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Numero do processo: 13981.000063/2001-09
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 15/08/1989 a 15/12/1995
INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
O prazo qüinqüenal para restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos efetuados indevidamente e/ ou a maior, a título de PIS, com . fundamento nos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, é de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n° 49, em 10/10/1995, expedida pelo Senado Federal.
Para os recolhimentos efetuados com base na MP n° 1.212, de 25/11/1995, cujo art. 15 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conta-se o prazo qüinqüenal a partir da data decisão proferida por este Tribunal Superior.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/11/1995
FUNDAMENTO LEGAL
Em face da suspensão da execução dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da ADIN n° 1.417-0, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tomou-se devida, no período de competência de 1° de outubro de 1995, com base na
Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulterior alteração legal.
SEMESTRALIDADE. COMPETÊNCIA. 01/10/1995 A 31/10/1995
Súmula 11. A base de cálculo do PIS, p .vista no artigo 6° da Lei
Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2201-000.332
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de
Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de determinar a aplicação das regras previstas na Lei Complementar n° 07/70, em especial, a sistemática da semestralidade, para os períodos compreendidos entre 10/95 e 11/95, reconhecendo à recorrente o direito à repetição/compensação de possíveis diferenças apuradas para aquele período de competência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro
Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/08/1989 a 15/12/1995 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O prazo qüinqüenal para restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos efetuados indevidamente e/ ou a maior, a título de PIS, com . fundamento nos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, é de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n° 49, em 10/10/1995, expedida pelo Senado Federal. Para os recolhimentos efetuados com base na MP n° 1.212, de 25/11/1995, cujo art. 15 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conta-se o prazo qüinqüenal a partir da data decisão proferida por este Tribunal Superior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 30/11/1995 FUNDAMENTO LEGAL Em face da suspensão da execução dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da ADIN n° 1.417-0, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tomou-se devida, no período de competência de 1° de outubro de 1995, com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulterior alteração legal. SEMESTRALIDADE. COMPETÊNCIA. 01/10/1995 A 31/10/1995 Súmula 11. A base de cálculo do PIS, p .vista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso provido em parte.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA \74) ? -i . '., . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS_ ...Q1C..tt ‘ SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° .. 13981.000063/2001-09 Recurso n° 141.119 Voluntário Acórdão n° 2201-00.332 — 2' Câmara / I' Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente INDUSTRIAL MOAGEIRA LTDA. Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/08/1989 a 15/12/1995 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O prazo qüinqüenal para restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos efetuados indevidamente e/ ou a maior, a título de PIS, com . fundamento nos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, é de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n° 49, em 10/10/1995, expedida pelo Senado Federal. Para os recolhimentos efetuados com base na MP n° 1.212, de 25/11/1995, cujo art. 15 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conta-se o prazo qüinqüenal a partir da data decisão proferida por este Tribunal Superior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 30/11/1995 FUNDAMENTO LEGAL Em face da suspensão da execução dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da ADIN n° 1.417-0, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tomou- se devida, no período de competência de 1° de outubro de 1995, com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulterior alteração legal. SEMESTRALIDADE. COMPETÊNCIA. 01/10/1995 A 31/10/1995 • • Súmula 11. A base de cálculo do PIS, p .vista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturame tç do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso provido em parte. % I /k i i Processo n° 13981.000063/2001-09 S2-C2TI Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 287 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 2" Câmara/1" Turma Ordinária da r Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de determinar a aplicação das regras previstas na Lei Complementar n° 07/70, em especial, a sistemática da semestralidade, para os períodos compreendidos entre 10/95 e 11/95, reconhecendo à recorrente o • ireito à repetição/compensação de possíveis diferenças apuradas para aquele período de. p, tência, nos 4, rmos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. i/ • 71 1 /0Ir 1' A E I' • RO E : 'G FILHO Presidente A JOSÉ AD ar tf --; r O INO DE MORAISi Relator 11.tf Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório A recorrente acima qualificada ingressou com o pedido às fl. 01/08, protocolado em 10/06/2003, requerendo a restituição/compensação do montante de R$ 844.313,36 (oitocentos e quarenta e quatro mil trezentos e treze reais e trinta e seis centavos), decorrente de pagamentos indevidos e/ ou maior, a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) entre as datas de 15/08/1989 a 15/12/1995, sobre os fatos geradores ocorridos nos meses de competência de julho de 1989 a novembro de 1995, conforme planilhas à fl. 18. O pedido foi inicialmente apreciado e indeferido pela DRF em Joaçaba, SC, conforme Despacho Decisório às fls. 191/194. Cientificada daquele despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 200/224, requerendo a sua reforma para que lhe fosse reconhecido o direito à repetição/compensação dos valores reclamados, alegando razões que foram assim sintetizadas pela DRJ em Juiz de Fora: "Contestando tal decisão, a interessada argumentou, em resumo, o seguinte: 1 — houve a coisa julgada judicial no processo 91.7000010-7, da Seção Judiciária de Santa Catarina, afastando a decadência / prescrição; 2 — a base de cálculo do PIS, determinada pela LC 7/70, é o sexto mês anteri à ocorrência do fato gerador sem a aplicação da correção monetária." 2 '. , •. Processo n° 13981.000063/2001-09 S2-C2TI Acórdão n.°2201-00332 Fl. 288 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a improcedente, conforme Acórdão n° 09-16.326, datado de 24/05/2007, às fls. 253/255, assim ementado: "RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIR. O direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação." Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 262/271, requerendo a sua reforma a fim de que lhe reconheça o direito à repetição/ compensação dos valores reclamados, alegando, em síntese, que o prazo qüinqüenal para se repetir/compensar indébitos tributários, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 168, I, é de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. Ainda, de acordo com o art. 150, § 40, a extinção de créditos tributários de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no presente caso, ocorre em 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, a extinção tácita se dá depois dos 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, quando, então, se inicia o prazo qüinqüenal para se exercer o direito à repetição/compensação, resultando prazo total de 10 (dez) anos, ou seja, cinco para a extinção e mais cinco para a repetição. Alegou, ainda, violação à coisa julgada, ou seja, à decisão judicial transitada em julgado em 28/06/1996 nos autos do processo judicial n° 94.04.14278-6/SC que reconheceu o direito da recorrente, afastando taxativamente a decadência. Além disto, esta decisão judicial consignou a semestralidade da base de cálculo do PIS. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator *. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, quanto à alegação de ofensa à coisa julgada, ou seja, à decisão judicial transitada em julgado na data de 28/05/1996, processo n° 94.04.14278-6/SC, ao contrário do alegado pela recorrente, esse processo não tratou de repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior, efetuados nos termos dos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, e sim da inexistência de relação jurídico-tributário que a obrigasse ao pagamento dessa contribuição nos termos desses decretos. Dessa forma, tratando-se de matéria diferente, não há qu; .e falar em coisa julgada. Ainda, a título de esclarecimento, caso aquela decisão judicial tiv -.e reconhecido o direito de a recorrente repetir/compensar créditos tributários decorren • de PIS, pagos indevidamente e/ ou maior, nos termos daqueles decretos, na data de prt t colo do pr ente /14 lip 3 ' Processo n° 1398(.000063/2001-09 S2-C2T I Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 289 pedido, em 12/07/2001, seu direito já havia decaído pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data do trânsito em julgado daquela decisão. No mérito, os valores reclamados como indébitos referem a fatos geradores ocorridos no período de competência de julho de 1989 a novembro de 1995. Assim, toma-se necessário fundamentar nossa decisão em dois tópicos distintos. Para os recolhimentos efetuados entre 15/08/1989 e 13/10/1995, correspondentes aos fatos geradores do período de competência de julho de 1989 a setembro de 1995, a contribuição foi paga com base nos indigitados Decretos-lei n°2.445 e n°2.449, ambos de 1988, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em face desse julgamento o Senado Federal expediu a Resolução n° 49, publicada no DOU de 10/10/1995, suspendendo a execução daqueles decretos-lei. A decadência do direito de se repetir indébito tributário está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), arts. 165 e 168, in verbis: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, á restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extincão do crédito tributário. (...). "(grifos não-originais) Em se tratando de lançamento por homologação, como no caso da contribuição tara o PIS, a extinção do crédito tributário, por previsão expressa do CTN, ocorre quando do pagamento e não em outro momento, conforme disposto a seguir: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. 4 Processo n° 13981.000063/2001-09 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 290 Art. 156. Extinguem o crédito Tributário: VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; (...).(gr(os não-originais) No entanto, como no presente caso, os indébitos decorreram de recolhimentos efetuados com base nos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, posteriormente, declarados inconstitucionais pelo STF e cujas execuções foram suspensas por meio da Resolução n°49, expedida pelo Senado Federal, publicada no DOU de 10 de outubro de 1995, o prazo qüinqüenal para se exercer o direito à repetição/compensação de valores pagos indevidamente, deve ser contado a partir da data de publicação daquela resolução. Dessa forma, contando-se o prazo qüinqüenal a partir da data de publicação daquela resolução, o prazo limite expirou em 10/10/2000, Com o presente pedido foi protocolado em 12/07/2001, não há que se falar em restituição/compensação dos valores decorrentes dos recolhimentos efetuados entre as datas de 15/08/1989 e 15/10/1995. Já para os recolhimentos efetuados entre as datas de 14/11/1995 e 15/12/1995, correspondentes aos fatos geradores de outubro a novembro de 1995, a contribuição foi paga com base na Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 27/11/1995, cujo art. 15 determinava sua aplicação a partir de 1° de outubro de 1995. Contudo, em face da decisão do STF sobre a ADIN n" 1.417-0 que julgou inconstitucional a parte do art. 15 daquela MP que determinava sua aplicação retroativa, a contribuição para o PIS, no período de competência de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, tomou-se devida com base nas LCs n° 7, de 1970, e n° 17 de 1973, até a entrada em vigor daquela MP, em 1° de março de 1996. Dessa forma, o prazo decadencial qüinqüenal para a recorrente exercer seu direito de repetição/compensação de possíveis indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior entre as datas de 14/11/1995 e 15/15/1995, correspondentes aos fatos geradores das competências mensais de outubro e novembro de 1995, deve ser contado da data do julgamento da ADIN n° 1.417-0 pelo STF, em 02/08/1999. Como o presente pedido foi protocolado em 12/07/2001, a recorrente faz jus a possíveis indébitos decorrentes dos pagamentos correspondentes aos fatos geradores daqueles meses de competência. Quanto à semestralidade da base de cálculo do PIS nos termos da LC n° 7, de 1970, esta vigeu até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, em 1° de março de 1996. Trata-se de matéria já sumulada por este 2° Conselho, in verbis: "SÚMULA N° I I A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mis 154 anterior, sem correção monetária." 5 • Processo n0 13981.00006312001-09 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 291 ' Assim, cabe à DRF de origem, adotada a semestralidade da base de cálculo do PIS, para o período de competência de outubro e novembro de 1995, apurar possíveis indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior, efetuados nos termos da MP n° 1.212, de 1995, e os devidos nos termos das LCs n° 7, de 1970, e n° 17, de 1973, repetindo os valores apurados, atualizados monetariamente até 31/12/1995 pela variação do Ufir e acrescidos de juros compensatórios à taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao presente recurso voluntário para reconhecer à recorrente o direito de repetir possíveis diferenças a serem apurada pela DRF de origem, para o período de competência de outubro e novembro de 1995, mantendo o indeferimento do direito à repetição dos valores reclamados para os demais períodos de competência, ou seja, de julho de 1989 a setembro de 1995. Sala das Sessões, em 05 de junho de 200 JOSÉ ADA O • INO DE MORAI • 6 Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10909.003039/2003-60
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 04/04/2003
ACRÉSCIMOS LEGAIS. VIGÊNCIA DE LEI QUE INSTITUI A APLICAÇÃO DE PENALIDADE E ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À LEI.
