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4741164 #
Numero do processo: 36750.002569/2006-78
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/03/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. 1. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. 2. De acordo com o parágrafo único do art. 151 do CTN, o disposto no referido artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 07/03/2006  PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE  DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS  E  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE.   1.  A  empresa  é  obrigada  por  lei  a  descontar  das  remunerações,  as  contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que  lhes prestem serviço.  2.  De  acordo  com  o  parágrafo  único  do  art.  151  do  CTN,  o  disposto  no  referido  artigo  não  dispensa  o  cumprimento  das  obrigações  acessórias  dependentes  da  obrigação  principal  cujo  crédito  seja  suspenso,  ou  dela  conseqüentes.  Recurso Voluntário Negado        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).      (assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.        Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 124          2 (assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira  Júnior e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade.   Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 125          3 Relatório      Trata­se  de  Auto  de  Infração  lavrado  em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado, pelo  fato de a  empresa não  ter arrecadado, mediante desconto,  as  contribuições  dos  segurados  incidentes  sobre  remuneração  paga  a  título  de  cartão  de  premiação  Premium  Card.  Pelo  cometimento  da  falta,  o  contribuinte  foi  enquadrado  pela  fiscalização  no  art.  30,  inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91 e alterações posteriores, ao art. 4° da Lei 10.666/2003 e ao  art.  216,  inciso  I  alínea  "a"  do  Regulamento  da  Previdência  Social —  RPS,  aprovado  pelo  Decreto 3.048/99.      O contribuinte devidamente notificado apresentou defesa  tempestiva, em 31  de março de 2006.      A impugnação foi julgada em 26 de junho de 2007, ementada nos seguintes  termos:    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS    Período de apuração: 08/05/2003 a 01/01/2006    NULIDADE.    Presentes  os  requisitos  legais  da  notificação  e  inexistindo  ato  lavrado  por  pessoa  incompetente  ou  proferido  com  preterição  ao  direito  de  defesa,  descabida  a  argüição  de  nulidade  do  feito.  Matérias  alheias  a  essas  comportam  decisão de mérito.    MATÉRIA CONSTITUCIONAL.    À  autoridade  administrativa  cabe  cumprir  a  determinação  legal,  aplicando  o  ordenamento  vigente  às  infrações  concretamente  constatadas,  não  sendo  sua  competência  discutir  a  constitucionalidade da  lei  e  se  esta  fere  ou  não  princípios constitucionais e princípios gerais do direito.    SUCESSÃO.    A  adquirente,  por  qualquer  título,  ainda  que  de  forma  indireta, de fundo de comércio, estabelecimento comercial,  industrial  ou  profissional,  e  prossegue  na  exploração  da  atividade, responde pelos tributos devidos pela sucedida.    SEGURADO  OBRIGATÓRIO.  EMPREGADO  E  CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.    Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 126          4 Incontroversa  a  prestação  de  serviços,  a  questão  de  remuneração  torna­se  um  requisito  subsidiário,  devendo  ser  comprovada  sua  inexistência para que seja afastada a  condição de segurado obrigatório da previdência.    ARRECADAÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS    A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as da respectiva remuneração, e, deixando de  assim proceder, estará sujeita às penalidades previstas em  lei.  Lançamento Procedente    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  de  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:        ­ Que se deixou de proceder ao arrolamento estabelecido no § 2°, do art. 33,  do Decreto n. 70.235/72, considerando a ADIn 1.976­7­DF.      ­  Não  procedem  as  razões  do  voto,  na  medida  em  que  os  elementos  da  personificação da pessoa jurídica não foram devidamente analisados na r. decisão invectivada,  eis  que  se  desconsiderou  as  ;particularidades  que  informam  a  empresa  PA Confecções  Ltda  ME  considerando­a,  indevidamente,  sucessora  das  obrigações  contraídas  por  outra  pessoa  jurídica, no caso a empresa Letice Comercial Ltda.      ­  A  presente  cobrança  apoiada  na  idéia  de  que  há  no  caso  em  comento  responsabilidade  tributária  por  substituição  apresenta­se  descabida,  pois  não  encontra  consonância  com  os  enunciado  prescritivo  que  trata  da  matéria,  não  se  subsumindo  integralmente aos ditames legais.      ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  se  posiciona  nesse  sentido  ao  asseverar que a sucessão esta vinculada à completa subsunção ao disposto no art. 133 do CTN  não podendo ser presumida.      ­  O  julgador  de  primeira  instância  manteve  a  caracterização  de  Alexandre  Fabris Pagnoncelli na condição de segurado, e em decorrência disso, manteve a aplicação da  multa lançada no auto de infração em questão.      ­ No caso em tela, é patente a inexistência de relação empregatícia e qualquer  outro  que  venha  a  caracterizar  Alexandre  e  Clauber  como  segurados  obrigatório,  pois  não  existe subordinação ou hierarquia. Desse modo, não havia qualquer vínculo de ordem fática ou  jurídica  que  atestasse  a  referida  condição  de  sujeição,  já  que  não  havia  qualquer  disposição  contratual nesse sentido.      ­ As multas fiscais mesmo sendo penalidades e embora não tendo a natureza jurídica de  tributo, devem observar aos princípios adstritos à tributação, caso contrário, haveria a violação  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 127          5 dos  direitos  e  garantias  dos  contribuintes  pela  via  oblíqua  da  imposição  de  penalidades  tributárias.      Diante do exposto, requer pelas razões elencadas no presente recurso, mas o  que  a  de  ser  suprido  pelo  notório  conhecimento  dos  nobres  julgadores,  que  se  dignem  a  reformar  "in  totum"  a  decisão  administrativa  vergastada,  para  o  fim  de  para  o  fim  de  reconhecer a insubsistência do AI n. 35.859.352­2, decretando a sua nulidade em todos os seus  termos.    Não apresentadas as contrarrazões.      É o relatório.  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 128          6   Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.      Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame.      Segundo consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 16), a empresa deixou de  arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e  contribuintes individuais a seu serviço.       A falta cometida pelo contribuinte restou amplamente evidenciada, conforme  se pode observar da parte inicial do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 16), in verbis:    Em Auditoria Fiscal  realizada na empresa PA Confecções  Ltda  ME,  CNPJ  05.264.796/0001­03,  e  sua  sucedida,  a  empresa Letice Comercial Ltda, CNPJ 01.869.732/0001­85,  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  com  abrangência  ao  período  de  JUNHO11997  a  JANEIRO/2006,  conforme  mandado de procedimento fiscal (MPF) nr. 09284947­00 e  termo de intimação de apresentação de documentos (TIAD)  em anexo, constatamos que PA Confecções Ltda ME e sua  sucessora  deixaram  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  dos  contribuintes  individuais a seu serviço, conforme previsto na lei n. 8.212,  de  24  .07.91,  art.  30,  inciso  I,  alínea  "a",  e  alterações  posteriores e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art 4, caput, e  no  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a".    O contador Sr. Clauber José de Souza Neckel, contribuinte  individual, prestou serviços de contador, conforme contrato  de  prestação  de  serviços  anexo,  para  ambas  as  empresas,  em período  anterior  a  abril  de  2.003  até  a  presente  data.  Porém,  nenhum  valor  foi  recolhido  nem  descontado  para  Previdência Social, o que é responsabilidade das referidas  empresas tomadoras do serviço.    Da mesma forma, o Sr. Alexandre Fabris Pagnoncelli atua  como sócio­gerente da PA Confecções Ltda desde julho de  2.005, conforme "segunda alteração contratual", em anexo  a  este  relatório,  o  que  o  enquadra  como  segurado  obrigatório  na  qualidade  de  contribuinte  individual.  Entretanto,  nenhum  valor  foi  recolhido  nem  descontado  para  Previdência  Social,  o  que  é  responsabilidade  da  referida empresa.    Pela  inobservância  da  obrigação  tributária  decorrente  da  legislação,  emitimos  o  presente  auto­de­infração,  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 129          7 considerando a empresa PA Confecções Ltda ME sucessora  da  empresa  Letice  Comercial  Ltda,  pelos  fatos  e  fundamentos  jurídicos  expostos  em  "Caracterização  da  Sucessão".       Na conclusão do referido relatório fiscal, a autoridade administrativa assim se  manifestou:    Sendo  assim,  fica  claro  e  demonstrado  que  as  referidas  empresas  deixaram  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  dos  contribuintes  individuais a seu serviço, conforme previsto na lei n. 8.212,  de  24.07.91,  art.  30,  inciso  I,  "  alínea  "a",  e  alterações  posteriores e na Lei a 10.666, de 08.05.03, art 4,  caput,  e  no  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a".    Não  ficaram  configuradas  as  circunstâncias  agravantes  previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social  —  aprovado  pelo  Decreto  3.048/99  e  nem  a  atenuante  prevista no art.291 do mesmo regulamento.      Com efeito,  a empresa  é obrigada por  lei  a descontar das  remunerações,  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  dos  contribuintes  individuais  que  lhes  prestem  serviço.      A  aplicação  de  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  constante  da  Lei  n.º  8.212/91,  está  dentro  dos  pressupostos  legais  e  constitucionais,  não  foi  inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e  devendo ser obedecida pela via administrativa.      A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições  dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço.        De acordo com o parágrafo único do art. 151 do CTN, o disposto no referido  artigo  não  dispensa  o  cumprimento  das  obrigações  acessórias  dependentes  da  obrigação  principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes.      Por  último,  a  autuação  objeto  do  presente  recurso,  foi  executada  de  acordo  com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à  sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido  na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta.    Pelo  exposto,  voto  por CONHECER do  recurso  voluntário,  para  no mérito  NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.     (assinado digitalmente)  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 36750.002569/2006­78  Acórdão n.º 2803­00.753  S2­TE03  Fl. 130          8 Amílcar Barca Teixeira Júnior ­ Relator                              Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 06/06/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR

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4751002 #
Numero do processo: 13558.001681/2007-53
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/03/2006 PRAZO DECADENCIAL CINCO ANOS, TERMO A QUO, AUSÊNCIA DE. RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS, ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Sumula Vinculante de n 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei ri " 8.212 de 1991 Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. I 7.3, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo deeadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE. CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN, Crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CTN. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA, SELIC.. INCONSTITUCIONALIDADE Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa e juros de mora, que não poderão ser relevados, conforme determinação legal. E. licita a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. A declaração de ineonstitueionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.031
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e dar provimento parcial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, vencidos os conselheiros Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Gustavo Vettor ato e Veta Kempers de Moraes Abreu (suplente), que entendiam pela aplicação da multa contida no art. 35 da Lei n. 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 1 L941/2009.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA LIMA

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materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/03/2006 PRAZO DECADENCIAL CINCO ANOS, TERMO A QUO, AUSÊNCIA DE. RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS, ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Sumula Vinculante de n 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei ri " 8.212 de 1991 Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. I 7.3, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo deeadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE. CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN, Crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CTN. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA, SELIC.. INCONSTITUCIONALIDADE Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa e juros de mora, que não poderão ser relevados, conforme determinação legal. E. licita a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. A declaração de ineonstitueionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.

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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e dar provimento parcial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, vencidos os conselheiros Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Gustavo Vettor ato e Veta Kempers de Moraes Abreu (suplente), que entendiam pela aplicação da multa contida no art. 35 da Lei n. 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 1 L941/2009.

