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Numero do processo: 13116.001638/2003-63
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO.
É suficiente, para fins de isenção do ITR, a declaração feita pelo contribuinte da existência, no seu imóvel, das áreas de preservação permanente e reserva legal, ficando responsável pelo pagamento do imposto e seus consectários legais, em caso de falsidade, a teor do art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela MP nº 2.166-67/2001.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.193
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüída pela recorrente e no mérito por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Corintho Oliveira Machado e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). A Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando declarou-se impedida.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Numero do processo: 10830.006960/98-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 302-01.291
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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Numero do processo: 16004.001012/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO
DE RECEITA
A movimentação bancária em conta de terceiros foi imputada ao autuado em razão da sua própria anuência. Essa circunstância, contudo, não dá azo à comprovação da origem dos valores. Para tal seria necessária a apresentação de documentação apta depósito a depósito. Na ausência dessa comprovação, foi correto o procedimento fiscal ao adotar a presunção legal de omissão de
receita com base em depósito bancário de origem não comprovada.
PERÍCIA CONTÁBIL
Uma perícia contábil pode contribuir para a formação da prova acerca da origem dos depósitos bancários, uma vez que comprovar não se resume a juntar papéis aos autos, mas, isoladamente considerada, não substitui a apresentação da documentação comprobatória da origem dos depósitos.
BINGOS PAGAMENTO DE PRÊMIOS
A receita do bingo foi apurada por meio de presunção de receita calcada em depósitos bancários não comprovados. Apesar de a legislação pertinente determinar que uma fração da receita dessa atividade deva ser destinada ao pagamento de prêmios sobre a qual incide o imposto de renda na fonte, a efetividade desses pagamentos não foi comprovada. Desse modo, o lançamento do IRRF foi realizado com base em presunção simples sem amparo legal, o que, por si só, não o desabonaria, mas seriam necessários
outros elementos congruentes com a acusação fiscal.
Numero da decisão: 1201-000.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao apelo oficial; por unanimidade de votos, em AFASTAR os preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITA A movimentação bancária em conta de terceiros foi imputada ao autuado em razão da sua própria anuência. Essa circunstância, contudo, não dá azo à comprovação da origem dos valores. Para tal seria necessária a apresentação de documentação apta depósito a depósito. Na ausência dessa comprovação, foi correto o procedimento fiscal ao adotar a presunção legal de omissão de receita com base em depósito bancário de origem não comprovada. PERÍCIA CONTÁBIL Uma perícia contábil pode contribuir para a formação da prova acerca da origem dos depósitos bancários, uma vez que comprovar não se resume a juntar papéis aos autos, mas, isoladamente considerada, não substitui a apresentação da documentação comprobatória da origem dos depósitos. BINGOS PAGAMENTO DE PRÊMIOS A receita do bingo foi apurada por meio de presunção de receita calcada em depósitos bancários não comprovados. Apesar de a legislação pertinente determinar que uma fração da receita dessa atividade deva ser destinada ao pagamento de prêmios sobre a qual incide o imposto de renda na fonte, a efetividade desses pagamentos não foi comprovada. Desse modo, o lançamento do IRRF foi realizado com base em presunção simples sem amparo legal, o que, por si só, não o desabonaria, mas seriam necessários outros elementos congruentes com a acusação fiscal.
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Essa circunstância, contudo, não dá azo à comprovação da origem dos valores. Para tal seria necessária a apresentação de documentação apta depósito a depósito. Na ausência dessa comprovação, foi correto o procedimento fiscal ao adotar a presunção legal de omissão de receita com base em depósito bancário de origem não comprovada. PERÍCIA CONTÁBIL Uma perícia contábil pode contribuir para a formação da prova acerca da origem dos depósitos bancários, uma vez que comprovar não se resume a juntar papéis aos autos, mas, isoladamente considerada, não substitui a apresentação da documentação comprobatória da origem dos depósitos. BINGOS PAGAMENTO DE PRÊMIOS A receita do bingo foi apurada por meio de presunção de receita calcada em depósitos bancários não comprovados. Apesar de a legislação pertinente determinar que uma fração da receita dessa atividade deva ser destinada ao pagamento de prêmios sobre a qual incide o imposto de renda na fonte, a efetividade desses pagamentos não foi comprovada. Desse modo, o lançamento do IRRF foi realizado com base em presunção simples sem amparo legal, o que, por si só, não o desabonaria, mas seriam necessários outros elementos congruentes com a acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 617DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.042 2 Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao apelo oficial; por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Regis Magalhães Soares De Queiroz. Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Contra a empresa acima identificada, foi lavrado, em 04/12/2007, o auto de infração de fl. 845, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, na forma de lucro presumido, referente aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004, para exigência do crédito tributário de R$ 286.412,17, sendo R$ 94.568,45 a título de imposto, acrescido dos juros de mora de R$ 52.362,68 calculados até 31/10/2007, e da multa proporcional de R$ 139.481,04. O enquadramento legal reportase aos art. 25 e 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e 528 do RIR/99. A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontrase à f1.844, assim fundamentada: Multa: Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, § 2°, e II. Juros de mora: A partir de janeiro de 1997 (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial do Fl. 618DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.043 3 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente: Lei n° 9.430 de 1996, art. 61, § 3º. Além do auto de infração do IRPJ acima referido, também, foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 — Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Auto de infração de fl. 858, para a exigência da Contribuição Social, exigindose, em conseqüência, a contribuição no valor de R$ 39.003,57, acrescida dos juros de mora de R$18.611,14 (calculados até 31/10/2007) e da multa proporcional de R$ 57.304,15, totalizando um crédito tributário de R$ 114.918,86. O enquadramento legal reportase aos art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 15/12/1988; aos arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 29 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6° da MP n° 1.858/99 e reedições; e ao art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontrase às fls.856/57, assim fundamentada: Multa: Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, § 2° e II. Juros de mora: A partir de janeiro de 1997 (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 3°. 2 Programa de Integração Social — PIS (fl. 872) Foram exigidos os valores de R$ 11.935,00 de contribuição, R$ 6.776,41 de juros de mora (calculados até 31/10/2007), e R$ 17.902,39 de multa, totalizando um crédito tributário de R$ 36.613,80. Foi dada como infringida a Lei Complementar (LC) n° 7, de 07/09/1970, arts. 1° e 3°; Lei n° 9.715, de 1998, arts. 2°, I; 8°, I; e 9°; Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2° e 3°; Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2°, I, "a" e § único; 3 0; 10; 22 e 51. A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontrase à fl.844, assim fundamentada: Multa: Lei n° 7.450, de 1985, art. 86, § 1°; Lei n° 7.683, de 1988, art. 2 0; e Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, II. Juros de mora: Fl. 619DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.044 4 A partir de janeiro de 1997 (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. 3 Contribuição p/Financiamento da Seguridade Social — Cofins(fl. 886). Foram lançados os valores de R$ 55.085,50 de contribuição, R$31.277,11 de juros de mora (calculados até 31/10/2007) e R$ 82.628,14 de multa, totalizando o crédito tributário de R$ 168.990,75. Foi dada como infringida a Lei Complementar (LC) n° 7, de 07/09/1970, arts. 1°; Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2°, 3° e 8°; Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2°, II; 3°; 10; 22 e 51. A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontrase à fl.844, assim fundamentada: Multa: Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991Lei n° 7.450, art. 10 e § único; e Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, II. I Juros de mora: A partir de janeiro de 1997 (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente a i taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. 4 Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 900) Foram lançados os valores de R$ 480.776,62 de imposto, R$ 264.461,02 de juros de mora (calculados até 31/10/2007) e R$ 721.164,82 de multa, totalizando o crédito tributário de R$ 1.466.402,64. Foi dada como infringido o art. 676, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99). A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios enc ntrase à f1.899, assim fundamentada: Multa: Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, II. Juros de mora: A partir de janeiro de 1997 (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente a taxa referencial do Fl. 620DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.045 5 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei n° 9.430. de 1996, art. 61, § 3º. A ação fiscal iniciouse pela lavratura do Termo de Início de Fiscalização, em nome da GRS Eventos e Promoções Ltda, cientificada em 25/05/2006, cuja ciência foi dada ao Sr: Valdecir Garcia Ferreira, CPF n° 266.356.58815, identificado como "Procurador" da fiscalizada. Concomitantemente foi feita intimação fiscal à Pessoa Física em 25/05/2006, fls. 824/825, quando o Sr. Valdecir Garcia Ferreira, CPF n° 266.356.58815 foi intimado a apresentar os extratos bancários de suas contas correntes mantidas junto aos bancos Caixa Econômica Federal e Unibanco. Em resposta ao referido termo a empresa solicitou prorrogação de prazo, por 90 (noventa) dias. Em 26/06/2006, pediu nova prorrogação e informou que teria contratado um perito contador para elaborar um laudo técnico com os dados sobre as operações desenvolvidas pela empresa nos períodos sob fiscalização. Juntou o Laudo Técnico, fls. 191 a 223, acompanhado dos anexos n° 01 a 45, fls.224 a 654. Após análise do laudo técnico apresentado e da respectiva documentação, a fiscalização emitiu o Termo n° 11 Verificação, Constatação e Notificação Fiscal, de fls.826/834, que nos dá conta da ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte, lavrando na mesma data os autos de infração correspondentes. Regularmente cientificada, apresentou impugnação de fls. 910/926, por intermédio de seu Procurador, onde, após discorrer de modo geral sobre a autuação, contestou as exigências formalizadas, enumerando as seguintes alegações: 1) Preliminar 1. Nulidade Supressão De Prova. Falta De Prova Do Fato Tributado. No Auto de Infração do Imposto sobre a Renda, que corresponde à principal exigência fiscal, o enquadramento legal ficou centrado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, que instituiu a presunção legal sobre os depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação, Constatação e Notificação Fiscal, que sintetiza as acusações, não examina — aliás, sequer destaca — as provas apresentadas durante a fiscalização a respeito da origem dos referidos depósitos bancários. No item 18 do referido Termo Fiscal, está anotado que "no curso do procedimento fiscal foi dada à fiscalizada toda oportunidade para apresentar/justificar a fiscalização a origem dos depósitos ou créditos nas contas correntes bancárias do Sr. Valdecir Garcia Fl. 621DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.046 6 Ferreira, o que entretanto não logrou fazêlo em sua integralidade". As justificativas desse juízo rigoroso continuam desconhecidas. Deveras, podese ler com lupa o Termo de Verificação, Constatação e Notificação Fiscal que não será encontrado um item sequer desqualificando ou justificando a não admissão das provas centradas no Laudo Técnico Contábil de fls. 184/654. Neste particular, quer a Impugnante dizer que a Fiscalização não estava obrigada a admitir as conclusões do referido Laudo. Tampouco as provas nele contidas. Todavia, para descartálas precisava fundamentar as razões para a não admissão. A única conduta inadmissível da Autoridade lançadora é o silêncio sobre tais provas, o que aconteceu no caso presente. Dizem os doutos que a prova é o instrumento para construir a verdade no processo. Quando se está diante de uma presunção legal, como é o caso da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/06, em primeiro lugar, o destinatário da prova é o agente fiscal encarregado da lavratura dos autos de infração. Tecnicamente, no primeiro momento, a produção da prova dar seá na fase procedimental: estabelece o artigo 9° do Decreto n° 70.235/72 que a exigência de crédito tributário deve estar instruída com os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Dessa forma, as provas apresentadas pela empresa fiscalizada, apontando a origem dos recursos transitados pelas contas bancárias, não podiam simplesmente ser ignoradas pelo aplicador da norma tributária. Ele podia, evidentemente, não as acatar;todavia, precisa fundamentar sua decisão. No caso vertente, a empresa fiscalizada contratou um Perito para examinar suas operações e reunir as provas exigidas pela Fiscalização. Nesse Laudo, além de outros elementos, foi demonstrado que a empresa não trabalhava exclusivamente com o Bingo, mas, também, com as máquinas de jogos eletrônicos. Nos contratos com as proprietárias dessas máquinas está definido que a participação da contratante é da ordem de 50% da movimentação. Seja como for, ficou comprovado que a movimentação financeira examinada não era de origem exclusiva do Bingo. A respeito desse Laudo há uma simples referência no item 2 (fl. 826) do Termo de Verificação, Constatação e Notificação Fiscal de 29/11/2007. Não há justificativas para sua recusa. A recusa desse Laudo não está motivada. Essa lacuna do procedimento fiscal determina a nulidade dos lançamentos de oficio, por vício de estrutura interna desses lançamentos. Dessa forma, o fato tributado — a omissão de receita — não está comprovado. Neste particular, com a devida vênia, quer a Impugnante pedir licença para observar que a avaliação desse Laudo por ocasião da apreciação da presente impugnação não supre o vício de origem dos questionados lançamentos de ofício, uma vez que ao Fl. 622DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.047 7 aplicador da norma tributária, antes da emissão dos lançamentos, se impunha a avaliação dessas provas. 