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Numero do processo: 13609.000718/2002-79
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não integra a base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. GLOSA.
É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido relativa a aquisições não comprovadas, à vista de intimação especifica da Fiscalização quanto à efetiva existência das operações e seus pagamentos, fundamentada na suspeita da inexistência de fato da empresa fornecedora.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.246
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam a incidência de juros Selic no ressarcimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não integra a base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. GLOSA. É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido relativa a aquisições não comprovadas, à vista de intimação especifica da Fiscalização quanto à efetiva existência das operações e seus pagamentos, fundamentada na suspeita da inexistência de fato da empresa fornecedora. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI. Recurso Voluntário Negado.
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(. :`: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ":3'; tlf':' Processo n° 13609.000718/2002-79 Recurso n° 148.745 Voluntário Acórdão n° 3302-00.246 — 3' Câmara / 2. Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria IPI - Ressarcimento Recorrente Calsete Siderúrgica Ltda. Recorrida DRJ Santa Maria / RS ASSUNTO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IH Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não integra a base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. GLOSA. É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido relativa a aquisições não comprovadas, à vista de intimação especifica da Fiscalização quanto à efetiva existência das operações e seus pagamentos, fundamentada na suspeita da inexistência de fato da empresa fornecedora. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3a Câmara / r Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam a incidência de juros Selic no ressarcimento. 1. e, I k -Mir -1 I .2 .tC tv '1\2. I•-L-3 WAL ER ÍOSE DA LVA — Presidente em Exercício ---/„c ":". 1 JOSÉ Aislrdirl FRANCISCO - Relator ,/5-- Pdiciparam do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente em Exercício), José Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Alexandre Gomes e Gileno Gudão Barreto. Relatório' Trata-se de recurso voluntário (fls. 298 a 321) apresentado em 10 de outubro de 2007 contra o Acórdão n° 18-7.544, de 09 de agosto de 2007, da P Turma de Julgamento da DRJ Santa Maria / RS (fls. 283 a 288), do qual tomou ciência a Interessada em 13 de setembro de 2007 e que, relativamente a pedido de ressarcimento de créditos de IPI do 10 trimestre de 2000, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IP! Período de apuração: 01/01/2000 a 3 1/03/2000 IN CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO Os bulimos admitidos no cálculo do valor do beneficio são apenas as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IP!, aplicados na industrialização de produtos exportados, cuj as aquisições estejam cabalmente comprovadas, com base em documentos idôneos. Os gastos com energia elétrica não dão direito ao beneficio, porque não se subsume aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. IPL RESSARCIMEN7'0. CRÉDITO PRESUMIDO. ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRM Por falta de previsão legal, é incabível o abono de juros Selic ao ressarcimento de crédito presumido do IPI. Solicitação Indeferida O pedido foi apresentado em 22 de agosto de 2002 e inicialmente indeferido em parte pelo despacho decisório de fls. 252 e 253, com base nos relatórios de fls. 214 a 223 • 247 e 248, segundo os quais a Interessada incluiu indevidamente na apuração do crédito presumido aquisições de energia elétrica e outras lastreadas em notas fiscais inidôneas, relativas a supostas aquisições da empresa Siderglobo Ltda., a respeito das quais a Interessada não apresentou contrato de compra e venda, nem documentos comprobatórias dos pagamentos efetuados. A referida empresa, segundo relatórios obtidos pela Fiscalizaçao do Fisco estadual, "foi declarada inexistente de fato em 08/08/2000 e teve todos os documentos fiscais emitidos a partir de 14/09/1999 declarados como inidôneos". Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou que a energia elétrica seria insumo e deveria ser considerada na apuração. Ademais, a Lei n. 10326, de 2001, M, 2 Processo n° 13609.000718/2002-79 53-C3T2 Acórdão n.°3302-00246 Fl. 325 teria ampliado a possibilidade de sua "utilização na base de cálculo do crédito presumido de IP1". Citou ementas de acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes que trataram da matéria. Quanto às notas inidemeas, alegou que, conforme a própria Fiscalização haveria relatado, "a empresa SiderGlobo Ltda foi declarada inexistente de fato em 08/08/2000 pelo fisco estadual, e apenas em 22/02/2003 foi declarada inapta pela Receita Federal". • Ademais, teria apresentado o livro Diário com os registros das operações e "comprovado todos os pagamentos realizados com o fornecimento de coque, demonstrando de forma incontroversa a ocorrência das operações". Também citou ementas de acórdãos administrativos sobre a matéria. Por fim, requereu a incidência da Selic. A DRJ manteve a decisão, conforme relatado, e, no recurso voluntário, a Interessada repetiu as alegações da impugnação, fazendo análise dos objetos da Lei n. 9.363, de 1996, e da interpretação segundo o art. 5" da Lei de Introdução ao Código Civil, e sobre o conceito de produto intermediário e a inexistência de previsão legal exigindo o contato físico • do insumo com o produto. Quanto às notas fiscais, após reproduzir trecho do voto do relator do acórdão de primeira instância que afirma não provar a escrituração do diário que as aquisições tenham de fato ocorrido, repetiu as alegações da impugnação e citou decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais sobre a matéria, no que diz respeito ao ICMS. Por fim, requereu a incidência da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Trata-se de três matérias no presente recurso: inclusão das aquisições de energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido; notas fiscais iniclôneas; e incidência da taxa Selic. Quanto à energia elétrica, o 2° Conselho de Contribuintes aprovou, em sessão plenária de 18 de setembro de 2007, a Súmula n. 12, cujo teor é o seguinte: Súmula n. 12 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. ktçkrti 3 Conforme dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Ricarf, as súmulas aprovadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do Carf e insuscetíveis de recurso: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. b.1 § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. 11.,1 Quanto às notas fiscais consideradas inidâneas, há que se esclarecer que tal consideração não foi adotada apenas em função de aspectos formais. Como é cediço, a declaração de inaptidão e a declaração de inidoneidade são suficientes para garantir a inversão do ônus da prova. Mas não é o caso dos autos como faz supor a Interessada. Conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n. 3.000, de 1999), os registros contábeis devem ser baseados em documentos, que devem ser guardados em boa ordem pelo contribuinte: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-Lei n2 486, de 1969, art. 49. §32 Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n 2 9.430, de )99& art. 37). O art. 527, que trata do lucro presumido, traz disposição semelhante. çl 4 Processo n0 13609.000718/2002-79 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.246 Fl. 326 Portanto, a escrituração em si faz prova contra o sujeito passivo. Entretanto, se a Fiscalização encontra elementos que coloquem em dúvida as operações escrituradas, poderá requerer do sujeito passivo a apresentação dos documentos que comprovem as operações escrituradas. Foi o que oco= no caso dos autos, uma vez que a Fiscalização demonstrou que a empresa fornecedora havia sido considerada inexistente de fato pelo Fisco estadual. Embora a formalidade tenha sido declarada após o período de apuração eia questão, era situação suficiente a colocar em dúvida a legitimidade das operações. Daí a necessidade de comprovação específica das operações escrituradas no Diário, o que levou à intimação da Contribuinte. Entretanto, a Interessada não apresentou documentos que demonstrassem a realização das operações. Portanto, não se trata aqui de presunção com base em declaração formal de inexistência da empresa fornecedora, nem com base em sua inaptidão, mas em pura e simples falta de comprovação das operações realizadas. Finalmente, em relação à Selic, não ha previsão legal que permita a incidência de juros, no caso de ressarcimento de IPI. Esclareça-se que não se está falando de correção monetária, mas de juros compensatórios. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4°), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva aos demais casos de compensação, mesmo porque a compensação é efetuada, em regra, na data do pedido. O texto da Lei ri. 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. A data prevista para o inicio da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir nesse caso. Por fim, é preciso esclarecer que o ressarcimento de crédito presumido de IPI não se confunde com restituição e não equivale à restituição das contribuições sociais. A restituição aplica-se somente aos casos de recolhimento indevido ou a maior do que o devido, segundo a legislação de regência. No caso do crédito presumido, as contribuições PIS e Cofins são devidas nas vendas dos produtos para o produtor-exportador. Se não fossem, caberia o pedido de restituição. ÇI51 5 Algo totalmente diverso é o incentivo fiscal instituido por lei especifica, cuja natureza é de crédito presumido de IPL Como a incidência de juros depende de expressa previsâo legal, não cabe a sua incidência no presente caso. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. JOSÉ-- -0N10 NCISCO • • 13,1- 6
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902999/2008-61
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE
A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
PRAZO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre
prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis
mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de compensação/restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ
no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato
gerador; já para os pedidos administrativos formulados após
09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC
118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de
que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As Decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal
Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e
543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no
julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
Numero da decisão: 3201-001.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
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ementa_s : COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. PRAZO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de compensação/restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As Decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
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REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. PRAZO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de compensação/restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, emitida em 10/11/2004, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta ter compensado um débito, referente ao mês de novembro de 2004, com crédito contra a fazenda nacional, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS efetuado em 09/11/2004. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile/SC pela não homologação da compensação pretendida (Despacho Decisório juntado aos autos), em razão de não ter sido localizado, nos Sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, o Darf discriminado no PER/Dcomp apresentado: valor R$ 2.689.254,28, código receita 3885; período de apuração 31/03/1993; data de vencimento 20/04/1993; data de arrecadação 09/11/2004. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, onde traz argumentos de variada ordem em defesa de seu direito ao crédito decorrente de pagamentos indevidos de PIS, que seguem em breve síntese. A contribuinte defende: o cabimento da manifestação apresentada e da suspensão, em face desta, da exigibilidade dos créditos tributários cuja compensação não foi homologada; a inaplicabilidade da multa isolada; a ilegalidade da exigência de prévia habilitação dos créditos decorrentes de ação judicial. No mais, por meio de remissão ao artigo 66 da Lei n.º 8.383/91, defende seu direito à compensação de valores recolhidos nos moldes dos DecretosLeis n.os 2.445/88 e 2.449/88, que foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e tiveram suas aplicações suspensas por resolução do Senado Federal. Ao final pugna pela “concessão da medida liminar” a fim de lhe garantir “efetuar a referida compensação” e “declarar nulo o Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.902999/200861 Acórdão n.º 3201001.055 S3C2T1 Fl. 2 3 lançamento de ofício, objeto da compensação tributária e dito como não compensado”. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.055, de 10/09/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em, Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 1993 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004 Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido da não homologação da compensação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, emitida em 10/11/2004, por meio da qual a recorrente intenta ter compensado um débito, referente ao mês de novembro de 2004, com crédito contra a Fazenda Nacional, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS efetuado em 09/11/2004. Inicialmente, reza o art. 170 do CTN, para que a compensação seja válida, exige créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Foi indeferido o pleito, tendo em vista a não homologação da compensação pretendida, em razão de não ter sido localizado, nos Sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, o Darf discriminado no PER/Dcomp apresentado: valor R$ 2.689.254,28, código receita 3885; período de apuração 31/03/1993; data de vencimento 20/04/1993; data de arrecadação 09/11/2004. Ratifico a informação que nada há nos autos que indique que houve o pleito expresso na esfera judicial da demandante de reconhecimento da existência de quaisquer Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 valores, desta natureza, recolhidos a maior, e muito menos de que tenha havido qualquer decisão judicial transitada em julgado tratando de declarar a existência concreta de créditos, desta natureza, da recorrente contra a Fazenda Nacional. Destarte, tendo em vista a falta de liquidez e de certeza dos créditos pleiteados, mesmo assim, persistiria um sério obstáculo à pretensão em comento, a decadência dos supostos créditos objeto do pedido, uma vez que, à data do envio da Dcomp, a recorrente não mais possuir o direito a pleitear o crédito pretendido. Passo ao exame do prazo para pleitear a compensação/restituição. Inicialmente, ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.902999/200861 Acórdão n.º 3201001.055 S3C2T1 Fl. 3 5 contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Diante do exposto, para os pagamentos ocorridos anteriormente a 10/11/1994, que é o caso, houve a decadência; considerando que a recorrente protocolizou o seu pedido de restituição/compensação em 10/11/2004, ou seja, decorridos mais de 10 anos já. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10830.003637/2004-71
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
EXERCÍCIO: 2000, 2001, 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão de oficio.
TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE 75%. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1804-000.004
Decisão: ACORDAM os Membros da 4ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF,
por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgler.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO . Processo n° 10830.003637/2004-71 Recurso n° 161.191 Voluntário Acórdão n° 1804-00.004 — 4 a Turma Especial Sessão de 18 de matço de 2009 Matéria PIS/PASEP - Exs.: 2000 a 2003 Recorrente INSTITUTO GRAMENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA Recorrida 4a TURMA/DRJ- CAMPINAS/SP Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep EXERCÍCIO: 2000, 2001, 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão de oficio. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE 75%. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os M- wre s da 4" Turma Especial da Primeira Seção do CARF, por unanimidade de votos, NEG • kAlre vimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgler. MA ' O INICIUS NEDER DE LIMA Pr side te ajiller~ -• E FERREIRA DE MORAES Processo n°10830.003637/2004-71 81-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 Fl 2 Relatora Formalizado em: 19 juhi 2009 Participou, do presente julgamento, o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Trata-se de auto de infração de PIS, no valor de R$ 12.109,19, lavrado em decorrência da decisão definitiva exarada nos autos do processo n° 13842.000417/99-43, pela qual a contribuinte foi excluída do regime do SIMPLES, a partir de 01/03/99, por exercer atividade econômica vedada à opção. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Resta impossível que os efeitos da exclusão do SIMPLES retroajam, implicando a apresentação de documentos solicitados pela Receita Federal, tendo em vista que a legislação à época dos fatos é taxativa no sentido de que a exclusão do SIMPLES gerará efeitos no exercício seguinte ao que se tomar definitiva. b) Se o recurso administrativo com relação ao SIMPLES foi recebido com efeito suspensivo, como pode haver a cobrança de multa punitiva. c) A legislação aplicável ao presente caso é o art. 15, II, da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pela Lei n° 9.732/98, tendo em vista que referido art. 73 não existe no mundo jurídico até a presente data. d) Foram efetuados pagamentos com relação ao tributo cobrado, sendo que, pela análise do auto de infração, é possível notar que não houve o correspondente abatimento desses valores. e) Requer que seja reconhecido seu direito de recolher o PIS cobrado nos moldes previstos na Lei Complementar 7/1970, reconhecendo-se a inaplicabilidade das disposições constantes das Lei n° 9.715/1998 e 9.718/1998, que alargaram a sua base de cálculo. f) Resta evidente seu direito de proceder ao cálculo do PIS com a exclusão dos valores referentes ao custo de aquisição e/ou produção de suas mercadorias, requerendo que seja reconhecido a possibilidade do recolhimento do PIS pela sistemática da não- cumulatividade. g) A incidência da taxa Selic sobre o débito não encontra respaldo jurídico. h) A multa aplicada ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade, e da proibição do confisco previstos na Constituição Federal. Processo e 10830.003637/2004-71 81-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 Fl. 3 i) Requer que ao menos seja determinada a exclusão do auto de infração dos valores concernentes a "outras receitas", relevando-se que os mesmos são manifestamente indevidos. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, com base nos seguintes fundamentos: a) O art. 15 da Lei n° 9.317/1996, ao determinar que a exclusão produzirá efeitos a partir do mês subseqüente, está considerando como exclusão a expedição do ato declaratório pela autoridade competente e não o julgamento de eventuais recursos ao ato que determinou a exclusão. Portanto, os efeitos do Ato Declaratório não se dão com a decisão final da controvérsia na esfera administrativa, mas sim com a expedição do ato excludente. b) A empresa, ao ser excluída do SIMPLES, estava obrigada a apurar os tributos e contribuições devidas observando-se a sistemática de apuração pelo lucro real ou presumido, gerando, em conseqüência, o dever de proceder a escrituração fiscal e contábil, a qual não foi apresentada, apesar de intimada e reintimada pela autoridade fiscal. c) Devem ser excluídos os recolhimentos efetuados dentro da modalidade do SIMPLES, aplicando-se os percentuais legais de distribuição. d) Quanto ao pleito de exclusão dos custos de aquisição e/ou produção da base de cálculo da contribuição, cabe esclarecer que as normas da não-cumulatividade do PIS somente passaram a vigorar com edição da Medida Provisória n° 66/2002, a qual estabeleceu que esta sistemática seria aplicável a partir de 1° de dezembro de 2002. e) Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis validamente editadas, exorbitam da competência das autoridades administrativas. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, argumenta que não basta excluir os pagamentos efetuados pelo SIMPLES, pois o equívoco toma o lançamento nulo. É o relatório. Voto Conselheira - SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. São quatro as questões principais a serem enfrentadas no presente recurso: (i) efeitos da exclusão do SIMPLES; (ii) base de cálculo do PIS; (iii) aplicação da taxa Selic; (iv) caráter confiscatório da multa aplicada. Processo n°10830.003637/2004-71 S 1-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 Fl. 4 Conforme consta dos autos o ato declaratório de exclusão foi exarado em fevereiro de 1999 quando vigorava o art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/1996, com a redação dada pela Lei n°9.732/1998, in verbis: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I - a partir do ano-calendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso Ido art. 13; II - a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de oficio, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos Hl a XVIII do art. 9"; (Redação dada pela Lei n" 9.732, de 11.12.1998). (.) 3° A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (incluído pela Lei n° 9.732, de I998)" Por expressa disposição legal, a exclusão do SIMPLES surtiu efeitos a partir do mês de março de 1999, ou seja, do mês subseqüente àquele em que foi editado o Ato Declaratório n° 162.797/99. A autoridade administrativa constituiu o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1999. Portanto, não há que se falar em retroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES. Por outro lado, ainda deve ser ressaltado que na data da lavratura do auto de infração — 26/07/2004, já havia decisão definitiva desfavorável à contribuinte nos autos do processo administrativo n° 13842.000417/99-43. Note-se que a contribuinte tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes em 26/09/2003. Por conseguinte, não merece reparos a decisão recorrida, uma vez que o recurso administrativo apenas suspende a exigibilidade do tributo, mas não tem o condão de alterar o texto legal quanto ao termo inicial dos efeitos da exclusão de oficio. Insurge-se a recorrente contra as alterações introduzidas pelas Leis n° 9.715/1998 e 9.718/1998. Ocorre porém, que tais dispositivos não afetaram os contribuintes tributados pelo SIMPLES, visto que para fins de apuração do montante devido neste sistema, considera-se receita bruta "o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos" (art. 2°, § 2°, da Lei n° 9.317/1996). Ou seja, a receita bruta não inclui as demais receitas auferidas pela contribuinte, tais como ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, ou resultados não-operacionais relativos aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos. yr Processo n°10830.003637/2004-7! S1-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 A. 5 Assim, quanto ao pedido de exclusão dos valores concernentes a "outras receitas", deve ser observado que o montante tributável foi apurado a partir da receita bruta mensal, declarada pela recorrente (fls. 55, 56 verso, 58 v, 60 v), e como o lançamento tomou por base os valores de receita bruta mensal constante da Declaração Anual Simplificada, deduz-se que neles não foram incluídas as "outras receitas" mencionadas pela recorrente. Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A imposição da multa de oficio de 75% é determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" A hipótese legal de aplicação da multa restou plenamente configurada na situação fática descrita na presente autuação, sendo que as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que determinam o percentual de 75% da multa, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, conforme Súmula n° 1 do 1°CC: "Súmula PCC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." O mesmo ocorre em relação ao pleito da recorrente de exclusão dos custos de aquisição e/ou produção da base de cálculo. O lançamento aplicou corretamente a legislação em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores, sendo que apenas o Poder Judiciário tem competência para afastar a incidência de norma legal validamente posta no ordenamento jurídico. Por fim, a desconsideração dos pagamentos efetuados no momento da lavratura do auto não toma o lançamento nulo, bastando a redução do montante exigido tal como foi procedida pela Delegacia de Julgamento, sendo que, está correto o arbitramento efetuado, visto que, apesar de intimada mais de uma vez, a contribuinte não apresentou escrituração contábil e fiscal. 9/4 • Processo n° 10830.003637/2004-71 SI-1E04 Acórdão o.° 1804-00.004 Fl. 6 Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões- DF, em 18 de março de 2009 _a ~gr.' :c er-1,7 • MORAES • 6 • Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10660.720097/2007-35
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente.
VALIDADE DO ADA. RETIFICAÇÃO. PRAZOS.
Até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA.
Até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicam-se os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA.
Numero da decisão: 2202-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer como sendo área de preservação permanente o equivalente a 277,9 ha (nos termos do pedido).
