando será apurado o quantum definitivo. Ou seja, a aplicação da multa isolada somente é cabível durante o anocalendário referente às antecipações. Com a apuração do valor definitivamente devido, somente a multa de ofício, sobre este valor, pode incidir. Neste sentido, é vasta a jurisprudência desta casa. Vejamos: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo.” (CSRF 1ª Turma, Acórdão nº 9101 00.281, DOU 24/08/2009). ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada constante no art. 44 da Lei n" 9.430/96 tem como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento mensal de antecipações de um possível imposto de renda e contribuição devidos ao final do anocalendário, de modo que a penalidade somente se justifica quando cobrada durante aquele anocalendário. Ao final do exercício, desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde à contribuição efetivamente apurada, cabendo tãosomente a cobrança da multa de oficio, que é devida caso a contribuição não seja paga no seu vencimento e apurada exofficio E se inexiste saldo de contribuição a pagar, sequer a base de cálculo da multa de oficio persistirá. (CSRF 1ª Turma, Acórdão nº 910100.634, DOU 06/07/2010). Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 342 10 Por todo o exposto, voto no sentido de dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para o fim de excluir a multa isolada aplicada, mantendose o lançamento efetuado e a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Marco Antônio N. Castilho Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 343 11 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. Cabe primeiramente registrar que a previsão dessa penalidade está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e que ela deve ser aplicada ainda que tenha sido “apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, conforme o inciso IV do §1º deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Esta multa está atualmente prevista no art. 44, II, “b”, da mesma lei, conforme as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, e fixada em 50%, percentual que já foi aplicado no caso em exame. Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 344 12 Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima (ainda que tenha apurado ...). Também é importante destacar que o texto legal diz “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. E ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Deste modo, como parte das estimativas não foi efetivamente recolhida, uma vez que a Contribuinte deixou de apresentar as necessárias DCOMP para implementar as pretendidas compensações, também considero procedente a aplicação da multa isolada. Nestes termos, também em relação a essa matéria, NEGO provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720434/200761 Acórdão n.º 180201.017 S1TE02 Fl. 345 13 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002603/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/09/2008
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO
O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho.
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.”
O art. 3° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF descreve que compete à Segunda Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.024
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.” O art. 3° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF descreve que compete à Segunda Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 93DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002603/200821 Acórdão n.º 240102.024 S2C4T1 Fl. 94 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.174.3796 em desfavor da recorrente, pela inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Segundo o relatório fiscal a empresa contratou os serviços de uma cooperativa de trabalho para lhe prestar serviços de preparação de dados . Devido a isto, a empresa foi intimada a apresentar o contrato de prestação de serviços celebrado com a cooperativa, em TIAF de 18/02/2008 e TIAD de28/04/2008, e as GFIP's específicas fornecidas pela cooperativa em TIAD de 28/04/2008 . Também no TIAF de 18/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores . Após os prazos concedidos, a empresa não conseguiu apresentar os elementos solicitados .. Assim, o levantamento dos valores devidos à previdência referente aos pagamentos realizados para a cooperativa foi realizado por arbitramento com base nas notas fiscais emitidas pela cooperativa. Desta forma, a empresa deixou de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/09/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 30 a 32. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 46 a 53. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 57 a 71. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: A luz do art. 150, §4º a data limite para efetuar a autuação era Agosto de 2008. Dessa forma, o presente lançamento fiscal de débito, se considerado procedente, é, TOTALMENTE INSUBSISTENTE, uma vez decaído o direito de apurar parte do crédito previdenciário nas competências relativas aos exercícios lançados. O entendimento esposado pela 11' Turma no acórdão DRJ/RJ1, ora atacado merece a revisão da autoridade competente, uma vez que vai de encontro aos direitos do contribuinte, configurando total afronta aos fundamentos mais lidimos de direito e de justiça. Ante os argumentos acima expostos, destarte acolhendose argüição de decadência, requer a Recorrente seja julgado procedente o presente Recurso, para reformar Fl. 95DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a decisão a quo, declarando a nu1idade total do auto de infração e, superandose o insuperável requer seja julgado improcedente o período remanescente do AI. A DRFB encaminhou o processo para apreciação pelo CARF, com indicação de que o recurso intempestivo. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002603/200821 Acórdão n.º 240102.024 S2C4T1 Fl. 95 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente, conforme informação à fl. 91. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o aviso de recebimento à fl. 55, a recorrente foi cientificada no dia 22 de dezembro de 2009 (terçafeira), à época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerandose que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 21/01/2098. A notificada interpôs o recurso no dia 03/02/2010, conforme protocolo fl. 57, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) O art. 21, II do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, dispõe acerca da competência para julgar os processos de competência do CRPS . Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: Fl. 97DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. NO mesmo sentido a Portaria MF nº 147/2007, dispõe acerca da transferência dos processos pendentes de julgamento do CRPS para o extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos II e IV, da Constituição Federal, no art. 4º do Decreto n.º 4.395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. 25, 27, 29, 30 e 31 da Lei n.º 11.457, de 16 de março de 2007 e no art. 4º do Decreto n.º 5.136, de 7 de julho de 2004, resolve: Art. 5º Ficam instaladas a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes. §1º No prazo de 30 (trinta) dias da data da publicação desta Portaria, os processos administrativofiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei n.º 11.457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuídos por sorteio para a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §2º Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n. o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no §1º, nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3º Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §1º serão regulados pelo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. E por fim, o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria n. 256, de 22 de junho de 2009, assim determina a competência para julgamento de processos sobre matéria previdenciária. Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e Fl. 98DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002603/200821 Acórdão n.º 240102.024 S2C4T1 Fl. 96 7 Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do recurso. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 99DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14120.000087/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
TERCEIROS
São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. A contribuição relativa ao SENAR é exigida sobre o valor da comercialização da produção rural de produtores rurais.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA
Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem
que arcar com o ônus de seu inadimplemento. JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Manoel Coelho Arruda Júnior que votaram pelo provimento do recurso.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. A contribuição relativa ao SENAR é exigida sobre o valor da comercialização da produção rural de produtores rurais. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Manoel Coelho Arruda Júnior que votaram pelo provimento do recurso. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000087/201043 Acórdão n.º 230201.533 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração de obrigações principais lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 12/04/2010, de diferenças apuradas nas contribuições arrecadadas para as Terceiras Entidades – FNDE, SENAI, SESI, SEBRAE e SENAR, incidentes sobre as folhas de pagamento dos segurados empregados e sobre a produção rural adquirida de pessoas físicas por subrogação, no caso do SENAR. O período do crédito é de 01/2007 a 12/2008 e constam do processo os resumos das folhas de pagamento, fls. 47/91; a remuneração e contribuição contida em GFIP, fls. 93/104, quadro demonstrativo entre folha e GFIP, fl.106 e planilha dos animais para abate, conforme notas fiscais de entrada, fls. 108/178. Após a impugnação, Acórdão de fls. 219/225, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) que não há razão para a cobrança do tributo, pois está com parte de suas obrigações em dia; b) que o acórdão foi omisso ao não apreciar todas as impugnações, pois não houve crime de fraude, não foi provada a fraude; c) que não houve crime de sonegação previdenciária; d) que a multa é insubsistente porque a presunção de fraude não pode agravar a multa; e) que os valores de juros e multa são confiscatórios, exorbitantes e o confisco é ilegal. Requer que seja declarada a nulidade do acórdão por omissão, a reforma da decisão para declarar nulo o auto de infração e a reforma da decisão no tocante a juros e multa para reduzilos ao mínimo legal. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme documento de fl.240, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente argúi a nulidade do Acórdão recorrido por omissão. Entretanto, do exame do mesmo, tal tese não se confirma, posto que a decisão recorrida atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o ato praticado: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000087/201043 Acórdão n.º 230201.533 S2C3T2 Fl. 3 5 Do Mérito O lançamento das diferenças nas contribuições devidas teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento, das Notas Fiscais de Entrada lançadas no Livro Registro de Entradas de Mercadorias e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, a fiscalização juntou cópia das folhas apresentadas e elaborou discriminativo das diferenças apuradas, fls. 47 a 178, sendo que o recorrente não contrapôs qualquer argumento fático ao levantamento apresentado, limitandose a argüir a falta de motivação para a cobrança das contribuições e de que não ocorreu fraude ou sonegação. Quanto a este argumento, já foi sobejamente informado ao recorrente no Acórdão recorrido, que o Auto de Infração não tratou de fraude ou sonegação, que não houve agravamento da penalidade aplicada por conta da existência de qualquer ilícito. O relatório fiscal de fls. 33 a 35, em nenhum momento menciona fraude ou sonegação, não havendo que se tratar deste assunto neste processo. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Portanto, o crédito se refere a diferenças de contribuições destinadas aos Terceiros e tomou por base os valores informados nas folhas de pagamento da recorrente e nos declarados em GFIP, em contraposição com aqueles recolhidos nas GPS. A recorrente não se Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 insurgiu contra o mérito do levantamento para as terceiras entidades, dispensandose maiores considerações. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/12008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000087/201043 Acórdão n.º 230201.533 S2C3T2 Fl. 4 7 Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio, o que, repito, não ocorreu no presente lançamento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que foi seguida rigorosamente a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008 e o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, para a competência 12/2008. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000087/201043 Acórdão n.º 230201.533 S2C3T2 Fl. 5 9 E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001897/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE
RENDA. CORREÇÃO. Comprovado que a pretensa omissão de rendimentos
se referia ao abono pecuniário de férias, de que trata o artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), correta a exclusão dele da base de cálculo do imposto de renda.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário 2005 o montante de R$ 2.813,96, devendo ser restituído ao contribuinte a restituição apurada na declaração de ajuste anual respectiva, bem como o imposto pago com o código 0211, já que indevido.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO. Comprovado que a pretensa omissão de rendimentos se referia ao abono pecuniário de férias, de que trata o artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), correta a exclusão dele da base de cálculo do imposto de renda. Recurso provido.
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ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO. Comprovado que a pretensa omissão de rendimentos se referia ao abono pecuniário de férias, de que trata o artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), correta a exclusão dele da base de cálculo do imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2005 o montante de R$ 2.813,96, devendo ser restituído ao contribuinte a restituição apurada na declaração de ajuste anual respectiva, bem como o imposto pago com o código 0211, já que indevido. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 10/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte MARCOS PORTELA DOBOSZ, CPF/MF nº 000.211.90720, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/12/2009, auto de infração (fls. 05 a 07), decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 63,52 MULTA DE OFÍCIO R$ 47,64 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos provenientes da fonte pagadora DARUMA TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA S/A, no montante de R$ 2.813,96. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando que os rendimentos considerados omitidos não devem ser tributados por tratarse de valores pagos a titulo de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A 3ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1747.137, de 16 de dezembro de 2010 (fls. 16 e seguintes). A decisão acima considerou que o documento de fl. 4 (recibo de pagamento do abono pecuniário de férias) não seria documento suficiente para demonstrar a natureza dos rendimentos. Em todo caso, como o contribuinte havia pagado o imposto apurado com o código 0211 (fl. 15), no prazo legal da entrega da declaração, entendeu por bem cancelar a multa de ofício. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 05/01/2011 (fl. 23). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 1º/02/2011 (fl. 24). No voluntário, o recorrente alega que comprovou o recebimento do abono pecuniário, com o acréscimo do terço constitucional, com recibo específico emitido para o empregador, que não foi infirmado pelo julgador de primeira instância. Agora traz contra cheque do mês das férias e a carteira de trabalho, tudo a demonstrar o recebimento do abono pecuniário de férias, verba isenta do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 05/01/2011 (fl. 23), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 1º/02/2011 (fl. 24), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 04/02/2011, Fl. 41DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13884.001897/200989 Acórdão n.º 210201.570 S2C1T2 Fl. 2 3 sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Para aclarar a questão legal trazida pelo contribuinte, colase abaixo excerto do voto da decisão recorrida (fl. 18): O contribuinte alega que tal diferença corresponde ao abono pecuniário de férias, de que trata o artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Assim dispõe a Instrução Normativa RFB n° 936, de 5 de maio de 2009: Art. 1º Os valores pagos a pessoa física a titulo de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 12 de maio de 1943, não serão tributados pelo imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. O artigo 143, caput, da CLT, com a redação dada pelo Decretolei n° 1.535, de 13 de abril de 1977, estabelece o que segue: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. A Instrução Normativa n° 1, de 12 de outubro de 1988, da Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, expedida com vistas a disciplinar "a ação a ser desenvolvida pelos Fiscais do Trabalho em face da Nova Constituição Federal", ao referirse ao indigitado abono, esclarece: O abono pecuniário previsto no art. 143 da CLT, será calculado sobre a remuneração das férias, já acrescida de um terço (1/3), referido no citado art. 70, inciso XVII, da Constituição Federal. (Destaques da transcrição) Extraise do referido ato legal que o abono é constituído de uma única rubrica, na que se inclui a parcela correspondente ao terço constitucional. A eventual segregação dessa parcela nos documentos emitidos pelo empregador não retira a sua natureza legal de abono pecuniário de férias. (...) Pareceme claro que o recorrente logrou comprovar que o rendimento pretensamente omitido, no montante de R$ 2.813,96, referese ao abono pecuniário de férias, isento do imposto de renda, como se pode ver do aviso de férias e do recibo individualizado dessa parcela (fls. 4 e 26), do contracheque do mês de novembro de 2005 (fl. 28) e da carteira profissional, esta que informa que o autuado gozou férias de 21/11/2005 a 10/12/2005 (20 dias), do período 2003/2004 (fl. 30), clarificando que houve a “venda” de 10 dias de férias. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Efetivamente, toda a documentação de fls. 26 a 30 é harmônica em demonstrar que o montante de R$ 2.813,96 referese ao abono pecuniário de férias, estando tal parcela isenta do imposto de renda, como se vê pela legislação discriminada acima, em itálico. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2005 o montante de R$ 2.813,96, devendo ser restituído ao contribuinte o montante apurado na declaração de ajuste anual respectiva, bem como o imposto pago com o código 0211 (fl. 15), já que pago indevidamente. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 43DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003144/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 04/04/1995 a 28/02/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto
70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da
perempção.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 04/04/1995 a 28/02/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da perempção. Recurso não Conhecido.