A multa e os juros moratórios passaram a fazer parte do ordenamento jurídico pertinente à legislação antidumping somente a partir de 30/10/2003, data de publicação da Medida Provisória n o 135/2003, que instituiu a exigência desses acréscimos. Descabida a cobrança de acréscimos legais relativos a despachos aduaneiros promovidos anteriormente àquela data.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.174
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Maria Teresa Martínez López
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2003 ACRÉSCIMOS LEGAIS. VIGÊNCIA DE LEI QUE INSTITUI A APLICAÇÃO DE PENALIDADE E ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À LEI. A multa e os juros moratórios passaram a fazer parte do ordenamento jurídico pertinente à legislação antidumping somente a partir de 30/10/2003, data de publicação da Medida Provisória no 135/2003, que instituiu a exigência desses acréscimos. Descabida a cobrança de acréscimos legais relativos a despachos aduaneiros promovidos anteriormente àquela data. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de auto de infração relativo a direitos antidumping, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 0119, por meio do qual foi formalizada a exigência da quantia de R$ 485.987,82 a título de direitos antidumping, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Conforme relato de fls. 0415, a contribuinte registrou a DI n.º 03/02816709 (fls. 5860), por meio do qual declarou a importação de cogumelos originários da República Popular da China, classificados no código NCM/SH 2001.90.00. No curso do despacho aduaneiro da DI n.º 03/06879225 (v. fls. 2022), relativa à importação de mercadoria idêntica, foram solicitados laudos de assistência técnica, realizados pela Universidade Federal de Santa Catarina, visando à correta identificação e quantificação da mercadoria importada. Os laudos técnicos de fls. 2840 e 4154 permitiram concluir que a mercadoria em questão foi classificada incorretamente e quantificada a menor, o que ensejou a lavratura do presente auto de infração. Conforme relato de fls. 04 e seguintes, os elementos de prova obtidos no curso do despacho aduaneiro da DI n.º 03/06879225 são válidos para o procedimento de revisão aduaneira da DI n.º 03/02816709, por se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, nos exatos termos do art. 30, § 3º, “a” do Decreto n.º 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997. Nas duas declarações de importação (DI n.º 03/06879225 e DI n.º 03/02816709), a mercadoria importada foi classificada no código NCM/SH 2001.90.00 (outros produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético). O laudo técnico de fls. 2840, contudo, demonstrou que o produto não era conservado em ácido acético (vinagre), mas sim em solução conservante de metabissulfito de sódio, fato este que tornava os cogumelos impróprios para alimentação, no estado em que se encontravam. Tal fato motivou a desclassificação da mercadoria para o código NCM/SH 0711.51.00 (cogumelos do gênero Agaricus, conservados transitoriamente, impróprios para alimentação neste estado). Por sua vez, o laudo técnico de fls. 4154 comprovou que cada barrica continha uma quantidade de cogumelos superior ao que foi declarado pela contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 183 3 Inconformada com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 6974, com base nos seguintes argumentos: a) não houve licitação para determinação do laboratório responsável pelos laudos técnicos; b) a amostragem utilizada foi insuficiente para averiguar o montante da carga, tanto em sua substância quanto em sua quantidade; c) a abertura das bombonas foi realizada sem a presença do representante do contribuinte, viciando a carga probatória; d) houve intimação de pessoa não legitimada para o início do procedimento; e) foi ilegítima a presunção realizada com base no art. 52 da Medida Provisória n.º 135, uma vez que os fatos narrados ocorreram antes da edição da referida MP; f) a matéria em questão não poderia ser tratada por Medida Provisória, conforme Emenda Constitucional n.º 32; g) é irregular a cominação de multa com base na Medida Provisória n.º 2.158, de 2001; h) verificase ausência de motivação e fundamentação no procedimento de arbitramento da base de cálculo da multa; i) houve vício no arbitramento da diferença do preço declarado na DI, uma vez que não houve demonstrativo de verificação de toda a carga e não houve a presença do representante do contribuinte na abertura das bombonas; j) não é possível apenar o contribuinte pela ausência de licença de importação pois, não tendo sido verificado todo o carregamento de responsabilidade da autuada, deve ser aceita a alegação de veracidade do restante do carregamento, que não foi fiscalizado. Desta forma, não se pode atribuir à interessada a obrigação de obter licença de importação. Nestes termos, a interessada pleiteou o “desmantelamento” (sic) do auto de infração guerreado, em razão dos vícios de procedimento cometidos durante a fiscalização e por ocasião da confecção dos laudos técnicos que embasaram o presente lançamento. Ponderando tais fundamentos, decidiu o órgão julgador a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa da leitura da ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: DESPACHANTE ADUANEIRO. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O despachante aduaneiro pode ser cientificado de intimações, notificações, autos de infração e demais atos e termos processuais relacionados com o procedimento fiscal. LAUDOS PERICIAIS. REQUISITOS. VALIDADE Os laudos periciais elaborados por entidades da Administração Pública devidamente credenciadas pela Secretaria da Receita Federal devem ser adotados nos aspectos técnicos de sua competência. A legislação de regência não exige licitação para escolha do laboratório responsável pela perícia e também não exige que a abertura das amostras ou os próprios exames sejam realizados na presença do importador ou de seu representante legal. LAUDOS PERICIAIS. AMOSTRA Uma vez comprovado que o tamanho da amostra foi determinado com base em critérios estatísticos reconhecidos pelo INMETRO, os resultados das perícias devem ser considerados representativos de todo o lote de mercadorias importadas, seja sob o ponto de vista qualitativo ou quantitativo. LAUDOS PERICIAIS. PROVA EMPRESTADA Atribuise eficácia a laudos técnicos sobre a mercadoria importada, exarados em outro processo administrativo fiscal, quando se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA As autoridades administrativas são incompetentes para apreciação de argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de atos legais regularmente editados. Os fundamentos que embasaram a decisão hostilizada são essencialmente os que se extrai da sua ementa. Ou seja: 1 que não o procedimento não padece de nulidade em função da formalização da sua ciência ter sido realizada por despachante aduaneiro; 2 que a quantificação e qualificação das mercadorias seguiu as normas técnicas definidas pelo INMETRO para efeito de definição dos padrões de amostragem, bem assim as normas administrativas que disciplinam a designação de assistentes identificadores e quantificadores; 3 que não compete à autoridade administrativa debater acerca da constitucionalidade das normas, especialmente a alegada multa cominada com base na Medida Provisória nº 2.158, de 2001, máxime em função de que essa multa não foi aplicada no presente processo; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 184 5 4 que antes da importação objeto de litígio a recorrente realizara importação de suas mercadorias por meio de unidade de despacho diversa, consignando o código tarifário indicado como correto, mas que se encontra sujeito aos direitos ora impostos, indicando mesmo país de origem (China) e o mesmo fornecedor; 5 que após o registro de três declarações com aquele código, a recorrente solicitara a realização de trânsito aduaneiro, oitenta dias após a chegada do veículo transportador, para uma terceira unidade de despacho, onde registrou a declaração de importação com o código tarifário entendido como indevido. 6 que não se verifica irregularidade na formação da convicção por meio de prova emprestada, ancorada no art. 30, § 3º, “a” do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Lei nº 9.532, de 1997, ou no art. 52 da Medida Provisória nº 135 de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 2003. 7 que a declaração de importação objeto do presente recurso fora elaborada pelo mesmo representante que elaborara aquela sobre a qual foi realizada perícia técnica. Com relação a esses dois últimos itens, importa esclarecer que faz parte da decisão hostilizada declaração de voto da julgadora Elisabeth Maria Violatto que contesta as conclusões dos demais julgadores baseadas em prova emprestada, na medida em que, no seu sentir, não estaria configurada a hipótese motivadora abstratamente prevista no texto do Decreto nº 70.235/72. Inconformada, compareceu a pessoa jurídica C.F.A. Importação e Exportação Ltda aos autos manejando o presente Recurso Voluntário, onde pleiteia a reforma integral do decisum a quo, essencialmente em função de: 1 que não fora trazido ao processo nenhum elemento probante contra a recorrente. Basearamse os autuantes em prova emprestada, que, no seu sentir, somente surtiria efeitos ao terceiro contribuinte perante o qual foi produzida. Na sua opinião, promoveuse o exercício, não de presunção legal, mas de ficção; 2 que a coincidência de despachante aduaneiro não teria qualquer relevância para a caracterização de indício; 3 que a utilização desses elementos para alterar a natureza, classificação, quantidade, peso das mercadorias importadas pela recorrente teria causando espanto inclusive da autoridade julgadora, Elizabeth Maria Violato, que em voto discordante manifestou a impossibilidade da aplicação da emprestada ao vertente processo; 4 que todo o teor da notificação fora construído, com base em material de outro contribuinte, importado em outra época, e sem que o mesmo tenha qualquer relação negocial com a recorrente; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 5 que a possibilidade de aplicar direito antidumping retroativo não permitiria a aplicação retroativa do art. 52 da medida provisória nº 135, ainda que as importações objeto da notificação impugnada fossem registradas pelo mesmo importador; 6 que, além do dispositivo procedimental acima citado, também lhe estaria sendo aplicado retroativamente o art. 63 da citada medida provisória, que alterara os artigos 7º 8º da Lei nº 9.019, de 1995, passando a impor juros de mora e multa de ofício ou de mora às hipóteses de não recolhimento de direitos antidumping; 7 que não seria possível ampliar o Fato Gerador com base em medida provisória, conforme seria possível extrair da leitura do art. 104 do Código Tributário Nacional; 8 que não caberia a aplicação da “dilação probatória retroativa” como se conclui da leitura dos artigos 105 e 106 do mesmo CTN; 9 que o despachante aduaneiro é parte estranha à relação jurídica tributária. É o Relatório. Por meio do Acórdão nº 303.332, os Membros da Terceira Câmara do então Conselhos de Contribuintes, por maioria de votos deram provimento ao recurso para reestabelecer a quantificação originariamente declarada e excluir a multa e os juros. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: Matéria Litigiosa. Limites: Os limites da lide são fixados pela manifestação de inconformidade do sujeito passivo, ainda que não citada especificamente a legislação. Vigência da Lei que institui a Aplicação de Penalidade e Acréscimos Legais. A lei que institui penalidade ou aplicação da taxa Selic só se aplica a fatos geradores ocorridos após o início da sua vigência. Tratandose de fato anterior, afastase a cobrança dos acréscimos. Prova emprestada. Não configuração. Não há que se falar em prova emprestada quando o conjunto de indícios carreados aos autos, em conjunto com laudo técnico produzido para identificação de mercadoria descrita de maneira idêntica e fornecida pelo mesmo exportador, permite a formação da convicção acerca da natureza da mercadoria efetivamente importada. Tal raciocínio, entretanto, não autoriza a quantificação da mercadoria, que somente poderia ser procedida caso a caso. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 185 7 Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional, por sua i. procuradora, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria n˚ 55, de 12/03/98, contra decisão prolatada por maioria de votos, em acórdão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial (contrariedade à lei) a esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que decidiu: Restabelecer a quantificação originariamente declarada de mercadorias e excluir a multa e os juros, por ausência de tipicidade legal à época do fato gerador. Segundo as razões apresentadas pela Fazenda Nacional, a decisão é contrária aos seguintes dispositivos legais: art. 30, § 3º, alínea a, e art 17 do Dec. 70.235/72 e art. 161 do CTN e as provas nos autos. O apelo especial, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n˚132/2008 da Presidência da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Cientificada, a contribuinte, do Recurso Especial e Acórdão recorrido, optou pela não apresentação de Contrarazões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. As matérias, objeto do recurso especial dizem respeito à reavaliação de prova: I) à não aceitação de prova emprestada para a definição da quantificação da mercadoria importada, e: II) exclusão da multa e os juros, pela ausência de dispositivo legal. Penso que o recurso não deve ser conhecido. Explico. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 I) DA NÃO ACEITAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA PARA A DEFINIÇÃO DA QUANTIFICAÇÃO DA MERCADORIA IMPORTADA Há de se observar ter ocorrido arbitramento da suposta diferença do preço declarado na DI, diante da ausência de demonstrativo de verificação de toda a carga. O arbitramento da quantidade de mercadoria constitui uma forma de apuração quando não se possa, por meio de outros critérios, determinar corretamente a quantidade. Essa forma de apuração, por se caracterizar como uma medida extrema, não pode ser considerada como regra, mas, tãosomente, como uma exceção a ser aplicada quando ocorrer impossibilidade ou recusa do contribuinte. Não é o que aconteceu no caso concreto. O conjunto de indícios carreados aos autos, em conjunto com laudo técnico produzido para identificação de mercadoria descrita de maneira idêntica e fornecida pelo mesmo exportador, pode permite a formação da convicção do julgador acerca da natureza da mercadoria efetivamente importada mas não autoriza a quantificação da mercadoria, que somente poderia ser procedida caso a caso. Como isto não aconteceu, correta a decisão recorrida ao estabelecer a quantificação adotada pelo importador. No mais, é importante observar, não caber ao órgão de segunda instância, reavaliar a prova. II) EXCLUSÃO DA MULTA E OS JUROS. CONSECTÁRIOS LEGAIS O cerne da questão principal diz respeito aos consectários legais. A Fazenda Nacional recorre inconformada, pois, com a decisão que decidiu: que a cobrança dos acréscimos legais (juros e multa) padecem de ausência de fundamentação legal. No entender da decisão recorrida, somente seriam devidos após alteração legislativa, i.é, Medida Provisória nº 135, que entrou em vigor no dia 30/10/2003. A priori, questão também levantada pela D. Procuradoria, diz respeito à ocorrencia do princípio da preclusão, sob o entendimento de que o questionamento da multa somente se verificou por ocasião do recurso apresentado pela contribuinte, aos Conselhos de Contribuintes. Sobre a matéria transcrevo as razões inseridas no voto recorrido: 1.1 limites da lide Antes de prosseguir no julgamento do presente recurso voluntário, entendo relevante delimitar a matéria litigiosa propriamente dita. Tal medida justificase em função de que, aparentemente, as autoridades a quo, ao não fazerem qualquer ilação acerca da regularidade da incidência de multa de ofício e juros de mora sobre a importação objeto do vertente processo, possivelmente consideraram a matéria não impugnada. Como observa o voto condutor da decisão hostilizada, a recorrente teria se limitado a protestar genericamente contra a imposição de multa capitulada na Medida Provisória nº 2.158 de 2001 e por falta de guia de importação, exigências que não fariam parte da presente autuação. Em fase de recurso voluntário, criticando a decisão a quo, o contribuinte contesta textualmente a aplicação dos citados Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 186 9 acréscimos que, no seu sentir, somente teriam sido instituídos em ato normativo em data posterior ao “fato gerador” dos direitos antidumping. De tal sorte, poderseia questionar se a matéria que se tornara explícita em sede de recurso voluntário não se tornara litigiosa, por suposta omissão da recorrente quando da apresentação de sua impugnação. A fim de que não pairem dúvidas, portanto, achei por bem enfrentar essa questão como preliminar e trazêla à consideração de meus pares. Esclareço que, a meu ver, os acréscimos em questão efetivamente fazem parte da lide, em especial porque a impugnação da sua cobrança é conseqüência natural da contestação à cobrança dos direitos antidumping. Voto, portanto, no sentido de tomar conhecimento da matéria explicitamente tratada em grau de recurso. Penso, igualmente não haver que se falar em preclusão. Explico: No caso em análise tratase de matéria de ordem pública (inexistência de dispositivo legal à época do fato gerador). De fato, questões de ordem pública por sua natureza, não precluem e são suscitáveis em qualquer tempo e grau de jurisdição, além de serem cognoscíveis de ofício. Nesses casos, o quesito prequestionamento pode terse por inexigível, até em homenagem à lógica do processo administrativo e à ordem jurídica justa. No mais, a matéria foi prequestionada explicitamente em segunda instância, permitindo o exame de revisão da causa decidida em primeira instância. No caso, a motivação pela exclusão dos consectários legais foi pela inexistência de base legal. Não havia previsão legal de exigência por ocasião do fato gerador. Ainda, na linha adotada pela decisão recorrida, é possível alegar ter havido “prequestionamento implícito” já na fase de impugnação, implícito eis que a contribuinte se insurgiu contra o lançamento como um todo. Por via reflexa, se o lançamento é “inválido por supostos vícios no arbitramento” contestado também os consectários legais. Afasto portanto a ocorrência da figura da preclusão, a exemplo do ocorrido pela decisão recorrida. De fato, como exposto, a cobrança dos juros e multa moratórios não tem qualquer base legal na situação sob exame, visto que essas exigências não estavam previstas em lei no momento de ocorrência do fato gerador. Observase que o art. 61, § 2o (multa de mora) e § 3o (juros de mora), da Lei no 9.430/96, dizem respeito tãosomente aos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, conforme rezam os citados dispositivos, não se aplicando à exigência de direitos antidumping, gravame de natureza não tributária. A exigência de multa e juros moratórios somente veio a fazer parte do ordenamento jurídico concernente à legislação antidumping a partir de 30/10/2003, data em que foi publicada a Medida Provisória no 135/2003, que em seu art. 63 dispôs, verbis: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 “Art. 63. Os arts. 7o e 8o da Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 7o ............................................................................................... § 2o Os direitos antidumping e os direitos compensatórios são devidos na data do registro da declaração de importação. § 3o A falta de recolhimento de direitos antidumping ou de direitos compensatórios na data prevista no § 2o acarretará, sobre o valor não recolhido: I no caso de pagamento espontâneo, após o desembaraço aduaneiro: a) a incidência de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), por dia de atraso, a partir do 1o (primeiro) dia subseqüente ao do registro da declaração de importação até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitada a 20% (vinte por cento); e b) a incidência de juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do 1o (primeiro) dia do mês subseqüente ao do registro da declaração de importação até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês do pagamento; II no caso de exigência de ofício, de multa de setenta e cinco por cento e dos juros de mora previstos na alínea "b" do inciso I deste parágrafo. (destaquei) (...)” Destarte, os acréscimos legais instituídos por lei para as situações de mora no pagamento dos direitos antidumping, passaram a viger apenas em 30/10/2003, com a publicação do art. 63 da Medida Provisória no 135/20031, decorrendo daí que a exigência dos acréscimos formalizados no auto de infração, com tipificação diversa e referentes a fatos geradores ocorridos em 1996 e em 1997, fere o princípio da legalidade, por inexistência de comando próprio que permitisse a cobrança dos juros de mora e da multa de mora relativamente às importações referidas nesse período.” Há que se considerar que, o registro das declarações de importação em análise se deu em 04/04/2003 ( DI 03/02816709), ainda não vigia a nova redação do § 3º, I e II, do art. 7º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, que somente foi acrescido pela Medida Provisória nº 135, que entrou em vigor no dia 30/10/2003. Nesse diapasão, revelase que a multa de ofício e os juros de mora exigidos padecem de ausência de fundamentação legal, (homenagem ao princípio da irretroatividade dogmatizado nos arts. 105 e 144 do Código Tributário Nacional) não havendo que se falar em contrariedade à lei. 1 Convertido no art. 79 da Lei no 10.833, de 29/12/2003. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 187 11 CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10711.723806/2012-59
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/11/2007 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. Somente cabe conhecer Recurso de Ofício de decisão da DRJ cujo valor do crédito tributário seja superior a R$ 2.500.000,00. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria.