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RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS, ART. 173, INCISO I, DO CTN.. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Sumula Vinculante de n 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei ri " 8.212 de 1991 Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. I 7.3, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo deeadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE. CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN, Crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CTN. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA, SELIC.. INCONSTITUCIONALIDADE Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa e juros de mora, que não poderão ser relevados, conforme determinação legal. E. licita a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. A declaração de ineonstitueionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e dar provimento parcial, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencidos os conselheiros Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Gustavo Vettor •ato e Veta Kempers de Moraes Abreu (suplente), que entendiam pela aplicação da multa contida no art. 35 da Lei n. 8.212/91 na redação dada pela Lei n" 1 L941/2009. •/ H E LION VARIAOS PRA A_LIE--Elibt-A---rP residente e Relator C4-itipiaram do presente julgamento os conselheiros Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (Suplente), Gustavo Vettorato, Heitor] Carlos Praia de Lima (Presidente). Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, referente a segurados contribuintes individuais, período: 04/2001 a 03/2006, cujos recolhimentos não foram efetuados pela recorrente, conforme relatório fiscal, tis, 44 a 48.. A ciência da notificação se deu em 29/10/2007 (fls. 120) Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa, lis, 121 a 128. Foi exarada a Decisão-Notificação, que confirmou a procedência do lançamento, fis. 152 a 157. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, tis, 165 a 171. Em síntese a recorrente alega: a) a ilegitimidade do lançamento, pois houve afronta ao Principio da Tipicidade Fechada, sendo inequívoco que o Fisco impôs a cobrança por meio de deduções, o que, dá ensejo a imprecisões. Isto é confirmado pela fiscalização quando afirma não terem sido apresentados pela recorrente os documentos obrigatórios por lei, Não há previsão legal que possibilite a cobrança de tributo por meio de dedução ou por livre arbítrio do fisco, estando maculado o lançamento pela eiva da inconstitucionalidade; b) o montante abusivo dos acréscimos legais - juros e multa.. Não tem respaldo algum a quantia pleiteada de 30% a titulo de juros e multa de mora, Foram utilizados valores indevidos na base de cálculo da presente contribuição, sem observância do patamar de 8%, reduzidos, após, em mais 50%, por força da imperatividade do artigo 35 da Lei 8212/91, A gradação da multa imposta deve ser lógica e respeitar a proporcionalidade entre o valor do tributo devido e o valor da multa cobrada, c) por fim, requer que não prevaleça a multa aplicada, devendo ser anulada a notificação fiscal.. Os autos foram encaminhados ao 2'. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para julgamento (fls. 179). 2 Processo n" 13558.001681/2007-53 S2-11:03 Acórdão r" 2803-00,031 1:1 2 É o relatório. Voto Conselheiro HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Relator O recurso é tempestivo, conforme fl. 179; pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n 0 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n" 8"São inconstitucionais os pará,grofb único do artigo .5" do Decreto-lei 1569/77 e as artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n " 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Urna vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN„ As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4" do CIN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso 1 do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4" do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 17.3, inciso 1, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, o período do lançamento se deu de 04/2001 a 03/2006, sendo os valores das remunerações dos segurados contribuintes individuais extraídos de documentos contábeis nas contas de Serviço de Terceiro Pessoa Física (conta 3.01.01.25..0010, conta 3.01,10..01.0029, 3.2.1..06..006) e Comissões (conta .3.0.1.10.050-00), entre outras. Não houve pagamento antecipado nem declaração em GFIP, conforme relatório fiscal, fis. 44/45. A ciência da notificação se deu em 29/10/2007 (fls. 120). Logo deve ser. 3 aplicado o disposto no art 17.3, inciso 1 do CTN.. Para essas competências encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos até a competência novembro de 2002, inclusive 13/2002 (13°., salário) se houver. A competência dezembro de 2002 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja, em 2 de janeiro de 2003; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercido seguinte, ou seja, o dia 1' ) de janeiro de 2004, a qual findaria em 31 de dezembro de 2008. No lançamento em questão, encontram-se totalmente abrangido pela fluência cio prazo decadencial as competências 04/2001 a 10/2001, ficando mantidas as competências 04/2003 a 03/2006, conforme Discriminativo Sintético do Débito — USD, fls. 10/13 dos autos. Assim, a análise de mérito se restringirá as competências não abrangidas pela decadência. Não há que se falar em ilegitimidade do lançamento em razão de cobrança por meio de deduções ou por livre arbítrio do fisco, tampouco, em violação aos princípios da estrita legalidade e da tipieidade fechada, pois o crédito tributário encontra-se revestido das formalidades legais do art, 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento — RL (fls. 14/19), contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação por nome dos prestadores dos serviços e das contas contábeis utilizadas, bem como, o Discriminativo Analítico de Débito — DAD (fls.. 04/09), que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas, as Instrução para o Contribuinte — IPC (fls., 02/03), os Fundamentos Legais do Débito — FIA) (fis. 28/29), a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal (fls. fls, 44/48), demais informações constantes das folhas 01 a 1 16.. A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, A alegação de inconstitudonalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Publica acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade„ nos termos do art, 26-A e parágrafo (mico, do Decreto n. 70.235/72. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2" Conselho de Contribuintes: Súmula N `) 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pionunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tr bu tar i a A Lei n° 8.212/1991, art. 32, inciso III, estabelece que o contribuinte deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Quanto ao montante abusivo dos acréscimos legais e seus percentuais aplicados, é importante frisar que a aplicação do juros de mora e da multa encontra respaldo legal na Lei n " 8.212/91, estando a fundamentação informada no relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD (fls. 28/29). O art.. 35 da Lei n° 8,212/91, determina os percentuais a serem utilizados para calculo da multa em caso de atraso no recolhimento das contribuições sociais.. O 4 Processo o 13558 001681/2007-53 Aeórffro o " 2803-00.031 S2-T E03 Fl 3 percentual de 8% (oito por cento) é utilizado no caso de recolhimento de contribições dentro do mês de vencimento da obrigação não incluída em notificação fiscal. Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento, após o decimo quinto dia do recebimento da notificação, o percentual é de trinta por cento, por determinação legal. Tais percentuais da multa aplicada se encontram no relatório Instruções para o Contribuinte — 1PC (fls. 02), bem como, a fundamentação constante dos Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 28/29). Pelo exposto, foram observados os preceitos legais e normativos vigentes à época da lançamento. Ressalta-se que os acréscimos legais em decorrência dos juros e multa aplicados, com base nos arts. 34 e 35 da Lei n " 8.212/91 (fls. 27), sofreram alterações trazidas pela Lei n 11.491/2009, sendo transferidas para o arts, 35 e .35-A da Lei n 08.212/91. A aplicação dos juros equivalente a taxa SELIC, para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias em atraso, encontra respaldo legal no art. 34 da Lei n 8..212/9L É utilizada como índice de juros de mora e não de atualização monetária. A utilização da referida taxa surgiu com o advento da Lei n° 9,065/95, artigo 13, quando os .juros de mora, a partir de abril de 1995, passaram a ser calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), acumulada mensalmente.. Apesar do art. 34 da Lei n " 8,212/91 ter sido revogado pela Lei n " 11,491/2009, a cobrança do juros no percentual de 1% (um por cento) e taxa SEL1C foram mantidos, nos termos do art. 35 da Lei n " 8..212/91, com redação dada pela Lei n " 11A91/2009.. Ademais, o Código Tributário Nacional - CTN, em seu artigo 161 e § 1°,, dispõe que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, permitindo que a lei disponha de modo diverso. Ressalte-se que o juros nao é penalidade, não se aplicando a retroatividade benigna, tampouco a denúncia espontânea, para esta última conforme expressamente previsto no art. 138 do CTN.. A jurisprudência do ST,1 entende ser a taxa SELIC aplicável aos créditos de natureza tributária: RESP 529502 /SC RECURSO ESPECIAL ALÍNEA "A". TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICA çã'n DA TAXA SELIC - POSSIBILIDADE - ITERATIVOS PRECEDENTES É firme a orientação deste Sodaficio no sentido da aplicabilidade da Taxa SELIC para a cobrança de débitos .fiscais, entendimento consagrado pela colenda Primeira Seção quando do julgamento dos EREsps 291.257/SC, .399 497/SC e 42.5.709/SC, Relator Ministro Luiz Fax, j. 14 0.5.03 Ressalva deste Magistrado. Na mesma esteira, os seguintes precedentes. REsp 462710/PR, Rei Min Diana Co/moa, 111U 09 06 2003, REsp 475.904/PR, Relatar Min José Delgado, RIU 12 05 2003, e REsps 596.198/PR, DIU 14.06 2004 e 443.343/RS, 24 11.2003, ambos relatadas por este Magistrado Recurso especial improvido. ÁgRg no RESP 636703 /PR TRIBUTÁRIO. INSCRIÇÃO EM DIVIDA ATIVA OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS DECLARADAS EM DCTF. PRÉVIO PROCESSO 5 DMINISTRATIVO, DESNECESSIDA DE. SELIC APLICABIL1DADE 1 - Nos casos cai que o contribuinte comunica a existência de oh; igação tributária pode o crédito fiscal ser inscrito em divida ativa e cobrado em exe.cução, independentemente de qualquer procedimento administrativo. Precedentes: REsp n° 551.015/AL, deste Relatar, DJ de 04/10/2004; REsp n° 624,907/PR, Rei, Min LUIZ FLIX, 13.1 de 28/02/2005 - A partir do advento da Lei 9 250, de 1995, passou a ser legitima a aplicação da taxa SEL1C no campo tributário. Múltiplos precedentes jurisprudenci 111 - Agiam regimental improvido. Relativo a multa de mora, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. t 113 A obrigação tributária é principal ou acessória I" A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decai rente. 2" A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da . fiscalização dos tributos 3" A obrigação acessória, pelo simples ,fato da sua inobservancia, converte-se em obrigação principal relativamente penalidade pecuniária". A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Trata-se de urna obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NEW (Auto de Infração de Obrigação Principal).. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração (Auto de Infração de Obrigação Acessória), A penalidade pecuniária exigida dessa forma converte-se em obrigação principal, na forma do § 3" do art. 113 do CTN. Em consonância com a Lei 8,212/91, o artigo 239 do RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, que trata dos acréscimos legais a serem aplicados para contribuições 6 Processo n" 13558001681/2007-53 52-1 E03 Acórdiio n." 2803-00.031 Fl 4 socias em atraso (juros e multa), estabelece no parágrafo 6' que deve ser aplicada a legislação vigente à epoca, corno segue: Art. .239, As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a 1 - atualização monetária, quando e:vigida II - .juros de mora, de caráter irrelevável, e - III - multa variável, de. .. ,sç À correção monetária e aos acréscimos legais de que trata este artigo aplicar-se-á a legislação vigente (mi cada competência a que se referirem Pelo exposto, o lançamento e as penalidades de juros e multa de mora foram corretamente aplicados conforme disposto no relatório de fundamentos legais e demais dispositivos e razões mencionados no voto.. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para CONCEDER-LHE PROVIMENTO PARCIAL, em preliminar exclui as competências: 04/2001 a 10/2001 em razão da decadência, ficando mantidas as competências 04/2003 a 0.3/2006, conforme Discriminativo Sintético do Débito — DSD, fis. 10/13 dos autos. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2010 / 1 /11 ,1 7 „é HELTON CARLOS PRAIA DE. LW----RéTaTja-r 7

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Numero do processo: 10675.904913/2011-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1001-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta, além de conferir a idoneidade da documentação anexada, confirme que as retenções foram, de fato, efetuadas e intime o contribuinte a apresentar os documentos contábeis (livros Razão/Diário) que comprovem a tributação dos rendimentos e o que os valores foram recebidos líquidos dos tributos retidos. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, José Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta, além de conferir a idoneidade da documentação anexada, confirme que as retenções foram, de fato, efetuadas e intime o contribuinte a apresentar os documentos contábeis (livros Razão/Diário) que comprovem a tributação dos rendimentos e o que os valores foram recebidos líquidos dos tributos retidos. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, José Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 09-40.740, da 1ª Turma da DRJ/JFA que deu provimento parcial à Manifestação de Inconformidade(MI), apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório que homologou parcialmente, a compensação declarada através de PER/DCOMP n° 24798.04319.291010.1.3.027164. Em sua Manifestação de Inconformidade (MI), a ora recorrente, alegou: que o relatório de retenção de Imposto de Renda em anexo, extraído do livro de registro de serviços prestados, faz prova de que o imposto retido foi aproveitado tal como destacado nas respectivas notas fiscais; que os valores informados no PER/Dcomp são exatamente iguais ao constante do livro de registro de serviços prestados e àqueles destacados nas notas fiscais emitidas, ambos documentos que ficam desde já à disposição da autoridade fiscal para conferência; que a responsabilidade tributária do contribuinte/requerente, no que toca às retenções efetuadas, é supletiva, ou seja, a autoridade fiscal somente poderia ter RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 04 91 3/ 20 11 -8 9 Fl. 1086DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.408 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904913/2011-89 desconsiderado os créditos ditos ‘não confirmados’ após ter intimado os tomadores a apresentarem os comprovantes de recolhimento dos tributos retidos, o que desde já se requer; que o parcelamento firmado está em vigência e foi parcialmente adimplido, ou seja, ainda que prevaleça o entendimento da autoridade fiscal, por óbvio, parte do valor parcelado que compõe o crédito da requerente, deveria ter sido confirmado, o que desde já se requer; que o crédito tributário com exigibilidade suspensa (inciso VI do art. 151 do CTN determina a suspensão da exigibilidade do crédito parcelado) não pode servir de obstáculo a nenhuma pretensão da contribuinte. A desconsideração do valor objeto de parcelamento, que compõe o crédito a ser compensado, somente poderia se dar após o cancelamento deste. Assim, entende ser inconteste que o parcelamento suspende a exigibilidade do tributo para todos os fins, motivo pelo qual não pode o Fisco desconsiderar os valores objeto de parcelamento que compõem o crédito compensado. A DRJ deu provimento parcial à Manifestação de Inconformidade. Reproduzo o acórdão: Acórdão 0940.740 1 ª Turma da DRJ/JFA Sessão de 28 de junho de 2012 Processo 10675.904913/201189 Interessado TQI CONSULTORIA E DESENVOLVIMENTO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PARCELAMENTO. VALORES. ESTIMATIVA. O saldo negativo apurado em 31 de dezembro do ano-calendário, em decorrência de valores devidos mensalmente a título de estimativa, não recolhidos no prazo legal estabelecido para tanto e posteriormente inscritos em parcelamento, somente se consubstanciará em direito creditório do sujeito passivo tributário e poderá ser utilizado na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal à medida que forem sendo devidamente quitadas as parcelas do respectivo parcelamento efetuado, e desde que o montante já pago exceda o valor devido do imposto de renda ou da contribuição social apurados. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do direito de repetição de indébito tributário recai sobre o sujeito passivo, quem o invoca, e o princípio da verdade material não vai a ponto de vincular a Administração na produção e/ou apresentação de documentos fora do universo de seus registros. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir, de acordo com as normas legais, é obrigação da pretendente. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO. PROCURADOR. Haja vista a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Cientificada em 04/07/2012 (fl 78), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 03/08/2012 (fl 80). Fl. 1087DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.408 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904913/2011-89 Em seu recurso, em síntese, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sua MI e alega o Princípio da Verdade Material para juntar cópia de todas as notas fiscais, emitidas no ano de 2008. Alega que a compensação não poderia ser indeferida pois, no caso de retenção de tributos, a responsabilidade pelo recolhimento é dos tomadores dos serviços. Alega, também, que o parcelamento firmado está em vigência e foi parcialmente adimplido. "Dessa forma, ainda que prevaleça o entendimento da Turma Julgadora, por óbvio, parte do "valor parcelado", que compõem o crédito do requerente, deveria ter ser confirmado. Note-se, porém da tabela constante do despacho decisório, o auditor não confirmou nenhum valor referente ao parcelamento (coluna: 'Valor Confirmado')". Cita jurisprudência para concluir que: "Em suma, é inconteste que o parcelamento do credito tributário suspende a exigibilidade do tributo para todos os fins, motivo pelo qual não pode o auditor desconsiderar os valores objeto de parcelamento que compõem o crédito compensado." Culmina pedindo a) a suspensão do crédito tributário apurado pela não compensação Integral declarada na PERD/Dcomp n. 24798.04319.291010.1.3.02-7164, na forma do art.33 do Decreto n. 70.235/19721 c/c §11 do art. 74 da Lei n. 9430/19962; b) que se conheça do presente recurso voluntário, pois próprio e tempestivo para no mérito dar-lhe provimento reformando totalmente a decisão ora atacada (acórdão n. 09- 40.740 de 28.06.2012), julgando consequentemente procedente os pedidos formulados quando da manifestação de inconformidade para que01.11.2011, exarado pela DRF/UBE, homologando a compensação declarada pelo contribuinte na PERD/Dcomp n °24798.04319.291010.1.3.02-7164, tal como feita, dando por extinto os créditos tributário pagos/compensados através dela; c) que todas as intimações sejam encaminhadas para o endereço constante do rodapé desta, qual seja, Rua Alexandre Marquez, n. 1383, Bairro Osvaldo Rezende, Uberlândia-MG, CEP 38400-446. Pugna, outrossim, pela manifestação expressa de V. Sas. acerca das matérias constitucionais e legais acima levantadas, para fins de acesso às instâncias judiciais, na remota e abstrusa hipótese de manutenção da r. decisão administrativa. Anexa ao Recurso Voluntário (RV) listagens e cópia de notas fiscais, É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. Tem-se que a controvérsia remanescente, consoante a decisão da DRJ, restou (peço a devida vênia para repetir): Diante de todo o exposto, deverá ser feito novo cálculo do direito creditório, isto em razão das parcelas de composição do crédito relativas às retenções confirmadas no presente voto. Fl. 1088DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.408 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904913/2011-89 No Despacho Decisório, o somatório das parcelas de composição do crédito confirmadas foi de R$ 223.395,64. Somando-se a este os valores confirmados no voto deste Relator, R$ 1.719,47 (a título de retenções de Imposto de Renda), o valor confirmado destas passa a ser de R$ 225.115,11. Como no respectivo período fora apurado um débito de IRPJ no valor de R$ 194.126,34, o saldo de IRPJ a pagar dá negativo, no valor de R$ 30.988,77, valor este que se consubstancia em saldo negativo de IRPJ no respectivo período, ano de 2008. Como no Despacho Decisório já fora reconhecido, a título de saldo negativo de IRPJ, o valor de R$ 29.270,30, no presente voto deve ser reconhecida apenas a parcela remanescente deste, R$ 1.718,47 (R$ 30.988,77 – R$ 29.270,30). Antes de concluir, cabe ressaltar que o parcelamento tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, porém não lhe dá a certeza e liquidez exigidas pelo art. 170 do CTN, como quer fazer quer a manifestante em sua peça de defesa. A teor do exposto, encaminho meu voto por considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, para reconhecer o crédito adicional no valor original de R$1.718,47, e assim homologar parcialmente a(s) compensação(ões) declarada(s), até o limite do crédito reconhecido, ainda disponível. Antes de adentrarmos ao tema principal, cerne do RV, cabe lembrar à recorrente que o ônus da prova recai sobre o requerente, segundo o art, 373, do Código de Processo Civil - CPC (Lei 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Então, cabe à recorrente fazer a prova de seu direito. Quanto ao primeiro pedido para suspender a exigência do crédito tributário, ressalto que este está suspenso por força do art. 151, inciso III, do CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Quanto ao terceiro pedido, relativo ao endereçamento das intimações, a Súmula CARF 110, assim dispõe: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Quanto ao seu último pedido: Pugna, outrossim, pela manifestação expressa de V. Sas. acerca das matérias constitucionais e legais acima levantadas, para fins de acesso às instâncias judiciais, na remota e abstrusa hipótese de manutenção da r. decisão administrativa. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de normas, consoante a Súmula CARF 2: Por último, temos que a matéria aqui discutida gira em torno da comprovação das retenções e quanto à validade de se deduzir estimativas objeto de parcelamento. A DRJ deixou claro que o ônus da prova recai sobre a recorrente e que a escrituração contábil faz prova a favor do contribuinte. Observa-se que a recorrente anexou a cópia de notas fiscais e relatórios (que parecem ser registros auxiliares), mas, não anexou cópia Fl. 1089DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1001-000.408 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.904913/2011-89 do Livro Razão (ou Diário) que comprova a tributação da receita e, tampouco, prova do recebimento dos valores líquido dos tributos retidos. Quanto às retenções, temos a Súmula CARF 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. O mesmo raciocínio aplica-se às retenções. No caso da recorrente, não houve a comprovação efetiva, de que foram de fato efetuadas, posto que não foram apresentadas as provas, como as notas fiscais, por exemplo, apresentadas agora em sede de Recurso Voluntário. Quanto às estimativas, discordo da conclusão das instâncias inferiores, posto que a não aceitação das estimativas parceladas, pelo seu total, pode acarretar em duplo pagamento, na medida em que adimplidas e não pode ser outra a presunção, já que o não adimplemento das parcelas acarreta em inscrição do saldo em dívida ativa. Todavia, entendo que devam ser aceitas, integralmente, como estimativas do período, as parcelas objeto de parcelamento, independentemente de terem sido liquidadas financeiramente. Entretanto, quanto às retenções, entendo que, em respeito ao Princípio da Verdade Material, segundo o qual as provas devem ser aceitas em qualquer fase do processo o que ratifica o direito ao contraditório e à ampla defesas, o processo deva ser convertido em diligência. Portanto, converto o processo em diligência à Unidade de Origem para que esta, além de conferir a idoneidade da documentação anexada, confirme que as retenções foram, de fato, efetuadas e intime o contribuinte a apresentar os documentos contábeis (livros Razão/Diário) que comprovem a tributação dos rendimentos e o que os valores foram recebidos líquidos dos tributos retidos. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo sobre o direito (ou não) ao crédito pleiteado. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1090DF CARF MF Documento nato-digital

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4863817 #
Numero do processo: 10983.915040/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DE ERRO. Uma vez que o despacho decisório foi exarado em conformidade com os valores previamente declarados pelo sujeito passivo, nada há a reformar na decisão controvertida nos autos, dado que a parcela do crédito não absorvida pelo débito declarado na DCTF retificadora foi reconhecida pela Administração tributária.