2. Mérito 2.1. Vícios Específicos Dos Lançamentos Do IRPJ, CSLL, Pis e Cofins. 2.1.1.Erro Na Apuração Da Base De Cálculo Quanto à apuração dos valores autuados, o Fisco adotou tratamento distinto para a mesma situação fática. Em relação à tributação do Imposto de Renda na Fonte, considerou a participação definida pela legislação que regula os Bingos. Sem indicar os dispositivos legais, o autuante afirma ter aplicado os percentuais definidos para a premiação nos sorteios do bingo. Assim, para encontrar a base de cálculo do Imposto de Renda na Fonte sobre prêmios, foi aplicado o percentual de 51,5% sobre o montante dos depósitos mensais. Surpreendentemente, para encontrar a receita tributada no IRPJ, na CSLL, no PIS e na COFINS, sobre a soma dos depósitos mensais, não foi aplicado o percentual de 28% definido no Decreto n° 3.659, de 14/11/2000. Para bem marcar o que pretende afirmar, a Impugnante pede licença para destacar o artigo 14 do Decreto n° 3.659, de 14/11/2000, que assim define a destinação dos recursos arrecadados em cada sorteio dos jogos de bingo: Art. 14. A destinação total dos recursos arrecadados em cada sorteio dos jogos de bingo permanente ou eventual será efetuada da seguinte forma: I cinqüenta e três e meio por cento para a premiação, incluindo a parcela correspondente ao imposto sobre a renda e outros eventuais tributos sobre a premiação; [O Fisco utilizou o Decreto n° 2.574/98, que foi revogado pelo Decreto n° 3.659/2000] II vinte e oito por cento para custeio de despesas de operação, administração e divulgação; III sete por cento para as entidades desportivas; IV quatro e meio por cento para a União; e V sete por cento para a CAIXA. Ora, não é preciso grande esforço interpretativo para perceber que, no rigor do inciso II do referido Decreto, apenas 28% (vinte e oito por cento) dos recursos arrecadados são dá efetiva titularidade da empresa que promove os sorteios de Bingo. No caso vertente, esse comando legal não foi observado: a totalidade dos depósitos bancários foi autuada como receita da empresa fiscalizada. Apesar de esse dispositivo ser claro, por conta própria, o Fisco presumiu que a totalidade dos depósitos bancários, que o próprio agente fiscal admite ser de origem dos sorteios de bingo, representa a receita omitida pela empresa Fl. 623DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.048 8 fiscalizada. Tratase urna presunção sem base legal e sem base fática. Criouse uma presunção que contraria a legislação que regula a atividade desenvolvida pela empresa fiscalizada. Assim sendo, ainda que se considere que a totalidade dos depósitos bancários temi origem na administração dos sorteios de Bingo, por força da legislação que regula essa atividade, tão somente 28% (vinte e oito por cento) desses depósitos poderiam ser considerados como receita omitida. Nunca a totalidade desses depósitos, visto que o Decreto n° 3.650/2000, que regulamentou a Lei n° 9.615/98, não é demais repetir, define que apenas 28% (vinte e oito por cento) desses recursos ficam na titularidade da administradora do Bingo. Diante da força normativa desses dispositivos legais, não há espaço para admitir outra destinação de tais recursos. Dessa forma, os questionados lançamentos de oficio são nulos por erro na quantificação da base de cálculo dos tributos lançados. 2.1.2. Incompatibilidade Da Multa Agravada Com A Presunção Legal Na descrição dos fatos dos autos de infração do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro, do PIS e da COFINS, a descrição dos fatos é sempre a mesma: "omissão de receitas da atividade". Não há prova direta dessa omissão. Todas estão estribadas na soma dos depósitos bancários. Portanto, todos esses lançamentos estão apoiados na presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o que torna indevido o agravamento a penalidade aplicada. Ademais, não foi o Fisco que constatou que as contas bancárias figuravam em nome do administrador da empresa: esse fato foi, espontaneamente, denunciado pela empresa pelo seu responsável, o que também concorre para afastar a multa agravada. Também neste particular, os termos fiscais são contraditórios. No item 13 do Termo de Constatação está registrada a existência de "receita não declarada"; no item 18, consta a assertiva de que a descoberta das contas bancárias foi de iniciativa do Fisco. Não é verdade: a admissão das contas bancárias, como anteriormente afirmado, foi ato espontâneo da empresa e de seu administrador (ver item 2 do Termo Fiscal — fls. 826), o que mostra a decisão de regularizar a situação fiscal. 2.1.3. Da Decadência Afastada a multa de 150%, cabe aplicar a regra de decadência do § 4°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional, que tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador. Como os lançamentos de oficio foram emitidos em 04/12/2007, estão atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2002. 3. Vícios Do Lançamento A Titulo De Imposto De Renda Na Fonte Fl. 624DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.049 9 3.1.Construção Pelo Autuante De Nova Regra De Incidência Insurgese contra a exigência do imposto de renda na fonte a título de prêmios pagos em dinheiro, com base de cálculo reajustada. Alega que a fiscalização apurou uma base de cálculo totalizada por mês e também um imposto de renda na fonte totalizado por mês, ao passo que o art. 676, I, do RIR/99, prevê a tributação instantânea e vinculada ao prêmio concedido ao ganhador identificado. Não é possível, portanto, haver uma tributação totalizada por mês e sem a identificação do ganhador do prêmio, como consta do auto de infração. Questiona, também, a ausência da indicação dos dispositivos legais, tanto no Termo de Constatação No rigor dessas importantes decisões, a base de cálculo do imposto é o valor do prêmio pago ao apostador. Portanto, de forma alguma, a base de cálculo do referido imposto pode ser a soma dos depósitos bancários, como assim foi estruturado o questionado lançamento de oficio. Prêmio pago pressupõe saída de recursos (=saques bancários); nunca depósitos bancários. Destarte, por qualquer ângulo de análise, o questionado lançamento de oficio não encontra suporte legal. 3.2. Impossibilidade Da Aplicação Da Multa De 150% No caso presente, além da majoração da base de cálculo, foi aplicada a multa de 150%. Ora, uma tributação a título de ausência de retenção na fonte não dá causa para o agravamento da penalidade. 3.3. Da decadência Afastada a multa de 150%, cabe aplicar a regra de decadência do § 4°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional, que tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador. Como os lançamentos de oficio foram emitidos em 04/12/2007, estão atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2002. Ao final requer o cancelamento do Auto de Infração principal e seus reflexos. É a síntese do essencial. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 962 a 983) deu provimento parcial à impugnação para afastar a autuação relativamente ao imposto de renda retido na fonte e desta parte recorreu de ofício. Abaixo seguem as razões da decisão. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.050 10 Relativamente ao pedido de nulidade da autuação, o julgador entendeu, em razão de diversas referências nas peças do procedimento fiscal, que a fiscalização analisou minuciosamente os documentos apresentados pelo sujeito passivo e que deram suporte ao laudo pericial pedido pelo interessado. Ademais, não haveria que se falar em direito de defesa e contraditório ao longo do procedimento fiscal, em razão do seu caráter inquisitivo. Também não mereceram prosperar, como motivos para nulidade da autuação, eventuais erros na aferição da base de cálculo. Tais erros, caso comprovados, se caracterizariam como matéria de mérito, apta para reduzir a infração e não para anular a autuação como um todo. No mérito, em relação à alegação de erro na aferição da base de cálculo do IRPJ, é oportuno reproduzir literalmente os trechos pertinentes da própria decisão recorrida: Neste tópico a contribuinte alega que o Fisco adotou tratamento distinto para a mesma situação fática, quanto à apuração dos valores autuados. Diz que, para encontrar a base de cálculo do Imposto de Renda na Fonte sobre prêmios, foi aplicado o percentual de 51,5% sobre o montante dos depósitos mensais,a teor do artigo 14 do Decreto n° 3.659, de 14/11/2000, ao passo que, para encontrar a receita tributada no IRPJ, na CSLL, no PIS e na COFINS, sobre a soma dos depósitos mensais, não foi aplicado o percentual de 28% definido nesse Decreto. Ora, ao questionar a exigência do IRRF, a própria autuada afirma taxativamente que o Decreto n° 3.659, de 2000, não tem natureza tributária e, portanto, não poderia servir de base para a autuação. A autuação fiscal, como a própria contribuinte reconhece em sua defesa, trata de depósitos bancários mantidos à margem da contabilidade e sem a identificação da origem ou da operação mercantil que lhe deu causa. Como se vê dos autos do processo, a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, foi considerada a partir do montante dos depósitos bancários efetuados nas contas correntes movimentadas em nome do Sr. Valdecir Garcia Ferreira, junto aos bancos Unibanco e Caixa Econômica Federal, para os quais o contribuinte regularmente intimado não logrou comprovar a origem dos mesmos. Daquele montante, como já explicitado no item anterior, a fiscalização observou os valores que pertenciam à pessoa jurídica Aparecida L. G. Ferreira ME e a pessoa física Valdecir Garcia Ferreira, excluindo tais valores do total pertencente à GRS Eventos, tudo em consonância com o Laudo Contábil apresentado pelo perito indicado pela impugnante. Além disso, a fiscalização excluiu da base de cálculo os valores declarados nas DIPJ's dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, da GRS Eventos e Aparecida L.G. Ferreira — ME, assim como os valores declarados na DIRPF do Sr. Valdecir Garcia Ferreira, naqueles mesmos anoscalendário. Procedeu, ainda, ao expurgo dos valores de transferências entre contas do contribuinte e dos valores recebidos a titulo de Fl. 626DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.051 11 empréstimos, bem como aos valores relativos aos depósitos em cheque que foram devolvidos e dos depósitos devidamente comprovados exigindo o imposto devido, somente, em relação aos que a impugnante não apresentou nenhum documento ou qualquer operação que comprovasse, individualmente, como exige a lei, a origem dos citados depósitos. Portanto, não vislumbro nenhum vício ou inconsistência na base de cálculo apurada pela fiscalização, ao contrário, verificase que os procedimentos adotados foram de acordo com a legislação que trata da matéria. Também foi mantida a multa qualificada de 150%, conforme as seguintes razões, in verbis: Todos estes elementos somados, e conjugados com o entendimento já fixado anteriormente no sentido de que a falta de escrituração das operações financeiras, a movimentação de contas bancárias de terceiros e a reiteração destas condutas durante quatro anos seguidos (2002, 2003, 2004 e 2005) caracterizam evidente intuito de fraude, conduzem à conclusão segura de que é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de que trata os autos. Em conseqüência da manutenção da multa qualificada, foi não aplicada a regra estampada no art. 150, § 4º, do CTN, e, desse modo, não foi reconhecido qualquer período decaído. Por derradeiro, foi afastada a autuação relativa ao imposto de renda na fonte, que corresponde ao objeto da remessa oficial, pelas razões que se seguem, in verbis: Neste tópico entendo assistir razão ao contribuinte. A tributação foi efetuada com base em depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada e cujos valores ão foram regularmente contabilizados. Ora, não pode a fiscalização, como bem disse a impugnante, mudar a forma de tributação para exigirlhe o imposto de renda na fonte, posto que, a tributação levada a efeito não contempla lançamento reflexo a titulo de IRRF. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 1.004 a 1.026, mediante o qual basicamente repisou os argumentos já aduzidos na impugnação. É o relatório do essencial. Fl. 627DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.052 12 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Nulidade Com efeito, como afirmado pela autoridade julgadora de primeiro grau, eventuais falhas, ainda que graves, em relação a questão probatória, no curso do procedimento de fiscalização, não dão azo à nulidade do lançamento. Não podemos perder de vista que o procedimento fiscal possui o caráter inquisitivo, que dispensa inclusive a participação do sujeito passivo. Desse modo, eventual falha quanto à prova da acusação deve ser enfrentada como mérito, o qual passamos a analisar. Uso da presunção Uma das teses da defesa é a de que o lançamento só foi efetuado com a sua anuência, isto é, ao reconhecer que parte da movimentação em conta de terceiros (pessoa física seu representante) era de sua titularidade. Desse modo, em face da sua atividade, teria ficado comprovado que tais recursos advieram da exploração de bingos. Desse modo, em razão da utilização da presunção prevista no art. 42, da lei nº 9.430/96, o lançamento deveria ser declarado nulo. De fato, a movimentação foilhe imputada em face da sua própria anuência; daí a afirmar que a natureza das origens está comprovada é dar um passo largo demais. Para tal, seria necessária comprovação documental. Em síntese, uma coisa é a responsabilidade pelos depósitos, outra é a natureza destes. Ademais, a autoridade fiscal apenas registrou a omissão de receita com base em presunção, mas reconheceu em certa medida a sua natureza conforme informado pelo sujeito passivo, uma vez que aplicou o percentual do lucro presumido adotado conforme opção do próprio contribuinte. Além disso, a eventual existência e apresentação de prova direta não dão azo à improcedência de uma acusação por meio de presunção; pelo contrário. Se fosse assim, bastaria ao sujeito passivo ocultar os elementos probatórios na fase de fiscalização e, após o lançamento, apresentar a comprovação de origem. A presunção só pode é afastada no caso de comprovação da origem da receita e que esta tenha sido efetivamente tributada. Aferição da base de cálculo A outra tese diz respeito à aferição da base de cálculo. A defesa afirma que tanto a autoridade fiscal, quanto a julgadora de primeiro grau teriam deixado de analisar o laudo apresentado desde a fase de fiscalização, o que resultaria na nulidade do lançamento e da decisão. Em relação ao lançamento, já expomos as razões pelas quais tal assertiva, mesmo se provada, não daria azo à sua nulidade. Quanto à decisão de primeiro grau, esta Fl. 628DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.053 13 analisa o laudo ao corroborar as conclusões tecidas pela própria autoridade fiscal sobre ele. São duas laudas sobre esse tema. Poderemos concordar ou não com a análise e conclusões da autoridade julgadora de primeiro grau, mas não podemos afirmar que tenha deixado de analisar esse ponto da impugnação e, com isso, macular o direito de defesa do sujeito passivo. Passamos, desse modo, à análise de mérito acerca do laudo. Abaixo, reproduzimos alguns dos seus trechos: O Sr. Valdecir Garcia Ferreira, buscando alternativas para controlar adequadamente a movimentação financeira de uma atividade, que nem sempre fornece ou exige documentos da comprovação dos seus atos, tais como: pagamentos de prêmios aos jogadores sorteados, acerto de contas com as empresas detentoras das máquinas de jogos eletrônicos e etc; entendeu assim, que a melhor forma de controlar este giro financeiro, seria através de contascorrentes bancárias abertas em seu próprio nome na situação de pessoa física, pois o seu acesso aos respectivos valores, seria imediato e ilimitado, facilitando a realização da gestão das atividades relacionadas às respectivas empresas. Os fatos acima mencionados se caracterizam de forma irrefutável, visto que, até dezembro de 2005, na° foi constatada a existência de contas bancárias em nome das pessoas jurídicas que o contribuinte representa. (...) Embasado nos esclarecimentos do contribuinte, de que os créditos originados em suas contascorrentes, basicamente se encontravam vinculados às movimentações financeiras decorrentes dos resultados obtidos nos jogos do bingo, jogos eletrônicos e serviços de alimentação (...) (...) Apesar de já se encontrarem REVOGADAS, é conveniente e de bom senso, e até de certa forma necessário, efetuarmos citação parcial da RESOLUÇÃO instituída pelo Estado de São Paulo, e posteriormente das REGULAMENTAÇÕES instituídas pela União Federal, sobre as modalidades dos "JOGOS DE ViDEO BINGO E VÍDEO KENO". A MODALIDADE DOS VÍDEO BINGOS", foi instituída no Estado de São Paulo, através da RESOLUÇÃO SF Nº 07/96, pelo Artigo 3º no seu parágrafo 3º itens 3 e 10. A correspondente Regulamentação ocorreu através da Portaria CA T11 de 19/01/1996, que posteriormente foi publicada no diário estadual de 20/01/1996. Nesta Portaria também em seu artigo 3º, inciso (I) alínea (A) a regulamentação prevê que o pagamento da PREMIAÇÃO LIQUIDA deve girar em torno de 75% da arrecadação bruta. Como foi estabelecido pelo Estado, o pagamento da Premiação Líquida necessariamente deveria corresponder a Fl. 629DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.054 14 aproximadamente 75% dos valores originados por esta modalidade, se considerarmos também, que além deste percentual, ainda existe a incidência dos encargos provenientes desta atividade, e que os mesmos são unicamente absorvidos pelas casas de jogos, podemos, portanto afirmar que o percentual da arrecadação, que de forma efetiva permanece em mãos das empresas a título de RENDIMENTO BRUTO, gira no intervalo de 12 a 15%. Da sua leitura, percebese claramente que o laudo não traz afirmações taxativas sobre os valores específicos dos depósitos; suas conclusões são genéricas e estimadas. Tomemos o seguinte trecho como exemplo: “o percentual da arrecadação, que de forma efetiva permanece em mais das empresas a título de rendimento bruto, gira no intervalo de 12 a 15%”. Essa passagem revela que o perito confeccionou o parecer com base em aproximações, nada mais. Desse modo, não é apto à infirmar a presunção legal. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (nosso negrito) Notese que a lei expressamente exige a prova documental para infirmar a presunção por ela estabelecida. Desse modo, o laudo não pode ser a ela adotado em substituição; quando muito, poderia colaborar para erigir tal prova; afinal, como já explicamos em diversos outros julgados, provar não equivale a juntar papéis a esmo, mas os cotejar com cada item que se busque provar. A prova não se confunde com os elementos probatórios, ela é constituída a partir deles. Uma nota fiscal, um contrato, uma página da escrituração contábil não são prova, mas sim elementos de prova. A prova corresponde à articulação lingüística que relacione os documentos apresentados com o objeto da refrega jurídica no sentido de confirmar o que se alega. Alegar genericamente e juntar papéis não é provar. Assim, o laudo poderia indicar, em relação a cada depósito, qual a sua natureza, se foi regularmente contabilizado, se tal registro contábil colaborou para a formação do total de receitas efetivamente oferecidas à tributação e, principalmente, qual ou quais documentos o levaram a essa afirmação e por quê. Enfim, essa tarefa deveria ser realizada depósito a depósito, registro a registro, documento a documento. Só, desse modo, poderíamos afirmar que o laudo teria condições para colaborar na formação probatória documental e, mesmo assim, esse laudo não poderia ser adotado como a prova exigida por lei. Cumpridas tais condições, deveríamos verificar ainda se efetivamente o que o laudo viesse a afirmar estaria de acordo com a documentação juntada. Fl. 630DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.055 15 Pois bem, o laudo, em momento algum, traz tais informações. Suas conclusões são todas genéricas, estimadas e aproximadas e, mesmo estas, ao revés de infirmar a autuação, a confirmam. Em diversas partes do laudo, afirmase que os valores depositados são relativos à atividade de bingos, jogos e fornecimento de alimentação. Pois bem, em relação à primeira, afirma que parte dos valores depositados não corresponderia ao dito “rendimento bruto”. Para tal, deveriam ser subtraídas as parcelas destinadas a entidades públicas, a caixa econômica federal, dentre outros encargos. Pois bem, mas é justamente por não ter considerado que os depósitos são efetivos rendimentos, isto é, ingressos que aumentariam diretamente o patrimônio do sujeito passivo, que a autoridade fiscal arbitrou o lucro. O imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro não tiveram por base o valor total dos depósitos, mas sim uma fração disso; fração esta, evidentemente, fixada por lei. No caso de dúvida e imprecisões sobre a parcela das receitas que representam o lucro, a autoridade não pode se pautar num laudo; ela está obrigada a adotar o percentual prescrito pela lei. Por outro lado, o PIS e a Cofins recaem realmente sobre as receitas e não sobre os ingressos da atividade que ficam nas mãos da pessoa jurídica; estes quadramse em conceito diverso, qual seja, o de lucro. Se parte dos ingressos foi destinada ao pagamento dos prêmios aos jogadores e destinados a uma liga esportiva, tal circunstância não retira dos ingressos a natureza de receita, são as saídas que apresentam a qualificação de despesas, próprias desta específica atividade, mas ainda sim despesas. Desse modo, podemos asseverar como correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, mesmo em face das conclusões do laudo. Para sermos mais exatos, conforme o termo de verificação fiscal de fl. 826 e seguintes, o procedimento da autoridade fiscal foi, para dizer o mínimo, sobremaneira conservador ao excluir, do montante total dos depósitos de origem não comprovada, os valores declarados na DIPJ da autuada e na DIRPF da interposta pessoa. Se o fiscal errou, seu erro foi a favor do sujeito passivo. IRRF Em relação ao imposto de renda na fonte, a autoridade afirmou que os valores depositados correspondiam ao rendimento bruto da atividade de bingo. Conforme legislação que cita, era obrigação da entidade pagar determinados percentuais a título de prêmios, os quais se sujeitariam a incidência do imposto de renda na fonte. Desse modo, determinou o valor dos supostos prêmios pela aplicação do percentual legal sobre o montante da omissão de receita. Com esses valores de prêmios, determinou o imposto de renda na fonte que deveria ter sido recolhido. Fl. 631DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.056 16 É evidente que várias dessas etapas estão esteadas em presunções, no caso, desamparadas de previsão legal. Não repudio as presunções simples para fins de lançamento tributário, mas elas devem ser formadas por vários indícios congruentes, o que não se caracterizou no presente feito É possível que o sujeito passivo tenha destinado parte desses valores ao pagamento de prêmios em conformidade com a legislação da época, mas é igualmente provável que não. Desse modo, entendo correta a decisão de primeiro grau que afastou a autuação em relação a essa exigência. Multa qualificada Em relação à qualificação do patamar sancionador majorado, deve ser observada a Súmula CARF nº 34 de aplicação regimentalmente vinculada: Súmula CARF No 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Decadência Uma vez mantida a multa qualificada por caracterizarse o aspecto doloso da conduta, a regra aplicável à decadência é aquela estampada no art. 173 do CTN e não no 150, em conformidade com o que foi decidido pela Delegacia de Julgamento. Logo, a conclusão é mesma, isto é, nenhum dos períodos foi alcançado pelo prazo extintivo. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, bem como ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 632DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16004.001012/200736 Acórdão n.º 120100.442 S1C2T1 Fl. 1.057 17 Fl. 633DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10314.006100/99-46
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 302-01.309
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO
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Numero do processo: 17460.000995/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, DECADÊNCIA, PRAZO QUINQUENAL„ O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal notificante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento,
oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem corno em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
AJUDA DE CUSTO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES - Para que a a
verba paga a título de ajuda de custo não sofra incidência das contribuições previdenciárias é necessário atender os requisitos legais, em especial as alíneas "g" e "s" do parágrafo 90 do art. 28 da Lei 8212/91.
MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS - NÃO CONHECIMENTO - As matérias não constantes do levantamento não serão apreciadas.
SAT - LEGALIDADE - A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa está prevista no art. 22,11 da Lei n 8,212/1991.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.479
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade de votos: I) em
rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal notificante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem corno em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AJUDA DE CUSTO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES - Para que a a verba paga a título de ajuda de custo não sofra incidência das contribuições previdenciárias é necessário atender os requisitos legais, em especial as alíneas "g" e "s" do parágrafo 90 do art. 28 da Lei 8212/91. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS - NÃO CONHECIMENTO - As matérias não constantes do levantamento não serão apreciadas. SAT - LEGALIDADE - A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa está prevista no art. 22,11 da Lei n 8,212/1991. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. SOUZA COSTA - RelatarMARCEL ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ryeardo Henrique Magalhães de Oliveira 2 Processo n" 17460.000995/2007-79 S2-C4T I Acórdão n 2401-01.479 F1 331 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa às contribuições devidas à Seguridade social, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a de terceiros,. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 95/99, no período de outubro de 2002 a setembro de 2006 a empresa efetuou pagamentos aos seus empregados, intitulados de AJUDA DE CUSTO e tais valores não foram considerados na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Inconformada com a decisão de primeira instância (fls., 232 a 248) que julgou procedente em parte o lançamento, a empresa apresentou recurso alegando em apertada síntese: Preliminarmente aduz que parte do débito encontra-se atingido pela decadência e a ocorrência de cerceamento de defesa, tendo em vista que o Auditor fiscal não mencionou com clareza quais as irregularidades praticadas pela recorrente. No mérito se insurge contra o lançamento alegando que o art. 22 da lei 8212/91 encontra-se derrogado. Que à partir da Lei 10865/2004 passou a contribuir somente com contribuições incidentes sobre a receita bruta de 1,65% para o PIS e 7,6 para o COFINS e as leis que instituíram a cobrança destas rubricas não cumulativas vedaram a dedução da base de cálculo dos valores relativos a despesas incorridas com a folha de salários. Afirma ser ilegal a cobrança do valor da retenção de 11% das Notas Fiscais por se tratar de bi tributação.. Sustenta que a análise sobre o grau de risco do SAT deve ser feita por empregado e por estabelecimento conforme entendimento pacificado pelo STI e STF. Defende que o levantamento da contribuição previdenciária sobre a rubrica AJUDA DF, CUSTO não é procedente por não ter natureza salarial e por força do art. 28, parágrafo 9' da Lei 8212/91 que dispõe sobre a natureza não armeadatória da ajuda de custo e, da mesma maneira que não compõe a base de cálculo do Imposto de renda não pode sofrer incidência das contribuições previdenciárias„ Informa que durante a ação fiscal sempre colaborou com a fiscalização e sobre a não apresentação dos Livros Diário e razão de 1997 a 2004, aponta a ocorrência do prazo decadencial e afirma ter informado ao fiscal que os livros se encontram em poder o antigo contador da empresa podendo aquele diligenciar no local indicado, o que não foi feito e nem consignado na descrição dos fatos tal ocorrência. 3 Por fim, sustenta que a Lei 9784/99 e a Constituição Federal determinam que a Administração Pública não poderá agir em desconformidade com as decisões judiciais proferidas sic na presente impugnação„ Requer a anulação da presente NFLD, o reconhecimento da decadência ou no mérito, a improcedência da notificação. É o relatório. ( , ,,b,---. 4 Processo n" 17460 000995/2007-79 52-C411 Acórdão n 0 2401-01,479 P1 332 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade, DAS PRELIMINARES A preliminar de decadência suscitada pela recorrente é pedido que não merece ser acolhido. Embora o Supremo Tribunal Federal — STF tenha editado a Sumula n° 8, que julgou inconstitucional o art. 45 da Lei 8212/91, determinando que o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários fosse de cinco e não de dez anos, ternos que no presente lançamento não há competências atingidas Conforme se depreende dos autos, o lançamento foi efetuado em março de 2007, com a ciência do contribuinte em abril do mesmo ano e os créditos levantados referem-se ao período de novembro de 2002 à setembro de 2006, portanto, e são todos fora do prazo decadencial. Em outra preliminar, a recorrente entende ser nulo o lançamento pois, o Auditor Fiscal não teria mencionado com clareza quais as irregularidades cometidas pela empresa. Também não vislumbro razão em tal argumento. É fato, que o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. Ora, o item 3 do Relatório Fiscal informa que a presente notificação foi lavrada em face do não recolhimento de contribuições incidentes sobre valores pagos aos empregados da empresa a título de ajuda de custo, o que põe por terra o argumento da recorrente. Ao promover o lançamento a fiscalização demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, mencionando os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Desta forma, por falta de razões de fato e de direito, não conheço das preliminares suscitadas. DO MÉRITO No mérito, a recorrente sustenta a derrogação do art. 22 da Lei 8212/91, contudo não merece acolhimento tal alegação pois, conforme já rebatido na decisão de primeira instância, não houve nenhum dispositivo legal revogando o supra citado artigo.° mesmo pode se dizer com relação a argumentação sobre o PIS e COFINS;j-à--que nas Leis 10833/03 e 5 10865/04 somente há a previsão de envio de projeto de lei ao Congresso Nacional para a substituição parcial da contribuição a cargo da empresa. Não serão rebatidas as alegações com relação a retenção de 11% sobre as Notas Fiscais e também da não apresentação dos Livros Diário e Razão por se tratar de matéria estranha aos presentes autos, que contempla unicamente a incidência de contribuições sobre a rubrica ajuda de custo. Quanto a análise do grau de risco do SAI, equivoca-se a recorrente em entender que o enquadramento deve ser feito por estabelecimento e individualizando o trabalhador. O grau de incidência é calculado com base na atividade preponderante da empresa e levando-se em conta o maior número de empregados trabalhando sujeitos aos riscos, conforme disciplina o art 202 do decreto 3048. Art 202 A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I - um por cento para a empresa em caia atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado II - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1 2 A aliquotas constantes do capta serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 22 O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exchisivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. ç 32 Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 42 A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V § 5" É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à 6 Processo tf 1 7460 000995/2007-79 s2-c41-1 Ac6tdilo n 2401-01.479 Fl 333 Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdéncia Social revê-lo a qualquer tempo 6" Verificado erro no auto-enquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientas á o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação das valores devidos Sobre a improcedência da exigência da contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/RAT) ternos que - seguindo os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) - a Lei 8212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos beneficios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. Fazemos referência a doutrina para reforçar que não houve ofensa aos princípios constitucionais ao ser delimitado por decreto os respectivos graus de risco das empresas, conforme ensinam MARCUS ORIONE GONÇALVES CORREIA e ÉRICA PAULA BARCHA CORREIA: "Incidindo a contribuição para a cobertura acidentaria sobre o salário, perfeitamente legal a sua imposição mediante .simples lei ordinária - art. 2.2, II, da Lei n. 8.212, de 1991, já que não estamos diante de fonte de custeio inédita. Por outro lado, ao tratar desigualmente situações desiguais, a gradação dos percentuais de contribuição, de acordo com o grau de risco da empresa, em verdade coaduna-se com o princípio da igualdade - em vez de contra ele conspirar. Estamos diante da velha noção de justiça propagada por Aristóteles e incorporada aos ordenamentos modernos (inclusive o nosso); somente há justiça onde os desiguais são tratados de forma desigual. Por .fim, há autorizativo da própria lei - art. .22, . Nç 3", da Lei n. 8.212, de 1991 - para que os decretos indiquem as atividades submetidas aos diversos níveis de risco. Destarte, nada há que conspire, ainda aqui, contra o princípio da legalidade. Logo, nada mais normal (sob o viés jurídico) que empresas, cujo risco de acidente do trabalho é menor, contribuam de .fOrma menos significativa para a manutenção do sistema de atendimento aos que se acidentam no exercício de seu labor. E, por outro lado, que empresas, cujo risco de acidente em seu ambiente é maior, contribuam com mais. Inexiste, sob as óticas anteriores, qualquer pecha de inconstitucionalidade no dispositivo em comento", (Curso de Direito da Seguridade Social, .2001, Editora Saraiva, págs. 1421143) 7 O decreto apenas expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na lei. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo pela desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4", c/c art. 154, 1, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: "CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO, SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO- SAT. Lei 7.787/89, arts. 3" e 4", Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3 048/99 C F. artigo 195, § 4"; art. 154, I; art. 5', II, art. 150, I 1 - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT. Lei 7.787/89, art. .3", IT . Lei 8.212/91, art. 22, II . alegação no sentido de que são qfimsivo_s- ao art. 195, § 4", c/c art. 154, 1, da Constituição Federar improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C. F., ar! 154, I Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II - O art. 3 0, 11, da Lei 7.787/89, não é ofènsivo ao princípio da igualdade, por isso que o ar! 4" da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III - As Leis 7.787/89, art. 3", II, e 8212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de . fiizer nascer a obrigação tributária válida. O . fato de a lei deixar para o regulamento a conzple?nentação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5", II, e da legalidade tributária, C. F., art. 150, 1 IV - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional 3 - Recurso extraordinário não conhecido". (RE 343.446-2/SC, Rel. Min. Carlos . Velloso, DJ de 04/04/2003) Ademais, a contribuição ao SAI já foi objeto de retificação do lançamento pela autoridade de primeira instância estado agora de acordo com a legislação vigente, sendo perfeitamente exigível. Insurge-se a recorrente contra o lançamento por entender que os valores pagos à titulo de "AJUDA DE CUSTO" não tem natureza salarial e se enquadram nas exceções previstas no parágrafo 9' do art. 28 da Lei 8212/91. lnobstante o inconformismo da recorrente, conforme já esclarecido na decisão de primeira instância, para que a ajuda de custo não sofresse incidência das contribuições previdenciárias seria necessário atender os requisitos legais, em especial as alíneas "g" e "s" do parágrafo 9" do art. 28 da Lei 8212/91, in verbis: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: a Processo n" 17460.000995/2007-79 Acórd1So n " 2401-01,479 S2-C4T1 H 334 § 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exchuivamente: g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da ar s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em confbrmidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de _seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas Do que se depreende nos autos, não houve a comprovação de que o pagamento foi efetuado referia-se a ressarcimento ou ainda que tivesse sido feito urna única vez e em razão de mudança de local de trabalho, restando caracterizada a incidência de contribuição nos termos do art. 28, inciso I da Lei 8212/91,. Art, 28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso.. a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as goijetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nas termas da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Desta forma, tendo o lançamento obedecido todos os preceitos legais: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, REJEITAR AS PRELIMINARES e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 MARCELOCOSTA - RelatorS/DAKtiá 9 uarta Câmara da Segunda Seção ,i3raár . • " a Cila MI. -7 tia MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS — Q.01 — BLOCO "J" — ED. ALVORADA — 11" ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Tel: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 17460.000995/2007-79 INTERESSADO: COMPRASA ALIMENTOS LTDA. TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2401-01.479 de folhas / Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada,.
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001804/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ISENÇÃO. LISTA EXAUSTIVA,
A isenção por moléstia grave, concedida aos rendimentos de aposentadoria ou reforma, limita-se aos casos de acidente em serviço e das doenças graves previstas, expressamente, em lei, reconhecida mediante laudo pericial conclusivo, indicando a data inicial e o nome da doença, emitido por serviço médico especializado oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Estender este benefício pelo legislador positivo a outras situações diversas daquelas previstas na norma isencional, implicaria em exercer não o juízo de legalidade que delimita o dever-poder da função jurisdicional, mas em extrapolar na direção de um juízo de oportunidade, vedado pela sistemática jurídico-constitucional brasileiro. O mal de Alzheimer não se inclui entre as moléstias enumeradas na lei de isenção por
moléstia grave.
