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Numero do processo: 19647.003475/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
Data do fato gerador: 31/03/2004
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO-CARACTERIZAÇÃO - INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA.
Tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, não se beneficia da denúncia espontânea, portanto, incide multa moratória.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade negar provimento.
Vencidos Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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Tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, não se beneficia da denúncia espontânea, portanto, incide multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade negar provimento. Vencidos Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudino. Mércia Helena Trajano D'Amorim – Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira, Maria Regina Godinho de Carvalho e Daniel Mariz Gudino.Ausência justificada de Judith do Amaral Marcondes Armando. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 06/07, para exigência do crédito tributário a seguir especificado: Discriminação Valor (R$) Multa Paga a Menor 25.069,82 Total 25.069,82 De acordo com o que consta do Anexo IIa – Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento (fl. 08), o débito de IPI no valor de R$ 125.349,14, vencido em 08/04/2004, foi pago pela contribuinte em 30/06/2004, conforme a seguir demonstrado: DISCRIMINAÇÃO VALOR DEVIDO (R$) VALOR PAGO (R$) DIFERENÇA (R$) Imposto 125.349,14 125.349,14 0,00 Multa 25.069,82 0,00 25.069,82 Juros 2.795,28 2.795,28 0,00 O enquadramento legal para exigência da multa de mora se encontra à fl. 07. Tempestivamente, segundo informação constante de fl. 17, a contribuinte apresentou peça impugnatória de fls. 01 a 03 (juntamente com documentação de fls. 04 a 13), onde alega que a multa de mora exigida não é devida, pois, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, denunciou espontaneamente a infração, mediante pagamento do tributo, acrescido de juros de mora, nos termos do artigo 138 da Lei nº 5.172/1966 (CTN), que reproduz à fl. 02. Em seguida, afirma que sua atitude em não recolher o valor da multa está respaldada no dispositivo legal acima mencionado, seguido inteiramente pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa de acórdão transcrita às fls. 02/03. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua peça impugnatória, seja julgado improcedente o auto de infração questionado. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/REC no 1127.676, de 25/11/2009, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 167DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 320100.653 S3C2T1 Fl. 155 3 Data do fato gerador: 31/03/2004 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. Impugnação improcedente.” O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada pela empresa autuada, para manter o crédito tributário exigido mediante Auto de Infração de fls. 06/07. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa de mora contida no Auto de Infração de fls. 06/07. A empresa argumenta que não cabe essa cobrança de multa sobre tributos e contribuições administrados pela RFB pagos sob o instituto da denúncia espontânea a que se refere o artigo 138 do CTN, ainda que os respectivos pagamentos tenham sido efetuados após os prazos previstos em lei. Prescreve o art. 138 do CTN: “ Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Por sua vez, o art, 161 do CTN determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”(grifei) Assim sendo, diante do recolhimento em atraso, que é o caso, a multa que deveria ter sido efetuada, é de natureza moratória, ou seja, aquela que visa compensar pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, pois que a denúncia espontânea da infração só tem o objetivo de afastar a aplicação das multas de ofício, não incidindo nos casos de multa de mora. Corroborando neste sentido, é o art. 61 da Lei nº9.430/96, a seguir transcrita: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa Fl. 169DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 320100.653 S3C2T1 Fl. 156 5 de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” No mesmo sentido, tem o entendimento do STJ que a multa moratória, nos casos de recolhimento por atraso de tributo sujeito a lançamento por homologação, é devida, conforme julgados a seguir transcritos. “TRIBUTÁRIO ART. 138 DO CTN TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃOCARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA”. 1. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea, sendo legítima a cobrança de multa moratória. 2. Precedentes da primeira e Segunda Turmas desta Corte. (Resp 708676/PR Recurso Especial 2004/01733796 Segunda Turma)” O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo; colaciono alguns julgados do Superior Tribunal da Justiça: “Órgão Julgador: S1 Primeira Seção Data do Julgamento: 27/08/2008 Data da Publicação/Fonte: DJe 08/09/2008 Referência Legislativa: LEG:FED LEI:005172 ANO:1966 CTN66 Código Tributário Nacional, Art. 00138 Precedentes: RESP 850423 SP 2006/00404657 DECISÃO:28/11/2007 DJ DATA:07/02/2008 PG:00245 Ementa: Tributário. Artigo 535. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Declaração do contribuinte desacompanhada de pagamento. Prescrição. Denúncia espontânea. 1. Não caracteriza Fl. 170DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 insuficiência de fundamentação a circunstância de o aresto atacado ter solvido a lide contrariamente à pretensão da parte. Ausência de violação ao artigo 535 do CPC. 2. Tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte desacompanhada do seu pagamento no vencimento, não se aguarda o decurso do prazo decadencial para o lançamento. A declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. 3. O termo inicial da prescrição, em caso de tributo declarado e não pago, não se inicia da declaração, mas da data estabelecida como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada. 4. A Primeira Seção pacificou o entendimento no sentido de não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente. Precedentes. 5. Não configurado o benefício da denúncia espontânea, é devida a inclusão da multa, que deve incidir sobre os créditos tributários não prescritos. 6. Recurso especial provido em parte. RESP 554221 SC 2003/01162500 DECISÃO:03/10/2006 DJ DATA:06/11/2006 PG:00304 Ementa: Processo civil. Tributário. Refis. Pedido de desistência. Extinção do processo. Julgamento do mérito. Art. 269, V, do CPC. Pedido expresso. Tributo. Lançamento por homologação. Recolhimento com atraso. Denúncia espontânea. Nãocabimento. Multa moratória. Juros de mora. Incidência. Juros de mora. Taxa Selic. Aplicabilidade. Precedentes. 1. A extinção do feito na forma do artigo 269, V, do CPC pressupõe que o autor renuncie de forma expressa ao direito sobre o qual se funda a ação. 2. Nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o benefício da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória. Precedentes. 3. A partir de 1º.1.1996, os juros de mora passaram a ser devidos com base na taxa Selic, consoante dispõe o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c o art. 167, parágrafo único, do CTN. 4. O exame de matéria constitucional refoge aos limites da competência outorgada ao STJ na estreita via do recurso especial. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. ERESP 504409 SC 2005/00180701 DECISÃO:14/06/2006 DJ DATA:21/08/2006 PG:00223 Ementa: Tributário. Votovista em embargos de divergência. Parcelamento de débito fiscal. Nãocaracterização de denúncia espontânea. Art. 138 do CTN. Aplicação da jurisprudência desta corte superior. Embargos de divergência a que se nega conhecimento. 1. Tratase de votovista proferido em embargos de divergência, no qual o Relator julgou procedente o pedido do embargante para o fim de considerar caracterizada o instituto fiscal Fl. 171DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 320100.653 S3C2T1 Fl. 157 7 da denúncia espontânea, por haver a empresa contribuinte recolhido o total da importância devida, com juros e correção monetária, antes de o fisco exercer qualquer medida administrativa. 2. Contudo, essa exegese está em confronto com o entendimento reiteradamente empregado no âmbito da 1ª Seção desta Corte, segundo o qual, não se configura a denúncia espontânea, com a decorrente exclusão da multa de mora, quando o contribuinte declara e recolhe, com atraso, o débito fiscal. 3. Nesse exato sentido, a propósito, o que fiz registrar no Resp 302.928/SP: "... apenas se configura a denúncia espontânea quando, confessado o débito, o contribuinte efetiva, incontinenti, o seu pagamento ou deposita o valor referente ou arbitrado pelo juiz.". 4. Por essas razões, divirjo da solução aplicada pelo Relator. 5. Embargos de divergência, da empresa contribuinte, a que se nega conhecimento. ERESP 511340 MG 2004/01392622 DECISÃO:08/02/2006 DJ DATA:20/02/2006 PG:00189 Ementa: Processual civil. Embargos de declaração. Ausência de qualquer dos vícios previstos no art. 535 do CPC. Rejeição. Medida provisória 2.16440/01. 1. É assente na Corte que a Medida Provisória 2.16440/01 mantémse em vigor, porquanto a Emenda Constitucional nº 32 ressalvou aquelas editadas em data anterior á sua publicação (11/09/2001), permanecendo incólumes até que outra as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional. (ERESP nº 559959, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21/03/2005; ERESP n° 681770, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, DJ de 14/11/2005 ) 2. Inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar o decisum no que pertine à perda da eficácia da Medida Provisória 2.16441, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. 3. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios previstos no art. 535 do CPC, constantes do decisum embargado. Não se prestam, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos, posto visarem, unicamente, completar a decisão quando presente omissão de ponto fundamental, contradição entre a fundamentação e a conclusão ou obscuridade nas razões desenvolvidas. 4. Embargos de declaração rejeitados. RESP 601280 RS 2003/01905271 DECISÃO:14/09/2004 DJ DATA:25/10/2004 PG:00305 Ementa: Tributário. Denúncia espontânea. Multa. Pagamento em atraso. Artigo 138 do CTN. 1. O pagamento integral em atraso de tributos, sem que tenha sido iniciado procedimento administrativo, configura, em regra, a denúncia espontânea, apta a afastar a multa moratória, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 2. Contudo, com relação aos tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 172DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 homologação, a posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido de não reconhecer a ocorrência da denúncia espontânea quando houver declaração desacompanhada do recolhimento tempestivo do tributo. 3. Ademais a jurisprudência desta Corte encontrase consolidada quanto à incidência de multa moratória na hipótese de parcelamento de débito deferido pela Fazenda Pública. 4. "A simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea" (Súmula 208/TFR). 5. Recurso especial provido. ERESP 531249 RS 2004/00288861 DECISÃO:23/06/2004 DJ DATA:09/08/2004 PG:00169 Ementa: Embargos de declaração. Tributário. Denúncia espontânea. Hipóteses do artigo 535 do CPC. Inexistência. Rediscussão da matéria. 1. Ausente qualquer das hipóteses previstas no artigo 535 do CPC, não prosperam os embargos. 2. A declaração do tributo devido pela embargante, ainda que não tenha sido efetivada expressamente, ocorrera no momento da realização da denúncia espontânea acompanhada do pedido de parcelamento. 3. Embargos de declaração rejeitados. RESP 247562 SP 2000/00106135 DECISÃO:02/05/2000 DJ DATA:29/05/2000 PG:00126 Ementa: Tributário crédito constituição lançamento notificação declaração exigibilidade multa correção monetária A constituição definitiva do crédito tributário ocorre com o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Em se tratando de débito declarado pelo próprio contribuinte e não pago, não tem lugar a homologação formal, sendo o mesmo exigível independentemente de notificação prévia ou instauração de procedimento administrativo. É devida a correção monetária sobre as multas que são aplicadas sobre o montante devido. Recurso improvido. EDcl no AgRg nos EREsp 491354 PR 2004/00430773 DECISÃO:14/02/2007 DJ DATA:05/03/2007 PG:00253 Ementa: Tributário PIS tributo sujeito a lançamento por homologação declaração do débito com pagamento integral em atraso – denúncia espontânea nãoconfigurada impossibilidade de exclusão da multa moratória. 1. Os embargos de declaração são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro. 2. Acórdão embargado omisso em relação à possibilidade ou não de exclusão da multa moratória, em tributos declarados e pagos em única parcela, com atraso. 3. Entendimento da Primeira Seção de que não configura denúncia espontânea a hipótese de declaração e recolhimento do débito, em atraso, pelo contribuinte, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Por conseguinte, não há a exclusão da multa moratória. Embargos de declaração acolhidos, apenas para reconhecer a omissão, sem efeitos infringentes. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 320100.653 S3C2T1 Fl. 158 9 EAg 621481 SC 2005/01123049 DECISÃO:13/09/2006 DJ DATA:18/12/2006 PG:00291 Ementa: Processual civil. Embargos de declaração. Ausência de vícios no acórdão. rejulgamento da demanda. Impossibilidade. 1. Os embargos de declaração são cabíveis somente nas hipóteses do art. 535, I e II, c/c a parte final do art. 536 do CPC, id est, quando “houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, dúvida ou contradição”. No acórdão embargado não se encontram nenhum dos vícios registrados, visto que seus fundamentos são claros e nítidos. A matéria tratada nos autos encontrase devidamente motivada, sem que exista erro material ou julgamento de questão distinta da situação posta nos autos. 2. O fato de se ter rejeitado aclaratórios anteriores com fundamentos diversos dos pleiteados pela parte não induz a existência de omissão e/ou obscuridade, por ter sido examinada em sua amplitude a matéria que serviu de base à oposição do recurso, com a análise das questões suscitadas. 3. Pretensão de que a matéria seja reexaminada. Procedimento inadmissível nas vias estreitas dos aclaratórios. 4. Embargos rejeitados. AgRg nos EREsp 710558 MG 2006/01512560 DECISÃO:08/11/2006 DJ DATA:27/11/2006 PG:00238 Ementa: Tributário – embargos de divergência – agravo regimental – prequestionamento: conceito e configuração – denúncia espontânea – art. 138 do CTN – tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido com atraso – denúncia espontânea – não caracterização. 1. Configurase o prequestionamento quando a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos respectivos dispositivos legais, interpretandose sua aplicação ou não ao caso concreto, não bastando a simples menção a tais dispositivos. 2. Pacificouse na Primeira Seção desta Corte o entendimento de que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. 3. Agravo regimental improvido. AgRg nos EREsp 464645 PR 2004/01021091 DECISÃO:22/09/2004 DJ DATA:11/10/2004 PG:00220 Ementa: Tributário e processual civil. Denúncia espontânea. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Parcelamento do débito. Embargos de divergência. Dissenso jurisprudencial superado. Súmula 168/STJ. Incidência. 1. Firmouse na Primeira Seção o entendimento de que o benefício previsto no art. 138 do CTN não se aplica aos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados e pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que de forma à vista ou parcelada. Incidência, na hipótese, da Súmula 168/STJ. 2. Agravo regimental a que se nega provimento.” Fl. 174DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Logo, não merece reparo a decisão a quo. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário, por entender não caber no caso em tela, a aplicação do disposto no art. 138 do CTN. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 175DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Assinado digitalmente em 31/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 17460.000185/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial
é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese
a aplicação da regra do art. 173, inciso I.
CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Sempre que uma ou mais empresas, embora, cada uma delas, tenha
personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra estará constituída a figura do Grupo Econômico.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade: a) em dar
provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a
competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela
aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não foram encontrados pagamentos referentes aos fatos geradores que interessam para a discussão da decadência, logo impõese a aplicação da regra do art. 173, inciso I. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sempre que uma ou mais empresas, embora, cada uma delas, tenha personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra estará constituída a figura do Grupo Econômico. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 688 3 Relatório 1. Tratamse de recursos voluntários apresentados pelas empresas SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA; AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA; JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA; e M.B.E. COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO DE CARNES LTDA em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente lançamento de débito previdenciário, inclusive com a caracterização de grupo econômico. 2. Segundo o relatório fiscal, juntado às fls 104/128, o débito lançado se refere “às contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração a contribuintes individuais (antes denominados de trabalhadores autônomos e administradores), inclusive, as por eles devidas a partir de abril de 2003, na forma estabelecida pela Lei n.º 10.266 de 08/05/2003, verificado nos livros contábeis e documentos examinados (notas fiscais de entrada de serviços de fretes tomados de carreteiros autônomos)”. 3. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que ora transcrevo abaixo: “NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Não se pode aceitar que a simples negativa geral do sujeito passivo, relativamente ao fato constitutivo do lançamento tributário, possa debilitar o procedimento fiscal, se este foi feito com observância das normas administrativas e com perfeita identificação dos elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores das contribuições lançadas. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. EXIGUIDADE DE PRAZO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VIOLAÇÃO DE AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo as exceções previstas legalmente. Cabe à Administração aplicar fielmente a norma jurídica que regula o prazo de defesa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Os fundamentos legais do débito, discriminados de forma clara e sistematizada no Relatório Fiscal e no Anexo de Fundamentos Legais, consubstanciamse em pressupostos jurídicos suficientes para a exigência fiscal, incorrendo violação da ampla defesa e do contraditório. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, PRÓLABORE E REMUNERAÇÕES PAGAS A AUTÔNOMOS OU CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadas a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração recebida, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRÓLABORE E REMUNERAÇÕES PAGAS A AUTÔNOMOS OU CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DA EMPRESA. São devidas as contribuições a cargo da empresa (patronais), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, nos segurados contribuintes individuais, incluindo sócios, administradores, transportadores autônomos e demais trabalhadores sem vínculo empregatício. AFERIÇÃO INDIRETA. RECUSA DE ENTREGA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. A não apresentação – ou a apresentação deficiente – de documentos solicitados pela fiscalização e necessários à verificação do fato gerador enseja o lançamento arbitrado pela técnica da aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei n.º 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem com através de outras informações obtidas, é possível, à fiscalização, a caracterização de formação de grupo econômico de fato. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária, nos termos do inciso IX do artigo 30 da Lei n.º 8.212/91 TERCEIROS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 689 5 Não é legal a cobrança em sede de responsabilidade solidária, de valores correspondentes às contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos, denominados ‘Terceiros’. Lançamento Procedente em Parte” 4. Em sede recursal, as quatro empresas consideradas participantes do grupo econômico apresentaram suas razões contrárias ao lançamento fiscal e, considerando que as peças recursais, assinadas pelo mesmo causídico, guardam semelhança em seus argumentos, faço o seguinte resumo dos pontos atacados pelas recorrentes: a) cerceamento da ampla defesa e do contraditório, posto que, como a cientificação da fiscalização se deu em 23/12/2006, a empresa não teve tempo suficiente para apresentar a peça impugnatória; b) ilegalidade da autuação fiscal tendo em vista a ausência de fundamentação legal; c) decadência quinquenal dos créditos constituídos, com base no que dispõe o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional CTN; d) a inexistência de débitos relativos às contribuições sociais previdenciárias lançadas pelo fisco, pois “deixou de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentares, o que ‘data vênia, é manifestamente ilegal, porque a acusação tem que ser clara e específica e bem delimitada, com a citação ordenada e inteligível dos dispositivos legais e regulamentares em que se funda”; e) que os elementos nos quais o fisco se fundou para a caracterização do grupo econômico são insuficientes, já que “tratamse de operações normais entre duas empresas, sendo irrelevante que do quadro societário de uma delas (a 1ª impugnante) conste Márcio Brito Estevam, e da outra (Jema Participações Ltda) conste o nome da exmulher de Márcio e de seus filhos, mesmo porque lei nenhuma proíbe isso”. 5. Devidamente cientificado dos recursos apresentados pelas empresas, o fisco se limitou a encaminhar os autos para a apreciação deste Conselho sem as contrarrazões. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço dos recursos voluntários, uma vez que atendem aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 690 7 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, juntado às fls. 102/103, e do Relatório Fiscal, de fls. 104/128, que houve recolhimento parcial, em face da totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados. Até porque o documento assevera que o auditor fiscal examinou as GFIP’s e os comprovantes de pagamento da empresa, bem como o Relatório de Lançamentos, anexo às fls. 41/55, demonstra a apropriação de valores pelo fisco. E, não obstante o contribuinte tenha se baseado no artigo 173, I, do CTN, por tratarse de matéria de ordem pública, tenho como certo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 9. Assim, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 22/12/2006, referente às contribuições do período de 01/07/1998 a 30/09/2006, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 07/1998 a 11/2001, restando mantidas as competências 12/2001 a 09/2006. 10. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 11. Muito embora o contribuinte alegue que o procedimento fiscal deve ser considerado nulo, tal assertiva merece prosperar, posto que fundado em inconstitucionalidade de normas. 12. Sobre a questão da constitucionalidade, este Conselho já sumulou a matéria firmando o entendimento de que: “SÚMULA N.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 13. Além disso, o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado em consonância com o que requer a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. DO MÉRITO DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 14. Narra o relatório fiscal que a empresa “SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, juntamente com as demais empresas da família ESTEVAM, compõem grupo econômico de fato, em face da existência de poder de controle único, desenvolvendo atividades diversas, mas vinculadas e promovem entre si uma incessante transferência de despesas e receitas”. (fl. 123) 15. E a respeito da questão, em oposição ao lançamento, insurgiramse as recorrentes sob a argumentação de que “a participação de uma mesma pessoa no quadro societário de várias empresas não caracteriza, por si só, grupo econômico de fato ou de direito”, e, além disso, “não foi demonstrado e nem existe entre as empresas mencionadas interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal”. 16. Ocorre que, conforme o conceito trazido pela legislação trabalhista, grupo econômico é o composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais, conforme reza o parágrafo 2º, do artigo 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas –CLT, transcrito abaixo: “Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 691 9 17. Assim, para que haja a caracterização de um grupo econômico tornase necessária a presença de dois requisitos: a) uma ou mais empresas com personalidade jurídica própria; b) exercício da atividade econômica sob direção, controle ou administração única. 18. Dessa forma, tornase importante ressaltar os fatos que levaram o fisco à conclusão de que as empresas constituíam, na verdade, um grupo econômico: “1) as empresas notificadas (a notificada principal e as imputadas como responsáveis solidárias, por integrarem grupo econômico), têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades vinculadas e complementares, evidenciandose, a partir do exame de seu quadro societário, uma estreita ligação entre todas elas (...) 2) do exame acurado do Relatório Fiscal, das cópias de alterações contratuais e das fichas de ‘breve relato’ emitidas pelas Juntas Comerciais pertinentes, podem ser extraídas mais informações e detalhes elucidativos sobre o caso em tela. 3) a notificada principal Santa Marina Alimentos tinha como endereço da matriz, a partir da alteração societária de 01/06/2001 (até a alteração de 09/2006) a Rua Guaiauna n.º 180, sala 03, bairro da Penha, São Paulo – SP. Em diligência no local, a fiscalização atestou que, em 07/11/2006, as portas da sala estavam fechadas, por um tempo considerável, situação confirmada como tal pela vizinhança comercial do mesmo pavimento, como se depreende do contido no Relatório Fiscali da Infração do AutodeInfração debcad n.º 35.938.4803, processo n.º 17460.000159/200794, também lavrado contra a notificada. 4) a empresa Agropastoril Estevam Ltda, originalmente, tinha em seu quadro societário o Sr. Márcio Brito Estevam Jr. e Sra. Marli Cavalcante Espevam, retirandose estes em 16/11/2004; com a admissão, na qualidade de sócios, de Santa Marina Ind. Alimentícia Ltda e Márcia Brito Estevam. Tem seu endereço também na Rua Guaiauna 180, sala 03, bairro da Penha, São Paulo – SP, a partir de 16/11/2004, ou seja, o mesmo endereço da empresa notificada. 5) a empresa JEMA Participações Ltda tem endenreço na Av. Cel José S. Marcondes, 80 apt 11, em Presidente Prudente – SP, o qual é o mesmo residencial de seus quatro sócios integrantes. Tem um estabelecimento filial na Rodovia BR 267, km190, Faz. Santa Marina II, Campo Grande – MS, que era o mesmo endereço de um dos estabelecimentos (arrendado) filiais da notificada Santa Marina Alimentos Ltda. Ainda, consta em sua ficha cadastral (CNPJ) que sua atividade econômica principal é de assessoria às atividades agrícolas e pecuárias. 6) a empresa BEM Comércio e Representações de Carnes Ltda, teve com denominações anteriores ‘Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda’ e ‘Frigocharque Santa Marina Ltda’, passando a ter a denominação atual a partir de 05/03/2001. 7) ainda conforme Relatório Fiscal, ficou assentado, na conta contábil ‘3201010001 – Arrendamentos’ da notificada principal, o registro de pagamentos a título de arrendamentos das Fazendas Santa Marina I e II, creditados à Agropastorial Estevam Ltda, no período de 07/1998 a 09/1999. Neste locais estavam Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 estabelecimentos filiais da Santa Marina Alimentos Ltda, os quais tiveram atividades encerradas conforme alteração contratual de 17/10/2001. 8) esses pagamentos – a título de arrendamentos – a partir de 10/1999 até 01/2001, estão lançados em favor da empresa JEMA Participações Ltda, que foi constituída em 24/09/1999, tendo como integrantes Márcio Brito Estevam Jr, Marli Cavalcante Estevam (exsócios da Agropastoril Estevam – respectivamente, filho e exmulher de Márcio Brito Estevam), Eduardo Cavalcante Estevam e Marina Cavalcante estevam (também filhos de Márcio Brito Estevam). 9) a reforçar a constatação de uma constante transferência de recursos entre as envolvidas, temse que pagamentos creditados à JEMA Participações Ltda, a partir de 12/2005, dizem respeito a arrendamento de um avião, embora não tenha sido apresentada à fiscalização o respectivo contrato entre as duas empresas parceiras. Também não guarda coerência contábil o fato de haver lançamentos de despesas, em 10/2005, de manutenção e revisão geral da aeronave arrendado, ou seja, antes do primeiro pagamento a título de arrendamento. Ainda, observase que são pagas pela arrendatária (Santa Marina Alimentos Ltda), conforme registros contábeis e notas fiscais apontadas no Relatório Fiscal, as despesas de condomínio do hangar e manutenção da aeronave. 10) outro indício da ligação patrimonial entre as empresas integrantes do referido grupo é apontado pela fiscalização a partir da contabilidade da então S. M. Agropecuária Ltda (atualmente a notificada Santa Marina Alimentos Ltda), constatando lançamento contábil na conta ‘2102040002 – Santo Marina Indústria Alimentícia Ltda’, com descrição de ‘adiantamento recebido sobre a venda de gado a realizar’, cujo montante de R$ 415.590,00 também está lançado – a título de pagamento – em 28/09/2001, na conta ‘2102040002 – M.B.E. Comércio e Representações Ltda’. 11) além da constante triangulação de recursos financeiros entre as interessadas, observase, nitidamente, a proeminência do controle societário por parte do sócio – com poderes de gerência e administração – Sr. Márcio Brito Estevam. Na notificada principal, Santa Marina Alimentos Ltda, ele detêm 96,33% do capital; ao lado da Parteco Adm. e Participações Ltda (com seus 3,67%), da qual ele (Márcio Brito Estevam) detém 78,91% das quotas. Esta (a Parteco) por sua vez, tem 21,09% de seu capital pertencente à MBE Com. e Representações de Carnes Ltda, da qual ele (Márcio Brito Estevam) detém 50%, ao lado da própria Parteco, com os outros 50%. Na Agropastoril Estevam Ltda, a Santa Marina Alimentos Ltda (que é controlada por Márcio Brito Estevam) detém 97,28%, ao lado do próprio Márcio Brito estevam, com os restantes 2,72%. É nítido o controle em cadeia, nestas três empresas, por parte do citado sócio. 12) no caso da JEMA Participações Ltda, a ligação não se dá, a priori, diretamente por controle societário, embora dois de seus sócios atuais – Sr. Márcio Brito Estevam Jr. e Sra. Marli Cavalcante Estevam – eram sócias componentes da Agropastoril Estevam Ltda; mas sim por meio das já mencionadas transferências contábeis habituais, a título de arrendamentos das Fazendas Santa Marina I e II, bem como a título de pagamento de despesas de condomínio de hangar e de manutenção de aeronave, supostamente arrendada pela Santa Marina Alimentos Ltda.” (fls. 587/590) 19. Posto isto, cumpre ressaltar ainda que quando solicitado não foram apresentadas todos os documentos necessários à realização da fiscalização. As empresas também não juntaram qualquer documentação em sede de defesa, nem em sede recursal que refutassem as informações trazidas na autuação fiscal. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 692 11 20. E não bastassem as questões apontadas acima, merece destaque o fato de que, não obstante toda a argumentação dos contribuintes busque demonstrar a descaracterização da existência de ligação entre elas, contrataram o mesmo escritório advocatício para fazer tanto as impugnações quanto os recursos voluntários apresentados, sendo que a argumentação utilizada é a mesma em todas as peças. 21. Assim, entendo que, como não foram juntados aos autos qualquer documentação capaz de descaracterizar o lançamento, deve ser mantida a decisão de primeira instância no que se refere à caracterização do grupo econômico. CONCLUSÃO 22. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos acima alinhavados, decotando o período abrangido pela decadência, qual seja, 07/1998 a 11/2001. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 693 13 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 694 15 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 695 17 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo Fl. 17DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 18 para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000185/200712 Acórdão n.º 230102.214 S2C3T1 Fl. 696 19 Não contam dos autos quaisquer pagamentos feitos pela recorrente em relação aos fatos geradores considerados pela fiscalização, logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 31/12/2000, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER em parte e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004280/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto após decorrido o
prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-000.973