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. VALIDADE DO ADA. RETIFICAÇÃO. PRAZOS. Até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicamse os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 97 /2 00 7- 35 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 246 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer como sendo área de preservação permanente o equivalente a 277,9 ha (nos termos do pedido). (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 247 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 5, pela qual se exige a importância de R$46.671,46, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2005, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Quinhão 6, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 4.929.8135, localizado no município de SapucaíMirim/MG. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2005 no qual foi solicitado ao contribuinte apresentar (fls. 6 e 7): · cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; · Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2o da Lei no 4.771, de 1965 (Código Florestal); · certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o do Código Florestal, acompanhada do ato do poder público que assim a declarou; · Laudo de Avaliação do imóvel comprovando o valor da terra nua declarado, que atenda às normas da ABNT. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 2 e 3, verificase que foi apurada falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude das seguintes alterações efetuadas pelo autuante na DITR: Área de Preservação Permanente: glosa total da área declarada a contribuinte, regularmente intimada, apresentou Laudo de Avaliação de Imóvel, vários Laudos de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas IEF, cópias dos Atos Declaratórios Ambientais ADA (1997 e 2005) e várias Certidões do Cartório de Registro de Imóveis de Paraisópolis/MG; esclareceu, ainda, que houve alteração de áreas em decorrência da venda parcial ocorrida no ano de 2005; analisando a documentação apresentada, a fiscalização verificou que as alterações nas áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, ocorridas em 2005, constam de ADA com data de emissão de 24/07/2007, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 248 4 documento sem data de protocolo junto ao IBAMA, considerado intempestivo; em relação à área de Utilização Limitada, o autuante ressalta que além desta área não estar consignada no ADA, a averbação no Registro de Imóveis apenas foi providenciada em 24/08/2007, depois da ocorrência do fato gerador. Valor da Terra Nua: valor alterado para R$1.441.053,60 (520,8ha x R$2.767,00/ha), conforme Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, devidamente registrado no CREA e com Anotação de Responsabilidade Técnica ART, apresentado pela contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 113 a 120, instruída com os documentos de fls. 121 a 193, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 201 e 202): Após tomar ciência do lançamento, em 20/12/2007 (às fls. 196), a contribuinte interessada, através de advogados e procuradores legalmente constituídos (às fls. 126/127), protocolou, em 18/01/2008, a impugnação de fls. 113/120, na oportunidade instruiu a sua defesa com os documentos de fls. 121/125, 128/134, 136/167, 168/169, 170, 171/177, 178, 179/186, 187, 188, 189/191, 192 e 193/195, alegando e requerendo o seguinte, em síntese: • faz um breve relato dos fatos e das alterações efetuadas pela autoridade fiscal, conforme descrição dos fatos, de fls. 02/03; concluindo que está sendo compelida a pagar tributo equiparado a quem desmata áreas de preservação permanente e de reserva legal, fato este que não condiz com a realidade, corroborado inclusive com prova já carreada aos autos Laudo de Avaliação do Imóvel; • ao contrário de adotar qualquer atividade lesiva ao meio ambiente, está considerando, para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, uma área de preservação permanente menor do que a apurada no referido laudo, conforme demonstrado; • o agente fiscal utilizou, equivocadamente, como base legal para fundamentar a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal (extemporaneidade da entrega do ADA referente ao ano de 2005), a Portaria Ibama nº 0162/1997, tendo em vista que ela foi revogada pela IN n° 076/2005, também expedida pelo Ibama; • portanto, o agente fiscal incide em erro formal ao utilizar base legal que não mais faz parte do nosso ordenamento legal; • mesmo que agente fiscal tivesse utilizado a base legal não revogada, ainda assim estaria incidindo em erro, pois norma inferior (Instrução Normativa ou Portaria) jamais pode legislar além daquilo que foi celebrado em uma Lei, em respeito ao principio Constitucional da Hierarquia das Normas; • no caso, a norma a ser observada, cujo entendimento foi indevidamente estendido, é a Lei 9.393/93, transcrevendo os dispositivos que tratam da apuração do imposto, inclusive o § 7°, do art. 10, que estabeleceu que essas áreas não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 249 5 • em consonância com esse dispositivo (§ 7º, do art. 10, da Lei 9.393796), cita jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal (TRF – lª Região, Data do Julgamento 06/03/2007, Processo n° 2005.35.00.0112067, Relatora: Maria do Carmo Cardoso; TRF lª Região, Data do Julgamento 06/03/2007, Processo nº 2003.35.00.0050163, Relatora: Maria do Carmo Cardoso e TRF — 5ª Região, Data do Julgamento 18/04/2006, Processo n° 2005.05.00.0303586); • o agente fiscal se ateve apenas aos documentos que lhe foram entregues, não realizando qualquer diligência para a constatação e fundamentação de sua conclusão, agindo de forma arbitrária e parcial; citando, nesse sentido, ensinamentos de Samuel Monteiro; • também a favor da exclusão das áreas ambientais de tributação, independentemente de comprovada a averbação tempestiva da área de reserva legal e da protocolização, também tempestiva, do ADA junto ao IBAMA, cita parte do voto condutor do Acórdão 30333.393, sessão de 13/07/2006, do Terceiro Conselho de Contribuintes; • a favor da responsabilidade do sujeito ativo (Fisco), quando à apuração dos fatos, a determinação da base de cálculo, ou seja, da matéria tributária, nos termos do art. 142 do CTN, cita ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins; • nesse aspecto, ressalta mais uma vez, que o laudo de avaliação do imóvel rural foi utilizado pelo agente fiscal, exclusivamente para coleta do valor atualizado do imóvel, porém, quanto as áreas de reserva legal e de preservação permanente detalhadamente descritas, elas foram ignoradas; • questiona o fato de que em relação ao ITR/2004, também fiscalizado, doc. anexo, as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente terem sido aceitas, e, no ano de 2005, objeto da presente impugnação, elas desapareceram? • na realidade elas desapareceram apenas para fins de cálculo do ITR promovido pelo agente fiscal, na saga de arrecadação, fato este que não se coaduna com a realidade, e motiva o presente recurso, e • por fim, pelas razões apresentadas, requer seja tornado nulo ou insubsistente a Notificação de Lançamento que ora se ataca, tornandose sem efeito o imposto exigido, bem assim os encargos decorrentes. Também requer juntada da planilha, recalculando o valor que entende ser correto, ou seja, apenas com os efeitos do reajuste no preço do imóvel, na base de cálculo do ITR. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0330.285 (fls. 199 a 212), de 08/04/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 250 6 contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. As novas áreas ambientais do imóvel (preservação permanente e de reserva legal), informadas na DITR/2005, somente serão consideradas, para fins de exclusão de tributação, se comprovada a protocolização, em tempo hábil, de novo ADA (com natureza de retificador), junto ao IBAMA. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 07/08/2009 (vide AR de fl. 223), a contribuinte apresentou, em 31/08/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 224 a 233, no qual expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. Inicialmente, a recorrente informa que não foi impugnado o reajuste do VTN efetuado pela fiscalização, acostando aos autos, na fase impugnatória, planilha recalculando o valor do ITR e efetuando o recolhimento do imposto, com os acréscimos legais cabíveis, no valor total de R$ 8.218,20. 2. A contribuinte alega que o agente fiscal utilizou o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural apenas para fins do valor do imóvel, desconsiderando às áreas de preservação permanente e de reserva legal descritas pelo engenheiro que elaborou referido laudo. Aduz que as áreas de preservação permanente e de reserva legal identificadas no referido laudo totalizam 319,4ha enquanto que a área declarada foi de somente 277,9ha, deixando de excluir 41,5ha. 3. Defende que a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal ocorreu porque a fiscalização entendeu que os valores informados não seriam legítimos tendo em vista a extemporaneidade da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA referente ao ano de 2005. 4. A recorrente sustenta que a isenção do ITR relativa às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, vinculada à apresentação do ADA, fere o disposto no caput do artigo 10, bem como no seu parágrafo 7o da Lei no 9393, de 1996 e que a exigência prevista na Instrução Normativa no 73, de 2000, aplicarseia apenas para áreas relacionadas no art. 3o do Código Florestal. 5. Afirma que comprovou a existência das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal por meio de laudo acostado aos autos, elaborado por engenheiro agrônomo devidamente habilitado, e pelo Laudo de Vistoria do IEF. 6. Transcreve trechos da decisão de primeira instância para concluir que a fundamentação do relator a quo “para manutenção da notificação de lançamento que glosou áreas realmente existentes de reserva legal e de preservação permanente é a entrega intempestiva da obrigação acessória ADA Ato Declaratório Ambiental.” (fl. 230), alegando que restou demonstrado no próprio acórdão a real existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente. Acrescenta que o ilustre relator olvidou precedentes administrativos e judiciais no sentido de que “a entrega do ADA, emitido Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 251 7 pelo Ibama, não é indispensável para excluir as áreas de preservação e a de reserva legal do cálculo do ITR.” (fl. 231). 7. No que diz respeito à averbação da reserva legal, a contribuinte alega que a exigência de averbação da área de reserva legal prevista no §2o do art. 16 da Lei no 4.771, de 1965, incluído pela Lei no 7.803, de 1989, visa, tãosomente, vedar a alteração de sua destinação em caso de transmissão do imóvel a qualquer título ou de desmembramento da área, nada tendo a ver com a apuração e fiscalização do ITR, mas sim com a preservação do meio ambiente. 8. Afirma, ainda, que não há qualquer dispositivo na Lei no 9.393, de 1996, no sentido de que a exclusão da área de reserva legal esteja condicionada a apresentação de ADA e a sua prévia averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente. Aduz que “as normas complementares, como é o caso das Instruções Normativas da SRF, devem estar sempre subordinadas à lei a que se referem, não lhes sendo permitido criar direito, logo não pode, o fisco fundamentar sua exigência fiscal com base em Instrução Normativa que contraria o texto de Lei que rege a matéria.” (fl. 232). 9. Por fim, a contribuinte requer que seja acolhido o presente recurso para que seja excluída da área tributável a área de 277,9ha declarada a título de utilização limitada (área de preservação permanente). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 14, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 244 (última folha digitalizada) 1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 252 8 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio A contribuinte admitiu expressamente que não impugnou o valor do VTN considerado pela fiscalização, restringindose a lide à glosa da área de preservação permanente originalmente declarada. 2 Exclusão das áreas não tributadas A área de preservação permanente inicialmente informada na DITR/2005 era de 277,9ha, conforme consignado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 4), fato este inconteste. A área declarada foi integralmente glosada pela fiscalização, conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 2 e 3, pelos motivos a seguir expostos: A proprietária do imóvel foi regularmente intimada a comprovar as informações acima mencionadas, conforme Termo de Intimação Fiscal 0023/2007, cuja ciência ocorreu através dos correios. Em atendimento, apresentou Laudo de Avaliação de Imóvel, acompanhado de ART, vários Laudos de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas IEF, cópias dos Atos Declaratórios Ambientais ADA (1997 e 2005), várias Certidões do Cartório de Registro de Imóveis de Paraisópolis/MG. Apresentou ainda esclarecimentos quanto à aplicação do valor de avaliação do imóvel constante do Laudo aos exercícios de 2003 a 2005 e alterações de áreas em decorrência da venda parcial ocorrida no ano de 2005. Com relação às áreas de PRESERVAÇÃO PERMANENTE (art. 2° da Lei 4.771/65 Código Florestal) e de UTILIZAÇÃO LIMITADA, cabe esclarecer inicialmente que prazo para a protocolização do ADA junto ao IBAMA expira em seis meses após o prazo final para a entrega da DITR (art. 170, §1°, da Lei 6.938/81, com redação da Lei 10.165/2000 e Portaria Ibama n ° 162/1997). A CoordenaçãoGeral de Tributação, que tem competência de interpretar a legislação no âmbito da SRF, editou a Solução de Consulta Interna SRF 12, de 21/05/2003, ratificando o Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 253 9 entendimento de que a SRF deve exigir toda a documentação comprobatória das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, inclusive o ADA protocolado tempestivamente no IBAMA, ou a apresentação de comprovante de protocolização tempestiva de seu requerimento. Analisando a documentação apresentada, verificamos que as alterações nas áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, ocorridas em 2005, constam de ADA com data de emissão de 24/07/2007 estando este documento sem a data de protocolo junto ao IBAMA. Portanto, o referido ADA é intempestivo. Em relação à área de Utilização Limitada, verificamos ainda que o ADA não especificou esta área e que a averbação no Registro de Imóveis apenas foi providenciada em 24/08/2007, quando o correto seria até a data de ocorrência do fato gerador, ou seja, 1 ° de janeiro de 2005 (Lei 4.771/1965, art. 16, § 8 ° , com redação da Medida Provisória 2.16667, de 2001; RITR/2002, art. 12, caput e § 1º; IN SRF 256, de 2002, art. 11, § 1 ° ). Como se percebe, no que se refere a área de preservação permanente, a glosa decorreu da falta de apresentação de ADA tempestivo e, no que diz respeito à área de reserva legal, pelo fato da mesma não estar registrada no ADA apresentado e ter sido averbada após a data do fato gerador do exercício autuado (01/01/2005). A contribuinte defende que: (a) a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal foi comprovada pelo laudo acostado aos autos elaborado por engenheiro agrônomo devidamente habilitado e pelo Laudo de Vistoria do IEF; (b) a isenção do ITR relativa às áreas de reserva legal e de preservação permanente vinculada à apresentação do ADA contraria o disposto art. 10, caput e §7o, da Lei no 9393, de 1996; (c) a exigência prevista na Instrução Normativa no 73, de 2000, aplicarseia apenas para áreas relacionadas no art. 3o do Código Florestal; (d) conforme precedentes administrativos e judiciais a entrega do ADA não é indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da na apuração do ITR; (e) a exigência de averbação da área de reserva legal prevista no Código Florestal não tem efeitos tributários, visando apenas a preservação do meio ambiente; (f) não há qualquer dispositivo na Lei no 9.393, de 1996, condicionando a exclusão dessas áreas à apresentação do ADA ou à averbação da reserva legal na matrícula do imóvel; (g) as instruções normativas, como normas complementares que são, devem estar subordinadas à lei a que se referem, não podendo criar direito que contrarie o texto legal que rege a matéria. Por fim, requer que seja restabelecida a área de preservação permanente originalmente declarada (277,9ha), apresentando Laudo de Avaliação em que consta uma área de preservação permanente de 196,64ha e de reserva legal de 123,0ha (fl. 17), e Laudo de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas (fl. 54), no qual o órgão ambiental confirma a existência de uma “Reserva Florestal Legal” de 123,0ha, assinada em 08/08/2007. 