Numero da decisão: 2202-000.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negarem provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Mi Fl. 67 S2-C21-2 El 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13706.001804/2007-13 Recurso n° 16.3.698 Voluntário Acórdão n° 2202-00.849 — 2° Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria 1RPF Recorrente LUIZ SERRANO VEREZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ISENÇÃO. LISTA EXAUSTIVA, A isenção por moléstia grave, concedida aos rendimentos de aposentadoria ou reforma, limita-se aos casos de acidente em serviço e das doenças graves previstas, expressamente, em lei, reconhecida mediante laudo pericial conclusivo, indicando a data inicial e o nome da doença, emitido por serviço médico especializado oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Estender este benefício pelo legislador positivo a outras situações diversas daquelas previstas na norma isencional, implicaria em exercer não o juízo de legalidade que delimita o dever-poder da função jurisdicional, mas em extrapolar na direção de um juízo de oportunidade, vedado pela sistemática jurídico-constitucional brasileiro. O mal de Alzheimer não se inclui entre as moléstias enumeradas na lei de isenção por moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann — Presidente e Relator. rrenter:ro 22/1012010 por NELS()N €v1ALLMANN digi12Iniente nl 2211017010 por NELSON MALLMANN n: lOi12010 pek, ij fflE( (kl DF CAR.F MT Fl 68 EDITADO EM: 22/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Júnior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallrnann, Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Gustavo Lian Haddad Assinado digitalmente em 22/10/2010 por NELSON MALLMANN Autenticado digitalmente. em 22/1012010 por NELSON MALLMANN Emitido em 0911112010 peio Ministério da Fazenda 2 1.)1 : cA Ri: MI' 171 69 82-C212 Fl 2 Processo n" 13706 00180412007-13 Acórdão n " 2202-00,849 Relatório LUIZ SERRANO VEREZA, contribuinte inscrito no CPF/MF 005.769 137- 15, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Ladeira dos Tabajaras, n° 94, apto 406, Bairro Copacabana, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro - RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fis. 28/32, prolatada pela 2 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro — RJO II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 39/41. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 27/12/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (lis. 04/08), com ciência através de AR, em 11/05/2007 (lis. 27), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 10 682,14 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2003, correspondente ao ano-calendário de 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003 onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos, diante da classificação indevida de rendimentos considerados como isentos por moléstia grave, no valor de R$ 84.026,06. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3' e 6", incisos XIV e XXI, da Lei if 7313, de 1988; artigos 1' ao 3°, da Lei n°8.134, de 1990; artigo 47 da Lei n°8.541, de 1992; artigos .3°, 11 e .30, da Lei if 9.250, de 1995; artigo 21 da Lei n° 9 532, de 1997; Lei n° 9.887, de 1999 e artigos, I' , 2° e 15, da Lei no 10.451, de 2002 Em sua peça impugnatória de fis, 01/02, instruída pelo documento de lis. 09, apresentada, tempestivamente, em 31/05/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que em face de doença neurológica adquirida em abril de 2001(moléstia grave - alienação mental), encontra-se isento do pagamento de imposto de renda desde essa data, tudo em conformidade com a Lei 7,713, de 22/12/88, atualizada pela Lei 11.052, de 29/12/2004; - que, tal fato, comprova-se pelo documento de DECLARAÇÃO - PREVI/DISEG/GEPAB N° 2007/001233, de emissão da própria fonte pagadora do impugnante, CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI, datada de 25 de maio de 2007, anexo (Doc. Junto); - que, pelo exposto, requer o cancelamento do lançamento e ir •-s respectivo auto de infração, e, conseqüentemente a devolução do IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE, relativo ao ano-calendário 2002, devidamente corrigido Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Asirck dicÈairnente erri 22/1012010 por NELSON MALLMANN Airdiçaçjí digiIalmente em 221012010 por NELSON MALLMANN Emitida r9rn 09111/2010 pelo Ministério da Fa7..encla 3 .D F CA R I' MI; 1. 70 Julgamento no Rio de Janeiro — RIO II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: - que á vista dos argumentos e documentos trazidos aos autos, cumpre reproduzir o artigo 6°, incisos XIV e XXI da Lei n° 7,713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8,541/92, tendo o inciso XIV sido alterado, posteriormente, pela Lei n° 11052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo; - que da análise dos textos legais pertinentes ao caso em teia, depreende-se que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; - que cabe destacar que o contribuinte, no caso em tela, não apresentou laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; - que se ressalte que o documento apresentado pelo interessado, de fl, 09, não se reveste da qualidade de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não comprovando, destarte, que o mesmo é portador de moléstia grave nos termos da legislação de regência anteriormente transcrita; - que cumpre se frisar que a legislação do imposto de renda elegeu a modalidade de laudo médico (ou laudo pericial) oficial como instrumento hábil para comprovação do estado clinico do paciente que irá trazer reflexos junto à administração tributaria; - que, em outras palavras, como não ficou comprovado ser o interessado portador de moléstia grave, não merece guarida tal pleito; - que não há como interpretar de modo diferente, pois, de acordo com o estabelecido na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal; No que tange à outra condição cumulativa, ou seja, à natureza dos valores recebidos que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, verifica-se, da mesma forma, que o interessado não trouxe aos autos nenhum documento no sentido de fazer jus à isenção regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, inciso XIV, com a redação dada pela Lei n° 1L052, de 29 de dezembro de 2004. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO Para serem isentos do imposto de renda pessoa fisica, rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico Assinado digitalmente em 22/10/2010 por NELSON MALLMANN Autenticado digitalmente em 22/10/2010 por NELSON MALLMANN ErnUio aro 09/11/2010 pelo Ministério da Fazenda 4 C.AR 1' I 7 82-C2T2 Fi 3 Processo tf 13706 001804/2007-13 Acórdão o a 2202-00,849 oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que a interessada é portadora de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/09/2007, conforme Termo constante às fls. 37, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (05/10/2007), o recurso voluntário de lis. .39/41, instruído pelos documentos de fls. 42/52, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçados pelas seguintes considerações: - que quando da apresentação da IMPUGNAÇÃO de lis. 01, o patrono do recorrente não anexou o documento que deveria ter sido juntado àquela época, para análise da perseguida isenção, ou seja, documento que atestava sua incapacidade mental desde 2001, que foi emitido por médico especialista do Hospital Universitário Antonio Pedro; - que, por este motivo, visando a reforma da decisão ora recorrida, estamos trazendo ao conhecimento desta delegacia, documento hábil a comprovar que o recorrente é portador desde 2001 de distúrbios cognitivos, principalmente da memória e discreta desorientação temporal espacial, apresentando prejuízo para suas atividades da vida diária e já não realiza suas habilidades laborativas, necessitando também de suporte familiar como cuidados de suspensão, colocando-o num processo evolutivo de alienação mental; - que este laudo foi emitido em 01.10,2007 pela Dra. VILMA DUARTE CÂMARA - CRM 52 13868-1, MÉDICA NEUROLOGISTA do HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ANTÓNIO PEDRO (doc. anexo), onde é Informado ainda, o CIDF03; - que insta salientar, que neste dia 04.10.2007, visando cumprir exigência do INSS, onde foi REQUERIDO ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA, o recorrente foi submetido a novo exame pelo MÉDICO PSIQUIATRA — WILSON DE ALMEIDA CARDOSO CRM 52.18123-7, que atestou que o recorrente encontra-se sob seus cuidados profissionais desde ABRIL/2001 por apresentar (F013 CID 10), com distúrbios cognitivos, principalmente de memória, com episódios de desorientação temporo-espacial, e grande dificuldade, memória de fixação para fatos recentes, apresentando ainda, prejuízos para atividades da vida cotidiana e laborativa, havendo também a necessidade de suporte familiar; - que o requerimento feito ao INSS (cópia anexa), terá resposta através de LAUDO MÉDICO que será emitido por profissional da própria autarquia previdenciária em 20 (vinte) dias, prazo este que, protestamos que seja suficiente, em caso de dúvidas sobre a doença do recorrente, para ratificar as razões deste recurso. Em 11/09/2009, o contribuinte acosta dos documentos de lis. 56/60: (1) Laudo Médico Pericial com base em elementos técnicos do processo, emitido em 30.11.2007 pela INSS, indicando que o contribuinte apresenta, na atualidade, a doença CID 10 F 00 (Doença de Alzheimer) e (2) Ressonância Magnética do encéfalo com espectroscopia da prótons, que deu origem ao novo LAUDO emitido pela Dra. VILMA DUARTE CÂMARA. É o Relatório. (;:rn 22 i 10120 O por NELSON MALLMANN Aule;r1tLecio digitiknenle oni 22110/2010 por NELSON MALLMANN EniMo em 00/1112010 poio Minisiério do Fazenda 5 DF CAR.F M..F .1"1 72 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos verifica-se nos autos, que a exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora constatou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente dos proventos de aposentadoria recebidos da PREVI no valor de R$ 84.026,06, classificados, indevidamente, como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de o contribuinte ser portador de doença grave. Ou seja, o contribuinte apresentou a Declaração de Ajuste Anual, ano-calendário de 2002, informando, dentre outros dados fiscais, que auferira rendimentos tributáveis no valor de R$ zero,00, e rendimentos isentos e não tributáveis por moléstia grave de R$ 84.026,06. Em sua defesa, argumentou que goza da isenção por estar aposentado e ser possuidor de doença grave. Por outro lado, a autoridade fiscal revisora entendeu que os rendimentos recebidos são tributáveis, pelo fato do contribuinte não ter logrado a comprovação de ser portador de doença grave estabelecida pela legislação de regência, lavrando o competente Auto de Infração para reduzir o imposto de renda a restituir declarado. Assim, para o deslinde da questão, resta saber, tão-somente, se o contribuinte se enquadra nos requisitos do artigo 6', inciso XIV da Lei n° 7 713, de 1988, para fins de reconhecimento de isenção do imposto de renda, no ano-calendário de 2002. A norma legal sobre a isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria por doença grave diz o seguinte: Lei ri,' 7313, de 1988: Art 60 - Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas fisicas.' XIV — Os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseniase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteite deformante), síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, nesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Lei n..° 9.250, de 1995 Art 30 A partir de 1" de . janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isençães de que tratam os incisos XIV e Assinado digitalmente em 22/10/2010 por NELSON MALLMANN Autenticado digitalmente em 22/10/2010 por NELSON MALLMANN Emitido em 00111/2010 pelo Ministério da Fazenda 6 Fl. 73 82-C212 Fl 4 • Dr CAR Processo n" 13706.001804/2007-13 Acárd1lo n " 2202-00,849 XXI do art 6" da Lei n." 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n." 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 1" O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3,000, de 26 de março de 1999: RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Ar!. 39 Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII — os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivados por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hansenía,se, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilasante, '20-apatia grave, estados avançados de doença de Paga! (osteite deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n" 7.713, de 1988, art. 6", inciso XIV, Lei n°8.541, de 1992, art. 47, e Lei n°9.250, de 199.5, art. 30, ,§ 2, Instrução Normativa da SRF n,* 49, de 1989: Item 4 — Quando a doença .for contraída após a concessão da aposentadoria, a conclusão da medicina especializada de que trata a letra" p" deverá ser reconhecida através do parecer ou laudo emitido por dois médicos especialistas na área respectiva ou por entidade médica oficial da União.. Parecer CST/SIPR ri.