Numero da decisão: 3402-004.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Augusto Daniel Neto
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VALOR DE ALÇADA. Somente cabe conhecer Recurso de Ofício de decisão da DRJ cujo valor do crédito tributário seja superior a R$ 2.500.000,00. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 38 06 /2 01 2- 59 Fl. 158DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata o presente processo de auto de autos de infração lavrados para a cobrança de Imposto de Importação, CofinsImportação e Pis/PasepImportação considerados devidos em face do registro da Declaração de Importação nº 07/16472001, em 27/11/2007, referente à nacionalização de um pórtico de contêineres, classificado no posição tarifária da NCM 8426.49.90. Pretendeu a autuada que a operação fosse cursada no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), a qual se sujeita ao exame de similaridade para fins de emissão da Licença de Importação emitida pelo DECEX. Relata a auditoria fiscal que foi efetuado o desembaraço aduaneiro em cumprimento à tutela antecipada deferida pelo Juízo da 3º Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, nos autos da Ação Ordinária nº 2007.51.01.0285950. Informa, ainda, que o lançamento foi efetuado visando a prevenir o respectivo crédito tributário dos efeitos da decadência, estando suspensa a sua exigibilidade, por força do disposto no artigo 151, incisos II e IV do CTN. Cientificada, a autuada apresentou Impugnação na qual aduz, em síntese: Comunica que é beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), conforme ADE nº 01/2005, da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Aduz que, somente no caso do Imposto de Importação, a referida suspensão fica condicionada à inexistência de similar nacional. Para os demais tributos, a suspensão depende somente de o equipamento ter sido adquirido por beneficiário do REPORTO e ser destinado ao Ativo Imobilizado do operador portuário para utilização na carga, descarga e movimentação de mercadorias. Assim, por preencher estes requisitos, devem ser cancelados os lançamentos do PIS e COFINS. Alega que, diante do atraso na análise da questão da existência de similar nacional pelo DECEX, propôs a ação judicial, na qual foi deferida a liminar transcrita. Aduz que, ante a ausência de posicionamento do Decex, não pode o fisco exigir o pagamento do Imposto de Importação, pois é condição essencial para a sua incidência a existência de similar nacional, motivo pelo qual o lançamento deve ser cancelado. A DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação, reconhecendo: I) Quanto à alegação de ilegalidade na cobrança do II, por inexistência de produto similar nacional, reconheceu a ocorrência de concomitância com a Ação Ordinária nº 2007.51.01.025950, na qual os pedidos da Recorrente eram: Fl. 159DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10711.723806/201259 Acórdão n.º 3402004.765 S3C4T2 Fl. 3 3 II) Quanto à ilegalidade da cobrança de PISImportação e COFINS Importação, deuse provimento à impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando a inocorrência de concomitância. O presente processo foi resultado do desmembramento do processo nº 10711.000146/201072, incorporando os créditos tributários relativos ao PIS e COFINS Importação, no valor total de aproximadamente R$ 1.250.000,00, sendo posteriormente apensado novamente ao processo de origem. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Recurso de Ofício Nos termos do art.1º da Portaria MF nº 63/2017 "O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Conforme extratos do processo de fls. 135 e 136, o valor do crédito tributário objeto do presente Recurso de Ofício é inferior ao valor de alçada (aproximadamente R$ 1.250.000,00), não devendo ser conhecido. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do presente Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 160DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Do exame da Lei nº 11.033/2004, especificamente seus arts. 13 a 16, com a regulamentação dada pelo Decreto nº 5.281/2004, podemos concluir que o legislador delimitou as condições para a aplicação do benefício fiscal da suspensão do pagamento dos tributos, que, ao final de cinco anos, se converteria numa isenção fiscal, no caso do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, e, em alíquota zero (0%), no caso do Pis/Pasep e CofinsImportação, quais sejam: I) os bens devem ser adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto; II) os bens devem ser destinados ao seu ativo imobilizado, para utilização exclusiva em portos na execução de serviços de carga, descarga e movimentação de mercadorias; e, III) no caso do Imposto de Importação, a suspensão somente será aplicada ao bem que não possua similar nacional. No caso em concreto, não há controvérsia de que a empresa importadora dos bens é beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), conforme o ADE nº 01/2005, da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Também não há notícia nos autos de que os bens estejam sendo utilizados em desacordo com a previsão legal acima transcrita. Replico abaixo trecho da decisão recorrida, como fundamento da minha decisão, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: Quanto ao Imposto de Importação, como visto acima, existe ainda outra condição para a sua suspensão, a de que não exista similar nacional para o bem importado sob amparo do Reporto. E, conforme a Portaria SECEX nº 35/2006, em seu art. 27, o exame de similaridade deve ser realizado pelo Decex. No caso vertente, verifico que o contribuinte ingressou com a Ação Ordinária n.º 2007.51.01.0285950, em trâmite na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela para determinar o desembaraço aduaneiro de um portainer importado pela autora retido no Porto pelo não recolhimento do Imposto de Importação ou comprovação, mediante declaração do DECEX, de inexistência de similar nacional. Ofereceu o bem como garantia do Imposto de Importação, cuja suspensão da exigibilidade é objeto daquele litígio judicial. Assim, constatado que existe concomitância entre a questão colocada para a apreciação administrativa e aquela levada ao escrutínio do Poder Judiciário, concluo que esta autoridade julgadora deve se eximir do exame dos argumentos suscitados. Pois a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em seu art. 62: Art.62.A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Fl. 161DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10711.723806/201259 Acórdão n.º 3402004.765 S3C4T2 Fl. 4 5 Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Na esteira dos dispositivos citados, o Ato Declaratório Normativo nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) determinou que a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal declaratória da definitividade da exigência discutida: a) a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição o contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança) do art. 151 do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC).” No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, conforme abaixo: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica porque a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, declara que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. O ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. E, finalmente, cumpre esclarecer que, bem ao contrário do que aduz a impugnante, justamente ante a ausência de declaração do Decex acerca da inexistência de similar nacional, deve o fisco exigir o pagamento do Imposto de Importação, pois, então, não estariam satisfeitas as condições para a suspensão do Fl. 162DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Imposto de Importação, prevista no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária. Não compete ao fisco provar a existência de similar nacional, mas à contribuinte provar exatamente o contrário, motivo pelo qual o lançamento pode ser efetuado e mantido enquanto não satisfeita esta condição, especialmente ao se considerar que o presente crédito tributário foi feito com o intuito de prevenir a decadência, ante a pendência judicial. Basta que se analise as fls. 9293 do processo, onde constam os pedidos feitos na ação judicial movida pela Recorrente, para que se verifique que a mesma se insurge contra a cobrança do Imposto de Importação, pelo mesmo motivo que alega administrativamente, qual seja, a inexistência de produto similar fabricado no Brasil: Desse modo, não restam dúvidas quanto à ocorrência de concomitância, não devendo o presente Recurso Voluntário ser conhecido, com fundamento na Súmula CARF nº 01. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do presente Recurso Voluntário. Dispositivo Diante das considerações esposadas acima, voto pelo não conhecimento do recurso de ofício e do recurso voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 163DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10711.723806/201259 Acórdão n.º 3402004.765 S3C4T2 Fl. 5 7 Fl. 164DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO em 02/11/2017 09:05:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO em 02/11/2017. Documento assinado digitalmente por: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE em 03/11/2017 e CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO em 02/11/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 05/06/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0618.15173.HVOX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: DC78699B9FA7A53E3861A422156E94F8EECB66BFEE19193D04C2D3CEF92ECEBD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10711.000146/2010-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10850.902228/2013-10
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.517
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.780. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 22 8/ 20 13 -1 0 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 104 5 art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.015483/00-24
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — OMISSÃO — SEMESTRALIDADE - Embargos conhecidos e acolhidos para sanar omissão de julgado, relativa à semestralidade da Contribuição para o PASEP, com espeque no Decreto n° 71.618/72, que regulamentou essa exação, em face dos efeitos
ex tune decorrentes da Resolução n° 49/95 do Senado Federal.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 203-09.238
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão n° 203-09.238, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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MINISTERIO DA FAZENDA, Segundo Conselho de Contribuintes t I Publicado no Diário Oficial da União ••• e"--;.- Ministério da Fazenda De 21 I Pb laleszr, r CC-MF rfarls? Fl. rs'4_,-4f4W' Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N 9 2(3-09.238 Processo irg : 10880.015483/00-24 Recurso n2 : 122.860 Embargante : CIA. DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO - METRÔ Embargada : Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — OMISSÃO — SEMESTRALIDADE - Embargos conhecidos e acolhidos para sanar omissão de julgado, relativa à semestralidade da Contribuição para o PASEP, com espeque no Decreto n° 71.618/72, que regulamentou essa exação, em face dos efeitos ex tune decorrentes da Resolução n° 49/95 do Senado Federal. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: CIA. DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO — METRO. DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão n° 203-09.238, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2003a. Otacilio Dan .s Cartaxo Presidente Fran • • • aun R. - s • uer.' I. Silva R • : Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Reza da Costa, César Piantavigna, Valmar Fonsêca de Menezes, Maria Teresa Martinez López, Luciana Pato Peçanha Martins e Mauro Wasilewski. Imp/cf/ovrs 1 CC-NIF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO NI°- 203-09.238 Processo n9 : 10880.015483/00-24 Recurso n9 : 122.860 Embargante : CIA. DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO — METRÔ RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração interpostos com o fito de corrigir omissão de ponto articulado no pedido de restituição e no Recurso Voluntário sobre o qual deveria pronunciar-se a Câmara. Alega a Embargante que a decisão quanto ao recolhimento da Contribuição para o PASEP veio sem considerar que as bases de cálculo correspondentes às receitas e transferências deveriam ser apuradas com fundamento na semestralidade estabelecida no art. 14 do Decreto n°71618/72, que preleciona: "Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 60 (sexto) mês imediatamente anterior. Em face is exposto, requer o saneamento da omissão com o proferimento de outro julgamento dotado de eitos modificativos. É o relatório 2 . ,. 22 CC-MF ••• 're'-',.7 Ministério da Fazenda 92::.-r.-..1‘.• 1 Fl. tri. ."..., . Segundo Conselho de Contribuintes ...;.X1/4:2C.• h--, -. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N9 203-09.238 Processo n2 : 10880.015483/00-24 Recurso o' : 122.860 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO MAURÍCIO R. DE ALBUQUERQUE SILVA A Embargante deu-se por intimada do resultado do julgamento do Recurso Voluntário com a oposição dos Embargos de Declaração, sendo tempestivo e articulado por quem de direito, portanto, dotado dos requisitos de admissibilidade, o que me faz dele conhecer. De fato, verifico que o Recurso Voluntário, às fls. 771 e 772, contempla fundamentações e requerimento acerca da base de cálculo da Contribuição para o PASEP como sendo a receita e transferências apuradas no 60 mês anterior, com estribo no art. 14 do Decreto n° 71.618/72, que regulamentou a Lei Complementar n° 8/70. Do mesmo modo inserido esse aspecto às fl. 736 e 739 da impugnação, caracterizando o necessário prequestionamento. Assim, com razão a Embargante, posto que foi por mim omitido no julgamento do Recurso Voluntário o enfrentamento do pedido alternativo de reconhecer o direito da Recorrente ao ressarcimento dos valores pagos a maior, levando em consideração a semestralidade, a titulo de contribuição ao fundo do PIS/PASEP. Diante do exposto, acolho os embargos opostos para admitir efeitos modificativos ao julgado na Sessão de 15 de outubro de 2003, incluindo o aspecto omitido, relativo à admissão da semestralidade das bases de cálculo relativamente às receitas e transferências nas atividades da Embargante sem correção monetária, até fevereiro de 1996, com fundamento no art. 14 do Decreto n° 7 .618/72, que regulamentou a Lei Complementar n° 8/70. Essa admissão repousa no fato conc o de que os Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foram expelidos do mundo ji4rídico com efeitos "ex tu c", portanto, vigindo a Lei Complementar n° 8/70, sem interrupç . i / Sala das Sessões, erri 01 de dez- bro de 2003/ r „ ___ FRANCI • i 4 ± 4! .g ._ e • I IQ 1 RQUE SILVA 3
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000200/99-78
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/06/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
0 Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. 0 sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter
direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.105
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos em NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 09/06/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. 0 Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. 0 sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos em NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando
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Numero do processo: 13971.002109/2003-05
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998
ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. EFEITOS. LIMITAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só pode contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que o crédito tributário constituído só subsiste em razão dessa modificação.
Não obstante, no caso vertente, em que não se identifica divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autuantes, não há que se falar em inovação e,
muito menos, em nulidade dos feitos fiscais.