Numero da decisão: 3803-002.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa OAB/SP nº 246837.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-09T18:02:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-09T18:02:20Z; Last-Modified: 2019-12-09T18:02:20Z; dcterms:modified: 2019-12-09T18:02:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:7b890e5f-2364-45e5-a9e6-33f31ac6782d; Last-Save-Date: 2019-12-09T18:02:20Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-09T18:02:20Z; meta:save-date: 2019-12-09T18:02:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-09T18:02:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-09T18:02:20Z; created: 2019-12-09T18:02:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-12-09T18:02:20Z; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-12-09T18:02:20Z | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 116          1 115  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10983.915040/2009­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­02.881  –  3ª Turma Especial   Sessão de  26 de abril de 2012  Matéria  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  TRACTEBEL ENERGIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2004  DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DE ERRO.  Uma  vez  que  o  despacho  decisório  foi  exarado  em  conformidade  com  os  valores previamente declarados pelo  sujeito passivo, nada há  a  reformar  na  decisão controvertida nos autos, dado que a parcela do crédito não absorvida  pelo  débito  declarado  na  DCTF  retificadora  foi  reconhecida  pela  Administração tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos  temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa  OAB/SP nº 246837.  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alexandre  Kern  (Presidente), Hélcio Lafetá Reis  (Relator), Belchior Melo de Sousa,  Jorge Victor Rodrigues,  Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.    Relatório     Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS     2 Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  da  DRJ  Florianópolis/SC  que  não  reconheceu  o  direito  creditório  pleiteado  pelo  contribuinte,  consistente  em  alegada  contribuição  recolhida  a  maior,  no  valor  de  R$  317.193,48,  que  se  refere  ao  valor  do  recolhimento  de  R$  241.536,10  atualizado  até  a  data  do  pedido  de  restituição.  Submetida a Declaração de Compensação (DCOMP) à apreciação da Receita  Federal,  expediu­se  despacho  decisório  (fls.  40)  denegatório  do  direito  pleiteado,  em  que  se  consignou que o valor  recolhido e indicado como fonte do crédito já havia sido parcialmente  utilizado para o pagamento de débitos do sujeito passivo.  Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de  Inconformidade (fls.  1  a  19),  protestou  pela  juntada  de  novos  documentos  e  pela  produção  de  outras  provas  que  pudessem  ser  consideradas  imprescindíveis  ao  esclarecimento/comprovação  da  regularidade  dos  procedimentos  adotados  e  requereu  a  homologação  integral  da  compensação  ou,  alternativamente, que o processo fosse baixado em diligência à repartição de origem com vistas  à  confirmação  da  existência  do  direito  creditório  em  face  da  não  incidência  da  contribuição  sobre os recebimentos oriundos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de  Desenvolvimento Energético (CDE), alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte:  a)  a  fonte  de  seus  créditos  está  associada  à  indevida  consideração  como  receita  de  valores  recebidos  a  título  de  "reembolso  de  despesas"  no  âmbito  da  Conta  de  Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ambas  geridas pela Eletrobrás;  b)  anteriormente,  por  equivocado  regramento  contábil,  classificavam­se  formalmente  tais  recebimentos  como  receitas,  o  que  fazia  com  que  sobre  eles  incidissem  as  contribuições  sociais  (PIS  e  Cofins),  sendo  que,  posteriormente,  "após  amplo  e  exauriente  debate  técnico  mantido  junto  à  ANEEL",  concluiu­se  que  tais  valores  têm  natureza  de  "reembolso de despesas", o que os afastaria da incidência das contribuições regidas pelas Leis  n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003;  c) os valores devidos da contribuição  foram recalculados, expurgando­se os  “reembolsos de despesas”, do que originou o crédito pleiteado neste processo;  d) os valores vinculados às contas CCC e CDE são  incluídos, pela Agência  Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no cálculo da conta dos consumidores  residentes nas  regiões Sul, Sudeste, Centro­Oeste e Nordeste, por meio das concessionárias distribuidoras, e  repassados  à  Eletrobrás,  que  administra  tais  recursos  e  reembolsa  as  empresas  geradoras  de  energia elétrica que se utilizam de termoelétricas para atender à demanda de áreas isoladas da  região Norte, dado o alto custo de geração de energia elétrica nessas condições;  e) as geradoras de áreas  isoladas da  região Norte não  arcam com os  custos  dos  combustíveis  fósseis  destinados  à  geração  da  energia  termoelétrica  adquiridos  com  os  recursos  da  CCC/CDE,  os  quais  são  rateados  entre  as  distribuidoras  e  cobrados  dos  consumidores finais;  f)  os  valores  recebidos  da  CCC/CDE  não  podem  ser  considerados  como  receitas, pois, inobstante o fato de sua contabilização, no passado, como receitas de subvenção,  tal  procedimento  encontrava­se  em  consonância  com  a  redação  anterior  do  Manual  de  Contabilidade  do  Serviço  Público  de Energia Elétrica,  que,  após  a  constatação  do  equívoco  pela ANEEL, foi alterado, por meio do Despacho n.° 657, de 30 de março de 2006, no sentido  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.915040/2009­31  Acórdão n.º 3803­02.881  S3­TE03  Fl. 117          3 de classificá­los em conta retificadora dos custos com matéria­prima e insumos para produção  de energia elétrica;  g)  também de acordo com a Nota Técnica n° 115 e a Nota Técnica n° 116,  ambas  da  ANEEL,  para  as  concessionárias  de  geração  de  energia  elétrica,  os  repasses  da  CCC/CDE são "reembolsos de despesas";  h) a própria ANEEL esclareceu que os valores outrora contabilizados como  "receitas de subvenção" deveriam ser contabilizados como "recuperação de custos", em conta  retificadora  dos  dispêndios  com matéria­prima  e  insumos,  não  se  integrando  às  receitas  das  concessionárias geradoras;  i)  de  acordo  com  parecer  emitido  pelo  tributarista  Ives  Gandra  da  Silva  Martins,  trazido  aos  autos,  os  valores  oriundos  da CCC não  podem  ser  caracterizados  como  receitas;  j)  de  acordo  com  a  jurisprudência  administrativa,  em  face  do  princípio  da  verdade material,  não  pode  um  eventual  equívoco  formal  se  sobrepor  à  realidade  dos  fatos,  devendo os erros em declarações apresentadas à Administração tributária ser reparados após a  demonstração da verdade real.  A DRJ  Florianópolis/SC  não  reconheceu  o  direito  creditório  (fls.  79  a  88),  tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005  COMPENSAÇÃO.  INDÉBITO  ASSOCIADO  A  ERRO  EM  VALOR  DECLARADO  EM  DCTF.  REQUISITO  PARA  HOMOLOGAÇÃO.  Nos  casos  em  que  a  existência  do  indébito  incluído  em  declaração de compensação está associada à alegação de que o  valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido,  só  se  pode  homologar  tal  compensação,  independentemente  de  eventuais  outras  verificações,  nos  casos  em que o  contribuinte,  previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a  DCTF.  ASSUNTO: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2005  EMPRESAS  GERADORAS  DE  ENERGIA  ELÉTRICA.  VALORES  RECEBIDOS  DA  CONTA  DE  CONSUMO  DE  COMBUSTÍVEIS.  INCIDÊNCIA  NO  CASO  DE  TRIBUTAÇÃO  SOBRE A RECEITA BRUTA  Os  valores  relativos  à  Conta  de  Consumo  de  Combustíveis,  recebidos pela empresas geradoras de energia elétrica por meio  de  usinas  termoelétricas  e  destinados  à  compensação  do  custo  incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, tratam­ se  de  subvenções  que  integram  a  receita  daquelas  empresas,  incluindo­se  nos  "resultados  não­operacionais"  da  atividade.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS     4 Por  conta  disto,  tais  receitas  devem ser  incluídas  nas  bases  de  cálculo das exações que incidem sobre a receita bruta.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  DILIGÊNCIAS.  DESCABIMENTO  NO  CASO  DE  LITÍGIO  ACERCA DE QUESTÕES DE DIREITO  Como as diligências são destinadas à elucidação de questões de  fato  não  devidamente  evidenciadas  nos  autos,  não  podem  elas  ser  realizadas  nos  casos  em  que  os  litígios  se  resumem  à  elucidação de questões de direito.  JUNTADA  DE  PROVAS.  LIMITE  TEMPORAL  ­  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual, a  menos  que  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior,  ou  que  se  refira  ela  a  fato  ou  direito  superveniente  ou  se  destine  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Ressaltou  o  relator  a  quo  que,  de  acordo  com  entendimentos  expressos  e  formais da Receita Federal, “os valores arrecadados para a CCC compõem regularmente a base  de cálculo do PIS e da COFINS (ou seja, são tidos como "receitas” daqueles entes), mas não  dão ensejo ao creditamento de valores no âmbito do regime não­cumulativo em razão de não  estarem associados a insumos adquiridos (Solução de Consulta COSIT n° 27, de 09/09/2008,  Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 87, de 29/09/2004, Solução de Consulta SRRF/4ª  RF/DISIT n° 32, de 28/04/2004 e Decisão SRRF/lª RF/DISIT n° 30, de 11/09/1998)”.  Ainda  segundo  o  relator,  a  Solução  de  Consulta  SRRF/2ª  RF  n°  11,  de  22/02/2006, “aborda o  tema na esfera do  Imposto  sobre  a Renda,  afirmando que  "os valores  relativos à Conta Consumo de Combustíveis dos Sistemas Isolados destinam­se à compensação  do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, tratando­se de subvenção que  integra  a  receita  das  concessionárias,  incluindo­se  nos  'resultados  não­operacionais'  da  atividade, havendo de compor,  assim, o  lucro  real  apurado para  fins do  Imposto de Renda e  bases imponíves reflexas, nos termos da legislação tributária vigente".  Na sequência, afirma que criou­se “um mecanismo de equalização de custos  destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos  consumidores  finais por  intermédio de uma  sistemática de  rateio  entre as  concessionárias do  sistema,  com  o  subseqüente  repasse  às  concessionárias  termoelétricas,  destinado  à  compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis”. (...)  Os “valores relativos à CCC têm por finalidade "subsidiar" a geração de energia elétrica com o  uso de combustíveis fósseis, buscando compensar os custos elevados da geração termoelétrica.  Neste  sentido,  mostra­se  indubitável  seu  caráter  de  "receita"  do  empreendimento,  e  não  de  "recuperação  de  custos",  como  quer  defender  a  contribuinte.  E  isto  porque  no  caso  da  recuperação de custos, a caracterização como tal depende, em regra, de uma operação posterior  entre  os  dois  entes  que  efetuaram  a  operação  negocial  anterior.  Em  outras  palavras:  para  a  caracterização  da  recuperação  de  um  custo  anteriormente  sofrido,  deve  haver  uma  operação  posterior,  entre  os  mesmos  dois  entes,  que  represente  um  estorno  daquilo  que  havia  sido  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.915040/2009­31  Acórdão n.º 3803­02.881  S3­TE03  Fl. 118          5 previamente negociado”, o que não ocorre no presente caso, pois, aqui, “a Eletrobrás, que é a  gestora  da  CCC,  reembolsa  a  empresa  geradora  de  energia  elétrica  pelos  desembolsos  destinados  à  aquisição  de  combustíveis  junto  às  empresas  fornecedoras  destes  combustíveis.  Ou seja, não há tecnicamente recuperação de custos, pois a operação entre a empresa geradora  e  a  empresa  fornecedora  de  combustíveis  permanece  inalterada;  o  que  ocorre  é  que  a  Eletrobrás,  um  terceiro  naquela  relação  negocial,  com  recursos.do CCC e  nos  termos  da  lei,  reembolsa a adquirente dos combustíveis”.  Não satisfeito, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 91 a 114) e reitera  seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, ressaltando­se a ausência de análise  da DCTF retificadora apresentada anteriormente à  inscrição em dívida ativa e antes do início  do procedimento de fiscalização, conforme exige o art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 768,  de  7  de março  de  2008,  sem,  contudo,  trazer  aos  autos  qualquer  informação  ou  documento  adicional que embase suas afirmativas.  Segundo  o  Recorrente,  a  “Receita  Federal  do  Brasil  possui  o  dever  de  averiguar materialmente os fatos ocorridos, não podendo se amparar em circunstâncias formais  ou fatores alheios e especulativos para determinar a ocorrência de falaciosa não homologação  de compensação pelo não processamento de declaração retificadora”.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  De início, registre­se que, com base nas cópias dos PER/DCOMPs, da DCTF  retificadora  e  de  DARFs  relativos  a  pagamentos  da  contribuição  para  o  PIS  calculada  na  sistemática da não cumulatividade trazidas aos autos pelo Recorrente (fls. 41 a 74), é possível  constatar  que  o  despacho  decisório  foi  exarado  em  conformidade  com  as  informações  declaradas  pelo  sujeito  passivo,  pois  como  se  depreende  do  dado  presente  na  DCTF  retificadora à fl. 66, do pagamento efetuado no valor de R$ 477.393,14 (código de arrecadação  6912, PA: 31/07/2005), o contribuinte utilizou o montante de R$ 241.536,10 para quitar débito  do  PIS  faturamento  (código  de  receita  8109),  tendo  sido  esse mesmo  fato  considerado  pela  autoridade administrativa na homologação parcial da compensação pleiteada neste processo (fl.  40).  Observa­se  que  o  mesmo  valor  de  R$  477.393,14  (código  de  arrecadação  6912,  PA:  31/07/2005)  foi  informado  no  PER/DCOMP  à  fl.  65,  sem  vinculação  a  nenhum  débito, mas esse fato não autoriza que o contribuinte o possa utilizar em duplicidade, pois se  nesse momento  o  crédito  restou  intacto,  na  folha  seguinte  ele  foi  parcialmente  utilizado  na  quitação do referido débito.  O contribuinte  trouxe aos  autos,  também, uma cópia de DARF no valor  de  R$ 885.507,62 (fl. 74) que, de acordo com a informação presente na DCTF retificadora, à fl.  65, não foi totalmente absorvido na quitação do débito declarado, restando um valor em aberto  de R$ 395.693,13, mas tal pagamento não constou do PER/DCOMP sob análise, pois neste o  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS     6 único  crédito  que  o  declarante  informa  é  o  de R$  477.393,14  acima  apontado,  conforme  se  verifica às fls. 46 a 51.  Verifica­se nos  autos,  à  fl.  65,  que o Recorrente declarou um débito de R$  885.507,62 que, ainda segundo ele, foi quitado com a utilização parcial de um pagamento de  mesmo  valor  e  com  um  crédito  suspenso  de  R$  313.695,76.  