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Numero do processo: 10768.005516/2005-45
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
ANO-CALENDÁRIO: 2000
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.809
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO-CALENDÁRIO: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. • IPí JUDITH o • A ARAL MARCONDES ARM • NDO - Presidente , A 1 OU, O' €0 g-QÀAjo MARCELO RIB IRO NOGUEIRA tater Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, José Ferriandes do Nascimento (Suplente), Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausentes a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. 1 . _ Processo n° 10768.005516/2005-45 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.809 Fls. 34 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração referente à multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao primeiro trimestre do ano- calendário de 2000 no valor total de R$ 86,01. O Enquadramento Legal indicado no auto de infração é: art 113, §. 3° e 160 do Código Tributário Nacional - Lei n° 5172/66 (CTN); art. 4°, combinado com o art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/96; art. 6° 41110 da Instrução Normativa SRF n° 126/1998 combinado com o item 1 da Portaria MF n° 118/1984, art. 5° do DL n°2124/84 e art. 7° da MP n° 16/2001 convertida na Lei n°10.426/2002. Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação às fls. 01 argumentando que não estaria sujeita a qualquer penalidade tendo em vista que apresentara a DCTF espontaneamente, estando assim amparada pelo artigo 138 da Lei n°5.172/1966. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DCTF.DENÉVCIA ESPONTÂNEA .PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, sem vínculo com o fato gerador do tributo, não estando alcançado 411 pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o relatório. 2 • . Processo n°10768.005516/2005-45 CCO3/CO2 Acórdão n.°302-39.809 Fls. 35 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator O recurso é tempestivo e os requisitos recursais foram atendidos, portanto conheço do mesmo. Na via estreita do processo fiscal administrativo é descabida qualquer discussão sobre matéria constitucional. Sobre o assunto, foi o seguinte o posicionamento do STJ em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o R_E da Fa.zenda. Nacional n° 246 .963/PR (acórdão publicado 11111 em 05/06/2000 no Diário da Justiça da -União - EXTU-e): Tributário. Denáncia es?-2orztarzea_ Entrega co,n atraso de declaração de contribuições e tributos- fie dep-cz - IDCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com cztrcz.s-o, cz Declaração de Contribuições e Tributos Federais - IDCTF. 2. As resporzsabilidade-s acessórias autônomas, sem qualquer- -vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estélo alcançadas _pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido _ Cite-se, ainda, Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 02-01.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF - MULTA PC:712 A TRA/ SC) ArA _ENTREGA - _ESPONTANEIDADE - INFRAÇÃO DE /VrA7JJZA FORMAL. O princípio da denúncia espontânea não inclui ar pr-á tica cie ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art.. 138 elo Código Tributário _Nacional. Recurso Negado. Assim, ressalvada rriin_ha opinião sobre a matéria, conheço do recurso para, adotando a referida jurisprudência, negar-lhe provimento, tendo em vista que a denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa mínima. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2008 ,k AOvUXCÁI-È - ARCELO RIB M 1\TOGIJEI= Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002402/98-53
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Ementa: LANÇAMENTO - ATIVIDADE VINCULADA. Segundo o art. 142, do C.T.N., a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, entendendo-se que esta vinculação refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NOTIFICAÇÃO - VÍCIO FORMAL - NULIDADE. A indicação do nome, do cargo ou função e do número da matrícula do chefe do órgão expedidor da notificação de lançamento ou de outro servidor autorizado (art. 11, IV, Decreto nº 70.235), é requisito indispensável à formação do lançamento, como formalidade essencial, cuja inobservância vicia o ato de modo a determinar a sua nulidade.
Numero da decisão: 303-29.751
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e Carlos Fernando Figueiredo de Barros.
Nome do relator: Irineu Bianchi
1.0 = *:*
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ementa_s : LANÇAMENTO - ATIVIDADE VINCULADA. Segundo o art. 142, do C.T.N., a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, entendendo-se que esta vinculação refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NOTIFICAÇÃO - VÍCIO FORMAL - NULIDADE. A indicação do nome, do cargo ou função e do número da matrícula do chefe do órgão expedidor da notificação de lançamento ou de outro servidor autorizado (art. 11, IV, Decreto nº 70.235), é requisito indispensável à formação do lançamento, como formalidade essencial, cuja inobservância vicia o ato de modo a determinar a sua nulidade.
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Numero do processo: 10218.000370/2001-44
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do
§ 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou
simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 173-1 e § único do CTN).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.485
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima e Manoel Antonio Gadelha Dias, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação à CSL e à COFINS, e o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clovis Alves.
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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ementa_s : DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 173-1 e § único do CTN). Recurso especial negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima e Manoel Antonio Gadelha Dias, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação à CSL e à COFINS, e o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clovis Alves.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-16T16:59:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-16T16:59:31Z; Last-Modified: 2009-07-16T16:59:32Z; dcterms:modified: 2009-07-16T16:59:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-16T16:59:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-16T16:59:32Z; meta:save-date: 2009-07-16T16:59:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-16T16:59:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-16T16:59:31Z; created: 2009-07-16T16:59:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2009-07-16T16:59:31Z; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-16T16:59:31Z | Conteúdo => e. ., .. • . . ., y . 4.- bea MINISTÉRIO DA FAZENDAJ. C 'ri CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS,s.--:n Í, j, PRIMEIRA TURMA .7491.-... i-----.. Processo n°. : 10218.000370/2001-44 Recurso n°. :105-133945 Matéria : IRPJ e OUTROS Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Interessada : CONSTRUTORA PIQUETE LTDA. Sessão de : 19 de junho de 2006. Acórdão n° : CSRF/01-05.485 DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 173-1 e § único do CTN).. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima e Manoel - Antonio Gadelha Dias, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação à CSL e à COFINS, e o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clovis Alves 1. çki rcs _.9 , . . , Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 d/- - MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE 'á- r!C •VIS ALIES • EDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 1 o Aso 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MÁRCIO CALDEIRA MACHADO (Substituto Convocado), JOSÉ CARLOS PASSUELLO, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN e JOSÉ HENRIQUE LONGO. 2 Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 Recurso n°. :105-133945 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : CONSTRUTORA PIQUETE LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 105-14.070, na qual foi acolhida, por maioria, a preliminar de decadência para a contribuição ao PIS, a COFINS e a CSLL, para os fatos geradores de janeiro a agosto de 1996, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu 06/09/2001. O acórdão recorrido afastou a aplicação do artigo 45 da Lei 8.212/91, firmando posição de que a contagem do prazo decadencial se dá pelo artigo 150, § 4°, do CTN. Em seu recurso, a Fazenda Nacional pleiteia a reversão do julgado requerendo a aplicação do artigo 173, I, do CTN. Junta julgados administrativos e judiciais a favor de sua tese. É o Relatório. 3 . . ' Processo n°. : 10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 VOTO VENCIDO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Os argumentos para aplicação do artigo 173 não podem ser acolhidos, conforme reiterada jurisprudência deste Colegiado, que já firmou posição acerca da aplicação do artigo 150, § 4 0, do CTN nos casos de lançamento por homologação, independentemente de qualquer pagamento. Tal se dá pela interpretação de que o que se homologa são os atos do contribuinte na apuração dos tributos, certo que a declaração é mero ato de obrigação acessória, não se constituindo em lançamento. No entanto, tratando-se de Contribuição Social sobre o Lucro e de Cofins, tenho me manifestado pela observância do disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91 para contagem do prazo decadencial. A questão da aplicação do disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91 tem sido objeto de acaloradas discussões neste sodalicio. Em algumas oportunidades, ressalvando meu entendimento contrário, acompanhei a jurisprudência da Primeira Turma da CSRF, que é favorável à interessada. No entanto, agora participando das demais Turmas da egrégia CSRF, percebo que a matéria ensejará recurso ao Tribunal Pleno, dada a divergência se 4 'Uk Processo n°. : 10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 instaurou, e, portanto, manterei meu entendimento original até que isso venha a ocorrer. A Lei 8.212/91 ainda não foi declarada inconstitucional pelos Tribunais Superiores. Assim sendo, não há hipótese desse colegiado administrativo simplesmente afastá-la do mundo jurídico, retirando-lhe a eficácia. Somente se houver reiterados pronunciamentos das Cortes Superiores acerca da incompatibilidade da lei com o CTN, ou daquela com a Carta Magna, é que então este órgão, em nome da economia e celeridade processuais, em benefício de ambas as partes, poderá reverberar esta incompatibilidade na órbita administrativa. Até que isto ocorra, não vejo competência legal para tanto. Outrossim, não são unânimes as vozes de juristas de escol no sentido desse conflito da referida lei com o CTN ou de sua inconstitucionalidade. Roque Carraza assim se manifesta, exatamente ao tratar do pretenso conflito entre a Lei 8.212/91 e o Código Tributário Nacional: "Em suma, para estes juristas, os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91 seriam inconstitucionais, já que entrariam em testilhas com o art. 146, III, "b", da Lei Maior. Com o devido acatamento, este modo de pensar não nos convence. Vejamos. 3. Concordamos em que as chamadas "contribuições previdenciárias" são tributos, devendo, por isso mesmo, obedecer às normas gerais em matéria de legislação tributária'. Também não questionamos que as normas gerais em matéria de legislação tributária devem ser veiculadas por meio de lei complementar. Temos, ainda, por incontroverso que as normas gerais em matéria de legislação tributária devem disciplinar a prescrição e a decadência tributárias. 6(/' Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 O que, porém, pomos em dúvida é o alcance destas "normas gerais em matéria de legislação tributária', que, para nós, nem tudo podem fazer, inclusive nestas matérias. De fato, também a alínea "b" do inciso III do art. 146 da CF não se sobrepõe ao sistema constitucional tributário. Pelo contrário, com ele deve se coadunar, inclusive obedecendo aos princípios federativo, da autonomia municipal e da autonomia distrital. O que estamos tentando dizer é que a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributárias, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Carta Suprema) nem, por outro, descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas políticas tributantes. O legislador complementar não recebeu um "cheque em branco" para disciplinar a decadência e a prescrição tributárias. Melhor esclarecendo, a lei complementar poderá determinar - como de fato determinou (art. 156, V, do CTN) - que a decadência e a prescrição são causas extintivas de obrigações tributárias. Poderá, ainda, estabelecer - como de fato estabeleceu (arts. 173 e 174 do CTN) - o dies a quo destes fenômenos jurídicos, não de modo a contrariar o sistema jurídico, mas a prestigiá-lo. Poderá, igualmente, elencar - como de fato elencou (arts. 151 e 174, parágrafo único, do CTN) - as causas impeditivas, suspensivas e interruptivas da prescrição tributária. Neste particular, poderá, aliás, até criar causas novas (não contempladas no Código Civil brasileiro), considerando as peculiaridades do direito material violado. Todos estes exemplos enquadram-se, perfeitamente, no campo das normas gerais em matéria de legislação tributária. Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada "economia interna", vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. Estas, ao exercitarem suas competências tributárias, devem obedecer, apenas, às diretrizes constitucionais. A criação in abstracto de tributos, o modo de apurar o crédito tributário e a forma de se extinguirem obrigações tributárias, inclusive a decadência e a prescrição,12 estão no campo privativo das pessoas políticas, que lei complementar alguma poderá restringir, nem, muito menos, anular. 6 Processo n°. :10218.000370/200144 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 Eis por que, segundo pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. Nesse sentido, os arts. 173 e 174 do Código Tributário Nacional, enquanto fixam prazos decadenciais e prescricionais, tratam de matéria reservada à lei ordinária de cada pessoa política. Portanto, nada impede que uma lei ordinária federal fixe novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo federal. No caso, para as "contribuições previdenciárias". Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e de prescrição das "contribuições previdenciárias" são, agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que, segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste da constitucionalidade."' Nem também unânimes os provimentos jurisdicionais, como se depreende deste julgado do Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO REVIDENCIÁRIA. PRESCRIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CF/88 E LEI N° 8.212/91. 1. A Constituição Federal de 1988 tornou indiscutível a natureza tributária das contribuições para a seguridade. A prescrição e decadência passaram a ser regidas pelo CTN cinco anos e, após o advento da Lei n° 8.212/91, esse prazo passou a ser decenal. 2. In casu, o débito relativo a parcelas não recolhidas pelo contribuinte referentes aos anos de 1989, 1990 e 1991, sendo a notificação fiscal datada de 07.04.97, acha-se atingido pela decadência, salvo quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de 25 de julho de 1991, quando entrou em vigor o prazo decenal para a constituição do crédito previdenciário, nos termos do art. 45 da Lei n°8 .212/91. 3. Recurso Especial parcialmente provido.(STJ - REsp 475559 — SC ) " Ademais, para aqueles que defendem a aplicação restrita do artigo 45 à Previdência Social, contesto no sentido de que a Lei 8.212/91 cuida da Seguridade Social, conceito maior, que compreende inclusive a Previdência Social, esta de alcance restrito. Daí o porquê de sua aplicação também para contribuições que não CARRAZA, Roque, Curso de Direito Constitucional Tributário, São Paulo, Malheiros, 19 Edição, pp. 816 . 7 1 .. , .. • . . " Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 somente as previdenciárias. Outrossim, seria inconcebível, permissa venta, considerar o prazo decadencial em função do órgão arrecadador, haja vista que, independentemente de quem as cobre, o interesse da arrecadação — Seguridade Social — é absolutamente o mesmo. Por esses motivos, entendo que, para as contribuições expressamente relacionadas pela Lei 8.212/91, dentre elas a CSL a COFINS, o prazo para o lançamento é de dez anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte ao que poderia ser realizado. A contribuição ao PIS, por seu turno, não está listada na Lei 8.212/91, tendo destinação constitucional específica. Ex positis, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar a decadência da CSL e da COFINS. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 19 de junho de 2006. )MÁRIO J N EI(RA/FRANCO JÚNIOR gi , 8 • Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 VOTO-VENCEDOR Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Redator designado. Tratam os autos de decadência das contribuições sociais, tendo o relator entendido aplicar-lhes, exceto em relação ao PIS, a norma contida no artigo 45 da Lei 8.212/91, tese não acolhida pela maioria desta Primeira Turma da CSRF, que entende continuar a decadência submetida às normas do CTN, como abaixo discorremos. Tratando de matéria relativa a decadência é importante fixar as datas de ocorrência dos Fatos Geradores , o inicio da contagem do prazo decadencial, o fim e, a data de ciência do auto de infração. Fatos geradores em que foi reconhecida a decadência: Meses de Janeiro a agosto de 1.996. Data da ciência dos lançamentos:06 de setembro de 2.001. Posto isso passemos a analisar a matéria de direito em relação à decadência Quanto à decadência do direito de lançar das Contribuições as duas teses são as seguintes: Entende a câmara recorrida que a CSL e COFINS, por se tratarem de tributos cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública te ha se 9 ... . , . .:, Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. Acolhe a câmara a tese de prevalência do artigo 150 § 4° do CTN. A tese dos Conselheiros vencidos, embora não explicitada nos autos é de que o prazo para o lançamento é de dez anos como previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES — MÁTERIA DE RP Entendo não haver razão ao recorrente, é que sendo a decadência, por força do artigo 146 inciso III letra "b" da Constituição Federal de 1988, matéria de reservada à Lei Complementar, somente lei de igual hierarquia poderia alterar os conceitos existentes na Lei n.° 5.172/66, CTN. Entendo também que o § 4° do artigo 150 do CTN quando diz "se a lei não dispuser de forma diversa", está se referindo a outra lei complementar, pois se assim não for entendido estaríamos diante da situação na qual o legislador complementar contrariada o constitucional, pois quis esse último reservar determinadas matérias à Lei Complementar que tem quorum privilegiado. Não se trata de declarar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.541 de 1992, de opção pela lei maior, Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Como fundamento para o decidido, vale transcrever voto do iminente conselheiro Natanael Martins no Acórdão n.° 107-06.455 de 08 de novembro de 2.001, que tem aplicação tanto à CSL como ao IRPJ o qual adoto como razão de decidir, pois a partir da edição da Lei 8.383/91, a contribuição e o tributo em lide passara a ser regidos pelo lançamento do tipo homologação previsto no artigo 150 do CTN. "A questão ora sob exame resulta de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido. gp ,0 .. .. •, . . , Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 Inicialmente, deve ser apreciada a preliminar de decadência argüida pela contribuinte, a qual tem relevância fundamental no julgamento deste processo, sendo certo que a natureza jurídica do lançamento da contribuição social sobre o lucro, pelas suas próprias características é, em tudo e por tudo, idêntica à do IRPJ, pelo que tomo a liberdade de me reportar ao que sobre o assunto já tive a oportunidade de escrever: "A questão da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda das pessoas jurídicas no âmbito do 1° Conselho de Contribuintes ainda é acirrada, podendo no entanto afirmar-se que a corrente pelo menos até hoje majoritária entende tratar-se de um lançamento por declaração. 1 Não é o que pensamos e o que passaremos a demonstrar, obviamente deixando de lado as críticas que a doutrina faz relativamente aos tipos de lançamentos descritos no CTN, dado não ser este o escopo de nosso trabalho. Com efeito, o Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5172/66, recepcionado com eficácia de lei complementar, como é cediço, disciplina as normas gerais em matéria tributária, inclusive no concernente aos tipos de lançamento e aos prazos em matéria de decadência e prescrição. No que se refere à decadência, genericamente, estabelece o art. 173 do CTN: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II. da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento". Por outro lado, de forma totalmente assistemática, na disciplina do denominado lançamento por homologação, estabeleceu-se no art. 150, § 4 0, do CTN: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos ccuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio;xame 11 . . •• Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 da autoridade administrativa, opera-se pelei ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação" Ou seja, enquanto que, regra geral, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (CNT, art. 173, I), sendo lícito, portanto, afirmar-se que o prazo, contado da ocorrência do fato gerador, não é propriamente de cinco anos, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador sendo o prazo, neste caso, propriamente de cinco anos. Lançamento por homologação, na definição do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Pois bem, relativamente ao imposto de renda das pessoas jurídicas, muito se discutiu e ainda hoje se discute, sobre a natureza jurídica do lançamento que o corporifica, havendo aqueles que o julgam como um tributo sujeito a lançamento por declaração ou misto, outros, mais recentemente, defendendo que a sua natureza, hoje, seria a de lançamento por homologação. Alberto Xavier, em sua clássica obra Do lançamento, Editora Resenha Tributária, 1977, ferindo a questão, naquela oportunidade, defendeu a idéia de que o lançamento do imposto de renda não se traduz num caso de auto lançamento (ou lançamento por homologação), pela circunstância especifica de que a fiscalização, no ato da entrega da declaração, examina o seu conteúdo, procedendo em face deste ao lançamento e, no próprio momento, notifica o contribuinte do imposto que lhe foi lançado. Daí conclui Alberto Xavier: "Ora, na hipótese em apreço não se verifica um pagamento prévio ou antecipação do imposto, mas sim um verdadeá-o lançamento com base na declaração, regido pelos arts. 147 e 149 do Código Tributário Nacional, com a única particularidade de o ato administrativo de lançamento ser praticado no próprio ato da entrega da declaração e não no momento posterior do procedimento tributário". (pg. 80). Entretanto, se naquela ocasião podíamos compartilhar da opinião de Alberto Xavier, após o advento do Decreto-lei 1967/82 (e, com maior razão, ainda, a vista das Leis 8383/91, 8541/92, 8981/93 e 9249/95), passamos a pensar de forma diversa. Com efeito, com a edição do Decreto-lei 1967/82, desvinculou-se o prazo do pagamento do imposto com a entrega da declaração de rendimentos não havendo mais, pois, o prévio exame da autoridade administrativa. Se mais não bastasse, com a descentralização da entrega da declaração de rendimento, não se pode alegar, em absoluto, estar havendo 12 • Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 exame do lançamento pela autoridade administrativa, pois o simples carimbo aposto pelo estabelecimento receptor da declaração (que, aliás, pode ser uma instituição financeira), à evidência, não pode ser considerado notificação de lançamento nos termos preconizados no art. 142 do CTN. Logo, o contribuinte recolhe (está obrigado) as parcelas do imposto devido sem que tenha ocorrido qualquer manifestação da autoridade administrativa. Ademais, grande parte do imposto já deve ser recolhido antes da própria entrega da declaração de rendimentos sob a forma de antecipações, duodécimos ou recolhimentos estimados (calculável com base em lucro presumido) na linguagem atual. Não há dúvida, pois, ser o IRPJ um tributo sujeito a lançamento por homologação. A declaração do imposto de renda, hoje, representa o cumprimento de um dever meramente instrumental do contribuinte perante a Fazenda Pública, constituindo-se, além disso, por força das normas que a disciplina, do ponto de visto jurídico, confissão de dívida quanto ao crédito tributário porventura indicado ou, quanto ao resultado negativo nela quantificado, o direito de crédito (abatimento) do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a Fazenda Nacional deve verificar a atividade do contribuinte, homologando-a dentro do prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considerar-se-á, de forma tácita, homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito a ele correspondente, decaindo, portanto, o direito de a Fazenda corrigir ou lançar "ex officio" (via auto de infração) o tributo anteriormente não pago, sendo inaplicável à espécie a regra do art. 173, I, do CTN ou a disciplinada no § 2° do art. 711 do RIR/80, aliás não reproduzida no atual RIR/94. Paulo de Barros Carvalho, a esse propósito, é claro: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. O exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário "(Curso do Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. Ed., pg. 311). Nem se diga que a regra de contagem, em eventuais casos de prejuízos fiscais não poderia ser a estabelecida no art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do art. 173, I, ao argumento de que não teria havido nenhum pagamento (apurou-se prejuízo fiscal no período), não havendo, pois, o que homologar. A primeira vista esse argumento impressiona, "máxime" em face de decisões do Conselho de Contribuintes relativas a IRF, que se consubstanciaria em hipótese de lançamento de ofício e não por homologação, regrado pelo art. 173, I, do CTN, justamente porque, dizem, não havendo pagamento, nada há a ser homologado. (confira-se, v.g., Acórdão do 1° C D. n.° 101-83.005192 - DOU de 07.01.94) Entretanto, o entendimento' acima exposto, sufragado pelo Conselho de Contribuintes, em nada se assemelha ao tema que ora se debate, já que naquelas hipóteses 13 64,e Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 (lançamento de ofício de IRF) o contribuinte de fato não praticou nenhuma ação (atividade) tendente à quantificação do "quantum debeatur" sujeito a pagamento antecipado. É que em matéria de imposto de renda determinado em função do lucro (real ou presumido), os contribuintes, sempre e necessariamente, levam ao conhecimento da autoridade administrativa toda a atividade que exercem (procedimentos), tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Ora, o que se homologa não é propriamente o pagamento, mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte. Souto Maior Borges, em sua magnifica obra sobre o Lançamento Tributário (volume 4 do Tratado de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1981), em diversas passagens, fere profundamente essa questão não deixando dúvidas sobre a matéria, valendo a pena transcrevê-las: "... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrada no procedimento de lançamento por homologação, não é ato de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente à satisfação do crédito tributário"... (fis. 432). "...Compete à autoridade administrativa, "ex vi" do art. 150, caput, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em princípio implica, embora não necessariamente, em pagamento. E, o ato administrativo de homologação, na disciplina do C.T.N., identifica-se precisamente com o lançamento (art. 150, caput)t (fis. 440/441), Mais adiante, dando fecho a sua conclusão, assevera o Mestre Pernambucano: "...Consequentemente, a tecnologia contemplada no C. T. N. é, sob esse aspecto, feliz- homologa-se a 'atividade" do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não será então necessariamente o pagamento". (fis. 445) Aliás, a interpretação de que o que se homologa á a atividade do contribuinte e não o pagamento realizado é a única possível, sob pena de nulificar todas as regras insertas no art. 150 e §§ do CTN, especialmente a do § 40. Com efeito, dizer-se que o que se homologa seria o pagamento (interpretação puramente literal do caput do art. 150 do CTN), com a devida vênia, significa nada dizer-se já que o pagamento, caso efetuado, sempre e necessariamente, seria homologável. Noutras palavras, o legislador, à evidência, não quis dizer (e não disse) que homologável seria o pagamento do tributo (R$ 100,00, p.ex.), posto que o valor recolhido, qualquer que seja a sua grandeza, considerado em si mesmo, não diverge (R$ 100,00 são , sempre e necessariamente, R$ 100,00) sendo, pois, Inexoravelmente homologável. Nesse diapasão, admitindo-se a tese de que homologável seria apenas o valor pago (atividade de pagamento), a regra inserta "ir § 40 14 • • •2 Processo n°. : 10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 do art. 150 do CTN, porque então não haveria sobre o que divergir, seria estúpida e absolutamente desnecessária, posto que não abrangeria as situações em que não tenha havido pagamento ou que, em tendo havido, o teria sido feito com insuficiência, não obstante toda a atividade procedimental exercida pelo contribuinte. Certamente que esta conclusão, por conduzir ao absurdo, não pode e não deve prevalecer. O intérprete e aplicador do direito, sobretudo o investido em funções judicantes, deve buscar, para além das palavras, o exato conteúdo normatizado. Ou nos afastamos do sentido puramente literal posto na lei ou, com a devida vênia, sem demérito aos ilustres filólogos e lexicográficos, se interpretar o direito significasse simplesmente colocar a norma jurídica à vista de conceitos postos em dicionários, parodiando Paulo de Barros Carvalho, "... seríamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxilio de um dicionário de tecnologià jurídica, estariam credenciados a descobrir as substâncias das ordens legisladas, explicitando as proporções do significado da leL O reconhecimento de tal possibilidade roubaria à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário, ministrado nas Faculdades, a um esforço estéril, sem expressão a sentido prático de existência. Daí por que o texto escrito, na singela conjugação de seus símbolos, não pode ser mais que a porta de entrada para o processo de apreensão da vontade da lei; jamais confundida com a intenção do legislador. O jurista, que nada mais é do que o lógico, o semântico e o pragmático da linguagem do direito, há de debruçar-se sobre os textos, quantas vezes obscuros, contraditórios, penetrados de erros e imperfeições terminológicas, para captar a essência dos institutos, surpreendendo, com nitidez, a função da regra, no implexo quadro normativo. E, à luz dos princípios capitais, que no campo tributário se situam no nível da Constituição, passa a receber a plenitude do comando expedido pelo legislador, livre de seus defeitos e apto para produzir as conseqüências que lhe são peculiares. (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. edição, pgs. 81/82). Carlos Maximiliano, mestre dos mestres na arte da hermenêutica e interpretação do direito, a propósito da matéria preleciona: nunca será demais insistir sobre a crescente desvalia do processo filológico, incomparavelmente inferior ao sistemático e ao que invoca os fatores sociais, ou do Direito comparado. Sobre o pórtico dos Tribunais conviria inscrever o aforismo de Celso. "saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder", isto é, o sentido e o alcance respectivo. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 9' edição, pg. 122). Mais adiante, já tratando do processo sistemático de interpretação, Carlos Maximiliano dá a pedra de toque à sua lição: "Consiste o Processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. Não se encontra um princípio isolado, em ciência alguma, acha-se cada um em conexão íntima com outros... 6/1 15 Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame em conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtém esclarecimentos preciosos. O preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é melhor compreendido. O hermeneuta eleva o olhar, dos casos especiais para os princípios dirigentes a que eles se acham submetidos; indaga se, obedecendo a uma, não viola outra; inquire das conseqüências possíveis de cada exegese isolada. Assim contempladas do alto os fenômenos jurídicos, melhor se verifica o sentido de cada vocábulo, bem como se um dispositivo deve ser tomado na acepção ampla, ou na estrita, como preceito comum, ou especial. (ob. cit., pgs. 128/129) Ou seja, concluir se o pagamento ou não do tributo teria o condão de definir a natureza do lançamento do tributo e, consequentemente, o prazo de decadência a ele aplicável, impõe-se empreender não a busca de significado literal que os vocábulos postos nos textos legais possam ter, mas sim analizá-los à luz de todo o ordenamento jurídico-tributário para, somente após, chegar-se à correta conclusão. Ora, tendo-se presente consistir o lançamento um procedimento administrativo (atividade) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, etc (CTN, art. 142); tendo-se presente que nos tributos sujeitos ao pagamento sem o prévio exame da administração não existe, propriamente, o lançamento; tendo-se presente, por fim, que a administração pública, tomando por empréstimo toda a atividade exercida pelo contribuinte (não apenas o pagamento, que é eventual), tacitamente a homologa, evidentemente que o pagamento do tributo não é fator fundamental, senão para a simples conferência se o "quantum" apurado "casa" com o "quantum" recolhido. Fundamental, isto sim, é toda atividade exercida pelo contribuinte levada a conhecimento da autoridade administrativa, esta sim objeto da homologação. O pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento. Enfim, por essas razões, entendemos que o lançamento de IRPJ é por homologação, devendo a contagem de prazo decadencial, portanto, ser feita em conformidade com a regra prescrita no artigo 150, § 4°, do CTN" (Revista Dialética de Direito Tributário n.° 26— p. 61/66)." Para que não se alegue omissão passo a analisar os argumentos do recorrente um a um. 16( ‘11 16 Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 O recorrente diz que não cabe ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pois assim estaria decretando sua inconstitucionalidade. Diante de um conflito de leis cabe a aplicador, seguindo a sua hierarquia aplicar a lei maior no caso o CTN, se a opção fosse pela aplicação do artigo 45 da Lei 8.212/91, estaria a câmara não só decidindo pela inconstitucionalidade do artigo 173 do CTN, pois negaria-lhe vigência como estaria deixando de obedecer não só a constituição como a hierarquia das leis. Não é o aplicador da lei que estabelece essa hierarquia mas o próprio constituinte ao entender que determinadas matérias pela sua importância devem ter quorum privilegiado, e portanto só podem ser veiculadas através de lei complementar. Quanto à jurisprudência do STJ, o recorrente se socorre de tese já ultrapassada visto que a mais recente, RESP N° 616.348-MG (2003/02229004-0) de 14 de dezembro de 2.004, assim se posicionou: "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, III, b, da Constituição, segundo a qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadências tributárias, compreendida nesta cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que fixou o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social." Mesmo tratando de contribuição para a previdência, sobre a qual não resta dúvida ter dirigido a lei 8.212/91, o STJ tem idêntica posição daquela tomada pela maioria desta Turma. 17 . .. Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 A aplicação de uma lei complementar em detrimento da lei ordinária não significa que o Conselho tenha por via indireta decretado a inconstitucionalidade da lei que deixou de ser aplicada conforme já decidiu o STF, nos seguintes• julgamentos: STF — i a Turma, RE 274.362 AgR/ RS, Relatora Min. Ellen Grade, DJ 08.11.2002. , "Ementa: o acórdão recorrido decidiu conflito entre normas infra- constitucionais, referente a expedição de Certidão Negativa de Débitos, o que inviabiliza a admissão do recurso extraordinário. Agravo regimental desprovido." No voto a Ministra assim se manifestou: "O acórdão recorrido julgou o confronto entre normas de índole ordinária (Código Tributário Nacional e Lei n° 8.212/91), para concluir que a agravada faz jus a recebimento da certidão positiva de débitos, com efeito de negativa. A matéria, portanto, não se rerveste do conteúdo constitucional que o agravante insiste em lhe atribuir, a impedir a admissão do recurso extraordinário." (grifamos). STF — 2" TURMA, RE 377.026 AgR/RS, DJ de 12/03/2004 "Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA REFLEXA À CF/88. INADMISSIBILIDADE. 1. Acórdão de origem reconheceu a limitação imposto pela Lei Complementar 82/95 à regra contida na Lei Estadual n° 10.395/95, considerada hierarquicamente inferior àquela. 2. É inadmissível o recurso extraordinário no qual, a pretexto de ofensa ao princípio da legalidade , pretende-se a exegese de legislação infra-constitucional. Ofensa à Constituição meramente reflexaiou indireta. Agravo Regimental improvido." Gil , 18 i.. , . . ., .: Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 Concluindo, o próprio STF já se posicionou sobre o tema, ou seja o fato da Câmara deixar de aplicar uma lei ordinária, por padecer de ilegalidade pois avançou no campo de outra lei hierarquicamente superior, não significa que esteja declarando nem por via indireta sua inconstitucionalidade. Interessante que ao mesmo tempo que o recorrente diz que os Conselhos não podem avançar até a constituição para a interpretação da lei aplicada ao caso concreto, defende a constitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, ou seja acaba sendo incoerente pois se não há autorização para avançar até a constituição para mostrar a incompatibilidade da lei com a Carta Magna, tampouco o teria para mostrar sua compatibilidade. Como entendo não ter em nenhuma hipótese a câmara recorrida declarado ainda que de forma indireta a inconstitucionalidade da referida norma não há o que falar sobre a constitucionalidade defendida pelo PFN. Transcrevamos a legislação: Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. I § 1 ° '• O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na im siçãofde penalidade, ou sua graduação. 19 , • Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 § 4° - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; I II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Nunca se pode analisar um texto fora do contexto. Assim precisamos analisar os textos contidos no CTN, especialmente em relação à decadência dentro do contexto em ocorria a relação jurídico tributária entre a administração e o contribuinte à época da publicação da referida norma, para depois transporta-la e adapta-la ao contexto atual. À época da edição do CTN, a maioria dos tributos regia-se pela modalidade de lançamento por declaração. No caso do Imposto de Renda, o sujeito passivo informava o valores que representavam o acréscimo patrimonial, a administração tributária, poderia com os dados fazer o lançamento, ou se tvesse 20 . . , •: Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 alguma dúvida interagia com o declarante e logo em seguida procedia ao lançamento do imposto. Assim a metida preparatória para o lançamento a que se refere o artigo 173 estaria inserida exatamente no procedimento de recebimento da declaração e expedição da notificação. Com o passar dos anos a maioria senão hoje, 2.006, quase a totalidade dos tributos e contribuições enquadram-se na modalidade de lançamento por homologação, pois a administração não toma nenhuma medida para lançar o tributo, estando assim sujeito em termos de prazo ao do artigo 150 § 4° do CTN, se porém tiver havido quaisquer das hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, devendo aí a contagem de prazo decadencial ser deslocada do referido artigo para o artigo 173. A DIPJ teria somente caráter informativo ou serviria para outros fins? Esta é a pergunta que me debrucei sobre ela e depois de pesquisa cheguei à conclusão de que, tem outras finalidades que não simplesmente informar a administração ao dados necessários à administração do tributo senão vejamos. Não se sustenta a tese de que a declaração tenha sido apenas informativa, na realidade ela se constitui no término, no acabamento do lançamento por homologação pois é através dela que o contribuinte dá conhecimento da apuração do imposto com os dados de receitas, despesas, adições e exclusões, isenções, parciais e ou totais, incentivos fiscais, etc, e como há uma conferência sumária há sim a participação do sujeito ativo da relação jurídico tributária. Mas não é só isso o artigo 811 do RIR/99 inciso I prevê a realização do lançamento de oficio na hipótese do contribuinte não apresentar declaração, o demonstra a correção de nossa tese de que a apresentação da declaração seguindo as normas estabelecidas pela administração uma vez recepcionada, constitui no acabamento do lançamento, pois caso contrário a própria administração não chamaria 21 ce? Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 o lançamento advindo da revisão da declaração de suplementar, pois é impossível existir o suplementar sem o original, o principal. Corroborando ainda com essa tese o fato da declaração servir para Inscrição na dívida ativa e a cobrança executiva, ora se o imposto não tivesse sido lançado, se hão houvesse a tradução em linguagem escrita dos fatos econômicos que redundaram em renda não haveria a possibilidade de se inscrever na dívida ou cobrar o tributo pois só é possível cobrar tributo lançado, se não lançado, primeiro a administração deve tomar providência e realizá-lo. Quanto às argumentações sobre a competência dos Conselhos, cabe dissertar o seguinte. Nenhum administrador, quer público ou privado, cria qualquer órgão, empresa, divisão, sem um objetivo, sem uma finalidade. O legislador criou o contencioso administrativo com três objetivos básicos: a) celeridade, visto que desde os tempos de sua criação, a justiça era e continua demorada, e como a grande maioria dos contribuintes se estiverem de posse de uma decisão ainda que administrativa, desde que embasada na interpretação correta da legislação, pagam seus débitos sem recorrer à justiça, há uma antecipação no recebimento dos créditos tributários; b)economia, visto que se a demanda for para a justiça terá que arcar com o ônus de sucumbência; c) auditoria, ou seja uma crítica do trabalho de lançamento, como forma de aferição da atividade vinculada e obrigatória de constituição do crédito tributário, visando o seu aperfeiçoamento mormente através de treinamentos. Mas não foi só isso visando dar transparência e buscando uma interação com o próprio contribuinte, criou no âmbito da segunda ins ncia 22 _ .., • . Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 administrativa a paridade que existe nos Conselhos, onde os julgamentos são públicos, portanto transparentes, sendo assegurado o amplo direito de defesa tanto por parte do contribuinte como por parte dos defensores da União, através dos competentes Procuradores da Fazenda Nacional O crédito tributário ao ser lançado não está definitivamente constituído, isso só ocorre quando findo o processo administrativo, ou seja quando há o trânsito em julgado nesta esfera, só a partir daí pode-se falar que exista um bem público representado pelo crédito tributário, pois só a partir deste momento é que pode ser exigido, inscrito na dívida ativa e cobrado judicialmente. Antes disso podemos dizer que há uma expectativa de direito que só se materializa depois do filtro criado pelo legislador, ou seja o contencioso administrativo. Tanto as DRJs como os Conselhos podem e devem ajustar o crédito tributário ao montante que de acordo com a lei e as provas dos autos é devido, este é o papel do contencioso, previsto em lei, especialmente no Decreto 70.235/72. A harmonia, a convivência pacífica, no cenário democrático só pode existir quando cada órgão respeita a função e competência do outro e não tenta restringir. Cabe à SRF, complementar a legislação tributária com atos normativos e interpretativos, administrar, fiscalizar e controlar a arrecadação dos tributos federais, assim como realizar julgamentos em primeira instância. Cabe à PFN prestar assessoria jurídica, defender o crédito tributário em todas a instâncias e tribunais bem como executar aquele definitivamente constituído. Os procuradores têm feito brilhante trabalho no âmbito dos Conselhos e da CSRF, porém dizer que não podem reduzir ou até julgar totalmente improcedente crédito tributário lançado e em julgamento, como quis dar a entender o recorrente na tese da indisponibilidade de bens, é afrontar a própria legislação que instituiu e definiu o papel dos conselhos dentro da relaçãofjurídico tributária. C4) 23 i — . 4 Processo n°. :10218.000370/2001-44 Acórdão n° : CSRF/01-05.485 Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN, bem como as contra-razões trazidas pelo contribuinte e, no mérito voto no sentido de NEGAR- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões - DF, em 19 de junho de 2.006. / 7'S CLOVIS ALVES 4 60^ 24 Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1 _0038800.PDF Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11065.000311/98-72
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ – CSL – REGIME DO LUCRO REAL – CÔMPUTO DAS RECEITAS OMITIDAS NO RESULTADO DECLARADO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE ANOS ANTERIORES – A receita omitida nos anos-calendário de 1993 a 1995 deve ser computada juntamente com as demais receitas declaradas. Existindo saldo de prejuízos fiscais ou de bases de cálculo negativas de CSL deve-se admitir a compensação integralmente até 1994 e de forma limitada a 30% do valor apurado para o ano de 1995.
IRF – OMISÃO DE RECEITAS – REGIME DO LUCRO REAL – A receita omitida é considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica.
Recurso especial parcialmente provido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.544
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer a exigência do IR-Fonte nos anos de 1993 a 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima e José Clóvis Alves que deram provimento integral ao recurso e os Conselheiros José Carlos Passuello, Dorival Padovan e José Henrique Longo que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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ementa_s : IRPJ – CSL – REGIME DO LUCRO REAL – CÔMPUTO DAS RECEITAS OMITIDAS NO RESULTADO DECLARADO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE ANOS ANTERIORES – A receita omitida nos anos-calendário de 1993 a 1995 deve ser computada juntamente com as demais receitas declaradas. Existindo saldo de prejuízos fiscais ou de bases de cálculo negativas de CSL deve-se admitir a compensação integralmente até 1994 e de forma limitada a 30% do valor apurado para o ano de 1995. IRF – OMISÃO DE RECEITAS – REGIME DO LUCRO REAL – A receita omitida é considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Recurso especial parcialmente provido.
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Recorrida : 8° CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 19 de setembro de 2006 Acórdão n° CSRF/01-05.544 IRPJ — CSL — REGIME DO LUCRO REAL — CÓMPUTO DAS RECEITAS OMITIDAS NO RESULTADO DECLARADO — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES DE CALCULO NEGATIVAS DE ANOS ANTERIORES — A receita omitida nos anos- calendário de 1993 a 1995 deve ser computada juntamente com as demais receitas declaradas. Existindo saldo de prejuízos fiscais ou de bases de cálculo negativas de CSL deve-se admitir a compensação integralmente até 1994 e de forma limitada a 30% do valor apurado para o ano de 1995. IRF — OMISÃO DE RECEITAS — REGIME DO LUCRO REAL — A receita omitida é considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Recurso especial parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer a exigência do IR-Fonte nos anos de 1993 a 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima e José Clóvis Alves que deram provimento integral ao recurso e os Conselheiros José Carlos Passuello, Dorival Padovan e José Henrique Longo que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber. C.:14 MANOEL ANTÓNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 ORO S NEUBER. REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 03 OUT 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiro : PAULO JACINTO DO NASCIMENTO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 2 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 Recurso n° :108-132.587 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : LINEAR INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA. RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por sua douta Procuradora junto à Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, recorre a este Colegiada (fls. 457/469) contra o Acórdão n° 108-07.545, de 15/1012003 (fls. 442/454), que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte para: 1) admitir a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSL com as receitas omitidas em cada período de apuração; 2) cancelar a exigência do IRF do ano- calendário de 1993; e 3) reduzir a aliquota do IRF para 15% nos anos de 1994 e 1995. O aresto recorrido, na matéria objeto do recurso, tem a seguinte ementa: "REGIME DE TRIBUTAÇÃO APARTADA — NATUREZA PENALIZANTE — REVOGAÇÃO — APLICAÇÃO RETROATIVA — A tributação em separado prevista nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 tem natureza de penalidade, aplicando-se retroativamente o artigo 36, inciso IV da Lei n° 9.249/95, que os revogou. Em conseqüência, tratando-se de ato não definitivamente julgado, deve ser afastada sua aplicação, excluindo-se do lançamento aquilo que constitui acréscimo penal. IRPJ — CSL — REGIME DO LUCRO REAL — CÔMPUTO DAS RECEITAS OMITIDAS NO RESULTADO DECLARADO — COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DE ANOS ANTERIORES — A receita omitida nos anos-calendários de 1993 a 1995 deve ser computada juntamente com as demais receitas declaradas a teor do art. 24 da Lei n° 9.249/95. Havendo saldo de prejuízos fiscais ou de bases negativas da CSL deve-se admitir a compensação integralmente até 1994 e de forma limitada a 30% do valor apurado para 1995. IRF — RETROATIVIDADE BENIGNA — Deve ser excluído do lançamento o acréscimo penal constante da 1 islação rev gada, 3 i \ • Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 permanecendo a tributação pela aliquota de 15%, vigente nos anos de 1994 e 1995 para a regular distribuição de lucros (Lei n° 8.849/94, art. 2° e Lei n°9.064/95, artigos 1° e 2°)." O ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto à OITAVA Câmara foi intimado do referido aresto em 17/06/2004 e, na mesma data (fls. 457), apresentou o seu recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Douta Procuradoria apresentou como paradigmas os Acórdãos n°s 107-05.743, de 15/09/99, por cópia às fls. 470/483, e 107-06.213, de 21/03/2001 (fls. 485/491), tendo o ilustre Presidente da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo Despacho PRESI n° 108-085/2004 (fls.493/495), reconhecido a ocorrência de dissídio jurisprudencial entre o aresto recorrido e os dois acórdãos paradigmas apresentados no recurso, dando seguimento ao recurso de divergência para este Colegiado. Os acórdãos paradigmas estão assim ementados: Acórdão n° 107-05.743, de 15/09/99: "LUCRO REAL — OMISSÃO DE RECEITAS NO ANO DE 1993 — TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO PREVISTA NO ART. 43 DA LEI 8.541/92. A previsão da tributação integral das receitas omitidas, sem comunicação com o resultado da pessoa jurídica, base de cálculo para o lançamento de ofício do imposto de renda pessoa jurídica, no ano de 1993, está estabelecida na Lei n° 8.541/92. Mantida a tributação em relação a esse ano, por ter o sujeito passivo apurado os resultados com base no lucro real? Acórdão n°107-06.213, de 21/03/2001: "PENALIDADE - ARTIGO 43 DA LEI N° 8.541/92 - Ainda que inserido no titulo das "penalidades" não tem este caráter, vez que se trata de forma de tributação. O art. 24 da Lei 9.249/95 revogou a forma de tributação, conseqüentemente, a retroatividade benigna do art. 106, II, "c" do CTN aplica-se somente à legislação que trata das penalidades. DECORRÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - COFINS - PIS - IMPOSTO DE RENDA FONTE - Aplica-se por igual, aos processos formalizados por decorrência, o que for decidido ne t)julgamento." 4 k ,ii Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 O dissenso submetido a este Colegiado pode ser assim resumido: a Câmara entendeu que os arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 tinham efeito penalizante, de sorte que, com a revogação desses dispositivos, pelo artigo 36 da Lei n° 9.249, de 26/12/95, o art. 24, dessa mesma lei — que estabeleceu que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão,— teria efeito retroativo, de acordo com o disposto no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, a chamada retroatividade benigna. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional insurge-se contra o julgado por entender que não há conotação de penalidade nos arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Não há que se falar que a Lei n° 8.541/92 criou base de cálculo do imposto com a natureza de sanção ao contribuinte que omitiu receitas, mas tão-somente uma forma de tributação de receitas omitidas, especificando a base de cálculo sobre a qual incidirá o tributo. A tributação integral e em separado das receitas omitidas pelo contribuinte que apura o lucro real, já estava prevista nos arts. 180 e 181 do RIR/80, na ocorrência de saldo credor de caixa e manutenção no passivo de obrigações já pagas. Cita precedentes administrativos no sentido de sua posição. Transcreve excertos do voto condutor do Acórdão n° 107-05.743, de 15/09/99, da lavra da ilustre Conselheira Maria Ilca Lemos Diniz. A retroação da norma menos gravosa justifica-se quando certa pena, imputada à prática de certo ato, é diminuída por norma posterior, eis que o ato, antes ilícito, passa a ser lícito, ou passa a ser valorado de modo menos gravoso pela sociedade. O raciocínio sustentado pela Câmara recorrida leva à conclusão que a sanção instituída, no caso, para a infração cometida pelo contribuinte (a omissão de receitas) seria justamente a cobrança de tributo sobre o valor omitido. No entanto, a sanção decorre de um ato ilícito, enquanto o tributo decorre deum fato que ev' encia 5 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 certa capacidade contributiva. O principio de Direito Penal de retroação da norma mais benéfica jamais poderia ser utilizado para dispensar o pagamento de tributo. Discorre sobre a diferença entre sanção e tributo. Requer a reforma do julgado e mantida a tributação em consonância com o disposto nos arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. O sujeito passivo teve ciência do aresto recorrido e do recurso especial, em 21/01/2005 (fls. 498), e apresentou, em 28/01/2005 (fls.5001501), suas contra-razões em que sustenta o acerto do acórdão recorrido, pois no seu entender os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 têm realmente efeito penalizante, acrescentando que pela infração cometida a empresa já foi penalizada com a multa de 150% e a mantença da tributação, com base de cálculo em 100% da receita omitida, representa autêntico confisco. É o relatório.", 1( VÍ)_, 6 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 VOTO VENCIDO Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator O recurso da Fazenda Nacional está previsto no inciso II do artigo 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, guardando observância do prazo de 15 (quinze) dias para sua interposição, estabelecido no artigo 7°, do mesmo regimento. As contra-razões do sujeito passivo tem guarida no artigo 8°, do mencionado Regimento, e foi interposto no prazo ali previsto. Tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria e das contra- razões do sujeito passivo. Em diversas oportunidades já manifestei perante esta e. Primeira Turma o meu convencimento de que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, mas apenas uma forma de tributação que ao legislador é dado constitucionalmente o direito de adotar. Malgrado o dispositivo esteja impropriamente contido no Título IV da Lei n° 8.541/92, referente a Penalidades, entendo que se trata de tributo, tendo o legislador, na elaboração dessa norma, se filiado à corrente que entende que os custos, despesas e encargos referentes às receitas omitidas já as afetaram, e, assim, não se poderia dizer que o tributo incidiria sobre o total da receita, com abstração dos custos, despesas e encargos necessários à sua percepção. E por isso o seu valor integral tem-se como distribuído aos sócios. A afirmação de que não se pode confundir penalidade com tributo para odar efeito retroativo à norma de tributação, como se de sanção se tratasse, é, d, meu 7 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 ver, absolutamente correta. Como afirma a ilustre relatora do voto do primeiro acórdão paradigma, a tributação em separado já era conhecida de nosso ordenamento jurídico tributário, ao dispor no Decreto-lei n° 1.598/77 sobre as formas de omissão de receitas indiciadas por suprimento de caixa e saldo credor de caixa, e como aduz a recorrente por manutenção no passivo de obrigações já pagas (art. 12, §§ 2° e 3°). Com efeito diz o referido artigo e seus §§ 2° e 3°: Art. 12. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. " omissis" § 2° - O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. § 3° - Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. O § 1° do artigo 43 da Lei n° 8.541/92, cuja redação não foi alterada sequer pela MP n° 492/94, afirma que o valor apurado, consoante dispõe o "caput" do referido artigo, serviria de base de cálculo para as contribuições sociais e, para não deixar dúvidas, ainda estabeleceu no § 2°, seguinte, que o valor assim determinado não comporia a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão seriam definitivos. Deixou muito cl , o tratamento especial. di 8 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 Confira-se, também, o que dizem os artigos 43 da Lei n° 8.541, de 23/12/92: "Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei n°9.064 de 20.06.1995) § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Assim, comprovada nos autos a omissão de receitas, devem ser mantidas, não apenas a contribuição para o PIS e a COFINS (como acertadamente procedeu a e. Câmara recorrida), como também a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na forma lançada e confirmada em primeira instância. Em relação ao imposto de renda na fonte, dispõe o art. 44 da Lei n° 8.541/92: "Art. 44. (...) "Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à aliquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica." Malgrado, repita-se, o dispositivo esteja impropriamente contido no Titulo IV da Lei n° 8.541/92, referente a Penalidades, entendo que se trata de tributo, 9 (Lk t 4 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 uma vez que o legislador pode instituir imposto de renda exclusivamente na fonte, como o fez no art. 44 da mencionada lei. Comprovada que foi a omissão de receitas, também aqui o lançamento deve ser mantido. Na esteira dessas considerações, dou provimento ao recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional para manter a tributação em consonância com o disposto nos arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. Sala das Sessões - Brasília (DF), em 19 de setembro de 2006 il-itil,P2-i~ç CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES U., 61 10 I. 4 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 VOTO VENCEDOR Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER — Redator Designado; Designado para redigir o voto vencedor, inicialmente, adoto o relatório da lavra do ilustre Conselheiro Relator, por sorteio, Dr. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, ao qual nada tenho a acrescentar, e procurarei refletir o anseio da expressiva e significativa maioria dos membros do Colegiado, que proveu o recurso especial, parcialmente, para restabelecer apenas a exigência do IRF nos anos de 1993 e 1995. A Fazenda Nacional se insurgiu contra o acórdão recorrido por discordar, basicamente, do afastamento da tributação com base nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. A decisão do acórdão recorrido, o de n° 108-07.545, é a seguinte, fls. 443, in verbis: "ACORDAM OS Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) admitir a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSL com as receitas omitidas em cada período de apuração; 2) cancelar a exigência do IR-FONTE do ano de 1993; 3) reduzir a aliquota do IR-FONTE para 15% nos anos de 1994 e 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integral o presente julgado.". Já a decisão desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso especial contra a decisão acima, foi extraída no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, por maioria de votos, para restabelecer a exigência do IRF nos anos de 1993 a 1995, vencidos os Conselheiros Cario Alberto Gonçalves Nunes (Relator), Marcos Vinicius Neder de Lima e José Clóvis Alves, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros José Carlos Passuelo, Dorival Padovan e José Henrique Longo que negaram provimento integral ao recurso. Desse modo, o foco deste voto vencedor concentra-se na rejeição do recurso especial na parte em que voga contra o provimento dado pelo acórdão recorrido, quando do julgamento do recurso voluntário, no sentido de "...1) admitir a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSL com as receitas omitidas em cada período de apuração; ...". Esta a dissensão quanto ao voto vencido. Este o limite deste voto vencedor. Compartilho do entendimento do ilustre Relator do voto vencido de que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não têm caráter de penali ade, mas apenas u forma de tributação. 11 .- 4 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 Conquanto inseridos no Título IV da Lei n° 8.541/92, referente a Penalidades" os seus conteúdos são de cunho nitidamente tributário, nada se referindo ou sugerindo penalidade mas, tão somente, compatível com o vetusto entendimento de que uma vez apurada omissão de receitas, em empresa submetida ao regime do lucro real, os custos, despesas e encargos a elas referentes já as afetaram, visto que são admitidos como já contabilizados. Entretanto, mesmo esse entendimento nunca foi absoluto, pois a jurisprudência das Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuinte ressalva que, nas hipóteses de ocorrência de omissão de receita da venda de um bem identificado e comprovado que os respectivos custos, despesas e encargos a ele correspondentes também não tenham sido escriturados, os mesmos devem ser admitidos para se tributar apenas o resultado haurido na operação de venda, como soe acontecer nos casos de vendas de aeronaves, barcos, caminhões e automóveis, exemplificativamente. Outro ponto de concordância com o voto vencido está em que se os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não se revestem de caráter penal, da mesma forma as disposições do artigo 24 da Lei n° 9.249/95, com mais clareza, ainda, visto não inserido em titulo de Penalidades", não se tratam de penalidades, mas de norma tributária. Considerando que a retroatividade mais benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional — CTN, somente é possível em se tratando de aplicar nova penalidade, mais branda que a anterior, a casos ainda pendentes de julgamentos, revela-se tortuoso e frágil o raciocínio que convola duas normas tributárias em penalidades para em seguida resultar não na cominação de penalidade, mas na exigência de tributo com a base de cálculo e/ou alíquotas minoradas. Foi o que ocorreu no caso do acórdão recorrido que apequenou alíquota e base de cálculo para tributar a receita omitida com base nas disposições do artigo 24 da Lei n° 9.249/95, editada posteriormente à ocorrência dos fatos geradores autuados, tomadas como penalidade mais benigna. Dessa interpretação resulta, ainda, ofensa às disposições do artigo 144 do CTN, no sentido de que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se constatado que o tributo foi utilizado como penalidade penso que o crédito tributário, assim constituído, deveria ser pura e simplesmente cancelado, ao invés de se aplicar penalidade mais benigna, pois continuaria a se utilizar o tributo como penalidade o que é terrninantemente vedado pelas disposições do artigo 3° do CTN. Ademais, as autoridades julgadoras, no processo administrativo fiscal da União, seja em primeira instância, seja em segunda instância, não detêm a competência de autoridade lançadora, de modo que não eâdem inovar, moslif ear ou 12 tO Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 aperfeiçoar o lançamento tributário, mediante modificação de seus fundamentos fáticos e de direito, como mudar a legislação aplicável, a alíquota e a base de cálculo do lançamento efetuado, elementos básicos do lançamento tributário talhados no artigo 142 do CTN. Entretanto, como o recurso especial foi manejado pela Fazenda Nacional devo restringir-me aos seus limites. Afora estes aspectos a discordância da seleta maioria dos membros do Colegiado, em relação ao voto vencido, está em que o ilustre Relator não admitiu a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSL com a receita omitida apurada, numa interpretação especiosa do artigo 43 da Lei n° 8.541/92, justificando a sua tributação estanque ou em separado. Realmente, como mencionado no voto vencido, a nossa legislação fiscal sempre admitiu a tributação da receita omitida integralmente, no regime do lucro real, mas sempre partindo do pressuposto de que os respectivos custos, despesas e encargos estariam contabilizados, a exemplo das citadas disposições do artigo 12, §§ 2° e 30, do Decreto-lei n° 1.598/77, matriz legal dos artigos 180 e 181 do RIR/80, sendo em igual sentido, ou deveria sê-lo, as disposições do artigo 43 da Lei n° 8.541/92. Porém, não se pode olvidar que o fato gerador do imposto de renda é definido no artigo 43 do CTN e a sua base de cálculo definida no seu artigo 44 como sendo o montante real, presumido ou arbitrado de rendimentos, considerando, ainda, que o CTN foi recepcionado como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1988. Assim, restou ao legislador ordinário disciplinar apenas a forma de apuração do lucro real, arbitrado ou presumido, para efeitos de tributação das pessoas jurídicas que, na hipótese dos autos é tributada com base no lucro real. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas tributadas pelo regime do lucro real é definida como sendo o lucro líquido do exercício apurado de acordo com as disposições das leis comerciais e fiscais, cujo lucro líquido, com as adições e exclusões determinadas pela legislação fiscal, resulta no lucro real, base de cálculo do IRPJ. No contexto do regime do lucro real a legislação fiscal também sempre previu o ajuste da base de cálculo pela compensação dos prejuízos fiscais existentes, passíveis de compensação e nos limites previstos legalmente, antes de se chegar à base de cálculo definitiva, sobre a qual incide a alíquota do tributo. Concluindo, no regime do lucro real o trabalho fiscal consiste em auditar a 'demonstração do lucro real" adicionando valores omitidos e glosando valores indevidamente deduzidos, bem como deve, o fisco, considerar a compensação de saldos de prejuízos fiscais existentes. O fato gerador do imposto de renda das pessoas jurídicas e a sua base de cálculo, definidos nos artigos 43 e 44 do CTN, não e modificaram com os 13 4-1, 4 Processo n° :11065.000311/98-72 Acórdão n° : CSRF/01-05.544 dispositivos da lei ordinária, bem como a forma de apuração do lucro real também não se modificou substancialmente com a edição do artigo 43 da Lei n° 8.541/92. Assim, uma vez apurada omissão de receita deve o fisco adicioná-la ao lucro real e efetuar as compensações dos prejuízos fiscais existentes. Esse critério de apuração aplica-se igualmente à exigência reflexa da CSL, no que pertine à compensação de bases de cálculo negativas. Dessarte, explicitando o desejo da maioria dos membros do colegiado, nego provimento ao recurso especial, nesta parte, admitindo a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSL com as receitas omitidas em cada período de apuração, prestigiando, assim, a decisão do acórdão recorrido, neste particular, com a ressalva de que o faço pelas conclusões, sob os fundamentos aqui declinados. Na esteira destas considerações, oriento o meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial de divergência manejado pela Fazenda Nacional para, reformando-se o acórdão recorrido, dentre as exigências nele exoneradas, restabelecer a exigência do IRF nos anos de 1993 a 1995, confirmando, assim, o voto vencido neste particular. Sala das Sessões — DF, em 19 de setembro de 2006. er mimar!' DÉ1 h • - 14 Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1 _0055700.PDF Page 1 _0055800.PDF Page 1 _0055900.PDF Page 1 _0056000.PDF Page 1 _0056100.PDF Page 1 _0056200.PDF Page 1 _0056300.PDF Page 1 _0056400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10410.002119/2001-38
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O início da fiscalização interrompe a espontaneidade da contribuinte com relação aos tributos que estão sendo examinados, logo, toda falta de recolhimento constatada deve ser exigida por intermédio de auto de infração. CONSTITUCIONALIDADE DOS ATOS LEGAIS. As instâncias administrativas de julgamento não são competentes para apreciarem constitucionalidade ou legitimidade dos atos legais regularmente editados. PIS. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Os consectários referentes à multa de ofício e os juros de mora com base na taxa SELIC, não merecem reparos, tendo em vista que foram constituídos com base em normas legais vigentes, cujos efeitos não foram afastados pelo Poder Judiciário. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-09902
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valdemar Ludvig
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Segundo Conselho de Contribuintes •Of.k»„ BRASIL IA —1,5— I — Processo n9 : 10410.002119/2001-38 Recurso n' : 123.371 Acórdão n : 203-09.902 vIsro Recorrente : JORNAL GAZETA DE ALAGOAS LTDA. Recorrida : DRJ em Recife - PE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O inicio da fiscalização interrompe a espontaneidade da contribuinte com relação aos tributos que estão sendo examinados, logo, toda falta de recolhimento constatada deve ser exigida por intermédio de auto de infração. tat \ s°‘to CONSTITUCIONALIDADE DOS ATOS LEGAIS. As " OP1/4çconti‘buw 10° instâncias administrativas de julgamento não são competentes 141S too ç 43 5 tNIA coo* Ooi para apreciarem constitucionalidade ou legitimidade dos atos segoo no 00 I ado 4/W legais regularmente editados.poc , De PIS. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Os consectários wvs-co referentes à multa de oficio e os juros de mora com base na taxa SELIC, não merecem reparos, tendo em vista que foram constituídos com base em normas legais vigentes, cujos efeitos não foram afastados pelo Poder Judiciário. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JORNAL GAZETA DE ALAGOAS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2004 4, 4̂1,11b SUsid. eonard • de s . drade Couto Preside e n . I gin' I b I ig I a'. or Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Rosa da Costa, Maria Teresa Martínez López, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente), Cesar Piantavigna, Emanuel Carlos Dantas de Assis e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Eaal/imp 1 Mintsteno da Fazenda 42,1--‘)? Fl.Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREli4ALIFAZEJL----"HrriGtorstnAL"...-77-61õ' r CC-MF aVA Processo e : 10410.002119/2001-38 Recurso n2 : 123.371 viro Acórdão n2 : 203-09.902 Recorrente : JORNAL GAZETA DE ALAGOAS LTDA. RELATÓRIO Contra a interessa foi lavrado auto de infração exigindo o recolhimento da importância de R$203.419,26, acrescida de multa de oficio e juros de mora, por falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração de agosto de 1997 a junho de 2000. Cientificada, a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação onde constata a autuação com base em argumentos sintetizados no relatório da decisão recorrida fls. 164/165, as quais leio em sessão. A r Turma de Julgamento da DRJ em Recife — PE, julgou o lançamento procedente em decisão assim ementada: "Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, como também a atividade administrativa de julgamento pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. JUROS DE MORA — TAXA SELIC. É legal a cobrança de juros de mora, calculados pela aplicação da taxa SEL1C, estando prevista no art. 13 da lei n° 9.065/95, dispositivo legal este não julgado inconstitucional pelo Poder Judiciário. LANÇAMENTO EX OFFICIO DE VALOR INFORMADO EM DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A simples informação do PIS em declaração do Imposto de Renda Pessoa jurídica não obsta o lançamento de oficio, em decorrência da falta de recolhimento da contribuição, cujo respectivo valor ainda não esteja inscrito em Dívida Ativa nem em fase de execução judicial, tendo em vista que a atividade da autoridade fiscal é vinculada e obrigatória e não poderá deixar de ser exercida quando constatada infração à legislação. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos de caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar-lhe execução. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal" Inconformada com a decisão supra, a recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário dirigido a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já apresentadas na fase impugnatória. É o relatório. 2 • CC-MF Munsténo da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MIN '. ZENOA - 2 Cr: Fl. COM e t- E CO P ., O erual Processo n 10410.002119/2001-38 8RA, à r LE);_f I") Recurso n2 : 123.371 ..daffitt",_ Acórdão n2 203-09.902 visTo VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVIG O recurso é tempestivo, e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade, estando, portanto, apto a ser conhecido. A recorrente além de questionar a legitimidade da legislação que alterou a base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, contesta a lavratura do auto de infração alegando que a matéria autuada se encontra totalmente declaradas nas DCTFs apresentadas. Em relação ao questionamento das normas legais que regem a matéria, bem decidiu a decisão recorrida ao colocar que falece competência às instância de julgamento administrativas para apreciarem constitucionalidade e legalidade dos atos legais, matéria esta reservada ao Poder Judiciário. Este entendimento já se encontra consolidado neste Colegiado. Sobre as DCTFs apresentadas estas não podem ser consideradas como lançamento tributário, tendo em vista que sua apresentação se deu após o inicio dos trabalhos da fiscalização, fato este que resultou da perda da espontaneidade da recorrente, conforme previsto no § 1° do artigo 7° do Decreto n°70.235/72. Quanto à cobrança da multa de oficio e dos juros de mora com base na taxa SELIC, este Colegiado já consolidou o entendimento pela sua regularidade, tendo em vista se basearem em legislação regularmente editadas e cuja vigência não se encontra afastada pelo Poder Judiciário. Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É • o to. Sala das -ssõ c s, em 01 de dezembro de 2004 `.1 :§1 • t LUD I IG 3
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001266/2003-58
Data da sessão: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1995
PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA COM BASE NO ART. 61 (CRPS). FALTA DE PREVISÃO PARA ACOLHIMENTO COMO RECURSO ESPECIAL (CSRF).
Não encontra respaldo na legislação processual administrativa o pedido de uniformização de divergência interposto no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), interposto com base no art. 61 do Regimento Interno do CRPS. O art. 5º da Portaria da CSRF n° 5, de 2008, apenas acolhia os pedidos de uniformização de divergência interpostos com base no art. 63
do citado regimento.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS..,..:- Processo n°n° 35464.001266/2003-58 Recurso n° 245.314 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.334 — 2' Turma Sessão de 27 de outubro de 2009 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado H. E. ENGENHARIA, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1995 PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA COM BASE NO ART. 61 (CRPS). FALTA DE PREVISÃO PARA ACOLHIMENTO COMO RECURSO ESPECIAL (CSRF). Não encontra respaldo na legislação processual administrativa o pedido de uniformização de divergência interposto no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), interposto com base no art. 61 do Regimento Interno do CRPS. O art. 50 da Portaria da CSRF n° 5, de 2008, apenas acolhia os pedidos de uniformização de divergência interpostos com base no art. 63 do citado regimento. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, •or unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. i 4ÁO CARLOS ALBER 1 nk AS B ' ''O - Presidente1 i r -1 \ CAIO MARCOS CAND II? - Relator t EDITADO EM: o 4 DC-2009 E—' 1 ......... Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratam os presentes autos de pedido de uniformização de jurisprudência, datado de 30/06112004, no âmbito da Nota Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 32.302.103-4, interposto pelo Serviço de Receita Previdenciária da Gerência Executiva de São Paulo Oeste (fls. 501/505) em face do acórdão n° 0088/2004 da 2* Câmara de Julgamento (CAJ) do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A contribuinte H. E. Engenharia, Comércio e Representações Ltda. apresentou contrarrazões em 17/08/2004 (fls. 556/577). O pedido de uniformização foi indeferido pelo presidente da 2 aCAJ (fls. 579/586), tendo sido reapresentado para análise do Presidente do CRPS (fls. 587/595). Às fls. 625 o Presidente da 2' Câmara de Julgamento proferiu despacho em que podem ser extraídos os seguintes excertos, fundamentais para análise do pleito: Este Presidente, no exercício de sua competência prevista no art. 63, do Regimento Interno do CR_PS, indeferiu o pedido de uniformização de jurisprudência interposto pelo INSS (Despacho às fls. 584/586). O indeferimento é irrecorrível, por força de expressa disposição regimental (art. 63, sf in verbis: "O pedido previsto neste 7§2( artigo pode ser feito pela parte uma única vez e o seu indeferimento pelo presidente da Câmara de Julgamento que - profer-iu a decisão atacada é irrecorrível. " Não obstante, a Administração fiscal renova o pedido de uniformização de jurisprudência, desta feita, direcionando-o ao ilustre Presidente deste colendo CRPS (...). Todavia, o expediente fere, às escâncaras, o Regimento Interno do CRPS, podendo inaugurar precedente recursal ilegítimo, porquanto sem previsão legal (.). A meu sentir, a sua admissão pela autoridade hierarquicamente superior, representaria usurpação de competência do Presidente da Câmara de Julgamento e ofensa ao devido processo legal". A contribuinte apresentou contrarrazões onde reforça a irrecorribilidade da negativa de seguimento em pedido de uniformização de jurisprudência, bem como, o não cumprimento dos requisitos previstos no art. 63 para sua interposição. A Divisão de Assuntos Jurídicos do Ministério da Previdência Social, com base no art. 61 do Regimento Interno do CRPS (RICRPS), aprovado pela Portaria MPS n° 88, de 22/01/2004, entendendo no sentido da preponderância de interesse da unificação das 2 1 • 1 E~IffillINF Processo ni° 35464.001266/2003-58 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00-334 Fl. 2 decisões no âmbito daquele Conselho, suscitou o pronunciamento do Pleno do CRPS para encerrar divergência jurisprucleincial. No tocante à arg-urnentação acerca da definitividade da negativa de seguimento pelo presidente da CA.J, consignou que a: (...)a unorrnização é irzstrumerzto do interesse público (.). Em razão desta 'Natureza do ins-tituto em apreço, é incompreensível a concepção ele que na unifbrrnização requer-ida pela parte só o presidente dcz câmara ou da junta, no caso de alçada, possa avaliar a ocorrência do conflito entre decisões. O „fato de o Reginzerzto nao expressar o direito da parte de reg ue.rer ao Presidente do C'RPS a suscitaçffo da unifornzização, não impede com base nos direitos constitucionais de petição e de resposta, que a parte dirija-se a essa autor-ideada- e a convença da exis-tência de conflito de decisões entre câmaras, hipótese em que, sendo unia das autoridades autorizadas a provocar a unifbrrnizaça o, deve suscitá-la, em nome do interesse público. O termo irrecorrivel, constante do ar-t. 63, §"" 3°, da RICRPS, quer significar, aperzczs, que não há recurso em firce de decisão do presidente de indeferir . a uniforrnizaçé-io requerida pela parte, que esta ruão pode discutir a precedência da deci-s-cio." Segue na sua arg-z4trzentação afirmando: Ainda no tema, nos termos da consideração de que é destinatário, o Sr_ F•residerzte da 2' CAJ-- não pode atribuir ao Sr. Presidente do CR_PS a usurpação de uma competência que não é sua. A Reginzental, de o Presidente do Conselho provocar a unifornzizaçcio, nos termos do ar-t. 61, pare-cgr-a/o I°, norma absolutamente legal e coerente com a doutrina administrativa, - não pode ser obstada porque o Presidente da do uía 2 Câmara - não visualizou o conflito_ Concluiu, então que: Com base no art.. 61, "caput" do Regimento Interno do CRPS, no sentido de que "A unifornsização„ em tese,, da jurisprudência administrativa previdenciária pode ser suscitada para encerrar divergência jurispr-udenciczl O Presidente do CR_F'S acolheu o parecer, encaminhando os presentes autos à análise do Pleno do CRPS. Em virtude da criação da Receita Federal do Brasil, os processos administrativos que tramitavamn no CRPS foram transferidos para o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e, por isso, o Pedido de Uniformização de Jurisprudência está sendo examinado por essa 2' Turma da Câmara. Superior de R_ectusos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão que unificou os anteriores Conselhos de Contribuintes.. É o relatório. 3 - Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Tratam os presentes autos de recurso para uniformização de jurisprudência interposto com fundamento no artigo 61 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria MPS n° 88, de 2004: Art. 61. A uniformização, em tese, da jurisprudência administrativa previdenciária pode ser suscitada parcz encerrar divergência jurisprudencial,ou para os fins do art. 30, caput deste Regimento, para consolidar jurisprudência reiterada no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Socia l. §1°A uniformização em tese pode ser provocada pelo Presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social, por qualquer dos presidentes das Câmaras de Julgamento ou, exclusivamente em matéria de alçada, por qualquer dos presidente-s dias Juntas de Recursos, mediante a prévia apresentação de estudo fundamentado sobre a matéria a ser uniformizacicz, no qual deverá ser demonstrada a existência de di-vergêncicz jurisprudencial ou de jurisprudência reiterada. A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil, fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria. da Receita Pre-videnciária, estabeleceu no inciso I do art. 25, que as regras do processo administrativo fiscal do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, seriam aplicadas às contribuições previdenciárias lArn ano após de sua publicação. Conforme relatado o Presidente da Caj que ex.arou. a. decisão atacada q-ue deu causa ao presente pedido de uniformização, negou o seguimento do referido pedido formalizado com base no art. 63 do dito RICRPS, por entender riãc baver, no caso concreto, a suscitada divergência de decisões. Em seguida o INSS apresentou novo pedido, agora direcionado ao Presidente do CRPS, o qual foi encaminhado pelo presidente da CAI, riao sem antes, observar ser - definitivo seu pronunciamento pela negativa de seguimento do dito pedido. A Divisão de Assuntos Jurídicos do Ministério da Previdência consignou em seu robusto despacho os motivos pelos quais entendeu pela possibilidade da análise pelo Pleno do CRPS do pedido de uniformização de divergência, ernbasan.do seu entendimento n.o art. 61 e § 1 0 do dito Regimento. No entanto, não há previsão na legislação processual administrativa para que aos pedidos de uniformização de jurisprudência previdenciária acolhidos com base no art. 61 do RICRPS sejam aplicadas as disposições relativas ao recurso especial do art_ 67 do Regimento Interno do CAR_F. O art. 5° da Portaria CSRF n° 5, de 2008 prevê a aplicação de tais disposições apenas àqueles pedidos de uniformização interpostos com base no art. 63 do RICR_PS, não albergando os interpostos com base no art. 61, verbis: 4 Processo n° 35464.001266/2003-58 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.334 Fl. 3 Art. 52 Aplicam-se as disposições do recurso especial de que trata o art. 72, inciso II, do RICSRF, aos recursos interpostos com fulcro no art. 63 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n2 88, de 22 de janeiro de 2004, que aguardam julgamento na CSRF, consoante art. 5 2, ff 12 e 32 da Portaria MF n2 147, de 25 de junho de 2007. Em sendo assim, não conheço-do recurso interposto. 1 Caio iMarcos Candidô - elator 5
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Numero do processo: 10467.000206/96-21
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PROCESSUAL – MULTA DE MORA. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. – Descabe, na confissão espontânea do débito (ato formal) acompanhado pelo pagamento de tributo e dos juros de mora, qualquer outra exigência de caráter material. Inteligência do artigo 138 do CTN.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.194
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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CONFISSÃO ESPONTÂNEA. Descabe, na confissão espontânea do débito (ato formal) acompanhado pelo ., pagamento do tributo e dos juros de mora, qualquer outra exigência de caráter material. Inteligência do artigo 138 do CTN. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. E SON PEREIRA PRESIDENTE 1\1\ivi ROGÉRIO GUSTA I SO ER RELATOR 1NOV 2002 FORMALIZADO EM: 4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACíLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE. Processo n° :10467.000206/96-21 Acórdão n° : CSRF/02-01.194 Recurso n° : RP/202-0.297 (202-113.181) Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO O procurador da Fazenda Nacional interpõe o presente recurso especial, contra o acórdão 202-12708, cuja ementa (fls. 49) leio em sessão. Na peça recursal o ilustre representante da Fazenda Nacional alega a existência de dissídio jurisprudencial, citando os acórdãos a si favoráveis, acompanhado dos argumentos quanto á inaplicabilidade do artigo 138 do CTN em relação à multa de mora. O despacho de fls. 108 admite o recurso fulcrado no inciso I do artigo 5° do Regimento Interno da CSRF. Em sua manifestação, a interessada alega a jurisprudência existente para pedir seja mantido o acórdão recorrido. É o relatório. y, 2 Processo n° : 10467.000206/96-21 Acórdão n° : CSRF/02-01.194 VOTO Conselheiro ROGERIO GUSTAVO DREYER, Relator: Entendo que o deslinde da questão não comporta maiores digressões. Pauta-se pela clareza da regra insculpida no artigo caput 138 do CTN, o qual transcrevo, litteris: Art. 138. a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Não vejo corno permitir o alargamento da regra para exigir-se algo mais do que nela se contém. Impende reiterar que somente se exige, no cumprimento da obrigação material objeto da denúncia espontânea, que esta venha acompanhada de um apêndice, os juros de mora. Qualquer outro, seja a que título for, não encontra guarida na regra transcrito, sendo irrelevante o nomen juris que a identifique. Uma vez cumprido o requisito formal da oferta da denúncia ,espontânea, devidamente acompanhada do recolhimento do tributo e dos juros de mora, perfeitamente cumprida a obrigação tributária. i Foi isto exatamente o que o contribuinte fez. Antecipando-se a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização recolheu o que entendia devido, obediente aos termos da norma já citada. Apenas para referir, a alegada inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito, citada na decisão monocrática, irrepetida na petição que alberga o presente recurso especial, é irrelevante para sustentar a cobrança pretendida. 3 Processo n° : 10467.000206/96-21 Acórdão n° : CSRF/02-01.194 Frise-se, aliás, que foi exatamente a inexistência de condições suspensiva da exigibilidade que compeliu a interessada a agilizar o recolhimento feito, e sob os auspícios irretocáveis do instituto da denúncia espontânea. Pelo exposto, nego provimento ao recurso especial. Sala das Sessões-DF, 17 de setembro de 2002. \\KKJ\ ROGÉRIO GUSTAVO E\ER RELATOR 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.023811/99-62
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DECADÊNCIA
A contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia haver sido efetuado. É temporâneo do ITR 93 do qual o contribuinte seja intimado em 29/12/98.
