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Numero do processo: 11020.000992/2002-23
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. MP N°1.110/95.
A prescrição do direito de pleitear a compensação/restituição da Contribuição para o Finsocial tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, a qual dispensa a constituição e exigência da exação declarada inconstitucional pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. Assim, a partir de 31/08/1995, conta-se 05 (cinco) anos para
o protocolo do pedido (termo final).
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.971
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. MP N°1.110/95. A prescrição do direito de pleitear a compensação/restituição da Contribuição para o Finsocial tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, a qual dispensa a constituição e exigência da exação declarada inconstitucional pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. Assim, a partir de 31/08/1995, conta-se 05 (cinco) anos para o protocolo do pedido (termo final). Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. MP N°1.110/95. A prescrição do direito de pleitear a compensação/restituição da Contribuição para o Finsocial tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, a qual dispensa a constituição e exigência da exação declarada inconstitucional pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. Assim, a partir de 31/08/1995, conta-se 05 (cinco) anos para o protocolo do pedido (termo final). Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A contribuinte em epígrafe, interpôs o presente Recurso Especial de Divergência à Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, contra decisão da extinta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que negou provimento a seu Recurso Voluntário, por reconhecer a ocorrência da prescrição do direito de pleitear a restituição. Em seu arrazoado do apelo extremo, a contribuinte alega haver divergência de interpretação quanto ao termo inicial para pleitear a restituição/compensação da Contribuição para o Finsocial pagos indevidamente em razão da inconstitucionalidade da exigência. A decisão recorrida defende a data de publicação da MP n° 1.110/95 como termo a quo para a contagem do prazo prescricional, enquanto a contribuinte alega que o prazo quinquenal de prescrição começa a fluir somente a partir da edição da MP n° 1.621-36/98. 0 recurso interposto , foi admitido pelo Despacho n.° 302-0.113, exarado pela Presidente daquela extinta Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do recurso interposto e apresentou contrarrazões As fls. 185/190, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. Subiram, por conseguinte, os autos a esta Casa para julgamento. E o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator 0 recurso especial interposto é tempestivo e, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF n° 256, de 22 de junho de 2009, preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele torno conhecimento e passo A sua análise. Conforme relatado, * o presente litígio cinge-se ao termo inicial para a contagem do prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação dos valores pagos indevidamente da Contribuição para o Finsocial em virtude da declaração de inconstitucionalidade da exação. Entendo deva ser mantida a decisão recorrida. Em relação ao direito do contribuinte de repetir o indébito tributário, vejamos o que apregoa o Código Tributário Nacional: 2 Processo n° 11020.000992/2002-23 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.971 Fl. 195 Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,art. 40 do artigo 162, nos seguintes casos: III — reforma. anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (.) — na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, .anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Pela leitura dos artigos acima transcritos, verifica-se que o legislador deu tratamento diferenciado ao caso em que o direito do contribuinte de pleitear restituição de valores pagos indevidamente decorre de situação litigiosa, isso porque o direito A repetição somente surge para o contribuinte a partir da decisão do conflito sobre a validade da exação, ou seja, o tributo somente torna-se indevido no momento em que é declarada a sua ilegalidade e dispensada sua exigência, seja por meio de declaração de inconstitucionalidade por ADI, seja por Resolução do Senado Federal ou até mesmo pelo reconhecimento da própria Administração Tributária. Por concordar corn as palavras do ex-Conselheiro José Antonio Minatel, da extinta 8 a Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exaradas em voto precursor a respeito deste tema (Acórdão CSRF n° 108-05.791), peço vênia para transcrevê-las: "0 mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a solução definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir 'do data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art. 168, II, do CT1V). Nesse contexto, o direito A. repetição do indébito somente surgiu para os contribuintes a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, momento em que foi dispensada a constituição e a cobrança de créditos tributários relativos ao Finsocial, tendo em vista a inconstitucionalidade da Contribuição ao Finsocial ter sido declarada pelo Supremo Tribunal Federal pela via de exceção, através de julgamento de Recurso Extraordinário. A MP n° 1.110/95 foi publicada em 31/08/1995, sendo, portanto o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal para requerer a restituição do Finsocial. No caso dos autos, o pedido de restituição foi protocolizado somente em 19/03/2002, quando já ultrapassado o prazo para pleitear a repetição do indébito, findado em 31/08/2000. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela contribuinte. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13003.000012/2003-15
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS COMPROBATÓRIOS.
Nos termos do art. 195 do CTN, o contribuinte deve conservar os documentos comprobatórios do seu crédito até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Presidente em exercício e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Francisco José Barroso Rios, Bruno Maurício Macedo Curi, Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Regis Xavier Holanda (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS COMPROBATÓRIOS. Nos termos do art. 195 do CTN, o contribuinte deve conservar os documentos comprobatórios do seu crédito até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Recurso Voluntário Negado.
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(sucessora de JCAE DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS COMPROBATÓRIOS. Nos termos do art. 195 do CTN, o contribuinte deve conservar os documentos comprobatórios do seu crédito até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Presidente em exercício e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Francisco José Barroso Rios, Bruno Maurício Macedo Curi, Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Regis Xavier Holanda (Presidente à época do julgamento). Relatório Na condição de Presidente da 3ª Seção do Conselho Administrativo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 00 12 /2 00 3- 15 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13003.000012/200315 Acórdão n.º 3802001.176 S3TE02 Fl. 320 2 Recursos Fiscais, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto do presente acórdão, tendo em vista que o Relator originário, Bruno Maurício Macedo Curi, não mais integra o Colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, conforme a seguir: Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão 1016.660, lavrado pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre RS, em 17 de julho de 2008, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 264): O interessado manifesta sua inconformidade contra o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS (fl. 197), que não reconheceu o direito creditório relativo ao seu pedido de ressarcimento do IPI, autorizado pelas Leis n° 9.779/99 e 9.286/99 e referente ao 4° trimestre de 2001, no valor de R$ 259.037,94, encartado na fl. 02, e não homologou as compensações declaradas nos autos às fls. 01, 79, 84 e 87 com base no referido crédito. 2. O Despacho Decisório louvouse na Informação Fiscal, de fls. 182/185, que constatou que o saldo credor constante da escrita fiscal da requerente relativo ao 4° trimestre de 2001, no valor objeto do pedido, representa a soma algébrica do saldo credor relativo ao 3° trimestre, imediatamente anterior, e dos créditos e débitos nela consignados no decurso do trimestre em análise, conforme demonstrativos da fl. 184. Assevera o agente fiscal que o valor de R$ 308.242,53, saldo credor apurado no final do 3° trimestre de 2001, não poderia ser aproveitado no 4° trimestre de 2001, posto que esse valor já foi objeto de pedido de ressarcimento formalizado no processo n° 13003.000448/2002 15, não podendo, dessa forma, compor novamente o montante do pedido sob exame, concluindo por não haver qualquer valor a ser ressarcido. 3. Devidamente cientificado, o interessado, no devido prazo, apresenta as razões de sua inconformidade no arrazoado de fls. 222/232, firmado por sua procuradora (instrumento de mandato à fl. 247). Após descrever os fatos, ressalva que embora o direito creditório não reconhecido monte em R$ 259.037,94, a manifestante busca o reconhecimento da parcela de R$ 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13003.000012/200315 Acórdão n.º 3802001.176 S3TE02 Fl. 321 3 227.150,53, que diz ser o saldo credor ao final do 4° trimestre de 2001, conforme quadro que demonstra a recomposição da escrita fiscal, de fls. 231, declarando que a parcela remanescente de R$ 31.887,41 não é objeto de inconformidade. Na seqüência, contesta o método adotado pela fiscalização para apuração dos créditos por não ter observado a legislação pertinente, que transcreve arts. 182, 183, inciso IV e 178 do RIPI/98; art. 11 da Lei n° 9.779/96 e art. 2° da IN SRF n° 33/99 , demonstrando que, observados os dispositivos transcritos, seu saldo credor ao final do 4° trimestre de 2001, importaria no valor que busca ver reconhecido, ou seja, R$ 227.150,53, frisando que para chegar a esse valor, não considerou o saldo credor do trimestre anterior, ao contrário do que teria entendido a fiscalização. Encerra, requerendo o acolhimento da manifestação para todos seus efeitos, notadamente a suspensão da exigibilidade dos débitos cujas compensações restaram não homologadas e a insubsistência do despacho decisório, para que se reconheça o seu direito creditório e que sejam homologadas as compensações pleiteadas, até o valor do crédito reconhecido. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 3ª Turma da DRJ/POA entendeu improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. O saldo credor do IPI, apurado no final de um trimestre, que já foi objeto de pedido de ressarcimento, não pode ser utilizado para abater os saldos devedores na escrita fiscal do contribuinte no trimestre subseqüente. Solicitação Indeferida”. O julgador de 1ª instância entendeu que o saldo credor apurado no final do 3º trimestre de 2001 já foi objeto de pedido de ressarcimento pelo interessado no processo de n° 13003.000448/200215 e que este valor mencionado foi utilizado na composição dos saldos credores e devedores do 4º trimestre de 2001, de modo que no 4º trimestre não haveria crédito a ser ressarcido, apenas aquele remanescente do trimestre anterior. A DRJ entendeu, ainda, que o valor de R$ 227.150,53 que a interessada alega ter o direito de ser ressarcida, apurado ao final do 4º trimestre de 2001, fl. 243, não foi objeto de comprovação de recolhimento e não pode ser reconhecido, portanto. Em seu Recurso Voluntário (fls. 269283), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, na apuração do saldo credor pleiteado neste processo, não utilizara o saldo credor do 3º trimestre de 2001. Para Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13003.000012/200315 Acórdão n.º 3802001.176 S3TE02 Fl. 322 4 justificar a sua argumentação, apresentou uma tabela, na qual demonstra os créditos e débitos de IPI existentes no 4º trimestre do 2001. No entanto, a Recorrente não apresentou os documentos que comprovam os seus créditos, sob o argumento de que já havia transcorrido o prazo prescricional previsto pelo art. 195 do CTN. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto disponibilizado pelo Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, que assim dispõe: O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. A recorrente argumenta em seu Recuso Voluntário que, após o decurso de cinco anos, a obrigação de guardar documentos comprobatórios da sua regularidade fiscal deixa de ser uma obrigação, de modo que a autoridade administrativa não pode apontar supostas irregularidades fiscais relativas a esse período. Com base nesse argumento, considera que a fundamentação utilizada pela DRJ para não reconhecer o crédito pleiteado não deve proceder, pois considera que transcorreu o prazo prescricional definido no parágrafo único do art. 195 do CTN. Entendo, no entanto, que o argumento apresentado pela Recorrente não deve prosperar. Isso porque, segundo o parágrafo único do art. 195 do CTN, transcrito pela recorrente em seu Recurso, os comprovantes dos lançamentos efetuados nos livros de escrituração fiscal serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, in verbis: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não tem aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Dessa forma, verificase que a obrigação de conservar os documentos comprobatórios de regularidade fiscal cessa somente com a prescrição do crédito tributário, e não do crédito que o contribuinte tem a ser ressarcido. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13003.000012/200315 Acórdão n.º 3802001.176 S3TE02 Fl. 323 5 Cumpre salientar que a compensação é uma forma de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Nessa modalidade, o crédito tributário se constitui a partir do momento em que o contribuinte utiliza o seu crédito com o Fisco para compensar débitos fiscais mediante a apresentação da Declaração de Compensação e a Fazenda Pública possui o prazo de 5 (cinco) anos para homologar a compensação realizada pelo contribuinte, nos termos do art. 174 do CTN. Compulsando os autos, verificase que a recorrente apresentou as DCOMP em que utilizou o crédito tributário auferido no 4º trimestre de 2001 em 2003, como se verifica às fls. 79, 84 e 87 dos autos. Diante disso, o prazo do Fisco para homologar a compensação efetuada seria até 2008, ocasião em que o crédito tributário seria extinto pelo decurso do prazo referido pelo parágrafo único do art. 195 acima transcrito. A jurisprudência apresentada pela Recorrente em seu recurso demonstra exatamente o que se diz aqui. Mais precisamente, a decisão de n° 1.417, proferida pela DRJ de Belo Horizonte, demonstra com clareza o que se busca esclarecer nesse acórdão, senão vejamos: “Normas Gerais de Direito Tributário Normas Gerais Decadência. Constituído em 1996, o crédito tributário relativo ao IRPJ correspondente a fatos geradores ocorridos em 1992 está protegido da decadência. Prescrição. A contagem do prazo de prescrição não alcança o período anterior à sua constituição definitiva, no qual se insere a fase do contencioso instaurado por impugnação. Conservação e guarda de Documentos Fiscais. A pessoa jurídica é obrigada a guardar e conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. O raciocínio espelhado na referida decisão encontra ainda espeque no art. 66 da Lei 8.383/91, que assim dispõe: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Devese esclarecer, ainda, que a notificação recebida pela Recorrente em 13/08/2007, pela qual foi informada da glosa das compensações pelo não reconhecimento do crédito pleiteado referente ao 4º trimestre de 2001, interrompe a contagem do prazo prescricional, nos termos do art. 174, parágrafo único, inc. IV, in verbis: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13003.000012/200315 Acórdão n.º 3802001.176 S3TE02 Fl. 324 6 (...) IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Diante disso, não há que se falar em falta de obrigação de manter os documentos que comprovem a regularidade fiscal, como alega a Recorrente, tendo em vista que não houve o decurso do prazo prescricional. Sendo assim, entendo que é procedente o despacho decisório formulado pela autoridade fiscal, às fl. 202, que não reconhece o direito creditório a partir da análise dos livros fiscais da Recorrente, já que esta não prova o crédito de IPI que diz ter direito, enquanto é ônus do contribuinte provar o seu direito de crédito, consoante o art. 16, inc. III, do Dec. 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)” Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois a Recorrente não comprova a origem dos créditos de IPI a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Eis o voto que me coube redigir. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002218/2008-92
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o
titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96). Matéria já assente na CSRF.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96). Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei nº 9.430/96). Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 EDITADO EM: 04/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Tratase de Auto de Infração (fls. 66/70), devidamente acompanhado do Termo de Verificação (fls.61/63), lavrado contra o contribuinte acima qualificado, no qual se apurou credito tributário no montante total de R$181.877,76, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 30/05/2008, originado da omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativo ao exercício de 2004. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, fls.73/83, acompanhada dos documentos de fls. 84/111, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: “Da Utilização da Conta Corrente 4. Até dezembro do ano de 2003 o contribuinte era proprietário de uma empresa individual — "J.C.N. de Oliveira Gás — ME", registrada na JUCESP sob o NIRE 35117282552, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 03.877.866/000144, empresa que foi encerrada em dezembro de 2003. Neste período o contribuinte utilizava sua conta corrente particular para movimentação financeira da empresa, uma vez que os clientes realizavam os depósitos das transações comerciais na referida conta. 4.1 Portanto, não há que se falar em omissão de rendimentos ou em depósitos bancários de origem não comprovada. As referidas entradas foram objeto de depósitos bancários que tiveram sua origem a partir de uma transação comercial. Com efeito, trata se de uma empresa individual, na qual O titular da empresa é pessoa física equiparada à jurídica, conforme disposição legal, ou seja, é o único responsável pelas contas bancárias que movimenta, de tal sorte que a mera entrada de qualquer valor em sua conta não pode ser motivo gerador do imposto de renda. 4.2 para chegar a um valor devido, não pode a Receita Federal utilizarse apenas dos valores de entrada descritos nos extratos bancários do contribuinte, sob pena de ferir dispositivos claros de lei. 4.3 As fls. 77 o impugnante apresentou uma tabela na qual são informados os seus saldos bancários no inicio e término de cada mês, além de uma minuta de cálculo do valor do IR devido, de acordo com o entendimento do contribuinte. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 19515.002218/200892 Acórdão n.º 220101.339 S2C2T1 Fl. 2 3 Da Impossibilidade do Lançamento de Oficio 4.4 A origem dos depósitos está cabalmente comprovada pelas transações comerciais realizadas no período, inclusive tal fato pode ser confirmado pelo Livro de Saída da empresa (fls. 87 a 99). Devese observar ainda que a conta J.C.N. era pouco movimentada, tendo inclusive sido encerrada no mês de outubro de 2003, não havendo sequer talão de cheques ou cartões magnéticos, conforme se verifica da solicitação de encerramento da conta (fls. 100), uma vez que o contribuinte, a fim de facilitar seu controle, utilizavase de sua conta pessoal. 4.5 Os valores depositados eram utilizados para pagamento de fornecedores e demais despesas decorrentes da atividade, não podendo ser considerado integralmente como lucro auferido pela empresa e, muito menos, pelo contribuinte. 4.6 Por outro lado, também é apontada como infração a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, ou de investimento mantida em instituição financeira. Ora, não houve infração neste sentido, pois a norma menciona omissão de rendimentos e os valores depositados não são rendimentos, mas sim valores que fazem parte do fluxo de caixa existente em qualquer empresa. Da inexistência de Fato Gerador 4.7 Como é sabido, o tributo somente é devido quando consumado o fato sobre o qual incide a norma de tributação, ou seja, quando concretizada a hipótese de incidência tributária. No caso do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, o artigo 153, inciso III da Constituição federal e o artigo 43 do Código Tributário nacional dispõem que seu fato gerador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, entendendo ser essa o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. 4.8 Desta forma, disponibilidade econômica decorre do recebimento do valor que se vem a acrescentar ao patrimônio do contribuinte. Renda disponível economicamente é, portanto, toda riqueza nova, em bens ou em dinheiro, livre e usualmente negociada no mercado. A disponibilidade jurídica, por sua vez, decorre do simples crédito desse valor que se vem a acrescentar ao patrimônio do contribuinte, são os rendimentos ainda não recebidos efetivamente. Ao conceituar o fato gerador do IR o CTN adotou expressamente o conceito de renda como acréscimo, ou seja, o que foi efetivamente auferido. No caso em tela não há como constatar a auferição de renda pelo Contribuinte pelo simples fato de haver movimentação de valores em sua conta corrente. Os valores que transitaram na conta do contribuinte foram em razão de sua atividade profissional. 0 dinheiro que entrava na conta servia para administrar a empresa e, da mesma forma que Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 entravam, os valores safam, não se verificando auferição de renda. 4.9 Para haver a autuação com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável. E imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si s6, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Nesse mesmo sentido, o artigo 9°, inciso VII do DecretoLei n° 2.471/88, a fim de evitar autuações indevidas aos contribuintes, proibiu a possibilidade de que autos sejam lavrados nos moldes em que foi feito o presente. 4.10 Também cumpre esclarecer que a base de cálculo utilizada foi o total de depósitos efetuados na conta corrente do contribuinte, qual seja, R$ 300.690,80. De acordo com o que esclarece a própria Receita Federal do Brasil, a base de cálculo do imposto devido é a diferença entre a soma dos rendimentos recebidos durante o anocalendário e as deduções permitidas pela legislação. Assim sendo, a utilização da base de cálculo foi manifestamente irregular, uma vez que considerou todo o montante corno rendimento do contribuinte.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SPOII n°1732.800, de 22 de junho de 2009, fls.114/121, em decisão assim ementada: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão da DRJ em 27/04/2010 (“AR” fls.124verso), o interessado apresentou, em 26/05/2010, Recurso Voluntário Tempestivo, fls.128/141, acompanhado da Declaração Anual Simplificada da Empresa Individual J.C.N. de Oliveira GásME, exercício 2004 (fls.142/159), ratificando os termos da impugnação apresentada e argumentando em síntese: a) foi intimado para apresentar extratos bancários relativos às movimentações referentes ao exercício de 2004, acompanhado de documentos comprobatório da origem dos recursos; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 19515.002218/200892 Acórdão n.º 220101.339 S2C2T1 Fl. 3 5 b) o contribuinte apresentou todos os documentos que entendeu serem suficientes para comprovação do solicitado pela DEFISSPO; c) posteriormente, em 05/06/2008, o contribuinte foi reintimado a apresentar as provas anteriormente solicitadas, no prazo de 3 dias e solicitou prorrogação de prazo, o qual foi indeferido, sendo por conseguinte lavrado o auto de infração recorrido; d) a base de cálculo utilizada para o lançamento do tributo foi de R$300.690,80, relativa a recursos movimentados no Banco Itaú; e) o lançamento foi fundado apenas nos créditos, sem considerar os débitos da mesma conta, assim para chegar a um valor devido, não pode a Receita Federal utilizarse apenas dos valores de entrada descritos nos extratos bancários do Contribuinte, sob pena de ferir dispositivos claros de lei; f) o contribuinte utilizou sua conta para movimentar recursos da sua firma individual, que pagou ao contribuinte naquele exercício R$3.747,39 (dividendos Rendimento Isento) e R$ 2.760,00 (PróLabore Rendimentos Tributáveis); g) Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica anexada demonstra que se trata de uma firma individual, assim como que sua receita foi de R$ 78.949,16, sua despesa foi de R$ 67.824,04, e seus rendimentos reais foram de R$ 6.507,39; h) as declarações do Contribuinte foram devidamente entregues, e, por elas, facilmente fica demonstrado que o Contribuinte possui poucos bens e direitos, diretamente proporcional ao seu padrão de vida; i) imputar ao Contribuinte um auto de infração no valor de R$ 181mil gerará, sem dúvida, uma queda no seu padrão de vida e a possibilidade até de falência civil, mesmo que, conforme demonstrado, não seja devido nenhum imposto; j) analisando as movimentações da conta, o saldo é sempre negativo. Caso fosse decidido pela utilização do método de valores contidos nos extratos bancários, o cálculo deveria ter sido feito considerando as entradas e saídas, sendo o valor máximo de imposto devido de R$1.796,97; k) o Contribuinte entregou todos os documentos comprobatórios de sua receita e está anexando ao recurso a DIPJ da sua empresa, a qual demonstra o faturamento, já devidamente tributado, não podendo ser condenado a pagar o que já pagou; l) em relação aos supostos depósitos bancários de origem não comprovada, o Contribuinte, na qualidade de proprietário da empresa, utilizava sua conta pessoal para movimentar recursos do seu Fl. 198DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 estabelecimento, efetuando os depósitos dos cheques dos clientes na referida conta; m) portanto, a origem dos depósitos está cabalmente comprovada pelas transações comerciais realizadas no período, inclusive tal fato pode ser confirmado pelo Livro de Saída da empresa, juntado aos autos; n) a conta da J.C.N. era pouco movimentada e foi encerrada no mês de outubro de 2003, não havendo sequer talão de cheques ou cartões magnéticos, conforme se verifica da solicitação de encerramento da conta, juntada aos autos, uma vez que o Contribuinte para facilitar seu controle utilizava sua conta pessoal; o) os valores depositados eram utilizados para pagamento de fornecedores, funcionários e demais despesas decorrentes da atividade, não podendo ser considerado integralmente como lucro auferido pela empresa, e, muito menos pelo Contribuinte; p) nas suas razões, discorre ainda largamente sobre a ilegalidade do lançamento fundado apenas em depósito bancário, inclusive fundamentando seu entendimento na Súmula 182 do TRF e jurisprudência desse colegiado; q) por fim requer o cancelamento do auto de infração recorrido. O processo foi encaminhado a este colegiado, conforme fls. 160. É relatório. Voto Conselheiro Rayana Alves de Oliveira França Não há argüição de preliminar. A matéria central aqui discutida versa sobre depósito bancário de origem não comprovada, cujo fundamento legal está no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, de pleno conhecimento deste colegiado e amplamente abordada na decisão de primeira instância deste processo. A partir da edição de referida norma, o tratamento dos depósitos bancários foi modificado e passou a ser admitido que depósitos bancários de origem não comprovada fossem tributados por presunção legal, como omissão de receita, conforme a transcrição abaixo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 19515.002218/200892 Acórdão n.º 220101.339 S2C2T1 Fl. 4 7 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Valores alterados pela Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997); § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. ’ § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Acrescido pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Acrescido pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002).” A partir deste diploma legal, tornouse possível o lançamento com base em depósitos e investimentos que não possuam origem comprovada. No entanto, antes de criar o crédito tributário o fisco deve intimar o contribuinte para que comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, indubitavelmente, a questão é de prova e a cargo do contribuinte. Justamente por isso, é que se trata de uma presunção relativa, perfeitamente aceitável no nosso sistema jurídico. Da análise dos autos, constatase que o procedimento foi realizado observando os princípios constitucionais da ampla defesa e todos os outros que norteiam a atividade da administração pública. Sendo o lançamento regularmente constituído, não havendo qualquer vício que comprometesse a validade do mesmo e o processo tramitou de forma a assegurar todo o direito de defesa sobre as matérias discutidas nos autos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 A jurisprudência administrativa atual, com fundamento na Lei nº 9.430/96, é pacífica, no sentido de considerar válido o lançamento por presunção legal, quando o contribuinte, devidamente intimado, não lograr êxito em comprovar a origem dos depósitos ou investimentos, in vebis: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996).”( Acórdão nº CSRF/0400.029, de 21.06.2005) “TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (Sexta Câmara, Acórdão 106 15433, Data da Sessão: 23/03/2006). “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA ESTABELECIDA PELO ART. 42 DA LEI 9.430 DE 1.996 INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos realizados na conta corrente bancária de sua titularidade, deve ser mantido o lançamento. Excluem–se, contudo, os depósitos menores de R$ 12.000,00 e que somem, no ano calendário, até R$ 80.000,00, conforme admite o parágrafo 3º, inciso II da mesma legislação mencionada. Na hipótese de conta corrente conjunta, aplicação deste último dispositivo legal por CPF, observandose tratamento isonômico aos contribuintes titulares, lançados conforme rateio praticado pela autoridade fiscal.” (Segunda Câmara, Acórdão 10248799, Data da Sessão: 07/11/2007) “DEPÓSITO BANCÁRIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (Segunda Câmara, Acórdão 10248982, Data da Sessão: 23/04/2008.) “DEPÓSITO BANCÁRIO. A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada.” (Oitava Câmara, Acórdão 10809736, Data da Sessão: 19/09/2008) É mister salientar que existe um procedimento a ser observado pelo fisco, de modo que não é verdade a afirmação de que o lançamento é realizado somente com base nos extratos bancários. O direito de defesa do contribuinte deve ser respeitado, e este deve exercê Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 19515.002218/200892 Acórdão n.º 220101.339 S2C2T1 Fl. 5 9 lo no momento conveniente, ou seja, quando intimado para justificar a discrepância entre a renda e a movimentação bancária. O Conselheiro Nelson Mallmann ao julgar o acórdão desta Câmara, nº 104 20.026, de 17.06.2004, relaciona quais os critérios a serem observados pelo poder público, ao interpretar o art. 42 da Lei. 9.430/96: “I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III – nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada;” Desse modo, por ser uma presunção legal relativa, caberia ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos apontados pela fiscalização, bem como demonstrar de maneira indubitável que suas movimentações financeiras eram relativas ao pessoa jurídica J.C.N. de Oliveira GásME. Ademais, se o próprio contribuinte afirma que encerrou a conta da pessoa jurídica, para movimentar os recursos na conta de sua pessoa física e assim ter melhor controle, deveria ter demonstrado a que se refere cada um dos depósitos na conta, ou seja especificar a qual cliente e/ou nota fiscal de venda referiase o recebimento ou adiantamento. A comprovação nesse caso deve ser detalhada e conforme impõe a lei, individualizada. Não basta afirma que os depósitos referemse a operações da pessoa jurídica, é preciso comprovar este fato. Comprovada a atividade econômica relacionada á movimentação financeira, o lançamento deveria ser realizado considerando esta realidade, conforme, aliás, determina o § 2º do artigo 42, acima reproduzido. Porém, sem a comprovação, com a simples alegação, o imposto deve ser exigido do titular da conta. Não há portanto, reparos a fazer ao lançamento. Desse modo, sem provas documentais da origem dos depósitos, fica confirmada a presunção de omissão de rendimentos, nos moldes do artigo 42, da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 10 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000118/99-60
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL — PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE
RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO — O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei
declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/95.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu
lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição.
ANULADA A DECISÃO DE PRIMEIRA. INSTÂNCIA
Numero da decisão: 303-30.915
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por maioria de votos, foi rejeitar a argüição de
prescrição/decadência do direito à restituição e declarar a nulidade da decisão de Primeira Instância, na forma do relatório e voto que passam a integrar e o presente julgado.Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: Irineu Bianchi
1.0 = *:*
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Numero do processo: 19647.001127/2006-72
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
• IVIicroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano calendário: 2002, 2003, 2004
Emenla: DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE
RECOLHIMENTO.. MATÉRIA PRECLUSA - Matéria não suscitada pelo
contribuinte em sede de primeira instância não poderá ser apreciada em grau
de recurso em face da preclusão do seu direito de contestá-la„
MUI '1'A DE OFICIO QUALIFICADA 150% - A prática sistemática da
omissão de receitas, adotada durante Os anos consecutivos (2002, 2003 e
2004) forma o elemento subjetivo da conduta dolosa e enseja a. aplicação da
multa qualificada. pela ocorrência de fraude , prevista na Lei n" 4,502/64, ou
seja, a intenção de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, o que
torna aplicável a multa de 150%,
NÃO CONFISCO MULTA DE OFÍCIO - O princípio do não confisco é
inaplicável às multas lançadas de oficio.