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004280/200738 Acórdão n.º 330200.973 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 88 a 90), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 24.12.2007 (fls. 94), constituindo crédito tributário no valor total de R$ 11.737.239,55, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.11.2007, referente a COFINS dos meses de janeiro de 2002 a dez 2003, com enquadramento legal exposto às fls. 86, 87 e 90. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 78/79 a autoridade fiscal autuante informa que: a) Da análise dos livros diário e razão dos anos calendários de 2002 e 2003, apresentado pelo contribuinte, verificouse que os valores escriturados como COFINS a recolher estão diversos daqueles informados em DCTF; b) Comparando os valores lançados pelo contribuinte como faturamento para o PIS nos anos de 2002 e 2003 nas DIPJ e nas DACON, não se pode pensar em erro de preenchimento das declarações, uma vez que os valores são coincidentes; c) Considerando que não houve nenhuma explicação para as divergências apontadas, estas foram objeto de lançamento, conforme planilhas de fls. 80/81. Em 08.01.2008 o contribuinte apresentou petição de fls. 96/97 na qual solicitou cópia dos autos, das DCTF de 2002/2003, dos Livros Diários e Razão de 2002/2003, das DIPJ 2002/2003, das DACON 2002/2003, e dos Balancetes de Suspensão entregues referentes a 2002/2003. Solicitou ainda a dilação do prazo para apresentação da impugnação por mais 10 dias, tendo em vista o volume de documentos a ser analisados. Através do despacho de fls. 127/128 a DEFIS/SPO orientou o contribuinte sobre os procedimentos para obtenção das cópias solicitadas, e indeferiu a dilação de prazo para apresentação de impugnação por falta de amparo legal. Em 17.01.2008 o contribuinte solicitou, e obteve, cópia do presente processo administrativo (fls. 129/130). Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação em 21.01.2008 (fls. 133 a 157), acompanhada de documentos de fls. 158 a 179, onde alega, em síntese, o que se segue: A Constituição Federal, em seu artigo 50, LV, assegura a todo e qualquer cidadão o direito ao devido processo legal. Intimada dos termos do auto de infração, a impugnante, impossibilitada de verificar a procedência ou não do aludido auto, haja vista a perda de dados em sua contabilidade, requereu vista do processo administrativo tributário, bem como a dilação de prazo para apresentação desta peça de impugnação. No entanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo houve por indeferir o requerimento de dilatação do prazo para a apresentação da presente defesa, concedendo à impugnante vista dos autos em 17.01.2008. Diante do volume de documentos a ser analisado, não foi possível manifestar a respeito dentro do prazo de apresentação da presente impugnação. Assim, requer a impugnante que seja concedido a oportunidade de complementação desta impugnação, após a devida análise dos documentos que serviram de base para a autuação; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004280/200738 Acórdão n.º 330200.973 S3C3T2 Fl. 3 3 A jurisprudência administrativa e judicial é farta no sentido de se reconhecer a natureza tributária da COFINS e sua sujeição ao prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN. A decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até 30.11.2002, inclusive, é flagrante e dever ser reconhecida; Alegou a não inclusão das receitas financeira na base de cálculo da COFINS. diante a edição da lei n° 9.718/98, o Poder Tributante não apenas infringiu a Constituição Federal, na medida em que, ao alterar base de cálculo da COFINS por via de lei ordinária, violou os seus artigos 154, I e 195, I, acabando por instituir um novo tributo, como também não observou o art. 110 do CTN. Como a Emenda Constitucional n° 20/98 foi posterior ao surgimento no ordenamento jurídico da lei n° 9.718/98, a citada lei ordinária não se tornou constitucional, por ter sido editada quando o ordenamento jurídico constitucional não a recepcionava. A exigência fiscal objeto do auto de infração em tela, por abranger a incidência da COFINS sobre a receita financeira com base na lei n° 9.718/98, por ser indevida, ante as suas flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, deve ser declarada nula; Houve manifesto cerceamento de defesa, pois a fiscalização não apresentou o demonstrativo da correção monetária do pretendido crédito fiscal, não contendo indicação precisa dos valores, índices e composição dos cálculos elaborados. Assim, alega que o auto de infração é nulo; Alegou que a multa aplicada no percentual de 75% é confiscatória, e afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Caso seja mantida a multa, devese aplicar, no máximo, o percentual previsto no art. 59 da lei n° 8.383/91, de 20%; Contestou a aplicação da taxa SELIC, alegando que tem natureza híbrida, por ser composta de índices de correção monetária, juros e valores correspondentes à remuneração de serviços de instituições financeiras. A sua fixação é feita de forma unilateral pelo Poder Executivo e extrapola, e muito, o teto de 1% ao mês previsto no art. 161, §1 0 do CTN; Em homenagem aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, a impugnante protesta pela ampla produção de provas nos autos, de modo que lhe seja facultada a utilização de todos os meios de prova em direito admitidos para comprovar as alegações esposadas em sua defesa; Considerandose que a presente impugnação está a refletir apenas a defesa parcial possível, renovase o pedido de vista ao processo administrativo, concedendose à impugnante nova oportunidade de manifestação. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar procedente em parte o lançamento, nos termos deste relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimada em 25/03/2009, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 27/04/2009. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004280/200738 Acórdão n.º 330200.973 S3C3T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Conforme previsto no processo administrativo fiscal, a contribuinte dispõe do prazo de 30 dias contados do 1° dia da ciência do feito, o que ocorreu na data de 25/03/2009, quartafeira. Uma vez que o primeiro dia após a data supramencionada foi o dia 26/03/09, o dies ad quem para a interposição do presente recurso ocorrera em 24/04/2009, sextafeira. Como o recurso voluntário não apresenta marca de protocolo alguma, e em seu corpo mesmo a data aposta foi a de 27/04/2009, segundafeira, pensamos estar caracterizada a intempestividade do presente recurso. Tendo em vista tal intempestividade, o recurso não preenche aos seus requisitos de admissibilidade. Razões pelas quais voto por não conhecer do recurso, dispensando assim, a análise do mérito. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10660.000857/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. Apenas quando comprovada a realização da despesa e a prestação do serviço é que deve ser restabelecida a dedução.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É aplicável multa de ofício no percentual de 150% nos casos em que o contribuinte utiliza documentos inidôneos com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2102-001.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções com o prestador Dr. Renato Batista Fonseca (R$ 288,00), nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. Apenas quando comprovada a realização da despesa e a prestação do serviço é que deve ser restabelecida a dedução. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável multa de ofício no percentual de 150% nos casos em que o contribuinte utiliza documentos inidôneos com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções com o prestador Dr. Renato Batista Fonseca (R$ 288,00), nos termos do voto do relator. ASSINADO DIGITALMENTE GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 103 2 EDITADO EM: 18/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fl. 96, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 81 a 91, que julgou parcialmente procedente o lançamento do IRPF de fls. 04 a 09, relativo aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, lavrado em 27/03/2007, com ciência do RECORRENTE em 30/03/2007 (fl. 63). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 12.634,10, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora no percentual de 150%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 05, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo, evidenciada pela inclusão de despesas médicas pleiteadas indevidamente, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2003 R$ 499,84 R$ 8.212,00 R$ 291,96 R$ 7.000,00 R$ 360,08 R$ 11.000,00 75,00 150,00 75,00 150,00 75,00 150,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73, 80, 797 e 957 do RIR/99; Arts. 8º, inciso II, alínea ‘a’ e §§ 2º e 3º, 35 da Lei nº 9.250/95; Arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; Art. 44, II, da Lei 9.430/96.” No Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 15, a autoridade lançadora afirmou o seguinte: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 104 3 “(...) O presente Mandado de Procedimento Fiscal foi expedido em decorrência de trabalho desenvolvido na DRF/Varginha/MG em que a profissional Dra. Cláudia Maria Basil Carvalho, CPF 772.677.61615, compareceu nesta Delegacia, Seção de Fiscalização, no dia 09/05/2005, para prestar esclarecimentos sobre suas atividades e a respeito da emissão de recibos. Conforme consta do Termo de Declaração, lavrado na data de seu comparecimento, ela "vendeu" recibos para várias pessoas nos anoscalendário de 2000 à 2003, tendo cobrado entre 1% e 2% do valor do recibo (vide anexos de fls. 49 à 57). Analisando as Declarações de Ajuste apresentadas pelo contribuinte, às fls. 37, 40 e 44, verificamos a existência de pagamentos em nome da profissional Dra. Cláudia Maria Basil Carvalho no quadro ‘Relação de Pagamentos e Doações Efetuados’ (código ‘3’), em valores significativos se comparados com o total de rendimentos declarados. Diante disso, foi expedido o Termo de Início de Fiscalização em 05/02/2007, com ciência em 07/02/2007 (via postal), solicitando ... apresentar os documentos comprobatórios relativos às despesas médicas. Nesse Termo foram solicitados documentos comprobatórios da efetiva utilização dos serviços e ainda dos efetivos pagamentos efetuados aos profissionais, para que ficassem demonstrados os efetivos desembolsos com relação às despesas médicas informadas nas Declarações de Ajuste sob análise (fls. 17 à 19). Em atendimento à intimação, o interessado enviou diversos recibos para comprovar as deduções informadas nas Declarações, informando que não possui mais nenhum documento dos que foram pedidos e, ainda, que não trabalha com cheques, não tem o hábito de guardar documentos antigos, que não fez pagamentos através de transferências bancárias, ordens de pagamento, etc., alegando também que fazia retirada dos seu proventos na época em que os recebia e pagava os valores dos recibos com a ajuda de sua esposa (fls. 20 à 35) (...) Pelos valores expressivos que foram utilizados como dedução da Base de Cálculo do imposto, considerando que os rendimentos do interessado são provenientes do Governo do Estado de MG, através de créditos em conta bancária, seria possível a identificação e também a localização de saques, em valores e datas coincidentes (ou mesmo próximas) sem maiores dificuldades. Entretanto, o interessado não atendeu à Intimação para apresentar comprovações adicionais aos recibos, alegando não dispor desses documentos. Também poderiam ter sido apresentados outros elementos para a comprovação de que os serviços foram efetivamente utilizados, contribuindo na convicção de idoneidade dos recibos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 105 4 questionados. Mas o contribuinte também nada fez até a presente data para afastar a suspeita de uso de documentos inidôneos. (...) Dessa forma, entendemos que não houve qualquer comprovação dos efetivos desembolsos dos valores e nem da efetiva utilização dos serviços, não sendo aceitável a simples apresentação dos recibos, pelos motivos já mencionados. Assim, analisandose os esclarecimentos e documentos apresentados, em conjunto com os levantamentos externos, documentos e declarações obtidas da profissional Dra. Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho, que reconheceu a "venda" de recibos, concluímos que há indícios de fraude tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 2 4.502/64, no tocante à utilização dos recibos a título de despesas médicas, ou seja, os valores informados nas DIRPF/2002, DIRPF/2003 e DIRPF/2004 representam deduções indevidas, por falta de comprovação e justificação das despesas, motivos pelos quais glosamos os valores a seguir, de acordo com as diferentes situações que encontramos (vide planilha de fls. 16) conforme segue: 1. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente — DESPESAS MÉDICAS EXERCÍCIO 2002 1ª) Glosa de despesas médicas referentes ao pagamento declarado para Instituto Previdenciário dos servidores Militares/MG, CNPJ 17.444.779/000134, no valor de R$ 211,84, e ao profissional Dr. Renato Batista Fonseca, CPF 772.680.16620, no valor de R$ 288,00, totalizando R$ 499,84, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum documento em relação ao primeiro, e ainda, nenhuma comprovação do efetivo pagamento (desembolso) em relação a ambos, devendo ser aplicada a multa de ofício de 75%; 2ª) Glosa de despesas médicas referentes à profissional Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho, CPF 772.677.61615, no valor de R$ 8.212,00,00, tendo em vista que, além de não terem sido apresentadas quaisquer comprovações dos efetivos desembolsos, a profissional firmou o Termo de Declaração reconhecendo a "venda" de recibos sem a respectiva prestação dos serviços, o que torna tais documentos imprestáveis para efeito de dedução do Imposto de Renda. Lançamento de ofício com multa qualificada de 150% pelo uso de documento inidôneo. 2. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente — DESPESAS MÉDICAS EXERCÍCIO 2003 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 106 5 1ª) Glosa de despesas médicas referentes ao pagamento declarado para Instituto Previdenciário dos servidores Militares/MG, CNPJ 17.444.779/000134, no valor de R$ 291,96, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum documento e nem a comprovação do efetivo pagamento (desembolso), devendo ser aplicada a multa de ofício de 75%; 2ª) Glosa de despesas médicas referentes à profissional Dra. Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho, CPF 772.677.61615, no valor de R$ 7.000,00, tendo em vista que, além de não terem sido apresentadas quaisquer comprovações dos efetivos desembolsos, a profissional firmou o Termo de Declaração reconhecendo a "venda" de recibos sem a respectiva prestação dos serviços, o que torna tais documentos imprestáveis para efeito de dedução do Imposto de Renda. Lançamento de ofício com multa qualificada de 150% pelo uso de documento inidôneo. 3. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente — DESPESAS MÉDICAS EXERCÍCIO 2004 1ª) Glosa de despesas médicas referentes ao pagamento declarado para Instituto Previdenciário dos servidores Militares/MG, CNPJ 17.444.779/000134, no valor de R$ 360,08, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum documento e nem a comprovação do efetivo pagamento (desembolso), devendo ser aplicada a multa de ofício de 75%; 2ª) Glosa de despesas médicas referentes à profissional Dra. Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho, CPF 772.677.61615, no valor de R$ 11.000,00, tendo em vista que, além de não terem sido apresentadas quaisquer comprovações dos efetivos desembolsos, a profissional firmou o Termo de Declaração reconhecendo a "venda" de recibos sem a respectiva prestação dos serviços, o que torna tais documentos imprestáveis para efeito de dedução do Imposto de Renda. Lançamento de ofício com multa qualificada de 150% pelo uso de documento inidôneo. (...) Em conseqüência das alterações apontadas, ou seja, pelas glosas das deduções da Base de Cálculo, pleiteadas indevidamente, lavramos o presente Auto de Infração cujo resultado será o lançamento de ofício de diferença do Imposto de Renda da Pessoa Física, para os exercícios 2002 à 2004, no valor total de R512.634,10 (doze mil. Seiscentos e trinta e quatro reais, dez centavos), acrescido de multa e juros, conforme demonstrativos que acompanham o presente auto.” Em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 4.104,60, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora (fl. 09). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 107 6 DA IMPUGNAÇÃO Em 17/04/2007, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 65 e 66. Em suas razões, alegou que assinava notas promissórias para os profissionais médicos e que, quando recebia os seus proventos, sacava o dinheiro e pagava as referidas promissórias com a ajuda de sua cônjuge. Afirmou que os saques bancários sempre aconteciam em torno do 5º dia útil de cada mês, conforme exemplificado pelos comprovantes acostados aos autos (fls. 72 e 73). Desta forma, e apresentou as seguintes alegações: “(...) Ao meu entender, com a devida vênia, exigir comprovante de desembolso de quantias em épocas apenas de pagamentos de profissionais, principalmente de quantias pequenas como consta nos recibos do Dr. Renato, é submeter o contribuinte a caprichos desnecessários. Quantias de R$ 32,00, R$ 64,00 etc. como constam nos recibos que ora envio e que foram glosados. 3 Quanto à Dra. Cláudia Mara Basil Antônio Carvalho, e os recibos por ela emitidos, não tenho como questionar procedimentos, pois não possuo nada que comprove a autenticidade dos meus recibos, também não tenho como encontrala para apanhar documentos comprobatórios, pois a mesma encontrase em lugar incerto, não sabido. 4 Estou novamente enviando os recibos emitidos pelo Dr. Renato Batista Fonseca, acompanhados de uma declaração do mesmo, de que os serviços foram realmente prestados e o valor declarado, e também os comprovantes de despesas médicas referentes ao pagamento declarado para o instituto de Previdência dos Servidores Militares, que não foram localizados na época em que foram pedidos, comprovantes estes que igualmente aos recibos do Dr. Renato, foram glosados e sobre eles aplicados as respectivas multas. (...)” Os documentos acostados aos autos pelo RECORRENTE foram os seguintes: Declaração do Dr. Renato Batista Fonseca (fl. 68); Comprovante de rendimentos expedido pela Policia Militar de Minas Gerais referentes aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003 (fls. 69 a 71); Comprovantes de saques bancários (fls. 72 e 73); e Recibos emitidos pelo Dr. Renato Batista Fonseca (fls. 74 a 79). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 108 7 Ao final, considerando a documentação acostada, o RECORRENTE requereu fossem refeitos os cálculos de apuração do crédito tributário, e requereu ainda a redução das multas aplicadas. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 81 a dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Deve ser restabelecida parcela da dedução pleiteada pelo contribuinte, quando devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea para tanto. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DOS DADOS INFORMADOS. GUARDA DE DOCUMENTOS. O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. MULTA PROPORCIONAL. AGRAVAMENTO. Correta a aplicação da multa de ofício (proporcional) em 150%, quando apurado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. MULTA PROPORCIONAL. Nos lançamentos de ofício será aplicada a multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, de 75%, nos termos da legislação tributária que trata da matéria. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora considerou como parcela nãolitigiosa do lançamento a infração de dedução indevida de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 109 8 despesas médicas referentes à profissional Cláudia Maria Basil Carvalho, tendo em vista que tal matéria não foi questionada pelo RECORRENTE. No que diz respeito às despesas com o Dr. Renato Batista Fonseca, entendeu que o RECORRENTE não apresentou documentos subsidiários que comprovassem o efetivo desembolso dos valores. Assim, manteve a glosa de tais valores. Já quanto às despesas médicas relacionadas ao Instituto Previdenciário dos Servidores Militares/MG, a autoridade julgadora acatou os Comprovantes Anuais de Rendimentos fornecidos pela Polícia Militar de Minas Gerais (fls. 69 a 71) como prova dos desembolsos realizados a título de despesas médicas, haja vista tal procedimento ocorrer via desconto em folha de pagamento. Dessa forma, excluiu do lançamento os seguintes valores: R$ 211,84, referente ao anocalendário 2001 (fl. 71); R$ 291,96, referente ao anocalendário 2002 (fl. 69); e R$ 360,08, referente ao anocalendário 2003 (fl. 70). Ademais, a autoridade julgadora considerou que a multa qualificada de 150% foi corretamente aplicada, tendo em vista que ficou evidenciado o objetivo doloso do RECORRENTE em deduzir artificialmente a base de cálculo do imposto de renda devido nos exercícios financeiros fiscalizados. Já com relação à multa de ofício no percentual de 75%, aplicada sobre o imposto decorrente da glosa das despesas médicas supostamente havidas com o Dr. Renato Batista Fonseca, afirmou que a aplicação da mesma decorre do lançamento de ofício realizado. Portanto, o lançamento foi julgado parcialmente procedente, tendo a DRJ realizado as seguintes modificações: Imposto (R$) Multa (%) IRPF/2002 1.231,80 150 IRPF/2002 (288,00 x 15%) 43,20 75 IRPF/2003 1.050,00 150 IRPF/2004 1.650,00 150 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 25/03/2008, conforme AR de fl. 95 dos autos, apresentou recurso voluntário de fl. 96 em 23/04/2008 no sentido de impugnar parte do valor apurado. Reiterou os termos de sua impugnação e demonstrou sua discordância quanto a não aceitação da comprovação de despesas médicas com o Dr. Renato Batista Fonseca. Portanto, requereu a retificação do lançamento e solicitou novamente a redução das multas aplicadas. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 110 9 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 15, o lançamento decorreu da glosa por dedução indevida das seguintes despesas médicas: 1) anocalendário 2001: R$ 211,84 pagos ao Instituto Previdenciário dos Servidores Militares/MG; R$ 288,00 pagos ao profissional Renato Batista Fonseca; R$ 8.212,00 pagos à profissional Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho. 2) anocalendário 2002: R$ 291,96 pagos ao Instituto Previdenciário dos Servidores Militares/MG; R$ 7.000,00 pagos à profissional Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho. 3) anocalendário 2003: R$ 360,08 pagos ao Instituto Previdenciário dos Servidores Militares/MG; R$ 11.000,00 pagos à profissional Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho. Dos valores acima citados, a autoridade julgadora de primeira instância acatou como devidamente comprovados os pagamentos ao Instituto Previdenciário dos Servidores Militares/MG nos períodos, conforme documento de fls. 69 a 71. Assim procedeu à retificação do lançamento. Conforme se depreende das razões de apelo do RECORRENTE, bem como de sua impugnação, não há qualquer contestação quanto à glosa dos valores supostamente pagos à profissional Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho. Desta forma, tal matéria foi considerada como não impugnada. Sendo assim, o presente caso resumese à aceitação dos documentos apresentados pelo RECORRENTE como prova dos serviços odontológicos prestados pelo Dr. Renato Batista Fonseca, no anocalendário 2001, no montante total R$ 288,00. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 111 10 Sobre o tema, o Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos foram rejeitados pela fiscalização visto que o RECORRENTE deixou de apresentar comprovação da efetividade dos serviços, bem como a efetiva realização dos pagamentos correspondentes através de cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem a despesa realizada. O RECORRENTE juntou aos autos os recibos de fls. 74 a 79, bem como a declaração prestada pelo profissional médico à fl. 68. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 112 11 Feitos os esclarecimentos acima, passo a analisar detidamente os documentos relacionados a cada prestador. Dos pagamentos ao Dr. Renato Batista Fonseca: Em oposição ao alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pelo Dr. Renato Batista Fonseca (fls. 74 a 79), aliado à declaração expedida pelo profissional (fl. 68), devem sim ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Ao contrário do ocorrido com o Dra. Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho, não há qualquer denúncia de fraude em relação aos recibos emitidos pelo Dr. Renato Batista Fonseca, bem como inexiste fiscalização da Receita Federal junto ao referido profissional (CPF nº 772.680.16620). Por oportuno, devese esclarecer que, após pesquisa no sítio da Receita Federal na internet, constatei que o referido profissional encontrase com o CPF regular e que não existe qualquer processo administrativo envolvendo o mesmo desde o anocalendário objeto da presente ação (2001). Sendo assim, para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões para efetivação da glosa. Tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Sobre a discricionariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 113 12 providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Após a glosa efetuada pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou os recibos de fls. 74 a 79, em conjunto com a declaração de fl. 68, que comprovam a efetividade das despesas de serviços odontológicos. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa. Desta forma, o pedido de dedução de tais despesas médicas, formulado pelo RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados nos autos são perfeitamente aptos a comprovar a efetividade do dispêndio com serviços odontológicos. Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR/94 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra demonstração fundamentada, por parte da autoridade administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, o RECORRENTE tem direito à dedução das despesas relativas ao profissional Dr. Renato Batista, visto que tais dispêndios foram devidamente comprovados. Da multa aplicada Em suas razões de apelo, o RECORRENTE requereu também a redução da multa de ofício aplicada. Nesse sentido, argumentou que estaria “dentro dos parâmetros da transparência e da legalidade”. Contudo, o lançamento ora em análise diz respeito à dedução indevida da base de cálculo que originou a constituição do crédito tributário. Assim, devese esclarecer que a multa de ofício decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 114 13 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” No entanto, a autoridade fiscal entendeu que deveria ser aplicada a multa agravada no percentual de 150% por intuito de fraude. Na época dos fatos, o dispositivo que previa o agravamento da multa de ofício era o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual possuía a seguinte redação: “Art. 44. (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Redação da Lei nº 4.502/64 “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Compulsando os autos, verificase que assiste razão à autoridade fiscal ao aplicar a multa agravada. O presente caso não trata de simples dedução indevida da base de cálculo verificada pelo Fisco, tendo em vista que a própria profissional que emitiu os recibos médicos (Dra. Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho) assumiu que “vendeu recibos para várias pessoas nos anoscalendário de 2000 à 2003, tendo cobrado entre 1% e 2% do valor do recibo”, conforme declaração acostada às fls. 49 a 57. Ademais, como a matéria não foi impugnada pelo RECORRENTE, é correto entender que o serviço não foi prestado e – de fato – houve evidente intuito de fraude, devendo ser mantida a multa qualificada, no percentual de 150%. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10660.000857/200794 Acórdão n.º 2102001.328 S2‐C1T2 Fl. 115 14 Assim, o presente lançamento deve ser mantido tãosomente quanto às glosas das deduções de despesas médicas referentes à Dra. Cláudia Maria Basil Antônio Carvalho, com multa de 150%. Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções despesas médicas com o prestador Dr. Renato Batista Fonseca efetuadas pelo RECORRENTE. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11080.006831/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA
TRIBUTÁVEL
A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é
receita operacional e deve ser oferecida à tributação do PIS/Pasep.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto
apresentou declaração de voto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação do PIS/Pasep. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 11/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo referente ao 4º trimestre de 2006, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos e da inclusão, na base de cálculo, da receita de crédito presumido do ICMS. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade contestando unicamente a inclusão, na base de cálculo da exação, do valor do crédito presumido do ICMS, que não considera receita, nos termos da doutrina e da jurisprudência judicial que cita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão nº 1025.428, de 20/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Ciente desta decisão em 23/06/2010 (AR de fl. 253), a empresa ingressou, no dia 22/07/2010, com o recurso voluntário de fls. 254/261, no qual repisa os argumentos de que o valor do crédito presumido do ICMS não é receita (representa recuperação de custos). Cita doutrina e jurisprudência. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando que o valor do crédito presumido do ICMS não integre a base de cálculo do PIS não cumulativo e, consequentemente, que seja reconhecido o crédito pleiteado e glosado em face a inclusão, feita pela RFB, do referido valor na base de cálculo da exação. Sem razão a recorrente. Não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto integralmente. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006831/200743 Acórdão n.º 330200.897 S3C3T2 Fl. 271 3 Devo acrescentar, no entretanto, sobre a tributação da receita de crédito presumido de ICMS autorizado por Lei Estadual, que os dispositivos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, reproduzidos nas decisões da RFB, não deixam dúvidas de que a base de cálculo do PIS é a totalidade da receita bruta mensal auferida. A autorização legal dada pelo Estado para o contribuinte creditarse de valores presumidos de ICMS resulta, sim, em aumento patrimonial da beneficiária e, portanto, é receita operacional e, consequentemente, tributada pelo PIS. Para corroborar esse entendimento, a partir de 01/01/2009, apenas um tipo de receita de crédito presumido do ICMS ou de ISS teve a alíquota do PIS e da Cofins reduzida a zero, com a edição da Lei nº 11.945/08: são as “receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados, Distrito Federal e Municípios relativos ao ICMS e ao ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços” (art. 5º). Portanto, todas as demais receitas decorrentes de valores creditados pelos Estados, relativos a ICMS, sofrem a incidência do PIS não cumulativo, antes e depois da edição da Lei nº 11.945/08. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Acolhido o Recurso, e submetido este à apreciação deste órgão colegiado, peço licença para discordar do voto do ilustre relator. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Como bem salientado, a questão diz respeito à inclusão do fisco na base de cálculo do PIS e da COFINS dos créditos presumidos de ICMS. De acordo com as autoridades fiscalizadoras, tal benefício do ICMS seria uma receita e, como tal, deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois que se classificaria como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC no 20/1998, Lei no 9.718/98, Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003). Entretanto, vejo que este entendimento, para o caso em análise, não é adequado, eis que o crédito presumido do ICMS em análise corresponde a incentivo do Governo para a redução do custo tributário do contribuinte, em razão de subvenção para custeio ou para suprir a impossibilidade de apuração de créditos decorrentes das aquisições efetuadas pelo recorrente, seja decorrentes da denominada “guerra fiscal”, seja por desejo do legislador estadual em “descontar” do crédito valor estipulado economicamente em função de presunção da carga tributária incidente na etapa anterior da cadeia. Certo é que é crédito de ICMS, constitucionalmente não cumulativo, cuja dedução é também constitucionalmente garantida. Não é receita portanto. Vejamos: A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos2. A arrecadação de diversos tributos baseiase nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explica essa situação, quando disse que “a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendose a prevalência – para efeitos comerciais – da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia”. Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hermenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. 2 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 Fl. 300DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006831/200743 Acórdão n.º 330200.897 S3C3T2 Fl. 272 5 Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito à natureza jurídica das “receitas”. Nesse sentido, importante continuar reproduzindo os conceitos de Bulhões Pedreira, que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas. Julgo importante tecer alguns comentários de ordem contábil, como objetivo precípuo de, mais adiante, analisar juridicamente a pretensão da fazenda pública, prevalecente no Acórdão recorrido, no qual ficou decidido que os créditos presumidos deveriam ser incluídos na base de cálculo da Contribuição em epígrafe, não apenas por estarem englobadas no conceito de receita bruta, constante da Lei nº 9.718/98, mas também por não se enquadrarem nas hipóteses de exclusão, previstas de modo taxativo no art. 3º, § 2º, da referida lei. Cabível também, introdutoriamente, rememorar o disposto no Decretolei n° 1.598/77, em seus art. 6º, 7º c/c o art. 9º, norte sempre presente ao julgador que pretenda bem aplicar a legislação tributária respeitando a realidade econômica pátria: “Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.” Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. § 1º A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber. e Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (grifos nossos) A NPC nº 14, norma contábil diretiva à escrita contábil, assim conceitua o que seja “receita” : “Receita inclui somente a entrada bruta dos benefícios econômicos recebidos e a receber pela empresa em transações Fl. 301DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 por conta própria. Importâncias cobradas por conta e em favor de terceiros, tais como impostos sobre vendas, mercadorias e serviços e impostos de valor agregado, não são benefícios econômicos que fluem para a empresa e não resultam em aumentos no patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Semelhantemente, no contexto de um relacionamento como agente ou administrador, a entrada bruta dos benefícios econômicos inclui as importâncias cobradas em favor de quem outorgou os poderes para cobrar e que não resultam em aumentos no patrimônio líquido da empresa(...)” Dessa forma, no caso concreto dos créditos presumidos relacionados ao ICMS, qualquer que seja, ocorre o fato gerador do tributo, que deveria ser (e o foi) contabilizado em conta própria de resultado de exercício. Para que tais incentivos observem a legislação complementar do ICMS, no caso, dentre outras a LC n° 24/75, o ente federado “financia” o pagamento desse tributo devido, cujo saldo, quando devedor, acumulase no passivo pelo tempo previsto na legislação estadual de regência. Ao final do período, o passivo é liquidado de alguma forma, e resulta em um ganho financeiro ao contribuinte. Esse denominado “crédito presumido” pode ou não estar condicionada ao cumprimento de requisitos ou de metas, o que a distinguirá das “subvenções”. Muito embora exista tal orientação contábil, é de se observar que, no entendimento atual das autoridades tributárias, deve classificarse como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC 20/1998, Leis n° 9.718/98 e arts. 1º da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002). Sendo estas leis ordinárias, suas normas prevaleceriam sobre a classificação contábil retromencionada – esposada por Deliberação do IBRACON, norma infralegal – em respeito aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, respectivamente regidos pelos arts. 5º, II; e 59 c/c art. 69, todos da CF/88. Destarte, o “ganho” auferido por essa subvenção estaria açambarcado no conceito de receita bruta para fins contábeis. A questão que nos propomos a analisar é se as leis tributárias em comento, leis, portanto hierarquicamente superiores a atos normativos, em particular se o conteúdo dos dispositivos do art. 1º das Leis n° 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 (cujo texto reproduzimos adaptado) alcançaria esse “ganho”, o que ocorrerá se “receita” esse ganho for. Importante ab inito ressaltar que não é intenção desse julgador discorrer sobre o conceito de receita, ou se esse conceito alcançaria esse “ganho” como se receita fosse, mas objetivamente decidir se esse “ganho” é ou não receita. Negar portanto a subvenção com sendo receita. “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) é o valor do faturamento, conforme definido no caput” (adaptação nossa) A solução para a controvérsia decorrerá da análise acima, visavis as questões jurídicas e principiológicas, adiante elencadas. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006831/200743 Acórdão n.º 330200.897 S3C3T2 Fl. 273 7 A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos3. A arrecadação de diversos tributos baseiase nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explicita essa situação, quando disse que “a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores” (e porque não dizer, dos reguladores, enquanto fiadores do equilíbrio econômicofinanceiro de concessões de serviço público, no extremo) “do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendose a prevalência – para efeitos comerciais – da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia”. Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hermenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito à natureza jurídica das “receitas”. Nesse sentido, importante continuar reproduzindo, muitas vezes literalmente, os conceitos proferidos por Bulhões Pedreira, (a quem este julgador humildemente, e através desse voto, rende homenagem) que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas pátrios, em especial pelo domínio do Direito, mas também da ciência contábil e da ciência econômica. Para ele, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. O recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contém esse valor e do respectivo direito patrimonial. O processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. O resultado positivo pode, entretanto, ser recebida sob a forma de extinção da obrigação previamente assumida pela sociedade empresária, se esta dá em pagamento bem do 3 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 Fl. 303DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 patrimônio ou serviço, compensa crédito de receita com obrigação sem pagamento, ou com pagamento inferior ao valor da obrigação extinta. Nesses casos, a aquisição da propriedade de valor financeiro, que caracteriza esse resultado positivo, para o autor, ocorre depois de adquirido o direito patrimonial que confere poder sobre o bem que tem valor financeiro: o valor cuja propriedade é adquirida já se encontrava no ativo da sociedade empresária como capital de terceiros (correspondente a obrigação do passivo exigível). Sobre esse capital a sociedade exercia apenas poder de usar e a extinção da obrigação e transfere para a sociedade empresária a propriedade desse capital. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Importante ressaltar, também, a influência das receitas nos resultados das empresas. Resultado da sociedade empresária é a conseqüência financeira do seu funcionamento, ao exercer as atividades próprias das funções econômicas que desempenha. A sociedade empresária é subsistema do grupo social da empresa, mas os conceitos de resultado da empresa e da sociedade empresária são essencialmente diferentes a) resultado da empresa é renda (econômica) produzida é o output líquido da empresa, que consiste em bens econômicos; e b) resultado da sociedade empresária é renda financeira é input líquido da sociedade empresária, que consiste em ganho financeiro. Esses dois conceitos são analisados com muita propriedade por Bulhões Pedreira. Para esse autor, o conhecimento acerca de dois conceitos são necessários para qualquer análise relacionada à resultado, e por conseguinte da receita. Distingue ainda o autor a renda efetivamente produzida do que decorre de trocas externas: a) Renda Produzida o efeito da atividade da empresa, para o autor, é renda produzida, medida pelo valor dos bens econômicos que cria: é o resultado líquido da produção – a diferença entre o valor dos bens produzidos e dos destruídos ou desgastados no processo produtivo b) Trocas Externas a empresa é sistema aberto, de acordo com o autor, que exerce a função de produzir bens econômicos mediante trocas com o ambiente: (a) importa serviços de recursos ( humanos, naturais e de capital) e produtos de outras empresas (bens de capital, matériasprimas e demais insumos), entregando em troca moeda; e (b) exporta os produtos que cria (bens econômicos materiais ou imateriais), recebendo em troca moeda. Os objetos trocados pela empresa com seus ambientes podem ser classificados em duas categorias: uma, que compreende serviços produtivos e produtos, a que o autor se refere como “serviços” (porque os produtos são fontes de serviços) e outra que abrange apenas moeda. E, conforme o sentido do deslocamento dos serviços e da moeda, as trocas externas da empresa são de duas espécies: de importação de serviços, nas quais recebe serviços e entrega moeda, e de exportação de serviços, nas quais entrega serviços e recebe moeda. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006831/200743 Acórdão n.º 330200.897 S3C3T2 Fl. 274 9 Duas são, portanto, as relações inputoutput que a empresa mantém com seu ambiente: uma de serviços ( importa e exporta serviços) e outra de moeda ( importa e exporta moeda). A relação principal é a de serviços, pois seu fim é criar bens econômicos: a relação inputoutput de moeda é instrumental – a moeda é meio para facilitar as trocas de serviços. Prossegue Bulhões Pedreira, distinguindo e classificando os fluxos econômicos (e contábeis) da atividade empresarial. a) Transformação Interna a atividade da empresa compreende, para o autor, além de trocas externas, o processo interno de transformação em novos bens econômicos dos serviços produtivos e produtos importados do ambiente. Esse processo – que não implica trocas com exterior, mas ocorre no interior da empresa – é alimentado por fluxos de serviços produtivos, de produtos importados o ambiente e de serviços originários dos recursos naturais e de capital que compõem a empresa. b) Fluxos de Serviços de Moeda para o autor, a visão de conjunto das trocas externas e da transformação que ocorre no interior da empresa nos leva a descrever o efeito da sua atividade como dois fluxos coletivos (ou conjuntos de fluxos singulares) em sentidos opostos – um de serviços e outro de moeda: b.1) o fluxo de serviços entra na empresa sob a forma de serviços produtivos ou produtos, a atravessa enquanto os serviços são transformados, e sai sob a forma de bens econômicos exportados; b.2) o fluxo de moeda entra na empresa nas trocas de exportação de bens econômicos e sai nas de importação de serviços e produtos. Não houve, no caso concreto, transformação interna ou fluxo de serviços ou de moeda. Não houve renda produzida ou trocas externas, há uma recuperação do valor anteriormente perdido como custo, ao seu patrimônio. Disso podemos preliminarmente concluir que eventual resultado auferido pela contribuinte decorrente da transferência de recursos do ente público para o privado, independentemente da forma adotada para tanto, a subvenção, independentemente da espécie, não poderia ser considerada como “receita” tributável. Adicionalmente, é sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. Do contrário, resulta o ICMS a Pagar De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, 6ª edição, página 334, “o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, Fl. 305DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 ou para serem revendidas.” Prossegue, “por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador.”. Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil será sempre o valor do “débito” do ICMS, sem que seja cotizado com os “créditos” decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram “débitos” de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e pela COFINS, está no preço da mercadoria pago pelo contribuinte. Os créditos serão ativo seu, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que o ganho decorrente da realização do ativo, ou da baixa do passivo seria receita, seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil, e consequentemente jurídico, à vista do Decretolei n° 1.598/77. Assim, em verdade, tal operação não transitou, ou pelo menos não deveria, em contas de resultado, e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial. Ora, apenas se houvesse algum efetivo ganho nesta operação (e ainda assim discutível, se de natureza financeira ou não) é que se poderia cogitar em receita, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Latorraca afirma que “as isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparamse às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário”. Quanto ao art. 33 da Lei n° 4.506/64, afirma o doutrinador que este fora revogado pelo decretolei n° 1.598/77. Conseqüentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não mais poderiam ser consideradas receitas operacionais. Resumindo, para Bulhões Pedreira, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. O recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contém esse valor e do respectivo direito patrimonial. O processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Tenho que, no caso em epígrafe, é patente a condição de subvenção para custeio, o que difere de recuperação de custo, não se configurando em receita. De qualquer forma, ainda que o fosse, não poderia ser tributado pelo PIS e pela COFINS, pois se trataria de recuperação de custos e despesas, os quais são excluídos da base de cálculo das referidas contribuições, nos termos da legislação que rege a matéria. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006831/200743 Acórdão n.º 330200.897 S3C3T2 Fl. 275 11 Além disso, o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, ao tratar do assunto quanto ao imposto de renda, assim dispõe: “Regulamento do Imposto de Renda – Decreto no 3.000/99 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Está explícito que é a própria legislação ordinária que possibilita ao contribuinte a contabilização das subvenções em contas de patrimônio líquido, o que resta claro que elas não podem ser igualadas a receitas, como intenta o Fisco. Aliás, este nada mais parece querer do que adotar essa classificação para justificar, digase indevidamente, o seu intento de glosa. E como se os argumentos até aqui apontados já não fossem suficientes, constato que a tese defendida pela autoridade fiscalizadora decorre de ter a mesma entendido que não foi incluído o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Contudo, a operação em questão é meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. Assim, não há que se falar em receita. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de débitos supera os de créditos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Pagar. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS e COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário interposto, para reformar a v. Acórdão recorrido, para excluir da base de cálculo do PIS os valores auferidos a título de crédito presumido de ICMS. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 307DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Gileno Gurjão Barreto Fl. 308DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10980.006253/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Se a acusação fiscal estiver claramente descrita e legalmente fundamentada propiciando o contribuinte se defender amplamente, e se este não demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato supostamente viciado, não há que se falar em nulidade na constituição da exigência.
AUDITOR FISCAL. DESNECESSIDA DE REGISTRO PROFISSIONAL.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF Nº 8)
DESPESAS MÉDICAS. GASTOS COM STENTS.
Os gastos com stents somente são dedutíveis, desde que integrem a conta emitida por estabelecimento hospitalar ou pelo profissional da área de saúde.
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Não tendo o
contribuinte apresentado os comprovantes referentes às despesas declaradas,
é de se manter a glosa efetuada.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC.
A multa de ofício aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios.
Numero da decisão: 2201-000.977
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria negar provimento ao
recurso. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se a acusação fiscal estiver claramente descrita e legalmente fundamentada propiciando o contribuinte se defender amplamente, e se este não demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato supostamente viciado, não há que se falar em nulidade na constituição da exigência. AUDITOR FISCAL. DESNECESSIDA DE REGISTRO PROFISSIONAL. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF Nº 8) DESPESAS MÉDICAS. GASTOS COM STENTS. Os gastos com stents somente são dedutíveis, desde que integrem a conta emitida por estabelecimento hospitalar ou pelo profissional da área de saúde. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Não tendo o contribuinte apresentado os comprovantes referentes às despesas declaradas, é de se manter a glosa efetuada. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. A multa de ofício aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios.
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Se a acusação fiscal estiver claramente descrita e legalmente fundamentada propiciando o contribuinte se defender amplamente, e se este não demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato supostamente viciado, não há que se falar em nulidade na constituição da exigência. AUDITOR FISCAL. DESNECESSIDA DE REGISTRO PROFISSIONAL. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF Nº 8) DESPESAS MÉDICAS. GASTOS COM STENTS. Os gastos com stents somente são dedutíveis, desde que integrem a conta emitida por estabelecimento hospitalar ou pelo profissional da área de saúde. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Não tendo o contribuinte apresentado os comprovantes referentes às despesas declaradas, é de se manter a glosa efetuada. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. A multa de ofício aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 26/30), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, na qual se apurou crédito tributário total no valor de R$ 51.215,73, calculados até fevereiro de 2007. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou dedução indevida a título de contribuição a previdência privada/Fapi e dedução indevida de despesas médicas. Cientificado do lançamento em 08/05/2007 (fl. 108), o autuado apresenta Impugnação em 01/06/2007, fls. 01/22, e documentos de fls. 23/80, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Preliminarmente, em face da disposição do inciso III do art. 151 do CTN, argúi a suspensão de exigibilidade do crédito tributário e impossibilidade de inscrição em dívida ativa. Também em sede preliminar, pugna pela nulidade do lançamento, dizendo não terem sido observados os requisitos do art.10, caput, III e IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Aduz que o Auditor Fiscal não tem competência para impor penalidades, mas tãosomente fiscalizar a arrecadação tributária, nem proceder ao exame da escrituração contábil e fiscal de contribuintes, posto que não comprovada a habilitação junto ao Conselho Regional de Contabilidade. Que os fatos foram expostos de forma sintetizada, com citação aos artigos infringidos, mas sem a descrição dos seus teores. A respeito, cita jurisprudência administrativa. No mérito, em relação à contribuição à previdência privada/Fapi, diz anexar comprovantes de R$ 30.122,25, observando que R$ 3.000,00 do BRADESCO VIDA Fl. 155DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.006253/200739 Acórdão n.º 220100.977 S2C2T1 Fl. 2 3 E PREVIDÊNCIA, que não haviam sido declarados, foram acatados pela fiscalização, mas não o foram, injustificadamente, R$ 10.000,00 da COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL, que esclarece ter declarado erroneamente no valor de R$ 15.000,00. Quanto à contribuição de R$ 20.000,00 ao HSBC SEGUROS, alega que não se recorda dos fatos, suscitando hipóteses de pagamento, compensação ou mesmo equivoco, razão pela qual requer que as informações sejam obtidas por meio de ofício junto à instituição. No que se refere às despesas médicas, defende o direito de deduzir o custo de aquisição de Stent, discorrendo sobre os benefícios de sua utilização e sobre o seu quadro clínico, com “infarto agudo do miocárdio em parede ínferoânterolateral”, que o fizeram submeter à técnica de “angioplastia com implante de stent”. Nesse sentido, sustenta que a aquisição e implantação de stents ocorreu com a finalidade única de tratamento de saúde/médico, pugnando para que se dê relevância à destinação, independentemente de a aquisição constar ou não da conta emitida pelo hospital, que informa haver sido quitada pelo plano de saúde (UNIMED), que não estendeu sua cobertura àquela despesa. Sob a consideração de que a aquisição constituiu despesa médica e hospitalar, alega haver amparo legal para a dedução, à luz do art. 80 do RIR/1999, transcrevendo informação da própria Receita Federal acerca de despesas médicas dedutíveis. Adicionalmente, faz analogia dos stents com a dedução de “aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias”, argüindo que a Receita Federal admite a dedução de despesa com marcapassos. Quanto à matéria, requer prazo de trinta dias para juntar o prontuário hospitalar, que entende ser relevante para a comprovação dos fatos. Quanto à glosa de despesa com a UNIMED de ELIN TALLAREK DE QUEIROZ, argumenta que teria o direito à dedução por se tratar de cônjuge, com a qual é casado em regime de comunhão universal de bens, tratandose de “encargo de família”. Aduz que o cônjuge, não obstante tenha apresentado declaração em separado, não deduziu as despesas do plano de saúde UNIMED. Cita, em complemento, orientação da Receita Federal, que permitiria a dedução. Acerca da glosa de despesa médica relativa à AMIL, no valor de R$ 1.636,85, alega que não se recorda com exatidão dos fatos, sugerindo que possa ser despesa do cônjuge, que não conseguiu obter junto à AMIL, razão pela qual requer que seja a empresa oficiada a prestar informações. Acrescenta que às despesas do cônjuge aplicamse os mesmos argumentos antes expostos. No que se refere à cobrança de multa e juros, suscita ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco, de que trata o art. 150, IV, da Constituição Federal, combinado com o direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF). Defende a limitação da multa a 2%, citando o art. 52 do Código de Defesa do Consumidor, bem como dos juros a 1% ao mês, segundo o CTN, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Afirma que não há liame legislativo entre os valores pretendidos e a exigência efetuada, acrescentando que deve ser expurgada a capitalização, reduzindo a multa e os juros aos índices legais. A seguir, discorre sobre a imprestabilidade da taxa Selic como juros de mora de débitos tributários, aduzindo que se trata de índice relacionado à política monetária, embutindo fatores como risco, corretagem e custo de outros serviços financeiros, implicando vantagem econômica ao fisco, em ofensa a princípios constitucionais como o da moralidade, da vedação ao enriquecimento ilícito e do nãoconfisco. Suscita violação ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I, CF), questionando a validade da Lei nº 9.250, de 1995, em face do status de lei complementar do CTN, cujo art. 161, § 1º, dispõe sobre juros de mora de 1% ao Fl. 156DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 mês. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e questiona o fato de ser a taxa Selic estabelecida pelo próprio credor (Banco Central), em patamares superiores permitidos aos particulares cobrarem. Adicionalmente, alega que a cobrança incorre em anatocismo, vedado pelo Decreto nº 22.626, de 1933 (Lei de Usura) e objeto da Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal. Ao final, faz síntese do pedido, protestando, ainda, pela produção de todos os meios de prova admitidos, juntada de documentos, além de prova testemunhal e pericial que se fizerem necessárias. A 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil detém competência outorgada por lei para realizar a fiscalização e efetuar o lançamento de crédito tributário relativo a imposto administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovada parte das contribuições à previdência privada/Fapi que foram objeto de glosa fiscal, há que se restabelecer a dedução correspondente. AQUISIÇÃO DE STENT. INDEDUTIBILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, deduzir da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, a título de despesas médicas, o valor pago na compra de stents. NÃODEPENDENTE. DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE. A dedução a título de despesas médicas está restrita a pagamentos efetuados em relação ao próprio contribuinte e a seus dependentes. DEDUÇÕES. COMPROVANTES. ÔNUS DA PROVA. INTIMAÇÃO DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Compete ao contribuinte comprovar as deduções da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física que pretendeu efetuar, descabendo à Administração Tributária intimar terceiros com o fim de substituir a parte interessada no seu dever probante. Lançamento Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 12/08/2009 (fl. 118), Luiz Fernando de Queiroz apresenta Recurso Voluntário em 09/09/2009 (fls. 119/138), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.006253/200739 Acórdão n.º 220100.977 S2C2T1 Fl. 3 5 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Antes de adentrarmos no mérito da questão deve ser analisada a preliminar de nulidade suscita pelo recorrente e que diz respeito à legitimidade da autoridade fiscal para constituir a exigência. Em linhas gerais alega o suplicante que “... o Auto de Infração sob exame foi elaborado por Auditor Fiscal, no entanto, os agentes fiscais não têm competência para impor penalidades, mas tãosomente para fiscalizar a arrecadação tributária (...) posto que não foi comprovada a habilitação junto ao Conselho Regional de Contabilidade”. Além do mais, assevera o recorrente “... não obstante, indentificase que o Auditor Fiscal limitouse a expor os fatos de forma bastante sintetizada, bem como apenas citou os artigos infringidos, não descrevendo o teor dos mesmos.” De pronto, sem querer ser repetitivo, peço vênia para reproduzir os fundamentos do voto condutor do julgamento de primeira instância, quando discorreu sobre a preliminar suscitada pelo contribuinte em sua Impugnação: No caso não obstante o impugnante suscite o contrário, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, a competência para o lançamento é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme disposição do art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (…)” Nesse sentido, o AuditorFiscal é a autoridade administrativa competente para exercer a atribuição de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Parágrafo único A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Grifouse). Assim, não se vislumbra suposta restrição para impor penalidades ou relacionada à falta de habilitação junto ao Conselho Regional de Contabilidade, sobretudo em face dos arts. 194 e 195 do CTN, que, tratando da Administração Tributária e especificamente da atividade de fiscalização, dispõem: “Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. (…) Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais, ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos.” (Grifouse). Descartase, portanto, qualquer restrição à atividade fiscal, posto que o lançamento está voltado à revisão da declaração de ajuste anual de pessoa física, competência privativa da autoridade fiscal. (...) No caso concreto, também não se constata suposta irregularidade no tocante à descrição dos fatos e no enquadramento legal. A descrição dos fatos, pela fiscalização, identifica, com clareza, a motivação do lançamento, mesmo porque de extrema simplicidade. Basta a sua leitura, à fl. 27, para constatar que a autuação se refere à dedução indevida a título de contribuição à previdência privada/Fapi, por falta de comprovação de valores declarados, e à dedução indevida a título de despesas médicas, parte por falta de previsão legal para deduzir as despesas associadas à nota fiscal da INVASIVE IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE PRODUTOS MÉDICOS, parte por se referir a despesa de terceiro e parte por falta de comprovação. Da mesma forma, no que tange ao enquadramento legal, não se constata a necessidade de reparos no lançamento. Os dispositivos que fundamentam a exigência encontramse identificados à fl. 27, tratando das deduções passíveis de serem efetuadas em relação à base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física, que, cotejados com os fatos narrados, não necessitariam de descrição de teor para que fossem compreendidos pelo contribuinte autuado. Isto posto, in casu, não se constata a ocorrência de nenhuma irregularidade na constituição da exigência. O lançamento em comento foi levado a efeito por autoridade Fl. 159DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.006253/200739 Acórdão n.