2.1 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Considerase área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), assim como aquelas florestas e demais formas de vegetação natural Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 254 10 previstas no art. 3o da mesma lei, para as quais exista ato do Poder Público declarandoas como de preservação permanente. As áreas de preservação permanentes descritas no art. 2o do Código Florestal podem ser comprovadas por meio de Laudo de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado, observando os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que regem a matéria (no caso dos imóveis rurais, a NBR 146533). Como já dito anteriormente, a fiscalização, examinando a documentação apresentada pela contribuinte, efetuou a glosa da área de preservação permanente pela falta de apresentação de ADA tempestivo, não discordando de sua existência material (item “a”). Assim, a dissensão, no que diz respeito à exclusão da área de preservação permanente, reside na obrigatoriedade ou não da apresentação do ADA (art. 17O, §1o, da Lei no 6.938, de 1981), o que será abordado em item específico. 2.2 RESERVA LEGAL Importa recordar que a contribuinte não havia declarado área de reserva legal em sua DITR e, portanto, o reconhecimento da existência de uma área de reserva legal de 123,0ha equivale a um pedido de retificação e como tal deve ser analisado. Tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). É sabido também que, iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7o do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. Muito embora a contribuinte entenda a existência da reserva legal estaria comprovada pelos laudos apresentados (item “a”), verdade é que, para fins de apuração do ITR existem outros requisitos que devem ser cumpridos. No que se refere aos efeitos tributários da averbação da área de reserva legal prevista no Código Florestal (item “e”) e falta de dispositivo na Lei no 9.393, de 1996, que condicione a exclusão dessa à averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel(item “f”), convém fazer uma retrospectiva da legislação que rege a matéria. Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o, inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 255 11 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III): Art. 1o[...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 256 12 O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 257 13 margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o, caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. Por fim, cabe lembrar que no caso de posse, o Código Florestal permite que a reserva legal seja assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, no qual esteja consignado, no mínimo, sua localização e características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (art. 16, §10). Vale mencionar, também, o art. 12, §1o Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002, que consolidou toda a legislação do ITR, assim dispondo quanto à averbação da reserva legal (grifei): Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.16667, de 2001). §1o Para efeito da legislação do 1TR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. §2o Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (Lei no 4.771, de 1965, art.16, §10, acrescentado pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001, art. 1o). Conforme Certidão do Registro de Imóveis (fls. 73 a 80), no imóvel ora tributado existe uma área de reserva legal de 123,0ha averbada em 24/08/2007 e, portanto, depois do fato gerador referente ao exercício 2005 e depois de instaurada a ação fiscal, por meio da ciência do Termo de Intimação Fiscal no 06106/00023/2007 (fls. 6 e 7), em 09/08/2007 (vide AR anexado à fl. 9). Consta, ainda, do referido documento, uma área de reserva legal de 84,0ha averbada em 17/09/1998 (fl. 75), porém, pelo que dos autos consta, não se inferir se esta área está inserida na propriedade que permaneceu em nome da contribuinte, objeto da presente notificação de lançamento, uma vez que houve uma alienação parcial registrada em 29/09/2004 (fl. 79). Além disso, a exclusão da reserva legal da área tributada para fins de ITR tem uma segunda condição que é a apresentação tempestiva do ADA, como adiante se demonstrará. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 258 14 2.3 NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Não obstante alegue a recorrente que obrigatoriedade de apresentação do ADA contraria o disposto art. 10, caput e §7o, da Lei no 9393, de 1996 (item “b”) ou que não exista na referida norma qualquer dispositivo nesse sentido, com a devia vênia dos que pensam em contrário, não é o que se depreende de uma análise sistemática da legislação. Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 24 de agosto de 2001, não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 259 15 [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhandoo à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente (item”d”), cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. A Súmula no 41 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em vigor desde 22/12/2009, dispondo que “A não apresentação do Ato Declaratório Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 260 16 Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício”, aplicase tão somente aos fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, enquanto que o presente lançamento referese ao exercício 2002. No que se refere à alegação de que a exigência prevista na Instrução Normativa no 73, de 2000, se aplica apenas às áreas relacionadas no art. 3o do Código Florestal (item “c”), cabe transcrever seu art. 17 (grifos nossos): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I – as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; II – o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e III – se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. Numa leitura atenta do dispositivo acima transcrito, depreendese que a apresentação do ADA alcança, indiscriminadamente, todas as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada, ao contrário do alegado. As normativas seguintes, mantiveram o mesmo entendimento (art.17 da Instrução Normativa no 60, de 6 de Junho de 2001, e art. 9o, §3o, inciso I da Instrução Normativa no 256, de 11 de dezembro de 2002). Por fim, diferentemente do alegado, as instruções normativas estão em perfeita consonância com o texto legal que lhe deu origem (item “g”). 2.4 TEMPESTIVIDADE DO ADA E SEUS EFEITOS Resta, ainda, analisar a tempestividade do ADA e seus efeitos. Quanto ao prazo para apresentação do ADA, observase que a Lei no 6.938, de 1981, não fixou qualquer limite temporal. Considerandose que a exclusão das áreas de interesse ambiental requer o reconhecimento por parte do IBAMA, o que no caso é feito por meio da emissão do ADA, caracterizando uma isenção especial (não concedida em caráter geral), importa transcrever o art. 179 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 261 17 § 1o Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2o O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Sendo o ITR um imposto lançado por período certo de tempo, em que a lei considera ocorrido o fato gerador em 1o de janeiro de cada ano (art. 1o da Lei no 9.393, de 1996), a princípio, a exigência de ADA contemporâneo a DITR prevista nas diversas instruções normativas editadas pela Receita Federal do Brasil (protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR) encontra amparo no art. 179 e §§ do CTN. Contudo, há que se observar as normas sobre o assunto expedidas pelo IBAMA, a quem compete a execução das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente e é responsável pela emissão e controle do ADA. Segundo o art. 2o da Portaria IBAMA no 152, de 1998, devem apresentar o ADA, relativo ao ITR 1998 e anos posteriores, os declarantes que informaram no Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada e quem não tenha entregue o ADA anteriormente, sendo obrigatória a apresentação de novo ADA (ADA de retificação), caso haja alteração do DIAT em relação às áreas originalmente informadas em anos anteriores. Tal determinação foi ratificada pela Instrução Normativa IBAMA no 76, de 31 de outubro de 2005, que institui prazo para a apresentação do ADA, in verbis: Art 9o O prazo de entrega do ADA será de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1o de abril a 30 de setembro de 2006. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 262 18 Assim, a partir do exercício 2005, embora o ADA continuasse a ser apresentado uma única vez e nos casos em que fossem alteradas as informações na DITR, o IBAMA passou a definir um período para sua entrega que, em regra, era de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Excepcionalmente, para o ADA relativo a DITR/2005, o prazo foi estendido até 31 de março de 2006 (seis meses da data da entrega da DITR correspondente). Importa registrar que a necessidade de se apresentar o ADA uma única vez ou no caso de alteração de área de interesse ambiental já constava dos atos normativos da Receita Federal, desde a Instrução Normativa SRF no 73, de 20 de julho de 2000, que dispôs sobre a apresentação da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR do exercício de 2000, como se observa pelo teor do art. 11: Art. 11. O contribuinte deverá providenciar, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, no prazo de seis meses, contados do prazo estabelecido no art. 3º, o Ato Declaratório Ambiental – ADA – a que se refere o art. 17 da IN SRF 73, de 2000, se: I – o imóvel teve alterada a área de interesse ambiental em relação à área declarada no ano anterior; ou II – o imóvel está sendo declarado pela primeira vez. Nas instruções normativas referentes aos exercício seguintes, existe dispositivo semelhante, até 2005. A partir da Instrução Normativa SRF no 659, de 11 de julho de 2006, referente ao exercício 2006, adotouse uma redação mais genérica (grifei): Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Apenas com a edição da Instrução Normativa IBAMA no 96, de 30 de março de 2006, com vigência a partir do exercício 2007, o órgão ambiental passou a exigir a apresentação anual do ADA, como se observa pelo teor do art. 9o (atual art. 9o da Instrução Normativa IBAMA no 31, de 3 de dezembro de 2009): Art. 9o As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. § 1o No Ato Declaratório Ambiental deverão constar, a partir de 2006, informações referentes às áreas de preservação permanente, de reserva legal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, as áreas de Relevante Interesse Ecológico ARIE e, quando for o caso, as áreas sob manejo florestal sustentável ou de reflorestamento. [...] Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 263 19 (grifei) De acordo com a Instrução Normativa IBAMA no 5, de 25 de março de 2009, foi mantido o prazo para entrega do ADA de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, cabendo sua retificação até 31 de dezembro do mesmo exercício (art. 6o, §3o). Concluise, assim, que até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Quanto ao prazo, até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicamse os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA. À fl. 106, encontrase acostado o requerimento do ADA, protocolado junto ao IBAMA/RJ, em 20/10/1998, para o imóvel em discussão, no qual consta área total de 854,9 ha e área de preservação permanente, de 456,2 ha. Este ADA, como bem salientou o julgador a quo tem validade em relação as áreas ambientais nele informados até o exercício de 2004. De acordo com a Certidão do Registro de Imóveis (fls. 73 a 80), a propriedade da contribuinte foi parcialmente alienada, conforme averbação a AV67.641 de 29/09/2004 (fl. 79), reduzindo a área original de 854,98ha para 520,81ha e, portanto, deveria ter apresentado novo ADA para retificar as áreas anteriormente informadas e para efetuar a DITR do exercício de 2005, nos termos da legislação acima transcrita. Conforme já esclarecido anteriormente, o prazo de entrega do ADA para o exercício 2005 era 31/03/2006. À fl. 11, encontrase acostado ADA para o exercício 2005, emitido em 24/07/2007, sem data de protocolo junto ao IBAMA, informando uma área de preservação permanente de 277,90ha e área total de 520,80ha, o qual, ainda que se considere a data de emissão, esta intempestivo para o exercício 2005. Dessa forma, ainda que fosse admitida a existência material da área de preservação permanente informada na DITR/2005 (277,9 ha), conforme pleiteado, a falta de apresentação de ADA retificador e tempestivo, exigido em decorrência das alterações das áreas, impede o contribuinte excluir tais áreas para fins de apuração do ITR. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 264 20 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 11065.001059/2004-19
Data da sessão: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001.
Ao suprimir a vedação existente no art 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no §1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. Ressalva do entendimento pessoal do relator.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º/01/97, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária cuja origem o titular, regularmente intimado, não comprove mediante a apresentação de documentação hábil e idônea.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-01.001
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1)por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "irretroatividade da Lei nº 10.174". Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que deram provimentos ao recurso. 2 ) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto à matéria "aplicação do artigo 42, da Lei 9.430 de 1996".
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. Ao suprimir a vedação existente no art 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no §1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. Ressalva do entendimento pessoal do relator. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º/01/97, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária cuja origem o titular, regularmente intimado, não comprove mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Recurso especial negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1)por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "irretroatividade da Lei nº 10.174". Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que deram provimentos ao recurso. 2 ) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto à matéria "aplicação do artigo 42, da Lei 9.430 de 1996".
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Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1994
APLICAÇÃO FINANCEIRA - MERCADO DE RENDA FIXA - OPERAÇÕES COM DEBÊNTURES
As operações com debêntures são típicas de ativos de renda fixa, cuja remuneração pode ser dimensionada no momento da aplicação.
Seus rendimentos estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte.
Cabe à instituição financeira titular da conta, como responsável, quando for o caso, calcular, reter e recolher o imposto de renda na fonte.