JUROS Sli11C 1NCON,STITUCIONALIDADE DE 1E1
TR UTÁRM 'VAIEM S'1_111/11,11,ADA
Súmula CARF N" 2 O CARI, não é competente para se
pronunciar sobre a ineonstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF N" 4 A partir de 1" de &mil de 1995, os juros
tnoralórios itwidentes sobre débitos tributários administrados
pela Secretaria da Receita Federal do Brusil são devidos, no
período de inadimplência, é taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais
Numero da decisão: 1802-000.542
Decisão: Acordam os membros do colegiada não conhecer da matéria não impugnada na primeira instância e negar provimento ao recurso, termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das • IVIicroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano calendário: 2002, 2003, 2004 Emenla: DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.. MATÉRIA PRECLUSA - Matéria não suscitada pelo contribuinte em sede de primeira instância não poderá ser apreciada em grau de recurso em face da preclusão do seu direito de contestá-la„ MUI '1'A DE OFICIO QUALIFICADA 150% - A prática sistemática da omissão de receitas, adotada durante Os anos consecutivos (2002, 2003 e 2004) forma o elemento subjetivo da conduta dolosa e enseja a. aplicação da multa qualificada. pela ocorrência de fraude , prevista na Lei n" 4,502/64, ou seja, a intenção de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, o que torna aplicável a multa de 150%, NÃO CONFISCO MULTA DE OFÍCIO - O princípio do não confisco é inaplicável às multas lançadas de oficio. JUROS Sli11C 1NCON,STITUCIONALIDADE DE 1E1 TR UTÁRM 'VAIEM S'1_111/11,11,ADA Súmula CARF N" 2 O CARI, não é competente para se pronunciar sobre a ineonstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF N" 4 A partir de 1" de &mil de 1995, os juros tnoralórios itwidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brusil são devidos, no período de inadimplência, é taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais
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COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UMA Recorrida 4a.r.Iurma/DRI/Recife/PE Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das • IVIicroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano calendário: 2002, 2003, 2004 Emenla: DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.. MATÉRIA PRECLUSA - Matéria não suscitada pelo contribuinte em sede de primeira instância não poderá ser apreciada em grau de recurso em face da preclusão do seu direito de contestá-la„ MUI '1'A DE OFICIO QUALIFICADA 150% - A prática sistemática da omissão de receitas, adotada durante Os anos consecutivos (2002, 2003 e 2004) forma o elemento subjetivo da conduta dolosa e enseja a. aplicação da multa qualificada. pela ocorrência de fraude , prevista na Lei n" 4,502/64, ou seja, a intenção de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, o que torna aplicável a multa de 150%, NÃO CONFISCO MULTA DE OFÍCIO - O princípio do não confisco é inaplicável às multas lançadas de oficio. JUROS Sli11C 1NCON,STITUCIONALIDADE DE 1E1 TR UTÁRM 'VAIEM S'1_111/11,11,ADA Súmula CARF N" 2 O CARI, não é competente para se pronunciar sobre a ineonstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF N" 4 A partir de 1" de &mil de 1995, os juros tnoralórios itwidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brusil são devidos, no período de inadimplência, é taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais LANÇAMENTO REFLEXO: CSLI..„ PIS, COFINS e INSS-Simples Decorrendo as exigências da mesma imputação que funck entou o lançamento do IRRI mensal, deve ser adotada a mesma decisão Trf- para o imposto de renda, na medida em que não há latos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada não conhecer da matéria não impugnada na primeira instância e negar provimento_aoyecurso, termos do relatório e voto que integram o presente julgado. - a toi.a EDITADO EM: nnn 9r) , u LU 3V Participaram da sessão de julgarn'áto os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José De Olyeira Ferraz Cotr(..'a, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Gilberto/Baptista (Suplente convocado) e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma), C-- 2 Processo n" 19647.001127/2006-72 S I -T Acórdão n 1802-00.542 1--;I 2 Relatório Trata o processo de lançamentos decorrentes do SIMPLES para exigência de credito tributário referente aos fatos geradores de agosto a dezembro de 2002, janeiro a dezembro de 2003 e janeiro a dezembro de 2004: de Imposto de Renda Pessoa Jurídica PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social (INSS), no montante de R$ 559,529,30, acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 31/01/2006 (11S„03/90).. Por economia. processual e bem resumir a lide adoto parte do Relatório da decisão recorrida (fls..467/471) que transcrevo a seguir: Os referidos autos de infração .são decorrentes de ação fiscal clamada junto à contribuinte, na qual a fiscalização COnSitti011 infração à legislação do SIAIPLES„ cuja irregularidade Se transcreve abaixo Os enquadramentos legais devidamente discriminados nos autos de infração passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos tossem 1 -- DIFERENÇA DE I345E DE CÁLCULO Diferença apurada mediante confronto entre os valores (Ice/arados na declaração Anual Simplificada dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004 (/ls. 109 a 148) e os valores constantes do livro Registro de Apuração rio •CKS" e Razão (fís. 154 a 244), conforme consta do Demonstrativo de Levantamento da Receita .Bruía mensal de 95, representando, a receita declarada, em mádia, 7% da receita escriturada, consoante Demonstrativo Relação Percentual entre a Receita declarada e Escriturada (fl. 96). A autuante lança multa agravada de 150%, para todos os finos geradores dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, em face de a autuada ter declarado suas receitas sempre a menor, conforme o confronto com os valores das receitas de vendas registradas nos Livros Registro de Apuração de ICALS e Razão, apontando como filndamento legal nos Demonstrativos de Multa o art. 44, H, da Lei n" 9. 430/96 c/c art. 19 da Lei a' 9.317/96. 2— INSLIFICIENCIA DE RECOLHIMENTO. Insuficiência de valor recolhido/declarado apurada a partir do confronto entre o.s valores escriturados e os declarados/pagos. Sobre as diferenças de recolhimento apuradas lançou-se multa proporcional de 75% No Termo de Verificação Fiscal, às fls.. .92 a 94, a autuante descreve o procedimento de fiscalLação efetuado na contribuinte, ora impug,nante„ merecendo que se destaque resumidamente: 3 - a fiscalização abrangeu o período de Pari/2002 a dez/2004 (neste período a contribuinte dechnou seus resultados na forma do SIMPLES, na condição de EPP, embora live.s.s(? .sido optante no SIMPLES, desde 21/05/2002, como "microempresa"), tendo .sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigaçõe5 tributárias- relativas ao SIMPLES, com base nos valores declarados, aplicando o percentual de 5,4% (doc. 115. 149 a 153); - Com base no Livro de Apuração do ICMS e Razão a fiscalização apurou que a mesma auftriu„ no ano calendário de 2004, receitas brutas acumuladas no montante de R$ I 623.203,94, ultrapassando, pois, o limite de receita bruta no valor de R$ 1.200.000,00 para permanência no SIMPLES, motivo pelo o qual, foi exclu.sa do regime a partir dc 01/01/2005, mediante o Ato Declaratório Executivo ri." 13, de 13 de fevereiro de 2006, publicado no DOU de 08/02/2006 (fl. 245). - no curso da fiscalização, apuraram-se diferenças de base de cálculo do SIMPLES entre os valores escriturados no Registro de apuração de ICAIS, Razão e os informados na declaração anual simplificada e insuficiência de recolhimento, durante o ano-calendário de 2002, 2003 e 2004. Cabe registrar que o cálculo dos valores dos npostos e contribuições devidos pela .sistemática do SIMPLES„ por período de apuração mensal, é apresentado no demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fl. 12 a 20) e Demonstrativo de Apuração de Imposto/Contribuição sobre diferenç:a (quitadas (fls. 21 a 30). Consta ainda como parte integrante dos autos de infração do presente proces.so o Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, às fls. 09 a 11, onde estão relacionada.s receitas brutas mensais e as receitas brutas acumuladas (para a aplica 0: O do percentual correspondente). Devidamente cientificada em 13/02/2006-, e não se conformando /com o procedimento fiscal, a autuada apresentou em 14/03/2006, mediante procurador devidamente nomeado e con.stituído por instrumento de .11/fandato (fl. 448), tempe.stivarnente, a sua peça impugnatória (Para o IREI, as fls. 24.9 a- 268. P1S„ fh. 283 a 302; CSLE fls.. 316 a .335; COFIN,5',115.. 348 a 368 Contribuição para a Seguridade Social — INSS, fls. 381 a 400) na qual questiona a multa qualijkada e os juros de mora (taxa SENO, conforme se depreende de seus argumentos de d(JC.sa, abaixo descritos sucintamente.- DA CONDUTA LÍCITA DA. IlkIPUGNAN1E --- INEXISTÊNCIA .D.E DOLO E DA MÁ-11:.:, INAPLICABILIDADE DA MULTA DE 150%.. Argumenta a contribuinte que no comando normativo da Lei 4 502/64, nos artigos 71 a 73, a conduta tipificada é fechada, ou ( -seja, o dolo (leve estar irrefutavelmente comprovado via a conduta do contribuinte de impedir ou retardar, as hipóteses do,s incisos 1 e 17 do artigo 71. 4 Processo n'' 19647. 001127/2006-72 SI-TE02 Acórdão n." 1802-00.542 Fl. :3 Destaca ser inequívoca que a situação dolosa prevista no art. 71 do diploma legal citado não Ocorreu no eas-o da fiscalização, ao contrário, a impugnanie não esmoreceu nos c4orços em viabifizar o desenrolar da fiscalização, tendo procurado atender a todas os exigências e :solicitações da Sra. Auditora, apresentando todos 0.5 1 i VFOS fiscais requeridos, o que descaracteriza qualquer intenção da impugname na efetividade de dolo para lesar o fisco federal.. Inclusive, não há a motivação necessária ao enquadramento das ações da impugnante nas condutas previstas pela Lei n" 4 .502/64, em seus artigos 71, 72 e 73. A multa agravada de 150% aplica-se nos casos de evidente intuito de fraude, c..uja configuração . funda-se em principias como o da estrila lipicidade e o da reserva legal, em relação a condutas eventualmente fraudulentas, que tivessem como elemento subjetivo do tipo - dolo específico para os penolistas clássicos a vontade deliberada de suprimir ou reduzir tributo • mediante condutas tão diversas como a declaração falsa, a omissão de informações, a inserção de elementos inexatos ou a omissão de elementos necessários em documentos ou livros ou, ainda, a adulteração de notas ou faturas, o fornecimento gracioso de documentos ou a alteração de despesas Ressalva que, à luz desse raciocínio, a impugnante não praticou nenhuma conduta que enquadrasse o elemento subjetivo do tipo dolo e.specifico, não sendo aplicável tal multa exacerbada. As condutas eleneadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502/64, que ViSaiil combater a evasão fiscal, possuem então como elemento subjetivo do tipo o querer ou a assunção do risco de suprimir ou reduzir tributo, respectivamente dolo direto e dolo eventual Desta feita, acrescenta, necessário seria que as condutas descritas tivessem como . finalidade, a supressão ou redução de tributo.. A ausência desse elemento subjetivo, a animar a conduta do agente, daria ocasião a prefalada atipicidade. colação de diversas ementas de Acórdãos dos Conselhos de contribuintes, todas no sentido de comprovar a real intenção do contribuinte fraudulento mediante a tipificação do dolo Aduz que, no caso, a situação fc..tica ocorrida refere-se à declaração inexata sem a intenção de dolo, porque os valores .foretm lançados, conquanto divergis.sem entre o efetivo lançamento da impugnante e a documentação confrontada. Haveria dolo se a impugnante tivesse falsificado a documentação fiscal-contábil para que coincidisse com o lançamento na DIPL Portanto, argüi, não pode ..ser penalizada por uma conduta na qual claramente inexiste dolo.. Mio houve a intenção de impedir ou retardar, conforme á estampada as hipóteses dos artigos. 71, 72 e 73 da Lei n°4....¶02/64. 5 DA INEA1SIÊNC1A DA OMLSSÃO DE RU -111A —: DECLARA (..'ATO INEXATA.. Sob este título, a contribuinte esclarece que a exegese que se tem de fazer sobre essa temática e'a divergência entre o valor declarado e o valor escriturado, que neste caso se trata de inexatidão de declaração. A omissão existiria se a contribuinte tivesse maquiado a sua contabilidade fiscal para que surtisse efi.ito de coincidências entre o valor escriturado e o lançado na tributação ou se, acrescenta adiante, a impu,gnante não tivesse escrita fiscal. não cumprisse com .S'llaS obrigações acessórias de enviar declarações do imposto de renda e demonstrasse o alerimento de receita .sent oferecer nada paru tributação.. Mais uma vez, transcreve ementas de Acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, onde em uma das quais .se menciona que a diferença entre OS valores escriturados e os declarados não .se constitui omissão de receita, mas sim declaração inexata e, nas demais, se destaca o fato de que descabe lançamento de oficio quando as inadánplências se refiram a valores que tenham sido devidamente declamados pela a contribuinte. O CARÁTER CONPISCATÓRIO DA MULTA. Destaca que apesar de não restarem configurados os requisitos para o enquadramento da conduta da impug,nante nas hipóteses da lei n'')02/04, em seus artig,os 11, /2 e 13, sendo, portanto, inaplicável a multa de 150% prevista no art. 44, 11 da Lei n" 9.430/96, é importante ressaltar a inexigibilidade de multa em tal valor assombroso, por se consultar em caráter confiscatório. Menciona, então, que tanto o Superior Tribunal de Justiça, quanto o Supremo Tribunal Federal, térn entendido que a aplicação da multa acima de .30% (trinta por cento) do tributo devido, afronta o-inciso IV, do art. 150, da Carta Magna, que veda a utilização de tributo com elèito de confisco. . Destacando que o confisco só é permitido nos casos expressamente autorizados pelo legislador constituinte legislador complementar, ressalta não se aplicar o confisco legal .simples e .suposto ilícito tributário, confim me o entendimento do poder judiciário. Neste sentido, transcreve algumas ementas de Acórdãos do 571,' Repetindo o argumento de que a multa de 150% .Só .se aplica quando restar provado a conduta fraudulenta do contribuinte que, visando reduzir ou suprimir tributos, pratica alguma dessas condutas • declamação falsa, omissão de infarmações„ inserção de elementos inexatos, omissão de elementos necessários em documentos ou livros., adulteração de notas fiscais ou faturas, fornecimento gracioso de documentos elou alteração de despesas, traz, mais uma vez, ementas de Acórdãos de Conselhos dc contribuintes, para, após', complementar que, quiçá fosse • devida a arbitrária multa confiscatória, a autoridade administrativa é incompetente para aplicá-la, porque os ilícitos fiscais que tenha como tipo penal uma conduta de fraude, conluio e sonegação somente pode ser aplicada pelo poder. 6 Processo n'' [ 9647.00 I 127/2006-72 SI --IE02 Acórdão n..° 1802-00.542 H 4 judiciário (Sobre tal tema, transcreve comentário de Cláudio Renato do Canto). Destaca, então., que não se pode aplicai a multa de 150% ao caso dos autos, porque. O impugnante não realizou (IS condutas tipificadas na Lei n" 4..502, de 30 de novembro de .1964 e que, a autoridade administrativa pode e deve deixar de aplicar lei ilegal e inconstitucional em caso concreto, como é o caso da presente defesa, .12.ice 00 exercício de .sua atividade ser condicionado aos mandamentos constitucionais DA ILEGALIDADE DA TA.X.A SELIC Argüi que o suposto débito apurado nos Autos de Infração ora comhatido.s, além da incidência da multa moratória, ,safreu a incidência da taxa SELIC como juros moratórias, mas que esta, assim como ocorreu com a taxa Referencial-IR, é impresiável para tu/fim. Para demonstrar sua assertiva, desenvolve um extenso raciocínio, :fazendo, de início, um breve levantamento histórico acerca da .SELIC no qual menciona a natureza remuneralória dessa taxa, para, em .seguida, destacar que a utilização da taxa SELÍC como juros moratórios constitui flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade e que assim .sendo, a Lei 9.065/9.5, ao adotar a taxa ,VEL1C como taxa de juros moratórias . feriu o art .110 do ("IN, o art. 1.50, 1 da CF., que trata do Princípio da Legalidade em matéria tributária, o art 161, § (]TN Menciona, também a ilegalidade da delegação de competência, posto que a .fivação da laxa SLL1C cabe ao 134CEN, infringindo o art. 48, J da (2i' confere ao Congresso Nacional competência para legislar sobre matéria tributária. Cita a jurisprudência adotada pelos Tribunais Pátrios para demonstrar que CS-ia se posiciona contrariamente à utilização da taxa SELIC para fins de juros de mora e sua aplicação aos débitos tributários em atraso.. Conclui que a aplicação da taxa ,STLIC não pode prosperar, haja vista não se constituir em taxa de juros moratórias e por não haver sido instituída no mundo jurídico por instrumento legislativo apto pata afim a que se presta, qual seja, juros de mota em matéria tributária. DO PEDIDO Ao . final, requer a decretação de nulidade dos Autos de IttfiaçOes, a teor do que dispoe o..s preceitos do Código Tributário Nacional.. A empresa tbi cientificada da decisão de primeira instância proferida mediante o Acórdão n" 11-18105, de 22/02/2007, fis.465/477, DM/Recife/PE, conforme o Aviso de Recebimento (AR), -11.490, em 08/05/2007, e sob o protocolo ri' 19647.005418/2007- 11, interpôs o recurso ao Conselho de Contribuintes, em 06/06/2007, fls.491/533, que. inicialmente argumenta os seguintes fatos: - que, em 02/08/2004, através do Ato Declinatório Executivo DRP/REC n" I, foi excluída do SIMPLES, sob o fundamento de que seu sócio participava de outra empr- , a com 7 mais de 10%, bem como, no ano calendário de 2002, sua receita bruta global ultrapassou o limite legal previsto na lei IV 9..317/96, pelo que apresentou solicitação de revisão e exclusão do Simples (processo n" 19647.008221/2004-91), e que, não havendo pronunciamento do órgão julgador, a Receita Federal procedeu com nova exclusão do Simples mediante o Ato Declaratório n" 13 (DOU de 08/02/2006) que determinava a exclusão a contar de 01/01/2005, pelo que apresentou impugnação; - que, a decisão relativa ao Ato Declaratório Executivo DRF/REC n" 521.271, lõi pela. improcedência da solicitação de revisão e exclusão do Simples, e em face de tal decisão a Receita Federal determinou que a empresa procedesse com a adoção do de novo regime de tributação e retificação das declarações não prescritas, no que a empresa atendeu adotando o lucro real como novo regime de tributação, encaminhando em 07/05/2007, as DUM; e Mins correspondentes aos anos calendário de 2002 a 2005, em momento anterior à ciência do acórdão guerreado; - que, o ato deelaratorio que o excluiu do Simples, independente da pendência de julgamento da Revisão ora solicitada, foi o de n" 521..271 que acarretou sua exclusão a contar de 01/01/2003. Diz que, a intimação que "improveu" a solicitação de revisão e exclusão do Simples foi levada a eleito em 02/05/2006, com a efetivação da intimação da recorrente, e nesse ponto afirma que o ato declinatório ri" 521.271, fez coisa julgada, portanto, diante dos latos acima o "presente ato declaratório do qual se recorre perdeu seu objeto", - que, em razão da coisa julgada nos autos do processo no 19647..008221/2004-91, e, tendo npreczenfndo n 1--W - TF-2 c OP I- h; pelo 111rM vo•l , deve c e.r ex ti nin t-1 inr~xite. iymee- wc2r) , llhirtr, (15: decisão do acórdão IV 11-18.305, ora atacado sem apreciação do mérito; - que, pelo principio da segurança jurídica, não porque se imbuir à recorrente ao pagamento dos valores arbitrados no presente processo, quando os efeitos decorrentes desse ato administrativo seriam os recolhimentos dos tributos devidos pela empresa nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, que foram devidamente apurados em processo anterior e informados à Receita Federal; - que, em face dos relatos acima, verifica imprecisões procedimentais adotadas pela Receita Federal, pois atendendo ao que determinou o processo n." 19647.008221/2004-91, alterou seu regime de tributação, confessando débitos decorrentes da alteração, e, não pode ser compelida a cumprir a decisão proferida no presente processo ao que pede a extinção do mesmo; - que o objeto do processo ora combatido pretende o pagamento de créditos tributários relativos aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, e que, foram encaminhados os documentos (DCTFs e DIPJs de 2004 a 2005), mediante o processo n" 19647.004096/2007-92, com os débitos a pagar inclusos no parcelamento de que trata a MP-n" 303 de 29/06/2006.. A recorrente sob o argumento dos tatos tratados no processo n" 19647..008221/2004-91, acima relatados, constante no presente recursos às fls. 500/508, alega que o pedido de revisão do Ato Declamatório Executivo n" 520.271 estava pendente, portanto, o auto de inflação exigindo o crédito tributário relativo aos anos de 2002, 2003 e 2004 não pode prosperar, tendo emn vista o . princípio da capacidade contributiva do contribuinte e sua impossibilidade da forma de apuração pelo Simples diante da verdade materializada no / processo n" 19647.008221/2004-91. / 7 Sob o titulo, "Da estrutura semântica da hipótese de incidência e da base de ,,---ca culo dos tributos", disserta acerca do conceito, de renda, faturamento e lucro real e, ..