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PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário interposto fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 impõe ao Julgador o seu não conhecimento face à ocorrência da perempção. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 81DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 A matéria tratada no presente processo foi assim sintetizada pela DRJ di Recife: Trata o presente processo de pedido de restituição do PASEP, (fls.01/02) relacionado aos períodos de 04/04/1995 a 28/02/1996 (planilha de fls.04), cumulado com pedido de compensação Declaração de Compensação —DCOMP d f1.03 dos créditos pleiteados com débitos da mesma contribuição referentes ao pe 'odo de 30/06/2007, fundamentando o seu pleito com as seguintes argumentações, em síntese: Que os créditos declarados têm origem na ocorrência de um vácuo legislativo n período compreendido entre as datas da edição da MP n° 1.212, de 28/11/1995 e da Lei n° . 9.715, de 26/11/1998; o que redundou em recolhimentos indevidos da contribuição para o PIS/PASEP. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINARES. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA DISCUSSÃO DE MÉRITO. INADMISSIBILIDADE. Constatando a decadência do direito do contribuinte para pleitear restituição de alegado indébito fiscal, a autoridade administrativa não apreciará a matéria, quanto ao mérito e às questões de fato argüidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa:PIS/PASEP.RESTITUIÇÃO. O prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a maior ou indevidamente, inclusive em relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11618.003144/200761 Acórdão n.º 330201.362 S3C3T2 Fl. 2 3 É o relatório Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES, Relator O presente Recurso é intempestivo e dele não tomo conhecimento Conforme consta do AR de fls. 54 a Recorrente foi intimada do acórdão proferido pela DRJ de Recife em 11/01/2010, tendo apresentado seu Recurso somente em 12/02/2010 (fls. 57), ou seja, 32 dias após ter tomado ciência da decisão. Não consta dos autos qualquer motivo que justificasse o protocolo intempestivo do Recurso, tendo inclusive sido lavrado Termo de Perempção pela autoridade preparadora. Sobre o assunto assim normatiza o Decreto 70.235/72: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...)Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...)Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Por todo o exposto, face à protocolização intempestiva do Recurso Voluntário, e por força do disposto no art. 35 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer o recurso. ALEXANDRE GOMES Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000661/98-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1994
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal
Numero da decisão: 1801-000.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 22 00382 às fls. 0409, a título redução de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a Fl. 295DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.000661/9838 Acórdão n.º 180100.752 S1TE01 Fl. 312 2 compensar no valor de R$29.998,00 UFIR apurada em pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 1993, em conformidade com as informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) nº 0140200 entregue em 29.04.1994, fls. 89111. O lançamento fundamentase na compensação indevida de prejuízos fiscais no valor de CR$13.010.981,00 do períodobase de 1990 e no valor de CR$9.201.942,00 do anocalendário de 1992, fl. 103, tendo em vista a inexistência de qualquer montante, de acordo o Demonstrativo de Valores Apurados, fl. 06 e com o Demonstrativo de Consolidação dos Valores, fl. 07. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ 7º e 8º do art. 38 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 14 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 12 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 154, art. 382, e inciso III do art. 388 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980 (RIR, de 1980). Cientificada em 30.03.1998, fl. 04, a Recorrente apresenta a impugnação em 14.07.1998, fls. 0103, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que outro Auto de Infração formalizado no processo 13811.000564/9709 foi anulado por vício formal, nos termos da Decisão DRJ/SPO/SP nº 12.316, de 07.08.1997 e por esta razão defende que o presente lançamento também é nulo. Esclarece que o equívoco no preenchimento da DIRPJ do períodobase de 1990 ocasionou sucessivos erros até o anocalendário de 1996, os quais entende sanar com as entregas dos documentos retificadores nesta oportunidade. Conclui Contando com a compreensão de V.Sas, e prontos para quaisquer esclarecimentos,aguardamos o deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SPJO I/SP nº 3.176, de 17.04.2003, fls. 250253: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993 Ementa: REDUÇÃO DO IRPJ A COMPENSAR Mantido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos fiscais de anoscalendário anteriores, pois, o fundamento da defesa foi a apresentação de declaração retificadora após a lavratura do auto d e infração. Notificada em 06.09.2010, fl. 254verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.10.2010, fls. 278280, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Esclarece que aproximadamente sete anos foi cientificada da decisão do julgamento de primeira instância e que por esta razão a ação para a cobrança do crédito tributário está prescrita (inciso V ao art. 156 e art. 174 do Código Tributário Nacional). Fl. 296DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.000661/9838 Acórdão n.º 180100.752 S1TE01 Fl. 313 3 Em face do exposto requer o reexame da decisão de fls. 250253 e do respectivo despacho de ciência, fl. 254 e a consequente extinção da exigência. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que a ação para a cobrança do crédito tributário está prescrita. Tem cabimento o exame da objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal. Ademais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.1 No presente caso o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa pela apresentação do recurso voluntário, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, medida que tem o efeito de suspender o prazo de prescrição. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso III do art. 151, inciso V do art. 156 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 e Súmula CARF nº 11. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10314.008469/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 28/04/2003 a 03/10/2006
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto Paclitaxel classifica-se na NCM 2932.99.99, pela aplicação das regras do sistema harmonizado (SH).
MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. Excluída pela aplicação do ADN Cosit 12/97 pela descrição correta da mercadoria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-01.290
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licença de importação. Fez sustentação oral a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB 257862
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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O produto Paclitaxel classificase na NCM 2932.99.99, pela aplicação das regras do sistema harmonizado (SH). MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. Excluída pela aplicação do ADN Cosit 12/97 pela descrição correta da mercadoria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licença de importação. Fez sustentação oral a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB 257862 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ SP II SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1750.065, proferido em 19 de abril de 2011. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A interessada, através das declarações de importação constantes nas fls. 41 a 167, importou a mercadoria por ela descrita como paclitaxel, qualidade e pureza farmacêutica, utilizando a classificação fiscal 2939.99.90, relativa a outros alcalóides vegetais, naturais, etc, até o fim de 2005 e, a partir daí, a classificação fiscal 2932.99.99, relativa a outros compostos heterocíclicos de heteroátomos de oxigênio. A fiscalização entendeu que a mercadoria em questão necessitava de prévio licenciamento de importação por se tratar de medicamento antineoplástico (antineoplásico), concedido pelo Ministério da Saúde, através da ANVISA. Além disso, a fiscalização entendeu ser correta a classificação fiscal 2932.99.99, relativa a outros compostos heterocíclicos de heteroátomos de oxigênio, para a mercadoria em questão. Dessa forma, a interessada foi autuada por falta de licenciamento de importação e por classificação incorreta, sendo aplicadas as penalidades previstas nos artigos 633, I do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 4543/2002, e 84, I da MP 2158/2001. A interessada apresentou impugnação de fls. 187 a 200, alegando, em síntese, que: os procedimentos citados pela auditora fiscal não mencionam as classificações que adotou. os procedimentos prevêem o licenciamento de importação no SISCOMEX e à fiscalização sanitária antes do seu desembaraço, entretanto, o produto paclitaxel não é mencionado. os produtos foram submetidos à fiscalização sem que houvesse qualquer manifestação por falta de licenciamento ou classificação incorreta. existe diferença entre neoplástico e neoplásico. até a edição da IN 603/05 não havia definição acerca da correta classificação do produto. no anexo I da IN 80/96 e suas alterações não consta o produto paclitaxel. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A mera confusão da auditora fiscal no que se refere a entender se tratarem os produtos antineoplásticos, não é suficiente para que não se exija o que é previsto na legislação relativa aos insumos para produção de medicamentos antineoplásicos, efetivamente o que a interessada importou. Somente a título de curiosidade, neoplastia referese à restauração de tecidos orgânicos destruídos enquanto neoplasia diz respeito à formação recente de tecido Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10314.008469/200791 Acórdão n.º 310201.290 S3C1T2 Fl. 411 3 orgânico, uma produção acidental que forma um tumor ou designação genérica para este último. Conforme pesquisa efetuada, indo perfeitamente ao encontro do que consta dos autos, o uso do paclitaxel é para tratamento efetivo para cânceres agressivos (neoplasia maligna) porque ele afeta de maneira adversa o processo de divisão celular, acabando com essa flexibilidade. A Portaria nº 772, de 02 de outubro de 1998, do Secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, prevê que os insumos utilizados na produção de medicamentos antineoplásicos estão sujeitos à licença de importação, antes de seu embarque, além de fiscalização sanitária pela ANVISA, que finalizara o processo de concessão dessa licença. A interessada não providenciou o licenciamento anterior ao embarque, com todas as exigências legais previstas, razão pela qual é cabível a penalidade prevista no artigo 633, I do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 4543/2002 A classificação fiscal adotada pela interessada até 2005 também não estava correta, tanto que ela mesma passou a adotar, a partir de 2006 a classificação fiscal 2932.99.99, relativa a outros compostos heterocíclicos de heteroátomos de oxigênio, para a mercadoria em questão. Tal classificação consta, inclusive, conforme a própria interessada alega em sua impugnação, na Instrução Normativa 603/05. A Instrução Normativa SRF 701/2006 também prevê o paclitaxel na classificação 2932.99.99 (fl. 172). Apesar de a interessada defender que somente a partir da edição da IN 603/05 é que o produto consta na classificação 2932.99.99, fato é que efetivamente houve erro na classificação que adotava até 2005, o que é passível da penalidade prevista no artigo 84, inciso I da MP 2158/2001 A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 231 e sgs, onde em basicamente insurgese sobre a classificação estipulada pela fiscalização, já que utiliza a sua classificação há muito tempo e o produto é novo no mercado, sendo difícil a sua identificação, entretanto equivocase ao citar que utiliza a classificação 2932.99.90 quando na verdade utiliza a classificação 2939.99.90, ou seja, outra posição tarifária. Também não apresenta alegações técnicas, baseadas no Sistema Harmonizado, que justificam a classificação da mercadoria por ela adotada. Insurgese também sobre a multa por falta de licenciamento. Nada argumenta sobre a multa por classificação errada (1% do valor da mercadoria). É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. A divergência cingese à correta classificação da mercadoria. O importador efetuou importações, no período de 28/04/2003 a 03/10/2006, de mercadoria descrita como “Paclitaxel qualidade farmacêutica pureza farmacêutica produto final Paclitax Registro MS 100430516 validade 20072004”, classificando na NCM 2939.99.90 e a fiscalização entendeu ser NCM 2932.99.90. Como se sabe, a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias – NBM está alicerçada na sistemática de códigos e nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas (hoje, Organização Mundial das Alfândegas – OMA): a Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ou, simplesmente, Sistema Harmonizado – SH (daí a sigla NBM/SH), constituído por 6 dígitos. A convenção internacional relativa ao Sistema Harmonizado foi, no Brasil, ratificada pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23/12/1988. A partir de 1º/01/1997, por força do artigo 2º do Decreto nº 2.092/96, a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (com 8 dígitos) – decorrente do Tratado de Assunção – passou a constituir a nova Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH), para todos os efeitos previstos no artigo 2º do DecretoLei nº 1.154, de 1º de março de 1971, dentre os quais “na cobrança dos impostos de exportação, importação e sobre produtos industrializados” (nos termos de seu inciso III). Com respeito ao Imposto sobre as Importações – II, até 31/12/1994 vigorava a Tarifa Aduaneira do Brasil – TAB, equivalente à NBM/SH acrescida das alíquotas do reportado imposto. A partir de 1º/01/1995 foi adotada a Tarifa Externa Comum – TEC, que tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (com 8 dígitos), decorrente do Tratado de Assunção. A NBM/SH traz os seguintes textos relacionados às posições de interesse, a informada pelo importador e a definida pela fiscalização aduaneira, vigente à época dos fatos: 2932.99.99 – outros compostos heterocíclicos de heteroátomos de oxigênio. 2939.99.90 – Outros alcalóides vegetais, naturais, etc. Conforme esclarecimento contido no acórdão recorrido, temos a diferença entre neoplasia e neoplastia: Somente a título de curiosidade, neoplastia referese à restauração de tecidos orgânicos destruídos enquanto neoplasia diz respeito à formação recente de tecido orgânico, uma produção acidental que forma um tumor ou designação genérica para este último. Conforme pesquisa efetuada, indo perfeitamente ao encontro do que consta dos autos, o uso do paclitaxel é para tratamento efetivo para cânceres agressivos (neoplasia maligna) porque ele afeta de maneira adversa o processo de divisão celular, acabando com essa flexibilidade. (grifos meus) A recorrente argumenta que o produto constitui descoberta da medicina muito recente e que por isso é difícil a sua identificação, cita que o composto foi descoberto em 1962. Entretanto este argumento não merece prosperar já que os medicamentos para serem importados pelo Brasil necessitam ser primeiramente registrados no Ministério da Saúde, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10314.008469/200791 Acórdão n.º 310201.290 S3C1T2 Fl. 412 5 devendo neste momento serem identificados. O medicamento em questão possui número de registro MS, demonstrando que sua composição química é conhecida. Também não apresenta insurgência contra a NCM adotada pela fiscalização, aceitando aplicar a NCM 2932.99.99 após a entrada em vigor da IN SRF no. 603/05. Apenas argumenta que antes da entrada em vigor da IN citada não havia regulamentação por parte da RFB e que por isso a NCM por ela adotada estaria correta. Constrói toda a sua argumentação com base na NCM 2932.99.90 sendo que a NCM que utilizou em suas DI´s e foi desconsiderada pela fiscalização é a NCM 2939.99.90. Continua argumentando que o produto era regularmente desembaraçado no país na classificação por ela adotada e caberia a RFB ter impedido o desembaraço do produto. Esclareço que o Imposto de Importação é um imposto que está sujeito ao lançamento por homologação. Isto significa que ao contribuinte é dada a incumbência de calcular os valores devidos e pagalos ficando a confirmação do procedimento adotado pelo contribuinte sujeita a futura homologação por parte da RFB. Esta homologação poderá ser tácita ou de ofício, conforme dispõe o CTN, sendo o prazo para efetuala o disposto no CTN. Antes deste prazo a Adminstração Pública poderá revisar as declarações efetuadas pelo contribuinte, cobrando os tributos que julgar cabíveis. Foi o que ocorreu no caso em exame. A Administração Pública, dentro de suas incumbências legais, e dentro do prazo legal, efetuou a revisão das declarações efetuadas pela recorrente, e entendeu que a classificação adotada pela mesma não estava correta, fazendo assim as devidas autuações para cobrança dos tributos devidos. Quanto as argumentações tecidas pela recorrente a respeito da diferença de gênero e espécie entre as classificações adotadas por ela e pela fiscalização a análise não cabe, já que a recorrente equivocase sobre a classificação fiscal por ela adotada, tecendo considerações errôneas que não há como serem analisadas. A respeito da multa por falta de licenciamento da mercadoria temos que a época dos fatos estava vigendo a RDC 1/2002 e a RDC 350/2005, da Anvisa do Ministério da Saúde que previa a necessidade de licença de importação antes do embarque para insumos utilizados na produção de medicamentos antineoplasicos, e que antes do desembaraço deveria também haver a fiscalização da ANVISA, fls. 376377. De fato o acórdão recorrido faz menção equivocada a posição NCM 2933 e a Portaria nº 772, de 02 de outubro de 1998, do Secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, mas o Auto de Infração menciona corretamente as normas legais vigentes que estipulavam a necessidade de licença de importação. Entretanto, conforme vem sendo aplicado por esta turma do CARF, o ADN Cosit nº 12/97 previa que não constitui infração administrativa ao controle das importações a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 ADN COSIT 12/97 ADN Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 12 de 21.01.1997 D.O.U.: 22.01.1997 (Dispõe sobre a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX.) O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a multa por falta de licenciamento de importação. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 415DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 19/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
score : 1.0
Numero do processo: 12269.003894/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. EMPRESA QUE NÃO CONTABILIZA CORRETAMENTE VERBAS HONORÁRIAS DE CONSULTOR CONTRIBUIÇÃO
DEVIDA. REMUNERAÇÃO INDIRETA DE PESSOA FÍSICA PRESTADORA DE SERVIÇO. CERCEAMENTO DE DEFESA POR APREENSÃO DE DOCUMENTOS.
SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO EM RAZÃO DE TRAMITAR DE AÇÃO PENAL NÃO SE COMUNCAM. FISCALIZAÇÃO PROVADOS FATOS ALEGADOS SÃO AS PRÓPRIAS GUIA DE RECOLHIMENTO QUE NÃO FORAM APRESENTADAS PELA RECORRENTE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; e II) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. EMPRESA QUE NÃO CONTABILIZA CORRETAMENTE VERBAS HONORÁRIAS DE CONSULTOR CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. REMUNERAÇÃO INDIRETA DE PESSOA FÍSICA PRESTADORA DE SERVIÇO. CERCEAMENTO DE DEFESA POR APREENSÃO DE DOCUMENTOS. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO EM RAZÃO DE TRAMITAR DE AÇÃO PENAL NÃO SE COMUNCAM. FISCALIZAÇÃO PROVA DOS FATOS ALEGADOS SÃO AS PRÓPRIAS GUIA DE RECOLHIMENTO QUE NÃO FORAM APRESENTADAS PELA RECORRENTE. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializado pelo n° 37.104.6211, consolidado em 10/12/2008, em desfavor da empresa Recorrente para recolher contribuições previdenciárias patronais relativas às competências janeiro de 2004 e outubro de 2004 a abril de 2007, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. Sendo a multa totalizada no montante de R$ 122.170,13 (cento e vinte dois mil,cento e setenta reais e treze centavos). Em síntese, consta no Relatório Fiscal (fl. 22/30) que a empresa Recorrente não contabilizou integralmente as despesas com remunerações pagas a título de honorários ao Sr. Lair Antônio Ferst, como consultor da empresa no período de 01/2004 a 05/2005, remunerações salariais efetuadas indiretamente ao mesmo. Além disso, consta que a empresa não incluiu em folha de pagamento, os valores referentes à remuneração indireta efetuada ao Sr. Lair e aos terceiros pessoas físicas (sem vínculo trabalhista). Por fim, diz que a empresa contabilizou como despesa operacional Serviços de Terceiros Pessoas Jurídicas, as despesas relacionadas com transporte aéreo (UTI Móvel Aérea) no valor de R$ 126.000,00 (Cento e vinte e seis mil reais). Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 41/56) tempestiva onde, em síntese, pleiteia o cancelamento do auto de infração e, subsidiariamente, a suspensão das infrações, sob os seguintes argumentos, vejamos: Preliminares: Aduz cerceamento de defesa, motivo pelo qual pleiteia o cancelamento ou suspensão do auto de infração. Alega que a fiscalização ao fazer a apreensão de documentos o fez de forma excessiva, ao modo que vários deles seriam utilizados pela empresa Recorrente para comprovação de esclarecimentos de fato e de direito para respaldar sua defesa. Esclarece que em decorrência disso, encontrase com falta de documentação para oportunizar uma defesa justa. Postula a suspensão da infração até o trânsito em julgado do processo criminal, em trâmite na Justiça Federal, pois só assim será possível a devolução de todo o material apreendido. Mérito: A empresa Recorrente aduz que o ônus da prova é de quem alega, no caso, da fiscalização em provar todos os fatos. Diz que a fiscalização apenas questionou a validade dos documentos, utilizandose de prova emprestada de outro processo, portanto, aduz a incapacidade de traduzir as verdades dos fatos, especialmente no que diz respeito aos fatos tributários. Referente à remuneração indireta e aos pagamentos sem causa, explana que os pagamentos forem feitos mediante contrato com o procurador da empresa Sr. Lair. No tocante a empresa de táxi aéreo, o pagamento foi feito mediante contrato de mútuo. Nesse Fl. 179DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.003894/200893 Acórdão n.º 240102.179 S2C4T1 Fl. 180 3 ponto, alega ainda, a impossibilidade da comprovação justa, tendo em vista a inacessibilidade aos documentos que estão em posse da fiscalização. Referente aos empréstimos, sustenta que foram feitos entre familiares, motivo pelo qual não possuem documentos formais para a devida comprovação. Pleiteia o afastamento da multa qualificada pela sonegação, sob o argumento de que todos os pagamentos foram comprovados. Alega que as taxas de juros e multa são desproporcionais, uma vez que superam o valor do imposto devido. Alegando abusividade no valor imposto a multa moratória. No entanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão n° 1020.311 proferido pela 7ª Turma da DRJ/POA (fls. 137/145), julgou o lançamento procedente, conforme ementário abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007 Auto de Infração n.° DEBCAD 37.104.6211 1. NULIDADE. A apreensão de documentos, por si só, não implica, necessariamente, a nulidade do lançamento, ante a possibilidade em tese de se haver configurado cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. Este deve demonstrar onde, efetivamente, teria deixado de se defender adequadamente, em face da apreensão de documentos seus. 2. SUSPENSÃO DO PROCESSO. As instâncias administrativas e judiciais são independentes, inexistindo disposição que autorize, na espécie, a suspensão do processo administrativo. 3. EXAME DO MÉRITO. Restam prejudicadas as questões que, embora deduzidas pela impugnante, não se referem ao lançamento. 4. PREVISAO CONTRATUAL. A simples previsão contratual relativa ao pagamento de gastos com deslocamento e hospedagem não autoriza a conclusão de que os valores de remuneração indireta apurados pela Fiscalização refiramse aos pagamentos contratualmente previstos. 5. ÔNUS DA PROVA. A impugnante tem o ônus da prova em relação ao que alega. 6. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples elemento de controle da Administração, de sorte que eventual irregularidade nele detectada não enseja a nulidade do AI lavrado por AuditorFiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória. Lançamento Procedente” Fl. 180DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, Recurso Voluntário (fls. 151/166) alegando, em síntese, todos os fundamentos expostos na Impugnação. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.003894/200893 Acórdão n.º 240102.179 S2C4T1 Fl. 181 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Alega a recorrente que os documentos que foram apreendidos pela fiscalização impediramna de produzir provas, o que não procede, mormente porque ela não os relacionou em sua impugnação, demonstrando que a frágil argumentação não possui respaldo fático. A mera alegação de cerceamento de defesa não pode ser conhecida se a Recorrente não demonstrou onde, efetivamente, teria ela deixado de se defender adequadamente, em face da apreensão de documentos seus. Como ela não tomou este cuidado na peça impugnante e tão pouco na peça recorrente, impossível de acolher este pleito, porque não houve o cumprimento de um dever processual seu, ou seja, a ônus de demonstrar cabalmente a afronta a princípios pétreos. Quanto a suspensão do presente processo administrativo em razão de andamento processual de ação judicial penal que ainda não tem nada decidido, também não procede, porque, não olvidemos que ambas possuem independência entre as instâncias administrativa e judicial. Ainda, quanto a suspensão do presente processo administrativo por conta da ação penal judicial, urge salientar que, tal desejo, não encontra determinação legal estampada no Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações. Por isto, não acolho as preliminares. E no mérito, tenho que, face as razões do recurso, onde a Recorrente questiona sobre as remunerações indiretas, multa qualificada, juros e multa de mora e das autuações dos AI’s lá enumerados, tenho que , focando somente no AI em exame no presente feito, ou seja, especificamente ao AI n.