Nesse  caso,  é  patente  que  o  recolhimento de R$ 885.507,62 superou o valor utilizado na quitação do débito declarado, mas,  repise­se, ele não foi incluído no PER/DCOMP sob análise neste processo.  Dessa forma, inexiste o erro alegado pelo Recorrente, tendo sido o despacho  decisório prolatado de acordo com as informações prestadas pelo próprio interessado.  Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso,  tendo em  vista que o despacho decisório foi emitido em conformidade com as informações previamente  declaradas pelo sujeito passivo.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis – Relator  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.915040/2009­31  Acórdão n.º 3803­02.881  S3­TE03  Fl. 119          7     Ministério da Fazenda  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  Terceira Seção ­ Terceira Câmara    TERMO DE ENCAMINHAMENTO      Processo nº:   10983.915040/2009­31  Interessada:  TRACTEBEL ENERGIA S/A        Encaminhem­se  os  presentes  autos  à  unidade  de  origem,  para  ciência  à  interessada do teor do Acórdão no 3803­02.881, de 26 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a.  Seção e demais providências.  Brasília ­ DF, em 26 de abril de 2012.   [Assinado digitalmente]  Alexandre Kern  3a Turma Especial da 3a Seção ­ Presidente                                  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 10580.725923/2009-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 20/2003) As verbas percebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial e reconhecida por lei expressa, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2802-000.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO     2 EDITADO EM: 01/06/2012  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte  Cardoso  (Presidente),  German Alejandro  San Martín  Fernández,  Lucia  Reiko  Sakae,  Carlos  Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.  Relatório  Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d.  DRJ, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada:  “Trata­se de  auto de  infração  relativo  ao  Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de  crédito  tributário,  no  valor  de R$  (...)  incluída  a multa  de  ofício  no  percentual  de  75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.  Conforme  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  constantes  no  auto  de  infração,  o  crédito  tributário  foi  constituído  em  razão  de  ter  sido  apurada  classificação  indevida  de  rendimentos  tributáveis  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos  do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de  URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de  2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003.  As  diferenças  recebidas  teriam  natureza  eminentemente  salarial,  pois  decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de  Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência  do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.  Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais  que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação  exclusiva  na  fonte,  nem  as  que  tinham  como  origem  o  abono  de  férias,  em  atendimento  ao  despacho  do  Ministro  da  Fazenda  publicado  no  DOU  de  16  de  novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido,  também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de  2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de  apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente.  O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação,  alegando, em síntese, que:  a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a  título  de  diferenças  de  URV,  que  não  representaram  qualquer  acréscimo  patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora  no cálculo da  remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de  agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de  cruzeiro  real  para  URV  a  que  eram  submetidos  os  salários  pagos  aos  membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de  preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices  de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para  o  pagamento  das  diferenças  de  URV  se  deu  através  da  Lei  Estadual  Complementar  nº  20,  de  08  de  setembro  de  2003,  tendo  o  impugnante  recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida  diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de  quantias  que deveriam  integrar  a  remuneração  ao  longo do  tempo passado.  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725923/2009­94  Acórdão n.º 2802­00.973  S2­TE02  Fl. 233          3 Não  correspondeu  a  qualquer  permuta  do  trabalho/serviço  por  moeda  que  configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal,  e  por  não  ter  sido  implementada  em  tempo  certo,  não  deveria  ser  levada  à  tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a  tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta  ou  acresce  patrimônio  do  contribuinte,  apenas  lhe  torna  indene  das  perdas  inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f)  havia  um  evidente  caráter  compensatório  da  URV  desde  sua  gênese,  e  as  diferenças  recebidas  representaram  uma  reparação  por  danos,  tendo  clara  natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar  aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e  proventos  de  qualquer  natureza,  previstos  no  art.  43  do  CTN;  g)  o  STF,  através  da Resolução  nº  245,  de  2002,  deixou  claro  que o  abono  conferido  aos  magistrados  federais  em  razão  das  diferenças  de  URV  tem  natureza  indenizatória,  e  que  por  esse  motivo  está  isento  da  contribuição  previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido  dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema  por  analogia  às  verbas  recebidas  pelos  magistrados  estaduais,  conforme  preceitua  o  art.  108  do CTN. Negar  o  caráter  indenizatório  destas  verbas  é  afrontar  o  princípio  constitucional  da  isonomia,  não  só  na  sua  concepção  geral, mas,  também, no que  tange a  tratamento diferenciado entre membros  do  Ministério  Público  Federal  da  União  e  Estadual.  Viola,  também,  o  disposto  no  inciso  II  do  art.  150  da  Constituição  Federal  que  proíbe  o  tratamento  desigual  entre  os  contribuintes  que  se  encontrem  em  situação  equivalente;  i)  o Estado  da Bahia  abriu mão da  arrecadação  do  imposto  ao  estabelecer  no  art.  3º  da  Lei  Estadual  Complementar  nº  20,  de  2003,  a  natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem  qualquer  retenção  de  IR  e  informou  aos  beneficiários  dos  rendimentos  a  natureza desta parcela como indenizatória;  j) o sujeito passivo da obrigação  de  tributária,  na  condição  de  responsável,  era  a  fonte  pagadora,  que  estava  obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação  dos  rendimentos  pagos  deveria  ser  travada  entre  o  fisco  federal  e  a  fonte  pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a  fonte  pagadora,  mas  sim  contra  o  impugnante,  que  sofreu  os  dissabores  e  ônus  da  ação  fiscal,  inclusive  com  a  imposição  de multa  de  ofício  e  juros  moratórios;  l)  de  forma  transversa o Estado Membro  devedor da  obrigação  mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o  dever de pagar mais  imposto;  conseqüentemente o Estado se beneficia com  os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos  da  autuação  gera  quebra  da  capacidade  contributiva  do  signatário;  m)  o  impugnante  não  agiu  com  intuito  de  fraude,  simulação  ou  conluio,  simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar  em suas declarações de  rendimentos  relativas  aos períodos bases de 2004 a  2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a  exigência  fiscal,  deve­se  observar  o  princípio  da  boa­fé,  da  qual  estava  imbuído  o  impugnante,  e  afastar  a  exigência  da multa  de  ofício  e  juros  de  mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na  Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza  indenizatória  das  diferenças  de  URV.  Portanto,  os  valores  declarados  pelo  impugnante trata­se de informação lastreada em ato normativo expedido por  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO     4 autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100  do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem  ser  afastados  a multa  de  ofício  e  os  juros  de mora;  o)  o  lançamento  fiscal  tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de  considerar  os  rendimentos  e  deduções  já declarados,  conforme determina o  art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas,  caberia  sujeitá­las  ao  ajuste  anual,  o  que  resultaria  em  um  imposto  devido  menor;  p)  nos  anos  de  1994  e  1998,  a  alíquota  do  imposto  de  renda  que  vigorava  era  de  25%,  e  não  as  alíquotas  de  26,6%  e  27,5%  aplicadas  no  lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à  correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que  respectivamente  estão  sujeitas  à  tributação  exclusiva  e  isentas,  conseqüentemente,  mesmo  que  prevalecesse  o  entendimento  do  órgão  fiscalizador,  caberia  a  exclusão  de  tais  parcelas  na  apuração  da  base  de  cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo  da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do  não  uso  do  patrimônio.  Assim,  os  juros  de  mora  têm  natureza  distinta  da  originária  do  principal  ao  qual  incidiu  acessoriamente,  porque  não  se  constituíram  em  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  produto  do  trabalho  remunerado pelo Estado da Bahia;  Perante  o  órgão  colegiado  a  quo,  a  ação  fiscal  foi  julgada  procedente  e  o  crédito  tributário mantido,  sob  o  fundamento  de  que  as  verbas  recebidas  pelos Membros  do  Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 20, de 08  de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de  natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se  tratar  de  aplicação  de  sanção  na  qual  não  haveria  de  se  considerar  a  intenção  do  agente  na  prática infracional.  Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma  do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação.  Era o de essencial a ser relatado.  Passo a decidir.  Voto             Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  a  todos  os  requisitos  para  fins  de  admissibilidade; por isso, dele conheço.  Passo, de pronto, à análise das preliminares argüidas.  Alega a recorrente em Voluntário, nulidade do lançamento, por deficiência na  fundamentação,  em  razão  da  ausência  de  análise,  pelo  colegiado  a  quo,  sobre  a  falta  de  legitimidade  da  União  para  figurar  no  pólo  ativo  da  relação  tributária  do  IRRF  e  por  não  abordar a alegada quebra da capacidade contributiva da recorrente.  Sem razão a recorrente.  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725923/2009­94  Acórdão n.º 2802­00.973  S2­TE02  Fl. 234          5 A  decisão  colegiada  de  1º  grau  enfrentou  a  infundada  alegação  sobre  a  ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar  que  houve  a  sucinta,  porém,  suficiente  abordagem,  sendo  desnecessário  exigir  do  órgão  julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido.  A  constatação  do  quanto  afirmado  se  dá  pela  simples  leitura  de  trecho  da  decisão atacada a seguir transcrito:   Além disso, cabe observar que a exigência em foco se  refere ao  imposto de  renda  incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido  indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o  julgamento  do  presente  lançamento  fiscal,  é  da  competência  exclusiva  da União.  (fl. 128 dos autos, destaques meus).  Quanto ao não enfrentamento expresso do alegado desrespeito à capacidade  contributiva, é de se constatar que a adoção da premissa pelo órgão julgador a quo, de que as  verbas impugnadas possuem natureza salarial, prejudicou a análise do argumento, além de ser  pacífico o entendimento do C. STJ, no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a  se manifestar  sobre  todos  os  argumentos  expostos  pelas  partes”  (AgRg no Ag 1401739/RJ.  DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide,  da forma como feito.  Aliás, as nulidades argüidas sobre a decisão a quo se repetem nas razões do  Voluntário, de sorte a rejeitá­las novamente sob os mesmos argumentos.   Rejeitadas as preliminares argüidas, passo ao mérito.  Conforme  razões  expostas  na  decisão  ora  recorrida  e  não  ilididas  pelo  contribuinte “(...) o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das  épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme dispõe o Parecer PGFN/CRJ nº  287/2009”. Na mesma toada, rejeito as alegações de que foram aplicadas alíquotas incorretas  nos  anos­calendários  1994  e  1998,  apontadas  em  planilha,  pois  corretamente  aplicadas  as  alíquotas em vigor à época dos fatos.   Do mesmo modo,  não  é  de  acolher  a  alegação  de  que  a  tributação  se  deu  isoladamente, a resultar em imposto maior do que o devido. Isto porque, nos respectivos anos  calendários,  as  bases  de  cálculo  declaradas  já  sujeitavam  o  contribuinte  ora  recorrente  à  incidência  do  imposto  de  renda  em  sua  alíquota  máxima,  bem  como,  já  tinham  sido  aproveitadas  as  parcelas  a  deduzir  previstas  legalmente.  Logo,  nos  termos  da  decisão  guerreada,  o  “imposto  apurado  mediante  aplicação  direta  da  alíquota  máxima  sobre  os  rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a  base de cálculo ajustada em razão da omissão.”  Ademais,  não  é  de  ser  acolhida  a  alegação  de  que  parcelas  dos  valores  recebidos  a  título  de  URV  se  referiam  à  correção  incidente  sobre  férias  indenizadas  e  13º  salário.  Isso porque,  confrontando as planilhas de cálculo da diferença de URV emitida pelo  Ministério  Público,  às  fls.  19/21,  com  o  demonstrativo  de  apuração  do  imposto  de  renda  elaborado  pela  fiscalização,  às  fls.  11,  verifica­se  que  tais  parcelas  não  foram  incluídas  no  lançamento fiscal.  Passo à análise da matéria central do litígio fiscal.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO     6 Com  a  ressalva  do  meu  entendimento  pessoal  já  exposto  em  julgados  anteriores,  nos  quais  decidi  pela  natureza  indenizatória  de  tais  valores,  mormente  pela  existência  de  lei  estadual  válida,  vigente  e  eficaz,  a  assim  qualificá­los,  voto  no  sentido  de  acompanhar o entendimento desta C. Turma.  Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos  pela  lei  baiana,  o  C.  Superior  Tribunal  de  Justiça  tem  reiteradamente  decidido,  em  casos  análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza  remuneratória,  constituindo,  assim,  fato gerador do  imposto de  renda, nos  termos  do  art.  43,  inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007;  RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel.  