Assim, não encontra respaldo legal a tributação na pessoa fisica como se fossem ganhos de capital na alienação de bens e direitos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3301-000.008
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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Seus rendimentos estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte. Cabe à instituição financeira titular da conta, como responsável, quando for o caso, calcular, reter e recolher o imposto de renda na fonte. Assim, não encontra respaldo legal a tributação na pessoa fisica como se fossem ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, s termos do voto do relator. 4P, / ""1", V r E M • 81110 AS PESSOA MONTEIRO Presidente •_ / EDUAR4 TADEU FARAH Relato(' Processo n°13808.005931/98-56 S3-C3TI Acórdão n.° 3301-00.008 Fl. 183 FORMALIZADO EM: o 3 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fez Sustentação oral o Dr. Salvador Outerelo Femandez OAB/DF 04058297. Relatório Mário Branco Peres recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 3 TURMA - DRJ - SÃO PAULO/SP II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 120/146. Trata-se de exigência de imposto de renda, no valor de R$ 159.849,21, e de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 119.886,91, além dos devidos acréscimos legais. A autoridade lançadora apurou omissão de ganho de capital obtido em operação de aquisição a prazo e alienação a vista de debêntures, sendo que tanto a aquisição como a alienação ocorreram na mesma data, qual seja 30/06/1993. Considerou-se custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital o valor de parte dos recursos obtidos nessa operação e que foram utilizados na compra de CDB's, na mesma instituição, com data de vencimento e valor de resgate exatamente idênticos ao vencimento e ao valor da divida contraída em razão da compra a prazo das debêntures, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 70/75. O recorrente interpôs impugnação (fls. 83/90), sustentando, em síntese: (a) Constitui uma anomalia técnica pretender que o custo de aquisição das debêntures corresponda ao valor da aplicação em CDB's. Tal consideração importaria considerar que os CDB's teriam sido objeto de dação em pagamento das debêntures. Fato que é contrário ao efetivamente verificado, pois os CDB's se mantiveram sob titularidade do impugnante; (b) A circunstância de terem os CDB's permanecido sob custódia ao longo da aplicação é procedimento rotineiro do mercado financeiro e não invalida a titularidade do impugnante. Tampouco é influente o fato de a aplicação ter sido feita em conta bloqueada, pois isto representa garantia prestada e não pagamento realizado; (c) Em uma operação em que o valor da alienação é igual ao custo da aquisição se apresenta impensável a apuração e tributação de ganho de capital, por não haver diferença a ensejar a incidência do imposto; (d) Em uma aquisição a prazo, com alienação anterior ao vencimento, não há custo pago. A Lei n° 7.713/88 traz a solução para os casos em que inexista valor pago ao tempo da apuração do ganho de capital: o valor de transmissão utilizado pelo alienante para apuração do seu ganho de capital ou o valor corrente no dia da operação; 01\ 2 Processo n°13808.005931/98-56 83-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.008 ti. 184 (e) No primeiro caso, o alienante, sendo pessoa jurídica, tinha que apurar seu resultado de acordo com o valor contratado, que seria o próprio valor Cr$ 82.276.534.584,20, logo o ganho de capital seria inexistente; (f)No segundo caso, teria de ser provado que houve cessão por valor superior ao de mercado, caso contrário, o resultado seria nulo; (g) Salvo evidência inequívoca em contrário, o alienante pressupostamente alienou seu direito pelo valor corrente dele; (h) É absolutamente desinfluente a destinação que o impugnante tenha dado ao produto da alienação; (i) Pretendeu-se enquadrar a tributação reclamada como Tributação Definitiva sobre Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos por pessoa fisica, que impõe ao beneficiário do ganho o dever de recolhimento do imposto no mês subseqüente ao da realização da operação que o tenha gerado; (j) No entanto, tal enquadramento se apresenta notoriamente equivocado na espécie, a considerar que se trata de uma aplicação financeira conduzida junto a instituição financeira então autorizada pelo Banco Central; (k) Em se tratando de operação com debêntures, o caso é de operação iniciada e encerrada no mesmo dia; (1) Estas aplicações financeiras de titularidade de pessoas fisicas estavam submetidas, à época, ao regime exclusivo de fonte, o que exclui a incidência de declaração e a do regime definitivo; (m) O atributo da exclusividade da tributação na fonte impede o compartilhamento de regimes, inclusive porque são distintas as aliquotas e distintos os prazos de recolhimento. Se há imposto a ser descontado, a fonte tem de promover a retenção, eis que por ele responde, ainda que não a tenha promovido, responsabilidade que não se transmite ao beneficiário da renda, como assentado pelo PN 324/71; (n) Não há base legal para o questionamento junto ao aplicador relativamente ao imposto derivado de aplicações em títulos de renda fixa; (o) Concluir-se que o rendimento auferido pelo impugnante em face das operações questionadas não era tributável pelo IRPF. A DRJ SÃO PAULO 11 proferiu Acórdão n° 01.681 julgando procedente o lançamento cujos fundamentos são a seguir expostos, resumidamente: Segundo o art. 16 da Lei n° 7.713/88, no qual se fundamentou a autoridade fiscal, o custo de aquisição dos bens e direitos é o preço ou o valor pago. Tanto o valor de transmissão utilizado pelo alienante (no caso o Banco Nacional) para apuração do seu ganho de capital quanto o valor corrente no dia da operação não podem ser tomados como custo de aquisição das debêntures, visto que o Banco as vendeu 3 Processo n°13808.005931/98-56 83-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.008 Fl. 185 para recebimento a prazo e o comprador, por sua vez, não pagou à vista o preço corrente de mercado (que se pressupõe seja igual ao de alienação obtido pelo contribuinte). Os financiamentos das debêntures foram contratados a taxas inframercado, da ordem de 0,95% (fis.57 e 61), ao passo que nos mesmos períodos, as aplicações em títulos da renda fixa foram remuneradas às taxas de 28,50% e 31,85%, respectivamente (fls.59, 62/65), inferiores, no entanto, à variação da UFIR; em condições, portanto, bastante atípicas àquelas regularmente praticadas no mercado. O ganho de capital apurado pelo Fisco, no montante de CR$ 17.639.118.000,00, conforme Termo de Verificação Fiscal de fis.70/75, não traduz nada mais senão o ganho obtido pelo contribuinte, em decorrência da prática de taxas de juros inframercado no financiamento das debêntures e juros de mercado nas aplicações em títulos da renda fixa, na chamada operação casada engendrada com o evidente intuito de burlar a tributação. A percepção de tais ganhos decorreu única e exclusivamente das referidas operações, sem que fosse preciso ao contribuinte concorrer com qualquer produto do seu trabalho e/ou do seu capital. O art. 51 da Lei n° 7.450, de 23/12/85, prescreve que ficam compreendidos na incidência do Imposto de Renda todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma especifica de incidência do imposto de renda. A Lei n° 7.713/88, em seu art. 30, § 4°, dispôs que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da loc&ização, condição juridica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das • rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Nos termos do Parecer Normativo CST n° 46, de 11/08/87, a realização de operações simuladas com o fito de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens do que as proporcionadas pela lei fiscal, não deve inibir a aplicação de hipóteses de incidência do Imposto sobre a Renda sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos e ganhos de capital. Essas operações não podem ser aceitas para legitimar conseqüências tributárias, visto que são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; por isso mesmo, devem prevalecer os efeitos tributários do negócio dissimulado, ao revés daqueles decorrentes do ato jurídico formalizado apenas para gerar conseqüências entre as partes. O beneficio obtido pelo contribuinte nas operações de compra a prazo e venda à vista das debêntures, realizadas concomitantemente às operações de aplicação financeira em CDB-PRÉ da mesma instituição financeira, sob o aparente manto legal das operações, independentemente da denominação dos rendimentos ou títulos e da forma de percepção das rendas a teor do § 4° do art. 3 0 da Lei n°7.713/88, por resultar em aquisição da disponibilidade econômica e jurídica de que trata o art. 43 do CTN, é tributável. ob 4 Processo n° 13808.005931198-56 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.008 Fl. 186 O ganho de capital apurado na forma relatada no referido Termo obedeceu aos ditames prescritos na Lei. E sua tributação se fez respeitando o principio da estrita legalidade determinada no art. 150, inc. I, da Constituição Federal e no art. 97 do CTN. Fica definitivamente afastada a hipótese de enquadramento da citada vantagem financeira no campo da não incidência do imposto ou de ter sido equivocado o regime de tributação — Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos. Em seu Recurso Voluntário às fls. 120/146, Mário Branco Feres manifesta seu inconformismo em relação à decisão de primeira instância, alegando a inocorrência do fato gerador em questão, com base nos seguintes argumentos, em síntese: (a) Ocorreu a prática inequívoca de duas operações distintas e separadas, quais sejam, aquisição de debêntures e aplicação financeira de recursos em CDB-PRE, de modo que ambas devem ser consideradas separadamente; (b) Assim, o custo de aquisição das debêntures em 30/06/93 à prazo (30/07/93), é o mesmo valor de sua alienação em 30/06/93 à vista, qual seja, Cr$ 82.276.534.584,20, inexistindo qualquer ganho de capital na operação; (c) Ainda que se pretenda tomar como valor de alienação das debêntures o valor da aplicação financeira em CDB-PRÉ na mesma data (30/06/93), haveria que se considerar as duas aplicações feitas pelo recorrente em tal data, e não somente a aplicação no valor de Cr$ 64.637.416.584,20, somente porque o valor de seu resgate foi o mesmo do custo de aquisição das debêntures (Cr$ 82.276.534.584,20); (d) Considerando-se as duas aplicações em CDB feitas em 30/06/93, portanto, como custo de aquisição das debêntures, tem-se inexistência de mutação patrimonial passível de tributação, na medida em que as aplicações financeiras, somadas, correspondem exatamente ao valor de alienação das debêntures (Cr$ 64.637.416.584,20 + Cr$ 17.639.118.000,00 = Cr$ 82.276.534.584,20); (e) Desta feita, portanto, sob qualquer prisma resta constatada a impossibilidade de exigência do tributo lançado, uma vez que não se apurou qualquer ganho de capital em tais operações; (1) Ainda, se alguma tributação ali for devida, então, essa tributação só pode ser pelo imposto exclusivamente na fonte, cuja responsabilidade é única e exclusiva da instituição financeira, como já reconhecido reiteradamente pelo próprio Conselho de Contribuintes; (g) O próprio recorrente já obteve decisão favorável nesse sentido, em caso análogo, ocorrido em outro período de apuração, perante o próprio Conselho de Contribuintes (Recurso: 119301. Lla Câmara. Recorrente: Mário Branco Peres. Sessão: 16/08/2000. Acórdão 104-17566); (h) Inocorrência de simulação nas operações praticadas pelo recorrente, que foram objeto, tão-somente, de alegações vazias e desprovidas de qualquer fundamento, uma vez que a fiscalização furtou-se em prová-la. É o Relatório. 5 Processo n°13808.005931/98-56 83-C3T1 Acórdão n.°3301-00.008 Fl. 187 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Conheço do recurso, vez que é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais de admissibilidade e não havendo questões preliminares a examinar e decidir, passo à apreciação do mérito: Mérito De pronto, cumpre observar que o recorrente também foi autuado pela mesma infração relativamente ao ano-calendário 1992, tendo este Conselho de Contribuintes já se manifestado em relação à matéria em 16 de agosto de 2000, através do Acórdão n° 104- 17.566 do ilustre relator, Elizabeto Carreiro Varão. Nessa esteira, valho-me dos fundamentos ali declinados, na forma que se segue. O centro da discussão está na forma de tributação do respectivo rendimento, se tributado como ganho de capital na alienação de bens e direitos, como procedeu o fisco, ou, como argumenta o sujeito passivo, tributados exclusivamente na fonte pela instituição financeira. Inicialmente, faz-se necessário lembrar que, no ano-calendário de 1993, conceituava-se como rendimento real, no mercado financeiro, a diferença positiva entre o valor de cessão, liquidação ou resgate do título ou aplicação e o valor de aquisição atualizado pela variação acumulada da UFIR diária ocorrida entre a data da aplicação até a data da cessão, liquidação ou resgate. Será deduzido da base de cálculo do imposto o valor do 10F, se for o caso (§ 3°, art. 20, da Lei n. ° 8.383, de 1991). Desta forma, o imposto retido é considerado como devido exclusivamente na fonte e os rendimentos dessas aplicações não integrarão a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual. Ressalte-se, ainda, que as operações com debêntures são típicas de ativos de renda fixa, cuja remuneração pode ser dimensionada no momento da aplicação. Seus rendimentos estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte. Cabe à instituição financeira titular da conta, como responsável, quando for o caso, calcular, reter e recolher o imposto de renda na fonte. Assim, de acordo com as normas legais que regem o assunto, quando, em operações com debêntures, apurarem-se rendimentos tributáveis, estes devem seguir as normas de tributação previstas para o mercado financeiro, por tratar-se de operações do mercado de renda fixa (aplicações financeiras), e, portanto, tributados exclusivamente na fonte, não havendo que se falar em rendimentos tributados na pessoa fisica como se fossem oriundos de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Desta forma, conjugando-se as posições acima descritas com os argumentos, fatos e provas do processo, não restam dúvidas de que no caso em pauta, ficou evidenciada a ocorrència de unia falha na apuração da irregularidade praticada pelo recorrente, decorrente de erro na apuração e no enquadramento legal da irregularidade praticada. 6 - • • Processo n • 13808.005931198-56 53-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.008 Fl. 188 Da análise dos autos o que se conclui dos fatos nos quais se fundamenta a pretensão fiscal e das circunstâncias que se envolvem, há que se declinar pela argumentação da defesa, isto porque se entende que o valor apurado não pode ser tributado como ganho de capital na alienação de bens e direitos, por ferir os princípios da tipicidade e da estrita legalidade determinada pela Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional. Há que se salientar, ainda, que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real acerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. A exigência tributária deve ser enquadrada nos exatos termos da lei; não se pode, pois, presumir a irregularidade, esta deve estar lastreada em fatos apontados na lei. No caso em questão, como a fiscalização presumiu e enquadrou a irregularidade praticada pelo recorrente como sendo oriunda de ganhos de capital na alienação de debêntures, restou evidenciado que a fiscalização não efetuou a apuração do crédito tributário de forma correta, comprometendo a certeza de que deve estar revestido. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala/ essões - DF, em 04 de março de 2009 efj I UA Pi1/4.7 TAD 7 • tilliSS_ • - MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 13808.005931/98-56 Recurso n° 160.264 Voluntário TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no 3° do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n°3301-00.008. • Brasília, • (Vec-7„ 41-17aPINHEIRO TORRES Presidente da Terceira Seção do CARF Ciente, com a observação abaixo: [ I Apenas com ciência [ ] Com Recurso Especial [] Com Embargos de Declaração Data da ciência Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