° 960, de 1989: Item .5 — Não basta, portanto, a indicação da moléstia através da utilização do Código Internacional de Doenças (CID) apropriado ou qualquer outro meio que deixe de tornar inequívoca a sua identificação nominal. Não sendo esta coincidente com a terminologia empregada pelo legislador, o laudo deverá conter a afirmação de que a moléstia citada se enquadra no conceito daquela prevista na lei. Instrução Normativa SRF n° 25, de 1996: "Art. .5" Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos d1piiabrente ern 22:1012010 por NELSON MALLMANN At.nlirdçj digiLlIme:nte p rn 27j1 01201 0 por NELSON MALLL.1ANN Errãdoem 00 1 1112010 pelo Minis1ério da Fazenda 7 Dl CARE rvi I' H. 74 XII — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseniase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Par kinson, espondioartro.s.e anquilosante, nefragia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imurrodeficiência adquirida (AIDS) e fibrosa cística (mucoviscidose); § 2" A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir. a) do mês da concessão da aposentadoria ou reforma; b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer', se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma, Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10, de 1996: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições ., e tendo em vista dúvidas suscitadas sobre a interpretação e aplicação do disposto no art. 5", incisos XII e XXXV, e §§ 2" e 3', da Instrução Normativa SRF n°025/96, e no Ato Declaratorio (Normativo) COSIT n°33/93, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados, que.. I — a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5" da IN SRF n° 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; — é também isenta a complementação de pensão, paga por entidade de previdência privada, a beneficiário portador das doenças relacionadas no mencionado inciso XII, exceto as decorrentes de moléstia profissional_ Pela leitura dos dispositivos legais supra transcritos e da análise dos documentos contidos no processo, especialmente os de fis. 56/60 acostados após a fase recursal (razões aditivas ao recurso voluntário apresentado), firmo entendimento de que o recorrente não tem razão, já que não comprovou que preenchia todos os requisitos necessários à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos, oriundos de sua aposentadoria, principalmente, porque não comprovou ser portador de uma das moléstias graves enumeradas no inciso XIV do artigo 60 da Lei ri.° 7,713, de 1988 e leis posteriores. É de se ressaltar, que as doenças graves são aquelas apontadas, de forma exaustiva, na legislação de regência retro transcritas, Dentre os documentos juntados constam laudos e atestados médicos, todos emitidos no ano de 2007, segundo os quais, em síntese, o requerente é portador, na atualidade Assinado ckgitalmente em 22/10)2010 por NELSON MALLMANN AulenUcoclo digitalmente em 2210'2010 por NELSON MALLMANN 8 Emitido em 09/11/2010 peio Ministério da Faz.e.nda H 75 S2-C2T2 FI 5 DF CARI: MI: Processo n" 13706.001804/2007-13 Acórdão n O 2202-00,849 (.30/11/2007), de Doença CID 10. F 00 (Doença de Alzheimer), de caráter definitivo, apresentando distúrbios cognitivos, principalmente da memória e discreta desorientação temporal espacial, apresentando prejuízo para suas atividades da vida diária e já não realiza suas habilidades laborativas, necessitando também de suporte familiar como cuidados de suspensão, colocando-o num processo evolutivo de alienação mental. Ora, é cristalino, que o Laudo Médico Pericial (fls. 57) indica, que o Sr, Luiz Serrano Vereza, apresentava, em .30 de novembro de 2007, Doença CID 10. F 00 (Doença de Alzheimer), não estando, portanto, tal moléstia, relacionada no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação da Lei n° 8,541, de 1992, art. 47, de modo que esse contribuinte, por esse motivo, não faz jus ao beneficio da isenção ali prevista. Ademais, mesmo que a doença indicada no laudo estivesse ao amparo da legislação de regência, se faz necessário ressaltar que o laudo não indica que a doença já existia no ano de 2002, afirma tão-somente que a mesma existe na atualidade (30/11/2007). Assim sendo, da mesma forma não caberia razão ao recorrente Como visto, das normas em comento, para a configuração da isenção do imposto de renda, aos portadores de moléstia grave, a partir de 01/01/1996, devem concorrer, concomitantemente, dois requisitos: a comprovação da doença grave (relacionadas de forma exaustiva na legislação de regência) por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, exige-se que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Não há como estender este beneficio concedido pelo legislador positivo a outras situações diversas daquelas previstas na norma, não pelo artigo 111 do Código Tributário Nacional, pois mesmo a interpretação literal comporta considerações outras na busca efetiva do sentido teleológico da regra, mas sim pelo artigo 97, VI, do Código Tributário Nacional, que diz que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, dentre esta a isenção tributária. Afastar-se desta norma implicaria em exercer não o juízo de legalidade que delimita o dever-poder da função jurisdicional, mas em extrapolar na direção de um juízo de oportunidade, vedado pela sistemática jurídico-constitucional brasileiro. Diante do conteúdo do pedido e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Ass in ado iligitalmente em 22110/20 10 por NELSON MALLMANN ..?ustenticado digitalmente em 72/10/2010 por NELSON MALLMANN Enàlido em 091112010 pelo Ministério da Fazenda 9 DI : CAIU MI , PI 76 Assinado digitalmente em 22/1012010 por NELSON MALLMANN Autenticado didlalmente em 22110/2010 por NELSON MALLMANN Emittdo um 09/11/2010 polo Ministério da Fazenda 10
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Numero do processo: 10735.003361/2003-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITOMAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
DECADÊNCIA, ITR. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO,
Por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda lançar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 1º de janeiro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo.
fraude ou simulação.
Numero da decisão: 2202-000.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pela Relatora, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Lauro de Oliveira Vianna, OAB/RJ n° 130.789.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Processo n" 10735.00.3361/2003-28 Recurso n" 340,959 Voluntário Acórdão n" 2202-00.649 — 2' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de .julho de 2010 Matéria ITR - Decadência Recorrente CARLOS AUGUSTO PALHARES FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITOMAL RURAL - 1TR Exercício: 1998 DECADÊNCIA, ITR. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, Por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda lançar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 1' de janeiro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pela Relatora, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Lauro de Oliveira Vianna, OAB/RJ n°. 130,789, .,.... ....- Ne .s' o ri. lia)/a/f4f<fsiTeit., .. . .' r)(tup- t .2c.c9, 9-74"-----, Maria Lúcia M niz de Aragão CapminoV.Nstorga - Relatora, .. EDITADO EM: o Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassulli Júnior, Antonio Lopo Martinez, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mann-iam (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes, làx i Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls, 10 a 12, integrado pelos demonstrativos de fls. 13 e 14, pelo qual se exige a importância de R$54.339,83, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 1998, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Saco do Petisco, cadastrado na Receita Federal sob ri 3.342325-9, localizado no município de Angra dos Reis/RJ. DA AÇÃO FISCAL Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 12), verifica- se que o lançamento decorre da falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado em função de erro no cálculo do grau de utilização informado (100%) que foi zerado. Esclarece o autuante que o contribuinte havia declarado que o imóvel pertencia a área de calamidade pública, porém, regularmente intimado, não comprovou. Houve ainda glosa total do valor declarado referente às culturas, pastagens cultivadas etc, também por falta de comprovação, acarretando um aumento do valor da terra nua declarado. Do JULGAMENTO DE I" INSTÂNCIA Apreciando a impugnação do contribuinte de fls. 31 a 33, instruída com os documentos de fls.. 34 a 50, a 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão n° 11-20.232 (fls. .52 a 55), de 14/09/2007, assim ementado: ASSUMO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exereicio 1998 rVIATERIA NÃO IMPUGNADA Considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. MATÉRIA NÃO CONTESTADA ÁREA DE CALAMIDADE PÚBLICA Reputa-se não impugnada a matéria quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR FALTA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de que informou errado na DITR/1998 o valor da área total do imóvel somente pode ser aceita se comprovado, mediante documentação hábil e idônea, o erro de fato cometido. Do RECURSO (\A. 2 , Processo n" 10735 003361/2003-28 S2-C2T2 Acórdão n " 2202-00.649 H 2 Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 21/11/2007 (vide AR de fl. 60), o contribuinte apresentou, em 17/12/2007, tempestivamente, o recurso de fls. 68 a 80, no qual: L Reconhece que declarou, por equivoco, que o imóvel estaria situado em área de calamidade pública, o que resultou no grau de utilização de 100%, assim como o valor das culturas, pastagens e florestas não corresponde a R$ 13.208,55, conforme declarado: 2. Informa que efetuou o recolhimento do imposto no montante de R$1.586,52, acrescido dos encargos legais, com a redução prevista pelo artigo 6°, parágrafo único, da Lei n' 8218, de 1991, conforme calculado às fls. 74 e 75; 3. Afirma que as dimensões do imóvel foram declaradas de forma absolutamente equivocada, alegando que o Saco do Petisco possui área total de 51.439,32 m2, equivalentes a 5,14ha, e não 14.256,40ha conforme declarado. Para comprovar o erro traz diversos documentos e argumentos que não serão aqui rninudentemente relatoriados em virtude daquilo que se prolatará no voto deste Acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Processo sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de março de 2010, veio numerado até à fl. 119 (última folha digital izada) I . \ 40- O processo físico não foi encaminhado a esta Conselheira Foi recebido apenas o arquivo digital 3 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio Em análise do argüido, observa-se que a questão controversa submetida à apreciação deste Colegiado versa tão somente sobre a possibilidade de o contribuinte retificar a área total do imóvel originalmente declarada, concordando com as demais alterações efetuadas pela fiscalização que deu origem ao presente lançamento. Assim, deduzindo-se do total lançado no Auto de Infração o imposto recolhido pelo contribuinte (R$1.586,52), conforme DARF anexado à fl. 97, tem-se que a parcela litigiosa é de R$52.753,31, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. 2 Decadência Cumpre salientar que a análise do mérito da parcela remanescente do lançamento em discussão encontra-se prejudicada por uma questão preliminar. Muito embora a decadência não tenha sido argüida pelo sujeito passivo em seu recurso, tal fato não dispensa esta instância de julgamento administrativo de declará-la de ofício, em obediência ao princípio da estrita legalidade dos atos fiscais. No caso do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, "independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições- estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterim" (art. 10 da Lei n' 9.,393, de 19 de dezembro de 1996). Trata-se, assim, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4P- deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Cumpre lembrar que o parágrafo 4' do art 150 exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicando- se, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I. Uma vez que no presente lançamento não houve a qualificação da multa e, portanto, a fiscalização entendeu que não ocorreu dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com a regra prevista para tributos sujeitos a lançamento por- homologação (cinco anos da data da ocorrência do fato gerador). Resta apenas determinar o fato gerador do imposto. r\N 4 processo n" 10735 003361/2003-28 S2-C2T2 Acórdão n." 2202-00.649 El O fato gerador do 1TR ocorre em ide janeiro de cada ano por força do disposto no art. 1' da Lei IP 9.393, de 1996. No caso dos autos foi lançado o exercício 1998, que tem como fato gerador 01/01/1998, e, portanto, o lançamento poderia ter sido formalizado até 01/01/200.3 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte em 02/04/2004 (vide AR anexado à fL 28), já havia decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário, Diante do exposto, voto por ACOLHER a preliminar de decadência argüida de ofício para extinguir a parcela do crédito tributário ainda em litígio. Maria )Ltic'a Moniz de Arag5b Calanino Astorga 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10735.003361/2003-28 Recurso n": 340.959 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no * .3" do art 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portada Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2202-00.649. Brasília/DF, 2 ° AGO 2°11 EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002134/99-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.015