--- 8 Ptocesso n" 1 OM 7 001 127/2006-72 S1-1 E02 Acórdão n "1802-00 .542 5 finalmente traça um "paralelo" entre os valores dito "arbitrados" e os valores apurados pelo "lucro real": 1) Quanto ao INSS, alega, que a autoridade fiscal não solicitou documentação necessária para efetuar os cálculos dos valores supostamente devidos. Diz que a auditora fiscal efetuou o cálculo apenas com base no faturamento, sem se preocupar em verificar a D1RF e/ou a RAIS, pois a empresa possuía apenas 04 funcionários, e de acordo com o razão analítico `jOi dada em sua totalidade uma base de cálculo no valor de R$ 5,442,80, que serviu como dedução para a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social", diferente do apurado na ação fiscal, no valor de R$ 88.288,84. Afirma a recorrente que, caso existisse esse valor a ser recolhido, causaria um impacto de redução a 100% para a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social tendo assim um prejuízo a compensar em anos posteriores. 2) Quanto a CO-FINS, diz que o valor da receita bruta menos as devoluções de vendas chegou- se à base de cálculo escriturada e demonstrada em planilha e, sobre este valor incidiu 3% para verificar o crédito no valor de -R$ 43.023,17, portanto não como considerar o valor apurado pela autoridade autuante.. 3)Quanto ao PIS, diz que apurou o valor de R$ 8.898,81, "contbune memória de cálculo em anexo".. 4) Quanto ao IRPI, diz que a DIPJ em face das demonstrações contábeis, extraídas da Ficha. 06A - Demonstração dc Resultado, o valor a ser recolhido e já confessado em DCT1's, é de R$ 12.557,63.. Repete que, a autoridade fiscal ao proceder com o arbitramento de R$ 88..288,84, para o INSS, a base de cálculo seria de R$ 342,204,81, causando um impacto de redução de 100% para a base de cálculo do.1.1W..1 tendo assim um prejuízo contábil a compensar em anos posteriores.. 5) Quanto à CSLL, a recorrente fax a mesma alusão ao INSS, portanto teria base de cálculo negativa a compensar em anos posteriores, de modo que o valor a recolher, já confessado na DCIF, é de R$ 7..608,60 e, não o valor arbitrado pela Receita Federal.. Para melhor visualizar o comparativo entre o crédito dito declarado pela recorrente com base no alegado processo IV 19647.008221/2004-91, e o apurado pela fiscalização no presente processo, a recorrente apresenta um quadro demonstrativo (11,513).. Finalmente conclui que o crédito tributário devido é o que foi informado no Processo ir 19647..008221/2004-91, em virtude de se pautar na verdade material da tributação. A recorrente invocando o artigo 112, inciso 11, do CTN, requer aplicação da lei mais favorável (o beneficio da dúvida) porque no seu entendimento o Fisco procedeu equivocadamente apurando os valores com arbitramento tendo em vista que o contribuinte com a alteração de seu regime de tributação, confessou os valores devidos, portanto requer decisão que lhe seja mais favorável.. A recorrente insurge-se quanto à multa de ofício de 150%, argumentando que há diferença entre as hipóteses contidas nos incisos I e II da lei n" 9430/96 e uma tênue linha entre as figuras da declaração inexata e da omissão dolosa. Em síntese, quanto à multa de oficio e os . juros sebe, a recorrente a :esenta-t s mesmos argumentos expendidos mia impugnação, acima relatados. 9 É o relatório. lo Processo n" 19647 001127/2006-72 S1-1 E02 Acórd5o n ' 1802-00.542 F1 6 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70,235/72, dele conheço. Conforme relatado, os autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou: DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO, por haver a contribuinte, declarado valores de receita bruta. inferiores aos constantes do livro de registro do IC,Ms e livro Razão, exigindo-se o imposto e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada,. Em relação à referida infração foi aplicada a multa de oficio de, 150%. INSLIFICIENUA DE RECOLHIMENTO - lançamento de oficio para exigir as diferenças apuradas, relativas à recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de aliquota inferior, Em relação à referida infração foi aplicada a multa de oficio de 750% Consta do voto condutor do acórdão recorrido (f1.472) o seguinte: DA .DIFEREN(.:A DE BASE DL CÁLCULO A contribuinte em nenhuma parte de sua peça impugnatória contestou os valores das Receitas Brutas mensais dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004 apurados pela . fiscalização, com base nos valores escriturados no Registro de Apuração de K.:MS Ao contrário, textualmente acata os valores quando ao defender que o faro sob análise trata-se unicamente de declaração inexata .sem a intenção de dolo afirma ". .os valores Warn lançados, conquanto divergissem entre o éfidivo lançamento da impug,nante e a documentação confrontada". Desta forma, relativamente a matéria acima destacada deve prevalecer o imperativo legal disciplinado no artigo 17 do Decreto n° 70.23.5, de 06 de março de 1972, o qual regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, que estabelec.v. "Art .17. Considerar-se-á não impugnada a malária que não tenha siri() expressamente contestada pelo inipugnante A implicação direta e clara que se depreende do texto acima transcrito é a de que a falta de impugnação expressa, pela . autuada, autoriza ter-se a matéria como incontroversa, rÉ.'.sultando na confirmação da veracidade das fatos apurados pela autoridade fiscal, nas questões acima destacadas. /_______--------- i 1, etuada a reswiva acima. passa-.se à análise dos argnimentos da autuada contra os autos de infração lavrados no presente processo seguindo a ordem exposta na impugnação. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 150% É preciso que se diga, de início, que na fase da impugnação a autuada limitou-se a afirmar que diante da fiscalização, a impugnante "prestou todas as informações possíveis para o efetivo exercício da ..limção fiscalizatória consolidada no Auto de Infração" para logo em seguida traçar toda uma linha de justificativa a demonstrar a "Inexistência de Dolo e da inaplicabilidade da multa de 150%" A recorrente, tão-somente na fase reeursal é que apresenta uma defesa com fundamentos novos em relação à impugnação apresentada ao órgão julgador de primeira instância,. Toda a defesa trazida em seu recurso gira em tomo de um processo -a.' 19647.00822 1/2004-91, ao qual atribui a verdade material da tributação. A recorrente sob o argumento dos latos tratados no processo nu 19647.008221/2004-91, alega que o auto de infração exigindo o crédito tributário relativo aos anos de 20022 2003 e 2004 não pode pmsperar, tendo em vista o princípio da capacidade contributiva do contribuinte e sua impossibilidade da forma de apuração pelo Simples diante da verdade materializada no processo n" 19647.008221/2004-91 em relação a outro Ato Declaratório de Exclusão do Simples.. Alega o recorrente que o objeto do processo ora combatido pretende o pagamento de créditos tributários relativos aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, e que, foram encaminhados os documentos (DCTF's e DIVIs de 2004 a 2005, com apuração pelo lucro real), mediante o processo n" .19647.004096/2007-92, com os débitos a pagar -inclusos no parcelamento de que trata a .M.P-n" 303, de 29/06/2006. O recorrente juntou aos autos cópias de vários documentos, dentre os quais copias das DCTFs e DIRls dos anos calendário de 2002 a 2005 acima referidos que disse haver apresentado em 03/04/2007. A. recorrente em nenhum momento contradiz expressamente a decisão da Delegacia de Julgamento, acima transcrita, considerando a matéria, dos autos de infração como não impugnada, o que a torna definitiva nos termos do artigo 42 do mencionado Decreto n" 70.235/72. Com eleito, a recorrente traz aos autos alegações vinculadas a outro processo, para contestar matéria não argüida na fase da impugnação. Ademais, consultando o sistema Comprot, verifica-se que o mencionado processo a" 19647.008221/2004-91 a que alude o interessado - somente na fase recursal - encontra-se arquivado em 03/07/2007. Toda a defesa da recorrente remete -a discutir fatos a obstar o avanço do presente processo. Ora, se o recorrente não fez qualquer alusão ao dito processo n" 19647,008221/2004-91 a sustentar seus argumentos na impugnação, não poderá mais fazê-lo 12 oce;s0 ri" 19647.001127/2006-72 SI-T E02 Acórdão n." 1802-00.542 1I 7 no recurso voluntário, é o que se depreende dos momentos processuais preestabelecidos no Decreto n" 70,235/72 que regula o processo administrativo, senão, vejamos: Art. 16. A inutnnação mencionará • iii - os motivos de filo e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir,. (Redação dada pela Lei n" 8.748, de 9/12/93) IV -as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam diluídas, evpostos os motivos que as justifiquem, com a .formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim corno, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profi.ssional do seu perito. (Redação dada pela Lei n" 8 748, de 9/12/93) ) 4" A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que.- (Incluído pela Lei n" 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de ,sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela lei o' 9.532, de 1997) b) refira-se a . lato ou O direito superveniente, (Incluído pela Lei n" 9 532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n'' 9...532, de 1997) Art. 17. Cons•iderar-se-á não impugnada a matéria que não tenha rido .:..:kpressatnente contestada pelo impugname. (Redação dada pela Lei n°9 532, de 10/12/97). GRIFEI Destarte, é na impugnação apresentada que o contribuinte deverá contestar o lançamento com todos os fundamentos de direito e de fatos possíveis, de sorte que, nos recursos ao Conselho Administrativo, os fundamentos não podem ser alterados, O tema em comento já se encontra paci ficado no âmbito desse Conselho Administrativo no sentido de que, consoante os arts, 16, III, ,§ 40, e 17 do Decreto IV 70.235, de 1972, a prova documental, assim como a matéria a ser contestada, deverão ser apresentadas no momento da impugnação, que é quando se instaura o litígio, preeluíndo o direito de fazê-lo em outro momento processual. Considerando que é na impugnação que a lide é demarcada e que o processo administrativo propriamente dito tem inicio, não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. Desta forma, argumentos apresentados extemporaneamente não devem s apreciados em segunda instância, sob pena de contrariar as regras do processo adminijtítvo fiscal. Vejamos o que diz a jurisprudência: 13 ACÓRDÃO 201-81.453, julgado em 07/10/2008 • PROCESSO ADMINISTRATIVO PISCAI, ['RECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Estando os atos proces.suais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não .submetidas ao julgamento de primeira instância Recurso voluntário não conhecido, por preclusão ACÓRDÃO n'Y 202-19.095, julgado em 04/06/2008. /'RECLUSÃO Matéria não suscitada pelo contribuinte na instância a quo não poderá ser apreciada em grau de recurso em lace da preclusão do seu direito de contestá-la. ACÓRDÃO n" 101-96 648, julgado em 16/04/2008: NORMAS PROCESSUAIS .PRECLUSÃO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - A preclusão prevista no ai!. 17 do Decreto n" 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede a .sua apreciação em sede de recurso voluntário interposto pelo .sujeito passivo AC"ÓRDÃO n" 203-12.594, julgado em 21/11/2007. NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO, MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto 70 235/1972, na redação dada pela Lei n" 9.5.32/1997, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo ACÓRDÃO n°204-02 767, julgado em 19/0.9/2007 CONNS. VENDA À ADMINISTRAÇÃO PUBLICA. RETENÇÃO NÃO CON'IES7A ÇÃO DA QUESTÃO NA IMPUGNAÇÃO 40 AUTO DE INFRAÇÃO. PRECLUSÃO. IMPEDIMI,S1 'O DE CONHECER A. MATÉRIA NO RECURSO VOLUNTÁRIO Não é possível conhecer recurso voluntário que levanta matéria não impugnada c não discutida pela decisão recorrida, operando-se Li "'reclusão quanto ao assunto. ACÓRDÃO a' CSRE/01-05.226, julgado em 13/06/2005: PROCESSO AD.M.INIS1RATIVO FISCAL MATÉRIA NÃO IMPUGNADA — P1?EC.1USÃO Ocorre a preclusão do direito de discutir no processo administrativo quando a parte não impugna determinada matéria, sendo que não é permitido i 11012a 1' ou redirceionar a discussão com o recurso especial Assim, em homenagem aos precedentes desse Conselho Administrativo eom os quais concordo, concluo pelo entendimento de que não se deve conhecer da matéria nova, ou seja, fundamentos sustentados com base no processo n" 19647,008221/2004-91, por se tratar de assunto antigo já do conhecimento do contribuinte ( processo protocolizado em. 2004), e, não argüido na impugnação. Portanto, não se considerando lícito -permitir ao recorrente inovar no pleito recursal para incluir questão que não -libra apresentada quando da impugnação, no que se considera a matéria -preclusa, sob pena de violação ao duplo grau de jurisdição. 11 Processo «19617 001127/2006-72 SI -TE02 Acórdão n .1802-00,542 11 8 Não conhecidos os fundamentos trazidos cm relação ao processo n" 19647..008221/2004-91, passa-se aos pontos pré-questionados na impugnação e na fase recursal.. MULTA DL OFICIO QUALIFICADA A recorrente insurge-se quanto à multa de oficio de 1501)/0, argumentando que há. diferença. entre as hipóteses contidas nos incisos 1 e 11 da lei n" 9430/96 e, .urna tênue linha entre as figuras da declaração inexata e da omissão dolosa. Diz que, a Receita Federal dá a impressão, através de seus atos, de que considera todos os contribuintes culpados, em caso de qualquer erro na declaração. Toda a defesa da contribuinte é no sentido de que, "o comprometimento da Recorrente com a . fiscalização demonstra que não há uma „forte evidência de intuito fraudulento, como lenta impor a Autoridade Fiscal, no que é apoiada pela decisão ora recorrida".. Nesse ponto, diz que diferente é o entendimento do ordenamento jurídico pátrio, que defende ferrenhamente a presunção de boa-fé, pelo que pede vênia para transcrever o artigo 112 do CTN, argiiindo a aplicação da penalidade mais benéfica .na medida em que existe dúvida entre o art.44 da Lei n" 9430/96 que comina penalidade e o artigo 71 da 1.ci n" 4_502/64 que define infrações.. Entendo que no presente caso, não se trata de simples declaração inexata, haja vista os valores escriturados no livros de apuração do ICMS e Razão.. O artigo 44 da l..ei ir 9.430/96, assim prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, -serão aplicadas as seguinit:'s multas . (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de .junho de 2007) 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou (li/crença de imposto ou contribuição rios casos de .fillta pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos- de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) ,ss 1" O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo ..será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n'' 4 502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades- administrativas ou criminais cabíveis (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) Resta evidente que a apresentação dos mencionados livros fiscais e contábil comprovam que o contribuinte de forma reiterada e deliberada, durante os anos calendário de 2002, 2003 e 2004 calculou os tributos e contribuições e informou, por meio de declaração simplificada entregue ao fisco, tomando como base para a.pura.ção parcela ínfima, em torno de 7% (-0..96) da receita. bruta efetivamente auferida e constante dos registros fiscais do 1CMS,„ conforme se extrai do demonstrativo "Levantamento da Receita Mensal" de 11.95 ião' refutado pela recorrente, o que denota o elemento subjetivo da .prática dolosa e Ci acteriza 15 evidente intuito em ocultar o fato gerador da obrigação tributária o que repercute em fraude a ensejar a aplicação da exasperada multa de oficio no percentual de 150%. A aplicação da multa de oficio conforme previsto na Lei n" 9.430/96, art.44, inciso, I, § 1." (qualificada ), justifica-se pela constatação de que o sujeito passivo não declarou os valores lançados de oficio, inclusive apresentando as declarações simplificadas de forma reiterada, com receita bruta em valor ínfimo em relação ao constatado na apuração fiscal.. A prática sistemática da omissão de receitas, adotada durante os anos consecutivos (2002, 2003 e 2004) forma o elemento subjetivo da conduta dolosa e enseja a aplicação da multa qualificada pela ocorrência de fraude , prevista na Lei n° 4..502/64, ou seja, a intenção de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, o que torna aplicável a multa de 150%. Alega também a recorrente que a multa no percentual acima tem caráter contiscatória. Sobre o tema da confiscatoriedade alentada pela recorrente, a jurisprudência nesse Conselho Administrativo, encontra-se pacificada no sentido de que, a vedação constitucional quanto à -instituição de exação de caráter confiscatório se refere apenas aos tributos e não às multas, 1r7,2 o que se depreende das ementas dos seguintes julgados: A(..."ORDÃO n" 102-48.578, julgado em 25/05/2007. CONFISCO — A multa constitui pena/idade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal ACÓRDÃO n" .104-22.944, julgado em 22/01/2008: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCA TORTO - IN0001?1?L'NCIA - A . .falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigir O tributo com acréscimos e penalidades legais, sendo inaplicável a estas o principio do confisco ACÓRDÃO n°101-96.745, julgado em 28/05/2008. MULTA EX OFFICIO. CONFISCO, O princípio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex officio. ACÓRDÃO n" 102-49.367, julgado em 05/11/2008. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter corifiseatório dos tributos, .se re'lere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador; e não ao aplicador da lei. ACORDÃO n" 103-22.704, julgado em 08/11/2006. MULTA EX OFFICIO. CONFISCO. O principio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos. tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex Assim, a conclusão é de que, o principio do não-confisco é inaplicável às multas lançadas de oficio. 16 Processo a" 19647 001127/2006-72. S1-.1.E02 Acórdão a " 1802-W.542 H . 9 Por fim a recorrente alega que, a autoridade administrativa é incompetente para aplicar a penalidade, porque os ilícitos fiscais que tenham como tipo penal uma conduta de fraude, conluio e sonegação somente pode ser aplicada pelo Poder Judiciário. Discordo da afirmação acima e o faço com supedânco no artigo 142 do CIN. que determina à autoridade administrativa a constituir o crédito tributário e a aplicação da penalidade (multa) pelo descumprimento da obrigação tributária.. No tocante aos argumento de Ilegalidade da utilização da taxa SELIC, conlõrme esclarecido na decisão de primeiro grau, trata-se de autorização prevista no art..161 da Lei n" 5. -172/66- Código Tributário Nacional - CTN, e na Lei n" 9.430, de 1996, art.. 61, § .3", incidindo a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, seja qual for o motivo da falta de pagamento do tributo. Não cabe aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicá-la, encontrando óbice inclusive nas súmulas n" 2 e 4 deste F.Conselho Administrativo: Súmula CAI?!' N" 2 O CARI' não é competente para sr pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula N" 4 A partir de 1" de abril de 199.5, os juras moratórias incidentes sobre &Vido.ç tributários adininistrado.s pela Sectetatia da Receita Federal do Butsil são devidos, no período de inadimplêncid, à tara refirendal do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEM.: para títulos federais Desta forma, deve ser mantida a tributação, com „juros de mora e a multa qualificada, como posto na decisão recorrida, visto estar presente o evidente intuito de fraude, de forma reiterada, evidenciado pelas provas existentes nos autos, subsum indo-se os fatos descritos às hipóteses legais. Quanto aos lançamentos das Contribuições Sociais, mantida a exigência do Imposto de Renda Pessoa jurídica, devem igualmente ser mantidas as tributações reflexas, (PIS, Co-fins, CSLL e INSS), decorrentes da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRRI, visto a inexistência de fatos ou outros argumentos que possam indicar outra decisão. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER da matéria não impugnada na primeira instância e NEGÃWpnwirnento ao J., rês, arqws,L- ,/ 17
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001934/00-71
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, considera- se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.447