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Numero do processo: 15374.005058/2001-68
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999
IRPJ. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há o que se falar em presunção legal de omissão de receitas decorrentes de valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, quando o titular, pessoa
fisica ou jurídica, regularmente intimado, comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Restabelece-se a dedutibilidade
das despesas de juros e variação cambial glosadas, quando devidamente comprovado que as mesmas se originaram de empréstimos contraídos no exterior.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável,
no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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Recorrida 5TURMA/DIU-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1999 IRPJ. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há o que se falar em presunção legal de omissão de receitas decorrentes de valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, quando o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Restabelece-se a dedutibilidade das despesas de juros e variação cambial glosadas, quando devidamente comprovado que as mesmas se originaram de empréstimos contraídos no exterior. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. k LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente c----VALMIR_SANDRI - Relator EDITADO EMYj 5 MAR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório • MARBOW EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5 8' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - RJ, que por maioria de votos JULGOU procedentes os lançamentos efetuados a título de omissão e despesas indedutiveis, relativo ao ano- calendário de 1998. De acordo com os autos, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a contribuinte, na opinião da autoridade administrativa, apesar de intimada diversas vezes não comprovou através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, tidos como empréstimos do exterior, referente ao ano-calendário 1998, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal ás fls.64/68, Em conseqüência da tributação anteriormente mencionada, a despesa financeira gerada pelos contratos pactuados com a Cross Group, cui agosto de 1997 e abril de 1998, sob a forma de juros e variação cambial, no montante de R$ 59.304,79, foram consideradas indedutiveis para efeito do imposto de renda e contribuição social. Dessa forma, foram lavrados os autos de infração a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 107/108), no valor de R$ 937468,76, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 111/112), no valor de R$ 24.874,11, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 115/116), no valor de R$ 76.535,75 e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL, fls. 119/120), no valor de R$ 316.880,96, formalizando crédito tributário no montante de R$ 1.355.759,58, já incluídos os juros de mora calculados até 30.11.2001 e a multa proporcional de 75%. Cientificada dos lançamentos em 03.12.2001, a Contribuinte apresentou em 27.12.2001, tempestivamente, sua impugnação de fls.127/133, alegando em síntese que: Inicialmente, afirma que está instalada no Brasil há cerca de dez anos, exercendo ininterruptamente a sua atividade, conforme faz prova o seu contrato social, fls. 181/191. Tendo disponibilizado para a fiscalização todas as informações solicitadas. (ii) Destaca que o fato da empresa remetente estar situada no Panamá, país considerado como sendo paraíso fiscal, não faz como que todas as operações dele oriundas sejam ilegais, como insinua a fiscalização. (iii) Junta aos autos cópias autenticadas dos contratos de empréstimos devidamente registrados no Banco Central do Brasil, fls. 192/203. ( .1v) Afirma que os extratos bancários, os contratos de câmbios, fls. 204/214, e os lançamentos no Diário Geral, fls. 215/229, confirmam o ingresso de recursos. 2 Processo n3374700305E72001-68 Sl-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.230 E. 2 (v) Junta, ainda, as fichas de razão, fls. 230/232 sob a rubrica Intercompany Ioan — Empréstimo do Exterior — Cross Group Holdings Internacional Inc. — que segundo ela atestam à rigidez dos seus controles contábeis e fiscais. (vi) Esclarece que na realidade as remessas não obstante tenham sido feitas por empresa sediada no Panamá, ingressaram no Brasil através do estabelecimento bancário da Bélgica, o Artesia Bank N. V. de Antuérpia, em nome do credor e sócio quotista majoritário, a Cross Group Holdings Internacional Inc, conforme comprovam os certificados às fls. 233/235. (vii) Dessa forma, ressalta que os recursos foram contratados nos termos da Lei n° 4.131/62, para capital de giro, consoante legislação emanada do Banco Central do Brasil. (viii) Ao final, requer a improcedência do lançamento. À vista da Impugnação, a 5. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, por maioria de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados pelas razôes a seguir sintetizadas: Inicialmente, destacaram que a questão cinge-se em verificar se a contribuinte logrou êxito em comprovar a origem dos recursos recebidos a titulo de empréstimos, pactuado com empresa sediada no exterior, tendo em vista o disposto no art. 42 da Lei n°9.430/96. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificaram que efetivamente houve o ingresso no montante de R$ 1.690.800,00 (?), sendo RS 218.240,00, ein 26 de agosto de 1997, fls192 e 232, R$ 227.680,00, em 14 de abril de 1998, fls. 196 e 222 e R$ 1.207.680,00, em 29 de dezembro de 1998, fls. 200 e 226. Ressaltaram, ainda, que de acordo com os Certificados de Registro, fls. 192/195, 196/199 e 200/203, tais ingressos foram efetuados com autorização prévia a titulo de empréstimo em moeda e objetivo de capital de giro, tendo como credor a empresa Cross Group Holdings International, com endereço no Panamá. Entretanto, salientaram que a contribuinte não comprovou a origem dos ingressos através dos documentos acostados às fls. 233 a 235 e 244, com tradução às fls. 236/240 e206, 210 e214, não traduzidos. Destacaram que os documentos não traduzidos, nem registrados, fls. 206, 210 e 214, não produzem efeitos, nos termos do art. 129, §6° do Código Civil vigente à época dos fatos. Já os documentos de fls. 233 a 235 e 244, são faxes datados de 05 de dezembro de 2001, enviados por Marinvest Ltda, contendo certificações emitidas pelo Artesia Bank, Antuérpia, Bélgica, em 27 de novembro de 2001, reportando-se as operações ocorridas em 1997 e 1998, não sendo, portanto, hábeis e suficientes para comprovar a origem do numerário creditado na conta bancária da contribuinte. Esclareceram que os contratos de câmbio comprovam apenas a transferência financeira realizada pela Cross Group Holdings Inc. do Panamá para o Brasil. Neles não há 3 37" menção de que tais valores seriam depositados na Bélgica, e não no Panamá, nem consta nos autos quaisquer documentos que comprovem o nexo causal entre as operações descritas pela contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos valores tributados. Finalmente, consignaram que as certificações referem-se à ordem de pagamento, a critério do Cross Group, cm datas bem anteriores às datas constantes dos Contratos de Câmbio e Certificados de Registro junto ao BACEN. Aplicaram para os lançamentos decorrentes as mesmas razões de decidir utilizada para o lançamento principal, face à estreita relação de causa e efeito que as une. Pelas razões acima expostas é que a 5'. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - RJ, por maioria de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Intimada da decisão de primeira instância em 20.042005, às fls. 284, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 20.05.2005, às fls. 285/291, alegando em síntese o que se segue: Após transcrever parte do Termo de Verificação Fiscal, bem como a ementa do acórdão proferido pelos julgadores de primeira instância que manteve o lançamento efetuado pela autoridade administrativa, a contribuinte afirma que "existe sempre uma defasagem de datas entre a remessa de quantia do exterior e a efetiva entrada no País recebedor, seja porque de conveniência financeira de se fazer o câmbio da divida, em face da flutuação diária que ocorre com a moeda nacional, casos de 1997 e 1998, seja porque, na prática, sempre haverá um hiato entre a remessa e o fechamento de câmbio." Esclarece que as diferenças de datas apontadas de 6, 5 e 7 dias, entre a saída do banco no exterior e o ingresso em conta corrente bancária no Brasil, suporte da manutenção da exigência fiscal, são ínfimas e absolutamente compatíveis com a prática bancária e comercial, até porque, de acordo com a legislação bancária o recebedor de moeda estrangeira possui o prazo, fixado pelo Banco Central, de até 60 dias para proceder ao fechamento de câmbio. Afirma que a presunção autorizada em lei para se configurar a omissão de receitas deve ser baseada em indícios e dados concretos, e não em meras suposições. Destaca que o fato da empresa remetente estar situada no Panamá, país considerado como sendo paraíso fiscal, não faz como que todas as operações dele oriundas sejam ilegais, como insinua a fiscalização. Prossegue, listando os documentos acostados aos autos quando da apresentação de sua impugnação, que considera comprovar a operação realizada. Em relação à origem das remessas, esclarece que na realidade estas não obstante tenham sido feitas por empresa sediada no Panamá, ingressaram no Brasil através do estabelecimento bancário da Bélgica, o Artesia Bank N. V. de Antuérpia, em nome do credor e sócio quotista majoritário, a Cross Group Holdings Internacional me, conforme comprovam os certificados às fls. 233/235. Ressalta que os recursos foram contratados nos termos da Lei n° 4.131/62, para capital de giro, consoante legislação emanada do Banco Central do Brasil. Finalmente, requer a improcedência do lançamento. É o relatório. 4 • Processo n° 15374.00505812001-68 S.1-C311 Acórdão n.° 1301-00130 Fl. 3 Voto • Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a Recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância que manteve a exigência fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e seus reflexos, relativo ao ano-calendário de 1998, tendo em vista que a contribuinte, apesar de intimada diversas vezes não comprovou através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, tidos como empréstimos do exterior e, em decorrência da infração acima, foram glosadas as despesas financeiras com juros e variação cambial geradas pelos contratos de empréstimos, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 64/68. Para afastar a exigência, alega a Recorrente, em síntese, que: (i) a defasagem de datas entre a remessa de quantia do exterior e a efetiva entrada no Pais recebedor não justifica a manutenção do lançamento; (ii) entregou à fiscalização documentação suficiente para elidir a presunção de omissão de receitas e, conseqüentemente o lançamento; (iii) a fiscalização não poderia presumir a omissão de receitas com base apenas em meras suposições; (iit) o fato de a empresa remetente estar situada no Panamá, pais considerado como sendo paraíso fiscal, não faz como que todas as operações dele oriundas sejam ilegais; (v) as remessas ingressaram no Brasil através do estabelecimento bancário da Bélgica; (vi) os recursos foram contratados nos termos da Lei n°4.131/62, para capital de giro, consoante legislação emanada do Banco Central do Brasil. Pois bem, o que se coloca a apreciação desta E. Turma é se os documentos carreados aos autos pela Recorrente são suficientes para comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, nos valores de R$ 218.240,00 (fis. 232), R$ 227.680,00 (fls. 222) e R$ 1.207.680,00 (fls. 226), respectivamente nas datas de 26 de agosto de 1997, 14 de abril de 1998 e 29 de dezembro de 1998, conforme comprovam os extratos do Banco Real Para justificar os créditos em sua conta bancária, a contribuinte junta às fls. 233, 234 e 235, com tradução às fls. 236/237, 239/240 e 242/243, certificado emitido pelo Artesia Bank, nos quais declara que por ordem da Cross Group Holdings Int. — Panamá, foram ordenados os pagamentos dos valores de US$ 200.000,00, na data de 20.08.1997, US$ 200.000,00, na data de 09 de abril de 1998 e US$ 1.000.000,00, na data de 28.12.1998. Nesse passo, às fls. 92/93, 2071208 e 211/212, a contribuinte junta aos autos contratos de câmbio, nos quais em 27/08/1997 converte os US$ 200.000,00 em R$ 218.240,00, em 15/04/1998 os US$ 200.000,00 em R$ 227.800,00 e em 30/12/1998 os US$ 1.000.000,00 em R$ 1.207.800,00. 5 Destaque-se que em todos estes contratos de câmbio, onde consta como comprador o Banco Real S.A. e como vendedora a contribuinte, consta ainda à informação de que o capital estrangeiro que ingressou no país teve origem em empréstimo. Da mesma forma, às fls. 192, 196 e 200, juntada aos autos pela contribuinte, constam às cópias autenticadas do Certificado de Registro do Banco Central do Brasil, em que certifica que houve o ingresso de divisas no país nas datas de 26/08/1997, no valor de US$ 200.000,00, 14/04/1998 no valor de US$ 200.000,00 e 29/12/1998 no valor de US$ 1.000.000,00, tendo como característica da operação empréstimo em moeda para capital de giro. Ademais, todos os valores creditados em sua conta corrente encontram-se devidamente escriturados como sendo empréstimos recebidos do exterior, corroborando tal informação com os documentos anteriormente apontados. Dessa forma, ante a apresentação da vasta documentação acima, não resta dúvida que a contribuinte logrou êxito em comprovar a legitimidade dos ingressos efetuados em sua conta bancária, não justificando, portanto, a presunção de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, mesmo porque, o fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente, eis que depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda, nos termos do art. 43 do CTN mas sim pelo fato de sua caracterização estar ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em conta de depósito, conforme dicção literal da lei. De se notar ainda que, a despeito de um dos ingressos de recursos (empréstimos) ter sido creditado na conta corrente da contribuinte na data de 26.08.1997, a fiscalização elegeu como data do suposto fato gerador, a data de 31.12.98, ou seja, considerou como receita omitida juntamente com os demais ingressos ocorridos no ano-calendário de 1998, fato esse que por si só já merecia reparo a r. decisão recorrida. Dessa forma, sou pelo provimento do recurso do contribuinte em relação ao presente item, o que, por decorrência, faz com que as despesas de juros e variação cambial glosadas pela fiscalização, sejam integralmente restabelecidas para efeito de base de cálculo do imposto de renda e contribuição social, tendo em vista a efetividade do empréstimo contraído pela Recorrente no exterior, independentemente do Pais onde se encontra estabelecida à empresa credora. Quanto aos lançamentos decorrentes, por possuírem os mesmos fundamentos %ticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação aos mesmos, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É como voto. • • I DRI - Relator 6