º 220100.977 S2C2T1 Fl. 4 7 competente e concedido ao contribuinte o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, pela oportunidade de apresentar, tanto da fase de instrução do processo, quanto na fase de impugnação e recurso, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar ilidir as infrações apuradas pela fiscalização. Ademais, se observa do Auto de infração constante às fls. 26/31, que são mencionados os dispositivos legais infringidos e na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", fl. 2, o conteúdo da autuação está especificado detalhadamente no campo 7. Verifica se, também, que o recorrente ao contestar o lançamento, tanto em sua Impugnação, quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciado no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência E. Carf. E, em arremate, convêm citar a Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Assim, pelo exposto, não merece ser acolhida à suscitada preliminar de nulidade. Passamos, então, à análise das questões de mérito. Segundo se colhe dos autos, o lançamento é decorrente glosa efetuada pela fiscalização referente à dedução indevida de contribuição à previdência privada/Fapi e dedução indevida a título de despesas médicas. A autoridade julgadora de primeira instância restabeleceu a dedução relativa à contribuição para Companhia de Seguros Minas Brasil, no valor de R$ 10.000,00, conforme extrato de fl. 48. Quanto à suposta contribuição de R$ 20.000,00 ao plano de previdência do HSBC Seguros, como o recorrente não apresenta prova de sua ocorrência, não há como deduzi la da base de cálculo do imposto de renda. Em relação à glosa efetuada pela autoridade fiscal, relativa à aquisição de stents, conforme bem apontado pelo julgamento a quo, não existe previsão legal para sua dedutibilidade isoladamente, posto que as hipóteses de isenção estão expressamente previstas em lei, conforme preceitua o inciso II do art. 111 do Código Tributário Nacional (Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção). Por outro lado, para que se possa deduzir o stents é condição necessária que o aparelho faça parte da conta hospitalar ou, então, que seja parte da conta emitida pelo profissional médico, pois o referido aparelho submete à regra geral que veda, por exemplo, a dedução de remédios adquiridos em farmácia ou aparelhos marcapassos, conforme entendimento existente no Perguntas e Respostas IRPF/20031, abaixo transcrito: 338 — Marcapasso é dedutível? Sim, desde que o seu valor esteja incluído na conta hospitalar ou na conta emitida pelo profissional. 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2003/Perguntas/DeducoesDespMedicas.htm Fl. 160DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Ressaltese, ainda, que o stents embora tenham claramente a função de recuperar a saúde, não podem ser deduzidos para fins do imposto de renda da pessoa física, a menos que, repise, façam parte da conta hospitalar, quando, então, é permitida a dedução. Destarte, a pessoa jurídica Invasive Importação e Comércio de Produtos Médicos Ltda, fornecedora do stents (fl. 50), não é estabelecimento hospitalar, razão pela qual não se pode admitir como dedução de despesa médica os pagamentos efetuados diretamente ao fornecedor do equipamento, por falta de previsão legal. Quanto à glosa de despesa médica paga a UNIMED relativa ao cônjuge, Elin Tallarek de Queiroz, como a mesma não é dependente do recorrente para fins de imposto de renda, não há como considerála. Ademais, a mesma apresentou declaração em separado no modelo simplificado, conforme se colhe as fls. 68/71. Quanto às despesas médicas no valor de R$ 1.636,85, relativas ao plano de saúde com a AMIL, como o recorrente não logrou comprovar sua existência não há como restabelecêla. Por fim, a imposição da multa de 75%, ocorreu em função da previsão legal constante no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios. E, em arremate, convém citar a Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 161DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.004871/2006-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples — Inclusão com data Retroativa.
Ano-calendário: 2005 e 2006
Ementa: SIMPLES — INCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE —
Comprovada a ocorrência de erro de fato, deve o Delegado da Receita
Federal retificar de oficio a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a
inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das
Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção
inequívoca de o contribuinte aderir a , nos termos do Ato
Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 2 de outubro de 2002.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES POR ATIVIDADE IMPEDIDA. A
exclusão do Simples Federal, de oficio, por atividade impedida, segundo
dispunha o parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF n°
608/2006, dar-se-á mediante Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal
da Secretaria da Receita Federal, assegurado o contraditório e a ampla defesa,
observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de
que trata o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
Numero da decisão: 1103-000.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Simples — Inclusão com data Retroativa. Ano-calendário: 2005 e 2006 Ementa: SIMPLES — INCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE — Comprovada a ocorrência de erro de fato, deve o Delegado da Receita Federal retificar de oficio a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir a , nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 2 de outubro de 2002. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES POR ATIVIDADE IMPEDIDA. A exclusão do Simples Federal, de oficio, por atividade impedida, segundo dispunha o parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 608/2006, dar-se-á mediante Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
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Ano-calendário: 2005 e 2006 Ementa: SIMPLES — INCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE — Comprovada a ocorrência de erro de fato, deve o Delegado da Receita Federal retificar de oficio a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir a , nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 2 de outubro de 2002. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES POR ATIVIDADE IMPEDIDA. A exclusão do Simples Federal, de oficio, por atividade impedida, segundo dispunha o parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 608/2006, dar-se-á mediante Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. HUGO CORR A SOTE - Vice Presidente em exercício da Presidência) GERVASIO NICOLAU ECKTENVAL - Relator \;) +11•••■•7 EDITADO EM: U IteR 20 11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hugo Correa Sotero (Vice presidente em exercício da Presidência), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Jose Sergio Gomes (suplente Convocado). 2 Processo n° 10166,004871/2006-67 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.424 Fl. 2 Relatório Cuida-se de negativa pronunciada pela 4' Turma da DRJ de Brasilia a pedido de inclusão no Simples Federal, retroativo h. data da constituição (14/03/2005), efetuado pela empresa CAROL MAKE UP COSMÉTICOS LTDA. EPP, CNPJ n° 07.273.705/0001-21, o qual foi encaminhado a SRF em 31 de maio de 2006 (fl. 26), tudo conforme pedido de folha 01. Segundo se observa do pedido, a recorrente solicitou providências à Receita Federal ao observar, em maio de 2006, que a Declaração Simplificada que pretendia remeter Receita Federal via Internet, relativa ao ano calendário de 2005, estava sendo rejeitada pelo sistema de processamento, sob a critica de que a interessada não era optante do SIMPLES. Ainda, verifica-se que a interessada juntou ao referido pedido comprovação de que ate então, desde sua constituição em 14/03/2005, vinha operando como optante pelo Simples, pagando seus tributos por essa sistemática. A recorrente assegurou, também, não contrariar, desde sua constituição, requisitos que a impedissem de optar pela forma de tributação em tela. Analisado o requerimento e os documentos apensos, por parecer, a DICAT da DRF de Brasilia/DF, após confirmar que a interessada recolhia e pagava seus tributos pelo Simples desde 2005, ano da constituição (fl. 30), indeferiu o pedido por considerar "que o contribuinte não formalizou sua opção pelo Simples mediante utilização da própria Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), como prescreve o art. 16 da IN SRF 608/2006 e também não comprovou a ocorrência de erro de fato que impedira tal formalização" (fl. 30). Ainda, a DICAT ressaltou em seu parecer não ter sido "verificado se a pleiteante incorre em alguma das vedaça es descritas no art. 9' da Lei n°9.317, de 05/12/1996" (fl. 31). Prontamente, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que nos tennos do Ato Declaratório Interpretativo no 16/2002 caberia a inclusão retroativa, pois teria demonstrado desde sua constituição a intenção de participar do regime do Simples e que "um erro de fato" no preenchimento da FCPJ teria causado o problema (fl. 39). A DRJ de Brasilia, conforme o acórdão n° 03-27.992, de 20/11/2008, da 4' Turma, apesar de dar razão à recorrente quanto ao foco da controvérsia, que se concentrava na pretensa inclusão retroativa, pois entendeu estarem presentes o "erro de fato" e a "intenção inequívoca de adesão", decidiu indeferir a solicitação por uma outra razão: "as pessoas jurídicas que prestem serviço de ensino de técnicas de maquiagem não podem optar pelo Simples Federal" (fl. 54). No voto condutor ficou claro o posicionamento assumido pela DRJ. Esta, depois de reconhecer que `ficou caracterizada a ocorrência de erro de fato" (fl. 56) e depois de concordar ser "possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples", guindou-se para outro lado. Alegou que a opção não pode ser aceita por constar, dentre as atividades previstas no contrato social, "a prestação de serviços de cursos de maquiagem", atividade própria de professor, que é vedada pelo disposto no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. 3 Tempestivamente, a interessada interpôs o competente recurso voluntário (fl. 61), alegando que "a ministra ção de cursos de maquiagem, não requer do instrutor nenhuma formação académica, fato este que entende-se injusta e descabida a negativa da opção em questão" (fl. 62). Arguiu, ainda, que a Lei n° 10.034/2000 autorizou as creches, pré-escolas, estabelecimentos de ensino fundamental e centros de formação de condutores de veículos, entre outros, a aderirem ao Simples. Nessas condições, o processo foi encaminhado ao CARF, ressaltando-se que não há noticias nos autos de que a Receita Federal tivesse tomado alguma providência no sentido de constituir eventuais diferenças tributárias, tendo em vista que a empresa agia como optante efetiva do Simples desde sua constituição. O Relatório. 4 Processo n° 10166.004871/2006-67 Acórdão n.° 1103-00.424 Sl-C1T3 Fl. 3 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e foi apresentado por parte legitima. Assim, por reunir os pressupostos de admissibilidade, é conhecido. Conforme se infere do relatado, o pedido da interessada, de inclusão retroativa no Simples nos anos de 2005 e 2006, foi indeferido pela DRF de Brasilia, unicamente, pelo fato da recorrente "não ter apresentado prova de ter ocorrido erro de fato no momento da formalização da opção pelo Simples" (fl.29). Tal motivo, entretanto, foi afastado pela DRJ, que concluiu ter "ficado caracterizada a ocorrência de erro de fato" (fl. 56). Diante disso, ficou claro que a decisão recorrida entendeu ser admissivel a inscrição retroativa, ainda mais que o julgamento também aderiu ao contido no Parecer DICAT quando este disse ser "possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples", fato que se mostrou incontroverso. Conclui-se dai que a controvérsia inicial foi encerrada, tendo sido decidida favoravelmente à recorrente. Entretanto, a DRJ trouxe aos autos uma questão que sequer havia entrado na discussão inicial, isto 6, de impedimento à adesão ao Simples por exercício, pela interessada, de atividade impeditiva: "as pessoas jurídicas que prestem' serviço de ensino de técnicas de maquiagem não podem optar pelo Simples Federal" (fl. 54). Ressalte-se que tal situação sequer havia sido examinada pela DRF, tanto é que a D1CAT, destacou em seu parecer não ter sido "verificado se a pleiteante incorre em alguma das vedações descritas no art. 9" da Lei n" 9.317, de 05112/1996" (fl. 31). Também, conforme expresso no voto condutor do acórdão recorrido, resta evidente ter havido uma alteração nos assuntos originariamente postos em discussão. Isto emerge dos seguintes dizeres contidos no voto; "Não obstante superado o fundamento da DRF para o indeferimento, o fato é que a contribuinte se enquadra em uma das hipóteses de vedação a opção pelo Simples Federal, em razão de sua atividade" (fl. 56). Nesse panorama, repisando estar vencida a matéria inicial — de inscrição retroativa — decidida favoravelmente à recorrente, resta discutir neste recurso, unicamente, a possibilidade e competência da DRJ de indeferir o pleito inicial com base em elementos novos, discutíveis, não presentes na controvérsia originária, coletados pela relatoria, ou seja, "as pessoas jurídicas que prestem serviço de ensino de técnicas de maquiagem não podem optar pelo Simples Federal" (fl. 54). Creio não ser possível a inovação intentada, o que fundamento nas seguintes razões: (a) a DRJ, quando do julgamento, deve limitar-se às matérias em discussão nos autos; (b) é de competência da DRF decidir, originariamente, sobre a possibilidade, ou não, de qik 5 determinadas atividades serem admissíveis no Simples; (c) a recorrente pleiteia a inscrição retroativa apenas para os anos calendário de 2005 e 2006, pois a partir de 01/01/2007, segundo a própria DRJ, "a interessada consta corno optante pelo Simples Federal" (fl. 57); nesse viés, se não houve modificação do objeto social da recorrente, a DRF que a jurisdiciona admite, aparentemente, a atividade em foco como "não vedada"; (d) se, de direito, a recorrente optante do Simples desde sua constituição, a posterior exclusão, de oficio, não pode ser determinada por iniciativa da DRJ, mas dar-se-á, obrigatoriamente, mediante Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da Unido, de que trata o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; (e) se a empresa oferece diversas atividades (comércio varejista de brinquedos diversos, cosméticos e acessórios em geral, prestação de serviços de maquiagem para eventos e prestação de serviços de cursos de maquiagem — fls. 03/06 e 44/47) e dentre estas existe uma, possivelmente vedada, é necessário comprovar, antes da exclusão pela DRF, mediante procedimento fiscal, se efetivamente tal atividade é exercida e ainda, se tal atividade é realmente vedada. Com estas considerações, entendo deva ser validada a opção da recorrente pelo Simples Federal nos termos do pedido (fl. 01), ou seja, a partir da data da constituição da empresa, em 14/03/2005, até 31/12/2006, tendo em vista que, segundo a decisão recorrida, ficou caracterizado "erro de fato" e por estar comprovada "a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples". Por outro lado, eventual exclusão de oficio do Simples pode ser efetuada, desde que precedida por Ato Declaratório Executivo do Delegado da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona a recorrente, nos termos da legislação de regência. Ante essas considerações, DOU provimento ao recurso voluntário. GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD 6
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000027/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 20/12/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41
DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO
DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DIRIGENTE PÚBLICO AUTUAÇÃO
PESSOAL MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.880
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DIRIGENTE PÚBLICO AUTUAÇÃO PESSOAL MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontrase revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 158DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 14479.000027/200856 Acórdão n.º 240101.880 S2C4T1 Fl. 159 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 04/2002 a 12/2004, mais especificamente não informou . Destacase que o presente auto foi lavrado diretamente na pessoa do recorrente, em virtude de sua condição de dirigente de órgão público, respondendo, em função dessa condição, pessoalmente pela multa aplicada nos termos do art. 41 da Lei 8.212/91. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 25 a 26. Foi emitida DecisãoNotificação – DN, fls. 122 a 129, mantendo procedente a autuação, mas relevando a multa em sua totalidade. O recorrente não concordando com a DN emitida interpôs recurso, fl. 133 a 139 É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 151. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Tratase de auto de infração relacionado diretamente a sorte de notificações lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento, sendo que a procedência destas, determina o resultado dos autos de infração correlatos. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Para a legislação previdenciária não havia responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória imposta à pessoa jurídica de direito público. Havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, será imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.41.O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Contudo a procedência ou não do lançamento em questão encontrase prejudicada, tendo em vista que o dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, passando a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias aos próprios entes públicos. CONCLUSÃO: Fl. 161DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 14479.000027/200856 Acórdão n.º 240101.880 S2C4T1 Fl. 160 5 Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO nos termos da pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que afastou do polo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 162DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001046/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP.
Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei
1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de diferença de contribuições a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4 do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.934
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; II) declarar a decadência até a competência 12/2001, inclusive do 13º salário de 2001; e III) no mérito, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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E EXPORTADORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP. Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 179DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de diferença de contribuições a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; II) declarar a decadência até a competência 12/2001, inclusive do 13º salário de 2001; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 180 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 37.033.5422, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e prólabore dos sócios. O lançamento compreende competências 07/2001, 11/2001 a 13/2001, 02/2002 a 04/2002, 13/2002, 03/2003 a 07/2003 e 11/2003 a 10/2005, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP: Informou, ainda em relatório fiscal, que a empresa a CIA DE CIMENTOS DO BRASIL, CNPJ N° 10.919.934/000185, responde solidariamente pelos débitos apresentados neste relatório por fazer parte do grupo econômico CIMPOR, fazendo parte deste grupo a CIMENTO BRUMADO S/A, sendo suas unidades adquiridas da empresa LAFARGE através de contrato de compra/venda apresentado à fiscalização. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/09/2006. Contudo, tendo sido encaminhado por AR, a primeira tentativa deuse em 10/11/2006, tendo retornado sem cientificação e só possível dar ciência no dia 04/01/2007. .Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 54 a 70 . Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência parcial do lançamento, conforme fls.136 a 143. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls138 a 161 . Alega em síntese: 1. Nulidade da DN pela falta de enfrentamento de todas as questões suscitadas. 2. Sustenta a ilegalidade da notificação fiscal pois o período de 07/2001 a 01/2002 já foi atingido pela decadência qüinqüenal, como dispõe o artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional/CTN; 3. Alega a nulidade da notificação por cerceamento do direito de defesa, pois não foram indicadas precisamente a disposição legal infringida, a penalidade aplicada, as provas em que se baseou a acusação, não havendo indicação do percentual da multa aplicada no Discriminativo do Débito, sendo que a única multa aplicável seria no percentual de 30%, não sendo fornecidos ao contribuinte todos os elementos da acusação para possibilitar a ampla defesa; 4. Sendo exigido cumulativamente juros de 1%, multa e taxa Selic, sendo assentado na jurisprudência que tal cobrança é confiscatória, sendo inconstitucional o lançamento por Fl. 181DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 cumular três verbas de caráter moratório que somadas representam 70% do valor do débito eainda porque o Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da taxa Selic; 5. Argúi a inconstitucionalidade da cobrança de contribuição sobre autônomos uma vez que pelo artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, as contribuições só podem incidir sobre a folha de salários, não se incluindo nesta os valores pagos a titulo de pro labore, sendo declarada a inconstitucionalidade da expressão autônomos do artigo 3 0, inciso I, da Lei no 7.787/89 e a Lei Complementar n° 84/96 ofende o artigo 154, inciso I, da Constituição, por conter base de cálculo idêntica à do Imposto de Renda na Fonte e Imposto sobre Serviços, havendo ainda ilegalidade no lançamento suplementar pois a maioria dos serviços prestados, o foram por intermédio de pessoas jurídicas e por empresas individuais; 6. Aduz que as contribuições para o Seguro de Acidentes do Trabalho, Salário Educação, Incra, Sebrae, Sesi/Senai, Sesc/Senac, Sest/Senat, exigidas pela fiscalização afrontam os artigos 195, inciso I, § 4°, e artigo 154, ambos da Constituição Federal, sendo inconstitucionais, o que torna a Notificação improcedente; 7. Requereu ao final a nulidade da notificação fiscal por cerceamento de defesa ou sua improcedência, cancelando o lançamento por ser manifestamente ilegal. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho, para julgamento. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 181 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 164. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE DO LANÇAMENTO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou por ausência de fundamentação. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD, sendo que a fundamentação encontrase dividida por períodos, justamente para facilitar as hipóteses de aplicação em relação a cada contribuição e fato gerador. NULIDADE DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Também não merece guarida os argumentos de que a autoridade fiscal não enfrentou devidamente os fatos trazidos na impugnação. Da leitura da DN podemos identificar que a autoridade julgadora enfrentou devidamente os pontos trazidos, seja a decadência ou inconstitucionalidades apontadas. Contudo, o fato de não ter acatado os argumentos suscitados não enseja nulidade, posto que de maneira global foi oportunizado o contraditório. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 182 7 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo Fl. 185DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento Fl. 186DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 183 9 antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência Fl. 187DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 188DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 184 11 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, recolhimento de contribuições, inclusive sendo apropriadas contribuições, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado deuse em 27/09/2006, tendo a cientificação ocorrido no dia 04/01/2007.. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/2001, 11/2001 a 13/2001, 02/2002 a 04/2002, 13/2002, 03/2003 a 07/2003 e 11/2003 a 10/2005, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 12/2001, inclusive 13/2001. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 DO MÉRITO PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 265. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa ou falta de definição clara dos fatos geradores que ensejaram o lançamento. Destacase como passos necessários a realização do procedimento fiscal: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, bem como os documentos pertinentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, bem como detalhado todos os fatos geradores, segurado a segurado, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD. Ademais, tratase de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Portanto, não há que se falar que não foi possível identificar os fatos geradores para proceder a defesa. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os Fl. 190DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 185 13 fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento GFIP, resumindose a alegar nulidades e a inconstitucionalidade das diversas contribuições apuradas no presente lançamento. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto a folha, contribuintes individuais, o SAT, SEBRAE, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SELIC E MULTA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exisgências previstas na Lei n ° 8.212/1991, bem como no Decreto 3.048/99. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, à título de reforço, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este 2º Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula nº. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Contudo, observase que no lançamento em questão, a autoridade fiscal, cumpriu todos os dispositivos da legislação previdenciária que abarcam a matéria. QUANTO AO SAT Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). Fl. 192DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 186 15 A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a Fl. 193DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo Fl. 194DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 187 17 cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Fl. 195DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3º do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1º da Constituição Federal pelo já exposto. QUANTO AO INCRA Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n ° 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. QUANTO AO SEBRAE Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) QUANTO A TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Fl. 196DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 188 19 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. QUANTO A MULTA MORATÓRIA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, Fl. 197DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 198DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001046/200766 Acórdão n.º 240101.934 S2C4T1 Fl. 189 21 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF, aprovadas nas sessões do Pleno em 08/12/2009 e 29/11/2010 (Portaria CARF nº 49 de 01/12/2010) com os correspondentes acórdãos paradigmas, enfatizandose as súmulas vinculantes, aprovadas pela Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010, senão vejamos: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade da NFLD e da decisão de primeira instância, excluir do lançamento face a aplicação da decadência quinquenal as contribuições até 12/2001, inclusive 13/2001 e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 199DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Fl. 200DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000539/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIA.
IN SRF N.º 84/01. INTELIGÊNCIA.
De acordo com o caput do art. 17 da IN SRF n.º 84/2001, podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que cumpridos, cumulativamente, os seguintes requisitos: (i) comprovados mediante documentação hábil e idônea e (ii) incluídos na declaração de bens e direitos do alienante, muito embora, quanto a este último requisito, possam ser aceitos, excepcionalmente, valores devidamente comprovados que não tenham sido declarados.
IRPF. GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO.
NÃO INCIDÊNCIA.
“Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação” (Súmula CARF n. 42).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-001.109
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir para efeitos da composição do custo de aquisição os seguintes valores: (i) R$ 231,53, a título de taxa paga ao CREA (fl. 472, após
remuneração, relativa aos lotes 7 e 9 do Parque Francisco Alves Machado; (ii) R$ 2.626,00, a título de honorários pagos pela corretagem (fl. 470), relativos aos lotes 7 e 9 do Parque
Francisco Alves Machado; (iii) R$ 28.331,00, a título de terraplenagem, construção de muros e calçamentos, incorridos com relação aos lotes n.os 06, 08 e 13 do Bairro da Glória; e (iv) R$
10.000,00, para cada um dos lotes 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20 do Parque Francisco Alves Machado, bem como excluir da tributação o ganho de capital relativo ao lote n. 21, quadra F, da Granja dos Cavaleiros, em virtude da aplicação da Súmula CARF n. 42.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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GANHO DE CAPITAL. VALOR DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIA. IN SRF N.º 84/01. INTELIGÊNCIA. De acordo com o caput do art. 17 da IN SRF n.º 84/2001, podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que cumpridos, cumulativamente, os seguintes requisitos: (i) comprovados mediante documentação hábil e idônea e (ii) incluídos na declaração de bens e direitos do alienante, muito embora, quanto a este último requisito, possam ser aceitos, excepcionalmente, valores devidamente comprovados que não tenham sido declarados. IRPF. GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. “Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação” (Súmula CARF n. 42). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir para efeitos da composição do custo de aquisição os seguintes valores: (i) R$ 231,53, a título de taxa paga ao CREA (fl. 472, após renumeração), relativa aos lotes 7 e 9 do Parque Francisco Alves Machado; (ii) R$ 2.626,00, a título de honorários pagos pela corretagem (fl. 470), relativos aos lotes 7 e 9 do Parque Francisco Alves Machado; (iii) R$ 28.331,00, a título de terraplenagem, construção de muros e calçamentos, incorridos com relação aos lotes n.os 06, 08 e 13 do Bairro da Glória; e (iv) R$ 10.000,00, para cada um dos lotes 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20 do Parque Francisco Alves Fl. 411DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 555 2 Machado, bem como excluir da tributação o ganho de capital relativo ao lote n. 21, quadra F, da Granja dos Cavaleiros, em virtude da aplicação da Súmula CARF n. 42. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 531/541) interposto em 16 de julho de 2009 (fl. 531) contra acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) (fls. 516/524), do qual o Recorrente teve ciência em 16 de junho de 2009 (fl. 530), que, por maioria de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 221/223, lavrado em 30 de junho de 2004, em decorrência de falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital, referente à alienação de bens imóveis, verificada no anocalendário de 2001. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. Podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que, além de comprovados com documentação hábil e idônea, tenham sido incluídos na declaração de bens e direitos do alienante. Fl. 412DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 556 3 GANHO DE CAPITAL. DATA DA ALIENAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. Assim, a alegação apresentada de que a data de recebimento do preço de venda não é aquela constante do documento público deve ser acompanhada de prova robusta e concreta que não suscite quaisquer dúvidas acerca da forma como a operação se efetivou. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 516). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 531/541, trazendo, em síntese, os seguintes argumentos, corroborando os já ventilados em sede de impugnação: a) Com relação à Chácara n.º 15 – Parque Francisco Alves Machado: a.1) lote de n.º 07 e 09: não concorda com a exclusão de dedução de despesas com cópias reprográficas, aquisição de colchões e taxa recolhida ao CREA, referindose, na verdade, a dispêndios com construções, amoldandose, portanto, ao art. 17, I, “a”, da IN SRF n.º 84; afirma, ainda, que o rol contido nesse dispositivo não é taxativo, como se vê do inciso “h”; foi erroneamente excluída a despesa com corretagem (fl. 468), porquanto há expressa previsão legal, no inciso “c”; devem ser aceitos os documentos rejeitados por não conterem a discriminação da pessoa física compradora ou a data de sua emissão. Subsidiariamente, deve ser considerado o valor constante na certidão expedida pelo Cartório do 2° Oficio de Macaé, quando da averbação da referida construção; a.2) lote de n.º 04: em 2000 foi celebrada promessa particular de compra e venda do imóvel, tendo sido ajustado que a parte remanescente do valor avençado seria paga no momento de lavratura da escritura de compra e venda, o que ensejaria o pagamento de outro DARF, motivo pelo qual o valor principal foi pago em 2000, e devidamente declarado em 2001, e a parte remanescente em 2001; a.3) lotes de n.º 06 e 08: é irrelevante a ausência de registro desses dispêndios na DIRPF; a.4) lote de n.º 13: Em relação a este imóvel, a i. Turma de Julgamento enganouse ao afirmar que não houve declaração dos custos de aquisição, incluídos aqueles atinentes a benfeitorias. b) com relação à Planilha n.º 10 – Lote n.º 21 – quadra F: novamente deve ser aplicado o entendimento de que despesas de água, luz e IPTU em atrasos podem e devem ser enquadradas na alínea "h" do artigo 17, I, IN SRF 84/01, em razão do emprego da expressão "etc.”, bem como a IN SRF 84 foi editada em momento posterior à Lei 9.532/97, deixando de exigir os requisitos formais daquela; Fl. 413DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 557 4 c) o acórdão recorrido foi omisso quanto às alegações de fls. 242/244, pugnandose pela sua análise. Acosta ao seu recurso voluntário os documentos de fls. 542/551. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão debatida nos autos se cinge à análise de ganho de capital decorrente da alienação de bens e direitos pelo Recorrente, sem que tenha havido o recolhimento de imposto de renda sobre as verbas percebidas, questionandose a matéria probatória acostada aos autos, em especial quanto (i) ao aproveitamento de dispêndios com construções para efeitos de determinação do valor de aquisição de bens imóveis e (ii) neste esteio, às hipóteses que se enquadrariam no art. 17 da IN SRF n.º 84/2001. A tributação dos ganhos de capital percebidos por pessoas físicas está disciplinada pelos arts. 1º a 3º, e 8º, caput, da Lei n.º 7.713/88, in verbis: “Art. 1º. Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. ... Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País.” Tal legislação foi sucessivamente alterada, permanecendo a mesma essência de tributação, como se depreende dos arts. 1º e 2º da Lei n.º 8.134/90; arts. 4º, 12, §1º, 52, §1º e 53, V, da Lei n.º 8.383/91; arts. 7º e 21 da Lei n.º 8.981/95 e art. 17 da Lei n.º 9.249/95, sem prejuízo do disposto pelos arts. 142 e 852 do Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). Fl. 414DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 558 5 Compulsandose os autos do recurso voluntário de fls. 531/541, percebese que diversas alegações quanto a diferentes terrenos foram feitas, cabendo analisálas individual e pormenorizadamente. 