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 180 2 Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 04/10/2000, fls. 01/05, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$1.055.895,36 destinado ao destinados ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) correspondentes à aplicação do percentual global de 24% (vinte e quatro por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ), relativa ao anocalendário de 1997, fls. 17/50 e 63. Na tela Consulta Declarações IRPJ consta, fl. 04: CONTRIBUINTE C/ DÉB. TRIB. E CONT. FEDE Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 79/81, as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação da regularidade fiscal, de acordo com o art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Acrescenta 8 0s valores declarados da base de cálculo e do valor liquido do incentivo e seus correspondentes normalizados — que são os valores declarados ajustados por processamento eletrônico aos limites determinados pela legislação; são coincidentes e indicam opção de aplicação dirigida ao FINOR no montante de R$1.055.895,36. Quando do processamento da declaração foi apurado o percentual de pagamento do imposto igual a 100% (fls. 6364); 9 Antes de apreciar o pleito do interessado quanto ao seu mérito convém verificar, em caráter preliminar, se o mesmo poderia usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria.Nesse intuito Foram consultados o CADIN e os registros de regularidade mantidos pela SRF, PGFN, INSS e CEF/FGTS (fls. 6578); 10 A aludida consulta indica que o interessado está em situação irregular junto ao CADIN (fl. 65) e à PGFN (fl. 76), impedindoo de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, [...] Cientificada em 26/07/2005, fl. 100, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 23/08/2005, fl. 85/88, que registra, fls. 114/115: 3.1. que o contribuinte faz prova da regularidade fiscal com a Fazenda Pública, através das certidões de regularidade fiscal, expedidas pelas autoridades competentes; 3.2. a existência de apontamentos pela Receita, não significa que os mesmos não foram tratados devidamente, e, se existe certidão de regularidade, concluise que o contribuinte apresentou à autoridade administrativa, seja à Receita Federal ou à Procuradoria, a comprovação de quitação ou suspensão de exigibilidade do crédito tributário, para obtenção da certidão; Fl. 183DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 181 3 3.3. que não pode a simples suposição de existência de débito, obstar o usufruto do direito garantido pela legislação tributária; 3.4. que, ao verificar no Cadin, temos inscrições onde o Credor é a Superintendência de Seguros Privados — SUSEP, e, inexiste especificações da dívida, entretanto, é notário que não se refere à dívida tributária; 3.5. que Certidão da Procuradoria — CQDAU, foi expedida em 21/07/2005, ou seja, em data posterior à inscrição no Cadin, que ocorreu em 23/12/2004, como se comprova no “print" assim, o órgão competente — Procuradoria da União, verificou seus lançamentos e inscrições, verificou que a inscrição referese a créditos da SUSEP, que não guarda relação com as obrigações tributárias , para só então autorizar a emissão e comprovação da regularidade pela certidão. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1616.260, de 30/01/2008, fls. 113/124: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 1998 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Notificada em 27/02/2008, fl. 128, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/03/2008, fls. 129/136, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINOR. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 182 4 Sobre a matéria, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), prevê: Art.592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). [...] Art.601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). §1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): I dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; [...] §2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §2º). [...] Art.614. Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este Capítulo: [...] VI as pessoas jurídicas com registro no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal CADIN (Medida Provisória nº 1.77046, de 11 de março de 1999, arts. 6º, inciso II, e 7º). Parágrafo único.A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069, de 1995, art. 60). Art.615. A empresa em mora contumaz relativamente a salários não poderá ser favorecida com qualquer benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, por parte de órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou de que Fl. 185DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 183 5 estes participem (DecretoLei nº 368, de 19 de dezembro de 1968, art. 2º). [...] Art.617. A empresa que transgredir as normas da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, além das outras sanções previstas, sujeitarseá, nas condições em que dispuser o regulamento, à revisão de incentivos fiscais de tratamento tributário especial (Lei nº 8.212, de 1991, art. 95, §2º). Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 37, que é de adoção obrigatória (art. 72 da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 29/11/2010): Nº Recurso 157232 Número do Processo 16327.002423/200291 Turma 8ª Turma Especial Contribuinte BANCO ITAUCARD S/A Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 09/12/2008 Relator(a) José de Oliveira Ferraz Corrêa Nº Acórdão 19800079 Tributo / Matéria IRPJ AF (ação fiscal) Instituição Financeiras (Todas)Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para AFASTAR o óbice da regularidade fiscal e DETERMINAR o retorno dos autos a unidade de origem para apreciação da composição dos valores que não foram admitidos como incentivos. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1998 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de Fl. 186DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 184 6 negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 155796 Número do Processo 13805.001786/9882 Turma 8ª Câmara Contribuinte BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 19/12/2008 Relator(a) Orlando José Gonçalves Bueno Nº Acórdão 108 09808 Tributo / Matéria Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazêlo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, bem como com base no entendimento jurisprudencial pacificado desta segunda instância de julgamento, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Verificase que constam nos autos as seguintes cópias: Certificado de Regularidade do FGTS – CRF emitido pela Caixa Econômica Federal em 01/07/2005, fl. 78; Certidão Negativa de Débito emitida pela Previdência Social emitida em 16/06/2005, fl. 77; Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais emitida pela Secretaria da Receita Federal com validade até 02/01/2006, fl. 103; e, Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos à Dívida Ativa da União emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitida em 21/07/2005, fls. 101/102. Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (fonte: http://www010.dataprev.gov.br/cws/contexto/cnd/cnd.html, acesso em 06/12/2010): Fl. 187DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 185 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal do Brasil CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Nº 00249201021100010 Nome: UNIBANCO COMPANHIA DE CAPITALIZAÇÃO CNPJ: 61.054.128/000122 Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que constam em seu nome, nesta data, débitos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Esta certidão, emitida em nome da matriz e válida para todas as suas filiais referese exclusivamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em Dívida Ativa do INSS, não abrangendo os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, administrados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), objeto de Certidão Conjunta PGFN/RFB. Conforme disposto nos arts. 205 e 206 do CTN, este documento tem os mesmos efeitos da certidão negativa. Esta certidão tem a finalidade de registro ou arquivamento, em órgão próprio, de ato relativo à redução de capital social, transferência de controle de cotas de sociedade limitada e cisão parcial ou transformação de entidade ou de sociedade empresária ou simples. A aceitação desta certidão está condicionada à finalidade para a qual foi emitida e à verificação de sua autenticidade na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Certidão emitida com base na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 02/05/2007. Emitida em 14/01/2010. Válida até 13/07/2010. Certidão emitida gratuitamente.Atenção:qualquer rasura ou emenda invalidará este documento. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez que comprovou sua a regularidade fiscal no curso do processo, apresentado um conjunto probatório robusto. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 188DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001934/0071 Acórdão n.º 180100.447 S1TE01 Fl. 186 8 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do § 3º do art. 81do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 24 de janeiro de 2011. _____________________________ Moema de Souza Nogueira – Secretária da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 189DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001200/96-04
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR — NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a
Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de
formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida
a apreciação do mérito.
ANULADO O PROCESSO "AB INITIO".
Numero da decisão: CSRF/03-03.211
Decisão: Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento
por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará Declaração de voto.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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CONTRIBUINTES Sessão de : 20 DE AGOSTO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 ITR — NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito. ANULADO O PROCESSO "AB INITIO". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará Declaração de voto. fpeN'.,...--. ,..------- PE" "ii RODRIGUES PRESIDE n TON BAR I' Ti21. ¡LATO FORMALIZADO EM: 29 OUT 2001 - C» Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Participaram, ainda, do presente julgado, os conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. , .,4; DE Re 4 r °(.3 1 (# Ug PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 (5°- çz, RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão da douta 1a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que lavrou Acórdão com a seguinte ementa: "ITR — comprovar, com base em Laudo Técnico de avaliação assinado por profissional devidamente habilitado, ou emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica, que o VTN utilizado como base de cálculo do lançamento não reflete o real valor do imóvel, cabe ao julgador administrativo a prudente critério rever a base de cálculo (art.3°, § 40, Lei n.° 8.847/94). Recurso Provido." O douto Relator designado para lavrar o Voto Vencedor, o Conselheiro Valdemar Ludvig, entendeu que embora o Laudo Técnico apresentado pela requerente não contenha alguns requisitos exigidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, fornece as informações essenciais para o fim a que se propõe e tendo comprovado que o VTN utilizado como base de cálculo do lançamento não reflete o real valor do imóvel, dá provimento ao recurso. Em suas razões de recurso, o ilustre Procurador da Fazenda Nacional assinalou que a decisão "a quo" fundamentou-se em Laudo imprestável, por não estar acompanhado de ART — Anotação de Responsabilidade Técnica. Menciona ainda que as Decisões dos Colegiados de qualquer natureza, administrativos ou judiciais, que aceitarem como válidos esses documentos comprobatórios de serviços prestados sem o acompanhamento do "ART", sujeitam-se à declaração de nulidade das instâncias superiores, por decidirem ignorando expressa determinação legal, conforme dispõe a Lei 5.194/66. Traz como divergência, os Acórdãos, 202-10817 a 202-10825; 202-11332; 202-11292; 202-11295; 202-11306; 202-11307; 202-11536; 202-11516; .7), 202-11494; 202-11495; 203-06.005; 203-06.006; 203-06.007; 203-06.008; 203- 2 _,ot DE e N) 22 PROCESSO N.° 10630.001200/96-04 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 06.277; 203-06.318 e 203-339. Cita ainda decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão CSRF/02-0.837 que, apesar de reconhecer a formalidade maior da ART, não lhe deu o valor que merece, acatando o Laudo de Avaliação, dando provimento ao recurso interposto pelo contribuinte'. Faz juntar cópia dos Acórdãos 202-10.817 e 203-06.005, onde afirmam-se seus fundamentos. Em contra-razões, a contribuinte traz decisões do Conselho de Contribuintes favoráveis à sua tese, juntando ainda novo Laudo Técnico, elaborado pela EMATER/MG, apresentando a original da ART — Anotação de Responsabilidade Técnica, com taxa recolhida em julho de 2.000. É o Relatório. 1 "21. Verifico que o laudo transmite a segurança necessária para que dele se possa inferir que o Valor da Terra Nua da propriedade é dotado de substância. Ainda que pecando por carência de formalidade maior, o que nele contém e que interessa para o deslinde da questão, não sofre máculas pelo que, fosse dotado do mais absoluto formalismo, o seu resultado apontaria na mesma direção. 22. Não tenho, então, porque repelir o laudo apresentado O mesmo atende plenamente os requisitos estabelecidos no § 4° do artigo 3° da Lei n.° 8.847/94, pelo que, com minhas homenagens ao zelo do digno Procurador da Fazenda Nacional dele permito-me discordar, provendo o recurso interposto para aceitar o laudo." 4sigt DE R$5., g -n PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 1/4 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 — VOTO CONSELHEIRO RELATOR: NILTON LUIZ BARTOLI O Recurso Especial de Divergência oposto pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e contém matéria de competência desta E. Câmara de Recursos Fiscais, o que habilita esta Colenda Terceira Turma a examinar o feito. Inicialmente, quer este Relator observar que é obrigação de ofício do Julgador verificar os aspectos formais do processo, antes de iniciar a análise do mérito. E, após a minuciosa análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que a declaração de nulidade da Notificação de Lançamento, constante dos autos, é irretorquível. Senão vejamos. Ao realizar o ato administrativo de lançamento, aqui entendido sob qualquer modalidade, a autoridade fiscal está adstrita ao cumprimento de uma norma geral e abstrata que lhe confere e lhe delimita a competência para tal prática e de outra norma, também geral e abstrata, que incide sobre o fato jurídico tributário, que impõe determinada obrigação pecuniária ao contribuinte. O Código Tributário fornece a exata definição do lançamento no art. 142: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional." 4 fik DE4C13,p Co PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 Não esquecendo que a origem do Direito Tributário é o Direito Financeiro, entendo oportuno lembrar que também a Lei n.° 4.320, de 17.3.1964, que baixa normas gerais de Direito Financeiro, conceitua o lançamento, no seu art. 53: Art. 53. "O lançamento da receita é o ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta". As normas legais veiculam, no mundo do direito positivo, conceitos que devem ser observados no momento em que o intérprete jurídico se defronta com uma situação como a que se apresenta nestes autos. O que se verifica é que o lançamento é um ato administrativo, ainda que decorrente de um procedimento fiscal interno, mas é um ato administrativo de caráter declaratório da ocorrência de um fato imponível (fato ocorrido no mundo fenomênico) e constitutivo de uma relação jurídica tributária, entre o sujeito ativo, representado pelo agente prolator do ato, e o sujeito passivo a quem fica acometido de um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária. Sendo o ato administrativo de lançamento privativo da autoridade administrativa, que tem o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta, e estando tal autoridade vinculada à estrita legalidade, podemos concluir que, mais que um poder, a aplicação da norma e a realização do ato é um dever, pois, como visto, vinculado e obrigatório. Hugo de Brito Machado (op. cit. Pág. 120) ensina: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Tomando conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, ou do descumprimento de uma obrigação tributária acessória, que a este eqüivale porque faz nascer també 5 „ ,Õfi, DE R$.0 f k t PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 o 1/4 ,_ z, g , s° ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 _ uma obrigação tributária principal, no que concerne à penalidade pecuniária respectiva, a autoridade administrativa tem o dever indeclinável de proceder ao lançamento tributário. O Estado, como sujeito ativo da obrigação tributária, tem um direito ao tributo, expresso no direito potestativo de criar o crédito tributário, fazendo o lançamento. A posição do Estado não se confunde com a posição da autoridade administrativa. O Estado tem um direito, a autoridade tem um dever i , Para Alberto Xavier (in, Do Lançamento — Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2a ed., Forense, Rio de Janeiro, 1998, pág. 54 e 66): 1, 1 "O lançamento é ato de aplicação da norma tributária material ao caso em concreto, e por isso se destingue de numerosos atos regulados na lei fiscal que, ou não são a rigor atos de aplicação da lei, ou não são atos de aplicação de normas instrumentais. 1 ... Devemos, por isso, aperfeiçoar a noção de lançamento por nós inicialmente formulada, definindo-o como o ato administrativo de aplicação da norma tributária material que se traduz na declaração 1 da existência e quantitativa da prestação tributária e na sua conseqüente exigência. Esses atos dos agentes públicos, provocados pelo fato gerador, se chamam lançamento e têm por finalidade a verificação, em caso concreto, das condições legais para a exigência do tributo, calculando este segundo os elementos quantitativos revelados po 6 : itok DE %.,„ (# s-cfpu, g PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 1/4 zi is.s.x ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 — essas mesmas condições." (Aliomar Baleeiro, "Uma Introdução à Ciência das Finanças", vol. 1/281, n.° 193). Américo Masset Lacombe (in, "Curso de Direito Tributário", coordenação de lves Gandra da Silva Martins, Ed. Cejup, Belém, 1997) ao tratar do tema "Crédito Tributário", postula: "A atividade do lançamento é, assim, conforme determina o parágrafo único deste artigo, vinculada e obrigatória. É vinculada aos termos previstos na lei tributária. Sendo a obrigação tributária decorrente de lei, não podendo haver tributo sem previsão legal, e sabendo-se que a ocorrência do fato imponível prevista na hipótese de incidência da lei faz nascer o vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, o lançamento que gera o vínculo patrimonial, constituindo o crédito tributário (obligatio, haftung, relação de i responsabilidade), não pode deixar de estar vinculado ao determinado pela lei vigente na data do nascimento do vínculo pessoal (ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei). Esta atividade é obrigatória. Uma vez que verificado pela administração o nascimento do vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo (nascimento da obrigação tributária, debitum, shuld, relação de débito), a administração estará obrigada a efetuar o lançamento. A hipótese de incidência da atividade administrativa será assim a ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei tributária." Nos conceitos colacionados, vemos a atividade da administração tributária como um dever de aplicação da norma tributária. O agente administrativo, no exercício de sua competência atribuída pela lei, tem o dever- 7 G ko PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 .C) al• ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 — poder de, verificada a ocorrência do fato imponível, exercer sua atividade e lançar o tributo devido. O ato administrativo do lançamento é obrigatório e incondicional. Em contrapartida, a administração tributária tem o dever jurídico de constituir o crédito tributário (art. 142 e parágrafo único do CTN), segundo as normas regentes. No caso em tela, a norma aplicável à notificação de lançamento do ITR é o art. 11 do Decreto n.° 70.235/72, que disciplina as formalidades necessárias para a emanação do ato administrativo de lançamento: Art. 11 - A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A norma contida no art. 11 e em seu parágrafo único, esboça os requisitos para formalização do crédito, ou seja, em relação às características intrínsecas do documento, as informações que deva conter, e em relação à 8 "De RN PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 -e)koACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 indicação da autoridade competente para exara-lo. Há, inclusive a dispensa da assinatura da autoridade competente, mas não há a dispensa de sua indicação, por óbvio. Todo ato praticado pela administração pública o é por seu agente, ou seja, a administração como ente jurídico de direito, não tem capacidade física de prolação de atos senão por intermédio de seus agentes: pessoas designadas pela lei que são portadoras da competência jurídica. Não é, no caso em tela, a Delegacia da Receita Federal que expede o ato, enquanto órgão, mas sim a Delegacia pela pessoa de seu delegado ou pela pessoa do Auditor da Receita Federal. Portanto, supor a possibilidade de considerar válido o lançamento que esteja desprovido da indicação da autoridade que o prolatou é desconsiderar a formalidade necessária e inerente ao próprio ato. Seria entender que é dispensável a capacidade e a competência do agente para constituição do crédito tributário pelo lançamento. O ato administrativo, como qualquer ato jurídico, tem como requisitos básicos o objeto lícito, agente capaz e forma prescrita ou não defesa em lei. Mas como poder aferir tais requisitos não constantes do ato? Como saber se o agente capaz estava autorizado pela lei para prática do ato se não se sabe quem o realizou? Para Paulo de Barros Carvalho, "a vinculação do ato administrativo, que, no fundo, é a vinculação do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, mediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo Saraiva, 2000, p. 372). Em nenhum momento poderia a administração tributária dispori 9 (boik DE reee,ti PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 1/4 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 de seu dever-poder, em face da existência de uma norma que, simplesmente, objetiva o vetor da relação jurídica tributária acometida ao sujeito passivo. O processo é constituído de uma relação estabelecida através do vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessário o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros): Os pressupostos processuais — são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processual. São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) — é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vício de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. 