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Recorrida DRJ-SALVADOR/BA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2' Câmara' 1'. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. L LO GUERRA DE CASTRO Presidente ARTOLI71,12TON L Relator• Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. 1 Processo n° 10530.002134/99-61 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.015 Fl. 128 Relatório Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista a manifestação do contribuinte à fls. 114/113, em resposta a intimação (fls.111) para o cumprimento da diligência formulada na Resolução ri° 201-00.155, juntada às fls. 103/106. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls. 104/105,0 qual passo a ler em sessão. É o relatório. Processo n° 10530.002134/99-61 S3-C2T1 Resolução n.°3201-00.015 Fl. 129 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Apurado estarem presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. A controvérsia travada nos autos cinge-se no fato da autoridade fiscal entender haver concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 2000.33.00.021686-7, interposto judicialmente, o que caracterizaria a opção do contribuinte pela via judicial, importando na renúncia ou desistência desta esfera administrativa, em face do principio da unicidade de jurisdição previsto na Constituição Federal. Por sua vez, o contribuinte alega que não há que se cogitar em concomitância, visto que o seu pedido administrativo refere-se tão somente à restituição, ao passo que seu pedido judicial refere-se à compensação, ou seja, o objeto de pedir é diferente. A DRF em Feira de Santana, ao apreciar o pedido de restituição (fl. 01) do contribuinte, exarou o Despacho de fls. 62/65, indeferindo o referido pedido sob a alegação de que operou-se a decadência do direito à restituição, vez que transcorram mais de cinco anos entre a data da extinção do crédito tributário e a apresentação do pedido. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação às fls. 68/76, afirmando, especificamente às fls. 76, que ingressará com ação ordinária de repetição do indébito junto à Justiça Federal, na qual irá pleitear o direito a devolução, em forma de compensação, dos valores recolhidos a maior a título de Finsocial. Encaminhados os autos a DRJ em Salvador (fl. 78), antes de apreciar a impugnação do contribuinte, na intenção de se precaver, devolve os autos à DRF em Feira de Santana, para que esta procedesse com a intimação do contribuinte a "apresentar cópia da petição inicial que instruiu o processo judicial ou firmar declaração de que não foi intentada a referida ação". Devidamente intimado (AR — fl. 79 v°), o contribuinte permaneceu inerte, consoante informação de fl. 80. Novamente encaminhados os autos à DRJ em Salvador, esta certificou a existência de um processo judicial por meio do extrato obtido junto ao sitio da Justiça Federal da Bahia (fl. 81), razão pela qual proferiu o voto de fls. 84/86, no sentido de não conhecer da impugnação em razão da existência concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Não se conformando com a decisão proferida pela DRJ em Salvador, o contribuinte apresenta o Recurso Voluntário de fls. 88/96, que foi encaminhado a este Eg. 3° Conselho de Contribuintes para sua devida apreciação. Desta forma, o relator Gilberto Cassuli proferiu o voto de fl. 106, no qual converteu o julgamento em diligência para que o contribuinte apresentasse o "teor da petição inicial do mandado de segurança interposto pela contribuinte, bem como do julgamento do mesmo writ". L:9:tra$ • Processo n° 10530.002134/99-61 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.015 Fl. 130 . Devidamente intimado da diligência a ser cumprida (fl. 111), o contribuinte se manifesta na petição de fls. 112/113, reiterando os argumentos aduzidos em suas manifestações, sem novamente juntar os documentos a ele requisitados. Feita as considerações que considero relevantes, passo a análise do mérito. Até o presente momento, a única informação objetiva nos autos é que o contribuinte impetrou com um ou mais Mandados de Segurança (fs 2000.33.00.021686-7 e 2000.33.00.027061-4, fls.109/110), supostamente no intuito de ver reconhecido seu direito a compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo do Finsocial. Segundo se verifica das intimações constantes às fls. 79 e 111, o contribuinte foi intimado por duas vezes a apresentar cópias tanto da petição inicial quanto das eventuais decisões proferidas em sede judicial, mas preferiu permanecer inerte. Embora todos os indícios sugiram que de fato haja concomitância (ou a essas alturas, coisa julgada), conforme se verifica no extrato processual de fls. 109/110, o presente julgamento não pode se fundar apenas em suposições, mas sim em fatos comprovados. Não vejo alternativa senão converter novamente o julgamento em diligência, solicitando-se a douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que providencie as cópias da inicial e das eventuais decisões proferidas e/ou certidão de objeto e pé dos referidos processos (n's 2000.33.00.021686-7 e 2000.33.00.027061-4, fls.109/110), onde conste expressamente o pedido formulado pelo impetrante na inicial e a parte dispositiva da decisão que julgou a ação, constando ainda, a data do eventual trânsito em julgado. Sala das Sessões, em 26 de março de 2009. , 1,1TON LU AR1COLI - elator? ge Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001698/2001-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anocalendário:
1997
OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE A RECEITA
CONSTANTE DO LIVRO DIÁRIO E O LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS.
ERRO DE FATO. Comprovado o erro de contabilização do
contribuinte,tendo registrado uma transferência com o código de venda, no
Livro Registro de Saída, cancelase
a exigência nessa parte.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-000.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, tão somente para excluir da base de calculo tributada do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS a importância de R$ 23.106,50, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE A RECEITA CONSTANTE DO LIVRO DIÁRIO E O LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de contabilização do contribuinte,tendo registrado uma transferência com o código de venda, no Livro Registro de Saída, cancelase a exigência nessa parte. Recurso Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 ..00 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001698/200107 Recurso nº 161.991 Voluntário Acórdão nº 140200.539 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria IRPJ AÇÃO FISCAL Recorrente MIRIAM MINAS RIO AUTOMOVEIS E MAQUINAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE A RECEITA CONSTANTE DO LIVRO DIÁRIO E O LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de contabilização do contribuinte,tendo registrado uma transferência com o código de venda, no Livro Registro de Saída, cancelase a exigência nessa parte. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, tão somente para excluir da base de calculo tributada do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS a importância de R$ 23.106,50, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.001698/200107 Acórdão n.º 140200.539 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório MIRIAM MINAS RIO AUTOMOVEIS E MAQUINAS S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJI em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 95/99, 100/104, 105/109 e 110/113, lavrados pela DRF – Rio de Janeiro, dos quais a interessada acima identificada foi notificada em 16/05/2001, conforme fazem provas as ciências nos próprios autos de infração, fls. 95, 100, 105 e 110, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda de pessoa jurídica no valor de R$ 51.193,55; da contribuição para o PIS, R$ 634,80; da contribuição social sobre o lucro líquido, R$ 9.566,29 e da contribuição para o financiamento da seguridade social, R$ 1.953,25, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75%(setenta e cinco por cento) e dos demais encargos moratórios. 2 Consoante fls. 96/97 do auto de infração e conforme termo de constatação de irregularidades, fls. 93/94, o autuante descreve as infrações apuradas, abaixo relacionadas: omissão de receita no valor de R$ 23.106,50, caracterizada pela falta de contabilização de receita apurada pelo confronto do Livro Diário com livro de Saídas; omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa no valor de R$ 74.556,38; despesas irrecuperáveis no valor de R$ 12.428,16; despesa com pagamento a autoescola não comprovada, R$ 195,00; despesa com pagamento a Rogério Carvalheira, R$ 500,00; despesa com pagamento a Aquatro Marketing, R$ 1.800,00; avisos de débito lançados como despesa, R$ 6.992,69 despesa não necessária relativa ao pagamento de brindes no valor de R$ 7.501,20; despesa financeira decorrente empréstimos não necessária no valor de R$ 77.694,28, pois a interessada no mesmo períodobase emprestou a pessoas ligadas e a clientes valor superior ao empréstimo obtido. 3 – Com o objetivo de fazer prova, o autuante juntou aos autos os documentos, a declaração de rendimento do anocalendário de 1997 e os termos de fls. 04/92. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.001698/200107 Acórdão n.º 140200.539 S1C4T2 Fl. 3 3 4 – As bases legais que fundamentam o lançamento de IRPJ estão descritas em fls. 96/97. 5 – Os lançamentos da contribuição para o PIS, da contribuição social sobre o lucro líquido e da contribuição para o financiamento da seguridade social são meras decorrências dos fatos apurados no lançamento de IRPJ. 6 – Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 18/06/2001, a petição de fls. 118/124, argüindo, em síntese, que: 6.1 – por problemas de ordem técnica com relação ao “backup” do Livro Razão, demorou a entregar o livro. Contudo, não teve, em momento algum, interesse em dificultar a fiscalização, o que realmente houve foi um imprevisto; 6.2 – aos avisos de débito se referem a reembolso de publicidade e promoção institucional, patrocinada pela Mercedes Bens do Brasil e rateada por todas as concessionárias filiadas; 6.3 – os brindes não podem se tratados como liberalidade, pois estão relacionados com sua atividade operacional, pois com o objetivo de agraciar os melhores clientes oferecemos presentes natalinos; 6.4 – quanto ao mútuo: que seja excluído da parcela de juros de R$ 77.694,28 as despesas bancárias, pois são despesas de cobrança de duplicatas, talonários de cheques e outros serviços bancários; o autuante glosou a totalidade da despesa incorrida no anocalendário de 1997, só que os mútuos não foram pelo período de 12 meses completos, devendo ser considerados os juros proporcionalmente; junta aos autos o Razão, fls. 224, da despesa de juros; “firma contrato de vínculo comercial sem qualquer atributo financeiro, ou seja, antecipa valores para a aquisição de veículos e outros junto à fábrica Mercedez Bens, denominado no mercado como “Vendas Diretas”, na verdade não havendo ganho financeiro e sim um ganho na comercialização de seus produtos (relação de vendas dos clientes com contrato de mútuo anexa)”; teve rendimento de aplicação financeira no valor de R$ 461.275,50, superior as despesas de juros, não havendo prejuízo para o fisco; 6.5 Com relação ao saldo credor de caixa: 6.5.1 o saldo apurado devese a lançamentos alocados em datas indevidas, conforme a seguir: 6.5.1.1 valores no caixa matriz: venda de mercadoria no valor de R$ 179,90 em 07/11/1997, com registro contábil em 29/11/1997; lançamentos indevidos nos valores de R$ 49.749,28, R$ 14,12 e R$ 21.566,17, estornado em 29/11/1997; 6.5.1.2 – valores no caixa filial: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.001698/200107 Acórdão n.º 140200.539 S1C4T2 Fl. 4 4 o valor R$ 6.562,56, regularizado em 29/11/1997, referente a lançamento a débito de dias anteriores, conforme demonstrativo e caixa financeiro; 6.6 – Quanto à diferença de receita, verificase que a referida foi registrada antecipadamente no mês de junho de 1997, comprovado pelo mapa anexo de fls. 307/308. 7 – A interessada juntou aos autos os documentos de fls. 128/320. 8 – Com o objetivo de se esclarecer alguns pontos obscuros no litígio aqui apresentado, o julgamento foi convertido em diligência, consoante resolução de fls. 325/326. 9 – O diligenciante apresente o relatório de fls. 324/325 com a conclusão da diligência efetuada, que em síntese, são as seguintes: não foi comprovado o registro da receita no valor de R$ 23.106,50 no mês de junho de 1997; as alegações da interessada quanto aos equívocos de datas na conta caixa procedem; o contribuinte não conseguiu localizar o contrato com a empresa Mercedes Bens do Brasil, assim como as notas fiscais referentes ao total das despesas pagas pela referida empresa. À interessada foi concedido o direito a aditar razões acerca da diligência efetuada. Esta exerceu o seu direito consoante fls. 337/338 e juntou aos autos os documentos de fls. 339/346. A seguir apresento a defesa da interessada. transferiu de estoque para o imobilizado um veículo no valor de R$ 38.537,64. Na emissão do documento foi registrado o código 5.12 (venda de mercadoria) enquanto o correto seria o código 5.92 (transferência para o ativo imobilizado). A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA ENTRE A RECEITA CONSTANTE DO LIVRO DIÁRIO E O LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS. Cabe ao contribuinte registrar na apuração do lucro real todas as receitas constantes de seus livros fiscais, caso contrário, a diferença, quando não esclarecida, deve ser considerada omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Quando o contribuinte não logra afastar a apuração de saldo credor de caixa, subsiste a presunção de omissão de receita, seja ela apurada na matriz ou na filial. DESPESA NÃO COMPROVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente impugnada. DESPESA COMPROVADA POR MEIO DE AVISO DE DÉBITO. São dedutíveis as despesas alicerçadas em aviso de débito, quando tais gastos são usuais, normais e necessários à atividade operacional da empresa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.001698/200107 Acórdão n.