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO
A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em
que foi passada. Estando a compensação lastreada em ação judicial, o ali
decidido deve ser obedecido em todo o seu teor, não havendo margem para
aplicação parcial da decisão.
MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No julgamento dos processos de auditoria de DCTF, cujo crédito tributário tenha sido constituído sob a égide art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Subsiste nestes casos apenas a multa de mora.
Numero da decisão: 1803-000.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998 ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. EFEITOS. LIMITAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só pode contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que o crédito tributário constituído só subsiste em razão dessa modificação. Não obstante, no caso vertente, em que não se identifica divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autuantes, não há que se falar em inovação e, muito menos, em nulidade dos feitos fiscais. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Estando a compensação lastreada em ação judicial, o ali decidido deve ser obedecido em todo o seu teor, não havendo margem para aplicação parcial da decisão. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No julgamento dos processos de auditoria de DCTF, cujo crédito tributário tenha sido constituído sob a égide art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Subsiste nestes casos apenas a multa de mora.
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EFEITOS. LIMITAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só pode contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que o crédito tributário constituído só subsiste em razão dessa modificação. Não obstante, no caso vertente, em que não se identifica divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autuantes, não há que se falar em inovação e, muito menos, em nulidade dos feitos fiscais. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Estando a compensação lastreada em ação judicial, o ali decidido deve ser obedecido em todo o seu teor, não havendo margem para aplicação parcial da decisão. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No julgamento dos processos de auditoria de DCTF, cujo crédito tributário tenha sido constituído sob a égide art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Subsiste nestes casos apenas a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 209 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Marcelo de Assis Guerra e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório WILRICH & CIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em procedimento fiscal de auditoria interna das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF do ano calendário de 1998, contra a sociedade empresária acima identificada foi emitido, em 17 de junho de 2003, o Auto de Infração nº 2.358 (f. 21 e 22, e anexos) por falta de pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao segundo, ao terceiro e ao quarto trimestres (meses de abril, julho e outubro) de 1998, conforme demonstrativos anexos ao Auto de Infração. Os valores lançados por meio do referido Auto de Infração, de acordo com o que consta em seu item 4, são os seguintes: Imposto (Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar) R$ 48.059,92; Multa de Oficio (Passível de Redução) R$ 36.044,94; Juros de Mora (cálculos válidos até 30/06/2003) R$ 43.109,73 TOTAL R$ 127.214,59. Inconformada com o lançamento, a contribuinte interpôs, em 20 de agosto de 2003, impugnação às fls. 1 a 7 (e anexos), em que alega: 1. DOS FATOS [...]2. PRELIMINARMENTE 2.1 DOS REQUISITOS À VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: Neste subitem, a nulidade do Auto de Infração, pelo descumprimento em sua emissão de requisitos de validade, previstos no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, que enumera: Fl. 223DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 210 3 2.1.1 DA EXIGÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SER LAVRADO POR SERVIDOR COMPETENTE: emissão automática, pelo sistema informatizado da Receita Federal de São Paulo/SP, em que o Delegado da Receita Federal "[...] nem chega a verificar a regularidade do auto de infração, só toma ciência da sua existência no momento em que o contribuinte realiza sua defesa administrativa."; 2.1.2 DA HORA: falta de menção da hora da sua confecção; 2.1.3 DA DESCRIÇÃO DO FATO: falta de descrição detalhada da infração; 2.1.4 DA ASSINATURA DO AUTUANTE: falta de assinatura de próprio punho do emitente. 3. DO MÉRITO 3.1 DA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: Cabe salientar que, no campo de descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração n. 0002358, consta como argumento à autuação a "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". Contudo, referidos valores foram quitados através do instituto da compensação, conforme demonstra a DCTF anexa. É que a impugnante, em face da conhecida inconstitucionalidade das majorações da contribuição ao FINSOCL4L, ajuizou a ação ordinária n. 98.20040973, cuja decisão reconheceulhe o direito à compensação. Diante da propositura da ação judicial, bem como da decisão favorável, a impugnante efetuou os lançamentos na sua contabilidade, declarando tais procedimentos nas correspondentes DCTF's, abatendo do valor devido a título de CSLL, os créditos resultantes da ação judicial n. 98.20040973, nos moldes do art. 156, II, do Código Tributário Nacional, encontrandose, portanto, extinto o crédito tributário. Senão vejamos: "Art. 156. [..]" Ademais, a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 210/2002, em seu art. 21, disciplina que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vendidos [Sic] ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF". Destarte, tendo a autora efetuado a compensação do valor devido a título de CSLL nos meses de abril, julho e outubro de 1998, com créditos decorrentes da ação judicial n. 98.2004097 3, extinto encontrase o crédito tributário. Requer o cancelamento do Auto de Infração por não preencher os requisitos à sua validade e, sucessivamente, seu cancelamento Fl. 224DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 211 4 à vista da extinção do crédito tributário pela compensação realizada. À f. 57, consta o seguinte despacho, de 9 de maio de 2005, da Agência da Receita Federal do Brasil em Brusque SC: Tratase de débitos de IRPJ compensados pela contribuinte com créditos decorrentes de pagamento a maior de FINSOCIAL. A compensação não foi homologada. Ver, a propósito, o processo nº 19994.000026/9953. Encaminhese, pois, este processo à DRF/BLU/SACATEQPAJ SC, juntamente com o processo mencionado no parágrafo anterior, para as providências cabíveis. À f. 58, manifestação da impugnante, de 17 de abril de 2006, nos seguintes termos: Willrich Cia. Ltda. em atenção ao termo de comunicação n 2 577522024, datado de 01/04/2006, referente ao Auto de Infração de nº 2358, para informar que protocolou, tempestivamente, sua impugnação ao referido auto de infração em data de 20 de agosto de 2003 (cópia em anexo), que se encontra pendente de julgamento. Assim, requer seja desconsiderado o presente termo de comunicação até decisão final do processo administrativo em que se impugna o Auto de Infração n° 2361. Às f. 125 e 126, relatório do trabalho realizado pela EQPAJ — Sacat, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau — SC, datado em 11 de fevereiro de 2005, no autos do já referido processo administrativo fiscal nº 19994.000026/9953, que assim diz: O processo em epígrafe referese a Ação Ordinária nº 98.20040973, fls. 02 a 12, onde as autoras objetivam a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de F1NSOCL4L, em razão da inconstitucionalidade das majorações de sua alíquota, com parcelas vencida e vincendas da COF1NS, do IRPJ, da CSLL e do PIS. A sentença de 1º grau, prolatada em 21/10/99, julgou procedente o pleito do contribuinte, reconheceu o direito das autoras de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com valores vincendos da COFINS, do IRPJ, da CSLL e do PIS, fls. 26 a 31. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional recorreu da sentença de primeiro grau ao Tribunal Regional Federal da 4" Região, fls. 32 a 40. A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, por unanimidade deu parcial provimento à remessa oficial e ao apelo da união e negou provimento ao recurso das autoras nos termos do relatório, reconhecendo o direito das autoras Fl. 225DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 212 5 compensarem os valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL com parcelas vincendas da COF1NS conforme acórdão publicado fls. 47. Verificouse a baixa definitiva com trânsito em julgado fls. 49. A autora WILLRICH & CIA. LTDA. CNPJ nº 82.984.170/0001 12, apresentou darfs de pagamento e base de cálculo do FINSOCIAL do período 09/89 a 03/92, fls. 54 a 98 e, relatório das compensações efetuadas da COFINS, do IRPJ, da CSLL e, do PIS, 99 a 101. Conforme decisão Judicial, foram efetuadas as compensações, de valores pagos a maior do FINSOCL4L, com parcelas vincendas da COF1NS, fls. 126 a 182. Foram levantados os créditos do F1NSOCIAL no sistema CTSJ fls. 126 a 157, efetuado o trabalho de compensação no sistema CTSJ dos débitos da COF1NS fls. 158 com os créditos oriundos do F1NSOCIAL fls. 142 a 157, verificouse que os valores pagos a maior a título de FINSOCL4L extinguiram todos o débitos da COFINS compensados conforme Demonstrativo Resumo das Vinculaçães Auditadas, fls. 159 a 163, existindo ainda saldo de pagamentos, fls. 181 e 182, saldos estes atualizados pelo Sistema de Apoio Operacional (SAPO) fls. 183 e 184, totalizando R$ 3.378,08 (...). Considerando o acima exposto proponho o envio do processo em epígrafe a ARF/BRUSQUE: Para dar ciência à autora Willrich & Cia. Ltda. de que os débitos da COFINS compensados foram homologados e pedido baixa dos que estavam inscritos em dívida ativa da União referente ao período 01 e 02/1999, e que existe um saldo de FINSOCL4L, fls. 121 e 122 o qual poderá ser pedido restituição ou compensação com débitos da COFINS; Que os débitos da CSLL, do IRPJ e do PIS compensados indevidamente seguirão em cobrança, pois a decisão judicial não autorizou tal compensação. À f. 127, cópia da Intimação 2/05, de 28 de fevereiro de 2005, feita nos autos do processo administrativo fiscal nº 19994.000026/9953: Dáse ciência à interessada: a) da homologação da compensação dos débitos da COFINS; b) da solicitação do cancelamento da inscrição em Dívida Ativa dos débitos da COFINS de 01 e 02/99; c) da existência de saldo de FINSOCL4L (demonstrativos anexos), que pode ser restituído ou compensado com débitos da COFINS; e d) do prosseguimento na cobrança dos débitos de CSLL, IRPJ e PIS, já que a decisão judicial não autorizou essa compensação. À f. 132, resultado da Revisão do Lançamento, que faz menção aos demonstrativos de f. 128 a 131, cujo resumo à f. 131 dá conta de que o valor exigido a título de IRPJ no Auto de Infração Fl. 226DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 213 6 impugnado foi revisto com redução do valor original em R$ 6.639,15, como segue: Valor orig.lançado Valor O. Exonerado. Valor orig. Mantido R$ 48.059,92 R$ 3.793,80 R$ 44.266,12 A Intimação nº 081/2006, de 21 de setembro de 2006 (f. 139), entregue à contribuinte em 22 de setembro de 2006 (AR à f. 140) contém os seguintes dizeres: Segue, em anexo, para ciência, cópia do despacho referente à revisão de lançamento efetuada no processo acima. Fica o interessado intimado a recolher, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do Aviso de Recebimento AR), o(s) débito(s) discriminado(s) em anexo a esta intimação. É facultado vista do processo, no endereço abaixo, ao interessado ou pessoa por ele legalmente autorizada. Transcorrido o prazo acima, sem que ocorra o pagamento do(s) débito(s), o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. (o destaque não é do original). Pela petição de f. 141 e 142, a impugnante requer seja mantida suspensa a exigibilidade do crédito tributário impugnado, e a remessa da impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, "[...] para que dela tome conhecimento e profira decisão, que mesmo sendo contrária à impugnante possibilitará que a matéria seja examinada pela segunda instância administrativa, por meio de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, [..1". Por despacho à f. 145, foram os autos encaminhados à Sacat — Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Blumenau — SC, para revisão de oficio, como se lê: Portanto, como o presente processo não requer procedimentos meramente operacionais (alocação de pagamentos, suspensão de débito parcelado, etc.) e sim, de natureza fiscal, existe a necessidade de encaminhamento à DRF/Blumenau/Sacat para as providências necessárias. Às f. 162 a 165, o Parecer Fiscal DRF/BLU/EAC1 nº 58/2009, de 13 de fevereiro de 2009, cuja ementa informa: "Revisão de Oficio — Auto de Infração DCTF —SIEF/FISCEL IRPJ.", de que se transcreve, por sua relevância para o deslinde do presente litígio, os trechos seguintes, das f. 163 a 165: L..1 Neste sentido, observamos com base no Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, fi. 28, que pelo fato de ter a pessoa jurídica apresentado com relação aos débitos de IRPJ no 22 Trimestre de 1998, além da Declaração DCTF original, também Declaração Complementar, houve a duplicação dos valores Fl. 227DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 214 7 declarados como devidos, quando o que pretendeu realizar foi a retificação das vinculações imputadas as 3 (três) quotas do débito declarado, informando a liquidação de uma quota por pagamento e as demais vinculadas por compensação. Houve anteriormente ao lançamento, a imputação de parte do débito declarado com os valores recolhidos pelo contribuinte em 31/08/1998 (R$ 10,00) e 30/09/1998 (R$ 10,00), vinculados a quotas do imposto. E em procedimentos de revisão anterior, consta a amortização do débito pelo valor do pagamento equivalente a R$ 3.793,80, resultando desta forma, no saldo remanescente de IRPJ no 2° Trimestre de 1998, o qual corresponde a vinculação compensatória pretendida. Portanto, com a amortização dos pagamentos para pouco mais de uma quota, e vinculação compensatória dos saldos das quotas restantes do débito de IRPJ no 2° Trimestre de 1998, considerando os valores informados na DIPJ, cabe a extinção do crédito tributário correspondente ao valor duplicado do 2° Trimestre/1998 para o IRPJ, cujo montante principal lançado é igual a R$ 11.373,51. Passase neste momento, a revisão das duas quotas do débito do IRPJ no 2º Trimestre de 1998 vinculados a compensação, bem como, dos débitos do imposto para o 3º e 4º Trimestres de 1998, conforme informado via DCTF's, os quais nestes casos compreendem vinculação por modalidade compensatória envolvendo os autos judiciais nº 98.20.040973. Ocorre, que tais procedimentos envolvendo a análise compensatória dos débitos já se mostram conclusos, conforme auditoria anteriormente realizada nesta DRF/BlumenauSC, ante as peças documentais contidas às fls. 66 a 126. De acordo com a informação fiscal prestada à época fls. 125/126, pode ser observado que o mencionado processo judicial compreendendo ação ordinária, onde o interessado em questão participou como litisconsorte, objetivava a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, em razão da inconstitucionalidade das majorações de alíquota, com parcelas vencidas e vincendas de tributos federais (COFINS, IRPJ, CSLL e PIS). Consta informado que a sentença em primeiro grau, prolatada em 22/10/1999 (extrato de consulta das fases processuais, fls. 154/156), julgou procedente o pleito do contribuinte, reconhecendo o direito das autoras de compensar os valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL com valores vincendos da COFINS, do IRPJ, da CSLL e do PIS. E com o recurso interposto pela Fazenda Nacional, julgou o TRF da 4° Região via Apelação Cível 102 2000.04.01.0221062, nos termos do Acórdão proferido em 17/10/2000 (cópia à fl. 158), pelo reconhecimento ao direito das autoras em compensarem os valores indevidamente recolhidos a titulo de FINSOCIAL, somente com parcelas vincendas da COFINS, de Fl. 228DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 215 8 acordo com a previsão legal da Lei nº 8.383/91, sobre a possibilidade da compensação de importâncias pagas indevidamente com valores a serem recolhidos no futuro, referentes a tributos e contribuições da mesma espécie. Assim, diante da decisão provida pela instância superior, impossibilitando a compensação de tributos de espécies distintas, e sem novos recursos promovidos nos autos, tornouse definitivamente encerrada a discussão, ocorrendo o trânsito em julgado do litígio em 28/02/2001 (extrato à fl. 157). Com isso, verificase pelas informações fiscais apresentadas anteriormente, fls. 125/126, que foram realizados os procedimentos de apuração do direito creditório existente a titulo do FINSOCIAL (competências: 09/1989 a 03/1992) em favor do contribuinte, fls. 66/97, e cálculos do efetivo alcance do crédito sobre as compensações pretendidas em relação a contribuição COFINS (períodos de apuração 07/1998 a 02/1999), fls. 98/122, tratandose de contribuição da mesma espécie tributária nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Desta avaliação, resultou ainda a constatação de direito creditório remanescente, fls. 123/124, igual a R$ 3.378,08 (.), atualizados para 10/02/2005. Quanto as demais compensações compreendendo débitos das contribuições PIS, IRPJ e CSLL, não foram homologadas pelo fisco, tendo em vista a decisão judicial proferida com trânsito em julgado. Além disso, podese observar que o saldo credor existente contempla um valor inferior ao montante dos débitos pretendidos para compensação envolvendo tributos de espécie distinta, como o caso dos débitos vinculados do IRPJ do presente lançamento fiscal. De toda forma, como visto, a decisão provisória na sentença em primeiro grau foi concedida em 22/10/1999, posteriormente à entrega das Declarações DCTF's correspondentes aos débitos vinculados por compensação com base na ação judicial e lançados (fl. 28), conforme extrato da Relação de Declarações, fl. 149, excetuandose a Declaração DCTF Retificadora do 3° Trimestre de 1998. Ainda assim, a decisão judicial provisória permitiu a compensação dos débitos vincendos, o que impossibilitaria a pretensão da autora em compensar os valores em questão lançados, uma vez que se referem a períodos de apuração do anocalendário de 1998, e portanto, com vencimentos respectivos ocorridos em momento pretérito à data da sentença em primeiro grau. (destaque acrescido) Ademais, com a finalidade de promover compensações de tributos distintos, à época de ocorrência dos fatos geradores e entrega das Declarações DCTF's, caberia ao interessado em proceder nas formalidades previstas na legislação, 2 disciplinadas no âmbito da Receita Federal naquele momento através da Instrução Normativa SRF n.