10 ,xoçk DE R$.0 §1 1/4 eS: PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 0teSÇ4 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. Nessa linha seguem as normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: "ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N.° 02 DE 03/02/1999: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.° 227, de 03/09/98, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso II, da Lei n.° 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n.° 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: - os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN/SRF n.° 94, de 1997 — devem ser declarados nulos de ofício pela autoridade competente;(sublinhei) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. 11 "DE Rkb„. 2 g PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 gS° 1/4 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n.° 5.172/66 — CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Têm-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85 cujo voto condutor assim dispõe: "Sustenta a Procuradora, com apoio no voto vencido do Conselheiro Antonio da Silva Cabral, que foi o da Minoria, a tese da configuração do vício formal. O lançamento tributário é ato jurídico administrativo. Como todo o ato administrativo, tem como um dos requisitos essenciais à sua formação o da forma, que é definida como seu revestimento material. A inobservância da formas prescrita em lei torna o ato inválido. O Conselheiro Antonio da Silva Cabral, no seu bem fundamentado voto já citado, trouxe a lume, dentre outros, os conceitos de Marcelo Caetano (in "Manual de Direito Administrativo", 10a ed., Tomo I, 1973, Lisboa) sobre vício de forma e formalidade, que peço vênia para reproduzir: O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança ou formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva." 12 efk R000 g PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 _ Também DE PLÁCIDO E SILVA (in "Vocabulário Jurídico", vol. IV, Forense, 2a ed., 1967, pág, 1651, ensina: VÍCIO DE FORMA. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica" (Destaques no original). E no vol. III, págs. 712/713: FORMALIDADE — Derivado de forma (do latim formalistas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado. Neste sentido, as formalidades constituem a maneira de proceder em determinado caso, assinalada em lei, ou compõem a própria forma solene para que o ato se considere válido ou juridicamente perfeito. As formalidades mostram-se prescrições de ordem legal para a feitura do ato ou promoção de qualquer contrato, ou solenidades próprias à validade do ato ou contrato. Quando as formalidades atendem à questão de forma material do ato, dizem-se extrínsecas. Quando se referem ao fundo, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizem-se intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo apresentam como requisitos necessários à validade do ato (capacidade, consentimento), ou se mostram atos preliminares 13 4.0 OE PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 *3b o ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 indispensáveis à validade de sua formação (autorização paterna, autorização do marido, assistência do tutor, curador etc.)." E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matrícula da autoridade a quem a lei outorgou competência para prolatar o ato. Diante do exposto, julgo pela ANULAÇÃO DO PROCESSO, "ab initio", declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Contudo, há de se considerar que este Relator não está a julgar sozinho. Levando-se em conta que a ilustre Turma poderá, por seus Pares, divergir do entendimento acima exposto, superando o óbice da nulidade, então mister se faz prosseguir na análise do Recurso, e, nele, as formalidades de lei e de mérito. E, no mérito, convém anotar que a d. Procuradoria da Fazenda Nacional centrou seu inconformismo unicamente no argumento de que Laudo Técnico de Avaliação, desacompanhado da necessária ART — Anotação de Responsabilidade Técnica, seria imprestável, não podendo ser utilizado como base para revisão do VTN. Como o recurso arranha somente este aspecto, limitar-me-ei a ele. Dispõe o parágrafo 40 do artigo 30 , da Lei n.° 8.847/94 2 ser possível rever o VTNm que vier a ser questionado pelo contribuinte, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado. 2 A autoridade admstrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico edo por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionad pelo contribuinte." 14 _,00k D E R% là' PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 , ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 A própria Secretaria da Receita Federal instituiu a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT/N.° 02, de 08 de fevereiro de 1.996, disciplinando detalhadamente os procedimentos a serem adotados, inclusive no que se refere ao cálculo do Valor da Terra Nua mínimo (VTNm)3. Em nenhuma das duas normas, a primeira legal e a segunda administrativa, se verifica a exigência da ART - Anotação de Responsabilidade Técnica para as Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, "bem como aquelas efetuadas pela EMA TER. Parece lógico que tal exigência seja feita para profissionais liberais (ou escritórios), como forma de apurar a regularidade de suas inscrições junto aos Órgãos de classe. Contudo, foge ao bom senso tal exigência para as Fazendas Estaduais ou Municipais, ou aos Órgãos vinculados a elas, já que fazem parte da administração pública, não sendo crível que tenham em seus quadros profissionais não habilitados junto às Associações de classe. E a EMATER é vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais4. E é igualmente importante ressaltar que a empresa em questão tem competência para elaborar laudos técnicos, notadamente para apontar as reais 3 "12.6, "b". Os valores referentes aos itens do Quadro de Cálculo do Valor da Terra Nua na DITR relativos a 31 de dezembro do exercício anterior, deverão ser comprovados através de: a) LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO, acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrónomo ou Engenheiro Florestal), devidamente habilitados, com os requisitos das Normas da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8799) demonstrando os métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel; b) AVALIAÇÃO efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, bem como aquelas efetuadas pela EMA FER, com as características mencionadas na alínea "a". NOTA — Documento(s) que poderá(ão) ser apresentado(s) a título de referência para justificar as avaliações mencionadas nas alíneas "a" e "b" supramencionadas anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenha(m) divulgado aqueles valores e que levem a convicção do valor da terra nua na data supramencionada." 4 "O Serviço de Extensão Rural no Brasil teve início no Estado de Minas Gerais, com a criação da Associação de Crédito Assistência Rural - ACAR, em 1948. Através da Lei no 6704 de 28.11.1975 e Decreto no 17.836 de 08.04.1976, a ACAR foi transformada na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais - EIVIAI ER-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, dando continuidade ao serviço de extensão rural desenvolvido pela ACAR." (extraído do site www.emater.rag,gov.br) 15 ,a0a 001, t kr0 g] 1/4 1 PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 condições de imóveis rurais e/ou áreas de municípios, já que o faz no Brasil inteiro, sempre em convênio com os governos estaduais ou administrações municipais. Ora, se a empresa é merecedora da confiança do próprio governo do Estado de Minas Gerais (tanto que é vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura), por qual razão não o será para o julgamento nestes autos. A mesma é fonte fidedigna. Não bastassem tais argumentos, há de se considerar que Lei n.° 8.847, no já citado artigo 3°, § 4°, é clara quando diz ser possível a revisão com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica (caso da EMATER) ou profissional devidamente habilitado. A não apresentação da ART pelo profissional não significa que o mesmo não esteja devidamente habilitado perante o Órgão profissional competente. É a própria Procuradoria da Fazenda Nacional quem cita o artigo 67 da Lei 5.194/19665, que nenhuma menção faz à ART. O profissional que não apresenta a Anotação de Responsabilidade Técnica pode perfeitamente estar em dia com o pagamento da respectiva anuidade e ser habilitado perante seu Órgão. A ausência do documento em questão é encarada na lei supra citada como irregularidade sujeita à multa, e nem mesmo o subscritor do recurso conseguiu apontar um dispositivo legal que considere inabilitado o profissional que não apresentá-la. Bastaria, para atender à Lei n.° 5.194;1966, que o profissional apresentasse cópia do recolhimento da anuidade, demonstrando, assim, estar habilitado para o exercício de sua profissão. A exigência da ART é feita somente pela Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT/n.° 2/96, que, aliás, não a exige das Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais, bem como aquelas efetuadas pela EMATER. 5 An. 67. Embora legalmente registrado, só será considerado no legítimo exercício da profissão e atividades de que trata a presente lei o profissional ou pessoa jurídica que esteja em dia com o pagamento da respectiva anuidade. 16 PROCESSO N.° : 10630.001200/96-04 ACÓRDÃO : CSRF/03-03.211 Nesse diapasão, estão, além do supra citado artigo 67, os artigos 13, 15 e 68, todos da mesma Lei. Todos condicionam validade aos trabalhos à habilitação do profissional, sem mencionar a ART. E ainda que assim não fosse, o enxerto trazido pelo Recurso, extraído da respeitável decisão desta E. Câmara de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF/02-0.837, de 21-02-2000, dá o tom mais razoável à interpretação do caso: "Ainda que pecando por carência de formalidade maior, o que nele contém e que interessa para o deslinde da questão, não sofre máculas pelo que, fosse dotado do mais absoluto formalismo, o seu resultado apontaria na mesma direção." Por derradeiro, anote-se que a contribuinte, ainda que tardiamente, fez juntar a tão reclamada ART, às fls. 87, o que somente reforça a rejeição do recurso interposto. Dessa forma, ainda que ultrapassado o defeito formal apontado no início deste voto, não haveria como prestigiar o entendimento esposado pela d. Procurador da Fazenda Nacional. Diante do exposto, é posição deste Relator ANULAR O PROCESSO, "ab initio", declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Contudo, se a Colenda Turma entender de afastar a nulidade mencionada, entendo de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto supra alinhavado. Sala das Sessões, Brasília, 20 de agosto de 2001 NIL N LI7BARILI LATO 17 ,,,ofk Ak-,. o -n Processo n° : 10630.001200/96-04 1/4 d. Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Recurso n° : RD/201-0.364 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : MARGARIDA TEIXEIRA GRIPP DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. 18 „kok Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições”. Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. 19 t Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. 20 t Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar- se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. 21 Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatara, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: 22 Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: 23 Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. 24 Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. 25 , Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. 26 Processo n° : 10630.001200/96-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.211 Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 20 de agosto de 2001. „/ 1,// IQUE • -ADO MEGDA 1 E 27 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10983.721668/2012-73
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .7 21 66 8/ 20 12 -7 3 Fl. 1138DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.139 ___________ Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 9101002.268, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que não conheceu do seu recurso especial. O acórdão embargado tem a seguinte ementa: NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Caso o recurso não demonstre divergência indicando até 2 (duas) decisões paradigmas, resta não atendido requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. ASPECTO TEMPORAL. MATERIALIDADE. PARADIGMAS. INSUFICIÊNCIA DA MOTIVAÇÃO. Incorreção do aspecto temporal implica em vício de ordem material, situação distinta dos acórdãos paradigmas apresentados, que tratam de vícios sanáveis, que não prejudicaram a compreensão da defesa e não consistiram em afronta à legalidade do lançamento Diante desse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração requerendo fossem esclarecidas as omissões a respeito (i) do acórdão paradigma nº 204 01.231, que também trataria da ausência de nulidade quando não houver comprovação do efetivo prejuízo à defesa da contribuinte (item 1.1 do recurso especial); (ii) dos paradigmas nº 30333.365 e 20217.752, como também do pedido de anulação do lançamento por vício formal, tratados no item 1.2 do recurso especial; (iii) do acórdão nº 10193.520, relacionado no item 1.3 do recurso especial. Os embargos de declaração foram conhecidos, por decisão cujas razões se destacam: Inicialmente, pondero que o processo foi encaminhado digitalmente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 11 de abril de 2016, como se verifica dos autos (fls. 1.126). Nos termos do art. 79, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015 os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF com o "término do prazo de 30 (trinta) dias contado da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN por meio digital". O 30º dia a ser considerado como data de intimação da PGFN foi o dia 11 de maio de 2016. Tendo sido opostos Embargos de Declaração em 15 de abril de 2016, sua apresentação é tempestiva. É pertinente observar que o atual Código de Processo Civil considera tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo, como se depreende do artigo 218, §4º. Passase à análise do cabimento destes embargos à luz do Regimento do CARF, que em seu artigo 65 prescreve: “Cabem embargos de Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10983.721668/201273 Resolução nº 9101000.022 CSRFT1 Fl. 1.140 3 declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Lembro que o recurso especial julgado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais foi interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em 12 de março de 2015, à ocasião apresentando divergência na interpretação da lei tributária a respeito das seguintes matérias: a) Nulidade do lançamento, apontado os seguintes acórdãos paradigmas: (a.1) Acórdão nº CSRF 01/05.716, no qual consta que “Se o ato alcançou s fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a "motivação" feita pela autoridade administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado.” (a.2) Acórdão 10417279, no qual se decidiu que “O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal).” Em seu recurso especial, a Procuradoria ainda menciona outros 2 acórdãos (20401.231, 30333.365 e 202.17.752), relacionando o primeiro deles ao ponto 1.1 da peça (que é denominado "Inexistência de Nulidade") e os demais ao ponto 1.2 da peça recursal (identificado como "Da Natureza do Vício"). b) Não conhecimento do recurso de ofício, indicando como paradigmas os Acórdãos nº 10193767, que decidiu que: “Anulada a decisão singular por cerceamento de defesa, perde o objeto o recurso de ofício interposto.” e 10193.520, no qual consta que "Se, apreciando o recurso voluntário, a Câmara cancela integralmente o lançamento, perde o objeto o recurso de ofício. " Em voto vencido a respeito do primeiro ponto ("Nulidade do Lançamento"), a Relatora entendeu por conhecer do recurso especial considerando a divergência com os acórdãos nº CSRF 01/05.716 e 10417279, que tratavam da motivação do auto de infração. Diante disso, em voto vencido não restou necessária a análise dos outros três paradigmas para fins da análise do conhecimento do recurso especial, na medida em que estes acórdãos foram indicados em recurso especial sobre a mesma matéria (acórdãos 20401.231, 30333.365 e 202.17.752). Ressalto que a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que há dois pontos autônomos a respeito da Nulidade, definidos em seu recurso Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10983.721668/201273 Resolução nº 9101000.022 CSRFT1 Fl. 1.141 4 especial como "Inexistência de Nulidade" e "Da Natureza do Vício" (itens 1.1 e 1.2 respectivamente). A Relatora, no entanto, tratou do tema como uma só questão, identificada como Nulidade do Lançamento. Pois bem. Restando vencida neste ponto ("Nulidade do lançamento") por decisão da maioria do colegiado que não conheceu do recurso especial, restou omisso o acórdão embargado possivelmente pelo sucinto relatório apresentado na apreciação dos outros três acórdãos indicados como paradigmas (20401.231, 30333.365 e 202.17.752). Pondero que o RICARF/2016 (Portaria 343, de 9 de junho 2015) atualmente define que "na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartando os demais", como se observa do artigo 67, §7º. Em sentido similar previa o RICARF/2009 (Portaria MF 256, dde 22 de junho de 2009), vigente ao tempo da interposição do recurso especial, conforme artigo 67, §5º. De toda sorte, caberá ao colegiado se manifestar a esse respeito, razão pela qual entendo devam ser conhecidos os embargos de declaração, para manifestação da Turma a respeito dos 3 (três) acórdãos paradigmas acima citados: 20401.231, 30333.365 e 202.17.752 e sobre o pedido de anulação por vício formal, inclusive para decisão sobre sua autonomia em relação ao pedido de "Inexistência de Nulidade" (item 1.1 do recurso especial). Ademais, sustenta a embargante que haveria omissão sobre o segundo paradigma indicado para o tema tratado no item 1.3 do recurso especial (identificado como "Do conhecimento do Recurso de Ofício"), qual seja, acórdão nº 10193.520. De fato, houve omissão na apreciação deste paradigma, razão pela qual conheço dos embargos de declaração a esse respeito. Após a apresentação dos embargos de declaração, a contribuinte apresentou requerimento para que os autos fossem encaminhados ao Conselheiro André Mendes Moura, prolator do voto vencedor, pedido rejeitado pelo Presidente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Voto Os embargos de declaração são tempestivos, havendo possíveis omissões a serem analisadas pela Turma, conforme despacho de admissibilidade anteriormente mencionado. Os embargos de declaração tratam de 3 (três) omissões no acórdão recorrido, quais sejam: (i) a respeito do acórdão paradigma nº 20401.231, que também trataria da ausência de nulidade quando não houver comprovação do efetivo prejuízo à defesa da contribuinte (item 1.1 do recurso especial); (ii) dos paradigmas nº 30333.365 e 20217.752, como também do pedido de anulação do lançamento por vício formal, tratados no item 1.2 do recurso especial; (iii) do acórdão nº 10193.520, relacionado no item 1.3 do recurso especial. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10983.721668/201273 Resolução nº 9101000.022 CSRFT1 Fl. 1.142 5 Na presente resolução, tratarei apenas da omissão quanto aos acórdãos paradigmas nº 30333.365 e 20217.752 (item "ii" acima), observando o quanto decidido pela Turma em sessão de julgamento. Com efeito, os acórdãos paradigmas nº 30333.365 e 202.17.752 não foram analisados pelo acórdão embargado proferido por esta Turma, configurandose possível omissão a ser sanada, como referido em decisão de admissibilidade dos embargos de declaração. Estes acórdãos foram indicados como paradigma no item 1.2 do Recurso Especial intitulada "Natureza do Vício". Ocorre que o despacho de admissibilidade do recurso especial, proferido pelo Presidente da Segunda Câmara desta Primeira Seção não enfrentou a tese alternativa, sobre a "Natureza do Vício" (item 1.2 do recurso especial), pelas seguintes razões: "Além dessas teses, a recorrente apresentou tese alternativa para a natureza do ato, a ser apreciada na eventualidade de se considerar que não teria sido demonstrada a divergência entre entendimentos para essa matéria. Em face de terse considerado que a divergência de entendimentos para a nulidade da autuação ter sido demonstrada, descabe proceder à análise dessa outra tese." Como inexiste decisão a respeito da admissibilidade do recurso especial no tocante ao item 1.2 daquele recurso, de rigor baixem os autos para complementação da admissibilidade pelo Presidente da Câmara, proferindose decisão complementar a esse respeito. A providência evita qualquer prejuízo relacionado à competência do Presidente de Câmara para analisar a admissibilidade do recurso especial neste ponto, como também do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para reavaliar a decisão após eventual agravo. Após tais providências, os autos devem retornar a esta Turma para apreciação dos pontos de embargos acima citados ("i" e "iii" acima enumerados), como também caso admitido o recurso especial no que concerne ao item 1.2 das razões do recurso especial, pelo Presidente de Câmara ou mesmo pelo Presidente da CSRF para análise da omissão apontada quanto aos acórdãos paradigmas nº 30333.365 e 20217.752 (item "ii" supra citado). (Assinado Digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1142DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.001707/2008-04
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2000
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 aplica-se, também, às pessoas jurídicas optantes do sistema simplificado.