º 140200.539 S1C4T2 Fl. 5 5 DESPESAS FINANCEIRAS EXCEDENTES DAS RECEITAS FINANCEIRAS – Para se configurar a hipótese de incidência com base na desnecessidade das despesas, levantada pela autoridade fiscal, é imprescindível que reste provado que os encargos foram repassados em condições desfavoráveis DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BRINDES. Somente são admissíveis como despesa de propaganda os gastos efetivamente realizados com a aquisição e distribuição de brindes, quando estes correspondam a objetos de diminuto valor comercial. PIS. CSLL. COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo em parte o lançamento objeto do processo matriz, igual sorte colhe o que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele. Lançamento procedente em parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário insurgindose tão somente quanto a omissão de receitas, reprisando a argumentação da transferência de veiculo para o ativo imobilizado, juntando cópias dos DARFs relativos as questões não contestadas no presente recurso, requerendo, primeiramente, a conversão do feito em diligência para comprovação de suas alegações e, por fim a improcedência da ação fiscal nesta exigência residual. O recurso distribuído ao conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, tendo sido apreciado na sessão de 27/05/2009 da 5a. Turma Especial da 1a. Seção do CARF, que determinou a realização de diligencia, mediante resolução nº 180300.004, cujo voto condutor a seguir transcrevese: Considerando que a controvérsia remanescente, no caso vertente, apontada como receita "omitida", uma diferença, que advém do faturamento utilizado para recolhimento dos tributos, em comparação com o valor obtido.a partir dos livro fiscal de saída da recorrente, este último, utilizado no procedimento fiscal que deu origem ao lançamento, restanos buscar nos aspectos probatórios a elucidação necessária para o deslinde deste feito, vejamos, pois. Aduz a recorrente que transferiu bens do seu estoque para o seu ativo imobilizado, porém, teria equivocadamente utilizado um código de CFOP, relativo a urna operação de venda, em detrimento do CFOP de transferência, que deveria ter sido utilizado. Nesse sentido, a cópia da nota fiscal junta aos autos (fl. 402) não e autenticada, assim como também, o relatório espelho (original) do livro de saída (fl. 386) não assegura que suas informações sejam um retrato fiel do aduzido livro. Destarte, porém, que embora ambos os documentos não façam prova irrefutável das alegações da recorrente, apontam como indício bastante contundente das suas alegações, cuja dúvidas, ora suscitadas, precisam ser desvendas, em homenagem ao principio da verdade material. Desta forma, a conversão do feito em diligência, se faz necessária, a fim de • elucidar os seguintes quesitos: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.001698/200107 Acórdão n.º 140200.539 S1C4T2 Fl. 6 6 A Nota Fiscal junta aos autos (fl. 402) confere com a via original? A receita utilizada pela autoridade lançadora, a partir do livro registro de saídas, abrange (contém) o valor da Nota Fiscal referida no item "1" em seu montante? Na escrituração contábil da recorrente foi registrada a transferência da conta de estoque para a conta de ativo imobilizado relativamente a Nota Fiscal referida no item "l'"? Se a resposta for positiva em que data foi registrado o lançamento e em que data foi registrado o livro diário onde referidas informações estão assentadas? Diante do exposto determino a conversão em diligência para elucidar as questões supra referidas e, após as conclusões da autoridade diligente, dar conhecimento do seu resultado a recorrente, em prestigio a ampla defesa e ao contraditório. A diligencia fiscal resultou na juntada dos documentos de fls. 424 a 433, sendo que o relatório fiscal de fls. 434 atesta que realmente o contribuinte incorreu em equívoco tendo contabilizado no livro registro de saídas o valor de R$ 38.577,64 com o código 5.12, vendas, ao invés de 5.92, transferência para o ativo imobilizado. No retorno dos autos ao CARF foi procedido novo sorteio do processo, haja vista que o relator deixou o colegiado. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.001698/200107 Acórdão n.º 140200.539 S1C4T2 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, remanesce em litígio a seguinte matéria: “Omissão de receita caracterizada pela diferença entre o livro diário e o registro de saídas”, que foi objeto da diligência fiscal. O contribuinte, desde a impugnação afirma tratarse de um erro de contabilização, tendo transferido um bem do seu estoque para o u ativo imobilizado, porém, teria equivocadamente utilizado um código de CFOP, relativo a urna operação de venda, em detrimento do código específico de transferência, que deveria ter sido utilizado. A diligência fiscal, solicitada mediante Resolução 180300.004, confirmou integralmente as alegações: o contribuinte incorreu em equívoco tendo contabilizado no livro registro de saídas em 02/07/1997 o valor de R$ 38.577,64 com o código 512, vendas, ao invés de 5.92, transferência para o ativo imobilizado (vide nota fiscal à fl. 430 e cópia dos registro contábeis às fls. 432/433). Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso, tão somente para excluir da base de calculo tributada do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS a importância de R$ 23.106,50. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10480.009414/2001-91
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 108-00.286
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em
diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto
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RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. . FORMALIZADO EM: 1 2 OU 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARG!L MOURÃO GIL I\JUNES, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA • • Processo nº. : 10480.009414/2001-91 Resolução nº. : 108-00.286 Recurso nº.: 141.302 Recorrente : MACRO ENGENHARIA E PLANEJAMENTO LTOA. R E LAT,Ó RIO Contra MACRO ENGENHARIA E PLANEJAMENTO LTOA., foi lavrado Auto de Infração, com a conseqüente formalização de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao ano-calendário de 1996. Com efeito, o objeto da autuação refere-se a (i) excesso de retiradas em relação ao limite mínimo assegurado adicionado a menor na apuração do lucro real, e (ii) compensação a maior de imposto de renda mensal devido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão, em virtude de insuficiência do imposto retido na fonte utilizado nos cálculos. Cumpre destacar que, em momento anterior à lavratura do Auto de •Infração, a Secretaria da Receita Federal, enviou ao contribuinte, em 27/12/2000 (fls. 08), Termo de Intimação Fiscal e Solicitação de Esclarecimentos, cujo contexto, sucintamente determinava a intimação do contribuinte para, em razão de terem sido constatados erros nas fichas/linhas discriminados no Relatório de Malha Fazenda, apresentar justificativa e documentos que comprovem a manutenção dos valores declarados. O contribuinte foUe-intimado em 30/05/2001 (fls. 14), oportunidade em que apresentou sua Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa . Jurídica do exercício de 1997 (fls. 17/65). Intimada acerca da lavratura do Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, sua Impugnação (fls. 68 a 70), alegando, grosso modo, os seguintes pontos: • 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA • • • Processo nº. : 10480.009414/2001-91 Resolução nº. : 108-00.286 (i) Acata a tributação das parcelas excedente de retiradas em relação ao limite mínin;lOassegurado no valor de R$ 400,00 e redução do mesmo prejuízo apurado nos meses de janeiro e novembro/96; (li) Discorda parcialmente dos valores referentes a compensação do imposto de renda na fonte nos meses citados • pela Autuante, supondo-se que as empresas pagadoras de serviços não apresentaram as informações na DIRF anual entregue a Receita Federal. Isso porque os valores foram efetivamente retidos, não cabendo a Impugnante, em face da não comunicação das retenções pela empresa que as efetuou ao Órgão Arrecadador na forma preconizada na norma fiscal, a penalização pelo referido fato. (iii) Transcreve na peça impugnatória planilha contendo dois CNPJ's de empresas que efetuaram as retenções no montante de R$ 13.738,00. Restou uma diferença não comprovada de R$ 3.317,51, que embora também tenha sido retida por outras empresas, deixou-se de comprovar documentalmente por questão de tempo e de comunicação com as mesmas, ressalvando seu direito de fazê-Ia tão logo seja possível. Em vista do exposto, a 5ª Turma da DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar procedente o lançamento tributário, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROVAS. A impugnação deve estar, instruída com todos os documentos e pm", q", p",,.m fuOda~e",ac"' ooote"açõe,dedete} ,; ! • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA • • • Processo nº. : 10480.009414/2001-91 Resolução nº. : 108-00.286 Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficierites para infirmar a procedência do lançamento. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. EXCESSO DE RETIRADAS. AUSÊNCIA DE LITíGIO. A expressa aquiescência, por parte do contribuinte, quanto às infrações que lhe são atribuídas, configura ausência de litígio, tornando-se definitivo o crédito tributário lançado na esfera administrativa. Lançamento procedente." No voto condutor da aludida decisão, os limos. Julgadores de Primeira Instância, consignaram que, em relação ao requerimento de juntada posterior de documentos, até a data do julgamento não foi carreado aos autos qualquer elemento de prova. No tocante à compensação indevida do imposto de renda na fonte, de iguai modo entenderam oS I. julgadores que não há nos autos qualquer prova que ateste a efetiva retenção, nos termos do artigo 16, 111 do Decreto nº 70.235/72 com redação dada pela Lei nº 8.748/93, artigo 55 da Lei nº 7.450/85, artigo 5º da IN SRF nº 108/94, e o MAJUR/96. E em consulta realizada ao sistema de controle da Secretaria da Receita Federal, constatou-se, por meio das DIRF's das fontes pagadoras, que no ano-calendário de 1996, foram informadas retenções para o CNPJ da Impugnante no valor de R$ 439,12, valor este que a fiscalização já considerou comprovada, restando, portanto, devido o valor inicialmente autuado. Com relação ao excesso de retiradas em relação ao limite mínimo assegurado, a matéria não é contestada, configurando-se definitivo o crédito tributário lançado na esfera administrativa. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA • • Processo nº. : 10480.009414/2001-91 . Resolução nº. : 108-00.286 , Intimada acerca da aludida decisão em 14.04.04, a Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, requerendo a reforma integral da decisão de primeira instância administrativa, alegando, para tanto, em resumo, os seguintes pontos: (i) Foi apresentada por duas vezes a Declaração de Rendimentos do contribuinte (ano-calendário/96) à Receita Federal. Apresentou-se uma primeira vez, e, em razão da informação da Receita Federal de que esta não estava sendo localizada, apresentou-se novamente; (li) Diante de tal fato a credibilidade dos arquivos da Receita põe em dúvida se as DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras, podem fazer prova em favor do contribuinte . (iii) A impugnante não dispunha, no momento da impugnação, das provas necessárias à demonstração da retenção, porque as fontes pagadoras não as forneceram tempestivamente; (iv) Não foi solicitada pelo Órgão Julgador, qualquer diligência a fim de comprovar a veracidade do quanto alegado na peça impugnatória; A Impugnante anexa documentos comprobatórios de que, do valor recebido pelas empresas para quem esta prestou serviços, foi descontado o imposto de renda na fonte, demonstrando tais valores por meio de tabela. Todavia, não juntou o Documento Anual de Retenção na fonte a pretexto de ter sido a mesma negada pelas fontes pagadoras. • É o Relatório.. 5 • • e MINISTÉRIO DA FAZENDA'.,' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES......• OITAVA CÂMARA'9 . Processo nº. : 10480.009414/2001-91 Resolução nº. : 108-00.286 . VOTO . Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTq Relatora O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de adl')'lissibilidade,pelo que tomo conhecimento. , , Por se tratar de lançamento referente à compensação a maior de . imposio de renda mensal, el\! virtude de insuficiência do imposto retido na fonte utilizado nos cálculos, e, ante os documentos apresentados pela impugnante, entendo que se faz necessária a baixa dos autos para diligência. Com efeito, tendo em vista as notas fiscais, faturas de prestação de serviços e demais documentos apresentapos (fls. 94/145), nos quais constam as supostas retenções de imposto de renda relativamente ao ano-calendário de 1996, discutidas nestes autos ql.Je, aparentemente, não foram consideradas pela Fiscalização, faz-se imperiosa a realização. de diligência para: (i) verificar se aludidos valores correspondem ao IRRF; (ii) o montante retido para cada período objeto do lançamento; e (iii) o cálculo de sua compensação na base de cálculo do Imposto de Renda devido, expurgando os valores eventualmente já considerados pela fiscalização. Ao final da diiigência, elaborar relatório conclusivo, cientificando o contribuinte do teor do mesmo, para, se assim o desejar, manifestar-se a respeito. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA • Processo nQ• : 10480.009414/2001-91 Resolução nQ• : 108-00.286 Após a adoção das providências solicitadas, retorne o processo para . prosseguimento do julgamento . Sala das Sessões - DF, em 13 de setembro de 2005 • • '.' .. .4& KAREM JURL"1 DIAS DE MELLO PEIXOTO I •, 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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