° DEBCAD 37.104.6211, temse como prejudicadas as demais questões deduzidas pela impugnante, as quais não se referem ao presente lançamento. E no presente lançamento a recorrente foi autuada a recolher contribuição previdenciária patronal relativa ao período de janeiro/2004 a abril/2007, incidente sobre segurado contribuinte individual (trabalhadores autônomos e procuradores) que não incluiu em folha de pagamento e tão pouco declarou em GFIP, verificadas em seus Livros Diários, sobretudo no que trata de Lair Antonio Ferst, dito procurador. O fato gerador é que a Recorrente celebrou contrato de prestação de serviço com a FATEC, sendo tomadora de serviço, portanto, obrigada por lei a recolhimento previdenciário. E, como não resolveu o recolhimento imperioso, foi autuada corretamente pela fiscalização. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 E referente aos empréstimos realizados a familiares, há de observar que, de todos os documentos juntados, nenhum faz referência a Lair Antonio Ferst, ao contrário o que se encontra nos documentos juntados são faturas de cartão de crédito do mencionado Lair, bem como despesas com transportes aéreos, o que configura remuneração indireta, acertando a fiscalização quanto a autuação. A Fiscalização utilizouse de todos os meios legais para realizar a presente autuação, não carecendo de afronta a nenhum princípio constitucional, o que inviabiliza as alegações, até mesmo de que não houve prorrogação para dilação de prazo, pois se vê "site" da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF, conforme instruções contidas no TIAF (fls. 87/88 do Anexo I deste processo) entregue à Recorrente em 31 de janeiro de 2008, restou constatado que o MPF n.° 10.1.01.002008 001401 teve sua validade prorrogada, sucessivamente, até 29 de julho de 2008, 27 de setembro de 2008, 26 de novembro de 2008 e 25 de janeiro de 2009. JUROS, MULTA E TAXA SELIC Quanto a desejada exclusão dos juros e multa, e da dita ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, não assiste razão a Recorrente, porque a fiscalização não inventou as suas aplicações. Ao contrário, é determinação da legislação previdenciária. Nesse sentido, o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (..)” Também, mister se diga que não tem caráter de confisco a exigência da multa moratória, já que a legislação prevê no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 o caso de não recolhimento em tempo certo. Em não sendo recolhido no tempo adequado, o contribuinte ‘atrasado’ tem que honrar com a sua desídia ou outra razão qualquer, que não importa ao fisco. Mas, o certo é que, tal exigência serve para não permitir a agressão ao principio da isonomia, tão bem defendida pela Carta Cidadã, uma fez que o contribuinte que não recolher no prazo fixado, não pode ter o mesmo tratamento daquele outro que cumpri regularmente as suas obrigações fiscais. Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Fl. 183DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.003894/200893 Acórdão n.º 240102.179 S2C4T1 Fl. 182 7 Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” E, também é correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com base na inteligência do artigo 34, da Lei nº 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. De atualização monetária, urge dizer que há extinção para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, conforme a Lei n.º 8.981/95. Sendo assim, não há dúvida que, em caso de inadimplência com o fisco, o sujeito passivo é devedor do principal com os acréscimos legais na forma da legislação hodierna, Lei 9.430/96, artigo 61, se mais benéfica ao contribuinte. ‘Ex vi’ artigo em tela: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, rejeitar s preliminares e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 184DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 185DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002952/2004-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1993 a 31/07/1993
COFINS. COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial importa
renúncia às instâncias administrativas em relação ao mesmo objeto.
COBRANÇA. MULTA DE MORA.
É devida a multa de mora sobre valores recolhidos em atraso por expressa
determinação legal.
MATÉRIAS NÃO SUSCITADAS NA IMPUGNAÇÃO OU NO RECURSO
PRECLUSÃO.
Ocorre preclusão em relação ao direito de discussão no processo
administrativo de matérias não suscitadas na impugnação ou no recurso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.246
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre
Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas
conclusões.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas em relação ao mesmo objeto. COBRANÇA. MULTA DE MORA. É devida a multa de mora sobre valores recolhidos em atraso por expressa determinação legal. MATÉRIAS NÃO SUSCITADAS NA IMPUGNAÇÃO OU NO RECURSO PRECLUSÃO. Ocorre preclusão em relação ao direito de discussão no processo administrativo de matérias não suscitadas na impugnação ou no recurso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 317DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002952/200488 Acórdão n.º 330201.246 S3C3T2 Fl. 285 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 254 a 255) apresentado em 03 de setembro de 2009 contra o Acórdão no 1019.454, 14 de maio de 2009, da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 221 a 223), cientificado em 07 de agosto de 2009, que, relativamente a cobrança de Cofins dos períodos de junho e julho de 1993, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1993 a 31/07/1993 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. MULTA DE MORA JUROS DE MORA ACRÉSCIMOS LEGAIS São devidos juros de mora e multa de mora sobre valores recolhidos em atraso por expressa determinação legal. Solicitação Indeferida A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O presente processo foi protocolizado por iniciativa da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul com o intuito de efetuar a cobrança de créditos tributários relativos à Cofins, declarados em DCTF pela empresa, os quais teriam sido extintos por compensação com base em processo judicial. A ação ordinária (nº 93.00.591126) garantiu, confirmando liminar (ação cautelar nº 93.00.041487), o direito à compensação de valores recolhidos a título de Finsocial com alíquotas majoradas, corrigidos monetariamente (ORTN/OTN/BTN/INPC/UFIR/SELIC), com débitos de Cofins (fls.37/41). Acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região confirmou o direito à compensação, excluindo a incidência de juros de mora (fls.46/61). A DRF de origem verificou (fls. 1/3 e 87) que o montante creditório apurado de acordo com o decidido judicialmente foi suficiente para compensar apenas parte dos valores declarados, ficando a descoberto o valor devido em junho de 1993 (parcial) Fl. 318DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002952/200488 Acórdão n.º 330201.246 S3C3T2 Fl. 286 3 e o período julho de 1993. Sendo assim, foi encaminhada Carta Cobrança (fls. 107/108), solicitando o recolhimento do saldo devedor apurado. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 110/123) defendendo o direito à suspensão da exigibilidade dos débitos cobrados, os quais teriam sido compensados com base em medida liminar deferida na Ação Cautelar nº 93.00.041487 (17ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro), bem como para que fosse aplicado o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235/1972. Confirma a alteração do entendimento acerca do cômputo dos juros de mora por parte do TRF da 2ª região que os excluiu do cálculo do indébito, fato que teria originado a presente cobrança, uma vez que o crédito apurado tornouse insuficiente para quitar os débitos compensados pela empresa. Afirma que teria ingressado com pedido administrativo de compensação perante a SRF, tendo em vista liminar concedida nos autos da Ação Cautelar já citada. Alega homologação tácita das compensações, nos termos do disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, uma vez que as DCTFs teriam sido entregues no ano 1993. Não teria ocorrido sequer o lançamento dos débitos em aberto. Argumenta ainda que o Fisco deveria ter observado o prazo estabelecido pelo art. 150, § 4 do CTN, para homologar a compensação, sob pena de decadência. Por fim, discorda da cobrança da multa de mora e dos juros de mora por entender que os débitos foram extintos pela compensação implementada. Menciona a cobrança de taxa de 20% a título de honorários advocatícios, a qual entende indevida. O Setor de Arrecadação da Delegacia de origem, citando as alterações introduzidas na sistemática da compensação pela Lei nº 10.833/2003, encaminhou o processo para que esta DRJ apreciasse a manifestação de inconformidade apresentada (fls.136). Nesse ínterim, a interessada ingressou com Mandado de Segurança nº 2004.71.07.0076179 (cópia petição inicial fls.142/157), levando à analise do Poder Judiciário questão trazidas na manifestação de inconformidade em comento (Homologação tácita da compensação efetuada nos termos da Lei nº 9.430/1996 e Homologação nos termos do Código Tributário Nacional). Decisão interlocutória (fls.139/141) deferiu em parte tutela antecipada, para o efeito de determinar que a União não incluísse o nome da empresa no CADIN, tendo em vista a garantia dos débitos por meio de caução. Entretanto, foi indeferido o pleito de suspensão de exigibilidade do crédito tributário e o pedido para impedir a inscrição dos débitos em Dívida Ativa. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002952/200488 Acórdão n.º 330201.246 S3C3T2 Fl. 287 4 Tendo em vista o entendimento predominante na RFB ser no sentido de que compensações declaradas apenas em DCTF, que não tiveram pedido administrativo de compensação protocolado, não seguem o rito do Decreto nº 70.235/1972, sendo aplicável nesse caso a Lei nº 9.784/1999 (Lei geral do Processo Administrativo Federal), o processo foi devolvido à Delegacia de origem. Cientificada do Despacho de fls. 160/162, a interessada apresentou recurso administrativo (fls.171/195). Recorreu ainda novamente ao Poder Judiciário requerendo a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados em DCTF, bem como para que fosse concedido o rito do Decreto nº 70.235/1972 para a manifestação de inconformidade apresentada. Concedida a liminar (fls.217/219), os autos retornaram a esta DRJ para julgamento." A DRJ, conforme ementa reproduzida, considerou que a matéria principal foi submetida ao Judiciário, implicando renúncia às instâncias administrativas. Em relação à matéria restante, decidiu serem cabíveis a multa e os juros, em razão de serem previstos em lei. Ademais, esclareceu que a Interessada nada alegou a respeito do montante dos créditos apurados. No recurso, a Interessada discutiu uma suposta autuação constante dos presentes autos e discutiu a apuração dos créditos com base na Ufir e na Selic, afirmando que os juros compensatórios deveriam incidir a partir de janeiro de 1996 e não de 1997. Contestou, também, a multa e os juros, alegando que valores considerados como relativos a multa representariam juros, que seriam indevidos. Ademais, alegou não ser exigível a multa, pois efetuou a compensação, devendo o acessório seguir o principal. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Inicialmente, em relação à matéria principal, correto o acórdão de primeira instância, uma vez que a matéria foi submetida ao Judiciário. Aplicamse, portanto, as disposições da Súmula Carf no 1: Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002952/200488 Acórdão n.º 330201.246 S3C3T2 Fl. 288 5 De toda forma, a Interessada não contestou a decisão em relação a essa matéria. Conforme destacado pelo acórdão de primeira instância, a Interessada nada contestou, originalmente, a respeito da atualização de débitos. Dessa forma, precluiu o seu direito de discutir a matéria no âmbito do processo administrativo, conforme disposição dos arts. 16, III, e 17 do Decreto no 70.235, de 1972. Em relação à multa e aos juros de mora, tratase de matéria posterior à introdução do litígio, à vista dos demonstrativos efetuados pela delegacia de origem após a decisão de primeira instância. Na realidade, tratase de discordância em relação à apuração dos valores devidos, à vista da decisão de primeira instância. Dessa forma, não há que se conhecer do recurso em relação a essa matéria. Entretanto, devese observar que há uma aparente inconsistência nos demonstrativos, pois há a apuração de quatro valores relativos a multa, enquanto que deveriam ser dois relativos a multas e dois relativos a juros de mora. Portanto, a DRF, antes de dar ciência do presente acórdão à Interessada, deverá rever os cálculos, dando ciência ao contribuinte dos valores eventualmente corrigidos. Caso a Interessada discorde dos cálculos, relativamente ao que foi decidido pela DRJ e pelo Carf, poderá apresentar as razões de discordância à DRF, que deverá solucionar a questão. Em relação à exigência da multa de mora sobre os valores compensados, deve ser aplicada, por analogia, a disposição do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996, abaixo reproduzida: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Segundo o dispositivo, a apresentação de ação judicial interrompe a aplicação da multa de mora, donde se conclui que a multa incide, até a data da apresentação da ação judicial (desde que seja concedida medida liminar). No caso dos autos, conforme o despacho inicial do processo, “a liminar concedida e a sentença de primeiro grau que suspendiam a cobrança dos débitos foram reformadas pela decisão em apelação cível [...]”. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002952/200488 Acórdão n.º 330201.246 S3C3T2 Fl. 289 6 Dessa forma, tendo sido concedida a liminar em outro processo, mas após o procedimento de cobrança, a multa de mora já era devida, devendo ser mantida, na hipótese de a Interessada não obtiver sucesso na ação judicial que trata da compensação. Devese, por fim, reiterar a observação da primeira instância de que não há cobrança de honorários nos presentes autos. À vista do exposto, voto por não conhecer do recurso em relação aos cálculos efetuados pelo órgão encarregado da execução do acórdão e, no restante, por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 322DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004927/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 31/07/2009
CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ART. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, MULTA PUNITIVA ART. 12, III da Lei 8.218/91.
A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5
anos, à disposição da .fiscalização.