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Numero do processo: 10880.030846/98-65
Data da sessão: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
0 direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a
autoridade administrativa, de tributo pago ern virtude de lei que
tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a
declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou
com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta. Ante A inexistência de ato
especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de
2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o
pedido de restituição começa a contar a partir da edição da
Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado
do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do
recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando
em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi
formulado em 09/12/98.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.222
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Otacílio Dantas Cartaxo - Ad Hoc
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago ern virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante A inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 09/12/98. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago ern virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge corn a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante A inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 09/12/98. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Manoel Antônio Gadelha Dias - Presidente Otacilio Daritli Cartaxo - Relator ad hoc EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Antônio Gadelha Dias, Otacilio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mario Junqueira Franco Júnior. Relatório Eis, na integra, a transcrição do relatório concernente à decisão acima: O relatório da decisdo recorrida é o seguinte: 4. Versa o presente processo, protocolizado em 09 de dezembro de 1998, sobre pedido de restituigão/compensação de valores recolhidos a titulo de contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, no valor de R$ 6.967,08 com fulcra nas Leis n." 7.689/1988, 7.787/1989, 7.894/1989 e 8.147/1990, relativos ao período de dezembro de 1991 a março de 1992, conforme cópias reprográficas de Documento de Arrecadação c/c Receitas Federais (fls.23/34) e tabela com os valores correspondentes a serem restituidos/compensados (fl. 2). 5. A autoridade administrativa, através despacho decisório n° 173/2000 (11. 53), indeferiu o pedido sob a alegação c/c que o direito de o contribuinte pleitear a restituição/compensação cio indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição dos indébitos relativos a tributos ou contribuições pagos a maior, indevido ou coin base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no exercício dos controles &firs° e concentrado da constitucionctlidczde das leis, seria de 5 (cinco) anos, contado da data c/a extinção do crédito, nos termos cio disposto no Ato Declamtério SRF a." 96, de 26/11/1999 com base no Parecer PGFN/CAT a" 1.538 de 1999 e artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. 6. 0 contribuinte inconformado impugnou o despacho decisório, (11s.56/58), por seu representante legal, conforme procuração, (11. 59), alegando, em síntese: 7. Que a compensação dos valores indevidamente pagos, cleve abranger o período de 10 (dez) anos, prazo prescricional a que estão sujeitos os tributos lançados por homologação, de conformidade com o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 8. Diz que neste caso, a homologação tácita do lançamento teria ocorrido 5 (cinco) anos após o auto-lançamento, contados do recolhimento da contribuição e que após esse período teria ofisco mais 5 (cinco) anos para verificar o recolhimento cio tributo. 9. Cita Recurso Especial n" 43.995-RS do STJ para corroborar conz seu entendimento. 10. Encerra sua petição requerendo a restituição dos valores pagos a maior do Finsocial. O julgado a quo indeferiu a solicitação, em decisão cuja ementa transcrevo a seguir: 2 Processo n 0 10880.030846/98-65 Acórdzio n.° 03-05.222 CSRF/T03 Fls. 163 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992 Ementa: FINSOC1AL RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Tempestivamente a contribuinte apresentou recurso voluntário, em que insistiu na tese dos dez anos de prazo para solicitar a restituição. O Acórdão n.° 303-31568 (11s. 90/111) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 12/08/2004, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: FINSOCIAL. RESTITUICJO/COMPENSAÇÃO, DECADÊNCIA. Por meio do Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, fbi vazado o entendimento de que, no caso da Contribuição para o Finsocial, o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota superior a 0,5% seria a data da edição da MP n° 1.110, em 31/05/95. Portanto, tendo em vista que até a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, era aquele o entendimento, os pleitos protocolados até essa data estavam por ele amparados. PAF. Considerando que foi refOrmada a decisão recorrida no que concerne à decadência, em obediência ao principio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve ct autoridade julgadora de primeiro grout apreciar o direito a restituição/compensação. In casu, o pedido ocorreu em data de 09/12/98, quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a compensação. Cientificada do acórdão retromencionado contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fis. 113/145), aviando o seu recurso, com fulcro no art. 5°- II do RICSRF e trazendo colação o paradigma Acórdão n.° 302-35782.. Aduz o d. Procurador: • A questão central que se discute no feito é saber qual o termo inicial e o final para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. • 0 v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da MP n' 1.110/95, expedida em 30/08/95. • Pronuncia-se em favor da tese contida nos arts. 165-1 e 168-I, ambos do CTN que reconhece o direito ao crédito tributário, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 156-1, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. 3 • 0 art. 3° da LC n° 118 deixa claro que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do mesmo nzandamus, devendo o mesmo ser aplicado retroativamente a teor do art. 106-1 do CTN. • Complementa a sua fundamentação corn o ADN/SRF if 96/99, como norma integrante da legislação tributária, de caráter vinculante para a administração tributária (arts. 100-I e 103-1, CTN), sobre o seu entendimento concernente ao prazo decadencial. • Não há na lei qualquer autorização que justifique ser considerada a data da publicação da MP n° 1.110/95, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, por conseguinte para se considerar esse termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. • Requer a reforma da decisão hostilizada para que seja restituida a decisão de primeira instância. O REsp da PFN foi admitido em 10/02/2005, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 146), mediante o reconhecimento da existência de tempestividade e de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. Intimado a apresentar suas contra-razões (vide AR a follia 150-V), o sujeito passivo apresenta-as tempestivamente (fls. 150/155), em que adere à decisão recorrida, solicitando as restituições em lide, acrescidas de juros de 1% a.m. o relatório. Voto Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator ad hoc 0 recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários A. sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência. Versa a matéria trazida à apreciação desta Corte sobre o indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota do FINSOCIAL cima de 0,5%, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE ri° 150.764-1, DJU de 02/03/93, especificamente quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância, em relação A matéria em foco, adotou o entendimento contido no AD/SRF n° 96/99 para, reconhecendo o direito do contribuinte ao crédito tributário (art. 165-1 CTN), argüir que o mesmo prescreve após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (att. 168-1, CTN) pelo pagamento (art. 156-1, CTN). 4 Processo n° 10880.030846/93-65 Acórdao n.° 03-05.222 CSIZF/T03 F/s. 164 De modo diverso, a decisão recorrida afastou a preliminar de decadência, argüindo que o prazo de cinco anos para a restituição de indébito deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória n.° 1.110/95, devendo os autos serem remetidos a instancia a quo para exame de mérito. A Fazenda Nacional enfatizou os mesmos argumentos expendidos na decisão de primeira instância, postulando pela sua restauração e pela reforma do acórdão recorrido. Observou-se, também, que a autoridade fiscal se manteve inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Desde logo depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, de restituição do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo que se falar em decadência. Inicialmente, tem-se que, corn o advento da MP n.° 1.110, publicada no DOU de 31 de agosto de 1995, o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade da fixação do termo a quo para contagem do prazo prescricional para fins de exigência do F1NSOCIAL em percentual superior a 0,5%. Corn isso, o tributo indevido ou pago a maior (art. 165-I, do CTN), relativamente ao Finsocial, passou a ser a ser assim considerado. Nesse mesmo sentido, o Parecer Cosit n.° 58, de 27/10/98, dispôs em seu item 27 que o prazo para o contribuinte não-participe de ação judicial possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação da MP n.° 1.110/95, para os casos dos incisos II a VII, do art. 17, de acordo corn as hipóteses previstas no art. 18 da MP n.° 1.699-40/98, in verbis: Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da Unido, o afuLamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e inscrição, relativamente: 1-4 111 — ti contribuição ao Fundo de Investimento Social — F1NSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art 9.° da Lei n.° 7.689, de 1988, na aliquota superior a zero virgula cinco por cento, conforme Leis OS 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro cle 1990, acrescida do adicional de zero virgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto--Lei n.° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. E cediço que o texto contido nas MP n.° 1.110/95 e 1.621-40/98, além de suas reedições sucessivas até o advento da lei n.° 1.522, de 19/07/01, lido alude expressamente hipótese de restituição de tributos, bem assim que restou estabelecido consoante o § 3.°, do artigo 18 dessa lei, que o disposto neste artigo não implicará restituição ex officio. Entretanto, não se pode olvidar do permissivo oficial contido no Parecer Cosit n.° 58/98, o qual estabeleceu o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da data 5 da publicação da MP n.° 1.110/95, em 31/08/95, quando efetivamente nasceu o direito de o contribuinte postular perante a Administração Tributária a restituição/compensação de indébitos tributários. Inobstante o entendimento vazado pela Administração Tributária no Parecer Cosit n.° 58/98, foi publicado em 30/11/99 o Ato Declaratório n.° 96, arrimado no Parecer PGFN n.° 1.538/99, que pretendeu mudar o posicionamento acerca da matéria, ao dispor que o prazo para o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou cm recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado da data da extinção do credito tributário (art. 165-1 e 1684, do CTN). A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer CO SIT n" 58/98, de 27710/98, cujo reconhecimento expresso naquele Parecer referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa a esposar o novo entendimento a se contrapor aquele adotado anteriormente. Decerto a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP no 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrario do que expôs o juizo a quo, e importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitavel em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da aliquota do FIN SOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto a Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação prescrição, análise esta pela qual a decisão de primeira instancia passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a a a) de cobrança do credito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. 6 CSRF/T03 Eis. 165 Processo n" I O580.030846/98-65 Acórdão n.° 03-05.222 Note-se que a Secretaria da Receita Federal através da IN/SRF n.° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2.° já havia convalidado a compensação efetivada pelo contribuinte dc seus créditos de Finsocial coin os débitos reconhecidos e não recolhidos da Confins, com fundamento no art. 9.° da Lei n.° 7.689/88, na aliquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio desse ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito a plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Considerando que o posicionamento adotado pela SRF, em todos os pedidos protocolados até 30/11/99 deu-se com base na IN/SRF n.° 32/97 e no Parecer Cosit 58/98, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual, deve ser mantido esse entendimento para os casos ocorridos mesmo após a publicação do AD/SRF n.° 96/99, uma vez que reside na MP n.° 1.110/95 o reconhecimento do Poder Executivo, ao admitir que a exigência do Finsocial com a alíquota majorada acima de 0,5% era inconstitucional, de acordo com os dispositivos contidos no seu art. 17-Ill. Insubsistentes, portanto, os argumentos do d. Procurador corn relação à lide. Finalmente, tern-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado em 09/12/98 (fls. 01/02) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido, dá-se em 31/08/00, não havendo que se falar em decadência. Ante o exposto, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento, retornando os autos A. DRJ para exame das demais matérias. É, assim que voto. 7
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Numero do processo: 10280.000998/00-71
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/12/1998
O pedido de parcelamento, e, a confissão irretratável da dívida, importa na desistência do recurso, conforme preceitua o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RI-CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU 23/06/2009).