DATA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A falta de data de lavratura não torna nulo o Auto de Infração quando não há prejuízo para a defesa.
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles.
ISENÇÃO DO ITR PARA A TERRACAP.
A Lei 5.861/72, em seu artigo 3º, inciso VIII, excetua da isenção do ITR os imóveis rurais da TERRACAP que sejam de alienação, cesssão ou promessa de cessão, bem como de posse ou uso por terceiros a qualquer título.
MULTA MORA. CONTRIBUIÇÕES CNA. SENAR. CONTAG E TAXA CADASTRAL.
A mora, nos lançamentos do ITR, em que não há exigência legal de antecipação de cálculo e pagamento do tributo, só existe após o lançamento e o decurso do prazo para pagamento, não sendo exigível a multa de mora no auto de infração ou notificação de lançamento.
PROVIDO PARCIALMENTE POR MAIORIA.
Numero da decisão: 301-29.697
Decisão: ACORDAM os Membros da .Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Lucena de Menezes, relator, que negava provimento. Designado para redigir o voto quanto às multas a de mora o Conselheiro Luiz Sérgio Fonseca Soares.
Nome do relator: PAULO LUCENA DE MENEZES
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ementa_s : DECADÊNCIA A contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia haver sido efetuado. É temporâneo do ITR 93 do qual o contribuinte seja intimado em 29/12/98. DATA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A falta de data de lavratura não torna nulo o Auto de Infração quando não há prejuízo para a defesa. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. ISENÇÃO DO ITR PARA A TERRACAP. A Lei 5.861/72, em seu artigo 3º, inciso VIII, excetua da isenção do ITR os imóveis rurais da TERRACAP que sejam de alienação, cesssão ou promessa de cessão, bem como de posse ou uso por terceiros a qualquer título. MULTA MORA. CONTRIBUIÇÕES CNA. SENAR. CONTAG E TAXA CADASTRAL. A mora, nos lançamentos do ITR, em que não há exigência legal de antecipação de cálculo e pagamento do tributo, só existe após o lançamento e o decurso do prazo para pagamento, não sendo exigível a multa de mora no auto de infração ou notificação de lançamento. PROVIDO PARCIALMENTE POR MAIORIA.
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A contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia haver sido efetuado. É temporâneo o lançamento do ITR 93 do qual o contribuinte seja intimado em 29/12/98. DATA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A falta de data de lavratura não torna nulo o Auto de Infração quando não há prejuízo para a defesa. IDENTIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO IMÓVEL. Constando do Auto de Infração a identificação do a imóvel e apresentada a defesa inexiste cerceamento do direito de defesa. nelr SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer titulo de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem beneficio de ordem, de qualquer deles. ISENÇÃO DO ITR PARA A TERRACAP. A Lei 5.861/72, em seu artigo 3°, inciso VIII, excetua da isenção do IFR os imóveis rurais da TERRACAP que sejam objeto de alienação, cessão ou promessa de cessão, bem como de posse ou uso por terceiros a qualquer título. MULTA MORA. CONTRIBUIÇÕES CNA, SENAR, CONTAG E TAXA CADASTRAL. A mora, nos lançamentos do ITR, em que não há exigência legal de antecipação de cálculo e pagamento do tributo, só existe após o lançamento e o decurso do prazo para pagamento, não sendo exigível a multa de mora no auto de infração ou notificação de lançamento. PROVIDO PARCIALMENTE POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da .Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Lucena de Menezes, relator, que negava provimento. Designado para redigir o voto quanto às multas a de mora o Conselheiro Luiz Sérgio Fonseca G res. II/ Brasília-DF, em', de .i, il de 2001 --ffn-....v.--Arat / irorror IM e vi - 7 OY 11 MEDEIROS Presiden / 0 3 JUL 2002 PA O LUC A D ENEZES Rel. • r Participaram, ain.. , do pre • nte julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIR e ARAGÁ0, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ÍRIS SANSONI, FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS e MÁRCIO NUNES li t.:ai° ARANHA OLIVEIRA (Suplente). Ausente a Conselheira MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ. UTIC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 RECORRENTE : COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA - TERRACAP RECORRIDA : DRJ/BRASÍLIA/DF RELATOR(A) : PAULO LUCENA DE MENEZES RELATOR DESIG. : LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES RELATÓRIO No presente feito, a ora Recorrente foi autuada, em face da "falta de apresentação da declaração e recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR e Contribuições CNA, CONTAG e SENAR, referentes ao Exercício de 1994" (fls. 02). Na impugnação apresentada, a empresa sustentou o seguinte: • Nulidade do Auto de Infração, posto que o imóvel não estaria corretamente caracterizado, o que redundaria em cerceamento de defesa. Outrossim, o referido Auto não é identificado por nenhum número, além de fazer referência ao Convênio n° 35/98, que não o acompanha como anexo; • No mérito, alega que não é contribuinte do ITR. Neste sentido, destaca que, por força do citado Convênio 35/98, a Fundação Zoobotânica do Distrito administra os imóveis de propriedade da Recorrente, cuja posse é transferida a terceiros por meio de contratos de concessão de uso ou de arrendamento. Em última análise, o ocupante do imóvel, ao assinar a referida avença, passa a ser o responsável pelo tributo (crN, art. 31 c/c Lei n° 8.847/94, arts. 1° e 2°). • Destaca, ainda, que cada contrato contempla uma previsão admitindo a celebração de um contrato de empréstimo, por meio de penhor agrícola, o que somente seria possível se o interessado tivesse a posse do imóvel. Por fim, faz referência à jurisprudência de tribunais pátrios, além de evocar, em seu favor, o disposto no art. 733 do Código Civil. A decisão monocrátic,a, contudo, entendeu por bem julgar procedente o lançamento tributário, em decisão cuja ementa dispõe: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 LOCAL DA FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL E NUMERAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. É lícita a formalização do lançamento de oficio na sede do órgão local da Receita Federal, quando a repartição fiscal dispõe de todos os elementos de provas necessários e suficientes para dar suporte à exigência tributária. A numeração do auto de infração não é requisito essencial dessa modalidade de lançamento, e sua falta, por não trazer qualquer prejuízo à defesa, não o vicia. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título do imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem beneficio de ordem, de qualquer deles. Lançamento as procedente. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, amparada, em síntese, nos seguintes fundamentos: • Auto de Infração é realmente nulo, pois: a) os argumentos suscitados a título de preliminar, não foram apreciados; b) a mera indicação do nome da área rural não permite a correta identificação do imóvel, pelo que houve "insuficiência de endereço e de identificação". Da mesma forma, informa que há autos de infração em duplicidade; • Com relação ao mérito, sustenta que houve quebra da hierarquia das leis. Primeiro, ao não se reconhecer que pode existir a transferência da responsabilidade tributária pelo recolhimento do tributo para terceiros, no que a Instrução Normativa n. 43/97 teria afrontado o CTN e a própria Lei n. 8847/94. Segundo, porque a decisão recorrida equivocou-se no entendimento atribuído ao termo "posse", confundido a disciplina existente no direito privado com a situação específica sob análise ("ocupação consentida"). No que tange a esse ponto, esclarece que todas as ocupações foram autorizadas por Decretos (v.g. Decreto n. 4.802/79), os quais, bem como os contratos supervenientes, celebrados entre os ocupantes dos imóveis e o ente que administra os bens da Recorrente (Fundação Zoobotânica do Distrito Federal), previram a responsabilidade dos "posseiros" pelo recolhimento do tributo, em consonância com os arts. 123 e 128 do CTN; 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 • Ademais, a TERRACAP é uma empresa pública pertencente à administração federal indireta, pelo que, estaria beneficiada pela imunidade reciproca; • art. 745 do Código Civil, que se aplica ao caso presente, por extensão, dispõe que incumbe ao usufrutuário "os foros, as pensões e os impostos reais devidos pelas posses (...)"; • A TERRACAP é isenta do ITR, conforme comprova documento expedido pela Secretaria da Receita Federal, acostada aos autos. as Não há contra-razões. É o relatório. o 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 VOTO O recurso de fls. 56/69 é tempestivo e atende às demais formalidades exigidas, pelo que do mesmo tomo conhecimento. A matéria em questão já foi analisada sucessivas vezes, por parte deste Egrégio Conselho, razão pela qual entendo que a mesma pode ser enfocada objetivamente. aft. Com relação às preliminares suscitadas, ao contrário do que alega a Recorrente, as mesmas foram efetivamente apreciadas pela decisão de primeira instância, a qual deve ser mantida, pelos seus próprios fundamentos jurídicos. De se destacar, por oportuno, que a alegação de que há duplicidade de autos de infração, embora seja matéria relevante, não restou comprovada nos autos, razão pela qual a mesma não pode ser acolhida. No que tange ao mérito, é forçoso concluir que este limita-se à correta identificação do sujeito passivo do Imposto Territorial Rural - ITR. Esse tópico, como é sabido, encontra-se disciplinado pelo Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: "art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título." A legislação ordinária, como não poderia deixar de ser, não apresenta orientação discrepante, limitando-se a reproduzir o mesmo comando da norma complementar (cf. Lei n. 8.847/94, art. 2°). Ora, pelo que se depreende do dispositivo legal, a lei complementar facultou à lei ordinária a escolha do contribuinte, ofertando-lhe três alternativas: o proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor. Como esta última, por sua vez, não restringiu este elenco, qualquer um dos contribuintes relacionados pode ser eleito pelo Erário para suportar a carga fiscal. A melhor doutrina, é clara a esse respeito, como se verifica pela lição de Aliomar Baleeiro: "(...) o art. 31 é endereçado ao legislador que decretará o imposto rural e que, segundo suas diretrizes de Política Fiscal, poderá preferir o titular do domínio pleno, ou do útil ou, en m, o possuidor. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 (.) Nos vários casos de posse de terras públicas, ou mesmo de particulares, o possuidor efetivo poderá ser o alvo do imposto. Posse a qualquer título, - diz o CTN, assegurando opções ao legislador competente para decretar o imposto" (Direito Tributário Brasileiro, 10a edição, pp. 150-151) (grifamos) Da mesma forma, para Tavares Paes "poderá o legislador, conforme os parâmetros das políticas agrária e fiscal, indicar como contribuinte do imposto o proprietário ou detentor pleno, o usufrutuário ou detentor útil e, por fim, o possuidor, a qualquer título, de imóvel a ser objeto do tributo" (Comentários ao Código Tributário Nacional, p. 135). Mesmo aqueles que entendem que o diploma não ofertou uma ampla liberdade de escolha para o legislador ordinário, como é o de Hugo de Brito Machado, concluem que existem várias hipóteses de sujeição passiva para o ITR, que são aplicáveis por exclusão, dependendo ou não de existir fracionamento da propriedade (Comentários ao Código Tributário Nacional, Forense, obra coletiva, p. 81). Esse entendimento, contudo, não beneficia a Recorrente, pois o primeiro contribuinte, na escala estabelecida pela lei, é o proprietário do imóvel, ou seja, a própria empresa, no caso concreto. Por outro lado, ao contrário dos argumentos sustentados pela Recorrente, não há como se admitir a responsabilidade do ônus tributário para terceiros. É que a sujeição passiva, segundo a Constituição Federal, é matéria restrita a veículo legislativo privilegiado, consistente em lei complementar (CF, art. 146, III, a). Tor Se houve a transferência da administração dos bens imóveis para uma fundação, e esta celebrou contratos particulares outorgando aos posseiros a obrigação pelo recolhimento do tributo, tais contratos, à evidência, valem apenas inter partes (cf. Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, p. 307), em razão do disposto no art. 123, do Código Tributário Nacional, verbis: "art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 Não procede, por outro lado, a alegação de que a Recorrente estaria beneficiada com a imunidade recíproca. Mesmo a TERRACAP sendo "empresa pública, órgão da administração indireta do DF, legalmente incumbida de típico serviço público", como reconheceu o Superior Tribunal de Justiça (Cf. Embargos de Declaração no Agravo Regimental n° 6931DF, Relator Min. Antônio de Pádua Ribeiro), o texto constitucional é claro ao consignar que a imunidade recíproca não alcança o "patrimônio, a renda ou serviços" não relacionados com as atividades essenciais dos entes federados, autarquias e fundações, ou delas decorrentes (art. 153, § 1 0 e § 3° ). Embora referindo-se ao IPTU, a lição de Sacha Calmon Navarro Coelho é ilustrativa: "o Município, titular de competência para instituir e cobrar olar• IPTU, não pode tributar os terrenos e edificios da União e dos Estados, nem os pertencentes às suas instrumentalidades autárquicas, se e quando afetadas à destinação específica destas. Mas, em se tratando de serviços públicos concedidos, os imóveis das empresas concessionárias ficam sujeito ao gravame. De igual modo, os imóveis das autarquias não ligados às suas atividades institucionais são passíveis de tributação pelo IPTU" (Comentários à Constituição de-1988, 2a edição, p. 349) Diante do exposto, e • tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso. É COMO voto. Sala das s •s, em de abril de 2001 6t PA /44 LUCEN DE e EZES — Relator 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 VOTO VENCEDOR QUANTO ÀS MULTAS DE MORA Conheço do Recurso, tempestivo, e por haver sido instruído com cópia de liminar relativa ao depósito recursal. A decisão de Primeira Instância está, indiscutivelmente, muito bem elaborada, sendo precisas sua argumentação e fundamentação legal. As questões preliminares foram adequadamente analisadas e 7I •• rejeitadas com equilíbrio e suficientemente justificadas, não cabendo comentários mais alongados por parte deste Relator, uma vez que endosso na totalidade o posicionamento da DRJ. A descrição dos fatos traz a identificação do imóvel, com os dados fornecidos pela Administradora - FZDF, o n° de inscrição do imóvel na SRF e não aceito a contra argumentação oferecida no recurso por não conferir com o que consta dos autos. Afirmou, na impugnação, que poderia ter havido duplicidade de Autos de Infração. Agora no Recurso assevera que existiam, sim. Por que não disse isso na impugnação? Referindo-se a esse fato, ainda, ela continua: "Mas, diante dos fatos demonstrados, toma-se até mesmo difícil se anexar os comprovantes neste ato. Trata-se de mera alegação, desacompanhada de qualquer prova, a qual, se comprovada, levaria à anulação de uma das exigências em duplicidade, mas isso não se comprovou. ler Não merece melhor sorte a assertiva de que, embora do Auto de Infração conste a data da sua lavratura — o que não ocorre com a procuração acostada aos autos junto com o recurso — não existe numeração do Auto de Infração. Qual a importância desse fato para a defendente? Não pode ela se defender? É certo que não cabe essa alegação. E o art. 10, do Decreto 70.235/72 não insculpe esse número como requisito essencial dos Autos de Infração. Que defesa foi por ela apresentada e desviada dentro da Secretaria da Receita Federal? O pior é que ela faz essa acusação, mas diz que a apresentação de cópias com protocolo evitou maior prejuízo. Por que não fez essa afirmação na impugnação para que a Repartição pudesse trazer maiores esclarecimentos? A numeração dos autos de infração é normalmente feita após à ciência do auto de infração, sendo o número dado pelo setor de protocolo. Se isso acarretar algum % 8 \j‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 prejuízo à defesa, que não conseguimos vislumbrar, além de uma suposta dificuldade para localização do respectivo processo, dever-se-ia conceder novo prazo para a contestação, mas nunca a anulação da exigência, mesmo porque não há, para isso, previsão legal. Repito que a decisão monocrática abordou todas as alegações com propriedade, equilíbrio e com espírito de JUSTIÇA. Rejeito, portanto, as preliminares. No mérito só é discutido o fato de que a recorrente não é devedora do ITR, mas tão só os concessionários de uso, que contratam diretamente com a administradora conveniada pela TERRACAP, sendo que esta última faz jus a uma me. remuneração de 20% do que for pago à administradora. No que se refere ao mérito, causa-me espanto que uma empresa estatal, de cujo capital, informa ela, a União detém 49%, venha na peça recursal afirmar que a SRF sobreponha uma Instrução Normativa sua a uma Lei e ao Código Tributário Nacional, o que não ocorreu, como se demonstrará pelo exame da questão. É a própria recorrente que afirma (fls. 3 e 9 dos autos, respectivamente): "Torna-se conveniente ressaltar que, nos casos de alienação cessão, ou promessa de cessão, o imóvel tem sua propriedade transferida a terceiros, o que não é o caso presente, em que simplesmente aconteceu o arrendamento das terras, para uso e exploração por parte do arrendatário, sem que houvesse transferência de domínio da área arrendada. (grifo meu). A Autoridade Julgadora citou, com propriedade, a IN/SRF 43/97, baixada em função da Lei 9.393/96, que trata do ITR, rezando o art. 4°, da IN quem é contribuinte desse imposto, como estabelece a Lei 9.393, e o seu § 3 0 , diz que, para efeito dessa IN "não se considera contribuinte do ITR o parceiro ou arrendatário de imóvel explorado por contrato de parceria ou arrendamento". Desde logo, deve-se afastar a questão da imunidade. O art. 150, da Constituição da República Federativa do Brasil, com as alterações trazidas pela Emenda Constitucional n° 03/93, no que respeita à matéria em pauta, diz ser vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, em seu inciso VI, instituir impostos sobre: alínea "a": patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 O § 2°, desse art. 150, assevera que a vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. O § 3°, desse mesmo artigo reza que as vedações do inciso VI, a, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exoneram o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. — .... As alterações introduzidas pela Emenda Constitucional n° 03/93 não alcançaram as disposições que este Relator trouxe à colação. Fiz essas considerações sobre imunidade constitucional, que não se aplica à TERRACAP pois é uma empresa pública, a fim de não pairarem dúvidas, bem como, neste caso, não tem guarida a imunidade do ITR estatuída na Lei 9.393/96. Também acolho o entendimento da DRJ/BRASÍLIA de os imóveis rurais da TERRACAP, que sejam objeto de alienação, cessão ou promessa de cessão, bem como de "posse" ou uso por terceiros a qualquer título, estarem excetuados da isenção do ITR por força do inciso VIII, do art. 3°, da Lei 5.861/72. O cerne desse processo cinge-se em determinar se o proprietário do imóvel rural arrendado, ou que tenha sido objeto de contrato de concessão de uso ..... para terceiros, continua a ser sujeito passivo do ITR...... O art. 29, do CTN, dispõe que: "O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." Os contribuintes do ITR são elencados no art. 31, do CTN: "Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." to MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 Conclui-se do exame desses artigos que o imposto é devido por qualquer das pessoas que se prendam ao imóvel rural, em uma das modalidades listadas no dispositivo legal acima citado. Portanto, o Fisco pode exigir o tributo de qualquer uma delas, quer se ache vinculada ao imóvel rural como proprietário pleno, como nu-proprietário, como posseiro ou, ainda, como simples detentor. Por seu lado, a Lei 8.847/94, em seus artigos 1° e 2°, versando sobre o ITR praticamente repete essas definições. Assim sendo, a autuação não feriu nenhum dispositivo legal. A polêmica quanto à posse de bens públicos, a natureza dos contratos celebrados entre a Terracap e a Fundação Zoobotânica e entre esta e os usuários dos imóveis, bem como suas consequências sobre a sujeição passiva foram exaustivamente analisadas na impugnação, na decisão recorrida e no recurso, não se justificando análises adicionais, mesmo porque a própria recorrente reconhece não haver a legislação estabelecido qualquer ordem de preferência entre os possíveis sujeitos passivos por ela enumerados. É, também, despida de qualquer relevância e fundamento a alegação apresentada como de suma importância, de que, ao se tributar imóvel de propriedade da Terracap, estaria a União, que detém 49% do capital da recorrente, tributando a si mesma. Ocorre, na verdade, a tributação do Estado empresário, sujeito a todas as regras aplicáveis às pessoas de direito privado, a fim de que os recursos, até então vinculados às finalidades de uma empresa pública, passem às mãos do Estado poder público, a fim de que os aplique em benefício de toda a população. allk A multa de mora relativa às contribuições é indevida, eis que somente se tornam devidas após o cálculo do ITR, indispensável a seu cálculo, não sendo exigido pela legislação sua antecipação. A impugnação tempestiva e o recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no art. 151, do CTN. O crédito tributário constante de auto de infração ou de notificação de lançamento não possui caráter definitivo. A definitividade só passa a existir com a preclusão, quando o crédito não é impugnado, ou quando decisão do Conselho ou da CSRF mantém a exigência fiscal e dela não caiba mais recurso. Diz o art. 161, do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da itg\ • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.451 ACÓRDÃO N° : 301-29.697 falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária." Edvaldo Brito, em "A Constituição Definitiva do Crédito Tributário e a Prescrição", no Caderno de Pesquisas Tributárias, 1/76, p. 91 e 93, distingue o crédito tributário constituído, que se completa com a intimação do contribuinte, do crédito definitivamente constituído, inalterável. Sacha Calmon Navarro, em "Decadência e Prescrição", Ed. Resenha Tributária, afirma que o lançamento torna-se definitivo por preclusão passiva, preclusão ativa e esgotamento das instâncias. A primeira decorre da inércia do contribuinte, que não paga e nem apresenta defesa no prazo legalmente fixado, ocorrendo a segunda nos lançamentos por homologação. O STF, 2. Turma, nos RE 93.109-1, DJ 8.5.81 (no mesmo sentido: RE 93.338-7, DJ 13.02.81, e 1 . Turma, RE 93.568, Sessão de 03/02/81) pronunciou-se no sentido de que: "Após a lavratura do Auto de Infração, e até que flua o prazo para o recurso administrativo ou enquanto não for decidido o recurso competente de que haja se valido o contribuinte, não pode ser exigida a satisfação do crédito tributário. Somente a partir da constituição definitiva do referido crédito é que ele se torna exigível, começando então a correr o prazo prescricional de cinco anos. (art. 174 do CTN)." Seln É fundamental atentar-se para a natureza do tributo exigido, pois há tributos, como o Imposto de Importação e o Imposto sobre a Renda, que têm o vencimento legalmente estabelecido. Nesse caso, ultrapassado o termo legal sem cumprimento da obrigação, está o contribuinte em mora, e o pagamento extemporâneo do tributo deve ser feito com o acréscimo de juros e multa de mora, que continuam a correr durante o tempo em que a exigência esteja sendo discutida. É diferente o ITR, a taxa de serviços cadastrais e as contribuições, cujo vencimento, à falta de fixação legal de prazo, se dá trinta dias após a data em que o contribuinte tomou ciência do lançamento, coincidindo o termo final para impugnação e a data do vencimento, conforme previsto nos artigos 160 do CTN e 15 do PAF. A defesa tempestiva suspende a exigibilidade do crédito; não apresentada a defesa ou apresentada intempestivamente e não satisfeita a exigência fiscal, opera-se a preclusão passiva, declara-se a revelia, o crédito torna-se definitivo e o contribuinte está em mora. A inadimplência somente ocorre após 30 dias contados da data em que o contribuinte tenha sido notificado do lançamento. A falta de impugnação ou 12 MfNISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • RECURSO N° : 122.451 • ACÓRDÃO N° : 301-29.697 de apresentação de recurso, torna definitivo o lançamento e constitui em mora o contribuinte. No ITR, a suspensão da exibilidade se dá antes do vencimento do crédito. Naqueles tributos, II e IR, o contribuinte já se encontra em mora antes mesmo do lançamento e, não impugnada a exigência no prazo legal, opera-se apenas a definitividade do lançamento. A defesa tempestiva suspende a exigibilidade de crédito já vencido. Nesse sentido, o ADN COSIT 5 e a jurisprudência do Conselho, como se vê das seguintes decisões do Segundo Conselho, Ac. 203-03.367, 203- — 02.137, 203.06.441, 202-08.006, 202-08.003, 202-07.981, 202-07.982, 203-06.149- (Ementa: "A impugnação, e a consequente suspensão da exigibilidade do crédito • tributário, transporta o seu vencimento para o término do prazo assinado para o cumprimento da decisão definitiva no processo administrativo), 203-06.166, 203- , 06.189, 203-06.465, 202.07.790, 202-07.789, 202-07.797 (Ementa: "Carece de respaldo legal a exigência de multa de mora incidente sobre a parcela do crédito 11. tributário julgado procedente em decisão administrativa, desde que respeitado o prazo findo na intimação que a a companha."), 202-07.798, 202-07.809 (Ementa: "ITR- Impugnação. Suspensão da exigibilidade. Inaplicabilidade da multa moratória. Legitimidade da cobrança de juros de mora e correção monetária.") Devem, assim, ser excluídas da exigência as multas de mora. Face ao exposto, dou provimento parcial ao Recurso. Sala das Sessões, em 18 de abril de 2001 .24/1.0 I LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES – Relator Designado 13 . • b. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 10166.023811/92-62 Recurso n°: 122.451 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301-29.697. Brasilia-DF,./ MQ Atenciosamente, - • • acyr Eloy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Ciente em: 3.9.20a2 `7=e-Qkk 1, D n-i..we g, Nj ? re iD r Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.000137/96-62
Data da sessão: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2006
Ementa: EMBARGOS - Acolhem-se os embargos ao Acórdão CSRF/03-04.661, de 08/11/2005, para retificá-lo, tendo em vista que, embora toda a fundamentação do voto proferido em sessão fosse para negar provimento ao recurso especial da PFN, constou da decisão que a Turma o havia provido.
TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PREFERÊNCIA PERCENTUAL TARIFÁRIA – ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA – VALIDADE DO CERTIFICADO DE ORIGEM – MERCADORIA INGRESSADA EM REGIME DE DEPÓSITO ALFANDEGADO PÚBLICO (DAP). NÃO PERDE A VALIDADE, PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DA MERCADORIA, O Certificado de Origem emitido sob a égide do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18, de 30/12/1994, cuja execução de seu Oitavo Protocolo Adicional foi implementada pelo Decreto nº 1.568, de 21/07/95, quando a mercadoria ingressada no País pelo Regime de Depósito Alfandegado Público (DAP) ou de Entreposto Industrial e assemelhados, durante o período de permanência em tais regimes, cuja exigibilidade tributária fica suspensa.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: CSRF/03-05.065
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de sanar a contradição apontada e rerratificar o Acórdão n° CSRF/03-04.661, de 08 de novembro de 2005, para NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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Acórdão n° : CSRF/03-05.065 EMBARGOS - Acolhem-se os embargos ao Acórdão CSRF/03-04.661, de 08/11/2005, para retificá-lo, tendo em vista que, embora toda a fundamentação do voto proferido em sessão fosse para negar provimento ao recurso especial da PFN, constou da decisão que a Turma o havia provido. TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — PREFERÊNCIA PERCENTUAL TARIFÁRIA — ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA — VALIDADE DO CERTIFICADO DE ORIGEM — MERCADORIA INGRESSADA EM REGIME DE DEPÓSITO ALFANDEGADO PÚBLICO (DAP). NÃO PERDE A VALIDADE, PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DA MERCADORIA, O Certificado de Origem emitido sob a égide do Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 18, de 30/12/1994, cuja execução de seu Oitavo Protocolo Adicional foi implementada pelo Decreto n° 1.568, de 21/07/95, quando a mercadoria ingressada no País pelo Regime de Depósito Alfandegado Público (DAP) ou de Entreposto Industrial e assemelhados, durante o período de permanência em tais regimes, cuja exigibilidade tributária fica suspensa. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração opostos pelo CONSELHEIRO PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de sanar a contradição apontada e rerratificar o Acórdão n.° CSRF/03- 04.661, de 08 de novembro de 2005, para NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /42f) mima • Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE N LISE DA DT PRI Tiaj RELATORA FORMALIZADO EM: 02 FEV 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, LUIS ANTONIO FLORA, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA JÚNIOR. 2 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Recurso n° : 301-120636 Embargante : CONSELHEIRO PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES Embargada : Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Interessado : IOCHPE — MAXION S/A RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo então Conselheiro Relator PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, cujos termos transcrevo a seguir: "Quando da assinatura do Acórdão n° CSRF/03-04.661, proferido na sessão do dia 08/11/2005, constatei existir contradição entre a decisão e os fundamentos estampados no respectivo voto, motivo pelo qual interponho os presentes EMBARGOS, em conformidade com as disposições do art. 27, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, solicitando que o assunto seja objeto de necessário exame e retificação pelo colegiado." Dando seguimento aos embargos, o Presidente determinou que fossem submetidos à deliberação desta Câmara em 29/03/2006. Posteriormente, considerando que aquele Relator deixou de integrar a 3' Turma, designou esta Conselheira. •Cumprindo a determinação, transcrevo, a seguir, o relatório e o voto proferidos pela ocasião do julgamento do recurso especial: "Valho-me, no presente caso, como informativo básico inicial, do Relato de fls. 214/216, cujos trechos destaco, como segue, verbis: `G) Como relatado na decisão administrativa ora atacada, trata- se de processo de execução administrativa do Termo de Responsabilidade n° 002/96, que se encontra acostado aos autos (fls. 11), do qual decorreu a exigência do valor supostamente devido pela ora Recorrente, a titulo de 1/e IPI, além dos juros de mora e das multas de oficio capituladas no art. 4° da Lei n° 8.218/91 (II) e no art. 364, II, do RIP1, então em vigor. A origem das divergências em debate repousa na apresentação de certificado de origem com prazo de validade vencido, no momento de desembaraço de mercadorias beneficiadas com redução de tributos, em face das disposições do ACE n° 18, firmado entre o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (Decreto n° 550/92). /1439 3 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Diante desse quadro, foi autorizado, à época, o desembaraço aduaneiro das mercadorias, mediante a assinatura de Termo de Responsabilidade, além de ter sido efetuada, em paralelo, consulta à Divisão de Tributação da Superintendência Regional da 10 a Região Fiscal, para que a questão fosse elucidada. Em atenção à referida consulta, foi emitido o Parecer DT/10a n° 001, datado de 27/05/96 (fls. 30/34), que, em síntese, destaca que os certificados de origem têm validade de 180 (cento e oitenta) dias, por força de expressas disposições legais, devendo este prazo ser observado por ocasião do registro da Dl, que é o momento oportuno para a apresentação dos documentos em tela. A apresentação de certificado de origem com prazo de validade vencido, contudo, ensejaria a perda do benefício fiscal, mas não a aplicação de multas de oficio, consoante a orientação vertente do AD(N) n°36/95. Por decorrência do exposto, foi exigido da Recorrente o montante relativo aos tributos incidentes sobre a operação, acrescidos de juros moratórias, bem como a multa capitulada no art. 364, II, do RIPI. A empresa, porém, apresentou a sua impugnação ao lançamento tributário, na qual destacou: a) Certificado de Origem, no caso de mercadoria entrepostada, tem suspenso o prazo de vigência e, ainda, b) inexiste norma legal especifica reguladora da matéria, e, mais, c) o Parecer DISIT-001 em nenhum momento recomendou a aplicação da sanção ao caso concreto, e, afinal, d) é princípio assente que é dispensável a exigência de nova certificação da origem da mercadoria, quando já o foi por ocasião da sua admissão em entreposto aduaneiro" (fl. 49). No entanto, restou decidido que não seria possível avaliar os argumentos expostos pela empresa, posto tratar-se de execução de Termo de Responsabilidade, que se submete a processo sumário, consoante a previsão do art. 548 do R.A. (fls. 60/62). Esse fato ensejou nova manifestação da empresa (fls. 67 e seguintes), na qual ela registrou sua indignação, por entender que o feito deveria ser encaminhado para análise da competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento ou, alternativamente, para a apreciação deste Colegiada. Entendendo-se inexistir amparo legal para a apreciação da matéria no âmbito administrativo (t7s. 73), foi determinada a cobrança dos valores mencionados, o que redundou na inscrição do débito em Divida Ativa. Visando obter a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que a matéria fosse avaliada pelas autoridades competentes, a 4 fii2e Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Recorrente impetrou mandado de segurança, no qual foi concedida, em parte, a medida liminar pleiteada (t7s. 83/86), que foi posteriormente confirmada, com a concessão da segurança (fls. 156/162). Por força da referida determinação judicial, o processo administrativo teve curso, tendo sido convertido o seu julgamento em diligência, para que a empresa comprovasse que a mercadoria encontrava-se em regime de entreposto aduaneiro na importação (fls. 169/171). Em resposta a tal intimação, porém, restou esclarecido ter ocorrido um equivoco, visto que a mercadoria não se encontrava sujeita ao mencionado regime aduaneiro (fts. 174/178). Foi então proferida a decisão monocrática, que acolheu parcialmente o pedido formulado na impugnação, apenas para excluir a multa exigida sobre a diferença do /PI, o que se deu com apoio no AD (N) 10/97, que sucedeu o citado AD (n) 36/95. A respectiva ementa apresenta a seguinte dicção: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IPI. CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE VALIDADE. O tratamento tarifário preferencial decorrente de acordo internacional é requerido pelo importador no momento do registro da DI, razão pela qual, nessa data, o certificado de origem deve ter sido emitido há, no máximo, 180 dias. MULTA DE OFICIO. Incabível a exigência da multa de 100% sobre a diferença de IPI, devida em razão de ter sido reputada incabível a preferência percentual negociada em acordo internacional, pleiteada relativamente ao Imposto de Importação, sendo que os tributos mencionados, devidos em razão da falta ou insuficiência de pagamento, devem ser acrescidos apenas dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da DI, no caso do Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados." Observado o prazo legal, foi interposto recurso pertinente (fls. 192/206), no qual a Recorrente propugna pela improcedência do lançamento, em face dos seguintes argumentos: a) a empresa apresentou os certificados de origem das mercadorias, que foram emitidos por autoridades competentes; b) as mercadorias foram importadas pelo regime de Depósito Alfandegado Público, o qual "mantém em suspensão a importação com o caráter efetivamente de ENTREPOSTO" (t7s. 196). Assim, estando sobrestada a importação não é admissivel a exigência do cumprimento de obrigação acessória (t7s. 198); c) a finalidade do certificado de origem é assegurar a procedência das mercadorias e, neste contexto, ele não perde sua validade; d) este Conselho já se manifestou no sentido de ser dispensável uma nova certificação da origem da mercadoria, quando esta foi comprovada no momento de sua admissão em entreposto PaS9 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 aduaneiro (Ac. 302-32762 e Ac. 301-28.167); e) prevalecendo a interpretação do Fisco, as medidas exigidas representaram um mecanismo indireto de se estabelecer restrições não previstas no acordo internacional; O aplica-se ao caso o art. 112 do CTN; g) não existe norma reguladora especifica do caso em tela." A C. Primeira Câmara, do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, conforme Acórdão n° 301-29.264, de 21/06/2000, cuja Ementa se transcreve, verbis (fls. 213) : "A emissão do Certificado de Origem fora do prazo, não pode extinguir o beneficio fiscal, se foi apresentado, mesmo a destempo à autoridade fiscal. RECURSO PROVIDO." O Voto Vencedor, condutor do Acórdão ora atacado, se apresenta da forma seguinte: "VOTO VENCEDOR. •Discordo das razões contidas no voto do Ilustre Relator, uma vez que não há previsão legal para a aplicação de penalidade, no caso de certificado de origem, apresentado a destempo. Não há infração punível, sem tipificação legal que a defina. O Decreto n°1.568/95 estabelece prazo de 180 dias para apresentação do referido certificado, mas não prevê punibilidade específica. O artigo 434 e seu parágrafo único, do RA, deve ser interpretado de acordo com a intenção do legislador, que se restringe a comprovar a origem, e isso foi devidamente comprovado. Pretender-se a exoneração dos benefícios fiscais previstos em Acordo Internacional sem lei que expressamente o determine é, no mínimo, presunção quer a lei não sugere. Aliás, a jurisprudência deste Conselho é pacífica nesse entendimento. O caso em tela, ad argumentandum, se houvesse tipificação, caberia multa administrativa, como no caso de embarque de mercadoria antes da expedição da GI, e não a perda do beneficio. Desta forma, dou provimento ao recurso. (LEDA RUIZ DAMASCENO — Relatora Designada) 6 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Em Apelação com fulcro nas disposições do art. 5°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior, a D. Procuradoria da Fazenda Nacional pretende a reforma do Acórdão supra, para fins de restabelecer a decisão de primeiro grau. Sua fundamentação baseia-se nas disposições do Decreto n° 1.568/95, que estabelece normas de execução envolvendo o Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 18, entre o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, asseverando que a C. Câmara a quo negou vigência ao art. 16 do citado Decreto. Segundo o mencionado art. 16, os Certificados de Origem têm prazo de validade de 180 (cento e oitenta) dias. Regularmente cientificada (fls. 229/230), a Interessada não ofereceu contra-razões. Após alguns incidentes processuais "de percurso", vieram os autos a esta Câmara Superior, tendo sido dada vistas à mesma Procuradoria da Fazenda (fls. 371), na forma regimental, seguindo-se a distribuição para a relatoria do então Conselheiro Henrique Prado Megda (fls. 372), que não pertence ao Colegiado. Finalmente, em sessão realizada no dia 08/08/2005, foi o processo redistribuído para este Relator, conforme noticia o documento de fls. 374, último documento do processo. É o Relatório. VOTO O Recurso reúne as necessárias condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminarmente, é entendimento deste Relator que o processo deveria ter sido anulado, ab initio, desde a fase impugnatória, pela DRJ em Podo Alegre, ou em segunda instância, pela C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, uma vez que não existe o indispensável lançamento tributário para a discussão no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, estabelecido pelo Decreto n°. 70.235/72. Com efeito, trata-se aqui de processo de exigência de crédito tributário (Imposto de Importação e IPI vinculado), constituído, irregularmente, diga-se de passagem, por intermédio de Termo de Responsabilidade firmado pela Contribuinte, no curso do Despacho Aduaneiro de Importação envolvendo a mercadoria objeto do litígio. 7 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 A providência adotada pelos órgãos administrativos fiscais de origem foi, inicialmente, a cobrança, inclusive pela execução, sumária do referido Termo de Responsabilidade, onde se pretendia desrespeitar o direito do sujeito passivo ao contraditório e a ampla defesa, conforme lhe assegura a Constituição Federal vigente. Seu direito à defesa na esfera administrativa e, conseqüentemente, ao rito processual estabelecido no Decreto n° 70.235/72 (Lei Delegada), com suas posteriores alterações, só foi assegurado pela Justiça, em processo pelo qual a Interessada interpôs competente Mandado de Segurança. Então, por ordem Judicial, as contestações feitas pela Contribuinte, sob as formas de Impugnação e Recurso Voluntário, até aqui foram respeitadas sem, contudo, observar-se os I. Julgadores precedentes, o que determina a norma legal citada, o Decreto n° 70.235/72, no que diz respeito ao lançamento tributário competente. Por bem aqui se rememorar que o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que "Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências", assim estabelece: "Art. 1°. Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal." Pronto! O texto legal transcrito é de meridiana clareza, não deixando margem a dúvidas quanto ao fato de que o processo de determinação e exigência de todo e qualquer crédito tributário da União, como é o caso dos autos, bem como os de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, rege-se pelo Decreto n° 70.235/72, com •todas as suas posteriores alterações. E, mais adiante o Decreto determina expressamente: "Art. 9°. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." (Redação dada pela Lei n°8.748/2002). — grifos e destaques acrescidos. a te? Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Vê-se, portanto, a total nulidade do processo administrativo fiscal de que se trata, uma vez que a Autoridade considerou que o crédito tributário, neste caso, está regularmente constituído no Termo de Responsabilidade n° 2/96, que se encontra acostado às fls. 11, conforme argumentado às fls, 169. "Data vênia", tal entendimento encontra-se ao arrepio da lei. Chama-se a atenção para o que dispõe o mesmo Decreto n° 70.235/72, em seus artigos 100 e 11°, normatizando a elaboração de auto de infração e de notificação fiscal, respectivamente. Examinando-se o referido Termo de Responsabilidade acostado às fls. 11 facilmente se conclui que o referido documento não guarda as necessárias condições estampadas nos dispositivos legais mencionados, imprescindíveis ao lançamento tributário de que se trata. Portanto, configura-se, no entendimento deste Relator, a nulidade ab initio do processo fiscal de que se trata, o que aqui é exposto apenas como registro, pois que certamente poderá este Colegiado decidir do mérito em favor do sujeito passivo, a exemplo do que já aconteceu em diversos outros casos de igual natureza, observando-se, então, as disposições do art. 59, § 3°, do mesmo Decreto n° 70.237/72, deixando de declarar a nulidade indicada. É o que pretendemos demonstrar no seguimento. Com relação ao mérito, entende este Relator que foi correta a conclusão alcançada pela maioria dos I. Membros integrantes da C. Câmara a quo, não pelos fundamentos estampados no Voto condutor do Acórdão recorrido, mas pelos argumentos de fundo do Recurso Voluntário interposto pela Interessada, no que diz respeito à entrada da mercadoria no regime especial de Entreposto Aduaneiro e a validade do Certificado de Origem discutido. De fato, não pactua este Conselheiro do simplório entendimento manifestado às fls. 217, de que o Certificado de Origem, emitido e apresentado a destempo, não descaracteriza o benefício fiscal pretendido, qual seja, a redução tributária estabelecida em Acordo Internacional, que contempla o Regime de Origem. Dizer que o Decreto n° 1.568/95 estabelece prazo de 180 dias para apresentação do referido certificado, mas não prevê punibilidade específica e que pretender-se a exoneração dos benefícios fiscais previstos em Acordo Internacional sem lei que expressamente o determine é, no mínimo, presunção que a lei não sugere, não é situação a ser contemplada no presente caso, discordando este Conselheiro, com a devida vênia, do entendimento exposto no referido Voto. 9 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Com efeito, o citado Decreto n° 1.568/95, dispõe expressamente: ARTIGO 16 Os Certificados de Origem emitidos pelas entidades autorizadas deverão respeitar um número de ordem correlativa e permanecer arquivados na entidade certificadora durante um período de 2 (dois) anos, a partir da data de emissão. Tal arquivo deverá incluir também todos os antecedentes relativos ao certificado emitido como também aqueles relativos ao certificado emitido como também aqueles relativos à declaração exigida, de conformidade com o estabelecido no artigo anterior. As entidades autorizadas manterão um registro permanente de todos os certificados de origem emitidos, o qual deverá conter como mínimo o número do certificado, o requerente do mesmo e a data de sua emissão. Os certificados de origem terão um prazo de validez de 180 (cento e oitenta) dias e deverão ser emitidos exclusivamente em formulário anexo, que carecerá d validez caso não esteja devidamente preenchido em todos seus campos. (grifos e destaques acrescidos). Como se observa, a norma estabelece o prazo de validade do Certificado, em 180 (cento e oitenta) dias. Isto significa o tempo de vida útil do documento. Em sendo assim, a penalidade para o inaproveitamento do Certificado no prazo previsto está gravada na própria norma. Claro, se o documento perde a validade, ele passa a ser inexistente após tal período, quando não utilizado para a finalidade a que se destinava. Portanto, regra geral, o Certificado de Origem emitido sob a égide da norma ditada pelo citado Decreto n° 1.568/95, não utilizado no prazo de cento e oitenta dias da sua emissão, perdendo a validade, deixando de existir, não possui a menor possibilidade de atestar a origem de uma mercadoria despachada após tal prazo. Essa, sem dúvida, a penalidade resultante, automaticamente, na norma em comento. E, obviamente, se uma mercadoria não possui o competente Certificado de Origem válido, não está com sua origem certificada. Conseqüentemente, não pode usufruir os benefícios fiscais, no caso redução tarifária, contemplada em Acordos Internacionais que tenham como determinação a observância do Regime de Origem, como são os casos da ALADI e do MERCOSUL. lo fid(*) Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Portanto, se estivéssemos aqui tratando de uma importação sujeita ao regime normal de Despacho para Consumo, fatalmente que a empresa não poderia usufruir do benefício fiscal de que se trata, por apresentação do Certificado em Despacho Aduaneiro registrado com mais de cento e oitenta dias do prazo de validade do Certificado, à luz do citado Decreto n° 1.568/95. Ocorre que, como argumentado nos autos pela Recorrente, não desmentido e sequer enfrentando pela Decisão de primeiro grau, a mercadoria objeto do litígio ingressou no pais em Regime de Depósito Alfandegado Público - DAP. No caso, recusou-se a DRJ em Porto Alegre a enfrentar a argumentação trazida pela Interessada na Petição de fls. 174/178, apenas sob fundamento de que a Contribuinte havia informado erradamente quanto ao regime utilizado na entrada da mercadoria no território nacional, ou seja, Entreposto Aduaneiro em lugar de Depósito Alfandegado Público — DAP. Assim, essa argumentação não foi enfrentada em primeira instância, tampouco foi repelida a informação trazida na diligência determinada pela mesma DRJ, de que a mercadoria ingressou no Depósito Alfandegado Público, lá ficando até o momento do despacho aduaneiro de que se trata. Dos documentos que integram os autos, temos os seguintes esclarecimentos: 1.A mercadoria de que se trata foi transportada diretamente de "Córdoba" — Argentina, por via Rodoviária, chegando em "Canoas" • — Rio Grande Do Sul — Brasil, em 16/06/95, conforme Dl (fls. 02) e CRT, fls. 07; 2.A Guia de Importação correspondente foi emitida em 12/04/95, com data de validade para embarque até 11/07/95 (fls. 09), tendo ocorrido o Embarque, portanto, no prazo de validade; 3. O Certificado de Origem, objeto desta "pendenga", acostado por cópia às fls. 10, foi emitido em 12/06/1995, conforme Carimbo de Certificação da Entidade Habilitada, aposto no campo 14 (CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR DE CÓRDOBA". Vê-se, portanto, que a emissão do discutido Certificado de Origem é contemporâneo aos demais documentos de importação que representam o embarque da mercadoria em Córdoba e a sua chegada ao Brasil (Canoas — RS). ./4(je •Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 Naturalmente que com a sua chegada e ingresso no citado Depósito Alfandegado Público, estava a mercadoria em comento com sua origem devidamente certificada, como o competente Certificado de Origem dentro do prazo de validade estabelecido na legislação de regência. Então, tendo ficado tal carga depositada no citado DAP, inclusive sob custódia alfandegária, naturalmente que quando de sua inclusão no Despacho Aduaneiro de Importação (Despacho para Consumo), mesmo depois do prazo de validade do Certificado previsto na antes mencionada norma, é certo que a origem continua sendo certificada pelo mesmo documento, não tendo ocorrido, neste caso, a caducidade (perda da validade), pois que já existia a aplicação devida, ou seja, comprovação da origem, desde o momento do ingresso da mercadoria no DAP. É, sem dúvida alguma, a mesma situação que se vislumbraria caso a mercadoria estivesse, efetivamente, ingressado pelo Regime de Entreposto Aduaneiro. Pode-se ainda assinalar que o Depósito Público Alfandegado enseja ainda maior confiabilidade do ponto de vista da comprovação de que a mercadoria despachada para consumo é a mesma que ingressou no regime anteriormente, mantida a certificação de origem pelo documento questionado. É perfeitamente correto afirmar, portanto, que enquanto a mercadoria permanecer em regimes especiais de Entreposto Aduaneiro; Depósito Alfandegário Público (DAP) e assemelhados, com exigibilidade tributária suspensa, até a mudança de regime, o Certificado de Origem não perde a sua validade para a finalidade a que se propõe, sob a égide das disposições do Decreto n° 1.568, de 21/07/1995, que dispõe sobre a execução do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 18, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, de 30 de dezembro de 1994. No caso, fica interrompido o decurso prazo de validade do Certificado, estando, outrossim, comprovada a origem da mercadoria desde o seu ingresso em tais regimes especiais. O entendimento acima manifestado guarda coerência com a jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, que apreciou e julgou outros processos da mesma Interessada, de igual natureza, por suas diversas Câmaras. Também guarda similitude com outros processos já decididos por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais como foi o caso, por exemplo, do Recurso n° 303-120644, processo administrativo n° 11080.013764/95-64, sendo Recorrente a mesma empresa IOCH E 12 /%fr Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° : CSRF/03-05.065 MAXION S/A, tendo como Relator o I. Conselheiro Carlos Henrique Klaser Filho e cujo julgamento, nesta mesma sessão, foi objeto do Acórdão n° CSRF/03-04.657, cuja decisão foi no sentido de prover o Recurso, à unanimidade. Diante do exposto e por tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL aqui em exame." É o relatório. fierf 13 Processo n° :11080.000137/96-62 Acórdão n° CSRF/03-05.065 VOTO Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora. Ao examinar o referido acórdão verifica-se que há, de fato, contradição entre os fundamentos do voto e a decisão exarada pela Turma Julgadora. Com efeito, toda a fundamentação exarada no voto embargado, proferido em sessão, foi no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Entretanto, constou do Acórdão embargado que a Turma havia dado provimento ao Recurso Especial. Diante do exposto, proponho o acolhimento dos presentes embargos para rerratificar a decisão proferida naquela ocasião, que será a seguinte: NEGAR provimento ao recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2006. ese — ANELISE D UDT PRIETO RELATORA 14 Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10850.003402/2003-60
Data da sessão: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA - FORMA DE TRIBUTAÇÃO.
Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.801
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Por maioria de votos, CONHECER do recurso especial para NEGAR-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso para restabelecer a tributação na forma original do lançamento. Os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões que entende ser possível a redução da base de cálculo aos limites da atividade rural. Os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Antonio Praga apresentarão declaração de voto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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I eabk,,4.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA zO: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS .'»set.R.:;4> rs. QUARTA TURMA Processo n° 10850.003402/2004-48 Recurso n° 104-142.038 Especial do Procurador Matéria IRPF Acórdão e CSRF/04-00.801 Sessão de 03 de março de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida SEBASTIÃO TAVARES DA SILVA Assunto: IRPF -Exercício: 1998 a 2000 •Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS - RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA — FORMA DE TRIBUTAÇÃO. - Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n°9.430, de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990. Recurso especial negado. te Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Por maioria de votos, CONHECER do recurso especial para NEGAR-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso para restabelecer a tributação na forma original do lançamento. Os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões que entende ser possível a redução da base de cálculo aos limites da atividade rural. Os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Antonio Praga apresentarão declara "o de voto. li A 10 PRAGA esidente _JD • 4, . Processo n°10850.003402/2004-48 CSRFiT04 Acórdão n." CSRF104-00.801 Fls. 2 e n..... -*Ç=S MOISEb uaLLI DA SILVA Relator FORMALIZADO EM: 09 jug 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Remis Almeida Estol, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Relatório Trata-se de recurso da Fazenda Nacional contra o acórdão fls. 5.300 a 5.382 que, por maioria de votos, apreciando a prova dos autos, concluiu que os valores correspondentes aos depósitos bancários relacionados pela fiscalização eram provenientes da atividade rural, razão pela qual entendeu que a omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n° 8.023, de 1990, que prevê forma específica para tributação dos rendimentos da atividade agrícola e pastoril. Em síntese, o acórdão recorrido, do qual foi relator o conselheiro Néslon Mallmann, está alicerçado nos seguintes fundamentos: (..) "quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade ruraL Esta forma de apuração, constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Trata-se, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária." "Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculaçã o é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente." .... "Neste contexto, a omissão de receita/rendimentos verificada através de depósitos não comprovados em contribuintes que se dedicam exclusiva e comprovadamente, a exploração de atividade rural, o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e # tributado como se atividade rural fosse, em obediência ao disposto nas aV 2 —.D . , .. Processo n° 10850.003402/2003-60 CSFtF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 3 - levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e tributado como se atividade rural fosse, em obediência ao disposto nas normas legais que regem o assunto, quais sejam, Lei n° 1713, de 1988, art. 49; e Lei n° 8.023, de 1990, com as devidas alterações posteriores..." A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão em 29/08/2005 (fl. 5383) e em 06/09/2005 protocolizou o recurso de fls. 5387 a 5391, por meio do qual busca a reforma da decisão atacada sustentando que: (I) A presunção de que os depósitos bancários são rendas, decorre da não comprovação pelo contribuinte da origem dos mesmos. (II) In casu, o contribuinte não logrou comprovar que os depósitos tiveram origem na atividade rural. O fato de o contribuinte declarar rendimentos exclusivamente da atividade rural não impede que o mesmo seja tributado na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, isto porque a tributação pelo artigo 42 decorre justamente nos casos de rendimentos não declarados e, além disso, de origem não comprovada. (III) Que o contribuinte não logrou demonstrar a origem entre os depósitos e a atividade rural. (IV) Não tem cabimento considerar como depósitos provenientes de atividade rural, aqueles cuja comprovação não foi realizada, simplesmente porque o contribuinte exerce de forma contumaz tal atividade econômica. Nada impede que alguém seja, por exemplo, pecuarista e tenha uma atividade econômica paralela sem que o fisco tenha conhecimento e receba rendimentos desta última em conta bancária. O recurso foi admitido por meio do despacho de fls. 5.393 a 5397 e as contra- razões constam das fls. 4.443 a 4.443, por meio das quais a parte requerida requer seja negado provimento ao recurso com base nos seguintes argumentos: (I) Que, à luz do art. 5 0, I, do RICSRF, combinado com o artigo 32, I, do RICC, são duas as condições para o exame do recurso especial, no caso, i) que a decisão atacada não tenha sido unânime e ii) que tenha ela sido contrária à lei ou à evidência da prova. (II) Que no caso em tela não há o que se falar em contrariedade à lei. O acórdão recorrido se deu de acordo com as leis que regem o assunto, quais sejam: Lei n° 7.713, de 1988, art. 49; e Lei n° 8.023, de 1990. (III) Que o artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, prevê que os valores cuja origem, por provas diretas ou indiretas, houver sido comprovada, submeter-se-ão às normas de tributação especificas. Assim, formado o convencimento, por provas diretas ou indiretas, de que os recursos que transitaram pelas instituições financeiras são provenientes de rendimentos da atividade rural não declarados, a tributação deve submeter-se às normas previstas para este segmento, critério este corretamente adotado pelo acórdão recorrido. (IV) O recorrido, nos anos-calendário de que trata a autuação, juntamente com os seus irmãos e pai, operavam e administravam atividades rurais ligadas as 15 (quinze) fazendas relacionadas às fls. 5.464/5.465, o que demonstra que, à mingua de qualquer indício 3 Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.501 Fls. 4 em contrário, seria ilógico imaginar que os depósitos bancários não fossem fruto de atividades rurais. (V) Que na interpretação do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é preciso distinguir a situação da não comprovação dos valores, da circunstância em que documentos são apresentados e não são aceitos pelo Fisco. No caso dos autos, os cheques nominais, as pessoas individualizadas nas planilhas, os frigoríficos indicados e identificados não foram aceitos porque o Fisco considerou que a única comprovação válida seria a emissão de notas fiscais, fruto de puro subjetivismo. (VI) Que o ônus que recai sobre o contribuinte é o de fazer prova positiva direta ou indireta de suas alegações. No caso, se o fisco, de alguma maneira não aceita esta prova, cabe-lhe mostrar os fatos que possam inutilizá-la. Entretanto, no caso dos autos, tais justificativas não foram aceitas porque não estavam vinculadas à nota fiscal de produtor rural. Por fim, para conhecimento do colegiado, registro que a fiscalização, à fl. 4.631, no critério de apuração dos depósitos bancários não justificados, utilizou a soma de todos os valores creditados nas contas e deste montante subtraiu o valor correspondente à soma das vendas declaradas da atividade rural, bem como a soma das notas fiscais não declaradas que foram tributadas como omissão de receita da atividade rural, sendo que o saldo considerou depósitos bancários não justificados, conforme demonstrativo na planilha de fl. 4.622 e 4.623. Para fins de melhor compreensão, transcrevo a seguinte passagem do termo de fiscalização: "Nesta intimação, fizemos três observações aos condôminos: - A comprovação deveria ser feita com documentos hábeis e idôneos; 2° - Em razão de não existir lei que obrigue o contribuinte a depositar os valores conforme constantes nas notas fiscais de produtos e nas notas fiscais de entrada (em datas e valores compatíveis), e considerando que as diferenças entre os valores consignados nestas notas fiscais e o valor real da operação (em função do valor de pauta, pesagem no abate, descontos referente ao Funrural e ao ICMS, descontos de cheques, juros, etc), informamos que NÃO seria necessária a comprovação dos depósitos oriundos das notas fiscais de produtor dou das notas fiscais de entrada contabilizadas e/ou retidas pela fiscalização, pois os valores consignados nestas notas seriam considerados corno provados. (fl. 4.631 negritos no original). 3° - Que em função da atividade rural estar sujeita à tributação mais benigna, somente seriam consideradas como receitas da atividade rural as receitas comprovadas por documentos usualmente utilizados nessa atividade — nota fiscal do produtor e nota fiscal de entrada. (tI. 4.631). "....Portanto, o montante da receita da atividade rural de cada condômino, ora apurado, será considerada para justificar ao gem dos recursos dos depósitos bancários do contribuinte (11.4.35)". i 4 . . • . , • Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRE/T04 Acórdão n.° 04-00.001 Fls. 5 Do que consta da planilha de fls. 4.622 e 4.623 e do termo de fiscalização, se denota que o auditor fiscal não fez análise individualizada para verificar os depósitos que considerava justificados ou não, limitando-se a aplicar o critério acima exposto. Em relação a tal procedimento, penso que a Câmara julgadora não analisou possíveis imprecisões nesta sistemática, pelo fato do recorrente sustentar que tais rendimentos eram provenientes da atividade rural, devendo ser tributados como tal, pretensão esta acolhida. Concluindo, registro que a omissão de receita proveniente à atividade rural, que foi objeto de autuação, se refere a 278 (duzentos e setenta e oito) notas fiscais que não estavam contabilizadas (fl. 4.634), sendo que em relação às notas fiscais não contabilizadas a fiscalização previamente intimou, por amostragem, alguns contribuintes que prestaram informações (fl. 4.034/4.036), confirmando a existência de tais operações. É o relatório. (Y- Processo n°10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 6 Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, passo ao exame da matéria. Quanto ao argumento da parte recorrida de que à luz do artigo 5 0, I, do RICSRF, combinado com o artigo 32, I, do RICC, o recurso especial só pode ser admitido se preenchidas duas condições, quais sejam: (i) que a decisão atacada não tenha sido unânime e (ii) que tenha ela sido contrária à lei ou à evidência da prova dos autos é preciso ter presente que somente com o recebimento do recurso especial e o seu conseqüente conhecimento, pode a instância especial dizer se o acórdão recorrido contrariou ou não a lei ou evidência de prova. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, seguem os mesmos parâmetros para admissibilidade do Recurso Extraordinário, contido na alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, e repete-se na alínea "a", do inciso III, do art. 105, da Carta Magna, de competência, respectivamente, do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Sobre o tema, a manifestação de José Carlos Barbosa Moreira t , é válida tanto para o Recurso Extraordinário quanto para o Recursos Especial, trilha na seguinte linha: (...) "Ora, limitando o discurso, commoditatis causa, à hipótese de contrariedade a lei federal, não há quem não perceba que, tomada a Constituição ao pé da letra, se teria conferido ao Superior Tribunal de Justiça atribuição intrinsecamente contraditória. Ele deveria julgar o recurso especial apenas nos caos em que a decisão recorrida houvesse contrariado lei federal; ou, em outras palavras: apenas nos casos em que o recorrente tivesse razão. Sucede que, para verificar se a lei federal foi mesmo contrariada, e portanto se assiste razão ao recorrente, o Superior Tribunal de Justiça precisa julgar o recurso especial! Quis iuris se, julgando-o, chega o tribunal à conclusão de que não se violou a lei, de sorte que o recorrente não tem razão? Literalmente entendido o texto constitucional, haveria o Superior Tribunal de Justiça andado mal em julgar o recurso: a decisão recorrida não contrariou lei federal, logo a espécie não se enquadra na moldura do artigo 105, II, letra, a... Mas como poderia o tribunal, a priori, sem julgar o recurso, adivinhar o sentido em que viria a pronunciar-se, na eventualidade de julgá-lo? li'(I)MOREIRA, José Carlos Bargosa. Que significa "não conhecer" de um recurso? Revis a Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Rio de Janeiro, Ano X, n° 9, 1° semestre de 1996, p. 193. • 6 Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 7 Eis o pobre Superior Tribunal de Justiça metido, sem culpa sua, em dilema implacável: diante do recurso especial, ou o julga, afim de ver se a lei federal foi violada, e arrisca-se a, concluindo pela negativa, exceder os limites traçados pela Carta da República; ou então se abstém de julgá-lo e assume o risco de descumprir a atribuição constitucional, porque sempre era possível que a lei federal tivesse sido violada...." No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 298.694 (DJ de 23/04/2004), em que foi relator o Ministro Sepúlveda Pertence, em relação à Admissibilidade, assim decidiu: "Ementa: II — Recurso extraordinário: letra "a": alteração da tradicional orientação jurisprudencial do STF, segundo a qual só se conhece do RE, "a", se for para dar-lhe provimento: distinção necessária entre o juízo de admissibilidade do RE, "a" — para o qual é suficiente que o recorrente alegue adequadamente a contrariedade pelo acórdão recorrido de dispositivos da Constituição nele pré-questionados — e o juízo de mérito, que envolve a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a Constituição, ainda que sob prisma diverso daquele em que se hajam baseado o Tribunal a quo e o recurso extraordinário" Pela sua pertinência, transcrevo a seguinte passagem do no voto condutor da admissibilidade do Recurso Extraordinário acima referido: "A dificuldade, quando se cuida de RE pela letra o, parece decorrer do dogma de que, então, conhecido, deva ele necessariamente ser provido. Ouso entender chegada a hora de rever máxima, construída por motivos pragmáticos, que tenho recordado. Já denunciada pelo notável Castro Nunes), a confusão entre a admissibilidade e o provimento do RE g., tem sido objeto de crítica veemente e de inequívoca procedência de Barbosa Moreiral. Vale a longa transcrição do douto e lúdico jurisconsulto: 'Em hipótese alguma, é dado à Corte deixar de observar a necessária precedência do juízo de admissibilidade sobre o juízo de mérito, e menos ainda misturá-los. Sempre é de rigor, primeiro, apurar se o recurso é ou não admissivel (quer dizer, cabível e revestido dos outros requisitos de admissibilidade), e por consegiiinte se dele se há ou não de conhecer, no caso afirmativo, depois, já no plano do mérito, investigar se o recurso é ou não procedente (em outras palavras: se o recorrente tem ou não razão em impugnar a decisão do órgão inferior), e por conseguinte se se lhe deve dar ou negar provimento. Não obstante a técnica peculiar (e imprópria) usada pelo legislador 2 Castro Nunes. Teoria e Prácica do Poder Judiciário, 1943, p. 356 ss. 3 Josés Carlos Barbosa Moreira — Comentários ao C. Pr. Civil, 10* ed. Forense, v. V, n°333, p. 609. 7 l . . Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fs. 8 constituinte, ao redigir a letra a do art. 102, n" III, e os dispositivos correspondentes em Constituições anteriores (cf, supra, o comentário n 319 ao art. 541), o julgamento dos recursos nela fundados há de obedecer à mesma sistemática, sem desprezar a distinção entre as duas etapas. É inadequada a maneira por que o Supremo Tribunal Federal costuma pronunciar-se acerca desses recursos, dizendo que deles "não conhece" quando entende inexistir a alegado infração. Desde que se examine a federal auestion suscitada pelo recorrente, isso signca que se julga o recurso de mentis, pouco importando que se acolha ou se repila a impugnação feita à decisão recorrida; em caso tais, o que se deve dizer é que se conheceu do recurso e, respectivamente, que se lhe deu ou negou provimento. A praxe até agora adotada leva a conseqüências absurdas. Uma delas consiste em que, quando se manifesta divergência entre os Ministros, os que reconhecem a ofensa à Constituição dão provimento ao extraordinário, enquanto os que negam declaram "não conhecer" do recurso; ora, tomados os votos ao pé da letra, estar-se-ia diante de deliberação sui generis, onde alguns votantes se encontram ainda no plano da preliminar, ao passo que outros já ingressam no do mérito...É impossível, a todas as luzes — e vem a pêlo recordar a norma do art. 560, capta. do Código -, que se invistam ambos os planos ao mesmo tempo! Ademais, ao ângulo prático, surgem corolários de extrema gravidade, como por exemplo, o que ocorre quando tenha havido adesão. Se o Supremo Tribunal Federal, resolvendo a questão federal em sentido contrário ao pleiteado pelo recorrente principal, disser (com locução imprópria) que não conhece do recurso, ficará impedido, no rigor da lógica, de apreciar o extraordinário adesivo. Ora, a não ser que faltasse a este mesmo algum requisito de admissibilidade, o recorrente adesivo tinha o direito de ver julgado no mérito o seu recurso, desde que admissivel (embora não necessariamente fundado) o do litigante adverso. Da forma como se expressa a Corte, uma de duas: ou se prejudica o recorrente adesivo, deixando de conhecer-se do seu recurso em casos em que todos os pressupostos do conhecimento estarão satisfeitos, ou então, para evitar o prejuízo, terá de conhecer-se do recurso adesivo apesar de não se ter conhecido do principal, sempre que essa decisão de não conhecimento (ou antes, sempre que essa decisão dita inadequadamente de não conhecimento) haja apreciado a federal question que o recorrente principal suscitara. Em mais de um julgamento, optou o Supremo Tribunal Federal pela segunda solução, buscando apoio em suposta distinção entre não conhecimento por motivo de ordem processual e não conhecimento por motivo de mérito. Menos mal para o recorrente adesivo; mas a construção padece de clamoroso artificialismo: por definição, "não conhecer" de um recurso significa, nada mais, nada menos, que abster- se de examinar-lhe o mérito, de sorte que "não conhecimento por motivo de mérito" constitui pura contradição nos termos, em que é constrangedor ver incidir a mais alta corte judiciária do pais.' Com tais considerações, como a matéria diz respeito à análise da prova, frente ao que dispõe a lei, feita pelo acórdão recorrido, conheço do recurso, pois do contrário sequer s N . . Processo n° 10850.00340212003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 0400.801 fls. 9 teria como apreciar a alegação de que a decisão atacada não afronta a lei e a evidência da prova dos autos. Quanto ao mérito, no campo teórico, estão corretos argumentos da recorrente de que "nada impede que alguém seja, por exemplo, pecuarista e tenha uma atividade económica paralela sem que o fisco tenha conhecimento e receba rendimentos desta última em conta bancária". No entanto, esta frase com premissa e conclusão verdadeira deve ser avaliada considerando as circunstâncias de cada caso, pois do contrário serviria de chavão aplicável a qualquer processo que versasse sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não justificados. A recorrente, com precisão teórica, sustenta que a presunção de que os depósitos bancários são renda, decorre da não comprovação pelo contribuinte da origem dos mesmos. Frente ao silogismo colocado, sem abandonar os preceitos lógicos que devem nortear as decisões jurídicas, o julgador de instância final deve ter presente as seguintes hipóteses: a) não comprovação pelo contribuinte da origem dos recursos ou; b) não aceitação pelo Fisco das justificativas apresentadas pelo titular da conta. No primeiro caso, não apresentada justificativa, a presunção legal é de que os depósitos bancários se constituem renda, estando dispensada a fiscalização de realizar maiores diligências. Na hipótese seguinte, isto é, nos casos em que o sujeito passivo apresenta justificativa, por força do artigo 50, § 1°, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1.999, artigo 5°, LV, combinado como o artigo 93, IX, ambos da Constituição Federal, a não aceitação das razões apresentadas deve ser devidamente fundamentada. A exigência constitucional do dever do julgador de motivar suas decisões, enquanto responsável pela correta aplicação da norma ou do direito, configura importante garantia, em favor do indivíduo em face do sistema de livre convencimento, contra eventuais excessos, limitando, dessa forma, os poderes auferidos a quem exerce a prerrogativa de julgar. A motivação, segundo Ada Pelegrini Grinover e Outros, "surge como instrumento através do qual as partes e o meio social tomam conhecimento da atividade jurisdicional; as partes para, se for o caso, impugnarem os fundamentos da sentença, buscando seja reformada; a sociedade, a fim de que possa formar opinião positiva ou negativa a respeito da qualidade dos serviços prestados pela Justiça." 4 O recurso em pauta está ligado à prova. Esta, por sua vez, aos fatos. Estes, no percurso que trilham, costumam deixar vestígios. É a partir da análise das marcas deixadas pelos fatos, que o julgador formará seu convencimento. Na formação de juízo de valor, à exceção dos casos de prova direta, o julgador deve levar em consideração as circunstâncias de como as coisas costumam acontecer no mundo real. A decisão com base em prova direta não requer a necessidade de trabalho algum de raciocínio. Por outro lado, nos caso de prova indireta o raciocínio reclama a formulação de hipóteses, sua apreciação, exclusão de umas, aceitação de outras, enfim trabalhos indutivos, maiores ou menores, para se atingir a verdade relativa ao fato probando. An4 GR1NOVER, Ada Pellegrini; FERNANDES, Antonio Scarance; GOMES FILHO, tonio Magalhães. As nulidades no processo penal. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. p. 212 9 , • Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRWTO4 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 10 A prova direta é a prova dos sonhos. A prova do mundo perfeito Por meio de uma simples percepção da prova direta, tem-se a conclusão objetiva. Em tais casos, a máquina poderia substituir o homem na prestação da atividade jurisdicional. No entanto, em muitos litígios, a prova direta inexiste, cabendo a quem julga, mediante trabalho de raciocínio, formar convicção acerca de determinado fato da vida, cuja incidência da norma jurídica é reclamada por uma das partes. A propósito das considerações sobre prova direta e provas indiretas, Moacir Amaral dos Santos, em seu tratado sobre a matéria, depois de classificar a prova quanto ao objeto em direta e indireta, escreveu: Relativamente ao objeto da prova, esta é direta ou indireta. Se se refere diretamente ao fato probando, ou consiste no próprio fato — é direta; se se não refere diretamente ao fato pro bando, mas sim a outro, ou consiste neste outro, do qual por trabalho de raciocínio, se chega àquele — é indireta. Se determinada testemunha vem ajuízo e depõe que viu o automóvel de Tício dobrar a esquina contra-a-mão e chocar-se com a carroça de Caio; ou se a corrida daquele automóvel estava sendo cinematografada e o aparelho cinematográfico o colheu dobrando a esquina na contra-mão, verificam-se provas tipicamente diretas. ... Mas se uma testemunha vem a juízo e narra apenas a posição e o estado em que ficaram o automóvel e a carroça após o acidente, por ela não visto; ou se é exibida fotografia referente à posição e o estado desses veículos depois do choque, tais provas são indiretas, porque não se referem diretamente ao fato pro bando, isto é, como se deu o acidentes. Para que se compreenda a abrangência e a aplicação da prova indireta, basta mencionar as interceptações de conversas telefônicas que possibilitam, mediante raciocínio com base em formulação de hipóteses, exclusão de umas, aceitação de outras, afirmar que um dos interlocutores praticou esta ou aquela conduta. Nos casos de investigação de paternidade, sem exame de DNA, a prova indireta é praticamente a única existente. A título de exemplo, lembro de caso concreto em que a mulher negava ser a autora do homicídio de que foi vítima seu marido. A materialidade do crime, com o cadáver carbonizado, por si só nada dizia. Sem outros indícios, a autoridade policial passou a vigiar os passos da ex-mulher até que a flagrou, em matagal distante de sua casa, apanhando uma faca enrolada em uma camisa de seu ex-marido para escondê-la em outro local. Inquirida, a mulher prosseguiu negando a autoria e disse ter encontrado a faca por acaso. Feita perícia, o sangue localizado na camisa correspondia ao tipo sanguíneo e ao DNA de seu ex-marido. A prova indiciária da qual resultou na formação do convencimento dos jurados deu- se em face da necessidade de compreensão o porquê aquela mulher teria ido ao citado matagal, onde não costumava freqüentar, dirigindo-se diretamente ao local em que estava a arma do crime. Estas circunstâncias, não vinculadas diretamente ao fato, são os meios que o Direito oferece a quem tem obrigação de julgar. 