Min.  JOSÉ  DELGADO,  DJ  de  30/05/2005;  RMS  27.847/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  22/06/2010,  DJe  01/07/2010).  Esse posicionamento foi  reafirmado em recente  julgado da Segunda Turma,  Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  DIFERENÇA  SALARIAL  DECORRENTE  DA  CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA.  1. A  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça  firmou­se no sentido de  que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na  conversão  de  suas  remunerações  da  URV  para  o  Real  têm  natureza  salarial  e,  portanto,  estão  sujeitas  à  incidência  de  Imposto  de  Renda  e  de  Contribuição  Previdenciária.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.  AgRg  no  REsp  1235069/MA  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2011/0017583­0.  j.  em  24/05/2011 . DJe 30/05/2011.  Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José  Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir:  “8.  Infere­se  dos  autos  que  as  quantias  foram  pagas  em  razão  das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo  IGPM­FGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31  de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores  à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a  11,98%  (onze  vírgula noventa  e oito por  cento) decorrentes da  implantação da URV.  9.  Ora,  vê­se  claramente  que  as  quantias  foram  recebidas  em  decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes  mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial.  10.  Evidente,  pois,  que  tais  verbas  são  derivadas  de  benefício  nitidamente salarial.  11.  A  incidência  da  tributação  deve  obediência  estrita  ao  princípio  da  legalidade,  e,  conforme bem esposado pelo Exmo.  Des.  Relator  do  acórdão  recorrido,  a  definição  prevista  no  inciso  I, do artigo 43 do CTN se  subsume ao caso em questão,  isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto  do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações.  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725923/2009­94  Acórdão n.º 2802­00.973  S2­TE02  Fl. 235          7 12.  Ademais,  o  conceito  de  acréscimos  patrimoniais  abarca  salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)”  Logo,  ainda  que  recebidas  em  virtude  de  decisão  judicial,  insuficiente  a  qualificação de verbas  indenizatórias dada pelo  art.  2º  da Lei Estadual da Bahia nº 20/2003,  para excluir os rendimentos  recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de  renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do  CTN  e  inciso  I,  2,  do  artigo  153  da  CF/88  (“A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação da receita ou do rendimento ...”).  Entretanto,  voto  pela  exclusão  da multa  de  ofício,  pelo  fato  de  que  o  não  recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Ministério Público  do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi  decisiva  para  a  conduta  do  recorrente,  que  nada mais  fez  do  que  declarar  o  rendimento  de  acordo  com  a mesma  natureza  atribuída  pela  fonte  pagadora,  sem  incorrer  em  qualquer  das  modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a  exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela  interpretação  errônea  dada  pela  fonte  pagadora  (processo  17883.000287/2005­03,  rel.  Jorge  Cláudio Duarte Cardoso).  Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira:  "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112,  deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou  punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos  das  infrações  fiscais mais graves e para as quais o  texto da  lei  tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas,  é  necessário  e  suficiente  um  dos  três  graus  de  culpa. De  tudo  isso  decorre  o  princípio  fundamental  e  universal,  segundo  o  qual  se  não  houver  dolo  nem  culpa,  não  existe  infração  da  legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito  Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques  meus).   No mesmo sentido os  seguintes  acórdãos deste Sodalício:  106­16801, 106­ 16360 e 196­00065, cujas ementas são a seguir reproduzidas:  “(...) MULTA DE OFÍCIO ­ EXCLUSÃO ­ Deve ser excluída do  lançamento  a  multa  de  ofício  quando  o  contribuinte  agiu  de  acordo  com  orientação  emitida  pela  fonte  pagadora,  um  ente  estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por  ele  recebidos.  (...)”  (acórdão  106­16801,  de  06/03/2008,  da  6ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,relator  Conselheiro  Luiz Antonio de Paula)  “  (...)  MULTA  DE  OFICIO  ­  CONTRIBUINTE  INDUZIDO  A  ERRO  PELA  FONTE  PAGADORA  ­  Não  comporta  multa  de  oficio  o  lançamento  constituído  com  base  em  valores  espontaneamente  declarados  pelo  contribuinte  que,  induzido  pelas  informações  prestadas  pela  fonte  pagadora,  incorreu  em  erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.  (...)  (Acórdão  n°  106­16360,  sessão  de  23/01/2008,  relator  o  Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos)  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO     8 “  (...)  MULTA  DE  OFÍCIO.  ERRO  ESCUSÁVEL.  Se  o  contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte  pagadora, um ente estatal que qualificara de  forma equivocada  os  rendimentos  por  ele  recebidos,  incorreu  em  erro  escusável  quanto  à  tributação  e  classificação  dos  rendimentos  recebidos,  não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)”  (acórdão nº 196­00065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do  1º Conselho de Contribuintes,  conselheiro(a)  relator(a) Valéria  Pestana Marques)  Na mesma toada, o C. Superior Tribunal de Justiça, ao admitir a exigência do  imposto e a exclusão da multa, em casos semelhantes ao ora posto em julgamento:  RECURSO  ESPECIAL  .  TRIBUTÁRIO.  IMPORTÂNCIAS  PAGAS  EM  DECORRÊNCIA  DE  SENTENÇA  TRABALHISTA.  IMPOSTO  DE  RENDA.  RESPONSABILIDADE  PELA  RETENÇÃO  E  RECOLHIMENTO  DO  IMPOSTO.  AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I,  DA LEI N. 8218/91.   A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que  importe  em  responsabilidade  do  retentor  omisso,  não  exclui  a  obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda,  de  oferecê­la  à  tributação,  por  ocasião  da  declaração  anual,  como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte.  Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que  se  exija  a  exação  daquele  que  efetivamente  obteve  acréscimo  patrimonial,  não  se  pode  chegar  ao  extremo  de,  ao  afastar  a  responsabilidade  daquela,  permitir  também  a  cobrança  de  multa deste.  Recurso  especial  provido  em  parte  para  afastar  a  multa  aplicada.  REsp  439142/SC.  RECURSO  ESPECIAL  2002/0066669­2, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005  p. 267.(destaques meus).  Ante  o  exposto,  rejeitadas  as  preliminares  argüidas,  conheço  do  recurso  voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, apenas para excluir da multa de ofício.  (assinado digitalmente)  German Alejandro San Martín Fernández                Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725923/2009­94  Acórdão n.º 2802­00.973  S2­TE02  Fl. 236          9   MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº: 10580.725923/2009­94        TERMO DE INTIMAÇÃO        Em  cumprimento  ao  disposto  no  §  3º  do  art.  81  do Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria Ministerial  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009,  intime­se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda  Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2802­000.973.      Brasília/DF, 1 de junho de 2012    (assinado digitalmente)  JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO  Presidente  Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção      Ciente, com a observação abaixo:    (......) Apenas com ciência  (......) Com Recurso Especial  (......) Com Embargos de Declaração    Data da ciência: _______/_______/_________    Procurador(a) da Fazenda Nacional                                   Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 10410.003919/00-97
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 303-00.856
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO DE ASSIS

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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência A. Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 05 de dezembro de 2002 44 • • PAULO DE ASSIS 1 0 MAR 2003 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. tMC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.090 RESOLUÇÃO N° : 303-00.856 RECORRENTE : NEIWTON SILVA RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE RELATOR(A) : PAULO DE ASSIS RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração relativo ao ITR de 1997, lavrado em 01/09/2000, contra a Fazenda Planaltinho, de 567,6 ha, localizada no município de Igreja Nova/AL, de propriedade do recorrente. Diz o Fisco, A. página 06, ter apurado que a propriedade não possui qualquer Area de preservação permanente, nem qualquer área utilizada em qualquer atividade produtiva. Apura, entretanto, que o valor das benfeitorias é de R$ 19.156,80 e o das pastagens plantadas de R$ 135.256,40, valendo a terra nua apenas R$ 49.446,40. Isto 6, o valor das pastagens plantadas corresponde a 66% do valor total da propriedade e o valor da terra nua a apenas 24%. A área de preservação permanente de 91,3 ha, declarada pelo contribuinte, foi glosada, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental. 0 levantamento efetuado pela empresa Plantes - Planejamento e Serviços Técnicos (fls. 27), assinado por seu diretor técnico, engenheiro agrônomo, contendo as informações sobre a cobertura vegetal da propriedade, inclusive área de reserva, e rebanho de gado, com base em investigações locais, foi igualmente desconsiderado, por não conter a Anotação de Responsabilidade Técnica e não estar de acordo com as normas da ABNT. 0 Contribuinte, diz o Fisco h. página 37, não tendo declarado a atividade pecuária, informações sobre o rebanho (p. 17), como também não tendo comprovado com documentação hábil a existência do mencionado rebanho, não há que se acatar a área de 432,0 ha que indica em sua declaração, como ocupada com pastagens. A declaração da Atividade Rural no exercício de 1997, ano calendário de 1996, de fls. 29/30, a qual apresenta a movimentação do rebanho do CPF 021.083.214-20, referente aos imóveis descritos A. fl. 29, ou seja, Fazenda Santa Fé, Fazenda Rancho do Sol e Fazenda Bela Vista, não fazendo qualquer referência Fazenda Planaltino, objeto deste processo. Em conseqüência do relatado, foi lavrado o Auto de Infração em tela. o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.090 RESOLUÇÃO N° : 303-00.856 VOTO 0 recurso é tempestivo, trata de matéria de competência deste Conselho, apresenta instrumento de garantia de instância, por arrolamento de bens. Dele tomo conhecimento. Em preliminar, levanta o Contribuinte a questão de nulidade do Auto de Infração, por não ter sido lavrado no local de verificação da falta, como determina o art. 10 do Decreto 70.235/72. Superada esta preliminar, o mérito tell que ser decidido com base na Lei 9.393, de 19/12/96, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, na data do fato gerador. Este, segundo o artigo 11 da mencionada lei, é calculado tomando-se o Valor da Terra Nua e o seu Grau de Utilização, que, nos termos do art. 10, VI, é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área disponível. 0 Fisco, A. página 06, já acatou todos os dados da memória de cálculo do Valor da Terra Nua, tais como o valor das benfeitorias, R$ 19.156,80, e das culturas/pastagens/florestas (R$ 135.256,40, ou seja 66% do valor total do imóvel). Onde estão essas culturas/pastagens/florestas, fisicamente? Evidentemente no mapa não preenchido de distribuição da Area utilizada! Como poderia ser zero o espaço fisico das Areas que representam o maior valor da propriedade? Entendo que estão elas representadas no mapa da folha 27, preparado por empresa do ramo. Não está ele acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica, a qual, não tenho dúvidas, poderá ser juntada aos autos, caso este Colegiado decida converter o julgamento em Não está o laudo no formato da NBR 8799 da ABNT, como diz o Fisco, mas tal requisito está vinculado A revisão do Valor da Terra Nua, o que não é o caso. Os dados do Laudo Técnico apresentado, foram extraídos dos levantamentos efetuados na Fazenda Planaltina, no ano de 1996, para a elaboração de Projeto Pecuário e estão à disposição do Fisco para verificação, o que poderia ter sido feito e ainda poderá, caso haja dúvidas sobre a fidelidade das informações. As áreas de preservação permanente estão perfeitamente definidas na Lei 4.771//65, com as alterações da Lei 7.803/89. Tais áreas, diz o artigo 2°da Lei 4.771/65, são assim consideradas, "por só efeito desta lei". Não se sabe se a área de preservação em questão é do tipo relacionado no art. 3° da Lei 4.771/65, que demanda reconhecimento e declaração por parte do Poder Público. Em qualquer dos casos, havendo a reserva, esta é isenta de tributação. Sobre isso, o que temos, de fato, é a 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.090 RESOLUÇÃO N° : 303-00.856 declaração do contribuinte e o Laudo Técnico da folha 27, que submeto ã. apreciação deste Colegiado. No que se refere à Declaração de Ajuste Anual de pessoa fisica, juntada pelo Contribuinte As folhas 28 a 30, não consta sequer a propriedade em foco, por razões que desconhecemos. Mas que o Fisco poderá verificar. Seguindo procedimentos anteriores desde Conselho, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligencia, para que o Contribuinte seja intimado a juntar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do laudo apresentado. • Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2002 PAULO DE ASSIS - Relator • Ciente em: lo 13 )2z5v3 a MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10410.003919/00-97 Recurso n.°:. 124.090 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do-Resolução n° 303-00.856. Brasilia- DF, 27,de fevereiro de 2003 ao • an a Costa • " Pre dente da Terceira Camara L-F.P4ofal, J7,55 vo •

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Numero do processo: 10380.726309/2010-30
Data da sessão: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. REITERAÇÃO. CONTEXTOS FÁTICOS SEMELHANTES. DIVERGÊNCIA CARACTERIZADA. Deve ser conhecido o recurso especial quando os acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam, ao contrário da decisão recorrida, que a omissão reiterada de receitas é fato suficiente para qualificação da multa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. DOLO. Em se verificando insuficiência na acusação fiscal, e havendo dúvida quanto à intenção do sujeito passivo, não se mantém a qualificação da multa por aplicação do artigo 112 do CTN (ementa produzida nos termos do artigo 63, § 8º do Anexo II ao RICARF).