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3301-001.433
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/03/1990 a 31/12/1998 O pedido de parcelamento, e, a confissão irretratável da dívida, importa na desistência do recurso, conforme preceitua o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RI-CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU 23/06/2009). Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 689 1 688 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.000998/0071 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 330101.433 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria IPI Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONSERVAS MAIUATA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1990 a 31/12/1998 O pedido de parcelamento, e, a confissão irretratável da dívida, importa na desistência do recurso, conforme preceitua o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU 23/06/2009). Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso em face da decisão abaixo ementada, que indeferiu o pleito da contribuinte, para ressarcimento de créditos de IPI do período de apuração de 01/03/1990 a 31/12/1998, e não homologando as compensações declaradas, oriundos do mandado de segurança n° 2002.39.00.0062656, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31/12/1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. Considerase não homologada a compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência, liquida e certa, do crédito originalmente apontado como compensável. 0 art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido De acordo com o acórdão recorrido, a lide ficou assim definida, a partir da manifestação de inconformidade do contribuinte: a) O crédito tributário extinguese com cinco anos contados do lançamento, estando homologadas tacitamente as compensações declaradas; b) Outro ponto a ser destacado diz respeito ao conteúdo do despacho decisório/da Comunicação n° 1282/2008, que afirma que, no caso das DCOMP não declaradas é incabível a apresentação de manifestação de inconformidade, todavia, aduz que os efeitos da edição de uma nova lei, em regra, vigoram a partir de sua publicação, sendo os efeitos sentidos no ordenamento jurídico deste momento para frente, não podendo a Lei nº 11.051/2004, retroagir; c) 0 direito do impugnante tem previsão expressa na Lei n° 9.779/1999, sendo que a possibilidade de creditamento de outros débitos, com créditos de IPI, só surgira com a publicação da Lei supracitada, todavia, em respeito ao principio da não cumulatividade, devendo alcançar os fatos não decaídos, em razão do prazo decadencial de dez anos (tese dos 5+5 do STJ). Cientificado em 01/06/2010 (AR – fl. 658), a Recorrente protocolou em 29/06/2010, o recurso voluntário de fls. 659 e seguintes, aduzindo, em síntese, que em 04/11/2009, solicitou Parcelamento de Saldo Remanescente dos programas Refis, Paes, Paex e parcelamentos ordinários, como dispõe e autoriza a Lei 11.941 de 2009, junto a essa Receita Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10280.000998/0071 Acórdão n.º 330101.433 S3C3T1 Fl. 690 3 Federal do Brasil, recebido sob os números: 00047799899887264940, 00047799899887264890, 00047799899887264920, 00047799899887264970 (em anexo), assim sendo, os valores cobrados, constantes na Comunicação n° 090712010 da SRF — SEORT estão com sua exigibilidade suspensa, impossibilitandose qualquer ato de execução fiscal, como dispõe o art. 151, VI, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e instruído com as demais formalidades legais pertinentes. O pedido de parcelamento, e, a confissão irretratável da dívida, importa na desistência do recurso, conforme preceitua o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU 23/06/2009), Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 14485.000071/2007-04
Data da sessão: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996
PEDIDO REVISIONAL CONHECIDO. DECADÊNCIA. STF.
Conforme disposto no § 2° do artigo 5° do RICC, Portaria MF n. 147/2007, o pedido de revisão será analisado de acordo com o RICRPS (Portaria MPS n. 88/2004).
Pedido de Revisão conhecido para sanar acórdão anterior da então 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização,
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.765
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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DECADÊNCIA. STF. Conforme disposto no § 2° do artigo 5° do RICC, Portaria MF n. 147/2007, o pedido de revisão será analisado de acordo com o RICRPS (Portaria MPS n. 88/2004). Pedido de Revisão conhecido para sanar acórdão anterior da então 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. 1\ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo nõ 14485.000071/2007-04 52-C3T1 . Acórdão o. 2301-00.765 Fl 2 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. iv, ( .)- ( \ \JULIO C.fr 'S'A: , EIRA GOMES — Presidente .n .41PJakk. ,, 'Wod DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vida! (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório 1.Trata-se de pedido revisional apresentado pela empresa BUNGE FERTILIZANTES S/A contra o acórdão da antiga 45 Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS de relatoria do Conselheiro Rogério Lellis Pinto, que negou provimento ao recurso voluntário da empresa, nos termos da ementa abaixo transcrita: "EMENTA. PREVIDENCIÁRIO, DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITO PREVIDENCIÁ.RIO, PRAZO DE 10 ANOS, O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, nos termos do que dispõe o artigo 45 da Lei 8212/91, RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO " 2, O pedido de revisão do acórdão, teve como fulcro o art. 60, inciso I e IV da Portaria 88, de 22 de janeiro de 2004, que aprovou do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS. 3. Analisando os pressupostos de admissibilidade, a presidência desta Turma proferiu despacho acolhendo o pedido da empresa, nos seguintes termos: "Apesar de a decadência não ter sido pre questionada pelo requerente em seu pedido de revisão original, o foi no pedido às lis, 166/170. Além disso, por se tratar de matéria de ordem pública e trazida aos autos por meio de pedido de revisão, não se pode negar que o acórdão vergastado, ao ratificar a decisão de primeira instancia, que julgou o lançamento procedente, acabou por reconhecer a aplicação do art. 45 da lei 8.212/91, considerado inconstitucional pela Súmula Vinculante n° 08 supracitada, 2 Processo o' 14485 000071/2007-04 S2-C31-1 Acórdão n 2301-00.165 Fi, 3 Assim, uma vez que a decisão pela inconstitucionalidade tem efeitos retroativos, vale dizer que é como se à época o art. 45 da Lei 8.212/91 não existisse, aplicando-se portanto o Código Tributário Nacional Neste caso, por não ter havido pagamento, aplica-se o art 173, I, estando, portanto todo período questionado decadente. Reconheço cumpridos os pressupostos de admissibilidade do pedido de revisão apresentado [-] DECIDO, ACOLHER o pedido de revisão apresentado." 4. Por fim, após despacho do Presidente propondo o saneamento do acórdão em epígrafe, os autos foram encaminhados a este Conselheiro para proferir relatório. É o relatório. Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conforme disposto no § 2° do artigo 5° do RICC, Portaria MF n. 147/2007, o pedido revisional será analisado de acordo com o RICRPS (Portaria MPS n. 88/2004). 2. Nos exatos termos do art, 60 da Portaria MPS n.° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade do recurso revisional é medida extraordinária somente admitida nos casos de o Acórdão do CRPS divergir de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável„ 3. In casu, a recorrente apresentou pedido revisional de acórdão da antiga 4' CRPS de relatoria do Conselheiro Rogério Lellis Pinto com o fulcro no art. 60, inciso I e IV da Portaria 88/2004, em face da decisão de fls. 182/187, que negou provimento ao recurso voluntário, incorrendo em violação de dispositivos legais e constitucionais. 4. Isso porque o acórdão revisado utilizou como prazo decadencial aquele previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91, qual seja, dez anos. No entanto, durante sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2008, foi editada a Súmula Vinculante n° 08, que declarou inconstitucional o referido dispositivo, resultando, a partir daí, na obediência ao Código Tributário Nacional quanto às regras de decadência. 5. O Código Tributário Nacional prevê em seus dispositivos - 173, 1 e 150 §4° - o prazo decadencial quinquenal do crédito tributário, devendo, portanto ser aplicada a rega de imediato visto que a decisão pela inconstitucionalidade tem efeitos retroativos, é como se à época o art. 45 da Lei 8.212/91 não existisse. 3 Processo n° 14485 000071/2007-04 52-C3Ti Acórão n.° 2301-00.765 F1, 4 6. Feitas essas considerações, acolho o despacho do eminente Conselheiro Presidente Julio Cesar Vieira Gomes, admitindo o pedido revisional para o devido saneamento do processo em epígrafe. DECADÊNCIA 7. Sobre a preliminar de decadência, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212/91 e o parágrafo único do art 5° do Decreto-lei n° 1 „569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar, Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valot; o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150„5ç 4', 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do ar!, 5' do Decreto-lei n° L569/77, frente ao I' do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vincldante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 8. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 1 L417, de 19/12/2006, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração público direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: .1U .‘ • 4 Processo n° 14485,000071/2007-04 52-C3T1 Acórdão a° 2301-00,765 Fi, 5 Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei 112 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 20 O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 12 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão " 9, Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos 'ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante, Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante ri° 08. 10. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual rega de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se no Relatório de Lançamentos e no Discriminativo Analítico de Débito que a recorrente não efetuou o pagamento de suas obrigações as quais se refere o lançamento, Então, deve-se prevalecer a rega trazida pelo artigo 17.3, I do CTN. 11. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 21/12/2005, referente às contribuições do período de 01/01/1995 a .31/12/1996, fica alcançado pela decadência quinquenal o lançamento fiscal em sua totalidade, 12. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO 1.3. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 30 de novembro de 2009. ,..ç„....___ , DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator 5 Processo no 14485..000071/2007-04 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.765 Fl. 6 6
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