5 SANTOS, Moacir Amaral, Prova Judiciária no Civel e Comercial. 3a. Edição. Ed. Max Limonad, São Paulo. Vol. I, pág. 54. 10 • • • l .• Processo n• 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 11 Por outro lado não se pode desconsiderar que as peculiaridades da pessoa, em determinados casos, possuem grande importância em relação ao fato probando. Por exemplo, se encontrarmos um índio de cultura primitiva em alta floresta amazônica nós não teremos dúvidas que se trata de um nativo da região. No entanto, se encontrarmos uma atriz conhecida, residente em outro continente, não haverá dúvidas na afirmação de que é alguém que se encontra perdida ou fazendo turismo na selva. No caso dos autos, ao analisarmos os depósitos bancários que transitaram pela conta do fiscalizado, não há como desconsiderar as circunstâncias pessoais deste, bem como de quem efetuou os pagamentos. Em relação aos depósitos bancários, objeto deste recurso, o auditor fiscal, avaliando os documentos apresentados pelo recorrente assim concluiu (fl. 4627 a 4639 — Vol. XXIV): No dia 10/10/03 (fls. 3330/4008) os condôminos tentam comprovar a origem dos depósitos bancários creditados em suas contas-correntes. Todavia, mais uma vez, não trouxeram documentos hábeis e idôneos (notas fiscais do produtor e notas fiscais de entrada) que comprovassem referidos depósitos. .... Nas respostas dos condôminos, protocolizadas em 11/07/03 — fls. 2767/3212, são apresentados diversos documentos, onde tentam justificar a origem dos créditos bancários. Ressalta-se, que a grande maioria dos comprovantes apresentados, apesar de ser composta por cheques nominais aos condôminos, não estão vinculadas a nenhuma Nota Fiscal de Produtor e/ou Nota Fiscal de Entrada" (/7. 4635). Considerando que a atividade rural goza de uma tributação privilegiada, e que o parágrafo 5°, do artigo 61 do RIR199, prevê que "A receita bruta, decorrente da comercialização de produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais", somente serão consideradas como comprovantes as receitas da atividade rural acompanhadas de nota fiscal do produtor... Portanto, os cheques apresentados NÃO SERÃO CONSIDERADOS DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS para comprovar atividade rural dos condôminos. (grifos no original). Pelo que se depreende do texto acima transcrito, que se constitui nos fundamentos pelos quais a fiscalização não acolheu as justificativas apresentadas pelo autuado, percebe-se que o auditor fiscal prendeu-se às provas diretas, sem que tivesse demonstrado, mediante formulação de hipóteses, com exclusão de umas e aceitação de outras, por que razão não aceitou as provas indiretas apresentadas pelo fiscalizado. O entendimento de que o fiscalizado não logrou comprovar a origem dos depósitos porque não apresentou, em relação a eles, notas fiscais do produtor não se sustenta. Seguir tal raciocínio importaria em banir do Direito Brasileiro a possibilidade de provas indiretas, o que nos levaria ao absurdo, por exemplo, de só se punir o autor de estupro caso fosse flagrado no momento do crime. Mais, os recursos decorrentes da atividade de tráficos 1 , ' Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 12 seriam bloqueados caso o autor do crime apresentasse nota fiscal correspondente à transação ilícita. A prova é um todo orgânico; portanto não é licito apreciar-lhe uma parte isolada, com indiferença às demais. Não há julgamento seguro sem análise completa da prova, quer seja direta ou indireta. Julgar importa em avaliar a prova, em especial as provas indiretas, as leves marcas deixadas pelo fato probando, o estado de ânimo do acusado, as circunstâncias que rodeiam o caso, o local onde os fatos ocorreram, quem são os envolvidos, sendo que, ao final, deve o julgador, mediante raciocínio lógico, demonstrar as razões que o levaram à conclusão a que chegou. Por outro lado, mas não menos importante, é preciso que se compreenda o alcance do § 2°. do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que determina que "os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." Pelo disposto na norma acima transcrita se deve ter presente que no caso de sujeito passivo que tenha mais de uma fonte de rendimentos, a renda proveniente de cada fonte deve ser tributada com base nas normas de tributação específicas à respectiva fonte de rendimentos. Nada impede, por exemplo, que um jogador de futebol tenha rendimentos decorrentes da profissão de jogador, da locação de imóveis e da atividade rural. Em relação a cada um destes segmentos há uma forma de tributação específica, cabendo ao Fisco e ao julgador, com base em elementos de prova, direta ou indireta, formar convicção quanto à origem dos depósitos e a respectiva forma de tributação Se forem creditados na conta corrente de um jogador de futebol centenas de depósitos, uns feitos pelo clube de futebol a que pertence, outros por imobiliárias e outros por empresas distribuidora de derivados de carnes, que costuma adquirir animais para abate, em sendo estes valores proporcionais às respectivas transações, nenhum julgador, mediante trabalho de raciocínio lógico, terá dificuldade em identificar a origem dos rendimentos. O fato do jogador de futebol, por exemplo, não possuir contrato de locação de imóvel e de ter vendido animais sem a respectiva nota fiscal não muda a natureza, a origem e nem a forma de tributação dos rendimentos omitidos. Cada um dos rendimentos deve ser tributado conforme sua origem. O que se tem no caso concreto, como concluiu a decisão recorrida, são depósitos, mediante cheques nominais, emitidos por estabelecimentos ligados a compras e vendas relacionadas ao setor agropastoril. Os elementos existentes nos autos, quais sejam, a condição de produtor rural do autuado proprietário de 15 (quinze) fazendas; a existência de cheques nominais em favor do fiscalizado emitidos por frigoríficos e pessoas ou empresas ligadas ao setor agrícola; a inexistência de prova quanto à omissão de rendimentos em outras atividades que pudessem justificar os depósitos bancários, nos levam a mesma conclusão a que chegou o acórdão recorrido de que os rendimentos não justificados que transitaram nas contas fiscalizadas são provenientes da atividade agropastoril e como tal devem ser tributados. A possibilidade de se entender que a omissão da atividade agrícola já foi iitributada como tal no auto de infração, não existe, pois o que foi tributado como omissão 4 2 Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRFa04 Acórdão n.• 04-00.801 Fls. 13 atividade rural foram as 278 notas fiscais emitidas e não contabilizadas. Destaco, por exemplo, os cheques de n° JX823615 e JX823541 (fl. 2916), nos valores de R$ 223.007,20 e R$ 92.135,00, respectivamente, emitidos pelo Frigorifico Santa Esmeralda Ltda, que constam da planilha dos depósitos conciliados de fls. 4587-verso, que por não existirem notas fiscais foram considerados recursos de origem não justificada. Outro exemplo são os 11 (onze) cheques, todos no valor de R$ 15.000,00 (fls. 2967 a 2974), emitidos pelo Frigorífico Santa Esmeralda. Tais cheques não constam da planilha de depósitos conciliados de fl. 4588-verso. Entretanto há um crédito identificado na planilha como sendo "operação de desconto comercial" indicando tratar-se do desconto dos referidos cheques, a exemplo do que o mercado costuma praticar em maior escala com duplicatas. Se prosseguíssemos citando exemplos, só em relação ao Frigorífico Santa Esmeralda Ltda, teríamos dezenas de casos, como se depreende das fls. 2878 (R$ 103.770,00); 3005 (R$ 152.260,00); 3073 (R$ 145.930,00); 3084 (R$ 102.775,07). Tais operações não foram consideradas como sendo da atividade agrícola em virtude da inexistência de notas fiscais de venda. O procedimento adotado pela fiscalização exigindo exclusivamente provas diretas, no caso nota fiscal, não pode permanecer na medida em que desconsidera os demais meios de provas apresentados pelo recorrido e juridicamente admitidos. Em resumo, o acórdão recorrido não é contrário à prova dos autos e nem à lei. A decisão "a quo", apreciando a prova, assim como este relator, formou convicção de que os recursos financeiros citados na decisão recorrida são provenientes da atividade rural e como tal, à luz do artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, devem ser tributados em conformidade com o artigo 5° da Lei n°8.023, de 1990. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, 03 de arço de 2008. • MOIS G ACOMELLI NUNE A SILVA 13 .• • Processo Fr I 0850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 14 DECLARAÇÃO DE VOTO MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Conselheira No que tange à preliminar de não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecida pelo Contribuinte em sede de contra-razões, concordo com o posicionamento do Ilustre Conselheiro Relator, defendido com o costumeiro brilho e encadeamento lógico, ademais referendado pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, no que tange ao mérito do Recurso Especial, não posso concordar com o Ilustre Conselheiro Relator, pelas razões a seguir elencadas. DOS LIMITES DO RECURSO ESPECIAL Primeiramente, cabe esclarecer que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, tampouco o Recurso Especial possui efeito devolutivo pleno. Trata-se, sim, de Instância Superior, cuja função precipua é a de uniformizar a jurisprudência que emana das diferentes Câmaras dos Conselhos de Contribuintes. Com estas considerações, verifica-se que o julgamento promovido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, qualquer que seja o permissivo regimental utilizado pelo recorrente — contrariedade à lei/evidência de prova ou divergência — deve respeitar os limites do apelo, sob pena de omissão ou de eventual prejuízo à parte recorrente. Nesse passo, é de fundamental importância a análise acerca do que ficou decidido no acórdão recorrido, bem como do conteúdo do Recurso Especial, com o escopo de fixação dos limites da lide. . DO ACÓRDÃO RECORRIDO A atenta leitura do voto condutor do acórdão recorrido permite concluir que o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que a origem dos depósitos bancários remanescentes não restou comprovada, conforme os trechos a seguir, de absoluta clareza (fls. 5.364 em diante — Volume XXVI): "Pelo exame dos autos se verifica que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, nada esclareceu de fato. A Lei n " 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano-calendário de 1997, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 3°, § 4 `I, da Lei n' 7.713, de 1988. Dessa forma, é incabível a alegação do impugnante de que a exigência colide com o conceito de renda definido no art. 43 do C7W A presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ónus de ilidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. No entanto, no caso em tela, o contribuinte não logrou ylk 14 .• Processo n° 10850.00340212003-60 CSRF/T04 Acerclfto n.* 04-00.801 Fls. l 5 comprovar a origem dos diversos depósitos efetuados em conta corrente de sua thularidade, cabendo a autoridade administrativa, então, por força do princípio da legalidade, não só o poder, mas também o dever de efetuar o lançamento decorrente. É de se esclarecer, que se entende por comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n 9.430, de 1996, a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, coincidências de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de um montante em um determinado documento a comprovar vários créditos. É de ser ver, como já analisado acima, que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister, a simples apresentação de justificativas trazidas na peça impugnatória, mas, também, que estas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face de o contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origens dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei n 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei n c) 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o beneficio que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas lei, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (II 3 ° do art. 42 da Lei n 09.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano-calendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. yj 15 . ' Processo n°10850.003402/2003-60 CSIZErf04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 16 Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Ora, o efeito da presunção 7uris tanturn" é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursaL Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Teve o suplicante, seja na fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção 'júris tantum" acima referida, necessariamente, transmuda-se em presunção 'jure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Em resumo, na hipótese em litígio, a Fazenda Pública tem a possibilidade de exigir o imposto de renda com base na presunção legal e a prova para infirmar tal presunção há de ser produzida pelo contribuinte que é a pessoa interessada para tanto. É de se ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento e, para tanto, se faz necessário proceder a uma análise mais detalhada se está correto tomar como de omissão de rendimentos o valor integral do depósito não comprovado guando o contribuinte explora unicamente a atividade rural." (grifei) Assim, não resta dúvida no sentido de que, no acórdão recorrido, examinando- se as provas acostadas aos autos, concluiu-se que o Contribuinte não lograra comprovar a origem dos depósitos bancários remanescentes, da forma como exigia o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Entretanto, no acórdão recorrido entendeu-se também que, a despeito da não comprovação da origem dos recursos, o Contribuinte exercia exclusivamente a atividade rural, situação esta que autorizaria a concessão de uma origem presumida aos depósitos bancários, qual seja, a atividade rural, e não outra atividade qualquer. Confira-se o restante do voto condutor do aresto (fls. 5.371 em diante — Volume XXVI): rk 16 Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 AcOrdao ri.° 0440.801 Fls. 17 "Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados quase que exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Aliás, diga-se de passagem, é o que rege o § 2° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: (.) Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n. 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n. ° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Trata-se, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. (.) Neste contexto, a omissão de receita/rendimentos verificada através de depósitos não comprovados em contribuintes que se dedicam exclusiva e compro vadamente, a exploração de atividade rural, o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e tributado como se atividade rural fosse, em obediência ao disposto nas normas legais que regem o assunto, quais sejam: Lei n G 7.713, de 1988, art. 49; e Lei n 8.023, de 1990, com as devidas alterações posteriores, conforme o demonstrativo abaixo: Assim, é de se reduzir à base de cálculo da exigência tributária relativo aos depósitos bancários para R$ 626.957,88; R$ 374.566,71; R$ 590.087,85; e R$ 1.098.932,65 correspondente, respectivamente, anos- calendário de 1998 a 2001." (grifei) DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL A Fazenda Nacional, concordando com a premissa da qual partiu o acórdão recorrido — falta de comprovação da origem dos depósitos bancários — discordou apenas da r‘k 17 Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Eis. 18 conclusão do julgado, no que tange à tese de que, exercendo o contribuinte a aevidade rural, seria possível atribuir aos depósitos bancários esta mesma origem. Nesse passo, a Fazenda Nacional acusa o acórdão recorrido de adotar posicionamento que, além de contraditório, seria contrário ao que determina o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Confira-se o texto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, às fls. 5.388 a 5.391 — Volume XXVII: "In casu, o contribuinte não logrou comprovar que os depósitos tiveram origem na atividade rural. O fato de o contribuinte declarar rendimentos exclusivamente da atividade rural não impede que o mesmo seja tributado na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96, isto porque a tributação pelo art. 42 ocorre justamente nos casos de rendimentos não declarados e. além disso, de origem não comprovada. Havendo omissão de rendimentos na declaração e o fisco apurar que realmente a omissão decorreu da atividade rural, a autoridade competente poderá lavrar o auto com fulcro na Lei 8023/90. Mas não é o caso dos autos, aqui não há a comprovação da origem. Nesse aspecto, o voto vencedor encerra uma nítida contradição, verbis: 1(...) No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce atividade rural, e que os rendimentos declarados decorrem desta. Da análise dos autos, principalmente a declaração de imposto de renda dos exercícios questionados, se constata que as origens de recursos tributáveis do contribuinte são originárias exclusivamente da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade ruraL Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis orizinados, unicamente e exclusivamente, da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida (..)' (Sem destaques no original —fls. 5.370/5.371). Em primeiro lugar, o L Conselheiro diz que não é correto tributar a totalidade dos depósitos não comprovados como omissão de rendimentos e, em seguida diz que o contribuinte tem rendimentos oriundos exclusivamente da atividade ruraL Ora, se os depósitos são oriundos exclusivamente da atividade rural, têm origem comprovada. Não existe a figura do depósito de origem desconhecida e, ao mesmo tempo, oriundo da atividade rural. Em segundo, a tributação com base na atividade rural só pode ocorrer quando há prova que os depósitos vieram dessa atividade. Repita-se que o contribuinte não logrou demonstrar a relação entre os depósitos e a atividade rural. i8 . , .. . . . . • Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 19 Não tem cabimento, portanto, considerar como depósitos provenientes da atividade rural aqueles cuja comprovação não foi realizada, simplesmente porque o contribuinte exerce de forma contumaz tal atividade econômica. Nada impede que alguém seja, por exemplo, pecuarista e tenha uma atividade econômica paralela sem que o fisco tenha conhecimento e receba rendimento desta última por meio de conta bancária. Ao contrário do que asseverou o relator não é qualquer omissão de rendimentos de um contribuinte que exerce atividade rural que será tributada na forma da Lei 8023/90, mas àquelas que comprovadamente forem provenientes de tal atividade, as que não decorrerem, obviamente, não serão tributadas da mesma forma, como deixa claro o art. 1° da Lei 8023/90, verbis: Art. V Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto desta lel (Destacamos)" Assim, o Ilustre Conselheiro Relator do acórdão recorrido e a Fazenda Nacional concordam no seguinte ponto: o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. A divergência entre eles reside no desdobramento dessa premissa, em face da atividade exercida pelo contribuinte: o Relator do acórdão recorrido entende que o fato de o Contribuinte exercer exclusivamente a atividade rural autorizaria uma presunção acerca da origem dos depósitos bancários, aplicando-lhes a tributação favorecida, prevista na Lei n° 8.023, de 1990; a Fazenda Nacional, por sua vez, não concorda com tal conclusão, requerendo a manutenção da tributação com base na Lei n° 9.430, de 1996, conforme o Auto de Infração. Destarte, uma vez que tanto o Relator do acórdão recorrido como a Fazenda Nacional entendem que, no presente caso, a origem dos depósitos bancários efetivamente não fora comprovada, obviamente que um Recurso Especial, interposto pela própria Fazenda Nacional, não teria qualquer interesse em suscitar a rediscussão dessa matéria. Com efeito, e dentro da mais perfeita lógica, a matéria trazida pela Fazenda Nacional à Câmara Superior não diz respeito ao exame das provas constantes dos autos, mas sim à tese defendida no julgado guerreado, consistente na atribuição, aos depósitos bancários cuja origem não fora comprovada, de uma origem presumida na atividade rural, simplesmente pelo fato de o Contribuinte exercer exclusivamente essa atividade. Na verdade, o debate que deveria ser travado na Câmara Superior de Recursos Fiscais não poderia se afastar da discussão acerca da seguinte questão: o fato de o Contribuinte declarar rendimentos oriundos unicamente da atividade rural inibiria ou não a autuação com base em depósitos bancários de origem não identificada? Um desdobramento desta discussão poderia ser, inclusive, a análise das Declarações de Ajuste Anual do Contribuinte (fls. 12 a 33), a ver se haveria efetivamente a alegada exclusividade. DO JULGAMENTO NA CSRF Recapitulando o até agora exposto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais encontrava-se diante da seguinte situação: 19 , • .. Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acérclâo n.° 04-00.801 Fls. 20 - - o acórdão recorrido considerou não comprovada a origem dos depósitos bancários, concordando com o posicionamento da autuação, no que tange ao exame das provas constantes dos autos; - o acórdão recorrido, abstraindo-se das provas constantes dos autos, julgadas insatisfatórias, atribuiu aos depósitos bancários de origem não comprovada uma origem presumida na atividade rural, ancorado no fato de ser esta a exclusiva atividade exercida pelo Contribuinte; - a Fazenda Nacional, sem qualquer interesse em reabrir a discussão acerca da questão do conjunto probatório constante dos autos — que já fora inclusive considerado insuficiente pelo próprio acórdão recorrido — suscita em seu apelo apenas a questão da atribuição aos depósitos bancários de uma origem presumida, em face da atividade exercida pelo Contribuinte. A despeito de estarem muito bem fincados os limites do Recurso Especial da Fazenda Nacional, data venha, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se de uma Terceira Instância se tratasse, ignorou a questão trazida à discussão pela Recorrente, passando a debater questões de fato, afetas ao conjunto probatório constante dos autos, como se o Recurso Especial houvesse sido interposto pelo Contribuinte, pois somente a ele interessaria a reabertura de tal discussão. Com efeito, o julgamento promovido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais afastou-se do conteúdo do Recurso Especial da Fazenda Nacional, retrocedendo até mesmo à fase de autuação e reabrindo discussão acerca do conjunto probatório dos autos, matéria esta sobre a qual não houve discordância entre o acórdão recorrido e a Fazenda Nacional, por isso mesmo não foi objeto do apelo à Instância Superior. Confira-se trechos do voto vencedor proferido na Instância Especial: Em relação aos depósitos bancários, objeto deste recurso, o auditor fiscal, avaliando os documentos apresentados pelo recorrente assim concluiu ai 4627 a 4639 — Vol. XXIV): No dia 10/10/03 (fls. 3330/4008) os condôminos tentam comprovar a origem dos depósitos bancários creditados em suas contas-correntes. Todavia, mais uma vez, não trouxeram documentos hábeis e idôneos (notas fiscais do produtor e notas fiscais de entrada) que comprovassem referidos depósitos. Nas respostas dos condôminos, protocolizadas em 11/07/03 —fls. 2767/3212, são apresentados diversos documentos, onde tentam justificar a origem dos créditos bancários. Ressalta-se, que a grande maioria dos comprovantes apresentados, apesar de ser composta por cheques nominais aos condôminos, não estão vinculadas a nenhuma Nota Fiscal de Produtor e/ou Nota Fiscal de Entrada" (fl. 4635). Considerando que a atividade rural goza de uma tributação privilegiada, e que o parágrafo 5°, do artigo 61 do RIR/99, prevê que "A receita bruta, decorrente da comercialização de produtos, deverá 9.. 20 . , .. t. • Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.