Numero da decisão: 9101-005.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Andrea Duek Simantob. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO

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CONHECIMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. REITERAÇÃO. CONTEXTOS FÁTICOS SEMELHANTES. DIVERGÊNCIA CARACTERIZADA. Deve ser conhecido o recurso especial quando os acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam, ao contrário da decisão recorrida, que a omissão reiterada de receitas é fato suficiente para qualificação da multa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. DOLO. Em se verificando insuficiência na acusação fiscal, e havendo dúvida quanto à intenção do sujeito passivo, não se mantém a qualificação da multa por aplicação do artigo 112 do CTN (ementa produzida nos termos do artigo 63, § 8º do Anexo II ao RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Viviane Vidal Wagner, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Andrea Duek Simantob. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 63 09 /2 01 0- 30 Fl. 470DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente). Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão 1401-000.869, de 02 de outubro de 2012, assim ementado e decidido: Acórdão recorrido 1401-000.869 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita contabilizada/declarada pelo sujeito passivo e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, apurado em procedimento de circularização efetuado junto a clientes da autuada. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de não pagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual. RECEITAS CONTABILIZADAS A MENOR. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. INADMISSIBILIDADE. A ação de omitir receitas, sem fazê-las transitar pela apuração do resultado do exercício, caracterizando declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa qualificada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores declarados em DCTF. Recurso provido em parte Fl. 471DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desqualificar a penalidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e o conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício. A Fazenda Nacional questiona a desqualificação da multa de ofício, apresentando como paradigmas os acórdãos 107-09.267 e 203-09.098, assim ementados: Acórdão paradigma 107-09.267 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não estão presentes os pressupostos legais para decretação da nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – RETIFICAÇÃO DA DIPJ. A retificação da DIPJ após decorridos 60 dias do termo de continuidade de ação fiscal emitido, desacompanhada da declaração dos tributos devidos em DCTF, não elide o lançamento de ofício, pois a DIPJ não tem o caráter de confissão de dívida. OMISSÃO DE RECEITA – LUCRO PRESUMIDO. Constatada a omissão de receita, pela confrontação entre os valores de receita constantes na escrituração fiscal e os valores declarados à SRF, e tendo o lucro sido apurado pelo Regime de apuração do Lucro Presumido, mesmo regime adotado pela contribuinte, cabível o lançamento. PENALIDADE – MULTA QUALIFICADA. O fato de ter omitido receitas reiteradamente em todos os meses do período, inclusive em valor significativamente superior ao valor declarado, revela a intenção do dolo. Assim, cabível a multa qualificada, pois estão presentes as condições legais para sua imposição. JUROS DE MORA – TAXA SELIC – SÚMULA N° 4. Conforme a súmula do 1° CC n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA – SÚMULA N° 2: Conforme súmula n° 2, o Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se o decidido em relação ao lançamento principal, aos lançamentos decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito. Acórdão paradigma 203-09.098 Fl. 472DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 COFINS – MULTA DE OFÍCIO – MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL – SITUAÇÃO QUALIFICATIVA – FRAUDE – O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei n° 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que, pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei n° 9.430. BASE DE CÁLCULO – INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES – Excluem-se da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, somente as deduções autorizadas pela legislação de regência. O ICMS integra a base imponível porque faz parte do preço de venda. O conceito de ‘lucro bruto’ das instituições financeiras, das que operam com mercados futuros ou com câmbio, não se aplica quando a empresa tem como atividade a revenda de mercadorias. Recurso ao qual se nega provimento. Em 21 de março de 2016, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deu seguimento ao recurso especial, consignando: Nos autos do processo referente ao acórdão recorrido, consta que o contribuinte se valia da omissão de receitas, a partir do momento em que, de maneira sistemática, não as fazia transitar pelo resultado do exercício, fazendo com que não houvesse a tributação em razão do impedimento ou retardo do conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fiscal. Tal situação se revela idêntica às descritas nos paradigmas, afrontando o disposto na lei nº 4.502/64. Portanto, o dissenso jurisprudencial tem similitude fática (Acórdão CSRF nº 9101-001.548) e abordam a mesma legislação aplicável (Acórdão CSRF nº 9101- 00.213). Tendo sido atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (artigos 67 e 68 do RICARF), e uma vez demonstrada a divergência de entendimentos para as matérias expostas no recurso especial, conclui-se que deve-se DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. O sujeito passivo apresentou contrarrazões, questionando a admissibilidade e o mérito do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Fl. 473DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 Admissibilidade recursal O recurso especial é tempestivo. Passo a examinar os demais requisitos para a sua admissibilidade. Nesse ponto, observo que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento do disposto no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, merecendo especial destaque a necessidade de se demonstrar a divergência jurisprudencial, in verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destaca-se que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratando-se da mesma legislação aplicada a um contexto fático semelhante. Assim, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há que se falar em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Por outro lado, quanto ao contexto fático, não é imperativo que os acórdãos paradigma e recorrido tratem exatamente dos mesmos fatos, mas apenas que o contexto seja de tal forma semelhante que lhe possa (hipoteticamente) ser aplicada a mesma legislação. Assim, um exercício válido para verificar se se está diante de genuína divergência jurisprudencial é buscar saber, com base no raciocínio exposto no paradigma, o que aquele colegiado decidiria no caso dos autos. O sujeito passivo questiona a admissibilidade do recurso especial sustentando, quanto ao paradigma 107-09.267, que: (i) este precedente tratou de sujeito passivo submetido à apuração pelo regime de lucro real, enquanto ele é optante pelo lucro presumido, (ii) o paradigma trata de “omissão” e a autuação discutida nos presentes autos foi por “divergência na apuração”; (iii) no caso do paradigma as informações declaradas à Receita Federal estariam desacompanhadas de declaração em DCTF, enquanto o caso dos autos trataria de autuação verificada a partir de divergências apuradas na DCTF, não se omitindo qualquer valor. Quanto ao paradigma 203-09.098, alega o sujeito passivo em suas contrarrazões que este não serve a comprovar a divergência jurisprudencial por ter tratado de COFINS e de “omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos”, não se assemelhando ao caso dos autos. Fl. 474DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 O sujeito passivo sustenta, ademais, que a Fazenda Nacional pretende inovar na fundamentação do recurso especial, eis que a reiteração não foi argumento da autuação fiscal e nem o acórdão recorrido teria mencionado a questão. Pois bem. O caso em questão é de autuação por omissão de receitas com base no artigo 24 da Lei 9.249/1995 – em síntese, alega a fiscalização que valores que, no seu entender, deveriam ser contabilizados em conta de receitas, o foram em conta de passivo. O voto vencedor do acórdão recorrido excluiu a qualificação da multa por entender que a fiscalização não teria comprovado que o sujeito passivo agiu deliberadamente à margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável, de forma reiterada. Dois foram, assim, os argumentos do acórdão recorrido: a intenção/deliberação da omissão e a reiteração. Quanto à reiteração, o voto condutor afirmou que a fiscalização deve comprovar a prática das ações durante todo o ano calendário, ou mais de um. Quanto à intenção/deliberação da conduta, o voto condutor observou que a fiscalização não comprovou a intenção do sujeito passivo de omitir rendimentos à tributação, afirmando que a conduta não aponta para o intuito consciente e deliberado de reduzir a base tributável, mas para um erro. Transcrevo trechos desse voto de onde extraio tais constatações (grifamos): (...) a ação de omitir receitas, sem fazê-las transitar pela apuração do resultado do exercício, caracterizando declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Isso porque, para a aplicação da Multa Qualificada deve esta configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações durante todo o ano calendário (ou mais de um), que tenham como objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. (...) Assim, cabe ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. Caso isso não aconteça, entendo que não pode ser imputado ao sujeito passivo da obrigação tributária a demonstração que nas suas ações ou omissões hoje intuito de fraude, nos termos e parâmetros da Lei nº. 9430/1996; isso porque, a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. Ressalte-se que a Recorrente é penalizada pelo inadimplemento do tributo devido, com uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor devido. Porém, para que seja justificada a duplicação dessa penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, o intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. Veja que não pode o Fisco, para a qualificação da multa, deixar de comprovar as duas características que entendo serem pressupostos validadores na ação do sujeito passivo: (i) O pressuposto evidente - Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Fl. 475DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 Ou seja, pela leitura do relato do Fisco deve ficar comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza, que o propósito da Recorrente era, ao praticar o ato, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. (...) Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente não aponta para o intuito consciente e deliberado de reduzir a base tributável, e sim um erro que tem a sua punição prevista na norma legal. Nessas condições, a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) por não configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a seguir transcrito: (...) (...) Assim, para que seja imputada a Recorrente a multa qualificada e também a multa agravada faz-se necessário que o auto de infração comprove, com uma clareza meridiana a conduta eivada de dolo, com o objetivo de dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Assim, não tendo sido comprovado que a Recorrente, deliberadamente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada não se pode manter a inclusão da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), devendo ser reformada a decisão da 3ª Turma da DRJ/FortalezaCE, consubstanciada através do Acórdão 0821.959, desta forma voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. Neste sentido, compreendo que o recurso especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido, por insuficiência recursal. Isso porque ataca apenas um dos fundamentos do acórdão recorrido, deixando o outro, que é autônomo, incólume. De fato, a Fazenda Nacional sustenta em seu recurso especial que a omissão reiterada de receita em todos os meses do período, de valores significativos, revelaria a presença de dolo, justificando-se a aplicação da multa qualificada. Não obstante, o acordão recorrido também fundamentou a exclusão da qualificação da multa no argumento de que a omissão não ocorreu de forma deliberada, mas por erro, sendo que este argumento não foi atacado no recurso especial, nem fora apresentado qualquer paradigma para a questão. Mesmo que a reiteração possa ser considerada elemento revelador do dolo, como pretende a Fazenda Nacional, esta não pleiteou em seu recurso a desconstituição do argumento da decisão recorrida de que tratou-se de erro do sujeito passivo. E errar de forma reiterada não pode ser considerado base para a aplicação de multa qualificada. Havendo fundamentos na decisão recorrida que não foram atacados no recurso especial, e que são suficientes para manter tal decisão independentemente da reforma do ponto que pretende o recorrente, não se conhece do recurso especial. Neste sentido, compreendo que o recurso especial não pode ser conhecido, por insuficiência recursal, em razão da existência de fundamento autônomo inatacado. Caso eventualmente esta Relatora reste vencida quanto a essa questão, observo, sobre os questionamentos à admissibilidade feitos pelo sujeito passivo acerca da comprovação da divergência jurisprudencial, que não se sustenta a alegação de que a autuação dos presentes autos seria diferente da dos paradigmas por se tratar de “divergência na apuração” eis que se trata, como visto, de autuação por omissão de receitas. Além disso, a análise dos fundamentos do voto Fl. 476DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 condutor do acórdão recorrido revela que foram irrelevantes para a sua fundamentação o regime de apuração do sujeito passivo, se lucro real ou presumido, o fato de valores estarem ou não declarados em DCTF, bem como o tipo de tributo. Considerando que o racional do acórdão recorrido prescindiu de tais detalhes, devem ser rejeitadas as alegações do sujeito passivo quando contesta a admissibilidade do recurso com base em tais diferenças. Por fim, também compreendo que não há que se falar em inovação das razões recursais, como defendeu o sujeito passivo, eis que a reiteração foi mencionada como argumento do acórdão recorrido, tendo sido tangenciada pela autoridade autuante (quanto menciona a existência de 37 recebimentos no ano-calendário). Assim, esclareço que, caso este voto vencido quanto à insuficiência recursal, compreendo que não há reparos a se fazer ao despacho de admissibilidade a respeito da comprovação da divergência jurisprudencial. Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial. Mérito Como restei vencida quanto à admissibilidade do recurso especial, passo a analisar o mérito. O mérito do presente recurso consiste em decidir se estão presentes no caso dos autos as circunstâncias necessárias à qualificação da multa de ofício. O auto de infração assim fundamentou a cobrança (fls. 5-6): Fl. 477DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 Como se percebe, a qualificação da multa se baseou no entendimento de que teria ficado patente o auferimento da receita, tendo sido recebidos, no ano-calendário de 2005, 37 pagamentos em montante significativo em relação à receita declarada (40%), os quais foram registrados no passivo e não em conta de receita. Em sua defesa, o sujeito passivo alegou que tratou-se, no máximo, de postergação de receita, eis que os valores registrados em conta de passivo objeto da autuação teriam sido levados para conta de receita em 2007. Fundamentou a sua forma de contabilização em seu modo de operação, explicando que é produtora de embarcações que demandam um longo período para a sua execução, e que por isso teria adotado regime contábil assemelhado à “construção civil”. Alegou, ainda, que inicialmente pretendia vender as quatro embarcações e Fl. 478DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 que somente em 2007 houve “desistência” do negócio, sendo então firmado os contratos de arrendamento, com a transferência dos valores correspondentes para as contas definitivas. Tais argumentos, quanto ao mérito da autuação, foram rechaçados pelo acordão recorrido e não estão em discussão. Está em questão, apenas, a desqualificação da multa operada pelo voto vencedor do acordão recorrido, que foi baseada, como visto, no entendimento de que a fiscalização não teria comprovado que o sujeito passivo agiu deliberadamente à margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável, de forma reiterada. Uma primeira questão é a reiteração. Embora em se tratando de lucro presumido seja hipoteticamente possível se falar em reiteração mesmo quando a fiscalização faz análise exclusivamente acerca de um ano-calendário (já que a apuração fiscal no regime do lucro presumido é trimestral), compreendo que, no caso, a fiscalização não baseou a qualificação da multa na prática da conduta vedada na legislação tributária por períodos de apuração seguidos. De fato, a fiscalização fez menção, apenas e exclusivamente, ao período anual e ao ano- calendário 2005, não tendo feito qualquer observação sobre se a conduta vedada teria sido uma continuação de prática adotada em diversos períodos de apuração fiscal. Dessa forma, no caso compreendo que não há que se falar em reiteração. De qualquer forma, observo que a reiteração da conduta seria apenas um dos (diversos) elementos possíveis para a comprovação da intenção do sujeito passivo. É dizer, o fato de uma prática se demonstrar consistente por diversos períodos pode ser um indicativo de que não se trata de equivoco, mas da verdadeira intenção do sujeito. Como visto, no caso dos autos tal elemento em nada auxilia a comprovação da intenção, eis que não há que se falar propriamente em reiteração. Além disso, como observou o voto vencedor do acórdão recorrido, para que se possa falar em qualificação da multa é imprescindível a prova do dolo, isto é, prova da intenção deliberada do sujeito passivo em praticar a conduta ilícita (no caso, a omissão de receitas). Nesse ponto, observo que a leitura do auto de infração revela que a fiscalização se baseou exclusivamente na declaração da empresa Hidroclean de que havia alugado as embarcações, e nos respectivos comprovantes de pagamento por ela fornecidos, para concluir que a contribuinte em questão deveria ter contabilizado os valores recebidos como receita, e não como passivo. Dessa, forma, o que a fiscalização fez foi presumir, com base em informações de terceiros em comparação à contabilização realizada pela contribuinte, a intenção desta última de omitir receitas, em um raciocínio assemelhando à máxima “parece, então é”. A análise do auto de infração revela que, de fato, não houve, no caso, prova do dolo, no sentido de consciência e vontade voltados à pratica de um ilícito. Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa, tanto no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito) quanto no aspecto subjetivo (vontade ou intenção de lesar o fisco). No caso, temos a conduta do sujeito passivo (omissão de informação sobre fato gerador supostamente ocorrido), mas não é certo se ele possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano. Não há prova, nos autos, de qualquer prática de fraude ou ilícito (penal), mas no máximo, como visto, um único indício (os pagamentos efetuados pela Hidroclean). Fl. 479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 E, muito embora tenha sido mantida a autuação fiscal quanto ao principal dos tributos (isto é, muito embora se tenha entendido que a contabilização, da forma como efetuada, estava mesmo equivocada), o sujeito passivo já em sua impugnação trouxe argumentos e documentos capazes de, no mínimo, colocar em dúvida a sua intenção de omitir receitas ao realizar a contabilização dos valores tal como o fez. E foi neste sentido que o voto vencedor do acórdão recorrido, analisando a prática, a considerou um erro contábil, e não uma omissão deliberada de receitas tributáveis. Em síntese, tanto por não ser possível falar em “reiteração” no caso dos autos, como por não restar caracterizado, já no auto de infração, o dolo, no sentido de consciência e vontade de se praticar o ilícito (a fraude na contabilização para que receitas fossem omitidas), compreendo que não há base no presente caso para a qualificação da multa, sendo de se manter o acórdão recorrido. Em observância ao artigo 63, § 8º do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF, observo que, colocada a questão em julgamento, a maioria da Turma acompanhou esta Relatora pelas conclusões, entendendo não ser caso de aplicação de multa em sua modalidade qualificada por aplicação do artigo 112 do CTN e insuficiência na acusação fiscal, eis que esta não trouxe elementos capazes de afirmar com segurança que a conduta do contribuinte não seria apenas erro interpretativo quanto à contabilização das receitas, considerando sua atividade de produção de embarcações. A ementa deste julgado reflete exclusivamente as conclusões vencedoras. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial e, uma vez vencida quanto à admissibilidade, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.154 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10380.726309/2010-30 Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Redator designado. A I. Relatora restou vencida no que diz respeito ao conhecimento do apelo. Nesse sentido, a maioria do Colegiado concluiu que o recurso especial deve ser conhecido com fundamento na divergência evidenciada em face dos referidos paradigmas, assim validados no exame de admissibilidade de fls. 439/443: Nos autos do processo referente ao acórdão recorrido, consta que o contribuinte se valia da omissão de receitas, a partir do momento em que, de maneira sistemática, não as fazia transitar pelo resultado do exercício, fazendo com que hão houvesse a tributação em razão do impedimento ou retardo do conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fiscal. Tal situação se revela idêntica às descritas nos paradigmas, afrontando o disposto na lei nº 4.502/64. Portanto, o dissenso jurisprudencial tem similitude fática (Acórdão CSRF nº 9101-001.548) e abordam a mesma legislação aplicável (Acórdão CSRF nº 9101-00.213). Tendo sido atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (artigos 67 e 68 do RICARF), e uma vez demonstrada a divergência de entendimentos para as matérias expostas no recurso especial, conclui-se que deve-se DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Quando da análise da admissibilidade, prevaleceu o entendimento de que as distinções destacadas no voto vencido não seriam suficientes para afastar a similitude fático- jurídica entre os casos confrontados. Lembre-se, aqui, que similitude fático-jurídica não significa plena identidade. Partindo, então, da premissa de que a interpretação dos efeitos da reiterada omissão de receita para efeitos da qualificação da multa nos paradigmas poderiam alterar o quanto restou decidido pelo acordão recorrido, nenhum reparo cabe ao juízo prévio de admissibilidade recursal. Estas as razões, portanto, para CONHECER do Recurso Especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 481DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10880.690709/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3401-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise os documentos juntados aos autos e, a partir deles, confirme a existência de crédito passível de utilização para a compensação requerida. Após isso, que a unidade dê ciência à recorrente do resultado da diligência para querendo, manifestar-se em 30 (trinta) dias e, ao final, reencaminhe os autos para o CARF. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Camara Simões (suplente convocada), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-presidente) e Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
Nome do relator: FERNANDA VIEIRA KOTZIAS

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise os documentos juntados aos autos e, a partir deles, confirme a existência de crédito passível de utilização para a compensação requerida. Após isso, que a unidade dê ciência à recorrente do resultado da diligência para querendo, manifestar-se em 30 (trinta) dias e, ao final, reencaminhe os autos para o CARF. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Camara Simões (suplente convocada), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-presidente) e Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto. Relatório Por bem resumir os fatos dos autos, adoto parcialmente o relatório elaborado pela DRJ/SP1 (fls. 39-50): “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 35355.19496.300709.1.3.04-6840, entregue em 30/07/2009, na qual é indicado o crédito original de R$ 236.971,14, decorrente do pagamento indevido ou a maior de COFINS, (código receita 5856), apurado em 30/09/2008, no valor original de R$ 479.042,72 e o seguinte débito: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 70 9/ 20 09 -2 5 Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.067 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690709/2009-25 2. Por meio do despacho decisório (rastreamento n.- 849888858) de fl. 01, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 236.971,14 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." [...] 3. Devidamente cientificada do despacho decisório acima, em 05/11/2009, a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fl. 11/14, acompanhada dos documentos de fls. 15/38, procuração publica, cópias do despacho decisório, contrato social, DARF, DCTF retificadora, PER/DCOMP e DACON retfficadora, onde expõe em síntese pelo seguinte: 3.1. alega que está sujeita a apuração do IRPJ pelo lucro real, e assim, enquadrada na sistemática não cumulativa das contribuições do PIS e da COFINS, a qual lhe confere o direito de descontar determinados créditos das contribuições devidas no mês; 3.2. que em 20/07/2009, a manifestante procedeu a retificação do DACON do período de apuração, para incluir o seu créditos com despesas com energia elétrica, alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, locados de pessoa jurídica e encargos de amortização de edificações e benfeitorias, FICHA 16, Linhas 04, 05, 06 e 11, bem como, para deduzir receitas com produtos sujeitos a alíquota zero tributadas indevidamente, FICHA 17, Linhas 01 e 09; 3.3. que em 20/07/2009 cuidou também de retificar a DCTF, para alterar o débito para menor. 3.4. assim constituído o crédito na forma de pagamento a maior no valor de R$ 236.971,14, procedeu a compensação da CSLL relativo ao 2° trimestre de 2009, formalizada na DCOMP n. 35355.19496.300709.1.3.04-6840. 3.5. contudo, na data de 05/11/2009 foi surpreendida com a não homologação da citada declaração de compensação, por meio do Despacho Decisório sob o argumento de inexistência de credito, o que não condiz com a verdade, uma vez que a compensação da COFINS paga a maior encontra fundamento no artigo 34 da IN 900/2008, o qual cita. 3.6.expõe que a falta de processamento das declarações retificadoras — DACON e DCTF, transmitidas, acabou por acarretar a decisão de não homologação dos créditos apontados na Dcomp. 3.7. e, por fim requer ao competente órgão o processamento das Declarações Retificadoras, especificamente, o DACON, e DCTF, para que se confirme a existência do credito em favor a manifestante, e que a decisão exarada no Despacho Decisório seja reformada, a fim de se reconhecer o credito decorrente do pagamento a maior anteriormente demonstrado, declarando conseqüentemente homologada a DCOMP n. 35355.19496.300709.1.3.04-6840.” Diante disso, a DRJ/SP1 concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade por razão de carência probatória, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 20/10/2008 DCTF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DECLARADO. Não se admite a existência de indébito tributário quando o valor recolhido encontrar-se totalmente utilizado para pagamento de tributo informado em declaração que constitui confissão de dívida e não houver provas quanto a eventual erro material contido na declaração. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Aplicam-se as regras processuais previstas no Decreto n. 70.235. de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.067 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690709/2009-25 A simples apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de documentos que a embasem, não pode ser aceita para cancelar o despacho decisório realizado com base na DCTF originária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário alegando, em síntese, que: (i) a retificação de DCTF entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor do contribuinte, pelo que qualquer discussão sobre o montante apontado na DCTF retificadora deveria ocorrer se, e em caso, pela Autoridade Competente (Fiscalizadora), jamais pela Delegacia de Julgamento, sob pena de inovação; e (ii) a conclusão do acórdão recorrido de que o contribuinte deveria ter apresentado documentos que embasassem as declarações retificadoras estaria correta se tais retificações tivessem sido efetuadas para cancelar o despacho decisório, mas não são estes os fatos, posto que as retificadoras foram entregues antes mesmo da DCOMP. Por fim, como demonstração de boa fé, junta explicações e planilha sobre o cálculo dos créditos e cópias de documentos contábeis (livro razão e diário geral). O processo foi então encaminhado ao CARF, sendo a mim distribuído para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Conforme destacado no relatório, trata-se de pedido de compensação não homologado pela fiscalização em razão da ausência de crédito disponível, cuja decisão foi mantida pela DRJ/SP1, sob a conclusão de carência probatória. Por sua vez, a recorrente alega que a conclusão do acórdão recorrido de que o contribuinte deveria ter apresentado documentos que embasassem as declarações retificadoras estaria correta se tais retificações tivessem sido efetuadas para cancelar o despacho decisório, mas que não seria o caso, tendo em vista que as retificadoras foram entregues antes mesmo da DCOMP. Assim, entende que caberia à fiscalização adotar o mesmo procedimento dos pedidos amparados por DCTF originais e, havendo dúvidas, questionando a empresa. Todavia, entende que a ausência de questionamentos por parte da fiscalização impediria a DRJ de se aprofundar sobre a questão por representar inovação processual. Ora, entendo que não assiste razão à recorrente. Primeiramente, não se verifica a existência de vícios processuais nos presentes autos. Isto porque, a DRJ/SP1, ao negar provimento sob fundamento diverso não inovou e/ou alterou o critério jurídico sob o qual a recorrente está sujeita. O que ocorreu foi, tão somente, a análise mais aprofundada do mérito, principalmente diante do fato de que se tratou, em primeira análise, de despacho decisório eletrônico. Ademais, a análise do mérito versa, necessariamente, sobre a verificação de certeza e liquidez do crédito pleiteado, o qual deve estar amparado por documentos fiscais e contábeis – o que até o momento da manifestação de inconformidade não havia sido feito. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.067 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690709/2009-25 Por outro lado, deve-se reconhecer que, em sede de recurso voluntário a recorrente corrige essa lacuna, trazendo memória de cálculo, explicações sobre a retificação realizada em DCTF e Dacon e apresenta cópia do razão contábil e do diário geral – fato novo e que permite que se verifique a certeza e liquidez do direito ora pleiteado. Diante disso, entendo necessário converter o processo em diligência, de forma a permitir que a unidade preparadora analise os documentos juntados aos autos e, a partir deles, confirme a existência de crédito passível de utilização para a compensação requerida. Após isso, que a unidade dê ciência à recorrente do resultado da diligência para querendo, manifestar-se em 30 (trinta) dias e, ao final, reencaminhe os autos para o CARF. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10640.909376/2009-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. (Súmula CARF nº 20) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.076