° 21/1997, de 10/03/1997, com a apresentação de requerimento, o que não se realizou, Fl. 229DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 216 9 visto que inexistem quaisquer pedidos protocolados via processos administrativos para referidas compensações. Ocorre ainda, que pelas informações fiscais anteriores, fls. 125/126, determinouse o encaminhamento de cobrança à pessoa jurídica dos valores lançados da CSLL, do IRPJ e do PIS, vinculados aos autos judiciais nº 98.20.040973. No entanto, diante desta exigência, requereu o interessado às fls. 141/142, a remessa dos autos à DRJ/Florianópolis — SC, considerando que a impugnação apresentada deuse em prazo tempestivo. E diante da constatação anterior quanto à tempestividade da impugnação, encontrandose suspensa a exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, com relação aos valores não extintos pela presente revisão de oficio para débitos declarados via DCTF's trimestrais do anocalendário de 1998, indispensável o encaminhamento deste processo administrativo à DRJ/Florianópolis — SC para apreciação, em conformidade às observações contidas na Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19 do fevereiro de 2002. Cabe ainda relatar, que foram revistos demais lançamentos em nome da pessoa jurídica envolvendo compensações de débitos não confirmadas com base nos autos judiciais informados (98.20.040973), que por idêntico entendimento, destinamos para apreciação da DRJ, compreendendo assim, os seguintes processos administrativos: 13971.002106/200363, 13971.002107/200316 e 13971.002109/200305. Ante o exposto, procedida a revisão de oficio com base nos arts. 145, 147 e 149, inciso VIII, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional), em conformidade às observações contidas na Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19 de fevereiro de 2002, considerando o tratamento idêntico das impugnações de Autos de Infração emitidos via Sistema SIEF FISCEL aos débitos decorrentes de auditoria das DCTF's do anocalendário de 1998, encaminhese à SACAT para as seguintes providências: 1. Procedimento via sistema de controle dos débitos lançados, no sentido de realização a extinção parcial do crédito tributário de IRPJ lançado no período de apuração 04/1998 (2º Trimestre/1998), em valor principal equivalente ao montante de R$ 11.373,51 (3 quotas de R$ 3.791,17), considerando a duplicação de valores declarados em DCTF Complementar conforme relatado; 2. Atualização da fase processual via sistema de controle dos débitos lançados e demais procedimentos objetivando a continuidade do contencioso administrativo, referente aos lançamentos mantidos dos créditos tributários e acréscimos legais vinculados de IRPJ associado a compensação não homologada com base nos autos judiciais nº 98.20.040973, cujos débitos originários assim encontramse identificados: Fl. 230DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 217 10 Período de Apuração 04/1998 (2º Trimestre/1998) => R$ 7.559,71; Período de Apuração 07/1998 (3º Trimestre/1998) => R$ 12.216,95; Período de Apuração 10/1998 (4º Trimestre/1998) => R$ 13.115,95; Posteriormente, remetase o presente processo para julgamento na DRJ/Florianópolis — SC quanto ao Auto de Infração vinculado. Sobre a atualização de valores nos sistemas de controle, determinada pela autoridade lançadora/revisora, consta informação à f. 168: Em atendimento ao contido no Parecer Fiscal de fls. 162/165, informo que foram tomadas as providências necessárias junto ao SIEF a fim de possibilitar a continuidade do contencioso administrativo, instaurado nestes autos pela impugnação de fls. 01/56, sem que tenha sido alterado, no entanto, o crédito tributário apurado na respectiva revisão de ofício, uma vez que o recurso ainda será analisado pela autoridade julgadora de primeira instância. (destaque acrescido) Intimada, em 5 de março de 2009, da revisão de oficio, no dia 1 2 de abril de 2009, a contribuinte aditou a impugnação inicial por meio da petição de f. 171 a 174, em que reitera sua tese de legalidade da compensação feita com base na decisão judicial de primeira instância (que não restringia a compensação a tributo da mesma espécie — fato somente alterado pelo acórdão do TRF, em 2000) e pugna pela aplicação da legislação tributária posterior (a partir de 2002, Lei n° 10.637, que alterou o art. 74 da Lei n2 9.430, de 1996), e cita decisão da DRJ em Juiz de Fora — MG, nesse sentido; não sendo atendido seu pedido, sucessivamente requer a exoneração da multa de oficio de 75%, de vez que noticiou a compensação realizada e não praticou nenhuma falsidade mas cumpriu o previsto no art. 21 da INSRF n2 210, de 2002 (f. 174). A DRJ FLORIANÓPOLIS/SC, através do acórdão nº 0718.540, de 15 de janeiro de 2010 (fls. 178/184), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRINCÍPIO DA SEGURANÇA NA RELAÇÃO JURÍDICA. PROVIMENTO JURISDICIONAL. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. O contribuinte não pode, ao executar o provimento jurisdicional alcançado, transbordar seus limites. A sentença ou decisão interlocutória pesa sobre o contribuinte como norma jurídica individual e concreta, de Fl. 231DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 218 11 observância obrigatória. Decisão Judicial que não permita a compensação de crédito de Finsocial com débitos de outros tributos faz coisa julgada inclusive na área administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS COMPENSÁVEIS. EXIGÊNCIAS REGULAMENTARES. A compensação tributária pressupõe, além da existência de créditos compensáveis, o cumprimento pelo sujeito passivo das correspondentes obrigações tributárias regulamentares. Ciente da decisão em 10/02/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 189), apresentou o recurso voluntário em 03/03/2010 fls. 191/204, onde requer o cancelamento da exigência por indevida inovação na fundamentação legal introduzida pela DRJ Florianópolis; o cancelamento da exigência em virtude da extinção por compensação de créditos decorrentes de ação judicial e por fim em caso de manutenção do lançamento, a ilegalidade da aplicação da multa de ofício de 75% por inexistência de falsidade na DCOMP. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 219 12 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento IRPJ lavrado em virtude de auditoria de DCTF pela qual se constatou a ausência de validação da existência de processo judicial utilizado para extinção dos débitos relativos ao 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998, mediante compensação. A recorrente alega em síntese: a) Que a exigência deve ser cancelada considerando que a inovação na fundamentação legal introduzida pela DRJ Florianópolis, além de caracterizar cerceamento de defesa, representa novo lançamento realizado além do período decadencial de 05 anos; b) Que a exigência deve ser cancelada validandose a compensação realizada com créditos de FINSOCIAL decorrente de ação judicial, pois as modificações legislativas ocorridas após a Lei nº 8.383/81 que fundamentou a sentença judicial, permitem a compensação com tributos de espécies diferentes; c) Que em caso de manutenção do lançamento, deve ser cancelada a multa de ofício de 75% pois o procedimento adotado de compensação para futura homologação, não se enquadra nas hipóteses capituladas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, já que não houve falsidade na declaração. Inicialmente é de se refutar as alegações de inovação no lançamento com alteração na fundamentação legal que teria sido introduzida pela DRJ Florianópolis. Com efeito, desde o início o lançamento foi realizado em virtude da não confirmação de ação judicial que autorizasse a compensação do FINSOCIAL com o IRPJ, não se afastando o julgado de primeira instância desta tarefa, rebatendo apenas as alegações de licitude do procedimento aventadas pela contribuinte. Verificase que a recorrente compreendeu perfeitamente a acusação que lhe foi formulada, justificando o seu procedimento com diversas alegações que foram apreciadas pelo colegiado julgador de primeira instância, não se vislumbrando qualquer cerceamento de defesa e tampouco o alegado novo lançamento como quer a recorrente. Somente estaria caracterizado eventual vício se o lançamento só pudesse ser mantido com a suposta inovação introduzida pela DRJ o que efetivamente não ocorreu pois o colegiado julgador de primeira instância apenas aduziu argumentos subsidiários em contraponto às alegações da impugnação. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 220 13 Afasto portanto as alegações de inovação no lançamento e por decorrência de decadência do novo lançamento que efetivamente não poderia ser realizado pela autoridade julgadora por lhe falecer competência legal para tanto. Melhor sorte não colhe a recorrente com relação ao mérito do litígio. Com efeito, de acordo com a informação fiscal prestada à época, fls. 125/126, pode ser observado que o mencionado processo judicial compreendendo ação ordinária, onde o interessado em questão participou como litisconsorte, objetivava a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, em razão da inconstitucionalidade das majorações de alíquota, com parcelas vencidas e vincendas de tributos federais (COFINS, IRPJ, CSLL e PIS). Consta informado que a sentença em primeiro grau, prolatada em 22/10/1999 (extrato de consulta das fases processuais, fls. 154/156), julgou procedente o pleito do contribuinte, reconhecendo o direito das autoras de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com valores vincendos da COFINS, do IRPJ, da CSLL e do PIS. E com o recurso interposto pela Fazenda Nacional, julgou o TRF da 4ª Região via Apelação Cível nº 2000.04.01.0221062, nos termos do Acórdão proferido em 17/10/2000 (cópia à fl. 158), pelo reconhecimento ao direito das autoras em compensarem os valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL, somente com parcelas vincendas da COFINS, de acordo com a previsão legal da Lei nº 8.383/91, sobre a possibilidade da compensação de importâncias pagas indevidamente com valores a serem recolhidos no futuro, referentes a tributos e contribuições da mesma espécie. Alega a recorrente que embora tenha a decisão judicial transitada em julgado limitado a compensação apenas com a COFINS, nos termos da Lei nº 8.383/91, as alterações legislativas posteriores, admitiram a compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Data vênia, tal entendimento é equivocado. É que a norma individual e concreta proferida pelo juiz prevalece sobre a norma geral e abstrata. É este, portanto, o único Direito possível, já que o único órgão ou instituição capacitado a dizer o direito em definitivo das soluções cogitáveis já foi instado a pronunciarse, proferindo decisão que, na prática, opôs limites significativos ao pleito da Recorrente. Pelo exposto, não se pode reconhecer o direito à compensação dos créditos decorrentes da sentença proferida na Ação Judicial nº 98.20.040973. com o IRPJ devido. Por outro turno, se é certo que a decisão judicial apenas autorizou a compensação com débitos vincendos de COFINS, para que a tese de compensação com outros tributos da recorrente pudesse ser aceita, deveria ter cumprido as demais regras estipuladas para compensação administrativa definidas pela novas normas tributárias e a Secretaria da Receita Federal. Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a Lei nº 9.430/96 e a Instrução Normativa SRF nº 21/97, estipularam condições e regras para a compensação administrativa de créditos tributários líquidos e certos que podem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela SRF. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 221 14 Constatase inicialmente, que a compensação somente é possível com créditos líquidos e certos de que o contribuinte dispunha por ocasião da compensação. Nestes termos, já se verifica a incompatibilidade da compensação pleiteada pois por ocasião da compensação em 1998, a contribuinte não tinha sequer o provimento favorável para reconhecimento de qualquer crédito a título de FINSOCIAL que conforme relatado somente se deu de forma provisória em sede de primeiro grau em 22/10/1999. Assim, mesmo que houvesse provimento favorável, a recorrente para poder realizar a compensação administrativa com outros tributos, deveria atender as disposições da Lei nº 9.430/96 e Instrução Normativa SRF nº 21/97 (substituída pela Instrução Normativa nº 210/2002), que estipulou forma e condições para utilização dos créditos judiciais. Destarte, se pretendia a contribuinte se beneficiar das alterações legislativas que possibilitaram a compensação de créditos judiciais com quaisquer tributos administrados pela SRF deveria se submeter as regras e condições estipuladas pela lei e regulamentação expedida pelo órgão administrador tributário, formulando o pedido de acordo com estas regras e não simplesmente realizar a compensação em DCTF. De sorte seja pela inexistência de créditos líquidos e certos, seja pela falta de atendimento das condições para compensação administrativa com débitos de qualquer natureza administrados pela SRF, deve ser indeferida a compensação realizada e mantida a exigência do IRPJ não recolhido. Por último, com relação à multa de ofício de 75%, assiste parcialmente razão à recorrente. Com efeito, o lançamento de ofício foi realizado na vigência do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que prescreve: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” (Grifamos) O art. 18 da Lei 10.833/2003 alterou a redação dessa MP. A redação atual desse artigo é a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 235DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 222 15 Em relação ao lançamento da multa de ofício de 75%, esta deve ser excluída do lançamento, em razão do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106 do CTN, em função do disposto no art. 18 da Lei 10.833/2003, acima transcrito, uma vez que o mero preenchimento da DCTF, com a compensação pretendida e indicação do número do processo judicial existente em que se discute a origem do crédito, não caracteriza falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Relativamente à retroatividade benigna, este é o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004 (que se refere apenas ao caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, por haver sido expedida antes das modificações introduzidas pelas Leis nº 11.051, de 2004 e 11.488, de 2007): “EMENTA: (…) No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo.” Destarte, deve ser exonerada a multa de ofício de 75%, exigindose em seu lugar apenas a multa de mora de 20% incidente sobre quaisquer diferenças recolhidas em atraso, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, não implicando sua cobrança em qualquer inovação ou agravamento da exigência no lançamento de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo a multa de ofício de 75%, cobrandose em seu lugar a multa de mora de 20%. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 236DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003882/2006-08
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Exercício: 2005
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos,
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária.