°04-O0.801 Fls. 21 ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais", somente serão consideradas como comprovantes as receitas da atividade rural acompanhadas de nota fiscal do produtor... Portanto, os cheques apresentados NÃO SERÃO CONSIDERADOS DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS para comprovar atividade rural dos condôminos. (gr(os no original). Pelo que se depreende do texto acima transcrito, que se constitui nos fundamentos pelos quais a fiscalização não acolheu as justificativas apresentadas pelo autuado, percebe-se que o auditor fiscal prendeu-se às provas diretas, sem que tivesse demonstrado, mediante formulação de hipóteses, com exclusão de umas e aceitação de outras, por que razão não aceitou as provas indiretas apresentadas pelo fiscalizado. O entendimento de que o fiscalizado não logrou comprovar a origem dos depósitos porque não apresentou, em relação a eles, notas fiscais do produtor não se sustenta. Seguir tal raciocínio importaria em banir do Direito Brasileiro a possibilidade de provas indiretas, o que nos levaria ao absurdo, por exemplo, de só se punir o autor de estupro caso fosse flagrado no momento do crime. Mais, os recursos decorrentes da atividade de tráfico só seriam bloqueados caso o autor do crime apresentasse nota fiscal correspondente à transação ilícita. A prova é um todo orgânico; portanto não é licito apreciar-lhe uma parte isolada, com indiferença às demais. Não há julgamento seguro sem análise completa da prova, quer seja direta ou indireta. Julgar importa em avaliar aprova, em especial as provas indiretas, as leves marcas deixadas pelo fato probcmdo, o estado de ânimo do acusado, as circunstáncias que rodeiam o caso, o local onde os fatos ocorreram, quem são os envolvidos, sendo que, ao final, deve o julgador, mediante raciocínio lógico, demonstrar as razões que o levaram à conclusão a que chegou. (..) A possibilidade de se entender que a omissão da atividade agrícola já foi tributada como tal no auto de infração, não existe, pois o que foi tributado como omissão da atividade rural foram as 278 notas fiscais emitidas e não contabilizadas. Destaco, por exemplo, os cheques de n° JX8236I 5 e JX823541 (fl. 2916), nos valores de R$ 223.007,20 e R$ 92.135,00, respectivamente, emitidos pelo Frigorifico Santa Esmeralda Lida, que constam da planilha dos depósitos conciliados de fls. 4587- verso, que por não existirem notas fiscais foram considerados recursos de origem não justjficada. Outro exemplo são os 11 (onze) cheques, todos no valor de R$ 15.000,00 (fls. 2967 a 2974), emitidos pelo Frigorifico Santa Esmeralda. Tais cheques não constam da planilha de depósitos conciliados de fl. 4588-verso. Entretanto há um crédito identificado na planilha como sendo "operação de desconto comercial" indicando tratar-se do desconto dos referidos cheques, a exemplo do que o r mercado costuma praticar em maior escala com duplicatas. 21 .• Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 22 Se prosseguíssemos citando exemplos, só em relação ao Frigorifico Santa Esmeralda Lida, teríamos dezenas de casos, como se depreende das fls. 2878 (R$ 103.770,00); 3005 (R$ 152.260,00); 3073 (R$ 145.930,00); 3084 (R$ 102.775,07). Tais operações não foram consideradas como sendo da atividade agrícola em virtude da inexistência de notas fiscais de venda O procedimento adotado pela fiscalização exigindo exclusivamente provas diretas, no caso nota fiscal, não pode permanecer na medida em que desconsidera os demais meios de provas apresentados pelo recorrido e juridicamente admitidos. Em resumo, o acórdão recorrido não é contrário à prova dos autos e nem à lei A decisão "a quo", apreciando a prova, assim como este relator, formou convicção de que os recursos financeiros citados na decisão recorrida são provenientes da atividade rural e como tal, à luz do artigo 42, ,f 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, devem ser tributados em conformidade com o artigo 5° da Lei n°8.023, de 1990. " (grifei) De plano, verifica-se que a conclusão acima, no sentido de que "a decisão 'a quo', apreciando a prova, assim como este relator, firmou convicção de que os recursos financeiros citados na decisão recorrida são provenientes da atividade rural (...)" não retrata exatamente aquilo que consta do julgado guerreado. Na verdade, o acórdão recorrido, apreciando a prova, entendeu não ser ela apta a comprovar a origem dos depósitos. Repita-se que o convencimento do Relator do acórdão recorrido não adveio do exame do conjunto probatório juntado aos autos pelo Contribuinte, mas sim do fato de este haver declarado rendimentos que seriam oriundos exclusivamente da atividade rural, o que é muito diferente. O que se verifica, sem a menor sombra de dúvida, é que, no que tange ao conjunto probatório constante dos autos, o acórdão recorrido e o julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais adotaram conclusões contrárias: o primeiro o considerou inapto a comprovar a origem dos depósitos, enquanto que o segundo o entendeu satisfatório a esse fim. Ocorre que se tratava de Recurso Especial da Fazenda Nacional, que obviamente não suscitara essa questão, já que não havia interesse de sua parte. Nesse contexto, levando-se em conta que o julgamento já se processava em Instância Especial — onde não é mais possível o reexame de matéria de prova, ainda que se tratasse de apelo interposto pelo Contribuinte — o retrocesso ao exame da autuação e do conjunto probatório constante dos autos caracteriza a utilização da via de Recurso Especial aberta por uma das partes, em prejuízo desta mesma parte, e em proveito da parte contrária, o que de forma alguma pode ser admitido. Ora, não há como ignorar que a Fazenda Nacional adentrou à Câmara Superior de Recursos Fiscais sob a premissa — já incorporada à sua esfera de direitos — de que o Contribuinte não lograra comprovar a origem dos depósitos, restando discutir apenas a questão da atribuição da origem presumida pelo exercício da atividade rural. Não obstante, após o julgamento pela Instância Especial, além de não haver sido enfrentada a sua alegação de recurso, a Fazenda Nacional ainda teve subtraída de sua esfera de direitos a premissa já conquistada em Segunda Instância, o que caracteriza omissão e prejuízo à parte recorrente. Com efeito, a tese que confere origem presumida a depósitos bancários, em função da atividade exercida pelo Contribuinte, não pode ser considerada enfrentada por um y1/4 22 Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRUT04 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 23 acórdão que, afastando-se do conteúdo do recurso, retrocede à fase de autuação e fornece origem real ao rendimento omitido, posicionamento este que nem o acórdão recorrido ousara adotar. Conclui-se, assim, que a Fazenda Nacional até o momento não obteve resposta acerca de suas alegações de recurso, uma vez que o acórdão proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais limitou-se a corroborar os argumentos e demonstrativos acerca da matéria de prova, trazidos pelo Contribuinte inclusive em sede de sustentação oral. DO POSICIONAMENTO DESTA CONSELHEIRA EM FACE DA MATÉRIA DE RECURSO Diante de tal quadro, resta a esta Conselheira expor o seu posicionamento, em face do efetivo conteúdo do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os trechos transcritos nesta Declaração de Voto, relativos ao voto condutor do aresto recorrido, permitem concluir que, embora o próprio Conselheiro Relator cite o § 2°, do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que determina que os depósitos bancários de origem comprovada devem ser submetidos à tributação especifica, na verdade ele tributa como atividade rural justamente os depósitos não comprovados, o que efetivamente caracteriza a contradição assinalada no Recurso Especial da Fazenda Nacional. O dispositivo legal citado é bem claro ao estabelecer a presunção de que depósitos bancários de origem não identificada caracterizam omissão de rendimentos, porém permitindo que os depósitos de origem identificada sejam tributados conforme a respectiva natureza dos valores depositados. No caso em apreço, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, foi perfeitamente aplicado, a saber: - os depósitos cuja origem o contribuinte logrou comprovar, provenientes da atividade rural, assim foram tributados, conforme determina o § 2": "§ 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." - já os depósitos cuja origem não foi comprovada, mediante documentação hábil e idônea, foram tributados como renda presumida, exatamente como manda o capa!: "Art. 42 Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." No acórdão recorrido, os depósitos bancários de origem não comprovada foram tributados como se provenientes da atividade rural, considerando-se apenas 20% da base de 50\ cálculo, sob o fundamento de que essa seria a única atividade exercida pelo Contribuinte. 23 , Processo n° 10850.003402/2003-60 CSRUTO4 Acórdão n.° 04-00.801 Fls. 24 Não obstante, essa tributação especial é aplicável apenas para o resultado da atividade rural, e assim mesmo mediante opção do contribuinte, manifesta na Declaração de Ajuste Anual. Ademais, como já exaustivamente asseverado, trata-se de depósitos bancários cuja origem não foi identificada, o que caracteriza omissão de rendimentos, sem previsão legal para que sejam tributados de forma específica. Por fim, verifica-se que a tese preconizada pelo acórdão recorrido trata desigualmente contribuintes que se encontram na mesma situação, qual seja, a de enquadramento no critério material da regra-matriz de incidência contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Com efeito, se dois contribuintes apresentam depósitos bancários de origem não identificada, não há qualquer sentido ou fundamento legal para que se cobre de um deles o tributo apurado sobre a base de cálculo plena, e do outro, simplesmente por exercer uma determinada atividade, se lhe cobre o imposto apenas sobre a quinta parte da base de cálculo. Ora, a presunção relativa contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tem de ser válida para todo o universo de contribuintes, sem qualquer distinção, muito menos pela atividade por eles exercida. A propósito, no caso em apreço, a atividade rural não era a única exercida pelo Contribuinte. Conforme as Declarações de Ajuste Anual às fls. 12 a 33, o Contribuinte recebeu rendimentos de diversas pessoas jurídicas, dentre elas da empresa "CONSTAL — Incorp. Empr. e Constr. Tavares Ltda.". Diante do exposto, DOU provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, em 03 de março de 2008. O X,9135, AR1A FelEtt..EWOTTA Ctitfájkr 24 • Processo no : 10850.003402/2004-48 Acórdão : CSRF/04-00.801 Declaração de Voto Conselheiro ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA. Consoante relatório e voto do acórdão de primeira instância, trata-se de exigência de IRPF, por presunção legal de omissão de rendimentos, arbitrados em face de depósitos bancários de origem não comprovada. A fiscalização confirmou que as contas correntes cujos depósitos foram tomados como rendimentos para fins de tributação eram utilizadas para movimentar recursos da atividade rural, mas não foram apresentadas provas de que efetivamente todos os depósitos são relativos a receitas da atividade rural, por isso não foi aplicada a legislação pertinente àquela atividade. Repito: a fiscalização tem amparo legal no art. 42 da Lei 9.430/1996 para considerar que os depósitos bancários não justificados se tratam de rendimentos omitidos, mas não tem amparo legal vara considerar que a diferença entre o valor declarado pelo contribuinte e o total depositado também sejam valores oriundos da atividade rural, sujeitos a tributação diferenciada. Caso tributasse todos os depósitos como atividade rural, a fiscalização estaria agindo por presunção, aí sim sujeitando-se ao cancelamento do auto de infração por insuficiência de provas. Diante de uma presunção simples, ainda que veemente, e de uma presunção legal, de igual forma embasada, correto o procedimento fiscal de constituir o crédito tributário com base na presunção assente em lei, sem prejuízo de posterior ajuste na base de cálculo, caso comprovada a origem. A presunção legal do art. 42 da Lei 9.430 de 1996 (depósitos bancários), bem como a do art. 55, inciso XIII do RIR/99 (acréscimo patrimonial a descoberto - APD), constituem mecanismo jurídicos para apurar rendimentos omitidos, sujeitos à tributação do IRPF. Tais presunções, se corretamente aplicadas, alcançam todas as hipóteses de rendimentos tributáveis na pessoa física. Se a fiscalização apura tRPF com base em depósitos bancários, que o contribuinte regularmente intimado, não comprovou a origem durante a auditoria; este lançamento não será cancelado se o contribuinte fizer prova na impugnação que os rendimentos são relativos a honorários advocatícios; afinal, tais honorários são sujeitos à tributação do IRPF e seriam tributados sob essa rubrica (rendimentos do trabalho não assalariado), caso a fiscalização tivesse condição de apurar tal fato no transcurso da auditoria. Outro exemplo: se na impugnação a um lançamento com base em depósitos bancários, regularmente constituído, o contribuinte fizer prova de que esses depósitos referem-se a receitas do transporte de cargas, o lançamento não será cancelado, mas entendo que a base de cálculo deva ser reduzida ao percentual de 40%, nos termos do art. 47, I, do RIR/1999. E mais; se a fiscalização apura e tributa acréscimo- patrimonial a descoberto, corretamente, e o contribuinte no recurso voluntário faz prova que obteve rendimentos de aluguel, não considerados no levantamento fiscal, mas que também não foram oferecidos a tributação, não há que se cancelar o lançamento por inexistência do APD, pois, foi justamente essa omissão de rendimentos que fez aflorar o APD. Nessa hipótese, se o contribuinte tivesse apresentado os rendimentos de aluguel durante a auditoria, o lançamento não seria por APD e sim por omissão de rendimentos tributáveis; o valor da exigência seria o mesmo, sem qualquer prejuízo ao contribuinte ou vantagem à Fazenda Nacional. (1- . • • Por fim, se a fiscalização apura e tributa rendimentos omitidos com base na presuncão legal de APD ou depósito bancário com observância de todos os preceitos da legislação, permanecendo o contribuinte silente durante a auditoria, mas na peça impugpatória o contribuinte traz comprovantes de que deixou de apresentar receitas da atividade rural, a meu ver, tal qual nas hipóteses anteriores, é absolutamente incorreto cancelar o lançamento. pois ao tributar com base na presuncão leeal a fiscalizacão já alcancou aqueles rendimentos. Corroborando com entendimento aqui exposto, peço venia para transcrever parte dos brilhantes fundamentos da Declaração de Voto proferida no Acordão n° 102-48.062, proferida pelo i. Conselheiro Naury Fragoso Tanaka (verbis): " (..) A presunção constitui figura jurídica que permite determinar a existência de um fato desconhecido com base em outro conhecido, que com o primeiro tem um nexo causal, uma ligação estreita autorizadora de conclusão pela concretização do segundo quando existente o primeiro. Classificam-se em hominis e legais I. As primeiras são aquelas construídas pelo aplicador da norma, isto é, com suporte em dados determinados presume-se o fato desconhecido; as outras, decorrem da previsão em lei e podem ser relativas, mistas ou absolutas, porque, pela ordem, permitem qualquer prova ou apenas algumas espécies de provas em contrário ao fato presumido, ou não permitem qualquer questionamento. Importante salientar que a validade das presunções hominis requer prévia identificação e comprovação por meio de conjunto probatório suficiente. Não constitui excesso, mas beneficio ao entendimento, os ensinamentos de Maria Rita Ferragut2 a respeito dessa figura jurídica. 'O vocábulo presunção detém mais de uma definição, posto tratar-se de proposição prescritiva3, relação e fato. As acepções caminham juntas, já que em toda aparição do termo faz-se possível identificar essas três perspectivas, indissociáveis. Optamos por separá-las sem afastar o entendimento de que todo fato jurídico é uma proposição e uma relação; que toda relação é um fato e uma proposição; e assim por diante. Separamo-las, finalmente, com o objetivo de, com uma maior especificação do objeto, permitir o aprofitnelamento do estudo de cada uma de suas definições. (.) Como proposição prescritiva, presunção é norma jurídica deonticamente incompleta (norma lato sensu), de natureza probatória que, a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário, fato diretamente conhecido, fato implicante), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado, fato indiretamente conhecido, fato implicado). Constitui-se, com isso, numa relação, vinculo jurídico que se estabelece entre o fato indiciário e o aplicador da norma, conferindo-lhe o dever e o direito de construir indiretamente um fato. Já como fato, presunção é o conseqüente da proposição (conteúdo do conseqüente do enunciado prescritivo), que relata um evento de ocorrência fenomênica provável e passível de ser refutado mediante apresentação de provas contrárias. É I Segundo Maria Rita Ferragut: "Tradicionalmente, as presunções têm sido classificadas segundo dois critérios fundamentais: o da procedência e o da força probante. No primeiro caso, as presunções classificam-se em (i) legais (juris), se elaboradas pelo legislador e impostas como enunciados jurídicos gerais e abstratos, e (ii) hominis (judiciais ou, ainda, comuns), se construídas pelo aplicador da norma, segundo sua própria convicção. Quanto à força probante, dizem-se relativas (Júris tantum), quando admitem prova contrária, absolutas (/uris et de Jure), quando não admitirem essa comprovação e, finalmente, mistas, quando admitirem somente algumas provas. Assim, as presunções classificariam-se em hominis ou legais, aquela sempre relativa e essa última relativa, absoluta ou mista." FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário, São Paulo, Dialética, 2001, págs. 63 e 64. 2 FERRAGOT, Maria Rita. O. citada, págs. 62 e 63. 3 "Optamos por classificá-la como proposição, mas diante da ambigüidade do termo admitimos ser também possível considerá-la como enunciado prescritivo, já que toda proposição é construída a partir de um enunciado, e todo enunciado revela um significado, ainda que deonticamente incompleto (proposição)." . • 1 .. , prova indireta, detentora de referência objetiva, localizada em tempo histórico e espaço social definidos. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Conhecido o fato sempre é, pois detém referência objetiva de tempo e de espaço; conhecido juridicamente, também, é o evento nele descrito. Por outro lado, da perspectiva fática, o evento, no que pese ser provável, é sempre presumido. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada "presumem" juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de sim fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais, etc) apenas 'presumem'. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não há como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo juridicamente certo e fenomenicamente provtiveL É a realidade jurídica impondo limites ao conhecimento jurídico.' Postos tais esclarecimentos a respeito das presunções, fecha-se o parêntese e passa-se à análise da questão. Considerado o objetivo do procedimento fiscal como a verificação das atitudes desenvolvidas pela pessoa fisica quanto às determinações do lançamento por homologação° a que se submete perante o Imposto de Renda, dois aspectos devem ser postos para fins de permitir a conclusão: (a) como devem ser acolhidos juridicamente os dados declarados pela pessoa física, e (b) o limite de aplicabilidade da norma do artigo 49, da Lei n° 7.713, de 1988. Iniciada a vercação fiscal sobre as atividades desenvolvidas no ano-calendário pela pessoa fisica em confronto com suas obrigações tributárias por força da dita legislação, as atitudes procedimentais da autoridade fiscal devem conformar-se ao princípio da legalidade e do devido processo legal. Esse comportamento funcional é dessa forma vinculado por força dos artigos 37, e 5°, LV, ambos da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CF188, e, mais especificamente, em nível de lei ordinária, na esfera administrativa, pela norma contida no artigo 2°, da Lei n°9.784, de 1999. Assim, constitui dever a busca da verdade material quanto aos fatos havidos no período sob investigação e para esse fim é-lhe permitido utilizar de todos os meios legais disponíveis para levantamento da renda auferida e o confronto com aquela informada à Administração Tributária, na forma autorizada pelos artigos 142 e 195, da Lei n° 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional - CTN. Decorrência deste, a verificação, não apenas da atividade rural, mas também de todas as demais transações subsumidas a tratamento específico pela legislação do Imposto de Renda, como o ganho de capital na alienação de bens, os ganhos em aplicações financeiras no mercado de renda fixa ou variável; as remessas de moeda ao exterior; o produto das atividades de transporte ou de exploração de atividades profissionais, etc. Esse procedimento pode ser efetivado pela análise especifica de cada atividade econômica desenvolvida pelo fiscalizado ou por meio de outros mecanismos, entre eles a utilização das presunções legais. Os dados declarados pela pessoa fisica prestam-se ,como informações indiciárias à Administração Tributária e ao executor do procedimento de verificação, uma vez que o processo administrativo fiscal tem como diretriz legal a construção dos fatos mediante ' Lançamento por homologação regido pelas normas do artigo 150, do CTN.»....7,- provas documentais& Tais dados constituem provas indiciárias porque contêm detalhamento de fatos jurídicos de possível existência, com aspecto temporal fixado pelo ato de exposição na informação prestada ao fisco. Signca que não se pode exigir tributo mediante procedimento de oficio que tenha por fundamento apenas os dados declarados, como por exemplo tendente ao absurdo, a transformação em renda tributável, independente de comprovação, de um valor declarado a titulo de empréstimo. Assim, a vercação fiscal das atividades econômicas e sociais desenvolvidas pela pessoa Jisica requer obtenção de provas documentais de todos os fatos declarados, bem assim, daqueles não incluídos na informação prestada ao fisco, e por conseqüência, defeso ao Auditor-Fiscal da Receita Federal presumir que a pessoa sob fiscalização, declarante da atividade rural, seja esta exclusiva ou preponderante, não tenha exercido outra atividade. Esta última, constituiria uso de uma presunção hominis, inválida em termos tributários justamente porque o juízo encontrar-se-ia estribado apenas nos dados oferecidos ao fisco pela pessoa física, que, juridicamente, constituem somente um indício de que o conjunto dos fatos econômicos dos quais a pessoa fisica auferiu beneficias, restringiram-se à atividade rural. Outro aspecto a cuidar com maiores precauções é a aplicabilidade da norma restritiva de outra. Deve-se, sempre, extrair qual é o objeto a que dirigida a exceção, uma vez que não se pode ampliar os efeitos da restrição a todos os aspectos do direito - direito material, direito processual, etc. - salvo quando expressamente especificados no texto legal. Conveniente ressaltar que a Lei n° 7.713, citada, contém normas direcionadas ao estabelecimento de diversas formas para a conduta decorrente da incidência do Imposto de Renda — conseqüente tributário — como aquelas direcionadas às pessoas físicas, pessoas jurídicas, tributação exclusiva, aplicações financeiras, ganhos de capital, etc, inclusive outras relativas ao procedimentos investigatório, como é o caso da dita presunção, porque contida no artigo 3°, I, que traz o fato gerador do tributo previsto no artigo 43, do CTN, em termos de lei ordinária. (..) Conveniente, então, observar a distinção entre a aplicabilidade dos conceitos de presunção e de incidência do tributo: o primeiro constitui meio para que se identifique a renda omitida, enquanto a incidência é materializada pela subsunção da renda omitida à hipótese abstrata contida na lei. A construção de acréscimo patrimonial constitui uma forma de proceder da fiscalização prevista no artigo 3°, I, da Lei n° 7.713, citada, com finalidade de identificar uma renda omitida, e por essa característica insere-se no conjunto das chamadas presunções legais. Elaborar um levantamento patrimonial mensal para verificar o resultado das atividades econômicas de um declarante da atividade rural e detectar um acréscimo a descoberto não implica em exigência de tributo mensal de rendimentos dessa atividade, mas significa que o declarante pode ter omitido renda tributável de outra atividade não declarada. • Ocorre que a presunção consiste exatamente em identificar o fato oculto por meio de outro conhecido. Detectado acréscimo patrimonial a descoberto em contribuinte que declara renda preponderante ou exclusiva da atividade rural, a renda considerada omitida tem natureza tributável, porque objeto da previsão em lei', e é de espécie desconhecida, justamente porque constitui o fato oculto, identificado por meio de uma presunção legal fundada em provas documentais. Por decorrência, porque é vedado ao fisco presumir, por presunção hominis despida de conjunto probatório suficiente, que a renda omitida decorreu da atividade rural, somente mediante comprovação seria possível a subsunção desta aos mandamentos da Lei n°8.023, de 1990. (.)" 5 Conforme artigo 15, do Decreto n° 70.235, de 1972 - Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 6 Artigo 3°, 1, da Lei n° 7.713, de 1988. • 1 Colocados tais esclarecimentos e justificativas, com a máxima vênia, permito-me divergir em parte da posição expendida pelo ilustre conselheiro Relator. Isso porque, a meu ver não merece reparo o voto condutor do acórdão recorrido, à medida que formou convencimento de que se tratavam mesmo de rendimentos da atividade rural e concluiu pela possibilidade de ajuste da base de cálculo do lançamento, haja vista a inocorrência de hipótese vedada de inovação no lançamento, e sim de ajuste na base de cálculo. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões — DF, em 3 de março de 2008. A16TGA. C\ (-4\ Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1
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