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN     2 Relatório  O  estabelecimento  industrial  de  Esdeva  Indústria  Gráfica  S/A  formulou  Pedido  de  Restituição/  Declaração  de  Compensação  ­  PER/DCOMP,  visando  ao  reconhecimento  de  direito  creditório  referente  ao  saldo  credor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  no  período  compreendido  entre  01/10/2002  a  30/09/2005  e  entre  01/10/2005  e  30/09/2008.  Em  decorrência  do  pleito,  a  DRF­Juiz  de  Fora/MG  emitiu  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  Fiscalização  nº  06.1.04.00­2009­00097­8,  com  fito  de  verificar  a  legitimidade  dos  saldos  credores  de  IPI  apurados  nos  trimestres  referidos.  O  Relatório Fiscal acostado aos autos deu conta das  seguintes  irregularidades nos  trimestres de  interesse:  Créditos por entrada de insumos aplicados em produtos NT  A  Fiscalização  constatou  que  o  contribuinte,  estabelecimento  que  industrializa,  simultaneamente,  produtos  tributados  e  não  tributados  (NT),  não  manteve  controle  de  estoque  da  quantidade  de  insumos  aplicados  em  produtos  tributados  e  não  tributados. Em razão disso e em face de resposta a Intimação no sentido de que o contribuinte  tinha­se como desobrigado de manter tal controle, procedeu­se ao devido estorno, no Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações  (SCC),  dos  créditos  originários  da  aquisição  de  insumos  destinados  à  fabricação  de  produtos  NT.  Tendo  em  vista  que  o  estabelecimento  utilizou insumos comuns na fabricação de produtos tributados e produtos não tributados (com  direito e sem direito a manutenção de créditos), o estorno seguiu o procedimento previsto no  art. 3° da Instrução Normativa SRF nº 033 de 04 de março 19991.  Para  tanto,  1)  apurou­se  o  valor  das  saídas  de  produtos  tributados  e  não  tributados,  nos  três  meses  imediatamente  anteriores  ao  período  de  apuração  a  considerar,  considerando  a  planilha  fornecida  pelo  contribuinte  contendo  as  receitas  consolidadas  de  vendas,  por  período  de  apuração,  de  cada  produto  industrializado  pelo  estabelecimento,  2)  calculou­se a relação percentual entre as saídas de produtos não tributados e as saídas totais de  produtos  industrializados, e; 3) aplicou­se esse percentual  sobre o valor  total dos créditos do  período de apuração a considerar, relativos às aquisições de insumos com destinação comum,  com vistas a apurar o valor de créditos decorrentes dos insumos aplicados em produtos NT a  ser estornado no SCC. As glosas estão relacionadas na planilha "Demonstrativo de Glosas".  Créditos extemporâneos  Créditos extemporâneos relativos ao 3° trimestre de 2003  Em  PER/Dcomp  retificador,  o  contribuinte  declarou  R$  663.953,59  de  créditos extemporâneos referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002. Instado  a apresentar os documentos fiscais comprobatórios do crédito, o contribuinte deixou de fazê­lo  quanto  aos  períodos  de  apuração  do  ano­calendário  de  1999.  Por  essa  razão,  a  Fiscalização  declarou  ilegítimos  os  créditos  do  IPI  desamparados  de  documentação  competente,  no                                                              1 "Dos créditos inerentes aos insumos (MP, PI, ME) com destinação comum  Art. 3° Poderão  ser calculados proporcionalmente,  corn base no valor das  s aídas dos produtos  fabricados pelo  estabelecimento  industrial  nos  três  meses  imediatamente  anteriores  ao  período  de  apuração  a  considerar,  os  créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que  gozem ou não do direito à manutenção e utilização do crédito."  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.909376/2009­46  Acórdão n.º 3803­03.076  S3­TE03  Fl. 12          3 montante  de  R$  226.398,02,  conforme  planilha  intitulada  "CRED.  EXTEMP.  (NF  não  apresent)".   Além desses, no período em questão, a Fiscalização também glosou créditos  decorrentes:  a)  de  aquisição  de  insumos  junto  a  estabelecimentos  varejistas,  não  contribuintes  do  imposto,  como  se  atacadistas fossem, no montante de R$ 29.204,95;  b)  de diferenças apuradas entre os reais valores de créditos  destacados nos document6s fiscais e os lançados no livro  Registro  de  Apuração  do  IPI,  no  montante  de  R$  7.907,23;  c)  de  aquisição  de  insumos  de  alíquota  igual  a  zero,  no  montante de R$ 2.725,00;  d)  de  aquisição  de  insumos  adquiridos  de  fornecedores  optantes pelo Simples, no montante de R$ 253,68;  Assim, do total de R$ 663.953,59 de créditos extemporâneos relativos ao 3°  trimestre  de  2003,  reconheceu­se  como  legitimo  o  montante  de  R$  397.464,71.  Desse  total  foram  estornados  os  créditos  originários  da  aquisição  de  insumos  destinados  fabricação  de  produtos  NT,  em  procedimento  idêntico  ao  descrito  no  item  anterior.  Os  ajustes  estão  demonstrados na planilha intitulada "Demonstrativo de Glosas.  Créditos extemporâneos relativos ao 2° trimestre de 2004  Em  PER/Dcomp  retificador,  o  contribuinte  declarou  R$  117.111,15  de  créditos  extemporâneos  referentes  ao  período  de  janeiro  de  2003  a  março  de  2004.  Após  análise da documentação que amparava o creditamento, apresentada em resposta a intimação,  foram objeto de glosa os créditos decorrentes:  a)  de  aquisição  de  insumos  junto  a  estabelecimentos  varejistas,  não  contribuintes  do  imposto,  como  se  atacadistas fossem, no montante de R$ 10.867,44;  b)  de  aquisição  de  insumos  adquiridos  de  fornecedores  optantes pelo Simples, no montante de R$ 122,28;  c)  de documentos fiscais de aquisição cujos créditos do IPI  já foram aproveitados pelo contribuinte à época própria,  no montante de R$ 21.649,13;  d)  de  aquisição  de  insumos  de  alíquota  igual  a  zero,  no  montante de R$ 10.654,63;  e)  de  aquisição  de  insumos  isentos,  no  montante  de  R$  2.028,68;  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN     4 f)  de  aquisição  de  produtos  que  não  são  considerados  insumos  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem  estabelecido  nas  normas  que  regem  o  IPI,  no montante de R$ 2.745,44;  g)  de  não  apresentação  de  documentação  fiscal,  no  montante de R$ 2.550,51  Assim, do total de R$ 117.111,15 de créditos extemporâneos relativos ao 2°  trimestre  de  2004,  reconheceu­se  como  legitimo  o  montante  de  R$66.493,04,  do  qual,  da  mesma  forma,  foram  estornados  os  créditos  originários  da  aquisição  de  insumos  destinados  fabricação  de  produtos  não  tributados  (NT),  em  procedimento  idêntico  ao  já  descrito.  O  demonstrativo da glosa de créditos efetuada na 2ª quinzena de junho de 2004, encontra­se na  planilha intitulada "Demonstrativo de Glosas”.  Irregularidades constatadas nos créditos escriturados nos demais períodos de apuração  Além  da  falta  de  estorno  dos  créditos  aplicados  na  fabricação  de  produtos  NT, nos períodos de apuração compreendidos  entre 01/10/2005 a 30/09/2008, a Fiscalização  procedeu a glosas nos créditos referentes a:  a)  Créditos do IPI aproveitados pelo contribuinte relativos à  aquisição  de  insumos  a  fornecedores  optantes  pelo  Simples;  b)  Créditos do IPI aproveitados pelo contribuinte relativos a  aquisição de insumos de alíquota zero;  c)  Diferença  de  crédito  do  IPI  apurada  entre  o  real  valor  destacado no documento  fiscal  abaixo discriminado e o  lançado no livro Registro de Apuração do IPI;  d)  Créditos do IPI aproveitados pelo contribuinte relativos à  aquisição de insumos imunes, pelos quais nada foi pago  de imposto.  Procedida à glosa, a Fiscalização aplicou o percentual apurado nos moldes do  art.  3º  da  IN­SRF  nº  33,  de  1999,  a  fim  de  segregar  os  insumos  aplicados  em  produtos  tributados dos aplicados em produtos NT e recalcular os saldos credores  trimestrais passíveis  de ressarcimento:    Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.909376/2009­46  Acórdão n.º 3803­03.076  S3­TE03  Fl. 13          5 Em  razão  dessas  irregularidades,  emergiu  saldo  credor  de  IPI  em montante  insuficiente  para  a  pretensão  do  contribuinte,  motivo  pelo  qual,  em  Despacho  Decisório  eletrônico, deferiu­se parcialmente o ressarcimento pleiteado e homologou­se as compensações  somente até o limite do valor do direito creditório reconhecido.  Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte   A  3ª  Turma  da  DRJ/JFA  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente. O Acórdão  nº  09­036.620,  de 26  de  agosto  de  2011,  teve  ementa  vazada  nos  seguintes termos:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS — IPI  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006  IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT  O  direito  ao  crédito  do  IPI  condiciona­se  a  que  os  produtos  estejam dentro  do  campo  de  incidência  do  imposto,  o  que  não  ocorre quando os mesmos são não­tributados (NT), na forma do  parágrafo único, do artigo 2° do RIPI/98 (Decreto n° 2.637, de  1998) ou do RIPI/2002 (Decreto n° 4.544, de 2002).  IN SRF nº 33, de 1999. IMUNIDADE. ALCANCE  A  imunidade prevista no art. 40 da  Instrução Normativa nº 33,  de 1999 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo  de incidência do IPI que, por estarem destinados ã exportação,  se submetem à imunidade tributária indicada no inciso VI, alínea  "d", do art.150 da Constituição Federal.   Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  3ª  Turma  da  DRJ/JFA.  O  arrazoado  de  fls.  s/nº,  após  protesto  de  tempestividade  e  síntese  dos  fatos  relacionados com a lide,   Pede provimento de modo que seja reconhecido o crédito referente a insumos  aplicados  em  produtos  NT,  devidamente  atualizado,  e,  por  conseguinte,  o  seu  direito  de  se  ressarcir destes valores.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Presentes  os  pressupostos  recursais,  a  petição  de  fls.  s/nº  merece  ser  conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ­JFA­3ª Turma nº 09­036.620, de 26  de agosto de 2011.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN     6 Matéria controvertida  A  matéria  devolvida  a  esta  Turma  recursal  cinge­se  à  possibilidade  de  creditamento  por  entrada  de  insumos  aplicados  em  produtos  situados  fora  do  campo  de  incidência  do  IPI  (notação  “NT”  na  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados – TIPI.  Crédito por entradas de insumos aplicados em produtos NT  A  propósito,  a  matéria  já  tem  tratamento  pacificado  na  instância  recursal  administrativa,  desde  o  tempo  do  extinto Conselho  de Contribuintes. Atualmente,  a  Súmula  CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) veda expressamente o creditamento do  IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT:  Súmula CARF Nº­ 20  Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de  insumos  aplicados  na  fabricação  de  produtos  classificados  na  TIPI como NT  Conclusão  Em face do exposto, nego provimento ao recurso.  Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012  Alexandre Kern  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.909376/2009­46  Acórdão n.º 3803­03.076  S3­TE03  Fl. 14          7     Ministério da Fazenda  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  Terceira Seção ­ Terceira Câmara    TERMO DE ENCAMINHAMENTO      Processo nº:  10640.909376/2009­46  Interessada:  ESDEVA INDÚSTRIA GRÁFICA S/A        Encaminhem­se os presentes  autos  à unidade de origem, para ciência à  interessada do  teor do  Acórdão no 3803­03.076, de 26 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências.  Brasília ­ DF, em 26 de junho de 2012.   [Assinado digitalmente]  Alexandre Kern  3a Turma Especial da 3a Seção ­ Presidente                                  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN

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Numero do processo: 35409.001664/2006-81
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - COOPERATIVA. A empresa é obrigada a recolher a contribuição correspondente a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.210
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao .
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA.

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Siape 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES--r-:"W •-raMPLo,' SEXTA CÂMARA Processo n° 35409.001664/2006-81 Recurso n° 141.729 Voluntário hod.comenes Matéria COOPERATIVAS ww-seaund°%,,81, °orlam Acórdão n° 206-00.210 ~CS tf Sessão de 22 de novembro de 2007 Recorrente LOJAS TANGER LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - COOPERATIVA. A empresa é obrigada a recolher a contribuição correspondente a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n.' 35409.001664/2006-81 MI* 2511C0:11122CONSNEILHOOORDEKINAL""ana OZ 9.ntl% ccovcos Acórdão n.° 206-00.210 a.„„t , Fls. 354 me Nbria de Fári . • et ar/ *tr. Mat. Siape /51683 ACORDAM os Membros a c AMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente AW& ht ¡ti"RIA1 AÁDEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 35409.001664/2006-81 - SalUNi:70 CONSELHO DE çipffp CCO2JC06 Acórdão n.° 206-00.210 CONFERE COMO ORIGINAL' FIL 355 Prestliat_kb ° / • _IVO% Maria de Fátima ^7.,Jr: arvalo delis I is Relatório Mat. Siert 751683 O presente lançamento refere-se à contribuição devida pela empresa no valor de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme dispõe o inciso IV do art. 22 da Lei n°8.212/1991, acrescentado pela Lei n°9.876/1999. A notificada apresentou impugnação (fls. 122/151), onde alega que a base de cálculo não foi apurada de acordo com a legislação de regência, pois as cooperativas em questão colocam nas suas notas fiscais emitidas, os valores relativos aos atos cooperados e os relativos aos materiais fornecidos. Assim, fica claro aquilo que poderia, em tese, ser tributado. Argumenta que para que a contribuição em tela fosse exigida, seria necessário o seu enquadramento em uma das fontes de custeio previstas no inciso I do art. 195 da Constituição da República, e que a Lei n° 9.876/1999 nada tem de compatível com a nova redação do dispositivo constitucional citado. Aduz que a contratação de serviços cooperativos por pessoa jurídica não se encaixa em nenhuma das fontes de custeio previstas na Carta Magna. Conclui que a Lei n° 9.876/1999 é inconstitucional, bem como que a incidência de taxa de juros SELIC não tem respaldo jurídico. Quanto à multa aplicada, entende que é ilegal. Pela Decisão-Notificação n° 21.421.0/0139/2006 (fls. 240/248), o lançamento foi considerado procedente. Irresignada, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 259/288) efetuando repetição das alegações já apresentadas em defesa. A SRP apresentou contra-razões (fls. 345/351) onde mantém a decisão recorrida. É o Relatório. • Processo n.° 35409.001664/2006-81 ME SLiUNDO CONSELHO DE CON1' REM. n TES CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.210 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 356 Batina, _/O 2. ,9j3Q' th Maria de Fátima ale , 1„ V Ot O Mat. Sittpe 751683 Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e a recorrente deixou de efetuar o depósito recursal por força de decisão proferida no Agravo de Instrumento n° 2006.03.00.116851-4 que deferiu o efeito suspensivo para conceder a liminar negada em primeiro grau de jurisdição. Dessa forma, os requisitos para admissibilidade estão cumpridos. A recorrente questiona em preliminar a base de cálculo utilizada pela auditoria fiscal para apurar a contribuição lançada. A auditoria fiscal utilizou o percentual de sessenta por cento da nota fiscal ou fatura emitida pelas cooperativas de acordo com o que dispõe a alínea "b", inciso!, do art. 291, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, que dispõe o seguinte: "Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: 1 - nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas fisicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização"; Embora a recorrente alegue que as cooperativas efetuaram a discriminação dos materiais, não apresentou sequer um documento para comprovar sua alegação. Há que se salientar que o ato administrativo goza da presunção de veracidade e se a recorrente pretendia comprovar o que alega deveria ter juntado aos autos suporte documental para tanto. • Dessa forma, deixo de acolher a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, a recorrente limita-se a questionar a constitucionalidade e a legalidade dos dispositivos que embasaram o lançamento. - St auN DO CONSELHO DP CONTRIBUINTES CONFESE COMO oR ruEoki. Processo o.° 35409.001664/200641 &bua. / O d. Roo (t) CCO2JC06 Acórdão ri. • 206-00.210 Eis. 357 fali, M.1113 de Fátima 1111 • Carvalho Mal. Siere 751683 Afirma que a Lei n° 9 876/1999 que introduziu o inciso IV ao art. 22 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Manifesta-se contra a aplicação da taxa de juros SELIC, bem como da multa moratória. A meu ver, a recorrente deveria manifestar seu inconformismo diante do Poder Judiciário que detém a competência para analisar tais questões. O controle da constitucionalidade no Brasil, em regra, é do tipo jurisdicional, e recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamados controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negar-se a aplicá-la; Ainda excepcionalmente, admite-se que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo "Mandado de segurança - Ato administrativo - Prefeito municipal - Sustação de cumprimento de lei municipal - Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão - Admissibilidade - Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional - Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes - Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores - Segurança denegada - Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusar-se a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste" (Apelação Cível n. 220.155-1 - Campinas - Relator: Gonzaga Franceschini - Juiz Saraiva 21). Vale ainda dizer que todos os dispositivos legais que amparam o procedimento da auditoria fiscal, cuja constitucionalidade ou legalidade a recorrente questiona, estão em plena vigência no ordenamento jurídico pátrio. Assim, pelo Principio da Legalidade, não pode o julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de tais dispositivos. Tal impossibilidade já foi, inclusive, sumulada pelo Segundo Conselho de Contribuintes, pela Súmula n° 2, abaixo transcrita: MF SLOUNDO CONSELHO DE CONTRII3Li;.!TES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n. • 35409.001664/2006-81 CO32/C06 Acórdão n.• 206-00.210 Brasília I ottpea' Fls. 358 CL) Maria de Fatia, Carvalho Mat. Siape 751683 "Súmula n° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2007 AáltIRIA BAN EIRA Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1

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