1. Chácara n.º 15 – Parque Francisco Alves Machado (i) Lotes de n.º 07 e 09: A decisão recorrida, à fl. 519, reconheceu que o Recorrente, de fato, construiu casas nos lotes de n.º 07 e 09, como se denota das certidões emitidas pelo Cartório do 2º Ofício de Macaé, juntadas às fls. 266 e 377 dos autos vertentes. Neste esteio, porém, o contribuinte se insurge quanto ao ponto da decisão recorrida que não aceitou parte das despesas apontadas como dispêndios incorridos na construção das referidas casas, porquanto limitou as despesas em R$ 15.361,84 para o lote de n.º 07 e R$ 32.305,71 para o de n.º 09. Cabe tecer, neste ponto, breves esclarecimentos no que atine ao aproveitamento de gastos com construção para incorporação ao custo de aquisição quando da aquisição de terrenos, diminuindo, portanto, a base de cálculo para apuração do ganho de capital. A legislação de regência, pois, é a Instrução Normativa n.º 84/2001, da Secretaria da Receita Federal, que conceitua, inclusive, ganho de capital como “a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição” (art. 2º). Referida instrução normativa possui dispositivo específico sobre valores tidos por computáveis como custo, qual seja, o art. 17, in verbis: “Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; Fl. 415DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 559 6 f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc.” Como se depreende facilmente do caput do art. 17 supratranscrito, as benfeitorias realizadas no bem imóvel adquirido podem ser incluídas no custo de aquisição, mas desde que cumpram os dois requisitos cumulativos estabelecidos pela norma, a saber: (i) estejam respaldados por documentação hábil e idônea e (ii) constem da declaração de ajuste anual do contribuinte, no quadro relativo aos bens e direitos. Da declaração de ajuste anual da contribuinte, conjunta com seu cônjuge, relativa ao anocalendário de 2001, presente nos autos às fls. 31/44, percebese que os bens ora examinados foram declarados nos valores de R$ 42.761,60 para o lote de n.º 07 e R$ 53.196,89 para o lote de n.º 09, tendo a decisão recorrida limitado esses valores, respectivamente, a R$ 15.361,84 e R$ 32.305,71, restando não albergadas as despesas com cópias reprográficas (fls. 388 e 472), aquisição de colchões (fls. 425), honorários pelo serviço de corretagem prestado na venda do imóvel (fl. 468)e taxa recolhida ao CREA (fls. 470). Como salientado alhures, a instrução normativa referese apenas às benfeitorias realizadas sobre o bem imóvel, sendo estas conceituadas pelo Professor Arnoldo Wald como “acréscimos feitos à coisa que lhe aumentam o valor; podem ser necessárias, úteis e voluptuárias” (WALD, Arnoldo. Direito Civil – Direito das Coisas. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 90). E prossegue o invocado autor: “São necessárias as despesas indispensáveis à conservação do objeto, incluindo não só os reparos, obras realizadas, como também os débitos pagos, por exemplo, os impostos e taxas. São úteis quando aumentam a utilidade da coisa sem ser imprescindíveis, e voluptuárias ou suntuárias quando tornam o objeto de maior valor, mais luxuoso, por exemplo, sem todavia ampliar a sua utilidade” (Idem. p. 90). De fato, segundo a definição trazida à colação acima, percebese que as taxas são enquadradas como benfeitorias necessárias, quando devidamente comprovadas. Na suscitada taxa devida ao CREA/RJ, temse que a Lei n.º 6.496/77 traz, em seus arts. 1º a 3º, a obrigatoriedade da chamada Anotação de Responsabilidade Técnica (“ART”) para todo contrato escrito ou verbal referente à execução de obras ou prestação de serviços de engenharia, arquitetura, nos seguintes termos: “Art 1º. Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART). Art 2º. A ART define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia. § 1º. A ART será efetuada pelo profissional ou pela empresa no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), de acordo com Fl. 416DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 560 7 Resolução própria do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA). § 2º. O CONFEA fixará os critérios e os valores das taxas da ART ad referendum do Ministro do Trabalho. Art 3º. A falta da ART sujeitará o profissional ou a empresa à multa prevista na alínea "a " do art. 73 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, e demais cominações legais.” A Resolução n.º 425/98, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), veio regulamentar o previsto na referida lei, sendo que o art. 8º estipula que as taxas devidas pelas ARTs são disciplinadas por resolução específica do CONFEA (“Art. 8º. Os valores das taxas devidas pelas ARTs são objetos de Resolução específica do CONFEA”). Ante o exposto, percebese que, de fato, o rol do art. 17 da IN SRF n.º 84/2001 não é taxativo, haja vista a menção na alínea “h” da palavra “etc.”, mas o gasto incorrido, para poder ser incluído no custo de aquisição, deve ser considerado como benfeitoria. Confirase, nesta senda, o seguinte julgado do então Primeiro Conselho de Contribuintes: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. IRPF GANHO DE CAPITAL É de se manter o ganho de capital auferido com a alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, quando esse ganho resulta da diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição atualizado monetariamente de conformidade com os índices previstos pela legislação de regência. GANHO DE CAPITAL BENFEITORIAS O custo das benfeitorias quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital, desde que devidamente comprovados. (§ 2° do art. 9° da IN SRF 84/01). MULTA LANÇAMENTO DE OFÍCIO ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas Fl. 417DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 561 8 obrigações fiscais.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 158.663, Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, sessão de 04/02/2009) Imperioso aceitarse, portanto, a taxa paga ao CREA, no valor de R$ 231,53 (fl. 472, após renumeração), assim como os honorários pagos a título de corretagem em virtude da aquisição do imóvel (fl. 470), no valor de R$ 2.625,00, por haver expressa previsão na alínea “c” do art. 17 mencionado alhures. O mesmo não se aplica, entretanto, às despesas com cópias reprográficas, ou ainda à aquisição de colchões, tendo em vista não agregarem qualquer valor ao imóvel, sendo impossível considerálos como benfeitorias. No que tange às notas fiscais apensadas às fls. 290 a 292, 285, 287, 288, 294, 398, 389, 398, 399, 415, 416, 418, 419, 424, 428 a 433, 435, 438, 444, 445, 447 a 451, 463 a 466, 473 a 476, 479, 480, 486, 491, 499 a 503, 506 a 510, temse que, consoante a fl. 521 da decisão recorrida, não foram aceitas pelo fato de não discriminarem a pessoa física compradora ou a data da respectiva emissão, como preceitua o art. 61 da Lei n.º 9.532/97: “Art. 61. As empresas que exercem a atividade de venda ou revenda de bens a varejo e as empresas prestadoras de serviços estão obrigadas ao uso de equipamento Emissor de Cupom Fiscal ECF. § 1º. Para efeito de comprovação de custos e despesas operacionais, no âmbito da legislação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, os documentos emitidos pelo ECF devem conter, em relação à pessoa física ou jurídica compradora, no mínimo: a) a sua identificação, mediante a indicação do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF, se pessoa física, ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC, se pessoa jurídica, ambos do Ministério da Fazenda; b) a descrição dos bens ou serviços objeto da operação, ainda que resumida ou por códigos; c) a data e o valor da operação. § 2º. Qualquer outro meio de emissão de nota fiscal, inclusive o manual, somente poderá ser utilizado com autorização específica da unidade da Secretaria de Estado da Fazenda, com jurisdição sobre o domicílio fiscal da empresa interessada.” Nesse diapasão, não pode prosperar o entendimento perpetrado pela Recorrente de que a IN SRF n.º 84/01, editada em momento posterior à referida lei, não trazia exigências dessa natureza. Isso porque, em primeiro lugar, as instruções normativas são normas hierarquicamente inferiores às leis ordinárias, caso da Lei n.º 9.532/97, motivo pelo qual sua competência se limita à interpretação da lei, sendolhe vedado legislar em sentido estrito, criando obrigações ou deixando de definir fatos como tais, sob pena de extrapolar sua competência. Além disso, compulsando seus termos, chegase à conclusão de que o caput do art. 17 fala em “documentação hábil e idônea”, remetendose necessariamente à previsão deste art. 61, sendo vedada qualquer interpretação no sentido de que a instrução normativa deixou de prever os aludidos requisitos. Por fim, é cediço que, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reporta se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que Fl. 418DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 562 9 posteriormente modificada ou revogada, motivo pelo qual é aplicável aos fatos geradores in casu o previsto na Lei 9.532/97, vigente à época dos fatos. Em virtude do exposto, não há reparos a fazer neste ponto quanto à decisão recorrida e, bem assim, com relação às Notas Fiscais às fls. 285, 287, 288 e 294, que, conforme demonstra planilha às fls. 98/99, foram consideradas para cálculo do custo de aquisição dos lotes 37 e 38 do Bairro da Glória. Por derradeiro, ainda no tocante aos lotes de n.º 07 e 09, temse que o valor da construção constante do registro imobiliário, informado quando da averbação no registro de imóveis, não deve ser aceito como prova, como sugeriu a Recorrente e rejeitado também pela decisão recorrida, porquanto a lei é clara ao estabelecer, como visto adrede, que as condições para que seja admitido são (i) informação na declaração de bens e (ii) amparo em documentação hábil e idônea. Cumpre trazer à baila, nesse exato sentido, o seguinte julgado deste 1º Conselho de Contribuintes: “CUSTO BENFEITORIA EM IMÓVEIS A aceitação dos custos das benfeitorias pela legislação tributária está condicionada à comprovação através de documentação hábil e idônea, não se admitindo o uso de custos estimados, ainda que baseados em laudos e certidões. A averbação em cartório, de benfeitoria em imóveis, mesmo baseada em laudo não dispensa a guarda da documentação que deu origem aos custos pelo prazo concedido à Fazenda Pública para rever e se for o caso homologar o lançamento. (Lei n° 5.172/66, arts. 149 e 150). ATOS CARTORIAIS FÉ PÚBLICA O tabelião quando dá fé a um documento, averbação de benfeitorias, diz respeito a conter a expressão da vontade da parte que perante ele comparece, quanto ao conteúdo, mesmo que baseado em laudo técnico, mormente em relação ao valor nela inserido, depende de comprovação, podendo ser rejeitado pela autoridade lançadora, mediante processo regular, principalmente quando os documentos que justificariam tais custos deixaram de ser apresentados à autoridade tributária e também ao tabelião.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão n.º 102 40.048, Relator Conselheiro José Clóvis Alves, sessão de 15/05/1996) (ii) Lote n.º 04: Apesar de repisar os argumentos ventilados em sede de impugnação quanto à data da venda deste imóvel, a Recorrente, à fl. 536, aduz que de fato a venda ocorreu em 14/12/2000, devidamente declarada na DIRPF relativa ao anocalendário de 2000, sendo que no anocalendário de 2001 ocorreu a lavratura da escritura definitiva de compra e venda, porquanto em atenção à promessa de compra e venda celebrada em 2000 restou acordado entre as partes que o saldo remanescente seria pago quando da lavratura da escritura. Em que pese a juntada da declaração de ajuste anual de 2001, e do respectivo DARF de recolhimento do imposto, como se infere da fl. 542, não há mudanças no panorama da situação da Recorrente, quando comparado com a decisão ora combatida. Confirase o que restou consignado pelo il. Julgador a quo: “Ressaltese ainda a existência de demonstrativo de apuração de ganho de capital na DIRPF/2002, acompanhado do recolhimento do respectivo imposto, consignando data e valor de alienação em consonância com a escritura de compra e venda (fls. 77/78). Fl. 419DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 563 10 No entanto, na tentativa de demonstrar que a data de alienação do imóvel não foi agosto de 2001, a interessada apresenta em relação ao mesmo imóvel um segundo demonstrativo de apuração em que consta 14/12/2000 como data de alienação (fl. 316), acompanhado do respectivo DARF, recolhido em janeiro de 2001.” (iii) Lotes n.º 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20 A Recorrente reitera, neste ponto, o pleito de que sejam considerados os gastos com terraplenagem, construção de muros e calçamentos para efeitos de custo de aquisição, que elevariam os valores unitários para R$ 10.000,00, totalizando R$ 70.000,00 para os sete lotes. A meu ver, merece reforma a decisão recorrida quanto a essa questão. O julgador a quo aduziu ser decorrência lógica da exegese do caput do art. 17 da IN SRF n.º 84/01 que somente podem integrar o custo de aquisição as benfeitorias que se limitem ao valor registrado na declaração de bens do alienante. Assim, a seu ver, se as benfeitorias, para serem consideradas e aceitas como tais devem constar da declaração, restaria forçoso concluir que serão aceitas tãosomente as constantes da declaração. Ora, a limitação constante do art. 17 da IN SRF n.º 84/01 não possui fundamento, essencialmente por dois motivos: (i) não há nenhum dispositivo legal que limite o custo de aquisição aos valores declarados na declaração de ajuste, portanto entendimento no sentido contrário acarreta ofensa ao princípio da legalidade; (ii) ainda que assim não fosse, interpretar a IN 84/01 no sentido de vedar ao contribuinte a comprovação efetiva dos custos de aquisição seria violar a legalidade estrita e a tipicidade, por meio da vulneração ao princípio da verdade material. Diante do exposto, restando devidamente comprovados os gastos incorridos pela contribuinte, exatamente como se deu no presente caso, fazse mister aceitálos, elevando, destarte, os valores unitários para R$ 10.000,00, totalizando R$ 70.000,00 para os sete lotes supramencionados. 2. Lotes n.º 06, 08, 09 e 13 – Bairro da Glória (i) Lote n.º 09: A Recorrente, como reconhecido pela própria decisão recorrida, recolheu em duplicidade o imposto decorrente de ganho de capital auferido na alienação deste imóvel, consoante DARFs de fls. 309 e 310. O pedido de compensação/restituição, contudo, exige via própria, qual seja, apresentação de Declaração de Compensação por meio do programa fornecido pela Receita Federal PER/DCOMP Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação, não podendo, destarte, ser apreciado nos presentes autos. (ii) Lotes n.º 06, 08 e 13: Os motivos de insurgências são os mesmos aduzidos com relação aos Lotes n.º 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20 da Chácara n.º 15 – Parque Francisco Alves Machado, portanto ressalto as considerações ponderadas anteriormente, que resultam na aceitação das notas fiscais de fls. 326 a 328, todas emitidas em 10/06/2001, no valor total de R$ 28.331,00. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 564 11 3. Lote n.º 21 – Quadra F – Granja dos Cavaleiros Com relação a este imóvel, a escritura pública de fl. 215comprova que houve desapropriação amigável, tendo a Recorrente recebido R$ 550.000,00 no ano de 2001, sendo que a fiscalização considerou como custo de aquisição o valor de R$ 274.400,00, com a adição ao valor pago pela interessada na compra do imóvel do ITBI incidente e a taxa de corretagem. Descontandose o valor recolhido, restaram R$ 4.590,00, que foram lançados, sendo que a Recorrente contesta tais montantes, pleiteando seja o custo de aquisição elevado para R$ 305.000,00. No que se refere a este aspecto, as alegações da Recorrente ficaram prejudicadas em virtude da edição da Súmula CARF n. 42, segundo a qual: “Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação” (Súmula CARF n. 42). Assim, ainda que por fundamento diverso, o recurso deve ser provido para excluir da tributação o ganho de capital decorrente da desapropriação do lote n. 21, quadra F, da Granja dos Cavaleiros, levada a efeito por meio da escritura pública de fl. 215, nos termos do Decreto Municipal n. 084/2001, 12/09/2001. Por fim, quanto à alegação de omissão do acórdão recorrido sobre o pleito de fls. 242/244, reforcese que, reconhecido o pagamento em duplicidade pelo contribuinte, a via adequada para pleitear sua restituição é a da Declaração de Compensação, não cabendo a análise nos presentes autos. No que atine à venda do imóvel situado à Rua João Alves J. Saldanha n.º 164, de fato ela se deu em 2000, e não em 2001. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para admitir para efeitos da composição do custo de aquisição os seguintes valores: (i) R$ 231,53, a título de taxa paga ao CREA (fl. 472, após renumeração), relativa aos lotes 7 e 9 do Parque Francisco Alves Machado; (ii) R$ 2.626,00, a título de honorários pagos pela corretagem (fl. 470), relativos aos lotes 7 e 9 do Parque Francisco Alves Machado; (iii) R$ 28.331,00, a título de terraplenagem, construção de muros e calçamentos, incorridos com relação aos lotes n.os 06, 08 e 13 do Bairro da Glória; e (iv) R$ 10.000,00, para cada um dos lotes 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20 do Parque Francisco Alves Machado, bem como excluir da tributação o ganho de capital relativo ao lote n. 21, quadra F, da Granja dos Cavaleiros, em virtude da aplicação da Súmula CARF n. 42. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 421DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000539/200489 Acórdão n.º 210101.109 S2C1T1 Fl. 565 12 Fl. 422DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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