Numero da decisão: 1201-000.790
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2000 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 aplica-se, também, às pessoas jurídicas optantes do sistema simplificado.
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 aplicase, também, às pessoas jurídicas optantes do sistema simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 17 07 /2 00 8- 04 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1425.988, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto – SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 555 e ss.): No âmbito do procedimento de fiscalização instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08.1.18.002008 001703, que determinou a fiscalização de tributos relacionados com o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, a pessoa jurídica em epígrafe teve contra si auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para a Seguridade Social (INSS), acrescidos de juros de mora e multa de oficio, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 001/067), conforme segue: (...) Segundo consta do Relatório de Fiscalização (fls. 68/74), em procedimento de auditoria no anocalendário de 2006 constataramse depósitos bancários no montante de Cr$ 8.006.220,10 enquanto que a receita bruta informada na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Simples (PJSI) fora de Cr$ 583.376,57. Intimada a apresentar extratos bancários, bem assim a comprovar a origem dos recursos movimentados, além de livros contábeis, documentos fiscais e demais documentos referentes ao período sob fiscalização, a contribuinte juntou cópia do contrato social, livro caixa e talões de notas fiscais. Quanto aos extratos bancários, não atendeu à intimação. Após obter os extratos bancários que as instituições financeiras apresentaram em atendimento das intimações a elas endereçadas, a autoridade fiscal procedeu a conciliação entre as contas de depósitos respectivas, com exclusão de transações de contas com a mesma titularidade, além de outros lançamentos que não representavam ingressos de recursos, cujo montante foi de Cr$ 5.374.772,06, sintetizados em demonstrativo endereçado à contribuinte para que justificasse a origem dos créditos respectivos. Em resposta, alegou a contribuinte que parte dos depósitos tem origem no desenvolvimento da atividade rural dos sócios da empresa, que para ela repassam os recebimentos. Arguiu que Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 4 3 movimentações financeiras decorrentes de empréstimos obtidos não foram deduzidas do total apurado, pelo que juntou resumo dos contratos. As considerações que a contribuinte expendeu não foram levadas em conta pelo fato de inexistir correspondência de valores e datas entre os alegados recebimentos da atividade rural e os créditos nas contas de depósitos. Quanto aos empréstimos, a documentação que a contribuinte anexou exemplificativamente não foi suficiente para comprovar transação financeira. Dessa forma, após acrescentar venda para exportação escriturada no Livro Caixa e não informada na PJSI e deduzir a receita bruta declarada apurouse o total de omissão de receita, descrito no quadro 3.4.3 do relatório (fl. 72). Consignou a autoridade fiscal ter formalizado representação fiscal ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marília para exclusão do Simples em face de que a receita bruta, após ter sido apurado conforme consta do relatório, apresentarase ao teto legalmente previsto. Regularmente intimada da imposição tributária a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 530/549 com alegação de que: é improcedente a imposição lastreada em depósitos bancários, que caracteriza nova forma de determinação da base de cálculo de tributo, matéria reservada à lei complementar; ocorreu afronta ao princípio da capacidade contributiva; é improcedente o lançamento cuja base de cálculo seja apurada presuntivamente; na apuração da base imponível a autoridade fiscal deveria proceder ao arbitramento do lucro, em face dos preceitos que emanam do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda, que determina tal sistemática de apuração quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte não se prestar a identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária. é improcedente a elevação dos percentuais sobre a receita bruta. Ao final propugnou pelo acolhimento de suas alegações. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 5 4 DEPÔSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, deverão calcular o seu valor com base na receita bruta, na forma disciplinada na Lei n° 9.317/96 e legislação superveniente. Cobramse através de lançamento de ofício as importâncias correspondentes a depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. PRESUNÇÃO JÚRIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o crédito bancário incomprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, à omissão de receita (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 573 e ss.) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na impugnação. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Tributação dos Depósitos Bancários No item 1 de seu recurso, intitulado “Tributação dos Depósitos Bancários”, a interessada expões argumentos que podem ser assim resumidos: Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 6 5 a) a tributação dos depósitos bancários, por não se constituir em fato gerador do imposto de renda, somente poderia ser instituída por meio de lei complementar, conforme estabelecido no art. 146, III, “a”, da Constituição, bem como representa transgressão ao princípio constitucional da capacidade contributiva; b) a presunção de omissão de receita de que cuida o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Simples, haja vista o disposto o art. 18 da Lei nº 9.317/96, que estabelece que a omissão de receitas deve ser apurada com base nos livros e documentos da empresa, e não em informações obtidas junto a terceiros. Pois bem, em relação aos argumentos resumidos no item “a” acima, é de se dizer que o lançamento foi realizado com base no disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Ora, o argumento da recorrente somente poderia ser aqui conhecido se este Colegiado fosse competente para deixar de aplicar norma legal em razão de sua inconstitucionalidade, algo que não o é. Veja, a esse respeito, o disposto na súmula nº 2 do CARF, bem como no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, verbis: Súmula CARF nº 2 (DOU de 09/12/2010): O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Já o argumento exposto no item “b” retro é de ordem distinta. Segundo a interessada, as presunções de omissão de receita das pessoas jurídicas optantes pelo Simples só podem ser apuradas com base nos livros e documentos a que essas pessoas estejam obrigadas a manter, conforme disposto no art. 18 da Lei nº 9.317/96, que assim prescreve: Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 7 6 Ocorre que, entre os documentos que a contribuinte está obrigada a manter encontrase justamente os extratos de suas contas correntes bancárias, já que tais documentos servem de base à escrituração de sua movimentação financeira. Veja, a propósito, o disposto no art. 7º da mesma Lei nº 9.317/96: Art. 7° (...) § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (...) c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. (...) Ora, se a contribuinte está obrigada a manter e apresentar à fiscalização os extratos de suas contas correntes bancárias, a presunção de omissão de receita de que cuida o art. 42 da Lei nº 9.430/96 está em perfeita consonância com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.317/96. O fato de a fiscalização haver obtido esses extratos diretamente das instituições financeiras (haja vista a negativa da contribuinte em apresentálos voluntariamente), em nada altera a validade da presunção. 3) Da Origem dos Valores Depositados Alega a recorrente, em primeiro lugar, que parte dos valores depositados em suas contas correntes bancárias tem origem em empréstimos firmados com as instituições financeiras, conforme documentos de fl. 450 e ss. Pois bem, pelo exame dos documentos de fl. 450 e ss. é possível constatar que apenas parte deles referese ao ano de 2006, objeto da autuação. Ademais, em relação aos documentos relativos ao ano de 2006, verificase que nenhum dos empréstimos ali indicados está presente no demonstrativo de depósitos de origem não comprovada que serviu de base à autuação (fl. 75 e ss.). Em segundo lugar, argumenta a recorrente que parte dos valores depositados nas contas correntes da pessoa jurídica pertence a seus sócios, e tem origem em atividade rural exercida por estes, conforme notas fiscais de produtor rural de fl. 458 e ss. Pelo cotejo entre as notas fiscais de produtor rural apresentadas e o demonstrativo de depósitos de origem não comprovada, não foi possível verificar qualquer correspondência entre eles. Ademais, caberia à contribuinte provar, e não apenas alegar, que referidos depósitos realizados nas contas da pessoa jurídica de fato são fruto de rendimentos de seus sócios. Não havendo essa prova, presumese que os valores depositados pertencem ao titular da Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 8 7 conta corrente que, no caso, é a pessoa jurídica. É o que dispõe o art. 42, caput e § 5º da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) 4) Da Forma de Tributação Adotada Alega a recorrente que, seja em razão da imprestabilidade de sua escrita, seja em razão da vultosa omissão de receita apurada pela fiscalização, a tributação haveria que ser realizada com base no lucro arbitrado. Pois bem, em primeiro lugar é de se dizer que, para ser tributada com base no lucro arbitrado, a pessoa jurídica optante pelo sistema simplificado deve, primeiro, ser excluída de ofício desse regime. Em outras palavras, não pode o auditor arbitrar o lucro de uma microempresa ou empresa de pequeno porte sem, antes, excluíla do sistema simplificado. É o que estabelecem os seguintes artigos da Lei nº 9.317/96: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. (...) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); (Vide Medida Provisória nº 275, de 2005) (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 9 8 II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Vide Medida Provisória nº 275, de 2005) (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) (...) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); III resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; VI comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 10 9 (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. (...) Como visto acima, em especial no art. 14, a alegada “imprestabilidade da escrita” não é causa de exclusão da contribuinte do Simples, razão pela qual, ainda que realmente sua escrita fosse imprestável, o auditor não poderia arbitrar o lucro da ora recorrente. No que toca ao montante da omissão de receita apurada, e em que pese esse montante ter atingido quase 90% do total das receitas do período (vide demonstrativos à fl. 72), o fato é que a jurisprudência do CARF apontada pela recorrente limitase à apuração de lucro real, e não ao lucro presumido ou ao Simples (fl. 530/531). Isso porque a apuração do lucro real exige a tributação das receitas mas autoriza a dedução de despesas e custos. Assim, quando a omissão de receita é muito maior que a receita declarada, e não havendo informações sobre as correspondentes despesas e custos a que o contribuinte teria direito a deduzir, o CARF tem entendido que se faz necessário o arbitramento do lucro, já que nesta forma de tributação as despesas e os custos estão “embutidos” nos coeficientes de presunção de lucro previstos em lei. Referida jurisprudência não é aplicável à apuração de lucro presumido ou ao Simples, pois também aqui não há dedução de custos e despesas efetivamente incorridos, já que estes estão “embutidos” nos coeficientes de presunção de lucro previstos em lei. 5) Da Insuficiência de Recolhimento Alega a recorrente que, afastada a presunção de omissão de receitas, é de se afastar, também, o lançamento por insuficiência de recolhimento derivado da elevação dos coeficientes de recolhimento do Simples (art. 5º da Lei nº 9.317/96). Todavia, como foi mantida integralmente a presunção de omissão de receitas, não há que se alterar o lançamento realizado por insuficiência de recolhimento. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.001707/200804 Acórdão n.º 1201000.790 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10909.003964/2006-33
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
O frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção gera créditos e, por sua vez, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim.
REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO
O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial nº 993.164/ MG).