Numero da decisão: 1803-000.318
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO . Processo n* 10320.00.3882/2006-08 , Recurso n" 166370 Voluntário Acórdão n" 1803-00.318 — 3' Turma Especial Sessão de 09 de março de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente NEW SERV SERVIÇOS GERAIS LTDA. Recorrida 4' TURMA-DRJ/FORTALEZA/CE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercício: 2005 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, .00000„,„„, r"- E FERREIRA D MORAES - Presidente BENEDICTO CEL: O B NÍCIO JÚNIOR - Relator EDITADO EM: 09 L Processo n' 10320 003882/2006-08 S1-1-E03 Acórdão n. 1803-00318 Fl 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Beníco Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos e Silvana Rescigno Guerra Barreto. Relatório O contribuinte, já qualificado nos autos, teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 03/08, para a formalização da exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 2004, no montante de R$ 153,368,74, incluídos os correspondentes encargos legais. Segundo a descrição dos fatos contida na peça vestibular a presente exigência decorreu da aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro presumido sobre receitas de serviços gerais; corno o contribuinte optou, no citado ano-calendário, pela tributação com base no lucro presumido e adotou, na correspondente DIPJ, o percentual de 8% sobre a receita bruta, sem considerar o coeficiente aplicável às receitas de prestação serviços (32%), foi lançado o tributo resultante da aplicação do percentual de presunção dos lucros cabível às receitas de aludida natureza, nos correspondentes períodos de apuração, conforme demonstrativos anexos. A exigência foi fundamentada nos artigos 518, 519 e 926, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1000, de 26/03/1999 (RIR/99). De acordo com os Autos de Infração de fls. 09/14, 15/20 e 21/26, foram também exigidas as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COHNS), além da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), nos quais se constituiu o crédito tributário nos valores totais de R$ 12,393,20, R$ 57.199,81 e R$ 73.375,30, respectivamente, em razão da falta de declaração dos débitos em DCTF, ou de seus correspondentes pagamentos. Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 29/12/2006, conforme Aviso de Recebimento (AR) de Es, 72, a autuada, por meio de seu procurador (Mandato às fls. 85), apresentou, em 26/01/2007, a impugnação de Es, 75/84, instruída com os documentos de fls. 86 a 149, onde, inicialmente, alega a existência de impropriedades nos levantamentos realizados pela Fiscalização, consistentes na não consideração de valores pagos e retidos na fonte, relativamente ao 1RPJ e às contribuições sociais exigidas, o que determinaria as retificações no crédito tributário, conforme demonstrado. Em seguida, o contribuinte contesta a autuação, argumentando o que segue: - em sede de preliminar, pleiteia a nulidade do feito, por ausência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o que toma o agente fiscal incompetente para a condução do procedimento, de acordo com a doutrina e a jurisprudência que colaciona; ademais, a citada medida também se impõe pela menção contida no Termo de Encerramento, acerca da devolução de livros e documentos, urna vez que, em qualquer momento foi a ora impugnante instada a apresentá-los ao Fisco, o que, certamente, motivou as inconsistências observadas no AH, concernentes à desconsideração das retenções sofridas e dos pagamentos realizados pela empresa; - no mérito, a impugnante requer a correção das inconsistências já apontadas, para que, em procedimento de revisão do lança ento, previsto nos artigos 145, I, e 149, 2 c)2 Processo o 10320 003882/2006-08 SI-TE03 Acórdão o " 1803-00318 Fl. 3 do Código Tributário Nacional (CTN), e com base na documentação probatória acostada aos autos, sejam deduzidos dos valores arrolados na autuação, os montantes de R$ 10..959,40, a titulo de IRRF retido no período, e de R$ 17.52035, correspondentes aos recolhimentos efetuados relativamente ao IRPJ e às contribuições sociais lançadas nos Ali; - na hipótese de não acatamento da preliminar de nulidade do feito, requer o parcelamento do débito remanescente - após as alterações procedidas nos temos do parágrafo anterior - em sessenta meses, com a redução de quarenta por cento da multa de lançamento de oficio, prevista no artigo 60, da Lei n° 8..383, de 1991. Objetivando confirmar as alegações da defesa, relacionadas à retenção do IR na fonte e aos pagamentos dos tributos e contribuições por ela efetuados, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2004, procedeu a DRJ recorrida à juntada dos documentos de fls. 152 a 188, relacionados no respectivo Termo de fls. 151. Ao cuidar dos argumentos apresentados pelo contribuinte na citada impugnação, a 4' TURMA — DR.1 EM FORTALEZA — CE julgou procedentes em parte os lançamentos, excluindo valores correspondentes ao IRRF incidente sobre receitas arroladas para tributação pelo IRPJ, de um lado, e montantes de imposto e contribuições já recolhidos pelo contribuinte, de outro lado. Assim foi ementado o aresto proferido pelo órgão ad quo: "Assunto, IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, NULIDADE DO PROCEDIMENTO, VÍCIOS NA FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 11/IPF. IRPJ E CSLL, LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PERCENTUAL APLICÁVEL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, DEDUÇÃO DOS VALORES RETIDOS NA FONTE E ESPONTANEAMENTE RECOLHIDOS PELO CONTRIBUINTE. Não é suscetível de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando formalizado em consonância com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10, do Decreto n" 70,23.5, de 1972. Comprovados os alegados recolhimentos efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo, assim como, a retenção do IRF sobre as receitas arroladas para fins de tributação pelo IRPJ, é de .se retificar o lançamento, para considerar as correspondentes parcelas na quantificação do tributo a ser exigido de oficio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL), Processo n" 10320.003882/2006-08 Si-TE03 Acórdão a" 1803-00318 Fl 4 Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e eleito que os vincula." Cientificado do acórdão em 24/01/08, o contribuinte formulou Recurso a este Conselho, em 21/02/2008, reapresentando arguição de nulidade dos autos de infração, em decorrência da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal — MPF que inaugurasse os trabalhos desenvolvidos.. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento.. Dele conheço, Restringe-se o contribuinte, no pleito recursal, a aduzir a nulidade dos autos de infração, em virtude da inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal — MU . expedido pala início do trabalho fiscal guerreado. Segundo entende a empresa autuada, a falta do documento repercute na incompetência do agente autuante, uma vez que o MPF serviria de instrumento que "individualizaria" e "concretizaria" a competência material e genérica de que se revestem todos os auditores fiscais. Noutras palavras, o MPF representaria, no pensamento do contribuinte, peça inaugural inafastavel, que definiria e limitaria a investigação tributária dos sujeitos passivos, restringindo pessoal e substancialmente a sujeição destes ao poder investigatório do Fisco. Tal entendimento não merece nenhuma guarida.. Vem ele sendo reiteradamente debelado pelos julgados deste Conselho, sendo impossível antever outra interpretação que não a da total improcedência do recurso em estudo. As normas que regem a emissão do MPF dizem respeito, primacialmente, ao controle interno das atividades desenvolvidas pela Receita Federal do Brasil, Ainda que sua emissão possa, indiretamente, servir para informar o investigado das medidas instrutórias a serem tomadas, é função precípua do MU: somente promover a administração interna dos órgãos fiscalizadores, Observem-se alguns precedentes desta Corte: "NULIDADE DO LANÇAMENTO. VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA, A ausência do MPF ou a falta da prorrogação do prazo nele fixado não se constitui ato essencial à validade do lançamento e não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. (Ac. 1" CC 192-00.021/08)" "NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou .f.alta da prorrogação do prazo nele fixado não Processo f 0320.003882/20OG-08 SI-TE03 Acórdão n° 1803-00,318 Fl 5 retira a competência do auditor .fiscal que é estabelecida em lei, (Ac. 1° CC 102-49,388/08)" "FALTA DE MPF-COMPLEMENTAR - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO — A falta do MPF- Complementar para ampliar o período de apuração previsto no MPF-F, bem assim sua ciência ao contribuinte, não acarreta a nulidade do lançamento relativamente aos períodos não alcançados pelo 11/1PF-F, tendo em vista que o MPF-F é documento de uso interno da SRF 1° CC 105-06.680/07r Em todo caso, jamais haveria corno se falar de nulidade das autuações, em razão de simples ausência de emissão de MPF. As causas que tomam nulas as peças acusatórias são apenas aquelas subsumíveis ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, de um lado, ou as que se originarem da desobediência aos requisitos do artigo 10 do mesmo diploma, de outro. Seguem os dois indigitados dispositivos, para ratificação do exposto: "Art. 59. São nulos: - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 11 - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, § 1" A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § .2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3" Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta," "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: - a qualificação do autuado; 11 - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição datai(); IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; OV - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-Ia ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou .função e o número de matrícula.." Outros eventuais vícios ou omissões só ensejariam a nulidade do trabalho fiscal ou das autuações decorrentes se deles resultassem prejuízo à defesa do contribuinte — o Processo n" 10320 003882/2006-08 SI-TE03 Acórdão " 1803-00318 Fl. 6 que, por óbvio, não é o caso, já que o interessado teve amplo acesso às informações do processo, em perfeita observância do contraditório administrativo. Nessa esteira, veja-se também o teor do artigo 60 do citado Decreto n" 70.235/72: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões (Wel-entes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Está claro que a mera inexistência de MPF não invalida o procedimento fiscal. Não representa tal omissão, muito menos, vicio insanável dos autos de infração lavrados, como afirmado nas razões recursais. Trata-se de simples documento interno de organização da Receita Federal do Brasil, prescindível para fins de validação das autuações. A competência do agente autuante decorre diretamente de lei, sendo irrelevante, para a lidimidade do trabalho, eventual "ratificação" de poderes por meio da MPF, corno quer fazer crer a peticionária. Isto posto, NEGO PReVIMENTO ao recurso, BENEDICTO ELS MCI° JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001017/2005-04
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR.
Exercício: 2001
ITR — ÁREA PLANTADA COM PRODUTOS VEGETAIS - COMPROVAÇÃO
O fato gerador do tributo é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano, Assim, para que produzam efeitos no exercício, os eventos devem ter ocorrido até 31 de dezembio no ano anterior. Para comprovar a Área Plantada com Produtos Vegetais, o sujeito passivo deve apresentar provas que demarquem a sua existência antes da data do fato gerador do tributo.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2101-000.542
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiada por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR. Exercício: 2001 ITR — ÁREA PLANTADA COM PRODUTOS VEGETAIS - COMPROVAÇÃO O fato gerador do tributo é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano, Assim, para que produzam efeitos no exercício, os eventos devem ter ocorrido até 31 de dezembio no ano anterior. Para comprovar a Área Plantada com Produtos Vegetais, o sujeito passivo deve apresentar provas que demarquem a sua existência antes da data do fato gerador do tributo. Recurso Negado.