A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8º da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/07/2009
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.040
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/07/2009 CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ART. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, MULTA PUNITIVA ART. 12, III da Lei 8.218/91. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8º da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2009 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8 0 da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2009 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.004927/200978 Acórdão n.º 240102.040 S2C4T1 Fl. 106 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.169.8286, em desfavor da recorrente, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91. Segundo a fiscalização previdenciária, a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. A exigibilidade destes arquivos pelo fisco está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8 0 da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A comprovação de que o sujeito passivo utiliza sistemas de processamento eletrônico de dados pode ser feita por meio das DIPJs, Ficha 53A, item 16, na qual a empresa informou à RFB que realizava sua escrituração em meio magnético. Também pode ser feita por meio dos livros contábeis, fiscais e folhas de pagamento (cópias anexas), todos gerados e impressos utilizando sistemas de processamento de dados. Decorridos os prazos assinalados nos termos de intimação a solicitação não foi atendida até a presente data, sendo que os arquivos digitais não foram apresentados na forma prevista na legislação ou mesmo em formato alternativo, conforme lhe foi facultado pela autoridade fiscal. Tal conduta do sujeito passivo, de deixar de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação de arquivos e sistemas correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, configura infração ao art. 11, §§1°, 3° e 4 0 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pela MP n o 2.15835, de 24/08/2001, ensejando a lavratura do presente Auto de Infração. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 31/07/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 07/08/2009. Não concordando com a autuação apresentou a empresa notificada principal, defesa, fl. 73 a 78: Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 83 a 85. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 96 , onde alega: Fl. 110DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 1. A empresa apresentou todos os livros físicos exigidos pela legislação, além dos arquivos digitais que possuía, documentos estes que se mostraram suficientes para a constituição de todos os eventuais débitos; sendo assim, não houve prejuízo para o fisco, pois todas as informações sobre as operações tributadas e as necessárias para o cálculo das contribuições previdenciárias foram apresentadas. 2. Argumenta que não manteve a totalidade dos arquivos digitais devido ao término do contrato de licença de uso com a empresa de software que desenvolveu os programas, assim como não tinha condições financeiras de manter o contrato passou a manter apenas a escrituração física de seus dados. Os arquivos degitais nada mais são do que uma extensão dos arquivos físicos, portanto a entrega desses últimos não gera qualquer prejuízo. 3. Alega que a aplicação da multa conforme disposto no art. 12, III parágrafo único da Lei n" 8.218/91 dependia de regulamentação pela SRF, que deveria definir a forma e o prazo para que os arquivos digitais fossem apresentados. Afirma que a regulamentação foi feita pelo CONFAZ apenas em 2008, com vigência a partir de 01/01/09,neste caso a lei nova não pode retroagir para exigir do contribuinte que cumpra obrigação que inexistia em 2005 e 2006, pois estaria ofendendo ao princípio da irretroatividade tributária. 4. Argumenta que a multa aplicada foi em percentual acima do devido e que utilizouse de base de cálculo maior do que a correta. Cita o inciso III do art. 12 da Lei n" 8.218/91, no qual devese interpretar que apenas deverá incidir a alíquota de 0,02% sobre a receita bruta apurada e não a alíquota de 1% como calculado. Além disso, afirma que o valor da receita bruta indicada pelo fiscal está equivocada, uma vez que o valor ficou abaixo do referido. 5. Apresenta doutrina e jurisprudência sobre ocaráter confiscatório penalidade aplicada, e que a vedação ao confisco deve ser estudado em consonância com o sistema sócio econômico vigente. Alega que atualmente não há que se falar em multas exorbitantes, e se fosse o caso, a multa deveria ser aplicada no seu percentual mínimo. 6. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.004927/200978 Acórdão n.º 240102.040 S2C4T1 Fl. 107 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 104. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito conforme prevê o do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91, a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. Conforme descrito no relatório fiscal a exigibilidade destes arquivos pelo fisco está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8 0 da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 112DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. O próprio recorrente assume que não efetuou a entrega tendo em vista ter encerrado o contrato com a empresa, contudo, dito argumento não é suficiente para refutar o lançamento. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Não há que e falar que a entrega do documentos físicos, suprem a exigência, visto que tratamse de obrigações distintas, como objetivos específicos e previsão legal diversa. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.004927/200978 Acórdão n.º 240102.040 S2C4T1 Fl. 108 7 Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, qual seja o art. 12, III da lei 8218/91, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. NO mesmo sentido já se manifestou a autoridade julgadora, sendo que o recorrente não apresentou qualquer fato novo capaz de desconstituir o lançamento. Assim, transcrevo trecho da Decisão Notificação proferida, onde rebate a autoridade julgadora todos os pontos trazidos pelo recorrente: Inicialmente quanto ao fato de que a empresa apresentou todos os livros físicos exigidos pela legislação, tendo sido examinados pela fiscalização e servido de base à lavratura de outros Autos de Infração, cabe esclarecer que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações tributárias acessórias é objetiva, sendo irrelevantes a intenção do agente e os efeitos do ato. Desta forma, mesmo que não haja dolo ou culpa do contribuinte, ou não haja efetivo prejuízo financeiro para o fisco, a infração administrativa existe e deve ser penalizada. Isto decorre do disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tribUtária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." Salientase ainda que a atividade administrativa de lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, em obediência ao comando cio art. 142, do CTN, uma vez que outra atitude não poderia ser adotadkpor parte do Auditor Fiscal ao constatar o descumprimento ao disposto no art. 11, §§ 3°c 4" da Lei n" 8.218/91, com redação da MP n°2.158/01. O contribuinte alega que a exigência da apresentação dos arquivos digitais ficou na dependência de regulamentação pela SRF, conforme previsto no parágrafo 3° do art. 11 da Lei no 8.218/91, que só ocorreu em 2008 com vigência a partir de 01/01/09. Portanto, inaplicável em 2005 e 2006 por força do princípio da irretroatividade. Diversamente do alegado pelo defendente o § 3 0 do art. 12 da Lei 8218, foi regulamentado pela SRF por meio da IN/SRF 68/95, que dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Essa IN previu que a COFIS editaria o Manual de Orientação para Apresentação de Arquivos Magnéticos, o que ocorreu com a Portaria COFIS 13/95. A partir de 28.07.2001, para as pessoas jurídicas que utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, foi disciplinado na Instrução Normativa SRF tf 86/2001 e no ADE COFIS 15/01, publicado no D.O.U. de 26.10.2001,, estabelecendo a forma de apresentação, a documentação de acompanhamento e as especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas. A exigibilidade destes arquivos prevista no art. 8" da Lei n" 10.666/03 foi regulamentado no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no MANAD Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP n" 12, de 20/06/2006. Diante do exposto, insta informar que com a criação da Receita Federal do Brasil a autoridade notificante está amparada por ambas legislações nos anos de 2005 e 2006, para a exigência dos arquivos digitais, devendose afastar as alegações do impugnante quanto a falta de regulamentação. Sustenta o impugnante de que a multa aplicada foi calculada incorretamente, uma vez que a correta interpretação a ser dada ao inciso III do art. 12 da Lei n° 8.218/91 é a de que a penalidade a ser imposta é de 0,02% sobre a receita bruta e não de 1% como calculado, não cabe prosperar. Diversamente do alegado pelo irnpugnante, não há erro no cálculo da aplicação da multa, pois o inciso III do art. 12 da Lei n o 8.218/91 estabelece que a multa é correspondente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período. Cumpre observar que a multa máxima a ser aplicada equivale a 1% calculada sobre a mesma base de cálculo. Portanto, interpretando o dispositivo legal observase que não houve a aplicação direta do percentual de 1%, conforme alega o defendente, mas o que aconteceu é que para o anocalendário de 2005 o valor da multa calculada (0,02%) por dia de atraso, no caso 100 dias, totalizaria em R$ 475.684,00, contudo foi aplicado o limitador de 1%, multa máxima, o que correspondeu a R$ 237.842,04. Quanto ao anocalendário de 2006, o valor da multa Calculada pelo percentual de 0,02% por dia de atraso ficou abaixo da multa máxima de 1%, portanto, o valor da multa considerada não levou em consideração o percentual de 1% alegado pelo impugnante, conforme podese observar do anexo, fls. 07, do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, que descreve o procedimento de cálculo da multa aplicada. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.004927/200978 Acórdão n.º 240102.040 S2C4T1 Fl. 109 9 O impugnante ainda ressalta que o valor da receita bruta indicada para o cálculo está acima do devido, pois utilizouse de base de cálculo maior do que a correta; contudo, não apresenta nenhuma prova em contrário daquelas constantes nos autos. Cumpre registrar que o auditor quando da lavratura do presente Auto de Infração utilizou como receita bruta o valor informado pelo contribuinte em DIPJ e em suas demonstrações contábeis, conforme anexo 3, fls. 55 a 63. NO que tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a aplicação de multa, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na aplicação de multa, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 117DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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