Numero da decisão: 3802-001.679
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
Nome do relator: Relatorf
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção gera créditos e, por sua vez, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial nº 993.164/ MG). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 39 64 /2 00 6- 33 Fl. 1415DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, inerente a pedido de ressarcimento de créditos da COFINS pelo regime nãocumulativo referente ao quarto trimestre de 2005. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou, em 06/05/2008, recurso voluntário (fls. 651/656), onde requer seja homologado o crédito do PIS relativo às glosas das despesas de armazenagem de mercadorias e aos fretes pelo envio das mesmas para o porto a partir dos estabelecimentos localizados o interior. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10909.003964/200633 Acórdão n.º 3802001.679 S3TE02 Fl. 1.414 3 Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator, inerente ao processo nº 10909.000587/200842, e que foi adotado como razões de decidir nos demais processos da interessada julgados na mesma sessão de 19/03/2013: "Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, e não havendo qualquer nulidade, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante decisão: Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço da presente manifestação de inconformidade. 1. Dos limites do litígio: Como visto no relatório acima, a contribuinte contesta as glosas dos créditos de Cofins relativos às aquisições de pessoas físicas, bem como relativo aos fretes de envio das mercadorias para o porto a partir dos estabelecimentos localizados no interior. Delimitado o litígio, a análise se restringirá, portanto, à análise dos argumentos da contribuinte em relação à glosas contestadas. 2. Da Manifestação de Inconformidade: 2.1. Créditos relativos às aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas: Como no relatório deste acórdão se viu, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas, fazendoo por meio de alegações tendentes à demonstração de que não se justifica, juridicamente, a diferença de tratamento entre aquisições realizadas de pessoas jurídicas e aquisições realizadas de pessoas físicas. Entende que a norma que prevê tal distinção conformase como "não isonômica" e, na prática, transforma o regime nãocumulativo em cumulativo. Defende, assim, o reconhecimento do direito ao crédito da Cofins relativo às aquisições de toras de pinus junto a pessoas físicas. Todavia, não podem ser aqui acatadas as alegações da contribuinte. É que independentemente do juízo que se faça acerca da alegada quebra de isonomia que teria sido promovida pela norma referenciada pela autoridade fiscal, verdade é que a impossibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens e serviços junto a pessoas físicas está firmada de modo expresso e literal em norma legal vigente, o parágrafo 3º do artigo 3º da lei nº 10.833/2003. Em tal dispositivo é que consta o comando segundo o qual apenas as aquisições efetuadas junto a pessoas jurídicas dão direito a crédito: Art 3º [...] § 3º O direito de crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 1417DF CARF MF 4 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (g.n.) Diante deste quadro, onde se percebe que a vedação contestada pela contribuinte está expressa em disposição literal de lei regularmente vigente, nada pode fazer este juízo administrativo que não seja reafirmar sua incompetência para apreciar a alegação da contribuinte. É que como a única forma de acatar as razões da contribuinte seria por via do expurgo da norma legal acima transcrita (o que representaria afirmar sua ilegalidade ou inconstitucionalidade) e como as instâncias administrativas não têm competência para apreciar questões que versem sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente vigentes, não há como haver qualquer manifestação deste juízo, pois isto representaria uma clara extrapolação de suas atribuições legais. No sentido desta limitação de competência dos agentes públicos tem se firmado tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de nº 10607.303, de 05/06/95: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas. Complementarmente, temse, a nível de orientação administrativa, o Parecer Normativo CST nº 329/70, que assim dispõe: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Assim, como a Lei nº 10.833/2003 está vigente, não pode este juízo Afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência. Quanto à jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte, ela em nada a ajuda. É que tais precedentes referemse a outra figura jurídicotributária, o crédito presumido do IPI, que tem regras próprias que não podem ser estendidas, por analogia, ao regime de apuração da Cofins. Nada há aqui, portanto, que demande reparos no despacho decisório da DRF/Itajaí/SC. 2.2. Créditos relativos às despesas de frete realizado entre estabelecimentos do sujeito passivo: Continuando suas contestações, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos vinculados às despesas de frete nas operações de venda. Apesar de no título desta parte de sua manifestação de inconformidade fazer referência também a despesas de armazenagem, Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10909.003964/200633 Acórdão n.º 3802001.679 S3TE02 Fl. 1.415 5 todas as suas alegações dirigemse às despesas com fretes. Abordarse á, assim, tal questão. Pois bem, em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte insurgese contra as glosas de suas despesas com frete, fazendo uma descrição de seu modus operandi, que, como no relatório deste acórdão se viu, está calcado na afirmação de que os fretes relativos às transferências de bens estariam associados ao transporte destes bens para um armazém, localizado perto do porto de embarque para exterior, no qual seriam feitas as compartimentações finais destinadas à exportação. Assim, entende que tais operações comporiam as operações de venda e, como tal, poderiam gerar créditos relativos à Cofins. Para que bem se analise a questão, importa que se tenha em conta, antes de mais nada, a evolução legal relativa ao creditamento de valores relativos a fretes pagos pela pessoa jurídica contribuinte da Cofins no regime nãocumulativo, o que será feito a seguir com base numa visão retrospectiva que envolve, conjuntamente, o PIS e a Cofins. A Lei nº 10.637/2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, em seus incisos I e II do art. 3º, com a nova redação dada ao inciso II pelo art. 25, da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e pelos §§ 1º e 3º do referido art. 3º, assim estabelecem: Art.3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º desta Lei sobre o valor: I – dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II – dos itens mencionados nos incisos III a V do caput, incorridos no mês; III – dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV – dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II – aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III – aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] Tais disposições foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865/2004, abaixo transcrito. Contudo, verificase que não Fl. 1419DF CARF MF 6 modificou no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda: Art. 37. Os arts. 1º, 2º, 3º, 5º, 5ºA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3º ........................................................................................... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) no § 1º do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mão de obra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. [...] Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) o legislador além de permitir crédito calculado sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passouse a admitir também o aproveitamento de crédito da Cofins calculado sobre o valor dos gastos efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3º caput e inciso IX, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] O art. 15 da citada Lei nº 10.833/2003, estendeu o comando previsto no dispositivo acima transcrito, também, às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, o direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda, conforme se depreende da transcrição a seguir: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10909.003964/200633 Acórdão n.º 3802001.679 S3TE02 Fl. 1.416 7 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º , incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º , e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Cabe ressaltar que a referida Lei nº 10.833/2003, em seu art. 93, estabeleceu expressamente, que os seus arts. 3º, inciso IX, e 15, que permitem a geração de créditos das contribuições sobre o valor do frete, na operação de venda, têm efeitos somente para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004, in verbis: Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; [...] Pois bem, feito este histórico, inferese que a legislação expressamente permite o creditamento de valores relativos a despesas com frete de mercadorias em três hipóteses. A primeira, estabelecida no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, referese ao caso de bens adquiridos para revenda, onde o frete referente à aquisição de mercadoria pode ser somado ao custo da mercadoria. A segunda hipótese é a de se entender a despesa com frete como um bem ou serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003). A terceira hipótese é a do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, que se refere ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Analisando as hipóteses previstas na legislação, concluise que, no caso de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, o pagamento de frete poderá ser creditado da base de cálculo da contribuição nãocumulativa quando se enquadrar em uma das três hipóteses acima relacionadas. Como no caso concreto que aqui se tem o transporte entre filiais somente ocorre quando o processo de industrialização (beneficiamento) das madeiras já finalizou e as mercadorias estão prontas para serem comercializadas, excluemse as duas primeiras hipóteses de creditamento das despesas com frete de mercadorias. Resta, então, a terceira possibilidade – o custo do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em interpretação literal da legislação, verificase que somente dará direito ao crédito o frete contratado relacionado a uma operação de venda. O mero deslocamento de mercadorias (prontas para a venda) de estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor, onde ocorrerá a efetiva venda, não integra a “operação de venda”. Tratase tãosomente de transporte interno de mercadoria acabada e não de despesas com fretes utilizados na operação de transporte na venda de mercadoria ao cliente adquirente. Assim, no caso concreto que se analisa, se a venda das mercadorias transportadas ocorrer na filial armazém, não pode esse frete ser entendido como frete na operação de venda. Fl. 1421DF CARF MF 8 A contribuinte, em sua defesa, ao descrever seu modus operandi se limita a alegar que faz jus aos créditos correspondentes aos custos com fretes na operação de venda uma vez que se tratam de “frete de mercadorias para a exportação”, as quais são armazenadas próximas ao porto de embarque, onde se dá a tradição. Em certo momento da manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que “[...] de modo a armazenar as mercadorias que fabrica próximas ao local de sua tradição por ocasião da venda”, dando a entender que transporta as mercadorias (prontas para serem exportadas) para o armazém e, a partir desta filial é que as mercadorias serão vendidas. Dentro deste quadro, à contribuinte caberia provar que as mercadorias transportadas entre estabelecimentos da mesma empresa estão vinculadas a uma venda já efetuada pelo estabelecimento remetente. Apenas a comprovação de que as exportações se deram por conta e ordem do estabelecimento industrial remetente, e não do estabelecimento destinatário (armazém), é que dariam o direito de creditamento. Dentro deste quadro, temse como correta a glosa promovida pela DRF/Itajaí/SC. 3. Conclusão: Assim, em face das considerações expostas, manifestome no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. É como voto. Tendo em vista o que dos autos consta, a lide administrativa limitase a definir: (i) se o transporte entre filiais gera crédito da Cofins NãoCumulativa e (ii) se há direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física. A primeira questão posta em discussão é somente a possibilidade ou não de se tomar crédito dos fretes entre estabelecimentos da Recorrente para fins de formação de lotes para exportação. A norma de referência é o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, assim expresso: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10909.003964/200633 Acórdão n.º 3802001.679 S3TE02 Fl. 1.417 9 Sobre este tema já se manifestou a Coordenação de Tributação na Solução de Divergência n° 11, datada de 27/09/2007, que está assim ementada: COFINS Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. A decisão, portanto, se fundamentou no entendimento de que o frete contratado não corresponde, no presente caso, nem a insumo, nem a frete na operação de venda. Pelo que se pode defluir do excerto acima não há nada a substanciar a decisão senão o simples fato de se apontar que o frete entre filiais não integra o conceito de insumo nem o de frete na operação de vendas, sem qualquer efetiva explicação acerca do entendimento, de modo que essa afirmação é meramente afirmativa e não é tautológica, não corresponde a um argumento, não servindo àquilo que está obrigado o poder público. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade. O que estamos a averiguar é se o frete entre estabelecimentos para formar lotes de madeiras para comercialização pode ser considerado como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou se pode ser tomado como parte da armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Entendo que em qualquer óptica que se examine o frete, tem a contribuinte direito ao crédito referente ao custo que suportou. Inicialmente, não posso concordar com o posicionamento apresentado na solução de consulta de que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes que pode gerar crédito. Do mesmo modo que o frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção geram créditos, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim. No primeiro caso, inclusive, nem há uma disposição legal específica que preveja apuração de crédito em relação a tais despesas. Decorre de uma interpretação lógica da própria operação que o tem como um custo de aquisição. No presente caso, uma interpretação razoável implica em têlo como custo de comercialização, sem o qual o processo não pode ser completado. Fl. 1423DF CARF MF 10 Além disso, as transferências de mercadorias para o Porto ou centro de distribuição para formar os lotes não têm outro propósito senão a operação de venda, a aproximação das mercadorias aos consumidores finais ou simplesmente para viabilizar a exportação. O legislador ao utilizarse da expressão ‘operação de venda’ ao invés de ‘venda’ propriamente dita, teria objetivado esta intenção, qual seja, conferir crédito de PIS e COFINS sobre o frete para transporte de mercadorias sempre que este transporte estiver relacionado à atividade de venda. Outro ponto importante que corrobora esse raciocínio está no inciso IX, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003, que trata, também, dos referidos créditos em relação aos valores incorridos com armazenagem. Ora, não faria nenhum sentido, ou nenhum aplicabilidade prática, caso esta armazenagem fosse aquela relacionada com a venda de mercadoria ao consumidor final, uma vez que a mercadoria vendida normalmente deixa a loja varejista para ser entregue diretamente ao cliente, e não para ser inicialmente depositada em algum armazém, para apenas em seguida ser entregue ao cliente. Em outras palavras, o legislador, ao conferir o direito aos referidos créditos em relação às despesas com armazenagem, na operação de venda, teve a intenção de abranger as hipóteses em que as mercadorias são armazenadas em centros de distribuição ou como no presente caso, no Porto, e, de lá, são encaminhadas a lojas varejistas ou são exportadas, pois toda essa operação (armazenagem em centro de distribuição, transferência a loja varejista, e venda e entrega ao cliente ou exportação) está inserida no contexto da ‘operação de venda’ especialmente nos casos aonde a transferência é necessária, não meramente voluptuária. No presente processo, como há de se compreender, terseia a mesma despesa de frete sobre venda se a consolidação da carga fosse realizada na área portuária, não sendo possível desclassificar o crédito em função da forma de organização de sua atividade comercial, principalmente quando esta escolha se dá por necessidade operacional e é a única viável existente, considerando a sabida precariedade dos portos nacionais. Assim, não sendo reconhecido como frete sobre a ‘operação de venda’ deveríamos reconhecêlo como custo de armazenagem. Esse sentido seguiu a recente decisão (de 22/08/2012) da E. Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.215.773 – RS que admitiu o crédito do custo do frete na transferência de veículos para as concessionárias, cuja ementa é a seguinte: RECURSO ESPECIAL. VALOR DO PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS PELA CONCESSIONÁRIA PARA REVENDA. DESCONTOS DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. EXEGESE DOS ARTIGOS 2º, 3º, INCISOS I E IX, E 15, INCISO II, DA LEI N. 10.833/2003. – Na apuração do valor do PIS/COFINS, permitese o desconto de créditos calculados em relação ao frete também quando o veículo é adquirido da fábrica e transportado para a concessionária – adquirente – com o propósito de ser posteriormente revendido. Recurso especial parcialmente provido. Ressalto, nesse caso, trecho do referido acórdão, assim expresso pelo Ministro Asfor Rocha, cujos destaques são por mim realizados: Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10909.003964/200633 Acórdão n.º 3802001.679 S3TE02 Fl. 1.418 11 Ora, seguindo a literalidade dos dispositivos acima, mais especificamente do art. 3º, incisos I e IX, não se pode restringir a possibilidade de desconto ao caso em que a venda ao consumidor é realizada antes do transporte do bem para a concessionária. Na minha compreensão, a leitura dos dispositivos deve ser feita assim: “frete na operação de venda (inciso IX), em relação a bens adquiridos para revenda (inciso IX c/c o inciso I)”. Esse texto, sem dúvida, permite o desconto envolvendo o frete também quando o veículo é transportado para a concessionária com o propósito de revenda. É o que diz a lei em relação à Cofins e ao PIS/Pasep. Esse entendimento fica ainda mais fortalecido quando se observa que a lei permite, expressamente, nos mesmos dispositivos, o desconto de créditos calculados em relação a “armazenagem de mercadoria” no tocante a “bens adquiridos para revenda”. Ou seja, o armazenamento destinase à revenda de bens ao consumidor. Destaco, ainda, com relação ao mesmo julgamento o voto do Ministro Teori Albino Zavascki, assim expresso: O EXMO. SR. MINISTRO: Sr. Presidente, não há como desvincular o inciso IX do inciso I do art. 3º, até porque o inciso IX remete expressamente ao inciso I. Ou seja, estamos tratando de uma operação de revenda, de bens adquiridos para revenda. Na operação de revenda, o que se chama operação de venda é complexa porque supõe um fazer anterior, uma operação anterior. É uma operação complexa nesse sentido, porque é dupla. Em se tratando especificamente de revenda de automóveis, se limitarmos a frete aquilo que sucede depois da aquisição pelo revendedor, praticamente tornaríamos letra morta o dispositivo, porque o frete, no geral, é no transporte do fabricante para o revendedor É exatamente o que ocorreria aqui se mantivéssemos a proibição confirmada pela decisão da DRJ. A Lei tornarseia letra morta. No mais, e somente para introduzir mais um ponto favorável à tese aqui esposada, tenho que, no contexto do inciso II, esse frete é complementarmente insumo de produção. O inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833 expressa que são passíveis de crédito os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Diz, portanto, que os insumos necessários utilizados no processo de formação dos produtos destinados a venda são passíveis de crédito. Os insumos no contexto do regime de apuração da contribuição nãocumulativa da COFINS devem ser considerados como todos os fatores necessários ao desempenho das atividades empresariais, seja na produção, comercialização de bens ou prestação de serviços. Fl. 1425DF CARF MF 12 Implica, antes de mais nada, em entender os insumos inseridos no processo de complexão dos produtos que se pretende vender, parte do processo produtivo. E há de se compreender o processo como complexo de bens e serviços empregados do início ao fim do processo de produção e venda, mesmo porque não se excluem os insumos referentes à venda por mera interpretação extensiva e porque ninguém, salvo o varejista, vende uma madeira, mas se vendem lotes de madeiras, formar o lote é etapa necessária ao aprimoramento do produto que nada mais é que o próprio lote. Quando a legislação pretendeu excluir créditos deste tipo o fez expressamente, conforme pode se defluir em referência expressa à vedação de crédito em relação a uma modalidade de comissão de venda prevista no artigo 2º da Lei nº 10.485/2002 paga pelo fabricante ou importador aos concessionários na venda direta de determinados tipos de automóveis. Em face dessa exclusão expressa de insumos de venda, poderseia concluir a contrario sensu que os demais insumos de venda geram direito a crédito de PIS e de COFINS. E repito, no caso, formar lote é também insumo de produção porque o que se vende é o lote. A segunda questão posta em discussão é se há direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física. O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial (REsp nº 993.164/ MG). Assim outro caminho não há senão o de que seja restabelecida a inclusão na base de cálculo dos créditos presumidos do IPI, do valor dos insumos adquiridos dos produtores rurais, pessoas físicas nãocontribuintes das mencionadas Contribuições. Outro ponto importante ainda que merece destaque é o fato da edição do Ato Declaratório nº 14, publicado no DOU de 22/12/2011, no qual a Procuradoria da Fazenda Nacional está dispensada de recorrer em processos que envolvam a matéria posta aqui em litígio: A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, (...) no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do artigo 5º do Decreto nº 2.346, de 10 e outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2116/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistia outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do artigo 1º da Lei n. 9.363/1996” Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10909.003964/200633 Acórdão n.º 3802001.679 S3TE02 Fl. 1.419 13 Por todo o aqui exposto, voto pelo CONHECIMENTO e pelo PROVIMENTO ao presente recurso para reconhecer o direito do recorrente no que concerne ao reconhecimento do direito ao crédito da Cofins NãoCumulativa na hipótese de transporte entre filiais e ao direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física." Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 1427DF CARF MF
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