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Exercício: 2001 ITR — ÁREA PLANTADA COM PRODUTOS VEGETAIS - COMPROVAÇÃO O fato gerador do tributo é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1" de .janeiro de cada ano, Assim, para que produzam efeitos no exercício, os eventos devem ter ocorrido até 31 de dezembio no ano anterior. Para comprovar a Área Plantada com Produtos Vegetais, o sujeito passivo deve apresentar provas que demarquem a sua existência antes da data do fato gerador do tributo.., Recurso Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiada por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. -, --,... ( ,/ , c)10 MARCOS CÂN IDO - Presidente --"/ _ ( jTs'----- l' WLE OLI .- Ões-g- ANA ~Lr-51- '--.-. . , YIVAPIO HOLANDA - Relatora EDITADO EM: o O JUL. 2010 i Participaram do julgamento Os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de infração referente a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR.), referente ao imóvel rural Fazenda Novo Horizonte, localizado no município de Ponta Porá (MS), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 3.81.2,97, a titulo de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2001, com supedâneo nos artigos 1 0, 4, 7" a 11 e 13 a 15 da Lei n" 9.393, de 19/11/1996, artigos 1", 2", 5 0 a 80, 10", 11, 16, 18, 24, 25, 29 a 35, 47 a 51, 60, 61, 76, 80 e 81 do Decreto n° 4,382, de 19/09/2002, artigos 3" e 4" da instrução Normativa SR1 n° 94, de 24/12/1997, Instrução Normativa SRI n" 73, de 18/07/2000, Instrução Especial INCRA n" 19, de 28/05/1980, nos seguintes moldes: i) Área de Pastagem - 195,00 ha para 0,00 ha. ConfOrme discriminado na Descrição dos Fatos do auto de inflação (11.. 08), não foi informada a existência de rebanho no imóvel rural, para o ano-calendário 2000, portanto, não pode ser aceita a Área de Pastagem de .195,00 ha apresentada na declaração. 3. Como conseqüência, foram alterados de oficio Os seguintes elementos: .Área Utilizada de 200,00 ha para 5,00 ha, Grau de Utilização (OU) de 100% para 2,5% e alíquota de 0,10 para 3,30. 4. lm contraposição, fbi apresentada a impugnação de fis 17 a 1.8„ 5. Submetida a lide a julgamento, os membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDA1.)E TERRITORIAL RURAL - uR Exercício.. 2001 ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA .NA ATIVIDADE RURAL.. A área efetivamente utilizada na atividade rural para efiWo de apuração e pagamento do ITR é aquela que fói utilizada no ano anterior ao da entrega da declaração do ITR, conforme legálação vigente Lançamento Procedente. 6. Intimado aos 14/12/2008, o sujeito passivo apresenta sua inesignação por meio de recurso voluntário tempestivo (fis. 37 a 40). 7.. No apelo inteiposto, o sujeito passivo arrima sua defesa no argumento de que a área de pastagem de 195,00 ha foi digitada erroneamente, quando o correto seria 180,00 ha de produtos vegetais.. 2 Processo n" 13161 001017/2005-04 S2-C1T 1 Acórdão n.." 2101-00.542 I'l 100 8. Para comprovar o alegado, anexa cópia de Contrato Particular de Arrendamento de Terras para fins de Exploraçá.o d.e Lavoura, firmado com EDSO.N ROBERTO BELTRAM.IN, datado de 10/05/2001 (Os, 42 a 43), cujo objeto é o arrendamento de uma gleba de terras pastais e lavradias, com a área de 180,00 ha. o.. Apresenta o recorrente cópia de declaração retificadora do ITR, exercício 2001, datada de 30/12/2005, em que é apresentada a Área Aproveitável de 180,00 ha (fls. 44 a 49), cópia de Contrato de Compra e Venda e Instrumento Particular de Alteração do Contrato de Compra e Venda de Soja em Grãos N" 2220101066, de 1 0/07/2001 , firmado entre a CARG1LL AGRÍCOLA S/A, como compradora, e EDSON ROBE"RTO BELTRAMIN, como vendedor (lis. 50 a 54), cópia de Contrato de Mútuo para Repasse de Recursos Externos, firmado entre o BANCO CARGIEL S/A, como mutuante, e EDSON ROBERTO 'I3ELTR.AMIN, como mutuário, datado de 05/07/2001 (Os.. 55 a 61), c cópia de Contrato de Mútuo para Repasse de Recursos Externos, firmado entre o BANCO (. - AR.GILL S/A, como mutuante, e EDSON ROBER"1:0 BELTRAMIN, como mutuário, datado de 10/09/2001 (fls. 62 a 68). É o Relatório, Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio 'Holanda, Relatora. O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento, O objeto do presente processo é o auto de infração para cobrança de valores que dizem respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel rural Fazenda Novo Horizonte, localizado no município de Ponta Porá (MS), no exercício 2001, em face da glosa parcial de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação -hábil e idônea das informações prestadas na declaração do ITR, a título de Área. de 'Pastagem de 195,00 ha para 0,00 ha„ A defesa do sujeito passivo deu-se no argumento de que cometera erro de ›'Y'c fato, quando do preenchimento da declaração do ITR, vez que, a Área de Pastagem de 1 95,00 . ha -foi digitada erroneamente, quando o coreto seria 180,00 ha d.e Área Plantada com Produtos .. Vegetais. Paia respaldar as sua alegativas.;, o sujeito passiva aduz ao caderno processual cópia de Contrato Particular de Arrendamento de Terras para Fins de Exploração de Lavoura, firmado CO m EDSON ROBERTO BELTRAMIN, datado de 10/05/2001 (fls. 42 a 43), cujo objeto é o arrendamento de uma gleba. de terras pastais e lavradias, com a área de 180,00 ha, Apresenta também cópia de Contrato de Compra e Venda e Instrumento Particular de Alteração do Contrato de Compra e Venda de Soja em Grãos N" 2220101066, de 10/07/2001, firmado entre a CARGILL AGRÍCOLA S/A, como compradora, e EDSON ROBERTO BELTRAMIN, como vendedor (fls. 50 a 54), cópia de Contrato de Mútuo para Repasse de Recursos Externos, firmado entre o BANCO CARGILL S/A, como mutuante, e EDSON ROBERTO BELTRAM1N, como mutuário, datado de 05/07/2001 (ills„ 55 a 61), e cópia de Contrato de Mútuo para Repasse de Recursos Externos, firmado entre o BANCO -4 J 3 CARG1LL S/A, como mutuante, e EDSON ROBERTO BLLTRAM1N, como mutuário, datado de 10/09/2001 (fls., 62 a 68). Pode-se observar que os documentos acima referidos reportam-se a fatos ocorridos durante o .próprio exercício 2001. Entretanto, a data em que fica demarcada a ocorrência do fato imponivel à subsunção do 11K é 1" de janeiro de cada ano, conforme demarcada no artigo 1° da Lei n° 9.,393, de 19/11/1996, nos seguintes termos: Art. 1 O Imposto sobre a .Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem conto fato zerador a propriedade, o domínio útil ou a posNe de imóvel por natureza, localiz,ado fora da zona urbana do município, em 1" de janeiro de cada ano (destaques da transcrição) Assim, para que produzam efeito no exercício, os fatos devem estar configurados em data anterior a 1`) deianeiro daquele ano. Com efeito, na espécie, mesmo sem adentrar-se à sua prestabilidade como prova da existência da Área Plantada com Produtos Vegetais, no período constantes nos contratos apresentados pelo recorrente, tais documentos não são hábeis a comprovar a existência daquele tipo de cultura, no imóvel rural, para o exercício 2001. Forte no exposto, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 16 de .ij unho de 2010 Ana (1.16- go N -y - Olímpio uolancta 4
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Numero do processo: 10665.001040/2005-21
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Ementa: COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES.
A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, deve-se, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado à premissa conceituai básica
de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, deve-se averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou
mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo.
OPERAÇÕES DE CONSUMO. VENDA DE MERCADORIAS À ASSOCIADOS.
O resultado positivo das cooperativas, proveniente de operações com associados decorrentes de vendas de mercadorias não vinculadas à atividade econômica dos associados e ao objeto da cooperativa, sujeita-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União,
aplicáveis às demais pessoas jurídicas, não podendo ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável.
ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
Ganhos de capital obtidos na alienação de bens do ativo permanente são receitas não operacionais e não podem ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável.
MULTA ISOLADA
Aplica-se a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda pessoa jurídica por estimativa mensal deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente."
Numero da decisão: 1401-000.167
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, vencidos dos Conselheiros André Ricardo Lemes da Silva e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, que cancelavam a multa isolada, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente e justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 Ementa: COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES. A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, deve-se, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado à premissa conceituai básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, deve-se averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo. OPERAÇÕES DE CONSUMO. VENDA DE MERCADORIAS À ASSOCIADOS. O resultado positivo das cooperativas, proveniente de operações com associados decorrentes de vendas de mercadorias não vinculadas à atividade econômica dos associados e ao objeto da cooperativa, sujeita-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas, não podendo ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável. ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Ganhos de capital obtidos na alienação de bens do ativo permanente são receitas não operacionais e não podem ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável. MULTA ISOLADA Aplica-se a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda pessoa jurídica por estimativa mensal deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente."
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Recorrida 4° TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 Ementa: COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES. A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, deve-se, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado à premissa conceituai básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, deve-se averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo. OPERAÇÕES DE CONSUMO. VENDA DE MERCADORIAS À ASSOCIADOS. O resultado positivo das cooperativas, proveniente de operações com associados decorrentes de vendas de mercadorias não vinculadas à atividade econômica dos associados e ao objeto da cooperativa, sujeita-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas, não podendo ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável. ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Ganhos de capital obtidos na alienação de bens do ativo peillianente são receitas não operacionais e não podem ser excluídas do lucro líquido para /7 apuração da base tributável. Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 2 MULTA ISOLADA- Aplica-se a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda pessoa jurídica por estimativa mensal deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos dos Conselheiros André Ricardo Lemes da Silva e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, que cancelavam a multa isolada, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente e justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro -fp! • • • r• PESSOA MONTEIRO - Presidente 1 21-, OF NTONIO "" ERRA NETO - Relator EDITADO EM: n L !vi 1 0•ifhl L,t Participaram, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luís Gomes de Matos, André Ricardo Lemes da Silva, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Maurício Pereira Faro. 2 Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 02-15.937, da 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Belo Horizonte-MG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Trata o presente processo da formalização, em 16/08/2005, da constituição de crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (lis. 04/13 e 283), e da aplicação da multa isolada devido a falta de recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica sobre a base de cálculo estimada, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, fis.05/06: 1- EXCLUSÃO INDEVIDA DE RESULTADOS POSITIVOS PROVENIENTES DE OPERAÇÕES COM ASSOCIADOS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIA NÃO VINCULADA À ATIVIDADE ECONÔMICA DOS ASSOCIADOS E AO OBJETO DA COOPERATIVA, TRATADOS PELA FISCALIZADA COMO RESULTDOS ORIUNDOS DA PRÁTICA DE ATOS COOPERATIVOS, IMPLICANDO REDUÇÃO DO LUCRO REAL ANUAL, CONFORME DEMONSTRADO NO RELATÓRIO FISCAL EM ANEXO. GANHOS NA ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE, TRATADOS PELA F1SCLIZADA COMO DECORRENTES DA PRÁTICA DE ATOS COOPERATIVOS E EXCLUÍDOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO LO LUCRO REAL ANUAL, CONFORME DEMONSTRADO NO RELATÓRIO FISCAL EM AIVEXO. ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 182 e 250, INCISO I, DO RIR/99 JUROS DE MORA: PERCENTUAL EQUIVALENTE À TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA — PARA TÍTULOS FEDERAIS, ACUMULADAMENSALMENTE. ARTIGO 60, § 20, DA LEI N° 9.430, DE 1996. MULTA PROPORCIONAL PASSÍVEL DE REDUÇÃO: ART. 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430, DE 1996. , 2- MULTAS ISOLADAS. RECOLHIMENTO A MENOR DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA PESSSOA JURÍDICA A MENOR TENDO EM VISTA A NÃO INCLUSÃO, jNO CÁLCULO DA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA, DAS 3 Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 4 RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE MERCADORIAS 24 ASSOCIADOS NÃO VINCULADAS À ATIVIDADE ECONÓMICA DO ASSOCIADO E AO OBJETO DA COOPERATIVA, E DOS GANHOS NA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. OS DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL DO IRPJ ENCONTRAM-SE JUNTO AO RELATÓRIO FISCAL EM ANEXO. ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 222, 843 E 957, PARÁGRAFO ÚNICO, INCISO IV, DO RIR/99 Inconformada, tendo sido cientificada dos autos de infração em 26/08/2005 (sexta-feira), fls. 04 a autuada apresentou impugnação em 22/09/2005, fls. 285/318, seguida dos documentos de fls. 319/400, a seguir sintetizada. Do Mérito. Apoiando-se em dispositivos constitucionais, legais e regulamentares (Po, do artigo 174 e alínea "c" do inciso III, do artigo 146 da Constituição da República de 1988; artigos, 3o, 50, 79, 80, 85, 86, 88 e 111 da Lei n°5.764/71; artigos 182, 183, 218 e 219 do Decreto n° 3000, de 1999), jurisprudência e doutrina conclui que o resultado ou sobras líquidas obtidas através dos atos cooperativos, não pode integrar a base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica, como procedeu o fisco no Auto de Infração ora impugnado. Argumenta que: - o objeto da cooperativa poderá ser qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, desde que não seja ilícita, inclusive existindo previsão legal autorizando que uma sociedade adote como objeto mais de um serviço, operação ou atividade. - as principais característica das cooperativas são: atividades desenvolvidas com densidade econômica, objetivarem servir aos associados e não terem o intuito lucrativo; - os resultados positivos (sobras e não lucros) obtidos por meio de atos cooperativos não devem, nem podem, integrar a base de cálculo de tributação; - são considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 da Lei n°5.764, de 1971; - o imposto de renda das sociedades cooperativas, em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos; - as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas 4 atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. I 4 Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 5 - as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade E, no caso, transcrevendo dispositivo estatutário fl. 298/300) que define os seus objetivos sociais — artigo 17 (em destaque itens I, III, E VII, VIII e IX) e 18 - argumenta que a lei autoriza a adoção como objeto social mais de um serviço, operação ou atividade (cooperativas mistas) e que: (..)a defesa dos interesses econômicos de seus associados não se limita em viabilizar a produção e garantir a comercialização por um preço melhor a um custo mais baixo, mas também potencializar o poderio financeiro do associado na compra dos produtos de que necessita para sua subsistência (fl.. 300)... (.) e potencialização da produção efetivada, dentre outras medidas pela modernização de equipamentos necessários para a prestação de serviços aos associados; ffl. 309) Quanto à venda de mercadorias a associados, transcrevendo parte do relatório fiscal, inicialmente esclarece que: em momento algum, afirmou ou sequer insinuou que a venda de mercadorias a associados é atividade não vinculada ao seu objeto social. As informações apresentadas nas citadas fls. teve como objetivo único atender á legislação que regula a Contribuição ao PIS e a COFINS, conforme Medida Provisória n° 1.858/35. Nunca para enquadramento dos resultados obtidos nessa atividade na base de tributação do Imposto de Renda ou da CSLL. Considera equivocada a desconsideração da autoridade fiscal da venda de mercadorias aos associados como ato cooperativo porque o ato cooperativo não tem como requisito a vincula ção á atividade do associado, haja vista a disposição legal e, exemplificadamente, as cooperativas de consumo cujos atos cooperativos, na grande maioria das vezes, relação nenhuma guarda com a atividade do associado e porque a atividade mencionada encontra-se expressamente dentro dos objetivos da Impugnante e sua realização coincide exatamente com os objetivos, inclusive estatutários, para os quais foi constituída • (negrito da impugnante): Art. 17 - A Cooperativa tem por objetivo principal defender os interesses econômicos dos associados, estabelecendo uma relação direta entre a produção e o consumo, para que observando rigorosa neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social se propõe a cumprir o seguinte programa de ação: (-) VIII — Sempre que julgar conveniente, criar e manter nos municípios de uma área de ação, armazéns cooperativos, postos Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 6 de combustíveis e derivados, e outros serviços pertinentes às atividade agropecuárias, para fornecimentos aos associados; Conclui que a venda de mercadoria aos associados consubstancia em ato cooperativo da impugnante, e que os resultados obtidos com os atos cooperativos não integram a base de cálculo do IRPJ e, portanto o valor deve ser decotado da base de cálculo do auto de infração. Venda de bens do ativo Permanente como ato cooperativo — equivocada desconsideração pela autoridade fiscal. Afirma que o ato só pode ser considerado como cooperativo se visar, imprescindivelmente, a consecução dos objetivos sociais da sociedade cooperativa. No caso, o Agente Fiscal ao desconsiderar a modernização das máquinas, equipamentos, móveis, utensílios e veículos como ato cooperativo, agiu de forma equivocada, arbitrária, injusta e ilegal, haja vista que esses atos foram praticados sem qualquer intuito de lucro e visando exclusivamente os interesses associativos, quais sejam, defender os interesses econômicos dos associados, estabelecendo uma relação direta entre a produção e o consumo, através da modernização dos meios necessários para tanto. Alega que o ganho auferido ocorreu em virtude da total depreciação dos bens alienados e da correção monetária inflacionária que elevou o valor do ativo imobilizado. Entende que a venda de ativo não gera resultado operacional de nenhuma empresa, mas é do seu objetivo, principalmente em uma sociedade cooperativa que tem como um de seus objetivos a produção. Do erro na apuração do resultado do período. Alega que houve equívoco na apuração da base tributável, apresentando quadro demonstrando o "resultado com receitas "não vinculadas" (terminologia usada pela fiscalização) às fls. 313. Ao final requer o acolhimento da impugnação para: a) seja excluído da base de cálculo adotado no Auto de Infração os resultados ou sobras líquidas obtidas por meio de atos cooperativos, uma vez que sobre tais parcelas reconhecidamente não incide o IRPJ b) seja reconhecido corno atos cooperativos os repasses de mercadorias aos associados, bem como a alienação de equipamentos e bens para modernização do ativo permanente, excluindo os resultados destas atividades cooperativas da base de cálculo do IRPJ, uma vez que sobre os resultados ou sobras advindos de atos cooperativos não incide tributação; c) caso não haja o devido cancelamento da exigência fiscal, seja determinada a realização de perícia para a correta e real determinação da base de cálculo do IRRI 6 Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 7 d) seja adequada a base de cálculo dos exercícios fiscalizados e, conseqüentemente, seja novamente calculado o suposto crédito tributário e) seja cancelada a multa isolada aplicadas pelo agente Fiscal tendo em vista a dupla aplicação de penalidade sobre o mesmo fato (bis in idem) e a exigência de tributo, devendo pois, prevalecer somente a multa proporcional." A DRJ, por unanimidade de votos, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002,2003 PEDIDOS DE PERÍCIA Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando as provas produzidas e os elementos constantes nos autos são suficientes para o deslinde da questão e a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002,2003 COOPERATIVA: O resultado positivo das cooperativas, proveniente de operações com associados decorrentes de vendas de mercadorias não vinculadas à atividade econômica dos associados e ao objeto da cooperativa, sujeita-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas, não podendo ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável. Ganhos de capital obtidos na alienação de bens do ativo permanente são receitas não operacionais e não podem ser excluídas do lucro líquido para apuração da base tributável. MULTA ISOLADA- Aplica-se a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda pessoa jurídica por estimativa mensal deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente." No caso, o provimento parcial se deveu a 2(dois) motivos: - erro material da fiscalização para apuração do valor excluído indevidamente do lucro do lucro real. No caso, deixou de considerar parte de despesas operacionais referentes à atividade tributada. O imposto de renda pessoa jurídica foi reduzido, então, de R$ 67.915,29 para R$.19.734,83 Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 8 -reduziu-se a multa isolada do patamar de 75% para 50% em função da alteração de legislação superveniente (retroatividade benigna). Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho repisando os tópicos trazidos anteriormente, com exceção do erro material da apuração da base de cálculo já sanado pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o fundamento para autuação do IRPJ foi a não tributação das receitas decorrentes de ganhos na alienação de bens do ativo permanente, bem como as receitas provenientes da venda de mercadoria a associados não vinculadas à atividade econômica do associado e ao objeto da cooperativa, constituindo-se, segundo a visão do atuante, em atos não cooperativos. Apenas as receitas com terceiros, não associados, foram computadas no cálculo do IRPJ. Em apertada, síntese, os fundamentos básicos em que se escora a recorrente são os seguintes: - o objeto da cooperativa poderá ser qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, desde que não seja ilícita, inclusive existindo previsão legal autorizando que uma sociedade adote como objeto mais de um serviço, operação ou atividade, como é o caso: produção e consumo. Sendo assim, a venda de mercadorias aos associados é um ato cooperativo porque o ato cooperativo não tem como resuisito a vincula ão à atividade do associado, haja vista a disposição legal e, a exemplo, as cooperativas de consumo cujos atos cooperativos, na grande maioria das vezes, relação nenhuma guarda com a atividade do associado e porque a atividade mencionada encontra-se expressamente dentro dos objetivos da Impugnante e sua realização coincide exatamente com os objetivos, inclusive estatutários. - a defesa dos interesses econômicos de seus associados não se limita em viabilizar a produção e garantir a comercialização por um preço melhor a um custo mais baixo, mas também potencializar o poderio financeiro do associado na compra dos produtos de que necessita para sua subsistência - as principais característica das cooperativas são: atividades desenvolvidas com densidade econômica, objetivarem servir aos associados e não terem o intuito lucrativo. Nessa esteira, os indigitados atos foram praticados sem qualquer intuito de lucro e visando exclusivamente os interesses associativos, quais sejam, defender os interesses econômicos dos j) associados, estabelecendo uma relação direta entre a produção e o consumo 8 Processo n° I 0665.00 I 040/2005-2 I S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 9 Por outras palavras a recorrente se escora basicamente em 2(duas) premissas que considero falsas: 1 — são condições suficientes para a identificação de um ato cooperativo que sejam praticados sem qualquer intuito de lucro e visem de uma forma geral exclusivamente os interesses associativos, direta ou indiretamente. 2 — como corolário do item 1, o ato cooperativo não tem como requisito a vinculação nenhuma à atividade do associado, desde que esteja previsto em estatuto. No caso da cooperativa, a finalidade não pode voltar-se diretamente para o atendimento pleno e geral dos associados, pois são os associados limitados a uma categoria de atuação, é que folinam o parâmetro do seu objeto social. Isso já estava consagrado desde o advento do Decreto-Lei n.° 59, de 21 de novembro de 1966, regulamentado pelo Decreto n.° 60.597, de 19 de abril de 1967: "As cooperativas, qualquer que seja sua categoria ou espécie, são entidades de pessoas, com forma jurídica própria, de natureza civil, para a prestação de serviços ou exercício de atividades sem finalidade lucrativa, não sujeitas à falência, distinguindo-se das demais sociedades pelas normas e princípios estabelecidos na presente Lei" O que foi reiterado pelos arts. 3° e 4° Lei n.° 5.764, de 16 de dezembro de 1971 que, atualmente, disciplina a Política Nacional de Cooperativismo nos seguintes tennos: "art. 3. Celebram contrato de sociedade cooperativa pessoas •z,te reciorocamente se obri•am a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. art. 4. As coo_perativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características ..." (g.n) Portanto, na cooperativa, a finalidade está vinculada à atividade própria do associado. Essa premissa é fundamental para entender situações limites, tais como por exemplo situações tais em que determinado tipo de cooperativa tem necessariamente que lidar com terceiros. Nesses casos, embora a Lei tenha ressaltado a necessidade de as transações serem sempre com os próprios cooperados, excluindo-se os terceiros, o faz por um outro motivo maior, qual seja: quando se envolvem terceiros, na maioria dos casos, desnatura-se o conceito de cooperativa no sentido de "sociedade cooperativa de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum _(art. 30 da Lei n° 5.764/71). Essa solução de fazer com que a finalidade esteja intrinsicamente vinculada à atividade própria do associado a meu ver é a mais consentânea com o principio da razoabilidade, pois não se deixa levar nem pela concepção dita restritiva, que muitos atribuem ao Direito Positivo Brasileiro, nem muito menos por uma concepção deveras elástica como acontecer de ser no Direito Positivo Argentino, que penuite às escâncaras que o ato cooperativo seja praticado com terceiros. ///f Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 10 O artigo 40 da Lei n° 20.337, de 02.05.73, assim define o ato cooperativo: "São atos cooperativos os realizados entre as cooperativas e seus associados e por aquelas entre si em cumprimento do objeto social e da consecução dos fins institucionais. Também o são, a respeito das cooperativas, os atos jurídicos que com idêntica finalidade realizem com outras pessoas" (g.n). A Lei Argentina dá prevalência ao elemento funcional em detrimento ao elemento estrutural que identificam os sujeitos partícipes. Já a legislação brasileira define o ato cooperado como sendo composto por dois elementos que se integram em um todo: o critério estrutural subjetivo e o critério funcional que identifica a sua finalidade ("...para a consecução dos objetivos sociais"). Como já disse em minha interpretação dou relevo ao critério funcional, pois acredito que ele assimila o critério subjetivo desde que associado à premissa conceitual básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade específica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca: a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo? Se a resposta for afirmativa, então trata-se de ato cooperado, independentemente de envolver ou não terceiros, caso contrário, será ato não cooperado. Em resumo, os atos-meio isentos são os que, além de essenciais à realização do objeto social da sociedade e estão diretamente relacionados com os bens ou serviços produzidos por cada associado, individualmente. Observar que essa conceituação prescinde de se utilizar açodadamente do mecanismo de identificar transações com terceiros, para daí concluir, que isso por si só daria ensejo a reputar tais atos de não-cooperativos. Sendo assim, as receitas provenientes da venda de mercadoria a associados, para sua mera subsistência, não as considero vinculadas à atividade econômica específica do associado, pois o esforço próprio e individualizado de seus membros não dá ensejo, não contribue para a consecução dessa atividade e como tal o resultado dessa atividade está sujeito às mesmas nolinas de incidência do imposto de renda pessoa jurídica. Nessa linha de entendimento inócuo também se torna toda uma doutrina que sublinha a necessidade dos atos auxiliares para o cumprimento dos objetivos cooperativos, enfatizando-se semelhanças (conexão e mesmo interesse) e seu aspecto instrumental, ou seja, de servir de meio para atingir seu objetivo (ato cooperado). No caso particular a recorrente não se utilizou do expediente acima (doutrina dos atos auxiliares), mas incorporou implicitamente esse conceito na medida em que reveste tais atos como se de outro objeto social se tratasse: "defesa geral do interesse econômico do associado". No caso me refiro aos incisos VII e VIII do art. 17 do seu estatuto sócia (fi 140), verbis: 10 Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 11 "VII — Sempre que julgar conveniente, criar e manter os municípios de uma área de ação, armazéns cooperativos, postos de combustíveis e derivados, e outro serviços pertinentes às atividades agropecuárias, para fornecimento aos associados; VIII — Entregar ao associado, quando possível, para descontar em sua folha de pagamento de leite e derivados ou produtos agrícolas, bens no valor de até 100% de seu fornecimento no mês anterior." Nesse particular, a posição assumida pela Secretaria da Receita Federal, no Parecer Normativo CST n° 38/80, embora versando sobre matéria distinta, as cooperativas médicas, se amolda ao caso que se cuida como se uma luva o fosse: — Ainda por incabível qualquer alegação tendente a considerar tratar-se de cooperativa mista (art. 10, 2°, c/c art. 7°, da lei citada), é fácil depreender que a diversificação das prestações de bens/serviços que dependem de intermediação, poderia ensejar a escalada a outras, sob alegação de afinidade, como por exemplo, fornecimento de refeições, locais de repouso e veraneio, tratamento dentário, assistência social e quiçá até serviço funerário." Nesse particular, mesmo que se trate de uma cooperativa mista, comportando o aspecto "consumo", também não pode prosperar a pretensão da recorrente, pois encontra um forte óbice em previsão legal de tributação dos atos mencionados. É que veio em boa hora a Lei n° 9.532/97, positivar essa situação, especificamente em relação a atividades de consumo, que por sua própria natureza dificilmente comportaria essa caracterização de incorporar o trabalho individualizado das pessoas, dos cooperados nos produtos a serem consumidos, a não ser que eles mesmos os fabricassem. A lei n° 9.532, de 1997, artigo 69, (reproduzido no artigo 184 do RIR/99) dispõe: Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, por meio do Ato Declamtório Normativo Cosit n° 04, de 1999, tendo em vista o disposto no art. 69 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados: (.); b) o termo "consumidores", referido no art. 69 da Lei n° 9.532/97, abrange tanto os não-associados como também os associados das sociedades cooperativas de consumo. Processo n° 10665.001040/2005-21 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 12 Sendo assim as receitas provenientes da venda de mercadoria a associados, por comportar característica presente nas chamadas cooperativa de consumo, foi positivada em nosso ordenamento jurídico como se de ato não cooperativo fosse, sendo, portanto, tributadas. Portanto, por 2(dois) fundamentos que se somam mantenho esse item da autuação. Ganhos na alienação de bens do ativo permanente Da mesma sorte, não há a menor possibilidade de a venda de ativos pelinanentes enquadrar-se como ato cooperado. É que tal evento tem nitidamente o caráter de mercância e de natureza não operacional até para as demais empresas, nunca se deixando vincular pelos seus objetos sociais. Por maior motivo isso acontece também nas cooperativas onde não se vislumbra vinculação imediata alguma com o seu estatuto social, bem assim com o caráter não lucrativo das cooperativas. Ademais, por óbvio, apesar de esses eventos poderem ser considerados importantes de uma forma geral, não representa ou não contempla em seu bojo o esforço próprio e individualizado que cada um dos cooperados têm que necessariamente contribuir para o proveito comum. Portanto, mantenho também o lançamento nesse aspecto. Multa isolada — estimativas não pagas Trata-se de tópico relacionado à multa isolada por falta ou insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa nos anos-calendário de 2000 a 2003. No dizer do autuante: "Ocorre que no cálculo do IRPJ mensal por estimativa, não foram incluídas as receitas decorrentes de ganhos na alienação de bens do ativo permanente, bem como as receitas provenientes da venda de mercadoria a associados não vinculadas à atividade econômica do associado e ao objeto da cooperativa, constituindo-se, portanto, em atos não cooperativos. Apenas as receitas com terceiros, não associados, foram computadas no cálculo do IRPJ mensal por estimativa." Cabe de início esclarecer que no tocante à multa isolada sempre fui de acordo de que há aqui a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. A alíquota de 75% foi inclusive alterada posteriormente pelo legislador para ressaltar mais ainda essa constatação. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o ano-calendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei n° 11.488, 12 Processo n° 10665.001040/2005-21 Sl-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.167 Fl. 13 de 15 de junho de 2007, dando-lhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendo-os mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplica-se ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mês-calendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o dever-ser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerando-se o conteúdo das detelminações legais. Afinal, não se pode admitir uma regra jurídica impositiva sem efetividade. O referido preceptivo legal veio justamente dar efetividade à regra que permite a apuração do lucro real anual, condicionada aos recolhimentos mensais por estimativa. O não-cumprimento da obrigação tributária estabelecida nos dispositivos legais pelas pessoas jurídicas a elas obrigadas, consubstancia-se em infração tributária e oportuniza o procedimento fiscal de oficio que visa restaurar o ordenamento jurídico violado. Mantenho, portanto, a multas isolada nos exatos termos prescritos na autuação. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. ANTONIO ZERRA NETO 13
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